O GOVERNO BOLSONARO E SEUS DANOS CONTRA O BRASIL

Fernando Alcoforado*

Os danos atuais do governo Bolsonaro para o Brasil ocorre principalmente por sua inação na superação dos problemas econômicos do País, por sua ação deliberada no sentido de eliminar os benefícios sociais existentes para a população brasileira, pela ausência de medidas necessárias à superação dos problemas sociais e pelo comprometimento da soberania nacional. O dano futuro que pode ser praticado pelo governo Bolsonaro diz respeito ao fim da democracia no Brasil com a implantação de uma ditadura.

Os problemas econômicos do Brasil resultam basicamente da estagnação da economia que resulta do fato de ter um governo incapaz de gerar crescimento econômico, além de contribuir para a fuga de capitais do País em 2019 que é a maior da história com o fluxo cambial em outubro ficando negativo em US$ 8,49 bilhões e elevando o déficit cambial no ano a US$ 21,46 bilhões. A ação deliberada na eliminação dos benefícios sociais ocorreu com a reforma da Previdência Social que atentou contra a maioria da população trabalhadora completando o malefício realizado pelo governo Michel Temer que fez com a reforma trabalhista.

Outra grande marca negativa do governo Bolsonaro diz respeito à ausência de medidas necessárias à superação dos problemas sociais como a questão do desemprego em massa que atinge uma população de 41 milhões de pessoas desempregadas e subempregadas e a questão das desigualdades sociais com a excessiva concentração de renda  que se registra no momento no País no qual quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país se constituindo na maior concentração do tipo no mundo  que é o que  indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty.

O governo Bolsonaro compromete a soberania nacional pelo alinhamento subalterno do Brasil aos interesses norte-americanos e ao capital internacional quando decidiu pela entrega da Base de Alcântara aos Estados Unidos, a desnacionalização da Embraer com sua venda à Boeing, os leilões de venda da cessão onerosa da Petrobras relativo ao Presal  que beneficia o capital estrangeiro e a privatização dos setores de refino, distribuição e transporte de óleo e gás da Petrobras demonstrando o caráter entreguista de seu governo que está a serviço do deus Mercado, de Wall Street, do Consenso de Washington e contra o povo brasileiro.

Estes são os danos atuais praticados contra o Brasil pelo governo Bolsonaro. O dano futuro está relacionado com o fim da democracia no Brasil com a implantação de uma ditadura. Os sinais quanto à intenção do governo Bolsonaro de levar avante este propósito se manifestam nas palavras recentes do deputado Eduardo Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes de implantar o AI-5. Com o AI5 revigorado pelo governo Bolsonaro, o Presidente da República pode fechar o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas dos estados e intervir em estados e municípios sob o pretexto de “segurança nacional” e o Presidente da República e os Governadores dos Estados poderiam legislar por meio de decretos-leis e, inclusive,  através de emendas constitucionais.

Além disso, Bolsonaro poderia adotar censura prévia de música, cinema, teatro e televisão e a censura da imprensa e de outros meios de comunicação; tornar ilegal reuniões políticas não autorizadas pela polícia; se necessário, adotar toques de recolher em todo o país; suspender habeas corpus por crimes de motivação política; destituir sumariamente qualquer funcionário público; efetuar a  cassação de mandatos de parlamentares da oposição e decretar a suspensão dos direitos políticos dos cidadãos considerados subversivos, privando-os por até dez anos da capacidade de votação ou de eleição.

São bastante claras as intenções do governo Bolsonaro de implantar um regime de exceção no País não apenas pelas manifestações de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Guedes, mas também, pelo projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional que prevê o excludente de ilicitude que se aplicaria quando o governo acionasse as Forças Armadas para reprimir os movimentos sociais que significa, em outras palavras, o direito  de matar pelas forças repressivas.  Bolsonaro já admitiu que convocaria as Forças Armadas para reprimir os movimentos sociais. Ele está esperando ansiosamente que o povo brasileiro vá às ruas para protestar contra seu maléfico governo para implantar um regime de exceção no Brasil.

O objetivo do governo Bolsonaro seria, portanto, a conquista do poder total para colocar em prática seu projeto fascista de governo. A escalada do fascismo já é um fato concreto no Brasil, disseminado, enraizado e poderá se tornar irreversível no Brasil no momento atual se não houver resistência. Para evitar o fim do sistema democrático atual no Brasil, não basta, portanto, confiar nas instituições republicanas que podem sofrer mudanças contrárias aos interesses da grande maioria da população através de projetos de Lei e Emendas à Constituição por parte do governo Bolsonaro. A única forma de evitar a escalada do fascismo e a implantação de uma ditadura de extrema direita no Brasil é a formação de uma frente democrática antifascista no Parlamento e na Sociedade Civil para defender a Constituição de 1988 e lutar contra os atos do governo que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e do Brasil.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

WORK IN THE AGE OF ARTIFICIAL INTELLIGENCE

Fernando Alcoforado*

There are many definitions of artificial intelligence, but many of them are strongly aligned with the concept of creating computer programs or machines that can behave intelligently like humans. Artificial intelligence (AI) is the ability of a digital computer or computer-controlled robot to perform tasks commonly associated with intelligent beings. The term is often applied to systems development project equipped with the characteristic intellectual processes of humans, such as the ability to reason, discover meaning, generalize or learn from past experience.

In 1950, British computer scientist Alan Turing was already speculating about the emergence of thinking machines in his “Computing Machinery and Intelligence”, and scientist John McCarthy coined the term “artificial intelligence” in 1956. After some significant advances in the 1950s and 1960s, when artificial intelligence laboratories were set up at Stanford and the Massachusetts Institute of Technology (MIT), it became clear that the task of creating such a machine would be more difficult than thought. Then came the so-called “artificial intelligence winter”, a period without major discoveries in this area and a sharp reduction in funding for its research.

In the 1990s, the artificial intelligence community set aside a logic-based approach, which involved creating rules to guide a computer how to act, adopting a statistical approach, using databases, and asking the machine to analyze it. them and solve problems on their own. Experts believe machine intelligence will match that of humans by 2050, thanks to a new era in their ability to learn. Computers are already beginning to assimilate information from collected data, just as children learn from the world around them. This means that we are creating machines that can teach themselves, play computer games – and be very good at them – and also to communicate by simulating human speech, as with smartphones and their virtual assistant systems.

Artificial intelligence (AI) is already being widely used in production systems. Artificial intelligence can replace human beings in production activities and also can maximize their productivity. According to data presented by Accenture in one of his research, by 2035, the IA will contribute to an increase of up to 40% of the productivity of the industrial sector, reducing costs and increasing manufacturing output around the globe. The current situation of AI systems allows them to understand the entire production and business process and automatically identify which key issues need to be addressed. A neural network of an AI system is able to analyze more than a billion data in a few seconds, an amazing tool to support a decision maker within a company, thus ensuring the best option among the possible. As the collected data is constantly updated, IA systems always update also its results, enabling managers to have access to latest information of variations in the company’s operating market.

Thanks to advances in artificial intelligence, the business world is facing huge transformations. It is a new era in which the fundamental rules governing the activities of organizations are being rewritten. Artificial intelligence systems not only mean automating many processes to make them more efficient. These AI systems are making the world go through a fundamental transition with machines developing beyond their historic role as tools by becoming “self-employed” but also enabling people and machines to act collaboratively differently. Consequently, AI systems are changing, so the true nature of the work that is demanding that the management of operations with machines and workers to be processed quite differently of the past.

Traditionally, automation has been used with specific tasks being performed separately by automated machines and workers. The specificity of tasks contemplated workers performing pre-determined activities inspecting the processes to discard defective parts. In contrast to the traditional assembly line, AI systems make it possible for machines and humans to work together collaboratively. Modern production systems use built-in sensors and sophisticated artificial intelligence algorithms. Unlike previous generations of industrial robotics that were bulky, unintelligent and in some cases dangerous pieces of machinery, the new types of intelligent robots are equipped with the ability to sense their environment, understand, act and learn thanks to learning software and other technologies related to artificial intelligence.

The new production systems make it possible to make the work process self-adaptive and create the conditions for joint work, teamwork, man-machine. Modernly, to fulfill custom orders and deal with fluctuations in demand of a production system, workers can share with robots the execution of new tasks without having to manually oversee any production process. Changes are processed automatically. Advances are not only occurring in industrial production. Artificial intelligence systems are present in numerous industries. The potential of artificial intelligence to transform large economic sectors is unprecedented in human history.

Modern production systems require workers to work with smart machines to explore what they do best. Workers are needed to develop, train and manage various artificial intelligence applications. By acting in this way, workers would be enabling production systems to operate as true partners. Smart machines, in turn, would help workers boost their productive capacity, such as their ability to process and analyze large amounts of data from a myriad of sources in real time. Smart machines increase human capacity. Smart machines and workers can be partners who collaborate with one another to raise their performance levels.

As production systems use smart machines, they need workers with training in intelligent software to be able to train and use collaborative robots, as well as software engineering (programs) and computer science. This means that education at all levels must be structured to prepare students for the world of work that demands workers with the necessary skills to deal with smart machines. All of this suggests that we are experiencing a transition that puts enormous strain on the economy and society. The education offered today to workers and students who are preparing to enter the labor market is likely to be ineffective. In other words, education systems are preparing workers for a world of work that is ceasing to exist.

The future of work in an Artificial Intelligence world requires the adoption of new measures aimed at the qualification of the workforce that should know how to use this technology as a tool to complement their skills. Some functions are assigned to intelligent machines and systems. New functions for humans emerge in the face of this new scenario. It is up to education system planners to identify the role of human beings in the working world in the future to bring about a broad revolution in teaching at all levels, including the qualification of teachers and the structuring of teaching units to prepare their students for a world of work. where people will have to deal with intelligent machines. In order to implement a new education, it is essential to begin to identify the skills needed for 21st century work and to adapt the obsolete education system to form more capable citizens for the era of artificial intelligence.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LE TRAVAIL À L’ÈRE DE L’INTELLIGENCE ARTIFICIELLE

Fernando Alcoforado*

Il existe de nombreuses définitions de l’intelligence artificielle, mais beaucoup d’entre elles sont fortement alignées sur le concept de création de programmes informatiques ou de machines pouvant se comporter intelligemment comme des humains. L’intelligence artificielle (IA) est la capacité d’un ordinateur numérique ou d’un robot contrôlé par ordinateur à effectuer des tâches couramment associées aux êtres intelligents. Le terme est souvent appliqué au projet de développement de systèmes dotés des processus intellectuels caractéristiques de l’homme, tels que la capacité de raisonner, de découvrir le sens, de généraliser ou d’apprendre de l’expérience passée.

En 1950, l’informaticien britannique Alan Turing spéculait déjà sur l’émergence de machines à penser (thinking machines) dans son ouvrage “Computing Machinery and Intelligence” et le terme “intelligence artificielle” a été inventé en 1956 par le scientifique John McCarthy.. Après des avancées significatives dans les années 50 et 60, avec la mise en place de laboratoires d’intelligence artificielle à Stanford et au Massachusetts Institute of Technology (MIT), il est devenu évident que la création d’une telle machine serait plus difficile que jamais une pensée. Puis vint le soi-disant “hiver de l’intelligence artificielle”, une période sans grandes découvertes dans ce domaine et une nette réduction du financement de ses recherches.

Dans les années 1990, la communauté dédié à l’intelligence artificielle mettre de côté une approche logique, qui implique la création de règles pour guider un ordinateur sur la façon d’agir, en adoptant une approche statistique, en utilisant des bases de données et en demandant à la machine de les analyser et de résoudre les problèmes par eux-mêmes. Les experts croient en l’intelligence artificielle correspondra aux humains d’ici 2050, grâce à une nouvelle ère dans leur capacité à apprendre. Les ordinateurs commencent déjà à assimiler les informations des données collectées, tout comme les enfants apprennent du monde qui les entoure. Cela signifie que nous créons des machines qui peuvent apprendre, jouer à des jeux informatiques – et y être très doués – et également communiquer en simulant le discours humain, comme avec les smartphones et leurs systèmes d’assistant virtuel.

L’intelligence artificielle (IA) est déjà largement utilisée dans les systèmes de production. L’intelligence artificielle peut remplacer les êtres humains dans les activités de production et peut également maximiser leur productivité. Selon les données révélées par Accenture dans l’une de ses enquêtes, d’ici 2035, l’intelligence artificielle contribuera à accroître de 40% la productivité du secteur industriel, à réduire les coûts et à accroître la production manufacturière dans le monde entier. La situation actuelle des systèmes d’IA leur permet de comprendre l’ensemble du processus de production et les affaires  et identifier automatiquement quels sont les principaux problèmes à résoudre. Le réseau de neurones d’un système d’intelligence artificielle peut analyser plus d’un milliard de données en quelques secondes, ce qui en fait un outil extraordinaire pour aider un décideur au sein d’une entreprise, garantissant ainsi la meilleure option possible. Comment les données collectées sont constamment mises à jour, les systèmes d’IA mettent toujours à jour leurs résultats, ce qui permet aux responsables d’avoir accès aux informations récentes sur les variations du marché de l’entreprise..

Grâce aux progrès de l’intelligence artificielle, le monde des affaires est confronté à d’énormes transformations. C’est une nouvelle ère dans laquelle les règles fondamentales qui réglementé les activités des organisations sont en cours de réécriture. Les systèmes d’intelligence artificielle ne consistent pas seulement à automatiser de nombreux processus pour les rendre plus efficaces. Ces systèmes d’intelligence artificielle font que le monde traverse une transition fondamentale, les machines se développant au-delà de leur rôle historique en tant qu’outil pour devenir «ouvriers indépendant», mais aussi permettre aux gens et aux machines d’agir en collaboration  de forme différent. En conséquence, les systèmes d’intelligence artificielle modifient donc la véritable nature du travail, ce qui exige que la gestion des opérations de la machine et de l’ouvrier soit traitée de manière très différente du passé..

Traditionnellement, l’automatisation était utilisée avec des tâches spécifiques exécutées séparément par des machines automatisées et des ouvriers. La spécificité des tâches envisageait des travailleurs effectuant des activités prédéterminées inspectant les processus pour éliminer les pièces défectueuses. S’appuyant sur la chaîne de montage traditionnelle, les systèmes d’intelligence artificielle permettent aux machines et aux humains de travailler en collaboration. Les systèmes de production modernes utilisent des capteurs intégrés et des algorithmes sophistiqués d’intelligence artificielle. Contrairement aux générations précédentes de robotique industrielle encombrantes, peu intelligentes et parfois dangereuses, les nouveaux types de robots intelligents sont capables de détecter leur environnement, de comprendre, d’agir et d’apprendre grâce à un logiciel d’apprentissage. et d’autres technologies liées à l’intelligence artificielle.

Traditionnellement, l’automatisation était utilisée avec des tâches spécifiques exécutées séparément par des machines automatisées et des ouvriers. La spécificité des tâches considére les travailleurs effectuant des activités prédéterminées en inspectant les processus pour éliminer les pièces défectueuses. Contrairement à la chaîne de montage traditionnelle, les systèmes d’intelligence artificielle permettent aux machines et aux humains de travailler en collaboration. Les systèmes de production modernes utilisent des capteurs intégrés et des algorithmes sophistiqués d’intelligence artificielle. Contrairement aux générations précédentes de robotique industrielle qui étaient de volume élevé sans intelligence et dans certains cas pièces dangereuses de machines, les nouveaux types de robots intelligents sont capables de détecter leur environnement, de comprendre, d’agir et d’apprendre grâce à logiciel d’apprentissage des machines et autres technologies liées à l’intelligence artificielle..

Les nouveaux systèmes de production permettent faire rendre le processus de travail auto-adaptable qui créent les conditions pour que se réalise travail en commun, travail en équipe, machine homme. De manière moderne, pour exécuter des commandes personnalisées et faire face aux fluctuations de la demande d’un système de production, les travailleurs peuvent partager avec des robots l’exécution de nouvelles tâches sans avoir à superviser manuellement le processus de production. Les modifications sont traitées automatiquement. Les progrès ne se produisent pas seulement dans la production industrielle. Les systèmes d’intelligence artificielle sont présents dans de nombreuses industries. Le potentiel de l’intelligence artificielle pour transformer de grands secteurs économiques est sans précédent dans l’histoire de l’humanité..

Les systèmes de production modernes obligent les travailleurs à utiliser des machines intelligentes pour explorer ce qu’ils font le mieux. Les travailleurs sont nécessaires pour développer, former et gérer diverses applications d’intelligence artificielle. En agissant de cette façon, les travailleurs permettraient aux systèmes de production de fonctionner comme de vrais partenaires. À leur tour, les machines intelligentes aideraient les travailleurs à augmenter leur capacité de production, telles que compétence pour traiter et d’analyser de grandes quantités de données provenant d’une multitude de sources en temps réel. Les machines intelligentes augmentent la capacité humaine. Les machines intelligentes et les travailleurs peuvent être des partenaires qui collaborent les uns avec les autres pour améliorer leurs performances.

Comme les systèmes de production utilisent des machines intelligentes, ils ont besoin de travailleurs dotés de compétences logicielles intelligentes pour pouvoir former et utiliser des robots collaboratifs, ainsi que de génie logiciel (programmes) et informatique. Cela signifie que l’éducation à tous les niveaux doit être structurée de manière à préparer les étudiants au monde du travail, qui exige des travailleurs dotés des compétences nécessaires pour utiliser des machines intelligentes. Tout cela suggère que nous vivons une transition qui pèse énormément sur l’économie et la société. L’éducation offerte aujourd’hui aux travailleurs et aux étudiants qui se préparent à entrer sur le marché du travail risque d’être inefficace. En d’autres termes, les systèmes éducatifs préparent les travailleurs à un monde du travail qui c’est laissant d´exister

L’avenir du travail dans un monde d’Intelligence Artificielle nécessite l’adoption de nouvelles mesures visant à la qualification de la main-d’œuvre qui devrait savoir comment utiliser cette technologie pour compléter ses compétences. Certaines fonctions sont affectées à des machines et systèmes intelligents. De nouvelles fonctions pour les humains émergent face à ce nouveau scénario. Il appartient aux planificateurs du système éducatif d’identifier le rôle des êtres humains dans le monde du travail à l’avenir afin de provoquer une vaste révolution dans l’enseignement à tous les niveaux, y compris la qualification des enseignants et la structuration des unités d’enseignement pour préparer leurs étudiants à un monde du travail. où les gens devront faire face à des machines intelligentes. Pour mettre en œuvre une nouvelle éducation, il est essentiel de commencer à identifier les compétences nécessaires au travail du XXIe siècle et à adapter le système éducatif obsolète afin de former des citoyens plus capables pour l’ère de l’intelligence artificielle.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O TRABALHO NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Fernando Alcoforado*

Há muitas definições de inteligência artificial, mas muitas delas estão fortemente alinhadas com o conceito de criar programas de computador ou máquinas capazes de se comportar de forma inteligente como os seres humanos. Inteligência artificial (AI) é a capacidade de um computador digital ou um robô controlado por computador para executar tarefas comumente associadas a seres inteligentes. O termo é freqüentemente aplicado ao projeto de desenvolvimento de sistemas dotados dos processos intelectuais característicos dos humanos, como a capacidade de raciocinar, descobrir o significado, generalizar ou aprender com a experiência passada.

Em 1950, o cientista da computação britânico Alan Turing já especulava sobre o surgimento de máquinas pensantes (thinking machines) em sua obra “Computing Machinery and Intelligence”, e o termo “inteligência artificial” foi cunhado, em 1956, pelo cientista John McCarthy. Após alguns avanços significativos nos anos 1950 e 1960, quando foram criados laboratórios de inteligência artificial em Stanford e no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), ficou claro que a tarefa de criar uma máquina assim seria mais difícil do que se pensava. Veio então o chamado “inverno da inteligência artificial”, um período sem grandes descobertas nesta área e com uma forte redução no financiamento de suas pesquisas.

Na década de 1990, a comunidade dedicada à inteligência artificial deixou de lado uma abordagem baseada na lógica, que envolvia criar regras para orientar um computador como agir, com a adoção de uma abordagem estatística, usando bases de dados e pedindo para a máquina analisá-los e resolver problemas por conta própria. Especialistas acreditam que a inteligência das máquinas se equiparará à de humanos até 2050, graças a uma nova era na sua capacidade de aprendizado. Computadores já estão começando a assimilar informações a partir de dados coletados, da mesma forma que crianças aprendem com o mundo ao seu redor. Isso significa que estamos criando máquinas que podem ensinar a si mesmas, participarem de jogos de computador – e serem muito boas neles – e também a se comunicarem simulando a fala humana, como acontece com os smartphones e seus sistemas de assistentes virtuais.

A inteligência artificial (IA) já está sendo bastante utilizada em sistemas produtivos. A Inteligência Artificial pode substituir o ser humano nas atividades de produção e, também, pode aumentar ao máximo a sua produtividade. Segundo dados expostos pela Accenture em uma de suas pesquisas, até 2035, a IA contribuirá para um aumento de até 40% da produtividade do setor industrial, diminuindo custos e aumentando a produção de manufaturas ao redor do globo. O panorama atual dos sistemas de IA permite que eles entendam todo o processo produtivo e de negócios e identifiquem, de forma automática, quais são os principais problemas que devem ser resolvidos. Uma rede neural de um sistema de IA é capaz de analisar mais de um bilhão de dados em poucos segundos, sendo uma ferramenta incrível para apoiar um tomador de decisões dentro de uma empresa, garantindo, assim, a melhor opção dentre as possíveis. Como os dados coletados são constantemente atualizados, os sistemas de IA sempre atualizam, também, seus resultados, viabilizando que os gestores tenham acesso a informações recentes de variações ocorridas no mercado de atuação da empresa.

Graças aos avanços na inteligência artificial, o mundo dos negócios se encontra diante de gigantescas transformações. É uma nova era na qual as regras fundamentais que regulavam as atividades das organizações estão sendo reescritas. Sistemas de inteligência artificial não significa apenas a automação de muitos processos para fazê-los mais eficientes. Estes sistemas de IA estão fazendo o mundo passar por uma transição fundamental com as máquinas se desenvolvendo além do seu histórico papel como ferramenta ao se transformarem em “trabalhadores autônomos”, mas também, habilitando pessoas e máquinas a atuarem colaborativamente de maneira diferente.  Em consequência, os sistemas de IA estão mudando, portanto, a verdadeira natureza do trabalho que está a exigir que a gestão das operações com máquinas e trabalhadores seja processada de forma bastante diferente em relação ao passado.

Tradicionalmente, a automação tem sido utilizada com tarefas específicas sendo executadas separadamente por máquinas automatizadas e por trabalhadores. A especificidade de tarefas contemplavam os trabalhadores cumprindo pré determinadas atividades inspecionando os processos para descartar peças defeituosas. Contrastando com a linha de montagem tradicional, os sistemas de IA possibilitam fazer com que máquinas e seres humanos possam trabalhar juntos de form colaborativa. Sistemas produtivos modernos utilizam sensores embutidos e sofisticados algoritmos de inteligência artificial. Diferentemente de gerações anteriores de robótica industrial que eram volumosos, sem inteligência e, em alguns casos, peças perigosas de maquinaria, os novos tipos de robôs inteligentes são equipados  com a capacidade de sentir seu ambiente, compreender, agir e aprender graças ao software de aprendizado de máquina e outras tecnologias realacionadas com a inteligência artificial.

Os novos sistema produtivos possibilitam fazer com que o processo de trabalho seja auto adaptável que criam as condições para que se realize o trabalho conjunto, trabalho em equpe, homem-máquina. Modernamente, para atender pedidos personalizados e lidar com flutuações na demanda  de um sistema produtivo, os trabalhadores podem compartilhar com robôs a execução de novas tarefas sem ter que manualmente fiscalizar qualquer processo de produção. As mudanças são processadas automaticamente.   Os avanços não estão ocorrendo apenas na produção industrial. Sistemas de inteligência artificial estão presentes em inúmeros setores de atividades. O potencial da inteligência artificial para transformar amplos setores econômicos é sem precedentes na história da humanidade.

Os sistemas produtivos modernos exigem que os trabalhadores trabalhem com máquinas inteligentes para explorar o que os dois fazem melhor. Os trabalhadores são necessários para desenvolver, treinar e gerir várias aplicações de inteligência artificial. Ao atuar desta forma, os trabalhadores estariam habilitando os sistemas produtivos a operar como verdadeiros parceiros. Por sua vez, as máquinas inteligentes ajudariam os trabalhadores a elevar sua capacidade produtiva, tais como a habilidade para processar e analisar grande quantidade de dados de uma miriade de fontes em tempo real. Máquinas inteligentes aumentam a capacidade humana. Máquinas inteligentes e trabalhadores podem se constituir em parceiros que colaboram um com o outro para elevar seus níveis de desempenho.

À medida que os sistemas produtivos utilizam máquinas inteligentes necessitam trabalhadores com capacitação em softwares inteligentes para poderem treinar e  utilizar robôs colaboradores, bem como, engenharia de software (programas) e ciência da computação. Isto significa dizer que a educação em todos os níveis deve ser estruturada para preparar os estudantes para o mundo do trabalho que demanda trabalhadores com a capacitação necessária para lidar com máquinas inteligentes. Tudo isto sugere que vivenciamos uma transição que coloca enorme tensão sobre a economia e a sociedade. A educação oferecida nos moldes atuais aos trabalhadores e estudantes que se preparam para entrar no mercado de trabalho provavelmente será ineficaz. Em outras palavras os sistemas de educação estão preparando trabalhadores para um mundo do trabalho que está deixando de existir.

O futuro do trabalho em um mundo com Inteligência Artificial requer a adoção de novas medidas voltadas para a qualificação da mão-de-obra que deverá saber utilizar esta tecnologia como ferramenta, como complemento de suas habilidades. Algumas funções são atribuídas a máquinas e sistemas inteligentes. Novas funções para os seres humanos surgem diante desse novo cenário. Compete aos planejadores dos sistemas de educação identificar o papel dos seres humanos no mundo do trabalho no futuro para realizar uma ampla revolução no ensino em todos os níveis contemplando a qualificação dos professores e a estruturação das unidades de ensino para prepararem seus alunos para um mundo do trabalho em que as pessoas terão que lidar com máquinas inteligentes. Para implantar uma nova educação, é imprescindível que se comece a identificar as competências necessárias para o trabalho do século XXI e adequar o sistema educacional que está obsoleto para formar cidadãos mais capacitados para a era da inteligência artificial.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW IT IS CARRIED OUT PROFIT ON CAPITALISM AND WHY CAPITAL FINANCIALIZATION OCCURS

Fernando Alcoforado*

This article aims to show how profit is made in capitalism and why financialization of capital occurs. It will initially be shown how profit and profit rate are calculated for each capitalist company individually. Regarding the financialization of capital and the emergence of fictitious capital, it should be noted that they arose in response to the inexorable downward trend in the global profit rate generated by the real economy that could reach zero in 2059 coinciding with zero growth for the world economy.

To read the article access the website:

https://www.academia.edu/40996001/HOW_IT_IS_CARRIED_OUT_PROFIT_ON_CAPITALISM_AND_WHY_CAPITAL_FINANCIALIZATION_OCCURS

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMMENT LE CAPITALISME REALISE DES PROFITS ET POURQUOI LA FINANCIARISATION DU CAPITAL SE PRODUIT

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de montrer comment le capitalisme réalise des profits et pourquoi la financiarisation du capital se produit. Nous verrons dans un premier temps comment le profit et le taux de profit sont calculés pour chaque entreprise capitaliste individuellement. En ce qui concerne la financiarisation du capital et l’émergence de capitaux fictifs, il convient de noter qu’ils résultent de la tendance inexorable à la baisse du taux de profit mondial généré par l’économie réelle, qui devrait atteindre zéro en 2059, ce qui coïncide avec une croissance nulle de l’économie mondiale.

Pour lire l’article, accédez au site:

https://www.academia.edu/40996007/COMMENT_LE_CAPITALISME_REALISE_DES_PROFITS_ET_POURQUOI_LA_FINANCIARISATION_DU_CAPITAL_SE_PRODUIT

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

COMO É OBTIDO O LUCRO NO CAPITALISMO E PORQUE OCORRE A FINANCEIRIZAÇÃO DO CAPITAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo mostrar como como se realiza o lucro no capitalismo e porque ocorre a financeirização do capital. Será mostrado, inicialmente, como o lucro e a taxa de lucro são calculados para cada empresa capitalista individualmente. Sobre a financeirização do capital e o surgimento do capital fictício, cabe observar que surgiram como resposta à inexorável tendência de declínio da taxa de lucro global gerada pela economia real que deve alcançar o valor zero em 2059  coincidentemente com o crescimento zero para a economia mundial.

Para ler o artigo acessar o website:

https://www.academia.edu/40996017/COMO_%C3%89_OBTIDO_O_LUCRO_NO_CAPITALISMO_E_PORQUE_OCORRE_A_FINANCEIRIZA%C3%87%C3%83O_DO_CAPITAL

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

THE “COUP D´ÉTAT” IN BOLIVIA

Fernando Alcoforado*

Evo Morales took power in Bolivia for the first time in 2006. In the 2005 elections, Morales was victorious with 53.74% of the vote, compared with 28.59% of his main opponent, Jorge Quiroga. For the first time in Bolivia’s political history, an indigenous was coming to the presidency of the country. Morales was supported by indigenous peasants, while his opponents are the politicians of the lowland provinces, which border Brazil, Paraguay and Argentina with a strong white presence that historically concentrates the country’s economic power.

In his first speeches Evo Morales stated the need for the nationalization of hydrocarbons, the exploitation of which was owned by transnational oil companies, mainly Brazilian Petrobras, through concessions that he considered null and void. One of Evo Morales’s first acts as president was to reduce his salary by 57 percent to US$ 1,875 a month. Morales also announced his intention to bring his predecessor, interim former President Eduardo Rodriguez, and then Defense Minister Gonzalo Méndez Gutiérres to court, accusing them of treason to the Fatherland for transferring 28 MHN-5 surface-to-air missiles of chinese manufacture that were in the Bolivian arsenals, to the United States, to be “deactivated”.

In December 2007, in the midst of a tense political situation related to the constituent process, Morales launched the proposal to submit, together with all the governors, to the revoking referendum, a referendum under the Bolivian Constitution that submits the occupants of the positions. to a new vote. Thus, on August 10, 2008, the Bolivian people voted to decide whether they wanted President Evo Morales, his vice-president, Álvaro García Linera, and eight of the country’s nine governors to continue in office. On August 16, 2008, the Bolivian National Electoral Court confirmed the results, which gave President Evo Morales a landslide victory, which had just fulfilled half of his five-year term. He was ratified in office with 67.41 percent of the valid votes. Morales would lose office if he had at least 53.74% of the “no” votes.

In January 2009, the new Constitution of the country was approved by popular referendum. From its entry into force, the country was renamed the Plurinational State of Bolivia. In December 2009, as provided in the text, new general elections were held. President Evo Morales was the most voted candidate, getting 64.2% of the votes. In 2013, a year before the end of the new five-year presidential term, there was intense discussion about the possibility of the President running for office again. In April of that year, the Plurinational Constitutional Court, the supreme body of the Bolivian judiciary, approved Evo Morales’ third candidacy on the grounds that, following the publication of the 2009 Magna Carta, the country was “refunded” as a Plurinational State and Therefore, Morales would be fulfilling only his first mandate of this new phase of Bolivia. The 2014 general election named Evo Morales as the most voted candidate with 61% of the vote.

In 2016, a new popular referendum was held. The proposal under evaluation would remove from the constitutional text restrictions on the number of presidential terms. The “no”, by maintaining the text, therefore, reached 51.29% of the votes. Still, in November 2017, the Plurinational Constitutional Court hosted an appeal by ruling parliamentarians to declare that the constitutional restriction on the number of mandates was not compatible with the San Jose Pact. The unanimous understanding was that the international treaty It lays down human rights standards that are more favorable to Bolivian citizens and should therefore take precedence over the constitution and electoral legislation. That way, Evo Morales could run for another presidential term.

It should be noted that during his tenures, Evo Morales instituted a particular way of governing the country. Renouncing his traditional suit and tie, Evo Morales adopted typical Bolivian clothing. Evo Morales stood out for constantly resisting US imperialist policy that has a constant interest in eradicating coca cultivation. The main focus of the Morales government has always been characterized by land reform in the country. In addition, he defended the nationalization of industry sectors, which was also fundamental in Evo Morales vision. Against US interests and large corporations, the measure was considered controversial. The nationalization of key sectors led to a decline in private enterprise in the Bolivian economy after his election.

It is noteworthy that during Evo Morales’s government, Bolivian GDP showed high growth rates, doubled the number of highways built, increased purchasing power of the population, increased the country’s revenue from natural gas production and promoted high investments in the construction of popular housing in the country. Thanks to the commodity boom and its economic policy with an emphasis on social, poverty has fallen sharply in Bolivia. He created a more inclusive society with greater income distribution to the population. Because of all this, Morales has long been receiving widespread popular support.

Evo Morales has strengthened relations with President Hugo Chavez of Venezuela, Rafael Correa of Ecuador, Nestor Kirchner of Argentina, Fidel Castro of Cuba and Lula of Brazil. Evo Morales imposed a new Constitution that limited presidents to two terms. However, he also commanded the courts and electoral authority and was often ruthless with his opponents. In 2016, he narrowly lost a referendum to abolish presidential term limits. He got the constitutional court to say that he could run for a third term anyway. He claimed victory in a dubious election in October this year. An external audit has, however, confirmed the opposition’s allegations of fraud in the recent elections. This situation triggered the attempt by opposition sectors to remove him from power. Following a troubled vote in October 2019 with allegations of fraud and popular demonstrations, Evo Morales resigned as President of Bolivia on November 10, 2019.

There is no doubt that what happened to Evo Morales in Bolivia was a coup d’état. The Armed Forces’ suggestion that Evo Morales give up power can only be considered an imposition that would have no other denomination than a coup d’état. It should be noted that a coup d’état means the interruption outside the constitutional rules of the mandate of a head of government. In Bolivia’s recent case, two elements characterizing a coup d’état are present: the president’s term was interrupted and the procedure for his removal from power was unconstitutional because there was no removal by parliament but a forced resignation by a “suggestion” of the Armed forces. A series of 16 audio recordings of opposition leaders who organized political destabilization plans before and after the October 20 elections to prevent President Evo Morales from remaining in power showed that these plans were coordinated by the coup plotters and the United States Embassy in Bolivia.

Evo Morales was shot down. It was a “coup d’état”. It was neither judicial nor constitutional, but the result of a social mobilization and a conspiratorial opposition action that undermined the Government. Subsequently, the Armed Forces, which have no power to deliberate by constitutional rule, “recommended” Evo Morales to resign. Following the defection of state authorities in charge of order and security came a plan to provoke the resignation of government-related ministers and parliamentarians with attacks on their homes, hostage taking and death threats. That is why Evo Morales said he resigned to protect the lives and safety of his followers. This political crisis had been under way since Evo Morales decided to participate in a fourth reelection, in contradiction with the Bolivian Constitution, disobeying the results of the 2016 plebiscite, when the people sovereignly refused to modify the Constitution. The Electoral Court’s decision to allow him to participate as a candidate made the situation worse. The poll suspended for hours on election night and reports from international bodies finding multiple irregularities projected the image of electoral fraud. On Sunday, November 10, the Organization of American States (OAS), convened by the Government to audit the elections, issued its report pointing out election irregularities.

Evo Morales can be held responsible for Bolivia’s political destabilization because ambition-driven decided to participate illegally as a candidate for president for the fourth time and for attempting to defraud the outcome of the elections to win it in the first round by offering the conditions for opposition forces made the decision to overthrow him as he actually did. What figures led the coup d’état in Bolivia? Jeanine Áñez (racist and drug trafficker) who declared herself Bolivia’s President, Carlos Mesa (with a background linked to the Gas War massacres) and Luis Fernando Camacho (religious fundamentalist) are the kind of people behind the coup d’état. It took place in Bolivia last Sunday (10/11) which showed evident characteristics of racism and political intolerance, such as the invasion of the presidential residence of Evo Morales that was vandalized..

Regrettably, the existing democratic process in Bolivia has been put in check with the coup d’état that ousted President Evo Morales. There is no guarantee that, in the future, Bolivia will once again walk the democratic path in the face of the possibility of establishing a civil and military dictatorship.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LE COUP D’ÉTAT EN BOLIVIE

Fernando Alcoforado*

Evo Morales a pris le pouvoir en Bolivie pour la première fois en 2006. Lors des élections de 2005, Morales a remporté le scrutin avec 53,74% des voix, contre 28,59% de son principal opposant, Jorge Quiroga. Pour la première fois dans l’histoire politique de la Bolivie, un autochtone venait à la présidence du pays. Morales a été soutenu par des paysans indigènes, alors que ses opposants sont les politiciens des provinces des plaines qui bordent le Brésil, le Paraguay et l’Argentine avec une forte présence blanche qui concentre historiquement le pouvoir économique du pays.

Dans ses premiers discours, Evo Morales a souligné la nécessité de la nationalisation des hydrocarbures, dont l’exploitation appartenait à des sociétés pétrolières transnationales,  principalement Petrobras brésilien, par le biais de concessions qu’il considérait comme nulles et non avenues. L’un des premiers actes de président Evo Morales a été de réduire son salaire de 57% à 1 875 dollars par mois. Morales a également annoncé son intention de traduire en justice son prédécesseur, l’ancien président par intérim Eduardo Rodriguez, puis le ministre de la Défense, Gonzalo Méndez Gutiérres, les accusant de trahison à la patrie pour avoir transféré 28 missiles sol-air MHN-5 de fabrication chinoise qui se trouvaient dans les arsenaux boliviens, aux États-Unis, pour être “désactivés”.

En décembre 2007, au milieu d’une situation politique tendue liée au processus constituant, Morales a lancé la proposition de soumettre, avec tous les gouverneurs, au référendum de révocation, un référendum en vertu de la Constitution bolivienne qui soumettre les occupants des postes à un nouveau vote. Ainsi, le 10 août 2008, le peuple bolivien a voté pour décider s’il souhaitait ou non que le président Evo Morales, son vice-président Álvaro García Linera et huit des neuf gouverneurs du pays restent en fonction. Le 16 août 2008, le tribunal électoral national bolivien a confirmé les résultats, qui ont procuré au président Evo Morales une victoire écrasante, qui venait d’accomplir la moitié de son mandat de cinq ans. Il a été ratifié avec 67,41% des suffrages exprimés. Morales perdrait ses fonctions s’il obtenait au moins 53,74% des «non».

En janvier 2009, la nouvelle Constitution du pays a été approuvée par référendum populaire. Depuis son entrée en vigueur, le pays a été renommé État plurinational de Bolivie. En décembre 2009, comme prévu dans le texte, de nouvelles élections générales ont eu lieu. Le président Evo Morales a été le candidat le plus voté avec 64,2% des suffrages. En 2013, un an avant la fin du nouveau mandat présidentiel de cinq ans, de vives discussions ont eu lieu sur la possibilité que le président se représente à nouveau.

En avril de 2013, la Cour constitutionnelle plurinationale, l’organe suprême du pouvoir judiciaire bolivien, a approuvé la troisième candidature d’Evo Morales au motif que, à la suite de la publication de la Magna Carta de 2009, le pays avait été “refondé” en tant qu’État plurinational et par conséquent, Morales ne remplirait que son premier mandat dans cette nouvelle phase de la Bolivie. Les élections générales de 2014 ont désigné Evo Morales comme le candidat le plus voté avec 61% des voix..

En 2016, un nouveau référendum populaire a eu lieu. La proposition en cours d’évaluation supprimerait du texte constitutionnel les restrictions relatives au nombre de mandats présidentiels. Le “non”, en maintenant le texte, a donc atteint 51,29% des voix. Néanmoins, en novembre 2017, la Cour constitutionnelle plurinationale a accueilli un appel des parlementaires au pouvoir déclarant que la restriction constitutionnelle du nombre de mandats n’était pas compatible avec le pacte de San José. Il énonce des normes relatives aux droits de l’homme plus favorables aux citoyens boliviens et devrait donc prévaloir sur la Constitution et la législation électorale. De cette façon, Evo Morales pourrait briguer un autre mandat présidentiel.

Il convient de noter que durant son mandat, Evo Morales a institué une manière particulière de gouverner le pays. Renonçant à son costume et à sa cravate traditionnelle, Evo Morales a adopté des vêtements typiquement boliviens. Evo Morales s’est distingué par sa résistance constante à la politique impérialiste américaine, qui a toujours intérêt à éradiquer la culture de la coca. Le gouvernement Morales a toujours été caractérisé pour la réalisation de la réforme agraire dans le pays. En outre, il a défendu la nationalisation des secteurs de l’industrie, qui était également fondamentale dans la vision d’Evo Morales. Contre les intérêts américains et de les grandes entreprises, la mesure a été considérée comme controversée. La nationalisation de secteurs clés a entraîné un déclin de l’entreprise privée dans l’économie bolivienne après son élection.

Il convient de noter que, pendant le gouvernement d’Evo Morales, le PIB bolivien affichait des taux de croissance élevés, doublait le nombre d’autoroutes construites, augmentait le pouvoir d’achat de la population, augmentait les revenus du pays provenant de la production de gaz naturel et favorisait investissements élevés dans la construction de logements populaires dans le pays. Grâce au boom des produits de base et à sa politique économique mettant l’accent sur le social, la pauvreté a fortement diminué en Bolivie. Il a créé une société plus inclusive avec une plus grande distribution des revenus pour la population. Pour toutes ces raisons, Morales bénéficie depuis longtemps d’un large soutien populaire.

Evo Morales a renforcé ses relations avec le président Hugo Chavez du Venezuela, Rafael Correa de l’Équateur, Nestor Kirchner de l’Argentine, Fidel Castro de Cuba et Lula du Brésil. Evo Morales a imposé une nouvelle Constitution qui limitait les présidents à deux mandats. Mais il commandait également les tribunaux et les autorités électorales et était souvent impitoyable avec ses adversaires. En 2016, il a failli perdre un référendum sur l’abolition des limites du mandat présidentiel. Il a fait dire à la cour constitutionnelle qu’il pouvait de toute façon briguer un troisième mandat. Il a remporté la victoire lors d’une élection douteuse en octobre de cette année. Un audit externe a toutefois confirmé les allégations de fraude de l’opposition lors des dernières élections. Cette situation a déclenché la tentative des secteurs de l’opposition de le démettre de ses fonctions. En octobre 2019, à la suite d’un vote troublé avec allégations de fraude et de manifestations populaires, Evo Morales a démissionné de ses fonctions de président de la Bolivie le 10 novembre 2019.

Il ne fait aucun doute que ce qui est arrivé à Evo Morales en Bolivie a été un coup d’État. La proposition des forces armées selon laquelle Evo Morales renonce au pouvoir ne peut être considérée que comme une imposition qui n’aurait pas d’autre dénomination qu’un coup d’État. Il convient de noter qu’un coup d’État signifie une interruption en dehors des règles constitutionnelles du mandat d’un chef de gouvernement. Dans l’affaire récente de la Bolivie, deux éléments caractérisant un coup d’État sont présents : le mandat du président a été interrompu et la procédure de révocation de son pouvoir était inconstitutionnelle car il n’y avait pas eu de destitution par le Parlement, mais une démission forcée du fait d’une “suggestion” au président par les Forces Armées. Une série de 16 enregistrements audio de dirigeants de l’opposition qui avaient organisé des plans de déstabilisation politique avant et après les élections du 20 octobre pour empêcher le président Evo Morales de rester au pouvoir montrait que ces plans étaient coordonnés par les putschistes avec l’ambassade des États-Unis en Bolivie.

Evo Morales a été abattu. C’était un “coup d’Etat”. Ce n’était ni judiciaire ni constitutionnel, mais le résultat d’une mobilisation sociale et d’une action d’opposition conspiratrice qui ont sapé le gouvernement. Par la suite, les forces armées, qui n’ont pas le pouvoir de délibérer en vertu d’une règle constitutionnelle, ont «recommandé» à Evo Morales de démissionner. À la suite de la défection des autorités de l’Etat chargées de l’ordre et de la sécurité, un plan visant à provoquer la démission des ministres et des parlementaires liés au gouvernement avec attaque a leur domicile, prenant des otages et menaçant de mort. C’est pourquoi Evo Morales a annoncé sa démission pour protéger la vie et la sécurité de ses partisans. Cette crise politique était en cours depuis qu’Evo Morales avait décidé de participer à une quatrième réélection, en contradiction avec la Constitution bolivienne, désobéissant aux résultats du plébiscite de 2016, lorsque le peuple avait refusé souverainement de modifier la Constitution. La décision du tribunal électoral de lui permettre de participer en tant que candidat a aggravé la situation. Le scrutin a été suspendu pendant des heures le soir du scrutin et des rapports d’instances internationales faisant état de multiples irrégularités ont donné une image de fraude électorale. Le dimanche 10 novembre, l’Organisation des États américains (OEA), convoquée par le gouvernement pour vérifier les élections, a publié son rapport dans lequel elle signalait des irrégularités dans les élections.

On peut affirmer que Evo Morales est tenu pour responsable de la déstabilisation politique de la Bolivie, parce que a décidé pour la quatrième fois de participer illégalement à la présidentielle et d’essayer de frauder le résultat des élections pour le remporter au premier tour créant les conditions de sorte que les forces de l’opposition pris la décision de le renverser du pouvoir comme il l’a fait. Qui sont les politiciens qui ont dirigé le coup d’État en Bolivie?Jeanine Áñez (raciste et trafiquante de drogue) qui s’est proclamée présidente de la Bolivie, Carlos Mesa (avec un passé lié aux massacres de la guerre du gaz) et Luis Fernando Camacho (fondamentaliste religieux) sont le genre de personnes à l’origine du coup d’État qui a eu lieu en Bolivie dimanche dernier (10/11) et qui présentait des caractéristiques évidentes de racisme et d’intolérance politique, telles que l’invasion de la résidence présidentielle d’Evo Morales, qui a été vandalisée.

Malheureusement, le processus démocratique existant en Bolivie a été mis en échec par le coup d’État qui a renversé le président Evo Morales. Rien ne garantit qu’à l’avenir la Bolivie suivra à nouveau la voie démocratique face à la possibilité d’instaurer une dictature civile et militaire.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

O GOLPE DE ESTADO NA BOLIVIA

Fernando Alcoforado*

Evo Morales assumiu o poder na Bolívia pela primeira vez em 2006. Nas eleições de 2005, Morales sagrou-se vitorioso ao obter 53,74% dos votos, frente a 28,59% de seu principal opositor, Jorge Quiroga. Pela primeira vez na história política da Bolívia, um indígena chegava à presidência do país. Morales foi apoiado pelos camponeses indígenas, enquanto seus adversários são os políticos das províncias das planícies, que fazem fronteira com Brasil, Paraguai e Argentina com forte presença branca que concentra historicamente o poder econômico do país.

Em seus primeiros discursos Evo Morales declarou a necessidade da nacionalização dos hidrocarbonetos, cuja exploração era propriedade das petrolíferas transnacionais, principalmente a brasileira Petrobras, através de concessões que considerava nulas de pleno direito. Um dos primeiros atos de Evo Morales como presidente foi o de reduzir seu salário em 57% para US$1.875 por mês. Morales anunciou também sua intenção de levar aos tribunais seu predecessor, o ex-presidente interino, Eduardo Rodriguez, e o então ministro da Defesa, Gonzalo Méndez Gutiérres, acusando-os de traição à Pátria por terem transferido 28 mísseis terra-ar MHN-5, de fabricação chinesa que se encontravam nos arsenais bolivianos, para os Estados Unidos, a fim de serem “desativados”.

Em dezembro de 2007, em meio a uma tensa situação política relacionada com o processo constituinte, Morales lançou a proposta de submeter-se, juntamente com todos os governadores, ao referendo revogatório, um referendo previsto pela Constituição da Bolívia que submete os ocupantes dos cargos à uma nova votação. Assim, em 10 de agosto de 2008, o povo boliviano votou para decidir se queriam ou não que o presidente Evo Morales, seu vice-presidente, Álvaro García Linera, e oito dos nove governadores do país continuassem em seus cargos. No dia 16 de agosto de 2008, a Corte Nacional Eleitoral da Bolívia confirmou os resultados, que deram esmagadora vitória do presidente Evo Morales, que acabava de cumprir a metade de seu mandato de cinco anos. Ele foi ratificado no cargo com 67,41 por cento dos votos válidos. Morales perderia o cargo se tivesse no mínimo 53,74% dos votos “não”.

Em janeiro de 2009, a nova Constituição do país foi aprovada por referendo popular. A partir da sua entrada em vigor, o país passou a se chamar Estado Plurinacional da Bolívia. Em dezembro de 2009, conforme previsto no texto, foram realizadas novas eleições gerais. O Presidente Evo Morales foi o candidato mais votado, logrando 64,2% dos votos. Em 2013, um ano antes do término do novo mandato presidencial de cinco anos, houve intensa discussão a respeito da possibilidade do Presidente concorrer mais uma vez ao cargo. Em abril de 2013, o Tribunal Constitucional Plurinacional, órgão supremo do judiciário boliviano, aprovou a terceira candidatura de Evo Morales, sob o argumento de que, após a publicação da Carta Magna de 2009, o país foi “refundado” como um Estado Plurinacional e, por isso, Morales estaria cumprindo apenas seu primeiro mandato dessa nova fase da Bolívia. As eleições gerais de 2014 apontaram Evo Morales como o candidato mais votado com 61% dos votos.

Em 2016, foi realizado novo referendo popular. A proposta sob avaliação eliminaria do texto constitucional as restrições sobre o número de mandatos presidenciais. O “não”, pela manutenção do texto, portanto, alcançou 51,29% dos votos. Ainda assim, em novembro de 2017, o Tribunal Constitucional Plurinacional acolheu um recurso de parlamentares governistas para declarar que a restrição constitucional a respeito do número de mandatos não era compatível com o Pacto de San José. O entendimento unânime foi o de que o tratado internacional estabelece normas de direitos humanos mais favoráveis aos cidadãos bolivianos e, por isso, deve prevalecer sobre a Constituição e legislação eleitoral. Dessa forma, Evo Morales poderia concorrer a mais um mandato presidencial.

É oportuno observar que, durante seus mandatos, Evo Morales instituiu uma maneira particular de governar o país. Renunciando ao tradicional terno e gravata, Evo Morales adotou vestimentas típicas da Bolívia. Evo Morales se destacou por constantemente resistir à política imperialista dos Estados Unidos que tem interesse constante na erradicação do cultivo de coca. O foco principal do governo de Morales sempre se caracterizou pela realização da reforma agrária no país. Além disso, defendeu a nacionalização de setores da indústria que era, também, fundamental na visão de Evo Morales. Contrapondo-se aos interesses norte-americanos e das grandes corporações, a medida foi considerada polêmica. A estatização de setores chaves fez com que houvesse diminuição da iniciativa privada na economia boliviana após sua eleição.

Ressalte-se que, durante o governo de Evo Morales, o PIB boliviano apresentou taxas elevadas de crescimento, dobrou o número de rodovias construídas, houve aumento do poder de compra da população, elevou a receita do país com a produção do gás natural e promoveu elevados investimentos na construção de moradias populares no país. Graças ao boom das commodities e sua política econômica com ênfase no social, a pobreza caiu acentuadamente na Bolívia. Ele criou uma sociedade mais inclusiva com maior distribuição de renda para a população. Devido a tudo isto, Morales há muito tempo vem recebendo amplo apoio popular.

Evo Morales estreitou relações com os presidentes Hugo Chávez da Venezuela, Rafael Correa do Equador, Néstor Kirchner da Argentina, Fidel Castro de Cuba e Lula do Brasil. Evo Morales impôs uma nova Constituição que limitava os presidentes a dois mandatos. Mas ele também comandou os tribunais e a autoridade eleitoral e muitas vezes era implacável com seus oponentes. Em 2016, ele perdeu por pouco um referendo para abolir os limites do mandato presidencial. Ele conseguiu que o tribunal constitucional dissesse que poderia concorrer a um terceiro mandato de qualquer maneira. Ele reivindicou a vitória em uma eleição de resultado duvidoso em outubro deste ano. Uma auditoria externa confirmou, entretanto, as alegações da oposição da existência de fraude nas eleições realizadas recentemente. Esta situação desencadeou a tentativa de setores da oposição de removê-lo do poder. Depois de uma conturbada votação em outubro de 2019 com denúncias de fraude e manifestações populares, Evo Morales renunciou ao cargo de presidente da Bolívia em 10 de novembro de 2019.

Não há dúvidas de que o que aconteceu com Evo Morales na Bolívia foi um golpe de Estado. A sugestão das Forças Armadas para que Evo Morales abandonasse o poder só pode ser considerada uma imposição que não teria outra denominação do que golpe de Estado. É preciso observar que um golpe de Estado significa a interrupção fora das regras constitucionais do mandato de um chefe de Governo. No caso recente da Bolívia, dois elementos caracterizadores de um golpe de estado estão presentes: o mandato do presidente foi interrompido e o procedimento para seu afastamento do poder foi inconstitucional porque não houve destituição pelo parlamento e sim uma renúncia forçada por uma “sugestão” das Forças Armadas. Uma série de 16 gravações em áudio com líderes da oposição que organizaram planos de desestabilização política antes e depois das eleições de 20 de outubro, com o objetivo de impedir o presidente Evo Morales de permanecer no poder, mostrou que estes planos foram coordenados pelos golpistas com a Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia.

Evo Morales foi derrubado. Foi um “golpe de Estado”. Não foi judicial nem constitucional, e sim resultado de uma mobilização social e uma ação oposicionista conspiratória que foi minando o Governo. Na sequência, as Forças Armadas, que não tem poder para deliberar por norma constitucional, “recomendaram” a Evo Morales que renunciasse. Após a defecção das entidades estatais encarregadas da ordem e da segurança veio a realização de um plano para provocar a renúncia de ministros e parlamentares ligados ao governo com ataques às suas casas, tomada de reféns e ameaças de morte. Por isso Evo Morales disse que renunciava para proteger a vida e segurança de seus seguidores. Esta crise política já vinha sendo gestada desde que Evo Morales decidiu participar de uma quarta reeleição, em contradição com a Constituição boliviana desobedecendo os resultados do plebiscito de 2016, quando o povo recusou soberanamente modificar a Constituição. A decisão do Tribunal Eleitoral de permitir sua participação como candidato piorou a situação. A apuração suspensa por horas na noite das eleições e os relatórios de instâncias internacionais constatando múltiplas irregularidades, projetaram a imagem de que houve fraude eleitoral. No domingo 10 de novembro, a Organização dos Estados Americanos (OEA), convocada pelo Governo para auditar as eleições, deu seu relatório apontando irregularidades nas eleições.

Pode-se afirmar que Evo Morales pode ser considerado responsável pela desestabilização política da Bolívia porque movido pela ambição decidiu participar ilegalmente como candidato a presidente pela quarta vez e por tentar fraudar o resultado das eleições para vencê-la no primeiro turno criando as condições para que forças oposicionistas tomasse a decisão de derrubá-lo do poder como de fato aconteceu. Quais são as figuras que lideraram o golpe de Estado na Bolívia? Jeanine Áñez (racista e ligada ao narcotráfico) que se autodeclarou presidente da Bolívia, Carlos Mesa (com passado atrelado aos massacres da Guerra do Gás) e Luis Fernando Camacho (fundamentalista religioso) são o tipo de gente que está por trás do golpe de estado ocorrido na Bolívia no último domingo (10/11) que mostrou evidentes características de racismo e intolerância política como é o caso da invasão da residência presidencial de Evo Morales que foi depredada e vandalizada.

Lamentavelmente, o processo democrático existente na Bolívia foi colocado em xeque com o golpe de estado que depôs o presidente Evo Morales. Nada garante que, no futuro, a Bolívia volte a trilhar o caminho democrático diante da possibilidade de instauração de uma ditadura civil e militar.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),