NÃO AO FASCISMO VOTANDO EM FERNANDO HADDAD

Fernando Alcoforado*

No primeiro turno das eleições presidenciais, não votei nem em Fernando Haddad, nem em Jair Bolsonaro porque nenhum dos dois teria condições de aglutinar a nação em busca do bem comum e, consequentemente, não reuniria condições de governar promovendo o desenvolvimento do Brasil. Meu voto foi destinado a Ciro Gomes que, além de ter um programa de governo capaz de reativar a economia brasileira, seria capaz de promover a paz social no Brasil. No segundo turno das eleições presidenciais, pensei seriamente em votar nulo porque Bolsonaro tem um programa de governo neoliberal (antissocial e antinacional) e Haddad tem um programa de governo que não contribui para reestruturar a economia brasileira em novas bases. Em outras palavras, nem Haddad nem Bolsonaro apresentam programas de governo capazes de reativar a economia brasileira.

Muito a contragosto, votarei em 28 de outubro em Haddad porque é a última alternativa que existe para evitar a ascensão do neofascista Bolsonaro à Presidência da República que, além de ameaçar as frágeis instituições democráticas existentes no País, acirrará o conflito entre os extremos ideológicos, esquerda e direita, que pode levar o Brasil a uma conflagração social ou a uma guerra civil sem precedentes em sua história da qual pode resultar a implantação de uma ditadura fascista de extrema direita. Votarei a contragosto em Haddad para evitar que, um governo Bolsonaro sepulte a democracia no Brasil e pratique um ato de lesa pátria ao se propor vender todo o patrimônio público com sua política de privatização, fato este que comprometeria o futuro do Brasil.

Votarei a contragosto em Haddad porque desde 2002 sempre fui crítico dos governos do PT haja vista que, nos 13 anos dos governos Lula e Dilma Rousseff, foi dada continuidade à política neoliberal, antissocial e antinacional, dos governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso seguindo o que estabeleceu o Consenso de Washington na década de 1990. Ao invés de dar continuidade ao processo de desenvolvimento econômico e social do Brasil e de emancipação nacional desencadeados pelos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart para a superação da dependência do Brasil ao capital estrangeiro e o fortalecimento dos setores produtivos pertencentes a brasileiros, nos governos do PT, o que se verificou foi o aumento da dependência financeira e tecnológica do Brasil em relação ao exterior, a desindustrialização do País e a desnacionalização da economia brasileira.

Sempre fui crítico aos governos Lula e Dilma Roussef porque eles mantiveram a flexibilização das relações trabalhistas que passou a existir desde o governo Fernando Henrique Cardoso em prejuízo dos trabalhadores e contribuíram para a escalada da corrupção que foi revelada através dos processos do Mensalão e da Operação Lava Jato. Além disso, o desastroso governo Dilma Rousseff contribuiu para a insolvência dos governos federal, estaduais e municipais, a falência generalizada de cerca de metade das empresas de pequeno, médio e grande porte do País e a subutilização da força de trabalho em mais de 27 milhões de trabalhadores em consequência da avassaladora recessão econômica atual que compromete o futuro econômico do Brasil.

Apesar do que acabo de expor de crítica aos governos do PT, votarei em Fernando Haddad para impedir que Bolsonaro implante uma ditadura fascista no Brasil. Em seu último discurso, transmitido por telão em São Paulo, na Avenida Paulista, Bolsonaro disse que seus opositores têm duas opções: “ou vão para fora, ou vão para a cadeia”. Ou seja, ameaça expulsar ou prender aqueles que fizerem oposição ao seu hipotético governo. Ele ameaça o jornal Folha de S. Paulo veículo de imprensa que denunciou seu caixa 2 para disseminar o esquema de fakenews. Desde o início da campanha, bem como ao longo da sua trajetória política nos últimos 28 anos, Bolsonaro dissemina ideias fascistas ao estimular a violência e o ódio, pregando que quem se opõe a ele deve ser exterminado ou “banido”. Não por outro motivo, esta eleição presidencial tem sido marcada por uma agressividade nunca vista em outros períodos eleitorais. Bolsonaro ameaça fechar o Supremo Tribunal Federal conforme afirmação de seu filho parlamentar.

O discurso de Bolsonaro é baseado no culto explícito da ordem, na violência de Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. O que está em jogo no Brasil no momento atual é, antes de tudo, nosso direito à vida, nosso direito à liberdade de pensamento e de opinião, nosso direito de falar o que pensamos. Está em jogo nessas eleições a preservação da democracia com o conjunto de direitos conquistados após a ditadura militar. Por tudo isto, Bolsonaro precisa ser derrotado nas eleições de 28 de outubro próximo.  NÃO AO FASCISMO VOTANDO EM FERNANDO HADDAD!

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, Sócio Benemérito da AEPET- Associação dos Engenheiros da Petrobras, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

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Author: falcoforado

FERNANDO ANTONIO GONÇALVES ALCOFORADO, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

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