O FRACASSO DO BRASIL NO COMBATE AO NOVO CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

Este artigo visa demonstrar o fracasso do Brasil no combate ao novo Coronavirus. Em 20/05/2020, publicamos em vários websites o artigo O Brasil rumo ao colapso do sistema de saúde. Neste artigo afirmamos que a oferta de leitos vinham diminuindo dia a dia em várias capitais e que, considerando o ritmo de evolução da pandemia de Covid-19 no Brasil, as unidades de terapia intensiva (UTIs) disponíveis no país não seriam suficientes para atender a demanda. Parece que nosso prognóstico está se realizando porque o colapso do sistema de saúde está próximo devido à falta coordenação nacional no combate ao novo Coronavirus e a adoção da flexibilização do isolamento social. Esta situação está próxima de ocorrer em vários estados do Brasil cujas capacidades das UTIs estão próximas de colapsar devido à impossibilidade de atender a demanda.

No artigo acima citado, afirmamos que o Brasil estaria próximo de colapsar seu sistema de saúde porque os leitos de UTIs do SUS já estariam no limite de sua capacidade e os leitos das UTIS privadas não teriam capacidade suficiente para absorver as demandas de doentes infectados. Diante desta situação catastrófica para o sistema de saúde do Brasil, afirmamos que não haveria outra alternativa senão adotar o “lockdown” imediatamente para paralisar o crescimento do número de infectados e de mortos que deveria ser adotado especialmente em cidades e regiões críticas do ponto de vista da capacidade de atendimento do sistema de saúde. Ao contrário da adoção desta solução, alguns governadores e prefeitos decidiram flexibilizar o isolamento social para evitar o colapso do sistema econômico. Ao evitar o colapso da economia brasileira o sistema de saúde do Brasil será levado ao colapso.

Os dados atuais sobre taxa de ocupação de leitos de UTI indicados abaixo confirmam nossas projeções que indicavam a iminência do colapso do sistema de saúde do Brasil.

Taxa de ocupação de leitos de UTI

 Acre – 82,6% em todo o estado em 4/6

Alagoas – 79% em todo o estado 4/6

Amapá – 98,84% em todo o estado em 4/6

Amazonas – 70% em todo o estado em 3/6

Bahia – 70% em todo o estado em 4/6

Ceará – 82,72% em todo o estado em 4/6

Distrito Federal – 69,5% na rede privada e 42,24% na rede pública em 29/5

Espírito Santo – 85,14% em todo o estado em 4/6

Goiás – 46,6% dos leitos de gestão estadual, em todo o estado em 3/6

Maranhão –96,25% na Grande São Luís, 80,85% no interior e 85,2% em Imperatriz em 2/6

Mato Grosso – 17,9% em todo o estado em 4/6

Mato Grosso do Sul – 7% em todo o estado em 4/6

Minas Gerais – 71% em todo o estado em 3/6

Pará – 79% em todo o estado em 3/6

Paraíba – 69% em todo o estado em 3/6

Paraná – 40% em todo o estado em 4/6

Pernambuco – 98% em todo o estado em 3/6

Piauí – 61% em todo o estado em 24/5

Rio de Janeiro – 86% em todo o estado em 24/5

Rio Grande do Norte – 84% em 4/6

Rio Grande do Sul – 72,9% em todo o estado em 4/6

Rondônia – 77,9% em todo o estado em 3/6

Santa Catarina – 61,7% do sistema público em todo o estado em 3/6

São Paulo – 71,4% em todo o estado em 4/6

Sergipe – 56,7% do sistema público em todo o estado em 2/6

Tocantins – 60% dos leitos ocupados em 3/6

Roraima não divulgou a lotação dos leitos de UTI do estado.

Percebe-se que à exceção de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná os demais estados do Brasil apresentam taxas de ocupação de UTIs superiores a 60% com a maioria deles apresentando taxas superiores a 80% e 90%. Estes dados foram publicados no artigo Casos de coronavírus e número de mortes no Brasil em 5 de junho publicado no website <https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/05/casos-de-coronavirus-e-numero-de-mortes-no-brasil-em-5-de-junho.ghtml>.

O Imperial College de Londres realizou estudo sobre o novo Novo Coronavirus em vários países do mundo. Relatório sobre o Brasil, elaborado por Thomas A Mellan, Henrique H Hoeltgebaum, Swapnil Mishra e outros, tendo como título “Report 21: Estimating covid-19 cases and reproduction number in Brazil”, prevê que, no pior cenário para o Brasil, se ninguém ficar em quarentena e se os testes não forem multiplicados, haveria até 188 milhões de contaminados (o equivalente a 88% de toda a população brasileira) e 1,1 milhão de mortos. Mais de 6,2 milhões de pessoas passariam pelos hospitais do País por causa do coronavírus colapsando o sistema de saúde. Em cenário de quarentena apenas para os idosos, o número de mortes variaria entre 322 mil e 530 mil, a depender da taxa de transmissão e as medidas de saúde pública. No melhor cenário calculado com 75% de toda a população em quarentena, com testes para todos os pacientes com suspeita, o número de mortes pela covid-19 no país não passaria de 44,3 mil. Nestas condições, no pico da pandemia, haveria demanda para 72 mil leitos ao mesmo tempo. Portanto, com o melhor cenário de quarentena para 75% de toda a população pode salvar até 1 milhão  de pessoas no Brasil, calcula o Imperial College.

O artigo sob o título Número de mortes no Brasil passa o da Itália e chega a 34.021; país agora é o 3º do mundo com mais óbitos, publicado no website <https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/04/brasil-tem-34021-mortes-por-coronavirus-diz-ministerio.ghtml> informa que o Brasil superou a Itália em número de mortos por complicações da Covid-19. Com mais um recorde diário de mortes (1.473 mortes por dia), o país acumula 34.021 vidas perdidas durante a pandemia e está atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde. São 614.941 de casos confirmados, 325.957 pacientes em acompanhamento (53 %) e 259.963 pacientes recuperados (41,5 %). Como a evolução do número de infectados e mortos crescem vertiginosamente no Brasil, o governo Bolsonaro que se opõe ao isolamento social decidiu hoje (6/6/2020) omitir criminosamente os dados da pandemia no país para que a população brasileira não tome conhecimento da gravidade da situação e não pressione os governos federal, estadual e municipal para adotarem o lockdown.

Levando em conta a decisão de alguns governadores e prefeitos de flexibilizarem o isolamento social para evitar o colapso da economia mesmo com o avanço de número de contaminados e de mortos pela Covid-19 e, considerando os estudos do Imperial College, o Brasil poderá ter 188 milhões de infectados e 1,45 milhão de mortos.  Se fosse adotado o lockdown com 75% de toda a população em quarentena, com testes para todos os pacientes com suspeita, o número de mortes pela Covid-19 no país não passaria de 44,3 mil, segundo o Imperial College. Ao flexibilizar o isolamento social, os governadores e prefeitos estão contribuindo para colapsar o sistema de saúde e para o assassinato coletivo de 1,45 milhão de habitantes. Este é o preço a ser pago pelo povo brasileiro, especialmente, pela população mais vulnerável graças à irresponsabilidade de alguns governadores e prefeitos.

É oportuno observar que o epidemiologista-chefe dos Estados Unidos, Anthony Fauci, disse em seu depoimento à Comissão de Saúde do Senado que uma retomada prematura da economia norte-americana causaria sofrimento e morte desnecessários no país. Uma retomada prematura da economia poderia ter “consequências muito sérias” e que o número de mortos no país será “quase certamente” maior do que os mais de 88 mil já registrados até aquele momento de seu depoimento. A pandemia, enfatizou o cientista, não está totalmente sob controle. Se algumas áreas, cidades, estados pularem etapas e reabrirem prematuramente sem ter a capacidade de responder com eficácia e eficiência a doença, sua preocupação é que começaremos a ver pequenos picos que podem se transformar em surtos, disse Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas desde 1984, aos senadores. Na realidade, segundo ele, paradoxalmente, isso levará a um atraso que causará não só sofrimento e mortes que poderiam ser evitados, mas também poderá significar um atraso na recuperação econômica. É este cenário que se vislumbra. também, para o Brasil.

Pode-se concluir pelo exposto que se trata de ato irresponsável retomar a atividade econômica, exceto as essenciais, de forma prematura como ocorre no Brasil porque causará sofrimento e morte desnecessários. O Brasil só deveria retomar as atividades econômicas quando as curvas de infectados e de mortos pelo novo Coronavirus estivessem caindo, fato este que não se verifica no momento atual. A saúde da população deve ser considerada prioritária e não a retomada da atividade econômica. A estratégia correta do momento deveria ser a adoção do lockdown para fazer com que a curva de infectados e mortos pelo novo Coronavirus comece a decrescer para não pressionar o sistema de saúde.

As cidades e regiões em lockdown só deveriam ser liberados gradativamente da mesma forma como ocorreu na China com a população usando máscara facial, sendo submetida a constantes medições de temperatura, além da população ser controlada por meio de um código QR (Quick Response code) de saúde municipal que funciona como passaporte de imunidade. Em diversas cidades chinesas, há um QR para cada habitante, informando sua condição de saúde com base tanto em declarações próprias quanto em dados de que o governo dispõe. Assim, os cidadãos recebem códigos marcados em verde, amarelo ou vermelho. Somente os residentes com código verde podem circular livremente pela cidade. Os portadores de códigos amarelos e vermelhos devem se manter em quarentena e se registrar diariamente numa plataforma de internet para prestar informações, até obterem o código verde.

Além dessas medidas a serem adotadas por estados e municípios, deveria ser distribuída renda pelo governo federal para as populações, sobretudo as vulneráveis, para evitar que, por necessidade de sobrevivência, elas sejam obrigadas a sair de suas residências para trabalharem em escritórios ou nas ruas. Em outras palavras, o governo federal deveria pagar as pessoas para não saírem às ruas para não contaminarem ou serem contaminadas pelo vírus. Medidas deveriam ser adotadas, também, pelo governo federal para ajudar as empresas, especialmente as micro, pequena e média empresas, para sobreviverem neste momento de queda em suas receitas, bem como aos estados e municípios para evitarem sua insolvência devido à queda na arrecadação de impostos. Só o governo federal tem capacidade de colocar em prática essas medidas.

Para essas medidas serem bem sucedidas e resultarem no sucesso do combate ao novo Coronavirus no Brasil, urge a ação coordenadora do governo federal. A condição indispensável para o Brasil vencer a guerra contra o novo Coronavirus é o governo em todos os níveis e a população estarem unidos contra o inimigo comum. Lamentavelmente, no Brasil, esta situação não existe porque o Presidente da República Jair Bolsonaro está contra o isolamento social da população desrespeitando sistematicamente todas as medidas restritivas à aglomeração de pessoas sob o pretexto de que é preciso salvar, também, a economia brasileira da debacle. Em sua ação comprometedora da luta contra o novo Coronavirus, Bolsonaro afirma que as pessoas devem voltar ao trabalho. O fato de Bolsonaro assumir esta atitude está incentivando um grande número de pessoas a deixarem o isolamento em que se encontram e voltarem para a rua como já está ocorrendo em várias cidades do Brasil contribuindo para a elevação do número de contaminados e mortos pelo novo Coronavirus. O fim do isolamento social de muita gente está relacionada, também com o fato de precisarem trabalhar para sobreviver haja vista que o governo Bolsonaro não oferece às pessoas e empresas as condições necessárias à sua sobrevivência.

Além de atuar no sentido de destruir o esforço de governadores e prefeitos para combater o novo Coronavirus, o governo Bolsonaro não age com a urgência necessária no plano econômico com a liberação dos recursos financeiros que dispõe aprovados pelo Congresso Nacional para ajudar as populações vulneráveis a combater a fome, as empresas em geral para não serem levadas à falência e os estados e prefeituras municipais para evitarem sua insolvência. O Brasil precisa urgentemente de alinhamento estratégico do governo federal com os estados e municípios nas ações de saúde com as de natureza econômica para combater o novo Coronavirus. Muito dificilmente, o governo Bolsonaro adotará as medidas aqui propostas que nos leva à conclusão de que o Brasil fracassará no combate ao novo Coronavirus disto resultando o assassinato coletivo de cerca de 1,8 milhão de habitantes.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

FROM THE DEPLORABLE CURRENT PROGRESS TO FUTURE PROGRESS FOR THE BENEFIT OF ALL HUMANITY

Fernando Alcoforado*

This article shows that the progress made by humanity throughout history has produced not only benefits, but also several harms that need to be eliminated in the future. This article proposes the bases for a new progress for humanity that produces only benefits that will only be realized with the implantation of a new political, economic and social order of society at the national level, the ordering of international relations at the global level and the promotion of sustainable development.

Progress can be defined as a cumulative process in which the most recent stage is always considered preferable and better, that is, qualitatively superior, to what preceded it. In this sense, the change occurs in a certain direction and this progression is interpreted as an improvement over the previous situation. Thus, change is oriented towards the best, it is necessary, that is, progress cannot be stopped, and it is irreversible, that is, no return to the past is possible. Improvement would be inevitable. Tomorrow will always be better than today.

In summary, the definition of progress incorporates three key ideas: (1) a linear conception of time and that history has a meaning, oriented towards the future; (2) the idea of a fundamental unity of humanity, all of which is called to evolve in the same direction together; and (3) the idea that the world can and must be transformed, which implies that man asserts himself as the sovereign master of nature. The concept of progress implies an idolatry of the new. Each innovation is considered better simply because it is new. This thirst for novelty, equated with the best, quickly became one of the obsessions of modernity [BENOIST, Alain de. Uma Breve História da Ideia de Progresso (A Brief History of the Idea of Progress). Available on the website <http://legio-victrix.blogspot.com/2011/08/uma-breve-historia-da-ideia-de.html>%5D.

The theory of progress fosters the idea that indefinite growth is both normal and desirable, and that a better future depends on an increasing volume of goods produced, an idea that favors the globalization of trade. This idea also inspires the “developmentalism” ideology for economically backward societies and extols the Western model of production and consumption as the destiny of all mankind. This development ideology was perfectly formulated in 1960 by Walt Rostow, who listed the “phases” that each society must go through to reach the stage of advanced societies.

The idea of ​​“progress” in social thought came with the industrial revolution that occurred in the 18th century. From the 18th century to the 20th century, it came to be believed that the only reliable means for improving the human condition come from new machines, chemicals and of the most diverse techniques. There was a widespread belief that there is a positive link between technical development and human well-being and that the next wave of innovations will provide even greater progress. Society lives, more than ever, under the auspices and domains of science and technology. The propaganda that is made about science and technology is so intense that a significant portion of people believes that they only bring benefits to society. For man, technology makes life easier, cleaner and longer. Man cultivates a growing dependence on science and technology in the contemporary era.

The thesis that science and technology were the primary factors responsible for human progress was challenged by the explosions of atomic bombs in World War II in Nagasaki and Hiroshima. There was a discussion not only on the positive side provided by science and technology. A climate of crisis and doubt about them has surfaced. Along with the benefits of science and technology, came napalm, defoliants, radioactivity, and the atomic bomb. But, can it be said that humanity has progressed with the advancement of science?

Theodor Adorno and Max Horkheimer, philosophers linked to the Frankfurt School, claim in A Dialética do Esclarecimento (The Dialectic of Enlightenment), published by  Zahar Editora (1985) that the supremacy of science and technology has paved the way for political ravages in favor of market capitalism. Being global and ubiquitous, market capitalism has the necessary technique, provided by science and technology, to make men cogs in its engine, canceling them out. Capitalist economy, science and technology, now merged as if they were a single instance, consolidate their supremacy over contemporary society, determining their directions with the same boldness and impersonality of an invisible hand, according to Adorno and Horkheimer.

Humanity experienced rapid economic growth from the Industrial Revolution, but it also created an unstable world. In many countries, for the first time in centuries, we are faced with the dizzying increase in social inequalities, the exhaustion of natural resources such as oil, as well as catastrophic global climate change. Capitalism has, throughout history, tended to produce ever-greater levels of social inequality as a result of the poor distribution of wealth and income. Humanity already consumes more natural resources (water, oil, minerals, etc.) than the planet is capable of replacing. The consumption of humanity has skyrocketed, but the growth of wealth has occurred at the expense of the depletion of the planet’s natural resources. The current pace of consumption is a threat to the future prosperity of humanity. In the last 45 years, the demand for the planet’s natural resources has doubled, due to the rise in the standard of living in rich and emerging countries and the increase in the world population. The emission of greenhouse gases contributes to the occurrence of global climate changes, which tends to worsen until the end of the 21st century, increasing the risks of hunger, floods and conflicts around the world.

The facts of life show that material progress does not make man better and that progress recorded in one domain is automatically reflected in others. Today, more than ever, it is quite evident that the capitalist system on a national and global scale multiplies social and economic pathologies and that industrial modernization results in an unprecedented degradation of nature. Increasingly large segments of the population now understand that “more” is not synonymous with “better”. They are distinguishing between having and being, material happiness and happiness in general. The development of science is perceived more as a threat to the survival of humanity than contributing to the happiness of all human beings with its large-scale use for war and destruction.

Isn’t it time to look for another way to promote the progress of humanity? It is unacceptable that a society like the current one that has people starving to death can be considered an evolved society, no matter how powerful their computers are. His ability to destroy others and himself, the present and the future, has reached unimaginable proportions. What progress is this that attacks the environment and the human being himself? What progress is this that overestimates science and technology and seems to have no eyes for misery, hunger and injustice?

It is worth noting that Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, Marquis de Condorcet, one of the ideological leaders of the French Revolution, mathematician and philosopher, stated that the state of evolution and improvement of humanity could no longer be interrupted, unless there was a worldwide catastrophe (our griffin). [CONDORCET. Esquisse d’um tableau historique dês progreès de l’esprit humain (Sketch of a historical picture of the progress of the human spirit) published by Garnier-Flammarion (Paris, 1988)]. The current world scenario points in the direction of catastrophes with the possibility of a total collapse such as the widespread and lasting interruption of the internet, the exhaustion of the global food supply system, a continental electromagnetic pulse that destroys all electronic devices, the collapse of globalization, the destruction of life on Earth by asteroids, the destruction of Earth by exotic particles coming from space, global climate change, the end of the global oil supply, a global pandemic like the Coronavirus, the collapse in the supply of electricity and drinking water, intelligent robots that overcome humanity and the collapse of the global financial markets. These catastrophes could bring to an end the progress made by humanity. How to transform the current deplorable progress that attacks life on Earth into new progress on new bases for the benefit of all humanity? It would be necessary to eliminate the current chaos in the economy, in international relations and the environment with the ordering of society at national and global levels and the promotion of sustainable development.

The ordering of society at the national level can be achieved with the adoption of the model of social democracy implanted in the Scandinavian countries that are considered to have the greatest economic and social progress whose peoples are considered the happiest in the world according to the UN World Happiness Report 2019. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of compromise between capitalism and socialism. It is neither totally capitalist nor totally socialist, the attempt being to merge the most desirable elements of both into a “hybrid” system. Nordic countries have the highest ranking in real GDP per capita, the highest healthy life expectancy, the greatest freedom to make life choices and the greatest generosity.

The ordering of society at the world level could be achieved with the constitution of a world government that would aim not only at economic order and international relations on a world scale, but above all, create the conditions to face the challenges of humanity in the 21st Century that could lead to its total collapse represented by the interruption widespread and lasting effect of the internet, the depletion of the global food supply system, a continental electromagnetic pulse that destroys all electronic devices, the collapse of globalization, the destruction of life on Earth by asteroids, the destruction of Earth by exotic particles coming from space, global climate change, the end to the global supply of oil, a global pandemic such as Coronavirus, a collapse in the supply of electricity and drinking water, intelligent robots that surpass humanity and the collapse of the global financial markets . Individual countries, even the most powerful, and current world institutions such as the UN, IMF, WTO, among others, do not have the conditions to carry out these actions.

The promotion of sustainable development is imperative in the era in which we live because humanity faces great threats, of an environmental nature, represented by the depletion of the planet’s natural resources, the disorderly growth of cities and the catastrophic global climate change that tends to produce serious repercussions on economic activities and the worsening of humanity’s social problems with serious consequences for the health of the population and unemployment. It is for all these reasons that it is imperative to establish a sustainable society on a world scale that is one that meets the needs of the current generation without diminishing the possibilities of future generations to satisfy theirs. How to build a sustainable global society?

To be sustainable, a society must achieve a high level of development when its members, in addition to acting interdependently, share common goals. The new Global Sustainable Society must be based on a Planetary Social Contract to build a new world order aiming to organize not only the relations between men on the face of the Earth, but also their relations with nature. It is necessary, therefore, that a planetary social contract be drawn up that enables economic and social development and the rational use of nature’s resources for the benefit of all humanity based on the sustainable development model for the benefit of all human beings. This Planetary Social Contract should result from the will of the UN General Assembly that would constitute the new World Parliament that would elect a World Government representative of the will of all the peoples of the world.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

DU PROGRÈS ACTUEL DÉPLORABLE AU PROGRÈS FUTUR AU PROFIT DE TOUTE L’HUMANITÉ

Fernando Alcoforado*

Cet article montre que les progrès réalisés par l’humanité tout au long de l’histoire ont produit non seulement des avantages, mais aussi plusieurs préjudices qui doivent être éliminés à l’avenir. Cet article propose les bases d’un nouveau progrès pour l’humanité qui ne produit que des bénéfices qui ne se concrétiseront qu’avec l’implantation d’un nouvel ordre politique, économique et social  au niveau national, l’ordonnancement des relations internationales au niveau mondial et la promotion du développement durable.

Le progrès peut être défini comme un processus cumulatif dans lequel l’étape la plus récente est toujours considérée comme préférable et meilleure, c’est-à-dire qualitativement supérieure à ce qui l’a précédé. En ce sens, le changement se produit dans une certaine direction et cette progression est interprétée comme une amélioration par rapport à la situation précédente. Ainsi, le changement est orienté vers le meilleur, il est nécessaire, c’est-à-dire que le progrès ne peut pas être arrêté, et il est irréversible, c’est-à-dire qu’aucun retour au passé n’est possible. Une amélioration serait inévitable. Demain sera toujours meilleur qu’aujourd’hui.

En résumé, la définition du progrès intègre trois idées clés: (1) une conception linéaire du temps et que l’histoire a un sens, orientée vers l’avenir; (2) l’idée d’une unité fondamentale de l’humanité, qui est appelée à évoluer ensemble dans la même direction; et (3) l’idée que le monde peut et doit être transformé, ce qui implique que l’homme s’affirme comme le maître souverain de la nature. Le concept de progrès implique une idolâtrie du nouveau. Chaque innovation est considérée comme meilleure simplement parce qu’elle est nouvelle. Cette soif de nouveauté, assimilée aux meilleures, est rapidement devenue une des obsessions de la modernité [BENOIST, Alain de. Uma Breve História da Ideia de Progresso (Une brève histoire de l’idée du progrès). Disponible sur le site <http://legio-victrix.blogspot.com/2011/08/uma-breve-historia-da-ideia-de.html>].

La théorie du progrès favorise l’idée qu’une croissance indéfinie est à la fois normale et souhaitable, et qu’un avenir meilleur dépend d’un volume croissant de biens produits, une idée qui favorise la mondialisation des échanges. Cette idée inspire également l’idéologie du «développementalisme» pour les sociétés économiquement arriérées et vante le modèle occidental de production et de consommation comme le destin de toute l’humanité. Cette idéologie du développement a été parfaitement formulée en 1960 par Walt Rostow, qui a énuméré les «phases» que chaque société a dû traverser pour atteindre le stade des sociétés avancées.

L’idée de «progrès» dans la pensée sociale est venue avec la révolution industrielle qui s’est produite au XVIIIe siècle des techniques les plus diverses. Il y avait une croyance répandue qu’il existe un lien positif entre le développement technique et le bien-être humain et que la prochaine vague d’innovations offrira des progrès encore plus importants. La société vit plus que jamais sous les auspices et les domaines de la science et de la technologie. La propagande qui est faite au sujet de la science et de la technologie est si intense qu’une partie importante de la population pense qu’elle n’apporte que des avantages à la société. Pour l’homme, la technologie rend la vie plus facile, plus propre et plus longue. L’homme cultive une dépendance croissante à l’égard de la science et de la technologie à l’époque contemporaine.

La thèse selon laquelle la science et la technologie étaient les principaux facteurs responsables du progrès humain a été contestée par les explosions de bombes atomiques pendant la Seconde Guerre mondiale à Nagasaki et Hiroshima. Il y a eu une discussion non seulement sur le côté positif fourni par la science et la technologie. Un climat de crise et de doute à leur sujet a refait surface. Avec les avantages de la science et de la technologie, le napalm, les défoliants, la radioactivité, la bombe atomique sont venus. Mais peut-on dire que l’humanité a progressé avec le progrès de la science?

Theodor Adorno et Max Horkheimer, philosophes liés à l’école de Francfort, affirment dans A Dialética do Esclarecimento (The Dialectic of Enlightenment), publié pour Zahar Editora (1985), que la suprématie de la science et de la technologie a ouvert la voie à des ravages politiques en faveur du capitalisme de marché. Étant global et omniprésent, le capitalisme de marché a la technique nécessaire, fournie par la science et la technologie, pour faire des hommes les rouages de son moteur, les annulant. L’économie, la science et la technologie capitalistes, maintenant fusionnées comme si elles n’étaient qu’une seule instance, consolident leur suprématie sur la société contemporaine, déterminant leurs orientations avec la même audace et l’impersonnalité d’une main invisible, selon Adorno et Horkheimer.

L’humanité a connu une croissance économique rapide à partir de la révolution industrielle, mais elle a également créé un monde instable. Dans de nombreux pays, pour la première fois depuis des siècles, nous sommes confrontés à l’augmentation vertigineuse des inégalités sociales, à l’épuisement des ressources naturelles telles que le pétrole, ainsi qu’à des changements climatiques mondiaux catastrophiques. Tout au long de l’histoire, le capitalisme a eu tendance à produire des niveaux d’inégalités sociales toujours plus importants du fait de la mauvaise répartition des richesses et des revenus. L’humanité consomme déjà plus de ressources naturelles (eau, pétrole, minéraux, etc.) que la planète ne peut en remplacer. La consommation de l’humanité est montée en flèche, mais la croissance de la richesse s’est produite au détriment de l’épuisement des ressources naturelles de la planète. Le rythme actuel de consommation est une menace pour la prospérité future de l’humanité. Au cours des 45 dernières années, la demande de ressources naturelles de la planète a doublé, en raison de l’élévation du niveau de vie dans les pays riches et émergents et de l’augmentation de la population mondiale. L’émission de gaz à effet de serre contribue à l’occurrence des changements climatiques mondiaux, qui ont tendance à s’aggraver jusqu’à la fin du 21e siècle, augmentant les risques de faim, d’inondations et de conflits dans le monde.

Les faits de la vie montrent que le progrès matériel ne rend pas l’homme meilleur et que les progrès enregistrés dans un domaine se reflètent automatiquement dans d’autres. Aujourd’hui, plus que jamais, il est bien évident que le système capitaliste à l’échelle nationale et mondiale multiplie les pathologies sociales et économiques et que la modernisation industrielle entraîne une dégradation sans précédent de la nature. Des segments de plus en plus nombreux de la population comprennent désormais que «plus» n’est pas synonyme de «mieux». Ils distinguent entre avoir et être, le bonheur matériel et le bonheur en général. Le développement de la science est davantage perçu comme une menace pour la survie de l’humanité que comme contribuant au bonheur de tous les êtres humains avec son utilisation à grande échelle pour la guerre et la destruction.
N’est-il pas temps de chercher un autre moyen de favoriser le progrès de l’humanité? Il est inacceptable qu’une société comme la société actuelle où des gens meurent de faim puisse être considérée comme une société évoluée, quelle que soit la puissance de leurs ordinateurs. Sa capacité à détruire les autres et lui-même, le présent et l’avenir, a atteint des proportions inimaginables. Quel progrès est-ce qui attaque l’environnement et l’être humain lui-même? Quel progrès est-ce qui surestime la science et la technologie et ne semble pas avoir les yeux sur la misère, la faim et l’injustice?

Il est à noter que Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, marquis de Condorcet, l’un des leaders idéologiques de la Révolution française, mathématicien et philosophe, a déclaré que l’état d’évolution et d’amélioration de l’humanité ne pouvait plus être interrompu, sauf en cas de catastrophe mondiale (notre observation). (CONDORCET. Esquisse d’um tableau historique dês progreès de l’esprit humain. Paris: Garnier-Flammarion, 1988). Le scénario mondial actuel pointe vers des catastrophes avec la possibilité d’un effondrement total comme l’interruption généralisée et durable d’Internet, l’épuisement du système mondial d’approvisionnement alimentaire, une impulsion électromagnétique continentale qui détruit tous les appareils électroniques, l’effondrement de la mondialisation, la destruction de la vie sur Terre par les astéroïdes, la destruction de la Terre par les particules exotiques de l’espace, le changement climatique mondial, la fin de l’approvisionnement mondial en pétrole, une pandémie mondiale comme le coronavirus, l’effondrement de l’approvisionnement en électricité et l’eau potable, des robots intelligents qui surmontent l’humanité et l’effondrement des marchés financiers mondiaux. Ces catastrophes pourraient mettre un terme aux progrès réalisés par l’humanité. Comment pouvons-nous transformer les progrès déplorables actuels qui menacent la vie sur Terre en de nouveaux progrès sur de nouvelles bases pour le bien de l’humanité tout entière? Il faudrait éliminer le chaos actuel dans l’économie, dans les relations internationales et dans l’environnement avec la planification de la société aux niveaux national et mondial et la promotion du développement durable.

La planification de la société au niveau national peut être réalisée avec l’adoption du modèle de démocratie sociale implanté dans les pays scandinaves qui sont considérés comme ayant le plus grand progrès économique et social dont les peuples sont considérés comme les plus heureux du monde selon le Rapport sur le bonheur mondial de l’ONU 2019. Le modèle nordique ou scandinave de la social-démocratie pourrait être décrit comme une sorte de compromis entre le capitalisme et le socialisme. Elle n’est ni totalement capitaliste ni totalement socialiste, étant la tentative de fusionner les éléments les plus souhaitables des deux en un système “hybride”. Les pays nordiques ont le rang le plus élevé de PIB réel par habitant, l’espérance de vie en bonne santé la plus élevée, la plus grande liberté de faire des choix de vie et la plus grande générosité.

La planification de la société au niveau mondial pourrait être atteinte avec la constitution d’un gouvernement mondial qui viserait non seulement le système économique mondial et les internationales à l’échelle mondiale, mais surtout, créerait les conditions pour faire face aux défis de l’humanité au 21e siècle qui pourraient conduire à son effondrement total représenté par l’interruption effet généralisé et durable d’Internet, l’épuisement du système mondial d’approvisionnement alimentaire, une impulsion électromagnétique continentale qui détruit tous les appareils électroniques, l’effondrement de la mondialisation, la destruction de la vie sur Terre par les astéroïdes, la destruction de la Terre par des particules exotiques venant l’espace, le changement climatique mondial, la fin de l’approvisionnement mondial en pétrole, une pandémie mondiale comme le coronavirus, l’effondrement de l’approvisionnement en électricité et en eau potable, des robots intelligents qui surpassent l’humanité et l’effondrement des marchés financiers mondiaux . Les pays individuels, même les plus puissants et les institutions mondiales actuelles telles que l’ONU, le FMI, l’OMC, entre autres, n’ont pas les conditions pour mener à bien ces actions.

La promotion du développement durable est impérative à l’ère où nous vivons car l’humanité fait face à de grandes menaces, de nature environnementale, représentées par l’épuisement des ressources naturelles de la planète, la croissance désordonnée des villes et le changement climatique mondial catastrophique qui tend à produire de graves répercussions sur les activités économiques et l’aggravation des problèmes sociaux humains avec des conséquences graves pour la santé de la population et le chômage. C’est pour toutes ces raisons qu’il est impératif d’établir une société durable à l’échelle mondiale, qui réponde aux besoins de la génération actuelle sans diminuer les possibilités des générations futures de satisfaire les leurs. Comment construire une société mondiale durable?

Pour être durable, une société doit atteindre un niveau de développement élevé lorsque ses membres, en plus d’agir de manière interdépendante, partagent des objectifs communs. La nouvelle société mondiale durable doit être basée sur un contrat social planétaire pour construire un nouvel ordre mondial visant à organiser non seulement les relations entre les hommes à la surface de la Terre, mais aussi leurs relations avec la nature. Il est donc nécessaire d’élaborer un contrat social planétaire qui permette le développement économique et social et l’utilisation rationnelle des ressources de la nature au profit de toute l’humanité basé sur le modèle de développement durable au bénéfice de tous les êtres humains. Ce Contrat Social Planétaire devrait résulter de la volonté de l’Assemblée Générale des Nations Unies qui constituerait le nouveau Parlement Mondial qui élirait un Gouvernement Mondial représentatif de la volonté de tous les peuples du monde.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

DO DEPLORÁVEL PROGRESSO ATUAL AO PROGRESSO FUTURO EM BENEFÍCIO DE TODA HUMANIDADE

Fernando Alcoforado*

Este artigo mostra que o progresso alcançado pela humanidade ao longo da história produziu não apenas benefícios, mas também, vários malefícios que precisam ser eliminados no futuro. Este artigo propõe as bases de um novo progresso para a humanidade que produza apenas benefícios que só se realizará com a implantação de uma nova ordem política, econômica e social da sociedade no plano nacional, o ordenamento das relações internacionais no plano global e a promoção do desenvolvimento sustentável.

O progresso pode ser definido como um processo cumulativo no qual o estágio mais recente é sempre considerado preferível e melhor, ou seja, qualitativamente superior, ao que o precedeu. Neste sentido, a mudança ocorre em uma determinada direção e essa progressão é interpretada como uma melhoria em relação à situação anterior. Assim, a mudança é orientada para o melhor, é necessária, isto é, não se pode parar o progresso, e é irreversível, isto é, nenhum retorno ao passado é possível. A melhoria seria inevitável. O amanhã sempre será melhor do que o hoje.

Em síntese, a definição de progresso incorpora três ideias-chave: (1) uma concepção linear do tempo e a de que a história possui um sentido, orientado para o futuro; (2) a ideia de uma unidade fundamental da humanidade, toda ela chamada a evoluir na mesma direção junta; e (3) a ideia de que o mundo pode e deve ser transformado, o que implica que o homem afirma-se como mestre soberano da natureza. O conceito de progresso implica uma idolatria do novo. Cada inovação é considerada melhor simplesmente porque é nova. Essa sede pela novidade, equiparada com o melhor, rapidamente tornou-se uma das obsessões da modernidade (BENOIST, Alain de. Uma Breve História da Ideia de Progresso. Disponível no website <http://legio-victrix.blogspot.com/2011/08/uma-breve-historia-da-ideia-de.html>).

A teoria do progresso nutre a ideia de que o crescimento indefinido é tanto normal quanto desejável, e que um futuro melhor depende de um volume cada vez maior de bens produzidos, uma ideia que favorece a globalização do comércio. Essa ideia também inspira a ideologia do “desenvolvimentismo” para as sociedades atrasadas economicamente e exalta o modelo ocidental de produção e consumo como o destino de toda a humanidade. Essa ideologia do desenvolvimento foi formulada perfeitamente em 1960 por Walt Rostow, que enumerou as “fases” que cada sociedade deveria atravessar para alcançar o estágio das sociedades avançadas.

A ideia de “progresso” no pensamento social veio com a revolução industrial ocorrida no século 18. Do século 18 ao século 20, passou-se a acreditar que os únicos meios confiáveis para o melhoramento da condição humana provêm das novas máquinas, substâncias químicas e das mais diversas técnicas. Passou a haver a crença generalizada de que existe um laço positivo entre desenvolvimento técnico e o bem-estar humano e de que a próxima onda de inovações proporcionará um progresso ainda maior. A sociedade vive, mais do que nunca, sob os auspícios e domínios da ciência e da tecnologia. A propaganda que se faz da ciência e da tecnologia é tão intensa que uma parcela significativa das pessoas acredita que elas só trazem apenas benefícios para a sociedade. Para o homem, a tecnologia torna a vida mais fácil, mais limpa e mais longa. O homem cultiva uma relação de dependência crescente em relação à ciência e à tecnologia na era contemporânea.

A tese de que a ciência e a tecnologia seriam os fatores primordiais responsáveis pelo progresso humano foi colocada em xeque pelas explosões das bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial, em Nagasaki e Hiroshima. Passou-se a haver uma discussão não apenas sobre o lado positivo proporcionado pela ciência e pela tecnologia. Um clima de crise e dúvida em relação a elas veio à tona. Junto com as benesses da ciência e da tecnologia, vinha o napalm, os desfolhantes, a radioatividade, a bomba atômica. Mas, será que se pode afirmar que a humanidade progrediu com o avanço da ciência?

Theodor Adorno e Max Horkheimer, filósofos vinculados à Escola de Frankfurt, afirmam em A Dialética do Esclarecimento (Zahar Editora, 1985) que a supremacia da ciência e da tecnologia preparou o caminho para o desvario político em benefício do capitalismo de mercado. Sendo global e onipresente, o capitalismo de mercado dispõe da técnica necessária, fornecida pela ciência e pela tecnologia, para fazer dos homens engrenagens de seu motor, anulando-os. Economia capitalista, ciência e tecnologia, fundidas agora como se fossem uma instância única, consolidam sua supremacia sobre a sociedade contemporânea, determinando seus rumos com a mesma desfaçatez e impessoalidade de uma mão invisível, segundo Adorno e Horkheimer.

A humanidade experimentou rápido crescimento econômico a partir da Revolução Industrial, mas criou também um mundo instável. Em muitos países, pela primeira vez em séculos, nos defrontamos com o aumento vertiginoso das desigualdades sociais, a exaustão dos recursos naturais como o petróleo, bem como a mudança climática global catastrófica. O capitalismo tendeu, através da história, a produzir níveis cada vez maiores de desigualdade social como o resultado da má distribuição da riqueza e da renda. A humanidade já consome mais recursos naturais (água, petróleo, minérios, etc.) do que o planeta é capaz de repor. O consumo da humanidade disparou, mas o crescimento da riqueza se deu à custa do esgotamento dos recursos naturais do planeta. O ritmo atual de consumo é uma ameaça para a prosperidade futura da humanidade. Nos últimos 45 anos, a demanda pelos recursos naturais do planeta dobrou, devido à elevação do padrão de vida nos países ricos e emergentes e ao aumento da população mundial. A emissão de gases do efeito estufa contribui para a ocorrência de mudanças climáticas globais que tende a se agravar até o final do século 21 fazendo com que aumentem os riscos de fome, inundações e conflitos em todo o mundo.

Os fatos da vida demonstram que o progresso material não torna o homem melhor e que o progresso registrado em um domínio seja automaticamente refletido nos outros. Hoje, mais do que nunca está bastante evidente que o sistema capitalista em escala nacional e global multiplica patologias sociais e econômicas e que a modernização industrial resulta em uma degradação sem precedentes da natureza. Segmentos cada vez maiores da população agora entendem que “mais” não é sinônimo de “melhor”. Estão distinguindo entre ter e ser, felicidade material e felicidade em geral. O desenvolvimento da ciência é percebido mais como ameaça à sobrevivência da humanidade do que contribuindo para a felicidade de todos os seres humanos com a sua utilização em larga escala para a guerra e a destruição.

Será que não está na hora de buscar outra forma de promover o progresso da humanidade? É inadmissível que uma sociedade como a atual que tem gente morrendo de fome possa ser considerada uma sociedade evoluída, não importa quão poderosos seus computadores sejam. Sua capacidade de destruir os outros e a si mesmo, o presente e o futuro, alcançou proporções inimagináveis. Que progresso é esse que agride o meio ambiente e o próprio ser humano? Que progresso é esse que supervaloriza a ciência e a técnica e parece não ter olhos para a miséria, a fome e as injustiças?

Cabe destacar que Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, Marquês de Condorcet, um dos líderes ideológicos da Revolução Francesa, matemático e filósofo,  afirmou que o estado de evolução e aperfeiçoamento da humanidade não mais poderia ser interrompido, a não ser que ocorresse alguma catástrofe mundial (grifo nosso) [CONDORCET. Esquisse d’um tableau historique dês progreès de l’esprit humain (Esboço de um quadro histórico do progresso do espírito humano). Paris: Garnier-Flammarion, 1988]. O cenário mundial atual aponta na direção de ocorrência de catástrofes com a possibilidade de um colapso total  como a interrupção generalizada e duradoura da internet, o esgotamento do sistema global de abastecimento de alimentos, um pulso eletromagnético continental que destrua todos os aparelhos eletrônicos, o colapso da globalização, a destruição da vida na Terra por asteroides, a destruição da Terra por partículas exóticas vindas do espaço, a mudança climática global, o fim do suprimento global de petróleo, uma pandemia global como o Coronavirus, o colapso no suprimento de energia elétrica e de água potável, robôs inteligentes que sobrepujem a humanidade e o colapso dos mercados financeiros mundiais. Estas catástrofes poderiam levar ao fim o progresso conquistado pela humanidade. Como transformar o deplorável progresso atual que atenta contra a vida na Terra em um novo progresso assentado em novas bases em benefício de toda humanidade? Seria necessário eliminar o caos atual na economia, nas relações internacionais e no meio ambiente com o ordenamento da sociedade nos planos nacional e global e a promoção do desenvolvimento sustentável.

O ordenamento da sociedade no plano nacional pode ser alcançado com a adoção do  modelo de social democracia implantado nos países escandinavos que são considerados os de maior progresso econômico e social cujos povos são considerados os mais felizes do mundo segundo o World Happiness Report 2019 da ONU. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo. Não é nem totalmente capitalista nem totalmente socialista, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. Os países nórdicos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade.

O ordenamento da sociedade no plano mundial poderia ser alcançado com a constituição de um governo mundial que visaria não apenas o ordenamento econômico e das relações internacionais em escala mundial, mas, sobretudo, criar as condições para enfrentar os desafios da humanidade no Século 21 que poderiam levar ao seu colapso total representados pela interrupção generalizada e duradoura da internet, pelo esgotamento do sistema global de abastecimento de alimentos, por um pulso eletromagnético continental que destrua todos os aparelhos eletrônicos, pelo colapso da globalização, pela destruição da vida na Terra por asteroides, pela destruição da Terra por partículas exóticas vindas do espaço, pela mudança climática global, pelo fim do suprimento global de petróleo, por uma pandemia global como o Coronavirus, pelo colapso no suprimento de energia elétrica e de água potável, por robôs inteligentes que sobrepujem a humanidade e pelo colapso dos mercados financeiros mundiais. Os países individualmente, mesmo os mais poderosos, e as instituições mundiais atuais como ONU, FMI, OMC, entre outras, não reúnem as condições de realizar essas ações.

A promoção do desenvolvimento sustentável é imperiosa na era em que vivemos porque  a humanidade se defronta com grandes ameaças, de natureza ambiental, representadas pelo esgotamento dos recursos naturais do planeta, o crescimento desordenado das cidades e a catastrófica mudança climática global que tende a produzir graves repercussões sobre as atividades econômicas e o agravamento dos problemas sociais da humanidade com sérias consequências para a saúde da população e o desemprego. É por tudo isto que se torna um imperativo a implantação de uma sociedade sustentável em escala mundial que é aquela que satisfaz as necessidades da geração atual sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas. Como construir uma sociedade sustentável global?

Para ser sustentável, uma sociedade deve alcançar nível elevado de desenvolvimento quando seus membros, além de atuarem de forma interdependente, compartilham objetivos comuns. A nova Sociedade Sustentável Global deve ser baseada em um Contrato Social Planetário para edificar uma nova ordem mundial visando organizar não apenas as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade com base no modelo de desenvolvimento sustentável em benefício de todos os seres humanos. Este Contrato Social Planetário deveria resultar da vontade da Assembleia geral da ONU que se constituiria no novo Parlamento Mundial que elegeria um Governo Mundial representativo da vontade de todos os povos do mundo.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

O MUNDO DEPOIS DO CORONAVÍRUS (VÍDEO)

Fernando Alcoforado*

Este vídeo apresenta como a propagação do novo Coronavirus pelo mundo vai contribuir para que ocorram mudanças significativas no futuro próximo e a longo prazo nos sistemas de saúde, nas cidades, no mundo do trabalho, no sistema de educação, no transporte público, na produção de alimentos, nas relações sociais, no turismo, na sociedade, no processo de globalização e na ação dos governos em todo o mundo. O mundo não será mais o mesmo. Precisamos nos preparar para o futuro que virá.

Para assistir o vídeo acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=7LNlv….

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor de 14 livros abordando temas como globalização, desenvolvimento econômico e social no Brasil e no mundo, aquecimento global e mudança climática, energia.

VIVA O DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Fernando Alcoforado

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado anualmente em 5 de Junho e tem como objetivo promover atividades de proteção e preservação do meio ambiente.

A data serve como alerta à sociedade sobre os perigos de negligenciarmos a tarefa de cuidar do mundo em que vivemos.

Por que 5 de junho é o dia mundial do meio ambiente?

Porque no dia 5 de junho de 1972 teve início a primeira das Conferências das Nações Unidas sobre o ambiente humano, a Conferência de Estocolmo. A reunião durou até o dia 16 e congregou vários governos e ONG’s.

A partir de então, a data consta do calendário da ONU – Organização das Nações Unidas como o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Quem desejar ler a Declaração da Conferência de Estocolmo de 1972 pode acessar o website <http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Meio-Ambiente/declaracao-de-estocolmo-sobre-o-ambiente-humano.html>.

LES CAUSES DE LA RÉVOLTE POPULAIRE AUX ÉTATS-UNIS

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à analyser les causes du soulèvement populaire qui se déroule actuellement aux États-Unis à la suite du meurtre de George Floyd, un Américain noir menotté par un policier blanc à Minneapolis, qui s’est agenouillé au cou pendant près de neuf minutes jusqu’à ce qu’il soit mort. Cet événement a servi de point de départ à un cri de ralliement dans plus de 100 villes américaines contre, non seulement le racisme, mais aussi contre les maux sociaux subis par la grande majorité de la population américaine, en particulier par la population noire, qui ont été aggravés pour la propagation du nouveau Coronavirus qui a contribué à conduire l’économie nord-américaine en récession et à l’augmentation vertigineuse du chômage aux États-Unis.

En ce qui concerne le racisme, il est important de noter que les États-Unis ont été initialement formés par des colons anglais qui ont donné naissance aux soi-disant treize colonies sur la côte est du pays. Les colonies du Sud se sont développées différemment de celles du Nord. Au Nord, il y avait le modèle de la petite propriété privée, du travail libre et salarié et du développement de l’industrie, et au Sud, a prévalu le modèle de la grande propriété foncière et de la monoculture (qui caractérise la soi-disant plantation). Dans ce modèle, contrairement à ce qui prévalait dans le Nord, le recours au travail esclave était basé, plus précisément sur les esclaves noirs venant du continent africain.

Pendant la période où l’esclavage prédominait dans le sud des États-Unis, les esclaves noirs étaient considérés comme la marchandise de leurs propriétaires et non comme des individus ayant des droits. Cette situation n’a pris fin qu’avec la fin du modèle économique des esclaves dans le Sud, résultant de la guerre civile qui s’est déroulée entre les années 1861 et 1865. Pendant la guerre de Sécession, les États du Nord, sous le commandement de l’ancien président Abraham Lincoln, sont entrés en conflit, et les États confédérés du Sud autoproclamés, qui cherchaient à fonder une confédération séparatiste. La guerre s’est terminée avec la victoire du Nord, qui a entraîné l’abolition immédiate de l’esclavage.

Après la guerre civile, il y a eu un processus de reconstruction du pays avec la réintégration des États du sud dans le reste du pays. À cette époque, à la fin des années 1860, il était inacceptable pour de nombreux citoyens blancs du sud que les Noirs nouvellement libérés aient les mêmes droits et occupent les mêmes espaces qu’eux. L’année même de la fin de la guerre civile (1865), la secte Ku Klux KLan est formée. La police de l’Union a étouffé les premières poussées de violentes actions du Ku Klux Klan contre les Noirs. Cependant, au début du XXe siècle, la secte reviendrait très fortement avec des milliers d’adhérents. Les barrières sociales causées par les lois sur la ségrégation raciale aux États-Unis et le racisme virulent qui en découle ne commenceront en fait à être résolus au moins que partiellement avec les mouvements noirs des droits civiques. L’un des chefs de file de ces mouvements est devenu un symbole de cette lutte: Martin Luther King Jr. qui a été assassiné. Même la présence d’un Noir à la présidence de la République comme Barack Obama n’a pas contribué à refroidir le racisme aux États-Unis.

En plus du racisme qui existe toujours aux États-Unis, il y a une aggravation marquée de plusieurs indicateurs sociaux dans le pays qui contribuent au soulèvement populaire. Le dernier PNUD publié par les Nations Unies montre l’aggravation de plusieurs indicateurs sociaux dans le pays. Les États-Unis perdent la capacité de générer du bien-être pour leur population. Les données relatives à l’éducation, la santé, les inégalités et la stratification sociale, ont également été comparées à plusieurs pays périphériques et semi-périphériques du capitalisme.

Les États-Unis sont considérés comme le pays le plus riche du monde et le propriétaire de la plus grande économie de la planète. Cependant, ce fait ne devient pas le bien-être de ses habitants en raison de la concentration excessive des richesse et revenus et de l’existence d’une société profondément ancrée dans la consommation avec des idées complètement déformées de bien-être social. les États-Unis enregistrent des indicateurs de développement social nettement inférieurs à ceux des autres pays riches. Les États-Unis ont toujours eu un filet de sécurité sociale moins généreux. Les programmes sociaux n’offrent pas de prestations universelles, comme c’est le cas dans de nombreux autres pays industrialisés, en plus d’énormes disparités de richesse.

En réalité, il existe plusieurs indicateurs de développement social dans lesquels les États-Unis apparaissent en retard par rapport aux autres pays riches et souvent, côte à côte avec les pays périphériques et semi-périphériques du capitalisme. Certains indicateurs sociaux remettent en cause les niveaux de développement et de bien-être aux États-Unis. Le dernier rapport du Programme des Nations Unies pour le développement (PNUD) indique que l’espérance de vie des Américains est de 79,2 ans. Ces données placent le pays au 40e rang mondial, derrière un groupe de pays développés, mais aussi certains pays d’Amérique latine, comme le Chili, le Costa Rica et Cuba. Aux États-Unis, alors que l’espérance de vie d’un homme blanc avec un diplôme d’études collégiales est de 80 ans, celle d’un homme afro-américain peu scolarisé est de 66 ans, selon une étude du National Center for Poverty aux États-Unis (NPC, dans l’acronyme en anglais).

Les chiffres de la mortalité infantile – le nombre d’enfants qui meurent pour 1 000 naissances vivantes – est un autre indicateur classique du bien-être social. Selon le dernier rapport du PNUD, qui utilise des données de 2015, cet indicateur est de 5,6 aux États-Unis. Cela le place à la 44e place dans le monde, à nouveau dépassé par les pays riches dans leur ensemble, ainsi que par Cuba, la Bosnie et la Croatie. Dans ce cas, les différences sociales aux États-Unis sont également évidentes. En 2011, le taux de mortalité infantile chez les Afro-Américains était similaire à celui du Togo et de l’île de Grenade. Le bien-être des enfants américains est également remis en cause lorsqu’ils sont considérés comme des indicateurs de pauvreté des enfants. Selon une étude réalisée en 2012 par l’Unicef, qui comparait la situation des enfants dans 35 pays économiquement avancés, les États-Unis apparaissaient à l’avant-dernière place – avant seulement la Roumanie.

Depuis le début de ce siècle, les États-Unis ont connu une augmentation des taux de mortalité maternelle, passant de 17,5 décès pour mille naissances en 2000 à 26,5 en 2015, selon une étude publiée dans la revue scientifique The Lancet en Janvier de cette année. C’est un phénomène qui va à l’encontre des tendances dans le reste du monde industrialisé, où il y a eu un déclin au cours de la même période. Ce fut le cas, par exemple, au Japon (de 8,8 à 6,4), au Danemark (de 5,8 à 4,2), au Canada (de 7,7 à 7,3) et en France (de 11, 7 à 7.8). Dans ce cas, il existe également une nette inégalité aux États-Unis: le taux de mortalité maternelle chez les femmes blanches est de 13, mais chez les femmes afro-américaines il est de 44.

La sécurité personnelle, la possibilité de protéger sa propre vie, est considérée comme un autre élément fondamental du bien-être social. Selon le dernier rapport de l’Office des Nations Unies contre la drogue et le crime (UNDOC), les États-Unis font état d’un taux d’homicide de 4,88 décès pour 100 000 personnes, ce qui le place au 59e rang mondial. Ce chiffre contraste avec celui des pays européens, comme l’Autriche (0,51) ou les Pays-Bas (0,61), mais aussi avec le Canada (1,68) et même l’Albanie (2,28), le Bangladesh (2,51) et le Chili (3,59, selon les données de 2014, les plus récentes).

En plus de poser un risque pour la santé des jeunes femmes, la grossesse chez les adolescentes est souvent associée à la vulnérabilité. Selon les données de la Banque mondiale pour 2015, les États-Unis enregistrent un taux de 21 naissances de ce type pour mille femmes âgées de 15 à 19 ans – plaçant le pays au 68e rang mondial, au même niveau que Djibouti et Aruba, et bien au-dessus la moyenne des pays à revenu élevé. D’autres pays riches ont des chiffres bien inférieurs, comme le Japon (4), l’Allemagne (6) et la France (9).

Les États-Unis abritent des dizaines des meilleures universités du monde. Mais cela ne signifie pas que l’éducation moyenne des Américains est égale à ces centres d’excellence. Selon une étude réalisée dans le cadre du Programme international d’évaluation des compétences (PIAAC), parmi les pays membres de l’Organisation de coopération et de développement économiques (OCDE), le pays avait une performance jugée médiocre. L’enquête a mesuré trois niveaux de scolarité différents en termes de capacité de lecture et de capacité numérique: les personnes qui n’ont pas terminé leurs études secondaires, les personnes ayant terminé leurs études secondaires et d’autres ayant au moins deux ans d’études universitaires. Un peu plus de 20 pays ont participé à l’analyse: Australie, Autriche, Canada, République tchèque, Danemark, Estonie, Finlande, France, Allemagne, Irlande, Italie, Japon, Pays-Bas, Norvège, Pologne, Corée du Sud, Slovaquie, Espagne, Suède , États-Unis, Belgique et Royaume-Uni.

Dans le test de capacité de lecture, parmi ceux qui n’avaient pas terminé leurs études secondaires, les Américains étaient parmi les cinq pays avec les pires résultats; parmi ceux qui ont terminé ce niveau d’études, le pays était en dessous de la moyenne de tous. Dans le cas des personnes qui avaient commencé l’université, les Américains étaient au-dessus de huit pays, à égalité avec six autres – mais ont été dépassés par sept nations. De plus, les États-Unis ont enregistré la plus grande différence entre les résultats obtenus par ceux qui n’ont pas terminé leurs études secondaires et ceux qui ont au moins deux ans d’études universitaires. Dans l’évaluation des compétences numériques, les Américains sont systématiquement tombés en dessous de la moyenne de l’OCDE pour les trois niveaux d’éducation étudiés. De plus, le pays était sur la lanterne à deux niveaux: entre ceux qui n’ont pas terminé leurs études secondaires et ceux qui ont terminé cette étape. Pour ceux qui ont achevé au moins deux ans d’études supérieures, les États-Unis ont dépassé l’Espagne et l’Italie et ont égalé cinq autres pays – à la traîne de 15 autres pays.

La lutte contre le racisme à elle seule ne suffit pas à expliquer ce soulèvement qui se déroule actuellement aux États-Unis. Le soulèvement populaire actuel s’explique également par les inégalités sociales croissantes enregistrées aux États-Unis, aggravées par la propagation du nouveau coronavirus qui a conduit l’économie du pays à la récession et au chômage de 40 millions de travailleurs. Au lieu de chercher à construire la cohésion et la paix sociale en présentant des solutions au problème du racisme et des inégalités sociales pour mettre fin au soulèvement populaire, Donald Trump a annoncé lundi 1er juin qu’il enverrait du personnel militaire américain dans les rues de pays si les gouverneurs et les maires ne mettent pas fin à la violence dans les manifestations à travers le pays. En outre, Trump a déclaré qu’il ferait de son mieux pour garantir le respect du couvre-feu. Plusieurs villes des États-Unis ont adopté la mesure. Cependant, à plusieurs endroits, les manifestations se sont poursuivies malgré cette restriction. Les gouverneurs de plusieurs États d’Amérique du Nord ont demandé le renforcement des membres de la Garde nationale qui travaillent déjà dans chacun de ces endroits. Le premier à appeler à l’aide a été le Minnesota, l’état même où George Floyd a été assassiné.

Pendant que Trump parlait aujourdui (1er juin), les environs de la Maison Blanche ont enregistré des affrontements entre les forces de sécurité et les manifestants, après une manifestation qui a commencé pacifiquement. Selon la presse américaine, le président a envoyé 600 à 800 soldats de la Garde nationale à Washington. Trump profite de l’occasion pour galvaniser sa base électorale conservatrice, soulignant comme méchants par les violentes perturbations les antifa, le groupe antifasciste et les groupes radicaux de gauche, dont les cibles sont la confrontation avec tout ce qu’ils considèrent à l’extrême droite. Avec un discours anticapitaliste, généralement vêtu de noir, les antifa utilisent des tactiques similaires à celles utilisées par les anarchistes, sans convoiter un projet politique ni participer au Congrès. Le mouvement a émergé en Allemagne dans les années 1930, en tant que groupe d’extrême gauche pour lutter contre le nazisme. Aux États-Unis, il a refait surface sous la présidence de Trump pour faire face à des groupes conservateurs et à l’extrême droite (alt-droite), qui ont aidé à l’élire.

Un fait est évident, la bourgeoisie américaine, la plus riche et la plus puissante du monde, met tout l’appareil de répression étatique pour étouffer le soulèvement populaire qui est une expression légitime de la haine contre la misère, la pauvreté et l’oppression politique et dans le pays. Plusieurs mesures d’exception sont prises par Trump, telles que la mise en place d’un couvre-feu, la répression des journalistes et les arrestations massives de citoyens. L’action de l’administration Donald Trump montre clairement que la démocratie aux États-Unis s’est brisée avec les actes répressifs en cours et ceux qui devraient être adoptés par l’administration Trump. La mobilisation populaire dans les rues met en échec le régime politique et social américain.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CAUSES OF POPULAR REVOLT IN THE UNITED STATES

Fernando Alcoforado*

This article aims to analyze the causes of the popular uprising currently occurring in the United States that resulted from the murder of George Floyd, a black American handcuffed by a white policeman in Minneapolis, who knelt on his neck for almost nine minutes until he was dead. This event served as a starting point for a rallying cry in more than 100 American cities against, not only racism, but also against the social ills suffered by the great majority of the American population, especially by the black population, which were aggravated for the spread of the new Coronavirus that contributed to driving the North American economy into recession and to the dizzying rise of unemployment in the United States.

Regarding racism, it is important to note that the United States was initially formed by English colonists who gave rise to the so-called Thirteen Colonies on the east coast of the country. The colonies in the South developed differently from those in the North. In the North, there was the model of small private property, free and wage labor and the development of industry, and in the South, the model of large land ownership and monoculture (which characterizes the so-called plantation) prevailed. In this model, contrary to what prevailed in the North, the use of slave labor was based, more precisely of black slaves from the African continent.

During the period when slavery predominated in the Southern United States, black slaves were considered to be the merchandise of their owners and not individuals with rights. This situation only ended with the end of the slave economic model in the South that resulted from the Civil War that ran between the years 1861 and 1865. In the American Civil War, the Northern states, under the command of then President Abraham Lincoln, came into conflict, and the self-proclaimed Southern Confederate States, which sought to found a separatist confederation. The war ended with the victory of the North, which resulted in the immediate abolition of slavery.

After the civil war, there was a process of reconstruction of the country with the reincorporation of the southern states to the rest of the country. During this period, in the late 1860s, it was unacceptable for many southern white citizens that newly freed blacks had the same rights and occupied the same spaces as they did. In the same year that the civil war ended (1865), the Ku Klux KLan sect was formed. Union police smothered the first outbreaks of violent Ku Klux Klan action against blacks. However, at the beginning of the 20th century, the sect would come back very strongly with thousands of adherents. The social barriers caused by racial segregation laws in the United States and the virulent racism that ensued from them would, in fact, only begin to be at least partially resolved with the black civil rights movements. One of the leaders of these movements became a symbol of that struggle: Martin Luther King Jr. who was assassinated. Not even the presence of a black man in the presidency of the Republic like Barack Obama helped to cool racism in the United States.

In addition to the racism that still exists in the United States, there is a marked worsening in several social indicators in the country that contribute to the popular uprising. The latest UNDP released by the United Nations shows the worsening of several social indicators in the country. The United States is losing the ability to generate well-being for its population. Data related to education, health, inequality and social stratification, are also equated to several peripheral and semi-peripheral countries of capitalism.

The United States is considered the richest country in the world and  of the largest economy on the planet. However, this fact does not become well-being for its inhabitants due to the excessive concentration of wealth and income and the existence of a society deeply grounded in consumption with completely distorted ideas of social well-being. the United States records social development indicators significantly below other rich countries. The United States has always had a less generous social safety net. Social programs do not provide universal benefits, as is the case in many other industrialized countries, in addition to huge disparities in wealth.

In reality, there are several indicators of social development in which the United States appears behind in comparison with other rich countries and often, side by side with peripheral and semi-peripheral countries of capitalism. Some social indicators call into question the levels of development and well-being in the United States. The most recent report from the United Nations Development Program (UNDP) indicates that the life expectancy of Americans is 79.2 years. This data places the country as the 40th in the world, behind a group of developed countries, but also some Latin American countries, such as Chile, Costa Rica and Cuba. In the United States, while the life expectancy of a white man with a college education is 80 years, that of an African-American man with low education is 66 years, according to research by the National Center for Poverty in the United States (NPC, in the acronym in English).

Infant mortality figures – the number of children who die per 1,000 live births – is another classic indicator of social well-being. According to the most recent UNDP report, which uses data from 2015, this indicator is 5.6 in the United States. This places it in 44th place in the world, again surpassed by the rich countries as a whole, as well as by Cuba, Bosnia and Croatia. In that case, social differences within the United States are also evident. In 2011, the infant mortality rate among African Americans was similar to that in Togo and the island of Granada. The well-being of American children is also called into question when they are considered indicators of child poverty. According to a 2012 Unicef study, which compared the situation of children in 35 economically advanced countries, the United States appeared in the penultimate place – before only Romania.

Since the beginning of this century, the United States has seen an increase in maternal mortality rates, from 17.5 deaths per thousand births in 2000 to 26.5 in 2015, according to a study published in the scientific journal The Lancet in January this year. It is a phenomenon that goes against trends in the rest of the industrialized world, where there was a decline in the same period. This was the case, for example, in Japan (from 8.8 to 6.4), Denmark (from 5.8 to 4.2), Canada (from 7.7 to 7.3) and France (from 11, 7 to 7.8). In this case, there is also a clear inequality in the United States: the maternal mortality rate among white women is 13, but among African-American women it is 44.

Personal security, the possibility of protecting one’s own life, is considered another basic element of social well-being. According to the most recent report by the United Nations Office on Drugs and Crime (UNDOC), the United States reports a homicide rate of 4.88 deaths per 100,000 people, which puts it at 59th place in the world. This figure contrasts with that of European countries, such as Austria (0.51) or the Netherlands (0.61), but also with Canada (1.68) and even Albania (2.28), Bangladesh (2.51) and Chile (3.59, according to 2014 data, the most recent).

In addition to posing a health risk to young women, teenage pregnancy is often associated with vulnerability. According to World Bank data for 2015, the United States records a rate of 21 births of this type for every thousand women between 15 and 19 years of age – placing the country in 68th place in the world, the same level as Djibouti and Aruba, and well above the average of countries with high income levels. Other rich countries have much lower numbers, such as Japan (4), Germany (6) and France (9).

The United States is home to dozens of the best universities in the world. But that does not mean that the average education of Americans is equal to these centers of excellence. According to a study carried out under the International Skills Assessment Program (PIAAC), among the member countries of the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), the country had a performance considered mediocre. The survey measured three different educational levels in terms of reading ability and numerical ability: people who have not completed high school, individuals with completed high school and others with at least two years of university education. Just over 20 countries participated in the analysis: Australia, Austria, Canada, Czech Republic, Denmark, Estonia, Finland, France, Germany, Ireland, Italy, Japan, Netherlands, Norway, Poland, South Korea, Slovakia, Spain, Sweden , United States, Belgium and United Kingdom.

In the reading ability test, among those who had not finished high school, Americans were among the five countries with the worst results; among those who completed this level of study, the country was below the average of all. In the case of people who had started university, the Americans were above eight countries, tied with six others – but were overtaken by seven nations. In addition, the United States recorded the biggest difference between the results obtained by those who did not finish high school and those who have at least two years of university education. In assessing numerical skills, Americans consistently fell below the OECD average across the three educational levels studied. In addition, the country was on the lantern at two levels: between those who have not finished high school and those who have completed this stage. For those who completed at least two years of higher education, the United States surpassed Spain and Italy and matched five other countries – lagging behind 15 other nations.

The fight against racism alone is not enough to explain this uprising that is currently taking place in the United States. The current popular uprising is also explained by the growing social inequalities that are registered in the United States, which were aggravated by the spread of the new Coronavirus that led the country’s economy into recession and unemployment of 40 million workers. Instead of seeking to build cohesion and social peace by presenting solutions to the issue of racism and social inequalities to put an end to the popular uprising, Donald Trump announced on Monday (June 1) that he will send US military personnel to the streets of country if governors and mayors do not end violence in protests across the country. In addition, Trump said he would do his best to ensure compliance with the curfew. Several cities in the United States have adopted the measure. However, in several places, protests continued despite this restriction. Governors in several North American states asked for reinforcement of members of the National Guard who already work in each of these locations. The first to call for help was Minnesota, the very state where George Floyd was murdered.

While Trump was speaking today (1st of June), the surroundings of the White House registered clashes between security forces and protesters, after a protest that started peacefully. According to the American press, the president sent 600 to 800 National Guard soldiers to Washington. Trump is taking the opportunity to galvanize his conservative base of voters, pointing out as villains by the violent disturbances the antifa, anti-fascist group, and radical left groups, whose targets are the confrontation with everything they consider to the extreme right. With anti-capitalist discourse, usually dressed in black, the antifa use tactics similar to those used by anarchists, without coveting a political project or participation in Congress. The movement emerged in Germany in the 1930s, as a far-left group to fight Nazism. In the United States, he resurfaced in the presidency of Trump to face conservative groups and the extreme right (alt-right), who helped to elect him.

One fact is evident, the American bourgeoisie, the richest and most powerful in the world, is putting all the apparatus of state repression to stifle the popular uprising which is a legitimate expression of hatred against misery, poverty and racial and political oppression in the country. Several exception measures are being taken by Trump, such as the implementation of a curfew, repression of reporters and journalists and massive arrests of citizens. The action of the Donald Trump administration makes it evident that democracy in the United States has shattered with the repressive acts being carried out and those that should be adopted by the Trump administration. Popular mobilization on the streets is putting the political and social regime in the United States in check.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CAUSAS DA REVOLTA POPULAR NOS ESTADOS UNIDOS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo analisar as causas do levante popular que ocorre no momento nos Estados Unidos que resultou do assassinato de George Floyd, negro americano algemado por um policial branco em Minneapolis, que se ajoelhou sobre seu pescoço durante quase nove minutos até que ele fosse morto. Este evento serviu de ponto de partida para um grito de guerra em mais de 100 cidades americanas contra, não apenas o racismo, mas também, contra os males sociais sofridos pela grande maioria da população norte-americana, especialmente pela população negra, que foram agravados pela propagação do novo Coronavirus que contribuiu para levar a economia norte-americana à recessão e à elevação vertiginosa do desemprego nos Estados Unidos.

Sobre o racismo, é importante observar que os Estados Unidos foram formados, inicialmente, por colonos ingleses que deram origem às chamadas Treze Colônias na costa Leste do país. As colônias do Sul tiveram um desenvolvimento diferente daquelas do Norte. No Norte, houve o modelo da pequena propriedade privada, do trabalho livre e assalariado e do desenvolvimento da indústria e, no Sul, prevaleceu o modelo da grande propriedade de terras e da monocultura (que caracteriza a chamada plantation). Nesse modelo, ao contrário do que vigorou no Norte, assentou-se o uso do trabalho escravo, mais precisamente de escravos negros oriundos do continente africano.

Durante o período em que predominou a escravidão no Sul dos Estados Unidos, os negros escravos eram considerados mercadoria de seus donos e não indivíduos portadores de direitos. Essa situação só teve fim com o término do modelo econômico escravocrata no Sul que resultou da Guerra Civil que transcorreu entre os anos de 1861 e 1865. Na Guerra Civil Americana, entraram em conflito os estados do Norte, comandados pelo então presidente Abraham Lincoln, e os autoproclamados Estados Confederados do Sul, que pretendiam fundar uma confederação separatista. A guerra terminou com a vitória do Norte, que resultou na imediata abolição da escravatura.

Após a guerra civil, houve o processo de reconstrução do país com a reincorporação dos estados do Sul ao restante do país. Nesse período, nos anos finais da década de 1860, era inaceitável para muitos cidadãos brancos sulistas que os negros, recém-libertos, tivessem os mesmos direitos e ocupassem os mesmos espaços que eles. No mesmo ano em que terminou a guerra civil (1865) foi formada a seita Ku Klux KLan. A polícia da União sufocou os primeiros focos de ação violenta da Ku Klux Klan contra os negros. Todavia, no início do século XX, a seita voltaria com muita força com milhares de adeptos. Os entraves sociais provocados pelas leis de segregação racial nos Estados Unidos e o virulento racismo delas decorrente só começariam, de fato, a ser ao menos parcialmente resolvidos com os movimentos de luta pelos direitos civis dos negros. Um dos líderes desses movimentos tornou-se símbolo dessa luta: Martin Luther King Jr. que foi assassinado. Nem mesmo a presença de um negro na presidência da República como Barack Obama contribuiu para arrefecer o racismo nos Estados Unidos.

Além do racismo que continua presente nos Estados Unidos, existe uma acentuada piora em diversos indicadores sociais país que contribuem para o levante popular. O último PNUD divulgado pelas Nações Unidas, comprova a piora de diversos indicadores sociais do país. Os Estados Unidos veem perdendo a capacidade de gerar bem estar à sua população. Dados ligados à educação, saúde, desigualdade e estratificação social, também já se equiparam a diversos países periféricos e semiperiféricos do capitalismo.

Os Estados Unidos são considerados o país mais rico do mundo e dono da maior economia do planeta. No entanto, este fato não se converte em bem-estar para seus habitantes devido à excessiva concentração de riqueza e renda e a existência de uma sociedade profundamente calcada no consumo com ideias completamente distorcidas de bem-estar social. os Estados Unidos registram indicadores de desenvolvimento social significativamente abaixo de outros países ricos. Os Estados Unidos sempre tiveram uma rede de segurança social menos generosa. Os programas sociais não contemplam benefícios universais, como é o caso em muitos outros países industrializados, além de haver enormes disparidades de riqueza.

Na realidade, há vários indicadores de desenvolvimento social em que os Estados Unidos aparecem atrás na comparação com outros países ricos e muitas vezes, lado a lado com países periféricos e semiperiféricos do capitalismo. Alguns indicadores sociais colocam em xeque os níveis de desenvolvimento e bem-estar nos Estados Unidos. O relatório mais recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) indica que a expectativa de vida dos americanos é de 79,2 anos. Esse dado coloca o país como o 40º do mundo, atrás de um conjunto de países desenvolvidos, mas também de alguns países latino-americanos, como Chile, Costa Rica e Cuba. Nos Estados Unidos, enquanto a expectativa de vida de um homem branco com educação universitária é de 80 anos, a de um homem afro-americano com baixa escolaridade é de 66 anos, segundo pesquisas do Centro Nacional sobre a Pobreza nos Estados Unidos (NPC, na sigla em inglês).

Os números sobre mortalidade infantil – o número de crianças que morrem por mil nascidos vivos – é outro indicador clássico do bem-estar social. De acordo com o relatório mais recente do Pnud, que utiliza dados de 2015, esse indicador é de 5,6 nos Estados Unidos. Isso o coloca no 44º lugar do mundo, novamente superado pelos países ricos como um todo, bem como por Cuba, Bósnia e Croácia. Nesse caso, as diferenças sociais dentro dos Estados Unidos também são evidentes. Em 2011, a taxa de mortalidade infantil entre os afro-americanos era semelhante à de Togo e da Ilha de Granada. O bem-estar das crianças americanas também é colocado em xeque quando são considerados indicadores de pobreza infantil. De acordo com um estudo do Unicef de 2012, que comparou a situação de crianças em 35 países de economia avançada, os Estados Unidos apareceram no penúltimo lugar – antes apenas da Romênia.

Desde o início deste século, os Estados Unidos registraram um aumento nos índices de mortalidade materna, cuja taxa passou de 17,5 mortes por mil nascimentos em 2000 para 26,5 em 2015, de acordo com um estudo publicado na revista científica The Lancet em janeiro deste ano. É um fenômeno que vai na contramão das tendências no restante do mundo industrializado, onde houve um declínio no mesmo período. Esse foi o caso, por exemplo, do Japão (de 8,8 para 6,4), Dinamarca (de 5,8 para 4,2), Canadá (de 7,7 para 7,3) e França (de 11,7 para 7,8). Nesse caso, há também uma clara desigualdade nos Estados Unidos: a taxa de mortalidade materna entre mulheres brancas é de 13, mas entre as afro-americanas é de 44.

A segurança pessoal, a possibilidade de proteger a própria vida, é considerada outro elemento básico do bem-estar social. De acordo com o relatório mais recente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNDOC), os Estados Unidos registram uma taxa de homicídio de 4,88 óbitos por 100 mil pessoas, o que o coloca em 59º lugar no mundo. Esse número contrasta com o de países europeus, como Áustria (0,51) ou Holanda (0,61), mas também com o Canadá (1,68) e até a Albânia (2,28), Bangladesh (2,51) e Chile (3,59, de acordo com dados de 2014, os mais recentes).

Além de representar um risco para a saúde das mulheres jovens, a gravidez na adolescência é frequentemente associada à vulnerabilidade.  Segundo dados do Banco Mundial para 2015, os Estados Unidos registram uma taxa de 21 nascimentos desse tipo para cada mil mulheres entre 15 e 19 anos de idade – colocando o país no 68º lugar do mundo, mesmo nível de Djibouti e Aruba, e bem acima da média de países com altos níveis de renda. Outros países ricos têm números bem mais baixos, como Japão (4), Alemanha (6) e França (9).

Os Estados Unidos são sede de dezenas das melhores universidades do mundo. Mas isso não significa que a formação média dos americanos esteja à altura desses centros de excelência. De acordo com um estudo realizado no âmbito do Programa Internacional para Avaliação de Competências (PIAAC, na sigla em inglês), entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país teve uma performance considerada medíocre. A pesquisa mediu três níveis educacionais diferentes em termos de capacidade de leitura e habilidade numérica: pessoas que não completaram o ensino médio, indivíduos com ensino médio completo e outros com pelo menos dois anos de ensino universitário cursado. Participaram da análise pouco mais de 20 países: Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega, Polônia, Coréia do Sul, Eslováquia, Espanha, Suécia, Estados Unidos, Bélgica e Reino Unido.

No teste sobre a capacidade de leitura, entre aqueles que não haviam terminado o ensino médio, os americanos ficaram entre os cinco países com os piores resultados; entre aqueles que completaram esse nível de estudos, o país ficou abaixo da média de todos. No caso de pessoas que tinham começado a cursar a universidade, os americanos ficaram acima de oito países, empataram com outros seis – mas foram ultrapassados ​​por sete nações. Além disso, os Estados Unidos registraram a maior diferença entre os resultados obtidos por aqueles que não terminaram o Ensino Médio e aqueles que têm pelo menos dois anos de ensino universitário. Na avaliação das habilidades numéricas, os americanos ficaram consistentemente abaixo da média da OCDE nos três níveis educacionais estudados. Além disso, o país ficou na lanterna em dois níveis: entre os que não terminaram o ensino médio e aqueles que concluíram esta etapa. Para aqueles que completaram pelo menos dois anos de ensino superior, os Estados Unidos superaram a Espanha e a Itália e se igualaram a outros cinco países – ficando atrás de 15 outras nações.

Apenas a luta contra o racismo não é suficiente para explicar este levante que ocorre no momento nos Estados Unidos.  O levante popular atual se explica, também, pelas crescentes desigualdades sociais que se registram nos Estados Unidos que foram agravadas pela propagação do novo Coronavirus que levou a economia do país à recessão e ao desemprego de 40 milhões de trabalhadores. Ao invés de buscar a construção da coesão e da paz social apresentando soluções para a questão do racismo e das desigualdades sociais para colocar um fim no levante popular, Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (1º de junho) que vai enviar militares norte-americanos às ruas do país caso os governadores e prefeitos não ponham fim à violência nos protestos que ocorrem pelo país. Além disso, Trump disse que faria o possível para garantir cumprimento ao toque de recolher. Diversas cidades dos Estados Unidos adotaram a medida. Porém, em vários locais, os protestos continuaram mesmo com esta restrição. Governadores em diversos estados norte-americanos pediram reforço de integrantes da Guarda Nacional que atuam já em cada um desses locais. O primeiro a pedir ajuda foi Minnesota, justamente o estado onde George Floyd foi assassinado.

Enquanto Trump discursava hoje (1º de junho), os arredores da Casa Branca registravam confrontos entre forças de segurança e manifestantes, após protesto que começou pacífico. De acordo com a imprensa norte-americana, o presidente enviou de 600 a 800 militares da Guarda Nacional a Washington. Trump está aproveitando para galvanizar sua base conservadora de eleitores, apontando como vilões pelos distúrbios violentos os antifas, grupo antifascista, e grupos radicais de esquerda, que têm como alvos o confronto com tudo que consideram de extrema direita. Com discurso anticapitalista, geralmente vestidos de preto, os antifas utilizam táticas semelhantes às empregadas por anarquistas, sem cobiçar um projeto político ou participação no Congresso. O movimento surgiu na Alemanha na década de 1930, como um grupo de extrema esquerda para combater o nazismo. Nos Estados Unidos, ressurgiu na presidência de Trump para fazer frente a grupos conservadores e à extrema-direita (alt-right), que ajudaram a elegê-lo.

Um fato é evidente, a burguesia norte-americana, a mais rica e poderosa do mundo, está colocando todo o aparato de repressão estatal para sufocar o levante popular que é uma expressão legítima do ódio contra a miséria, a pobreza e a opressão política e racial no país. Diversas medidas de exceção estão sendo tomadas por Trump, como a implementação de toque de recolher, repressão a repórteres e jornalistas e prisões massivas de cidadãos. A ação do governo Donald Trump deixa evidente que a democracia nos Estados Unidos se esfacelou com os atos repressivos em execução e os que deverão ser adotados pelo governo Trump. A mobilização popular nas ruas está colocando em xeque o regime político e social nos Estados Unidos.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE END OF THE DOLLAR AS A WORLD CURRENCY

Fernando Alcoforado*

This article aims to analyze the process that is leading the dollar to its end as a world currency due to the lack of confidence caused by the lack of currency ballast, the decline of the US economy, the possibility of the explosion of the US public debt bubble and, also, for the political use of the dollar as a weapon to impose the political will of the American government, aiming at maintaining its hegemony at the global level. The dollar may be replaced by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for payments between countries), the gold standard or a digital currency, such as the digital Yuan, which is being implemented in China.

The dollar has dominated the world for almost a century. The financial system led by the US dollar is beginning to point to an accelerated loss of confidence in this currency. In 2018, the dollar’s share of international reserves fell until 61.7%, which is the minimum level for the past 20 years, demonstrating the lack of confidence in the dollar. This loss of confidence results from the fact that the current global economic crisis shows that a monetary system like the current one based on paper money freely issued and without ballast by the United States government is something inherently unstable whose inevitable consequences of this process are artificial economic growth, the euphoria and the bad investments that such growth generates, and, finally, the depressions.

Since the United States completely abandoned the gold standard in August 1971 and established the floating paper money system in March 1973, the United States and the world have suffered the most intense, the most constant and the longest inflationary period in history worldwide. It is becoming clear that the world no longer accepts the crises generated by this unprecedented and unhindered inflation, which was brought about by the system of floating fiat currencies within itself, implanted since 1973. Looking ahead, the diagnosis that can be made for the dollar and for the international monetary system is indeed dismal. The international monetary system is continuously alternating between fixed and floating exchange rates, with each system continuing to face insoluble problems and working unsatisfactorily, until it reaches its final disintegration. And stimulating this disintegration will inevitably be the inflation of the dollar supply. The prospects for the future are of accelerated monetary inflation in the United States, followed by an international monetary collapse.

In recent years, several countries have been actively looking for opportunities to create a reserve currency and abandon the dollar. The oil trade between Russia and China is already carried out without the participation of the dollar. These countries have started to buy more gold to prepare for the collapse of the American currency. The tendency to abandon the dollar clearly indicates the diversity of world currencies capable of replacing it, such as, for example, the Euro and the Chinese Yuan. After the United States left the nuclear deal with Iran, the European Union plans to buy oil without using the dollar. After Russia and China decided to use the Yuan instead of the dollar, a wave of “de-dollarization” covered the world. Iran, Venezuela, Angola, Indonesia, Malaysia, Thailand and Pakistan have already expressed their desire to abandon the dollar or reduce its use in the oil trade and other financial transactions. Russia understands that, under the pressure of the petrodollar, its economy is in danger of being strangled.

The abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the explosion of the US public debt bubble corresponding to 22 trillion dollars, a value higher than the country’s GDP, a historic record, which may reach 140% of GDP by 2024. With the spread of the new Coronavirus pandemic, the public debt to the United States is expected to grow further. The United States Congressional Budget Department predicted that this year’s fiscal deficit would be US$ 897 billion and, in 2022, exceed the trillion-dollar mark. These numbers will be exceeded as a result of the new Coronavirus pandemic. Experts speculate that if this situation worsens, the country will face a large-scale crisis comparable to the Great Depression of the 1930s. If the global economy is unable to digest this huge debt, the subsequent crisis will lead the world to economic depression, to mass extreme poverty, geopolitical instability, political unrest and wars.

According to the report by the Institute of International Finance, the global debt increased to 255 trillion dollars in 2019, which is a record amount three times higher than the world GDP. In developed countries, the extremely high indebtedness rate reached 390% of GDP in 2019. The world economy may not be able to resist the debt of 255 trillion dollars, further aggravated by the economic crisis generated by the new Coronavirus. Economists warn that when this multi-trillion dollar bomb planted under the world economy explodes, the crisis will be worse than that of 2008. In late 2018, the International Monetary Fund (IMF) pointed to unsustainable global debt as the main threat to the world economy. The IMF said the real machine of global debt is the United States, whose deficit has almost tripled since 2000 and now exceeds US$ 73.6 trillion, representing 106% of GDP. The global debt of the United States is a factor that is contributing to the abandonment of the dollar as a world reserve currency. The data on foreign exchange reserves show a decrease in the role of the dollar.

Looking ahead, the diagnosis that can be made for the dollar and the international monetary system is indeed bleak. The international monetary system is bound to alternate continuously between fixed and floating exchange rates, with each system continuing to face insoluble problems and functioning unsatisfactorily, until it reaches its final disintegration. The international financial system is in a process of collapse with the probable collapse of the dollar. This situation can only be changed if there is a drastic change in the US and international monetary system.

James Rickards, author of The Death of Money (Penguin Random House UK), says the end of the dollar will lead to three scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for payments between countries); 2) the adoption of the gold standard; and, 3) social disorder. The first scenario that contemplates the replacement of the dollar by SDR as the global reserve currency is already underway. Over time, the weight of the dollar in the SDR basket in favor of the Chinese currency, the Yuan, will gradually be reduced. SDR will be pressured to stabilize the international financial system as it was done in 1979 and 2009. China’s agreement will be needed to use the SDR that insists on using it not to save the dollar as it was done in the past, but to replace the dollar as soon as possible. The transition will be inflationary in dollar terms due to its devaluation in relation to the SDR.

The second scenario considers the adoption of the gold standard, which is another alternative to the incessant impression of the dollar by the United States government, according to Rickards. James Rickards proposes to create a new globally competitive and gold-backed currency that is strong enough to overturn the dollar system. This can raise inflation to the extreme with gold restoring confidence or raise deflation to the extreme with gold reassessed by governments to raise the overall price level. The gold standard is adopted when confidence collapses. Rickards says the adoption of the gold standard associated with the dollar and the SDR is inflationary because gold would have to be revalued upwards to support global trade and finance with the current gold stock. Rickards’ third scenario is that social disorder will take the form of neo-fascism by governments in power when wage and price controls will be used to control inflation and digital surveillance will be used to combat the black market. Monetary turmoil would be crushed quickly by government action.

The digital currency along the lines of the one implanted in China, not considered by James Rickards could also be an alternative to replace the dollar. Everything suggests that in the coming decades the global economy will move from dominance of the United States and the dollar to a system in which China will have more power. Sputiniknews article under the title Mundo precisa de alternativa ao dólar após pandemia, diz Bolsa de Ouro de Xangai (World needs an alternative to the dollar after a pandemic, says Shanghai Gold Exchange), published on the website <https://br.sputniknews.com/opiniao/2020050115525352-mundo-precisa-de-alternativa-ao-dólar-apos-pandemia-diz-bolsa-de-ouro-de-xangai/&gt;, reports that the financial center entity in China says the United States is abusing its status as a global reserve currency holder to weaken countries that do not submit to their interests. The dollar, as a pressure weapon for the United States and a source of vulnerability for other countries, can no longer function as a global currency, says Wang Zheying, president of the Shanghai Gold Exchange, and warns that the world will need an alternative to the dollar after the new Coronavirus pandemic. According to Wang, the world needs a new strong currency that is independent of any state to develop international trade.

According to Wang Zheying, gold is not an ideal medium of exchange, as its quantity is limited. Since the United States completely abandoned the gold standard in August 1971 and established the floating paper money system in March 1973, the United States and the world have suffered the most intense, the most constant and the longest inflationary period in history. worldwide. It is becoming clear that the world no longer accepts the crises generated by this unprecedented and unhindered inflation, which was brought about by the system of floating fiduciary currencies, implanted since 1973.

The problem with the dollar-dominated monetary system is that it leaves countries vulnerable to possible United States sanctions and Washington’s power to freeze a nation’s international assets in the event of a dispute, Wang noted. During the post-crisis recovery of the new Coronavirus, the dominance of the dollar will cause many problems for other countries due to the low interest rate policy of the country’s central bank. It is a weapon for the United States, but a source of insecurity for other countries, Wang said. The president of the Shanghai Gold Exchange called for the use of a new supranational currency to reduce the global dominance of the United States dollar. The currency the world chooses for world trade should not be one that favors any country or exposes others to insecurity, said Wang, who predicted a long-term fall in the dollar and a rise in the price of gold.

Jia Jinjing, director of the Chongyang Institute for Financial Studies at the People’s University of China, proposes using digital currency technologies to implement the idea of ​​a new global currency. The People’s Bank of China launched digital currency tests. Jia Jinjing said that we can “use digital currency technology to create an international liquidity system according to real needs”. China is launching tests of the digital Yuan in four regions of the country: Shenzhen, Hunan, Chengdu and Suzhou. The digital Yuan is expected to partially replace physical money and will be introduced in two stages: from the Central Bank to commercial banks and from commercial banks to the population. The digital Yuan will have the same sovereignty as the Chinese fiat currency. In the first phase, the digital Yuan will be used more for domestic payments. The system is very similar to the electronic wallets Alipay and WeChatPay, which are popular in China. The introduction of the state digital currency will make it possible to control the amount of money in circulation more effectively and to conduct monetary policy and regulate capital movements.

In the world, digital currency is best developed in China. The Central Bank of China has registered 84 patents in the area of ​​digital currencies. This does not mean that the digital Yuan can become a new global payment system. First, the Chinese currency is not yet freely convertible, as there are restrictions on capital flows. And, as the director of the Shanghai Gold Exchange pointed out, a currency controlled by a given state cannot perform well in the current conditions of globalization. The supranational global currency for international agreements is more likely to be issued in the form of electronic money. This would significantly reduce transaction costs and all the difficulties associated with storing and transporting fiat money. In this case, China will already have a serious technological base and competence to actively participate in the formation of a new international payment system.

From the above, it is concluded that the global financial system is in a process of collapse with the collapse of the dollar. The financial system led by the US dollar is beginning to point to an accelerated loss of confidence in this currency, which manifests itself in the fact that central banks around the world are excluding the US currency from their reserves. This loss of confidence results from the fact that the current global economic crisis shows that a monetary system based on paper money issued freely and without ballast by governments around the world is something inherently unstable whose inevitable consequences of this process are artificial economic growth, euphoria and the bad investments that such growth generates, and, finally, the economic depressions. The abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the explosion of the US public debt bubble. The end of the dollar will lead to four scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for payments between countries); 2) the adoption of the gold standard; 3) the adoption of the Yuan as a digital currency; and, 4) social disorder. The social disorder scenario will occur if the first three scenarios do not happen when neo-fascist governments and global financial organizations will act to control the global financial system and prevent its collapse by repressing social movements with an iron fist.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).