A EDUCAÇÃO COM A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AS DEFICIÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como a inteligência artificial poderá ser utilizada no desenvolvimento da educação com os benefícios e os riscos relacionados com sua utilização, bem como mostrar as deficiências na aplicação da Inteligência Artificial nos processos de ensino no Brasil. Serão apresentados neste artigo o conceito de Inteligência Artificial e seus diversos tipos, os benefícios e os riscos da Inteligência Artificial utilizada na educação e as deficiências na aplicação da Inteligência Artificial nos processos de ensino no Brasil.

1. O conceito de Inteligência artificial e seus diversos tipos

Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia computacional ou um conjunto de tecnologias como redes neurais artificiais, algoritmos e sistemas de aprendizado cujo objetivo é imitar capacidades mentais humanas, tais como: raciocínio, percepção de ambiente e capacidade de tomada de decisão. A tecnologia é desenvolvida com o intuito de que máquinas possam resolver uma série de problemas, abordando desde a grande complexidade de gestões governamentais e da indústria às tarefas do cotidiano do homem e mulher modernos. Para isso, a IA utiliza uma sofisticada tecnologia de aprendizado, permitindo que ela aprenda com um grande conjunto de dados e atue por conta própria.  O objetivo geral da IA é criar máquinas que possam operar com o mesmo nível de capacidade cognitiva dos humanos, ou até superá-los [1].

Nas palavras do cientista de computação que criou o termo, John McCarthy, Inteligência Artificial é “a ciência e engenharia de produzir sistemas inteligentes” [2]. É a tecnologia empregada para fazer máquinas se comportarem como humanos na realização de atividades manuais, tomada de decisões, compreensão de dados e até a criação de conteúdo (inovação mais recente). As máquinas são munidas de dados e programadas para aprender com eles, dividindo as informações em camadas e reconhecendo padrões. A Inteligência Artificial deu origem a vários tipos. Dentre elas, podem ser destacados os seguintes [2]:

· IA Generativa: gera novos dados e amostras (como imagens, textos e músicas) semelhantes a um conjunto de dados de treinamento. Exemplos: ChatGPT e DALL-E. ChatGPT é um robô de bate-papo e assistente virtual desenvolvido pela OpenAI e lançado em 30 de novembro de 2022, baseado em grandes modelos de linguagem que permite aos usuários refinar e direcionar uma conversa para a duração, formato, estilo, nível de detalhe e linguagem desejados. DALL·E, DALL·E 2 e DALL·E 3 são modelos de texto para imagem desenvolvidos pela OpenAI usando metodologias de aprendizagem profunda para gerar imagens digitais a partir de descrições em linguagem natural conhecidas como “prompts”.

· IA Discriminativa: classifica dados em categorias predefinidas com base em recursos específicos. É capaz de detectar objetos, reconhecer padrões, coletar, analisar e apresentar informações. Exemplos: reconhecimento facial, plataforma de aprendizagem adaptativa e plataforma de dados escolares.

· IA Reativa: lida apenas com informações atuais e não mantém uma memória dos dados anteriores. Ela toma decisões com base em regras predefinidas e não é capaz de aprender ou se adaptar a novas situações.

· IA Baseada em Conhecimento: utiliza um banco de dados de conhecimento humano para tomar decisões e resolver problemas, usando regras lógicas. Exemplo: sistema de diagnóstico médico.

· IA de Aprendizado de Máquina (ou Machine Learning): consegue aprender e melhorar continuamente com base em dados. Seu aprendizado pode ser supervisionado, não supervisionado ou por reforço. Exemplo: sistema de identificação de e-mails spam.

· IA de Aprendizado Profundo (ou Deep Learning): subcampo do Aprendizado de Máquina, utiliza redes neurais artificiais profundas para aprender representações de dados complexos. Exemplos: reconhecimento de imagem e fala, tradução automática e processamento de texto.

· IA de Processamento de Linguagem Natural (NLP): se concentra na interação entre computadores e linguagem humana. Exemplos: chatbots, assistentes virtuais, tradução automática e análise de sentimentos.

· IA Autônoma: capaz de operar de forma autônoma e tomar decisões sem intervenção humana. Exemplos: carros e robôs autônomos.

A Inteligência Artificial (IA), em especial a IA generativa, está se popularizando rapidamente e transformando diversas áreas da sociedade, inclusive a educação. Quais são os benefícios e os riscos da Inteligência Artificial na educação? [2]. A Inteligência Artificial pode ajudar o professor a elaborar questões, fazer o planejamento de aulas e avaliar o desempenho dos estudantes. Para o aluno, a IA facilita a pesquisa e a obtenção de conhecimento. Mas isso não significa substituição do papel do professor. Muito pelo contrário, o desenvolvimento da habilidade de manusear corretamente essa tecnologia será mais uma tarefa do docente no contexto da cultura digital. Hoje, o papel do professor não é de mero transmissor de informações, e sim de mediador e apoiador no processo de aprendizagem. Da mesma forma, a atribuição da escola, no que tange à formação dos estudantes, é muito mais complexa do que o fornecimento de conhecimento técnico. Ela deve desenvolver o raciocínio lógico, a empatia, a ética e o senso crítico. A Inteligência Artificial pode trazer melhorias para o processo educacional, mas também traz riscos e desafios para as instituições de ensino.

2. Os benefícios do uso da Inteligência Artificial na educação

Os benefícios da Inteligência Artificial na educação são vários ao proporcionar: 1) novas ferramentas de pesquisa para ao alunos; 2) o aprendizado pelo aluno em qualquer hora e em qualquer lugar; 3) o ensino personalizado; 4) a conexão com outras culturas e idiomas; 5) a automação das avaliações; e, 6) a gestão escolar data-driven (baseada em dados) [2].

Novas ferramentas de pesquisa para os alunos

A IA generativa facilitou ainda mais o processo de pesquisa dos estudantes. O que antes exigia uma visita demorada à biblioteca e depois uma leitura de minutos em alguns sites da Internet, hoje pode ser resolvido em poucos segundos depois de uma pergunta ao ChatGPT. A diferença entre essa ferramenta e as outras que vieram antes, como o Google, é que ela entrega tudo muito detalhado. Ela é uma ferramenta de trabalho e estudo.

Aprendizado em qualquer hora e em qualquer lugar

Outra mudança que a IA trouxe para a educação, assim como outras tecnologias digitais, foi a oportunidade de aprender em qualquer lugar e em qualquer momento. Embora a informação não seja sinônimo de conhecimento, com certeza ela é uma integrante importante desse processo. E, com essas ferramentas em mãos, fica muito mais fácil aprender sobre vários assuntos desde curiosidades e fatos históricos até pensamentos predominantes de uma escola filosófica.

Ensino personalizado

A Inteligência Artificial colabora para a personalização do ensino. As plataformas de aprendizagem adaptativa, por exemplo, coletam dados do usuário para adaptar o conteúdo ao ritmo e nível de proficiência dele, criando uma jornada de aprendizagem única. Certamente a personalização do ensino é um dos principais benefícios, permitindo que os estudantes possam aprender no seu próprio ritmo e de acordo com suas necessidades individuais. Além disso, a IA pode auxiliar na identificação de problemas de aprendizagem dos estudantes, possibilitando que os professores possam oferecer suporte e intervenções específicas.

Conexão com outras culturas e idiomas

Outro benefício proporcionado pela Inteligência Artificial na educação é a conexão facilitada com outras culturas e idiomas. Os novos sistemas de tradução baseados em IA estão conseguindo produzir resultados mais precisos, o que permite o acesso a literaturas estrangeiras e a comunicação em tempo real com estudantes e profissionais de outros países.

Automação das avaliações

O processo de avaliação escolar também é beneficiado com a Inteligência Artificial. As plataformas escolares coletam dados de aprendizagem dos estudantes por meio de atividades, leituras e testes online. O sistema não só dispensa a correção manual das avaliações como também gera feedback automático para os alunos e relatório de resultados para os professores e gestores da escola. A inteligência artificial pode ser utilizada para reduzir os custos do ensino através da automação de processos de avaliação. Isso pode incluir a correção automática de provas e a análise de trabalhos escritos, reduzindo a carga de trabalho dos professores e melhorando a eficiência do processo de avaliação.

Gestão escolar data-driven (baseada em dados)

A Inteligência Artificial na educação favorece a gestão escolar data-driven (baseada em dados). Isso porque as plataformas educacionais coletam, analisam e apresentam em dashboards (painéis) intuitivos diversos dados sobre os estudantes, como, por exemplo:

·       nível de engajamento na plataforma (quantidade de atividades feitas, páginas lidas ou tempo de videoaula assistida, por exemplo);

·       frequência escolar;

·       nível de proficiência por componente curricular;

·       perfil socioemocional e comportamental;

·       áreas do conhecimento com maior e menor desempenho.

Ter clareza sobre essas informações auxilia a escola no acompanhamento pedagógico e no combate à evasão. A análise de dados de desempenho e comportamento dos estudantes pode ajudar a identificar alunos que estão em risco de abandonar o curso ou que estão enfrentando dificuldades específicas, permitindo que a instituição ofereça suporte personalizado e intervenções mais eficazes.

3. Os riscos do uso da Inteligência Artificial na educação

Os riscos da Inteligência Artificial na educação são os seguintes [2]: 1) o uso não crítico e não consciente das tecnologias; 2) facilitação do plágio; 3) desinformação e disseminação de notícias falsas; 4) aprofundamento da desigualdade educacional; 5) dependência excessiva da tecnologia; 6) aprendizagem mecânica; 7) discriminação; e, 8) violação de privacidade.

Uso não crítico e não consciente das tecnologias

As respostas que o ChatGPT e outros softwares semelhantes fornecem são inegavelmente rápidas e práticas. Porém, nem todas as informações que elas entregam são confiáveis. Como a máquina aprende com os dados disponíveis na Internet e nem todos esses dados são verídicos, o erro é uma possibilidade. Então, como o estudante pode checar aquela informação? Quais técnicas ele pode executar para conferir as fontes? É esse tipo de questionamento que o professor deve gerar no estudante e ajudá-lo a responder. É possível pedir ao ChatGPT que cite as fontes utilizadas. Além disso, o estudante precisa desenvolver um senso crítico para avaliar as informações fornecidas e utilizar todas as ferramentas disponíveis de forma consciente, criativa, ética e inteligente.

Facilitação do plágio

Em geral, as ferramentas de IA generativa não citam as fontes dos seus dados. Por isso, ao utilizar textos ou imagens geradas por essas ferramentas, o usuário pode facilmente cometer um plágio. É importante lembrar que plágio é a cópia integral ou parcial de uma obra, de forma direta ou indireta. Trata-se de uma prática criminosa, conforme a Lei Nº 9.610. Para evitar essa conduta, os alunos devem perguntar às ferramentas de IA quais foram as fontes usadas (ou pesquisá-las manualmente) e depois citá-las em seus trabalhos. Quanto às imagens, é necessário informar, na legenda, que elas foram geradas por IA. O professor precisa conscientizar os estudantes sobre o plágio, orientá-los quanto à maneira correta de citar autores e usar ferramentas de detecção de plágio.

Desinformação e disseminação de notícias falsas

As ferramentas de pesquisa alimentadas por IA geram textos baseados em seus bancos de dados. Elas são treinadas para emitir respostas verossímeis, que reúnam elementos frequentemente citados por diversas fontes. Porém, nem sempre essas informações são verdadeiras. O próprio ChatGPT, em sua tela inicial, alerta o usuário sobre isso. É necessário ensinar os alunos a checarem as informações em fontes confiáveis e reconhecerem imagens falsas com algumas técnicas específicas. Os estudantes precisam desenvolver o senso crítico para avaliar esses conteúdos gerados por Inteligência Artificial.

Aprofundamento da desigualdade educacional

A Unesco alertou que o uso intensivo de tecnologias digitais (incluindo a Inteligência Artificial) pode agravar a desigualdade na educação porque alunos ligados a classes sociais desfavorecidas possuem menos aparelhos, estão menos conectados à internet e têm menos recursos em casa. O custo de boa parte das tecnologias está diminuindo rapidamente, mas ainda é muito elevado para muitíssimas pessoas. Muitas residências com melhores condições podem adquirir tecnologia primeiro, o que lhes dá mais vantagens e aumenta as disparidades. Como a maioria das ferramentas de Inteligência Artificial só funcionam online, a falta de conexão à Internet é um grande desafio. Além disso, nem todos os estudantes possuem dispositivos (celulares, notebooks ou tablets) e habilidades digitais para acessar a tecnologia.

Dependência excessiva da tecnologia

Há também o risco de os estudantes se acostumarem demais com as ferramentas de Inteligência Artificial e dependerem exclusivamente delas. Como consequência, podem ser prejudicadas a criatividade, a originalidade de pensamento, a autonomia e a interação com outras pessoas. A curiosidade e a vontade de estudar, descobrir e explorar são essenciais para a aprendizagem. Os especialistas temem que o uso excessivo da Inteligência Artificial possa enfraquecer esses estímulos, deixando os alunos mais passivos.

Aprendizagem mecânica

Associada a essa dependência excessiva de tecnologia, o uso intensivo da Inteligência Artificial pode levar a uma aprendizagem mecânica, marcada por repetições e reprodução de textos, sem reflexão aprofundada sobre o assunto. A aprendizagem significativa só acontece quando o aluno é capaz de explicar um novo conhecimento com suas próprias palavras e mostra um esforço deliberado para aprender, tanto cognitiva quanto afetivamente. Essas duas atitudes são colocadas em risco quando o estudante manipula ferramentas de Inteligência Artificial generativa de forma passiva e automática.

Discriminação

Os conteúdos gerados por Inteligência Artificial frequentemente reproduzem preconceitos discriminatórios. O algoritmo, a inteligência artificial por trás dos mecanismos de busca, apresentam como “homem padrão” e “mulher padrão” o “homem jovem branco europeu” e a “mulher jovem branca europeia”, reforçando, neste exemplo, o racismo estrutural. Quando falamos de um sistema que é treinado por dados, precisamos entender que esses dados possuem vieses, uma vez que são formados por informações existentes em diferentes espaços. Essas informações, muitas vezes, já são carregadas de preconceito. A desigualdade já existe nos dados. A IA só vai reproduzir esses preconceitos e desigualdades.

Violação de privacidade

Outro risco é a violação da privacidade dos estudantes e educadores. Os dados coletados e analisados pela Inteligência Artificial podem incluir informações pessoais como endereço, histórico de compras e histórico de navegação. Para evitar esse cenário, os usuários precisam tomar cuidado com as informações que compartilham, fornecendo dados apenas para instituições de confiança. Somado a isso, a escola deve orientar os estudantes e profissionais sobre as boas práticas de segurança na Internet e selecionar tecnologias educacionais que respeitem a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

As instituições de ensino em todos os níveis, seus administradores e professores devem perseverar no sentido de fazer prevalecer os benefícios e evitar os riscos do uso da Inteligência Artificial na educação.

4. As deficiências na aplicação da Inteligência Artificial nos processos de ensino no Brasil

De acordo com dados da pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, divulgada pelo Instituto Semesp – entidade que representa mantenedoras de ensino superior, realizada entre 18 a 31 de março de 2024, com 444 docentes das redes pública e privada, do ensino infantil ao médio, de todas as regiões do País apenas pouco mais de um terço, 39,2%, dos professores entrevistados disseram que sempre utilizam a Inteligência Artificial como ferramenta de ensino [3]. Embora considerem importante o uso dessas ferramentas, os professores também relatam problemas estruturais e pedagógicos que impedem ou dificultam o uso da tecnologia nas escolas. Entre esses problemas estão a falta de internet na escola, a falta de formação dos próprios professores para o uso das tecnologias no ensino e também maior dificuldade para prender a atenção dos alunos. Pouco menos da metade dos professores, 45,7%, respondeu que, na escola em que leciona, os professores e alunos têm acesso à tecnologia, como computadores, internet, etc. Outros 7% responderam que ainda não há acesso à tecnologia nas unidades de ensino nas quais trabalham [3].

Pouco mais da metade (52%) dos universitários brasileiros usa inteligência artificial (IA) nos estudos, de acordo com uma pesquisa global realizada pela Chegg.org, o braço sem fins lucrativos da empresa de tecnologia educacional Chegg [4]. Foram ouvidos 1.010 estudantes de 18 a 21 anos no Brasil. Dentre os estudantes brasileiros que disseram usar Inteligência Artificial, os principais objetivos são entender conceitos ou matérias (59%), gerar rascunhos de trabalhos (53%) e pesquisar conteúdo para trabalhos ou projetos (52%). As principais justificativas dos brasileiros para o uso da ferramenta são: aprender mais rápido (53%), liberar mais tempo livre (45%) e fazer um uso mais criativo da aprendizagem (44%). Metade dos estudantes brasileiros acredita que as universidades deveriam promover o uso de ferramentas de Inteligência Artificial para auxiliar nos trabalhos. Enquanto 44% acredita que o seu uso deveria ser limitado, apenas 7% acha que o uso de IA deveria ser banido nas universidades. Mesmo a favor do uso, 48% dos estudantes que usam IA no Brasil se disseram preocupados com a possibilidade de receber uma resposta incorreta ou informação errada das ferramentas.

Sem diretrizes, ensino superior ainda tenta entender impacto da Inteligência Artificial como a Universidade de Princeton e a Universidade da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos, que mostrou que 8 em cada 10 profissões mais expostas a essas ferramentas são da área da educação, professores em sua grande maioria [6]. Desde que o ChatGPT ferramenta que pode “conversar” com as pessoas por meio de mensagens de texto, ganhou popularidade, o termo Inteligência Artificial tem sido cada vez mais frequente em rodas de conversas dentro e fora da sala de aula. No caso do ensino superior, muitas universidades ainda estão preocupadas e ainda não sabem o que fazer se, porventura, um estudante utilizar uma plataforma de IA generativa, como é o caso do ChatGPT, para realizar trabalhos. Especialistas destacam que mais importante do que ensinar sobre as técnicas, as universidades devem trabalhar a ética dos processos.

Das questões éticas ao potencial das ferramentas, dos modelos de regulação à didática crítica e ao desenvolvimento docente foram tópicos abordados durante o 8º Congresso de Graduação da USP, que teve como tema Inteligência artificial na graduação: um convite ao debate [6]. Evento reuniu especialistas no campus da USP em São Carlos para discutir impactos, potencialidades e aspectos éticos do uso da Inteligência Artificial na graduação universitária. Realizado no campus de São Carlos, o evento reuniu dirigentes, presidentes de Comissão de Graduação, professores, funcionários e estudantes durante os dias 31 de outubro e 1º de novembro de 2023. A programação diversificada contou com mesas-redondas, apresentação de especialistas, sessão de pôsteres digitais, exposição e atividades culturais. Neste evento, houve uma recomendação de que, para implementar novas tecnologias de ensino, como a IA e outras ferramentas, é preciso formar docentes, o que passa pela pós-graduação, e modernizar a a graduação com olhar no protagonismo dos alunos [5].

5. Conclusões

Pelo exposto, constata-se que a Inteligência Artificial trará benefícios incomensuráveis às instituições de ensino, a seus gestores, aos professores e aos alunos em todos os níveis, que existem riscos que precisam ser evitados em sua utilização, que muitas universidades no mundo ainda não sabem o que fazer quanto ao uso da Inteligência Artificial na educação e que o Brasil apresenta grandes deficiências na aplicação das ferramentas da Inteligência Artificial na educação em todos os seus níveis de ensino.

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. Como funcionam a inteligência artificial e seus softwares e algoritmos inteligentes. Disponível no website < https://www.linkedin.com/pulse/como-funcionam-intelig%C3%AAncia-artificial-e-seus-alcoforado-nmagf/>.

2.     EDUCACIONAL. Inteligência Artificial na educação: benefícios e desafios. Disponível no website <https://educacional.com.br/tecnologia-educacional/impactos-da-inteligencia-artificial-na-educacao/>.

3.     TOKARNIA, Mariana. Inteligência artificial pode ser ferramenta de ensino, mostra estudo. Disponível no website <https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2024-05/inteligencia-artificial-pode-ser-ferramenta-de-ensino-mostra-estudo>.

4.     CNN BRASIL. Metade dos universitários brasileiros usa inteligência artificial, diz pesquisa. Disponível no website <https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/metade-dos-universitarios-brasileiros-usa-inteligencia-artificial-diz-pesquisa/#:~:text=Metade%20dos%20estudantes%20brasileiros%20acredita,deveria%20ser%20banido%20nas%20universidades>.

5. LUCHESI, Edmilson. Inteligência artificial no ensino superior: tema é destaque no Congresso de Graduação da USP. Disponível no website < https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/metade-dos-universitarios-brasileiros-usa-inteligencia-artificial-diz-pesquisa/#:~:text=Metade%20dos%20estudantes%20brasileiros%20acredita,deveria%20ser%20banido%20nas%20universidades>.

6. OLIVEIRA, Ruam. Sem diretrizes, ensino superior ainda tenta entender impacto da inteligência artificial. Disponível no website https://porvir.org/sem-diretrizes-ensino-superior-ainda-tenta-entender-impacto-de-inteligencia-artificial/

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

L’ÉCONOMIE CAPITALISTE MODERNE DE GUERRE PERMANENTE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer le lien entre le capitalisme et l’économie de guerre existant dans les grandes puissances capitalistes qui s’est matérialisée tout au long de l’histoire depuis la 1ère révolution industrielle au XVIIIe siècle. De nos jours, le lien entre le capitalisme et l’économie de guerre pratiquée par les grandes puissances capitalistes apparaît de plus en plus évident comme étant indispensable pour comprendre les jeux d’intérêts qui influencent la dynamique du système capitaliste mondial. La relation symbiotique entre le modèle économique capitaliste actuel et la guerre est tout à fait évidente [1]. L’économie de guerre, adoptée uniquement en période de conflit armé, est devenue permanente. Les grands bénéficiaires du capitalisme de guerre actuel sont, outre l’industrie de guerre, en raison de l’augmentation de la demande d’armes et de munitions, le système financier.

Des investissements élevés dans le secteur de la guerre offrent des opportunités d’obtenir des profits élevés de l’industrie de guerre et du système financier, non seulement pendant les périodes de guerre, mais aussi après chaque conflit. Les grandes puissances jouent le rôle de médiateurs entre le complexe militaro-industriel et le capital financier. Les grandes puissances agissent en tant que financières et consommatrices de la production d’armements. À cette fin, il se tournera vers le capital rentier privé pour obtenir d’énormes crédits à consacrer à l’armement, ce qui contribue à la croissance du capital parasitaire et, par conséquent, à son appréciation. En outre, la guerre est un moyen inexorable pour le maintien et l’expansion du pouvoir des grandes puissances. Les conflits, comme les guerres mondiales (1ère et 2ème), la Guerre froide et les innombrables conflits survenus du XVIIIe siècle à l’époque contemporaine, sont intrinsèquement liés à la logique de l’accumulation du capital au profit de l’industrie d’armement et du système financier.

Dans son ouvrage Canhões e Capitalismo (Cannons and Capitalism) [2[, Robert Kurz, l’un des plus éminents philosophes allemands, aujourd’hui décédé, affirme que l’innovation des armes à feu a détruit les formes de domination précapitalistes, scellant le sort des armées à cheval vêtues des armures de l’époque médiévale. Les armes à feu, notamment les gros canons, ne pouvaient plus être produites dans de petits ateliers comme les armes blanches ou de lancer au Moyen Âge. C’est pourquoi une industrie d’armement spécifique s’est développée, qui fabriquait des canons et des mousquets dans de grandes usines. Dans le même temps, une nouvelle architecture militaire de défense apparaît, sous la forme de gigantesques bastions censés résister aux canonnades. Cela a donné lieu à un différend novateur entre les armes offensives et défensives et à une course aux armements entre États, qui persiste encore aujourd’hui.

Robert Kurz affirme que les armes à feu ont profondément modifié la structure des armées. C’est pourquoi l’organisation militaire de la société s’est séparée de l’organisation civile. Au lieu de citoyens mobilisés au cas par cas pour des campagnes ou de seigneurs locaux avec leurs familles armées, des « armées permanentes » ont émergé, les « forces armées » sont nées comme groupe social spécifique et l’armée est devenue un corps étranger dans la société. Le métier d’officier est devenu une « profession » moderne. Parallèlement à cette nouvelle organisation militaire et à ces nouvelles techniques de guerre, le nombre d’armées augmente également de façon spectaculaire. L’industrie de l’armement, la course aux armements et le maintien d’armées organisées en permanence, séparées de la société civile et en même temps en forte croissance, ont nécessairement conduit à une subversion radicale de l’économie [2].

Le grand complexe militaire déconnecté de la société exigeait une « économie de guerre permanente ». Cette nouvelle économie de mort s’est étendue comme un voile sur les structures agraires des anciennes sociétés médiévales [2]. L’économie de la mort se manifeste dans le fait que le XXe siècle a été tout au long de l’histoire le siècle des guerres, quand dix millions de personnes ont été tuées lors de la Première Guerre mondiale, cinquante-cinq millions lors de la Seconde Guerre mondiale et deux millions lors des guerres d’Indochine. Toutes les « mégamorts » survenues depuis 1914 ont atteint un total de 187 millions de morts à la fin du 20e siècle. Depuis la fin de la Seconde Guerre mondiale, le monde a connu 160 guerres au cours desquelles environ 7 millions de soldats et 30 millions de civils sont morts.

Robert Kurz affirme également que les armements et l’armée devaient être dotés de ressources importantes et commençaient à dépendre de l’intermédiaire de l’argent. La production marchande et l’économie monétaire, en tant qu’éléments fondamentaux du capitalisme, ont pris de l’ampleur au début de l’ère moderne grâce à l’économie militaire et à l’armement. Le manque financier permanent de l’économie de guerre a conduit, dans la société civile, à l’augmentation du nombre de capitalistes usuraires et commerciaux, de grands épargnants et de financiers de guerre. Pour financer les industries d’armement, les armées gigantesques et la guerre, les Etats nationaux ont dû extorquer jusqu’au sang de leur population et cela, en conséquence, sous une forme également nouvelle : à la place des anciens impôts en nature, fiscalité monétaire. L’économie de guerre a forcé non seulement directement, mais aussi indirectement, le système d’économie de marché [2].

Robert Kurz souligne également que les démocraties occidentales sont incapables de cacher qu’elles sont les héritières de la dictature militaire et des armements du début de la modernité au XVIIIe siècle avec l’économie monétaire totale et l’économie de guerre qui y est liée jusqu’à aujourd’hui. À aucun moment dans l’histoire de l’humanité, aucune société n’a consacré une part aussi importante de ses ressources à l’armement et à l’armée qu’à l’époque contemporaine. Les acquis positifs de la modernité elle-même sont l’héritier de la production d’armes à feu et d’armes au début de la modernité, au XVIIIe siècle. Le développement capitaliste vertigineux des forces productives depuis la première révolution industrielle s’est également produit de manière destructrice. Le néolibéralisme est un des premiers enfants des canons, comme le démontre l’armement gigantesque des « Reaganomics » avec la politique de l’administration Reagan aux États-Unis, qui comprenait entre autres mesures l’augmentation vertigineuse des dépenses de défense, et l’histoire des années 1990.

L’économie de guerre, synonyme d’économie de mort, entretiendra l’héritage inquiétant d’une société moderne fondée sur l’économie de marché jusqu’à ce que le capitalisme kamikaze se détruise [2]. Il ne fait aucun doute que l’industrie de l’armement sponsorise les guerres actuelles, tout comme elle en a encouragé d’autres dans le passé pour gagner de l’argent. La production record d’armes, de plus en plus meurtrières et chirurgicales, doit être mise en pratique. Ici, l’État commence à agir de manière continue et systématique dans la dynamique du système lui-même, chevauchant ses fonctions politiques et économiques, devenant ainsi le principal agent capable de permettre le développement de l’industrie de guerre à travers la création de flux d’investissement constants, qui sont directement liés à la financiarisation du capital. Il existe ainsi une symbiose entre les grandes puissances, le capital financier et le complexe militaro-industriel. Les grandes puissances fonctionnent comme un élément de soutien, comme un financier et un acheteur de ce complexe militaro-industriel, se comportant comme un médiateur entre celui-ci et le capital financier.

Parmi les 10 plus grands fabricants d’armes au monde, six sont nord-américains, dont cinq sont des leaders de l’industrie mondiale de l’armement [3], comme le montre le tableau 1 ci-dessous :

Tableau 1- Les 10 entreprises qui ont vendu le plus d’armes en 2020

Source : https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/

La Figure 1 présente les dépenses militaires les plus importantes au monde par pays [4]. Les États-Unis avaient les dépenses militaires les plus élevées au monde (39 % du total) en 2021.

Figure 1- Les dépenses militaires les plus importantes au monde par pays

Source : https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio

La Figure 2 montre les dépenses militaires réelles des États-Unis en pourcentage du PIB par rapport aux dépenses de défense reconnues et aux données étroitement liées du SIPRI de 2007 à 2022 [5]. Sur l’ensemble de la période, les dépenses militaires réelles (augmentation du NIPA) en pourcentage du PIB se sont élevées en moyenne à 6,7 %. En 2022, les dépenses de défense américaines représentaient 6 % du PIB.

Figure 2 – Dépenses militaires des États-Unis en pourcentage du PIB

Source : https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado

En prenant en compte les dix pays ayant les dépenses militaires les plus élevées au monde en 2022, les États-Unis, sur la base de leurs dépenses militaires réelles comme indiqué ici, représentent plus de 70 % des dépenses totales mondiales, ce qui diffère des 39 % indiqués dans la Figure 1 qui ce serait sous-estimé [5].

Avec 102 guerres à leur actif, les États-Unis sont probablement l’un des pays les plus impliqués dans des actions militaires au monde, qui ont commencé avec l’annexion des terres mexicaines à leur territoire et la conquête du canal de Panama. Ce n’est pas un hasard si les États-Unis sont l’un des pays qui profitent le plus économiquement des affrontements armés, puisque les plus grands exportateurs d’armes au monde sont les Nord-Américains. En plus de la vente de munitions et d’armes, les États-Unis monétisent également avec des contrats de sécurité et des formations militaires, ce qui signifie que de nombreux membres du Congrès américain considèrent les guerres comme une machine à générer des emplois en interne et à gagner de l’argent. La paix, pour les États-Unis, pourrait coûter cher. Ce sont ces faits qui amènent beaucoup à s’interroger sur la véritable motivation des États-Unis à défendre l’Ukraine, qui est dans un état de tension avec la Russie depuis des années, et à défendre Israël, qui est en conflit permanent avec les Palestiniens et les pays arabes depuis des décennies. Au XXIe siècle, la préparation à la guerre est devenue plus que jamais au cœur du système capitaliste mondial. Il est évident que tant qu’il y aura une industrie d’armement dans le monde, les guerres continueront à proliférer à travers la planète. La paix dans le monde ne se produira que lorsqu’il y aura un arrêt de la fabrication d’armes dans le monde, la fin de l’industrie de l’armement et le désarmement de tous les pays.

LES RÉFÉRENCES

1.     MARTINS, Caio, PASSOS, Heitor, INOMATO, Rayana. Capitalismo e Guerra: uma relação simbiótica. Disponible sur le siteWeb <https://internacionaldaamazonia.com/2023/12/05/capitalismo-e-guerra-uma-relacao-simbiotica/>.

2.      KURZ, Robert. Canhões e Capitalismo. Disponible sur le siteWeb <https://www.marxists.org/portugues/kurz/1997/03/30.htm>.

3.      FERRAZ, Marina. 100 maiores empresas de armas venderam US$ 531 bi em 2020. Disponible sur le siteWeb <https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/>.

4.     MELLO, Michele. Gasto militar mundial bate recorde e supera US$ 2 trilhões em 2021, aponta relatório. Disponible sur le siteWeb <https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio>.

5.     FOSTER, John Bellamy e CERNADAS, Gisela. Gastos militares dos EUA atingiram US$ 1,5 trilhão em 2022, mais que o dobro do divulgado. Disponible sur le siteWeb <https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado>.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

THE MODERN CAPITALIST ECONOMY OF PERMANENT WAR

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate the connection between capitalism and the war economy existing in the great capitalist powers that materialized throughout history from the 1st Industrial Revolution in the 18th century. Nowadays, the connection between capitalism and the war economy practiced by the great capitalist powers is increasingly evident as indispensable for understanding the games of interests that influence the dynamics of the world capitalist system. The symbiotic relationship between the current capitalist economic model and war is quite evident [1]. The war economy that was adopted only in times of armed conflict has become permanent. The great beneficiaries of current war capitalism are, in addition to the war industry, due to the increase in demand for weapons and ammunition, also the financial system.

High investments in the war sector provide opportunities to obtain high profits from the war industry and the financial system, not only during periods of war, but also after each conflict. The great powers act as mediators between the military-industrial complex and financial capital. The great powers act as financiers and consumers of armaments production. To this end, it will look to private rentier capital for huge credits to be spent on weapons, which contributes to the growth of parasitic capital and, consequently, to its appreciation. Furthermore, war is an inexorable means for the maintenance and expansion of power by great powers. Conflicts, such as the world wars (1st and 2nd), the Cold War and the countless conflicts that occurred from the 18th century to the contemporary era, are intrinsically linked to the logic of capital accumulation to benefit the armaments industry and the financial system.

In his work, Canhões e Capitalismo (Cannons and Capitalism) [2[, Robert Kurz, one of Germany’s most prominent philosophers, now deceased, states that the innovation of firearms destroyed pre-capitalist forms of domination, sealing the fate of the mounted armies dressed in armor of the medieval period. Firearms, especially large cannons, could no longer be produced in small workshops like bladed or thrown weapons during the Middle Ages. Therefore, a specific armaments industry developed, which produced cannons and muskets in large factories. At the same time, a new military defense architecture emerged, in the form of gigantic bastions that were supposed to resist cannonades. This led to an innovative dispute between offensive and defensive weapons and an arms race between States, which persists to this day.

Robert Kurz states that firearms profoundly altered the structure of armies. That is why the military organization of society separated from the civil one. Instead of citizens mobilized case by case for campaigns or local lords with their armed families, “permanent armies” emerged, the “armed forces” were born as a specific social group, and the army became a foreign body in society. Officership has become a modern “profession”. Alongside this new military organization and new warfare techniques, the number of armies also grew dramatically. The arms industry, the arms race and the maintenance of permanently organized armies, divorced from civil society and at the same time with strong growth, necessarily led to a radical subversion of the economy [2].

The large military complex disconnected from society required a “permanent war economy”. This new economy of death spread like a pall over the agrarian structures of ancient medieval societies [2]. The economy of death is manifested in the fact that the 20th century has throughout history been the century of wars when ten million people were killed in the First World War, fifty-five million in the Second World War and two million in the Indochina wars. All “megadeaths” that occurred since 1914 reached a total of 187 million deaths by the end of the 20th century. Since the end of the Second World War, the world has known 160 wars in which around 7 million soldiers and 30 million civilians died.

Robert Kurz also states that armaments and the army had to be supplied with large resources and began to depend on the mediation of money. Commodity production and monetary economy as basic elements of capitalism gained momentum in the early modern era through the military and weapons economy. The permanent financial lack of the war economy led, in civil society, to the increase of usurious and commercial capitalists, large savers and war financiers. In order to finance the armaments industries, the gigantic armies and the war, the national States had to extort even the blood of their population and this, corresponding to the matter, in an equally new form: in place of the old taxes in kind, taxation monetary. The war economy forced not only directly, but also indirectly, the market economy system [2].

Robert Kurz also highlights the fact that Western democracies are incapable of hiding the fact that they are heirs to the military and arms dictatorship of the beginning of modernity in the 18th century with the total monetary economy and the war economy linked to it until today. At no time in the history of humanity, no society has ever allocated such a large portion of its resources to armaments and the army as is done in the contemporary era. The positive achievements of modernity itself were the heir of firearms and weapons production at the beginning of modernity in the 18th century. The dizzying capitalist development of the productive forces since the First Industrial Revolution also occurred in a destructive way. Neoliberalism is an early child of cannons, as demonstrated by the gigantic armament of “Reaganomics” with the policy of the Reagan administration in the United States, which included the dizzying increase in defense spending among other measures, and the history of the 1990s.

The war economy, which is synonymous with the economy of death, will maintain the disturbing legacy of modern society founded on the market economy until kamikaze capitalism destroys itself [2]. There is no doubt that the arms industry sponsors current wars as it promoted other wars in the past to make money. The record production of weapons, increasingly lethal and surgical, needs to be put to work in practice. Here, the State starts to act in a continuous and systematic way in the dynamics of the system itself, overlapping its political and economic functions, therefore becoming the main agent capable of enabling the development of the war industry through the creation of investment flows constants, which are directly related to the financialization of capital. In this way, there is a symbiosis between the great powers, financial capital and the industrial-military complex. The great powers function as a support element, as a financier and buyer of this industrial-military complex, behaving as a mediator between it and financial capital.

Of the 10 largest weapons manufacturers in the world, six are North American, five of which are leaders in the global arms industry [3] as shown in Table 1 below:

Table 1- The 10 companies that sold the most weapons in 2020

Source: https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/

Figure 1 presents the largest military expenditures in the world by country [4]. The United States had the highest military expenditure in the world (39% of the total) in 2021.

Figure 1- The largest military expenditures in the world by country

Source: https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio

Figure 2 shows actual US military spending as a percentage of GDP compared to recognized defense spending and closely related SIPRI data from 2007 to 2022 [5]. Over the entire period, real military spending (increased NIPA) as a percentage of GDP averaged 6.7%. In 2022, US defense spending accounted for 6% of GDP.

Figure 2- United States military spending as a percentage of GDP

Source: https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado

Taking into account the ten countries with the highest military spending in the world in 2022, the United States based on its actual military spending as shown here, represents more than 70% of the world’s total spending which differs from the 39% shown in Figure 1 that would be underestimated [5].

With 102 wars under its belt, the United States is probably one of the countries most involved in military actions in the world, which began with the annexation of Mexican land to its territory and the conquest of the Panama Canal. It is no coincidence that the United States is one of the countries most benefited economically from armed clashes, as the largest arms exporters in the world are North Americans. In addition to the sale of ammunition and weapons, the United States also monetizes with security contracts and military training, which means that many members of the US Congress understand wars as a machine for generating jobs internally and making money. Peace, for the United States, could cost it dearly. It is these facts that lead many to question the real motivation of the United States in defending Ukraine, which has been in a state of tension with Russia for years, and in defending Israel, which has been in permanent conflict with the Palestinians and Arab countries for decades. In the 21st century, preparation for war has become more central to the world capitalist system than ever before. It is evident that, as long as there is a weapons industry in the world, wars will continue to proliferate across the planet. Peace in the world will only happen when there is a cessation of weapons manufacturing in the world, the end of the arms industry and the disarmament of all countries.

REFERENCES

1.     MARTINS, Caio, PASSOS, Heitor, INOMATO, Rayana. Capitalismo e Guerra: uma relação simbiótica. Available on the website <https://internacionaldaamazonia.com/2023/12/05/capitalismo-e-guerra-uma-relacao-simbiotica/>.

2.      KURZ, Robert. Canhões e Capitalismo. Available on the website <https://www.marxists.org/portugues/kurz/1997/03/30.htm>.

3.      FERRAZ, Marina. 100 maiores empresas de armas venderam US$ 531 bi em 2020. Available on the website <https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/>.

4.     MELLO, Michele. Gasto militar mundial bate recorde e supera US$ 2 trilhões em 2021, aponta relatório. Available on the website <https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio>.

5.     FOSTER, John Bellamy e CERNADAS, Gisela. Gastos militares dos EUA atingiram US$ 1,5 trilhão em 2022, mais que o dobro do divulgado. Available on the website <https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

A MODERNA ECONOMIA CAPITALISTA DE GUERRA PERMANENTE

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar a conexão entre o capitalismo e a economia de guerra existente nas grandes potências capitalistas que se materializou ao longo da história a partir da 1ª Revolução Industrial no século XVIII. Na atualidade, está cada vez mais evidente a conexão entre o capitalismo e a economia de guerra praticado pelas grandes potências capitalistas como indispensável para compreendermos os jogos de interesses que influenciam na dinâmica do sistema capitalista mundial. A relação simbiótica entre o modelo econômico capitalista vigente e a guerra fica bastante evidente [1]. A economia de guerra que era adotada apenas em épocas de conflitos armados se tornou permanente. Os grandes beneficiários do atual capitalismo de guerra são, além da indústria bélica, devido ao aumento na demanda por armamentos e por munições, também, o sistema financeiro.

Os altos investimentos na área bélica viabiliza oportunidades para obter lucros elevados pela indústria bélica e pelo sistema financeiro não somente nos períodos de guerra, mas também após cada conflito. As grandes potências atuam na mediação entre o complexo industrial-militar e o capital financeiro. As grandes potências atuam como financiador e consumidor da produção de armamentos. Para tanto, vai buscar no capital rentista privado os vultuosos créditos para serem gastos com armas, o que contribui para o crescimento do capital parasitário e, por conseguinte, para sua valorização. Além disso, a guerra é um inexorável meio para a manutenção e expansão do poder pelas grandes potências. Os conflitos, como as guerras mundiais (1ª e 2ª), a Guerra Fria e os inúmeros conflitos que ocorreram do século XVIII à era contemporânea, encontram-se intrinsecamente ligados à lógica da acumulação de capital para beneficiar a indústria de armamentos e o sistema financeiro.

Em sua obra, Canhões e Capitalismo [2[, Robert Kurz, filósofo dos mais proeminentes da Alemanha já falecido, afirma que a inovação das armas de fogo destruiu as formas de dominação pré-capitalistas selando o destino dos exércitos montados e trajados de armadura do período medieval. As armas de fogo, sobretudo os grandes canhões, não podiam mais ser produzidos em pequenas oficinas como as armas brancas ou de arremesso durante a Idade Média. Por isso desenvolveu-se uma indústria de armamentos específica, que produzia canhões e mosquetes em grandes fábricas. Ao mesmo tempo, surgiu uma nova arquitetura militar de defesa, na figura de gigantescos baluartes que deveriam resistir às canhonadas. Chegou-se a uma disputa inovadora entre armas ofensivas e defensivas e a uma corrida armamentista entre os Estados, que persiste até os dias de hoje.

Robert Kurz afirma que as armas de fogo alteraram profundamente a estrutura dos exércitos. Por isso a organização militar da sociedade separou-se da civil. Em lugar dos cidadãos mobilizados caso a caso para as campanhas ou dos senhores locais com as suas famílias armadas surgiram os “exércitos permanentes”, nasceram as “forças armadas” como grupo social específico, e o exército tornou-se um corpo estranho na sociedade. O oficialato transformou-se numa “profissão” moderna. A par dessa nova organização militar e das novas técnicas bélicas, também o contingente dos exércitos cresceu vertiginosamente. A indústria armamentista, a corrida armamentista e a manutenção de exércitos permanentemente organizados, divorciados da sociedade civil e ao mesmo tempo com forte crescimento conduziram necessariamente a uma subversão radical da economia [2].

O grande complexo militar desvinculado da sociedade exigia uma “permanente economia de guerra”. Essa nova economia da morte estendeu-se como uma mortalha sobre as estruturas agrárias das antigas sociedades medievais [2]. A economia da morte se manifesta no fato de o século XX ter sido ao longo da história o século das guerras quando dez milhões de pessoas foram mortas na Primeira Guerra Mundial, cinquenta e cinco milhões na Segunda Guerra Mundial e dois milhões nas guerras da Indochina. Todas as “megamortes” ocorridas desde 1914 chegaram a um total de 187 milhões de mortos até o final do século XX. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo conheceu 160 guerras quando morreram cerca de 7 milhões de soldados e 30 milhões de civis.

Robert Kurz afirma, também, que os armamentos e o exército tinham de ser abastecidos com recursos de envergadura passando a depender da mediação do dinheiro. Produção de mercadorias e economia monetária como elementos básicos do capitalismo ganharam impulso no início da era moderna por meio da economia militar e armamentista. A permanente carência financeira da economia de guerra conduziu, na sociedade civil, ao aumento dos capitalistas usurários e comerciais, dos grandes poupadores e dos financiadores de guerra. Para poder financiar as indústrias de armamentos, os gigantescos exércitos e a guerra, os Estados nacionais tinham de extorquir até o sangue de sua população e isso, em correspondência à matéria, numa forma igualmente nova: no lugar dos antigos impostos em espécie, a tributação monetária. A economia de guerra forçou não apenas de forma direta, mas também indireta, o sistema da economia de mercado [2].

Robert Kurz deixa evidenciado, também, o fato de as democracias do Ocidente serem incapazes de ocultar o fato de serem herdeiras da ditadura militar e armamentista do início da modernidade no século XVIII com a economia monetária total e a economia de guerra a ela vinculada até hoje. Em nenhuma época da história da humanidade, nenhuma sociedade jamais alocou uma parcela tão grande de seus recursos em armamentos e exército como se faz na era contemporânea. As próprias conquistas positivas da modernidade foi herdeira das armas de fogo e da produção de armamentos no início da modernidade no século XVIII. O vertiginoso desenvolvimento capitalista das forças produtivas desde a Primeira Revolução Industrial ocorreu, também, de forma destrutiva. O neoliberalismo é um filho temporão dos canhões, como demonstraram o gigantesco armamentismo da “Reaganomics” com a política do governo Reagan dos Estados Unidos que incluia o aumento vertiginoso dos gastos com defesa entre outras medidas e a história dos anos 1990.

A economia de guerra, que é sinônimo da economia da morte manterá o inquietante legado da sociedade moderna fundada na economia de mercado até que o capitalismo-camicase destrua a si próprio [2]. Não há dúvidas que a indústria bélica patrocina as guerras atuais como promoveu outras guerras no passado para ganhar dinheiro. A produção recorde de armamentos, cada vez mais letais e cirúrgicos, necessita ser posta para funcionar na prática. Aqui, o Estado passa a atuar de forma contínua e sistemática na própria dinâmica do sistema, imbricando suas funções políticas e econômicas, tornando-se, portanto, o principal agente com condições de possibilitar o desenvolvimento da indústria bélica através da criação de fluxos de investimentos constantes, os quais têm relação direta com a financeirização do capital. Desta forma, passa a existir uma simbiose entre as grandes potências, o capital financeiro e o complexo industrial-militar. As grandes potências funcionam como um elemento de sustentação, como um financiador e comprador desse complexo industrial-militar, comportando-se como um mediador entre ela e o capital financeiro.

Dos 10 maiores fabricantes de armas do mundo, seis são norte-americanas, sendo cinco delas líder da indústria bélica mundial [3] como mostra o Quadro 1 a seguir:

Quadro 1- As 10 empresas que mais venderam armas em 2020

Fonte: https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/

A Figura 1 apresenta os maiores gastos militares no mundo por país [4]. Os Estados Unidos foi o que apresentou o maior gasto militar do mundo (39% do total) em 2021.

Figura 1- Os maiores gastos militares no mundo por país

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio

A Figura 2 mostra os gastos militares reais dos Estados Unidos como porcentagem do PIB, comparados aos gastos com defesa reconhecidos e aos dados do SIPRI, estreitamente relacionados, de 2007 a 2022 [5]. Durante todo o período, os gastos militares reais (NIPA aumentado) como porcentagem do PIB tiveram uma média de 6,7%. Em 2022, os gastos com defesa dos Estados Unidos corresponderam a 6% do PIB.

Figura 2- Gastos militares dos Estados Unidos como percentagem do PIB

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado

Levando em consideração os dez países com os maiores gastos militares do mundo em 2022, os Estados Unidos com base em seus gastos militares reais conforme mostrado aqui, representam mais de 70% do gasto total mundial que difere dos 39% apresentados na Figura 1 que estariam subestimados [5].

Com 102 guerras em seu “currículo” belicoso, os Estados Unidos são, provavelmente, um dos países mais envolvidos em ações militares do mundo que começou com a anexação de terras do México a seu território e a conquista do canal do Panamá. Não é coincidência que os Estados Unidos sejam um dos países mais beneficiados economicamente com os confrontos armados, já que as maiores exportadoras de armas do mundo são norte-americanas. Para além da venda de munição e armas, os Estados Unidos monetiza, também, com contratos de segurança e treinamento militar, o que faz com que muitos membros do Congresso estadunidense entendam as guerras como uma máquina de gerar emprego internamente e fazer dinheiro. A paz, para os Estados Unidos, poderia lhe custar muito caro. São esses fatos que levam muitos a questionarem a real motivação dos Estados Unidos na defesa da Ucrânia, que há anos vive em estado de tensão com a Rússia e na defesa de Israel que há décadas vive em conflito permanente com os palestinos e os países árabes. No século XXI, a preparação para a guerra tornou-se mais central para o sistema capitalista mundial do que jamais fora antes. Fica evidente que, enquanto houver indústria bélica no mundo, as guerras continuarão a proliferar em todo o planeta. A paz no mundo só acontecerá quando houver a cessação da fabricação de armas no mundo com o fim da indústria bélica e o desarmamento de todos os países.

REFERÊNCIAS

1.     MARTINS, Caio, PASSOS, Heitor, INOMATO, Rayana. Capitalismo e Guerra: uma relação simbiótica. Disponível no website <https://internacionaldaamazonia.com/2023/12/05/capitalismo-e-guerra-uma-relacao-simbiotica/>.

2.      KURZ, Robert. Canhões e Capitalismo. Disponível no website <https://www.marxists.org/portugues/kurz/1997/03/30.htm>.

3.      FERRAZ, Marina. 100 maiores empresas de armas venderam US$ 531 bi em 2020. Disponível no website <https://www.poder360.com.br/internacional/100-maiores-empresas-de-armas-venderam-us-531-bilhoes-em-2020/>.

4.     MELLO, Michele. Gasto militar mundial bate recorde e supera US$ 2 trilhões em 2021, aponta relatório. Disponível no website <https://www.brasildefato.com.br/2022/04/25/gasto-militar-mundial-bate-recorde-e-supera-us-2-trilhoes-em-2021-aponta-relatorio>.

5.     FOSTER, John Bellamy e CERNADAS, Gisela. Gastos militares dos EUA atingiram US$ 1,5 trilhão em 2022, mais que o dobro do divulgado. Disponível no website <https://www.brasildefato.com.br/2024/02/09/gastos-militares-dos-eua-atingiram-us-1-5-trilhao-em-2022-mais-que-o-dobro-do-divulgado>.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

COMMENT SURMONTER LES MENACES SUR LA GOUVERNABILITÉ DU GOUVERNEMENT LULA AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter comment surmonter les menaces à la gouvernabilité du gouvernement Lula que représentent les difficultés à promouvoir le développement économique et social au Brésil et les actions antidémocratiques et antisociales promues par les extrémistes de droite enracinés dans le Congrès national et dans la société. La promotion du développement économique et social du Brésil a été entravée par la politique budgétaire de plafonnement des dépenses publiques imposée par le Congrès national, qui restreint les investissements publics et les politiques sociales, et par la politique monétaire de taux d’intérêt extrêmement élevés imposée par la Banque centrale, qui limite la croissance de l’économie nationale. Le gouvernement Lula est confronté aux menaces des extrémistes de droite retranchés au Congrès national en raison du fait qu’il ne dispose pas de majorité au Parlement, ce qui empêche le gouvernement fédéral de mettre en œuvre son projet national développementaliste, de répondre pleinement aux revendications sociales et d’éviter l’approbation du projets de loi rétrogrades et amendements constitutionnels rétrogrades. En d’autres termes, le gouvernement Lula n’est pas en mesure d’exercer sa gouvernabilité.

Tous ces faits démontrent qu’il ne suffit pas d’élire un Président de la République engagé dans le progrès du pays pour mener à bien les changements économiques et sociaux requis. Outre l’élection d’un président progressiste, il est également nécessaire d’obtenir une majorité au Congrès national et dans les parlements des États et des municipalités avec la formation d’un large front et avec la mobilisation de la société civile pour élire le plus grand nombre possible de parlementaires progressistes engagés en faveur des progrès politiques, économiques et sociaux pour surmonter les obstacles qui entravent le développement du Brésil. Cet article souligne la nécessité d’arrêter l’avancée des extrémistes de droite néofascistes installés au Congrès national pour les empêcher de chercher à imposer leur volonté à la nation brésilienne en proposant des projets de loi rétrogrades et des amendements à la Constitution rétrogrades, comme le projet de loi contre l’avortement légal, qui autorise le travail des enfants, qui consacre la fin des négociations de plaidoyer, qui prévoit l’amnistie pour les putschistes du 8 janvier 2023 et l’amendement constitutionnel qui établit la privatisation des plages, entre autres absurdités.

Le cas du projet de loi inhumain (PL 1904/24) qui assimile l’avortement d’une grossesse de plus de 22 semaines au crime d’homicide, s’il est approuvé par le Congrès national, mettra fin au droit à l’avortement légal acquis par les femmes. Il n’a fallu que 23 secondes au projet de loi (PL 1904/24) pour que la Chambre des députés approuve, le 12 juin, le régime d’urgence. Il convient de noter qu’au Brésil, l’avortement n’est pas qualifié de délit uniquement lorsqu’il se produit naturellement ou lorsqu’il est pratiqué par un médecin qualifié dans trois situations : en cas de risque pour la vie de la femme causé par la grossesse, lorsque la grossesse est le résultat de viol ou si le fœtus est anencéphale. Cet épisode du projet de loi (PL 1904/24), entre autres, qui cherche à mettre fin aux droits douloureusement conquis par le peuple brésilien tout au long de l’histoire et à imposer une nouvelle législation extrêmement réactionnaire, qui est en cours au Parlement brésilien, démontre que l’actuelle Congrès national est le plus rétrograde de l’histoire du Brésil. Il y a eu et il y a encore au Brésil la nécessaire mobilisation des organisations de la société civile contre cet acte insensé perpétré par la Chambre fédérale avec la tenue de plusieurs manifestations dans plusieurs capitales contre le projet et pour la défense de la vie des femmes, des filles et des femmes enceintes ceux qui ont fait en sorte que ce projet de loi ait perdu son urgence.

La mobilisation des organisations de la société civile contre cet acte insensé perpétré par la Chambre fédérale démontre la nécessité de les mobiliser en permanence pour faire face aux politiques rétrogrades du Congrès national parrainées par les partis d’extrême droite et pour stopper l’avancée de l’extrême droite dans la société brésilienne. Après le mouvement populaire des « Diretas Já » (1984) et de la « Constitution citoyenne » (1988), s’est répandu le sentiment que le peuple brésilien avait surmonté le retard laïc du Brésil et que nous étions sur la bonne voie pour devenir un pays moderne. Tout indiquait que nous avions trouvé le chemin, que ce n’était qu’une question de temps, pour que la maturation de nos institutions et la libre circulation des idées et de l’information, dans une société démocratique, élèvent le Brésil au niveau des nations pleinement développées. Comment en sommes-nous arrivés à la situation politique regrettable dans laquelle se trouve aujourd’hui le Brésil ? Que s’est-il passé pour que la pure barbarie règne au Brésil ces dernières années, avec les barbares gouvernant avec la tolérance de nombreux membres de la société brésilienne ?

Quatre facteurs ont contribué à la barbarie qui existe actuellement au Brésil : 1) l’érosion des institutions politiques du pays et leur incapacité à répondre aux demandes de la société ; 2) l’usure de Lula et du PT suite à l’Opération Lavajato ; 3) la promotion des Églises évangéliques dans la société et au Parlement ; et 4) l’émergence du bolsonarisme. L’érosion des institutions politiques du pays, Lula et le PT ont créé les conditions nécessaires à l’avancée de l’extrême droite bolsonariste au Brésil. L’expansion des évangéliques dans le domaine politique s’est produite depuis 1930 sous le gouvernement Vargas, qui a encouragé la création de certaines représentations/organisations religieuses. Pendant la dictature militaire, le régime militaire a bénéficié d’un soutien indirect de la part de secteurs de l’Église catholique et des Églises évangéliques, comme l’Assemblée de Dieu, les Baptiste et le Presbytérien. Ils ont soutenu silencieusement la dictature militaire de 1964 à 1985. La présence évangélique dans la politique brésilienne a commencé à se manifester efficacement à partir de 1986 avec la représentation officielle des évangéliques dans les partis politiques. Déjà cette année, les évangéliques ont réussi à élire quelques cadres, qui commenceront à former les grandes lignes du début de la représentation évangélique au parlement brésilien. Cela prend de plus en plus d’ampleur et, à partir des années 2010, ils parviennent à créer le Front parlementaire évangélique [1].

Les gouvernements du PT ont aidé le Front parlementaire évangélique à se renforcer. Le groupe évangélique a participé aux gouvernements du PT, dont le domaine des droits de l’homme était pendant un certain temps entre les mains des secteurs dits évangéliques progressistes, mais cette alliance s’est effondrée lorsque les évangéliques ont contribué de manière décisive à la destitution de Dilma Rousseff. La rupture entre les évangéliques et le PT s’est produite parce que le gouvernement de Dilma Rousseff n’était pas si favorable à la soi-disant « famille traditionnelle brésilienne ». Ensuite, les évangéliques sont entrés dans le gouvernement Temer. Dans ce contexte, émerge l’intention des évangéliques de construire un gouvernement chrétien. C’est ici qu’intervient Jair Bolsonaro, qui, lors de la destitution de Dilma Rousseff, a compris la nécessité pour le Front parlementaire évangélique d’avoir un chrétien comme futur président. Jair Bolsonaro s’est présenté comme une alternative aux évangéliques qui ont contribué à la construction du bolsonarisme. La détérioration des institutions politiques du pays, Lula et le PT ont ouvert la voie à l’union des évangéliques et du bolsonarisme autour d’un projet de pouvoir christofasciste [1]. L’arrestation de Lula, empêché de se présenter aux élections présidentielles de 2018, a facilité la victoire de Bolsonaro.

Le théologien Fábio Py affirme que les relations avec les églises évangéliques sont ce qui a élu et soutenu l’autoritarisme du gouvernement du président Bolsonaro [1]. Concernant le christofascisme, c’est un terme qui représente la combinaison du christianisme et du fascisme. En 1970, la théologienne allemande Dorothee Sölle, défenseure de la théologie de la libération, a inventé le terme « christofascisme » pour définir une position politique combinant christianisme et fascisme, basée sur le fait que les relations du parti nazi allemand avec les églises chrétiennes avaient contribué au développement du le Troisième Reich. Au Brésil, il existe des positions similaires de la part des mouvements religieux évangéliques et de leurs dirigeants qui ont soutenu Bolsonaro dans sa politique d’intolérance et de haine [2].

Le christofascisme est en hausse au Brésil. Ce sont des croyants guidés par leurs dirigeants, proclamant une religion qui considère la croix chrétienne uniquement comme un talisman magique et non comme le signe historique de l’expérience d’un pauvre qui a été violemment torturé à mort par l’Empire romain en raison de sa prédication en faveur de la justice, de partage des biens, d’égalité et de fraternité entre les êtres humains. Il est important de souligner que, historiquement, le fascisme est une doctrine politique ancrée dans la dévotion à un leader mythifié par la manipulation idéologique qui cherche l’unification d’un peuple à travers des idéaux nationalistes et militaristes, de manière totalitaire, imposant la domination du leader et de son groupe de parti, dans une autorité illimitée dotée de pouvoirs totalitaires pour contrôler la vie publique et privée, comme cela s’est produit dans l’Allemagne nazie et dans l’Italie fasciste. Il n’y a pas de diversité, seulement une uniformité de pensée et de coutumes. A cette fin, il développe une pratique violente, incitant à l’agression contre tous ses opposants, qu’il déclare ennemis de l’Etat. Par conséquent, le fascisme est un grand partisan et promoteur de la violence physique dans les rues, que ce soit à travers les actions d’individus ou de milices paramilitaires [3].

Le christofascisme cherche également à gagner les croyants en semant la peur, c’est-à-dire en diffusant l’existence de prétendues conspirations de bandits, de terroristes et de communistes. Le christofascisme bolsonariste est né, selon Fábio Py, de l’alliance entre certaines églises évangéliques et bolsonaristes pour mettre en place un gouvernement autoritaire, aux caractéristiques néo-fascistes et ultralibérales. Comme Hitler, Bolsonaro a également participé à des événements organisés par les églises évangéliques, en interaction avec leurs pasteurs. Selon Py, le christofascisme bolsonariste est promu à travers une théologie politique autoritaire, basée sur la haine de la pluralité démocratique. Cette haine est émaillée de techniques gouvernementales qui favorisent la discrimination et la haine contre les secteurs hétérodoxes. La ruse construite par les dirigeants évangéliques présente Bolsonaro comme le messie, souffrant, serviteur oint et élu de la nation. Il l’a fait pour regrouper les forces afin de maintenir, à coup de fouets sévères, la mise en œuvre de mesures ultralibérales qui laissent aujourd’hui les plus vulnérables à la mort, dit Py [1].

Au cours de son mandat au gouvernement, Bolsonaro s’est rendu à diverses célébrations religieuses à l’Assemblée de Dieu, à l’Église universelle, à l’Église mondiale de la puissance de Dieu, entre autres. Il fréquentait de manière opportuniste ces églises de manière très directe et, ce faisant, essayait d’amplifier son dialogue avec la base évangélique. Bolsonaro a donc cherché à s’affirmer comme converti et, en même temps, à assister à une série de célébrations avec le secteur évangélique [1]. Bien qu’il ait fait de gros efforts pour empêcher le retour de Lula au pouvoir, Bolsonaro a perdu les élections présidentielles de 2022, mais le bolsonarisme reste vivant dans la société, comme en témoigne la tentative de coup d’État du 8 janvier 2023, mais aussi la forte participation de l’extrême droite au Congrès national. Cet article souligne la nécessité pour Lula et le PT d’arrêter l’avancée de l’extrême droite au Brésil en promouvant une alliance avec les forces politiques du centre démocratique et en mobilisant la société civile organisée pour élire les futurs maires, gouverneurs, président de la République et parlementaires au Brésil dans tous les niveaux engagés en faveur du progrès politique, économique, social et environnemental du Brésil.

Pour réélire le président Lula lors des élections présidentielles de 2026 et obtenir une majorité parlementaire au Congrès national engagée en faveur du progrès politique, économique et social, les forces progressistes doivent s’engager, dès les élections municipales de 2024, à constituer un large front visant à élire le plus grand nombre possible de maires et de conseillers engagés dans le progrès politique, économique et social du Brésil. Telles sont les conditions pour empêcher, en 2026, les extrémistes de droite de reconquérir la présidence de la République, d’élargir leur participation aux gouvernements des États et au Congrès national et de mettre en pratique leur infâme projet antisocial et antinational.

LES RÉFÉRENCES

  1. PY, Fábio. Pandemia cristofascista. São Paulo: Recriar, 2020. 
  2. SOLLE, Dorothee. Beyond Mere Obedience: Reflections on a Christian Ethic for the Future, Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1970. 
  3.  ALBUQUERQUE, Alexandre Aragão.  Cristofascismo: o que é isso? Disponible sur le siteWeb <https://segundaopiniao.jor.br/cristofascismo-o-que-e-isso-alexandre-aragao-de-albuquerque/>.

​* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).​

HOW TO OVERCOME THREATS TO THE GOVERNABILITY OF THE LULA GOVERNMENT IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

This article aims to present how to overcome the threats to the governability of the Lula government represented by the difficulties in promoting economic and social development in Brazil and by the anti-democratic and anti-social actions promoted by right-wing extremists entrenched in the National Congress and in society. The promotion of Brazil’s economic and social development has been hampered by the fiscal policy of the public spending ceiling imposed by the National Congress, which restricts public investments and social policies, and by the extremely high interest rate monetary policy imposed by the Central Bank, which restricts the growth of the national economy. The Lula government faces threats from right-wing extremists entrenched in the National Congress because it does not have a majority in parliament, which prevents the federal government from implementing its national developmentalist project, meeting social demands in full and avoid approval of retrograde bills and retrograde constitutional amendments. In other words, the Lula government is not in a position to exercise governability.

All these facts demonstrate that it is not enough to elect a President of the Republic committed to the country’s progress to carry out the required economic and social changes. In addition to electing a progressive president, it is also necessary to win a majority in the National Congress and in state and municipal parliaments by establishing a broad front and mobilizing civil society to elect as many progressive parliamentarians as possible who are committed to the political, economic and social advances to overcome the obstacles that impede Brazil’s development. This article emphasizes the need to stop the advance of neo-fascist right-wing extremists ensconced in the National Congress to prevent them from seeking to impose their will on the Brazilian nation by proposing retrograde bills and amendments to the Constitution, such as the bill against legal abortion, which authorizes child labor, which establishes the end of plea bargaining, which provides for amnesty for coup plotters on January 8, 2023 and the constitutional amendment that establishes the privatization of beaches, among other absurdities.

The case of the inhumane bill (PL 1904/24) that equates abortion of a pregnancy over 22 weeks to the crime of homicide, if approved by the National Congress, will bring to an end the right to legal abortion acquired by women. The bill (PL 1904/24) took just 23 seconds for the Chamber of Deputies to approve, on June 12th, the emergency regime. It is worth noting that, in Brazil, abortion is not qualified as a crime only when it occurs naturally or when performed by a qualified doctor in three situations: in case of risk to the woman’s life caused by pregnancy, when the pregnancy is the result of rape or if the fetus is anencephalic. This episode of the bill (PL 1904/24), among others, which seek to end rights painfully won by the Brazilian people throughout history and impose new, extremely reactionary legislation, which are taking place in the Brazilian parliament, demonstrate that the current National Congress is the most retrograde in Brazilian history. There was and is still taking place in Brazil the necessary mobilization of civil society organizations against this insane act carried out by the Federal Chamber with the holding of several demonstrations in several capitals against the project and in defense of the lives of women, girls and pregnant people who caused that this bill has lost its urgency.

The mobilization of civil society organizations against this insane act carried out by the Federal Chamber demonstrates the need for them to be permanently mobilized to confront the regressive policies of the National Congress sponsored by far-right parties and to stop the advance of the far-right in Brazilian society. After the popular movement of “Eleições Diretas Já” (1984) and the “Citizen Constitution” (1988), a widespread feeling was created that the Brazilian people had overcome Brazil’s secular backwardness and that we were on the way to becoming a country modern. Everything indicated that we had found the way, that it was just a matter of time, for the maturation of our institutions and the free flow of ideas and information, in a democratic society, to elevate Brazil to the level of fully developed nations. How did we arrive at the regrettable political situation Brazil finds itself in today? What happened to make pure barbarism reign in Brazil in recent years with the barbarians ruling with the tolerance of many in Brazilian society?

Four factors contributed to the barbarism that currently exists in Brazil: 1) the erosion of the country’s political institutions with their inability to meet society’s demands; 2) the erosion of Lula and the PT because of Lavajato Operation; 3) the advancement of evangelical churches in society and parliament; and, 4) the emergence of Bolsonarism. The erosion of the country’s political institutions, Lula and the PT created the conditions for the advancement of the Bolsonarist extreme right in Brazil. The expansion of evangelicals in the political field has been happening since 1930 during the Vargas government, which encouraged the creation of some religious representations/organizations. During the military dictatorship, there was indirect support for the military regime from sectors of the Catholic Church and evangelical churches, such as the Assembly of God, the Baptist and the Presbyterian. They silently supported the military dictatorship from 1964 to 1985. The evangelical presence in Brazilian politics began to occur effectively from 1986 with the official representation of evangelicals in party politics. Already this year, evangelicals managed to elect some cadres, who will begin to form the outline of the beginning of the evangelical bench in the Brazilian parliament. This gained more and more proportion and, from the 2010s onwards, they managed to create the Evangelical Parliamentary Front [1].

The PT governments helped the Evangelical Parliamentary Front to gain strength. The evangelical group participated in the PT governments, whose area of ​​human rights was for a time in the hands of the so-called progressive evangelical sectors, but this alliance fell apart when the evangelicals contributed decisively to the impeachment of Dilma Rousseff. The break between evangelicals and the PT occurred because the Dilma Rousseff government was not so favorable to the so-called “traditional Brazilian family”. Then, evangelicals became part of the Temer government. In this context, the intention of evangelicals to build a Christian government emerges. This is where Jair Bolsonaro comes in, who during Dilma Rousseff’s impeachment, realized the need for the Evangelical Parliamentary Front to have a Christian as a future president. Jair Bolsonaro presented himself as an alternative for the evangelicals who helped in the construction of Bolsonarism. The deterioration of the country’s political institutions, Lula and the PT paved the way for evangelicals and Bolsonarism to come together with a Christofascist power project [1]. The arrest of Lula, who was prevented from running in the 2018 presidential elections, facilitated Bolsonaro’s victory.

Theologian Fábio Py states that relations with evangelical churches are what elected and sustained the authoritarianism of President Bolsonaro’s government [1]. Regarding Christofascism, it is a term that represents the combination of Christianity and fascism. In 1970, German theologian Dorothee Sölle, a defender of liberation theology, coined the term “Christofascism” to define a political stance that combines Christianity with fascism, based on the fact that the German Nazi party’s relations with Christian churches had contributed to the development of the Third Reich. In Brazil, there are similar positions on the part of evangelical church movements and their leaders who supported Bolsonaro with his policies of intolerance and hatred [2].

Christofascism is on the rise in Brazil. They are believers guided by their leaders, proclaiming a religion that considers the Christian cross only as a magical talisman and not as the historical sign of the experience of a poor man who was violently tortured to death by the Roman Empire due to his preaching in favor of justice, sharing of goods, equality and fraternity among human beings. It is important to highlight that, historically, fascism is a political doctrine anchored in devotion to a leader mythologized by ideological manipulation that seeks the unification of a people through nationalist and militaristic ideals, in a totalitarian way, imposing the dominance of the leader and his party group, in an unlimited authority with totalitarian powers to control public and private life, as occurred in Nazi Germany and fascist Italy. There is no diversity, only uniformity of thought and customs. To this end, it develops a violent practice, inciting aggression against all his opponents, whom he declares to be enemies of the State. Consequently, fascism is a great supporter and promoter of physical violence in the streets, whether through the actions of individuals or paramilitary militias [3].

Christofascism also seeks to win over believers by spreading fear, that is, the existence of supposed conspiracies by bandits, terrorists and communists is disseminated. Bolsonarist Christofascism emerged, according to Fábio Py, from the alliance between some evangelical churches and Bolsonarists to implement an authoritarian government, with neo-fascist and ultra-liberal characteristics. Like Hitler, Bolsonaro also participated in events promoted by evangelical churches, interacting with their pastors. According to Py, Bolsonarist Christofascism is promoted through an authoritarian political theology, based on hatred of democratic plurality. This hatred is peppered with government techniques that promote discrimination and hate against heterodox sectors. The ruse constructed by the evangelical leadership points to Bolsonaro as the messiah, suffering, anointed and elected servant of the nation. He did this to regroup the forces in order to maintain, with harsh whips, the implementation of ultraliberal measures that today leave the most vulnerable to death, says Py [1].

During his period in government, Bolsonaro went to various religious celebrations at the Assembly of God, the Universal Church, the Worldwide Church of the Power of God, among others. He opportunistically attended these churches in a very direct way and, in doing so, trying to amplify his dialogue with the evangelical base. Therefore, Bolsonaro sought to assert himself as a convert, and at the same time, attend a series of celebrations with the evangelical sector [1]. Despite having made great efforts to prevent Lula’s return to power, Bolsonaro lost the 2022 presidential elections, but Bolsonaroism remains alive in society, as evidenced by the attempted coup d’état on January 8, 2023, and also the strong participation of the extreme right in the National Congress. This article emphasizes the need for Lula and the PT to stop the advance of the extreme right in Brazil by promoting an alliance with political forces from the democratic center and mobilizing organized civil society to elect future mayors, governors, President of the Republic and parliamentarians at all levels committed to the political, economic, social and environmental progress of Brazil.

To re-elect President Lula in the 2026 presidential elections and obtain a parliamentary majority in the National Congress committed to political, economic and social advances, the progressive forces need to commit themselves, from the 2024 municipal elections onwards, to constitute a broad front aimed at electing as many mayors and councilors as possible committed to Brazil’s political, economic and social advances. These are the conditions to prevent, in 2026, right-wing extremists from regaining the Presidency of the Republic, expanding their participation in state governments and the National Congress and putting their nefarious anti-social and anti-national project into practice.

REFERENCES

  1. PY, Fábio. Pandemia cristofascista. São Paulo: Recriar, 2020. 
  2. SOLLE, Dorothee. Beyond Mere Obedience: Reflections on a Christian Ethic for the Future, Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1970. 
  3.  ALBUQUERQUE, Alexandre Aragão.  Cristofascismo: o que é isso? Available on the website <https://segundaopiniao.jor.br/cristofascismo-o-que-e-isso-alexandre-aragao-de-albuquerque/>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023). 

COMO SUPERAR AS AMEAÇAS À GOVERNABILIDADE DO GOVERNO LULA   

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como superar as ameaças à governabilidade do governo Lula representadas pelas dificuldades de promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil e pelas ações antidemocráticas e antissociais promovidas por extremistas de direita enquistados no Congresso Nacional e na sociedade.  A promoção do desenvolvimento econômico e social do Brasil vem sendo dificultada pela política fiscal do teto de gastos públicos imposta pelo Congresso Nacional restritiva aos investimentos públicos e às políticas sociais e pela política monetária de juros extremamente elevados imposta pelo Banco Central restritiva ao crescimento da economia nacional. O governo Lula enfrenta ameaças de extremistas de direita enquistados no Congresso Nacional pelo fato de não ter maioria no parlamento que impede o governo federal de colocar em prática seu projeto nacional desenvolvimentista, atender as demandas sociais na plenitude e evitar a aprovação de projetos de lei retrógrados e de retrógradas emendas constitucionais. Em outras palavras, o governo Lula não está tendo condições de exercer a governabilidade.

Todos estes fatos demonstram que que não basta eleger um presidente da República comprometido com o progresso do País para realizar as mudanças econômicas e sociais exigidas. Além de eleger um presidente progressista, é preciso, também, conquistar a maioria no Congresso Nacional e nos parlamentos estaduais e municipais com a constituição de uma frente ampla e com a mobilização da sociedade civil para eleger o maior número possível de parlamentares progressistas comprometidos com os avanços políticos, econômicos e sociais para superar os entraves que impedem o desenvolvimento do Brasil. Este artigo enfatiza a necessidade de barrar o avanço dos extremistas de direita neofascistas enquistados no Congresso Nacional para evitar que busquem impor sua vontade à nação brasileira propondo retrógrados projetos de lei e de emenda à Constituição como são os casos do projeto de lei contra o aborto legal, o que autoriza o trabalho infantil, o que estabelece o fim da delação premiada, o que prevê a anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e a emenda constitucional que estabelece a privatização das praias, entre outros absurdos.  

O caso do desumano projeto de lei (PL 1904/24) que equipara o aborto de gestação acima de 22 semanas ao crime de homicídio, se for aprovado pelo Congresso Nacional, fará com seja levado ao fim o direito ao aborto legal adquirido pelas mulheres. O projeto de lei (PL 1904/24) levou apenas 23 segundos para a Câmara dos Deputados aprovar, no dia 12 de junho passado, o regime de urgência. Cabe observar que, no Brasil, o aborto só não é qualificado como crime quando ocorre naturalmente ou quando praticado por médico capacitado em três situações: em caso de risco de vida para a mulher causado pela gravidez, quando a gestação é resultante de um estupro ou se o feto for anencefálico. Este episódio do projeto de lei (PL 1904/24), entre outros, que buscam acabar com direitos conquistados penosamente pelo povo brasileiro ao longo da história e impor novas legislações extremamente reacionárias, que estão ocorrendo no parlamento brasileiro demonstram ser o atual Congresso Nacional o mais retrógrado da história brasileira. Houve e ainda está ocorrendo no Brasil a necessária mobilização de organizações da sociedade civil contra este ato insano praticado pela Câmara Federal com a realização de várias manifestações em várias capitais contra o projeto e em defesa da vida das mulheres, meninas e pessoas gestantes que fizeram com que este projeto de lei tenha perdido seu caráter de urgência.  

A mobilização de organizações da sociedade civil contra este ato insano praticado pela Câmara Federal demonstra a necessidade de que elas sejam mobilizadas permanentemente para fazerem frente às políticas retrógradas do Congresso Nacional patrocinadas pelos partidos de extrema-direita e para barrar o avanço da extrema-direita na sociedade brasileira. Depois do movimento popular das “Diretas Já” (1984) e da “Constituição Cidadã” (1988), criou-se um sentimento generalizado de que o povo brasileiro havia superado o atraso secular do Brasil e que estávamos a caminho de nos tornarmos um país moderno. Tudo indicava que tínhamos achado o caminho, que era só uma questão de tempo, para que o amadurecimento das nossas instituições e o livre trânsito de ideias e informações, numa sociedade democrática, elevassem o Brasil ao patamar das nações plenamente desenvolvidas. Como chegamos à lamentável situação política em que se encontra hoje o Brasil? O que aconteceu para que reinasse a barbárie em estado puro no Brasil nos últimos anos com os bárbaros governando contando com a tolerância de muitos na sociedade brasileira? 

Quatro fatores contribuíram para a barbárie existente atualmente no Brasil: 1) o desgaste das instituições políticas do País com sua incapacidade de atender as demandas da sociedade; 2) o desgaste de Lula e do PT em consequência da Operação Lavajato; 3) o avanço das igrejas evangélicas na sociedade e no parlamento; e, 4) o surgimento do bolsonarismo. O desgaste das instituições políticas do País, de Lula e do PT criaram as condições para o avanço da extrema-direita bolsonarista no Brasil. A expansão dos evangélicos no campo político já vem acontecendo desde 1930 durante o governo Vargas que incentivou a criação de algumas representações/ organizações religiosas. Na ditadura militar, houve um apoio indireto ao regime militar de setores da Igreja Católica e das igrejas evangélicas, como a Assembleia de Deus, a Batista e a Presbiteriana. Elas apoiaram em silêncio a ditadura militar de 1964 a 1985. A presença evangélica na política brasileira passou a ocorrer com efetividade a partir de 1986 com a representação oficial de evangélicos na política partidária. Já neste ano, os evangélicos conseguem a eleição de alguns quadros, que vão começar a formar o esboço do início da bancada evangélica no parlamento brasileiro. Isso foi ganhando cada vez mais proporção e, a partir da década de 2010, eles conseguem criar a Frente Parlamentar Evangélica [1].  

Os governos do PT ajudaram a Frente Parlamentar Evangélica a ganhar força. O grupo evangélico participou dos governos do PT cuja área de direitos humanos ficou durante um tempo nas mãos dos setores evangélicos chamados progressistas, mas essa aliança se desfez quando os evangélicos contribuíram decisivamente para o impeachment de Dilma Rousseff. O rompimento dos evangélicos com o PT ocorreu porque o governo Dilma Rousseff não era tão favorável à dita “família tradicional brasileira”. Em seguida, os evangélicos passaram a integrar o governo Temer.  Nesse contexto, surge a intenção dos evangélicos de construção de um governo cristão. Aí é que entra Jair Bolsonaro, que durante o impedimento de Dilma Rousseff, percebeu a necessidade da Frente Parlamentar Evangélica de ter um cristão como futuro presidente. Jair Bolsonaro se apresentou como alternativa para os evangélicos que ajudaram na construção do bolsonarismo. Os desgastes das instituições políticas do País, de Lula e do PT abriram caminho para que os evangélicos e o bolsonarismo se juntassem com um projeto de poder cristofascista [1]. A prisão de Lula, que foi impedido de concorrer nas eleições presidenciais de 2018, facilitou a vitória de Bolsonaro. 

O teólogo Fábio Py afirma que relações com igrejas evangélicas é o que elegeu e sustentou o autoritarismo do governo do presidente Bolsonaro [1]. Sobre o cristofascismo, trata-se de um termo que representa a combinação do cristianismo com o fascismo. Em 1970, a teóloga alemã Dorothee Sölle, uma defensora da teologia da libertação, cunhou o termo “cristofascismo” para definir uma postura política que combina cristianismo com fascismo, baseando-se no fato de as relações do partido nazista alemão com as igrejas cristãs haverem contribuído para o desenvolvimento do Terceiro Reich. No tempo presente brasileiro há posturas semelhantes da parte de movimentos de igrejas evangélicas e de suas lideranças que forneceu apoio a Bolsonaro com suas políticas de intolerância e de ódio [2]. 

O cristofascismo está em alta no Brasil. São fiéis guiados por seus líderes apregoando uma religião que contempla a cruz cristã apenas como um talismã mágico e não como o sinal histórico da experiência de um homem pobre que foi violentamente torturado até a morte pelo Império Romano devido à sua pregação em favor da justiça, da partilha dos bens, da igualdade e da fraternidade entre os seres humanos. É importante evidenciar que, historicamente, o fascismo é uma doutrina política ancorada na devoção a um líder mitificado pela manipulação ideológica que busca a unificação de um povo por meio de ideais nacionalistas e militaristas, de forma totalitária, impondo o domínio do líder e de seu grupo partidário, numa autoridade sem limites com poderes totalitários de controle da vida pública e da vida privada como ocorreu na Alemanha nazista e na Itália fascista. Não há diversidade, apenas uniformidade de pensamento e costumes. Para tanto desenvolve uma prática violenta, incitando agressões contra todos seus opositores que ele declara como sendo inimigos do Estado. Consequentemente, o fascismo é o grande apoiador e promotor de violências físicas nas ruas, seja por ações de indivíduos ou de milícias paramilitares [3].

O cristofascismo busca, também, conquistar fiéis pela propagação do medo, ou seja, dissemina-se a existência de supostas conspirações de bandidos, de terroristas, de comunistas. O cristofascismo bolsonarista surgiu, segundo Fábio Py, da aliança entre algumas igrejas evangélicas e os bolsonaristas para a implantação de um governo autoritário, com características neofascistas e ultraliberais. Assim como Hitler, Bolsonaro também participou de eventos promovidos pelas igrejas evangélicas, relacionando-se com seus pastores. Segundo Py, o cristofascismo bolsonarista promove-se por meio de uma teologia política autoritária, baseada no ódio à pluralidade democrática. Esse ódio é salpicado por técnicas governamentais de promoção da discriminação, de ódio aos setores heterodoxos. A artimanha construída pela cúpula evangélica aponta Bolsonaro como messias, servo sofredor, ungido e eleito da nação. Fez isso para reagrupar as forças a fim de manter, a duras chicotadas, a implementação de medidas ultraliberais que hoje entregam à morte os mais vulneráveis, afirma Py [1].

No seu período de governo, Bolsonaro ia a várias celebrações religiosas na Assembleia de Deus, na Igreja Universal, na Igreja Mundial do Poder de Deus, entre outras. Ele frequentou oportunisticamente essas igrejas de forma muito direta e, com isso, tentando amplificar o seu diálogo com a base evangélica. Portanto, Bolsonaro procurou se afirmar como um convertido, e ao mesmo tempo, frequentar uma série de celebrações com o setor evangélico [1]. Apesar de ter feito grande esforço para impedir a volta de Lula ao poder, Bolsonaro perdeu as eleições presidenciais de 2022, mas o bolsonarismo continua vivo na sociedade como comprova a tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023 e, também, a forte participação da extrema direita no Congresso Nacional. Este artigo enfatiza a necessidade de Lula e o PT barrarem o avanço da extrema-direita no Brasil promovendo aliança com forças políticas do centro democrático e mobilizando a sociedade civil organizada para eleger os futuros prefeitos, governadores, presidente da República e parlamentares em todos os níveis comprometidos com o progresso político, econômico, social e ambiental do Brasil.

Para as forças progressistas do Brasil reelegerem o Presidente Lula nas eleições presidenciais de 2026 e obterem maioria parlamentar no Congresso Nacional comprometida com os avanços políticos, econômicos e sociais, as forças progressistas precisam se empenhar, a partir das eleições municipais de 2024, no sentido de constituírem uma frente ampla visando elegerem o máximo de prefeitos e vereadores comprometidos com os avanços políticos, econômicos e sociais do Brasil. Estas são as condições para evitar que, em 2026, os extremistas de direita reconquistem a Presidência da República, ampliem sua participação nos governos estaduais e no Congresso Nacional e coloquem em prática seu nefasto projeto antissocial e antinacional.   

REFERÊNCIAS

  1. PY, Fábio. Pandemia cristofascista. São Paulo: Recriar, 2020. 
  2. SOLLE, Dorothee. Beyond Mere Obedience: Reflections on a Christian Ethic for the Future, Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1970. 
  3.  ALBUQUERQUE, Alexandre Aragão.  Cristofascismo: o que é isso? Disponível no website <https://segundaopiniao.jor.br/cristofascismo-o-que-e-isso-alexandre-aragao-de-albuquerque/>.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DAS PRAIAS NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade de barrar o processo de privatização das praias brasileiras em curso no Congresso Nacional. É importante observar que toda obra situada na Costa Marítima Brasileira e na margem dos rios e lagos até onde sofre influência das marés, localizada na faixa de 33 metros, é considerada Terreno de Marinha. Pela legislação atual, a União, dona dos terrenos de marinha, pode permitir que pessoas e empresas usem e até transmitam as terras aos seus herdeiros. Mas, para isso, esses empreendimentos têm que pagar impostos específicos. O Ministério da Gestão e Inovação (MGI) informou que há 564 mil imóveis registrados em terreno de marinha. O governo arrecadou, em 2023, R$ 1,1 bilhão com as taxas de foro e de ocupação. O MGI estima que o valor poderia ser cinco vezes maior, com um total de quase 3 milhões de construções nas áreas próximas ao mar, mas que não foram oficializadas. Vinte por cento dos valores apurados são repassados para os municípios. No ano de 2022 foram repassados para municípios cerca de 120 milhões de reais. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) é responsável por gerir os terrenos. Este órgão promove a regularização fundiária urbana de assentamentos irregulares.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que transfere a propriedade dos terrenos do litoral brasileiro do domínio da Marinha para estados, municípios e proprietários privados em discussão no Senado prevê a autorização para a venda dos terrenos de marinha a empresas e pessoas que já estejam ocupando a área. Aprovado em fevereiro de 2022 na Câmara dos Deputados, a PEC estava parada na CCJ do Senado desde agosto de 2023. O Senado iniciou a discussão de proposta de emenda à Constituição (PEC) que gerou polêmica, a PEC das Praias, como vem sendo chamada, que passou a ser considerada como um mecanismo para privatizar as áreas à beira-mar, que pertencem à União. Esta PEC exclui o inciso VII do artigo 20 da Constituição, que afirma que os terrenos de Marinha são de propriedade da União, transferindo gratuitamente para os estados e municípios as áreas afetadas ao serviço público estadual e municipal, inclusive as destinadas à utilização por concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Pelo projeto, os lotes deixariam de ser compartilhados, entre o governo e quem os ocupa, e teriam apenas um dono, como um hotel ou resort.  

Não há, no texto da PEC, nenhuma menção explícita à privatização das praias brasileiras. No entanto, uma das consequências resultantes da PEC é justamente a possibilidade de privatizar o acesso às praias. As áreas adjacentes às praias, onde existem construções como casas, hotéis e condomínios, estão sujeitas a regras e impostos justamente por estarem em uma área de marinha, ou seja, uma área pública. Uma dessas regras é a garantia de acesso da população às praias.  O que a PEC das Praias faz é possibilitar que essas áreas deixem de ser públicas, sem influência do Estado. Assim, a PEC propõe que não haja nenhuma garantia de acesso às praias, o que representa, em última instância, a privatização das praias.  A PEC reforça os mecanismos de exclusão e de privatização dessas áreas. A legislação atual oferece a garantia de acesso da população ao ambiente costeiro, à praia. Quando deixa de ser terreno de Marinha e passa a ser uma propriedade como outra qualquer, não há obrigação nenhuma como a servidão de acesso ao mar. Na prática, a PEC das Praias significa fechar o acesso à praia. Mesmo sem a PEC das Praias, há várias praias privatizadas ilegalmente no Brasil como as praias de Angra dos Reis no Rio de Janeiro, já inacessíveis para a população, porque têm residências, resorts e condomínios que bloqueiam o acesso à praia. No Condomínio Laranjeiras, em Paraty, cidade no Estado do Rio de Janeiro, não dá para acessar a praia.

Organizações ambientalistas alertam que a aprovação da PEC das Praias pode comprometer a biodiversidade do litoral brasileiro. Se essas áreas, responsáveis pela absorção de carbono, forem vendidas a empreendimentos privados, a tendência é aumentar a degradação ambiental. E isso vai fragilizar ainda mais comunidades tradicionais que dependem do ecossistema marinho para sobreviver (populações caiçaras, quilombolas, ribeirinhas e povos indígenas). Estudo do MMA, de 2018, revela que há avançado processo erosivo em 40% da costa brasileira. De acordo com o Painel Mar, a erosão será intensificada, causando o chamado estreitamento da costa até o colapso do turismo com a supressão das praias. A supressão das dunas e praias por calçadões e avenida beira-mar durante as últimas décadas acarretou severos impactos tais como a diminuição da área de lazer da praia central e o sombreamento da praia. Não apenas por atentar contra a grande maioria da população brasileira ao restringir seu acesso às praias em consequência de sua  privatização e pelo fato de contribuir para aumentar a degradação ambiental, o povo brasileiro deveria repelir este projeto retrógrado em tramitação no Congresso Nacional. Não à privatização das praias.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

L’EFFONDREMENT DE LA MONDIALISATION CONTEMPORAINE ET L’AVENIR DE L’ÉCONOMIE MONDIALE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que la mondialisation contemporaine se dirige rapidement vers l’effondrement et à proposer de nouvelles orientations pour l’avenir de l’économie mondiale. Il convient de noter qu’à partir de 1980, la mondialisation a entraîné la suppression des barrières tarifaires, des quotas et autres restrictions commerciales, permettant ainsi aux entreprises multinationales d’opérer librement et de transférer leurs investissements vers des zones à main d’œuvre bon marché afin d’augmenter leur rentabilité. L’hypothèse était que cela conduirait à une expansion mondiale, à un développement harmonieux des forces productives et à une croissance des ressources mondiales, ce qui, en réalité, ne s’est pas produit. Les signes de l’effondrement de la mondialisation économique et financière contemporaine apparaissaient déjà dès 2010, lorsque le rapport entre les exportations mondiales et le PIB mondial a chuté d’environ 12 %, une baisse jamais vue depuis les années 1970. Dans la Figure 1, il convient de le noter. que les exportations mondiales ont augmenté de 1870 à 1914, ont diminué entre 1914 et 1945 (entre les guerres mondiales) et ont repris leur croissance de 1945 à 2008. À partir de 2008, les exportations mondiales ont commencé à décliner avec la baisse du rapport entre les exportations mondiales et le PIB mondial.

Figure 1- Ratio entre les exportations totales et le PIB mondial entre 1870 et 2007

Source : https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

La tendance à l’effondrement de la mondialisation économique et financière se manifeste non seulement par la baisse du rapport entre les exportations mondiales et le PIB mondial, mais également par la baisse du le taux de rentabilité mondial, comme le montre la Figure 2.

Figure 2- Taux de profit moyen des pays du G20 (%)

Source : https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, économiste, co-éditeur, entre autres, de “The Great Recession: a Marxist View”, “The Long Depression” et “Marx 200: a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” et auteur du blog “The Next Recession” (https://thenextrecession.wordpress.com), affirme-t-il dans son article Acabou o impulso de globalização? (C’est fini la dynamique de la mondialisation ?), disponible sur le site <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, que la dernière vague de mondialisation a commencé à s’affaiblir peu avant le début des années 2000, lorsque la rentabilité mondiale a commencé à décliner, comme le montre la Figure 2 ci-dessus pour le taux de profit moyen des pays du G20, composé des pays de l’Union européenne, en plus des pays suivants : Argentine, Australie, Brésil, Canada, Chine, France, Allemagne, Inde, Indonésie, Italie, Japon, République de Corée, Mexique, Russie, Arabie Saoudite, Afrique du Sud, Turquie, Royaume-Uni et États-Unis.

Michael Roberts déclare dans son article Acabou o impulso de globalização? (C’est fini la dynamique de la mondialisation ?) que, dans les années 1990, le commerce mondial a augmenté de 6,2 % par an, les investissements directs étrangers (IDE) ont augmenté de 15,3 % par an et le PIB mondial a augmenté de 3,8 % par an. Mais pendant la longue dépression des années 2010, le commerce n’a augmenté que de 2,7 % par an, soit un rythme plus lent que le PIB mondial de 3,1 %, tandis que les IDE n’ont augmenté que de 0,8 % par an. Le résultat de la mondialisation a été la destruction de toutes les industries nationales précédemment établies et, à la place de l’ancienne autosuffisance locale et nationale, une interdépendance entre les nations a été établie. L’interdépendance entre les nations, qui fut l’une des forces de la mondialisation contemporaine, constitue désormais son contraire en contribuant à sa fin.

Les signes de l’effondrement de la mondialisation contemporaine se manifestent également dans la tendance à la baisse du taux de profit mondial (Figure 3), la baisse du taux de profit aux États-Unis (Figure 4) et la baisse du taux de croissance du produit brut mondial (Figure 5).

La Figure 3 montre le taux de profit mondial de 1869 à 2007, avec une nette tendance à la baisse de la croissance.

Figure 3- Taux de profit mondial

Source : <https://contrapoder.net/artigo/a-taxa-e-a-massa-de-lucros/>.

Dans la Figure 3, on peut clairement voir la chute brutale du taux de profit mondial entre 1965 et 1983, lorsqu’il y a eu une légère reprise du taux de profit après l’adoption du modèle néolibéral au niveau mondial de 1983 à 1995. De 1995 à 2007, la chute du taux de profit mondial souligne la menace d’une crise survenue en 2008 et d’une dépression qui n’a pas évolué parce que les gouvernements ont agi pour éviter la débâcle du système capitaliste mondial.

La Figure 4 présente le taux de profit aux États-Unis, dont la tendance à la baisse de 1946 à 2012 est similaire à la tendance à la baisse du taux de profit mondial présentée dans la figure 3.

Figure 4- Taux de profit aux États-Unis

Source: <https://blogdaboitempo.com.br/2017/01/26/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i/>.

La Figure 5 présente le taux de croissance réel du produit mondial brut et des produits financiers (dérivés). Il montre une tendance à la baisse de la croissance du produit mondial brut de 1961 à 2007.

Figure 5- Taux de croissance réels du produit brut mondial et des produits financiers (dérivés)

Source : BEINSTEIN, Jorge. Visages de la crise : Réflexions sur l’effondrement de la civilisation bourgeoise. Disponible sur le site <https://www.marxists.org/portugues/beinstein/2008/10/31.htm>, 2008.

La Figure 3 montre l’évolution du taux de profit du système capitaliste mondial de 1869 à 2007, indiquant son déclin au cours de cette période. Si l’on considère l’évolution du taux de profit du système capitaliste mondial depuis la période 1869-1947 et que la tendance à la baisse de ce taux de profit au cours de la période la plus récente, 1947-2007, est maintenue, le taux de profit du système capitaliste mondial serait tendent vers une valeur égale à zéro en 2037. La Figure 4 montre l’évolution du taux de profit aux États-Unis de 1946 à 2012, montrant sa baisse sur cette période. Si la tendance à la baisse de ce taux de profit se poursuit dans les années à venir, le taux de profit aux États-Unis atteindra zéro en 2043. La Figure 5 montre l’évolution du produit mondial brut de 1961 à 2007, montrant sa baisse au cours de cette période. Si la tendance à la baisse du taux de croissance du Produit Mondial Brut se poursuit dans les années à venir, ce taux atteindra zéro en 2053. Ces estimations ont été obtenues sur la base de la méthode statistique des moindres carrés.

On conclut de ce qui précède que le système capitaliste mondial deviendra non viable au milieu du 21e siècle (2037, 2043 ou 2053), lorsque le processus d’accumulation du capital cessera et que les taux de profit et de croissance de l’économie mondiale atteindront zéro. La tendance à la baisse des taux de profit dans le système capitaliste mondial montre le caractère historique et transitoire du mode de production capitaliste et le conflit qui s’installe avec les possibilités de poursuivre son développement. Ainsi, les fondements de la théorie de Marx présentée dans son ouvrage Le Capital se trouvent confirmés. Karl Marx prédisait que le taux de profit aurait tendance à baisser à long terme, décennie après décennie. Non seulement il y aura des hauts et des bas dans chaque cycle d’expansion et de récession, mais il y aura également une tendance à la baisse à long terme, rendant chaque boom plus court et chaque krach plus profond.

On peut dire que la mondialisation économique et financière et le libre-échange ont apporté des bénéfices à peu d’entreprises, à peu de pays et à leurs populations. Les sociétés transnationales ont déplacé leurs activités vers des zones où la main d’œuvre était moins chère et ont adopté de nouvelles technologies nécessitant moins de main d’œuvre dans la lutte pour la rentabilité. Au lieu d’un développement harmonieux et équitable, la mondialisation contemporaine a accru les inégalités de richesse et de revenus, tant entre les nations qu’au sein de celles-ci. Dans le cadre de la libre circulation des capitaux appartenant aux sociétés transnationales, ainsi que du libre-échange sans droits de douane ni restrictions, les grands capitaux les plus efficaces ont triomphé aux dépens des plus faibles et des plus inefficaces. En conséquence, les travailleurs de ces derniers secteurs ont également été touchés. Avec l’effondrement de la mondialisation, il est peu probable que le capitalisme retrouve un nouveau souffle fondé sur une rentabilité croissante et durable. Il est peu probable que le capitalisme revienne à la rentabilité passée étant donné la perspective d’une crise actuelle qui s’aggrave et peut-être de nouvelles guerres à l’avenir. L’effondrement de la mondialisation économique et financière est inévitable.

Face à l’échec et à l’effondrement de la mondialisation contemporaine, il est urgent de construire une nouvelle mondialisation avec un keynésianisme mondial et un gouvernement mondial pour ordonner l’économie mondiale. La politique économique keynésienne adoptée dans chaque pays et au niveau mondial et l’existence d’un gouvernement mondial sont les solutions pour faire face à l’effondrement de la mondialisation contemporaine et éliminer le chaos qui caractérise l’économie mondiale. John Maynard Keynes était le plus grand représentant de la pensée économique libérale néoclassique liée à l’école néoclassique suédoise qui, avec ses œuvres, a promu une révolution dans la doctrine économique, opposant principalement la pensée marxiste et la pensée libérale classique. Son ouvrage principal était La Théorie générale de l’emploi, de l’intérêt et de la monnaie, publié en 1936. La pensée économique de Keynes défend l’État en tant qu’agent actif contre la récession et le chômage élevé. En exigeant un gouvernement plus large en tant que décideur de l’économie d’un pays, le keynésianisme s’est positionné contre la pensée libérale classique et les autres écoles de pensée libérale néoclassique qui défendent le plus petit État possible.

Keynes pensait que le capitalisme pouvait surmonter ses problèmes structurels en tant que système économique à condition que des réformes significatives soient apportées à l’économie de chaque pays comme il le proposait, étant donné que le capitalisme libéral, qui a dominé l’économie mondiale jusqu’en 1945, s’était révélé incapable de maintenir le plein emploi et assurer la stabilité économique. Keynes a préconisé une intervention modérée de l’État pour parvenir à la stabilité économique et garantir le plein emploi dans l’économie d’un pays. Keynes a déclaré qu’il appartient à l’État d’encourager l’augmentation des moyens de production et la bonne rémunération des détenteurs de capitaux. La pensée keynésienne a laissé certaines tendances qui prédominent encore aujourd’hui dans le système économique actuel. Parmi les principaux, l’utilisation de modèles macroéconomiques, un interventionnisme modéré de l’État et l’utilisation des mathématiques en science économique.

Le libéralisme néoclassique a réussi avec le keynésianisme après la Seconde Guerre mondiale lorsqu’il a contribué de manière décisive au développement économique de la plupart des pays du monde entre 1945 et 1965, ce que l’on appelle « l’âge d’or ». Il convient de noter que dans les « années glorieuses », des taux uniques de croissance économique et de création d’emplois et de revenus ont été enregistrés dans l’économie mondiale et que la combinaison de la croissance économique avec une main-d’œuvre pleinement employée, avec des salaires raisonnables et protégée par l’État-providence surtout dans les pays d’Europe occidentale. Le keynésianisme a cessé d’être efficace dans les années 1970 avec la chute de la croissance économique mondiale après les « années glorieuses » (1945/1965), car il n’a pas réussi à résoudre les deux crises pétrolières et la crise de la dette d’une grande partie des pays du monde qui sont devenus insolvables auprès des banques internationales.

Le keynésianisme a été abandonné comme pensée économique dominante dans les années 1980 et remplacé par la pensée économique néolibérale qui s’oppose à la pensée économique marxiste et à la pensée libérale keynésienne néoclassique en matière de protection sociale et propose la restauration de la pensée économique libérale classique basée sur une vision de l’économie conservatrice qui vise à réduire la participation de l’État dans l’économie autant que possible, non seulement au niveau national, mais aussi au niveau mondial, dont l’attente était de favoriser la reprise de la croissance du taux de profit global du système capitaliste. Cependant, le néolibéralisme qui a remplacé le keynésianisme a également échoué parce que le taux de profit mondial et la croissance économique mondiale ont continué à décliner, ce qui n’a pas empêché l’éclatement de la crise mondiale de 2008 et le chaos qui s’est installé dans l’économie mondiale grâce à l’absence de régulation économique et financière mondiale.

Face à l’échec du néolibéralisme et à son incapacité à faire face à la crise mondiale du capitalisme, le keynésianisme pourrait être la solution à condition qu’il soit appliqué dans chaque pays et à l’échelle mondiale, c’est-à-dire qu’il opère dans la planification économique, et pas seulement au niveau national pour obtenir la stabilité économique et le plein emploi des facteurs dans chaque pays, mais aussi au niveau mondial pour éliminer le chaos économique mondial qui prévaut actuellement avec le néolibéralisme. Le keynésianisme devrait également être adopté au niveau planétaire pour garantir la stabilité économique et le plein emploi des facteurs à l’échelle mondiale. Avec le keynésianisme dans chaque pays et à l’échelle mondiale, il y aurait une coordination des politiques économiques keynésiennes au niveau planétaire qui ne pourrait être réalisée qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial. Ce serait le moyen d’obtenir la stabilité de l’économie mondiale et d’éliminer le chaos qui caractérise la mondialisation néolibérale qui domine actuellement dans le monde entier.

Il est important de noter que le capitalisme est un système complexe, dynamique, adaptatif et non linéaire car il comporte un grand nombre d’éléments ou d’agents qui interagissent les uns avec les autres, formant une ou plusieurs structures issues des interactions entre ces agents. La théorie du chaos explique le fonctionnement de systèmes complexes et dynamiques tels que le système capitaliste. Selon la théorie du chaos, les systèmes entrent dans un état de chaos lorsque des fluctuations qui étaient jusque-là corrigées par des « feedbacks » ou des feedbacks auto-stabilisants deviennent incontrôlables. La trajectoire du développement devient non linéaire : les tendances dominantes s’effondrent et à leur place émergent diverses évolutions complexes. Le chaos est rarement une situation prolongée. Dans la plupart des cas, il s’agit simplement d’une période de transition entre des états plus stables.

Pour gérer un système complexe comme le capitalisme, il est nécessaire de créer des mécanismes de « rétroaction » et de contrôle par le gouvernement mondial pour assurer la stabilité du système économique. Avec l’adoption du keynésianisme mondial dans la planification de l’économie mondiale et l’existence d’un gouvernement mondial, il serait possible d’éliminer le chaos générateur d’incertitudes qui caractérise l’économie mondiale, soumise à une instabilité constante. L’élimination du chaos ou l’atténuation de l’instabilité et de l’incertitude, avec leurs turbulences et leurs risques dans l’économie mondiale, ne seront possibles qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial qui agirait pour assurer la coordination entre les politiques économiques keynésiennes adoptées dans chaque pays et au niveau mondial. Pour être efficace, le gouvernement mondial devrait adopter le processus de planification économique keynésien qui contribue à éliminer l’instabilité et l’incertitude, avec leurs turbulences et leurs risques.

L’adoption de ces mesures avec un keynésianisme mondial nécessite l’existence d’un gouvernement mondial pour coordonner l’expansion de l’économie dans chaque pays et au niveau mondial. L’humanité ne progressera vers une intégration économique efficace, dans un premier temps, et une intégration politique, plus tard, entre les pays que tant qu’il y aura un gouvernement mondial et qu’un État de droit mondialisé fonctionnera également. Il est nécessaire d’avoir un Gouvernement démocratique mondial qui peut être réalisé en restructurant l’ONU, en transformant l’Assemblée générale de l’ONU en un Parlement mondial et en transformant la Cour internationale de La Haye restructurée en Cour suprême mondiale pour que le système international fonctionne au bénéfice de toutes les nations, promouvoir l’ordre de l’économie mondiale et de l’environnement mondial, mettre fin aux guerres et assurer la paix mondiale. Le droit international ne sera respecté et appliqué efficacement qu’avec l’existence d’un système international fonctionnant avec un Gouvernement démocratique mondial, un Parlement mondial et une Cour suprême mondiale.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

THE COLLAPSE OF CONTEMPORARY GLOBALIZATION AND THE FUTURE OF THE WORLD ECONOMY

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that contemporary globalization is rapidly heading towards collapse and to propose new directions for the future of the world economy. It is worth noting that globalization from 1980 onwards meant the breaking of tariff barriers, quotas and other commercial restrictions, thus allowing multinational companies to operate freely and transfer their investments to areas with cheap labor in order to increase their profitability. The assumption was that this would lead to global expansion and the harmonious development of the productive forces and the growth of the world’s resources, which, in fact, did not happen. Signs of the collapse of contemporary economic and financial globalization were already appearing as of 2010 when the relationship between world exports and Gross World Product (world GDP) fell by around 12%, a decline not seen since the 1970s. In Figure 1, It should be noted that world exports grew from 1870 to 1914, declined between 1914 and 1945 (between the world wars) and resumed growth from 1945 to 2008. From 2008 onwards, world exports began to decline with the drop in the ratio between exports world and Gross World Product.

Figure 1- Ratio between total exports and Gross World Product between 1870 and 2007

Source: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

The tendency for economic and financial globalization to collapse is demonstrated not only by the drop in the relationship between world exports and Gross World Product, but also as a result of the drop in the global profitability rate as shown in Figure 2.

Figure 2- Average profit rate of G20 countries (%)

Source: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, economist, co-editor, among other books, of “The Great Recession: a Marxist View”, “The Long Depression” and “Marx 200: a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” and author of the blog “The Next Recession” (https://thenextrecession.wordpress.com), he states in his article Acabou o impulso de globalização? (Is the globalization impulse over?), available on the website <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, that the last wave of globalization began to wane shortly before the beginning of the 2000s, when global profitability began to decline, as shown in Figure 2 above for the average profit rate of the G20 countries, which is made up of countries of the European Union, in addition to the following countries: Argentina, Australia, Brazil, Canada, China, France, Germany, India, Indonesia, Italy, Japan, Republic of Korea, Mexico, Russia, Saudi Arabia, South Africa, Turkey, United Kingdom and United States.

Michael Roberts states in his article Acabou o impulso de globalização? (Is the globalization drive over?) that, in the 1990s, world trade grew by 6.2% per year, foreign direct investment (FDI) increased by 15.3% per year and global GDP increased by 3.8% per year. But, in the long depression of the 2010s, trade grew just 2.7% per year, slower than global GDP at 3.1%, while FDI increased just 0.8% per year. The result of globalization has been the destruction of all previously established national industries and in the place of former local and national self-sufficiency interdependence between nations has been established. The interdependence between nations, which was one of the strengths of contemporary globalization, now constitutes its opposite by contributing to its end.

Signs of the collapse of contemporary globalization are also manifested in the downward trend in the world profit rate (Figure 3), the fall in the profit rate in the United States (Figure 4) and the fall in the growth rate of World Product Gross (Figure 5).

Figure 3 shows the world profit rate from 1869 to 2007 with a clear downward trend in growth.

Figure 3- World profit rate

Source: <https://contrapoder.net/artigo/a-taxa-e-a-massa-de-lucros/>.

In Figure 3, one can clearly see the precipitous drop in the world profit rate from 1965 to 1983, when there was a small recovery in the profit rate after the adoption of the neoliberal model at the global level from 1983 to 1995. However, from 1995 to 2007, The fall in the global profit rate points to the threat of a crisis that occurred in 2008 and a depression that did not evolve because governments acted to avoid the debacle of the global capitalist system.

Figure 4 presents the profit rate in the United States, whose downward trend from 1946 to 2012 is similar to the downward trend in the world profit rate shown in Figure 3.

Figure 4- Profit rate in the United States

Source: <https://blogdaboitempo.com.br/2017/01/26/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i/>.

Figure 5 presents the real growth rate of Gross World Product and Financial Products (derivatives). It shows a downward trend in the growth of Gross World Product from 1961 to 2007.

Figure 5- Real growth rates of Gross World Product and Financial Products (derivatives)

Source: BEINSTEIN, Jorge. Faces of the crisis: Reflections on the collapse of bourgeois civilization. Available on the website <https://www.marxists.org/portugues/beinstein/2008/10/31.htm>, 2008.

Figure 3 shows the evolution of the profit rate of the world capitalist system from 1869 to 2007, indicating its decline in this period. If the evolution of the profit rate of the world capitalist system from the period 1869- 1947 is considered and the downward trend of this profit rate in the most recent period, 1947- 2007, is maintained, the profit rate of the world capitalist system would tend towards value equal to zero in 2037. Figure 4 shows the evolution of the profit rate in the United States from 1946 to 2012, showing its decline in this period. If the downward trend of this profit rate continues in the coming years, the profit rate in the United States will reach zero in 2043. Figure 5 shows the evolution of the Gross World Product from 1961 to 2007, indicating its decline in this period . If the downward trend in the growth rate of Gross World Product continues in the coming years, this rate will reach zero in 2053. These estimates were obtained based on the statistical least squares method.

It is concluded, from the above, that the world capitalist system would become unviable in the middle of the 21st century (2037, 2043 or 2053) when the process of capital accumulation will cease with the global profit and growth rates of the world economy-reaching zero. The decreasing trend in profit rates in the world capitalist system shows the historical, transitory character of the capitalist mode of production and the conflict that is established with the possibilities of continuing its development. Thus, the foundations of Marx’s theory presented in his work Capital are being confirmed. Karl Marx predicted that the rate of profit will tend to fall in the long run, decade after decade. Not only will there be ups and downs in each boom and bust cycle, but there will also be a long-term downward trend, making each boom shorter and each crash deeper.

It can be said that economic and financial globalization and free trade have brought gains to few companies and few countries and their populations. Transnational corporations moved their activities to areas where labor was cheaper and adopted new technologies that require less labor in the fight for profitability. Instead of harmonious and egalitarian development, contemporary globalization has increased inequality of wealth and income, both between and within nations. Under the free movement of capital belonging to transnational companies, as well as under free trade without tariffs and restrictions, the most efficient large capitals triumphed at the expense of the weakest and most inefficient. As a result, workers in these latter sectors were also affected. With the collapse of globalization, it is unlikely that capitalism will gain a new lease of life based on growing and sustained profitability. It is unlikely that capitalism will return to past profitability given the prospect of a deepening current crisis and perhaps more wars in the future. The collapse of economic and financial globalization is inevitable.

Faced with the failure and collapse of contemporary globalization, it is urgent to build a new globalization with global Keynesianism and world government to order the world economy. The Keynesian economic policy adopted in each country and globally and the existence of a world government are the solutions to face the collapse of contemporary globalization and eliminate the chaos that characterizes the world economy. John Maynard Keynes was the greatest exponent of neoclassical liberal economic thought linked to the Swedish Neoclassical School who, with his works, promoted a revolution in economic doctrine, opposing, mainly, Marxist thought and classical liberal thought. His main work was The General Theory of Employment, Interest and Money, released in 1936. Keynes’ economic thought defends the State as an active agent against recession and high unemployment. By demanding a larger government as a decision-maker in a country’s economy, Keynesianism positioned itself against classical liberal thought and other schools of neoclassical liberal thought that defend the smallest state possible.

Keynes believed that capitalism could overcome its structural problems as an economic system as long as significant reforms were made to the economy of each country as he proposed, given that liberal capitalism, which dominated the world economy until 1945, had proven incapable of maintaining full employment and ensure economic stability. Keynes advocated moderate state intervention to achieve economic stability and ensure full employment in a country’s economy. Keynes stated that it is up to the State to encourage the increase in the means of production and the good remuneration of capital holders. Keynesian thinking left some trends that still prevail today in the current economic system. Among the main ones, the use of macroeconomic models, moderate state interventionism and the use of mathematics in economic science.

Neoclassical liberalism was successful with Keynesianism after the Second World War when it contributed decisively to the economic development of most countries in the world from 1945 to 1965, which is called the “golden age”. It is worth noting that in the “glorious years”, unique rates of economic growth and generation of employment and income were recorded in the world economy and the combination of economic growth with a fully employed workforce, with reasonable wages and protected by the welfare state being especially in Western European countries. Keynesianism ceased to be effective in the 1970s with the fall in world economic growth after the so-called “glorious years” (1945/1965), because it was unable to resolve the two oil crises and the debt crisis of a large part of the countries in the world that became insolvent with international banks.

Keynesianism was abandoned as dominant economic thought in the 1980s and replaced by neoliberal economic thought that opposes Marxist economic thought and neoclassical liberal Keynesian social welfare thought and proposes the restoration of classical liberal economic thought based on a vision conservative economy that aims to reduce the State’s participation in the economy as much as possible, not only at the national level, but also at the global level, whose expectation was to promote the resumption of growth in the global profit rate of the capitalist system. However, the neoliberalism that replaced Keynesianism also failed because the global profit rate and global economic growth continued to decline, not preventing the outbreak of the 2008 global crisis and chaos was established in the world economy thanks to the absence of economic and global finance regulation.

Faced with the failure of neoliberalism and its inability to deal with the global crisis of capitalism, Keynesianism could be the solution as long as it was applied in each country and globally, that is, it would operate in economic planning, not just at the national level to obtain economic stability and full employment of factors in each country, but also at a global level to eliminate the global economic chaos that currently prevails with neoliberalism. Keynesianism should also be adopted at a planetary level to ensure economic stability and full employment of factors globally. With Keynesianism in each country and globally, there would be the coordination of Keynesian economic policies at a planetary level that could only be accomplished with the existence of a world government. This would be the way to obtain stability in the world economy to eliminate the chaos that characterizes the neoliberal globalization currently dominant throughout the world.

It is important to note that capitalism is a complex, dynamic, adaptive and non-linear system because it has large numbers of elements or agents that interact with each other, forming one or more structures that originate from interactions between such agents. Chaos Theory explains the functioning of complex and dynamic systems such as the capitalist system. According to Chaos Theory, systems enter a state of chaos when fluctuations that were, until then, corrected by “feedback” or self-stabilizing feedbacks become out of control. The trajectory of development becomes non-linear: prevailing trends collapse and in their place various complex developments emerge. Rarely is chaos a prolonged condition. In most cases, it is just a transitional period between more stable states.

To manage a complex system like capitalism, it is necessary to create “feedback” and control mechanisms by the world government to ensure the stability of the economic system. With global Keynesianism adopted in planning the world economy and the existence of a world government, it would be possible to eliminate the uncertainty-generating chaos that characterizes the world economy, subject to constant instability. The elimination of chaos or mitigation of instability and uncertainty with its turbulence and risks in the world economy will only be achieved with the existence of a world government that would act to ensure coordination between Keynesian economic policies adopted in each country and globally. To be effective, the world government should adopt the Keynesian economic planning process that contributes to eliminating instability and uncertainty with its turbulence and risks.

The adoption of these measures with global Keynesianism requires the existence of a world government to coordinate the expansion of the economy in each country and globally. Humanity will only move towards effective economic integration, initially, and political integration, later, between countries as long as there is a world government and a globalized rule of law also operates. There is a need for a world democratic government which can be realized by restructuring the UN, transforming the UN General Assembly into a world parliament and transforming the Hague International Court restructured into the World Supreme Court to make the international system work in benefit all nations, promote the ordering of the world economy and the global environment, end wars and ensure world peace. International Law will only be respected and applied effectively with the existence of an international system that operates with a global democratic Government, a global Parliament and a global Supreme Court.

The ordering of society at a global level could be achieved with the constitution of a world government that would aim not only at the economic ordering and international relations at a global level, but, above all, at creating the conditions to face the challenges of humanity in the 21st Century. To make a world government viable, it is necessary that, initially, a World Forum for Peace and the Progress of Humanity be constituted by Civil Society organizations and governments from all countries in the world. In this Forum, the objectives and strategies of a global movement for the constitution of a world government and a world parliament would be debated and established, aiming to raise awareness among the world population and national governments in order to make a world of peace and progress for all humanity a reality. This would be the path that would make it possible to transform the utopia of world government into reality. Without the constitution of a democratic world government, the scenario that unfolds for the future will be one of economic, political and social disorder and the war of all against all generated by the collapse of contemporary globalization.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).