Fernando Alcoforado*
Este artigo representa a continuação do artigo cujo título é Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor [1]. Este artigo é o décimo primeiro dos 12 artigos que abordam as 12 utopias planetárias que precisam ser realizadas visando a construção de um mundo melhor e contribuir para a conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente. Este artigo tem por objetivo apresentar como fazer com que a décima primeira das utopias consideradas, a da conquista da sobrevivência da humanidade se torne realidade diante da distopia representada pelas ameaças à sua extinção provocadas pelos seres humanos e pelas forças da natureza existentes no planeta Terra e aquelas vindas do espaço.
Como lidar com as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos seres humanos
As ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos seres humanos dizem respeito à mudança climática global, às pandemias e à eclosão da 3ª Guerra Mundial. O artigo Como evitar a extinção da humanidade de ameaças provocadas pelo planeta Terra e pelos seres humanos [2] e os livros A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade [3] e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Como proteger os seres humanos das ameaças à sua existência e evitar a extinção da humanidade) [4] apresentam o que fazer para proteger espécie humana e evitar sua extinção em consequência de eventos que poderão ocorrer a curto e médio prazos como a mudança climática global, as pandemias e a eclosão da 3ª Guerra Mundial.
Para evitar a mudança climática catastrófica global, é preciso descarbonizar a economia até 2050 ou cortar pelo menos 70% das emissões globais de gases de efeito estufa até meados do século XXI para que não haja aumento da temperatura média global acima de 2 °C ou 1,5 °C, acabar com as guerras, que, também, são responsáveis em grande parte pelo agravamento ambiental do planeta pelos efeitos devastadores que provocam sobre o meio ambiente e pela possibilidade de extinção da humanidade se os países contendores utilizarem seus arsenais nucleares, bem como promover profunda transformação da sociedade atual que tem sido extremamente destrutiva das condições de vida no planeta. Diante disso, é imperativo substituir o atual modelo econômico dominante em todo o mundo por outro que leva em conta o homem integrado ao meio ambiente, com a natureza, ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável que deve garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras pondo fim à constante degradação ambiental que ameaça o futuro da humanidade, bem como assegure a paz mundial.
Para evitar a ocorrência de novas pandemias no planeta Terra, é preciso parar imediatamente de degradar e desmatar florestas e fortalecer os sistemas de vigilância em saúde de todos os países e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzir iniquidades sociais entre nações e no interior delas, remover subsídios que favoreçam o desmatamento e oferecer mais apoio aos povos indígenas, para conterem o desmatamento. É preciso proibir internacionalmente o comércio de espécies de alto risco de transmissão de vírus e erradicar o consumo de carne silvestre no mundo, criar uma biblioteca da genética de vírus, que ajude no mapeamento de locais de onde possam surgir novos patógenos de alto risco, realizar investimentos de US$ 22 bilhões a US$ 31 bilhões por ano por uma década, para monitorar e policiar o comércio de animais selvagens e impedir o desmatamento tropical e em vigilância sanitária e biosegurança na criação de animais de consumo, que são potenciais intermediários de vírus que atingem humanos, principalmente em áreas próximas a florestas para ajudar a prevenir futuras pandemias, bem como manter a população mundial bem informada quanto aos riscos de novas pandemias com dados confiáveis, concebidos pela experiência e pela ciência.
Para evitar a proliferação de guerras no mundo e a eclosão da 3ª Guerra Mundial da qual resulte o uso de armas nucleares pelos contendores, deve-se constituir um governo mundial democrático que seja eleito pelo parlamento mundial a ser constituído com a participação dos países de todo o mundo. O governo democrático mundial evitaria o império de um só país e a anarquia de todos os países. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático. A nova ordem mundial deve ser edificada não apenas para organizar as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite a conquista da paz mundial, o progresso econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade.
Como lidar com as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza existentes no planeta Terra
As ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza existentes no planeta Terra dizem respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra e a erupção catastrófica de vulcões. O artigo Como evitar a extinção da humanidade de ameaças provocadas pelo planeta Terra e pelos seres humanos [2] informa o que fazer para lidar com o esfriamento do núcleo do planeta Terra e a erupção de vulcões.
Para salvar a humanidade da ameaça de esfriamento do núcleo da Terra, é bastante importante que haja um constante monitoramento da temperatura do núcleo do planeta Terra para adotar, quando necessário, estratégias de fuga de seres humanos para locais como Marte ou outros locais no sistema solar viáveis para a vida humana, antes da perda do campo magnético da Terra e do desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta resultantes do esfriamento do núcleo da Terra. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações em todo o mundo no enfrentamento do esfriamento do núcleo da Terra, entre outros eventos catastróficos.
Para salvar a humanidade da ameaça representada pela erupção catastrófica de vulcões, especialmente daqueles que podem levar à extinção da vida no planeta Terra como as grandes erupções de vulcões ocorridas há 250 milhões de anos que acabaram com um ciclo de vida na Terra, deve-se fazer seu monitoramento constante dos vulcões com o uso de satélites, equipamentos de sensibilidade sísmica e outras fontes para detectar erupções de vulcões que estão para acontecer visando prevenir desastres de proporções catastróficas. Estas medidas devem ser adotadas, sobretudo, nos países onde há mais ocorrência de erupção de vulcões no mundo. Em cada um desses países, é preciso que sejam montadas estruturas voltadas para o monitoramento de erupção de vulcões e sejam elaborados planos de evacuação de populações em locais que possam ser atingidos por esses eventos catastróficos e, se necessário, adotar estratégias de fuga de seres humanos para locais como Marte ou outros locais no sistema solar viáveis para a vida humana. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações dos países no enfrentamento de erupção de vulcões cujas consequências tenham abrangência local, regional e mundial, especialmente de vulcões que podem levar à extinção da vida no planeta Terra.
Como lidar com as ameaças à extinção da humanidade vindas do espaço
Os livros A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade [3] e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Como proteger seres humanos das ameaças à sua existência e evitar a extinção da humanidade) [4] informam que as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza vindas do espaço dizem respeito à colisão sobre o planeta Terra de asteroides e cometas ou pedaços de cometas, emissão de raios cósmicos, especialmente raios gama, que possam atingir o planeta Terra, afastamento progressivo da Lua em relação à Terra, colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar e planetas órfãos ou errantes que vagam no espaço sideral, morte do Sol, colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra e o fim do Universo.
Para lidar com asteroides que possam colidir com o planeta Terra, a estratégia consiste em desviá-los de seu curso se forem detectados com tempo suficiente para lançar foguetes interceptadores. A mesma solução deve ser adotada para cometas cujos pedaços possam atingir o planeta Terra. É bastante importante que haja um constante monitoramento do espaço para identificar não apenas asteroides, mas também, cometas ou pedaços de cometas, que podem colidir com a Terra e sejam desenvolvidos foguetes poderosos capazes de desviá-los de suas rotas. Outra alternativa é destruir asteroides e cometas ameaçadores com o uso de bombas nucleares se eles estiverem a grande distância do planeta Terra.
Para salvar a humanidade das ameaças representadas pelos raios cósmicos, é preciso adotar as estratégias seguintes: 1) monitorar a explosão de estrelas supernovas permanentemente para que, antes da ocorrência de sua explosão, sejam adotadas as medidas necessárias visando proteger os seres humanos da emissão de raios gama com sua fuga para locais possíveis habitáveis no sistema solar como Marte ou fora dele com possibilidade de abrigar seres humanos; e, 2) promover avanços tecnológicos que possibilitem a implantação de colônias espaciais em Marte ou outros locais com possibilidade de abrigar seres humanos com inúmeros obstáculos a serem superados e o aumento da capacidade biológica dos seres humanos para sobreviverem fora da Terra. Para lidar com e a radiação e a massa coronal do Sol, é preciso utilizar o satélite Soho que atua na posição intermediária entre a Terra e o Sol para detectar explosões na superfície solar e enviar mensagens com uma hora de antecedência à chegada da tempestade cósmica à Terra, veiculado pela internet, para que as distribuidoras de energia elétrica, por exemplo, evitem danos em suas redes, enquanto as operadoras de satélite possam se proteger, corrigindo cursos de satélites ou desligando seus equipamentos. Para proteger os seres humanos da radiação cósmica em viagens espaciais de longa duração no espaço sideral, é preciso promover avanços científicos e tecnológicos capazes de possibilitar a colonização de humana de outros mundos e aumentar a capacidade biológica dos seres humanos para realizarem viagens espaciais e viverem fora da Terra.
Para lidar com o problema relacionado com o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra e suas catastróficas consequências ambientais é bastante importante que várias equipes de astrônomos espalhados pelo mundo se dediquem à detecção e monitoramento do contínuo afastamento da Lua em relação à Terra para medir e avaliar suas consequências sobre a vida e o meio ambiente da Terra visando a adoção de medidas que atenuem progressivamente seus impactos negativos e apontem, em casos extremos, a necessidade de planejar a fuga dos seres humanos para os locais mais viáveis habitáveis do sistema solar como Marte ou outros locais fora dele com possibilidade de abrigar seres humanos. Como a Terra e a Lua encontram-se unidas por uma forte ligação gravitacional e afetam-se mutuamente, à medida que o movimento de rotação da Terra diminui, o da Lua acelera. E, quando algo que está em órbita acelera, essa aceleração o empurra para fora. O contínuo afastamento da Lua de 4 cm por ano em relação à Terra pode impactar negativamente sobre o meio ambiente do planeta. A Lua está atualmente a 384.400 Km da Terra, 18 vezes mais longe do que quando se formou, há 4,5 bilhões de anos. Sem a Lua, os oceanos quase não teriam marés, os dias teriam outra duração e a vida ficaria ameaçada em nosso planeta.
Para lidar com a possibilidade de colisão dos planetas do sistema solar com a Terra, é importante que haja um constante monitoramento do sistema solar para identificar a ameaça de sua desestabilização pelo planeta Mercúrio e outros planetas e sejam realizadas pesquisas para identificar exoplanetas habitáveis para os seres humanos (planetas situados fora do sistema solar em órbita de outras estelas) visando planejar sua fuga, quando necessária, como, por exemplo, para o exoplaneta “Proxima b” orbitando uma estrela integrante do sistema Alpha Centauri, o mais próximo do sistema solar, que dista 4.2 anos-luz da Terra, onde seriam implantadas colônias espaciais. Para fazer frente à ameaça de colisão de planetas órfãos ou errantes com o planeta Terra, é importante que haja um constante monitoramento do espaço para identificar aqueles que possam colidir com a Terra e determinar a época de sua colisão visando a adoção de medidas que apontem a necessidade de planejar a fuga dos seres humanos para outros locais com possibilidade de serem habitáveis para os seres humanos como Marte ou outros locais no sistema solar com possibilidade de abrigar seres humanos com a implantação de colônias espaciais. Para lidar com a morte do Sol que chegará ao fim de sua existência dentro de 4 bilhões de anos, a humanidade deveria sair do sistema solar e alcançar um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos. Entre vários exoplanetas (planetas situados fora do sistema solar em órbita de outras estelas), o mais viável seria o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri que dista 4.2 anos-luz da Terra.
Para lidar com a colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea que ocorrerá dentro de 3,75 bilhões de anos, é bastante importante que várias equipes de astrônomos espalhados pelo mundo se dediquem ao aprofundamento da análise da colisão entre essas galáxias para avaliar as reais consequências sobre o planeta Terra e traçar planos de fuga dos seres humanos para um planeta habitável em uma galáxia mais próxima como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz da Terra que é uma galáxia satélite da Via Láctea situada na constelação do Cão Maior ou a Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra. Para lidar com o fim do Universo, é preciso viabilizar a fuga dos seres humanos para universos paralelos se for constatada suas existências para abrir a possibilidade de os seres humanos sobreviverem ao fim de nosso Universo se dirigindo para outros universos paralelos. A ideia de que vivemos em um “multiverso” composto por um número infinito de universos paralelos tem sido, por muitos anos, considerada uma possibilidade científica. O desafio consiste em encontrar uma maneira de testar esta teoria. Os universos paralelos seriam, em uma analogia, semelhantes a bolhas flutuando num espaço maior capaz de abrigá-los.
Como proteger os seres humanos de ameaças à sua extinção resultantes de viagens espaciais
O artigo Os desafios humanos da conquista do espaço e da colonização de outros mundos [5] apresenta o que fazer para que os seres humanos adquiram capacidade para enfrentar os desafios da conquista do espaço e da colonização de outros mundos. Para conquistar o espaço, colonizar outros mundos e proteger o ser humano de ameaças à sua extinção em viagens espaciais, é preciso que sejam implementadas as estratégias descritas a seguir:
1- Produzir foguetes que alcancem velocidades próximas à da luz para viajar pelos confins do Universo
2- Produzir tecnologias capazes de proteger os seres humanos em viagens espaciais
3- Identificar outros mundos similares à Terra capazes de serem habitados pelos seres humanos
4- Capacitar o ser humano para sobreviver no espaço e em locais habitáveis fora da Terra
A estratégia de produção de foguetes que sejam capazes de alcançar velocidades próximas à velocidade da luz (300.000 Km/s) é necessária para promover viagens intergalácticas dos seres humanos pelos confins do Universo e, até mesmo, para universos paralelos se eles existirem. Esta ação se impõe devido à necessidade de os seres humanos colonizarem outros mundos no sistema solar ou fora dele e, até mesmo se dirigirem para universos paralelos para assegurar sua sobrevivência. Para os seres humanos realizarem missões espaciais de longa distância, é preciso encontrar formas mais avançadas de propulsão de foguetes visando alcançar distâncias a centenas ou milhares de anos-luz haja vista que, segundo os cientistas, os foguetes químicos atuais são limitados pela velocidade máxima dos gases de escapamento. Foguetes com velocidade de 300 mil km por segundo facilitaria bastante a exploração espacial. O foguete espacial utilizado atualmente tem o objetivo de enviar objetos (especialmente satélites artificiais, sondas espaciais e rovers) e/ou naves espaciais e homens ao espaço sideral com velocidade superior a 40.320 Km/h para vencer a força de atração gravitacional da Terra e alcançar altitudes superiores a 100 Km acima do nível do mar. A maior parte dos foguetes atuais leva uma carga útil de 1.5 % do seu tamanho total. Por carga útil entendem-se pessoas e objetos.
Outras alternativas propostas por cientistas consistiriam na utilização de propulsão térmica nuclear, de um motor solar/iônico, bem como a criação de um reator de fusão em que um foguete extrai hidrogênio do espaço interestelar e o liquefaz como novas formas de propulsão de foguetes. Propulsão Bussard é outro método de propulsão para naves espaciais que poderia acelerar até uma velocidade próxima à da velocidade da luz, e seria um tipo de nave bastante eficiente. Além de não termos tecnologia de foguetes que desenvolvam velocidades próximas à da luz, as viagens interestelares seriam inviáveis para os seres humanos mesmo que dispuséssemos desses foguetes porque com velocidade próxima à da luz ocorreriam consequências negativas para a vida dos seres humanos e as próprias naves espaciais. No início, essas viagens serão feitas por sondas e robôs, devido às limitações físicas e psicológicas do homem. Isto significa dizer que missões tripuladas ainda estariam restritas à nossa “vizinhança” imediata, isto é, o sistema solar.
NASA está desenvolvendo tecnologias para proteger humanos em Marte, além dos sistemas de propulsão poderosos para os levar mais rápido até Marte e de volta para a Terra. Estas tecnologias para proteger humanos em Marte são as seguintes: 1) Escudo térmico inflável para pousar astronautas em outros planetas. O maior veículo espacial que pousou em Marte tem o tamanho de um carro, e enviar humanos a Marte exigirá uma espaçonave muito maior. Novas tecnologias permitirão que espaçonaves mais pesadas entrem na atmosfera marciana, se aproximem da superfície e pousem perto de onde os astronautas desejam explorar; 2) Roupas espaciais marcianas de alta tecnologia. Os trajes espaciais são essencialmente naves espaciais personalizadas para astronautas. O mais recente traje espacial da NASA é de tão de alta tecnologia cujo design modular foi projetado para ser evoluído para uso em qualquer lugar do espaço; 3) Casa marciana e laboratório sobre rodas. Para reduzir o número de itens necessários para pousar na superfície de Marte, a NASA vai combinar a primeira casa e veículo marcianos em um único veículo espacial completo com ar respirável; 4) Energia ininterrupta. Da mesma forma como usamos eletricidade para carregar nossos dispositivos na Terra, os astronautas precisarão de uma fonte de suprimento confiável de energia para explorar Marte. O sistema precisará ser leve e capaz de funcionar independentemente de sua localização ou do clima no Planeta Vermelho; e, 5) Comunicações a laser para enviar mais informações para a Terra. As missões humanas a Marte podem usar lasers para ficar em contato com a Terra. Um sistema de comunicação a laser em Marte poderia enviar grandes quantidades de informações e dados em tempo real, incluindo imagens de alta definição e feeds de vídeo.
Estas tecnologias podem significar o início de um processo de desenvolvimento de novas tecnologias de proteção dos seres humanos em viagens espaciais. Estas tecnologias não bastam, entretanto, para proteger os seres humanos em viagens espaciais a Marte e em outras partes do Universo. É preciso desenvolver tecnologias que possibilitem os viajantes espaciais lidarem com a falta de gravidade que contribuem para a ocorrência de problemas sobre sua coordenação motora e visual e comprometer sua estrutura óssea e muscular. Sem gravidade, o coração do viajante espacial começa a funcionar mais lentamente e os ossos perdem minerais a uma velocidade muito maior do que na Terra -1% por mês no espaço versus 1% por ano na Terra. Além disso, pela falta de gravidade, os fluidos corporais tendem a ser “empurrados” para a cabeça. Com a pressão maior, problemas de visão podem ser comuns. A desidratação e a concentração alterada de cálcio também podem elevar o risco de pedras nos rins. Finalmente, um dos aspectos mais perigosos de viajar no espaço é a radiação espacial porque os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem. A coordenação física e capacidade de resolver problemas ficam comprometidas no espaço por questões diretamente ligadas ao comportamento do cérebro no espaço.
É preciso identificar outros mundos similares à Terra capazes de serem habitados pelos seres humanos projetando e enviando sondas espaciais para realizarem pesquisas sobre os locais possíveis dentro e fora do sistema solar. Até o momento não há evidências de que haja outro local dentro ou fora do sistema solar propício à vida similar à Terra. Na atualidade, há esforços para colonizar o planeta Marte. No entanto, do que se conhece de Marte, este planeta não apresenta as condições necessárias para os seres humanos nele habitarem porque não possui campo magnético nem atmosfera e biosfera similares aos da Terra, bem como apresenta uma aceleração gravitacional média em cerca de 38% à da Terra prejudicial à vida humana. Não existe em Marte qualquer evidência de possuir um campo magnético estruturado global similar ao da Terra que nos proteja dos raios cósmicos e dos ventos solares e essa ausência pode ter sido a grande responsável pela perda da atmosfera marciana. Marte perdeu sua magnetosfera há 4 bilhões de anos, mas possui pontos de magnetismo induzidos localmente. Marte não possui um campo magnético global que guie as partículas carregadas que entram na atmosfera, mas tem múltiplos campos magnéticos em forma de guarda-chuva, principalmente no hemisfério sul, que são remanescentes de um campo magnético global que decaiu bilhões de anos atrás. Em comparação com a Terra, a atmosfera de Marte é muito rarefeita. O solo marciano é ligeiramente alcalino e contém elementos como magnésio, sódio, potássio e cloro que são nutrientes encontrados na Terra e são necessários para o crescimento das plantas.
As temperaturas de superfície de Marte variam de −143 °C (no inverno nas calotas polares) até máximas de +35 °C (no verão equatorial). Marte tem as maiores tempestades de poeira do Sistema Solar. Estas podem variar de uma tempestade sobre uma pequena área até tempestades gigantescas que cobrem todo o planeta. Elas tendem a ocorrer quando Marte está mais próximo do Sol quando aumenta sua temperatura global. É sabido, também, que água líquida não pode existir na superfície de Marte devido à baixa pressão atmosférica, que é cerca de 100 vezes mais fraca do que a da Terra. As duas calotas polares marcianas parecem ser feitas em grande parte de água. O volume de água congelada na camada de gelo do polo sul, se derretido, seria suficiente para cobrir toda a superfície do planeta a uma profundidade de 11 metros. Houve a detecção do mineral jarosita (sulfato hidratado de ferro e potássio formado pela oxidação de sulfetos de ferro), que se forma somente na presença de água ácida, demonstrando que a água já existiu em Marte. A perda de água de Marte para o espaço resultou do transporte de água para a atmosfera superior, onde foi dissociada ao hidrogênio e escapou do planeta devido à sua fraca gravidade. Marte possui as estações do ano parecidas com as da Terra, devido às inclinações semelhantes de eixos de rotação dos dois planetas. As durações das estações marcianas são cerca de duas vezes as da Terra, já que Marte está a uma maior distância do Sol, o que leva o ano marciano a ter duração equivalente a cerca de dois anos terrestres. A tentativa de colonização do planeta Marte pode significar o início do processo de desenvolvimento de colônias espaciais para uso pelos seres humanos fora da Terra.
É preciso capacitar biológica e psicologicamente os seres humanos para sobreviverem no espaço e em locais habitáveis fora da Terra. É oportuno observar que mesmo que seja possível criar uma nave espacial capaz de viajar a velocidades próximas à da luz ela não seria capaz de transportar pessoas porque existe um limite de velocidade natural imposto por níveis seguros de radiação devido ao hidrogênio que significa que seres humanos não podem viajar a mais do que metade da velocidade da luz porque haveria uma morte rápida, imediata. Um dos aspectos mais perigosos de viagens espaciais é a radiação espacial porque os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem. A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer, danificar o sistema nervoso central, causar náuseas, vômito e fadiga. Além do mais, pode causar doenças degenerativas, como catarata, problemas cardíacos e circulatórios. A colonização de Marte e de outros mundos no Universo indica que há extrema necessidade de criação de seres humanos mais evoluídos biologicamente com o uso da ciência e da tecnologia para fazer com que desafiem os limites impostos pela natureza e sobrevivam como espécie hoje e no futuro.
É preciso fazer com que ocorra a formação de super-homens e super-mulheres que poderá ser alcançada a partir do uso da ciência e da tecnologia (biotecnologia, nanotecnologia e neurotecnologia) para aumentar a capacidade cognitiva e superar as limitações físicas e psicológicas dos seres humanos. Como exemplo do uso da ciência e da tecnologia nesta direção, temos a manipulação genética da espécie humana que é possível com a criação em laboratório de novos genes que podem modificar o código genético para serem capazes de, por exemplo, bloquear a replicação de vírus, tornando nossas células imunes a ataques. O ano de 2045 marcará o início de uma era em que a medicina poderá oferecer à humanidade a possibilidade de viver por um tempo jamais visto na história. Órgãos que não estejam funcionando poderão ser trocados por outros, melhores, criados especialmente para nós. Partes do coração, do pulmão e até o cérebro poderão ser substituídos. Minúsculos circuitos de computador serão implantados no corpo para controlar reações químicas que ocorrem no interior das células. Estaremos a poucos passos da imortalidade. Esta é a previsão de um grupo de cientistas conhecidos por ocupar a vanguarda de pesquisas que permeiam temas como a ciência da computação, a biologia e a biotecnologia. Entre eles, estão George Church, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Aubrey de Grey o gerontologista e biomédico especializado em antienvelhecimento e o engenheiro Raymond Kurzweil, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Eles são os líderes de uma espécie de nova filosofia, batizada de Singularidade.
REFERÊNCIAS
- ALCOFORADO. Fernando. Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor. Disponível no website <https://www.academia.edu/104881861/COMO_FAZER_COM_QUE_AS_UTOPIAS_PLANET%C3%81RIAS_SE_REALIZEM_VISANDO_A_CONSTRU%C3%87%C3%83O_DE_UM_MUNDO_MELHOR>.
- ALCOFORADO, Fernando. Como evitar a extinção da humanidade de ameaças provocadas pelo planeta Terra e pelos seres humanos. Disponível no website <https://www.linkedin.com/pulse/como-evitar-extin%C3%A7%C3%A3o-da-humanidade-de-amea%C3%A7as-pelo-terra-alcoforado/?originalSubdomain=pt>.
- ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.
- ALCOFORADO, Fernando. How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity. Chișinău, Republic of Moldova: Generis Publishing, 2023.
- ALCOFORADO, Fernando. Os desafios humanos da conquista do espaço e da colonização de outros mundos. Disponível no website <https://www.academia.edu/103359413/OS_DESAFIOS_HUMANOS_DA_CONQUISTA_DO_ESPA%C3%87O_E_DA_COLONIZA%C3%87%C3%83O_DE_OUTROS_MUNDOS>.
* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).