OS BENEFÍCIOS RESULTANTES DO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os benefícios resultantes do uso da inteligência artificial para a humanidade.

1. Introdução

Os benefícios resultantes do uso da inteligência artificial para a humanidade podem ser constatados com a leitura dos artigos de nossa autoria descritos a seguir:

· Superinteligência artificial, seus benefícios e males e o que fazer para evitar seus maléficos impactos sobre a sociedade, publicado no website <https://www.linkedin.com/pulse/superintelig%C3%AAncia-artificial-seus-benef%C3%ADcios-e-males-o-alcoforado-umvaf/>

· Os benefícios e os riscos da singularidade tecnológica baseada na superinteligência artificial, publicado no website <https://pt.slideshare.net/slideshow/os-benefcios-e-os-riscos-da-singularidade-tecnolgica-baseada-na-superinteligncia-artificial/239842651>

· Inteligência artificial – usos nos sistemas produtivos e impactos sobre o mundo do trabalho, publicado no website <https://www.socialismocriativo.com.br/inteligencia-artificial-usos-nos-sistemas-produtivos-e-impactos-sobre-o-mundo-do-trabalho/>

· Rumo à indústria do futuro, publicado no website <https://www.academia.edu/34710914/RUMO_%C3%80_IND%C3%9ASTRIA_DO_FUTURO>

· Inteligência artificial e sua utilização na engenharia, publicado no website <https://www.linkedin.com/pulse/intelig%C3%AAncia-artificial-e-sua-utiliza%C3%A7%C3%A3o-na-fernando-a-g-alcoforado-gwrcf/>

· A inteligência artificial na conquista humana do espaço, suas outras aplicações e seus riscos, publicado no website <https://www.linkedin.com/pulse/intelig%C3%AAncia-artificial-na-conquista-humana-do-espa%C3%A7o-alcoforado/>

· A educação com a inteligência artificial e as deficiências de sua aplicação no Brasil, publicado no website <https://www.academia.edu/121751851/A_EDUCA%C3%87%C3%83O_COM_A_INTELIG%C3%8ANCIA_ARTIFICIAL_E_AS_DEFICI%C3%8ANCIAS_DE_SUA_APLICA%C3%87%C3%83O_NO_BRASIL>

A análise destes artigos permite constatar que são inúmeros os benefícios que são e serão proporcionados pela superinteligência artificial. Uma rede neural de um sistema de Inteligência Artificial (IA) é capaz de analisar mais de um bilhão de dados em poucos segundos, sendo uma ferramenta incrível para apoiar um tomador de decisões dentro de uma organização, garantindo, assim, a melhor opção dentre as possíveis. Como os dados coletados são constantemente atualizados, os sistemas de Inteligência Artificial sempre atualizam, também, seus resultados, viabilizando que os gestores tenham acesso a informações recentes de variações ocorridas no ambiente de uma organização. O aprendizado de máquina (machine learning) é um campo de ciência da computação que dá aos computadores a capacidade de aprender sem serem explicitamente programados.

Na análise de dados, o aprendizado de máquina é um método usado para conceber modelos e algoritmos complexos que se prestam à predição. Em uso comercial, isso é conhecido como análise preditiva. Esses modelos analíticos permitem que pesquisadores, cientistas de dados, engenheiros e analistas “produzam decisões e resultados confiáveis e repetitíveis” e descobrem “insights ocultos” através da aprendizagem de relacionamentos históricos e tendências nos dados. Os computadores agora podem fazer cálculos complexos de engenharia, negociar ações nas bolsas de valores na ordem de milissegundos, carros automatizados estão aparecendo cada vez mais em nossas ruas e assistentes artificialmente inteligentes invadiram nossas casas. Os próximos anos vão nos apresentar ainda mais avanços, com a Superinteligência Artificial através de máquinas que podem aprender com suas próprias experiências, adaptar-se a situações novas e compreender abstrações e analogias. A inteligência de máquina de nível humano tem boas chances de ser desenvolvida até a metade do século XXI da qual pode resultar a Superinteligência Artificial.

Nos últimos anos, assistimos a progressos surpreendentes em áreas como aprendizagem independente, previsão, navegação autônoma, visão computacional e game play de vídeo. Os próximos anos vão nos apresentar ainda mais avanços, com a Superinteligência Artificial através de máquinas que podem aprender com suas próprias experiências, adaptar-se a situações novas e compreender abstrações e analogias. A inteligência de máquina comparável ou superior a do ser humano tem boas chances de ser desenvolvida até a metade do século XXI da qual pode resultar a Superinteligência Artificial. A Superinteligência Artificial será a primeira tecnologia a superar potencialmente os humanos em todas as dimensões. Até agora, os seres humanos tiveram o monopólio da tomada de decisões e, portanto, tinham controle sobre tudo. Com a Superinteligência Artificial, isso pode acabar. 2045 é o ano previsto para a singularidade tecnológica que marca o fim de uma era e o início de um novo ciclo humano, quando homem e máquina estarão integrados e quando a Inteligência Artificial superará e muito a inteligência humana. A tecnologia é a grande estrela da era digital, mas o homem é ainda o personagem principal. As máquinas aprendem tarefas humanas, e em 2029 se espera que a inteligência artificial e humana serão iguais, e em 2045, se espera que uma única máquina será mais inteligente do que a humanidade inteira.

2. Benefícios proporcionados pela Inteligência Artificial

Os benefícios proporcionados pela Inteligência Artificial com seu uso em gestão, em sistemas produtivos, na Engenharia, no suprimento de energia, na indústria espacial, no desenvolvimento científico e tecnológico, na Medicina e na Educação estão apresentados a seguir:

2.1- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso em gestão

As principais aplicações da inteligência artificial em gestão, no momento atual,  são as seguintes: 1) Chatbots que utilizam a linguagem para conversar com as pessoas de maneira natural e pré-programada, reconhecem nomes e números de telefones e reproduzem o comportamento humano; 2) Aplicações de gestão que são úteis para identificar quais colaboradores estão desempenhando as tarefas com mais eficiência e, com esse tipo de ferramenta, auxiliar a tomada de decisão de gestores; 3) Assistente pessoal que é utilizada para marcar reuniões, horários na agenda e atividades do cotidiano sendo uma das mais conhecidas a Siri presente nos produtos da Apple; 4) Mecanismos de segurança tanto em ataques digitais quanto em situações do cotidiano, como eventos. Na parte digital, o exemplo mais comum é o internet banking; 5) Predições com máquinas equipadas com inteligência artificial que pode ser utilizada em campanhas de marketing, por exemplo, para prever diferentes cenários e possíveis resultados. A partir dos dados captados, o gestor terá mais informação à sua disposição para determinar os caminhos que a empresa deve seguir de acordo com o resultado esperado da estratégia; 6) Vendas e marketing para proporcionar um atendimento de melhor qualidade ao cliente. A personalização do atendimento ao consumidor disponibiliza praticidade e conforto. O machine learning é uma aplicação em que o sistema aprende a agir por sua conta sem ter que ser programado para a nova função; 7) Ensino em que é utilizada a tecnologia de computação como “professor” que fica disponível para os alunos 24 horas por dia.

2.2- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso em sistemas produtivos

A inteligência artificial já está sendo bastante utilizada em sistemas produtivos. A Inteligência Artificial pode substituir o ser humano nas atividades de produção e, também, pode aumentar ao máximo a sua produtividade. Os novos sistemas produtivos possibilitam fazer com que o processo de trabalho seja auto adaptável que criam as condições para que se realize o trabalho conjunto, trabalho em equpe, homem-máquina. Modernamente, para atender pedidos personalizados e lidar com flutuações na demanda  de um sistema produtivo, os trabalhadores podem compartilhar com robôs a execução de novas tarefas sem ter que manualmente fiscalizar qualquer processo de produção. As mudanças são processadas automaticamente.   Os avanços não estão ocorrendo apenas na produção industrial. Sistemas de inteligência artificial estão presentes em inúmeros setores de atividades. O potencial da inteligência artificial para transformar amplos setores econômicos é sem precedentes na história da humanidade.

Segundo dados apresentados pela Accenture em uma de suas pesquisas, até 2035, a Inteligência Artificial contribuirá para um aumento de até 40% da produtividade do setor industrial, diminuindo custos e aumentando a produção de manufaturas ao redor do globo. O panorama atual dos sistemas de Inteligência Artificial permite que eles entendam todo o processo produtivo e de negócios e identifiquem, de forma automática, quais são os principais problemas que devem ser resolvidos. Os sistemas produtivos modernos exigem que os trabalhadores trabalhem com máquinas inteligentes para explorar o que os dois fazem melhor. Os trabalhadores são necessários para desenvolver, treinar e gerir várias aplicações de inteligência artificial. Ao atuar desta forma, os trabalhadores estariam habilitando os sistemas produtivos a operar como verdadeiros parceiros. Por sua vez, as máquinas inteligentes ajudariam os trabalhadores a elevar sua capacidade produtiva, tais como a habilidade para processar e analisar grande quantidade de dados de uma miriade de fontes em tempo real. Máquinas inteligentes aumentam a capacidade humana. Máquinas inteligentes e trabalhadores podem se constituir em parceiros que colaboram um com o outro para elevar seus níveis de desempenho.

A 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 é caracterizada pela integração dos chamados sistemas ciberfísicos de produção, nos quais sensores inteligentes informam às máquinas como devem ser processadas. Os processos devem governar-se em um sistema modular descentralizado. Os sistemas de produção inteligentes começam a trabalhar juntos, comunicando-se sem fio, seja diretamente ou por meio de uma “nuvem” na Internet (Internet das Coisas ou Internet das Coisas ou IoT). Os sistemas rígidos de controle centralizado de fábrica agora dão lugar à inteligência descentralizada, com comunicação máquina a máquina (M2M) no chão de fábrica. Essa é a visão da Indústria 4.0 da 4ª Revolução Industrial. Entre as tecnologias usadas na Indústria 4.0 destaca-se a Inteligência Artificial que consiste na aplicação de análises avançadas e técnicas baseadas em lógica, incluindo aprendizado de máquina, para interpretar eventos, analisar tendências e comportamento do sistema, apoiar e automatizar decisões e agir.

2.3- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso na Engenharia

A Inteligência Artificial na Engenharia utiliza dados, monitora seus padrões, cruza essas informações para gerar insights e reduz quase que completamente os erros advindos da mão de obra humana. Portanto, naturalmente todo esse ecossistema facilita as tomadas de decisão envolvendo o projeto, independente da fase em que ele esteja. Isso porque o sistema é quem faz todo o trabalho analítico. Isto é, filtra a base de dados, mapeia processos, elimina erros e entrega ao responsável pelo projeto somente o que é pertinente (tendo base confiável). Assim, o gestor tem maior facilidade para tomar decisões assertivas e seguras em situações como: cálculos de obras e projetos, definição de indicadores de desempenho, análise de orçamentos, dentre outras. A Inteligência Artificial está revolucionando diversas áreas da engenharia, tornando-se uma ferramenta valiosa para engenheiros em todo o mundo. Essa tecnologia pode ser aplicada em uma ampla gama de projetos, desde o projeto e análise de estruturas até a otimização de processos de fabricação.

Em Engenharia, as principais aplicações são as seguintes: 1) Tarefas rotineiras com o uso de robô capaz de reproduzir diversas tarefas humanas em um canteiro de obras como na manipulação de materiais de construção e montagem das estruturas sistematicamente com uma precisão milimétrica com uma taxa de erro próxima de zero; 2) Big Data que é uma tecnologia que pode ser aplicada para analisar a situação da obra nos mais diversos canteiros de obras; 3) Impressão 3D para montar estruturas pré-moldadas e pré-fabricadas; 4) Prédios inteligentes com Inteligência Artificial que, além do projeto de estrutura física faz o planejamento de uma infraestrutura inteligente, capaz de facilitar a vida dos usuários.; 5) Gestão mais eficiente com o uso do Robot Process Automation (RPA), que é um robô criado para manipular sistemas digitais, realizar o cruzamento de dados e eliminar os erros que aconteceriam caso uma pessoa assumisse essa tarefa; e, 6) Atendimento ao cliente para programar robôs de atendimento de clientes.

A Inteligência Artificial pode ser utilizada em Engenharia: 1) na Análise de Dados e Previsões; 2) na Otimização de Design; 3) no Controle de Processos e Automação; 4) em Simulações e Modelagem; e, 5) na Manutenção Preditiva.

A Inteligência Artificial é particularmente poderosa quando se trata de análise de dados e previsões. Engenheiros podem usar algoritmos de Inteligência Artificial (IA) para analisar grandes conjuntos de dados, identificar tendências, anomalias e insights ocultos. Por exemplo:

·       Em Engenharia Civil, a IA pode ser usada para prever o comportamento de estruturas sob diferentes condições climáticas ou de cargas.

·       Na Engenharia de Produção, os engenheiros podem utilizar IA para prever quando as máquinas precisam de manutenção, minimizando o tempo de inatividade não planejado.

·       Em Engenharia Elétrica, a IA pode ajudar na análise de dados de consumo de energia, auxiliando na otimização do uso de recursos.

A Inteligência Artificial pode ser uma aliada poderosa no processo de otimização de design. Algoritmos de otimização baseados em IA podem explorar uma ampla variedade de variáveis e restrições para encontrar as melhores soluções. Isso é particularmente útil em engenharia de produto e design industrial, onde a eficiência é essencial:

·       Em Engenharia Automotiva, a IA pode ser usada para otimizar o design de veículos em termos de aerodinâmica, consumo de combustível e segurança.

·       Na Engenharia de Materiais, a IA pode ajudar a identificar materiais com propriedades ideais para aplicações específicas.

A Inteligência Artificial também pode ser aplicada para melhorar o controle de processos e a automação em engenharia. Os sistemas de controle baseados em IA podem tomar decisões em tempo real com base em dados e feedbacks, melhorando a eficiência e a precisão em vários processos:

·       Em Engenharia de Fabricação, a IA pode otimizar o controle de máquinas e robôs em linhas de produção, reduzindo erros e aumentando a eficiência.

·       Na Engenharia de Tráfego, a IA pode ser usada para melhorar o controle de semáforos e sistemas de transporte público, reduzindo o congestionamento.

A Inteligência Artificial também é valiosa para a criação de simulações e modelos complexos. Engenheiros podem usar a IA para criar modelos preditivos detalhados que representam sistemas complexos da vida real. Isso é útil em diversas áreas:

·       Na Engenharia de Software, a IA pode ser usada para simular o comportamento de sistemas complexos antes da implementação.

·       Em Engenharia Aeroespacial, a IA pode auxiliar na simulação de voo e no projeto de aeronaves.

A manutenção preditiva é outra aplicação crucial da Inteligência Artificial em Engenharia. Através da análise de dados em tempo real, algoritmos de IA podem prever quando equipamentos ou sistemas estão prestes a falhar, permitindo a intervenção antes que ocorram problemas graves:

·       Em Engenharia de Energia, a IA pode monitorar turbinas eólicas para identificar desgaste e agendar manutenção.

·       Em Engenharia Mecânica, a IA pode prever quando componentes de máquinas precisam ser substituídos.

2.4- Benefícios da Inteligência Artificial no suprimento de energia

Na área de energia, a Inteligência Artificial pode ser utilizada para otimizar a distribuição e o gerenciamento da rede elétrica, garantindo o fornecimento de energia de forma eficiente e segura. Outra aplicação promissora da IA na Engenharia Elétrica é no desenvolvimento de redes inteligentes. Estas redes inteligentes integram fontes de energia renováveis, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias de comunicação avançadas para otimizar a distribuição e gestão de energia. A Inteligência Artificial generativa está se destacando como uma ferramenta inovadora em diversos setores, e o setor de energia não é exceção. A IA Generativa usa metodologias de aprendizagem profunda para gerar novos dados e amostras como imagens digitais e textos a partir de descrições em linguagem natural conhecidas como “prompts”. Com a crescente necessidade de soluções inteligentes e eficientes para lidar com os desafios energéticos globais, a IA generativa oferece uma gama de aplicações promissoras. Desde otimização de redes elétricas até a criação de simulações realistas para o desenvolvimento de novas fontes de energia, essa tecnologia está revolucionando a forma como produzimos, distribuímos e consumimos energia.

A Inteligência Artificial generativa pode ser usada para criar designs otimizados de parques solares e turbinas eólicas. Ao considerar variáveis como padrões de vento, incidência solar e topografia do terreno, os algoritmos generativos podem gerar layouts que maximizam a geração de energia. Isso não apenas aumenta a eficiência, mas também ajuda na mitigação de impactos ambientais. Diferentemente dos sistemas convencionais de IA, que são projetados para responder a perguntas ou realizar tarefas específicas com base em dados existentes, a IA generativa é capaz de criar novos dados, imagens, textos ou outros materiais que não existiam antes. Ela aprende a partir de um conjunto de dados e pode gerar saídas originais e realistas que se assemelham ao que foi aprendido. Uma das áreas mais críticas para o setor de energia é a otimização das redes elétricas. A IA generativa pode ser aplicada para criar simulações e modelos que melhoram a eficiência operacional e a confiabilidade das redes.

Algoritmos generativos podem analisar dados históricos de consumo, condições meteorológicas e outros fatores para prever demandas futuras de energia com alta precisão. Isso permite que as empresas ajustem a produção e distribuição de energia de forma mais inteligente, reduzindo custos e evitando sobrecargas. A IA generativa pode analisar uma variedade de dados, incluindo tendências de mercado, padrões sazonais, condições climáticas e eventos geopolíticos, para prever os preços futuros da energia. Essas previsões são valiosas para operadoras de rede, traders e consumidores, permitindo que tomem decisões informadas sobre contratos, investimentos e consumo. A manutenção de infraestruturas de energia é fundamental para evitar falhas e interrupções no fornecimento. A IA generativa pode ser empregada na manutenção preditiva, onde algoritmos analisam dados de sensores em tempo real para prever quando equipamentos precisam de reparos ou substituição. Isso reduz o tempo de inatividade não planejado, aumenta a vida útil dos ativos e melhora a segurança geral das operações.

As empresas de energia podem usar a IA generativa para simular uma variedade de cenários. Ao planejar a integração de armazenamento de energia em larga escala, os algoritmos podem simular diferentes configurações e capacidades para identificar a melhor abordagem. Isso economiza tempo e recursos, permitindo que as empresas testem várias opções virtualmente antes de realizar investimentos reais. A Inteligência Artificial Generativa está desempenhando um papel cada vez mais importante na transformação do setor de energia. Desde a otimização de redes elétricas até o design de sistemas de energia renovável e previsão de preços, suas aplicações são diversas e promissoras. No entanto, é importante abordar os desafios de forma proativa, garantindo que a implementação dessas tecnologias seja ética, transparente e focada em resultados positivos para a sociedade e o meio ambiente. Com um uso responsável, a IA generativa tem o potencial de impulsionar a eficiência energética e acelerar a transição para um futuro energético mais sustentável.

2.5- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso na indústria espacial

A Inteligência Artificial (IA) está sendo amplamente utilizada pela indústria espacial cujas aplicações estão descritas a seguir:

· Operações de satélite: IA é utilizada em particular para auxiliar a operação de grandes constelações de satélites e minimizar o erro humano e custos de operação com pessoal. Agências espaciais como a norte-americana NASA e a europeia ESA têm desenvolvido novos procedimentos de automatização baseados em IA para reduzir a carga de trabalho dos operadores. A automação dos segmentos terrestre e espacial reduzirá a necessidade de intervenção humana, especialmente para grandes constelações de satélites e viagens interplanetárias como, por exemplo, os sistemas de manobras automatizadas para prevenir colisões.

· Processamento de dados de Observação da Terra: os satélites de observação da Terra, hoje em dia, têm a capacidade de capturar um volume alto de dados. No entanto, este fator aumenta a demanda nos sistemas de gestão, armazenamento e processamento de dados. O processo de downlinking (sinal de telecomunicações ou a informação que ele transmite) de dados de satélite para as estações terrestres até certo ponto ainda enfrenta limitações, que variam desde os limites fundamentais do número de vezes que um satélite pode sobrevoar um local específico, a cobertura de estações terrestres e até limitações de interoperabilidade entre sistemas de segmentos terrestres e aplicativos de utilizador final. O que tem sido muito comum hoje em dia, é o treinamento de modelos de IA para detectar nuvens e corrigir imagens por elas cobertas. Além disso, esses modelos também são treinados para facilmente analisar um número alto de dados e identificar objetos.

· Viagens interplanetárias: Os rovers lançados mais recentemente para explorar Marte têm os computadores de bordo equipados com IA que os possibilita serem autônomos para navegar e conseguirem tomar decisões caso não tenham comunicação ou comandos de humanos por algum tempo.

Missões robóticas da NASA e de outras agências espaciais já usam a Inteligência Artificial para obter maior eficiência e resultados de melhor qualidade em suas pesquisas. Como exemplo, podem ser citados os rovers (com capacidade de locomoção, para analisar uma área maior de um planeta ou lua) e landers (que pousam sobre um planeta ou lua para analisá-lo in loco) que examinam as crateras marcianas e as sondas e telescópios espaciais que se dedicam à descoberta e análise de exoplanetas (mundos existentes em outros sistemas estelares). As tecnologias empregadas no Programa Artemis também são dotadas de algoritmos específicos de aprendizado de máquinas, desde os instrumentos mais básicos até os trajes que serão usados pelos astronautas nas missões tripuladas à Lua, especialmente no que diz respeito aos recursos de suporte à vida. O Programa Artemis desenvolvido pela NASA visa levar o ser humano mais uma vez para a superfície da Lua. O programa visa a aprofundar as pesquisas a respeito do nosso satélite natural e do Sistema Solar, além de aumentar o tempo de permanência dos astronautas no espaço como parte importante da preparação para uma próxima missão de grande porte que tem como destino o planeta Marte.

Já presente em diversas missões de exploração espacial, a Inteligência Artificial poderá tornar possível a vida humana em outros planetas. Para que os seres humanos consigam viver e, principalmente, sobreviver em qualquer lugar fora da Terra, é preciso que o mundo escolhido proporcione condições iguais ou, pelo menos, semelhantes às do nosso planeta (como atmosfera, temperatura, topografia etc.). Marte nem nenhum outro planeta do Sistema Solar é parecido com a Terra, motivo pelo qual, para tornar possível sua colonização, é necessário “terraformá-lo”, ou seja, reproduzir naquele lugar um ambiente que ofereça as premissas mínimas de sobrevivência da espécie humana. A terraformação será um dos avanços da nova era da exploração espacial, com participação fundamental da Inteligência Artificial. A terraformação (adaptação da atmosfera, da temperatura, da topografia e da ecologia de um planeta ou um satélite natural para deixá-lo em condições de sustentar um ecossistema com seres da Terra) é apenas um dos avanços esperados para a nova era da exploração espacial, além do incremento de novos materiais e da produção de complexos foguetes de propulsão de ponta. A Inteligência Artificial está presente em todas as cadeias da indústria espacial. Sem ela é impossível avançar.

É preciso observar que a Inteligência Artificial na exploração espacial impulsiona a evolução e o aproveitamento de diferentes tecnologias na Terra. A exploração espacial está promovendo um acentuado avanço na ciência, particularmente na pesquisa de novos materiais e processos. Por exemplo, a aplicação de um modelo bioquímico no espaço é totalmente diferente de ser feito na Terra. Isso abre caminho para a elaboração de novos medicamentos e tratamentos. Os desafios humanos de conquista do espaço levam à resolução de problemas complexos, beneficiando a toda a humanidade. Com o avanço da computação quântica (que utiliza a mecânica quântica para resolver problemas complexos mais rapidamente do que em computadores tradicionais) indispensável para viagens espaciais mais complexas, a humanidade vivenciará muito provavelmente o advento da 5ª revolução industrial que ocorrerá no espaço.

2.6- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso no desenvolvimento científico e tecnológico

A evolução humana tem que contar com a ciência e a tecnologia.  À medida que as tecnologias da computação avançam ao lado da biotecnologia, há uma crescente convergência entre as duas na forma de interfaces neurais que no futuro podem abrir a porta para conectar a mente humana diretamente a uma Inteligência Artificial, a fim de facilitar maior aprendizado, transferência mental e superar condições neurológicas.  Isso significa dizer que a ciência e a tecnologia contribuiriam para a própria evolução humana e tornar uma evolução dirigida e planejada. Esta evolução seria não somente biológica, mas também tecnológica. A ciência e a tecnologia possibilitariam, também, a manipulação genética da espécie humana com a possível criação em laboratório de novos genes que modificariam o código genético para serem capazes de bloquear a replicação de vírus, tornando nossas células imunes a ataques. Esta seria uma das formas de proteger os seres humanos de futuras pandemias. A modificação do genoma humano aumentaria gradualmente até finalmente transformar o ser humano em uma nova espécie biológica. A superinteligência artificial teria um grande papel nisso. A Superinteligência Artificial poderá contribuir, portanto, para realizar avanços científicos e tecnológicos (biotecnologia, nanotecnologia e neurotecnologia) para aumentar a capacidade cognitiva e superar limitações físicas e psicológicas dos seres humanos.

A Inteligência artificial poderá contribuir decisivamente para o avanço científico e tecnológico visando dotar a humanidade dos recursos necessários para enfrentar seus problemas de sobrevivência. A Superinteligência Artificial poderá contribuir decisivamente para o avanço científico e tecnológico visando dotar a humanidade dos recursos necessários para enfrentar as  ameaças internas à sua sobrevivência provocadas pelas forças da natureza oriundas do planeta Terra (esfriamento do núcleo do planeta que pode levar à perda do campo magnético terrestre, erupção de super-vulcões, reversão dos polos magnéticos da Terra durante a qual haverá a perda do campo magnético terrestre, mudanças climáticas e pandemias), as  ameaças à sobrevivência da humanidade vindas do espaço sideral (impacto de asteroides e cometas sobre o planeta Terra, emissão sobre a Terra de raios cósmicos especialmente os raios gamas oriundos da explosão de estrelas supernovas, colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos, afastamento da Lua em relação à Terra, colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea, morte do Sol e fim do Universo em que vivemos), bem como possibilitar a colonização humana de novos habitats no sistema solar e fora dele em busca de sua sobrevivência. Com máquinas mais inteligentes do que os humanos, com a Superinteligência Artificial, a humanidade poderá se utilizar delas para solucionar problemas científicos e tecnológicos que assegurem a sobrevivência da espécie humana até mesmo com o fim do Universo em que vivemos ao abrir caminho para universos paralelos.

2.7- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso na Medicina

Em Medicina, as principais aplicações da inteligência artificial no momento são as seguintes: 1) Cirurgia Robótica Assistida por IA através da qual robôs podem analisar dados de prontuários pré-operatórios para guiar o instrumento de um cirurgião durante a cirurgia que é considerada “minimamente invasiva” para os pacientes; 2) Auxiliares Virtuais de Enfermagem em que enfermeiros virtuais estarão disponíveis podendo responder perguntas, monitorar pacientes e fornecer respostas rápidas; 3) Auxílio ao Julgamento ou Diagnóstico Clínico em que algoritmos examinam registros médicos, hábitos e informações genéticas de pacientes; 4) Fluxo de Trabalho e Tarefas Administrativas com o uso de tecnologias que podem ajudar a solicitar exames, prescrever medicamentos e escrever anotações em gráficos; e, 5) Análise de Imagens Médicas com o uso de um algoritmo que pode analisar digitalizações em 3D até 1.000 vezes mais rápido do que é possível hoje.

2.8- Benefícios da Inteligência Artificial com seu uso na educação

Os benefícios da Inteligência Artificial na educação são vários ao proporcionar: 1) novas ferramentas de pesquisa para ao alunos; 2) o aprendizado pelo aluno em qualquer hora e em qualquer lugar; 3) o ensino personalizado; 4) a conexão com outras culturas e idiomas; 5) a automação das avaliações; e, 6) a gestão escolar data-driven (baseada em dados).

Novas ferramentas de pesquisa para os alunos

A IA generativa facilitou ainda mais o processo de pesquisa dos estudantes. O que antes exigia uma visita demorada à biblioteca e depois uma leitura de minutos em alguns sites da Internet, hoje pode ser resolvido em poucos segundos depois de uma pergunta ao ChatGPT. A diferença entre essa ferramenta e as outras que vieram antes, como o Google, é que ela entrega tudo muito detalhado. Ela é uma ferramenta de trabalho e estudo.

Aprendizado em qualquer hora e em qualquer lugar

Outra mudança que a IA trouxe para a educação, assim como outras tecnologias digitais, foi a oportunidade de aprender em qualquer lugar e em qualquer momento. Embora a informação não seja sinônimo de conhecimento, com certeza ela é uma integrante importante desse processo. E, com essas ferramentas em mãos, fica muito mais fácil aprender sobre vários assuntos desde curiosidades e fatos históricos até pensamentos predominantes de uma escola filosófica.

Ensino personalizado

A Inteligência Artificial colabora para a personalização do ensino. As plataformas de aprendizagem adaptativa, por exemplo, coletam dados do usuário para adaptar o conteúdo ao ritmo e nível de proficiência dele, criando uma jornada de aprendizagem única. Certamente a personalização do ensino é um dos principais benefícios, permitindo que os estudantes possam aprender no seu próprio ritmo e de acordo com suas necessidades individuais. Além disso, a IA pode auxiliar na identificação de problemas de aprendizagem dos estudantes, possibilitando que os professores possam oferecer suporte e intervenções específicas.

Conexão com outras culturas e idiomas

Outro benefício proporcionado pela Inteligência Artificial na educação é a conexão facilitada com outras culturas e idiomas. Os novos sistemas de tradução baseados em IA estão conseguindo produzir resultados mais precisos, o que permite o acesso a literaturas estrangeiras e a comunicação em tempo real com estudantes e profissionais de outros países.

Automação das avaliações

O processo de avaliação escolar também é beneficiado com a Inteligência Artificial. As plataformas escolares coletam dados de aprendizagem dos estudantes por meio de atividades, leituras e testes online. O sistema não só dispensa a correção manual das avaliações como também gera feedback automático para os alunos e relatório de resultados para os professores e gestores da escola. A inteligência artificial pode ser utilizada para reduzir os custos do ensino através da automação de processos de avaliação. Isso pode incluir a correção automática de provas e a análise de trabalhos escritos, reduzindo a carga de trabalho dos professores e melhorando a eficiência do processo de avaliação.

Gestão escolar data-driven (baseada em dados)

A Inteligência Artificial na educação favorece a gestão escolar data-driven (baseada em dados). Isso porque as plataformas educacionais coletam, analisam e apresentam em dashboards (painéis) intuitivos diversos dados sobre os estudantes, como, por exemplo:

·       nível de engajamento na plataforma (quantidade de atividades feitas, páginas lidas ou tempo de videoaula assistida, por exemplo);

·       frequência escolar;

·       nível de proficiência por componente curricular;

·       perfil socioemocional e comportamental;

·       áreas do conhecimento com maior e menor desempenho.

Ter clareza sobre essas informações auxilia a escola no acompanhamento pedagógico e no combate à evasão. A análise de dados de desempenho e comportamento dos estudantes pode ajudar a identificar alunos que estão em risco de abandonar o curso ou que estão enfrentando dificuldades específicas, permitindo que a instituição ofereça suporte personalizado e intervenções mais eficazes.

3. Conclusões

Pelo exposto, ficam bastante evidenciados que são inúmeros os benefícios proporcionados pela inteligência artificial à sociedade com seu uso em gestão, em sistemas produtivos, na Engenharia, no suprimento de energia, na indústria espacial, no desenvolvimento científico e tecnológico, na Medicina e na Educação. Todos os benefícios proporcionados pela inteligência artificial à sociedade acima descritos devem levar em conta o Princípio do Bem Comum, isto é, na busca do progresso econômico e do bem-estar da humanidade.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

LE MAIRE QUE SALVADOR A BESOIN D´ÉLIRE LORS DES PROCHAINES ÉLECTIONS

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les caractéristiques du maire que la population de Salvador a besoin d’élire lors des prochaines élections et dont le programme gouvernemental être capable de surmonter les gigantesques problèmes actuels et de neutraliser les menaces qui pèsent sur son développement futur au profit de l’ensemble de la population de la ville. Salvador est une métropole régionale à faible revenu avec des indicateurs économiques bien inférieurs à ceux des métropoles et régions métropolitaines du sud et du sud-est du Brésil. Salvador est la capitale brésilienne avec le taux de chômage le plus élevé, les revenus les plus faibles et une plus grande violence. Dans la formation du PIB du Salvador, l’agriculture contribue à hauteur de 0,06%, l’industrie à hauteur de 20,99% et les services à hauteur de 78,94%. On voit donc que Salvador est une ville majoritairement de services. L’économie de Salvador est incontestablement une économie de services fortement soutenue par le tourisme, le secteur immobilier et les services les plus divers. La structure économique de Salvador, avec le rôle principal joué par le secteur des services, se reflète dans la structure professionnelle. La grande majorité de la main-d’œuvre est employée dans le secteur du commerce et des services. Dans le secteur industriel, la construction civile se démarque.

Entre 1970 et 1985, Salvador était parmi les métropoles les plus dynamiques du pays, aux côtés de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza et Belém. Cependant, la croissance du PIB dans la capitale de Bahia et sa région métropolitaine a ralenti par rapport à les PIB des capitales les plus actives du pays, entre 1985 et 2023, perdant du terrain par rapport à Curitiba, Belo Horizonte, Brasilia et Fortaleza. Plus précisément, selon le site Web G1.GLOBO.COM, le PIB de Salvador est tombé en 2021 du 12e au 14e rang le plus élevé du Brésil, le PIB par habitant étant le plus bas parmi les capitales brésiliennes. Le PIB par habitant du Salvador, qui correspond à la valeur ajoutée moyenne par les individus, a été estimé à R$ 21 706,00, ce qui place Salvador avec l’indice le plus bas parmi toutes les capitales du Brésil [1].

Salvador est la capitale avec les pires taux de pauvreté, de violence et de chômage du Brésil, selon l’UOL [2]. Les indicateurs sociaux des 26 capitales brésiliennes placent la ville de Salvador au dernier rang en termes de revenus, d’emploi et de sécurité publique. Salvador se classe dernier du pays dans 7 des 40 indicateurs sociaux analysés par la Carte des inégalités entre les capitales. Salvador compte 11% de la population en dessous du seuil de pauvreté (289 mille personnes), un nombre dix fois plus élevé que Florianópolis (SC), la capitale qui s’est distinguée avec le meilleur taux dans le même indicateur. Salvador se distingue comme la pire capitale en termes de malnutrition, avec 4 % des enfants de moins de 5 ans souffrant de malnutrition. La ville a connu sa pire performance en termes de taux de chômage avec 16,7% de la population au chômage (267 mille chômeurs). Les taux de violence placent également la capitale de Bahia en dernière position. En 2022, Salvador était la capitale avec le deuxième taux d’homicides le plus élevé lorsque 1 568 meurtres ont été enregistrés dans la ville, juste derrière Macapá (AP), et Salvador est la première au Brésil pour les homicides de jeunes de 15 à 29 ans avec 322. 5 décès pour 100 mille habitants. Selon l’Enquête nationale continue par sondage auprès des ménages (Pnad Contínua), réalisée en 2022 [3], Salvador a le 10e salaire moyen le plus bas parmi les capitales du pays, avec un revenu atteignant R$ 2 817,00. Le profil économique du Salvador révèle que 37,5% travaillent de manière informelle (651 000 travailleurs) [4].

Tous ces indicateurs démontrent l’échec des administrations municipales de Salvador dans le passé et le présent et la nécessité pour les futures administrations d’agir efficacement dans le développement économique et social de la capitale de Bahia. Tout cela impose la nécessité de mettre en œuvre des stratégies efficaces pour promouvoir le développement économique de Salvador, réduire ses inégalités sociales et générer des emplois et des revenus dans la ville. En outre, il est nécessaire d’adopter des stratégies visant à rationaliser la mobilité urbaine à Salvador, en éliminant ou en réduisant les déficits des infrastructures urbaines, à intervenir dans la formulation du projet de pont Salvador – Itaparica, à préparer la ville à faire face aux événements météorologiques extrêmes et à transformer Salvador en une ville intelligente et durable.

Le progrès économique du Salvador ne se réalisera pleinement que si le gouvernement municipal planifie et développe des projets visant à développer l’économie interne et les échanges économiques avec d’autres villes de Bahia, du Brésil et de l’étranger afin de stimuler son économie. Le développement de l’économie interne du Salvador nécessite la mise en œuvre de stratégies pour le développement du tourisme, de l’industrie de la construction et de la production de biens et services au Salvador, pour la substitution des importations par la production de biens et services importés au Salvador, ainsi que ainsi que pour la revitalisation du centre historique de la ville avec la récupération des bâtiments en ruine et la restauration des monuments qui contribuent à augmenter les niveaux d’emploi et de revenus dans la municipalité de Salvador. Le développement des échanges économiques avec d’autres villes de Bahia, du Brésil et de l’étranger nécessite que des stratégies soient mises en œuvre pour créer les conditions permettant à Salvador d’offrir des biens et des services qui peuvent être de plus en plus exportés vers d’autres régions de Bahia et même vers d’autres États. , notamment dans les domaines de l’éducation (enseignement supérieur) et de la santé (pôle médical), transformer Salvador en un centre national d’exportation de services de qualité supérieure basés sur la culture et le savoir, promouvoir l’agglutination au Salvador de services de nature la plus diversifiée pour répondre à la demande du la région métropolitaine de Salvador, Recôncavo et Feira de Santana, où se concentre un parc de production robuste, ainsi que la demande de tout l’État de Bahia et maximiser les interconnexions économiques de Salvador avec le marché mondial avec l’augmentation des exportations de biens et services produits dans la ville et d’autres régions de Bahia expédiées de Salvador, ce qui contribuerait à augmenter les niveaux d’emploi et de revenus dans la municipalité de Salvador et dans l’État de Bahia.

Le progrès social ne se produira à Salvador que lorsque la mairie répondra pleinement aux besoins humains fondamentaux de ses citoyens, en veillant à ce que la grande majorité de ses citoyens améliorent leur qualité de vie et leur bien-être et garantissent que tous ses habitants atteignent leur plein potentiel offrant à l’ensemble de la population les opportunités nécessaires à son épanouissement. Tout d’abord, le gouvernement municipal de Salvador doit créer les conditions nécessaires pour réduire ou éliminer les inégalités de revenus existantes, le niveau de chômage (267 000 chômeurs), le nombre de personnes en dessous du seuil de pauvreté (289 000 personnes), le nombre de personnes vivant dans les favelas (835 008 habitants des favelas) et le nombre de personnes vivant dans la rue (3,2 mille personnes sans abri) avec l’adoption de stratégies visant à lutter contre le chômage, à stimuler l’économie de la ville à travers la planification et le développement de projets de développement  interne et d’échanges économiques avec d’autres villes de Bahia, du Brésil et de l’étranger décrites précédemment et, en outre, en promouvant la génération d’emplois avec des programmes de « Économie Créative » et « Économie Sociale et Solidaire », ainsi que l’adoption d’une stratégie visant à réduire la pauvreté avec la mise en œuvre de la politique de revenu de base ou revenu minimum universel pour la population pauvre, complétant le programme Bolsa Família du gouvernement fédéral.

Pour éliminer ou réduire les taux de pauvreté au Salvador, il faut avant tout adopter une politique de revenu de base ou un revenu minimum universel pour la population pauvre. Le gouvernement municipal devrait compléter la Bolsa Família du gouvernement fédéral en donnant de l’argent gratuit aux pauvres pour atténuer ou éliminer la pauvreté. Parmi les raisons pour lesquelles cette idée est devenue réalité, il y a le fait que la distribution d’argent réduit la criminalité, améliore la santé de la population, permet aux bénéficiaires d’investir en eux-mêmes et augmente la demande de biens et de services dans la ville. Pour lutter contre le chômage, la Mairie devrait stimuler l’économie de la ville en planifiant et en développant des projets visant à développer l’économie interne et les échanges économiques avec d’autres villes de Bahia, du Brésil et de l’étranger décrits ci-dessus et, en outre, en promouvant la génération d’emplois avec « l’économie créative ». » et les programmes « Économie sociale et solidaire ». Avec « l’économie créative », qui traite de la créativité, de la connaissance et de l’information, il convient d’encourager les activités qui combinent la création, la production et la commercialisation de biens créatifs à caractère culturel et innovant tels que la mode, l’art, les médias numériques, la publicité, le journalisme, Photographie et architecture. Avec « l’Économie Sociale et Solidaire », qui est un nouveau mode de production visant à générer de l’emploi, les activités génératrices de travail et de revenus seraient encouragées dans divers secteurs, que ce soit dans les banques communautaires, les coopératives de crédit, les coopératives agricoles familiales, en matière de commerce équitable, dans les clubs de troc, etc.

La Mairie de Salvador doit adopter des stratégies visant à rationaliser la mobilité urbaine dans une ville dont le système de transport est mal évalué par la population. Depuis 2015, le système de transports publics urbains du Salvador est exploité par trois consortiums, qui regroupent 17 compagnies de bus dont le service est l’un des pires du Brésil, caractérisé par des retards, la surpopulation et la précarité de la flotte. Les plaintes concernant la surpopulation, les retards constants, le manque de bus, le manque de propreté et de structure se multiplient. Le métro représente un avantage important pour la population de Salvador et de Lauro de Freitas, car l’intégration entre les deux municipalités conurbaillées est devenue beaucoup plus rapide, réduisant également le temps de trajet sur certains des principaux axes structurants de la capitale bahianaise. Elle présente cependant encore de nombreuses lacunes, notamment en ce qui concerne le plein accès à ce service de la population pauvre de la ville, qui réside généralement dans les quartiers populaires périphériques, éloignés de ces axes de mobilité urbaine via les transports de masse. Ceux qui sont plus proches de ces axes de mobilité urbaine n’ont quant à eux pas un accès facile. Les causes de ces déficiences sont nombreuses, mais deux des principales peuvent être considérées comme le mauvais choix du tracé du métro et sa construction surélevée dans certaines sections, qui rendent l’accessibilité autour des stations précaire, puisque les sentiers piétonniers devaient être surélevés par des passerelles et sont déconnectés du reste du système de transport, ce qui rend l’accessibilité difficile et crée un environnement inconfortable et dangereux. En raison de la morphologie de la ville, la formation du système routier de Salvador a énormément contribué au manque de coordination entre le métro qui circule sur les routes de fond de vallée et les lignes de bus qui circulent sur les routes de crête où se trouvent de nombreux quartiers périphériques de la ville, C’est grâce à elle que les zones périphériques sont intégrées aux zones centrales, en plus de l’intégration avec les autres modes.

Outre le débat sur les moyens de transport, le débat sur la mobilité urbaine est traversé par le débat sur le droit à la ville, comme le réclament de nombreux mouvements sociaux ces dernières années. Le problème de la mobilité urbaine dans les grandes villes brésiliennes se concentre actuellement sur le nombre d’heures passées pour se déplacer entre le logement et le travail, ainsi que sur la garantie des conditions nécessaires à l’utilisation des services et sur les obstacles rencontrés dans cette utilisation. Ce problème naît du contexte historique de formation des villes brésiliennes, avec une urbanisation qui reflète spatialement les articulations hégémoniques des agents financiers, économiques, politiques et institutionnels, générant un espace urbain extrêmement inégal et ségrégué. Dans le contexte de la mobilité urbaine, cette inégalité s’exprime également à travers une ville confrontée à des transports précaires, avec la suppression du système de bus, et à des déplacements qui pénalisent tous les habitants, mais surtout les plus pauvres et ceux qui vivent dans les zones périphériques. Il s’agit d’une conséquence d’une production urbaine qui centralise les services et les opportunités d’emploi et disperse spatialement les ménages, obligeant la grande majorité de la population à effectuer de longs trajets dans un système de transports publics de mauvaise qualité et efficace.

Dans le cas de Salvador, comme dans la plupart des villes brésiliennes, il existe un réseau de routes asphaltées qui, pour la plupart, ne servent qu’aux voitures. Si ces itinéraires étaient partagés rationnellement avec d’autres modes, la ville y gagnerait beaucoup. La pire chose que l’on puisse faire pour une ville est de laisser circuler librement les voitures, car elles prennent de plus en plus de place, comme c’est le cas actuellement à Salvador. Il serait important que la Mairie ne crée pas davantage d’infrastructures à Salvador afin que davantage de voitures puissent circuler. Le plan de mobilité urbaine du Salvador devrait être centré sur des transports publics de masse de haute qualité avec les différents modes de transport reliés entre eux. À Salvador, il devrait y avoir un système de péage urbain similaire à celui d’Amsterdam et de Londres, par exemple. Quiconque souhaite circuler en voiture dans le centre-ville devra payer une taxe. Pour décourager l’utilisation de véhicules privés, la municipalité devrait mettre en place un système de transports publics de grande capacité et reliés entre eux. Salvador devrait contrôler la circulation sur les principales artères – celles qui relient les quartiers – dont les infrastructures devraient être améliorées pour concentrer tout le flux automobile. Les parkings du centre-ville de Salvador devraient cesser d’exister et être concentrés dans les zones périphériques afin que l’ancien et le nouveau centre-ville soient exempts de congestion. Cette mesure serait combinée à une tentative de développement des équipements urbains dans les zones périphériques de la ville, avec la création d’écoles, de centres commerciaux et de services. Le plan de mobilité urbaine de Salvador devrait mettre l’accent sur la nécessité pour les gens de vivre à proximité de leur lieu de travail et sur l’expansion des transports publics à réaliser avec des métros, des BRT et des VLT, entre autres modes.

Au Salvador, il est essentiel de réfléchir à la question de la mobilité urbaine pour la production d’une ville plus juste, démocratique et durable, en considérant les dimensions macro et micro des relations centre-périphérie et de l’accessibilité locale. La précarité et les prix élevés des transports publics pour les populations à faible revenu nécessitent que la Mairie subventionne le système de transports publics, qui n’est pas viable sans la contribution publique aux ressources, c’est-à-dire qu’il n’est pas financièrement viable avec le tarif payé uniquement par les usagers. . Aucun système de transport au monde ne fonctionne sans subventions. Pour rendre les subventions viables, le conseil municipal doit rechercher des revenus supplémentaires pour les transports publics, tels que des points commerciaux dans les gares et de la publicité dans les bus ou les trains, imposer des péages aux voitures se rendant au centre-ville et utiliser les ressources provenant des revenus du stationnement. Dans des cas tels que l’installation d’un métro et de systèmes BRT et VLT, la municipalité devrait mettre en place un partenariat public-privé (PPP) avec le secteur privé en investissant dans un premier temps des ressources (dont le public peut ne pas disposer) pour bénéficier ensuite de cela dans le futur. Le conseil municipal de Salvador a approuvé un projet de loi autorisant l’octroi d’une subvention budgétaire au service de transports publics de la capitale de Bahia, valable jusqu’au 31 décembre 2024 et limitée à un total de 205 millions de reais (monnaie brésilienne). Sur ce montant, 190 millions de reais seraient alloués aux concessionnaires du service collectif de transport public de passagers par bus conventionnel et 15 millions de reais aux titulaires de licences du sous-système complémentaire de transport spécial (STEC). Cette subvention doit être renouvelée et augmenté pour les années à venir. En outre, il est nécessaire de rationaliser le système de transport du Salvador en planifiant des investissements et en adoptant des politiques garantissant une coordination efficace entre le métro qui circule le long des routes de fond de la vallée et les lignes de bus qui passent le long des routes de crête où se trouvent de nombreux quartiers périphériques de la ville.

La Mairie doit éliminer ou réduire les déficiences de l’infrastructure urbaine de Salvador. Ces carences se produisent dans les 286 favelas situées dans des zones à risque, avec l’absence d’assainissement de base adéquat (les eaux usées sanitaires à Salvador sont inexistantes pour environ 600 mille habitants), avec le service précaire de collecte, de transport et d’élimination finale des déchets solides ( les déchets de 93 906 habitants ne sont pas collectés), avec des investissements insuffisants dans l’éducation, la santé et l’habitat populaire et avec une pollution incontrôlable de l’eau, du sol et de l’air. L’enseignement public au Salvador est abandonné et le pourcentage de 25,69 % des ressources consacrées à l’éducation est le plus bas de ces dernières années [11]. Les unités éducatives ont des problèmes de manque d’enseignants et d’infrastructures médiocres qui nuisent à l’apprentissage des élèves [12]. Au Salvador, il est courant d’entendre des plaintes concernant la mauvaise qualité de l’éducation, le manque d’uniformes et la mauvaise alimentation dans les écoles. De plus, le sentiment d’insécurité et la médiocrité des infrastructures dans certaines régions de la ville nuisent aux performances et à la productivité des élèves des écoles publiques locales. Salvador est la capitale qui dépense le moins, proportionnellement, pour la santé publique de ses habitants du pays [14]. Salvador dispose toujours d’une couverture de soins de base insuffisante, tant en termes de quantité que de résolution de problèmes [13]. La population souffre de lacunes en matière de soins de base et de la grande concentration géographique des services spécialisés. Actuellement, la couverture par les équipes de santé familiale et les unités de base n’atteint que 51 % de la population. La couverture de la santé bucco-dentaire dans les soins primaires n’est que de 20,32 %. La santé publique à Salvador s’effondre parce que la Mairie de Salvador ne dispose que d’un seul hôpital situé dans le quartier de Boca da Mata. Presque tous les lits d’hôpitaux au Salvador relèvent de la responsabilité du Département d’État de la Santé et du secteur privé. Salvador et la région métropolitaine ont un déficit de plus de 110 615 logements, selon la Fondation João Pinheiro, en considérant la période de 2016 à 2019 [15]. Bahia se classe au premier rang en matière de déficit de logements dans le Nord-Est et au quatrième rang au classement national. Au Salvador, le nombre de logements inoccupés dépasse la demande de nouveaux logements. Les données du recensement de 2022 indiquent que la capitale de Bahia compte actuellement 198 924 logements vacants. Le déficit de logement se mesure en considérant les sans-abri, ceux dont le logement est précaire et aussi ce que l’on peut appeler les clusters familiaux, lorsque plusieurs groupes partagent une résidence en raison de l’impossibilité de s’établir de manière indépendante. La ville de Salvador devra augmenter les investissements dans l’assainissement de base, dans la collecte, le transport et l’élimination finale des déchets solides, dans le contrôle de la pollution de l’eau, du sol et de l’air et dans les services d’éducation, de santé publique et de logement populaire pour surmonter les carences existantes. Dans le cas de l’habitat populaire, la Mairie doit faire des efforts pour que les logements vacants existants soient utilisés pour fournir le manque de logements.

La Mairie de Salvador doit intervenir dans la formulation du projet de pont Salvador – Itaparica, actuellement étudié par le gouvernement de l’État, pour éviter que son impact sur la ville ne soit extrêmement dommageable. Du point de vue urbanistique, le pont Salvador-Itaparica tend à aggraver les problèmes de circulation auxquels Salvador est actuellement confronté, puisque la jonction du pont avec la ville constituera éventuellement un nouveau goulot d’étranglement car il favorise le mode routier. Le pont suscitera une demande généralisée de véhicules à moteur dans tout le RMS et pas seulement dans la capitale. Dans ce scénario, la qualité de vie des habitants de Salvador serait affectée négativement. Deux voies sont prévues pour les transports publics, qui pourraient être des véhicules légers sur rail (VLT) ou des bus rapides (BRT). Cette modalité ne serait cependant mise en œuvre qu’après l’achèvement du pont, dans un autre projet d’investissement qui, d’après ce qui a été annoncé, n’est pas prioritaire. C’est l’opinion des professeurs Francisco Lima Cruz Teixeira et Sílvio Vanderlei Araújo Sousa [5]. Paulo Ormindo de Azevedo [6] affirme qu’une étude réalisée sur le tracé du pont par l’Académie d’Ingénierie de Bahia a mis en évidence de graves erreurs, comme l’incapacité de la Via Expressa à absorber le flux du pont et son impact sur le centre de la ville de Salvador.  Pour résoudre ce problème, l’Académie d’Ingénierie de Bahia propose trois alternatives reliant le pont directement à la BR 324 et à la Via Metropolitana, sans impact sur la ville et le paysage urbain.

La Mairie de Salvador doit préparer la ville à faire face à des événements météorologiques extrêmes tels que des pluies torrentielles et des inondations résultant de l’élévation du niveau de la mer due au changement climatique mondial. L’apparition de fortes pluies nécessite l’adoption de mesures visant à protéger les pentes de la ville et le développement de systèmes de drainage capables d’éviter les inondations causées par la pluie. Pour faire face aux événements météorologiques extrêmes à Salvador, il est nécessaire de lutter contre les inondations, ce qui concerne toutes les méthodes utilisées pour réduire ou prévenir les effets néfastes de l’action de l’eau. Certaines des techniques couramment utilisées pour contrôler les inondations comprennent l’installation de bermes rocheuses pour aider à la stabilité des pentes afin de retenir des blocs, des enrochements ou des remblais rocheux, des sacs de sable, le maintien de pentes normales avec de la végétation ou l’application de ciment sur un sol plus raide. pentes et construction ou agrandissement du drainage. D’autres méthodes incluent les digues, les barrages, les bassins de rétention ou de rétention [7]. L’impact des inondations au Salvador à partir de 2030, résultant de l’élévation du niveau de la mer due au réchauffement climatique et au changement climatique, a été confirmé par une étude réalisée par Climate Central, qui montre les régions qui pourraient se trouver en dessous du niveau de la mer dans quelques années [8 ]. Des zones de Salvador et de la région métropolitaine, comme les plages de Boa Viagem (Salvador), Buraquinho (Lauro de Freitas) et Busca Vida (Camaçari), seront inondées, ainsi que Ilha da Maré, qui semble complètement submergée. Face à ces menaces, que faire pour lutter contre la montée du niveau de la mer ? La First Street Foundation propose des réponses [9] telles que la construction de digues, l’utilisation des plages et des dunes comme barrières, l’élévation du niveau des routes au-dessus du niveau de la mer, le recours au pompage des eaux pluviales, la création de structures naturelles telles que des îles-barrières et la relocalisation gérée des populations.

La Mairie doit transformer Salvador en une ville intelligente et durable. Salvador n’atteindra le statut de ville intelligente [10] que lorsque ses gestionnaires la considéreront comme un système et utiliseront les technologies de l’information dans son processus de planification et de contrôle, en comptant sur le soutien efficace de sa population. Chaque ville intelligente nécessite l’utilisation des technologies de l’information avec l’utilisation de divers appareils connectés au réseau IoT (Internet des objets) pour gérer rationnellement les opérations et les services de la ville et se connecter avec ses citoyens. L’Internet des objets (IoT, en anglais) fait référence à une révolution technologique qui vise à connecter les objets du quotidien au Web et constitue l’une des principales tendances mondiales. Son utilisation dans l’administration d’une ville car elle est applicable dans des solutions allant de la surveillance de l’éclairage public, des piétons, des cyclistes, des véhicules à moteur, des transports publics, des services d’éducation et de santé, entre autres. L’IoT entraînera une réduction du gaspillage des ressources publiques dans les villes. Salvador n’atteindra le statut de ville durable que si elle adopte une politique de développement économique et social compatible avec l’environnement naturel et bâti. Salvador n’atteindra le statut de ville durable [10] que si la ville est guidée par la planification et le contrôle de l’utilisation des terres afin d’éviter la dégradation des ressources naturelles. Salvador sera durable lorsqu’il disposera de politiques claires et globales en matière d’assainissement, de collecte et de traitement des déchets, de gestion de l’eau, avec collecte, traitement, économie et réutilisation, de systèmes de transport qui favorisent le transport de masse avec qualité et sécurité, d’actions qui préservent et agrandissent les espaces verts et l’utilisation d’énergies propres et renouvelables et, surtout, une administration publique transparente partagée avec la société civile organisée.

Malheureusement, aucun des candidats à la mairie de Salvador n’a considéré dans ses plans gouvernementaux l’ensemble des stratégies décrites ci-dessus pour surmonter les gigantesques problèmes actuels et neutraliser les menaces qui pèsent sur son développement futur au profit de l’ensemble de la population de la ville. Le futur Maire de Salvador devrait adopter les stratégies décrites ci-dessus, sans lesquelles il compromettrait l’avenir de la ville et de sa population.

RÉFÉRENCES

1.     G1.GLOBO.COM. PIB de Salvador cai de 12º para 14º maior do Brasil; PIB per capita segue o menor entre as capitais do país. Disponible sur le site Web <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/12/16/pib-de-salvador-cai-de-12o-para-14o-maior-do-brasil-pib-per-capita-segue-o-menor-entre-as-capitais-do-pais.ghtml>.

2.     NEVES, Rafael e MADEIRO, Carlos. Salvador é a capital com piores taxas de pobreza, violência e desemprego. Disponible sur le site Web <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/03/26/mapa-da-desigualdade-indicadores-renda-violencia-desemprego-salvador.htm>.

3.     SOUZA, João. Na Bahia, trabalhadores têm o 3º salário mais baixo do país; veja perfil. Disponible sur le site Web <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/05/01/na-bahia-trabalhadores-tem-o-3o-salario-mais-baixo-do-pais-veja-perfil.ghtml>.

4.     PORTALUMBU.COM.BR. Perfil econômico de Salvador revela 37,5% trabalhando na informalidade e força do turismo para a geração de receita. Disponible sur le site Web <https://portalumbu.com.br/perfil-economico-de-salvador-revela-375-trabalhando-na-informalidade-e-forca-do-turismo-para-a-geracao-de-receita/>.

5.     TEIXEIRA, Francisco Lima Cruz e SOUSA, Sílvio Vanderlei Araújo. Infraestrutura e desenvolvimento: o que se pode esperar da Ponte Salvador-Itaparica? Disponible sur le site Web <http://observatorio.ufba.br/arquivos/ponteSVO.pdf>.

6.     AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Já que é inevitável, que não seja violento! Publié dans le journal A Tarde du 16/04/2023.

7.     ALCOFORADO, Fernando. Sustainability in flood management. Chapitre du livre Flood Handbook. Publié dans CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022.

8.     MARTINS, Bruna. Mapa mostra áreas de Salvador submersas em 2030. Disponible sur le site Web <https://casavogue.globo.com/um-so-planeta/noticia/2021/08/mapa-que-mostra-areas-de-salvador-submersas-em-2030-viraliza-nas-redes-sociais.html>, 2021.

9.     FIRST STREET FOUNDATION. Solving for Sea Level Rise. Disponible sur le site Web <https://medium.com/firststreet/solving-for-sea-level-rise-b95600751525>.

10.  ALCOFORADO, Fernando. Como construir cidades inteligentes e sustentáveis. Disponible sur le site Web <https://www.linkedin.com/pulse/como-construir-cidades-inteligentes-e-sustent%C3%A1veis-alcoforado/>.

11.  RODRIGUES, Marta. A educação pública em Salvador está em processo de sucateamento. Disponible sur le site Web <https://www.brasildefatoba.com.br/2022/03/10/a-educacao-publica-em-salvador-esta-em-processo-de-sucateamento>.

12.  FAROL DA BAHIA. Falta tudo: escolas de educação em tempo integral de Salvador são alvos de reclamações de pais e responsáveis. Disponible sur le site Web <https://www.faroldabahia.com.br/noticia/falta-tudo-escolas-de-educacao-em-tempo-integral-de-salvador-sao-alvos-de-reclamacoes-de-pais-e-responsaveis#google_vignette>.

13.  Souza, gisélia Santana. Saúde e qualidade de vida. Disponible sur le site Web <https://grabois.org.br/2020/07/16/saude-e-qualidade-de-vida-em-salvador/>.

14.  CREMEB. Salvador é a capital brasileira que menos investe em saúde, revela estudo. Disponible sur le site Web <https://www.cremeb.org.br/index.php/noticias/salvador-e-a-capital-brasileira-que-menos-investe-em-saude-revela-estudo/>.

15.  A TARDE. Salvador tem déficit de mais de 110 mil moradias. Disponible sur le site Web <https://atarde.com.br/bahia/bahiasalvador/salvador-tem-deficit-de-mais-de-110-mil-moradias-1236335>.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia,, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) et How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

THE MAYOR THAT SALVADOR NEEDS TO ELECT IN THE NEXT ELECTIONS

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the characteristics of the mayor that the population of Salvador needs to elect in the next elections, whose government program is capable of overcoming the current gigantic problems and neutralizing the threats to its future development for the benefit of the entire population of the city. Salvador is a low-income regional metropolis with economic indicators well below those of the metropolises and metropolitan regions of the South and Southeast of Brazil. Salvador is the Brazilian capital with the highest unemployment, lowest income and greater violence. In the formation of Salvador’s GDP (Gross Domestic Product), agriculture contributes 0.06%, industry 20.99% and services 78.94%. Therefore, it can be seen that Salvador is a city that predominantly provides services. Salvador’s economy is, indisputably, a service economy strongly supported by tourism, real estate and services of the most diverse nature. Salvador’s economic structure, with the services sector playing a major role, is reflected in its employment structure. The vast majority of the workforce is employed in the trade and services sector. In the industrial sector, construction stands out.

Between 1970 and 1985, Salvador was among the most dynamic metropolises in the country, alongside Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza and Belém. However, the GDP growth of the capital of Bahia and its metropolitan region slowed down, compared to the GDPs of the most active capitals in the country, between 1985 and 2023, losing ground in relation to Curitiba, Belo Horizonte, Brasília and Fortaleza. Specifically, and according to the website G1.GLOBO.COM, Salvador’s GDP fell in 2021 from 12th to 14th largest in Brazil, with GDP per capita being the lowest among Brazilian capitals. Salvador’s GDP per capita, which is the average value added by individuals, was estimated at R$21,706.00, which places Salvador with the lowest rate among all capitals in Brazil [1].

Salvador is the capital with the worst rates of poverty, violence and unemployment in Brazil, according to UOL [2]. Social indicators of the 26 Brazilian capitals show the city of Salvador (BA) in last place in income, employment and public safety indexes. Salvador was the last in the country in 7 of the 40 social indicators analyzed by the Map of Inequalities among Capitals. Salvador has 11% of the population below the poverty line (289 thousand people), a number ten times higher when compared to Florianópolis (SC), the capital that stood out with the best rate in the same indicator. Salvador stands out as the worst capital in the malnutrition index, with 4% of children under 5 years of age suffering from malnutrition. The city had its worst performance in unemployment rates, with 16.7% of the population unemployed (267 thousand unemployed). Violence rates also place the capital of Bahia in the last positions. In 2022, Salvador was the capital with the second highest homicide rate, with 1,568 murders recorded in the city, second only to Macapá (AP), and Salvador is the first in Brazil in homicides of young people, aged 15 to 29, with 322.5 deaths per 100 thousand inhabitants. According to the Continuous National Household Sample Survey (Pnad Contínua), carried out in 2022 [3], Salvador has the 10th lowest average salary among the country’s capitals, with income reaching R$2,817.00. Salvador’s economic profile reveals that 37.5% work informally (651 thousand workers) [4].

All these indicators demonstrate the failure of Salvador’s municipal administrations in the past and present and the need for future administrations to act effectively in the economic and social development of the capital of Bahia. All of this imposes the need to implement effective strategies aimed at promoting the economic development of Salvador, reducing its social inequalities and generating employment and income in the city. In addition, it is necessary to adopt strategies aimed at rationalizing Salvador’s urban mobility, eliminate or reduce its urban infrastructure deficits, intervening in the formulation of the Salvador-Itaparica bridge project, preparing the city to face extreme climate events and transforming Salvador into a smart and sustainable city.

Salvador’s economic progress will only be fully realized if the municipal government plans and develops projects to develop its domestic economy and promote economic exchange with other cities in Bahia, Brazil, and abroad to boost its economy. The development of Salvador’s domestic economy requires the implementation of strategies to develop tourism, the construction industry, and the production of goods and services in Salvador, to replace imports with the production of imported goods and services in Salvador, as well as to revitalize the old city center by recovering  buildings in ruins and restoring monuments that contribute to raising employment and income levels in the city of Salvador. The development of economic exchange with other cities in Bahia, Brazil and abroad requires that strategies be implemented to create the conditions for Salvador to become capable of offering goods and services that can be increasingly exported to other regions of Bahia and even to other states, notably in the areas of education (higher education) and health (medical center), transform Salvador into a national export center of higher education services based on culture and knowledge, promote the aggregation in Salvador of services of the most diverse nature to meet the demand of the Metropolitan Region of Salvador, Recôncavo and Feira de Santana, where a robust production park is concentrated, as well as the demand of the entire State of Bahia, and maximize the economic interconnections of Salvador with the world market by increasing the exports of goods and services produced in the city and in other regions of Bahia shipped in Salvador, which would contribute to raising the levels of employment and income of the Municipality of Salvador and the State of Bahia.

Social progress will only happen in Salvador when the City Hall fully meets the basic human needs of its citizens, ensuring that the vast majority of its citizens improve their quality of life and well-being and ensuring that all its inhabitants reach their full potential by offering the entire population the opportunities necessary for their growth. First of all, the municipal government of Salvador needs to create the conditions to reduce or eliminate existing income inequalities, the unemployment rate (267,000 unemployed), the number of people below the poverty line (289,000 people), the number of people living in favelas (835,008 favela residents) and the number of people living on the streets (3,200 homeless people) by adopting strategies aimed at combating unemployment by boosting the city’s economy, planning and developing projects to develop the internal economy and economic exchange with other cities in Bahia, Brazil and abroad, as described above, and, in addition, promoting job creation with “Creative Economy” and “Social and Solidarity Economy” programs, as well as adopting a strategy aimed at reducing poverty by implementing a basic income policy or universal minimum income for the poor population, in addition to the federal government’s Bolsa Família program. To eliminate or reduce poverty rates in Salvador, it is necessary to first adopt a basic income or universal minimum income policy for the poor population. The municipal government should complement the federal government’s Bolsa Família program by giving free money to the poor to alleviate or eliminate poverty. Among the reasons for this idea to become a reality is that distributing money reduces crime, improves the health of the population, allows beneficiaries to invest in themselves, and increases the demand for goods and services in the city. To combat unemployment, the City Hall should boost the city’s economy by planning and developing projects to develop the internal economy and economic exchange with other cities in Bahia, Brazil, and abroad, as described above, and, in addition, by promoting job creation with “Creative Economy” and “Social and Solidarity Economy” programs. With the “Creative Economy”, which deals with creativity, knowledge and information, activities that combine the creation, production and commercialization of creative goods of a cultural and innovative nature, such as Fashion, Art, Digital Media, Advertising, Journalism, Photography and Architecture, should be encouraged. With the “Social and Solidarity Economy”, which is a new mode of production focused on job creation, activities that generate work and income would be encouraged in various sectors, such as community banks, credit unions, family farming cooperatives, fair trade, exchange clubs, etc.

The City Hall of Salvador needs to adopt strategies to streamline urban mobility in a city whose transportation system is poorly rated by the population. Since 2015, Salvador’s urban public transportation system has been operated by three consortiums that bring together 17 bus companies, whose service is among the worst in Brazil, characterized by delays, overcrowding, and poor fleet conditions. There are increasing reports of overcrowding, constant delays, lack of buses, and poor cleanliness and infrastructure. The subway is an important benefit for the population of Salvador and Lauro de Freitas, since the integration between the two conurbated cities has become much faster, also reducing travel time spent on some of the main structural axes of the capital of Bahia. However, it still has many shortcomings, especially with regard to full access to this service by the city’s poor population, who generally live in the outlying popular neighborhoods, which are far from these urban mobility axes via mass transit. Those who are closer to these urban mobility axes, in turn, do not have easy access. There are many reasons for these deficiencies, but two of the main ones are the poor choice of the subway route and the elevated layout of some sections, which makes accessibility around the stations precarious, since pedestrian paths had to be elevated by means of footbridges and are disconnected from the rest of the transport system, making accessibility difficult and creating an uncomfortable and unsafe environment. Due to the city’s morphology, the formation of Salvador’s road system contributed greatly to the lack of coordination between the subway, which operates on the valley floor roads, and the bus lines that operate on the ridge roads where many of the city’s peripheral neighborhoods are located. This is how the peripheral areas are integrated with the central areas, in addition to integration with other modes of transport.

In addition to the discussion on means of transport, the debate on urban mobility is intertwined with the debate on the right to the city, as many social movements have been demanding in recent years. The problem of urban mobility in large Brazilian cities currently focuses on the number of hours spent commuting between home and work, as well as on ensuring the necessary conditions for using services and the obstacles faced in doing so. This problem arises from the historical context in which Brazilian cities were formed, with urbanization spatially reflecting the hegemonic articulations of financial, economic, political and institutional agents, generating an extremely unequal and segregated urban space. In the context of urban mobility, this inequality is also expressed through a city that faces precarious transport, with the dismantling of the bus system, and commutes that penalize all residents, but especially the poorest and those living in peripheral areas. This is a consequence of a city that centralizes services and job opportunities and spatially disperses homes, forcing the vast majority of the population to make long journeys in a public transport system of low quality and efficiency.

In the case of Salvador, as in most Brazilian cities, there is a network of paved streets that, for the most part, are only used by cars. If these streets were rationally shared with other modes of transport, the city would benefit greatly. The worst thing that can be done for a city is to let cars circulate freely, because they take up more and more space, as is currently the case in Salvador. It would be important for the city government not to create more infrastructure in Salvador so that more cars can move around. Salvador’s urban mobility plan should focus on high-quality mass public transport with the various modes of transport interconnected. In Salvador, there should be an urban toll system similar to that of Amsterdam and London, for example. Anyone who wants to drive in the city center would have to pay a fee. To discourage the use of private vehicles, the city government should implement a high-capacity public transport system interconnected with each other. Salvador should control traffic on the large arterial avenues – those that connect neighborhoods – which should have their infrastructure improved so that they concentrate all the flow of cars. Parking lots in the city center of Salvador should be eliminated and concentrated in peripheral areas so that the old and new city centers are free from traffic jams. This measure would be combined with an attempt to develop urban amenities in the city’s peripheral areas, with the creation of schools, shopping centers, and services. The urban mobility plan in Salvador should emphasize the need for people to be able to live close to their workplaces, and the expansion of public transportation should be carried out with subways, BRTs, and VLTs, among other modes. In Salvador, it is essential to consider the problem of urban mobility in order to produce a more just, democratic, and sustainable city, considering the macro and micro scope of the center-periphery relations and local accessibility. The precariousness and high prices of public transportation for low-income populations require the City Hall to subsidize the public transportation system, which is not viable without public funding that is, it is not financially sustainable with the fare paid only by users. No transportation system in the world operates without subsidies. To make subsidies viable, the City Hall needs to seek additional revenue for public transportation, such as commercial points at stations and advertising on buses or trains, charge tolls for cars going to the city center, and use the resources from parking revenue. In cases such as the installation of a subway and BRT and VLT systems, the City Hall should enter into a public-private partnership (PPP) with the private sector investing resources initially (which the public sector may not have available) and then benefiting from them in the future. The Salvador City Council approved a Bill that authorizes the granting of a budget subsidy to the public transportation service in the capital of Bahia, valid until December 31, 2024 and limited to a total of R$205 million. Of this amount, R$190 million would be allocated to the concessionaires of the public passenger transportation service by conventional bus and R$15 million to the licensees of the Special Complementary Transportation Subsystem (STEC). This subsidy needs to be renewed and increased for future years. Furthermore, it is necessary to rationalize Salvador’s transportation system by planning investments and adopting policies that ensure effective coordination between the subway that runs along the valley bottom roads and the bus lines that run along the ridge roads where many of the city’s peripheral neighborhoods are located.

The City Hall needs to eliminate or reduce the deficiencies in Salvador’s urban infrastructure. These deficiencies occur in the 286 favelas located in risk areas, with a lack of adequate basic sanitation (sanitation in Salvador is non-existent for approximately 600,000 inhabitants), precarious services for the collection, transportation and final disposal of solid waste (the garbage of 93,906 inhabitants is not collected), insufficient investment in education, health and public housing, and uncontrollable pollution of water, soil and air. Public education in Salvador is in the process of being scrapped and the percentage of resources applied to education, 25.69%, is the lowest in recent years [11]. Educational units have accumulated problems with a lack of teachers and deficient infrastructure that harm students’ learning [12]. In Salvador, it is common to hear complaints about the poor quality of education, the lack of uniforms and inadequate nutrition in schools. Furthermore, the feeling of insecurity and the lack of infrastructure in certain areas of the city affect the performance and productivity of students in local public schools. Salvador is the capital that spends the least, proportionally, on public health for its inhabitants in the country [14]. Salvador still has insufficient basic health care coverage, both in terms of quantity and problem-solving [13]. The population suffers from gaps in basic health care and the high geographic concentration of specialized services. Currently, coverage by family health teams and basic units reaches only 51% of the population. Oral health coverage in basic health care is only 20.32%. Public health in Salvador is collapsing because Salvador City Hall only has one hospital located in the Boca da Mata neighborhood. Almost all of Salvador’s hospital beds are the responsibility of the State Health Department and the private sector. According to the João Pinheiro Foundation, Salvador and the metropolitan region have a deficit of more than 110,615 housing units, according to the João Pinheiro Foundation, considering the period from 2016 to 2019 [15].. Bahia ranks first in the Northeast in terms of housing deficit and fourth in the national ranking. In Salvador, the number of vacant homes exceeds the demand for new housing units. Data from the 2022 Census indicate that the capital of Bahia currently has 198,924 vacant homes. The housing deficit is measured by considering homeless people, those living in precarious housing conditions, and also what can be called family clusters, when several families share a residence due to the inability to establish themselves independently. The City Hall of Salvador will have to raise the investments in basic sanitation, in the collection, transportation and final disposal of solid waste, in the control of water, soil and air pollution and in education, public health and social housing services to address existing deficiencies. In the case of affordable housing, the City Hall must make efforts to ensure that existing vacant homes are used to meet the lack of housing units.

The Salvador City Hall needs to intervene in the formulation of the Salvador-Itaparica bridge project under study by the state government to prevent its impact on the city from being extremely harmful. From an urban planning standpoint, the Salvador-Itaparica Bridge is likely to worsen the traffic problems currently faced by Salvador, since the connection between the bridge and the city will likely become a new bottleneck because it favors road transport. The bridge will attract widespread demand for motor vehicles throughout the RMS and not just in the capital. In this scenario, the quality of life of Salvador’s residents would be negatively affected. Two lanes are planned for public transportation, which could be Light Rail Vehicles (VLT) or Bus Rapid Transit (BRT). This mode, however, would only be implemented after the bridge is completed, in another investment project that, from what has been reported, is not a priority. This is the opinion of professors Francisco Lima Cruz Teixeira and Sílvio Vanderlei Araújo Sousa [5]. Paulo Ormindo de Azevedo [6] states that a study carried out on the bridge’s layout by the Bahia Engineering Academy revealed serious errors, such as the inability of the Expressway to absorb the bridge’s flow and its impact on the center of the city of Salvador. To solve this problem, the Bahia Engineering Academy suggests three alternatives connecting the bridge directly to BR 324 and Via Metropolitana, without impacting the city and the urban landscape.

The City of Salvador needs to prepare the city to face extreme weather events such as heavy rains and floods resulting from rising sea levels because of global climate change. The occurrence of heavy rains requires the adoption of measures aimed at protecting the city’s slopes and the development of drainage systems capable of preventing flooding caused by rain. To face extreme weather events in Salvador, flood control must be implemented, which involves all methods used to reduce or prevent the harmful effects of water action. Some of the common techniques used to control flooding include the installation of rock berms to help stabilize slopes to hold blocks, rock riprap or stone riprap, sandbags, maintenance of normal slopes with vegetation or application of cement on soil with steeper slopes, and construction or expansion of drainage. Other methods include dikes, dams, retention or detention basins [7]. The impact of flooding on Salvador from 2030 onwards resulting from rising sea levels because of global warming and climate change was confirmed by a study carried out by Climate Central, which shows the regions that may be below sea level in a few years [8]. Areas of Salvador and the metropolitan region, such as the beaches of Boa Viagem (Salvador), Buraquinho (Lauro de Freitas) and Busca Vida (Camaçari) will be flooded, in addition to Ilha da Maré, which appears completely submerged. Given these threats, what can be done to deal with rising sea levels? The First Street Foundation offers answers [9] such as building seawalls, using beaches and dunes as barriers, raising road levels above sea level, using stormwater pumping, creating natural structures such as barrier islands, and managed population relocation.

The City Hall needs to transform Salvador into a smart and sustainable city. Salvador will only achieve the status of a smart city [10] when its managers consider it as a system and use information technology in their planning and control processes, with the effective support of its population. Every smart city requires the use of information technology with the use of several devices connected to the IoT (Internet of Things) network to manage the city’s operations and services in a rational way and connect with its citizens. The Internet of Things (IoT) refers to a technological revolution that aims to connect everyday items to the World Wide Web. Its use in city management is one of the main global trends, as it can be used in solutions ranging from monitoring public lighting, pedestrians, cyclists, motor vehicles, public transportation, education and health services, among others. IoT will lead to a reduction in the waste of public resources in cities. Salvador will only achieve the status of a sustainable city if it adopts an economic and social development policy that is compatible with the natural and built environment. Salvador will only achieve the status of a sustainable city [10] if the city is guided by planning and controlling land use in order to avoid the degradation of natural resources. Salvador will be sustainable when it has clear and comprehensive policies for sanitation, waste collection and treatment, water management, with collection, treatment, conservation and reuse, transportation systems that prioritize high-quality and safe mass transit, actions that preserve and expand green areas and the use of clean and renewable energy and, above all, transparent public administration that is shared with organized civil society.

Unfortunately, none of the candidates for mayor of Salvador have incorporated into their government plans the entire set of strategies outlined above to overcome the current gigantic problems and neutralize the threats to its future development for the benefit of the entire population of the city. The future mayor of Salvador should adopt the strategies described above, without which the future of the city and its population will be compromised.

REFERENCES

1.     G1.GLOBO.COM. PIB de Salvador cai de 12º para 14º maior do Brasil; PIB per capita segue o menor entre as capitais do país. Available on the website <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/12/16/pib-de-salvador-cai-de-12o-para-14o-maior-do-brasil-pib-per-capita-segue-o-menor-entre-as-capitais-do-pais.ghtml>.

2.     NEVES, Rafael e MADEIRO, Carlos. Salvador é a capital com piores taxas de pobreza, violência e desemprego. Available on the website <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/03/26/mapa-da-desigualdade-indicadores-renda-violencia-desemprego-salvador.htm>.

3.     SOUZA, João. Na Bahia, trabalhadores têm o 3º salário mais baixo do país; veja perfil. Available on the website <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/05/01/na-bahia-trabalhadores-tem-o-3o-salario-mais-baixo-do-pais-veja-perfil.ghtml>.

4.     PORTALUMBU.COM.BR. Perfil econômico de Salvador revela 37,5% trabalhando na informalidade e força do turismo para a geração de receita. Available on the website <https://portalumbu.com.br/perfil-economico-de-salvador-revela-375-trabalhando-na-informalidade-e-forca-do-turismo-para-a-geracao-de-receita/>.

5.     TEIXEIRA, Francisco Lima Cruz e SOUSA, Sílvio Vanderlei Araújo. Infraestrutura e desenvolvimento: o que se pode esperar da Ponte Salvador-Itaparica? Available on the website <http://observatorio.ufba.br/arquivos/ponteSVO.pdf>.

6.     AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Já que é inevitável, que não seja violento! Published in the newspaper A Tarde on 04/16/2023.

7.     ALCOFORADO, Fernando. Sustainability in flood management. Chapter from the book Flood Handbook. Published by CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022.

8.     MARTINS, Bruna. Mapa mostra áreas de Salvador submersas em 2030. Available on the website <https://casavogue.globo.com/um-so-planeta/noticia/2021/08/mapa-que-mostra-areas-de-salvador-submersas-em-2030-viraliza-nas-redes-sociais.html>, 2021.

9.     FIRST STREET FOUNDATION. Solving for Sea Level Rise. Available on the website <https://medium.com/firststreet/solving-for-sea-level-rise-b95600751525>.

10.  ALCOFORADO, Fernando. Como construir cidades inteligentes e sustentáveis. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/como-construir-cidades-inteligentes-e-sustent%C3%A1veis-alcoforado/>.

11.  RODRIGUES, Marta. A educação pública em Salvador está em processo de sucateamento. Available on the website <https://www.brasildefatoba.com.br/2022/03/10/a-educacao-publica-em-salvador-esta-em-processo-de-sucateamento>.

12.  FAROL DA BAHIA. Falta tudo: escolas de educação em tempo integral de Salvador são alvos de reclamações de pais e responsáveis. Available on the website <https://www.faroldabahia.com.br/noticia/falta-tudo-escolas-de-educacao-em-tempo-integral-de-salvador-sao-alvos-de-reclamacoes-de-pais-e-responsaveis#google_vignette>.

13.  Souza, gisélia Santana. Saúde e qualidade de vida. Available on the website <https://grabois.org.br/2020/07/16/saude-e-qualidade-de-vida-em-salvador/>.

14.  CREMEB. Salvador é a capital brasileira que menos investe em saúde, revela estudo. Available on the website <https://www.cremeb.org.br/index.php/noticias/salvador-e-a-capital-brasileira-que-menos-investe-em-saude-revela-estudo/>.

15.  A TARDE. Salvador tem déficit de mais de 110 mil moradias. Disponível no website <https://atarde.com.br/bahia/bahiasalvador/salvador-tem-deficit-de-mais-de-110-mil-moradias-1236335>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) and How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

O PREFEITO QUE SALVADOR PRECISA ELEGER NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as características do prefeito que a população de Salvador precisa eleger nas próximas eleições cujo programa de governo seja capaz de superar os gigantescos problemas atuais e neutralizar as ameaças a seu futuro desenvolvimento em benefício de toda a população da cidade. Salvador é uma metrópole regional de baixa renda com indicadores econômicos bem abaixo das metrópoles e regiões metropolitanas do Sul e Sudeste do Brasil. Salvador é a capital brasileira de maior desemprego, menor renda e maior violência. Na formação do PIB (Produto Interno Bruto) de Salvador, a agropecuária contribui com 0,06%, a indústria com 20,99% e os serviços com 78,94%. Percebe-se, portanto, que Salvador é uma cidade predominantemente de serviços. A economia de Salvador é, indiscutivelmente, uma economia de serviços fortemente apoiada no turismo, no setor imobiliário e serviços das mais diversas naturezas. A estrutura econômica de Salvador, com papel principal desempenhado pelo setor de serviços, tem reflexo na estrutura ocupacional. A grande maioria da mão de obra está empregada no setor de comércio e serviços. No setor industrial ganha destaque a construção civil.

Entre 1970 e 1985, Salvador esteve entre as metrópoles mais dinâmicas do país, ao lado de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza e Belém. Contudo, o crescimento do PIB da capital da Bahia e da sua região metropolitana se desacelerou, em relação aos PIBs das capitais mais ativas do país, entre 1985 e 2023, perdendo terreno em relação a Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza. Concretamente, e ainda, segundo o website G1.GLOBO.COM, o PIB de Salvador caiu em 2021 de 12º para 14º maior do Brasil com o PIB per capita sendo o menor entre as capitais do Brasil. O PIB per capita de Salvador, que é o valor médio agregado por indivíduos, foi estimado em R$ 21.706,00, o que coloca Salvador com o menor índice entre todas as capitais do Brasil [1].

Salvador é a capital com piores taxas de pobreza, violência e desemprego do Brasil, segundo o UOL [2]. Indicadores sociais das 26 capitais brasileiras, mostra a cidade de Salvador em último lugar em índices de renda, emprego e segurança pública. Salvador foi a última colocada do país em 7 dos 40 indicadores sociais analisados pelo Mapa das Desigualdades entre as Capitais. Salvador apresenta 11% da população abaixo da linha da pobreza (289 mil pessoas), número esse, dez vezes maior quando comparado a Florianópolis (SC), capital que se destacou com a melhor taxa no mesmo indicador. Salvador se destaca como a pior capital no índice de desnutrição, com 4% de crianças menores de 5 anos que se encontram em situação de desnutrição. A cidade teve seu pior desempenho nas taxas de desemprego com 16,7% da população desempregada (267 mil desempregados). Os índices de violência também colocam a capital baiana nas últimas posições. Em 2022, Salvador foi a capital com a segunda maior taxa de homicídios quando foram registrados 1.568 assassinatos na cidade, ficando apenas atrás de Macapá (AP), e Salvador é a primeira do Brasil em homicídios de jovens, de 15 a 29 anos com 322,5 mortes a cada 100 mil habitantes. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada em 2022 [3], Salvador tem a 10ª média salarial mais baixa entre as capitais do país, com o rendimento chegando a R$ 2.817,00. Perfil econômico de Salvador revela 37,5% trabalhando na informalidade (651 mil trabalhadores) [4].

Todos estes indicadores demonstram o fracasso das administrações municipais de Salvador no passado e no presente e a necessidade de que as futuras administrações atuem com efetividade no desenvolvimento econômico e social da capital baiana. Tudo isto impõe a necessidade de que sejam implementadas estratégias eficazes visando promover o desenvolvimento econômico de Salvador, reduzir suas desigualdades sociais e gerar emprego e renda na cidade. Além disso, é preciso adotar estratégias visando racionalizar a mobilidade urbana de Salvador, eliminar ou reduzir seus déficits em infraestrutura urbana, interferir na formulação do projeto da ponte Salvador – Itaparica, preparar a cidade para enfrentar eventos climáticos extremos e transformar Salvador em cidade inteligente e sustentável.

O progresso econômico de Salvador só se realizará na plenitude se o governo municipal planejar e elaborar projetos de desenvolvimento da economia interna e do intercâmbio econômico com outras cidades da Bahia, do Brasil e com o exterior para dinamizar sua economia. O desenvolvimento da economia interna de Salvador requer que sejam implementadas estratégias para o desenvolvimento do turismo, da indústria da construção civil e da produção de bens e serviços em Salvador, para a substituição de importações com a produção em Salvador de bens e serviços importados, bem como para a revitalização do centro antigo da cidade com a recuperação das edificações em ruinas e o restauro dos monumentos que contribuam para elevar os níveis de emprego e renda do Município de Salvador. O desenvolvimento do intercâmbio econômico com outras cidades da Bahia, do Brasil e com o exterior requer que sejam implementadas estratégias para criar as condições para Salvador se capacitar na oferta de bens e serviços que podem ser crescentemente exportados para outras regiões da Bahia e, mesmo, para outros estados, notadamente nas áreas de educação (ensino superior) e saúde (polo médico), transformar Salvador em centro nacional exportador de serviços superiores baseados na cultura e no conhecimento, promover a aglutinação em Salvador de serviços das mais diversas naturezas para atender a demanda da Região Metropolitana de Salvador, do Recôncavo e de Feira de Santana onde se concentra um robusto parque produtivo, bem como a demanda de todo o Estado da Bahia e maximizar as interligações econômicas de Salvador com o mercado mundial com o incremento das exportações de bens e serviços produzidos na cidade e em outras regiões da Bahia embarcados em Salvador as quais contribuiriam para elevar os níveis de emprego e renda do Município de Salvador e do Estado da Bahia.

O progresso social só acontecerá em Salvador quando a Prefeitura atender na plenitude as necessidades humanas básicas de seus cidadãos, fazendo com que a grande maioria de seus cidadãos melhorem sua qualidade de vida e seu bem-estar e garanta que todos os seus habitantes atinjam seu pleno potencial oferecendo a toda a população as oportunidades necessárias para seu crescimento. Antes de tudo, o governo municipal de Salvador precisa criar as condições para reduzir ou eliminar as desigualdades de renda existentes, o nível de desemprego (267 mil desempregados), o número de pessoas abaixo da linha de pobreza (289 mil pessoas), o número de pessoas morando em favelas (835.008 favelados) e o número de pessoas que vivem nas ruas (3,2 mil moradores de rua) com a adoção das estratégias voltadas para o combate ao desemprego dinamizando a economia da cidade planejando e elaborando projetos de desenvolvimento da economia interna e do intercâmbio econômico com outras cidades da Bahia, do Brasil e com o exterior descritos anteriormente e, complementarmente, promovendo a geração de emprego com programas de “Economia Criativa” e de “Economia Social e Solidária”, bem como a adoção de uma estratégia voltada para a redução da pobreza com a implementação da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre complementarmente ao programa Bolsa Família do governo federal.

Para eliminar ou reduzir os índices de pobreza de Salvador, é preciso que, antes de tudo, seja adotada uma política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre. O governo municipal deveria complementar o Bolsa Família do governo federal dando dinheiro de graça para os pobres para atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população, permite aos beneficiários investirem em si mesmos e aumenta a demanda de bens e serviços na cidade. Para combater o desemprego, a Prefeitura deveria dinamizar a economia da cidade planejando e elaborando projetos de desenvolvimento da economia interna e do intercâmbio econômico com outras cidades da Bahia, do Brasil e com o exterior descritos anteriormente e, complementarmente, promovendo a geração de emprego com programas de “Economia Criativa” e de “Economia Social e Solidária”. Com a “Economia Criativa”, que lida com criatividade, conhecimento e informação, deveriam ser incentivadas atividades que combinam a criação, produção e a comercialização de bens criativos de natureza cultural e de inovação como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura.  Com a “Economia Social e Solidária”, que é um novo modo de produção voltado para a geração de emprego, seriam incentivadas atividades geradoras de trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc.

A Prefeitura de Salvador precisa adotar estratégias visando racionalizar a mobilidade urbana na cidade cujo sistema de transporte é mal avaliado pela população.  Desde 2015 o sistema de transporte coletivo urbano de Salvador é operado por três consórcios, que reúnem 17 empresas de ônibus cujo serviço é dos piores do Brasil caracterizado pela demora, superlotação e precariedade da frota. Crescem as denúncias de superlotação, dos constantes atrasos, da falta de ônibus, falta de limpeza e de estrutura. O metrô é um importante ganho para a população de Salvador e Lauro de Freitas, uma vez que a integração entre os dois municípios conurbados se tornou muito mais rápida, reduzindo também o tempo de viagem gasto em alguns dos principais eixos estruturantes da capital baiana. No entanto, ainda assim apresenta muitas deficiências, principalmente no que diz respeito ao acesso pleno desse serviço pela população pobre da cidade, que geralmente reside nos bairros populares periféricos, os quais se encontram afastados desses eixos de mobilidade urbana via transporte de massa. Aqueles que se encontram mais próximos desses eixos de mobilidade urbana, por sua vez, não possuem fácil acesso. As causas dessas deficiências são inúmeras, mas pode-se considerar como duas das principais a má escolha do traçado do metrô e o seu modo de implantação em elevado em alguns dos trechos, que precarizam a acessibilidade no entorno das estações, uma vez que as vias dos pedestres precisaram ser elevadas por meio de passarelas e ficam desconectadas do restante do sistema viário, dificultando a acessibilidade e provocando um ambiente desconfortável e inseguro. Devido à morfologia da cidade, a formação do sistema viário de Salvador contribuiu enormemente para a pouca articulação entre o metrô que opera nas vias de fundo de vale e as linhas de ônibus que operam nas vias de cumeadas onde se localizam muitos bairros periféricos da cidade, que é por meio dele que se faz a integração das áreas periféricas às áreas centrais, além da integração com outros modais.

Para além da discussão sobre os meios de transporte, o debate sobre a mobilidade urbana  é atravessado pelo debate sobre o direito à cidade, como muitos movimentos sociais vêm reivindicando nos últimos anos. A problemática da mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras se centra, na atualidade, na quantidade de horas despendidas para o deslocamento habitação-trabalho, bem como na garantia de condições necessárias para a utilização dos serviços e os obstáculos enfrentados para essa utilização. Essa problemática é decorrente do contexto histórico de formação das cidades brasileiras, com uma urbanização que reflete espacialmente as articulações hegemônicas dos agentes financeiros, econômicos, políticos e institucionais, gerando um espaço urbano extremamente desigual e segregado. No contexto da mobilidade urbana, essa desigualdade também se expressa através de uma cidade que enfrenta uma precariedade dos transportes, com o sucateamento do sistema de ônibus, e de deslocamentos que penalizam todos os moradores, mas o faz especialmente para aqueles mais pobres e residentes em áreas periféricas. Isso é consequência de uma produção de cidade que centraliza os serviços e as oportunidades de trabalho e dispersa espacialmente os domicílios, obrigando a grande maioria da população a realizar longas viagens em um sistema de transporte coletivo de baixa qualidade e eficiência.

No caso de Salvador, como na maioria das cidades brasileiras, há uma rede de vias sobre o asfalto que, em sua maioria, servem apenas aos automóveis. Se essas vias fossem repartidas racionalmente com outros modais, a cidade ganharia muito. A pior coisa que se pode fazer por uma cidade é deixar os carros circularem livremente, porque eles ocupam espaço cada vez maior como ocorre atualmente em Salvador. Seria importante a Prefeitura não criar em Salvador mais infraestrutura para que mais carros possam se locomover. O plano de mobilidade urbana de Salvador deveria ser centrado no transporte público de massa de alta qualidade com os diversos modais de transporte articulados entre si. Em Salvador, deveria existir sistema de pedágio urbano similar ao de Amsterdã e Londres, por exemplo. Quem quiser circular de carro no centro da cidade teria que pagar uma taxa. Para desencorajar o uso de veículos particulares, a Prefeitura deveria implantar um sistema de transporte público da alta capacidade articulados entre si. Salvador deveria controlar o trânsito nas grandes avenidas arteriais – aquelas que ligam bairros – que deveriam ter sua infraestrutura melhorada para que concentrem todo o fluxo de automóveis. Os estacionamentos do centro da cidade em Salvador deveriam deixar de existir e se concentrariam em zonas periféricas para que o centro antigo e o novo da cidade fiquem livres de congestionamentos. Essa medida seria combinada com a tentativa de desenvolver os confortos urbanos nas áreas periféricas da cidade, com a criação de escolas, centros comerciais e serviços. O plano de mobilidade urbana em Salvador deveria enfatizar a necessidade de que as pessoas possam morar perto do local de trabalho e a expansão do transporte público seja realizado com metrôs, BRT´s e VLT´s, entre outros modais.

Em Salvador, é fundamental pensar a problemática da mobilidade urbana para a produção de uma cidade mais justa, democrática e sustentável, considerando as abrangências macro e micro nas relações centro-periferia e as acessibilidades locais. A precariedade e os altos preços dos transportes coletivos para as populações de baixa renda exige que a Prefeitura subsidie o sistema de transporte público que não é viável sem o aporte público de recursos, ou seja não é financeiramente sustentável somente com a tarifa paga apenas pelos usuários. Nenhum sistema de transporte no mundo opera sem subsídios. Para viabilizar os subsídios, a Prefeitura precisa buscar receitas acessórias para o transporte público como pontos comerciais nas estações e publicidade em ônibus ou trens, cobrar pedágio dos automóveis que se se destinam ao centro da cidade e utilizar os recursos provenientes da receita de estacionamentos. Em casos como a instalação de um metrô e de sistemas BRT e VLT, a Prefeitura deveria realizar uma parceria público privada (PPP) com o setor privado investindo recursos em um primeiro momento (que o público pode não ter disponível) para depois se beneficiar disso no futuro. A Câmara Municipal de Salvador aprovou Projeto de Lei que autoriza a concessão de subsídio orçamentário ao serviço de transporte público da capital baiana válida até 31 de dezembro de 2024 e limita-se ao total de R$ 205 milhões. Desse valor, R$ 190 milhões seria destinado às concessionárias do serviço de transporte público coletivo de passageiros por ônibus convencional e R$ 15 milhões aos permissionários do Subsistema de Transporte Especial Complementar (STEC). Este subsídio precisa ser renovado e ampliado para os anos futuros. Além disso, é preciso racionalizar o sistema de transporte de Salvador planejando a realização de investimentos e adotando políticas que assegurem efetiva articulação entre o metrô que passa nas vias de fundo de vale e as linhas de ônibus que passam nas vias de cumeadas onde se localizam muitos bairros periféricos da cidade.

A Prefeitura precisa eliminar ou reduzir as deficiências na infraestrutura urbana de Salvador. Estas deficiências acontecem nas 286 favelas situadas em áreas de risco, com a ausência de adequado saneamento básico (esgotamento sanitário em Salvador é inexistente para cerca de 600 mil habitantes), com o precário serviço de coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos (o lixo de 93.906 habitantes não é recolhido), com a insuficiência de investimentos em educação, saúde e habitação popular e com a incontrolável poluição das águas, do solo e do ar. A educação pública em Salvador está em processo de sucateamento e o percentual de 25,69% de recursos aplicados na educação é o menor dos últimos anos [11]. Unidades educacionais acumulam problemas com falta de professores e infraestrutura deficiente que trazem prejuízos à aprendizagem de alunos [12]. Em Salvador, é comum ouvir reclamações sobre a péssima qualidade do ensino, a falta de uniformes e a nutrição inadequada nas escolas. Além disso, a sensação de insegurança e a deficiência na infraestrutura em certas regiões da cidade prejudicam o desempenho e a produtividade dos estudantes das escolas públicas locais. Salvador é a capital que menos gasta, proporcionalmente, com a saúde pública de seus habitantes no país [14]. Salvador ainda tem uma cobertura da atenção básica insuficiente tanto em quantidade quanto em resolutividade dos problemas [13]. A população sofre com os vazios assistenciais na atenção básica e a grande concentração geográfica dos serviços especializados. Atualmente a cobertura pelas equipes de saúde da família e unidades básicas chega a apenas 51% da população. A cobertura de saúde bucal na atenção básica é de apenas 20,32%. A saúde pública em Salvador está em colapso porque a Prefeitura de Salvador só possui apenas um hospital localizado no bairro Boca da Mata. Quase todos os leitos hospitalares de Salvador são de responsabilidade da Secretaria de Saúde do Estado e do setor privado. Salvador e região metropolitana têm déficit de mais de 110.615 unidades habitacionais, segundo a Fundação João Pinheiro, considerando o período de 2016 a 2019 [15]. A Bahia ocupa o primeiro lugar em déficit habitacional no Nordeste e o quarto lugar no ranking nacional. Em Salvador, a quantidade de moradias desocupadas supera a demanda por novas unidades habitacionais. Dados do Censo 2022, apontam que a capital baiana tem atualmente 198.924 domicílios vagos. O déficit habitacional é dimensionado considerando as pessoas em situação de rua, aquelas com moradia em condições precárias e também o que se pode chamar de aglomerados familiares, quando vários núcleos dividem uma residência por impossibilidade de se estabelecerem de forma independente. A Prefeitura de Salvador terá que elevar os investimentos em saneamento básico, no serviço de coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos, no controle da poluição das águas, do solo e do ar e nos serviços de educação, saúde pública e habitação popular para suprir as deficiências existentes. No caso da habitação popular, a Prefeitura deve envidar esforços para fazer com que os domicílios vagos existentes sejam utilizados para suprir a carência de unidades habitacionais.

A Prefeitura de Salvador precisa interferir na formulação do projeto da ponte Salvador – Itaparica em estudos pelo governo do estado para evitar que seu impacto sobre a cidade lhe seja extremamente lesiva. Do ponto de vista urbanístico, a ponte Salvador- Itaparica tende a agravar os problemas de trânsito hoje enfrentados por Salvador, uma vez que a junção da ponte com a cidade possivelmente se constituirá em novo gargalo porque privilegia o modal rodoviário. A ponte atrairá uma demanda espalhada de veículos automotores por toda a RMS e não apenas na capital. Nesse cenário, a qualidade de vida dos habitantes de Salvador seria negativamente afetada. Estão previstas duas pistas para transporte coletivo, que poderá ser Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou Bus Rapid Transit (BRT). Essa modalidade, porém, só seria implantada após a ponte ser concluída, em outro projeto de investimento que, pelo que vem sendo divulgado, não é prioridade. Esta é opinião dos professores Francisco Lima Cruz Teixeira e Sílvio Vanderlei Araújo Sousa [5].  Paulo Ormindo de Azevedo [6] afirma que estudo realizado sobre o traçado da ponte pela Academia de Engenharia da Bahia apontou erros graves, como a incapacidade da Via Expressa em absorver o fluxo da ponte e seu impacto no centro da cidade de Salvador. Para resolver este problema, a Academia de Engenharia da Bahia sugere três alternativas ligando a ponte diretamente à BR 324 e à Via Metropolitana, sem impacto sobre a cidade e a paisagem urbana.

A Prefeitura de Salvador precisa preparar a cidade para enfrentar eventos climáticos extremos como o de chuvas inclementes e inundações resultantes da elevação do nível do mar em consequência da mudança climática global. A ocorrência de chuvas inclementes requer a adoção de medidas voltadas para a proteção de encostas da cidade e o desenvolvimento de sistemas de drenagem capazes de evitar inundações provocas pelas chuvas. Para fazer frente a eventos climáticos extremos em Salvador, é preciso que seja realizado o controle de inundações que diz respeito a todos os métodos usados para reduzir ou impedir os efeitos prejudiciais da ação das águas. Algumas das técnicas comuns usadas para controle de enchentes é a instalação de bermas de rocha para ajudar na estabilidade dos taludes visando segurar blocos, rip-raps de rochas ou enrocamento de pedras, sacos de areia, manutenção de encostas normais com vegetação ou aplicação de cimentos em solo com declives mais íngremes e construção ou expansão de drenagem. Outros métodos incluem diques, represas, bacias de retenção ou detenção [7]. O impacto das inundações sobre Salvador a partir de 2030 resultantes da elevação do nível do mar em consequência do aquecimento global e da mudança climática foi constatado por estudo realizado pela Climate Central, que mostra as regiões que podem estar abaixo do nível do mar em poucos anos [8]. Áreas de Salvador e da região metropolitana, como as regiões das praias de Boa Viagem (Salvador), Buraquinho (Lauro de Freitas) e Busca Vida (Camaçari) ficarão inundadas, além da Ilha da Maré que aparece completamente submersa. Diante dessas ameaças, o que fazer para fazer frente à elevação do nível do mar? O First Street Foundation oferece as respostas [9] como a construção de paredões, o uso de praias e dunas como barreiras, a elevação do nível das estradas acima do nível do mar, o uso do bombeamento de águas pluviais, a criação de estruturas naturais como ilhas-barreira, e a realocação gerenciada de populações.

A Prefeitura precisa transformar Salvador em cidade inteligente e sustentável. Salvador só alcançará a condição de cidade inteligente [10] quando seus gestores a considerarem como um sistema e fizerem o uso da tecnologia da informação em seu processo de planejamento e controle contando com o efetivo apoio de sua população. Toda cidade inteligente requer o uso da tecnologia da informação com o uso de vários dispositivos conectados à rede IoT (Internet das coisas) para gerir as operações e serviços da cidade de forma racional e conectar-se com seus cidadãos. A Internet das Coisas (IoT, em inglês) se refere a uma revolução tecnológica que tem como objetivo conectar os itens usados do dia a dia à rede mundial de computadores e é uma das principais tendências globais seu uso na administração de uma cidade porque é aplicável em soluções que vão desde o monitoramento da iluminação pública, ao de pedestres, ciclistas, de veículos automotores, do transporte público, dos serviços de educação e saúde, entre outros. A IoT vai levar a uma redução dos desperdícios de recursos públicos nas cidades. Salvador só alcançará a condição de cidade sustentável se adotar uma política de desenvolvimento econômico e social compatível com o ambiente natural e construído. Salvador só alcançará a condição de cidade sustentável [10] se a cidade tiver como orientação o planejamento e o controle do uso so solo a fim de evitar a degradação dos recursos naturais. Salvador será sustentável quando tiver políticas claras e abrangentes para saneamento, coleta e tratamento de lixo, gestão da água, com coleta, tratamento, economia e reuso, sistemas de transporte que privilegiem o transporte de massas com qualidade e segurança, ações que preservem e ampliem áreas verdes e uso de energias limpas e renováveis e, sobretudo, administração pública transparente e compartilhada com a sociedade civil organizada.

Lamentavelmente, nenhum dos candidatos a prefeito de Salvador incorporou nos seus planos de governo todo o conjunto de estratégias expostas linhas acima para superar os gigantescos problemas atuais e neutralizar as ameaças a seu futuro desenvolvimento em benefício de toda a população da cidade. O futuro prefeito que Salvador deveria adotar as estratégias acima descritas sem as quais comprometerá o futuro da cidade e de sua população.

REFERÊNCIAS

1.     G1.GLOBO.COM. PIB de Salvador cai de 12º para 14º maior do Brasil; PIB per capita segue o menor entre as capitais do país. Disponível no website <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/12/16/pib-de-salvador-cai-de-12o-para-14o-maior-do-brasil-pib-per-capita-segue-o-menor-entre-as-capitais-do-pais.ghtml>.

2.     NEVES, Rafael e MADEIRO, Carlos. Salvador é a capital com piores taxas de pobreza, violência e desemprego. Disponível no website <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/03/26/mapa-da-desigualdade-indicadores-renda-violencia-desemprego-salvador.htm>.

3.     SOUZA, João. Na Bahia, trabalhadores têm o 3º salário mais baixo do país; veja perfil. Disponível no website <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2023/05/01/na-bahia-trabalhadores-tem-o-3o-salario-mais-baixo-do-pais-veja-perfil.ghtml>.

4.    PORTALUMBU.COM.BR. Perfil econômico de Salvador revela 37,5% trabalhando na informalidade e força do turismo para a geração de receita. Disponível no website <https://portalumbu.com.br/perfil-economico-de-salvador-revela-375-trabalhando-na-informalidade-e-forca-do-turismo-para-a-geracao-de-receita/>.

5.     TEIXEIRA, Francisco Lima Cruz e SOUSA, Sílvio Vanderlei Araújo. Infraestrutura e desenvolvimento: o que se pode esperar da Ponte Salvador-Itaparica? Disponível no website <http://observatorio.ufba.br/arquivos/ponteSVO.pdf>.

6.     AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Já que é inevitável, que não seja violento! Publicado no jornal A Tarde em 16/04/2023.

7.     ALCOFORADO, Fernando. Sustainability in flood management. Capítulo do livro Flood Handbook. Publicado  no CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022.

8.     MARTINS, Bruna. Mapa mostra áreas de Salvador submersas em 2030. Disponível no website <https://casavogue.globo.com/um-so-planeta/noticia/2021/08/mapa-que-mostra-areas-de-salvador-submersas-em-2030-viraliza-nas-redes-sociais.html>, 2021.

9.     FIRST STREET FOUNDATION. Solving for Sea Level Rise. Disponível no website <https://medium.com/firststreet/solving-for-sea-level-rise-b95600751525>.

10.  ALCOFORADO, Fernando. Como construir cidades inteligentes e sustentáveis. Disponível no website <https://www.linkedin.com/pulse/como-construir-cidades-inteligentes-e-sustent%C3%A1veis-alcoforado/>.

11.  RODRIGUES, Marta. A educação pública em Salvador está em processo de sucateamento. Disponível no website <https://www.brasildefatoba.com.br/2022/03/10/a-educacao-publica-em-salvador-esta-em-processo-de-sucateamento>.

12.  FAROL DA BAHIA. Falta tudo: escolas de educação em tempo integral de Salvador são alvos de reclamações de pais e responsáveis. Disponível no website <https://www.faroldabahia.com.br/noticia/falta-tudo-escolas-de-educacao-em-tempo-integral-de-salvador-sao-alvos-de-reclamacoes-de-pais-e-responsaveis#google_vignette>.

13.  Souza, gisélia Santana. Saúde e qualidade de vida. Disponível no website <https://grabois.org.br/2020/07/16/saude-e-qualidade-de-vida-em-salvador/>.

14.  CREMEB. Salvador é a capital brasileira que menos investe em saúde, revela estudo. Disponível no website <https://www.cremeb.org.br/index.php/noticias/salvador-e-a-capital-brasileira-que-menos-investe-em-saude-revela-estudo/>.

15.  A TARDE. Salvador tem déficit de mais de 110 mil moradias. Disponível no website <https://atarde.com.br/bahia/bahiasalvador/salvador-tem-deficit-de-mais-de-110-mil-moradias-1236335>.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

COMMENT ÉVITER LES CONSÉQUENCES NÉGATIVES ET LES RISQUES LIÉS À L’UTILISATION DE L’INTELLIGENCE ARTIFICIELLE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les conséquences négatives et les risques liés au recours à l’intelligence artificielle ainsi que les mesures qui permettraient de les éviter.

1. Introduction

Les conséquences négatives et les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle et les mesures qui permettraient d’éviter qu’elle ne nuise à l’humanité peuvent être constatés en lisant les articles que nous avons rédigés et décrits ci-dessous :

La superintelligence artificielle, ses bénéfices et nuires et que faire pour éviter ses impacts nuisibles sur la société, publié sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/la-superintelligence-artificielle-ses-b%C3%A9n%C3%A9fices-et-que-alcoforado-bshhf/>.

Les avantages et les risques de la singularité technologique basée sur la superintelligence artificielle, publiés sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/les-avantages-et-risques-de-la-singularit%C3%A9-bas%C3%A9e-sur-alcoforado/>.

Rumo à indústria do futuro, publié sur le site <https://www.academia.edu/34710914/RUMO_%C3%80_IND%C3%9ASTRIA_DO_FUTURO>.

L’éducation avec intelligence artificielle et les déficiences de son application au Brésil, publiée sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/l%C3%A9ducation-avec-intelligence-artificielle-et-les-de-son-alcoforado-8cjif/>.

L’intelligence artificielle dans la conquête humaine de l’espace, ses autres applications et ses risques, publié sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/lintelligence-artificielle-dans-la-conqu%C3%AAte-humaine-de-alcoforado/>.

Inteligência artificial – usos nos sistemas produtivos e impactos sobre o mundo do trabalho, publié sur le site <https://www.socialismocriativo.com.br/inteligencia-artificial-usos-nos-sistemas-produtivos-e-impactos-sobre-o-mundo-do-trabalho/>.

Le travail à l’ère de l’intelligence artificielle, publié sur le site <https://wordpress.com/post/blogdefalcoforado.com/1075>.

L’avent de la super intelligence artificielle et ses impacts, publié sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/lavent-de-la-super-intelligence-artificielle-et-ses-alcoforado/>.

Le progrès de l’intelligence artificielle et ses conséquences, publiés sur le site <https://www.linkedin.com/pulse/le-progr%C3%A8s-de-lintelligence-artificielle-et-ses-fernando-alcoforado/>.

Les solutions contre le chômage résultant de l’avancement technologique, publiées sur le site <https://www.academia.edu/36839753/LES_SOLUTIONS_CONTRE_LE_CH%C3%94MAGE_R%C3%89SULTANT_DE_LAVANCEMENT_TECHNOLOGIQUE>.

Comment attenuer le chomage et la pauvrete dans le capitalisme, publié sur le site <https://pt.slideshare.net/slideshow/comment-attenuer-le-chomage-et-la-pauvrete-dans-le-capitalisme/178633403>.

L’analyse de ces articles montre que l’intelligence artificielle apporte de nombreux avantages, mais que son utilisation comporte des risques et des inconvénients, qui seront présentés dans le chapitre 2 ci-dessous. Le chapitre 3 présente comment éliminer les méfaits et les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle.

2. Risques et préjudices liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle

Sur la base de la lecture des articles rédigés par nos soins mentionnés ci-dessus, les conclusions suivantes sont tirées :

• Les cerveaux artificiels dépasseront probablement l’intelligence du cerveau humain d’ici 2050 avec l’avènement de la superintelligence artificielle. La superintelligence artificielle pourrait devenir très puissante. Le sort de l’humanité dépendrait donc des actions de ces machines super intelligentes. Les humains perdront leur monopole de prise de décision grâce à la superintelligence artificielle.

• Les progrès technologiques en cours basés sur l’intelligence artificielle auront un impact négatif sur le monde du travail car ils pourraient conduire à la fin de l’emploi et, par conséquent, à une baisse de la demande de biens et de services. L’impact de l’intelligence artificielle sur la société serait dévastateur, avec un chômage de masse résultant de son utilisation à grande échelle.

• Le Boston Consulting Group prévoit que d’ici 2025, jusqu’à un quart des emplois seront remplacés par des logiciels ou des robots, tandis qu’une étude de l’Université d’Oxford, au Royaume-Uni, souligne que 35% des emplois actuels dans le secteur pays risquent d’être automatisés au cours des deux prochaines décennies.

• Il est peu probable que les investissements dans l’éducation et la formation résolvent à eux seuls le problème du chômage.

• Il existe des risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle dans l’éducation, représentés par : 1) l’utilisation non critique et inconsciente des technologies ; 2) en facilitant le plagiat ; 3) en raison de la possibilité de désinformation et de diffusion de fausses nouvelles ; 4) l’aggravation des inégalités éducatives ; 5) une dépendance excessive à l’égard de la technologie, les étudiants étant trop habitués aux outils d’intelligence artificielle et s’appuyant exclusivement sur eux ; 6) un apprentissage mécanique marqué par des répétitions et des reproductions de textes, sans réflexion approfondie sur le sujet ; 7) discrimination contre les contenus générés par l’intelligence artificielle qui reproduisent souvent des préjugés discriminatoires et, 8) violation de la vie privée.

• Avec la Superintelligence Artificielle, un large éventail de conséquences pourraient survenir, y compris des conséquences extrêmement bonnes et des conséquences aussi mauvaises que l’extinction de l’espèce humaine si elle se retourne contre les humains.

• Plusieurs personnalités multiplient les alertes sur le risque existentiel que feraient peser sur l’humanité des machines « super intelligentes » et potentiellement incontrôlables.

• La Super Intelligence Artificielle pourrait représenter l’extinction de la race humaine, selon le scientifique Stephen Hawking, qui a déclaré que les technologies se développent à un rythme si vertigineux qu’elles deviendront incontrôlables au point de mettre l’humanité en danger.

• La superintelligence artificielle représente un risque qui menace l’extinction prématurée de la vie intelligente sur Terre, ou la destruction permanente et drastique de son potentiel de développement futur souhaitable.

• Il existe des scénarios extrêmement négatifs, comme des machines superintelligentes elles-mêmes décidant de détruire des êtres humains, mettant ainsi fin à notre civilisation et à nos infrastructures.

• On craint que l’intelligence artificielle soit associée à la perspective non moins terrifiante des robots tueurs.

• Même si la superintelligence artificielle produit des bénéfices pour l’humanité, il existe un risque qu’elle soit utilisée davantage pour le mal et non pour le bien de l’humanité, avec une tendance à son plus grande application à des fins militaires, c’est-à-dire pour la cyberguerre dans la course aux armements en le monde,

• Le risque est très élevé que, dans les conditions actuelles, non seulement des machines superintelligentes menacent l’humanité, mais aussi que des dirigeants mal intentionnés puissent utiliser la superintelligence artificielle pour servir leurs mauvais intérêts.

• Longtemps reléguée aux registres de la science-fiction, la peur de l’intelligence artificielle est ancrée depuis quelques années dans le débat public, associée à la fois à l’automatisation massive du secteur productif et au chômage de masse et à la perspective de contribuer à la production d’armes de plus en plus meurtrières et production non moins terrifiante de robots tueurs.

L’analyse de ces articles montre que l’intelligence artificielle apporte de nombreux avantages, mais que son utilisation comporte des risques et des inconvénients, qui seront présentés dans le chapitre 2 ci-dessous. Le chapitre 3 présente comment éliminer les méfaits et les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle.

3. Risques et préjudices liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle

Sur la base de la lecture des articles rédigés par nos soins mentionnés ci-dessus, les conclusions suivantes sont tirées :

• Les cerveaux artificiels dépasseront probablement l’intelligence du cerveau humain d’ici 2050 avec l’avènement de la superintelligence artificielle. La superintelligence artificielle pourrait devenir très puissante. Le sort de l’humanité dépendrait donc des actions de ces machines super intelligentes. Les humains perdront leur monopole de prise de décision grâce à la superintelligence artificielle.

• Les progrès technologiques en cours basés sur l’intelligence artificielle auront un impact négatif sur le monde du travail car ils pourraient conduire à la fin de l’emploi et, par conséquent, à une baisse de la demande de biens et de services. L’impact de l’intelligence artificielle sur la société serait dévastateur, avec un chômage de masse résultant de son utilisation à grande échelle.

• Le Boston Consulting Group prévoit que d’ici 2025, jusqu’à un quart des emplois seront remplacés par des logiciels ou des robots, tandis qu’une étude de l’Université d’Oxford, au Royaume-Uni, souligne que 35% des emplois actuels dans le secteur pays risquent d’être automatisés au cours des deux prochaines décennies.

• Il est peu probable que les investissements dans l’éducation et la formation résolvent à eux seuls le problème du chômage.

• Il existe des risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle dans l’éducation, représentés par : 1) l’utilisation non critique et inconsciente des technologies ; 2) en facilitant le plagiat ; 3) en raison de la possibilité de désinformation et de diffusion de fausses nouvelles ; 4) l’aggravation des inégalités éducatives ; 5) une dépendance excessive à l’égard de la technologie, les étudiants étant trop habitués aux outils d’intelligence artificielle et s’appuyant exclusivement sur eux ; 6) un apprentissage mécanique marqué par des répétitions et des reproductions de textes, sans réflexion approfondie sur le sujet ; 7) discrimination contre les contenus générés par l’intelligence artificielle qui reproduisent souvent des préjugés discriminatoires et, 8) violation de la vie privée.

• Avec la Superintelligence Artificielle, un large éventail de conséquences pourraient survenir, y compris des conséquences extrêmement bonnes et des conséquences aussi mauvaises que l’extinction de l’espèce humaine si elle se retourne contre les humains.

• Plusieurs personnalités multiplient les alertes sur le risque existentiel que feraient peser sur l’humanité des machines « super intelligentes » et potentiellement incontrôlables.

• La Super Intelligence Artificielle pourrait représenter l’extinction de la race humaine, selon le scientifique Stephen Hawking, qui a déclaré que les technologies se développent à un rythme si vertigineux qu’elles deviendront incontrôlables au point de mettre l’humanité en danger.

• La superintelligence artificielle représente un risque qui menace l’extinction prématurée de la vie intelligente sur Terre, ou la destruction permanente et drastique de son potentiel de développement futur souhaitable.

• Il existe des scénarios extrêmement négatifs, comme des machines superintelligentes elles-mêmes décidant de détruire des êtres humains, mettant ainsi fin à notre civilisation et à nos infrastructures.

• On craint que l’intelligence artificielle soit associée à la perspective non moins terrifiante des robots tueurs.

• Même si la superintelligence artificielle produit des bénéfices pour l’humanité, il existe un risque qu’elle soit utilisée davantage pour le mal et non pour le bien de l’humanité, avec une tendance à son plus grande application à des fins militaires, c’est-à-dire pour la cyberguerre dans la course aux armements en le monde.

• Le risque est très élevé que, dans les conditions actuelles, non seulement des machines superintelligentes menacent l’humanité, mais aussi que des dirigeants mal intentionnés puissent utiliser la superintelligence artificielle pour servir leurs mauvais intérêts.

• Longtemps reléguée aux registres de la science-fiction, la peur de l’intelligence artificielle est ancrée depuis quelques années dans le débat public, associée à la fois à l’automatisation massive du secteur productif et au chômage de masse et à la perspective de contribuer à la production d’armes de plus en plus meurtrières et production non moins terrifiante de robots tueurs.

• Une superintelligence artificielle pourrait intentionnellement anéantir l’humanité en détruisant l’atmosphère ou la biosphère de notre planète grâce à la nanotechnologie auto-réplicative, ou elle pourrait tirer toutes nos armes nucléaires, déclencher une apocalypse robotique de type Terminator, ou libérer certains pouvoirs de la physique que même nous ne connaissons pas.

• Il existe un risque que la superintelligence artificielle soit utilisée par les grandes puissances pour développer des armes plus puissantes que celles actuelles afin de défendre leurs intérêts et d’imposer leur volonté sur la scène mondiale.

• Si les grandes puissances se lancent dans une course aux armements utilisant la super intelligence artificielle contre des nations rivales, une super intelligence artificielle militarisée pourrait devenir incontrôlable, que ce soit en temps de paix ou en temps de guerre.

Tout cela impose la nécessité de développer des mécanismes de contrôle pour la superintelligence artificielle et les systèmes intelligents en général décrits au chapitre 3.

3. Comment éliminer les méfaits et les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle

À la lumière de notre lecture des articles cités en Introduction, il apparaît clairement que, pour éliminer les méfaits et les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle, il est important que les mesures décrites ci-dessous soient adoptées :

• L’avenir du travail dans un monde doté d’Intelligence Artificielle nécessite l’adoption de nouvelles mesures visant à qualifier la main-d’œuvre qui doit savoir utiliser cette technologie comme un outil, en complément de ses compétences, certaines fonctions étant attribuées à des machines et des systèmes intelligents. et de nouvelles fonctions pour les êtres humains.

• Il appartient aux planificateurs du système éducatif d’identifier le rôle de l’être humain dans le monde du travail de demain pour opérer une vaste révolution dans l’éducation à tous les niveaux, y compris la qualification des enseignants et la structuration des unités d’enseignement pour préparer leurs étudiants pour un monde du travail dans lequel les individus devront composer avec des machines intelligentes.

• Pour mettre en œuvre une nouvelle éducation, il est essentiel de commencer à identifier les compétences nécessaires pour travailler au 21e siècle et d’adapter le système éducatif obsolète pour former des citoyens plus qualifiés pour l’ère de l’intelligence artificielle.

• L’étudiant doit développer un sens critique pour évaluer les informations reçues et utiliser tous les outils disponibles de manière consciente, créative, éthique et intelligente.

• L’enseignant doit sensibiliser les élèves au plagiat, les guider sur la bonne façon de citer les auteurs et d’utiliser les outils de détection du plagiat.

• Les étudiants doivent développer leur sens critique pour évaluer les contenus générés par l’Intelligence Artificielle.

• Les établissements d’enseignement doivent guider les étudiants et les professionnels sur les bonnes pratiques de sécurité sur Internet et sélectionner des technologies éducatives respectueuses de la Loi Générale sur la Protection des Données Personnelles (LGPD).

• Les établissements d’enseignement à tous les niveaux, leurs administrateurs et leurs enseignants doivent persévérer pour faire prévaloir les avantages et éviter les risques liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle dans l’éducation.

• La tendance future est à l’aggravation du chômage et de l’extrême pauvreté. Dans cette perspective, la solution consisterait dans l’adoption par les États nationaux de politiques publiques visant le développement de l’économie créative, de l’économie sociale et solidaire pour réduire le chômage et la mise en œuvre d’un revenu de base ou d’un revenu minimum universel pour réduire la pauvreté.

• La solution la plus efficace pour réduire la pauvreté est l’adoption d’une politique de garantie de revenus pour les travailleurs. Outre la nécessité de fournir un revenu de base net aux chômeurs, il existe un argument puissant en faveur de l’adoption d’une politique de garantie du revenu, car le progrès technologique, en plus de favoriser un chômage de masse, contribue à des inégalités sociales vertigineuses.

• Il appartiendrait aux gouvernements des pays du monde entier de prélever des impôts sur les entreprises de haute technologie pour assurer l’adoption de la politique de garantie de revenus pour la population sans emploi.

• La politique de revenu de base ou revenu minimum universel pour la population est l’une des solutions pour réduire la pauvreté. Un gouvernement donnant de l’argent gratuit à tous, c’est-à-dire un programme de revenu minimum universel, permettrait d’atténuer ou d’éliminer la pauvreté. Parmi les raisons pour lesquelles cette idée est devenue réalité, il y a le fait que la distribution d’argent réduit la criminalité, améliore la santé de la population et permet à chacun d’investir dans lui-même.

• La politique de revenu minimum sera comme un « capital-risque » (investissement pour les startups) pour le peuple, donnant à chacun la possibilité de prendre des risques. Cela générera une vague d’entrepreneuriat. L’argent doit être distribué à tout le monde et pas seulement aux pauvres. Le programme de revenu de base devrait être universel en s’étendant aux riches et à la classe moyenne, afin qu’il devienne un droit pour tous les citoyens, et non une faveur.

• Le programme de transfert de revenus par lequel l’État fournirait des revenus aux personnes pauvres doit être complété par l’adoption de l’économie créative et de l’économie sociale et solidaire comme solution pour lutter contre le chômage de masse résultant des progrès technologiques.

• La création d’emplois dans le cadre de « l’économie créative » se fait grâce à des activités à potentiel socio-économique qui traitent de la créativité, de la connaissance et de l’information et seraient moins affectées par les progrès de l’intelligence artificielle. Les entreprises de ce segment combinent la création, la production et la commercialisation de biens créatifs à caractère culturel et innovant tels que la mode, l’art, les médias numériques, la publicité, le journalisme, la photographie et l’architecture. En commun, les entreprises de la région dépendent du talent et de la créativité pour exister efficacement.

• La génération d’emplois avec l’Economie Sociale et Solidaire se réalise avec des activités basées sur une nouvelle forme d’organisation du travail dans laquelle la maximisation du profit n’est plus l’objectif principal, laissant la place à la maximisation de la quantité et de la qualité du travail. Sur la base de l’économie sociale et solidaire, il existe la possibilité de redresser les entreprises en faillite et de les faire perdurer avec un nouveau mode de production. L’Economie Sociale et Solidaire est un nouveau modèle de développement économique, social, politique et environnemental qui a une manière différente de générer du travail et des revenus, dans différents secteurs, que ce soit dans les banques communautaires, les coopératives de crédit, les coopératives agricoles familiales, la question du commerce équitable, clubs d’échange, etc.

• La super intelligence artificielle doit être développée pour le bien commun de l’humanité.

• Le principe du bien commun dans tous les projets d’intelligence artificielle dans le monde ne pourra être mis en pratique qu’avec l’existence de gouvernements démocratiques dans chaque pays et d’un gouvernement démocratique mondial sans lequel l’humanité sera à la merci, non seulement de la part de machines super intelligentes qui décident de détruire des êtres humains, mais aussi de dirigeants mal intentionnés.

• Il est nécessaire que le principe du bien commun dans tous les projets d’intelligence artificielle à long terme soit mis en avant afin d’éviter le risque qu’elle soit utilisée pour le mal et non pour le bien de l’humanité et qu’il y ait des gouvernements démocratiques dans chaque pays dans le monde et un gouvernement mondial qui veille à ce que ces objectifs soient atteints.

• Il doit y avoir une forte collaboration de recherche entre la communauté de la sécurité et la communauté de développement de la superintelligence artificielle et pour que toutes les parties impliquées intègrent le principe du bien commun dans tous les projets d’intelligence artificielle à long terme.

• La superintelligence artificielle nécessite de développer de meilleurs mécanismes de contrôle avant de créer des systèmes intelligents en attirant dans ce domaine les plus grands experts en mathématiques et en informatique.

• Récemment, l’Union européenne a fait un grand pas en établissant des règles – les premières au monde – sur la manière dont les entreprises peuvent utiliser l’intelligence artificielle. C’est un mouvement qui ouvre la voie à des normes mondiales pour une technologie utilisée dans tout. Que des réglementations similaires soient adoptées partout dans le monde.

• Vous pouvez adopter les dix étapes pour contenir les risques de superintelligence artificielle décrites ci-dessous :

  1. Sécurité technique – Adoption de mesures techniques concrètes pour atténuer d’éventuels dommages et maintenir le contrôle.
  2. Audits – C’est un moyen de garantir la transparence et la responsabilité de la technologie.
  3. Goulots d’étranglement – Création de leviers pour ralentir le développement et donner du temps aux régulateurs (gouvernements) pour agir et développer des technologies défensives.
  4. Créateurs – Obtenir l’assurance que les développeurs de technologies insèrent des contrôles appropriés dès le début.
  5. Entreprises – Aligner les incitations des organisations derrière la technologie avec son confinement.
  6. Gouvernement – ​​Action efficace pour réglementer la technologie et mettre en œuvre des mesures d’atténuation.
  7. Alliances- Création d’un système de coopération internationale pour harmoniser les lois et les programmes.
  8. Culture- Partager les apprentissages et les échecs afin de diffuser rapidement des moyens d’y faire face.
  9. Mouvements – Demande publique que chaque composante soit tenue responsable.
  10. Cohérence – Action harmonieuse de toutes les parties prenantes afin que contenir les risques de la superintelligence artificielle constitue un cercle vertueux de mesures se renforçant mutuellement.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) et How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

HOW TO AVOID NEGATIVE CONSEQUENCES AND RISKS IN USING ARTIFICIAL INTELLIGENCE

Fernando Alcoforado*

The aim of this article is to present the negative consequences and risks in using artificial intelligence and the measures that would allow us to avoid its harmful effects on humanity.

1. Introduction

The negative consequences and risks of using artificial intelligence and the measures that would allow us to avoid its harmful effects on humanity can be seen by reading the articles we have written, described below:

Artificial superintelligence, its benefits and evils and what to do to avoid its harmful impacts on society, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/artificial-superintelligence-its-benefits-evils-what-do-alcoforado-nrzdf/>.

The benefits and risks of technological singularity based on artificial superintelligence, published on the website <https://www.academia.edu/44652377/THE_BENEFITS_AND_RISKS_OF_TECHNOLOGICAL_SINGULARITY_BASED_ON_ARTIFICIAL_SUPERINTELLIGENCE>.

Rumo à indústria do futuro, published on the website <https://www.academia.edu/34710914/RUMO_%C3%80_IND%C3%9ASTRIA_DO_FUTURO>.

The education with artificial intelligence and the deficiencies of its application in Brazil, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/education-artificial-intelligence-deficiencies-its-alcoforado-imqpf/>

Artificial intelligence in the human conquest of space, its other applications and its risks, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/artificial-intelligence-human-conquest-space-its-other-alcoforado/>.

Artificial intelligence – uses in productive systems and impacts on the world of work, published on the website <https://www.academia.edu/39751215/ARTIFICIAL_INTELLIGENCE_USES_IN_PRODUCTIVE_SYSTEMS_AND_IMPACTS_ON_THE_WORLD_OF_WORK>.

O trabalho na era da inteligência artificial, publicado no website <https://www.portalsaudenoar.com.br/o-trabalho-na-era-da-inteligencia-artificial/>.

The advent of artificial superintelligence and its impacts, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/advent-artificial-super-intelligence-its-impacts-fernando-alcoforado/>.

The progress of artificial intelligence and its consequences, published on the website <https://www.academia.edu/35923303/THE_PROGRESS_OF_ARTIFICIAL_INTELLIGENCE_AND_ITS_CONSEQUENCES>.

The solutions against unemployment resulting from technological advancement, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/solutions-against-unemployment-resulting-from-fernando-alcoforado/>.

How to mitigate unemployment and poverty in capitalism, published on the website <https://www.linkedin.com/pulse/how-mitigate-unemployment-poverty-capitalism-fernando-alcoforado/>.

The analysis of these articles shows that artificial intelligence provides numerous benefits, but there are risks and disadvantages in its use, which will be presented in Chapter 2 below. Chapter 3 presents how to eliminate the harm and risks of using artificial intelligence.

2. Risks and harms of using artificial intelligence

Based on the reading of the articles we have written above, the following can be concluded:

• It is likely that artificial brains will surpass the intelligence of human brains by 2050 with the advent of Artificial Superintelligence. Artificial Superintelligence could become very powerful. The fate of humanity would therefore become dependent on the actions of these superintelligent machines. Human beings will lose their monopoly on decision-making with Artificial Superintelligence.

• The ongoing technological advances based on artificial intelligence will have a negative impact on the world of work because they could lead to the end of employment and a consequent drop in the demand for goods and services. The impact of artificial intelligence on society would be devastating, with mass unemployment resulting from its large-scale use.

• The Boston Consulting Group has predicted that by 2025, up to a quarter of jobs will be replaced by software or robots, while a study by the University of Oxford in the United Kingdom indicates that 35% of current jobs in the country are at risk of being automated in the next two decades.

• It is unlikely that investment in education and training alone will solve the unemployment problem.

• There are risks in the use of Artificial Intelligence in education represented by: 1) the uncritical and unconscious use of technologies; 2) the facilitation of plagiarism; 3) the possibility of misinformation and the spread of fake news; 4) the deepening of educational inequality; 5) the excessive dependence on technology, with students becoming too accustomed to Artificial Intelligence tools and relying exclusively on them; 6) mechanical learning marked by repetition and reproduction of texts, without in-depth reflection on the subject; 7) discrimination with content generated by Artificial Intelligence that often reproduces discriminatory prejudices; and 8) violation of privacy.

• With Artificial Superintelligence, a wide range of consequences could occur, including extremely good consequences and consequences as bad as the extinction of the human species if it turns against human beings.

• Several personalities multiply the warnings about the existential risk that “superintelligent” and potentially uncontrollable machines would bring to humanity.

• Artificial Superintelligence could represent the extinction of the human race, according to scientist Stephen Hawking, who stated that technologies develop at such a dizzying pace that they will become uncontrollable to the point of putting humanity in danger.

• Artificial Superintelligence represents a risk that threatens the premature extinction of intelligent life on Earth, or the permanent and drastic destruction of its potential for desirable future development.

• There are extremely negative scenarios, such as superintelligent machines themselves deciding to destroy human beings, for example, by ending our civilization and infrastructure.

• There is fear that artificial intelligence is associated with the no less terrifying prospect of killer robots.

• Even if Artificial Superintelligence produces benefits for humanity, there is a risk that it will be used more for evil than for the good of humanity, with the tendency for its greater application for military purposes, that is, for cyber warfare in the global arms race.

• There is a very high risk that, under current conditions, not only superintelligent machines could threaten humanity, but also that ill-intentioned governments could use artificial superintelligence to serve their evil interests.

• Long relegated to the realms of science fiction, fear of artificial intelligence has been rooted in public debate for some years, associated both with the massive automation of the productive sector and mass unemployment, as well as with the prospect of contributing to the production of increasingly deadly weapons and the no less terrifying production of killer robots.

• An Artificial Superintelligence could intentionally wipe out humanity by destroying our planet’s atmosphere or biosphere with self-replicating nanotechnology, or it could fire all of our nuclear weapons, trigger a Terminator-like robot apocalypse, or unleash some unknown physical powers.

• There is a risk that Artificial Intelligence could be used by major powers to develop more powerful weapons than currently available to defend their interests and impose their will on the world stage.

• If major powers embark on an arms race using Artificial Superintelligence against rival nations, a weaponized Artificial Superintelligence could spiral out of control, whether in peacetime or during war.

All of this requires the development of control mechanisms for Artificial Superintelligence and intelligent systems in general, as described in Chapter 3.

3. How to eliminate the harm and risks of using artificial intelligence

Based on the reading of the articles we have written cited in the Introduction, it is clear that, in order to eliminate the harm and risks of using artificial intelligence, it is important to adopt the following measures:

• The future of work in a world with Artificial Intelligence requires the adoption of new measures aimed at qualifying the workforce, which must know how to use this technology as a tool, as a complement to its skills, with some functions being assigned to intelligent machines and systems and new functions for human beings.

• It is up to education system planners to identify the role of human beings in the world of work in the future in order to carry out a broad revolution in education at all levels, including the qualification of teachers and the structuring of teaching units to prepare their students for a world of work in which people will have to deal with intelligent machines.

• To implement a new education, it is essential to begin by identifying the skills needed for 21st century work and adapting the obsolete educational system to train citizens who are better equipped for the age of artificial intelligence.

• Students need to develop a critical sense to evaluate the information they receive and use all available tools in a conscious, creative, ethical and intelligent way.

• Teachers need to make students aware of plagiarism, guide them on the correct way to cite authors and use plagiarism detection tools.

• Students need to develop a critical sense to evaluate content generated by Artificial Intelligence.

• Educational institutions must guide students and professionals on good Internet security practices and select educational technologies that comply with the General Data Protection Law (LGPD).

• Educational institutions at all levels, their administrators and teachers must persevere in ensuring that the benefits prevail and avoiding the risks of using Artificial Intelligence in education.

• The future trend is for unemployment and extreme poverty to worsen. Given this perspective, the solution would consist of national states adopting public policies aimed at developing the creative economy, the social and solidarity economy to alleviate unemployment, and the implementation of a basic income or universal minimum income to alleviate poverty.

• The most effective solution to alleviate poverty is to adopt a policy of income guarantee for workers. In addition to the need to provide a net basic income for unemployed workers, there is a powerful argument for adopting an income guarantee policy because technological advances, in addition to promoting mass unemployment, contribute to the vertiginous rise in social inequality.

• It would be up to the governments of countries around the world to charge taxes on high-tech companies to ensure the adoption of an income guarantee policy for the unemployed population.

• A basic income policy or universal minimum income for the population is one of the solutions to alleviate poverty. The government giving free money to everyone, that is, a universal minimum income program would make it possible to alleviate or eliminate poverty. Among the reasons for this idea to become a reality is that distributing money reduces crime, improves the health of the population and allows everyone to invest in themselves.

• The minimum income policy will be like ‘venture capital’ (investment in startups) for the people, giving everyone the opportunity to take risks. This will generate a wave of entrepreneurship. Money should be distributed to everyone and not just to the poor. The basic income program should be universal by being expanded to the rich and the middle class, so that it becomes a right for all citizens, not a favor.

• Income Transfer Program through which the State would provide income to poor people should be complemented by the adoption of the Creative Economy and the Social and Solidarity Economy as a solution to combat mass unemployment resulting from technological advances.

• Job creation with the “Creative Economy” is carried out with activities with socioeconomic potential that deal with creativity, knowledge and information and would be less affected by the advance of artificial intelligence. Companies in this segment combine the creation, production and commercialization of creative goods of a cultural and innovative nature such as Fashion, Art, Digital Media, Advertising, Journalism, Photography and Architecture. In common, companies in this area depend on talent and creativity to effectively exist.

• Employment generation with the Social and Solidarity Economy is carried out through activities based on a new form of work organization in which maximizing profit is no longer the main objective, giving way to maximizing the quantity and quality of work. Based on the Social and Solidarity Economy, it is possible to recover bankrupt companies and continue them, with a new mode of production. The Social and Solidarity Economy is a new model of economic, social, political and environmental development that has a different way of generating work and income, in various sectors, whether in community banks, credit unions, family farming cooperatives, in the issue of fair trade, in exchange clubs, etc.

• Artificial Superintelligence must be developed for the common good of humanity.

• The Principle of the Common Good in all Artificial Intelligence projects in the world will only be possible to put into practice with the existence of democratic governments in each country and a democratic world government, without which humanity will be at the mercy of not only superintelligent machines that decide to destroy human beings, but also of ill-intentioned rulers.

• The Principle of the Common Good in all long-term Artificial Intelligence projects must be carried forward in order to avoid the risk of it being used for evil and not for the good of humanity, and there must be democratic governments in each country in the world and a world government that ensures that these objectives are achieved.

• There must be strong research collaboration between the security community and the Artificial Superintelligence development community, and all parties involved must incorporate the Principle of the Common Good in all long-term Artificial Intelligence projects.

• Artificial Superintelligence requires that better control mechanisms be developed before creating intelligent systems, attracting the greatest experts in mathematics and computer science to this field.

• The European Union recently took a major step by establishing rules – the first in the world – on how companies can use Artificial Intelligence. This move paves the way for global standards for a technology used in everything. Similar regulations should be adopted worldwide.

• The following ten steps can be taken to contain the risks of artificial superintelligence:

  1. Technical security – Adopting concrete technical measures to mitigate potential harm and maintain control.
  2. Audits – This is a way to ensure transparency and accountability of the technology.
  3. Bottlenecks – Creating levers to slow down development and gain time for regulators (governments) to act and develop defensive technologies.
  4. Developers – Obtaining assurance that technology developers build in appropriate controls from the start.
  5. Businesses- Alignment of incentives of organizations behind the technology with its containment.
  6. Government- Effective action in regulating the technology and implementing mitigation measures.
  7. Alliances- Creation of a system of international cooperation to harmonize laws and programs.
  8. Culture- Sharing lessons learned and failures in order to quickly disseminate means of dealing with them.
  9. Movements- Public demand that each component be held accountable.
  10. Coherence- Harmonious action by all involved so that the containment of the risks of artificial superintelligence is a virtuous circle of mutually reinforcing measures.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) and How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

COMO EVITAR AS CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS E OS RISCOS NO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL  

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as consequências negativas e os riscos no uso da inteligência artificial e as medidas que permitiriam evitar seus malefícios para a humanidade.

1. Introdução

As consequências negativas e os riscos no uso da inteligência artificial e as medidas que permitiriam evitar seus malefícios para a humanidade podem ser constatados com a leitura dos artigos de nossa autoria descritos a seguir:

A análise destes artigos permite constatar que a inteligência artificial proporciona inúmeros benefícios, mas há riscos e malefícios no seu uso que serão apresentados no Capítulo 2 a seguir. O Capítulo 3 apresenta como eliminar os malefícios e riscos do uso da inteligência artificial.

2. Riscos e malefícios no uso da inteligência artificial

Tomando por base a leitura dos artigos de nossa autoria acima citados, constata-se o seguinte:

  • É provável que os cérebros artificiais superarão a inteligência dos cérebros humanos em 2050 com o advento da Superinteligência Artificial. A Superinteligência Artificial poderá se tornar muito poderosa. O destino da humanidade se tornaria, portanto, dependente das ações destas máquinas superinteligentes. Os seres humanos perderão o monopólio da tomada de decisões com a Superinteligência Artificial.
  • O avanço tecnológico em curso baseado na inteligência artificial impactará negativamente sobre o mundo do trabalho porque poderá levar ao fim do emprego e a consequente queda na demanda de bens e serviços. O impacto da inteligência artificial sobre a sociedade seria devastador com o desemprego em massa resultante de sua utilização em larga escala.
  • A consultoria Boston Consulting Group previu que, em 2025, até um quarto dos empregos seja substituído por softwares ou robôs, enquanto que um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, aponta que 35% dos atuais empregos no país correm o risco de serem automatizados nas próximas duas décadas.
  • É pouco provável que apenas o investimento em educação e treinamento venham resolver o problema do desemprego.
  • Há riscos no uso da Inteligência Artificial na educação representado: 1) pelo uso não crítico e não consciente das tecnologias; 2) pela facilitação do plágio; 3) pela possibilidade de desinformação e disseminação de notícias falsas; 4) pelo aprofundamento da desigualdade educacional; 5) pela dependência excessiva da tecnologia com os estudantes se acostumando demais com as ferramentas de Inteligência Artificial e dependerem exclusivamente delas; 6) pela aprendizagem mecânica marcada por repetições e reprodução de textos, sem reflexão aprofundada sobre o assunto; 7) pela discriminação com os conteúdos gerados por Inteligência Artificial que frequentemente reproduzem preconceitos discriminatórios e, 8) pela violação de privacidade.
  • Com a Superinteligência Artificial, uma ampla gama de consequências poderá ocorrer, incluindo consequências extremamente boas e consequências tão ruins quanto a extinção da espécie humana se ela se voltar contra os seres humanos.
  • Diversas personalidades multiplicam os alertas sobre o risco existencial que as máquinas “superinteligentes” e potencialmente incontroláveis fariam recair na humanidade.
  • A Superinteligência Artificial pode representar a extinção da raça humana, segundo o cientista Stephen Hawking que afirmou que as tecnologias se desenvolvem em um ritmo tão vertiginoso que elas se tornarão incontroláveis ao ponto de colocar a humanidade em perigo.
  • A Superinteligência Artificial representa um risco que ameaça a extinção prematura de vida inteligente na Terra, ou a destruição permanente e drástica de seu potencial para um desenvolvimento futuro desejável.
  • Existem cenários extremamente negativos como o das próprias máquinas superinteligentes decidirem destruir os seres humanos, por exemplo, acabando com nossa civilização e infraestrutura.
  • Há o medo da inteligência artificial estar associada à perspectiva não menos aterrorizante dos robôs assassinos.
  • Mesmo que a Superinteligência Artificial produza benefícios para a humanidade, há o risco de que ela seja mais utilizada para o mal e não para o bem da humanidade com a tendência de sua maior aplicação para fins militares, isto é, para a guerra cibernética na corrida armamentista no mundo,
  • É muito grande o risco de que, nas condições atuais, não apenas máquinas superinteligentes possam vir a ameaçar a humanidade, mas também, governantes mal intencionados utilizem a superinteligência artificial para servir a seus interesses maléficos.
  • Durante muito tempo relegado aos registros da ficção científica, o medo da inteligência artificial está enraizado há alguns anos no debate público, associado tanto à automatização maciça do setor produtivo e ao desemprego em massa quanto à perspectiva de contribuir para a produção de armas cada vez mais mortíferas e a não menos aterrorizante produção de robôs assassinos.
  • Uma Superinteligência Artificial poderia intencionalmente acabar com a humanidade destruindo a atmosfera ou a biosfera do nosso planeta com nanotecnologia auto-replicadora ou poderia disparar todas as nossas armas nucleares, desencadear um apocalipse robô como no Exterminador do futuro ou liberar alguns poderes da física que sequer conhecemos.
  • Há o risco de que a Superinteligência Artificial seja utilizada pelas grandes potências para desenvolver armamentos mais poderosos do que os atuais para defender seus interesses e impor sua vontade na cena mundial.
  • Se as grandes potências embarcarem em uma corrida armamentista com o uso de Superinteligência Artificial contra nações rivais, uma Superinteligência Artificial armada poderia sair do controle, seja em tempo de paz ou durante uma guerra.

Tudo isto impõe a necessidade de que sejam desenvolvidos mecanismos de controle da Superinteligência Artificial e dos sistemas inteligentes em geral descritos no Capítulo 3.

3. Como eliminar os malefícios e riscos do uso da inteligência artificial

Tomando por base a leitura dos artigos de nossa autoria citados na Introdução, contata-se que, para eliminar os malefícios e riscos do uso da inteligência artificial, é importante que sejam adotadas as medidas descritas a seguir:

  • O futuro do trabalho em um mundo com Inteligência Artificial requer a adoção de novas medidas voltadas para a qualificação da mão-de-obra que deverá saber utilizar esta tecnologia como ferramenta, como complemento de suas habilidades com algumas funções sendo atribuídas a máquinas e sistemas inteligentes e novas funções para os seres humanos.
  • Compete aos planejadores dos sistemas de educação identificar o papel dos seres humanos no mundo do trabalho no futuro para realizar uma ampla revolução no ensino em todos os níveis contemplando a qualificação dos professores e a estruturação das unidades de ensino para prepararem seus alunos para um mundo do trabalho em que as pessoas terão que lidar com máquinas inteligentes.
  • Para implantar uma nova educação, é imprescindível que se comece a identificar as competências necessárias para o trabalho do século XXI e adequar o sistema educacional que está obsoleto para formar cidadãos mais capacitados para a era da inteligência artificial.
  • O estudante precisa desenvolver um senso crítico para avaliar as informações recebidas e utilizar todas as ferramentas disponíveis de forma consciente, criativa, ética e inteligente.
  • O professor precisa conscientizar os estudantes sobre o plágio, orientá-los quanto à maneira correta de citar autores e usar ferramentas de detecção de plágio.
  • Os estudantes precisam desenvolver o senso crítico para avaliar os conteúdos gerados por Inteligência Artificial.
  • As instituições de ensino devem orientar os estudantes e profissionais sobre as boas práticas de segurança na Internet e selecionar tecnologias educacionais que respeitem a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
  • As instituições de ensino em todos os níveis, seus administradores e professores devem perseverar no sentido de fazer prevalecer os benefícios e evitar os riscos do uso da Inteligência Artificial na educação.
  • A tendência futura é a de agravamento do desemprego e da pobreza extrema. Diante desta perspectiva, a solução consistiria na adoção pelos Estados nacionais de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da economia criativa, da economia social e solidária para atenuar o desemprego e da implementação da renda básica ou renda mínima universal para atenuar a pobreza.
  • A solução mais eficaz para atenuar a pobreza consiste na adoção de uma política de garantia de renda para os trabalhadores. Além da necessidade de prover uma renda básica líquida para os trabalhadores desempregados, há um poderoso argumento para a adoção da política de garantia de renda porque o avanço tecnológico, além de promover o desemprego em massa contribui para vertiginosa da desigualdade social.
  • Competiria aos governos dos países do mundo cobrarem imposto das empresas de alta tecnologia para assegurarem a adoção da política de garantia de renda à população desempregada.
  • A política de renda básica ou renda mínima universal para a população é uma das soluções para atenuar a pobreza. O governo dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal possibilitaria atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos.
  • A política de renda mínima será como ‘venture capital’ (investimento para startups) para o povo dando a todos a oportunidade de assumir riscos. Isso vai gerar uma onda de empreendedorismo. O dinheiro deve ser distribuído para todos e não apenas para os pobres. O programa de renda básica deveria ser universal ao ser expandido para os ricos e a classe média, para que se tornasse um direito de todos os cidadãos, não um favor.
  • Programa de Transferência de Renda através do qual o Estado proporcionaria renda às pessoas pobres deve ser complementada pela adoção da Economia Criativa e da Economia Social e Solidária como solução para combater o desemprego em massa resultante do avanço tecnológico
  • A geração de emprego com a “Economia Criativa” se realiza com atividades com potencial socioeconômico que lidam com criatividade, conhecimento e informação e seriam menos afetadas pelo avanço da inteligência artificial. Empresas deste segmento combinam a criação, produção e a comercialização de bens criativos de natureza cultural e de inovação como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. Em comum, empresas da área dependem do talento e da criatividade para efetivamente existirem
  • A geração de emprego com a Economia Social e Solidária se realiza com atividades baseadas em uma nova forma de organização do trabalho em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção. A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc.
  • A Superinteligência Artificial deve ser desenvolvida para o bem comum da humanidade.
  • O Princípio do Bem Comum em todos os projetos de Inteligência Artificial no mundo só será possível colocar em prática com a existência de governos democráticos em cada país e de um governo democrático mundial sem o qual a humanidade ficará à mercê, não apenas de máquinas superinteligentes que decidam destruir os seres humanos, mas também, de governantes mal intencionados.   
  • É preciso que o Princípio do Bem Comum em todos os projetos de Inteligência Artificial de longo prazo seja levado avante a fim de evitar o risco de que ela seja utilizada para o mal e não para o bem da humanidade e que haja governos democráticos em cada país do mundo e um governo mundial que faça com que estes objetivos sejam atingidos.
  • É preciso que haja uma forte colaboração de pesquisa entre a comunidade de segurança e a de desenvolvimento da Superinteligência Artificial e que todas as partes envolvidas incorporem o Princípio do Bem Comum em todos os projetos de Inteligência Artificial de longo prazo.
  • A Superinteligência Artificial requer que sejam desenvolvidos melhores mecanismos de controle antes de criar os sistemas inteligentes atraindo os maiores especialistas em matemática e ciência da computação para esse campo.
  • Recentemente, a União Europeia deu um grande passo ao estabelecer regras – as primeiras do mundo – sobre como as empresas podem usar a Inteligência Artificial. É um movimento que abre caminho para padrões globais de uma tecnologia usada em tudo. Que regulamentação similar seja adotada em todo o mundo.
  • Pode-se adotar os dez passos de contenção dos riscos da superinteligência artificial descritos a seguir:
  1. Segurança técnica- Adoção de medidas técnicas concretas para aliviar possíveis danos e manter o controle.
  2. Auditorias- Trata-se de uma maneira de assegurar a transparência e a responsabilização da tecnologia.
  3. Gargalos- Criação de alavancas para retardar o desenvolvimento e ganhar tempo para a ação dos reguladores (governos) e o desenvolvimento de tecnologias defensivas.
  4. Criadores- Obtenção de garantia de que os desenvolvedores de tecnologias inserem controles apropriados desde o início.
  5. Empresas- Alinhamento dos incentivos das organizações por trás da tecnologia com sua contenção.
  6. Governo- Ação efetiva na regulamentação da tecnologia e implementação de medidas de mitigação.
  7. Alianças- Criação de um sistema de cooperação internacional para harmonizar leis e programas.
  8. Cultura- Compartilhamento de aprendizados e falhas a fim de disseminar rapidamente os meios de lidar com eles.
  9. Movimentos- Exigência pública para que cada componente seja obrigado a prestar contas.
  10. Coerência- Ação harmônica de todos os envolvidos para que a contenção dos riscos da superinteligência artificial seja um círculo virtuoso de medidas mutuamente reforçadoras. 

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).  

LA MONTÉE ET LA MENACE DE CHUTE DU CHAVISME AU VENEZUELA

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de présenter le processus qui a contribué à la montée et à la menace de chute du chavisme au Venezuela. Dans plusieurs pays d’Amérique latine, la demande d’un changement de direction s’est fait de plus en plus forte au cours de l’histoire. L’appauvrissement du continent a atteint des niveaux inacceptables. La concentration des richesses et l’exclusion sociale ont placé les inégalités à des niveaux jamais vus auparavant. Le dilemme des gouvernements latino-américains a été de respecter leurs engagements envers les peuples ou de se placer dans le camp opposé, c’est-à-dire du côté de ceux qui oppriment, exploitent et veulent que tout reste tel quel. Contrairement à la plupart des pays d’Amérique latine qui se sont pliés aux diktats du capital international, le Venezuela a assumé un rôle diamétralement opposé avec l’arrivée au pouvoir d’Hugo Chávez.

En Amérique latine, les guerres et les révolutions d’indépendance sont à l’origine des nations latino-américaines, établissant certaines de ses principales caractéristiques. Ce qu’il y a d’épique dans les luttes symbolisées par Simón Bolívar, José Artigas, José Morelos, Miguel Hidalgo, Bartolomé Mitre, Bernardo O’Higgins, Antonio Sucre, José Bonifácio, Frei Caneca, Ramón Betances, José Martí, Tiradentes et bien d’autres, s’enracine dans l’exploit visant à émanciper la colonie de la domination de l’Espagne et du Portugal, à créer l’État national, à organiser la Nation et à la libérer du colonialisme, de l’absolutisme, du mercantilisme et de l’accumulation originelle du capital. La défense des intérêts du Venezuela et de l’Amérique latine a toujours été au centre des préoccupations d’Hugo Chávez.

La question nationale est donc à la base de certaines luttes fondamentales dans les pays d’Amérique latine. À différents moments, notamment dans des situations critiques plus profondes comme celle que nous traversons actuellement, le problème national est rouvert. C’est dans ce contexte que Hugo Chávez est devenu le mentor de la Révolution bolivarienne, terme qu’il a inventé pour décrire les changements politiques, économiques et sociaux qui ont commencé après son arrivée au pouvoir au Venezuela. Selon Chávez, la Révolution bolivarienne était basée sur les idées du libérateur Simon Bolívar et son objectif principal était l’émancipation de l’Amérique latine. Sa stratégie au Venezuela consistait à étendre son influence parmi les classes populaires de la population et à compter sur le soutien décisif des forces armées pour le soutenir.

Les victoires successives de Chávez aux élections au Venezuela ont confirmé son mandat avec un fort soutien populaire, indiquant que la voie qu’il a choisie dans ce pays a non seulement réussi à mobiliser et à organiser la population la plus pauvre, mais aussi à construire un programme affirmatif de défense de la souveraineté nationale et de confrontation avec l’impérialisme, en particulier les États-Unis. Depuis son élection en 1998, Hugo Chávez a acquis une notoriété dans la politique latino-américaine. Certains l’ont vu à tort comme un dirigeant d’avant-garde, représentant la pensée de gauche la plus avancée en Amérique latine, et d’autres l’ont compris comme un énième mouvement autoritaire dirigé par un caudillo, qui se manifeste à l’époque contemporaine avec le régime autoritaire de Nicolás Maduro. Depuis 1998, Chávez a remporté plusieurs élections, a résisté à une tentative de coup d’État militaire en 2002, a défini et hiérarchisé sa base électorale avec plusieurs programmes sociaux, connus sous le nom de « missions », et a contrôlé politiquement le pays, y compris en modifiant la Constitution du pays (un fait qui est dû en partie à ses capacités politiques, mais aussi à l’incapacité de l’opposition à s’organiser après ses défaites aux élections). Avec la prérogative de poursuivre les objectifs d’inclusion sociale et de démocratie participative, il a réussi à maintenir des niveaux de popularité très élevés, notamment entre 2004 et 2007.

Les deux grandes caractéristiques du gouvernement Chávez concernent la réalisation de la révolution bolivarienne et la mise en œuvre du socialisme du 21e siècle. Ce socialisme proposé par Chávez en 2005 au Forum mondial de Porto Alegre se nourrirait des courants les plus authentiques du christianisme, du marxisme et des idées de Bolivar. Cependant, le discours proposé par le socialisme du XXIe siècle et son application pratique ont commencé à se heurter à une série de problèmes structurels que le gouvernement de Hugo Chávez n’a pas réussi à résoudre, comme, par exemple, la promotion de l’expansion des secteurs productifs du Venezuela et l’importation excessive de nombreux produits de la part du pays y compris les aliments.

Hugo Chávez, élu pour la première fois en 1998, a remporté quatre mandats présidentiels successifs par la voie électorale. Au cours des premières années de la présidence de Chávez, il a introduit des réformes de protection sociale qui ont abouti à une amélioration des conditions sociales des couches inférieures de la société. Il a mis en place des systèmes de santé et d’éducation gratuits, jusqu’au niveau universitaire, financés par le gouvernement. Environ un million d’enfants supplémentaires ont été inscrits à l’école primaire depuis l’arrivée au pouvoir du dirigeant bolivarien. En 2003 et 2004, Chávez a lancé des campagnes sociales et économiques qui ont abouti à des cours gratuits de lecture, d’écriture et de calcul pour plus de 1,5 million d’adultes vénézuéliens analphabètes. Cet ensemble de mesures a apporté, selon les enquêtes réalisées, des résultats extrêmement positifs comme une augmentation de 150% du revenu familial des plus pauvres, entre 2003 et 2006, et une réduction du taux de mortalité infantile, de 18%, entre 1998 et 2006.

Après la mort d’Hugo Chávez et l’arrivée au pouvoir de Nicolas Maduro, le Venezuela a été le théâtre de turbulences économiques et de violents affrontements entre chavistes et anti-chavistes, dont les principales causes, en 10 ans, ont entraîné un déclin de 62 % de l’économie vénézuélienne, selon une étude des World Economic Outlook, du Fonds monétaire international (FMI) et de la Banque mondiale. En 2013, un Vénézuélien sur trois était dans la pauvreté (33,1 %), tandis qu’en 2021, neuf Vénézuéliens sur dix se trouvaient dans cette situation (90,8 %). Au cours de la même période, l’extrême pauvreté a augmenté de 11,4% à 68%. L’hyperinflation, la rareté des devises fortes (qui génèrent la spéculation avec le dollar) et la pénurie de certains produits de base frappent durement l’ensemble de la population. Sans crédit et sans monnaie, le Venezuela a commencé à dépendre de plus en plus des ventes de pétrole, comme seule source d’afflux de capitaux. Tout cela a contribué à l’érosion du chavisme au Venezuela.

Un fait incontestable est que le Venezuela est un pays divisé et polarisé à l’extrême entre chavistes et anti-chavistes dont la radicalisation a atteint son apogée lors des récentes élections présidentielles dont le résultat officiel favorable à la réélection de Maduro est considéré par les forces d’opposition comme le produit de la fraude. Les forces de l’opposition affirment détenir 84 % des dossiers démontrant la victoire du candidat de l’opposition Gonzalez Urrutia. Pour empêcher son éviction du pouvoir, Nicolás Maduro arrête des opposants au chavisme, réprime violemment les manifestations des forces d’opposition et utilise les milices bolivariennes pour attaquer violemment ses opposants. Le projet socialiste du Venezuela du XXIe siècle a échoué et s’est transformé en un régime dictatorial sous la direction de Nicolas Maduro.

Le régime dictatorial qui prévaut au Venezuela est un régime politique autoritaire et antidémocratique qui, sous prétexte de défendre les intérêts nationaux et ceux des classes les moins favorisées, utilise le pouvoir de manière dictatoriale à travers un parti ou une clique qui outrepasse la loi et les règles morale. Le régime dictatorial vénézuélien dirigé par Nicolas Maduro exerce la coercition par la force par des acteurs sociaux très puissants qui, échappant à tout contrôle démocratique, imposent leur volonté à la société. Tout porte à croire que le Venezuela se dirige rapidement vers le déclenchement d’une guerre civile et l’instauration d’une dictature de la part de la faction qui remportera ce conflit pour maintenir l’ordre dans le pays. Il est très peu probable que les conflits politiques et sociaux qui éclatent au Venezuela conduisent à une pacification de la société en raison de la difficulté d’établir un pacte social qui nécessiterait un consensus au sein de la société civile, ce qui est difficile à construire.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) et How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

THE RISE AND THREAT OF FALL OF CHAVISM IN VENEZUELA

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the process that contributed to the rise and threat of fall of Chavism in Venezuela. In several Latin American countries, the demand for a change of direction has been increasingly loud throughout history. The impoverishment of the continent has reached unacceptable levels. The concentration of wealth and social exclusion have placed inequalities at levels never seen before. The dilemma of Latin American governments has been to fulfill their commitments to the people or to place themselves in the opposing camp, that is, on the side of those who oppress, exploit and want to keep everything as it is. Unlike most Latin American countries that have bowed to the dictates of international capital, Venezuela has assumed a diametrically opposite role with the rise to power of Hugo Chávez.

In Latin America, wars and revolutions of independence are at the origin of Latin American nations, establishing some of its main features. What is epic in the struggles symbolized by Simón Bolívar, José Artigas, José Morelos, Miguel Hidalgo, Bartolomé Mitre, Bernardo O’Higgins, Antonio Sucre, José Bonifácio, Frei Caneca, Ramón Betances, José Martí, Tiradentes and many others is rooted in the feat aimed at emancipating the colony from the domination of Spain and Portugal, creating the national State, organizing the Nation and freeing it from colonialism, absolutism, mercantilism and original capital accumulation. The defense of the interests of Venezuela and Latin America has always been at the center of Hugo Chávez’s concerns.

The national question is, therefore, at the root of some fundamental struggles in Latin American countries. At different times, especially in more profound critical situations such as the current one, the national problem is reopened. This is the scenario that led to the emergence of Hugo Chávez as the mentor of the Bolivarian Revolution, a term he coined to describe the political, economic and social changes that began after he came to power in Venezuela. According to Chávez, the Bolivarian Revolution was based on the ideas of the liberator Simon Bolívar and its main objective was the emancipation of Latin America. His strategy in Venezuela consisted of expanding his influence among the popular classes of the population and counting on the decisive support of the Armed Forces to sustain him.

Chávez’s successive victories in the elections in Venezuela confirmed his mandate with strong popular support, indicating that the path he chose in that country not only managed to mobilize and organize the poorest population, but also to build an affirmative agenda in defense of national sovereignty and confrontation with imperialism, especially the United States. Since his election in 1998, Hugo Chávez has gained notoriety in Latin American politics. Some mistakenly saw him as a vanguard ruler, representing the most advanced left-wing thinking in Latin America, and others understood him as another authoritarian movement led by a caudillo, which manifests itself in the contemporary era with the authoritarian regime of Nicolás Maduro. Since 1998, Chávez has won several elections, endured an attempted military coup in 2002, defined and prioritized his electoral base with several social programs, known as “missions”, and politically controlled the country, including changes to the country’s Constitution (a fact that is partly due to his political ability, but also to the opposition’s inability to organize itself after its defeats at the polls). With the prerogative of pursuing the goals of social inclusion and participatory democracy, he managed to maintain very high levels of popularity, especially between 2004 and 2007.

The two major hallmarks of the Chávez government are the purpose of carrying out the Bolivarian Revolution and implementing 21st Century Socialism. This socialism proposed by Chávez in 2005 at the World Forum in Porto Alegre would be nourished by the most authentic currents of Christianity, Marxism, and Bolívar’s ideas. However, the discourse proposed by 21st century socialism and its practical application began to face a series of structural problems that the government of Hugo Chávez was unable to resolve, such as, for example, promoting the expansion of Venezuela’s productive sectors and the country’s excessive dependence on imports of numerous products, including food.

Hugo Chávez, first elected in 1998, won four successive presidential terms through the electoral process. In the early years of Chávez’s presidency, he introduced welfare reforms that improved the social conditions of the lower classes. He implemented free health care and government-funded education up to university level. About 1 million more children have been enrolled in primary school since the Bolivarian leader came to power. In 2003 and 2004, Chávez launched social and economic campaigns that resulted in free reading, writing, and arithmetic classes for the more than 1.5 million illiterate adults in Venezuela. This set of measures brought, according to surveys carried out, extremely positive results such as a 150% increase in the family income of the poorest, between 2003 and 2006, and a reduction in the infant mortality rate, by 18%, between 1998 and 2006.

After the death of Hugo Chávez and the rise to power of Nicolás Maduro, Venezuela has been the scene of economic turmoil and violent clashes between Chavists and anti-Chavists, the main causes of which are the fact that, in 10 years, the Venezuelan economy has shrunk by 62%, according to a study by the World Economic Outlook, the International Monetary Fund (IMF), and the World Bank. In 2013, one in three Venezuelans was in poverty (33.1%), while in 2021 nine out of ten people in Venezuela were in this situation (90.8%). In the same period, extreme poverty rose from 11.4% to 68%. Hyperinflation, the shortage of hard currency (which generates speculation with the dollar) and the shortage of some basic products have hit the entire population hard. Without credit and without foreign exchange, Venezuela has become increasingly dependent on oil sales as its only source of capital inflow. All of this has contributed to the erosion of Chavism in Venezuela.

An indisputable fact is that Venezuela is a country divided and polarized to the extreme between Chavists and anti-Chavists, whose radicalization reached its peak in the recent presidential elections, whose official result in favor of Maduro’s reelection is considered by the opposition forces to be the result of fraud. The opposition forces claim to have 84% of the records that show the victory of the opposition candidate Gonzalez Urrutia. To avoid his removal from power, Nicolás Maduro arrests opponents of Chavism, violently represses demonstrations by the opposition forces and uses the Bolivarian militias to use violence to attack his opponents. Venezuela’s 21st century socialist project has failed and has become a dictatorial regime under the leadership of Nicolás Maduro.

The dictatorial regime that prevails in Venezuela is an authoritarian, antidemocratic political regime that, under the pretext of defending national interests and those of the less favored classes, uses power dictatorially by a party or through a clique that overrides law and morality. The Venezuelan dictatorial regime under the leadership of Nicolás Maduro exercises coercion by force through very powerful social actors who, escaping all democratic control, impose their will on society. Everything suggests that Venezuela is rapidly heading towards the outbreak of a civil war and the establishment of a dictatorship by the faction that wins this conflict to maintain order in the country. Representative democracy will be very unlikely to result from the political conflicts that are occurring in Venezuela due to the difficulty of establishing a social pact that would require consensus in civil society, which is difficult to build.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) and How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).

ASCENSÃO E AMEAÇA DE QUEDA DO CHAVISMO NA VENEZUELA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar o processo que contribuiu para a ascensão e a ameaça de queda do chavismo na Venezuela.Em vários países da América Latina, a cobrança para uma mudança de rumo tem sido cada vez mais forte ao longo da história. O empobrecimento do continente tem alcançado níveis inaceitáveis. A concentração da riqueza e a exclusão social colocaram as desigualdades em patamares jamais vividos anteriormente. O dilema dos governos latino-americanos tem sido o de cumprir seus compromissos com o povo ou se colocar no campo adversário, isto é, do lado que quem oprime, explora e quer manter tudo como está. Ao contrário da maioria dos países da América Latina que se dobraram aos ditames do capital internacional, a Venezuela assumiu um papel diametralmente oposto com a ascensão ao poder de Hugo Chávez.

Na América Latina, as guerras e revoluções de independência estão na origem das nações latino-americanas, estabelecendo alguns dos seus traços principais. O que há de épico nas lutas simbolizadas por Simón Bolívar, José Artigas, José Morelos, Miguel Hidalgo, Bartolomé Mitre, Bernardo O’Higgins, Antonio Sucre, José Bonifácio, Frei Caneca, Ramón Betances, José Martí, Tiradentes e muitos outros, está enraizado na façanha destinada a emancipar a colônia da dominação da Espanha e de Portugal, criar o Estado nacional, organizar a Nação e libertá-la do colonialismo, do absolutismo, do mercantilismo, da acumulação originária do capital. A defesa dos interesses da Venezuela e da América Latina sempre esteve no centro das preocupações de Hugo Chávez.

A questão nacional está, portanto, na base de algumas lutas fundamentais dos países da América Latina. Em diferentes épocas, principalmente em conjunturas críticas mais profundas como a atual, reabre-se a problemática nacional. Este é o cenário que levou ao surgimento de Hugo Chávez como mentor da Revolução Bolivariana, termo por ele criado para designar as mudanças políticas, econômicas e sociais iniciadas a partir de seu acesso ao poder na Venezuela. A Revolução Bolivariana se baseou, segundo Chávez, no ideário do libertador Simon Bolívar  e teve como principal objetivo a emancipação da América Latina. Sua estratégia na Venezuela consistiu em ampliar sua influência junto às camadas populares de sua população e contar com o decisivo apoio das Forças Armadas para dar-lhe sustentação. 

As sucessivas vitórias de Chávez nas eleições na Venezuela confirmaram seu mandato com forte apoio popular, indicando que o caminho escolhido por ele naquele país conseguiu não apenas a mobilização e a organização da população mais pobre, mas, também, a construção de uma agenda afirmativa na defesa da soberania nacional e de confronto com o imperialismo, sobretudo o norte-americano. Desde sua eleição em 1998, Hugo Chávez ganhou notoriedade no espaço político latino-americano. Alguns o viam erroneamente como um governante de vanguarda, representando o que há de mais avançado no pensamento de esquerda da América Latina, e outros o entendiam como mais um movimento autoritário levado adiante por um caudilho, que se manifesta na era contemporânea com o regime autoritário de Nicolás Maduro.

Desde 1998, Chávez venceu diversos pleitos eleitorais, passou por uma tentativa de golpe militar em 2002, demarcou e priorizou sua base eleitoral com diversos programas sociais, conhecidos como “missões”, controlou politicamente o país realizando, inclusive, mudanças na Constituição do país (fato que se deve, em parte, à sua capacidade política, mas também à incapacidade da oposição em se organizar após as derrotas nas urnas) e com a prerrogativa de estar buscando os objetivos da inclusão social e da democracia participativa e chegou a sustentar altíssimos níveis de popularidade, principalmente entre os anos de 2004 e 2007.

As duas grandes marcas do governo Chávez diz respeito ao propósito de realizar a Revolução Bolivariana e implantar o Socialismo do Século XXI. Esse socialismo proposto por Chávez em 2005 no Fórum Mundial em Porto Alegre seria nutrido pelas correntes mais autênticas do cristianismo, pelo marxismo e pelas ideias de Bolívar. Entretanto, o discurso proposto pelo socialismo do século XXI e sua aplicação prática passaram a se defrontar com uma série de problemas estruturais que o governo de Hugo Chávez não conseguiu resolver como, por exemplo, promover a expansão dos setores produtivos da Venezuela e a excessiva dependência do país da importação de inúmeros produtos, inclusive de alimentos. 

Hugo Chávez, eleito pela primeira vez em 1998, ganhou quatro mandatos presidenciais sucessivos pela via eleitoral. Nos primeiros anos da presidência de Chávez, ele introduziu reformas de bem-estar social que resultaram na melhoria das condições sociais das camadas inferiores da sociedade. Implantou sistemas gratuitos de saúde e de educação, até o nível universitário, financiados pelo governo. Cerca de 1 milhão a mais de crianças foram matriculadas na escola primária desde que o líder bolivariano chegou ao poder. Em 2003 e 2004, Chávez lançou campanhas sociais e econômicas convertidas em aulas gratuitas de leitura, escrita e aritmética para os mais de 1,5 milhão de analfabetos adultos venezuelanos. Este conjunto de medidas trouxe, segundo levantamentos realizados, resultados extremamente positivos como o crescimento em 150% da renda familiar dos mais pobres, entre 2003 e 2006, e a redução da taxa de mortalidade infantil, em 18%, entre 1998 e 2006.

Após a morte de Hugo Chávez e a ascensão ao poder de Nicolás Maduro, a Venezuela tem sido palco de turbulências econômicas e violentos confrontos entre chavistas e antichavistas que tem como causas principais o fato de, em 10 anos, a economia da Venezuela recuar 62%, segundo estudo do World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e do Banco Mundial. Em 2013, um de cada três venezuelanos estavam na pobreza (33,1%), enquanto em 2021 nove de cada dez pessoas da Venezuela se encontravam nesta situação (90,8%). No mesmo período a extrema pobreza evoluiu de 11,4% para 68%. A hiperinflação, a escassez de moeda forte (que gera especulação com o dólar) e o desabastecimento de alguns produtos básicos atinge fortemente toda a população. Sem crédito e sem divisas, a Venezuela passou a depender cada vez mais das vendas do petróleo, como única fonte de ingresso de capitais. Tudo isto contribuiu para desgastar o chavismo na Venezuela.

Um fato indiscutivel é que a Venezuela é um país dividido e polarizado ao extremo entre chavistas e antichavistas cuja radicalização atingiu as culminancias nas recentes eleições presidenciais cujo resultado oficial favorável à reeleição de Maduro é considerado pelas forças de oposição como produto de fraude. As forças de oposição afirmam dispor de 84% das atas que demonstram a vitória do candidato de oposição Gonzalez Urrutia. Para evitar sua destituição do poder, Nicolás Maduro prende opositores ao chavismo, reprime com violência as manifestações das forças de oposição e utiliza as milícias bolivarianas para com o uso da violência atacar seus opositores. O projeto do socialismo do século XXI da Venezuela fracassou e se transformou em um regime ditatorial sob a direção de Nicolás Maduro.

O regime ditatorial, que prevalece na Venezuela, é um regime político autoritário, antidemocrático, que, sob o pretexto de defender os interesses nacionais e das classes menos favorecidas usa o poder ditatorialmente por um partido ou através de uma camarilha que se sobrepõem ao direito e à moral. O regime ditatorial venezuelano sob a direção de Nicolás Maduro exerce a coerção pela força por atores sociais muito poderosos, que, escapando a todo controle democrático, impõem sua vontade à sociedade. Tudo leva a crer que a Venezuela caminha celeremente para a eclosão de uma guerra civil e a implantação de uma ditadura pela facção que vencer este conflito para manter a ordem no país.  Muito dificilmente, os conflitos políticos e sociais que ocorrem na Venezuela levarão à pacificação na sociedade devido à dificuldade de se estabelecer um pacto social que exigiria o consenso na Sociedade Civil de difícil construção.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).