Fernando Alcoforado*
Este artigo tem o objetivo de demonstrar que as crises política, econômica, social e ambiental, que se aprofundam em todo o mundo, estão a exigir o advento de um novo Iluminismo com base no qual a humanidade possa conviver sem guerras, haja verdadeiro progresso político que assegure que os frutos do progresso econômico e social sejam compartilhados por todos os habitantes do planeta sem exceção e haja a conquista da felicidade coletiva para toda a humanidade. Este artigo visa demonstrar, também, que o novo Iluminismo está proposto no livro de nossa autoria “Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade”, publicado recentemente pela Editora CRV de Curitiba em suas versões em português e inglês, porque ele aponta o que e como fazer para superar os gigantescos problemas que afetam a humanidade há séculos tornando realidade a construção de uma sociedade ideal, imaginária, perfeita e, por isso, considerada utópica e inalcançável .
O mundo se defronta na era contemporânea com várias crises. A cada dia que se passa, essas crises se aprofundam nas áreas política, econômica, social e ambiental, seja nos planos nacionais, seja em escala planetária. Mas, a maior crise vivida hoje pela humanidade é a crise intelectual do pensamento que se constitui no principal obstáculo à superação das demais crises e à construção de uma nova sociedade centrada no real progresso econômico, político, social e ambiental. A crise intelectual do pensamento da era contemporânea é que faz com que o mundo em que vivemos funcione de forma caótica como uma nave à deriva rumo ao desastre. O cenário catastrófico que se vislumbra para o futuro da humanidade coloca na ordem do dia a necessidade de que um novo Iluminismo se imponha no mundo para ordenar a vida política, econômica, social e ambiental no presente e no futuro.
1. O advento do Iluminismo no século XVIII
A Idade Média é o nome dado ao período da história da humanidade entre os anos 476 com o fim do Império Romano na Europa Ocidental e 1453 quando ocorreu a queda de Constantinopla e marcou o fim do Império Bizantino. Os pensadores iluministas do século XVIII chamavam a Idade Média de “Idade das Trevas” porque acreditavam que este período da história da humanidade foi marcado pela ignorância, obscurantismo e repressão intelectual. A Idade Média sempre esteve associada ao atraso, a uma época de “trevas” no conhecimento, de pouca liberdade e de restrita circulação de ideias. A “Idade das Trevas” foi o termo adotado pelos pensadores iluministas para denominar a Idade Média como um tempo de ruína e flagelo, isto é, um tempo que está entre a glória da Antiguidade e o apogeu da Modernidade.
No século XVIII, vários pensadores começaram a se mobilizar em torno da defesa de ideias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes em toda Europa. Levantando questões filosóficas que pensavam a condição e a felicidade do homem, o movimento iluminista atacou sistematicamente tudo o que era considerado contrário à busca da felicidade, da justiça e da igualdade social. O movimento iluminista foi baseado na crença do poder da razão e do progresso, na liberdade de pensamento e na emancipação política. O Iluminismo foi um movimento global, filosófico, político, social, econômico e cultural, que defendia o uso da razão como o melhor caminho para se alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação política.
O Iluminismo do século XVIII usou valores da ciência clássica para forjar uma nova visão de mundo, baseada na igualdade de todos. Com o iluminismo passou-se a ter uma visão otimista do mundo que não teria como interromper seu progresso na medida em que o homem contava com o pleno uso de sua racionalidade. Os direitos naturais, o respeito à diversidade de ideias e a justiça social deveriam promover a melhoria da condição humana. Oferecendo essas ideias, o Iluminismo motivou as revoluções burguesas na França e em todo o mundo no século XVIII que trouxeram o fim do Antigo Regime e a instalação de doutrinas de caráter liberal que predominam no mundo até a era contemporânea.
O Iluminismo forneceu o lema da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) e fecundou-a na medida em que seus seguidores se opunham às injustiças, à intolerância religiosa e aos privilégios do absolutismo monárquico. No entanto, desde a Revolução Francesa até o presente momento, as promessas políticas do Iluminismo foram abandonadas em todo o mundo com a adoção de práticas desumanas cada vez mais sofisticadas pelos governos e imperialistas pelas grandes potências capitalistas, o desencadeamento de 3 guerras mundiais (1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial e a Guerra Fria), o advento do fascismo e do nazismo no século XX e do neofascismo na era contemporânea, a realização de intervenções militares pelas grandes potências e realização de golpes de estado em vários países do mundo para a manutenção dos privilégios.
2. O Iluminismo e o advento da Modernidade nos séculos XVIII, XIX e XX
A Modernidade nasceu com a 1ª Revolução Industrial ocorrida em 1876 na Inglaterra significando um extraordinário esforço intelectual dos pensadores iluministas para desenvolver a ciência e a razão e descobrir as leis universais para serem postas a serviço da humanidade. Com a 1ª Revolução Industrial, a ciência e a tecnologia adquiriram uma importância fundamental para o progresso humano, mediante as contínuas inovações tecnológicas. A ideia iluminista era usar o acúmulo de conhecimento gerado em busca da felicidade humana e do enriquecimento da vida diária.
A Modernidade está geralmente associada à 2ª Revolução Industrial ocorrida nos séculos XIX e XX resultante de transformações socioeconômicas com a industrialização da Inglaterra, da França, da Alemanha, da Itália, dos Estados Unidos e do Japão, caracterizadas especialmente pelo desenvolvimento de novas fontes de energia (eletricidade e petróleo), pela substituição do ferro pelo aço e pelo surgimento de novas máquinas, ferramentas e produtos químicos (como o plástico). Entre 1909, quando Henry Ford criou a linha de montagem e inaugurou a produção em série, e o final do século XX, quase todas as indústrias se mecanizaram e a automação se estendeu a todos os setores fabris.
Na era contemporânea, a Modernidade se aprofundou com o advento da 3ª e da 4ª Revolução Industrial. A 3ª Revolução Industrial ocorrida na década de 1970 é técnico-científica inspirada no Toyotismo, cujas características foram desenvolvidas pelos engenheiros da Toyota, indústria automobilística japonesa, cujo método consistiu em abolir a função de trabalhadores profissionais especializados para torná-los especialistas multifuncionais. A tecnologia característica desse período é a microeletrônica, a informática, a máquina CNC (Controle Numérico Computadorizado), o robô, o sistema integrado à telemática (telecomunicações informatizadas) e a biotecnologia.
A 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 é caracterizada pela integração dos chamados sistemas ciberfísicos de produção, nos quais sensores inteligentes informam às máquinas como devem ser processadas. Os processos devem governar-se em um sistema modular descentralizado. Os sistemas de produção inteligentes começam a trabalhar juntos, comunicando-se sem fio, seja diretamente ou por meio de uma “nuvem” na Internet (Internet das Coisas ou Internet das Coisas ou IoT). Os sistemas rígidos de controle centralizado de fábrica agora dão lugar à inteligência descentralizada, com comunicação máquina a máquina (M2M) no chão de fábrica. Essa é a visão da Indústria 4.0 da 4ª Revolução Industrial.
A tendência futura é a de agravamento do desemprego e da pobreza extrema com o uso abrangente da inteligência artificial nos processos produtivos. O avanço tecnológico em curso baseado na inteligência artificial impactará negativamente sobre o mundo do trabalho porque poderá levar ao fim do emprego e a consequente queda na demanda de bens e serviços. O impacto da inteligência artificial sobre a sociedade seria devastador com o desemprego em massa resultante de sua utilização em larga escala. Com o advento da Superinteligência Artificial, uma ampla gama de consequências poderá ocorrer, incluindo consequências extremamente boas e consequências tão ruins quanto a extinção da espécie humana se ela se voltar contra os seres humanos. A Superinteligência Artificial pode representar a extinção da raça humana, porque as tecnologias se desenvolvem em um ritmo tão vertiginoso que elas se poderão se tornar incontroláveis ao ponto de colocar a humanidade em perigo.
A Modernidade é identificada com a crença no progresso e nos ideais do Iluminismo. Entretanto, a evolução da Modernidade foi marcada por eventos que marcaram negativamente a sociedade atual. O principal deles foi sem dúvida às catástrofes da I e da II Guerra Mundial. Na verdade, a ciência e a tecnologia contribuíram para a barbárie de duas guerras mundiais com a invenção de armamentos bélicos poderosos e destrutivos. A ciência e a tecnologia passaram a ser utilizadas numa escala sem precedentes tanto para o bem como para o mal da humanidade. Todo esse desenvolvimento científico e tecnológico culminou na era atual com uma crise ecológica mundial e o aquecimento global que pode resultar em uma mudança climática catastrófica global que pode ameaçar a sobrevivência da humanidade. Nesse sentido pode-se duvidar dos reais benefícios trazidos pelo progresso científico e tecnológico com o advento da Modernidade.
3. O fracasso político do Iluminismo e o advento do Marxismo no século XIX
O fracasso político do Iluminismo abriu caminho para o advento da ideologia marxista em todo o mundo que se propunha a dar um passo à frente em relação às teses iluministas buscando o fim das desigualdades econômicas entre as classes sociais e da exploração do homem pelo homem até sua completa abolição com a implantação do comunismo no futuro. Os fatos da história demonstram que as teses iluministas que nortearam as revoluções burguesas no século XVIII e o Marxismo com base nas quais foram realizadas as revoluções socialistas no século XX fracassaram porque não cumpriram suas promessas históricas de conquista da felicidade humana e do progresso econômico compartilhado por todos.
O fim do socialismo na União Soviética e nos países da Europa Oriental, o fracasso do desenvolvimento econômico em Cuba e na Coréia do Norte e o abandono pela China do socialismo baseado no modelo soviético, com a adoção de uma economia híbrida de capitalismo e socialismo com o capitalismo de estado, demonstram a inviabilidade do modelo socialista soviético. Para evoluir em direção a uma sociedade comunista defendida por Marx, é necessário passar por um estágio intermediário de economia mista nos moldes da social-democracia dos países escandinavos. O comunismo preconizado por Marx só poderá ser construído em todo o planeta quando existir o Estado de Bem-Estar Social em cada país e o mundo alcançar a integração econômica, social e política com a existência de um governo mundial que assegure o ordenamento da economia global para evitar o caos atual, o ordenamento nas relações internacionais para evitar as guerras e assegurar a paz mundial e o ordenamento do meio ambiente global para evitar a degradação da natureza.
4. O fracasso político do Iluminismo e do Marxismo e o advento do Pós-Modernidade no século XX
O fracasso político do Iluminismo e do Marxismo na realização do progresso da humanidade e na conquista da felicidade para os seres humanos abriu caminho para o advento da Pós-Modernidade que representa uma reação cultural à perda de confiança no potencial universal do projeto iluminista e marxista de sociedade. A Pós-modernidade significa uma reação àquilo que é moderno. Na Pós- Modernidade, o mundo construído de objetos duráveis foi substituído pelo de produtos disponíveis e projetados para imediata obsolescência e descarte. A Pós-Modernidade pode ser caracterizada como uma reação contrária ao modo como se desenvolveram historicamente os ideais da Modernidade, associada à perda de otimismo e confiança no potencial universal do projeto iluminista e marxista. Configura-se, também, como uma rejeição à tentativa de colonização pela ciência e pela tecnologia das demais esferas da vida do homem.
Na era contemporânea, a razão e a ciência entraram em crise profunda com a derrota dos paradigmas do Iluminismo e do Marxismo na segunda metade do século XX que foram substituídos pelo novo paradigma da Pós-Modernidade que, segundo seus ideólogos, não existem verdades. Após constatar que todos os sistemas anteriores estavam errados, o pós-modernismo chegou à trágica conclusão de que nada pode ser conhecido. Os pós-modernistas não acreditam na razão. Para os pós-modernistas, mesmo a ciência seria apenas uma entre várias formas de se conhecer a realidade, sem nada dizer respeito à verdade.
O pensamento pós-moderno é convergente com o niilismo do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o filósofo da Alemanha nazista, que em sua obra, A Vontade de Potência (Petrópolis: Editora Vozes, 2011), afirmou que a solução para a crise estava na rejeição da razão e no retorno dos profetas, que deveriam, não através da razão, mas da determinação, fundar novos valores que iriam guiar os povos e erguer novas civilizações. Se prevalecer o pensamento niilista de Friedrich Nietzsche, a humanidade caminhará inevitavelmente para o desastre econômico, político, social e ambiental que poderá ameaçar sua sobrevivência. O grande desafio dos homens e mulheres de pensamento da era contemporânea consiste em reinventar o Iluminismo ajustado aos tempos atuais para que ele possa indicar os caminhos que a humanidade terá de trilhar visando a construção de um mundo melhor.
O desaparecimento no mundo de hoje das últimas reservas de racionalidade crítica preconizada pelo Iluminismo e pelo Marxismo abriu caminho para a Pós-Modernidade que representa uma gigantesca ameaça para o progresso da humanidade. Diante deste fato, trata-se de um imenso desafio para os pensadores contemporâneos estabelecer novos paradigmas e novos valores de comportamento racional a serem formulados para a sociedade humana na era atual visando derrotar a nefasta influência política e ideológica da Pós-Modernidade. Os pensadores contemporâneos precisam se mobilizar na reinvenção de um novo projeto iluminista como fizeram os pensadores do século XVIII visando a construção de um mundo novo que leve ao fim o calvário da humanidade. Foi o que fizemos ao elaborar o livro “Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade” publicado recentemente pela Editora CRV de Curitiba em suas versões em português e inglês.
5. Como construir o Iluminismo do Século XXI
Precisamos de um novo Iluminismo para o século XXI. No centro do novo pensamento, deve estar a proteção de todas as formas de vida e do planeta. O único progresso humanamente relevante é o que contribui de fato para o bem-estar de todos os seres humanos e a preservação da natureza que os automatismos do crescimento econômico não bastam para assegurá-lo. O progresso, nesse sentido, não deve ser visto como uma doação espontânea da técnica, mas uma construção intencional pela qual os homens decidem o que deve ser produzido, como e para quem, evitando ao máximo os custos sociais e ecológicos de uma industrialização selvagem. Esse progresso não pode depender nem de decisões empresariais isoladas, como é preconizado pelos ideólogos do neoliberalismo, nem das diretrizes burocráticas de um Estado centralizador, como é defendido pelos ideólogos do socialismo nos moldes soviéticos, e sim de impulsos emanados da própria sociedade democrática.
O Iluminismo do século XXI mantém sua fé na ciência, mas sabe que ela precisa ser controlada socialmente e que a pesquisa científica e tecnológica precisa obedecer aos fins e valores estabelecidos com base no consenso social, para que ela não se converta em uma força cega, a serviço da guerra e da dominação. O Iluminismo do século XXI assume como sua bandeira mais valiosa a doutrina dos direitos humanos, sem ignorar que na maior parte da humanidade só profundas reformas sociais e políticas podem assegurar sua fruição efetiva. Combate o poder ilegítimo, consciente de que ele não se localiza apenas no Estado tirânico, mas também na sociedade, em que ele se tornou invisível e total, molecular e difuso, aprisionando o indivíduo em suas malhas tão seguramente como na época da monarquia absolutista. O Iluminismo do século XXI luta sem quartel pela liberdade e contra a opressão de qualquer espécie. Busca edificar uma nova ordem mundial que seja capaz de organizar não apenas as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza e elaborar um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade.
A edificação de um novo Iluminismo poderia ser realizado colocando em prática o proposto no livro de nossa autoria de 348 páginas, publicado nas versões em português e inglês, que tem como título COMO CONSTRUIR UM MUNDO DE PAZ, PROGRESSO E FELICIDADE PARA TODA A HUMANIDADE e como subtítulo Como realizar as utopias planetárias para a construção de um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade. A premissa estabelecida é a de que o novo Iluminismo poderá ser posto em prática se as grandes utopias planetárias se realizarem visando a construção de um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade. As utopias planetárias podem ser compreendidas como a ideia de uma sociedade ideal, imaginária, perfeita e, por isso, considerada por muitos inalcançável.
Neste livro, foram consideradas 12 utopias planetárias que precisam ser realizadas visando a construção de um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade descritas a seguir:
1. A conquista da paz mundial para evitar novas guerras e, sobretudo, a eclosão da 3ª Guerra Mundial
2. A conquista da democracia plena em todos os países do mundo para evitar ditaduras e falsas democracias
3. A prevalência dos valores da civilização sobre a barbárie no mundo
4. A conquista do socialismo democrático em todos os países do mundo para substituir o capitalismo decadente
5. A construção do Estado de Bem Estar Social em todos os países do mundo para eliminar as desigualdades econômicas e sociais
6. O uso racional dos recursos da natureza no mundo para evitar sua contínua devastação
7. O fim do caos econômico e social nos planos nacional e global com adoção do planejamento econômico racional em cada país e mundialmente
8. A existência de cidades verdes e inteligentes em todos os países do mundo para evitar a continuidade de cidades degradadas social e ambientalmente
9. Utilização da ciência e da tecnologia exclusivamente para o bem da humanidade para evitar seu maléfico uso
10. A conquista da imortalidade dos seres humanos para se contrapor à inevitabilidade da morte
11. A conquista da sobrevivência da humanidade diante das ameaças à sua extinção provocadas pelos seres humanos e pelas forças da natureza existentes no planeta Terra e aquelas vindas do espaço
12. A conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente que ocorrerá se a humanidade for bem sucedida na construção de um mundo melhor que venha a acontecer em todos os quadrantes da Terra.
O pressuposto é o de que o mundo vivenciaria um novo Iluminismo ao transformar em realidade as 12 utopias planetárias acima descritas.
O Capitulo 2 do livro apresenta o que e como fazer para que a utopia da paz mundial se sobreponha às guerras e, sobretudo, para impedir a eclosão da 3ª Guerra Mundial. A paz é definida como ausência da guerra. Ações para a conquista da paz mundial foi objeto do Concerto das Nações em 1815, da Liga das Nações em 1920 e da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945 que foram em vão porque as guerras continuam e as grandes potências não abriram mão de impor suas vontades no plano mundial. A ONU, que foi constituída após a 2ª Guerra Mundial, tem se mostrado tão inoperante quanto a Liga das Nações na mediação de conflitos internacionais que a precedeu entre as duas Grandes Guerras. Para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que a se concretize a paz perpétua em nosso planeta, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial com a existência de um governo mundial.
O Capitulo 3 do livro apresenta o que e como fazer para que a utopia da democracia plena seja construída em todos os países do mundo se sobrepondo às ditaduras e falsas democracias. No mundo, apenas 8% dos países exercem a democracia plena, enquanto 92% dos países vivem sob ditaduras e falsas democracias. A democracia representativa no mundo manifesta sinais claros de esgotamento, sobretudo, ao desestimular a participação popular, reduzindo a atividade política a processos eleitorais que se repetem periodicamente em que o povo elege seus representantes os quais, com poucas exceções, após as eleições passam a defender interesses de grupos econômicos em contraposição aos interesses daqueles que os elegeram. Uma verdadeira democracia representativa é aquela em que o eleito defende os interesses da população que o elegeu e presta contas sistematicamente do seu mandato ao seu partido e ao eleitorado. Os partidos e o eleitorado deveriam ter poderes para cassar o mandato do eleito no caso de descumprimento do programa partidário e de suas promessas eleitorais e por mal comportamento. Para eliminar as distorções da democracia representativa no mundo, torna-se indispensável a institucionalização da democracia participativa com o uso do plebiscito ou do referendo, considerada o modelo ideal do exercício do poder político pautado no debate público entre governantes e cidadãos livres em condições iguais de participação.
O Capítulo 4 do livro apresenta o que e como fazer para que a utopia da prevalência dos valores da civilização sobre a barbárie ocorra no mundo. A violência dá sinais evidentes de seu agravamento na era contemporânea e tende a assumir dimensões catastróficas no futuro. É a barbárie elevada ao mais alto grau. O termo barbárie tem dois significados distintos, mas ligados entre si: crueldade de bárbaro e falta de civilização. Pode-se afirmar que vivemos em um mundo caracterizado pela barbárie que está tornando um imperativo o advento da civilização com o surgimento de um novo mundo. O novo mundo pode significar uma nova ordem mundial edificada racionalmente pela humanidade para superar a barbárie atual traduzida na violência entre os homens, na catástrofe ambiental e na conflagração global. As forças vivas defensoras da Civilização precisam se aglutinar em todo o planeta para se contraporem às forças da Barbárie. O futuro da humanidade depende do desfecho deste confronto. É preciso fazer com que a nova ordem mundial que substitua o capitalismo decadente baseada na cooperação entre as nações e os povos se sobreponha à barbárie reinante.
O Capítulo 5 do livro apresenta o que e como fazer para que a utopia do socialismo democrático seja implantado em todos os países do mundo em substituição ao capitalismo decadente. Os fatos da realidade mostram que não há solução para os problemas que afligem a humanidade nos marcos do capitalismo com a realização de reformas políticas, econômicas, sociais e ambientais. Será o mesmo que “enxugar gelo”. Diante da perspectiva de fim do sistema capitalista mundial no século XXI devido à tendência de a taxa de lucro global e a taxa de crescimento da economia mundial alcançarem o valor zero em meados do século XXI, a humanidade precisa construir uma nova sociedade que deveria ser o socialismo democrático tendo como objetivo criar um ambiente de liberdade, igualdade e fraternidade entre os seres humanos para a conquista de sua felicidade resgatando os ideais do Iluminismo. Admitindo a possibilidade de derrocada do sistema capitalista mundial em consequência da crise atual em meados do século XXI, é importante considerar a possibilidade de que o socialismo democrático venha a substituí-lo ainda no século XXI. Este socialismo teria que ser democrático haja vista o fracasso do socialismo implantado na União Soviética e em outros países que se caracterizaram por serem ditaduras.
O Capítulo 6 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia do Estado de Bem Estar Social em todos os países do mundo para eliminar as desigualdades econômicas e sociais. O Estado de Bem-Estar Social consiste em um modo de organização econômica e política na qual o Estado atua enquanto organizador da economia e agente de promoção social. Ele age no intuito de assegurar os interesses dos capitalistas detentores dos meios de produção e garantir a proteção e serviços públicos ao povo. Com o Estado de Bem-Estar Social, busca-se promover a regulação estatal e a criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo. Com o Estado de Bem-Estar Social, o Estado interfere nos rumos da economia, regulando-a para gerar emprego e renda, impedir monopólios e construir infraestruturas, impedir o trabalho infantil e assegurar aos trabalhadores o seguro-desemprego e a assistência aos serviços de saúde e Previdência Social. O Estado de Bem-Estar Social é visto como uma forma de combate às desigualdades econômicas e sociais, na medida em que promove o acesso dos serviços públicos a toda população.
O Capítulo 7 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia do uso racional dos recursos da natureza no mundo para evitar sua contínua devastação. A exaustão dos recursos naturais do planeta e o aquecimento global com a consequente mudança climática global são responsáveis pela devastação da natureza que, por sua vez, contribuem para a ocorrência de pandemias as quais podem ameaçar a sobrevivência da espécie humana. É por tudo isto que se torna um imperativo a implantação do modelo de “desenvolvimento sustentável” do ponto de vista econômico, social e ambiental. Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz as necessidades da geração atual sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas.
O Capítulo 8 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia do fim do caos econômico e social nos planos nacional e global com adoção do planejamento econômico racional em cada país e mundialmente. O fracasso da globalização neoliberal se configurou na eclosão da crise mundial de 2008 que eclodiu nos Estados Unidos. O sistema financeiro internacional amargou prejuízos em uma escala que ninguém jamais previu. O sistema financeiro internacional já não funciona mais como antes. O modelo neoliberal que regeu o mundo nos últimos 40 anos morreu e haverá depressão que terá a duração de muitos anos. Diante do fracasso do neoliberalismo e de sua incapacidade de lidar com a crise global do capitalismo, o Keynesianismo poderia ser a solução desde que que ele fosse aplicado globalmente, isto é, ele operaria no planejamento econômico, não apenas ao nível nacional para obter estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores em cada país, mas também ao nível mundial para eliminar o caos econômico global que predomina atualmente com o neoliberalismo. Com o Keynesianismo global, haveria a coordenação de políticas econômicas Keynesianas em nível planetário que só poderia ser realizada com a existência de um governo mundial. Esta seria a forma de obter a estabilidade da economia mundial para eliminar o caos que caracteriza a globalização neoliberal dominante atualmente em todo o mundo.
O Capítulo 9 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia da construção de cidades verdes e inteligentes em todos os países do mundo para evitar a continuidade de cidades degradadas social e ambientalmente. Construir cidades verdes significa tornar as cidades sustentáveis. É nas cidades que as dimensões sociais, econômicas e ambientais do desenvolvimento sustentável convergem mais intensamente, fazendo com que se torne necessário que sejam pensadas, gerenciadas e planejadas de acordo com o modelo de desenvolvimento sustentável que tem por objetivo atender as necessidades atuais da população da Terra sem comprometer seus recursos naturais, legando-os às gerações futuras. É uma necessidade imperiosa tornar, também, as cidades inteligentes porque a cidade se tornou o principal habitat da humanidade. Pela primeira vez na história humana, mais da metade da população mundial vive nas cidades. Este número, 3,9 bilhões de pessoas, deverá ultrapassar a marca de 6,4 bilhões até 2050. Grande parte dos problemas ambientais globais tem origem nas cidades o que faz com que dificilmente se possa atingir sua sustentabilidade ao nível global sem torná-las inteligentes.
O Capítulo 10 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia da utilização da ciência e da tecnologia exclusivamente para o bem da humanidade e não o seu maléfico uso. A ciência e a tecnologia não estão apenas conformando as nossas vidas para melhor, mas também, em muitas situações, fazendo-as mais perigosas. A ciência e a tecnologia passaram a ser utilizadas numa escala sem precedentes tanto para o bem como para o mal. A ciência e a tecnologia contribuíram para a barbárie de duas guerras mundiais com a invenção de armamentos bélicos poderosos e destrutivos, especialmente a bomba atômica. A tese de que a ciência e a tecnologia seriam os fatores primordiais responsáveis pelo progresso humano foi colocada em xeque pelas explosões das bombas atômicas na 2ª Guerra Mundial, em Nagasaki e Hiroshima. Passou-se a haver uma discussão não apenas sobre o lado positivo proporcionado pela ciência e pela tecnologia. A ciência e a tecnologia passaram a ser encaradas também como antivida e, em determinadas situações, como fora de controle humano. Adicione-se o fato de que a ciência perdeu o seu valor, como resultado da desilusão com os benefícios que associados à tecnologia trouxe à humanidade. Todo esse desenvolvimento científico e tecnológico culminou na era atual com uma crise ecológica mundial que pode resultar em uma mudança climática global catastrófica que pode ameaçar a sobrevivência da humanidade. Esta situação precisa ser revertida pelos governos de todo o mundo com o abandono de tudo o que foi produzido cientifica e tecnologicamente em prejuízo do ser humano e a adoção de políticas de desenvolvimento científico e tecnológico que sejam positivas para os seres humanos.
O Capítulo 11 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia da conquista da imortalidade dos seres humanos para se contrapor à inevitabilidade da morte. Existe há muito tempo a obsessão humana de vencer a morte. No passado, o homem procurava superar a morte através das religiões. O envelhecimento é um processo biológico que pode perfeitamente vir a ser controlado, da mesma forma que a ciência já conseguiu combater muitas doenças que antes eram tidas como incuráveis. Na era contemporânea, passou-se a acreditar que seria possível vencer a morte com o uso da ciência e da tecnologia. O ano de 2045 marcará o início de uma era em que a medicina poderá oferecer à humanidade a possibilidade de viver por um tempo jamais visto na história. Órgãos que não estejam funcionando poderão ser trocados por outros, melhores, criados especialmente para nós. Partes do coração, do pulmão e até o cérebro poderão ser substituídos. Minúsculos circuitos de computador serão implantados no corpo para controlar reações químicas que ocorrem no interior das células. Estaremos a poucos passos da imortalidade. Esta é a previsão de um grupo de cientistas conhecidos por ocupar a vanguarda de pesquisas que permeiam temas como a ciência da computação, a biologia e a biotecnologia.
O Capítulo 12 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia da conquista da sobrevivência da humanidade diante das ameaças à sua extinção provocadas pelos seres humanos e pelas forças da natureza existentes no planeta Terra e aquelas vindas do espaço. Este capítulo apresenta como lidar com: 1) as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos seres humanos que dizem respeito à mudança climática global, às pandemias e à eclosão da 3ª Guerra Mundial; 2) as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza existentes no planeta Terra que dizem respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra e a erupção catastrófica de vulcões; e, 3) as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza vindas do espaço que dizem respeito à colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas, à emissão de raios cósmicos, ao afastamento progressivo da Lua em relação à Terra, à colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar e planetas órfãos ou errantes que vagam no espaço sideral, à morte do Sol, à colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra e ao fim do Universo.
O Capítulo 13 do livro apresenta o que e como fazer para tornar realidade a utopia da conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente que ocorrerá se a humanidade for bem sucedida na construção de um mundo melhor que venha a acontecer em todos os quadrantes da Terra. A busca pela felicidade é o motor central de nossas vidas. A felicidade individual se conquista através da educação de si mesmo. Educação é o meio através da qual as pessoas se capacitariam para fazer as melhores escolhas na vida. A finalidade da Educação deve ser a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade de si mesmo e a felicidade coletiva da sociedade onde ele vive. Pode-se afirmar que a felicidade coletiva de toda a população mundial ocorrerá se a humanidade for bem sucedida na construção de um mundo melhor que venha a acontecer em todos os quadrantes da Terra.
O Capítulo 14 do livro sintetiza as conclusões sobre como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade ao tornar em realidade as utopias planetárias visando a construção de um mundo melhor propostas nos capítulos anteriores. Em anexo, são apresentados 24 textos de artigos que publicamos que enriquecem tudo que está apresentado nos 14 capítulos deste livro. Em cada um dos capítulos deste livro, há indicação dos websites do canal Fernando Alcoforado do YouTube através dos quais o leitor poderá assistir vídeos correspondentes a cada capítulo. Este livro busca, portanto, apresentar nossa visão sobre como tornar realidade as 12 utopias planetárias e promover o progresso científico, político, econômico e social da humanidade com o propósito de construir um mundo melhor e conquistar a felicidade humana individual e coletivamente.
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* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).