A COP 26 E O FUTURO DO PLANETA TERRA

Fernando Alcoforado*

Líderes de 196 países se reunirão em Glasgow, na Escócia, entre os dias 1º e 12 de novembro deste ano para a grande conferência do clima, a COP 26. A COP26 é um encontro para discutir as mudanças climáticas e como os países pretendem combatê-las. A COP26 será o vigésimo sexto encontro desde que o tratado entrou em vigor, em março de 1994 com o objetivo de reduzir o impacto da atividade humana no clima. Espera-se que sejam negociadas ações para limitar as mudanças climáticas e seus efeitos, como o aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos. O encontro é visto como crucial para que sejamos capazes de exercer algum controle sobre as mudanças climáticas. Em Glasgow, líderes globais avaliarão os resultados do Acordo de Paris de 2015, a COP 21, que foi um marco nas negociações internacionais sobre o clima. Esse acordo foi o passo mais importante já dado até o momento pelos países na tentativa de limitar as mudanças climáticas. 

Na COP 21, as nações concordaram em tentar manter o aumento da temperatura média do globo “bem abaixo” de 2 °C e tentar limitá-la a 1,5 °C em relação aos padrões pré-industriais. Até o momento, a temperatura já subiu 1,2 °CNa COP 21, em Paris, todos os signatários concordaram em:

·        Reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa;

·        Ampliar a produção de energia renovável;

·        Destinar bilhões de dólares para ajudar países pobres a lidar com o impacto da mudança climática.

Também foi acordado na COP 21 que de cinco em cinco anos haveria uma análise do progresso atingido. A primeira análise deveria ocorrer na COP26 em 2020, mas, por causa da pandemia, ela teve de ser adiada para 2021.

A análise do acordo de Paris (COP 21) permite constatar que dois aspectos-chave não foram considerados: (1) o objetivo de longo prazo de descarbonização da economia mundial até 2050 com o corte de pelo menos 70% das emissões globais de gases de efeito estufa até meados do século XXI; e 2) a meta de temperatura não ser acompanhada de um roteiro informando como o mundo pretende alcançar menos do que 2 °C ou 1,5 °C, o que enfraquece a busca desse alvo. O Acordo de Paris não resolveu as questões fundamentais e as metas voluntárias indicadas por cada uma das nações não foram suficientes para garantir que o aquecimento global estará bem abaixo dos 2 graus Celsius e 1,5 graus Celsius até 2100. Além disso, o documento é omisso em não apresentar propostas que contribuam para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável em nosso planeta em substituição ao modelo atual insustentável de desenvolvimento capitalista.

A insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento capitalista é evidente, uma vez que tem sido extremamente destrutivo das condições de vida no planeta. Trata-se de um imperativo substituir o atual modelo econômico dominante em todo o mundo por outro que leve em conta o homem integrado ao meio ambiente, com a natureza, isto é, o modelo de desenvolvimento sustentável. Isso não foi considerado na COP 21. Para mudar esta situação e colocar um fim à constante mudança climática que ameaça destruir nosso planeta e comprometer o futuro da humanidade, é necessário promover uma transformação profunda da sociedade atual.

Outra questão não abordada na COP 21 diz respeito às guerras que está proliferando em todo o mundo e é, em grande parte, responsável pelo agravamento ambiental do planeta. Entre as incontáveis consequências das guerras estão os efeitos devastadores sobre o meio ambiente. O bombardeio de alvos militares e de populações civis, o intenso movimento de veículos militares e tropas nos campos de batalha, a grande concentração de voos de combate, os mísseis lançados sobre cidades e a destruição de estruturas militares e industriais durante todos esses conflitos também provocam a emissão de metais e outras substâncias que contaminam o solo, a água e o ar. Além da contaminação ambiental, também é necessário considerar a modificação de paisagens naturais e a perda de biodiversidade a longo prazo, seja pela presença de minas terrestres ou agentes químicos dispersos no meio ambiente. Isso também não foi considerado na COP 21.

Por fim, é importante ressaltar que o Acordo de Paris também não considerou a necessidade da construção de um sistema de governança global no planeta Terra com capacidade de fazer com que as relações internacionais sejam baseadas em um contrato social planetário que seja capaz de evitar a mudança climática catastrófica global e a proliferação de guerras no mundo e garantir o cumprimento do Acordo de Paris. A COP 26 terá que corrigir as falhas da COP 21 sem o qual dificilmente conseguiremos evitar as mudanças catastróficas no clima do planeta Terra no século XXI.

É importante observar que a humanidade se defronta com uma fronteira temporal que não é 2100, mas bem mais cedo, 2030! Esta data não é arbitrária. Em 2030, viveremos em um planeta que terá cerca de 9 bilhões de habitantes dos quais dois terços vivendo em uma Terra saturada de poluição e dejetos já afetada por uma alta sensível de temperaturas. Em 2030, estaremos entrando em uma fase de penúria em relação ao petróleo e de forte tensão sobre outros combustíveis fósseis, em um contexto de redução dos recursos naturais e empobrecimento de terras cultiváveis. A concentração de gás carbônico na atmosfera que era de 280 ppm (partículas por milhão) em volume no início da era industrial poderá alcançar no século XXI valores entre 540 e 970 ppm. Este aumento da concentração de gás carbônico é responsável por 70% do aquecimento global em curso. O mundo está diante de um desafio que é o de não permitir o aquecimento global no século XXI superior a dois graus centígrados sem o qual terá que arcar com as consequências catastróficas resultantes das mudanças climáticas.

Para evitar que o aquecimento global ultrapasse 2ºC será preciso uma radical descarbonização da economia mundial. Trata-se de uma tarefa de difícil realização, mas ainda possível. Neste sentido, o mundo precisa limitar todas as emissões de gás carbônico (CO) a um trilhão de toneladas. Para alcançar este objetivo terá que haver em todos os países do mundo um gigantesco esforço no sentido de diminuir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa. Este objetivo só será alcançado se a COP 26 adotar políticas que contribuam para: 1) reformar os setores de energia e transportes; 2) promover o uso de fontes de energia renovável; 3) limitar as emissões de gases do efeito estufa; e, 4) proteger florestas e outros sumidouros de carbono. Considerando o fato de que os principais responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa no mundo são: 1) a geração de energia elétrica de usinas termelétricas com o uso de combustíveis fósseis com 22% das emissões de gases do efeito estufa; 2) o desmatamento com 18%; 3) a agricultura e pecuária com 14%; 4) a indústria com 14%; 5) os automóveis e aviões com 13%; 6) o uso residencial e comercial de combustíveis com 11%; 7) a decomposição do lixo com 4%; e, 8) as refinarias com 4%, o esforço da comunidade internacional deve ser concentrada na adoção de medidas que contribuam para a eliminação ou redução da emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera nesses setores.

Para exemplificar, as usinas termelétricas que utilizam combustíveis fósseis devem ser substituídas por fontes renováveis de energia (solar, eólica e biomassa) e, em última instância por usinas nucleares e o desmatamento deve ser combatido com uma fiscalização rigorosa de áreas florestais e com a punição exemplar dos desmatadores. Deve-se incentivar a substituição do óleo diesel utilizado na agricultura pelo biodiesel, a redução do tamanho da população bovina responsável pela emissão de metano para a atmosfera, a substituição do óleo combustível utilizado pela indústria pelo gás natural menos poluente, o uso do etanol pelos automóveis em substituição à gasolina e a fabricação de carros elétricos em substituição aos veículos movidos com combustíveis fósseis. Deve-se promover a substituição do GLP utilizado nas residências e no comércio pelo gás natural menos poluente. A emissão de gases do efeito estufa resultante da decomposição do lixo pode ser evitada com o uso do metano produzido nos aterros sanitários na geração de energia elétrica, bem como na produção de adubo. Nas refinarias, deveria haver um esforço no sentido de reduzir a produção de derivados de petróleo paralelamente à adoção de medidas voltadas para a redução do consumo de derivados de petróleo. As refinarias deveriam estar voltadas fundamentalmente para a produção de derivados de petróleo de uso mais nobre ou menos poluente.

Portanto, para eliminar ou reduzir as emissões de gases do efeito estufa e impedir as mudanças climáticas catastróficas em nosso planeta, urge reduzir o consumo de petróleo com a adoção de políticas visando a execução de programas que contribuam para sua substituição por outros recursos energéticos. Neste sentido, é preciso efetuar a: 1)  geração de energia elétrica com o uso de fontes renováveis de energia (solar, eólica e biomassa); 2) substituição da gasolina pelo etanol e do óleo diesel pelo biodiesel no setor de transporte; 3) substituição do óleo combustível pelo gás natural e biomassa na indústria; 4) substituição do óleo diesel pela biomassa e gás natural no setor energético; e, 5) substituição do GLP pelo gás natural no setor residencial e de serviços.

Adicionalmente, é imprescindível a adoção de políticas energéticas visando a execução de programas que contribuam para redução do consumo de petróleo através de ações de economia de energia. As políticas de economia de energia consistiriam no seguinte: 1) produzir vapor e eletricidade na indústria com o uso de sistemas de cogeração; 2) incentivar as montadoras de automóveis e caminhões no sentido de elevar a eficiência dos veículos automotores para reduzir o consumo de combustíveis; 3) expandir os sistemas ferroviários e hidroviários para o transporte de carga em substituição ao uso de caminhões; 4) expandir o sistema de transporte coletivo, sobretudo o transporte de massa de alta capacidade como o metrô ou VLT para reduzir o uso de automóveis nas cidades; 5) restringir o uso de automóveis nos centros e em outras áreas das cidades; 6) incentivar a fabricação de máquinas e equipamentos de maior eficiência para economizar energia e de veículos elétricos; e, 7) utilizar derivados de petróleo principalmente para fins não energéticos, sobretudo como matéria prima industrial.

Todas as medidas acima descritas deveriam ser adotadas na COP 26 para evitar a mudança climática catastrófica global. Elas se justificam porque, globalmente, a temperatura média da superfície dos mares tem sido a maior da história, 0,57°C acima da média do século XX, enquanto a da superfície da Terra ultrapassou em 1°C esta mesma média. As regiões polares da Terra são locais onde a mudança climática está tendo impactos visíveis e significativos. O gelo marinho no Ártico diminuiu drasticamente nos últimos anos. As plataformas de gelo da Antártica estão se desintegrando e rompendo. A Antártica é a maior massa congelada com 90% do gelo da Terra. A maior parte do gelo fica na Antártica Oriental que é mais alta, mais fria e menos propensa a derreter. Na Antártica Ocidental, parte do gelo está em depressões vulneráveis a derretimento. Dados da Agência Espacial Europeia indicam que o continente antártico desprendeu 160 bilhões de toneladas métricas de gelo por ano de 2010 a 2013. Se tudo isto continuar em evolução, o nível do oceano deverá se elevar significativamente submergindo várias regiões do planeta.

Além do degelo dos polos, a mudança no clima da Terra devido ao aquecimento global está contribuindo para a ocorrência de inundações nas cidades que se repetem de forma cada vez mais catastrófica em seus efeitos. Recentemente, ocorreram enchentes que expõem a vulnerabilidade das cidades da Europa e da China ao clima mais extremo. Para fazer frente a eventos climáticos extremos nas cidades, é preciso, que seja realizado o controle de inundações. O controle de inundação diz respeito a todos os métodos usados para reduzir ou impedir os efeitos prejudiciais da ação das águas com a execução de diques, represas, bacias de retenção ou detenção. Obras de engenharia devem ser executadas para prevenir e mitigar os efeitos das inundações nas cidades com a adoção de medidas estruturais e não estruturais. As medidas estruturais correspondem aos trabalhos de engenharia que podem ser implementados visando a prevenção e / ou a correção de problemas decorrentes de inundações. Medidas não estruturais são aquelas que buscam prevenir e / ou reduzir os danos e consequências das inundações, não por meio do trabalho de engenharia, mas pela introdução de normas, regulamentos e programas que visam, por exemplo, disciplinar o uso e ocupação do solo, implementação de sistemas de alerta e conscientização da população.

Se todas as medidas aqui propostas forem consideradas pela COP 26 e postas em prática no mundo, o futuro do planeta Terra não será comprometido com a mudança climática catastrófica global.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).   

AS REVOLUÇÕES NAS COMUNICAÇÕES DESDE A ESCRITA NA PRÉ-HISTÓRIA À INTERNET 5G NA ERA CONTEMPORÂNEA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as revoluções nas comunicações que aconteceram ao longo da história da humanidade desde a escrita na pré-história até a era contemporânea com o advento da Internet 5G. A comunicação surgiu da necessidade do ser humano de passar informação uns aos outros. As primeiras formas de comunicação aconteceram por meio de sinais, gestos e sons depois vieram, pela ordem, a escrita, o correio, o jornal, o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão, o computador, o celular e a internet como meios de comunicação.  Meios de comunicação são ferramentas que possibilitam a comunicação entre os indivíduos por meio da transferência de informações de forma individual ou em massa. Os meios de comunicação são ferramentas que possibilitaram ampliar a comunicação entre os indivíduos propiciando a difusão de informações. Esses meios de comunicação vêm sofrendo diversas transformações ao longo da história da humanidade e acelerando a disseminação de informações.

A escrita, como meio de comunicação, significava a utilização de códigos e sinais para transmitir informações entre os seres humanos tendo surgido a partir dos primeiros registros de desenhos (pinturas rupestres) em cavernas, datados de 15.000 a.C. e outros registros encontrados em várias partes do mundo, como os hieróglifos, no Egito e cartas gravadas em baixo relevo sobre ladrilhos de cerâmica. O correio é um dos meios de comunicação mais antigos cujo sistema envolve envio de cartas, documentos e encomendas entre remetente e destinatário. O papiro encontrado em Hibeh, datado de 255 a.C., contém informações sobre a forma de como era organizado o serviço egípcio de mensageiros. Na China, na dinastia dos Sung (960-1.276 d.C.), os carteiros eram mensageiros a pé e mensageiros montados a cavalo. Quando da dominação dos mongóis (século Xlll e XlV), segundo fontes de Marco Polo, havia perto de 10.000 postos de correio e o serviço de cavaleiros tinha à sua disposição 200.000 cavalos. Os cretenses e fenícios também desenvolveram um sistema de comunicação postal e foram os primeiros a utilizar pombos e andorinhas como mensageiros.

Historiadores atribuem ao Imperador Romano Júlio César a invenção do jornal. A Acta Diurna era uma publicação oficial do Império Romano, criada no ano de 59 a.C. durante o governo imperial de Júlio César. Ela trazia notícias diariamente para a população de todos os cantos do Império (e de fora dele) falando principalmente de conquistas militares, ciência e de política. O telégrafoque permite a comunicação por meio do código Morse foi criado em 1835 por Samuel Morse, nos Estados Unidos. O telégrafo é um aparelho para a comunicação que utiliza eletricidade para enviar mensagens codificadas através de fios. Em meados do século XIX, era a maneira mais rápida de comunicação a distância. O telefone, inventado por Alexander Graham Bell em 1876, é um meio de comunicação eletroacústico que possibilita a transmissão de informação por meio da voz e de sinais sonoros. A invenção do telefone ocorreu de maneira acidental para aperfeiçoar as transmissões do telégrafo, que possui conceitos estruturais muito semelhantes. Ao telégrafo, contudo, era possível a transmissão de apenas uma mensagem por vez. Graham Bell percebeu a possibilidade de transmitir mais de uma mensagem ao longo do mesmo fio de uma só vez na concepção de “telégrafo múltiplo”.

Paralelamente à descoberta do telefone, surgiu a radiotransmissão.  O rádio é um veículo de comunicação baseado na difusão de informações sonoras por meio de ondas eletromagnéticas em diferentes frequências. Ele é considerado o meio mais popular e o de maior capacidade de comunicação de massa mundialmente. A história do rádio começou com Michael Faraday, que, em 1831, descobriu a indução magnética. Mas o princípio da propagação radiofônica veio mesmo em 1887, através de Henrich Rudolph Hertz. A primeira companhia de rádio foi fundada em Londres, pelo cientista italiano Guglielmo Marconi, em 1896, com a emissão e recepção de sinais sem fio. No ano seguinte, Oliver Lodge inventou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitou a mudança de sintonia selecionando a frequência desejada. A televisão, concebida desde o século XIX e que teve seu desenvolvimento na década de 1920 pelo escocêJohn L. Baird e pelo russo Wladmir Zworykin, é um meio de comunicação eletrônico capaz de reproduzir imagens e áudios de forma instantânea, convertendo luz e som em ondas eletromagnéticas.

O primeiro computador eletrônico em larga escala, desenvolvido sem partes mecânicas ou híbridas surgiu apenas em 1945, depois da 2ª Guerra Mundial. Há quem diga que foi Charles Babbage quem criou no século XIX, uma máquina analítica que, a grosso modo, é comparada com o computador atual com memória e programas. Com esta invenção, Babbage é considerado o “pai da Informática”. Embora muitos conceitos de Babbage sejam usados hoje, a formalização dos componentes, que viria a ser uma máquina de uso geral e novas abstrações, só foram consolidadas a partir da década de 1930, graças a John Von Neumannum dos desenvolvedores do ENIAC, e a Alan Turing. O celular é um meio de comunicação que faz a transmissão de voz e de dados por meio de ondas eletromagnéticas. Foi inventado em 1947 pela empresa de tecnologia Bell nos Estados Unidos. Em 1956, a Ericsson lançou um modelo de celular que, a partir daí, outras empresas, como a Motorola, passaram a criar celulares. Em 2007, o aparelho celular sofreu uma grande transformação com o lançamento de um smartphone sem teclados numéricos pela Apple. Atualmente, os celulares são um dos meios de comunicação mais utilizados no mundo para fazer ligação, armazenar dados e transmitir informações individuais e em massa. Isso só foi possível com a criação do meio de comunicação que revolucionou o mundo, a Internet.  

A Internet é, sem dúvida, uma das maiores invenções do século XX. Desde que surgiu, abriu as portas para novos desenvolvimentos tecnológicos que continuam avançando até hoje, transformando o modo como vivemos e nos relacionamos. Atualmente, viver sem a Internet é simplesmente impensável. Há 40 anos, os computadores eram grandes máquinas que realizavam cálculos e armazenavam informações. De forma geral, seu uso tinha fins exclusivamente científicos e governamentais. O grande avanço na história da Internet ocorreu em 1965, quando Lawrence G. Roberts, em Massachusetts, e Thomas Merrill, na Califórnia, conectaram um computador por uma linha telefônica comutada de baixa velocidade. O experimento foi um sucesso e é marcado como o acontecimento que criou a primeira WAN (Wide Area Network) da história. A história da Internet continuou em 1966, quando Lawrence G. Roberts entrou na DARPA e criou o plano da ARPANET para desenvolver a primeira rede de comutação de pacotes. Embora o primeiro protótipo de uma rede comutada por pacotes descentralizada já tivesse sido projetado pelo Laboratório Nacional de Física (NPL) do Reino Unido em 1968, ganharia visibilidade somente em 1969, quando um computador da Universidade da Califórnia (UCLA) se conectou com sucesso a outro do Stanford Research Institute (SRI). A conexão foi tão bem-sucedida que, meses depois, quatro universidades americanas já estavam interconectadas. Assim nasceu a ARPANET.

Em 1970, a ARPANET estava consolidada com centenas de computadores conectados. S. Crocker e sua equipe estabeleceram o protocolo de controle chamado Network Control Protocol (NCP), que permitia o desenvolvimento de aplicativos a partir dos computadores conectados à ARPANETEm 1972, Ray Tomlinson criou o software básico de e-mail, que se tornou o aplicativo mais importante da década e mudou a natureza da comunicação e colaboração entre as pessoas. Seu impacto foi tão grande que a ARPANET se afastou gradativamente do seu primitivo uso militar para ter uso científico na disseminação de informações. Por esse motivo, em 1974, mais de 50 universidades americanas estavam conectadas à ARPANET. Apesar de seu sucesso, o protocolo NCP não era suficiente para se comunicar com redes ou máquinas fora da ARPANET, como redes de pacotes por rádio ou satélite. Por isso, em 1974 Robert Kahn e Vinton Cerf desenvolveram uma nova versão do protocolo que respondia a um ambiente de rede de arquitetura aberta. No início da década de 1980, a ARPANET mudou o protocolo NCP para o novo TCP/IP. O IP havia se tornado o serviço portador da Infraestrutura de Informação Global. O protocolo TCP/IP facilitava a comunicação entre redes sem a necessidade de que estas fizessem alterações em sua interface. Além disso, garantia que nenhum pacote de informações fosse perdido e verificava se eles chegavam na ordem em que haviam sido enviados. Em 1985, a Internet já estava consolidada como a principal rede de comunicação com alcance global.

Em 1989, Tim Berners-Lee desenvolveu a World Wide Web (WWW) para facilitar o trabalho colaborativo. Basicamente, a WWW funciona como um sistema de distribuição de documentos de hipertexto (HTTP) interconectados e acessíveis por meio de um navegador web conectado à Internet. O sistema se tornou tão popular que, em 1991, foi aberto ao público externo. Isso foi possível graças à criação do navegador Mosaic em 1993. De fato, sua recepção foi tão rápida que em 1997 havia mais de 200 mil sites. Com o advento do TCP/IP, redes individuais, educacionais e comerciais começaram a ter acesso à comunicação quase imediata e às informações disponíveis oferecidas pela Internet. A conectividade deixou de ser exclusiva e se tornou disponível para todos graças à WWW. Assim, a Internet passou a fazer parte de todos os âmbitos da sociedade, incluindo as atividades comerciais. O comércio na Internet levou ao desenvolvimento de serviços de rede privada com TCP/IP, o que causou, entre outras coisas, o surgimento da educação a distância e do comércio eletrônico, a transição do Marketing tradicional para o Marketing digital.

A Internet mudou radicalmente desde a sua origem. Já não se trata mais de um espaço onde e-mails são trocados e informações são armazenadas. A Internet evoluiu significativamente ao longo do tempo. Em 1979, foi implantada no Japão a primeira geração de redes de comunicação móvel (Internet 1G), cuja transmissão de dados era feita de forma analógica, ou seja, por meio de ondas com frequência variável, que só permitia a comunicação por áudio, a tradicional chamada telefônica. Esse foi o primeiro sinal de rede disponível para celulares, responsável por permitir as ligações sem fio. A qualidade das ligações era mais baixa por causa da variação no tamanho das ondas. Dez anos depois, foi lançada a segunda geração (Internet 2G) agora com sinal digital que além de aumentar a segurança das comunicações viabilizou o envio de mensagens SMS (do inglês, Short Messaging Service, mensagens apenas de texto) e MMS (Multimedia Messaging Service, para imagens e vídeos). Os principais atrativos dessa conexão eram a segurança, a capacidade de fazer mais ligações simultâneas e a integração de serviços, como a troca de mensagens por SMS e a transmissão de dados entre aparelhos, como o FAX.

O verdadeiro ponto de inflexão na forma de usar as comunicações móveis, porém, veio com a terceira geração (Internet 3G). As taxas de transmissão – nome técnico daquilo que coloquialmente chamamos de “velocidade” da internet” – da 3G eram de tal forma superiores à da 2G que com ela era possível carregar vídeos na hora, jogar jogos online, fazer chamadas de vídeo e interagir em tempo real em redes sociais, tudo isso com o uso do celular. Esta tecnologia, abriu caminho para o lançamento do iPhone 3G, em 2008, marco de abertura da era dos smartphones. A Internet 3G é uma evolução da rede 2G, suportando ainda mais ligações de voz e troca de dados na mesma frequência, além de ter um custo de operação menor. Na prática, a Internet 3G foi a primeira internet móvel de verdade, pois a sua transmissão era a mais veloz já vista. A Internet 4G chegou para mostrar que era possível fazer ainda mais. Essa nova conexão no qual cada aparelho conectado é identificado com um endereço diferente, trouxe uma velocidade de 100Mbps em movimento e 1Gbps em repouso. Seu diferencial em relação às demais é que, além da velocidade, ela permite um maior número de usuários conectados sem perder qualidade no sinal. O cálculo é de que a sua velocidade seja de quatro a 100 vezes mais rápida do que o da Internet 3G. Outro ponto é que, a conexão 4G prioriza o tráfego de dados — seja áudio, texto, vídeo, foto — e não mais o tráfego de voz, comum na 3G.  

Um nova revolução nos meios de comunicação está para ocorrer com o uso da Internet 5G em todo o mundo, representando até o momento o maior avanço nas comunicações após um longo processo histórico de evolução tecnológica. A Internet 5G, combina ganhos de desempenho em diversos aspectos. Além de melhorar o funcionamento geral da internet em dispositivos móveis, viabiliza aplicações antes impensáveis, entre elas a adoção em massa da computação em nuvem, a Internet das Coisas (IoT) e os veículos autônomos. Os principais ganhos de desempenho aparecem em quatro características da rede: 1) elevadíssimas taxas de transmissão (velocidade de download e upload); 2) alta confiabilidade de rede (capacidade da rede de continuar funcionando quando há alguma falha em uma parte dela); 3) latência próxima a 0 (redução do tempo entre o envio de um comando e o retorno do resultado desse comando de 200ms para 1ms, exatamente um milésimo de segundo); e, 4) alta capacidade de rede (aumento de 100 vezes em relação à Internet 4G da quantidade de informação que pode transitar por ela ao mesmo tempo). Com isto, não serão mais só os celulares e computadores que ficarão ligados na internet, mas também, produtos de todos os tipos estarão conectados entre si e na nuvem, criando aquilo que se conhece como Internet das Coisas (ou IoT, do inglês Internet of Things).

É importante observar que, após a criação da WWW em 1989, o lançamento do Google em 1997 foi um novo salto gigantesco na história da Internet. O Google levou essa rede para um amplo público. Hoje, o Google funciona como navegador e mecanismo de busca, contando com quase um bilhão de páginas indexadas e oferece fácil acesso às informações graças aos seus algoritmos. As redes sociais também foram um grande acontecimento, assim como o Google. O Facebook é um dos casos mais bem-sucedidos de aplicação da Internet como meio de comunicação e informação, fornecendo acesso às notícias e permitindo que as pessoas se comuniquem em tempo real. Surgiram, também, como meios de comunicação o Messenger, o Whatsapp, Instagram, entre outros. O YouTube representa outro avanço na história da Internet, mostrando que serve como meio de entretenimento, eventualmente substituindo a mídia tradicional, como televisão ou rádio. Agora, a Internet está em todos os objetos e lugares, como nos mostra o surgimento da Internet das Coisas. A Internet desencadeou a Quarta Revolução Industrial, levando o mundo a se estabelecer na Era da Informação. A Internet 2.0, inclusive, já está sendo tratada como uma nova etapa que permitirá que os usuários deixem de ser apenas espectadores e passem a interagir e colaborar entre si como criadores de conteúdo.

A Internet 5G produzirá gigantescos impactos na economia e na sociedade. Ela não é apenas uma evolução incremental em relação à geração anterior, a Internet 4G. Não é uma tecnologia que apenas opera com velocidades de transmissão superiores à 4G. Trata-se de uma plataforma de comunicações absolutamente inovadora e com características que permitem a comunicação máquina a máquina (M2M) com grande eficiência, eficácia, confiabilidade e segurança. Nesse sentido, é desenvolvida para a internet das coisas (IoT), ou seja para aplicações pessoais, mas também servem de plataforma de comunicações para o desenvolvimento de novas e revolucionárias aplicações para a indústria, para as cidades, para a agricultura, o transporte e os serviços. A Internet 5G será grande impulsionador para o desenvolvimento da Indústria 4.0 e o advento das cidades inteligentes porque tende a acelerar o desenvolvimento de tecnologias, como a Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial e machine learning cujo potencial não consistirá apenas em melhorar a conectividade para as pessoas, mas permitir a comunicação entre os objetos, o que pode transformar decisivamente os serviços e espaços urbanos. O poder disruptivo da nova rede 5G vai permitir um salto tecnológico industrial com mudanças expressivas nos modos de produção e na modelagem de negócios com a Indústria 4.0.

REFERÊNCIAS

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Mundoeducação. Meios de comunicação. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/meios-comunicacao.htm>.

Podecomparar. Qual é a Diferença Entre 4G e 5G? Disponível no website <https://podecomparar.com.br/telecom/blog/conexao/diferenca-4g-5g-latencia-velocidade>.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021). 

COMMUNICATIONS REVOLUTIONS FROM WRITING IN PREHISTORY TO THE 5G INTERNET IN THE CONTEMPORARY ERA

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the communications revolutions that have taken place throughout human history from writing in prehistory to the contemporary era with the advent of the 5G Internet. Communication arose from the human being’s need to pass information to each other. The first forms of communication took place through signals, gestures and sounds, then came, in order, writing, mail, newspaper, telegraph, telephone, radio, television, computer, cell phone and the internet as means of communication. Means of communication are tools that enable communication between individuals through the transfer of information individually or in mass. The means of communication are tools that made it possible to expand communication between individuals, enabling the dissemination of information. These means of communication have been undergoing several transformations throughout human history and accelerating the dissemination of information.

Writing, as a means of communication, meant the use of codes and signals to transmit information between human beings, having emerged from the first records of drawings (rock paintings) in caves, dated to 15,000 BC and other records found in various parts of the world, such as hieroglyphics in Egypt and letters engraved in bas-relief on ceramic tiles. Mail is one of the oldest means of communication whose system involves sending letters, documents and parcels between sender and recipient. The papyrus found at Hibeh, dated 255 BC, contains information on how the Egyptian messenger service was organized. In China, in the Sung dynasty (960-1276 CE), postal workers were messengers on foot and messengers on horseback. When domination of the mongols (thirteenth and fifteenth centuries), according to Marco Polo’s sources, there were close to 10,000 post offices and the knight service had 200,000 horses at its disposal. The Cretans and Phoenicians also developed a postal communication system and were the first to use pigeons and swallows as messengers.

Historians attribute the invention of the newspaper to the Roman Emperor Julius Caesar. Acta Diurna was an official publication of the Roman Empire, created in the year 59 BC during the imperial government of Julius Caesar. She brought daily news to the population from all corners of the Empire (and beyond) talking mainly of military conquests, science and politics. The telegraph, which allows communication through Morse code, was created in 1835 by Samuel Morse, in the United States. The telegraph is a communication device that uses electricity to send coded messages over wires. In the mid-19th century, it was the fastest way to communicate at a distance. The telephone, invented by Alexander Graham Bell in 1876, is an electro-acoustic means of communication that enables the transmission of information through voice and sound signals. The invention of the telephone happened accidentally to improve the transmissions of the telegraph, which has very similar structural concepts. With the telegraph, however, it was possible to transmit only one message at a time. Graham Bell saw the possibility of transmitting more than one message along the same wire at once in the “multiple telegraph” concept.

Parallel to the discovery of the telephone, radio transmission appeared. Radio is a communication vehicle based on the diffusion of sound information through electromagnetic waves at different frequencies. It is considered the most popular medium and the most capable of mass communication worldwide. The history of radio began with Michael Faraday, who, in 1831, discovered magnetic induction. But the beginning of radio phonic propagation even came in 1887, through Henrich Rudolph Hertz. The first radio company was founded in London, by the Italian scientist Guglielmo Marconi, in 1896, with the emission and reception of wireless signals. The following year, Oliver Lodge invented the tuned electrical circuit, which made it possible to change the tune by selecting the desired frequency. Television, conceived since the 19th century and developed in the 1920s by the Scotsman John L. Baird and the Russian Wladmir Zworykin, is an electronic means of communication capable of instantly reproducing images and audio, converting light and sound into electromagnetic waves.

The first large-scale electronic computer, developed without mechanical or hybrid parts, only appeared in 1945, after World War II. Some say that it was Charles Babbage who created, in the 19th century, an analytical machine that, roughly speaking, is compared to today’s computer with memory and programs. With this invention, Babbage is considered the “father of Informatics”. Although many Babbage concepts are used today, the formalization of components, which would become a general-purpose machine and new abstractions, were only consolidated from the 1930s onwards, thanks to John Von Neumann, one of the ENIAC developers, and to Alan Turing. The cell phone is a means of communication that transmits voice and data through electromagnetic waves. It was invented in 1947 by the Bell technology company in the United States. In 1956, Ericsson launched a cell phone model that, from then on, other companies, such as Motorola, started to create cell phones. In 2007, the mobile device underwent a major transformation with the launch of a smartphone without number pads by Apple. Currently, cell phones are one of the most used means of communication in the world to make calls, store data and transmit individual and mass information. This was only possible with the creation of the means of communication that revolutionized the world, the Internet.

The Internet is, without a doubt, one of the greatest inventions of the 20th century. Since it appeared, it has opened the doors to new technological developments that continue to advance until today, transforming the way we live and interact. Today, living without the Internet is simply unthinkable. 40 years ago, computers were large machines that performed calculations and stored information. In general, its use had exclusively scientific and governmental purposes. The breakthrough in Internet history came in 1965, when Lawrence G. Roberts, Massachusetts, and Thomas Merrill, California, connected a computer over a low-speed switched telephone line. The experiment was a success and is marked as the event that created the first WAN (Wide Area Network) in history. The history of the Internet continued in 1966, when Lawrence G. Roberts joined DARPA and created the ARPANET plan to develop the first packet-switched network. Although the first prototype of a decentralized packet-switched network had already been designed by the UK’s National Physics Laboratory (NPL) in 1968, it would only gain visibility in 1969, when a University of California (UCLA) computer successfully connected to another from the Stanford Research Institute (SRI). The connection was so successful that, months later, four American universities were already interconnected. Thus was born ARPANET.

By 1970, ARPANET was consolidated with hundreds of computers connected. S. Crocker and his team established the control protocol called Network Control Protocol (NCP), which allowed the development of applications from computers connected to the ARPANET. In 1972, Ray Tomlinson created basic email software, which became the most important application of the decade and changed the nature of communication and collaboration between people. Its impact was so great that ARPANET gradually moved away from its primitive military use to have scientific use in the dissemination of information. For this reason, in 1974, more than 50 American universities were connected to ARPANET. Despite its success, the NCP protocol was not sufficient to communicate with networks or machines outside the ARPANET, such as packet radio or satellite networks. Therefore, in 1974 Robert Kahn and Vinton Cerf developed a new version of the protocol that responded to an open architecture network environment. In the early 1980s, ARPANET changed the NCP protocol to the new TCP/IP. IP had become the carrier of the Global Information Infrastructure. The TCP/IP protocol facilitated communication between networks without the need for them to make changes to their interface. In addition, it ensured that no packets of information were lost and verified that they arrived in the order in which they were sent. In 1985, the Internet was already consolidated as the main communication network with a global reach.

In 1989, Tim Berners-Lee developed the World Wide Web (WWW) to facilitate collaborative work. Basically, the WWW works as an interconnected hypertext document distribution system (HTTP) accessible through a web browser connected to the Internet. The system became so popular that in 1991 it was opened to the outside public. This was possible thanks to the creation of the Mosaic browser in 1993. In fact, its reception was so fast that in 1997 there were more than 200 thousand websites. With the advent of TCP/IP, individual, educational and commercial networks began to have access to the almost immediate communication and available information offered by the Internet. Connectivity is no longer exclusive and has become available to everyone thanks to the WWW. Thus, the Internet became part of all spheres of society, including commercial activities. Internet commerce led to the development of private network services with TCP/IP, which caused, among other things, the emergence of distance education and e-commerce, the transition from traditional marketing to digital marketing.

The Internet has changed radically since its inception. It is no longer a space where emails are exchanged and information is stored. The Internet has evolved significantly over time. In 1979, the first generation of mobile communication networks (1G Internet) was implemented in Japan, whose data transmission was done in an analog way, that is, through waves with variable frequency, which only allowed communication by audio, the traditional phone call. This was the first network signal available for cell phones, responsible for allowing wireless connections. The quality of the calls was lower because of the variation in wave size. Ten years later, the second generation (2G Internet) was launched, now with a digital signal that, in addition to increasing the security of communications, enabled the sending of SMS (English, Short Messaging Service, text-only messages), and MMS (Multimedia Messaging Service messages, for images and videos). The main attractions of this connection were security, the ability to make more simultaneous calls and the integration of services such as SMS messaging and data transmission between devices, such as the FAX.

The real inflection point in how to use mobile communications, however, came with the third generation (3G Internet). The transmission rates – technical name of what we colloquially call “internet speed” – of 3G were so much higher than 2G that with it was possible to upload videos on the spot, play online games, make video calls and interact in real time on social networks, all with the use of the cell phone. This technology paved the way for the launch of the iPhone 3G in 2008, marking the opening of the smartphone era. 3G Internet is an evolution of the 2G network, supporting even more voice calls and data exchange on the same frequency, in addition to having a lower operating cost. In practice, 3G Internet was the first real mobile Internet, as its transmission was the fastest ever. The 4G Internet arrived to show that it was possible to do even more. This new connection in which each connected device is identified with a different address, brought a speed of 100Mbps in motion and 1Gbps at rest. Its differential in relation to the others is that, in addition to speed, it allows a greater number of connected users without losing signal quality. The calculation is that its speed is four to 100 times faster than that of 3G Internet. Another point is that the 4G connection prioritizes data traffic — be it audio, text, video, photo — and not voice traffic, common in 3G.

A new revolution in the means of communication is about to take place with the use of the 5G Internet around the world, representing the greatest advance in communications so far after a long historical process of technological evolution. The 5G Internet combines performance gains in several aspects. In addition to improving the overall functioning of the internet on mobile devices, it enables previously unthinkable applications, including the mass adoption of cloud computing, the Internet of Things (IoT) and autonomous vehicles. The main performance gains appear in four characteristics of the network: 1) very high transmission rates (download and upload speed); 2) high network reliability (ability of the network to continue working when there is a failure in a part of it); 3) latency close to 0 (reduction of time between sending a command and returning the result of that command from 200ms to 1ms, exactly one thousandth of a second); and, 4) high network capacity (a 100-fold increase compared to the 4G Internet in the amount of information that can pass through it at the same time). With this, it will no longer only be cell phones and computers that will be connected to the internet, but also products of all types that will be connected to each other and in the cloud, creating what is known as the Internet of Things.

It is important to note that after the creation of the WWW in 1989, the launch of Google in 1997 was another giant leap in Internet history. Google has taken this network to a wide audience. Today, Google works as a browser and search engine, counting with almost a billion indexed pages and offering easy access to information thanks to its algorithms. Social media was also a big thing, as was Google. Facebook is one of the most successful cases of Internet application as a means of communication and information, providing access to news and allowing people to communicate in real time. Messenger, Whatsapp, Instagram, among others, also emerged as means of communication. YouTube represents another breakthrough in the history of the Internet, showing that it serves as an entertainment medium, eventually replacing traditional media such as television or radio. Now the Internet is everywhere, as the emergence of the Internet of Things shows us. The Internet triggered the Fourth Industrial Revolution, leading the world to settle in the Information Age. In fact, Internet 2.0 is already being treated as a new stage that will allow users to go from being just spectators to interacting and collaborating with each other as content creators.

5G Internet will have huge impacts on the economy and society. It is not just an incremental evolution from the previous generation, the 4G Internet. It is not a technology that only operates with transmission speeds higher than 4G. It is an absolutely innovative communications platform with features that allow machine-to-machine (M2M) communication with great efficiency, effectiveness, reliability and security. In this sense, it is developed for the internet of things (IoT), that is, for personal applications, but it also serves as a communications platform for the development of new and revolutionary applications for industry, cities, agriculture, transport and the services. The 5G Internet will be a great driver for the development of Industry 4.0 and the advent of smart cities because it tends to accelerate the development of technologies such as the Internet of Things (IoT), artificial intelligence and machine learning whose potential will not only consist in improving connectivity for people, but allow communication between objects, which can decisively transform urban services and spaces. The disruptive power of the new 5G network will allow an industrial technological leap with significant changes in production modes and in business modeling with Industry 4.0.

REFERENCES

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* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

LES RÉVOLUTIONS DE LA COMMUNICATION DE L’ÉCRITURE À LA PRÉHISTOIRE À L’INTERNET 5G À L’ÈRE CONTEMPORAINE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les révolutions de la communication qui ont eu lieu tout au long de l’histoire de l’humanité depuis l’écriture à la préhistoire jusqu’à l’ère contemporaine avec l’avènement de l’Internet 5G. La communication est née du besoin de l’être humain de se transmettre des informations. Les premières formes de communication ont eu lieu à travers des signaux, des gestes et des sons, puis sont venus, dans l’ordre, l’écriture, le courrier, le journal, le télégraphe, le téléphone, la radio, la télévision, l’ordinateur, le téléphone portable et Internet comme moyens de communication. Les moyens de communication sont des outils qui permettent la communication entre individus par le transfert d’informations individuellement ou en masse. Les moyens de communication sont des outils qui ont permis d’élargir la communication entre les individus, permettant la diffusion de l’information. Ces moyens de communication ont subi plusieurs transformations au cours de l’histoire humaine et ont accéléré la diffusion de l’information.

L’écriture, en tant que moyen de communication, signifiait l’utilisation de codes et de signaux pour transmettre des informations entre les êtres humains, ayant émergé des premiers enregistrements de dessins (peintures rupestres) dans des grottes, datés de 15 000 et d’autres documents trouvés dans diverses parties du monde, comme les hiéroglyphes en Egypte et les lettres gravées en bas-relief sur des carreaux de céramique. Le courrier est l’un des plus anciens moyens de communication dont le système consiste à envoyer des lettres, des documents et des colis entre l’expéditeur et le destinataire. Le papyrus trouvé à Hibeh, daté de 255 av. J.-C., contient des informations sur l’organisation du service de messagerie égyptien. En Chine, sous la dynastie Song (960-1276 EC), les facteurs étaient des messagers à pied et des messagers à cheval. Lorsque domination des mongols (XIIIe et XVe siècles), selon les sources de Marco Polo, il y avait près de 10 000 bureaux de poste et le service des chevaliers disposait de 200 000 chevaux. Les Crétois et les Phéniciens ont également développé un système de communication postale et ont été les premiers à utiliser des pigeons et des hirondelles comme messagers.

Les historiens attribuent l’invention du journal à l’empereur romain Jules César. Acta Diurna était une publication officielle de l’Empire romain, créée en l’an 59 avant JC sous le gouvernement impérial de Jules César. Elle a apporté des nouvelles quotidiennes à la population de tous les coins de l’Empire (et au-delà) en parlant principalement de réalisations militaires, de science et de politique. Le télégraphe, qui permet de communiquer par code Morse, a été créé en 1835 par Samuel Morse, aux États-Unis. Un télégraphe est un appareil de communication qui utilise l’électricité pour envoyer des messages codés sur des fils. Au milieu du XIXe siècle, c’était le moyen le plus rapide de communiquer à distance. Le téléphone, inventé par Alexander Graham Bell en 1876, est un moyen de communication électroacoustique qui permet la transmission d’informations par des signaux vocaux et sonores. L’invention du téléphone s’est produite accidentellement pour améliorer les transmissions du télégraphe, qui a des concepts structurels très similaires. Avec le télégraphe, cependant, il n’était possible de transmettre qu’un seul message à la fois. Graham Bell a vu la possibilité de transmettre plus d’un message sur le même fil à la fois dans le concept de « télégraphe multiple ».

Parallèlement à la découverte du téléphone, la transmission radio est apparue. La radio est un véhicule de communication basé sur la diffusion d’informations sonores à travers des ondes électromagnétiques à différentes fréquences. Il est considéré comme le média le plus populaire et le plus capable de communication de masse dans le monde. L’histoire de la radio a commencé avec Michael Faraday, qui, en 1831, a découvert l’induction magnétique. Mais le début de la propagation radiophonique est même venu en 1887, par Henrich Rudolph Hertz. La première société de radio a été fondée à Londres, par le scientifique italien Guglielmo Marconi, en 1896, avec l’émission et la réception de signaux sans fil. L’année suivante, Oliver Lodge invente le circuit électrique accordé, qui permet de changer la la fréquence en sélectionnant la fréquence souhaitée. La télévision, conçue depuis le XIXe siècle et développée dans les années 1920 par l’Écossais John L. Baird et le Russe Wladmir Zworykin, est un moyen de communication électronique capable de reproduire instantanément des images et du son, de convertir la lumière et le son en ondes électromagnétiques.

Le premier ordinateur électronique à grande échelle, développé sans pièces mécaniques ou hybrides, n’est apparu qu’en 1945, après la Seconde Guerre mondiale. Certains disent que c’est Charles Babbage qui a créé, au 19ème siècle, une machine d’analyse qui, grosso modo, est comparée à l’ordinateur d’aujourd’hui avec mémoire et programmes. Avec cette invention, Babbage est considéré comme le « père de l’informatique ». Si de nombreux concepts Babbage sont aujourd’hui utilisés, la formalisation des composants, qui deviendront une machine polyvalente et de nouvelles abstractions, ne se consolide qu’à partir des années 1930, grâce à John Von Neumann, l’un des développeurs d’ENIAC, et à Alan Turing. Les téléphones portables sont un moyen de communication qui transmet la voix et les données par ondes électromagnétiques. Il a été inventé en 1947 par la société de technologie Bell aux États-Unis. En 1956, Ericsson a lancé un modèle de téléphone portable qui, à partir de ce moment, d’autres sociétés, telles que Motorola, ont commencé à créer des téléphones portables. En 2007, l’appareil mobile a connu une transformation majeure avec le lancement d’un smartphone sans pavé numérique par Apple. Actuellement, les téléphones portables sont l’un des moyens de communication les plus utilisés au monde pour passer des appels, stocker des données et transmettre des informations individuelles et de masse. Cela n’a été possible qu’avec la création du moyen de communication qui a révolutionné le monde, Internet.

Internet est sans aucun doute l’une des plus grandes inventions du XXe siècle. Depuis son apparition, il a ouvert les portes à de nouveaux développements technologiques qui continuent d’avancer jusqu’à aujourd’hui, transformant notre façon de vivre et d’interagir. Aujourd’hui, vivre sans Internet est tout simplement impensable. Il y a 40 ans, les ordinateurs étaient de grosses machines qui effectuaient des calculs et stockaient des informations. En général, son utilisation avait des fins exclusivement scientifiques et gouvernementales. La percée dans l’histoire d’Internet a eu lieu en 1965, lorsque Lawrence G. Roberts dans le Massachusetts et Thomas Merrill en Californie ont connecté un ordinateur sur une ligne téléphonique commutée à basse vitesse. L’expérience a été un succès et est marquée comme l’événement qui a créé le premier WAN (Wide Area Network) de l’histoire. L’histoire d’Internet s’est poursuivie en 1966, lorsque Lawrence G. Roberts a rejoint la DARPA et a créé le plan ARPANET pour développer le premier réseau à commutation de paquets. Bien que le premier prototype d’un réseau décentralisé à commutation de paquets ait déjà été conçu par le National Physics Laboratory (NPL) du Royaume-Uni en 1968, il ne gagnera en visibilité qu’en 1969, lorsqu’un ordinateur de l’Université de Californie (UCLA) s’est connecté avec succès à un autre du Institut de recherche de Stanford (SRI). La connexion a été un tel succès que, des mois plus tard, quatre universités américaines étaient déjà interconnectées. Ainsi est né ARPANET.

En 1970, ARPANET était consolidé avec des centaines d’ordinateurs connectés. S. Crocker et son équipe ont établi le protocole de contrôle appelé Network Control Protocol (NCP), qui a permis le développement d’applications à partir d’ordinateurs connectés à l’ARPANET. En 1972, Ray Tomlinson a créé un logiciel de messagerie de base, qui est devenu l’application la plus importante de la décennie et a changé la nature de la communication et de la collaboration entre les personnes. Son impact a été si grand qu’ARPANET s’est progressivement éloigné de son utilisation militaire primitive pour avoir une utilisation scientifique dans la diffusion de l’information. Pour cette raison, en 1974, plus de 50 universités américaines étaient connectées à ARPANET. Malgré son succès, le protocole NCP n’était pas suffisant pour communiquer avec des réseaux ou des machines en dehors de l’ARPANET, tels que la radio par paquets ou les réseaux satellites. Par conséquent, en 1974, Robert Kahn et Vinton Cerf ont développé une nouvelle version du protocole qui répondait à un environnement réseau à architecture ouverte. Au début des années 1980, ARPANET a changé le protocole NCP pour le nouveau TCP/IP. IP était devenu le vecteur de l’infrastructure mondiale de l’information. Le protocole TCP/IP a facilité la communication entre les réseaux sans qu’ils aient besoin de modifier leur interface. En outre, il s’est assuré qu’aucun paquet d’informations n’était perdu et a vérifié qu’ils arrivaient dans l’ordre dans lequel ils avaient été envoyés. En 1985, Internet était déjà établi comme le principal réseau de communication à portée mondiale.

En 1989, Tim Berners-Lee a développé le World Wide Web (WWW) pour faciliter le travail collaboratif. Fondamentalement, le WWW fonctionne comme un système de distribution de documents hypertexte (HTTP) interconnecté accessible via un navigateur Web connecté à Internet. Le système est devenu si populaire qu’en 1991, il a été ouvert au public extérieur. Cela a été possible grâce à la création du navigateur Mosaic en 1993. En fait, sa réception a été si rapide qu’en 1997, il y avait plus de 200 000 sites Web. Avec l’avènement du TCP/IP, les réseaux individuels, éducatifs et commerciaux ont commencé à avoir accès à la communication quasi immédiate et aux informations disponibles offertes par Internet. La connectivité n’est plus exclusive et est devenue accessible à tous grâce au WWW. Ainsi, Internet est devenu une partie de toutes les sphères de la société, y compris les activités commerciales. Le commerce sur Internet a conduit au développement des services de réseaux privés avec TCP/IP, ce qui a provoqué, entre autres, l’émergence de l’enseignement à distance et du commerce électronique, le passage du marketing traditionnel au marketing numérique.

Internet a radicalement changé depuis sa création. Ce n’est plus un espace d’échange d’emails et de stockage d’informations. Internet a beaucoup évolué au fil du temps. En 1979, la première génération de réseaux de communication mobile (Internet 1G) a été mise en place au Japon, dont la transmission des données se faisait de manière analogique, c’est-à-dire par ondes à fréquence variable, qui ne permettaient que la communication par audio, l’appel téléphonique traditionnel. Il s’agissait du premier signal réseau disponible pour les téléphones portables, chargé de permettre les connexions sans fil. La qualité des appels était inférieure en raison de la variation de la taille des vagues. Dix ans plus tard, la deuxième génération (Internet 2G) est lancée, désormais dotée d’un signal numérique qui, en plus d’augmenter la sécurité des communications, permet l’envoi de SMS (anglais, Short Messaging Service, messages texte uniquement) et de MMS ( Multimedia Messaging Service pour les images et les vidéos). Les principaux attraits de cette connexion étaient la sécurité, la possibilité de faire plus d’appels simultanés et l’intégration de services tels que la messagerie SMS et la transmission de données entre les appareils, tels que le FAX.

Le véritable point d’inflexion dans l’utilisation des communications mobiles est cependant venu avec la troisième génération (Internet 3G). Les taux de transmission – nom technique de ce que nous appelons familièrement “vitesse Internet” – de la 3G étaient tellement plus élevés que la 2G qu’avec elle il était possible de télécharger des vidéos sur place, de jouer à des jeux en ligne, de passer des appels vidéo et d’interagir en temps réel sur réseaux sociaux, le tout avec l’utilisation du téléphone portable. Cette technologie a ouvert la voie au lancement de l’iPhone 3G en 2008, marquant l’ouverture de l’ère des smartphones. L’Internet 3G est une évolution du réseau 2G, prenant en charge encore plus d’appels vocaux et d’échanges de données sur la même fréquence, en plus d’avoir un coût d’exploitation moindre. Dans la pratique, l’Internet 3G a été le premier véritable Internet mobile, car sa transmission était la plus rapide de tous les temps. L’Internet 4G est arrivé pour montrer qu’il était possible de faire encore plus. Cette nouvelle connexion dans laquelle chaque appareil connecté est identifié avec une adresse différente, a apporté une vitesse de 100Mbps en mouvement et 1Gbps au repos. Son différentiel par rapport aux autres est que, en plus de la vitesse, il permet un plus grand nombre d’utilisateurs connectés sans perte de qualité du signal. Le calcul est que sa vitesse est quatre à 100 fois plus rapide que celle de l’Internet 3G. Un autre point est que la connexion 4G donne la priorité au trafic de données – qu’il s’agisse d’audio, de texte, de vidéo, de photo – et non au trafic vocal, courant en 3G.

Une nouvelle révolution dans les moyens de communication est sur le point d’avoir lieu avec l’utilisation de l’Internet 5G dans le monde, représentant la plus grande avancée dans les communications à ce jour après un long processus historique d’évolution technologique. L’Internet 5G combine des gains de performances sous plusieurs aspects. En plus d’améliorer le fonctionnement global d’Internet sur les appareils mobiles, il permet des applications auparavant impensables, notamment l’adoption massive du cloud computing, de l’Internet des objets (IoT) et des véhicules autonomes. Les principaux gains de performances apparaissent dans quatre caractéristiques du réseau : 1) vitesse de transmission très élevés (vitesse de téléchargement et d’upload) ; 2) haute fiabilité du réseau (capacité du réseau à continuer à fonctionner en cas de défaillance d’une partie de celui-ci) ; 3) latence proche de 0 (réduction du temps entre l’envoi d’une commande et le retour du résultat de cette commande de 200ms à 1ms, exactement un millième de seconde) ; et, 4) une capacité de réseau élevée (une augmentation de 100 fois par rapport à l’Internet 4G de la quantité d’informations qui peuvent le traverser en même temps). Avec cela, ce ne seront plus seulement les téléphones portables et les ordinateurs qui seront connectés à Internet, mais aussi des produits de tous types seront connectés les uns aux autres et dans le cloud, créant ce que l’on appelle l’Internet des objets.

Il est important de noter qu’après la création du WWW en 1989, le lancement de Google en 1997 a été un autre pas de géant dans l’histoire d’Internet. Google a fait connaître ce réseau à un large public. Aujourd’hui, Google fonctionne comme un navigateur et un moteur de recherche, comptant avec près d’un milliard de pages indexées et offrant un accès facile à l’information grâce à ses algorithmes. Les médias sociaux étaient également très importants, tout comme Google. Facebook est l’un des cas les plus réussis d’application Internet comme moyen de communication et d’information, donnant accès aux nouvelles et permettant aux gens de communiquer en temps réel. Messenger, Whatsapp, Instagram, entre autres, sont également apparus comme des moyens de communication. YouTube représente une autre percée dans l’histoire d’Internet, montrant qu’il sert de support de divertissement, remplaçant à terme les médias traditionnels tels que la télévision ou la radio. Désormais, Internet est partout, comme nous le montre l’émergence de l’Internet des objets. Internet a déclenché la quatrième révolution industrielle, amenant le monde à s’installer à l’ère de l’information. En fait, Internet 2.0 est déjà traité comme une nouvelle étape qui permettra aux utilisateurs de passer du statut de simple spectateur à celui d’interagir et de collaborer les uns avec les autres en tant que créateurs de contenu.

L’Internet 5G aura des impacts énormes sur l’économie et la société. Il ne s’agit pas simplement d’une évolution progressive par rapport à la génération précédente, l’Internet 4G. Ce n’est pas une technologie qui ne fonctionne qu’avec des vitesses de transmission supérieures à la 4G. Il s’agit d’une plate-forme de communication absolument innovante avec des fonctionnalités qui permettent une communication machine à machine (M2M) avec une grande efficacité, fiabilité et sécurité. En ce sens, il est développé pour l’internet des objets (IoT), c’est-à-dire pour les applications personnelles, mais il sert également de plate-forme de communication pour le développement d’applications nouvelles et révolutionnaires pour l’industrie, les villes, l’agriculture, les transports et les services. . L’Internet 5G sera un formidable moteur pour le développement de l’Industrie 4.0 et l’avènement des villes intelligentes car il tend à accélérer le développement de technologies telles que l’Internet des objets (IoT), l’intelligence artificielle et le machine learning dont le potentiel ne consistera pas seulement dans l’amélioration de la connectivité pour les personnes, mais permettent la communication entre les objets, ce qui peut transformer de manière décisive les services et les espaces urbains. La puissance disruptive du nouveau réseau 5G permettra un saut technologique industriel avec des changements importants dans les modes de production et dans la modélisation commerciale avec l’Industrie 4.0.

LES RÉFÉRENCES

CALVET, Igor. 5G E AS CIDADES INTELIGENTES. Disponível no website <https://portal.connectedsmartcities.com.br/2021/05/04/5g-e-as-cidades-inteligentes/>.

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COSTA. ThaíssaOs Meios de Comunicação e Sua Evolução. Disponível no website <https://medium.com/@thassacosta/os-meios-de-comunica%C3%A7%C3%A3o-e-sua-evolu%C3%A7%C3%A3o-5261afc106fa>.

CRISTINA, Rebecca. A evolução dos meios de comunicação. Disponível no website <https://medium.com/@rebeccacristina>.

EMERITUS. O que é a tecnologia 5G e como ela pode impactar as empresas? Disponível no website <https://brasil.emeritus.org/tecnologia-5g/>.

FUKS, RebecaQuem inventou o celular? Disponível no website <https://www.ebiografia.com/quem_inventou_o_celular/>.

Fundação Perseu Abramo. A tecnologia 5G e o seu impacto na economia e na sociedade. Disponível no website <https://fpabramo.org.br/observabr/2021/02/20/a-tecnologia-5g-e-o-seu-impacto-na-economia-e-na-sociedade/>.

GOGONI, Ronaldo. Quem inventou o computador? Disponível no website <https://tecnoblog.net/276617/quem-inventou-o-computador/>.

ITC. 5g: entenda como funciona a nova tecnologia! Disponível no website <http://itc.com.br/5g/>.

Mundoeducação. Meios de comunicação. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/meios-comunicacao.htm>.

Podecomparar. Qual é a Diferença Entre 4G e 5G? Disponível no website <https://podecomparar.com.br/telecom/blog/conexao/diferenca-4g-5g-latencia-velocidade>.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

THE FUTURE POST-CAPITALIST SOCIETY AND ITS FUNCTIONING IN EVERY COUNTRY OF THE WORLD

Fernando Alcoforado*

This article complements our articles The signs of the decadence of capitalism in the world and How to build a new society to replace the dying capitalism in the world. In the article The signs of the decadence of capitalism in the world, it was shown that capitalism would end in the middle of the 21st century with a duration of 700 years in the same way as slavery that lasted 1000 years and feudalism that lasted 900 years. In the article How to build a new society to replace the dying capitalism in the world, the need to build, as a post-capitalist society, democratic socialism in the world, passing through the transition as a Welfare State, was presented and demonstrated. Complementing the above-mentioned articles, this article seeks to detail how the post-capitalist society should work in each country, whether in the transition phase with the Welfare State and, also, with the implementation of democratic socialism, as well as what it should be carried out in the world sphere for this new society to be implanted around the world.

In the article The signs of the decadence of capitalism in the world [2], which we recently published, it was demonstrated that the world capitalist system would become unfeasible in the mid-21st century (2037, 2043 or 2053) when the process of capital accumulation with global profit rates will cease and the growth of the world economy will reach zero value. An important sign, too, of capitalism’s decay is the gigantic global debt, which reached US$ 275 trillion in 2020 in government, corporate and domestic debt, about 5.5 times the World Gross Product of US$50 trillion, which constitutes a bomb ready to explode. Other signs of capitalism’s decay reside in the fact that planet Earth is already reaching its limits in the use of its natural resources because the demand for natural resources exceeds the Earth’s replenishment capacity by 41% and, if the escalation of this demand continues at the same pace of today, in 2030, with a planetary population estimated at 10 billion people, it will take two Earths to satisfy it, in addition to the threats of catastrophic global climate change that are already taking place.

In the article How to build a new society to replace the dying capitalism in the world [1], which we recently published, we considered that the construction of a post-capitalist society would initially require the transition stage with the implantation of the Welfare State like the one built in the Scandinavian countries that would prepare the ground for the building of democratic socialism in the future. The construction of a new transition society should consider the realization of political, economic and social changes such as those occurring in Scandinavia from 1930 to the present moment, which meant abandoning the classic model of capitalist development as practiced in all countries in the world at the time with the adoption of a model of society that incorporated the positive aspects of capitalism and socialism, constituting a hybrid system. This model of society contemplates the adoption of economic and social interventions by the State to promote social justice in a capitalist system and a Social Welfare policy in the general interest of the population to promote an equal distribution of income and a commitment to representative democracy.

Regarding the Welfare State, it is important to note that it adopts rigid mechanisms for regulating market forces, capable of placing a country’s economy on a dynamic trajectory, while at the same time seeking to achieve the best welfare indicators Social. The Welfare State consists of a mode of economic, political and social organization in which the State acts as an organizer of the economy and an agent of social promotion. The State acts in order to reconcile the interests of capitalists holding the means of production with those of the population of each country, guaranteeing protection and public services to the people. In other words, it seeks to reconcile the interest of “from above” with those from “below” in the social pyramid. The Scandinavian model of political, economic and social development should serve as a benchmark as a model of society to be pursued by all peoples of the world as a transition from capitalism to the democratic socialism of the future because Scandinavian countries are considered the best governed on the planet, those with the greatest political, economic and social progress and have the happiest people in the world.

The democratic socialism to be implemented in the future in each country must represent a step forward in relation to the Welfare State that must take place in the middle of the 21st century when, in each country, capitalism becomes unviable. Democratic socialism will prevail when capitalists no longer feel motivated to invest in productive activity when profits turn zero or negative in the middle of the 21st century. In these circumstances, the State will have to assume the responsibilities of the productive activity with the socialization of the means of production and can initiate the end of the division of society into social classes and the abolition of labor exploitation. Profit or surplus value, which is the portion of unpaid labor, will no longer be appropriated by capitalists for their benefit, but by society to be shared by the entire population. In democratic socialism, society will be managed fairly and for the benefit of all the people by the state and government, which will exercise the planning and control of social life. In democratic socialism, the government would organize a system of social equality and cooperation among human beings. To carry out the transition from capitalism with the Welfare State to democratic socialism around the world, it is necessary, however, that, in the world sphere, there is a world government and a world parliament democratically elected by the nations and peoples to coordinate the actions of national governments and to promote global economic and environmental ordering at the world level, in addition to creating the conditions to face the great challenges of humanity in the 21st century.

Before explaining how the transition from capitalism to democratic socialism will take place with the Welfare State and how democratic socialism will operate, it is important to analyze the changes that will occur in the participation of actors in the political, economic, social and environmental scene of a country, that is, the government, the companies/banks and the population. In a capitalist society, the government, in its relationship with companies/banks, collects taxes and purchases products and services from companies and collects taxes and obtains financing from banks and , on the other hand, drafts laws and offers tax and financial incentives to companies and banks. The government in its relationship with the population uses the workforce and collects taxes, as well as pays salaries, makes laws, makes public investments and offers fiscal and financial incentives to the population. Companies in their relationship with the population, use the workforce in productive activity, pay salaries and sell products and services to the population, which, in turn, purchases products and services from companies. Banks in their relationship with the population, use the workforce in productive activity, pay salaries and provide financing. Companies in their relationship with banks sell products and services and receive financing from banks for their operations. In capitalist society, none of these actors operate in pursuit of a common goal. Each of the actors pursues their own goals. The government is under pressure from the population and from companies/banks that seek to achieve their specific goals. Generally speaking, the government in a capitalist society acts for the benefit of companies/banks and makes concessions, as far as possible, to the population. This situation changes with the Welfare State because all actors (government, business/banks and population) will act in pursuit of common goals and, mainly, with democratic socialism when only the interests of the entire population will prevail to whom the government must serve.

The transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State in each country

In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, each country must have a social contract, that is, a democratic constitution, based on which the economic, social and environmental policies to be adopted are established aiming at the well-being of the entire population and the end of human aggression against nature, a social contract that can undergo adaptations over time. The Welfare State must create the conditions to progressively eliminate the barbarism that has occurred throughout history and promote the construction of a new civilized world order that would be built with democratic socialism. With the Welfare State, a democratic Republic would be implemented in each country whose Constitution would be based on the motto “Freedom, Equality, Fraternity” through which all citizens would be guaranteed civil rights, including property rights and rights of workers’ strike and the central government to be elected by the people would act in the sense of managing the economic, social and environmental systems to promote the well-being of the population exercising democratic governance together with a parliament elected by the people. With the Welfare State, the State would act as an organizer of the economy and an agent of social promotion, guaranteeing protection and public services to the people.

In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, it would be up to the central government of each country to coordinate the nation’s economic, social and environmental planning process with the involvement of representatives of regional and municipal governments and civil society to establish national goals to be shared with a parliament elected by the people and with the population through a plebiscite and/or referendum. National economic, social and environmental development goals would be established for a given planning horizon by the central government based on extensive debate with the national parliament and representatives of private and public companies, regional and municipal governments, and civil society. The final decision on the national objectives to be pursued would be up to the population through a plebiscite or referendum. The planning and control in democratic socialism to be adopted involves the participation of nine actors (central government, national parliament, regional governments, regional parliaments, municipal governments, municipal parliaments, private companies, public companies and population).

Once the national objectives of economic, social and environmental development to be pursued have been defined, it will be up to regional and municipal governments, as well as managers of private and public companies responsible for agricultural, industrial and service activities to propose what to do (goals), how to do it and when to contribute to national economic, social and environmental development objectives with the estimation of costs and sources of resources associated with them. Regional and municipal governments must coordinate the economic, social and environmental planning process of their regions and municipalities with the involvement of representatives of private and public companies and civil society to establish regional and municipal objectives to be shared with the respective regional parliaments and municipal elected by the people. The final decision on the regional and municipal objectives to be pursued would be up to the respective populations through a plebiscit or referendum. Managers of public companies must coordinate the planning process of their organizations with the involvement of workers’ representatives to establish the business objectives to be pursued. The final decision on the objectives of public companies would rest with all company workers.

In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, the proposals of what to do (goals), how to do it, when to do it and the cost estimates with the sources of resources proposed by regional and municipal governments and private and public business managers would be subject to analysis by the central government to assess compatibility with the proposed national objectives, as well as to compare the demand for resources to implement the objectives with the available resources. At this stage, the regional, municipal and business objectives, as well as the demand for resources for their execution, would have to be revised to make them compatible with the national objectives. If certain regional, municipal and business objectives have to be carried out necessarily, even if the available resources are insufficient, it is up to private and public companies and the central government to get the necessary resources. Otherwise, the central government must reduce the scope of specific regional and municipal objectives and of private and public companies responsible for agricultural, industrial and lower priority services activities, based on a broad debate with the national parliament. Society should be informed about this joint decision between the central government and the national parliament.

In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, all actors, that is, private and public companies, workers and government, must be remunerated according to their contribution to the total economic result obtained. Every economic activity can generate profit or loss, with the profit or surplus of economic activity being considered as the surplus value, that is, the part of unpaid work to the worker according to the conception of Karl Marx, exposed in Capital. In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, private and public companies must be remunerated with part of the profit obtained by them (surplus value) because they invested in its implementation and contributed to its production, workers must be remunerated with salaries because they contributed their workforce to its production and the government for its contribution to the provision of public services and the management of society. The country’s wage policy must be based on social justice criteria, that is, workers must be paid above the minimum necessary to meet their basic needs and those of their family (food, health, education, housing, etc.). Workers with the same qualifications and proven experience must have the same standard salary according to their qualifications and, added to this, a premium based on their productivity.

In the transition from capitalism to democratic socialism with the Welfare State, after accounting for the results obtained by each private and public company (profit), a part of the profit will be allocated to the owners of private and public companies and the rest should go for a social welfare fund to be used for the development of society to be managed by the government to cover public spending and make investments in infrastructure, state productive activity and public services. The profit shares (in %) to be allocated to the owners of each private and public company and to the social development fund will be determined annually based on the consensus between government, national parliament and representatives of private and public companies and civil society. Whereas workers would have an interest in raising their wages, entrepreneurs in raising their share of the profit earned and both in reducing the government’s share of the profit earned to be used to cover public spending and to make investments in infrastructure, in the activity productive state and in public services, the government would have to mediate this conflict taking into account the interests of the whole society. The population should manifest itself on the result of government mediation through a plebiscite or referendum after a broad debate.

It is worth noting that part of the profit obtained by private and public companies would be distributed among their shareholders, while the other part would be allocated to investments in the modernization of their productive activity and in the increase of their production capacity and the part of the profit destined to the government would be used in the spending on public administration, while the other part would be allocated to investments in the modernization of the country’s infrastructure and existing state productive activity and in making new investments in infrastructure, in the state productive activity and in public services. Both private and public companies and the government should present their investment proposals for a given planning horizon with the sources of funds to carry them out. Feedback and control mechanisms of national, regional, municipal and companies plans should be used to assess their execution and correct deviations that occurred by quarter.

This planning and control process will exist until the middle of the 21st century when the capitalists’ profit reaches zero and the capital holders would no longer be motivated to invest in productive activities. From this moment on, capitalists will initially tend to allocate their resources to financial speculation, especially in countries that operate as tax havens, and the central government of all countries would have to progressively take over the productive activities abandoned by the capitalists. Democratic socialism will exist from this moment on.  

How will democratic socialism operate in each country

At this stage, a new social contract should be signed in countries where capitalism becomes unfeasible, that is, a socialist constitution that would guarantee all citizens civil rights, including individual property rights and workers strike rights and government central to be elected by the people would exercise governance democratically in conjunction with a parliament elected by the people and would act to manage the economic, social and environmental systems to promote the end of human exploitation by man and the end of human aggression against nature, a social contract that can undergo adaptations over time. With the end of capitalism, all means of production would be under the responsibility of the State and all profit or surplus from economic activity would be destined for the social development fund to be managed by the government for the benefit of the entire population. In democratic socialism, society will be managed fairly and on behalf of all with the government exercising the planning and control of social life. In democratic socialism, the government would organize a system in search of social equality and cooperation among human beings.

In democratic socialism, it would be up to the central government to coordinate the nation’s economic, social and environmental planning process with the involvement of representatives of regional and municipal governments and civil society to establish national goals to be shared with a parliament elected by the people and with the population deciding through a plebiscite and/or referendum. National economic, social and environmental development goals would be established for a given planning horizon by the central government based on extensive debate with the national parliament and representatives of regional and municipal governments and civil society. The final decision on the national objectives to be pursued would be up to the population through a plebiscite or referendum. Once the national economic, social and environmental development objectives to be pursued have been defined, it will be up to regional and municipal governments, as well as managers of public companies responsible for agricultural, industrial and service activities to propose what to do (goals), how to do it and when to contribute to the national economic, social and environmental development objectives with the estimation of costs and the sources of resources associated with them. The planning and control in democratic socialism to be adopted involves the participation of eight actors (central government, national parliament, regional governments, regional parliaments, municipal governments, municipal parliaments, public companies and population).

In democratic socialism, it will be up to regional and municipal governments, as well as managers of public companies responsible for agricultural, industrial and service activities to propose what to do (goals), how to do it and when to do it to contribute to the national objectives of economic development, social and environmental with the estimation of costs and the sources of resources associated with them. Regional and municipal governments must coordinate the economic, social and environmental planning process of their regions and municipalities with the involvement of representatives of public companies and civil society to establish regional and municipal objectives to be shared with the respective regional and municipal parliaments elected by the people. The final decision on the regional and municipal objectives to be pursued would be up to the respective populations through a plebiscite or referendum. Managers of public companies must coordinate the planning process of their organizations with the involvement of workers’ representatives to establish the business objectives to be pursued. The final decision on the objectives of public companies would rest with all company workers.

In democratic socialism, the proposals of what to do (goals), how to do it, when to do it and the estimates of costs and sources of resources proposed by regional and municipal governments and managers of public companies would be analyzed by the central government to assess compatibility with the proposed national objectives, as well as comparing the demand for resources to implement the objectives with the resources available. At this stage, the regional, municipal and business objectives, as well as the demand for resources for their execution, would have to be revised to make them compatible with the national objectives. If certain regional, municipal and business objectives have to be carried out necessarily, even if the available resources are insufficient, it is up to the central government to get the necessary resources. Otherwise, the central government must reduce the scope of specific regional and municipal objectives and of public companies responsible for agricultural, industrial and lower priority services activities, based on a broad debate with the national parliament. Society should be informed about this joint decision between the central government and the national parliament. Feedback and control mechanisms from national, regional, municipal and company plans must be used to continuously assess their execution and correct any deviations that have occurred.

Conclusions

From the above, it can be concluded that, both in the transition stage with the Welfare State, and during democratic socialism, there would be in each country the effective exercise of democracy with the population electing its governors and representatives in parliament, in addition to participate in decisions regarding the objectives to be pursued at national, regional and municipal levels, as well as workers with their participation in decisions to be taken by public companies. In addition to the exercise of democracy, the coordinated planning at the national, regional, municipal and public and private companies levels is highlighted, the latter being in the transition stage with the Welfare State. There would also be an integrated planning process at the national, regional, municipal and public company levels that will contribute to eliminating the chaos that characterizes capitalist society. The integrated planning process will be put into practice in each country using modern information technology that will process data quickly, thus facilitating decision-making by all actors involved. Feedback and control mechanisms from national, regional, municipal and company plans must be used to continuously assess their execution and correct any deviations that have occurred.

To promote the transition from capitalism to democratic socialism around the world, there is an urgent need for a world government and a world parliament to coordinate the actions of national governments to achieve these goals. It is important to note that a democratically elected world government and world parliament would promote not only the construction of a new society across the planet, but also the global economic and environmental ordering and international relations in defense of world peace, creating the conditions to face the great challenges of humanity in the 21st century which consist of: 1) Economic and financial crises in a chain; 2) Social revolutions and counter-revolutions across the globe; 3) Cascade wars; 4) World overpopulation; 5) Deadly pandemics; 6) Extreme climate change; 7) Organized crime; and, 8) Threats from space, whose actions of a global nature to neutralize them are impossible to be carried forward by individual national states and by current international institutions. In order to make a world government viable, it is necessary that, from the beginning, a World Forum for Peace and the Progress of Humanity is constituted, with the participation of representatives of governments and civil society organizations from all the countries of the world [3]. In this Forum, objectives and strategies would be debated and established aiming at the constitution of a world government, a world parliament and the construction of a new society that is structured based on the principles of the Enlightenment, that is, on freedom, equality and fraternity.

REFERENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. How to build a new society to replace the dying capitalism in the world. Available on the website <https://www.academia.edu/51784619/HOW_TO_BUILD_A_NEW_SOCIETY_TO_REPLACE_THE_DYING_CAPITALISM_IN_THE_WORLD>.

2. ALCOFORADO, Fernando. The signs of the decadence of capitalism in the world. Available on the website <https://www.academia.edu/56335359/THE_SIGNS_OF_THE_DECAY_OF_CAPITALISM_IN_THE_WORLD>.

3. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

LA FUTURE SOCIETÉ POST-CAPITALISTE ET SON FONCTIONNEMENT DANS TOUS LES PAYS DU MONDE

Fernando Alcoforado*

Cet article complète nos articles Signes de la décadence du capitalisme dans le monde et Comment construire une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde. Dans l’article Signes de la décadence du capitalisme dans le monde, il a été démontré que le capitalisme prendra fin au milieu du 21ème siècle avec une durée de 700 ans au même titre que l’esclavage qui a duré 1000 ans et la féodalité qui a duré 900 ans. Dans l’article Comment construire une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde, la nécessité de construire, en tant que société post-capitaliste, le socialisme démocratique dans le monde, en passant par la transition en tant qu’État-providence, a été présentée et démontrée. En complément des articles susmentionnés, cet article cherche à détailler comment la société post-capitaliste devrait fonctionner dans chaque pays, que ce soit en phase de transition avec l’État-providence et, aussi, avec la mise en œuvre du socialisme démocratique, ainsi que ce qu’elle devrait être réalisée dans la sphère mondiale pour que cette nouvelle société s’implante dans le monde.

Dans l’article Signes de la décadence du capitalisme dans le monde [2], que nous avons récemment publié, il a été démontré que le système capitaliste mondial deviendrait irréalisable au milieu du 21e siècle (2037, 2043 ou 2053) lorsque le processus d’accumulation du capital avec les taux de profit mondiaux cesseront et la croissance de l’économie mondiale atteindra une valeur nulle. Un signe important du déclin du capitalisme est également la gigantesque dette mondiale, qui a atteint 275 000 milliards de dollars en 2020 en dette publique, des entreprises et des familles, soit environ 5,5 fois le produit brut mondial de 50 000 milliards de dollars, qui constitue une bombe sur le point d’exploser. D’autres signes du déclin du capitalisme résident dans le fait que la planète Terre atteint déjà ses limites dans l’utilisation de ses ressources naturelles car la demande en ressources naturelles dépasse de 41 % la capacité de reconstitution de la Terre et, si l’escalade de cette demande continuer au même rythme actuel, en 2030, avec une population planétaire estimée à 10 milliards d’habitants, il faudra deux Terres pour la satisfaire, en plus des menaces de changement climatique mondial catastrophique qui ont déjà lieu.

Dans l’article Comment construire une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde , que nous avons récemment publié, nous considérions que la construction d’une société post-capitaliste nécessiterait dans un premier temps l’étape de transition avec l’implantation de l’Etat-Providence comme celui construits dans les pays scandinaves qui prépareraient le terrain pour la construction du socialisme démocratique à l’avenir. La construction d’une nouvelle société de transition doit envisager la réalisation de changements politiques, économiques et sociaux tels que ceux qui se produisent en Scandinavie de 1930 à nos jours, ce qui signifiait l’abandon du modèle classique de développement capitaliste tel qu’il était pratiqué dans tous les pays du monde à l’époque, avec l’adoption d’un modèle de société intégrant les aspects positifs du capitalisme et du socialisme, constituant un système hybride. Ce modèle de société envisage l’adoption d’interventions économiques et sociales de l’État pour promouvoir la justice sociale dans un système capitaliste et une politique de protection sociale dans l’intérêt général de la population pour promouvoir une répartition plus équitable des revenus et un engagement en faveur de la démocratie représentative.

Concernant l’État-providence, il est important de noter qu’il adopte des mécanismes rigides de régulation des forces du marché, capables de placer l’économie d’un pays sur une trajectoire dynamique, tout en cherchant à atteindre les meilleurs indicateurs de bien-être social. L’État-providence consiste en un mode d’organisation économique, politique et sociale dans lequel l’État agit en tant qu’organisateur de l’économie et agent de promotion sociale. L’Etat agit pour concilier les intérêts des capitalistes détenteurs des moyens de production avec ceux de la population de chaque pays, garantissant protection et services publics au peuple. Autrement dit, il cherche à concilier les intérêts du « d’en haut » avec ceux « d’en bas » dans la pyramide sociale. Le modèle scandinave de développement politique, économique et social devrait servir de référence en tant que modèle de société à poursuivre par tous les peuples du monde en tant que transition du capitalisme au socialisme démocratique de l’avenir, car les pays scandinaves sont considérés comme les mieux gouvernés sur la planète, ceux qui ont les plus grands progrès politiques, économiques et sociaux et ont les gens les plus heureux du monde.

Le socialisme démocratique à mettre en œuvre à l’avenir dans chaque pays doit représenter un pas en avant par rapport à l’État-providence qui doit avoir lieu au milieu du 21ème siècle quand, dans chaque pays, le capitalisme devient non viable. Le socialisme démocratique prévaudra lorsque les capitalistes ne se sentiront plus motivés à investir dans des activités productives lorsque les profits deviendront nuls ou négatifs au milieu du 21e siècle. Dans ces conditions, l’Etat devra assumer les responsabilités de l’activité productive avec la socialisation des moyens de production et pourra amorcer la fin de la division de la société en classes sociales et l’abolition de l’exploitation du travail. Le profit ou la plus-value, qui est la part du travail non rémunéré, ne sera plus approprié par les capitalistes à leur profit, mais par la société pour être partagé par l’ensemble de la population. Dans le socialisme démocratique, la société sera gérée équitablement et au profit de tous par l’État et le gouvernement, qui exerceront la planification et le contrôle de la vie sociale. Dans le socialisme démocratique, le gouvernement organiserait un système d’égalité sociale et de coopération entre les êtres humains. Pour réaliser la transition du capitalisme avec l’État-providence au socialisme démocratique dans le monde, il faut cependant que, dans la sphère mondiale, il y ait un gouvernement mondial et un parlement mondial démocratiquement élus par les nations et les peuples pour coordonner la actions des gouvernements nationaux et de promouvoir l’ordre économique et environnemental global au niveau mondial, en plus de créer les conditions pour faire face aux grands défis de l’humanité au 21ème siècle.

Avant d’expliquer comment s’effectuera la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence et comment le socialisme démocratique fonctionnera, il est important d’analyser les changements qui se produiront dans la participation des acteurs à la scène politique, économique, sociale et environnementale de un pays, c’est-à-dire le gouvernement, les entreprises/banques et la population. Dans une société capitaliste, le gouvernement, dans sa relation avec les entreprises/banques, collecte des impôts et achète des produits et services aux entreprises et collecte des impôts et obtient des financements auprès des banques et , d’autre part, rédige des lois et propose des incitations fiscales et financières aux entreprises et aux banques. Le gouvernement dans sa relation avec la population utilise la main-d’œuvre et collecte les impôts, paie les salaires, fait des lois, fait des investissements publics et offre des incitations fiscales et financières à la population. Les entreprises, dans leur relation avec la population, utilisent la main-d’œuvre dans une activité productive, versent des salaires et vendent des produits et services à la population, qui, à son tour, achète des produits et services aux entreprises. Les banques dans leur relation avec la population, utilisent la main-d’œuvre dans l’activité productive, paient les salaires et assurent le financement. Les entreprises dans leurs relations avec les banques vendent des produits et des services et reçoivent des financements des banques pour leurs opérations. Dans la société capitaliste, aucun de ces acteurs n’opère dans la poursuite d’un objectif commun. Chacun des acteurs poursuit ses propres objectifs. Le gouvernement est sous la pression de la population et des entreprises/banques qui cherchent à atteindre leurs objectifs spécifiques. D’une manière générale, le gouvernement dans une société capitaliste agit au profit des entreprises/banques et fait des concessions, dans la mesure du possible, à la population. Cette situation change avec l’État-providence car tous les acteurs (gouvernement, entreprises/banques et population) agiront dans la poursuite d’objectifs communs et, principalement, avec le socialisme démocratique quand les intérêts de l’ensemble de la population prévaudront à qui le gouvernement devrait servir.

La transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence dans chaque pays

Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, chaque pays doit avoir un contrat social, c’est-à-dire une constitution démocratique, sur la base de laquelle sont établies les politiques économiques, sociales et environnementales à adopter visant le bien-être de l’ensemble de la population et la fin des agressions humaines contre la nature, un contrat social qui peut subir des adaptations dans le temps. L’État-providence doit créer les conditions pour éliminer progressivement la barbarie qui s’est produite tout au long de l’histoire et promouvoir la construction d’un nouvel ordre mondial civilisé qui serait construit avec le socialisme démocratique. Avec l’État-providence, une République démocratique serait mise en place dans chaque pays dont la Constitution serait fondée sur la devise « Liberté, Égalité, Fraternité » à travers laquelle tous les citoyens se verraient garantir les droits civils, y compris les droits de propriété et les droits de grève des travailleurs et le gouvernement central élu par le peuple agirait dans le sens de la gestion des systèmes économiques, sociaux et environnementaux pour promouvoir le bien-être de la population exerçant une gouvernance démocratique avec un parlement élu par le peuple. Avec L’État-providence, l’État agirait comme organisateur de l’économie et agent de promotion sociale, garantissant la protection et les services publics à la population.

Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, il appartiendrait au gouvernement central de chaque pays de coordonner le processus de planification économique, sociale et environnementale de la nation avec la participation des représentants des gouvernements régionaux et municipaux et de la société civile pour établir objectifs nationaux à partager avec un parlement élu par le peuple et avec la population par le biais d’un plébiscite et/ou d’un référendum. Les objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental seraient établis pour un horizon de planification donné par le gouvernement central sur la base d’un débat approfondi avec le parlement national et les représentants des entreprises privées et publiques, des gouvernements régionaux et municipaux et de la société civile. La décision finale sur les objectifs nationaux à poursuivre appartiendrait à la population par le biais d’un plébiscite ou d’un référendum. La planification et le contrôle du socialisme démocratique à adopter impliquent la participation de neuf acteurs (gouvernement central, parlement national, gouvernements régionaux, parlements régionaux, gouvernements municipaux, parlements municipaux, entreprises privées, entreprises publiques et population).

Une fois définis les objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental à poursuivre, il appartiendra aux gouvernements régionaux et municipaux, ainsi qu’aux gestionnaires d’entreprises privées et publiques en charge des activités agricoles, industrielles et de services de proposer quoi faire (objectifs), comment le faire et quand contribuer aux objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental avec l’estimation des coûts et des sources de ressources qui leur sont associées. Les gouvernements régionaux et municipaux doivent coordonner le processus de planification économique, sociale et environnementale de leurs régions et municipalités avec la participation de représentants des entreprises privées et publiques et de la société civile pour établir des objectifs régionaux et municipaux à partager avec les parlements régionaux et municipaux respectifs élus par le peuple. La décision finale sur les objectifs régionaux et municipaux à poursuivre appartiendrait aux populations respectives par le biais d’un plébiscite ou d’un référendum. Les dirigeants d’entreprises publiques doivent coordonner le processus de planification de leurs organisations avec la participation des représentants des travailleurs pour établir les objectifs commerciaux à poursuivre. La décision finale sur les objectifs des entreprises publiques appartiendrait à tous les travailleurs de l’entreprise.

Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, les propositions de quoi faire (objectifs), comment le faire, quand le faire et les estimations de coûts avec les sources de ressources proposées par les gouvernements régionaux et municipaux et les chefs d’entreprise privé et le public seraient soumis à une analyse par le gouvernement central pour évaluer la compatibilité avec les objectifs nationaux proposés, ainsi que pour comparer la demande de ressources pour mettre en œuvre les objectifs avec les ressources disponibles. À ce stade, les objectifs régionaux, municipaux et commerciaux, ainsi que la demande de ressources pour leur exécution, devraient être révisés pour les rendre compatibles avec les objectifs nationaux. Si certains objectifs régionaux, communaux et commerciaux doivent nécessairement être réalisés, même si les ressources disponibles sont insuffisantes, il appartient aux entreprises privées et publiques et à l’Etat de capturer les ressources nécessaires. Sinon, le gouvernement central doit réduire la portée des objectifs spécifiques régionaux et municipaux et des entreprises privées et publiques chargées des activités agricoles, industrielles et de services moins prioritaires, sur la base d’un large débat avec le parlement national. La société doit être informée de cette décision conjointe entre le gouvernement central et le parlement national.

Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, tous les acteurs, c’est-à-dire les entreprises privées et publiques, les travailleurs et le gouvernement, doivent être rémunérés en fonction de leur contribution au résultat économique total obtenu. Toute activité économique peut générer un profit ou une perte, le profit ou le surplus de l’activité économique étant considéré comme la plus-value, c’est-à-dire la part de travail non rémunéré du travailleur selon la conception de Karl Marx, exposée dans Le Capital. Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, les entreprises privées et publiques doivent être rémunérées avec une partie du profit qu’elles en retirent (la plus-value) car elles ont investi dans sa mise en œuvre et ont contribué à sa production, les travailleurs doivent être rémunérés avec des salaires car ils ont contribué leur main-d’œuvre à sa production et le gouvernement pour sa contribution à la fourniture de services publics et à la gestion de la société. La politique salariale du pays doit reposer sur des critères de justice sociale, c’est-à-dire que les travailleurs doivent être payés au-dessus du minimum nécessaire pour subvenir à leurs besoins essentiels et à ceux de leur famille (alimentation, santé, éducation, logement, etc.). Les travailleurs ayant les mêmes qualifications et une expérience prouvée doivent avoir le même salaire standard selon leurs qualifications et, en plus, une prime basée sur leur productivité.

Dans la transition du capitalisme au socialisme démocratique avec l’État-providence, après avoir pris en compte les résultats obtenus par chaque entreprise privée et publique (bénéfice), une partie des bénéfices sera allouée aux propriétaires d’entreprises privées et publiques et le reste devrait aller à un fonds de développement social qui serait utilisé pour le développement de la société et géré par le gouvernement pour couvrir les dépenses publiques et réaliser des investissements dans les infrastructures, l’activité productive de l’État et les services publics. Les parts bénéficiaires (en %) à allouer aux propriétaires de chaque entreprise privée et publique et au fonds de bien-être sociale seront déterminées annuellement sur la base du consensus entre le gouvernement, le parlement national et les représentants des entreprises privées et publiques et de la société civile. Alors que les travailleurs auraient intérêt à augmenter leurs salaires, les entrepreneurs à augmenter leur part des profits réalisés et à la fois à réduire la part des profits destinés à l’État pour couvrir les dépenses publiques et réaliser des investissements dans les infrastructures, dans l’activité état productif et dans les services publics, le gouvernement devrait arbitrer ce conflit en tenant compte des intérêts de l’ensemble de la société. La population doit se manifester sur le résultat de la médiation gouvernementale à travers un plébiscite ou un référendum après un large débat.

Il est à noter que la part des profits obtenus par les entreprises privées et publiques serait répartie entre leurs actionnaires, tandis que l’autre part serait affectée à des investissements dans la modernisation de leur activité productive et dans l’augmentation de leur capacité de production et la part de la les profits destinés au gouvernement seraient utilisés dans les dépenses de l’administration publique, tandis que l’autre partie serait affectée aux investissements dans la modernisation des infrastructures du pays et de l’activité productive de l’État existante et dans la réalisation de nouveaux investissements dans les infrastructures, dans l’activité productive de l’État et dans les services publics. Les entreprises privées et publiques et le gouvernement devraient présenter leurs propositions d’investissement pour un horizon de planification donné avec les sources de financement pour les réaliser. Les mécanismes de retour d’information et de contrôle des plans nationaux, régionaux, municipaux et des companies devraient être utilisés pour évaluer leur exécution et corriger les écarts qui se sont produits par trimestre.

Ce processus de planification et de contrôle existera jusqu’au milieu du 21ème siècle, lorsque le profit des capitalistes atteindra zéro et que les détenteurs de capitaux ne seraient plus motivés pour investir dans des activités productives. A partir de ce moment, les capitalistes auront d’abord tendance à consacrer leurs ressources à la spéculation financière, surtout dans les pays qui fonctionnent comme des paradis fiscaux, et le gouvernement central de tous les pays devrait assumer progressivement les activités productives abandonnées par les capitalistes. Le socialisme démocratique existera à partir de ce moment.

Comment le socialisme démocratique fonctionnera-t-il dans chaque pays

A ce stade, un nouveau contrat social devrait être signé dans les pays où le capitalisme devient infaisable, c’est-à-dire une constitution socialiste qui garantirait à tous les citoyens les droits civiques, y compris les droits de propriété individuelle et les droits de grève des travailleurs et le gouvernement central élu par le le peuple exercerait la gouvernance démocratiquement en conjonction avec un parlement élu par le peuple et agirait pour gérer les systèmes économiques, sociaux et environnementaux pour promouvoir la fin de l’exploitation humaine par l’homme et la fin de l’agression humaine contre la nature, un contrat social qui peut subir adaptations dans le temps. Avec la fin du capitalisme, tous les moyens de production seraient sous la responsabilité de l’État et tout profit ou surplus de l’activité économique serait destiné au fonds de développement social qui serait géré par le gouvernement au profit de l’ensemble de la population. Dans le socialisme démocratique, la société sera gérée équitablement et au nom de tous, le gouvernement exerçant la planification et le contrôle de la vie sociale. Dans le socialisme démocratique, le gouvernement organiserait un système à la recherche de l’égalité sociale et de la coopération entre les êtres humains.

Dans le socialisme démocratique, il appartiendrait au gouvernement central de coordonner le processus de planification économique, sociale et environnementale de la nation avec la participation des représentants des gouvernements régionaux et municipaux et de la société civile pour établir des objectifs nationaux à partager avec un parlement élu par le peuple. et avec la population décidant par plébiscite et/ou référendum. Les objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental seraient établis pour un horizon de planification donné par le gouvernement central sur la base d’un débat approfondi avec le parlement national et les représentants des gouvernements régionaux et municipaux et de la société civile. La décision finale sur les objectifs nationaux à poursuivre appartiendrait à la population par le biais d’un plébiscite ou d’un référendum. Une fois définis les objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental à poursuivre, il appartiendra aux gouvernements régionaux et municipaux, ainsi qu’aux gestionnaires d’entreprises publiques en charge des activités agricoles, industrielles et de services de proposer des actions (objectifs) , comment le faire et quand contribuer aux objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental avec l’estimation des coûts et des sources de ressources qui leur sont associées. La planification et le contrôle dans le socialisme démocratique à adopter implique la participation de huit acteurs (gouvernement central, parlement national, gouvernements régionaux, parlements régionaux, gouvernements municipaux, parlements municipaux, entreprises publiques et population).

Dans le socialisme démocratique, il appartiendra aux gouvernements régionaux et municipaux, ainsi qu’aux gestionnaires d’entreprises publiques responsables des activités agricoles, industrielles et de services de proposer ce qu’il faut faire (objectifs), comment le faire et quand le faire pour contribuer à les objectifs nationaux de développement économique, social et environnemental avec l’estimation des coûts et les sources de ressources qui leur sont associées. Les gouvernements régionaux et municipaux doivent coordonner le processus de planification économique, sociale et environnementale de leurs régions et municipalités avec la participation de représentants des entreprises publiques et de la société civile pour établir des objectifs régionaux et municipaux à partager avec les parlements régionaux et municipaux respectifs élus par le peuple. La décision finale sur les objectifs régionaux et municipaux à poursuivre appartiendrait aux populations respectives par le biais d’un plébiscite ou d’un référendum. Les dirigeants d’entreprises publiques doivent coordonner le processus de planification de leurs organisations avec la participation des représentants des travailleurs pour établir les objectifs des entreprises à poursuivre. La décision finale sur les objectifs des entreprises publiques appartiendrait à tous les travailleurs de l’entreprise.

Dans le socialisme démocratique, les propositions de quoi faire (objectifs), comment le faire, quand le faire et les estimations des coûts et des sources de ressources proposées par les gouvernements régionaux et municipaux et les gestionnaires d’entreprises publiques seraient analysées par le gouvernement central pour évaluer la compatibilité avec les objectifs nationaux proposés, ainsi que comparer la demande de ressources pour mettre en œuvre les objectifs avec les ressources disponibles. À ce stade, les objectifs régionaux, municipaux et d’entreprises publiques, ainsi que la demande de ressources pour leur exécution, devraient être révisés pour les rendre compatibles avec les objectifs nationaux. Si certains objectifs régionaux, municipaux et d’entreprises publiques doivent nécessairement être réalisés, même si les ressources disponibles sont insuffisantes, il appartient au gouvernement central de capturer les ressources nécessaires. Dans le cas contraire, le gouvernement central doit réduire la portée des objectifs spécifiques régionaux et municipaux et des entreprises publiques chargées des activités agricoles, industrielles et de services moins prioritaires, sur la base d’un large débat avec le parlement national. La société doit être informée de cette décision conjointe entre le gouvernement central et le parlement national. Les mécanismes de retour d’information et de contrôle des plans nationaux, régionaux, municipaux et d’entreprises publiques doivent être utilisés pour évaluer en permanence leur exécution et corriger les écarts qui se sont produits.

Conclusion

De ce qui précède, on peut conclure que, tant dans la phase de transition avec l’État-providence, que pendant le socialisme démocratique, il y aurait dans chaque pays l’exercice effectif de la démocratie avec la population élisant ses gouverneurs et représentants au parlement, en plus de participer aux décisions concernant les objectifs à poursuivre aux niveaux national, régional et municipal, ainsi que les travailleurs avec leur participation aux décisions à prendre par les entreprises publiques. Outre l’exercice de la démocratie, se démarque la planification coordonnée aux niveaux national, régional, municipal et des entreprises public et privé, cette dernière étant en phase de transition avec l’État-providence. Il y aurait également un processus de planification intégré aux niveaux national, régional, municipal et des entreprises publiques qui contribuera à éliminer le chaos qui caractérise la société capitaliste. Le processus de planification intégrée sera mis en pratique dans chaque pays en utilisant des technologies de l’information modernes qui traiteront rapidement les données, facilitant ainsi la prise de décision par tous les acteurs impliqués. Les mécanismes de retour d’information et de contrôle des plans nationaux, régionaux, municipaux et commerciaux doivent être utilisés pour évaluer en permanence leur exécution et corriger les écarts qui se sont produits.

Pour promouvoir la transition du capitalisme au socialisme démocratique dans le monde, il y a un besoin urgent d’un gouvernement mondial et d’un parlement mondial pour coordonner les actions des gouvernements nationaux pour atteindre ces objectifs. Il est important de noter qu’un gouvernement mondial et un parlement mondial démocratiquement élus favoriseraient non seulement la construction d’une nouvelle société à travers la planète, mais aussi la commande de l’ordre l’ordre économique et environnemental mondial et des relations internationales pour la défense de la paix mondiale, créant les conditions pour faire face aux grands défis de l’humanité au 21ème siècle qui consistent en : 1) des crises économiques et financières en chaîne ; 2) révolutions et contre-révolutions sociales à travers le monde ; 3) guerres en cascade ; 4) surpopulation mondiale ; 5) pandémies mortelles ; 6) changement climatique extrême ; 7) le crime organisé ; et, 8) les menaces de l’espace, dont les actions de nature mondiale pour les neutraliser sont impossibles à mettre en œuvre par les États nationaux individuels et par les institutions internationales actuelles. Afin de rendre viable un gouvernement mondial, il est nécessaire que, dès le départ, un Forum mondial pour la paix et le progrès de l’humanité soit constitué, avec la participation de représentants de gouvernements et d’organisations de la société civile de tous les pays du monde [3]. Ce Forum débattrait et établirait les objectifs et stratégies visant à la constitution d’un gouvernement mondial, d’un parlement mondial et à la construction d’une nouvelle société structurée sur les principes des Lumières, c’est-à-dire sur la liberté, l’égalité et la fraternité.

LES RÉFÉRENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Comment construire une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/51784941/COMMENT_CONSTRUIRE_UNE_NOUVELLE_SOCI%C3%89T%C3%89_POUR_REMPLACER_LE_CAPITALISME_MOURANT_DANS_LE_MONDE>.

2. ALCOFORADO, Fernando. Os sinais da decadência do capitalismo no mundo. Disponível no website <https://www.academia.edu/56330126/OS_SINAIS_DA_DECAD%C3%8ANCIA_DO_CAPITALISMO_NO_MUNDO>.

3. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

A FUTURA SOCIEDADE PÓS-CAPITALISTA E SEU FUNCIONAMENTO EM CADA PAÍS DO MUNDO

Fernando Alcoforado* 

Este artigo complementa os artigos de nossa autoria Os sinais da decadência do capitalismo no mundo e Como construir uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundo. No artigo Os sinais da decadência do capitalismo no mundo, foi demonstrado que o capitalismo chegará ao fim em meados do século XXI com uma duração de 700 anos da mesma forma que o escravismo que durou 1000 anos e do feudalismo que durou 900 anos. No artigo Como construir uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundo, foi apresentada e demonstrada a necessidade de construir, como sociedade pós-capitalista, o socialismo democrático no mundo passando antes pela transição como Estado de Bem Estar Social.  Ao complementar os artigos acima citados, este artigo busca detalhar como deve funcionar a sociedade pós capitalista em cada país seja na fase de transição com o Estado de Bem Estar Social e, também, com a implantação do socialismo democrático, bem como o que deve ser realizado na esfera mundial para que esta nova sociedade seja implantada em todo o mundo.

No artigo Os sinais da decadência do capitalismo no mundo [2], que publicamos recentemente, foi demonstrado que o sistema capitalista mundial ficaria inviabilizado em meados do século XXI (2037, 2043 ou 2053) quando cessará o processo de acumulação do capital com as taxas de lucro global e de crescimento da economia mundial alcançando o valor zero. Sinal importante, também, de decadência do capitalismo é a gigantesca dívida global, que alcançou US$ 275 trilhões em 2020 em dívidas governamentais, corporativas e domésticas, cerca de 5,5 vezes o Produto Bruto Mundial de US$ 50 trilhões, que se constitui em uma bomba prestes a explodir. Outros sinais de decadência do capitalismo residem no fato de o planeta Terra já estar atingindo seus limites no uso de seus recursos naturais porque a demanda por recursos naturais excede em 41% a capacidade de reposição da Terra e, se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030, com uma população planetária estimada em 10 bilhões de pessoas serão necessárias duas Terras para satisfazê-la, além das ameaças de mudanças climáticas catastróficas globais que já estão ocorrendo.  

No artigo Como construir uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundo [1], que publicamos recentemente, consideramos que a construção de uma sociedade pós-capitalista requereria, inicialmente, o estágio de transição com a implantação do Estado de Bem Estar Social como aquele construído nos países escandinavos que prepararia o terreno para a edificação do socialismo democrático no futuro. A construção de uma nova sociedade de transição deveria considerar a realização de mudanças políticas, econômicas e sociais como as ocorridas na Escandinávia desde 1930 até o presente momento que significou o abandono do modelo clássico de desenvolvimento capitalista como praticado em todos os países do mundo na época com a adoção de um modelo de sociedade que incorporou os aspectos positivos do capitalismo e do socialismo se constituindo em um sistema híbrido. Este modelo de sociedade contempla a adoção de intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social em um sistema capitalista e uma política de Bem-Estar Social no interesse geral da população para promover uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso com a democracia representativa.  

Sobre o Estado de Bem-Estar Social, é importante observar que ele adota rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado, capaz de colocar a economia de um país em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que busca alcançar os melhores indicadores de bem-estar social. O Estado de Bem-Estar Social consiste em um modo de organização econômica, política e social na qual o Estado atua como organizador da economia e agente de promoção social. O Estado age no intuito de compatibilizar os interesses dos capitalistas detentores dos meios de produção com os da população de cada país garantindo a proteção e serviços públicos ao povo. Em outras palavras procura conciliar o interesse dos “de cima” com os “de baixo” na pirâmide social. O modelo escandinavo de desenvolvimento político, econômico e social deveria servir de referencial como modelo de sociedade a ser perseguido por todos os povos do mundo como transição do capitalismo para o socialismo democrático do futuro porque os países escandinavos são considerados os mais bem governados do planeta, os que apresentam o maior progresso político, econômico e social e têm os povos mais felizes do mundo.

O socialismo democrático a ser implantado no futuro em cada país deve representar um passo à frente em relação ao Estado de Bem Estar Social que deve ocorrer em meados do século XXI quando, em cada país, o capitalismo se tornar inviável. O socialismo democrático se imporá quando os capitalistas não se sentirem mais motivados a investir na atividade produtiva quando os lucros se tornarem zero ou negativos em meados do século XXI. Nessas circunstâncias, o Estado terá que assumir os encargos da atividade produtiva com a socialização dos meios de produção e poderá dar início ao fim da divisão da sociedade em classes sociais e à abolição da exploração do trabalho. O lucro ou a mais valia, que é a parcela do trabalho não pago, deixará de ser apropriado pelos capitalistas em seu benefício e sim pela sociedade a ser compartilhado por toda a população. No socialismo democrático, a sociedade será administrada de forma justa e em prol de todo o povo pelo Estado e o governo que exercerá o planejamento e o controle da vida social. No socialismo democrático, o governo organizaria um sistema de igualdade social e de cooperação entre os seres humanos. Para realizar a transição do capitalismo com o Estado de Bem Estar Social para o socialismo democrático em todo o mundo, é preciso, entretanto, que, na esfera mundial, exista um governo mundial e um parlamento mundial democraticamente eleitos pelas nações e povos para coordenarem as ações dos governos nacionais e promoverem o ordenamento econômico e ambiental global no nível mundial, além de criar as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI.

Antes de explicar como se dará a transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social e como operará o socialismo democrático, é importante analisar as mudanças que ocorrerão na participação dos atores da cena política, econômica, social e ambiental de um país, isto é, o governo, as empresas/bancos e a população. A Figura 1 (Relações governo/população/empresas/bancos) mostra que, em uma sociedade capitalista, o governo, em sua relação com empresas/bancos, arrecada impostos e adquire produtos e serviços das empresas e arrecada impostos e obtém financiamento de bancos e, de outro, elabora leis e oferece incentivos fiscais e financeiros às empresas e bancos. O governo em sua relação com a população utiliza a força de trabalho e arrecada impostos, bem como paga salários, elabora leis, realiza investimentos públicos e oferece incentivos fiscais e financeiros à população. As empresas em sua relação com a população, utiliza a força de trabalho na atividade produtiva, paga salários e vende produtos e serviços à população que, por sua vez, adquire produtos e serviços das empresas. Os bancos em sua relação com a população, utiliza a força de trabalho na atividade produtiva, paga salários e provê financiamentos. As empresas em sua relação com os bancos vende produtos e serviços e recebe dos bancos financiamentos para suas operações. Na sociedade capitalista, nenhum desses atores opera na busca de um objetivo comum. Cada um dos atores persegue seus próprios objetivos. O governo sofre pressões da população e das empresas/bancos que buscam a consecução de seus objetivos específicos. De modo geral, o governo em uma sociedade capitalista atua em benefício das empresas/bancos e faz concessões, na medida do possível, à população. Esta situação muda com o Estado de Bem Estar Social porque todos os atores (governo, empresa/bancos e população) atuarão na busca de objetivos comuns e, principalmente, com o socialismo democrático quando prevalecerá apenas os interesses de toda a população a quem o governo deve servir.

A transição do capitalismo para os socialismo democrático com o Estado de Bem Estar social em cada país

Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, é preciso que exista em cada país um contrato social, isto é, uma constituição democrática, com base no qual sejam estabelecidas as políticas econômicas, sociais e ambientais a serem adotadas visando o bem estar de toda a população e o fim da agressão humana contra a natureza, contrato social este que pode sofrer adaptações ao longo do tempo. O Estado de Bem Estar Social deve criar as condições para eliminar progressivamente a barbárie que vem ocorrendo ao longo da história e promover a construção de uma nova ordem mundial civilizada que viria a ser construída com o socialismo democrático. Com o Estado de Bem Estar Social, seria implantada uma República democrática em cada país cuja Constituição seria baseada no lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” através da qual seria garantida a todos os cidadãos os direitos civis, inclusive os direitos de propriedade e os direitos de greve dos trabalhadores e o governo central a ser eleito pelo povo atuaria no sentido de gerir os sistemas econômico, social e ambiental para promover o bem estar da população exercendo a governabilidade democraticamente em conjunto com um parlamento eleito pelo povo. Com o Estado de Bem Estar Social, o Estado atuaria como organizador da economia e agente de promoção social garantindo a proteção e serviços públicos ao povo.  

Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, competiria ao governo central de cada país coordenar o processo de planejamento econômico, social e ambiental da nação com o envolvimento dos representantes dos governos regionais e municipais e da sociedade civil para estabelecerem os objetivos nacionais a serem compartilhados com um parlamento eleito pelo povo e com a população através de plebiscito e/ou referendo. Os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental seriam estabelecidos para um determinado horizonte de planejamento pelo governo central com base em amplo debate com o parlamento nacional e representantes das empresas privadas e públicas, dos governos regionais e municipais e da sociedade civil. A decisão final sobre os objetivos nacionais a serem perseguidos caberia à população através de plebiscito ou referendo. O planejamento e controle no socialismo democrático a ser adotado envolve a participação de nove atores (governo central, parlamento nacional, governos regionais, parlamentos regionais, governos municipais, parlamentos municipais, empresas privadas, empresas públicas e população).

Definidos os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental a serem perseguidos, competirá aos governantes regionais e municipais, bem como aos dirigentes de empresas privadas e públicas responsáveis pela atividade agropecuária, industrial e de serviços proporem o que fazer (objetivos), como fazer e quando fazer para contribuírem com os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental com a estimativa dos custos e as fontes de recursos a eles associados. Os governantes regionais e municipais devem coordenar o processo de planejamento econômico, social e ambiental de suas regiões e municípios com o envolvimento de representantes das empresas privadas e públicas e da sociedade civil para estabelecerem os objetivos regionais e municipais a serem compartilhados com os respectivos parlamentos regional e municipal eleitos pelo povo. A decisão final sobre os objetivos regionais e municipais a serem perseguidos caberia às respectivas populações através de plebiscito ou referendo. Os dirigentes de empresas públicas devem coordenar o processo de planejamento de suas organizações com o envolvimento de representantes dos trabalhadores para estabelecerem os objetivos empresariais a serem perseguidos. A decisão final sobre os objetivos das empresas públicas caberia a todos os trabalhadores das empresas.

Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, as propostas do que fazer (objetivos), como fazer, quando fazer e as estimativas de custos com as fontes de recursos propostas pelos governantes regionais e municipais e dirigentes de empresas privadas e públicas seriam objeto de análise pelo governo central para avaliar a compatibilidade com os objetivos nacionais propostos, bem como comparar a demanda de recursos para implementar os objetivos com os recursos disponíveis. Nesta etapa, os objetivos regionais, municipais e empresariais, bem como a demanda de recursos para sua execução teriam que revistos para compatibilizar com os objetivos nacionais. Se determinados objetivos regionais, municipais e empresariais tiverem que ser executados necessariamente, mesmo que os recursos disponíveis sejam insuficientes, compete às empresas privadas e públicas e ao governo central captarem os recursos necessários. Caso contrário, o governo central deve reduzir o escopo de objetivos específicos regionais e municipais e de empresas privadas e públicas responsáveis pela atividade agropecuária, industrial e de serviços menos prioritários com base em amplo debate com o parlamento nacional. A sociedade deveria ser informada sobre esta decisão conjunta entre o governo central e o parlamento nacional. 

Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, todos os atores, isto é, empresas privadas e públicas, trabalhadores e governo, devem ser remunerados de acordo com sua contribuição ao resultado econômico total obtido. Toda atividade econômica pode gerar lucro ou prejuizo, sendo o lucro ou excedente da atividade econômica considerado como a mais valia, isto é, a parte do trabalho não pago ao trabalhador de acordo com a concepção de Karl Marx, exposta em O Capital. Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, as empresas privadas e públicas devem ser remuneradas com parte do lucro por elas obtido (mais valia) porque investiram em sua implantação e contribuiram na sua produção, os trabalhadores devem ser remunerados com salários porque contribuiram com sua força de trabalho na sua produção e o governo por sua contribuição na prestação de serviços públicos e na gestão da sociedade. A política salarial do país tem que se basear em critérios de justiça social, isto é, o trabalhador deve ser remunerado acima do mínimo necessário para atender suas necessidades básicas e de sua família (alimentação, saúde, educação, moradia, etc.). Os trabalhadores com as mesmas qualificações e experiências comprovadas devem ter o mesmo salário padrão de acordo com suas qualificações e, ter adicionado a este, um prêmio em função da produtividade de cada um.  

Na transição do capitalismo para o socialismo democrático com o Estado de Bem Estar Social, após a contabilização dos resultados obtidos por cada empresa privada e pública (lucro), uma parte do lucro será destinada aos proprietários das empresas privadas e públicas e o restante deve ir para um fundo de bem estar social a ser usado para o desenvolvimento da sociedade a ser gerido pelo governo para cobertura dos gastos públicos e realizar investimentos na infraestrutura, na atividade produtiva estatal e nos serviços públicos. As parcelas do lucro (em %) a serem destinadas aos proprietários de cada empresa privada e pública e para o fundo de bem estar social serão determinadas anualmente com base no consenso entre governo, parlamento nacional e representantes das empresas privadas e públicas e da sociedade civil. Considerando que os trabalhadores teriam o interesse de elevar seus salários, os empresários de elevar sua parcela no lucro obtido e ambos em reduzir a parcela do governo no lucro obtido a ser destinada à cobertura dos dos gastos públicos e para realizar investimentos na infraestrutura, na atividade produtiva estatal e nos serviços públicos, o governo teria que mediar este conflito levando em conta os interesses de toda a sociedade. A população deveria se manifestar sobre o resultado da mediação do governo através de plebiscito ou referendo após um amplo debate.  

É oportuno destacar que a parte do lucro obtido pelas empresas privadas e públicas seria distribuido entre seus acionistas, enquanto a outra parte seria destinada a investimentos na modernização de sua atividade produtiva e no aumento de sua capacidade de produção e a parte do lucro destinado ao governo seria utilizado nos gastos com a gestão pública, enquanto a outra parte seria destinada aos investimentos na modernização da infraestrutura do país e da atividade produtiva estatal existente e na realização de novos investimentos em infraestrutura, na atividade produtiva estatal e nos serviços públicos. Tanto as empresas privadas e públicas como o governo deveriam apresentar suas propostas de investimentos para um determinado horizonte de planejamento com as fontes de recursos para realizá-las. Mecanismos de feedback e controle dos planos nacional, regional, municipal e empresariais devem ser utilizados para avaliar sua execução e corrigir os desvios ocorridos por trimestre. 

Este processo de planejamento e controle existirá até meados do século XXI quando o lucro dos capitalistas alcançarem o valor zero e os detentores do capital não estariam mais motivados em investir nas atividades produtivas. A partir deste momento, os capitalistas tenderão, inicialmente, a alocar seus recursos na especulação financeira, sobretudo em países que operam como paraisos fiscais, e o governo central de todos os países teriam que assumir progressivamente as atividades produtivas abandonadas pelos capitalistas. O socialismo democrático passará a existir a partir deste momento.  

Como operará o socialismo democrático em cada país

Neste estágio, deveria ser celebrado um novo contrato social nos países onde o capitalismo se inviabilizasse, isto é, uma constituição socialista que garantiria a todos os cidadãos os direitos civis, inclusive os direitos de propriedade individual e os direitos de greve dos trabalhadores e o governo central a ser eleito pelo povo exerceria a governabilidade democraticamente em conjunto com um parlamento eleito pelo povo e atuaria no sentido de gerir os sistemas econômico, social e ambiental para promover o fim da exploração do homem pelo homem e o fim da agressão humana contra a natureza, contrato social este que pode sofrer adaptações ao longo do tempo. Com o fim do capitalismo, todos os meios de produção ficariam sob a responsabilidade do Estado e todo o lucro ou excedente da atividade econômica seria destinado ao fundo de desenvolvimento social a ser gerido pelo governo em benefício de toda a população. No socialismo democrático, a sociedade será administrada de forma justa e em prol de todos com o governo exercendo o planejamento e o controle da vida social. No socialismo democrático, o governo organizaria um sistema em busca da igualdade social e da cooperação entre os seres humanos.

No socialismo democrático, competiria ao governo central coordenar o processo de planejamento econômico, social e ambiental da nação com o envolvimento dos representantes dos governos regionais e municipais e da sociedade civil para estabelecerem os objetivos nacionais a serem compartilhados com um parlamento eleito pelo povo e com a população decidindo através de plebiscito e/ou referendo. Os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental seriam estabelecidos para um determinado horizonte de planejamento pelo governo central com base em amplo debate com o parlamento nacional e representantes dos governos regionais e municipais e da sociedade civil.  A decisão final sobre os objetivos nacionais a serem perseguidos caberia à população através de plebiscito ou referendo. Definidos os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental a serem perseguidos, competirá aos governantes regionais e municipais, bem como aos dirigentes de empresas públicas responsáveis pela atividade agropecuária, industrial e de serviços proporem o que fazer (objetivos), como fazer e quando fazer para contribuírem com os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental com a estimativa dos custos e as fontes de recursos a eles associados. O planejamento e controle no socialismo democrático a ser adotado envolve a participação de oito atores (governo central, parlamento nacional, governos regionais, parlamentos regionais, governos municipais, parlamentos municipais, empresas públicas e população).

No socialismo democrático, competirá aos governantes regionais e municipais, bem como aos dirigentes de empresas públicas responsáveis pela atividade agropecuária, industrial e de serviços proporem o que fazer (objetivos), como fazer e quando fazer para contribuírem com os objetivos nacionais de desenvolvimento econômico, social e ambiental com a estimativa dos custos e as fontes de recursos a eles associados. Os governantes regionais e municipais devem coordenar o processo de planejamento econômico, social e ambiental de suas regiões e municípios com o envolvimento de representantes das empresas públicas e da sociedade civil para estabelecerem os objetivos regionais e municipais a serem compartilhados com os respectivos parlamentos regional e municipal eleitos pelo povo. A decisão final sobre os objetivos regionais e municipais a serem perseguidos caberia às respectivas populações através de plebiscito ou referendo. Os dirigentes de empresas públicas devem coordenar o processo de planejamento de suas organizações com o envolvimento de representantes dos trabalhadores para estabelecerem os objetivos empresariais a serem perseguidos. A decisão final sobre os objetivos das empresas públicas caberia a todos os trabalhadores das empresas.

No socialismo democrático, as propostas do que fazer (objetivos), como fazer, quando fazer e as estimativas de custos e das fontes de recursos propostas pelos governantes regionais e municipais e dirigentes de empresas públicas seriam objeto de análise pelo governo central para avaliar a compatibilidade com os objetivos nacionais propostos, bem como comparar a demanda de recursos para implementar os objetivos com os recursos disponíveis. Nesta etapa, os objetivos regionais, municipais e empresariais, bem como a demanda de recursos para sua execução teriam que revistos para compatibilizar com os objetivos nacionais. Se determinados objetivos regionais, municipais e empresariais tiverem que ser executados necessariamente, mesmo que os recursos disponíveis sejam insuficientes, compete ao governo central captar os recursos necessários. Caso contrário, o governo central deve reduzir o escopo de objetivos específicos regionais e municipais e de empresas públicas responsáveis pela atividade agropecuária, industrial e de serviços menos prioritários com base em amplo debate com o parlamento nacional. A sociedade deveria ser informada sobre esta decisão conjunta entre o governo central e o parlamento nacional.  Mecanismos de feedback e controle dos planos nacional, regional, municipal e empresariais devem ser utilizados para avaliar continuamente sua execução e corrigir os desvios ocorridos em bases trimestrais.

Conclusões

Pelo exposto, pode-se concluir que, tanto na etapa de transição com o Estado de Bem Estar Social, como durante o socialismo democrático, haveria em cada país o exercício efetivo da democracia com a população elegendo seus governantes e representantes no parlamento, além de participar das decisões quanto aos objetivos a serem perseguidos nos planos nacional, regional e municipal, bem como os trabalhadores com sua participação nas decisões a serem tomadas pelas empresas públicas. Além do exercício da democracia, destaque-se o planejamento coordenado nos níveis nacional, regional, municipal e das empresas públicas e privadas sendo estas últimas na etapa de transição com o Estado de Bem Estar Social. Haveria, também, o processo de planejamento integrado nos níveis nacional, regional, municipal e das empresas públicas que contribuirá para eliminar o caos que caracteriza a sociedade capitalista. O processo de planejamento integrado será posto em prática em cada país com o uso da moderna tecnologia da informação que processará os dados com rapidez facilitando, desta forma, a tomada de decisão por todos os atores envolvidos. Mecanismos de feedback e controle dos planos nacional, regional, municipal e empresariais devem ser utilizados para avaliar continuamente sua execução e corrigir os desvios ocorridos.

Para promover a transição do capitalismo para o socialismo democrático em todo o mundo, urge a existência de um governo mundial e de um parlamento mundial para coordenarem as ações dos governos nacionais visando alcançar esses objetivos. É importante observar que um governo mundial e um parlamento mundial democraticamente eleitos promoveriam, não apenas, a construção de uma nova sociedade em todo o planeta, mas também, o ordenamento econômico e ambiental global e nas relações internacionais em defesa da paz mundial, criando as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI os quais consistem em: 1) Crises econômicas e financeiras em cadeia; 2) Revoluções e contrarrevoluções sociais em todo o globo; 3) Guerras em cascata; 4) Superpopulação mundial; 5) Pandemias mortais; 6) Mudanças climáticas extremas; 7) Crime organizado; e, 8) Ameaças vindas do espaço, cujas ações de caráter global para neutralizá-las são impossíveis de serem levadas avante pelos estados nacionais isoladamente e pelas instituições internacionais atuais. Para viabilizar um governo mundial é preciso que, de início, seja constituído um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade com a participação de representantes de governos e de organizações da Sociedade Civil de todos os países do mundo [3]. Neste Fórum seriam debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias visando a constituição de um governo mundial, um parlamento mundial e a construção de uma nova sociedade que seja estruturada com base nos princípios do Iluminismo, isto é, na liberdade, igualdade e fraternidade.

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. Como construir uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundo. Disponível no website <https://www.academia.edu/51783662/COMO_CONSTRUIR_UMA_NOVA_SOCIEDADE_PARA_SUBSTITUIR_O_CAPITALISMO_MORIBUNDO_NO_MUNDO>.

2. ALCOFORADO, Fernando. Os sinais da decadência do capitalismo no mundo. Disponível no website <https://www.academia.edu/56330126/OS_SINAIS_DA_DECAD%C3%8ANCIA_DO_CAPITALISMO_NO_MUNDO>.

3. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019. 

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, atuou durante 60 anos no setor de energia do Brasil, foi Subsecretário de Energia do Estado da Bahia e é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

THE SIGNS OF THE DECAY OF CAPITALISM IN THE WORLD

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the signs of the decay of the world capitalist system that is inevitably heading towards its end in the middle of the 21st century when the global profit rate and the growth rate of the Gross World Product will reach zero value [1]. Furthermore, capitalism will evolve with the characteristics of entropy [4] as it exhibits the universal tendency to evolve into increasing disorder and self-destruction until its end in the mid-21st century. This scenario will lead to the end of the capital accumulation process, confirming the tendency that capitalism will not last forever as a mode of production, as many people think, because it will have the same end as other modes of production that have disappeared, such as the slavery in the fifth century and feudalism in the fourteenth century [3]. The decay of the world capitalist system is materialized, therefore, in the fact that the global profit rate and the growth rate of the Gross World Product will reach zero in the middle of the 21st century, capitalism will evolve presenting entropy with increasing disorder and self-destruction and will arrive at the end, as happened with the slavery and feudalism modes of production.

The world capitalist system will come to an end in the middle of the 21st century because there is a downward trend in the world profit rate from 1869 to 2007 (Figure 1), in the profit rate of large US corporations from 1947 to 2007 (Figure 2) and in the growth rate of the World Gross Product from 1961 to 2007 (Figure 3). To determine when these rates will reach zero in the future, maintaining the downward trend, calculations were performed using the least squares method of Statistics.

Figure 1- Worldwide profit rate

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Source: MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018.

Figure 2- Profit rate at the historical cost of fixed capital in US corporations

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Source: KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012. 

Figure 3- Real growth rates of World Gross Product and Financial Products (derivatives)

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Source: BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008.

Figure 1 shows the evolution of the profit rate of the world capitalist system from 1869 to 2007, pointing to its decline in this period [6]. If the evolution of the profit rate of the world capitalist system in the period 1869-1947 is considered and the downward trend of this profit rate in the most recent period, 1947-2007 is maintained, the profit rate of the world capitalist system would tend towards the value equal to zero in 2037. Figure 2 shows the evolution of the profit rate at the historical cost of fixed capital of US corporations from 1947 to 2007, pointing to its decline in this period [5]. If the downward trend of this profit rate is maintained in the coming years, the profit rate of US corporations will reach zero in 2043. Figure 3 shows the evolution of the Gross World Product from 1961 to 2007 showing its decline in this period [2]. If the downward trend in the growth rate of the Gross World Product is maintained in the coming years, this rate will reach zero in 2053.

It is concluded, from the above, that the world capitalist system would be rendered unfeasible in the mid-21st century (2037, 2043 or 2053) when the process of capital accumulation will cease with the global profit and growth rates of the world economy reaching zero value. The decreasing trend of profit rates in the world capitalist system shows the historical, transitory character of the capitalist mode of production and the conflict that is established with the possibilities of continuing its development. Thus, the foundations of Marx’s theory presented in his work The Capital are being confirmed [7, 8 and 9]. Karl Marx predicted that the rate of profit will tend to fall in the long run, decade after decade. Not only will there be ups and downs in each boom and crisis cycle, but there will also be a long-term downward trend, making each boom shorter and each crash deeper.

In addition to the signs of decay represented by the fall in the world profit rate, the profit rate of large corporations in the United States, the growth rate of the World Gross Product that will reach zero in the middle of the 21st century, another important sign of decay in the Capitalism is the gigantic global debt, which reached US$275 trillion in 2020 in government, corporate and domestic debt, almost three times the Gross World Product, which constitutes a bomb ready to explode [11] (Figure 4).

Figure 4- Global debt from 2013 to 2020

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 Source: https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/

Figure 5 shows the evolution of the world debt of households (household), non-financial companies (non-financial corporate), government (government) and the financial sector (financial) and total in 2003, 2008, 2013 and 2018.

Figure 5- World debt from 2003 to 2018

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Source: ALVES, José Eustáquio DinizA dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

The Institute of International Finance (IIF) claims that global debt was less than US$100 trillion in 2003, reached US$177.7 trillion in 2008, US$209.4 trillion in 2013 and US$247.2 trillion in 2018. World debt has risen by nearly US$150 trillion in 15 years. About US$10 trillion each year. Debt levels of households, non-financial corporate sectors and government reached US$186.5 trillion in the first quarter of 2018. Financial sector debt rose to a record US$60.6 trillion. World economic growth is being sustained by credit and indebtedness. Emerging market debt rose to a record US$58.5 trillion in the first quarter of 2018 – more than 84% since the start of the global crisis in 2008. Over the past 5 years, government debt has risen most sharply in Brazil, Saudi Arabia, Nigeria and Argentina, according to the IIF [12].

After the 2008 global crisis, the general expectation was that debts would be reduced. That’s not what happened. Several countries have governments, businesses and households with debts that far exceed GDP. Japan, for example, has debts that are 4 times the size of the economy itself. The largest debts between countries are, in order, as follows: Japan (400% of GDP), Ireland (390% of GDP), Singapore (382% of GDP), Portugal (358% of GDP), Belgium (327% of GDP), Netherlands (325% of GDP), Spain (313% of GDP), Denmark (302% of GDP), Sweden (290% of GDP), France (280% of GDP), Italy (259% of GDP ), United Kingdom (252% of GDP), Norway (244% of GDP), Finland (238% of GDP), United States (233% of GDP) and Brazil (128% of GDP). The problem is especially severe in countries like Japan whose total debt is 4 times the size of the economy itself [13]. These numbers show that all listed countries have debts greater than the GDP (Gross Domestic Product) characterizing the existence of excessive indebtedness.

Figure 6 shows countries’ share of global debt. The United States, China and Japan are the biggest debtors on the planet, accounting for 45.93% of the total debt. This means that if there is a default in the payment of debt in these three countries, the world economy could face situations similar to those that occurred in 1929 with the great depression or in 2008 and with the great recession that still persists.

Figure 6- Share of countries in global debt (%)

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Source: https://coinzodiac.com/get-rich-in-market-crash/how-much-world-debt/

One of the indebted countries that deserves special analysis because it is the largest economy and the most indebted country on the planet is the United States. The US public debt has been breaking records, especially since 2019 with the outbreak of the new coronavirus pandemic because the country spends and buys beyond its capacity issuing dollars and Treasury bonds [14]. The risk of major catastrophes in the United States, with its excessive indebtedness, has not disappeared, but has spread over time, at the price of increasing them in proportion and explosion when to burst. It should be noted that US public indebtedness is strongly related to military spending. Figure 7 shows the debt escalation of the world’s largest economy, the United States, from 1966 to 2014.

Figure 7- The escalation of US debt from 1966 to 2014 in billions of dollars

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Source: DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

The global financial system led by the US dollar is beginning to point to the accelerated loss of confidence in the dollar that has dominated the world for almost a century as the indebtedness of the United States evolves. Figure 8 shows that the dollar as an international reserve has been progressively falling.

Figure 8- The dollar as a percentage of international reserves from 2007 to 2019

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Source: https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/

In 2018, the dollar’s share of international reserves dropped to 61.7%, which is the lowest level in the last 20 years, demonstrating the lack of confidence in the dollar. This loss of confidence results from the fact that the current global economic crisis shows that a monetary system like the current one based on paper money issued freely and without ballast by the US government is inherently unstable whose inevitable consequences of this process are artificial economic growth , the euphoria and the bad investments that such growth generates, and, finally, the depressions.

The drop in confidence in the dollar is increasing the price of gold on the world market as shown in Figure 9.

Figure 9- Gold price on the world market

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Source: https://xn--cotaodoouro-c8a5c.com/cotacoes/cotacao-ouro-historico/

In addition to an increased demand for gold to replace the dollar as an international reserve, there is a tendency to replace the dollar with world currencies capable of replacing it, such as the Euro, the Chinese Yuan and Special Drawing Rights (currency of the IMF). In addition to the lack of confidence caused by the lack of dollar backing, the decline of the US economy, the abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the explosion of the US public debt bubble that corresponds to 23 trillion dollars, higher than the country’s GDP, a historic record, which could reach 140% of GDP by 2024.

From the above, it can be said that the capitalist system is a system that operates according to the principle of entropy, which is the measure of disorder or the unpredictability of a system’s performance. Capitalism presents, therefore, universal tendency to evolve into increasing disorder and self-destruction [4]. This situation is demonstrated by the downward trend in the global profit rate, the profit rate of large corporations in the United States and the growth rate of the World Gross Product, which will reach zero in the middle of the 21st century, as well as the excessive indebtedness of the countries of the world especially, the United States, China and Japan. The unpredictability of capitalism results from the fact that it is a system that operates chaotically, without planning and control, by denying, with neoliberalism, the regulation of the world capitalist system. Another sign of capitalism’s decay resides in the fact that all available data point to the fact that the world capitalist system will evolve into growing disorder and self-destruction because planet Earth is already reaching its limits in the use of its natural resources [1]. Today, due to the current consumption pace, the demand for natural resources exceeds the Earth’s replacement capacity by 41%. If the escalation of this demand continues at the current rate, in 2030, with an estimated global population of 10 billion people, it will take two Earths to satisfy it. The predictable depletion of mineral resources, particularly energy, and the threat of catastrophic climate change, major themes on the ecological agenda, fit well into the entropic process

Despite having contributed to the progress of humanity since its emergence in the 14th century, the decay of capitalism manifests itself, for example, with economic chaos at the national and global levels that generate endless economic recessions and depressions, the serious social damage in every country in the world represented by excessive income concentration, growing social inequality and endemic hunger and misery, the environmental degradation of the planet that tends to lead to the depletion of its natural resources, catastrophic climate change and the occurrence of new pandemics lethal to humanity, by the increase in violence within countries with the escalation of crime and the outbreak of civil wars, and also the violence in international relations represented by the two great world wars and by the endless international conflicts across the planet [1]. The decay of the capitalist mode of production is manifested both in the central capitalist countries and in the peripheral and semi-peripheral countries, especially in the latter where misery grows overwhelmingly. All this shows that a new mode of production will have to emerge with the end of capitalism.

Throughout human history, slavery, feudalism, capitalism, in addition to the failed attempt at socialism, have existed as mode of production, after the primitive way of life [3]. The primitive way of life has existed for hundreds of thousands of years since the emergence of human society when human beings worked together, so that the fruits of this labor were owned by all. Slavery was a mode of production that lasted 1000 years, from the 5th century BC to the 5th century, through which a small number of masters exploited a large mass of slaves giving no rights to the slaves who produced the goods. It was a typical mode of production of Antiquity (Greece and ancient Rome). Feudalism lasted 900 years, from the 5th to the 14th century, which was characterized by the relationship between feudal lords and serfs. Serfs were subordinate to masters. In the period of feudalism in the Middle Ages, there were no countries, as we know them today. There were manors, tracts of land over which feudal lords had possession and political power. Feudal lords were not only owners of manors, they were also their rulers. Part of the production was destined for the subsistence of the servants. The other, larger part was owned by feudal lords. Around the 14th century, with the disintegration of feudalism, a new economic, social and political system began to emerge: Capitalism. The essential feature of the new capitalist mode of production is the fact that in it, work is wage-earning and no longer servile as in feudalism. But it was only after the Industrial Revolution, which started in the 18th century in England, that capitalism was boosted. In the same way that slavery and feudalism had a beginning and an end, capitalism that had its beginning in the 14th century in Europe will follow the same trajectory culminating in its end in the mid-21st century with a duration of 700 years when the rate of profit of the world capitalist system and the growth of the world economy will reach zero value.

Everything that has just been described makes it clear that there is no solution to the problems that afflict humanity within the framework of capitalism with the implementation of political, economic, social and environmental reforms. It will be the same as “drying ice”. Faced with the prospect of the end of the world capitalist system in the mid-21st century, humanity needs to build a new society that should be democratic socialism, aiming to create an environment of freedom, equality and fraternity among human beings to achieve their happiness rescuing the ideals of the Enlightenment. To build democratic socialism to replace capitalism, there needs to be a transition with the construction of the Welfare State with a model of society along the lines of that built in Scandinavian countries, which, being a hybrid between what is most positive in the capitalist and socialist systems, would prepare the ground for the building of democratic socialism in the future [10]. The Welfare State consists of a mode of economic, political and social organization in which the State would act as an organizer of the economy and an agent of social promotion. The State would seek to reconcile the interests of “from above” with those “from below” in the social pyramid. The Scandinavian model of political, economic and social development should serve as a reference as a model of society to be pursued by all peoples of the world as a transition to the democratic socialism of the future because the Scandinavian countries are considered the best governed on the planet, those that they have the greatest political, economic and social progress and have the happiest people in the world. The Welfare State and the democratic socialism of the future to be built in the world must be tailored to the specific conditions of each country.

To build a new society on the planet, the existence of a world government and a world parliament is urgently needed to coordinate the actions of national governments to promote the transition from capitalism to democratic socialism. In order to make a world government viable, a World Forum for Peace and the Humanity Progress must be established, at first, with the participation of representatives of governments and civil society organizations from all the countries of the world. In this Forum, objectives and strategies would be debated and established aiming at the constitution of a world government, a world parliament and the construction of a new society that be structured on the principles of the Enlightenment, that is, on freedom, equality and fraternity.

REFERENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008. 

3. EDUCABRAS. A história dos modos de produção. Disponível no website <https://www.educabras.com/ensino_medio/materia/geografia/sistemas_economicos/aulas/a_historia_dos_modos_de_producao>.

4. GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. The Entropy Law and the Economic Process. Cambridge: Harvard University Press, 1971.

5. KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012. 

6. MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018. 

7. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2013.

8. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro II. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

9. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro III, volume I. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.

10. ALCOFORADO, Fernando. How to build a new society to replace the dying capitalism in the worldDisponível no website <https://www.academia.edu/51835028/HOW_TO_BUILD_A_NEW_SOCIETY_TO_REPLACE_THE_DYING_CAPITALISM_IN_THE_WORLD>.

11. BEN ARISAttack of the Debt Tsunami: global debt soars to a new all-time high. Disponível no website <https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/>.

12. ALVES, José Eustáquio DinizA dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

13. CALEIRO, João Pedro. 16 países atolados em dívidas (e o Brasil em 34º). Disponível no website <https://exame.abril.com.br/economia/16-paises-atolados-em-dividas-e-o-brasil-em-34o/>, 13/09/2016.

14. DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

15. THOTH3126. Eventos estão em curso para remover o dólar como moeda de reserva global. Disponível no website <https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/>.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

LES SIGNES DE LA DECADENCE DU CAPITALISME DANS LE MONDE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les signes de la décadence du système capitaliste mondial qui se dirige inévitablement vers sa fin au milieu du 21e siècle lorsque le taux de profit mondial et le taux de croissance du produit mondial brut atteindront zéro [1]. De plus, le capitalisme évoluera avec les caractéristiques de l’entropie [4] car il présente la tendance universelle à évoluer vers un désordre croissant et une autodestruction jusqu’à sa fin au milieu du 21e siècle. Ce scénario conduira à la fin du processus d’accumulation du capital, confirmant la tendance selon laquelle le capitalisme ne durera pas éternellement comme mode de production, comme beaucoup le pensent, car il aura la même fin que d’autres modes de production disparus, tels que comme l’esclavage au Ve siècle et la féodalité au XIVe siècle [3]. La décadence du système capitaliste mondial se matérialise donc par le fait que le taux de profit mondial et le taux de croissance du produit mondial brut atteindront zéro au milieu du 21ème siècle, le capitalisme évoluera en présentant l’entropie avec un désordre et une autodestruction croissants et comme est-ce arrivé avec les modes de production esclavagiste et féodal.

Le système capitaliste mondial prendra fin au milieu du 21e siècle car il y a une tendance à la baisse du taux de profit mondial de 1869 à 2007 (Figure 1), du taux de profit des grandes entreprises américaines de 1947 à 2007 (Figure 2) et dans le taux de croissance du Produit Brut Mondial de 1961 à 2007 (Figure 3). Pour déterminer quand ces taux atteindront zéro à l’avenir, en maintenant la tendance à la baisse, des calculs ont été effectués en utilisant la méthode des moindres carrés de la statistique.

Figure 1- Taux de profit mondial

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Source: MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018.

Figure 2- Taux de profit au coût historique du capital fixe dans les entreprises américaines

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Source : KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012.

Figure 3- Taux de croissance réels du Produit Brut Mondial et des produits financiers (dérivés)

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Source: BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008.

La figure 1 montre l’évolution du taux de profit du système capitaliste mondial de 1869 à 2007, indiquant son déclin au cours de cette période [6]. Si l’on considère l’évolution du taux de profit du système capitaliste mondial dans la période 1869-1947 et que la tendance à la baisse de ce taux de profit dans la période la plus récente, 1947-2007 est maintenue, le taux de profit du système capitaliste mondial aurait tendance à vers la valeur égale à zéro en 2037. La figure 2 montre l’évolution du taux de profit au coût historique du capital fixe des entreprises américaines de 1947 à 2007, indiquant sa baisse sur cette période [5]. Si la tendance à la baisse de ce taux de profit se maintient dans les années à venir, le taux de profit des entreprises américaines atteindra zéro en 2043. La figure 3 montre l’évolution du Produit Mondial Brut de 1961 à 2007 montrant sa baisse sur cette période [2]. Si la tendance à la baisse du taux de croissance du Produit Mondial Brut se maintient dans les années à venir, ce taux atteindra zéro en 2053.

Il est conclu, de ce qui précède, que le système capitaliste mondial serait irréalisable au milieu du 21e siècle (2037, 2043 ou 2053) lorsque le processus d’accumulation du capital cessera avec les taux de profit et de croissance de l’économie mondiale atteignant zéro valeur. La tendance à la baisse des taux de profit dans le système capitaliste mondial montre le caractère historique, transitoire du mode de production capitaliste et le conflit qui s’établit avec les possibilités de poursuivre son développement. Ainsi, les fondements de la théorie de Marx présentés dans son ouvrage Le Capital se confirment [7, 8 et 9]. Karl Marx a prédit que le taux de profit aura tendance à baisser à long terme, décennie après décennie. Non seulement il y aura des hauts et des bas dans chaque cycle de boom et de crise, mais il y aura également une tendance à la baisse à long terme, rendant chaque boom plus court et chaque crash plus profond.

Outre les signes de décadence représentés par la chute du taux de profit mondial, le taux de profit des grandes entreprises aux États-Unis, le taux de croissance du produit brut mondial qui atteindra zéro au milieu du 21e siècle, un autre signe de la décadence du capitalisme est la gigantesque dette mondiale, qui a atteint 275 000 milliards de dollars en 2020 en dette publique, des entreprises et domestique, près de trois fois le produit mondial brut, qui constitue une bombe prête à exploser [11] (Figure 4).

Figure 4- Dette mondiale de 2013 à 2020

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Source: https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/

La figure 5 montre l’évolution de la dette mondiale des ménages (ménages), des sociétés non financières (entreprises non financières), de l’État (gouvernement) et du secteur financier (financier) et total en 2003, 2008, 2013 et 2018.

Figure 5- Dette mondiale de 2003 à 2018

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Source: ALVES, José Eustáquio DinizA dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

L’Institute of International Finance (IIF) affirme que la dette mondiale était inférieure à 100 000 milliards de dollars en 2003, a atteint 177,7 billions de dollars en 2008, 209,4 billions de dollars en 2013 et 247,2 billions de dollars en 2018. La dette mondiale a augmenté de près de 150 billions de dollars en 15 ans. Environ 10 000 milliards de dollars chaque année. Les niveaux d’endettement des ménages, des entreprises non financières et des administrations publiques ont atteint 186,5 billions de dollars au premier trimestre 2018. La dette du secteur financier a atteint un record de 60,6 billions de dollars. La croissance économique mondiale est soutenue par le crédit et l’endettement. La dette des marchés émergents a atteint un record de 58,5 billions de dollars au premier trimestre de 2018, soit plus de 84 % depuis le début de la crise mondiale en 2008. Au cours des 5 dernières années, la dette publique a augmenté le plus fortement au Brésil, en Arabie saoudite, au Nigeria et Argentine, selon l’IIF [12].

Après la crise mondiale de 2008, l’attente générale était que les dettes seraient réduites. Ce n’est pas ce qui s’est passé. Plusieurs pays ont des gouvernements, des entreprises et des ménages dont les dettes dépassent de loin le PIB. Le Japon, par exemple, a des dettes 4 fois plus importantes que l’économie elle-même. Les dettes les plus importantes entre pays sont, dans l’ordre, les suivantes : Japon (400 % du PIB), Irlande (390 % du PIB), Singapour (382 % du PIB), Portugal (358 % du PIB), Belgique (327 % du PIB) PIB), Pays-Bas (325% du PIB), Espagne (313 % du PIB), Danemark (302% du PIB), Suède (290 % du PIB), France (280 % du PIB), Italie (259 % du PIB) , Royaume-Uni (252 % du PIB), Norvège (244 % du PIB), Finlande (238 % du PIB), États-Unis (233 % du PIB) et Brésil (128 % du PIB). Le problème est particulièrement grave dans des pays comme le Japon dont la dette totale est 4 fois supérieure à la taille de l’économie elle-même [13]. Ces chiffres montrent que tous les pays répertoriés ont des dettes supérieures au PIB (Produit Intérieur Brut) caractérisant l’existence d’un endettement excessif.

La figure 6 montre la part des pays dans la dette mondiale. Les États-Unis, la Chine et le Japon sont les plus gros débiteurs de la planète, représentant 45,93 % de la dette totale. Cela signifie que s’il y a un défaut de paiement de la dette dans ces trois pays, l’économie mondiale pourrait faire face à des situations similaires à celles qui se sont produites en 1929 avec la grande dépression ou en 2008 et avec la grande récession qui persiste encore.

Figure 6- Part des pays dans la dette mondiale (%)

Source: https://coinzodiac.com/get-rich-in-market-crash/how-much-world-debt/

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L’un des pays endettés qui mérite une analyse particulière du fait qu’il s’agit de la plus grande économie et du pays le plus endetté de la planète est les États-Unis. La dette publique américaine bat des records, surtout depuis 2019 avec le déclenchement de la nouvelle pandémie de coronavirus car le pays dépense et achète au-delà de ses capacités à émettre des dollars et des bons du Trésor [14]. Le risque de catastrophes majeures aux Etats-Unis, avec son endettement excessif, n’a pas disparu, mais s’est propagé dans le temps, au prix de les augmenter en proportion et d’exploser quand éclater. Il est à noter que l’endettement public américain est fortement lié aux dépenses militaires. La figure 7 montre l’escalade de la dette de la plus grande économie du monde, les États-Unis, de 1966 à 2014.

Figure 7- L’escalade de la dette américaine de 1966 à 2014 en milliards de dollars

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Source: DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

Le système financier mondial dirigé par le dollar américain commence à signaler la perte accélérée de confiance dans le dollar qui a dominé le monde pendant près d’un siècle à mesure que l’endettement des États-Unis évolue. La figure 8 montre que le dollar en tant que réserve internationale a progressivement baissé.

Figure 8- Le dollar en pourcentage des réserves internationales de 2007 à 2019

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Source: https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/

En 2018, la part du dollar dans les réserves internationales est tombée à 61,7%, soit le niveau le plus bas des 20 dernières années, démontrant le manque de confiance dans le dollar. Cette perte de confiance résulte du fait que la crise économique mondiale actuelle montre qu’un système monétaire comme celui actuel basé sur du papier-monnaie émis librement et sans ballast du gouvernement américain est intrinsèquement instable dont les conséquences inévitables de ce processus sont une croissance économique artificielle, l’euphorie et les mauvais investissements qu’une telle croissance génère, et, enfin, les dépressions.

La baisse de confiance dans le dollar augmente le prix de l’or sur le marché mondial comme le montre la figure 9.

Figure 9- Prix de l’or sur le marché mondial

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Source: https://xn--cotaodoouro-c8a5c.com/cotacoes/cotacao-ouro-historico/

En plus d’une demande accrue d’or pour remplacer le dollar comme réserve internationale, il existe une tendance à remplacer le dollar par des monnaies mondiales capables de le remplacer, comme l’euro, le yuan chinois et les droits de tirage spéciaux (monnaie du FMI ). Outre le manque de confiance causé par l’absence d’adossement au dollar, le déclin de l’économie américaine, l’abandon du dollar comme monnaie de réserve mondiale est également motivé par la possibilité d’explosion de la bulle de la dette publique américaine qui correspond à 23 000 milliards de dollars, supérieur au PIB du pays, un record historique, qui pourrait atteindre 140% du PIB d’ici 2024.            

De ce qui précède, on peut dire que le système capitaliste est un système qui fonctionne selon le principe de l’entropie, qui est la mesure du désordre ou de l’imprévisibilité de la performance d’un système. Le capitalisme évolue donc avec une tendance universelle à évoluer vers un désordre croissant et une autodestruction [4]. Cette situation est illustrée par la tendance à la baisse du taux de profit mondial, le taux de profit des grandes entreprises aux États-Unis et le taux de croissance du produit brut mondial, qui atteindra la valeur zéro au milieu du 21e siècle, ainsi que la l’excès d’endettement des pays du monde notamment, les Etats-Unis, la Chine et le Japon.L’imprévisibilité du capitalisme résulte du fait qu’il s’agit d’un système qui fonctionne de manière chaotique, sans planification et contrôle, en niant, avec le néolibéralisme, la régulation de la système capitaliste mondial. Un autre signe de la décadence du capitalisme réside dans le fait que toutes les données disponibles indiquent que le système capitaliste mondial évoluera vers un désordre croissant et une autodestruction parce que la planète Terre atteint déjà ses limites dans l’utilisation de ses ressources naturelles [1]. Aujourd’hui, en raison du rythme de consommation actuel, la demande de ressources naturelles dépasse de 41 % la capacité de remplacement de la Terre. Si l’escalade de cette demande se poursuit au rythme actuel, en 2030, avec une population mondiale estimée à 10 milliards de personnes, il faudra deux Terres pour la satisfaire. L’épuisement prévisible des ressources minérales, notamment énergétiques, et la menace d’un changement climatique catastrophique, thèmes majeurs de l’agenda écologique, s’intègrent bien dans le processus entropique.

Bien qu’ayant contribué au progrès de l’humanité depuis son émergence au XIVe siècle, la décadence du capitalisme se manifeste, par exemple, par un chaos économique aux niveaux national et mondial qui génère des récessions et des dépressions économiques sans fin, de graves dommages sociaux dans tous les pays du monde représenté par la concentration excessive des revenus, les inégalités sociales croissantes et la faim et la misère endémiques, la dégradation environnementale de la planète qui tend à entraîner l’épuisement de ses ressources naturelles, le changement climatique catastrophique et l’apparition de nouvelles pandémies mortelles pour l’humanité, par l’augmentation de la violence à l’intérieur des pays avec l’escalade de la criminalité et le déclenchement des guerres civiles, mais aussi la violence dans les relations internationales représentée par les deux grandes guerres mondiales et les conflits internationaux sans fin à travers la planète [1]. La décadence du mode de production capitaliste se manifeste aussi bien dans les pays capitalistes centraux que dans les pays périphériques et semi-périphériques, surtout dans ces derniers où la misère croît de manière écrasante. Tout cela montre qu’un nouveau mode de production devra émerger avec la fin du capitalisme.

Tout au long de l’histoire humaine, l’esclavage, la féodalité, le capitalisme, en plus de la tentative ratée de socialisme, ont existé comme mode de production, après le mode de vie primitif [3]. Le mode de vie primitif existe depuis des centaines de milliers d’années depuis l’émergence de la société humaine lorsque les êtres humains travaillaient ensemble, de sorte que les fruits de ce travail appartenaient à tous. L’esclavage était un mode de production qui a duré 1000 ans, du Ve siècle av. C’était un mode de production typique de l’Antiquité (Grèce et Rome antique). La féodalité a duré 900 ans, du Ve au XIVe siècle, caractérisée par la relation entre seigneurs féodaux et serfs. Les serfs étaient subordonnés aux maîtres. A l’époque de la féodalité au Moyen Âge, il n’y avait pas de pays tels que nous les connaissons aujourd’hui. Il y avait des domaines féodaux, des étendues de terre sur lesquelles les seigneurs féodaux avaient la possession et le pouvoir politique. Les seigneurs féodaux n’étaient pas seulement propriétaires des domaines féodaux, ils étaient aussi leurs dirigeants. Une partie de la production était destinée à la subsistance des domestiques. L’autre partie, plus importante, appartenait aux seigneurs féodaux. Vers le XIVe siècle, avec la désintégration de la féodalité, un nouveau système économique, social et politique a commencé à émerger : le capitalisme. Le trait essentiel du nouveau mode de production capitaliste est que le travail y est salarié et non plus servile comme dans la féodalité. Mais ce n’est qu’après la révolution industrielle, qui a commencé au XVIIIe siècle en Angleterre, que le capitalisme a été stimulé. De la même manière que l’esclavage et la féodalité ont eu un début et une fin, le capitalisme qui a eu son début au 14ème siècle en Europe suivra la même trajectoire culminant à sa fin au milieu du 21ème siècle avec une durée de 700 ans lorsque le taux de profit du système capitaliste mondial et la croissance de l’économie mondiale atteindra la valeur zéro.

Tout ce qui vient d’être décrit montre clairement qu’il n’y a pas de solution aux problèmes qui affligent l’humanité dans le cadre du capitalisme avec la mise en œuvre de réformes politiques, économiques, sociales et environnementales. Ce sera la même chose que “sécher la glace”. Face à la perspective de la fin du système capitaliste mondial au milieu du 21e siècle, l’humanité a besoin de construire une nouvelle société qui devrait être le socialisme démocratique visant à créer un environnement de liberté, d’égalité et de fraternité entre les êtres humains pour la réalisation de leur bonheur basé sur les idéaux des Lumières. Pour construire le socialisme démocratique en remplacement du capitalisme, il faut une transition avec la construction de l’État-providence avec un modèle de société à l’image de celui construit dans les pays scandinaves, qui, étant un hybride entre ce qu’il y a de plus positif dans le capitalisme et le systèmes socialistes, préparerait le terrain pour la construction du socialisme démocratique à l’avenir [10]. L’État-providence consiste en un mode d’organisation économique, politique et sociale dans lequel l’État agirait en tant qu’organisateur de l’économie et agent de promotion sociale. L’État chercherait à concilier les intérêts « d’en haut » avec ceux « d’en bas » dans la pyramide sociale. Le modèle scandinave de développement politique, économique et social devrait servir de référence en tant que modèle de société à poursuivre par tous les peuples du monde comme transition vers le socialisme démocratique du futur car les pays scandinaves sont considérés comme les mieux gouvernés de la planète, ceux qui ont les plus grands progrès politiques, économiques et sociaux et qui ont les gens les plus heureux du monde. L’État-providence et le socialisme démocratique de l’avenir à construire dans le monde doivent être adaptés aux conditions spécifiques de chaque pays.

Pour construire une nouvelle société sur la planète, l’existence d’un gouvernement mondial et d’un parlement mondial est nécessaire de toute urgence pour coordonner les actions des gouvernements nationaux pour promouvoir la transition du capitalisme au socialisme démocratique. Afin de rendre viable un gouvernement mondial, il est nécessaire que, dès le départ, un Forum mondial pour la paix et le progrès de l’humanité soit constitué, avec la participation de représentants de gouvernements et d’organisations de la société civile de tous les pays du monde. Dans ce Forum, des objectifs et des stratégies seraient débattus et établis visant à la constitution d’un gouvernement mondial, d’un parlement mondial et à la construction d’une nouvelle société structurée sur les principes des Lumières, c’est-à-dire sur la liberté, l’égalité et la fraternité.

LES RÉFÉRENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008. 

3. EDUCABRAS. A história dos modos de produção. Disponível no website <https://www.educabras.com/ensino_medio/materia/geografia/sistemas_economicos/aulas/a_historia_dos_modos_de_producao>.

4. GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. The Entropy Law and the Economic Process. Cambridge: Harvard University Press, 1971.

5. KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012. 

6. MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018. 

7. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2013.

8. MARX, Karl.  O Capital: crítica da economia política. Livro II. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

9. MARX, Karl.  O Capital: crítica da economia política. Livro III, volume I. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.

10. ALCOFORADO, Fernando. Comment construire une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde. Disponível no website <https://www.academia.edu/51784941/COMMENT_CONSTRUIRE_UNE_NOUVELLE_SOCI%C3%89T%C3%89_POUR_REMPLACER_LE_CAPITALISME_MOURANT_DANS_LE_MONDE>.

11. BEN ARISAttack of the Debt Tsunami: global debt soars to a new all-time high. Disponível no website <https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/>.

12. ALVES, José Eustáquio Diniz. A dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

13. CALEIRO, João Pedro. 16 países atolados em dívidas (e o Brasil em 34º). Disponível no website <https://exame.abril.com.br/economia/16-paises-atolados-em-dividas-e-o-brasil-em-34o/>, 13/09/2016.

14. DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

15. THOTH3126. Eventos estão em curso para remover o dólar como moeda de reserva global. Disponível no website <https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/>.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

OS SINAIS DA DECADÊNCIA DO CAPITALISMO NO MUNDO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os sinais da decadência do sistema capitalista mundial que caminha inevitavelmente para seu fim em meados do século XXI quando a taxa de lucro global e a taxa de crescimento do Produto Mundial Bruto alcançarão o valor zero [1]. Além disso, o capitalismo evoluirá com as características de entropia [4] ao apresentar a tendência universal de evoluir para uma crescente desordem e autodestruição até o seu fim em meados do século XXI. Este cenário levará ao fim do processo de acumulação do capital confirmando a tendência de que o capitalismo não perdurará para sempre como modo de produção, como muitos pensam, porque ele terá o mesmo fim de outros modos de produção que desapareceram, como é o caso do escravismo no século V e do feudalismo no século XIV [3]. A decadência do sistema capitalista mundial se concretiza, portanto, no fato de a taxa de lucro global e a taxa de crescimento do Produto Mundial Bruto alcançarão o valor zero em meados do século XXI, o capitalismo evoluirá apresentando entropia com crescente desordem e autodestruição e chegará ao fim como aconteceu com os modos de produção escravista e feudal.       

O sistema capitalista mundial chegará ao seu fim em meados do século XXI porque há uma tendência de queda na taxa de lucro mundial de 1869 a 2007 (Figura 1), na taxa de lucro das grandes corporações dos Estados Unidos de 1947 a 2007 (Figura 2) e na taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial de 1961 a 2007 (Figura 3). Para determinar quando essas taxas chegarão a zero no futuro, mantendo a tendência de queda, efetuou-se os cálculos usando o método dos mínimos quadrados da Estatística.

Figura 1- Taxa de lucro mundial

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Fonte: MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018. 

Figura 2- Taxa de lucro ao custo histórico do capital fixo em corporações dos Estados Unidos

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Fonte: KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012. 

Figura 3- Taxas de crescimento real do Produto Bruto Mundial e dos Produtos Financeiros (derivativos)

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Fonte: BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008. 

A Figura 1 apresenta a evolução da taxa de lucro do sistema capitalista mundial de 1869 a 2007 apontando seu declínio neste período [6]. Se for considerada a evolução da taxa de lucro do sistema capitalista mundial do período 1869- 1947 e, for mantida a tendência de queda desta taxa de lucro no período mais recente, 1947- 2007, a taxa de lucro do sistema capitalista mundial tenderia para o valor igual a zero em 2037. A Figura 2 apresenta a evolução da taxa de lucro ao custo histórico do capital fixo das corporações dos Estados Unidos de 1947 a 2007 apontando seu declínio neste período [5]. Se for mantida a tendência de queda desta taxa de lucro nos próximos anos, a taxa de lucro das corporações dos Estados Unidos alcançará o valor zero em 2043. A Figura 3 apresenta a evolução do Produto Mundial Bruto de 1961 a 2007 apontando seu declínio neste período [2]. Se for mantida a tendência de queda na taxa de crescimento do Produto Mundial Bruto nos próximos anos, esta taxa alcançará o valor zero em 2053.

Conclui-se, pelo exposto, que o sistema capitalista mundial ficaria inviabilizado em meados do século XXI (2037, 2043 ou 2053) quando cessará o processo de acumulação do capital com as taxas de lucro global e de crescimento da economia mundial alcançando o valor zero. A tendência decrescente das taxas de lucro no sistema capitalista mundial mostra o caráter histórico, transitório do modo de produção capitalista e o conflito que se estabelece com as possibilidades de continuar seu desenvolvimento. Assim, as bases da teoria de Marx apresentadas em sua obra O Capital estão sendo confirmadas [7, 8 e 9]. Karl Marx previu que a taxa de lucro tenderá a cair no longo prazo, década após década. Não só haverá altos e baixos em cada ciclo de “boom” e crise, mas também haverá uma tendência à queda no longo prazo, tornando cada “boom” mais curto e cada queda mais profunda.

Além dos sinais de decadência representados pela queda da taxa de lucro mundial, da taxa de lucro das grandes corporações dos Estados Unidos, da taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial que alcançarão o valor zero em meados do século XXI, outro sinal importante de decadência do capitalismo é a gigantesca dívida global, que alcançou US$ 275 trilhões em 2020 em dívidas governamentais, corporativas e domésticas, quase três vezes o Produto Bruto Mundial, que se constitui em uma bomba prestes a explodir [11] (Figura 4).

Figura 4- Dívida global de 2013 a 2020

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Fonte: https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/

A Figura 5 apresenta a evolução da dívida global das famílias (household), das empresas não financeiras (non-financial corporate), do governo (government) e do setor financeiro (financial) e total em 2003, 2008, 2013 e 2018.

Figura 5- Dívida global de 2003 a 2018

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Fonte: ALVES, José Eustáquio Diniz. A dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

O Institute of International Finance (IIF) afirma que a dívida global era inferior a US$ 100 trilhões em 2003, atingiu US$ 177,7 trilhões em 2008, US$ 209,4 trilhões em 2013 e US$ 247,2 trilhões em 2018. A dívida mundial subiu quase US$ 150 trilhões em 15 anos. Cerca de US$ 10 trilhões a cada ano. Os níveis de endividamento das famílias, dos setores corporativos não financeiros e do governo atingiram US$ 186,5 trilhões no primeiro trimestre de 2018. A dívida do setor financeiro subiu para um recorde de US$ 60,6 trilhões. O crescimento econômico mundial está sendo sustentado no crédito e no endividamento. A dívida dos mercados emergentes subiu para um recorde de US$ 58,5 trilhões no primeiro trimestre de 2018 – mais de 84% desde o início da crise mundial em 2008. Nos últimos 5 anos, a dívida do governo subiu mais acentuadamente no Brasil, Arábia Saudita, Nigéria e Argentina, de acordo com o IIF [12].

Depois da crise mundial de 2008, a expectativa geral era de que as dívidas fossem reduzidas. Não foi o que aconteceu. Vários países têm governos, empresas e famílias com dívidas que ultrapassam amplamente o PIB. O Japão, por exemplo, tem dívidas que são 4 vezes maiores que o tamanho da própria economia. As maiores dívidas entre os países são, pela ordem, as seguintes: Japão (400% do PIB), Irlanda (390% do PIB), Singapura (382% do PIB), Portugal (358% do PIB), Bélgica (327% do PIB), Holanda (325% do PIB), Espanha (313% do PIB), Dinamarca (302% do PIB), Suécia (290% do PIB), França (280% do PIB), Itália (259% do PIB), Reino Unido (252% do PIB), Noruega (244% do PIB), Finlândia (238% do PIB), Estados Unidos (233% do PIB) e Brasil (128% do PIB). O problema é especialmente grave em países como o Japão cuja dívida total é 4 vezes maior que o tamanho da própria economia [13]. Estes números mostram que todos os países listados apresentam dívidas superiores ao PIB (Produto Interno Bruto) caracterizando a existência de endividamento excessivo.

A Figura 6 mostra a participação dos países na dívida global. Estados Unidos, China e Japão são os maiores devedores do planeta sendo responsáveis por 45,93% da dívida total. Isto significa dizer que se houver o calote no pagamento da dívida nesses três países, a economia mundial pode enfrentar situações semelhantes às ocorridas em 1929 com a grande depressão ou em 2008 e com a grande recessão que ainda perdura.

Figura 6- Participação dos países na dívida global (%)

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Fonte: https://coinzodiac.com/get-rich-in-market-crash/how-much-world-debt/

Um dos países endividados que merece uma análise especial pelo fato de se constituir na maior economia e no país mais endividado do planeta é os Estados Unidos. A dívida pública dos Estados Unidos vem batendo recordes, especialmente a partir de 2019 com a eclosão da pandemia dos novo coronavirus porque o país gasta e compra além da sua capacidade emitindo dólares e títulos do Tesouro [14]. O risco de grandes catástrofes nos Estados Unidos com seu excessivo endividamento não desapareceu, mas se estendeu no tempo, ao preço de aumentá-las em proporção e explosão quando vier a estourar. Ressalte-se que o endividamento público dos Estados Unidos está fortemente relacionado com os gastos militares. A Figura 7 apresenta a escalada da dívida da maior economia do mundo, os Estados Unidos, de 1966 a 2014.

Figura 7- A escalada da dívida dos Estados Unidos de 1966 a 2014 em bilhões de dólares

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Fonte: DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

O sistema financeiro mundial liderado pelo dólar norte-americano começa a apontar a perda acelerada da confiança no dólar que domina o mundo há quase um século à medida em que evolui o endividamento dos Estados Unidos. A Figura 8 mostra que o dólar como reserva internacional vem caindo progressivamente.

Figura 8- O dólar como percentagem das reservas internacionais de 2007 a 2019

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Fonte: https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/

Em 2018, a parte do dólar nas reservas internacionais caiu até 61,7%, que é o nível mínimo nos últimos 20 anos, demonstrando a falta de confiança no dólar. Esta perda de confiança resulta do fato de a atual crise econômica mundial mostrar que um sistema monetário como o atual baseado em papel-moeda emitido livremente e sem lastro pelo governo dos Estados Unidos é algo inerentemente instável cujas inevitáveis consequências desse processo são o crescimento econômico artificial, a euforia e os maus investimentos que tal crescimento gera, e, finalmente, as depressões.

A queda de confiança no dólar está fazendo aumentar a cotação do ouro no mercado mundial conforme mostra a Figura 9.   

Figura 9- Cotação do ouro no mercado mundial

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Fonte: https://xn--cotaodoouro-c8a5c.com/cotacoes/cotacao-ouro-historico/

Além de haver aumento da demanda de ouro para substituir o dólar como reserva internacional, há a tendência de substituir o dólar por moedas mundiais capazes de substituí-lo como, por exemplo, o Euro, o Yuan chinês e Direitos Especiais de Saque (moeda do FMI). Além da falta de confiança provocada pela ausência de lastro do dólar, do declínio da economia norte-americana, o abandono do dólar como moeda de reserva mundial é impulsionado, também, pela possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos que corresponde a 23 trilhões de dólares, valor superior ao PIB do país, um recorde histórico, que poderá atingir 140% do PIB até 2024. 

Pelo exposto, pode-se afirmar que o sistema capitalista é um sistema que opera de acordo com o princípio da entropia que é a medida da desordem ou da imprevisibilidade do desempenho de um sistema. O capitalismo evolui, portanto, com uma tendência universal de evoluir para uma crescente desordem e autodestruição [4]. Esta situação é demonstrada pela tendência de queda da taxa de lucro global, da taxa de lucro das grandes corporações dos Estados Unidos e da taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial que alcançarão o valor zero em meados do século XXI, bem como pelo endividamento excessivo dos países do mundo especialmente, Estados Unidos, China e Japão. A imprevisibilidade do capitalismo resulta do fato de ser um sistema que opera caoticamente, sem planejamento e controle, ao negar, com o neoliberalismo, a regulação do sistema capitalista mundial. Outro sinal de decadência do capitalismo reside no fato de todos os dados disponíveis apontarem no sentido de que o sistema capitalista mundial evoluirá para uma crescente desordem e autodestruição porque o planeta Terra já está atingindo seus limites no uso de seus recursos naturais [1]. Hoje, por conta do atual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede em 41% a capacidade de reposição da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030, com uma população planetária estimada em 10 bilhões de pessoas, serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. O previsível esgotamento dos recursos minerais, particularmente os energéticos, e as ameaças de mudanças climáticas catastróficas, temas maiores da agenda ecológica, encaixam bem no processo entrópico.

Apesar de ter contribuído para o progresso da humanidade desde seu surgimento no século XIV, a decadência do capitalismo se manifesta, por exemplo, com o caos econômico nos níveis nacional e global geradores de recessões e depressões econômicas intermináveis, os graves danos sociais em todos os países do mundo representados pela excessiva concentração da renda, pela crescente desigualdade social e pela fome e miséria endêmicas, a degradação ambiental do planeta que tende a levar ao esgotamento de seus recursos naturais, à mudança climática catastrófica e à ocorrência de novas pandemias letais para a humanidade, pelo aumento da violência no interior dos países com a escalada da criminalidade e a eclosão de guerras civis e, também a violência nas relações internacionais representada pelas duas grandes guerras mundiais e pelos intermináveis conflitos internacionais em todo o planeta [1]. A decadência do modo de produção capitalista se manifesta tanto nos países capitalistas centrais como nos países periféricos e semiperiféricos, sobretudo nesses últimos onde a miséria cresce avassaladoramente. Tudo isto mostra que um novo modo de produção terá que surgir com o fim do capitalismo.

Ao longo da história da humanidade, existiram como modo de produção, depois do modo de vida primitivo, o escravismo, o feudalismoo capitalismo, além da tentativa fracassada de socialismo [3]. O modo de vida primitivo existiu durante centenas de milhares de anos desde o surgimento da sociedade humana quando os seres humanos trabalhavam em conjunto, de forma que os frutos deste trabalho eram propriedade de todos. O escravismo foi um modo de produção que durou 1000 anos, do século V a.C. até o século V, através do qual um pequeno número de senhores explorava uma grande massa de escravos, sendo proprietários destes, além dos meios de produção e do produto, não dando direito nenhum aos escravos que produziam os bens. Foi um modo de produção típico da Antiguidade (Grécia e Roma antigas). O feudalismo durou 900 anos, do século V até o século XIV, que se caracterizou pela relação entre senhores feudais e servos. Os servos eram subordinados aos senhores. No período do feudalismo na Idade Média, não existiam países como nós conhecemos hoje. Havia feudos, porções de terra sobre as quais os senhores feudais tinham posse e poder político. Os senhores feudais não eram só donos dos feudos, eram também seus governantes. Parte da produção era destinada à subsistência dos servos. A outra parte, a maior, era possuída pelos senhores feudais. Por volta do século XIV, com a desintegração do feudalismo, começa a surgir um novo sistema econômico, social e político: o Capitalismo. A característica essencial do novo modo de produção capitalista é o fato de nele, o trabalho ser assalariado e não mais servil como no feudalismo. Mas foi somente após a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII na Inglaterra que o capitalismo foi impulsionado. Da mesma forma que o escravismo e o feudalismo tiveram um início e um fim, o capitalismo que teve seu início no século XIV na Europa seguirá a mesma trajetória culminando com seu fim em meados do século XXI com uma duração de 700 anos quando a taxa de lucro do sistema capitalista mundial e o crescimento da economia mundial alcançarão o valor zero.

Tudo o que acaba de ser descrito deixa evidenciado que não há solução para os problemas que afligem a humanidade nos marcos do capitalismo com a realização de reformas políticas, econômicas, sociais e ambientais. Será o mesmo que “enxugar gelo”. Diante da perspectiva de fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI, a humanidade precisa construir uma nova sociedade que deveria ser o socialismo democrático tendo como objetivo criar um ambiente de liberdade, igualdade e fraternidade entre os seres humanos para a conquista de sua felicidade resgatando os ideais do Iluminismo. Para edificar o socialismo democrático em substituição ao capitalismo, é preciso que haja uma transição com a construção do Estado de Bem Estar Social com o modelo de sociedade nos moldes do construído nos países escandinavos que, sendo um híbrido entre o que existe de mais positivo nos sistemas capitalista e socialista, prepararia o terreno para a edificação do socialismo democrático no futuro [10]. O Estado de Bem-Estar Social consiste em um modo de organização econômica, política e social na qual o Estado atuaria como organizador da economia e agente de promoção social. O Estado procuraria conciliar o interesse dos “de cima” com os “de baixo” na pirâmide social. O modelo escandinavo de desenvolvimento político, econômico e social deveria servir de referencial como modelo de sociedade a ser perseguido por todos os povos do mundo como transição para o socialismo democrático do futuro porque os países escandinavos são considerados os mais bem governados do planeta, os que apresentam o maior progresso político, econômico e social e têm os povos mais felizes do mundo. O Estado do Bem Estar Social e o socialismo democrático do futuro a ser construído no mundo deve ser ajustado às condições específicas de cada país.

Para construir uma nova sociedade no planeta, urge a existência de um governo mundial e de um parlamento mundial para coordenar as ações dos governos nacionais visando promover a transição do capitalismo para o socialismo democrático. Para viabilizar um governo mundial é preciso que, de início, seja constituído um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade com a participação de representantes de governos e de organizações da Sociedade Civil de todos os países do mundo. Neste Fórum seriam debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias visando a constituição de um governo mundial, um parlamento mundial e a construção de uma nova sociedade que seja estruturada com base nos princípios do Iluminismo, isto é, na liberdade, igualdade s fraternidade.

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <http://www.resistir.info/crise/beinstein_04nov08_p.html&gt;, 2008. 

3. EDUCABRAS. A história dos modos de produção. Disponível no website <https://www.educabras.com/ensino_medio/materia/geografia/sistemas_economicos/aulas/a_historia_dos_modos_de_producao>.

4. GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. The Entropy Law and the Economic Process. Cambridge: Harvard University Press, 1971.

5. KLIMAN, A. The failure of capitalist production: underlying causes of the great recession. London: Pluto, 2012. 

6. MAITO, Esteban Ezequiel. The tendency of the rate of profit to fall since the nineteenth century and a world rate of profit. In: Roberts, M. & Carchedi, G. World in Crisis: a global analysis of Marx’s law of profitability. Chicago: Haymarket, 2018. 

7. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2013.

8. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro II. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

9. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro III, volume I. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.

10. ALCOFORADO, Fernando. Como construir uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundoDisponível no website <https://www.academia.edu/51783662/COMO_CONSTRUIR_UMA_NOVA_SOCIEDADE_PARA_SUBSTITUIR_O_CAPITALISMO_MORIBUNDO_NO_MUNDO>

11. BEN ARISAttack of the Debt Tsunami: global debt soars to a new all-time high. Disponível no website <https://www.intellinews.com/attack-of-the-debt-tsunami-global-debt-soars-to-a-new-all-time-high-196972/>.

12. ALVES, José Eustáquio DinizA dívida global atinge US$ 247 trilhões: uma bomba prestes à explodir? Disponível no website <https://jornalggn.com.br/crise/a-divida-global-atinge-us-247-trilhoes-uma-bomba-prestes-a-explodir/>, 06/08/2018.

13. CALEIRO, João Pedro. 16 países atolados em dívidas (e o Brasil em 34º). Disponível no website <https://exame.abril.com.br/economia/16-paises-atolados-em-dividas-e-o-brasil-em-34o/>, 13/09/2016.

14. DANTAS, Gilson. Por que o neoliberalismo desembocou na grande crise de 2008-09? Disponível no website <https://www.esquerdadiario.com.br/Por-que-o-neoliberalismo-desembocou-na-grande-crise-de-2008-09 >, 10/09/2018.

15. THOTH3126. Eventos estão em curso para remover o dólar como moeda de reserva global. Disponível no website <https://thoth3126.com.br/eventos-estao-em-curso-para-remover-o-dolar-como-moeda-de-reserva-global/>.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).