O DIA D NA 2ª GUERRA MUNDIAL E O FIM DA TIRANIA NAZIFASCISTA

Fernando Alcoforado*

O Dia D (6 de junho de 1944), também conhecido como Operação Overlord, aconteceu no dia que marcou o início da liberação da França do domínio dos nazistas na 2ª Guerra Mundial. O Dia D foi extremamente importante ao criar uma frente ocidental de guerra que acentuou o desgaste dos alemães que já lutavam na Itália e na frente oriental contra a União Soviética. Hitler já esperava que um ataque à Normandia acontecesse. No entanto, não sabia onde e quando isso aconteceria. Ele depositava sua confiança na chamada Muralha do Atlântico, uma linha defensiva que se estendia por toda a costa do Atlântico. O desembarque dos soldados Aliados na Normandia começou na noite do dia 5 de junho de 1944, com paraquedistas saltando em diferentes posições. A ação dos paraquedistas foi considerada desorganizada, pois muitos deles foram mortos pelos alemães, enquanto outros morreram afogados em pântanos.

O grande mérito dessa missão foi ter criado uma grande confusão entre os nazistas. O pessoal mobilizado no Dia D foi de cerca de 150 mil homens, transportados em 5.300 embarcações, além de 1.200 tanques e de 12 mil aeronaves como apoio. Também foram utilizados paraquedistas, que saltaram em diferentes posições da Normandia para confundir as defesas inimigas e conquistar pontes importantes para garantir o avanço Aliado. As tropas Aliadas eram compostas, principalmente, por soldados norte-americanos, britânicos e canadenses e tinham como objetivo a conquista de cinco praias localizadas nas proximidades da cidade de Caen na França. As praias onde os desembarques foram realizados receberam os nomes de Omaha, Utah, Juno, Gold e Sword. A operação é considerada a maior invasão por mar da história e deu início à libertação dos territórios ocupados pelos alemães no noroeste da Europa.

É preciso observar que o fim da 2ª Guerra Mundial na Europa já era esperado desde fevereiro de 1943, quando o Exército Soviético venceu a Wehrmacht  (Exército alemão) em um dos maiores confrontos militares da história, conhecido como Batalha de Stalingrado. A 2ª Guerra Mundial encaminhava-se naquele momento para a consolidação da derrota do nazismo porque os exércitos alemães estavam sendo esmagados pelo Exército Vermelho na frente de guerra oriental. Por mais que a resistência nazista fosse notável, a força e o tamanho dos exércitos soviéticos eram muito grandes e pouco a pouco forçavam os alemães a recuar cada vez mais. A perda de força do exército da Alemanha já estava evidente com a expulsão dos alemães do Norte da África e com os desembarques dos Aliados na Itália. A Alemanha sofria pressão, a leste, da União Soviética, a sul, dos britânicos e dos norte-americanos na Itália. Como consequência do enfraquecimento alemão na frente oriental, houve a derrota na batalha de Stalingrado na Rússia que foi decisiva porque acabou definitivamente com as pretensões alemãs de vencer a guerra.

Pode-se afirmar que o verdadeiro Dia D na 2ª Guerra Mundial aconteceu com o término da batalha de Stalingrado na Rússia na qual o exército alemão esforçou-se enormemente para conquistar esta importante cidade no sul da União Soviética. A batalha de Stalingrado durou cerca de seis meses, do fim de julho de 1942 até 2 de fevereiro de 1943, sendo a batalha mais sangrenta da 2ª Guerra Mundial com 1,5 milhões de mortos, incluindo militares e população civil. O verdadeiro Dia D na história da 2ª Guerra Mundial é 2 de fevereiro de 1943 quando o exército nazista foi esmagado na União Soviética e deu início à derrocada da Alemanha nazista e não 6 de junho de 1944 quando houve a formação da frente ocidental com invasão dos Aliados na Normandia. A Batalha de Stalingrado teve quatro fases principais: a primeira, fase defensiva pelos soviéticos, até 19 de novembro de 1942; a segunda, com a ofensiva soviética ao norte e ao sul de Stalingrado, que levou ao cerco das forças alemãs na cidade; e, a terceira, com a tentativa dos alemães em socorrer suas tropas sem sucesso em Stalingrado e o esmagamento das unidades alemãs cercadas (2 de fevereiro de 1943).

Com o fracasso em Stalingrado e a diminuição dos suprimentos militares, a Alemanha perdeu consideravelmente sua força. A Batalha de Stalingrado mudou os rumos da 2ª  Guerra Mundial e colocou os Alemães em uma posição defensiva. O exército alemão se rendeu em 2 de fevereiro de 1943, com cerca de 91 mil soldados, todos eles em situações precárias. Foram feitos prisioneiros, entre eles 22 generais. Desses 91 mil, 11 mil alemães e soldados da Alemanha se recusaram a serem feitos prisioneiros nos campos de concentração soviéticos e decidiram lutar até a morte. Estes grupos lutaram até março de 1943 com dois mil deles sendo mortos e o restante feito prisioneiros. Dos 91 mil prisioneiros alemães da batalha de Stalingrado, somente 5 mil prisioneiros retornaram a suas casas após a guerra. Somente em 1955 os últimos soldados alemães restantes de Stalingrado foram repatriados. O fim da guerra na Europa ocorreu após a Batalha de Berlim, último capítulo da ofensiva soviética contra as forças alemãs. A batalha teve início em abril de 1945, com a arremetida das tropas soviéticas nos países ocupados pelos nazistas que depois se deslocaram até Berlim para exterminar definitivamente a tirania nazifascista. Em 30 de abril de 1945, na reta final da guerra, o líder nazista Adolf Hitler se suicidou. Pouco depois, Berlim se entregava, encaminhando a rendição que aconteceu no dia 8 de maio de 1945.

Referências:

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914 – 1991. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras.

WERTH, Alexander. Stalingrado: 1942 o início do fim da Alemanha nazista. Editora contexto, 2015.

*Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

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Author: falcoforado

FERNANDO ANTONIO GONÇALVES ALCOFORADO, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

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