O FRACASSO DO BRASIL NA CONSTRUÇÃO DE SEU PROGRESSO POLÍTICO, ECONÔMICO E SOCIAL AO LONGO DA HISTÓRIA

Fernando Alcoforado*

Este artigo apresenta os fatores que contribuíram para o fracasso do Brasil para alcançar elevados níveis de desenvolvimento político, econômico e social ao longo de sua história.  Este fracasso ocorreu no período colonial (1500 a 1821) e durante o Império (1822 a 1889) e a República (após 1889) comprometendo seu desenvolvimento político, econômico e social. O latifúndio implantado durante o período colonial ainda permanece no Brasil. O esforço de industrialização do País foi comprometido com a internacionalização da economia brasileira a partir de 1955 e a adoção do neoliberalismo a partir de 1990. O Brasil que era dependente de Portugal passou a ter sua dependência em relação à Inglaterra e, depois, pela dos Estados Unidos, do sistema financeiro internacional e dos capitais externos. A economia brasileira teve um avanço célere na desnacionalização com a crescente penetração do capital estrangeiro e foram agravados os problemas sociais da nação brasileira na era contemporânea.

O Brasil no período colonial (1500 a 1821)

De 1500 a 1821, no período colonial, o Brasil centrou sua atividade econômica na produção de produtos primários para exportação. Foi este processo que consolidou, no Brasil Colônia, o latifúndio, isto é, a grande propriedade rural, a monocultura de exportação, a escravidão, a vinculação dependente do país em relação ao exterior e suas lamentáveis consequências. No Brasil, prosperou a colônia de exploração de Portugal ao invés da colônia de povoamento como a que ocorreu nos Estados Unidos caracterizada pela existência da pequena e média propriedade dedicada ao autoconsumo e /ou ao mercado interno. Pode-se afirmar que a implantação de uma colônia de exploração ao invés de uma colônia de povoamento foi um dos fatores que contribuiu para o atraso econômico do Brasil ao longo de sua história.  Para manter o Brasil atrasado economicamente e culturalmente, durante o período colonial, Portugal evitou implantar universidades no País que só ocorreu tardiamente, no século XVIII, além de ter feito a abertura dos portos em 1808 que favoreceu os interesses da Grã-Bretanha aprofundando sua dependência em relação ao exterior.

O Brasil durante o Império (1822 a 1889)

A Independência do Brasil em 1822 foi uma falsa independência porque continuou subordinado a Portugal, além de ter sido uma “independência sem revolução” porque não houve mudanças na base econômica da nação. O Estado que nasce da Independência do Brasil mantém o execrável latifúndio e intensifica a não menos execrável escravidão fazendo desta o suporte da restauração que realiza quanto às estruturas econômicas herdadas da Colônia. Além disso, o Brasil pagou pesada indenização aos cofres portugueses pelo fato de Portugal ter concedido a Independência do Brasil. A Independência do Brasil diferiu da experiência dos demais países das Américas porque não apresentou as características de um típico processo revolucionário nacional-libertador. O nativismo revolucionário, sob a influência dos ideais do liberalismo e das grandes revoluções de fins do século XVIII cedeu terreno no Brasil à lógica de mudar conservando os privilégios que prevalece até hoje.  O principal fato deplorável da Independência do Brasil é o de que ela não resultou da luta do povo brasileiro, mas sim da vontade do Imperador D. Pedro I.  Lamentavelmente, a Independência do Brasil não levou à abolição da escravidão que beneficiaria o principal segmento social que habitava o país, os africanos escravizados.

D. Pedro I autorizou enormes gastos com a Guerra da Cisplatina que ocorreu de 1825 a 1828, entre Brasil e Argentina, pela posse da Província de Cisplatina, atual Uruguai.  O dinheiro gasto nos combates desequilibrou bastante a economia brasileira, já desfalcada com o pagamento a Portugal pelo reconhecimento da Independência do Brasil. O desfecho desfavorável ao Brasil com a Guerra da Cisplatina que desejava que o Uruguai continuasse integrado ao Império do Brasil agravou a crise política no País e foi um motivo a mais para a insatisfação dos brasileiros em relação ao Imperador D. Pedro I que abdicou ao trono em 7 de abril de 1831 depois do assassinato do jornalista Libero Badaró, grande crítico do Império do Brasil, que fez com que ficasse precária a sustentação política do Imperador. A saída de D. Pedro I do governo imperial representou uma nova fase para a história política brasileira. Não tendo idade para assumir o trono, seu filho, D. Pedro II, deveria aguardar sua maioridade para tornar-se imperador. Para solucionar este problema, para governar o Brasil foi eleita uma Regência Provisória e posteriormente, uma Regência Trina Permanente. Tinha início um conturbado período, em que a unidade territorial do País e a autoridade central foram questionadas e postas à prova por motins, revoltas e rebeliões em todo o Brasil. No ano de 1840, com apenas quinze anos de idade, Dom Pedro II foi coroado Imperador do Brasil. Deste momento em diante, ele passaria a ser a mais importante figura política do País por praticamente cinco décadas. 

Durante o Império, o Brasil se envolveu em guerra contra o Paraguai que foi o maior conflito armado internacional ocorrido entre os anos de 1864 e 1870 na América do Sul.  O Brasil, a Argentina e o Uruguai firmaram o acordo militar chamado de Tríplice Aliança que derrotou o Paraguai e dizimou metade de sua população. Com relação ao Brasil, a guerra custou milhares de vidas (60 mil) e afetou bastante a economia, sendo necessário tomar vários empréstimos da Inglaterra para manter o equilíbrio financeiro do país. A Inglaterra não participou diretamente da guerra, mas foi o único país a lucrar com ela, porque ampliou seus mercados e o Brasil aumentou sua dívida com o Reino Unido. Alcançando seu auge entre 1850 e 1870, o regime imperial entrou em declínio posteriormente com o desenrolar de vários eventos como o fim do tráfico negreiro e do escravismo e as contendas com militares e religiosos que abalaram a monarquia. O primeiro golpe contundente contra D. Pedro II aconteceu no ano de 1888, quando a princesa Isabel autorizou a libertação de todos os escravos por imposição britânica. A partir daí, o governo perdeu o apoio dos escravocratas, último pilar que sustentava a existência do poder imperial. No ano seguinte, o acirramento nas relações entre o Exército e o Império foi suficiente para que um golpe militar derrubasse a Monarquia e proclamasse a República no Brasil.

O Brasil durante a República Velha (1889 a 1929)

O principal fato deplorável da Proclamação da República é o de que ela não resultou da luta do povo brasileiro e sim de um golpe de estado patrocinado pelo Exército com o apoio das oligarquias econômicas que dominavam o Brasil. Repetiu-se com a Proclamação da República o que ocorreu com a Independência do Brasil que não resultou da luta do povo brasileiro, mas sim da vontade do Imperador D. Pedro I. A República que nasce do golpe de estado mantém o modelo econômico agrário-exportador que privilegia os interesses das oligarquias desde 1500 com o execrável latifúndio herdado do período colonial. Deplorável, também, foi a manutenção da subordinação do País em relação à Inglaterra desde 1810.

A República Velha, ou Primeira República, é o nome dado ao período compreendido entre a Proclamação da República, em 1889, e o seu fim com a eclosão da Revolução de 1930. A República Velha teve dois momentos: a República da Espada e a República Oligárquica. A República da Espada abrange os governos dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Foi durante a República da Espada que foi outorgada a Constituição que iria nortear as ações institucionais durante a República Velha. Este período foi marcado por crises econômicas, como a do Encilhamento, e por conflitos como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada. A República Oligárquica foi marcada pelo controle político exercido sobre o governo federal pela oligarquia cafeeira paulista e pela elite rural mineira, na conhecida “política do café com leite”. Foi nesse período ainda que se desenvolveu mais fortemente o coronelismo, garantindo poder político regional às diversas elites locais do País. Durante este período houve vários conflitos sociais como a Guerra de Canudos, a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, a Guerra do Contestado, o Tenentismo, a Coluna Prestes e o Cangaço. Este período marca também a ascensão e queda do poder econômico dos fazendeiros paulistas baseada na produção do café para a exportação. Na República Velha foi mantida, também, a subordinação do País em relação à Inglaterra que ocorreu desde o Império a partir de 1810.

O modelo econômico agrário-exportador, que foi adotado do período colonial a partir de 1500 até 1930, tinha como principais interessados na sua manutenção a classe de latifundiários e setores agroexportadores. A crise econômica mundial que atingiu profundamente a produção cafeeira em 1929 foi um dos fatores que levaram à queda da República Velha que foi nefasta para o Brasil porque manteve o modelo agrário-exportador que se estruturou com base no latifúndio desde 1500. Deplorável, também, foi o exercício do poder de forma pseudodemocrática pelas oligarquias que dominavam o Brasil que contribuiu para a eclosão da crise política resultante da eleição fraudulenta do sucessor do então presidente Washington Luís que foi outro fator que redundou na denominada Revolução de 30 e na ascensão ao poder de Getúlio Vargas.

O Brasil durante a Era Vargas (1930 a 1945)

Quando Getúlio Vargas ascende ao poder, inicia o período de industrialização no Brasil. O modelo econômico nacional desenvolvimentista adotado pelo governo Vargas promoveu o desenvolvimento do Brasil com a política de substituição de importações apoiada, fundamentalmente, em investimentos governamentais, especialmente em infraestrutura, em investimentos de empresas estatais e investimentos de capitais privados nacionais.  Vargas baseou sua administração nos preceitos do populismo, nacionalismo e trabalhismo. A política econômica passou a valorizar o mercado interno que favorecia o crescimento industrial e, consequentemente, o processo de urbanização. A modernização do Brasil encetada pelo governo Vargas não levou, entretanto, à realização de mudanças na estrutura agrária que continuou dominada pelo latifúndio. A Era Vargas marca, portanto, a mudança dos rumos da República, com o poder político do País sendo compartilhado entre os grandes proprietários de terra e empresários industriais.

Getúlio Vargas, que governou o Brasil de 1930 a 1945, instituiu a ditadura do Estado Novo em 1937 após a eclosão do movimento revolucionário promovido pelos comunistas em 1935 que foi esmagado pelo governo federal. À medida que se tornava claro o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, crescia a rejeição ao governo de Getúlio Vargas que se viu forçado por pressões de forças políticas democráticas a conceder anistia para os presos políticos, a permitir a liberdade de organização partidária, convocar uma nova Assembleia Nacional Constituinte e marcar novas eleições. No dia 29 de outubro de 1945, por pressão do governo dos Estados Unidos, militares invadiram a sede do governo, o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, e forçaram a renúncia do presidente Vargas. Consolidava-se, assim, a queda do Estado Novo. A deposição de Vargas ocorreu não apenas porque a ditadura do Estado Novo era incompatível com os novos tempos de democratização do mundo após a 2ª Guerra Mundial, mas também, para atrelar o Brasil aos interesses dos Estados Unidos que aconteceu a partir do governo do general Eurico Gaspar Dutra.

O Brasil durante a República democrática (1946 a 1964)

Após a deposição de Getúlio Vargas, o general Eurico Dutra foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto. Internamente, teve como primeira grande ação, a convocação da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou as leis a serem integradas a uma nova Carta Magna. Oficializada em 1946, a nova Constituição brasileira determinava a autonomia entre os três poderes e a realização de eleições diretas para os cargos executivos e legislativos estaduais, municipais e federais. Na economia, as reservas cambiais do país foram diminuindo, a indústria nacional desacelerou e a dívida externa voltou a crescer tornando o País cada vez mais vulnerável economicamente. O presidente Dutra que governou o Brasil de 1946 a 1950 vivenciou as tensões e problemas que marcaram o desenvolvimento da Guerra Fria no cenário político internacional após a 2ª Guerra Mundial. O governo Dutra não deu continuidade ao projeto nacionalista de Getúlio Vargas e tornou o Brasil subalterno aos Estados Unidos com a aliança que fez com o governo norte-americano, fato este que repercutiu em ações políticas de natureza autoritária no plano interno. Por imposição dos Estados Unidos, o Partido Comunista, após receber uma significativa quantidade de votos nas eleições de 1946, foi posto na ilegalidade e todos os funcionários públicos pertencentes ao mesmo partido foram exonerados de seus cargos. Pouco tempo depois, o governo do Brasil anunciou o rompimento de suas relações diplomáticas com a União Soviética.

Getúlio Vargas voltou a governar o Brasil de 1951 a 1954 quando foi realizado um esforço de planejamento muito mais ambicioso e completo do que no período anterior com a adoção de uma política econômica nacional desenvolvimentista. Nessa oportunidade, houve um dos mais completos levantamentos sobre a economia brasileira, além de propor uma série de projetos de infraestrutura com seus programas de execução, abrangendo projetos de modernização de vias férreas, portos, navegação de cabotagem, geração de energia elétrica, etc. Foram adotadas medidas para superar as disparidades regionais de renda, sobretudo para melhor integrar o Nordeste ao restante da economia nacional e para alcançar a estabilidade monetária. Foram criados, também, o BNDES e a Petrobras.  Acusado de tentar assassinar Carlos Lacerda e da morte do major Rubens Vaz, o presidente Vargas suicidou-se por não aceitar sua deposição pelos militares em 1954, tendo sua atitude representada, também, o ato final do primeiro de um governante do Brasil que pautou sua ação em defesa do progresso econômico e social do País e da soberania nacional. Apesar dos êxitos econômicos ao promover a industrialização do Brasil e ao criar instituições governamentais promotoras do desenvolvimento econômico e social e dos avanços sociais resultantes de novas legislações, a Era Vargas, de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, teve como fato deplorável o representado pelo estado de exceção que foi implantado de 1937 a 1945 em que o governo Vargas prendeu nos seus cárceres e assassinou muitos de seus opositores.

Juscelino Kubitschek governou o Brasil de 1955 a 1960. A industrialização brasileira toma novo rumo. Até então, durante o governo Vargas, o processo de industrialização avançara sob a liderança da empresa brasileira. A partir do governo Juscelino Kubitscheck, o capital estrangeiro vai assumir, progressivamente, o controle dos ramos mais dinâmicos da economia brasileira. A expansão da economia brasileira se fez com crescente participação do capital estrangeiro oligopolizado que realizou seus investimentos visando a completa conquista do mercado nacional. A partir do governo Kubitschek, é aprofundada a desnacionalização da economia nacional com o capital estrangeiro assumindo o comando do processo de industrialização do Brasil e a indústria nacional ficando relegada a sua própria sorte ao sofrer a concorrência dos grupos externos atraídos pelos incentivos e vantagens oficiais. Jânio Quadros substitui Juscelino Kubitscheck em 1961 e renuncia após governar o Brasil durante 7 meses.

O Vice-presidente João Goulart assumiu a Presidência da República em 3 de setembro de 1961 em regime parlamentarista sob a direção de Tancredo Neves que foi a solução política encontrada diante da luta de Leonel Brizola em defesa da legalidade para assegurar a posse de João Goulart e da oposição das Forças Armadas à sua posse. Depois de colocar um fim no parlamentarismo através de plebiscito, João Goulart buscou implementar as reformas de base para superar os grandes problemas estruturais vividos pelo Brasil e para fazer frente à crise econômica, política e social existente nos primeiros anos da década de 1960. Com as reformas de base foram adotadas iniciativas que visavam as reformas bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária. Incluía também oferecer o direito de voto para analfabetos e às patentes subalternas das Forças Armadas. As medidas buscavam também uma participação maior do Estado brasileiro nas questões econômicas, regulando o investimento estrangeiro no Brasil. Entre as mudanças pretendidas pelas reformas de base estava, em primeiro lugar, a reforma agrária. O objetivo era possibilitar que milhares de trabalhadores rurais tivessem acesso às terras em mãos do latifúndio. A lei de remessa de lucros buscava reduzir o altíssimo índice de lucros que as grandes empresas estrangeiras remetiam do Brasil para suas matrizes. As reformas de base objetivavam o progresso econômico e social e a defesa dos interesses nacionais. O governo João Goulart foi o último na história do Brasil que buscou promover o progresso econômico e social e a defesa dos interesses nacionais.

A investida do governo João Goulart pela aplicação das reformas de base começou no dia 13 de março de 1964 através de um grande comício na Central do Brasil no Rio de Janeiro. Neste comício, o presidente João Goulart anunciou a assinatura do decreto que estatizava refinarias de petróleo particulares e o decreto que desapropriava terras improdutivas localizadas à beira de estradas e ferrovias. Como as propostas tinham um cunho nacionalista e eram influenciadas pelo pensamento de esquerda, os defensores do capitalismo, do latifúndio e membros da direita brasileira receavam quanto ao crescimento de um possível governo comunista no país. O comício na Central do Brasil foi o momento decisivo para determinar a organização dos militares para dar início ao golpe de estado que foi deflagrado em 31 de março de 1964 estabelecendo uma ditadura militar no país para abortar as mudanças econômicas e sociais patrocinadas pelo governo João Goulart. As Forças Armadas agiram para derrubar o governo Goulart influenciadas pela polarização ideológica vivenciada pela sociedade brasileira naquela conjuntura política e, também, devido à quebra da hierarquia e da disciplina com a sublevação de setores subalternos que foi o principal fator que ocasionou o afastamento dos militares legalistas que deixaram de apoiar o governo de João Goulart, facilitando o movimento golpista.

O Brasil durante a ditadura militar (1964 a 1985)

Com a deposição de João Goulart do poder, foram promulgados atos institucionais durante os governos dos generais Castello Branco (1964-1967) e Artur da Costa e Silva (1967-1969) que acabaram com o Estado de direito e as instituições democráticas do País. Para conter as manifestações de oposição, o general Costa e Silva decretou em dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5 que suspendeu as atividades do Congresso e autorizava à perseguição de opositores. De 1968 a 1973, o Brasil experimentou elevadas taxas de crescimento econômico, gerando um clima de otimismo logo batizado como “o milagre econômico” e a indústria se constituiu no principal setor no surto de desenvolvimento iniciado em 1968. Durante a ditadura militar, houve a implementação de 3 PNDs — Plano Nacional de Desenvolvimento nos governos Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Foi, sobretudo, no governo Ernesto Geisel, com o II PND, que foram definidos como objetivos completar a estrutura industrial brasileira, substituir importações de insumos básicos e bens de capital, superar os problemas cambiais resultantes da crise do petróleo, desenvolver projetos de carvão, não ferrosos, álcool da cana, energia elétrica e petróleo implantados na década de 1970 em várias partes do país e contribuir para a desconcentração da atividade produtiva no Brasil.  O modelo de desenvolvimento capitalista dependente a partir do governo Juscelino Kubitschek em 1955 foi mantido até 1985 pelos governantes militares que assumiram o poder com o golpe de estado em 1964.

A recessão e a elevação do desemprego do início e do fim da década de 1980 assumiram uma dimensão até então desconhecida. A característica da economia brasileira que mais se evidencia é a de que a queda acentuada no ritmo de crescimento indicou o esgotamento de um padrão que lhe conferiu impressionante dinamismo ao longo de todo o período da moderna industrialização, particularmente depois de meados da década de 1950. Com a economia claudicante, o retorno de alguns exilados que se incumbiam de fazer o relato das barbaridades testemunhadas ou vividas nos porões da ditadura, e a campanha pró-anistia ganhando as ruas, a sociedade brasileira foi vencendo a luta pela democracia. Os espaços de luta pelo fim da presença dos militares no poder central foram se multiplicando. Nos últimos meses de 1983, teve início em todo o País uma campanha pelas eleições diretas para presidente, as “Diretas Já”, que uniram várias lideranças políticas. O movimento chegou ao auge em 1984, quando foi votada a Emenda Dante de Oliveira, que pretendia restabelecer as eleições diretas para presidente. No dia 25 de abril, a emenda apesar de obter a maioria dos votos, não conseguiu os 2/3 necessários para sua aprovação. Logo depois da derrota de 25 de abril, grande parte das forças de oposição resolveu participar das eleições indiretas para presidente. O PMDB lançou Tancredo Neves para presidente e José Sarney para vice-presidente. Reunido o Colégio Eleitoral, a maioria dos votos foi para Tancredo Neves, que derrotou Paulo Maluf do PDS, candidato da ditadura militar. Desse modo se encerrava a ditadura militar. Tancredo Neves faleceu antes de assumir o governo, fato este que fez com que o Vice-presidente José Sarney ocupasse a Presidência da República.

É oportuno observar que, de 1980 a 1989, no período dos governos João Figueiredo e José Sarney, ocorreu uma profunda deterioração da situação econômica e social do Brasil. Na década de 1980, o Brasil apresentou déficit no balanço de pagamentos que se agravou com o segundo “choque do petróleo” e a subida vertiginosa das taxas de juros no mercado internacional. O modelo de desenvolvimento baseado no processo de substituição de importações e dependente de tecnologia e capitais externos, que atingiu o auge na década de 1970, se esgotou no início dos anos 1980. As décadas de 1980 e de 1990 marcam a mais longa e grave crise do Brasil em sua história só superada pela crise econômica atual eclodida em 2014 que foi agravada pela pandemia do novo Coronavirus. Com o fim da ditadura militar, houve a necessidade de elaboração de uma nova Constituição. A Assembleia Nacional Constituinte começou a se reunir em fevereiro de 1987 e só teve suas atividades encerradas em setembro de 1988. Além dos deputados federais e senadores, havia também a presença dos “notáveis”, isto é, especialistas em diversos assuntos que diziam respeito à cidadania, à educação, à jurisprudência, ou seja, a todos os assuntos correlacionados ao edifício jurídico de uma Constituição Federal. A nova Constituição foi promulgada em 05 de outubro de 1988 e permanece até hoje como lei fundamental do Brasil, isto é, é nela que se apoia todo o ordenamento jurídico brasileiro.

O Brasil durante a nova República (a partir de 1988)

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente do Brasil eleito diretamente pelo voto popular após o fim do Regime Militar em 1985 e a promulgação da Constituição de 1988. Seu governo teve de enfrentar uma forte crise financeira, que exigia medidas drásticas. As saídas oferecidas por sua equipe de economistas, como os planos Collor I e Collor II, mostraram-se desastrosas, provocando uma forte rejeição popular. Não bastasse isso, o tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Paulo César (PC) Fariaspassou a ser acusado de estar envolvido em um escândalo de corrupção. Essa suspeita acabou por envolver a figura do presidente no escândalo, fato que custou não apenas o seu cargo, mas também os seus direitos políticos.

Adotando de forma subalterna a estratégia de ajuste neoliberal formulada pelo Consenso de Washington, o governo de Itamar Franco, que substituiu Fernando Collor, e o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que substituiu o governo Itamar Franco, começaram a cumprir suas três etapas descritas abaixo: 1) estabilização da economia (combate à inflação); 2) realização de reformas estruturais (privatizações, desregulamentação de mercados, liberalização financeira e comercial), e 3) retomada dos investimentos estrangeiros para alavancar o desenvolvimento. Os governos Itamar Franco e FHC processaram o combate à inflação com o Plano Real, privatizou empresas estatais e abriu ainda mais a economia nacional ao capital internacional. O governo Lula manteve a mesma política de seu antecessor FHC, à exceção da política de privatização. O governo Dilma Rousseff deu continuidade aos governos de FHC e de Lula que lhe antecederam retomando a política de privatização que teve a denominação de parceria público-privada.

O modelo econômico neoliberal adotado no Brasil trouxe como consequência a recessão econômica que teve seu início em 2014, a falência generalizada de empresas, o desemprego em massa que atingiu 13 milhões de trabalhadores, a subutilização de 27 milhões de trabalhadores, a desindustrialização do País e o aumento da desnacionalização do que ainda resta do patrimônio público no Brasil e, consequentemente, em maior subordinação do País em relação ao exterior. A crise econômica recessiva associada à corrupção sistêmica que estava presente em vários órgãos do governo federal fez com que Dilma Rousseff, que foi presidente da República Federativa do Brasil de janeiro de 2011 a agosto de 2016 (reeleita nas eleições de 2014), sofresse a rejeição das classes economicamente dominantes, de grande parte da população e da maioria do Congresso Nacional e sofresse um processo de impeachment que se realizou com um golpe parlamentar que resultou em sua destituição do cargo.

O governo Michel Temer, que substituiu o de Dilma Rousseff, agravou ainda mais a situação econômica e social do Brasil adotando medidas que aprofundaram a recessão e inviabilizaram a retomada do desenvolvimento do Brasil. Os resultados estão aí: crescimento econômico negativo, desequilíbrios externos, desindustrialização do País, estagnação da produtividade, falência generalizada de empresas, desemprego em massa, dívida interna elevada, crise fiscal dos governos federal, estaduais e municipais e, agora também retrocesso no campo das conquistas sociais com a adoção da reforma trabalhista. Com o governo Jair Bolsonaro a partir de 2019, o futuro do Brasil está ameaçado ainda mais porque ele está radicalizando ainda mais na adoção do modelo neoliberal cujas consequências serão funestas para os direitos sociais, o meio ambiente e à independência do Brasil em relação às grandes potências e ao capital internacional. Na época em que vivemos com o governo Jair Bolsonaro não há espaço para o avanço da democracia, dos direitos sociais, da defesa do meio ambiente e da independência nacional. Ao contrário, há a tentativa de eliminação da democracia e dos direitos sociais e a desconstrução e negação das conquistas já realizadas pelas classes subalternas e pela nação brasileira para alcançar sua emancipação.

Conclusões

Pelo exposto, fica evidenciado que os problemas enfrentados pelo Brasil no momento e não resolvidos resultam de fatores que se somaram e acumularam ao longo de sua história de 520 anos, isto é, no período colonial e durante o Império e a República. O fracasso do Brasil na construção do progresso político, econômico e social ao longo de sua história fez com que o País se defrontasse com os problemas atuais que foram criados e perduram desde o período colonial cujas tentativas de superação foram abortadas pela repressão contra os movimentos sociais, pela derrubada de governos comprometidos com o progresso econômico e social do País e a defesa dos interesses nacionais, bem como com a adoção de políticas governamentais antinacionais e antissociais. O Brasil só alcançará o efetivo progresso econômico e social quando realizar uma reforma agrária que extirpe o secular latifúndio existente no País, quando implantar o Estado de Bem-Estar Social que assegure o pleno atendimento das necessidades básicas da população em termos de emprego, educação, saúde, transporte, habitação, saneamento básico e lazer, quando eliminar o divórcio entre o Estado e a Sociedade Civil assegurando a participação democrática do povo nas decisões do governo em todos os níveis através de plebiscito e referendo e quando o governo priorizar os interesses da grande maioria da população e garantir a soberania nacional.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LA CRISE INTELLECTUELLE ACTUELLE DE LA PENSÉE NÉCESSITE UN NOUVEL LUMIÈRES

Fernando Alcoforado*

Le monde est confronté à une ère contemporaine avec plusieurs crises. Chaque jour qui passe, ces crises s’aggravent dans les domaines économique, politique, social et environnemental, que ce soit au niveau national ou à l’échelle mondiale. Cependant, la plus grande crise que traverse l’humanité aujourd’hui est la crise intellectuelle de la pensée, qui constitue le principal obstacle pour surmonter d’autres crises et construire une nouvelle société centrée sur un réel progrès économique, politique, social et environnemental. La crise intellectuelle de la pensée à l’ère contemporaine est ce qui rend le monde dans lequel nous vivons chaotique, comme un navire dérivant vers le désastre.

Au XVIIIe siècle, plusieurs penseurs ont commencé à se mobiliser autour de la défense des idées qui ont guidé le renouvellement des pratiques et des institutions en vigueur dans toute l’Europe. En soulevant des questions philosophiques qui pensaient à la condition et au bonheur de l’homme, le mouvement des Lumières s’attaquait systématiquement à tout ce qui était considéré comme contraire à la recherche du bonheur, de la justice et de l’égalité sociale. Le mouvement des Lumières était basé sur la croyance en la puissance de la raison et du progrès, la liberté de pensée et l’émancipation politique. Les Lumières étaient un mouvement mondial, philosophique, politique, social, économique et culturel, qui préconisait l’utilisation de la raison comme le meilleur moyen de parvenir à la liberté, à l’autonomie et à l’émancipation politique. Les Lumières du XVIIIe siècle ont utilisé des valeurs scientifiques classiques pour forger une nouvelle vision du monde, basée sur l’égalité de tous.

Avec les Lumières, il y a une vision optimiste du monde qui ne pourrait pas arrêter sa progression tant que l’homme aurait la pleine utilisation de sa rationalité. Les droits naturels, le respect de la diversité des idées et la justice sociale devraient favoriser l’amélioration de la condition humaine. Offrant ces idées, les Lumières ont motivé les révolutions bourgeoises en France et dans le monde au XVIIIe siècle qui ont amené la fin de l’Ancien Régime et l’installation des doctrines libérales qui ont prévalu dans le monde jusqu’à l’époque contemporaine.

Les Lumières ont fourni la devise de la Révolution française (Liberté, Égalité et Fraternité) et l’ont fécondée alors que ses adeptes s’opposaient aux injustices, à l’intolérance religieuse et aux privilèges de l’absolutisme. Cependant, de la Révolution française à nos jours, les promesses politiques des Lumières ont été abandonnées à travers le monde avec l’adoption de pratiques de plus en plus inhumaines par les gouvernements et les impérialistes par les grandes puissances capitalistes, le déclenchement de 3 guerres mondiales (World War I, World War II and the Cold War), l’avènement du fascisme, du nazisme et du néo-fascisme, les interventions militaires et les coups d’État dans plusieurs pays du monde.

La modernité est née avec la 1ère révolution industrielle survenue en 1876 en Angleterre, signifiant un effort intellectuel extraordinaire des penseurs des Lumières pour développer la science et la raison et découvrir des lois universelles à mettre au service de l’humanité. Avec la révolution industrielle, la science et la technologie ont acquis une importance fondamentale pour le progrès humain, grâce à des innovations technologiques continues. L’idée était d’utiliser l’accumulation de connaissances générées à la recherche du bonheur humain et de l’enrichissement de la vie quotidienne.

La modernité est généralement associée à la 2ème révolution industrielle résultant des changements socio-économiques avec l’industrialisation de l’Angleterre, de la France, de l’Allemagne, de l’Italie, des États-Unis et du Japon, caractérisée notamment par le développement de nouvelles sources d’énergie (électricité et pétrole), le remplacement du fer par l’acier et l’émergence de nouvelles machines, outils et produits chimiques (comme le plastique). Entre 1909, date à laquelle Henry Ford créa la chaîne de montage et ouvrit la production en série, et la fin du 20e siècle, presque toutes les industries furent mécanisées et l’automatisation fut étendue à tous les secteurs de fabrication.
La modernité est identifiée à la croyance dans le progrès et les idéaux des Lumières.

Cependant, l’évolution de la modernité a été marquée par des événements qui ont marqué négativement la société d’aujourd’hui. Le principal était sans aucun doute les catastrophes de la Première et de la Seconde Guerre mondiale. En fait, la science et la technologie ont contribué à la barbarie de deux guerres mondiales avec l’invention d’armes puissantes et destructrices. La science et la technologie ont été utilisées à une échelle sans précédent pour le bien et le mal. Tout ce développement scientifique et technologique a culminé à l’époque actuelle avec une crise écologique mondiale qui peut résulter un changement climatique mondial catastrophique qui pourrait menacer la survie de l’humanité au milieu du 21e siècle. En ce sens, on peut douter des bénéfices réels apportés par le progrès scientifique et technologique avec l’avènement de la modernité.

Les thèses politiques des Lumières ont échoué depuis la Révolution anglaise (1640), la Révolution américaine (1776) et la Révolution française (1789). Cet échec a ouvert la voie à l’avènement de l’idéologie marxiste à travers le monde, qui proposait de faire un pas en avant par rapport aux Lumières, cherchant à mettre fin à l’exploitation de l’homme par l’homme en réduisant les inégalités économiques entre les classes sociales et, à l’avenir, , son abolition complète avec l’implantation du communisme. Les faits de l’histoire montrent que les thèses des Lumières qui ont guidé les révolutions bourgeoises au XVIIIe siècle et le marxisme sur la base duquel les révolutions socialistes ont été menées au XXe siècle ont échoué parce qu’elles n’ont pas tenu leurs promesses historiques de conquérir le bonheur humain et le progrès économique partagé par tout.

La fin du socialisme en Union soviétique et dans les pays d’Europe de l’Est, l’échec du développement économique à Cuba et en Corée du Nord et l’abandon par la Chine du socialisme basé sur le modèle soviétique, avec l’adoption d’une économie hybride de capitalisme d’État, démontrent l’infaisabilité du modèle socialiste soviétique. Pour évoluer vers une société communiste défendue par Marx, il est nécessaire de passer par une étape intermédiaire d’économie mixte à l’image de la social-démocratie dans les pays scandinaves. Le communisme prôné par Marx ne peut être construit que lorsqu’il y a un État-providence social dans chaque pays et que le monde parvient à une intégration économique, sociale et politique avec l’existence d’un gouvernement mondial qui assure la mise en ordre de l’économie mondiale pour éviter le chaos actuel, l’ordre dans les relations internationales d’éviter les guerres et d’assurer la paix mondiale et l’ordre de l’environnement mondial pour éviter la dégradation de la nature.

L’échec des Lumières et du Marxisme dans la réalisation du progrès de l’humanité et dans la réalisation du bonheur des êtres humains a ouvert la voie à l’avènement de la postmodernité qui représente une réaction culturelle à la perte de confiance dans le potentiel universel des Lumières et du projet Marxiste de la société. La postmodernité signifie donc une réaction à ce qui est moderne. Dans la post-modernité, le monde construit d’objets durables a été remplacé par celui des produits disponibles et conçu pour une obsolescence et une élimination immédiates. La post-modernité peut être caractérisée comme une réaction à la culture à la manière dont les idéaux de la modernité se sont historiquement développés, associée à la perte d’optimisme et de confiance dans le potentiel universel du projet des Lumières et Marxiste. Elle est également configurée comme un rejet de la tentative de colonisation par la science et la technologie d’autres sphères de la vie de l’homme.

À l’époque contemporaine, la raison et la science sont également entrées en crise profonde avec la défaite des paradigmes des Lumières et du marxisme dans la seconde moitié du XXe siècle, qui ont été remplacés par le nouveau paradigme de la post-modernité, qui, selon ses idéologues, n’existe pas de vérités. Après avoir réalisé que tous les systèmes précédents étaient erronés, le postmodernisme est arrivé à la conclusion tragique que rien ne peut être connu. Les postmodernistes ne croient pas à la raison. Pour les postmodernistes, même la science ne serait qu’une des nombreuses manières de connaître la réalité, sans rien à voir avec la vérité.

La pensée postmoderne est convergente avec le nihilisme du philosophe allemand Friedrich Nietzsche, le philosophe de l’Allemagne nazie, qui, dans son œuvre A Vontade de Poder (La volonté de puissance) (Petrópolis: Editora Vozes, 2011), a déclaré que la solution à la crise était le rejet de la raison et le retour des prophètes, qui devraient, non par la raison, mais par la détermination, trouver de nouvelles valeurs qui guideraient les peuples et bâtiraient de nouvelles civilisations. Si la pensée nihiliste de Friedrich Nietzsche prévaut, l’humanité s’orientera inévitablement vers le désastre économique, politique, social et environnemental qui pourrait menacer sa survie. Le grand défi pour les hommes et les femmes de pensée de l’époque contemporaine est de réinventer les Lumières ajustées à l’époque actuelle afin qu’elles puissent indiquer les chemins que l’humanité devra emprunter pour construire un monde meilleur.

On conclut, de ce qui précède, que la disparition dans le monde d’aujourd’hui des dernières réserves de rationalité critique prônées par les Lumières et le Marxisme a ouvert la voie à la post-modernité, qui représente une menace énorme pour le progrès de l’humanité. Au vu de ce fait, c’est un immense défi pour les penseurs contemporains d’établir de nouveaux paradigmes et de nouvelles valeurs de comportement rationnel à formuler pour la société humaine à l’ère actuelle afin de vaincre l’influence politique et idéologique néfaste de la post-modernité. Les penseurs contemporains doivent se mobiliser pour réinventer un nouveau projet des Lumières, comme l’ont fait les penseurs du XVIIIe siècle, visant à construire un nouveau monde qui met fin au calvaire de l’humanité.

Nous avons besoin d’un nouveau siècle des Lumières pour le 21e siècle. La protection de toutes les formes de vie et de la planète doit être au cœur de la nouvelle réflexion. Le seul progrès humainement pertinent est celui qui contribue effectivement au bien-être de tous les êtres humains et à la préservation de la nature que les automatismes de la croissance économique ne suffisent pas à assurer. Le progrès, en ce sens, ne doit pas être vu comme un don spontané de la technique, mais comme une construction intentionnelle par laquelle les hommes décident de ce qui doit être produit, comment et pour qui, en évitant autant que possible les coûts sociaux et écologiques d’une industrialisation sauvage. Ce progrès ne peut dépendre ni de décisions d’affaires isolées, comme le préconisent les idéologues néolibéraux, ni des orientations bureaucratiques d’un État centralisateur, tel qu’il est défendu par des idéologues socialistes à la manière soviétique, mais des impulsions émanant de la société elle-même.

Les Lumières du XXIe siècle maintiennent leur foi dans la science, mais savent qu’elles doivent être contrôlées socialement et que la recherche scientifique et technologique doit obéir aux fins et aux valeurs établies sur la base du consensus social, afin de ne pas devenir une force aveugle au service de la guerre et de la domination. La doctrine des droits de l’homme assume sa bannière la plus précieuse, sans ignorer que, dans la plupart de l’humanité, seules des réformes sociales et politiques profondes peuvent assurer son application effective. Elle combat le pouvoir illégitime, consciente qu’elle se situe non seulement dans l’état tyrannique, mais aussi dans la société, dans laquelle elle est devenue invisible et totale, moléculaire et diffuse, emprisonnant l’individu dans ses mailles aussi sûrement qu’au temps de la monarchie absolue. Combatter sans caserne pour la liberté et contre toute oppression. Construire un nouvel ordre mondial capable d’organiser non seulement les relations entre les hommes sur la face de la Terre, mais aussi leurs relations avec la nature. Développer un contrat social planétaire qui permet le développement économique et social et l’utilisation rationnelle des ressources de la nature au profit de toute l’humanité.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CURRENT INTELLECTUAL CRISIS OF THOUGHT REQUIRES NEW ENLIGHTENMENT

Fernando Alcoforado*

The world is facing in the contemporary era with several crises. With each passing day, these crises deepen in the economic, political, social and environmental areas, whether at national level or on a global scale. However, the greatest crisis experienced by humanity today is the intellectual crisis of thought that constitutes the main obstacle to overcoming other crises and to the construction of a new society centered on real economic, political, social and environmental progress. The intellectual crisis of thought in the contemporary era is what makes the world we live in chaotic, like a ship drifting towards disaster.

In the 18th century, several thinkers began to mobilize around the defense of ideas that guided the renewal of practices and institutions in force throughout Europe. Raising philosophical questions that thought about the condition and happiness of man, the Enlightenment movement systematically attacked everything that was considered contrary to the search for happiness, justice and social equality. The Enlightenment movement was based on the belief in the power of reason and progress, freedom of thought and political emancipation. The Enlightenment was a global, philosophical, political, social, economic and cultural movement, which advocated the use of reason as the best way to achieve freedom, autonomy and political emancipation. The 18th century Enlightenment used classical science values ​​to forge a new worldview, based on the equality of all.

With the Enlightenment, we have an optimistic view of the world that would not be able to interrupt its progress to the extent that man had the full use of his rationality. Natural rights, respect for diversity of ideas and social justice should promote the improvement of the human condition. Offering these ideas, the Enlightenment motivated the bourgeois revolutions in France and throughout the world in the 18th century that brought the end of the Old Regime and the installation of liberal doctrines that prevailed in the world until the contemporary era.

The Enlightenment provided the motto of the French Revolution (Freedom, Equality and Fraternity) and fertilized it as its followers opposed injustices, religious intolerance and the privileges of absolutism. However, from the French Revolution to the present moment, the political promises of the Enlightenment have been abandoned around the world with the adoption of increasingly inhumane practices by governments and imperialists by the great capitalist powers, the triggering of 3 world wars (World War I, World War II and the Cold War), the advent of fascism, Nazism and neo-fascism, military interventions and coups d’état in several countries around the world.

Modernity was born with the 1st Industrial Revolution that occurred in 1876 in England, meaning an extraordinary intellectual effort by Enlightenment thinkers to develop science and reason and discover universal laws to be put at the service of humanity. With the Industrial Revolution, science and technology acquired a fundamental importance for human progress, through continuous technological innovations. The idea was to use the accumulation of knowledge generated in pursuit of human happiness and the enrichment of daily life.

Modernity is generally associated with the 2nd Industrial Revolution resulting from socioeconomic changes with the industrialization of England, France, Germany, Italy, the United States and Japan, characterized especially by the development of new sources of energy (electricity and oil), the substitution of iron by steel and the emergence of new machines, tools and chemicals (such as plastic). Between 1909, when Henry Ford created the assembly line and opened series production, and the end of the 20th century, almost all industries were mechanized and automation was extended to all manufacturing sectors.

Modernity is identified with the belief in the progress and ideals of the Enlightenment. However, the evolution of Modernity was marked by events that negatively marked today’s society. The main one was undoubtedly the catastrophes of World War I and II. In fact, science and technology contributed to the barbarism of two world wars with the invention of powerful and destructive weapons. Science and technology came to be used on an unprecedented scale for both good and evil. All this scientific and technological development culminated in the current era with a global ecological crisis that could result in a catastrophic global climate change that could threaten the survival of humanity in the middle of the 21st century. In this sense, one can doubt the real benefits brought by scientific and technological progress with the advent of Modernity.

The Enlightenment’s political theses have failed since the English Revolution (1640), the American Revolution (1776) and the French Revolution (1789). This failure paved the way for the advent of Marxist ideology around the world, which proposed to take a step forward in relation to the Enlightenment, seeking to end the exploitation of man-by-man by reducing economic inequalities between social classes and, in the future, its complete abolition with the implantation of communism. The facts of history show that the Enlightenment theses that guided the bourgeois revolutions in the 18th century and the Marxism on the basis of which the socialist revolutions were carried out in the 20th century failed because they did not fulfill their historic promises to achieve human happiness and the economic progress shared by all.

The end of socialism in the Soviet Union and Eastern European countries, the failure of economic development in Cuba and North Korea and China’s abandonment of socialism based on the Soviet model, with the adoption of a hybrid economy of state capitalism, demonstrate the infeasibility of the Soviet socialist model. In order to evolve towards a communist society defended by Marx, it is necessary to pass through an intermediate stage of mixed economy along the lines of social democracy in Scandinavian countries. The communism advocated by Marx can only be built when there is a Social Welfare State in each country and the world reaches economic, social and political integration with the existence of a world government that ensures the ordering of the global economy to avoid chaos current, the ordering in international relations to avoid wars and to ensure world peace and the ordering of the global environment to avoid the degradation of nature.

The failure of the Enlightenment and Marxism in achieving the progress of humanity and achieving happiness for human beings paved the way for the advent of Postmodernity which represents a cultural reaction to the loss of confidence in the universal potential of the Enlightenment and Marxist project of society . Postmodernity therefore means a reaction to what is modern. In Post-Modernity, the world built of durable objects was replaced by that of available products and designed for immediate obsolescence and disposal. Post-Modernity can be characterized as a reaction to culture to the way in which the ideals of Modernity have historically developed, associated with the loss of optimism and confidence in the universal potential of the Enlightenment and Marxist project. It is also configured as a rejection of the attempt to colonize by science and technology from other spheres of man’s life.

In the contemporary era, reason and science also went into a deep crisis with the defeat of the paradigms of Enlightenment and Marxism in the second half of the twentieth century, which were replaced by the new paradigm of Post-Modernity, which, according to its ideologists, does not exist truths. After realizing that all previous systems were wrong, postmodernism came to the tragic conclusion that nothing can be known. Postmodernists don’t believe in reason. For postmodernists, even science would be just one of several ways of knowing reality, with nothing to do with the truth.

Postmodern thinking is convergent with the nihilism of the German philosopher Friedrich Nietzsche, the Nazi Germany philosopher, who in his work, The Will to Power (Petrópolis: Editora Vozes, 2011), stated that the solution to the crisis was in rejection of reason and the return of the prophets, who should, not through reason, but through determination, found new values ​​that would guide people and build new civilizations. If Friedrich Nietzsche’s nihilistic thinking prevails, humanity will inevitably move towards the economic, political, social and environmental disaster that could threaten its survival. The great challenge for men and women of thought in the contemporary era is to reinvent the Enlightenment adjusted to the current times so that it can indicate the paths that humanity will have to take in order to build a better world.

It is concluded, from the above, that the disappearance in today’s world of the last reserves of critical rationality advocated by the Enlightenment and Marxism paved the way for Post-Modernity, which represents a huge threat to the progress of humanity. In view of this fact, it is an immense challenge for contemporary thinkers to establish new paradigms and new values ​​of rational behavior to be formulated for human society in the current era in order to defeat the nefarious political and ideological influence of Post-Modernity. Contemporary thinkers need to mobilize themselves in the reinvention of a new Enlightenment project, as the thinkers of the 18th century did, aiming at building a new world that brings to an end the ordeal of humanity.

We need a new Enlightenment for the 21st century. At the heart of the new thinking must be the protection of all forms of life and the planet. The only humanly relevant progress is what actually contributes to the well-being of all human beings and the preservation of nature that the automatisms of economic growth are not enough to ensure. Progress, in this sense, should not be seen as a spontaneous donation of the technique, but an intentional construction by which men decide what should be produced, how and for whom, avoiding the social and ecological costs of wild industrialization as much as possible. This progress cannot depend either on isolated business decisions, as advocated by neo-liberal ideologues, nor on the bureaucratic guidelines of a centralizing state, as it is defended by socialist ideologues along the Soviet lines, but on impulses emanating from society itself.

The 21st century Enlightenment maintains its faith in science, but knows that it needs to be controlled socially and that scientific and technological research must obey the ends and values established based on social consensus, so that it does not become a blind force on service of war and domination. Human rights doctrine assumes its most valuable banner, without ignoring that in most of humanity only profound social and political reforms can ensure its effective enjoyment. It fights illegitimate power, aware that it is located not only in the tyrannical state, but also in society, in which it has become invisible and total, molecular and diffuse, imprisoning the individual in its meshes as surely as in the days of the absolute monarchy. Fight without barracks for freedom and against oppression of any kind. Build a new world order that is able to organize not only the relations between men on the face of the Earth, but also their relations with nature. Develop a planetary social contract that enables economic and social development and the rational use of nature’s resources for the benefit of all humanity.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CRISE INTELECTUAL ATUAL DO PENSAMENTO EXIGE NOVO ILUMINISMO

Fernando Alcoforado*

O mundo se defronta na era contemporânea com várias crises. A cada dia que se passa, essas crises se aprofundam nas áreas econômica, política, social e ambiental, seja nos planos nacionais, seja em escala planetária. Mas, a maior crise vivida hoje pela humanidade é a crise intelectual do pensamento que se constitui no principal obstáculo à superação das demais crises e à construção de uma nova sociedade centrada no real progresso econômico, político, social e ambiental. A crise intelectual do pensamento da era contemporânea é que faz com que o mundo em que vivemos funcione de forma caótica como uma nave à deriva rumo ao desastre.

No século XVIII, vários pensadores começaram a se mobilizar em torno da defesa de ideias que pautavam a renovação de práticas e instituições vigentes em toda Europa. Levantando questões filosóficas que pensavam a condição e a felicidade do homem, o movimento iluminista atacou sistematicamente tudo o que era considerado contrário à busca da felicidade, da justiça e da igualdade social. O movimento iluminista foi baseado na crença do poder da razão e do progresso, na liberdade de pensamento e na emancipação política.  O iluminismo foi um movimento global, filosófico, político, social, econômico e cultural, que defendia o uso da razão como o melhor caminho para se alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação política. O Iluminismo do século XVIII usou valores da ciência clássica para forjar uma nova visão de mundo, baseada na igualdade de todos.

Com o iluminismo passa-se a ter uma visão otimista do mundo que não teria como interromper seu progresso na medida em que o homem contava com o pleno uso de sua racionalidade. Os direitos naturais, o respeito à diversidade de ideias e a justiça social deveriam promover a melhoria da condição humana. Oferecendo essas ideias, o iluminismo motivou as revoluções burguesas na França e em todo o mundo no século XVIII que trouxeram o fim do Antigo Regime e a instalação de doutrinas de caráter liberal que predominam no mundo até a era contemporânea.

O Iluminismo forneceu o lema da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) e fecundou-a na medida em que seus seguidores se opunham às injustiças, à intolerância religiosa e aos privilégios do absolutismo. No entanto, desde a Revolução Francesa até o presente momento, as promessas políticas do Iluminismo foram abandonadas em todo o mundo com a adoção de práticas desumanas cada vez mais sofisticadas pelos governos e imperialistas pelas grandes potências capitalistas, o desencadeamento de 3 guerras mundiais (1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial e a Guerra Fria), o advento do fascismo, do nazismo e do neofascismo, a realização de intervenções militares e realização de golpes de estado em vários países do mundo.

A Modernidade nasceu com a 1ª Revolução Industrial ocorrida em 1876 na Inglaterra significando um extraordinário esforço intelectual dos pensadores iluministas para desenvolver a ciência e a razão e descobrir as leis universais para serem postas a serviço da humanidade. Com a Revolução Industrial, a ciência e a tecnologia adquiriram uma importância fundamental para o progresso humano, mediante as contínuas inovações tecnológicas. A ideia era usar o acúmulo de conhecimento gerado em busca da felicidade humana e do enriquecimento da vida diária.

A Modernidade está geralmente associada à 2ª Revolução Industrial resultante de transformações socioeconômicas com a industrialização da Inglaterra, da França, da Alemanha, da Itália, dos Estados Unidos e do Japão, caracterizadas especialmente pelo desenvolvimento de novas fontes de energia (eletricidade e petróleo), pela substituição do ferro pelo aço e pelo surgimento de novas máquinas, ferramentas e produtos químicos (como o plástico). Entre 1909, quando Henry Ford criou a linha de montagem e inaugurou a produção em série, e o final do século XX, quase todas as indústrias se mecanizaram e a automação se estendeu a todos os setores fabris.

A Modernidade é identificada com a crença no progresso e nos ideais do Iluminismo. Entretanto, a evolução da Modernidade foi marcada por eventos que marcaram negativamente a sociedade atual. O principal deles foi sem dúvida às catástrofes da I e da II Guerra Mundial. Na verdade, a ciência e a tecnologia contribuíram para a barbárie de duas guerras mundiais com a invenção de armamentos bélicos poderosos e destrutivos. A ciência e a tecnologia passaram a ser utilizadas numa escala sem precedentes tanto para o bem como para o mal. Todo esse desenvolvimento científico e tecnológico culminou na era atual com uma crise ecológica mundial que pode resultar em uma mudança climática global catastrófica que pode ameaçar a sobrevivência da humanidade em meados do século XXI. Nesse sentido pode-se duvidar dos reais benefícios trazidos pelo progresso científico e tecnológico com o advento da Modernidade.

As teses políticas do Iluminismo fracassaram desde a Revolução Inglesa (1640), a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789). Este fracasso abriu caminho para o advento da ideologia marxista em todo o mundo que se propunha a dar um passo à frente em relação ao Iluminismo buscando o fim da exploração do homem pelo homem com a redução das desigualdades econômicas entre as classes sociais e, no futuro, sua completa abolição com a implantação do comunismo. Os fatos da história demonstram que as teses iluministas que nortearam as revoluções burguesas no século XVIII e o Marxismo com base nas quais foram realizadas as revoluções socialistas no século XX fracassaram porque não cumpriram suas promessas históricas de conquista da felicidade humana e do progresso econômico compartilhado por todos.

O fim do socialismo na União Soviética e nos países da Europa Oriental, o fracasso do desenvolvimento econômico em Cuba e na Coréia do Norte e o abandono pela China do socialismo baseado no modelo soviético, com a adoção de uma economia híbrida do capitalismo de estado, demonstram a inviabilidade do modelo socialista soviético. Para evoluir em direção a uma sociedade comunista defendida por Marx, é necessário passar por um estágio intermediário de economia mista nos moldes da social-democracia dos países escandinavos. O comunismo preconizado por Marx só poderá ser construído quando existir o Estado de Bem-Estar Social em cada país e o mundo alcançar a integração econômica, social e política com a existência de um governo mundial que assegure o ordenamento da economia global para evitar o caos atual, o ordenamento nas relações internacionais para evitar as guerras e assegurar a paz mundial e o ordenamento do meio ambiente global para evitar a degradação da natureza.

O fracasso do Iluminismo e do Marxismo na realização do progresso da humanidade e na conquista da felicidade para os seres humanos abriu caminho para o advento da Pós-Modernidade que representa uma reação cultural à perda de confiança no potencial universal do projeto iluminista e Marxista de sociedade. A Pós-modernidade significa, portanto, uma reação àquilo que é moderno. Na Pós- Modernidade, o mundo construído de objetos duráveis foi substituído pelo de produtos disponíveis e projetados para imediata obsolescência e descarte. A Pós-Modernidade pode ser caracterizada como uma reação à cultura ao modo como se desenvolveram historicamente os ideais da Modernidade, associada à perda de otimismo e confiança no potencial universal do projeto iluminista e marxista. Configura-se, também, como uma rejeição à tentativa de colonização pela ciência e pela tecnologia das demais esferas da vida do homem.

Na era contemporânea, a razão e a ciência entraram também em crise profunda com a derrota dos paradigmas do Iluminismo e do Marxismo na segunda metade do século XX que foram substituídos pelo novo paradigma da Pós-Modernidade que, segundo seus ideólogos, não existem verdades. Após constatar que todos os sistemas anteriores estavam errados, o pós-modernismo chegou à trágica conclusão de que nada pode ser conhecido. Os pós-modernistas não acreditam na razão. Para os pós-modernistas, mesmo a ciência seria apenas uma entre várias formas de se conhecer a realidade, sem nada dizer respeito à verdade.

O pensamento pós-moderno é convergente com o niilismo do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o filósofo da Alemanha nazista, que em sua obra, A Vontade de Potência (Petrópolis: Editora Vozes, 2011), afirmou que a solução para a crise estava na rejeição da razão e no retorno dos profetas, que deveriam, não através da razão, mas da determinação, fundar novos valores que iriam guiar os povos e erguer novas civilizações. Se prevalecer o pensamento niilista de Friedrich Nietzsche, a humanidade caminhará inevitavelmente para o desastre econômico, político, social e ambiental que poderá ameaçar sua sobrevivência. O grande desafio dos homens e mulheres de pensamento da era contemporânea consiste em reinventar o Iluminismo ajustado aos tempos atuais para que ele possa indicar os caminhos que a humanidade terá de trilhar visando a construção de um mundo melhor.

Conclui-se, pelo exposto, que o desaparecimento no mundo de hoje das últimas reservas de racionalidade crítica preconizada pelo Iluminismo e pelo Marxismo abriram caminho para a Pós-Modernidade que representa uma gigantesca ameaça para o progresso da humanidade. Diante deste fato, trata-se de um imenso desafio para os pensadores contemporâneos estabelecer novos paradigmas e novos valores de comportamento racional a serem formulados para a sociedade humana na era atual visando derrotar a nefasta influência política e ideológica da Pós-Modernidade. Os pensadores contemporâneos precisam se mobilizar na reinvenção de um novo projeto iluminista como fizeram os pensadores do século XVIII visando a construção de um mundo novo que leve ao fim o calvário da humanidade.

Precisamos de um novo Iluminismo para o século XXI. No centro do novo pensamento, deve estar a proteção de todas as formas de vida e do planeta. O único progresso humanamente relevante é o que contribui de fato para o bem-estar de todos os seres humanos e a preservação da natureza que os automatismos do crescimento econômico não bastam para assegurá-lo. O progresso, nesse sentido, não deve ser visto como uma doação espontânea da técnica, mas uma construção intencional pela qual os homens decidem o que deve ser produzido, como e para quem, evitando ao máximo os custos sociais e ecológicos de uma industrialização selvagem. Esse progresso não pode depender nem de decisões empresariais isoladas, como é preconizado pelos ideólogos do neoliberalismo,  nem das diretrizes burocráticas de um Estado centralizador, como é defendido pelos ideólogos do socialismo nos moldes soviéticos, e sim de impulsos emanados da própria sociedade.

O Iluminismo do século XXI mantém sua fé na ciência, mas sabe que ela precisa ser controlada socialmente e que a pesquisa científica e tecnológica precisa obedecer aos fins e valores estabelecidos com base no consenso social, para que ela não se converta numa força cega, a serviço da guerra e da dominação. Assume como sua bandeira mais valiosa a doutrina dos direitos humanos, sem ignorar que na maior parte da humanidade só profundas reformas sociais e políticas podem assegurar sua fruição efetiva. Combate o poder ilegítimo, consciente de que ele não se localiza apenas no Estado tirânico, mas também na sociedade, em que ele se tornou invisível e total, molecular e difuso, aprisionando o indivíduo em suas malhas tão seguramente como na época da monarquia absoluta. Luta sem quartel pela liberdade e contra a opressão de qualquer espécie. Edificar uma nova ordem mundial que seja capaz de organizar não apenas as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. Elaborar um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LES PROGRÈS DE L’HUMANITÉ EN QUESTION

Fernando Alcoforado*

J’ai été honoré de l’invitation de l’intellectuel américain, Charles Moscowitz, à être interviewé sur sa chaîne YouTube sur la question du progrès de l’humanité. Charles Moscowitz réalise des interviews sur sa chaîne YouTube avec des auteurs et des universitaires qui s’abonnent à Academia.edu comme c’est mon cas. Moscowitz s’est forgé une réputation pendant des décennies en tant qu’animateur d’une émission de radio qui a interviewé des penseurs de tous les horizons politiques, y compris des personnalités de gauche comme Noam Chomsky, feu Howard Zinn, Gloria Steinum, et une longue et distinguée liste d’universitaires et d’auteurs libéraux et conservateurs. Moscowitz préfère avoir des discussions et des débats approfondis et respectueux basés sur des idées et des opinions parfois opposées aux vôtres. Moscowitz est l’auteur de plusieurs livres comme ceux décrits ci-dessous:

  • On the Jewish Question – Karl Marx, anti-Semitism and the War against the West
  • The Art and Science of American Money: How our Money is created and why it matters
  • The Nazi Connection to Islamic Terrorism: Adolf Hitler and Haj Amin Al-Husseini
  • Assassination in America: 31 Cases of Murders, Plots, Shots, Conspiracies
  • Islamo-Communism: The Communist Connection to Islamic Terrorism
  • Was Hitler a Leftist ?: The Nazi missing link
  • Apostles of Evolution: The Practical Result of the Evolutionary Faith
  • The Socialist Bible: An analysis of The Communist Manifesto
  • Communism is not dead: The Communist Conspiracy in the 21st Century
  • The counter-Fabians: Republicans in the Age of Obama
  • The Revolutionary Mind: and the counter-Revolution

J’ai été interviewé par Charles Moscowitz sur la question du progrès de l’humanité sur sa chaîne YouTube dont le contenu est le suivant:

Notre objectif dans cet entretien était de démontrer que les progrès actuels de l´humanité est déplorable car il est au service du capitalisme de marché et non des intérêts de toute l’humanité. Les progrès actuels sont déplorables car non seulement ils procurent des avantages, mais ils nuisent également à l’humanité. Malgré tous les progrès réalisés, l’humanité traite également de l’exclusion sociale, de la concentration de la richesse, du sous-développement et des graves dommages environnementaux, de l’agression et de la restriction des droits humains fondamentaux, en plus de conduire le système économique à la faillite et à des guerres sans fin.

Je reconnais les innombrables avantages que les progrès actuels ont apportés à l’humanité comme la croissance économique rapide réalisée dans plusieurs pays, en particulier depuis la 1ère révolution industrielle en 1860 en Angleterre jusqu’à nos jours, mais cela a créé un monde très instable car il y a aussi le la croissance vertigineuse des inégalités sociales dans le monde, l’épuisement des ressources naturelles de la planète, le changement climatique qui a tendance à être catastrophique pour toute l’humanité, ainsi que l’augmentation des conflits internationaux.

Les progrès actuels de l’humanité avancé énormément depuis la 1ère révolution industrielle grâce au soutien de la science et de la technologie qui ont permis aux êtres humains d’avoir une vie plus facile, plus propre et plus longue. Cela a amené l’humanité à devenir de plus en plus dépendante de la science et de la technologie à l’époque contemporaine. La science et la technologie ont commencé à être considérées comme des leviers du progrès de l’humanité. La science et la technologie sont devenues synonymes de progrès.

Cependant, les philosophes Theodor Adorno et Max Horkheimer affirment dans leur livre Dialectics of Enlightenment que la suprématie de la science et de la technologie a ouvert la voie à la dévastation effectuée au profit du capitalisme de marché qui, à travers eux, a transformé l’être humain en engrenages de son machine à but lucratif, l’annulant. L’économie capitaliste, la science et la technologie, désormais unies en une seule instance, consolide sa suprématie sur la société contemporaine, déterminant son cours avec la même audace et la même impersonnalité d’une main invisible, selon Adorno et Horkheimer.

En d’autres termes, la science et la technologie sont au service du capitalisme de marché et non de toute l’humanité, en plus de collaborer à des actions criminelles telles que les explosions des bombes atomiques de Nagasaki et Hiroshima pendant la 2ème guerre mondiale et l’utilisation de napalm et de défoliants dans les guerres en Le Vietnam et le Cambodge, entre autres, qui ont créé un climat de doute sur les avantages de la science et de la technologie pour toute l’humanité.

Le développement de la science et de la technologie est désormais davantage perçu comme une menace pour le progrès de l’humanité car, fusionné avec le capitalisme de marché, il multiplie les pathologies sociales et provoque la dégradation de la nature, en plus de contribuer à son utilisation pour la guerre et la destruction comme en témoignent les innombrables conflits internationaux, en particulier la 1ère et la 2ème guerre mondiale.

Comment pouvons-nous transformer les progrès déplorables actuels en nouveaux progrès dans lesquels la science et la technologie sont utilisées au profit de toute l’humanité? J’estime nécessaire de construire le progrès sur trois nouvelles bases: 1) le progrès économique et social dans chaque pays pour éliminer ou réduire les inégalités sociales; 2) des progrès dans les relations internationales pour éliminer le chaos de l’économie mondiale, garantir la paix mondiale et ordonner l’environnement de la planète; 3) Progrès environnemental dans chaque pays et globalement basé sur le développement durable.

Progrès économique et social de chaque pays pour éliminer ou réduire les inégalités sociales peuvent être réalisés avec l’adoption du modèle de social-démocratie mis en œuvre dans les pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) qui sont considérés par l’ONU comme les pays qui connaissent le plus grand progrès économique et social dans le monde et dont les habitants sont les plus heureux de la planète, selon le Rapport mondial des Nations Unies sur le bonheur. Le modèle scandinave de la social-démocratie peut être décrit comme un juste milieu entre le capitalisme et le socialisme. Il n’est pas entièrement capitaliste, ni totalement socialiste, mais la tentative d’être de fusionner les éléments les plus souhaitables des deux systèmes en un système hybride.

Beaucoup peuvent se demander pourquoi ne pas implanter le socialisme dans le moule soviétique avec la nationalisation des moyens de production? La fin du socialisme en Union soviétique et dans les pays d’Europe de l’Est, l’échec du développement économique à Cuba et en Corée du Nord et l’abandon par la Chine du socialisme basé sur le modèle soviétique, avec l’adoption d’une économie hybride de capitalisme d’État, démontrent l’infaisabilité du modèle socialiste soviétique. Pour évoluer vers une société communiste défendue par Marx, il faut passer par une étape intermédiaire de l’économie mixte de la social-démocratie dans les moules scandinaves. Le communisme prôné par Marx ne peut se construire que lorsque la société humaine de chaque pays et du monde parvenir à une intégration économique, sociale et politique.

Progrès des relations internationales pour éliminer le chaos de l’économie mondiale, assurer la paix dans le monde et à préserver l’environnement de la planète peuvent être atteints grâce à la constitution d’un gouvernement mondial démocratique qui serait élu par le parlement mondial à constituer avec la participation des pays de le monde. Le gouvernement mondial est nécessaire parce que l’économie mondiale fonctionne de manière chaotique sans aucune planification ni contrôle, les relations internationales n’ont pas d’organe mondial capable de médier les conflits, de prévenir les guerres et d’assurer la paix mondiale et l’environnement de la planète est menacé par l’épuisement des ressources naturelles et le changement climatique qui peut être catastrophique pour l’humanité. Les organisations internationales actuelles telles que l’ONU, le FMI, la Banque mondiale, l’Organisation mondiale du commerce, entre autres, n’ont pas le pouvoir de faire progresser les relations internationales sur la planète.

Au cours de l’histoire, l’humanité a évolué du village pour former des cités-États, des cités-États pour constituer des États-nations, des États-nations pour constituer des blocs économiques comme l’ALENA ou l’union économique et politique d’États comme l’Union européenne. L’humanité atteindra son stade de développement le plus élevé lorsqu’il y aura une véritable intégration économique, politique et sociale au niveau planétaire. Pour que cette intégration se réalise, il doit y avoir un gouvernement démocratique mondial et un parlement mondial qui agissent sur la base d’un contrat social planétaire approuvé par tous les peuples du monde.

Des progrès environnementaux dans chaque pays et globalement basés sur le développement durable sont absolument nécessaires car le modèle de développement actuel est responsable de l’épuisement des ressources naturelles de la planète et du réchauffement climatique avec des conséquences catastrophiques liées au changement climatique mondial. Le progrès environnemental dans chaque pays et globalement basé sur le développement durable, qui doit garantir que les besoins des générations actuelles se produisent sans compromettre les besoins des générations futures, peut être atteint avec l’existence d’un gouvernement démocratique mondial et la célébration d’un contrat social de planétarium qui établirait les bases des relations entre les pays en termes d’économie, de relations internationales et d’environnement.

Il semble donc que de profonds changements politiques, économiques et sociaux sont nécessaires dans chaque pays du monde, dans le système international et dans le système environnemental de la planète pour que le progrès sur de nouvelles bases se construise dans le monde. Ma proposition peut être considérée comme utopique face aux difficultés de sa réalisation, représentée par les intérêts des pays économiquement et militairement puissants et même des pays subordonnés au système international qui ne renoncent pas à leur souveraineté et des sociétés multinationales qui ne voudraient pas être subordonnées à la régulation économique internationale et exigences environnementales.

Cependant, il n’y a pas d’autre moyen pour l’humanité de réaliser des progrès économiques et sociaux partagés par tous les êtres humains, une durabilité environnementale qui évite la dégradation de l’environnement de la planète et la paix mondiale. Sans cette voie, l’humanité sera conduite à la catastrophe économique et sociale, à la catastrophe environnementale et à la barbarie des guerres qui peuvent conduire à la fin de l’espèce humaine.

Les changements économiques et sociaux que je viens de proposer dans chaque pays se produiront inévitablement parce que le système capitaliste mondial prendra fin au milieu du XXIe siècle, lorsque le taux de profit mondial et le taux de croissance du produit brut mondial seront nuls. Le système capitaliste mondial prendra fin au milieu du 21e siècle car il y a une tendance à la baisse du taux de profit mondial de 1869 à 2007, du taux de profit des sociétés américaines de 1947 à 2007 et du taux de croissance du Produit brut mondial de 1961 à 2007. Pour déterminer quand ces taux atteindront zéro à l’avenir, en maintenant la tendance à la baisse, en effectuant le calcul en utilisant la méthode des moindres carrés de la statistique, j’ai conclu qu’ils se produiront entre 2057 et 2059.

Jusqu’à la fin du système capitaliste au milieu du XXIe siècle, les détenteurs du pouvoir politique et économique tenteront d’empêcher sa chute en augmentant les niveaux de répression politique à l’échelle mondiale avec l’aggravation des tensions politiques et sociales dans le monde. Les révolutions et contre-révolutions sociales domineront la scène mondiale. Pour éviter ce scénario, les gouvernements du monde entier devraient structurer des solutions qui envisagent la transition gérée et rationnelle du capitalisme vers un nouvel ordre politique, économique et social dans le monde.

Il est important de noter que dans un environnement de chaos, des solutions totalitaires peuvent émerger, par opposition à un changement géré qui peut conduire à des solutions démocratiques. Au milieu du XXIe siècle, les crises économique et environnementale se nourriront mutuellement, poussant les masses de tous les pays du monde à chercher à réaliser la révolution sociale pour changer le monde dans lequel nous vivons. Il est important de noter que dans un environnement de chaos, des solutions révolutionnaires peuvent naître pour essayer de changer le monde pour le mieux, mais des solutions totalitaires peuvent également naître pour maintenir le statu quo.

Les changements dans le système international et le système environnemental de la planète qui nécessiteront la formation d’un gouvernement mondial devront se produire jusqu’au milieu du XXIe siècle pour ordonner le chaos qui s’établira avec l’échec du système capitaliste et faire face aux problèmes environnementaux résultant des changements cela prendra des caractéristiques catastrophiques. Il serait important que les changements que je propose se produisent de manière progressive et gérée jusqu’au milieu du 21e siècle, afin de ne pas avoir à faire face au chaos qui va s’installer à ce moment.

Pour regarder la vidéo de notre entrevue avec Charles Moscowitz, accédez au site Web (https://www.youtube.com/watch?v=lTcQFBvPcXk).

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE PROGRESS OF HUMANITY IN QUESTION

Fernando Alcoforado*

I was honored with the invitation of the American intellectual scholar, Charles Moscowitz, to be interviewed on his YouTube channel about the issue of the progress of humanity. Charles Moscowitz conducts interviews on his YouTube channel with authors and academics who subscribe to Academia.edu as is my case. Moscowitz has forged a reputation for decades as the host of a radio show that interviewed thinkers from across the political spectrum, including left-wing personalities like Noam Chomsky, the late Howard Zinn, Gloria Steinum, and a long and distinguished list of academics and authors liberals and conservatives. Moscowitz prefers to have in-depth and respectful discussions and debates based on ideas and opinions that are sometimes opposed to yours. Moscowitz is the author of several books like the ones described below:

  • On the Jewish Question – Karl Marx, anti-Semitism and the War against the West
  • The Art and Science of American Money: How our Money is created and why it matters
  • The Nazi Connection to Islamic Terrorism: Adolf Hitler and Haj Amin Al-Husseini
  • Assassination in America: 31 Cases of Murders, Plots, Shots, Conspiracies
  • Islamo-Communism: The Communist Connection to Islamic Terrorism
  • Was Hitler a Leftist ?: The Nazi missing link
  • Apostles of Evolution: The Practical Result of the Evolutionary Faith
  • The Socialist Bible: An analysis of The Communist Manifesto
  • Communism is not dead: The Communist Conspiracy in the 21st Century
  • The counter-Fabians: Republicans in the Age of Obama
  • The Revolutionary Mind: and the counter-Revolution

I was interviewed by Charles Moscowitz on the question of the progress of humanity on his YouTube channel whose content is as follows:

Our objective in this interview was to demonstrate that the current progress of humanity is deplorable because it is at the service of market capitalism and not the interests of all humanity. Current progress is deplorable because it not only provides benefits, but also harms humanity. Despite all the progress achieved, humanity also deals with social exclusion, the concentration of wealth, underdevelopment and serious environmental damage, aggression and the restriction of basic human rights, in addition to driving the economic system into bankruptcy and endless wars.

I recognize the countless benefits that current progress has brought to humanity as the rapid economic growth achieved in several countries, especially since the 1st Industrial Revolution in 1860 in England to the present day, but it has created a very unstable world because there is also the vertiginous growth of social inequalities around the world, the depletion of the planet’s natural resources, the climate change that tends to be catastrophic for all humanity, as well as the increase in international conflicts.

Humanity’s current progress has been leveraged mainly since the 1st Industrial Revolution thanks to the support of science and technology that has enabled human beings to have an easier, cleaner and longer life. This caused humanity to become increasingly dependent on science and technology in the contemporary era. Science and technology started to be considered as levers of humanity’s progress. Science and technology has become synonymous with progress.

However, the philosophers Theodor Adorno and Max Horkheimer claim in their book Dialectics of Enlightenment that the supremacy of science and technology paved the way for the devastation carried out for the benefit of market capitalism that, through them, transformed the human being into gears of its profit-producing machine, canceling him out. The capitalist economy, science and technology, now united as a single instance, consolidates its supremacy over contemporary society, determining its course with the same boldness and impersonality of an invisible hand, according to Adorno and Horkheimer.

In other words, science and technology are at the service of market capitalism and not of all humanity, in addition to collaborating with criminal actions such as the explosions of the atomic bombs of Nagasaki and Hiroshima during the 2nd World War and the use of napalm and defoliants in the wars in Vietnam and the Cambodia, among others, which created a climate of doubt about the benefits of science and technology for all humanity.

The development of science and technology is now seen more as a threat to the progress of humanity because, merged with market capitalism, it multiplies social pathologies and causes the degradation of nature, in addition to contributing to its use for war and destruction as evidenced by the countless international conflicts, especially the 1st and 2nd World War.

How can we transform current deplorable progress into new progress in which science and technology could be used for the benefit of all humanity? I consider it necessary to build progress on three new bases: 1) economic and social progress in each country to eliminate or reduce social inequalities; 2) progress in international relations to eliminate chaos in the world economy, guarantee world peace and order the planet’s environment; 3) environmental progress in each country and globally based on sustainable development.

The economic and social progress of each country to eliminate or reduce social inequalities, can be achieved with the adoption of the model of social democracy implemented in Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) which are considered by the UN to be the countries of greatest economic and social progress worldwide whose people are the happiest on the planet according to the UN World Happiness Report. The Scandinavian model of social democracy can be described as a middle ground between capitalism and socialism. It is not entirely capitalist, nor is it totally socialist, but the attempt of being to merge the most desirable elements of both systems into a hybrid system.

Many may ask why not to implant socialism in the Soviet mold with the nationalization of the means of production? The end of socialism in the Soviet Union and the countries of Eastern Europe, the failure of economic development in Cuba and North Korea and the abandonment by China of socialism based on the Soviet model, with the adoption of a hybrid economy of state capitalism, demonstrate the infeasibility of the Soviet socialist model. In order to evolve towards a communist society defended by Marx, it is necessary to go through an intermediate stage of the mixed economy of social democracy in Scandinavian molds. The communism advocated by Marx can only be built when human society in each country and in the world reaches economic, social and political integration.

The progress in international relations to eliminate chaos in the world economy, guarantee world peace and order the planet’s environment can be achieved with the constitution of a democratic world government that would be elected by the world parliament to be constituted with the participation of the countries of Worldwide. World government is necessary because the world economy operates chaotically without any planning and control, international relations do not have a global body capable of mediating conflicts, preventing wars and ensuring world peace and the planet’s environment is threatened by depletion of natural resources and climate change that can be catastrophic for humanity. Current international organizations such as the UN, IMF, World Bank, World Trade Organization, among others, do not have the power to achieve progress in international relations on the planet.

Throughout history, humanity has evolved from the village to form city-states, from city-states to constitute nation-states. Humanity will reach its highest stage of development when there is real economic, political and social integration at the planetary level. In order for this integration to happen, there must be a global democratic government and a world parliament that act based on a planetary social contract approved by all the peoples of the world.

Environmental progress in each country and globally based on sustainable development is absolutely necessary because the current development model is responsible for the depletion of the planet’s natural resources and for global warming with catastrophic consequences related to global climate change. Environmental progress in each country and globally based on sustainable development, which must ensure that the needs of current generations occur without compromising the needs of future generations, can be achieved with the existence of a world democratic government and the celebration of a Planetarium Social Contract that would establish the bases of relations between countries in terms of the economy, international relations and the environment.

It seems, therefore, that profound political, economic and social changes are necessary in each country of the world, in the international system and in the planet’s environmental system, so that progress on new bases is built in the world. My proposal can be considered utopian in the face of the difficulties of its realization, represented by the interests of economically and militarily powerful countries and even subordinate countries in the international system that do not renounce their sovereignty and multinational corporations that would not like to be subordinated to international economic regulation and environmental requirements.

However, there is no other way for humanity to achieve economic and social progress that could be shared by all human beings, environmental sustainability that avoids the degradation of the planet’s environment and that world peace could be achieved. Without this path, humanity will be driven to economic and social catastrophe, environmental disaster and the barbarism of wars that can lead to the end of the human species.

The economic and social changes that I have just proposed in each country will inevitably happen because the world capitalist system will end in the middle of the 21st century, when the global profit rate and the growth rate of the World Gross Product will be zero. The world capitalist system will come to an end in the middle of the 21st century because there is a downward trend in the world profit rate from 1869 to 2007, in the US corporations profit rate from 1947 to 2007 and in the growth rate of the World Gross Product From 1961 to 2007. To determine when these rates will reach zero in the future, maintaining the downward trend, performing the calculation using the least squares method of Statistics, I concluded that they will occur between 2057 and 2059.

Until the end of the capitalist system in the mid-21st century, the holders of political and economic power will try to prevent its fall by increasing levels of political repression on a global level with the worsening of political and social tensions around the world. Social revolutions and counter-revolutions will dominate the world level. To avoid this scenario, governments around the world should structure solutions that contemplate the managed and rational transition from capitalism to a new political, economic and social order worldwide.

It is important to note that in an environment of chaos, totalitarian solutions can arise, as opposed to a managed change that can lead to democratic solutions. In the middle of the 21st century, economic and environmental crises will feed each other, causing the masses of all countries in the world to seek to carry out the social revolution to change the world in which we live. It is important to note that in an environment of chaos, revolutionary solutions can be born to try to change the world for the better, but totalitarian solutions can also be born to maintain the status quo.

The changes in the international system and the environmental system of the planet that will require the formation of a world government will have to occur until the middle of the 21st century to order the chaos that will be established with the failure of the capitalist system and to deal with the environmental problems resulting from the changes that will assume catastrophic characteristics. It would be important for the changes I propose to happen in a progressive and managed manner until the middle of the 21st century, so as not to have to deal with the chaos that will be established at this time.

To watch the video of our interview with Charles Moscowitz, access the website (https://www.youtube.com/watch?v=lTcQFBvPcXk).

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O PROGRESSO DA HUMANIDADE EM QUESTÃO

Fernando Alcoforado*

Eu fui honrado com o convite do intelectual norte-americano, Charles Moscowitz, para ser entrevistado em seu canal do Youtube sobre a questão do progresso da humanidade. Charles Moscowitz realiza entrevistas em seu canal no YouTube com autores e acadêmicos que se inscrevem no Academia.edu como é o meu caso. Moscowitz forjou uma reputação ao longo de décadas como apresentador de um programa de rádio que entrevistou pensadores de todo o espectro político, incluindo personalidades de esquerda como Noam Chomsky, o falecido Howard Zinn, Gloria Steinum, e uma longa e distinta lista de acadêmicos e autores liberais e conservadores. Moscowitz prefere realizar discussões e debates aprofundados e respeitosos com base em idéias e opiniões que às vezes são opostas às suas. Moscowitz é autor de vários livros como os descritos a seguir:

  • On the Jewish Question – Karl Marx, anti-Semitism and the War against the West
  • The Art and Science of American Money: How our Money is created and why it matters
  • The Nazi Connection to Islamic Terrorism: Adolf Hitler and Haj Amin Al-Husseini
  • Assassination in America: 31 Cases of Murders, Plots, Shots, Conspiracies
  • Islamo-Communism: The Communist Connection to Islamic Terrorism
  • Was Hitler a Leftist ?: The Nazi missing link
  • Apostles of Evolution: The Practical Result of the Evolutionary Faith
  • The Socialist Bible: An analysis of The Communist Manifesto
  • Communism is not dead: The Communist Conspiracy in the 21st Century
  • The counter-Fabians: Republicans in the Age of Obama
  • The Revolutionary Mind: and the counter-Revolution

Eu fui entrevistado por Charles Moscowitz sobre a questão do progresso da humanidade em seu canal do Youtube cujo conteúdo é o seguinte:

Nosso objetivo nesta entrevista foi o de demonstrar que o atual progresso da humanidade é deplorável porque ele está a serviço do capitalismo de mercado e não dos interesses de toda a humanidade. O progresso atual é deplorável porque não apenas fornece benefícios, mas também prejudica a humanidade. Apesar de todo o progresso alcançado, a humanidade lida também com a exclusão social, a concentração da riqueza, o subdesenvolvimento e graves danos ambientais, agressão e restrição dos direitos humanos básicos, além de levar o sistema econômico à falência e guerras sem fim.

Eu reconheço os inúmeros benefícios que o progresso atual proporcionou à humanidade como o rápido crescimento econômico alcançado em vários países, especialmente desde a 1ª Revolução Industrial de 1860 na Inglaterra até os dias atuais, mas criou um mundo muito instável, porque há também o crescimento vertiginoso das desigualdades sociais em todo o mundo, o esgotamento dos recursos naturais do planeta, as mudanças climáticas que tendem a ser catastróficas para toda a humanidade, bem como o aumento dos conflitos internacionais.

O progresso atual da humanidade foi alavancado, principalmente desde a 1ª Revolução Industrial, graças ao apoio da ciência e da tecnologia que permitiram aos seres humanos uma vida mais fácil, mais limpa e mais longa. Isso fez com que a humanidade se tornasse cada vez mais dependente da ciência e da tecnologia na era contemporânea. A ciência e a tecnologia começaram a ser consideradas como alavancas do progresso da humanidade. Ciência e tecnologia tornaram-se sinônimos de progresso.

Contudo, os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer afirmam em seu livro Dialética do Esclarecimento que a supremacia da ciência e da tecnologia abriu o caminho para a devastação realizada em benefício do capitalismo de mercado que, através deles, transformou o ser humano em engrenagens de sua máquina produtora de lucros, anulando-o. A economia capitalista, ciência e tecnologia, agora unidas como uma instância única, consolida sua supremacia sobre a sociedade contemporânea, determinando seu curso com a mesma ousadia e impessoalidade de uma mão invisível, segundo Adorno e Horkheimer.

Em outras palavras, a ciência e a tecnologia estão a serviço do capitalismo de mercado e não de toda a humanidade, além de colaborar com ações criminosas, como as explosões das bombas atômicas de Nagasaki e Hiroshima durante a 2ª Guerra Mundial e o uso de napalm e desfolhantes nas guerras no Vietnã e no Camboja, entre outros, que criaram um clima de dúvida sobre os benefícios da ciência e da tecnologia para toda a humanidade.

O desenvolvimento da ciência e da tecnologia agora é visto mais como uma ameaça ao progresso da humanidade porque, mesclado ao capitalismo de mercado, multiplica patologias sociais e causa a degradação da natureza, além de contribuir para o seu uso na guerra e destruição, como evidenciado pelos inúmeros conflitos internacionais, especialmente a 1ª e a 2ª Guerra Mundial.

Como transformar o atual progresso deplorável em um novo progresso no qual a ciência e a tecnologia sejam usadas em benefício de toda a humanidade? Eu considero que seja necessário construir o progresso em três novas bases: 1) progresso econômico e social em cada país para eliminar ou reduzir as desigualdades sociais; 2) progresso nas relações internacionais para eliminar o caos na economia mundial, garantir a paz mundial e ordenar o meio ambiente do planeta; 3) progresso ambiental em cada país e globalmente baseado no desenvolvimento sustentável.

O progresso econômico e social de cada país para eliminar ou reduzir as desigualdades sociais, pode ser alcançado com a adoção do modelo de social-democracia implementado nos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia), considerados pela ONU como o países de maior progresso econômico e social em todo o mundo, cujas pessoas são as mais felizes do planeta, de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade (World Happiness Report) da ONU. O modelo escandinavo de social-democracia pode ser descrito como um meio termo entre capitalismo e socialismo. Não é inteiramente capitalista, nem totalmente socialista, mas a tentativa de mesclar os elementos mais desejáveis ​​de ambos os sistemas em um sistema híbrido.

Muitos podem perguntar por que não implantar o socialismo nos moldes soviéticos com a estatização dos meios de produção? O fim do socialismo na União Soviética e nos países da Europa Oriental, o fracasso do desenvolvimento econômico em Cuba e na Coréia do Norte e o abandono pela China do socialismo baseado no modelo soviético, com a adoção de uma economia híbrida do capitalismo de estado, demonstram a inviabilidade do modelo socialista soviético. Para evoluir em direção a uma sociedade comunista defendida por Marx, é necessário passar por um estágio intermediário da economia mista de social-democracia nos moldes escandinavos. O comunismo preconizado por Marx só poderá ser construído quando a sociedade humana em cada país e no mundo alcançar a integração econômica, social e política.

O progresso nas relações internacionais para eliminar o caos na economia mundial, garantir a paz mundial e ordenar o meio ambiente do planeta pode ser alcançado com a constituição de um governo mundial democrático que seria eleito pelo parlamento mundial para ser constituído com a participação dos países de todo o mundo. O governo mundial é necessário porque a economia mundial opera caoticamente sem nenhum planejamento e controle, as relações internacionais não possuem um órgão global capaz de mediar conflitos, prevenir guerras e garantir a paz mundial e o meio ambiente do planeta é ameaçado pelo esgotamento dos recursos naturais e pelas mudanças climáticas que podem ser catastróficas para a humanidade. Organizações internacionais atuais, como ONU, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, entre outras, não têm o poder de promover o progresso nas relações internacionais do planeta.

Ao longo da história, a humanidade evoluiu da aldeia para formar cidades-estado, de cidades-estado para constituir estados-nação, de estados-nação para constituir blocos econômicos como o NAFTA ou união econômica e política de estados como a União Europeia. A humanidade alcançará seu estágio mais alto de desenvolvimento quando houver uma verdadeira integração econômica, política e social no nível planetário. Para que essa integração ocorra, é necessário existir um governo democrático global e um parlamento mundial que atuem com base em um contrato social planetário aprovado por todos os povos do mundo.

O progresso ambiental em cada país e globalmente baseado no desenvolvimento sustentável é absolutamente necessário, porque o atual modelo de desenvolvimento é responsável pelo esgotamento dos recursos naturais do planeta e pelo aquecimento global com consequências catastróficas relacionadas às mudanças climáticas globais. O progresso ambiental em cada país e globalmente baseado no desenvolvimento sustentável, que deve garantir que as necessidades das gerações atuais ocorram sem comprometer as necessidades das gerações futuras, pode ser alcançado com a existência de um governo democrático mundial e a celebração de um Contrato Social do Planetário que estabeleceria as bases das relações entre os países em termos de economia, relações internacionais e meio ambiente.

Parece, portanto, que são necessárias profundas mudanças políticas, econômicas e sociais em cada país do mundo, no sistema internacional e no sistema ambiental do planeta para que o progresso em novas bases seja construído no mundo. Minha proposta pode ser considerada utópica diante das dificuldades de sua realização, representadas pelos interesses de países economicamente e militarmente poderosos e até de países subalternos no sistema internacional que não renunciam à sua soberania e às corporações multinacionais que não gostariam de serem subordinadas à regulação econômica internacional e aos requisitos ambientais.

Contudo, não há outra maneira de a humanidade alcançar o progresso econômico e social que seja compartilhado por todos os seres humanos, a sustentabilidade ambiental que evite a degradação do meio ambiente do planeta e que a paz mundial seja alcançada. Sem esse caminho, a humanidade será levada à catástrofe econômica e social, ao desastre ambiental e à barbárie das guerras que podem levar ao fim da espécie humana.

As mudanças econômicas e sociais que acabei de propor em cada país acontecerão inevitavelmente porque o sistema capitalista mundial terminará em meados do século XXI, quando a taxa de lucro global e a taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial serão zero. O sistema capitalista mundial chegará ao fim em meados do século XXI porque há uma tendência de queda na taxa de lucro mundial de 1869 a 2007, na taxa de lucro das corporações dos Estados Unidos de 1947 a 2007 e na taxa de crescimento do Produto Bruto Mundial de 1961 a 2007. Para determinar quando essas taxas chegarão a zero no futuro, mantendo a tendência de queda, efetuando o cálculo usando o método dos mínimos quadrados da Estatística, concluí que elas ocorrerão entre 2057 e 2059.

Até o fim do sistema capitalista em meados século XXI, os detentores do poder político e econômico tentarão evitar sua queda aumentando os níveis de repressão política em escala global com o agravamento das tensões políticas e sociais em todo o mundo. Revoluções sociais e contra-revoluções vão dominar o cenário mundial. Para evitar esse cenário, governos de todo o mundo deveriam estruturar soluções que contemplem a transição administrada e racional do capitalismo para uma nova ordem política, econômica e social em todo o mundo.

É importante observar que em um ambiente de caos, soluções totalitárias podem surgir, em oposição a uma mudança administrada que pode levar a soluções democráticas. Em meados do século XXI, as crises econômicas e ambientais se alimentarão mutuamente, fazendo com que as massas de todos os países do mundo procurem realizar a revolução social para mudar o mundo em que vivemos. É importante notar que em um ambiente de caos, soluções revolucionárias podem nascer para tentar mudar o mundo para melhor, mas também soluções totalitárias podem nascer para manter o status quo.

As mudanças no sistema internacional e no sistema ambiental do planeta que exigirão a constituição de um governo mundial terá que ocorrer até meados do século XXI para ordenar o caos que será estabelecido com a falência do sistema capitalista e para lidar com os problemas ambientais resultantes das mudanças climáticas que assumirão características catastróficas. Seria importante que as mudanças que proponho acontecessem de maneira progressiva e administrada até meados do século XXI, para não ter que lidar com o caos que será estabelecido neste momento.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMMENT ÉLIMINER LA VIOLENCE DANS LE MONDE

Fernando Alcoforado*

Nous vivons dans un monde qui a pour caractéristique principale la violence exercée par l’homme contre ses semblables. La perception de beaucoup de gens est que la violence représente la prédominance de l’instinct animal que nous avons sur les valeurs de la civilisation. Cela expliquerait l’escalade de la criminalité et des guerres à tout moment dans le monde. Le débat sur la violence met à l’ordre du jour la question de la nature humaine, dont le sujet a été abordé par d’éminents penseurs tels que Raymond Aron (philosophe et sociologue français), Henry Bergson (philosophe et diplomate français), Hannah Arendt (philosophe allemande), Sigmund Freud (autrichien, neurologue et fondateur de la psychanalyse), Carl Rogers (précurseur américain de la psychologie humaniste), Thomas Hobbes (politologue anglais, philosophe et mathématicien), Jean-Jaques Rousseau (écrivain et philosophe suisse) et Karl Marx (économiste, philosophe, historien et politologue allemand), entre autres. Les scientifiques et les philosophes posent la question depuis des milliers d’années: la nature humaine est-elle innée ou est-elle un produit de l’environnement ou les deux? Est-il déterminé génétiquement ou par la société où vit l’être humain ou par les deux?

Pourquoi le monde devient-il plus violent chaque année? Non seulement le nombre de conflits armés augmente dans le monde, mais les gens eux-mêmes sont plus violents. Quelle est l’explication de cela? Il n’est pas rare de prétendre que puisque le monde existe, la violence a toujours existé entre les êtres humains. Il sera difficile de trouver aujourd’hui quelqu’un qui ne croit pas à cette déclaration. Et pourtant, c’est faux. Aux premiers jours de l’humanité, il n’y avait pas de violence qui se manifeste aujourd’hui dans les relations entre les individus et entre les communautés humaines et les États-nations. Aucun être humain, aucun peuple de cette époque lointaine n’aurait eu l’idée d’attaquer son prochain. Il est difficile d’essayer d’établir un parallèle entre le mode de vie des êtres humains de cette époque et l’humanité d’aujourd’hui. À cette époque, vivre en paix et en harmonie avec les autres était quelque chose d’aussi naturel pour l’homme que respirer, manger et dormir. Les êtres humains ont déjà vécu sur Terre, sans s’offenser ni se maltraiter, encore moins se battre. Aucun record de cette époque n’a atteint le présent et, par conséquent, on suppose que cette situation n’existait pas.

Selon Raymond Aron, la vie de l’homme étant organisée en famille et en groupe, les comportements belliqueux pourraient nous sembler moins probables [ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as nações (Paix et guerre entre les nations). Editora Universidade de Brasília, 1962]. A Sumer, nous trouverons les premières preuves de l’existence de troupes avec une formation militaire. Selon Aron, aucun anthropologue n’a jamais trouvé de preuve que des hommes avaient conçu une organisation ou une tactique de combat avant l’âge du bronze (3300 avant JC à 1300-700 avant JC). Il n’est donc pas surprenant que la première preuve incontestable des armées et de la guerre date de l’âge du bronze, qui est une période de civilisation au cours de laquelle le développement de cet alliage métallique résultant du mélange de cuivre et d’étain s’est produit.

Tout comme pour les premiers êtres humains, il serait inconcevable que l’idée de causer du tort à leur prochain, aujourd’hui, sonne comme l’illusion, la fantaisie, l’idée d’un monde sans conflits, car nous considérons la violence comme une caractéristique de l’être humain. On peut supposer s’il y a eu une phase intermédiaire entre les nombreux millénaires pendant lesquels l’homme a vécu sous la menace des bêtes et la période beaucoup plus courte où la menace pour sa sécurité a commencé à provenir d’autres hommes. Ce serait une époque où les hommes auraient les moyens techniques suffisants pour se défendre contre les bêtes et sans s’engager dans la poursuite de la richesse et des luttes de classe, des conquêtes et des dominions. Il est démontré que les petites sociétés, sans instruments métalliques, isolées, ne présentent toujours pas les traits caractéristiques des sociétés belliqueuses.

Dans l’espèce humaine, cependant, les manifestations d’agression sont indissociables de la vie collective. Même lorsqu’il s’agit de la réaction d’un individu contre un autre, l’agression est influencée, à bien des égards, par le contexte social. L’émergence d’une existence proprement sociale n’est pas la seule cause des nouvelles dimensions qui prennent le phénomène d’agressivité: la frustration et l’insuffisance résultant de la réaction agressive constituent le fait le plus important des relations humaines. Aron défend la thèse selon laquelle la frustration est une expérience psychique, révélée par la conscience. Tous les individus éprouvent de la frustration depuis l’enfance. La frustration, c’est d’abord l’expérience de la privation, c’est-à-dire un bien désiré et inaccessible, une oppression ressentie douloureusement. La chaîne de causalité qui mène aux émotions ou aux actes d’agression provient toujours d’un phénomène extérieur. Il n’y a aucune preuve physiologique qu’il existe une incitation spontanée à la lutte, provenant du propre organisme de l’individu. L’agression physique et le désir de détruire ne sont pas la seule réaction possible à la frustration.

Henry Bergson, pour sa part, affirme que l’origine de la violence et de la guerre est l’existence de biens, individuels ou collectifs. Les gens qui craignent le manque de nourriture et de matières premières dont ils ont besoin pour survivre sont prêts à attaquer. Ainsi naissent des guerres authentiques, ajustées à leur essence (BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French & European Pubns, 1976). Hannah Arendt a abordé la question de la violence dans son ouvrage On Violence publié par Harvest Book en 1970 dans lequel elle discute, en particulier avec Niezstche et Bergson, de ce qu’elle appelle la justification biologique de la violence. Arendt conteste cette position, affirmant que “rien ne pourrait théoriquement être plus dangereux que la tradition de la pensée organique en matière politique, à travers laquelle le pouvoir et la violence sont interprétés en termes biologiques”.

Arendt soutient que ni la violence ni le pouvoir ne sont des phénomènes naturels, c’est-à-dire une manifestation du processus vital, ils appartiennent au domaine politique des affaires humaines, dont la qualité essentiellement humaine est garantie par la capacité d’agir de l’homme, la capacité de démarrer quelque chose de nouveau. Arendt rejette les métaphores organiques de la violence comme maladie de la société. La dénaturalisation du phénomène de la violence chez Hannah Arendt est son refus d’associer le processus historique à la lutte pour la survie et la mort violente dans le règne animal et d’abandonner le sens de la politique comme détermination de l’humain.

Freud met dans son travail l’accent sur les aspects destructeurs de l’homme. Il est évident la nécessité, placée par Freud, de contrôler et de réprimer l’individu, en raison du danger qu’il pourrait représenter pour la société, ce qui le conduit à conclure que l’homme, qu’il défend, n’est pas, socialement parlant, très digne de confiance. Selon Freud, la société civilisée est perpétuellement menacée de désintégration en raison de cette hostilité primaire des hommes les uns envers les autres. La culture doit recourir à tous les renforcements possibles pour ériger des barrières contre l’instinct agressif des hommes. Face à un être aussi hostile et désintégrant, rien de plus naturel que la société pour faire usage de son pouvoir coercitif [GUSMÃO, Sonia Maria Lima. A natureza humana segundo Freud e Rogers (La nature humaine selon Freud et Rogers). Disponible sur le site <http://www.rogeriana.com/sonia/natureza.htm>%5D.

Carl Rogers observe le contraire de la vision de Freud, car il pense que c’est précisément dans un contexte coercitif, où l’individu ne peut pas se développer, ou plutôt, mettre à jour son potentiel, ce qui le rend hostile ou antisocial. Sinon, nous n’avons rien à craindre, car leur comportement aura tendance à être constructif. Rogers observe que lorsque l’homme est vraiment libre de devenir ce qu’il est au fond de son être, lorsqu’il est libre d’agir selon sa nature, comme un être capable de percevoir les choses qui l’entourent, alors il de toute évidence, il s’oriente vers la globalité et l’intégration.

Hobbes a comme thèse centrale sur la conduite humaine, que tous les êtres humains sont égoïstes et sont prêts à utiliser les autres pour leur propre bénéfice. Hobbes parle de la «guerre de tous contre tous», la lutte permanente qui serait déclenchée si les hommes ne vivaient pas en sécurité et devaient dépendre entièrement de leurs propres ressources. Hobbes cherche à montrer qu’il ne peut y avoir de société sans gouvernement et sans les sanctions de la loi. Il n’y aurait que des individus antagonistes. La compétition – le désir de surpasser les autres – fait partie du tissu de nos vies: soit nous voulons réaliser quelque chose aux dépens des autres, soit nous voulons défendre ce que nous avons déjà accompli [TRIGG, Roger. A Natureza Humana em Hobbes (Nature humaine à Hobbes ). Disponible sur le site <http://qualia-esob.blogspot.com.br/2008/03/natureza-humana-em-hobbes.html>%5D.

L’idée centrale de la pensée de Rousseau est basée sur la conviction de la bonté naturelle de l’homme. Selon Rousseau, les problèmes à la socialisation ont éloigné l’homme de lui-même et l’ont opposé à son prochain. C’est dans ce processus de transformation que l’homme dégénère. Pour Rousseau, la socialisation est la cause de la dénaturation de l’homme, et le meilleur chemin pour sa dégradation. La communion avec la nature est le seul moyen de préserver la véritable essence de l’homme. JJ Rousseau pensait que les guerres surgissent, ou du moins s’élargissent, avec l’expansion des collectivités et que l’inégalité de classe et la propriété individuelle sont liées aux guerres de conquête et de domination par les guerriers [FULGERI, Dalva de Fatima. Conceito de natureza em Rousseau (Concept de nature à Rousseau). Disponible sur le site <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm>%5D.

Marx a présenté une définition de l’essence de la nature humaine dans les Manuscrits Philosophiques, caractérisant les êtres humains comme une activité libre et consciente, contrairement à la nature de l’animal [NOMOSOPHIE. A Natureza do Homem Segundo Karl Marx (La nature de l’homme selon Karl Marx). Disponible sur le site Web <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>%5D. Marx affirme que les conflits sociaux résultent de la division de la société en classes avec l’émergence de la propriété privée pour remplacer la propriété collective des moyens de production qui prévalait dans les sociétés primitives (VIANA, Nildo. A Renovação da Psicanálise por Erich Fromm (Le renouveau de la psychanalyse par Erich Fromm). Disponible sur le site Web <http://br.monografias.com/trabalhos914/renovacao-psicanalise-fromm/renovacao-psicanalise-fromm.shtml>%5D.

De ce qui précède, il apparaît qu’Aron défend la thèse selon laquelle l’agression est influencée, à bien des égards, par le contexte social, Bergson, déclare que l’origine de la violence et de la guerre est l’existence de la propriété, individuelle ou collective, Arendt soutient que ni la violence ni le pouvoir ne sont des phénomènes naturels, c’est-à-dire une manifestation du processus vital qui appartient à la sphère politique des affaires humaines, Freud et Hobbes convergent dans leurs pensées lorsqu’ils examinent les instincts agressifs de l’homme et le besoin de coercition pour les réprimer. Le point de vue pessimiste de Freud et Hobbes est opposé à celui de Carl Rogers qui déclare que ce n’est que dans un contexte coercitif que l’homme devient hostile ou antisocial et que s’il n’y a pas de coercition, il aura tendance à être constructif. L’idée centrale de Rousseau est la conviction de la bonté naturelle de l’homme et que c’est la société qui le dégénère, le confrontant à son prochain. Marx affirme que l’homme est le créateur de son propre développement et que les êtres humains sont capables de changer le monde qui les entoure et, ce faisant, de se changer.

Historiquement, une grande partie des discussions sur les origines ou les causes du comportement humain nous révèlent l’existence d’un problème très controversé. C’est la controverse entre l’influence de l’environnement social sur le comportement des gens contre l’hérédité biologique qui détermine le comportement des gens, ce que fait l’épigénétique. De nos jours, il y a ceux qui défendent l’épigénétique comme explication du problème de la violence. Je suis totalement en désaccord avec l’attribution du problème de la violence humaine à l’épigénétique et non à l’environnement social où il vit.

La prémisse de base de l’influence de l’hérédité biologique est que la personne la reçoit de ses parents. Celui qui défend l’influence de l’héritage biologique considère que les caractéristiques de base de l’homme (son intelligence, sa personnalité, ses traits physiques, etc.) sont déjà formées, “prêtes” à la naissance, en raison de son héritage biologique (sa dotation native). Cette vision a fait croire que le comportement humain (ou une grande partie de celui-ci) est inné, en ce sens que nous naissons avec certaines tendances et propensions, qui ne peuvent pas être modifiées par l’apprentissage.

Il existe deux erreurs fondamentales dans l’influence de l’hérédité biologique: 1) Les cellules sexuelles ne sont pas des caractères, des traits ou des caractéristiques (physiques ou comportementaux), mais des informations génétiques ou des gènes. Aucun gène ne fait de quelqu’un un musicien ou un scientifique. Les gènes créent la base des traits culturels, mais ne forcent pas le développement d’un trait particulier. Les caractères acquis ne sont pas transmis biologiquement; et, 2) Tout trait, caractère ou caractéristique que l’individu présente à la naissance est, par définition, inné ou congénital, mais pas nécessairement héréditaire (génétique), car il existe des traits causés par des facteurs environnementaux.

La prémisse de base de l’influence de l’environnement social est qu’il est principalement responsable de la formation des caractéristiques de base de l’homme, en particulier de sa capacité intellectuelle. Selon le philosophe John Locke, l’esprit du nouveau-né était une tabula rasa (page blanche, feuille ou toile) – l’histoire à y écrire a été créée par l’environnement social, c’est-à-dire les conditions et les expériences de vie du individu. L’un des partisans les plus importants de cette position était le psychologue John B. Watson, fondateur du behaviorisme aux États-Unis, qui, dans ses divers travaux, a insisté sur une explication “culturelle” ou “environnementale” du développement du comportement humain, admettant comme prémisse de base la fait que les êtres humains sont infiniment malléables, presque entièrement à la merci de leur environnement social.

Le comportement appris résulte de l’interaction de l’individu avec l’environnement social; cette interaction crée des expériences qui sont enregistrées dans la mémoire et contribuent à l’amélioration des performances ultérieures. Il est à noter que, du fait qu’elle résulte de l’interaction d’un individu avec l’environnement social, son exécution est rendue possible par la constitution génétique de l’individu. Par conséquent, la position de ceux qui interprètent le problème de la violence humaine est erronée, l’associant à l’épigénétique et non à l’environnement social. L’environnement social détermine le comportement humain, y compris le comportement politique et social.

La violence individuelle qui peut être exercée par l’être humain peut donc être attribuée à des facteurs endogènes ou intrinsèques et exogènes ou externes à l’individu. Il y a des individus qui agissent avec violence et d’autres qui ne le font pas lorsqu’ils sont victimes des actions des autres. D’autres individus agissent violemment contre leurs semblables lorsqu’ils cherchent à atteindre leurs objectifs en recourant à la force. Au niveau de l’individu, il est nécessaire d’identifier si son comportement violent est lié à sa structure psychique ou à sa structure de caractère. Si le problème est psychique, l’individu doit être traité par des psychiatres et s’il est de caractère, qui est composé des attitudes et des habitudes d’une personne et de son schéma cohérent de réponses à diverses situations, y compris les attitudes, les valeurs conscientes et les comportements, il doit être traités par des psychologues et des éducateurs. Le problème psychique exige l’action du psychiatre et le problème de caractère exige l’action de l’éducation soutenue par la psychologie.

Une autre approche que nous devons considérer du point de vue de la violence est celle de la violence collective. La violence collective est exercée par les gouvernements avec l’utilisation des forces de police pour lutter contre la criminalité et, également, pour réprimer les mouvements sociaux qui menacent les détenteurs du pouvoir et les classes sociales dominantes. Une violence collective extrême est exercée par les gouvernements lorsqu’ils cherchent à exercer leur pouvoir de manière dictatoriale en écrasant de force leurs adversaires, mais la violence collective peut également survenir dans la société lorsque les classes sociales s’unissent pour renverser un gouvernement qui viole leurs intérêts ou favoriser des changements sociaux. Dans le cas de la violence pratiquée par les gouvernements, elle est institutionnalisée et, dans le cas de la violence populaire, elle est toujours articulée en réponse à la violence pratiquée par les personnes au pouvoir. Lorsqu’une masse d’individus se rassemble pour exercer la violence contre les pouvoirs constitués, tous les individus convergent dans cette action. En d’autres termes, les volontés individuelles se transforment en volonté collective.

Pour que les êtres humains se comportent de manière constructive et puissent changer le monde qui les entoure, il est donc nécessaire de les éduquer. Kant, le philosophe, comprend l’éducation de cette manière: développer chez l’individu toute la perfection dont il est susceptible. Tel est le noble but de l’éducation. Pestalozzi, pédagogue consacré, dit: éduquer, c’est développer progressivement les facultés spirituelles de l’homme. John Locke, grand précepteur, s’exprime ainsi sur le sujet: éduquer, c’est rendre les esprits droits, prêts à tout moment à pratiquer tout ce qui est conforme à la dignité et à l’excellence d’une créature sensible. Lessing, autorité non moins illustre, compare le travail de l’éducation au travail de la révélation et dit: l’éducation détermine et accélère le progrès et l’amélioration de l’homme.

La lutte contre la violence dans le monde ne sera victorieuse qu’avec l’éducation de tous les êtres humains dans tous les coins de la Terre afin que, de cette manière, ils prennent conscience du monde dans lequel ils vivent, s’organisent dans chaque pays et dans le monde entier de réaliser les changements politiques, économiques et sociaux nécessaires pour éliminer les inégalités sociales et les obstacles au développement politique, économique, social et environnemental dans leurs pays respectifs. Parallèlement à l’effort éducatif de tous les êtres humains, l’humanité doit être dotée le plus rapidement possible des instruments nécessaires pour contrôler son destin et mettre en pratique un modèle de société qui promeut dans chaque pays, au plus haut degré, le progrès économique, social et environnemental et la gouvernance mondialement démocratique dans le monde. C’est le seul moyen de survie de l’espèce humaine et de stopper le déclin de l’humanité qui se manifeste par une violence galopante comme celle qui se produit en ce moment. Il n’y a pas d’autre moyen capable de garantir les intérêts de l’humanité et de toutes les nations, de toutes les formes de vie et des générations futures.

Dans tous les pays du monde, un nouveau modèle de société devrait être adopté qui permette la coexistence civilisée entre tous les êtres humains. Ce nouveau modèle devrait s’inspirer de la social-démocratie qui existe dans les pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande), où le plus réussi de tous a été mis en œuvre avec les améliorations et adaptations nécessaires. En 2013, le magazine The Economist a déclaré que les pays scandinaves sont probablement les pays les mieux gouvernés au monde. Le rapport de l’ONU sur le bonheur dans le monde 2014 montre que les nations les plus heureuses du monde se concentrent en Europe du Nord, avec la Norvège en tête de liste. Les pays scandinaves ont le rang le plus élevé de PIB réel par habitant, l’espérance de vie en bonne santé la plus élevée, la plus grande liberté de faire des choix de vie et la plus grande générosité. Ce n’est pas un hasard si les pays scandinaves, en plus de connaître de grands succès économiques et sociaux, sont des leaders de l’IDH (indice de développement humain) dans le monde.

Une gouvernance démocratique du monde devrait exister pour renforcer la gouvernabilité de l’économie et de l’environnement mondiaux et le maintien de la paix mondiale. Grâce à elle, la défense des intérêts généraux de l’humanité serait poursuivie. Elle garantirait que chaque État respecte les droits de chaque citoyen du monde, en cherchant à prévenir la propagation des risques systémiques mondiaux de nature économique et environnementale. Cela éviterait l’empire de l’un et l’anarchie de tous comme c’est le cas actuellement. Une gouvernance présentant ces caractéristiques ne peut résulter que d’un consensus entre tous les peuples et nations du monde. La préservation de la paix serait la première mission de toute nouvelle forme de gouvernance mondiale.

Le nouvel ordre mondial à construire doit organiser non seulement les relations entre les hommes à la surface de la Terre, mais aussi leurs relations avec la nature. Il est donc nécessaire d’élaborer un contrat social planétaire qui permette le développement économique et social et l’utilisation rationnelle des ressources de la nature au profit de toute l’humanité. La construction d’un nouvel ordre mondial basé sur ces principes est urgente. Ce gouvernement existera un jour même s’il survient après une gigantesque catastrophe économique ou environnementale. Il est urgent d’y penser afin de stopper les violences et les guerres qui prolifèrent dans le monde.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW TO ELIMINATE VIOLENCE IN THE WORLD

Fernando Alcoforado*

We live in a world that has as one of its main characteristics the violence practiced by man against his fellow men. The perception of many people is that violence represents the predominance of the animal instinct that we have over the values ​​of civilization. This would explain the escalation of crime and wars at all times around the world. The debate on violence places on the agenda the question of human nature, the subject of which was addressed by eminent thinkers such as Raymond Aron (French philosopher and sociologist), Henry Bergson (French philosopher and diplomat), Hannah Arendt (German philosopher), Sigmund Freud (Austrian, neurologist and founder of Psychoanalysis), Carl Rogers (American forerunner of humanistic psychology), Thomas Hobbes (English political scientist, philosopher and mathematician), Jean-Jaques Rousseau (Swiss writer and philosopher) and Karl Marx (economist , German philosopher, historian and political scientist), among others. Scientists and philosophers have been asking the question for thousands of years: is human nature innate or is it a product of the environment or both? Is it determined genetically or by the society where the human being lives or by both?

Why does the world become more violent each year? Not only is there an increase in the number of armed conflicts on the globe, but the people themselves are more violent. What’s the explanation for that? It is not uncommon to say that since the world existe, violence has always existed among human beings. It will be difficult to find someone today who does not believe this statement. And yet, it is false. In the early days of humanity, there was no violence that manifests itself today in relations between individuals and between human communities and nation states. No human being, no people of that distant time would have had the idea of ​​attacking his fellow man. It is difficult to try to establish a parallel between the way of life of human beings of that time with the humanity of today. At that time, living in peace and harmony with others was something as natural for humans as breathing, eating and sleeping. Human beings have already lived on Earth, without being offended or mistreating each other, much less fighting each other. No record from that time has reached the present and, therefore, it is assumed that this situation did not exist.

According to Raymond Aron, as the life of man is organized in families and in groups, less likely the bellicose behaviors might seem to us [ARON, Raymond. Paz e guerra entre nações (Peace and War between nations). Editora Universidade de Brasília, 1962]. In Sumer we will find the first evidence of the existence of troops with military training. According to Aron, no anthropologist has ever found any evidence that men had devised an organization or combat tactic before the Bronze Age (3300 BC to 1300-700 BC). It is not surprising, therefore, that the first indisputable evidence of armies and war dates from the Bronze Age, which is a period of civilization in which the development of this metallic alloy resulting from the mixture of copper and tin occurred.

Just as for the first human beings it would be inconceivable the idea of ​​causing any harm to their fellowmen, today, it sounds like illusion, fantasy, the idea of ​​a world without conflicts, as we consider violence as a characteristic of human beings. It can be speculated whether there was an intermediate phase between the many millennia during which man lived under the threat of the beasts and the much shorter period when the threat to his security began to originate in other men. It would be a time when men had sufficient technical means to defend themselves against the beasts and without engaging in the pursuit of wealth and class struggles, conquests and dominions. It is demonstrated that small societies, without metallic instruments, isolated, still do not show characteristic features of bellicose societies.

In the human species, however, the manifestations of aggression are inseparable from collective life. Even when it comes to the reaction of one individual against another, aggression is influenced, in many ways, by the social context. The emergence of a properly social existence was not the only cause of the new dimensions that took on the phenomenon of aggressiveness: the frustration and inadequacy resulting from the aggressive reaction constitute the most important fact in human relations. Aron defends the thesis that frustration is a psychic experience, revealed by consciousness. All individuals experience frustration since childhood. Frustration is, first of all, the experience of deprivation, that is, a desired and unattainable good, an oppression felt painfully. The chain of causality that leads to emotions or acts of aggression always originates in an external phenomenon. There is no physiological evidence that there is a spontaneous incitation to the struggle, originating in the individual’s own organism. Physical aggression and the desire to destroy are not the only possible reaction to frustration.

Henry Bergson, for his part, states that the origin of violence and war is the existence of property, individual or collective. People who fear the lack of food and raw materials they need to survive are ready to attack. Thus authentic wars are born, adjusted to their essence [BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de Religion. French & European Pubns, 1976]. Hannah Arendt addressed the issue of violence in her work On Violence published by Harvest Book in 1970 in which she discusses, especially with Niezstche and Bergson, about what she calls the biological justification of violence. Arendt disputes this position, stating that “nothing could theoretically be more dangerous than the tradition of organic thinking in political matters, through which power and violence are interpreted in biological terms”.

Arendt maintains that neither violence nor power are natural phenomena, that is, a manifestation of the vital process, they belong to the political realm of human affairs, whose essentially human quality is guaranteed by man’s ability to act, the ability to start something new . Arendt dismisses the organic metaphors of violence as a disease of society. The denaturalization of the phenomenon of violence in Hannah Arendt is her refusal to associate the historical process with the struggle for survival and violent death in the animal kingdom and to give up the meaning of politics as a determination of the human.

Freud emphasizes the destructive aspects of man in his work. It is evident the need, placed by Freud, to control and repress the individual, due to the danger that he could represent to society, which leads him to conclude that the man, advocated by him, is not, socially speaking, very trustworthy. According to Freud, civilized society is perpetually threatened by disintegration because of this primary hostility of men towards each other. Culture has to resort to every possible reinforcement in order to erect barriers against the aggressive instinct of men. Faced with such a hostile and disintegrating being, nothing could be more natural than for society to make use of its coercive power [GUSMÃO, Sonia Maria Lima. A natureza humana segundo Freud e Rogers (Human nature according to Freud and Rogers). Available on the website <http://www.rogeriana.com/sonia/natureza.htm&gt;).

Carl Rogers has a view opposite to that of Freud, as he believes that it is precisely in a coercive context, where the individual cannot expand, or rather, update his potential, which makes him hostile or antisocial. Otherwise, we have nothing to fear, because their behavior will tend to be constructive. Rogers observes that when man is truly free to become what he is at the bottom of his being, when he is free to act according to his nature, as a being capable of perceiving the things around him, then he clearly, it moves towards globality and integration.

Hobbes has as a central thesis about human conduct, that all human beings are selfish and are willing to use others for their own benefit. Hobbes speaks of the “war of all against all”, the permanent struggle that would be unleashed if men did not live in safety and had to depend completely on their own resources. Hobbes seeks to show that there can be no society without government and without the sanctions of the law. There would be only antagonistic individuals. Competition – the desire to outdo others – is part of the fabric of our lives: we either want to achieve something at the expense of others, or we want to defend what we have already achieved [TRIGG, Roger. A Natureza Humana em Hobbes (Human Nature in Hobbes). Available on the website <http://qualia-esob.blogspot.com.br/2008/03/natureza-humana-em-hobbes.html].

The central idea in Rousseau’s thought is based on the conviction of man’s natural goodness. According to Rousseau, the socialization obstacles took man away from himself and pitted him against his fellow man. It is in this process of transformation that man degenerates. For Rousseau, socialization is the cause of the denaturation of man, and the best path for its degradation. Communion with nature is the only way to preserve the true essence of man. JJ Rousseau thought that wars arise, or at least widen, with the expansion of communities and that class inequality and individual property are linked to wars of conquest and domination by warriors [FULGERI, Dalva de Fatima. Conceito de natureza em Rousseau (Concept of nature in Rousseau). Available at the website <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm>%5D.

Marx presented a definition of the essence of human nature in the Philosophical Manuscripts, characterizing human beings as free and conscious activity, in contrast to the nature of the animal [NOMOSOPHY. A Natureza do Homem Segundo Karl Marx (The Nature of Man According to Karl Marx). Available on the website <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>%5D. Marx claims that social conflicts result from the division of society into classes with the emergence of private property to replace collective ownership of the means of production that prevailed in primitive societies [VIANA, Nildo. A Renovação da Psicanálise por Erich Fromm (The Renewal of Psychoanalysis by Erich Fromm). Available on the website <http://br.monografias.com/trabalhos914/renovacao-psicanalise-fromm/renovacao-psicanalise-fromm.shtml>%5D.

From the above, it appears that Aron defends the thesis that aggression is influenced, in many ways, by the social context, Bergson says that the origin of violence and war is the existence of property, individual or collective, Arendt argues that neither violence nor power are natural phenomena, that is, a manifestation of the vital process which belong to the political sphere of human affairs, Freud and Hobbes converge in their thoughts when considering man’s aggressive instincts and the need for coercion to repress them. The pessimistic view of Freud and Hobbes is opposed to that of Carl Rogers who states that only in a coercive context does man become hostile or antisocial and that if there is no coercion he will tend to be constructive. Rousseau’s central idea is the conviction of man’s natural goodness and that it is society that degenerates him, pitting him against his fellow man. Marx claims that man is the creator of his own development and that human beings are capable of changing the world around them and, in doing so, change themselves.

Historically, much of the discussions about the origins or causes of human behavior reveal to us the existence of a highly controversial issue. This is the controversy between the influence of the social environment on people’s behavior versus biological inheritance determining people’s behavior, which is what epigenetics does. Modernly, there are those who defend epigenetics as an explanation for the problem of violence. I completely disagree with attributing the problem of human violence to epigenetics and not to the social environment where he lives.

The basic premise of the influence of biological inheritance is that the person receives it from his parents. Who defends the influence of biological inheritance considers that the basic characteristics of man (his intelligence, personality, physical traits, etc.) are already formed, “ready” at birth, due to his biological inheritance (his native endowment). This view resulted in the belief that human behavior (or a large part of it) is innate, in the sense that we are born with certain tendencies and propensities, which cannot be altered by learning.

There are two basic errors in the influence of biological inheritance: 1) Sex cells are not characters, traits or characteristics (physical or behavioral), but genetic information or genes. There are no genes that make someone a musician or a scientist. Genes create the basis for cultural traits, but do not force the development of any particular trait. Acquired characters are not transmitted biologically; and, 2) Any trait, character or characteristic that the individual presents at birth is, by definition, innate or congenital, but not necessarily hereditary (genetic), as there are traits caused by environmental factors.

The basic premise of the influence of the social environment is that it is primarily responsible for the formation of the basic characteristics of man, especially his intellectual capacity. According to the philosopher John Locke, the newborn’s mind was a blank slate (blank page, leaf or canvas) – the story to be written there was authored by the social environment, that is, the individual’s life conditions and experiences. One of the most important adherents of this position was the psychologist John B. Watson, founder of behaviorism in the United States, who, in his various works, insisted on a “cultural” or “environmental” explanation of the development of human behavior, admitting as a basic premise the fact that human beings are infinitely malleable, almost entirely at the mercy of their social environment.

The learned behavior results from the individual’s interaction with the social environment; this interaction creates experiences that are registered in the memory and contribute to the improvement of subsequent performances. It is noted that, as a result of an individual’s interaction with the environment, its execution is made possible by the individual’s genetic makeup. Therefore, the position of those who interpret the problem of human violence is mistaken, associating it with epigenetics and not with the social environment. The social environment determines human behavior, including political and social behavior.

The individual violence that may be exercised by the human being can therefore be attributed to factors that are endogenous or intrinsic and exogenous or external to the individual. There are individuals who act with violence and others who do not when they are victims of the actions of others. Other individuals act violently against their fellowmen when they seek to achieve their goals with the use of force. At the individual level, it is necessary to identify whether his violent behavior is related to his psychic structure or his character structure. If the problem is psychic, the individual must be treated by psychiatrists and if it is of character, which is composed of a person’s attitudes and habits and his consistent pattern of responses to various situations, including attitudes, conscious values and behaviors, he must be treated by psychologists and educators. The psychic problem demands the action of the psychiatrist and the character problem demands the action of education supported by psychology.

Another approach that we have to consider from the point of view of violence is that of collective violence. Collective violence is exercised by governments with the use of police forces to fight crime and, also, to repress social movements that threaten power holders and ruling social classes. Extreme collective violence is exercised by governments when they seek to dictatorially exercise their power by crushing their opponents by force, but collective violence can also arise in society when social classes unite to overthrow a government that attacks their interests or to promote social changes. In the case of violence practiced by governments, it is institutionalized and, in the case of popular violence, it is always articulated in response to the violence practiced by those in power. When a mass of individuals come together to exercise violence against the powers that be, there is convergence of all individuals in this action. In other words, individual wills are transformed into collective will.

To make human beings behave constructively and be able to change the world around them, it is therefore necessary to educate them. Kant, the philosopher, thus understands education: to develop in the individual all the perfection of which he is susceptible. Such is the noble purpose of education. Pestalozzi, consecrated pedagogue, says: to educate is to progressively develop man’s spiritual faculties. John Locke, great preceptor, expresses himself in this way on the subject: to educate is to make spirits upright, willing, at all times, to practice whatever is in accordance with the dignity and excellence of a sensible creature. Lessing, a no less illustrious authority, compares the work of education to the work of revelation, and says: education determines and accelerates man’s progress and improvement.

The fight against violence in the world will only be victorious with the education of all human beings in all quarters of the Earth so that, through this, they acquire the awareness of the world in which they live, organize themselves in each country and in all the world to carry out the political, economic and social changes necessary to eliminate social inequalities and obstacles to political, economic, social and environmental development in their respective countries. In parallel with the education effort of all human beings, humanity needs to be provided as urgently as possible with the necessary instruments to control its destiny and put into practice a model of society that promotes in each country, to the highest degree , economic, social and environmental progress and globally democratic governance in the world. This is the only means of survival of the human species and to stop the decadence of humanity that manifests itself in unbridled violence such as that which occurs at the moment. There is no other means capable of ensuring the interests of humanity and of all nations, of all forms of life and of future generations.

In every country in the world, a new model of society should be adopted that enables civilized coexistence among all human beings. This new model should be inspired by the social democracy that exists in the countries of Scandinavia (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland), where the most successful of all was implemented with the necessary improvements and adaptations. In 2013, The Economist magazine stated that the Scandinavian countries are probably the best governed countries in the world. The UN World Happiness Report 2014 shows that the happiest nations in the world are concentrated in Northern Europe, with Norway at the top of the list. The Scandinavian countries have the highest ranking in real GDP per capita, the highest healthy life expectancy, the greatest freedom to make life choices and the greatest generosity. It is no coincidence that the Scandinavian countries, in addition to having great economic and social successes, are leaders in HDI (Human Development Index) in the world.

A democratic governance of the world should exist to build the governability of the global economy and environment and the maintenance of world peace. Through it, the defense of the general interests of humanity would be pursued. It would ensure that each State respects the rights of every citizen in the world, seeking to prevent the spread of global systemic risks of an economic and environmental nature. It would avoid the empire of one and the anarchy of all as it is at the moment. Governance with these characteristics can only result from consensus among all peoples and nations in the world. The preservation of peace would be the first mission of any new form of global governance.

The new world order to be built must organize not only the relations between men on the face of the Earth, but also their relations with nature. It is necessary, therefore, that a planetary social contract be drawn up that enables economic and social development and the rational use of nature’s resources for the benefit of all humanity. The building of a new world order based on these principles is urgent. This government will exist one day even if it happens after a gigantic economic or environmental disaster. It is urgent to think about this in order to stop the violence and wars that proliferate around the world.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMO ELIMINAR A VIOLÊNCIA NO MUNDO

Fernando Alcoforado*

Vivemos em um mundo que tem como uma das suas características principais a violência praticada pelo homem contra seus semelhantes. A percepção de muita gente é a de que a violência representa o predomínio do instinto animal que possuímos sobre os valores da civilização. Isto explicaria a escalada da criminalidade e das guerras em todas as épocas em todo o mundo. O debate sobre a violência coloca na ordem do dia a questão sobre a natureza humana cujo tema foi tratado por eminentes pensadores como Raymond Aron (filósofo e sociólogo francês), Henry Bergson (filósofo e diplomata francês), Hannah Arendt (filósofa alemã), Sigmund Freud (austríaco, neurologista e fundador da Psicanálise), Carl Rogers (norte-americano precursor da psicologia humanista), Thomas Hobbes (cientista político, filósofo e matemático inglês), Jean-Jaques Rousseau (escritor e filósofo suíço) e Karl Marx (economista, filósofo, historiador e cientista político alemão), entre outros. Há milênios cientistas e filósofos levantam a seguinte questão: a natureza humana é inata ou é produto do ambiente ou de ambos? É determinada geneticamente ou pela sociedade onde vive o ser humano ou por ambos?

Por que o mundo se torna mais violento a cada ano? Não apenas se verifica um aumento do número de conflitos armados no globo, como as próprias pessoas estão mais violentas. Qual a explicação para isso? Não é incomum a afirmativa de que desde que o mundo existe, sempre existiu a violência entre os seres humanos. Será difícil encontrar alguém hoje que não acredite nesta afirmativa. E, no entanto, ela é falsa. Nos primórdios da humanidade não havia a violência que se manifesta hoje nas relações entre os indivíduos e entre as comunidades humanas e estados nações. Nenhum ser humano, nenhum povo daquele tempo longínquo teria tido a ideia de agredir um seu semelhante. É difícil tentar estabelecer um paralelo entre o modo de vida dos seres humanos daquela época com a humanidade de hoje. Naquela época, o viver em paz e harmonia com os seus semelhantes era para os seres humanos algo tão natural como respirar, comer e dormir. Seres humanos já viveram na Terra, sem se ofenderem ou se maltratarem uns aos outros, muito menos guerrearem entre si. Nenhum registro dessa época chegou até o presente e, por isso, é suposto que esta situação não tenha existido.

Segundo Raymond Aron, à medida que a vida do homem se organiza em famílias e em bandos, menos prováveis nos poderiam parecer as condutas propriamente belicosas. (ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as nações. Editora Universidade de Brasília, 1962). Vamos encontrar na Suméria a primeira prova da existência de tropas com treinamento militar. Segundo Aron, nenhum antropólogo encontrou jamais qualquer prova de que os homens tivessem elaborado uma organização ou uma tática de combate antes da Idade do Bronze (3300 a.C. a 1300-700 a.C.).  Não surpreende, pois, que os primeiros indícios incontestáveis dos exércitos e da guerra datem da Idade do Bronze que é um período da civilização no qual ocorreu o desenvolvimento desta liga metálica resultante da mistura de cobre com estanho.

Assim como para os primeiros seres humanos seria inconcebível a ideia de causar qualquer dano ao seu semelhante, hoje, soa como ilusão, fantasia, a ideia de um mundo sem conflitos, por considerarmos a violência como uma característica própria do ser humano. Pode-se especular se não teria havido uma fase intermediária entre os muitos milênios durante os quais o homem viveu sob a ameaça das feras e o período, bem mais curto, em que a ameaça a sua segurança passou a se originar em outros homens. Seria uma época em que os homens possuíam meios técnicos suficientes para a defesa contra as feras e sem engajamento na busca das riquezas e nas lutas de classes, nas conquistas e nos domínios. Está demonstrado que sociedades pequenas, sem instrumentos metálicos, isoladas, ainda não mostram traços característicos das sociedades belicosas.

Na espécie humana, porém, as manifestações de agressividade são inseparáveis da vida coletiva. Mesmo quando se trata da reação de um indivíduo contra outro, a agressividade é influenciada, de muitos modos, pelo contexto social. O surgimento de uma existência propriamente social não foi a única causa das novas dimensões que assumiu o fenômeno da agressividade: a frustação e a inadaptação resultantes da reação agressiva constituem o fato mais importante nas relações humanas. Aron é defensor da tese de que a frustação é uma experiência psíquica, revelada pela consciência. Todos os indivíduos sentem frustações desde a infância. A frustação é antes de mais nada a experiência de uma privação, isto é, um bem desejado e não alcançado, uma opressão sentida penosamente. A cadeia de causalidade que leva às emoções ou aos atos de agressividade se origina sempre em um fenômeno externo. Não há prova fisiológica que haja uma incitação espontânea à luta, originada no próprio organismo do indivíduo. A agressão física e a vontade de destruir não constituem a única reação possível à frustração.

Henry Bergson, por sua vez,  afirma que a origem da violência e da guerra é a existência da propriedade, individual  ou coletiva. Os povos que temem a falta de alimentos e das matérias-primas de que necessitam para sobreviver, estão prontos a atacar. Assim nascem as guerras autênticas, ajustadas à sua essência (BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French & European Pubns, 1976). Hannah Arendt abordou a questão da violência em sua obra On Violence publicado pela  Harvest Book em 1970 na qual discute, especialmente com Niezstche e Bergson, acerca do que ela chama da justificação biológica da violência. Arendt contesta esta posição, afirmando que “nada poderia ser teoricamente mais perigoso do que a tradição do pensamento organicista em assuntos políticos, por meio da qual poder e violência são interpretados em termos biológicos”.

Arendt sustenta que nem a violência nem o poder são fenômenos naturais, isto é, uma manifestação do processo vital, eles pertencem ao âmbito político dos negócios humanos, cuja qualidade essencialmente humana é garantida pela faculdade do homem para agir, a habilidade para começar algo novo.  Arendt descarta as metáforas orgânicas da violência como doença da sociedade. A desnaturalização do fenômeno da violência em Hannah Arendt é sua recusa em associar o processo histórico com a luta pela sobrevivência e a morte violenta no reino animal e de abrir mão do significado da política enquanto determinação do humano.

Freud enfatiza em sua obra os aspectos destrutivos do homem. Fica evidenciada a necessidade, colocada por Freud, no sentido de controlar e de coibir o indivíduo, devido ao perigo que ele poderia representar para a sociedade, o que o leva a concluir que o homem, por ele preconizado, não é, socialmente falando, muito digno de confiança. Segundo Freud, a sociedade civilizada está perpetuamente ameaçada pela desintegração por causa dessa hostilidade primária dos homens entre si. A cultura tem de recorrer a todo reforço possível a fim de erigir barreiras contra o instinto agressivo dos homens. Diante de um ser tão hostil e desintegrador, nada mais natural do que a sociedade fazer uso do seu poder de coerção (GUSMÃO, Sonia Maria Lima. A natureza humana segundo Freud e Rogers.  Disponível no website <http://www.rogeriana.com/sonia/natureza.htm&gt;).

Em Carl Rogers observa-se o oposto da visão de Freud, pois ele acredita que é justamente em um contexto coercitivo, onde o indivíduo não pode expandir-se, ou melhor, atualizar o seu potencial, que o torna hostil ou antissocial. Caso contrário, nada temos a temer, pois, seu comportamento tenderá a ser construtivo. Rogers observa que, quando o homem é, verdadeiramente, livre para tornar-se o que ele é no mais fundo de seu ser, quando é livre para agir conforme sua natureza, como um ser capaz de perceber as coisas que o cercam, então ele, nitidamente, se encaminha para a globalidade e a integração.

Hobbes tem como tese central sobre a conduta humana, que todos os seres humanos são egoístas e estão dispostos a usar os outros em seu próprio benefício. Hobbes fala da “guerra de todos contra todos”, à luta permanente que se desencadearia se os homens não vivessem em segurança e tivessem que depender por completo dos seus próprios recursos. Hobbes procura mostrar que não pode haver sociedade sem governo e sem as sanções da lei. Haveria apenas indivíduos antagônicos entre si. A competição – o desejo de superar o outro – é parte da trama de nossas vidas: ou queremos alcançar algo à custa dos outros, ou queremos defender aquilo que já conquistamos (TRIGG, Roger. A Natureza Humana em Hobbes. Disponível no website <http://qualia-esob.blogspot.com.br/2008/03/natureza-humana-em-hobbes.html>).

A ideia central no pensamento de Rousseau se fundamenta na convicção da bondade natural do homem. Segundo Rousseau, os percalços da socialização afastaram o homem de si próprio lançando-o contra o seu semelhante. É nesse processo de transformação que o homem se degenera. Para Rousseau, a socialização é a causa da desnaturação do homem, e o melhor caminho para a sua degradação. A comunhão com a natureza é a única forma de preservação da verdadeira essência do homem. J.J. Rousseau pensava que as guerras surgem, ou pelo menos se ampliam, com a expansão das coletividades e que a desigualdade de classe e a propriedade individual estão ligadas às guerras de conquista e ao domínio pelos guerreiros(FULGERI, Dalva de Fatima. Conceito de natureza em Rousseau. Disponível no website <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm>).

Marx apresentou uma definição da essência da natureza humana nos Manuscritos Filosóficos, caracterizando os seres humanos como atividade livre e consciente, em contraste com a natureza do animal (NOMOSOFIA. A Natureza do Homem Segundo Karl Marx. Disponível no website <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>). Marx afirma que os conflitos sociais resultam da divisão da sociedade em classes com o surgimento da propriedade privada em substituição à propriedade coletiva dos meios de produção imperante nas sociedades primitivas (VIANA, Nildo. A Renovação da Psicanálise por Erich Fromm. Disponível no website <http://br.monografias.com/trabalhos914/renovacao-psicanalise-fromm/renovacao-psicanalise-fromm.shtml>).

Pelo exposto, constata-se que Aron defende a tese de que a agressividade é influenciada, de muitos modos, pelo contexto social, Bergson, afirma que a origem da violência e da guerra é a existência da propriedade, individual ou coletiva, Arendt sustenta que nem a violência nem o poder são fenômenos naturais, isto é, uma manifestação do processo vital os quais pertencem ao âmbito político dos negócios humanos, Freud e Hobbes convergem em seus pensamentos ao considerar os instintos agressivos do homem e a necessidade da coerção para reprimi-los. A visão pessimista de Freud e Hobbes é contraposta à de Carl Rogers que afirma que apenas em um contexto coercitivo o homem se torna hostil ou antissocial e que se não há coerção ele tenderá a ser construtivo. Rousseau tem como ideia central a convicção da bondade natural do homem e de que a sociedade é que o degenera lançando-o contra o seu semelhante. Marx afirma que o homem é artífice do seu próprio desenvolvimento e que os seres humanos são capazes de mudar o mundo ao seu redor e, fazendo isso, mudam a si mesmos.

Historicamente, grande parte das discussões sobre as origens ou causas do comportamento humano nos revela a existência de uma questão altamente controversa. Trata-se da controvérsia entre a influência do ambiente social sobre o comportamento das pessoas versus a herança biológica determinando o comportamento das pessoas que é o que faz a epigenética. Modernamente, há quem defenda a epigenética como explicação para o problema da violência. Discordo inteiramente de atribuir o problema da violência humana à epigenética e não ao ambiente social onde ele vive.

A premissa básica da influência da herança biológica é o de que a pessoa a recebe de seus pais. Quem defende a influência da herança biológica considera que as características básicas do homem (sua inteligência, personalidade, traços físicos etc.) já estão formadas, “prontas” ao nascimento, devido à sua herança biológica (seu dote nativo). Esta visão resultou na crença de que o comportamento humano (ou grande parte dele) é inato, no sentido de que nós nascemos com determinadas tendências e propensões, que não podem ser alteradas por aprendizagem.

Há dois erros básicos da influência da herança biológica: 1) As células sexuais não são caracteres, traços ou características (físicas ou comportamentais), mas sim uma informação genética ou genes. Não há genes que tornem alguém um músico ou um cientista. Os genes criam as bases para os traços culturais, mas não forçam o desenvolvimento de nenhum traço em particular. Caracteres adquiridos não são transmitidos por via biológica; e, 2) Qualquer traço, caráter ou característica que o indivíduo apresenta ao nascer é, por definição, inato ou congênito, mas não necessariamente hereditário (genético), pois há traços causados por fatores ambientais.

A premissa básica da influência do ambiente social é o de que ele é o principal responsável pela formação das características básicas do homem, especialmente de sua capacidade intelectual. Segundo o filósofo John Locke, a mente do recém-nascido era uma tabula rasa (página, folha ou tela em branco) – a história a ser ali escrita tinha por autor o meio ambiente social, isto é, as condições e experiências de vida do indivíduo. Um dos adeptos mais importantes dessa posição foi o psicólogo John B. Watson, fundador do behaviorismo nos Estados Unidos, que, em seus vários trabalhos, insistia numa explicação “cultural” ou “ambiental” do desenvolvimento do comportamento humano, admitindo como premissa básica o fato de que os seres humanos são infinitamente maleáveis, quase totalmente a mercê de seu ambiente social.

O comportamento aprendido resulta da interação do indivíduo com o meio social; esta interação cria experiências que se registram na memória e contribuem para o aperfeiçoamento dos desempenhos subsequentes. Nota-se que, por resultar de uma interação do indivíduo com o meio social, sua execução é possibilitada pela constituição genética do indivíduo. Portanto, é equivocado o posicionamento daqueles que interpretam o problema da violência humana associando-a à epigenética e não ao ambiente social. O ambiente social é que determina o comportamento humano, inclusive seu comportamento político e social.

A violência individual que venha a ser exercida pelo ser humano pode ser atribuída, portanto, a fatores endógenos ou intrinsecos e exógenos ou externos ao indivíduo. Há indivíduos que agem com violência e outros não quando são vítimas da ação de terceiros. Outros indivíduos agem violentamente contra seus semelhantes quando buscam alcançar seus objetivos com o uso da força. Ao nível do individuo, é preciso identificar se seu comportamento violento está relacionado com sua estrutura psíquica ou sua estrutura de caráter. Se o problema é psíquico, o individuo deve ser tratado por psiquiatras e se for de caráter, que é composto por atitudes e hábitos de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações, incluindo atitudes, valores conscientes e comportamentos, ele deve ser tratado por psicólogos e educadores. O problema psíquico demanda a ação do psiquiatra e o problema de caráter demanda a ação da educação apoiada pela psicologia.

Outra abordagem que temos que temos que considerar do ponto de vista da violência é a da violência coletiva. A violência coletiva é exercida pelos governos com o uso das forças policiais para combater o crime e, também, reprimir os movimentos sociais que ameaçam os detentores do poder e as classes sociais dominantes. A violência coletiva extrema é exercida pelos governos quando procura ditatorialmente exercer seu poder esmagando pela força seus oponentes, mas a violência coletiva pode surgir, também, na sociedade quando classes sociais se unem para derrubar um governo que atenta contra seus interesses ou promover mudanças sociais. No caso da violência praticada pelos governos, ela é institucionalizada e, no caso da violência popular, esta é sempre articulada em resposta à violência praticada pelos detentores do poder. Quando uma massa de indivíduos se junta para exercer a violência contra os poderes constituidos, há convergência de todos os indivíduos nesta ação. Em outras palavras, as vontades individuais se transformam em vontade coletiva.

Para fazer com que os seres humanos tenham comportamento construtivo e sejam capazes de mudar o mundo ao seu redor, é preciso, portanto, educá-los. Kant, o filósofo, assim compreende a educação: desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que ele é suscetível, Tal é a nobre finalidade da educação. Pestalozzi, pedagogo consagrado, diz: educar é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem. John Locke, grande preceptor, se expressa desta maneira sobre o assunto: educar é fazer espíritos retos, dispostos, a todo o momento, a praticarem o que seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata. Lessing, autoridade não menos ilustre, compara a obra da educação à obra da revelação, e diz: a educação determina e acelera o progresso e o aperfeiçoamento do homem.

O combate à violência no mundo só será vitorioso com a educação de todos os seres humanos em todos os quadrantes da Terra a fim de que, por este intermédio, adquiram a consciência do mundo em que vivem, se organizem em cada país e em todo o mundo, para realizarem as mudanças políticas, econômicas e sociais necessárias à eliminação das desigualdades sociais e dos entraves ao desenvolvimento político, econômico, social e ambiental em seus respectivos países. Paralelamente ao esforço de educação de todos os seres humanos, é preciso que a humanidade seja dotada o mais urgentemente possível de instrumentos necessários a ter o controle de seu destino e colocar em prática um modelo de sociedade que promova em cada país, no mais alto grau, o progresso econômico, social e ambiental e globalmente uma governança democrática do mundo. Este é o único meio de sobrevivência da espécie humana e para sustar a decadência da humanidade que se manifesta na violência desenfreada como a que ocorre no momento. Não existe nenhum outro meio capaz de assegurar os interesses da humanidade e de todas as nações, de todas as formas de vida e das gerações futuras.

Em cada país do mundo, deveria ser adotado um novo modelo de sociedade que possibilite uma convivência civilizada entre todos os seres humanos. Este novo modelo deveria ser inspirado na social democracia existente nos países da Escandinávia (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) onde foi implantado o mais bem sucedido entre todos eles com os necessários aperfeiçoamentos e adaptações.  Em 2013, a revista The Economist declarou que os países escandinavos são provavelmente os mais bem governados do mundo. O relatório World Happiness Report 2014 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista. Os países escandinavos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade. Não é por acaso que os países escandinavos, além de apresentarem grandes êxitos econômicos e sociais, são líderes em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo.

Uma governança democrática do mundo deveria existir para construir a governabilidade da economia e do meio ambiente global e a manutenção da paz mundial. Por seu intermédio, seria perseguida a defesa dos interesses gerais da humanidade. Ela zelaria  no sentido de cada Estado respeitar os direitos de cada cidadão do mundo buscando impedir a propagação dos riscos sistêmicos mundiais de natureza econômica e ambiental. Ela evitaria o império de um só e a anarquia de todos como ocorre no momento. Uma governança com essas características  só pode resultar do consenso entre todos os povos e nações do mundo. A preservação da paz seria a primeira missão de toda nova forma de governança mundial.

A nova ordem mundial a ser edificada deve organizar não apenas as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade. A edificação de uma nova ordem mundial baseada nesses princípios é urgente. Esse governo vai existir um dia mesmo que aconteça após um gigantesco desastre econômico ou ambiental. É urgente pensar nisso para sustar a violência e as guerras que proliferam em todo o mundo.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).