Fernando Alcoforado*
Este artigo tem por objetivo apresentar os impactos das tecnologias disruptivas ao longo da história da humanidade desde a 1ª Revolução Agrícola até a 4ª Revolução Industrial ou Revolução Informacional ou Pós- Industrial contemporânea. O termo “disrupção” significa um ato de quebra ou descontinuidade de um processo existente. Um processo é chamado de disruptivo quando ele interrompe, suspende ou se afasta do funcionamento padrão ou normal. Quando esse termo é trazido para o contexto tecnológico e corporativo, a disrupção é tratada como um novo modelo de negócio que surge propondo algo diferente e inovador, rompendo com os padrões vigentes. Basicamente, quando uma nova tecnologia surge e proporciona o surgimento de serviços ou produtos inovadores ao mercado, causando efeitos de mudança e de ruptura nos padrões e modelos já estabelecidos, ela é considerada disruptiva.
A tecnologia disruptiva se baseia no conceito de “destruição criativa” cunhado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em 1939 para explicar os ciclos de negócios. Segundo Schumpeter, o capitalismo funciona em ciclos, e cada nova revolução (industrial ou tecnológica) destrói a anterior e domina seu mercado. O termo tecnologia disruptiva é uma tradução literal do conceito inglês «disrupt» que significa “interromper”, “destruir” ou “desmoronar” ou aquilo que interrompe o curso normal, que cria uma descontinuidade. Nem todas as inovações são, entretanto, disruptivas, mesmo que sejam revolucionárias. As invenções disruptivas são uma minoria comparadas quando comparadas a outros tipos de inovações introduzidas no mercado. Elas não podem ser confundidas com o aperfeiçoamento de tecnologias em termos de desenvolvimento tecnológico. Pode-se comparar a tecnologia disruptiva, grosso modo, a uma mudança de paradigma.
A 1ª Revolução Agrícola aconteceu há 6 mil anos a.C. Para que ocorresse a 1ª Revolução Agrícola foi de fundamental importância a descoberta, por exemplo, das sementes, que levaram ao desenvolvimento das técnicas produtivas e da especialização do trabalho na agricultura. Vendo como as sementes germinavam no solo, os produtores daquela época passaram a selecionar sementes dos melhores alimentos, a plantar uma a uma em solo macio e úmido e conseguiram os primeiros cultivos. O uso das sementes na produção agrícola se constituiu em tecnologia disruptiva que mudou o paradigma de produção da época.
A 2ª Revolução Agrícola ocorreu na Baixa Idade Média que corresponde ao período entre os séculos XII e meados do século XV. Neste período, houve um conjunto de transformações ocorridas na agricultura, a partir de novas técnicas e tecnologias como ferradura, rotação de culturas, charrua, coalheira etc.. Com a melhora das técnicas agrícolas, surgiu o excedente de produção agrícola, dinamizou o comércio, as cidades e a burguesia, abalando os pilares do feudalismo. Este excedente de produção agrícola fez com que o que fosse produzido virasse “moeda”, escambo. Na Baixa Idade Média, surgiu uma nova classe social: a burguesia. Dedicados ao comércio, os burgueses se enriqueceram e dinamizaram a economia no final da Idade Média. As cidades passaram a significar maiores oportunidades de trabalho (MAZOYER e ROUDART, 2008).
A evolução da produtividade agrícola na Baixa Idade Média foi muitíssimo lenta. Baseando-se apenas em melhorar o arado de pau puxado pelo homem e alguns utensílios de pedra, passaram-se séculos para que os trabalhos de arrasto feitos pelo homem pudessem ser substituídos pela força animal, libertando-se o homem de trabalho tão árduo. Com o aparecimento e barateamento do ferro, o arado foi melhorado. O arado é um instrumento que serve para lavrar (arar) os campos, revolvendo a terra com o objetivo de descompactá-la e, assim, viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes das plantas. Houve várias conquistas técnicas com o arado de ferro e com o desenvolvimento de novas maneiras de se atrelar o arado aos animais de modo a permitir que eles fossem utilizados à plena carga, além de substituír o boi pelo cavalo, como animal de tração. Pode-se afirmar que o arado foi uma das grandes invenções da humanidade se constituindo em uma tecnologia disruptiva por permitir a produção de crescentes quantidades de alimentos e a fixação de populações estáveis.
A Revolução Comercial teve início no século XI. A moeda entra em cena, assumindo a posição de elemento fundamental da economia. É o fim das relações de subsistência e início das relações de produção e troca que passaram a acontecer através dos mercados das cidades. Ao final da Idade Média, inovações tecnológicas começaram a aparecer na Europa. As técnicas de produção agrícola foram uma inovação adquirida ainda no final da Idade Média, mas ampliadas no novo período da história da humanidade. Junto com elas, vieram novas técnicas contábeis adequadas às novas formas de comércio, a intensificação da mineração, os novos artifícios de navegação e o aperfeiçoamento da cartografia e seus instrumentos que se constituíram em tecnologias disruptivas. Ao mesmo tempo, foram se desenvolvendo as grandes navegações, que permitiram maior circulação de mercadorias e das chamadas especiarias.
A Revolução Comercial na Idade Média foi um período de grande expansão econômica da Europa que durou do século XII ao século XVIII e resultou em transformações profundas na economia europeia. A moeda tornou-se fator primordial da riqueza porque as transações comerciais foram monetizadas. A produção e a troca deixaram de ter caráter de mera subsistência e passaram a atender aos mercados das cidades. A Revolução Comercial foi fruto dos novos tempos vividos na Europa, como resultado da transição do período medieval para o Moderno, da expansão ultramarina e do mercantilismo que contempla uma série de medidas de ordem econômica e política, com as quais os reis procuravam aumentar o absolutismo monárquico e promover a prosperidade do Estado. A navegação e o comércio de alto-mar ganharam impulso com a construção de novos tipos de embarcação e o aperfeiçoamento da cartografia e de instrumentos como a bússola todas elas tecnologias disruptivas porque promoveram transformações profundas na economia europeia. O mundo estava começando a se integrar economicamente.
A 3ª Revolução Agrícola aconteceu na Inglaterra em paralelo com a 1ª Revolução Industrial com as inovações agrícolas que foi um processo que iniciou entre o final do século XVII e o final do século XVIII, na Inglaterra e na Holanda (Províncias Unidas), países com uma intensa atividade comercial. Os grandes proprietários agrícolas ingleses aumentaram o tamanho de seus terrenos com a anexação de terrenos baldios, comprando a baixo preço terras a pequenos proprietários, recorrendo ao emparcelamento e cercamento dos terrenos (enclosures) que se constituindo em novas tecnologias disruptivas possibilitaram o aumento da criação de gado. Fizeram experiências agrícolas ao nível da produtividade do solo e do aperfeiçoamento das raças animais. A agricultura, orientada para o mercado, permitiu aos proprietários rurais, aumentar a produção, conseguir lucros e investir em novas máquinas e técnicas (MAZOYER & ROUDART, 2008).
O cercamento das terras e a criação de gado provocaram a diminuição das necessidades de mão de obra. Muitos camponeses sem terra e trabalho no campo acabaram por migrar para a cidade. As inovações que se constituíram em tecnologias disruptivas na agricultura consistiram no aperfeiçoamento de instrumentos e utilização das primeiras máquinas agrícolas, aplicação do sistema de rotação quadrienal das culturas com recurso à fertilização da terra com estrume animal, seleção de sementes e de animais reprodutores, expansão de novas culturas mais produtivas, caso da batata e do milho, aumento da área cultivável com a melhoria dos solos arenosos, com a adição de argila e a drenagem de pântanos. Novas técnicas agrícolas e maior investimento em maquinaria agrícola levaram ao aumento da produção agrícola que passou a ser orientada para o mercado gerando maiores lucros na agricultura que foram investidos no arranque do processo de industrialização. Os lucros oriundos da agricultura e do comércio colonial foram aplicados no desenvolvimento da atividade industrial e no comércio contribuindo para o crescimento do número de bancos que emprestavam dinheiro. A 3ª Revolução Agrícola ocorrida na Inglaterra foi uma fator importante no desencadeamento da 1ª Revolução Industrial (SLIDESHARE.NET, 2014).
A 1ª Revolução Industrial ocorreu no fim do século XVIII na Inglaterra. No seu decorrer, multiplicaram-se as fábricas com o uso de novas tecnologias disruptivas como a máquina a vapor, no final do Século XVIII e começo do Século XIX, cujo desenvolvimento foi marcante, particularmente nos setores motores da época, o têxtil e a metalurgia. (BRONOWSKY, 1991). Neste período, a ciência ingressou em um constante processo de evolução que desencadeou uma série de novas tecnologias que transformaram de forma rápida a vida do ser humano, sobretudo, no modo de produzir mercadorias. (TEIXEIRA, 2004). Iniciada na Inglaterra, no ano de 1780, também chamada “era do carvão e do ferro”, a 1ª Revolução Industrial foi assim denominada por ter sido responsável por profundas e radicais transformações econômicas e sociais. Embora tenha causado mudanças não só na indústria, mas também na agricultura, pecuária, comércio, etc., as mais profundas se deram nos meios de produção. Foi introduzida a prática mecânica, com máquinas a vapor e a carvão, o trabalho assalariado, e a sociedade deixou de ser rural para ser urbana.
A 1ª Revolução Industrial ficou caracterizada por duas importantes invenções que propunham uma reviravolta no setor produtivo e de transportes. A ciência descobriu a utilidade do carvão como fonte de energia e a partir daí desenvolveram simultaneamente a máquina a vapor e a locomotiva. Ambas foram tecnologias disruptivas determinantes da dinamização do transporte de matéria-prima, pessoas e distribuição de mercadorias, dando um novo panorama aos meios de se locomover e produzir. O sistema de transporte característico é a ferrovia, além da navegação marítima, também movida à energia do vapor do carvão. Um dos primeiros ramos industriais a usufruir a nova tecnologia da máquina a vapor foi a produção têxtil com o uso do tear mecânico, que antes da 1ª Revolução Industrial era desenvolvida de forma artesanal. Ao seu lado, aparece a siderurgia, dada a importância que o aço tem na instalação de um período técnico apoiado na mecanização do trabalho.
A principal característica da 1ª Revolução Industrial foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas. A utilização de máquinas nas indústrias, que desempenhavam grande força e agilidade movida à energia do carvão, proporcionou uma produtividade extremamente elevada e crescente, fazendo com que a indústria se tornasse uma excepcional alternativa de trabalho. Nesse momento milhares de pessoas deixaram o campo em direção às cidades. O acelerado êxodo rural provocou expressivo crescimento dos centros urbanos em grande parte das nações europeias que realizavam sua revolução industrial. Algumas cidades da Europa aumentaram três vezes o número existente de sua população em meio século (ALCOFORADO, 2016).
A 2ª Revolução Industrial ocorreu no período de 1860 a 1900. O emprego do aço, a utilização da energia elétrica e dos combustíveis derivados do petróleo, a invenção do motor a explosão e o desenvolvimento de produtos químicos foram as principais tecnologias disruptivas desse período (SOUSA, 2016). A 2ª Revolução Industrial tem suas bases nos ramos metalúrgico e químico. Neste período, o aço torna-se um material tão básico que é nele que a siderurgia ganha sua grande expressão. A indústria automobilística assume grande importância nesse período. O trabalhador típico desse período é o metalúrgico. O sistema de técnica e de trabalho desse período é o fordista, termo que se refere ao empresário Henry Ford, criador da linha de montagem na sua indústria automobilística em Detroit, Estados Unidos, sistema que se tornou o paradigma de regulação técnica e do trabalho conhecido em todo o mundo industrial. A forma mais característica de automação é a linha de montagem, criada por Ford em 1920, com a qual introduz na indústria a produção padronizada, em série e de massa. A tecnologia característica desse período é baseada no aço, na metalurgia, na eletricidade, na eletromecânica, no petróleo, no motor a explosão e na petroquímica. A eletricidade e o petróleo são as principais formas de energia (TEIXEIRA, 2004).
A 2ª Revolução Industrial ficou conhecida como a “era do aço e da eletricidade”. Entre as tecnologias disruptivas surgidas nessa época, estão o processo de Bessemer de transformação do ferro em aço, que permitiu a produção do aço em larga escala, o dínamo, que permitiu a substituição do vapor pela eletricidade e o motor de combustão interna, que permitiu a utilização do petróleo em larga escala, criando condições para a invenção do automóvel e do avião. (ALCOFORADO, 2016). O taylorismo surgiu no começo do Século XX como tecnologia disruptiva de gestão, criada por Frederick W. Taylor e era uma nova forma de gestão empresarial. Seu objetivo era tornar o trabalhador mais produtivo. A intenção de Taylor era fazer do trabalhador uma parte da empresa, incorporá-lo à maquina. Seus princípios básicos eram a divisão do trabalho, a padronização das tarefas, a separação entre planejamento e execução, a criação de um trabalhador facilmente treinável e substituível. O trabalhador passa a ser comandado pela máquina. É o taylorismo na base do fordismo que separa o trabalho intelectual do trabalho manual. Taylor elabora um sistema que denomina organização científica do trabalho que se caracteriza por contemplar um trabalho especializado, fragmentado, intenso, rotineiro e hierarquizado.
A 4ª Revolução Agrícola recebeu o nome de Revolução Verde tendo ocorrido nas décadas de 1960 e 1970 do século XX. A expressão Revolução Verde diz respeito à invenção e disseminação de novas sementes e práticas agrícolas que se constituiram em tecnologias disruptivas ao permitirem um vertiginoso aumento na produção agrícola nos Estados Unidos e na Europa e, nas décadas seguintes, em outros países. A Revolução Verde é um amplo programa idealizado para aumentar a produção agrícola no mundo por meio de melhorias genéticas em sementes, uso intensivo de insumos industriais, mecanização e redução do custo de manejo (VASCONCELOS, 2007). A Revolução Verde foi um amplo programa idealizado para aumentar a produção agrícola no mundo por meio do uso intensivo de insumos industriais, mecanização e redução do custo de manejo. O modelo se baseia na intensiva utilização de sementes geneticamente alteradas (particularmente sementes híbridas), insumos industriais, fertilizantes e defensivos agrícolas com o uso de agrotóxicos, mecanização, produção em massa de produtos homogêneos e diminuição do custo de manejo. Também é creditado, à Revolução Verde, o uso extensivo de tecnologias disruptivas no plantio, na irrigação e na colheita, assim como no gerenciamento de produção. Esse ciclo de inovações se iniciou com os avanços tecnológicos obtidos após a 2ª Guerra Mundial.
Na expansão da agricultura com base na Revolução Verde, há na atualidade uma grande utilização dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), que os especialistas têm chamado de “agricultura de precisão”. Nesse contexto é que o debate entre biotecnologia, transgênicos e agricultura orgânica ganha força. A biotecnologia, há tempos, é uma tecnologia disruptiva sendo uma realidade em todas as partes do planeta, pois consiste em desenvolver técnicas e tecnologias de melhoramento genético de organismos vegetais (até mesmo animais) para sua melhor adaptação a um tipo de clima, solo, relevo e etc., como também pretende desenvolver o melhoramento no manejo do solo, a fim de garantir uma melhor produtividade da lavoura. A biotecnologia começou a produzir sementes modificadas em laboratório, os chamados transgênicos.
A 3ª Revolução Industrial tem início na década de 1970 do século XX, tendo por base a alta tecnologia, a tecnologia de ponta (RIFKIN, 2012). As atividades tornam-se mais criativas, exigem elevada qualificação da mão de obra e têm horário flexível. É uma revolução técnico-científica inspirada no sistema Toyota de produção cujas características foram desenvolvidas pelos engenheiros da Toyota, indústria automobilística japonesa, cujo método consistiu em abolir a função de trabalhadores profissionais especializados para torná-los trabalhadores multifuncionais. Principal modelo da reestruturação produtiva, principal motor da reestruturação produtiva contemporânea, o toyotismo começou a ser implantado definitivamente como tecnologia disruptiva em 1962 e tem como principal característica e objetivo a produção somente do necessário e no menor tempo. É o just-in-time (SHIGEO, 1996). Ao contrário do fordismo, onde a produção determina a demanda, no toyotismo, a demanda determina a produção, isto é, só se produz o que é pedido, por isso se produz mais rápido e melhor (SILVEIRA JR., 1993).
Com a 3ª Revolução Industrial, a organização do trabalho sofre uma profunda reestruturação. Dela resulta um sistema de trabalho polivalente, flexível, integrado em equipe, menos hierárquico. Computadorizada, a programação do conjunto é passada a cada setor da fábrica para discussão e adaptação em equipe com o uso do CCQ- Círculos de Controle de Qualidade que se converte em um sistema de rodízio de tarefa que estabelece a possibilidade de uma ação criativa dos trabalhadores no setor. Elimina-se pela reengenharia grande parte da rede de chefias. Toda essa flexibilização técnica e do trabalho toma-se mais adaptável ao sistema econômico, sobretudo a relação entre produção e consumo, por meio do Just-in-Time que surgiu da necessidade de se atender a um público que pedia produtos diferenciados em pequenas quantidades, fazendo assim com que as empresas competissem entre si para ver quem era melhor e mais rápido. Com o toyotismo veio o fim da produção em massa fordista.
No toyotismo, quase não há desperdício, pois só se produz o necessário; a produção é mais rápida e com mais qualidade e há a necessidade de menos homens, pois quase todo o maquinário é automático, robotizado. A tecnologia disruptiva característica desse período técnico, que tem início no Japão, é a microeletrônica, a informática, a máquina CNC (Controle Numérico Computadorizado), o robô, o sistema integrado à telemática (telecomunicações informatizadas), a biotecnologia. Sua base mistura Física, Química, Engenharia Genética e Biologia Molecular. O computador é a máquina da 3ª Revolução Industrial. É uma máquina flexível, composta por duas partes: o hardware (a máquina propriamente dita) e o software (o programa). O circuito e o programa integram-se sob o comando do chip, o que faz do computador, ao contrário da máquina comum, uma máquina reprogramável e mesmo autoprogramável.
A 4ª Revolução Industrial em curso cujo nome mais apropriado deveria ser Revolução informacional ou Pós-industrial porque ela não está ocorrendo apenas no setor industrial, mas em toda a sociedade. A Revolução informacional ou Pós-industrial tem como base algumas tecnologias disruptivas comuns do nosso dia a dia, que estão sendo potencializadas para a aplicação na manufatura e na sociedade em geral, que possibilitam o surgimento de sistemas produtivos inteligentes. Um sistema produtivo inteligente é aquele que consegue alcançar cada vez mais eficiência, de forma autônoma e customizável, para conseguir prever falhas, agendar manutenções, se adaptar ao que não foi planejado de maneira ágil e versátil, consultando dados históricos, digitalizando processos em um ambiente onde sistemas, máquinas e ativos estão interligados e seguros. As principais tecnologias disruptivas em uso são Internet das Coisas (IoT); Impressão 3D; Manufatura híbrida; Sistemas de simulação; Computação em nuvem; Sensores e atuadores; Big data; Sistemas de conexão entre máquinas; Infraestrutura de comunicação; Inteligência artificial; e, Robótica avançada.
Agora, temos a indústria conectada e os sistemas produtivos inteligentes com tudo conectado à internet (IoT), o que foi facilitado pelo uso do Wireless (que possibilita a ampla utilização das redes sem fio), pela Virtualização (diversos computadores interligados a partir de softwares), pelo uso de Cloud (todas as informações compartilhadas e disponibilizadas pela nuvem), pela assertividade do Big Data (milhares de dados reunidos de forma inteligível para facilitar a tomada de decisões) e pela possibilidade de coletar informações e gerar mais dados importante, com o rastreamento dos materiais. Hoje, temos a indústria conectada e os sistemas produtivos inteligentes com linhas de produção totalmente automatizadas com máquinas inteligentes com o uso de tecnologias disruptivas, sem a presença humana, totalmente conectada e agindo de forma autônoma. A 4ª Revolução Industrial ou Revolução Informacional ou Pós-industrial se caracteriza, portanto, pela aplicação da inteligência artificial a seus sistemas produtivos e de gestão. Sistemas que simulam a inteligência humana, com sua capacidade de raciocínio, resolução de problemas e tomadas de decisões – com a denominada inteligência artificial (IA). A inteligência artificial é um conjunto de tecnologias que atuam com a manipulação de dados e impacta todos os setores da sociedade.
Pelo exposto, pode-se concluir que as tecnologias disruptivas presentes na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Revolução Agrícola e na 1ª, 2ª e 3ª Revolução Industrial ampliaram a capacidade física e a precisão das atividades humanas e, com a 4ª Revolução Industrial ou Revolução Informacional ou Pós-industrial, amplificaram a mente humana. Essa última revolução, exatamente por basear-se nas tecnologias da inteligência, amplia exponencialmente as diferenças na capacidade de tratar informações e transformá-las em conhecimento. Os exemplos do desenvolvimento das tecnologias disruptivas ao longo da história confirmam a tese de Joseph Schumpeter apresentada em seu livro The theory of economic development (Newbrunswich/London-VK:Transation Publishers, 2000) de que o processo de desenvolvimento é identificado com a criação de inovações. Para Schumpeter, desenvolvimento consiste em utilizar recursos de uma maneira diferente, em fazer coisas novas com eles. Para Schumpeter, o crescimento não é desenvolvimento e sim acumulação de fatores de produção (terra, capital, trabalho). Por outro lado, inovação diz respeito a novas ferramentas, novas formas de organização da atividade produtiva que vão permitir a otimização dos esforços humanos e proporcionar o aumento da produtividade e a acumulação do capital nos setores agrícola, industrial e de serviços.
A palavra inovação foi introduzida pelo economista austríaco Joseph Schumpeter na sua obra Business Cycles publicada em 1939. Segundo Schumpeter, a economia sai de um estado de equilibrio e entra em um processo de expansão com o surgimento de alguma inovação que, do ponto de vista econômico, altere consideravelmente as condições anteriores de equilíbrio. Isto aconteceu em todas as revoluções econômicas, agrícolas e industiais, ao longo da história. Em outra de suas obras Capitalismo, Socialismo e Democracia publicado em 1942, Schumpeter descreve o processo de inovação como destruição criativa. Como exemplos de inovações que alteram o estado de equilíbrio no ambiente econômico temos a introdução de um novo produto ou serviço no mercado, a descoberta de um novo método de produção ou de comercialização de mercadorias, a conquista de novas fontes de matérias-primas, e, por fim, a alteração da estrutura econômica vigente.
Na era contemporânea, as estratégias de qualquer país para promover seu progresso científico e tecnológico consistem basicamente no seguinte: 1) Estimular a pesquisa científica e tecnológica – Em países capitalistas centrais a base de qualquer estratégia para o desenvolvimento tecnológico é a elevação dos investimentos das empresas em pesquisa e inovação tecnológica, mas em países capitalistas periféricos, compete ao governo realizar a pesquisa formando uma aliança virtuosa entre a comunidade acadêmica, o setor empresarial e o governo, além de incentivá-la no setor privado; 2) Aumentar os gastos com educação – Nenhum país produz tecnologia de ponta com uma população iletrada. Trabalhadores analfabetos ou que não entendam o que leem nunca conseguirão fabricar microprocessadores. Por isso, é preciso investir maciçamente em todos os níveis de ensino; 3) Investir em áreas prioritárias – Elevar os gastos com C&T em áreas prioritárias para o desenvolvimento do país é outra medida essencial; 4) Valorizar programas de bolsas de pós-graduação – A formação de mestres e doutores é outro ponto fundamental para a geração de conhecimento. Os programas de concessão de bolsas pelo governo têm uma função estratégica. É importante, também, estimular as empresas a terem programas de incentivo à pós-graduação, financiando a especialização de seus funcionários; e, 5) Estimular o registro de patentes – O número de patentes de um país é um dos indicadores da sua capacidade inovadora.
REFERÊNCIAS
ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.
BRONOWSKY, Jacob. A escalada do homem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
KAGERMANN, H., WAHLSTER, W. and HELBIG, J. Recommendations for implementing the strategic initiative Industrie 4.0: Final report of the Industrie 4.0 Working Group. Federal Ministry of Education and Research,2013.
MAZOYER, Marcel & ROUDART, Laurence. História das agriculturas no mundo. Do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: Editora UNESP, 2008.
RIFKIN, Jeremy. A Terceira Revolução Industrial. M. Books, 2012.
SCHUMPETER, Joseph. The theory of economic development. Newbrunswich/London-VK:Transation Publishers, 2000.
SILVEIRA JR., Luiz Carlos. A nova revolução industrial. Sagra-Luzzatto, 1993.
SLIDESHARE.NET. A Revolução Agrícola e o arranque da Revolução Industrial. Disponível no website <http://pt.slideshare.net/cristinabarcoso/a-revoluo-agrcola-e-o-arranque-da-revoluo-meu>, 2014.
TEIXEIRA, Francisco. Revolução Industrial. São Paulo: Atica Editora, 2004.
VASCONCELOS, Yuri. O que é revolução verde? Revista Vida Simples. Disponível no website <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_244070.shtml>, 2007.
SHIGEO, Shingo. O sistema Toyota de produção. Bookman Companhia ED, 1996.
SOUSA, Rainer Gonçalves. Revolução Neolítica. Brasil Escola. Disponível no website <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/revolucao-neolitica.htm>, 2016.
* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).