EM DEFESA DA RACIONALIDADE NO USO DA VACINA PARA O COMBATE AO NOVO CORONAVIRUS EM BENEFÍCIO DA POPULAÇÃO DO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Em reunião com governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou ontem em reunião com governadores que o governo federal compraria 46 milhões de doses da vacina Coronavac. Hoje, Jair Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro não comprará doses da Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan e que tem o governo de São Paulo, comandado pelo rival político João Doria, como principal fiador no Brasil.

Antes da reunião com governadores, o Ministério da Saúde chegou a enviar um ofício ao Instituto Butatan, datado de segunda-feira (19), para confirmar a intenção de compra das vacinas. Neste ofício, Pazuello disse: Informo a intenção em adquirir 46 milhões de doses da referida vacina (Vacina Butatan – Sinovac/Covid-19), ao preço estimado de US$ 10,30 (dez dólares e trinta centavos) por dose, seguindo as especificações da vacina e o respectivo cronograma de entrega.

A declaração de Bolsonaro desautoriza o anúncio de ontem do ministro da Saúde e, no fim da manhã de hoje, disse que mandou cancelar o protocolo de intenções e enfatizou que “não abro mão da minha autoridade”. Contraditoriamente, o governo Bolsonaro assinou compra da vacina de Oxford sem autorização da Anvisa. Em 6 de agosto passado, Bolsonaro assinou MP (Medida Provisória) que libera R$ 1,9 bilhão para produção, compra e distribuição de 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca que, no Brasil, a pesquisa sobre esse imunizante é liderada pela Fiocruz.

Dá para perceber que a oposição de Bolsonaro à Coronavac resulta do fato dela ser patrocinada pelo governador João Dória, que ele identifica como seu concorrente nas eleições presidenciais de 2022, politizando, desta forma, a questão da vacina. Da mesma forma que se opôs às medidas de distanciamento social defendidas pelos governadores e tornou inoperante o Ministério da Saúde, dificultando o combate ao novo Coronavirus no Brasil contribuindo para a morte de mais de 150 mil brasileiros e quase 3 milhões de contaminados pelo vírus,  Bolsonaro se opõe à obrigatoriedade de vacinação da população e, também, à vacina Coronavac.  

Dois fatos são evidentes. De um lado, Bolsonaro atua como grande aliado da propagação do vírus no Brasil, enquanto João Doria busca apressadamente em promover vacinação em massa em São Paulo e, também, no Brasil, para se promover politicamente, ao lançar uma vacina, a Coronavac, cuja eficácia ainda não foi comprovada   É importante observar que a vacina Coronavac como as demais vacinas em pesquisa no mundo ainda não demonstraram sua segurança e eficácia no combate ao novo Coronavirus. Segundo Ken Frazier, CEO da principal produtora de vacinas do mundo, a farmacêutica Merck & Co., em entrevista à Harvard Business School, publicada no website <https://hbswk.hbs.edu/item/merck-ceo-ken-frazier-speaks-about-a-covid-cure-racism-and-why-leaders-need-to-walk-the-talk>, a vacina mais rápida já trazida ao mercado foi o medicamento da Merck contra a caxumba que levou cerca de quatro anos. A vacina da Merck para o Ebola levou cinco anos e meio e só neste mês foi aprovada na Europa. A vacina para tuberculose levou 13 anos, para rotavírus 15 anos e para catapora 28 anos.

Frazier explicou que o processo de desenvolver uma vacina é demorado porque requer uma rigorosa avaliação científica. No caso da Covid 19, ele afirmou que nem sequer entendemos o vírus em si ou como o vírus afeta o sistema imunológico. Frazier afirma que ninguém sabe ao certo se algum desses programas de vacinas será eficaz. O que mais lhe preocupa é que o público está com tanta ansiedade, tão desesperado para voltar à normalidade, que está empurrando a indústria farmacêutica para mover as coisas cada vez mais rápido. Ele afirma que há muitos exemplos de vacinas no passado que estimularam o sistema imunológico mas não conferiram proteção. E, infelizmente, há alguns casos em que não só não conferiu proteção mas ajudou o vírus a invadir a célula porque a vacina estava incompleta em termos de suas propriedades imunogênicas. Temos que ter muito cuidado, disse Frazier. Em última análise, Frazier afirma que se vai usar uma vacina em bilhões de pessoas, é melhor saber o que essa vacina faz.

Ken Frazier diz que, quando se afirma que vai haver uma vacina até o final de 2020, por exemplo, como é o caso de João Doria, ele acha que fazem um grave desserviço ao público.  Ele defende que não se deve apressar a vacina antes de termos uma ciência rigorosa. Ele diz que vimos no passado, por exemplo, com a gripe suína, que essa vacina fez mais mal do que bem. Não temos um grande histórico de introduzir vacinas rapidamente no meio de uma pandemia. Precisamos ter isso em mente, ponderou Frazier. Ele afirma que há sete bilhões e meio de pessoas no planeta agora. E nunca tivemos uma vacina que tenha sido usada em população desse tamanho.

Pelo exposto, é irresponsável tanto o comportamento de Bolsonaro com relação à questão do novo Coronavirus no Brasil e, também, de todos aqueles, como João Doria, que com pressa desejam vacinar a população sem a necessária comprovação da eficácia da vacina que requereria bastante tempo.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NON À LA BARBARIE DANS LE MONDE EN DÉFENSE DE LA CIVILISATION

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à dénoncer la barbarie dans laquelle l’humanité est soumise à travers l’histoire qui a atteint son plus haut niveau pendant l’existence du capitalisme à l’époque contemporaine et à lutter pour sa fin dans la défense des principes de civilisation. L’humanité a évolué jusqu’à présent du stade de la sauvagerie à celui de la barbarie. La sauvagerie est une étape caractéristique des sociétés primitives ou des peuples primitifs, qui sont normalement associés aux peuples autochtones. Le terme barbarie a deux significations distinctes mais liées: le manque de civilisation et la cruauté du barbare. Eric Hobsbawm note que la barbarie signifie une rupture avec les normes morales qui régissent la vie en société et les contrôles sociaux traditionnels, laissant place à la violence endémique et au mépris des êtres humains [Voir La barbarie: guide d’utilisation (Barbarisme: guide de l´utilisateur) sur le site Web <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>]. Le grand défi de l’ère contemporaine est de faire évoluer l’humanité du stade de la barbarie dans lequel elle se trouve actuellement à celui de la civilisation.

Selon Eric Hobsbawn, au cours des 150 dernières années, la barbarie n’a cessé d’augmenter. Année après année, décennie après décennie, la violence et le mépris des êtres humains se sont multipliés et il semble qu’il n’y ait pas de limite à ce phénomène. Quelque chose de bien pire: les hommes et les femmes se sont habitués à la barbarie, il n’y a plus d’étonnement, d’étrangeté ou d’horreur face à des actes inhumains. En 1847, Marx écrivit ce passage surprenant et prophétique: “La barbarie est réapparue, mais cette fois elle est engendrée dans la civilisation elle-même et en fait partie intégrante. C’est la barbarie lépreuse, la barbarie comme la lèpre de la civilisation” [Voir Barbárie e modernidade no século 20 (Barbarisme et modernité dans 20e siècle) par Michael Lowy, publié au Brésil par le journal “Em Tempo” – emtempo@ax.apc.org et, à l’origine en français, dans la revue “Critique Communiste” nº 157, hiver 2000).

La Première et la Seconde Guerre mondiale ont établi une nouvelle forme de barbarie éminemment moderne, bien pire dans son inhumanité meurtrière que les pratiques guerrières des conquérants «barbares» de la fin de l’Empire romain. Selon Eric Hobsbawn, la Grande Guerre (1914-1918) ouvre l’étape la plus sanguinaire de l’histoire mondiale. 1914 commence par des sacrifices illimités dans le but d’éliminer l’ennemi. Sacrifice qui intègre la population civile elle-même. 1914 commence avec l’ère de la guerre totale, l’absence de distinctions entre combattants et non-combattants [Voir l’article d’Eric Hobsbawn sous le titre La barbarie: guide d’utilisation (Barbarisme: guide de l´utilisateur) sur le site Web <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>]. De 1914 à 1990, 187 millions de personnes sont mortes dans des actes de guerre ou d’extermination systématique.

Malgré les intentions répétées de tous les pays du monde de maintenir la paix mondiale, le XXe siècle a été le théâtre de deux grandes guerres. Au cours de la Première Guerre mondiale (1914-1918), environ 9 millions de personnes sont mortes. Seulement vingt ans plus tard, la Seconde Guerre mondiale (1939-1945) éclate, tuant 40 à 52 millions de personnes. En outre, la violence des conflits à notre époque est sans précédent dans l’histoire. Les guerres du 20e siècle étaient des «guerres totales» contre les combattants et les civils sans discrimination. L’historien Eric Hobsbawm [A Era dos Extremos (L’ère des extrêmes), Companhia das Letras, 2008] ajoute: «Sans aucun doute, ce fut le siècle le plus meurtrier jamais enregistré, à la fois dans l’ampleur, la fréquence et l’étendue de la guerre qui l’a rempli, qui a à peine cessé un instant. dans les années 1920, mais aussi à cause du volume unique de catastrophes humaines qu’elle a engendrées, des plus grandes famines de l’histoire au génocide systématique».

La tragédie des guerres du XXe siècle a frappé la plupart des familles sur deux, trois ou quatre générations. L’appel aux armes a emmené des millions d’enfants, de maris, de parents et de frères sur le champ de bataille, et des millions ne sont pas revenus. Le génocide nazi contre les juifs, les tsiganes et les communistes, l’utilisation de la bombe atomique à Hiroshima et Nagasaki, le goulag stalinien, la guerre du Vietnam, l’attaque terroriste contre le World Trade Center à New York, les deux guerres en Irak, la guerre de L’Afghanistan, les récentes guerres civiles en Libye et en Syrie et la violence aveugle pratiquée par l’État islamique illustrent plus pleinement la barbarie qui caractérise le monde dans lequel nous vivons. Le socialisme, qui a été construit en Union soviétique et dans d’autres pays, n’a pas tenu sa promesse historique d’émanciper l’humanité, de mettre fin à l’exploitation de l’homme par l’homme, d’éliminer les inégalités sociales et de rendre la société égalitaire, s’est transformé en tyrannie.

Au XXe siècle, les crises du capitalisme ont toujours abouti à des révolutions sociales visant à renverser le système capitaliste comme cela s’est produit en Russie en 1917 avec l’implantation du système socialiste ou en contre-révolution avec l’implantation de dictatures fascistes comme cela s’est produit en Italie avec Mussolini et les nazifascistes comme cela s’est produit en Allemagne avec Hitler. La montée du fascisme en 1922 ainsi que celle du nazisme d’Adolf Hitler en Allemagne en 1933 n’a été possible qu’avec la collaboration et le soutien financier de grandes entreprises capitalistes. Le fascisme représentait une réaction des forces conservatrices en Europe contre la montée au pouvoir des travailleurs dans plusieurs pays après la victoire du socialisme en Union soviétique en 1917 et reposait sur des conceptions fortement nationalistes et sur l’exercice totalitaire du pouvoir, donc contre le libéral et répressif face aux idées sociales-démocrates, socialistes et communistes. Le fascisme implanté dans les années 1920 et 1930 du XXe siècle reposait sur un État totalitaire fort qui prétendait incarner l’esprit du peuple, dans l’exercice du pouvoir par un parti unique dont l’autorité était imposée par la violence, la répression et de propagande politique.

Les affinités entre le libéralisme capitaliste, soi-disant défenseur de la démocratie, et son contraire, la dictature, se manifestent en 1795, après la Révolution française, lorsque les jacobins sont renversés par les Girondins et qu’un gouvernement dictatorial est installé en France. Le général Napoléon Bonaparte est mis au pouvoir, après la réaction thermidorienne avec le coup d’État du 18 brumaire (9 novembre 1799) dans le but de contrôler l’instabilité sociale en France. Napoléon prend la relève en tant que premier consul de France, établissant une dictature. De même il y a une affinité entre le libéralisme capitaliste et la dictature comme cela s’est produit en France avec Bonaparte, il en va de même entre le libéralisme capitaliste et le fascisme, qui ne sont pas strictement égaux, mais il n’existe pas non plus de mur insurmontable entre eux. Parmi eux, il y a plus de points de convergence que de divergence. Cela a été confirmé par la montée du fascisme en Italie dans les années 1920 et du nazisme en Allemagne dans les années 1930 du 20e siècle, qui avait le soutien des libéraux. Les libéraux ont légitimé à la fois le fascisme et le nazisme avec des politiques d’inspiration libérale dans leurs dictatures.

Les libéraux néoclassiques qui ont donné naissance au courant idéologique devenu hégémonique aujourd’hui, le néolibéralisme capitaliste, ont également défendu le fascisme et sa variante nazie comme des projets politiques nécessaires au maintien de l’ordre capitaliste. C’est ce que l’on peut voir dans cette déclaration de Friedrich Hayek, membre de l’école autrichienne d’économie, à propos de son impression du nazisme: «Hitler n’avait pas à détruire la démocratie; il se borna à profiter de sa décadence et, au moment critique, il obtint le soutien de nombreuses personnes qui, bien qu’elles le détestaient, le considéraient comme le seul homme assez fort pour mettre les choses en mouvement» [HAYEK, Friedrich. O caminho da servidão (La voie du servage). 5 éd. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990]. Contrairement à ce que disait Hayek, Hitler a détruit la démocratie en Allemagne.

La complaisance des théoriciens néoclassiques libéraux envers le fascisme se poursuit avec Ludwig von Mises. Une autre icône de l’école autrichienne d’économie. Mises a été conseiller économique du gouvernement fasciste d’Engelbert Dollfuss en Autriche. Dans son livre “Libéralisme – Selon la tradition classique“, il réitère que le fascisme était un mouvement politique qui avait comme l’un de ses principaux objectifs la lutte contre le bolchevisme. Ludwig von Mises a déclaré: «Les actions des fascistes et des autres partis qui lui correspondaient étaient des réactions émotionnelles, suscitées par l’indignation face aux actions perpétrées par les bolcheviks et les communistes. (…) Contre les armes des bolcheviks, les mêmes armes devraient être utilisées en représailles, et ce serait une erreur de faire preuve de faiblesse face aux assassins. Jamais un libéral n’a remis cela en question» [VON MISES, Ludwig. Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica (Libéralisme – Selon la tradition classique). São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010]. Mises a déclaré qu’aucun libéral ne remettait en question l’utilisation de la violence par les fascistes et les nazis.

Dans cet ouvrage, Mises n’hésite pas non plus à légitimer, louer et même louer le fascisme: «On ne peut nier que le fascisme et mouvements similaires, visant à l’établissement de dictatures, sont imprégnés des meilleures intentions et que leur intervention, jusqu’à maintenant, il a sauvé la civilisation européenne. Le mérite que le fascisme a donc obtenu pour lui-même sera inscrit dans l’histoire. Cependant, alors que sa politique a fourni un salut momentané, il n’est pas du genre à promettre un succès continu. Le fascisme est un expédient d’urgence». Mises, l’un des idéologues du néolibéralisme capitaliste, a affirmé l’absurdité que le fascisme et le nazisme ont sauvé la civilisation européenne.

Selon Robert Paxton, le fascisme émerge à la recherche d’une sorte de renouveau nationaliste (PAXTON, Robert. The anatomy of fascism. New York: Vintage Books, 2005). Selon Paxton, le fascisme ne se développe que sur le terrain instable d’une démocratie mature en crise, comme c’est le cas aux États-Unis aujourd’hui. Ce point de vue a été pleinement adopté par le Parti républicain, qui se définit désormais dans cette ligne. À ce stade, il est ouvertement raciste, sexiste, répressif, exclusion et accro en permanence à la politique de la peur et de la haine, comme il l’a fait sous l’administration George W.Bush et qui est en train de s’approfondir dans l’administration Donald Trump. La montée du fascisme sous le commandement de Donald Trump aux États-Unis a résulté, fondamentalement, de son déclin économique et de la perte de son hégémonie sur la scène mondiale en très peu de temps.

Dans le livre Capitalism, Hegemony and Violence in the Age of Drones, publié par Springer Nature en 2018, Norman Pollack, qui était professeur émérite d’histoire à la Michigan State University, déclare que «le fascisme aux États-Unis, à n’importe quel stade de la gestation, il avance contre le peuple». Selon Pollack, le fascisme est plus qu’un arrangement politique historiquement temporaire, comme en Allemagne, en Italie, au Japon et dans d’autres pays entre les deux grandes guerres mondiales. Le fascisme est un état social général.

Le fascisme a été mis à profit aux États-Unis avec l’administration Bush et a été maintenu par l’administration Obama lorsque la violation du secret des communications et de la surveillance intrusive dans la vie des gens s’est généralisée; chaque bibliothèque était tenue d’informer le FBI de la liste des livres demandés, règle qui s’applique même aux universités; et une liste d’ennemis internes a été créée, qui, par exemple, ne peuvent pas voyager par avion, et qui rassemble aujourd’hui des dizaines de milliers de noms (environ 100000 sont parlés), un bon nombre de dissidents universitaires, de pacifistes, etc. Des listes comme celles-ci sont typiques des régimes totalitaires. Peu à peu, le siège est fermé aux journalistes, enseignants, pasteurs, militants et à des dizaines d’autres. Dans la pratique, le droit universel d’habeas corpus a été éteint.

Les forces gouvernementales américaines (CIA et militaires) sont autorisées à arrêter n’importe qui, n’importe où dans le monde et aussi dans le pays, sans aucune justification, pour le maintenir en prison sans communication avec les membres de la famille ou les avocats et sans indemnisation pour une durée indéterminée, et déplacez-le vers l’une de vos prisons, connues ou secrètes, dans divers pays, ou même certains bateaux-prisons, tous ces endroits où ils torturez et assassinez en toute impunité, comme cela a été documenté dans les prisons de la base de Baghram , en Afghanistan, à Abu Ghraib, en Irak, et dans la tristement célèbre prison à sécurité maximale de Guantánamo, à l’extrême est de Cuba. C’est un ensemble de dispositions fascistes qui rendent envieux l’appareil terroriste d’Hitler.

Dans la politique étrangère américaine, une nouvelle doctrine a remplacé les anciens concepts d’autodétermination des peuples, de non-agression, de respect du droit international et de l’autorité onusienne, etc. avec la création de monstres pseudo-légaux comme la proposition de «guerres préventives», agression contre des pays en désobéissance aux décisions du Conseil de sécurité de l’ONU et contre des pays qui menacent ou pourraient menacer l’hégémonie des États-Unis dans le monde, dont les cercles dominants ils se chargent d’encadrer comme des amis et des ennemis en fonction de leurs intérêts. Une autre caractéristique du discours et de la pratique des membres du gouvernement des États-Unis est la fabrication d’une fausse vérité fondée sur des leçons, des omissions et des mensonges. Ce fut la voie trouvée pour fonder la décision d’envahir l’Irak, l’Afghanistan et la Libye.

L’origine totalitaire du néolibéralisme capitaliste résulte de la collusion entre libéraux et fascistes dans la lutte contre le socialisme. À l’ère contemporaine de la mondialisation économique et financière, le fascisme moderne surgit, non seulement aux États-Unis, mais englobe toute la planète, y compris le Brésil avec le gouvernement néo-fasciste de Bolsonaro. Le système capitaliste néolibéral dominant est défini par l’ubiquité de son idéologie mercantile, qui occupe à la fois tout l’espace et tous les secteurs de la vie. Cette idéologie a réduit toutes les relations humaines à des relations mercantiles et considère notre planète comme une simple marchandise. Le seul droit reconnu par le système capitaliste néolibéral est le droit à la propriété privée. Le seul dieu qu’il adore est l’argent.

L’ubiquité de l’idéologie néo-fasciste néolibérale se manifeste dans le culte de l’argent, dans le parti unique déguisé en pluralisme parlementaire, en l’absence d’opposition visible et dans la répression sous toutes ses formes contre la volonté de transformer l’homme et le monde. C’est le vrai visage du fascisme moderne qu’il faut appeler par son vrai nom: système capitaliste totalitaire. L’homme, la société et notre planète dans son ensemble sont au service de cette idéologie néo-fasciste. Le système capitaliste totalitaire a accompli ce qu’aucun totalitarisme n’a réussi à faire auparavant: unifier le monde à son image. Aujourd’hui, il n’y a plus d’exil possible. À l’ère contemporaine de la mondialisation économique et financière, le plus néfaste de tous les fascismes apparaît, qui englobe la planète entière. Le nouveau fascisme vise à défendre les intérêts du système capitaliste mondial néolibéral dominant.

Il est regrettable que l’humanité se trouve dans la situation avec la prévalence de la barbarie, où la faim tue des millions de personnes dans le monde chaque jour, la plupart des enfants n’atteignent pas l’âge adulte en raison du manque de nourriture, tandis que d’autres mangent trop et ils sont obèses par erreur et suralimentation comme le font leurs parents. Nous vivons dans un monde de contrastes entre luxe et ordures, richesse matérielle et misère. Il est inacceptable de vivre dans un monde où, au cours des 6 000 dernières années de l’histoire humaine, il n’ya eu que 292 ans de paix relative entre les peuples. Joignez-vous à tout cela, l’immense agression qui a eu lieu contre l’environnement naturel et qui peut menacer la survie de l’humanité face à la perspective d’un changement climatique mondial catastrophique. Pour aggraver cette épreuve, l’humanité a été affectée par la pandémie Covid 19 qui a déjà tué plus d’un million d’habitants de la planète.

Il convient de noter que l’antithèse de la barbarie est la civilisation, qui est considérée comme le stade le plus avancé qu’une société humaine puisse atteindre. Il y a certains éléments généralement acceptés par tout le monde sur ce qui ferait une société civilisée: 1) offrir une sécurité garantie à tous les citoyens qui ne devraient pas craindre la perte de leur vie ou des blessures physiques; 2) fournir les meilleurs soins médicaux possibles à tous les membres de la société; 3) donner accès à la nourriture et à l’eau à tous les citoyens afin que personne n’ait faim ou soif; 4) offrir des conditions de logement de base à tous les citoyens; 5) avoir un système législatif démocratique dont les lois sont établies pour préserver le bien-être de la population; 6) fournir un système éducatif garantissant l’égalité d’accès à l’enseignement de haut niveau pour tous afin de rendre leur population hautement qualifiée; et 7) garantir à la population la liberté de pensée, de croyance, de religion, d’affiliation et d’expression et le droit de participer aux décisions gouvernementales.

Au vu de la sombre histoire des attaques contre l’humanité et de ses sombres perspectives, il est urgent d’attaquer le mal de la barbarie à la racine avec la construction d’un nouvel ordre mondial civilisé pour remplacer l’ordre capitaliste dominant qui génère les attaques contre la civilisation en tous les quartiers de la Terre enregistrés il y a 500 ans. Le nouvel ordre mondial civilisé à construire doit adopter la devise universelle «Liberté, Égalité, Fraternité» comme héritage des Lumières à la fin du XVIIe siècle. Cette devise invoquée pendant la Révolution française, qui est universelle parce qu’elle reflète les désirs de tous les êtres humains, doit être sauvée par l’humanité. Afin de faire prévaloir la civilisation sur la barbarie, il est nécessaire que les forces de défense vivantes de la civilisation se rassemblent à travers la planète pour s’opposer aux forces de la barbarie. L’avenir de l’humanité dépend du résultat de cette confrontation.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NO TO BARBARISM IN THE WORLD IN DEFENSE OF CIVILIZATION

Fernando Alcoforado*

This article aims to denounce the barbarism in which humanity is subjected throughout history that reached its highest level during the existence of capitalism in the contemporary era and to strive for its end in defense of the principles of civilization. Humanity has evolved to date from the stage of savagery to that of barbarism. Savagery is a characteristic stage of primitive societies or primitive peoples, which are normally associated with indigenous peoples. The term barbarism has two distinct but linked meanings: lack of civilization and cruelty of barbarian. Eric Hobsbawm notes that barbarism means a break with the moral standards that regulate life in society and traditional social controls, giving way to rampant violence and contempt for human beings [See La barbarie: guia del usuario (The barbarisme: user guide) on the website <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>]. The great challenge of the contemporary era is to make humanity evolve from the stage of barbarism in which it finds itself at the moment to that of civilization.  

According to Eric Hobsbawn, in the last 150 years, barbarism has been permanently increasing. Year by year, decade by decade, violence and contempt for human beings have increased, and there seems to be no limit to this phenomenon. Something much worse: men and women have become accustomed to barbarism, there is no longer any astonishment, strangeness or horror in the face of inhuman acts. In 1847 Marx wrote this surprising and prophetic passage: “Barbarism has reappeared, but this time it is engendered within civilization itself and is an integral part of it. It is leprous barbarism, barbarism as the leprosy of civilization” [See Barbárie e modernidade no século 20 (Barbarism and modernity 20th century) by Michael Lowy, published in Brazil by the newspaper “Em Tempo” – emtempo@ax.apc.org and, originally in French, in the magazine “Critique Communiste” nº 157, hiver 2000].

The First and Second World War established a new form of eminently modern barbarism, far worse in its murderous inhumanity than the warlike practices of the “barbaric” conquerors of the end of the Roman Empire. According to Eric Hobsbawn, the Great War (1914-1918) opens the most bloodthirsty stage in world history. 1914 begins with unlimited sacrifices in an effort to eliminate the enemy. Sacrifice that incorporates the civilian population itself. 1914 begins with the era of total war, the absence of distinctions between combatants and non-combatants [See Eric Hobsbawn’s article La barbarie: guia del usuario (Barbarism: user guide) on the site <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>). From 1914 to 1990, 187 million people died in warlike acts or systematic extermination.

Despite the repeated intentions of all countries in the world to maintain world peace, the 20th century was the scene of two great wars. In the First World War (1914-1918), about 9 million people died. Only twenty years later, World War II (1939-1945) broke out, which killed 40 to 52 million people. Furthermore, the violence of conflicts in our time is unparalleled in history. The wars of the 20th century were “total wars” against combatants and civilians without discrimination. Historian Eric Hobsbawm [A Era dos Extremos (The Age of Extremes), Companhia das Letras, 2008] adds: “Undoubtedly it was the most murderous century on record, both in the scale, frequency and extent of the war that filled it, barely ceasing for a moment in the 1920s, but also because of the unique volume of human catastrophes it produced, from the greatest famines in history to systematic genocide”.

The tragedy of wars in the twentieth century has hit most families over two, three or four generations. The call to arms took millions of children, husbands, parents and brothers to the battlefield, and millions did not return. The Nazi genocide against Jews, Gypsies and Communists, the use of the atomic bomb in Hiroshima and Nagasaki, the Stalinist Goulag, the Vietnam war, the terrorist attack on the World Trade Center in New York, the two Iraq wars, the war of Afghanistan, the recent civil wars in Libya and Syria and the indiscriminate violence practiced by the Islamic State exemplify more fully the barbarism that characterizes the world in which we live. Socialism, which was built in the Soviet Union and other countries, has failed to fulfill its historic promise to emancipate humanity, end the exploitation of man-by-man, eliminate social inequalities and make society egalitarian, has turned into tyranny.

In the 20th century, the crises of capitalism always resulted in social revolutions aimed at the overthrow of the capitalist system as occurred in Russia in 1917 with the implantation of the socialist system or in counter-revolution with the implantation of fascist dictatorships as occurred in Italy with Mussolini and Nazifascist as it occurred in Germany with Hitler. The rise of Fascism in 1922 as well as that of Adolf Hitler’s Nazism in Germany in 1933 was only possible with the collaboration and financial support of large capitalist corporations. Fascism represented a reaction by conservative forces in Europe against the rise of workers to power in several countries after the victory of socialism in the Soviet Union in 1917 and was based on strongly nationalist conceptions and the totalitarian exercise of power, therefore against the democratic and liberal, and repressive in the face of social democratic, socialist and communist ideas. The fascism implanted during the 1920s and 1930s of the 20th century was based on a strong, totalitarian state that claimed to embody the spirit of the people, in the exercise of power by a single party whose authority was imposed through violence, repression and of political propaganda.

The affinities between capitalist liberalism, which is supposedly a defender of democracy, and its opposite, the dictatorship, manifested itself in 1795, after the French Revolution, when the Jacobins were overthrown by Girondins and a dictatorial government was installed in France. General Napoleon Bonaparte was put in power, after the Thermidorian Reaction with the coup d’etat of the 18th Brumaire (November 9, 1799) with the aim of controlling social instability in France. Napoleon takes over as France’s first consul, establishing a dictatorship. Likewise there is an affinity between capitalist liberalism and dictatorship as occurred in France with Bonaparte, the same happens between capitalist liberalism and fascism, which are not strictly equal, but neither does an insurmountable wall exist between them. Among them, there are more points of convergence than of divergence. This was confirmed by the rise of fascism in Italy in the 1920s and Nazism in Germany in the 1930s of the 20th century, which had the support of liberals. Liberals legitimized both fascism and Nazism with liberally inspired policies in their dictatorships.

The neoclassical liberals who gave rise to the ideological current that has become hegemonic today, capitalist neoliberalism, also defended fascism and its Nazi variant as political projects necessary to maintain capitalist order. This is what can be seen in this statement by Friedrich Hayek, a member of the Austrian School of Economics, about his impression of Nazism: “Hitler did not have to destroy democracy; he limited himself to taking advantage of his decay and at the critical moment he obtained the support of many who, although they detested him, considered him the only man strong enough to set things in motion” [HAYEK, Friedrich. O caminho da servidão (The path of serfdom). 5 ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990]. Contrary to what Hayek said, Hitler destroyed democracy in Germany.

The complacency of liberal neoclassical theorists towards Fascism continues with Ludwig von Mises. Another icon of the Austrian School of Economics. Mises served as economic advisor to the fascist government of Engelbert Dollfuss in Austria. In his book “Liberalism – According to Classical Tradition“, he reiterates that Fascism was a political movement that had as one of its main objectives the fight against Bolshevism. Ludwig von Mises said: “The actions of fascists and other parties that corresponded to him were emotional reactions, evoked by indignation at the actions perpetrated by the Bolsheviks and Communists. (…) Against the weapons of the Bolsheviks, the same weapons should be used in retaliation, and it would be a mistake to show weakness in the face of the murderers. Never did a liberal question this” [VON MISES, Ludwig. Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica (Liberalism – According to Classical Tradition). São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010]. Mises said no liberal questioned the use of violence by fascists and Nazis.

In this work, Mises also did not hesitate to legitimize, praise and even praise Fascism: “It cannot be denied that fascism and similar movements, aiming at the establishment of dictatorships, are imbued with the best intentions and that their intervention, until now, it saved European civilization. The merit that, therefore, fascism obtained for itself will be inscribed in history. However, while his policy has provided momentary salvation, he is not the type to promise continued success. Fascism is an emergency expedient”. Mises, one of the ideologues of capitalist neoliberalism, asserted the absurdity that fascism and Nazism saved European civilization.

According to Robert Paxton, fascism emerges in search of some kind of nationalist renewal (PAXTON, Robert. The anatomy of fascism. New York: Vintage Books, 2005). According to Paxton, fascism only grows on the shaky ground of a mature democracy in crisis, as is the case in the United States today. This view was fully embraced by the Republican Party, which now defines itself in this line. At this stage, he is openly racist, sexist, repressive, exclusionary and permanently addicted to the politics of fear and hatred, as he did during the George W. Bush administration and which is being deepened in the Donald Trump administration. The rise of fascism under the command of Donald Trump in the United States resulted, fundamentally, from its economic decline and the loss of his hegemony on the world stage in a very short time.

In the book Capitalism, Hegemony and Violence in the Age of Drones, published by Springer Nature in 2018, Norman Pollack, who was professor emeritus of history at Michigan State University, states that “fascism in the United States, at any gestational stage, it advances against the people”. In Pollack’s view, fascism is more than a historically temporary political arrangement, as in Germany, Italy, Japan and other countries between the two great world wars. Fascism is a general social state.

Fascism was leveraged in the United States with the Bush administration and was maintained by the Obama administration when the violation of communication secrecy and intrusive surveillance in people’s lives became widespread; each library was obliged to inform the FBI of the list of books requested, a rule that applies even to universities; and a list of internal enemies was created, which, for example, cannot travel by air, and which today brings together tens of thousands of names (around 100,000 are spoken), a good number of university dissidents, pacifists, etc. Lists like these are typical of totalitarian regimes. Gradually the siege is closed to journalists, teachers, pastors, activists and dozens of others. In practice, the universal right of habeas corpus was extinguished.

United States government forces (CIA and military) are authorized to arrest anyone, anywhere in the world and also in the country, without any justification, to keep them imprisoned without communication with family members or lawyers and without indemnification for an indefinite period, and move it to any of its prisons, known or secret, in various countries, or even some prison ships, all of these places where it torture and murder with absolute impunity, as has been documented in the prisons at the Baghram base, in Afghanistan, Abu Ghraib, in Iraq, and in the infamous maximum security prison of Guantánamo, in the extreme east of Cuba. It is a set of fascist dispositions that make Hitler’s terror apparatus envious.

In American foreign policy, a new doctrine has replaced the old concepts of peoples’ self-determination, non-aggression, respect for international law and UN authority, etc. with the creation of pseudo-legal monsters such as the “preventive wars” proposal, aggression against countries in disobedience to the decisions of the UN Security Council and to countries that threatened or could remotely threaten the hegemony of the United States in the world, whose dominant circles are responsible for framing themselves as friends and enemies according to their interests. Another characteristic of the discourse and practice of members of the United States government is the fabrication of false truth based on lessons, omissions and lies. This was the way found to base the decision to invade Iraq, Afghanistan and Libya.

The totalitarian origin of capitalist Neoliberalism resulted from the collusion between liberals and fascists in the fight against socialism. In the contemporary era of economic and financial globalization, modern fascism arises, not only in the United States, but also in encompassing the entire planet, including Brazil with Bolsonaro’s neo-fascist government. The dominant neoliberal capitalist system is defined by the ubiquity of its mercantile ideology, which occupies all the space and all sectors of life at the same time. This ideology reduced all human relations to mercantile relations and considers our planet as a simple commodity. The only right that the neoliberal capitalist system recognizes is the right to private property. The only god he worships is money.

The ubiquity of the neo-fascist neoliberal ideology is manifested in the cult of money, in the single party disguised as parliamentary pluralism, in the absence of visible opposition and in repression in all forms against the will to transform man and the world. This is the true face of modern fascism that needs to be called by its true name: totalitarian capitalist system. Man, society and our planet as a whole are at the service of this neo-fascist ideology. The totalitarian capitalist system has accomplished what no totalitarianism has managed to do before: to unify the world in its image. Today there is no longer possible exile. In the contemporary era of economic and financial globalization, the most nefarious of all fascisms arises, which encompasses the entire planet. The new fascism aims to defend the interests of the dominant neoliberal world capitalist system.

It is unfortunate the situation that humanity has reached with the prevalence of barbarism, where hunger kills millions of people worldwide every day, most children do not reach adulthood due to lack of food, while others eat too much and they are obese by mistakes and overeating as their parents do. We live in a world of contrasts between luxury and garbage, material wealth and misery. It is unacceptable to live in a world in which, in the last 6,000 years of human history, there have been only 292 years of relative peace between peoples. Join in all this, the immense aggression that has been taking place against the natural environment that can threaten the survival of humanity in the face of the prospect of catastrophic global climate change. To aggravate this ordeal, humanity was affected by the Covid 19 pandemic that has already killed more than one million inhabitants of the planet.

It should be noted that the antithesis of Barbarism is Civilization, which is considered the most advanced stage that a human society can reach. There are some elements generally accepted by everyone about what would make a civilized society: 1) offer guaranteed security for all citizens who should not fear the loss of their lives or physical harm; 2) provide the best possible medical care for all members of society; 3) grant access to food and water for all citizens so that no one is hungry or thirsty; 4) provide basic housing conditions for all citizens; 5) have a democratic legislative system whose laws are established to preserve the well-being of the population; 6) provide an educational system that guarantees equal access to high-level education for all people in order to make their population highly educated; and, 7) ensure for the population freedom of thought, belief, religion, affiliation and expression and the right to participate in government decisions.

In view of the dark history of the attacks against humanity and its dark prospects, it is urgent to attack the evil of barbarism at the root with the construction of a new civilized world order to replace the dominant capitalist order that generates the attacks on Civilization in all quarters of the Earth registered 500 years ago. The new civilized world order to be built must adopt the universal motto “Freedom, Equality, Fraternity” as an inheritance of the Enlightenment at the end of the 17th century. This motto invoked during the French Revolution, which is universal because it reflects the desires of all human beings, needs to be rescued by humanity. In order to make Civilization prevail over Barbarism, it is necessary for the living defending forces of Civilization to come together across the planet to oppose the forces of Barbarism. Humanity’s future depends on the outcome of this confrontation.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NÃO À BARBÁRIE NO MUNDO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo denunciar a barbárie em que se acha submetida a humanidade ao longo da história que atingiu seu nível mais elevado durante a existência do capitalismo na era contemporânea e pugnar pelo seu fim em defesa dos princípios da civilização. A humanidade evoluiu até o presente momento do estágio de  selvageria ao de barbárie. Selvageria é um estágio característico das sociedades primitivas ou povos primitivos, que são normalmente associados com os povos indígenas. O termo barbárie tem dois significados distintos, mas ligados entre si: falta de civilização e crueldade de bárbaro. Eric Hobsbawm observa que a barbárie significa uma ruptura com os padrões morais que regulam a vida em sociedade e os controles sociais tradicionais dando lugar à violência desenfreada e o desprezo pelo ser humano (Ver La barbarie: guia del usuario no site <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>). O grande desafio da era contemporânea é fazer a humanidade evoluir do estágio de barbárie em que se encontra no momento atual ao de civilização.  

Segundo Eric Hobsbawn, nos últimos 150 anos, a barbárie tem aumentado permanentemente. Ano a ano, década a década, a violência e o desprezo pelo ser humano têm aumentado parecendo não haver um limite para este fenômeno. Algo muitíssimo pior: os homens e mulheres se acostumaram com a barbárie já não existindo espanto, estranheza, nem horror frente aos atos desumanos. Marx escreveu em 1847 esta passagem surpreendente e profética: “A barbárie reapareceu, mas desta vez ela é engendrada no próprio seio da civilização e é parte integrante dela. É a barbárie leprosa, a barbárie como lepra da civilização” (Ver Barbárie e modernidade no século 20 de Michael Lowy, publicado no Brasil pelo jornal “Em Tempo”- emtempo@ax.apc.org e, originalmente em francês, na revista “Critique Communiste” nº 157, hiver 2000).

A Primeira e a Segunda Guerra Mundial estabeleceram uma nova forma de barbárie eminentemente moderna, bem pior em sua desumanidade assassina do que as práticas guerreiras dos conquistadores “bárbaros” do fim do Império Romano. Segundo Eric Hobsbawn, a Grande Guerra (1914-1918) abre a etapa mais sanguinária da história mundial. 1914 começa com os sacrifícios ilimitados no afã de eliminar o inimigo. Sacrifício este que incorpora a própria população civil. 1914 começa com a era da guerra total, a ausência de distinções entre combatentes e não combatentes (Ver o artigo de Eric Hobsbawn sob o título La barbarie: guia del usuario no site <http://pt.scribd.com/doc/50203686/La-barbarie-guia-del-usuario>). De 1914 a 1990, morreram 187 milhões de pessoas, em atos bélicos ou extermínio sistemático.

A despeito das reiteradas intenções de todos os países do globo em manter a paz mundial, o Século XX foi palco de duas grandes guerras. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), morreram cerca de 9 milhões de pessoas. Apenas vinte anos depois, eclodia a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que matou entre 40 e 52 milhões de pessoas. Além disso, a violência dos conflitos em nossa época não tem paralelo na história. As guerras do século XX foram “guerras totais” contra combatentes e civis sem discriminação. O historiador Eric Hobsbawm (A Era dos Extremos, Companhia das Letras, 2008) complementa: “Sem dúvida ele foi o século mais assassino de que temos registro, tanto na escala, frequência e extensão da guerra que o preencheu, mal cessando por um momento na década de 20, como também pelo volume único das catástrofes humanas que produziu, desde as maiores fomes da história até o genocídio sistemático”.

A tragédia das guerras no século XX atingiu a maioria das famílias ao longo de duas, três ou quatro gerações. O apelo às armas levou milhões de filhos, maridos, pais e irmãos para o campo de batalha, e milhões não voltaram. O genocídio nazista contra os judeus, ciganos e comunistas, o uso da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, o Goulag stalinista, a guerra do Vietnã, o ataque terrorista ao World Trade Center em New York, as duas guerras do Iraque, a guerra do Afeganistão, as guerras civis recentes da Líbia e da Síria e a violência indiscriminada praticada pelo Estado Islâmico exemplificam de maneira mais acabada a barbárie que caracteriza o mundo em que vivemos. O socialismo, que foi construído na União Soviética e em outros países, não cumpriu sua promessa histórica de emancipar a humanidade, acabar com a exploração do homem pelo homem, eliminar as desigualdades sociais e tornar a sociedade igualitária, se transformou em uma tirania.

No século XX, as crises do capitalismo resultaram sempre em revoluções sociais visando a derrubada do sistema capitalista como ocorreu na Rússia em 1917 com a implantação do sistema socialista ou em contrarrevolução com a implantação de ditaduras fascistas como ocorreu na Itália com Mussolini e nazifascista como ocorreu na Alemanha com Hitler. A ascensão do Fascismo em 1922 tal como a do Nazismo de Adolf Hitler na Alemanha em 1933 só foi possível com a colaboração e o suporte financeiro de grandes corporações capitalistas.  O fascismo representou uma reação das forças conservadoras da Europa contra a ascensão dos trabalhadores ao poder em vários países após a vitória do socialismo na União Soviética em 1917 e se baseava em concepções fortemente nacionalistas e no exercício totalitário do poder, portanto contra o sistema democrático e liberal, e repressivo ante as ideias socialdemocratas, socialistas e comunistas. O fascismo implantado durante as décadas de 1920 e 1930 do século XX se baseava em um Estado forte, totalitário, que se afirmava encarnar o espírito do povo, no exercício do poder por um partido único cuja autoridade se impunha através da violência, da repressão e da propaganda política.

As afinidades entre o liberalismo capitalista, que supostamente é defensor da democracia, e o seu oposto, a ditadura, se manifestou em 1795, após a Revolução Francesa, quando houve a derrubada dos jacobinos do poder pelos girondinos e foi instalado um governo ditatorial na França. O general Napoleão Bonaparte foi colocado no poder, após a Reação Thermidoriana com o golpe de estado do 18 Brumário (9 de novembro de 1799) com o objetivo de controlar a instabilidade social na França. Napoleão assume o cargo de primeiro-cônsul da França, instaurando uma ditadura. Da mesma foram que existe afinidade entre o liberalismo capitalista e a ditadura como ocorreu na França com Bonaparte, o mesmo acontece entre o liberalismo capitalista e o fascismo que não são rigorosamente iguais, mas tampouco existe entre eles uma muralha intransponível. Entre eles, existem mais pontos de convergência do que de divergência. Isto ficou comprovado com a ascensão do fascismo na Itália na década de 1920 e do nazismo na Alemanha na década de 1930 do século XX que contaram com o apoio de liberais. Os liberais legitimaram tanto o fascismo quanto o nazismo com políticas de inspiração liberal em suas ditaduras.

Os liberais neoclássicos que deram origem à corrente ideológica que se tornou hegemônica hoje, o neoliberalismo capitalista, também defendiam o fascismo e sua variante nazista como projetos políticos necessários para manter a ordem capitalista. É o que se pode conferir nesta declaração de Friedrich Hayek, membro da Escola Austríaca de Economia, sobre a sua impressão do nazismo: Hitler não precisou destruir a democracia; limitou-se a tirar proveito da sua decadência e no momento crítico conseguiu o apoio de muitos que, embora o detestassem, consideravam-no o único homem bastante forte para pôr as coisas em marcha” (HAYEK, Friedrich. O caminho da servidão. 5. ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990). Ao contrário do que disse Hayek, Hitler destruiu a democracia na Alemanha.

A complacência de teóricos liberais neoclássicos com relação ao Fascismo prossegue com Ludwig von Mises. Outro ícone da Escola Austríaca de Economia. Mises atuou como conselheiro econômico do governo fascista de Engelbert Dollfuss na Áustria. Em seu livro “Liberalismo — Segundo a tradição clássica”, ele reitera que o Fascismo foi um movimento político que teve como um de seus principais objetivos o combate ao bolchevismo. Ludwig von Mises afirmou: “As ações dos fascistas e de outros partidos que lhe correspondiam eram reações emocionais, evocadas pela indignação com as ações perpetradas pelos bolcheviques e comunistas. (…)Contra as armas dos bolcheviques, devem-se utilizar, em represália, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isto em questão” (VON MISES, Ludwig. Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010). Mises afirmou que nenhum liberal colocou em questão o uso da violência pelos fascistas e nazistas.

Nesta obra, Mises também não hesitou em legitimar, elogiar e, até mesmo, enaltecer o Fascismo: “Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam imbuídos das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência”. Mises, um dos ideólogos do neoliberalismo capitalista afirmou o absurdo de que o fascismo e o nazismo salvaram a civilização europeia.

De acordo com Robert Paxton, o fascismo emerge em busca de algum tipo de renovação nacionalista (PAXTON, Robert. The anatomy of fascism. New York: Vintage Books, 2005). Segundo Paxton, o fascismo somente cresce no solo revolto de uma democracia madura em crise como é o caso dos Estados Unidos atual. Essa visão foi abraçada completamente pelo Partido Republicano que agora se define nessa linha. Nesse estágio, é abertamente racista, sexista, repressor, excludente e permanentemente viciado na política do medo e do ódio, como aconteceu durante o governo George W. Bush e que está sendo aprofundado no governo Donald Trump. A ascensão do fascismo sob o comando de Donald Trump nos Estados Unidos resultou, fundamentalmente, de seu declinio econômico e da perda de sua hegemonia na cena mundial em um prazo temporal muito curto.

No livro Capitalism, Hegemony and Violence in the Age of Drones (Capitalismo, Hegemonia e Violência na Era dos Drones), publicado pela Springer Nature em 2018, Norman Pollack, que foi professor emérito de História na Michigan State University, afirma que “o fascismo nos Estados Unidos, em qualquer estágio gestacional, avança contra o povo”. Na visão de Pollack, o fascismo é mais do que um arranjo político historicamente temporário, como na Alemanha, Itália, Japão e outros países entre as duas grandes guerras mundiais. O fascismo é um estado social geral.

O fascismo foi alavancado nos Estados Unidos com o governo Bush e foi mantido pelo governo Obama quando generalizou-se a violação do sigilo da comunicação e a vigilância intrusa na vida das pessoas; obrigou-se cada biblioteca a informar ao FBI a lista de livros solicitados, regra que vale inclusive para universidades; e criou-se uma lista de inimigos internos, que, por exemplo, não podem fazer viagens aéreas, e que hoje reúne dezenas de milhares de nomes (fala-se em torno de 100 mil), boa parte de dissidentes universitários, pacifistas etc. Listas como estas, são típicas de regimes totalitários. Aos poucos se fecha o cerco a jornalistas, professores, pastores, ativistas e dezenas de outros. Extinguiu-se na prática o direito universal do habeas corpus.

As forças do governo dos Estados Unidos (CIA e militares) têm autorização para prender qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo e também no país, sem nenhuma justificativa, mantê-la presa sem comunicação com familiares ou advogados e sem acusação por tempo indeterminado, e movê-la para qualquer das suas prisões, conhecidas ou secretas, em vários países, ou mesmo alguns navios-prisão, todos esses locais em que se tortura e assassina com a mais absoluta impunidade, como vem sendo documentado nas prisões da base de Baghram, no Afeganistão, Abu Ghraib, no Iraque, e na infame prisão de segurança máxima de Guantánamo, no extremo oriental de Cuba. Trata-se de um conjunto de disposições fascistas de fazer inveja ao aparelho de terror de Hitler.

Na política externa norte-americana, uma nova doutrina substituiu os velhos conceitos de autodeterminação dos povos, não agressão, respeito às leis internacionais e à autoridade da ONU, etc. com a criação de monstrengos pseudojurídicos como a proposta das “guerras preventivas”, agressão a países em desobediência às decisões do Conselho de Segurança da ONU e a países que ameaçassem ou remotamente pudessem vir a ameaçar a hegemonia dos Estados Unidos no mundo, cujos círculos dominantes encarregam-se de enquadrar como amigos e inimigos conforme seus interesses. Outra característica do discurso e da prática de integrantes do governo dos Estados Unidos é a fabricação da falsa verdade com base em ilações, omissões e mentiras. Esta foi a forma encontrada para basear a decisão de invadir o Iraque, o Afeganistão e a Líbia. 

A origem totalitária do Neoliberalismo capitalista resultou do conluio entre liberais e fascistas no combate ao socialismo. Na era contemporânea de globalização econômica e financeira, surge o fascismo moderno, não apenas nos Estados Unidos, mas abarcando todo o planeta, inclusive no Brasil com o governo neofascista de Bolsonaro. O sistema capitalista neoliberal dominante se define pela onipresença de sua ideologia mercantil que ocupa ao mesmo tempo todo o espaço e todos os setores da vida. Esta ideologia reduziu todas as relações humanas em relações mercantis e considera nosso planeta como uma simples mercadoria. O único direito que o sistema capitalista neoliberal reconhece é o direito a propriedade privada. O único deus que ele adora é o dinheiro. 

A onipresença da ideologia neoliberal neofascista se manifesta no culto ao dinheiro, no partido único disfarçado de pluralismo parlamentar, na ausência de uma oposição visível e na repressão sob todas as formas contra a vontade de transformar o homem e o mundo. Eis o verdadeiro rosto do fascismo moderno que é necessário chamá-lo pelo seu verdadeiro nome: sistema capitalista totalitário. O homem, a sociedade e o conjunto de nosso planeta estão a serviço desta ideologia neofascista. O sistema capitalista totalitário realizou o que nenhum totalitarismo conseguiu fazer antes: unificar o mundo à sua imagem. Hoje já não existe exílio possível.  Na era contemporânea de globalização econômica e financeira, surge o mais nefasto de todos os fascismos que é o que abarca todo o planeta. O novo fascismo tem por objetivo defender os interesses do sistema capitalista mundial neoliberal dominante.

É lamentável a situação a que chegou a humanidade com a prevalência da barbárie, onde a fome mata todos os dias milhões de pessoas em todo o mundo, a maior parte das crianças não chega à idade adulta por falta de alimento, enquanto outras comem demais e ficam obesas pelos erros e excessos alimentares como o fazem seus próprios pais. Vivemos em um mundo de contrastes entre luxo e lixo, riqueza material e miséria. É inaceitável viver em um mundo em que, nos últimos 6.000 anos da história da humanidade, houve apenas 292 anos de relativa paz entre os povos. Associe-se a tudo isto, a desmesurada agressão que vem se processando contra o meio ambiente natural que pode ameaçar a sobrevivência da humanidade diante da perspectiva de uma mudança climática global catastrófica. Para agravar este calvário, a humanidade foi afetada pela pandemia da Covid 19 que já matou mais de um milhão de habitantes do planeta.

É preciso observar que a antítese da Barbárie é a Civilização que é considerada o estágio mais avançado que uma sociedade humana pode alcançar. Existem alguns elementos geralmente aceitos por todos sobre o que tornaria uma sociedade civilizada: 1) oferecer segurança garantida para todos os cidadãos que não devem temer a perda de suas vidas ou ter danos físicos; 2) prover assistência médica da melhor qualidade possível para todos os membros da sociedade; 3) conceder acesso à comida e água para todos os cidadãos de modo que nenhuma pessoa passe fome ou sede; 4) prover as condições básicas de habitação para todos os cidadãos; 5) possuir um sistema legislativo democrático cujas leis sejam estabelecidas para preservar o bem-estar da população; 6) prover um sistema educacional que garanta igualdade de acesso à educação de alto nível para todas as pessoas visando tornar sua população altamente educada; e, 7) assegurar para a população a liberdade de pensamento, crença, religião, afiliação e expressão e o direito de participar das decisões de governo.

Diante do histórico tenebroso dos atentados praticados contra a humanidade e de suas perspectivas sombrias, urge atacar o mal da barbárie pela raiz com a construção de uma nova ordem mundial civilizada em substituição à ordem capitalista dominante geradora dos atentados à Civilização em todos os quadrantes da Terra que se registram há milhares de anos. A nova orde mundial civilizada  a ser construída deve adotar o lema universal de “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” como herança do Iluminismo ao final do século XVII. Este lema invocado durante a Revolução Francesa, que é universal porque traduz os anseios de todos os seres humanos, precisa ser resgatado pela humanidade. Para fazer com que a Civilização prevaleça sobre a Barbárie é preciso que as forças vivas defensoras da Civilização se aglutinem em todo o planeta para se contraporem às forças da Barbárie. O futuro da humanidade depende do desfecho deste confronto.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

PROPOSTA DE GOVERNO PARA A CIDADE DE SALVADOR (Parte 2- Como promover o progresso da cidade) – Artigo e vídeo

Fernando Alcoforado*

Este artigo e vídeo têm por objetivo apresentar a segunda parte de nossa proposta de governo para Salvador visando promover seu progresso econômico, social e ambiental a médio e longo prazo complementando a primeira parte da proposta que apresenta estratégias imediatas de combate à Covid 19. Isto significa dizer que os futuros gestores de Salvador deveriam buscar soluções imediatas para os problemas gerados pela pandemia da Covid 19 e, também, para os problemas urbanísticos, econômicos, sociais e ambientais da cidade a médio e longo prazo.  Tanto a primeira como a segunda parte da proposta servem de subsídio ou orientação para os eleitores de Salvador fazerem suas escolhas racionais sobre os vereadores e prefeito mais qualificados para o combate efetivo à Covid 19 e mais comprometidos com a luta pelo progresso econômico, social e ambiental da cidade confrontando o que está apresentado em nossas propostas com aquelas apresentadas pelos candidatos a esses cargos eletivos. Os eleitores de Salvador precisam escolher vereadores e prefeito que sejam os mais capacitados e estejam efetivamente mais comprometidos com o combate à Covid 19 e o progresso econômico, ambiental e social da cidade sem os quais não serão solucionados seus gigantescos problemas.

Para Salvador se desenvolver na plenitude, é preciso que o progresso econômico, o progresso ambiental e o progresso social ocorram simultaneamente. Para serem bem sucedidos na implementação de suas políticas desenvolvimentistas, os vereadores e prefeito de Salvador precisam fazer com que os fatores impulsionadores do desenvolvimento existentes nos planos da Economia, Sociedade e Território sejam amplamente utilizados na promoção do progresso econômico, ambiental e social e que os fatores restritivos sejam eliminados ou neutralizados. Isso significa dizer que a mais adequada sinergia entre os fatores existentes nos planos da Economia, da Sociedade e do Território é decisiva para que se alcance o necessário desenvolvimento econômico, ambiental e social. 

Para ler o artigo, acessar o website https://www.academia.edu/44282026/PROPOSTA_DE_GOVERNO_PARA_A_CIDADE_DE_SALVADOR_Parte_2_Como_promover_o_progresso_da_cidade

Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=AtaCZsh6uRc.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

PROPOSTA DE GOVERNO PARA A CIDADE DE SALVADOR (Parte 1- Como enfrentar a pandemia da Covid 19)

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar a primeira parte de nossa proposta de governo para Salvador visando enfrentar os problemas imediatos gerados pela pandemia da Covid 19.  Em complementação a esta primeira parte será apresentado posteriormente em outro artigo a segunda parte da proposta visando a promoção do progresso econômico, social e ambiental de Salvador a médio e longo prazo. Isto significa dizer que os futuros gestores de Salvador deveriam buscar soluções para os problemas imediatos gerados pela pandemia da Covid 19 e para os problemas urbanísticos, econômicos, sociais e ambientais da cidade que exigem medidas a longo prazo. Tanto a primeira como a segunda parte da proposta servem de subsídio ou orientação para os eleitores de Salvador fazerem suas escolhas racionais sobre os vereadores e prefeito mais qualificados para realizar o combate efetivo à Covid 19 e comprometidos com a luta pelo progresso econômico, social e ambiental da cidade confrontando o que está apresentado em nossas propostas com aquelas apresentadas pelos candidatos a esses cargos eletivos. Os eleitores de Salvador precisam escolher vereadores e prefeito que sejam capacitados e estejam efetivamente comprometidos com o combate à Covid 19 e com o progresso econômico, social e ambiental da cidade sem os quais não serão solucionados seus gigantescos problemas.   

A propagação do novo Coronavirus pelo mundo está a exigir que sejam adotadas estratégias para realizar mudanças significativas no futuro próximo e a longo prazo nos sistemas de saúde, na infraestrutura urbana das cidades, no mundo do trabalho, nos sistemas de educação, no transporte público, nas condições sociais e na ação dos governos em todo o mundo. As principais estratégias necessárias para Salvador fazer frente à pandemia do novo Coronavirus estão descritas a seguir:

1) Estratégias para o sistema de saúde de Salvador

A pandemia do Coronavirus deixou evidenciada a fragilidade da infraestrutura de saúde com a insuficiência na capacidade hospitalar e de postos de saúde e de recursos humanos especializados em vários países do mundo. Além disso, ficou evidenciada, também, a incapacidade das instituições de pesquisa médica em preverem o surgimento de vírus novos como a Covid 19 visando a preparação dos sistemas de saúde com novos medicamentos e vacinas voltados para este fim. Sua descoberta, porém, não é imediata. No hiato de tempo entre a expansão do contágio por um novo vírus e sua profilaxia completa as consequências estão sendo devastadoras no mundo. Para piorar, não há garantia de que surjam drogas capazes de imunizar a humanidade de todas as doenças causadas por vírus. Tal incerteza pode se converter rapidamente em pânico. É o que vem ocorrendo com o recente surto do novo Coronavírus (Covid-19). Para Salvador não ser surpreendida com novos vírus, como foi agora pelo novo Coronavirus, os vereadores e prefeito de Salvador têm que implantar uma infraestrutura de saúde com capacidade suficiente com hospitais e postos de saúde na cidade.

2) Estratégias para a infraestrutura urbana de Salvador

A maioria da população de Salvador vive em péssimas condições sociais caracterizadas pelo elevado desemprego, existência de favelas populosas, cortiços e moradores de rua, ausência de adequado saneamento básico, precário serviço de coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos, péssimos serviços de transporte público, incontrolável poluição das águas, do solo e do ar, o despreparo da infraestrutura urbana para enfrentar enchentes e a insuficiência da infraestrutura de saúde. A cidade é o espaço propício à propagação em larga escala de vírus, como o novo Coronavirus, devido à concentração populacional e às péssimas condições sanitárias da maioria de sua população.  Para mudar radicalmente esta realidade, os vereadores e prefeito de Salvador terão que adotar estratégias de reurbanização de favelas e/ou relocação de populações de áreas críticas e de investimento maciço em saneamento básico, na coleta, transporte e disposição final de resíduos sólidos, na infraestrutura de transporte público, na infraestrutura urbana para enfrentar enchentes e na infraestrutura de saúde.  Em outras palavras, é preciso que haja uma revolução urbana para proteger a população da cidade da atual e futuras pandemias. 

3) Estratégias para o mundo do trabalho em Salvador

O mundo do trabalho já vem sendo bastante impactado pelo avanço tecnológico, sobretudo pela inteligência artificial, com a robotização da atividade produtiva. Com a propagação da Covid 19, muitos trabalhos que eram realizados presencialmente são efetuados pelos trabalhadores em suas residências com o uso da internet e seus inúmeros aplicativos, As pessoas não estão se deslocando para locais de compras de mercadorias passando a fazer pedidos de produtos e serviços através da internet e seus inúmeros aplicativos junto aos fornecedores que os entregam em suas residências. A consequência disso tudo, é o uso de robôs em substituição aos trabalhadores na indústria, no comércio e nos serviços da qual resultará o crescimento exponencial do desemprego, a realização de trabalhos em suas próprias residências (home working) por alguns trabalhadores e a entrega de produtos e serviços em residências por parte de fornecedores (delivery). Tudo isto gerará como impacto a redução de veículos automotores individuais e na demanda de transporte público em Salvador, mas aumentará a circulação de motociclistas e drones para entrega de produtos e serviços na cidade. Para atenuar o terrível impacto do desemprego tecnológico e o agravado pelo Coronavirus, é preciso que os vereadores e prefeito de Salvador adotem as estratégias de economia social e solidária e de economia criativa para gerarem emprego para toda a população.

Sobre a Economia Social e Solidária, é importante observar que ela é uma das estratégias para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho. Pode-se afirmar que a adoção da Economia Social e Solidária é, sem sombra de dúvidas, a solução que permitiria fazer frente ao desemprego em massa.

O termo “Economia Criativa” se refere a atividades com potencial socioeconômico que lidam com criatividade, conhecimento e informação. Para entendê-la, é preciso ter em mente que empresas deste seguimento combinam a criação, produção e a comercialização de bens criativos de natureza cultural e de inovação como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. Em comum, empresas da área dependem do talento e da criatividade para efetivamente existirem. Elas estão distribuídas em 13 diferentes áreas: 1) arquitetura; 2) publicidade; 3) design; 4) artes e antiguidades; 5) artesanato; 6) moda; 7) cinema e vídeo; 8) televisão; 9) editoração e publicações; 10) artes cênicas; 11) rádio; 12) softwares de lazer; e, 13) música. É importante dizer que, por focar em criatividade, imaginação e inovação como sua principal característica, a economia criativa não se restringe apenas a produtos, serviços ou tecnologias. Ela engloba também processos, modelos de negócios, modelos de gestão, entre outros.

4) Estratégias para o sistema de educação de Salvador

O anúncio da suspensão das aulas por conta da pandemia do novo Coronavírus deixou toda a sociedade preocupada em relação ao futuro dos estudantes e, claro, em relação aos prejuízos de aprendizagem. O ensino presencial é muito importante, mas em situações de pandemia como a atual a educação a distância é absolutamente necessária. A educação é, sem dúvidas, uma das experiências humanas mais sociais. Fechar escolas e desenhar plano de atividades para crianças e professores a distância é, portanto, algo completamente diferente de planejar atividades escolares presenciais. Umas das principais preocupações em torno de aulas online tem a ver com equidade e qualidade do ensino. O ensino a distância pode ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais no ensino fundamental, médio, na educação profissional, de jovens e adultos e especial e no ensino superior. Para adotar essa modalidade, as redes de ensino precisam adequar metodologia de ensino com os recursos tecnológicos necessários. Os estudantes devem receber o aprendizado adequado e correto. As escolas devem zelar pelo acompanhamento, avaliações e a participação correta dos alunos. Muitas escolas terão muito mais condições de suportar experiências digitais do que outras. Tecnologia não funciona da mesma forma para todas as faixas etárias. Não faz sentido aulas online para alunos de educação infantil que devem ser realizadas por suas famílias com orientação das  atividades online pela escola. Deve-se utilizar tecnologia digital de acordo com cada segmento para fortalecer o trabalho pedagógico de acordo com as necessidades de desenvolvimento de cada idade. Muito provavelmente, a crise da Covid 19 fará com que a educação a distância se expanda como alternativa à educação presencial tradicional. Os vereadores e prefeito de Salvador terão que reestruturar o sistema de educação da cidade para atender às condições acima descritas.

5) Estratégias para o transporte público de Salvador

Em Salvador, o principal tipo de veículo utilizado é o ônibus, mas existem também o metrô, BRT, trens, barcos, lanchas, entre outros. Se bem utilizado, o transporte coletivo pode ser a principal estratégia para solução dos problemas de mobilidade urbana, como os congestionamentos. Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que a questão do transporte coletivo é também uma questão de saúde pública, uma vez que um sistema de transporte eficiente diminuiria o número de carros nas cidades, diminuindo também os índices de poluição, acidentes, inatividade física, entre outros. A propagação do Coronavirus colocou em evidência a necessidade de as pessoas serem transportadas sentadas pelo transporte público, fato este que torna uma exigência o aumento da capacidade do sistema de transporte. É necessário, portanto, que os vereadores e prefeito de Salvador implementem políticas de investimentos em transporte público para aumentar sua capacidade, modernizá-lo e garantir o seu acesso à população, pluralizando os meios de transporte para além do ônibus, com a instalação de veículos como trens, metrôs e ciclovias. Além do aumento da capacidade do sistema de transporte público para impedir a propagação de novos vírus no futuro viabilizando o distanciamento social com os passageiros sentados, outra exigência é a higienização dos veículos do transporte público para salvaguardar a saúde da população.

6) Estratégias para redução das desigualdades sociais de Salvador

A desigualdade econômica e social é um problema social crônico em Salvador há séculos. Covid 19 tende a aumentar as desigualdades econômicas e sociais em Salvador agravando as condições sociais da grande maioria da população.  A fome pode grassar em Salvador especialmente nas populações vulneráveis que pode levá-las a praticar saques e outros atentados na luta pela sua sobrevivência. Para evitar este cenário, os vereadores e prefeito de Salvador terão que adotar as políticas de economia social e solidária e de economia criativa para combater o desemprego e de buscar junto ao governo federal a adoção da renda básica universal para atender as necessidades das populações pobres visando reduzir as desigualdades sociais e atenuar a piora das condições sociais da população.

7) Estratégias para a ação do governo municipal de Salvador

Os vereadores e prefeito de Salvador terão que atuar com o objetivo de minimizar o número de contaminados e de mortos pelo novo Coronavirus em Salvador adotando a política de isolamento social total da população, inclusive com lockdown, para evitar o colapso do sistema de saúde, manter as atividades econômicas essenciais e buscar a adoção de medidas em benefício dos desempregados e das populações pobres para não morrerem de fome e das pequenas e médias empresas para não sucumbirem à crise. Estas são medidas indispensáveis a serem adotadas durante o avanço da Covid 19.

Os vereadores e prefeito de Salvador devem promover a realização de testes em massa da Covid 19 junto à população e a de todos os visitantes da cidade para isolar os contaminados em suas residências ou encaminhá-los para hospitais para tratamento. Devem priorizar as atividades econômicas essenciais como a  agrícola, industrial e a comercial relacionada com o suprimento de alimentos e medicamentos adotando as medidas sanitárias necessárias. Devem flexibilizar racionalmente o isolamento social da população por localidades ou bairros de acordo com o estágio da epidemia em que se encontram. Devem restringir atividades que envolva grande aglomeração de pessoas como em estádios, cinemas, teatros e shopping centers.

Os vereadores e prefeito de Salvador devem envidar esforços visando, também, oferecer o apoio necessário aos desempregados e às populações pobres para não morrerem de fome e às pequenas e médias empresas para sobreviverem à crise. Superada pandemia do novo Coronavirus, os vereadores e prefeito de Salvador devem buscar o soerguimento de Salvador com a adoção de estratégias visando a promoção de seu progresso econômico, social e ambiental que serão delineadas em nosso próximo artigo. 

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LES CAUSES D’ÉCHEC DANS LA CONSTRUCTION DU SOCIALISME ET SON FUTUR

Fernando Alcoforado*

Cet article vise les promesses du socialisme, son processus de construction dans plusieurs pays du monde, les causes de son échec avec les conclusions sur son avenir.

1. Les promesses du socialisme dans l’histoire

Le socialisme est une doctrine politique et économique qui a émergé entre la fin du XVIIIe siècle et la première moitié du XIXe siècle visant à atteindre l’égalité sociale. Le courant socialiste est apparu comme un moyen de repenser le système capitaliste en vigueur à l’époque. Le socialisme scientifique, connu sous le nom de marxisme, a été créé au 19ème siècle, sur la base d’une analyse historique et scientifique du capitalisme par Karl Marx et Friedrich Engels. Selon Marx et Engels, à toutes les époques de l’histoire, la société a été marquée par la lutte des classes, cette relation étant caractérisée par l’antagonisme entre une classe oppressive et une classe opprimée. Dans le capitalisme, ces classes sont représentées respectivement par les propriétaires des moyens de production et par une masse de riches salariés, qui n’ont que leur force de travail.

Le marxisme considère le prolétariat comme la seule classe sociale capable de détruire cette forme d’exploitation de l’homme par l’homme, à travers la destruction du capitalisme. Ceci serait réalisé lorsque le prolétariat arriverait au pouvoir avec la conquête de l’État par une révolution sociale. En arrivant au pouvoir, les travailleurs élimineraient les inégalités, aboliraient les classes sociales et rendraient la société égale. Quand cela arriverait à son plein, le passage du socialisme au communisme serait marqué quand serait adopté le principe «De chacun, selon sa capacité; chacun selon ses besoins »popularisé par Marx et les anarchistes.

En plus de proposer l’extinction des classes sociales, le marxisme défend la socialisation des moyens de production, l’abolition de la propriété privée, le contrôle de l’Etat sur le partage égal des revenus et l’économie planifiée. Pour atteindre ces objectifs et tenir sa promesse historique, le Parti communiste adopterait une stratégie en deux temps pour transformer le monde: 1) prendre le pouvoir de l’État pour le placer sous la dictature du prolétariat; et, 2) transformer la société en vue d’atteindre l’égalité sociale. Le socialisme est un système basé sur la propriété publique et l’administration publique des moyens de production. Sa doctrine est associée à la recherche du bien commun, à l’égalité sociale et à l’interventionnisme étatique. En termes politiques, son intention est de construire une société sans classes grâce à la révolution sociale. Le socialisme postule la régulation des activités économiques par l’État afin de mettre fin à l’anarchie de la production caractéristique du système capitaliste.

2. La construction du socialisme dans le monde

La première expérience pratique de la construction du socialisme dans le monde a eu lieu en 1917 en Russie, qui peu après s’unirait avec d’autres pays pour former l’Union soviétique. Le régime socialiste a été établi en Russie en 1917, lorsqu’une révolution a renversé la monarchie tsariste qui prévalait dans le pays. Après la chute de la monarchie, le Parti bolchevique, dirigé par Vladimir Lénine, a établi le gouvernement socialiste, qui a défendu des idéaux basés sur les principes marxistes. Le gouvernement de Lénine a fait face à une forte opposition de secteurs liés à l’ancien régime tsariste, qui a déclenché une longue guerre civile dans le pays. Après la fin de la confrontation, la Russie a été dévastée et, pour la reconstruire, le gouvernement a décidé d’abandonner momentanément certains principes socialistes rigides. Avec la nouvelle politique économique (NEP), le pays a recommencé à utiliser des formes de production capitalistes, telles que l’ouverture de petites usines, les différences de salaires et les investissements étrangers dans le pays.

En 1922, sous le gouvernement de Josef Staline, la Russie s’unit à plusieurs autres pays européens et asiatique pour constituer officiellement l’Union des Républiques socialistes soviétiques (URSS). Pendant son gouvernement, Staline a aboli la NEP et a établi les plans quinquennaux, dans lesquels les objectifs de l’économie soviétique étaient fixés dans un délai de cinq ans. Staline a donné la priorité à l’expansion et au développement de l’industrie, en plus de centraliser plusieurs autres secteurs entre les mains de l’État. La Constitution russe de 1918, également connue sous le nom de Constitution soviétique de 1918, a été adoptée de 1918 à 1937 et maintenu après cette période avec des changements mineurs. La Constitution a reconnu la classe ouvrière comme la classe dirigeante du pays, établissant la dictature du prolétariat. La Constitution a également établi que les travailleurs étaient des alliés inconditionnels des paysans, garantissant l’égalité des droits aux deux classes sociales. Cependant, la Constitution, dans son article 65, refusait le droit de vote et de participer au pouvoir public à d’autres classes sociales, telles que les marchands ou quiconque employait quelqu’un, ainsi qu’aux prêtres, rabbins, pasteurs, haute bourgeoisie et soutenu l’armée blanche pendant la guerre civile.

Outre l’Union soviétique, le socialisme a été implanté en Europe de l’Est, en Chine, en Corée du Nord, à Cuba, au Vietnam, entre autres pays après la Seconde Guerre mondiale.

Avec la création de l’Union soviétique, une industrialisation accélérée était considérée comme essentielle pour surmonter le retard du pays qui avait des structures économiques précapitalistes. L’industrialisation accélérée depuis 70 ans a fait de ce pays l’une des plus grandes puissances industrielles au monde avec un parc industriel à fort développement technologique et une grande diversité productive (sidérurgie, métallurgie, chimie, carburants, armements, transports, spatial, etc.). Ce processus accéléré d’industrialisation cherchait à assimiler l’Union soviétique au parc industriel des États-Unis, son rival pendant la guerre froide. En ce qui concerne les infrastructures de transport, l’Union soviétique a investi massivement dans les chemins de fer, les autoroutes, les voies navigables, les ports, les pipelines (gaz et pétrole) et le transport aérien. La nécessité d’intégrer l’immense territoire et de profiter de la richesse abondante répartie dans toutes les régions sont des facteurs qui ont contribué aux grands travaux de transport. Dans le secteur de l’énergie, l’Union soviétique a également fait de lourds investissements afin de profiter de la richesse existante sur le territoire – hydrocarbures, charbon minéral, potentiel hydroélectrique, minéraux atomiques – pour faire de la superpuissance soviétique une puissance industrielle sans dépendance à l’importation d’énergie et de matières premières minérales et le considérer comme un exportateur de ces sources d’énergie et matières premières.

Malgré le succès économique obtenu, l’Union soviétique a pris fin en 1991. De nombreux analystes considèrent que l’une des causes de l’échec de l’Union soviétique à construire le socialisme était l’épuisement du modèle extensif de croissance économique adopté, qui exigeait l’adoption des progrès technologiques pour augmenter substantiellement la productivité de l’économie dans son ensemble. Une autre cause aurait été l’incapacité structurelle du système économique soviétique et le modèle d’industrialisation adopté pour assurer la transition vers la société de l’information avec l’utilisation de facteurs de production basés sur l’information et la connaissance. Une autre raison pour laquelle le système socialiste a succombé est qu’il a découragé la recherche d’innovation à une époque de changements technologiques fondamentaux, malgré l’énorme volume de ressources allouées par l’Union soviétique pour faire progresser la science et la recherche et développement bien que le pays a compté le plus grand nombre de scientifiques et d’ingénieurs parmi la population économiquement active par rapport à tout autre pays important du monde. Malgré la découragement à l’innovation, les progrès des Soviétiques dans le secteur aérospatial étaient importants car ils ont lancé le premier satellite artificiel et envoyé le premier chien, le premier homme et la première femme dans l’espace. Ils ont également développé le système de communication par satellite, créé des organes artificiels, le premier hélicoptère, de la xérographie et aussi le célèbre fusil AK-47.

La nécessité de maintenir sa puissance à l’échelle planétaire et, par conséquent, ses zones d’influence et de domination et l’équilibre militaire et technologique (aérospatial) avec les États-Unis après la 2ème guerre mondiale, ils ont contribué à l’Union soviétique faire face à une crise forte qui a eu des conséquences négatives à la fois pour l’économie et pour répondre aux demandes sociales. En outre, le modèle politique fermé, centralisé et excessivement bureaucratique a été épuisé, ce qui a conduit l’Union soviétique à une crise politique, provoquant un fort mécontentement populaire et la résurgence et la croissance de mouvements nationalistes qui ont accéléré la fin du pouvoir soviétique. La crise économique et l’insuffisance du modèle politique ont conduit à un fort mécontentement populaire en Union soviétique, ce qui a conduit le gouvernement du président Mikhail Gorbatchev à rechercher des réformes politique et économique qui sortiraient le pays de la décadence accélérée.

Pour faire face à l’échec économique et politique, Gorbatchev a proposé deux réformes structurelles, l’une politique, Glasnost, et l’autre économique, Perestroica. Glasnost a proposé une ouverture politique interne, permettant la participation et l’organisation populaires, la liberté de la presse, la croyance et les manifestations culturelles. Perestroica, pour sa part, proposait une restructuration et une libéralisation importantes de l’économie, c’est-à-dire des réformes de la structure de l’économie en vue d’adopter des mesures favorables à l’économie de marché, c’est-à-dire l’adoption du capitalisme. L’intensité de la crise n’a pas laissé le temps à Gorbatchev de mettre effectivement en pratique ses propositions et de récolter les résultats escomptés. En août 1991, le coup d’État mené par l’aile conservatrice du Parti communiste, contrairement aux réformes proposées par Gorbatchev, conduit à un contre-coup avec une forte participation populaire et à l’effervescence des mouvements nationalistes dans différentes républiques du pays, qui commencent à déclarer l’indépendance par rapport au gouvernement central soviétique. En décembre 1991, Gorbatchev démissionna, le Parlement s’éteignit et onze des quinze républiques officialisèrent la création de la CEI – Communauté des États indépendants, plus tard formée par douze pays et avec une forte hégémonie de la Fédération de Russie – héritière militaire, économique et politique de la Union soviétique.

Malgré l’échec économique du système socialiste, des succès d’une grande importance dans le domaine social ont été obtenus. Certaines des réalisations sociales de la Révolution en Union soviétique ont duré jusqu’aux années 1980, telles que l’accès à l’éducation et à la culture, la santé et les loisirs. Les mères avaient droit à 18 mois de congé de maternité, percevant aditionellement la moitié de leur salaire, et à 18 mois supplémentaires avec un quart de leur salaire, si elles décidaient de rester à la maison plus longtemps. La plupart des femmes ont repris le travail après 18 mois, car l’État fournit des garderies à bas prix. Les mères qui restaient à la maison étaient rares. La plupart des adultes travaillaient et le chômage était inexistant. L’éducation de la petite enfance était très structurée. Les enfants scolarisés à domicile étaient encore plus rares. L’école a permis aux deux parents de travailler à plein temps sans avoir à se soucier de leurs enfants.

Les gens n’avaient pas grand-chose, mais ils en avaient assez pour vivre une vie respectable. Il y avait aussi des inégalités sociales, mais elles n’étaient pas aussi prononcées que dans le capitalisme. L’Union soviétique avait la structure pour aider les familles et les enfants à faire des activités parascolaires après les heures de classe. Chaque agence ou usine d’État avait un centre culturel, où des présentations et des événements politiques et sociaux étaient organisés, ainsi que des programmes gratuits pour les enfants. Certains étaient meilleurs que d’autres, mais chaque enfant y avait accès. C’était une période stable, où l’on savait à quoi s’attendre le lendemain. Lorsque l’Union soviétique a commencé à s’effondrer dans les années 1970 et 1980, la vie telle qu’elle était avant a pris fin et la stabilité a disparu.

Avec la perte de stabilité, plusieurs avantages du pays socialisé ont disparu ensemble. Environ un tiers de la population a commencé à vivre en dessous du seuil de pauvreté. Les pauvres comprenaient des retraités âgés, des femmes célibataires, de nombreux paysans et des groupes professionnels faiblement rémunérés tels que les enseignants et le personnel administratif moins qualifié. Les conditions de logement dans les grandes villes étaient désastreuses. Les paysans soviétiques étaient malheureux parce que leurs conditions de vie étaient misérables. La négligence du régime envers l’environnement affecté la qualité de vie de la population, en particulier avec la catastrophe écologique causée par l’explosion de la centrale nucléaire de Tchernobyl. L’air et l’eau se dégradent avec la pollution, les forêts sont détruites, le sol est empoisonné et les ressources naturelles s’épuisent car tout était subordonné à la maximisation de la production agricole et industrielle, compromettant par conséquent la santé de la population. La baisse de la qualité de vie s’est également manifestée par l’augmentation de l’alcoolisme et de la criminalité. Lorsque l’Union soviétique s’est effondrée, la stabilité sociale a pris fin.

Les pays d’Europe de l’Est appartenant au système socialiste dirigé par l’Union soviétique ont également succombé. Pour éviter le même sort que l’Union soviétique, la Chine a adopté un modèle économique mixte appelé «socialisme de marché» qui inclut la présence de capitaux étrangers, en plus des capitaux locaux et privés. Le socialisme est devenu le capitalisme d’État en Chine. En 1980, la Chine est entrée dans une période de croissance économique intense, le gouvernement chinois a offert des incitations pour l’installation d’industries étrangères. Les exportations chinoises sont passées de 3,6 milliards de dollars en 1978 à plus de 250 milliards de dollars en 2004, dont la croissance a causé des problèmes communs aux pays capitalistes, tels que l’augmentation des inégalités sociales, le chômage et la pauvreté, en plus des disparités régionales déterminées. Les régions chinoises sont devenues plus développées et industrialisées que d’autres.

La Chine est devenue la terre des nouveaux milliardaires et de l’extrême pauvreté. Près de sept décennies après l’arrivée au pouvoir du Parti communiste chinois, 43 millions de personnes vivent toujours avec moins de 0,93 $ par jour. Il y a eu 1640 grèves ou manifestations industrielles en 2018, soit environ 400 de plus que l’année précédente, et ce chiffre n’est pas représentatif de toutes les grèves dans le pays au cours de la période. Si nous regardons la nature de ces manifestations, la grande majorité des cas sont liés d’une manière ou d’une autre à des problèmes économiques. Les manifestations sont déclenchées par l’incapacité des employeurs à payer les salaires à temps, la fermeture d’usines et l’effondrement des entreprises du secteur des services, entre autres facteurs.

3. Les causes de l’échec de la construction du socialisme dans le monde

D’après ce qui a été exposé au chapitre 2, on peut dire que le socialisme a échoué tout au long de son histoire à promouvoir le progrès économique et politique, malgré les progrès sociaux réalisés. Wallerstein affirme dans son travail Utopistique ou décisions historiques du XXIe siècle que les partis marxistes ont échoué parce que «l’élément principal qui a conduit au départ populaire de ces partis était la désillusion, le sentiment que ces partis avaient leur chance historique, qu’ils avaient ont obtenu un soutien basé sur une stratégie en deux étapes pour transformer le monde (prendre le pouvoir de l’État, puis le transformer), et qu’ils n’avaient pas rempli leur promesse historique ». Quant à l’échec de l’Union soviétique et des pays socialistes, Wallerstein a souligné que «les trois plus grandes accusations contre le socialisme historique sont: 1) l’utilisation arbitraire de l’autorité de l’État (et du parti), dans laquelle, dans le pire des cas, la terreur commandée par l’Etat; 2) l’extension des privilèges de nomenclature (groupe dominant dans la structure du pouvoir de l’Union soviétique et d’autres pays socialistes); et 3) l’inefficacité économique considérable, dont le résultat était de contenir l’augmentation de la valeur sociale au lieu de sa promotion ».

L’échec de la construction du socialisme est fondamentalement dû au fait qu’il a cherché à atteindre l’égalité sans l’atteindre et n’a pas fourni le bonheur des êtres humains qui ne peut être obtenu que dans la mesure où la devise “Liberté, Égalité, Fraternité” comme patrimoine des Lumières à la fin du XVIIe siècle et invoqué pour la première fois pendant la Révolution française soit mis en pratique. Cette devise invoquée lors de la Révolution française, qui est universelle parce qu’elle reflète les désirs de tous les êtres humains, est devenue le cri des militants pour la démocratie et le renversement des gouvernements oppressifs et tyranniques de toutes sortes, associé à tort uniquement aux révolutions bourgeoises qui eu lieu dans l’histoire, il n’a pas été adopté dans les révolutions socialistes qui ont eu lieu dans le monde, mais seulement dans la recherche de l’égalité. C’était l’un des principaux facteurs responsables de l’échec du socialisme dans le monde. La recherche de l’égalité ne suffit pas pour atteindre le bonheur du peuple. Par conséquent, le socialisme a échoué dans le monde, aussi, parce qu’il n’a pas adopté la devise universelle de «liberté, égalité et fraternité» visant à atteindre le bonheur des êtres humains, en recherchant uniquement l’égalité qui n’a été réalisée en pratique nulle part, même pas avec l’implantation de dictatures et le régime terroriste.

L’échec de la construction du socialisme en Union soviétique est également dû à l’adoption d’une dictature et au régime de terreur qui a duré environ 70 ans, qui se justifiait initialement par la nécessité de se défendre de la réaction contre-révolutionnaire interne et des attaques extérieures pendant et après la Première Guerre mondiale, par la suite, pour défendre le pays de l’agression de l’Allemagne nazie pendant la Seconde Guerre mondiale et pour reconstruire le pays après cette guerre et, enfin, pour affronter les puissances occidentales et les États-Unis pendant la guerre froide. Ce sont les raisons pour lesquelles il n’y a pas eu de réaction thermidorienne en Russie avec Staline au pouvoir, terme utilisé pour désigner la chute du régime terroriste jacobin pendant la Révolution française, dirigé par Maximilien Robespierre, et la montée d’un gouvernement conservateur aligné aux Girondins en France.

L’adoption de dictatures là où il a été implanté a empêché le socialisme de répondre à l’exigence de liberté dont tout être humain aspire à jouir. Ce fait a été à l’origine de la mobilisation qui existait aux débuts du régime soviétique pour se transformer en démobilisation pendant des dizaines d’années, qui n’a repris que dans la guerre patriotique contre le nazisme. Après la Seconde Guerre mondiale, il y a eu une nouvelle démobilisation qui s’est accentuée dans les derniers jours du socialisme en Union soviétique, lorsque les travailleurs et le peuple en général n’étaient pas heureux. Le mécontentement des travailleurs a affecté la productivité du travail et a abouti à des produits de qualité inférieure. Cela a créé un climat d’apathie, de mauvaise humeur, d’indifférence et même de désespoir. Tout cela explique pourquoi le socialisme a disparu en Union soviétique sans que le peuple se batte pour sa permanence.

4. L’avenir du socialisme

La désintégration de l’Union soviétique et des pays socialistes d’Europe de l’Est démontre sans équivoque qu’aucun modèle de société ne se perpétue sans le consensus entre l’État et la société civile, comme le préconisait le philosophe italien Antonio Gramsci, qui affirmait qu’une domination grossière n’était jamais possible de une classe sur les autres, sauf dans les dictatures ouvertes et terroristes comme celles de Staline, par exemple. Pour Gramsci, une classe sociale doit être, à la fois, dominante et directe afin d’articuler un bloc d’alliances autour d’elle-même et d’obtenir le consensus des classes et des couches dirigées, construisant une hégémonie éthico-politique. Cela ne s’est pas produit dans les pays où le socialisme était implanté dans le monde.

En étudiant les mécanismes de construction de cette hégémonie, Gramsci est arrivé à un concept fondamental de sa théorie politique, à savoir le concept d ‘«État élargi» qui n’est plus un pur instrument de force au service de la classe dominante, tel que les versions mécanistes le définissaient du marxisme lui-même, mais, exactement, force enrobée de consensus, coercition accompagnée d’hégémonie. L’Etat élargi s’inscrit ainsi dans la formule: société politique + société civile. Et, dans les sociétés occidentales, l’hégémonie, qui se décide dans les innombrables instances et médiations de la «société civile», ne peut être ignorée par les classes sociales qui aspirent à diriger la société dans son ensemble.

Le sens du progrès civilisateur, impliqué dans la stratégie de Gramscian, réside dans le fait que, prospectivement, tout le mouvement doit se dérouler dans le sens d’une «réabsorption de l’État politique par la société civile», avec une prédominance croissante des éléments d’autonomie et de (soi) la conscience. La contre-preuve en est que dans son œuvre Des cahiers de prison a été formulée une critique pionnière du stalinisme, dans laquelle, pour Gramsci, il y avait des traces inquiétantes d’hypertrophie de l’État (statolâtrie), caractérisant ainsi une situation de dictature sans hégémonie, qui il ne pouvait pas survivre longtemps. Cela signifie que le socialisme ne s’imposera à l’avenir que s’il est radicalement démocratique, contrairement à l’expérience de l’Union soviétique et de tous les pays qui ont copié leur modèle de société. Ce serait la voie qui permettrait d’éviter ce qui s’est passé dans tous les pays qui ont mis en œuvre le socialisme avec la conquête du pouvoir par l’usage de la violence, l’institutionnalisation des dictatures et la propagation de la terreur révolutionnaire. Il est démontré que cette voie n’est pas faisable pour construire une société basée sur la devise «Liberté, Égalité, Fraternité» car, en plus de ne pas parvenir à l’égalité sociale, elle compromet la réalisation de la liberté et de la fraternité entre les êtres humains.

La thèse de la dictature du prolétariat formulée par Marx, Lénine et d’autres idéologues pour construire le socialisme serait contradictoire dans un État gouverné par la société civile sur la base d’un consensus entre les classes sociales. Si, même dans les sociétés capitalistes avancées, le prolétariat n’avançait pas assez loin pour devenir une classe dirigeante, il y aurait moins de chances d’y parvenir dans les sociétés capitalistes arriérées, comme ce fut le cas avec l’Union soviétique. Le socialisme du futur doit résulter d’un bloc d’alliances basé sur le consensus entre les classes sociales, visant à construire une société qui recherche le progrès économique, social et environnemental basé sur la coopération entre tous les êtres humains et pas seulement par la volonté du prolétariat. Le socialisme du futur doit considérer l’État comme gouverné dans chaque pays par la société civile sur la base d’un consensus entre les classes sociales, toutes animées par l’intérêt collectif et non par l’intérêt individuel ou celui d’une classe dirigeante. L’expérience de la social-démocratie scandinave, par exemple, va dans ce sens.

En analysant le modèle de social-démocratie implanté dans le monde, il apparaît que c’est en Scandinavie (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) que le plus réussi d’entre eux s’est produit. La Scandinavie est le berceau du modèle de société le plus équilibré et égalitaire que l’humanité ait jamais connu. Son origine remonte à la Suède dans les années 1930, lorsque l’hégémonie social-démocrate du pays nordique s’est concrétisée, initiant une série de réformes politiques, sociales et économiques qui inaugurent un nouveau modèle de société en opposition au capitalisme libéral des décennies précédentes dont l’acte final fut la crise de 1929. L’initiative des économistes suédois était décisive, menée par Gunnar Myrdal qui fournirait les bases théoriques d’une politique économique sociale-démocrate alternative. L’école de Stockholm, comme l’appellerait cette branche de la pensée économique hétérodoxe, a dénoncé les maux du capitalisme libéral et a démontré la primauté de la demande des familles de reprendre les cycles d’expansion économique, contrairement aux stimuli inoffensifs de l’offre qui caractérisaient (et caractérisent encore ) la vision conservatrice du capitalisme libéral.

C’est ainsi qu’est né le modèle dit scandinave, qui franchirait rapidement les frontières suédoises pour devenir influent en Europe du Nord, mais aussi une référence importante dans la formulation de politiques économiques hétérodoxes (progressives) à travers la planète. Le succès de ce modèle est dû à la combinaison d’un large État-providence sociale avec des mécanismes rigides de régulation des forces du marché basés sur le keynésianisme, capables de mettre l’économie sur une trajectoire dynamique, tout en atteignant les meilleurs indicateurs du bien-être social entre les pays du monde. Le modèle nordique ou scandinave de la social-démocratie pourrait être mieux décrit comme une sorte de compromis entre le capitalisme et le socialisme. Il n’est ni totalement capitaliste ni totalement socialiste, étant la tentative de fusionner les éléments les plus désirables des deux dans un système «hybride». Par conséquent, avant de construire le socialisme du futur, il faut passer par l’étape de la social-démocratie dans les moules scandinaves.

RÉFÉRENCES

ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016).

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio: Civilização Brasileira, 2001.

LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

LEITE, Pedro. Escandinávia: modelo de desenvolvimento, democracia e bem-estar. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/40098789/ESCANDIN%C3%81VIA_MODELO_DE_DESENVOLVIMENTO_DEMOCRACIA_E_BEM-ESTAR>.

WALLERSTEIN, Immanuel. Utopística ou as Decisões Históricas do Século Vinte e Um.  Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Disponible sur le site Web <http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2017.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE CAUSES OF FAILURE IN THE CONSTRUCTION OF SOCIALISM AND ITS FUTURE

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the promises of socialism, its construction process in several countries in the world, the causes of its failure with the conclusions about its future.

1. The promises of socialism in history

Socialism is a political and economic doctrine that emerged between the end of the 18th century and the first half of the 19th century aiming to achieve social equality. The socialist current emerged as a way of rethinking the capitalist system in force at the time. Scientific socialism, known as Marxism, was created in the 19th century, based on a historical and scientific analysis of capitalism by Karl Marx and Friedrich Engels. According to Marx and Engels, in all historical times society was marked by the class struggle, this relationship being characterized by the antagonism between an oppressive and an oppressed class. In capitalism, these classes are represented, respectively, by the owners of the means of production and by a mass of wage earners without possessions, who have only their labor force.

Marxism regards the proletariat as the only social class capable of destroying this form of exploitation of man-by-man, through the destruction of capitalism. This would be achieved when the proletariat came to power with the conquest of the state through a social revolution. Upon reaching power, workers would eliminate inequalities, abolish social classes and make society equal. When this happened to the full, the transition from socialism to communism would be marked when be adopted the principle “Of each one, according to his capacity; each one according to their needs ”popularized by Marx and the anarchists.

In addition to proposing the extinction of social classes, Marxism defends the socialization of the means of production, the abolition of private property, the control of the State over the equal division of income and the planned economy. To achieve these objectives and fulfill its historic promise, the Communist Party would adopt a two-stage strategy to transform the world: 1) take the power of the State to place it under the dictatorship of the proletariat; and, 2) transform society with a view to achieving social equality. Socialism is a system based on public ownership and state administration of the means of production. Its doctrine is associated with the search for the common good, social equality and state interventionism. In political terms, its intention is to build a classless society through the social revolution. Socialism postulates the regulation of economic activities by the State in order to end the anarchy of production characteristic of the capitalist system.

2. The construction of socialism in the world

The first practical experience of building socialism in the world took place in 1917 in Russia, which shortly afterwards would unify with other countries to form the Soviet Union. The socialist regime was established in Russia in 1917, when a revolution overthrew the tsarist monarchy that prevailed in the country. After the fall of the monarchy, the Bolshevik Party, led by Vladimir Lenin, established the socialist government, which defended ideals based on Marxist principles. Lenin’s government faced strong opposition from sectors linked to the former tsarist regime, which sparked a long civil war in the country. After the end of the confrontation, Russia was devastated and, to rebuild it, the government decided to momentarily abandon some rigid socialist principles. With the New Economic Policy (NEP), the country returned to using capitalist forms of production, such as the opening of small factories, wage differences and foreign investment in the country.

In 1922, under the government of Josef Stalin, Russia unites with several other European and Asian countries to officially constitute the Union of Soviet Socialist Republics (USSR). During his government, Stalin abolished the NEP and established the five-year plans, where the goals of the Soviet economy were set within five years. Stalin prioritized the expansion and development of the industry, in addition to centralizing several other sectors in the hands of the State. The Russian Constitution of 1918, also known as the Soviet Constitution of 1918, was adopted from 1918 to 1937 and maintained after this period with minor changes. The Constitution recognized the working class as the country’s ruling class, establishing the dictatorship of the proletariat. The Constitution also established that workers were unconditional allies of the peasants, guaranteeing equal rights to the two social classes. However, the Constitution, in its article 65, denied the right to vote and to participate in the public power to other social classes, such as merchants or anyone who employed someone, as well as priests, rabbis, pastors, upper bourgeoisie and those who had supported the White Army during the civil war. In addition to the Soviet Union, socialism was implanted in Eastern Europe, in China, in North Korea, in Cuba, in Vietnam, among other countries after the Second World War.

With the creation of the Soviet Union, accelerated industrialization was considered essential to overcome the backwardness of the country that had pre-capitalist economic structures. Accelerated industrialization for 70 years has made this country one of the largest industrial powers in the world with an industrial park with great technological development and great productive diversity (steel, metallurgy, chemistry, fuels, armaments, transportation, space, etc.). This accelerated process of industrialization sought to equate the Soviet Union with the industrial park of the United States, its rival in the Cold War. Regarding transport infrastructure, the Soviet Union made heavy investments in railways, highways, waterways, ports, pipelines (gas and oil) and air transport. The need to integrate the immense territory and to take advantage of the abundant wealth spread throughout all regions are factors that contributed to major transportation works. In the energy sector, the Soviet Union also made heavy investments in order to take advantage of the existing wealth in the territory – hydrocarbons, mineral coal, hydroelectric potential, atomic minerals – to make the Soviet superpower an industrial power without dependence on the import of energy and raw materials. mineral raw materials and take it as an exporter of these energy sources and raw materials.

Despite the economic success achieved, the Soviet Union came to an end in 1991. Many analysts consider that one of the causes of the Soviet Union’s failure to build socialism was the exhaustion of the extensive model of economic growth adopted, which required the adoption of technological advances to substantially increase the productivity of the economy as a whole. Another cause would have been the structural incapacity of the Soviet economic system and the industrialization model adopted to ensure the transition to the information society with the use of factors of production based on information and knowledge. Another reason why the socialist system succumbed is that it discouraged the search for innovation at a time of fundamental technological changes, despite the enormous volume of resources allocated by the Soviet Union to advance science and research and development (R&D) despite the country has the largest number of scientists and engineers among the economically active population in relation to any other important country in the world. Despite the disincentive to innovation, the Soviets’ advances in the aerospace sector were important because they launched the first artificial satellite and sent the first dog, first man and first woman into space. They also developed the satellite communication system, created artificial organs, the first helicopter, xerography and also the famous AK-47 rifle.

The need to maintain its power on a planetary scale and, consequently, its areas of influence and domination and the military and technological (aerospace) balance with the United States after the Second World War, contributed to the Soviet Union facing a strong crisis that brought negative reflexes both for the economy and for meeting social demands. In addition, the closed, centralized and excessively bureaucratic political model was exhausted which led the Soviet Union to a political crisis, causing strong popular dissatisfaction and the resurgence and growth of nationalist movements that accelerated the end of the Soviet power. The economic crisis and the insufficiency of the political model led to strong popular dissatisfaction in the Soviet Union, which led the government of President Mikhail Gorbatchev to seek political and economic reforms that would lift the country out of the accelerated decay.

To deal with the economic and political failure, Gorbachev proposed two structural reforms, one political, Glasnost, and the other economic, Perestroika. Glasnost proposed an internal political opening, allowing popular participation and organization, freedom of the press, creed and cultural manifestations. Perestroika, on the other hand, proposed extensive restructuring and liberalization of the economy, that is, reforms in the structure of the economy with a view to adopting pro-market economy measures, that is, the adoption of capitalism. The intensity of the crisis did not give Gorbachev time to effectively put his proposals into practice and reap the expected results. In August 1991, the coup d’état carried out by the conservative wing of the Communist Party, contrary to the reforms proposed by Gorbatchev, led to a countercoup with strong popular participation and the effervescence of nationalist movements in various republics of the country, which began to declare independence in relation to the central, Soviet government. In December 1991, Gorbachev resigned, Parliament extinguished itself and eleven of the fifteen republics formalized the creation of the CIS – Commonwealth of Independent States, later formed by twelve countries and with strong hegemony of the Russian Federation – military, economic and political heiress of the Soviet Union.

Despite the economic failure of the socialist system, successes of great relevance in the social sphere have been achieved. Some of the social achievements of the Revolution in the Soviet Union lasted until the 1980s, such as access to education and culture, health and leisure. Mothers were entitled to 18 months of maternity leave, receiving additionally half of their wages, and another 18 months with a quarter of their wages, if they decided to stay home longer. Most women returned to work after 18 months, as the state provides childcare facilities at a low price. Mothers who stayed at home were rare. Most adults worked and unemployment was non-existent. Early childhood education was very structured. Home-educated children were an even greater rarity. The school made it possible for both parents to work full time without having to worry about their children.

People didn’t have much, but they had enough to live a respectable life. There were also social inequalities, but they were not as pronounced as in capitalism. The Soviet Union had the structure to help families and children do extracurricular activities after school hours. Each state agency or factory had a cultural center, where presentations and political and social events were held, as well as free programs for children. Some were better than others, but every child had access to them. It was a stable time, when people knew what to expect the next day. When the Soviet Union began to collapse in the 1970s and 1980s, life as it was before ended and stability was gone.

With the loss of stability, several benefits of the socialized country disappeared together. About a third of the population started to live below the poverty level. The poor included elderly retirees, single women, many peasants and low-paid professional groups such as teachers and less qualified administrative staff. Housing conditions in large cities were dire. Soviet peasants were unhappy because their living conditions were miserable. The regime’s neglect of the environment affected the population’s quality of life, especially with the ecological disaster caused by the explosion at the Chernobyl nuclear power plant. The air and water deteriorated with pollution, forests were destroyed, the soil was poisoned and natural resources were depleted because everything was subordinated to the maximization of agricultural and industrial production, consequently compromising the health of the population. The decline in quality of life was also manifested in the increase in alcoholism and crime. When the Soviet Union collapsed, social stability ended.

Eastern European countries belonging to the Soviet Union-led socialist system have also succumbed. To avoid the same fate as the Soviet Union, China adopted a mixed economic model called “market socialism” that includes the presence of foreign capital, in addition to local state and private capital. Socialism has become state capitalism in China. In 1980, China entered a period of intense economic growth, the Chinese government offered incentives for the installation of foreign industries. Chinese exports jumped from US$ 3.6 billion in 1978 to more than US$ 250 billion in 2004, the growth of which caused problems common to capitalist countries, such as increased social inequality, unemployment and poverty, in addition to regional disparities as determined China’s regions that have become more developed and industrialized than others have.

China has become the land of new billionaires and extreme poverty. Almost seven decades after the Chinese Communist Party came to power, 43 million people still live on less than US$ 0.93 a day. There were 1640 industrial strikes or protests in 2018, about 400 more than in the previous year, and this figure is not representative of all strikes in the country during the period. If we look at the nature of these protests, the vast majority of cases are linked in some way to economic problems. The protests are triggered by employers’ inability to pay wages on time, the closure of factories and the collapse of companies in the service sector, among other factors.

3. The causes of failure in the construction of socialism in the world

From what was exposed in chapter 2, it can be said that socialism has failed throughout its history to promote economic and political progress, despite the social advances achieved. Wallerstein claims in his work Utopistics or the Historic Decisions of the Twenty-First Century that Marxist parties failed because “the main element that led to the popular departure of these parties was disillusionment, a feeling that these parties had their historic opportunity, that they had obtained support based on a two-stage strategy to transform the world (take the power of the state, then transform it), and that they had not fulfilled their historic promise ”. As for the failure of the Soviet Union and socialist countries, Wallerstein pointed out that “the three biggest accusations against historical socialism are: 1) the arbitrary use of state (and party) authority, in which, in the worst cases, with commanded terror by the State; 2) the extension of the nomenclature privileges (dominant group in the power structure of the Soviet Union and other socialist countries); and 3) extensive economic inefficiency, the result of which was to contain the increase in social value instead of its promotion ”.

The failure in the construction of socialism is fundamentally due to the fact that it sought to achieve equality without achieving it and did not provide the happiness for human beings that can only be obtained to the extent that the motto “Freedom, Equality, Fraternity” as an Enlightenment heritage at the end of the 17th century and invoked for the first time during the French Revolution be put into practice. This motto invoked during the French Revolution, which is universal because it reflects the desires of all human beings, became the cry of activists for democracy and the overthrow of oppressive and tyrannical governments of all kinds, erroneously associated only with bourgeois revolutions  occurred in history, it was not adopted in the socialist revolutions that occurred in the world, but only the search for equality. This was one of the main factors responsible for the failure of socialism in the world. The search for equality is not enough to achieve the happiness of the people. Therefore, socialism failed in the world, also, because it did not adopt the universal motto of “freedom, equality and fraternity” aiming at achieving the happiness of human beings, seeking only the equality that was not realized in practice anywhere, not even with the implantation of dictatorships and the terror regime.

The failure to build socialism in the Soviet Union is also due to the adoption of a dictatorship and the regime of terror that lasted for about 70 years, which was justified initially by the need to defend itself from the internal counterrevolutionary reaction and external attacks during and after the First World War, later on, to defend the country from Nazi Germany’s aggression during World War II and to rebuild the country after this war and, finally, to confront the Western powers and the United States during the Cold War. These were the reasons why there was no Thermidorian reaction in Russia with Stalin in power, which is a term used to designate the fall of the Jacobin terror regime during the French Revolution, led by Maximilien Robespierre, and the rise of an aligned conservative government to Girondins in France.

The adoption of dictatorships where it was implanted has prevented socialism from meeting the demand for freedom that every human being aspires to enjoy. This fact was responsible for the mobilization that existed in the early days of the Soviet regime to be transformed into demobilization for dozens of years, which was only resumed in the patriotic war against Nazism. After the Second World War, there was a new demobilization that was accentuated in the last days of socialism in the Soviet Union, when the workers and the people in general were not happy. The dissatisfaction of the workers affected the productivity of the work and resulted in inferior products. This created a climate of apathy, bad mood, indifference and even despair. All this explains why socialism disappeared in the Soviet Union without the people fighting for its permanence.

4. The future of socialism

The disintegration of the Soviet Union and the socialist countries of Eastern Europe demonstrates unequivocally that no model of society is perpetuated without the consensus between the State and Civil Society, as advocated by the Italian philosopher Antonio Gramsci, who claimed that it was never possible to rule a class roughly over the others, except in open and terrorist dictatorships like those of Stalin, for example. For Gramsci, a social class must be, at the same time, dominant and direct in order to articulate a block of alliances around itself and obtain the consensus of the classes and layers directed, building an ethical-political hegemony. This did not happen in the countries where socialism was implanted in the world. This would be the path that would make it possible to avoid what happened in all countries that implemented socialism with the conquest of power through the use of violence, the institutionalization of dictatorships and the spread of revolutionary terror. It is demonstrated that this path is not feasible to build a society based on the motto “Freedom, Equality, Fraternity” because, in addition to not achieving social equality, it compromises the achievement of freedom and fraternity among human beings.

The thesis of the dictatorship of the proletariat formulated by Marx, Lenin and other ideologues to build socialism would be contradictory in a State governed by Civil Society on the basis of consensus between social classes. If, even in advanced capitalist societies, the proletariat did not advance far enough to become a  ruling class, there would be less chance of achieving this in backward capitalist societies, as was the case with the Soviet Union. The socialism of the future must result from a bloc of alliances based on consensus between social classes, aiming at building a society that seeks economic, social and environmental progress based on cooperation between all human beings and not just by the will of the proletariat. The socialism of the future must consider the State to be governed in each country by Civil Society on the basis of consensus between social classes, all driven by the collective interest and not by the individual interest or that of a ruling class. The experience of Scandinavian social democracy, for example, points in this direction.

When analyzing the model of social democracy implanted in the world, it appears that it was in Scandinavia (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) where the most successful among them all occurred. Scandinavia is the cradle of the most balanced and egalitarian model of society that humanity has ever known. Its origin dates back to Sweden in the 1930s, when the social democratic hegemony of the Nordic country came to fruition, initiating a series of social and economic reforms that would inaugurate a new model of society in opposition to the liberal capitalism of the previous decades whose final act it was the crisis of 1929. The initiative of Swedish economists was decisive, led by Gunnar Myrdal who would provide the theoretical foundation for an alternative social democratic economic policy. The Stockholm School, as this branch of heterodox economic thought would be called, denounced the ills of liberal capitalism and demonstrated the primacy of families’ demand to resume economic boom cycles, in contrast to the innocuous stimuli of supply that characterized (and still characterize ) the conservative view of liberal capitalism.

This is how the so-called Scandinavian model was born, which would quickly cross Swedish borders to become influential in northern Europe, but also an important reference in the formulation of heterodox (progressive) economic policies across the planet. The success of this model was due to the combination of a broad Social Welfare State with rigid mechanisms for regulating market forces based on Keynesianism, capable of putting the economy on a dynamic trajectory, at the same time that it reached the best indicators social welfare among countries in the world. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of compromise between capitalism and socialism. It is neither totally capitalist nor totally socialist, being the attempt to merge the most desirable elements of both into a “hybrid” system. Therefore, before building the socialism of the future, it is necessary to go through the stage of social democracy in Scandinavian molds.

When analyzing the model of social democracy implanted in the world, it appears that it was in Scandinavia (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) where the most successful among them all occurred. Scandinavia is the cradle of the most balanced and egalitarian model of society that humanity has ever known. Its origin dates back to Sweden in the 1930s, when the social democratic hegemony of the Nordic country came to fruition, initiating a series of political, social and economic reforms that inaugurated a new model of society in opposition to the liberal capitalism of the previous decades whose final act was the crisis of 1929. The initiative of Swedish economists was decisive, led by Gunnar Myrdal who would provide the theoretical foundation for an alternative social democratic economic policy. The Stockholm School, as this branch of heterodox economic thought would be called, denounced the ills of liberal capitalism and demonstrated the primacy of families’ demand to resume economic boom cycles, in contrast to the innocuous stimuli of supply that characterized (and still characterize ) the conservative view of liberal capitalism.

This is how the so-called Scandinavian model was born, which would quickly cross Swedish borders to become influential in northern Europe, but also an important reference in the formulation of heterodox (progressive) economic policies across the planet. The success of this model was due to the combination of a broad Social Welfare State with rigid mechanisms for regulating market forces based on Keynesianism, capable of putting the economy on a dynamic trajectory, at the same time that it reached the best indicators social welfare among countries in the world. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of compromise between capitalism and socialism. It is neither totally capitalist nor totally socialist, being the attempt to merge the most desirable elements of both into a “hybrid” system. Therefore, before building the socialism of the future, it is necessary to go through the stage of social democracy in Scandinavian molds.

REFERENCES

ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016).

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio: Civilização Brasileira, 2001.

LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

LEITE, Pedro. Escandinávia: modelo de desenvolvimento, democracia e bem-estar. Available on the  website <https://www.academia.edu/40098789/ESCANDIN%C3%81VIA_MODELO_DE_DESENVOLVIMENTO_DEMOCRACIA_E_BEM-ESTAR>.

WALLERSTEIN, Immanuel. Utopística ou as Decisões Históricas do Século Vinte e Um.  Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Available on the  website <https://www.academia.edu/40098789/ESCANDIN%C3%81VIA_MODELO_DE_DESENVOLVIMENTO_DEMOCRACIA_E_BEM-ESTAR<http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2017.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

AS CAUSAS DO FRACASSO NA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO E SEU FUTURO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as promessas do socialismo, o seu processo de construção em vários países do mundo, as causas de seu fracasso com as conclusões sobre seu futuro.

1. As promessas do socialismo na história

socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu entre o fim do século XVIII e a primeira metade do século XIX tendo por objetivo a conquista da igualdade social. A corrente socialista emergiu como uma forma de repensar o sistema capitalista em vigor na época. O socialismo científico, conhecido como marxismo, foi criado no século XIX, pautado em uma análise histórica e científica do capitalismo por Karl Marx e Friedrich Engels. Segundo Marx e Engels, em todas as épocas históricas a sociedade foi marcada pela luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. No capitalismo, essas classes são representadas, respectivamente, pelos donos dos meios de produção e por uma massa de assalariados sem posses, que dispõe apenas de sua força de trabalho.

O marxismo considera o proletariado como a única classe social capaz de destruir essa forma de exploração do homem pelo homem, por meio da destruição do capitalismo. Isso seria alcançado quando o proletariado chegasse ao poder com a conquista do Estado através de uma revolução social. Ao atingir o poder, os trabalhadores eliminariam as desigualdades, abolindo as classes sociais e tornando a sociedade igualitária. Quando isso acontecesse na plenitude estaria assinalada a passagem do socialismo para o comunismo quando seria adotado o princípio “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades popularizada por Marx e pelos anarquistas.

Além de propor a extinção das classes sociais, o marxismo defende a socialização dos meios de produção, a abolição da propriedade privada, o controle do Estado sobre a divisão igualitária da renda e a economia planificada. Para alcançar estes objetivos e cumprir sua promessa histórica, o partido comunista adotaria a estratégia de duas etapas para transformar o mundo: 1) tomar o poder do Estado para colocá-lo sob a ditadura do proletariado; e, 2) transformar a sociedade visando a conquista da igualdade social. O socialismo é um sistema baseado na propriedade pública e na administração estatal dos meios de produção. A sua doutrina está associada à procura do bem comum, à igualdade social e ao intervencionismo estatal. Em termos políticos, a sua intenção é de construir uma sociedade sem classes através da revolução social. O socialismo postula a regulação das atividades econômicas por parte do Estado com o propósito de acabar com a anarquia da produção característica do sistema capitalista.

2. A construção do socialismo no mundo

A primeira experiência prática de construção do socialismo no mundo ocorreu em 1917 na Rússia, que pouco tempo depois se unificaria com outros países para formar a União Soviética. O regime socialista foi estabelecido na Rússia em 1917, quando uma revolução derrubou a monarquia czarista que vigorava no país. Após a queda da monarquia, o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin, instaurou o governo socialista, que defendia ideais baseados nos princípios marxistas. O governo de Lênin enfrentou forte oposição de setores ligados ao antigo regime czarista, o que gerou uma longa guerra civil no país. Após o fim do confronto, a Rússia estava devastada e, para reconstruí-la, o governo decidiu abandonar momentaneamente alguns rígidos princípios socialistas. Com a Nova Política Econômica (NEP), o país voltou a usar formas de produção capitalistas, como a abertura de pequenas fábricas, diferenças salariais e investimento estrangeiro no país.

Em 1922, sob o governo de Josef Stalin, a Rússia se une a vários outros países europeus e asiáticos para constituir oficialmente a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Durante seu governo, Stalin aboliu a NEP e estabeleceu os planos quinquenais, onde as metas da economia soviética eram definidas em um prazo de cinco anos. Stalin priorizou a expansão e o desenvolvimento da indústria, além de centralizar diversos outros setores nas mãos do Estado. A Constituição russa de 1918, também conhecida como Constituição soviética de 1918, foi adotada de 1918 a 1937 e mantida após este período com pequenas alterações. A Constituição reconheceu a classe trabalhadora como classe dominante do país, estabelecendo a ditadura do proletariado. A Constituição também estabelecia que os trabalhadores eram aliados incondicionais dos camponeses garantindo direitos iguais às duas classes sociais. Contudo, a Constituição, no seu artigo 65, negava os direitos ao voto e à participação no poder público a outras classes sociais, como comerciantes ou qualquer um que empregasse alguém, assim como padres, rabinos, pastores, alta burguesia e para aqueles que tivessem apoiado o Exército Branco durante a guerra civil. Além da União Soviética, o socialismo foi implantado no leste europeu, na China, na Coreia do Norte, em Cuba, no Vietnã, entre outros países após a 2ª Guerra Mundial.

Com a criação da União Soviética, a industrialização acelerada foi considerada fundamental para superar o atraso do país que tinha estruturas econômicas pré-capitalistas.  A industrialização acelerada durante 70 anos tornou este país uma das maiores potências industriais do mundo com um parque industrial com grande desenvolvimento tecnológico e grande diversidade produtiva (siderurgia, metalurgia, química, combustíveis, armamentos, transporte, espacial etc.). Este processo acelerado de industrialização buscava equiparar a União Soviética ao parque industrial dos Estados Unidos, seu rival na Guerra Fria. Em relação à infraestrutura de transporte, a União Soviética fez pesados investimentos em ferrovias, rodovias, hidrovias, portos, dutos (gás e óleo) e modal aéreo. A necessidade de integração do imenso território e de aproveitamento das abundantes riquezas espalhadas por todas as regiões são fatores que contribuíram para grandes obras de transporte. No setor de energia, a União Soviética também fez pesados investimentos com vistas a aproveitar as riquezas existentes no território – hidrocarbonetos, carvão mineral, potencial hidrelétrico, minerais atômicos – para tornar a superpotência soviética uma potência industrial sem dependência de importação de energia e matérias-primas minerais e levá-la à condição de exportador dessas fontes de energia e matérias-primas.

Apesar do sucesso econômico alcançado, a União Soviética chegou ao fim em 1991. Muitos analistas consideram que uma das causas do fracasso da União Soviética na construção do socialismo teria sido o esgotamento do modelo extensivo de crescimento econômico adotado, que exigia a adoção de avanços tecnológicos para aumentar substancialmente a produtividade da economia como um todo. Outra causa teria sido a incapacidade estrutural do sistema econômico soviético e do modelo de industrialização adotado de assegurar a transição para a sociedade da informação com o emprego dos fatores de produção com base na informação e no conhecimento. Outra razão do sistema socialista ter sucumbido reside no fato dele desestimular a busca pela inovação em uma época de mudanças tecnológicas fundamentais, a despeito do enorme volume de recursos alocados pela União Soviética para o avanço da ciência e da pesquisa e desenvolvimento (P&D) apesar de o país possuir o maior número de cientistas e engenheiros entre a população economicamente ativa em relação a qualquer outro país importante do mundo. Apesar do desestímulo à inovação, foram importantes os avanços dos soviéticos no setor aeroespacial porque lançaram o primeiro satélite artificial e enviaram o primeiro cachorro, o primeiro homem e a primeira mulher ao espaço. Também desenvolveram o sistema de comunicação por satélite, criaram órgãos artificiais, o primeiro helicóptero, a xerografia e também o famoso e célebre fuzil AK-47.

A necessidade de manter seu poder em escala planetária e, consequentemente, suas áreas de influência e dominação e o equilíbrio militar e tecnológico (aeroespacial) com os Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial contribuíram para a União Soviética enfrentar uma forte crise que trouxe reflexos negativos tanto para a economia quanto para o atendimento das demandas sociais. Além disso, ocorreu o esgotamento do modelo político fechado, centralizado e excessivamente burocrático que levou a União Soviética a uma também crise política, causando forte insatisfação popular e o ressurgimento e o crescimento de movimentos nacionalistas que aceleraram o fim da potência soviética. A crise econômica e a insuficiência do modelo político levaram a uma forte insatisfação popular na União Soviética que levaram o governo do presidente Mikhail Gorbatchev a buscar reformas política e econômica que tirassem o país da acelerada decadência.

Para fazer frente ao fracasso econômico e político, Gorbatchev propôs duas reformas estruturais, uma política, a Glasnost, e outra econômica, a Perestroica. A Glasnost propunha uma abertura política interna, permitindo a participação e organização popular, a liberdade de imprensa, de credo e de manifestações culturais. Já a Perestroica propunha ampla reestruturação e liberalização da economia, ou seja, reformas na estrutura da econômica com vistas à adoção de medidas pró-economia de mercado, isto é, a adoção do capitalismo. A intensidade da crise não deu tempo para Gorbatchev colocar suas propostas efetivamente em prática e colher os resultados vislumbrados. Em agosto de 1991, o golpe de Estado realizado pela ala conservadora do Partido Comunista, contrária às reformas propostas por Gorbatchev, levou a um contragolpe com forte participação popular e à efervescência de movimentos nacionalistas em várias repúblicas do país, que passaram a declarar a independência em relação ao governo central, soviético. Em dezembro de 1991, Gorbatchev renuncia, o Parlamento se auto extingue e onze das quinze repúblicas formalizam a criação da CEI – Comunidade dos Estados Independentes, mais tarde formada por doze países e com forte hegemonia da Federação Russa – herdeira militar, econômica e política da União Soviética.

Apesar do fracasso econômico do sistema socialista, foram alcançados êxitos de grande relevância na esfera social. Algumas das conquistas sociais da Revolução na União Soviética perduraram até os anos 1980, como o acesso à educação e à cultura, saúde e lazer.As mães tinham direito a 18 meses de licença maternidade, recebendo adicionalmente metade dos seus salários, e outros 18 meses com um quarto do salário, caso decidissem ficar em casa mais tempo. A maioria das mulheres retornava ao trabalho depois de 18 meses, pois o Estado fornece creches por um baixo preço. Mães que ficavam em casa era raridade. A maioria dos adultos trabalhava e o desemprego era inexistente. A educação infantil era muito estruturada.  Crianças educadas em casa eram uma raridade ainda maior. A escola possibilitava que os pais e mães ambos trabalhassem no período integral sem ter que se preocupar com os filhos.

As pessoas não tinham muito, mas tinham o suficiente para viver uma vida respeitável.  Havia desigualdades sociais também mas não eram tão acentuadas como no capitalismo. A União Soviética tinha estrutura para ajudar as famílias e os filhos a fazerem atividades extracurriculares depois do horário escolar. Cada agência estatal ou fábrica tinha um centro cultural, onde apresentações e eventos políticos e sociais eram feitos, assim como programas gratuitos para crianças. Alguns eram melhores que outros, mas toda criança tinha acesso a eles. Era uma época estável, em que se sabia o que esperar do dia seguinte. Quando a União Soviética deu início ao seu colapso nas décadas de 1970 e 1980, a vida como existia antes acabou e a estabilidade se foi. 

Com a perda da estabilidade, vários benefícios do país socializado desapareceram juntos. Cerca de um terço da população passou a viver abaixo do nível de pobreza. Os pobres incluíam aposentados idosos, mulheres solteiras, muitos camponeses e grupos profissionais mal remunerados como, por exemplo, professores e pessoal administrativo menos qualificado. As condições de moradia nas grandes cidades eram terríveis. Os camponeses soviéticos estavam infelizes porque suas condições de vida eram miseráveis. O descaso do regime com o meio ambiente afetou a qualidade de vida da população, sobretudo com o desastre ecológico provocado pela explosão na usina nuclear de Chernobyl. O ar e a água se deterioraram com a poluição, florestas foram destruídas, o solo envenenado e os recursos naturais se esgotaram porque tudo se subordinava à maximização da produção agrícola e industrial gerando, em consequência, o comprometimento da saúde da população. O declínio da qualidade de vida se manifestava, também, no aumento do alcoolismo e do crime. Quando a União Soviética colapsou, acabou e a estabilidade social.

Os países do leste europeu integrantes do sistema socialista liderado pela União Soviética, também, sucumbiram. Para evitar o mesmo destino da União Soviética, a China adotou um modelo econômico misto denominado “socialismo de mercado” que contempla a presença do capital estrangeiro, além de capitais estatais e privados locais. O socialismo se transformou em capitalismo de estado na China. Em 1980, a China entrou em um período de intenso crescimento econômico, o governo chinês ofereceu incentivos para instalação de indústrias estrangeiras. As exportações chinesas saltaram de 3,6 bilhões de dólares em 1978 para mais de 250 bilhões de dólares em 2004 cujo crescimento provocou problemas comuns aos países capitalistas, como o aumento da desigualdade social, do desemprego e da pobreza, além das disparidades regionais pois determinadas regiões da China tornaram-se mais desenvolvidas e industrializadas do que outras.

A China se tornou a terra de novos bilionários e de pobreza extrema.  Quase sete décadas depois que o Partido Comunista Chinês subiu ao poder, 43 milhões de pessoas ainda vivem com o equivalente a menos de US$ 0,93 por dia. Houve o registro de 1640 greves ou protestos industriais em 2018, cerca de 400 a mais do que no ano anterior, e este número tampouco é representativo de todas as greves acontecidas no país durante o período. Se observamos a natureza desses protestos, a grande maioria dos casos está vinculada de alguma forma aos problemas econômicos. Os protestos são provocados pela incapacidade dos empregadores de pagar os salários a tempo, pelo fechamento das fábricas e o colapso das empresas no setor de serviços, entre outros fatores.

3. As causas do fracasso na construção do socialismo no mundo

Pelo exposto no capítulo 2, pode-se afirmar que o socialismo fracassou ao longo de sua história na promoção do progresso econômico e político, apesar dos avanços sociais alcançados.  Wallerstein afirma em sua obra Utopística ou as Decisões Históricas do Século Vinte e Um que os partidos marxistas fracassaram porque “o elemento principal que levou ao afastamento popular desses partidos foi a desilusão, uma sensação de que esses partidos tinham tido sua oportunidade histórica, que tinham obtido apoio com base em uma estratégia de duas etapas para transformar o mundo (tomar o poder do Estado, depois transformá-lo), e que não tinham cumprido sua promessa histórica”. Quanto ao fracasso da União Soviética e dos países socialistas, Wallerstein destacou que “as três maiores acusações contra o socialismo histórico são: 1) o uso arbitrário da autoridade do Estado (e do partido) em que, nos piores casos, com o terror comandado pelo Estado; 2) a extensão dos privilégios da Nomenclatura (grupo dominante na estrutura de poder da União Soviética e outros países socialistas); e 3) extensa ineficiência econômica cujo resultado foi uma contenção do aumento do valor social em vez de sua promoção”.

O fracasso na construção do socialismo se deve fundamentalmente ao fato de ter buscado a conquista da igualdade sem alcançá-la e não ter proporcionado a felicidade para os seres humanos que só poderá ser obtida na medida em que o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” como herança do Iluminismo ao final do século XVII e invocado pela primeira vez durante a Revolução Francesaseja colocado em prática. Este lema invocado durante a Revolução Francesa, que é universal porque traduz os anseios de todos os seres humanos,tornou-se o grito de ativistas em prol da democracia e da derrubada de governos opressores e tiranos de todo tipo, erroneamente associado apenas às revoluções burguesas que ocorreram na história, não foi adotado nas revoluções socialistas que ocorreram no mundo e sim apenas a busca da igualdade. Este foi um dos principais fatores responsáveis pelo fracasso do socialismo no mundo. Não basta a busca da igualdade para conquistar a felicidade do povo. Portanto, o socialismo fracassou no mundo, também, porque não adotou o lema universal de “liberdade, igualdade e fraternidade” visando a consecução da felicidade dos seres humanos, buscando apenas a igualdade que não se realizou na prática em nenhum lugar nem mesmo com a implantação de ditaduras e do regime de terror. 

O fracasso na construção do socialismo na União Soviética se deve, também, à adoção de uma ditadura e do regime de terror que perdurou durante cerca de 70 anos que foi justificada inicialmente pela necessidade de se defender da reação contrarrevolucionária interna e de ataques externos durante e após a 1ª Guerra Mundial, posteriormente, para defender o país da agressão da Alemanha nazista durante a 2ª Guerra Mundial e reconstruir o país após esta guerra e, finalmente, para enfrentar as potências ocidentais e os Estados Unidos durante a Guerra Fria. Estas foram as razões pelas quais não houve na Rússia com Stalin no poder uma reação termidoriana, que é um termo utilizado para designar a queda do regime do terror jacobino durante a Revolução Francesa, liderado por Maximilien Robespierre, e a ascensão de um governo conservador alinhado aos girondinos na França.

A adoção de ditaduras onde foi implantado fez com que o socialismo deixasse de atender a demanda por liberdade que todo ser humano aspira gozar. Este fato foi responsável para que a mobilização existente nos primeiros tempos do regime soviético se transformasse em desmobilização durante dezenas de anos que só foi retomada na guerra patriótica contra o nazismo. Após a 2ª Guerra Mundial, ocorreu nova desmobilização que se acentuou nos últimos dias do socialismo na União Soviética, quando os operários e o povo em geral demonstravam não estar felizes. A insatisfação dos operários afetava a produtividade do trabalho e resultava em produtos de qualidade inferior. Isto criou um clima de apatia, mau humor, indiferença e, até mesmo, de desespero. Tudo isto explica porque o socialismo desapareceu na União Soviética sem que o povo lutasse pela sua permanência. 

4. O futuro do socialismo

A desintegração da União Soviética e dos países socialistas do leste europeu demonstra de forma inequívoca que nenhum modelo de sociedade se perpetua sem que haja o consenso entre o Estado e a Sociedade Civil como preconizou o filósofo italiano Antonio Gramsci que afirmou nunca ser possível o domínio bruto de uma classe sobre as demais, a não ser nas ditaduras abertas e terroristas como as de Stalin, por exemplo. Para Gramsci uma classe social deve ser, ao mesmo tempo, dominante e dirigente  para articular em torno de si um bloco de alianças e obter o consenso das classes e camadas dirigidas construindo uma hegemonia ético-política. Isto não aconteceu nos países onde foi implantado o socialismo no mundo.

Ao estudar os mecanismos de construção desta hegemonia, Gramsci chegou a um conceito fundamental na sua teoria política, a saber, o conceito de “Estado ampliado” que deixa de ser um puro instrumento de força a serviço da classe dominante, como o definiam versões mecanicistas do próprio marxismo, mas, exatamente, força revestida de consenso, coerção acompanhada de hegemonia. O Estado ampliado, assim, cabe na fórmula: sociedade política + sociedade civil. E, nas sociedades de tipo ocidental, a hegemonia, que se decide nas inúmeras instâncias e mediações da “sociedade civil”, não pode ser ignorada pelas classes sociais que aspiram dirigir o conjunto da sociedade.

O sentido de progresso civilizatório, implicado na estratégia gramsciana, reside no fato de que, prospectivamente, todo o movimento deve acontecer no sentido de uma “reabsorção do Estado político pela sociedade civil”, com o predomínio crescente de elementos de autogoverno e (auto)consciência. A contraprova disso é que em sua obra Cadernos do Cárcere é formulada de modo pioneiro uma crítica ao stalinismo, em que, para Gramsci, havia traços preocupantes de hipertrofia do Estado (estatolatria), caracterizando-se assim uma situação de ditadura sem hegemonia, que não poderia subsistir por muito tempo. Isto significa dizer que o socialismo só se imporá no futuro se for radicalmente democrático ao contrário da experiência da União Soviética e de todos os países que copiaram seu modelo de sociedade. Este seria o caminho que permitiria evitar o que ocorreu em todos os países que implantaram o socialismo com a conquista do poder com o uso da violência, a institucionalização de ditaduras e a disseminação do terror revolucionário. Está demonstrado que este caminho é inviável para construir uma sociedade baseada no lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” porque, além de não conquistar a igualdade social, compromete a conquista da liberdade e da fraternidade entre os seres humanos.

A tese da ditadura do proletariado formulada por Marx, Lênin e outros ideólogos para construir o socialismo seria contraditório em um Estado governado pela Sociedade Civil na base do consenso entre as classes sociais. Se, mesmo em sociedades capitalistas avançadas, o proletariado não avançou o suficiente para se tornar classe dominante e dirigente, haveria menos chance de atingir esta situação em sociedades capitalistas atrasadas, como foi o caso da União Soviética. O socialismo do futuro deve resultar de um bloco de alianças com base no consenso entre as classes sociais visando a construção de uma sociedade que busca o progresso econômico, social e ambiental baseado na cooperação entre todos os seres humanos e não apenas pela vontade do proletariado. O socialismo do futuro deve considerar o Estado ser governado em cada país pela Sociedade Civil na base do consenso entre as classes sociais todas elas movidas pelo interesse coletivo e não pelo interesse individual ou de uma classe dominante. A experiência da social democracia escandinava, por exemplo, aponta nesta direção.

Ao analisar o modelo da social democracia implantado no mundo, constata-se que foi na Escandinávia (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) onde ocorreu o mais bem sucedido entre todos eles. A Escandinávia é o berço do modelo de sociedade mais equilibrado e igualitário que a humanidade já conheceu. Sua origem remonta à Suécia dos anos 1930, quando se concretizava a hegemonia social democrata no governo do país nórdico, dando início a uma série de reformas políticas, sociais e econômicas que inaugurou um novo modelo de sociedade em oposição ao capitalismo liberal das décadas anteriores cujo ato final foi a crise de 1929. Foi decisiva a iniciativa de economistas suecos, tendo à frente Gunnar Myrdal que forneceriam o fundamento teórico para uma política econômica alternativa social democrata. A Escola de Estocolmo, como seria batizada esta ramificação do pensamento econômico heterodoxo, denunciou as mazelas do capitalismo liberal e demonstrou a primazia da demanda das famílias para se retomar ciclos de bonança econômica, em contraposição aos estímulos inócuos de oferta que caracterizavam (e caracterizam ainda) a visão conservadora do capitalismo liberal.

Foi assim que nasceu o chamado modelo escandinavo, que rapidamente ultrapassaria as fronteiras suecas para se tornar influente no norte europeu, mas também uma referência importante na formulação de políticas econômicas heterodoxas (progressistas) em todo o planeta. O sucesso deste modelo se deveu à combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado com base no Keynesianismo, capaz de colocar a economia em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que alcançava os melhores indicadores de bem-estar social entre países do mundo. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo. Não é nem totalmente capitalista nem totalmente socialista, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. Portanto, antes de construir o socialismo do futuro, é necessário passar pelo estágio de socialdemocracia nos moldes escandinavos.

REFERÊNCIAS

ALCOFORADO, Fernando. As grandes revoluções científicas, econômicas e sociais que mudaram o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016).

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio: Civilização Brasileira, 2001.

LAQUER, Walter. O fim de um sonho. São Paulo: Editora Best Seller, 1994.

LEITE, Pedro. Escandinávia: modelo de desenvolvimento, democracia e bem-estar. Disponível no website <https://www.academia.edu/40098789/ESCANDIN%C3%81VIA_MODELO_DE_DESENVOLVIMENTO_DEMOCRACIA_E_BEM-ESTAR>.

WALLERSTEIN, Immanuel. Utopística ou as Decisões Históricas do Século Vinte e Um.  Petrópolis: Editora Vozes, 1998.

WIKIPEDIA. Modelo nórdico. Disponível no website <http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Modelo_n%C3%B3rdico>, 2017.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

DO ESTADO ANTIGO AO NECESSÁRIO ESTADO DO FUTURO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo mostrar a evolução do Estado desde a Antiguidade até a era contemporânea e apresentar o novo Estado que seria necessário construir no futuro. Historicamente, o Estado nem sempre existiu. O nascimento do Estado é o produto da divisão social do trabalho e da divisão da sociedade em classes sociais exploradoras e exploradas. O Estado tem exercido um papel fundamental ao longo da história porque tem sido instrumento de quem está no seu comando para alcançar seus objetivos, isto é, ao ser utilizado pelas classes dominantes para assegurar seus interesses no seio das sociedades, além de exercer a dominação de outras nações e povos. Esta trajetória dos Estados ao longo da história tem resultado na ocorrência de inúmeras guerras entre nações e incontáveis conflitos sociais gerando muitas mortes e sofrimentos para os seres humanos ao longo da história. A natureza do Estado precisa ser modificada no futuro para que a civilização se imponha sobre a barbárie e seja construído o reino da liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade para todos os seres humanos. 

1. Da comunidade primitiva ao nascimento do Estado

Nas comunidades primitivas, quando a divisão social de trabalho era apenas rudimentar, todos os membros da sociedade exerciam todas as funções sociais. Não havia Estado nem funções especiais de Estado. Uma dessas funções, o exercício das armas, era assumido coletivamente por todos os membros da comunidade primitiva. Na comunidade primitiva, todos os seus membros (e às vezes até as mulheres) andavam armados para se defenderem das feras ou de inimigos situados fora do ambiente comunitário. Com o advento do Estado, este passou a ser, em última análise, nada mais do que um corpo de homens armados. Numa sociedade com a presença do Estado, o conceito de pegar em armas constitui uma prerrogativa exclusiva de uma instituição chamada exército, ou polícia, ou agentes militares de vários tipos, que não existia nas comunidades primitivas.

Outra função como a prática da justiça pertencia à comunidade primitiva. Nesta época, não existiam códigos escritos de leis. As contendas eram decididas por famílias ou pelos próprios indivíduos em assembleias coletivas que tinham o poder de pronunciar juízos de valor. Portanto, nas comunidades primitivas, antes de serem divididas em classes sociais, certas funções, tais como a das armas ou a administração da justiça, eram exercidas coletivamente por todos os membros adultos da comunidade. Só quando esta sociedade se desenvolve mais, no momento em que aparecem classes sociais, é que estas funções são retiradas da comunidade e reservadas a uma minoria (classes dominantes) que passa a exercê-las de modo especial.

Nas comunidades primitivas, havia a proprie­dade coletiva dos meios de produção que trabalhava a terra na produção de alimentos. Nesta época, era tão baixo o nível de desenvolvimento das forças produtivas, que não permitia obter isoladamente os ne­cessários meios de subsistência. Nessas circunstâncias, os homens eram obri­gados a viver e a trabalhar em conjunto e o trabalho em comum gerava a propriedade comum dos meios de pro­dução e dos frutos do trabalho. O que os homens obti­nham conjuntamente pertencia à toda coletividade. Ainda não se tinha ideia alguma da propriedade privada dos meios de produção, da exploração do homem pelo homem, nem das classes sociais. O regime comunitário primitivo é uma etapa universal da história da humanidade, o que significa dizer que cada povo teve de passar por este estágio e que a sociedade dividida em classes sociais não é inicial, mas que se constituiu sobre as ruínas do regime comunitário primitivo.

Karl Marx e Friedrich Engels, filósofos fundadores do marxismo, debruçaram-se sobre os pro­blemas da história primitiva em várias obras como A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado e A Ideo­logia Alemã as quais informam que nos primórdios da sociedade humana, quando os homens viviam da caça, da pesca, da agricultura e da criação de gado pri­mitivas, toda a propriedade era da tribo. A propriedade coletiva era dominante. A época da comunidade primitiva é sucedida pela do regime dos clãs cujo apogeu é geralmente acompanhado pelo matriar­cado, pela igualdade entre o homem e a mulher. O desenvolvimento das forças produtivas e o nas­cimento do pastoreio, da cultura da terra pela charrua e do tratamento dos metais (bronze, ferro) marcam o iní­cio de uma época em que surgem os primeiros germes de exploração do homem pelo homem e de propriedade privada. O matriarcado é substituído pelo patriarcado e a democracia do clã trans­forma-se em uma comunidade dividida em classes sociais que prepara o terreno para a fundação do Estado.

Na época primitiva, a guerra, embora ocasional, existia em pequena escala. A necessidade de obtenção de produtos agrícolas pode ter induzido tribos a se imporem pela força sobre outras comunidades de agricultores. A acumulação de riquezas – rebanhos, terras etc. – resultou em parte do saque às populações vencidas nas guerras. Com a evolução das trocas entre as comunidades, alguns membros delas passaram a acumular mais riqueza do que outros, apropriando-se do excedente comunal ou da melhor parte da pilhagem obtida através das guerras. Com a evolução das relações de produção, a propriedade privada dos meios de produção ampliou-se à terra e, finalmente, ao trabalhador (escravo a que eram transformados os povos vencidos nas guerras). Uma das instituições econômicas do Estado Antigo na Grécia e na Itália (na verdade a base do sistema de produção) era a existência de um trabalhador-mercadoria: o escravo.

A transformação da economia comunal em economia escravista deveu-se ao desenvolvimento das forças produtivas no seio da comunidade primitiva, sobretudo quando os homens começaram a utilizar instrumentos de metal. Após a domesticação dos animais e o início da agricultura, tornou-se possível o emprego da força de trabalho do prisioneiro de guerra que podia ser obrigado a trabalhar para a comunidade ou para o proprietário particular como escravo. O trabalho dessas populações escravizadas passou a sustentar a comunidade, juntamente com a atividade agrícola ou pastoril praticada pelos conquistadores. Na sociedade escravista, os meios de produção (terra, instrumentos de trabalho, escravos, etc.) eram propriedade do senhor. Na época do escravismo, as relações que existiam na sociedade eram relações de domínio e de sujeição. Um pequeno número de senhores explorava ferozmente a massa de escravos privados de todos os direitos.

A escravidão não havia entre as populações de caçadores-coletores durante a comunidade primitiva. A escravidão passou a ser conhecida apenas em civilizações tão antigas quanto a Suméria, assim como em quase todas as outras civilizações antigas, incluindo o Egito antigo, a China antiga, o Império Acadiano, a Assíria, a Babilônia, o Irã antigo, a Grécia antiga, a Índia antiga, o Império Romano, os Califados e Sultanato Islâmico árabes, Núbia e as civilizações pré-colombianas das Américas. A escravidão resultava de dívidas, punição por crime, prisioneiros de guerra, abandono de crianças e o nascimento de crianças escravas filhos de escravos. Os primeiros Estados surgiram após o fim das comunidades primitivas para assegurar o direito de propriedade frente a inimigos internos (ladrões) ou externos (invasores).  

2. A evolução dos Estados da Antiguidade à Era Contemporânea

Na história da humanidade, pode-se considerar ter existido, pela ordem, desde a Antiguidade até a era contemporânea os tipos de Estado seguintes: 1) Estado Antigo; 2) Estado Medieval; 3) Estado Absolutista; 4) Estado Liberal Clássico; 5) Estado Marxista; 6) Estado Liberal Neoclássico Keynesiano e, 7) Estado Mínimo Neoliberal.

O Estado Antigo

O Estado Antigo existiu desde 3100 a.C. no Egito, na Mesopotâmia, na China, na Índia, na América Central, nos Andes, na Grécia, na Pérsia, em Cartago e em Roma, etc. com os vários estados apresentando alguns traços em comum como o de serem teocráticos e politeístas, divididos em classes e castas bem definidas e vivendo em constante conflito entre sí. Esses Estados surgiram também como organização destinada a tornar possível a realização dos trabalhos coletivos (construção de canais, barragens, aquedutos etc.) necessários para a comunidade. Os primeiros Estados se caracterizaram por exercer um poder absoluto e teocrático, no qual os monarcas se identificavam com uma divindade. O poder se justificava por sua natureza divina e era a crença religiosa dos súditos que o sustentava. O trabalho na Antiguidade, representava punição, submissão, em que os trabalhadores eram os povos vencidos nas batalhas, os quais eram escravizados. O trabalho não era dignificante para o homem. A escravidão era tida como coisa justa e necessária.  

Entre os estados antigos se destacaram na história os do Egito, da Grécia e de Roma.  No Egito antigo, a civilização egípcia se formou em torno de 3 100 a.C. com a unificação política sob o primeiro faraó (Narmer) e se desenvolveu nos três milênios seguintes com o estado exercendo um papel destacado na sociedade, o qual exercia o controle do comércio e era dono da maioria das terras. O regime político adotado era a monarquia teocrática. O poder político e a religião andavam de mãos dadas através do faraó, que era a representação viva do próprio Deus. O trabalho no Egito Antigo era normalmente braçal e predominantemente realizado pelos escravos, que estavam presentes nas atividades agrícolas, nos trabalhos domésticos e na construção de obras públicas. Na Grécia antiga, o estado existiu entre os séculos V e IV a.C. no período clássico da civilização helênica, período no qual floresce a Democracia Ateniense. Os gregos acreditavam que os cidadãos seriam capazes de contribuir para o bem-comum. A democracia era o governo exercido pelo povo, ao contrário dos impérios que eram liderados por dirigentes que eram considerados deuses, como foi o caso do Egito dos Faraós. A democracia desenvolveu-se principalmente em Atenas, onde os homens livres tinham oportunidade de discutir questões políticas em praça pública. A unidade política grega era a polis, ou cidade-estado, cujo governo foi, em alguns momentos, democrático. Os habitantes que alcançavam a condição de cidadãos – da qual estavam excluídos os escravos – participavam das instituições políticas.

Por sua vez, Roma se tornou a sede do Império Romano que é considerado o maior império da história ocidental que operava com base no trabalho escravo e na subjugação do povos bárbaros (todos os povos estrangeiros que viviam longe da cultura, religião e costumes do grande Império Romano como os hunos, francos, lombardos, anglos, saxões, burgúndios, visigodos, suevos, vândalos e ostrogodos). O Império Romano durou cinco séculos: começou em 27 a.C. e terminou em 476 d.C. Estendia-se do Rio Reno até o Egito e chegava à Grã-Bretanha e à Ásia Menor. Assim, estabelecia uma conexão com a Europa, a Ásia e África. No sistema político de Império Romano, o poder político estava concentrado na figura do imperador. O Império Romano começou com Otaviano Augusto e terminou com Constantino XI. O império sucedeu à República Romana. Com o novo sistema, Roma, que era uma cidade-estado, passou a ser governada pelo imperador. Sendo o último dos grandes impérios da Antiguidade, o Império Romano decaiu em razão da revolta dos escravos e das invasões bárbaras, marcando assim o fim da Idade Antiga e começo da Idade Média que surgiu no século V e teve seu fim no século XV. Com as invasões do Império Romano, os bárbaros implantaram uma nova ordem estatal, o Estado Medieval com o feudalismo, na qual prevaleceram os costumes germânicos sobre as tradições romanas, substituindo a execrável escravidão pelo trabalho servil nas atividades produtivas.

O Estado Medieval

O Estado medieval surgiu entre os séculos V e XV na Europa Ocidental, era descentralizado com o poder centrado na figura do senhor feudal que  operava com base no feudalismo que substituiu o escravismo compreendendo o período da Idade Média a partir do fim do Império Romano. Instituições feudais perduraram na Europa até os séculos XVII e XVIII. No sistema feudal não existia comércio, as relações eram à base de trocas de produtos, e toda produção era destinada ao sustento local. As relações de trabalho se realizavam entre o senhor feudal, dono da terra, e do outro lado o servo ou camponês, que era subordinado ao senhor feudal. O servo vivia com sua família e trabalhava na terra do senhor e pagava um “aluguel” pelo seu uso, além de trabalhar três dias por semana de graça para ele. O servo devia gratidão ao senhor pelo trabalho e proteção, a essa relação de dependência e gratidão dá-se o nome de vassalagem ou servidão. Nesse período não existia trabalho assalariado, o que resultava numa dependência social entre senhor e servo.

O Estado medieval apresentava governos em forma de descentralização feudal com submissão à Igreja, que possuía um poder espiritual representativo dentro da sociedade. Com a dominação dos reis germânicos (bárbaros, francos, godos, lombardos e vândalos) sobre os vastos territórios romanos, eles passaram a distribuir cargos, vantagens e privilégios aos seus chefes guerreiros, e assim gerou a fragmentação do poder, com cada um dominando uma parte do território (lotes de terra chamados de feudo) e se comprometendo a defendê-lo, gerando assim o feudalismo. O senhor feudal era o proprietário exclusivo de sua terra e todos seus habitantes seu vassalos. Ele tinha a função de chefe de Estado, decretando e arrecadando tributos, administrando a justiça, expedindo regulamentos e declarando guerra. Sendo assim ele atuava como um rei dentro de seus domínios, porém sobre um conceito de direito privado. A posse das terras era vitalícia e hereditária. O Estado Medieval e a Igreja Católica Romana mantiveram estreita relação no sentido de esta trazer a ideia de unidade àquele. Em linhas gerais, a Igreja tornou-se um fator de aglutinação para o Estado Medieval. 

As funções de armas e de administração da justiça são realizadas de modo especial quando o sistema feudal passa a ser dominante na Europa. O senhor feudal, e só ele, passou a exercer o domínio de todas as funções das comunidades primitivas (armas e administração da justiça). O senhor feudal é dono absoluto do seu território. É o único a exercer todas as clássicas funções desempenhadas pelo Estado, tal como hoje o conhecemos. Mais tarde, deu-se uma evolução. Enquanto o Estado é medianamente pequeno, as funções de Estado do senhor feudal são rudimentares e nada complicadas. Como o exercício dessas funções não rouba demasiado tempo ao senhor feudal, ele pode manejar a situação e exercê-las pessoalmente. 

Com o aumento da extensão do território e da população, as funções da responsabilidade do senhor feudal tornam-se cada vez mais complexas, mais pormenorizadas e mais fatigantes. Torna-se impossível para um só homem exercer todas essas funções. Que faz então o senhor feudal? Delega em parte os seus poderes para pessoas completamente sob o seu controle: os servos, que são parte do seu pessoal doméstico. Durante a Idade Média, o poder político na Europa era controlado pelos diversos senhores feudais, que geralmente se submetiam ao imperador do Sacro Império e ao Papa. Nesta época, não haviam estados nacionais centralizados. As crises do feudalismo provocaram a dissolução do sistema feudal no século XVI e prepararam o caminho para a implantação do capitalismo. A terra deixou de ser a única fonte de riqueza. Alguns servos acumulavam recursos econômicos e libertavam-se dos senhores feudais e migravam para as cidades. O comercio, sobretudo ultramarino, se expandia trazendo grandes transformações econômicas e sociais na Europa Ocidental.

Durante alguns séculos da Baixa Idade Média (do século X ao século XV), a estabilidade econômica e social proveniente das Cruzadas e o desenvolvimento comercial propiciaram um tempo de relativa prosperidade. No século XIV, em decorrência da Peste Negra e da Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, ocorreu uma diminuição da produção agrícola, que ocasionou a falta de alimentos e consequente fome por grande parte da Europa Feudal. A falta de alimentos incitou muitos senhores feudais a promover o aumento dos impostos e obrigações a serem cobrados dos servos. Através dessa medida, os donos das terras buscavam garantir a manutenção de seu padrão de vida e, ao mesmo tempo, impedir que os camponeses saíssem de seus domínios para as cidades com maior facilidade situação esta que levou a diversas revoltas camponesas e ataques aos senhores feudais. 

Os camponeses reivindicaram melhores condições de trabalho e queriam uma parcela maior da produção agrícola. Os senhores feudais tentaram evitar as revoltas e reforçaram as leis que proibiam as fugas dos servos. Em 1358, aconteceu uma revolta dos camponeses na França e, em 1381, na Inglaterra. As principais reivindicações dos camponeses diziam respeito à luta contra a fome e às más condições de vida acentuadas durante a crise do século XIV. A mais importante reivindicação era o questionamento quanto ao status quo vigente na sociedade medieval, ou seja, a divisão social em estamentos (o primeiro estamento formado pelo clero; o segundo estamento constituído pelos nobres; e a camada inferior formada principalmente por camponeses). As sublevações camponesas no século XIV contribuíram para a posterior formação das monarquias europeias, pois vários governantes formaram exércitos comandados por um monarca para proteção do seu reino.

A expansão do comércio contribuiu para desorganização do sistema feudal, e a burguesia, que era a classe ligada ao comercio, tornou-se cada vez mais rica e poderosa e consciente de que a sociedade precisava de uma nova organização política. Para a burguesia continuar progredindo, necessitava de governos estáveis e de uma sociedade ordeira. Neste sentido, seria necessário acabar com as constantes guerras e intermináveis conflitos entre os membros da antiga nobreza feudal que prejudicavam o comércio, diminuir a quantidade de impostos cobrados sobre as mercadorias pelos vários senhores feudais e reduzir o grande número de moedas regionais, que atrapalhava os negócios. No fim do período medieval, o poder político e militar, em posse dos senhores feudais, foi transferido para as mãos de um monarca absolutista, o rei. A burguesia e a nobreza progressista buscaram o fortalecimento da autoridade dos reis com o objetivo de construir monarquias nacionais capazes de investir no desenvolvimento do comercio, na melhoria dos transportes e na segurança das comunicações.

O Estado Absolutista

O fim da Idade Média marca um período de transição do Estado Medieval para o Estado Absolutista monárquico: surgem as monarquias absolutistas na Espanha, França, Prússia, Áustria, Rússia etc. A concentração de poderes nas mãos dos reis visava não mais do que o fortalecimento do poder central desses reinos visando o fim da divisão da sociedade em feudos com a promoção da unidade nacional dentro do Estado moderno. O fundamento teórico do absolutismo monárquico foi o direito divino dos reis, A autoridade do monarca era considerada como de natureza divina e proveniente diretamente de Deus.

Na Idade Média, a teoria de que o poder emanava do rei surgiu como elemento novo. O rei ou o imperador, portanto, deviam ser aceitos como tais por seus súditos, para que sua soberania fosse legítima. As transformações que ocorreram no século XIV, XV e XVI, com o advento do capitalismo mercantil com a Revolução Comercial e a superação do modo de produção feudal, ocasionou a redefinição do Estado que se tornou forte e centralizado. Surgiu, desta forma, o Estado Absolutista defendido por Thomas Hobbes, filósofo inglês, que considerava que o Estado soberano significava a realização máxima de uma sociedade civilizada e racional. Ele defendia que somente o Estado, um poder acima das individualidades, garantiria segurança a todos. O Estado Absolutista se formou em oposição ao regionalismo dos feudos e das cidades, que geravam a fragmentação político-administrativa e ao universalismo da Igreja Católica (e do Sacro Império), que espalhava seu poder ideológico e político sobre diferentes regiões europeias com base na cristandade.

Vencendo os regionalismos e o universalismo medieval, o Estado Absolutista tinha por objetivo a formação da sociedade nacional. Toda a concentração de poder passou a ser denominado absolutismo monárquico. O Estado Moderno nasceu com o absolutismo na segunda metade do século XV, a partir do desenvolvimento do capitalismo mercantil nos países como a França, Inglaterra e Espanha, e mais tarde na Itália.  Com o mercantilismo, adotado na Europa Ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII, na transição do feudalismo para o capitalismo, o Estado Absolutista comandava a economia operando em conjunto com os empresários capitalistas, constituindo-se em um grande instrumento de expansão do capitalismo comercial ou a revolução comercial com as grandes navegações e do início da globalização. Do ponto de vista político e social, o Estado Absolutista deixou o legado negativo do colonialismo das nações europeias que, em busca de riquezas, praticaram o genocídio contra os povos das Américas e a escravização dos povos africanos do século XVI ao século XVIII. Do ponto de vista econômico, o Estado Absolutista contribuiu para o avanço do capitalismo na Europa e iniciou o processo de globalização com a expansão global do capitalismo.

O Estado Liberal Clássico

Com a Revolução Americana ou Guerra de Independência de 1776 e a Revolução Francesa de 1789 promovida pela burguesia que aboliu a sociedade feudal na Europa a partir de 1789, surgiu o Estado Liberal clássico, antítese do Estado Absolutista. O Estado Absolutista deixou de existir no início do século XX como forma de governo uma vez que já era contestado pelos ideais iluministas desde o século XIX. A Revolução Francesa e as mudanças que surgiram a partir dela contribuíram para o fim dessa forma de governo em toda a Europa. John Locke, teórico da Revolução Liberal inglesa, temendo que um homem tentasse submeter o outro a seu poder absoluto, afirmou que os homens deveriam delegar poderes a um Estado, através de um contrato social, para que este assegurasse seus direitos naturais, assim como, a sua propriedade. O Estado Liberal clássico capitalista rompeu com a ordem hierárquica das corporações, dos laços sanguíneos e dos privilégios, característicos do Estado Absolutista, e criou uma estrutura de poder político capaz de manter e ampliar suas conquistas.

O Estado Liberal clássico adotado em vários países do século XIX a meados do século XX só intervinha na economia excepcionalmente em tempos de crise econômica, política e social como ocorreu nas depressões de 1873 e 1929, deixando as decisões econômicas em cada país para as empresas e indivíduos, isto é, a cargo do livre mercado com os empresários capitalistas operando livremente no mercado diferentemente do Estado Absolutista. O pensamento econômico liberal clássico, que surgiu no século XVI com a clara intenção de combater o pensamento econômico mercantilista, cujas práticas não mais atendiam às novas necessidades do capitalismo, foi adotado no Ocidente do século XVIII a meados do século XX, quando o Estado Liberal clássico, de natureza plural, foi formado pela reunião das concepções éticas, políticas e econômicas, centrado no individualismo e liberalismo.

Uma instituição que hoje parece de natureza democrática, por exemplo, o Parlamento, revela claramente a natureza de classe do Estado Liberal Capitalista. Assim, na maioria dos países em que foi instituído o parlamentarismo, só a burguesia tinha direito a voto porque era detentora de propriedades. Esta situação durou, na maioria dos Estados Ocidentais, até fins do século XIX e mesmo princípios do século XX, quando o sufrágio universal, que é uma invenção relativamente recente na história do capitalismo, foi adotado por pressão da sociedade. O sufrágio universal foi concedido, mas o imposto a ser pago foi estendido aos trabalhadores que passou a ser universal que, cada vez mais, sobrecarrega os trabalhadores. Foi deste modo que a burguesia estabeleceu a “justiça” fiscal em todo o mundo. A instituição parlamentar é um exemplo típico do laço muito direto entre o domínio da classe dominante e o exercício do poder de Estado. Hoje só os mais ingênuos acreditam que o poder executivo e o parlamento governam de fato, que eles são senhores do Estado, baseado no sufrágio universal.

No Estado Liberal clássico capitalista, a proclamada igualdade política é mais aparente do que real e que o direito do cidadão ao voto não passa de um mero direito de votar em épocas determinadas. O direito não vai mais longe, nem (sobretudo) alcança os centros reais onde se tomam as decisões e se exerce o poder. Os monopólios capitalistas apoderam-se do Parlamento. De fato, era só no Parlamento que o denominador comum dos interesses da burguesia se podia determinar. Os grupos capitalistas só podiam unir-se de forma ordenada no Parlamento. É no Parlamento que uma linha pode ser estabelecida para exprimir os interesses da classe capitalista como um todo.  

Do ponto de vista político, o Estado Liberal clássico capitalista deixou o legado positivo da democracia política praticada onde foi implantado desde o século XIX até meados do século XX em praticamente todo o Ocidente, mas apresentou como legado negativo não ter impedido o surgimento do nazifascismo e de ditaduras entre as duas guerras mundiais. Do ponto de vista econômico, o Estado Liberal clássico capitalista contribuiu para o avanço do capitalismo globalmente, mas falhou economicamente porque não evitou a eclosão das depressões econômicas de 1873 e 1929, que resultaram em duas guerras mundiais devastadoras (1914-1918 e 1939-1945) que abalaram a economia mundial na primeira metade do século XX. Do ponto de vista social, o Estado Liberal clássico capitalista deixou como legado negativo o desemprego em massa em todo o mundo como resultado de duas grandes depressões econômicas mundiais em 1873 e 1929 e duas grandes guerras mundiais que resultaram em 187 milhões de mortes.

O Estado Marxista

O Estado Marxista inspirado no marxismo que surgiu como antítese ao Estado Liberal clássico foi adotado de 1917 a 1989 principalmente na Rússia, países do Leste Europeu e China, entre outros países, exerceu um papel dominante na economia e na sociedade sem a presença de empresários capitalistas na economia. O Estado Marxista, depois de retumbante sucesso na implantação do socialismo em vários países durante sete décadas, chegou ao fim porque, depois de conquistar o poder do Estado, não cumpriu sua promessa histórica de promover o progresso político, econômico e o bem-estar social de suas populações, do qual resultou a restauração do capitalismo na Rússia, nos países do Leste Europeu e na China a partir de 1990.

Do ponto de vista político, o  marxismo deixou o legado negativo de não exercer a democracia ao implantar ditaduras em países socialistas. Do ponto de vista econômico, o marxismo falhou economicamente porque, apesar do sucesso inicial na promoção do desenvolvimento econômico nos países onde o socialismo foi implantado, não foi capaz de tornar esse desenvolvimento sustentável, abrindo caminho para a restauração do capitalismo na Rússia, países do Leste Europeu e China. Do ponto de vista social, o o marxismo merece destaque positivo por sua contribuição para o desenvolvimento social nos países onde o socialismo foi implantado.

O Estado Liberal Neoclássico Keynesiano

O Estado Liberal Neoclássico Keynesiano foi adotado em vários países após a 2ª Guerra Mundial com base no pensamento econômico liberal neoclássico, que surgiu no período entre o final do século XIX e meados do século XX, buscando aperfeiçoar o pensamento econômico liberal clássico a fim de oferecer soluções para as crises do capitalismo e combater o pensamento econômico marxista. O pensamento econômico liberal neoclássico promoveu uma revolução na doutrina econômica com John Maynard Keynes e o Keynesianismo a partir de 1936. Keynes defendeu a existência de um Estado com características diferentes do Estado Liberal clássico, que intervinha na economia apenas excepcionalmente e o mercado funcionava livremente, e, do Estado Marxista, que comandava a economia sem a existência do livre mercado,  com sua proposta de Estado de Bem-Estar Social para beneficiar a população e regular a economia visando garantir sua estabilidade e o uso pleno dos fatores de produção agindo em conjunto com as forças do mercado. Do ponto de vista econômico, houve excepcional contribuição do keynesianismo após a Segunda Guerra Mundial na promoção do desenvolvimento econômico da maioria dos países do mundo nos “anos gloriosos do capitalismo de 1950 e 1960”, apesar do fracasso após até a década de 1970, com a exceção dos países escandinavos que atualmente se posicionam como os países com maior progresso político, econômico e social no mundo.

Sobre os países escandinavos, é importante observar que a social democracia escandinava é o modelo de sociedade mais bem sucedido do mundo que se caracteriza pela combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado com base no Keynesianismo com capacidade de colocar a economia em uma trajetória dinâmica. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. O relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista entre os países escandinavos.  

Portanto, do ponto de vista político, o Estado liberal neoclássico de inspiração keynesiana deixa o legado positivo dos países escandinavos que atualmente se posicionam como os países mais democráticos do mundo. Do ponto de vista econômico, o Estado liberal neoclássico de inspiração keynesiana contribuiu com políticas econômicas Keynesianas, após a Segunda Guerra Mundial, na promoção do desenvolvimento econômico da maioria dos países do mundo até a década de 1970, apesar da fracasso após este período, com a exceção dos países escandinavos que atualmente se posicionam como os países com maior progresso político, econômico e social no mundo. Do ponto de vista social, o liberalismo neoclássico keynesiano teve sucesso em sua aplicação nos países escandinavos, que segundo a ONU são os mais bem governados no mundo com o Estado de Bem-Estar Social e são os países de maior progresso político, econômico e social cujos povos são os mais felizes do mundo.

O Estado Mínimo Neoliberal

Com o fim do socialismo na União Soviética e nos países do leste europeu em 1989, surgiu o pensamento econômico neoliberal como uma doutrina econômica e política para se opor ao pensamento econômico marxista e ao pensamento liberal neoclássico keynesiano do bem-estar social propondo a restauração do pensamento econômico liberal clássico com base em uma visão econômica conservadora que visa minimizar a participação do Estado na economia não só a nível nacional, mas também a nível global. Em geral, pode-se dizer que o neoliberalismo busca o Estado mínimo, reduzindo drasticamente sua participação na economia e desregulamentando a economia em nível nacional e mundial.

A partir de 1990, o sistema neoliberal se tornou dominante que se define pela onipresença de sua ideologia mercantil que ocupa ao mesmo tempo todo o espaço e todos os setores da vida. Esta ideologia não diz nada mais do que: produza, venda, consuma, acumule! Ela reduziu todas as relações humanas em relações mercantis e considera nosso planeta como uma simples mercadoria. O dever que sistema neoliberal dominante nos impõe é o trabalho servil. O único direito que ele reconhece é o direito à propriedade privada. O único deus que ele adora é o dinheiro. A onipresença da ideologia, o culto ao dinheiro, o partido único disfarçado de pluralismo parlamentar, a ausência de uma oposição visível e a repressão sob todas as formas contra a vontade de transformar o homem e o mundo. Eis o verdadeiro rosto do totalitarismo moderno que chamamos “democracia neoliberal” que, porém, é necessário chamá-la pelo seu verdadeiro nome: sistema mercantil totalitário. O homem, a sociedade e o conjunto de nosso planeta estão ao serviço desta ideologia. O sistema mercantil totalitário realizou o que nenhum totalitarismo conseguiu fazer antes: unificar o mundo à sua imagem. Hoje já não existe exílio possível. O sistema neoliberal dominante visa minimizar a participação do Estado na economia não só a nível nacional, mas também a nível global e desregulamentar a economia em nível nacional e mundial.

Do ponto de vista político, o Estado neoliberal deixa um legado negativo ao viabilizar o totalitarismo moderno denominado “democracia liberal” que deveria ser chamada pelo seu verdadeiro nome: sistema mercantil totalitário em que o homem, a sociedade e todo o nosso planeta estão a serviço dessa ideologia cujo único direito que reconhece é o direito à propriedade privada, o único deus que adora é o dinheiro, além de reprimir todas as ações que visam transformar o homem e o mundo. Do ponto de vista econômico, o  Estado neoliberal fracassa com a eclosão da crise global de 2008 e o caos que se instalou na economia mundial graças à ausência de regulação econômica e financeira global que pode levar ao colapso do sistema financeiro internacional e à explosão da dívida mundial. Do ponto de vista social, o neoliberalismo está deixando um legado de extrema desigualdade social que atingiu níveis alarmantes em todo o mundo.

3.  O novo Estado do futuro para construir o reino da liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade para os seres humanos

A realidade objetiva mostra que, nas condições atuais, a eleição de representantes do povo para o poder executivo e parlamentos no Estado Mínimo neoliberal não é suficiente para mudar o caráter dos governos que continuarão sempre a serviço do sistema mercantil totalitário. Muita gente acredita ingenuamente que a finalidade do Estado é a busca do bem comum. Trata-se de um ledo engano porque, desde que o Estado surgiu ao longo da história, seu papel tem sido o de servir os interesses das classes sociais dominantes em suas diversas épocas. O Parlamento e, mais ainda, o governo de um Estado capitalista, por mais democrático que pareça ser, está subordinado aos interesses das classes dominantes, sobretudo do sistema financeiro por cadeias de subordinação que tomam o nome de dívida pública. Mais do que nunca, hoje, nenhum governo poderia durar mais de um mês sem bater à porta dos bancos para pagar suas despesas. Se os bancos se recusassem a financiar o déficit público, os governos seriam levados à falência. O aumento da dívida pública resulta do fato de o governo gastar mais do que arrecada, cujo déficit público cresce continuamente. O governo capta recursos junto ao sistema financeiro remunerando-o a taxas elevadas, fato este que o torna extremamente dependente do sistema financeiro.

Apesar da ilusão do voto e da democracia parlamentar em um Estado Mínimo neoliberal,as pessoasainda se vêm como cidadãos. Eles acreditam que votam realmente e decidem livremente em quem vai defender seus interesses. Na democracia parlamentar, não existe oposição ao “status quo”, pois os partidos políticos dominantes estão de acordo sobre o essencial que é a conservação da atual sociedade mercantil. Não existem partidos políticos susceptíveis de chegar ao poder que duvidem do dogma do mercado. E são estes partidos que com a cumplicidade midiática monopoliza as aparências. A forma representativa e parlamentar que usurpa o nome da democracia limita o poder dos cidadãos pelo simples direito ao voto, ou seja, a nada. As cadeiras do Parlamento estão ocupadas pela imensa maioria da classe econômica dominante, seja ela de direita ou da pretendida esquerda social-democrática. 

Uma questão que se coloca para os verdadeiros democratas no mundo é o de como implodir o sistema neoliberal dominante de modo a fazer com que o poder executivo e o parlamento de cada país passem a se constituir em organismos verdadeiramente democráticos que atuem em benefício de suas populações. Para alcançar o objetivo de transformar o Estado Mínimo neoliberal que está a serviço do totalitarismo moderno em um novo Estado diametralmente oposto, é preciso adotar o Estado de Bem-Estar Keynesiano para transformá-lo em benefício de todo o povo realizando em cada país as mudanças estruturais necessárias nos moldes dos países escandinavos que, segundo a ONU, é o modelo de sociedade mais bem sucedido do mundo  sendo descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo com a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. A escolha da social democracia escandinava como modelo de sociedade a ser adotado se deve ao fato de o relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostrar que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista entre os países escandinavos. Globalmente, deveria ser adotado o Neo-Keynesianismo que significa a adoção do Keynesianismo em nível planetário.

O neoKeynesianismo teria por objetivo a coordenação de políticas econômicas Keynesianas em nível planetário que só seria realizado com a existência de um governo mundial. O neoKeynesianismo significa a adoção do Keynesianismo ao nível nacional para obter estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores de produção em cada país, mas operaria, também, ao nível mundial para eliminar o caos econômico global que predomina atualmente com o neoliberalismo. O neoKeynesianismo significa a adoção do Keynesianismo ao nível planetário visando assegurar a estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores de produção globalmente. Esta seria a forma de regular a economia mundial para eliminar o caos que caracteriza a globalização neoliberal. Esta seria a forma de evitar a repetição do que aconteceu nas décadas de 1970 e 1980 quando a ausência de regulação econômica global contribuiu para que as economias nacionais Keynesianas sofressem impactos externos incontroláveis. Estes acontecimentos demonstram que não basta o Keynesianismo em cada país para assegurar a estabilidade econômica e obter o pleno emprego dos fatores de produção. É preciso que exista um governo mundial que atuaria para assegurar a coordenação entre as políticas econômicas Keynesianas adotadas em cada país.

Esta etapa da história da humanidade possibilitaria fazer com que o sistema mundo que opera descoordenadamente opere como um verdadeiro sistema com a existência de mecanismos de feedback e controle através de um governo mundial democraticamente eleito por todos os povos do mundo inteiro. Esta seria a etapa necessária para a organização de um sistema mundo em que suas partes, isto é, os países e o todo, os sistemas globais (político, econômico, social, ambiental e internacional) atuariam de forma coordenada em benefício de toda a humanidade. Esta seria a solução para evitar o caos econômico, os conflitos internacionais e a degradação do meio ambiente local e global.

Após este estágio de desenvolvimento da humanidade, poder-se-á evoluir para a construção de uma nova sociedade sem a existência de exploradores e explorados que tem caracterizado sua história realizando o sonho de muitos partidários do socialismo. Seriam, assim, criadas as condições para a edificação de uma nova etapa da história humana de avançado progresso político, econômico, social, ambiental e internacional a ser compartilhado por todos os povos em todos os países do mundo baseado na cooperação entre todos os seres humanos. O elevado nível de desenvolvimento científico e tecnológico alcançado pela humanidade criará as condições para que o trabalho seja automatizado em larga escala com o uso de inteligência artificial que liberará os seres humanos dos fardos do trabalho possibilitando-os se dedicarem à cultura, ao lazer e à pesquisa científica e tecnológica em prol do progresso da humanidade. Este seria o caminho de redenção da humanidade com a vitória da civilização sobre a barbárie e de construção do reino da liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade para todos os seres humanos. 

REFERÊNCIAS

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* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).