AS VERDADEIRAS CAUSAS DOS ELEVADOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS NO BRASIL E SUAS SOLUÇÕES

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo analisar as verdadeiras causas dos elevados preços da gasolina, óleo diesel e etanol anidro no Brasil. O preço da gasolina aumentou mais de 32% nos postos em 2021. O preço do diesel aumentou quase 50% desde maio de 2020. Para abordar esta questão, foi analisada a cadeia de comercialização da gasolina, do óleo diesel e do etanol anidro e a composição dos seus preços no Brasil, a carga tributária aplicada aos preços dos derivados de petróleo no Brasil e em outros países, a composição acionária da Petrobras para identificar quem manda efetivamente na empresa, a política de preços de derivados de petróleo da Petrobras que está atrelada à variação do preço do petróleo no mercado internacional e à variação do dólar e a evolução da produção nacional, exportação e importação de petróleo no Brasil para identificar o peso das importações de petróleo no suprimento de petróleo ao Brasil.        

A Figura 1 mostra a cadeia de comercialização da gasolina, óleo diesel e etanol anidro no Brasil.

Figura 1- Cadeia de comercialização da gasolina, óleo diesel e etanol anidro no Brasil

Os preços da gasolina, óleo diesel e etanol anidro no Brasil são extremamente elevados porque são impostos pela ação da Petrobras que é a empresa dominante no mercado e, também, da venda pelo cartel de empresas privadas. A gasolina vendida nos postos de combustíveis é uma mistura entre gasolina e etanol anidro. A divisão é de 73% e 27%, respectivamente. O preço final da gasolina é formado por 44% de impostos (29% do ICMS que é estadual e 15% do PIS/Pasep e Cofins que é federal), 29% para a Petrobras, 15% para os fornecedores do etanol anidro e 12% de lucro para as revendedoras. Com o óleo diesel a Petrobras fica com 47% do preço final, os impostos correspondem a 23% do preço. O ICMS cobrado é maior, com 14% e o Cide, PIS e Cofins corresponde a 9%. Os revendedores ficam com 16% do valor pago pelo diesel. Há também influência do biodiesel porque é necessária uma mistura mínima ao diesel mineral em proporção de 12% pelas distribuidoras, segundo a Petrobras.

Um dos questionamentos que tem sido feito na atualidade principalmente pelo governo Bolsonaro e pela direção da Petrobras é o de que os preços dos derivados de petróleo são elevados porque resultam do valor elevado dos impostos neles incidentes. Se forem comparados os valores que se cobra de imposto sobre derivados de petróleo no Brasil com o de outros países, chega-se à conclusão que esta crítica não é verdadeira. Segundo dados da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a média dos países da OCDE apresenta 53,8% de imposto sobre o preço final, enquanto a média dos países do G7 é de 56,4%. O peso dos impostos no preço final dos combustíveis em média é de 36,5% no Brasil. De acordo com a Opep, o percentual de impostos no preço final de combustíveis em alguns países é o seguinte: Reino Unido: 68,9%; Itália: 66%; França: 63%; Alemanha: 60,5%; Brasil: 36,5%; Canadá: 36,2%. Estados Unidos é uma exceção com 23,9%.

A responsabilidade pelos valores extremamente elevados dos preços da gasolina, do óleo diesel e do etanol anidro no Brasil está mais relacionada com quem exerce efetivamente o poder na Petrobras: o capital especulativo nacional e estrangeiro. A análise da Figura 2 (Composição acionária da Petrobras) permite constatarque 48% do capital da Petrobrás está em poder do governo brasileiro (União) e instituições a ele ligadas (BNDES, BNDESPar e PREVI) que nem sempre atuam nos pregões das bolsas de valores, enquanto os 52% restantes pertencem a aqueles que atuam nas bolsas de valores, sendo que deles 70% correspondem ao capital especulativo estrangeiro (Resol. 4373 e ADR’s). Conclui-se, portanto, que o capital especulativo nacional e estrangeiro, que tem uma visão de curtíssimo prazo buscando o máximo de lucratividade nas operações da empresa para elevar o preço das ações nas bolsas de valores no Brasil e nos Estados Unidos é que impõe a política de preços de derivados de petróleo que compromete os interesses da população brasileira e do Brasil.

Figura 2- Composição acionária da Petrobras

A atual política de preços de derivados de petróleo da Petrobras, que começou a vigorar em 2016 no governo Michel Temer estabelecendo reajustes baseados na paridade com o preço do petróleo no mercado internacional, visa valorizar o preço das ações da empresa nas bolsas de valores passando a atender o mais alto interesse de seus acionistas privados em detrimento dos interesses nacionais. À época, a direção da Petrobras explicava que os reajustes seriam baseados na paridade com o mercado internacional e mais uma margem que seria praticada para remunerar riscos inerentes à operação, como, por exemplo, volatilidade da taxa de câmbio e dos preços sobre estadias em portos, e lucro, além de tributos. A Petrobras dizia ainda que a nova política de preços previa avaliações para revisões de preços pelo menos uma vez por mês. Esta é a principal causa dos preços extremamente elevados de derivados de petróleo praticados pela Petrobras em prejuízo dos consumidores e do desenvolvimento do Brasil.

Foi a política de preços da Petrobras, que estabeleceu que os reajustes dos preços de derivados de petróleo baseados na paridade com o mercado internacional, que contribuiu para que, com a elevação do preço do petróleo no mercado internacional, a situação dos preços de derivados de petróleo no Brasil chegasse à situação calamitosa atual. A principal pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil vem dos preços internacionais do barril do petróleo. Levantamento da consultoria Economatica mostra que o barril de petróleo WTI acumula alta de 164% desde o início de maio de 2020. Alie-se a este fato a desvalorização do real em relação ao dólar em consequência da fuga de capitais do Brasil em consequência do estado pré-falimentar da economia brasileira resultante da incompetente gestão da economia nacional e pela adoção da politica econômica neoliberal. A Figura 3 mostra a evolução do preço do barril de petróleo no mercado internacional de janeiro de 2018 a julho de 2021.

Figura 3- Evolução do preço do barril de petróleo no mercado internacional

Pode-se afirmar, pelo exposto, que uma das soluções imediatas para impedir a contínua elevação dos preços da gasolina, óleo diesel e etanol anidro no Brasil é mudar imediatamente e radicalmente a política de preços da Petrobras passando a considerar a variação do custo de produção interna de petróleo em reais e a variação do preço internacional do petróleo incidente apenas sobre o petróleo importado proporcionalmente à sua participação no suprimento interno de petróleo do Brasil que correspondeu, em 2020, a 9,77%, que foi calculada com base nos valores indicados na Figura 4.

Figura 4- Evolução da produção, exportação e importação de petróleo no Brasil

Fonte: https://www.ibp.org.br/observatorio-do-setor/snapshots/producao-importacao-e-exportacao-de-petroleo/

O valor 9,77% foi calculado para 2020 considerando a produção nacional de petróleo destinada ao mercado interno que foi de 3,01 milhões de barris menos as exportações de 1,44 milhão de barris por dia (=1,57 milhão de barris por dia), enquanto a importação foi de 0,17 milhão de barris por dia. A relação entre o valor da importação (0,17) com a soma da produção nacional para o mercado interno com a importação de petróleo (1,74) corresponde a 9,77%.  Isto significa dizer que, além dos custos internos de produção nacional do petróleo em reais, apenas 9,77% da variação do preço internacional do petróleo deveria ter sido considerado na determinação dos preços dos derivados de petróleo da Petrobras em 2020. Isto significa dizer que seriam considerados os interesses dos consumidores brasileiros e do Brasil e não apenas dos acionistas nacionais e estrangeiros da empresa.

De tudo que acaba de ser exposto, pode-se considerar, portanto, como solução imediata para evitar a escalada contínua dos preços de derivados de petróleo no Brasil, o abandono da política atual de variação do preço dos derivados com base na variação do preço do barril de petróleo e do dólar e sua substituição pela política que considera a variação dos custos internos de produção do petróleo no Brasil e a variação do preço do barril do petróleo no mercado internacional e do  dólar incidente sobre a parcela do petróleo importado utilizado no suprimento interno do País. No entanto, a solução definitiva para o problema da contínua elevação dos preços de derivados de petróleo consiste em fazer com que a Petrobrás volte a ser uma empresa voltada para atender os interesses da população brasileira e do Brasil, tendo em vista o aspecto estratégico do petróleo, para a economia e o desenvolvimento nacional.

A Petrobras não deveria ter como objetivo principal a geração de lucros e a distribuição de dividendos para seus acionistas como tem feito desde 1916 e sim atender os interesses da população brasileira e do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Esta é a solução que permitiria evitar as danosas consequências econômicas e sociais impostas pelo aumento contínuo dos preços de derivados de petróleo no Brasil que fará com que sejam elevadas as taxas de inflação que comprometem a renda da população brasileira e o próprio desenvolvimento nacional. A Petrobras tem que voltar a ser instrumento da promoção do desenvolvimento do Brasil.   

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, atuou durante 60 anos no setor de energia do Brasil,  foi Subsecretário de Energia do Estado da Bahia e é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

OS CINCO GRANDES DESAFIOS HUMANOS PARA REALIZAREM VIAGENS ESPACIAIS E INTERESTELARES

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os cinco grandes desafios científicos e tecnológicos para os seres humanos realizarem viagens espaciais e interestelares diante da necessidade da colonização humana em outros mundos para evitar a extinção da humanidade baseada nas conclusões do livro de nossa autoria “A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência” publicado pela Editora Dialética neste ano de 2021[1]. Neste livro, foi demonstrada: 1) a necessidade da adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para locais habitáveis dentro do sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) onde seriam implantadas colônias espaciais no caso de grandes erupções de vulcões como aquelas ocorridas há 250 milhões de anos que acabaram com um ciclo de vida na Terra, se a Terra estiver ameaçada pela emissão de raios gama por estrelas supernovas, quando o clima da Terra se tornar letal para a vida humana com o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra e se ocorrer a colisão de planetas órfãos sobre o planeta Terra; 2) a necessidade da adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para locais habitáveis fora do sistema solar como o exoplaneta “Proxima b” orbitando uma estrela integrante do sistema planetário Alpha Centauri, o mais próximo do sistema solar, situado a 4,2 anos-luz de distância da Terra se ocorrer a colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar e antes da morte do Sol; 3) a necessidade da adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para locais habitáveis em outras galáxias mais próximas para salvar a humanidade antes da colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz da Terra ou na Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra; e, 4) ) a necessidade da adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para universos paralelos antes do fim de nosso Universo. 

Para implementar todas essas estratégias torna-se um imperativo: 1) o avanço científico e tecnológico para viabilizar a fuga dos seres humanos para locais habitáveis dentro e fora do sistema solar; 2) o aumento da capacidade biológica dos seres humanos para que sejam capazes de desafiar os limites impostos pela natureza a fim de sobreviver às ameaças à sua sobrevivência no planeta Terra e, especialmente, no espaço sideral; e, 3) a constituição de um governo mundial para coordenar as ações dos governos nacionais para fazerem frente às ameaças contra a sobrevivência da humanidade existentes no planeta Terra e aquelas existentes e vindas do espaço sideral [1]. Tudo isto significa dizer que a humanidade terá que enfrentar o desafio do avanço científico e tecnológico que proporcione as condições para: 1) o desenvolvimento de foguetes que tenham a capacidade alcançar velocidades próximas à da luz para realizar viagens interestelares; 2) a colonização de Marte. 3) a promoção de viagens interestelares rumo ao exoplaneta Proxima B pertencente ao sistema planetário Alpha Centauri; 4) a realização de viagens espaciais e interestelares com velocidades correspondentes à velocidade da luz (300.000 km/s); e, 5) os seres humanos escaparem para universos paralelos com o fim do Universo em que vivemos  

O primeiro grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pelo desenvolvimento de foguetes que tenham a capacidade de alcançar velocidades próximas à da luz para realizarem viagens interestelares. No que diz respeito aos foguetes, seu papel é o de criar as condições para os seres humanos se deslocarem em direção a locais habitáveis dentro e fora do sistema solar. Na superfície da Terra, a velocidade de escape da Terra é de cerca de 11,2 km/s, o equivalente a 40.320 km/h, ou cerca de 30 vezes mais rápido do que a velocidade do som a 25 °C.  A velocidade de escape é a velocidade mínima necessária que um foguete necessita ter para conseguir escapar da atração gravitacional da Terra.

O grande desafio por trás da exploração do espaço não está em o foguete alcançar grandes altitudes de centenas de quilômetros, mas sim em alcançar grandes velocidades para se manter em órbita ou escapar da atração gravitacional de nosso planeta. E uma das maiores barreiras para a realização deste feito é a necessidade de acelerar a carga útil presa ao foguete, bem como seus tanques e propelentes. Para se manter em órbita da Terra, por exemplo, uma nave ou satélite precisa adquirir velocidade suficiente para escapar da força de atração gravitacional da Terra [8]. No momento, a propulsão de foguetes se faz com combustível químico e combustível sólido não existindo novas formas de propulsão para uma viagem interestelar. Nem o combustível químico e sólido dos foguetes, nem a energia nuclear e nem os painéis solares que venham a ser utilizados servem para cobrir, num tempo acessível, as distâncias de mais de 40 trilhões de quilômetros até os astros mais próximos. Algumas ideias alternativas de propulsão de foguetes consistem no uso da fusão nuclear e das explosões de matéria e antimatéria, que ainda não foram desenvolvidas. Para as missões interplanetárias de longa distância, os físicos terão que encontrar formas mais avançadas de propulsão de foguetes se esperam alcançar distâncias a centenas de anos-luz haja vista que os foguetes movidos com combustíveis químicos e sólidos atuais são limitados pela velocidade máxima dos gases de escapamento, segundo Michio Kaku [7]. Outra alternativa consiste no desenvolvimento de um motor solar/iônico. Outra solução possível seria criar um reator de fusão, um foguete que extrai hidrogênio do espaço interestelar e o liquefaz liberando quantidades ilimitadas de energia no processo.

O segundo grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pela colonização de Marte cuja viagem duraria de seis a doze meses. Além disso, os tripulantes precisariam ficar por lá por pelo menos 15 meses, esperando que Marte e Terra fiquem do mesmo lado do Sol e mais próximos para poderem voltar para casa. A NASA e as agências espaciais de vários países (China e Arábia Saudita) estão neste momento com missões ativas em Marte, investigando o planeta, preparando o terreno para a chegada dos seres humanos. Baixas temperaturas, gás carbônico e radiação cósmica e solar são as ameaças contra os seres humanos em Marte [10]. As temperaturas extremamente baixas, de -120ºC a +20ºC, a atmosfera praticamente inexistente e feita quase que somente de gás carbônico e a altíssima incidência de radiação, tanto na forma de radiação ultravioleta do Sol, quanto na forma de partículas, produzidas em explosões solares e de raios cósmicos são grandes problemas a resolver para os seres humanos colonizarem Marte. Apesar disso, os principais desafios tecnológicos e sanitários para levar o homem a Marte em uma missão que duraria até três anos foram quase todos resolvidos.

Para enfrentar a temperatura de Marte, a solução consistiria em aquecer o planeta com a capacidade humana de provocar o efeito estufa. A solução envolveria o uso de fontes de energia como fissão ou fusão nuclear, ou, ainda, painéis solares mais eficientes e duráveis. Para lidar com a falta de oxigênio e a atmosfera rarefeita feita quase que somente de gás carbônico, os cientistas acreditam que seja possível extrair elementos das rochas marcianas e produzir os gases necessários para os seres humanos respirarem dentro de cúpulas ou colônias espaciais. Por não ter um campo magnético como a Terra, ou uma atmosfera espessa, Marte é muito mais exposta à radiação solar e cósmica cujas consequências dessa exposição para os seres humanos seriam, invariavelmente, problemas de saúde como câncer e outras lesões. Para se proteger da radiação, os seres humanos devem se abrigar em cavernas naturais ou estrutura que sirva de habitação que precisa ser hermética. No futuro, tijolos de aerogel colocados com um acrílico bem forte poderiam ser usados para fazer uma cúpula pressurizada para humanos [3]. Além disso, já existe engenharia disponível para fazer trajes de proteção e abrigos para os astronautas à prova de radiação. É preciso continuar os estudos para tornar esses trajes de proteção mais leves e menos custosos.

Se alguém desenvolver um problema de saúde ou se machucar durante os quase dois anos que estiverem no planeta Marte precisam ser lá atendidos [5]. O primeiro caso pode ser resolvido com uma bateria de exames detalhada e intensa para descobrir qualquer predisposição para desenvolver alguma doença. O segundo seria mais fácil de resolver não havendo, portanto, nenhum obstáculo médico absoluto para colonizar Marte. Já se sabe qual é o local ideal para construir um assentamento humano. Há um lugar chamado Deuteronilus Mensae onde há água no subsolo do planeta. Se implantar uma colônia espacial neste local terá água perto da superfície. Os pesquisadores também já estão trabalhando nas possibilidades de plantações com o cultivo de plantas em uma simulação do solo e das condições climáticas de Marte, dentro de estufas. Em breve, os testes começarão em estufas feitas à base de aerogel [3]. Não é por acaso que o bilionário Elon Musk quer ser um dos primeiros a colonizar o planeta Marte com seu plano ambicioso de levar mais de um milhão de pessoas para lá até 2050.

O terceiro grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pela necessidade de promover viagens interestelares rumo ao exoplaneta Proxima B pertencente ao sistema planetário Alpha Centauri situado a 4,2 anos-luz da Terra.  A colonização de Marte e das luas de Júpiter (Callisto) e Saturno (Titan) que são os locais habitáveis mais viáveis para os seres humanos no sistema solar representa um grande desafio para a humanidade, porém maior desafio é representado pela necessidade de promover viagens interestelares rumo ao exoplaneta Proxima B pertencente ao sistema planetário Alpha Centauri. A NASA estuda missão interestelar para 2069 [5] visando a exploração de Proxima B Centauri, um planeta habitável do tamanho da Terra, que pode levar quase um século. Uma nave capaz de viajar a 10% da velocidade da luz, alcançaria Proxima B em 40 anos. As primeiras imagens feitas de lá chegariam à Terra cerca de quatro anos mais tarde, em 2113, quase daqui a um século. Isso significa dizer que os engenheiros e cientistas que analisarem essas imagens nem sequer terão nascido quando a nave for lançada e, provavelmente, a maioria de seus projetistas originais já estarão mortos. Nenhuma missão espacial enfrentou esse tipo de horizonte temporal – e esse é exatamente um de seus maiores desafios. Quando a nave espacial chegar em Proxima B, a tecnologia da época já será muito mais evoluída. Esta sonda será capaz de se atualizar, reprogramar e transformar sem necessidade de receber todas as instruções da Terra, usando impressoras 3D e sistemas de inteligência artificial capazes de criar novos programas de software. Sua meta seria fazer imagens aproveitando o fenômeno das lentes gravitacionais, como se fosse uma lupa para ampliar a imagem do astro a ser observado.  

O quarto grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pela necessidade de realizar viagens espaciais e interestelares com velocidades correspondentes à velocidade da luz (300.000 km/s). A este nível de velocidade, seria possível alcançar a Lua em 1,3 s, o Sol em 8min20s, Plutão em 5h21s e demandaria 100 mil anos para ir de ponta a ponta na nossa galáxia, 163 mil anos para ir até a galáxia mais próxima e 93 bilhões de anos para atravessar o Universo visível. Para esse propósito, precisaríamos de uma nave espacial que viajasse a uma velocidade absurdamente alta para chegar aos nossos vizinhos – algo próximo da velocidade da luz. Além de não termos tecnologia de foguetes que desenvolvam velocidades próximas à da luz, as viagens interestelares seriam inviáveis mesmo que dispuséssemos desses foguetes porque com velocidade próxima à da luz ocorreriam consequências negativas para a vida dos seres humanos e as próprias naves espaciais.  

O que aconteceria ao corpo de uma pessoa em uma viagem à velocidade da luz [9]? Para cada centímetro cúbico do espaço interestelar, os cientistas acreditam que exista cerca de dois átomos de hidrogênio. Esse gás escasso pode fazer mal aos seres humanos em uma viagem próxima à velocidade da luz.  Baseado na teoria da relatividade de Albert Einstein, se acredita que o hidrogênio que está no espaço interestelar seria transformado em uma intensa radiação que poderia, em segundos, matar os tripulantes/ passageiros da nave espacial e destruir os equipamentos eletrônicos. Como os átomos de hidrogênio têm apenas um próton no núcleo, estes poderiam expor a tripulação/ passageiros da nave espacial a uma perigosa radiação ionizante que quebraria os elos químicos e danificaria o DNA. A dose fatal de radiação para humanos é 6 sieverts. A tripulação de uma espaçonave próxima à velocidade da luz receberia o equivalente a 10 mil sieverts em apenas um segundo, o que também enfraqueceria a estrutura da nave espacial e danificaria os equipamentos eletrônicos.

A velocidade de 300 mil km por segundo facilitaria bastante a exploração espacial [2]. Bastariam quatro anos e três meses para chegar ao sistema Alpha Centauri, o sistema planetário mais próximo da Terra. No início, essas viagens serão feitas por sondas, telescópios e robôs, devido às limitações físicas e psicológicas do homem. Uma jornada nessa velocidade até outro planeta habitável levaria dezenas de milhares de anos. Mesmo que o viajante sobrevivesse, o impacto psicológico do longo isolamento poderia enlouquecê-lo. Isto significa dizer que missões tripuladas ainda estariam restritas à nossa “vizinhança” imediata, isto é, o sistema solar. Einstein comprovou que quanto mais rápido alguém se desloca, menor será o fluxo do tempo para o viajante porque haveria contração do tempo. Minutos para uma pessoa viajando na velocidade da luz podem equivaler a anos para alguém na Terra. Se uma pessoa viajar em velocidade próxima à da luz e chegar a uma estrela que está a 150 anos-luz de distância, o problema é que ao voltar à Terra, mais de 300 anos terão se passado por aqui. Esse é um dos principais dilemas de viagem interestelar.

A teoria da relatividade geral impõe restrições severas às viagens interestelares. Uma delas é a mais óbvia: nada pode ser acelerado a velocidades acima à da luz, que é cerca de 300.000 km/s [4]. Mesmo que pudéssemos viajar nessa velocidade, ainda levaríamos muito tempo para chegar a outras estrelas e seus respectivos sistemas planetários. A teoria da relatividade geral abriu novos campos da ciência e permitiu ideias como a de criar um motor de dobra espacial para viajar para qualquer canto do Universo. O conceito de dobra espacial não é novo. Trata-se de uma espécie de motor que permite à nave espacial uma viagem em velocidade superior à da luz. É uma tecnologia que permitiria criar uma “bolha” no espaço-tempo. Essa bolha poderia criar uma espécie de ponte entre dois pontos do espaço. A viagem a destinos situados a anos-luz de distância da Terra ainda continuará fora do nosso alcance, mas uma tecnologia de dobra espacial, caso venha a existir algum dia, pode ser a solução para realizar viagens interestelares.

O quinto grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pela necessidade dos seres humanos escaparem para universos paralelos com o fim do Universo em que vivemos. Sobre a existência de universos paralelos, cabe destacar a última pesquisa do físico Stephen Hawking [6] que aponta que nosso Universo pode ser apenas um de muitos outros parecidos com ele. A teoria de Hawking indica um caminho para astrônomos em busca de indícios da existência de universos paralelos. Michio Kaku [7] afirma ser preciso superar uma série de grandes obstáculos para os seres humanos escaparem para universos paralelos. A primeira barreira seria completar uma teoria de tudo ou do campo unificado quando teríamos condições de verificar as consequências da utilização de tecnologias avançadas. Entre outras alternativas, Kaku propõe construir uma máquina de impulsionar a dobra espacial com capacidade de cruzar imensas distâncias estelares, usar a energia negativa dos estados comprimidos com o uso de raios laser que podem ser utilizados para gerar matéria negativa para abrir e estabilizar buracos de minhoca e esperar por transições quânticas para escapar para outro universo.

O enfrentamento de todos esses desafios só será coroado de êxito com a existência de um governo mundial capaz de coordenar as ações dos governos nacionais visando a promoção do avanço científico e tecnológico e o aumento da capacidade biológica e psíquica dos seres humanos para realizarem viagens espaciais e interestelares e viverem fora da Terra.

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

2. BARBOSA, KLEYSON. E se o ser humano pudesse viajar na velocidade da luz? Disponível no website <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-se-o-ser-humano-pudesse-viajar-na-velocidade-da-luz/>.

3. CAVALCANTE, DANIELECientistas descobrem como tornar Marte habitável para seres humanos. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/cientistas-descobrem-como-tornar-marte-habitavel-para-seres-humanos-146061/>.

4. CAVALCANTE, DANIELETecnologia de dobra espacial pode possibilitar coisas incríveis, sugere estudo. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/tecnologia-de-dobra-espacial-pode-possibilitar-coisas-incriveis-sugere-estudo-183656/>.

5. DOMINGUEZ, NUÑO, NASA estuda missão interestelar para 2069. Disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/ciencia/1514919058_767605.html>.

6. GHOSH, Pallab. A teoria dos universos paralelos no ainda inédito último trabalho de Stephen Hawking. Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/geral-43979777>.

7. KAKU, Michio (2005). Mundos paralelos. Rio: Editora Rocco Ltda.

8. MUNDO EDUCAÇÃO. Velocidade de escape. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/velocidade-escape.htm>.

9. TERRA.COM. O que aconteceria ao corpo em uma viagem à velocidade da luz? Disponível no website <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/o-que-aconteceria-ao-corpo-em-uma-viagem-a-velocidade-da-luz,2708859fd53ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

10. UOL. Frio, gás carbônico e radiação: dá para um ser humano viver em Marte? Disponível no website <https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2021/05/18/da-para-um-humano-viver-em-marte.htm>.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

[1] Website para aquisição do livro: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

THE FIVE GREAT HUMAN CHALLENGES TO MAKE SPACE AND INTERSTELLAR TRAVELS

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the five major scientific and technological challenges for human beings to carry out space and interstellar travel in the face of the need for human colonization in other worlds to prevent the extinction of humanity based on the conclusions of our book “The humanity threatened and the strategies for its survival” published by Editora Dialética in this year of 2021[1]. In this book, it was demonstrated: 1) the need to adopt escape strategies of humans to habitable places within the solar system (Mars, the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) where space colonies would be implanted in the case of large volcano eruptions like those 250 million years ago that ended a life cycle on Earth, if Earth is threatened by gamma-ray emission from supernova stars, when Earth’s climate becomes lethal to human life with continuous distancing of the Moon from Earth and if orphan planets collide with planet Earth; 2) the need to adopt escape strategies for human beings to habitable places outside the solar system, such as the exoplanet “Proxima b” orbiting a star that is part of the Alpha Centauri planetary system, the closest to the solar system, located 4.2 years -light distance from Earth if the collision on planet Earth of planets in the solar system occurs and before the death of the Sun; 3) the need to adopt human beings’ escape strategies to habitable locations in other closer galaxies to save humanity before the Andromeda and Milky Way galaxies collide such as the Big Dog Dwarf Galaxy located 25,000 light-years from Earth or in the Large Magellanic Cloud, located 163,000 light-years from Earth; and, 4) the need to adopt escape strategies from human beings to parallel universes before the end of our Universe.

To implement all these strategies, it is imperative: 1) scientific and technological advancement to enable the escape of human beings to habitable places inside and outside the solar system; 2) the increase in the biological capacity of human beings so that they are able to challenge the limits imposed by nature in order to survive the threats to their survival on planet Earth and, especially, in outer space; and 3) the constitution of a world government to coordinate the actions of national governments to face the threats against the survival of humanity existing on planet Earth and those existing and coming from outer space [1]. All of this means to say that humanity will have to face the challenge of scientific and technological advances that provide the conditions for: 1) the development of rockets that have the capacity to reach speeds close to that of light to carry out interstellar travels; 2) the colonization of Mars. 3) the promotion of interstellar travel towards the exoplanet Proxima B belonging to the Alpha Centauri planetary system; 4) performing space and interstellar travel at speeds corresponding to the speed of light (300,000 km/s); and, 5) human beings escape to parallel universes to the end of the Universe in which we live.

Humanity’s first major scientific and technological challenge is represented by the development of rockets that have the capacity to reach speeds close to that of light to carry out interstellar travel. As far as rockets are concerned, their role is to create the conditions for human beings to move towards habitable places inside and outside the solar system. At the Earth’s surface, Earth’s escape velocity is about 11.2 km/s, equivalent to 40,320 km/h, or about 30 times faster than the speed of sound at 25 °C. The escape velocity is the minimum necessary speed that a rocket needs to be able to escape the Earth’s gravitational attraction.

The big challenge behind space exploration is not for the rocket to reach great altitudes of hundreds of kilometers, but rather to reach great speeds to stay in orbit or escape the gravitational pull of our planet. And one of the biggest barriers to achieving this feat is the need to accelerate the payload attached to the rocket, as well as its tanks and propellants. To stay in Earth orbit, for example, a spacecraft or satellite needs to acquire enough speed to escape the Earth’s gravitational pull [8]. At the moment, rocket propulsion is done with chemical fuel and solid fuel, and there are no new forms of propulsion for interstellar travel. Neither chemical and solid rocket fuel, nor nuclear energy, nor the solar panels that may be used will cover, in an accessible time, the distances of more than 40 trillion kilometers to the nearest stars. Some alternative ideas for rocket propulsion are the use of nuclear fusion and matter and antimatter explosions, which have not yet been developed. For long-distance interplanetary missions, physicists will have to find more advanced forms of rocket propulsion if they hope to reach distances of hundreds of light-years since rockets powered by today’s chemical and solids fuels are limited by the maximum velocity of exhaust gases, according to Michio Kaku [7]. Another alternative is to develop a solar/ionic motor. Another possible solution would be to create a fusion reactor, a rocket that extracts hydrogen from interstellar space and liquefies it, releasing unlimited amounts of energy in the process.

The second great scientific and technological challenge for humanity is represented by the colonization of Mars, whose journey would last from six to twelve months. In addition, the crew would need to stay there for at least 15 months, hoping that Mars and Earth are on the same side of the Sun and closer together so they can return home. NASA and space agencies from several countries (China and Saudi Arabia) are currently with active missions on Mars, investigating the planet, preparing the ground for the arrival of human beings. Low temperatures, carbon dioxide, and cosmic and solar radiation are threats against humans on Mars [10]. The extremely low temperatures, from -120ºC to +20ºC, the atmosphere practically non-existent and made almost only of carbon dioxide and the very high incidence of radiation, both in the form of ultraviolet radiation from the Sun, and in the form of particles, produced in solar explosions and cosmic rays are big problems to solve for humans to colonize Mars. Despite this, the main technological and sanitary challenges to take man to Mars on a mission that would last up to three years were almost all solved.

To face the temperature of Mars, the solution would be to warm the planet with the human capacity to cause the greenhouse effect. The solution would involve the use of energy sources such as fission or nuclear fusion, or even more efficient and durable solar panels. To deal with the lack of oxygen and the thin atmosphere made almost entirely of carbon dioxide, scientists believe it is possible to extract elements from the Martian rocks and produce the gases necessary for humans to breathe inside domes or space colonies. Because it does not have a magnetic field like Earth, or a thick atmosphere, Mars is much more exposed to solar and cosmic radiation, whose consequences for human beings would invariably be health problems such as cancer and other injuries. To protect themselves from radiation, humans must shelter in natural caves or housing structures that need to be airtight. In the future, airgel bricks placed with very strong acrylic could be used to make a pressurized dome for humans [3]. In addition, there is already engineering available to make radiation-proof protective suits and shelters for astronauts. It is necessary to continue studies to make these protective suits lighter and less expensive.

If someone develops a health problem or gets injured during the nearly two years they have been on the planet Mars, they need to be attended to there [5]. The first case can be resolved with a battery of detailed and intense tests to discover any predisposition to develop any disease. The second would be easier to resolve and therefore there are no absolute medical obstacles to colonizing Mars. It is already known which is the ideal place to build a human settlement. There is a place called Deuteronilus Mensae where there is water in the planet’s underground. If you deploy a space colony at this location you will have water close to the surface. The researchers are also already working on the possibilities of plantations with the cultivation of plants in a simulation of the soil and climatic conditions of Mars, inside greenhouses. Tests will soon begin in airgel-based greenhouses [3]. It’s no coincidence that billionaire Elon Musk wants to be one of the first to colonize the planet Mars with his ambitious plan to get more than a million people there by 2050.

The third great scientific and technological challenge for humanity is represented by the need to promote interstellar travel towards the exoplanet Proxima B belonging to the Alpha Centauri planetary system located 4.2 light-years from Earth. The colonization of Mars and the moons of Jupiter (Callisto) and Saturn (Titan) which are the most viable habitable places for humans in the solar system represents a great challenge for humanity, but a greater challenge is represented by the need to promote interstellar travel towards the exoplanet Proxima B belonging to the Alpha Centauri planetary system. NASA studies an interstellar mission for 2069 [5] aimed at exploring Proxima B Centauri, an Earth-sized habitable planet, which could take nearly a century. A ship capable of traveling at 10% the speed of light would reach Proxima B in 40 years. The first images taken from there would reach Earth about four years later, in 2113, almost a century from now. This means that the engineers and scientists analyzing these images will not even have been born when the spacecraft is launched, and likely most of its original designers will already be dead. No space mission has faced that kind of time horizon – and that’s exactly one of its biggest challenges. When the spacecraft arrives at Proxima B, the technology of the time will already be much more evolved. This probe will be able to update, reprogram and transform itself without having to receive all the instructions from Earth, using 3D printers and artificial intelligence systems capable of creating new software programs. His goal would be to make images taking advantage of the phenomenon of gravitational lenses, as if it were a magnifying glass to enlarge the image of the star to be observed.

Humanity’s fourth great scientific and technological challenge is represented by the need to carry out space and interstellar travel at speeds corresponding to the speed of light (300,000 km/s). At this speed level, it would be possible to reach the Moon in 1.3 s, the Sun in 8min20s, Pluto in 5h21s and it would take 100,000 years to go from end to end in our galaxy, 163,000 years to go to the nearest galaxy and 93 billion years to traverse the visible Universe. For that purpose, we would need a spacecraft that travels at an absurdly high speed to reach our neighbors – something close to the speed of light. In addition to not having rocket technology that develops speeds close to that of light, interstellar travel would be unfeasible even if we had these rockets because with a speed close to that of light there would be negative consequences for the lives of human beings and the spacecraft themselves.

What would happen to a person’s body on a trip at the speed of light [9]? For every cubic centimeter of interstellar space, scientists believe there are about two hydrogen atoms. This scarce gas can harm humans on a trip close to the speed of light. Based on Albert Einstein’s theory of relativity, it is believed that hydrogen in interstellar space would be transformed into intense radiation that could, in seconds, kill spacecraft crew/passengers and destroy electronic equipment. Since hydrogen atoms have only one proton in the nucleus, they could expose the spacecraft crew/passengers to dangerous ionizing radiation that would break chemical bonds and damage DNA. The fatal dose of radiation for humans is 6 sieverts. The crew of a spacecraft close to the speed of light would receive the equivalent of 10,000 sieverts in just one second, which would also weaken the spacecraft’s structure and damage electronic equipment.

The speed of 300,000 km per second would greatly facilitate space exploration [2]. It would take four years and three months to reach the Alpha Centauri system, the closest planetary system to Earth. In the beginning, these trips will be made by probes, telescopes and robots, due to the physical and psychological limitations of man. A journey at that speed to another habitable planet would take tens of thousands of years. Even if the traveler survived, the psychological impact of the long isolation could drive him mad. This means that manned missions would still be restricted to our immediate “neighborhood”, ie, the solar system. Einstein proved that the faster someone moves, the less time flow will be for the traveler because there would be time contraction. Minutes for a person traveling at the speed of light can be years for someone on Earth. If a person travels at close to the speed of light and arrives at a star that is 150 light-years away, the problem is that when they return to Earth, more than 300 years will have passed by here. This is one of the main interstellar travel dilemmas.

General relativity theory imposes severe restrictions on interstellar travel. One of them is the most obvious: nothing can be accelerated to speeds above that of light, which is about 300,000 km/s [4]. Even if we could travel at that speed, it would still take us a long time to reach other stars and their respective planetary systems. General relativity theory opened up new fields of science and allowed ideas such as creating a warp engine to travel to any corner of the Universe. The concept of warp space is not new. It is a kind of engine that allows the spacecraft to travel faster than light. It is a technology that would make it possible to create a “bubble” in space-time. This bubble could create a kind of bridge between two points in space. Travel to destinations light-years away from Earth will still be beyond our reach, but warp-space technology, should it ever exist, could be the solution for conducting interstellar travel.

The fifth great scientific and technological challenge for humanity is represented by the need for human beings to escape to universes parallel with the end of the Universe in which we live. Regarding the existence of parallel universes, it is worth highlighting the latest research by physicist Stephen Hawking [6] which points out that our universe may be just one of many others similar to it. Hawking’s theory points a way for astronomers to look for evidence of the existence of parallel universes. Michio Kaku [7] states that it is necessary to overcome a series of major obstacles for human beings to escape to parallel universes. The first hurdle would be to complete a theory of everything or a unified field theory when we would be able to verify the consequences of using advanced technologies. Among other alternatives, Kaku proposes to build a warp drive machine capable of crossing immense stellar distances, using negative energy from compressed states with the use of laser beams that can be used to generate negative matter to open and stabilize wormholes and wait for quantum transitions to escape to another universe.

Facing up to all these challenges will only be successful with the existence of a world government capable of coordinating the actions of national governments aimed at promoting scientific and technological advancement and increasing the biological and psychological capacity of human beings to carry out space travel and interstellar and live off-Earth.

REFERENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

2. BARBOSA, KLEYSON. E se o ser humano pudesse viajar na velocidade da luz? Disponível no website <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-se-o-ser-humano-pudesse-viajar-na-velocidade-da-luz/>.

3. CAVALCANTE, DANIELECientistas descobrem como tornar Marte habitável para seres humanos. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/cientistas-descobrem-como-tornar-marte-habitavel-para-seres-humanos-146061/>.

4. CAVALCANTE, DANIELETecnologia de dobra espacial pode possibilitar coisas incríveis, sugere estudo. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/tecnologia-de-dobra-espacial-pode-possibilitar-coisas-incriveis-sugere-estudo-183656/>.

5. DOMINGUEZ, NUÑO, NASA estuda missão interestelar para 2069. Disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/ciencia/1514919058_767605.html>.

6. GHOSH, Pallab. A teoria dos universos paralelos no ainda inédito último trabalho de Stephen Hawking. Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/geral-43979777>.

7. KAKU, Michio (2005). Mundos paralelos. Rio: Editora Rocco Ltda.

8. MUNDO EDUCAÇÃO. Velocidade de escape. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/velocidade-escape.htm>.

9. TERRA.COM. O que aconteceria ao corpo em uma viagem à velocidade da luz? Disponível no website <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/o-que-aconteceria-ao-corpo-em-uma-viagem-a-velocidade-da-luz,2708859fd53ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

10. UOL. Frio, gás carbônico e radiação: dá para um ser humano viver em Marte? Disponível no website <https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2021/05/18/da-para-um-humano-viver-em-marte.htm>.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

[1] Website for book purchase: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

LES CINQ GRANDS DÉFIS HUMAINS POUR FAIRE DES VOYAGES SPATIAUX ET INTERSTELLAIRES

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de présenter les cinq grands défis scientifiques et technologiques pour les êtres humains pour effectuer des voyages spatiaux et interstellaires face à la nécessité de la colonisation humaine dans d’autres mondes pour empêcher l’extinction de l’humanité sur la base des conclusions de notre livre « L’humanité menacé et les stratégies pour sa survie” publié par Editora Dialética en cette année 2021[1]. Dans ce livre, il a été démontré : 1) la nécessité d’adopter des stratégies de fuite des humains vers des lieux habitables du système solaire (Mars, la lune de Saturne, Titan, et de Jupiter, Callisto) où des colonies spatiales seraient implantées dans le cas de grandes éruptions volcaniques comme celles il y a 250 millions d’années qui ont mis fin à un cycle de vie sur Terre, si la Terre est menacée par l’émission de rayons gamma des étoiles de supernova, lorsque le climat de la Terre devient mortel pour la vie humaine avec un éloignement continu de la Lune de la Terre et si orphelin les planètes entrent en collision avec la planète Terre ; 2) la nécessité d’adopter des stratégies de fuite pour les êtres humains vers des lieux habitables en dehors du système solaire, comme l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour d’une étoile faisant partie du système planétaire Alpha Centauri, la plus proche du système solaire, située à 4,2 ans -distance lumineuse de la Terre si la collision sur la planète Terre des planètes du système solaire se produit et avant la mort du Soleil ; 3) la nécessité d’adopter des stratégies d’évasion des êtres humains vers des emplacements habitables dans d’autres galaxies plus proches pour sauver l’humanité avant la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée, comme la Galaxie Naine du Grand Chien située à 25 000 années-lumière de la Terre ou dans le Grand Nuage de Magellan, situé à 163 000 années-lumière de la Terre ; et, 4) la nécessité d’adopter des stratégies d’évasion des êtres humains vers des univers parallèles avant la fin de notre Univers.

Pour mettre en œuvre toutes ces stratégies, il est impératif : 1) des avancées scientifiques et technologiques permettant la fuite des êtres humains vers des lieux habitables à l’intérieur et à l’extérieur du système solaire ; 2) l’augmentation de la capacité biologique des êtres humains afin qu’ils soient capables de défier les limites imposées par la nature afin de survivre aux menaces qui pèsent sur leur survie sur la planète Terre et, en particulier, dans l’espace extra-atmosphérique ; et 3) la constitution d’un gouvernement mondial pour coordonner les actions des gouvernements nationaux pour faire face aux menaces contre la survie de l’humanité existant sur la planète Terre et celles existantes et venant de l’espace extra-atmosphérique [1]. Autant dire que l’humanité devra relever le défi des avancées scientifiques et technologiques qui permettent : 1) le développement de fusées ayant la capacité d’atteindre des vitesses proches de celle de la lumière pour effectuer des voyages interstellaires ; 2) la colonisation de Mars. 3) la promotion du voyage interstellaire vers l’exoplanète Proxima B appartenant au système planétaire Alpha Centauri ; 4) effectuer des voyages spatiaux et interstellaires à des vitesses correspondant à la vitesse de la lumière (300 000 km/s) ; et, 5) les êtres humains pouvoir fuir les univers parallèles vers des univers parallèles jusqu’à la fin de l’Univers dans lequel nous vivons.

Le premier grand défi scientifique et technologique de l’humanité est représenté par le développement de fusées qui ont la capacité d’atteindre des vitesses proches de celle de la lumière pour effectuer des voyages interstellaires. Quant aux fusées, leur rôle est de créer les conditions pour que les êtres humains se dirigent vers des lieux habitables à l’intérieur et à l’extérieur du système solaire. À la surface de la Terre, la vitesse de fuite de la Terre est d’environ 11,2 km/s, ce qui équivaut à 40 320 km/h, soit environ 30 fois plus rapide que la vitesse du son à 25 °C. La vitesse de fuite est la vitesse minimale nécessaire à une fusée pour pouvoir échapper à l’attraction gravitationnelle de la Terre.

Le grand défi derrière l’exploration spatiale n’est pas que la fusée atteigne de grandes altitudes de centaines de kilomètres, mais plutôt d’atteindre de grandes vitesses pour rester en orbite ou échapper à l’attraction gravitationnelle de notre planète. Et l’un des plus grands obstacles à la réalisation de cet exploit est la nécessité d’accélérer la charge utile attachée à la fusée, ainsi que ses réservoirs et propulseurs. Pour rester en orbite terrestre, par exemple, un vaisseau spatial ou un satellite doit acquérir une vitesse suffisante pour échapper à l’attraction gravitationnelle de la Terre [8]. À l’heure actuelle, la propulsion des fusées se fait avec du carburant chimique et du carburant solide, et il n’y a pas de nouvelles formes de propulsion pour les voyages interstellaires. Ni le combustible chimique et solide pour fusée, ni l’énergie nucléaire, ni les panneaux solaires qui pourraient être utilisés ne couvriront, dans un temps accessible, les distances de plus de 40 000 milliards de kilomètres aux étoiles les plus proches. Certaines idées alternatives pour la propulsion des fusées sont l’utilisation de la fusion nucléaire et des explosions de matière et d’antimatière, qui n’ont pas encore été développées. Pour les missions interplanétaires à longue distance, les physiciens devront trouver des formes plus avancées de propulsion de fusée s’ils espèrent atteindre des distances de centaines d’années-lumière, car les fusées alimentées par les combustibles chimiques et solides d’aujourd’hui sont limitées par la vitesse maximale des gaz d’échappement, selon à Michio Kaku [7]. Une autre alternative est de développer un moteur solaire/ionique. Une autre solution possible serait de créer un réacteur à fusion, une fusée qui extrait l’hydrogène de l’espace interstellaire et le liquéfie, libérant ainsi des quantités illimitées d’énergie.

Le deuxième grand défi scientifique et technologique pour l’humanité est représenté par la colonisation de Mars, dont le voyage durera de six à douze mois. De plus, l’équipage devrait y rester au moins 15 mois, en espérant que Mars et la Terre soient du même côté du Soleil et plus proches l’un de l’autre pour pouvoir rentrer chez eux. La NASA et les agences spatiales de plusieurs pays (Chine et Arabie saoudite) mènent actuellement des missions actives sur Mars, enquêtant sur la planète, préparant le terrain à l’arrivée d’êtres humains. Les basses températures, le dioxyde de carbone et le rayonnement cosmique et solaire sont des menaces contre les humains sur Mars [10]. Les températures extrêmement basses, de -120ºC à +20ºC, l’atmosphère pratiquement inexistante et constituée presque uniquement de dioxyde de carbone et la très forte incidence de rayonnement, à la fois sous forme de rayonnement ultraviolet du Soleil, et sous forme de particules, produits dans les explosions solaires et les rayons cosmiques sont de gros problèmes à résoudre pour que les humains colonisent Mars. Malgré cela, les principaux défis technologiques et sanitaires pour emmener l’homme sur Mars dans une mission qui durerait jusqu’à trois ans ont été presque tous résolus.

Pour faire face à la température de Mars, la solution serait de réchauffer la planète avec la capacité humaine de provoquer l’effet de serre. La solution passerait par l’utilisation de sources d’énergie telles que la fission ou la fusion nucléaire, ou encore des panneaux solaires plus efficaces et durables. Pour faire face au manque d’oxygène et à la fine atmosphère composée presque entièrement de dioxyde de carbone, les scientifiques pensent qu’il est possible d’extraire des éléments des roches martiennes et de produire les gaz nécessaires à la respiration humaine à l’intérieur des dômes ou des colonies spatiales. Parce qu’elle n’a pas de champ magnétique comme la Terre, ou une atmosphère épaisse, Mars est beaucoup plus exposée au rayonnement solaire et cosmique, dont les conséquences pour les êtres humains seraient invariablement des problèmes de santé tels que le cancer et d’autres blessures. Pour se protéger des radiations, les humains doivent s’abriter dans des grottes naturelles ou des structures d’habitation qui doivent être étanches à l’air. À l’avenir, des briques d’aérogel placées avec de l’acrylique très résistant pourraient être utilisées pour fabriquer un dôme sous pression pour l’homme [3]. De plus, il existe déjà des technologies disponibles pour fabriquer des combinaisons de protection et des abris anti-rayonnement pour les astronautes. Il est nécessaire de poursuivre les études pour rendre ces combinaisons de protection plus légères et moins chères.

Si quelqu’un développe un problème de santé ou se blesse pendant les près de deux ans qu’il a passés sur la planète Mars, il doit y être soigné [5]. Le premier cas peut être résolu avec une batterie de tests détaillés et intenses pour découvrir toute prédisposition à développer une maladie. Le second serait plus facile à résoudre et il n’y a donc pas d’obstacle médical absolu à la colonisation de Mars. On sait déjà quel est l’endroit idéal pour construire un établissement humain. Il y a un endroit appelé Deuteronilus Mensae où il y a de l’eau dans le sous-sol de la planète. Si quelqu’un deployer une colonie spatiale à cet endroit, il aura de l’eau près de la surface. Les chercheurs travaillent également déjà sur les possibilités de plantations avec la culture de plantes dans une simulation des conditions pédologiques et climatiques de Mars, à l’intérieur de serres. Des tests vont bientôt commencer dans des serres à base d’aérogel [3]. Ce n’est pas un hasard si le milliardaire Elon Musk veut être l’un des premiers à coloniser la planète Mars avec son plan ambitieux d’y attirer plus d’un million de personnes d’ici 2050.

Le troisième grand défi scientifique et technologique pour l’humanité est représenté par la nécessité de favoriser les voyages interstellaires vers l’exoplanète Proxima B appartenant au système planétaire Alpha Centauri située à 4,2 années-lumière de la Terre. La colonisation de Mars et des lunes de Jupiter (Callisto) et de Saturne (Titan) qui sont les endroits habitables les plus viables pour les humains dans le système solaire représente un grand défi pour l’humanité, mais un défi plus important est représenté par la nécessité de promouvoir les voyages interstellaires. vers l’exoplanète Proxima B appartenant au système planétaire Alpha Centauri. La NASA étudie une mission interstellaire pour 2069 [5] visant à explorer Proxima B Centauri, une planète habitable de la taille de la Terre, qui pourrait prendre près d’un siècle. Un navire capable de voyager à 10 % de la vitesse de la lumière atteindrait Proxima B dans 40 ans. Les premières images prises à partir de là atteindraient la Terre environ quatre ans plus tard, en 2113, dans près d’un siècle. Cela signifie que les ingénieurs et les scientifiques analysant ces images ne seront même pas nés lorsque le vaisseau spatial sera lancé, et probablement la plupart de ses concepteurs originaux seront déjà morts. Aucune mission spatiale n’a été confrontée à ce genre d’horizon temporel – et c’est exactement l’un de ses plus grands défis. Lorsque la sonde arrivera à Proxima B, la technologie de l’époque sera déjà bien plus évoluée. Cette sonde pourra se mettre à jour, se reprogrammer et se transformer sans avoir à recevoir toutes les instructions de la Terre, à l’aide d’imprimantes 3D et de systèmes d’intelligence artificielle capables de créer de nouveaux logiciels. Son objectif serait de faire des images en profitant du phénomène des lentilles gravitationnelles, comme s’il s’agissait d’une loupe pour agrandir l’image de l’étoile à observer.

Le quatrième grand défi scientifique et technologique de l’humanité est représenté par la nécessité d’effectuer des voyages spatiaux et interstellaires à des vitesses correspondant à la vitesse de la lumière (300 000 km/s). A ce niveau de vitesse, il serait possible d’atteindre la Lune en 1,3 s, le Soleil en 8min20s, Pluton en 5h21s et il faudrait 100 000 ans pour aller de bout en bout dans notre galaxie, 163 000 ans pour aller dans la galaxie la plus proche et 93 milliards d’années pour traverser l’Univers visible. À cette fin, nous aurions besoin d’un vaisseau spatial qui voyage à une vitesse absurdement élevée pour atteindre nos voisins – quelque chose proche de la vitesse de la lumière. En plus de ne pas avoir de technologie de fusée qui développe des vitesses proches de celle de la lumière, le voyage interstellaire serait irréalisable même si nous avions ces fusées car avec une vitesse proche de celle de la lumière il y aurait des conséquences négatives sur la vie des êtres humains et sur vaisseau spatial eux-mêmes.

Qu’arriverait-il au corps d’une personne lors d’un voyage à la vitesse de la lumière [9] ? Pour chaque centimètre cube d’espace interstellaire, les scientifiques pensent qu’il y a environ deux atomes d’hydrogène. Ce gaz rare peut nuire aux humains lors d’un voyage proche de la vitesse de la lumière. Sur la base de la théorie de la relativité d’Albert Einstein, on pense que l’hydrogène dans l’espace interstellaire serait transformé en un rayonnement intense qui pourrait, en quelques secondes, tuer l’équipage/les passagers du vaisseau spatial et détruire l’équipement électronique. Étant donné que les atomes d’hydrogène n’ont qu’un seul proton dans le noyau, ils pourraient exposer l’équipage et les passagers du vaisseau spatial à des rayonnements ionisants dangereux qui briseraient les liaisons chimiques et endommageraient l’ADN. La dose mortelle de rayonnement pour l’homme est de 6 sieverts. L’équipage d’un engin spatial proche de la vitesse de la lumière recevrait l’équivalent de 10 000 sieverts en une seconde seulement, ce qui affaiblirait également la structure de l’engin spatial et endommagerait les équipements électroniques.

La vitesse de 300 000 km par seconde faciliterait grandement l’exploration spatiale [2]. Il faudrait quatre ans et trois mois pour atteindre le système Alpha Centauri, le système planétaire le plus proche de la Terre. Au début, ces voyages seront effectués par des sondes, des télescopes et des robots, en raison des limitations physiques et psychologiques de l’homme. Un voyage à cette vitesse vers une autre planète habitable prendrait des dizaines de milliers d’années. Même si le voyageur survivait, l’impact psychologique du long isolement pourrait le rendre fou. Cela signifie que les missions habitées seraient toujours limitées à notre “voisinage” immédiat, c’est-à-dire le système solaire. Einstein a prouvé que plus quelqu’un se déplace rapidement, moins le temps passera pour le voyageur car il y aurait une contraction du temps. Les minutes pour une personne voyageant à la vitesse de la lumière peuvent être des années pour quelqu’un sur Terre. Si une personne voyage à une vitesse proche de la lumière et arrive à une étoile distante de 150 années-lumière, le problème est qu’à son retour sur Terre, plus de 300 ans se seront écoulés ici. C’est l’un des principaux dilemmes du voyage interstellaire.

La théorie de la relativité générale impose de sévères restrictions aux voyages interstellaires. L’un d’eux est le plus évident : rien ne peut être accéléré à des vitesses supérieures à celle de la lumière, qui est d’environ 300 000 km/s [4]. Même si nous pouvions voyager à cette vitesse, il nous faudrait encore beaucoup de temps pour atteindre d’autres étoiles et leurs systèmes planétaires respectifs. La théorie de la relativité générale a ouvert de nouveaux domaines scientifiques et a permis à des idées telles que la création d’un moteur de distorsion de voyager dans n’importe quel coin de l’Univers. Le concept d’un moteur de distorsion n’est pas nouveau. C’est une sorte de moteur qui permet au vaisseau spatial de voyager plus vite que la lumière. C’est une technologie qui permettrait de créer une « bulle » dans l’espace-temps. Cette bulle pourrait créer une sorte de pont entre deux points de l’espace. Voyager vers des destinations à des années-lumière de la Terre sera toujours hors de notre portée, mais la technologie de moteur de distorsion, si elle existe un jour, pourrait être la solution pour effectuer des voyages interstellaires.

Le cinquième grand défi scientifique et technologique pour l’humanité est représenté par la nécessité pour les êtres humains de s’évader vers des univers parallèles à la fin de l’Univers dans lequel nous vivons. Concernant l’existence d’univers parallèles, il convient de souligner les dernières recherches du physicien Stephen Hawking [6] qui soulignent que notre univers n’est peut-être qu’un parmi tant d’autres qui lui sont similaires. La théorie de Hawking indique un moyen pour les astronomes de rechercher des preuves de l’existence d’univers parallèles. Michio Kaku [7] affirme qu’il est nécessaire de surmonter une série d’obstacles majeurs pour que les êtres humains s’échappent vers des univers parallèles. Le premier obstacle serait d’achever une théorie du tout ou une théorie des champs unifiés lorsque nous serions en mesure de vérifier les conséquences de l’utilisation de technologies avancées. Entre autres alternatives, Kaku propose de construire une machine d’entraînement à chaîne capable de traverser d’immenses distances stellaires, en utilisant l’énergie négative des états compressés avec l’utilisation de faisceaux laser qui peuvent être utilisés pour générer de la matière négative pour ouvrir et stabiliser les trous de ver et attendre les transitions quantiques pour s’évader dans un autre univers.

Faire face à tous ces défis ne sera couronné de succès qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial capable de coordonner les actions des gouvernements nationaux visant à promouvoir le progrès scientifique et technologique et à augmenter la capacité biologique et psychologique des êtres humains à effectuer des voyages spatiaux et interstellaires et interstellaires pour vivre hors Terre.

LES RÉFÉRENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.

2. BARBOSA, KLEYSON. E se o ser humano pudesse viajar na velocidade da luz? Disponível no website <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-se-o-ser-humano-pudesse-viajar-na-velocidade-da-luz/>.

3. CAVALCANTE, DANIELECientistas descobrem como tornar Marte habitável para seres humanos. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/cientistas-descobrem-como-tornar-marte-habitavel-para-seres-humanos-146061/>.

4. CAVALCANTE, DANIELETecnologia de dobra espacial pode possibilitar coisas incríveis, sugere estudo. Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/tecnologia-de-dobra-espacial-pode-possibilitar-coisas-incriveis-sugere-estudo-183656/>.

5. DOMINGUEZ, NUÑO, NASA estuda missão interestelar para 2069. Disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/02/ciencia/1514919058_767605.html>.

6. GHOSH, Pallab. A teoria dos universos paralelos no ainda inédito último trabalho de Stephen Hawking. Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/geral-43979777>.

7. KAKU, Michio (2005). Mundos paralelos. Rio: Editora Rocco Ltda.

8. MUNDO EDUCAÇÃO. Velocidade de escape. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/velocidade-escape.htm>.

9. TERRA.COM. O que aconteceria ao corpo em uma viagem à velocidade da luz? Disponível no website <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/o-que-aconteceria-ao-corpo-em-uma-viagem-a-velocidade-da-luz,2708859fd53ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

10. UOL. Frio, gás carbônico e radiação: dá para um ser humano viver em Marte? Disponível no website <https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2021/05/18/da-para-um-humano-viver-em-marte.htm>.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

[1] Site Web pour l’achat de livres : https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

LE BESOIN DE COLONISATION HUMAINE DANS D’AUTRES MONDES    

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer la nécessité d’une colonisation humaine dans d’autres mondes pour éviter l’extinction de l’humanité en s’appuyant sur les conclusions de notre livre “A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência” (L’humanité menacée et les stratégies pour sa survie) publié par Editora Dialética en cette année 2021[1]. Dans ce livre, de nombreuses menaces à la survie de l’humanité aujourd’hui et demain à court, moyen et long terme ont été pointées. Les menaces à court ou moyen terme concernent : 1) l’émergence de nouvelles pandémies dévastatrices ; 2) l’aggravation de la dévastation économique, sociale, environnementale et l’escalade des conflits internationaux avec la possibilité du déclenchement de guerres nucléaires au 21e siècle ; 3) les catastrophes naturelles résultant de tremblements de terre, de tsunamis et d’éruptions volcaniques dévastatrices ; 4) possibilité de collision sur la planète Terre par des astéroïdes, des comètes ou des morceaux de comètes ; et, 5) l’émission de rayons cosmiques, en particulier les rayons gamma émis par les étoiles de supernova. Les menaces à long terme concernent : 1) la possibilité de collision sur la planète Terre de planètes du système solaire et de planètes orphelines qui errent dans l’espace ; 2) les conséquences catastrophiques sur l’environnement terrestre résultant de l’éloignement de la Lune de la Terre ; 3) la mort du soleil ; 4) collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée ; et, 5) la fin de l’Univers. Tous ces événements, à l’exception des ravages économiques et sociaux causés par le capitalisme et les catastrophes naturelles résultant des tremblements de terre et des tsunamis, peuvent conduire à l’extinction de l’espèce humaine.

Chapitre 1 du livre ci-dessus (Comment sauver l’humanité des futures pandémies), Chapitre 2 (Comment sauver l’humanité de la dévastation économiques, sociales, environnementales et des guerres du 21e siècle) et Chapitre 3 (Comment sauver l’humanité des catastrophes causées par des tremblements de terre, des tsunamis et des éruptions volcaniques) ne présentent pas la nécessité d’adopter des stratégies pour s’échapper des êtres humains vers des lieux habitables à l’intérieur et à l’extérieur du système solaire, sauf dans le cas de grandes éruptions volcaniques qui pourraient nécessiter le scape des êtres humains vers des lieux habitables dans le système solaire (Mars, la lune de Saturne, Titan, et la lune de Jupiter, Callisto) où des colonies spatiales seraient établies si les grandes éruptions volcaniques qui ont eu lieu il y a 250 millions d’années et qui ont mis fin à un cycle de vie dans le système solaire se répétaient. Au chapitre 4 (Comment sauver l’humanité de la collision sur la planète Terre à partir des corps de l’espace extra-atmosphérique), il a été considéré qu’il était nécessaire d’adopter des stratégies spécifiques pour éviter la collision d’astéroïdes, de comètes et de morceaux de comète sur la planète Terre, mais surtout, des stratégies visant à sauver les humains de la collision avec la planète Terre des planètes du système solaire et des planètes orphelines qui errent dans l’espace avec le scape des humains vers des exoplanètes telles que “Proxima b” en orbite autour d’une étoile qui fait partie du système planétarium du Alpha Centauri, le le plus proche du système solaire, situé à 4,2 années-lumière de la Terre.

Dans le chapitre 5 (Comment sauver l’humanité de l’émission de rayons cosmiques), les différentes sources d’émission de rayons cosmiques ont été analysées, en particulier les rayons gamma émis par les étoiles de supernova, qui ont le pouvoir d’annihiler la vie sur Terre, le rayonnement et la masse coronale de le Soleil et les rayons cosmiques en général pour évaluer leurs conséquences sur les êtres humains sur Terre et dans les voyages spatiaux et proposer l’adoption de stratégies visant à protéger les êtres humains et des alternatives pour le scape des êtres humains vers des lieux habitables du système solaire (Mars, la lune de Saturne, Titan, et de Jupiter, Callisto) où des colonies spatiales seraient déployées pour sauver l’humanité alors que la Terre est menacée par l’émission de rayons gamma. Dans le chapitre 6 (Comment sauver l’humanité des conséquences de l’augmentation continue de la distance de la Lune à la Terre), les impacts sur le climat de la Terre et les êtres humains des conséquences environnementales catastrophiques liées a l’augmentation continue de la distance de la Lune à la Terre ont été analysés, ainsi que des alternatives pour le scape des humains vers des endroits habitables du système solaire (Mars, la lune de Saturne, Titan, et la lune de Jupiter, Callisto) ont été étudiées où des colonies spatiales seraient déployées pour sauver l’humanité lorsque le climat de la Terre deviendra mortel pour la vie humaine.

Au chapitre 7 (Comment sauver l’humanité avec la mort du Soleil et la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée), l’évolution du Soleil jusqu’à sa fin et la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée ont été analysées, et des stratégies alternatives ont été étudiées pour le scape des êtres humains vers des emplacements habitables dans d’autres systèmes stellaires et galaxies pour sauver l’humanité avant la mort du Soleil et la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée. Avant la mort du Soleil, l’humanité devrait quitter le système solaire et atteindre l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil qui fait partie du système planétaire Alpha Centauri, qui se trouve à 4,2 années-lumière de la Terre et, avant la collision entre les galaxies d’Andromède et de la Voie lactée, les humains devraient fuir vers une planète habitable dans une galaxie plus proche comme la Galaxie Naine du Grand Chien située à 25 000 années-lumière de la Terre ou le Grand Nuage de Magellan qui se trouve à 163 000 années-lumière de la Terre.

Au chapitre 8 (Comment sauver l’humanité avec la fin de l’Univers), des scénarios liés au destin de l’Univers ont été analysés, la possibilité de l’existence d’univers parallèles a été étudiée et le développement de la théorie finale ou de la théorie du tout, c’est-à-dire, de la théorie du champ unifié a été analysé pour présenter des stratégies possibles pour que l’humanité cherche sa survie avec la fin de l’Univers dans lequel nous vivons. Il a été constaté que des recherches approfondies doivent être menées pour déterminer l’existence ou non d’un multivers ou d’univers parallèles où l’humanité se dirigerait avec la fin de l’Univers dans lequel nous vivons. Il a été constaté qui le défi scientifique et technologique pour permettre l’évasion des êtres humains vers des lieux habitables du système solaire est immense (Mars, la lune de Saturne, Titan, et de Jupiter, Callisto) et que le plus grand défi sera de permettre l’évasion des humains vers une nouvelle planète dans un autre système planétaire qui est habitable pour les humains comme “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil qui fait partie du système planétaire Alpha Centauri, située à 4,2 années-lumière de la Terre, et atteindre un galaxie comme la Galaxie Naine du Grand Chien située à 25 000 années-lumière ou le Grand Nuage de Magellan situé à 163 000 années-lumière de la Terre et, surtout, permettent aux êtres humains de s’évader vers des univers parallèles.

Au chapitre 9 (Stratégies fondamentales pour la survie de l’humanité) les stratégies fondamentales pour la survie de l’humanité identifiées dans les chapitres précédents du livre ont été présentées, concernant : 1) l’impératif du progrès scientifique et technologique pour faire face à toutes les menaces à sa survie sur la planète Terre et celles existant dans l’espace extra-atmosphérique, ainsi que pour permettre la fuite des êtres humains pour atteindre une nouvelle planète dans un autre système planétaire qui est habitable pour les êtres humains ; 2) l’augmentation de la capacité biologique des êtres humains afin qu’ils soient capables de défier les limites imposées par la nature afin de survivre aux menaces qui pèsent sur leur survie sur la planète Terre et, en particulier, dans l’espace extra-atmosphérique ; et 3) la constitution d’un gouvernement mondial pour coordonner les actions des gouvernements nationaux pour faire face aux menaces à la survie de l’humanité existant sur la planète Terre et celles existantes dans et venant de l’espace extra-atmosphérique.

Les études menées jusqu’à présent indiquent que les endroits les plus susceptibles pour les humains d’habiter le système solaire sont Mars, la lune de Saturne (Titan) et la lune de Jupiter (Callisto) et en dehors du système solaire sont l’exoplanète “Proxima b” en orbite de l’étoile la plus proche du Soleil qui fait partie du système planétaire Alpha Centauri et une planète à identifier dans une galaxie telle que la Galaxie Naine du Grand Chien ou le Grand Nuage de Magellan. Mars devrait être la première alternative à être colonisée par les humains. Mars est explorée depuis environ 60 ans. Les États-Unis et l’Union soviétique ont tenté à plusieurs reprises pendant la guerre froide de mettre en orbite la planète Mars avec un satellite et d’atterrir avec une sonde. Plus tard, ce fut au tour des rovers de s’y promener, mais un long chemin de nombreuses erreurs et réussites fut nécessaire pour atteindre le niveau actuel. En janvier 2004, deux robots ou rovers appelés Spirit et Opportunity ont atterri sur les côtés opposés de la planète Mars. Ces explorateurs robotiques ont parcouru des kilomètres à travers la surface martienne, étudié la géologie sur le terrain et effectué des observations atmosphériques. Transportant des ensembles d’instruments scientifiques identiques et sophistiqués, les deux rovers ont trouvé des preuves d’anciens environnements martiens où existaient une humidité intermittente et des conditions habitables.

La NASA a récemment envoyé le rover Perseverance sur Mars, un véhicule construit pour conduire sur un terrain extraterrestre accidenté et piloté par télécommande depuis la Terre avec pour objectif principal de déterminer le potentiel de la vie ancienne sur cette planète. En plus du rover Perseverance, l’hélicoptère Ingenuity a été envoyé sur Mars pour une démonstration sans précédent de technologie de vol autonome sur une autre planète. Le 19 avril 2021, l’hélicoptère Ingenuity de la NASA est devenu le premier avion de l’histoire à effectuer un vol motorisé et contrôlé sur une autre planète. Ingenuity a réalisé un exploit d’exploration spatiale qui était autrefois considéré comme impossible, qui consistait à voler sur la planète Mars. Le rover Perseverance recherchera des signes de conditions habitables sur Mars, ainsi que la vie microbienne qui aurait pu exister lorsqu’il y avait de l’eau là-bas. En 2020, la Chine a lancé la mission Tianwen-1 et, en 2021, elle a fait partie du groupe de nations qui ont réussi à placer une sonde sur l’orbite de Mars. Toujours en 2020, la sonde Hope Mars des Émirats arabes unis a été lancée dans le but d’étudier l’atmosphère martienne, y compris le système climatique de Mars tout au long de l’année.

La NASA prévoit d’envoyer des humains en mission sur Mars d’ici 2030, mais fait face à de nombreux défis. Article sous le titre 7 Desafios da Vida Humana em Marte (7 Challenges of Human Life on Mars), publié par National Geographic sur le site <https://www.natgeo.pt/espaco/2018/11/7-desafios-da-vida-humana-em-marte&gt; , informe qu’il existe certains faits qui peuvent retarder ou entraver la mission consistant à faire vivre des humains sur Mars jusqu’en 2030. Le premier défi serait la difficulté pour les humains de rester à la surface de Mars en raison de l’atmosphère quasi inexistante sur Mars qui, en raison des rayonnements cosmiques et des vents solaires, ne seraient pas protégés et pourraient développer des cancers. Une alternative serait que les humains restent sous terre sur Mars. Le deuxième défi est que la géologie de Mars rend difficile la plantation d’espèces végétales. Le troisième défi pour la vie humaine sur Mars est qu’il y a beaucoup de poussière fine provenant de fréquentes tempêtes de poussière. Si vous habitez sous terre sur Mars, vous devez remonter de temps en temps à la surface pour dépoussiérer les rovers, car les tempêtes de sable empêchent l’énergie solaire de recharger vos batteries. De plus, cette poudre, du fait de son épaisseur extrêmement fine, s’infiltre facilement dans les combinaisons spatiales.

Le quatrième grand défi résulte du fait que, pour 2 kilogrammes d’objets, 130 kilogrammes de fusée sont nécessaires, ce qui limite la quantité de matériel envoyé à chaque vol et augmente de façon exponentielle le coût des missions. La plupart des fusées transportent une charge utile (par charge utile, on entend des personnes et des objets) de 1,5 % de leur taille totale. Le cinquième défi pour la vie humaine sur Mars est représenté par le fait que le voyage vers Mars prend encore environ huit mois, ce qui implique une grande quantité de carburant, de nourriture et de matériel de soutien pour les équipes de mission, contrairement à la Lune, par exemple, qui il ne prend que 3 jours. Le sixième défi exige que les astronautes soient méticuleusement testés et choisis pour résister aux défis physiques et sociaux que ce voyage implique. Enfin, le septième défi résulte du fait que Mars a toujours une température négative qui nécessiterait de réfléchir à la création d’un génome capable de rendre les êtres humains capables de résister à des conditions extrêmes et de survivre sur Mars. Il n’y a pas d’organismes organiques à la surface de Mars, mais ils peuvent exister sous terre, et rien ne garantit qu’ils ne rivaliseront pas avec les organismes qui peuvent y être envoyés depuis la Terre. Le fait que l’existence de la vie sur Mars n’ait pas encore été prouvée démontre que les conditions pour que les êtres humains y survivent ne sont pas encore réunies. Mars 2030 semble encore une réalité lointaine et avant de penser à y vivre, nous devons en savoir plus sur cette planète.

Par conséquent, les défis de coloniser Mars, la lune de Saturne, Titan et la lune de Jupiter, Callisto, l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil, une partie du système Alpha Centauri, une planète dans une galaxie comme la Galaxie Naine du Grand Chien ou le Grand Nuage de Magellan, mais tout doit être mis en œuvre pour faire de Mars le premier lieu habitable alternatif pour les êtres humains face aux menaces qui pèsent sur leur survie sur la planète Terre avec l’apparition de grandes éruptions volcaniques qui pourraient conduire à l’extinction des êtres humains comme cela s’est produit dans le passé, la collision des planètes du système solaire et des planètes orphelines avec la planète Terre, l’émission de rayons gamma par les étoiles de supernova qui pourraient conduire à l’extinction de la vie sur Terre comme cela s’est produit dans le passé et la l´augmentation continue de la distance de la Lune à la Terre et ses conséquences catastrophiques sur le climat de la Terre. Les défis de la colonisation de Mars doivent être surmontés pour faire de cette planète une alternative d’évasion plus immédiate pour l’humanité en cas de besoin. Connu pour avoir des projets ambitieux, Elon Musk, qui a créé SpaceX en 2002 dont le rêve est de coloniser Mars d’ici 2030, reconnaît que construire une ville autosuffisante sur Mars ne sera pas une tâche simple. Lors de la récente conférence virtuelle « Humans to Mars », Musk a déclaré que la colonisation de la planète rouge sera difficile et dangereuse, et devrait prendre encore au moins trente ans.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

[1] Site Web pour l’achat du livre: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

THE NEED FOR HUMAN COLONIZATION IN OTHER WORLDS    

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate the need for human colonization in other worlds to avoid the extinction of humanity based on the conclusions of our book “The threatened humanity and the strategies for its survival” published by Editora Dialética in this year of 2021[1]. In this book, numerous threats to the survival of humanity today and in the future in the short, medium and long term have been pointed out. Short- or medium-term threats concern: 1) the emergence of new devastating pandemics; 2) aggravation of economic, social, environmental devastation and the escalation of international conflicts with the possibility of the outbreak of nuclear wars in the 21st century; 3) natural disasters resulting from earthquakes, tsunamis and devastating volcanic eruptions; 4) possibility of collision on planet Earth by asteroids, comets or comet pieces; and, 5) cosmic ray emission especially gamma rays emitted by supernova stars. The long-term threats concern: 1) the possibility of collision on planet Earth of planets from the solar system and orphan planets that roam in outer space; 2) catastrophic consequences on Earth’s environment resulting from the Moon’s increase of distance from Earth; 3) death of the Sun; 4) collision of the Andromeda and the Milky Way galaxies; and, 5) the end of the Universe. All of these events, with the exception of the economic and social devastation caused by capitalism and natural disasters resulting from earthquakes and tsunamis, can lead to the extinction of the human species.

Chapter 1 of the above book (How to save humanity from future pandemics), Chapter 2 (How to save humanity from the devastation of social, economic, environmental and wars in the 21st century) and Chapter 3 (How to Save Humanity from Natural Disasters Caused by Earthquakes, Tsunamis and Volcano Eruptions) does not present the need to adopt strategies to escape human beings to habitable places inside and outside the solar system except in the case of large eruptions of volcanoes that could require humans to flee to habitable locations in the solar system (Mars, Saturn’s moon, Titan, and Jupiter’s, Callisto) where space colonies would be deployed if there is a repetition of the great eruptions of volcanoes that took place 250 million years ago that ended a life cycle on Earth. In Chapter 4 (How to Save Humanity from Collision on Planet Earth from Bodies from Outer Space), it was considered the need to adopt specific strategies to avoid the collision of asteroids, comets and comet pieces on planet Earth, but , above all, strategies aimed at saving humans from collision with planet Earth of planets in the solar system and orphan planets that roam in outer space with the escape of humans to exoplanets such as “Proxima b” orbiting a star that is part of the Alpha Centauri planetarium system, the closest to the solar system, located 4.2 light-years away from Earth.

In Chapter 5 (How to save humanity from the emission of cosmic rays), the various sources of cosmic ray emission were analyzed, especially the gamma rays emitted by supernova stars, which have the power to annihilate life on Earth, radiation and coronal mass of the Sun and cosmic rays in general to assess their consequences on human beings on Earth and in space travel and to propose the adoption of strategies aimed at protecting human beings and alternatives for the escape of human beings to habitable places in the solar system (Mars , the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) where space colonies would be deployed to save humanity when the Earth is threatened by the emission of gamma rays. In Chapter 6 (How to Save Humanity from the Consequences of the Moon’s Continued Increase of Distance from Earth), the impacts on Earth’s climate and human beings of the catastrophic environmental consequences related to the Moon’s continued increase of distance from Earth were analyzed, as well as alternatives for the escape of human beings to habitable places in the solar system were studied (Mars, the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) where space colonies would be deployed to save humanity when Earth’s climate becomes lethal to human life.

In Chapter 7 (How to Save Humanity with the Death of the Sun and the Collision of the Andromeda and the Milky Way galaxies), the evolution of the Sun until its end and the collision of the Andromeda and the Milky Way galaxies were analyzed and alternative human escape strategies to habitable locations in other star systems and galaxies to save humanity before the death of the Sun and the colliding Andromeda and Milky Way galaxies were studied. Before the death of the Sun, humanity should leave the solar system and reach the exoplanet “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun that is part of the Alpha Centauri system, which is 4.2 light-years away from Earth and, before the occurrence of the collision between the In the Andromeda and Milky Way galaxies, humans should flee to a habitable planet in a closer galaxy such as the Canis Major Dwarf Galaxy located 25,000 light-years from Earth or the Large Magellanic Cloud which lies 163,000 light-years away from the Earth.

In Chapter 8 (How to save humanity with the end of the Universe), scenarios related to the fate of the Universe were analyzed, the possibility of the existence of parallel universes was studied and the development of the final theory or theory of everything, that is, from the unified field theory was analyzed to present possible strategies for humanity to seek its survival with the end of the Universe in which we live. It was found that in-depth research needs to be carried out to determine the existence or not of a multiverse or parallel universes where humanity would head with the end of the Universe in which we live. It was found that the scientific and technological challenge to enable the escape of human beings to habitable places in the solar system is immense (Mars, the moon of Saturn, Titan, and of Jupiter, Callisto) and that the greatest challenge will be to enable the escape from humans to a new planet in another planetary system that is habitable for humans as “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun that is part of the Alpha Centauri planetary system, located 4.2 light-years from Earth, and reach a galaxy such as the Cão Maior Dwarf Galaxy located at 25,000 light-years or the Large Magellanic Cloud located at 163,000 light-years from Earth and, above all, enable human beings to escape to parallel universes.

In Chapter 9 (Fundamental strategies for the survival of humanity) the fundamental strategies for the survival of humanity identified in the previous chapters of the book were presented, concerning: 1) the imperative of scientific and technological advancement to deal with all threats to its survival on planet Earth and those existing in outer space, as well as to enable the escape of human beings to reach a new planet in another planetary system that is habitable for humans beings; 2) the increase in the biological capacity of human beings so that they are able to challenge the limits imposed by nature in order to survive the threats to their survival on planet Earth and, especially, in outer space; and 3) the constitution of a world government to coordinate the actions of national governments to face the threats to the survival of humanity existing on planet Earth and those existing in and coming from outer space.

Studies carried out so far indicate that the most likely places for humans to inhabit the solar system are Mars, the moon of Saturn (Titan), and the moon of Jupiter (Callisto) and outside the solar system are the exoplanet “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun that is part of the Alpha Centauri planetary system and a planet to be identified in a galaxy such as the Canis Major Dwarf Galaxy or the Large Magellanic Cloud. Mars must be the first alternative to be colonized by humans. Mars has been explored for about 60 years. The United States and the Soviet Union repeatedly attempted during the Cold War to orbit Planet Mars with a satellite and land with a probe. Later, it was the rovers’ turn to walk there, but a long road of many mistakes and successes was necessary to reach the current level. In January 2004, two robots or rovers called Spirit and Opportunity landed on opposite sides of the planet Mars. These robotic explorers traveled miles across the Martian surface, surveyed field geology and made atmospheric observations. Carrying identical and sophisticated sets of scientific instruments, the two rovers found evidence of ancient Martian environments where intermittent moisture and habitable conditions existed.

NASA recently sent the Perseverance rover to Mars, a vehicle built to drive over rough extraterrestrial terrain and driven by remote control from Earth with the primary objective of determining the potential of ancient life on this planet. In addition to the Perseverance rover, the Ingenuity helicopter was sent to Mars for an unprecedented demonstration of autonomous flight technology on another planet. On April 19, 2021, NASA’s Ingenuity Helicopter became the first aircraft in history to make a powered, controlled flight on another planet. Ingenuity has achieved a feat of space exploration once considered impossible, which was to fly on the planet Mars. In 2020, China launched the Tianwen-1 mission and, in 2021, it became part of the group of nations that managed to place a probe in the orbit of Mars. Also in 2020, the Hope Mars probe from the United Arab Emirates was launched with the objective of studying the Martian atmosphere, including the climate system of Mars throughout the year.

NASA plans to send humans on missions to Mars by 2030, but faces numerous challenges. Article under the title 7 Desafios da Vida Humana em Marte (7 Challenges of Human Life on Mars), published by National Geographic on the website <https://www.natgeo.pt/espaco/2018/11/7-desafios-da-vida-humana-em-marte&gt;, informs that there are some facts that can delay or hinder the mission to put humans to live on Mars until 2030. The first challenge would be the difficulty for humans to stay on the surface of Mars due to the almost non-existent atmosphere on Mars that, as a result of radiation cosmic and solar winds, would be unprotected and could develop cancers. An alternative would be for humans to stay underground on Mars. The second challenge is that the geology of Mars makes it difficult to plant species. The third challenge to human life on Mars is that there is a lot of fine dust from frequent dust storms. Anyone living underground on Mars has to go out to the surface to clean the dust on the rovers from time to time, because sandstorms prevent theirs batteries from being recharged by solar energy. In addition, this powder, due to its extremely thin thickness, easily infiltrates spacesuits.

The fourth big challenge results from the fact that, for every 2 kilograms of objects, 130 kilograms of rocket are needed, which restricts the amount of material sent in each flight and exponentially increases the cost of the missions. Most rockets carry a payload (by payload is meant people and objects) of 1.5 % of their total size. The fifth challenge to human life on Mars is represented by the fact that the trip to Mars still takes about eight months, which involves a large amount of fuel, food and support material for mission teams, unlike the Moon, for example, it only takes 3 days. The sixth challenge requires that astronauts be meticulously tested and chosen to withstand the physical and social challenges that this trip entails. Finally, the seventh challenge results from the fact that Mars always has a negative temperature that would require thinking about creating a genome capable of making human beings capable of withstanding extreme conditions and surviving on Mars. There are no organic organisms on the surface of Mars, but they can exist underground, and there is no guarantee that they will not compete with organisms that can be sent there from Earth. The fact that the existence of life on Mars has not yet been proven demonstrates that the conditions for human beings to survive there are not yet met. Mars 2030 still seems a distant reality and before we think about living there, we need to know more about this planet.

Therefore, the challenges are immense to colonize Mars, the moon of Saturn (Titan), and the moon of Jupiter (Callisto), the exoplanet “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun, part of the Alpha Centauri planetary system, a planet in a galaxy like the Canis Major Dwarf Galaxy or the Large Magellanic Cloud, but every effort must be made to make Mars the first alternative habitable location for human beings in the face of threats to their survival on planet Earth with the occurrence of large eruptions of volcanoes that can lead to the extinction of human beings as has happened in the past, the collision of orphan planets with planet Earth, the emission of gamma rays by supernova stars that can lead to the extinction of life on Earth as has occurred in the past and the continuous Moon’s increase of distance from Earth and its catastrophic consequences on Earth’s climate. The challenges of colonizing Mars must be overcome to make this planet a more immediate escape alternative for humanity when needed. Known for having ambitious plans, Elon Musk, who created SpaceX in 2002 whose dream is to colonize Mars by 2030, recognizes that building a self-sufficient city on Mars will be no simple task. During the recent Humans to Mars virtual conference, Musk stated that colonizing the planet Mars will be difficult and dangerous, and should take at least another thirty years.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

[1] Website for the purchase of the book: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

A NECESSIDADE DA COLONIZAÇÃO HUMANA EM OUTROS MUNDOS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade da colonização humana em outros mundos para evitar a extinção da humanidade baseada nas conclusões do livro de nossa autoria “A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência” publicado pela Editora Dialética neste ano de 2021[1]. Neste livro foram apontadas inúmeras ameaças à sobrevivência da humanidade hoje e no futuro a curto, médio e longo prazo. As ameaças  a curto ou médio prazo dizem respeito a: 1) surgimento de novas pandemias devastadoras; 2) agravamento da devastação econômica, social, ambiental e da escalada dos conflitos internacionais com a possibilidade da eclosão de guerras nucleares no século XXI; 3)  catástrofes naturais resultantes de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas devastadoras; 4) possibilidade da colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas; e, 5) emissão de raios cósmicos especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas. As ameaças a longo prazo dizem respeito a: 1) possibilidade da colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar e de planetas órfãos que vagam pelo espaço sideral; 2) consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento da Lua em relação à Terra; 3) morte do Sol; 4) colisão das  galáxias Andrômeda e Via Láctea; e, 5) o fim do Universo. Todos esses eventos, com exceção da devastação econômica e social causada pelo capitalismo e desastres naturais decorrentes de terremotos e tsunamis, podem levar à extinção da espécie humana.  

O Capítulo 1 do livro acima referido (Como salvar a humanidade de futuras pandemias), o Capítulo 2 (Como salvar a humanidade da devastação social, econômica, ambiental e das guerras no século XXI) e o Capítulo 3 (Como salvar a humanidade de catástrofes naturais provocadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcões) não apresentam a necessidade da adoção de estratégias de fuga dos seres humanos para locais habitáveis dentro e fora do sistema solar à exceção do caso de grandes erupções de vulcões que poderiam exigir a fuga de seres humanos para locais habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) onde seriam implantadas colônias espaciais se houver a repetição das grandes erupções de vulcões ocorridas há 250 milhões de anos que acabaram com um ciclo de vida na Terra. No Capítulo 4 (Como salvar a humanidade da colisão sobre o planeta Terra de corpos vindos do espaço sideral), considerou-se a necessidade da adoção de estratégias específicas para evitar a colisão de asteroides, cometas e pedaços de cometas sobre o planeta Terra, mas, sobretudo, estratégias voltadas para salvar os seres humanos da colisão com o planeta Terra de planetas do sistema solar e de planetas órfãos que vagam no espaço sideral com a fuga de seres humanos para exoplanetas como o “Proxima b” orbitando uma estrela integrante do sistema planetário Alpha Centauri, o mais próximo do sistema solar, situado a 4,2 anos-luz de distância da Terra.

No Capítulo 5 (Como salvar a humanidade da emissão de raios cósmicos), foram analisadas as diversas fontes de emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas, que têm o poder de aniquilar a vida na Terra, a radiação e a massa coronal do Sol e os raios cósmicos em geral para avaliar suas consequências sobre os seres humanos na Terra e em viagens espaciais e propor a adoção de estratégias visando a proteção dos seres humanos e de alternativas de fuga dos seres humanos para locais habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) onde seriam implantadas colônias espaciais para salvar a humanidade quando a Terra estiver ameaçada pela emissão de raios gama. No Capítulo 6 (Como salvar a humanidade das consequências do contínuo afastamento da Lua em relação à Terra), foram analisados os impactos sobre o clima da Terra e sobre os seres humanos das consequências catastróficas ambientais relacionadas com o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra, bem como foram estudadas alternativas de fuga dos seres humanos para locais habitáveis no sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) onde seriam implantadas colônias espaciais para salvar a humanidade quando o clima da Terra se tornar letal para a vida humana.

No Capítulo 7 (Como salvar a humanidade com a morte do Sol e a colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea), foram analisadas a evolução do Sol até o seu fim e a colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea e foram estudadas as alternativas de estratégias de fuga dos seres humanos para locais habitáveis em outros sistemas estelares e galáxias para salvar a humanidade antes da morte do Sol e da colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea. Antes da morte do Sol, a humanidade deveria sair do sistema solar e alcançar o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri que dista 4.2 anos-luz da Terra e, antes da ocorrência da colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea, os seres humanos deveriam fugir para um planeta habitável em uma galáxia mais próxima como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz da Terra ou na Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra.

No Capítulo 8 (Como salvar a humanidade com o fim do Universo), foram analisados os cenários relacionados com o destino do Universo, estudou-se a possibilidade da existência de universos paralelos e analisou-se o desenvolvimento da teoria final ou teoria de tudo, isto é, da teoria do campo unificado para apresentar possíveis estratégias para a humanidade buscar sua sobrevivência com o fim do Universo em que vivemos. Constatou-se que pesquisas aprofundadas precisam ser realizadas para determinar a existência ou não de multiverso ou universos paralelos para onde a humanidade se dirigiria com o fim do Universo em que vivemos. Constatou-se que é imenso o desafio científico e tecnológico para viabilizar a fuga dos seres humanos para locais habitáveis do sistema solar (Marte, a lua de Saturno, Titan, e de Júpiter, Callisto) e que maior será o desafio para viabilizar a fuga dos seres humanos para um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos como o “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema planetário Alpha Centauri, situado a 4,2 anos-luz da Terra, e alcançar uma galáxia como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz ou a Grande Nuvem de Magalhães situada a 163 mil anos-luz da Terra e, sobretudo, viabilizar a fuga dos seres humanos para universos paralelos. 

No Capítulo 9 (Estratégias fundamentais para a sobrevivência da humanidade) foram apresentadas as estratégias fundamentais para a sobrevivência da humanidade identificadas nos capítulos anteriores do livro que dizem respeito a: 1) o imperativo do avanço científico e tecnológico para lidar com todas as ameaças à sua sobrevivência no planeta Terra e aquelas existentes no espaço sideral, bem como para viabilizar a fuga dos seres humanos para alcançarem um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos; 2) o aumento da capacidade biológica dos seres humanos para que sejam capazes de desafiar os limites impostos pela natureza a fim de sobreviver às ameaças à sua sobrevivência no planeta Terra e, especialmente, no espaço sideral; e, 3) a constituição de um governo mundial para coordenar as ações dos governos nacionais para fazerem frente às ameaças contra a sobrevivência da humanidade existentes no planeta Terra e aquelas existentes e vindas do espaço sideral. 

Os estudos realizados até agora apontam que os locais mais prováveis para o ser humano habitar o sistema solar são Marte, a lua de Saturno (Titan), e a lua de Júpiter (Callisto) e fora do sistema solar são o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema planetário Alpha Centauri e um planeta a identificar em uma galáxia como a Galáxia Anã do Cão Maior ou na Grande Nuvem de Magalhães. Marte deve ser a primeira alternativa a ser objeto de colonização pelos seres humanos. Marte vem sendo explorado há cerca de 60 anos. Os Estados Unidos e a União Soviética tentaram durante a Guerra Fria repetidas vezes orbitar o Planeta Marte com um satélite e pousar com uma sonda. Mais tarde, foi a vez de os rovers caminharem por lá, mas um longo caminho de muitos erros e acertos foi necessário até chegarmos ao nível atual. Em janeiro de 2004, dois robôs ou rovers chamados Spirit e Opportunity pousaram em lados opostos do planeta Marte. Esses exploradores robóticos viajaram por quilômetros pela superfície marciana, levantaram a geologia de campo e fizeram observações atmosféricas. Carregando conjuntos idênticos e sofisticados de instrumentos científicos, os dois rovers encontraram evidências de antigos ambientes marcianos onde existiam intermitentemente umidade e condições habitáveis.

A NASA enviou recentemente para Marte o rover Perseverance, um veículo construído para dirigir em terrenos acidentados extraterrestres e conduzido por controle remoto da Terra tendo como principal objetivo determinar o potencial de vida antiga neste planeta. Além do rover Perseverance, foi enviado a Marte o helicóptero Ingenuity para uma demonstração inédita de tecnologia de voo autônomo em outro planeta. No dia 19 de abril de 2021 passado, o Ingenuity Helicopter da NASA se tornou a primeira aeronave da história a fazer um vôo motorizado e controlado em outro planeta. Ingenuity alcançou um feito da exploração espacial antes considerado impossível que foi o de realizar um voo no planeta Marte. O rover Perseverance buscará sinais de condições habitáveis em Marte, além de procurar por vida microbiana que possa ter existido quando havia água por lá. Em 2020, a China lançou a missão Tianwen-1 e, em 2021, se tornou parte do grupo de nações que conseguiram colocar uma sonda na órbita de Marte. Ainda em 2020, a sonda Hope Mars dos Emirados Árabes Unidos foi lançada com o objetivo de estudar a atmosfera marciana, incluindo o sistema climático de Marte ao longo do ano.  

A NASA pretende enviar humanos em missões para Marte até 2030, mas enfrenta inúmeros desafios. Artigo sob o título 7 Desafios da Vida Humana em Marte, publicado pelo National Geographic no website <https://www.natgeo.pt/espaco/2018/11/7-desafios-da-vida-humana-em-marte>,  informa que há alguns fatos que podem atrasar ou dificultar a missão de colocar humanos para viverem em Marte até 2030. O primeiro desafio consistiria na dificuldade dos seres humanos ficarem sobre a superfície de Marte devido à quase inexistente atmosfera em Marte que, em consequência da radiação cósmica e dos ventos solares, ficariam desprotegidos podendo desenvolver cânceres. Uma alternativa seria os seres humanos ficarem no subsolo de Marte.  O segundo desafio é o de que a geologia de Marte dificulta a plantação de espécies de plantas. O terceiro desafio à vida humana em Marte é o da existência de muito pó fino de tempestades frequentes de poeira. Quem viver no subsolo de Marte, tem de sair à superfície para limpar o pó sobre os rovers, de vez em quando, porque as tempestades de areia impedem o recarregamento de suas baterias através da energia solar. Além disso, este pó devido à sua espessura extremamente fina, infiltra-se facilmente nas roupas espaciais.

O quarto grande desafio resulta do fato de que, para cada 2 quilogramas de objetos, são necessários 130 quilogramas de foguete que restringe a quantidade de material enviado em cada voo e aumenta exponencialmente o custo das missõesA maior parte dos foguetes leva uma carga útil (por carga útil entendem-se pessoas e objetos) de 1.5 % do seu tamanho total. O quinto desafio à vida humana em Marte é representado pelo fato de aviagem para Marte ainda demorar cerca de oito meses que implica uma grande quantidade de combustível, de alimentos e de material de apoio para as equipes das missões diferentemente da Lua, por exemplo, que demora apenas 3 dias. O sexto desafio coloca como exigência osastronautas serem testados e escolhidos meticulosamente para aguentar os desafios físicos e sociais que esta viagem implica. Finalmente, o sétimo desafio resulta do fato de Marte ter sempre uma temperatura negativa que exigiria pensar-se em criar um genoma capaz de tornar os seres humanos capazes de suportar condições extremas e sobreviver em Marte. Não existem organismos orgânicos à superfície de Marte, mas podem haver no subsolo e nada nos garante que não irão competir com os organismos que se possam enviar da Terra para lá. O fato de não ter sido comprovada ainda a existência de vida em Marte demonstra que ainda não estão reunidas as condições para os seres humanos lá sobreviverem. Marte 2030 parece ainda uma realidade distante e antes de pensarmos em lá viver, temos de conhecer mais sobre este planeta.

Portanto, são imensos os desafios para colonizar Marte, a lua de Saturno (Titan), e a lua de Júpiter (Callisto), o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema planetário Alpha Centauri, um planeta em uma galáxia como a Galáxia Anã do Cão Maior ou na Grande Nuvem de Magalhães, mas todo esforço deve ser realizado para tornar Marte como primeiro local habitável alternativo para os seres humanos diante das ameaças à sua sobrevivência no planeta Terra com a ocorrência de grandes erupções de vulcões que possam levar à extinção dos seres humanos como já ocorreu no passado, a colisão de  planetas órfãos com o planeta Terra, a emissão de raios gama por estrelas supernovas que possa levar à extinção da vida na Terra como já ocorreu no passado e o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra e suas catastróficas consequências sobre o clima da Terra. Os desafios para colonizar Marte precisam ser superados para tornar este planeta uma alternativa mais imediata de fuga para a humanidade quando for necessário. Conhecido por ter planos ambiciosos, Elon Musk, que criou a SpaceX em 2002 cujo sonho é colonizar Marte até 2030, reconhece que a construção de uma cidade autossuficiente em Marte não será tarefa simples. Durante a conferência virtual “Humans to Mars”, realizada recentemente, Musk afirmou que a colonização do planeta Marte será difícil e perigosa, e deve levar pelo menos mais trinta anos.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).


[1] Website para aquisição do livro: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

COMMENT CONSTRUIRE UNE NOUVELLE SOCIÉTÉ POUR REMPLACER LE CAPITALISME MOURANT DANS LE MONDE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter une proposition de construction d’une nouvelle société pour remplacer le capitalisme mourant dans le monde qui contribue à l’émancipation complète de l’humanité de la souffrance séculaire qui lui est imposée depuis le XIIe siècle par les détenteurs du capital. La construction d’une nouvelle société devient une nécessité urgente, non seulement pour éliminer les problèmes politiques, économiques, sociaux et environnementaux insolubles et gigantesques causés par le capitalisme, mais aussi, compte tenu de la perspective de la fin de ce système au milieu du 21e siècle lorsque le taux de profit global et le taux de croissance du produit brut mondial atteindront zéro [1]. Cette situation montre que le système capitaliste mondial fonctionne conformément au principe d’entropie en présentant la tendance universelle à évoluer vers un désordre croissant et une autodestruction vers sa fin, ce qui impose la nécessité d’une nouvelle société à mettre en œuvre à travers le monde diamétralement opposé au capitalisme, c’est-à-dire au socialisme, qui est défendu et poursuivi depuis le XVIIIe siècle, mais différent de celui construit en Union soviétique et dans d’autres pays, c’est-à-dire le socialisme démocratique.

Pour présenter la proposition de socialisme démocratique, les trois propositions de révolution socialiste et de construction du socialisme qui se sont produites tout au long de l’histoire de l’humanité, décrites ci-dessous, ont été analysées: 1) La construction du socialisme avec l’utilisation de la violence révolutionnaire basée sur la conceptions de Marx et Engels; 2) La construction du socialisme pacifiquement par la voie parlementaire basée sur la conception d’Eduard Bernstein ; et 3) La construction du socialisme avec la conquête de l’hégémonie par la classe ouvrière dans la société civile basée sur la conception d’Antonio Gramsci. Comme on le verra dans les pages suivantes, la proposition de Marx et Engels de construire le socialisme a échoué parce qu’elle n’a pas tenu sa promesse historique de transformer le monde après le succès retentissant des révolutions socialistes en Union soviétique et ailleurs. La proposition d’Eduard Bernstein pour la construction du socialisme a échoué parce qu’il s’est avéré impossible de mener une révolution socialiste pacifique par la voie parlementaire, étant donné que les partis bourgeois constituent toujours une majorité dans tous les parlements du monde, ce qui empêche de prendre des décisions qui compromettent le intérêts des capitalistes. La proposition d’Antonio Gramsci pour la construction du socialisme a échoué en raison de l’impossibilité pour les classes subalternes de devenir hégémoniques au sein de la société civile, surtout dans les conditions actuelles de mondialisation du capitalisme.

Face à l’échec de ces trois propositions pour la construction du socialisme, la proposition pour la construction du socialisme démocratique de l’avenir a été formulée, qui est détaillée dans les pages suivantes. Pour rendre possible le socialisme démocratique de l’avenir, il a été considéré qu’il fallait, dans un premier temps, mener à bien la réforme du capitalisme avec la construction de l’Etat-Providence comme celui construit dans les pays scandinaves qui, étant un hybride du capitalisme et du systèmes socialistes, préparerait le terrain pour la construction du socialisme démocratique à l’avenir, plus tard, sans les obstacles liés aux propositions de Marx et Engels, de Bernstein et de Gramsci.

La construction du socialisme par la violence révolutionnaire basée sur les conceptions de Marx et Engels

La première proposition de construction du socialisme était basée sur les conceptions de Marx et Engels [6]. Le socialisme est une doctrine politique et économique qui a émergé entre la fin du XVIIIe siècle et la première moitié du XIXe siècle dans le but d’atteindre l’égalité sociale. Le courant socialiste est apparu comme un moyen de repenser le système capitaliste en vigueur à l’époque. Le socialisme scientifique, connu sous le nom de marxisme, a été créé au 19ème siècle, sur la base d’une analyse historique et scientifique du capitalisme par Karl Marx et Friedrich Engels. Selon Marx et Engels, à toutes les périodes historiques, la société a été marquée par la lutte des classes, et cette relation est caractérisée par l’antagonisme entre une classe oppressive et une classe opprimée. Dans le capitalisme, ces classes sont représentées respectivement par les propriétaires des moyens de production, les capitalistes, et par une masse de salariés, le prolétariat, qui n’a que sa force de travail.

La première expérience pratique de construction du socialisme dans le monde a eu lieu en 1917 en Russie, qui peu de temps après s’unirait avec d’autres pays pour former l’Union soviétique. Le régime socialiste s’est établi en Russie en 1917 avec l’usage de la violence révolutionnaire menée par Vladimir Lénine [2, 10 et 11]. Avec la création de l’Union soviétique, l’industrialisation accélérée a été considérée comme essentielle pour surmonter le retard du pays qui avait des structures économiques pré-capitalistes. L’industrialisation accélérée depuis 70 ans a fait de ce pays l’une des plus grandes puissances industrielles au monde, avec un parc industriel à fort développement technologique et une grande diversité productive (acier, métallurgie, chimie, carburant, armement, transports, espace, etc.).

Malgré les succès économiques obtenus, l’Union soviétique a pris fin en 1991. Les pays d’Europe de l’Est qui étaient membres du système socialiste dirigé par l’Union soviétique ont également succombé. Pour éviter le même sort que l’Union soviétique, la Chine a abandonné le modèle maoïste de société socialiste mis en place avec la révolution socialiste de 1949 et a adopté un modèle économique mixte, capitaliste et socialiste, appelé « socialisme de marché » à partir de 1978, qui inclut la présence de capitaux étrangers, ainsi que des capitaux étatiques et privés locaux. Le socialisme s’est transformé en capitalisme d’État en Chine. Le socialisme a échoué tout au long de son histoire à promouvoir le progrès économique et politique, malgré les avancées sociales réalisées. Les partis marxistes n’ont pas réussi à répondre aux revendications des travailleurs en conduisant la population en général à la désillusion vis-à-vis des partis qui en ont eu l’occasion historique, en adoptant une stratégie en deux temps pour transformer le monde (s’emparer du pouvoir d’État, puis le transformer), avaient pas tenu leur promesse historique [10].

L’échec de la construction du socialisme en Union soviétique est également dû à l’adoption d’un régime de dictature et de terreur qui a duré environ 70 ans, ce qui était initialement justifié par la nécessité de se défendre contre la réaction contre-révolutionnaire interne et les attaques externes pendant et après la Première Guerre mondiale, plus tard, pour défendre le pays de l’agression de l’Allemagne nazie pendant la Seconde Guerre mondiale et pour reconstruire le pays après cette guerre et enfin pour affronter les puissances occidentales et les États-Unis pendant la guerre froide [10]. L’adoption de dictatures dans les pays où il a été mis en œuvre a signifié que le socialisme a cessé de répondre à la demande de liberté dont tout être humain aspire à jouir. Ce fait a été responsable de transformer la mobilisation populaire pour la défense du socialisme existant aux premiers jours du régime soviétique en une démobilisation de plusieurs décennies qui n’a été reprise que dans la guerre patriotique contre le nazisme. Après la Seconde Guerre mondiale, il y a eu une nouvelle démobilisation qui s’est accentuée dans les derniers jours du socialisme en Union soviétique, lorsque les travailleurs et le peuple en général n’étaient pas heureux. L’insatisfaction des travailleurs était si grande qu’elle affectait la productivité du travail et aboutissait à des produits de qualité inférieure. Cela a créé une atmosphère d’apathie, de mauvaise humeur, d’indifférence et même de désespoir. Tout cela explique pourquoi le socialisme a disparu en Union soviétique et dans les pays d’Europe de l’Est sans que les peuples se battent pour son maintien et, au contraire, souhaitent sa fin.

On peut dire que l’échec de la construction du socialisme est fondamentalement dû au fait qu’il a cherché à réaliser l’égalité sociale sans y parvenir et n’a pas fourni la liberté et le bonheur des êtres humains qui ne peuvent être obtenus que dans la mesure où la devise “Liberté, Égalité, Fraternité”, héritage des Lumières à la fin du XVIIe siècle, invoqué pour la première fois lors de la Révolution française, soit mis en pratique. Cette devise, universelle parce qu’elle traduit les aspirations de tous les êtres humains, est devenue le cri des militants en faveur de la démocratie et du renversement des gouvernements oppressifs et des tyrans de toutes sortes, associés à tort uniquement aux révolutions bourgeoises qui ont eu lieu en histoire, il n’a pas été adopté dans les révolutions socialistes qui ont eu lieu dans le monde, mais seulement la recherche de l’égalité sociale. Ce fut l’un des principaux facteurs responsables de l’échec du socialisme dans le monde. La recherche de l’égalité sociale ne suffit pas pour que le peuple atteigne le bonheur.

La construction du socialisme pacifiquement à travers la voie parlementaire basée sur la conception d’Eduard Bernstein

La première thèse révisionniste de la théorie marxiste de la révolution socialiste était la proposition de construire le socialisme pacifiquement par la voie parlementaire basée sur la conception d’Eduard Bernstein [13]. À la fin du XIXe siècle, Eduard Bernstein, homme politique et théoricien de la politique allemand, réfute, au sein de la social-démocratie allemande, les thèses défendues par les dirigeants du Parti social-démocrate en proposant une révision critique de la pensée de Marx. Il croyait au potentiel émancipateur de la démocratie bourgeoise, déclarant qu’il serait possible pour les classes sociales subalternes de prendre le pouvoir pour construire le socialisme par des moyens légaux et pacifiques par la voie parlementaire. Bernstein a soutenu l’adoption d’une posture politique conciliante et l’atténuation de la lutte des classes prônée par Marx. Les thèses de Bernstein représentent le premier effort théorique majeur pour présenter une élaboration en défense des réformes du capitalisme comme une voie vers le socialisme et non à travers la violence révolutionnaire proposée par Karl Marx. Pour Bernstein, la voie du socialisme passait par la démocratie et la mise en œuvre progressive des réformes du capitalisme. Il suffirait que le parti ouvrier triomphe aux élections et remporte la majorité parlementaire.

La montée du courant révisionniste de Bernstein a déclenché la première grande crise du marxisme, introduisant une nouvelle tendance d’opposition à la conception dialectique de l’histoire de Marx et Engels et d’abandon de toute prétention révolutionnaire. Contrairement à Marx, Bernstein a admis que le socialisme pouvait être atteint par des moyens pacifiques avec une réforme législative dans les sociétés démocratiques, sans avoir besoin d’une révolution. Bernstein a admis que le socialisme remplacerait tôt ou tard le capitalisme pour des raisons morales, car c’est le système politique le plus juste et le plus solidaire. Il critiquait l’idée de l’existence de seulement deux classes sociales, l’une oppressive et l’autre opprimée envisagée par Karl Marx, revendiquant l’existence de plusieurs classes interconnectées. Bernstein considérait que la lutte pour l’intérêt national était supérieure à la lutte des classes défendue par le marxisme.

Comme alternative aux thèses marxistes, Bernstein a défendu la lutte pour l’amélioration progressive et constante des conditions de vie des travailleurs, leur offrant les moyens d’accéder à la classe moyenne, il n’a pas admis la nécessité d’une nationalisation massive des entreprises privées et a refusé la voie de la violence pour atteindre le socialisme comme cela s’est produit avec les révolutions socialistes du 20e siècle, comme la révolution russe, chinoise et cubaine. Les thèses défendues par Eduard Bernstein étaient donc de mener la révolution socialiste pacifiquement avec la réforme du capitalisme par la voie parlementaire, ce qui ne s’est produit nulle part dans le monde. Il est prouvé par les faits de l’histoire qu’il ne peut guère y avoir de révolution socialiste par la voie parlementaire. Les sièges au Parlement sont occupés par la grande majorité de la classe économique dirigeante. Tout au plus, ce qu’on peut obtenir dans ces parlements, ce sont des concessions qui, par essence, ne compromettent pas les intérêts des capitalistes. En démocratie parlementaire, il n’y a pas d’opposition au « statu quo », les partis politiques dominants étant d’accord sur l’essentiel pour préserver la société capitaliste actuelle. Il n’y a pas de partis politiques susceptibles d’arriver au pouvoir qui doutent du dogme du marché. La forme représentative et parlementaire qui usurpe le nom de démocratie limite le pouvoir des citoyens par le simple droit de vote, c’est-à-dire à néant.

La construction du socialisme avec la conquête de l’hégémonie par la classe ouvrière dans la société civile basée sur la conception d’Antonio Gramsci

La deuxième thèse révisionniste de la théorie marxiste de la révolution sociale était la proposition de conquérir l’hégémonie de la classe ouvrière dans la société civile pour la construction du socialisme basée sur la conception d’Antonio Gramsci [9]. Gramsci, philosophe italien, considérait que le pouvoir des classes dominantes sur le prolétariat et les autres classes subalternes dans le capitalisme ne réside pas seulement dans le contrôle des appareils répressifs de l’Etat. Ce pouvoir est principalement garanti par l’hégémonie culturelle que les classes dominantes exercent sur les classes subordonnées, à travers le système éducatif, les institutions religieuses et les médias. À l’aide de ce contrôle, les classes dominantes « éduquent », c’est-à-dire « apprivoisent » les classes subalternes pour qu’elles vivent soumises à leurs intérêts comme quelque chose de naturel et de commode, inhibant ainsi leur action révolutionnaire. C’est ainsi que se forme un « bloc hégémonique » qui intègre toutes les classes sociales autour d’un projet de société au service des intérêts des détenteurs de capitaux. Le pouvoir hégémonique du capital combine la coercition avec l’utilisation d’instruments de répression et le consensus avec l’exercice de l’hégémonie culturelle.

La suprématie d’une classe sociale dominante se manifeste de deux manières : premièrement, par la coercition ou la répression, et deuxièmement, par la direction intellectuelle et morale, selon Gramsci. Une classe sociale domine les groupes opposés en les soumettant par la répression, en plus de diriger les groupes alliés. Gramsci affirme qu’une classe sociale peut et doit être le leader avant de conquérir le pouvoir gouvernemental. C’est d’ailleurs l’une des principales conditions de la conquête du pouvoir. Plus tard, lorsqu’il exerce le pouvoir, il devient dominant, mais il doit également continuer à être le leader. Pour Gramsci, l’hégémonie est l’exercice des fonctions de direction intellectuelle et morale en même temps que celle du domaine du pouvoir politique. Le problème pour Gramsci est de comprendre comment le prolétariat, ou en général une classe sociale dominée et subordonnée, peut devenir une classe dominante et exercer le pouvoir politique, c’est-à-dire devenir une classe hégémonique. L’hégémonie s’exerce en unissant un bloc social créant une alliance politique d’un conglomérat de différentes classes sociales.

Un bon exemple de la thèse défendue par Antonio Gramsci est la montée de la bourgeoisie qui, grâce à l’expansion de ses activités économiques commerciales et bancaires, au Moyen Âge sous le régime féodal, est devenue une classe dirigeante avant de conquérir le pouvoir avec les révolutions bourgeoises réalisé en France et en Angleterre [2]. La bourgeoisie s’est consolidée en tant que classe dirigeante en soutenant la centralisation de l’État dans la figure d’un roi absolutiste. Les États-nations absolutistes ont émergé en Europe grâce à une alliance entre la bourgeoisie et les rois qui ont contribué à l’avancement de la révolution commerciale dans le monde. Désormais, les impôts sont payés directement à l’État, et non aux seigneurs féodaux, qui offrent un environnement favorable au développement du commerce et profitent à la montée en puissance de la bourgeoisie commerçante et bancaire en Europe. Bien qu’elle fût la classe sociale économiquement dominante et responsable du maintien de l’État (puisque la noblesse et le clergé ne payaient pas d’impôts), la bourgeoisie n’exerça pas le pouvoir hégémonique qui ne se produisit que plus tard avec les révolutions bourgeoises menées en Angleterre entre 1640 et 1688 et en France en 1789.

La crise d’hégémonie survient, selon Gramsci, lorsque, même en maintenant leur propre domaine politique, les classes sociales politiquement dominantes sont incapables de résoudre les problèmes de l’ensemble de la collectivité, ne peuvent imposer leur conception du monde à la société dans son ensemble et sont ne peut plus être leader de toutes les classes sociales. Ainsi, les conditions sont créées pour le déclenchement d’une révolution sociale et l’ascension des classes subalternes au pouvoir. Gramsci affirme que les classes sociales subordonnées ne deviendront des leaders que si elles parviennent à présenter des solutions concrètes aux problèmes laissés en suspens par les classes dominantes, étendant leur propre cosmovision à d’autres couches sociales, créant un nouveau bloc social, qui peut devenir hégémonique. La théorie de l’hégémonie de Gramsci est liée à sa conception de l’État capitaliste, qui, selon lui, exerce le pouvoir à la fois par la force et par le consentement. Gramsci la divise entre la société politique, qui est l’arène des institutions politiques et du contrôle constitutionnel juridique, et la société civile, qui se considère communément comme une sphère privée ou non étatique, et qui inclut l’économie. La première est la portée de la force et la seconde celle du consentement.

Gramsci soutient que le parti révolutionnaire est la force qui permettra à la classe ouvrière de développer une hégémonie alternative au sein de la société civile. Pour Gramsci, la nature complexe de la société civile moderne implique que la seule tactique capable de saper l’hégémonie de la bourgeoisie et d’atteindre le socialisme est l’adoption de la « guerre des positions » (analogue à la guerre des tranchées). La « guerre de mouvement » avec l’attaque frontale contre le tsarisme menée par les bolcheviks en Russie en 1917 était une stratégie appropriée pour le stade arriéré de développement de la société civile russe. Gramsci a compris qu’une « guerre de positions » convenait à l’Occident, tandis qu’une « guerre de mouvements » (« révolution active ») s’appliquerait à l’Orient où prévalaient des sociétés moins avancées. Gramsci établit une distinction fondamentale entre l’Est et l’Ouest. En Orient, l’État était tout, la société civile était primitive et gélatineuse ; en Occident, il y avait l’État et une solide structure de la société civile. À son tour, Gramsci considère qu’une révolution passive (ou « révolution sans révolution ») a lieu lorsqu’une classe sociale arrive au pouvoir sans rompre le tissu social, mais en s’y adaptant et en le modifiant progressivement. La révolution anglaise de 1640 peut être présentée comme une révolution passive dans la montée au pouvoir de la bourgeoisie en Angleterre, ainsi que la révolution scandinave de 1930 qui signifiait la réforme du capitalisme avec l’implantation de l’État-providence en Suède après la montée en pouvoir du courant social-démocrate. Cependant, il n’y a aucun exemple de révolution socialiste « passive » enregistré à travers l’histoire.

Gramsci a compris qu’en Occident, pour réussir, les partis de gauche devaient adopter comme stratégie la soi-disant « guerre de positions », en la distinguant de la « guerre de mouvement ». Pour Gramsci, en Occident, l’État est « société politique + société civile », il est « coercition + consentement », où la formation sociale est solidement articulée par l’idéologie. Un parti de gauche, dans de telles conditions, doit se battre pour l’hégémonie dans la société. La construction du socialisme prônée par Antonio Gramsci n’a été réalisée nulle part dans le monde à ce jour en raison de l’immense difficulté pour les classes subalternes à devenir hégémoniques au sein de la société civile, déplaçant l’hégémonie des classes dominantes, surtout dans les conditions actuelles de la mondialisation du capitalisme. Il serait très difficile de reproduire dans les conditions actuelles ce qui s’est passé avec la montée au pouvoir de la bourgeoisie au Moyen Âge. Aucune classe sociale subordonnée comme la classe ouvrière ne serait capable de s’imposer économiquement dans le capitalisme mondialisé d’aujourd’hui pour assumer la condition de classe dirigeante avant de conquérir le pouvoir hégémonique dans la société contemporaine.

Construire le socialisme démocratique dans l´avenir

L’échec des propositions décrites ci-dessus pour les révolutions socialistes et pour la construction du socialisme souligne la nécessité de rechercher une nouvelle stratégie qui contribuera à la construction du socialisme de l’avenir en vue de la perspective de la fin du monde capitaliste système au milieu du 21e siècle [1]. Le socialisme du futur doit être radicalement démocratique, visant à créer un environnement de liberté, d’égalité et de fraternité entre les êtres humains afin d’atteindre leur bonheur, en revenant les idéaux des Lumières. Pour construire une société socialiste en remplacement du capitalisme, il faut une transition qui peut être la réforme du capitalisme avec la construction de l’Etat-Providence tel qu’il a été construit dans les pays scandinaves, qui, étant un hybride entre ce qu’il y a de plus positif dans les systèmes capitaliste et socialiste, il préparerait le terrain pour la construction du socialisme démocratique à l’avenir sans les obstacles qui ont rendu les propositions de Marx et Engels, de Bernstein et de Gramsci irréalisables.

Une nouvelle stratégie pour construire une nouvelle société de transition, qui pourrait conduire au socialisme de l’avenir, devrait envisager la réalisation de changements politiques, économiques et sociaux tels que ceux qui ont eu lieu en Scandinavie de 1930 à nos jours, ce qui a signifié la abandon du modèle classique de développement capitaliste tel qu’il était pratiqué dans tous les pays du monde à l’époque avec l’adoption d’un modèle de société intégrant les aspects positifs du capitalisme et du socialisme, constituant un système hybride. Contrairement aux grandes révolutions sociales telles que l’américaine de 1776 [2 et 3], la française de 1789 [8], la russe de 1917 [7], la chinoise de 1949 [4 et 12] et la cubaine de 1959 [5] , qui ont été menées avec violence, la révolution scandinave[2] s’est déroulée pacifiquement, c’est-à-dire sans effusion de sang.

La révolution scandinave [2] a commencé en Suède dans les années 1930 et a ensuite été adoptée dans d’autres pays scandinaves (Danemark, Norvège, Finlande et Islande) après la Seconde Guerre mondiale basée sur la social-démocratie, qui est une idéologie politique qui soutient les interventions économiques et sociales de l’État pour promouvoir la justice sociale dans un système capitaliste et une politique de protection sociale dans l’intérêt général de la population avec des interventions pour promouvoir une répartition plus équitable des revenus et un engagement en faveur de la démocratie représentative. C’est le déploiement de l’idéologie politique qui a émergé à la fin du XIXe siècle par des partisans marxistes comme Eduard Bernstein, qui pensaient que la transition vers une société socialiste devait se faire sans révolution violente, mais à travers une réforme sociale et économique progressive du système capitaliste afin de le rendre plus égalitaire.

La Scandinavie est le berceau du modèle de société le plus égalitaire que le capitalisme ait jamais connu. Ses origines remontent à la Suède dans les années 1930, lorsque l’hégémonie sociale-démocrate a eu lieu dans le gouvernement du pays nordique, initiant une série de réformes sociales et économiques qui ont inauguré un nouveau type de capitalisme, en opposition au libéralisme des décennies précédentes qui a conduit au grand dépression 1929. Le modèle social-démocrate dit scandinave est né, qui franchira rapidement les frontières suédoises pour devenir influent en Europe du Nord, mais aussi une référence importante dans la formulation de politiques économiques hétérodoxes (progressistes) à travers la planète. Le succès de ce modèle était dû à la combinaison d’un État-providence large avec des mécanismes rigides de régulation des forces du marché, capables de placer l’économie sur une trajectoire dynamique, tout en réalisant les meilleurs indicateurs de bien-être social entre les pays capitalistes.

L’initiative des économistes suédois a été décisive pour la mise en œuvre réussie du modèle social-démocrate scandinave, dirigé par Gunnar Myrdal, qui, au milieu du XXe siècle, fournira les bases théoriques d’une politique économique alternative à celle qui prévalait à l’époque. L’école de Stockholm, comme cette branche de la pensée économique hétérodoxe serait nommée, a dénoncé les maux du libéralisme capitaliste et a démontré la primauté de la demande des familles de reprendre des cycles de manne économique, contrairement aux stimuli d’offre anodins qui ont caractérisé (et caractérisent encore ) la vision libérale conservatrice. Aujourd’hui, les Scandinaves avertissent une fois de plus le monde que libérer les forces du marché équivaut à ouvrir une “boîte de Pandore” vraiment catastrophique.

L’État-providence consiste en un mode d’organisation économique, politique et sociale dans lequel l’État agit en tant qu’organisateur de l’économie et agent de promotion sociale. L’Etat agit pour assurer les intérêts des capitalistes détenteurs des moyens de production et garantir la protection et les services publics au peuple. Autrement dit, il cherche à concilier les intérêts du « d’en haut » avec ceux « d’en bas » dans la pyramide sociale. Le modèle nordique ou scandinave de social-démocratie pourrait être décrit comme une sorte de juste milieu entre le capitalisme et le socialisme [2 and 14]. Il n’est ni pleinement capitaliste ni pleinement socialiste, étant la tentative de fusionner les éléments les plus souhaitables des deux dans un système « hybride ». En 2013, le magazine The Economist déclarait que les pays nordiques étaient probablement les mieux gouvernés au monde. Le rapport des Nations Unies sur le bonheur dans le monde 2020 montre que les nations les plus heureuses du monde sont concentrées en Europe du Nord, avec la Norvège en tête de liste. Les pays nordiques ont le classement le plus élevé en termes de PIB réel par habitant, la plus longue espérance de vie en bonne santé, la plus grande liberté de faire des choix dans la vie et la plus grande générosité.

La social-démocratie cherche à réformer démocratiquement le capitalisme par le biais d’une réglementation étatique et de la création de programmes qui diminuent ou éliminent les injustices sociales inhérentes au capitalisme. Cette approche diffère sensiblement du socialisme traditionnel, qui vise à remplacer entièrement le système capitaliste par un nouveau système économique caractérisé par la propriété collective des moyens de production sous la dictature du prolétariat après la conquête du pouvoir par la violence révolutionnaire. Cette approche diffère également de la pensée d’Eduard Bernstein, qui prône la construction du socialisme avec la réforme du capitalisme par la voie parlementaire, et de la pensée d’Antonio Gramsci, qui prône la construction du socialisme avec la conquête de l’hégémonie dans la société civile avant la conquête du pouvoir par la classe ouvrière. A travers l’Etat-Providence, qui est une théorie du bien-être, la social-démocratie doit garantir à ses citoyens des conditions minimales de santé, d’éducation, de justice, de logement, de revenu et de sécurité sociale. De nombreux pays ont adopté des politiques différentes à différentes échelles et à des moments historiques selon cette théorie, comme les pays scandinaves (Danemark, Norvège, Suède et Finlande), la France, l’Angleterre et l’Allemagne, entre autres. Dans une large mesure, l’État-providence a connu un grand succès dans plusieurs pays, notamment dans les pays scandinaves.

Le modèle scandinave de développement politique, économique et social doit servir de référence en tant que modèle de société à poursuivre par tous les peuples du monde en tant que transition vers le socialisme démocratique du futur car les pays scandinaves sont considérés comme les mieux gouvernés sur le planète, ceux qui ont les plus grands progrès politiques, économiques et sociaux et les gens les plus heureux du monde. Le socialisme démocratique à mettre en œuvre à l’avenir doit représenter un pas en avant par rapport à l’Etat-Providence résultant de la réforme du capitalisme avec la social-démocratie mise en œuvre en Scandinavie et doit se produire lorsque, dans chaque pays, la société atteint un niveau élevé de développement économique et social et la devise « Liberté, Égalité, Fraternité », héritage des Lumières, deviendront une réalité dans le monde.

LES RÉFÉRENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

3. BLANCO, Richard L.; Sanborn, Paul J.. The American Revolution, 1775–1783: An Encyclopedia. New York: Garland Publishing Inc. ,1993.

4. COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Chinesa. São Paulo, Editora Moderna, 1986.

5. COGGIOLA, Osvaldo. Revolução Cubana. São Paulo, Xama, 1998.

6. ENGELS, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Baurú-São Paulo: Edipro, 2017.

7. FERRO, Marc. Revolução Russa de 1917. São Paulo: Perspectiva, 2004.

8. GAXOTTE, Pierre. La Révolution Française. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1957.

9. GRAMSCI, Antônio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

10. LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

11. LENIN, Vladimir. O Estado e a Revolução. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017.

12. POMAR, W. A Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003.

13. STEGER, Manfred B. The Quest for Evolutionary Socialism: Eduard Bernstein and Social Democracy. Cambridge, England, UK; New York, New York, USA: Cambridge University Press, 1997.

14. WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Disponível no website <http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2014.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) et A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

HOW TO BUILD A NEW SOCIETY TO REPLACE THE DYING CAPITALISM IN THE WORLD

Fernando Alcoforado*

This article aims to present a proposal for the construction of a new society to replace the dying capitalism in the world that contributes to the complete emancipation of humanity from the secular suffering imposed on it since the 12th century by the holders of capital. The construction of a new society becomes an urgent necessity, not only to eliminate the insoluble and gigantic political, economic, social and environmental problems caused by capitalism, but also, given the prospect of this system coming to an end in the mid-21st century when the global profit rate and the growth rate of the World Gross Product will reach zero [1]. This situation shows that the world capitalist system is operating in accordance with the principle of entropy by presenting the universal tendency to evolve into a growing disorder and self-destruction towards its end, which imposes the need for a new society to be implemented throughout the world diametrically opposed to capitalism, that is, socialism, which has been defended and pursued since the 18th century, but different from that built in the Soviet Union and other countries, that is, democratic socialism.

To present the proposal for democratic socialism, the three proposals for socialist revolution and for the construction of socialism that have occurred throughout human history, described below, were analyzed: 1) The construction of socialism with the use of revolutionary violence based on the conceptions of Marx and Engels; 2) The construction of socialism peacefully through the parliamentary route based on the conception of Eduard Bernstein; and 3) The construction of socialism with the conquest of hegemony by the working class in civil society based on Antonio Gramsci’s conception. As will be shown in the following pages, the proposal of Marx and Engels to construction of socialism failed because it failed to fulfill its historic promise to transform the world after the resounding success of socialist revolutions in the Soviet Union and elsewhere. Eduard Bernstein’s proposal for the construction of socialism failed because it proved impossible to carry out a peaceful socialist revolution through the parliamentary route, given that the bourgeois parties always constitute a majority in all parliaments in the world, which prevents decisions from being made that compromise the interests of capitalists. Antonio Gramsci’s proposal for the construction of socialism failed due to the impossibility of the subaltern classes becoming hegemonic within civil society, especially in the current conditions of globalization of capitalism.

Faced with the failure of these three proposals for the construction of socialism, the proposal for the construction of the democratic socialism of the future was formulated, which is detailed in the following pages. To make the democratic socialism of the future feasible, it was considered that it is necessary, initially, to carry out the reform of capitalism with the construction of the Welfare State as the one built in the Scandinavian countries which, being a hybrid of the capitalist and socialist systems, would prepare the ground for the construction of democratic socialism in the future, later, without the obstacles related to the proposals of Marx and Engels, Bernstein and Gramsci.

The construction of socialism using revolutionary violence based on the conceptions of Marx and Engels

The first proposal for the construction of socialism was based on the conceptions of Marx and Engels [6]. Socialism is a political and economic doctrine that emerged between the end of the 18th century and the first half of the 19th century with the aim of achieving social equality. The socialist current emerged as a way of rethinking the capitalist system in force at the time. Scientific socialism, known as Marxism, was created in the 19th century, based on a historical and scientific analysis of capitalism by Karl Marx and Friedrich Engels. According to Marx and Engels, in all historical periods society has been marked by class struggle, and this relationship is characterized by the antagonism between an oppressive and an oppressed class. In capitalism, these classes are represented, respectively, by the owners of the means of production, the capitalists, and by a mass of wage earners, the proletariat, which has only its labor power.

The first practical experience of building socialism in the world took place in 1917 in Russia, which shortly after would unite with other countries to form the Soviet Union. The socialist regime was established in Russia in 1917 with the use of revolutionary violence led by Vladimir Lenin [2, 10 and 11]. With the creation of the Soviet Union, accelerated industrialization was considered essential to overcome the backwardness of the country that had pre-capitalist economic structures. Accelerated industrialization for 70 years has made this country one of the greatest industrial powers in the world, with an industrial park with great technological development and great productive diversity (steel, metallurgy, chemistry, fuel, armaments, transport, space, etc.).

Despite the economic success achieved, the Soviet Union came to an end in 1991. The Eastern European countries that were members of the socialist system led by the Soviet Union, too, succumbed. To avoid the same fate as the Soviet Union, China abandoned the Maoist model of socialist society implemented with the socialist revolution of 1949 and adopted a mixed economic model, capitalist and socialist, called “market socialism” from 1978, which includes the presence foreign capital, as well as state and local private capital. Socialism turned into state capitalism in China. Socialism has failed throughout its history to promote economic and political progress, despite the social advances achieved. Marxist parties have failed to meet the demands of workers by leading the general population to disillusionment with those parties that have had their historic opportunity, by adopting a two-step strategy to transform the world (seize state power, then transform it) , had not fulfilled their historic promise [10].

The failure to build socialism in the Soviet Union is also due to the adoption of a dictatorship and terror regime that lasted for about 70 years, which was initially justified by the need to defend against internal counterrevolutionary reaction and external attacks during and after World War I, later, to defend the country from Nazi Germany’s aggression during World War II and to rebuild the country after this war, and finally to face the Western powers and the United States during the Cold War [10]. The adoption of dictatorships in the countries where it was implemented meant that socialism ceased to meet the demand for freedom that every human being aspires to enjoy. This fact was responsible to transform the popular mobilization in defense of socialism existing in the early days of the Soviet regime into demobilization for decades that was only resumed in the patriotic war against Nazism. After World War II, there was a new demobilization that was accentuated in the last days of socialism in the Soviet Union, when the workers and the people in general were not happy. The dissatisfaction of workers was so great that it affected labor productivity and resulted in inferior products. This created an atmosphere of apathy, bad mood, indifference and even despair. All of this explains why socialism disappeared in the Soviet Union and in the countries of Eastern Europe without the people fighting for its maintenance and, on the contrary, wishing for its end.

It can be said that the failure in the construction of socialism is fundamentally due to the fact that it has sought to achieve social equality without achieving it and has not provided the freedom and happiness for human beings that can only be obtained insofar as the motto “Liberty, Equality, Fraternity”, a legacy of the Enlightenment at the end of the 17th century, first invoked during the French Revolution, be put into practice. This motto, which is universal because it translates the yearnings of all human beings, has become the cry of activists for democracy and the overthrow of oppressive governments and tyrants of all kinds, erroneously associated only with the bourgeois revolutions that have taken place in history, it was not adopted in the socialist revolutions that took place in the world, but only the search for social equality. This was one of the main factors responsible for the failure of socialism in the world. The search for social equality is not enough for the people to achieve happiness.

The construction of socialism peacefully through the parliamentary way based on the conception of Eduard Bernstein

The first revisionist thesis of the Marxist theory of socialist revolution was the proposal to build socialism peacefully through the parliamentary route based on the conception of Eduard Bernstein [13]. At the end of the 19th century, Eduard Bernstein, a German politician and political theorist, refuted, within the German Social Democracy, the theses advocated by the leaders of the Social Democratic Party by proposing a critical review of Marx’s thought. He believed in the emancipatory potential of bourgeois democracy, stating that it would be possible for the subaltern social classes to take power to build socialism by legal and peaceful means through the parliamentary route. Bernstein supported the adoption of a conciliatory political posture and the mitigation of the class struggle advocated by Marx. Bernstein’s theses represent the first major theoretical effort to present an elaboration in defense of the reforms of capitalism as a path to socialism and not through the revolutionary violence proposed by Karl Marx. For Bernstein, the path to socialism was through democracy and the gradual implementation of reforms of capitalism. It would be enough for the workers’ party to triumph in the elections and win a parliamentary majority.

The rise of Bernstein’s revisionist current initiated the first great crisis of Marxism, introducing a new trend of opposition to the dialectical conception of history of Marx and Engels and of abandoning any revolutionary pretensions. Unlike Marx, Bernstein admitted that socialism could be achieved through peaceful means with legislative reform in democratic societies, without the need for a revolution. Bernstein admitted that socialism would replace capitalism sooner or later for moral reasons, as it is the fairest and most solidary political system. He criticized the idea of the existence of only two social classes, one oppressive and the other oppressed considered by Karl Marx, claiming the existence of several interconnected classes. Bernstein considered that the struggle for the national interest was superior to the class struggle defended by Marxism.

As an alternative to the Marxist theses, Bernstein defended the struggle for the gradual and constant improvement of the living conditions of workers, offering them the means to ascend to the middle class, he did not admit the need for mass nationalization of private companies and refused the path of violence to achieve socialism as happened with the socialist revolutions in the 20th century such as the Russian, Chinese and Cuban. The theses defended by Eduard Bernstein were, therefore, to carry out the socialist revolution peacefully with the reform of capitalism through the parliamentary route, which did not happen anywhere in the world. It is proven by the facts of history that there can hardly be a socialist revolution through the parliamentary route. The seats in Parliament are occupied by the vast majority of the ruling economic class. At the most, what can be obtained in these parliaments are some concessions that, in essence, do not compromise the interests of the capitalists. In parliamentary democracy, there is no opposition to the “status quo”, as the dominant political parties are in agreement on the essentials of preserving the current capitalist society. There are no political parties likely to come to power that doubt the dogma of the market. The representative and parliamentary form that usurps the name of democracy limits the power of citizens by the simple right to vote, that is, to nothing.

The construction of socialism with the conquest of hegemony by the working class in civil society based on the conception of Antonio Gramsci

The second revisionist thesis of the Marxist theory of social revolution was the proposal to conquer hegemony by the working class in civil society for the construction of socialism based on the conception of Antonio Gramsci [9]. Gramsci, Italian philosopher, considered that the power of the ruling classes over the proletariat and the other subaltern classes in capitalism does not lie only in the control of the repressive apparatuses of the State. This power is mainly guaranteed by the cultural hegemony that the dominant classes exert over the subordinate classes, through the educational system, religious institutions and the media. Using this control, the ruling classes “educate”, that is, “taming” the subordinate classes so that they live submissive to their interests as something natural and convenient, thus inhibiting their revolutionary action. This is how a “hegemonic bloc” is formed that incorporates all social classes around a project of society that meets the interests of capital holders. Capital’s hegemonic power combines coercion with the use of instruments of repression and consensus with the exercise of cultural hegemony.

The supremacy of a dominant social class manifests itself in two ways: first, through coercion or repression, and second, through intellectual and moral direction, according to Gramsci. A social class dominates opposing groups by subduing them with repression, in addition to directing allied groups. Gramsci affirms that a social class can and must be the leader before conquering governmental power. This, by the way, is one of the main conditions for the conquest of power. Later, when he exercises power, he becomes dominant, but he must continue to be the leader as well. For Gramsci, hegemony is the exercise of the functions of intellectual and moral direction together with that of the domain of political power. The problem for Gramsci is to understand how the proletariat, or in general a dominated, subordinate social class, can become a ruling class and exercise political power, that is, become a hegemonic class. Hegemony is exercised by uniting a social bloc creating a political alliance of a conglomerate of different social classes.

A good example of the thesis espoused by Antonio Gramsci is the rise of the bourgeoisie which, thanks to the expansion of its commercial and banking economic activities, during the Middle Ages under the feudal regime, became a ruling class before conquering power with the bourgeois revolutions carried out in France and England [2]. The bourgeoisie consolidated itself as a ruling class by supporting the centralization of the state in the figure of an absolutist king. The absolutist nation-states emerged in Europe through an alliance between the bourgeoisie and the kings who contributed to the advancement of the commercial revolution in the world. From then on, taxes were paid directly to the State, and not to feudal lords, who provided a favorable environment for the development of commerce and benefited the rise to power of the commercial and banking bourgeoisie in Europe. Although it was the economically dominant social class and responsible for sustaining the state (since nobility and clergy paid no taxes), the bourgeoisie did not exercise the hegemonic power that only happened later with the bourgeois revolutions carried out in England between 1640 and 1688 and in France in 1789.

The crisis of hegemony happens, according to Gramsci, when, even while maintaining their own political domain, the politically dominant social classes are unable to solve the problems of the entire collectivity, cannot impose their conception of the world on society as a whole and are no longer able to be leader of all social classes. Thus, the conditions are created for the outbreak of a social revolution and the rise of the subaltern classes to power. Gramsci states that the subordinate social classes will only become leaders if they manage to present concrete solutions to the problems left unsolved by the dominant classes, expanding their own cosmovision to other social strata, creating a new social bloc, which can become hegemonic. Gramsci’s theory of hegemony is linked to his conception of the capitalist state, which, according to him, exercises power through both force and consent. Gramsci divides it between political society, which is the arena of political institutions and legal constitutional control, and civil society, which commonly sees itself as a private or non-state sphere, and which includes the economy. The first is the scope of force and the second that of consent.

Gramsci argues that the revolutionary party is the force that will allow the working class to develop an alternative hegemony within civil society. For Gramsci, the complex nature of modern civil society implies that the only tactic capable of undermining the hegemony of the bourgeoisie and reaching socialism is the adoption of the “war of positions” (analogous to trench warfare). The “war of movement” with the frontal attack on tsarism carried out by the Bolsheviks in Russia in 1917 was an appropriate strategy for the backward stage of development of Russian civil society. Gramsci understood that a “war of positions” was appropriate for the West, while a “war of movements” (“active revolution”) would apply to the East where less advanced societies prevailed. Gramsci draws a fundamental distinction between East and West. In the East, the state was everything, civil society was primitive and gelatinous; in the West, there was the state and a robust structure of civil society. In turn, Gramsci considers that a passive revolution (or “revolution without revolution”) takes place when a social class comes to power without breaking the social fabric, but adapting to it and gradually modifying it. The English revolution of 1640 can be framed as a passive revolution in the rise to power of the bourgeoisie in England, as well as the Scandinavian revolution of 1930 which meant the reform of capitalism with the implantation of the Welfare State in Sweden after the rise to power of the social democratic current. However, there is no instance of “passive” socialist revolution recorded throughout history.

Gramsci understood that, in the West, to be successful, leftist parties should adopt the so-called “war of positions” as a strategy, distinguishing it from the “war of movement”. In Gramsci’s view, in the West, the State is “political society + civil society”, it is “coercion + consent”, where social formation is solidly articulated by ideology. A left-wing party, in such conditions, needs to fight for hegemony in society. The construction of socialism advocated by Antonio Gramsci has not been carried out anywhere in the world to date due to the immense difficulty for the subaltern classes to become hegemonic within civil society, displacing the hegemony of the dominant classes, especially in the current conditions of globalization of capitalism . It would be very difficult to reproduce under current conditions what happened with the rise of the bourgeoisie to power in the Middle Ages. No subordinate social class like the working class would be able to impose itself economically in today’s globalized capitalism to assume the condition of ruling class before conquering hegemonic power in contemporary society.

Building the democratic socialism of the future

The failure of the above-described proposals for socialist revolutions and for the construction of socialism emphasizes the need to search for a new strategy that will contribute to the construction of the socialism of the future in view of the prospect of the end of the world capitalist system in the mid-21st century [1]. The socialism of the future should be radically democratic, aiming to create an environment of freedom, equality and fraternity among human beings for the achievement of their happiness, rescuing the ideals of the Enlightenment. To build a socialist society to replace capitalism, there needs to be a transition that can be the reform of capitalism with the construction of the Welfare State as built in the Scandinavian countries, which, being a hybrid between the most positive in the capitalist and socialist systems, it would prepare the ground for the construction of democratic socialism in the future without the obstacles that made the proposals of Marx and Engels, Bernstein and Gramsci unfeasible.

A new strategy for building a new transition society, which could lead to the socialism of the future, should consider the realization of political, economic and social changes such as those that have taken place in Scandinavia from 1930 to the present moment, which meant the abandonment of the classic model of capitalist development as practiced in all countries of the world at the time with the adoption of a model of society that incorporated the positive aspects of capitalism and socialism, constituting a hybrid system. Unlike the great social revolutions such as the American of 1776 [2 and 3], the French of 1789 [8], the Russian of 1917 [7], the Chinese of 1949 [4 and 12] and the Cuban of 1959 [5], that were carried out with the use of violence, the Scandinavian revolution[2] was carried out peacefully, that is, without bloodshed.

The Scandinavian Revolution [2] began in Sweden in the 1930s and was later adopted in other Scandinavian countries (Denmark, Norway, Finland and Iceland) after World War II based on social democracy, which is a political ideology that supports state economic and social interventions to promote social justice in a capitalist system and a Social Welfare policy in the general interest of the population with interventions to promote more equitable income distribution and a commitment to representative democracy. It is the unfolding of the political ideology that emerged at the end of the 19th century by Marxist supporters such as Eduard Bernstein, who believed that the transition to a socialist society should take place without a violent revolution, but through a gradual social and economic reform of the capitalist system in order to make it more egalitarian.

Scandinavia is the birthplace of the most egalitarian model of society that capitalism has ever known. Its origins go back to Sweden in the 1930s when social democratic hegemony took place in the Nordic country’s government, initiating a series of social and economic reforms that inaugurated a new type of capitalism, in opposition to the liberalism of previous decades that led to the great depression 1929. The so-called Scandinavian social democratic model was born, which would quickly cross Swedish borders to become influential in Northern Europe, but also an important reference in the formulation of heterodox (progressive) economic policies across the planet. The success of this model was due to the combination of a broad Welfare State with rigid mechanisms for regulating market forces, capable of placing the economy on a dynamic trajectory, while achieving the best social welfare indicators between the capitalist countries.

The initiative of Swedish economists was decisive for the successful implementation of the Scandinavian social democratic model, headed by Gunnar Myrdal, who in the mid-twentieth century would provide the theoretical foundation for an alternative economic policy to the prevailing one at the time. The Stockholm School, as this branch of heterodox economic thought would be named, denounced the ills of capitalist liberalism and demonstrated the primacy of the demand of families to resume cycles of economic bonanza, in contrast to the innocuous supply stimuli that characterized (and still characterize ) the conservative liberal view. Today, Scandinavians are once again warning the world that unleashing market forces is tantamount to opening up a truly catastrophic “Pandora’s box.”

The Welfare State consists of a mode of economic, political and social organization in which the State acts as an organizer of the economy and an agent of social promotion. The State acts in order to ensure the interests of capitalists holding the means of production and guarantee protection and public services to the people. In other words, it seeks to reconcile the interests of “from above” with those from “below” in the social pyramid. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of middle ground between capitalism and socialism [2 and 14]. It is neither fully capitalist nor fully socialist, being the attempt to fuse the most desirable elements of both into a “hybrid” system. In 2013, The Economist magazine declared that the Nordic countries are probably the best governed in the world. The UN World Happiness Report 2020 report shows that the happiest nations of the world are concentrated in Northern Europe, with Norway at the top of the list. The Nordics have the highest ranking in real GDP per capita, the longest healthy life expectancy, the greatest freedom to make choices in life and the greatest generosity.

Social democracy seeks to democratically reform capitalism through state regulation and the creation of programs that diminish or eliminate the social injustices inherent in capitalism. This approach differs significantly from traditional socialism, which aims to replace the capitalist system entirely with a new economic system characterized by collective ownership of the means of production under the dictatorship of the proletariat after the conquest of power through revolutionary violence. This approach also differs from the thought of Eduard Bernstein, who advocates the construction of socialism with the reform of capitalism through parliamentary means, and from the thought of Antonio Gramsci, who advocates the construction of socialism with the conquest of hegemony in civil society before the conquest of power by the working class. Through the Welfare State, which is a welfare theory, social democracy must guarantee its citizens minimum health, education, justice, housing, income and social security conditions. Many countries have adopted different policies at different scales and in historical moments according to this theory, such as the Scandinavian countries (Denmark, Norway, Sweden and Finland), France, England and Germany, among others. To a large extent, the Welfare State has been very successful in several countries, especially in Scandinavian countries.

The Scandinavian model of political, economic and social development should serve as a reference as a model of society to be pursued by all peoples of the world as a transition to the democratic socialism of the future because the Scandinavian countries are considered the best governed on the planet, those that they have the greatest political, economic and social progress and have the happiest people in the world. The democratic socialism to be implemented in the future must represent a step forward in relation to the Welfare State resulting from the reform of capitalism with social democracy put into practice in Scandinavia and must occur when, in each country, society reaches a high level of political, economic and social development and the motto “Freedom, Equality, Fraternity”, Enlightenment heritage, could become a reality in the world

REFERENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

3. BLANCO, Richard L.; Sanborn, Paul J.. The American Revolution, 1775–1783: An Encyclopedia. New York: Garland Publishing Inc. ,1993.

4. COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Chinesa. São Paulo, Editora Moderna, 1986.

5. COGGIOLA, Osvaldo. Revolução Cubana. São Paulo, Xama, 1998.

6. ENGELS, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Baurú-São Paulo: Edipro, 2017.

7. FERRO, Marc. Revolução Russa de 1917. São Paulo: Perspectiva, 2004.

8. GAXOTTE, Pierre. La Révolution Française. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1957.

9. GRAMSCI, Antônio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

10. LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

11. LENIN, Vladimir. O Estado e a Revolução. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017.

12. POMAR, W. A Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003.

13. STEGER, Manfred B. The Quest for Evolutionary Socialism: Eduard Bernstein and Social Democracy. Cambridge, England, UK; New York, New York, USA: Cambridge University Press, 1997.

14. WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Disponível no website <http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2014.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) and A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021) .

COMO CONSTRUIR UMA NOVA SOCIEDADE PARA SUBSTITUIR O CAPITALISMO MORIBUNDO NO MUNDO

Fernando Alcoforado* 

Este artigo tem o propósito de apresentar uma proposta de construção de uma nova sociedade para substituir o capitalismo moribundo no mundo que contribua para a completa emancipação da humanidade do sofrimento secular a ela imposto desde o século XII pelos detentores do capital. A construção de uma nova sociedade se torna uma necessidade imperiosa, não apenas para eliminar os insolúveis e gigantescos problemas políticos, econômicos, sociais e ambientais provocados pelo capitalismo, mas também, diante da perspectiva deste sistema chegar ao fim em meados do século XXI quando a taxa de lucro global e a taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial alcançarão o valor zero [1]. Esta situação mostra que o sistema capitalista mundial está operando de acordo com o princípio da entropia ao apresentar a tendência universal de evoluir para uma crescente desordem e autodestruição rumo ao seu fim o que impõe a necessidade de que seja implantada em todo o mundo uma nova sociedade diametralmente oposta ao capitalismo, isto é, o socialismo, que vem sendo defendido e perseguido desde o século XVIII, porém diferente daquele construído na União Soviética e em outros países, ou seja, o socialismo democrático.  

Para apresentar a proposta de socialismo democrático, analisou-se as três propostas de revolução socialista e de construção do socialismo que ocorreram ao longo da história da humanidade descritas a seguir: 1) A construção do socialismo com o uso da violência revolucionária baseada nas concepções de Marx e Engels; 2) A construção do socialismo pacificamente pela via parlamentar baseada na concepção de Eduard Bernstein; e, 3) A construção do socialismo com a conquista da hegemonia pela classe operária na sociedade civil baseada na concepção de Antonio Gramsci. Como será demonstrado nas páginas a seguir, a proposta de Marx e Engels de construção do socialismo fracassou porque não cumpriu sua promessa histórica de transformar o mundo depois do sucesso retumbante das revoluções socialistas na União Soviética e em outros países. A proposta de Eduard Bernstein de construção do socialismo fracassou porque foi constatado ser impossível realizar uma revolução socialista pacificamente pela via parlamentar haja vista que os partidos burgueses sempre constituem maioria em todos os parlamentos do mundo que impede que haja decisões que comprometam os interesses dos capitalistas. A proposta de Antonio Gramsci de construção do socialismo fracassou devido à impossibilidade de as classes subalternas se tornarem hegemônicas dentro da sociedade civil, sobretudo nas condições atuais de globalização do capitalismo.

Diante do fracasso dessas três propostas de construção do socialismo, formulou-se a proposta de construção do socialismo democrático do futuro que está detalhada nas páginas a seguir. Para viabilizar o socialismo democrático do futuro, considerou-se que é preciso realizar, inicialmente, a reforma do capitalismo com a construção do Estado de Bem Estar Social como aquele construído nos países escandinavos que, sendo um híbrido dos sistemas capitalista e socialista, prepararia o terreno para a edificação do socialismo democrático no futuro, posteriormente, sem os entraves relacionados com as propostas de Marx e Engels, de Bernstein e de Gramsci.

A construção do socialismo com o uso da violência revolucionária baseada nas concepções de Marx e Engels

A primeira proposta de construção do socialismo foi baseada nas concepções de Marx e  Engels [6]. O socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu entre o fim do século XVIII e a primeira metade do século XIX tendo por objetivo a conquista da igualdade social. A corrente socialista emergiu como uma forma de repensar o sistema capitalista em vigor na época. O socialismo científico, conhecido como marxismo, foi criado no século XIX, pautado em uma análise histórica e científica do capitalismo por Karl Marx e Friedrich Engels. Segundo Marx e Engels, em todas as épocas históricas a sociedade foi marcada pela luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. No capitalismo, essas classes são representadas, respectivamente, pelos donos dos meios de produção, os capitalistas, e por uma massa de assalariados sem posses, o proletariado, que dispõe apenas de sua força de trabalho.

A primeira experiência prática de construção do socialismo no mundo ocorreu em 1917 na Rússia, que pouco tempo depois se unificaria com outros países para formar a União Soviética. O regime socialista foi estabelecido na Rússia em 1917 com o uso da violência revolucionária liderada por Vladimir Lênin [2, 10 e 11]. Com a criação da União Soviética, a industrialização acelerada foi considerada fundamental para superar o atraso do país que tinha estruturas econômicas pré-capitalistas. A industrialização acelerada durante 70 anos tornou este país uma das maiores potências industriais do mundo com um parque industrial com grande desenvolvimento tecnológico e grande diversidade produtiva (siderurgia, metalurgia, química, combustíveis, armamentos, transporte, espacial etc.).

Apesar do sucesso econômico alcançado, a União Soviética chegou ao fim em 1991. Os países do leste europeu integrantes do sistema socialista liderado pela União Soviética, também, sucumbiram. Para evitar o mesmo destino da União Soviética, a China abandonou o modelo maoísta de sociedade socialista implantado com a revolução socialista de 1949 e adotou um modelo econômico misto, capitalista e socialista, denominado “socialismo de mercado” a partir de 1978 que contempla a presença do capital estrangeiro, além de capitais estatais e privados locais. O socialismo se transformou em capitalismo de estado na China. O socialismo fracassou ao longo de sua história na promoção do progresso econômico e político, apesar dos avanços sociais alcançados. Os partidos marxistas fracassaram no atendimento das demandas dos trabalhadores ao levar a população em geral à desilusão com esses partidos que tiveram sua oportunidade histórica de, adotando uma estratégia de duas etapas para transformar o mundo (tomar o poder do Estado, depois transformá-lo), não tinham cumprido sua promessa histórica [10].

O fracasso na construção do socialismo na União Soviética se deve, também, à adoção de uma ditadura e do regime de terror que perdurou durante cerca de 70 anos que foi justificada inicialmente pela necessidade de se defender da reação contrarrevolucionária interna e de ataques externos durante e após a 1ª Guerra Mundial, posteriormente, para defender o país da agressão da Alemanha nazista durante a 2ª Guerra Mundial e reconstruir o país após esta guerra e, finalmente, para enfrentar as potências ocidentais e os Estados Unidos durante a Guerra Fria [10]. A adoção de ditaduras nos países onde foi implantado fez com que o socialismo deixasse de atender a demanda por liberdade que todo ser humano aspira gozar. Este fato foi responsável por transformar a mobilização popular em defesa do socialismo existente nos primeiros tempos do regime soviético em desmobilização durante dezenas de anos que só foi retomada na guerra patriótica contra o nazismo. Após a 2ª Guerra Mundial, ocorreu nova desmobilização que se acentuou nos últimos dias do socialismo na União Soviética, quando os operários e o povo em geral demonstravam não estarem felizes. A insatisfação dos operários foi tão grande que afetou a produtividade do trabalho e resultou em produtos de qualidade inferior. Isto criou um clima de apatia, mau humor, indiferença e, até mesmo, de desespero. Tudo isto explica porque o socialismo desapareceu na União Soviética e nos países do leste europeu sem que o povo lutasse pela sua manutenção e, ao contrário, desejasse o seu fim. 

Pode-se afirmar que o fracasso na construção do socialismo se deve fundamentalmente ao fato de ter buscado a conquista da igualdade social sem alcançá-la e não ter proporcionado a liberdade e a felicidade para os seres humanos que só poderão ser obtidas na medida em que o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, herança do Iluminismo ao final do século XVII, invocado pela primeira vez durante a Revolução Francesa, seja colocado em prática. Este lema, que é universal porque traduz os anseios de todos os seres humanos, tornou-se o grito de ativistas em prol da democracia e da derrubada de governos opressores e tiranos de todo tipo, erroneamente associado apenas às revoluções burguesas que ocorreram na história, não foi adotado nas revoluções socialistas que ocorreram no mundo e sim apenas a busca da igualdade social. Este foi um dos principais fatores responsáveis pelo fracasso do socialismo no mundo. Não basta a busca da igualdade social para o povo conquistar a felicidade.

A construção do socialismo pacificamente pela via parlamentar baseada na concepção de Eduard Bernstein

A primeira tese revisionista da teoria marxista da revolução socialista foi a proposta de construção do socialismo pacificamente pela via parlamentar baseada na concepção de Eduard Bernstein [13]. Nos fins do século XIX, Eduard Bernstein, político e teórico político alemão, refutou no interior da socialdemocracia alemã as teses preconizadas pelos líderes do Partido Social Democrata ao propor a revisão crítica do pensamento de Marx. Ele acreditava no potencial emancipador da democracia burguesa, afirmando que seria possível a tomada do poder pelas classes sociais subalternas para construir o socialismo por meios legais e pacíficos através da via parlamentar. Bernstein sustentava a adoção de uma postura política conciliatória e a mitigação da luta de classes preconizada por Marx. As teses de Bernstein representam o primeiro grande esforço teórico para apresentar uma elaboração em defesa das reformas do capitalismo como caminho para o socialismo e não através da violência revolucionária propostas por Karl Marx. Para Bernstein, o caminho para o socialismo passava pela democracia e pela implementação gradual de reformas do capitalismo. Bastaria ao partido operário triunfar nas eleições e conquistar a maioria parlamentar.

O surgimento da corrente revisionista de Bernstein deu início à primeira grande crise do marxismo, introduzindo uma nova tendência de oposição à concepção dialética da história de Marx e Engels e de abandono de quaisquer pretensões revolucionárias. Diferentemente de Marx, Bernstein admitia que o socialismo poderia ser alcançado através de meios pacíficos com uma reforma legislativa em sociedades democráticas, sem a necessidade de uma revolução. Bernstein admitiu que o socialismo substituiria o capitalismo mais tarde ou mais cedo por motivos morais, por ser o sistema político mais justo e solidário. Ele criticava a ideia da existência de apenas duas classes sociais, uma opressora e outra oprimida considerada por Karl Marx, reivindicando a existência de várias classes interligadas. Bernstein considerava que a luta pelo interesse nacional era superior à luta de classes defendida pelo marxismo.

Em alternativa às teses marxistas, Bernstein defendia a luta pela melhoria gradual e constante das condições de vida dos trabalhadores oferecendo-lhes meios para ascender à classe média, não admitia a necessidade de estatizações ou nacionalizações em massa de empresas privadas e recusava a via da violência revolucionária para atingir o socialismo como aconteceu com as revoluções socialistas no século XX como a russa, chinesa e cubana. As teses defendidas por Eduard Bernstein eram, portanto, as de realizar a revolução socialista pacificamente com a reforma do capitalismo pela via parlamentar que não aconteceram em parte alguma do mundo. Está comprovado pelos fatos da história que muito dificilmente poderá haver uma revolução socialista pela via parlamentar. As cadeiras do Parlamento estão ocupadas pela imensa maioria da classe econômica dominante. No máximo, o que se pode obter nesses parlamentos são algumas concessões que, em essência, não comprometam os interesses dos capitalistas.  Na democracia parlamentar, não existe oposição ao “status quo”, pois os partidos políticos dominantes estão de acordo sobre o essencial que é a conservação da atual sociedade capitalista. Não existem partidos políticos susceptíveis de chegar ao poder que duvidem do dogma do mercado. A forma representativa e parlamentar que usurpa o nome da democracia limita o poder dos cidadãos pelo simples direito ao voto, ou seja, a nada.

A construção do socialismo com a conquista da hegemonia pela classe operária na sociedade civil baseada na concepção de Antonio Gramsci  

A segunda tese revisionista da teoria marxista da revolução social foi a proposta de conquista da hegemonia pela classe operária na sociedade civil para a construção do socialismo baseada na concepção de Antonio Gramsci [9]. Gramsci, filósofo italiano, considerava que o poder das classes dominantes sobre o proletariado e as demais classes subalternas no capitalismo não reside apenas no controle dos aparelhos repressivos do Estado. Este poder é garantido principalmente pela hegemonia cultural que as classes dominantes exercem sobre as classes subalternas, através do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação. Usando deste controle, as classes dominantes “educam”, isto é, “domam” as classes subalternas para que estas vivam submissas a seus interesses como algo natural e conveniente, inibindo assim sua ação revolucionária. É assim que se forma um “bloco hegemônico” que incorpora todas as classes sociais em torno de um projeto de sociedade que atende os interesses dos detentores do capital. O poder hegemônico do capital combina a coerção com o uso dos instrumentos de repressão e o consenso com o exercício da hegemonia cultural.

A supremacia de um classe social dominante se manifesta por dois modos: primeiro, pela coerção ou repressão e, segundo, pela direção intelectual e moral, segundo Gramsci. Uma classe social domina os grupos oponentes ao submetê-los com a repressão, além de dirigir os grupos aliados. Gramsci afirma que uma classe social pode e deve ser dirigente antes de conquistar o poder governamental. Esta, aliás, é uma das condições principais para a própria conquista do poder. Posteriormente, quando exerce o poder, torna-se dominante, mas deve continuar sendo dirigente também. Para Gramsci, a hegemonia é o exercício das funções de direção intelectual e moral unida àquela do domínio do poder político. O problema para Gramsci está em compreender como o proletariado ou em geral uma classe social dominada, subalterna, pode se tornar classe dirigente e exercer o poder político, ou seja, converter-se em uma classe hegemônica. A hegemonia é exercida unindo-se um bloco social criando uma aliança política de um conglomerado de classes sociais diferentes.

Um bom exemplo da tese esposada por Antonio Gramsci é o da ascensão da burguesia que, graças à expansão de suas atividades econômicas comerciais e bancárias, durante a Idade Média no regime feudal, foi se tornando classe dirigente antes de conquistar o poder com as revoluções burguesas realizadas na França e na Inglaterra [2]. A burguesia se consolidou como classe dirigente ao apoiar a centralização do Estado na figura de um rei absolutista. Os Estados Nação absolutistas surgiram na Europa por meio de uma aliança entre burguesia e os reis que contribuíram para o avanço da revolução comercial no mundo. A partir de então os tributos passaram a ser pagos diretamente ao Estado, e não aos senhores feudais, que proporcionaram um ambiente favorável para o desenvolvimento do comércio e beneficiaram a ascensão ao poder da burguesia comercial e bancária na Europa. Embora fosse a classe social economicamente dominante e responsável pelo sustento do Estado (uma vez que nobreza e clero não pagavam tributos), a burguesia não exercia o poder hegemônico que só aconteceu posteriormente com as revoluções burguesas realizadas na Inglaterra entre 1640 e 1688 e na França em 1789.

A crise da hegemonia acontece, segundo Gramsci, quando, ainda que mantendo o próprio domínio político, as classes sociais politicamente dominantes não conseguem resolver os problemas de toda a coletividade, não conseguem impor a toda a sociedade sua concepção do mundo e não conseguem mais ser dirigente de todas as classes sociais. Criam-se, assim, as condições para a eclosão de uma revolução social e a ascensão das classes subalternas ao poder. Gramsci afirma que as classes sociais subalternas só se tornarão dirigentes se conseguirem apresentar soluções concretas aos problemas deixados sem solução pelas classes dominantes expandindo sua própria cosmovisão a outros estratos sociais, criando um novo bloco social, que pode se tornar hegemônico. A teoria da hegemonia de Gramsci está ligada à sua concepção do Estado capitalista, que, segundo ele, exerce o poder tanto mediante a força quanto o consentimento. Gramsci divide-o entre a sociedade política, que é a arena das instituições políticas e de controle constitucional legal, e a sociedade civil, que se vê comumente como uma esfera privada ou não-estatal, e que inclui a economia. A primeira é o âmbito da força e a segunda o do consentimento.

Gramsci argumenta que o partido revolucionário é a força que permitirá que a classe operária desenvolva uma hegemonia alternativa dentro da sociedade civil. Para Gramsci, a natureza complexa da sociedade civil moderna implica que a única tática capaz de minar a hegemonia da burguesia e chegar-se ao socialismo é a adoção da “guerra de posições” (análoga à guerra de trincheiras). A “guerra de movimento” com o ataque frontal ao czarismo levado a cabo pelos bolcheviques na Rússia em 1917 foi uma estratégia apropriada ao estágio de desenvolvimento atrasado da sociedade civil russa. Gramsci entendia que uma “guerra de posições” era adequada ao Ocidente, enquanto que a “guerra de movimentos” (“revolução ativa”) seria aplicável ao Oriente onde prevalecia sociedades menos avançadas. Gramsci estabelece uma distinção fundamental entre Oriente e Ocidente. No Oriente, o Estado era tudo, a sociedade civil era primitiva e gelatinosa; no Ocidente, havia o Estado e uma robusta estrutura da sociedade civil. Por sua vez, Gramsci considera que uma revolução passiva (ou “revolução sem revolução”) acontece quando uma classe social chega ao poder sem romper o tecido social, mas sim adaptando-se a ele e modificando-o gradualmente. A revolução inglesa de 1640 pode ser enquadrada como revolução passiva na ascensão ao poder da burguesia na Inglaterra, bem como a revolução escandinava de 1930 que significou a reforma do capitalismo com a implantação do Estado de Bem Estar Social na Suécia após a ascensão ao poder da corrente social democrata. Entretanto, não há nenhum exemplo de revolução socialista “passiva” registrado ao longo da história.

Gramsci entendia que, no Ocidente, para ter êxito, os partidos de esquerda deveriam adotar como estratégia a chamada “guerra de posições” distinguindo-a da “guerra de movimento”. Na visão de Gramsci, no Ocidente, o Estado é “sociedade política + sociedade civil”, é “coerção + consentimento”, onde a formação social é solidamente articulada pela ideologia. Um partido de esquerda, em tais condições, precisa disputar a hegemonia na sociedade. A construção do socialismo preconizada por Antonio Gramsci não foi realizada em nenhuma parte do mundo até o momento atual devido à imensa dificuldade de as classes subalternas se tornarem hegemônicas dentro da sociedade civil desbancando a hegemonia das classes dominantes, sobretudo nas condições atuais de globalização do capitalismo. Muito dificilmente se reproduziria nas condições atuais o que aconteceu com a ascensão da burguesia ao poder na Idade Média. Nenhuma classe social subalterna como a classe operária teria condições de se impor economicamente no capitalismo globalizado atual para assumir a condição de classe dirigente antes de conquistar o poder hegemônico na sociedade contemporânea. 

A construção do socialismo democrático do futuro

O fracasso das propostas acima descritas de revoluções socialistas e de construção do socialismo enfatiza a necessidade de busca de nova estratégia que contribuam para a construção do socialismo do futuro diante da perspectiva de fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI [1]. O socialismo do futuro deveria ser radicalmente democrático tendo como objetivo criar um ambiente de liberdade, igualdade e fraternidade entre os seres humanos para a conquista de sua felicidade resgatando os ideais do Iluminismo. Para edificar a sociedade socialista em substituição ao capitalismo, é preciso que haja uma transição que pode ser a reforma do capitalismo com a construção do Estado de Bem Estar Social como o construído nos países escandinavos que, sendo um híbrido entre o que existe de mais positivo nos sistemas capitalista e socialista, prepararia o terreno para a edificação do socialismo democrático no futuro sem os entraves que inviabilizaram as propostas de Marx e Engels, de Bernstein e de Gramsci.

Uma nova estratégia de construção de uma nova sociedade de transição, que poderá conduzir ao socialismo do futuro, deveria considerar a realização de mudanças políticas, econômicas e sociais como as ocorridas na Escandinávia desde 1930 até o presente momento  que significou o abandono do modelo clássico de desenvolvimento capitalista como praticado em todos os países do mundo na época com a adoção de um modelo de sociedade que incorporou os aspectos positivos do capitalismo e do socialismo se constituindo em um sistema híbrido. Diferentemente das grandes revoluções sociais como a americana de 1776 [2 e 3], a francesa de 1789 [8], a russa de 1917 [7], a chinesa de 1949 [4 e 12] e a cubana de 1959 [5], que se realizaram com o uso da violência, a revolução escandinava [2] foi realizada pacificamente, isto é, sem derramamento de sangue.

A Revolução Escandinava [2] teve seu início na Suécia na década de 1930 e depois foi adotado, também, nos demais países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) após a 2ª Guerra Mundial com base na socialdemocracia que é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social em um sistema capitalista e uma política de Bem-Estar Social no interesse geral da população com intervenções para promover uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa. É o desdobramento da ideologia política surgida no fim do século XIX por partidários do marxismo, como Eduard Bernstein, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução violenta, mas sim por meio de uma gradual reforma social e econômica do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário. 

A Escandinávia é o berço do modelo de sociedade mais igualitário que o capitalismo já conheceu. Sua origem remonta à Suécia dos anos 1930 quando ocorreu a hegemonia social democrata no governo do país nórdico, dando início a uma série de reformas sociais e econômicas que inaugurou um novo tipo de capitalismo, em oposição ao liberalismo das décadas anteriores que levou à grande depressão econômica de 1929. Nascia o chamado modelo social democrata escandinavo, que rapidamente ultrapassaria as fronteiras suecas para se tornar influente no norte europeu, mas também uma referência importante na formulação de políticas econômicas heterodoxas (progressistas) em todo o planeta. O sucesso deste modelo se deveu à combinação de um amplo Estado de Bem-Estar com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado, capaz de colocar a economia em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que alcançava os melhores indicadores de bem-estar social entre os países capitalistas.

Para o sucesso da implantação do modelo social democrata escandinavo foi decisiva a iniciativa de economistas suecos, tendo à frente Gunnar Myrdal, que em meados do século XX forneceriam o fundamento teórico para uma política econômica alternativa à dominante na época. A Escola de Estocolmo, como seria batizada esta ramificação do pensamento econômico heterodoxo, denunciou as mazelas do liberalismo capitalista e demonstrou a primazia da demanda das famílias para se retomar ciclos de bonança econômica, em contraposição aos estímulos inócuos de oferta que caracterizavam (e caracterizam ainda) a visão liberal conservadora. Hoje, os escandinavos mais uma vez alertam o mundo que liberar as forças de mercado equivale a abrir uma verdadeira “caixa de Pandora” catastrófica.

O Estado de Bem-Estar Social consiste em um modo de organização econômica, política e social na qual o Estado atua como organizador da economia e agente de promoção social. O Estado age no intuito de assegurar os interesses dos capitalistas detentores dos meios de produção e garantir a proteção e serviços públicos ao povo. Em outras palavras procura conciliar o interesse dos “de cima” com os “de baixo” na pirâmide social. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo [2 e 14]. Não é nem totalmente capitalista nem totalmente socialista, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. Em 2013, a revista The Economist declarou que os países nórdicos são provavelmente os mais bem governados do mundo. O relatório World Happiness Report 2020 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista. Os nórdicos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade.  

A social democracia visa reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo. Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem como objetivo substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção sob a ditadura do proletariado após a conquista do poder através da violência revolucionária. Esta abordagem difere, também, do pensamento de Eduard Bernstein que preconiza a construção do socialismo com a reforma do capitalismo pela via parlamentar e do pensamento de Antonio Gramsci que preconiza a construção do socialismo com a conquista da hegemonia na sociedade civil antes da conquista do poder pela classe operária. Através do Estado do Bem Estar Social, que é uma teoria assistencialista, a social democracia deve garantir aos seus cidadãos condições mínimas de saúde, educação, justiça, moradia, renda e seguridade social. Muitos países adotaram em escalas diferentes e em momentos históricos diferentes políticas segundo esta teoria, tais como os países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia), França, Inglaterra e Alemanha, entre outros. Em grande medida, o Estado de Bem Estar Social foi muito bem sucedido em vários países, especialmente, nos países escandinavos.

O modelo escandinavo de desenvolvimento político, econômico e social deveria servir de referencial como modelo de sociedade a ser perseguido por todos os povos do mundo como transição para o socialismo democrático do futuro porque os países escandinavos são considerados os mais bem governados do planeta, os que apresentam o maior progresso político, econômico e social e têm os povos mais felizes do mundo. O socialismo democrático a ser implantado no futuro deve representar um passo à frente em relação ao Estado de Bem Estar Social resultante da reforma do capitalismo com a social democracia posta em prática na Escandinávia e deve ocorrer quando, em cada país, a sociedade alcançar elevado nível de desenvolvimento político, econômico e social e o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, herança do Iluminismo, poderá se tornar realidade no mundo. 

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

2. ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

3. BLANCO, Richard L.; Sanborn, Paul J.. The American Revolution, 1775–1783: An Encyclopedia. New York: Garland Publishing Inc. ,1993.

4. COGGIOLA, Osvaldo. A Revolução Chinesa. São Paulo, Editora Moderna, 1986.

5. COGGIOLA, Osvaldo. Revolução Cubana. São Paulo, Xama, 1998.

6. ENGELS, Friedrich. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Baurú-São Paulo: Edipro, 2017.

7. FERRO, Marc. Revolução Russa de 1917. São Paulo: Perspectiva, 2004.

8. GAXOTTE, Pierre. La Révolution Française. Paris: Librairie Arthème Fayard, 1957.

9. GRAMSCI, Antônio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

10. LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

11. LENIN, Vladimir. O Estado e a Revolução. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017.

12. POMAR, W. A Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003.

13. STEGER, Manfred B. The Quest for Evolutionary Socialism: Eduard Bernstein and Social Democracy. Cambridge, England, UK; New York, New York, USA: Cambridge University Press, 1997.

14. WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Disponível no website <http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2014.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).