15º LIVRO DE FERNANDO ALCOFORADO JÁ PODE SER ADQUIRIDO NA EDITORA DIALÉTICA

15º LIVRO DE FERNANDO ALCOFORADO JÁ PODE SER ADQUIRIDO NA EDITORA DIALÉTICA ACESSANDO O WEBSITE SEGUINTE:

https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-humanidade-ameacada-e-as-estrategias-para-sua-sobrevivencia-como-salvar-a-humanidade-das-ameacas-a-sua-extincao

TÍTULO E SUBTÍTULO DO LIVRO:

A HUMANIDADE AMEAÇADA E AS ESTRATÉGIAS PARA SUA SOBREVIVÊNCIA

Como salvar a humanidade das ameaças à sua extinção

CAPA DO LIVRO:

SUMÁRIO DO LIVRO:

Apresentação

  1. Como salvar a humanidade de futuras pandemias
  2. Como salvar a humanidade da devastação social, econômica, ambiental e das guerras no século XXI
  3. Como salvar a humanidade de catástrofes naturais provocadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcões
  4. Como salvar a humanidade da colisão sobre o planeta Terra de corpos vindos do espaço sideral 
  5. Como salvar a humanidade da emissão de raios cósmicos   
  6. Como salvar a humanidade das consequências do contínuo afastamento da Lua em relação à Terra    
  7. Como salvar a humanidade com a morte do Sol e a colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea 
  8. Como salvar a humanidade com o fim do Universo
  9. Estratégias fundamentais para a sobrevivência da humanidade
  10. Conclusões

LANÇAMENTO DO LIVRO:

Devido à pandemia do novo coronavirus não haverá lançamento presencial como já realizamos em livros lançados anteriormente. Como alternativa, faremos uma apresentação no canal Fernando Alcoforado do YouTube em data que oportunamente será divulgada.

APRESENTAÇÃO DO LIVRO:

São inúmeras as ameaças à sobrevivência da humanidade hoje e no futuro a curto, médio e longo prazo. Estas ameaças  dizem respeito a pandemias, devastação econômica, social, ambiental e das guerras no século XXI, catástrofes naturais resultantes de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas, de planetas do sistema solar e de planetas órfãos que vagam pelo espaço sideral, emissão de raios cósmicos, consequências catastróficas resultantes do afastamento da Lua em relação à Terra, morte do Sol, colisão das  galáxias Andrômeda e Via Láctea e o fim do Universo. Todos esses eventos catastróficos, que poderão ocorrer a curto, médio e longo prazo, podem contribuir para que a humanidade seja levada à sua extinção como espécie. 

O objetivo deste livro consiste em analisar cada uma da ameaças atuais e futuras acima descritas contra a sobrevivência da humanidade e propor estratégias que contribuam para a sua neutralização ou superação. Os 8 primeiros capítulos deste livro analisam as ameaças acima descritas contra os seres humanos para, em seguida, delinear as estratégias necessárias à sua sobrevivência.  O capítulo 9 destaca as estratégias fundamentais a serem adotadas sem as quais não haverá sucesso no esforço de salvar a humanidade das ameaças à sua sobrevivência e o Capítulo 10 apresenta a síntese das conclusões deste livro.

No Capítulo 1 (Como salvar a humanidade de futuras pandemias), foram analisadas as maiores pandemias ao longo da história como a peste bubônica (1333), a cólera (1817), a tuberculose (1850), a varíola (1896), a gripe espanhola (1918), o HIV (1980), a gripe suína H1N1 (2009) e o coronavirus (2019) e suas consequências, bem como foram apontadas as causas das pandemias e apresentadas as estratégias necessárias para evitá-las no futuro.

No Capítulo 2 (Como salvar a humanidade da devastação social, econômica, ambiental e das guerras no século XXI), foram analisados os danos econômicos, sociais e ambientais produzidos pelo capitalismo, as consequências do fim do capitalismo em meados do século XXI, o agravamento dos conflitos nas relações internacionais, que poderão levar o mundo a se defrontar com  multiplicidade de guerras localizadas e até mesmo de uma nova guerra mundial no século XXI, que possibilitaram delinear as estratégias necessárias para fazerem frente a essas crises devastadoras que ameaçam o futuro da humanidade.

No Capítulo 3 (Como salvar a humanidade de catástrofes naturais provocadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcões), foram analisadas as causas dos terremotos, tsunamis e erupções de vulcões resultantes do movimento de placas tectônicas, que têm contribuído para a ocorrência de mortes de populações e destruição de edificações e infraestruturas de muitos países, e a experiência adquirida ao lidar com esses eventos catastróficos no passado para apresentar estratégias visando sua prevenção, bem como aquelas necessárias para salvar a humanidade promovendo a fuga de seres humanos para locais habitáveis no sistema solar caso seja necessário.

No Capítulo 4 (Como salvar a humanidade da colisão sobre o planeta Terra de corpos vindos do espaço sideral), foram analisados corpos celestes como asteroides, cometas ou pedaços de cometas, planetas do sistema solar e planetas órfãos que vagam no espaço sideral que ameaçam colidir com a Terra a fim de apresentar estratégias a serem adotadas para evitar sua colisão com a Terra e, também, salvar a humanidade promovendo a fuga de seres humanos para locais habitáveis no sistema solar caso seja necessário.  A colisão com o planeta Terra desses corpos celestes com o potencial de aniquilar a humanidade e todos os seres vivos por completo, está a exigir a adoção de estratégias que contribuam para salvar a humanidade.

No Capítulo 5 (Como salvar a humanidade da emissão de raios cósmicos), foram analisadas as diversas fontes de emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas, que têm o poder de aniquilar a vida na Terra, a radiação e a massa coronal do Sol e os raios cósmicos para avaliar suas consequências sobre os seres humanos na Terra e em viagens espaciais e propor a adoção de estratégias visando a proteção dos seres humanos e de alternativas de fuga dos seres humanos para locais habitáveis no sistema solar para salvar a humanidade caso seja necessário. 

No Capítulo 6 (Como salvar a humanidade das consequências do contínuo afastamento da Lua em relação à Terra), foram analisados os impactos sobre o clima da Terra e sobre os seres humanos das consequências catastróficas ambientais relacionadas com o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra, bem como foram estudadas alternativas de fuga dos seres humanos para locais habitáveis no sistema solar caso seja necessário. Como a Terra e a Lua encontram-se unidas por uma forte ligação gravitacional e afetam-se mutuamente, o afastamento da Lua em relação à Terra impactará sobre os seres humanos e sobre o clima no planeta de forma catastrófica que exigirá a adoção deestratégias pertinentes para salvar a humanidade.

No Capítulo 7 (Como salvar a humanidade com a morte do Sol e a colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea), foram analisadas a evolução do Sol até o seu fim, a colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea e estudadas as alternativas de fuga dos seres humanos para locais habitáveis em outros sistemas estelares e galáxias visando formular as estratégias de fuga dos seres humanos para salvar a humanidade antes da morte do Sol e da colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea.

No Capítulo 8 (Como salvar a humanidade com o fim do Universo), foram analisados os cenários relacionados com o destino do Universo, a possibilidade da existência de universos paralelos e o desenvolvimento da teoria final ou teoria de tudo, isto é, da teoria do campo unificado para apresentar possíveis estratégias para a humanidade buscar sua sobrevivência com o fim do Universo em que vivemos.

No Capítulo 9 (Estratégias fundamentais para a sobrevivência da humanidade) foram apresentadas as estratégias fundamentais para a sobrevivência da humanidade identificadas nos capítulos anteriores que dizem respeito ao imperativo do avanço científico e tecnológico, do aumento da capacidade biológica dos seres humanos e da constituição de um governo mundial. Todas estas estratégias fundamentais fazem parte da solução necessária para enfrentar todas as ameaças à sobrevivência humana a curto, médio e longo prazo. Sem elas, a humanidade sucumbirá diante das gigantescas ameaças à sua sobrevivência.

No Capítulo 10 (Conclusões), foi apresentada a síntese das principais conclusões dos capítulos anteriores relacionadas com as estratégias a serem adotadas visando salvar a humanidade de cada uma das ameaças identificadas, bem como das estratégias fundamentais relativas ao avanço científico e tecnológico, ao aumento da capacidade biológica dos seres humanos e à constituição de um governo mundial.

Na elaboração deste livro, foi consultada vasta literatura sobre as ameaças à sobrevivência da humanidade, sejam aquelas resultantes dos problemas políticos, econômicos, sociais, ambientais e das relações internacionais provocados pelos seres humanos em suas atividades, sejam pelas catástrofes naturais provocadas pelo planeta Terra, e também, pelas ameaças vindas do espaço sideral.

Este livro busca chamar a atenção dos governos e da população em geral da necessidade de que os governos se mobilizem no sentido de dotar cada país e o planeta como um todo de sistemas avançados de ciência e tecnologia, aumentar a capacidade biológica dos seres humanos para que sejam capazes de sobreviver a cada ameaça e constituir uma governança mundial capaz de coordenar as ações que contribuam para salvar a humanidade de todas as ameaças existentes no interior do planeta Terra e aquelas vindas do espaço sideral.

MÉTHODES SCIENTIFIQUES DE VALIDATION DES MÉDICAMENTS ET VACCINS ET LA PANDÉMIE DE NOUVELLE CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de présenter les méthodes adoptées par la science utilisées dans la validation des médicaments et des vaccins. Cette présentation est extrêmement importante pour montrer aux lecteurs qu’aucun médicament ou vaccin ne doit être utilisé sans être validé par la méthode scientifique, c’est-à-dire qu’il ne peut être utilisé sans subir des tests rigoureux pour prouver son efficacité et sa sécurité pour ses utilisateurs. Cette clarification est très importante car au Brésil et dans le monde des défenseurs des médicaments et du traitement précoce du covid-19 ont émergé sans aucune démonstration de sa validité scientifique, compromettant la lutte contre la pandémie de nouvelle coronavirus et contribuant à la croissance des infectés et des morts avec l’escalade de la pandémie. Ce qui s’est passé il y a des millénaires, lorsque la médecine reposait sur des croyances populaires pour traiter ou prévenir certaines maladies afin que tout le monde puisse commencer à l’utiliser, se passe actuellement au Brésil et dans plusieurs pays du monde. Ces comportements absurdes se sont reproduits au Brésil avec la pandémie de nouvelle coronavirus pratiquée par le président Jair Bolsonaro, ses partisans et même, étonnamment, par certains médecins qui suggèrent l’adoption de médicaments et le traitement précoce du covid-19 sans aucune base scientifique.

Ces comportements absurdes ont cessé de se produire dans le passé lorsque la médecine a réussi à utiliser la méthode scientifique dans sa pratique quotidienne. Hippocrate (460 av. J.-C.-377 av. J.-C.), médecin grec, considéré comme le père de la Médecine, le plus célèbre des médecins de l’Antiquité, fut l’initiateur de l’observation clinique. C’est lui qui a jeté les bases d’une approche rationnelle de la médecine. Les écrits d’Hippocrate rassemblent plus de soixante-dix traités couvrant une variété de sujets, soulignant l’importance du traitement et du pronostic. Hippocrate a suggéré que les médecins abandonnent l’analyse subjective et observent le patient. L’objectivité est la base de la médecine hippocratique et observée dans les pratiques médicales d’aujourd’hui. Le rationalisme a d’abord été appliqué à la médecine avec Hippocrate. En Europe, cependant, cette relation a connu une interruption au Moyen Âge (entre le Ve et le XVe siècle), lorsque les maladies ont été à nouveau attribuées à des causes divines et que les églises sont devenues les lieux de guérisons miraculeuses. C’est à la Renaissance que la médecine moderne a commencé en Europe. Scientifiques et chercheurs ont rompu avec la vision traditionnelle fondée sur l’ordre divin qui justifiait les maladies et leur traitement. Les traitements ont commencé à être déterminés par des observations, des expériences et des conclusions soutenues par la recherche scientifique.

C’est précisément la méthode scientifique qui permet aux médicaments pour guérir les maladies et aux vaccins d’empêcher leur apparition d’être acceptés par la communauté scientifique et aussi par les agences gouvernementales chargées d’approuver leur utilisation dans chaque pays. La méthode scientifique comprend deux approches de connaissance complémentaires : l’empirique (inductive) et la rationnelle (déductive) (Figure 1). Dans l’approche inductive, utilisée dans les sciences descriptives telles que la biologie, l’anatomie et la géologie, des principes généraux sont extraits de l’analyse des données recueillies par l’observation et l’expérimentation. La méthode inductive ou d’induction consiste en l’enregistrement précis et valide d’expériences et d’observations sur l’objet de la recherche, constituant la base empirique de toutes les branches de la science, y compris la médecine. L’induction permet d’établir des propositions générales sur une classe de phénomènes basées sur l’analyse d’un nombre limité d’expériences et d’observations d’éléments sélectionnés. Par exemple, ayant trouvé la pénicilline utile pour guérir la pneumonie chez un nombre limité de patients, son utilisation généralisée est proposée.

Dans la méthode déductive, utilisée en mathématiques et en physique théorique, les vérités sont dérivées de principes élémentaires qui doivent être évalués sur la base d’expériences et/ou d’observations. La méthode déductive est un cadre de réflexion logique qui vous permet de tester la validité des informations existantes. Cette méthode est généralement utilisée pour tester des hypothèses existantes afin de prouver des théories. Par conséquent, on l’appelle aussi la méthode hypothétique-déductive. Il convient de noter que la méthode déductive est utilisée en philosophie, en scientifique, en éducation et utilisée pour résoudre des problèmes de physique et de mathématiques. La méthode déductive part d’une proposition universelle qui, grâce à un raisonnement logique, parvient à une conclusion valable. Ainsi, dans ce genre de raisonnement logique, une conclusion est tirée des prémisses. La méthode déductive n’ajoute pas de nouvelles informations à la conclusion car elle découle de ce qui était déjà impliqué dans les prémisses. C’est le cas de la médecine factuelle qui utilise la méthode déductive comme processus de découverte, d’évaluation et d’utilisation systématique des résultats de la recherche comme base de décisions cliniques.

La Méthode Scientifique inductive et déductive sont représentées de manière simplifiée et schématique dans la Figure 1:

Figure 1- La Méthode Scientifique

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Les avancées de la Science, au cours des derniers siècles, sont dues au développement d’instruments de plus en plus puissants d’aide à l’observation. Les caractéristiques essentielles pour qu’une observation soit considérée comme scientifique sont son exactitude, sa validité et sa reproductibilité. Les observations, lorsqu’elles sont correctement synthétisées et confirmées par d’autres, constituent la base factuelle et empirique de la connaissance scientifique. Les théories scientifiques doivent conduire à la formulation d’un ensemble de propositions empiriquement vérifiables, c’est-à-dire d’hypothèses vérifiables. Une fois les preuves recueillies, le chercheur décide si les résultats sont conformes ou non aux prédictions de l’hypothèse. Si l’hypothèse est confirmée par les preuves, alors la théorie d’où provient l’hypothèse est renforcée ou vérifiée. Cependant, lorsque les données ne confirment pas l’hypothèse, la théorie est rejetée.

Si une théorie ne parvient pas à prédire ou à expliquer les observations, elle devient inutile et est généralement remplacée par de nouvelles théories plus solides et plus cohérentes. C’est l’application de la méthode scientifique décrite ci-dessus qui a permis la croissance spectaculaire des connaissances scientifiques dont nous avons été témoins au cours des derniers siècles et, en particulier, au cours des cent dernières années. C’est ainsi que la méthode scientifique permet de décrire et d’expliquer les résultats de la recherche scientifique. Il est important de noter que la méthode scientifique concerne un ensemble de règles de base sur la manière dont la procédure doit être pour produire des connaissances scientifiques, qu’il s’agisse de nouvelles connaissances, d’une correction ou d’un accroissement de connaissances déjà existantes. Dans la plupart des disciplines scientifiques, la méthode scientifique consiste à rassembler des preuves empiriques vérifiables basées sur une observation systématique et contrôlée, résultant généralement d’expériences ou de recherches en laboratoire ou sur le terrain, et de les analyser en utilisant la logique. La méthode scientifique n’est rien de plus que la logique appliquée à la science.

La validation scientifique de produits et de procédés dans l’industrie pharmaceutique consiste à réaliser une série d’études basées sur la méthode scientifique qui vise à prouver si un produit, un procédé, un équipement, une activité ou une procédure en particulier fonctionne réellement. C’est une manière de prouver que l’industrie pharmaceutique produira n’importe quel médicament ou vaccin selon une méthode prédéterminée et sûre, pouvant ainsi être utilisée à plusieurs reprises dans différentes situations. Il est important de noter que le but des essais cliniques de médicaments ou de vaccins est de les valider comme efficaces et sûrs. Pour cela, une série de procédures d’investigation sont menées pour prouver la sécurité (information sur les effets indésirables) et l’efficacité du médicament ou du vaccin en question, garantissant la sécurité du patient. En d’autres termes, les tests cliniques (ou essais) sont des études menées sur des humains et servent à prouver si un médicament fonctionne de manière sûre et efficace. Les essais cliniques évaluent les effets pharmacologiques et indésirables d’un vaccin ou d’un médicament, ainsi que la façon dont il est absorbé, métabolisé et excrété par le corps humain. Ils sont la dernière étape d’un long processus de recherche d’un médicament ou d’un vaccin. Tous les vaccins utilisés dans le monde pour immuniser la population mondiale de covid-19 sont passés par ce processus pour être acceptés par la communauté scientifique.

L’OMS (Organisation mondiale de la santé) a publié un article sous le titre Como são as vacinas desenvolvidas? (Comment les vaccins sont-ils développés?) Disponible sur le site Web <https://www.who.int/pt/news-room/feature-stories/detail/how-are-vaccines-developed?gclid=CjwKCAjwiLGGBhAqEiwAgq3q_mWO4loToQxF38cHX6avtgy_R3piirzzpIGoTJOvg89sZ4EfvfZ7oBoCjEAQAvD_BwE>. Dans cet article, il y a des informations selon lesquelles la plupart des vaccins sont utilisés depuis des décennies, des millions de personnes les recevant en toute sécurité chaque année. Comme pour les médicaments, tous les vaccins doivent subir des tests longs et rigoureux pour garantir leur innocuité avant de pouvoir être introduits dans le programme de vaccination d’un pays. Chaque vaccin en développement doit d’abord subir des tests et une évaluation pour déterminer quel antigène doit être utilisé pour déclencher une réponse du système immunitaire. Cette phase préclinique se fait sans test chez l’homme. Un vaccin expérimental est d’abord testé sur des animaux pour évaluer son innocuité et son potentiel de prévention de la maladie. Si le vaccin déclenche une réponse immunitaire, il sera testé dans des essais cliniques humains en trois phases.

Au cours de la phase 1, le vaccin est inoculé à un petit groupe de volontaires pour évaluer son innocuité, confirmer s’il génère une réponse du système immunitaire et déterminer le bon dosage. Généralement, à ce stade, les vaccins sont testés sur de jeunes volontaires et des adultes sains. Au cours de la phase 2, le vaccin est administré à plusieurs centaines de volontaires pour évaluer davantage son innocuité et sa capacité à générer une réponse du système immunitaire. Les participants à cette phase ont les mêmes caractéristiques (âge, sexe) auxquelles le vaccin est destiné. À ce stade, normalement, plusieurs essais sont effectués pour évaluer différents groupes d’âge et différentes formulations de vaccins. Un groupe qui n’a pas reçu le vaccin est généralement inclus à ce stade en tant que groupe de comparaison pour déterminer si les changements dans le groupe vacciné sont attribuables au vaccin ou se sont produits par hasard.

Dans la phase 3, le vaccin est administré à des milliers de volontaires – et comparé à un groupe similaire de personnes qui n’ont pas pris le vaccin mais ont reçu un produit de comparaison (placebo) pour déterminer si le vaccin est efficace contre la maladie à laquelle il est destiné combattre et d’étudier sa sécurité dans un groupe beaucoup plus large de personnes. La plupart du temps, les essais de phase 3 ont lieu dans plusieurs pays et plusieurs endroits au sein des pays pour garantir que les données de performance des vaccins s’appliquent à de nombreuses populations différentes. Au cours des essais de phase 2 et de phase 3, les volontaires et les scientifiques participant à l’étude ne peuvent pas savoir quels volontaires ont reçu le vaccin d’essai ou le produit de comparaison (placebo). C’est ce qu’on appelle un « essai à l’aveugle », qui est nécessaire pour s’assurer que ni les volontaires ni les scientifiques ne sont influencés dans leur évaluation de l’innocuité et de l’efficacité, ignorant quel produit chacun a reçu.

Une fois l’essai terminé et tous les résultats obtenus, les volontaires de l’essai et les scientifiques sont informés qui a reçu le vaccin et qui a reçu le comparateur (placebo). Une fois que les résultats de tous ces essais seront disponibles, une série d’étapes, y compris des analyses d’efficacité et de sécurité, devront être prises pour l’approbation réglementaire et de santé publique. L’ensemble de ce processus est réalisé dans le respect de la méthode scientifique inductive pour déterminer l’efficacité et l’innocuité d’un vaccin.

Ce qui vient d’être exposé représente une réponse aux négationnistes de la science tels que Jair Bolsonaro et ses partisans qui insistent pour défendre l’utilisation de médicaments qui se sont avérés inefficaces pour guérir le covid-19 tels que la chloroquine, l’hydroxychloroquine, l’ivermectine, entre autres médicaments, en plus de contribuant aux effets secondaires indésirables. Le sabotage de Bolsonaro contre les efforts de lutte contre la nouvelle pandémie de coronavirus a eu un nouveau chapitre dans la nuit du 16 juin, lorsqu’il est revenu attaquer le vaccin CoronaVac et a encore menti en disant que ce vaccin développé par le Butantan Institute en partenariat avec le pharmaceutique chinois Sinovac n’a aucune preuve scientifique. Bolsonaro a menti dans une interview à SIC TV, affiliée à RecordTV, à Rondônia, lorsqu’il a déclaré que la période de validité du CoronaVac est d’environ 6 mois, que de nombreuses personnes l’ont pris et ne développent aucun anticorps et que ce vaccin n’a toujours pas de données scientifiques preuve. C’est un mensonge pur et simple de Bolsonaro car CoronaVac a réussi des tests basés sur la méthode scientifique et a été scientifiquement approuvé par l’OMS (Organisation mondiale de la santé) et par Anvisa au Brésil. Le comportement de nombreuses personnes au Brésil qui, dominées par l’aveuglement politique, croient aux mensonges de Bolsonaro est regrettable.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

SCIENCE METHODS IN THE VALIDATION OF DRUGS AND VACCINES AND THE NEW CORONAVIRUS PANDEMIC

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the methods adopted by science used in the validation of medicines and vaccines. This presentation is extremely important to show readers that no medicine or vaccine should be used without be validated by the scientific method, that is, it cannot be used without undergoing rigorous tests to prove its efficacy and safety for its users. This clarification is very important because in Brazil and in the world advocates of drugs and early treatment of covid-19 have emerged without any demonstration of its scientific validity, compromising the fight against the new coronavirus pandemic and contributing to the growth of infected and dead with the escalation of the pandemic. What happened millennia ago, when medicine was based on popular beliefs to treat or prevent certain diseases so that everyone could start using it, is currently happening in Brazil and in several countries around the world. These absurd behaviors happened again in Brazil with the new coronavirus pandemic practiced by President Jair Bolsonaro, his followers and, even surprisingly, by some doctors who suggest the adoption of drugs and early treatment of covid-19 without any scientific basis.

These absurd behaviors stopped occurring in the past when medicine managed to incorporate the scientific method into its daily practice. Hippocrates (460 BC-377 BC), Greek physician, considered the father of Medicine, the most famous physician of Antiquity, was the initiator of clinical observation. It was Hippocrates who laid the foundations for a rational approach to medicine. Hippocrates’ writings bring together more than seventy treatises covering a wide range of subjects, emphasizing the importance of treatment and prognosis. Hippocrates suggested that physicians abandon subjective analysis and observe the patient. Objectivity is the basis of Hippocratic medicine and observed in today’s medical practices. Rationalism was first applied to medicine with Hippocrates. In Europe, however, this relationship suffered a hiatus during the Middle Ages (between the 5th and 15th centuries), when diseases were once again attributed to divine causes and churches became the sites of miraculous cures. It was during the Renaissance that modern medicine began in Europe. Scientists and researchers broke away from the traditional view based on the divine order that justified diseases and their treatment. Treatments started to be determined by observations, experiments and conclusions supported by scientific research.

It is exactly the scientific method that makes it possible for medicines to cure diseases and vaccines to prevent their occurrence to be accepted by the scientific community and also by the government agencies responsible for approving their use in each country. The scientific method comprises two complementary knowledge approaches: the empirical (inductive) and the rational (deductive) (Figure 1). In the inductive approach, used in descriptive sciences such as biology, anatomy and geology, general principles are extracted from the analysis of data collected through observation and experimentation. The inductive or induction method consists of the accurate and valid recording of experiments and observations on what is the object of research, constituting the empirical basis of all branches of Science, including Medicine. Induction allows the establishment of general propositions about a class of phenomena based on the analysis of a limited number of experiments and observations of selected elements. For example, having found penicillin to be useful in curing pneumonia in a limited number of patients, its widespread use is proposed.

In the deductive method, used in mathematics and theoretical physics, truths are derived from elementary principles that have to be evaluated based on experiments and/or observations. It is worth noting that the deductive method is used in philosophy, in the formulation of scientific laws, in education and is used in solving problems in physics and mathematics. This method is generally used to test existing hypotheses in order to prove theories. Therefore, it is also called the hypothetical-deductive method. The deductive method starts from a universal proposition that, through logical reasoning, arrives at a valid conclusion. So, in this kind of logical reasoning, a conclusion is reached from the premises. The deductive method does not add new information to the conclusion since it arises from what was already implied in the premises. The deductive method is a logical thinking framework that allows you to test the validity of existing information. This is the case of evidence-based medicine that uses the deductive method as a process of systematically discovering, evaluating and using research findings as a basis for clinical decisions.

The Scientific Method inductive and deductive are represented in a simplified and schematic way in Figure 1:

Figure 1- The Scientific Method

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The advances in Science, over the last few centuries, are due to the development of increasingly powerful instruments to aid observation. The essential characteristics for an observation to be considered scientific are its accuracy, validity and reproducibility. Observations, when properly synthesized and confirmed by others, constitute the factual, empirical basis of scientific knowledge. Scientific theories must lead to the formulation of a set of empirically verifiable propositions, that is, verifiable hypotheses. After evidence has been collected, the researcher decides whether or not the findings are consistent with the predictions of the hypothesis. If the hypothesis is confirmed by the evidence, then the theory from which the hypothesis came is strengthened or verified. However, when the data do not confirm the hypothesis, the theory is rejected.

If a theory fails to predict or explain observations, it becomes useless, and is usually replaced by new, stronger and more consistent theories. It was the application of the scientific method described above that allowed the spectacular growth of scientific knowledge that we have witnessed in the last centuries and, in particular, in the last hundred years. This is how the scientific method helps to describe and explain the results of scientific research. It is important to note that the scientific method concerns a set of basic rules of how the procedure should be to produce scientific knowledge, be it new knowledge, a correction or an increase in previously existing knowledge. In most scientific disciplines, the scientific method consists of gathering verifiable empirical evidence based on systematic and controlled observation, usually resulting from laboratory or field experiments or research, and analyzing it using logic. The scientific method is nothing more than logic applied to science.

Scientific validation of products and processes in the pharmaceutical industry consists of carrying out a series of studies based on the scientific method that aims to prove whether a particular product, process, equipment, activity or procedure really works. It is a way of proving that the pharmaceutical industry will produce any medicine or vaccine following a predetermined and safe way, thus being able to be used repeatedly in different situations. It is important to note that the purpose of clinical trials of drugs or vaccines is to validate them as efficient and safe. For this, a series of investigation procedures are carried out to prove the safety (information about adverse effects) and efficacy of the medicine or vaccine in question, ensuring patient safety. In other words, clinical tests (or trials) are studies carried out with humans and serve to prove whether a drug works safely and effectively. Clinical trials assess the pharmacological and adverse effects of a vaccine or drug, as well as how it is absorbed, metabolized and excreted by the human body. They are the last step in a long process of researching a drug or vaccine. All vaccines in use in the world to immunize the world population of covid-19 have gone through this process to be accepted by the scientific community.

The WHO (World Health Organization) published an article under the title Como são as vacinas desenvolvidas? (How are vaccines developed?) Available on the website <https://www.who.int/pt/news-room/feature-stories/detail/how-are-vaccines-developed?gclid=CjwKCAjwiLGGBhAqEiwAgq3q_mWO4loToQxF38cHX6avtgy_R3piirzzpIGoTJOvg89sZ4EfvfZ7oBoCjEAQAvD_BwE>. In this article, there is information that most vaccines have been used for decades, with millions of people receiving them safely every year. As with drugs, all vaccines must undergo lengthy and rigorous testing to ensure their safety before they can be introduced into a country’s vaccination program. Each vaccine under development must first undergo testing and evaluation to determine which antigen should be used to elicit an immune system response. This pre-clinical phase is done without testing in humans. An experimental vaccine is first tested on animals to assess its safety and potential to prevent the disease. If the vaccine triggers an immune response, it is tested in human clinical trials in three phases.

In Phase 1, the vaccine is inoculated into a small group of volunteers to assess its safety, confirm whether it generates an immune system response, and determine the right dosage. Generally, at this stage, vaccines are tested on young volunteers and healthy adults. In Phase 2, the vaccine is administered to several hundred volunteers to further assess its safety and ability to generate an immune system response. Participants in this phase have the same characteristics (age, gender) for which the vaccine is intended. At this stage, usually, several trials are carried out to assess different age groups and different vaccine formulations. A group that has not received the vaccine is usually included at this stage as a comparison group to determine whether the changes in the vaccinated group are attributable to the vaccine or occurred by chance.

In Phase 3, the vaccine is given to thousands of volunteers – and compared to a similar group of people who did not take the vaccine but received a comparison product (placebo) to determine if the vaccine is effective against the disease it is intended for combat and to study its safety in a much wider group of people. Most of the time, phase 3 trials take place in multiple countries and multiple locations within countries to ensure that vaccine performance data apply to many different populations. During Phase 2 and Phase 3 trials, volunteers and scientists participating in the study are prevented from knowing which volunteers received the trial vaccine or comparator product (placebo). This is called a “blind trial”, which is necessary to ensure that neither the volunteers nor the scientists are influenced in their assessment of safety and efficacy, ignoring which product each received.

After the trial is complete and all results are completed, the trial volunteers and scientists are informed who received the vaccine and who received the comparator (placebo). Once the results of all these trials are available, a series of steps, including efficacy and safety analyses, will need to be taken for regulatory and public health approval. This entire process is carried out in compliance with the inductive scientific method to determine the efficacy and safety of a vaccine.

What has just been exposed represents a response to science deniers such as Jair Bolsonaro and his followers who insist on defending the use of drugs proven to be ineffective in curing covid-19 such as chloroquine, hydroxychloroquine, ivermectin, among other drugs, in addition to contributing with adverse side effects. Bolsonaro’s sabotage against efforts to combat the new coronavirus pandemic had a new chapter on the night of June 16, when he returned to attack the CoronaVac vaccine and lied once again when saying that this vaccine developed by the Butantan Institute in partnership with the Chinese drugmaker Sinovac has no scientific proof. Bolsonaro lied in an interview to SIC TV, affiliated with RecordTV, in Rondônia, when he stated that the validity period of CoronaVac is around 6 months, that many people have taken it and do not develop any antibodies and that this vaccine still has no scientific proof. This is an outright lie by Bolsonaro because CoronaVac passed tests based on the scientific method and was scientifically approved by the WHO (World Health Organization) and by Anvisa in Brazil. The behavior of many people in Brazil who, dominated by political blindness, believe in Bolsonaro’s lies is regrettable.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

OS MÉTODOS DA CIÊNCIA NA VALIDAÇÃO DE MEDICAMENTOS E VACINAS E A PANDEMIA DO NOVO CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os métodos adotados pela ciência utilizados na validação de medicamentos e vacinas. Esta apresentação é de extrema relevância para mostrar aos leitores que nenhum medicamento ou vacina deve ser utilizado sem que que seja validado pelo método científico, isto é, não pode ser utilizado sem passar por testes rigorosos para comprovar sua eficácia e segurança para seus usuários. Este esclarecimento é bastante importante porque no Brasil e no mundo surgiram defensores de medicamentos e de tratamento precoce da covid-19 sem haver nenhuma demonstração de sua validade científica comprometendo o combate à pandemia do novo coronavirus e contribuindo para o crescimento de infectados e mortos com a escalada da pandemia. O que aconteceu há milênios, quando a medicina era baseada em crendices populares para tratar ou prevenir determinadas doenças para que todos passassem a usá-la, está ocorrendo no Brasil e em vários países do mundo no momento. Estas condutas absurdas voltaram a acontecer no Brasil com a pandemia do novo coronavirus praticadas pelo presidente Jair Bolsonaro, seus seguidores e, até mesmo, surpreendentemente, por alguns médicos que sugerem a adoção de medicamentos e de tratamento precoce da covid-19 sem nenhuma base científica.  

Estas condutas absurdas deixaram de ocorrer no passado quando a medicina conseguiu incorporar o método científico à sua prática diária. Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.), médico grego, considerado o pai da Medicina, o mais célebre médico da Antiguidade, foi o iniciador da observação clínica.  Foi ele quem lançou as bases para uma abordagem racional da medicina. Os escritos de Hipócrates reúnem mais de setenta tratados que abrangem diversos assuntos, enfatizando a importância do tratamento e do prognóstico. Hipócrates sugeriu que os médicos abandonassem as análises subjetivas e observassem o paciente. A objetividade é a base da medicina de Hipócrates e observada nas práticas médicas de hoje em dia. O racionalismo foi aplicado pela primeira vez à medicina com Hipócrates. Na Europa, no entanto, essa relação sofreu um hiato durante a Idade Média (entre os séculos V e XV), quando as doenças voltaram a ser atribuídas a causas divinas e as igrejas se tornaram os locais de curas milagrosas. Foi durante o Renascimento que a medicina moderna começou na Europa. Os cientistas e pesquisadores se desvencilharam da visão tradicional baseada na ordem divina que justificava as doenças e seu tratamento. Os tratamentos passaram a ser determinados por observações, experimentos e conclusões embasadas pela pesquisa científica.

É exatamente o método científico que permite fazer com que medicamentos para cura de doenças e vacinas para prevenir sua ocorrência sejam aceitos pela comunidade científica e, também, pelos órgãos de governo responsáveis pela aprovação de seu uso em cada país. O método científico compreende duas abordagens do conhecimento complementares: a empírica (indutiva) e a racional (dedutiva) (Figura 1). Na abordagem indutiva, empregada em ciências descritivas como biologia, anatomia e geologia, extraem-se princípios gerais a partir da análise de dados coligidos através da observação e da experimentação. O método indutivo ou de indução consiste no registo preciso e válido de experimentações e observações sobre o que é objeto de pesquisa constituindo a base empírica de todos os ramos da Ciência, inclusive a Medicina. A indução permite o estabelecimento de proposições gerais sobre uma classe de fenômenos com base na análise de um número limitado de experimentações e observações de elementos selecionados. Por exemplo, tendo verificado que a penicilina é útil na cura da pneumonia num número limitado de doentes, propõe-se seu uso generalizado.

No método dedutivo, empregado na matemática e na física teórica, as verdades são derivadas de princípios elementares que têm que ser avaliadas com base em experimentações e/ou observações. Vale notar que o método dedutivo é utilizado na filosofia, na formulação de leis científicas, na educação e é utilizado na resolução de problemas de física e matemática. Este método é usado geralmente para testar hipóteses já existentes para assim, provar teorias. Por isso, ele é também denominado de método hipotético-dedutivo. O método dedutivo parte de uma proposição universal que, através do raciocínio lógico, chega-se a uma conclusão válida. Sendo assim, nesse tipo de raciocínio lógico, chega-se a uma conclusão a partir das premissas. O método dedutivo não acrescenta informação nova na conclusão uma vez que ela surge pelo que já estava implícito nas premissas. O método dedutivo é uma estrutura de pensamento lógico que permite testar a validade de informações já existentes. É o caso da medicina baseada em evidências que se utiliza do método dedutivo como processo de sistematicamente descobrir, avaliar e usar achados de investigações como base para decisões clínicas.  

O Método Científico indutivo e dedutivo estão representados de modo simplificado e esquemático na Figura 1:

Figura 1- O Método Científico

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Os avanços da Ciência, ao longo dos últimos séculos, devem-se ao desenvolvimento de instrumentos de auxílio à observação cada vez mais poderosos. As características essenciais para uma observação poder ser considerada científica são a precisão, validade e reprodutibilidade. As observações, quando adequadamente sintetizadas e confirmadas por outros, constituem a base factual, empírica, do conhecimento científico. As teorias científicas devem levar à formulação de um conjunto de proposições empiricamente verificáveis, ou seja, hipóteses verificáveis. Depois da evidência ter sido colhida, o pesquisador decide se os achados são consistentes ou não com as predições da hipótese. Se a hipótese é confirmada pela evidência, então, a teoria de onde proveio a hipótese é fortalecida ou verificada. Porém, quando os dados não confirmam a hipótese, a teoria é rejeitada. Se uma teoria não consegue predizer ou explicar as observações torna-se inútil, e é normalmente substituída por novas teorias mais fortes e consistentes. Foi a aplicação do método científico acima descrito que permitiu o espetacular crescimento do conhecimento científico a que temos assistido nos últimos séculos e, em especial, nos últimos cem anos. É desta forma que o método científico contribui para descrever e explicar os resultados das pesquisas científicas. É importante notar que o método científico diz respeito a um conjunto de regras básicas de como o procedimento deve ser para produzir conhecimento científico, seja um conhecimento novo, uma correção ou um aumento de conhecimento previamente existente. Na maioria das disciplinas científicas, o método científico consiste em juntar evidências empíricas verificáveis baseadas na observação sistemática e controlada, geralmente resultantes de experiências ou pesquisa de laboratório ou de campo e analisá-las com o uso da lógica. O método científico nada mais é do que lógica aplicada à ciência.

A validação científica de produtos e processos na indústria farmacêutica consiste na realização de uma série de estudos com base no método científico que visa comprovar se um determinado produto, processo, equipamento, atividade ou procedimento realmente funcionam. É uma forma de comprovar que a indústria farmacêutica produzirá qualquer medicamento ou vacina seguindo uma maneira pré-determinada e segura, podendo, assim, ser utilizado em diversas situações repetidamente. É importante observar que o objetivo dos ensaios clínicos de medicamentos ou vacinas consiste em validá-los como eficiente e seguro. Para isso, uma série de procedimentos de investigação são realizados para comprovar a segurança (informações sobre os efeitos adversos) e eficácia do medicamento ou vacina em questão, garantindo a segurança do paciente. Ou seja, testes (ou ensaios) clínicos são estudos realizados com humanos e servem para comprovar se um medicamento funciona de forma segura e eficaz. Os testes clínicos avaliam os efeitos farmacológicos e adversos de uma vacina ou medicamento, bem como ele é absorvido, metabolizado e excretado pelo organismo humano. Eles são a última etapa em um longo processo de uma pesquisa sobre um medicamento ou vacina. Todas as vacinas em uso no mundo para imunizar a população mundial da covid-19 passaram por este processo para ser aceita pela comunidade científica.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) publicou artigo sob o título Como são as vacinas desenvolvidas? Disponível no website <https://www.who.int/pt/news-room/feature-stories/detail/how-are-vaccines-developed?gclid=CjwKCAjwiLGGBhAqEiwAgq3q_mWO4loToQxF38cHX6avtgy_R3piirzzpIGoTJOvg89sZ4EfvfZ7oBoCjEAQAvD_BwE>. Neste artigo, há a informação de que a maioria das vacinas são usadas há décadas, havendo milhões de pessoas que as recebem em segurança todos os anos. Tal como acontece com os medicamentos, todas as vacinas têm que passar por testes morosos e rigorosos para garantir sua segurança, antes de poderem ser introduzidas no programa de vacinação de um país. Cada vacina em desenvolvimento tem, em primeiro lugar, de ser submetida a exames e avaliações, para determinar qual antígeno deve ser usado para provocar uma resposta do sistema imunológico. Esta fase pré-clínica é feita sem testes em humanos. Uma vacina experimental é testada primeiro em animais, para se avaliar a sua segurança e potencial para prevenir a doença. Se a vacina desencadear uma resposta imunológica, passa a ser testada em ensaios clínicos com humanos em três fases. 

Na Fase 1, a vacina é inoculada num pequeno grupo de voluntários, para se avaliar a sua segurança, confirmar se ela gera uma resposta do sistema imunológico e determinar a dosagem certa. Geralmente, nesta fase, as vacinas são testadas em voluntários jovens e adultos saudáveis. Na Fase 2, a vacina é administrada a várias centenas de voluntários para continuar a avaliar a sua segurança e capacidade de gerar uma resposta do sistema imunológico. Os participantes nesta fase têm as mesmas características (idade, sexo) aos quais a vacina se destina. Nesta fase, normalmente, são feitos vários ensaios para avaliar diversos grupos etários e diferentes formulações da vacina. Um grupo que não tenha recebido a vacina é, normalmente, incluído nesta fase como grupo de comparação, para determinar se as alterações no grupo vacinado são atribuíveis à vacina ou ocorreram por acaso. 

Na Fase 3, a vacina é administrada a milhares de voluntários – e comparada com um grupo semelhante de pessoas que não levaram a vacina, mas receberam um produto de comparação (placebo) para determinar se a vacina é eficaz contra a doença que se destina a combater e para estudar a sua segurança num grupo muito mais alargado de pessoas. Na maior parte das vezes, os ensaios da fase 3 realizam-se em vários países e vários locais dentro dos países, para garantir que os dados do desempenho da vacina se aplicam a várias populações diferentes. Durante os ensaios da Fase 2 e da Fase 3, os voluntários e os cientistas que participam no estudo são impedidos de saber quais voluntários receberam a vacina do ensaio ou o produto de comparação (placebo). A isso chama-se “ensaio cego”, que é necessário para garantir que, nem os voluntários, nem os cientistas, sejam influenciados na sua avaliação sobre a segurança e a eficácia, ignorando qual o produto que cada um recebeu.

Depois de concluído o ensaio e finalizados todos os resultados, os voluntários e os cientistas do ensaio são informados sobre quem recebeu a vacina e quem recebeu o comparador (placebo). Quando os resultados de todos esses ensaios estiverem disponíveis, é necessário dar uma série de passos, incluindo análises de eficácia e segurança, para aprovação das entidades reguladoras e de saúde pública. Todo este processo é realizado em obediência ao método científico indutivo para determinar a eficácia e a segurança de uma vacina.  

O que acaba de ser exposto representa uma resposta aos negacionistas da ciência como Jair Bolsonaro e seus seguidores que insistem em defender o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes na cura da covid-19 como a cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, entre outros medicamentos, além de contribuir com efeitos colaterais adversos. A sabotagem de Bolsonaro contra os esforços no combate à pandemia do novo coronavirus teve um novo capítulo na noite de 16 de junho passado quando voltou a atacar a vacina CoronaVac e mentiu mais uma vez ao dizer que esta vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac não tem comprovação científica. Bolsonaro mentiu em entrevista à SIC TV, afiliada à RecordTV, em Rondônia, ao afirmar que o prazo de validade da CoronaVac é em torno de 6 meses, que muita gente tem tomado e não desenvolve anticorpo nenhum e que essa vacina não tem comprovação científica ainda. Trata-se de uma mentira deslavada de Bolsonaro porque a CoronaVac passou pelos testes baseados no método científico e foi aprovada cientificamente pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Anvisa no Brasil. É lamentável o comportamento de muita gente no Brasil que dominada pela cegueira política acredita nas mentiras de Bolsonaro.  

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019). 

WHAT AND HOW TO DO TO ORGANIZE THE CHAOTIC WORLD WE LIVE IN AND CIVILIZATION OVERCOME BARBARISM

Fernando Alcoforado*

This article aims to present how to organize the world we live in, which is characterized by chaos in the world economy in permanent crisis, by the endless conflicts in international relations and by the continuous environmental degradation of planet Earth. The chaos that characterizes the deteriorating world economy has been dealt with by each country in isolation without any solution, conflicts in international relations are being mediated by the great powers according to their interests without any solution and the continuous environmental degradation of the planet has been dealt with by the UN with no power to demand from countries obedience to its resolutions. In other words, humanity’s biggest problems are not solved because they are not dealt with in a systemic approach and because there are no global organizational structures capable of solving them. The aim of this article is to show that there is no other way to solve the problems resulting from the permanent crisis in the world economy, the endless conflicts in international relations and the planet’s continuous environmental degradation, other than based on systems theory whose foundations are presented in the next paragraphs.

It can be said that the world we live in is made up of three systems: 1) the worldwide economic system; 2) the international system; and 3) the global environmental system (Figure 1).

Figure 1- World-system

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The worldwide economic system, the international system, and the global environmental system constitute the world-system in which we live. It should be noted that a system is an ordered set of interconnected and interdependent elements that interact with each other. The worldwide economic system is the way in which the world society is organized in political, economic and social terms in each country to develop the economic activities of production, exchange and consumption of goods and services. The international system is the way through which the governments of the countries of the world relate politically and economically to each other. The global environmental system is the way in which human beings and nature relate to each other. It should be noted that the world economic system, international system and global environmental system are interconnected, interdependent and interact with each other.

The worldwide economic system should aim to achieve economic production to satisfy the social well-being of humanity in each country and globally. The international system should aim to achieve world peace with the peaceful solution of international conflicts, and the global environmental system should aim to preserve nature and/or mitigate the effects of human actions on it. For any system to operate successfully, each of them should have planning, feedback and control mechanisms. To obtain the desired performance standard for each of the systems (worldwide economic, international and global environmental) requires the existence of a global planning and control structure associated with them that allows for the results of their activities to correspond to the performance standard desired by peoples all over the world. Therefore, it is necessary to monitor the performance obtained by each system to identify differences between its implementation and the desired performance standard and, if necessary, decide on the corrections to be made in the work processes of each system. The occurrence of advances and problems in each of the world economic, international and global environmental systems produce reciprocal effects among themselves, generating progress or crises on the world economy, on international relations and on the global environment, whose impacts interfere with each other.

The current chaotic worldwide economic system needs to undergo changes because it is driven by capitalist dynamics, which is a system that operates according to the principle of entropy, presenting the universal tendency to evolve into growing disorder and self-destruction. The current worldwide economic system has produced and is producing economic chaos at the national and global levels that generate endless economic recessions and depressions, has produced and is producing serious damages of a social nature in all countries represented by the excessive concentration of income, by the growing social inequality and due to endemic hunger and poverty, it has produced and continues to produce the environmental degradation of the planet that tends to lead to the depletion of its natural resources, the occurrence of new pandemics such as the new coronavirus and the catastrophic climate change that threatens the existence of humanity and produced and it has also produced serious problems in international relations represented by the two great world wars of the 20th century and by the constant international conflicts all over the planet.

The current chaotic international system also needs to undergo changes because it is incapable of ensuring world peace and mediating the peaceful resolution of international conflicts. The UN that was founded after World War II has been inoperative throughout its history in mediating international conflicts. There are several countries that can become outbreaks of wars in the world, among them Syria, Palestine, Israel, Iran, North Korea, India and Pakistan which can intensify conflicts between the great powers (United States, Russia and China). Localized wars of a regional or global nature negatively impact societies with the killing of people and the destruction of infrastructure and nature causing serious economic, social, environmental and political consequences.

The current chaotic global environmental system also needs to undergo changes because it is incapable of preventing environmental degradation and catastrophic climate change on the planet due to the absence of effective environmental regulation mechanisms with a worldwide scope. The environmental damage produced by the current economic system is manifested in the depletion of natural resources on planet Earth, the emergence of new pandemics and catastrophic global climate change. Wars are also largely responsible for the planet’s environmental deterioration. Among the countless consequences of wars are the bombing of military targets and civilian populations, the intense movement of military vehicles and troops, the large concentration of combat flights, the missiles launched on cities and the destruction of military and industrial structures during all these conflicts that cause the emission of metals and other substances that contaminate the soil, water and air. In addition to environmental contamination from wars, it is also necessary to consider the modification of natural landscapes and the long-term loss of biodiversity, whether due to the presence of land mines or chemical agents dispersed in the environment.

A new world-system will have to emerge to avoid the serious economic, social, environmental and international relations damage described above. The first major justification for a new world-system to replace the old world-system lies in the fact that the current worldwide economic system, which is driven by capitalist dynamics, is evolving towards self-destruction towards its end, which should happen in the mid-21st century when the global profit rate and the growth rate of the World Gross Product will be zero. The world capitalist system will come to an end in the middle of the 21st century because there is a downward trend in the world profit rate from 1869 to 2007, in the profit rate of large US corporations from 1947 to 2007 and in the growth rate of the Gross Product World from 1961 to 2007. To determine when these rates will reach zero in the future, maintaining the downward trend, and performing the calculation using the least squares method of Statistics, it can be concluded that they will occur between 2057 and 2059.

The second major justification for a new world-system to replace the old world-system lies in the fact that the current international system is unable to ensure world peace and mediate international conflicts to avoid the end of humanity with the outbreak of a new world war of devastating consequences. The third major justification for a new world-system to replace the old world-system lies in the fact that the environmental system is unable to prevent environmental degradation and catastrophic global climate change. A new world-system radically different from the current world-system should seek to achieve progress on 3 new bases described below: 1) economic and social progress in each country to achieve the social well-being of humanity; 2) progress in international relations to ensure world peace; and 3) environmental progress in each country and globally based on sustainable development to order the planet’s environment.

To achieve economic and social progress in each country, aiming to achieve social well-being, it is necessary to adopt the model of social democracy existing in Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) where the most evolved Welfare State in the world was built and, globally, a world government be deployed to promote the stability of the world economy in order to eliminate the current chaos. The defense of Scandinavian social democracy as a model of society to be adopted by all countries in the world with the necessary adaptations is justified because, according to the UN, the Scandinavian countries are the best governed in the world, they are the ones with the greatest economic progress and social among all countries in the world whose people are considered the happiest in the world according to the World Happiness Report 2020. It is an extremely successful model of society that brings together what is positive about capitalism and socialism constituting, therefore, a hybrid system. This means to say that the model of capitalist society existing in the vast majority of countries in the world should be replaced by the model of Scandinavian social democracy.

Progress in international relations to ensure world peace can only be achieved with the constitution of a democratic world government that would be elected by the world parliament to be constituted with the participation of countries from all over the world which are capable of mediating international conflicts because current international organizations such as the UN, IMF, World Bank, World Trade Organization, among others, do not have the power to promote progress in international relations on the planet. To achieve environmental progress in each country and globally, it is necessary the existence of a democratic world government and a world parliament that are capable of building a global consensus to adopt the sustainable development model in all countries to order the planet’s environment.

In the same way that economic and social progress in each country and progress in international relations is urgently needed, environmental progress in each country and globally based on the sustainable development model that must ensure that the needs of current generations occur without compromising is also necessary. the needs of future generations that can only be achieved with the existence of a democratic world government and the celebration of a Planetary Social Contract that would establish the bases of relations between countries in terms of economy, international relations and the environment and the relations between human beings and nature.

The democratic world government to be deployed would represent the most advanced stage of humankind’s political evolution because, throughout history, humanity has evolved from village to form city-states, from city-states to nation-states, from nation-states to constitute economic blocs such as NAFTA and Mercosur or the economic and political union of states such as the European Union. Humanity’s next step would be, therefore, the constitution of a world government to reach its highest stage of development with the promotion of a true economic, political, social and environmental integration at the planetary level based on a planetary social contract approved by all the peoples of the world. Only with a democratic world government would it be possible to reconcile the objectives of each system that is part of the world-system with one another for the benefit of all humanity. The world-system will only benefit humanity if the world economic system achieves stability, the international system achieves world peace and the global environmental system preserves nature. This situation will only be achieved with the existence of a democratic world government.

Success in bringing about political, economic, social and environmental change at the national and global levels depends on the existence of a world government. A democratic world government should not replace the governments of each nation by making them its vassals. National governments would maintain their autonomies by being governed in accordance with the interests of their peoples, while the democratic world government would have the objective of defending the general interests of the planet. What would not be admissible is for any national government to adopt measures that disagree with the decisions taken by the world parliament in opposition to the will of the majority of peoples around the world. The world government would avoid the empire of one country and the anarchy of all countries. The construction of a world government is necessary to face major systemic disasters such as extreme ecological crisis resulting from global warming, large-scale economic crisis such as the one currently registered and tending to worsen in the future, future pandemics such as of the new coronavirus, the globalization of organized crime, the fall of a meteor on planet Earth and the advance of terrorism. The preservation of international peace would be the first mission of every new form of world government.

A fact that all peoples of the world need to consider is that it is not enough to fight to promote political, economic, social and environmental changes in their respective countries without it not being linked to the struggle for political, economic, social and environmental changes at a global level. This is why humanity struggles for centuries against its chronic problems without solving them. Without solving the chaos that characterizes the deteriorating world economy, the endless conflicts in international relations and the planet’s continuous environmental degradation will not solve the political, economic, social and environmental problems of each individual country and vice versa. The struggle for changes in each country must be simultaneous with the struggle for changes in the world sphere. To make the struggle for change in each country occur simultaneously with the struggle for change in the world sphere, it is necessary to establish a World Forum for Peace and the Progress of Humanity by Civil Society organizations from all countries in the world, aiming to coordinate all the fights. This Forum would debate and establish the objectives and strategies of a worldwide mass movement for the realization of political, economic, social and environmental changes in each country and in the world that contribute to the social well-being of humanity, the construction of world peace and preservation of the environment. A new world-system will have to emerge to accomplish the intended goals.

It is important to emphasize that the current world-system urgently needs to be replaced by a new world-system because it is characterized by the most absolute disorder due to the absence of planning and control related to the development of the worldwide economic system, of the international system and of the environmental global system and by the lack of feedback and control mechanisms that allow the correction of the directions of each individual system and of the world-system as a whole. The new world-system to be implemented will only succeed with the existence of a democratic world government to promote the regulation of the world economy, the global environment and the planet’s international relations. To make a new world-system viable, the World Forum for Peace and the Progress of Humanity must be constituted to coordinate the struggles in each country and globally for the constitution of a world government and a world parliament to sensitize the world population and national governments in order to make a world of peace and progress a reality for all humanity. This would be the path that would make it possible to transform the utopia of the integrated world-system and the world government into reality, and from this result the true globalization of human society. This happening would be the victory of civilization over the barbarism that has characterized human history.

* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

QUOI ET COMMENT FAIRE POUR ORGANISER LE MONDE CHAOTIQUE DANS LEQUEL NOUS VIVONS ET LA CIVILISATION VAINCRE LA BARBARIE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter comment organiser le monde dans lequel nous vivons, caractérisé par le chaos dans l’économie mondiale en crise permanente, par les conflits interminables dans les relations internationales et par la dégradation continue de l’environnement de la planète Terre. Le chaos qui caractérise la détérioration de l’économie mondiale a été traité par chaque pays isolément sans aucune solution, les conflits dans les relations internationales sont arbitrés par les grandes puissances en fonction de leurs intérêts sans aucune solution et la dégradation continue de l’environnement de la planète a été traitée avec par l’ONU sans pouvoir exiger des pays l’obéissance à ses résolutions. En d’autres termes, les plus grands problèmes de l’humanité ne sont pas résolus parce qu’ils ne sont pas traités dans une approche systémique et parce qu’il n’y a pas de structures organisationnelles globales capables de les résoudre. Le but de cet article est de montrer qu’il n’y a pas d’autre moyen de résoudre les problèmes résultant de la crise permanente de l’économie mondiale, des conflits interminables dans les relations internationales et de la dégradation continue de l’environnement de la planète, sauf sur la base de la théorie des systèmes dont les fondements sont présentés dans les paragraphes suivants.

On peut dire que le monde dans lequel nous vivons est composé de trois systèmes : 1) le système économique mondial; 2) le système international; et, 3) le système environnemental global (Figure 1).

Figure 1- Système-monde

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Le système économique mondial, le système international et le système environnemental global constituent le système monde dans lequel nous vivons. Il convient de noter qu’un système est un ensemble ordonné d’éléments interconnectés et interdépendants qui interagissent les uns avec les autres. Le système économique mondial est la manière dont la société mondiale s’organise en termes politiques, économiques et sociaux dans chaque pays pour développer les activités économiques de production, d’échange et de consommation de biens et services. Le système international est le moyen par lequel les gouvernements des pays du monde se relient politiquement et économiquement. Le système environnemental global est la manière dont les êtres humains et la nature sont liés les uns aux autres. Il convient de noter que le système économique mondial, le système international et le système environnemental mondial sont liés, interdépendants et interagissent les uns avec les autres.

Le système économique mondial devrait viser à réaliser une production économique pour satisfaire le bien-être social de l’humanité dans chaque pays et dans le monde. Le système international devrait viser à réaliser la paix mondiale avec la solution pacifique des conflits internationaux, et le système environnemental global devrait viser à préserver la nature et/ou atténuer les effets des actions humaines sur elle. Pour qu’un système fonctionne correctement, chacun d’eux doit disposer de mécanismes de planification, de rétroaction et de contrôle. L’obtention de la norme de performance souhaitée pour chacun des systèmes (économique mondial, international et environnemental global) nécessite l’existence d’une structure globale de planification et de contrôle qui leur est associée qui permet aux résultats de leurs activités de correspondre à la norme de performance souhaitée par les peuples dans le monde entier. Par conséquent, il est nécessaire de surveiller les performances obtenues par chaque système pour identifier les différences entre sa mise en œuvre et la norme de performance souhaitée et, si nécessaire, décider des corrections à apporter aux processus de travail de chaque système. La survenance d’avancées et de problèmes dans chacun des systèmes économique mondial, international et environnemental global produisent des effets réciproques entre eux, générant des progrès ou des crises sur l’économie mondiale, sur les relations internationales et sur l’environnement mondial, dont les impacts interfèrent les uns avec les autres.

Le système économique mondial chaotique actuel doit subir des changements car il est conduit par la dynamique capitaliste, qui est un système qui fonctionne selon le principe de l’entropie, présentant la tendance universelle à évoluer vers le désordre croissant et l’autodestruction. Le système économique mondial actuel a produit et produit un chaos économique aux niveaux national et mondial qui génère des récessions et des dépressions économiques sans fin, a produit et produit de graves dommages de nature sociale dans tous les pays représentés par la concentration excessive des revenus, par la des inégalités sociales croissantes et du fait de la faim et de la misère endémiques, elle a produit et continue de produire la dégradation environnementale de la planète qui tend à conduire à l’épuisement de ses ressources naturelles, l’apparition de nouvelles pandémies comme le nouveau coronavirus et le climat catastrophique changement qui menace l’existence de l’humanité et produit et il a également produit de graves problèmes dans les relations internationales représentés par les deux grandes guerres mondiales du 20e siècle et par les conflits internationaux constants sur toute la planète.

Le système international chaotique actuel doit également subir des changements, car il est incapable d’assurer la paix mondiale et d’arbitrer le règlement pacifique des conflits internationaux. L’ONU qui a été fondée après la Seconde Guerre mondiale a été inopérante tout au long de son histoire dans la médiation des conflits internationaux. Il existe plusieurs pays qui peuvent devenir des foyers de guerres dans le monde, parmi lesquels la Syrie, la Palestine, Israël, l’Iran, la Corée du Nord, Inde et Pakistan qui peuvent intensifier les conflits entre les grandes puissances (États-Unis, Russie et Chine). Les guerres localisées de nature régionale ou mondiale ont un impact négatif sur les sociétés en tuant des personnes et en détruisant les infrastructures et la nature, entraînant de graves conséquences économiques, sociales, environnementales et politiques.

Le système environnemental global chaotique actuel doit également subir des changements car il est incapable d’empêcher la dégradation de l’environnement et le changement climatique catastrophique sur la planète en raison de l’absence de mécanismes efficaces de régulation environnementale d’envergure mondiale. Les dommages environnementaux produits par le système économique actuel se manifestent par l’épuisement des ressources naturelles de la planète Terre, l’émergence de nouvelles pandémies et un changement climatique mondial catastrophique. Les guerres sont aussi en grande partie responsables de la détérioration de l’environnement de la planète. Parmi les innombrables conséquences des guerres figurent les bombardements de cibles militaires et de populations civiles, les mouvements intenses de véhicules et de troupes militaires, la forte concentration de vols de combat, les missiles lancés sur les villes et la destruction de structures militaires et industrielles au cours de tous ces conflits qui provoquer l’émission de métaux et d’autres substances qui contaminent le sol, l’eau et l’air. Outre la contamination de l’environnement par les guerres, il faut également considérer la modification des paysages naturels et la perte à long terme de la biodiversité, qu’elle soit due à la présence de mines terrestres ou d’agents chimiques dispersés dans l’environnement.

Un nouveau système mondial devra émerger pour éviter les graves dommages économiques, sociaux, environnementaux et internationaux décrits ci-dessus. La première justification majeure d’un nouveau système-monde pour remplacer l’ancien système-monde réside dans le fait que le système économique mondial actuel qui est conduit par la dynamique capitaliste évolue vers l’autodestruction vers sa fin, ce qui devrait se produire au milieu de 21e siècle où le taux de profit mondial et le taux de croissance du produit brut mondial seront nuls. Le système capitaliste mondial prendra fin au milieu du 21e siècle car il y a une tendance à la baisse du taux de profit mondial de 1869 à 2007, du taux de profit des grandes entreprises américaines de 1947 à 2007 et du taux de croissance du produit brut des le monde de 1961 à 2007. Pour déterminer quand ces taux atteindront zéro dans le futur, en maintenant la tendance à la baisse et en effectuant le calcul en utilisant la méthode des moindres carrés de la statistique, on peut conclure qu’ils se produiront entre 2057 et 2059.

La deuxième justification majeure d’un nouveau système mondial pour remplacer l’ancien système mondial réside dans le fait que le système international actuel est incapable d’assurer la paix mondiale et d’arbitrer les conflits internationaux pour éviter la fin de l’humanité avec le déclenchement d’une nouvelle guerre mondiale de conséquences dévastatrices. La troisième justification majeure d’un nouveau système mondial pour remplacer l’ancien système mondial réside dans le fait que le système environnemental est incapable d’empêcher la dégradation de l’environnement et le changement climatique mondial catastrophique. Un nouveau système-monde radicalement différent du système-monde actuel devrait chercher à progresser sur 3 nouvelles bases décrites ci-dessous : 1) le progrès économique et social dans chaque pays pour atteindre le bien-être social de l’humanité ; 2) le progrès dans les relations internationales pour assurer la paix mondiale ; et 3) le progrès environnemental dans chaque pays et dans le monde basé sur le développement durable pour ordonner l’environnement de la planète.

Pour réaliser un progrès économique et social dans chaque pays, visant à atteindre le bien-être social, il est nécessaire d’adopter le modèle de social-démocratie existant dans les pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) où a été construit l’État-providence le plus évolué au monde et, globalement, un gouvernement mondial est mis en place pour promouvoir la stabilité de l’économie mondiale afin d’éliminer le chaos actuel. La défense de la social-démocratie scandinave comme modèle de société à adopter par tous les pays du monde avec les adaptations nécessaires est justifiée car, selon l’ONU, les pays scandinaves sont les mieux gouvernés au monde, ce sont eux qui ont les le plus grand progrès économique et social parmi tous les pays du monde dont les habitants sont considérés comme les plus heureux du monde selon le World Happiness Report 2020. C’est un modèle de société extrêmement réussi qui rassemble ce qui est positif du capitalisme et du socialisme constituant, par conséquent, un système hybride. Cela veut dire que le modèle de société capitaliste existant dans la grande majorité des pays du monde devrait être remplacé par le modèle de la social-démocratie scandinave.

Le progrès dans les relations internationales pour garantir la paix mondiale ne peut être réalisé qu’avec la constitution d’un gouvernement mondial démocratique qui serait élu par le parlement mondial et qui serait constitué avec la participation des pays du monde entier qui sont capables de servir de médiateurs dans les conflits internationaux parce que les organisations internationales, telles que l’ONU, le FMI, la Banque mondiale, l’Organisation mondiale du commerce, entre autres, n’ont pas le pouvoir de promouvoir le progrès dans les relations internationales sur la planète. Pour réaliser des progrès environnementaux dans chaque pays et dans le monde, il faut l’existence d’un gouvernement mondial démocratique et d’un parlement mondial capables de construire un consensus mondial pour adopter le modèle de développement durable dans tous les pays pour ordonner l’environnement de la planète.

De la même manière que le progrès économique et social dans chaque pays et le progrès dans les relations internationales sont urgents, le progrès environnemental dans chaque pays et dans le monde basé sur le modèle de développement durable qui devrait garantir que les besoins des générations actuelles se réalisent sans compromettre les besoins des générations futures qui ne peuvent être satisfaits qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial démocratique et la célébration d’un Contrat Social Planétaire qui établirait les bases des relations entre les pays en termes d’économie, de relations internationales et d’environnement et les relations entre humains êtres et nature.

Le gouvernement mondial démocratique à mettre en place représenterait l’étape la plus avancée de l’évolution politique de l’humanité car, tout au long de l’histoire, l’humanité a évolué du village pour former des cités-États, des cités-États pour former des États-nations, des États-nations pour constituer des blocs économiques comme l’ALENA et le Mercosur ou l’union économique et politique d’États comme l’Union européenne. La prochaine étape de l’humanité serait donc la constitution d’un gouvernement mondial pour atteindre son plus haut stade de développement avec la promotion d’une véritable intégration économique, politique, sociale et environnementale au niveau planétaire sur la base d’un contrat social planétaire approuvé par tous les peuples de le monde. Ce n’est qu’avec un gouvernement mondial démocratique qu’il serait possible rendre compatible les objectifs de chaque système qui fait partie du système-monde les uns avec les autres pour le bien de toute l’humanité. Le système monde ne profitera à l’humanité que si le système économique mondial parvient à la stabilité, le système international parvient à la paix mondiale et le système environnemental global préserve la nature. Cette situation ne sera atteinte qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial démocratique. 

Le succès des changements politiques, économiques, sociaux et environnementaux aux niveaux national et mondial dépend de l’existence d’un gouvernement mondial. Un gouvernement mondial démocratique ne doit pas remplacer les gouvernements de chaque nation en en faisant ses vassaux. Les gouvernements nationaux conserveraient leurs autonomies en étant gouvernés conformément aux intérêts de leurs peuples, tandis que le gouvernement mondial démocratique aurait pour objectif de défendre les intérêts généraux de la planète. Ce qui ne serait pas admissible, c’est qu’un gouvernement national adopte des mesures en désaccord avec les décisions prises par le parlement mondial en opposition à la volonté de la majorité des peuples à travers le monde. Le gouvernement mondial éviterait l’empire d’un pays et l’anarchie de tous les pays. La construction d’un gouvernement mondial est nécessaire pour faire face à des catastrophes systémiques majeures telles que crise écologique extrême résultant du réchauffement climatique, crise économique de grande ampleur telle que celle enregistrée actuellement et tendant à s’aggraver à l’avenir, futures pandémies comme celle du nouveau coronavirus, la mondialisation du crime organisé, la chute d’un météore sur la planète Terre et l’avancée du terrorisme. La préservation de la paix internationale serait la mission première de toute nouvelle forme de gouvernement mondial.

Un fait que tous les peuples du monde doivent considérer est qu’il ne suffit pas de lutter pour promouvoir des changements politiques, économiques, sociaux et environnementaux dans leurs pays respectifs sans que cela ne soit lié à la lutte pour les changements politiques, économiques, sociaux et environnementaux. au niveau mondial. C’est pourquoi l’humanité lutte depuis des siècles contre ses problèmes chroniques sans les résoudre. Sans résoudre le chaos qui caractérise la détérioration de l’économie mondiale, les conflits sans fin dans les relations internationales et la dégradation continue de l’environnement de la planète ne résoudront pas les problèmes politiques, économiques, sociaux et environnementaux de chaque pays et vice versa. La lutte pour les changements dans chaque pays doit être simultanée avec la lutte pour les changements dans la sphère mondiale. Pour que la lutte pour le changement dans chaque pays se produise simultanément avec la lutte pour le changement dans la sphère mondiale, il est nécessaire d’établir un Forum mondial pour la paix et le progrès de l’humanité par les organisations de la société civile de tous les pays du monde, visant à coordonner tous les combats. Ce Forum débattrait et établirait les objectifs et les stratégies d’un mouvement de masse mondial pour la réalisation de changements politiques, économiques, sociaux et environnementaux dans chaque pays et dans le monde qui contribuent au bien-être social de l’humanité, à la construction de la paix mondiale et la préservation de l’environnement. Un nouveau système monde devra émerger pour atteindre les objectifs visés.

Il est important de souligner que le système-monde actuel doit être remplacé de toute urgence par un nouveau système-monde car il est caractérisé par le désordre le plus absolu dû à l’absence de planification et de contrôle liés au développement du système économique mondial, le système international et le système environnemental global et par l’absence de mécanismes de rétroaction et de contrôle qui permettent de corriger les orientations de chaque système individuel et du système-monde dans son ensemble. Le nouveau système-monde à mettre en place ne réussira qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial démocratique pour promouvoir la régulation de l’économie mondiale, de l’environnement mondial et des relations internationales de la planète. Afin de rendre viable un nouveau système mondial, le Forum Mondial pour la Paix et le Progrès de l’Humanité doit être constitué pour coordonner les luttes dans chaque pays et dans le monde pour la constitution d’un gouvernement mondial et d’un parlement mondial visant à sensibiliser la population mondiale et les gouvernements nationaux afin de faire d’un monde de paix et de progrès une réalité pour toute l’humanité. Ce serait la voie qui permettrait de transformer l’utopie du système-monde intégré et du gouvernement mondial en réalité, et de là résulterait la véritable mondialisation de la société humaine. Quand cela arrivera, nous aurons la victoire de la civilisation sur la barbarie qui caractérise l’histoire de l’humanité. 

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O QUE E COMO FAZER PARA ORGANIZAR O CAÓTICO MUNDO EM QUE VIVEMOS E A CIVILIZAÇÃO SUPERAR A BARBÁRIE

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como organizar o mundo em que vivemos que se caracteriza pelo caos na economia mundial em crise permanente, pelos intermináveis conflitos nas relações internacionais e pela contínua degradação ambiental do planeta Terra. O caos que caracteriza a deteriorada economia mundial vem sendo tratada isoladamente por cada país sem nenhuma solução, os conflitos nas relações internacionais estão sendo mediados pelas grandes potências de acordo com seus interesses sem nenhuma solução e a contínua degradação ambiental do planeta vem sendo tratada pela ONU sem nenhum poder para exigir dos países a obediência a suas resoluções. Em outras palavras, os maiores problemas da humanidade não são solucionados porque não são tratados de acordo com uma abordagem sistêmica e porque não existem estruturas organizacionais de caráter global capazes de solucioná-los. O que se pretende, através deste artigo, é mostrar que não há outra maneira de solucionar os problemas resultantes da permanente crise da economia mundial, dos intermináveis conflitos nas relações internacionais e da contínua degradação ambiental do planeta a não ser com base na teoria dos sistemas cujos fundamentos estão apresentados nos próximos parágrafos.       

Pode-se afirmar o mundo em que vivemos é constituído por três sistemas: 1) o sistema econômico mundial; 2) o sistema internacional; e, 3) o sistema ambiental global (Figura 1).

Figura 1- Sistema-mundo

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O sistema econômico mundial, o sistema internacional e o sistema ambiental global constituem o sistema-mundo em que vivemos. É preciso observar que um sistema é um conjunto ordenado de elementos que se encontram interligados e interdependentes que interagem entre si. O sistema econômico mundial é a forma através do qual a sociedade mundial está organizada em termos políticos, econômicos e sociais em cada país para desenvolver as atividades econômicas de produção, troca e consumo de bens e serviços. O sistema internacional é a forma através do qual os governos dos países do mundo se relacionam política e economicamente entre si. O sistema ambiental global é a forma através do qual os seres humanos e a natureza se relacionam entre si. É preciso observar que o sistema econômico mundial, o sistema internacional e o sistema ambiental global estão interligados, são interdependentes e interagem entre si.  

O sistema econômico mundial deveria ter por objetivo alcançar a produção econômica para satisfação do bem estar social da humanidade em cada país e globalmente. O sistema internacional deveria ter por objetivo a conquista da paz mundial com a solução pacífica dos conflitos internacionais e o sistema ambiental global deveria ter por objetivo preservar a natureza e/ou mitigar os efeitos da atuação dos seres humanos sobre ela. Para todo sistema operar de forma exitosa cada um deles deveria possuir mecanismos de planejamento, feedback ou retroalimentação e controle. Para obter o padrão de desempenho desejado para cada um dos sistemas (econômico mundial, internacional e ambiental global) requer a existência de uma estrutura global de planejamento e controle a eles associada que permita fazer com que os resultados de suas atividades correspondam ao padrão de desempenho desejado pelos povos de todo mundo. Para tanto, é preciso exercer monitoramento do desempenho obtido por cada sistema para identificar diferenças entre sua implementação e o padrão de desempenho desejado e, se necessário, decidir sobre as correções a serem feitas nos processos de trabalho de cada sistema. A ocorrência de avanços e de problemas em cada um dos sistemas econômico mundial, internacional e ambiental global produzem efeitos recíprocos entre si gerando progressos ou crises sobre a economia mundial, nas relações internacionais e no meio ambiente global cujos impactos interferem uns sobre os outros.

O caótico sistema econômico mundial atual precisa sofrer mudanças porque é movido pela dinâmica capitalista que é um sistema que opera de acordo com o princípio da entropia ao apresentar a tendência universal de evoluir para uma crescente desordem e autodestruição. O sistema econômico mundial atual produziu e vem produzindo o caos econômico nos níveis nacional e global geradores de recessões e depressões econômicas intermináveis, produziu e está produzindo graves danos de natureza social em todos os países representados pela excessiva concentração da renda, pela crescente desigualdade social e pela fome e miséria endêmicas, produziu e continua produzindo a degradação ambiental do planeta que tende a levar ao esgotamento de seus recursos naturais, à ocorrência de novas pandemias como a do novo coronavirus e à mudança climática catastrófica que ameaça a existência da humanidade e produziu e vem produzindo, também, graves problemas nas relações internacionais representados pelas duas grandes guerras mundiais do século XX e pelos constantes conflitos internacionais em todo o planeta.

O caótico sistema internacional atual precisa sofrer, também, mudanças porque é incapaz de assegurar a paz mundial e de mediar a solução pacífica dos conflitos internacionais. A ONU que foi fundada após a 2ª Guerra Mundial tem sido inoperante ao longo de sua história na mediação dos conflitos internacionais. Vários são os países que podem se constituir em focos de eclosão de guerras no mundo destacando-se, entre eles, a Síria, Palestina, Israel, Irã, Coreia do Norte, Índia e Paquistão  que podem acirrar conflitos entre as grandes potências (Estados Unidos, Rússia e China). As guerras localizadas de caráter regional ou global impactam negativamente sobre as sociedades com o morticínio das pessoas e a destruição de infraestruturas e da natureza causando graves consequências econômicas, sociais, ambientais e políticas. 

O caótico sistema ambiental global atual precisa sofrer, também, mudanças porque é incapaz de impedir a degradação ambiental e a mudança climática catastrófica no planeta devido à ausência de mecanismos de regulação ambiental eficaz de abrangência mundial. Os danos ambientais produzidos pelo sistema econômico atual se manifestam no esgotamento dos recursos naturais do planeta Terra, no surgimento de novas pandemias e na mudança climática catastrófica global. As guerras são, também, em grande parte responsável pelo agravamento ambiental do planeta. Entre as incontáveis consequências das guerras estão o bombardeio de alvos militares e populações civis, o intenso movimento de veículos e tropas militares, a grande concentração de voos de combate, os mísseis lançados sobre cidades e a destruição de estruturas militares e industriais durante todos esses conflitos que provocam a emissão de metais e outros substâncias que contaminam o solo, a água e o ar. Além da contaminação ambiental pelas guerras, é necessário considerar também a modificação das paisagens naturais e a perda de biodiversidade a longo prazo, seja pela presença de minas terrestres ou agentes químicos dispersos no meio ambiente.   

Um novo sistema-mundo terá que surgir para evitar os graves danos econômicos, sociais, ambientais e de relações internacionais acima descritos. A primeira grande justificativa para que um novo sistema-mundo venha a substituir o velho sistema-mundo reside no fato do sistema econômico mundial atual que é movido pela dinâmica capitalista estar evoluindo para a autodestruição rumo ao seu fim que deverá acontecer em meados do século XXI quando a taxa de lucro global e a taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial serão zero. O sistema capitalista mundial chegará ao fim em meados do século XXI porque há uma tendência de queda na taxa de lucro mundial de 1869 a 2007, na taxa de lucro das grandes corporações dos Estados Unidos de 1947 a 2007 e na taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial de 1961 a 2007. Para determinar quando essas taxas chegarão a zero no futuro, mantendo a tendência de queda, e efetuando o cálculo usando o método dos mínimos quadrados da Estatística, pode-se concluir que elas ocorrerão entre 2057 e 2059.

A segunda grande justificativa para que um novo sistema-mundo venha a substituir o velho sistema-mundo reside no fato de o sistema internacional atual ser incapaz de assegurar a paz mundial e mediar os conflitos internacionais para evitar o fim da humanidade com a eclosão de uma nova guerra mundial de consequências devastadoras. A terceira grande justificativa para que um novo sistema-mundo venha a substituir o velho sistema-mundo reside no fato de o sistema ambiental ser incapaz de impedir a degradação do meio ambiente e a mudança climática catastrófica global. Um novo sistema-mundo radicalmente diferente do sistema-mundo atual deveria buscar a consecução do progresso em 3 novas bases descritas a seguir: 1) progresso econômico e social em cada país para obter o bem estar social da humanidade; 2) progresso nas relações internacionais para garantir a paz mundial; e, 3) progresso ambiental em cada país e globalmente baseado no desenvolvimento sustentável para ordenar o meio ambiente do planeta.

Para alcançar o progresso econômico e social em cada país visando alcançar o bem estar social, é preciso que seja adotado o modelo de social democracia existente nos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) onde foi edificado o Estado de Bem Estar Social mais evoluído do mundo e, globalmente, seja implantado um governo mundial para promover a estabilidade da economia mundial visando eliminar o caos atual. A defesa da social democracia escandinava como modelo de sociedade a ser adotado por todos os países do mundo com as necessárias adaptações se justifica porque, segundo a ONU, os países escandinavos são os mais bem governados do mundo, são os que apresentam o maior progresso econômico e social entre todos os países do mundo cujos povos são considerados os mais felizes do mundo de acordo com o World Happiness Report de 2020. Trata-se de um modelo de sociedade extremamente bem sucedido que reúne o que tem de positivo no capitalismo e no socialismo se constituindo, portanto, em um sistema híbrido. Isto significa dizer que o modelo de sociedade capitalista existente na grande maioria dos países do mundo deveria ser substituído pelo modelo de social democracia escandinava.

O progresso nas relações internacionais para garantir a paz mundial só poderá ser alcançado com a constituição de um governo mundial democrático que seria eleito pelo parlamento mundial a ser constituído com a participação dos países de todo o mundo os quais sejam capazes de mediar os conflitos internacionais porquanto as organizações internacionais atuais, como ONU, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, entre outras, não têm o poder de promover o progresso nas relações internacionais do planeta. Para alcançar o progresso ambiental em cada país e globalmente, é preciso a existência de um governo democrático mundial e um parlamento mundial que sejam capazes de construir o consenso global para adotar o modelo de desenvolvimento sustentável em todos os países para ordenar o meio ambiente do planeta.     

Da mesma forma que urge o progresso econômico e social em cada país e o progresso nas relações internacionais, é preciso, também, o progresso ambiental em cada país e globalmente baseado no modelo desenvolvimento sustentável que deve garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras que só poderá ser alcançado com a existência de um governo democrático mundial e a celebração de um Contrato Social Planetário que estabeleceria as bases das relações entre os países em termos de economia, relações internacionais e meio ambiente e das relações entre os seres humanos e a natureza. 

O governo mundial democrático a ser implantado representaria o estágio mais avançado de evolução política da humanidade porque, ao longo da história, a humanidade evoluiu da aldeia para formar cidades-estado, de cidades-estado para constituir estados-nação, de estados-nação para constituir blocos econômicos como o NAFTA e o Mercosul ou a união econômica e política de estados como a União Europeia. O próximo passo da humanidade seria, portanto, a constituição de um governo mundial para alcançar seu estágio mais elevado de desenvolvimento com a promoção de uma verdadeira integração econômica, política, social e ambiental no nível planetário com base em um contrato social planetário aprovado por todos os povos do mundo. Só com um governo democrático mundial seria possível compatibilizar os objetivos de cada sistema integrante do sistema-mundo uns com os outros em benefício de toda a humanidade. O sistema-mundo só beneficiará a humanidade se o sistema econômico mundial alcançar a estabilidade, o sistema internacional obtiver a paz mundial e o sistema ambiental global preservar a natureza. Esta situação só será alcançada com a existência de um governo democrático mundial.   

O sucesso na realização das mudanças políticas, econômicas, sociais e ambientais nos níveis nacional e global depende da existência de um governo mundial. Um governo democrático mundial não deveria substituir os governos de cada nação transformando-as em seus vassalos. Os governos nacionais manteriam suas autonomias sendo governados de acordo com os interesses de seus povos enquanto o governo democrático mundial teria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta. O que não seria admissivel é qualquer governo nacional adotar medidas dissonantes das decisões tomadas pelo parlamento mundial em oposição à vontade da maioria dos povos do mundo inteiro. O governo mundial evitaria o império de um só país e a anarquia de todos os países. A construção de um governo mundial se impõe para fazer frente a desastres sistêmicos maiores tais como, crise ecológica extrema resultante do aquecimento global, crise econômica de grande amplitude como a que se registra no momento e tende a se agravar no futuro, futuras pandemias como a do novo coronavirus, a mundialização do crime organizado, a queda de um meteoro no planeta Terra e o avanço do terrorismo. A preservação da paz internacional seria a primeira missão de toda nova forma de governo mundial.

Um fato que todos os povos do mundo precisam considerar é que não basta lutar para promover mudanças políticas, econômicas, sociais e ambientais em seus respectivos países sem que ela não esteja concatenada com a luta por mudanças políticas, econômicas, sociais e ambientais em nível mundial. Esta é razão pela qual a humanidade se debate secularmente contra seus crônicos problemas sem solucioná-los. Sem a solução do caos que caracteriza a deteriorada economia mundial, os intermináveis conflitos nas relações internacionais e a contínua degradação ambiental do planeta não serão resolvidos os problemas políticos, econômicos, sociais e ambientais de cada país individualmente e vice-versa. A luta pelas mudanças em cada país deve ser simultânea com a luta pelas mudanças na esfera mundial. Para fazer com que a luta pelas mudanças em cada país ocorra simultaneamente com a luta pelas mudanças na esfera mundial, é preciso constituir um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade por organizações da Sociedade Civil de todos os países do mundo visando coordenar todas as lutas. Neste Fórum seriam debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de um movimento mundial de massas pela realização de mudanças políticas, econômicas, sociais e ambientais em cada país e no mundo que contribuam para o bem estar social da humanidade, a construção da paz mundial e a preservação do meio ambiente. Um novo sistema-mundo terá que surgir para realizar os objetivos pretendidos.   

É importante ressaltar que o sistema-mundo atual precisa ser urgentemente substituído por um novo sistema-mundo porque ele se caracteriza pela mais absoluta desordem devido à ausência de planejamento e controle relacionados com o desenvolvimento do sistema econômico mundial, do sistema internacional e do sistema ambiental global e pela falta de mecanismos de feedback e controle que possibilitem a correção de rumos de cada sistema individualmente e do sistema-mundo como um todo. O novo sistema-mundo a ser implantado só terá sucesso com a existência de um governo democrático mundial para promover a regulação da economia mundial, do meio ambiente global e das relações internacionais do planeta. Para viabilizar um novo sistema-mundo é preciso que, no Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade a ser constituído para coordenar as lutas em cada país e globalmente pela constituição de um governo mundial e de um parlamento mundial visando sensibilizar a população mundial e os governos nacionais no sentido de tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade. Este seria o caminho que tornaria possível transformar em realidade a utopia do sistema-mundo integrado e do governo mundial e disto resultar a verdadeira globalização da sociedade humana. Isto acontecendo seria a vitória da civilização sobre a barbárie que tem caracterizado a história da humanidade.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019). 

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Status: on-lineFernando AlcoforadoConsultor de planejamento estratégico, regional e de sistemas de energiaPublicado • 1 h1.378 artigosGosteiComentarCompartilhar

A INUTILIDADE DAS FORÇAS ARMADAS DA GRANDE MAIORIA DOS PAÍSES DO MUNDO NA GUERRA MODERNA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que as grandes potências adquiriram um poder militar tão grande que tornou inútil a existência das forças armadas da grande maioria dos países do mundo. No passado, a justificativa para a existência das forças armadas foi a de que seu propósito era o de defender o país e dissuadir os inimigos de atacá-lo. Na era contemporânea, o poder militar para defender e dissuadir os inimigos de atacar o país só é eficaz no caso das grandes potências pelo fato de serem possuidoras de um imenso arsenal de armas nucleares, possuírem força espacial focada na guerra no espaço e terem capacidade de desencadear a guerra cibernética moderna e, no caso das potências médias, por serem possuidoras de armas nucleares e terem capacidade de desencadear a guerra cibernética moderna. A visão tradicional de que cada país deve possuir suas forças armadas para a defesa de seus territórios e para dissuadir ameaças externas se tornou irrelevante na era contemporânea porque a grande maioria dos países do mundo é possuidora de forças armadas baseadas em estruturas obsoletas do passado e incapazes de enfrentar as grandes e médias potências militares do planeta. Este fato faz com que os gastos militares da quase totalidade dos países do mundo se tornem improdutivos fazendo com que se torne desnecessária a existência de suas forças armadas cujos gastos deveriam ser utilizados em setores econômicos mais relevantes ao desenvolvimento econômico e social de muitos países.  

Os Estados Unidos é o país com o exército mais poderoso e mais forte de todo o mundo porque, além de possuir o terceiro maior exército em número de soldados ativos, é também o que mais investe nas forças armadas. O país investe 740 bilhões de dólares no exército, enquanto que a China, o segundo país que mais investe, possui um orçamento de 178 bilhões de dólares. Os Estados Unidos também possuem a tecnologia mais avançada para combates e defesa. Atualmente, a Rússia possui a segunda força militar mais poderosa do mundo. Formado em 1992, após a dissolução da União Soviética, o exército russo foi um dos que mais investiram nas últimas décadas. A Rússia é também um dos poucos países que produzem seus próprios equipamentos militares, tendo o maior número de tanques e projetores de foguete entre todos os exércitos do mundo. A China possui o maior exército do mundo em número de soldados ativos. Não é de se espantar porque é o país mais populoso do mundo. O país é também o segundo com mais financiamento nas forças armadas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O grande desenvolvimento da China nos últimos anos, faz com que peritos projetem que o exército chinês venha a se tornar ainda mais forte nas próximas décadas. O poder militar de um país é sustentado pelo poder econômico que possui. Das três grandes potências, Estados e China têm poder militar sustentado pelo poder econômico de suas economias, ao contrário da Rússia que se fragilizou com o fim da União Soviética. Ao herdar o poder militar da ex-União Soviética, a Rússia mesmo fragilizada economicamente mantém seu poder militar. O artigo sob o título Maiores economias do mundo: 10 potências econômicas atuais, publicado em 2 março 2021 no website <https://www.maioresemelhores.com/maiores-economias-do-mundo/> informa que as duas principais potências econômicas atuais são Estados Unidos e China.

Na atualidade, qualquer país que aspire exercer papel relevante na área militar precisa dispor de armas nucleares, de força espacial focada na guerra no espaço mas também, da capacidade de desenvolver a guerra cibernética.  A ciência e a tecnologia são utilizadas pelas grandes potências militares na fabricação de armas modernas para uso nas guerras em terra e mar, na guerra no espaço e na guerra cibernética. A guerra no espaço está relacionada com a necessidade de proteger os satélites usados para comunicação e vigilância e o uso de armas antissatélites “destrutivas e não destrutivas” como laser de alta potência, mísseis de defesa e armas de partículas situadas em estações espaciais na órbita da Terra. A guerra cibernética assume na era contemporânea uma importância fundamental. Ela se apoia na tecnologia da informação e, modernamente, também nos avanços proporcionados pela inteligência artificial.

A guerra cibernética consiste, basicamente, no uso de ataques digitais para fins de espionagem ou sabotagem contra as estruturas estratégicas ou táticas de um país (MANOSKE – QUORA, Andy. O que todos devem saber sobre guerra cibernética. Disponível no website <https://gizmodo.uol.com.br/guia-guerra-cibernetica/>, 31 de dezembro de 2014). A espionagem visa roubar informações táticas e estratégicas como dados sobre a movimentação de tropas, os pontos fortes e fracos do sistema bélico do país e qualquer outra informação valiosa sobre recursos necessários para a guerra. Na sabotagem, pode ir de uma ação simples como derrubar os servidores de um site governamental a algo extremamente nocivo como fazer o lançamento de uma ogiva nuclear. A sabotagem se resume a “fazer algo” ao contrário da espionagem, que se resume a “descobrir algo”. Na guerra cibernética, hackers com apoio do Estado, sejam membros das forças militares de um país, ou financiados por tal país, atacam computadores e redes de países oponentes que afetem recursos necessários para a guerra. Eles fazem isso da mesma forma que em qualquer outro computador ou sistema, isto é, estudam o sistema profundamente, descobrem suas falhas e usam essa falhas para controlar esse sistema ou destruí-lo.

Hackers podem usar informações confidenciais destinadas a outrem (espionagem) para ganhar a dianteira na batalha contra seu adversário. Podem descobrir a velocidade de um míssil para que possa ser construído outro míssil ou um avião que possa ultrapassá-lo. Podem descobrir para onde o inimigo está movendo suas tropas e planejar uma emboscada como aconteceu contra o general iraniano Soleimani que foi assassinado pelo Exército dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2020 em um bombardeio no aeroporto de Bagdá. Hackers podem descobrir quais cientistas são importantes na criação de armas e atacá-los diretamente como aconteceu com o assassinato em 27/11/2020 do cientista iraniano Mohsen Fakhrizadeh atribuído a Israel segundo informações divulgadas pela CNN americana. Mohsen Fakhrizadeh era o principal cientista nuclear do Irã quando foi alvejado por balas em uma rodovia próxima de Teerã. Quando o país possui o controle desses sistemas, é possível, também, sabotar pessoas e estruturas. Ao descobrir como as tropas estão se comunicando, o país ganha acesso à rede para que possa confundir o inimigo e invadir a base deles. Poderia invadir seus sistemas/contas e fraudá-los, se passando por um deles. Ou poderia usar essas informações para controlá-los e chantagear pessoas por causa de algo achado no computador ou sequestrar suas famílias usando informações privadas.

Destruir os sistemas de países inimigos tem um resultado óbvio: destrói o que controla esse sistema, e, consequentemente, impede-o de funcionar. Um exemplo comum de ciberguerrilha é o uso de ataques para desativar sites governamentais e redes sociais. Essa tática foi usada efetivamente pelos russos durante a Guerra da Ossétia do Sul em 2008, causando caos e espalhando informações falsas para a população antes e durante a invasão russa. A guerra cibernética tem como alvo qualquer setor importante para a infraestrutura do inimigo como o exército, a defesa nacional e a indústria bélica. No entanto, esses alvos também podem ser fábricas de armas, minas e outras manufaturas que auxiliem no funcionamento dessas fábricas e o sistema elétrico, que fornece energia para todos esses setores. Na sua versão mais assustadora, a guerra cibernética pode ter como alvo o recurso estratégico mais importante de um país que é sua população. Um hacker poderia fazer um ataque terrorista para desestabilizar ou desmotivar uma população a lutar. Isso implica em desencadear uma guerra financeira com ataques aos setores financeiros, que causariam danos econômicos ou ataques a sistemas de comunicação para desativar a rede de telefonia e a internet.

A guerra cibernética não faz nenhuma distinção entre alvos civis e militares. Apesar de um míssil causar bastante dano, um ciberataque pode resultar, também, em perdas e mortes de civis. Se houvesse um ataque ao sistema energético de qualquer país e o sistema fosse destruído por um ciberataque não seriam só as fábricas de armas que parariam de funcionar. Um ataque desses resultaria também em acidentes de trânsito, cirurgias interrompidas, falhas em máquinas de suporte à vida quando uma quantidade elevada de pessoas poderia morrer. É muito difícil descobrir o autor de um ciberataque nem os governos que financiam esses ataques. Um aspecto que faz as armas digitais piores do que as armas nucleares é o de descobrir quem fez o ataque. É muito fácil esconder a origem de um ataque desses mascarando a identificação do autor dos ataques. Mesmo que o governo descubra de qual computador o ataque foi efetivado, ainda existe a dificuldade de descobrir quem era a pessoa atrás da tela e é ainda mais difícil saber se ele era, ou não, um agente do governo.

Clausewitz afirmou que a guerra é um ato de violência para impor a vontade de um beligerante a seu inimigo (CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. Editora Martins Fontes, 1986). O chinês Sun Tzu acrescenta que “a maior proeza militar é vencer sem combater”: a astúcia e a manipulação apresentam mais vantagens do que a agressividade para impor sua vontade sobre os outros (SUN TZU. A arte da guerra.  Editora Jardim dos Livros, 2007). A guerra cibernética transforma radicalmente os três componentes históricos da guerra: a espionagem, a sabotagem e a guerra da informação, na linha observada por Sun Tzu. Não existem dúvidas sobre o uso da capacidade cibernética com o objetivo de conseguir vantagem política, econômica e militar. Segundo se noticia, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França, Irã, Coreia do Norte, India, Paquistão e Israel dispõem de meios cada vez mais sofisticados para obter informações de governos e de empresas para influir na vida das pessoas e destruir a infraestrutura e objetivos estratégicos de seus oponentes.

O mundo entrou numa fase de guerra permanente: sem frente de batalha e sem regras de engajamento. A guerra cibernética se assemelha à guerra insurrecional, com a diferença de poder planejar e executar a ação à distância, longe do inimigo. A utilização de algoritmos de inteligência artificial multiplicará o impacto das ações e criará no adversário novas vulnerabilidades. Será mais difícil a identificação de seus autores, pela utilização dos robôs para autorizar a difusão de falsas informações nas redes sociais ou para a disponibilização com livre acesso de algoritmos permitindo incluir pessoas em qualquer vídeo e de colocar em sua boca o que se deseje que ele diga. É possível que já estejam acontecendo operações de espionagem cibernética, de sabotagem ou de influência comandadas de maneira completamente autônoma, necessitando apenas do sinal verde de alguém. O entendimento de que a tecnologia 5G possa ser explorada para espionagem e sabotagem de instalações de infraestrutura, rede de comunicação e centros financeiros passou a ser uma nova preocupação e está na raiz da proibição da compra de produtos da Huawei chinesa para as redes 5G públicas ou privadas nos Estados Unidos. A nova guerra fria entre os Estados Unidos e a China começou com o comércio, mas deve se deslocar rapidamente para a tecnologia, em que a China dá mostras de estar à frente dos Estados Unidos nos avanços da aplicação da última geração 5G.

O poder nuclear e a capacidade de desencadear a guerra espacial e a guerra cibernética das grandes potências e o poder nuclear e a capacidade de desencadear a guerra cibernética pelas médias potências fazem com que as forças armadas da grande maioria dos países do mundo se tornem irrelevantes haja vista que seriam incapazes de fazerem frente ao poderio militar das grandes potências (Estados Unidos, Rússia, China) e de potências militares médias (Reino Unido, França, India, Coréia do Norte, Paquistão e Israel). Esta situação se torna bastante evidente no caso de países que não detém armas nucleares e não são capazes de desencadear a guerra espacial e cibernética. Apenas países como o Reino Unido, França, India, Coréia do Norte, Paquistão e Israel seriam capazes de dissuadir qualquer ameaça contra seus países pelo fato de serem detentores de armas nucleares e terem capacidade de desencadear a guerra cibernética. Este não é o caso do Brasil que, além de ser dependente econômica e tecnologicamente do exterior, tem forças armadas incapazes de fazerem frente a qualquer ameaça externa, sobretudo das grandes potências pelo fato de  não ser detentor de armas nucleares e não ter capacidade de desencadear guerra espacial e cibernética.  

Fatos da história recente demonstram  a incapacidade das forças armadas de inúmeros países para  fazerem frente ao poderio militar das grandes e médias potências. Em 1967, as forças armadas israelenses derrotaram militarmente em seis dias o Egito, Síria, Jordânia, Iraque, Kuwait, Líbia, Arábia Saudita, Argélia e Sudão que buscavam destruir o Estado de Israel. Em 1982, na guerra das Malvinas, as forças armadas da Argentina foram derrotadas pelas do Reino Unido em um mês e meio. Em 2003, na guerra do Iraque, os Estados Unidos, o Reino Unido e um punhado de nações aliadas, lançaram uma pesada campanha de bombardeio aéreo contra as principais cidades do Iraque, principalmente Bagdá, e em menos de um mês sobrepujaram o exército iraquiano e conseguiram ocupar o país.  Em 2013, o governo dos Estados Unidos anunciou a intenção de bombardear a Síria com o objetivo de derrubar o presidente sírio Bashar Al-Assad que só não aconteceu porque a Síria contou com o apoio militar da Rússia. Estes exemplos demonstram que os países não detentores de poder de dissuasão só terão condições de evitar sua ocupação pelas grandes e médias potências se estiverem aliados a uma das grandes potências como foi o caso da Síria.

O Brasil é um país cujas forças armadas não tem a mínima condição de defender o País tomando por base os dados apresentados no artigo de Tiago Cordeiro, Qual é o poderio real das Forças Armadas brasileiras. Estamos equipados o bastante para enfrentar uma guerra?, disponível no website <https://super.abril.com.br/tecnologia/um-raio-x-das-nossas-forcas-armadas/>, publicado em 12 de agosto de 2020. Este artigo informa que o Brasil possui 16.886 quilômetros de fronteiras terrestres com dez dos 12 países da América do Sul e mais 7.367 quilômetros de litoral. A área total a ser coberta é de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão territorial. O Brasil nem se compara com as grandes potências militares. Os Estados Unidos, só para exemplificar, têm 19 vezes mais aviões, 15 vezes mais tanques e 3,7 vezes mais embarcações de guerra, além de ter forças espaciais e capacidade inigualável de desencadear guerra cibernética. Para um litoral gigantesco, é incrível o Brasil não ter nenhum porta-aviões porque acabou de dispensar o São Paulo, que dava tanto problema de manutenção que, em 18 anos de serviço, nunca ficou mais de três meses seguidos em operação. E tem apenas cinco submarinos com apenas dois em condições de uso. Só nos últimos dez anos, as Forças Armadas começaram a se interessar por drones de monitoramento. Só agora começou a substituir os fuzis que usava desde 1964. A artilharia antiaérea conta com armamentos com mais de 35 anos de uso. A falta de atualização dos equipamentos é tão grave quanto a inexistência de um programa efetivo de compra de munição em quantidade adequada. Em 2012, o general da reserva Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, afirmou que o País só tinha munição para uma hora de combate. Um documento da mesma época indicava que 92% dos meios de comunicação utilizados pelos militares estavam obsoletos.

Além das inúmeras fragilidades, os gastos militares do Brasil são na sua quase totalidade improdutivos haja vista que destina 80% do orçamento militar para gastos com pessoal (salários, aposentadoria, entre outros). Só para comparar, na França o percentual do gasto com pessoal correspondeu a 46% em 2016. Com o governo Bolsonaro, ocorreu o absurdo da proposta de Orçamento para 2021 aumentar as despesas das Forças Armadas em detrimento dos gastos com a Educação e a Saúde. Outros ministérios foram preteridos também em relação às Forças Armadas como Meio Ambiente (queda de 4,7%), Agricultura (redução de 1,7%) e Desenvolvimento Regional (menos 6%). A pasta de Ciência e Tecnologia, por sua vez, teve um redução grande da sua proposta de orçamento (queda de 25%) (SCHREIBER, Mariana.  Os gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa e que levarão a cortes em outras áreas em 2021.  Publicado em 31 agosto 2020 no website <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53969636>). Atitude racional na era contemporânea consistiria em reduzir drasticamente os gastos militares no Brasil para destinar esses recursos para outros fins mais produtivos qual seja ciência, tecnologia, educação, saúde, infraestrutura, meio ambiente, saneamento básico, habitação popular, combate ao tráfico de armas e de drogas e ao terrorismo, resgate e socorro no caso de desastres naturais, a assistência humanitária no combate à pandemia do novo Coronavirus e a reconstrução diante das calamidades.

Pelo exposto, fica demonstrado o imenso poder militar das grandes potências, o grande poder de potências de médio porte e a incapacidade de países como o Brasil para se defenderem e dissuadirem ameaças externas. Para o Brasil adquirir a capacidade de dissuadir as grandes potências teria que ser detentor de armas nucleares e ter capacidade para desencadear guerra espacial e cibernética que é difícil de ser implementada porque o País não dispõe de recursos para adquirir este poder. Trata-se de uma anomalia que precisa ser eliminada no Brasil, o País assumir gastos militares elevados como os atuais quando existem carências em setores importantes da vida nacional como educação, saúde, ciência e tecnologia, meio ambiente e economia nacional. Não tem sentido o País assumir gastos extremamente elevados para manter forças armadas inúteis e improdutivas como a do Brasil. A atitude racional seria o governo brasileiro reduzir drasticamente os gastos militares para destinar esses recursos aos setores mais necessitados do Brasil e, no futuro, deixar de possuir forças armadas. Para se defender de ameaças externas, o posicionamento correto do Brasil seria o de lutar pela paz e pelo desarmamento mundial com a constituição de um governo mundial representativo da vontade de todos os povos do mundo que teria como um dos seus papéis assegurar a paz mundial. Assegurada a paz mundial, as forças armadas de todos os países do mundo se tornariam desnecessárias.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

L’INUTILITÉ DES FORCES ARMÉES DE LA GRANDE MAJORITÉ DES PAYS DU MONDE DANS LA GUERRE MODERNE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que les grandes puissances ont acquis une telle puissance militaire qu’elle a rendu inutile l’existence des forces armées de la grande majorité des pays du monde. Dans le passé, la justification de l’existence des forces armées était que leur objectif était de défendre le pays et de dissuader les ennemis de l’attaquer. À l’époque contemporaine, la puissance militaire pour défendre et dissuader les ennemis d’attaquer le pays n’est efficace que dans le cas des grandes puissances parce qu’elles possèdent un immense arsenal d’armes nucléaires, possèdent une force spatiale axée sur la guerre spatiale et ont la capacité de déclencher une cyberguerre moderne et, dans le cas des puissances moyennes, parce qu’elles possèdent des armes nucléaires et ont la capacité de déclencher une cyberguerre moderne. Le point de vue traditionnel selon lequel chaque pays doit avoir ses forces armées pour défendre ses territoires et dissuader les menaces extérieures est devenu sans objet à l’époque contemporaine car la grande majorité des pays dans le monde ont des forces armées basées sur des structures obsolètes du passé et incapables face aux grandes et moyennes puissances militaires de la planète. Ce fait rend les dépenses militaires de presque tous les pays du monde improductives, ce qui rend inutile d’avoir leurs forces armées dont les dépenses devraient être utilisées dans des secteurs économiques plus pertinents pour le développement économique et social de nombreux pays.

A l’époque contemporaine, la puissance militaire des grandes puissances (Etats-Unis, Russie et Chine) est constituée par l’ensemble des organisations de défense et de combat composé de l’Armée, de la Marine, du Corps des Marines, de l’Armée de l’Air et de la Côte Guard, mais aussi pour la Force spatiale axée sur la guerre spatiale et la capacité de déclencher une cyber-guerre. La puissance militaire de chaque pays est exprimée par l’importance des dépenses militaires. Les États-Unis, la Chine et la Russie sont les plus grandes puissances militaires de la planète parce que leurs dépenses militaires sont bien supérieures à celles des autres pays du monde représentant 53% des dépenses mondiales totales. Article de Defesanet SIPRI – Gastos Militares Globais alcançaram U$ 1,9 Trilhão em 2019 (SIPRI – Les dépenses militaires mondiales ont atteint 1,9 billion de dollars américains en 2019), publié le 26 avril 2020, informe sur le site Web <https://www.defesanet.com.br/bid/noticia/36563/SIPRI—Gastos-Militares-Globais-alcancaram-U%24-1-9-Trilhao-em-2019/>  qui les dépenses militaires américaines ont totalisé 732 milliards de dollars américains en 2019, ce qui représentait 38 % des dépenses militaires mondiales. L’article du site Web Maiores e Melhores sous le titre Os 23 exércitos mais poderosos do mundo em 2021 (Les 23 armées les plus puissantes du monde en 2021), publié le 2 mars 2021 sur le site Web <https://www.maioresemelhores.com/exercitos-mais-poderosos-do-mundo/>, informe que les États-Unis, la Russie et la Chine sont aujourd’hui les pays dotés des armées les plus puissantes au monde. Ce classement est défini par Global Firepower, un portail analytique de 139 forces militaires à travers le monde basé sur des données telles que le nombre de soldats, de réservistes, d’armée de l’air, d’équipement, de budget militaire annuel, entre autres.

Les États-Unis sont le pays avec l’armée la plus puissante et la plus forte au monde car, en plus d’avoir la troisième armée en nombre de soldats actifs, c’est aussi le pays qui investit le plus dans les forces armées. Le pays investit 740 milliards de dollars dans l’armée, tandis que la Chine, deuxième pays le plus investisseur, dispose d’un budget de 178 milliards de dollars. Les États-Unis disposent également de la technologie la plus avancée en matière de combat et de défense. La Russie possède actuellement la deuxième force militaire la plus puissante au monde. Formée en 1992, après la dissolution de l’Union soviétique, l’armée russe a été l’une des plus fortement investies au cours des dernières décennies. La Russie est également l’un des rares pays à produire son propre équipement militaire, possédant le plus grand nombre de chars et de projecteurs de fusées parmi toutes les armées du monde. La Chine possède la plus grande armée du monde en termes de soldats actifs. Pas étonnant que ce soit le pays le plus peuplé du monde. Le pays est également le deuxième pays le plus financé dans les forces armées, derrière les États-Unis. Le grand développement de la Chine ces dernières années a conduit les experts à prévoir que l’armée chinoise deviendra encore plus forte dans les décennies à venir. La puissance militaire d’un pays s’appuie sur la puissance économique qu’il possède. Des trois grandes puissances, les États-Unis et la Chine ont une puissance militaire soutenue par la puissance économique de leurs économies, contrairement à la Russie qui a été affaiblie par la fin de l’Union soviétique. En héritant de la puissance militaire de l’ex-Union soviétique, même fragile la Russie maintient économiquement sa puissance militaire. L’article intitulé Maiores economias do mundo: 10 potências econômicas atuais (Les plus grandes économies du monde : 10 puissances économiques actuelles), publié le 2 mars 2021 sur le site Internet <https://www.maioresemelhores.com/maiores-economias-do-mundo/> informe que les deux principales puissances économiques actuelles sont les États-Unis et la Chine.

Actuellement, tout pays qui aspire à jouer un rôle pertinent dans le domaine militaire doit disposer d’armes nucléaires, d’une force spatiale axée sur la guerre spatiale, mais aussi de la capacité de développer la cyberguerre. La science et la technologie sont utilisées par les grandes puissances militaires pour fabriquer des armes modernes à utiliser dans les guerres terrestres et maritimes, la guerre spatiale et la cyberguerre. La guerre spatiale est liée à la nécessité de protéger les satellites utilisés pour la communication et la surveillance et à l’utilisation d’armes antisatellites “destructrices et non destructives” telles que les lasers de grande puissance, les missiles de défense et les armes à particules situées dans les stations spatiales en orbite de la Terre. La cyberguerre prend une importance fondamentale à l’époque contemporaine. Elle s’appuie sur les technologies de l’information et, à l’époque moderne, également sur les avancées apportées par l’intelligence artificielle.

La cyberguerre consiste essentiellement à utiliser des attaques numériques pour l’espionnage ou le sabotage contre les structures stratégiques ou tactiques d’un pays [MANOSKE – QUORA, Andy. O que todos devem saber sobre guerra cibernética (Ce que tout le monde doit savoir sur la cyberguerre). Disponible sur le site <https://gizmodo.uol.com.br/guia-guerra-cibernetica/>, 31 décembre 2014]. L’espionnage vise à voler des informations tactiques et stratégiques telles que des données sur les mouvements de troupes, les forces et les faiblesses du système militaire du pays, et toute autre information précieuse sur les ressources nécessaires à la guerre. En cas de sabotage, cela peut aller d’une simple action comme la suppression des serveurs d’un site Web gouvernemental à quelque chose d’extrêmement dangereux comme le lancement d’une ogive nucléaire. Le sabotage revient à “faire quelque chose” par opposition à l’espionnage, qui revient à “découvrir quelque chose”. Dans la cyberguerre, les pirates informatiques soutenus par l’État, qu’ils soient membres des forces militaires d’un pays ou financés par ce pays, attaquent les ordinateurs et les réseaux des pays adverses qui affectent les ressources nécessaires à la guerre. Ils font cela de la même manière que sur n’importe quel autre ordinateur ou système, c’est-à-dire qu’ils étudient le système à fond, découvrent ses défauts et utilisent ces défauts pour contrôler ce système ou le détruire.

Les pirates peuvent utiliser des informations confidentielles destinées à autrui (espionnage) pour prendre le dessus dans la bataille contre leur adversaire. Ils peuvent trouver la vitesse d’un missile pour qu’un autre missile puisse être construit ou qu’un avion puisse le dépasser. Ils peuvent découvrir où l’ennemi déplace ses troupes et planifier une embuscade comme celle contre le général iranien Soleimani qui a été assassiné par l’armée américaine le 3 janvier 2020 lors d’un bombardement à l’aéroport de Bagdad. Les pirates peuvent découvrir quels scientifiques sont importants dans la création d’armes et les attaquer directement, comme cela s’est produit avec l’assassinat du 27/11/2020 du scientifique iranien Mohsen Fakhrizadeh attribué à Israël, selon les informations publiées par US CNN. Mohsen Fakhrizadeh était le principal scientifique nucléaire iranien lorsqu’il a été abattu par balles sur une autoroute près de Téhéran. Lorsque le pays a le contrôle de ces systèmes, il est également possible de saboter les personnes et les structures. En découvrant comment les troupes communiquent, le pays accède au réseau afin de semer la confusion chez l’ennemi et d’envahir sa base. Il pourrait pirater vos systèmes/comptes et les frauder en usurpant l’identité de l’un d’entre eux. Ou Il pourrait utiliser ces informations pour les contrôler et faire chanter les gens sur quelque chose trouvé sur l’ordinateur ou kidnapper leurs familles en utilisant des informations privées.

Détruire les systèmes des pays ennemis a un résultat évident : cela détruit ce qui contrôle ce système, et par conséquent l’empêche de fonctionner. Un exemple courant de cyberguérilla est l’utilisation d’attaques pour désactiver les sites Web gouvernementaux et les médias sociaux. Cette tactique a été utilisée efficacement par les Russes pendant la guerre d’Ossétie du Sud en 2008, provoquant le chaos et diffusant de fausses informations à la population avant et pendant l’invasion russe. La cyberguerre cible tout secteur important pour l’infrastructure de l’ennemi, comme l’armée, la défense nationale et l’industrie militaire. Cependant, ces cibles peuvent également être des usines d’armement, des mines et d’autres manufactures qui aident au fonctionnement de ces usines et du système électrique, qui fournit de l’énergie à tous ces secteurs. Dans sa version la plus effrayante, la cyberguerre peut cibler la ressource stratégique la plus importante d’un pays qu’est sa population. Un hacker pourrait faire une attaque terroriste pour déstabiliser ou démotiver une population à combattre. Cela implique de déclencher une guerre financière avec des attaques contre les secteurs financiers, ce qui causerait des dommages économiques ou des attaques sur les systèmes de communication pour désactiver le réseau téléphonique et Internet.

La cyberguerre ne fait aucune distinction entre les cibles civiles et militaires. Bien qu’un missile fasse beaucoup de dégâts, une cyberattaque peut également faire des victimes et des morts parmi les civils. S’il y avait une attaque contre le système énergétique d’un pays et que le système était détruit par une cyberattaque, ce ne seraient pas seulement les usines d’armement qui cesseraient de fonctionner. Une telle attaque entraînerait également des accidents de la circulation, des interventions chirurgicales interrompues, des pannes de machines de survie lorsqu’un grand nombre de personnes pourraient mourir. Il est très difficile de découvrir l’auteur d’une cyberattaque ou les gouvernements qui financent ces attaques. Un aspect qui rend les armes numériques pires que les armes nucléaires est de découvrir qui a commis l’attaque. Il est très facile de cacher l’origine d’une telle attaque en masquant l’identification de l’auteur des attaques. Même si le gouvernement découvre à partir de quel ordinateur l’attaque a été menée, il est toujours difficile de savoir qui était la personne derrière l’écran, et il est encore plus difficile de savoir s’il était ou non un agent du gouvernement.

Clausewitz a déclaré que la guerre est un acte de violence visant à imposer la volonté d’un belligérant à son ennemi (CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. Editora Martins Fontes, 1986). Le chinois Sun Tzu ajoute que « le plus grand exploit militaire est de gagner sans combattre » : la ruse et la manipulation ont plus d’avantages que l’agressivité pour imposer sa volonté aux autres (SUN TZU. A arte da guerra. Editora Jardim dos Livros, 2007). La cyberguerre transforme radicalement les trois composantes historiques de la guerre: l’espionnage, le sabotage et la guerre de l’information, dans le sens noté par Sun Tzu. Il n’y a aucun doute sur l’utilisation de la cybercapacité pour obtenir un avantage politique, économique et militaire. Selon des rapports, les États-Unis, la Chine, la Russie, le Royaume-Uni, la France, l’Iran, la Corée du Nord, l’Inde, le Pakistan et Israël disposent de moyens de plus en plus sophistiqués pour obtenir des informations des gouvernements et des entreprises afin d’influencer la vie des gens et de détruire les infrastructures et les objectifs stratégiques de vos adversaires.

Le monde est entré dans une phase de guerre permanente : pas de front de bataille et pas de règles d’engagement. La cyberguerre est similaire à la guerre insurrectionnelle, avec à la différence de pouvoir planifier et exécuter l’action à distance, loin de l’ennemi. L’utilisation d’algorithmes d’intelligence artificielle multipliera l’impact des actions et créera de nouvelles vulnérabilités chez l’adversaire. Il sera plus difficile d’identifier ses auteurs, avec l´utilisation des robots pour autoriser la diffusion de fausses informations sur les réseaux sociaux ou en mettant à disposition en libre accès des algorithmes permettant d’inclure des personnes dans n’importe quelle vidéo et de mettre dans leur bouche ce qu’on veut. Il est possible que des opérations de cyberespionnage, de sabotage ou d’influence soient déjà en cours, commandées de manière totalement autonome, ne nécessitant que le feu vert de quelqu’un. La compréhension que la technologie 5G pourrait être exploitée pour espionner et saboter les infrastructures, les réseaux de communication et les centres financiers est devenue une nouvelle préoccupation et est à l’origine de l’interdiction d’acheter des produits Huawei chinois pour les réseaux publics 5G aux Etats-Unis. La nouvelle guerre froide entre les États-Unis et la Chine a commencé avec le commerce, mais devrait évoluer rapidement vers la technologie, où la Chine montre des signes d’avance sur les États-Unis dans les progrès de l’application de la prochaine génération 5G.

Le pouvoir nucléaire et la capacité de déclencher la cyberguerre et la guerre spatiale par les grandes puissances et le pouvoir nucléaire et le déclencher decléncher la cyberwar par les pouvoirs moyens font that les forces armées de la grande majorité des pays du monde deviennent inutiles car ils seraient incapables de faire face la puissance militaire des grandes puissances (États-Unis, Russie, Chine) et moyennes puissances militaires (Royaume-Uni, France, Inde, Corée du Nord, Pakistan et Israël). Cette situation devient assez évidente dans le cas des pays qui n’ont pas d’armes nucléaires et ne sont pas capables de lancer une guerre spatiale et cybernétique. Seuls des pays comme le Royaume-Uni, la France, l’Inde, la Corée du Nord, le Pakistan et Israël seraient en mesure de dissuader toute menace contre leurs pays car ils sont détenteurs d’armes nucléaires et ont la capacité de déclencher une cyberguerre. Ce n’est pas le cas au Brésil qui, en plus d’être économiquement et technologiquement dépendant du monde extérieur, dispose de forces armées incapables de faire face à une quelconque menace extérieure, notamment de la part des grandes puissances car il n’a pas d’armes nucléaires et n’a pas les capacité à déclencher une guerre spatiale et cybernétique.

Les faits de l’histoire récente démontrent l’incapacité des forces armées d’innombrables pays à faire face à la puissance militaire des grandes et moyennes puissances. En 1967, les forces armées israéliennes ont vaincu militairement l’Égypte, la Syrie, la Jordanie, l’Irak, le Koweït, la Libye, l’Arabie saoudite, l’Algérie et le Soudan en six jours qui a cherché à détruire l’État d’Israël. En 1982, lors de la guerre des Malouines, les forces armées argentines sont défaites par celles du Royaume-Uni en un mois et demi. En 2003, lors de la guerre en Irak, les États-Unis, le Royaume-Uni et une poignée de nations alliées ont lancé une lourde campagne de bombardements aériens contre les principales villes d’Irak, principalement Bagdad, et en moins d’un mois, ils ont vaincu l’armée irakienne et réussi à occuper le pays. En 2013, le gouvernement des États-Unis a annoncé son intention de bombarder la Syrie dans le but de renverser le président syrien Bashar Al-Assad, ce qui n’a pas eu lieu parce que la Syrie avait le soutien militaire de la Russie. Ces exemples démontrent que les pays qui n’ont pas de pouvoir dissuasif ne pourront éviter leur occupation par les grandes et moyennes puissances que s’ils s’allient à l’une des grandes puissances, comme ce fut le cas avec la Syrie.

Le Brésil est un pays dont les forces armées ne sont pas en état de défendre le pays compte tenu des données présentées dans l’article de Tiago Cordeiro, Qual é o poderio real das Forças Armadas brasileiras. Estamos equipados o bastante para enfrentar uma guerra? (Quelle est la vraie puissance des forces armées brésiliennes. Sommes-nous assez équipés pour faire la guerre?), disponible sur le site <https://super.abril.com.br/tecnologia/um-raio-x-das-nossas-forcas-armadas/>, publié le 12 août 2020. Cet article informe que le Brésil a 16 886 kilomètres de frontières terrestres avec dix des 12 pays d’Amérique du Sud et 7 367 kilomètres de côtes. La superficie totale à couvrir est de 8,5 millions de kilomètres carrés d’extension territoriale. Le Brésil n’est même pas comparable aux grandes puissances militaires. Les États-Unis, pour ne donner qu’un exemple, disposent de 19 fois plus d’avions, 15 fois plus de chars et 3,7 fois plus de navires de guerre, en plus de disposer de forces spatiales et d’une capacité inégalée à déclencher la cyberguerre. Pour un littoral gigantesque, c’est incroyable que le Brésil n’ait pas de porte-avions car il vient de se débarrasser du São Paulo, qui a causé tellement de problèmes de maintenance qu’en 18 ans de service, il n’a jamais passé plus de trois mois consécutifs en opération. Et il n’a que cinq sous-marins avec seulement deux en état d’utilisation. Rien qu’au cours des dix dernières années, les forces armées ont commencé à s’intéresser par drones de surveillance. Elle vient tout juste de commencer à remplacer les fusils qu’elle utilise depuis 1964. L’artillerie antiaérienne dispose d’un armement de plus de 35 ans d’utilisation. Le manque de mise à jour des équipements est aussi grave que l’inexistence d’un programme efficace d’achat de munitions en quantité suffisante. En 2012, le général à la retraite Maynard Marques de Santa Rosa, ancien secrétaire à la Politique, à la Stratégie et aux Affaires internationales au ministère de la Défense, a déclaré que le pays ne disposait de munitions que pour une heure de combat. Un document de la même période indiquait que 92% des moyens de communication utilisés par les militaires étaient obsolètes.

En plus des nombreuses faiblesses, les dépenses militaires au Brésil sont presque entièrement improductives, étant donné que 80% du budget militaire est alloué aux dépenses de personnel (salaires, retraite, entre autres). A titre de comparaison, en France le pourcentage des dépenses de personnel correspondait à 46% en 2016. Avec le gouvernement Bolsonaro, il y avait une absurdité de la proposition du budget 2021 d’augmenter les dépenses des Forces armées au détriment des dépenses d’Éducation et de Santé. D’autres ministères ont également été délaissés par rapport aux Armées comme l’Environnement (-4,7%), l’Agriculture (-1,7%) et le Développement régional (-6%). Le ministère de la Science et de la Technologie, à son tour, a connu une forte réduction de sa proposition de budget (en baisse de 25%) [SCHREIBER, Mariana. Os gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa e que levarão a cortes em outras áreas em 2021 (Les dépenses milliardaires que Bolsonaro propose pour la Défense et qui conduiront à des coupes dans d’autres domaines en 2021).   Publié le 31 décembre 2020 sur le site <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53969636>]. Une attitude rationnelle à l’époque contemporaine consisterait à réduire drastiquement les dépenses militaires au Brésil pour affecter ces ressources à d’autres objectifs plus productifs tels que la science, la technologie, l’éducation, la santé, les infrastructures, l’environnement, l’assainissement de base, le logement populaire, la lutte contre le trafic d’armes et de la drogue et du terrorisme, sauvetage et secours en cas de catastrophes naturelles, aide humanitaire dans la lutte contre la nouvelle pandémie de coronavirus et reconstruction face aux calamités.

Ce qui précède démontre l’immense puissance militaire des grandes puissances, la grande puissance des puissances moyennes et l’incapacité de pays comme le Brésil à se défendre et à dissuader les menaces extérieures. Pour que le Brésil acquière la capacité de dissuasion des grandes puissances, il faudrait qu’il détienne des armes nucléaires et ait la capacité de déclencher une guerre cyber et spatiale, ce qui est difficile à mettre en œuvre car le pays n’a pas les ressources pour acquérir cette puissance. Il s’agit d’une anomalie qui doit être éliminée au Brésil, pour que le pays assume des dépenses militaires élevées comme celles actuelles lorsqu’il y a des pénuries dans des secteurs importants de la vie nationale tels que l’éducation, la santé, la science et la technologie, l’environnement et l’économie nationale. Cela n’a aucun sens pour le pays d’assumer des dépenses extrêmement élevées pour maintenir des forces armées inutiles et improductives comme celle du Brésil. L’attitude rationnelle serait que le gouvernement brésilien réduise drastiquement les dépenses militaires pour allouer ces ressources aux secteurs les plus nécessiteux du Brésil et, à l’avenir, ne plus avoir de forces armées. Afin de se défendre des menaces extérieures, la position correcte du Brésil serait de lutter pour la paix mondiale et le désarmement avec la constitution d’un gouvernement mondial représentant la volonté de tous les peuples du monde, dont l’un des rôles serait d’assurer la paix mondiale. La paix mondiale assurée, les forces armées de tous les pays du monde deviendraient inutiles.

* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE UNNECESSITY OF THE ARMED FORCES OF THE GREAT MAJORITY OF COUNTRIES IN THE WORLD IN MODERN WAR

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the great powers have acquired such military power that it has rendered useless the existence of the armed forces of the vast majority of countries in the world. In the past, the rationale for the existence of the armed forces was that their purpose was to defend the country and deter enemies from attacking it. In the contemporary era, the military power to defend and deter enemies from attacking the country is only effective in the case of the great powers because they possess an immense arsenal of nuclear weapons, possess a space force focused on space warfare and have the ability to unleash modern cyber warfare and, in the case of the middle powers, because they possess nuclear weapons and have the capacity to unleash modern cyber warfare. The traditional view that each country must have its armed forces to defend its territories and to deter external threats has become irrelevant in the contemporary era because the vast majority of countries in the world have armed forces based on obsolete and incapable structures from the past to face the great and medium military powers of the planet. This fact makes the military expenditures of almost all countries in the world to become unproductive, making it unnecessary to have their armed forces whose expenses should be used in economic sectors more relevant to the economic and social development of many countries.

In the contemporary era, the military power of the great powers (United States, Russia and China) is constituted by the set of organizations for the defense and combat composed of the Army, Navy, Marine Corps, Air Force and Coast Guard, but also for the Space Force focused on space warfare and the ability to unleash cyber warfare. The military power of each country is expressed by the size of military expenditures. The United States, China and Russia are the greatest military powers on the planet because their military expenditures are far greater than those of other countries in the world representing 53% of total world spending. Defesanet article SIPRI – Gastos Militares Globais alcançaram U$ 1,9 Trilhão em 2019 (SIPRI – Global Military Spending reached U$ 1.9 Trillion in 2019, published on April 26, 2020, reports on the website <https://www.defesanet.com.br/bid/noticia/36563/SIPRI—Gastos-Militares-Globais-alcancaram-U%24-1-9-Trilhao-em-2019/> that US military spending totaled US$732 billion in 2019 which accounted for 38% of global military spending. The Maiores e Melhores website article under the title Os 23 exércitos mais poderosos do mundo em 2021 (The 23 Most Powerful Armies in the World in 2021), published on 2 March 2021 on the website <https://www.maioresemelhores.com/exercitos-mais-poderosos-do-mundo/>, informs that the United States, Russia and China are the countries with the most powerful armies in the world today. This ranking is defined by Global Firepower, an analytical portal of 139 military forces around the world based on data such as number of soldiers, reservists, air force, equipment, annual military budget, among others.

The United States is the country with the most powerful and strongest army in the world because, in addition to having the third largest army in terms of active soldiers, it is also the country that invests the most in the armed forces. The country invests US$740 billion in the army, while China, the second most investing country, has a budget of US$178 billion. The United States also has the most advanced technology for combat and defense. Russia currently has the second most powerful military force in the world. Formed in 1992, after the dissolution of the Soviet Union, the Russian army has been one of the most heavily invested in recent decades. Russia is also one of the few countries that produce its own military equipment, having the largest number of tanks and rocket projectors among all the armies in the world. China has the largest army in the world in terms of active soldiers. No wonder it is the most populous country in the world. The country is also the second most financed country in the armed forces, behind only the United States. China’s great development in recent years has led experts to project that the Chinese army will become even stronger in the coming decades. The military power of a country is supported by the economic power it possesses. Of the three great powers, the United States and China, have military power sustained by the economic power of their economies, unlike Russia, which weakened with the end of the Soviet Union. By inheriting the military power of the former Soviet Union, even economically fragile Russia maintains its military power. The article titled Maiores economias do mundo: 10 potências econômicas atuais (Largest economies in the world: 10 current economic powers), published on 2 March 2021 on the website <https://www.maioresemelhores.com/maiores-economias-do-mundo/> informs that the two main current economic powers are the United States and China.

Currently, any country that aspires to play a relevant role in the military area needs to have nuclear weapons, a space force focused on space warfare, but also the capacity to develop cyber warfare. Science and technology are used by major military powers to manufacture modern weapons for use in land and sea wars, space warfare and cyber warfare. Space warfare is related to the need to protect satellites used for communication and surveillance and the use of “destructive and non-destructive” anti-satellite weapons such as high-powered lasers, defense missiles and particle weapons located in space stations in Earth orbit. Cyber warfare is of fundamental importance in the contemporary era. It relies on information technology and, in modern times, also on the advances provided by artificial intelligence.

Cyber warfare basically consists in the use of digital attacks for the purpose of espionage or sabotage against a country’s strategic or tactical structures [MANOSKE – QUORA, Andy. O que todos devem saber sobre guerra cibernética (What everyone should know about cyber warfare). Available on the website <https://gizmodo.uol.com.br/guia-guerra-cibernetica/>, December 31, 2014]. Espionage aims to steal tactical and strategic information such as data on troop movements, the strengths and weaknesses of the country’s military system, and any other valuable information about resources needed for war. In sabotage, it can range from a simple action like taking down the servers of a government website to something extremely harmful like launching a nuclear warhead. Sabotage boils down to “doing something” as opposed to espionage, which boils down to “discovering something”. In cyber warfare, state-supported hackers, whether members of a country’s military forces, or funded by that country, attack computers and networks of opposing countries that affect resources needed for the war. They do this in the same way as any other computer or system, that is, they study the system deeply, discover its flaws and use those flaws to control that system or destroy it.

Hackers can use confidential information intended for others (espionage) to gain the upper hand in the battle against their opponent. They can find the speed of a missile so that another missile can be built or an airplane that can pass it. They can find out where the enemy is moving their troops and plan an ambush like the one against Iranian General Soleimani who was assassinated by the US Army on January 3, 2020 in a bombing raid at Baghdad airport. Hackers can find out which scientists are important in creating weapons and attack them directly as happened with the 11/27/2020 assassination of Iranian scientist Mohsen Fakhrizadeh attributed to Israel, according to information released by US CNN. Mohsen Fakhrizadeh was Iran’s top nuclear scientist when he was shot by bullets on a highway near Tehran. When the country has control of these systems, it is also possible to sabotage people and structures. By finding out how troops are communicating, the country gains access to the network so it can confuse the enemy and invade their base. It could hack into your systems/accounts and defraud them by impersonating one of them. Or you could use this information to control them and blackmail people over something found on the computer or kidnap their families using private information.

Destroying the systems of enemy countries has an obvious result: it destroys what controls that system, and consequently prevents it from functioning. A common example of cyberguerrilla is the use of attacks to disable government websites and social networks. This tactic was used effectively by the Russians during the South Ossetian War in 2008, causing chaos and spreading false information to the population before and during the Russian invasion. Cyber warfare targets any sector important to the enemy’s infrastructure, such as the army, national defense and military industry. However, these targets can also be weapons factories, mines and other manufactures that assist in the operation of these factories and the electrical system, which supplies energy to all these sectors. In its most frightening version, cyber warfare can target a country’s most important strategic resource, its population. A hacker could make a terrorist attack to destabilize or demotivate a population to fight. This implies triggering a financial war with attacks on the financial sectors, which would cause economic damage or attacks on communication systems to disable the telephone network and the internet.

Cyber warfare makes no distinction between civilian and military targets. Although a missile does a lot of damage, a cyber-attack can also result in civilian casualties and deaths. If there was an attack on any country’s energy system and the system was destroyed by a cyberattack, it would not only be the weapons factories that would cease to function. Such an attack would also result in traffic accidents, interrupted surgeries, failures in life support machines when large numbers of people could die. It is very difficult to discover the perpetrator of a cyberattack or the governments that fund these attacks. One aspect that makes digital weapons worse than nuclear weapons is finding out who made the attack. It is very easy to hide the origin of such an attack by masking the identification of the perpetrator of the attacks. Even if the government finds out which computer the attack was carried out from, it is still difficult to find out who the person behind the screen was, and it is even more difficult to know whether or not he was a government agent.

Clausewitz stated that war is an act of violence to impose the will of a belligerent on his enemy (CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra. Editora Martins Fontes, 1986). The Chinese Sun Tzu adds that “the greatest military feat is to win without fighting”: cunning and manipulation have more advantages than aggressiveness in imposing one’s will on others (SUN TZU. A arte da guerra.  Editora Jardim dos Livros, 2007). Cyber warfare radically transforms the three historical components of warfare: espionage, sabotage and information warfare, along the lines noted by Sun Tzu. There is no doubt about the use of cyber capability in order to gain political, economic and military advantage. According to reports, the United States, China, Russia, United Kingdom, France, Iran, North Korea, India, Pakistan and Israel have increasingly sophisticated ways to obtain information from governments and companies to influence people’s lives and destroy the infrastructure and strategic objectives of your opponents.

The world entered a phase of permanent war: no battlefront and no rules of engagement. Cyber warfare is similar to insurrectionary warfare, with the difference that you can plan and execute action from a distance, away from the enemy. The use of artificial intelligence algorithms will multiply the impact of actions and create new vulnerabilities in the adversary. It will be more difficult to identify its authors, by using robots to authorize the dissemination of false information on social networks or by making available with free access algorithms allowing people to be included in any video and putting in their mouth whatever one wants them to say it. It’s possible that cyber espionage, sabotage, or influence operations are already underway, commanded completely autonomously, requiring only someone’s go-ahead. The understanding that 5G technology could be exploited for spying and sabotage of infrastructure facilities, communication networks and financial centers has become a new concern and is at the root of the ban on the purchase of Chinese Huawei products for public or 5G networks in the United States. The new cold war between the United States and China started with trade, but is expected to move quickly to technology, where China shows signs of being ahead of the United States in the advances of the application of the next generation 5G.

Nuclear power and the ability to unleash cyber warfare and space warfare by the great powers and nuclear power and the ability to unleash cyber warfare by the middle powers make the armed forces of the vast majority of countries in the world irrelevant because would be unable to face the military might of the great and medium powers (United States, Russia, China) and medium military powers (United Kingdom, France, India, North Korea, Pakistan and Israel). This situation becomes quite evident in the case of countries that do not have nuclear weapons and are not capable of launching space and cyber warfare. Only countries like the UK, France, India, North Korea, Pakistan and Israel would be able to deter any threat against their countries because they are holders of nuclear weaponsand have the ability to unleash cyber warfare. This is not the case in Brazil, which, in addition to being economically and technologically dependent on the outside world, has armed forces incapable of facing any external threat, especially from the great powers because it does not have nuclear weapons and does not have the capacity to trigger space and cyber warfare.

Facts from recent history demonstrate the inability of the armed forces of countless countries to face the military might of the great and medium powers. In 1967, the Israeli armed forces militarily defeated Egypt, Syria, Jordan, Iraq, Kuwait, Libya, Saudi Arabia, Algeria and Sudan in six days, which sought to destroy the State of Israel. In 1982, in the Falklands War, Argentina’s armed forces were defeated by those of the United Kingdom in a month and a half. In 2003, in the Iraq war, the United States, the United Kingdom and a handful of allied nations, launched a heavy aerial bombing campaign against the main cities of Iraq, mainly Baghdad, and in less than a month they had overtaken the Iraqi army and managed to occupy the country. In 2013, the United States government announced its intention to bomb Syria with the aim of overthrowing Syrian President Bashar Al-Assad, which only did not happen because Syria had the military support of Russia. These examples demonstrate that countries that do not have deterrent power will only be able to avoid their occupation by the great and medium powers if they are allied with one of the great powers, as was the case with Syria.

Brazil is a country whose armed forces do not have the slightest condition to defend the country based on the data presented in the article by Tiago Cordeiro, Qual é o poderio real das Forças Armadas brasileiras. Estamos equipados o bastante para enfrentar uma guerra? (What is the real power of the Brazilian Armed Forces. Are we equipped enough to fight a war?), available on the website <https://super.abril.com.br/tecnologia/um-raio-x-das-nossas-forcas-armadas/>, published on August 12, 2020. This article informs that Brazil has 16,886 kilometers of land borders with ten of the 12 countries in South America and another 7,367 kilometers of coastline. The total area to be covered is 8.5 million square kilometers of territorial extension. Brazil doesn’t even compare with the great military powers. The United States, just to give an example, has 19 times as many planes, 15 times as many tanks and 3.7 times as many warships, in addition to having space forces and an unequaled capability to unleash cyber warfare. For a gigantic coastline, it’s incredible that Brazil doesn’t have any aircraft carriers because it just got rid of the São Paulo, which caused so much maintenance problems that, in 18 years of service, it never spent more than three consecutive months in operation. And it has only five submarines with only two in usable condition. Only in the last ten years, the Armed Forces began to take an interest in monitoring drones. It has only just begun to replace the rifles it has used since 1964. The anti-aircraft artillery has armaments with more than 35 years of use. The lack of updating of equipment is as serious as the inexistence of an effective program for the purchase of ammunition in adequate quantities. In 2012, retired general Maynard Marques de Santa Rosa, former secretary of Policy, Strategy and International Affairs at the Ministry of Defense, stated that the country only had ammunition for one hour of combat. A document from the same period indicated that 92% of the means of communication used by the military were obsolete.

In addition to the numerous weaknesses, military expenditures in Brazil are almost entirely unproductive, given that 80% of the military budget is allocated to personnel expenses (salaries, retirement, among others). Just for comparison, in France the percentage of expenditure on personnel corresponded to 46% in 2016. With the Bolsonaro government, the absurdity of the 2021 Budget proposal to increase the expenditure of the Armed Forces to the detriment of spending on Education and Health occurred. Other ministries were also passed over in relation to the Armed Forces such as the Environment (down 4.7%), Agriculture (down 1.7%) and Regional Development (down 6%). The Ministry of Science and Technology, in turn, had a large reduction in its budget proposal (down 25%) [SCHREIBER, Mariana. Os gastos bilionários que Bolsonaro propõe para a Defesa e que levarão a cortes em outras áreas em 2021 (The billionaire spending that Bolsonaro proposes for Defense and that will lead to cuts in other areas in 2021]. Published on August 31, 2020 on the website <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53969636>). A rational attitude in the contemporary era would consist of drastically reducing military spending in Brazil to allocate these resources to other, more productive purposes such as science, technology, education, health, infrastructure, environment, basic sanitation, popular housing, combating arms trafficking and of drugs and terrorism, rescue and relief in the event of natural disasters, humanitarian assistance in combating the new Coronavirus pandemic and reconstruction in the face of calamities.

The above demonstrates the immense military power of the great powers, the great power of medium-sized powers and the inability of countries like Brazil to defend themselves and deter external threats. For Brazil to acquire the capacity to deter the great powers, it would have to be a holder of nuclear weapons and have the capacity to trigger space and cyber warfare, which is difficult to implement because the country does not have the resources to acquire this power. This is an anomaly that needs to be eliminated in Brazil, for the country to assume high military expenditures like the current ones when there are shortages in important sectors of national life such as education, health, science and technology, the environment and the national economy. It makes no sense for the country to assume extremely high expenses to maintain useless and unproductive armed forces like Brazil’s. The rational attitude would be for the Brazilian government to drastically reduce military expenditures in order to allocate these resources to the most needy sectors in Brazil and, in the future, no longer have any armed forces. In order to defend itself from external threats, Brazil’s correct position would be to fight for world peace and disarmament with the constitution of a world government representing the will of all peoples in the world, one of whose roles would be to ensure world peace. Assured world peace, the armed forces of all countries in the world would become unnecessary.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).