VIVA O DIA INTERNACIONAL DA MATEMÁTICA, A RAINHA DAS CIÊNCIAS

Fernando Alcoforado*

O Dia Internacional da Matemática é uma celebração mundial. Ontem, 14 de marco, foi celebrado em todo o mundo o Dia Internacional da Matemática criada pela UNESCO (The United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) em 2019 por sugestão da União Matemática Internacional (IMU). Esta data pretende incentivar instituições de ensino, museus e outras entidades a promover atividades para demonstrar como a matemática é imprescindível para a sociedade em que vivemos.  A data de 14 de março foi escolhida porque em muitos países é celebrado o Dia do Pi (π), constante matemática cujo valor corresponde a 3,14. No padrão norte-americano, o mês é escrito antes do dia: assim, 14/3 vira 3/14. A ideia é expandir a comemoração para que todo mundo lembre a importância da Matemática em nossas vidas.

A Matemática vem sendo estudada e aplicada ao longo da história da humanidade. Hoje, tornou-se uma ferramenta tão sofisticada que as pessoas nem se dão conta de sua onipresença em nossas vidas, como, por exemplo, nos algoritmos e lógica de programação  de computadores, no GPS (Sistema de Posicionamento Global), nas ferramentas de pesquisa na internet, nos exames médicos, nas aplicações em astronomia na busca por vida extraterrestre, no sistema de tráfego aéreo, na criptografia, nas análises de epidemias, no lançamento de satélites e foguetes para o espaço, entre outras aplicações. A Matemática está presente em tudo. Se alguém paga uma passagem ou faz a compra de um objeto com um cartão magnético, responde mensagens pelo WhatsApp, faz uma busca sobre filmes em cartaz e ouve música com fone de ouvido, chega ao laboratório e faz uma tomografia computadorizada e ao final, chama um carro pelo aplicativo e vai assistir a uma animação no cinema o que todas essas ações têm em comum é a Matemática que está presente em tudo, inclusive na música.

O que a Matemática tem a ver com música? Quando se observa os ritmos musicais, por exemplo, o tempo e as suas divisões (que são conceitos matemáticos) aparecem. Frequências, sons e timbres também possuem raízes matemáticas e estão presentes na música, bem como os compassos, que são tempos que se repetem. As figuras de tempo (duração) das notas, por exemplo, são frações de compasso do tipo 1/2, 1/4, 1/8, etc. A altura (afinação) das notas é estabelecida por uma relação exponencial, do tipo “2 elevado a x/12”, onde x é a distância de uma nota a outra. Quando uma frequência é multiplicada por 2, a nota permanece a mesma. Por exemplo, a nota Lá (440 Hz) multiplicada por 2 é 880 Hz, que continua sendo uma nota Lá, mas uma oitava acima. Se o objetivo é baixar uma oitava, bastaria dividir por 2. Ou seja, uma nota e sua respectiva oitava mantêm uma relação de ½.

Na Grécia Antiga, Pitágoras fez descobertas muito importantes para a Matemática, como o Teorema de Pitágoras, e, também para a música. Por exemplo, Pitágoras descobriu que ao esticar uma corda, prendê-la nas suas extremidades e tocá-la, faz com que ela vibre. Ele também decidiu dividir essa corda em duas partes e tocou cada extremidade novamente. O som produzido era exatamente o mesmo, só que mais agudo (pois era a mesma nota uma oitava acima). Pitágoras decidiu analisar como ficaria o som se a corda fosse dividida em 3 partes. Um novo som surgiu, diferente do anterior. Pitágoras percebeu que não era a mesma nota uma oitava acima, mas uma nota diferente, que precisava receber outro nome. Apesar de ser diferente, o som combinava com o anterior, criando uma harmonia agradável ao ouvido. Assim, ele continuou fazendo subdivisões e foi combinando os sons matematicamente criando escalas que, mais tarde, estimularam a criação de instrumentos musicais capazes de reproduzir essas escalas. O que podemos entender é que música trabalha matematicamente, sendo resultado de uma organização numérica (BLOG COM CIÊNCIA. A relação entre música, física e matemática. Disponível no website <https://museuweg.net/blog/a-relacao-entre-musica-fisica-e-matematica/#:~:text=Na%20Gr%C3%A9cia%20Antiga%2C%20Pit%C3%A1goras%20fez,(e%20para%20a%20m%C3%BAsica>.

Como a Matemática está presente em tudo na vida das pessoas, ela merece os aplausos de toda a humanidade. É pelo fato de a Matemática estar presente em tudo que é considerada a rainha da ciências. Foi o grande matemático Carl Gauss que afirmou que a matemática é a rainha das ciências. A Matemática é a ciência do raciocínio lógico que tem seu desenvolvimento ligado à pesquisa, ao interesse por descobrir o novo e investigar situações de alta complexidade ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016). Desde a Antiguidade, a necessidade do homem de relacionar os acontecimentos naturais ao seu cotidiano despertou o interesse pelos cálculos e números. Por volta dos séculos IX e VIII a.C, a Matemática engatinhava na Babilônia. Os babilônios e os egípcios já tinham uma álgebra e uma geometria, mas somente o que bastasse para as suas necessidades práticas, e não de uma ciência organizada. A Matemática só passou a ser considerada como ciência, no sentido moderno da palavra, a partir dos séculos VI e V a.C. na Grécia. A Matemática grega se distingue da babilônica e egípcia porque os gregos fizeram-na uma ciência propriamente dita sem a preocupação com suas aplicações práticas. 

Do ponto de vista de estrutura, a Matemática grega se distingue da anterior, por ter levado em conta problemas relacionados com processos infinitos, movimento e continuidade. As diversas tentativas dos gregos de resolverem tais problemas fizeram com que aparecesse o método axiomático-dedutivo. Este método consiste em admitir como verdadeiras certas proposições (mais ou menos evidentes) e a partir delas, por meio de um encadeamento lógico, chegar a proposições mais gerais. As dificuldades com que os gregos se depararam ao estudar os problemas relativos a processos infinitos (sobretudo problemas sobre números irracionais) talvez sejam as causas que os desviaram da Álgebra, encaminhando-os em direção à Geometria. Realmente, é na Geometria que os gregos se destacam, culminando com a Geometria de Euclides. Arquimedes desenvolve a Geometria introduzindo um novo método que seria um verdadeiro germe do qual mais tarde iria brotar um importante ramo de Matemática (teoria dos limites).

Apolônio de Perga, contemporâneo de Arquimedes, dá início aos estudos das denominadas curvas cônicas: a elipse, a parábola, e a hipérbole, que desempenham, na matemática atual, papel muito importante. Depois de Apolônio e Arquimedes, a Matemática grega entra no seu ocaso. Na Índia, foi desenvolvido outro tipo de cultura matemática: a Álgebra e a Aritmética. Os hindus introduziram um símbolo completamente novo no sistema de numeração até então conhecido: o ZERO. Isto causou uma verdadeira revolução na “arte de calcular”. A cultura dos hindus foi propagada pelos árabes. Estes levaram à Europa os denominados “algarismos arábicos” inventados pelos hindus. No ano 1202, o matemático italiano Leonardo de Pisa, cognominado de “Fibonacci” difunde a Matemática na sua obra intitulada “Leber abaci” na qual descreve a “arte de calcular” (Aritmética e Álgebra). Nesse livro Leonardo apresenta soluções de equações do 1º, 2º e 3º graus. Nessa época, a Álgebra começa a tomar o seu aspecto formal. Um monge alemão Jordanus Nemorarius já começa a utilizar letras para significar um número qualquer, e ademais introduz os sinais de + (mais) e – (menos) sob a forma das letras p (plus = mais) e m (minus = menos). O matemático alemão Michael Stifel passa a utilizar os sinais de mais (+) e menos (-), como nós os utilizamos atualmente. É a Álgebra que nasce e se desenvolve. Tal desenvolvimento é finalmente consolidado na obra do matemático francês, François Viète.

No século XVII, a Matemática toma nova forma, destacando-se de início René Descartes e Pierre Fermat. A grande descoberta de René Descartes foi sem dúvida a “Geometria Analítica” que, em síntese, consiste nas aplicações de métodos algébricos à geometria. Pierre Fermat desenvolveu a teoria dos números primos e resolveu o importante problema do traçado de uma tangente a uma curva plana qualquer, lançando assim, sementes para o que mais tarde iria se chamar, em Matemática, teoria dos máximos e mínimos. Vemos assim no século XVII começar a germinar um dos mais importantes ramos da Matemática, conhecido como Análise Matemática. Ainda surgem, nessa época, problemas de Física: o estudo do movimento de um corpo, já anteriormente estudados por Galileu Galilei. Tais problemas dão origens a um dos primeiros descendentes da Análise Matemática: o Cálculo Diferencial. O Cálculo Diferencial aparece pela primeira vez nas mãos de Isaac Newton e também pelo matemático alemão Gottfried Wihelm Leibniz. A Geometria Analítica e o Cálculo dão um grande impulso à Matemática. No século XVIII, ocorreu uma atitude crítica de revisão dos fatos fundamentais da Matemática. Pode-se afirmar que tal revisão foi a “pedra angular” da Matemática. Cauchy realizou notáveis trabalhos, deixando mais de 500 obras escritas, das quais destacamos duas na Análise Matemática: “Notas sobre o desenvolvimento de funções em séries” e “Lições sobre aplicação do cálculo à geometria”. Por volta de 1900, destacamos David Hilbert, com sua obra “Fundamentos da Geometria” publicada em 1901. A Álgebra e a Aritmética tomam novo impulso.

Um problema que preocupava os matemáticos era o da possibilidade ou não da solução de equações algébricas por meio de fórmulas que aparecessem com radicais. Já se sabia que em equações do 2º e 3º graus isto era possível; daí surgiu a seguinte questão: será que as equações do 4º graus em diante admitem soluções por meio de radicais? No primeiro terço do século XIX, Niels Abel e Evariste de Galois resolvem o problema, demonstrando que as equações do quarto e quinto graus em diante não podiam ser resolvidas por radicais. O trabalho de Galois, somente publicado em 1846, deu origem à chamada “Teoria dos Grupos” e à denominada “Álgebra Moderna”. Georg Cantor dá início à chamada Teoria dos Conjuntos, e de maneira arrojada aborda a noção de infinito, revolucionando-a. A partir do século XIX a Matemática começa então a se ramificar em diversas disciplinas, que ficam cada vez mais abstratas. Esta arremetida em direção ao “abstrato”, ainda que não pareça nada prática, tem por finalidade levar adiante a “Ciência”. A história tem mostrado que aquilo que nos parece pura abstração, pura fantasia matemática, mais tarde se revela como um verdadeiro celeiro de aplicações práticas.

Atualmente, a Matemática é a ciência mais importante do mundo moderno porque ela está presente em todas as áreas científicas. A Matemática teve grande contribuição dos grandes matemáticos da Babilônia, do Egito, da Grécia, da China, da Índia, do Islã e modernamente da Europa e dos Estados Unidos. A Revolução Científica, que começou no século XV, tornou o conhecimento mais estruturado e mais prático, absorvendo o empirismo como mecanismo para consolidar as constatações. Em meio a toda a efervescência favorável à Revolução Científica, a Matemática ganhou espaço e se desenvolveu com grande relevância para o desenvolvimento de um método científico mais rigoroso e crítico. A Matemática passou a descrever verdades científicas aplicadas a todos os ramos da ciência. O desenvolvimento da Matemática foi fundamental para o desenvolvimento da Física, Química e Engenharia, que culminou com todo o progresso industrial e tecnológico dos últimos séculos.

Os matemáticos mais importantes da história foram: 1) PITÁGORAS, grego,que desenvolveu trabalhos na área da matemática, geografia, música, medicina e filosofia. Observando as pirâmides, desenvolveu o importante “Teorema de Pitágoras”, que diz que a soma dos quadrados dos catetos (lados menores) é igual ao quadrado da hipotenusa (o lado maior); 2) EUCLIDES, grego, que apresentou os fundamentos da Geometria no século III a.C.; 3) ARQUIMEDES, grego, que aplicou a Geometria unindo o mundo abstrato dos números com o mundo real. Foi o primeiro a notar a relação constante entre o diâmetro e o raio de qualquer circunferência: o número π (pi)= 3,14; 4) AL-KHWARIZMI, persa, que criou as bases teóricas da Álgebra moderna no século VIII. O italiano Fibonacci levou os ensinamentos de Khwarizmi para a Europa, propagando o uso de numerais arábicos e dos algarismos de 0 a 9 para representá-los; 5) RENÉ DESCARTES, francês, que criou a Geometria Analítica no século XVII e foi responsável por representar os números naquele gráfico com eixos x e y, batizado de cartesiano em sua homenagem; 6) ISAAC NEWTON, inglês, criou o Cálculo no século XVII e foi responsável por avanços científicos como a lei da gravitação universal; 7) GOTTFRIED LEIBNIZ, alemão, criou, também, o Cálculo no século XVII; 8) LEONHARD EULER, suíço, revolucionou quase toda a Matemática no século XVIII. Fundou a Teoria dos Grafos, que possibilitou o surgimento da Topologia; 9) HENRI POINCARÉ, francês, inventou a Topologia Algébrica no século XIX considerada uma extensão da Geometria; 10) ÉVARISTE GALOIS, francês, criou as estruturas algébricas no século XIX. Seu principal trabalho esteve relacionado com polinômios e estruturas algébricas que o levou a solucionar problemas matemáticos em aberto desde a Antiguidade; 11) CARL GAUSS, alemão, que foi o mais completo matemático da primeira metade do século XIX, publicou, aos 21 anos, sua obra-prima sobre Teoria dos Números, contribuindo em áreas como Estatística, Análise, Geometria Diferencial e Geodésia. Uma de suas “invenções” foi a curva de Gauss, que sempre aparece em gráficos estatísticos; 12) J. WILLARD GIBBS, norte-americano, OLIVER HEAVISIDE, britânico, e EDWIN BIDWELL WILSON, norte-americano, deram inicio no final do Século XIX e inicio do Século XX ao desenvolvimento do Calculo Diferencial Integral Vetorial, muito usado na Física e Engenharia; 13) BERNHARD RIEMANN, matemático alemão, deu varias contribuições à Geometria Diferencial e foi o pai da Geometria Elíptica (uma das geometrias não euclidianas ou geometria de superfícies curvas e a outra é a Geometria Hiperbólica) no final do século XIX. A Geometria Diferencial e a Geometria Elíptica são usadas na Teoria da Relatividade, já que o espaço-tempo é curvo; 14) DAVID HILBERT, alemão, foi um dos mais influentes matemáticos dos séculos XIX e XX. Criou teorias em vários campos da Matemática. Criou teorias usadas na Mecânica Quântica (Hilbert Space) e Teoria da Relatividade; 15) JOHN VON NEUMANN, húngaro, foi um dos mais brilhantes matemáticos do século XX e da historia. Foi o matemático chefe no projeto da bomba atômica quando realizou cálculos fundamentais para o mecanismo de implosão e deu várias contribuições para a Mecânica Quântica, Estatística, Teoria dos Jogos e Ciência da Computação.  Foi também professor na Universidade de Princeton e um dos construtores do ENIAC (o primeiro computador eletrônico); 16) ANDREW WILES, matemático britânico, entrou para a historia ao anunciar no dia 23 de junho de 1993, após 7 anos de muito estudo e trabalho árduo, a solução do maior enigma e desafio matemático de todos os tempos que durou 358 anos: Último Teorema de Fermat formulado em 1637.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

L’ONU RESTRUCTURÉE POUR DÉFENDRE L’HUMANITÉ CONTRE LES MENACES DE SON EXTINCTION

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter une synthèse des conclusions finales sur la manière de défendre l’humanité contre les menaces d’extinction causées par les êtres humains, par les forces de la nature existant sur la planète Terre et par celles venant de l’espace extérieur. Cet objectif ne pourra être atteint que s’il existe une organisation supranationale capable de rassembler toute l’humanité dans sa réalisation. Cette organisation supranationale serait l’ONU (Nations Unies) si elle était correctement restructurée pour agir pour éviter les menaces d’extinction de l’humanité causées par les êtres humains eux-mêmes [1], qui concernent au changement climatique mondial, aux pandémies et au déclenchement de la 3ème Guerre mondiale, pour éviter menaces causées par les forces de la nature existant sur la planète Terre [2] qui concernent le refroidissement du noyau de la planète Terre, les éruptions catastrophiques des volcans et le renversement des pôles magnétiques terrestres, dont le processus entraînerait la perte du champ magnétique terrestre et pour éviter les menaces venant de l’espace extérieur [3] qui concernent la collision sur la planète Terre d’astéroïdes, de comètes ou de morceaux de comètes, la collision sur la planète Terre de planètes du système solaire, la collision sur la planète Terre de planètes orphelines qui errent dans l’espace, l’émission de les rayons cosmiques, notamment les rayons gamma émis par les étoiles supernovae, les conséquences catastrophiques sur l’environnement terrestre résultant de l’augmentation continue de la distance de la Lune à la Terre, la mort du Soleil, la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée où se trouve la Terre, et la fin de l’Univers. 

À l’heure actuelle, l’ONU agit de manière très limitée et inefficace dans la résolution des problèmes liés à l’environnement, traitant essentiellement des questions de changement climatique par le biais du GIEC (Groupe d’experts intergouvernemental sur l’évolution du climat). L’ONU agit également de manière limitée et inefficace dans la lutte contre les pandémies par l’intermédiaire de l’OMS (Organisation mondiale de la santé) et également de manière limitée et inefficace dans la lutte contre les questions liées à la guerre et à la paix mondiale avec le Conseil de sécurité composé des pays vainqueurs de la Seconde Guerre mondiale (États-Unis, Russie, Chine, Royaume-Uni et France), tous dotés d’un droit de veto. Ces structures n’ont pas été en mesure de faire face aux menaces décrites ci-dessus. L’objectif du GIEC (Groupe d’experts intergouvernemental sur l’évolution du climat) se limite uniquement à lutter contre le changement climatique, sans chercher, par exemple, à changer le modèle de société actuel afin de le transformer en une société durable. L’objectif de l’OMS est uniquement de s’attaquer à l’une des dimensions de la question des pandémies, à savoir la santé publique et la production de vaccins, et non de lutter contre les vecteurs provoquant des pandémies présents dans l’environnement. L’inefficacité du Conseil de sécurité de l’ONU à assurer la paix mondiale s’est confirmée depuis sa création après la Seconde Guerre mondiale au vu de la multiplicité des guerres survenues depuis la fin de la Seconde Guerre mondiale, ce qui nécessite la création d’un nouveau structure capable d’agir comme médiateur et d’éviter les conflits internationaux et, surtout, le déclenchement de la 3ème Guerre mondiale.

L’ONU doit être restructurée afin de coordonner les actions visant à empêcher l’extinction de l’humanité à cause des menaces causées par les êtres humains, par les forces de la nature provenant de la planète Terre et celles venant de l’espace extérieur. Pour atteindre ces objectifs, l’ONU devrait acquérir le statut de gouvernement mondial. Ni l’actuelle ONU ni aucun pays, aussi puissant soit-il, ne sera en mesure d’accomplir cette tâche. L’existence d’un gouvernement mondial démocratique représenterait l’étape la plus avancée de l’évolution de l’humanité en créant les conditions d’une véritable intégration politique, économique, sociale, scientifique, technologique et environnementale de tous les pays du monde, fondée sur un contrat social planétaire approuvé par tous les gens du monde. Un gouvernement mondial démocratique est absolument nécessaire pour coordonner l’action de tous les pays du monde aux niveaux de l’économie mondiale, de l’environnement, de la science et de la technologie et, surtout, pour assurer la paix mondiale sur notre planète et éviter l’extinction de l’humanité. Le nouveau système international devrait fonctionner sur la base d’un contrat social planétaire. Le Contrat Social Planétaire serait la Magna Carta des habitants de la planète Terre.

Pour élaborer le Contrat social planétaire, l’Assemblée générale des Nations Unies devrait convoquer une Assemblée mondiale constituante avec la participation de représentants de tous les pays du monde élus à cet effet. Le Contrat Social Planétaire devrait établir les fondations qui serviraient de base à l’union des peuples du monde et à l’existence d’un Gouvernement mondial dont le président devrait être élu avec plus de 50% des voix du Parlement mondial et être également démocratiquement constitué. Pour garantir une pratique et une gouvernance démocratiques sur la planète Terre, le pouvoir mondial devrait être exercé par le Parlement mondial qui, en plus d’élire le président du gouvernement mondial, devrait rédiger et approuver des lois internationales basées sur le contrat social planétaire. Le Parlement mondial devrait être composé d’un nombre déterminé et égal de représentants de chaque pays démocratiquement élus à cet effet. Le Président du Gouvernement Mondial n’exercera le commandement du Gouvernement Mondial que tant qu’il aura le soutien de la majorité du Parlement Mondial. Le gouvernement mondial doit disposer d’une structure organisationnelle capable de gérer les relations internationales, les questions militaires, l’économie mondiale, l’environnement mondial, l’éducation, la santé, les infrastructures, la science et la technologie, entre autres, pour dialoguer avec le Parlement mondial et les pays. qui font partie du système international.

Les parlementaires devraient élire le conseil d’administration du Parlement mondial, qui aurait une structure organisationnelle appropriée. La Cour suprême mondiale devrait être composée de juristes de haut niveau du monde entier, approuvés par le Parlement mondial, qui agiraient pour une période de temps déterminée et devraient élire le président de la Cour pour un mandat d’une durée déterminée. La Cour Suprême Mondiale devrait juger les affaires impliquant des différends entre pays, des crimes contre l’humanité et la nature commis par les États nationaux et les dirigeants à la lumière du Contrat Social Planétaire, juger les conflits qui existent entre le gouvernement mondial et le parlement mondial et agir en tant que gardienne du Contrat Social Planétaire. Le gouvernement mondial ne disposera pas de ses propres forces armées et devra compter sur le soutien des forces armées des pays qui seront sollicités en cas de besoin. Par conséquent, la nouvelle règle du droit international serait exécutée par les trois puissances constituées: le Gouvernement Mondial, le Parlement Mondial et la Cour Suprême Mondiale. Le pouvoir mondial reposerait entre les mains du Gouvernement mondial, du Parlement mondial et de la Cour suprême mondiale. Le Gouvernement mondial, le Parlement mondial et la Cour suprême mondiale agiraient comme des freins et contrepoids visant à l’efficience et à l’efficacité du système international.

Un gouvernement mondial démocratique ne transformerait pas les gouvernements de chaque nation en vassaux parce que les gouvernements nationaux maintiendraient leur autonomie sur leurs territoires et seraient gouvernés conformément aux intérêts de leur peuple, tandis que le gouvernement démocratique mondial aurait pour objectif de défendre les intérêts généraux des nations de la planète exprimés dans le Contrat Social Planétaire. Ce qui ne serait pas acceptable, c’est qu’un gouvernement national adopte des mesures qui seraient en contradiction avec les décisions d’intérêt général prises par le parlement mondial et qui refléteraient la volonté de la majorité des peuples du monde. Le fait est qu’un gouvernement mondial démocratique éviterait l’empire d’un seul pays, comme cela s’est produit tout au long de l’histoire, et l’anarchie de tous les pays, comme c’est le cas actuellement. La construction d’un gouvernement démocratique mondial est nécessaire pour faire face à des catastrophes systémiques majeures telles qu’une crise écologique extrême résultant du réchauffement climatique, une crise économique de grande ampleur comme celle qui se produit actuellement et susceptible de s’aggraver à l’avenir, la mondialisation du crime organisé, les menaces contre la vie sur la planète Terre causées par la planète Terre et celles venant de l’espace extérieur et l’avancée du terrorisme. La défense de l’humanité contre les menaces contre son existence existant sur la planète Terre et venant de l’espace extérieur et la préservation de la paix internationale seraient les grandes missions de la nouvelle ONU restructurée en gouvernement mondial démocratique.

Il est nécessaire de comprendre qu’il n’y aura pas de paix mondiale et que le marché mondial ne fonctionnera pas correctement sans la primauté du droit international, qui ne peut être appliquée et respectée qu’avec la présence d’un gouvernement mondial accepté par tous les pays. Un gouvernement mondial ne sera durable que s’il est véritablement démocratique. L’humanité doit comprendre qu’elle a tout à gagner à s’unir autour d’un gouvernement mondial démocratique qui serait établi avec la restructuration de l’ONU. Le nouvel ordre mondial doit être construit pour organiser non seulement les relations entre les hommes à la surface de la Terre, mais aussi leurs relations avec la nature. L’ONU doit coordonner les actions mondiales pour garantir que l’humanité reçoive le plus rapidement possible les instruments nécessaires pour contrôler son destin. La nouvelle ONU, qui sera restructurée en un gouvernement mondial, devrait poursuivre cinq objectifs majeurs : 1) éviter les menaces d’extinction de l’humanité causées par le changement climatique mondial ; 2) éviter les menaces d’extinction de l’humanité causées par les pandémies ; 3) éviter les menaces d’extinction de l’humanité causées par les conflits internationaux ; 4) éviter les menaces d’extinction de l’humanité causées par les forces de la nature provenant de la planète Terre ; et 5) prévenir les menaces d’extinction de l’humanité provenant de l’espace extérieur. La nouvelle ONU à restructurer en gouvernement mondial devrait mettre en place une structure organisationnelle capable de proposer au gouvernement mondial les mesures nécessaires pour atteindre les objectifs décrits ci-dessus, tels que ceux présentés ci-dessous :

  • Pour éviter l’extinction de l’humanité avec le changement climatique mondial [1], la nouvelle ONU qui sera restructurée en un gouvernement mondial devrait coordonner les actions mondiales pour réaliser des progrès environnementaux dans chaque pays et à l’échelle mondiale sur la base du modèle de développement durable afin de garantir que les besoins des générations actuelles se produisent sans compromettre les besoins des générations futures, mettre fin à la dégradation constante de l’environnement caractérisée par l’épuisement des ressources naturelles de la planète et le changement climatique qui menacent l’avenir de l’humanité. Le caractère non durable du modèle actuel de développement capitaliste est évident, car il a été extrêmement destructeur des conditions de vie sur la planète. Face à cela, il est impératif de remplacer l’actuel modèle économique capitaliste dominant dans le monde entier par un autre qui prend en compte l’homme intégré à l’environnement, à la nature, c’est-à-dire le modèle de développement durable qui ne peut se réaliser qu’avec la célébration d’un Contrat Social Planétaire qui établirait les bases des relations entre les pays en matière d’environnement et des relations entre l’être humain et la nature.
  • Pour éviter l’extinction de l’humanité avec l’apparition de pandémies [1], la nouvelle ONU, qui doit être restructurée en un gouvernement mondial, devrait coordonner les actions mondiales pour amener chaque pays à apporter de profonds changements dans sa relation avec la nature afin de prévenir de nouvelles pandémies qui menacent l’existence des êtres humains et investir massivement dans la R&D visant à développer des vaccins pour lutter contre les virus et les nouvelles bactéries actuels et nouveaux. Les êtres humains doivent commencer à vivre en harmonie avec la nature, sans quoi leur survie sera menacée. Les faits de la réalité démontrent que la santé des êtres humains dépend de la santé de la planète. Il doit y avoir une mobilisation de la société civile à travers la planète pour construire un nouvel ordre mondial dans lequel il y aura un changement radical dans la conception du développement telle qu’elle est pratiquée depuis des siècles. L’ONU doit coordonner des actions mondiales pour changer la matrice économique en général (agricole, industrielle et des services) afin de répondre à la nécessité de préserver la nature, de respecter les limites de l’environnement et son temps de récupération et de cesser de produire autant de déchets. L’ONU doit coordonner les actions mondiales pour arrêter immédiatement la dégradation et la déforestation des forêts et renforcer les systèmes de surveillance de la santé de tous les pays et de l’Organisation mondiale de la santé (OMS), réduire les inégalités sociales entre et au sein des nations, supprimer les subventions qui favorisent la déforestation et offrir davantage de soutien aux peuples autochtones, pour contenir la déforestation, entre autres mesures.
  • Pour éviter l’extinction de l’humanité avec le déclenchement de la 3ème Guerre mondiale [1], la nouvelle ONU, qui doit être restructurée en un gouvernement mondial, doit éviter la prolifération des guerres dans le monde et, surtout, de celles qui contribuent au déclenchement de la 3ème Guerre mondiale qui pourrait entraîner l’utilisation d’armes nucléaires par les prétendants et conduire à l’extinction de l’espèce humaine. La nouvelle ONU, qui doit être restructurée en un gouvernement mondial, doit coordonner les actions mondiales pour garantir que l’humanité reçoive aussi rapidement que possible les instruments nécessaires pour construire la paix mondiale et contrôler son destin. La nouvelle ONU, qui doit être restructurée en un gouvernement mondial, doit agir pour parvenir à une paix perpétuelle sur notre planète, comme le souhaitait le grand philosophe autrichien Emmanuel Kant. Le nouveau système international devrait fonctionner sur la base d’un contrat social planétaire qui serait la Magna Carta des habitants de la planète Terre. La nouvelle ONU, qui sera restructurée en un gouvernement mondial, devrait arbitrer les conflits internationaux sur la base du Contrat Social Planétaire approuvé par tous les pays du monde. Tous les conflits internationaux devraient faire l’objet d’une médiation par le gouvernement mondial, qui préparerait une ou plusieurs propositions pour résoudre les conflits d’un commun accord avec les parties en conflit, qui seraient analysées par le Parlement mondial, qui approuverait la proposition ou des propositions de résolution de conflits qui seront ensuite analysées par la Cour Suprême Mondiale  pour évaluer s’ils seraient conformes au Contrat Social Planétaire. Les propositions de résolution de conflit approuvées par la Cour suprême mondiale seraient ensuite mises en œuvre par le gouvernement mondial en accord avec les parties en conflit par le biais d’une résolution basée sur les décisions de la Cour suprême mondiale.
  • Pour éviter l’extinction de l’humanité avec les menaces causées par les forces de la nature provenant de la planète Terre [2], qui concernent le refroidissement du noyau de la planète Terre, l’éruption catastrophique des volcans et  la réversion des pôles magnétiques terrestres, dont le processus peut conduire à la perte du champ magnétique terrestre, la nouvelle ONU qui doit être restructurée en un gouvernement mondial devrait coordonner les actions mondiales, en réunissant toutes les compétences essentielles qui existent dans le monde avec la mise en œuvre d’une Organisation mondiale pour la défense de l’humanité contre les forces de la Nature Originaire de la Planète Terre qui a la capacité de coordonner techniquement les actions à travers le monde pour faire face à ces menaces provenant de la planète Terre. Il est important que, face à la menace d’extinction de l’espèce humaine, soient élaborées bien à l’avance des stratégies de fuite des êtres humains vers des endroits comme Mars ou d’autres endroits du système solaire ou à l’extérieur capables d’abriter la vie humaine, avant la perte du champ magnétique terrestre et du déséquilibre de la chaîne alimentaire de la planète résultant du refroidissement du noyau terrestre, adopter les mesures nécessaires pour évacuer les êtres humains vers des lieux sûrs et même, si nécessaire, hors de la planète Terre dans des endroits susceptibles d’être habités dans le système solaire ou en dehors de celui-ci dans le cas où l’éruption de volcans comme cela s’est produit dans le passé pourrait conduire à une menace d’extinction de l’être humain et protéger les êtres humains en construisant des habitations souterraines et des villes souterraines sur toute la planète capables de abriter la vie humaine en la protégeant, celle du rayonnement cosmique et solaire lors de  la réversion des pôles magnétiques terrestres.
  • Pour éviter l’extinction de l’humanité avec des menaces venant de l’espace extérieur [3] qui concernent la collision d’astéroïdes, de comètes ou de morceaux de comètes sur la planète Terre, la collision de planètes du système solaire sur la planète Terre, la collision de planètes sur la planète Terre des orphelins errant dans l’espace, émission de rayons cosmiques, notamment de rayons gamma émis par les étoiles supernova, conséquences catastrophiques sur l’environnement terrestre résultant de l’augmentation continue de la distance de la Lune de la Terre, mort du Soleil, collision des galaxies d’Andromède et de Via la Voie Lactée où se trouve la Terre, et la fin de l’Univers, la nouvelle ONU qui sera restructurée en un gouvernement mondial devrait coordonner les actions mondiales pour rassembler toutes les compétences essentielles existant dans le monde avec la mise en œuvre d’une Organisation mondiale pour la défense de l’humanité contre les menaces venant de l’espace extérieur qui a la capacité de coordonner techniquement les actions à travers le monde pour faire face à ces menaces venues de l’espace extérieur. Il est important que, face à la menace d’extinction de l’espèce humaine, sont élaborées longtemps à l’avance les stratégies de fuite des êtres humains vers d’autres endroits du système solaire comme Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter) avec la possibilité d’être habités par les êtres humains, la fuite des êtres humains de la Terre vers des endroits avec la possibilité d’être habités dans d’autres systèmes stellaires, comme l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil, qui fait partie du système Alpha Centauri, la fuite de les êtres humains vers des endroits avec la possibilité d’être habités dans d’autres galaxies comme la galaxie naine Canis Major située à 25 mille années-lumière de la Terre, ou le Grand Nuage de Magellan qui est situé à 163 mille années-lumière de la Terre, et la fuite des êtres humains de Terre vers des endroits avec la possibilité d’être habités dans d’autres univers parallèles dont l’existence doit être scientifiquement prouvée.

LES RÉFÉRENCES

  1. ALCOFORADO, Fernando. Les menaces d’extinction de l’humanité par les êtres humains eux-mêmes et comment les éviter. Disponible sur le site Web <https://www.linkedin.com/pulse/les-menaces-dextinction-pour-lhumanit%2525C3%2525A9-%2525C3%2525A0-partir-de-g%2525C3%2525A9rer-alcoforado-nrklf/?trackingId=RKFdn%2FfRkYFSBf4OOxzPfg%3D%3D>.
  2. ALCOFORADO, Fernando. Les menaces d’extinction pour l’humanité causées par la planète terre, comment les gérer et comment les éviter. Disponível nos websites <https://www.linkedin.com/pulse/les-menaces-dextinction-pour-lhumanit%C3%A9-caus%C3%A9es-par-la-alcoforado-xe79f/?originalSubdomain=fr>.
  3. ALCOFORADO, Fernando. Les menaces d’extinction pour l’humanité causées par la planète terre, comment les gérer et comment les éviter. Disponível nos websites <https://www.linkedin.com/pulse/les-menaces-dextinction-pour-lhumanit%2525C3%2525A9-%2525C3%2525A0-partir-de-g%2525C3%2525A9rer-alcoforado-nrklf/?trackingId=RKFdn%2FfRkYFSBf4OOxzPfg%3D%3D>.

​* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).​

THE UN RESTRUCTURED TO DEFEND HUMANITY AGAINST THREATS TO ITS EXTINCTION

Fernando Alcoforado*

This article aims to present a synthesis of the final conclusions on how to defend humanity against threats to its extinction caused by human beings, by the forces of nature existing on planet Earth and those coming from outer space. This objective will only be able to be achieved if there is a supranational organization capable of bringing together all of humanity in its achievement. This supranational organization would be the UN (United Nations) if it is properly restructured to act to avoid threats to the extinction of humanity caused by human beings themselves [1], which relate to global climate change, pandemics and the outbreak of the 3rd World War, to avoid the threats caused by the forces of nature existing on planet Earth [2] that concern the cooling of the core of planet Earth, the catastrophic eruptions of volcanoes and the reversal of the Earth’s magnetic poles, the process of which would lead to the loss of the Earth’s magnetic field, and to avoid the threats coming from the outer space [3] that concern the collision on planet Earth of asteroids, comets or pieces of comets, collision on planet Earth of planets of the solar system, collision on planet Earth of orphan planets that roam in outer space, emission of cosmic rays, especially the gamma rays emitted by supernova stars, catastrophic consequences on the Earth’s environment resulting from the continuous distancing of the Moon from the Earth, death of the Sun, collision of the Andromeda and Milky Way galaxies where the Earth is located, and the end of the Universe.

At the current time, the UN acts in a very limited and ineffective way in tackling issues related to the environment, fundamentally dealing with climate change issues through the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change). The UN also acts in a limited and ineffective manner in tackling pandemics through the WHO (World Health Organization) and also in a limited and ineffective manner in tackling issues related to war and world peace with the Security Council composed by the winning countries of the Second World War (United States, Russia, China, United Kingdom and France) all of them with veto power. These structures have been unable to deal with the threats described above. The objective of the IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) is limited only to combating climate change, not pursuing, for example, changing the current model of society in order to transform it into a sustainable society. The WHO’s objective is only to deal with one of the dimensions of the issue of pandemics, which is public health and the production of vaccines, not dealing with combating the vectors that cause pandemics that are found in the environment. The ineffectiveness of the UN Security Council in ensuring world peace has been confirmed since its creation after the 2nd World War in view of the multiplicity of wars that have occurred since the end of the 2nd World War, a fact that requires the creation of a new structure that be able to mediate and avoid international conflicts and, above all, the outbreak of the 3rd World War.

The UN needs to be restructured in order to coordinate actions aimed at preventing the extinction of humanity from threats caused by human beings, by the forces of nature originating from planet Earth and those coming from outer space. To achieve these objectives, the UN should acquire the status of world government. Neither the current UN nor any country, no matter how powerful, will be able to carry out this task. The existence of a democratic world government would represent the most advanced stage of humanity’s evolution by creating the conditions for true political, economic, social, scientific, technological and environmental integration of all countries in the world based on a planetary social contract approved by all the people of the world. The democratic world government is absolutely necessary to coordinate the action of all countries in the world at the levels of the global economy, the environment, science and technology and, above all, to ensure world peace on our planet and avoid the extinction of humanity. The new international system should work based on a Planetary Social Contract. The Planetary Social Contract would be the Magna Carta of the people of planet Earth.

To draw up the Planetary Social Contract, the UN General Assembly should convene a Constituent World Assembly with the participation of representatives from all countries in the world elected for this purpose. The Planetary Social Contract should establish the foundations that would serve as the basis for the union of the peoples of the world and the existence of a world Government whose president should be elected with more than 50% of the votes of the world Parliament and also be democratically constituted. To ensure democratic practice and governance on planet Earth, world power should be exercised by the world Parliament that, in addition to electing the President of the world Government, should draft and approve international laws based on the Planetary Social Contract. The world Parliament should be composed of a determined and equal number of representatives from each country democratically elected for this purpose. The President of the World Government will only exercise command of the World Government as long as he has the support of the majority of the World Parliament. The world Government must have an organizational structure that is capable of dealing with international relations, military issues, the global economy, the global environment, education, health, infrastructure, science and technology, among others, to dialogue with the world Parliament and the countries that are part of the international system.

Parliamentarians should elect the board of directors of the world Parliament, which would have an appropriate organizational structure. The World Supreme Court should be composed of high-level jurists from around the world approved by the world Parliament who would act for a fixed period of time and should elect the President of the Court to serve a mandate for a determined period of time. The World Supreme Court should judge cases involving disputes between countries, crimes against humanity and nature committed by national states and rulers in light of the Planetary Social Contract, judge conflicts that exist between the world government and the world parliament and act as guardian of the Planetary Social Contract. The world government will not have its own Armed Forces and must rely on the support of the Armed Forces of the countries that would be called upon when necessary. Therefore, the new rule of international law would be executed by the three constituted powers: World Government, World Parliament and World Supreme Court. World power would rest in the world Government, the world Parliament and the world Supreme Court. World government, world Parliament and world Supreme Court would act as checks and balances aimed at the efficiency and effectiveness of the international system.

A democratic world government would not transform the governments of each nation into its vassals because national governments would maintain their autonomy in their territories and be governed in accordance with the interests of their people, while the world democratic government would aim to defend the general interests of the nations of the planet expressed in the Planetary Social Contract. What would not be acceptable is for any national government to adopt measures that are dissonant with decisions of general interest taken by the world parliament that would reflect the will of the majority of people around the world. The fact is that a democratic world government would avoid the empire of a single country, as has occurred throughout history, and the anarchy of all countries, as is currently the case. The construction of a global democratic government is necessary to face major systemic disasters such as an extreme ecological crisis resulting from global warming, a large-scale economic crisis such as the one currently occurring and likely to worsen in the future, the globalization of organized crime, threats to life on planet Earth caused by planet Earth and those coming from outer space and the advance of terrorism. The defense of humanity against threats to its existence existing on planet Earth and coming from outer space and the preservation of international peace would be the great missions of the new UN restructured as a democratic world government.

It is necessary to understand that there will not be world peace nor will the world market function properly without the Rule of International Law, which can only be applied and respected with the presence of a world government that is accepted by all countries. A world government will only be sustainable if it is truly democratic. Humanity must understand that it has everything to gain by uniting around a democratic world government that would be established with the restructuring of the UN. The new world order must be built not only to organize relationships between men on the face of the Earth, but also their relationships with nature. The UN must coordinate global actions to ensure that humanity is provided as urgently as possible with the instruments necessary to control its destiny. The new UN to be restructured as a world government should pursue five major objectives: 1) avoid the threats of extinction of humanity caused by global climate change; 2) avoid the threats of extinction of humanity caused by pandemics; 3) avoid the threats of extinction of humanity caused by international conflicts; 4) avoid the threats of extinction of humanity caused by the forces of nature originating from planet Earth; and 5) prevent threats to the extinction of humanity coming from outer space. The new UN to be restructured as a world government should set up an organizational structure capable of proposing to the world government the measures necessary to achieve the objectives described above, such as those presented below:

  • To avoid the extinction of humanity with global climate change [1], the new UN to be restructured as a world government should coordinate global actions to make environmental progress in each country and globally based on the sustainable development model to ensure that the needs current generations occur without compromising the needs of future generations, putting an end to the constant environmental degradation that is characterized by the depletion of the planet’s natural resources and climate change that threaten the future of humanity. The unsustainability of the current model of capitalist development is evident, as it has been extremely destructive of living conditions on the planet. In view of this, it is imperative to replace the current capitalist economic model dominant throughout the world with another that takes into account man integrated with the environment, with nature, that is, the model of sustainable development that can only be achieved with the celebration of a Planetary Social Contract that would establish the foundations of relations between countries in terms of the environment and relations between human beings and nature.
  • To avoid the extinction of humanity with the occurrence of pandemics [1], the new UN to be restructured as a world government should coordinate global actions to make each country make profound changes in its relationship with nature to prevent new pandemics that threaten the existence of human beings and invest massively in R&D aimed at developing vaccines to combat current and new viruses and new bacteria. Human beings need to start living in harmony with nature, without which their survival will be threatened. The facts of reality demonstrate that the health of human beings depends on the health of the planet. There must be a mobilization of civil society across the planet to build a new world order in which there is a radical change in the concept of development as that which has been practiced for centuries. The UN must coordinate global actions to change the economic matrix in general (agricultural, industrial and services) so that the need to preserve nature, respect the limits of the environment and its recovery time and stop producing so much rubbish. The UN must coordinate global actions to immediately stop the degradation and deforestation of forests and strengthen the health surveillance systems of all countries and the World Health Organization (WHO), reduce social inequities between and within nations, remove subsidies that favor deforestation and offer more support to indigenous peoples, to contain deforestation, among other measures.
  • To avoid the extinction of humanity with the outbreak of the 3rd World War [1], the new UN to be restructured as a world government needs to avoid the proliferation of wars in the world and, above all, those that contribute to the outbreak of the 3rd World War which could result the use of nuclear weapons by the contenders that could lead to the extinction of the human species. The new UN to be restructured as a world government must coordinate global actions to ensure that humanity is provided as urgently as possible with the instruments necessary to build world peace and control its destiny. The new UN to be restructured as a world government must act to achieve perpetual peace on our planet, as the great Austrian philosopher Immanuel Kant desired. The new international system should work based on a Planetary Social Contract that would be the Magna Carta of the people of planet Earth. The new UN to be restructured as a world government should mediate international conflicts based on the Planetary Social Contract approved by all countries in the world. All international conflicts should be mediated by the world government, which would prepare a proposal or proposals for resolving the conflicts in common agreement with the disputing parties, which would be analyzed by the World Parliament, which would approve the proposal or proposals for resolving the conflicts and then be analyzed by the World Supreme Court to assess whether they would be in compliance with the Planetary Social Contract. The conflict resolution proposals approved by the World Supreme Court would then be implemented by the World Government in agreement with the disputing parties through a resolution based on the decisions of the World Supreme Court.
  • To avoid the extinction of humanity with the threats caused by forces of nature originating from planet Earth [2], which concern the cooling of the core of planet Earth, the catastrophic eruption of volcanoes and the reversal of the Earth’s magnetic poles, the process of which would lead to the loss of the field magnetic of the Earth, the new UN to be restructured as a world government should coordinate global actions, bringing together all the essential competencies that exist around the world with the implementation of a World Organization for the Defense of Humanity Against Forces of Nature Originating from Planet Earth that has the capacity to technically coordinate actions around the world to face these threats originating from planet Earth. It is important that, faced with the threat of extinction of the human species, strategies for escaping human beings to places such as Mars or other places in the solar system or outside capable of sheltering human life are drawn up well in advance, before the loss of the magnetic field of the Earth and the imbalance in the planet’s food chain resulting from the cooling of the Earth’s core, adopt necessary measures to evacuate human beings to safe locations and, even, if necessary, off planet Earth in places likely to be inhabited in the solar system or outside it in the event that the eruption of volcanoes as has already occurred in the past could lead to the threat of extinction of human beings and protect human beings by building underground dwellings and underground cities throughout the planet capable of sheltering human life by protecting them of cosmic and solar radiation during the reversal of the Earth’s magnetic poles.
  • To avoid the extinction of humanity with threats coming from outer space [3] that concern the collision of asteroids, comets or pieces of comets on planet Earth, collision of planets in the solar system on planet Earth, collision of planets on planet Earth orphans roaming outer space, emission of cosmic rays, especially gamma rays emitted by supernova stars, catastrophic consequences on the Earth’s environment resulting from the continued distancing of the Moon from Earth, death of the Sun, collision of the Andromeda and Via Milky Way galaxies where the Earth is located, and the end of the Universe, the new UN to be restructured as a world government should coordinate global actions to bring together all the essential competencies existing around the world with the implementation of a World Organization for the Defense of Humanity Against Threats Coming from Outer Space that has the capacity to technically coordinate actions around the world in confronting these threats from outer space. It is important that, faced with the threat of extinction of the human species, strategies for escaping human beings to other locations in the solar system such as Mars, Titan (Saturn’s moon) and Callisto (Jupiter’s moon) with the possibility of to be inhabited by human beings, the escape of human beings from Earth to places with the possibility of being inhabited in other star systems, such as the exoplanet “Proxima b” orbiting the star closest to the Sun, part of the Alpha Centauri system, the escape of human beings to places with the possibility of being inhabited in other galaxies such as the Canis Major Dwarf Galaxy located 25 thousand light years from Earth, or the Large Magellanic Cloud which is located 163 thousand light years from Earth, and the escape of human beings from Earth to places with the possibility of being inhabited in other parallel universes whose existence needs to be scientifically proven.

REFERENCES

  1. ALCOFORADO, Fernando. The threats of extinction to humanity by human beings themselves and how to avoid them. Available on the website <https://www.academia.edu/114871091/THE_THREATS_OF_EXTINCTION_TO_HUMANITY_BY_HUMAN_BEINGS_THEMSELVES_AND_HOW_TO_AVOID_THEM>.
  2. ALCOFORADO, Fernando. The threats of extinction to humanity caused by planet earth, how to deal with them and how to avoid them. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/threats-extinction-humanity-caused-planet-earth-how-deal-alcoforado-fnwif/?trk=article-ssr-frontend-pulse_more-articles_related-content-card>.
  3. ALCOFORADO, Fernando. The threats of extinction to humanity coming from outer space, how to deal with them and how to avoid them. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/threats-extinction-humanity-coming-from-outer-space-how-alcoforado-0bymf/?trackingId=no%2FuzVE3323TtSmNs6BcKg%3D%3D>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023). 

A ONU REESTRUTURADA PARA DEFENDER A HUMANIDADE CONTRA AMEAÇAS À SUA EXTINÇÃO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar a síntese das conclusões finais sobre como defender a humanidade contra ameaças à sua extinção provocadas pelos seres humanos, pelas forças da natureza existentes no planeta Terra e aquelas vindas do espaço exterior. Este objetivo só terá condições de se realizar se houver uma organização supranacional capaz de congregar toda a humanidade na sua realização. Esta organização supranacional seria a  ONU (Organização das Nações Unidas) se for devidamente reestruturada para atuar no sentido de evitar as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos próprios seres humanos [1] que dizem respeito à  mudança climática global, às pandemias e à eclosão da 3ª Guerra Mundial, evitar as ameaças provocadas pelas forças da natureza existentes no planeta Terra [2] que dizem respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra, as erupções catastróficas de vulcões e a reversão dos polos magnéticos da Terra cujo processo levaria à perda do campo magnético terrestre e evitar as ameaças vindas do espaço exterior [3] que dizem respeito à colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas, colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar, colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos que vagam pelo espaço exterior, emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas, consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento contínuo da Lua em relação à Terra, morte do Sol, colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra, e o fim do Universo.  

No momento atual, a ONU atua de forma bastante limitada e ineficaz no enfrentamento das questões relacionadas com o meio ambiente lidando fundamentalmente com as questões das mudanças climáticas através do IPCC (Painel Intergovernamental da Mudança Climática). A ONU atua, também, de forma limitada e ineficaz no enfrentamento das pandemias através da OMS (Organização Mundial de Saúde) e, também, de forma limitada e ineficaz no enfrentamento das questões relacionadas com a guerra e a paz mundial com o Conselho de Segurança composto pelos países vencedores da 2ª Guerra Mundial (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) todos eles com poder de veto. Estas estruturas têm sido incapazes para lidar com as ameaças acima descritas. O objetivo do IPCC (Painel Intergovernamental da Mudança Climática) está limitado apenas ao combate à mudança climática não perseguindo, por exemplo, a mudança do atual modelo de sociedade no sentido de transformá-la em sociedade sustentável. O objetivo da OMS é apenas de lidar com uma das dimensões da questão das pandemias que é a da saúde pública e a produção de vacinas não lidando com o combate aos vetores causadores das pandemias que se encontram no meio ambiente. A ineficácia do Conselho de Segurança da ONU para assegurar a paz mundial vem sendo constatada desde sua constituição após a 2ª Guerra Mundial diante da multiplicidade de guerras que ocorreram desde o final da 2ª Guerra Mundial, fato este que exige a constituição de uma nova estrutura que seja capaz de mediar e evitar os conflitos internacionais e, sobretudo, a eclosão da 3ª Guerra Mundial.

A ONU precisa ser reestruturada no sentido de coordenar as ações voltadas para evitar a extinção da humanidade de ameaças provocadas pelos seres humanos, pelas forças da natureza oriundas do planeta Terra e aquelas vindas do espaço exterior. Para alcançar estes objetivos, a ONU deveria adquirir o status de governo mundial. Nem a ONU atual e nenhum país por mais poderoso que seja não poderão realizar esta tarefa. A existência de um governo mundial democrático traduziria o estágio mais avançado de evolução da humanidade ao criar as condições para uma verdadeira integração política, econômica, social, científica, tecnológica e ambiental de todos os países do mundo com base em um contrato social planetário aprovado por todos os povos do mundo. O governo democrático mundial é absolutamente necessário para coordenar a ação de todos os países do mundo nos níveis da economia global, do meio ambiente, da ciência e tecnologia e, sobretudo, para assegurar a paz mundial em nosso planeta e evitar a extinção da humanidade. O novo sistema internacional deveria funcionar com  base em um Contrato Social Planetário. O Contrato Social Planetário seria a Carta Magna dos povos do planeta Terra.

Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação pela Assembleia Geral da ONU de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer os fundamentos que serviriam de base para a união dos povos do mundo e a existência de um Governo mundial cujo presidente deveria ser eleito com mais de 50% de votos do Parlamento mundial a ser, também, constituído democraticamente. Para assegurar a prática democrática e a governabilidade no planeta Terra, o poder mundial deveria ser exercido pelo Parlamento mundial que, além de eleger o Presidente do Governo mundial, deveria elaborar e aprovar as leis internacionais baseadas no Contrato Social Planetário. O Parlamento mundial deveria ser composto por um número determinado e igual de representantes de cada país eleitos democraticamente para este fim. O Presidente do Governo mundial só exercerá o comando do governo mundial enquanto contar com o apoio da maioria do Parlamento mundial. O Governo mundial deve contar com uma estrutura organizacional que seja capaz de lidar com as relações internacionais, a questão militar, a economia global, o meio ambiente global, a educação, a saúde, a infraestrutura, a ciência e tecnologia, entre outras, para dialogar com o Parlamento mundial e os países integrantes do sistema internacional.

Os parlamentares deveriam eleger a mesa diretora do Parlamento mundial que contaria com estrutura organizacional apropriada. A Corte Suprema Mundial deveria ser composta por juristas de alto nivel do mundo aprovados pelo Parlamento mundial que atuariam por tempo determinado os quais deveriam eleger o Presidente da Corte para cumprir um mandato por tempo determinado. A Corte Suprema Mundial deveria julgar os casos que envolvam litigios entre paises, os crimes contra a humanidade e contra a natureza praticados por Estados nacionais e por governantes à luz do Contrato Social Planetário, julgar conflitos que existam entre o governo mundial e o parlamento mundial  e atuar como guardiã do  Contrato Social Planetário. O Governo mundial não terá Forças Armadas próprias devendo contar com o respaldo de Forças Armadas dos países que seriam convocados quando necessário.  Portanto, o novo estado de direito internacional seria executado pelos três poderes constituidos: Governo mundial, Parlamento mundial e Corte Suprema mundial. O poder mundial repousaria no Governo mundial, no Parlamento mundial e na Corte Suprema mundial. Governo mundial, Parlamento mundial e Corte Suprema mundial atuariam como freios e contrapesos visando a eficiência e eficácia do sistema internacional.

Um governo democrático mundial não transformaria os governos de cada nação em seus vassalos porque os governos nacionais manteriam suas autonomias em seus territórios sendo governados de acordo com os interesses de seus povos enquanto o governo democrático mundial teria por objetivo a defesa dos interesses gerais das nações do planeta expressas no Contrato Social Planetário. O que não seria admissivel é qualquer governo nacional adotar medidas dissonantes das decisões de interesse geral tomadas pelo parlamento mundial que traduziria a vontade da maioria dos povos do mundo inteiro. O fato é que o governo democrático mundial evitaria o império de um só país como já ocorreu ao longo da história e a anarquia de todos os países como ocorre atualmente. A construção de um governo democrático mundial se impõe para fazer frente a desastres sistêmicos maiores tais como, crise ecológica extrema resultante do aquecimento global, crise econômica de grande amplitude como a que se registra no momento e tende a se agravar no futuro, a mundialização do crime organizado, as ameaças à vida no planeta Terra provocadas pelo planeta Terra e aquelas vindas do espaço exterior e o avanço do terrorismo. A defesa da humanidade contra as ameaças à sua existência existentes no planeta Terra e vindas do espaço exterior e a  preservação da paz internacional seriam as grandes missões da nova ONU reestruturada como governo democrático mundial.

É preciso entender que não existirá a paz mundial nem o mercado mundial funcionará adequadamente sem o Estado de Direito Internacional que só pode ser aplicado e respeitado com a presença de um governo mundial que seja aceito por todos os países. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático.  A humanidade tem de entender que tem tudo a ganhar se unindo em torno de um governo democrático mundial que seria constituído com a reestruturação da ONU. A nova ordem mundial deve ser edificada não apenas para organizar as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. A ONU deve coordenar as ações globais para fazer com que a humanidade seja dotada o mais urgentemente possível de instrumentos necessários ao controle de seu destino.  A nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria perseguir cinco grandes objetivos: 1) evitar as ameaças de extinção da humanidade provocadas pela mudança climática global; 2) evitar as ameaças de extinção da humanidade provocadas pelas pandemias; 3) evitar as ameaças de extinção da humanidade provocadas pelos conflitos internacionais; 4) evitar as ameaças de extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza oriundas do planeta Terra; e 5) evitar as ameaças de extinção da humanidade vindas do espaço exterior. A nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria montar uma estrutura organizacional capaz de propor ao governo mundial as medidas necessárias à consecução dos objetivos acima descritos como as apresentadas a seguir:     

  • Para evitar a extinção da humanidade com a mudança climática global [1], a nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria coordenar as ações globais para fazer com que o progresso ambiental em cada país e globalmente seja baseado no modelo desenvolvimento sustentável para garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras pondo fim à constante degradação ambiental que se caracteriza pelo esgotamento dos recursos naturais do planeta e pela mudança climática que ameaçam o futuro da humanidade. A insustentabilidade do modelo atual de desenvolvimento capitalista é evidente, uma vez que tem sido extremamente destrutiva das condições de vida no planeta. Diante disso, é imperativo substituir o atual modelo econômico capitalista dominante em todo o mundo por outro que leve em conta o homem integrado ao meio ambiente, com a natureza, ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável que só poderá ser alcançado com a celebração de um Contrato Social Planetário que estabeleceria as bases das relações entre os países em termos de meio ambiente e das relações entre os seres humanos e a natureza. 
  • Para evitar a extinção da humanidade com a ocorrência de pandemias [1], a nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria coordenar as ações globais para fazer com que cada país realize mudanças profundas em sua relação com a natureza para evitar que aconteçam novas pandemias que ameacem a existência dos seres humanos e investir maciçamente em P&D voltadas para o desenvolvimento de vacinas para fazer frente aos atuais e novos vírus e novas bactérias. O ser humano precisa passar a viver em harmonia com a natureza sem a qual sua sobrevivência estará ameaçada. Os fatos da realidade demonstram que a saúde do ser humano depende da saúde do planeta. É preciso que haja a mobilização da sociedade civil em todo o planeta para construir uma nova ordem mundial em que haja a mudança radical do conceito de desenvolvimento como o que está sendo praticado há séculos. A ONU deve coordenar as ações globais para mudar a matriz econômica em geral (agrícola, industrial e de serviços) para que se passe a considerar a necessidade de preservar a natureza, respeitar os limites do ambiente e o seu tempo de recuperação e deixar de produzir tanto lixo. A ONU deve coordenar as ações globais para parar imediatamente a degradação e o desmatamento de florestas e fortalecer os sistemas de vigilância em saúde de todos os países e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzir iniquidades sociais entre nações e no interior delas, remover subsídios que favoreçam o desmatamento e oferecer mais apoio aos povos indígenas, para conterem o desmatamento, entre outras medidas.
  • Para evitar a extinção da humanidade com a eclosão da 3ª Guerra Mundial [1], a nova ONU a ser reestruturada como governo mundial precisa evitar a proliferação de guerras no mundo e, sobretudo, a que contribua para a eclosão da 3ª Guerra Mundial da qual pode resultar o uso de armas nucleares pelos contendores que poderia levar à extinção da espécie humana. A nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deve coordenar as ações globais para fazer com que a humanidade seja dotada o mais urgentemente possível de instrumentos necessários à construção da paz mundial e ao controle de seu destino. A nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deve atuar para que se concretize a paz perpétua em nosso planeta como desejava o grande filósofo austríaco Immanuel Kant. O novo sistema internacional deveria funcionar com  base em um Contrato Social Planetário que seria a Carta Magna dos povos do planeta Terra. A nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria mediar os conflitos internacionais com base no Contrato Social Planetário aprovado por todos os países do mundo. Todos os conflitos internacionais deveriam ser mediados pelo governo mundial que elaboraria proposta ou propostas de solução dos conflitos de comum acordo com as partes litigantes as quais seriam analisadas pelo Parlamento Mundial que aprovaria a proposta ou propostas de solução dos conflitos para, em seguida, serem analisadas pela Corte Suprema Mundial para avaliar se elas estariam em conformidade com o Contrato Social Planetário. As propostas de solução dos conflitos aprovadas pela Corte Suprema Mundial seriam, em seguida, implementadas pelo Governo Mundial de comum acordo com as partes litigantes através de resolução baseada nas decisões da Corte Suprema Mundial.  
  • Para evitar a extinção da humanidade com as ameaças provocadas por forças da natureza oriundas do planeta Terra [2] que dizem respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra, a erupção catastrófica de vulcões e a reversão dos polos magnéticos da Terra cujo processo levaria à perda do campo magnético terrestre, a nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria coordenar as ações globais reunindo todas as competências essenciais existentes em todo o mundo com a implantação de  uma Organização Mundial de Defesa da Humanidade Contra Forças da Natureza Oriundas do Planeta Terra que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações em todo o mundo no enfrentamento dessas ameaças oriundas do planeta Terra.  É importante que, diante da ameaça de extinção da espécie humana, sejam traçadas com bastante antecedência estratégias de fuga de seres humanos para locais como Marte ou outros locais no sistema solar ou fora dele capazes de abrigar a vida humana, antes da perda do campo magnético da Terra e do desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta resultantes do esfriamento do núcleo da Terra, adotar medidas necessárias à evacuação dos seres humanos para locais seguros e, até mesmo, se necessário, para fora do planeta Terra em locais com chance de serem habitados no sistema solar ou fora dele no caso em que a erupção de vulcões como já ocorreu no passado possa levar à ameaça de extinção dos seres humanos e proteger os seres humanos construindo em todo o planeta habitações subterrâneas e cidades subterrâneas capazes de abrigar a vida humana protegendo-a das radiações cósmica e solar durante a reversão dos polos magnéticos da Terra.  
  • Para evitar a extinção da humanidade com as ameaças vindas do espaço exterior [3] que dizem respeito à colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas, colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar, colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos que vagam pelo espaço exterior, emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas, consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento contínuo da Lua em relação à Terra, morte do Sol, colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra, e o fim do Universo, a nova ONU a ser reestruturada como governo mundial deveria coordenar as ações globais para reunir todas as competências essenciais existentes em todo o mundo com a implantação de uma Organização Mundial de Defesa da Humanidade Contra Ameaças Vindas do Espaço Exterior que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações em todo o mundo no enfrentamento dessas ameaças vindas do espaço exterior. É importante, que diante da ameaça de extinção da espécie humana, sejam traçadas com bastante antecedência estratégias de fuga de seres humanos para outros locais situados no sistema solar como Marte, Titan (lua de Saturno) e Callisto (lua de Júpiter) com possibilidade de serem habitados por seres humanos, fuga dos seres humanos da Terra para locais com possibilidade de serem habitados em outros sistemas estelares, como o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri, a fuga dos seres humanos para locais com possibilidade de serem habitados em outras galáxias como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25 mil anos-luz da Terra, ou a Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra, e a  fuga dos seres humanos da Terra para locais com possibilidade de serem habitados em outros universos paralelos cuja existência precisa ser comprovada cientificamente.

REFERÊNCIAS

  1. ALCOFORADO, Fernando. As ameaças de extinção da humanidade pelos próprios seres humanos e como evitá-las. Disponível nos websites <https://www.linkedin.com/pulse/amea%C3%A7as-de-extin%C3%A7%C3%A3o-da-humanidade-pelos-pr%C3%B3prios-seres-alcoforado-k9fif/> e <https://www.youtube.com/watch?v=h1vVjqH01tg>.
  2. ALCOFORADO, Fernando. As ameaças de extinção da humanidade provocadas pelo planeta terra, como lidar com elas e como evitá-las. Disponível nos websites <https://www.linkedin.com/pulse/amea%C3%A7as-de-extin%C3%A7%C3%A3o-da-humanidade-provocadas-pelo-terra-alcoforado-yncff/?originalSubdomain=pt> e <https://www.youtube.com/watch?v=reTfmwGNTGE>.
  3. ALCOFORADO, Fernando. As ameaças de extinção da humanidade vindas do espaço exterior, como lidar com elas e como evitá-las. Disponível nos websites <https://www.linkedin.com/pulse/amea%2525C3%2525A7as-de-extin%2525C3%2525A7%2525C3%2525A3o-da-humanidade-vindas-do-espa%2525C3%2525A7o-como-alcoforado-f1kbe/?trackingId=IYdsX4xIZ5A81o6D31LfTg%3D%3D> e <https://www.youtube.com/watch?v=BjrYuQBazig>.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

LA PUBLICATION DE NOTRE 21ème LIVRE « COMMENT CONSTRUIRE UN MONDE DE PAIX, DE PROGRÈS ET DE BONHEUR POUR TOUTE L’HUMANITÉ »

Fernando Alcoforado

La Editora CRV de Curitiba, Paraná, devrait bientôt publier le livre dont nous sommes l’auteur « Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade » en portugais pour atteindre le public lusophone et également en anglais, dont le titre est « How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity » pour atteindre un public mondial.

Ce livre vise à présenter comment construire un monde de paix, de progrès et de bonheur pour toute l’humanité. Le postulat établi est que cet objectif peut être atteint si les grandes utopies planétaires se réalisent dans le but de construire un monde meilleur. Les utopies planétaires peuvent être comprises comme l’idée d’une société idéale, imaginaire et parfaite et, par conséquent, considérée par beaucoup comme inaccessible. Le contraire de l’utopie est la dystopie, c’est-à-dire une vision négative de l’avenir. Dans la dystopie, déménager ou aller vers un monde meilleur n’est pas possible. Le but de ce livre est de montrer comment éliminer la dystopie dominante et faire de l’utopie de construire un monde de paix, de progrès et de bonheur pour toute l’humanité une réalité.

Avec ce livre, nous cherchons à présenter notre vision de ce qu’il faut faire pour que les utopies de la construction d’un monde meilleur deviennent réalité, comme la réalisation de la paix mondiale, la construction d’une démocratie pleine et entière dans tous les pays du monde, la prédominance de la valeurs de civilisation dans la société sur la barbarie dominante, la construction du socialisme démocratique dans tous les pays pour remplacer le capitalisme décadent dominant dans le monde, la construction de l’État-providence dans tous les pays du monde pour éliminer la croissance économique mondiale et inégalités sociales, concrétiser l’utilisation rationnelle des ressources naturelles dans le monde pour mettre fin à l’épuisement des ressources naturelles de la planète, éviter un changement climatique mondial catastrophique, l’élimination du chaos économique et social aux niveaux national et mondial, la construction de villes vertes et intelligentes dans tous les pays pour éliminer l’existence de villes de plus en plus dégradées dans la grande majorité des pays du monde, l’utilisation de la science et de la technologie exclusivement pour le bien de l’humanité, en évitant qu’elles soient utilisées pour produire le mal, la réalisation de l’immortalité des êtres humains, parvenir à la survie de l’humanité face aux menaces d’extinction causées par les êtres humains, les forces de la nature existant sur la planète Terre et celles venant de l’espace et parvenir au bonheur des êtres humains, individuellement et collectivement.

De toutes les utopies, la réalisation du bonheur individuel et collectif mérite une attention particulière car la recherche du bonheur est le moteur central de la vie de chacun, que ce soit au niveau individuel ou collectif. Le bonheur individuel s’obtient grâce à l’auto-éducation, car l´éducation est le moyen par lequel les gens seraient en mesure de faire les meilleurs choix dans la vie. Le but de l’éducation doit être de faire acquérir à l’individu des compétences, de développer son sens critique, de s’approprier le patrimoine scientifique et culturel historiquement construit par l’humanité, mais, avant tout, elle doit être un instrument pour promouvoir son propre bonheur et contribuer, également, pour la construction du bonheur collectif dans la société où il vit. La réalisation du bonheur collectif des êtres humains résulterait, à son tour, de la construction réussie d’un monde de paix et de progrès pour toute l’humanité qui se déroulerait dans tous les quadrants de la Terre.

THE PUBLICATION OF OUR 21st BOOK “HOW TO BUILD A WORLD OF PEACE, PROGRESS AND HAPPINESS FOR ALL HUMANITY”

Fernando Alcoforado

Editora CRV from Curitiba, Paraná, should soon publish the book we authored “How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity” in Portuguese to reach the Portuguese-speaking public and also in English to reach a worldwide audience.

This book aims to present how to build a world of peace, progress and happiness for all humanity. The established premise is that this objective can be achieved if the great planetary utopias are realized with the aim of building a better world. Planetary utopias can be understood as the idea of an ideal, imaginary, perfect society and, therefore, considered by many to be unattainable. The opposite of utopia is dystopia which means a negative view of the future. In dystopia, moving or going to a better world is not possible. The purpose of this book is to point out how to eliminate the dominant dystopia and make the utopia of building a world of peace, progress and happiness for all humanity become a reality.

With this book, we seek to present our vision of what to do so that the utopias of building a better world become reality, such as the achievement of world peace, the construction of full democracy in all countries of the world, the prevalence of the values of civilization in society over the dominant barbarism, the construction of democratic socialism in all countries to replace the decadent capitalism dominant in the world, the construction of the Welfare State in all countries of the world to eliminate the growing global economic and social inequalities, make reality the rational use of nature’s resources in the world to end the depletion of the planet’s natural resources, avoid catastrophic global climate change, the elimination of economic and social chaos at national and global levels, the construction of green and smart cities in all countries to eliminate the existence of increasingly degraded cities in the vast majority of countries in the world, the use of science and technology exclusively for the good of humanity, preventing them from being used to produce evil, the achievement of the immortality of human beings, the achievement of humanity’s survival in the face of threats to its extinction caused by human beings, by the forces of nature existing on planet Earth and those coming from outer space and the achievement of happiness for human beings, individually and collectively.

Of all utopias, the achievement of individual and collective happiness deserves special consideration because the search for happiness is the central driver of everyone’s life, whether on an individual or collective level. Individual happiness is achieved through self-education because education is the means through which people would be empowered to make the best choices in life. The purpose of Education must be to make the individual acquire skills, develop critical sense, take possession of the scientific and cultural heritage historically built by humanity, but, above all, it must be an instrument to promote one’s own happiness and contribute , also, for the construction of collective happiness in the society where he lives. The achievement of collective happiness for human beings would result, in turn, from the successful construction of a world of peace and progress for all humanity that will take place in all quadrants of the Earth.

A PUBLICAÇÃO DE NOSSO 21º LIVRO “COMO CONSTRUIR UM MUNDO DE PAZ, PROGRESSO E FELICIDADE PARA TODA A HUMANIDADE”

Fernando Alcoforado

A Editora CRV de Curitiba, Paraná, deverá publicar brevemente o livro de nossa autoria “Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade” em Português para atingir o público de lingua portuguesa e, também, em Inglês, cujo título é “How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity” para atingir o público de alcance mundial.

Este livro tem por objetivo apresentar como fazer para construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade. A premissa estabelecida é a de que este  objetivo poderá ser alcançado se as grandes utopias planetárias se realizarem visando a construção de um mundo melhor. As utopias planetárias podem ser compreendidas como a ideia de uma sociedade ideal, imaginária, perfeita e, por isso, considerada por muitos inalcançável. O oposto de utopia é distopia que significa uma visão negativa do futuro. Na distopia, a passagem ou a ida para um mundo melhor não é possível. O propósito deste livro consiste em apontar como eliminar a distopia dominante e fazer com que se torne realidade a utopia da construção de um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade.

Com este livro, procuramos apresentar nossa visão do que fazer para que as utopias de construção de um mundo melhor se tornem realidade como a conquista da paz mundial, a construção da democracia plena em todos os países do mundo, a prevalência dos valores da civilização na sociedade sobre a barbárie dominante, a construção do socialismo democrático em todos os países para substituir o capitalismo decadente dominante no mundo, a construção doEstado de Bem Estar Social em todos os países do mundo para eliminar as crescentes desigualdades econômicas e sociais globais, tornar realidade o uso racional dos recursos da natureza no mundo para acabar com a exaustão dos recursos naturais do planeta, evitar a mudança climática catastrófica global, a eliminação do caos econômico e social nos planos nacional e global, a construção de cidades verdes e inteligentesem todos os paísespara eliminar a existência decidades crescentemente degradadas na grande maioria dos países do mundo, a utilização da ciência e da tecnologia exclusivamente para o bemda humanidadeevitando que elas sejam utilizadas para a produção do mal, a conquista da imortalidade dos seres humanos, a conquista da sobrevivência da humanidade diante das ameaças à sua extinção provocadas pelos seres humanos, pelas forças da natureza existentes no planeta Terra e aquelas vindas do espaço exterior e a conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente.   

De todas as utopias, a conquista da felicidade individual e coletiva merece uma consideração especial porque a busca da felicidade é o motor central da vida de todas as pessoas, seja no plano individual ou no plano coletivo. A felicidade individual se conquista através da educação de si mesmo porque ela é o meio através da qual as pessoas se capacitariam para fazer as melhores escolhas na vida. A finalidade da Educação deve ser a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade de si mesmo e contribua, também, para a construção da felicidade coletiva da sociedade onde ele vive. A conquista da felicidade coletiva dos seres humanos resultaria, por sua vez, da construção bem sucedida de um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade que venha a acontecer em todos os quadrantes da Terra.

LE CONFLIT ENTRE LA RUSSIE ET L’UKRAINE ET SES FUTURS SCÉNARIOS

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les causes du conflit entre la Russie et l’Ukraine et ses scénarios d’évolution future. Dans ce conflit, outre la Russie et l’Ukraine, les États-Unis, les pays de l’Union européenne et l’OTAN (Organisation du Traité de l’Atlantique Nord), une alliance militaire occidentale formée après la Seconde Guerre mondiale, lorsque les États-Unis et leurs alliés Les alliés européens se sont unis au niveau militaire pour affronter l’Union soviétique et le Pacte de Varsovie, l’alliance militaire de l’Union soviétique avec les pays socialistes d’Europe de l’Est. Avec la fin de l’Union soviétique en 1989, le Pacte de Varsovie s’est effondré, mais l’OTAN a été maintenue et élargie pour répondre aux intérêts géopolitiques des États-Unis avec l’incorporation de pays appartenant au Pacte de Varsovie, ainsi qu’avec l’adhésion récente. de Finlande et de Suède. Il convient de noter que l’un des piliers de l’OTAN est d’assurer la sécurité de ses pays membres, ce qui peut se faire par la voie diplomatique ou par le recours aux forces militaires. Les pays membres de l’OTAN fournissent une partie de leur contingent militaire pour d’éventuelles actions de cette ampleur, puisque l’organisation ne dispose pas de sa propre force militaire.

Pendant la guerre froide entre les États-Unis et l’Union soviétique jusqu’en 1989, l’OTAN comprenait 16 pays : 1) l’Allemagne ; 2) Belgique ; 3) Canada ; 4) Danemark ; 5) Espagne ; 6) États-Unis ; 7) France ; 8) Grèce ; 9) Pays-Bas ; 10) Islande ; 11) Italie ; 12) Luxembourgeois ; 13) Norvège ; 14)Portugal ; 15) Turquie ; 16) Royaume-Uni. Pour répondre aux intérêts géopolitiques des États-Unis et de leur industrie d’armement, l’OTAN s’est élargie après la fin de l’Union soviétique en 1989, attirant en 1997 14 autres pays faisant partie du système socialiste d’Europe de l’Est, comme l’Albanie, la Bulgarie et la Croatie. , Slovaquie, Slovénie, Estonie, Hongrie, Lettonie, Lituanie, Macédoine, Monténégro, Pologne, République tchèque et Roumanie. La Figure 1 montre les pays européens qui ont rejoint l’OTAN avant 1997 et ceux qui l’ont rejoint après 1997.

Figure 1 – L’approche de l’OTAN à l’égard des frontières russes

Source : https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60129112

Avec la fin de l’Union soviétique en 1989 et le Pacte de Varsovie, alliance militaire des pays socialistes d’Europe de l’Est, l’OTAN (alliance militaire occidentale) s’est élargie, en commençant par la mer Baltique, en passant par l’Europe centrale, en passant par l’intervention dans les Balkans ( ex-Yougoslavie) et atteignant l’Asie centrale et le Pakistan, élargissant les frontières de l’alliance militaire occidentale sous la direction des États-Unis. Une plus grande proximité des pays membres de l’OTAN avec la frontière avec la Russie serait complétée par l’incorporation de l’Ukraine dans l’alliance militaire occidentale, comme le souhaitent les États-Unis, leurs alliés au sein de l’Union européenne et le gouvernement ukrainien. Tout cela fait partie de la stratégie des États-Unis et de leurs alliés européens visant à se rapprocher des frontières de la Russie, considérée, avec la Chine, comme un ennemi des puissances occidentales en raison de la volonté des dirigeants russes sous la direction de Vladimir Poutine faire en sorte que la Russie retrouve à nouveau le même pouvoir que celui exercé par l’Union soviétique sur la scène politique internationale et également grâce à l’alliance militaire conclue en 2000 entre la Russie et la Chine. L’expansion de l’OTAN vers les frontières russes est considérée par les dirigeants russes comme le principal danger extérieur pour la Russie.

À la fin des années 1990, la répartition géopolitique des nouvelles bases militaires nord-américaines ne laisse aucun doute sur l’existence d’une nouvelle « ceinture sanitaire » séparant l’Allemagne de la Russie et la Russie de la Chine. Face à l’intégration imminente de l’Ukraine à l’OTAN, la Russie a réagi en intervenant militairement dans ce pays pour éviter à tout prix son intégration à l’OTAN. L’invasion russe a commencé par des dizaines de frappes de missiles sur des villes d’Ukraine avant l’aube du 24 février 2022. Les troupes terrestres russes ont avancé rapidement et ont contrôlé en quelques semaines de vastes étendues de l’Ukraine et ont avancé dans la banlieue de Kiev. Les forces russes ont bombardé Kharkiv et se sont emparées de territoires à l’est et au sud jusqu’à Kherson et ont encerclé la ville portuaire de Marioupol. L’intervention militaire de la Russie en Ukraine a amené les États-Unis et les pays de l’Union européenne à fournir un soutien militaire massif à l’Ukraine, par l’intermédiaire de l’OTAN, pour se défendre militairement contre la Russie. La figure 2 montre les régions de l’Ukraine actuellement occupées militairement par la Russie et qui subissent des attaques constantes de l’armée ukrainienne, soutenue par les États-Unis, les pays de l’Union européenne et l’OTAN.

Figure 2- Zones de l’Ukraine occupées par la Russie

Source : https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgxez28qk1jo

Au lieu d’essayer de négocier une solution pacifique à la guerre en Ukraine, le gouvernement américain dirigé par Joe Biden a préféré armer le gouvernement ukrainien pour résister à l’invasion russe et établir des sanctions économiques contre le gouvernement russe et ses citoyens. Le fait est que l’invasion russe de l’Ukraine a profité économiquement aux États-Unis, en particulier à leur industrie de l’armement, qui a augmenté ses exportations d’armes de plus de 14 % et représente 40 % des transferts mondiaux d’armes. Le Congrès américain a systématiquement approuvé d’énormes fonds pour le renforcement militaire de l’Ukraine depuis l’invasion russe en février 2022, au même titre que les pays de l’Union européenne dont les dépenses militaires pour la guerre en Ukraine ont atteint 480 milliards de dollars en 2022. Les causes de la guerre entre la Russie et l’Ukraine sont donc avant tout géopolitiques et stratégiques. L’arrivée au pouvoir de Vladimir Poutine en Russie en 2000 a radicalement changé cette situation géopolitique jusqu’alors très défavorable aux Russes. L’arrivée de Vladimir Poutine au pouvoir a marqué le début de la reprise géopolitique de la Russie, dont la position avait été considérablement affaiblie dans les années 1990 avec le gouvernement Eltsine qui a pris le pouvoir après la fin de l’Union soviétique.

Vladimir Poutine représente l’accession au pouvoir d’une coalition large et solide d’intérêts économiques et politiques russes qui se sont réunis autour de la nécessité de reconstruire les bases opérationnelles minimales d’un État capitaliste moderne en Russie, capable de surmonter la phase sauvage et prédatrice de « l’accumulation primitive ». » en Fédération de Russie avec Eltsine au pouvoir dans les années 1990. La reprise géopolitique de la Russie a été possible grâce à l’affirmation par Poutine d’un projet nationaliste de reconstruction de l’État russe. C’est à partir des années 2000 que la Russie décide de développer un partenariat stratégique avec la Chine. La Russie considérait que la Chine pouvait l’aider dans sa résistance aux ambitions géopolitiques des États-Unis tant en Europe de l’Est que dans le Caucase ou en Asie centrale. L’Organisation de coopération de Shanghai (OCS) a été créée en 2001 pour établir une alliance militaire entre la Russie et la Chine et lutter contre le terrorisme, le fondamentalisme religieux et le séparatisme dans la région asiatique.

Il existe deux scénarios futurs pour la guerre entre la Russie et l’Ukraine : 1) Le conflit militaire se limite à l’Ukraine ; et 2) Le conflit s’étend à travers l’Europe et le monde. Si le conflit se limite à l’Ukraine, la Russie maintiendra les territoires ukrainiens déjà conquis jusqu’à ce qu’en accumulant ses forces, elle vienne occuper militairement toute l’Ukraine pour imposer sa volonté à l’ennemi. Le conflit pourrait dans un premier temps s’étendre à l’Europe si l’OTAN intervenait militairement aux côtés du gouvernement ukrainien. Cela ouvrirait la voie à une Troisième Guerre mondiale avec l’implication de grandes puissances militaires, avec des conséquences imprévisibles liées à l’utilisation d’armes nucléaires, alors que Poutine menaçait de représailles contre les pays qui interviennent militairement pour soutenir l’Ukraine. De ce qui précède, la responsabilité du gouvernement des États-Unis dans la possibilité du déclenchement de la Troisième Guerre mondiale est évidente, car il a favorisé l’expansion de l’OTAN jusqu’aux frontières de la Russie depuis 1997, qui serait complétée par l’incorporation de l’Ukraine dans l’OTAN. l’alliance militaire occidentale, en plus d’imposer des sanctions économiques contre la Russie. Les gouvernements des pays de l’Union européenne sont également responsables de la possibilité du déclenchement d’une Troisième Guerre mondiale, car ils soutiennent l’irrationalité du gouvernement de Joe Biden dans le conflit avec la Russie. À son tour, l’ONU est un autre grand responsable de la possibilité du déclenchement de la Troisième Guerre mondiale, car elle n’a pas contribué à chercher la fin de la guerre en Ukraine et, au contraire, elle contribue à son intensification dans la lutte anti-russe avec résolutions approuvées par l’Assemblée Générale.

La guerre entre la Russie et l’Ukraine peut tirer plusieurs leçons. La première leçon est qu’aucun pays au monde n’est à l’abri d’une invasion par les grandes puissances si cela ne sert pas leurs intérêts. La deuxième leçon est que la puissance des grandes puissances occidentales, représentées par les États-Unis, l’Union européenne, entre autres pays, et l’OTAN, peut étouffer l’économie de n’importe quel pays du monde en adoptant des sanctions économiques et financières telles que celles menées pour la première fois dans l’histoire contre la Russie. La troisième leçon est que l’ONU n’a pas rempli son rôle de médiation dans le conflit entre la Russie et l’Ukraine pour éviter les conséquences néfastes de la guerre et préserver la paix mondiale. La quatrième leçon est que l’inefficacité de l’ONU a contribué à ce que les chefs de guerre des deux côtés cherchent à imposer leur volonté par le recours à la puissance militaire, dans le cas de la Russie et des grandes puissances occidentales, représentées par les États-Unis, l’Union européenne, entre autres pays, et de l’OTAN. La cinquième leçon est que le droit international a été une fois de plus bafoué avec l’invasion de l’Ukraine par la Russie. La sixième leçon est que le monde connaît l’anarchie dans les relations internationales dans lesquelles prévaut la loi du plus fort. La septième leçon est que la puissance de l’industrie de l’armement favorise l’expansion militaire des grandes puissances mondiales afin de fomenter des guerres pour gagner de l’argent. La huitième leçon est que la guerre économique menée par les États-Unis, l’Union européenne et l’OTAN contre la Russie pourrait être le déclencheur d’une Troisième Guerre mondiale, avec la possibilité d’utiliser des armes nucléaires.

Les faits de la vie démontrent que la guerre entre la Russie et l’Ukraine signifie la continuité de l’ancien ordre mondial dans lequel les conflits d’intérêts entre les grandes puissances ont été résolus « manu-militare », c’est-à-dire par des moyens militaires. Depuis des siècles, l’humanité est confrontée à des conflits entre grandes puissances qui ne sont pas résolus par des moyens diplomatiques mais par des moyens militaires, car nous vivons dans un monde sans gouvernement mondial et sans droit international respecté par tous les pays, en particulier par les grandes puissances qui cherchent à pour imposer leur volonté au niveau mondial. Sans l’existence d’un gouvernement mondial et d’un parlement mondial démocratiquement élus par la population mondiale, ainsi que sans l’existence d’une Cour suprême mondiale, il n’y a aucun moyen pour que le droit international soit effectivement appliqué et respecté par tous les pays. Il est urgent que l’humanité se dote au plus vite des instruments nécessaires à la construction d’un monde de paix.

Tout au long de l’histoire de l’humanité, il y a eu trois tentatives pour structurer des instruments visant à construire un monde de paix. La première tentative eut lieu en 1648 avec le Traité de Westphalie, qui mit fin à la guerre de Trente Ans (1618 – 1648), qui marqua le XVIIe siècle comme l’un des plus sanglants de l’histoire européenne, avec une série de traités mettant fin à la guerre de Trente Ans et a également reconnu officiellement les Provinces-Unies (Pays-Bas) et la Confédération suisse. La deuxième tentative de structurer des instruments visant à construire un monde de paix a eu lieu avec la création de la Société des Nations le 10 janvier 1920, sur les décombres de la Première Guerre mondiale. La troisième tentative de structurer des instruments visant à construire un monde de paix a eu lieu avec la création de l’ONU (Nations Unies), fondée en 1945 après la Seconde Guerre mondiale et restée inopérante tout au long de son histoire, y compris dans le conflit actuel entre Russie et Ukraine et dans le conflit entre Juifs et Palestiniens. L’ONU a échoué dans la construction d’un monde de paix.

L’échec de la construction de la paix mondiale avec le Traité de Westphalie en 1648, avec la Société des Nations en 1920 et avec l’ONU en 1945 démontre l’urgence de restructurer l’ONU afin qu’elle puisse exercer une gouvernance efficace du système international qui permette de arbitrer les conflits internationaux et assurer la paix mondiale. En ce sens, l’ONU devrait être restructurée pour devenir un gouvernement mondial qui aurait pour objectif de défendre les intérêts généraux de la planète, de garantir que chaque État national respecte la souveraineté des autres pays et d’empêcher la propagation des risques systémiques mondiaux. Avec cette nouvelle configuration de l’ONU, le Conseil de sécurité serait aboli et l’Assemblée générale serait transformée en Parlement mondial. L’ONU restructurée en gouvernement mondial éviterait l’empire d’un seul pays, comme cela s’est produit tout au long de l’histoire de l’humanité, et l’anarchie de tous les pays, comme c’est le cas actuellement.

Avec un gouvernement mondial, un Parlement mondial et une Cour suprême mondiale issus de la restructuration de l’ONU, il sera possible d’éviter les guerres et de mettre fin au bain de sang qui a caractérisé l’histoire de l’humanité. Pour être démocratique, le gouvernement mondial doit être élu par tous les pays du monde et être représentatif de tous les peuples du monde. La survie de l’humanité dépend de la capacité à conclure un Contrat Social Planétaire représentatif de la volonté de la majorité de la population de la planète. L’Assemblée générale des Nations Unies devrait convoquer une Assemblée constituante mondiale pour élaborer et approuver le nouveau Contrat social planétaire qui devrait restructurer l’ONU et établir les relations entre les êtres humains et entre eux et la nature. En attendant que cela arrive, de nouveaux conflits, comme celui actuel entre la Russie et l’Ukraine, y compris la 3ème Guerre mondiale, pourraient survenir et conduire à l’extinction de l’humanité, avec les adversaires utilisant des armes de destruction massive, en particulier des armes nucléaires.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

THE CONFLICT BETWEEN RUSSIA AND UKRAINE AND ITS FUTURE SCENARIOS

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the causes of the conflict between Russia and Ukraine and its future evolution scenarios. In this conflict, in addition to Russia and Ukraine, the United States, the countries of the European Union and NATO (North Atlantic Treaty Organization), a Western military alliance, which was formed after the Second World War, when the United States and its European allies joined together at the military level to confront the Soviet Union and the Warsaw Pact, the Soviet Union’s military alliance with the socialist countries of Eastern Europe. With the end of the Soviet Union in 1989, the Warsaw Pact fell apart, but NATO was maintained and expanded to meet the geopolitical interests of the United States with the incorporation of countries that belonged to the Warsaw Pact, as well as with the recent accession of Finland and Sweden. It is worth noting that one of NATO’s pillars is ensuring the security of its member countries, which can occur diplomatically or with the use of military forces. NATO member countries provide part of their military contingent for eventual actions of this size, since the organization does not have its own military force.

During the Cold War between the United States and the Soviet Union until 1989, NATO included 16 countries: 1) Germany; 2) Belgium; 3) Canada; 4) Denmark; 5) Spain; 6) United States; 7) France; 8) Greece; 9) Netherlands; 10) Iceland; 11) Italy; 12) Luxembourg; 13) Norway; 14) Portugal; 15) Turkey; 16) United Kingdom. To meet the geopolitical interests of the United States and its weapons industry, NATO expanded after the end of the Soviet Union in 1989, attracting in 1997 another 14 countries that were part of the socialist system of Eastern Europe, such as Albania, Bulgaria, Croatia, Slovakia, Slovenia, Estonia, Hungary, Latvia, Lithuania, Macedonia, Montenegro, Poland, Czech Republic and Romania. Figure 1 shows the European countries that joined NATO before 1997 and those that joined after 1997.

Figure 1- NATO’s approach to Russia’s borders

Source: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60129112

With the end of the Soviet Union in 1989 and the Warsaw Pact, a military alliance of the socialist countries of Eastern Europe, NATO (western military alliance) expanded, starting with the Baltic Sea, crossing Central Europe, passing through intervention in the Balkans (formerly Yugoslavia) and reaching Central Asia and Pakistan, expanding the borders of the Western military alliance under the leadership of the United States. Greater proximity of NATO member countries to the border with Russia would be completed with the incorporation of Ukraine into the Western military alliance as desired by the United States, its allies in the European Union and the Ukrainian government. All of this is part of the strategy of the United States and its European allies to approach the borders of Russia, which is considered, along with China, an enemy of Western powers due to the purpose of Russian rulers under the leadership of Vladimir Putin to make Russia will once again have the same power as that exercised by the Soviet Union on the international political scene and also due to the military alliance concluded in 2000 between Russia and China. NATO’s expansion towards Russian borders is considered by Russian rulers as the main external danger for Russia.

At the end of the 1990s, the geopolitical distribution of the new North American military bases leaves no doubt about the existence of a new “sanitary belt” separating Germany from Russia and Russia from China. Faced with Ukraine’s imminent integration into NATO, Russia reacted by intervening militarily in this country to prevent it from being incorporated into NATO at all costs. Russia’s invasion began with dozens of missile strikes on cities across Ukraine before dawn on February 24, 2022. Russian ground troops advanced quickly and within weeks controlled large swaths of Ukraine and advanced into the suburbs of Kiev. Russian forces shelled Kharkiv and seized territory in the east and south as far as Kherson and surrounded the port city of Mariupol. Russia’s military intervention in Ukraine caused the United States and European Union countries to provide massive military support to Ukraine, through NATO, to defend itself militarily against Russia. Figure 2 shows the regions of Ukraine currently militarily occupied by Russia and which suffer constant attacks from the Ukrainian army, which is supported by the United States, European Union countries and NATO.

Figure 2- Areas of Ukraine occupied by Russia

Source: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgxez28qk1jo

Instead of trying to negotiate a peace solution to the war in Ukraine, the United States government headed by Joe Biden preferred to arm the Ukrainian government to resist the Russian invasion and establish economic sanctions against the Russian government and its citizens. The fact is that the Russian invasion of Ukraine benefited the United States economically, especially its arms industry, which increased arms exports by more than 14% and account for 40% of global arms transfers. The United States Congress has systematically approved huge funds for the military strengthening of Ukraine since the Russian invasion in February 2022, as much as the European Union countries whose military spending on the war in Ukraine reached US$480 billion in 2022. The causes of the war between Russia and Ukraine are therefore, above all, geopolitical and strategic. Vladimir Putin’s arrival to power in Russia in 2000 radically changed this geopolitical situation, which until then was very unfavorable for Russians. Vladimir Putin in power marked the beginning of Russia’s geopolitical recovery, whose position had been greatly weakened during the 1990s with the Yeltsin government that took power after the end of the Soviet Union.

Vladimir Putin represents the rise to power of a broad and solid coalition of Russian economic and political interests that came together regarding the need to rebuild the minimum operating bases of a modern capitalist state in Russia that would overcome the savage and predatory phase of “primitive accumulation” in the Russian Federation with Yeltsin in power in the 1990s. Russia’s geopolitical recovery was possible thanks to Putin’s affirmation of a nationalist project for the recovery of the Russian state. It was from the year 2000 onwards that Russia decided to develop a strategic partnership with China. Russia considered that China could help it in its resistance to the geopolitical ambitions of the United States both in Eastern Europe and in the Caucasus or Central Asia. The Shanghai Cooperation Organization (SCO) was created in 2001 to establish an alliance between Russia and China in military terms and to combat terrorism, religious fundamentalism and separatism in the Asian region.

There are two future scenarios for the war between Russia and Ukraine; 1) The military conflict is restricted to Ukraine; and, 2) The conflict extends across Europe and the world. If the conflict is restricted to Ukraine, Russia will maintain the Ukrainian territories already conquered until, accumulating forces, it comes to militarily occupy all of Ukraine to impose its will on the enemy. The conflict could initially become widespread in Europe if NATO intervenes militarily alongside the Ukrainian government. This would pave the way for World War 3 with the involvement of major military powers with unpredictable consequences with the use of nuclear weapons as Putin threatened retaliation against countries that intervene militarily in support of Ukraine. From the above, the responsibility of the United States government for the possibility of the outbreak of the 3rd World War is evident because it has promoted the expansion of NATO to the borders of Russia since 1997, which would be completed with the incorporation of Ukraine into the Western military alliance, in addition to imposing sanctions economic actions against Russia. The governments of the European Union countries are also responsible for the possibility of the outbreak of World War 3 because they are supporting the irrationality of the Joe Biden government in the conflict with Russia. In turn, the UN is another major responsible for the possibility of the outbreak of the 3rd World War because it has not contributed to seeking an end to the war in Ukraine and, on the contrary, is contributing to its intensification with the anti-Russia resolutions approved by the General meeting.

There are several lessons from the war between Russia and Ukraine. The first lesson is that no country in the world is safe from being invaded by the great powers if it does not serve their interests. The second lesson is that the power of the great Western powers, represented by the United States, the European Union, among other countries, and NATO, can suffocate the economy of any country in the world with the adoption of economic and financial sanctions such as those carried out for the first time in history against Russia. The third lesson is that the UN did not fulfill its role of mediating the conflict between Russia and Ukraine to avoid the harmful consequences of the war and preserve world peace. The fourth lesson is that the ineffectiveness of the UN contributed to warlords on both sides seeking to impose their will using military power, in the case of Russia and the great Western powers, represented by the United States, the European Union, among other countries, and NATO. The fifth lesson is that International Law was once again disrespected with Russia’s invasion of Ukraine. The sixth lesson is that the world experiences anarchy in international relations in which the law of the strongest prevails. The seventh lesson is that the power of the arms industry promotes the military expansion of the world’s great powers to foment wars to make money. The eighth lesson is that the economic war by the United States, European Union and NATO against Russia could be the trigger for World War 3 with the possibility of using nuclear weapons.

The facts of life demonstrate that the war between Russia and Ukraine means the continuity of the old world order in which conflicts of interests between the great powers have been resolved “manu-militare”, that is, by military means. For centuries, humanity has been faced with conflicts between great powers that are not resolved through diplomatic means but through military means because we live in a world without a world government and without international law that is respected by all countries, especially the large powers that seek to impose their will on the world level. Without the existence of a world government and a world parliament democratically elected by the world population, as well as the existence of a world Supreme Court, there is no way for international law to be effectively applied and respected by all countries. It is urgent for humanity to equip itself as urgently as possible with the instruments necessary to build a world of peace.

Throughout the history of humanity, there have been three attempts to structure instruments aimed at building a world of peace. The first attempt occurred in 1648 with the Treaty of Westphalia, which put an end to the Thirty Years’ War (1618 – 1648), which marked the 17th century as one of the bloodiest in European history, with a series of treaties that ended the War of the Thirty Years and also officially recognized the United Provinces (Netherlands) and the Swiss Confederation. The second attempt to structure instruments aimed at building a world of peace occurred with the creation of the League of Nations on January 10, 1920 in the rubble of the First World War. The third attempt to structure instruments aimed at building a world of peace occurred with the creation of the UN (United Nations), which was founded in 1945 after the 2nd World War, and has been inoperative throughout its history, including in the current conflict between Russia and Ukraine and in the conflict between Jews and Palestinians. The UN has been a failure in building a world of peace.

The failure to build world peace with the Treaty of Westphalia in 1648, with the League of Nations in 1920 and with the UN in 1945 demonstrate the urgency of restructuring the UN so that it can exercise effective governance of the international system that makes it possible to mediate international conflicts and ensuring world peace. In this sense, the UN should be restructured to become a World Government that would aim to defend the general interests of the planet, ensure that each national State respects the sovereignty of other countries and prevent the spread of global systemic risks. With this new configuration of the UN, the Security Council would be abolished and the General Assembly would be transformed into the World Parliament. The UN restructured, as a World Government would avoid the empire of a single country, as has occurred throughout the history of humanity, and the anarchy of all countries, as is currently the case.

With a world Government, a world Parliament and a world Supreme Court resulting from the restructuring of the UN, it will be possible to avoid wars and end the bloodbath that has characterized the history of humanity. To be democratic, the world government should be elected by all countries in the world and be representative of all people in the world. The survival of humanity depends on the ability to conclude a Planetary Social Contract representative of the will of the majority of the planet’s population. The UN General Assembly should convene a World Constituent Assembly to draw up and approve the new Planetary Social Contract that should restructure the UN and establish relations between human beings and between them and nature. Until this occurs, new conflicts such as the current one between Russia and Ukraine, including the 3rd World War, could occur, which could lead to the extinction of humanity with the contenders using weapons of mass destruction, especially nuclear weapons.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

O CONFLITO ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA E SEUS CENÁRIOS FUTUROS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as causas do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e seus cenários de evolução futura. Neste conflito, além da Rússia e da Ucrânia, estão envolvidos os Estados Unidos, os países da União Europeia e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar ocidental, que foi constituída depois da 2ª Guerra Mundial, quando os Estados Unidos e seus aliados europeus se uniram no plano militar para enfrentar a União Soviética e o Pacto de Varsóvia, aliança militar da União Soviética com os países socialistas do leste europeu. Com o fim da União Soviética em 1989, o Pacto de Varsóvia se desfez, mas a OTAN foi mantida e expandida para atender os interesses geopolíticos dos Estados Unidos com a incorporação dos países que pertenceram ao Pacto de Varsóvia, bem como com a adesão recente da Finlândia e da Suécia. É oportuno observar que a OTAN tem como um de seus pilares garantir a segurança de seus países-membros, que pode ocorrer de forma diplomática ou com o uso de forças militares. Os países-membros da OTAN fornecem parte de seu contingente militar para eventuais ações desse porte, uma vez que a organização não possui força militar própria.

A OTAN contava durante a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética até 1989 com 16 países: 1) Alemanha; 2) Bélgica; 3) Canadá; 4) Dinamarca; 5) Espanha; 6) Estados Unidos; 7) França; 8) Grécia; 9) Holanda; 10) Islândia; 11) Itália; 12) Luxemburgo; 13) Noruega; 14) Portugal; 15) Turquia; 16) Reino Unido. Para atender os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de sua indústria bélica, a OTAN se expandiu, após o fim da União Soviética em 1989, atraindo em 1997 mais 14 países que integravam o sistema socialista do leste europeu como Albânia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Macedônia, Montenegro, Polônia, República Tcheca e Romênia. A Figura 1 mostra os países europeus que ingressaram na OTAN antes de 1997 e os que ingressaram a partir de 1997.

Figura 1- A aproximação da OTAN nas fronteiras da Rússia

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60129112

Com o fim da União Soviética em 1989 e do Pacto de Varsóvia, aliança militar dos países socialistas do leste europeu, a OTAN (aliança militar ocidental) se expandiu começando pelo Mar Báltico, atravessou a Europa Central, passando pela intervenção nos Bálcãs (ex-Iugoslávia) e chegando até a Ásia Central e o Paquistão, ampliando as fronteiras da aliança militar ocidental sob a liderança dos Estados Unidos. Maior aproximação dos países integrantes da OTAN da fronteira com a Rússia se completaria com a incorporação da Ucrânia à aliança militar ocidental como deseja os Estados Unidos, seus aliados da União Europeia e o governo ucraniano. Tudo isto faz parte da estratégia dos Estados Unidos e de seus aliados europeus de se aproximarem das fronteiras da Rússia que é considerada, juntamente com a China, inimiga das potências ocidentais devido ao propósito dos governantes russos sob a liderança de Vladimir Putin de fazer com que Rússia volte a ter o mesmo poder que o exercido pela União Soviética no cenário político internacional e, também, devido à aliança militar celebrada em 2000 entre a Rússia e a China. A expansão da OTAN rumo às fronteiras russas é considerado pelos governantes russos como o principal perigo externo para a Rússia.

Ao terminar a década de 1990, a distribuição geopolítica das novas bases militares norte-americanas não deixa dúvidas sobre a existência de um novo “cinturão sanitário‟ separando a Alemanha da Rússia e a Rússia da China. Diante da iminência de a Ucrânia se integrar à OTAN, a Rússia reagiu intervindo militarmente neste país para evitar a todo o custo que ele fosse incorporado à OTAN.  A invasão da Rússia começou com dezenas de ataques com mísseis em cidades por toda a Ucrânia antes do amanhecer de 24 de fevereiro de 2022. As tropas terrestres russas avançaram rapidamente e em poucas semanas controlavam grandes áreas da Ucrânia e avançaram para os subúrbios de Kiev. As forças russas bombardearam Kharkiv e tomaram o território no leste e no sul até Kherson e cercaram a cidade portuária de Mariupol. A intervenção militar da Rússia na Ucrânia fez com que os Estados Unidos e os países da União Europeia fornecessem maciço apoio militar à Ucrânia, através da OTAN, para se defender militarmente da Rússia. A Figura 2 apresenta as regiões da Ucrânia atualmente ocupadas militarmente pela Rússia e que sofrem constantes ataques do exército da Ucrânia que é apoiada pelos Estados Unidos, países da União Europeia e OTAN.

Figura 2- Áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgxez28qk1jo

Ao invés de tentar negociar uma solução de paz para a guerra na Ucrânia, o governo dos Estados Unidos presidido por Joe Biden preferiu armar o governo da Ucrânia para resistir à invasão russa e estabelecer sanções econômicas contra o governo da Rússia e contra seus cidadãos. O fato é que a invasão russa à Ucrânia beneficiou economicamente os Estados Unidos, sobretudo sua indústria bélica, que aumentou as exportações de armas em mais de 14% e respondem por 40% das transferências globais de armamento. O Congresso dos Estados Unidos tem aprovado sistematicamente verbas vultosas para o fortalecimento militar da Ucrânia desde a invasão russa, em fevereiro de 2022, tanto quanto os países da União Europeia cujos gastos militares com a guerra na Ucrânia chegaram a US$ 480 bilhões em 2022. As causas da guerra entre a Rússia e a Ucrânia são, portanto, sobretudo, geopolíticas e estratégicas. A chegada de Vladimir Putin ao poder na Rússia no ano 2000 modificou radicalmente esse quadro geopolítico, até então muito desfavorável para os russos. Vladimir Putin no poder marcou o início da recuperação geopolítica da Rússia, cuja posição tinha sido muito enfraquecida durante na década de 1990 com o governo Ieltsin que assumiu o poder após o fim da União Soviética.

Vladimir Putin representa a ascensão ao poder de uma ampla e sólida coalizão de interesses econômicos e políticos russos que se uniram quanto à necessidade de recompor as bases mínimas de operação de um Estado capitalista moderno na Rússia que superasse a fase selvagem e predadora da “acumulação primitiva” na Federação Russa com Ieltsin no poder na década de 1990. A recuperação geopolítica da Rússia foi possível graças à afirmação de um projeto nacionalista de recuperação do Estado russo por parte de Putin.  Foi a partir do ano 2000 que a Rússia resolveu desenvolver uma parceria estratégica com a China. A Rússia considerou que a China poderia ajudá-la na sua resistência às ambições geopolíticas dos Estados Unidos tanto na Europa Oriental, quanto no Cáucaso ou na Ásia Central. A Organização da Cooperação de Xangai (Shanghai Cooperation Organization – SCO) foi criada em 2001 para estabelecer uma aliança entre a Rússia e a China em termos militares e de combate ao terrorismo, ao fundamentalismo religioso e ao separatismo na região da Ásia.

São dois os cenários futuros para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia; 1) O conflito bélico se restringe à Ucrânia; e, 2) O conflito se estende pela Europa e pelo mundo. Se o conflito se restringir à Ucrânia, a Rússia manterá em seu poder os territórios ucranianos já conquistados até que, acumulando forças, venha a ocupar militarmente toda a Ucrânia para impor sua vontade ao inimigo. O conflito poderá se tornar generalizado inicialmente na Europa se a OTAN intervir militarmente ao lado do governo da Ucrânia. Isto abriria caminho para a 3ª Guerra Mundial com o envolvimento das grandes potências militares de consequências imprevisíveis com o uso de armas nucleares conforme Putin ameaçou de retaliação os países que intervirem militarmente em apoio à Ucrânia. Pelo exposto, fica evidenciada a responsabilidade do governo dos Estados Unidos pela possibilidade de eclosão da 3ª Guerra Mundial porque promoveu desde 1997 a expansão da OTAN até as fronteiras da Rússia que se completaria com a incorporação da Ucrânia à aliança militar ocidental, além de impor sanções econômicas contra a Rússia. Os governos dos países da União Europeia são, também, responsáveis pela possibilidade de eclosão da 3ª Guerra Mundial porque estão dando sustentação à irracionalidade do governo Joe Biden no conflito com a Rússia. Por sua vez, a ONU é outro grande responsável pela possibilidade de eclosão da 3ª Guerra Mundial porque não tem contribuído no sentido de buscar o fim da guerra na Ucrânia e, ao contrário, está colaborando para seu acirramento com as resoluções anti-Rússia aprovadas pela Assembleia Geral.

Várias são as lições da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. A primeira lição é a de que nenhum país do mundo está seguro de que não possa ser invadido pelas grandes potências se não atender a seus interesses. A segunda lição é a de que o poder das grandes potências ocidentais, representado pelos Estados Unidos, União Europeia, entre outros países, e a OTAN, pode asfixiar a economia de qualquer país do mundo com a adoção de sanções econômicas e financeiras como as realizadas pela primeira vez na história contra a Rússia. A terceira lição é a de que a ONU não cumpriu o seu papel de mediar o conflito entre a Rússia e a Ucrânia para evitar as nefastas consequências da guerra e preservar a paz mundial. A quarta lição é a de que a inoperância da ONU contribuiu para que os senhores da guerra de ambos os lados procurassem impor suas vontades com o uso do poder militar, no caso da Rússia e das grandes potências ocidentais, representadas pelos Estados Unidos, União Europeia, entre outros países, e a OTAN. A quinta lição é a de que o Direito Internacional foi mais uma vez desrespeitado com a invasão da Ucrânia pela Rússia. A sexta lição é a de que o mundo vivencia a anarquia nas relações internacionais em que prevalece a lei do mais forte. A sétima lição é que o poder da indústria bélica promove a expansão militar das grandes potências do mundo para fomentar guerras para ganhar dinheiro. A oitava lição é a de que a guerra econômica dos Estados Unidos, União Europeia e OTAN contra a Rússia pode ser o estopim da 3ª Guerra Mundial com a possibilidade de uso de armas nucleares.

Os fatos da vida demonstram que a guerra entre Rússia e Ucrânia significa a continuidade da velha ordem mundial em que os conflitos de interesses entre as grandes potências têm sido resolvidos a “manu-militare”, isto é, por meios militares. Há séculos, a humanidade se defronta com conflitos entre as grandes potências que não são resolvidas pela via diplomática e sim pelos meios militares porque vivemos em um mundo sem um governo mundial e sem um direito internacional que seja respeitado por todos os países, especialmente pelas grandes potências que procuram impor suas vontades no nível mundial. Sem a existência de um governo mundial e um parlamento mundial democraticamente eleitos pela população mundial, bem como a existência de uma Corte Suprema mundial, não há como o direito internacional ser aplicado efetivamente e ser respeitado por todos os países. Urge a humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários à construção de um mundo de paz.

Ao longo da história da humanidade houve três tentativas de estruturar instrumentos voltados para a  construção de um mundo de paz. A primeira tentativa ocorreu em 1648 com o Tratado de Westfália, que colocou um fim à Guerra dos Trinta Anos (1618 – 1648), que marcou o século XVII como um dos mais sangrentos da história europeia, com uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também reconheceram oficialmente as Províncias Unidas (Holanda) e a Confederação Suíça. A segunda tentativa de estruturar instrumentos voltados para a  construção de um mundo de paz ocorreu com a criação da Liga das Nações em 10 de janeiro de 1920 nos escombros da 1ª Guerra Mundial. A terceira tentativa de estruturar instrumentos voltados para a  construção de um mundo de paz ocorreu com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas), que foi fundada em 1945 após a 2ª Guerra Mundial, e tem sido inoperante ao longo de sua história, inclusive no atual conflito entre a Rússia e a Ucrânia e no conflito entre judeus e palestinos. A ONU tem sido um fracasso na construção de um mundo de paz.

O insucesso na construção da paz mundial com o Tratado de Westfália em 1648, com a Liga das Nações em 1920 e com a ONU em 1945 demonstram a urgência de reestruturar a ONU para que ela possa exercer uma efetiva governança do sistema internacional que possibilite mediar os conflitos internacionais e assegurar a paz mundial. Neste sentido, a ONU deveria ser reestruturada para se constituir em Governo Mundial que teria por objetivo defender os interesses gerais do planeta, zelar no sentido de cada Estado nacional respeitar a soberania dos demais países e impedir a propagação dos riscos sistêmicos mundiais. Com esta nova configuração da ONU, o Conselho de Segurança seria abolido e a Assembleia Geral seria transformada em Parlamento Mundial. A ONU reestruturada como Governo Mundial evitaria o império de um só país como já ocorreu ao longo da história da humanidade e a anarquia de todos os países como ocorre atualmente.

Com um Governo mundial, um Parlamento mundial e uma Corte Suprema mundial resultantes da reestruturação da ONU será possível evitar guerras e acabar com o banho de sangue que tem caracterizado a história da humanidade. Para ser democrático, o Governo mundial deveria ser eleito por todos os países do mundo e ser representativo de todos os povos do mundo. A sobrevivência da humanidade depende da capacidade de se celebrar um Contrato Social Planetário representativo da vontade da maioria da população do planeta. A Assembleia Geral da ONU deveria fazer a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte para elaborar e aprovar o novo Contrato Social Planetário que deveria reestruturar a ONU e estabelecer as relações entre os seres humanos e destes com a natureza.  Enquanto isto não ocorrer, novos conflitos como o atual entre a Rússia e a Ucrânia, inclusive a 3ª Guerra Mundial, poderão acontecer que podem levar à extinção da humanidade com os contendores utilizando armas de destruição em massa, sobretudo, armas nucleares.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).