Fernando Alcoforado*
O Brasil tem 5 candidatos à Presidência da República mais viáveis eleitoralmente que vão se digladiar nas eleições presidenciais. São eles Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e o candidato do PT que ocupará o lugar de Lula. A análise desses candidatos permite constatar que, ideologicamente, Bolsonaro e Alckmin são de direita e Marina Silva, Ciro Gomes e o candidato do PT são de esquerda. Esquerda e Direita são uma forma comum de classificar posições políticas, ideológicas, ou partidos políticos. Bobbio afirma que uma diferença fundamental entre esquerda e direita é a de que a primeira é defensora intransigente da igualdade e a direita não. A esquerda acredita que a maior parte das desigualdades é social e, enquanto tal, eliminável e a direita acha que a maior parte delas é natural e, portanto, ineliminável (BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda. São Paulo: Editora UNESP, 1995).
Outra diferença entre esquerda e direita no Brasil é a de que a esquerda defende a intervenção do Estado na economia com planos de desenvolvimento e a direita defende a não intevenção do governo no mercado, a esquerda é contrária à política neoliberal de liberalização do mercado e de privatização de empresas estatais, enquanto a direita defende o contrário. Outra diferença entre esquerda e direita no Brasil é a de que a esquerda é reformista ao defender reformas políticas, econômicas e sociais favoráveis à maioria da população, enquanto a direita é conservadora ao defender a manutenção dos privilégios das classes dominantes. Outra diferença entre esquerda e direita no Brasil é a de a esquerda é defensora intransigente dos interesses nacioansi e a direita defende o contrário. Os candidatos presidenciais mais viáveis de esquerda no Brasil são reformistas em maior ou menor extensão, enquanto os da direita são conservadores.
O candidato Jair Bolsonaro, que é radical de extrema-direita, e, portanto, defensor da manutenção dos privilégios das classes dominantes passa a impressão em suas entrevistas de que não entende nada de economia, fato este que é péssimo porque o Presidente da República tem que ter discernimento para decidir sobre os melhores caminhos para desenvolver o Brasil. Perguntado se ele tem um plano de desenvolvimento para o Brasil, ele respondeu que não tem e que ninguém tem. Pelo exposto, Bolsonaro demonstra despreparo para governar o Brasil por não entender de economia e não apontar as soluções concretas que levem à superação da crise atual e reativar a economia nacional. A crise que afeta o Brasil se aprofundaria com a ascensão ao poder de Jair Bolsonaro.
Marina Silva, que é de centro-esquerda, tem criticado o governo Michel Temer e sua agenda econômica neoliberal, bem como a reforma política em discussão no parlamento. Marina criticou o projeto de reforma da Previdência enviado pelo Planalto e atacou a maneira como Temer encaminhou a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece um teto nos gastos públicos por 20 anos. Marina já havia sido acusada por ex-integrantes de seu partido por não se posicionar a respeito das principais questões do país. No final de 2016 um grupo de intelectuais debandou do partido afirmando em nota que “a sociedade brasileira não sabe o que pensa a Rede, nem consegue situá-la no espectro político ideológico”. Marina Silva não propõe um plano econômico que contribua para superar a crise atual e promover a retomada do desenvolvimento. A crise que afeta o Brasil se aprofundaria com a ascensão ao poder de Marina Silva.
Ciro Gomes, que é de centro-esquerda, já tem um conjunto de propostas com as quais, conforme diz, o Brasil celebrará um “projeto nacional de desenvolvimento”. Para Ciro Gomes, o projeto de desenvolvimento que defende tem como objetivo superar a miséria. Para alcançá-lo, a tática é industrializar o país. Outro é o complexo industrial da saúde, para tirar o país da dependência internacional de medicamentos, equipamentos, próteses, tecnologia na área de diagnósticos – muitos dos quais, segundo ele, com patente vencida. E por último o complexo industrial da defesa. Ciro Gomes afirma que vai reduzir a taxa de juros constantemente até um patamar global e que vai propor projeto de mudança no sistema tributário. Ciro Gomes propõe estratégia que contribua para a redução da dívida pública que é o principal problema econômico enfrentado pelo Brasil. Uma das primeiras medidas, segundo ele, seria a revogação da inacreditável lei de FHC que revogou a tributação sobre lucros e dividendos. A crise que afeta o Brasil poderia ser solucionada com a ascensão ao poder de Ciro Gomes porque é o único candidato que tem um plano consistente de superação da crise e de desenvolvimento para o Brasil.
Geraldo Alckmin, que é de centro-direita, está desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes de seu partido (PSDB), em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que nega. A candidatura Alckmim representa a continuidade do neoliberalismo como política econômica antissocial e antinacional inaugurada no Brasil pelo governo FHC na década de 1990, implementada também pelos governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. A política econômica neoliberal de um governo Alckmim agravaria ainda mais a situação econômica e social do Brasil. Geraldo Alckmim não aponta soluções concretas que levem à superação da crise atual. A crise que afeta o Brasil se aprofundaria com a ascensão ao poder de Geraldo Alckmin.
O candidato do PT que ocuparia o lugar de Lula, que é de centro-esquerda, pesaria contra ele o fato de os governos petistas terem contribuído para a situação catastrófica econômica, política e social e pela corrupção sistêmica vivida pelo Brasil na atualidade. O foco da plataforma do candidato do PT consiste em ampliar o crédito para a produção e o consumo visando reduzir o número de desempregados. Entre as propostas que a cúpula do PT defende para enfrentar a crise estão a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego, reajuste de 20% nos valores do Programa Bolsa Família e aumento real do salário mínimo, além da correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual. O candidato do PT tentaria reativar a economia brasileira e aumentar a oferta de empregos com investimento público com o uso das reservas internacionais e a ampliação do crédito para a produção e o consumo. O PT não propõe, entretanto, nenhuma estratégia que contribua para a redução da dívida pública que é o principal problema econômico enfrentado pelo Brasil. O PT não propõe mudanças no modelo econômico que continuaria sob a égide do neoliberalismo nem aponta as soluções concretas que contribuam para superar a crise atual e promover a retomada do desenvolvimento.
Considerando o fato de o Brasil, como organização econômica, social e política, se encontrar em desintegração cujos sinais são evidentes em todas as partes do País e que a estagnação econômica atual tende a se agravar no Brasil com a elevação do desemprego e a redução das receitas do Estado que poderão inviabilizar sua capacidade de intervenção na economia, a eleição de um Presidente da República que não seja capaz de superar a crise atual e reativar a economia brasileira pode levar o País à convulsão social. Para evitar este cenário, é necessário eleger um Presidente da República que aumente a capacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecer respostas eficazes para superação da crise política, econômica e social em que se debate a nação brasileira. Sem a solução desses problemas, o País poderá ficar convulsionado e o caos poderá se instalar no Brasil com o incremento das manifestações da população nas ruas e a presença das milícias de direita e de esquerda para combater seus opositores.
Da mesma forma que as SA (milícias nazistas) de extrema-direita e grupos paramilitares comunistas de extrema-esquerda surgiram e se confrontaram com extrema violência na Alemanha durante a República de Weimar após a 1ª Guerra Mundial, que contribuíram para a ascensão do nazismo, o mesmo pode acontecer no Brasil após as eleições de 2018 caso seja eleito um Presidente da República que não realize as reformas políticas, econômicas e sociais necessárias à superação da crise atual e a retomada do desenvolvimento. A violência que venha a ser praticada pelas milícias de direita e de esquerda poderia criar um ambiente de convulsão social que ofereceria a justificativa necessária para que seja patrocinado um golpe de estado no Brasil visando a manutenção da ordem política, econômica e social. O único cenário que evitaria o desencadeamento de violência entre a esquerda e a direita com a consequente implantação de uma ditadura é a eleição de um Presidente da República comprometido com a maioria da população e que tenha um plano de desenvolvimento bem concebido que é a do candidato Ciro Gomes.
*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).