DEMOCRACIA SEMPRE, DITADURA NUNCA MAIS NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

O título deste artigo traduz o que foi dito por todos que participaram no dia 11/08 das manifestações na Faculdade de Direito da USP- Universidade de São Paulo e em todo o Brasil em defesa do Estado Democrático de Direito. O local, sede da faculdade, abrigou o ato “Manifestação em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito Sempre”, com a participação de juristas, políticos, movimentos sociais, entidades e representantes da sociedade civil. Além da carta da USP da qual eu fui um dos signatários junto com mais de 1 milhão de brasileiros, o manifesto “Em Defesa da Democracia e da Justiça, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e que teve a adesão de 107 entidades, também foi lido no evento. Estas manifestações deixaram a mensagem de que quem atentar contra a democracia no Brasil terá a decidida oposição da grande maioria do povo brasileiro.

Foi dado o recado de que os golpistas não alcançarão seus objetivos de implantar uma ditadura no Brasil porque haverá resistência por parte da grande maioria do povo brasileiro. Estas manifestações ocorreram porque todos que dela participaram chegaram à conclusão de que o propósito de Bolsonaro é o de que as eleições não se realizem porque, de acordo com as pesquisas eleitorais, ele sabe que não renovará seu mandato e, se as eleições ocorrerem, e sua derrota acontecer, tentará desencadear um golpe de estado sob o falso argumento de que houve fraude nas eleições para implantar uma ditadura de extrema direita no Brasil.  Como é improvável sua vitória nas eleições presidenciais, Bolsonaro procura conturbar a vida nacional com um ataque recheado de mentiras repetidas contra a cúpula do Judiciário do Brasil.

Para alcançar seu objetivo Jair Bolsonaro tenta desmoralizar o sistema eleitoral do País que é acusado por ele sem provas de fraudar eleições desde 2014 como fez no dia 18/07 ao fazer uma preleção para dezenas de embaixadores convidados se empenhando em desmoralizar as eleições no Brasil. Um dia após o presidente Jair Bolsonaro repetir mentiras sobre a confiança no sistema eleitoral brasileiro em encontro com embaixadores, três associações de servidores da Polícia Federal emitiram em 19/07 uma nota conjunta manifestando confiança nas urnas eletrônicas afirmando que nunca foi apresentada qualquer evidência de fraude no sistema eleitoral. O documento é assinado pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol).  

As manifestações do dia 11/08 são similares às da Diretas Já para a Presidência da República que ocorreram entre março de 1983 e abril de 1984 quando a grande maioria da população brasileira pressionou o Congresso Nacional para aprovar emenda constitucional para o povo voltar a eleger seu presidente da República. Naquela época o povo brasileiro lutava pela redemocratização do Brasil e, no momento atual, luta pela manutenção da democracia. Apesar de as recentes manifestações poderem contribuir para inibir futuras ações golpistas no País, tudo indica que Bolsonaro não vai aceitar o resultado das eleições de 2022 porque, de acordo com as pesquisas eleitorais, perderá no segundo turno para todos os demais candidatos à Presidência da República, sobretudo para o ex-presidente Lula, e há rumores de que um eventual golpe de estado estaria sendo por ele planejado e que teria o apoio de determinados setores das Forças Armadas, de policiais militares, de milicianos e de seus apoiadores na sociedade civil.

O golpe de estado seria a tentativa de Bolsonaro de implantar uma ditadura sob seu comando para impor à sociedade brasileira seu pensamento retrógrado e, também, evitar ser levado às barras de tribunais para responder pelos crimes que vem praticando desde que assumiu a presidência da República. A barbárie do golpe de estado poderá ocorrer antes ou depois das eleições. Diante desta perspectiva, as forças defensoras da civilização e da democracia devem se preparar para este enfrentamento e não apenas para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022. Nas eleições de 2022, o Brasil precisa da união da grande maioria do povo brasileiro para fazer com que a civilização e a democracia se sobreponham à pretendida barbárie e ditadura bolsonarista. O Brasil precisa resgatar os ideais de busca da felicidade humana, da justiça e da igualdade social. Do confronto entre as forças defensoras da civilização e da democracia com as defensoras da barbárie e da ditadura bolsonarista, é preciso que dela resulte a manutenção da democracia representativa no Brasil com a vitória de um dos candidatos democratas (Lula, Ciro Gomes ou Simone Tebet, entre outros).

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

HOW TO AVOID THE EXTINCTION OF HUMANITY BY THREATS COMING FROM OUTER SPACE

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the scientific advances that need to be made in cosmology to contribute to the adoption of scientific and technological solutions to prevent the extinction of humanity from the threats that exist in outer space and that may affect planet Earth. Cosmology is the branch of astronomy that studies the structure and evolution of the Universe as a whole, being concerned with both its origin and its evolution. The future of humanity depends on the success achieved in the advancement of knowledge about the Universe, especially on the 10 main cosmological questions that need to be elucidated so that humanity can, with scientific knowledge, adopt measures to protect itself from threats to its survival and seek places in or outside the solar system that are likely to be inhabited by humans.

The threats to the survival of humanity were analyzed in the book of our authorship “A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência” (A threatened humanity and the strategies for its survival) with the subtitle “How to save humanity from the threats to its extinction” published by Editora Dialética from São Paulo in 2021 [1]. There are countless threats to humanity’s survival coming from outer space today and in the short, medium and long term future. The threats that exist in outer space are related to: 1) collision on the planet Earth of asteroids, comets or pieces of comets; 2) collision on the planet Earth of planets of the solar system; 3) collision on planet Earth of orphan planets that roam in outer space; 4) cosmic ray emission; 5) catastrophic consequences for the Earth’s environment resulting from the Moon’s continuous distancing from Earth; 6) death of the Sun; 7) collision of the Andromeda and Milky Way galaxies where the Earth is located; and, 8) end of the Universe. All these catastrophic events, which may occur in the short, medium and long term, can contribute to humanity being driven to extinction as a species.

The collision on planet Earth of asteroids and comets or pieces of comets, which threaten to collide with Earth, requires the adoption of strategies to avoid their collisions with Earth. To deal with asteroids that could collide with planet Earth, the strategy is to divert them from their course if they are detected with enough time to launch interceptors. The same solution must be adopted for comets whose pieces can hit planet Earth. It is very important that there is a constant monitoring of space to identify not only asteroids, but also comets or pieces of comets, which can collide with Earth and powerful rockets capable of diverting them from their paths be developed. Another alternative is to destroy threatening asteroids and comets with the use of nuclear bombs if they are at great distances from planet Earth.

The collision on the planet Earth of planets in the solar system requires the adoption of strategies to promote a constant monitoring of space to identify the threat of destabilization of the solar system by the planet Mercury and other planets and that research be carried out to identify possible places habitable by humans outside the solar system to plan their escape, as is the case with the exoplanet “Proxima b” orbiting a star that is part of the Alpha Centauri system, the closest to the solar system, where space colonies would be deployed that would require great scientific and technological advances to make them viable. The collision on planet Earth of orphan planets that roam in outer space requires constant monitoring of space to identify orphan planets that may collide with Earth and determine the time of their collision in order to adopt measures that indicate the need to plan the escape from humans to other possible habitable places for humans located in the solar system such as Mars, Titan (Saturn’s moon) and Callisto (Jupiter’s moon) with the implantation of space colonies that would require great scientific and technological advances to make them viable.

The emission of cosmic rays, especially the gamma rays emitted by supernova stars, which have the power to annihilate life on Earth, requires the adoption of strategies that allow: 1) to monitor the explosion of supernovae permanently to assess the possibility of the Earth being hit by gamma rays so that, before and during the occurrence of its explosion, the necessary measures are adopted aiming at the escape of human beings to possible habitable places in the solar system such as Mars, Titan (Saturn’s moon) and Callisto (Jupiter’s moon) ; 2) use the Soho satellite that acts in the intermediate position between the Earth and the Sun to detect explosions on the solar surface and send messages about the arrival of the cosmic storm to Earth to avoid damage to the networks of electricity distributors and satellite operators could protect themselves by correcting satellite courses or turning off their equipment; and, 3) protect human beings from cosmic radiation in long-term space travel in outer space, promoting scientific and technological advances in addition to increasing the biological capacity of human beings to perform space travel and live off Earth.

The catastrophic consequences for the Earth’s environment resulting from the Moon’s continued departure from the Earth need to be systematically evaluated because the Earth and Moon are bound together by a strong gravitational bond and affect each other. The Moon’s continued distancing from Earth needs to be better elucidated to assess its impact on humans and the climate on planet Earth, which could be catastrophic, requiring the adoption of human escape strategies for possible habitable locations in the solar system, when necessary (Mars, Titan – moon of Saturn and Callisto – moon of Jupiter). The evolution of the Sun until its death needs to be better elucidated in order to evaluate its effects on Earth to propose escape strategies for humans to possible habitable places in other star systems before the death of the Sun, such as the exoplanet “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun, part of the Alpha Centauri system, which is 4.2 light-years from Earth, which corresponds to 39.9 trillion kilometers.

The collision of the Andromeda and Milky Way galaxies needs to be elucidated to evaluate its effects on the solar system and Earth to propose escape strategies for humans to possible habitable places in other galaxies before the collision of the Andromeda and Milky Way galaxies, such as the Dwarf Galaxy of the Canis Major located 25,000 light-years from Earth, which corresponds to 237,500 trillion kilometers away from Earth, which is a satellite galaxy of the Milky Way located in the constellation Canis Major, or the Large Magellanic Cloud that is located 163,000 light-years from Earth, which corresponds to 1,548,500 trillion kilometers away from Earth. The end of the Universe requires the adoption of escape strategies for parallel universes as it is assumed to exist. It is necessary to elucidate the fate of the Universe and to prove the existence of parallel universes to promote the escape of human beings to one of them, as well as to promote the development of the final theory or theory of everything, that is, of the theory of the unified field to present possible strategies for humanity to seek its survival in the face of all threats.

In order to elucidate all the issues described above and implement the proposed strategies, it is necessary to make advances in knowledge about the following 10 main cosmological questions: 1) The “Oort Cloud” and the “Kuiper Belt” located at the limits of the solar system where locate, respectively, comets and asteroids; 2) Proof of the existence of Nemesis, a brown dwarf star, which with the Sun would constitute a binary star that could throw, by its gravitational action, asteroids located in the “Kuiper Belt” and comets located in the “Oort cloud” towards Earth; 3) Detection of gravitational waves aiming at the development of observational astronomy to probe the first moments of the Universe; 4) Nature of dark matter and dark energy to understand the Universe; 5) Threats on planet Earth from the collision of celestial bodies and the emission of cosmic rays; 6) Possible alternative habitable sites for humans in the solar system and beyond; 7) Size of the Universe to determine whether it is finite or infinite and its shape to determine whether it is flat or spherical; 8 ) The destiny of our Universe if there will be contraction initiating a new Universe, expansion with its thermal death, the end of the Universe as a cold, dark and empty place or unlimited expansion until its disintegration; 9) The existence or not of parallel universes; and, 10) The development of the final theory or theory of everything, that is, of the unified field theory to explain and connect in a single theoretical framework, all physical phenomena bringing together quantum physics and the theory of general relativity in a single treatment theoretical and mathematician.

The top 10 cosmological questions presented in this article need to be elucidated without delay. The success in elucidating these cosmological questions will provide the conditions to know the Universe and, consequently, promote the technological advance essential to the adoption of strategies aimed at the survival of humanity as a species.

To read the article, access Academia.edu websites <https://www.academia.edu/84230753/HOW_TO_AVOID_THE_EXTINCTION_OF_HUMANITY_BY_THREATS_COMING_FROM_OUTER_SPACE> and SlideShare <https://www.slideshare.net/Faga1939/how-to-avoid-the-extinction-of-humanity-by-threats-coming-from-outer-spacepdf>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

COMO EVITAR A EXTINÇÃO DA HUMANIDADE POR AMEAÇAS VINDAS DO ESPAÇO SIDERAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem o objetivo de apresentar os avanços científicos que precisam ser realizados em cosmologia para contribuir na adoção de soluções científicas e tecnológicas para evitar a extinção da humanidade das ameaças existentes no espaço sideral e que possam atingir o planeta Terra. Cosmologia é o ramo da astronomia que estuda a estrutura e a evolução do Universo em seu todo, preocupando-se tanto com a sua origem quanto com sua evolução. O futuro da humanidade depende do sucesso que se alcance no avanço do conhecimento sobre o Universo, especialmente de 10 principais questões cosmológicas que precisam ser elucidadas para que a humanidade possa, com o conhecimento científico adotar medidas para se proteger das ameaças à sua sobrevivência e buscar locais no sistema solar ou fora dele com possibilidade de serem habitados pelos seres humanos.  

As ameaças à sobrevivência da humanidade foram analisadas no livro de nossa autoria “A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência” tendo como subtítulo “Como salvar a humanidade das ameaças à sua extinção” publicado pela Editora Dialética de São Paulo em 2021. São inúmeras as ameaças à sobrevivência da humanidade vindas do espaço sideral hoje e no futuro a curto, médio e longo prazo. As ameaças existentes no espaço sideral dizem respeito à: 1) colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas; 2) colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar; 3) colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos que vagam pelo espaço sideral; 4) emissão de raios cósmicos; 5) consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento contínuo da Lua em relação à Terra; 6) morte do Sol; 7) colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra; e, 8) fim do Universo. Todos esses eventos catastróficos, que poderão ocorrer a curto, médio e longo prazo, podem contribuir para que a humanidade seja levada à sua extinção como espécie.     

A colisão sobre o planeta Terra de asteroides e cometas ou pedaços de cometas, que ameaçam colidir com a Terra requer a adoção de estratégias para evitar suas colisões com a Terra. Para lidar com asteroides que possam colidir com o planeta Terra, a estratégia consiste em desviá-los de seu curso se forem detectados com tempo suficiente para lançar interceptadores. A mesma solução deve ser adotada para cometas cujos pedaços possam atingir o planeta Terra. É bastante importante que haja um constante monitoramento do espaço para identificar não apenas asteroides, mas também, cometas ou pedaços de cometas, que podem colidir com a Terra e sejam desenvolvidos foguetes poderosos capazes de desviá-los de suas rotas. Outra alternativa é destruir asteroides e cometas ameaçadores com o uso de bombas nucleares se eles estiverem a grande distância do planeta Terra.

A colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar requer a adoção de estratégias para promover um constante monitoramento do espaço para identificar a ameaça de desestabilização do sistema solar pelo planeta Mercúrio e outros planetas e sejam realizadas pesquisas para identificar possíveis locais habitáveis pelos seres humanos fora do sistema solar para planejar sua fuga como é o caso do exoplaneta “Proxima b” orbitando uma estrela integrante do sistema Alpha Centauri, o mais próximo do sistema solar, onde seriam implantadas colônias espaciais que exigiriam grande avanço científico e tecnológico para viabilizá-las. A colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos que vagam no espaço sideral requer um constante monitoramento do espaço para identificar planetas órfãos que possam colidir com a Terra e determinar a época de sua colisão visando a adoção de medidas que apontem a necessidade de planejar a fuga dos seres humanos para outros possíveis locais habitáveis para os seres humanos situados no sistema solar como Marte, Titan (lua de Saturno) e Callisto (lua de Júpiter) com a implantação de colônias espaciais que exigiriam grande avanço científico e tecnológico para viabilizá-las. 

A emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas, que têm o poder de aniquilar a vida na Terra, requer a adoção de estratégias que permitam: 1) monitorar a explosão de supernovas permanentemente para avaliar a possibilidade de a Terra ser atingida por raios gama para que, antes e durante a ocorrência de sua explosão, sejam adotadas as medidas necessárias visando a fuga dos seres humanos para locais possíveis habitáveis no sistema solar como Marte, Titan (lua de Saturno) e Callisto (lua de Júpiter); 2) utilizar o satélite Soho que atua na posição intermediária entre a Terra e o Sol para detectar explosões na superfície solar e enviar mensagens sobre a chegada da tempestade cósmica à Terra para evitar danos sobre as redes das distribuidoras de energia elétrica e as operadoras de satélite possam se proteger, corrigindo cursos de satélites ou desligando seus equipamentos; e, 3) proteger os seres humanos da radiação cósmica em viagens espaciais de longa duração no espaço sideral promovendo avanços científicos e tecnológicos além de aumentar a capacidade biológica dos seres humanos para realizarem viagens espaciais e viverem fora da Terra. 

As consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento contínuo da Lua em relação à Terra precisam ser sistematicamente avaliadas porque a Terra e a Lua encontram-se unidas por uma forte ligação gravitacional e afetam-se mutuamente. O contínuo afastamento da Lua em relação à Terra precisa ser melhor elucidado para avaliar seu impacto sobre os seres humanos e sobre o clima no planeta Terra que pode ser catastrófica que exigirá a adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para possíveis locais habitáveis no sistema solar, quando necessário (Marte, Titan – lua de Saturno e Callisto – lua de Júpiter). A evolução do Sol até a sua morte precisa ser melhor elucidada para avaliar seus efeitos sobre a Terra para propor estratégias de fuga dos seres humanos para possíveis locais habitáveis em outros sistemas estelares antes da morte do Sol, como o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri que dista 4.2 anos-luz da Terra que corresponde a 39.9 trilhões de quilômetros de distância.  

A colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea precisa ser elucidada para avaliar seus efeitos sobre o sistema solar e a Terra para propor estratégias de fuga dos seres humanos para possíveis locais habitáveis em outras galáxias antes da colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea, como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25 mil anos-luz da Terra, que corresponde a 237.500 trilhões de quilômetros de distância da Terra, que é uma galáxia satélite da Via Láctea situada na constelação do Cão Maior, ou a Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra, que corresponde a 1.548.500 trilhões de quilômetros de distância da Terra. O fim do Universo requer a adoção de estratégias de fuga para universos paralelos como se admite que existe. É preciso elucidar sobre o destino do Universo e comprovar a existência de universos paralelos para promover a fuga dos seres humanos para um deles, bem como promover o desenvolvimento da teoria final ou teoria de tudo, isto é, da teoria do campo unificado para apresentar possíveis estratégias para a humanidade buscar sua sobrevivência diante de todas as ameaças.  

Para elucidar todas as questões acima descritas e executar as estratégias propostas, é preciso realizar avanços no conhecimento sobre as 10 principais questões cosmológicas seguintes: 1) A “Nuvem de Oort” e o “Cinturão de Kuiper” situados nos limites do sistema solar onde se localizam, respectivamente,  cometas e asteroides; 2) Comprovação da existência de Nêmesis, uma estrela anã marrom, que constituiria com o Sol uma estrela binária que poderia arremessar por sua ação gravitacional asteroides situados no “Cinturão de Kuiper” e cometas situados na “nuvem de Oort” em direção à Terra; 3) Detecção de ondas gravitacionais visando o desenvolvimento da astronomia observacional para sondar os primeiros momentos do Universo; 4) Natureza da matéria escura e da energia escura para compreender o Universo; 5) Ameaças sobre o planeta Terra da colisão de corpos celestes e da emissão de raios cósmicos; 6) Possíveis locais alternativos habitáveis para seres humanos no sistema solar e fora dele; 7) Tamanho do Universo para determinar se ele é finito ou infinito e sua forma para determinar se ele é plano ou esférico; 8) O destino de nosso Universo se haverá contração iniciando novo Universo, expansão com sua morte térmica, o fim do Universo como um lugar frio, escuro e vazio ou expansão ilimitada até sua desintegração; 9) A existência ou não de universos paralelos; e, 10) O desenvolvimento da teoria final ou teoria de tudo, isto é, da teoria do campo unificado para explicar e conectar em uma só estrutura teórica, todos os fenômenos físicos juntando a física quântica e a teoria da relatividade geral em um único tratamento teórico e matemático.

As 10 principais questões cosmológicas apresentadas neste artigo precisam ser elucidadas sem demora. O sucesso na elucidação dessas questões cosmológicas proporcionará as condições para conhecer o Universo e, em consequência, promover o avanço tecnológico imprescindível à adoção de estratégias visando a sobrevivência da humanidade como espécie. 

Para ler o artigo de 13 páginas, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/84230359/COMO_EVITAR_A_EXTIN%C3%87%C3%83O_DA_HUMANIDADE_POR_AMEA%C3%87AS_VINDAS_DO_ESPA%C3%87O_SIDERAL> e  do SlideShare <https://www.slideshare.net/Faga1939/como-evitar-a-extino-da-humanidade-por-ameaas-vindas-do-espao-sideralpdf>.

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

LES SCÉNARIOS DES ÉLECTIONS PRÉSIDENTIELLES AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Des sondages électoraux réalisés par plusieurs instituts de recherche indiquent que deux candidats ressortent comme les favoris de l’électorat dans la course à la présidence de la République, Lula et Bolsonaro, suivis par Ciro Gomes avec une grande différence. En considérant Lula et Bolsonaro comme leurs candidats préférés, le peuple brésilien ne se rend pas compte que tous deux ont des programmes économiques néolibéraux qui, dans le cas de Bolsonaro, il est radicalement ultra-néolibéraux, tandis que dans le cas de Lula, il intègrent des éléments développementalistes et humanistes. Ciro Gomes, à son tour, qui présente le meilleur programme économique pour le Brésil parce qu’il est national développementaliste,  difficilement va surmonter Lula ou Bolsonaro au 1er tour des élections présidentielles. Tout porte à croire que Lula gagnera les élections présidentielles parce qu’il a un gros avantage sur Bolsonaro, selon les sondages électoraux, et il y a une tendance pour divers secteurs sociaux, comme la bourgeoisie et la classe moyenne supérieure, qui ont soutenu Bolsonaro, d’adhérer à la candidature de Lula augmentant encore ses chances de gagner les élections. Lula cherche le soutien de divers partis politiques du centre et de droite pour sa candidature, en plus d’essayer de retirer d’autres candidats à la présidentielle pour qu’ils viennent le soutenir. Lula recherche le soutien de segments des classes sociales économiquement dominantes (bourgeoisie) qui étaient et sont toujours les piliers du gouvernement Bolsonaro. Cette stratégie de Lula pour accroître le soutien politique vise à permettre sa victoire aux élections présidentielles dès le 1er tour. Ayant remporté les élections, que ce soit au 1er ou au 2e tour, Lula entend mener un gouvernement similaire à celui qu’il a exercé de 2002 à 2010, faisant des concessions aux classes économiquement dominantes (bourgeoisie), aux partis du centre et de la droite au parlement pour gagner la majorité parlementaire et aussi aux classes subalternes (petite bourgeoisie, prolétariat urbain et rural et lumpenprolétariat) avec la réalisation de programmes sociaux qui répondent aux intérêts de ces classes, notamment dans la lutte contre la misère de la population pauvre à assurer leur gouvernabilité.

Lula tenterait de répéter le gouvernement qu’il a tenu de 2002 à 2010. La question est de savoir si le futur gouvernement Lula serait capable de surmonter les gigantesques problèmes économiques et sociaux du pays avec la même politique adoptée par son gouvernement de 2002 à 2010 ? La réponse est non, car les problèmes économiques et sociaux actuels du pays sont devenus énormes, exigeant comme solution la rupture du gouvernement brésilien avec le modèle économique néolibéral adopté depuis 1990, lorsque l’économie brésilienne a commencé à être dictée par les forces du marché. La solution ne viendrait qu’avec l’adoption du modèle national développementiste adapté aux temps nouveaux dans lequel le gouvernement brésilien assumerait les rênes de l’économie nationale. Sans rompre avec le modèle économique néolibéral et sans l’adoption du modèle national  développementiste adapté aux temps nouveaux, l’économie brésilienne ne pourra pas croître et se développer à nouveau et, par conséquent, éliminer les problèmes de chômage, de pauvreté, de violence, d’inflation, de désindustrialisation et de dépendance extérieure, entre autres, qui affectent profondément la société brésilienne d’aujourd’hui. Il est très probable que le futur gouvernement Lula ne rompe pas les liens du Brésil avec le néolibéralisme et la dépendance du pays vis-à-vis de l’extérieur, après sa victoire aux élections car il compte être élu avec le soutien de plusieurs segments des classes sociales économiquement dominantes du Brésil qui empêcherait la réalisation des réformes structurelles nécessaires au pays. Malgré cela, la victoire de Lula au 1er ou 2e tour de l’élection présidentielle offrirait pourtant, comme principal bénéfice pour la majorité du peuple brésilien, le fait d’ouvrir la perspective d’une atténuation de la crise sociale du pays en évitant la réélection de Bolsonaro qui a réalisé le pire gouvernement de l’histoire du Brésil, en plus d’empêcher l’implantation d’une dictature dans le pays voulu par Bolsonaro.

Ce scénario décrit ci-dessus est ce qui se passerait dans la normalité politique-institutionnelle avec la réalisation des élections sans aucun incident. Un autre scénario alternatif à ce qui précède est lié à la possibilité du président Bolsonaro de réaliser un coup d’État avant ou lors des prochaines élections pour empêcher l’élection de Lula face à sa défaite inévitable aux urnes. Le coup d’État peut avoir lieu le 7 septembre ou les jours électoraux (2 octobre au 1er tour ou le 30 octobre au 2e tour) lorsque Bolsonaro peut essayer de mobiliser leurs partisans pour accomplir des actes attentifs aux institutions démocratiques et, par conséquent, endre impossible de réaliser les élections. Le remettant en question que Bolsonaro fait depuis longtemps de la fiabilité des urnes électroniques a été récurrente et peut être utilisée comme prétexte pour déclencher le coup d’État avant et pendant les élections. La tentative de coup d’État par Bolsonaro est très susceptible de se produire car il sait qu’il n’a aucune chance de gagner les élections et que, sans le mandat présidentiel, il devra répondre pour les nombreux crimes qu’il a commis et à être arrêtés. Face à cette perspective, Bolsonaro pourra tout faire pour ne pas être retiré du pouvoir.

Si le coup d’État se produit comme étant perpétré par Bolsonaro, il y aura certainement des manifestations contraires au niveau international et des fortes réactions contraires de plusieurs secteurs de la société brésilienne. Selon la virulence du coup d’État, le Brésil peut être conduit à un état de guerre civile qui peut entraîner un bain de sang de grandes proportions dont les développements sont imprévisibles. Deux chemins peuvent résulter du coup d’État: 1) Bolsonaro n’a pas réussi à réaliser le coup d’État grâce à l’action rapide des forces démocratiques, étant retiré du pouvoir et les institutions démocratiques sont maintenues au Brésil; et, 2) Bolsonaro réussit dans la réalisation du coup d’État, restant en puissance et mise en œuvre d’une dictature. Dans le premier cas, lui et ses partisans répondront devant le tribunal pour la tentative de coup d’État et, dans le deuxième cas, son succès résulterait du soutien obtenu des forces armées, des membres de la police militaire, des milices et des camionneurs, entre autres, à son dictatorial gouvernement. Admettant que Bolsonaro réussit dans la réalisation du coup d’État pour prévenir les élections,Il n’aura pas la moindre condition pour gouverner le pays parce qu’il n’a pas de légitimité pour ne pas être réélu et ne pas avoir le soutien de la grande majorité de la population brésilienne qui le rejette. Il convient de noter que, dans une république présidentielle telle que le Brésil, une gouvernabilité efficace est réalisée lorsque le pouvoir exécutif a le soutien de classes sociales les plus dominantes sur le plan économique, du Parlement et de grands secteurs de la société civile. Une gouvernabilité efficace ne serait pas réalisée par le gouvernement dictatorial de Bolsonaro pour ne pas avoir rassemblé toutes ces conditions.

Pour la gouvernabilité au Brésil, le gouvernement dictatorial de Bolsonaro devrait répondre aux exigences de la grande majorité des classes économiquement dominants (bourgeoisie) et des différentes classes sociales subalternes (petite bourgeoisie, prolétariat urbain et rural et lumpenprolétariat), avoir une base politique favorable au Parlement pour obtenir l’approbation de leurs projets législatifs. C’est donc le trépied de la gouvernabilité: 1) le soutien des classes sociales économiquement dominantes; 2) le soutien des différentes classes sociales subordonnées; et, 3) le soutien de la majorité du Parlement. Bolsonaro peut compter sur le soutien de la partie pondérable des classes économiquement dominantes (bourgeoisie) et la plupart du Parlement, mais n’aura pas le soutien de la grande majorité des classes sociales subalternes (petite bourgeoisie, prolétariat urbain et rural et lumpenprolétariat).

Ainsi, le conflit entre le gouvernement de Bolsonaro et la société civile s’approfondirait. Il convient de noter que la gouvernabilité n’est atteinte que lorsqu’elle se produit: 1) la relation la plus constructive possible parmi les pouvoirs de la République (exécutif, législatif et judiciaire); 2) la relation la plus constructive possible parmi les pouvoirs de la République et les gouvernements des États composants de la Fédération brésilienne et municipales; et, 3) la relation aussi constructive que possible entre les pouvoirs de la République et la société civile. Même après le coup d’État, rien ne garantit que Bolsonaro exercera la gouvernabilité du Brésil car, en plus de ne pas avoir de légitimité pour exercer le pouvoir, sa relation ne sera pas constructive avec les pouvoirs législatifs et judiciaires, avec les gouvernements des États et, surtout, avec la société civile comme cela s’est produit à partir de 2018 jusqu’à présent. La gouvernabilité exprme, en résumé, la possibilité du gouvernement d’une nation de mener des politiques publiques résultant de la convergence entre les différentes institutions de l’État national entre eux et cela avec les organisations de la société civile. Ce sont donc les conditions d’un gouvernement d’exercer la gouvernabilité  qui exprime, en résumé, la possibilité du gouvernement d’une nation de mener des politiques publiques qui ne seraient pas le cas d’un gouvernement dictatorial de Bolsonaro.

En résumé, le Brésil aura deux futurs alternatifs résultant des prochaines élections présidentielles : 1) le néolibéralisme avec des politiques sociales humanistes et la démocratie avec Lula au pouvoir ; et, 2) Ultra-néolibéralisme avec resserrement social et dictature avec Bolsonaro au pouvoir. J’espère et je souhaite que l’avenir qui corresponde le mieux aux grands intérêts de la grande majorité du peuple brésilien prévale avec la victoire des forces politiques démocratiques.

* Fernando Alcoforado, 82, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018),  Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A hu

THE SCENARIOS OF THE PRESIDENTIAL ELECTIONS IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

Electoral polls carried out by several research institutes indicate that two candidates emerge as the electorate’s favorites in the race for the Presidency of the Republic, Lula and Bolsonaro, followed by Ciro Gomes with a wide difference. By considering Lula and Bolsonaro as their preferred candidates, the Brazilian people are not realizing that both have neoliberal economic programs that, in Bolsonaro’s case, is radically ultra-neoliberal, while in Lula’s case it incorporates developmental and humanist elements. Ciro Gomes, in turn, who presents the best economic program for Brazil because he is a national developmentalist, will hardly surpass Lula or Bolsonaro in the 1st round of the presidential elections. Everything leads us to believe that Lula should win the presidential elections because he has great advantage over Bolsonaro, according to electoral polls, and there is a tendency for various social sectors, such as the bourgeoisie and the upper middle class, who supported Bolsonaro, to adhere to the Lula’s candidacy further increasing his chances of winning the elections. Lula is seeking support from various center and right-wing political parties for his candidacy, in addition to trying to withdraw other presidential candidates so that they come to support him. Lula seeks support from segments of the economically dominant social classes (bourgeoisie) that were and still are mainstays of the Bolsonaro government. This strategy by Lula to increase political support aims to enable his victory in the presidential elections in the 1st round. Having won the elections, whether in the 1st or 2nd round, Lula intends to carry out a government similar to the one he performed from 2002 to 2010, making concessions to the economically dominant classes (bourgeoisie), to the center and right-wing political parties in parliament to win parliamentary majority and also to the subaltern classes (petty bourgeoisie, urban and rural proletariat and lumpenproletariat) with the realization of social programs that meet the interests of these classes, especially in the fight against the misery of the poor population to ensure their governability.

Lula would try to repeat the government he held from 2002 to 2010. The question is whether the future Lula government would be able to overcome the country’s gigantic economic and social problems with the same policy adopted by his government from 2002 to 2010? The answer is no, because the country’s current economic and social problems have grown, demanding as a solution the rupture of the Brazilian government with the neoliberal economic model adopted since 1990, when the Brazilian economy began to be dictated by market forces. The solution would only come with the adoption of the national developmentalistist model adjusted to the new times in which the Brazilian government would assume the reins of the national economy. Without breaking with the neoliberal economic model and without the adoption of the national developmentalist model adjusted to the new times, the Brazilian economy will not grow and develop again and, consequently, the problems of unemployment, poverty, violence, inflation, deindustrialization and external dependence, among others, that profoundly affect Brazilian society today, will not be eliminated. It is very likely that the future Lula government will not break Brazil’s ties with neoliberalism and the country’s dependence on the outside world, after its victory in the elections because it is counting on being elected with the support of several segments of the economically dominant social classes of Brazil that would prevent the realization of the structural reforms necessary for the country. Despite this, Lula’s victory in the 1st or 2nd round of the presidential elections would, however, provide, as the main benefit for the majority of the Brazilian people, the fact of opening up the prospect of alleviating the country’s social crisis by avoiding the re-election of Bolsonaro who carried out the worst government in the history of Brazil, in addition to preventing the implantation of a dictatorship in the country desired by Bolsonaro.

This scenario described above is what would occur within the political-institutional normality with the holding of elections without any incident. Another alternative scenario to the one described above is related to the possibility that President Bolsonaro will carry out a coup d’état before or during the next elections to prevent Lula’s election in the face of his inevitable defeat at the polls. The coup d’état could take place on September 7 or on election days (October 2 in the 1st round or October 30 in the 2nd round) when Bolsonaro would try to mobilize his fanatical supporters to carry out acts that undermine democratic institutions and, consequently, make it unfeasible the holding of elections. Bolsonaro’s longstanding questioning of the reliability of electronic voting machines has been recurrent and can be used as a pretext to trigger the coup d’état before and during the elections. Bolsonaro’s attempted coup d’état is very likely to happen because he knows that he has no chance of winning the elections and that, without the presidential term, he will have to answer for the numerous crimes he has been committing and be arrested. Given this perspective, Bolsonaro will do anything not to be removed from power.

If the coup d’état to be perpetrated by Bolsonaro takes place, there will most certainly be contrary manifestations at the international level and strong contrary reactions from broad sectors of Brazilian society. Depending on the virulence of the coup d’etat, Brazil could be engulfed in a state of civil war that could result in a bloodbath of great proportions whose consequences are unpredictable. Two paths can result from the coup d’état: 1) Bolsonaro being unsuccessful in carrying out the coup d’état thanks to the prompt action of the democratic forces, being removed from power and democratic institutions being maintained in Brazil; and, 2) Bolsonaro being successful in carrying out the coup d’état while remaining in power and implementing a dictatorship. In the first case, he and his supporters will respond in court for the attempted coup d’état and, in the second case, his success would result from the support obtained from the Armed Forces, members of  military police, militias and truck drivers, among others, for his dictatorial government. Assuming that Bolsonaro is successful in carrying out the coup d’état to prevent the holding of elections, he will not have the slightest condition to govern the country because he has no legitimacy for not having been reelected and does not have the support of the vast majority of the country Brazilian population that rejects him. It is worth noting that, in a presidential republic like Brazil, effective Governability is achieved when the Executive Branch has the support of the majority of the economically dominant social classes, the Parliament and broad sectors of civil society. Effective Governability would not be achieved by Bolsonaro’s dictatorial government for not meeting all these conditions.

In order to have governability in Brazil, Bolsonaro’s dictatorial government would need to meet the demands of the vast majority of the economically dominant classes (bourgeoisie) and of the various subaltern social classes (petty bourgeoisie, urban and rural proletariat and lumpenproletariat) to obtain the support of Civil Society, as well as having a broad political base of support in Parliament to obtain the approval of its legislative projects. This is, therefore, the tripod of governability: 1) support from economically dominant social classes; 2) support from the various subaltern social classes; and, 3) majority support in Parliament. Bolsonaro will be able to count on the support of a considerable part of the economically dominant classes (bourgeoisie) and the majority of Parliament, but he will not have the support of the vast majority of the subordinate social classes (petty bourgeoisie, urban and rural proletariat and lumpenproletariat). Thus, the existing conflict between the Bolsonaro government and civil society would deepen. It should be noted that Governability is only achieved when happens: 1) the most constructive relationship possible between the constituted powers of the Republic (Executive, Legislative and Judiciary); 2) the most constructive relationship possible between the constituted powers of the Republic and the governments of the component states of the Brazilian federation and municipalities; and, 3) the most constructive relationship possible between the constituted powers of the Republic and Civil Society. Even after the coup d’état, nothing guarantees that Bolsonaro will exercise the Governability of Brazil because, in addition to not having the legitimacy to exercise power, his relationship will not be constructive with the Legislative and Judiciary powers, with the state governments and, above all, with the civil society as it has been from 2018 to date. Governability expresses, in summary, the possibility of the government of a nation to carry out public policies resulting from the convergence between the various instances of the national State with each other and with the organizations of Civil Society. These are, therefore, the conditions for a government to exercise Governability that expresses, in short, the possibility of a nation’s government to carry out public policies that would not be the case of a dictatorial government of Bolsonaro.

In summary, Brazil will have two alternative futures resulting from the next presidential elections: 1) Neoliberalism with humanist social policies and democracy with Lula in power; and, 2) Ultra-neoliberalism with social tightening and dictatorship with Bolsonaro in power. I hope and wish that the future that best corresponds to the great interests of the vast majority of the Brazilian people prevail with the victory of democratic political forces.

* Fernando Alcoforado, 82, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and IPB – Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

OS CENÁRIOS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

As pesquisas eleitorais realizadas por diversos institutos de pesquisa apontam que dois candidatos despontam como os preferidos do eleitorado na disputa pela Presidência da República, Lula e Bolsonaro, seguidos por Ciro Gomes com larga diferença. Ao considerar Lula e Bolsonaro como seus candidatos preferenciais, o povo brasileiro não está percebendo que ambos têm programas econômicos neoliberais que, no caso de Bolsonaro, é radicalmente ultraneoliberal, enquanto no caso de Lula incorpora elementos desenvolvimentistas e humanistas. Ciro Gomes, por sua vez, que apresenta o melhor programa econômico para o Brasil porque é nacional desenvolvimentista, muito dificilmente superará Lula ou Bolsonaro no 1º turno das eleições presidenciais. Tudo leva a crer que Lula deverá vencer as eleições presidenciais pelo fato de apresentar grande vantagem sobre Bolsonaro, segundo as pesquisas eleitorais, e existir uma tendência de vários setores sociais, como a burguesia e a classe média alta, que apoiavam Bolsonaro, de aderirem à candidatura de Lula aumentando ainda mais suas chances de vencer as eleições. Lula está buscando apoios de vários partidos políticos de centro e de direita à sua candidatura, além de tentar a retirada de outras candidaturas presidenciais para que elas venham apoiá-lo. Lula busca apoios de segmentos das classes sociais economicamente dominantes (burguesia) que foram e ainda são sustentáculos do governo Bolsonaro. Esta estratégia de Lula de ampliação de apoios políticos visa possibilitar sua vitória nas eleições presidenciais ainda no 1º turno. Conquistada a vitória nas eleições, seja no 1º ou no 2º turno, Lula pretende realizar um governo similar ao que desempenhou de 2002 a 2010, fazendo concessões às classes economicamente dominantes (burguesia), aos partidos políticos de centro e de direita no parlamento para conquistar maioria parlamentar e, também, às classes subalternas (pequena burguesia, proletariado urbano e rural e lumpemproletariado) com a realização de programas sociais que atendam os interesses dessas classes, sobretudo no combate à miséria da população pobre para assegurar sua governabilidade.     

Lula tentaria fazer uma repetição do governo que ele realizou de 2002 a 2010.  A pergunta que se faz é se o futuro governo Lula teria condições de superar os gigantescos problemas econômicos e sociais do País com a mesma política adotada pelo seu governo de 2002 a 2010? A resposta é não porque os atuais problemas econômicos e sociais do País se agigantaram exigindo como solução a ruptura do governo brasileiro com o modelo econômico neoliberal adotado desde 1990, quando a economia brasileira passou a ser ditada pelas forças do mercado. A solução só viria com a adoção do modelo nacional desenvolvimentista ajustado aos novos tempos em que o governo brasileiro assumiria as rédeas da economia nacional. Sem ruptura com o modelo econômico neoliberal e sem a adoção do modelo nacional desenvolvimentista ajustado aos novos tempos, a economia brasileira não voltará a crescer e se desenvolver e, consequentemente, não serão eliminados os problemas de desemprego, pobreza, violência, inflação, desindustrialização e dependência externa, entre outros, que afetam profundamente a sociedade brasileira na atualidade. É muito provável que o futuro governo Lula não rompa os laços do Brasil com o neoliberalismo e a dependência do País com o exterior, após sua vitória nas eleições pelo fato de estar contando para se eleger com o apoio de vários segmentos das classes sociais economicamente dominantes do Brasil que impediria a realização das reformas estruturais necessárias ao País.  Apesar disto, a vitória de Lula no 1º ou no 2º turno das eleições presidenciais proporcionaria, entretanto, como principal benefício para a maioria do povo brasileiro o fato de abrir a perspectiva de amenização da crise social do País ao evitar a reeleição de Bolsonaro que realizou o pior governo da história do Brasil, além de impedir a implantação de uma ditadura no País desejada por Bolsonaro.

Este cenário acima descrito é o que ocorreria dentro da normalidade político-institucional com a realização de eleições sem qualquer incidente. Outro cenário alternativo ao acima descrito está relacionado com a possibilidade do presidente Bolsonaro realizar um golpe de estado antes ou durante as próximas eleições para impedir a eleição de Lula diante de sua derrota inevitável nas urnas. O golpe de estado poderá ocorrer em 7 de setembro ou nos dias das eleições (2 de outubro no 1º turno ou 30 de outubro no 2º turno) quando Bolsonaro poderá tentar mobilizar seus fanáticos apoiadores para realizarem atos atentatórios às instituições democráticas e, consequentemente, inviabilizarem a realização das eleições. O questionamento que Bolsonaro faz há muito tempo da confiabilidade das urnas eletrônicas tem sido recorrente e pode ser usado como pretexto para desencadear o golpe de estado antes e durante as eleições. A tentativa de golpe de estado por Bolsonaro é muito provável que aconteça porque ele sabe que não tem chances de vencer as eleições e que, sem o mandato presidencial, terá que responder pelos inúmeros crimes que vem praticando e ser preso. Diante desta perspectiva, Bolsonaro será capaz de fazer tudo para não ser afastado do poder.   

Se ocorrer o golpe de estado a ser perpetrado por Bolsonaro, muito certamente haverá manifestações contrárias no plano internacional e fortes reações contrárias de amplos setores da sociedade brasileira. A depender da virulência do golpe de estado, o Brasil poderá ser engolfado em um estado de guerra civil que pode redundar em um banho de sangue de grandes proporções cujos desdobramentos são imprevisíveis. Dois caminhos podem resultar do golpe de estado: 1) Bolsonaro ser mal sucedido na realização do golpe de estado graças à pronta ação das forças democráticas, ser apeado do poder e as instituições democráticas serem mantidas no Brasil; e, 2) Bolsonaro ser bem sucedido na realização do golpe de estado se mantendo no poder e implantando uma ditadura. No primeiro caso, ele e seus apoiadores responderão judicialmente pela tentativa de golpe de estado e, no segundo caso, seu sucesso resultaria do apoio obtido das Forças Armadas e de policiais militares, milícias e caminhoneiros, entre outros, a seu governo ditatorial. Admitindo que Bolsonaro seja bem sucedido na realização do golpe de estado para impedir a realização de eleições, ele não terá a mínima condição de governar o País pelo fato de não ter legitimidade por não ter sido reeleito e não contar com o apoio da grande maioria da população brasileira que o rejeita. É oportuno observar que, em uma República presidencialista como a do Brasil, a efetiva Governabilidade é alcançada quando o Poder Executivo conta com o apoio da maioria das classes sociais economicamente dominantes, do Parlamento e de amplos setores da sociedade civil. A efetiva Governabilidade não seria alcançada pelo governo ditatorial de Bolsonaro por não reunir todas essas condições.

Para haver governabilidade no Brasil, o governo ditatorial de Bolsonaro precisaria atender as demandas da grande maioria maioria das classes economicamente dominantes (burguesia) e das diversas classes sociais subalternas (pequena burguesia, proletariado urbano e rural e lumpemproletariado) para obter o apoio da Sociedade Civil, bem como deve contar com uma ampla base política de sustentação no Parlamento para obter a  aprovação de seus projetos legislativos. Este é, portanto, o tripé da governabilidade: 1) apoio das classes sociais economicamente dominantes; 2) apoio das diversas classes sociais subalternas; e, 3) apoio da maioria do Parlamento. Bolsonaro poderá contar com o apoio de parte ponderável das classes economicamente dominantes (burguesia) e da maioria do Parlamento, mas não terá o apoio da grande maioria das classes sociais subalternas (pequena burguesia, proletariado urbano e rural e lumpemproletariado). Assim, se aprofundaria o conflito existente entre o governo Bolsonaro e a Sociedade Civil. É preciso observar que a Governabilidade só é alcançada quando acontece: 1) o relacionamento o mais construtivo possível entre os poderes constituídos da República (Executivo, Legislativo e Judiciário); 2) o relacionamento o mais construtivo possível entre os poderes constituídos da República e os governos dos estados componentes da federação brasileira e municipais; e, 3) o relacionamento o mais construtivo possível entre os poderes constituídos da República e a Sociedade Civil. Mesmo depois do golpe de estado, nada assegura que Bolsonaro exercerá a Governabilidade do Brasil porque, além de não ter legitimidade para exercer o poder, seu relacionamento não será construtivo com os poderes Legislativo e Judiciário, com os governos estaduais e, sobretudo, com a sociedade civil como ocorreu de 2018 até o momento.  Governabilidade expressa, em síntese, a possibilidade do governo de uma nação realizar políticas públicas resultantes da convergência entre as várias instâncias do Estado nacional entre si e deste com as organizações da Sociedade Civil.  São estas, portanto, as condições para um governo exercer a Governabilidade que expressa, em síntese, a possibilidade do governo de uma nação realizar políticas públicas que não seria o caso de um governo ditatorial de Bolsonaro.

Em síntese, o Brasil terá dois futuros alternativos resultantes das próximas eleições presidenciais: 1) Neoliberalismo com políticas sociais humanistas e democracia com Lula no poder; e, 2) Ultra-neoliberalismo com arrocho social e ditadura com Bolsonaro no poder. Espero e desejo que prevaleça o futuro que melhor corresponda aos magnos interesses da grande maioria do povo brasileiro com a vitória das forças políticas democráticas.

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

HOW TO AVOID THE EXTINCTION OF HUMANITY FROM THREATS CAUSED BY PLANET EARTH AND HUMAN BEINGS

Fernando Alcoforado*

This article aims to present how to prevent the extinction of humanity from threats caused by planet Earth and human beings in the present and in the future. The threats caused by planet Earth and human beings are the following: 1) Cooling of the Earth’s core; 2) Eruption of volcanoes; 3) Global climate change caused by humans; 4) Pandemics caused by humans; and, 5) Wars caused by humans.

1. The cooling of the Earth’s core

One of the threats to humanity’s survival concerns the cooling of the planet Earth’s core, which has remained hot for more than 4.5 billion years, but which is slowly and inevitably cooling. The cooling of the Earth’s core will cause numerous consequences, including the loss of the Earth’s magnetic field that protects us from solar and cosmic radiation and a major imbalance in the planet’s food chain [1]. The Earth is made up of an inner core, an outer core, the mantle and the crust (Figure 1). The Earth’s core lies almost 3,000 km deep in the Earth’s crust (the outermost layer of the planet). Planet Earth’s core temperatures can fluctuate between 4,400°C and 6,000°C, temperatures similar to those of the Sun.

Figure 1- Internal structure of planet Earth

No alt text provided for this image

Source: https://science4fun.info/composition-of-the-earth/

The Earth’s inner core is a solid sphere, composed mostly of iron. The outer core is formed by a malleable liquid, composed of iron and nickel. It is in the outer core that the Earth’s magnetic field is formed. The colossal amount of thermal energy that emanates from the interior of planet Earth sets in motion phenomena such as the movement of tectonic plates and volcanic activity. As the Earth’s core cools, tectonic plates, which are kept in motion by Earth’s mantle flow, slow down faster than expected. Without core activity, volcanoes would not erupt. But without the heat of the Earth’s interior, fish and plants that live on the seafloor would be threatened, which would cause a major imbalance in the planet’s food chain. Another big problem would be the loss of the Earth’s magnetic field. Without it, planet Earth would be vulnerable to solar and cosmic radiation and humanity would be threatened in its survival.

To save humanity from the threat of cooling of the Earth’s core, it is very important that there is a constant monitoring of the temperature of the Earth’s core to adopt, when necessary, strategies of escape of human beings to places that can be habitable in the solar system (Mars, Saturn’s moon Titan, and Jupiter’s moon Callisto) before the loss of Earth’s magnetic field and imbalance in the planet’s food chain resulting from the cooling of the Earth’s core. In addition, it is necessary to set up a global structure, a World Organization for the Defense against Natural Disasters of global scope, similar to the WHO (World Health Organization) that has the capacity to technically coordinate actions around the world to face the cooling of the Earth’s core.

2. Eruption of volcanoes

Volcanoes are vents in mountains and on the Earth’s surface that spew gases, fire and lava. The planet Earth currently has many active volcanoes that are fractures or openings on the Earth’s surface through which materials that originate in the interior of the planet, such as lava, gases and other materials called “pyroclasts”, are expelled. Volcanoes arise when the so-called tectonic plates that are part of the Earth’s crust collide, moving the material present on them and leaving openings to deeper layers of the planet. Volcanoes usually occur in places that have intense movement of tectonic plates. Through these openings, magma can come out in the form of lava present between the crust and the mantle, the middle layer of the Earth. The structure of the volcano consists of a magma chamber, a volcanic crater, a cone, a chimney and, in some cases, there are lateral or peripheral outlets (secondary chimneys) [2]. However, dormant volcanoes can become active again like the Japanese volcano Shinmoe, which erupted after 52 years dormant. Other inactive volcanoes can still frighten and even threaten life on Earth like the “supervolcano” Yellowstone, in Wyoming (United States) which can be catastrophic, as they have been several times in the past. In the case of Yellowstone Park, which includes much of the caldera area of the volcano of the same name, there is currently no active volcanic edifice. What exists is magmatic activity and subterranean magma chambers, miles deep beneath the park, which could form new surface volcanic edifices in the future. The park is also known for its geysers [3]. The Yellowstone supervolcano is thousands of times more powerful than a normal volcano. If it erupts, the ash cloud will cover regions of several US states such as Wyoming, Montana, Idaho and Colorado, and may even reach cities such as Los Angeles, San Francisco, Portland and Seattle [4].

In the United States, about 130 volcanoes are active. Kilauea, in Hawaii, is the best known – and one of the most active in the world, since 1983. In addition to it, Mount Saint Helena, in Washington State, was known for a major eruption in 1980, which resulted in 57 deaths. In Indonesia there are about 120 active volcanoes. In Java (Indonesia) alone, 140 million people live near 30 volcanoes and more than 500 million people live near volcanoes (8% of the world population). Chile is one of the countries with many active volcanoes in the world. There are about 95 active volcanoes. The Chilean volcano Calbuco, located 1,000 kilometers south of Santiago, the capital of Chile, has returned to activity. Located at 2,015 meters above sea level, it has not erupted since 1972. It is considered dangerous due to its geological constitution and its proximity to urban areas. Japan has about 66 active volcanoes, including Mount Fuji, which may soon erupt, according to geological studies. Mount Fuji in Japan has been dormant for over 300 years. The volcano could threaten the lives of around eight million people in the Tokyo area. In Italy, Sicily, Etna is the most active volcano in Europe whose last eruption took place in November 2013. More than 600,000 people live on the slopes and surroundings of the Vesuvius volcano that buried Pompeii and Herculaneum in the year 79. Since then, it has erupted on about 30 occasions. In the 1906 eruption, about 100 people died, and in the last one in 1944 it destroyed 88 American bombers during World War II. Iceland is home to the Eyjafjallajökull volcano, which closed European airspace in 2010 and affected thousands of flights. In Russia, most volcanoes are concentrated on the Kamchatka peninsula in Siberia, in the easternmost region of the country [4].

The map below shows the Earth’s seismic zones, which are the regions of the planet that have the strongest earthquakes and are also very prone to volcanism.

Figure 2- Earth’s seismic zones

No alt text provided for this image

Source: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/zonas-sismicas-terra.htm

Volcanoes can lead to the extinction of species and life on the planet depending on the scale of their eruption. According to the scientific publication Nature Geoscience, Canadian researchers at the University of Calgary have found evidence to explain how major eruptions of volcanoes, which occurred 250 million years ago, ended a life cycle on Earth [10]. Volcanoes would have produced enough coal to form ash clouds in the atmosphere, which generated greenhouse gases and decimated 95% of marine life, in addition to 70% of terrestrial living beings [3]. A study published by the renowned journal “Science” brings evidence that the intense activity of volcanoes about 200 million years ago probably led to the extinction of about half of the Earth’s animal species in the period, known as the end of the Triassic that is a geological period stretching from about 252 to 201 million years ago [10]. The research was carried out by scientists from the Massachusetts Institute of Technology (MIT), Columbia University, Rutgers University and Stony Brook University, all in the United States. The intense volcanic activity released huge amounts of gases into the planet’s atmosphere in the period, which abruptly altered the climatic conditions. The new conditions have modified the species’ habitat both in the oceans and on land, the researchers say. Evidence suggests that climate change occurred so suddenly that animals were unable to evolve and adapt. For scientists, the extinction that occurred at the end of the Triassic probably paved the way for the emergence of dinosaurs, which dominated the planet for the next 135 million years, until they reached extinction, approximately 65 million years ago [5].

Scientists have long used data from satellites, seismic-sensing equipment and other sources to detect upcoming volcano eruptions. It is possible to predict volcanic eruptions with the constant monitoring of the volcanoes to prevent disasters of catastrophic proportions with the adoption of plans for the evacuation of populations in the areas covered by the volcanoes. All these measures must be adopted, above all, in countries where there is more occurrence of volcanoes in the world. In each of these countries, it is necessary to set up structures to monitor the eruption of volcanoes and to prepare plans for the evacuation of populations in places that could be affected by these catastrophic events. In addition, it is necessary to set up a global structure, a World Organization for the Defense against Natural Disasters of global scope, similar to the WHO (World Health Organization) that has the capacity to technically coordinate the actions of countries in dealing with the eruption of volcanoes whose consequences have local, regional and global scope, especially of volcanoes that can lead to the extinction of life on the planet, such as the great eruptions of volcanoes that occurred 250 million years ago that ended a cycle of life on Earth. This world organization should be linked to a democratic world government to be created that is capable of coordinating all the actions of all national governments in adopting the necessary measures for the evacuation of human beings to safe places and even, if necessary, out of the planet Earth in places with a chance of being habitable in the solar system (Mars, the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) in the case that the eruption of volcanoes can lead to the threat of extinction of the human beings as already happened in the past [10].

3. Global climate change caused by humans

The rapid rise in global temperatures that has been recorded over the last 150 years thanks to global warming could contribute to global climate change that will be catastrophic if the Earth’s average temperature rises above 2°C above pre-industrial levels [7]. Global warming will have a huge impact on the health of the world population because it will cause an increase in heart attacks and respiratory diseases, according to a study carried out by several researchers who believe that the increase in the frequency of heat waves will lead to a doubling or even tripling by 2050 of heart attacks and respiratory diseases. Global warming would cause humanity to face droughts in some areas of the planet and heavy rains in others, compromising food production, the submersion of islands and coastal cities due to the rise in sea levels resulting from the melting of the poles, in Greenland and mountain ranges and the multiplicity of typhoons and hurricanes with devastating floods, among other problems [8]. The Paris Agreement seeks to contain the rise in global average temperature to well below 2°C above pre-industrial levels and to make efforts to limit the rise in temperature to 1.5°C above pre-industrial levels to reduce the risks and impacts of climate change.

To avoid catastrophic global climate change, we need to decarbonize the economy by 2050 or cut at least 70% of global greenhouse gas emissions by the mid-21st century so that there is no increase in global average temperature above 2°C or 1.5 °C, end wars which are also largely responsible for the planet’s environmental aggravation due to the devastating effects they have on the environment and promote profound transformation of the current society that is responsible for global warming. The unsustainability of the current model of capitalist development is evident, since it has been extremely destructive to the conditions of life on the planet. In view of this, it is imperative to replace the current dominant economic model around the world with another that takes into account man integrated with the environment, with nature, that is, the sustainable development model that must ensure that the needs of current generations occur without compromising the needs of future generations, putting an end to the constant environmental degradation that threatens the future of humanity [8].

4. Pandemics caused by humans

The emergence of new pandemics tends to happen as deforestation advances across the planet. There is the prospect that an eventual next pandemic could be as contagious and much more lethal than that of Covid-19, which has already claimed the lives of more than 15 million people on the planet. The emergence of a new disease is called by scientists “disease X” which is a concept of the World Health Organization (WHO) for something unexpected or unknown that may still appear. We are now in a world where new pathogens will emerge. And that is what constitutes a gigantic threat to humanity. A new pathogen will follow the same pattern of transmission as others already found, passing from a wild animal to humans. And if the destruction of nature does not come to an end, it is likely that even more deadly and destructive diseases will strike humanity in the future, faster and more frequently. The alert comes from the world’s leading biodiversity experts [6].

The destruction of biodiversity promoted by humanity can create the conditions for the emergence of new viruses with unprecedented transmission power and lethality. Human beings have always lived with pathogens from nature, some beneficial, others deadly. A few were deadly like the Bubonic Plague and the Spanish Flu. This situation is repeated with the new coronavirus pandemic. A 2008 survey identified 335 new diseases that emerged between 1960 and 2004 of which 60% came from animals. Man invades tropical forests and other wild environments, which house several species of plants and animals and within these creatures there are numerous unknown viruses. By cutting down trees, killing animals or caging them and sending them to markets, humans destroy ecosystems and spread viruses from their natural hosts. When this happens, viruses need a new host, which is often man himself. David Quammen’s book “Contagion: Animal Infections and the Next Pandemic”, written in 2012, which predicted the Covid-19 pandemic, reports that pandemics result from infections of animal origin [9].

The facts of reality demonstrate that human health depends on the health of the planet [10]. It is quite clear that humanity will have to make profound changes in its relationship with nature to prevent new pandemics from threatening its very existence. It is necessary to mobilize civil society across the planet to build a new world order in which there is a radical change in the concept of development as practiced for centuries. Human beings need to live in harmony with nature without which their survival will be threatened. It is necessary to immediately stop degrading and deforesting forests and strengthen the health surveillance systems of all countries and the World Health Organization (WHO), reduce social inequities between and within nations, remove subsidies that favor deforestation and offer more support to indigenous peoples to contain deforestation.

There is an urgent need to internationally ban the trade in species at high risk of transmitting viruses and eradicate the consumption of wild meat in the world, create a library of virus genetics, which helps in the mapping of places where new high-risk pathogens may emerge, make investments from $22 billion to $31 billion a year for a decade, to monitor and police the wildlife trade and prevent tropical deforestation, and on health surveillance and biosecurity in livestock farming, which are potential intermediaries for viruses that reach humans, especially in areas close to forests to help prevent future pandemics, as well as keep the world population well informed about the risks of new pandemics with reliable data, conceived by experience and science, which would certainly be of great value in generating guidance essential to their social behavior, aiming at their collaboration in the effort to prevent new pandemics [10].

5. Wars caused by humans

The world is faced with the threat of the proliferation of localized wars and, also, of the outbreak of a new world war. The 20th century was the scene (until now) of three great wars (World War I from 1914 to 1918, World War II from 1939 to 1945 and the Cold War from 1945 to 1989). In the First World War (1914-1918), about 9 million people died. Just twenty years later, World War II broke out (1939-1945), which killed between 40 and 52 million people. From the end of the Second World War to 1992, there were 149 wars, in which more than 23 million people died. The estimate covering all “megadeaths” from 1914 to the present came to a total of 187 million dead. The violence of conflicts in our time has no parallel in history. Since the 20th century, wars have been “total wars” against combatants and civilians without discrimination [5].

Recently, the war broke out in Ukraine between Russia and NATO (North Atlantic Treaty Organization) that can result in the 3rd World War which and in the extinction of humanity if the belligerents decide to use nuclear weapons which could result in the extinction of humanity if the belligerents decide to use nuclear weapons. In addition to Ukraine, there are several countries that can become outbreaks of wars in the world in the 21st century, among them the United States, Russia, China, Syria, Palestine, Israel, Iran, North Korea, India and Pakistan. In the contemporary era, international geopolitical chess points to the existence of 3 major protagonists: the United States, China and Russia. At present, in addition to the United States, Russia, China, the United Kingdom and France, India, North Korea, Pakistan and Israel are holders of nuclear weapons. Expert reports accuse Israel of having a large nuclear arsenal, thus being the only one with such weapons in the Middle East. In turn, Iran and Syria are accused of having secret nuclear weapons programs [5].

The facts of history demonstrate that world peace can only be achieved with the constitution of a democratic world government that is elected by the world parliament to be constituted with the participation of countries around the world because no great power, however powerful it may be, nor the current international organizations, such as the UN, IMF, World Bank, World Trade Organization, among others, have already demonstrated that they do not have the capacity and power to promote progress in the planet’s international relations. The democratic world government would avoid the empire of one country and the anarchy of all countries. The time has come for humanity to equip itself, as urgently as possible, with the instruments needed to build world peace and control its destiny. It is necessary to understand that there will be no world peace nor the world market will function properly without the Rule of International Law that can only be applied and respected with the presence of a world government that is accepted by all countries. A world government will only be sustainable if it is truly democratic. The new world order must be built not only to organize the relationships between men on the face of the Earth, but also their relationships with nature. It is therefore necessary to draw up a planetary social contract that makes it possible to achieve world peace, economic and social progress and the rational use of nature’s resources for the benefit of all humanity. A democratic world government would not turn the governments of each nation into its vassals. National governments would maintain their autonomy, being governed according to the interests of their people, while the democratic world government would aim to defend the general interests of the planet.

6. Conclusions

To save humanity from the threat of cooling of the Earth’s core, it is very important that there is a constant monitoring of the temperature of the Earth’s core to adopt, when necessary, strategies of escape of human beings to places that are habitable in the solar system (Mars, Saturn’s moon Titan, and Jupiter’s moon Callisto), before the loss of Earth’s magnetic field and of imbalance in the planet’s food chain resulting from the cooling of the Earth’s core. In addition, it is necessary to set up a global structure, a World Organization for the Defense against Natural Disasters of global scope, similar to the WHO (World Health Organization) that has the capacity to technically coordinate actions around the world to face the cooling of the Earth’s core.

To save humanity from the threat posed by the eruption of volcanoes, it must be constantly monitored with the use of satellites, seismic sensitivity equipment and other sources to detect volcano eruptions that are about to happen in order to prevent disasters of catastrophic proportions. These measures should be adopted, above all, in countries where there is more occurrence of volcanoes in the world. In each of these countries, it is necessary to set up structures to monitor the eruption of volcanoes and to prepare plans for the evacuation of populations in places that could be affected by these catastrophic events. In addition, it is necessary to set up a global structure, a World Organization for the Defense against Natural Disasters of global scope, similar to the WHO (World Health Organization) that has the capacity to technically coordinate the actions of countries in facing the eruption of volcanoes whose consequences have local, regional and global scope, especially volcanoes that can lead to the extinction of life on planet Earth such as the great eruptions of volcanoes that occurred 250 million years ago that ended a cycle of life on Earth. This world organization should be linked to a democratic world government to be created that is capable of coordinating all the actions of all national governments in adopting the necessary measures for the evacuation of human beings to safe places and even, if necessary, out of the planet Earth in places with a chance of being habitable in the solar system (Mars, the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) in the case that the eruption of volcanoes can lead to the threat of extinction of the human beings as already happened in the past.

To avoid catastrophic global climate change, we need to decarbonize the economy by 2050 or cut at least 70% of global greenhouse gas emissions by the mid-21st century so that there is no increase in global average temperature above 2°C or 1 .5 °C, put an end to wars, which are also largely responsible for the planet’s environmental aggravation due to the devastating effects they have on the environment and promote profound transformation of today’s society. The unsustainability of the current model of capitalist development is evident, since it has been extremely destructive to the conditions of life on the planet. In view of this, it is imperative to replace the current dominant economic model throughout the world with another that takes into account man integrated with the environment, with nature, that is, the sustainable development model that must ensure that the needs of current generations occur without compromising the needs of future generations, putting an end to the constant environmental degradation that threatens the future of humanity.

To avoid the occurrence of new pandemics on planet Earth, there must be the mobilization of civil society across the planet to build a new world order in which there is a radical change in the concept of development as practiced for centuries. It is necessary to immediately stop degrading and deforesting forests and strengthen health surveillance systems in all countries and of the World Health Organization (WHO), reduce social inequities between and within nations, remove subsidies that favor deforestation and offer more support to indigenous peoples to contain deforestation. It is necessary to internationally ban the trade in species at high risk of transmitting viruses and eradicate the consumption of wild meat in the world, create a library of virus genetics, which helps in the mapping of places where new high-risk pathogens may emerge, carry out investments of US$ 22 billion to US$ 31 billion per year for a decade, to monitor and police the wildlife trade and prevent tropical deforestation and in health surveillance and biosecurity in the creation of consumption animals, which are potential virus intermediaries that affect humans, especially in areas close to forests to help prevent future pandemics, as well as keep the world’s population well informed about the risks of new pandemics with reliable data, conceived by experience and science.

To avoid the proliferation of wars in the world and the outbreak of the 3rd World War, a democratic world government must be constituted that is elected by the world parliament to be constituted with the participation of countries around the world. The democratic world government would avoid the empire of one country and the anarchy of all countries. A world government will only be sustainable if it is truly democratic. The new world order must be built not only to organize the relationships between men on the face of the Earth, but also their relationships with nature. It is therefore necessary to draw up a planetary social contract that makes it possible to achieve world peace, economic and social progress and the rational use of nature’s resources for the benefit of all humanity.

REFERENCES

1.     SERRANO, Carlos. Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências? Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/geral-60228443>, 2022.

2.    MUNDO EDUCAÇÃO. 10 curiosidades sobre Vulcões. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/10-curiosidades-sobre-vulcoes.htm>.

3.    PINTO, Angela Joenck. Vulcões ainda são ameaça à vida na Terra. Disponível no website <https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/vulcoes-ainda-sao-ameaca-a-vida-na-terra,75385b6db16da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>, 2011.

4.    NOVA ESCOLA. 7 países com vulcões em atividade no mundo. Disponível no website <https://novaescola.org.br/conteudo/409/7-paises-com-vulcoes-em-atividade-no-mundo>.

5.    ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

6.    ALCOFORADO, Fernando. Futuras pandemias e degradação ambiental. Disponível no website <https://www.academia.edu/44941968/FUTURAS_PANDEMIAS_E_DEGRADA%C3%87%C3%83O_AMBIENTAL>, 2021.

7.    ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento Global e Catástrofe Planetária. Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo: Viena- Editora e Gráfica, 2010.

8.    ALCOFORADO, Fernando. Global Climate Change and Its Solutions. Disponível no website <https://www.heraldopenaccess.us/openaccess/global-climate-change-and-its-solutions>. Journal of Atmospheric & Earth Sciences, 2018.

9.    CLIMAINFO. Mais destruição da natureza, mais pandemias. Disponível no website <https://climainfo.org.br/2020/03/19/mais-destruicao-da-natureza-mais-pandemias/>, 2020.

10.    ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

* Fernando Alcoforado, 82, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and IPB – Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

COMO EVITAR A EXTINÇÃO DA HUMANIDADE DE AMEAÇAS PROVOCADAS PELO PLANETA TERRA E PELOS SERES HUMANOS  

 

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como evitar a extinção da humanidade de ameaças provocadas pelo planeta Terra e pelos seres humanos no presente e no futuro. As ameaças provocadas pelo planeta Terra e pelos seres humanos são as seguintes: 1) Esfriamento do núcleo do planeta Terra; 2) Erupção de vulcões; 3) Mudança climática global provocada pelos seres humanos; 4) Pandemias provocadas pelos seres humanos; e, 5) Guerras provocadas pelos seres humanos.

1.    O esfriamento do núcleo do planeta Terra

Uma das ameaças para a sobrevivência da humanidade diz respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra que tem permanecido quente por mais de 4,5 bilhões de anos, mas que lenta e inevitavelmente está esfriando. O esfriamento do núcleo da Terra provocará inúmeras consequências, entre elas a perda do campo magnético da Terra que nos protege da radiação solar e cósmica e um grande desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta [1]. A Terra é formada por um núcleo interno, um núcleo externo, o manto e a crosta (Figura 1). O núcleo da Terra fica a quase 3 mil km de profundidade da crosta terrestre (a camada mais externa do planeta). As temperaturas do núcleo do planeta Terra podem flutuar entre 4.400° C e 6.000° C, temperaturas similares às do Sol.

Figura 1- Estrutura interna do planeta Terra

No alt text provided for this image

Fonte: https://www.todamateria.com.br/litosfera/

O núcleo interno da Terra é uma esfera sólida, composta majoritariamente de ferro. O núcleo externo é formado por um líquido maleável, composto de ferro e níquel. É no núcleo externo que se forma o campo magnético da Terra. A colossal quantidade de energia térmica que emana do interior do planeta Terra coloca em marcha fenômenos como o movimento das placas tectônicas e a atividade vulcânica. Com o esfriamento do núcleo da Terra, as placas tectônicas, que são mantidas em movimento pelo fluxo do manto terrestre, desaceleram mais rápido do que o esperado. Sem a atividade do núcleo, os vulcões não entrariam em erupção. Mas sem o calor do interior da Terra, peixes e plantas que vivem no fundo do mar estariam ameaçados, o que causaria um grande desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta. Outro grande problema seria a perda do campo magnético da Terra. Sem ele, o planeta Terra estaria vulnerável à radiação solar e cósmica e a humanidade ficaria ameaçada em sua sobrevivência.

Para salvar a humanidade da ameaça de esfriamento do núcleo da Terra, é bastante importante que haja um constante monitoramento da temperatura do núcleo do planeta Terra para adotar, quando necessário, estratégias de fuga de seres humanos para locais que possam ser habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e a lua de Júpiter, Callisto), antes da perda do campo magnético da Terra e do desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta resultantes do esfriamento do núcleo da Terra. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações em todo o mundo no enfrentamento do esfriamento do núcleo da Terra.

2.    Erupção de vulcões

Os vulcões são aberturas em montanhas e na superfície da Terra que expelem gases, fogo e lava. O planeta Terra possui atualmente muitos vulcões ativos que são fraturas ou aberturas na superfície terrestre por onde são expelidos materiais que têm origem no interior do planeta, como lava, gases e outros materiais chamados de “piroclastos”. Os vulcões surgem quando as chamadas placas tectônicas que fazem parte da crosta terrestre se chocam movimentando o material presente sobre elas e deixando aberturas para camadas mais profundas do planeta. Os vulcões ocorrem geralmente, em locais que possuem intensa movimentação das placas tectônicas. Por essas aberturas pode sair o magma sob a forma de lava presente entre a crosta e o manto, camada média da Terra. A estrutura do vulcão é constituída por uma câmara magmática, uma cratera vulcânica, um cone, uma chaminé e, em alguns casos, há saídas laterais ou periféricas (chaminés secundárias) [2]. No entanto, os vulcões inativos podem voltar a ser ativos como o vulcão japonês Shinmoe, que entrou em erupção após 52 anos adormecido. Outros vulcões inativos ainda podem assustar e até ameaçar a vida na Terra como o “supervulcão” Yellowstone, no Wyoming (Estados Unidos) que pode ser catastrófica, como foram várias vezes no passado. No caso do parque de Yellowstone, que inclui boa parte da área da caldeira do vulcão de mesmo nome, não existe atualmente um edifício vulcânico ativo. O que existe é a atividade magmática e câmaras magmáticas subterrâneas, a quilômetros de profundidade sob o parque, que podem vir a formar novos edifícios vulcânicos de superfície no futuro. O parque é conhecido também por seus gêiseres [3]. O supervulcão de Yellowstone é milhares de vezes mais poderoso do que um vulcão normal. Se entrar em erupção, a nuvem de cinzas cobrirá regiões de vários estados norte-americanos como Wyoming, Montana, Idaho e Colorado, podendo chegar inclusive a cidades como Los Angeles, San Francisco, Portland e Seattle [4].

Nos Estados Unidos, estão ativos cerca de 130 vulcões. O Kilauea, no Havaí, é o mais conhecido – e um dos mais ativos do mundo, desde 1983. Além dele, o Monte Santa Helena, no Estado de Washington, ficou conhecido por uma grande erupção em 1980, que resultou em 57 mortes. Na Indonésia existe cerca de 120 vulcões ativos. Só em Java (Indonésia) vivem 140 milhões de habitantes perto de 30 vulcões e mais de 500 milhões de pessoas vivem perto de vulcões (8% da população mundial). O Chile é um dos países com muitos vulcões ativos no mundo. São cerca de 95 vulcões em atividade. O vulcão chileno Calbuco situado a 1.000 quilômetros ao sul de Santiago, a capital do Chile, voltou a entrar em atividade. Situado a 2.015 metros acima do nível do mar, ele não entrava em erupção desde 1972. É considerado perigoso devido a sua constituição geológica e sua proximidade com áreas urbanas. O Japão tem cerca de 66 vulcões em atividade, entre eles o monte Fuji, que pode entrar em erupção em breve, segundo estudos geológicos. O monte Fuji, no Japão, está inativo há mais de 300 anos. O vulcão pode ameaçar a vida de cerca de oito milhões de pessoas na região de Tóquio. Na Itália, na Sicília, o Etna é o vulcão mais ativo da Europa cuja última erupção ocorreu em novembro 2013. Mais de 600.000 pessoas moram nas encostas e arredores do vulcão Vesúvio que sepultou Pompeia e Herculano no ano 79. Desde então, entrou em erupção em cerca de 30 ocasiões. Na erupção de 1906 cerca de cem pessoas morreram e, na última em 1944, destruiu 88 bombardeiros norte-americanos durante a 2ª Guerra Mundial. A Islândia abriga o vulcão Eyjafjallajökull que fechou o espaço aéreo europeu em 2010 e afetou milhares de voos. Na Rússia, a maioria dos vulcões está concentrada na península de Kamtchatka, na Sibéria, na região mais oriental do país [4].

O mapa abaixo apresenta as zonas sísmicas da Terra que são as regiões do planeta que apresentam os mais fortes terremotos também muito propensas à ocorrência de vulcanismo.

Figura 2- Zonas sísmicas da Terra

No alt text provided for this image

Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/zonas-sismicas-terra.htm

Os vulcões podem levar à extinção das espécies e da vida no planeta a depender da escala de sua erupção. Conforme a publicação científica Nature Geoscience, pesquisadores canadenses da universidade de Calgary descobriram evidências para explicar como grandes erupções de vulcões, ocorridas há 250 milhões de anos, acabaram com um ciclo de vida na Terra [10]. Os vulcões teriam produzido carvão suficiente para formar nuvens de cinzas na atmosfera, que geraram gases de efeito estufa e dizimaram 95% da vida marinha, além de 70% dos seres vivos terrestres [3]. Um estudo publicado pela renomada revista “Science” traz evidências de que a atividade intensa de vulcões há cerca de 200 milhões de anos levou provavelmente à extinção de cerca de metade das espécies de animais da Terra no período, conhecido como o fim do Triássico que é um período geológico que se estende desde cerca de 252 até 201 milhões de anos atrás [10]. A pesquisa foi realizada por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), da Universidade de Columbia, da Universidade Rutgers e da Universidade Stony Brook, todas nos Estados Unidos. A intensa atividade vulcânica liberou quantidades enormes de gases na atmosfera do planeta no período, que alteraram abruptamente as condições climáticas. As novas condições modificaram o habitat das espécies tanto nos oceanos quanto em terra firme, dizem os pesquisadores. Os indícios apontam que as mudanças climáticas ocorreram tão subitamente que os animais não foram capazes de evoluir e se adaptar. Para os cientistas, a extinção ocorrida no fim do Triássico provavelmente abriu caminho para o surgimento dos dinossauros, que dominaram o planeta pelos 135 milhões de anos seguintes, até chegarem à extinção, há aproximadamente 65 milhões de anos [5].

Os cientistas têm usado há bastante tempo dados vindos de satélites, equipamentos de sensibilidade sísmica e outras fontes para detectar erupções de vulcões que estão para acontecer. É possível prever erupções vulcânicas com o monitoramento constante dos vulcões para prevenir desastres de proporções catastróficas com a adoção de planos de evacuação de populações nas áreas abrangidas pelos vulcões. Todas estas medidas devem ser adotadas, sobretudo, nos países onde há mais ocorrência de erupção de vulcões no mundo. Em cada um desses países, é preciso que sejam montadas estruturas voltadas para o monitoramento de erupção de vulcões e sejam elaborados planos de evacuação de populações em locais que possam ser atingidos por esses eventos catastróficos. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações dos países no enfrentamento de erupção de vulcões cujas consequências tenham abrangência local, regional e mundial, especialmente de vulcões que podem levar à extinção da vida no planeta como as grandes erupções de vulcões ocorridas há 250 milhões de anos que acabaram com um ciclo de vida na Terra. Esta organização mundial deveria ser vinculada a um governo democrático mundial a ser criado que seja capaz de coordenar todas as ações de todos os governos nacionais na adoção das medidas necessárias à evacuação dos seres humanos para locais seguros e, até mesmo, se necessário, para fora do planeta Terra em locais com chance de serem habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) no caso em que a erupção de vulcões possa levar à ameaça de extinção dos seres humanos como já ocorreu no passado [10].    

3.      Mudança climática global provocada pelos seres humanos. 

O rápido aumento das temperaturas globais que vem se registrando nos últimos 150 anos graças ao aquecimento global pode contribuir para a mudança climática global que será catastrófica se a elevação da temperatura média da Terra ultrapassar 2 ºC acima dos níveis pré-industriais [7]. O aquecimento global impactará enormemente sobre a saúde da população mundial porque provocará aumento de infartos e doenças respiratórias de acordo com estudo realizado por vários pesquisadores que consideram que o aumento na frequência das ondas de calor acarretará em uma duplicação ou até mesmo em uma triplicação até 2050 dos casos de infarto e doenças respiratórias. O aquecimento global faria com que a humanidade se defrontasse com secas em algumas áreas do planeta e chuvas intensas em outras comprometedoras da produção de alimentos, a submersão de ilhas e cidades litorâneas devido ao aumento do nível do mar resultante do degelo dos polos, da Groenlândia e das cordilheiras e a multiplicidade de tufões e furações com inundações devastadoras, entre outros problemas [8]. Através do Acordo de Paris busca-se conter a elevação da temperatura média global bem abaixo dos 2 °C acima dos níveis pré-industriais e fazer esforços para limitar a elevação da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais para reduzir os riscos e impactos das mudanças climáticas.

Para evitar a mudança climática catastrófica global, é preciso descarbonizar a economia até 2050 ou cortar pelo menos 70% das emissões globais de gases de efeito estufa até meados do século XXI para que não haja aumento da temperatura média global acima de 2 °C ou 1,5 °C, acabar com as guerras, que, também, são responsáveis em grande parte pelo agravamento ambiental do planeta pelos efeitos devastadores que provocam sobre o meio ambiente e promover profunda transformação da sociedade atual que é responsável pela aquecimento global. A insustentabilidade do modelo atual de desenvolvimento capitalista é evidente, uma vez que tem sido extremamente destrutiva das condições de vida no planeta. Diante disso, é imperativo substituir o atual modelo econômico dominante em todo o mundo por outro que leve em conta o homem integrado ao meio ambiente, com a natureza, ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável que deve garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras pondo fim à constante degradação ambiental que ameaça o futuro da humanidade [8]. 

4.    Pandemias provocadas pelos seres humanos

O surgimento de novas pandemias tende a acontecer conforme o desmatamento avança em todo o planeta. Há a perspectiva de que uma eventual próxima pandemia pode ser tão contagiosa e muito mais letal que a de Covid-19, que já tirou a vida de mais de 15 milhões de pessoas no planeta. O surgimento de uma nova enfermidade é chamado pelos cientistas de “doença X” que é um conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS) para algo inesperado ou desconhecido que ainda pode aparecer. Estamos agora em um mundo onde novos patógenos surgirão. E é isso que constitui uma gigantesca ameaça para a humanidade. Um novo patógeno seguirá o mesmo padrão de transmissão de outros já encontrados, passando de um animal silvestre para os seres humanos. E, se a destruição da natureza não tiver um fim, é provável que doenças ainda mais mortais e destrutivas atinjam a humanidade no futuro, de forma mais rápida e frequente. O alerta vem dos principais especialistas em biodiversidade do mundo [6].

A destruição da biodiversidade promovida pela humanidade pode criar as condições para o surgimento de novos vírus com poder de transmissão e letalidade inéditos. O ser humano sempre conviveu com patógenos vindos da natureza, alguns benéficos, outros mortais. Alguns poucos foram mortais como a Peste Bubônica e a Gripe Espanhola. Esta situação se repete com a pandemia do novo CoronavirusUma pesquisa de 2008 identificou 335 novas doenças que surgiram entre 1960 e 2004 das quais 60% vinham de animais. O homem, invade florestas tropicais e outros ambientes selvagens, que abrigam várias espécies de plantas e animais e dentro dessas criaturas há inúmeros vírus desconhecidos. Ao cortar as árvores, matar os animais ou os enjaulá-los e ao enviá-los para os mercados, o homem destrói ecossistemas e dissemina os vírus de seus hospedeiros naturais. Quando isso acontece, os vírus precisam de um novo hospedeiro que muitas vezes é o próprio homem. Livro de David Quammen, Contágio: Infecções Animais e a Próxima Pandemia, escrito em 2012, que previu a pandemia da Covid-19, informa que as pandemias resultam de infecções de origem animal [9].

Os fatos da realidade demonstram que a saúde do ser humano depende da saúde do planeta [10]. Está bastante claro que a humanidade terá que realizar mudanças profundas em sua relação com a natureza para evitar que aconteçam novas pandemias que ameacem sua própria existência. É preciso que haja a mobilização da sociedade civil em todo o planeta para construir uma nova ordem mundial em que haja a mudança radical do conceito de desenvolvimento como o praticado há séculos. O ser humano precisa passar a viver em harmonia com a natureza sem a qual sua sobrevivência estará ameaçada. É preciso parar imediatamente de degradar e desmatar florestas e fortalecer os sistemas de vigilância em saúde de todos os países e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzir iniquidades sociais entre nações e no interior delas, remover subsídios que favoreçam o desmatamento e oferecer mais apoio aos povos indígenas, para conterem o desmatamento.

Urge proibir internacionalmente o comércio de espécies de alto risco de transmissão de vírus e erradicar o consumo de carne silvestre no mundo, criar uma biblioteca da genética de vírus, que ajude no mapeamento de locais de onde possam surgir novos patógenos de alto risco, realizar investimentos de US$ 22 bilhões a US$ 31 bilhões por ano por uma década, para monitorar e policiar o comércio de animais selvagens e impedir o desmatamento tropical e em vigilância sanitária e biosegurança na criação de animais de consumo, que são potenciais intermediários de vírus que atingem humanos, principalmente em áreas próximas a florestas para ajudar a prevenir futuras pandemias, bem como manter a população mundial bem informada quanto aos riscos de novas pandemias com dados confiáveis, concebidos pela experiência e pela ciência, que certamente seria de grande valia para gerar orientações imprescindíveis ao seu comportamento social visando sua colaboração no esforço de prevenção de novas pandemias [10].

5.    Guerras provocadas pelos seres humanos

O mundo se defronta com a ameaça da proliferação de guerras localizadas e, também, da eclosão de uma nova guerra mundial. O século XX foi palco (até agora) de três grandes guerras (1ª Guerra Mundial de 1914 a 1918, 2ª Guerra Mundial de 1939 a 1945 e a Guerra Fria de 1945 a 1989). Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), morreram cerca de 9 milhões de pessoas. Apenas vinte anos depois, eclodia a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que matou entre 40 e 52 milhões de pessoas. Desde o final da Segunda Guerra Mundial até o ano de 1992 haviam ocorrido 149 guerras, onde morreram mais de 23 milhões de pessoas. A estimativa abrangendo todas as “megamortes” ocorridas desde 1914 até o momento atual chegou a um total de 187 milhões de mortos. A violência dos conflitos em nossa época não tem paralelo na história. Desde o século XX, as guerras foram “guerras totais” contra combatentes e civis sem discriminação [5].

Recentemente eclodiu a guerra na Ucrânia entre a Rússia e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que pode resultar na 3ª Guerra Mundial e na extinção da humanidade se os beligerantes decidirem utilizar amas nucleares. Além da Ucrânia, vários são os países que podem se constituir em focos de eclosão de guerras no mundo no século XXI destacando-se, entre eles, Estados Unidos, Rússia, China, Síria, Palestina, Israel, Irã, Coreia do Norte, India e Paquistão. Na era contemporânea, o xadrez geopolítico internacional aponta a existência de 3 grandes protagonistas: Estados Unidos, China e Rússia. Na atualidade, além dos Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, são detentores de armas nucleares a India, Coréia do Norte, Paquistão e Israel. Relatórios de especialistas acusam Israel de possuir amplo arsenal nuclear, sendo assim o único com tal armamento no Oriente Médio. Por sua vez, Irã e Síria são acusados de terem programas secretos de armas nucleares [5]. 

Os fatos da história demonstram a paz mundial só poderá ser alcançada com a constituição de um governo mundial democrático que seja eleito pelo parlamento mundial a ser constituído com a participação dos países de todo o mundo porque nenhuma grande potência por mais poderosa que seja nem as organizações internacionais atuais, como ONU, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, entre outras, já demonstraram não terem a capacidade e o poder de promover o progresso nas relações internacionais do planeta. O governo democrático mundial evitaria o império de um só país e a anarquia de todos os países. É chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários à construção da paz mundial e ao controle de seu destino. É preciso entender que não existirá a paz mundial nem o mercado mundial funcionará adequadamente sem o Estado de Direito Internacional que só pode ser aplicado e respeitado com a presença de um governo mundial que seja aceito por todos os países. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático. A nova ordem mundial deve ser edificada não apenas para organizar as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite a conquista da paz mundial, o progresso econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade. Um governo democrático mundial não transformaria os governos de cada nação em seus vassalos. Os governos nacionais manteriam suas autonomias sendo governados de acordo com os interesses de seus povos enquanto o governo democrático mundial teria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta.

6.    Conclusões

Para salvar a humanidade da ameaça de esfriamento do núcleo da Terra, é bastante importante que haja um constante monitoramento da temperatura do núcleo do planeta Terra para adotar, quando necessário, estratégias de fuga de seres humanos para locais que sejam habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e a lua de Júpiter, Callisto), antes da perda do campo magnético da Terra e do desequilíbrio na cadeia alimentar do planeta resultantes do esfriamento do núcleo da Terra. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações em todo o mundo no enfrentamento do esfriamento do núcleo da Terra.

Para salvar a humanidade da ameaça representada pela erupção de vulcões, deve-se fazer seu monitoramento constante com o uso de satélites, equipamentos de sensibilidade sísmica e outras fontes para detectar erupções de vulcões que estão para acontecer visando prevenir desastres de proporções catastróficas. Estas medidas devem ser adotadas, sobretudo, nos países onde há mais ocorrência de erupção de vulcões no mundo. Em cada um desses países, é preciso que sejam montadas estruturas voltadas para o monitoramento de erupção de vulcões e sejam elaborados planos de evacuação de populações em locais que possam ser atingidos por esses eventos catastróficos. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações dos países no enfrentamento de erupção de vulcões cujas consequências tenham abrangência local, regional e mundial, especialmente de vulcões que podem levar à extinção da vida no planeta Terra como as grandes erupções de vulcões ocorridas há 250 milhões de anos que acabaram com um ciclo de vida na Terra. Esta organização mundial deveria ser vinculada a um governo democrático mundial a ser criado que seja capaz de coordenar todas as ações de todos os governos nacionais na adoção das medidas necessárias à evacuação dos seres humanos para locais seguros e, até mesmo, se necessário, para fora do planeta Terra em locais com chance de serem habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) no caso em que a erupção de vulcões possa levar à ameaça de extinção dos seres humanos como já ocorreu no passado.    

Para evitar a mudança climática catastrófica global, é preciso descarbonizar a economia até 2050 ou cortar pelo menos 70% das emissões globais de gases de efeito estufa até meados do século XXI para que não haja aumento da temperatura média global acima de 2 °C ou 1,5 °C, acabar com as guerras, que, também, são responsáveis em grande parte pelo agravamento ambiental do planeta pelos efeitos devastadores que provocam sobre o meio ambiente e promover profunda transformação da sociedade atual. A insustentabilidade do modelo atual de desenvolvimento capitalista é evidente, uma vez que tem sido extremamente destrutiva das condições de vida no planeta. Diante disso, é imperativo substituir o atual modelo econômico dominante em todo o mundo por outro que leva em conta o homem integrado ao meio ambiente, com a natureza, ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável que deve garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras pondo fim à constante degradação ambiental que ameaça o futuro da humanidade. 

Para evitar a ocorrência de novas pandemias no planeta Terra, é preciso que haja a mobilização da sociedade civil em todo o planeta para construir uma nova ordem mundial em que haja a mudança radical do conceito de desenvolvimento como o praticado há séculos. É preciso parar imediatamente de degradar e desmatar florestas e fortalecer os sistemas de vigilância em saúde de todos os países e da Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzir iniquidades sociais entre nações e no interior delas, remover subsídios que favoreçam o desmatamento e oferecer mais apoio aos povos indígenas, para conterem o desmatamento. É preciso proibir internacionalmente o comércio de espécies de alto risco de transmissão de vírus e erradicar o consumo de carne silvestre no mundo, criar uma biblioteca da genética de vírus, que ajude no mapeamento de locais de onde possam surgir novos patógenos de alto risco, realizar investimentos de US$ 22 bilhões a US$ 31 bilhões por ano por uma década, para monitorar e policiar o comércio de animais selvagens e impedir o desmatamento tropical e em vigilância sanitária e biosegurança na criação de animais de consumo, que são potenciais intermediários de vírus que atingem humanos, principalmente em áreas próximas a florestas para ajudar a prevenir futuras pandemias, bem como manter a população mundial bem informada quanto aos riscos de novas pandemias com dados confiáveis, concebidos pela experiência e pela ciência.

Para evitar a proliferação de guerras no mundo e a eclosão da 3ª Guerra Mundial, deve-se constituir um governo mundial democrático que seja eleito pelo parlamento mundial a ser constituído com a participação dos países de todo o mundo. O governo democrático mundial evitaria o império de um só país e a anarquia de todos os países. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático. A nova ordem mundial deve ser edificada não apenas para organizar as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite a conquista da paz mundial, o progresso econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade.

REFERÊNCIAS

1.    SERRANO, Carlos. Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências? Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/geral-60228443>, 2022.

2.    MUNDO EDUCAÇÃO. 10 curiosidades sobre Vulcões. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/10-curiosidades-sobre-vulcoes.htm>.

3.    PINTO, Angela Joenck. Vulcões ainda são ameaça à vida na Terra. Disponível no website <https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/vulcoes-ainda-sao-ameaca-a-vida-na-terra,75385b6db16da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>, 2011.

4.    NOVA ESCOLA. 7 países com vulcões em atividade no mundo.  Disponível no website <https://novaescola.org.br/conteudo/409/7-paises-com-vulcoes-em-atividade-no-mundo>.

5.    ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

6.    ALCOFORADO, Fernando. Futuras pandemias e degradação ambientalDisponível no website <https://www.academia.edu/44941968/FUTURAS_PANDEMIAS_E_DEGRADA%C3%87%C3%83O_AMBIENTAL>, 2021.

7.    ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento Global e Catástrofe Planetária. Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo: Viena- Editora e Gráfica, 2010.

8.    ALCOFORADO, Fernando. Global Climate Change and Its Solutions. Disponível no website <https://www.heraldopenaccess.us/openaccess/global-climate-change-and-its-solutions>. Journal of Atmospheric & Earth Sciences, 2018.

9.    CLIMAINFO. Mais destruição da natureza, mais pandemias. Disponível no website <https://climainfo.org.br/2020/03/19/mais-destruicao-da-natureza-mais-pandemias/>, 2020.

10. ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

CIVILISATION OU BARBARIE, DÉMOCRATIE OU DICTATURE SONT LES CHOIX DU PEUPLE BRÉSILIEN AUX ÉLECTIONS DE 2022

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que les élections de 2022 sont décisives pour l’avenir du Brésil car le peuple brésilien devra trancher entre les valeurs de civilisation et de démocratie ou celles de barbarie et de dictature. Il convient de noter que la civilisation est considérée comme le stade le plus avancé qu’une société humaine puisse atteindre d’un point de vue politique, économique, social, culturel, scientifique et technologique. La démocratie est le régime politique dans lequel la souveraineté est exercée par le peuple. Les citoyens sont les détenteurs du pouvoir et confient une partie de ce pouvoir à l’État pour qu’il puisse organiser la société. La démocratie est un régime politique dans lequel tous les citoyens éligibles participent de manière égale – directement ou par l’intermédiaire de représentants élus – à la proposition, à l’élaboration et à la création des lois, exerçant le pouvoir de gouvernance par le suffrage universel. Le contraire de la civilisation est la barbarie, qui est la condition de ce qui est sauvage, cruel, inhumain et grossier, c’est-à-dire qui ou ce qui est considéré comme barbare qui attaque le progrès politique, économique, social, culturel, scientifique et technologique. La barbarie a toujours été caractérisée tout au long de l’histoire humaine par des groupes qui utilisent la force et la cruauté pour atteindre leurs objectifs. Le contraire de la démocratie est la dictature, qui est un régime gouvernemental dans lequel tous les pouvoirs de l’État sont concentrés sur un individu, un groupe ou un parti. Le dictateur n’admet pas l’opposition à ses actions et à ses idées et détient une grande partie du pouvoir de décision. C’est un régime antidémocratique auquel la population ne participe pas.

Il existe certains éléments généralement acceptés de ce qui ferait une société civilisée et démocratique : 1) fournir une sécurité garantie à tous les citoyens qui ne devraient pas craindre la perte de leur vie ou des dommages physiques ; 2) fournir des soins médicaux de la meilleure qualité possible à tous les membres de la société ; 3) accorder l’accès à la nourriture et à l’eau à tous les citoyens afin que personne n’ait faim ou soif ; 4) fournir des conditions de logement de base à tous les citoyens ; 5) avoir un système législatif démocratique dont les lois sont établies pour préserver le bien-être de la population ; 6) fournir un système éducatif garantissant à tous un accès égal à l’éducation de haut niveau afin de rendre sa population hautement scolarisée ; 7) défendre l’environnement ; et 8) garantir à la population la liberté de pensée, de croyance, de religion, d’affiliation et d’expression et le droit de participer aux décisions gouvernementales. Le terme de barbarie désigne une rupture avec les normes morales qui régissent la vie en société et les contrôles sociaux fondés sur les fondements de la civilisation, donnant lieu à une violence effrénée et au mépris de la démocratie et de l’être humain avec l’implantation d’une dictature. Le grand défi auquel est confronté le Brésil à l’époque contemporaine est de faire en sorte qu’après les élections de 2022, la civilisation et la démocratie l’emportent sur la barbarie et la dictature de Bolsonaro.

Au Brésil, année après année, décennie après décennie, la barbarie et le mépris de l’être humain se sont accrus, et il ne semble pas y avoir de limite à ce phénomène. La barbarie a énormément augmenté sous le gouvernement Bolsonaro parce que sa politique économique a été désastreuse en adoptant les principes du néolibéralisme le plus radical cherchant à démanteler l’État développementiste brésilien construit depuis 1930 par Getúlio Vargas et maintenu par d’autres dirigeants, sa politique économique a contribué à la dénationalisation de l’économie brésilienne et à la désindustrialisation du pays, sa politique de création d’emplois n’est pas sa préoccupation fondamentale en ne faisant rien pour réactiver l’économie entraînant le taux de chômage le plus élevé avec plus de 14 millions de chômeurs et 27 millions de travailleurs sous-utilisés jamais enregistrés dans l’histoire du Brésil, sa politique économique nuit aux intérêts nationaux en contribuant à la dénationalisation de l’économie brésilienne et à la désindustrialisation du pays, sa politique environnementale est responsable de la croissance des incendies et de la déforestation en Amazonie et pour désobéissance à l’Accord de Paris sur la lutte contre le changement climatique mondial, sa politique scientifique et technologique a favorisé la destruction du Système National de la Science, de la Technologie et de l’Innovation (SNCTI) construit au cours des 60 dernières années, sa politique éducative et culturelle se caractérise par une caractère néo-fasciste ultra-conservateur de la guerre sainte contre les idéaux progressistes et démocratiques, sa politique des droits sociaux se caractérise par la méconnaissance des droits fondamentaux prévus par la Constitution de 1988, ne pas considérer le soutien aux chômeurs et à la population pauvre et la démonstration de son détachement de la démocratie et de son manque de respect dans la façon dont il s’adresse à de larges secteurs sociaux et sa politique de santé publique désastreuse n’a pas réussi à lutter contre la propagation du nouveau Coronavirus en rendant le ministère de la Santé inopérant, en plus de saboter toutes les mesures mises en place par les gouverneurs et les maires pour lutter contre la propagation du virus.

Face à la perspective d’être battu aux prochaines élections présidentielles, Jair Bolsonaro cherche à se maintenir au pouvoir, cherchant à démoraliser le système électoral du pays, qu’il accuse de truquer les élections depuis 2014, comme il l’a fait le 18/07 en faisant une conférence à des dizaines d’ambassadeurs invités qui s’efforcent de démoraliser les élections au Brésil. Le lendemain du jour où le président Jair Bolsonaro a répété des mensonges sur la confiance dans le système électoral brésilien lors d’une réunion avec des ambassadeurs, trois associations d’employés de la police fédérale ont publié une note commune le 19/07 exprimant leur confiance dans les machines à voter électroniques déclarant qu’aucune preuve de fraude dans le système électoral. Le document est signé par l’Association nationale des délégués de la police fédérale (ADPF), l’Association nationale des experts criminels fédéraux (APCF) et la Fédération nationale des délégués de la police fédérale (Fenadepol). Comme sa victoire aux élections présidentielles est peu probable, Bolsonaro cherche à perturber la vie nationale avec une attaque remplie de mensonges répétés contre le sommet du pouvoir judiciaire brésilien. Itamaraty et les forces armées sont rabaissées dans l’effort de Bolsonaro avec leur connivence putschiste. Le but de Bolsonaro est que les élections n’aient pas lieu car, selon les sondages, il sait qu’il ne renouvellera pas son mandat et, si les élections ont lieu, et que sa défaite arrive, il déclenchera un coup d’État sous le faux argument selon lequel il y a eu fraude lors des élections pour établir une dictature d’extrême droite au Brésil.

Pour ce qui précède, il faut vaincre Bolsonaro aux élections de 2022 car la barbarie et la dictature qu’il défend sont les plus grandes menaces pour l’avenir du Brésil. Lors des élections de 2022, le Brésil a besoin de l’union de la grande majorité du peuple brésilien pour que la civilisation et la démocratie chevauchent la barbarie et la dictature de Bolsonar. Le Brésil doit défendre les idéaux de poursuite du bonheur humain, de justice et d’égalité sociale prônés par les Lumières au Moyen Âge en Europe. La confrontation entre les défenseurs de la civilisation et de la démocratie et les défenseurs de la barbarie et de la dictature de Bolsonaro peut aboutir au maintien de la démocratie représentative au Brésil avec la victoire de l’un des candidats démocrates (Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet, entre autres) ou sa fin avec la victoire de Bolsonaro aux élections présidentielles. De la même manière que les Lumières ont été la réponse politique et idéologique à la barbarie, la même chose devrait être envisagée au Brésil pour unir, à l’heure actuelle, tous les citoyens qui défendent la démocratie, l’émancipation politique, la liberté de pensée et la justice sociale visant à promouvoir l’amélioration de la condition humaine dans le pays.

Tout indique que Bolsonaro n’acceptera pas le résultat des élections de 2022 car, selon les sondages électoraux, il perdra au second tour face à tous les autres candidats à la présidence de la République, notamment l’ancien président Lula, et qu’un éventuel coup d’État serait en cours planifié par lui et qui aurait le soutien de certains secteurs des forces armées, de la police militaire, des milices et des segments de la société civile. Le coup d’État serait la tentative de Bolsonaro d’établir une dictature sous son commandement pour imposer sa pensée rétrograde à la société brésilienne et aussi pour éviter d’être traduit en justice pour répondre des crimes qu’il commet depuis qu’il a pris la présidence de la République . La barbarie du coup d’État peut survenir avant ou après les élections. Dans cette perspective, les forces qui défendent la civilisation et la démocratie doivent se préparer à cette confrontation et pas seulement pour vaincre Bolsonaro aux élections de 2022.

* Fernando Alcoforado, 82, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

CIVILIZATION OR BARBARISM, DEMOCRACY OR DICTATORSHIP ARE THE CHOICES OF THE BRAZILIAN PEOPLE IN THE 2022 ELECTIONS

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the 2022 elections are decisive for the future of Brazil because the Brazilian people will have to decide between the values of civilization and democracy or those of barbarism and dictatorship. It should be noted that Civilization is considered the most advanced stage that a human society can reach from a political, economic, social, cultural, scientific and technological point of view. Democracy is the political regime in which sovereignty is exercised by the people. Citizens are the holders of power and entrust part of that power to the State so that it can organize society. Democracy is a political regime in which all eligible citizens participate equally — directly or through elected representatives — in proposing, developing and creating laws, exercising the power of governance through universal suffrage. The opposite of Civilization is Barbarism, which is the condition of what is wild, cruel, inhuman and coarse, that is, who or what is considered barbaric that attacks political, economic, social, cultural, scientific and technological progress. Barbarism has always been characterized throughout human history by groups that use force and cruelty to achieve their goals. The opposite of democracy is Dictatorship, which is a governmental regime in which all the powers of the State are concentrated in an individual, a group or a party. The dictator does not admit opposition to his actions and ideas, and has a large part of the decision-making power. It is an undemocratic regime in which the population does not participate.

There are some generally accepted elements of what would make a civilized and democratic society: 1) provide guaranteed security for all citizens who should not fear the loss of their lives or physical harm; 2) provide medical care of the best possible quality to all members of society; 3) grant access to food and water for all citizens so that no person goes hungry or thirsty; 4) provide basic housing conditions for all citizens; 5) have a democratic legislative system whose laws are established to preserve the well-being of the population; 6) provide an education system that guarantees equal access to high-level education for all people in order to make its population highly educated; 7) defend the environment; and, 8) ensure for the population freedom of thought, belief, religion, affiliation and expression and the right to participate in government decisions. The term barbarism means a rupture with the moral standards that regulate life in society and social controls based on the foundations of civilization, giving rise to unbridled violence and contempt for democracy and for the human being with the implantation of a dictatorship. The great challenge facing Brazil in the contemporary era is to ensure that, after the 2022 elections, civilization and democracy prevail over barbarism and the Bolsonaro dictatorship.

In Brazil, year after year, decade after decade, barbarism and contempt for human beings have increased, and there seems to be no limit to this phenomenon. Barbarism has increased enormously during the Bolsonaro government because its economic policy has been disastrous in adopting the principles of the most radical neoliberalism seeking to dismantle the Brazilian developmental state built since 1930 by Getúlio Vargas and maintained by other rulers, its economic policy contributed to the denationalization of the Brazilian economy and the deindustrialization of the country, its employment generation policy is not its fundamental concern by doing nothing to reactivate the economy resulting in the highest level of unemployment with more than 14 million unemployed and 27 million underused workers ever recorded in the history of Brazil, its economic policy is harmful to national interests by contributing to the denationalization of the Brazilian economy and the deindustrialization of the country, its environmental policy is responsible for the growth of fires and deforestation in the Amazon Legal and for disobedience to the Paris Agreement to combat global climate change, its science and technology policy promoted the destruction of the National Science, Technology and Innovation System (SNCTI) built over the last 60 years, its education and culture policy is characterized by a holy war ultra-conservative neo-fascist character against progressive and democratic ideals, its policy of social rights is characterized by disregarding the fundamental rights provided for in the 1988 Constitution, not consider support for the unemployed and the poor population and demonstrating its detachment from democracy and lack of respect as it addresses broad social sectors and its disastrous public health policy that has failed to combat the spread of the new Coronavirus by rendering the Ministry of Health inoperative, in addition to sabotaging all the measures put in place by governors and mayors to combat the spread of the virus.

Faced with the prospect of being defeated in the next presidential elections, Jair Bolsonaro seeks to remain in power, seeking to demoralize the country’s electoral system, which he has accused of rigging elections since 2014, as he did on 7/18 by doing a lecture to dozens of guest ambassadors striving to demoralize the elections in Brazil. The day after President Jair Bolsonaro repeated lies about confidence in the Brazilian electoral system in a meeting with ambassadors, three associations of Federal Police employees issued a joint note on 07/19 expressing confidence in electronic voting machines stating that no evidence of fraud in the electoral system. The document is signed by the National Association of Federal Police Delegates (ADPF), the National Association of Federal Criminal Experts (APCF) and the National Federation of Federal Police Delegates (Fenadepol). As his victory in the presidential elections is unlikely, Bolsonaro seeks to disrupt national life with an attack filled with repeated lies against the top of Brazil’s Judiciary. Itamaraty and the Armed Forces are demeaned in Bolsonaro’s endeavor with their coup connivance. Bolsonaro’s purpose is that the elections do not take place because, according to the polls, he knows that he will not renew his mandate and, if the elections take place, and his defeat happens, he will unleash a coup d’état under the false argument of that there was fraud in the elections to establish a far-right dictatorship in Brazil.

For the above, Bolsonaro needs to be defeated in the 2022 elections because the barbarism and dictatorship he defends are the greatest threats to the future of Brazil. In the 2022 elections, Brazil needs the union of the vast majority of the Brazilian people to make civilization and democracy overlap the intended barbarism and Bolsonaro dictatorship. Brazil needs to rescue the ideals of pursuit of human happiness, justice and social equality advocated by the Enlightenment during the Middle Ages in Europe. The confrontation between the defenders of civilization and democracy and the defenders of barbarism and the Bolsonaro dictatorship may result in the maintenance of representative democracy in Brazil with the victory of one of the democratic candidates (Lula, Ciro Gomes and Simone Tebet, among others) or its end with Bolsonaro’s victory in the presidential elections. In the same way that the Enlightenment was the political and ideological response to barbarism, the same should be considered in Brazil to unite, now, all citizens who defend democracy, political emancipation, freedom of thought and social justice, aiming to promote the improvement of the human condition in the country.

Everything indicates that Bolsonaro will not accept the result of the 2022 elections because, according to electoral polls, he will lose in the second round to all other candidates for the Presidency of the Republic, especially former President Lula, and that an eventual coup d’état would be being planned by him and which would have the support of certain sectors of the Armed Forces, military police, militia and segments of civil society. The coup d’état would be Bolsonaro’s attempt to establish a dictatorship under his command to impose his retrograde thinking on Brazilian society and, also, to avoid being taken to court bars to answer for the crimes he has been committing since he assumed the presidency of the Republic. The barbarism of the coup d’état could occur before or after the elections. Given this perspective, the forces defending civilization and democracy must prepare for this confrontation and not just to defeat Bolsonaro in the 2022 elections.

* Fernando Alcoforado, 82, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and IPB – Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).