O BRASIL DIANTE DE QUATRO ENCRUZILHADAS NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

Fernando Alcoforado*

Este artigo foi elaborado para atender a pedidos de inúmeros leitores que me solicitaram traçar cenários sobre o futuro do Brasil em consequência das próximas eleições. Este artigo tem por objetivo demonstrar que o Brasil está diante quatro encruzilhadas nas próximas eleições: encruzilhadas política, econômica, social e ambiental.  Cada uma das quatro encruzilhadas produz dois cenários futuros para o Brasil. A encruzilhada política em que se defronta o povo brasileiro pode conduzir o Brasil a dois cenários nas próximas eleições: a manutenção da democracia com a vitória das forças políticas democráticas ou o fim da democracia com a vitória das forças políticas de extrema direita. A encruzilhada econômica em que se defronta o povo brasileiro pode conduzir o Brasil a dois cenários: da alavancagem do desenvolvimento econômico do Brasil com a eliminação de seus entraves estruturais com a vitória das forças políticas progressistas ou da estagnação econômica com o Brasil mantendo o “status quo” com o crescimento econômico pífio similar ao “voo de galinha” que tem marcado o país nos últimos 40 anos com a vitória das forças políticas retrógradas e conservadoras. A encruzilhada social em que se defronta o povo brasileiro pode conduzir o Brasil a dois cenários: da conquista do bem estar social da população brasileira com a eliminação de seus entraves estruturais com a vitória das forças políticas progressistas ou a manutenção das desigualdades sociais extremas no Brasil mantendo o “status quo” com a vitória das forças políticas retrógradas e conservadoras. A encruzilhada ambiental em que se defronta o Brasil pode conduzi-lo a dois cenários: da conquista do desenvolvimento sustentável com a vitória das forças políticas progressistas ou a manutenção da devastação ambiental no Brasil mantendo o “status quo” com a vitória das forças políticas retrógradas e conservadoras.   O futuro do Brasil depende destas escolhas a serem feitas pelo povo brasileiro nas próximas eleições.

É oportuno observar que se entende por forças políticas democráticas os partidos e organizações da sociedade civil que são defensores do liberalismo político e econômico, da social democracia e do socialismo democrático enquanto as forças políticas de extrema-direita são aquelas constituídas pelos partidos e organizações da sociedade civil que concorrem às eleições com o fito de tomar o poder de Estado como estratégia principal para implantar uma ditadura que imponha sua vontade ao conjunto da nação. As forças políticas progressistas são aquelas constituídas pelos partidos e organizações da sociedade civil defensores da democracia e do progresso econômico, social e ambiental do País enquanto as forças políticas retrógradas e conservadoras são aquelas constituídas pelos partidos e organizações da sociedade civil com tendências liberais, neoliberais, fascistas e neofascistas que buscam manter o modelo econômico neoliberal, as desigualdades sociais vigentes e a agressão ao meio ambiente. As forças políticas democráticas e progressistas do Brasil são aquelas que desejam a manutenção e avanços das conquistas democráticas expressas na Constituição de 1988 enquanto as forças políticas de extrema-direita repelem o que estabelece a Constituição de 1988 e as instituições democráticas em vigor no País. Nem todas as forças integrantes das forças políticas retrógradas e conservadoras do Brasil são extremistas de direita. Há em sua composição, também, defensores da democracia oponentes, portanto, da ditadura.

Pelo bem do Brasil, o povo brasileiro precisa escolher, nas próximas eleições, não apenas os candidatos defensores da democracia, mas também, aqueles que são defensores do progresso econômico, social e ambiental com a vitória das forças progressistas sobre as forças políticas retrógradas defensoras da manutenção do “status quo” econômico, social e ambiental, tanto para a Presidência da República, quanto para os governos de Estado e parlamentos federal e estaduais. O povo brasileiro precisa eleger, portanto, como seus governantes os candidatos que sejam partidários das mudanças econômicas, políticas e sociais que contribuam para reverter a desastrosa situação de terra arrasada em que se encontra o Brasil. É preciso eleger os candidatos aos diversos cargos eletivos que se comprometam a defender a democracia e promover, também, o progresso econômico, social e ambiental na plenitude. Progresso econômico, social e ambiental na plenitude significa a promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental visando a conquista do bem estar social para toda a população brasileira sem exceção. Promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental com a conquista do bem estar social deve se traduzir na implantação de um sistema econômico, social e ambiental que contribua para a elevação ao máximo dos indicadores de desenvolvimento humano e do meio ambiente no Brasil. Para que o novo sistema econômico, social e ambiental, que visa a conquista do bem estar social para toda a população brasileira, possa ser implantado, é preciso abandonar o modelo econômico neoliberal em vigor responsável pelo desastre econômico, social e ambiental do Brasil nos últimos 40 anos. Todo candidato que defenda a manutenção e busca manter em parte ou no todo o modelo econômico neoliberal em vigor tem que ser repelido nas urnas mesmo que seja defensor da democracia em nosso País.       

Não basta, portanto, que sejam eleitos os candidatos defensores da democracia. É preciso que sejam escolhidos candidatos democratas que assumam, também, o compromisso de levar ao fim o modelo econômico neoliberal em vigor responsável pelo desastre econômico e social do Brasil dos últimos 40 anos desenvolvendo uma estratégia para inventar um novo Brasil. Em nosso livro A invenção de um novo Brasil publicado pela Editora CRV de Curitiba em 2017 afirmamos na página 181 que, para inventar um novo Brasil, é preciso cumprir três etapas: a primeira, a curto prazo, de recuperação da economia brasileira; a segunda, a médio prazo, com a adoção do modelo nacional desenvolvimentista nos moldes do modelo de desenvolvimento adotado pelos países da Ásia (Japão, Coreia do Sul e China) conforme está apresentado no subcapítulo 7.4 (Ásia mostra os caminhos do desenvolvimento) e, a terceira, a longo prazo, com a adoção do modelo social democrata nos moldes do praticado nos países escandinavos com os necessários aperfeiçoamentos e adaptação conforme está apresentado no subcapítulo 7.7 (O modelo de social democracia a ser edificado para inventar um novo Brasil a longo prazo).

A recuperação da economia brasileira requer a execução imediata de 7 mil obras públicas paradas, a implementação de uma grande quantidade de novas obras públicas, com destaque para a infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico), a adoção da política de substituição de importações e a utilização da capacidade ociosa na indústria. Além dessas medidas, é preciso suspender pelo período de 5 anos o pagamento dos juros e amortização da dívida pública interna que corresponde a 48% do orçamento do governo federal ou renegociar com os seus credores no sentido de alongar seu pagamento para reduzir os encargos com o pagamento da dívida pública a fim de que o governo passe a dispor dos recursos necessários aos investimentos públicos e utilizar as reservas internacionais de US$ 362,20 bilhões disponíveis em 2021, se necessário, para complementar os recursos destinados aos investimentos públicos visando a reativação da economia.

A recuperação da economia brasileira deve ter como objetivo imediato eliminar o desemprego e a pobreza que afetam a grande maioria da população, bem como contribuir para eliminar a violência e a inflação. Além das medidas acima citadas voltadas para a recuperação da economia brasileira, é preciso adotar, também, nossa proposta apresentada em nosso livro A invenção de um novo Brasil, que consiste na implementação de estratégias que levem, de um lado, ao aumento da arrecadação pública com: 1) a taxação das grandes fortunas com patrimônio superior a 1 bilhão de reais  que poderia render aproximadamente 100 bilhões de reais por ano; e, 2) o aumento do imposto sobre os bancos e, de outro, a diminuição dos gastos do governo com: 1) a redução drástica do número de ministérios e órgãos públicos e dos dispêndios em todos os níveis do governo; e, 2) a redução drástica da taxa de juros básica da economia (Selic) para diminuir o tamanho da dívida pública e os encargos com o pagamento dos juros e a amortização da dívida pública. 

Em nosso livro A invenção de um novo Brasil, afirmamos que, cumprida a etapa de recuperação da economia brasileira, deveria ser executada a etapa de adoção do modelo nacional desenvolvimentista nos moldes do modelo de desenvolvimento adotado pelos países da Ásia (Japão, Coreia do Sul e China) em que o governo atuaria como mentor e indutor do desenvolvimento econômico e social. É preciso observar que Japão, Coreia do Sul e China se destacaram, respectivamente nas décadas de 1970, 1980 e 1990, pela industrialização de suas economias, mas também, por suas infraestruturas, no setor de transporte pelo alto investimento, que continua sendo feito em rodovias e ferrovias, sobretudo na China. As políticas de investimento em infraestrutura são prioridade do governo da China desde 1990. No Brasil, a fragilidade é gigantesca na infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, saneamento básico e habitação) que demandam recursos da ordem de R$ 2 trilhões. A ação governamental no Brasil é bastante débil no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação pelo fato de não haver uma política industrial que aponte soluções eficazes visando a redução permanente dos custos de produção da indústria no Brasil frente aos países asiáticos, especialmente a China.

No livro de nossa autoria acima citado, sugerimos que estas soluções deveriam ser complementadas com a adoção de medidas voltadas para: 1) a superação dos gigantescos problemas da educação do Brasil em todos os níveis; 2) o desenvolvimento dos recursos de conhecimento adotando programas para implantação de centros de P & D, fortalecimento das universidades, aquisição de tecnologia e atração de cérebros do exterior; 3) a adequada dotação de recursos de infraestrutura estabelecendo programas eficazes de eliminação dos gargalos logísticos existentes; 4) o incentivo às ligações entre as cadeias produtivas das empresas e seus fornecedores com a eliminação de lacunas existentes; e, 5) o combate à competição predatória dos produtos importados com a restrição ou limitação de sua entrada no mercado nacional.

Em nosso livro A invenção de um novo Brasil, afirmamos que, após a adoção do modelo nacional desenvolvimentista a médio prazo, deve-se implantar, a longo prazo, um novo modelo de sociedade que possibilite uma convivência civilizada entre todos os seres humanos no Brasil. Este novo modelo deveria ser inspirado na social democracia existente na Escandinávia onde foi implantado o mais bem sucedido entre todos eles, conforme foi demonstrado no subcapítulo 7.3 (Como alcançar o progresso econômico e social), com os necessários aperfeiçoamentos e adaptações. Foi a social democracia construída até hoje, sobretudo nos países escandinavos, o único modelo de sociedade que permitiu a realização de progresso econômico, social, político e ambiental sem similar na história da humanidade, com o Estado atuando como mediador dos conflitos entre os interesses do capital e da Sociedade Civil. Não é por acaso que os países escandinavos, além de apresentarem grandes êxitos econômicos e sociais, são líderes em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo.

Apesar do sucesso da social democracia escandinava, o novo modelo social democrata a ser implantado no Brasil deveria resultar do aperfeiçoamento do que se denomina social democracia nórdica ou escandinava praticada na Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia. A social democracia a ser implantada no Brasil deveria resultar, portanto, do aperfeiçoamento do modelo escandinavo atual que operaria com um tripé estruturado com base em um Estado neutro, Sociedade Civil Organizada ativa e Setor Produtivo (estatal e privado) eficiente e eficaz. O Estado neutro buscaria compatibilizar os interesses do Setor Produtivo (estatal e privado) com os da Sociedade Civil mediando seus conflitos em várias instâncias dos poderes executivo e legislativo que, quando não se obtém o consenso, a decisão final ficaria a cargo da população que decidiria democraticamente através de plebiscito e/ou referendo. Na nova social democracia do Brasil, não deveria ser permitida a ação de grupos monopolistas e cartéis privados na economia. Empresas privadas só atuariam em setores econômicos onde houvesse competição. Empresas estatais ou de economia mista ocupariam os setores econômicos onde não seja possível haver competição.  Este é o novo Brasil que precisaria ser inventado.

Diante dos fatos expostos, compete ao povo brasileiro decidir nas próximas eleições se deseja reverter ou não a situação de terra arrasada em que se encontra o Brasil. Pelo bem do Brasil e de seu povo, não há outra decisão racional a tomar a não ser a manutenção da democracia com a vitória das forças políticas democráticas, a impulsão do desenvolvimento econômico do Brasil com a eliminação de seus entraves estruturais com a vitória das forças políticas progressistas, a conquista do bem estar social da população brasileira com a eliminação de seus entraves estruturais com a vitória das forças políticas progressistas e a conquista do desenvolvimento sustentável com a vitória das forças políticas progressistas. Compete, portanto, ao povo brasileiro eleger presidente da República, governadores e parlamentares comprometidos com a democracia e, também, com a conquista do verdadeiro progresso econômico, social e ambiental.

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

L’INFLATION MONDIALE ET L’EFFONDREMENT DE LA MONDIALISATION

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que l’inflation actuelle de l’économie mondiale peut conduire à l’effondrement de la mondialisation économique et financière contemporaine. L’inflation est définie comme l’augmentation continue, persistante et généralisée des prix en général. La mondialisation économique et financière est définie comme l’interdépendance économique entre les pays du monde entier, résultant d’un volume et d’une variété croissants de transactions transfrontalières de biens et de services, ainsi que d’une plus grande mobilité des facteurs de production, y compris un large éventail de diffusions internationales du capital et de la technologie. Avec la persistance de l’inflation, la mondialisation économique et financière va s’effondrer car le monde ne dispose pas d’une gouvernance mondiale capable de coordonner l’action des pays dans la lutte contre l’inflation et l’économie mondiale sera affectée par la récession résultant de la hausse des taux d’intérêt adopté par les gouvernements de tous les pays du monde pour le contrôler. L’inflation mondiale et la récession mondiale amèneront le monde à faire face à une stagflation mondiale qui conduira à l’effondrement de la mondialisation économique et financière lorsque de nombreux gouvernements nationaux l’abandonneront pour ne pas être entraînés, eux aussi, dans l’effondrement économique.

L’inflation dans l’ensemble des pays de l’OCDE (Organisation de coopération et de développement économiques), qui sont au nombre de 38, a atteint 8,8% en mars 2022 en 12 mois, contre 2,4% en mars 2021. Selon l’OCDE, c’est la plus forte hausse depuis octobre 1988. Environ un cinquième des pays de l’OCDE ont enregistré une inflation à deux chiffres, le taux le plus élevé étant enregistré en Turquie. L’inflation mesurée par l’indice national large des prix à la consommation (IPCA) a atteint 11,3 % sur la période de 12 mois jusqu’en mars 2022 au Brésil. En Turquie, le taux est de 61,1 % et en Argentine, de 55,1 %. Un rapport de l’OCDE montre que le Brésil a la troisième inflation la plus élevée parmi les pays du G20, un groupe des plus grandes économies du monde, derrière la Turquie et l’Argentine [IBET. Brasil tem 3ª maior inflação entre as grandes economias, mostra OCDE. Na conjunto de países do grupo G20, taxa em 12 meses atingiu 7,9% em março, contra 11,3% no Brasil; veja ranking (Le Brésil a la 3e inflation la plus élevée parmi les grandes économies, selon l’OCDE. Dans l’ensemble des pays du groupe G20, le taux sur 12 mois a atteint 7,9% en mars, contre 11,3% au Brésil ; voir classement). Disponible sur le site Web <https://www.ibet.com.br/brasil-tem-3a-maior-inflacao-entre-as-grandes-economias-mostra-ocde-na-conjunto-de-paises-do-grupo-g20-taxa-em-12-meses-atingiu-79-em-marco-contra-113-no-brasil-veja-ranking/>]. L’inflation actuelle s’explique par la désorganisation de la production mondiale causée par la pandémie du nouveau coronavirus et par les sanctions économiques occidentales contre la Russie pour la guerre en Ukraine, qui ont entraîné des problèmes d’approvisionnement pour le monde entier en carburant, nourriture et intrants de Russie et d’Ukraine, principaux fournisseurs mondiaux.

Avant la guerre, la Russie et l’Ukraine étaient responsables de 30 % des exportations mondiales de blé. De plus, aux côtés de la Biélorussie, les Russes représentaient 40 % des ventes d’engrais dans le monde. Maintenant, les prix des céréales, du maïs et des engrais augmentent. Le prix du blé sur le marché mondial a augmenté de près de 60 %. En Afrique et au Moyen-Orient, les approvisionnements s’amenuisent. La directrice générale du Fonds monétaire international (FMI), Kristalina Georgieva, a estimé que la guerre de la Russie contre l’Ukraine perturbait le commerce mondial, en particulier dans le domaine de l’énergie et des céréales, qui menace de provoquer une pénurie alimentaire en Afrique et au Moyen-Orient, affaiblissait les perspectives de croissance de la plupart des pays et provoque une inflation élevée dangereuse pour l’économie mondiale [VALOR. Guerra na Ucrânia e inflação são ‘perigo’ para economia global e vão gerar mais fome, diz FMI (La guerre en Ukraine et l’inflation sont un « danger » pour l’économie mondiale et généreront plus de faim, selon le FMI). Disponible sur le site Web <https://valor.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2022/04/14/guerra-na-ucrania-e-inflacao-sao-perigo-para-economia-global-e-vao-gerar-mais-fome-diz-fmi.ghtml>]. Elle affirme que l’inflation chroniquement élevée oblige les banques centrales du monde entier à augmenter les taux d’intérêt, ralentissant la croissance économique, ce qui constitue un revers majeur pour la reprise mondiale. Georgieva affirme que la menace d’une rupture de la coopération mondiale ne peut être sous-estimée.

Une partie des perturbations est due à la guerre de la Russie contre l’Ukraine, mais une autre partie est due aux sanctions occidentales contre la Russie, qui ont surtout fait grimper les prix du pétrole sur le marché international. Et les sanctions économiques contre la Russie ne doivent pas mettre fin à la guerre. L’effet principal est l’inflation. La rareté du carburant, de la nourriture et des fournitures dans le monde a contribué à l’insuffisance de l’approvisionnement de ces produits, entraînant la hausse vertigineuse de leurs prix sur le marché international, impactant l’économie de tous les pays du monde. C’est donc un problème d’inflation de la demande qui, pour être résolu, nécessiterait une planification globale et coordonnée de l’augmentation de la production des produits rares dans tous les pays producteurs pour faire baisser leurs prix. Ce serait la solution qui empêcherait l’effondrement de la mondialisation économique et financière contemporaine. Cependant, il ne serait possible que s’il existait une entité exerçant une gouvernance mondiale pour coordonner l’action des pays producteurs en vue d’augmenter la production des produits rares. Cette entité n’existe pas sur la planète et ne serait pas mise en place car elle serait incompatible avec le modèle néolibéral prévalant dans l’ensemble de l’économie mondiale dont les idéologues n’admettent pas l’intervention de l’État dans l’économie. De ce fait, l’inflation de la demande de produits rares devrait persister, alimentant également l’inflation des coûts de production des autres produits.

L’inflation des coûts de production des produits en général se produit simultanément avec l’inflation de la demande de produits rares. Cette inflation se produit lorsqu’il y a une augmentation des coûts de production (machines, matières premières, intrants, main-d’œuvre et taxes) d’autres produits. L’inflation des coûts de production peut être générée en augmentant n’importe lequel des coûts de production tels que les salaires, les machines, les matières premières, les intrants ou les taxes. Avec l’augmentation des coûts de production, la réaction des producteurs est d’augmenter le prix des produits et services, qui devient plus élevé pour le consommateur final. Par conséquent, dans ces circonstances, l’économie mondiale est également confrontée à une inflation des coûts de production. Quelle serait la manière rationnelle d’éliminer l’inflation des coûts de production dans le monde ? Pour éliminer l’inflation des coûts de production, les gouvernements de tous les pays du monde devraient adopter des mesures pour encourager une productivité accrue afin d’éviter la hausse des prix des salaires, des matières premières et des intrants et de réduire les taxes sur les produits. Ce type d’initiative serait incompatible avec le modèle néolibéral prévalant dans l’ensemble de l’économie mondiale, qui n’admet pas l’intervention de l’État dans l’économie. Au lieu d’adopter ces mesures, les gouvernements agissent pour augmenter les taux d’intérêt, ce qui, en plus de ne pas faire baisser efficacement l’inflation, contribue à plonger leurs économies dans la récession. La récession mondiale sera la conséquence naturelle de la hausse des taux d’intérêt adoptée par tous les pays du monde. L’inflation mondiale et la récession mondiale amèneront le monde à faire face à la stagflation mondiale et conduiront de nombreux gouvernements nationaux à abandonner la mondialisation néolibérale.

Le secrétaire général de l’ONU, António Guterres, a déclaré que la guerre entre la Russie et l’Ukraine avait exacerbé un certain nombre de problèmes pour l’économie mondiale. L’inflation augmente, le pouvoir d’achat s’érode, les perspectives de croissance s’affaiblissent et le développement stagne. António Guterres a ajouté que de nombreux pays en développement “s’enfoncent dans l’endettement” dans un contexte de hausse des taux d’intérêt sur les obligations souveraines. Cela provoque un cercle vicieux potentiel d’inflation et de stagnation, la soi-disant stagflation [CNN BRÉSIL. Guerra na Ucrânia exacerba desafios da economia global, como inflação, diz ONU (La guerre en Ukraine exacerbe les défis économiques mondiaux tels que l’inflation, selon l’ONU). Disponible sur le site Web <https://www.cnnbrasil.com.br/business/guerra-na-ucrania-exacerba-desafios-da-economia-global-como-inflacao-diz-onu/?amp>].

Les signes de l’effondrement de la mondialisation économique et financière se manifestaient déjà à partir de 2010 lorsque le rapport entre les exportations mondiales et le PIB mondial a chuté d’environ 12 %, une baisse sans précédent depuis les années 1970. Dans la Figure 1, on peut observer que la mondialisation a évolué de 1870 à 1914, a diminué entre 1914 et 1945 (entre-deux-guerres) et a repris de 1945 à 2008. À partir de 2008, la mondialisation a commencé à décliner avec la chute du rapport entre les exportations mondiales et le PIB mondial. L’inflation avec la récession mondiale actuelle devrait encore aggraver le déclin du processus de mondialisation.

Figure 1- Rapport entre les exportations totales et le PIB mondial entre 1870 et 2007

Source : https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, économiste, co-éditeur, entre autres livres, de “The Great Recession : a Marxist View”, “The Long Depression” et “Marx 200 : a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” et auteur du blog « La prochaine récession » (https://thenextrecession.wordpress.com), déclare dans son article Acabou o impulso de globalização? (La mondialisation est-elle terminée?), disponible sur le site <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, que la dernière vague de mondialisation a commencé à s’estomper sous peu avant le début des années 2000, lorsque la rentabilité mondiale a commencé à baisser, comme le montre la figure 2 ci-dessous pour le taux de profit moyen des pays du G20, qui est composé des pays de l’Union européenne, en plus des pays suivants : Argentine, Australie , Brésil, Canada, Chine, France, Allemagne, Inde, Indonésie, Italie, Japon, République de Corée, Mexique, Russie, Arabie saoudite, Afrique du Sud, Turquie, Royaume-Uni et États-Unis

Figure 2- Taux de profit moyen des pays du G20 (%)

Source : https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

La fin de la mondialisation économique et financière représentée par la relation entre les exportations mondiales et le PIB mondial peut intervenir, non seulement en raison de la stagflation mondiale, mais aussi en raison de la baisse du taux de rentabilité mondial, comme le montre la figure 2. Elle devrait À noter qu’à partir des années 1980, la mondialisation a signifié la suppression des barrières tarifaires, des quotas et autres restrictions commerciales, permettant ainsi aux multinationales d’opérer librement et de transférer leurs investissements vers des zones de main-d’œuvre bon marché afin d’accroître leur rentabilité. L’hypothèse était que cela conduirait à l’expansion mondiale et au développement harmonieux des forces productives et à la croissance des ressources mondiales, ce qui, en fait, ne s’est pas produit. Dans les années 1990, le commerce mondial a augmenté de 6,2 % par an, les investissements directs étrangers (IDE) ont augmenté de 15,3 % par an et le PIB mondial a augmenté de 3,8 % par an. Mais au cours de la longue dépression des années 2010, le commerce n’a augmenté que de 2,7 % par an, soit moins que le PIB de 3,1 %, tandis que les IDE n’ont augmenté que de 0,8 % par an. Le résultat de la mondialisation a été la destruction de toutes les anciennes industries nationales établies et, à la place de l’ancienne autosuffisance locale et nationale, l’interdépendance entre les nations s’est établie. L’interdépendance entre les nations, qui était l’une des forces de la mondialisation, est aujourd’hui son contraire, contribuant à la propagation de l’inflation dans tous les pays de la planète.

On peut dire que la mondialisation économique et financière et le libre-échange n’ont pas profité à toutes les entreprises et à tous les pays et à leurs populations. Sous la libre circulation des capitaux appartenant aux sociétés transnationales, ainsi que sous le libre-échange sans tarifs ni restrictions, les grands capitaux les plus efficaces ont triomphé aux dépens des plus faibles et des plus inefficaces. En conséquence, les travailleurs de ces derniers secteurs ont également été touchés. Les sociétés transnationales ont déplacé leurs activités vers des zones où la main-d’œuvre était moins chère et ont adopté de nouvelles technologies nécessitant moins de main-d’œuvre dans la lutte pour la rentabilité. Au lieu d’un développement harmonieux et égalitaire, la mondialisation a accru l’inégalité des richesses et des revenus, tant entre les nations qu’au sein de celles-ci. Avec l’effondrement de la mondialisation, il est peu probable que le capitalisme retrouve un nouveau souffle basé sur une rentabilité croissante et soutenue. Il est peu probable que le capitalisme retrouve sa rentabilité passée face à la perspective d’une aggravation de la crise actuelle et peut-être de nouvelles guerres à l’avenir. Cela signifie que chaque pays du monde doit promouvoir son développement axé sur son marché intérieur avec l’adoption de politiques économiques national développementaliste afin de ne pas subir le même effondrement que la mondialisation économique et financière.

* Fernando Alcoforado, 82, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018),  Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

GLOBAL INFLATION AND THE COLLAPSE OF GLOBALIZATION

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the current inflation in the world economy can lead to the collapse of contemporary economic and financial globalization. Inflation is defined as the continuous, persistent and widespread increase in prices in general. Economic and financial globalization is defined as the economic interdependence between countries around the world, resulting from an increasing volume and variety of cross-border transactions in goods and services, as well as greater mobility of factors of production, including a wide range of international diffusion of capital and technology. With the persistence of inflation, economic and financial globalization will collapse because the world does not have a global governance capable of coordinating the action of countries in the fight against inflation and the world economy will be affected by the recession resulting from the increase in interest rates adopted by the governments of all countries in the world to control it. Global inflation and global recession will cause the world to face global stagflation that will lead to the collapse of economic and financial globalization when many national governments will abandon it so as not to be driven, too, into economic collapse.

Inflation in the set of OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) countries, which are 38 in total, reached 8.8% in March 2022 in 12 months, compared to 2.4% in March 2021. According to the OECD, it was the sharpest increase since October 1988. About one-fifth of OECD countries recorded double-digit inflation, with the highest rate in Turkey. Inflation measured by the Broad National Consumer Price Index (IPCA) reached 11.3% in the 12 months through March 2022 in Brazil. In Turkey, the rate is 61.1% and in Argentina, 55.1%. OECD report shows that Brazil has the third highest inflation among the G20 countries, a group of the largest economies in the world, behind only Turkey and Argentina [IBET. Brasil tem 3ª maior inflação entre as grandes economias, mostra OCDE. Na conjunto de países do grupo G20, taxa em 12 meses atingiu 7,9% em março, contra 11,3% no Brasil; veja ranking (Brazil has the 3rd highest inflation among large economies, shows OECD. In the group of countries in the G20 group, the 12-month rate reached 7.9% in March, against 11.3% in Brazil; see ranking). Available on the website <https://www.ibet.com.br/brasil-tem-3a-maior-inflacao-entre-as-grandes-economias-mostra-ocde-na-conjunto-de-paises-do-grupo-g20-taxa-em-12-meses-atingiu-79-em-marco-contra-113-no-brasil-veja-ranking/>]. The current inflation can be explained by the disorganization of world production caused by the pandemic of the new coronavirus and by the western economic sanctions against Russia for the war in Ukraine, which resulted in problems in the supply for the whole world of fuel, food and inputs both from Russia and from Ukraine, major world suppliers.

Before the war, Russia and Ukraine were responsible for 30% of global wheat exports. In addition, alongside Belarus, Russians accounted for 40% of fertilizer sales worldwide. Now the prices of grains, corn and fertilizers are rising. The price of wheat on the global market rose by almost 60%. In Africa and the Middle East supplies are running low. International Monetary Fund (IMF) Managing Director Kristalina Georgieva considered that Russia’s war against Ukraine is causing disruption to global trade, particularly in energy and grain, that threatens to cause a food shortage in Africa and the Middle East, weakens the growth prospects of most countries and causes high inflation dangerous for the global economy [VALOR. Guerra na Ucrânia e inflação são ‘perigo’ para economia global e vão gerar mais fome, diz FMI [War in Ukraine and inflation are ‘danger’ to global economy and will generate more hunger, says IMF). Available on the website <https://valor.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2022/04/14/guerra-na-ucrania-e-inflacao-sao-perigo-para-economia-global-e-vao-gerar-mais-fome-diz-fmi.ghtml>]. She claims that chronically high inflation is forcing central banks around the world to raise interest rates, slowing economic growth, which amounts to a major setback for the global recovery. Georgieva says the threat of a breakdown in global cooperation cannot be underestimated.

Part of the disturbances is due to Russia’s war against Ukraine, but another part is due to Western sanctions against Russia, which have pushed up, above all, oil prices on the international market. Economic sanctions against Russia must not end the war. The main effect is inflation. The scarcity of fuel, food and supplies around the world contributed to the insufficiency in the supply of these products, resulting in the vertiginous rise of their prices in the international market, affecting the economy of all countries in the world. It is, therefore, a problem of demand inflation that, in order to be solved, there would need to be a global and coordinated planning of the increase in the production of scarce products in all producing countries to force their prices down. This would be the solution that would prevent the collapse of contemporary economic and financial globalization. However, it would only be possible if there was an entity exercising global governance to coordinate the action of producing countries with a view to increasing the production of scarce products. This entity does not exist on the planet and would not be implemented because it would be incompatible with the neoliberal model prevailing throughout the world economy whose ideologues do not admit the government intervention in the economy. In view of this fact, the inflation of demand for scarce products should continue feeding, also, the inflation of the production costs of other products.

Inflation in the production costs of products in general is occurring simultaneously with the inflation of demand for scarce products. This inflation occurs when there is an increase in production costs (machinery, raw materials, inputs, labor and taxes) of other products. Production cost inflation can be generated by increasing any of the production costs such as wages, machinery, raw materials, inputs or taxes. With the increase in production costs, the reaction of producers is to increase the price of products and services, which becomes higher for the final consumer. Therefore, under these circumstances, the world economy is also faced with an inflation of production costs. What would be the rational way to eliminate production cost inflation in the world? To eliminate production cost inflation, governments of all countries in the world should adopt measures to encourage increased productivity to avoid rising prices for wages, raw materials and inputs and to reduce taxes on products. This type of initiative would be incompatible with the neoliberal model prevailing throughout the world economy, which does not admit government intervention in the economy. Instead of adopting these measures, governments act to increase interest rates that, in addition to not effectively lowering inflation, contributes to bringing their economies into recession. The global recession will be the natural consequence of the increase in interest rates adopted by all countries in the world. Global inflation and global recession will cause the world to face global stagflation and will lead many national governments to abandon neoliberal globalization.

UN Secretary-General António Guterres said the war between Russia and Ukraine exacerbated a number of problems for the global economy. Inflation is rising, purchasing power is eroding, growth prospects are weakening and development is stalling. Guterres added that many developing countries are “running into debt” amid escalating sovereign bond yields. This is causing a potential vicious cycle of inflation and stagnation, the so-called stagflation [CNN BRAZIL. Guerra na Ucrânia exacerba desafios da economia global, como inflação, diz ONU (War in Ukraine exacerbates global economic challenges such as inflation, says UN). Available on the website <https://www.cnnbrasil.com.br/business/guerra-na-ucrania-exacerba-desafios-da-economia-global-como-inflacao-diz-onu/?amp>].

he signs of the collapse of economic and financial globalization were already showing from 2010 when the ratio between world exports and world GDP fell by around 12%, a decline not seen since the 1970s. It can be observed that globalization evolved from 1870 to 1914, declined between 1914 and 1945 (between world wars) and resumed from 1945 to 2008. As of 2008, globalization began to decline with the fall in the ratio between world exports and GDP world. Inflation with the current world recession is expected to further exacerbate the decline in the globalization process.

Figure 1- Ratio between total exports and world GDP between 1870 and 2007

Source: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, économiste, co-éditeur, entre autres livres, de “The Great Recession : a Marxist View”, “The Long Depression” et “Marx 200 : a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” et auteur du blog « La prochaine récession » (https://thenextrecession.wordpress.com), states in his article Acabou o impulso de globalização? (Is the globalization impulse over?), available on the website <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, that the last wave of globalization began to subside shortly before of the early 2000s, when global profitability began to decline, as shown in Figure 2 below for the average profit rate of the G20 countries, which is composed of the countries of the European Union, in addition to the following countries: Argentina, Australia, Brazil , Canada, China, France, Germany, India, Indonesia, Italy, Japan, Republic of Korea, Mexico, Russia, Saudi Arabia, South Africa, Turkey, United Kingdom and United States

Figure 2- Average profit rate of the G20 countries (%)

Source: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

The end of economic and financial globalization represented by the relationship between world exports and world GDP may occur, not only due to world stagflation, but also because of the fall in the global profitability rate ratio, as shown in Figure 2. It should be noted that From the 1980s onwards globalization meant the breaking of tariff barriers, quotas and other trade restrictions, thus allowing multinationals to operate freely and transfer their investments to areas of cheap labor in order to increase profitability. The assumption was that this would lead to global expansion and the harmonious development of the productive forces and growth of the world’s resources that, in fact, did not happen. In the 1990s, world trade grew by 6.2% per year, foreign direct investment (FDI) increased by 15.3% per year, and global GDP rose by 3.8% per year. However, in the long depression of the 2010s, trade grew by just 2.7% a year, slower than GDP by 3.1%, while FDI increased by just 0.8% a year. The result of globalization has been the destruction of all the old established national industries and, in place of the old local and national self-sufficiency, interdependence between nations has been established. The interdependence between nations, which was one of the strengths of globalization, has now turned into its opposite, contributing to the spread of inflation in every country on the planet.

It can be said that economic and financial globalization and free trade have not brought gains for all companies, all countries, and their populations. Under the free movement of capital belonging to transnational corporations, as well as under free trade without tariffs and restrictions, the most efficient large capitals triumphed at the expense of the weakest and most inefficient. As a result, workers in these latter sectors were also affected. Transnational corporations moved their activities to areas where labor was cheaper and adopted new technologies that require less labor in the struggle for profitability. Instead of harmonious and egalitarian development, globalization has increased inequality of wealth and income, both between and within nations. With the collapse of globalization, it is unlikely that capitalism will gain a new lease of life based on growing and sustained profitability. Capitalism is unlikely to regain past profitability in the face of the prospect of a deepening current crisis and perhaps more wars in the future. The collapse of economic and financial globalization is inevitable. This means that each country in the world should promote its development aimed at its internal market with the adoption of national developmentalist economic policies so as not to suffer the same collapse that economic and financial globalization will have.

* Fernando Alcoforado, 82, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and IPB – Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

A INFLAÇÃO MUNDIAL E O COLAPSO DA GLOBALIZAÇÃO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a inflação em curso atualmente na economia mundial pode levar ao colapso da globalização econômica e financeira contemporânea. A inflação é definida como o aumento contínuo, persistente e generalizado nos preços em geral.  A globalização econômica e financeira é definida como a interdependência econômica entre os países ao redor do mundo, resultante de um volume e variedade crescentes de transações de bens e serviços através das fronteiras, bem como de uma maior mobilidade de fatores de produção, incluindo uma ampla difusão internacional de capitais e tecnologia. Com a persistência da inflação, a globalização econômica e financeira será levada ao colapso porque o mundo não conta com uma governança global capaz de coordenar a ação dos países no combate à inflação e a economia mundial ser afetada pela recessão resultante do aumento das taxas de juros adotado pelos governos de todos os países do mundo para controlá-la.  Inflação global e recessão global farão com que o mundo se defronte com a estagflação global que levará ao colapso da globalização econômica e financeira quando muitos governos nacionais a abandonarão para não serem levados, também, ao colapso econômico.

A inflação no conjunto de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que são 38 no total, alcançou em 12 meses 8,8% em março de 2022, em comparação com 2,4% em março de 2021. Segundo a OCDE, foi o aumento mais acentuado desde outubro de 1988. Cerca de um quinto dos países que integram a OCDE registraram inflação de dois dígitos, com a taxa mais alta na Turquia. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 11,3% no acumulado em 12 meses até março de 2022 no Brasil. Na Turquia, o índice é de 61,1% e na Argentina, 55,1%. Relatório da OCDE mostra que o Brasil tem a terceira maior inflação entre os países do G20, grupo das maiores economias do mundo, atrás apenas da Turquia e Argentina [IBET. Brasil tem 3ª maior inflação entre as grandes economias, mostra OCDE. Na conjunto de países do grupo G20, taxa em 12 meses atingiu 7,9% em março, contra 11,3% no Brasil; veja ranking. Disponível no website <https://www.ibet.com.br/brasil-tem-3a-maior-inflacao-entre-as-grandes-economias-mostra-ocde-na-conjunto-de-paises-do-grupo-g20-taxa-em-12-meses-atingiu-79-em-marco-contra-113-no-brasil-veja-ranking/>). Explica-se a inflação atual pela desorganização da produção mundial provocada pela pandemia do novo coronavirus e pelas sanções econômicas ocidentais contra a Rússia pela guerra na Ucrânia das quais resultaram problemas no suprimento para todo o mundo de combustíveis, de alimentos e insumos tanto da Rússia quanto da Ucrânia, grandes fornecedores mundiais.

Antes da guerra, Rússia e Ucrânia eram responsáveis por 30% das exportações globais de trigo. Além disso, ao lado de Belarus, os russos respondiam por 40% das vendas de fertilizantes em todo o mundo. Agora, os preços dos grãos, do milho e fertilizantes estão subindo. O preço do trigo no mercado global subiu quase 60%. Na África e no Oriente Médio os suprimentos estão acabando. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva considerou que a guerra da Rússia contra a Ucrânia está causando transtornos no comércio global, principalmente de energia e grãos, que ameaça causar uma escassez de alimentos na África e no Oriente Médio, enfraquece as perspectivas de crescimento da maioria dos países e provoca alta da inflação perigosa para a economia global (VALOR. Guerra na Ucrânia e inflação são ‘perigo’ para economia global e vão gerar mais fome, diz FMI. Disponível no website <https://valor.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2022/04/14/guerra-na-ucrania-e-inflacao-sao-perigo-para-economia-global-e-vao-gerar-mais-fome-diz-fmi.ghtml>). Ela afirma que a inflação cronicamente alta está forçando bancos centrais em todo o mundo a aumentar as taxas de juros, desacelerando o crescimento econômico, o que equivale a um grande revés para a recuperação global. Georgieva afirma que a ameaça de um colapso na cooperação global não pode ser subestimada.

Parte dos distúrbios se deve à guerra da Rússia contra a Ucrânia, mas outra parte se dá por causa das sanções do Ocidente contra a Rússia, que puxaram para cima, sobretudo, os preços do petróleo no mercado internacional. E as sanções econômicas contra a Rússia não devem acabar com a guerra. O efeito principal é a inflação. A escassez de combustíveis, de alimentos e insumos em todo o mundo contribuiu para a insuficiência na oferta destes produtos dela resultando a subida vertiginosa de seus preços no mercado internacional impactando sobre a economia de todos os países do mundo. Trata-se, portanto, de um problema de inflação de demanda que para ser solucionada precisaria haver o planejamento global e coordenado do aumento da produção dos produtos escassos em todos os países produtores para forçar a baixa dos seus preços. Esta é que seria a solução que impediria o colapso da globalização econômica e financeira contemporânea. No entanto, ela só seria possível se existisse uma entidade que exercesse a governança mundial para coordenar a ação dos países produtores visando o aumento da produção dos produtos escassos. Esta entidade não existe no planeta e não seria implantada porque seria incompatível com o modelo neoliberal imperante em toda a economia mundial cujos ideólogos não admitem a intervenção governamental na economia. Diante deste fato, a inflação de demanda dos produtos escassos deverá persistir alimentando, também, a inflação dos custos de produção dos demais produtos.      

A Inflação dos custos de produção dos produtos em geral está ocorrendo simultaneamente com a inflação de demanda dos produtos escassos. Esta inflação ocorre quando há aumento nos custos de produção (maquinário, matéria-prima, insumos, mão-de-obra e impostos) dos demais produtos. A Inflação dos custos de produção pode ser gerada pelo aumento de qualquer um dos custos de produção como: salários, maquinário, matérias-primas, insumos ou impostos. Com o aumento dos custos de produção, a reação dos produtores consiste em aumentar o preço dos produtos e serviços que fica mais elevado para o consumidor final. Portanto, nessas circunstâncias, a economia mundial se depara, também, com uma inflação de custos de produção. Qual seria a forma racional de eliminar a inflação de custos de produção no mundo? Para eliminar a inflação de custos de produção, os governos de todos os países do mundo deveriam adotar medidas para incentivar o aumento da produtividade para evitar o aumento dos preços dos salários, matérias-primas e insumos e reduzir os impostos incidentes sobre os produtos. Este tipo de iniciativa seria incompatível com o modelo neoliberal imperante em toda a economia mundial que não admite a intervenção governamental na economia. Ao invés de adotar essas medidas, os governos atuam para aumentar as taxas de juros que, além de não baixar efetivamente a inflação, contribui para levar suas economias à recessão. A recessão mundial será a consequência natural do aumento das taxas de juros adotado por todos os países do mundo.  Inflação global e recessão global farão com que o mundo se  defronte com a estagflação global levará muitos governos nacionais a abandonarem a globalização neoliberal.

O secretário-geral da ONU, António Guterres afirmou que a guerra entre Rússia e Ucrânia exacerba uma série de problemas para a economia global. A inflação está subindo, o poder de compra está erodindo, os prospectos de crescimento estão enfraquecendo e o desenvolvimento está se estagnando. Guterres acrescentou que muitos países em desenvolvimento estão “afundando em dívidas”, em meio à escalada dos juros de títulos soberanos. Isso está causando um potencial ciclo vicioso de inflação e estagnação, a chamada estagflação (CNN BRASIL. Guerra na Ucrânia exacerba desafios da economia global, como inflação, diz ONU. Disponível no website <https://www.cnnbrasil.com.br/business/guerra-na-ucrania-exacerba-desafios-da-economia-global-como-inflacao-diz-onu/?amp>).

Os sinais do colapso da globalização econômica e financeira já estavam se apresentando a partir de 2010 quando a relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial caiu cerca de 12%, um declínio não visto desde a década de 1970. Na Figura 1, pode-se observar que a globalização evoluiu de 1870 a 1914, decaiu entre 1914 e 1945 (entre guerras mundiais) e retomou 1945 a 2008. A partir de 2008, a globalização passou a apresentar declínio com a queda na relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial. A inflação com recessão mundial atual deverá agravar ainda mais a queda no processo de globalização.

Figura 1- Razão entre exportações totais e o PIB mundial entre 1870 e 2007

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, economist, co-editor, entre outros livros, de “The Great Recession: a Marxist View”, “The Long Depression” e “Marx 200: a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” e autor do blog “The Next Recession” (https://thenextrecession.wordpress.com), afirma em seu artigo Acabou o impulso de globalização?, disponível no website <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, que a última onda de globalização começou a diminuir pouco antes do início dos anos 2000, quando a lucratividade global passou a recuar, tal como mostra a Figura 2 abaixo para a taxa de lucro médio dos países do G20 que é composto pelos países da União Europeia, além dos seguintes países: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos

Figura 2- Taxa de lucro média dos países do G20 (%)

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

O fim da globalização econômica e financeira representada pela relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial poderá ocorrer, não apenas devido à estagflação mundial, mas também em consequência da queda na relação da taxa de lucratividade global conforme mostra a Figura 2. Cabe observar que globalização significou a partir de 1980 a quebra de barreiras tarifárias, cotas e outras restrições comerciais, permitindo assim que as multinacionais operassem livremente e transferissem os seus investimentos para áreas de mão de obra barata com a finalidade de aumentar a lucratividade. O pressuposto foi o de que isso levaria à expansão global e ao desenvolvimento harmonioso das forças produtivas e ao crescimento dos recursos do mundo que, de fato, não aconteceu. Na década de 1990, o comércio mundial cresceu 6,2% ao ano, o investimento direto estrangeiro (IDE) aumentou 15,3% ao ano e o PIB global se elevou em 3,8% ao ano. Mas, na longa depressão da década de 2010, o comércio cresceu apenas 2,7% ao ano, mais lento do que o PIB em 3,1%, enquanto o IDE aumentou apenas 0,8% ao ano. O resultado da globalização tem sido a destruição de todas as antigas indústrias nacionais estabelecidas e, no lugar da antiga autossuficiência local e nacional se estabeleceu a interdependência entre as nações. A interdependência entre as nações que era um dos pontos fortes da globalização se constitui agora no seu contrário ao contribuir para a disseminação da inflação em todos os países do planeta.   

Pode-se afirmar que a globalização econômica e financeira e o livre comércio não trouxeram ganhos para todas as empresas e todos os países e suas populações. Sob a livre circulação de capitais pertencentes às transnacionais, assim como sob o livre comércio sem tarifas e restrições, os grandes capitais mais eficientes triunfaram às custas dos mais fracos e ineficientes. Em consequência, os trabalhadores desses últimos setores foram também atingidos. As corporações transnacionais transferiram suas atividades para áreas em que a mão de obra era mais barata e adotaram novas tecnologias que exigem menos mão de obra na luta pela lucratividade. Em vez de um desenvolvimento harmonioso e igualitário, a globalização aumentou a desigualdade de riqueza e renda, tanto entre as nações quanto dentro delas. Com o colapso da globalização, é pouco provável que o capitalismo ganhe um novo sopro de vida baseado em lucratividade crescente e sustentada. É improvável que o capitalismo retome a lucratividade do passado diante da perspectiva de aprofundamento da crise atual e talvez de mais guerras no futuro. É inevitável o colapso da globalização econômica e financeira. Isto significa dizer que cada país do mundo deve promover seu desenvolvimento voltado para seu mercado interno com a adoção de políticas econômicas nacional desenvolvimentistas para não sofrer o mesmo colapso que terá a globalização econômica e financeira. 

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

COMO SUPERAR A VULNERABILIDADE DO BRASIL COM A ELEVAÇÃO DOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo propor soluções para superar a vulnerabilidade do Brasil com a elevação dos preços dos combustíveis que resultou de erros estratégicos cometidos por diversos governos brasileiros ao longo da história do setor de petróleo no País começando com a quebra do monopólio estatal do petróleo e abertura do capital da Petrobras ao capital privado, especialmente estrangeiro, em 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso, o desinvestimento dos ativos da Petrobras e o atrelamento da política de preços dos combustíveis no mercado brasileiro ao preço do barril de petróleo no mercado internacional e à variação do dólar em relação ao real, em 2016 pelo governo Michel Temer, e a inexistência de uma política de expansão da capacidade de refino para processar petróleo produzido no Brasil pelos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Tudo isto contribuiu para tornar o Brasil vulnerável à elevação dos preços do barril de petróleo e de seus derivados no mercado internacional com suas repercussões no mercado interno.    

Em 2021, os preços da gasolina e do diesel subiram mais de 80% em dólares no mercado internacional. Em junho de 2022, o preço do barril de petróleo alcançou US 120 com um aumento de 61%. Este é o preço que a Petrobras vem pagando para importar gasolina e óleo diesel por não ser autossuficiente em refino de derivados de petróleo. O problema atual da elevação dos preços dos combustíveis poderia ter sido evitado no Brasil se o País, que é autossuficiente na produção de petróleo com o pre-sal, possuísse capacidade de refino de derivados de petróleo suficiente para atender a demanda. O Brasil tem 17 refinarias de petróleo com capacidade para processar 2,4 milhões de barris por dia. Treze dessas refinarias pertencem à Petrobras que respondem por 98,2% da capacidade total. Atualmente, a extração de petróleo no Brasil é suficiente para atender à demanda nacional, até porque se produz mais petróleo do que se consome. O problema é que o parque de refino do Brasil ainda não é capaz de refinar grande parte do petróleo produzido no País nem de suprir a demanda interna por outros derivados o que faz com que exporte petróleo e importe derivados de petróleo.  

O Brasil produz 2,9 milhões de barris de petróleo por dia que seria mais do que suficiente para produzir derivados no País para atender seu consumo. No entanto, para dispor de derivados de petróleo, é preciso refiná-lo para transformá-lo em gasolina e diesel, entre outros derivados. Lamentavelmente, o Brasil não tem refinarias com capacidade suficiente para processar o petróleo produzido no país. Este é um dos fatores que fizeram com que o Brasil ficasse dependente do suprimento de derivados de petróleo do mercado internacional. Isto se deve ao fato de as refinarias da Petrobras em operação no país terem sido projetadas para trabalhar com óleo leve, fácil de refinar, oriundo da Arábia Saudita que era a nossa fonte quando éramos grandes importadores de petróleo. Este fato obriga o Brasil a importar gasolina e óleo diesel para atender a demanda cujos preços são determinados no mercado internacional de commodities.  

Cabe observar que boa parte das refinarias brasileiras foi construída na década de 1970, quando o petróleo importado era do tipo leve. Com a descoberta e a extração de petróleo na Bacia de Campos, as refinarias precisaram passar por um processo de adaptação para refinar o petróleo brasileiro, do tipo mais pesado. Com o pré-sal cujo petróleo é extraído em águas profundas e sem maquinário específico nas refinarias existentes para esse tipo de petróleo, ele passou a ser exportado. Diariamente, mais de 1 milhão de barris de petróleo do pré-sal são enviados para o exterior e o Brasil compra do exterior 170 mil barris por dia de derivados do petróleo. O Brasil foi obrigado a importar derivados do petróleo para compor o blend como é chamada a mistura do petróleo brasileiro do tipo pesado com outros tipos que possibilita o refino. Esta é a explicação para o fato de o Brasil ser autossuficiente em produção de petróleo e ter que importar derivados de petróleo.

Esta situação se agravou porque, com a guerra na Ucrânia e as sanções econômicas contra a Rússia, que restringiram a compra de petróleo deste país, segundo maior produtor de petróleo do mundo, houve queda na oferta de petróleo no mercado internacional que fez com que houvesse a subida dos preços do barril de petróleo e de seus derivados e afetassem os preços dos combustíveis no Brasil haja vista que o País é dependente da importação de derivados de petróleo e os preços dos combustíveis no mercado brasileiro estão atrelados ao preço do barril de petróleo no mercado internacional e à variação do dólar em relação ao real. Os efeitos da elevação dos preços dos combustíveis no Brasil têm sido devastadores porque a Petrobras tem elevado os preços de seus derivados continuamente na medida em que ocorre o aumento dos preços do barril de petróleo no mercado internacional.

Para superar a vulnerabilidade do Brasil com a elevação vertiginosa dos preços dos combustíveis e evitar problemas futuros, é preciso eliminar os erros estratégicos cometidos por diversos governos brasileiros ao longo da história do setor de petróleo no País como a quebra do monopólio estatal do petróleo e a abertura do capital da Petrobras ao capital privado, o atrelamento da política de preços dos combustíveis no mercado brasileiro ao preço do barril de petróleo no mercado internacional e à variação do dólar em relação ao real e a inexistência de uma política de expansão da capacidade de refino para processar petróleo produzido no Brasil adotando as estratégias seguintes:

1) A curto prazo, utilizar os dividendos recebidos pela governo federal na constituição de um fundo para financiamento de subsídios às populações de baixa renda usuárias de GLP, aos caminhoneiros usuários de diesel e aos taxistas e motoristas de aplicativos usuários de gasolina e gás natural veicular.

2) A médio e longo prazo, promover a expansão da capacidade de refino do País para processar todo o petróleo produzido no Brasil, cessar o processo de desinvestimento em curso da Petrobras, retomar o efetivo controle acionário da Petrobras pelo governo brasileiro com o aumento de sua participação acionária na empresa, adotar uma política de preços dos combustíveis baseada nos custos efetivos do petróleo e gás natural produzido no Brasil e não no mercado internacional e recuperar o monopólio estatal do petróleo.

Dessas estratégias, as mais importantes são as que contemplam o aumento da participação acionária do governo federal na Petrobras, a adoção da política de preços dos combustíveis baseada nos custos efetivos do petróleo e gás natural produzido no Brasil e não no mercado internacional e a recuperação do monopólio estatal do petróleo da Petrobras. São estas estratégias que possibilitam evitar que o Brasil se defronte no futuro com os problemas que enfrentam atualmente. O aumento da participação acionária do governo federal na Petrobras é fundamental para que o governo brasileiro tenha o controle da empresa. O controle da Petrobras pelo governo federal nunca foi tão baixo sendo hoje com mais de 40% da empresa controlada por estrangeiros. Essa é uma tendência que vem se confirmando desde 2017, graças à decisão do BNDES e de outros órgãos públicos de vender grandes lotes de ações que possuíam. A Petrobras está hoje mais a serviço dos acionistas privados, especialmente estrangeiros, do que do governo brasileiro. Isto explica o fato de a Petrobras não atender os interesses de seu acionista majoritário, o governo brasileiro, e sim os interesses de seus acionistas privados ao privilegiar seus lucros em detrimento dos interesses do Brasil e de sua população como ocorre no momento com a elevação desmesurada dos preços dos combustíveis no País.   

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

O PLANO DE GOVERNO QUE A BAHIA PRECISA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar o que seria necessário em termos de plano de governo a ser posto em prática imediatamente pelo futuro Governador da Bahia. O plano de governo necessário à Bahia no momento atual deveria ter como objetivo primordial promover a retomada do desenvolvimento econômico e social visando contribuir para eliminar o desemprego, a pobreza e a violência que afetam a vida da grande maioria da população baiana, bem como adotar medidas para lidar com eventos climáticos extremosO plano de governo da Bahia deveria priorizar a solução imediata dos gigantescos problemas sociais que afetam a população baiana há vários anos representados pelo desemprego em massa (1,386 milhão de desempregados e 786 mil de desalentados), o elevado déficit habitacional (555.635 domicílios) que afeta especialmente a população de baixa renda, a precária situação social das populações em situação de rua (20 mil habitantes) e a fome sofrida pela população pobre da Bahia (987 mil pessoas podem ter convivido com a fome em 2019). A violência deve, também se combatida porque a Bahia é o Estado da Federação brasileira que apresenta altos índices de criminalidade superiores aos de outras regiões do Brasil e do mundo. A Bahia foi o estado brasileiro que registrou a maior quantidade de mortes violentas em 2021, conforme mostra o índice nacional de homicídios com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Em números absolutos, a Bahia contabilizou 5.099 mortes violentas (homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) em 2021. 

O desemprego, a pobreza e a violência que afetam a vida da grande maioria da população baiana foram agravados pelo desastroso desempenho da economia brasileira, que está estagnada de 2011 até o presente momento, impactou negativamente sobre a economia da Bahia e comprometeu as finanças do governo do Estado. Uma avaliação isenta do desempenho dos governos estaduais exige que se considere o contexto político, econômico e social do Brasil como um todo. 2011 a 2020 corresponde à pior década da história da economia brasileira em 120 anos. Com recessão e pandemia, o PIB do Brasil teve a pior década em 120 anos. Levantamento da FGV mostra que, entre 2011 e 2020, a economia brasileira registrou um crescimento médio de 0,3% ao ano, pior que o da década de 1980. Ao longo desses 10 anos, o Brasil sofreu a maior recessão de sua história, com o Produto Interno Bruto (PIB) caindo 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. O desemprego disparou, o endividamento das famílias cresceu e o investimento na economia se retraiu. Um dos grandes problemas econômicos do País hoje são as contas públicas, que estão no vermelho desde 2014, impedindo que os governos em todos os seus níveis atuem para superar os problemas do desemprego, da pobreza e da violência. A situação nacional impactou negativamente sobre o desempenho dos governos estaduais como foi o caso da Bahia. A solução dos problemas do desemprego, da pobreza e da violência na Bahia depende das ações que venham a ser desenvolvidas pelo governo da Bahia, mas principalmente pelas medidas que sejam adotadas pelo governo federal para reativar a economia nacional.  Sem reativar a economia nacional, não haverá solução para os problemas do desemprego, da pobreza e da violência na Bahia e no Brasil.  

O plano de governo da Bahia deveria colaborar no esforço do futuro governo federal visando combater o desemprego promovendo o desenvolvimento econômico e social da Bahia para elevar os níveis de emprego e renda da população baiana buscando reverter a retração econômica registrada desde 2017. O PIB da Bahia, que era o sexto maior do país, perdeu participação no ranking nacional, sendo superado por Santa Catarina ao cair para a 7a posição. A Bahia sofreu um processo de desindustrialização porque a indústria baiana reduziu sua participação de 27,1% do total do PIB, em 2010, para 21,8% em 2019. Esta queda resultou, entre outros fatores, da retração da indústria petroquímica e da saída da Ford da Bahia que deixou um rastro de desemprego e devastação na economia de Camaçari. A Bahia também perdeu posição no turismo, uma das principais atividades da base produtiva estadual. No entanto, as exportações baianas apresentaram desempenho positivo porquanto evoluíram de 4,6% do total das exportações brasileiras em 2012 para 14% do total em 2020 se tornando a Bahia o segundo Estado exportador nacional. Para promover a eliminação imediata do desemprego existente na Bahia, o plano de governo da Bahia deveria considerar: 1) a execução de obras federais paralisadas no Estado; 2) a execução de novas obras públicas de infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico) contando com o apoio do futuro governo federal; 3) o incremento das exportações; 4) o incentivo à utilização da capacidade ociosa na indústria que deve ser da ordem de 50%;   5) a atração de investidores para substituir importações do Estado da Bahia; e, 6) reverter a desindustrialização da Bahia com um robusto programa de implantação de indústrias de pequeno e médio portes no interior do Estado. Resultaria desta iniciativa o crescimento econômico da Bahia porque, além do aumento no investimento público e privado, haveria aumento do consumo das famílias contribuindo para a elevação do PIB e dos níveis de emprego e renda da população. Além de reativar a economia para eliminar o desemprego, o plano de governo da Bahia deveria incentivar o desenvolvimento da Economia Social e Solidária, que é um novo modo de produção em que o lucro deixa de ser o principal objetivo e sim a geração de emprego, e o desenvolvimento da Economia Criativa com o estimulo a trabalhos baseados nas tradições culturais de cada região da Bahia e ao crédito para setores criativos da economia como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. A solução dos problemas de desemprego na Bahia depende das ações que venham a ser desenvolvidas pelo governo da Bahia, mas principalmente pelas medidas que sejam adotadas pelo governo federal para reativar a economia nacional.  

O plano de governo da Bahia deveria colaborar no esforço do futuro governo federal no combate à pobreza porque a Bahia é a unidade federativa do Brasil que apresenta o maior número de pobres do Brasil. O agravamento da pobreza na Bahia resultou, entre outros fatores, do desastroso desempenho da economia brasileira, que está estagnada de 2011 até o presente momento, e impactou negativamente sobre a economia da Bahia. A miséria da Bahia só é inferior no Brasil, pela ordem, à do Maranhão, Piauí, Ceará e Alagoas. De 27 Estados que compõem a unidade federativa brasileira, a Bahia encontra-se em quinto lugar em termos de miserabilidade, e essa população, a maioria, vive basicamente na região do Semiárido, mas, também, na Região Metropolitana de Salvador. A pobreza atinge a maior parte da população rural da Bahia. Para eliminar a pobreza na Bahia, a primeira ação a ser implementada consiste na eliminação do desemprego com as estratégias descritas no parágrafo anterior complementada pela adoção pelo futuro governo federal da estratégia de transferência de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre, especialmente aquela situada em condição de extrema pobreza e em situação de rua. O governo da Bahia deveria apoiar o futuro governo federal alocando, também, recursos no financiamento do programa de transferência de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre que é absolutamente necessária porque grande parte dela é inapta para ser incorporada ao mercado do trabalho. Sem a política de transferência de renda básica ou renda mínima universal, a fome passaria a ser sofrida por grande parte da população da Bahia. A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções mais eficazes para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazer frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc. O programa de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família, é um bom exemplo da aplicação da política de renda básica. A política de renda básica para a população pobre traria inúmeras vantagens tais como a redução da criminalidade, melhoria das condições de moradia da população pobre e aumento do consumo de bens e serviços pela população pobre. Esta política proporcionaria como benefício haver menor gasto com a repressão policial e a estrutura carcerária em consequência da redução da criminalidade e dos moradores de rua e a elevação da arrecadação de impostos resultante do aumento do consumo da população pobre. Não haverá paz social na Bahia e no Brasil se não for eliminado o desemprego e não for adotada a política de renda básica para a população pobre. A solução dos problemas da pobreza na Bahia depende das ações que venham a ser desenvolvidas pelo governo da Bahia, mas principalmente pelas medidas que sejam adotadas pelo governo federal para reativar a economia nacional.  

O plano de governo da Bahia deveria colaborar no esforço do futuro governo federal no combate à violência porque a Bahia é o Estado da Federação brasileira que apresenta altos índices de criminalidade superiores aos de outras regiões do Brasil e do mundo. Ao comparar os índices de crime de roubo verificados na Bahia com outras regiões, que tradicionalmente apresentam graves problemáticas de criminalidade, como é caso de São Paulo, constata-se que os índices da Bahia são ainda maiores. Os índices de furto e roubo na Bahia são ainda maiores do que aqueles registrados em São Francisco, Los Angeles e Nova Iorque, cidades consideradas tradicionalmente problemáticas em termos de criminalidade. A Bahia é o segundo Estado do Brasil com maior taxa de morte violenta intencional a cada 100 mil habitantes (44,9). Salvador apresenta taxa de 46,80 homicídios a cada 100 mil habitantes. Estes números superam amplamente o que estabelece a Organizações das Nações Unidas (ONU) como suportável para grandes cidades (12 por 100 mil). Só como comparação: enquanto a taxa de homicídios no Brasil, em 2019, ficou em 21,7 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, São Paulo alcançou 7,3 por 100 mil habitantes. Percebe-se, através de pesquisas, estudos e levantamentos feitos por órgãos competentes, que os países onde a desigualdade social é elevada, registram, também, índices igualmente elevados de outros fatores negativos, tais como violência e criminalidade. A solução dos problemas da violência na Bahia depende das ações que venham a ser desenvolvidas pelo governo da Bahia, mas principalmente pelas medidas que sejam adotadas pelo governo federal para reativar a economia nacional.  

O plano de governo da Bahia deveria colaborar com os esforços do futuro governo federal para reativar a economia nacional adotando estratégias para reativar a economia baiana que se encontra em crise profunda nos últimos anos promovendo o desenvolvimento econômico da Bahia em novas bases, reduzindo seus desequilíbrios de desenvolvimento regional, superando as fragilidades existentes em seus sistemas de saúde pública e de saneamento básico, solucionando os gigantescos problemas que afetam a educação básica e o ensino superior, solucionando o problema da escassez hídrica no semiárido da Bahia e adotando medidas preventivas de enfrentamento de eventos climáticos extremos para evitar suas consequências danosas para a população e para a economia da Bahia. O plano de governo da Bahia deveria ser sistêmico e estratégico e formulado em conjunto com representantes dos setores produtivos, de prefeituras e da Sociedade Civil organizada visando a elevação dos níveis de emprego e renda da população. Este plano deveria dotar a Bahia de uma estratégia de desenvolvimento que assegure o desenvolvimento de cada município, de cada região e do Estado da Bahia como um todo e integrar ainda mais a economia da Bahia com a região Nordeste e com o País. Para reativar a economia baiana, o governo da Bahia deve contar com o apoio do futuro governo federal.

O plano de governo da Bahia deveria adotar estratégias para reduzir os desequilíbrios de desenvolvimento regional integrando os polos de crescimento e desenvolvimento da Bahia (Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itapetinga, Lençóis, Jequié, Ilhéus, Itabuna, Porto Seguro, Eunápolis, Teixeira de Freitas, Juazeiro, Irecê, Guanambi, Bom Jesus da Lapa, Barreiras, entre outros) a serem ligados uns aos outros, por estradas (rodovias, ferrovias e hidrovias), aproveitando o potencial de desenvolvimento endógeno de cada município e de cada região e viabilizando suas interligações econômicas e com outras regiões do Brasil e do exterior. A superação dos desequilíbrios de desenvolvimento regional da Bahia deve buscar a superação de três grandes problemas os quais estão discriminados a seguir: 1) Concentração econômica excessiva na RMS – Região Metropolitana de Salvador; 2) Retração econômica no desenvolvimento da região cacaueira; 3) Subdesenvolvimento da região semiárida. Todo o esforço do governo do Estado deve ser dedicado em descentralizar o processo de desenvolvimento da Bahia. Só assim será possível reduzir o desequilíbrio existente atualmente no desenvolvimento das diversas regiões da Bahia. A integração econômica do Estado da Bahia requer a descentralização administrativa do governo do Estado através da criação de estruturas de desenvolvimento regional que articulem as ações dos governos federal, estadual e municipal em suas diversas regiões. Essas estruturas de desenvolvimento regional deveriam ser implantadas em Alagoinhas, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Feira de Santana, Guanambi, Ilhéus, Irecê, Itabuna, Itapetinga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Santo Amaro, Senhor do Bonfim, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. Para reduzir os desequilíbrios de desenvolvimento regional, o governo da Bahia deve contar com o apoio do futuro governo federal.  

O plano de governo da Bahia deveria adotar estratégias para superar as fragilidades existentes em seus sistemas de saúde pública e de saneamento básico e reestruturá-los em novas bases para atenderem as necessidades da população buscando superar suas deficiências. No Brasil, 54% dos usuários do sistema de saúde pública do Brasil disseram considerá-lo como ruim ou péssima, 28% como regular e 17% como ótima ou boa. As deficiências dos sistema de saúde do Brasil resultam do fato de apresentar um quadro de profissionais desqualificados, falta de médicos, longo tempo de espera no atendimento, desperdício de tempo, falta de leitos, má administração financeira, atendimento pouco humanizado e escasso atendimento na emergência. Na Bahia, a situação é similar.  O plano de governo da Bahia deve considerar o aumento do investimento na infraestrutura de saúde pública para superar suas deficiências. As deficiências da infraestrutura de saneamento básico Bahia se manifesta no fato de a Bahia ter sido o Estado que menos investiu de forma per capita recursos próprios no sistema de saneamento básico em 2020, apresentar insuficiência no abastecimento de água (81,13% de domicílios são atendidos), no esgotamento sanitário (apenas 54,1% % dos domicílios são atendidos), na drenagem urbana das águas pluviais (apenas 13,41% dos municípios possuem serviço de drenagem urbana), nas ações relativas aos resíduos sólidos (24,7% das casas são atendidas na coleta de lixo e sete em dez municípios têm lixões) e no controle de vetores transmissores de doenças. Dos 417 municípios baianos, 366 têm sistema de abastecimento de água e 122 têm o serviço de coleta e tratamento de esgoto. A Bahia apresenta grande deficiência no abastecimento de água, especialmente no Semiárido que se caracteriza pela escassez hídrica. O plano de governo da Bahia deve considerar o aumento do investimento na infraestrutura de saneamento básico para superar suas deficiências contando com o apoio do futuro governo federal.

O plano de governo da Bahia deveria adotar estratégias para solucionar os gigantescos problemas que afetam a educação básica e o ensino superior para atenderem as necessidades da população e dos setores produtivos da Bahia perseguindo como objetivos fazer com que: 1) o sistema de educação da Bahia alcance o mesmo sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo; 2) as políticas educacionais do governo federal contribuam para o desenvolvimento do sistema de educação da Bahia; 3) o sistema de educação da Bahia se adeque às mudanças na sociedade brasileira impactada pelas mudanças tecnológicas em curso; e, 4) as fragilidades atuais do sistema de educação da Bahia sejam superadas. As fragilidades que afetam a educação básica e o ensino superior da Bahia se traduzem no fato de a Bahia ter tido a maior taxa de analfabetismo do país em 2019, segundo o IBGE, com 13% da população baiana com mais de 15 anos não sabendo ler ou escrever (1,5 milhão de analfabetos), ter o segundo menor investimento por aluno na educação básica da rede estadual do Brasil e apresentar desempenho historicamente abaixo de outras redes públicas do Brasil e mesmo do Nordeste. A deficiência nas condições de trabalho nas escolas é reclamação constante dos profissionais da educação da rede estadual. A Bahia apresenta fragilidades devido ao baixo investimento realizado tanto na educação básica quanto no ensino superior. No ensino superior da Bahia, o desempenho das universidades tem sido medíocre conforme revelam o ranking do MEC e do Times sobre as universidades do Brasil em 2021, a universidade melhor posicionada da Bahia, a UFBA, se classificou em 70º lugar no ranking QS entre as melhores universidades da América Latina, em 26º lugar entre as 177 instituições da América Latina no ranking Times Higher Education Latin America e na 19ª posição entre as universidades brasileiras avaliadas em 2022.  

Para solucionar os gigantescos problemas que afetam a educação básica e o ensino superior para atenderem as necessidades da população e dos setores produtivos da Bahia, o plano de governo da Bahia deveria adotar estratégias que consistem em promover investimentos visando melhorar o desempenho do sistema de educação da Bahia com a oferta de educação de qualidade e a elevação do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), adotar medidas de assistência social aos alunos para combater a evasão escolar dos estudantes da Bahia e melhorar a defasagem idade-série para todas as etapas da escolaridade, elevar a capacitação dos docentes, propor ao futuro governo federal o fim da Emenda Constitucional 95 do Teto de Gastos, aprovada em 2016 que compromete o desenvolvimento da educação no Brasil e a elaboração de um novo Plano Nacional de Educação voltado para o futuro objetivando aumentar o número de unidades educacionais de qualidade, com bons gestores, docentes e infraestrutura com capacidade de motivar os alunos e promover uma aprendizagem significativa, complexa e abrangente, elevar o patamar de qualidade da educação da Bahia realizando maciço investimento principalmente na formação dos professores, em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das instituições de ensino e universalizar o ensino com a utilização do sistema de educação a distância (EAD). O plano de governo da Bahia deve considerar o aumento do investimento no sistema de educação para superar suas deficiências contando com o apoio do futuro governo federal.

O plano de governo da Bahia deveria adotar estratégias para solucionar o problema da escassez hídrica no Semiárido da Bahia promovendo a integração das bacias do Rio São Francisco com as bacias dos demais rios existentes na Bahia e a implantação de açudes em pontos estratégicos de seu território para eliminar ou reduzir a escassez hídrica do Semiárido baiano. Esta necessidade se impõe porque o Semiárido da Bahia apresenta grande deficiência em sua infraestrutura hídrica. A Bahia apresenta grande deficiência no abastecimento de água em todas as suas regiões, especialmente no Semiárido que se caracteriza pela escassez hídrica. Os problemas que afligem a população, principalmente do Semiárido, no que concerne ao acesso à água em quantidade e de boa qualidade, afetam sua saúde e restringem as oportunidades de melhorias socioeconômicas das comunidades. Para solucionar este problema, é preciso desenvolver um programa específico e determinado de construção de uma estrutura hídrica na Bahia. Diante desse quadro, urge não apenas aumentar a oferta de água, mas também sua distribuição em todas as localidades do Estado da Bahia. Há a urgente necessidade de obras estruturantes e prioritárias com o objetivo de levar à sociedade os benefícios resultantes da ampliação da oferta de água de boa qualidade para consumo humano e dessedentação animal, e da ampliação da oferta de áreas irrigadas para a produção de alimentos, geração de emprego e renda e melhoria da qualidade de vida do homem no campo na Bahia. Para aumentar a oferta de água, o governo do Estado deveria promover, portanto, a integração de bacias hidrográficas, por meio da implantação do Projeto de Integração do rio São Francisco com as bacias dos rios localizados na Bahia, além da construção de açudes. O plano de governo da Bahia deve considerar a realização de investimentos na solução da escassez hídrica no Semiárido da Bahia contando com o apoio do futuro governo federal. 

Para adotar medidas preventivas de enfrentamento de eventos climáticos extremos para evitar suas consequências danosas para a população e para a economia da Bahia, o plano de governo da Bahia deveria executar estratégias visando o controle de inundações provocadas por chuvas intensas e pela elevação do nível do oceano em consequência das mudanças climáticas. Para fazer frente às inundações provocadas por chuvas intensas deve-se realizar obras de engenharia, adotar ações de regulamentação do uso e ocupação do solo e educação ambiental da população, utilizar sistemas de alerta e previsão de inundações, estabelecer zoneamento e a respectiva regulamentação para a construção, entre outras medidas. Com a elevação do nível do mar, devem ser executadas obras de engenharia e realocar populações situadas em áreas de risco, bem como realizar mudanças na matriz energética e na matriz de transporte com o abandono do uso dos combustíveis fósseis e sua substituição por fontes renováveis de energia limpa (solar, eólica, biomassa, hidrogênio, entre outras) para reduzir a emissão de gases do efeito estufa para combater a mudança climática. Por sinal, a Bahia se mantém como líder nacional na geração de Energias Renováveis. Em 2019, a geração de energia por fonte eólica cresceu mais de 50% em relação a 2018, já a fonte fotovoltaica cresceu mais de 70%. A liderança na geração de energia foi mantida em 2021 e o aumento na capacidade instalada demonstra que o segmento é um importante indutor da economia da Bahia. Atualmente, o Estado tem 205 parques eólicos em operação, com capacidade instalada de 5,26 GigaWatts e 34 parques de energia solar fotovoltaica com mais de 1 GW de capacidade. O plano de governo da Bahia deve considerar a realização de investimentos no enfrentamento de eventos climáticos extremos contando com o apoio do futuro governo federal. 

Este plano de governo para a Bahia proposto é o referencial que a maioria do povo baiano deveria considerar na escolha do seu candidato preferencial ao governo do Estado e aos parlamentos federal e estadual. Esses candidatos deveriam se comprometer a defender e colocar em prática este plano de governo para a Bahia. 

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

LE PLAN GOUVERNEMENTAL DONT LE BRÉSIL A BESOIN

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter ce qui serait nécessaire en termes de plan de gouverneur à mettre en pratique immédiatement par le futur gouverneur du Brésil, c’est-à-dire par le futur président de la République. Le plan gouvernemental nécessaire pour le Brésil à l’heure actuelle devrait avoir comme objectif principal l’élimination du chômage, de la pauvreté, de la violence et de l’inflation qui affectent profondément la société brésilienne. Le plan du gouvernement devrait tenir compte de ces priorités car elles constituent les plus grands fléaux auxquels est confrontée la population brésilienne et dont la solution ne peut être différée, c’est-à-dire qu’elle doit intervenir immédiatement. Le chômage a atteint des niveaux records dans l’histoire du Brésil. Le nombre de Brésiliens en situation d’extrême pauvreté augmente considérablement de la même manière que le taux de chômage. Le Brésil est le pays avec le taux le plus élevé de décès par arme à feu par habitant. L’inflation érode les revenus de tous les Brésiliens, mais elle est plus cruelle pour ceux qui ont moins de revenus. Le plan gouvernemental du futur gouverneur du Brésil devrait donc donner la priorité à l’élimination du chômage, de la pauvreté, de la violence et de l’inflation dans le pays.

Le taux de chômage au Brésil a atteint une croissance vertigineuse depuis 2014, avec 12 millions de chômeurs et 4,8 millions de découragés en 2021. La pauvreté a augmenté de façon exponentielle au Brésil ces dernières années. Au Brésil, en 2019, le nombre de personnes en situation de pauvreté est passé à 54,8 millions, selon l’IBGE. L’extrême pauvreté au Brésil a également augmenté. En 2017, ce nombre est passé à 15,2 millions vivant dans l’extrême pauvreté. En 2017, le Brésil a atteint la barre historique des 63 880 homicides. Cela équivaut à un taux de 31,6 décès pour 100 000 habitants, l’un des taux d’homicides intentionnels les plus élevés au monde. La limite considérée comme tolérable par l’Organisation mondiale de la santé (OMS) est de 10 homicides pour 100 000 habitants. À son tour, l’inflation se présente comme l’un des fléaux qui affectent la population brésilienne en ce moment car elle érode les revenus de tous les Brésiliens, mais elle est plus cruelle pour ceux qui ont moins de revenus. Le taux d’inflation a été hors de contrôle entre 2002 et 2004 lorsque l’évolution d’un taux de 7,5 % pour atteindre un taux de 17 %, entre 2015 et 2016 lorsque le taux de variation est de 6 % à 11 % et à partir de 2020, jusqu’ici quand il est passé de 2% à 11%. En mars 2021, l’inflation accumulée au cours des 12 derniers mois a dépassé le plafond cible et n’est pas revenue.

Pour éliminer le chômage, il faut relancer la croissance économique au Brésil, ce qui permettrait à 12 millions de chômeurs, 4,8 millions de personnes découragées de retourner sur le marché du travail et 34,7 millions de personnes dans le travail informel, ce qui correspond à 40 % de la marché du travail, deviennent des travailleurs avec un contrat formel. La principale cause du chômage de masse enregistré au Brésil est le fait que le pays a connu une stagnation économique de 2011 à 2022. La stagnation économique au Brésil s’explique par la baisse des investissements dans l’économie brésilienne à partir de 1990. De 1990 à 2021, le taux d’investissement au Brésil a diminué. La pratique a démontré l’infaisabilité du modèle économique néolibéral au Brésil, inauguré par le président Fernando Collor en 1990 et maintenu par les présidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer et Jair Bolsonaro. La stagnation économique actuelle au Brésil ne sera surmontée qu’avec l’abandon du modèle économique néolibéral et son remplacement par le modèle économique national développementaliste d’ouverture sélective de l’économie brésilienne. Il convient de noter que l’économie brésilienne a affiché la croissance économique la plus élevée de 1931 à 1980, tirée par les actions des gouvernements Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek et de la dictature militaire qui a adopté des politiques économiques nationale développementaliste avec le gouvernement brésilien agissant comme mentor et inducteur du développement national, par opposition au modèle économique néolibéral en cours dans lequel le marché devient le principal agent économique et l’État un rôle de soutien, assumant une posture passive.

Avec l’adoption du modèle économique national développementaliste pour remplacer le modèle économique néolibéral, responsable de la dévastation économique et sociale du pays, le gouvernement brésilien serait en mesure de promouvoir l’élimination immédiate du chômage existant au Brésil avec l’exécution de 7 000 travaux publics arrêtés, la construction d’un grand nombre de nouveaux ouvrages publics, en mettant l’accent sur les infrastructures économiques (énergie, transports et communications) et sociales (éducation, santé, logement et assainissement de base), l’adoption de la politique de substitution des importations et l’utilisation de capacité inutilisée dans l’industrie. Cette initiative se traduirait par une croissance économique au Brésil car, en plus de l’augmentation des investissements publics et privés, il y aurait une augmentation de la consommation des ménages, contribuant à une augmentation du PIB. En plus de réactiver l’économie pour éliminer le chômage, le gouvernement brésilien devrait encourager le développement de l’économie sociale et solidaire, qui est une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, en leur donnant une nouvelle opportunité de travailler d’une nouvelle manière de la production dans laquelle le profit n’est plus l’objectif principal, mais plutôt la création d’emplois, et le développement de l’économie créative, qui est l’un des moyens les plus efficaces pour générer de nouveaux emplois liés à l’économie de la connaissance en encourageant les emplois basés sur traditions culturelles de chaque région et crédit pour les secteurs créatifs de l’économie tels que la mode, l’art, les médias numériques, la publicité, le journalisme, la photographie et l’architecture.

Pour éliminer la pauvreté au Brésil, la première action à mettre en œuvre est l’élimination du chômage avec les stratégies décrites ci-dessus, complétées par l’adoption de la stratégie de transfert de revenu de base ou revenu minimum universel pour la population pauvre, en particulier celle en extrême pauvreté et en une situation de rue. Parmi les 54,8 millions d’habitants du Brésil, 15,2 millions de personnes vivent dans l’extrême pauvreté. La stratégie de transfert du revenu de base ou revenu minimum universel à la population pauvre est absolument nécessaire car une grande partie de celui-ci est inapte à être intégrée au marché du travail. Sans la politique de transfert de revenu de base ou de revenu minimum universel, une grande partie de la population brésilienne souffrirait de la faim L’adoption de la politique de revenu de base ou de revenu minimum universel pour la population pauvre est l’une des solutions les plus efficaces pour réduire la pauvreté étant donné que il permettrait aux pauvres d’avoir de l’argent pour subvenir à leurs besoins de base en matière d’alimentation, de santé, de logement, etc. Le programme de transfert de revenus des gouvernements Lula et Dilma Rousseff au Brésil, Bolsa Família, est un bon exemple de l’application de la politique du revenu de base. Une politique de revenu de base pour les pauvres apporterait de nombreux avantages tels que la réduction de la criminalité, l’amélioration des conditions de logement de la population pauvre et l’augmentation de la consommation de biens et de services par la population pauvre. Le gouvernement, pourvoyeur d’un revenu de base pour la population pauvre, bénéficierait d’une baisse des dépenses consacrées à la répression policière et à la structure carcérale en raison de la réduction de la criminalité et des sans-abri et de l’augmentation de la collecte des impôts résultant de l’augmentation de la consommation de la population pauvre. Il n’y aura pas de paix sociale au Brésil si le chômage n’est pas éliminé et si une politique de revenu de base pour les pauvres n’est pas adoptée. Pour éliminer la violence au Brésil, le gouvernement brésilien doit répondre aux besoins économiques et sociaux de toute la société, en particulier des populations pauvres, en éliminant le chômage avec l’abandon du modèle économique néolibéral et l’adoption du modèle économique national développementaliste, l’adoption de la politique d’économie sociale et solidaire, la lutte contre la pauvreté avec l’exécution de programmes de transferts de revenus et de logements populaires avec les infrastructures nécessaires, la lutte contre le crime organisé et la restriction de l’usage des armes à feu par la population.

Pour éliminer l’inflation au Brésil, il est nécessaire d’adopter des stratégies pour éliminer l’inflation de la demande et l’inflation des coûts de production, qui sont présentes dans l’économie brésilienne. L’inflation de la demande résulte de l’insuffisance de la production domestique pour répondre à la demande et l’inflation des coûts de production résulte résulte de l’augmentation vertigineuse des coûts de ses composantes telles que les salaires, les matières premières, les intrants et les taxes. Pour éliminer l’inflation de la demande, le gouvernement brésilien devrait planifier annuellement l’économie nationale avec la participation du secteur productif afin que la production nationale ait la capacité de répondre à la demande intérieure de biens et de services. Le gouvernement brésilien devrait prévoir de répondre à la demande attendue de produits agricoles et industriels, de matières premières et d’intrants agricoles et industriels, et de services d’énergie, de transport et de communication, et de surveiller l’évolution de la production, de la demande et des prix des produits agricoles et industriels, agricoles et industriels. les matières premières et les intrants, et des services d’énergie, de transport et de communication pour évaluer les cas où il existe une possibilité de déséquilibre entre l’offre et la demande. Dans les cas identifiés de déséquilibre entre l’offre et la demande nationales, le gouvernement devrait agir pour augmenter la production nationale des articles manquants ou les importer si nécessaire. La priorité de la production nationale est de répondre à la demande intérieure. Ce n’est qu’en cas de production excédentaire qu’ils seront exportés. Le gouvernement doit planifier à l’avance le niveau des stocks de produits agricoles et industriels, de matières premières et d’intrants agricoles et industriels, et des services d’énergie, de transport et de communication pour éviter les pénuries et, par conséquent, éviter l’inflation de la demande. Afin d’éliminer l’inflation des coûts de production, le gouvernement brésilien devrait surveiller l’évolution des prix des salaires, des matières premières et des intrants, ainsi que des impôts fédéraux, étatiques et municipaux, afin d’adopter des mesures permettant d’éviter leur augmentation sans les augmentation de la productivité, encourager l’augmentation de la productivité dans la production agricole, industrielle, commerciale et de services et adopter des mesures visant à promouvoir la réduction des coûts dans les systèmes inefficaces de production d’énergie électrique et de dérivés du pétrole avec leur planification rationnelle et le transport de marchandises avec sa planification orientée principalement vers la voie d’eau et le rail modes de transport, ainsi que la réduction des coûts de l’administration publique pour réduire les impôts.

Afin de financer toutes les actions nécessaires à l’exécution du plan gouvernemental, il faut adopter deux stratégies ; 1) suspendre pour une période de 5 ans le paiement des intérêts et l’amortissement de la dette publique intérieure qui correspond à 48% du budget du gouvernment fédéral ou renégocier avec ses créanciers afin d’allonger son paiement pour réduire la charge de paiement de la dette publique pour que le gouvernement dispose des ressources nécessaires aux investissements publics ; et, 2) utiliser les réserves internationales de 362,20 milliards de dollars US disponibles en 2021, si nécessaire, pour compléter les ressources destinées aux investissements publics visant à relancer l’économie et à lutter contre le chômage et la pauvreté. Sans l’adoption de ces stratégies, le Brésil ne renouera pas avec sa croissance et sera inévitablement conduit à la ruine économique et sociale.

Malheureusement, rien de ce qui vient d’être proposé n’est fait au Brésil par le gouvernement Bolsonaro pour éliminer le chômage, la pauvreté, la violence et l’inflation à l’heure actuelle. Cette proposition de plan gouvernemental est la référence que la majorité du peuple brésilien devrait prendre en compte lors du choix de son candidat préféré à la présidence de la République et des candidats aux gouvernements des États et aux parlements fédéral et des États. Ces candidats doivent s’engager à défendre et à mettre en pratique ce plan gouvernemental. En plus de rejeter les candidats qui cherchent à maintenir le désastreux statu quo économique et social, les électeurs doivent repousser les candidats à des postes électifs qui sont manifestement des néofascistes qui attaquent la démocratie en menaçant d’un coup d’État pour établir une dictature au Brésil.

* Fernando Alcoforado, 82, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

THE GOVERNMENT PLAN BRAZIL NEEDS

Fernando Alcoforado*

This article aims to present what would be necessary in terms of a government plan to be put into practice immediately by the future ruler of Brazil, that is, by the future President of the Republic. The government plan necessary for Brazil now should have as its primary objective the elimination of unemployment, poverty, violence and inflation that profoundly affect Brazilian society. The government plan should consider these priorities because they constitute the biggest scourges faced by the Brazilian population whose solution cannot be postponed, that is, it has to happen immediately. Unemployment reached record levels in Brazilian history. The number of Brazilians in extreme poverty increases dramatically in the same way as the unemployment rate. Brazil is the country with the highest rate of firearm deaths per inhabitant. Inflation erodes the income of all Brazilians, but it is crueler to those with less income. The government plan of the future ruler of Brazil should therefore prioritize the elimination of unemployment, poverty, violence and inflation in the country.

The unemployment rate in Brazil has reached a vertiginous growth since 2014, with 12 million unemployed workers and 4.8 million discouraged in 2021. Poverty has grown exponentially in Brazil in recent years. In Brazil, in 2019, the number of people in poverty increased to 54.8 million, according to the IBGE. Extreme poverty in Brazil has also increased. In 2017, that number jumped to 15.2 million living in extreme poverty. In 2017, Brazil reached the historic mark of 63,880 homicides. This equates to a rate of 31.6 deaths per 100,000 inhabitants, one of the highest intentional homicide rates in the world. The limit considered as tolerable by the World Health Organization (WHO) is 10 homicides per 100,000 inhabitants. In turn, inflation presents itself as one of the scourges that affect the Brazilian population now because it erodes the income of all Brazilians, but it is crueler to those who have less income. The inflation rate was out of control between 2002 and 2004 when it evolved from a rate of 7.5% to reach a rate of 17%, between 2015 and 2016 when it evolved from a rate of 6% to 11% and from 2020 onwards until the present moment when it evolved from 2% to 11%. In March 2021, the inflation accumulated in the last 12 months exceeded the target ceiling and did not return.

To eliminate unemployment, it is necessary to resume economic growth in Brazil, which would make it possible for 12 million unemployed workers, 4.8 million discouraged people to return to the job market and 34.7 million people in informal work, which corresponds to 40% of the labor market, become workers with a formal contract. The main reason for the mass unemployment registered in Brazil is the fact that the country is economically stagnant from 2011 to 2021. The economic stagnation in Brazil is explained by the drop in investment in the Brazilian economy from 1990 onwards. From 1990 to 2021, the rate investment in Brazil has been declining. The practice has demonstrated the unfeasibility of the neoliberal economic model in Brazil, inaugurated by President Fernando Collor in 1990 and maintained by Presidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer and Jair Bolsonaro. The current economic stagnation in Brazil will only be overcome with the abandonment of the neoliberal economic model and its replacement by the national developmentalist economic model of selective opening of the Brazilian economy. It is worth noting that the Brazilian economy showed the highest economic growth from 1931 to 1980, driven by the actions of the Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek governments and of the military dictatorship that adopted national developmentalist economic policies with the Brazilian government acting as a mentor and inducer of national development, as opposed to the neoliberal economic model in progress in which the market becomes the main economic agent and the government becomes a supporting role, assuming a passive posture.

With the adoption of the national developmental economic model to replace the neoliberal economic model, responsible for the economic and social devastation of the country, the Brazilian government would be able to promote the immediate elimination of unemployment existing in Brazil with the execution of 7 thousand stopped public works, the construction of a large number of new public works, with emphasis on the economic (energy, transport and communications) and social infrastructure (education, health, housing and basic sanitation), the adoption of the import substitution policy and the use of capacity idle in the industry. This initiative would result in economic growth in Brazil because, in addition to the increase in public and private investment, there would be an increase in household consumption, contributing to an increase in GDP. In addition to reactivating the economy to eliminate unemployment, the Brazilian government should encourage the development of the Social and Solidarity Economy, which is an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving them a new opportunity to work in a new way of production in which profit is no longer the main objective, but rather the generation of employment, and the development of the Creative Economy, which is one of the most effective ways to generate new jobs linked to the knowledge economy by encouraging jobs based on cultural traditions of each region and credit for creative sectors of the economy such as Fashion, Art, Digital Media, Advertising, Journalism, Photography and Architecture.

To eliminate poverty in Brazil, the first action to be implemented is the elimination of unemployment with the strategies described above, complemented by the adoption of the basic income transfer strategy or universal minimum income for the poor population, especially those in extreme poverty and population in a street situation. Among the 54.8 million inhabitants of Brazil, 15.2 million people are in extreme poverty. The strategy of transferring basic income or universal minimum income to the poor population is absolutely necessary because a large part of it is unfit to be incorporated into the labor market. Without the basic income transfer policy or universal minimum income, hunger would be suffered by a large part of the Brazilian population The adoption of the basic income or universal minimum income policy for the poor population is one of the most effective solutions to alleviate poverty given that it would make it possible for the poor to have money to meet their basic needs in terms of food, health, housing, etc. The income transfer program of the Lula and Dilma Rousseff governments in Brazil, Bolsa Família, is a good example of the application of the basic income policy. A basic income policy for the poor would bring numerous advantages such as reducing crime, improving housing conditions for the poor population and increasing consumption of goods and services by the poor population. The government, provider of basic income for the poor population, would have the benefit of lower spending on police repression and the prison structure as a result of the reduction in crime and homeless people and the increase in tax collection resulting from the increase in consumption of the poor population. There will be no social peace in Brazil if unemployment is not eliminated and a basic income policy for the poor is not adopted. To eliminate violence in Brazil, the Brazilian government should meet the economic and social needs of the whole society, especially the poor populations, eliminating unemployment with the abandonment of the neoliberal economic model and the adoption of the national developmentalist economic model, the adoption of social and solidarity economy policy, the fight against poverty with the execution of income transfer and popular housing programs with the necessary infrastructure, the fight against organized crime and the restriction of the use of firearms by the population.

To eliminate inflation in Brazil, it is necessary to adopt strategies to eliminate demand inflation and production cost inflation, which are present in the Brazilian economy. Demand inflation results from the insufficiency of domestic production to meet demand and production cost inflation results from the increase in the costs of its components. To eliminate demand inflation, the Brazilian government should annually plan the national economy with the participation of the productive sector so that national production has the capacity to meet domestic demand for goods and services. The Brazilian government should plan to meet the expected demand for agricultural and industrial products, agricultural and industrial raw materials and inputs, and energy, transport and communications services, and monitor the evolution of production, demand and prices of agricultural and industrial, agricultural and industrial raw materials and inputs, and energy, transport and communications services to assess cases where there is a possibility of imbalances between supply and demand. Identified cases of imbalance between national supply and demand, the government should act to increase national production of missing items or import them when necessary. The priority of national production is to meet domestic demand. Only when there is surplus production would they be exported. The government must plan in advance the level of stocks of agricultural and industrial products, of raw materials and agricultural and industrial inputs, and of energy, transport and communications services to avoid shortages and, consequently, avoid demand inflation. In order to eliminate production cost inflation, the Brazilian government should monitor the evolution of the prices of wages, raw materials and inputs, as well as federal, state and municipal taxes, in order to adopt measures that help to avoid their increase without the corresponding increase of productivity, encourage increased productivity in agricultural, industrial, trade and services production and adopt measures to promote cost reductions in inefficient electrical energy and oil derivatives production systems with their rational planning and of cargo transport with its planning oriented primarily to the waterway and rail modes, as well as the reduction of public administration costs to reduce taxes.

In order to finance all the actions necessary for the execution of the government plan, two strategies must be adopted; 1) suspend for a period of 5 years the payment of interest and the amortization of the domestic public debt which corresponds to 48% of the budget of the federal government or renegotiate with its creditors in order to extend its payment to reduce the payment burden of public debt so that the government has the necessary resources for public investment; and, 2) use the international reserves of US$362.20 billion available in 2021, if necessary, to supplement the resources intended for public investments aimed at reviving the economy and combating unemployment and poverty. Without the adoption of these strategies, Brazil will not resume its growth and will inevitably be led to economic and social ruin.

Regrettably, nothing that has just been proposed is being done in Brazil by the Bolsonaro government to eliminate unemployment, poverty, violence and inflation at the current time. This proposed government plan is the reference that the majority of the Brazilian people should consider when choosing their preferred candidate for the Presidency of the Republic and candidates for state governments and for federal and state parliaments. These candidates should commit to defending and putting into practice this government plan. In addition to rejecting those candidates who seek to maintain the disastrous economic and social status quo, voters must repel candidates for elective positions that are demonstrably neo-fascists who attack democracy by threatening a coup d’état to establish a dictatorship in Brazil.

* Fernando Alcoforado, 82, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and IPB – Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

O PLANO DE GOVERNO QUE O BRASIL PRECISA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar o que seria necessário em termos de plano de governo a ser posto em prática imediatamente pelo futuro governante do Brasil, isto é, pelo futuro Presidente da República. O plano de governo necessário ao Brasil no momento atual deveria ter como objetivo primordial eliminar o desemprego, a pobreza, a violência e a inflação que afetam profundamente a sociedade brasileiraO plano de governo deveria considerar estas prioridades porque se constituem nos maiores flagelos enfrentados pela população brasileira cuja solução não pode ser protelada, isto é, tem que acontecer imediatamente. O desemprego alcançou níveis recordes na história do Brasil. O número de brasileiros em pobreza extrema aumenta vertiginosamente da mesma forma que cresce a taxa de desemprego. O Brasil é o país com o maior índice de mortes por arma de fogo por habitante. A inflação corrói a renda de todos os brasileiros, mas ela é mais cruel com quem tem menos renda. O plano de governo do futuro governante do Brasil deveria priorizar, portanto, a eliminação do desemprego, da pobreza, da violência e da inflação no País.

A taxa de desemprego no Brasil alcançou a partir de 2014 um crescimento vertiginoso com 12 milhões de trabalhadores desempregados e 4,8 milhões de desalentados em 2021.  A pobreza cresceu exponencialmente no Brasil nos últimos anos. No Brasil, em 2019, aumentou para 54,8 milhões o número de pessoas na pobreza, segundo o IBGE. Aumentou, também, a extrema pobreza no Brasil. Em 2017, esse número saltou para 15,2 milhões vivendo em extrema pobreza. Em 2017, o Brasil alcançou a marca histórica de 63.880 homicídios. Isso equivale a uma taxa de 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes, uma das mais altas taxas de homicídios intencionais do mundo. O limite considerado como suportável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 10 homicídios por 100 mil habitantes. Por sua vez, a inflação se apresenta como mais um dos flagelos que atingem a população brasileira no momento atual porque corrói a renda de todos os brasileiros, mas ela é mais cruel com quem tem menos renda. A taxa de inflação esteve fora de controle entre 2002 e 2004 quando evoluiu de uma taxa de 7,5% para alcançar a taxa de 17%, entre 2015 e 2016 quando evoluiu de uma taxa de 6% para 11% e a partir de 2020 até o presente momento quando evoluiu de 2% para 11%. Em março de 2021, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ultrapassou o teto da meta e não voltou mais.

Para eliminar o desemprego é preciso retomar o crescimento econômico do Brasil que possibilitaria fazer com que 12 milhões de trabalhadores desempregados, 4,8 milhões de desalentados voltem ao mercado de trabalho e 34,7 milhões de pessoas no trabalho informal, que corresponde a 40% do mercado de trabalho, se transformem em trabalhadores com carteira do trabalho assinada. O desemprego em massa registrado no Brasil tem como principal causa o fato de o País estar estagnado economicamente de 2011 a 2022. A estagnação econômica do Brasil se explica pela queda do investimento na economia brasileira a partir de 1990. De 1990 até 2021, a taxa de investimento no Brasil tem sido declinante. A prática vem demonstrando a inviabilidade do modelo econômico neoliberal no Brasil inaugurado pelo presidente Fernando Collor em 1990 e mantido pelos presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer e Jair Bolsonaro. A estagnação econômica atual do Brasil só será superada com o abandono do modelo econômico neoliberal e sua substituição pelo modelo econômico nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia brasileira. Cabe destacar que a economia brasileira apresentou o maior crescimento econômico de 1931 a 1980 impulsionada pelas ações dos governos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e da ditadura militar que adotaram políticas econômicas nacional desenvolvimentistas com o governo brasileiro atuando como mentor e indutor do desenvolvimento nacional ao contrário do modelo econômico neoliberal em curso em que o mercado é que se torna o principal agente econômico e o governo se torna coadjuvante assumindo uma postura passiva.

Com a adoção do modelo econômico nacional desenvolvimentista em substituição ao modelo econômico neoliberal, responsável pela devastação econômica e social do País, o governo brasileiro seria capaz de promover a eliminação imediata do desemprego existente no Brasil com a execução de 7 mil obras públicas paradas, a construção de uma grande quantidade de novas obras públicas, com destaque para a infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico), a adoção da política de substituição de importações e a utilização da capacidade ociosa na indústria. Resultaria desta iniciativa o crescimento econômico no Brasil porque, além do aumento no investimento público e privado, haveria aumento do consumo das famílias contribuindo para a elevação do PIB. Além de reativar a economia para eliminar o desemprego, o governo brasileiro deveria incentivar o desenvolvimento da Economia Social e Solidária, que é uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos para trabalharem com um novo modo de produção em que o lucro deixa de ser o principal objetivo e sim a geração de emprego, e o desenvolvimento da Economia Criativa que é uma das maneiras mais eficazes de gerar novos empregos ligados à economia do conhecimento com o estimulo a trabalhos baseados nas tradições culturais de cada região e ao crédito para setores criativos da economia como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura.

Para eliminar a pobreza no Brasil, a primeira ação a ser implementada consiste na eliminação do desemprego com as estratégias acima descritas complementada pela adoção da estratégia de transferência de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre, especialmente aquela situada em condição de extrema pobreza e em situação de rua. Entre os 54,8 milhões de habitantes do Brasil, 15,2 milhões de pessoas estão em situação de extrema pobreza. A estratégia de transferência de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é absolutamente necessária porque grande parte dela é inapta para ser incorporada ao mercado do trabalho. Sem a política de transferência de renda básica ou renda mínima universal, a fome passaria a ser sofrida por grande parte da população brasileira  A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções mais eficazes para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazerem frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc. O programa de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família, é um bom exemplo da aplicação da política de renda básica. A política de renda básica para a população pobre traria inúmeras vantagens tais como a redução da criminalidade, melhoria das condições de moradia da população pobre e aumento do consumo de bens e serviços pela população pobre. O governo, provedor da renda básica para a população pobre, teria o benefício de menor gasto com a repressão policial e a estrutura carcerária em consequência da redução da criminalidade e dos moradores de rua e a elevação da arrecadação de impostos resultante do aumento do consumo da população pobre. Não haverá paz social no Brasil se não for eliminado o desemprego e não for adotada a política de renda básica para a população pobre. Para eliminar a violência no Brasil, o governo brasileiro deveria atender as necessidades econômicas e sociais de toda a sociedade, em especial das populações pobres, eliminando o desemprego com o abandono do modelo econômico neoliberal e a adoção do modelo econômico nacional desenvolvimentista, a adoção da política de economia social e solidária, o combate à pobreza com a execução de programas de transferência de renda e de habitação popular com a infraestrutura necessária, o combate ao crime organizado e a restrição do uso de armas de fogo pela população.

Para eliminar a inflação no Brasil, é preciso que sejam adotadas estratégias para a eliminação da inflação de demanda e a inflação de custos de produção as quais estão presentes na economia brasileira. A inflação de demanda resulta da insuficiência da produção nacional para suprir a demanda e a inflação de custos de produção resulta do aumento vertiginoso dos custos de seus componentes como salários, matérias-primas, insumos e impostos. Para eliminar a inflação de demanda, o governo brasileiro deveria planejar anualmente a economia nacional com a participação do setor produtivo para que a produção nacional tenha capacidade de atender a demanda interna de bens e serviços. O governo brasileiro deveria planejar para atender a demanda prevista dos produtos agrícolas e industriais, de matérias- primas e insumos agrícolas e industriais e dos serviços de energia, transportes e comunicações e acompanhar a evolução da produção, da demanda e dos preços dos produtos agrícolas e industriais, de matérias- primas e insumos agrícolas e industriais e dos serviços de energia, transportes e comunicações para avaliar os casos em que haja a possibilidade de desequilíbrios entre a oferta e a demanda. Identificado os casos de desequilíbrio entre a oferta e demanda nacional, o governo deveria agir para elevar a produção nacional dos itens faltantes ou importá-los quando necessário. A prioridade da produção nacional é atender a demanda interna. Só quando houver excedentes da produção é que seriam exportados. O governo deve planejar com antecipação o nível de estoque de produtos agrícolas e industriais, de matérias- primas e insumos agrícolas e industriais e dos serviços de energia, transportes e comunicações para evitar sua falta e, consequentemente, evitar a inflação de demanda. Para eliminar a inflação de custos de produção, o governo brasileiro deveria acompanhar a evolução dos preços dos salários, matérias-primas e insumos, bem como dos impostos federais, estaduais e municipais,  para adotar medidas que contribuam para evitar seu aumento sem o correspondente aumento da produtividade, incentivar o aumento da produtividade na produção agrícola, industrial, do comércio e dos serviços e adotar medidas para promover a redução de custos nos sistemas de energia elétrica e de produção de derivados de petróleo ineficientes com sua planificação racional e no transporte de carga com sua planificação orientada prioritariamente para os modais hidroviário e ferroviário, bem como a redução dos custos da administração pública para reduzir os impostos.

Para financiar todas as ações necessárias à execução do plano de governo é preciso adotar duas estratégias; 1) suspender pelo período de 5 anos o pagamento dos juros e amortização da dívida pública interna que corresponde a 48% do orçamento do governo federal ou renegociar com os seus credores no sentido de alongar seu pagamento para reduzir os encargos com o pagamento da dívida pública a fim de que o governo passe a dispor dos recursos necessários aos investimentos públicos; e, 2) utilizar as reservas internacionais de US$ US$ 362,20 bilhões disponíveis em 2021, se necessário, para complementar os recursos destinados aos investimentos públicos visando a reativação da economia e o combate ao desemprego e à pobreza. Sem a adoção destas estratégias, o Brasil não retomará seu crescimento e será levado inevitavelmente à ruina econômica e social.

Lamentavelmente, nada do que acaba de ser proposto é feito no Brasil pelo governo Bolsonaro para eliminar o desemprego, a pobreza, a violência e a inflação no momento atual. Este plano de governo proposto é o referencial que a maioria do povo brasileiro deveria considerar na escolha do seu candidato preferencial à Presidência da República e dos candidatos aos governos de Estado e aos parlamentos federal e estaduais. Esses candidatos deveriam se comprometer a defender e colocar em prática este plano de governo. Além de rejeitar aqueles candidatos que buscam manter o “status-quo” econômico e social desastroso, os eleitores devem repelir os candidatos aos cargos eletivos comprovadamente neofascistas que atentam contra a democracia ameaçando com um golpe de estado implantar uma ditadura no Brasil.

* Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

COMMENT SAUVER L’HUMANITÉ DE L’EXTINCTION DES MENACES EXISTANTES SUR LA PLANÈTE TERRE ET PROVENANT DE L’ESPACE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les avancées scientifiques qui doivent être faites en cosmologie pour contribuer à l’adoption de solutions technologiques pour protéger l’humanité des menaces d’extinction qui existent sur la planète Terre, venant de l’espace extra-atmosphérique et qui peuvent atteindre les humains lors de voyages spatiaux. Il existe d’innombrables menaces pour la survie de l’humanité aujourd’hui et à court, moyen et long terme. Certains de ces événements peuvent se produire, à court et moyen terme, comme la collision d’astéroïdes, de comètes ou de morceaux de comètes sur la planète Terre et l’émission de rayons cosmiques et, à long terme, comme le refroidissement de la Terre noyau, les changements aux conséquences catastrophiques pour l’environnement terrestre résultant du départ progressif de la Lune de la Terre, de la mort du Soleil, de la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée où se trouve la Terre et de la fin de l’Univers et peuvent contribuer à ce que l’humanité soit amenée à son extinction en tant qu’espèce. L’avenir de l’humanité face à ces menaces dépend du succès obtenu dans l’avancement des connaissances sur l’Univers, en particulier sur 9 grandes questions cosmologiques qui doivent être élucidées afin que l’humanité puisse, avec des connaissances scientifiques, se défendre contre les menaces existantes à son survie sur la planète Terre et venant de l’espace extra-atmosphérique et chercher des endroits dans le système solaire ou en dehors de celui-ci avec la possibilité d’être habitables par l’homme au cas où leur existence serait menacée sur la planète Terre.

Il existe d’innombrables menaces pour la survie de l’humanité aujourd’hui et à court, moyen et long terme. La plus grande menace pour l’humanité existant sur la planète Terre concerne le refroidissement du noyau de la planète Terre qui est resté chaud pendant plus de 4,5 milliards d’années, mais qui se refroidit lentement et inévitablement [9][18]. Les menaces existant dans l’espace extra-atmosphérique concernent la collision sur la planète Terre d’astéroïdes, de comètes ou de morceaux de comètes, de planètes du système solaire et de planètes orphelines qui errent dans l’espace extra-atmosphérique, l’émission de rayons cosmiques, des modifications catastrophiques de l’environnement de la Terre résultant de l’éloignement progressif de la Lune par rapport à la Terre, la mort du Soleil, la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée où se trouve la Terre et la fin de l’Univers [1].

Le refroidissement du noyau terrestre entraînera de nombreuses conséquences, dont la perte du champ magnétique terrestre qui nous protège des rayonnements solaires et cosmiques et un déséquilibre majeur de la chaîne alimentaire de la planète [18]. La Terre est composée d’un noyau interne, d’un noyau externe, du manteau et de la croûte. Le noyau de la Terre se trouve à près de 3 000 km de profondeur dans la croûte terrestre (la couche la plus externe de la planète). Les températures au cœur peuvent osciller entre 4 400°C et 6 000°C, des températures similaires à celles du Soleil. Le noyau interne est une sphère solide, composée principalement de fer. Le noyau externe est formé par un liquide malléable, composé de fer et de nickel. C’est dans le noyau externe que se forme le champ magnétique terrestre. La quantité colossale d’énergie thermique qui émane de l’intérieur de la planète Terre met en mouvement des phénomènes tels que le mouvement des plaques tectoniques et l’activité volcanique. À mesure que le noyau terrestre se refroidit, les plaques tectoniques, qui sont maintenues en mouvement par le flux du manteau terrestre, ralentissent plus rapidement que prévu. Sans activité principale, les volcans n’entreraient pas en éruption. Mais sans la chaleur de l’intérieur de la Terre, les poissons et les plantes qui vivent sur les fonds marins seraient menacés, ce qui provoquerait un déséquilibre majeur dans la chaîne alimentaire de la planète. Un autre gros problème serait la perte du champ magnétique terrestre. Sans elle, la planète Terre serait vulnérable aux rayonnements solaires et cosmiques et l’humanité serait menacée dans sa survie. Pour sauver l’humanité de la menace de refroidissement du noyau terrestre, il est très important qu’il y ait une surveillance constante de la température du noyau terrestre pour adopter, si nécessaire, des stratégies d’évasion des êtres humains vers des lieux habitables dans le système solaire (Mars, la lune de Saturne Titan et la lune de Jupiter Callisto) avant la perte du champ magnétique terrestre et le déséquilibre de la chaîne alimentaire de la planète.

La collision sur la planète Terre de corps venant de l’espace extra-atmosphérique, tels que des astéroïdes, des comètes ou des morceaux de comètes, des planètes du système solaire et des planètes orphelines ou errantes qui errent dans l’espace extra-atmosphérique menacent d’entrer en collision avec la Terre et pourraient entraîner l’extinction de l’espèce humaine. Pour faire face aux astéroïdes qui pourraient entrer en collision avec la planète Terre, la stratégie consiste à les détourner de leur trajectoire s’ils sont détectés avec suffisamment de temps pour lancer des fusées comme intercepteurs. La même solution doit être adoptée pour les comètes qui peuvent frapper la planète Terre. Il est important qu’il y ait une surveillance constante depuis l’espace pour identifier non seulement les astéroïdes, qui sont des corps célestes de petite masse et d’orbites irrégulières, mais aussi des comètes ou des morceaux de comètes, qui peuvent entrer en collision avec la Terre. Pour faire face à la possibilité de collision des planètes du système solaire avec la Terre, il est important qu’il y ait une surveillance constante du système solaire pour identifier la menace de sa déstabilisation par la planète Mercure et d’autres planètes et que des recherches soient menées pour identifier les planètes habitables pour les êtres humains visant à planifier leur évasion vers des exoplanètes (planètes situées en dehors du système solaire en orbite autour d’autres étoiles) telles que “Proxima b” en orbite autour d’une étoile faisant partie du système Alpha Centauri, la plus proche du système solaire système, situé à 4,2 années-lumière de la Terre, où seraient implantées des colonies spatiales. Afin de faire face à la menace de collision des planètes orphelines avec la planète Terre, il est important qu’il y ait une surveillance constante de l’espace pour identifier les planètes orphelines qui peuvent entrer en collision avec la Terre et déterminer le moment de leur collision dans le but d’adopter des mesures qui indiquent la nécessité de planifier la fuite des êtres humains vers d’autres lieux habitables pour les êtres humains situés dans le système solaire tels que Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter) avec l’implantation de colonies spatiales.

L’émission de rayons cosmiques, en particulier les rayons gamma émis par les étoiles supernova, qui ont le pouvoir d’anéantir la vie sur Terre, et le rayonnement et la masse coronale du Soleil avec ses conséquences néfastes sur l’homme sur Terre et dans les voyages spatiaux nécessitent l’adoption de stratégies visant la protection des êtres humains sur Terre et dans les voyages spatiaux, ainsi que la fuite des êtres humains vers des lieux habitables du système solaire pour sauver l’humanité, lorsque le besoin s’en fait sentir [1]. Pour sauver l’humanité des menaces posées par les rayons cosmiques et le rayonnement et la masse coronale du Soleil, il est nécessaire d’adopter les stratégies suivantes : 1) surveiller en permanence l’explosion des étoiles supernovae afin que, avant que l’explosion ne se produise, les mesures nécessaires soient prises visant à la fuite des êtres humains vers d’éventuels lieux habitables du système solaire tels que Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter); 2) promouvoir les avancées technologiques qui permettent l’implantation de colonies spatiales sur Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter), toutes avec de nombreux obstacles et l’augmentation de la capacité biologique des êtres humains à survivre hors de la Terre ; 3) utiliser le satellite Soho qui agit en position intermédiaire entre la Terre et le Soleil pour détecter les explosions à la surface solaire et envoyer des messages une heure avant l’arrivée de la tempête cosmique sur Terre ; et, 4) protéger les êtres humains du rayonnement cosmique lors de voyages spatiaux à long terme dans l’espace, en promouvant les avancées scientifiques et technologiques en plus d’augmenter la capacité biologique des êtres humains à effectuer des voyages spatiaux et à vivre hors de la Terre.

Comment la Terre et la Lune sont liées par un lien gravitationnel fort et s’influencent mutuellement. Ainsi, à mesure que le mouvement de la Terre ralentit, celui de la Lune accélère. Et quand quelque chose qui est en orbite accélère, cette accélération le repousse. l’augmentation continue de la distance de la Lune de 4 cm par an de la Terre peut avoir un impact négatif sur l’environnement de la planète [1]. La Lune est actuellement à 384 400 km de la Terre, soit 18 fois plus loin que lors de sa formation il y a 4,5 milliards d’années. Sans la Lune, la planète Terre serait méconnaissable. Les océans n’auraient presque plus de marées, les jours auraient une autre longueur et nous pourrions ne pas être là, selon certains scientifiques qui pensent que la Lune a été fondamentale pour le début de la vie sur notre planète. Pour faire face au problème lié à l’augmentation continue de la distance de la Lune à la Terre et à ses conséquences environnementales catastrophiques, il est très important que plusieurs équipes d’astronomes du monde entier se consacrent à la détection et à la surveillance de l’éloignement  continue de la Lune à la Terre pour mesurer ses conséquences sur la vie de la Terre et l’environnement, visant à l’adoption de mesures qui atténuent progressivement ses impacts négatifs et soulignent, dans les cas extrêmes, la nécessité de planifier la fuite des êtres humains vers les endroits habitables les plus viables du système solaire tels que Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter).

Le Soleil atteindra la fin de son existence d’ici 4 milliards d’années et la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée aura lieu d’ici 3,75 milliards d’années [1]. Avant la mort du Soleil, l’humanité était censée quitter le système solaire et atteindre une nouvelle planète dans un autre système planétaire habitable pour les humains. Parmi plusieurs exoplanètes (planètes situées en dehors du système solaire en orbite autour d’autres étoiles), la plus viable est l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil, faisant partie du système Alpha Centauri, qui se trouve à 4,2 années-lumière de la Terre. Avant la survenue de la collision entre les galaxies d’Andromède et de la Voie lactée, il est très important que plusieurs équipes d’astronomes du monde entier se consacrent à l’approfondissement de l’analyse de la collision entre ces galaxies pour évaluer les conséquences réelles sur la planète Terre et tracer des plans d’évasion pour les humains vers une planète habitable dans une galaxie plus proche telle que la Galaxie Naine du Canis Major située à 25 000 années-lumière de la Terre qui est une galaxie satellite de la Voie lactée située dans la constellation du Canis Major ou le Grand Nuage de Magellan qui est situé à 163 000 années-lumière de la Terre.

La fin de l’Univers nécessite l’adoption de stratégies visant la fuite des êtres humains vers des univers parallèles si leur existence est vérifiée [1]. Pour esquisser ces stratégies, il est nécessaire de rechercher le destin de notre Univers s’il finissait par se contracter éventuellement en commençant un nouvel Univers, s’il se dilaterait pour toujours, se refroidirait et finalement se congèlerait dans l’obscurité totale avec sa mort thermique, s’il se transformerait en un endroit froid, sombre et vide ou si le taux d’expansion de l’Univers se poursuit indéfiniment, il pourrait se dilater tellement que même les atomes qui forment les planètes et les galaxies commenceront à se désintégrer, générant la plus grande apocalypse de toutes. Il est également nécessaire d’élucider la nature de “l’énergie noire” et de la “matière noire”, qui constituent 96% de l’Univers, et d’enquêter sur l’existence ou non d’un multivers ou d’univers parallèles, ce qui est une autre question importante à étudier car la L’existence d’univers multivers ou parallèles ouvre la possibilité pour les êtres humains de survivre avec la fin de notre univers se dirigeant vers d’autres univers parallèles. Le développement de la théorie finale ou théorie du tout, c’est-à-dire de la théorie des champs unifiés, est une autre question importante à élucider car elle chercherait à expliquer et à relier dans un cadre théorique unique tous les phénomènes physiques de l’Univers, rejoignant quantique la mécanique et la théorie de la relativité générale en un seul traitement théorique et mathématique.

Pour protéger l’humanité des menaces existant sur la planète Terre et de celles venant de l’espace extra-atmosphérique, la science et la technologie doivent évoluer pour permettre aux êtres humains d’adopter des stratégies d’évasion vers des endroits situés à l’intérieur ou à l’extérieur du système solaire. Pour rendre possible l’adoption des stratégies décrites ci-dessus, il est nécessaire d’élucider les 9 principales questions cosmologiques suivantes : 1) Approfondir les connaissances sur le « Nuage de Oort » et la « Ceinture de Kuiper » situés aux limites du système solaire où ils se trouvent, respectivement, des comètes et des astéroïdes ; 2) Prouver l’existence de Nemesis, une étoile naine brune, qui constituerait avec le Soleil une étoile binaire qui pourrait jeter vers la Terre par son action gravitationnelle, des astéroïdes situés dans la « ceinture de Kuiper » et des comètes situées dans le « nuage de Oort » ; 3) Détecter les ondes gravitationnelles visant le développement de l’astronomie observationnelle pour sonder les premiers instants de l’Univers ; 4) Connaître la nature de la matière noire et de l’énergie noire pour comprendre l’Univers ; 5) Augmenter les sites habitables alternatifs possibles pour les humains dans le système solaire et au-delà ; 6) Déterminer la taille de l’Univers pour savoir s’il est fini ou infini et sa forme pour savoir s’il est plat ou sphérique ; 7) Connaître le destin de notre Univers s’il y aura contraction avec le début d’un nouvel Univers, expansion avec sa mort thermique, fin de l’Univers en tant que lieu froid, sombre et vide ou expansion illimitée jusqu’à sa désintégration ; 8) Prouver l’existence ou non d’univers parallèles ; et, 9) Promouvoir le développement de la théorie finale ou théorie de tout, c’est-à-dire de la théorie des champs unifiés pour expliquer et connecter dans un cadre théorique unique, tous les phénomènes physiques rejoignant la physique quantique et la théorie de la relativité générale dans un seul cadre théorique et traitement mathématique.

La première question à éclaircir concerne le « Nuage d’Oort » [2] (Figure 1) où se situent les comètes et la « Ceinture de Kuiper » [3] [4] (Figure 2) où se situent les astéroïdes à la périphérie du système solaire. Face à la menace de collision des comètes venant du “Nuage d’Oort” avec la planète Terre et de la collision des astéroïdes avec la planète Terre venant de la “Ceinture de Kuiper”, il est d’une importance fondamentale de comprendre les forces gravitationnelles exercées par le “Oort Cloud” et par la “ceinture de Kuiper” située au-delà de la planète Neptune pour évaluer la possibilité que des comètes et des astéroïdes soient lancés dans toutes les directions, dont beaucoup pourraient frapper la Terre, provoquant ainsi de grandes extinctions de vie sur notre planète.

Figure 1- Nuage d’Oort

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Source : http://revistacosmosonline.blogspot.com/2016/07/nuvem-de-oort-e-nuvem-de-hills.html

Figure 2- Ceinture de Kuiper

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Source : https://hypescience.com/o-que-e-o-cinturao-de-kuiper/

La deuxième question à éclaircir concerne la preuve de l’existence de Némésis [5] qui constituerait avec le Soleil une étoile binaire, qui serait située dans une position au moins dix-sept fois plus éloignée du Soleil que Neptune, la dernière planète de du système solaire, et pourrait jeter par son action gravitationnelle des astéroïdes situés dans la « ceinture de Kuiper » et des comètes situées dans le « nuage de Oort » vers la Terre et provoquer de grandes extinctions de vie sur notre planète (Figure 3).

Figure 3- Soleil et Némésis

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Source : http://decadasdehistorias.blogspot.com/2015/05/nemesis-irma-gemea-do-sol.html

La troisième question à élucider concerne la détection des ondes gravitationnelles [6] visant le développement de l’astronomie observationnelle pour sonder les premiers instants de l’Univers (Figure 4). Les ondes gravitationnelles sont des oscillations produites dans le tissu de l’espace-temps qui se déplacent à la vitesse de la lumière. Ce type d’onde se produit lorsque des corps extrêmement massifs, tels que des trous noirs ou des étoiles à neutrons, sont en orbite l’un autour de l’autre ou lorsqu’ils entrent en collision. C’était l’une des hypothèses d’Albert Einstein qui s’est avérée début février 2016 : les ondes gravitationnelles ont finalement été détectées. La gravité, pour la théorie de la relativité, est comprise comme une courbure créée dans l’espace-temps en raison de la présence d’un corps massif. L’attraction gravitationnelle est comprise comme un mouvement qui se produit à la suite de cette courbure. Les vibrations qui surviennent dans le maillage espace-temps génèrent des ondes gravitationnelles, qui, par rapport aux autres rayonnements existants, sont extrêmement subtiles et difficiles à détecter car la gravité est la plus faible des forces fondamentales (force magnétique, force électrique, forces nucléaires et gravitationnelles). Il est nécessaire de comprendre que les ondes gravitationnelles ne se propagent pas dans l’espace-temps, mais que le “maillage” de l’espace-temps lui-même oscille en raison de l’interaction entre les corps massifs. Les ondes gravitationnelles sont une nouvelle façon de “voir” ce qui se passe dans l’espace. Ceci est particulièrement important car les ondes lumineuses ne peuvent pas pénétrer dans le plasma qui a occupé tout l’espace pendant les premières centaines de milliers d’années qui ont suivi le Big Bang lorsque notre Univers est né, contrairement aux ondes gravitationnelles. Avec la détection des ondes gravitationnelles, il sera possible d’utiliser la gravité, et non la lumière, comme guide pour sonder les premiers instants de l’Univers depuis le Big Bang.

Figure 4- Ondes gravitationnelles

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Source : http://www.sbfisica.org.br/v1/home/index.php/pt/destaque-em-fisica/135-entenda-a-importancia-das-ondas-gravitacionais-com-a-rbef

La quatrième question à éclaircir concerne la nature de la matière noire et de l’énergie noire [7] [8] pour comprendre l’Univers. L’Univers est composé de 73% de matière noire et de 23% d’énergie noire, le reste étant composé de galaxies, d’étoiles, de planètes, etc. ce qui correspond à 4% de l’Univers entier (Figure 5). Sans connaître l’essence de la matière noire et de l’énergie noire qui correspond à 96% de l’Univers, nous ne comprendrons pas son fonctionnement dans son intégralité.

Figure 5- L’énergie noire, la matière noire et l’Univers connu

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Source : https://www.misteriosdouniverso.net/2015/01/o-que-sao-materia-e-energia-escura.html

La cinquième question à clarifier concerne l’identification d’éventuels lieux d’habitation alternatifs pour l’homme dans le système solaire et en dehors de celui-ci pour permettre à l’homme de s’échapper de la planète Terre à la recherche de sa survie avec l’implantation de colonies spatiales dans le système solaire en place des habitats habitables possibles tels que Mars [10] (Figure 6), Titan – lune de Saturne [11] (Figure 7), Callisto – lune de Jupiter [12] (Figure 8) ou en dehors du système solaire comme dans l’exoplanète Proxima b situé dans le système Alpha Centauri [13] (Figure 9). Un plus grand défi sera de chercher l’évasion de l’humanité vers une planète dans une galaxie plus proche telle que la Galaxie Naine de Canis Majeure située à 25 000 années-lumière de la Terre. L’humanité a besoin de développer des ressources scientifiques et technologiques pour pouvoir s’échapper vers une planète du système solaire, atteindre l’exoplanète habitable, “Proxima b”, en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil faisant partie du système Alpha Centauri, la plus proche galaxie comme le Galaxie Naine de Canis Majeure, et chercher un moyen de sortir vers un univers parallèle avant la fin de notre Univers. Mars, Titan, l’une des lunes de Saturne et Callisto, l’une des lunes de Jupiter, sont jusqu’à présent considérées comme les meilleures alternatives pour la colonisation humaine au sein du système solaire, tandis que l’exoplanète Proxima B, une planète de la taille de la Terre en orbite autour du système Alpha Centauri, se présente comme une alternative possible à la colonisation humaine en dehors du système solaire.

Mars est la planète la plus habitable du système solaire (Figure 6). Il a été considéré comme l’un des principaux candidats à une colonisation humaine extensive et permanente, non seulement parce qu’il est plus proche de notre planète, mais aussi parce que ses conditions de surface sont plus similaires à la Terre par rapport aux autres planètes du système solaire. En faveur de Mars, par exemple, la disponibilité des eaux de surface, bien que gelées, se démarque. En 2018, un dépôt d’eau liquide a été découvert sous la glace de la planète. Mars est l’option numéro 1 car c’est une planète raisonnablement semblable à la Terre en termes de gravité, et le fait qu’elle soit proche de la Terre permet un voyage pouvant aller jusqu’à 9 mois.

Figure 6- Planète Mars

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Source : https://olhardigital.com.br/2020/12/18/noticias/nasa-aprova-nova-etapa-de-missao-para-buscar-amostras-de-marte/

Titan est le plus grand satellite naturel de Saturne (Figure 7). Titan est remarquablement semblable à la Terre et a une surface ferme, une atmosphère épaisse et même des eaux de surface. Il a une atmosphère dense et est le seul objet stellaire, autre que la Terre, où des preuves concrètes de l’existence de corps liquides stables à la surface ont été trouvées. Les chercheurs pensent que l’atmosphère naturelle et les composants physiques de Titan font de cette lune un bon candidat pour une éventuelle implantation humaine en dehors de la Terre, mais elle pourrait également servir de source d’énergie potentielle pour de futures missions.

Figure 7- Titan (lune de Saturne)

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Source : https://br.sputniknews.com/20180721/nasa-lua-saturno-tita-fotos-11770990.html

Callisto est l’une des alternatives à la colonisation humaine car étant plus éloignée de Jupiter, elle reçoit moins de rayonnement de la géante gazeuse (Figure 8). Il est possible qu’il y ait un océan souterrain, à une profondeur de 100 à 150 kilomètres, et un petit noyau rocheux. La présence probable d’un océan à l’intérieur de Callisto laisse ouverte la possibilité qu’il puisse abriter la vie. En raison des faibles niveaux de rayonnement à sa surface, Callisto a été considéré comme l’emplacement le plus approprié pour une base pour l’exploration humaine future du système de Jupiter. La NASA elle-même a déjà commencé à étudier la possibilité d’envoyer des humains à Callisto pour sa stabilité géologique et la possibilité de transformer la glace de surface en propulseur de fusée.

Figure 8- Callisto (lune de Jupiter)

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Source : https://pixabay.com/pt/illustrations/j%C3%BApiter-calisto-lua-de-j%C3%BApiter-lua-529959/

L’exoplanète Proxima B est une planète de la taille de la Terre en orbite autour du système Alpha Centauri (Figure 9). Cette planète est pratiquement voisine de la Terre. C’est à seulement 4 années-lumière. Les scientifiques pensent qu’il s’agit d’une planète solide et rocheuse. L’exoplanète n’est ni trop chaude ni trop froide pour que de l’eau liquide existe à sa surface. Si c’est le cas, il pourrait aussi y avoir de la vie. Mais il reste à déterminer s’il possède ou non une atmosphère. Y arriver est encore une mission impossible avec la technologie actuelle, car il faudrait parcourir les 40 000 milliards de kilomètres qui nous en séparent.

Figure 9- Exoplanète Proxima B située dans le système Alpha Centauri

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Source : https://austria-forum.org/af/Wissenssammlungen/Essays/Naturwissenschaften/Proxima_Centauri_b

La sixième question à éclaircir concerne la taille de l’Univers [13] pour déterminer s’il est fini ou infini et sa forme pour déterminer s’il est plat ou sphérique. Déterminer la taille de l’Univers est une tâche importante et complexe car, jusqu’à présent, nous ne savons pas s’il existe quelque chose au-delà de ce que nos télescopes les plus puissants ont déjà pu enregistrer. Toutes les données cosmologiques recueillies à ce jour correspondent à l’idée que l’Univers est plat. Il y a cependant des opposants à la théorie de l’univers plat qui défendent la thèse d’un univers sphérique ou fermé. La détermination de la taille et de la forme de l’Univers (plat ou sphérique) doit être élucidée pour mieux comprendre l’Univers (Figure 10).

Figure 10- Univers observable vu de la planète Terre

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La septième question à clarifier concerne le destin de notre Univers s’il y aura contraction initiant un nouvel Univers, expansion avec sa mort thermique, fin de l’Univers en tant que lieu froid, sombre et vide ou expansion illimitée jusqu’à sa désintégration [13] [15] . Connaître l’évolution future et le destin de l’Univers est d’une importance fondamentale pour la formulation de stratégies pour la survie de l’humanité.

La huitième question à éclaircir concerne l’existence ou non d’un multivers ou d’univers parallèles [14] [16] car l’élucidation de leur existence ouvre la possibilité que des êtres humains survivent à la fin de notre Univers en se dirigeant vers d’autres univers parallèles. L’idée que nous vivions dans un « multivers » composé d’un nombre infini d’univers parallèles a longtemps été considérée comme une possibilité scientifique. Le défi est de trouver un moyen de tester cette théorie. Les univers seraient, par analogie, semblables à des bulles flottant dans un espace plus vaste capable de les abriter (Figure 11).

Figure 11- Univers parallèles

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Source : https://www.epochtimes.com.br/assets/uploads/2013/08/ct-multiverso-dimensoes-energia-795×447.jpg

Enfin, la neuvième question à élucider concerne le développement de la théorie finale ou théorie du tout [17], c’est-à-dire de la théorie des champs unifiés qui chercherait à expliquer et relier dans un cadre théorique unique tous les phénomènes physiques en rejoignant la mécanique quantique et la théorie de la relativité générale en un seul traitement théorique et mathématique. La théorie du champ unifié collaborerait dans le sens où la science fournirait les conditions permettant à l’humanité de faire face aux menaces à sa survie qui existent dans l’espace extra-atmosphérique et permettrait de vérifier les conséquences de l’utilisation de technologies avancées au profit de l’humanité. Il n’y a pas encore de théorie du champ unifiée acceptée, et ce sujet reste un champ de recherche ouvert.

Les 9 principales questions cosmologiques présentées dans cet article doivent être élucidées sans tarder. Le succès dans l’élucidation de ces questions cosmologiques fournira les conditions pour connaître l’Univers et, par conséquent, favorisera l’avancée technologique indispensable à l’adoption de stratégies visant la survie de l’humanité en tant qu’espèce.

RÉFÉRENCES

1.             ALCOFORADO, FernandoA humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

2.             REVISTA COSMOS ON-LINE. Nuvem de Oort e Nuvem de Hills. Disponible sur le site Web <http://revistacosmosonline.blogspot.com/2016/07/nuvem-de-oort-e-nuvem-de-hills.html>.

3.             USP-CENTRO DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA. Cinturão de Kuiper. Disponible sur le site Web <http://200.144.244.96/cda/aprendendo-basico/sistema-solar/cinturao-de-kuiper.html>.

4.             ROMANZOTI, Natasha. Cinturão de Kuiper: do que ele é formado? Disponible sur le site Web <https://hypescience.com/o-que-e-o-cinturao-de-kuiper/#:~:text=Os%20objetos%20de%20Kuiper,equivalente%20a%20149.597.871%20quil%C3%B4metros>. 

5.        DÉCADAS DE HISTÓRIA. Nêmesis, irmã gêmea do Sol. Disponible sur le site Web <http://decadasdehistorias.blogspot.com/2015/05/nemesis-irma-gemea-do-sol.html>.

6.             SBF- Sociedade Brasileira de Física. Entenda a importância das ondas gravitacionais com a RBEF. Disponible sur le site Web <http://www.sbfisica.org.br/v1/home/index.php/pt/destaque-em-fisica/135-entenda-a-importancia-das-ondas-gravitacionais-com-a-rbef>.

7.             SÉRVULO, Felipe. O que são matéria e energia escura? Disponible sur le site Web <https://www.misteriosdouniverso.net/2015/01/o-que-sao-materia-e-energia-escura.html>.

8.             PANEK, Richard (2011). The 4% Universe. Boston e New York: Mariner Books.

9.             WARD, Peter D.; BROWNLEE, Donald (2002). The Life and Death of Planet Earth: How the New Science of Astrobiology Charts the Ultimate Fate of Our World. Nova Iorque: Times Books, Henry Holt and Company. 

10.          OLHAR DIGITAL. Nasa aprova nova etapa de missão para buscar amostras de Marte. Disponible sur le site Web  <https://olhardigital.com.br/2020/12/18/noticias/nasa-aprova-nova-etapa-de-missao-para-buscar-amostras-de-marte/>.

11.          SPUTNIK BRASIL. NASA publica fotos nunca antes vistas da incrível lua de Saturno. Disponible sur le site Web  <https://br.sputniknews.com/20180721/nasa-lua-saturno-tita-fotos-11770990.html>.

12.          SOLARVIEWS. Calisto. Disponible sur le site Web <https://solarviews.com/portug/callisto.htm>.

13.          ALCOFORADO, Fernando. The Future of Universe, Sun, Earth and Humanity. Publicado na revista Journal of Atmospheric & Earth Sciences. Disponible sur le site Web <https://www.heraldopenaccess.us/openaccess/the-future-of-universe-sun-earth-and-humanity>.

14.          KAKU, Michio (2005). Mundos paralelos. Rio: Editora Rocco Ltda.

15.          GUILLEMOT, H.; GREFFOZ, V. (2002). Ce que sera la fin du monde. Science et Vie. N° 1014.

16.          EPOCHTIMES. Múltiplas dimensões: entre supercordas e mundos paralelos. Disponible sur le site Web  <https://www.epochtimes.com.br/multiplas-dimensoes-supercordas-mundos-paralelos/>.

17.          WIKIPEDIA. Teoria de tudo. Disponible sur le site Web https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_de_tudo>.

18.          SERRANO, Carlos. Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências? Disponible sur le site Web <https://www.bbc.com/portuguese/geral-60228443>, 2022.

* Fernando Alcoforado, 82, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).