O TEMPO DAS CATÁSTROFES NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que o Brasil vive o tempo das catástrofes anunciadas do ponto de vista político, econômico, social e ambiental que poderão conduzir o País a um desastre de gigantescas proporções. A catástrofe política no Brasil poderá ocorrer com o fim do processo democrático resultante da escalada do fascismo na sociedade em todos os níveis dos poderes da República pela ação do presidente Jair Bolsonaro que busca colocar em prática sua proposta de governo tipicamente fascista baseada no culto explícito da ordem, na violência de Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. Soma-se à escalada do fascismo, o agravamento das condições sociais da população brasileira diante da postura antissocial do governo Bolsonaro de atentar contra os direitos sociais da população e não atender suas demandas, especialmente, as relacionadas com a geração de emprego.

O Brasil tem uma população economicamente ativa de 90,6 milhões dos quais 36,3%, ou 32,9 milhões dos trabalhadores do setor privado têm contratos de trabalho, com carteira assinada e 44% ou 40 milhões de trabalhadores estão em situação informal, isto é, não gozam de direitos trabalhistas. O desemprego é de 12,7 milhões de trabalhadores e a população economicamente ativa subutilizada é de 27,6 milhões de trabalhadores. Isto significa dizer que o número de trabalhadores desalentados que deixaram de procurar emprego é de 14,9 milhões de trabalhadores. Levando em conta o discurso do ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, que é um fundamentalista do neoliberalismo, muito dificilmente o governo Bolsonaro assumirá um papel ativo como indutor do crescimento econômico elaborando um plano de desenvolvimento com a adoção das medidas necessárias para promover a reativação da economia e a elevação dos níveis de emprego no Brasil.

A ação do governo Bolsonaro prejudicial aos interesses dos trabalhadores contra os direitos sociais com as reformas trabalhista e previdenciária e sua inação para resolver a questão do desemprego tende a colocar amplos setores da sociedade brasileira em flagrante oposição criando o caldo da cultura para o confronto entre o governo e a população marginalizada. Este confronto ainda não se estabeleceu porque os partidos de oposição e os movimentos sociais estão preferindo derrotar Bolsonaro e seus aliados nas próximas eleições presidenciais porquanto estão acreditando no aumento da impopularidade do atual presidente. O confronto entre o governo Bolsonaro e a população marginalizada do Brasil tende a se radicalizar com o povo se rebelando contra as medidas antissociais governamentais e por sua inação na solução dos problemas do País que se agravarão com o decorrer do tempo. O próprio governo Bolsonaro tem interesse em criar esta situação de confronto para justificar a repressão contra aqueles que reagirem contra as medidas governamentais e, em última instância, implantar uma ditadura no Brasil para governar sem os obstáculos impostos atualmente pelos poderes legislativo e judiciário com base na Constituição de 1988. Desde o início de seu governo, a atitude do governo Bolsonaro tem sido o de acirrar a divisão existente no Brasil entre seus apoiadores e opositores. Em nenhum momento, Bolsonaro se propôs a governar para todos os brasileiros.

Muito provavelmente, a tentativa de implantação de uma ditadura por Bolsonaro enfrentará forte oposição que poderá conduzir o País a uma convulsão social que pode levar a uma guerra civil nunca ocorrida no Brasil de consequências imprevisíveis. Uma ditadura fascista e uma guerra civil são duas das catástrofes que podem acontecer no Brasil no futuro próximo no plano político-institucional. Este cenário coloca na ordem do dia a necessidade de que as forças democráticas do Brasil se unam no sentido de evitar a escalada do fascismo e a implantação de uma ditadura de extrema-direita no Brasil com a formação de uma frente democrática antifascista no Parlamento e na Sociedade Civil para defender a Constituição de 1988 e lutar contra os atos do governo que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e do Brasil.

O governo Bolsonaro não atenta contra o Brasil apenas no plano político institucional com a possibilidade de implantação de uma ditadura fascista, mas com a catástrofe econômica representada pela falência do sistema econômico brasileiro que está estagnado há 5 anos  e do próprio Estado nacional em consequência da gigantesca crise fiscal que faz com que o governo venha acumulando déficits sucessivos em suas contas públicas.  Diante da necessidade de fortalecer o Estado brasileiro para reativar a economia nacional, o governo brasileiro deveria suspender o pagamento da dívida pública interna pelo período de 5 anos ou renegociar com os seus credores no sentido de alongar seu pagamento a fim de que o governo passasse a dispor dos recursos necessários aos investimentos públicos visando a reativação da economia. Esta solução é inadiável porque quase a metade do orçamento da União é destinada ao pagamento do serviço da dívida pública interna porque sem ela não haverá investimento público necessário à reativação da economia brasileira. Para fazer com que a política econômica do governo Bolsonaro corresponda aos interesses da nação, é preciso que seja constituída uma frente política para mobilizar a população visando exigir no Parlamento e na Sociedade Civil esta ação por parte do governo Bolsonaro em defesa do progresso econômico do País.

O governo Bolsonaro não atenta contra o Brasil apenas no plano político institucional com a possibilidade de implantação de uma ditadura fascista e no plano econômico com a bancarrota econômica do País, mas com outra catástrofe representada pela transformação da nação brasileira em um país subalterno aos interesses dos Estados Unidos e do capital internacional.  O alinhamento subalterno do Brasil aos interesses norte-americanos se manifesta na posição do governo Bolsonaro que entregou a Base de Alcântara aos Estados Unidos, a transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém de acordo com a orientação de Donald Trump e a desnacionalização da Embraer com sua venda à Boeing.  O governo Bolsonaro atenta, também, contra a soberania nacional ao fazer gigantesco leilão de petróleo na área do pre-sal realizando a maior entrega de riquezas nacionais da história ao capital estrangeiro com a área excedente da “cessão onerosa” que algumas estimativas cifram em até 30 bilhões de barris nos campos gigantes. Com o leilão da cessão onerosa serão entregues ao capital internacional os campos de Búzios, Itaipu, Atapu e Sépia. A Petrobras ficará de fora, e será acionista minoritária das empresas estrangeiras que abocanharão a maior parte dos recursos.

Desde o governo Temer a participação estrangeira no saque da riqueza nacional tem aumentado exponencialmente, com privatizações de campos de petróleo que pertencem à Petrobras e com novos leilões que, em dois anos, a produção estrangeira passou de 7% para 23%. Com os novos leilões a serem realizados pelo governo Bolsonaro rapidamente a maior parte da produção nacional será estrangeira demonstrando o caráter entreguista de seu governo que está a serviço do deus Mercado, de Wall Street, do Consenso de Washington e contra o povo brasileiro. E, mais do que isto, está conivente com as continuadas ações do império americano e das empresas multinacionais para dominar o Brasil. O governo Bolsonaro está disposto a entregar o Brasil, suas terras e suas riquezas minerais, enfim, o patrimônio público nacional como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, etc, aos investidores internacionais.

Paulo Guedes, o economista neoliberal e ministro da Economia do governo Bolsonaro afirmou que pretende privatizar todo o patrimônio público entregando-o, em consequência, ao capital estrangeiro. Privatizar implica, na verdade, no que se costuma chamar de “desnacionalização”, em que os adquirentes controladores são quase sempre (se não sempre!) empresas ou consórcios estrangeiros cujos lucros são remetidos para suas matrizes no exterior. O uso do termo “privatização” é uma maneira de esconder sua verdadeira finalidade que é a de entregar o patrimônio da nação ao capital estrangeiro. Esta ação entreguista do governo Bolsonaro poderá fazer com que contra ele se levantem as forças nacionalistas de oposição e, também, setores das forças armadas que não aceitam a ação impatriótica do governo Bolsonaro. A entrega das riquezas nacionais ao capital internacional é mais uma catástrofe produzida pelo deplorável governo Bolsonaro.  Para defender a soberania nacional, é preciso que seja constituída uma frente nacionalista no Parlamento e na Sociedade Civil para lutar contra os atos do governo Bolsonaro que sejam contrários aos interesses do Brasil.

Outra grande catástrofe a ser produzida pelo governo Bolsonaro é o da destruição da Floresta Amazônica com a possibilidade manifesta do governo Bolsonaro de abrir caminho para atividades de mineração, agricultura, pecuária e madeireira. A destruição da Floresta Amazônica para implantação das atividades agropecuárias traz consequências negativas no clima e no ciclo das águas. É preciso observar que os pastos e as lavouras absorvem menos energia solar do que a vegetação original e podem contribuir para uma redução de chuvas e um aumento na temperatura da região Amazônica. As queimadas realizadas para preparar a área para as atividades agropecuárias são ainda responsáveis pela emissão significativa de gases que causam o efeito estufa, como o gás carbônico (CO2). As queimadas produzem muito mais gás carbônico do que as plantas podem absorver. Além disso, a destruição da Floresta Amazônica contribuiria para produzir uma catástrofe humanitária de grandes proporções ao comprometer a existência das populações indígenas lá residentes.

Uma das consequências do desmatamento da Floresta Amazônica é, também, a destruição e extinção de diferentes espécies. Muitas espécies que podem ajudar na cura de doenças, usadas na alimentação ou como novas matérias-primas, ainda desconhecidas do homem, correm o risco de serem destruídas antes mesmo de conhecidas e estudadas. Esse bem natural é muito conhecido pelos indígenas que vivem nas florestas. Outra consequência agravante do desmatamento é o avanço dos processos de erosão. As árvores de uma floresta têm a função de proteger o solo, para que a água da chuva não passe pelo tronco e infiltre no subsolo. Elas diminuem a velocidade do escoamento superficial, e evitam o impacto direto das chuvas com o solo e suas raízes ajudam a retê-lo, evitando a sua desagregação. A retirada da cobertura vegetal com o desmatamento expõe o solo ao impacto das chuvas. A maior floresta tropical do mundo enfrenta o perigo de se transformar parcialmente em savana em consequência do desmatamento e das queimadas.

Cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono estão estocadas na vegetação tropical que cobre o planeta. A fotossíntese realizada pela vegetação florestal absorve uma quantidade enorme de carbono da atmosfera a cada ano. Somente a Floresta Amazônica é capaz de absorver seis bilhões de toneladas de carbono, o equivalente a 10% da fotossíntese das terras do mundo. A maior parte dessa absorção é compensada, contudo, pela liberação de carbono através da decomposição da matéria orgânica e a respiração da própria floresta. A parte restante pode estar sendo absorvida pela floresta, transformando-se em um sumidouro de gás carbônico (CO2). Para evitar a destruição da Floresta Amazônica e assegurar que os recursos naturais existentes na Amazônia sejam utilizados racionalmente em benefício da população nela residente e do progresso econômico e social do Brasil, bem como no combate ao aquecimento global é imprescindível a defesa a todo o custo da integridade da Floresta Amazônica. O povo brasileiro deve lutar para barrar o crime ambiental que se pratica na Amazônia com a complacência do governo Bolsonaro.

As perspectivas quanto ao futuro do Brasil são extremamente negativas com o governo Jair Bolsonaro cujas ações serão funestas para o País diante da catástrofe que ele pode produzir para a democracia, os direitos sociais, a economia nacional e à independência do Brasil em relação às grandes potências, sobretudo os Estados Unidos, e ao capital internacional. Na época neoliberal em que vivemos com o governo Bolsonaro não há espaço para o avanço da democracia, dos direitos sociais, da economia brasileira e da independência nacional. Ao contrário, há a eliminação da democracia e dos direitos sociais e a desconstrução e negação das conquistas já realizadas pelo Brasil nos campos político, econômico e social e pelas classes subalternas. As chamadas “reformas” da previdência social, das leis trabalhistas, a privatização das empresas públicas, etc. — “reformas” que estão presentes na agenda do governo Bolsonaro têm por objetivo a pura e simples restauração das condições próprias de um capitalismo “selvagem”, no qual devem vigorar sem freios as leis do mercado. Diante da catástrofe que representa o governo fascista, antissocial e antinacional de Bolsonaro para o Brasil, o povo brasileiro deve se mobilizar na luta em defesa da democracia, dos interesses da população marginalizada, do progresso econômico e da soberania nacional.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE TIME OF CATASTROPHES IN THE WORLD

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that humanity will face in the 21st century with numerous catastrophes related to the foreseeable end of capitalism as the dominant economic system and the resulting political and social upheaval around the world, the environmental degradation of planet Earth resulting from the depletion of the natural resources of the planet Earth and global climate change with all the dire political, economic and social consequences and the escalation of international conflict compounded by the rivalry between the great economic and military powers and regional conflicts that could endanger the survival of humanity by the outbreak of a new world war.

The catastrophe related to the end of the world capitalist system will occur in the middle of the 21st century because, if the declining trend of the world profit rate of the period 1947-2007 is maintained, it would tend to be zero in 2097, considering that the rate worldwide profit was 30% in 1947 and 18% in 2007, and because the US corporate profit rate would reach zero in 2059 with the declining rate of profit at the historical cost of fixed capital in US corporations, which was 32% in 1947 and 15% in 2007 in deflated values. It follows, therefore, that the world capitalist system would be economically unfeasible between 2059 and 2097 because it would have a profit rate of zero in these years and negative in subsequent years.

In this way, the foundations of Marx’s theory of the inexorable downward trend in the profit rate of the world capitalist system are being confirmed. The decline in its profit rates shows the historical, transitory character of the capitalist mode of production and the conflict that is established with the possibilities of further development. Karl Marx predicted in The Capital that the rate of profit will tend to fall over the long term, decade after decade. Not only will there be ups and downs in each boom and crisis cycle, but there will also be a downward trend in the long run, making each boom shorter and each fall deeper.

Another trend that is also manifesting with the evolution of the world capitalist system is the decline in the growth rates of the world economy which shows a clear decline in the PBM (World Gross Product) from 1961 to 2007 when it showed rates of 4.8% in 1961 and 2.4% in 2007. With this declining evolution, the growth rate of the world economy will reach zero in 2057. It can be seen, therefore, that the world economy is continuously decreasing in its growth. It is noteworthy that the zero growth for the PBM in 2057 converges with zero value for the world profit rate in 2059 confirming the unfeasibility of the world capitalist system from 2059.

We all have a tendency to imagine that the society in which we live will endure forever, forgetting or unaware that other economic systems have arisen and disappeared such as slavery during ancient Greece and the Roman Empire and feudalism during the Middle Ages in Europe. Unlike the transition from slavery to feudalism, which was characterized by the violent overthrow of the Roman Empire by slaves and barbaric peoples, the transition from feudalism to capitalism was managed by the holders of power because capitalism was already in gestation within the feudal system.

It should be noted that the transition from slavery to feudalism took place violently because the exploration of slaves and barbarian peoples by the Roman Empire did not allow the managed transition from one system to another. European feudalism, which lasted 1000 years, had its transition to capitalism carried out in a managed manner, despite the numerous peasant wars that took place in Europe. This transition was administered by the holders of political and economic powers as opposed to the transition from slavery to feudalism whose oppression of feudal lords against servants did not reach the same dimension as the time of slavery. In feudal society, relations of economic production were based on the lord’s property over the land and great power over the servant who cultivated a piece of land ceded by the owner of the large estates.

The main factor that caused the transition from feudalism to capitalism to take place in a managed manner was the birth of capitalism within the feudal system with the emergence of a new social class, the bourgeoisie, which dedicated itself to commerce, became rich and energized the economy in the late Middle Ages. This new social class also gained political strength and had an interest in the weakening of the feudal economic system. The immobility of the feudal economic system led to its destruction from the escape of the serfs into the emerging cities driven by commerce and the birth of a dynamic, commercial, pre-capitalist structure. By the twelfth century, with the disintegration of feudalism, a new economic, social and political system began to dominate: capitalism. The essential feature of the new system is that it is wage labor and no longer servile as in feudalism. Capitalism was gradually formed during the Middle Ages, to finally dominate all of Western Europe from the 16th century. But it was only after the Industrial Revolution, begun in the eighteenth century in England, that capitalism was driven.

Why wouldn’t capitalism have the same fate as slavery and feudalism? Just as slavery and feudalism had a beginning and an end, capitalism that began in the twelfth century in Europe will follow the same path culminating its end in the late twenty-first century. This is demonstrated by the downward trend in world economic growth that tends to reach zero in 2057 and the downward trend in the profit rate of the world capitalist system that tends to reach zero in 2097, as well as the fall in US corporations’ profit rate that will reach zero by 2059. It follows, therefore, that the world capitalist system will be unfeasible in the United States from 2059 and worldwide from 2097 because profit rates will be negative from these years. Most likely the catastrophic scenario is likely to occur with capital holders acting from 2059 or even earlier by using violence to maintain the capitalist system in the same way that the Roman Empire acted in the struggle to maintain the slavery system against slaves and the barbarian peoples. However, another non-catastrophic scenario of the transition from capitalism to a new economic system could take place in a managed manner, as happened in the transition from feudalism to capitalism, if societies in all countries of the world considered the implementation of social democracy with the same model of Scandinavians which proves to be the most successful economic system implemented in the world by providing shared economic and social progress across in benefit of the entire Scandinavian population.

Humankind may face in the 21st century two major environmental disasters: 1) the exhaustion of the natural resources of planet Earth; and 2) global climate change. As for the exhaustion of the natural resources of planet Earth in the 21st century, all available data point to the fact that planet Earth is already reaching its limits. Competition for resources such as oil is currently the largest potential source of global conflict. Water is becoming a source of war because of international competition for water resources. The food production capacity of the planet is also reaching its limits. An indisputable fact is that humanity already consumes more natural resources than the planet can replenish. The current rate of consumption is a threat to the future prosperity of humanity.

Today, due to the current rate of consumption, the demand for natural resources exceeds 41% of Earth’s replacement capacity. If the escalation of this demand continues at its present rate in 2030, with a planetary population estimated at 10 billion people, it will take two Earths to satisfy it. It is noteworthy that from 2050, when the world population may exceed 10 billion inhabitants, the planet Earth may not resist the demand for natural resources. Today, more than 80 percent of the world’s population lives in countries that use more resources than their own ecosystems can renew. The central capitalist countries (European Union, United States and Japan), ecological debtors, have already exhausted their own resources and have to import them. In the Global Footprint Network survey, the Japanese consume 7.1 times more than they have and it would be necessary four Italy to supply the Italians. The consumption pattern of developed countries disorganizes this balance. An indisputable fact is that humanity already consumes more natural resources than the planet can replenish.

Competition for resources such as oil is currently the largest potential source of global conflict. Growing demand for oil will outstrip global supply by 2020 or 2025, pointing out that the world will be experiencing “the twilight of oil,” that is, a moment of transition between abundance and scarcity. The dispute over the remaining oil can lead to a permanent state of war characterized by the presence of large powers in their producing regions. In the past, big companies in the industry discovered more oil per year than they could extract, which is not the case today. There is currently more oil extraction than the ability to replenish with new discoveries.

Another major catastrophe that could occur in the 21st century is global climate change as a result of global warming resulting from the greenhouse effect of heat retention in the Earth’s low atmosphere caused by the concentration of gases of various kinds. The natural climatic balance was broken by the Industrial Revolution in the eighteenth century. Since the nineteenth century, carbon dioxide concentrations in air have increased by 30 percent, methane has doubled, and nitrous oxide by 15 percent. Global warming gases derived from human activity are produced by fossil fuels used in cars, industries and thermoelectric plants, agricultural production and forest burns, among other factors.

Global warming is produced by human (anthropogenic) activity on the planet and also by natural processes such as the decomposition of organic matter and volcanic eruptions, which produce ten times more gases than humans. For ages, natural processes alone have ensured the maintenance of the greenhouse effect, without which life would not be possible on Earth. Since 1961, the amount of man-made pollutant gases in the atmosphere has grown 10-fold. If there is no immediate reduction in greenhouse gas emissions, the means of adaptation will not be sufficient and life on the planet will be threatened. Climate change will not leave any part of the globe intact. If climate change is not reduced, scientists predict severe and irreversible impacts on humanity and ecosystems. Livelihoods will be disrupted by storms, floods from rising sea levels that can overwhelm many coastal islands and cities, and periods of drought and extreme heat around the world. Extreme weather events can lead to the breakdown of infrastructure and service networks. There is a risk of food insecurity, lack of water, loss of agricultural production and income, particularly in poorer populations.

The 2014 IPCC report confirms that the effects of climate change will be widespread, affecting agriculture, human health, ecosystems, water supply and some industries. To mitigate these risks, there must be a substantial reduction in global greenhouse gas emissions that must be achieved along with strategies and actions to improve disaster preparedness as well as to reduce exposure to events caused by climate change. Defrosting the poles and mountain ranges, migrating species, decreasing crop yields, increasing disease and increasing extreme events are some of the factors cited in the IPCC report as evidence of the need for the international community to make appropriate choices to better adapt and mitigate the negative effects of global warming.

The international community made a major deal in 2015 at COP 21 (UN Conference on Climate Change) in Paris to get a maximum of 2 °C rise in average temperature on planet Earth. For some scientists, this is an almost impossible mission, a colossal challenge. What will be the required milestone? What commitments will be made to reduce greenhouse gas emissions? Will flexibility be maintained for large emerging countries such as China to continue polluting in the name of the right to development? The issues are many and complex, but the goal is to limit global warming to 2 °C above pre-Industrial England levels in the early 18th century.

Even with decisions at the Paris COP 21 that limited the rise in global average temperature to only 2 °C, the IPCC estimates that future generations will have to deal with sea levels 12 to 22 meters higher than today, according to scientists at Rutgers University in New Jersey, United States. They focused on data from the late Pliocene era, between 2.7 and 3.2 million years ago, when the carbon dioxide level in the atmosphere was similar to the current one and the temperature was 2 °C higher than now. Sea level rise would be due to the large volume of water that would be released from melting across Greenland, which is the world’s second largest ice reserve, West Antarctic ice sheets, and some parts of Antarctica Eastern. Rising oceans would flood the coasts around the world and affect about 70% of Earth’s population.

Another catastrophe heralded for the 21st century is the escalation of international conflicts. There are several countries that can become hotbeds of war in the world, among them Syria, Palestine, Israel, Iran and North Korea. In the contemporary era, international geopolitical chess points to the existence of three major protagonists: the United States, China, and Russia. Future clashes between these 3 major military powers could result in alternative scenarios to the current one characterized by the loss of US hegemony on the world scene since the end of the bipolar world in which the United States and the Soviet Union confronted each other during the Cold War.

Peace has already been defined as the absence of war. Clausewitz’s formula, war as a continuation of politics by other means, is now replaced by the opposite formula: politics becomes the continuation of war by other means. Historically, the pursuit of peace between nations has had four characteristics: the balance between the great powers, hegemony, empire, and the structuring of a federation of free states along the lines proposed by Kant in The Perpetual Peace as the Concert of Nations in 1815, the League of Nations in 1920 and the United Nations in 1945. In a given historical space, either the great powers are in balance, or are dominated by one of them exercising hegemony, or they are surpassed by the forces of a great power (empire) when all the others lose their autonomy and tend to disappear as centers of political decision. Just as the balance between the great powers, hegemony and empire, the structuring of a federation of free states was not able to build world peace.

It is important to note that the absence of war does not result from the approximate equality of forces that reigns between the great powers, preventing any of them and any coalition of these units from imposing their will. The situation of approximate equality of forces, for example, between the great powers before the outbreak of World War I and World War II is proof that this situation did not prevent the outbreak of such conflicts. The domination exercised by the British Empire in the nineteenth century did not prevent the outbreak of World War I. The hegemonic state does not abuse its hegemony and respects to some extent the external forms of state independence as it did the United States immediately after the end of the Cold War. Today, the hegemony exercised until recently by the United States has been replaced by equality between the great powers (the United States, Russia and China), which is a precarious way of maintaining world peace, as the period before the outbreak of World War I and World War II shows. For its part, the UN representing a federation of national states has been powerless to secure world peace.

In the face of the impossibility of an imperial state, of powers in balance, of a hegemonic power and of a federation of national states such as the UN to ensure world peace, the time has come for humanity to equip itself as urgently as possible for world peace building and the control of its destiny. Tomorrow, who will rule the world? The worst case scenario is that no global governance is foreseen. No country, however powerful, cannot coordinate and control the international system. However, the economic, financial, ecological, social, political crises and the development of today’s illegal and criminal activities show the urgency of a world government. It must also be understood that the international economy cannot function properly without the rule of international law that cannot be applied and respected without the presence of a world government that is accepted by all countries. A world government will be sustainable only if it is truly democratic. The building of a new world order based on these principles is urgent. This government will exist one day even if it happens after successive disasters. It’s urgent to think about it before it’s too late.

Current international relations demonstrate the precariousness of the international system to ensure world peace. World government becomes a requirement to ensure world peace and prevent disasters such as large-scale economic crises, extreme ecological crisis, cascading wars, the spread of an organized crime economy, global pandemic, a meteorite crash on the planet. and the advance of the terrorist movement. Preserving peace is the first mission of every new form of world government. A world government would aim to defend the general interests of the planet, ensure that each national state respects the sovereignty of each country in the world, and seeks to prevent the spread of global systemic risks. The constitution of a world government imposes itself in the face of the failure to structure a federation of free states along the lines proposed by Kant in Perpetual Peace as the 1815 Concert of Nations, the League of Nations in 1920 and the United Nations in 1945. who were powerless to secure world peace because these organizations had no means of making decisions or apply sanctions against those who did not respect it.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LE TEMPS DES CATASTROPHES DANS LE MONDE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que l’humanité sera confrontée au 21ème siècle à de nombreuses catastrophes liées à la fin prévisible du capitalisme en tant que système économique dominant et aux bouleversements politiques et sociaux qui en résultent dans le monde, la dégradation de l’environnement de la planète Terre résultant de l’épuisement des ressources naturelles du monde et du changement climatique mondial avec toutes les conséquences politiques, économiques et sociales et l’escalade des conflits internationaux, aggravés par la rivalité entre les grandes puissances économiques et militaires et les conflits régionaux qui pourraient mettre en danger la survie de l’humanité avec le déclenchement d’une nouvelle guerre mondiale.

La catastrophe liée à la fin du système capitaliste mondial se produira au milieu du XXIe siècle car, si la tendance à la baisse du taux de profit mondial de la période 1947-2007 était maintenue, elle aurait tendance à être nulle en 2097, étant donné que le bénéfice mondial était de 30% en 1947 et de 18% en 2007, et parce que le taux de profit des entreprises américaines atteindrait zéro en 2059, compte tenu que le taux de profit au coût historique du capital fixe des entreprises américaines a diminué aux États-Unis, qui était de 32% en 1947 et de 15% en 2007 en valeurs déflatées. Il s’ensuit que le système capitaliste mondial serait économiquement irréalisable entre 2059 et 2097 car il aurait un taux de profit nul pendant ces années et négatif les années suivantes.

De cette manière, les fondements de la théorie de Marx sur la tendance inexorable à la baisse du taux de profit du système capitaliste mondial se confirment. La baisse de ses taux de profit montre le caractère historique et transitoire du mode de production capitaliste et le conflit qui s’est instauré avec les possibilités de poursuivre son développement. Karl Marx a prédit dans Le Capital que le taux de profit aurait tendance à baisser à long terme, décennie après décennie. Non seulement il y aura des hauts et des bas dans chaque cycle d’expansion et de crise, mais il y aura également une tendance à la baisse à long terme, chaque essor étant plus court et chaque chute plus profonde.

Une autre tendance qui se manifeste également avec l’évolution du système capitaliste mondial est celle du déclin des taux de croissance de l’économie mondiale, qui montre une nette diminution du PBM (produit brut mondial) de 1961 à 2007 quand il a présenté des taux de 4,8% en 1961 et de 2,4% en 2007. Avec cette évolution en baisse, le taux de croissance de l’économie mondiale atteindra zéro en 2057. On peut donc constater que l’économie mondiale est en chute constante dans votre croissance. Il est à noter que la croissance zéro pour le PBM en 2057 converge vers une valeur nulle pour le taux de profit mondial en 2059, confirmant le caractère irréalisable du système capitaliste mondial à partir de 2059

Nous avons tous tendance à imaginer que la société dans laquelle nous vivons perdurera à jamais, oubliant ou ignorant qu’il existe d’autres systèmes économiques qui ont vu le jour et ont disparu, tels que l’esclavage pendant l’Antiquité en Grèce et dans l’Empire romain et le féodalisme au Moyen Age en Europe. Contrairement au passage de l’esclavage au féodalisme, caractérisé par le renversement violent de l’empire romain par les esclaves et les peuples barbares, le passage du féodalisme au capitalisme a été géré par les détenteurs du pouvoir car le capitalisme était déjà en gestation au sein du système féodal.

Il convient de noter que la transition de l’esclavage à la féodalité a été violente car l’exploitation des peuples esclaves et barbares par l’Empire romain ne permettait pas une transition contrôlée d’un système à un autre. Féodalisme européen, qui a duré 1000 ans, a eu sa transition vers le capitalisme accompli  administré, malgré les nombreuses guerres paysannes qui ont eu lieu en Europe. Cette transition était gérée par les détenteurs de pouvoirs politiques et économiques par opposition à la transition de l’esclavage au féodalisme, dont l’oppression des seigneurs féodaux contre des serviteurs n’atteignait pas la même dimension que l’époque de l’esclavage. Dans la société féodale, les rapports de production économique reposaient sur la propriété du seigneur sur la terre et sur le serviteur qui cultivait une terre cédée par le propriétaire des grands domaines. Le seigneur ne pouvait pas tuer le serviteur, contrairement au temps de l’esclavage, mais il pouvait le vendre avec la terre. Par conséquent, le serviteur n’était pas un esclave, il avait la jouissance de la terre, c’est-à-dire une partie de ce que la terre produite était pour lui. Le serviteur travaillait une partie du temps pour lui-même, produisant ce qui était nécessaire à sa subsistance et autre pour le seigneur, en plus de payer des loyers et des taxes. Cette forme d’exploitation paysanne est l’aspect principal du féodalisme chez tous les peuples où il existait.

Le facteur principal qui a fait la transition du féodalisme au capitalisme et se fasse de manière gérée fut la gestation du capitalisme au sein du système féodal avec l’émergence d’une nouvelle classe sociale, la bourgeoisie, qui se consacre au commerce, qui enrichit et dynamise l’économie à la fin du Moyen Âge. Cette nouvelle classe sociale acquit également une force politique et s’intéressait à l’affaiblissement du système économique féodal. L’immobilité du système économique féodal a conduit à sa destruction par la fuite des serviteurs vers villes qui ont émergé motivées par le commerce et la naissance d’une structure dynamique, commerciale et précapitaliste. Au XIIe siècle, avec la désintégration du féodalisme, un nouveau système économique, social et politique commença à dominer: le capitalisme. La caractéristique essentielle du nouveau système est qu’il s’agit d’un travail salarié et non plus servile comme dans le féodalisme. Le capitalisme s’est progressivement formé au cours du Moyen Âge pour enfin dominer toute l’Europe occidentale à partir du XVIe siècle. Mais ce n’est qu’après la révolution industrielle, commencée au XVIIIe siècle en Angleterre, que le capitalisme a été conduit.

Pourquoi le capitalisme n’aurait-il pas le même sort que l’esclavage et le féodalisme? Tout comme l’esclavage et le féodalisme ont eu un début et une fin, le capitalisme qui a débuté au XIIe siècle en Europe suivra le même chemin qui culminera à la fin du XXe siècle. Ceci est démontré par la tendance à la baisse de la croissance économique mondiale qui tend à atteindre zéro en 2057 et la tendance à la baisse du taux de profit du système capitaliste mondial qui tend à être nulle en 2097, ainsi que la chute de taux de profit des sociétés américaines qui atteindra zéro d’ici 2059. Il s’ensuit que le système capitaliste mondial sera irréalisable aux États-Unis à partir de 2059 et dans le monde à partir de 2097 car les taux de profit seront négatifs à partir de ces années. Il est fort probable que le scénario catastrophique se produise avec des détenteurs de capital agissant à partir de 2059 en utilisant la violence pour maintenir le système capitaliste de la même manière que l’Empire romain a agi dans la lutte pour maintenir le système d’esclaves contre les esclaves et peuples barbares. Cependant, un autre scénario non catastrophique de transition du capitalisme à un nouveau système économique pourrait se dérouler de manière maîtrisée, comme ce fut le cas lors du passage du féodalisme au capitalisme, si les sociétés de tous les pays du monde envisageaient la mise en œuvre de la démocratie sociale. scandinave, qui s’avère être le système économique le plus performant au monde en mettant en commun le progrès économique et social pour l’ensemble de la population scandinave.

L’humanité pourrait faire face au XXIe siècle à deux catastrophes environnementales majeures: 1) l’épuisement des ressources naturelles de la planète Terre; et 2) le changement climatique mondial. En ce qui concerne l’épuisement des ressources naturelles de la planète Terre au XXIe siècle, toutes les données disponibles indiquent que la planète Terre a déjà atteint ses limites. La concurrence pour des ressources telles que le pétrole est actuellement la plus grande source potentielle de conflit mondial. L’eau devient une source de guerre en raison de la concurrence internationale pour les ressources en eau. La capacité de production alimentaire de la planète atteint également ses limites. Un fait incontestable est que l’humanité consomme déjà plus de ressources naturelles que la planète ne peut en reconstituer. La consommation actuelle est une menace pour la prospérité future de l’humanité.

Aujourd’hui, en raison du taux de consommation actuel, la demande de ressources naturelles dépasse 41% de la capacité de remplacement de la Terre. Si l’escalade de cette demande se poursuit à son rythme actuel en 2030, avec une population planétaire estimée à 10 milliards de personnes, il faudra deux Terres pour la satisfaire. Il est à noter qu’à partir de 2050, lorsque la population mondiale dépassera 10 milliards d’habitants, la planète Terre ne résistera peut-être pas à la demande de ressources naturelles. Aujourd’hui, plus de 80% de la population mondiale vit dans des pays qui utilisent plus de ressources que leurs propres écosystèmes ne peuvent en renouveler. Les pays capitalistes centraux (Union européenne, États-Unis et Japon), débiteurs écologiques, ont déjà épuisé leurs propres ressources et doivent les importer. Dans l’enquête Global Footprint Network, les Japonais consomment 7,1 fois plus qu’ils n’en ont besoin et il serait nécessaire quatre Italie pour approvisionner les Italiens. Le modèle de consommation des pays développés désorganise cet équilibre. Un fait incontestable est que l’humanité consomme déjà plus de ressources naturelles que la planète ne peut en reconstituer.

La concurrence pour des ressources telles que le pétrole est actuellement la plus grande source potentielle de conflit mondial. La demande croissante de pétrole dépassera l’offre mondiale d’ici 2020 ou 2025, soulignant que le monde vivra “au crépuscule du pétrole”, c’est-à-dire un moment de transition entre abondance et rareté. Le différend sur le pétrole restant à mener peut conduire à un état de guerre permanent caractérisé par la présence de grandes puissances dans leurs régions productrices. Dans le passé, les grandes entreprises de l’industrie avaient découvert plus de pétrole par an qu’elles n’en avaient extraites, ce qui n’est pas le cas aujourd’hui. Il y a actuellement plus d’extraction de pétrole que la capacité de se reconstituer avec de nouvelles découvertes.

Une autre catastrophe majeure qui pourrait survenir au 21e siècle est le changement climatique mondial résultant du réchauffement de la planète qui résulte de l’effet de serre de la rétention de chaleur dans la basse atmosphère de la Terre, provoquée par la concentration de gaz de différentes sortes. L’équilibre climatique naturel a été brisé par la révolution industrielle au XVIIIe siècle. Depuis le XIXe siècle, les concentrations de dioxyde de carbone dans l’air ont augmenté de 30%, le méthane a doublé et l’oxyde nitreux de 15%. Les gaz à effet de serre générés par l’activité humaine sont produits notamment par les combustibles fossiles utilisés dans les automobiles, les industries et les centrales thermoélectriques, la production agricole et les brûlages de forêt. Le réchauffement climatique est produit par l’activité humaine (anthropique) sur la planète ainsi que par des processus naturels tels que la décomposition de la matière organique et les éruptions volcaniques, qui produisent dix fois plus de gaz que l’homme. Pendant des siècles, seuls des processus naturels ont assuré le maintien de l’effet de serre, sans lequel la vie ne serait pas possible sur Terre. Depuis 1961, la quantité de gaz polluants synthétiques dans l’atmosphère a été multipliée par 10.

S’il n’y a pas de réduction immédiate des émissions de gaz à effet de serre, les moyens d’adaptation ne seront pas suffisants et la vie sur la planète sera menacée. Le changement climatique ne laissera aucune partie du globe intacte. Si les changements climatiques ne sont pas réduits, les scientifiques prédisent des impacts graves et irréversibles sur l’humanité et les écosystèmes. Les moyens de subsistance seront perturbés par les tempêtes, les inondations dues à l’élévation du niveau de la mer qui peut submerger de nombreuses îles et villes côtières et les périodes de sécheresse et de chaleur extrême dans le monde. Les phénomènes météorologiques extrêmes peuvent entraîner la panne des infrastructures et des réseaux de services. Il existe un risque d’insécurité alimentaire, de manque d’eau, de perte de production agricole et de revenus, en particulier chez les populations les plus pauvres.

Le rapport 2014 du GIEC confirme que les effets du changement climatique seront généralisés et toucheront l’agriculture, la santé humaine, les écosystèmes, l’approvisionnement en eau et certaines industries. Pour atténuer ces risques, il faut réduire de manière substantielle les émissions mondiales de gaz à effet de serre, ainsi que adopter les stratégies et les mesures à prendre pour améliorer la préparation aux catastrophes et réduire l’exposition aux événements liés au changement climatique. La décongélation des pôles et des chaînes de montagnes, la migration des espèces, la diminution des rendements, l’aggravation des maladies et l’aggravation des phénomènes extrêmes sont quelques-uns des facteurs cités dans le rapport du GIEC comme preuve de la nécessité pour la communauté internationale de faire les choix appropriés pour mieux adapter et atténuer les effets négatifs du réchauffement climatique.

La communauté internationale a conclu un accord important en 2015 lors de la COP 21 (Conférence des Nations Unies sur les changements climatiques) à Paris pour obtenir une augmentation maximale de la température moyenne de 2 °C sur la planète Terre. Pour certains scientifiques, il s’agit d’une mission presque impossible, d’un défi colossal. Quel sera le jalon requis? Quels engagements seront pris pour réduire les émissions de gaz à effet de serre? La flexibilité sera-t-elle maintenue pour que les grands pays émergents tels que la Chine continuent à polluer au nom du droit au développement? Les problèmes sont nombreux et complexes, mais l’objectif est de limiter le réchauffement climatique à 2 °C au-dessus des niveaux antérieurs à la révolution industrielle en Angleterre au début du XVIIIe siècle.

Même avec les décisions prises à la COP 21 à Paris qui limitaient la hausse de la température moyenne mondiale à seulement 2 °C, l’estimation du GIEC prévoit que les générations futures devront faire face à un niveau de la mer de 12 à 22 mètres plus élevé qu’aujourd’hui, selon des scientifiques de l’Université Rutgers dans le New Jersey, aux États-Unis. Ils se sont concentrés sur les données de la fin du Pliocène, entre 2,7 et 3,2 millions d’années, lorsque le niveau de dioxyde de carbone dans l’atmosphère était similaire à celui d’aujourd’hui et que la température était de 2 °C supérieure à maintenant. L’élévation du niveau de la mer se produirait en raison du grand volume d’eau qui serait libéré avec la fonte de tout le Groenland, qui comprend la deuxième plus grande réserve de glace au monde, des calottes glaciaires de l’Antarctique occidental et des parties de l’Antarctique oriental. La montée des océans envahirait les côtes du monde entier et toucherait environ 70% de la population mondiale.

L’escalade des conflits internationaux est une autre catastrophe annoncée pour le XXIe siècle. Plusieurs pays peuvent devenir des foyers de guerre dans le monde, notamment la Syrie, la Palestine, Israël, l’Iran et la Corée du Nord. À l’ère contemporaine, les échecs géopolitiques internationaux suggèrent l’existence de trois protagonistes majeurs: les États-Unis, la Chine et la Russie. Les futurs affrontements entre ces trois grandes puissances militaires pourraient donner lieu à des scénarios alternatifs à celui qui se caractérise par la perte de l’hégémonie américaine sur la scène mondiale depuis la fin du monde bipolaire dans lequel les États-Unis et l’Union soviétique se sont affrontés pendant la Guerre Froide.

La paix a déjà été définie comme l’absence de guerre. La formule de Clausewitz, la guerre comme continuation de la politique par d’autres moyens, est maintenant remplacée par la formule opposée: la politique devient la continuation de la guerre par d’autres moyens. Historiquement, la recherche de la paix entre les nations a quatre caractéristiques: l’équilibre entre les grandes puissances, l’hégémonie, l’empire et la constitution d’une fédération d’États libres dans le sens proposé par Kant dans La Paix Perpétuelle comme le Concert des nations de 1815, la Société des Nations en 1920 et les Nations Unies en 1945. Dans un espace historique donné, soit les grandes puissances sont en équilibre, soit dominées par l’une d’elles exerçant l’hégémonie, soit dépassées par les forces d’un grand pouvoir (empire) lorsque tous les autres perdent leur autonomie et tendent à disparaître en tant que centres de décision politique. Tout comme l’équilibre entre les grandes puissances, l’hégémonie et l’empire, la structuration d’une fédération d’États libres n’ont pas permis de construire la paix dans le monde.

Il est important de noter que l’absence de guerre ne résulte pas de l’égalité approximative des forces qui règne entre les grandes puissances, ce qui empêche chacune d’entre elles et toute coalition de ces unités d’imposer leur volonté. La situation de l’égalité approximative des forces, par exemple, entre les grandes puissances avant l’éclatement de la Première et de la Seconde Guerre mondiale montre que cette situation n’a pas empêché le déclenchement de tels conflits. La domination exercée par l’Empire britannique au XIXe siècle n’empêche pas le déclenchement de la Première Guerre mondiale. L’État hégémonique n’abuse pas de son hégémonie et respecte dans une certaine mesure les formes externes d’indépendance de l’État, comme il l’avait fait les États-Unis immédiatement après la fin de la Guerre Froide. Aujourd’hui, l’hégémonie exercée jusque récemment par les États-Unis a été remplacée par l’égalité entre les grandes puissances (États-Unis, Russie et Chine), ce qui est un moyen précaire de maintenir la paix dans le monde, comme le montre la période qui a précédé le déclenchement des Première et Deuxième Guerres mondiales. Pour sa part, l’ONU, qui représente une fédération d’États nationaux, est impuissante à assurer la paix dans le monde.

Face à l’impossibilité d’un État impérial, de puissances en équilibre, d’un pouvoir hégémonique et d’une fédération d’États nationaux telle que l’ONU pour assurer la paix dans le monde, le temps est venu pour l’humanité de s’équiper aussi urgent que possible des instruments nécessaires à la construction de la paix mondiale et à la maîtrise de son destin. Demain, qui gouvernera le monde? Le pire scénario est qu’aucune gouvernance mondiale n’est prévue. Aucun pays, aussi puissant soit-il, ne peut coordonner et contrôler le système international. Cependant, les crises économique, financière, écologique, sociale, politique et le développement des activités illégales et criminelles actuelles montrent l’urgence d’un gouvernement mondial. Il faut aussi comprendre que l’économie internationale ne peut fonctionner correctement sans une règle de droit international qui ne peut être appliquée et respectée sans la présence d’un gouvernement mondial accepté par tous les pays. Un gouvernement mondial sera seulement durable si il est vraiment démocratique. La construction d’un nouvel ordre mondial basé sur ces principes est urgente. Ce gouvernement existera un jour, même si cela se produit après des catastrophes successives. Il est urgent d’y penser avant cela c’est trop tard.

Les relations internationales actuelles démontrent la précarité du système international pour assurer la paix dans le monde. Le gouvernement mondial devient une nécessité pour assurer la paix dans le monde et prévenir les catastrophes telles que les crises économiques à grande échelle, les crises écologiques extrêmes, les guerres en cascade, la propagation d’une économie du crime organisé, la pandémie mondiale, un crash de météorite sur la planète et l’avancée du mouvement terroriste. Préserver la paix est la première mission de chaque nouvelle forme de gouvernement mondial. Un gouvernement mondial aurait pour objectif de défendre les intérêts généraux de la planète, de veiller à ce que chaque État national respecte la souveraineté de chaque pays du monde et cherche à empêcher la propagation des risques systémiques mondiaux. La constitution d’un gouvernement mondial s’impose face à l’échec de la structuration d’une fédération d’États libres sur le modèle proposé par Kant dans Perpetual Peace sous le nom de Concert des Nations de 1815, de la Société des Nations en 1920 et des Nations Unies en 1945 qui étaient impuissants à assurer la paix dans le monde parce que ces organisations n’avait aucun moyen de prendre des décisions ni mettre en place des sanctions contre ceux qui ne le respectent pas.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O TEMPO DAS CATÁSTROFES NO MUNDO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a humanidade se defrontará no século XXI com inúmeras catástrofes relacionadas com o previsível fim do capitalismo como sistema econômico dominante e a convulsão política e social dele resultante em todo o mundo, a degradação ambiental do planeta Terra resultante da exaustão dos recursos naturais do planeta Terra e a mudança climática global com todas as nefastas consequências políticas, econômicas e sociais e a escalada dos conflitos internacionais agravada pela rivalidade entre as grandes potências econômicas e militares e pelos conflitos regionais que podem colocar em risco a sobrevivência da humanidade com a eclosão de uma nova guerra mundial.

A catástrofe relacionada com o fim do sistema capitalista mundial ocorrerá em meados do século XXI porque, se for mantida a tendência declinante da taxa de lucro mundial do período 1947- 2007, ela tenderia para o valor igual a zero em 2097, considerando que a taxa de lucro mundial foi de 30% em 1947 e 18% em 2007, e porque a taxa de lucro das corporações dos Estados Unidos alcançaria o valor zero em 2059 com a evolução declinante da taxa de lucro ao custo histórico do capital fixo em corporações dos Estados Unidos que foi de 32% em 1947 e 15% em 2007 em valores deflacionados. Conclui-se, portanto, que o sistema capitalista mundial ficaria inviabilizado economicamente entre 2059 e 2097 porque teria uma taxa de lucro igual a zero nesses anos e negativa nos anos subsequentes.

Desta forma, as bases da teoria de Marx sobre a inexorável tendência de queda da taxa de lucro do sistema capitalista mundial estão sendo confirmadas. O declínio de suas taxas de lucro mostra o caráter histórico, transitório do modo de produção capitalista e o conflito que se estabelece com as possibilidades de continuar seu desenvolvimento. Karl Marx previu em O Capital que a taxa de lucro tenderá a cair no longo prazo, década após década. Não só haverá altos e baixos em cada ciclo de “boom” e crise, mas também haverá uma tendência à queda no longo prazo, tornando cada “boom” mais curto e cada queda mais profunda.

Outra tendência que se manifesta, também, com a evolução do sistema capitalista mundial é a do declínio nas taxas de crescimento da economia mundial que apresenta evidente declínio no PBM (Produto Bruto Mundial) de 1961 a 2007 quando apresentou taxas de 4,8% em 1961 e 2,4% em 2007. Com esta evolução declinante, a taxa de crescimento da economia mundial alcançará o valor zero em 2057. Constata-se, portanto, que a economia mundial apresenta queda contínua em seu crescimento. Ressalte-se que o crescimento zero para o PBM em 2057 é convergente com valor zero para a taxa de lucro mundial em 2059 confirmando a inviabilização do sistema capitalista mundial a partir de 2059.

Todos nós temos a tendência de imaginar que a sociedade na qual vivemos perdurará para sempre, esquecendo-se ou desconhecendo que já houve outros sistemas econômicos que surgiram e desapareceram como é o caso do escravismo durante a Antiguidade na Grécia e no Império Romano e do feudalismo durante a Idade Média na Europa. Diferentemente da passagem do escravismo para o feudalismo que se caracterizou pela derrubada violenta do Império Romano pelos escravos e povos bárbaros espoliados, a passagem do feudalismo para o capitalismo foi administrada pelos detentores do poder porque o capitalismo já estava em gestação no interior do sistema feudal.

É oportuno observar que a passagem do escravismo para o feudalismo se fez de forma violenta porque a espoliação sobre os escravos e os povos bárbaros por parte do Império Romano não possibilitava a transição administrada de um sistema para o outro. O feudalismo europeu, que durou 1000 anos, teve sua transição para o capitalismo realizada de forma administrada, apesar das inúmeras guerras camponesas que ocorreram na Europa. Esta transição foi administrada pelos detentores dos poderes políticos e econômicos ao contrário da transição do escravismo para o feudalismo cuja opressão dos senhores feudais contra os servos não alcançou a mesma dimensão da época do escravismo. Na sociedade feudal, as relações de produção econômica baseavam-se na propriedade do senhor sobre a terra e num grande poder sobre o servo que cultivava um pedaço de terra cedido pelo dono das grandes propriedades. O senhor não podia matar o servo, diferentemente da época do escravismo, mas podia vendê-lo com a terra. Portanto, o servo não era um escravo, tinha o usufruto da terra, ou seja, parte do que a terra produzia era para ele. O servo trabalhava uma parte do tempo para ele mesmo produzindo o necessário para sua subsistência e outra para o senhor, além de pagar as rendas e os impostos. Essa forma de exploração dos camponeses é o aspecto principal do feudalismo em todos os povos onde ele existiu.

O principal fator que fez com que a transição do feudalismo para o capitalismo se realizasse de forma administrada foi a gestação do capitalismo no seio do sistema feudal com o surgimento de uma nova classe social, a burguesia, que se dedicando ao comércio se enriqueceu e dinamizou a economia no final da Idade Média. Esta nova classe social adquiriu também força política e tinha interesse no enfraquecimento do sistema econômico feudal. O imobilismo do sistema econômico feudal levou-o à destruição a partir das fugas dos servos para as cidades que surgiram movidas pelo comércio e do nascimento de uma estrutura dinâmica, comercial, pré-capitalista. Por volta do século XII, com a desintegração do feudalismo, começa a ser dominante um novo sistema econômico, social e político: o Capitalismo. A característica essencial do novo sistema é o fato de nele, o trabalho ser assalariado e não mais servil como no feudalismo. O capitalismo foi se formando aos poucos durante a Idade Média, para finalmente dominar toda a Europa Ocidental a partir do século XVI. Mas foi somente após a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII na Inglaterra que o capitalismo foi impulsionado.

Por que o capitalismo não teria o mesmo destino do escravismo e do feudalismo? Da mesma forma que o escravismo e o feudalismo tiveram um início e um fim, o capitalismo que teve seu início no século XII na Europa seguirá a mesma trajetória culminando com seu fim no final do século XXI. Esta situação é demonstrada pela tendência de queda no crescimento econômico mundial que tende a alcançar valor igual a zero em 2057 e da tendência decrescente da taxa de lucro do sistema capitalista mundial que tende a alcançar valor igual a zero em 2097, bem como pela queda da taxa de lucro das corporações dos Estados Unidos que alcançará valor igual a zero em 2059. Conclui-se, portanto, que o sistema capitalista mundial ficará inviabilizado nos Estados Unidos a partir de 2059 e no mundo a partir de 2097 porque as taxas de lucro serão negativas a partir desses anos. Muito provavelmente o cenário catastrófico deverá acontecer com os detentores do capital agindo a partir de 2059 ou mesmo antes com o uso da violência para manter o sistema capitalista da mesma forma como atuou o império romano na luta para manter o sistema escravista contra os escravos e os povos bárbaros. Outro cenário, porém, não catastrófico de passagem do capitalismo para um novo sistema econômico poderia se realizar de forma administrada, como ocorreu na passagem do feudalismo para o capitalismo, se as sociedades de todos os países do mundo considerassem a implantação da social democracia nos moldes escandinavos que demonstra ser o mais bem sucedido sistema econômico implantado no mundo pelo fato de proporcionar progresso econômico e social compartilhado por toda a população escandinava.

A humanidade pode se defrontar no século XXI com duas grandes catástrofes ambientais: 1) a exaustão dos recursos naturais do planeta Terra; e, 2) a mudança climática global. Quanto á exaustão dos recursos naturais do planeta Terra no século XXI, todos os dados disponíveis apontam no sentido de que o planeta Terra já está atingindo seus limites. A competição por recursos como o petróleo é, atualmente, a maior fonte potencial de conflitos mundiais. A água está se convertendo em uma fonte geradora de guerras devido à competição internacional pelos recursos hídricos. A capacidade de produção de alimentos do planeta está atingindo, também, seus limites. Um fato indiscutível é o de que a humanidade já consome mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. O ritmo atual de consumo é uma ameaça para a prosperidade futura da humanidade.

Hoje, por conta do atual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede em 41% a capacidade de reposição da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030, com uma população planetária estimada em 10 bilhões de pessoas, serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. Ressalte-se que, a partir de 2050, quando a população mundial poderá ultrapassar 10 bilhões de habitantes, o planeta Terra poderá não resistir a tamanha demanda por recursos naturais. Atualmente, mais de 80% da população mundial vivem em países que usam mais recursos do que seus próprios ecossistemas conseguem renovar. Os países capitalistas centrais (União Europeia, Estados Unidos e Japão), devedores ecológicos, já esgotaram seus próprios recursos e têm de importá-los. No levantamento da Global Footprint Network, os japoneses consomem 7,1 vezes mais do que têm e seria necessário quatro Itália para abastecer os italianos. O padrão de consumo dos países desenvolvidos desorganiza essa balança. Um fato indiscutível é o de que a humanidade já consome mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor.

A competição por recursos como o petróleo é, atualmente, a maior fonte potencial de conflitos mundiais. O crescimento da demanda por petróleo vai superar a oferta global em 2020 ou 2025, apontando que o mundo viverá “o crepúsculo do petróleo”, isto é, um momento de transição entre a abundância e a escassez. A disputa pelo petróleo que ainda resta pode levar a um estado de guerra permanente, caracterizado pela presença de grandes potências em suas regiões produtoras. No passado, as grandes empresas do setor descobriam mais petróleo por ano do que eram capazes de extrair, o que não acontece mais hoje em dia. Está havendo na atualidade mais extração de petróleo do que a capacidade de repor com novas descobertas.

Outra grande catástrofe que poderá ocorrer no século XXI é a mudança climática global em consequência do aquecimento global do planeta que resulta do efeito estufa provocado pela retenção de calor na baixa atmosfera da Terra causada pela concentração de gases de diversos tipos.  O equilíbrio climático natural foi rompido pela Revolução Industrial no século XVIII. Desde o século XIX, as concentrações de dióxido de carbono no ar aumentaram 30%, as de metano dobraram e as de óxido nitroso subiram 15%. Os gases responsáveis pelo aquecimento global derivados da atividade humana são produzidos pelos combustíveis fósseis usados nos carros, nas indústrias e nas termelétricas, pela produção agropecuária e pelas queimadas nas florestas, entre outros fatores. O aquecimento global é produzido pela atividade humana (antropogênico) no planeta e também por processos naturais, como a decomposição da matéria orgânica e as erupções vulcânicas, que produzem dez vezes mais gases do que os seres humanos. Por eras, os processos naturais garantiram sozinhos a manutenção do efeito estufa, sem o qual a vida não seria possível na Terra. Desde 1961, a quantidade de gases poluentes despejada pelo homem na atmosfera cresceu 10 vezes.

Se não houver redução imediata na emissão de gases de efeito estufa, os meios de adaptação não serão suficientes, e a vida no planeta ficará ameaçada. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo terrestre intacta. Caso não haja redução das mudanças climáticas, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar que pode submergir muitas ilhas e cidades litorâneas e por períodos de seca e extremo calor em todo o mundo. Eventos climáticos extremos podem levar à desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres.

O relatório do IPCC de 2014 confirma que os efeitos das mudanças climáticas serão generalizados, afetando a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas, o abastecimento de água e algumas indústrias. Para diminuir esses riscos, é preciso que haja redução substancial das emissões globais de gases de efeito estufa que deve ser obtida juntamente com estratégias e ações para melhorar a preparação contra os desastres, bem como para reduzir a exposição a eventos causados pelas alterações climáticas. O degelo dos polos e cordilheiras, a migração de espécies, a diminuição da produtividade das culturas agrícolas, o aumento de doenças e o incremento de eventos extremos são alguns dos fatores citados no relatório do IPCC como evidência da necessidade de que a comunidade internacional tem de fazer escolhas adequadas para melhor adaptação e diminuição dos efeitos negativos do aquecimento global.

A comunidade internacional fez um importante acordo em 2015 na COP 21 (Conferência da ONU para a mudança climática) em Paris para obter o máximo de 2 ºC de aumento na temperatura média do planeta Terra. Para alguns cientistas, trata-se de uma missão quase impossível, um desafio colossal. Qual será o marco obrigatório? Quais compromissos vão ser assumidos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa? Será mantida a flexibilidade para que grandes países emergentes, como China, continuem poluindo em nome do direito ao desenvolvimento? As questões são muitas e complexas, mas o objetivo é limitar o aquecimento global em 2 °C acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial na Inglaterra no início do século XVIII.

Mesmo com as decisões na COP 21 de Paris que limitou o aumento da temperatura média global em apenas 2 °C, estimativa do IPCC prevê que as gerações futuras terão de lidar com o nível do mar de 12 a 22 metros maior do que o atual, de acordo com cientistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos. Eles se focaram em dados do final da época conhecida como Plioceno, entre 2,7 e 3,2 milhões de anos atrás, quando o nível de dióxido de carbono na atmosfera era semelhante ao atual e a temperatura era 2 °C mais elevada do que agora. A elevação do nível do mar ocorreria devido ao grande volume de água que seria liberado com o derretimento de toda a Groenlândia, que consiste na segunda maior reserva de gelo do mundo, dos lençóis de gelo da Antártida Ocidental, bem como de algumas partes da Antártida Oriental. A elevação dos oceanos iria inundar as costas ao redor do mundo e afetar cerca de 70% da população da Terra.

Outra catástrofe anunciada para o século XXI é a escalada dos conflitos internacionais.  Vários são os países que podem se constituir em focos de eclosão de guerras no mundo destacando-se, entre eles, a Síria, Palestina, Israel, Irã e Coreia do Norte. Na era contemporânea, o xadrez geopolítico internacional aponta a existência de 3 grandes protagonistas: Estados Unidos, China e Rússia. Do confronto que se estabeleça no futuro entre estas 3 grandes potências militares poderão resultar cenários alternativos ao atual que se caracteriza pela perda da hegemonia dos Estados Unidos na cena mundial desde o fim do mundo bipolar em que se confrontaram os Estados Unidos e a União Soviética durante a Guerra Fria.

A paz já foi definida como ausência da guerra. A fórmula de Clausewitz, a guerra como continuação da política por outros meios, é substituída na atualidade pela fórmula inversa: a política passa a ser a continuação da guerra por outros meios. Historicamente, a busca da paz entre as nações apresentou quatro características: o equilíbrio entre as grandes potências, a hegemonia, o império e a estruturação de uma federação de Estados livres nos moldes proposto por Kant em A Paz Perpétua como o Concerto das Nações em 1815, a Liga das Nações em 1920 e a Organização das Nações Unidas em 1945. Num espaço histórico dado, ou as grandes potências estão em equilíbrio, ou estão dominadas por uma dentre elas que exerce a hegemonia, ou então são superadas pelas forças de uma grande potência (império) quando todas as demais perdem sua autonomia e tendem a desaparecer como centros de decisão política. Da mesma forma que o equilíbrio entre as grandes potências, a hegemonia e o império, a estruturação de uma federação de Estados livres não foi capaz de construir a paz mundial.

É importante observar que a ausência da guerra não resulta da igualdade aproximada de forças que reina entre as grandes potências, impedindo qualquer uma delas, e qualquer coalizão destas unidades de impor sua vontade. A situação de igualdade aproximada de forças, por exemplo, entre as grandes potências antes da eclosão da 1ª e da 2ª Guerra Mundial é uma prova de que esta situação não impediu o desencadear desses conflitos. A dominação exercida pelo império britânico no século XIX não impediu a eclosão da 1ª Guerra Mundial. O Estado hegemônico não abusa da sua hegemonia e respeita até certo ponto as formas externas de independência dos Estados como ocorreu com os Estados Unidos imediatamente após o fim da Guerra Fria. Na atualidade, a hegemonia exercida até recentemente pelos Estados Unidos foi substituída pela igualdade entre as grandes potências (Estados Unidos, Rússia e China) que é uma forma precária de manutenção da paz mundial como demonstra o período anterior à eclosão da 1ª e da 2ª Guerra Mundial. Por sua vez, a ONU que representa uma federação de Estados nacionais tem sido impotente para assegurar a paz mundial.

Diante da impossibilidade de um Estado imperial, de potências em equilíbrio, de uma potência hegemônica e de uma federação de Estados nacionais como a ONU de assegurar a paz mundial, é chegada a hora de a humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários à construção da paz mundial e ao controle de seu destino.  Amanhã, quem vai governar o mundo? O pior cenário é o que não prevê nenhuma governança global. Nenhum país por mais poderoso que seja não pode coordenar e controlar o sistema internacional. No entanto, as crises econômica, financeira, ecológica, social, política e o desenvolvimento de atividades ilegais e criminosas de hoje mostram a urgência de um governo mundial. É preciso entender, também, que a economia internacional não pode funcionar adequadamente sem o Estado de Direito Internacional que não pode ser aplicado e respeitado sem a presença de um governo mundial que seja aceito por todos os países. Um governo mundial só será sustentável se for verdadeiramente democrático. A edificação de uma nova ordem mundial baseada nesses princípios é urgente. Esse governo vai existir um dia mesmo que aconteça após catástrofes sucessivas. É urgente pensar nisso, antes que seja tarde demais.

As relações internacionais atuais demonstram a precariedade do sistema internacional para assegurar a paz mundial. O governo mundial se torna uma exigência para assegurar a paz mundial e evitar catástrofes tais como, crises econômicas de grande amplitude,  crise ecológica extrema, guerras em cascata, a expansão de uma economia do crime organizado, pandemia global, queda de um meteorito no planeta e o avanço do movimento terrorista. A preservação da paz é a primeira missão de toda nova forma de governo mundial. Um governo mundial teria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta, zelaria no sentido de cada Estado nacional respeitar a soberania de cada país do mundo e buscaria impedir a propagação dos riscos sistêmicos mundiais.  A constituição de um governo mundial se impõe diante do fracasso da estruturação de uma federação de Estados livres nos moldes proposto por Kant em A Paz Perpétua como o Concerto das Nações em 1815, da Liga das Nações em 1920 e a Organização das Nações Unidas em 1945 que foram impotentes para assegurar a paz mundial porquanto essas organizações não dispunham de nenhum meio de tomar decisões nem de colocar em prática sanções contra aqueles que não a respeitem.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

 

MENACES SUR LA VIE SUR TERRE PROVENANT DE L’ESPACE

Fernando Alcoforado *

Cet article vise à décrire les menaces à la vie sur Terre provenant de l’espace. Les cosmologistes considèrent que l’Univers a émergé avec le “Big Bang” il y a environ 13,3 à 13,9 milliards d’années et la planète Terre il y a environ 4,6 milliards d’années, et est resté pendant longtemps un environnement inhospitalier. La Terre s’est formée à partir du disque de gaz et de poussière qui a formé le Soleil et les autres corps du système solaire. Il est important de noter que la Lune s’est formée environ 100 millions d’années après la Terre après avoir subi un violent impact d’un corps de la taille de Mars appelé Theia. L’énorme impact a déchiré une partie de la Terre, qui était alors une sphère magma, et l’a mise en orbite terrestre. Les fragments résultant de l’affrontement entre Terra et Theia ont formé la Lune.

Le système Terre-Lune nouvellement créé a commencé à exercer une attraction gravitationnelle mutuelle. Une telle attraction a produit (et continue de produire) la dissipation d’une énorme quantité d’énergie résultant du frottement des océans avec les écoulements des mers au cours des hauts et des bas des marées. En raison de cette dissipation, la vitesse de rotation de la Terre a été réduite d’environ 6 heures qui a duré le jour de la Terre sans l’existence de la Lune et les 24 heures actuelles. Aujourd’hui, la Lune continue de freiner la rotation de la Terre à un rythme d’environ 1,5 milliseconde par siècle. Pour compenser cette diminution de la vitesse de rotation de la Terre, il faut augmenter l’énergie de rotation de la lune, ce qui provoque l’éloignement de la Lune de la Terre à une vitesse d’environ 3,82 centimètres par an (STACEY, F.D. Physics of the Earth, John Willey & Sons, 1969).

La distance accrue de la Lune à la Terre est due au frottement entre la surface de la Terre et son immense masse d’eau qui est dessus et fait que la terre tourne un peu plus lentement sur son axe avec le temps. La Terre et la Lune sont unies par une sorte d’étreinte gravitationnelle. Ensuite, lorsque le mouvement de la Terre ralentit, celui de la Lune s’accélère. Et quand quelque chose en orbite accélère, cette accélération le pousse vers l’extérieur. Pour chaque action, il y a une réaction égale et opposée selon la troisième loi de Newton. La distance de la Lune affecte notre planète de plusieurs façons. Pour commencer, lorsque la Terre tourne plus lentement, les jours s’allongent. Ils s’allongent, deux millièmes de seconde chaque siècle.

Qu’arriverait-il à la Terre si la Lune s’éloignait continuellement? Ce serait catastrophique pour la planète Terre car les jours pourraient être 48 fois plus longs. La nuit, les températures tueraient tout le monde avec le froid. Tout au long de la journée, personne ne pouvait supporter la chaleur. Sur la côte, il y aurait des vents violents de 200 km / h. En termes de durée de vie, il ne resterait presque plus que des bactéries et des vers extrêmement résistants. Tout cela montre à quel point la Terre dépend de cette boule de minéraux stérile que nous appelons la Lune. Juste pour avoir une idée avant la Lune commencer à orbiter notre planète, un jour avait duré entre six et huit heures. Depuis lors, l’interaction avec la Lune a ralenti la rotation de la planète. En mécanique céleste, cela se produit lorsque la Lune s’éloigne.

Il y a plus de 4 milliards d’années, on estimait que la Lune n’était qu’à 25 000 kilomètres de la Terre. Aujourd’hui, la distance est 15 fois plus grande. En s’éloignant de la Lune de la Terre, la vitesse de rotation de la planète s’est progressivement ralentie. À environ 3 milliards d’années, la durée de la journée était déjà passée à 18 heures. Suivant cette tendance, la journée actuelle de 24 heures ne durera pas éternellement. La Lune continuera maintenant à prendre de la distance, à un rythme plus rapide qu’auparavant, à un rythme de 3,8 centimètres par an. Ce processus devrait se poursuivre jusqu’à ce que le satellite soit à 560 000 kilomètres. Lorsque cela se produira, la rotation de la Terre se stabilisera, les journées dureront 1 152 heures et la vie sur la planète sera non viable. Ce processus prendra au moins 4 milliards d’années. Il est peu probable que les humains soient témoins dans ce scénario chaotique, car dans les prochains milliards d’années, le Soleil sera 10% plus chaud qui ça suffira rendre irréalisable toute forme de vie sur la Terre.

Les conséquences principales de la disparition soudaine de la Lune seraient: 1) la disparition du phénomène de marée; 2) la fin de la stabilité de l’axe de rotation de la Terre; 3) la fin de nombreuses espèces et plantes terrestres; et 4) le changement climatique radical et mondial résultant de la disparition des marées et de la déstabilisation de l’axe de rotation de la Terre. La disparition du phénomène de marée résultant de la gravité de la Lune entraînerait un affaiblissement des courants océaniques dont les eaux tendent à stagner. Les rivages des mers perdraient leur drainage et leur système de purification naturelle en raison de l’avancée et du retrait des eaux. L’eau de mer aurait tendance à se redistribuer, se dirigeant vers les pôles, et le niveau de la mer monterait sur les côtes. La conséquence de tout cela serait un changement radical du climat de la Terre.

La stabilité de la fin de l’axe de rotation de la Terre se produirait avec la précession de la Terre qui ralentirait sans la Lune, comme quand une toupie commence à se balancer, sur le point de tomber, peut varier son axe chaotiquement entre 0 et 90 degrés. L’axe de rotation de la Terre est à 23 degrés du plan de son orbite causé par le mouvement orbital de la Lune qui est responsable de l’existence des stations telles que nous les connaissons. La fin de la stabilité de l’axe de rotation de la Terre entraînerait un changement climatique à l’échelle mondiale, qui pourrait produire des étés avec des températures supérieures à 100 degrés et des hivers avec des températures inférieures à moins 80 degrés. Dans les cas les plus extrêmes, l’axe de rotation de la Terre pourrait s’aligner directement vers le Soleil, ce qui ferait en sorte que des zones de la planète seraient constamment sous le soleil et que d’autres seraient dans l’obscurité permanente. Les gigantesques différences thermiques entre les deux moitiés de la Terre provoqueraient des vents extrêmes de plus de 300 km / h et d’autres phénomènes météorologiques dramatiques.

La fin de nombreuses espèces et plantes terrestres se produirait avec la disparition de la Lune qui affecterait également la vie sur Terre. L’effet le plus immédiat serait la disparition de la lumière solaire elle-même reflété par la Lune, qui modifierait les rythmes biologiques de nombreuses espèces animales et végétales qui se sont adaptées et ont évolué sous la présence cyclique de la lumière lunaire. De nombreuses espèces devraient soudainement s’adapter à l’obscurité totale des nuits sans Lune. La disparition des marées lunaires affecterait particulièrement les espèces adaptées aux courants marins, telles que celles vivant sur les côtes où les courants de marée transportent des nutriments, ou celles habitant les mers et les océans habitués habitués aux modèles actuels de courants marins.

Les changements climatiques drastiques et globaux résultant de la disparition des marées et de la déstabilisation de l’axe de rotation de la Terre seraient les facteurs qui produiraient les conséquences les plus graves pour la vie terrestre. Les rythmes vitaux de toutes les espèces animales et végétales seraient altérés par ces changements climatiques: migrations, saison des amours, hibernation, etc. La croissance des plantes serait également affectée par des variations thermiques extrêmes. De nombreuses espèces seraient incapables de s’adapter, il y aurait une extinction massive de plantes et d’animaux. Dans le cas très extrême que nous avons vu précédemment, cela l’axe de rotation de la terre finirait par pointer vers le soleil, La vie sur Terre telle que nous la connaissons serait impossible dans l’un ou l’autre des hémisphères, et peut-être seulement avec la viabilité à l’équateur, entre les hémisphères chauds et froids de la planète.

L’une des plus grandes craintes de l’humanité est que la Terre se trouve sur une trajectoire de collision avec un astéroïde géant susceptible de nous anéantir complètement. La peur n’est en aucun cas infondée car ces monstres existent dans l’espace et peuvent frapper la Terre. En fait, l’histoire de notre planète est pleine de ces impacts. Alors qu’elle était encore en formation, la Terre a été bombardée plus souvent. Selon le Jet Propulsion Laboratory de la NASA, 556 petits astéroïdes ont traversé l’atmosphère entre 1994 et 2013. La plupart d’entre eux se désintègrent, mais certains peuvent atteindre la surface et causer des ravages, tels que l’objet qui a frappé la ville de Chelyabinsk en Russie [OLIVEIRA, André Jorge. Veja o que aconteceria se um asteroide de 500 quilômetros de diâmetro atingisse a Terra (Voyez ce qui se passerait si un astéroïde de 500 kilomètres de diamètre frappait la Terre]. Disponible sur le site Web <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/veja-o-que-aconteceria-se-um-asteroide-de-500-quilometros-de-diametro-atingisse-terra.html>). Il ne faut pas oublier que l’extermination de dinosaures a eu lieu entre 208 et 144 millions d’années en raison de l’impact d’un astéroïde de 10 km de diamètre qui a généré une explosion similaire à 100 000 milliards de tonnes de TNT.

Oliveira demande: Qu’adviendrait-il de notre planète si elle entrait en collision avec un très gros astéroïde? Discovery Channel a réalisé une simulation qui répond à cette question. La vidéo montre un astéroïde de 500 kilomètres (presque la distance de São Paulo à Belo Horizonte) qui s’écrase dans l’océan Pacifique et produit des ondes de choc qui se déplacent à une vitesse hypersonique. Un tel épisode décréterait la fin de la vie sur terre. La force de l’impact serait telle qu’elle provoquerait une rupture totale de la croûte terrestre de la région, projetant des débris dans l’espace. Ils entreraient sur une orbite basse et, en tombant, détruiraient toute la surface. Comme si le scénario n’était pas suffisamment catastrophique, la destruction ne s’arrête pas là: une tempête de feu se propagerait dans l’atmosphère et vaporiserait toute vie sur son passage. En un seul jour, la planète entière deviendrait inhabitable. Le plus choquant de tous est combien de fois les scientifiques pensent qu’une telle apocalypse a frappé la terre tout au long de son histoire, c’est-à-dire six fois.

Une autre menace de l’espace concerne les explosions de supernovae, des étoiles de masse supérieure à notre Soleil, qui pourraient à la fin de leur existence anéantir la vie sur Terre en raison de la libération de rayons gamma et X suffisants pour chauffer la surface de notre planète et faire évaporer l’atmosphère et les océans. Outre les menaces posées en augmentant la distance de la lune à la terre, la collision d’astéroïdes avec la Terre  et éclats d’étoiles de supernova, il est scientifiquement reconnu que toute vie sur Terre sera balayée quand notre Soleil atteindre la fin de leur existence dans 5 milliards d’années en devenant un géant rouge qui avalera la Terre. Enfin, l’Univers deviendra incapable de permettre à tout type de vie d’exister en raison de son expansion éternelle, ne laissant que la chaleur résiduelle et les trous noirs, ou il se contractera à nouveau en unissant toute la matière et l’énergie en un seul et même grand trou noir qui est une région de l’espace avec un champ gravitationnel si intense en raison de la mort des étoiles supermassives, où la gravité intense comprime la matière jusqu’à ce qu’il n’y ait plus d’espace entre les atomes sans que même la lumière puisse s’échapper. De toute façon, toute la vie dans l’Univers disparaîtra pour toujours. Cela signifie que nous ferons face à la mort de notre espèce avec la disparition du Soleil, de la Terre et de l’Univers lui-même.

En astronomie, la découverte la plus récente est que l’univers est constitué de 73% de matière noire et de 23% d’énergie noire, le reste étant constitué de galaxies, étoiles, planètes, etc., ce qui correspond à 4% de l’univers entier (PANEK, Richard. The 4% Universe. Boston e New York: Mariner Books, 2011). L’hypothèse de la matière noire et de l’énergie noire est un modèle cosmologique récent, qui a joué un rôle déterminant dans la rupture du paradigme lié au modèle cosmologique standard, plusieurs résultats d’observation indiquant un défaut majeur de prédiction fondé sur ce modèle. La première des deux hypothèses émises est celle de la matière noire, avec Fritz Zwicky en 1933. D’après leurs résultats, la vitesse des galaxies était telle que leur force de gravitation, calculée à partir de leur masse visible, était insuffisante pour former un système allumé comme il a été observé. Zwicky a alors proposé qu’une partie de la matière supplémentaire ne soit pas visible: «matière noire».

En 1970, un groupe d’astronomes, dirigé par l’astronome Vera Rubin, a procédé à une série de mesures très précises qui ont définitivement bouleversé les anciennes structures théoriques cosmologiques. Ces mesures ont indiqué que la vitesse de rotation dans les galaxies, à partir d’un certain point, était approximativement constante et ne diminuait pas avec la racine carrée inverse du rayon, comme prédit par la physique newtonienne. Ainsi, l’idée de la matière noire est venue avec plus de vigueur et de sérieux, étant une recherche avancée de nos jours. Dans les années 1990, deux équipes indépendantes d’astrophysiciens se sont tournées vers des supernovae lointaines (du nom des corps célestes résultant des explosions d’étoiles de plus de 10 masses solaires, produisant des objets extrêmement brillants qui tombent invisibles, passé quelques semaines ou mois) pour calculer le ralentissement. À leur grande surprise, ils ont constaté que l’expansion de l’Univers ne ralentissait pas, mais qu’elle accélérait. Quelque chose devrait être surperformant la force de gravité, qui est une conséquence d’une nouvelle forme de matière que les scientifiques ont appelée “énergie noire” et qui n’a pas encore été détectée et que la théorie actuelle ne peut expliquer. La matière noire attire et l’énergie noire repousse, c’est-à-dire que la matière noire est utilisée pour expliquer une force d’attraction gravitationnelle plus élevée que prévu, tandis que l’énergie noire est utilisée pour expliquer une force d’attraction gravitationnelle négative..

Sur la question de l’énergie et de la matière noire, il ya un fait nouveau: l’énergie noire mangerait de la matière noire. Cela signifie que l’espace peut devenir plus vide. Une équipe de cosmologistes au Royaume-Uni et en Italie a découvert une idée tentante selon laquelle la matière noire pourrait se transformer lentement en énergie noire. Bien que la nature spécifique de l’interaction qui induit la conversion ne soit pas connue, ce processus pourrait être responsable du ralentissement de la croissance des galaxies et autres structures à grande échelle dans l’Univers au cours des huit derniers milliards d’années. Si la conversion se poursuit au rythme actuel, le destin ultime de l’Univers en tant que lieu froid, sombre et vide pourrait survenir plus tôt que prévu. Les cosmologistes Valentina Salvatelli, Najla Said et Alessandro Melchiorri de l’Université de Rome, ainsi que David Wands et Marco Bruni de l’Université de Portsmouth, ont indiqué que la conversion de la matière noire en énergie noire est très lente [BACHEGA, Riis. A Energia Escura está comendo a Matéria Escura? (Dark Energy mange Dark Matter?). Disponible sur le site Web <http://www.universoracionalista.org/a-energia-escura-esta-comendo-a-materia-escura/). S’il continue à son rythme actuel, l’Univers entier sera tombé dans l’énergie noire dans environ 100 milliards d’années. Si l’énergie noire grandit et que la matière noire s’évapore, nous aurons un univers vaste et vide dans lequel il ne reste presque rien.

De ce qui précède, on peut voir que l’augmentation de la distance de la Lune à la Terre, la collision de la Terre avec un astéroïde géant, les explosions des étoiles supernova, la fin de l’existence du Soleil et le destin ultime de l’Univers en tant que lieu froid, sombre et vide constituent une menace majeure pour la vie sur Terre provenant de l’espace. On peut dire que ces menaces ne doivent pas faire l’objet d’une préoccupation immédiate pour l’humanité, car elles ne se produiront pas à court terme, mais milliards d’années dans le future. Cependant, un fait est évident: l’avenir de l’humanité impose de définir une stratégie de survie face aux menaces évoquées ci-dessus, en particulier pour lutter contre la collision provoquée par les astéroïdes géants. Les menaces de l’espace exigent que l’humanité s’unisse dans un effort commun pour construire une société humaine solidaire pour faire face à ce grand défi qui exige la constitution d’un gouvernement mondial pour faire face aux grands défis de l’humanité au 21ème siècle comprennent: 1) les crises économiques et financières en chaîne; 2) les révolutions sociales et les contre-révolutions à travers le monde; 3) guerres en cascade; 4) la surpopulation mondiale; 5) pandémie mortelle; 6) changement climatique extrême; et 7) le crime organisé, dont les États et les institutions internationales actuelles ne peuvent mener aucune action globale pour les combattre.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THREATS ON LIFE ON EARTH WHICH COME FROM SPACE

Fernando Alcoforado*

This article aims to describe the threats to life on Earth come from space. Cosmologists consider that the Universe emerged with the “Big Bang” around 13.3 to 13.9 billion years ago and planet Earth about 4.6 billion years ago, and for a long time remained an environment inhospitable. The Earth formed from the disk of gas and dust that formed the Sun and the other bodies of the solar system. It is important to note that the Moon formed about 100 million years after Earth after suffering a violent impact from a Mars-sized body called Theia. The huge impact tore off part of the Earth, which was then a magma sphere, and put it into Earth orbit. The fragments that resulted from the clash between Terra and Theia formed the Moon.

The newly created Earth-Moon system began to exert a mutual gravitational pull. Such attraction has produced (and continues to produce) the dissipation of an enormous amount of energy resulting from the friction of the oceans with the seaflows during the ebb and flow of the tides. As a result of this dissipation, the Earth’s rotation speed has slowed from about 6 hours from the earliest moonless Earth day to the current 24 hours. Today the Moon continues to curb the rotation of the earth at a rate of about 1.5 milliseconds every century. To compensate for this decrease in the Earth’s rotation speed, the lunar rotation energy needs to increase which produces a Moon’s move away from Earth at a speed of about 3.82 centimeters each year (STACEY, F.D. Physics of the Earth, John Willey & Sons, 1969).

The increased distance from the Moon to the Earth is due to the friction between the Earth’s surface and the huge body of water that is on it and, over time, the earth rotates a little more slowly about its axis. Earth and Moon are united by a kind of gravitational hug. Then, as the movement of the Earth slows, that of the Moon accelerates. And when something in orbit accelerates, that acceleration pushes it outward. For every action there is an equal and opposite reaction according to Newton’s third law. The distance from the Moon affects our planet in many ways. To begin with, as the Earth spins slower, the days get longer. They get longer, by two thousandths of a second every century.

What would happen to Earth if the Moon continually drifted away? It would be catastrophic for planet Earth because the days could be 48 times longer. At night, temperatures would kill everyone with cold. Throughout the day no one could stand the heat. On the coast, there would be violent winds of 200 km / h. In terms of life there would be almost nothing left but super-resistant bacteria and worms. All of this shows how the Earth is dependent on this sterile ball of minerals we call the Moon. Just to give you an idea, before the Moon began to orbit our planet, one day last anywhere between six and eight hours. Since then, interaction with the Moon has slowed the rotation of the planet. By celestial mechanics, this happens as the Moon moves away.

More than 4 billion years ago, it is estimated that the Moon was only 25,000 kilometers from Earth. Today the distance is 15 times greater. With the Moon’s move away from Earth, the planet’s speed of rotation gradually slowed. By about 3 billion years, the length of the day had already jumped to 18 hours. Following this trend, the prevailing 24-hour day today will not last forever. The Moon will continue to distance now, at a faster rate than before, at a rate of 3.8 centimeters per year. This process should continue until the satellite is 560,000 kilometers away. When this occurs, the rotation of the earth will stabilize, the days will be 1,152 hours, and life on the planet will be unviable. This process will take at least 4 billion years to happen. In this chaotic scenario is unlikely to have humans witnessing it because in the next billion years, the Sun will be 10% warmer enough to make any form of life on Earth impossible.

The main consequences of the sudden disappearance of the Moon would be: 1) the disappearance of the tidal phenomenon; 2) the end of the stability of the Earth’s axis of rotation; 3) the end of many terrestrial species and plants; and 4) drastic and global climate change resulting from the disappearance of tides and the destabilization of the earth’s axis of rotation. The disappearance of the tidal phenomenon resulting from the gravity of the moon would lead to the weakening of ocean currents whose waters would tend to stagnate. The shores of the seas would lose their drainage and natural cleansing system due to the advance and retreat of the waters. Ocean water would tend to redistribute, heading towards the poles, and sea level would rise on the coasts. The consequence of all this would be a drastic change in the Earth’s climate.

The end of the Earth’s axis of rotation stability would occur with Earth’s precession that would slow down without the Moon, like when a spinning top begins to sway and its axis can chaotically vary between 0 and 90 degrees. The Earth’s axis of rotation is 23 degrees from the plane of its orbit caused by the orbital motion of the moon that is responsible for the existence of the stations as we know them. The end of the Earth’s axis of rotation stability would result in global scale climate change, which could produce summers with temperatures exceeding 100 degrees, and winters with temperatures below minus 80 degrees. In the most extreme case, the Earth’s axis of rotation could align directly towards the Sun, which would cause areas of the planet to be under constant sunstroke and others in permanent obscurity. The gigantic thermal differences between one half and the other of the Earth would cause extreme winds with speeds of over 300 kilometers per hour and other dramatic weather phenomena.

The end of many terrestrial species and plants would occur with the disappearance of the Moon that would also affect life on Earth. The most immediate effect would be the disappearance of the Moon’s own sunlight, which would alter the biological rhythms of many animal and plant species that have adapted and evolved under the cyclic presence of lunar light. Many species would suddenly have to adapt to the total darkness of moonless nights. The disappearance of lunar tides would particularly affect species adapted to marine flows and currents, such as those living on the coasts where tidal flows carry nutrients, or those inhabiting seas and oceans accustomed to current patterns of marine currents.

Drastic and global climate change resulting from the disappearance of the tides and the destabilization of the Earth’s axis of rotation would be the factors that would produce the most dire consequences for terrestrial life. The vital rhythms of all animal and plant species would be altered by these climate changes: migrations, the time of mating, hibernation. Plant growth would also be affected by extreme thermal variations. Many species would be unable to adapt, there would be massive extinction of plants and animals. In the very extreme case, which we saw earlier, that the Earth’s axis of rotation would eventually point to the sun, life on earth as we know it would be impossible in either hemisphere, and perhaps only viable on the equator, between the hot and ice hemispheres of the  planet.

One of humanity’s greatest fears is that the Earth is on a collision course with some giant asteroid that has the potential to completely annihilate us. Fear is by no means unfounded because these monsters exist in space and can strike Earth. In fact, the history of our planet is full of these impacts. While still in formation, the Earth was bombarded more often. According to NASA’s Jet Propulsion Laboratory, 556 small asteroids crossed the atmosphere from 1994 to 2013. Most of them disintegrate, but some can reach the surface and wreak havoc, such as the object that struck the city of Chelyabinsk, in Russia [OLIVEIRA, André Jorge. Veja o que aconteceria se um asteroide de 500 quilômetros de diâmetro atingisse a Terra (See what would happen if a 500-kilometer diameter asteroid hit Earth). Available on the website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/veja-o-que-aconteceria-se-um-asteroide-de-500-quilometros-de-diametro-atingisse-terra.html>). One must not forget that the dinosaur extermination occurred between 208 and 144 million years ago due to an impact of a 10 km diameter asteroid that generated an explosion similar to 100 trillion tons of TNT.

Oliveira asks: What would happen to our planet if it collided with a really large asteroid? Discovery Channel has made a simulation that answers this question. The video shows a 500-kilometer asteroid (almost the distance from Sao Paulo to Belo Horizonte) crashing into the Pacific Ocean and producing shockwaves that travel at hypersonic speeds. Such an episode would decree the end of life on earth. The force of the impact would be such that it would completely rupture the region’s earth’s crust, sending debris into space. They would enter a low orbit and, as they fell, would destroy the entire surface. As if the scenario wasn’t catastrophic enough, the destruction doesn’t stop there: a firestorm would spread through the atmosphere and vaporize any life in its path. In just one day, the entire planet would become uninhabitable. Most shocking of all is how often scientists believe such an apocalypse has struck the earth throughout its history, that is six times.

Another threat from space concerns the explosions of supernovae, stars of greater mass than our Sun, at the end of their existence that could wipe out life on Earth due to the release of enough gamma and x-ray radiation to heat the surface of our planet and make the atmosphere and oceans evaporate. In addition to the threats posed by the Moon’s move away from Earth, the collision with an asteroid and supernova star bursts, it is scientifically known that all life on Earth will be swept away when our Sun comes to an end within 5 billion years by becoming a red giant that will swallow the earth. Finally, the Universe will become incapable of allowing any kind of life to exist because of its eternal expansion, leaving only residual heat and black holes, or else it will contract again by uniting all matter and energy into one great black hole that is a region of space with a gravitational field so intense due to the death of supermassive stars where intense gravity compresses matter until there is no more space between atoms that not even light can escape from within it. Either way, all life in the Universe will disappear forever. This means that we will face the death of our species with the disappearance of the Sun, the Earth and the Universe itself.

In astronomy, the most recent discovery has been that the Universe is made up of 73% dark matter and 23% dark energy, while the rest is made up of galaxies, stars, planets, etc. which corresponds to 4% of the entire universe (PANEK, Richard. The 4% Universe. Boston e New York: Mariner Books, 2011). The hypothesis of dark matter and dark energy is a recent cosmological model, which came into play to break the paradigm related to the standard cosmological model, since several observational results pointed to a major prediction flaw based on this model. The first of the two hypotheses to emerge was that of dark matter, with Fritz Zwicky in 1933. From their results, the speed of galaxies was such that their gravitational pull, calculated from their visible mass, was insufficient to form a system turned on as it was observed. Zwicky then proposed that there was a portion of extra matter that was not visible: “dark matter”.

In 1970, a group of astronomers, led by astronomer Vera Rubin, made a series of very precise measurements that shook the previous cosmological theoretical structures once and for all. These measurements indicated that the velocity of rotation in the galaxies, from a certain point, was approximately constant and did not decrease with the inverse square root of the ray, as predicted by Newtonian physics. So the idea of dark matter came up with more vigor and seriousness, being a frontier research these days. In the 1990s, two independent teams of astrophysicists turned their eyes to distant supernovae (named after the celestial bodies arising from the explosions of stars with more than 10 solar masses, which produce extremely bright objects that decline to invisibility, past a few weeks or months) to calculate the slowdown. To their surprise, they found that the expansion of the universe was not slowing but accelerating. Something must be overcoming the force of gravity, which is a consequence of a new form of matter that scientists have called “dark energy” that has not been detected so far and current theory cannot explain. Dark matter attracts and dark energy repels, that is, dark matter is used to explain a greater than expected gravitational attraction, while dark energy is used to explain a negative gravitational attraction.

On the issue of energy and dark matter, there is the new fact that Dark Energy would be eating Dark Matter. This means that space can become emptier. A tempting suggestion that dark matter may be slowly shifting to dark energy was discovered by a team of cosmologists in the UK and Italy. While the specific nature of the interaction that drives conversion is not known, the process could be responsible for slowing the growth of galaxies and other large-scale structures in the universe over the past eight billion years. If the conversion continues at the current pace, the ultimate fate of the universe as a cold, dark and empty place could come sooner than expected. Cosmologists Valentina Salvatelli, Najla Said and Alessandro Melchiorri of the University of Rome, together with David Wands and Marco Bruni at the University of Portsmouth reported that the conversion of dark matter into dark energy is very slow [BACHEGA, Riis. A Energia Escura está comendo a Matéria Escura? (Dark Energy is eating Dark Matter?). Available on the website <http://www.universoracionalista.org/a-energia-escura-esta-comendo-a-materia-escura/>). If it continues at its current rate, the entire Universe will have fallen into dark energy in about 100 billion years. If dark energy is growing and dark matter is evaporating, we will end up with a large and empty Universe with almost nothing in it.

From the foregoing, it appears that the increased distance from the Moon to the Earth, the collision of the earth with a giant asteroid, the explosions of supernova stars, the end of the sun’s existence and the ultimate fate of the universe as a cold place, dark and empty are major threats to life on Earth from space. It can be said that these threats should not be the object of immediate concern for humanity because they will not occur in the short term but billions of years into the future. However, one fact is evident: the future of humanity is at stake that imposes the need to stablish a survival strategy in the face of the threats outlined above, especially to counter the collision caused by giant asteroids. The threats from space require humanity to unite in a common effort to build a solidary human society to meet this great challenge that requires the establishment of a world government to meet the great challenges of humanity in the 21st century, which consist of: 1) chain economic and financial crises; 2) social revolutions and counterrevolutions worldwide; 3) cascade wars; 4) world overpopulation; 5) deadly pandemic; 6) extreme climate change; and 7) organized crime whose global actions to address them are impossible to take forward by individual national states and current international organizations.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

AS AMEAÇAS SOBRE A VIDA NA TERRA VINDAS DO ESPAÇO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo descrever a ameaças sobre a vida na Terra vindas do espaço. Os cosmólogos consideram que o Universo surgiu com o “Big Bang” por volta de 13,3 a 13,9 bilhões de anos atrás e o planeta Terra há aproximadamente 4,6 bilhões de anos e que, durante muito tempo, permaneceu como um ambiente inóspito. A Terra se formou a partir do disco de gás e pó que formou o Sol e os demais corpos do Sistema Solar. É importante observar que a Lua se formou há cerca de 100 milhões de anos depois da Terra, após esta sofrer um violento impacto de um corpo do tamanho de Marte, denominado Theia. O enorme impacto arrancou parte da Terra, que na época era uma esfera de magma, e a colocou em órbita terrestre. Os fragmentos que resultaram do choque entre Terra e Theia formaram a Lua.

O recém-criado sistema Terra-Lua começou a exercer uma atração gravitacional mútua. Tal atração produziu (e continua produzindo) a dissipação de uma enorme quantidade de energia decorrente da fricção dos oceanos com os fundos marinhos durante as idas e vindas das marés. Como consequência de tal dissipação, a velocidade de rotação da Terra se reduziu de cerca de 6 horas que durava o primitivo dia terrestre sem Lua até as 24 horas atuais. Na atualidade a Lua continua freando a rotação da Terra a uma taxa de cerca de 1,5 milésimos de segundo a cada século. Para compensar essa diminuição na velocidade de rotação da Terra, a energia de rotação lunar precisa aumentar o que produz um gradual afastamento da Lua em relação à Terra, a uma velocidade de uns 3,82 centímetros a cada ano (STACEY, F.D. Physics of the Earth, John Willey & Sons, 1969).

O afastamento da Lua em relação à Terra se deve à fricção entre a superfície da Terra e a enorme massa de água que está sobre ela e faz com que, ao longo do tempo, a Terra gire um pouco mais lentamente sobre o seu eixo. A Terra e a Lua são unidas por uma espécie de abraço gravitacional. Então, à medida que o movimento da Terra diminui, o da Lua acelera. E, quando algo que está em órbita acelera, essa aceleração a empurra para fora. Para cada ação há uma reação igual e oposta de acordo com a terceira lei de Newton. A distância da Lua afeta nosso planeta de várias formas. Para começar, à medida que a Terra gira mais devagar, os dias ficam mais longos. Eles ficam mais longos, em dois milésimos de segundo a cada século.

O que aconteceria com a Terra se a Lua se afastasse continuamente? Seria catastrófico para o planeta Terra porque os dias poderiam ser 48 vezes mais longos. Durante a noite, as temperaturas matariam todo mundo de frio. Ao longo do dia, ninguém suportaria o calor. No litoral, haveria ventos violentíssimos de 200 km/h. Em termos de vida não sobraria quase nada, a não ser bactérias e vermes super-resistentes. Tudo isso mostra como a Terra é dependente dessa bola estéril de minerais que chamamos de Lua. Só para ter uma ideia, antes da Lua começar a orbitar nosso planeta, um dia durava algo entre seis e oito horas. De lá para cá, a interação com a Lua vem freando a rotação do planeta. Pela mecânica celeste, isso acontece conforme a Lua se afasta.

Há mais de 4 bilhões de anos, estima-se que a Lua ficava a apenas 25 mil quilômetros da Terra. Hoje, a distância é 15 vezes maior. Com este afastamento da Lua em relação à Terra, a velocidade de rotação do planeta foi diminuindo aos poucos. Em cerca de 3 bilhões de anos, a duração do dia já tinha saltado para 18 horas. Seguindo esta tendência, o dia de 24 horas que prevalece hoje não vai durar para sempre. A Lua continuará se distanciando agora, a um ritmo mais rápido do que antes, a uma taxa de 3,8 centímetros por ano. Esse processo deve continuar até que o satélite esteja a 560 mil quilômetros de distância. Quando isso ocorrer, a rotação da Terra vai se estabilizar, os dias vão ter 1 152 horas e a vida no planeta será inviável. Este processo vai demorar pelo menos uns 4 bilhões de anos para acontecer. Neste cenário caótico provavelmente não vai ter seres humanos para testemunhá-lo porque no próximo bilhão de anos, o Sol vai estar 10% mais quente que será suficiente para inviabilizar qualquer forma de vida na Terra.

As principais consequências do desaparecimento repentino da Lua seriam: 1) o desaparecimento do fenômeno das marés; 2) o fim da estabilidade do eixo de rotação da Terra; 3) o fim de muitas espécies e plantas terrestres; e, 4) mudanças climáticas drásticas e globais decorrentes do desaparecimento das marés e da desestabilização do eixo de rotação da Terra. O desaparecimento do fenômeno das marés resultantes da gravidade da Lua levaria ao enfraquecimento das correntes oceânicas cujas águas tenderiam a se estancar. As margens dos mares perderiam seu sistema de drenagem e limpeza natural decorrente do avanço e recuo das águas. A água oceânica tenderia a redistribuir-se, tomando o rumo dos polos, e o nível do mar se elevaria nas costas. A consequência de tudo isso seria uma mudança drástica do clima da Terra.

O fim da estabilidade do eixo de rotação da Terra ocorreria com a precessão terrestre que se tornaria mais lenta sem a Lua, como quando um pião começa a balançar, prestes a cair, podendo variar seu eixo de forma caótica entre 0 e 90 graus. O eixo de rotação da Terra está a 23 graus em relação ao plano de sua órbita provocado pelo movimento orbital da Lua que é responsável pela existência das estações do modo como as conhecemos. O fim da estabilidade do eixo de rotação da Terra resultaria em uma mudança climática em escala global, que poderia produzir verões com temperaturas que superariam os 100 graus, e invernos com temperaturas abaixo de 80 graus negativos. No caso mais extremo, o eixo de rotação terrestre poderia alinhar-se diretamente na direção do Sol, o que faria com que zonas do planeta ficassem sob uma permanente insolação e outras, em permanente obscuridade. As gigantescas diferenças térmicas entre uma metade e a outra da Terra provocariam ventos extremos, com velocidade de mais de 300 quilômetros por hora e outros fenômenos meteorológicos dramáticos.

O fim de muitas espécies e plantas terrestres ocorreria com o desaparecimento da Lua que afetaria também a vida na Terra. O efeito mais imediato seria o desaparecimento da própria luz solar refletida pela Lua, que alteraria os ritmos biológicos de muitas espécies animais e vegetais que se adaptaram e evoluíram sob a presença cíclica da luz lunar. Muitas espécies precisariam adaptar-se de repente à obscuridade total das noites sem lua. O desaparecimento das marés lunares afetaria, sobretudo as espécies adaptadas aos fluxos e correntes marinhos, como as que vivem nas costas às quais o fluxo das marés leva os nutrientes, ou as que habitam mares e oceanos, acostumadas aos atuais padrões das correntes marinhas.

As mudanças climáticas drásticas e globais, decorrentes do desaparecimento das marés e da desestabilização do eixo de rotação da Terra, seriam os fatores que produziriam as consequências mais terríveis sobre a vida terrestre. Os ritmos vitais de todas as espécies animais e vegetais seriam alterados por essas mudanças climáticas: as migrações, a época do cio, a hibernação etc. O crescimento das plantas também seria afetado pelas variações térmicas extremas. Muitas espécies seriam incapazes de se adaptar, haveria extinção maciça de plantas e animais. No caso muito extremo, que vimos antes, de que o eixo de rotação terrestre acabasse apontando para o Sol, a vida na Terra tal como a conhecemos seria impossível em qualquer dos dois hemisférios, e somente seria talvez viável no equador, entre os hemisférios quente e gelado do planeta.

Um dos maiores temores da humanidade é que a Terra esteja em rota de colisão com algum asteroide gigante que tenha o potencial de nos aniquilar por completo. O medo não é de forma alguma infundado porque estes monstros existem no espaço e podem se chocar contra a Terra. Na verdade, a história do nosso planeta é repleta desses impactos. Enquanto ainda estava em formação, a Terra era bombardeada com maior frequência. De acordo com o Jet Propulsion Laboratory, da NASA, 556 asteroides pequenos cruzaram a atmosfera de 1994 até 2013. A maioria deles se desintegra, no entanto alguns conseguem chegar até a superfície e provocar estragos, como o objeto que atingiu a cidade de Chelyabinsk, na Rússia (OLIVEIRA, André Jorge. Veja o que aconteceria se um asteroide de 500 quilômetros de diâmetro atingisse a Terra. Disponível no website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/03/veja-o-que-aconteceria-se-um-asteroide-de-500-quilometros-de-diametro-atingisse-terra.html>). É preciso não esquecer que o extermínio dos dinossauros ocorreu entre 208 e 144 milhões de anos atrás devido a um impacto de um asteroide de 10 km de diâmetro que gerou uma explosão semelhante a 100 trilhões de toneladas de TNT.

Oliveira pergunta: o que aconteceria com o nosso planeta se colidisse com um asteroide realmente grande? O Discovery Channel fez uma simulação que dá uma resposta a esta dúvida. O vídeo mostra um asteroide com diâmetro de 500 quilômetros (quase a distância de São Paulo a Belo Horizonte) se chocando contra o Oceano Pacífico e produzindo ondas de choque que viajam em velocidades hipersônicas. Um episódio destes decretaria o fim da vida na Terra. A força do impacto seria tamanha que romperia completamente a crosta terrestre da região, lançando os detritos ao espaço. Eles entrariam em uma órbita baixa e, conforme fossem caindo, destruiriam toda a superfície. Como se o cenário não fosse catastrófico o bastante, a destruição não para por aí: uma tempestade de fogo se espalharia pela atmosfera e vaporizaria qualquer forma de vida em seu caminho. Em apenas um dia, o planeta inteiro se tornaria inabitável. O mais chocante de tudo é a quantidade de vezes que os cientistas acreditam que tal apocalipse tenha acometido a Terra ao longo de sua história, isto é seis vezes.

Outra ameaça vinda do espaço diz respeito às explosões de supernovas, estrelas de grande massa maior que o nosso Sol, no final de sua existência que poderiam exterminar a vida na Terra devido à liberação da radiação gama e raio X suficientes para aquecerem a superfície do nosso planeta e fazerem a atmosfera e os oceanos evaporarem. Além das ameaças representadas pelo afastamento da Lua em relação à Terra, a colisão com algum asteroide e explosões de estrelas supernovas, é sabido cientificamente que toda a vida na Terra será varrida quando nosso Sol chegar ao fim de sua existência dentro de 5 bilhões de anos ao tornar-se uma gigante vermelha que engolirá a Terra. Finalmente, o Universo tornar-se-á incapaz de permitir a existência de qualquer tipo de vida devido à sua eterna expansão, deixando apenas calor residual e buracos negros, ou senão se contrairá novamente unindo toda a matéria e energia num único Grande Buraco Negro que é uma região do espaço com um campo gravitacional tão intenso em decorrência da morte de estrelas supermassivas onde intensa gravidade comprime a matéria até que não haja mais espaço entre os átomos que nem mesmo a luz consegue escapar de dentro dele. De qualquer forma, toda a vida no Universo desaparecerá para sempre. Isto significa dizer que nos defrontaremos com a morte de nossa espécie com o desaparecimento do Sol, da Terra e do próprio Universo.

Em Astronomia ocorreu, mais recentemente, a descoberta de que o Universo é composto de 73% de matéria escura e 23% de energia escura, enquanto o restante composto por galáxias, estrelas, planetas, etc.corresponde a  4% de todo o Universo (PANEK, Richard. The 4% Universe. Boston e New York: Mariner Books, 2011). As hipóteses da matéria e energia escuras é um modelo cosmológico recente, que entrou em cena para quebrar o paradigma relacionado com o modelo cosmológico padrão, dado que diversos resultados observacionais apontavam uma grande falha nas previsões tomando por base este modelo. A primeira das duas hipóteses a surgir foi a de matéria escura, com Fritz Zwicky, em 1933. Por seus resultados, a velocidade das galáxias era tal que sua atração gravitacional, calculada a partir da sua massa visível, era insuficiente para se formar um sistema ligado, tal qual se observava. Zwicky propôs, então, que existia uma porção de matéria extra que não era visível: a “matéria escura”.

Em 1970, um grupo de astrônomos, liderados pela astrônoma Vera Rubin, fez uma série de medidas muito precisas que abalaram de vez as anteriores estruturas teóricas cosmológicas. Tais medidas indicavam que a velocidade de rotação nas galáxias, a partir de certo ponto, era aproximadamente constante e não decrescia com o inverso da raiz quadrada do raio, tal qual previa a física newtoniana. Então, a ideia de matéria escura surgiu com mais vigor e seriedade, sendo uma pesquisa de fronteira nos dias de hoje. Na década de 1990, duas equipes independentes de astrofísicos voltaram seus olhos para distantes supernovas (nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses) para calcular a desaceleração. Para sua surpresa, eles descobriram que a expansão do Universo não estava diminuindo, e sim acelerando. Algo devia estar superando a força de gravidade, que é consequência de uma nova forma de matéria que os cientistas chamaram de “energia escura” que também não foi detectada até agora e a teoria atual não consegue explicar. A matéria escura atrai e a energia escura repele, ou seja, a matéria escura é usada para explicar uma atração gravitacional maior do que a esperada, enquanto a energia escura é usada para explicar uma atração gravitacional negativa.

Sobre a questão da energia e matéria escura, há o fato novo de que a Energia Escura estaria comendo a Matéria Escura. Isto significa dizer que o espaço pode se tornar mais vazio. Uma sugestão tentadora que a matéria escura pode estar mudando lentamente para a energia escura foi descoberto por uma equipe de cosmólogos no Reino Unido e Itália. Enquanto a natureza específica da interação que dirige a conversão não é conhecida, o processo poderia ser responsável pela desaceleração do crescimento das galáxias e outras estruturas em larga escala no Universo através dos últimos oito bilhões de anos. Se a conversão continuar no ritmo atual, o destino último do Universo como um lugar frio, escuro e vazio poderia vir mais cedo do que o esperado. Os cosmólogos Valentina Salvatelli, Najla Said e Alessandro Melchiorri, da Universidade de Roma, juntamente com David Wands e Marco Bruni na Universidade de Portsmouth informaram que a conversão de matéria escura em energia escura é muito lento (BACHEGA, Riis. A Energia Escura está comendo a Matéria Escura? Disponível no website <http://www.universoracionalista.org/a-energia-escura-esta-comendo-a-materia-escura/>). Se continuar no ritmo atual, todo o Universo terá decaído em energia escura em cerca de 100 bilhões de anos. Se a energia escura está crescendo e matéria escura está evaporando, vamos acabar com um grande e vazio no Universo com quase nada nele.

Pelo exposto, constata-se que o afastamento da Lua em relação à Terra, a colisão da Terra com um asteroide gigante, as explosões de estrelas supernova, o fim da existência do Sol e o destino último do Universo como um lugar frio, escuro e vazio se constituem em grandes ameaças sobre a vida na Terra vindas do espaço. Pode-se afirmar que estas ameaças não deveriam ser objeto de preocupação imediata pela humanidade porque não ocorrerão a curto prazo e sim a bilhões de anos no futuro. No entanto, um fato é evidente: o futuro da humanidade está em jogo que impõe a necessidade de traçar uma estratégia de sobrevivência diante das ameaças acima descritas desde já, especialmente, para fazer frente à colisão provocada por asteróides gigantes. As ameaças vindas do espaço requerem que a humanidade se una em um esforço comum de construção de uma sociedade humana solidária para enfrentar este grande desafio que exige a constituição de um governo mundial para enfrentar também os grandes desafios da humanidade no século XXI, que consistem em: 1) crises econômicas e financeiras em cadeia; 2) revoluções sociais e contrarrevoluções em todo o mundo; 3) guerras em cascata; 4) superpopulação mundial; 5) pandemia mortal; 6) mudança climática extrema; e 7) crime organizado cujas ações globais para enfrentá-los são impossíveis de serem levadas avante por estados nacionais individualmente e organizações internacionais atuais.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMMENT LE BRÉSIL DOIT FAIRE FACE À LA RÉCESSION MONDIALE ET À LA STAGNATION ÉCONOMIQUE INTERNE

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de présenter les impacts de la récession mondiale actuelle sur l’économie brésilienne et les solutions pour faire face à ce problème gigantesque et à la stagnation de l’économie interne. Plusieurs indicateurs donnent à penser que l’économie mondiale risque effectivement de se transformer en récession [CAVENDISH, Eduardo. Caminhamos para uma recessão global (Nous nous dirigeons vers une récession mondiale). Disponible sur le site Web <https://www.infomoney.com.br/colunistas/eduardo-cavendish/caminhamos-para-uma-recessao-global/>]. Cavendish démontre cette tendance à l’aide de 5 indicateurs: 1) PMI (indicateurs d’achat pour les États-Unis, la Chine, le monde et la zone euro); 2) création de crédit en Chine; 3) production industrielle en Europe; 4) la croissance des bénéfices des entreprises aux États-Unis; et 5) Coût du transport de fret sur les principales routes de navigation du monde.

Selon Cavendish, les indicateurs d’achat des États-Unis, de la Chine, du monde et de la zone euro sont au bord du ralentissement économique, à l’exception des États-Unis. La variation annuelle de la création de crédit en Chine montre des chiffres actuels inférieurs au sommet de la crise de 2008/2009, les chiffres de la croissance de la production industrielle dans les principaux pays de la zone euro montrent une détérioration rapide de l’activité survenue au quatrième trimestre de 2018, y compris en Allemagne, qui possède le plus grand parc industriel du groupe, avec une baisse de la croissance des bénéfices des entreprises américaines États-Unis et la demande de transport de fret sur les principales routes commerciales du monde est en baisse. Cavendish a déclaré dans son article que la Directrice du FMI, Christine Lagarde, avait déclaré: “Lorsqu’il y a trop de nuages, la foudre suffit pour déclencher la tempête” Telle serait la situation à laquelle l’économie mondiale serait confrontée dans la direction de la récession mondiale.

La récession mondiale pourrait entraîner le monde dans une dépression économique qui pourrait survenir lorsque le marché boursier s’effondrerait, de même que l’immobilier, les prix des actifs et tous les paris secondaires. Outre la récession mondiale, le système financier mondial est en train de s’effondrer avec l’effondrement inévitable du dollar. Les perspectives d’avenir sont la récession mondiale, l’accélération de l’inflation monétaire aux États-Unis, suivie d’un effondrement monétaire international. Selon le rapport de l’Institut financier international, la dette mondiale a atteint 243 000 milliards de dollars. C’est un montant record trois fois supérieur au PIB mondial. Lorsque cette bombe de plusieurs milliards de dollars constituée par l’économie mondiale explosera, la crise sera pire que celle de 2008.

Si l’économie mondiale ne parvient pas à absorber cette énorme dette, la crise qui en résulte conduira le monde à la dépression économique, à la pauvreté de masse, à l’instabilité géopolitique, aux troubles politiques et à la guerre. Alors que le système financier international se dirige vers la faillite, le système capitaliste mondial se terminera au milieu du XXIe siècle, car le taux de profit du système capitaliste mondial et le produit brut mondial tendra à zéro d’ici 2057 [ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo (Comment inventer l’avenir pour changer le monde). Curitiba: Editora CRV, 2019]. Le scénario de récession mondiale pourrait également avoir des conséquences négatives pour le Brésil, nuisant à la reprise de l’économie nationale. En temps de crise et de grande incertitude, les investisseurs mondiaux ont tendance à quitter les marchés émergents, tels que le Brésil, considérés comme plus risqués. La politique économique néolibérale de Bolsonaro pourrait ne pas être en mesure de faire face à une crise internationale plus grave. L’existence du modèle néolibéral au Brésil rend son économie vulnérable à la ruine prévisible de l’économie mondiale.

Alors que le monde se dirige vers une récession suivie d’une dépression économique, le Brésil est confronté à l’obstacle représenté par le néolibéralisme qui ravage le pays depuis 1990. Le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 est en grande partie responsable de la faillite économique du Brésil et crise sociale gigantesque aujourd’hui. La pratique a démontré la faillite du modèle économique néolibéral au Brésil inauguré par le président Fernando Collor en 1990 et maintenu par les présidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer et Jair Bolsonaro.

Le principal problème interne du Brésil est aujourd’hui la stagnation de l’économie et ses conséquences liées à la fermeture des industries et des activités commerciales et de services et, surtout, au chômage de masse de 13 millions de travailleurs et à la sous-utilisation de 28 millions de travailleurs. Le président Bolsonaro et ses ministres démontrent qu’ils ne sont pas des gestionnaires efficaces, car ils ne passent pas leur temps à travailler sur ce qui compte vraiment pour le Brésil à l’heure actuelle qui est la réactivation de l’économie et la lutte contre le chômage, ne dirigent pas leurs efforts vers les résultats souhaités par le peuple brésilien, qui est la reprise du développement national et ne se concentrent pas dans les quelques grandes zones où une exécution supérieure produira d’excellents résultats pour le pays, en plus de ne pas définir des stratégies capables d’éliminer ou de minimiser les impacts de la récession mondiale sur l’économie brésilienne.

Pour réactiver l’économie brésilienne, le gouvernement Bolsonaro devrait au préalable abandonner le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 et à partir duquel le gouvernement fédéral avait renoncé à la planification économique nationale. Le modèle néolibéral, responsable de la débâcle économique du Brésil, devrait être immédiatement remplacé par le modèle national développementalist  d’ouverture sélective de l’économie brésilienne avec une participation active de l’État à la planification économique, comme ce fut le cas dans la période 1930-1980, lorsque le Brésil atteignit son plus grand développement économique et social. L’analyse des taux de croissance du PIB brésilien à 10 ans de 1901 à 2010, projetés de 2011 à 2020, montre incontestablement que la meilleure performance de l’économie brésilienne avec les taux de croissance les plus élevés s’est produite entre 1930 et 1980, grâce à la participation de l’État brésilien à la promotion de son développement.

À partir de 1990, le gouvernement fédéral a renoncé à planifier l’économie nationale sous l’influence des thèses néolibérales selon lesquelles il incombait au marché de promouvoir l’expansion de l’économie. De 1990 à 2016, le Brésil avait des taux de croissance du PIB très faibles. Selon FGV, l’économie brésilienne devrait progresser en moyenne de 0,9% par an entre 2011 et 2020. Ce taux est inférieur aux 1,6% de la soi-disant «décennie perdue» des années 1980. En 2015 et 2016, par exemple, le PIB avait enregistré une croissance négative de 3,5% et 3,3% respectivement. Le Brésil n’avait pas connu deux années de récession consécutives depuis 1930 et 1931, alors que le monde entier était touché par les effets de la crise économique de 1929 et le krach de la Bourse de New York. Le Brésil vit maintenant cinq années de récession sans perspective de solution à court terme. Au cours des deux dernières années, le PIB n’a augmenté que de 1,1%. Ces chiffres montrent l’échec du néolibéralisme de 1990 à nos jours au Brésil. Maintenir le modèle économique néolibéral néfaste pour le Brésil est donc un acte dommageable pour notre patrie.

Le gouvernement fédéral devrait élaborer un plan économique qui contribue à la reprise du développement du Brésil et présente à la population et aux secteurs productifs la perspective de surmonter la crise actuelle et de relancer la croissance économique. C’est l’absence de plan de développement gouvernemental qui est l’un des facteurs qui a conduit à l’immobilité du secteur privé à effectuer des investissements au Brésil, ce qui a entraîné une véritable paralysie. Le plan de développement devrait guider et coordonner les entreprises du pays qui, organisées en réseaux et aidées par les politiques en matière de commerce, de technologie et de crédit, peuvent réussir à faire face à la concurrence dans les économies nationale et mondiale.

Il est urgent que l’État brésilien prenne les rênes de l’économie nationale en abandonnant le modèle économique néolibéral défaillant pour relancer l’économie brésilienne et le plein emploi. Le gouvernement brésilien devrait accorder la priorité numéro un à la réactivation de l’économie en exécutant immédiatement un vaste programme de travaux d’infrastructure publique (énergie, transports, logement, assainissement, etc.), avec la participation du secteur privé pour lutter contre l’actuel chômage de masse en augmentant les niveaux d’emploi et de revenu des ménages et des entreprises, favorisant ainsi l’expansion de la consommation des ménages et des entreprises résultant respectivement de l’augmentation de la masse salariale des ménages et du revenu des entreprises provenant des investissements dans les travaux publics pour faire reactiver le Brésil économiquement.

En plus du programme de travaux publics, le gouvernement brésilien devrait élaborer un vaste programme d’exportation, en particulier dans le secteur agroalimentaire et le secteur des minéraux, en réduisant considérablement les taux d’intérêt bancaires pour encourager la consommation des ménages et les investissements des entreprises,  la réduction de la charge fiscale avec le gel des salaires élevés dans le secteur public, l’élimination de l’intendance et des agences de l’administration publique et la chute de paiement des intérêts et l’amortissement de la dette publique à renégocier avec les créanciers publics pour que le gouvernement dispose de ressources permettant d’investir dans les infrastructures économiques et sociales. Sans l’adoption de cette stratégie, le Brésil conduira inévitablement à la ruine économique et à des bouleversements politiques et sociaux.

Cet ensemble de mesures devrait être mis en œuvre sur la base d’une planification de l’économie nationale qui garantira la croissance économique du pays et son développement sur une base durable. Avec le modèle économique national développementalist d’ouverture sélective de l’économie, le gouvernement brésilien devrait adopter une politique capable de surmonter au plus vite les obstacles actuels liés à la dépendance économique et technologique vis-à-vis des pays étrangers. Ce défi ne sera relevé que si le gouvernement fédéral déploie beaucoup d’efforts et de détermination aux côtés des secteurs de production nationaux, des centres de R & D et des universités pour développer leur propre technologie de substitution des importations et / ou importer des technologies de pays avec lesquels des alliances stratégiques ont été conclues sur des bases souveraines. Il convient de noter que le modèle économique national développementalist d’ouverture sélective de l’économie est l’antithèse du modèle néolibéral en vigueur car il privilégie les intérêts nationaux plutôt que ceux du marché.

Confronté à la nécessité de renforcer la capacité de l’État brésilien à planifier l’économie nationale, le gouvernement brésilien devrait suspendre le paiement de la dette publique intérieure pour une période de cinq ans ou renégocier avec ses créanciers afin d’allonger son paiement afin que le gouvernement commence à payer la dette. disposer des ressources nécessaires aux investissements publics destinés à relancer l’économie. Cette solution est inévitable car près de la moitié du budget de l’Union est consacrée au service de la dette publique intérieure. Tenant compte du discours du ministre du gouvernement Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, fondamentaliste du néolibéralisme, il est peu probable que le gouvernement fédéral joue un rôle actif en tant que moteur de la croissance économique en élaborant un plan de développement avec l’adoption des mesures susmentionnées visant à promouvoir la réactivation de l’économie et la hausse des niveaux d’emploi au Brésil. Très rarement, le gouvernement Bolsonaro adoptera les mesures ci-dessus car il est soumis aux intérêts du gouvernement des États-Unis et du capital international et est dominé par la cécité néolibérale.

Pour aligner la politique économique du gouvernement Bolsonaro sur les intérêts de la nation, il faut mettre en place un front politique afin de mobiliser la population pour défendre le progrès économique du pays au Parlement et au sein de la société civile et pour lutter contre les actes des gouvernements contraire aux intérêts de la grande majorité de la population et du Brésil.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW BRAZIL MUST FACE GLOBAL RECESSION AND INTERNAL ECONOMIC STAGNATION

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the impacts that the ongoing global recession will have on the Brazilian economy and the solutions to deal with this gigantic problem and the internal economic stagnation. Several indicators give reason to believe that the global economy may indeed be evolving into a recession [CAVENDISH, Eduardo. Caminhamos para uma recessão global (We are heading for a global recession). Available on the website <https://www.infomoney.com.br/colunistas/eduardo-cavendish/caminhamos-para-uma-recessao-global/>%5D. Cavendish demonstrates this trend using 5 indicators: 1) PMI (US, China, World and Eurozone Purchasing Indicators); 2) Credit creation in China; 3) Industrial production in Europe; 4) Business profit growth in the United States; and 5) Cost of cargo transportation on major shipping routes in the world.

According to Cavendish, US, China, World and Eurozone Purchasing Indicators border on the economic downturn except the United States, the annual variation in credit creation in China shows current figures that are below the peak of the 2008/2009 crisis, industrial production growth figures in the major Eurozone countries show a rapid deterioration of activity that took place in the fourth quarter of 2018 including Germany which has the largest industrial park in the bloc, there is a decline in corporate profit growth United States and there is a drop in demand for cargo transportation on major trade routes in the world. Cavendish reports in her article that IMF Director Christine Lagarde said: “When there are too many clouds, lightning is enough to start the storm.” This would be the situation facing the world economy in the direction of the global recession.

The global recession could lead the world to economic depression that could happen when the stock market collapses, as can real estate, asset prices and all side bets. In addition to the global recession, the world financial system is collapsing with the inevitable collapse of the dollar. The prospects for the future are global recession, accelerated monetary inflation in the United States, followed by an international monetary collapse. According to the International Finance Institute report, global debt has risen to $ 243 trillion. This is a record amount three times the world GDP. When this multi-trillion dollar bomb of debt planted under the world economy explodes, the crisis will be worse than 2008.

If the global economy cannot digest this huge debt, the ensuing crisis will lead the world to economic depression, mass poverty, geopolitical instability, political unrest and war. While the international financial system is heading for bankruptcy, the world capitalist system is coming to an end in the middle of the 21st century because the profit rate of the world capitalist system and the World Gross Product will tend to zero by 2057 [ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo (how to invent the future to change the world). Curitiba: Editora CRV, 2019]. The scenario of global recession may also have negative consequences for Brazil, undermining the recovery of the domestic economy. In times of crisis, of great uncertainty, global investors tend to leave emerging markets, such as Brazil, which are considered more risky. Bolsonaro’s neoliberal economic policy may not be able to cope with a more severe international crisis. The existence of the neoliberal model in Brazil makes its economy vulnerable to the foreseeable ruin of the world economy.

As the world moves towards recession followed by economic depression, Brazil faces the obstacle represented by neoliberalism that has been devastating the country since 1990. The neoliberal economic model implemented in 1990 is largely responsible for leading Brazil to economic bankruptcy and gigantic social crisis today. The practice has been demonstrating the unfeasibility of the neoliberal economic model in Brazil inaugurated by President Fernando Collor in 1990 and maintained by Presidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer and Jair Bolsonaro.

Brazil’s main internal problem today is the stagnation of the economy with its consequences related to the closure of industries and commercial and service activities and, above all, the mass unemployment of 13 million workers and the underutilization of 28 million workers. President Bolsonaro and his ministers demonstrate that they are not effective managers as they do not spend their time working on what really matters to Brazil at the moment which is the reactivation of the economy and the fight against unemployment, do not focus their efforts on the desired results to the Brazilian people, which is the resumption of national development, and do not focus on the few large areas where superior execution will produce excellent results for the country, and do not outline strategies capable of eliminating or minimizing the impacts of global recession on the Brazilian economy.

To reactivate the Brazilian economy, the Bolsonaro government should preliminarily abandon the neoliberal economic model implemented in 1990 from which the federal government abdicated national economic planning. The neoliberal model, responsible for Brazil’s economic debacle, should be replaced immediately by the national developmentalist model of selective openness of the Brazilian economy with active state participation in economic planning, as occurred in the 1930-1980 period when Brazil reached its greatest economic and social development. The analysis of Brazil’s 10-year GDP growth rates from 1901 to 2010, projected from 2011 to 2020, undoubtedly shows that the best performance of the Brazilian economy with the highest growth rates occurred between 1930 and 1980, thanks to the active participation of the Brazilian state in promoting its development.

From 1990, the federal government abdicated from planning the national economy influenced by the neoliberal theses that considered that it was the market’s responsibility to promote the expansion of the economy. From 1990 to 2016, Brazil had very low GDP growth rates. Between 2011 and 2020, the Brazilian economy should advance on average 0.9% per year, according to FGV. This rate is lower than the 1.6% of the so-called “lost decade” in the 1980s. In 2015 and 2016, for example, GDP grew negatively by 3.5% and 3.3%, respectively. It was a negative milestone for the country’s economic history. Brazil had not had two consecutive years of recession since 1930 and 1931 when the world was affected by the effects of the 1929 economic crisis and the New York Stock Exchange crashed. Now Brazil is experiencing 5 years of recession with no prospect of a short-term solution. In the last two years, GDP has grown by only 1.1%. These numbers demonstrate the failure of neoliberalism from 1990 to the present time in Brazil. It is, therefore, an act of homeland damage to maintain the harmful neoliberal economic model for Brazil.

The federal government should elaborate an economic plan that contributes to the resumption of Brazil’s development that presents to the population and the productive sectors a perspective of overcoming the current crisis and resuming of economic growth. It is the absence of a government development plan that is one of the factors that lead to the immobility of the private sector in making investments in Brazil, leading to a real paralysis. The development plan should guide and coordinate companies in the country that, organized in networks and aided by trade, technology and credit policies, can successfully compete in the national and global economy.

It is urgent that the Brazilian State take the reins of the national economy by abandoning the failed neoliberal economic model to reactivate the Brazilian economy and full employment. The Brazilian government should consider as a number one priority to reactivate the economy with the immediate execution of a broad program of public infrastructure works (energy, transportation, housing, sanitation, etc.) with the participation of the private sector to combat the current one mass unemployment by raising household and corporate employment and income levels, thereby promoting the expansion of household and corporate consumption resulting, respectively, from the increase in household wage bill and corporate income from investments in public works to make Brazil grow back economically.

In addition to the public works program, the Brazilian government should develop a broad export program, especially in agribusiness and the mineral sector, drastically reducing bank interest rates to encourage household consumption and corporate investment, reducing the burden with the freezing of high wages in the public sector, the cutting of stewardship and public administration agencies, and the fall in interest and amortization charges on public debt to be renegotiated with public debt creditors for the government to dispose of resources for investment in economic and social infrastructure. Without the adoption of this strategy, Brazil will inevitably lead to economic ruin and political and social upheaval.

This whole set of measures should be implemented based on the planning of the national economy that will ensure the country’s economic growth and development on a sustainable basis. With the national developmentalist economic model of selective opening of the economy, the Brazilian government should adopt a policy capable of overcoming as soon as possible the current obstacles represented by technological dependence on the outside. This challenge will only be overcome if the federal government develops a lot of effort and determination alongside the national productive sectors, R&D centers and universities to develop their own technology to substitute imports and / or to import technology from countries with which strategic alliances will be made on a sovereign basis. It should be noted that the national developmentalist economic model of selective opening of the economy is the antithesis of the neoliberal model in force because it privileges national interests rather than those of the market.

Faced with the need to strengthen the Brazilian state to plan the national economy, the Brazilian government should suspend the payment of domestic public debt for a period of 5 years or renegotiate with its creditors in order to lengthen its payment so that the government will have the necessary resources for public investments aimed at reactivating the economy. This solution is unavoidable because almost half of the Union budget is spent on servicing domestic public debt. Taking into account the speech of the Minister of Economy of the government Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, who is a fundamentalist of neoliberalism, it is unlikely that the federal government will assume an active role as an inducer of economic growth, elaborating a development plan with the adoption of the above measures to promote the reactivation of the economy and the rise in employment levels in Brazil. Very hardly, the Bolsonaro government will adopt the above measures because it is submissive to the interests of the United States government and international capital, and is dominated by neoliberal blindness.

To bring the Bolsonaro government’s economic policy into line with the nation’s interests, a political front must be set up to mobilize the population in defense of the country’s economic progress in Parliament and civil society and to fight government acts that are contrary to the interests of the vast majority of the population and Brazil.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMO O BRASIL DEVE ENFRENTAR A RECESSÃO GLOBAL E A ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA INTERNA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os impactos que a recessão global que já está em curso produzirá sobre a economia brasileira e as soluções para lidar com este gigantesco problema e à estagnação econômica interna. Diversos indicadores dão motivos para crer que a economia global pode, de fato, estar evoluindo para uma recessão (CAVENDISH, Eduardo. Caminhamos para uma recessão global. Disponível no website <https://www.infomoney.com.br/colunistas/eduardo-cavendish/caminhamos-para-uma-recessao-global/). Cavendish demonstra esta tendência utilizando 5 indicadores: 1) PMI (Indicadores de Compras dos Estados Unidos, China, Mundo e Eurozona); 2) Criação de crédito na China; 3) Produção industrial na Europa; 4) Crescimento do lucro das empresas nos Estados Unidos; e, 5) Custo do transporte de carga das principais rotas marítimas do mundo.

Segundo Cavendish, os Indicadores de Compras dos Estados Unidos, China, Mundo e Eurozona beiram a retração econômica à exceção dos Estados Unidos, a variação anual da criação de crédito na China apresenta números atuais que estão abaixo aos do auge da crise de 2008/ 2009, os números do crescimento da produção industrial nos principais países da Zona do Euro mostra uma rápida deterioração da atividade que aconteceu no quarto trimestre de 2018 inclusive na  Alemanha que possui o maior parque industrial do bloco, há declínio no crescimento do lucro das empresas dos Estados Unidos e há queda na procura pelo transporte de cargas nas principais rotas comerciais do mundo. Cavendish informa em seu artigo que a diretora do FMI, Christine Lagarde disse: “Quando há muitas nuvens, basta um raio para iniciar a tempestade”. Seria esta a situação em que se defronta a economia mundial rumo à recessão global.

A recessão global poderá conduzir o mundo à depressão econômica que poderá acontecer quando o mercado de ações sofrer queda, assim como o imobiliário, os preços dos ativos e todas as apostas paralelas. Além da recessão global, o sistema financeiro mundial está em processo de desmoronamento com o inevitável colapso do dólar. Os prospectos para o futuro são de recessão global, acelerada inflação monetária nos Estados Unidos, seguida de um colapso monetário internacional.  Segundo o relatório do Instituto de Finanças Internacionais, a dívida global aumentou para 243 trilhões de dólares. Trata-se de um montante recorde três vezes superior ao PIB mundial. Quando esta bomba de vários trilhões de dólares de dívida plantada sob a economia mundial explodir, a crise será pior do que a de 2008.

Caso a economia global não seja capaz de digerir essa enorme dívida, a crise subsequente levará o mundo à depressão econômica, à pobreza em massa, instabilidade geopolítica, agitação política e guerras. Enquanto o sistema financeiro internacional caminha rumo à bancarrota, o sistema capitalista mundial caminha para seu fim em meados do século XXI porque a taxa de lucro do sistema capitalista mundial e o Produto Bruto Mundial tenderão ao valor zero em 2057 (ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019). O cenário de recessão global pode trazer consequências negativas também para o Brasil, prejudicando a recuperação da economia doméstica. Em momentos de crise, de grande incerteza, os investidores globais tendem a sair de mercados emergentes, como o do Brasil, considerados mais arriscados. A política econômica neoliberal do governo Bolsonaro pode não ser capaz de enfrentar uma crise internacional mais severa. A existência do modelo neoliberal no Brasil faz com que sua economia fique vulnerável ao previsível arruinamento da economia mundial.

Enquanto o mundo caminha rumo à recessão seguida da depressão econômica, o Brasil se defronta com o obstáculo representado pelo neoliberalismo que vem devastando o País desde 1990. O modelo econômico neoliberal implantado em 1990 é o grande responsável por levar o Brasil à bancarrota econômica e à gigantesca crise social na atualidade. A prática vem demonstrando a inviabilidade do modelo econômico neoliberal no Brasil inaugurado pelo presidente Fernando Collor em 1990 e mantido pelos presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O principal problema interno do Brasil hoje é a estagnação da economia com suas consequências relacionadas com o fechamento de indústrias e das atividades comerciais e de serviços e, sobretudo, com o desemprego em massa de 13 milhões de trabalhadores e a subutilização de 28 milhões de trabalhadores. O presidente Bolsonaro e seus ministros demonstram que não são gestores eficazes haja vista que não empregam seu tempo trabalhando sobre o que realmente importa ao Brasil no momento que é a reativação da economia e o combate ao desemprego, não conduzem seus esforços para os resultados desejados pelo povo brasileiro que é a retomada do desenvolvimento nacional e não se concentram nas poucas grandes áreas onde uma execução superior produzirá resultados excelentes para o País, além de não traçarem estratégias capazes de eliminar ou minimizar os impactos da recessão global sobre a economia brasileira.

Para reativar a economia brasileira, o governo Bolsonaro deveria preliminarmente abandonar o modelo econômico neoliberal implantado em 1990 a partir do qual o governo federal abdicou do planejamento econômico nacional. O modelo neoliberal, responsável pela debacle econômica do Brasil, deveria ser substituído de imediato pelo modelo nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia brasileira com ativa participação do Estado no planejamento econômico como ocorreu no período 1930/1980 quando o Brasil alcançou seu maior desenvolvimento econômico e social. A análise das taxas de crescimento decenal do PIB do Brasil de 1901 até 2010 com projeção de 2011 a 2020 demonstra de forma indiscutível que os melhores desempenhos da economia brasileira com as mais elevadas taxas de crescimento ocorreram entre 1930 e 1980 que foram obtidas graças à ativa participação do Estado brasileiro na promoção de seu desenvolvimento.

A partir de 1990, o governo federal abdicou de planejar a economia nacional influenciado pelas teses neoliberais que consideravam que competia ao mercado promover a expansão da economia.  De 1990 a 2016, o Brasil apresentou baixíssimas taxas de crescimento do PIB. Entre 2011 e 2020, a economia brasileira deve avançar em média 0,9% ao ano, segundo a FGV. Esta taxa é menor do que o 1,6% da chamada “década perdida”, na década de 1980. Em 2015 e 2016, por exemplo, o PIB teve crescimento negativo de 3,5% e 3,3%, respectivamente. Foi um marco negativo para a história econômica do País. O Brasil não registrava dois anos seguidos de recessão desde 1930 e 1931 quando o mundo foi afetado pelos efeitos da crise econômica de 1929 e ocorreu a quebra da Bolsa de Nova York. Agora, o Brasil registra 5 anos de recessão sem perspectiva de solução a curto prazo. Nos últimos dois anos, o PIB cresceu apenas 1,1%. Estes números demonstram o fracasso do neoliberalismo de 1990 até o presente momento no Brasil. Trata-se, portanto, de um ato de lesa pátria manter o modelo econômico neoliberal danoso para o Brasil.

O governo federal deveria elaborar um plano econômico que contribuísse para a retomada do desenvolvimento do Brasil que apresente para a população e para os setores produtivos uma perspectiva de superação da crise atual e de retomada do crescimento econômico. É a inexistência de um plano governamental de desenvolvimento um dos fatores que levam à imobilidade do setor privado na realização de investimentos no Brasil levando-o a uma verdadeira paralisia. O plano de desenvolvimento deve orientar e coordenar as empresas do país que, organizadas em redes, e ajudadas com políticas de comércio, tecnologia e crédito possam competir com sucesso na economia nacional e mundial.

Urge fazer com que o Estado brasileiro assuma as rédeas da economia nacional abandonando o fracassado modelo econômico neoliberal para reativar a economia brasileira e o pleno emprego. O governo brasileiro deveria considerar como prioridade número 1 reativar a economia com a execução, de imediato, de um amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) com a participação do setor privado para combater o atual desemprego em massa elevando os níveis de emprego e da renda das famílias e das empresas para, em consequência, promover a expansão do consumo das famílias e das empresas resultantes, respectivamente, do aumento da massa salarial das famílias e da renda das empresas com os investimentos em obras públicas para fazer o Brasil voltar a crescer economicamente.

Além do programa de obras públicas, o governo brasileiro deveria desenvolver um amplo programa de exportações, sobretudo do agronegócio e do setor mineral, a redução drástica das taxas de juros bancárias para incentivar o consumo das famílias e o investimento pelas empresas, a redução da carga tributária com o congelamento dos altos salários do setor público, o corte de mordomias e de órgãos da administração pública e a queda dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública a ser renegociada com os credores da dívida pública para o governo dispor de recursos para investimento na infraestrutura econômica e social. Sem a adoção desta estratégia, o Brasil será levado inevitavelmente à ruina econômica e à convulsão política e social.

Todo este conjunto de medidas deveria ser posto em prática com base na planificação da economia nacional que assegure o crescimento econômico e o desenvolvimento do País em bases sustentáveis. Com o modelo econômico nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia, o governo brasileiro deveria adotar uma política capaz de superar o mais rápido possível os entraves atuais representados pela dependência econômica e tecnológica em relação ao exterior. Este desafio só será superado se o governo federal desenvolver muito esforço e determinação ao lado dos setores produtivos nacionais, centros de P&D e Universidades no sentido de desenvolverem tecnologia própria substitutiva de importações e/ou importarem tecnologia oriunda de países com os quais sejam feitas alianças estratégicas em bases soberanas. Cabe observar que o modelo econômico nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia é a antítese do modelo neoliberal em vigor porque privilegia os interesses nacionais e não os do mercado.

Diante da necessidade de fortalecer o Estado brasileiro para planificar a economia nacional, o governo brasileiro deveria suspender o pagamento da dívida pública interna pelo período de 5 anos ou renegociar com os seus credores no sentido de alongar seu pagamento a fim de que o governo passe a dispor dos recursos necessários aos investimentos públicos visando a reativação da economia. Esta solução é inadiável porque quase a metade do orçamento da União é destinada ao pagamento do serviço da dívida pública interna. Levando em conta o discurso do ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, que é um fundamentalista do neoliberalismo dificilmente o governo federal assumirá um papel ativo como indutor do crescimento econômico elaborando um plano de desenvolvimento com a adoção das medidas acima apresentadas para promover a reativação da economia e a elevação dos níveis de emprego no Brasil. Muito dificilmente, o governo Bolsonaro adotará as medidas acima propostas porque está submisso aos interesses do governo dos Estados Unidos e ao capital internacional, além de estar dominado pela cegueira neoliberal.

Para fazer com que a política econômica do governo Bolsonaro corresponda aos interesses da nação, é preciso que seja constituída uma frente política para mobilizar a população em defesa do progresso econômico do País no Parlamento e na Sociedade Civil e lutar contra os atos do governo que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e do Brasil.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).