Fernando Alcoforado*
As eleições presidenciais do Brasil serão decididas no segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Em artigo de nossa autoria, Brasil rumo ao suicídio coletivo da nação?, afirmamos que “o suicídio coletivo da nação brasileira poderá ocorrer se as próximas eleições presidenciais do Brasil forem decididas no segundo turno entre Jair Bolsonaro de extrema direita, de tendência fascista, e Fernando Haddad de esquerda, de tendência socialista. É considerado suicídio coletivo de uma nação quando seu povo escolhe um caminho que a levará inevitavelmente ao desastre político, econômico e social. A Alemanha nazista é um exemplo de suicídio coletivo de uma nação quando seu povo se defrontou com extrema violência política entre as facções de esquerda de tendência comunista e de direita de tendência nazista, deu respaldo aos atos praticados por Adolf Hitler após sua ascensão ao poder e sofreu as consequências da ditadura nazista e da derrota militar na 2ª Guerra Mundial com todas as suas maléficas consequências”.
Afirmamos no artigo supracitado que “seja Bolsonaro ou Haddad o vencedor do pleito presidencial, o Brasil poderá ser convulsionado, nessas circunstâncias, pela violência política entre a esquerda e a direita. Isto significa dizer que nem Bolsonaro nem Haddad adquirirão as condições de governabilidade. Enganam-se aqueles que pensam que o resultado das eleições será aceito pelos que forem derrotados e que a governabilidade possa ser alcançada apenas com o apoio da maioria do Parlamento em uma sociedade extremamente dividida como a do Brasil. O conflito entre os extremos ideológicos será inevitável que pode levar o Brasil a uma conflagração social ou a uma guerra civil sem precedentes em sua história da qual pode resultar a implantação de uma ditadura fascista de extrema direita seja com a vitória de Bolsonaro, seja com a vitória de Haddad que seria apeado do poder através de um golpe de estado”.
É importante observar que a frustração com a política, a polarização extremada e a intolerância são ingredientes para a emergência de regimes autoritários, sobretudo quando são alimentados por uma crise econômica prolongada, pelo desemprego em massa e pelo medo como vivenciamos na atualidade. Este é o Brasil da era contemporânea. Está muito claro o risco de um retrocesso político-institucional. Regimes autoritários podem surgir por vias eleitorais como ocorreu na Alemanha na década de 1930 do século XX quando o partido nazista cresceu em eleições, com apoio popular. Hitler chegou ao poder em 1933, graças à frustração com a República de Weimar, que não foi capaz de solucionar a gigantesca crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial. No Brasil, cresce o descrédito com as instituições democráticas, partidos, Legislativo, Executivo e Judiciário, alimentado pela polarização política, abrindo um perigoso espaço para o advento do fascismo. Enquanto parte significativa da população sente-se órfã e descrente nas instituições, grupos organizados de extrema-direita, antilulistas, festejam a vitória de Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais que vocaliza o descrédito no sistema democrático de apelo popular. Diante desses fatos, é fundamental a formação de uma ampla frente democrática, antifascista.
Para impedir que o fascismo vença no segundo turno das eleições presidenciais, urge a formação de uma frente democrática antifascista para derrotar Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais porque seu discurso de caráter fascista é baseado no culto da ordem, na violência do Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. Os adeptos do fascismo consideram que a causa dos males atuais do Brasil está relacionada com a corrupção e o uso do Estado por partidos de tendência comunista. Os fascistas buscam a purificação da sociedade brasileira das influências tóxicas de partidos e lideranças políticas, sobretudo aquelas ligadas ao PT e seus aliados, os quais seriam culpados pela situação lamentável em que vive a nação brasileira. A História nos diz que, uma vez que alcance o poder, os fascistas podem destruir os últimos vestígios de um governo democrático no Brasil.
Na escalada do fascismo no Brasil, está sendo realizada a aliança entre a elite conservadora e partidos conservadores com o candidato Bolsonaro. Para se contrapor ao avanço do fascismo e impedir a vitória de Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, é preciso que seja constituída uma frente democrática antifascista que, unificando as forças políticas de esquerda e os liberais democráticos, busque a coexistência pacífica entre classes sociais antagônicas e partidos políticos, também antagônicos, elegendo Fernando Haddad como Presidente da República desde que ele assuma o compromisso de celebrar um pacto político e social que atenda aos múltiplos interesses em jogo. Sem esta solução, o Brasil estará condenado ao suicídio político.
A frente democrática antifascista só deve ser constituída e apoiar Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais com a condição de que ele se comprometa a realizar um governo que busque a união do povo brasileiro em torno de um projeto comum de desenvolvimento político, econômico e social. É importante que Fernando Haddad convença e ganhe os votos no segundo turno dos eleitores de Bolsonaro que votaram nele pelo fato de representar o combate à corrupção e ao lulopetismo. É preciso que Fernando Haddad afirme convicentemente que será intransigente no combate à corrupção e que fará um governo de união nacional que não seguirá os ditames do PT e de Lula. Para agregar votos de esquerdistas e liberais em uma frente ampla democrática antifascista, é preciso que Fernando Haddad, sendo eleito, ponha em prática, um programa de governo que reflita as expectativas de amplos setores da sociedade brasileira.
É preciso observar que o suicídio coletivo da nação brasileira não ocorrerá apenas impedindo que Bolsonaro vença o segundo turno das eleições presidenciais. É preciso, também, sustentar Fernando Haddad no poder, assegurando sua governabilidade, se ele vencer as eleições. Esta governabilidade só haverá desde que Fernando Haddad governe com um amplo arco de alianças políticas cujo programa de governo radicalmente democrático reflita as expectativas de amplos setores da sociedade brasileira. A frente democrática antifascista é a garantia de que não haverá retrocesso político-institucional no Brasil.
*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, Sócio Benemérito da AEPET- Associação dos Engenheiros da Petrobras, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).