Fernando Alcoforado*
O capitalismo é um sistema complexo, dinâmico, adaptativo e não linear porque possui elementos ou agentes em grande número que interagem entre si formando uma ou mais estruturas que se originam das interações entre tais agentes. Os sistemas complexos são sistemas que se caracterizam por serem dinâmicos que têm como características fundamentais sua sensível dependência das condições iniciais pelas quais, mínimas diferenças no início de um processo qualquer, podem levar a situações completamente opostas ao longo do tempo. A opinião de Ervin Laszlo, Ph.D. pela Sorbonne e presidente do Clube de Budapeste, apresentada no livro O Ponto do Caos (São Paulo: Editora Cultrix, 2006), é a de que um sistema dinâmico, quer ocorra na natureza, na sociedade ou em uma simulação de computador, é governado por atratores.
Segundo Lazlo, os atratores definem “o retrato de fase” do sistema: a maneira como ele se comporta ao longo do tempo. Atratores estáveis puxam a trajetória do desenvolvimento do sistema para dentro de um padrão recorrente e reconhecível, levando-o a convergir em um dado ponto (se o sistema for governado por atratores pontuais) ou a descrever ciclos através de diferentes estados (quando ele está sob o comando de atratores periódicos). Um atrator é o conjunto de pontos no espaço de fase para o qual um sistema tende a ir à medida que evolui. O atrator pode ser, entretanto, um único ponto, uma curva fechada (ciclo limite) que descreve um sistema de comportamento periódico, ou um fractal (também chamado de atrator “estranho”), quando o sistema apresenta caos. No entanto, sistemas dinâmicos também podem alcançar um estado em que os atratores que emergem não são estáveis, mas “estranhos”. São os “atratores caóticos”. Em sistemas caóticos o movimento nunca se repete, apesar de muitas vezes ter que ocorrer dentro de certos limites. Assim, somente uma figura infinitamente complexa – um fractal – pode dar conta de representar esta trajetória que nunca se repete no espaço de fase. Mudança e Tempo são os dois aspectos fundamentais do Caos.
Como exemplo de atratores estáveis no sistema capitalista, podem ser citados o consumo das famílias, o investimento empresarial e o comércio exterior (exportação menos importação) que operam para promover o crescimento econômico, da renda e do emprego. Quando declina o consumo das famílias, o investimento empresarial e os ganhos com o comércio exterior, deveria haver o mecanismo de “feedback” e controle pelo governo para através do gasto público e de políticas monetárias, cambiais e fiscais agir para compensar o declínio citado e, em consequência, assegurar a estabilidade do sistema econômico. Este foi o modelo proposto pelo Lord Keynes que formulou o denominado modelo Keynesiano de gestão da economia. Como se trata de um sistema dinâmico, podem surgir atratores “estranhos” ou caóticos que podem desestabilizar o sistema, mesmo que haja o “feedback” ou controle pelo governo. Estes atratores “estranhos” podem se situar no âmbito econômico como, por exemplo, elevada dívida pública, elevado déficit no balanço de pagamentos, elevado gasto público ou alto nível de inflação, no âmbito político como, por exemplo, a instabilidade do sistema político do país e, no âmbito social, o desemprego em massa ou alto nível de criminalidade. Os atratores “estranhos” ou caóticos podem levar à desestabilização do sistema capitalista.
O Caos se refere principalmente a algo que evolui ao longo do tempo. A Teoria do Caos explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. É de Ervin Laszlo a afirmação de que os sistemas entram em um estado de caos quando flutuações que eram, até então, corrigidas por “feedback” ou realimentações negativas autoestabilizadoras ficam fora de controle. A trajetória de desenvolvimento torna-se não linear: tendências predominantes colapsam e em seu lugar surgem vários desenvolvimentos complexos. Raramente o caos é uma condição prolongada. Na maior parte dos casos, é apenas uma época transitória entre estados mais estáveis. Quando as flutuações no sistema atingem níveis de irreversibilidade, o sistema atinge um ponto crítico em que ele colapsa ou passa por uma evolução rápida em direção a um estado resistente às flutuações que o desestabilizaram (avanço revolucionário). Se esse caminho do avanço revolucionário é selecionado, o sistema evolui para um estado no qual ele passa a ter mais flexibilidade, maior complexidade estrutural e níveis de organização adicionais.
Quando está sujeito a “flutuações”, um sistema dinâmico como o sistema econômico de um país é levado a um ponto de bifurcação a partir do qual o sistema alcança uma nova estabilidade dinâmica (avanço revolucionário) ou entra em colapso. No ponto de bifurcação, o sistema tem que ser reestruturado ou entrará em colapso. Esta é a situação vivida pela economia de muitos países do mundo que, após a crise que eclodiu em 2008 nos Estados Unidos e se espraiou pelo planeta, não houve uma reestruturação de seus sistemas econômicos. Esta reestruturação requereria a adoção de medidas que contribuíssem para levar à eliminação dos atratores “estranhos” que podem se situar como já foi citado no âmbito econômico, tais como a elevada dívida pública, o elevado déficit no balanço de pagamentos ou o alto nível de inflação, no âmbito político como, por exemplo, a instabilidade do sistema político do país e, no âmbito social como, por exemplo, o desemprego em massa e o alto nível de criminalidade. Os atratores “estranhos” ou caóticos que levam à desestabilização do sistema capitalista em cada país precisam ser eliminados para ele evoluir senão será levado ao colapso.
*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e da Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).