O COLAPSO DA GLOBALIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA E O FUTURO DA ECONOMIA MUNDIAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a globalização contemporânea caminha celeremente rumo ao colapso e propor novos rumos para o futuro da economia mundial. Cabe observar que globalização significou a partir de 1980 a quebra de barreiras tarifárias, cotas e outras restrições comerciais, permitindo assim que as empresas multinacionais operassem livremente e transferissem os seus investimentos para áreas de mão de obra barata com a finalidade de aumentar sua lucratividade. O pressuposto foi o de que isso levaria à expansão global e ao desenvolvimento harmonioso das forças produtivas e ao crescimento dos recursos do mundo que, de fato, não aconteceu. Os sinais do colapso da globalização econômica e financeira contemporânea já estavam se apresentando a partir de 2010 quando a relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial caiu cerca de 12%, um declínio não visto desde a década de 1970. Na Figura 1, pode-se observar que as exportações mundiais cresceram de 1870 a 1914, decaíram entre 1914 e 1945 (entre guerras mundiais) e retomaram o crescimento de 1945 a 2008. A partir de 2008, as exportações mundiais passaram a apresentar declínio com a queda na relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial.

Figura 1- Razão entre exportações totais e o PIB mundial entre 1870 e 2007

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

A tendência de colapso da globalização econômica e financeira é demonstrada não apenas pela queda na relação entre as exportações mundiais e o PIB mundial, mas também em consequência da queda na taxa de lucratividade global conforme mostra a Figura 2.

Figura 2- Taxa de lucro média dos países do G20 (%)

Fonte: https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/

Michael Roberts, economista, co-editor, entre outros livros, de “The Great Recession: a Marxist View”, “The Long Depression” e “Marx 200: a Review of Marx’s Economics 200 years after his Birth” e autor do blog “The Next Recession” (https://thenextrecession.wordpress.com), afirma em seu artigo Acabou o impulso de globalização?, disponível no website <https://aterraeredonda.com.br/acabou-o-impulso-de-globalizacao/>, que a última onda de globalização começou a diminuir pouco antes do início dos anos 2000, quando a lucratividade global passou a recuar, tal como mostra a Figura 2 acima para a taxa de lucro média dos países do G20 que é composto pelos países da União Europeia, além dos seguintes países: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

Michael Roberts afirma em seu artigo Acabou o impulso de globalização? que, na década de 1990, o comércio mundial cresceu 6,2% ao ano, o investimento direto estrangeiro (IDE) aumentou 15,3% ao ano e o PIB global se elevou em 3,8% ao ano. Mas, na longa depressão da década de 2010, o comércio cresceu apenas 2,7% ao ano, mais lento do que o PIB global em 3,1%, enquanto o IDE aumentou apenas 0,8% ao ano. O resultado da globalização tem sido a destruição de todas as antigas indústrias nacionais estabelecidas e, no lugar da antiga autossuficiência local e nacional se estabeleceu a interdependência entre as nações. A interdependência entre as nações que era um dos pontos fortes da globalização contemporânea se constitui agora no seu contrário ao contribuir para o seu fim.

Os sinais de colapso da globalização contemporânea se manifesta, também, com a tendência de queda da taxa de lucro mundial (Figura 3), da queda da taxa de lucro nos Estados Unidos (Figura 4) e da queda na taxa de crescimento do Produto Mundial Bruto (Figura 5).

A Figura 3 apresenta a taxa de lucro mundial de 1869 a 2007 com manifesta tendência de queda no seu crescimento.

Figura 3- Taxa de lucro mundial

Fonte: <https://contrapoder.net/artigo/a-taxa-e-a-massa-de-lucros/>.

Na Figura 3, percebe-se claramente a queda vertiginosa na taxa de lucro mundial de 1965 a 1983, quando ocorreu pequena recuperação da taxa de lucro após a adoção do modelo neoliberal no nível mundial de 1983 a 1995. Entretanto, de 1995 até 2007, a queda na taxa de lucro mundial aponta a ameaça de crise que ocorreu em 2008 e de depressão que não evoluiu porque os governos atuaram no sentido de evitar a debacle do sistema capitalista mundial.

A Figura 4 apresenta a taxa de lucro dos Estados Unidos cuja tendência de queda de 1946 a 2012 é similar à tendência de queda da taxa de lucro mundial apresentada na Figura 3.

Figura 4- Taxa de lucro nos Estados Unidos

Fonte: <https://blogdaboitempo.com.br/2017/01/26/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i/>.

A Figura 5 apresenta a taxa de crescimento real do Produto Bruto Mundial e dos Produtos Financeiros (derivativos). Nela, constata-se a tendência de queda no crescimento do Produto Mundial Bruto de 1961 a 2007.

Figura 5- Taxas de crescimento real do Produto Bruto Mundial e dos Produtos Financeiros (derivativos)

Fonte: BEINSTEIN, Jorge. Rostos da crise: Reflexões sobre o colapso da civilização burguesa. Disponível no website <https://www.marxists.org/portugues/beinstein/2008/10/31.htm>, 2008.

A Figura 3 apresenta a evolução da taxa de lucro do sistema capitalista mundial de 1869 a 2007 apontando seu declínio neste período. Se for considerada a evolução da taxa de lucro do sistema capitalista mundial do período 1869- 1947 e, for mantida a tendência de queda desta taxa de lucro no período mais recente, 1947- 2007, a taxa de lucro do sistema capitalista mundial tenderia para o valor igual a zero em 2037. A Figura 4 apresenta a evolução da taxa de lucro nos Estados Unidos de 1946 a 2012 apontando seu declínio neste período. Se for mantida a tendência de queda desta taxa de lucro nos próximos anos, a taxa de lucro nos Estados Unidos alcançará o valor zero em 2043. A Figura 5 apresenta a evolução do Produto Mundial Bruto de 1961 a 2007 apontando seu declínio neste período. Se for mantida a tendência de queda na taxa de crescimento do Produto Mundial Bruto nos próximos anos, esta taxa alcançará o valor zero em 2053. Estas estimativas foram obtidas com base no método dos mínimos quadrados da Estatística.

Conclui-se, pelo exposto, que o sistema capitalista mundial ficaria inviabilizado em meados do século XXI (2037, 2043 ou 2053) quando cessará o processo de acumulação do capital com as taxas de lucro global e de crescimento da economia mundial alcançando o valor zero. A tendência decrescente das taxas de lucro no sistema capitalista mundial mostra o caráter histórico, transitório do modo de produção capitalista e o conflito que se estabelece com as possibilidades de continuar seu desenvolvimento. Assim, as bases da teoria de Marx apresentadas em sua obra O Capital estão sendo confirmadas. Karl Marx previu que a taxa de lucro tenderá a cair no longo prazo, década após década. Não só haverá altos e baixos em cada ciclo de “boom” e crise, mas também haverá uma tendência à queda no longo prazo, tornando cada “boom” mais curto e cada queda mais profunda.

Pode-se afirmar que a globalização econômica e financeira e o livre comércio trouxeram ganhos para poucas empresas e poucos países e suas populações. As corporações transnacionais transferiram suas atividades para áreas em que a mão de obra era mais barata e adotaram novas tecnologias que exigem menos mão de obra na luta pela lucratividade. Em vez de um desenvolvimento harmonioso e igualitário, a globalização contemporânea aumentou a desigualdade de riqueza e renda, tanto entre as nações quanto dentro delas. Sob a livre circulação de capitais pertencentes às empresas transnacionais, assim como sob o livre comércio sem tarifas e restrições, os grandes capitais mais eficientes triunfaram às custas dos mais fracos e ineficientes. Em consequência, os trabalhadores desses últimos setores foram também atingidos. Com o colapso da globalização, é pouco provável que o capitalismo ganhe um novo sopro de vida baseado em lucratividade crescente e sustentada. É improvável que o capitalismo retome a lucratividade do passado diante da perspectiva de aprofundamento da crise atual e talvez de mais guerras no futuro. É inevitável o colapso da globalização econômica e financeira.

Diante do fracasso e do colapso da globalização contemporânea, urge edificar uma nova globalização com o Keynesianismo global e o governo mundial para ordenar a economia mundial. A política econômica Keynesiana adotada em cada país e globalmente e a existência de um governo mundial são as soluções para fazer frente ao colapso da globalização contemporânea e eliminar o caos que caracteriza a economia mundial. John Maynard Keynes foi o maior expoente do pensamento econômico liberal neoclássico vinculado à Escola Neoclássica Sueca que, com suas obras, promoveu uma revolução na doutrina econômica, opondo-se, principalmente, ao pensamento marxista e ao pensamento liberal clássico. Sua obra principal foi A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda lançada em 1936. O pensamento econômico de Keynes defende o Estado como um agente ativo contra a recessão e alta no desemprego. Por exigir um governo maior como decisor na economia de um país, o Keynesianismo se posicionou contra o pensamento liberal clássico e as demais escolas do pensamento liberal neoclássico que defendem um Estado o menor possível.

Keynes acreditava que o capitalismo poderia superar seus problemas estruturais como sistema econômico desde que fossem feitas reformas significativas na economia de cada país como ele propôs haja vista que o capitalismo liberal, que dominou a economia mundial até 1945, havia se mostrado incapaz de manter o pleno emprego e assegurar a estabilidade econômica. Keynes defendia a intervenção moderada do Estado para alcançar a estabilidade econômica e assegurar o pleno emprego na economia de um país. Keynes afirmava que compete ao Estado incentivar o aumento dos meios de produção e a boa remuneração dos detentores do capital. O pensamento Keynesiano deixou algumas tendências que prevalecem até hoje no atual sistema econômico. Dentre as principais, a utilização de modelos macroeconômicos, o intervencionismo estatal moderado e o uso da matemática na ciência econômica.

O liberalismo neoclássico foi bem sucedido com o Keynesianismo após a 2ª Guerra Mundial quando contribuiu decisivamente para o desenvolvimento econômico da maioria dos países do mundo de 1945 até 1965 que é denominado “golden age” (era de ouro). Cabe observar que nos “anos gloriosos”, foram registrados índices ímpares de crescimento econômico e geração de emprego e renda na economia mundial e a combinação de crescimento econômico com mão-de-obra plenamente empregada, com salários razoáveis e protegida pelo Estado de bem-estar social especialmente nos países da Europa Ocidental. O Keynesianismo deixou de ser eficaz na década de 1970 com a queda no crescimento econômico mundial após os denominados “anos gloriosos” (1945/1965), porque não foi capaz de solucionar as duas crises do petróleo e a crise da dívida de grande parte dos países do mundo que ficaram insolventes junto aos bancos internacionais.

O Keynesianismo foi abandonado como pensamento econômico dominante na década de 1980 e substituído pelo pensamento econômico neoliberal que se opõe ao pensamento econômico marxista e ao pensamento liberal neoclássico Keynesiano de bem-estar social e propõe a restauração do pensamento econômico liberal clássico tendo como base uma visão econômica conservadora que pretende diminuir ao máximo a participação do Estado na economia não apenas no nível nacional, mas também no nível mundial cuja expectativa era de promover a retomada do crescimento da taxa de lucro mundial do sistema capitalista. No entanto, o neoliberalismo que substituiu o Keynesianismo fracassou, também, porque a taxa de lucro mundial e o crescimento econômico mundial continuaram em declínio não impedindo a eclosão da crise mundial de 2008 e o caos se estabeleceu na economia mundial graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global.

Diante do fracasso do neoliberalismo e de sua incapacidade de lidar com a crise global do capitalismo, o Keynesianismo poderia ser a solução desde que que ele fosse aplicado em cada país e globalmente, isto é, ele operaria no planejamento econômico, não apenas ao nível nacional para obter estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores em cada país, mas também ao nível mundial para eliminar o caos econômico global que predomina atualmente com o neoliberalismo. O Keynesianismo deveria ser adotado, também, ao nível planetário visando assegurar a estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores globalmente. Com o Keynesianismo em cada país e globalmente, haveria a coordenação de políticas econômicas Keynesianas em nível planetário que só poderia ser realizada com a existência de um governo mundial. Esta seria a forma de obter a estabilidade da economia mundial para eliminar o caos que caracteriza a globalização neoliberal dominante atualmente em todo o mundo.

É importante observar que o capitalismo é um sistema complexo, dinâmico, adaptativo e não linear porque possui elementos ou agentes em grande número que interagem entre si formando uma ou mais estruturas que se originam das interações entre tais agentes. A Teoria do Caos explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos como o sistema capitalista. De acordo com a Teoria do Caos, os sistemas entram em um estado de caos quando flutuações que eram, até então, corrigidas por “feedback” ou realimentações autoestabilizadoras ficam fora de controle. A trajetória de desenvolvimento torna-se não linear: tendências predominantes colapsam e em seu lugar surgem vários desenvolvimentos complexos. Raramente o caos é uma condição prolongada. Na maior parte dos casos, é apenas uma época transitória entre estados mais estáveis.

Para gerir um sistema complexo como o capitalismo, é preciso criar mecanismos de “feedback” e controle pelo governo mundial para assegurar a estabilidade do sistema econômico. Com o Keynesianismo global adotado no planejamento da economia mundial e a existência de um governo mundial seria possível eliminar o caos gerador de incertezas que caracteriza a economia mundial sujeita a instabilidades constantes. A eliminação do caos ou atenuação da instabilidade e da incerteza com suas turbulências e seus riscos na economia mundial só será alcançada com a existência de um governo mundial que atuaria para assegurar a coordenação entre as políticas econômicas Keynesianas adotadas em cada país e globalmente. Para ser eficaz, o governo mundial deveria adotar o processo de planejamento Keynesiano da economia que contribua para eliminar a instabilidade e a incerteza com suas turbulências e seus riscos.

A adoção dessas medidas com o Keynesianismo global requer a existência de um governo mundial para coordenar a expansão da economia em cada país e globalmente. A humanidade só caminhará rumo a uma efetiva integração econômica, inicialmente, e, política, posteriormente, entre os países desde que exista um governo mundial e que funcione, também, um Estado de direito globalizado. Há a necessidade de um governo democrático mundial que pode ser realizado com a reestruturação da ONU, a transformação da Assembleia Geral da ONU em parlamento mundial e a transformação da Corte Internacional de Haia reestruturada em Suprema Corte Mundial para fazer com que o sistema internacional funcione em benefício de todas as nações, promova o ordenamento da economia mundial e do meio ambiente global, acabe com as guerras e assegure a paz mundial.  O Direito Internacional só será respeitado e aplicado com efetividade com a existência de sistema internacional que opere com um Governo democrático mundial, um Parlamento mundial e uma Suprema Corte mundial.

O ordenamento da sociedade no plano mundial poderia ser alcançado com a constituição de um governo mundial que visaria não apenas o ordenamento econômico e das relações internacionais em nível mundial, mas, sobretudo, criar as condições para enfrentar os desafios da humanidade no Século XXI. Para viabilizar um governo mundial é preciso que, de início, seja constituído um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade por organizações da Sociedade Civil e governos de todos os países do mundo. Neste Fórum seriam debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de um movimento mundial pela constituição de um governo mundial e um parlamento mundial visando sensibilizar a população mundial e os governos nacionais no sentido de tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade. Este seria o caminho que tornaria possível transformar a utopia do governo mundial em realidade. Sem a constituição de um governo mundial democrático, o cenário que se descortina para o futuro será o de desordem econômica, política e social e da guerra de todos contra todos gerados pelo colapso da globalização contemporânea.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

JUSQU’À QUAND LE MASSACRE DU GOUVERNEMENT ISRAÉLIEN À GAZA CONTINUERA-T-IL ?

Fernando Alcoforado*

Depuis le 7 octobre 2023, lorsque le Hamas a lancé l’attaque contre le territoire israélien, le gouvernement  israélien, en représailles, ont transformé la bande de Gaza, un territoire de 362 km2, en décombres et la situation humanitaire de ses environ 2,4 millions d’habitants est catastrophique. Les bombardements du gouvernement israélien, qui a promis d’éradiquer le Hamas, sont incessants. Le nombre de Palestiniens tués a atteint 36 801 depuis le début de la guerre entre Israël et le Hamas. Au moins 70 personnes ont été tuées au cours des dernières 24 heures, selon un communiqué des autorités locales, s’ajoutant au total de 83 680 blessés à Gaza depuis le début de la guerre, le 7 octobre 2023. La situation à Gaza est douloureuse, angoisse et colère des survivants confrontés à l’horreur des corps mutilés, souvent des enfants. Avec ce massacre de Palestiniens, Israël s’éloigne de plus en plus de la possibilité d’être accepté comme un État régulier et permanent dans cette région afin de s’intégrer et de survivre.

Avec près de deux millions de personnes déplacées, la ville de Rafah, à l’extrémité sud de la bande de Gaza, s’est transformée en un ghetto semblable à celui de Varsovie lorsque les Juifs ont été confinés par les nazis dans un quartier de la ville de Varsovie en Pologne. Dans le ghetto de Rafah, il y a une foule de déplacés, des tentes de campagne au milieu des rues et des quartiers complètement dévastés, où il ne reste plus que des décombres. La bande de Gaza disparaît sous nos yeux. Après quatre mois de guerre, l’épuisement est évident. L’armée israélienne détruit les habitations et le patrimoine historique de la bande de Gaza dont les victimes sont à la merci des attaques israéliennes. Nulle part dans la bande de Gaza n’est sûr. Le carnage auquel nous assistons aujourd’hui dans la bande de Gaza n’a rien de nouveau, car il s’est déjà produit d’innombrables fois dans le passé dans toute la Palestine, même si cette fois, l’horreur des crimes contre l’humanité du gouvernement israélien atteint de nouveaux et honteux records.

Actuellement, environ 2 millions de Palestiniens sont sans abri à cause de la guerre qui a débuté le 7 octobre 2023. Ce nombre équivaut à plus de 80 % de la population totale de la bande de Gaza qui a été déplacée depuis le début de la guerre entre le gouvernement d’Israël et le Hamas, selon l’Agence des Nations Unies pour les réfugiés palestiniens (UNRWA). Jusqu’à présent, les efforts visant à mettre fin au massacre israélien de la population civile de la bande de Gaza ont été vains. La CPI (Cour pénale internationale), basée à La Haye, aux Pays-Bas, a conseillé à l’unanimité l’émission de mandats d’arrêt contre le premier ministre israélien. Benjamin Netanyahu et le ministre israélien de la Défense Yoav Gallant, ainsi que des mandats d’arrêt contre le chef du Hamas Ismail Haniyeh, le chef de Gaza Yahya Sinwar et le commandant des brigades Al-Qassam Mohammed Al-Masri, connu sous le nom de Deif. Les cinq personnes visées sont soupçonnées de crimes de guerre et de crimes contre l’humanité qui auraient été commis en Israël et dans la bande de Gaza. De plus, le Conseil de sécurité de l’ONU n’a pas réussi à mettre fin au conflit grâce au veto des États-Unis, principal allié du gouvernement israélien.

Pendant ce temps, le monde assiste passivement au massacre de la population civile de la bande de Gaza. Cette situation diffère de celle qui s’est produite pendant la Seconde Guerre mondiale, lorsque les pays épris de paix se sont unis pour anéantir l’empire nazi en Europe. Combien de temps encore les gouvernements des pays épris de paix resteront-ils passifs devant les crimes de guerre et les crimes contre l’humanité commis par le gouvernement israélien ? Combien de temps encore les gouvernements des pays arabes assisteront-ils au massacre israélien dans la bande de Gaza sans prendre aucune mesure concrète pour mettre fin à l’action belliciste du gouvernement israélien ? Combien de temps encore les Juifs épris de paix en Israël et dans le monde continueront-ils à assister passivement au massacre israélien dans la bande de Gaza, soutenant les crimes de guerre et les crimes contre l’humanité commis par le gouvernement Netanyahu ? Il est important de noter qu’Israël ne pourra exister que s’il est accepté par les peuples vivant en Palestine et dans le monde arabe. Israël ne pourra exister que si le gouvernement Netanyahu est remplacé par un gouvernement démocratique capable de dialoguer avec les Palestiniens de la région.

​* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).​

UNTIL WHEN WILL THE ISRAELIAN GOVERNMENT MASSACRE IN GAZA CONTINUE?

Fernando Alcoforado*

Since October 7, 2023, when Hamas launched the attack against Israeli territory, the government of Israel, in retaliation, have turned the Gaza Strip, a territory of 362 km2, into rubble and the humanitarian situation of its approximately 2, 4 million inhabitants is catastrophic. The bombings by the Israeli government, which has promised to eradicate Hamas, are relentless. The number of Palestinians killed has reached 36,801 since the start of the war between Israel and Hamas. The situation in Gaza is one of pain, anguish and revolt among the survivors. who are faced with the horror of mutilated bodies, often children. At least 70 people have been killed in the past 24 hours, a statement from local authorities said, adding to the total of 83,680 injured in Gaza since the start of the war on October 7, 2023 With this mass murder of Palestinians that occurred today, Israel is increasingly moving away from the possibility of being accepted as a regular, permanent state in this region in order to integrate and survive.

With almost two million people displaced, the city of Rafah, at the southern end of the Gaza Strip, turned into a ghetto similar to that of Warsaw when Jews were confined by the Nazis to an area of ​​the city of Warsaw in Poland. In the Rafah ghetto, there is a crowd of displaced people, campaign tents in the middle of the street and completely devastated neighborhoods, where there is nothing but rubble. The Gaza Strip disappears before our eyes. After four months of war, exhaustion is evident. The Israeli army is destroying the homes and historical heritage of the Gaza Strip whose victims are at the mercy of Israeli attacks. Nowhere in the Gaza Strip is safe. The carnage that we see today in the Gaza Strip is nothing new, because it has already occurred countless times in the past throughout Palestine, although this time, the horror of the Israeli government’s crimes against humanity reaches new and shameful records.

Currently, around 2 million Palestinians are homeless because of the war that began on October 7, 2023. This number is equivalent to more than 80% of the total population of the Gaza Strip who have been displaced since the start of the war between the government of Israel and Hamas, according to the United Nations Agency for Palestinian Refugees (UNRWA). So far, efforts to stop the Israeli massacre of the civilian population of the Gaza Strip have been in vain. The ICC (International Criminal Court), based in The Hague, Netherlands, unanimously advised the issuance of arrest warrants against the first -Israeli Minister Benjamin Netanyahu and Israeli Defense Minister Yoav Gallant, as well as arrest warrants for Hamas leader Ismail Haniyeh, Gaza chief Yahya Sinwar and Al-Qassam Brigades commander Mohammed Al- Masri, known as Deif. The five targeted are suspected of war crimes and crimes against humanity allegedly committed in Israel and the Gaza Strip. Furthermore, the UN Security Council has been unable to end the conflict thanks to the veto of the United States, the Israeli government’s main ally.

Meanwhile, the world passively watches the massacre of the civilian population of the Gaza Strip. This situation differs from what happened during World War II, when peace-loving countries united to annihilate the Nazi empire in Europe. How long will the governments of peace-loving countries passively watch the war crimes and crimes against humanity committed by the Israeli government? How long will the governments of Arab countries watch the Israeli massacre in the Gaza Strip without taking any concrete action to stop the Israeli government’s warmongering action? How long will peace-loving Jews in Israel and the world continue to passively watch the Israeli massacre in the Gaza Strip, supporting the war crimes and crimes against humanity committed by the Netanyahu government? It is important to note that Israel will only be able to exist if it is accepted by the people living in Palestine and the Arab world. Israel will only be able to exist if the Netanyahu government is replaced by a democratic government capable of dialoguing with the Palestinians in the region.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023). 

ATÉ QUANDO VAI CONTINUAR O MASSACRE DO GOVERNO ISRAEELENSE EM GAZA?

Fernando Alcoforado*

Desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas desencadeou o ataque contra o território israelense, o governo e Israel, em represália, transformou a Faixa de Gaza, um território de 362 km2, em escombros e a situação humanitária de seus cerca de 2,4 milhões de habitantes é catastrófica. Os bombardeios do governo de Israel, que prometeu erradicar o Hamas, são implacáveis. O número de palestinos mortos alcança 36.801 desde o início da guerra entre Israel e o Hamas. Pelo menos 70 pessoas foram mortas nas últimas 24 horas, informou um comunicado das autoridades locais, acrescentando um total de 83.680 feridos em Gaza desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023. A situação em Gaza é de dor, angústia e revolta dos sobreviventes os quais se deparam com o horror de corpos mutilados, frequentemente de crianças. Com esse assassinato em massa de palestinos, Israel se afasta cada vez mais da possibilidade de ser aceita como Estado regular, permanente, nessa região para integrar-se e sobreviver.

Com quase dois milhões de deslocados, a cidade de Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, se transformou em um gueto similar ao de Varsóvia quando os judeus foram confinados pelos nazistas em uma área da cidade de Varsóvia na Polônia. No gueto de Rafah, há uma multidão de deslocados, barracas de campanha no meio da rua e os bairros completamente arrasados, onde não há nada além de escombros. A Faixa de Gaza desaparece diante dos nossos olhos. Depois de quatro meses de guerra, a exaustão é evidente. O exército israelense está destruindo as casas e o patrimônio histórico da Faixa de Gaza cujas vítimas estão à mercê dos ataques israelenses. Nenhum lugar na Faixa de Gaza é seguro. A carnificina que se vê hoje na Faixa de Gaza, nada tem de novidade, porque ela já ocorreu inúmeras vezes no passado em toda a Palestina, embora, desta vez, o horror dos crimes do governo de Israel contra a humanidade alcance novos e vergonhosos recordes.

Atualmente, cerca de 2 milhões de palestinos estão desabrigados como resultado da guerra que começou em 7 de outubro de 2023. Este número é equivalente a mais de 80% da população total da Faixa de Gaza que foram deslocadas desde o início da guerra entre o governo de Israel e o Hamas, segundo informou a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA). Até o momento, têm sido em vão os esforços para cessar o massacre israelense da população civil da Faixa de Gaza, O TPI (Tribunal Penal Internacional), sediado em Haia, na Holanda, aconselhou por unanimidade a emissão de mandados de captura contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, além de  mandados de detenção do líder do Hamas Ismail Haniyeh, o chefe em Gaza, Yahya Sinwar, e o comandante das Brigadas Al-Qassam, Mohammed Al-Masri, conhecido como Deif. Os cinco visados são suspeitos de crimes de guerra e crimes contra a humanidade alegadamente cometidos em Israel e na Faixa de Gaza. Além disso, o Conselho de Segurança da ONU não tem conseguido cessar o conflito graças ao veto dos Estados Unidos, principal aliado do governo israelense.

Enquanto isto, o mundo assiste passivamente o massacre da população civil da Faixa de Gaza. Esta situação difere do que aconteceu durante a 2ª Guerra Mundial, quando os países amantes da paz se uniram para aniquilar o império nazista na Europa. Até quando os governos dos países amantes da paz assistirão passivamente os crimes de guerra e contra a humanidade praticados pelo governo de Israel? Até quando os governos dos países árabes ficarão assistindo o massacre israelense na Faixa de Gaza sem nenhuma atitude concreta para cessar a ação belicista do governo israelense?  Até quando os judeus amantes da paz em Israel e no mundo continuarão assistindo passivamente o massacre israelense na Faixa de Gaza apoiando os crimes de guerra e contra a humanidade praticados pelo governo Netanyahu?  É importante observar que Israel só terá condições de existir se for aceita pelos povos que vivem na Palestina e no mundo árabe. Israel só terá condições de existir se houver a substituição do governo Netanyahu por um governo democrático capaz de dialogar com os palestinos na região.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

ENERGY PRODUCTION AND CONSUMPTION FROM PREHISTORY TO THE CONTEMPORARY ERA AND ITS FUTURE EVOLUTION

Fernando Alcoforado*

Abstract: This article aims to present how the evolution of energy consumption and production occurred from prehistory to current times, as well as proposing the future of energy required for the world.

Keywords: Use and production of energy throughout history. Energy future required for the world.

1. Introduction

This article aims to present how the evolution of energy consumption and production occurred from prehistory to current times, as well as proposing the future of energy required for the world. From prehistoric times until the 18th century, the use of renewable energy sources such as wood, wind and hydraulic energy predominated. From the 18th century until the contemporary era, fossil fuels predominated with coal and oil, but their use will probably end from the 21st century onwards to avoid catastrophic global climate change resulting from their use by emitting greenhouse gases responsible for the global warming. With the end of the era of fossil fuels will come the era of renewable energy sources when the use of hydroelectric energy, solar energy, wind energy, tidal energy, wave energy, geothermal energy, biomass energy and hydrogen energy will prevail.

2. Use and production of energy from prehistory to the 18th century [1][2]

For a long time, in the early days of humanity, muscular strength was the main source of energy used by man. In the early history of humanity, the domestication of animals provided the mechanical energy necessary for transport and agricultural production, etc. The discovery by human beings that they could control forms of energy that would be useful to them, such as fire, represented a very important milestone for humanity, using thermal energy, to be able to cook their food and keep warm. Around 7 thousand years ago BC, in the Neolithic period, the use of fire began. A few millennia ago, hydraulic energy from rivers and wind energy were used by humanity based on available technology. Around 12 thousand years ago, the Agricultural Revolution marked the beginning of the use of animal traction, wind power and waterfalls in agricultural and livestock production.

During Antiquity, the use of wind in sailing navigation was essential for colonization and trade on the shores of the Mediterranean Sea, replacing rowing navigation that used human muscular strength. During the Roman Empire, from 31 BC to 410 AD, firewood was widely used to produce weapons in the process of forging metals. This caused the deforestation of much of Italy and the Iberian Peninsula. At the same time, very far away, more specifically in China, great innovations in hydraulic technology were introduced, through the creation of water lifting devices and irrigation systems. From the domination of fire to the advent of the 1st Industrial Revolution in the 18th century, there was no major evolution in the way humanity used energy. Changes in the global energy matrix, in terms of the diversity of sources and usage patterns, did not change much over the centuries until the 1st Industrial Revolution.

3. The use of mineral coal from the 18th century onwards in energy production [1][2]

Only with the advent of the 1st Industrial Revolution, also called the “age of coal and iron”, which occurred in England in 1786, did the use and production of energy assume fundamental importance in replacing men and animals with machines. With the 1st Industrial Revolution and the resulting industrialization process, the need for energy increased and new primary sources, with greater energy density, were introduced. The use of mineral coal as a source of energy marked the end of the era of renewable energy represented by the use of wood and the scarce hydraulic and wind power used since the beginning of humanity to begin the non-renewable era of energy, the era of fuels fossils with the use of mineral coal and the invention of steam engines.

A steam engine has a boiler that, with the heat from burning fuel, causes water to transform into steam with the purpose of transforming the hot energy that is released by burning fuel, coal. The adoption of the steam engine was slow, taking a century after James Watt’s patent (1769) was used to transform industrial production and land transport with the advent of the railway and its use in long-distance maritime transport with steam vessels. . The replacement of charcoal with coke in iron smelting was one of the “greatest technical innovations of the modern era, as it ended the unsustainable use of wood in England and dramatically increased iron production. Furthermore, coal laid the basis for the modern steel industry and paved the way for the advent of the key metal of industrialization, iron.

4. The use of oil from the 19th century onwards in energy production [1][2]

From 1860 onwards, in England, new transformations emerged in the industry. This phase was called the 2nd Industrial Revolution, which became known as the “age of steel and electricity”. With the 2nd Industrial Revolution, which lasted until the first half of the 20th century, new fuels with greater energy power were needed, with oil being the fuel that brought together these properties. Thus began a new phase in the use of liquid fuels that continues to this day. Initially, petroleum was used only to obtain kerosene and lubricating oils. At that time, gasoline generated during the distillation of oil was thrown away into rivers or burned. Sometimes it was mixed with kerosene to produce a dangerous explosive. Among the inventions that emerged during the 2nd Industrial Revolution are the Bessemer process for transforming iron into steel, which allowed the production of steel on a large scale, the dynamo that allowed the replacement of steam by electricity and the internal combustion engine that allowed the use of oil on a large scale creating conditions for the use of its derivatives in automobiles and, later, in trucks and airplanes.

The use of gasoline as a fuel for motor vehicles only began after the invention of internal combustion engines and the large-scale production of automobiles. The automobile became viable with the invention of the internal combustion engine and the discovery that the petroleum derivative, gasoline, could be used as fuel, which occurred in 1876. Nikolaus August Otto, a German engineer and inventor, was the one who invented and built the first four-stroke internal combustion engine and determined the theoretical cycle under which the explosion engine works, the well-known Otto cycle. From then on, the demand for petroleum derivatives, especially gasoline, increased dramatically in industrialized countries. Oil, previously only used to obtain kerosene, became the source of gasoline. A few decades later, this same trend transformed diesel into a fuel used in jeeps and trucks and fuel oil widely used in industry after the Second World War.

5. The use of electricity from the 19th century onwards in energy production [1][2]

The 2nd Industrial Revolution was the continuation of the process of revolution in industry, through the improvement of techniques, the creation of machines and new means of production. Advances in scientific and technological knowledge enabled the use of electricity and the invention of electrical machines in the 19th century, together with the introduction of automotive vehicles, which laid the foundations for the introduction of the modern consumer society, characterized by an energy intensity never seen before in the history of humanity. It was in 1913 in the United States, with the automobile industry as its flagship, that the Second Industrial Revolution was consolidated. With the 2nd Industrial Revolution, electricity emerged as a combined effort of several engineers and scientists, starting with Michael Faraday’s discovery of electromagnetic induction. This culminated in the work of Thomas Edison, who not only designed the first electric light bulb, but also built an electricity generating plant and direct current electrical system in 1880 to provide power to customers in lower Manhattan in New York.

Later, in the last two decades of the 19th century, the famous “war of electrical currents” took place between the alternating current defended by Nikola Tesla and George Westinghouse and the direct current defended by Thomas Edison. The difference between direct electrical current and alternating current is that, while in direct current the electrons move in a single direction, alternating current has electrons that constantly vary their direction. If the electrons move in only one direction, this current is called direct. If the electrons constantly change direction, it is alternating current. For distributing electricity, alternating electrical current is significantly more practical than direct current, since it is much easier to change the electrical voltage in alternating current than the voltage in direct current.

Based on work with rotational magnetic fields, Nikola Tesla developed a system for generating, transmitting and using electrical energy from alternating current. Tesla collaborated with George Westinghouse to commercialize this system. The “war of electric currents” ended up favoring alternating current because it has the advantage of being able to easily lower or increase its electrical voltage through transformers and high power transmission is more economical, as it offers less energy loss. Electrical systems implemented around the world are now based on alternating current. Today, alternating current is the norm for electrical power systems that produce electricity using conventional and nuclear hydroelectric and thermoelectric plants, among others.

6. The use of nuclear energy from the 20th century onwards in the production of electrical energy [1][2]

The operation of a nuclear power plant to generate electricity consists of using the nuclear reactor (main part of the plant) to simply boil water whose vapor is used by a thermodynamic cycle to move an alternator and produce electrical energy. Nuclear energy is obtained from the fission of the nucleus of an enriched uranium atom, releasing a large amount of energy. The transformation of nuclear energy into electrical energy has been carried out in a controlled manner in a nuclear reactor through the nuclear fission of uranium as the main civil application of nuclear energy. Electrical power was first generated by a nuclear reactor on September 3, 1948 by the X-10 Graphite Reactor in Oak Ridge, Tennessee, United States by lighting an electric lamp. Today, the United States is the country with the largest number of nuclear plants, totaling 104, representing 18% of the country’s energy matrix. France is at the top of the countries with the greatest dependence on this type of energy, using 80% of nuclear energy in its energy matrix.

The main advantage of nuclear energy is that it makes it possible to avoid using fossil fuels such as oil and coal in the production of electricity, which has come to be defended even by some ecologists because it does not generate greenhouse gases. These ecologists advocate a radical turn toward nuclear energy as a way to combat global warming resulting from the emission of greenhouse gases from fossil fuels, especially oil. Compared to hydroelectric generation, the use of nuclear energy has the advantage of not requiring the flooding of large areas to form reservoir lakes, thus avoiding the loss of areas of natural reserves or agricultural land, as well as the removal of entire communities in areas that are flooded. However, nuclear plants have a disadvantage related to the final disposal of their waste (atomic waste) that has not been resolved to date and the impossibility of avoiding accidents such as those that occurred in Chernobyl in 1986 and in Fukushima in 2011, which when they occurred assumed catastrophic dimensions. .

7. Fossil fuels and global climate change

There is no doubt that human activities on Earth cause changes in the environment in which we live. Many of these environmental impacts come from the generation, handling and use of energy using fossil fuels. The main reason for the existence of these environmental impacts lies in the fact that global consumption of primary energy from non-renewable sources (oil, coal, natural gas and nuclear) corresponds to approximately 88% of the total, with only 12% coming from renewable sources. This enormous dependence on non-renewable energy sources has led, in addition to the permanent concern about the possibility of depletion of these sources, to the emission of large quantities of carbon dioxide (CO2) and other greenhouse gases into the atmosphere, which reached a record in 2013, having was on the order of 36.3 billion tons, approximately 3.9 times the amount emitted in 1960 (9.3 billion tons).

Everything suggests that, if the current trend in energy consumption is maintained, the share of fossil fuels (oil, coal and natural gas) in the global energy matrix will reach 80% in 2030. Oil has a dominant position among the sources of energy used. Oil, coal and natural gas are, in order, the most used energy sources today in global final energy consumption. The industrialized countries of the OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) are the largest consumers of energy, followed by China, Russia and other countries in Asia. According to the International Energy Agency, oil and coal are the biggest responsible for CO2 emissions into the atmosphere, the biggest emitters of which are the industrialized countries of the OECD.

The International Energy Agency (IEA) has warned that “the world will be heading towards an unsustainable energy future” if governments do not take “urgent measures” to optimize available resources. For the IEA, by 2035 global investment of US$38 trillion would be needed in energy infrastructure – two thirds in countries outside the Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) – to meet growing demand, 90% to supply emerging countries, such as China and India. Regardless of the various solutions that may be adopted to eliminate or mitigate the causes of the greenhouse effect, the most important action is, without a doubt, the adoption of measures that contribute to the elimination or reduction of the consumption of fossil fuels in energy production, as well as well as for its more efficient use in transport, industry, agriculture and cities (residences and commerce), given that the use and production of energy are responsible for 57% of greenhouse gases emitted by human activity [8]. In this sense, the implementation of a sustainable energy system is essential.

In a sustainable energy system, the global energy matrix should only rely on clean and renewable energy sources (hydroelectric, solar, wind, hydrogen, geothermal, tidal, wave and biomass), and should therefore not rely on the use fossil fuels (oil, coal and natural gas) [7]. Exceptionally, it could use natural gas, which is the least polluting fossil fuel, and nuclear plants because they are sources of clean energy in the energy transition phase. Until the ideal situation is reached, the global energy matrix should go through a transition phase in which renewable and non-renewable energy sources coexist. Technologies are already available to begin this historic energy transition that will only occur with fundamental changes in energy policy in the vast majority of countries [3].

8. The energy future required for the world

The transition from the current energy matrix based on fossil fuels to the energy matrix based on clean and renewable energy requires, as a first step, the adoption of changes in energy policy in the world, which consists of redirecting a large number of countries’ government policies so that intended to achieve the central objectives of energy efficiency and reducing the use of fossil fuels [6]. For example: rewarding the acquisition of efficient motor vehicles and electric vehicles with reduced taxes on them, encouraging high-capacity mass transport alternatives on rails such as subways and VLT to replace automobiles, implementing railways to replace the use of trucks in long-distance freight transport, restructure industries to make use of clean and renewable energy and raise taxes on fossil fuels.

The clean and renewable energy sources to be used preferably are hydroelectric, solar, wind, hydrogen, geothermal, tidal, wave and biomass. Exceptionally, nuclear energy may be used as an energy source, which would have restrictions due to the risks it represents, and natural gas, as it is the least aggressive fossil fuel to the environment. Clean and renewable energy sources are already a reality around the world. The future of the energy sector around the world will necessarily mean the use of clean and renewable energy sources. Clean and renewable energy is a concrete alternative to combat environmental degradation and the misuse of the planet’s natural resources. The use of clean and renewable energy is, without a doubt, the rational way to guarantee the sustainability of planet Earth for current and future generations [3].

The use of solar energy and other renewable energies will cause changes of great magnitude across the planet, notably the creation of completely new industries, the development of new transport systems and the modification of agriculture and cities. The great challenge facing us today is to continue advancing science and technology in order to efficiently harness energy and economically use renewable resources. This is the alternative energy scenario that could replace the scenario in which the use of non-renewable energy sources prevails, thus avoiding compromising the global environment. This means that profound changes in global energy policy must be put into practice to reduce the consumption of fossil fuels, which account for 80% of global energy supplies [6].

The direct conversion of solar energy into electricity and heat is likely to be the cornerstone of a sustainable global energy system. Solar energy is not only available in large quantities, it is also more widely distributed than any other energy source. Within a few decades, the Sun will be able to be used to heat most of the water needed, and new buildings will be able to take advantage of natural heating and cooling to cut the energy they use by more than 80%. Using electricity and directly burning fossil fuels to heat water will become rare in the coming decades [4].

When talking about alternatives to fossil fuels, hydrogen often appears, which is a chemical element that makes up approximately 75% of the Universe [5]. Located mainly in stars and giant planets, it is a considerable source of energy. The first experiments related to hydrogen were observed at the beginning of the 19th century, in particular with the electrolysis of water and later with the development of fuel cells with hydrogen storage. It is still important to note that this fuel has only recently resurfaced. In fact, it is the ongoing energy transition policy in several countries around the world that has led to this energy source being considered as an alternative to replacing fossil fuels.

Hydrogen is an important energy source of the future. A hydrogen molecule releases approximately three times more energy than its gasoline equivalent. It should be noted that hydrogen is not an energy, but an energy vector. Hydrogen is a vector that is not present in a pure state in nature. It is therefore necessary to use energy to extract it from the water. From a molecular point of view, H20 is present throughout our planet. As a reminder, water is one atom of oxygen and two atoms of hydrogen (H2O). It is important to note that H2O represents almost 90% of the atoms (in number) present on our planet [5].

The climate emergency favors the emergence of renewable energy (solar and wind). These means of energy production are questioned because they are intermittent. They only produce electricity when conditions allow. The use of hydrogen can be, however, a solution to deal with the intermittency of the use of renewable energies by using them in the process to produce and store hydrogen, which consists of carrying out the following steps [5]:

• 1st step: through the electrolysis process, produce hydrogen from water. In fact, water is made up of hydrogen and oxygen (H2O) molecules. Using electric current with the use of solar and wind energy or another energy source, it is possible to separate water molecules and thus store hydrogen to be used in generating electricity and for other purposes. In the electrolysis of water to obtain hydrogen, there are two electrodes, one positive and one negative. The negative electrode is powered by hydrogen, while the positive electrode receives air. At the negative electrode, a substance separates hydrogen molecules into protons and electrons. While the electrons leave the negative electrode and generate a flow of electricity, the protons go towards the positive electrode with air. There, these protons mix with oxygen and, in the opposite direction to electrolysis, generate water and heat. This is how this type of fuel generates energy without combustion, producing only water vapor.

• 2ᵉ step: Once the hydrogen is stored, there are multiple uses. With the stored hydrogen, it is possible to produce electricity through a fuel cell. When associated with a fuel cell, this energy does not emit CO2. Water is the only residue from a used fuel cell. The fuel cell is an electrochemical device that converts the chemical energy contained in hydrogen into electrical energy and water. The hydrogen fuel cell is a type of battery in which the overall reaction of the process occurs using hydrogen: 2H2(g) + O2(g) => 2H2O + energy. There are numerous applications for hydrogen, such as the decarbonization of industry, electricity storage, road, sea or air transport, the supply of electricity in buildings and submarines. It can also be used in space vehicles, in backup energy, vehicular energy generation (electric and hybrid vehicles), stationary generation in industries and homes and portable generation as power for cell phones and notebooks.

One of the most important climate issues is that of the transport sector. In fact, today most transport runs on fossil fuels. The transport sector represents around 20% of greenhouse gas emissions in the world. One of the solutions envisaged to decarbonize this sector is, therefore, hydrogen. One can imagine hydrogen-powered vehicles. The combustion of this gas produces only water, this property makes it a serious candidate as a fuel of the future. The vehicles’ engines would be powered by hydrogen. There is the possibility of installing a fuel cell to equip the vehicles. Many manufacturers are interested in the possibility of installing a battery that supplies the car with electricity. Inside the battery, the hydrogen energy is then converted into electrical energy. In this scenario, hydrogen solves the problem of the autonomy of electric vehicles. The efficiency of hydrogen in a fuel cell is almost 50%, which is an exceptional value [5].

There are several ways to produce hydrogen based on water electrolysis. Some of them consume fossil fuels. Today, most of the initial production of electricity or hydrogen (depending on the process chosen) is of fossil origin. The energy transition must allow us to reduce our CO2 emissions, which is why we must prioritize a renewable energy source (hydraulic, solar, wind and biomass). This is why we distinguish several “types” of hydrogen [5]: 1) green hydrogen that is manufactured by electrolysis of water with the initial use of electricity from renewable sources (hydraulic, solar and wind); and, 2) gray hydrogen that is produced by chemical processes that involve the use of fossil fuels. Green hydrogen should be considered a priority because it is the fuel that would help our societies decarbonize in the face of the climate emergency. Hydrogen as a fuel is seen as an important part of a carbon-neutral future. However, its transformation from gas to fuel requires a large amount of energy. Therefore, it is important to use renewable energy sources so that the final product is called green hydrogen.

Although the most well-known use of hydrogen is probably in motor vehicles, there are many other possible uses. Fuel cells can serve as fixed power generation units for buildings. In some cases, they can also provide heat. Fuel cells are seen as potential power sources for aircraft. It is possible, for example, to use them as an emergency generating system. Furthermore, they can serve as an auxiliary power unit for the plane. Hydrogen can provide energy for the propulsion of vessels. However, this use is still in the early stages of testing and development. However, its use as an onboard energy source is already more advanced. There is a Norwegian project that aims to create a hydrogen-powered cruise ship. It is also possible for hydrogen to power service vehicles such as forklifts and trucks, as well as buses and trains [5].

A sustainable energy system will only be possible if, in addition to abandoning fossil fuels, energy efficiency is also greatly improved. Above all, the world would have to produce goods and services with a third to a half of the energy it currently uses. Technologies are now available that would quadruple the efficiency of most lighting systems and double that of new automobiles [5]. Improvements in electrical efficiency could reduce energy needs by 40 to 75%. Building heating and cooling needs can be cut to an even smaller fraction of current levels thanks to improved heating equipment and air conditioning [4].

REFERENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. Energy revolutions throughout history and their future evolution towards clean and renewable energy. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/energy-revolutions-throughout-history-its-future-clean-alcoforado/>.

2. SMIL, Vaclav. Energy and Civilization – A History. Cambridge. Massachusetts: The MIT Press, 2018.

3. MORA, Judith. AIE: mundo se encaminha para futuro energético insustentável. Available on the website <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/11/aie-diz-que-mundo-se-encaminha-para-futuro-energetico-insustentavel.html>.

4. ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento global e catástrofe planetária. S. Cruz do Rio Pardo: Viena Gráfica e Editora, 2010.

5. SIRENERGIES. L’hydrogène, énergie du futur? Available on the website <https://www.sirenergies.com/article/hydrogene-energie-du-futur/>, 2022.

6. ALCOFORADO, Fernando. The future of energy required for the world. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/future-energy-required-world-fernando-a-g-alcoforado-kcjrf/>.

7. ALCOFORADO, Fernando. O sistema mundial de energia sustentável. Salvador: Revista Politécnica 10E, Ano 4, 2011.

8. LASHOF, D.A. & TIRPAK, D.A.orgs. Policy options for stabilizing global climate. Washington, DC: Environmental Protection Agency, 1989.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science, IPB- Polytechnic Institute of Bahia and of the Bahia Academy of Education, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

PRODUÇÃO E CONSUMO DE ENERGIA DA PRÉ-HISTÓRIA À ERA CONTEMPORÂNEA E SUA EVOLUÇÃO FUTURA

Fernando Alcoforado*

Abstract: Este artigo tem por objetivo apresentar como ocorreu a evolução do consumo e da produção de energia desde a pré-história até os tempos atuais, bem como propor o futuro da energia requerido para o mundo.

Keywords: Uso e produção da energia ao longo da história. Futuro da energia requerido para o mundo.

1. Introdução

Este artigo tem por objetivo apresentar como ocorreu a evolução do consumo e da produção de energia desde a pré-história até os tempos atuais, bem como propor o futuro da energia requerido para o mundo. Da pré-história até o século XVIII predominou o uso de fontes renováveis de energia como a madeira, o vento e a energia hidráulica. Do século XVIII até a era contemporânea, os combustíveis fósseis predominaram com o carvão e o petróleo, mas seu uso chegará ao fim provavelmente a partir do século XXI para evitar a mudança climática catastrófica global resultante de sua utilização ao emitir gases do efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global. Com o fim da era dos combustíveis fósseis virá a era das fontes renováveis de energia quando prevalecerá a utilização da energia hidrelétrica, energia solar, energia eólica, energia das marés, energia das ondas, energia geotérmica, energia da biomassa e energia do hidrogênio.

2. Uso e produção de energia da pré-história até o século XVIII [1][2]

Por muito tempo, nos primórdios da humanidade, a força muscular foi a principal fonte de energia utilizada pelo homem. Nos primórdios da história da humanidade, a domesticação dos animais lhe propiciou a energia mecânica necessária ao transporte e à produção agrícola, etc. A descoberta pelos seres humanos de que poderia controlar formas de energia que lhe seriam úteis como o fogo representou um marco importantíssimo para a humanidade para, com o uso da energia térmica, poder cozinhar seus alimentos e se aquecer. Há cerca de 7 mil anos a.C., no período neolítico, começou o uso do fogo. Há alguns milênios, a energia hidráulica dos rios e a energia eólica foram utilizadas pela humanidade com base na tecnologia disponível. Por volta de 12 mil anos atrás, a Revolução Agrícola marcou o início do uso da tração animal, da força dos ventos e das quedas d’água na produção agrícola e pecuária.

Durante a Antiguidade, a utilização do vento na navegação à vela foi essencial para a colonização e o comércio nas margens do Mar Mediterrâneo, substituindo a navegação a remo que usava a força muscular humana. Durante o Império Romano, no período de 31 a.C. a 410 d.C., a lenha foi muito utilizada para a produção de armas no processo de forjar os metais. Isso causou o desmatamento de grande parte da Itália e da Península Ibérica. Nessa mesma época, muito distante dali, mais especificamente na China foram introduzidas grandes inovações em tecnologia hidráulica, pela criação de dispositivos de elevação de água e sistemas de irrigação. Desde o domínio do fogo até o advento da 1ª Revolução Industrial no século XVIII não houve grande evolução na forma da humanidade utilizar a energia. As mudanças na matriz energética mundial, em termos da diversidade de fontes e padrões de uso, não mudaram muito ao longo dos séculos até a 1ª Revolução Industrial.

3. O uso do carvão mineral a partir do século XVIII na produção de energia [1][2]

Somente com o advento da 1ª Revolução Industrial, também chamada “era do carvão e do ferro”, ocorrida na Inglaterra em 1786, o uso e a produção de energia assumiram importância fundamental na substituição de homens e animais pelas máquinas. Com a 1ª Revolução Industrial e o consequente processo de industrialização, a necessidade de energia aumentou e novas fontes primárias, com maior densidade energética, foram introduzidas. A utilização do carvão mineral como fonte de energia marcou o fim da era da energia renovável representada pelo uso da madeira e dos parcos aproveitamentos hidráulicos e eólicos utilizados desde os primórdios da humanidade para iniciar-se a era não renovável da energia, a era dos combustíveis fósseis com o uso do carvão mineral e a invenção das máquinas a vapor.

Uma máquina a vapor dispõe de uma caldeira que com o calor proveniente da queima de combustível leva a água a transformar-se em vapor tendo por finalidade transformar a energia quente que é liberada pela queima de combustível, o carvão. A adoção da máquina a vapor foi lenta demorando um século após a patente de James Watt (1769) ser utilizada para transformar a produção industrial e o transporte terrestre com o advento da ferrovia e seu uso no transporte marítimo de longa distância com as embarcações a vapor. A substituição do carvão vegetal pelo coque na fundição de ferro foi uma das “maiores inovações técnicas da era moderna, pois acabou com o uso insustentável de madeira na Inglaterra e aumentou vertiginosamente a produção de ferro. Além disso, o carvão mineral estabeleceu a base para a indústria siderúrgica moderna e abriu caminho para o advento do metal-chave da industrialização, o ferro.

4. O uso do petróleo a partir do século XIX na produção de energia [1][2]

A partir de 1860, na Inglaterra, surgiram novas transformações na indústria. Essa fase foi chamada de 2ª Revolução Industrial que ficou conhecida como a “era do aço e da eletricidade”. Com a 2ª Revolução Industrial, que perdurou até a primeira metade do século XX, foram necessários novos combustíveis de maior poder energético, sendo o petróleo o combustível que reuniu essas propriedades. Iniciou-se, assim, uma nova fase da utilização dos combustíveis líquidos que perdura até os dias de hoje. Inicialmente o petróleo foi utilizado só para a obtenção de querosene e óleos lubrificantes. Nesse tempo, a gasolina gerada durante a destilação do petróleo era jogada fora nos rios ou queimada. Por vezes era misturada com querosene para produzir um perigoso explosivo. Entre as invenções surgidas durante a 2ª Revolução Industrial, estão o processo de Bessemer de transformação do ferro em aço, que permitiu a produção do aço em larga escala, o dínamo que permitiu a substituição do vapor pela eletricidade e o motor de combustão interna que permitiu a utilização do petróleo em larga escala criando condições para o uso de seus derivados no automóvel e, mais tarde, nos caminhões e aviões.

A utilização da gasolina como combustível para veículos automotores só começou após a invenção dos motores de combustão interna e a produção de automóveis em grande escala. O automóvel se tornou viável com a invenção do motor a combustão interna e a descoberta de que se podia usar o derivado de petróleo, a gasolina, como combustível que ocorreu a partir de 1876. Nikolaus August Otto, engenheiro e inventor alemão, foi quem inventou e construiu o primeiro motor de combustão interna de quatro tempos e determinou o ciclo teórico sob o qual trabalha o motor de explosão, o conhecido ciclo Otto. Daí em diante, a demanda por derivados de petróleo, especialmente a gasolina aumentou de maneira vertiginosa nos países industrializados. O petróleo até então somente empregado na obtenção do querosene passou a ser fonte de obtenção da gasolina. Algumas décadas mais tarde, essa mesma tendência transformou o diesel em um combustível utilizado em jipes e caminhões e o óleo combustível de larga utilização na indústria a partir da 2ª Guerra Mundial.

5. O uso da eletricidade a partir do século XIX na produção de energia [1][2]

A 2ª Revolução Industrial foi a continuação do processo de revolução na indústria, por meio da melhoria de técnicas, da criação de máquinas e de novos meios de produção. Os avanços no conhecimento científico e tecnológico possibilitaram o uso da eletricidade e a invenção das máquinas elétricas no século XIX, juntamente com a introdução dos veículos automotores, que lançaram as bases para a introdução da moderna sociedade de consumo, caracterizada por uma intensidade energética nunca vista na história da humanidade. Foi em 1913 nos Estados Unidos, tendo como carro-chefe a indústria automobilística, que a Segunda Revolução Industrial se consolidou.  Com a 2ª Revolução Industrial, a eletricidade surgiu como um esforço combinado de vários engenheiros e cientistas, começando com a descoberta de Michael Faraday da indução eletromagnética. Isso culminou no trabalho de Thomas Edison, que não apenas projetou a primeira lâmpada elétrica, mas também construiu uma usina geradora de eletricidade e um sistema elétrico em corrente contínua em 1880 para fornecer energia aos clientes na parte baixa de Manhattan em Nova Iorque.

Mais tarde, ocorreu nas duas últimas décadas do século XIX a famosa “guerra das correntes elétricas” entre a corrente alternada defendida por Nikola Tesla e George Westinghouse e a corrente contínua defendida por Thomas Edison. A diferença entre a corrente elétrica contínua e a corrente alternada é que, enquanto na corrente contínua os elétrons movem-se em um único sentido, a corrente alternada possui elétrons que variam sua direção constantemente. Se os elétrons se movimentam num único sentido, essa corrente é chamada de contínua. Se os elétrons mudam de direção constantemente, trata-se de corrente alternada. Para a distribuição de eletricidade, a corrente elétrica alternada é significativamente mais prática do que a corrente contínua, uma vez que é muito mais fácil mudar a tensão elétrica na corrente alternada do que a tensão da corrente contínua.

A partir de um trabalho com campos magnéticos rotacionais, Nikola Tesla desenvolveu um sistema de geração, transmissão e uso da energia elétrica proveniente de corrente alternada. Tesla fez uma parceria com George Westinghouse para comercializar esse sistema. A “guerra das correntes elétricas” terminou favorecendo a corrente alternada porque apresenta como vantagem a possibilidade de abaixar ou aumentar facilmente sua tensão elétrica por meio dos transformadores e a transmissão de alta potência é mais econômica, pois oferece menor perda energética. Os sistemas elétricos implantados no mundo passaram a ser baseados na corrente alternada. Hoje, a corrente alternada é a norma para sistemas de energia elétrica que produzem eletricidade com o uso de usinas hidroelétricas e termoelétricas convencionais e nucleares, entre outras.

6. O uso da energia nuclear a partir do século XX na produção de energia elétrica [1][2]

O funcionamento de uma usina nuclear na geração de eletricidade consiste no uso do reator nuclear (peça principal da usina) para, simplesmente, ferver água cujo vapor é empregado por um ciclo termodinâmico para mover um alternador e produzir energia elétrica. A energia nuclear é obtida a partir da fissão do núcleo do átomo de urânio enriquecido, liberando uma grande quantidade de energia. A transformação de energia nuclear em energia elétrica tem sido realizada controladamente em reator nuclear através da fissão nuclear do urânio como principal aplicação civil da energia nuclear. A energia elétrica foi gerada pela primeira vez por um reator nuclear em 3 de setembro de 1948 pelo Reator de Grafite X-10 em Oak Ridge, Tennessee, Estados Unidos acendendo uma lâmpada elétrica. Hoje, os Estados Unidos é o país com maior número de usinas nucleares totalizando 104 representando 18% da matriz energética do país. A França está no topo dos países com maior dependência desse tipo de energia com o uso em 80% de energia nuclear em sua matriz energética.

A principal vantagem da energia nuclear é a de que ela possibilita a não utilização de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão mineral na produção de eletricidade que passou a ser defendida até por alguns ecologistas pelo fato de não gerar gases de efeito estufa. Esses ecologistas defendem uma virada radical em direção à energia nuclear como forma de combater o aquecimento global resultante da emissão de gases do efeito estufa pelos combustíveis fósseis, especialmente o petróleo. Em comparação com a geração hidroelétrica, o uso da energia nuclear tem a vantagem de não requerer o alagamento de grandes áreas para a formação dos lagos de reservatórios, evitando assim a perda de áreas de reservas naturais ou de terras agriculturáveis, bem como a remoção de comunidades inteiras das áreas que são alagadas. No entanto, as usinas nucleares têm a desvantagem relacionada com a disposição final de seus resíduos (lixo atômico) não solucionada até hoje e  com a impossibilidade de evitar acidentes como aqueles ocorridos em Chernobyl em 1986 e em Fukushima em 2011 que ao ocorrerem assumiram dimensões catastróficas.

7. Os combustíveis fósseis e a mudança climática global

Não existem dúvidas de que as atividades humanas sobre a Terra provocam alterações no meio ambiente em que vivemos. Muitos destes impactos ambientais são provenientes da geração, manuseio e uso da energia com o uso de combustíveis fósseis. A principal razão para a existência desses impactos ambientais reside no fato de que o consumo mundial de energia primária proveniente de fontes não renováveis (petróleo, carvão, gás natural e nuclear) corresponde a aproximadamente 88% do total, cabendo apenas 12% às fontes renováveis. Esta enorme dependência de fontes não renováveis de energia tem acarretado, além da preocupação permanente com a possibilidade de esgotamento destas fontes, a emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) e outros gases do efeito estufa na atmosfera que bateram recorde em 2013 tendo sido da ordem de 36,3 bilhões de toneladas, aproximadamente 3,9 vezes a quantidade emitida em 1960 (9,3 bilhões de toneladas).

Tudo leva a crer que, se for mantida a tendência atual de consumo de energia, a participação dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) na matriz energética mundial alcançará 80% em 2030. O petróleo tem uma posição dominante entre as fontes de energia utilizadas. O petróleo, o carvão e o gás natural são, pela ordem, as fontes de energia mais utilizadas na atualidade no consumo mundial final de energia. Os países industrializados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) são os maiores consumidores de energia seguidos da China, Rússia e outros países da Ásia. Segundo a Agência Internacional de Energia, o petróleo e o carvão são os maiores responsáveis pela emissão de CO2 na atmosfera cujos maiores emissores são os países industrializados da OCDE.

A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu que “o mundo se encaminhará para um futuro energético insustentável” se os governos não adotarem “medidas urgentes” para otimizar os recursos disponíveis. Para a AIE, até 2035 seria necessário investimento mundial de US$ 38 trilhões em infraestrutura energética – dois terços em países fora da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) – para atender à crescente demanda, 90% para abastecer os países emergentes como China e Índia. Independentemente das várias soluções que venham a ser adotadas para eliminar ou mitigar as causas do efeito estufa, a mais importante ação é, sem dúvidas, a adoção de medidas que contribuam para a eliminação ou redução do consumo de combustíveis fósseis na produção de energia, bem como para seu uso mais eficiente nos transportes, na indústria, na agropecuária e nas cidades (residências e comércio), haja vista que o uso e a produção de energia são responsáveis por 57% dos gases de estufa emitidos pela atividade humana [8]. Neste sentido, é imprescindível a implantação de um sistema de energia sustentável.

Em um sistema de energia sustentável, a matriz energética mundial só deveria contar com fontes de energia limpa e renováveis (hidroelétrica, solar, eólica, hidrogênio, geotérmica, das marés, das ondas e biomassa), não devendo contar, portanto, com o uso dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) [7]. Excepcionalmente, poderia utilizar o gás natural que é o combustível fóssil menos poluente e usinas nucleares pelo fato de serem fontes de energia limpa na fase de transição energética.  Até alcançar a situação ideal, a matriz energética mundial deveria passar por uma fase de transição em que conviveriam as fontes de energia renovável e não renovável. As tecnologias já se acham à disposição para dar início a essa transição histórica de energias que só ocorrerá com mudanças fundamentais na política energética na grande maioria dos países [3].

8. O futuro energético requerido para o mundo

A transição da matriz energética atual baseada em combustíveis fósseis para a matriz energética baseada em energia limpa e renovável requer, como primeiro passo, a adoção de mudanças na política energética no mundo que consiste em redirecionar um grande número de políticas governamentais dos países de modo que se destinem a realizar os objetivos centrais da eficiência energética e da redução do uso de combustíveis fósseis [6]. Por exemplo: recompensar a aquisição de veículos automotores eficientes e a de veículos elétricos com redução de impostos neles incidentes, encorajar alternativas de transporte de massa de alta capacidade sobre trilhos como metrô e VLT em substituição ao automóvel, implantar ferrovias para substituir o uso de caminhões no transporte de carga a longa distância, reestruturar as indústrias para fazerem uso das energias limpas e renováveis e elevar os impostos sobre os combustíveis fósseis.

As fontes de energia limpa e renovável a serem utilizadas preferencialmente são hidroelétrica, solar, eólica, hidrogênio, geotérmica, das marés, das ondas e biomassa. Excepcionalmente, poderão ser utilizadas, como fonte de energia, a nuclear que teria restrições pelos riscos que ela representa e o gás natural por ser o combustível fóssil menos agressivo ao meio ambiente.  As fontes de energia limpa e renovável já são uma realidade em todo o mundo. O futuro do setor energético em todo o mundo significará obrigatoriamente o uso das fontes de energia limpa e renovável. A energia limpa e renovável é uma alternativa concreta para fazer frente à degradação ambiental e à má utilização dos recursos naturais do planeta. O uso da energia limpa e renovável é, sem sombra de dúvidas, a forma racional de garantir a sustentabilidade do planeta Terra para as atuais e futuras gerações [3].

O uso da energia solar e de outras energias renováveis provocará mudanças de grande magnitude em todo o planeta destacando-se, entre elas, a criação de indústrias totalmente novas, o desenvolvimento de novos sistemas de transporte e a modificação da agricultura e das cidades. O grande desafio que se coloca na atualidade é o de prosseguir com o avanço da ciência e tecnologia visando aproveitar eficientemente a energia e utilizar economicamente recursos renováveis. Este é o cenário energético alternativo que poderá substituir o cenário em que prevalece o uso de fontes não renováveis de energia evitando, desta forma, o comprometimento do meio ambiente global. Isto significa dizer que mudanças profundas de política energética global devem ser colocadas em prática para reduzir o consumo de combustíveis fósseis que respondem por 80% dos suprimentos mundiais de energia [6].

É provável que a conversão direta de energia solar em eletricidade e calor seja a pedra angular de um sistema mundial de energia sustentável. A energia solar não apenas se acha disponível em grande quantidade como também está mais extensamente distribuída do que qualquer outra fonte energética. Daqui a algumas décadas, poder-se-á utilizar o Sol para aquecer a maior parte da água necessária e novos edifícios poderão tirar vantagem do aquecimento e do resfriamento natural para cortar em mais de 80% a energia que utilizam. Usar eletricidade e queimar diretamente combustíveis fósseis para aquecer a água se tornarão raros nas próximas décadas [4].

Quando se fala em alternativas aos combustíveis fósseis, muitas vezes aparece o hidrogênio que é um elemento químico que constitui aproximadamente 75% do Universo [5]. Localizada principalmente em estrelas e planetas gigantes, é uma fonte considerável de energia. Os primeiros experimentos relacionados ao hidrogênio foram observados no início do século XIX, em particular com a eletrólise da água e depois com o desenvolvimento de células de combustível com o armazenamento do hidrogênio. Ainda é importante notar que só muito recentemente este combustível ressurgiu. Na verdade, é a política de transição energética em curso em vários países do mundo que fez esta fonte de energia passar a ser considerada como alternativa à substituição dos combustíveis fósseis.

O hidrogênio é uma importante fonte de energia do futuro. Uma molécula de hidrogênio libera aproximadamente três vezes mais energia do que seu equivalente na gasolina. É preciso observar que o hidrogênio não é uma energia, mas sim um vetor energético. O hidrogênio é um vetor que não está presente em estado puro na natureza. É portanto necessário utilizar energia para extraí-lo da água. Do ponto de vista molecular, o H20 está presente em todo o nosso planeta. Como lembrete, a água é um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio (H2O). É importante notar que o H2O representa quase 90% dos átomos (em número) presentes em nosso planeta [5].

A emergência climática favorece o surgimento de energias renováveis (solar e eólica). Estes meios de produção de energia são questionados porque são intermitentes. Eles só produzem eletricidade quando as condições permitem. O uso do hidrogênio pode ser, entretanto, uma solução para lidar com a intermitência do uso de energias renováveis utilizando-as no processo para produzir e armazenar o hidrogênio que consiste na execução dos passos seguintes [5]:

• 1º passo: através do processo de eletrólise, produzir hidrogênio a partir da água. Na verdade, a água é composta por moléculas de hidrogênio e oxigênio (H2O). Usando corrente elétrica com o uso da energia solar e eólica ou outra fonte de energia, é possível separar as moléculas da água e, assim, armazenar hidrogênio a ser utilizado na geração de eletricidade e para outros fins. Na eletrólise da água para obter hidrogênio, há dois eletrodos, um positivo e um negativo. O eletrodo negativo é alimentado pelo hidrogênio, enquanto o positivo recebe ar. No eletrodo negativo, uma substância separa as moléculas de hidrogênio em prótons e elétrons. Enquanto os elétrons saem do eletrodo negativo e geram um fluxo de eletricidade, os prótons vão em direção ao eletrodo positivo com ar. Lá, esses prótons se misturam com o oxigênio e, no caminho contrário ao da eletrólise, geram água e calor. É assim que este tipo de combustível gera energia sem combustão produzindo apenas vapor de água.

• 2ᵉ passo: Uma vez armazenado o hidrogênio, existem múltiplos usos. Com o hidrogênio armazenado, é possível produzir eletricidade através de uma célula de combustível. Quando associada a uma célula de combustível, esta energia não emite CO2. A água é o único resíduo de uma célula de combustível utilizada. A célula de combustível é um dispositivo eletroquímico que converte a energia química contida no hidrogênio em energia elétrica e água. A célula a combustível de hidrogênio é um tipo de bateria em que ocorre a reação global do processo utilizando hidrogênio: 2H2(g) + O2(g) => 2H2O + energia. Existem inúmeras aplicações do hidrogênio como a descarbonização da indústria, o armazenamento de eletricidade, o transporte rodoviário, marítimo ou aéreo, o suprimento de eletricidade em prédios e submarinos. Pode ser usado, também, em veículos espaciais, em energia de backup, geração de energia veicular (veículos elétricos e híbridos), geração estacionária em indústrias e residências e geração portátil como potência para celulares e notebooks.

Uma das questões climáticas mais importantes é a do setor dos transportes. Na verdade, hoje a maior parte dos transportes funciona com combustíveis fósseis. O setor dos transportes representa cerca de 20% das emissões de gases do efeito estufa no mundo. Uma das soluções previstas para descarbonizar este setor é, portanto, o hidrogênio.  Pode-se imaginar veículos movidos a hidrogênio. A combustão deste gás produz apenas água, esta propriedade o torna um sério candidato como combustível do futuro. O motor dos veículos seriam movidos a hidrogênio. Há a possibilidade de instalação de célula de combustível para equipar os veículos. Muitos fabricantes estão interessados na possibilidade de instalar uma bateria que forneça eletricidade ao carro. Dentro da bateria, a energia do hidrogênio é então convertida em energia elétrica. Neste cenário, o hidrogênio resolve o problema da autonomia dos veículos elétricos. A eficiência do hidrogênio numa célula de combustível é de quase 50% que é um valor excepcional [5].

Existem várias maneiras de produzir hidrogênio com base na eletrólise da água. Alguns deles consomem combustíveis fósseis. Hoje, a maior parte da produção inicial de eletricidade ou hidrogênio (dependendo do processo escolhido) é de origem fóssil. A transição energética deve permitir-nos reduzir as nossas emissões de CO2, pelo que devemos privilegiar uma fonte de energia renovável (hidráulica, solar, eólica e biomassa). É por isso que distinguimos vários “tipos” de hidrogênio [5]: 1) o hidrogênio verde que é fabricado por eletrólise da água com a utilização inicial de eletricidade de origem renovável (hidráulica, solar e eólica); e, 2) o hidrogênio cinzento que é produzido por processos químicos que envolvem o uso de combustíveis fósseis. O hidrogênio verde deveria ser considerado prioritário porque é o combustível que ajudaria nossas sociedades a descarbonizarem-se face à emergência climática. O hidrogênio como combustível é visto como peça importante para o futuro neutro em carbono. Mas sua transformação de gás em combustível demanda uma grande quantidade de energia. Portanto, é importante utilizar fontes de energia renovável para que o produto final seja o chamado hidrogênio verde.

Embora o uso mais conhecido do hidrogênio provavelmente sejam os veículos automotores, há muitos outros usos possíveis. Células de combustível podem servir de unidades fixas de geração de energia para prédios. Em alguns casos, elas podem fornecer também calor. As células de combustível são vistas como potencial fontes de energia para aeronaves. É possível, por exemplo, usá-las como sistema gerador de emergência. Além disso, podem servir de unidade auxiliar de energia para o avião. O hidrogênio pode fornecer a energia para a propulsão de embarcações. Mas este uso ainda está em estágio inicial de testes e desenvolvimento. Contudo, seu uso como fonte de energia a bordo já está mais avançado. Há um projeto norueguês que pretende criar um navio de cruzeiro movido a hidrogênio. Também é possível que o hidrogênio alimente veículos de serviço como empilhadeiras e caminhões, além de ônibus e trens [5].

Um sistema de energia sustentável somente será possível se, além do abandono dos combustíveis fósseis, a eficiência energética for também muito aperfeiçoada. Acima de tudo, o mundo teria de produzir bens e serviços com um terço à metade da energia que utiliza atualmente. Já se acham disponíveis tecnologias que quadruplicariam a eficiência da maioria dos sistemas de iluminação e duplicariam a de novos automóveis [5]. Melhoramentos na eficiência elétrica poderão reduzir em 40 a 75% a necessidade de energia. As necessidades de aquecimento e de refrigeração de edifícios podem ser cortadas para uma fração ainda menor dos níveis atuais graças a equipamentos de aquecimento e condicionadores de ar mais aperfeiçoados [4].

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. As revoluções energéticas ao longo da história e sua futura evolução rumo à energia limpa e renovável. Disponível no website <https://www.linkedin.com/pulse/revolu%C3%A7%C3%B5es-energ%C3%A9ticas-ao-longo-da-hist%C3%B3ria-e-sua-rumo-alcoforado/>.

2. SMIL, Vaclav. Energy and Civilization – A History. Cambridge. Massachusetts: The MIT Press, 2018.

3. MORA, Judith. AIE: mundo se encaminha para futuro energético insustentável. Disponível no website <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/11/aie-diz-que-mundo-se-encaminha-para-futuro-energetico-insustentavel.html>.

4. ALCOFORADO, Fernando. Aquecimento global e catástrofe planetária. S. Cruz do Rio Pardo: Viena Gráfica e Editora, 2010.

5. SIRENERGIES. L’hydrogène, énergie du futur? (Hidrogênio, energia do futuro?). Disponível no website <https://www.sirenergies.com/article/hydrogene-energie-du-futur/>, 2022.

6. ALCOFORADO, Fernando. O futuro da energia requerido para o mundo. Disponível no website <https://www.linkedin.com/pulse/o-futuro-da-energia-requerido-para-mundo-fernando-a-g-alcoforado-diejf/>.

7. ALCOFORADO, Fernando. O sistema mundial de energia sustentável. Salvador: Revista Politécnica 10E, Ano 4, 2011.

8. LASHOF, D.A. & TIRPAK, D.A.orgs. Policy options for stabilizing global climate. Washington, DC: Environmental Protection Agency, 1989.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

LA LOI DE L’ENTROPIE ET LA CONQUÊTE DE L’IMMORTALITÉ DE L’ÊTRE HUMAIN

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à analyser les possibilités d’atteindre l’immortalité humaine face à l’obstacle que représente la loi de l’entropie. Dans son livre “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução”« Jusqu’à la fin des temps : l’esprit, la matière et notre recherche de sens dans un Univers en évolution » [1], Brian Greene présente les questions les plus profondes de la vie et du cosmos, comme son origine et son destin, ou les raisons pour lesquelles car la conscience existe. Il affirme que l’entropie de l’Univers augmentera avec le temps. Cependant, sa tendance naturelle, comme tout ce qu’elle contient, est de s’immerger dans le chaos et le désordre, malgré l’existence de structures si organisées qu’elles peuvent donner un sens à la vie. Brian Greene montre que l’existence humaine ne supplante pas cette loi inexorable du cosmos, l’entropie. Pour créer des structures ordonnées, le désordre doit augmenter dans leur environnement, comme dans une danse entropique à double sens. Avec cette observation simple mais profonde, Greene aborde une myriade de phénomènes, tels que la formation des étoiles, les trous noirs, les système solair et la vie humaine elle-même.

Même si l’être humain n’est qu’un conglomérat de particules élémentaires organisées, dépourvues de libre arbitre, guidées par les préceptes de la physique, comme le disait Brian Greene, l’histoire de l’humanité ne se limite pas exclusivement à des segments de matière dépourvus de vie car l’évolution nous a conduit sur des chemins qui ont modifié notre corps, mais qui ont aussi, comme le spécule Greene, donné naissance à notre créativité, à notre conscience. En quelques milliards d’années, dans ce qui était autrefois de la poussière spatiale dans l’Univers après le Big Bang, guidés par les principes de l’entropie et de l’évolution, des êtres humains conscients sont nés. Le fait est qu’avant que la vie intelligente ne soit effacée de l’histoire de l’Univers à cause de l’entropie, l’humanité devra également échapper aux menaces d’extinction causées par les êtres humains eux-mêmes, par la planète Terre et par ceux venant de l’espace.

Les menaces d’extinction de l’humanité causées par les êtres humains eux-mêmes concernent le changement climatique mondial, les pandémies et le déclenchement de la 3e guerre mondiale, les menaces d’extinction de l’humanité causées par les forces de la nature existant sur la planète Terre concernent le refroidissement du noyau de la planète Terre, les éruptions catastrophiques des volcans et l’inversion des pôles magnétiques terrestres et les menaces pour la survie de l’humanité venant de l’espace aujourd’hui et à court, moyen et long terme, concernent : 1) collision sur la planète Terre d’astéroïdes, de comètes ou de morceaux de comètes ; 2) collision sur la planète Terre de planètes du système solaire ; 3) collision sur la planète Terre de planètes orphelines errant dans l’espace ; 4) émission de rayons cosmiques, notamment de rayons gamma émis par les étoiles supernova ; 5) les conséquences catastrophiques sur l’environnement terrestre résultant de l’éloignement continu de la Lune de la Terre ; 6) mort du Soleil ; 7) collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée où se trouve la Terre ; et 8) la fin de l’Univers.

Concernant l’entropie, il est important de dire qu’elle concerne la deuxième loi de la thermodynamique [2]. Le degré de caractère aléatoire ou de désordre d’un système est appelé entropie, qui est une conséquence du fait que tout transfert d’énergie entraîne la conversion d’une partie de l’énergie en une forme inutilisable (comme la chaleur), et comment la chaleur qui en résulte ne pas générer de travail finit par augmenter le caractère aléatoire de l’Univers (ou, dans le cas le plus extrême, gardera l’entropie globale inchangée). En d’autres termes, tout processus, tel qu’une réaction chimique ou un ensemble de réactions interconnectées, entraînera une augmentation de l’entropie globale de l’Univers. L’entropie dans les systèmes biologiques, par exemple, s’explique lorsqu’un être vivant, lorsqu’il effectue un travail, une partie de la chaleur produite maintient son corps au chaud, mais une grande partie se dissipe dans l’environnement qui l’entoure, provoquant une grande fraction de l’énergie provenant de ses sources de combustible à transformer en chaleur. Cependant, en faisant cela, l’être vivant fonctionne avec une très faible efficacité. Après tout, chaque être vivant est un ensemble de matière bien organisé. Chaque cellule de votre corps possède sa propre organisation interne. Les cellules sont organisées en tissus et les tissus en organes, et votre corps tout entier maintient un système minutieux de transport et d’échange qui vous maintient en vie. Il est donc très clair comment chaque être vivant, ou même une simple bactérie, peut contribuer à augmenter l’entropie de l’Univers.

Plus généralement, des processus qui diminuent localement l’entropie, tels que ceux qui construisent et entretiennent les corps hautement organisés des êtres vivants, peuvent effectivement se produire. Cependant, ces diminutions locales d’entropie ne peuvent se produire qu’avec une dépense d’énergie, dans laquelle une partie de cette énergie est convertie en chaleur ou en d’autres formes inutilisables. L’effet net du processus d’origine (diminution locale de l’entropie) et du transfert d’énergie (augmentation de l’entropie dans l’environnement externe) est une augmentation générale de l’entropie de l’Univers. Les êtres vivants sont donc des « îlots de faible entropie » dans un Univers relativement désordonné, dont le haut degré d’organisation est maintenu par un apport constant d’énergie, contrebalancé par une augmentation de l’entropie du milieu extérieur. En bref, le haut degré d’organisation des êtres vivants est maintenu par un apport constant d’énergie et est compensé par une augmentation de l’entropie du milieu [2].

Il est important de souligner que la thermodynamique a trois lois [2]. La première loi de la thermodynamique nous renseigne sur la conservation de l’énergie entre les processus. La première loi de la thermodynamique [2] stipule que l’énergie ne peut être ni créée ni détruite. Il ne peut être que modifié ou transféré d’un objet à un autre. La deuxième loi de la thermodynamique [2] indique que, lors d’un transfert ou d’une transformation d’énergie dans le monde réel, une certaine quantité d’énergie est convertie en une forme inutile (qui ne peut pas être utilisée pour effectuer un travail). Dans la plupart des cas, cette forme d’énergie inutilisable prend la forme de chaleur. Même si la chaleur peut en effet effectuer un travail dans certaines circonstances, il ne sera jamais possible de la transformer en d’autres formes d’énergie (qui génèrent du travail) avec une efficacité de 100 %. Ainsi, chaque fois qu’un transfert d’énergie a lieu, une partie de cette énergie utile se dissipe sous une forme inutile. Si la chaleur ne fait pas son travail, le caractère aléatoire (le désordre) de l’Univers augmente. Avec la troisième loi de la thermodynamique [3], chaque fois qu’un système est proche du zéro absolu (-273,15 degrés Celsius), l’entropie aura une valeur minimale. La loi offrait donc un point de départ pour déterminer la valeur de l’entropie. La troisième loi de la thermodynamique soutient l’idée que l’entropie d’un système dont la température est égale au zéro absolu a une constante qui varie peu. La théorie explique que plus un cristal parfait est proche du zéro absolu, plus son entropie se rapproche de zéro.

Tout le monde est d’accord, scientifiques, ésotéristes et poètes, pour dire que rien n’existera éternellement. Les lois de la Physique le garantissent et en particulier la deuxième loi de la thermodynamique. C’est le processus d’entropie qui impose le désordre à la vie, où les galaxies s’enfoncent dans des trous noirs, les étoiles deviennent de la poussière de carbone, les moteurs des voitures et des avions s’usent, le vieillissement nous conduit à la mort. Tout naît, prend de la masse et meurt. Et que savait-on jusqu’en juin 2019, lorsqu’une équipe de scientifiques de l’Université technique de Munich et de l’Institut Max Planck de physique et de systèmes complexes a annoncé qu’une exception à cette règle universelle avait été trouvée. Les chercheurs ont découvert que ce qui semblait inconcevable dans notre expérience quotidienne pourrait se produire dans le mystérieux monde quantique. Des études ont indiqué qu’il existe d’étranges créatures appelées « quasi-particules ». Ces êtres minuscules et invisibles ont l’incroyable capacité de se désintégrer et de renaître de leurs propres cendres. Le phénomène des « quasi-particules » se produit dans une série de cycles sans fin, les rendant en fait immortelles. Cette découverte extraordinaire a été publiée peu de temps après dans la célèbre revue britannique Nature Physics, où le phénomène était décrit comme une excitation collective se produisant à l’intérieur des corps solides. Le concept de « quasi-particules » vient du physicien russe et prix Nobel Lev Davidovich Landau. Il l’a inventé pour décrire les états collectifs de nombreuses particules, ou plutôt leurs interactions dues à des forces électriques ou magnétiques, ces interactions conduisant plusieurs particules à agir comme si elles n’en formaient qu’une. Ce fait continue de stimuler les discussions sur un ancien désir humain : l’immortalité du corps humain [4].

Il existe depuis longtemps une obsession humaine : vaincre la mort. Dans le passé, l’homme cherchait à vaincre la mort à travers les religions. À l’époque contemporaine, les gens ont commencé à croire qu’il serait possible de vaincre la mort grâce à l’utilisation de la science et de la technologie. La croyance selon laquelle, s’il n’est pas possible de vaincre la mort, mais qu’il serait possible de prolonger la vie, se fonde sur le fait que l’espérance de vie de l’homme est passée de 30 ans en 1500, 37 ans en 1800, 45 ans en 1900, 46,5 ans en 1950 et 80 ans en 2012. L’obtention d’une existence plus longue au XXe siècle résulte de l’amélioration des conditions sanitaires dans les villes et de la création de services de santé publique. Par ailleurs, la science a découvert des vaccins et des antibiotiques qui ont permis de prévenir les maladies et de contrôler les épidémies. L’augmentation des niveaux d’éducation et de revenus a également contribué à améliorer la qualité de vie et à prolonger encore la longévité au troisième ou – pourrait-on dire – au quatrième âge [5].

L’année 2045 marquera le début d’une ère dans laquelle la médecine pourra offrir à l’humanité la possibilité de vivre une époque jamais vue dans l’histoire. Les organes qui ne fonctionnent pas peuvent être échangés contre de meilleurs, créés spécialement pour nous. Des parties du cœur, des poumons et même du cerveau peuvent être remplacées. De minuscules circuits informatiques seront implantés dans le corps pour contrôler les réactions chimiques qui se produisent à l’intérieur des cellules. Nous ne serons qu’à quelques pas de l’immortalité. C’est la prédiction d’un groupe de scientifiques connus pour être à l’avant-garde de la recherche sur des sujets tels que l’informatique, la biologie et la biotechnologie. Parmi eux figurent George Church, professeur à l’université Harvard aux États-Unis, le gérontologue et spécialiste biomédical de l’anti-âge Aubrey de Gray et l’ingénieur Raymond Kurzweil, du Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ils sont les dirigeants d’une sorte de nouvelle philosophie, appelée Singularité [5].

Selon l’inventeur et futuriste Raymond Kurzweil, le « père » du fameux concept de Singularité, nous nous dirigeons vers la difficulté de distinguer ce qui est organique et ce qui est machine dans le futur. L’intelligence artificielle va tellement évoluer que d’ici 2025, il sera difficile de distinguer un être humain d’un robot. Il convient de noter que la singularité marque un point de transition entre deux « domaines », ou deux « mondes », à un moment donné. En astronomie, la singularité désigne un endroit dans l’espace (trou noir) où un corps ne vieillit pas car le temps s’arrête. En médecine, les hérauts de l’immortalité prétendent qu’elle n’est rien d’autre qu’une conséquence réelle d’une révolution en cours qui fait déjà monter en flèche l’espérance de vie humaine à une vitesse sans précédent. Compte tenu de la rapidité des innovations, une personne née en 2050 aura 95 % de chances de vivre mille ans, selon Aubrey de Grey. En ce moment, le groupe de scientifiques susmentionné participe à la croissance de la Singularity University, déjà située dans la Silicon Valley, aux États-Unis. Faisant une analogie avec les bactéries unicellulaires qui vivent des millions d’années sans vieillir, les membres de la Singularity University affirment que nos cellules germinales, comme les ovules et les spermatozoïdes, peuvent également vivre indéfiniment, ce qui, selon eux, constitue la plus grande prolongation de la vie humaine. [5].

La certitude de ce groupe de chercheurs dans le succès de leurs recherches s’appuie sur les avancées déjà réalisées et celles à venir certainement. De l’avis de ces chercheurs, sur la base des ressources dont nous disposons actuellement, un enfant né aujourd’hui pourrait vivre jusqu’à au moins 150 ans. L’un des domaines dans lesquels les avancées ont été les plus notables est celui des cellules souches. Dans le domaine de la cardiologie, des expériences ont été menées auprès de 16 personnes souffrant d’insuffisance cardiaque, dont une partie du tissu cardiaque a été régénérée avec des cellules souches prélevées sur l’organe lui-même. Le remplacement des organes malades par des organes sains est une autre des raisons invoquées par les scientifiques pour justifier la croyance en une vie spectaculairement longue. Il a déjà été possible de créer et d’implanter la trachée, la vessie, l’urètre et les vaisseaux sanguins chez l’homme. Et il existe des expériences visant à créer davantage d’organes, notamment le cœur et le foie [5].

L’un des facteurs les plus importants associés à la durée de vie d’un homme est sa génétique. Votre ADN indique quelle sera votre durée de vie moyenne et peut également provoquer des changements qui vous prédisposent aux maladies. Par conséquent, une grande partie des efforts sont concentrés sur l’invention de ressources qui interfèrent avec le matériel génétique de chaque personne. Éviter les dommages possibles que les aliments peuvent causer à l’ADN est également un point d’appui pour la science en quête d’immortalité. Selon le principal représentant de la Singularité, l’ingénieur Raymond Kurzweil, un régime hypocalorique, avec uniquement les nutriments nécessaires à la vie, peut nous amener à vivre beaucoup plus longtemps. Ce ne sont là que quelques exemples des instruments actuellement disponibles pour aider la race humaine à dépasser les limites de longévité [5].

Tous ces efforts visant à atteindre l’immortalité parviendront-ils à vaincre les forces imposées par la loi de l’entropie ? Tous ces efforts nieraient les conclusions de Brian Greene présentées dans son livre “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução” (Jusqu’à la fin des temps : l’esprit, la matière et notre recherche de sens dans un univers en évolution) qui affirme que l’entropie de l’Univers augmentera avec le temps, que tout dans il existe sera plongé dans le chaos et le désordre et que l’existence humaine ne supplante pas cette loi inexorable du cosmos, l’entropie ? Dans quelle mesure l’immortalité des « quasi-particules » peut-elle contribuer à rendre les êtres humains immortels ? Dans quelle mesure la science et la technologie contribueront-elles à l’obtention de l’immortalité des êtres humains ? L’avenir nous dira si nous serons capables de vaincre l’entropie, en plus d’assurer la survie de l’humanité en surmontant les menaces d’extinction causées par les êtres humains eux-mêmes, par la planète Terre et par ceux venant de l’espace.

LES RÉFÉRENCES

1.     GREENE, Brian. Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

2.KHAN ACADEMY. Leis da termodinâmica. Disponible sur le site Web <https://pt.khanacademy.org/science/biology/energy-and-enzymes/the-laws-of-thermodynamics/a/the-laws-of-thermodynamics>.

3.ASTH, Rafael C. Termodinâmica. Disponible sur le site Web <https://www.todamateria.com.br/termodinamica/>.

4.MEDEIROS, Alex. A impensável imortalidade do ser. Disponible sur le site Web <https://tribunadonorte.com.br/colunas/alex-medeiros/a-impensavel-imortalidade-do-ser-2/>.

5.ALCOFORADO, Fernando. Man in search of immortality. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/10435641/MAN_IN_SEARCH_OF_IMMORTALITY>.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

THE LAW OF ENTROPY AND THE ACHIEVEMENT OF HUMAN BEING IMMORTALITY

Fernando Alcoforado*

This article aims to analyze the possibilities of achieving human immortality in the face of the obstacle represented by the law of entropy. In his book “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução” (Until the End of Time: Mind, Matter, and Our Search for Meaning in an Evolving Universe) [1], Brian Greene presents the deepest questions of life and the cosmos, such as their origin and destiny, or the reasons for consciousness exists. It states that the entropy of the Universe will increase over time. However, its natural tendency, as well as everything in it, is to immerse itself in chaos and disorder, despite the existence of structures so organized that they can give meaning to life. Brian Greene shows that human existence does not supplant this inexorable law of the cosmos, entropy. To create orderly structures, disorder must increase in their surroundings, as in an entropic two-way dance. With this simple but profound observation, Greene addresses a myriad of phenomena, such as the formation of stars, black holes, solar system and human life itself.

Even though the human being is just a conglomerate of organized elementary particles, devoid of free will, guided by the dictates of physics, as said by Brian Greene, the history of humanity is not limited exclusively to segments of matter devoid of life because the evolution led us along paths that modified our bodies, but also, as speculated by Greene, gave rise to our creativity, our consciousness. In a few billion years, what was once space dust in the universe after the Big Bang, guided by the principles of entropy and evolution, became conscious human beings. The fact is that before intelligent life is erased from the history of the Universe due to entropy, humanity will have to escape, too, of threats to its extinction caused by human beings themselves, by planet Earth and by those coming from space.

The threats to the extinction of humanity caused by human beings themselves concern global climate change, pandemics and the outbreak of the 3rd World War, the threats to the extinction of humanity caused by the forces of nature existing on planet Earth concern the cooling of the core of the planet Earth, the catastrophic eruptions of volcanoes and the reversal of the Earth’s magnetic poles and the threats to the survival of humanity coming from outer space today and in the short, medium and long term future, concern: 1) collision on planet Earth from asteroids, comets or pieces of comets; 2) collision on planet Earth of planets of the solar system; 3) collision on planet Earth of orphan planets roaming outer space; 4) emission of cosmic rays, especially gamma rays emitted by supernova stars; 5) catastrophic consequences on the Earth’s environment resulting from the continued distancing of the Moon from the Earth; 6) death of the Sun; 7) collision of the Andromeda and Milky Way galaxies where the Earth is located; and, 8) end of the Universe.

Regarding entropy, it is important to say that it concerns the Second Law of Thermodynamics [2]. The degree of randomness or disorder of a system is called entropy, which is a consequence of the fact that every transfer of energy results in the conversion of a part of the energy into an unusable form (such as heat), and how heat that does not generate work ends up increasing the randomness of the Universe (or, in the most extreme case, will keep the overall entropy unchanged). In other words, any process, such as a chemical reaction or a set of interconnected reactions, will be directed towards increasing the overall entropy of the Universe. Entropy in biological systems, for example, is explained when a living being, when performing work, part of the heat produced keeps its body warm, but a large part dissipates in the environment around it, causing a large fraction of the energy of its fuel sources are transformed into heat. However, when doing this, the living being operates with a very low efficiency. After all, every living being is a well-organized set of matter. Every cell in your body has its own internal organization. Cells are organized into tissues, and tissues into organs, and your entire body maintains a careful system of transport and exchange that keeps you alive. Therefore, it is very clear how every living being, or even simple bacteria, can contribute to an increase in the entropy of the Universe.

More generally, processes that decrease entropy locally, such as those that build and maintain the highly organized bodies of living beings, can indeed occur. However, these local decreases in entropy can only occur with the expenditure of energy, in which part of this energy is converted into heat or other unusable forms. The net effect of the original process (local decrease in entropy) and the transfer of energy (increase in entropy in the external environment) is a general increase in the entropy of the Universe. Living beings are, therefore, “islands of low entropy” in a relatively disordered Universe, whose high degree of organization is maintained by a constant input of energy, counterbalanced by an increase in entropy in the external environment. In short, the high degree of organization of living beings is maintained by a constant input of energy and is compensated by an increase in the entropy of the environment [2].

It is important to highlight that Thermodynamics has three laws [2]. The First Law of Thermodynamics tells us about the conservation of energy between processes. The First Law of Thermodynamics [2] states that energy cannot be created or destroyed. It can only be modified or transferred from one object to another. The Second law of thermodynamics [2] informs that, in a transfer or transformation of energy in the real world, a certain amount of energy is converted into a useless form (which cannot be used to perform work). In most cases, this unusable form of energy takes the form of heat. Although heat can, in fact, perform work under certain circumstances, it will never be possible to transform it into other forms of energy (which generate work) with 100% efficiency. Therefore, every time an energy transfer takes place, a portion of this useful energy will dissipate into a useless form. If heat is not doing work, the randomness (disorder) of the Universe increases. With the Third Law of Thermodynamics [3], whenever a system is close to absolute zero (-273.15 degrees Celsius), entropy will have a minimum value. The law therefore offered a starting point for determining the value of entropy. The Third law of Thermodynamics supports the idea that the entropy of a system with a temperature equal to absolute zero has a constant that varies little. The theory explains that the closer a perfect crystal is to absolute zero, the more its entropy approaches zero.

Everyone agrees, scientists, esotericists and poets, that nothing will exist forever. The laws of Physics guarantee this and, in particular, the second law of thermodynamics. It is the process of entropy, which imposes disorder on life, where galaxies sink into black holes, stars become carbon dust, car and airplane engines wear out, aging leads us to death. Everything is born, increases in mass and dies. What did we know until June 2019, when a team of scientists from the Technical University of Munich and the Max Planck Institute for Physics and Complex Systems announced that an exception to this universal rule had been found. Researchers discovered that what seemed inconceivable in our everyday experience could be happening in the mysterious quantum world. Studies have indicated that there are strange creatures called “quasi-particles” there. Such tiny, invisible beings have the incredible ability to disintegrate and be reborn from their own ashes. The phenomenon of “quasi-particles” occurs in a series of endless cycles, making them, in fact, immortal. This extraordinary discovery was published shortly afterwards in the renowned British magazine Nature Physics, where the phenomenon was described as a collective excitation that occurs inside solid bodies. The concept of “quasi-particles” comes from Russian physicist and Nobel Prize winner Lev Davidovich Landau. He coined it to describe collective states of many particles, or rather, their interactions due to electrical or magnetic forces, where these interactions lead several particles to act as if they were one. This fact continues to stimulate discussions about an ancient human desire: the immortality of the human body [4].

There has long been a human obsession with overcoming death. In the past, man sought to overcome death through religions. In the contemporary era, people began to believe that it would be possible to overcome death through the use of science and technology. The belief that, if it is not possible to overcome death, but that it would be possible to prolong life is based on the fact that man’s life expectancy increased from 30 years in 1500, 37 years in 1800, 45 years in 1900, 46.5 years in 1950 and 80 years in 2012. The achievement of a longer existence in the 20th century resulted from the improvement of sanitary conditions in cities and the creation of public health services. Furthermore, science discovered vaccines and antibiotics that made it possible to prevent diseases and control epidemics. The increase in educational and income levels also contributed to improving the quality of life and further extending longevity in the third or – perhaps we could say – fourth age [5].

The year 2045 will mark the beginning of an era in which medicine will be able to offer humanity the possibility of living for a time never seen in history. Organs that are not working can be exchanged for better ones, created especially for us. Parts of the heart, lungs and even the brain can be replaced. Tiny computer circuits will be implanted in the body to control chemical reactions that occur inside cells. We will be just a few steps away from immortality. This is the prediction of a group of scientists known for being at the forefront of research covering topics such as computer science, biology and biotechnology. Among them are George Church, professor at Harvard University in the United States, gerontologist and biomedical specialist in anti-aging Aubrey de Gray and engineer Raymond Kurzweil, from the Massachusetts Institute of Technology (MIT). They are the leaders of a kind of new philosophy, called Singularity [5].

According to inventor and futurist Raymond Kurzweil, the “father” of the much talked about concept of Singularity, we are heading towards the difficulty of distinguishing between what is organic and what is machine in the future. Artificial intelligence will evolve so much that by 2025 it will be difficult to recognize a human being from a robot. It is worth noting that singularity marks a transition point between two “domains”, or two “worlds”, at a point or instant. In astronomy, singularity means a place in space (black hole) where a body does not age because time stops. In medicine, the heralds of immortality claim that it is nothing more than a real consequence of an ongoing revolution that is already causing the increase in human life expectancy to skyrocket at unprecedented speed. Considering the speed of innovations, a person born in 2050 will have a 95% chance of living a thousand years, according to Aubrey de Grey. At this moment, the aforementioned group of scientists is involved in the growth of the Singularity University, already located in Silicon Valley, in the United States. Making an analogy with single-celled bacteria that live for millions of years without aging, members of the Singularity University state that our germ cells, such as eggs and sperm, can also live indefinitely, which they claim believes in the greatest prolongation of human life [5].

The certainty of this group of researchers in the success of their research is supported by the advances already achieved and those that will certainly come. In the opinion of these researchers, based on the resources we currently have, a child born today could live until at least 150 years old. One of the fields in which advances have been most notable is that of stem cells. In the area of cardiology, experiments with 16 people with heart failure, all of whom had part of their heart tissue regenerated with stem cells taken from the organ itself. The replacement of diseased organs with healthy ones is another of the reasons given by scientists to justify the belief in a spectacularly long life. It has already been possible to create and implant the trachea, bladder, urethra and blood vessels in humans. There are experiments in creating more organs, including the heart and liver [5].

One of the most important factors associated with a man’s lifespan is his genetics. Your DNA indicates what your average lifespan will be and can also bring about changes that predispose you to diseases. Therefore, much of the effort is focused on inventing resources that interfere with each person’s genetic material. Avoiding the possible damage that food can cause to DNA is also a support point for science that seeks immortality. According to the main representative of the Singularity, engineer Raymond Kurzweil, a calorie-restricted diet, with only the nutrients necessary for life, can lead us to live much longer. These are just examples of the instruments currently available to help the human race surpass longevity limits [5].

Will all this effort aimed at achieving immortality be able to overcome the forces imposed by the law of entropy? All of this effort will negate Brian Greene’s conclusions presented in his book “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução” (Until the End of Time: Mind, Matter, and Our Search for Meaning in an Evolving Universe) who states that the entropy of the Universe will increase over time, that everything in it exists will be immersed in chaos and disorder and that human existence does not supplant this inexorable law of the cosmos, entropy? To what extent can the immortality of “quasi-particles” contribute to making human beings immortal? To what extent will science and technology contribute to the achievement of immortality for human beings? The future will tell whether we will have the capacity to overcome entropy, in addition to ensuring the survival of humanity by overcoming the threats to its extinction caused by human beings themselves, by planet Earth and by those coming from space.

REFERENCES

1.     GREENE, Brian. Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

2.KHAN ACADEMY. Leis da termodinâmica. Available on the website <https://pt.khanacademy.org/science/biology/energy-and-enzymes/the-laws-of-thermodynamics/a/the-laws-of-thermodynamics>.

3.ASTH, Rafael C. Termodinâmica. Available on the website <https://www.todamateria.com.br/termodinamica/>.

4.MEDEIROS, Alex. A impensável imortalidade do ser. Available on the website <https://tribunadonorte.com.br/colunas/alex-medeiros/a-impensavel-imortalidade-do-ser-2/>.

5.ALCOFORADO, Fernando. Man in search of immortality. Available on the website <https://www.academia.edu/10435641/MAN_IN_SEARCH_OF_IMMORTALITY>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

A LEI DA ENTROPIA E A CONQUISTA DA IMORTALIDADE DO SER HUMANO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo analisar as possibilidades de conquista da imortalidade do ser humano diante do obstáculo representado pela lei da entropia. Em seu livro “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução” [1], Brian Greene apresenta as questões mais profundas da vida e do cosmos, como sua origem e destino, ou as razões para existir a consciência. Ele afirma que a entropia do Universo aumentará com o tempo. Porém, sua tendência natural, bem como tudo em que nele existe, é imergir no caos e desordem, apesar da existência de estruturas tão organizadas que conseguem dar sentido à vida. Brian Greene mostra que a existência humana não suplanta essa lei inexorável do cosmos, a entropia. Para criar estruturas com ordem, a desordem deve aumentar em suas redondezas, como em uma dança a dois entrópica. Com essa simples, mas profunda observação, Greene aborda uma miríade de fenômenos, como a formação de estrelas, buracos negros, sistema solar e da própria vida humana.

Por mais que o ser humano seja apenas um conglomerado de partículas elementares organizadas, desprovidos de livre arbítrio, guiados pelos ditames da física, como dito por Brian Greene, a história da humanidade, não se resume exclusivamente a segmentos de matéria desprovidos de vida porque a evolução nos conduziu por caminhos que modificaram nossos corpos, como também, como especulado por Greene, originou nossa criatividade, nossa consciência. Em alguns poucos bilhões de anos, o que antes era poeira espacial no Universo depois do Big Bang, ao ser guiada pelos princípios da entropia e da evolução, foram originados seres humanos conscientes. O fato é que antes que a vida inteligente seja apagada da história do Universo devido à entropia, a humanidade terá, também, que se safar seja das ameaças à sua extinção provocadas pelos próprios seres humanos, pelo planeta Terra e por aquelas vindas do espaço.

As ameaças à extinção da humanidade provocadas pelos próprios seres humanos  dizem respeito à mudança climática global, às pandemias e à eclosão da 3ª Guerra Mundial,  as ameaças à extinção da humanidade provocadas pelas forças da natureza existentes no planeta Terra dizem respeito ao esfriamento do núcleo do planeta Terra, as erupções catastróficas de vulcões e a inversão dos polos magnéticos da Terra e as ameaças à sobrevivência da humanidade vindas do espaço exterior hoje e no futuro a curto, médio e longo prazo, dizem respeito à: 1) colisão sobre o planeta Terra de asteroides, cometas ou pedaços de cometas; 2) colisão sobre o planeta Terra de planetas do sistema solar; 3) colisão sobre o planeta Terra de planetas órfãos que vagam pelo espaço exterior; 4) emissão de raios cósmicos, especialmente os raios gama emitidos por estrelas supernovas; 5) consequências catastróficas sobre o meio ambiente da Terra resultantes do afastamento contínuo da Lua em relação à Terra; 6) morte do Sol; 7) colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea onde se localiza a Terra; e, 8) fim do Universo.

Sobre a entropia, é importante dizer que ela diz respeito à Segunda Lei da Termodinâmica [2]. O grau de aleatoriedade ou desordem de um sistema é chamado de entropia que é consequência do fato de que toda transferência de energia resulta na conversão de uma parte da energia em uma forma inutilizável (como calor), e como o calor que não gera trabalho acaba aumentando a aleatoriedade do Universo (ou, no caso mais extremo, manterá a entropia geral inalterada). Em outras palavras, qualquer processo, como uma reação química ou um conjunto de reações interligadas, vai direcionar-se para o aumento da entropia geral do Universo. A entropia nos sistemas biológicos, por exemplo, se explica quando o ser vivo, ao realizar trabalho, parte do calor produzido conserva seu corpo aquecido, mas uma grande parte se dissipa no ambiente a seu redor, fazendo com que uma grande fração da energia de suas fontes de combustíveis seja transformada em calor. Contudo, ao fazer isto, o ser vivo, opera com uma eficiência bastante baixa. Afinal, todo ser vivo é um conjunto bem organizado de matéria. Toda célula do seu corpo tem sua própria organização interna. As células são organizadas em tecidos, e os tecidos em órgãos e todo o seu corpo mantém um sistema cuidadoso de transporte e troca que mantêm o ser vivo. Sendo assim, fica muito claro o modo como como todo ser vivo, ou até mesmo uma simples bactéria, pode contribuir para um aumento na entropia do Universo.

De forma mais geral, os processos que diminuem a entropia localmente, como os que constroem e mantêm os corpos altamente organizados dos seres vivos, podem, sim, ocorrer. Entretanto, essas diminuições locais de entropia podem ocorrer somente com gasto de energia, em que uma parte dessa energia é convertida em calor ou em outras formas não utilizáveis. O efeito líquido do processo original (diminuição local de entropia) e a transferência de energia (aumento de entropia no meio exterior) é um aumento geral na entropia do Universo. Os seres vivos são, portanto, “ilhas de baixa entropia” em um Universo relativamente desordenado, cujo alto grau de organização é mantido por uma constante entrada de energia, contrabalanceada por um aumento da entropia no meio exterior. Resumindo, o alto grau de organização dos seres vivos é mantido por uma entrada constante de energia e é compensado por um aumento na entropia do ambiente [2].

É importante destacar que a Termodinâmica possui três leis [2]. A Primeira Lei da Termodinâmica nos fala sobre a conservação de energia entre processos. A Primeira Lei da Termodinâmica [2] afirma que a energia não pode ser criada ou destruída. Ela pode somente ser modificada ou transferida de um objeto a outro. A Segunda lei da termodinâmica [2] informa que, em uma transferência ou transformação de energia no mundo real, uma certa quantidade de energia é convertida em uma forma inútil (que não pode ser usada para realizar trabalho). Na maioria dos casos, essa forma de energia inutilizável toma a forma de calor. Apesar do calor poder, de fato, realizar trabalho sob certas circunstâncias, jamais será possível transformá-lo em outras formas de energia (que gerem trabalho) com 100% de eficiência. Portanto, toda vez que uma transferência de energia acontece, uma parcela dessa energia útil vai se dissipar para uma forma inútil. Se o calor não está realizando trabalho, aumenta a aleatoriedade (desordem) do Universo. Com a Terceira Lei da Termodinâmica [3], sempre que um sistema estiver próximo da temperatura do zero absoluto ( -273.15 graus Celsius), a entropia terá um valor mínimo. A lei oferecia, portanto, um ponto de partida para determinar o valor da entropia. A Terceira lei da Termodinâmica sustenta a ideia de que a entropia de um sistema com temperatura igual a zero absoluto tem uma constante pouco variável. A teoria explica que quanto mais próximo da temperatura de zero absoluto um cristal perfeito estiver, mais a entropia se aproximará de zero.

Todos concordam, cientistas, esotéricos e poetas, de que nada existirá para sempre. As leis da Física garantem isso e, em particular, a segunda lei da termodinâmica. É o processo da entropia, que impõe a desordem da vida, onde galáxias afundam em buracos negros, estrelas viram poeira de carbono, motores de carros e aviões se desgastam, o envelhecimento nos encaminha à morte. Tudo nasce, aumenta em massa e morre. E o que sabíamos até junho de 2019, quando uma equipe de cientistas da Universidade Técnica de Munique e do Instituto Max Planck de Física e Sistemas Complexos anunciou que foi encontrada uma exceção à esta regra universal. Os pesquisadores descobriram que aquilo que parecia inconcebível em nossa experiência cotidiana poderia estar acontecendo no misterioso mundo quântico. Estudos indicaram que lá existem criaturas estranhas chamadas “quase-partículas”. Tais seres minúsculos e invisíveis têm a incrível capacidade de se desintegrar e renascer das próprias cinzas. O fenômeno das “quase-partículas” ocorre numa série de ciclos intermináveis, tornando-as, de fato, imortais. Esta extraordinária descoberta foi publicada pouco tempo depois na renomada revista britânica Nature Physics, onde foi descrito o fenômeno como uma excitação coletiva que acontece dentro de corpos sólidos.  O conceito de “quase-partículas” é do físico russo e vencedor do Prêmio Nobel, Lev Davidovich Landau. Ele cunhou para descrever estados coletivos de muitas partículas, ou melhor, suas interações devido a forças elétricas ou magnéticas, onde essas interações levam várias partículas a atuarem como se fosse uma. O fato não deixa de estimular discussões sobre um milenar desejo humano: a imortalidade do corpo humano [4].

Existe há muito tempo a obsessão humana de vencer a morte. No passado, o homem procurava superar a morte através das religiões. Na era contemporânea, passou-se a acreditar que seria possível vencer a morte com o uso da ciência e da tecnologia. A crença de que, se não é possível vencer a morte, mas de que seria possível prolongar a vida se apoia no fato de que a expectativa de vida do homem evoluiu de 30 anos em 1500, 37 anos em 1800, 45 anos em 1900, 46,5 anos em 1950 e 80 anos em 2012. A conquista de uma existência mais longa no século 20 resultou da melhoria das condições sanitárias nas cidades e com a criação de serviços públicos de saúde. Além disso, a ciência descobriu vacinas e antibióticos que possibilitaram a prevenção de doenças e o controle de epidemias. O aumento do nível educacional e de renda contribuiu também para melhorar a qualidade de vida e ampliar ainda mais a longevidade na terceira ou – talvez possamos dizer – quarta idade [5].

O ano de 2045 marcará o início de uma era em que a medicina poderá oferecer à humanidade a possibilidade de viver por um tempo jamais visto na história. Órgãos que não estejam funcionando poderão ser trocados por outros, melhores, criados especialmente para nós. Partes do coração, do pulmão e até o cérebro poderão ser substituídos. Minúsculos circuitos de computador serão implantados no corpo para controlar reações químicas que ocorrem no interior das células. Estaremos a poucos passos da imortalidade. Esta é a previsão de um grupo de cientistas conhecidos por ocupar a vanguarda de pesquisas que permeiam temas como a ciência da computação, a biologia e a biotecnologia. Entre eles, estão George Church, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, o gerontologista e biomédico especializado em antienvelhecimento Aubrey de Grey e o engenheiro Raymond Kurzweil, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Eles são os líderes de uma espécie de nova filosofia, batizada de Singularidade [5].

Segundo o inventor e futurista Raymond Kurzweil, o “pai” do tão falado conceito de Singularidade, rumamos em direção à dificuldade de distinguir entre o que é orgânico e o que é máquina no futuro. A inteligência artificial evoluirá tanto que em 2025 será difícil reconhecer um ser humano de um robô.  Cabe observar que singularidade marca um ponto de transição entre dois «domínios», ou dois «mundos», num ponto ou instante. Em astronomia, singularidade significa um lugar no espaço (buraco negro) onde um corpo não envelhece porque o tempo para. Na medicina, os arautos da imortalidade afirmam que ela nada mais é do que uma consequência real de uma revolução em curso que já faz disparar em velocidade sem precedentes o aumento da expectativa de vida humana. Considerando a rapidez das inovações, uma pessoa nascida em 2050 terá 95% de chance de viver mil anos, segundo Aubrey de Grey. Neste momento, o grupo acima citado de cientistas está envolvido no crescimento da Universidade da Singularidade, já instalada no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Fazendo analogia com bactérias unicelulares que vivem há milhões de anos sem envelhecerem, os integrantes da Universidade da Singularidade afirmam que nossas células germinativas, como óvulos e espermatozoides, também podem viver indefinidamente os quais afirmam acreditar no maior prolongamento da vida humana [5].

A certeza deste grupo de pesquisadores no sucesso de suas pesquisas está sustentada nos avanços já obtidos e naqueles que certamente virão. Na opinião desses pesquisadores, a partir dos recursos que temos atualmente, uma criança nascida hoje poderá viver pelo menos até os 150 anos. Um dos campos nos quais os avanços foram mais notáveis é o das células-tronco. Na área da cardiologia, experimentos com 16 portadores de insuficiência cardíaca, todos eles tiveram parte do tecido do coração regenerado com células-tronco retiradas do próprio órgão. A substituição de órgãos doentes por outros, sadios, é outra das razões apontadas pelos cientistas para justificar a crença em uma vida espetacularmente longa. Já se conseguiu criar e implantar em seres humanos traqueia, bexiga, uretra e vasos sanguíneos. E há experiências de criação de mais órgãos, entre eles o coração e o fígado [5].

Um dos fatores mais importantes associados ao tempo de vida de um homem é sua genética. Seu DNA aponta qual será sua vida média e também pode trazer alterações que o predispõe a doenças. Por isso, boa parte dos esforços está concentrada em inventar recursos que interfiram no material genético de cada pessoa. Evitar os possíveis danos que os alimentos podem causar ao DNA também é um ponto de apoio da ciência que busca a imortalidade. Segundo o principal representante da Singularidade, o engenheiro Raymond Kurzweil, uma dieta de restrição calórica, com apenas os nutrientes necessários para a vida, pode nos levar a viver muito mais. Esses são apenas exemplos dos instrumentos disponíveis atualmente para fazer com que a raça humana ultrapasse limites da longevidade [5].

Todo este esforço voltado para a conquista da imortalidade será capaz de vencer as forças impostas pela lei da entropia?  Todo este esforço negará as conclusões de Brian Greene apresentadas em seu livro “Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução” que afirma que a entropia do Universo aumentará com o tempo, que tudo em que nele existe imergirá no caos e na desordem e que a existência humana não suplanta essa lei inexorável do cosmos, a entropia? Até que ponto a imortalidade das “quase-partículas” poderá contribuir para tornar os seres humanos imortais? Até que ponto a ciência e a tecnologia contribuirão para a conquista da imortalidade dos seres humanos? O futuro dirá se teremos capacidade de vencer a entropia, além de assegurar a sobrevivência da humanidade superando as ameaças à sua extinção provocadas pelos próprios seres humanos, pelo planeta Terra e por aquelas vindas do espaço.

REFERÊNCIAS

1.     GREENE, Brian. Até o fim do tempo: Mente, matéria e nossa busca por sentido num Universo em evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

2.KHAN ACADEMY. Leis da termodinâmica. Disponível no website <https://pt.khanacademy.org/science/biology/energy-and-enzymes/the-laws-of-thermodynamics/a/the-laws-of-thermodynamics>.

3.ASTH, Rafael C. Termodinâmica. Disponível no website <https://www.todamateria.com.br/termodinamica/>.

4.MEDEIROS, Alex. A impensável imortalidade do ser. Disponível no website <https://tribunadonorte.com.br/colunas/alex-medeiros/a-impensavel-imortalidade-do-ser-2/>.

5.ALCOFORADO, Fernando. O homem em busca da imortalidade. Disponível no website <https://www.academia.edu/10435699/O_HOMEM_EM_BUSCA_DA_IMORTALIDADE>.

* Fernando Alcoforado, 84, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do IPB- Instituto Politécnico da Bahia e da Academia Baiana de Educação, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

LA PAIX ENTRE ISRAËL ET LA PALESTINE EXIGE LES EXTRÊMISTES DEHORS DU POUVOIR ET LA RESTRUCTURATION DE L’ONU

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer la nécessité de chasser les extrémistes israéliens et palestiniens du pouvoir et de restructurer l’ONU afin qu’il y ait la paix entre Israël et la Palestine. Un groupe d’experts de la CPI (Cour pénale internationale), basé à La Haye, aux Pays-Bas, a unanimement conseillé de demander des mandats d’arrêt contre les dirigeants d’Israël et du Hamas lors d’un panel récemment organisé. Le principal procureur de la CPI, le Britannique Karim Khan, a annoncé lundi qu’il avait demandé à la cour d’émettre des mandats d’arrêt contre le Premier ministre israélien Benjamin Netanyahu et le ministre israélien de la Défense Yoav Gallant, ainsi que des mandats d’arrêt contre le chef du Hamas Ismail Haniyeh et le chef de Gaza Yahya Sinwar et le commandant des Brigades Al-Qassam, Mohammed Al-Masri, connu sous le nom de Deif. Les cinq personnes visées sont soupçonnées de crimes de guerre et de crimes contre l’humanité qui auraient été commis en Israël et dans la bande de Gaza.

Depuis 2021, le procureur de la CPI enquête sur les allégations de crimes de guerre qui auraient été commis depuis 2014 par l’armée israélienne et toutes les milices palestiniennes dans les territoires palestiniens occupés. L’enquête inclut et couvre l’attaque du Hamas contre Israël le 7 octobre et la guerre à Gaza. Le panel a conclu à l’unanimité que les dirigeants du Hamas, Sinwar, Deif et Haniyeh, avaient commis des crimes de guerre et des crimes contre l’humanité, notamment des prises d’otages, des meurtres et des crimes de violence sexuelle. Il a également conclu à l’unanimité que Netanyahu et Gallant avaient commis des crimes de guerre et des crimes contre l’humanité, notamment la famine comme méthode de guerre, le meurtre, la persécution et l’extermination du peuple palestinien. Les mandats d’arrêt contre Netanyahu le placent en compagnie du président russe Vladimir Poutine, contre qui la CPI a émis un mandat d’arrêt en raison de la guerre menée par Russia contre l’Ukraine.

Avec les mandats d’arrêt, Benjamin Netanyahu et le ministre israélien de la Défense Yoav Gallant ne pourront se rendre dans aucun des 124 pays qui adhèrent aux règles de la Cour pénale internationale, sous peine d’arrestation. Cette mesure de la CPI est tardive, mais absolument nécessaire pour montrer qu’aucun dirigeant d’aucune nation ni aucun groupe politique, tel que le Hamas, ne peut rester impuni pour les crimes de guerre et les crimes contre l’humanité qu’il a commis et continue de commettre. Cette mesure de la CPI est un signal adressé aux peuples israélien et palestinien sur la nécessité d’écarter du pouvoir les extrémistes de droite qui gouvernent Israël et les dirigeants extrémistes qui commandent le Hamas. C’est la première condition pour que la paix soit construite et célébrée dans la région de Palestine occupée par Israël depuis la guerre des Six Jours en 1967.

La construction de la paix ne peut avoir lieu dans la région palestinienne que si le peuple juif en Israël et dans le monde entier, ainsi que les Palestiniens, repoussent politiquement les extrémistes qui exercent le pouvoir sur leurs territoires et établissent des gouvernements qui recherchent la conciliation entre les peuples juif et palestinien. Ce serait le moyen d’éviter la poursuite du conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien. On peut dire qu’il n’y a qu’une seule solution au conflit entre la Palestine et Israël : d’un côté, Israël doit accepter la constitution de l’État palestinien, rechercher une solution juste et négociée concernant Jérusalem et le sort des réfugiés palestiniens et mettre fin les colonies juives de Cisjordanie et, d’autre part, les Palestiniens doivent reconnaître l’État d’Israël car ni les Palestiniens ni les Israéliens ne peuvent s’imposer leur volonté. Ni les extrémistes de droite qui gouvernent Israël, ni les groupes extrémistes palestiniens ne pourront imposer leur volonté par la force des armes en Palestine.

Il est important de noter que le conflit entre Israël et la Palestine a commencé au 19ème siècle, lorsque les Juifs sionistes ont exprimé le désir de créer un État moderne sur leur terre ancestrale et ont commencé à créer des colonies dans la région de Palestine, à l’époque encore contrôlée par L’empire Ottoman. Les grandes puissances qui ont gagné la Première Guerre mondiale ont décidé du sort de la Palestine en faveur des Juifs, en utilisant pour ce faire la Société des Nations, configurant ainsi l’arrogance qui a toujours caractérisé les relations internationales tout au long de l’histoire. Les Palestiniens considéraient le parrainage accordé d’abord par la Grande-Bretagne, puis par la Société des Nations, au projet sioniste de création d’un foyer national juif en Palestine comme un déni de leur droit à l’indépendance. Depuis lors, cette question a suscité de nombreuses violences et controverses, ainsi que plusieurs négociations de paix au cours du XXe siècle.

L’État d’Israël a été fondé en 1948, à la suite du plan de partition élaboré par l’ONU, qui divisait la région, alors sous domination britannique, en États arabes et juifs (Figure 1).

Figure 1- Plan de partage des Nations Unies

Source: https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:UN_Partition_Plan_For_Palestine_1947.svg

Un fait est évident : l’histoire d’Israël a tourné autour de conflits avec les Palestiniens et les nations arabes voisines qui ont été secouées par des guerres et des affrontements entre Juifs et Arabes qui n’étaient pas d’accord avec la division territoriale des anciennes terres palestiniennes, telle qu’elle est établie à l’heure actuelle. Depuis la création de l’État d’Israël en 1948, le conflit l’opposant aux Palestiniens est l’épicentre d’un conflit entre Israël et l’ensemble des pays arabes, aux fortes répercussions mondiales. Il y a eu des guerres avec l’Égypte, la Jordanie, la Syrie et le Liban, mais sans que la tension dans la région ne diminue. Durant cette période, Israël a occupé la péninsule du Sinaï, la Cisjordanie, la bande de Gaza, le plateau du Golan et le sud du Liban après la guerre des Six Jours contre l’Égypte, la Syrie et la Jordanie en 1967 (Figure 2).

Figure 2- Réalisations israéliennes pendant la guerre des Six Jours (1967)

Source: https://www.bbc.com/news/world-middle-east-39960461

La figure 3 ci-dessous montre qu’il y a eu une stratégie délibérée de la part des différents gouvernements israéliens depuis 1967 pour conquérir progressivement le territoire de la Palestine jusqu’à nos jours. La figure 3 montre que la carte de la Palestine a changé au fil des années avec l’avancée d’Israël sur le territoire palestinien. À l’heure actuelle, le gouvernement israélien occupe tyranniquement la Cisjordanie et la bande de Gaza. Cette situation ne peut pas durer car elle génère un conflit permanent entre juifs et palestiniens. La paix entre Juifs et Palestiniens ne pourra guère être conclue si ces conditions sont maintenues.

Figure 3- Avance d’Israël sur le territoire palestinien

Source: https://www.palestineportal.org/learn-teach/key-issues/settlements-and-the-occupation/

Les Palestiniens exigent la création d’un État palestinien souverain et indépendant. La plupart des Palestiniens acceptent les régions de Cisjordanie et de la bande de Gaza comme territoire d’un futur État palestinien. De nombreux Israéliens acceptent également cette solution. Une discussion autour de cette solution a eu lieu lors des accords d’Oslo, signés en septembre 1993 entre Israël et l’Organisation de libération de la Palestine (OLP), qui ont permis la formation de l’ANP (Autorité nationale palestinienne). Malgré le retour de la bande de Gaza et de certaines parties de la Cisjordanie sous contrôle palestinien, un accord final reste à trouver. Pour ce faire, il faudrait résoudre les principaux points de discorde, que sont le différend sur Jérusalem, le sort des réfugiés palestiniens et la fin des colonies juives en Cisjordanie.

Il est peu probable que le conflit entre Palestiniens et Juifs soit résolu aujourd’hui car les institutions internationales existantes ne sont pas capables de construire une solution négociée au conflit entre ces deux peuples et entre Israël, l’Iran et les pays arabes. Les États-Unis ont perdu la capacité de servir de médiateur dans tout conflit, aucune grande puissance n’a les conditions nécessaires pour jouer ce rôle et l’ONU est actuellement incapable de promouvoir la paix à l’échelle locale, régionale ou mondiale. Si tout continue ainsi, aucune structure, pas même l’ONU, qui travaille, en pratique, au service des intérêts des États-Unis, ne pourra exercer la gouvernance de la planète Terre. Cela signifie qu’il est urgent de restructurer le système international pour résoudre le conflit entre Israël et la Palestine, entre la Russie et l’Ukraine et tous les conflits internationaux qui pourraient survenir à l’avenir.

Le moment est venu pour l’humanité de se doter, dans les plus brefs délais, d’instruments capables de promouvoir la construction de la paix mondiale et d’exercer la maîtrise de son destin.   Pour atteindre ces objectifs, il est urgent de restructurer l’ONU en vue de la transformer en un gouvernement démocratique du monde qui constitue le seul moyen de survie de l’espèce humaine. Pour rendre possible la paix entre Israël et la Palestine, éliminer définitivement les nouveaux risques d’une nouvelle guerre mondiale et parvenir à une paix perpétuelle sur notre planète, il serait nécessaire de réformer le système international actuel, incapable de garantir la paix mondiale. Le nouveau système international devrait fonctionner sur la base d’un contrat social planétaire. Le Contrat Social Planétaire serait la Constitution des habitants de la planète Terre.

Pour préparer le Contrat Social Planétaire, une Assemblée Constituante Mondiale devrait être convoquée avec la participation de représentants de tous les pays du monde élus à cet effet. Le Contrat Social Planétaire devrait établir l’existence d’un gouvernement mondial. La préservation de la paix devrait être la mission première de toute nouvelle forme de Gouvernement Mondial. Son objectif serait de défendre les intérêts généraux de la planète, en le rendant compatible avec les intérêts de chaque nation. Pour que cela se produise, il doit y avoir une gouvernance démocratique dans le monde avec un Gouvernement Mondial élu par tous les pays du monde. Son rôle serait de renforcer la gouvernabilité de l’économie et de l’environnement mondiaux ainsi que le maintien de la paix mondiale. Grâce à lui, la défense des intérêts généraux de tous les pays de la planète serait poursuivie en termes de relations internationales.

Un gouvernement démocratique mondial veillerait au respect de la souveraineté de chaque pays, car il empêcherait tout pays d’intervenir dans les affaires intérieures des autres, notamment par des interventions militaires. Contrairement à ce que beaucoup pensent, l’existence d’un Gouvernement Mondial ne constituerait pas une menace pour la souveraineté nationale, bien au contraire, elle garantirait qu’aucun pays n’interviendrait dans les affaires intérieures des autres pays. En plus du Gouvernement Mondial et du Parlement Mondial, il faudrait également établir la Cour Suprême Mondiale, qui serait composée de juristes de haut niveau du monde choisis par le Parlement Mondial et qui agiraient pour une période de temps déterminée. La Cour Suprême Mondiale devrait juger les affaires impliquant des différends entre pays, des crimes contre l’humanité et la nature commis par des États nationaux et des dirigeants à la lumière du Contrat Social Planétaire, juger les conflits qui existent entre le Gouvernement Mondial et le Parlement Mondial et agir en tant que gardienne du Contrat Social Planétaire.

La nouvelle règle du droit international serait exécutée par les trois puissances constituées : le Gouvernement Mondial, le Parlement Mondial et la Cour Suprême Mondiale. Le pouvoir mondial reposerait entre les mains du Gouvernement Mondial, du Parlement Mondial et de la Cour Suprême Mondiale. Le Gouvernement Mondial ne disposera pas de ses propres forces armées et devra compter sur le soutien des forces armées des pays qui seront appelés en cas de besoin. Avec cette configuration proposée pour la gouvernance démocratique du système international, aucun pays ne serait donc vassal du Gouvernement Mondial. Pour garantir une pratique et une gouvernance démocratiques sur la planète Terre, le pouvoir mondial devrait être exercé par le Parlement Mondial qui, en plus d’élire le président du Gouvernement Mondial, devrait rédiger et approuver des lois internationales basées sur le contrat social planétaire.

Le Parlement Mondial devrait être composé d’un nombre déterminé et égal de représentants de chaque pays démocratiquement élus à cet effet. Le Président du Gouvernement Mondial n’exercera le commandement du Gouvernement Mondial que tant qu’il aura le soutien de la majorité du Parlement Mondial. Si, à la majorité du Parlement Mondial, il est nécessaire de remplacer le président du Gouvernement Mondial, cela doit être fait. La Cour Suprême Mondiale devrait être composée de juristes de haut niveau du monde entier choisis par le Parlement Mondial qui siégeraient pour une période de temps déterminée et devraient élire le président de la Cour pour un mandat d’une durée déterminée. La Cour Suprême Mondiale devrait juger les affaires impliquant des différends entre pays, des crimes contre l’humanité et la nature commis par les États nationaux et les dirigeants à la lumière du Contrat Social Planétaire, juger les conflits qui existent entre le Gouvernement Mondial et le Parlement Mondial et agir en tant que gardienne du Contrat Social Planétaire. La nouvelle règle du droit international serait exécutée par les trois puissances constituées : le Gouvernement Mondial, le Parlement Mondial et la Cour Suprême Mondiale.

Pour rendre la gouvernance mondiale viable, il doit d’abord exister un puissant mouvement mondial de défense de la paix mondiale à travers un Forum mondial pour la paix et le progrès de l’humanité, composé d’organisations de la société civile et de gouvernements de tous les pays du monde. Dans ce Forum, les objectifs et les stratégies pour établir un Gouvernement Mondial, un Parlement Mondial et une Cour Suprême Mondiale devraient être débattus et établis, dans le but de sensibiliser la population mondiale et les gouvernements nationaux afin de créer un monde de paix et de progrès pour le monde entier. Ce serait la voie qui permettrait de transformer l’utopie du Gouvernement Mondial en réalité. Sans la constitution d’un Gouvernement Mondial démocratique, le scénario qui se dessine pour l’avenir de l’humanité sera celui d’un désordre économique, politique et social, d’une guerre de tous contre tous et de l’extinction de l’espèce humaine avec l’utilisation des armes nucléaires pour les pays prétendants au pouvoir mondial.

* Fernando Alcoforado, 84, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences, de l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia et de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la  planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The  Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao  Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).