RÉCESSION MONDIALE VERS LA DÉPRESSION ÉCONOMIQUE MONDIALE

Fernando Alcoforado*

Cet article a pour objectif de démontrer que le monde se dirige vers une récession suivie d’une dépression économique mondiale, tout en présentant les solutions permettant de résoudre ce problème gigantesque.

Pour lire l’article, accédez au site web:

https://www.academia.edu/40558737/RECESS%C3%83O_GLOBAL_RUMO_%C3%80_DEPRESS%C3%83O_ECON%C3%94MICA_MUNDIAL

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

GLOBAL RECESSION TOWARDS WORLD ECONOMIC DEPRESSION

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the world is heading towards recession followed by a global economic depression, as well as presenting the solutions to deal with this gigantic problem.

To read the article, access through the website:

https://www.academia.edu/40558722/GLOBAL_RECESSION_TOWARDS_WORLD_ECONOMIC_DEPRESSION

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

RECESSÃO GLOBAL RUMO À DEPRESSÃO ECONÔMICA MUNDIAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que o mundo caminha para a recessão seguida de uma depressão econômica global, bem como apresentar as soluções para lidar com este gigantesco problema.

Para ler o artigo, acessar o website:

https://www.academia.edu/40558737/RECESS%C3%83O_GLOBAL_RUMO_%C3%80_DEPRESS%C3%83O_ECON%C3%94MICA_MUNDIAL

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMMENT ATTENUER LE CHOMAGE ET LA PAUVRETE DANS LE CAPITALISME

Fernando Alcoforado*

Le capitalisme a contribué, au cours de son histoire, à l’évolution du chômage et de l’extrême pauvreté. Selon l’OIT, la planète comptait 172 millions de chômeurs en 2018. Même sans récession, l’augmentation de la population mondiale entraînera inévitablement une augmentation du nombre de chômeurs (173,6 millions en 2019 et 174,3 millions en 2020) car le marché ne sera pas en mesure d’absorber de nouveaux travailleurs. Le Programme des Nations Unies pour le développement (PNUD) et l’Initiative Oxford pour la pauvreté et le développement humain (OPHI) préparent chaque année l’indice mondial de pauvreté multidimensionnelle. L’édition 2019 récemment publiée montre qu’il ya 1,3 milliard de pauvres multidimensionnels dans les 101 pays à revenu faible et intermédiaire visés par l’étude, c’est-à-dire souffrant de plusieurs pénuries sur une liste de 10 concernant la santé, l’éducation et la qualité de la vie.  Ils représentent presque le double des 736 millions de personnes considérées comme extrêmement pauvres et vivant avec moins de 1,90 dollar par jour [AGUDO,  Alejandra. Quem são e onde estão os pobres do mundo (Qui sont et où sont les pauvres du monde). Disponible sur le site <https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/13/actualidad/1562972599_738643.html>].

Comment les pays du monde, y compris les plus riches, peuvent-ils avoir autant de chômeurs et de pauvres et que peut-on faire à cet égard? Nous devons combattre la vision des partis et des hommes politiques de droite qui considèrent le chômage et la pauvreté comme des problèmes inévitables et ne devrait pas faire l’objet d’une intervention gouvernementale, ni celle des partis et des hommes politiques de gauche qui considèrent le chômage et la pauvreté comme des problèmes insolubles du capitalisme. Les  partis et des hommes politiques de droite, réactif à l’intervention de l’État dans l’économie et trop convaincu que le marché libre apportera automatiquement le bien-être universel, ne résout en rien le problème. Les partis et des hommes politiques de gauche souligne la nécessité de modifier le modèle de société pour résoudre le problème. La tendance future est celle d’une aggravation du chômage et de l’extrême pauvreté. Dans cette perspective, quelle serait la solution pour réduire le chômage et la pauvreté dans le cadre du capitalisme? La solution serait l’adoption par les États nationaux de politiques publiques visant à développer l’économie sociale et solidaire afin de réduire le chômage et à instaurer un revenu minimum de base ou universel afin de réduire la pauvreté.

En ce qui concerne l’économie sociale et solidaire, il est important de noter que c’est l’une des solutions pour atténuer le problème du chômage et ouvrir la voie à l’avenir pour inventer d’autres moyens de production et de consommation contribuant à une plus grande cohésion sociale. C’est l’opinion de Géraldine Lacroix et Romain Slitine présentée dans leur ouvrage L’économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016). Selon Lacroix et Slitine, du commerce équitable à l’épargne solidaire en passant par les innovations sociales dans le domaine de la protection de l’environnement, la lutte contre l’exclusion sociale ou l’égalité des chances, l’économie sociale et solidaire apporte des réponses à de nombreuses questions de la société contemporaine. Les auteurs de ce ouvrage affirme que l’économie sociale et solidaire représente 10% du PIB et 12,7% de l’emploi en France. Au Brésil, l’économie sociale et solidaire représente 1% du PIB [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (Avec l’autogestion, l’économie solidaire représente déjà 1% du PIB au Brésil). Disponible sur le site Web <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>].

L’économie sociale et solidaire est un nouveau modèle de développement économique, social, politique et environnemental qui génère différemment des emplois et des revenus dans différents secteurs, que ce soit dans les banques communautaires, les coopératives de crédit ou les coopératives commerce équitable, clubs de troc, etc. L’économie sociale et solidaire est une nouvelle forme d’organisation du travail et les activités économiques en général qui se présentent comme une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, leur offrant une nouvelle opportunité grâce à l’autogestion. Sur la base de l’économie sociale et solidaire, il est possible de récupérer et de poursuivre les entreprises en faillite avec un nouveau mode de production, où la maximisation du profit n’est plus l’objectif principal, donnant lieu à la maximisation de la quantité et de la qualité du travail.

Il convient de noter que l’économie sociale et solidaire est apparue en Europe avec la première révolution industrielle à la fin du XVIIIe siècle, mais c’est en Grande-Bretagne (plus précisément en Angleterre) qu’elle a pris la forme la plus claire au XIXe siècle comme «réponse à la crise du travail qui s’aggrave» et mécontentement croissant à l’égard des performances du système de sécurité sociale public. Face à ces écarts économiques et sociaux produits par l’histoire du capitalisme, l’économie sociale et solidaire apparaît comme un modèle alternatif [SILVA, José Luís Alves e SILVA, Sandra Isabel Reis. A economia solidária como base do desenvolvimento local (L’économie solidaire est à la base du développement local). Disponible sur le site <https://journals.openedition.org/eces/1451&gt;, 2008]. Il convient de noter que l’économie sociale et solidaire a été inventée par les travailleurs dès les débuts du capitalisme industriel.

L’économie sociale et solidaire, qui a connu une reprise fulgurante à la fin du XXe siècle, est apparue comme une réponse des travailleurs à la restructuration productive du capitalisme mondialisé et aux abus non critiques des nouvelles technologies qui ont conduit au chômage de masse et à la faillite. entreprises. L’économie sociale et solidaire constitue une alternative possible pour créer des emplois pour les travailleurs qui sont pour la plupart exclus du marché du travail formel et de la consommation. L’économie sociale et solidaire a vu le jour dans diverses parties du monde avec des pratiques de relations économiques et sociales qui permettent la survie et l’amélioration de la qualité de la vie de millions de personnes. Ces pratiques sont basées sur des relations de collaboration solidaire, inspirées par des valeurs culturelles qui placent l’être humain en tant que sujet et but de l’activité économique, plutôt que l’accumulation privée de richesses en général et de capital en particulier.

À son tour, la politique du revenu de base ou du revenu minimum universel pour la population est l’une des solutions permettant de réduire la pauvreté. Cette idée n’est pas nouvelle. Friedrich August von Hayek, économiste autrichien puis philosophe britannique naturalisé, considéré comme l’un des plus grands représentants de l’École autrichienne de pensée économique, en fut l´auteur lorsqu’il publia entre 1973 et 1979 son ouvrage Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). Le programme de transfert de revenus néolibéral des gouvernements Lula et Dilma Rousseff au Brésil, Bolsa Familia,  est un exemple de l’application de la politique de revenu de base de Hayek. Le livre “Utopia for Realists” de Rutger Bregman (London, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) montre que le fait de donner de l’argent gratuitement à tout le monde, c’est-à-dire un programme de revenu minimum universel, permettrait de réduire ou d’éliminer la pauvreté. Parmi les raisons pour lesquelles cette idée se réalise, c’est que distribuer de l’argent diminue la criminalité, améliore la santé de la population et permet à chacun d’investir en soi.

Selon Bregman, l’un des principaux défis de la mise en œuvre de la politique de revenu de base pour les pauvres est la crainte qu’en donnant le minimum à leur survie, les gens deviennent paresseux. La conviction de Bregman est que le revenu minimum sera comme du capital de risque pour les personnes donnant à chacun la possibilité de prendre des risques. Cela générera une vague d’entrepreneuriat. Bregman prône l’utopie de l’argent pour tout le monde et pas seulement pour les pauvres. Dans le livre, Bregman cite une série d’exemples réussis de la façon dont les sans-abri, les Indiens et les populations des régions vulnérables se sont développés en recevant de l’argent sans rien demander en retour. Pour lui, ce sera mieux avec moins de bureaucratie et de fixer des exigences. Le programme de revenu de base devrait être universel pour s’étendre aux riches et à la classe moyenne afin qu’il devienne un droit de tous les citoyens, pas une faveur, dit Bregman. Le sujet du revenu de base ou du revenu minimum universel gagne du terrain dans la Silicon Valley, le principal centre technologique des États-Unis, alors que les systèmes de production basés sur l’intelligence artificielle et l’automatisation progressent qui augmente la peur qu’ils vont éliminer un certain nombre d’emplois. Dans le livre, Bregman affirme que toutes les grandes réalisations de la civilisation, telles que la fin de l’esclavage, le vœu universel, les droits des femmes étaient des utopies qui à un moment est devenu réalité.

On peut dire que l’adoption de l’économie sociale et solidaire est sans aucun doute la solution qui permettrait, dans le cadre du capitalisme, de lutter contre le chômage de masse qui tend à augmenter de façon spectaculaire à l’avenir avec le remplacement des travailleurs qualifiés et non qualifié par des robots sur le marché du travail C’est une alternative importante pour inclure les travailleurs sur le marché du travail, en leur donnant une nouvelle opportunité de travailler avec un nouveau mode de production où le profit n’est plus l’objectif principal. L’adoption de la politique du revenu de base ou du revenu minimum universel pour les pauvres est l’une des solutions pour réduire la pauvreté, car cela permettrait aux pauvres d’avoir de l’argent pour subvenir à leurs besoins alimentaires de base, santé, logement, etc. Il est important de noter que la pauvreté est la condition de ceux qui sont pauvres, c’est-à-dire de ceux qui ne possèdent pas les conditions de base pour garantir leur survie avec qualité de vie et dignité. En disposant d’un revenu de base, les pauvres seront en mesure de satisfaire leurs besoins essentiels.

Il convient de noter qu’une personne acquiert la condition de pauvreté quand elle ne satisfait pas à ses besoins essentiels parce que son revenu est insuffisant et qu’elle n’a pas de revenu parce qu’elle est sans emploi ou sans revenu, car elle n’est pas en mesure d’exercer une activité productive. En bref, la pauvreté résulte du fait que l’individu n’a pas assez d’argent pour subvenir à ses besoins essentiels. La politique de revenu de base pour les pauvres présenterait de nombreux avantages, tels que la réduction de la criminalité, l’amélioration des conditions de vie des pauvres et l’augmentation de la consommation de biens et de services par les pauvres. Le gouvernement, qui fournit le revenu de base aux pauvres, bénéficierait avec la réduction des dépenses avec la répression policière et la structure pénitentiaire en raison de la réduction de la criminalité et du sans-abrisme et l’augmentation du recouvrement des impôts résultant de la consommation accrue des pauvres.

Il est important de noter que la thèse du revenu de base pour les pauvres est largement remise en question, car il est largement admis que personne ne devrait avoir un revenu sans travailler. Cependant, il s’agit d’une conception qui ne devrait pas être appliquée dans une conjoncture telle que celle dans laquelle l’offre d’emploi ne répond pas aux besoins de la population et où la population pauvre croît verticalement dans le monde entier. Il n’y aura pas de paix sociale dans les pays qui n’adoptent pas les politiques d’économie sociale et solidaire et de revenu de base pour les pauvres.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW TO MITIGATE UNEMPLOYMENT AND POVERTY IN CAPITALISM

Fernando Alcoforado*

Capitalism has contributed in its evolution throughout history to the advance of unemployment and extreme poverty. According to the ILO, in 2018 the planet had 172 million unemployed. Even without a recession, the world’s population increase will inevitably lead to an increase in the number of unemployed (173.6 million in 2019 and 174.3 million in 2020) because the market will not be able to absorb new workers. The United Nations Development Program (UNDP) and the Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI) annually prepare the Global Multidimensional Poverty Index. The recently published 2019 edition shows that there are 1.3 billion multidimensional poor people in the 101 low- and middle-income countries that the study examines, that is, suffering several shortcomings of a list of 10 related to health, education and quality of life. They are almost double the 736 million of those considered extremely poor, who live on less than $ 1.90 a day [AGUDO, Alejandra. Quem são e onde estão os pobres do mundo (Who are and where are the world’s poor). Available on the website <https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/13/actualidad/1562972599_738643.html>].

How can the countries of the world, including the richest, have so many unemployed and poor people and what can be done about it? We must combat the view of right-wing parties and politicians who see unemployment and poverty as inevitable problems and should not be the object of government intervention and that of left-wing parties and politicians who see unemployment and poverty as insoluble problems in milestones of capitalism. The right-wing parties and politicians , reactive to state intervention in the economy and too convinced that the free market will automatically bring about universal welfare, does nothing to solve the problem. The left-wing parties and politicians emphasizes the need for changes in the model of society to solve the problem. The future trend is that of worsening unemployment and extreme poverty. Given this perspective, what would be the solution to alleviate unemployment and poverty within the framework of capitalism? The solution would be the adoption by national states of public policies aimed at the development of the social and solidarity economy to alleviate unemployment and the implementation of basic or universal minimum income to alleviate poverty.

Regarding the Social and Solidarity Economy, it is important to note that it is one of the solutions to alleviate the problem of unemployment and pave the way to invent in the future other ways of producing and consuming contributing to greater social cohesion. This is the opinion of Géraldine Lacroix and Romain Slitine presented in their book L’Economie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016). According to Lacroix and Slitine, from equitable trade to solidarity savings through social innovations in the field of environmental protection, the fight against social exclusion or equal opportunities, the Social and Solidarity Economy offers answers to numerous questions of contemporary society. The authors of this book state that the social and solidarity economy accounts for 10% of GDP and accounts for 12.7% of employment in France. In Brazil, the social and solidarity economy represents 1% of GDP [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (With self-management, solidarity economy already represents 1% of GDP in Brazil). Available at the website <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>].

The Social and Solidarity Economy is a new model of economic, social, political and environmental development that has a different way of generating work and income in various sectors, whether in community banks, credit unions, family farming cooperatives, fair trade, barter clubs, etc. The Social and Solidarity Economy is a new form of organization of work and economic activities in general emerging as an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving them a new opportunity through self-management. Based on the Social and Solidarity Economy, there is the possibility of recovering and continuing the bankrupt companies with a new mode of production, where profit maximization is no longer the main objective, giving rise to the maximization of quantity and the quality of work.

It should be noted that the Social and Solidarity Economy emerged in Europe with the first Industrial Revolution in the late eighteenth century. However, it was in Britain (more precisely in England) that it took the clearest form from the nineteenth century, as a “Response to the worsening labor crisis” and growing dissatisfaction with the performance of the public social security system. Faced with these economic and social gaps that the history of capitalism has produced emerges, as an alternative model, the Social and Solidarity Economy [SILVA, José Luís Alves e SILVA, Sandra Isabel Reis. A economia solidária como base do desenvolvimento local (The solidarity economy as the basis of local development). Available on the website <https://journals.openedition.org/eces/1451&gt;, 2008]. It should be noted that the Social and Solidarity Economy was invented by workers in the early days of industrial capitalism.

The Social and Solidarity Economy, in its resurgence around the end of the twentieth century, appeared as a workers’ response to the productive restructuring of globalized capitalism and to misuse and without criteria of new technologies that led to mass unemployment and the bankruptcy of companies. The Social and Solidarity Economy stands as a possible alternative to generate employment for workers who are mostly excluded from the formal labor market and from consumption. Social and Solidarity Economy has emerged in various parts of the world with practices of economic and social relations that are enabling the survival and improvement of the quality of life of millions of people. These practices are based on relationships of solidary collaboration, inspired by cultural values that place the human being as the subject and purpose of economic activity, rather than the private accumulation of wealth in general and capital in particular.

In turn, the basic income or universal minimum income policy for the population is one of the solutions to alleviate poverty. This idea is not new. Friedrich August von Hayek, Austrian economist and later naturalized British philosopher, considered one of the greatest representatives of the Austrian School of Economic Thought, was the proponent of this idea when he published between 1973 and 1979 his Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). The neoliberal income transfer program of the Lula and Dilma Rousseff governments in Brazil, Bolsa Familia, is an example of the application of Hayek’s basic income policy. Rutger Bregman’s book “Utopia for Realists” (London, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) shows that giving free money to everyone, ie a universal minimum income program, would make it possible to alleviate or eliminate poverty. Among the reasons he points out for this idea to come true is that distributing money decreases crime, improves the health of the population and allows everyone to invest in themselves.

According to Bregman, a major challenge in implementing the basic income policy for the poor is the fear that, by giving the minimum to survive, people would become lazy. Bregman’s belief is that the minimum income will be like venture capital for the people giving everyone the opportunity to take risks. This will generate a wave of entrepreneurship. Bregman advocates the utopia of money for everyone and not just for the poor. In the book, Bregman cites a series of successful examples of how homeless people, Indians, and populations in vulnerable regions developed by receiving money without asking for anything in return. For him, it will be better with less bureaucracy and setting requirements. The basic income program should be universal in expanding to the rich and the middle class so that it becomes a right of all citizens, not a favor, Bregman says. The theme of basic income or universal minimum income has been gaining momentum in Silicon Valley, the main technological hub of the United States, as production systems based on artificial intelligence and automation advance, raising fears that they will eliminate a number of jobs. In the book, Bregman states that all the great achievements of civilization, such as the end of slavery, universal vow, women’s rights, were utopias at some point that came true.

It can be said that the adoption of the Social and Solidarity Economy is undoubtedly the solution that would allow, within the framework of capitalism, to tackle mass unemployment that tends to grow dramatically in the future with the replacement of skilled workers and not qualified by robots in the labor market. This is an important alternative for including workers in the labor market, giving them a new opportunity to work with a new mode of production where profit is no longer the main goal. Adopting the basic income or universal minimum income policy for the poor is one of the solutions to alleviate poverty as it would make it possible for the poor to have money to meet their basic needs of food, health, housing, etc. It is important to note that poverty is the condition of those who are poor, that is, those who do not have the basic conditions to guarantee their survival with quality of life and dignity.

It should be noted that an individual acquires the condition of poverty when he does not meet his basic needs because his income is not sufficient and he has no income because he is unemployed or has no income because he is not able to perform any productive activity. In short, poverty results from the fact that the individual does not have enough money to meet his basic needs. The basic income policy for the poor would bring numerous advantages such as reducing crime, improving the living conditions of the poor and increasing the consumption of goods and services by the poor. The government, the provider of the basic income for the poor, would have the benefit of lower spending on police repression and the prison structure as a result of reduced crime and homelessness and increased tax collection resulting of increasing consumption of the poor.

It is important to note that the basic income thesis for the poor is widely questioned because there is a widespread view that no one should have income without working. However, it is a conception that should not be applied in a conjuncture such as the current one in which the job offer does not meet the needs of the population and the poor population grows vertically worldwide. There will be no social peace in countries that do not adopt the policies of social and solidarity economy and basic income for the poor.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMO ATENUAR O DESEMPREGO E A POBREZA NO CAPITALISMO

Fernando Alcoforado*

O capitalismo tem contribuído em sua evolução ao longo da história para o avanço do desemprego e da pobreza extrema. Segundo a OIT, em 2018 o planeta tinha 172 milhões de desempregados. Mesmo sem uma recessão, o aumento da população no mundo provocará inevitavelmente um aumento do número de desempregados (173,6 milhões em 2019 e 174,3 milhões em 2020) porque o mercado não será capaz de absorver os novos trabalhadores. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Iniciativa sobre Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford (OPHI na sigla em inglês) elaboram anualmente o Índice Global de Pobreza Multidimensional. A edição de 2019, publicada recentemente, mostra que existe 1,3 bilhão de pessoas multidimensionalmente pobres nos 101 países de renda baixa e média que o estudo analisa, ou seja, que sofrem várias carências de uma lista de 10 relacionadas à saúde, educação e qualidade de vida. São quase o dobro dos 736 milhões daqueles considerados extremamente pobres, que vivem com menos de 1,90 dólar  por dia (AGUDO,  Alejandra. Quem são e onde estão os pobres do mundo. Disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/13/actualidad/1562972599_738643.html>).

Como os países do mundo, inclusive os mais ricos, podem ter tantas pessoas desempregadas e pobres e o que pode ser feito sobre isso? É preciso combater a visão dos partidos e políticos de direita que veem o desemprego e a pobreza como problemas inevitáveis e que não devem ser objeto de intervenção do governo e a dos partidos e políticos de esquerda que veem o desemprego e a pobreza como problemas insolúveis nos marcos do capitalismo. A direita, reativa à intervenção do Estado na economia e convencida demais de que o mercado livre trará automaticamente o bem-estar universal, nada faz para resolver o problema. A esquerda, enfatiza a necessidade de mudanças no modelo de sociedade para resolver o problema. A tendência futura é a de agravamento do desemprego e da pobreza extrema. Diante desta perspectiva, qual seria a solução pata atenuar o desemprego e a pobreza nos marcos do capitalismo? A solução consistiria na adoção pelos Estados nacionais de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da economia social e solidária para atenuar o desemprego e da implementação da renda básica ou renda mínima universal para atenuar a pobreza.

Sobre a Economia Social e Solidária, é importante observar que é uma das soluções para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. Esta é a opinião de Géraldine Lacroix e Romain Slitine apresentada em sua obra L´économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016). Segundo Lacroix e Slitine, do comércio equitativo à poupança solidária passando por inovações sociais no campo da proteção ao meio ambiente, da luta contra a exclusão social ou pela igualdade de oportunidades, a Economia Social e Solidária oferece respostas a numerosas questões da sociedade contemporânea. Nesta obra consta a informação de que a economia social e solidária corresponde a 10% do PIB e é responsável por 12,7% do emprego na França. No Brasil, a economia social e solidária representa 1% do PIB (REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil. Disponível no website  <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>).

A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. A Economia Social e Solidária constitui uma nova forma de organização do trabalho e das atividades econômicas em geral emergindo como uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos, através da autogestão. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho.

Cabe observar que a Economia Social e Solidária surgiu na Europa com a primeira Revolução Industrial no final do século XVIII, Contudo, foi na Grã-Bretanha (mais precisamente na Inglaterra) que ela tomou a forma mais nítida a partir do século XIX, como uma “resposta ao agravamento da crise do trabalho” e da crescente insatisfação com o desempenho do sistema público de segurança social. Perante estes vazios econômicos e sociais que a história do capitalismo produziu surge, como modelo alternativo, a Economia Social e Solidária (SILVA, José Luís Alves e SILVA, Sandra Isabel Reis. A economia solidária como base do desenvolvimento local. Disponível no website <https://journals.openedition.org/eces/1451>, 2008). Ressalte-se que, a Economia Social e Solidária foi inventada por operários, nos primórdios do capitalismo industrial.

A Economia Social e Solidária, no seu ressurgimento por volta dos finais do século XX, afigurou-se como uma resposta dos trabalhadores à reestruturação produtiva do capitalismo globalizado e ao uso abusivo e sem critérios de novas tecnologias que provocaram desemprego em massa e a falência de empresas. A Economia Social e Solidária se coloca como uma alternativa possível para gerar emprego para os trabalhadores que estão em sua maioria excluídos do mercado de trabalho formal e do consumo. A Economia Social e Solidária surgiu em várias partes do mundo com práticas de relações econômicas e sociais que estão a propiciar a sobrevivência e a melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. Essas práticas são baseadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza em geral e de capital em particular.

Por sua vez, a política de renda básica ou renda mínima universal para a população é uma das soluções para atenuar a pobreza. Esta ideia não é nova. Friedrich August von Hayek, economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico, considerado um dos maiores representantes da Escola Austríaca de pensamento econômico, foi o proponente desta ideia quando publicou entre 1973 e 1979 sua obra Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). O programa neoliberal de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família, é um exemplo da aplicação da política de renda básica de Hayek. O livro “Utopia for Realists” de Rutger Bregman (London, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) mostra que dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal possibilitaria atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões que ele aponta para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos.

Segundo Bregman, um grande desafio para colocar em prática a política de renda básica para a população pobre é o medo de que, dando o mínimo para sobreviver, as pessoas se tornariam preguiçosas. A crença de Bregman é a de que a renda mínima será como ‘venture capital’ (investimento para startups) para o povo dando a todos a oportunidade de assumir riscos. Isso vai gerar uma onda de empreendedorismo. Bregman defende a utopia do dinheiro para todos e não apenas para os pobres. No livro, Bregman cita uma série de exemplos bem sucedidos de como moradores de rua, índios e populações em regiões vulneráveis se desenvolveram ao passar a receber dinheiro sem que fosse pedido nada em troca. Para ele, será melhor com menos burocracia e o estabelecimento de exigências. O programa de renda básica deveria ser universal ao ser expandido para os ricos e a classe média, para que se tornasse um direito de todos os cidadãos, não um favor, afirma Bregman. O tema da renda básica ou renda mínima universal vem ganhando força no Vale do Silício, principal polo tecnológico dos Estados Unidos, conforme avançam sistemas de produção baseados em inteligência artificial e automação que aumentam o temor de que eles irão eliminar uma série de postos de trabalho. No livro, Bregman afirma que todas as grandes conquistas da civilização, como o fim da escravidão, o voto universal, os direitos das mulheres, foram utopias em algum momento que se tornaram realidade.

Pode-se afirmar que a adoção da Economia Social e Solidária é, sem sombra de dúvidas, a solução que permitiria, nos marcos do capitalismo, fazer frente ao desemprego em massa que tende a crescer de forma vertiginosa no futuro com a substituição de trabalhadores qualificados e não qualificados por robôs no mercado de trabalho, Trata-se de uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos para trabalharem com um novo modo de produção em que o lucro deixa de ser o principal objetivo. A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazer frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc. É importante observar que pobreza é a condição de quem é pobre, ou seja, daquele que não tem as condições básicas para garantir a sua sobrevivência com qualidade de vida e dignidade. Ao dispor de uma renda básica, a população pobre terá condições de suprir suas necessidades básicas.

É preciso observar que um indivíduo adquire a condição de pobreza quando não supre suas necessidades básicas pelo fato de sua renda não ser suficiente e não possuir renda pelo fato de estar desempregado ou não possuir renda por não estar capacitado para exercer qualquer atividade produtiva. Em síntese, a pobreza resulta do fato do indivíduo não ter dinheiro suficiente para fazer frente às suas necessidades básicas. A política de renda básica para a população pobre traria inúmeras vantagens tais como a redução da criminalidade, melhoria das condições de moradia da população pobre e aumento do consumo de bens e serviços pela população pobre. O governo, provedor da renda básica para a população pobre, teria o benefício de menor gasto com a repressão policial e a estrutura carcerária em consequência da redução da criminalidade e dos moradores de rua e a elevação da arrecadação de impostos resultante do aumento do consumo da população pobre.

É importante observar que a tese da renda básica para a população pobre é bastante questionada porque há uma concepção generalizada de que ninguém deve ter renda sem trabalhar. Trata-se, entretanto, de uma concepção que não deve ser aplicada em uma conjuntura como a atual em que a oferta de emprego não supre as necessidades da população e a população pobre cresce verticalmente em todo o mundo. Não haverá paz social nos países que não adotarem as políticas de economia social e solidária e renda básica para a população pobre.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMMENT LA COMPAGNIE PEUT SURVIVRE LA RÉCESSION ET SURVIVRE APRÈS

Fernando Alcoforado*

“How to survive a recession & trhrive afterward” (Comment survivre à une récession et survivre aprés) est le titre de l’article de Walter Frick paru dans le magazine Harvard Business Review de mai-juin 2019. Dans cet article, Frick déclare que la récession peut être causés par des chocs économiques (tels que la forte hausse du prix du baril de pétrole), des paniques financières (comme celle qui a précédé la Grande Récession de 2008), des changements rapides des anticipations économiques (causés par une bulle éclatante) ou une combinaison des trois.

Frick dit que pendant la récession, la demande est en baisse et l’incertitude grandissante quant à l’avenir. Frick présente des résultats de recherche qui montrent qu’il existe des moyens d’atténuer les dommages de récession sur une entreprise. Il indique quatre voies à adopter: 1) réduire la dette avant le ralentissement économique); 2) se concentrer sur la prise de décision; 3) regarder au-delà des licenciements des travailleurs; et 4) investissement dans la technologie. Frick montre que les recherches et les études de cas portant sur la Grande Récession de 2008 se sont concentrées sur quatre domaines: dette, prise de décision, gestion de la main-d’œuvre et transformation numérique. Il a constaté que la récession mettait beaucoup de pression sur le changement de direction et que, pour réussir à évoluer, l’entreprise devait faire preuve de souplesse et être prête à s’adapter au changement.

Frick dit que les entreprises fortement endettées sont assez vulnérables pendant la récession car elles ont besoin de plus d’argent pour payer les intérêts et le principal de leur dette. Il existe un risque de défaillance (default). Pour continuer à rembourser leurs dettes, les entreprises plus endettées doivent réduire leurs coûts, surtout avec les licenciements des travailleurs. Les enquêtes montrent que les entreprises qui ont connu une meilleure performance après la Grande Récession de 2008 ont considérablement réduit leurs dettes de 2007 à 2011. Frick dit que la performance d’une entreprise pendant et après la récession dépend des décisions à prendre et de leur auteur. Les recherches montrent que la nécessité de prendre des décisions difficiles favorise la centralisation des décisions. Cependant, la prise de décision décentralisée serait mieux placée pour résister aux chocs macroéconomiques, car elle augmente la valeur des informations locales. Si l’entreprise décide de ne pas décentraliser, elle doit obtenir des informations auprès de ses employés à tous les niveaux de l’organisation lors de la prise de décision.

Les licenciements de travailleurs sont inévitables en période de ralentissement économique tel que la Grande Récession de 2008. Les licenciements sont dommageables non seulement pour les travailleurs, mais également pour les entreprises, car les coûts de recrutement et de formation sont élevés. Après la Grande Récession de 2008, afin d’éviter les licenciements, les enquêtes ont révélé que plusieurs entreprises envisageaient de réduire les heures travaillées, d’octroyer des congés et de rémunérer les performances afin de réduire les coûts de main-d’œuvre. Les investissements dans la technologie numérique pour réduire les coûts ont été utilisés après la Grande Récession. En outre, il a été utilisé pour rendre les entreprises plus transparentes, plus flexibles et plus efficaces. La transformation numérique a aidé les chefs d’entreprise à comprendre l’entreprise et son impact sur la récession. Tout cet ensemble de mesures proposées aux entreprises pour leur permettre de survivre à la récession et de prospérer après son apparition est toutefois insuffisant, comme l’indiquent les paragraphes ci-dessous.

En général, les principes qui guident les entreprises dans le processus de planification et de gestion opérationnelle sont les suivants: 1) chercher à atteindre un état d’équilibre stable en adaptant l’organisation aux changements de l’environnement externe; et 2) croire que les décisions prises et les actions ultérieures mèneront aux résultats souhaités basés sur le principe de la relation entre cause et effet. Les modèles de gestion conventionnels considèrent la gestion comme une activité de rétroaction négative, c’est-à-dire qu’elle établit une stratégie et guide l’organisation dans la direction souhaitée en corrigeant les écarts entre le plan établi et les résultats obtenus. À une époque où tout évolue rapidement, on peut dire que les principes régissant ces modèles de gestion sont dépassés, car il est impossible de parvenir à un état stable ou équilibré dans les organisations dans un environnement externe tel que celui qui se caractérise par l’instabilité du système économique où les décisions prises par ses dirigeants à un moment donné peuvent ne pas aboutir au résultat souhaité car elles seront inexorablement affectées par des mutations pouvant survenir à l’intérieur et à l’extérieur au fil du temps. Le défi majeur auquel sont confrontées les entreprises à l’ère contemporaine est la nécessité de gérer leurs systèmes dans un environnement extrêmement complexe et souvent chaotique.

Pour faire face à des environnements classés “instables” ou “turbulents”, les organisations doivent s’auto-organiser de manière dynamique et éviter ainsi leur dégradation et leur mort. L’auto-organisation adoptée dans les entreprises modernes à l’époque contemporaine envisage l’adoption d’un processus décisionnel intelligent et cohérent qui permette aux décideurs d’obtenir les bonnes informations au bon moment sur la situation interne actuelle et les futurs scénarios d’un environnement en mutation à l’extérieur de l’organisation (économie locale, nationale et mondiale, concurrents, technologie, marché de consommation, etc.), qui ne peut être rendu possible que dans la mesure où il y collection, une gestion et une distribution des données permettant de les transformer en informations. L’auto-organisation peut être réalisée en intégrant la Business Intelligence dans la planification et la gestion opérationnelles. La Business Intelligence est un terme du groupe Gartner apparu dans les années 1990 qui décrit la capacité des entreprises à accéder aux données et à exploiter les informations et les ressources financières en les analysant et en développant des connaissances et une compréhension à leur sujet, leur permettant de augmenter et devenir une prise de décision davantage axée sur l’information.

Le déploiement de la Business Intelligence (BI) dans une entreprise vise principalement à fournir aux gestionnaires des informations opérationnelles et de gestion rapides et cohérentes. La Business Intelligence concerne essentiellement la manière dont les entrepreneurs traitent les données. Dans un environnement de grande complexité et de changements souvent chaotiques comme aujourd’hui, la Business Intelligence permet aux organisations de disposer d’un ensemble d’informations fiables et cohérentes visant à soutenir le processus de prise de décision au sein de l’organisation. L’utilisation de la Business Intelligence s’avère être l’un des piliers de la compétitivité des entreprises du nouveau millénaire, apportant plus de dynamisme, de flexibilité et de réduction des coûts, dans le souci constant d’améliorer la qualité du produit ou du service offert. Fait important, un projet de Business Intelligence ne se termine pas après sa mise en œuvre. La BI est un ensemble de processus qui vise à fournir les bonnes informations à la bonne personne au bon moment, ce qui nécessite un alignement étroit entre trois piliers: 1) La collecte de données: tout ce qui se passe dans l’entreprise est analysé pour en déterminer les aspects tels que la productivité, saisir les opportunités, les goulots d’étranglement, la réputation du marché, etc. 2) Organisation et analyse: toutes les données saisies dans chaque action de l’entreprise sont organisées dans une base de données et présentées de manière visuelle, afin de faciliter l’analyse des décideurs. et 3) Action et surveillance: les décideurs prennent des décisions en fonction des informations analysées et surveillent leurs résultats pour voir si elles réussissent.

Grâce au système BI, toutes les données pertinentes apparaissent dans des tableaux de bord (dashboards) facilitant la prise de décision à tous les niveaux de l’organisation. Les entreprises qui utilisent la Business Intelligence peuvent optimiser les processus beaucoup plus rapidement et directement que celles qui ne le font pas. Les processus d’une entreprise font une grande différence dans les résultats, qu’il s’agisse de la qualité du produit, des ventes et de la fidélisation de la clientèle, de la satisfaction des employés, etc. Comme il n’existe pas de société idéale, il est essentiel de déterminer les goulots d’étranglement pour éviter qu’ils ne deviennent de graves problèmes menaçant l’avenir de l’organisation. Grâce à la BI, vous pouvez trouver tous ces points de rupture dans votre entreprise et prendre des mesures concrètes pour y remédier le plus rapidement possible. Le même principe cité en ce qui concerne la reconnaissance des fautes s’applique à l’identification des opportunités. L’innovation est le moteur des entreprises qui résistent à l’épreuve du temps, et cela ne se produit que lorsque leurs dirigeants sont en mesure d’identifier les opportunités et de les exploiter avant les autres entreprises. Grâce aux puissantes connaissances qu’offre la Business Intelligence, il est plus facile de trouver des opportunités de marché sur lesquelles se concentrer. Les bases solides de l’analyse des données en tant que source d’informations stratégiques  imprègne à la fois la Business Intelligence et le Big Data.

En informatique, le terme Big Data désigne un grand ensemble de données stockées. On dit que le Big Data repose sur 5 V: vitesse, volume, variété, vérité et valeur. La Business Intelligence cherche à fournir les bonnes informations aux bonnes personnes au bon moment pour la prise de décision. Cela nécessite de poser les bonnes questions et d’analyser les données en connaissance de cause pour comprendre la dynamique de l’entreprise. Big Data, en revanche, analyse une énorme quantité d’informations pour mettre en évidence des modèles et des corrélations, dans de nombreux cas totalement inconnus. Alors que la Business Intelligence analyse les données actuelles et présente les prochaines actions à prendre, le Big Data ouvre un éventail plus large de possibilités qui peuvent devenir des pistes d’innovation. Idéalement, vous combinez les atouts de la Business Intelligence à ceux du Big Data pour une compréhension plus large des données générées, ce qui se traduira par des décisions encore meilleures et plus innovantes. Les professionnels de divers secteurs d’une entreprise devraient être encouragés à utiliser les données pour prendre leurs décisions. Mais avant tout, il est essentiel de leur rappeler qu’il ne s’agit pas seulement de voir des informations évidentes dans des tableaux de bord. Vous devez rechercher en profondeur les meilleures solutions en consultant également des données qui ne sont pas à la surface. Avec tous les membres de l’entreprise impliqués, en utilisant Business Intelligence comme une forme d’exploitation minière, et pas seulement la consultation, l’entreprise aura une stratégie de Business Intelligence qui fonctionne.

Les entreprises qui s’intéressent à la Business Intelligence et au Big Data seront mieux en mesure de survivre à la récession et de prospérer après celle-ci.

BIBLIOGRAPHIE

BAUER, Ruben. Gestão da Mudança: caos e complexidade nas organizações. São Paulo: Atlas, 1999.

BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001.

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PRIGOGINE, Ilya, STENGERS, Isabelle. O Fim das Certezas – Tempo, Caos e as Leis da Natureza .São Paulo: UNESP, 1996.

SHERMAN, Rick. Business Intelligence Guidebook. New York: Elsevier, 2015.

WIKIPEDIA. Inteligência empresarial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncia_empresarial>.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW THE COMPANY CAN SURVIVE THE RECESSION AND THRIVE AFTER IT

Fernando Alcoforado*

“How to survive a recession & trhrive afterward” is the title of Walter Frick’s article in the Harvard Business Review magazine May-June 2019. In this article, Frick states that the recession can be caused by economic shocks (such as the steep rise in the price of a barrel of oil), financial panics (such as preceding the Great Recession of 2008), rapid changes in economic expectations (caused by a bursting bubble) or some combination of the three.

Frick says that during the recession there is falling demand and increasing uncertainty about the future. Frick presents research results that show that there are ways to mitigate recession damage on a company. He points out four ways to be adopted: 1) Deleveraging or reducing debt before the economic downturn); 2) Focus on decision making; 3) Look beyond the layoffs of workers; and 4) Investment in technology. Frick shows that research and case studies examining the Great Recession of 2008 focused on four areas: debt, decision making, workforce management, and digital transformation. He found that the recession puts great pressure on management change and that to successfully evolve the company needs to be flexible and ready to adjust to change.

Frick says that companies with high debt levels are quite vulnerable during the recession because they need more cash to pay interest and the principal of their debt. There is a risk of default. To keep paying their debts, companies with more debt are required to cut their costs, especially with layoffs. Surveys show that companies that performed better after the Great Recession of 2008 dramatically reduced their debts from 2007 to 2011. Frick says that a company’s performance during and after the recession depends on the decisions to be made and who makes them. Research shows that the need to make difficult decisions favors the centralization of decisions. However, decentralized decision making would be better placed to resist macro shocks because it increases the value of local information. If the company decides not to decentralize, it must obtain information from its employees at all levels of the organization in decision making.

Workers’ layoffs are inevitable in an economic downturn such as the Great Recession of 2008. Layoffs are damaging not only to workers but also to companies because hiring and training are costly. After the Great Recession of 2008, to avoid layoffs, the surveys found that several companies considered reducing hours worked, granting time off and pay for performance in order to reduce labor costs. Investment in digital technology to reduce costs was used after the Great Recession. In addition, it has been used to make companies more transparent, more flexible and more efficient. Digital transformation has helped business managers understand the business and how the recession is affecting it. This whole set of measures proposed for companies to survive the recession and thrive after it is, however, insufficient as set out in the paragraphs below.

In general, the principles that guide companies in the process of planning and operational management are as follows: 1) seek to reach some stable state of balance by adapting the organization to changes in the external environment; and 2) believe that decisions made and subsequent actions will lead to desired outcomes based on the principle of the relationship between cause and effect. Conventional management models consider management as a negative feedback activity, that is, it establishes a strategy and leads the organization in the desired direction by correcting the deviations between the planned plan and the results achieved. At a time when everything is changing rapidly, it can be said that the principles governing these management models are outdated because it is impossible to achieve a stable or balanced state in organizations in an external environment such as the current one characterized by the instability of the economic system which makes decisions made by its leaders at any given time may not lead to the desired outcome as it will be inexorably affected by mutations that will occur internally and externally over time. The major challenge facing organizations in the contemporary era is the need to manage their systems in an environment of high complexity and often chaotic change.

To cope with environments classified as “unstable” or “turbulent”, organizations must be dynamically self-organized and thus prevent their decay and death. The self-organization that is being embraced in modern enterprises in the contemporary era envisions the adoption of an intelligent and consistent decision-making that enables decision makers to have the right information at the right time about the current internal situation and future scenarios of changing external environment to the organization (local, national and world economy, competitors, technology, consumer market, etc.) that can only be made possible as long as there is data collection, management and distribution to turn it into insights. Self-organization can be achieved by adopting Business Intelligence in operational planning and management. Business Intelligence is a Gartner Group term that emerged in the 1990s that describes corporations’ ability to access data and exploit financial information and resources by analyzing it and developing insights and understanding about it, allowing them to increment and become more information-driven decision making.

Deploying Business Intelligence (BI) in a company is primarily intended to provide managers with operational and managerial information quickly and consistently. Business Intelligence is basically about the way entrepreneurs deal with data. In an environment of high complexity and often chaotic change like today, Business Intelligence enables organizations to have a reliable and consistent set of information that seeks to support the decision making process in the organization. The use of Business Intelligence proves to be one of the mainstays of business competitiveness in the new millennium, bringing with it more dynamism, flexibility and cost reduction, always aiming at improving the quality of the product or service offered. Importantly, a Business Intelligence project does not end after its implementation. BI is a set of processes that aims to deliver the right information to the right person at the right time that requires close alignment between three pillars: 1) Data collection: Everything that happens in the business is analyzed to determine aspects. such as productivity, seizing opportunities, bottlenecks, market reputation, etc; 2) Organization and analysis: All data captured in each company action are organized in a database and presented visually, to facilitate the analysis of decision makers; and 3) Action and monitoring: Decision makers make decisions based on the information analyzed, and monitor their results to see if they are succeeding.

Through the BI system, all relevant data appears in dashboards that facilitate decision making at all organizational levels. Companies that use Business Intelligence can optimize processes much faster and more directly than those that do not. The processes of a company make a big difference in the results, whether in terms of product quality, sales and customer retention, employee satisfaction, etc. As there is no perfect company, it is crucial to look where the bottlenecks are to prevent them from becoming serious problems that threaten the future of the organization. Through BI, you can find all these breakpoints in your business and take practical steps to address them as soon as possible. The same principle cited with respect to fault recognition applies to the identification of opportunities. Innovation is the engine of companies that stand the test of time, and this only happens when their managers are able to identify opportunities and pursue them before other companies do. With the powerful insights Business Intelligence offers, it is easier to find market opportunities to focus on. The strong foundation in data analysis as a source of strategic information permeates both Business Intelligence and Big Data.

In information technology, the term Big Data refers to a large set of stored data. Big Data is said to be based on speed, volume, variety, truth and value. Business Intelligence seeks to bring the right information to the right people at the right time for decision making. This requires asking the right questions and knowingly analyzing the data to understand business dynamics. Big Data, on the other hand, analyzes a huge amount of information to show patterns and correlations, in many cases totally unknown. While Business Intelligence analyzes current data and shows the next actions to take, Big Data opens up a wider range of possibilities that can turn into avenues for innovation. Ideally, you combine the strengths of Business Intelligence with those of Big Data for a broader understanding of the data generated that will result in even better and more innovative decisions. Professionals from various sectors of a company should be encouraged to use data as the basis of their decisions. But above all, it is crucial to remind them that this is not just about seeing obvious information in dashboards. You have to look deeply for the best solutions by also looking at data that is not on the surface. With all the members of the company involved, using Business Intelligence as gold panning not just consulting, the company will have a business intelligence strategy that works.

Companies that embrace Business Intelligence and Big Data will be better able to survive the recession and thrive after it.

BIBLIOGRAPHY

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BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001.

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* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMO A EMPRESA PODE SOBREVIVER À RECESSÃO E PROSPERAR DEPOIS DELA

Fernando Alcoforado*

«How to survive a recession & trhrive afterward» (Como sobreviver a uma recessão e prosperar depois dela) é o título de artigo de Walter Frick na revista Harvard Business Review de maio-junho de 2019. Neste artigo, Frick afirma que a recessão pode ser causada por choques econômicos (como o aumento vertiginoso do preço do barril de petróleo), pânicos financeiros (como o que precedeu a Grande Recessão de 2008), rápidas mudanças nas expectativas econômicas (causada por bolha para estourar) ou alguma combinação das três.

Frick diz que durante a recessão há queda da demanda e aumento da incerteza quanto ao futuro. Frick apresenta resultado de pesquisas que mostram que há meios para mitigar os danos da recessão sobre uma empresa. Ele aponta quatro meios a serem adotados: 1) Desalavancagem ou redução do endividamento antes da desaceleração econômica); 2) Foco na tomada de decisão; 3) olhar além das demissões de trabalhadores; e, 4) investimento em tecnologia. Frick mostra que pesquisas e estudos de casos examinando a Grande Recessão de 2008 focalizaram quatro áreas: débito, tomada de decisão, gestão de força de trabalho e transformação digital.  Ele constatou que a recessão exerce grande pressão pela mudança de gestão e que para evoluir com sucesso a empresa necessita ser flexível e estar pronta para se ajustar às mudanças.

Frick afirma que que empresas com elevado nível de endividamento são bastante vulneráveis durante a recessão porque necessita de mais disponibilidade de caixa para pagar os juros e o principal de sua dívida. Há o risco de « default » ou calote. Para manter o pagamento de suas dívidas, as empresas com mais débitos são obrigadas a efetuar corte em seus custos, especialmente com demissões de trabalhadores. As pesquisas realizadas demonstram que as empresas que apresentaram melhor desempenho após a Grande Recessão de 2008 reduziram suas dívidas dramaticamente de 2007 a 2011. Frick afirma que o desempenho de uma empresa durante e após a recessão depende das decisões a serem tomadas e de quem as toma. Constatou-se pelas pesquisas realizadas que a necessidade de tomar decisões difíceis favorece a centralização das decisões. No entanto, a tomada de decisões descentralizadas seria melhor posicionada para resistir a macro choques porque aumenta o valor da informação local. Se a empresa decide não descentralizar, ela deve obter informações de seus empregados em todos os níveis da organização nas tomadas de decisões.

Demissões de trabalhadores são inevitáveis em uma recessão econômica como a ocorrida na Grande Recessão de 2008. As demissões são danosas não apenas para os trabalhadores, mas também para as empresas porque contratações e treinamentos são dispendiosos. Após a Grande Recessão de 2008, para evitar as demissões, as pesquisa realizadas constataram que várias empresas consideraram a redução de horas trabalhadas, concessão de folgas e pagamentos em função do desempenho visando a redução do custo da mão de obra. O investimento em tecnologia digital para reduzir custos foi utilizado após a Grande Recessão. Além disso, ela foi utilizada para fazer as empresas mais transparentes, mais flexíveis e mais eficientes. A transformação digital ajudou os gestores das empresas a entender o negócio e como a recessão as está afetando. Todo este conjunto de medidas proposto para as empresas sobreviverem à recessão e prosperar depois dela é, entretanto, insuficiente como está exposto nos parágrafos abaixo.

De modo geral, os princípios que orientam as empresas no processo de planejamento e gestão operacional são os seguintes: 1) procuram chegar a algum estado estável de equilíbrio adaptando a organização às mudanças ocorridas no ambiente externo; e, 2) acreditam que as decisões tomadas e as ações subsequentes conduzirão aos resultados desejados baseadas no princípio da relação entre causa e efeito. Os modelos de gestão convencionais consideram a administração como uma atividade de “feedback” negativo, isto é, estabelece uma estratégia e conduz a organização na direção desejada com a correção dos desvios entre o plano traçado e os resultados alcançados. Numa época em que tudo muda rapidamente, pode-se afirmar que os princípios que regem esses modelos de gestão estão ultrapassados porque é impossível a conquista de um estado estável ou de equilíbrio nas organizações em um ambiente externo como o atual caracterizado pela instabilidade do sistema econômico que faz com que as decisões tomadas por seus dirigentes em um determinado momento pode não levar ao resultado desejado porquanto será afetado inexoravelmente por mutações que venham a ocorrer interna e externamente à organização ao longo do tempo. O grande desafio enfrentado pelas organizações na era contemporânea é representado pela necessidade de gerir seus sistemas em um ambiente de elevada complexidade e de mudanças muitas vezes caóticas.

Para enfrentar ambientes classificados como “instáveis” ou “turbulentos”, é preciso fazer com que as organizações se auto organizem dinamicamente e, consequentemente, evitem sua decadência e morte. A auto-organização que está sendo adotada nas empresas modernas na era contemporânea contempla a adoção de uma forma inteligente e consistente de tomar decisões que possibilita aos decisores disporem das informações certas no tempo certo sobre a situação interna atual e os cenários futuros de evolução do ambiente externo à organização (economia local, nacional e mundial, concorrentes, tecnologia, mercado consumidor, etc.) que só podem ser viabilizadas desde que haja coleta, gerenciamento e distribuição de dados para transformá-los em insights (intuições). A auto-organização pode ser alcançada com a adoção do Business Intelligence (Inteligência Empresarial) no planejamento e gestão operacional. Inteligência Empresarial ou Business Intelligence é um termo do Gartner Group que surgiu na década de 1990 que descreve as habilidades das corporações para ter acesso a dados e explorar informações e recursos financeiros analisando-as e desenvolvendo percepções e entendimentos a seu respeito, o que lhes permite incrementar e se tornar mais pautada em informações a tomada de decisão.

A implantação de um Business Intelligence (BI) em uma empresa tem como intuito principal fornecer aos seus dirigentes informações gerenciais e operacionais, de forma rápida e consistente. Business Intelligence tem a ver, basicamente, com a forma com que os empreendedores lidam com dados. Em um ambiente de elevada complexidade e de mudanças muitas vezes caóticas como o atual, o Business Intelligence permite às organizações possuírem um conjunto de informações confiáveis e consistentes que busquem apoiar o processo decisório na organização. O uso do Business Intelligence demonstra ser um dos sustentáculos da competitividade empresarial do novo milênio, trazendo com ele, mais dinamismo, flexibilidade e redução de custos, visando sempre a melhoria na qualidade do produto ou do serviço oferecido. É importante ressaltar que um projeto de Business Intelligence não termina após sua implantação. BI é um conjunto de processos que tem por objetivo entregar a informação certa, para a pessoa certa, na hora certa que exige grande alinhamento entre três pilares de sustentação: 1) Coleta de dados: tudo o que acontece no negócio é analisado para determinar aspectos-chave, como produtividade, aproveitamento de oportunidades, gargalos, reputação no mercado, etc.; 2) Organização e análise: todos os dados captados em cada ação da empresa são organizados em um banco de dados e apresentados de forma visual, para facilitar a análise dos tomadores de decisão; e, 3) Ação e monitoramento: os responsáveis tomam decisões com base nas informações analisadas, e monitoram seus resultados para ver se estão sendo bem-sucedidos.

Por meio do sistema de BI, todos os dados relevantes aparecem em dashboards (painéis de controle) que facilitam a tomada de decisões em todos os níveis organizacionais. As empresas que usam o Business Intelligence conseguem otimizar processos de maneira muito mais rápida e direta em comparação com as que não o utilizam. Os processos de uma empresa fazem grande diferença nos resultados, seja em termos de qualidade dos produtos, vendas e retenção de clientes, satisfação dos colaboradores, etc. Como não existe empresa perfeita, é fundamental procurar onde estão os gargalos para impedir que se tornem problemas graves, que ameacem o futuro da organização. Por meio do BI, é possível encontrar todos esses pontos de ruptura no negócio da empresa e tomar medidas práticas para resolvê-los o quanto antes. O mesmo princípio citado com respeito ao reconhecimento de falhas se aplica à identificação de oportunidades. A inovação é o motor das empresas que resistem à prova do tempo, e isso só acontece quando seus gestores são capazes de identificar oportunidades e persegui-las antes que outras empresas o façam. Com os insights poderosos que o Business Intelligence oferece, fica mais fácil encontrar as oportunidades do mercado para se concentrar neles. O forte alicerce na análise de dados como fonte de informações estratégicas permeia tanto o Business Intelligence quanto o Big Data.

Em tecnologia da informação, o termo Big Data diz respeito a um grande conjunto de dados armazenados. Diz-se que o Big Data se baseia em 5 Vs: velocidade, volume, variedade, veracidade e valor. O Business Intelligence busca levar a informação certa, para as pessoas certas, no momento certo visando a tomada de decisões. Isso exige fazer as perguntas certas e analisar os dados com conhecimento de causa para entender a dinâmica do negócio. O Big Data, por outro lado, analisa uma enorme quantidade de informações para mostrar padrões e correlações, em muitos casos totalmente desconhecidos. Enquanto o Business Intelligence analisa os dados atuais e mostra as próximas ações a tomar, o Big Data abre um leque maior de possibilidades que podem se transformar em caminhos para a inovação. O ideal é juntar as forças do Business Intelligence com as do Big Data para uma compreensão mais abrangente dos dados gerados, que vai resultar em decisões ainda melhores e mais inovadoras. Profissionais de vários setores de uma empresa devem ser encorajados a usar os dados como base de suas decisões. Mas, acima de tudo, é crucial lembrá-los de que isso não se resume a enxergar informações óbvias nos dashboards (painéis de controle). É preciso buscar a fundo as melhores soluções observando também os dados que não estão na superfície. Com todos os integrantes da empresa envolvidos, usando o Business Intelligence como forma de garimpo, e não apenas de consulta, a empresa terá uma estratégia de Business Intelligence que funciona.

As empresas que adotam Business Intelligence e Big Data estarão mais capacitadas  a sobreviverem à recessão e prosperar depois dela.

BIBLIOGRAFIA

BAUER, Ruben. Gestão da Mudança: caos e complexidade nas organizações. São Paulo: Atlas, 1999.

BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001.

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PRIGOGINE, Ilya, STENGERS, Isabelle. O Fim das Certezas – Tempo, Caos e as Leis da Natureza .São Paulo: UNESP, 1996.

SHERMAN, Rick. Business Intelligence Guidebook. New York: Elsevier, 2015.

WIKIPEDIA. Inteligência empresarial. Disponível no website

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

RÉVOLUTION PASSIVE, CONTRE-REFORME OU REVOLUTION POPULAIRE AU BRÉSIL?

Fernando Alcoforado *

Les principaux événements politiques du Brésil ont été caractérisés, dans les moments de profonde crise de l’histoire, par la conciliation entre les forces politiques représentatives des classes dirigeantes avec le maintien du statu quo économique et social, comme ce fut le cas avec l’indépendance du pays en 1822, Proclamation de la République en 1889 et le fin de la République oligarchique en 1930. La conciliation entre les forces politiques représentatives des classes dirigeantes peut revêtir deux caractéristiques, selon le philosophe italien Antonio Gramsci: 1) la révolution passive; et 2) contre-réforme [COUTINHO, Carlos Nelson. Revolução passiva ou contrarreforma? (Révolution passive ou contre-réforme?) Disponible sur le site Web <http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=790].

Contrairement aux révolutions populaires “jacobines”, telles que les révolutions française de 1789, russe de 1917, chinoise de 1949 et cubaine de 1959, opérées par le peuple en détruisant le pouvoir dominant en rompant radicalement avec l’ancien ordre politique, économique et social, une révolution passive implique toujours la présence de deux moments: celui de «restauration» (il s’agit toujours d’une réaction conservatrice contre la possibilité d’une transformation radicale et efficace du «bas», c’est-à-dire une révolution populaire) et de «renouveau» (dans lequel certaines des demandes populaires sont satisfaites par le biais de “concessions” des couches dirigeantes).

Au Brésil, le coup d’État de 1964 était une révolution passive fondée sur la «restauration», car c’était une contre-révolution, c’est-à-dire une réaction conservatrice à la possibilité d’une transformation effective et radicale du «bas» sous l’administration de João Goulart. La fin de la République oligarchique en 1930, par exemple, a été une révolution passive fondée sur un «renouveau» dans lequel certaines des revendications populaires ont été satisfaites par les classes dirigeantes, telles que les lois sociales introduites par le gouvernement Getúlio Vargas qui représentaient des «concessions» aux couches sociales subordonnées, en plus de contribuer à l’avancement du capitalisme au Brésil.

Pour ce qui est de la contre-réforme, Gramsci la décrit comme une “restauration” pure et simple d’un ordre politique, économique et social qui supprime les obstacles au développement du capitalisme, tels que la “restauration” du libéralisme avec de nouveaux éléments. La révolution passive agit dans le sens de la «restauration» d’un ordre politique, économique et social en empêchant, par exemple, une révolution sociale. Dans la contre-réforme, il y a une «combinaison d’ancien et de nouveau», c’est-à-dire un libéralisme devenu mondial.

L’État providence, par exemple, introduite dans plusieurs pays d’Europe occidentale après la Seconde Guerre mondiale, il s’agissait d’une révolution passive avec l’instauration de la social-démocratie qui a eu le moment de la restauration en empêchant le succès de la révolution socialiste et le moment du renouveau en adoptant des politiques économiques interventionnistes proposé par Keynes et en tenant compte de nombreuses revendications de la classe ouvrière. À son tour, la contre-réforme prend comme exemple le néolibéralisme introduit dans l’économie mondiale, y compris au Brésil, à partir des années 90 pour permettre le retour du vieux libéralisme, auparavant limité à chaque pays, sur le plan mondial.

À l’époque néolibérale dans laquelle nous vivons, il n’y a pas de place pour la promotion des droits sociaux. Au contraire, il y a l’élimination de ces droits et la déconstruction et le déni des réformes déjà réalisées par les classes subordonnées. Les soi-disant “réformes” de la sécurité sociale, les lois sur la protection du travail, la privatisation des entreprises publiques, etc. – les “réformes” actuellement présentes dans l’agenda politique des pays capitalistes centraux et périphériques, comme le Brésil vise la restauration pure et simple des conditions propres à un capitalisme «sauvage», dans lequel les lois du marché doivent être appliquées sans restriction.

Après la révolution passive fondée sur la “restauration” effectuée par le régime militaire de 1964 à 1985, la politique économique adoptée par les gouvernements Fernando Henrique Cardoso, Lula et Dilma Rousseff représentait un mélange de révolution passive fondée sur le “renouveau” et la contre-réforme. Avec la révolution passive fondée sur le «renouveau», certaines revendications populaires ont été satisfaites par les classes dirigeantes, telles que les programmes de transferts monétaires tels que Bolsa Familia. La contre-réforme s’est caractérisée par l’introduction du néolibéralisme qui a abouti à la suppression de certains droits sociaux, à la déconstruction et au déni des réformes déjà réalisées par les classes subordonnées, à la privatisation des entreprises publiques, etc.

Le Brésil, plus que tout autre pays d’Amérique latine, peut être qualifié de lieu par excellence de la révolution passive et de la contre-réforme. L’indépendance du Brésil diffère de l’expérience d’autres pays d’Amérique latine car elle ne présente pas les caractéristiques d’un processus révolutionnaire libéral typique, car elle est interrompue, dans le cas brésilien, par l’épisode de la migration vers le Brésil de la famille royale portugaise quand la colonie a reçu la structure et les cadres de la métropole portugaise.

Le nativisme révolutionnaire, sous l’influence des idéaux du libéralisme et des grandes révolutions de la fin du XVIIIe siècle, a laissé la place au Brésil à la logique de garder et de changer qui prévaut encore aujourd’hui, à l’initiative de D. Pedro I, prince héritier de la Maison royale portugaise, et non au peuple brésilien, l’acte politique qui a culminé avec l’indépendance. L’indépendance du Brésil était donc une “révolution sans révolution” car il n’y avait aucun changement dans la base économique du pays ni dans ses superstructures politiques et juridiques. L’État né de l’indépendance maintient la propriété foncière exécrable et intensifie l’esclavage non moins exécrable en en faisant le support de la restauration des structures économiques héritées de la colonie.

Le Brésil a été le dernier pays au monde à mettre fin à l’esclavage au XIXe siècle. La réforme agraire reste à réaliser car la structure agraire basée sur les propriétaires fonciers existe toujours au Brésil, actuellement modernisée avec l’agroalimentaire et le processus d’industrialisation a été introduit tardivement au Brésil , 200 ans après la révolution industrielle en Angleterre. Cela explique le retard économique du Brésil par rapport aux pays plus développés. Les crises économiques auxquelles le Brésil a été confronté tout au long de son histoire n’ont pas été en mesure de générer des crises politiques qui conduiraient le peuple brésilien à la révolution sociale «jacobine» et mettraient en échec le système économique et les détenteurs du pouvoir pour promouvoir leur développement économique et social.

Malgré les nombreux soulèvements populaires enregistrés au cours de l’histoire du Brésil, une véritable révolution politique, économique et sociale capable de procéder à de profonds changements structurels et de promouvoir le développement au profit de la population brésilienne ne s’est jamais produite au Brésil. Toutes les tentatives révolutionnaires faites au Brésil ont été avortées avec une dure répression de la part des détenteurs du pouvoir. Il est bien connu que, dans le monde, les pays qui ont progressé politiquement sont ceux dont les peuples ont été les protagonistes, à travers les révolutions sociales, les changements intervenus dans les plans économique et social.

À l’heure actuelle, le pays s’achemine rapidement vers un effondrement économique et politique avec le gouvernement infâme de Bolsonaro, qui associe une révolution passive de «restauration», visant à préserver les privilèges des classes dirigeantes et à favoriser les revers dans le domaine social, et de la contre-réforme en approfondissant le néolibéralisme au détriment des intérêts de sa population et du Brésil. La révolution passive fondée sur la «restauration» associée à la contre-réforme est une réaction conservatrice à la possibilité d’une transformation effective et radicale du Brésil qui correspond à la volonté de la grande majorité de la population brésilienne. La situation politique, économique et sociale critique dans laquelle le Brésil se trouve actuellement peut également provoquer des bouleversements sociaux qui peuvent faire avorter la révolution passive et contre-réforme et aboutir à une révolution jacobine ou populaire au Brésil.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).