FERNANDO ANTONIO GONÇALVES ALCOFORADO, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).
La cosmologie est la branche de l’astronomie qui étudie la structure et l’évolution de l’Univers dans son ensemble, en se préoccupant à la fois de son origine et de son évolution. Cet article vise à présenter les avancées scientifiques qui doivent être faites en cosmologie pour contribuer à l’adoption de solutions technologiques pour protéger l’humanité des menaces à son extinction provenant de l’espace extra-atmosphérique. L’avenir de l’humanité dépend du succès obtenu dans l’avancement des connaissances sur l’Univers, en particulier 10 problèmes cosmologiques majeurs qui doivent être clarifiés afin que l’humanité puisse, avec des connaissances scientifiques, adopter des mesures pour se protéger des menaces à sa survie et rechercher des emplacements dans ou en dehors du système solaire qui pourrait être habitable par les humains.
Les 10 principales questions cosmologiques sont les suivantes: 1) Connaissance du «nuage d’Oort» et de la «ceinture de Kuiper» situés aux limites du système solaire où se trouvent les comètes; 2) Preuve de l’existence de Nemesis, une étoile naine brune, qui constituerait avec le Soleil une étoile binaire qui pourrait projeter des astéroïdes et des comètes situés dans le “nuage d’Oort” vers la Terre par son action gravitationnelle; 3) Détection d’ondes gravitationnelles visant le développement de l’astronomie d’observation pour sonder les premiers instants de l’Univers; 4) La nature de la matière noire et de l’énergie noire pour comprendre l’Univers; 5) Menaces sur la planète Terre dues à la collision de corps célestes et à l’émission de rayons cosmiques 6) Lieux habitables alternatifs possibles pour les humains à l’intérieur et à l’extérieur du système solaire; 7) La taille de l’Univers pour déterminer s’il est fini ou infini et sa forme pour déterminer s’il est plat ou sphérique; 8) Le destin de notre Univers si ce sera la contraction commençant un nouvel Univers, l’expansion avec sa mort thermique, la fin de l’Univers comme un endroit froid, sombre et vide ou une expansion illimitée jusqu’à sa désintégration; 9) L’existence ou non d’univers parallèles; et, 10) Le développement de la théorie ou théorie finale de tout, c’est-à-dire de la théorie du champ unifié pour expliquer et relier dans une seule structure théorique, tous les phénomènes physiques réunissant la physique quantique et la théorie de la relativité générale en un seul traitement théorique et mathématique.
Les 10 principaux problèmes cosmologiques présentés dans cet article doivent être élucidés sans tarder. Le succès de l’élucidation de ces questions cosmologiques fournira les conditions pour connaître l’Univers et, par conséquent, favorisera l’avancée technologique indispensable à l’adoption de stratégies visant la survie de l’humanité en tant qu’espèce.
* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Cosmology is the branch of astronomy that studies the structure and evolution of the Universe as a whole, worrying both about its origin and its evolution. This article aims to present the scientific advances that need to be made in cosmology to contribute to the adoption of technological solutions to protect humanity from threats to its extinction coming from outer space. The future of humanity depends on the success achieved in advancing knowledge about the Universe, especially 10 major cosmological issues that need to be clarified so that humanity can, with scientific knowledge, adopt measures to protect itself from threats to its survival and seek locations in or outside the solar system that could be habitable by humans.
The 10 main cosmological questions are as follows: 1) Knowledge about the “Oort Cloud” and the “Kuiper Belt” located at the limits of the solar system where the comets are located; 2) Evidence of the existence of Nemesis, a brown dwarf star, which would constitute with the Sun a binary star that could launch by its gravitational action asteroids and comets located in the “Oort cloud” towards Earth; 3) Detection of gravitational waves aiming at the development of observational astronomy to probe the first moments of the Universe; 4) The nature of dark matter and dark energy to understand the Universe; 5) Threats on planet Earth from the collision of celestial bodies and cosmic rays emission; 6) Possible alternative habitable places for humans in and outside the solar system; 7) The size of the Universe to determine whether it is finite or infinite and its shape to determine whether it is flat or spherical; 8) The fate of our Universe whether there will be contraction starting a new Universe, expansion with its thermal death, the end of the Universe as a cold, dark and empty place or unlimited expansion until its disintegration; 9) The existence or not of parallel universes; and, 10) The development of the final theory or theory of everything, that is, of the unified field theory to explain and connect in a single theoretical structure, all physical phenomena joining quantum physics and the theory of general relativity in a single treatment theoretical and mathematical.
The top 10 cosmological issues presented in this article need to be elucidated without delay. The success in elucidating these cosmological issues will provide the conditions to get to know the Universe and, consequently, promote the technological advancement essential to the adoption of strategies aimed at the survival of humanity as a species.
* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Cosmologia é o ramo da astronomia que estuda a estrutura e a evolução do Universo em seu todo, preocupando-se tanto com a sua origem quanto com sua evolução. Este artigo tem o objetivo de apresentar os avanços científicos que precisam ser realizados em cosmologia para contribuir na adoção de soluções tecnológicas para proteger a humanidade de ameaças à sua extinção vindas do espaço sideral. O futuro da humanidade depende do sucesso que se alcance no avanço do conhecimento sobre o Universo, especialmente de 10 principais questões cosmológicas que precisam ser elucidadas para que a humanidade possa, com o conhecimento científico adotar medidas para se proteger das ameaças à sua sobrevivência e buscar locais no sistema solar ou fora dele com possibilidade de serem habitáveis pelos seres humanos.
As 10 principais questões cosmológicas são as seguintes: 1) Conhecimento sobre a “Nuvem de Oort” e o “Cinturão de Kuiper” situados nos limites do sistema solar onde se localizam os cometas; 2) Comprovação da existência de Nêmesis, uma estrela anã marrom, que constituiria com o Sol uma estrela binária que poderia arremessar por sua ação gravitacional asteroides e cometas situados na “nuvem de Oort” em direção à Terra; 3) Detecção de ondas gravitacionais visando o desenvolvimento da astronomia observacional para sondar os primeiros momentos do Universo; 4 A natureza da matéria escura e da energia escura para compreender o Universo; 5) Ameaças sobre o planeta Terra da colisão de corpos celestes e emissão de raios cósmicos; 6) Possíveis locais alternativos habitáveis para seres humanos no sistema solar e fora dele; 7) O tamanho do Universo para determinar se ele é finito ou infinito e sua forma para determinar se ele é plano ou esférico;8) O destino de nosso Universo se haverá contração iniciando novo Universo, expansão com sua morte térmica, o fim do Universo como um lugar frio, escuro e vazio ou expansão ilimitada até sua desintegração; 9) A existência ou não de universos paralelos; e, 10) O desenvolvimento da teoria final ou teoria de tudo, isto é, da teoria do campo unificado para explicar e conectar em uma só estrutura teórica, todos os fenômenos físicos juntando a física quântica e a teoria da relatividade geral em um único tratamento teórico e matemático.
As 10 principais questões cosmológicas apresentadas neste artigo precisam ser elucidadas sem demora. O sucesso na elucidação dessas questões cosmológicas proporcionará as condições para conhecer o Universo e, em consequência, promover o avanço tecnológico imprescindível à adoção de estratégias visando a sobrevivência da humanidade como espécie.
* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade urgente de celebração da paz entre Israel e Palestina para evitar a escalada da guerra civil em Israel entre judeus e muçulmanos, de uma guerra regional entre Israel e Irã e outros países árabes e, até mesmo, de uma nova guerra mundial envolvendo as grandes potências. Os acontecimentos atuaisem que os palestinos da Faixa de Gaza lançam foguetes sobre cidades israelenses e Israel revida lançando bombas e foguetes sobre a Faixa de Gaza, que podem evoluir para sua ocupação pelo Exército israelense e o massacre da população em Gaza, precisam ser paralisados. Diferentemente dos conflitos passados, o conflito atual está contribuindo, também, para a eclosão de uma guerra civil em Israel envolvendo judeus e árabes israelenses. A paz precisa ser celebrada entre palestinos e israelenses para cessar a violência entre os dois povos irmãos e acabar o banho de sangue que ocorre na região desde o fim da 1ª Guerra mundial em 1918.
Para melhor compreender o conflito Israel- Palestina convém conhecer sua história a partir do II milênio a. C. Nesta época, a Palestina esteve organizada em cidades-estado sob a hegemonia egípcia durante boa parte do II milênio a. C. Nos últimos séculos desse milênio chegaram à Palestina sucessivas ondas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo que eram conhecidos como Filisteus que se estabeleceram, sobretudo no sudoeste (costa oeste do Neguev e Chefela), onde fundaram vários pequenos reinos (Gaza, Asdod, Ascalão, Gat e Ekron). Paralelamente aos reinos filisteus, constituíram-se o reino de Israel no norte da Palestina e depois o reino de Judá na zona de baixas montanhas do sul. Entre os antigos povos da Palestina, os Filisteus foram os que maior influência exerceram até aos últimos séculos da era pré-cristã. Não foi por acaso que foi dado o nome de Palestina a toda a região, isto é, o país dos Filisteus.
Os vários reinos palestinos, filisteus e de Israel, coexistiram durante séculos. Em alguns momentos guerrearam entre si, em outros momentos se aliaram para combater o jugo de alguma grande potência da época. A primeira vítima desse jogo foi Israel, conquistado e anexado pela Assíria em 722 a. C. Desde então até 1948 não houve nenhuma entidade política chamada Israel. O judaísmo sempre conservou a esperança de que um dia todo o povo judeu disperso regressaria ao que chamava de “a Terra de Israel”. Os judeus se defrontaram na sua história com várias diásporas que dizem respeito a diversas expulsões forçadas pelo mundo e consequente formação das comunidades judaicas fora do que hoje é conhecido como Israel. De modo geral, se atribui o início da primeira diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II, imperador da Babilônia (situada na antiga Mesopotâmia, situada a cerca de 85 km ao sul de Bagdá no Iraque), invadiu o Reino de Judá, destruindo Jerusalém e o Templo Judáico, além de deportar os judeus para a Mesopotâmia.
No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor, África e sul da Europa. Com o domínio do Império Romano sobre a Judeia, a maior parte dos judeus que lá viviam emigrou para a Babilônia, que se tornou o maior centro comunitário judaico no mundo até o século XI. Com o triunfo das ideologias nacionalistas na Europa e da ideia de criação do estado nacional, surgiu no século XIX entre os judeus da Europa central e oriental um movimento nacionalista cujo objetivo era a criação de um estado dos judeus, sendo este considerado como o único meio de assegurar a identidade e a sobrevivência da nação judaica, assim como de lhe garantir um lugar ao sol entre as demais nações. O nacionalismo judaico tomou o nome de sionismo, palavra que deriva de Sião, um dos nomes de Jerusalém na Bíblia. Inicialmente de caráter religioso, o sionismo pregava a volta dos judeus à “Terra de Israel”.
Contrariamente à formação de Israel da utopia religiosa, o estado projetado pelos nacionalistas judeus nesta época não tinha necessariamente a Palestina por cenário. Os nacionalistas judaicos não tardaram a optar pela Palestina. Essa escolha era natural e bastante mobilizadora, por causa da ligação do judaísmo à Palestina e da atração que ela exerce mesmo sobre muitos judeus que não são religiosos ou originários desta região. A Primeira Guerra Mundial teve consequências trágicas para a Palestina. A derrota da Turquia (Império Otomano), aliada da Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que exercia a dominação sobre a Palestina, teve consequências decisivas para o futuro desta região. Após o conflito mundial, foi criado, pelo artigo 22 do Pacto da Liga das Nações a 28 de Junho de 1919, o sistema dos Mandatos que se destinava a determinar o estatuto das colônias e dos territórios que se encontravam sob o domínio das nações vencidas. O Mandato Britânico que incluía a Palestina foi aprovado pelo Conselho da Liga das Nações a 24 de Julho de 1922 (Figura 1).
Figura 1- Mandato Britânico para a Palestina e Transjordânia
O Mandato para a Palestina deixou de considerar como objetivo levar à plena independência a população que então a habitava, isto é, a população palestina. Ao invés disso, promoveu a criação de um lar nacional judaico, isto é, a criação de um estado judaico com gente que, na sua maioria esmagadora, estava ainda espalhada pelo mundo e, por conseguinte, deveria ser trazida de fora. A Grã-Bretanha, potência hegemônica na época, prometeu à Federação Sionista que faria todo o possível para o estabelecimento de “um lar nacional para o povo judaico” na Palestina com a chamada Declaração Balfour. O território que os sionistas pretendiam nele estabelecer o seu estado era bastante mais vasto do que a Palestina. Abarcava toda a parte oeste da Transjordânia, o planalto do Golã e a parte do Líbano ao sul de Sidão. O obstáculo que impediu o processo da independência da Palestina foi, portanto, o privilégio dado aos judeus para a criação do “lar nacional para o povo judaico” nesta região.
Os palestinos viram no patrocínio que deram primeiro a Grã-Bretanha e depois a Liga das Nações ao projeto sionista de criação do lar nacional judaico na Palestina a negação do seu direito à independência. Os palestinos se sentiram espoliados. Naturalmente, os palestinos se opuseram ao projeto da criação do lar nacional judaico na Palestina desde o primeiro instante – logo que tiveram conhecimento da Declaração Balfour e tentaram, por todos os meios, impedir a sua realização, pois temiam que dela resultasse a sua submissão, não só política, mas também, econômica aos judeus, passando assim do domínio turco para o domínio judaico, com um intervalo de dominação britânica. Os palestinos apresentaram protestos contra a Declaração Balfour à Conferência de Paz de Paris e ao Governo Britânico. A primeira manifestação popular contra o projeto sionista teve lugar a 2 de Novembro de 1918, primeiro aniversário da Declaração Balfour. Essa manifestação foi pacífica, mas a resistência palestina logo se tornou violenta, expressando-se em ataques contra os judeus que degeneravam em confrontos sangrentos.
De modo geral, as erupções de violência eram cada vez mais graves à medida que o Mandato se prolongava e a colonização judaica na Palestina se estendia e fortalecia. Os acontecimentos se desenrolavam segundo uma sequência que se tornou habitual. A resistência palestina aconteceu, também, na revolta de 1936-1939. Em abril de 1936, distúrbios locais entre árabes e judeus degeneraram numa revolta generalizada dos palestinos. A revolta já não se opunha apenas à colonização judaica. Dirigia-se, sobretudo contra as autoridades britânicas, o poder estrangeiro, de quem os palestinos exigiam a constituição de um governo nacional. Tendo chegado à conclusão de que os palestinos não renunciariam à independência, os britânicos encararam em 1937 a hipótese de dividir a Palestina em dois estados, um árabe e o outro judaico. Essa solução foi rejeitada pelas duas partes. Os judeus, que viam nesse plano um desvio da política oficial não só britânica, mas também internacional, não aceitavam a ideia de criar o estado judaico só numa parte da Palestina, o que aparentemente significaria renunciar à reivindicação da totalidade da região. Os palestinos, por sua vez, não renunciavam a seu território. Esta divergência se mantém até os dias de hoje.
É importante observar que o conflito entre Israel e Palestina teve início no século XIX, quando judeus sionistas expressaram o desejo de criar um Estado moderno em sua terra ancestral e começaram a criar assentamentos na região, na época ainda controlada pelo Império Otomano. Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam sua parte da terra com base na história, na religião e na cultura. As grandes potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial decidiram o destino da Palestina a favor dos judeus, servindo-se para isso da Liga das Nações, configurando, desta forma, a prepotência que sempre caracterizaram as relações internacionais ao longo da história. Os palestinos viram no patrocínio que deram primeiro a Grã-Bretanha e depois a Liga das Nações ao projeto sionista de criação do lar nacional judaico na Palestina a negação do seu direito à independência.
Desde então, houve muita violência e controvérsia em torno da questão, assim como vários processos de negociações de paz durante o século XX. O Estado de Israel foi fundado em 1948, após o Plano de Partilha elaborado pela ONU, que dividiu a região, então sob domínio britânico, em Estados árabes e judeus (Figura 2). Como resultado desta partilha, os territórios ocupados por Israel no fim da Segunda Guerra Mundial constituíam cerca de 78% da Palestina. Tornaram-se, de fato, o território do Estado de Israel. Com a formação do Estado de Israel, em maio de 1948, houve a ocupação da Palestina pelos judeus quando muitos deslocados de guerra e refugiados judeus da 2ª Guerra Mundial migraram para o novo estado soberano. Ficaram fora de Israel a cadeia de baixas montanhas do centro e do sul da Palestina, a chamada Cisjordânia, assim como a Faixa de Gaza. Jerusalém ficou dividida: a parte oeste da cidade extramuros ficou do lado de Israel; a cidade antiga e o bairro extramuros a norte ficaram do lado palestino.
Os palestinos reivindicam estabelecer um Estado Palestino soberano e independente. Grande parte dos palestinos aceita as regiões da Cisjordânia e da faixa de Gaza como território para um futuro Estado palestino. Muitos israelenses também aceitam essa solução. Uma discussão em torno dessa solução ocorreu durante os Acordos de Oslo, assinados em setembro de 1993 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que permitiu a formação da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Apesar da devolução da faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia para o controle palestino, um acordo final ainda precisava ser estabelecido. Para isso, seria preciso resolver os principais pontos de discórdia, que são a disputa sobre Jerusalém, o destino de refugiados palestinos e o fim de assentamentos judeus na Cisjordânia. Apesar de vários outros acordos e planos de paz, como os de Camp David e das negociações do chamado Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU), a situação ainda se encontra em um impasse.
Um fato é evidente: a história de Israel tem girado em torno de conflitos com palestinos e nações árabes vizinhas que vêm sendo sacudidos por guerras e confrontos entre judeus e árabes que não concordam com a divisão territorial das antigas terras palestinas como o que se estabelece no momento atual. Desde a criação do Estado de Israel, o conflito que o opõe aos palestinos tem sido o epicentro de um conflito entre Israel e o conjunto dos países árabes, com fortes repercussões mundiais. Houve guerras com o Egito, a Jordânia, a Síria e o Líbano, mas sem que a tensão na região diminuísse. Durante este período, Israel ocupou a península do Sinai, a Cisjordânia, a faixa de Gaza, as Colinas de Golã e o sul do Líbano depois da Guerra dos Seis Dias contra o Egito, a Síria e a Jordânia em 1967 (Figura 3).
Figura 3- Conquistas israelenses na Guerra dos Seis Dias (1967)
A Figura 4 a seguir mostra que a evolução do conflito entre judeus e palestinos fez com que Israel conquistasse progressivamente o território da Palestina de 1947 até o momento atual. Esta situação não pode continuar porque é geradora de conflito permanente entre judeus e palestinos. O mapa da Palestina tem se modificado ao longo dos anos com o avanço de Israel sobre território palestino. Dificilmente a paz entre judeus e palestinos poderá ser celebrada mantidas essas condições.
Figura 4- O avanço de Israel sobre o território palestino
Pode-se afirmar que só há uma solução para o conflito entre Palestina e Israel: de um lado, Israel precisa aceitar a constituição do Estado palestino, buscar uma solução justa e negociada sobre Jerusalém e sobre o destino de refugiados palestinos e acabar com os assentamentos judeus na Cisjordânia e, de outro, os palestinos precisam reconhecer o Estado de Israel porque nem palestinos nem israelenses podem impor sua vontade um ao outro. Nem os sionistas nem os grupos extremistas palestinos terão condições de impor sua vontade pela força das armas na Palestina. A tese de Clausewitz, grande estrategista militar, não se aplica ao conflito Israel- Palestina porque nem Israel pode aniquilar os palestinos, nem vice-versa. Só há uma solução para o conflito na região: os judeus e palestinos celebrarem a paz e a conciliação.
A construção da paz só poderá acontecer se o povo judeu em Israel e no mundo inteiro, bem como os palestinos repelirem politicamente os extremistas que exercem o poder em seus territórios e constituírem governos que busquem a conciliação entre os povos judeu e palestino. Esta seria a forma de evitar a continuidade do conflito Israel- Palestina que já está se desdobrando em uma guerra civil em Israel e poderá evoluir para uma guerra regional envolvendo todos os países da região. A passagem de uma guerra regional para um conflito global pode também acontecer com o envolvimento das grandes potências militares com os Estados Unidos ao lado de Israel e Rússia e China ao lado dos palestinos. Precisamos evitar que o conflito Israel- Palestina se transforme no epicentro de uma nova Guerra Mundial. Só a paz entre palestinos e judeus, evitará o pior para seus povos e para a humanidade.
REFERÊNCIAS
BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.
BREGMAN, Ahron. A History of Israel. Palgrave Macmillan. 2002.
COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ. A Palestina. CNIR/ FNIRF, Portugal. 2002.
FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.
GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.
* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
This article aims to demonstrate the urgent need for the celebration of peace between Israel and Palestine to prevent the escalation of civil war in Israel between Jews and Muslims, of a regional war between Israel and Iran and other Arab countries and even of a new world war involving the great powers. Current events in which Palestinians in the Gaza Strip launch rockets over Israeli cities and Israel retaliates by dropping bombs and rockets over the Gaza Strip, that could evolve into their occupation by the Israeli Army and the massacre of the population in Gaza, need to be stopped. Unlike past conflicts, the current conflict is also contributing to the outbreak of a civil war in Israel involving Israeli Jews and Arabs. Peace must be celebrated between Palestinians and Israelis in order to end the violence between the two sister peoples and end the bloodbath that has occurred in the region since the end of the First World War in 1918.
In order to better understand the Israel-Palestine conflict, it is important to know its history from the second millennium on. C. At this time, Palestine was organized in city-states under Egyptian hegemony for much of the second millennium a. C. In the last centuries of this millennium successive waves of immigrants or invaders arrived from Palestine from the north and northwest, from the islands or from the other side of the Mediterranean that were known as Philistines who settled, mainly in the southwest (west coast of the Negev and Chefela ), where they founded several small kingdoms (Gaza, Asdod, Ascalão, Gat and Ekron). Parallel to the Philistine kingdoms, the kingdom of Israel was established in northern Palestine and then the kingdom of Judah in the area of low mountains in the south. Among the ancient peoples of Palestine, the Philistines were the ones who had the greatest influence until the last centuries of the pre-Christian era. It was not by chance that the region was given the name Palestine, that is, the country of the Philistines.
The various Palestinian, Philistine and Israeli kingdoms have coexisted for centuries. In some moments they fought each other, in other moments they allied themselves to fight against the yoke of some great power of the time. The first victim of this game was Israel, conquered and annexed by Assyria in 722 BC. From then until 1948, there was no political entity called Israel. Judaism has always maintained the hope that one day all the scattered Jewish people would return to what it called “the Land of Israel”. In its history, Jews have faced several Diasporas that concern various forced expulsions around the world and the consequent formation of Jewish communities outside what is now known as Israel. In general, the beginning of the first Jewish diaspora is attributed to the year 586 BC, when Nebuchadnezzar II, emperor of Babylon (located in ancient Mesopotamia, located about 85 km south of Baghdad in Iraq), invaded the Kingdom of Judah, destroying Jerusalem and the Jewish Temple, as well as deporting Jews to Mesopotamia.
In the first century, the Romans invaded Palestine and destroyed the temple in Jerusalem. In the following century, they destroyed the city of Jerusalem, provoking the second Jewish diaspora by making Jews go to other countries in Asia Minor, Africa and southern Europe. With the Roman Empire dominating Judea, most of the Jews who lived there emigrated to Babylon, which became the largest Jewish community center in the world until the 11th century. With the triumph of nationalist ideologies in Europe and the idea of creating the national state, a nationalist movement arose in the 19th century among the Jews of central and eastern Europe, the objective of which was the creation of a state of the Jews, which was considered as the only means to ensure the identity and survival of the Jewish nation, as well as to guarantee a place among the other nations. Jewish nationalism took the name of Zionism, a word that derives from Zion, one of the names of Jerusalem in the Bible. Initially of a religious character, Zionism preached the return of the Jews to the “Land of Israel”.
Contrary to the formation of Israel of religious utopia, the state designed by Jewish nationalists at this time did not necessarily have Palestine as a scenario. Jewish nationalists were quick to choose Palestine. This choice was natural and quite mobilizing, because of the connection of Judaism to Palestine and the attraction it exerts even on many Jews who are not religious or originally from this region. The First World War had tragic consequences for Palestine. The defeat of Turkey (Ottoman Empire), an ally of Germany defeated in the First World War (1914-1918), which exercised domination over Palestine, had decisive consequences for the future of this region. After the world conflict, Article 22 of the Pact of the League of Nations was created on June 28, 1919, the system of Mandates that was intended to determine the status of the colonies and territories that were under the domination of the vanquished nations. The British Mandate that included Palestine was approved by the League of Nations Council on July 24, 1922 (Figure 1).
Figure 1- British Mandate for Palestine and Transjordan
The Mandate for Palestine ceased to consider as an objective to bring full independence to the population that then inhabited it, that is, the Palestinian population. Instead, it promoted the creation of a Jewish national home, that is, the creation of a Jewish state with people who, for the most part, were still spread out across the world and, therefore, should be brought in from outside. Britain, a hegemonic power at the time, promised the Zionist Federation that it would do everything possible to establish “a national home for the Jewish people” in Palestine with the so-called Balfour Declaration. The territory that the Zionists intended to establish their state in it was vastly wider than Palestine. It encompassed the entire western part of Transjordan, the Golan Heights and the part of Lebanon south of Sidão. The obstacle that prevented the Palestinian independence process was, therefore, the privilege given to the Jews for the creation of the “national home for the Jewish people” in this region.
The Palestinians saw in the sponsorship, that they first gave Britain and then the League of Nations to the Zionist project to create a Jewish national home in Palestine, the denial of their right to independence. The Palestinians felt despoiled. Naturally, the Palestinians were opposed to the project to create a Jewish national home in Palestine from the first moment – as soon as they learned of the Balfour Declaration and tried, by all means, to prevent its realization, because they feared that it would result in its submission, not only political, but also economic for Jews, thus moving from Turkish to Jewish rule, with an interval of British domination. Palestinians protested the Balfour Declaration to the Paris Peace Conference and the British Government. The first popular demonstration against the Zionist project took place on 2 November 1918, the first anniversary of the Balfour Declaration. This demonstration was peaceful, but the Palestinian Resistance soon became violent, expressing itself in attacks against Jews that degenerated into bloody confrontations.
In general, the outbreaks of violence were increasingly severe as the Mandate extended and Jewish colonization in Palestine extended and strengthened. The events unfolded in a sequence that became habitual. Palestinian resistance also occurred in the 1936-1939 uprising. In April 1936, local disturbances between Arabs and Jews degenerated into a generalized revolt by the Palestinians. The revolt was no longer just opposed to Jewish colonization. It was directed, above all against the British authorities, at foreign power, from whom the Palestinians demanded the constitution of a national government. Having come to the conclusion that the Palestinians would not renounce independence, the British faced in 1937 the possibility of dividing Palestine into two states, one Arab and the other Jewish. This solution was rejected by both parties. The Jews, who saw in this plan a deviation from official policy, not only British but also international, did not accept the idea of creating the Jewish state only in a part of Palestine, which apparently would mean renouncing the claim of the entire region. The Palestinians, for their part, did not renounce their territory. This divergence continues to this day.
It is important to note that the conflict between Israel and Palestine began in the 19th century, when Zionist Jews expressed their desire to create a modern state in their ancestral land and began to create settlements in the region, at the time still controlled by the Ottoman Empire. Both Israelis and Palestinians claim their share of the land based on history, religion and culture. The great winning powers of the First World War decided the fate of Palestine in favor of the Jews, making use of the League of Nations, thus configuring the arrogance that has always characterized international relations throughout history. The Palestinians saw in the sponsorship that they first gave Britain and then the League of Nations to the Zionist project to create a Jewish national home in Palestine the denial of their right to independence.
Since then, there has been a lot of violence and controversy around the issue, as well as several processes of peace negotiations during the 20th century. The State of Israel was founded in 1948, after the Sharing Plan prepared by the UN, which divided the region, then under British rule, into Arab and Jewish states (Figure 2). As a result of this sharing, the territories occupied by Israel at the end of World War II constituted about 78% of Palestine. They became, in fact, the territory of the State of Israel. With the formation of the State of Israel, in May 1948, there was the occupation of Palestine by the Jews when many displaced persons and Jewish refugees from World War II migrated to the new sovereign state. The low mountain range of central and southern Palestine, the so-called West Bank, as well as the Gaza Strip stayed outside Israel. Jerusalem was divided: the western part of the city outside the walls was on the side of Israel; the old city and the extramural neighborhood to the north were on the Palestinian side.
Palestinians claim to establish a sovereign and independent Palestinian state. Most Palestinians accept the West Bank and Gaza Strip regions as a territory for a future Palestinian state. Many Israelis also accept this solution. A discussion around this solution occurred during the Oslo Accords, signed in September 1993 between Israel and the Palestinian Liberation Organization (PLO), which allowed the formation of the ANP (Palestinian National Authority). Despite the return of the Gaza Strip and parts of the West Bank to Palestinian control, a final agreement has yet to be reached. For that, it would be necessary to resolve the main points of contention, which are the dispute over Jerusalem, the fate of Palestinian refugees and the end of Jewish settlements in the West Bank. Despite several other peace agreements and plans, such as those of Camp David and the negotiations of the so-called Quartet for the Middle East (United States, European Union, Russia and UN), the situation is still at an impasse.
One fact is evident: Israel’s history has revolved around conflicts with Palestinians and neighboring Arab nations that have been shaken by wars and confrontations between Jews and Arabs who do not agree with the territorial division of the old Palestinian lands as established in the current moment. Since the creation of the State of Israel, the conflict that opposes it to the Palestinians has been the epicenter of a conflict between Israel and the group of Arab countries, with strong worldwide repercussions. There have been wars with Egypt, Jordan, Syria and Lebanon, but the tension in the region has not eased. During this period, Israel occupied the Sinai peninsula, the West Bank, the Gaza Strip, the Golan Heights and southern Lebanon after the Six-Day War against Egypt, Syria and Jordan in 1967 (Figure 3).
Figure 3- Israeli conquests in the Six Day War (1967)
Figure 4 below shows that the evolution of the conflict between Jews and Palestinians has led Israel to progressively conquer the territory of Palestine from 1947 to the present. This situation cannot continue because it generates a permanent conflict between Jews and Palestinians. The map of Palestine has changed over the years with the advance of Israel over Palestinian territory. Peace between Jews and Palestinians can hardly be celebrated if these conditions are maintained.
Figure 4- Israel’s advance over Palestinian territory
It can be said that there is only one solution to the conflict between Palestine and Israel: on the one hand, Israel needs to accept the constitution of the Palestinian state, seek a just and negotiated solution on Jerusalem and on the fate of Palestinian refugees and end the settlements Jews in the West Bank and, on the other hand, Palestinians need to recognize the State of Israel because neither Palestinians nor Israelis can impose their will on each other. Neither the Zionists nor the Palestinian extremist groups will be able to impose their will by force of arms in Palestine. Clausewitz’s thesis, a great military strategist, does not apply to the Israel-Palestine conflict because neither Israel can annihilate the Palestinians, nor vice versa. There is only one solution to the conflict in the region: Jews and Palestinians celebrate peace and reconciliation.
Peacebuilding can only happen if the Jewish people in Israel and around the world, as well as the Palestinians, politically repel extremists who exercise power in their territories and form governments that seek reconciliation between the Jewish and Palestinian peoples. This would be the way to avoid the continuity of the Israel-Palestine conflict, which is already unfolding in a civil war in Israel and could evolve into a regional war involving all countries in the region. The transition from a regional war to a global conflict can also happen with the involvement of the great military powers with the United States alongside Israel and Russia and China alongside the Palestinians. We need to prevent the Israel-Palestine conflict from becoming the epicenter of a new World War. Only peace between Palestinians and Jews will prevent the worst for their people and for humanity.
REFERENCES
BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.
BREGMAN, Ahron. A History of Israel. Palgrave Macmillan. 2002.
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FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.
GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.
* Fernando Alcoforado, 81, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Cet article vise à démontrer l’urgence de célébrer la paix entre Israël et la Palestine afin de prévenir l’escalade de la guerre civile en Israël entre juifs et musulmans, d’une guerre régionale entre Israël et l’Iran et d’autres pays arabes et même d’une nouvelle guerre mondiale impliquant les grandes puissances. Les événements actuels dans lesquels les Palestiniens de la bande de Gaza lancent des roquettes sur des villes israéliennes et Israël riposte en larguant des bombes et des roquettes sur la bande de Gaza, qui pourraient évoluer vers leur occupation par l’armée israélienne et le massacre de la population de Gaza, doivent être arrêtés. Contrairement aux conflits passés, le conflit actuel contribue également au déclenchement d’une guerre civile en Israël impliquant des Juifs et des Arabes israéliens. La paix doit être célébrée entre Palestiniens et Israéliens pour mettre fin à la violence entre les deux peuples frères et mettre fin au bain de sang qui s’est produit dans la région depuis la fin de la Première Guerre mondiale en 1918.
Afin de mieux comprendre le conflit israélo-palestinien, il est important de connaître son histoire à partir du deuxième millénaire a. C. À cette époque, la Palestine était organisée en cités-États sous hégémonie égyptienne pendant une grande partie du deuxième millénaire a. C.Au cours des derniers siècles de ce millénaire, des vagues successives d’immigrants ou d’envahisseurs sont arrivées de Palestine du nord et du nord-ouest, des îles ou de l’autre côté de la Méditerranée que l’on appelait les Philistins qui se sont installés, en particulier dans le sud-ouest (côte ouest du Néguev et de Chefela), où ils fondèrent plusieurs petits royaumes (Gaza, Asdod, Ascalão, Gat et Ekron). Parallèlement aux royaumes philistins, le royaume d’Israël a été établi dans le nord de la Palestine puis le royaume de Juda dans la région des basses montagnes au sud. Parmi les anciens peuples de Palestine, les Philistins ont été ceux qui ont eu la plus grande influence jusqu’aux derniers siècles de l’ère préchrétienne. Ce n’est pas par hasard que la région a reçu le nom de Palestine, c’est-à-dire le pays des Philistins.
Les différents royaumes palestiniens, philistins et israéliens coexistent depuis des siècles. Dans certains moments, ils se sont battus, dans d’autres moments, ils se sont alliés pour combattre le joug d’une grande puissance de l’époque. La première victime de ce jeu fut Israël, conquis et annexé par l’Assyrie en 722 av. C. Depuis lors et jusqu’en 1948, il n’y a pas eu d’entité politique appelée Israël. Le judaïsme a toujours maintenu l’espoir qu’un jour tout le peuple juif dispersé retournerait dans ce qu’il appelait «la terre d’Israël». Au cours de son histoire, les Juifs ont été confrontés à plusieurs diasporas qui concernent diverses expulsions forcées dans le monde entier et la formation conséquente de communautés juives en dehors de ce qui est maintenant connu sous le nom d’Israël. D’une manière générale, le début de la première diaspora juive est attribué à l’année 586 av.J.-C., lorsque Nabuchodonosor II, empereur de Babylone (situé dans l’ancienne Mésopotamie, située à environ 85 km au sud de Bagdad en Irak), a envahi le royaume de Juda, détruisant Jérusalem et le temple juif, ainsi que la déportation des juifs vers la Mésopotamie.
Au premier siècle, les Romains ont envahi la Palestine et détruit le temple de Jérusalem. Au siècle suivant, ils détruisirent la ville de Jérusalem, provoquant la deuxième diaspora juive en obligeant les Juifs à se rendre dans d’autres pays d’Asie Mineure, d’Afrique et du sud de l’Europe. Avec l’empire romain dominant la Judée, la plupart des Juifs qui y vivaient ont émigré à Babylone, qui est devenue le plus grand centre communautaire juif du monde jusqu’au 11ème siècle. Avec le triomphe des idéologies nationalistes en Europe et l’idée de créer l’État national, un mouvement nationaliste est né au XIXe siècle parmi les juifs d’Europe centrale et orientale, dont le but était de créer un État pour les juifs, qui était considéré comme le seul moyen d’assurer l’identité et la survie de la nation juive, ainsi que de garantir une place parmi les autres nations. Le nationalisme juif a pris le nom de sionisme, un mot qui dérive de Sion, l’un des noms de Jérusalem dans la Bible. Initialement de caractère religieux, le sionisme prêchait le retour des Juifs sur la «Terre d’Israël».
Contrairement à la formation israélienne de l’utopie religieuse, l’État conçu par les nationalistes juifs à cette époque n’avait pas nécessairement la Palestine comme scénario. Les nationalistes juifs ont rapidement choisi la Palestine. Ce choix était naturel et assez mobilisateur, en raison du lien du judaïsme avec la Palestine et de l’attraction qu’il exerce même sur de nombreux juifs qui ne sont pas religieux ou originaires de cette région. La Première Guerre mondiale a eu des conséquences tragiques pour la Palestine. La défaite de la Turquie (Empire ottoman), alliée de l’Allemagne vaincue lors de la Première Guerre mondiale (1914-1918), qui a exercé une domination sur la Palestine, a eu des conséquences décisives pour l’avenir de cette région. Après le conflit mondial, il a été créé, par l’article 22 du Pacte de la Société des Nations du 28 juin 1919, le système des mandats qui visait à déterminer le statut des colonies et territoires qui étaient sous la domination des nations vaincues. Le mandat britannique qui incluait la Palestine a été approuvé par le Conseil de la Société des Nations le 24 juillet 1922 (Figure 1).
Figure 1 – Mandat britannique pour la Palestine et la Transjordanie
Le Mandat pour la Palestine a cessé d’être considéré comme un objectif d’indépendance totale de la population qui l’habitait alors, c’est-à-dire de la population palestinienne. Au lieu de cela, il a encouragé la création d’un foyer national juif, c’est-à-dire la création d’un État juif avec des gens qui, pour la plupart, étaient encore dispersés à travers le monde et, par conséquent, devraient être amenés de l’extérieur. La Grande-Bretagne, puissance hégémonique à l’époque, a promis à la Fédération sioniste qu’elle ferait tout son possible pour établir “un foyer national pour le peuple juif” en Palestine avec la soi-disant Déclaration Balfour. Le territoire dans lequel les sionistes avaient l’intention d’y établir leur État était bien plus vaste que la Palestine. Il englobait toute la partie ouest de la Transjordanie, les hauteurs du Golan et la partie du Liban au sud de Sidão. L’obstacle qui a empêché le processus d’indépendance palestinien était donc le privilège accordé aux juifs pour la création du «foyer national du peuple juif» dans cette région.
Les Palestiniens ont vu dans le parrainage qu’ils ont d’abord donné à la Grande-Bretagne puis à la Société des Nations le projet sioniste de créer un foyer national juif en Palestine le déni de leur droit à l’indépendance. Les Palestiniens se sentaient spoliés. Naturellement, les Palestiniens se sont opposés au projet de création d’un foyer national juif en Palestine dès le premier moment – dès qu’ils ont pris connaissance de la Déclaration Balfour et ont essayé, par tous les moyens, d’en empêcher la réalisation, car ils craignaient qu’elle en résulte dans sa soumission, non seulement politique mais aussi économique pour les Juifs, passant ainsi de la domination turque à la domination juive, avec un intervalle de domination britannique. Les Palestiniens ont protesté contre la déclaration Balfour à la Conférence de paix de Paris et au gouvernement britannique. La première manifestation populaire contre le projet sioniste a eu lieu le 2 novembre 1918, premier anniversaire de la déclaration Balfour. Cette manifestation était pacifique, mais la résistance palestinienne est rapidement devenue violente, se manifestant par des attaques contre les Juifs qui ont dégénéré en affrontements sanglants.
En général, les flambées de violence ont été de plus en plus graves à mesure que le mandat se prolongeait et que la colonisation juive en Palestine s’étendait et se renforçait. Les événements se sont déroulés dans une séquence qui est devenue habituelle. La résistance palestinienne a également eu lieu lors du soulèvement de 1936-1939. En avril 1936, les troubles locaux entre Arabes et Juifs dégénèrent en une révolte généralisée des Palestiniens. La révolte n’était plus seulement opposée à la colonisation juive. Elle était dirigée, surtout contre les autorités britanniques, contre la puissance étrangère, à qui les Palestiniens réclamaient la constitution d’un gouvernement national. Arrivés à la conclusion que les Palestiniens ne renonceraient pas à l’indépendance, les Britanniques ont été confrontés en 1937 à la possibilité de diviser la Palestine en deux États, l’un arabe et l’autre juif. Cette solution a été rejetée par les deux parties. Les Juifs, qui voyaient dans ce plan un écart par rapport à la politique officielle, non seulement britannique, mais aussi internationale, n’ont pas accepté l’idée de créer l’État juif uniquement dans une partie de la Palestine, ce qui signifierait apparemment renoncer à la revendication toute la région. Les Palestiniens, pour leur part, n’ont pas renoncé à leur territoire. Cette divergence continue à ce jour.
Il est important de noter que le conflit entre Israël et la Palestine a commencé au 19ème siècle, lorsque les juifs sionistes ont exprimé leur désir de créer un État moderne sur leur terre ancestrale et ont commencé à créer des colonies dans la région, à l’époque toujours contrôlée par les Ottomans Empire. Les Israéliens et les Palestiniens revendiquent leur part de terre sur la base de l’histoire, de la religion et de la culture. Les grandes puissances gagnantes de la Première Guerre mondiale ont décidé du sort de la Palestine en faveur des Juifs, faisant usage de la Société des Nations, configurant ainsi l’arrogance qui a toujours caractérisé les relations internationales à travers l’histoire. Les Palestiniens ont vu dans le parrainage qu’ils ont donné, en premier. La Grande-Bretagne puis la Société des Nations, au projet sioniste de créer le foyer national juif en Palestine le déni de son droit à l’indépendance.
Depuis lors, il y a eu beaucoup de violence et de controverse autour de la question, ainsi que plusieurs processus de négociations de paix au cours du XXe siècle. L’État d’Israël a été fondé en 1948, après le plan de partage préparé par l’ONU, qui divisait la région, alors sous domination britannique, en États arabes et juifs (Figure 2). Du fait de ce partage, les territoires occupés par Israël à la fin de la Seconde Guerre mondiale constituaient environ 78% de la Palestine. Ils sont devenus, en fait, le territoire de l’État d’Israël. Avec la formation de l’État d’Israël, en mai 1948, il y a eu l’occupation de la Palestine par les Juifs lorsque de nombreuses personnes déplacées et réfugiés juifs de la Seconde Guerre mondiale ont émigré vers le nouvel État souverain. Les basses montagnes du centre et du sud de la Palestine, la soi-disant Cisjordanie, ainsi que la bande de Gaza se trouvaient en dehors d’Israël. Jérusalem était divisée: la partie occidentale de la ville à l’extérieur des murs se rangeait du côté d’Israël; la vieille ville et le quartier extra-muros au nord étaient du côté palestinien.
Les Palestiniens prétendent établir un État palestinien souverain et indépendant. La plupart des Palestiniens acceptent la Cisjordanie et la bande de Gaza comme territoire d’un futur État palestinien. De nombreux Israéliens acceptent également cette solution. Une discussion autour de cette solution a eu lieu lors des accords d’Oslo, signés en septembre 1993 entre Israël et l’Organisation de libération de la Palestine (OLP), qui ont permis la formation de l’ANP (Autorité nationale palestinienne). Malgré le retour de la bande de Gaza et de certaines parties de la Cisjordanie sous contrôle palestinien, un accord final n’a pas encore été conclu. Pour cela, il faudrait résoudre les principaux points de discorde, à savoir le différend sur Jérusalem, le sort des réfugiés palestiniens et la fin des colonies juives en Cisjordanie. Malgré plusieurs autres accords et plans de paix, comme ceux de Camp David et les négociations du soi-disant Quatuor pour le Moyen-Orient (États-Unis, Union européenne, Russie et ONU), la situation est toujours dans une impasse.
Un fait est évident: l’histoire d’Israël a tourné autour de conflits avec les Palestiniens et les nations arabes voisines qui ont été secoués par les guerres et les affrontements entre Juifs et Arabes qui ne sont pas d’accord avec la division territoriale des anciennes terres palestiniennes telle qu’établie à l’heure actuelle. Depuis la création de l’État d’Israël, le conflit qui l’oppose aux Palestiniens a été l’épicentre d’un conflit entre Israël et le groupe des pays arabes, avec de fortes répercussions mondiales. Il y a eu des guerres avec l’Égypte, la Jordanie, la Syrie et le Liban, mais la tension dans la région ne s’est pas apaisée. Pendant cette période, Israël a occupé la péninsule du Sinaï, la Cisjordanie, la bande de Gaza, les hauteurs du Golan et le sud du Liban après la guerre des Six jours contre l’Égypte, la Syrie et la Jordanie en 1967 (Figure 3).
Figure 3 – Conquêtes israéliennes pendant la guerre des Six jours (1967)
A Figura 4 a seguir mostra que a evolução do conflito entre judeus e palestinos fez com que Israel conquistasse progressivamente o território da Palestina de 1947 até o momento atual. Esta situação não pode continuar porque é geradora de conflito permanente entre judeus e palestinos. O mapa da Palestina tem se modificado ao longo dos anos com o avanço de Israel sobre território palestino. Dificilmente a paz entre judeus e palestinos poderá ser celebrada mantidas essas condições.
Figure 4 – L’avancée d’Israël sur le territoire palestinien
On peut dire qu’il n’y a qu’une seule solution au conflit entre la Palestine et Israël: d’une part, Israël doit accepter la constitution de l’Etat palestinien, rechercher une solution juste et négociée sur Jérusalem et sur le sort des réfugiés palestiniens et mettre fin aux colonies juives en Cisjordanie et, d’autre part, les Palestiniens doivent reconnaître l’État d’Israël parce que ni les Palestiniens ni les Israéliens ne peuvent s’imposer mutuellement leur volonté. Ni les sionistes ni les groupes extrémistes palestiniens ne pourront imposer leur volonté par la force des armes en Palestine. La thèse de Clausewitz, grand stratège militaire, ne s’applique pas au conflit israélo-palestinien car ni Israël ne peut anéantir les Palestiniens, ni l’inverse. Il n’y a qu’une seule solution au conflit dans la région: les Juifs et les Palestiniens célèbrent la paix et la réconciliation.
La consolidation de la paix ne peut avoir lieu que si le peuple juif en Israël et dans le monde, ainsi que les Palestiniens, repoussent politiquement les extrémistes qui exercent le pouvoir sur leurs territoires et forment des gouvernements qui recherchent la réconciliation entre les peuples juif et palestinien. Ce serait le moyen d’éviter la continuité du conflit israélo-palestinien, qui se déroule déjà dans une guerre civile en Israël et pourrait évoluer vers une guerre régionale impliquant tous les pays de la région. La transition d’une guerre régionale à un conflit mondial peut également se produire avec l’implication des grandes puissances militaires avec les États-Unis aux côtés d’Israël et de la Russie et de la Chine aux côtés des Palestiniens. Nous devons empêcher que le conflit israélo-palestinien ne devienne l’épicentre d’une nouvelle guerre mondiale. Seule la paix entre Palestiniens et Juifs empêchera le pire pour leur peuple et pour l’humanité.
LES RÉFÉRENCES
BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.
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FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.
GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.
* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Cet article vise à mettre en évidence le rôle des principaux personnages de l’histoire républicaine du Brésil qui ont été les plus marquants et décisifs dans la direction des événements futurs au profit du pays. C’est le cas de Getúlio Vargas qui s’est distingué pour avoir opéré de profonds changements économiques et sociaux et modernisé le pays lorsqu’il dirigea le Brésil de 1930 à 1945 et, également de 1950 à 1954. Ce fut aussi le cas du maréchal Henrique Teixeira Lott qui a empêché les tentatives de coup d’État en 1954 et 1961 lorsqu’il était ministre de la guerre, assurer le respect de la légalité démocratique et constitutionnelle. A noter également le rôle décisif de Leonel Brizola pour empêcher le coup d’État au Brésil en 1961 et pour sa lutte constante pour le progrès économique et social au Brésil en 1961 et et pour l’indépendance nationale des grandes puissances de 1961 jusqu’à leur mort en 2004. Enfin, le dernier grand personnage de l’histoire républicaine brésilienne fut Ulisses Guimarães, qui se démarqua dans la lutte contre la tyrannie de la dictature militaire implantée en 1964 et sa lutte pour la redémocratisation du Brésil de 1964 à 1988.
Getúlio Vargas a laissé une marque indélébile dans l’histoire du Brésil en apportant de profonds changements sociaux et en modernisant le pays lorsqu’il a gouverné de 1930 à 1945 et, également de 1950 à 1954, bien qu’il ait gouverné de manière dictatoriale de 1930 à 1945. Après avoir pris le pouvoir par un coup d’État militaire et instaurer une dictature, Getúlio Vargas jouissait de pouvoirs presque illimités et, profitant d’eux, commença à adopter des politiques de modernisation du pays. Avec leur gouvernement, les États ont perdu une grande partie de leur autonomie politique. Getúlio Vargas a promu de grandes avancées dans la législation du travail brésilienne, comme la CLT qui a persisté jusqu’à aujourd’hui. Tout cela a suscité l’indignation des opposants, principalement des oligarchies du café et de la classe moyenne de São Paulo, dégoûtés par le gouvernement Getúlio Vargas. La perte de l’autonomie de l’État, avec la nomination d’intervenants, était encore plus déplaisante.
Après avoir pris le pouvoir avec la soi-disant 30 révolution, Getúlio Vargas entame la période d’industrialisation au Brésil dont le projet de développement visait sortir le pays du retard économique séculaire et à le propulser vers le progrès économique et social avec la création de son propre parc industriel, semblable à ceux des nations européennes et des États-Unis. C’était la première fois dans l’histoire du Brésil qu’un gouvernement faisait une telle option. L’industrialisation se fait par le biais du processus de substitution des importations, c’est-à-dire de la production dans le pays de ce qui était auparavant importé de l’étranger. Vargas a fondé son administration sur les préceptes du populisme avec des politiques ou des méthodes pour attirer les classes sociales avec moins de pouvoir d’achat, en plus de la classe moyenne urbaine, comme moyen de gagner des votes et du prestige, du nationalisme avec la défense de l’économie brésilienne intérêts dans la confrontation avec le capital étranger et avec des politiques qui favorisent les travailleurs.
La politique économique a commencé à valoriser le marché intérieur qui a favorisé la croissance industrielle et, par conséquent, le processus d’urbanisation. L’ère Vargas marque également le changement de direction de la République, transférant le noyau du pouvoir politique de l’agriculture à l’industrie et intégrant le marché national. Le centralisme de la période Vargas a ouvert la voie à l’unification complète du marché intérieur. Le 29 octobre 1945, après 15 ans au gouvernement du Brésil, sous la pression du gouvernement des États-Unis qui souhaitait que Getúlio Vargas soit hors du pouvoir en raison de sa politique nationaliste, l’armée envahit le Palácio do Catete, à Rio de Janeiro, et le força à démission en mettant fin à son premier gouvernement.
Getúlio Vargas est revenu au gouvernement brésilien dans la première moitié des années 1950 lorsqu’il est arrivé au pouvoir par le biais du système électoral, qui, en imprimant à son gouvernement la même politique populiste, nationaliste et ouvrière, adoptée de 1930 à 1945, est devenu la cible de la Le gouvernement américain et ses alliés internes, qui le voulaient hors du pouvoir. Au cours de la période 1951/1953, sous l’administration Vargas, un effort de planification beaucoup plus ambitieux et complet a été mené par rapport à la période précédente. À cette occasion, il y a eu l’une des enquêtes les plus complètes sur l’économie brésilienne, en plus de proposer une série de projets d’infrastructure avec leurs programmes d’exécution, y compris des projets de modernisation des chemins de fer, des ports, du transport côtier, de la production d’électricité, etc. Des mesures ont été prises pour surmonter les disparités régionales de revenu au Brésil, c’est-à-dire pour mieux intégrer le Nord-Est au reste de l’économie nationale et pour parvenir à la stabilité monétaire. BNDES et Petrobras ont également été créés. Pour ne pas avoir accepté sa déposition par l’armée en 1954, le président Vargas s’est suicidé, et son attitude a également représenté l’acte final du premier dirigeant du Brésil, qui a guidé son action de défense de la souveraineté nationale et des travailleurs. La déposition de Getúlio Vargas en 1945 et son suicide en 1954 sont les conséquences de ce processus. À ce moment historique, en pleine guerre froide, il était d’une importance fondamentale pour les États-Unis, dans leur confrontation avec l’ex-Union soviétique, de garder sous contrôle leurs zones d’influence en Amérique latine, y compris au Brésil, et dans d’autres pays du monde. Getúlio Vargas était en grande partie responsable de la construction du projet brésilien moderne et indépendant qui est étant détruit depuis le coup d’État de 1964. Il était sans aucun doute le plus grand homme d’État de l’histoire républicaine du Brésil.
Le maréchal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott était une autre grande personne dans l’histoire du Brésil et de l’armée importante dans l’histoire récente du Brésil parce qu’il était intransigeant dans la défense de la légalité démocratique et obéissant à la normalité constitutionnelle. En 1954, avec le suicide du président Vargas et l’inauguration du vice-président Café Filho, Lott est nommé ministre de la guerre du Brésil. Lorsque Carlos Luz, président de la Chambre des députés, assume la présidence par intérim du Brésil en raison des problèmes de santé du Café Filho et accorde l’amnistie à un général qui a été puni par Lott lorsqu’il a pris la parole afin de remettre en question l’investiture du président élu Juscelino Kubitschek (JK) et son vice João Goulart (Jango), Lott a été indigné par la situation. Cet événement, ajouté à la position de Carlos Luz, qui admettait la possibilité de ne pas passer la ceinture présidentielle au président élu à la fin de 1954, a généré un climat de tension au sein des forces armées. Lott, qui avait démissionné du ministère et renoncé à cet objectif, s’est opposé à la tentative de coup d’État, soulevant le soutien de l’opposition au président intérimaire Carlos Luz.
Avec les préparatifs de l’inauguration de JK et Jango, la situation politique est devenue très tendue. Le 11 novembre 1955, Lott prit position pour défendre la Constitution de 1946, qui garantissait l’investiture du président Juscelino Kubitschek et du vice João Goulart, élus l’année précédente. Cette crise politico-militaire a été résolue avec l’empêchement du mandat du président intérimaire Carlos Luz et le transfert de la présidence de la République à Nereu Ramos, président du Sénat fédéral. Lott a mobilisé des troupes et des civils dans les rues pour la possession de JK, ce qui a fonctionné. En prenant le gouvernement, JK a confié le poste au ministère de la Guerre à Lott, dont la gestion a été marquée par la transformation des forces armées en tant qu’outil de maintien de la démocratie, dans laquelle l’armée brésilienne serait composée d’hommes dévoués à l’intégrité de déterminations constitutionnelles. Pour sa performance sur la scène politique et militaire brésilienne, Lott a été nommé candidat du PSD, le parti de JK, comme son successeur aux élections présidentielles par la coalition PTB-PSD, composant une liste avec João Goulart à la vice-présidence de la République. Lott a perdu les élections de 1960 contre Jânio Quadros, mais son vice-president, João Goulart du PTB, a été élu.
Défait, Lott n’abandonne pas la vie publique. En 1961, lorsque des membres des forces armées se révoltent contre l’investiture du président João Goulart après la démission de Jânio Quadros, Lott participe à la campagne contre le coup d’État en assumant un rôle de premier plan aux côtés de Leonel Brizola dans la célèbre Campagne pour la légalité, lorsque il s’est articulé avec plusieurs militaires nationalistes et anti-coup d’État pour empêcher le coup d’État. À ce moment-là, Lott a écrit une lettre ouverte aux militaires dans laquelle il les appelle à collaborer pour assurer la légalité démocratique et constitutionnelle. En s’opposant à la décision du ministre de la Guerre de Jânio Quadros, qui refusa d’accepter la possession de Jango, Lott fut condamné à la prison. Lorsqu’il a été approché à son domicile, il a exigé qu’il soit également maréchal pour l’arrêter, car il ne serait pas détenu par un officier militaire de rang inférieur à lui, par respect pour la hiérarchie de l’armée. Lorsque le maréchal Sucupira arrive à son domicile, Lott est conduit dans sa cellule, où il a purgé 15 des 30 jours d’emprisonnement prévus. L’attitude du maréchal Lott et de Leonel Brizola a contribué à empêcher le coup d’État de se produire en 1961.
Lorsque le coup d’État a eu lieu en 1964, Lott a vu ses droits politiques révoqués. Face à ce fait, le maréchal décide d’abandonner la vie publique et de rester chez lui, car il n’est pas d’accord avec la direction que prenait l’Armée avec la mise en œuvre de la dictature militaire contraire à tous ses principes légalistes et dans le respect de la Constitution. Lott est mort en 1984, un an avant la fin de la dictature militaire. Ses funérailles n’avaient pas d’honneurs militaires, mais plusieurs admirateurs de cette grande démocrate de l´armée étaient présents à son enterrement, y compris le gouverneur de l’État de Rio de l’époque, Leonel Brizola, qui a déclaré le deuil officiel pour la perte d’un personnage aussi important dans notre histoire. Le maréchal Lott est décédé, mais il a laissé un héritage sans précédent de militaire attachée à la légalité constitutionnelle qui devrait servir d’exemple pour que tout le personnel militaire agisse conformément à la Constitution pour empêcher de nouveaux coups d’État au Brésil..
Leonel Brizola était un autre personnage gigantesque de l’histoire du Brésil. Brizola a acquis un prestige national en 1961, alors qu’il était gouverneur du Rio Grande do Sul, en faisant campagne pour la légalité dans la défense de la démocratie et le droit de son beau-frère, le vice-président João Goulart, d’être assermenté en tant que président de la République à la démission de Jânio Quadros, présidence de la République en août 1961. Les militaires ont tenté d’empêcher Goulart de lui succéder en raison de ses prétendus liens avec les communistes. Après avoir obtenu le soutien du général Machado Lopes, commandant de la 3e armée, Brizola a créé la chaîne de légalité avec un groupe de radios du Rio Grande do Sul, qu’il avait l’habitude de lancer, depuis le palais Piratini, un appel national dénonçant les intentions de coup d’État dans les actions des militaires et encourager la population à manifester dans les rues. Brizola remit la brigade militaire du Rio Grande do Sul au commandement de la 3e armée, organisa des comités paramilitaires de résistance démocratique, distribua des armes à feu à la population et transforma le quartier général du gouvernement en tranchée de résistance contre le coup d’État. En réponse, les militaires du coup d’État ont ordonné le bombardement du palais Piratini, qui a été interrompu parce que les sergents et les sous-officiers de la base aérienne de Canoas ne se sont pas conformés aux ordres de leurs supérieurs. Brizola s’est opposé au passage au régime parlementaire proposé par l’armée comme condition pour que Goulart prenne le relais. Après douze jours d’une guerre civile imminente, João Goulart a accepté la proposition des militaires et a été nommé président de la République qui était en vigueur pendant deux ans (1961-1962) réduisant énormément ses pouvoirs constitutionnels. Avec cette mesure, les trois ministres putschistes ont finalement accepté le retour et la possession de João Goulart. Le 31 août 1961, João Goulart rentra au Brésil, et fut installé le 7 septembre 1961. On peut dire que l’investiture de João Goulart à la présidence de la République n’a été effectuée que grâce à la campagne pour la légalité initiée par le gouverneur du Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.
Leonel Brizola a collaboré avec le gouvernement João Goulart, qui a cherché à mener des réformes de base comme une solution aux problèmes structurels rencontrés par le Brésil. Le 13 mars 1964, João Goulart et Leonel Brizola ont annoncé des changements majeurs au Brésil à travers un grand rassemblement au Central do Brasil à Rio de Janeiro. Environ 200 000 personnes étaient présentes ce jour-là, ce qui a déplu aux secteurs conservateurs. Lors de ce rassemblement, le président João Goulart a annoncé la signature du décret qui en ferait une propriété de l’État des raffineries privées de pétrole et du décret expropriant les terres improductives situées du côté des routes et des voies ferrées pour mener à bien la réforme agraire. Les propositions étant influencées par la pensée de la gauche, les défenseurs du capitalisme, des latifundia et des membres de la droite brésilienne craignaient la croissance d’un éventuel gouvernement communiste dans le pays. Le rassemblement de Central do Brasil a été le moment décisif pour déterminer l’organisation de l’armée pour déclencher le coup d’État qui a été lancé le 31 mars 1964, instaurant une dictature militaire dans le pays. Pendant le coup d’État de 1964, João Goulart et Brizola ont maintenu une relation tumultueuse, surtout après que les propositions de résistance de Brizola n’aient pas été acceptées par Jango. Brizola s’est exilée et est revenue au Brésil en 1979, après quinze ans en Uruguay, aux États-Unis et au Portugal. La même année, il fonde et préside le PDT – Partido Democrático Trabalho. En 1982, il est élu gouverneur de Rio de Janeiro. Lors de l’élection présidentielle de 1989, il a raté de peu le deuxième tour. Un an plus tard, il a de nouveau gouverné Rio de Janeiro, étant élu au premier tour. Brizola est décédée en 2004. En décembre 2015, la présidente Dilma Rousseff a signé la loi qui incluait Brizola dans le Livre des héros de la patrie. Brizola a laissé un exemple frappant d’un grand patriote et d’un courage incommensurable dans la lutte pour surmonter les grands obstacles au développement du Brésil et pour la libération du pays de l’exploitation séculaire du capital international.
Ulysses Silveira Guimarães était un autre grand personnage de l’histoire du Brésil. Ulysses a été président de la Chambre des députés à deux reprises. Avec la fin du bipartisme imposé par la dictature militaire, le MDB est devenu en 1979 le Parti du Mouvement Démocratique Brésilien (PMDB), dont Ulysse était président national. Ulysse a occupé la présidence de la Chambre des députés en trois périodes (1956-1957, 1985-1986 et 1987-1988). Il a été président de l’Assemblée nationale constituante de 1987 à 1988, qui a inauguré le nouvel ordre démocratique, après 21 ans sous la dictature militaire. Il a été l’un des plus grands combattants de la lutte pour la redémocratisation du Brésil, ayant été l’un des principaux opposants à la dictature militaire bien qu’il l’ait soutenue lors du déclenchement du coup d’État de 1964. À la tête de la MDB, il a participé dans toutes les campagnes pour le retour du pays à la démocratie, y compris la lutte pour une amnistie générale et sans restriction. Avec d’autres grands dirigeants nationaux, Ulysses a mené de nouvelles campagnes de redémocratisation, telles que les élections directes, populairement connues sous le slogan Diretas Já. Ulysses était également candidat à la présidence de la République lors des élections de 1989. La nouvelle Constitution, dans laquelle Ulysse a joué un rôle fondamental, a été approuvée le 5 octobre 1988, avoir été pour lui a appelé la Constitution citoyenne, pour les avancées démocratiques et sociales qu’elle a incorporées dans le document.
Il est important de noter que la constitution démocratique et citoyenne de 1988 est désormais un instrument fondamental au Brésil pour empêcher la tentation totalitaire du président Bolsonaro, qui menace systématiquement de faire un coup d’État au Brésil. La Constitution a été appelé à empêcher auprès de la Cour fédérale suprême les prétentions de Bolsonaro d’implanter une dictature au Brésil sous son commandement. Ulysses Guimarães est toujours en vie car la Constitution de 1988 résulte de son commandement. Ulysses est mort dans un accident d’avion d’hélicoptère sur la côte d’Angra dos Reis, au sud de l’état de Rio de Janeiro, le 12 octobre 1992 et son corps n’a jamais été retrouvé. Son nom a été inscrit dans le Panthéon des héros de la patrie brésilienne par la loi fédérale no. 13 815, du 24 avril 2019. Ulysses Guimarães est décédé, mais a laissé un héritage de lutte sans compromis pour la défense de la démocratie et contre la tyrannie qui devrait servir d’exemple à tous les politiciens brésiliens.
De ce qui précède, les quatre grands personnages de l’histoire du Brésil républicain ont laissé un héritage extraordinaire qui devrait inspirer tous les Brésiliens engagés dans la lutte pour l’émancipation nationale et la défense de la démocratie et de la légalité constitutionnelle. Getúlio Vargas a laissé en héritage son exemple de dirigeant qui a guidé son action de défense de la souveraineté nationale et l’amélioration des conditions sociales de la population brésilienne, en plus d’être largement responsable de la construction du projet moderne et indépendant du Brésil. Le maréchal Lott a laissé un héritage sans précédent de militaire de l’armée attachée à la légalité constitutionnelle qui devrait servir d’exemple pour que tout le personnel militaire agisse conformément à la Constitution pour éviter de nouveaux coups d’État qui ont caractérisé l’histoire du Brésil. Leonel Brizola a laissé un exemple frappant d’un grand patriote et d’un courage incommensurable dans la lutte contre la tyrannie, en surmontant les grands obstacles au développement du Brésil et en libérant le pays de l’exploitation séculaire du capital international. Ulysses Guimarães a laissé un héritage indélébile de lutte sans compromis pour la défense de la démocratie et contre la tyrannie qui devrait servir d’exemple à tous les politiciens brésiliens. Que Getúlio Vargas, Leonel Brizola et Ulysses Guimarães servent d’exemple aux générations futures de Brésiliens pour faire les meilleurs choix pour élire les futurs présidents de la République et les parlementaires engagés dans le progrès politique, économique et social, ainsi que les militaires brésiliens à s´inspirer à l’exemple du maréchal Henrique Teixeira Lott, de opposition aux coups d’État et aux dictatures et grand rempart pour la défense de la patrie et de l’ordre constitutionnel.
* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
This article aims to highlight the role of four characters in the republican history of Brazil who were the most striking and decisive in the direction of future events for the benefit of the country. This was the case of Getúlio Vargas who stood out for making profound changes economic and social and modernize the country when he ruled Brazil from 1930 to 1945 and, also from 1950 to 1954. It was also the case of Marshal Henrique Teixeira Lott who prevented attempts of coup d’état in 1954 and 1961 when he was Minister of War, ensuring the respect for democratic and constitutional legality. Also noteworthy was the decisive role by Leonel Brizola that prevented the coup d’état in Brazil in 1961 and his constant fight for the economic and social progress of Brazil and for national independence from the great powers from 1961 until his death in 2004. Finally, the last great character in Brazilian republican history was Ulysses Guimarães, who stood out in the fight against the tyranny of the military dictatorship implanted in 1964 and his struggle for the redemocratization of Brazil from 1964 to 1988.
Getúlio Vargas returned to governing Brazil in the first half of the 1950s when he came to power through the electoral system, which, by printing to his government the same populist, nationalist and labor policy, adopted from 1930 to 1945, became the target of the American government and its internal allies, who wanted him out of power. In the 1951/1953 period, during the Vargas administration, a much more ambitious and complete planning effort was carried out than in the previous period. On that occasion, there was one of the most complete surveys of the Brazilian economy, in addition to proposing a series of infrastructure projects with their execution programs, including projects to modernize railways, ports, coastal shipping, electricity generation, etc. Measures were taken to overcome regional income disparities in Brazil, that is, to better integrate the Northeast with the rest of the national economy and to achieve monetary stability. BNDES and Petrobras were also created. For not accepting his deposition by the military in 1954, President Vargas committed suicide, and his attitude also represented the final act of the first ruler of Brazil, which guided his action in defense of national sovereignty and workers. The deposition of Getúlio Vargas in 1945 and his suicide in 1954 were consequences of this process. At that historic moment, in the middle of the Cold War, it was of fundamental importance for the United States, in its confrontation with the former Soviet Union, to keep under control its areas of influence in Latin America, including Brazil, and in other parts of the world. Getúlio Vargas was largely responsible for building the modern and independent Brazil project that is being destroyed since the 1964 coup d’état. He was, without a doubt, the greatest statesman in Brazil’s republican history.
Marshal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott was another great person in the history of Brazil and the important military in the recent history of Brazil because he was uncompromising in the defense of democratic legality and obedient to constitutional normality. In 1954, with the suicide of President Vargas and the inauguration of Vice-President Café Filho, Lott was appointed Minister of War of Brazil. When Carlos Luz, president of the Chamber of Deputies, assumes the interim presidency of Brazil due to the health problems of Café Filho and grants amnesty to a general who was punished by Lott when made speech in order to question the inauguration of President-elect Juscelino Kubitschek (JK ) and his vice-president João Goulart (Jango), Lott was outraged by the situation. This event, added to the position of Carlos Luz, who admitted the possibility of not passing the presidential sash to the president-elect at the end of 1954, generated a climate of tension within the armed forces. Lott, who had resigned from the ministry and gave up this purpose, opposed the attempted coup d’etat, raising support in opposition to interim president Carlos Luz.
With the preparations for the inauguration of JK and Jango, the political situation became very tense. On November 11, 1955, Lott took a stand in defense of the 1946 Constitution, which guaranteed the inauguration of President Juscelino Kubitschek and Vice João Goulart who were elected the previous year. This political-military crisis was solved with the impediment of the mandate of interim president Carlos Luz and the transfer of the presidency of the Republic to Nereu Ramos, president of the Federal Senate. Lott mobilized troops and civilians on the streets for JK’s possession, which worked. Upon assuming the government, JK entrusted the position in the Ministry of War to Lott, whose management was marked by the transformation of the Armed Forces as a tool for maintaining democracy, in which the Brazilian army would be composed of men dedicated to the integrity of constitutional determinations. For his performance in the Brazilian political and military scene, Lott was nominated as a candidate for the PSD, JK’s party, as his successor for the presidential elections by the PTB-PSD coalition, composing a slate with João Goulart for vice president of the Republic. Lott lost the 1960 election to Jânio Quadros, but his vice, João Goulart of PTB, was elected.
Defeated, Lott does not abandon public life. In 1961, when members of the Armed Forces mutiny against the inauguration of President João Goulart after the resignation of Jânio Quadros, Lott participates in the campaign against the coup d’état, taking a leading role alongside Leonel Brizola in the famous Campaign for Legality, when he articulated with several militaries nationalist and anti-coup to prevent the coup d’état. At this moment, Lott wrote an open letter to the military in which he urged them to collaborate to ensure democratic and constitutional legality. In opposing the decision of the Minister of War of Jânio Quadros, who refused to accept the possession of Jango, Lott was sentenced to prison. When approached at his home, he demanded that he also be a marshal to arrest him, as he would not be detained by a military officer of lesser rank than himself, out of respect for the hierarchy of the army. When Marshal Sucupira arrives at his residence, Lott is taken to his cell, where he has served 15 of the 30 stipulated days of imprisonment. The attitude of Marshal Lott and Leonel Brizola was instrumental in preventing the coup d’état from occurring in 1961. When the coup d’état took place in 1964, Lott had his political rights revoked. Faced with this fact, the marshal decides to abandon public life and to stay at home, as he does not agree with the direction the Army was taking with the implementation of the military dictatorship contrary to all his legalistic principles and with respect for the Constitution. Lott died in 1984, a year before the end of the military dictatorship. His funeral had no military honors, but several admirers of this great Democratic military were present at his burial, including the then governor of the state of Rio, Leonel Brizola, who declared official mourning for the loss of such an important character in our history. Marshal Lott died, but he left an unparalleled legacy of the military committed to constitutional legality that should serve as an example for all military personnel to act in accordance with the Constitution to prevent further coups d’état in Brazil.
Leonel Brizola was another gigantic character in the history of Brazil. Brizola gained national prestige in 1961, when he was governor of Rio Grande do Sul, when he campaigned for legality in defense of democracy and the right of his brother-in-law, Vice President João Goulart, to be sworn in as President of the Republic when Jânio Quadros resigned presidency of the Republic in August 1961. The military tried to prevent Goulart from succeeding him on the grounds of his alleged ties to the communists. After gaining the support of General Machado Lopes, commander of the 3rd Army, Brizola created the chain of legality with a group of radio stations in Rio Grande do Sul, which he used to issue, from the Piratini Palace, a national call denouncing the coup intentions behind the actions of the military and encouraging the population to protest in the streets. Brizola handed over the Rio Grande do Sul Military Brigade to the command of the 3rd Army, organized paramilitary committees of democratic resistance, distributed firearms to the population and transformed the government headquarters into a trench of resistance to the coup. In response, the coup military members ordered the bombing of the Piratini Palace, which was aborted because sergeants and noncommissioned officers at the Canoas Air Force Base did not comply with the orders of their superiors. Brizola opposed the move to the parliamentary regime proposed by the military as a condition for Goulart to take over. After twelve days of an imminent civil war, João Goulart accepted the proposal of the military and was installed president of the Republic that was in force for two years (1961-1962) reducing enormously his constitutional powers. With this measure, the three coup military ministers finally accepted the return and possession of João Goulart. On August 31, 1961, João Goulart returned to Brazil, and was sworn in on September 7, 1961. It can be said that João Goulart’s inauguration in the presidency of the Republic was only effected thanks to the campaign for legality initiated by the then governor of Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.
Leonel Brizola collaborated with the João Goulart government, which sought to carry out basic reforms as a solution to the structural problems experienced by Brazil. On March 13, 1964, João Goulart and Leonel Brizola announced major changes in Brazil through a large rally at Central do Brasil in Rio de Janeiro. About 200 thousand people were present that day, which displeased the conservative sectors. At this rally, President João Goulart announced the signing of the decree that made state-owned private refineries and the decree that expropriated unproductive lands located on the side of roads and railroads to carry out agrarian reform. As the proposals were influenced by the thought of the left, the defenders of capitalism, of the latifundia and members of the Brazilian right feared about the growth of a possible communist government in the country. The rally in Central do Brasil was the decisive moment to determine the organization of the military to start the coup d’état that was launched on March 31, 1964, establishing a military dictatorship in the country. During the 1964 coup d’etat, João Goulart and Brizola maintained a tumultuous relationship, especially after Brizola’s resistance proposals were not accepted by Jango. Brizola went into exile and returned to Brazil in 1979, after fifteen years in Uruguay, the United States and Portugal. In the same year, he founded and chaired the PDT – Partido Democrático Trabalho. In 1982, he was elected governor of Rio de Janeiro. In the 1989 presidential election, he narrowly missed the second round. A year later, he returned to rule Rio de Janeiro, being elected in the first round. Brizola passed away in 2004. In December 2015, President Dilma Rousseff signed the law that included Brizola in the Book of Heroes of the Fatherland. Brizola left a striking example of a great patriot and immeasurable courage in the struggle to overcome the great obstacles to the development of Brazil and to liberate the country from the centuries-old exploitation of international capital.
Ulysses Silveira Guimarães was another great person in the history of Brazil. Ulysses was president of the Chamber of Deputies on two separate occasions. With the end of the bipartisanship imposed by the military dictatorship, the MDB became in 1979 the Party of the Brazilian Democratic Movement (PMDB), of which Ulysses was national president. Ulysses held the presidency of the Chamber of Deputies in three periods (1956-1957, 1985-1986 and 1987-1988). He was the president of the National Constituent Assembly from 1987-1988, which inaugurated the new democratic order, after 21 years under the Military Dictatorship. He was one of the greatest combatants in the struggle for redemocratization in Brazil, having been one of the main opponents of the military dictatorship despite having supported it with the outbreak of the 1964 coup d’état. At the head of the MDB he participated in all campaigns for the return of the country to democracy, including the struggle for broad general and unrestricted amnesty. Along with other great national leaders, Ulysses led new campaigns for redemocratization, such as direct elections, popularly known by the slogan Diretas Já. Ulysses was also a candidate for the presidency of the Republic in the 1989 election. The new Constitution, in which Ulysses played a role fundamental, was approved on October 5, 1988, having been called by the Citizen Constitution, due to the democratic and social advances that it incorporated in the document.
It is important to note that the democratic and citizen Constitution of 1988 has now been a fundamental instrument in Brazil to prevent the totalitarian temptation of President Bolsonaro, which systematically threatens to promote a coup d’état in Brazil. This Constitution has been used with the Supreme Federal Court to bar Bolsonaro’s intentions to implant a dictatorship in Brazil under his command. Ulisses Guimarães is still alive because the 1988 Constitution resulted from the action of the constituents under his command. Ulysses died in a helicopter plane crash on the coast of Angra dos Reis, south of the state of Rio de Janeiro, on October 12, 1992 and his body was never found. His name was inscribed in the Pantheon of the Heroes of the Brazilian Homeland by federal law no. 13,815, of April 24, 2019. Ulisses Guimarães died, but left a legacy of uncompromising struggle in the defense of democracy and against the tyranny that should serve as an example for all Brazilian politicians.
From the above, the four great characters in the history of republican Brazil left extraordinary legacies that should inspire all Brazilians committed to the struggle for national emancipation and the defense of democracy and constitutional legality. Getúlio Vargas left as a legacy his example of ruler that guided his action in defense of national sovereignty and the improvement of the social conditions of the Brazilian population, in addition to being largely responsible for building of the modern and independent Brazil project. Marshal Lott left an unparalleled legacy of the militar committed to constitutional legality that should serve as an example for all military personnel to act in accordance with the Constitution to avoid new coups d’état that characterized the history of Brazil. Leonel Brizola left a striking example of a great patriot and immeasurable courage in the fight against tyranny, by overcoming the great obstacles to the development of Brazil and by liberating the country from the centuries-old exploitation of international capital. Ulisses Guimarães left an indelible legacy of uncompromising struggle in the defense of democracy and against the tyranny that should serve as an example for all Brazilian politicians. May Getúlio Vargas, Leonel Brizola and Ulysses Guimarães serve as an example for future generations of Brazilians to make the best choices to elect future presidents of the Republic and parliamentarians committed to political, economic and social progress, as well as the Brazilian military to be inspired by the example of Marshal Henrique Teixeira Lott, opponent of coups d’état and dictatorships and great bulwark in the defense of the homeland and the constitutional order.
* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Este artigo tem o objetivo de destacar o papel de quatro personagens da história republicana do Brasil que foram os mais marcantes e decisivos nos rumos dos acontecimentos futuros em benefício do País. Este foi o caso de Getúlio Vargas que se destacou por realizar mudanças econômicas e sociais profundas e modernizar o País quando governou o Brasil de 1930 a 1945 e, também de 1950 a 1954. Foi, também, o caso do Marechal Henrique Teixeira Lott que impediu as tentativas de golpe de estado em 1954 e 1961 quando foi ministro da Guerra, assegurando o respeito à legalidade democrática e constitucional. Destacado foi, também, o papel decisivo de Leonel Brizola por impedir a realização do golpe de estado no Brasil em 1961 e por sua luta constante pelo progresso econômico e social do Brasil e pela independência nacional em relação às grandes potências de 1961 até sua morte em 2004. Finalmente, o último grande personagem da história republicana brasileira foi Ulysses Guimarães que se destacou no combate à tirania da ditadura militar implantada em 1964 e por sua luta pela redemocratização do Brasil de 1964 até 1988.
Getúlio Vargas deixou marca indelével na história do Brasil por realizar mudanças econômicas e sociais profundas e modernizar o País quando governou de 1930 a 1945 e, também de 1950 a 1954, apesar de ter governado ditatorialmente de 1930 a 1945.Após assumir o poder através de um golpe militar e instaurar uma ditadura, Getúlio Vargas usufruíu de poderes quase ilimitados e, aproveitando-se deles, começou a adotar políticas de modernização do país. Com seu governo, os estados perderam grande parte da sua autonomia política. Getúlio Vargas promoveu grandes avanços na legislação trabalhista brasileira, como a CLT que perdura até hoje. Tudo isto despertou a indignação dos opositores, principalmente das oligarquias cafeeiras e da classe média paulista, que estavam desgostosos com o governo de Getúlio Vargas. A perda de autonomia estadual, com a nomeação de interventores, desagradou ainda mais.
Após assumir o poder com a denominada revolução de 30, Getúlio Vargasinicia o período de industrialização no Brasil cujo projeto de desenvolvimento visava retirá-lo do atraso econômico secular e impulsioná-lo rumo ao progresso econômico e social com a implantação de um parque industrial próprio, nos moldes das nações europeias e dos Estados Unidos. Foi a primeira vez na história do Brasil que um governo fez semelhante opção. A industrialização se desenvolveu através do processo de substituição de importações, isto é, produzindo no País o que antes era importado do exterior. Vargas baseou sua administração nos preceitos do populismo com políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio, do nacionalismo com a defesa dos interesses econômicos do Brasil no confronto com o capital estrangeiro e do trabalhismo com políticas que favoreciam os trabalhadores. A política econômica passou a valorizar o mercado interno que favorecia o crescimento industrial e, consequentemente, o processo de urbanização. A Era Vargas marca, também, a mudança dos rumos da República, transferindo o núcleo do poder político da agricultura para a indústria e integrou o mercado nacional. O centralismo do período de Vargas abriu o caminho à completa unificação do mercado interno. No dia 29 de outubro de 1945, depois de 15 anos no governo do Brasil, por pressão do governo dos Estados Unidos que desejavam o afastamento de Getúlio Vargas do poder por sua política nacionalista, militares invadiram o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, e forçaram sua renúncia colocando um fim ao seu primeiro governo.
Getúlio Vargas volta a governar o Brasil na primeira metade da década de 1950 quando galgou o poder pela via eleitoral que, ao imprimir ao seu governo a mesma política de caráter populista, nacionalista e trabalhista, adotada de 1930 a 1945, passou a ser alvo do governo norte-americano e de seus aliados internos, que o queriam fora do poder. No período 1951/1953, durante o governo Vargas, foi realizado um esforço de planejamento muito mais ambicioso e completo do que no período anterior. Nessa oportunidade, houve um dos mais completos levantamentos da economia brasileira, além de propor uma série de projetos de infraestrutura com seus programas de execução, abrangendo projetos de modernização de vias férreas, portos, navegação de cabotagem, geração de energia elétrica, etc. Foram adotadas medidas para superar as disparidades regionais de renda no Brasil, isto é, para melhor integrar o Nordeste ao restante da economia nacional e para alcançar a estabilidade monetária. Foram criados, também, o BNDES e a Petrobras. Por não aceitar sua deposição pelos militares em 1954, o presidente Vargas suicidou-se, tendo sua atitude representado, também, o ato final do primeiro governante do Brasil que pautou sua ação em defesa da soberania nacional e dos trabalhadores. A deposição de Getúlio Vargas em 1945 e o seu suicídio em 1954 foram consequências desse processo. Naquele momento histórico, em plena Guerra Fria, era de fundamental importância para os Estados Unidos, no seu confronto com a ex-União Soviética, manter sob seu controle suas áreas de influência na América Latina, incluindo o Brasil, e em outras partes do mundo. Getúlio Vargas foi o grande responsável pela construção do projeto do Brasil moderno e independente que está sendo destruído desde o golpe de estado de 1964. Ele foi, sem sombra de dúvidas, o maior estadista da história republicana do Brasil.
O Marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott foi outro grande personagem da história do Brasil e o importante militar da história recente do Brasil porque foi intransigente na defesa da legalidade democrática e obediente à normalidade constitucional. Em 1954, com o suicídio do presidente Vargas e a posse do vice-presidente Café Filho, Lott foi nomeado Ministro da Guerra do Brasil. Quando Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, assume a presidência interina do Brasil devido a problemas de saúde de Café Filho e concede anistia a um general que foi punido por Lott ao discursar de modo a questionar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek (JK) e de seu vice João Goulart (Jango), Lott ficou indignado com a situação. Esse evento, somado à posição de Carlos Luz, que admitiu a possibilidade de não passar a faixa presidencial ao presidente eleito no fim do ano de 1954, gerou um clima de tensão no seio das forças armadas. Lott, que havia pedido sua demissão do ministério e desistiu deste propósito, se colocou contra a tentativa de golpe de estado, angariando apoios em oposição ao presidente interino Carlos Luz.
Com os preparativos da posse de JK e Jango, a situação política ficou bastante tensa. Em 11 de novembro de 1955, Lott se posicionou em defesa da Constituição de 1946, que garantia a posse do presidente Juscelino Kubitschek e do vice João Goulart que foram eleitos no ano anterior. Esta crise político-militar foi solucionada com o impedimento do mandato do presidente interino Carlos Luz e a passagem da presidência da República para Nereu Ramos, presidente do Senado Federal. Lott mobilizou tropas e civis nas ruas pela posse de JK, o que deu certo. Ao assumir o governo, JK confiou o cargo no Ministério da Guerra para Lott cuja gestão ficou marcada pela transformação das Forças Armadas como ferramenta de manutenção da democracia, em que o exército brasileiro seria composto por homens dedicados à integridade das determinações constitucionais. Por sua atuação na cena política e militar brasileira, Lott foi indicado como candidato do PSD, partido de JK, como seu sucessor para as eleições presidenciais pela coligação PTB-PSD, compondo chapa com João Goulart para vice-presidente da República. Lott perdeu a eleição de 1960 para Jânio Quadros, mas seu vice, João Goulart do PTB, foi eleito.
Derrotado, Lott não abandona a vida pública. Em 1961, quando membros das Forças Armadas se amotinam contra a posse do presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, Lott participa da campanha contra o golpe de estado assumindo uma posição de protagonismo ao lado de Leonel Brizola na famosa Campanha pela Legalidade, quando ele se articulou com diversos militares nacionalistas e anti-golpistas para impedir o golpe de estado. Nesse momento, Lott escreveu uma carta aberta aos militares em que clama para que colaborem para assegurar a legalidade democrática e constitucional. Ao se contrapor à decisão do Ministro da Guerra de Jânio Quadros, que recusava aceitar a posse de Jango, Lott foi sentenciado à prisão. Ao ser abordado em sua casa, exigiu que fosse um também marechal para prendê-lo, pois não seria detido por um militar de patente inferior a sua, pelo respeito à hierarquia do exército. Quando o marechal Sucupira chega à sua residência, Lott é levado para sua cela, onde cumpriu 15 dos 30 dias estipulados de reclusão. A atitude do Marechal Lott e de Leonel Brizola foi fundamental para evitar que o golpe de estado ocorresse em 1961.
Quando acontece o golpe de estado em 1964, Lott teve seus direitos políticos cassados. Diante deste fato, o marechal decide abandonar a vida pública e ficar recluso em casa, por não concordar com os rumos que o Exército estava tomando com a implantação da ditadura militar contrária a todos os seus princípios legalistas e de respeito à Constituição. Lott morreu em 1984, um ano antes do fim da ditadura militar. Seu enterro não teve honras militares, mas estiveram presentes em seu sepultamento diversos admiradores deste grande militar democrata, incluindo o então governador do estado do Rio, Leonel Brizola, que decretou luto oficial pela perda de tão importante personagem de nossa história. O Marechal Lott morreu, mas deixou um legado inigualável de militar comprometido com a legalidade constitucional que deveria servir de exemplo para todos os militares no sentido de atuarem de acordo com a Constituição para evitar novos golpes de estado no Brasil.
Leonel Brizola foi outro gigantesco personagem da história do Brasil. Brizola ganhou prestígio nacional em 1961, quando era governador do Rio Grande do Sul, ao fazer a campanha pela legalidade em defesa da democracia e do direito de seu cunhado, o vice-presidente João Goulart, ser empossado presidente da República quando Jânio Quadros renunciou à presidência da República em agosto de 1961. Os militares tentaram impedir que Goulart o sucedesse sob o argumento de seus supostos laços com os comunistas. Depois de ganhar o apoio do general Machado Lopes, comandante do 3º Exército, Brizola criou a cadeia da legalidade com um grupo de estações de rádio no Rio Grande do Sul, a qual usou para emitir, a partir do Palácio Piratini, uma chamada nacional denunciando as intenções golpistas por trás das ações dos militares e incentivando a população a protestar nas ruas. Brizola entregou a Brigada Militar gaúcha ao comando do 3º Exército, organizou comitês paramilitares de resistência democrática, distribuiu armas de fogo à população e transformou a sede do governo em uma trincheira de resistência ao golpe de estado. Em resposta, os militares golpistas ordenaram o bombardeio do Palácio Piratini que foi abortado porque sargentos e suboficiais da Base Aérea de Canoas não cumpriram as ordens de seus superiores. Brizola se opôs à mudança para o regime parlamentarista proposta pelos militares como condição para que Goulart assumisse. Após doze dias de uma guerra civil iminente, João Goulart aceitou a proposta dos militares e foi empossado presidente da República que vigorou por dois anos (1961-1962) reduzindo enormemente seus poderes constitucionais. Com essa medida, os três ministros militares golpistas aceitaram, enfim, o retorno e posse de João Goulart. Em 31 de agosto de 1961, João Goulart retorna ao Brasil, e é empossado em 7 de setembro de 1961. Pode-se afirmar que a posse de João Goulart na presidência da República só se efetivou graças à campanha pela legalidade encetada pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.
Leonel Brizola colaborou com o governo João Goulart que buscou realizar as reformas de base como solução para os problemas estruturais vividos pelo Brasil. No dia 13 de março de 1964, João Goulart e Leonel Brizolaanunciaram grandes mudanças no Brasil através de um grande comício na Central do Brasil no Rio de Janeiro. Cerca de 200 mil pessoas estiveram presentes naquele dia, o que desagradou os setores conservadores. Neste comício, o presidente João Goulart anunciou a assinatura do decreto que encampava refinarias de petróleo particulares e o decreto que desapropriava terras improdutivas localizadas à beira de estradas e ferrovias para realizar a reforma agrária. Como as propostas eram influenciadas pelo pensamento de esquerda, os defensores do capitalismo, do latifúndio e membros da direita brasileira receavam quanto ao crescimento de um possível governo comunista no país. O comício na Central do Brasil foi o momento decisivo para determinar a organização dos militares para dar início ao golpe de estado que foi deflagrado em 31 de março de 1964 estabelecendo uma ditadura militar no país. Durante o golpe de estado de 1964, João Goulart e Brizola mantiveram uma relação tumultuada, sobretudo depois que as propostas de resistência de Brizola não foram aceitas por Jango. Brizola exilou-se e voltou ao Brasil em 1979, depois de quinze anos no Uruguai, nos Estados Unidos e em Portugal. Neste mesmo ano, fundou e presidiu o PDT- Partido Democrático Trabalhista. Em 1982, foi eleito governador do Rio de Janeiro. Na eleição presidencial de 1989, por pouco não foi para o segundo turno. Um ano depois, voltou a governar o Rio de Janeiro, sendo eleito no primeiro turno. Brizola faleceu, em 2004. Em dezembro de 2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que inseriu Brizola no Livro de Heróis da Pátria. Brizola deixou um exemplo marcante de grande patriota e de coragem desmedida na luta pela superação dos grandes entraves ao desenvolvimento do Brasil e pela libertação do País da exploração sofrida secularmente do capital internacional.
Ulysses Silveira Guimarães foi outro grande personagem da história do Brasil. Ulysses foi presidente da Câmara dos Deputados em duas ocasiões distintas. Com o fim do bipartidarismo imposto pela ditadura militar, o MDB converteu-se em 1979 em Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do qual Ulysses foi presidente nacional. Ulysses exerceu a presidência da Câmara dos Deputados em três períodos (1956-1957, 1985-1986 e 1987-1988). Foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que inaugurou a nova ordem democrática, após 21 anos sob a Ditadura Militar. Ele foi um dos maiores combatentes na luta pela redemocratização do Brasil tendo sido um dos principais opositores à ditadura militar apesar de tê-la apoiado com a eclosão do golpe de estado de 1964. À frente do MDB participou de todas as campanhas pelo retorno do país à democracia, inclusive a luta pela anistia ampla geral e irrestrita. Ao lado de outras grandes lideranças nacionais, Ulysses liderou novas campanhas pela redemocratização, como a das eleições diretas, popularmente conhecidas pelo slogan Diretas Já. Ulysses foi também candidato à presidência da República na eleição de 1989. A nova Constituição, na qual Ulysses teve papel fundamental, foi aprovada em 5 de outubro de 1988, tendo sido por ele chamada de Constituição Cidadã, pelos avanços democráticos e sociais que incorporou no documento.
É importante observar que a Constituição democrática e cidadã de 1988 tem sido no momento atual do Brasil um instrumento fundamental para impedir que se consume a tentação totalitária do presidente Bolsonaro que ameaça sistematicamente em promover um golpe de estado no Brasil. Esta Constituição tem sido acionada para barrar junto ao Supremo Tribunal Federal as pretensões de Bolsonaro de implantar uma ditadura no Brasil sob seu comando. Ulysses Guimarães continua vivo porque a Constituição de 1988 resultou da ação dos constituintes sob seu comando. Ulysses morreu em um acidente aéreo de helicóptero no litoral de Angra dos Reis, sul do estado do Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1992 e seu corpo nunca foi encontrado. Seu nome foi inscrito no Panteão dos Heróis da Pátria Brasileira pela lei federal nº. 13.815, de 24 de abril de 2019. Ulysses Guimarães morreu, mas deixou um legado de luta intransigente na defesa da democracia e contra a tirania que deveria servir de exemplo para todos os políticos brasileiros.
Pelo exposto, os quatro grandes personagens da história do Brasil republicano deixaram legados extraordinários que deveriam inspirar a todos os brasileiros comprometidos com a luta pela emancipação nacional e a defesa da democracia e da legalidade constitucional. Getúlio Vargas deixou como legado seu exemplo de governante que pautou sua ação em defesa da soberania nacional e da melhoria das condições sociais da população brasileira, além de ter sido o grande responsável pela construção do projeto do Brasil moderno e independente. O Marechal Lott deixou um legado inigualável de militar comprometido com a legalidade constitucional que deveria servir de exemplo para todos os militares no sentido de atuarem de acordo com a Constituição para evitar novos golpes de estado que caracterizaram a história do Brasil. Leonel Brizola deixou um exemplo marcante de grande patriota e de coragem desmedida na luta contra a tirania, pela superação dos grandes entraves ao desenvolvimento do Brasil e pela libertação do País da exploração sofrida secularmente do capital internacional. Ulysses Guimarães deixou um legado indelével de luta intransigente na defesa da democracia e contra a tirania que deveria servir de exemplo para todos os políticos brasileiros. Que Getúlio Vargas, Leonel Brizola e Ulysses Guimarães sirvam de exemplo para as futuras gerações de brasileiros fazerem as melhores escolhas para elegerem futuros presidentes da República e parlamentares comprometidos com o progresso político, econômico e social, bem como os militares brasileiros se inspirem no exemplo do marechal Henrique Teixeira Lott, opositor de golpes de estado e de ditaduras e grande baluarte na defesa da pátria e da ordem constitucional.
* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).
Cet article vise à démontrer que le Brésil pourrait enregistrer la marque de 1 million de décès dus au nouveau coronavirus en 2021 si rien n’est fait pour inverser cette tendance. Article de Michele de Mello et Giovanny Simon sous le titre Brasil pode atingir 1 milhão de mortes por covid-19 até outubro de 2021(Le Brésil peut atteindre 1 million de morts par covid-19 d’ici octobre 2021), publié le 19 avril 2021 sur le site <https://www.brasildefato.com.br/2021/04/19/brasil-pode-atingir-1-milhao-de-mortes-por-covid-19-ate-outubro-de-2021> informe que le Brésil peut atteindre 1 million de décès par covid-19 d’ici octobre 2021, selon une étude indépendante réalisée en Russie. Le Brésil pourrait atteindre le chiffre d’un million de décès par covid-19 d’ici octobre 2021 si les conditions actuelles persistent, c’est-à-dire une forte mobilité sans restrictions sur le territoire national, de nouvelles variantes du virus, une vaccination lente, selon une étude réalisée par le social russe scientifique Alexei Kouprianov.
Actuellement, le Brésil accumule près de 14,8 millions de personnes infectées et 408 000 tuées par le covid-19. La moyenne mobile du nombre de cas au cours de la deuxième semaine de mars 2021 a atteint 65000 personnes infectées, plaçant le Brésil en tant que troisième pays du classement mondial en chiffres absolus et en nouveaux cas quotidiens. Malgré le développement d’une série de vaccins approuvés par l’Organisation mondiale de la santé (OMS), le rythme de la pandémie ne ralentit pas au Brésil et dans le monde. Selon les projections du scientifique Kouprianov, le Brésil traverse une troisième vague de contagions, le pic montrant des signes d’avoir été atteint au cours de la deuxième semaine d’avril 2021.
Dans ses recherches sur le Brésil, le scientifique russe a simulé trois scénarios, en utilisant les données des trois ondes de contagion brésiliennes. Selon les prévisions, avec les données de la première vague, qui couvre la période du 17 mars au 1er novembre 2020, le Brésil pourrait atteindre 500 000 décès par covid-19 d’ici le milieu de 2021. Dans le second scénario, en utilisant les données du second vague publiée par l’Université Johns Hopkins, du 1er novembre 2020 au 15 février 2021, le pays atteindrait 800 mille morts d’ici octobre 2021 et dépasserait le chiffre de 1 million au début de 2022. Alors que le troisième scénario, qui reposait sur les données de la troisième vague de contagion publiées entre le 15 février et le 15 avril 2021 indiquent une tendance beaucoup plus grave, dans laquelle le Brésil enregistrerait un million de décès dans les six prochains mois.
La méthodologie utilisée par le scientifique russe Alexei Kouprianov pour la construction des scénarios susmentionnés prend en compte les facteurs à l’origine de la pandémie, tels que l’existence du virus, le nombre de contagions, la vitesse de propagation, entre autres, et admet l’évolution de la pandémie basée sur la courbe en «S», se référant à la logique de la fonction mathématique appliquée pour obtenir les résultats, lorsqu’on considère qu’une pandémie est un processus à haut degré d’autonomie. Dans une situation modèle basée sur la courbe en «S», la pandémie se développe comme une onde, acquérant une vitesse lente au début, puis se développant rapidement en franchissant un seuil, et, dans un moment ultérieur, elle décélère jusqu’à atteindre un plafond. Ainsi, il peut être représenté comme une séquence d’ondes, explique Kouprianov.
Dans la figure 1, ci-dessous, la courbe en «S» rouge correspond au cas où la pandémie se développe de manière incontrôlée, atteint son apogée et diminue lorsque le virus n’a plus de personnes à infecter et tuer car la population est déjà majoritairement infectée. Avec la courbe en «S» rouge, autant de personnes infectées et décédées que possible seraient atteintes dans une population donnée. La ligne hachurée correspond à la capacité du système de santé qui serait effondrée. Dans ce cas, le système de santé s’effondre car, la demande étant supérieure à l’offre de lits, il n’a à aucun moment la capacité de desservir la population. À son tour, la courbe bleue correspond à la situation idéale lorsque la pandémie est maîtrisée. Dans ce cas, la pandémie se développe, atteint son apogée et diminue à la limite de la capacité du système de santé avec l’adoption du «lock-down», la vaccination de masse et avec la population portant des masques, l’hygiène des mains et le maintien de la distance sociale. La situation au Brésil correspond à la courbe rouge en «S».
Avec cette méthode, les projections obtenues deviennent plus réalisables pour la réalisation tant que la situation ne change pas comme c’est le cas au Brésil. Les projections de Kouprianov peuvent se produire en raison du sabotage du gouvernement Bolsonaro dans la lutte contre la pandémie, de la paralysie du Congrès national et de l’inaction du Bureau du procureur général du PGR pour poursuivre en justice Bolsonaro aux sanctions de la loi et de la Constitution et du manque de pression des forces d’opposition pour renverser la réalité dans laquelle nous vivons. Cette situation contribue à faire évoluer le nombre de personnes infectées vers une croissance spectaculaire au Brésil jusqu’à atteindre un million de décès d’ici la fin de 2021. Cet ensemble de facteurs décrits ci-dessus montre que les projections de Kouprianov sur les scénarios du nombre de décès par covid-19 au Brésil sont corrects. Si les projections faites par le scientifique russe offrent déjà une vision très pessimiste sur l’avenir de la pandémie au Brésil, l’action de sabotage du gouvernement Bolsonaro dans la lutte contre la pandémie pourrait encore aggraver le scénario en 2021 et 2022.
Le scénario catastrophique d’un million de décès par covid-19 au Brésil d’ici la fin de 2021 devrait se produire car la population a mis du temps à vacciner en raison d’une insuffisance de vaccins, le Brésil adopte une politique d’isolement social inefficace et la mobilité urbaine de la population reste élevée car le contexte de travail informel de 40% de la population économiquement active ajouté à l’insécurité alimentaire qui touche 125,6 millions de Brésiliens oblige la majorité à quitter la maison pour se battre pour survivre. Sans suffisamment de vaccins pour vacciner la population, sans l’adoption d’un «verrouillage» pour freiner la mobilité urbaine et sans soutien financier du gouvernement aux populations vulnérables et aux micro, petites et moyennes entreprises, la tendance est à l’aggravation de la pandémie au Brésil . L’absence de mesures pour freiner la libre circulation du virus et l’interaction des personnes avec les nouvelles variantes du virus génère une sorte de bombe à retardement pour l’explosion d’autres versions plus agressives du nouveau coronavirus. Ce n’est pas un hasard si le Brésil, qui compte environ 2,7% de la population mondiale, est responsable d’environ un quart de tous les nouveaux décès sur la planète.
La rupture des brevets de vaccin pourrait être un moyen d’accélérer et de décentraliser la production du médicament dans le monde et d’accélérer la vaccination de la population mondiale pour freiner la contamination virale. Cependant, le Brésil a voté avec les représentants des grandes puissances mondiales – détenant 75% des formules déjà développées – contre la proposition de briser les brevets à l’Organisation mondiale du commerce (OMC). Hier (5/5/2021), la décision historique du gouvernement américain Joe Biden de soutenir la proposition des pays émergents de mettre fin aux brevets de vaccins, pendant la pandémie de covid-19, a eu lieu, tandis que le Brésil entre dans l’histoire comme l’une des pires défaites et l’un des plus grands embarras de la diplomatie brésiliennepour avoir pris position contre cette mesure. Tout en prenant position contre la rupture du brevet du vaccin, le gouvernement Bolsonaro collabore également pour empêcher l’accélération de la vaccination au Brésil en rejetant le vaccin russe Spoutnik V via Anvisa.
Le fonds souverain russe, qui a financé le développement de Spoutnik V, consulte des avocats brésiliens pour poursuivre les directeurs d’Anvisa (Agence nationale de surveillance de la santé) pour diffamation, qui considérait ce vaccin comme présentant un risque élevé pour l’humanité, tentant de l’utiliser dans le monde. La décision d’intenter une action contre Anvisa peut être prise dans les prochains jours. Les avocats consultés comprennent que les directeurs de Anvisa ont avancé le signal, d’un point de vue juridique, non seulement en refusant l’autorisation d’importer en raison de l’absence de documents, mais aussi en considérant que cela peut présenter un risque élevé pour l’humanité. Le laboratoire Gamaleya, qui a développé le vaccin Spoutnik V, a contesté le résultat de l’analyse d’Anvisa. Le rejet par Anvisa du Spoutnik V peut être en accord avec le ministère de la Santé des États-Unis, qui a reconnu, dans des rapports publics, qu’il avait exercé des pressions sur les responsables du gouvernement brésilien pour qu’ils n’approuvent pas le vaccin russe Spoutnik V afin d’éviter une nouvelle influence russe dans la région.
Le scénario d’un million de morts au Brésil en 2021 est aggravé par les facteurs décrits ci-dessus, mais aussi parce que le gouvernement Bolsonaro n’a pas délibérément utilisé l’intégralité du budget approuvé en 2020 pour lutter contre la pandémie, faute de dépenser 80 milliards de reais – un montant qui pourrait payer jusqu’à un milliard de doses de vaccins, pour une valeur moyenne de 15 dollars EU par dose. Même le Centre d’études stratégiques de l’armée (CEEEx) a publié en avril 2020, un rapport qui soulignait la tendance de la pandémie à être incontrôlable au Brésil, si des politiques n’étaient pas adoptées qui tenaient compte: 1) des directives de l’OMS; 2) encourager l’application des quarantaines; 3) reposaient sur des données et des études scientifiques; 4) des actions ont été articulées avec les gouvernements des États, selon quatre axes: sanitaire, politique, social et économique. Toutes ces directives ont été ignorées ou même contrées par le gouvernement Bolsonaro.
Une étude de l’Université de Washington confirme les projections du scientifique russe Alexei Kouprianov. Article d’Eduarda Esteves sous le titre Universidade projeta cem mil mortes por Covid-19 no Brasil só no mês de abril (L’Université projette cent mille décès de Covid-19 au Brésil pour le seul mois d’avril), publiées sur le site <https://saude.ig.com.br/coronavirus/2021-04-03/universidade-projeta-cem-mil-mortes-por-covid-19-no-brasil-so-no-mes-de-abril.html>, informe que, s’il n’y a pas de changement dans les conditions actuelles, le Brésil pourrait surpasser les États-Unis en nombre absolu de décès en août 2021. L’analyse est réalisée par le médecin libanais Ali Mokdad, professeur à l’Institute of Health and Evaluation Metrics (IHME, en acronyme en anglais) de l’Université de Washington, une institution américaine qui a publié des projections inquiétantes pour le Brésil. Ali Mokdad estime que le Brésil devrait enregistrer 100 000 nouveaux décès supplémentaires dus au covid-19 rien qu’en avril 2021 – un tiers de plus que les quelque 66 000 décès causés par le coronavirus au cours du mois déjà dévastateur de mars 2021. Dans le scénario le plus probable, prendre compte tenu de l’utilisation des masques par la population, sans restriction de mobilité sociale et faible taux de vaccination, l’institut américain estime que le Brésil représentera un total de 562 800 décès au 30 juin 2021. Dans le pire scénario estimé par l’IHME, ce total peut atteindre 597.800 décès.
Anthony Fauci, directeur de l’Institut national des allergies et des maladies infectieuses des États-Unis, a déclaré que le Brésil devrait sérieusement envisager de procéder à un «verrouillage» pour ralentir la progression de la pandémie. En plus du «verrouillage» à adopter par les États et les municipalités, l’argent devrait être distribué par le gouvernement fédéral aux populations, en particulier les plus vulnérables, pour les empêcher, en raison de la nécessité de survivre, d’être contraintes de quitter leur domicile pour travailler dans les bureaux ou dans les rues. En d’autres termes, le gouvernement fédéral devrait payer les gens pour qu’ils ne sortent pas dans la rue pour ne pas infecter ou être infectés par le virus. Des mesures devraient également être adoptées par le gouvernement fédéral pour aider les entreprises, en particulier les micro, petites et moyennes entreprises, à survivre en cette période de baisse des revenus, ainsi que les États et les municipalités pour éviter leur insolvabilité en raison de la baisse du recouvrement des impôts. les taxes. Seul le gouvernement fédéral a la capacité de mettre ces mesures en pratique.
Pour que ces mesures soient couronnées de succès et aboutissent au succès de la lutte contre le nouveau Coronavirus au Brésil, l’adoption des mesures décrites ci-dessus est urgente, notamment le «lock-out» pendant deux ou trois mois. La condition indispensable pour que le Brésil gagne la guerre contre le nouveau coronavirus est que le gouvernement fédéral, les gouvernements des États et des municipalités et la population soient unis contre l’ennemi commun. Pour que ces mesures soient mises en pratique, il faut une action de coordination du gouvernement fédéral qui, avec Bolsonaro, serait impossible. Malheureusement, au Brésil, cette situation ne se produira pas tant que le président de la République Jair Bolsonaro sera à la tête du gouvernement brésilien. Si tout continue comme il est aujourd’hui, le Brésil atteindra inévitablement le cap du million de morts par covid-19 en 2021. Pour éviter que cela ne se produise, Bolsonaro doit être destitué de la présidence de la République car il est le principal obstacle dans la lutte à la pandémie du nouveau Coronavirus au Brésil.
* Fernando Alcoforado, 81, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).