WORLD DEBT EXPLOSION THREATS GLOBAL ECONOMY

Fernando Alcoforado*

This article aims to analyze the huge problem of world debt that worsens over time and can lead the world economy to bankruptcy and propose the necessary solutions aiming at overcoming it. Currently global debt is equivalent to 225% of World Gross Product, according to the IMF [EXAME. Dívida global é equivalente a 225% do PIB mundial, diz FMI (Global debt is equivalent to 225% of world GDP, says IMF). Available on the website <https://exame.abril.com.br/economia/divida-global-e-equivalente-a-225-do-pib-mundial-diz-fmi/&gt;, 18/04/201]. The International Monetary Fund (IMF) reports that global debt is higher than ever, reaching 225% of world GDP, even surpassing its peak in 2009, largely due to China’s rising debt burden. Most of the debt belongs to advanced economies, but China alone has contributed 43% of the increase since 2007. China, Japan and the United States account for more than half of global debt. Computing the debt of advanced and emerging economies, its total reached a level never seen since World War II. The average debt-to-GDP ratio of advanced countries stands at 105%, while in emerging economies, liabilities are at 50%. US debt will grow from 108 percent of GDP in 2017 to 117 percent in 2023, according to the IMF. Global debt amounts to US$ 247 trillion as a bomb about to explode, according to the Institute of International Finance (IIF).

To read the article access the website:

https://www.academia.edu/40093515/WORLD_DEBT_EXPLOSION_THREATS_GLOBAL_ECONOMY

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

A EXPLOSÃO DA DÍVIDA MUNDIAL AMEAÇA A ECONOMIA GLOBAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo analisar o gigantesco problema da dívida mundial que se agrava com o tempo e pode levar a economia mundial à bancarrota e propor as necessárias soluções visando sua superação. Atualmente a dívida global é equivalente a 225% do Produto Bruto Mundial, segundo o FMI (EXAME. Dívida global é equivalente a 225% do PIB mundial, diz FMI. Disponível no website <https://exame.abril.com.br/economia/divida-global-e-equivalente-a-225-do-pib-mundial-diz-fmi/>, 18/04/2018). O Fundo Monetário Internacional (FMI) informa que a dívida global se encontra mais alta do que nunca, ao alcançar 225% do PIB mundial, superando inclusive o pico registrado em 2009, em grande parte por culpa do crescente endividamento da China. A maioria da dívida pertence a economias avançadas, mas a China sozinha contribuiu para 43% do aumento desde 2007. China, Japão e Estados Unidos são responsáveis por mais da metade da dívida global. Computando a dívida das economias avançadas e emergentes, seu total alcançou um nível nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial. O número médio da dívida em relação ao PIB dos países avançados se situa em 105%, enquanto nas economias emergentes, o passivo está em 50%. A dívida dos Estados Unidos crescerá de 108% do PIB registrado em 2017 para 117% em 2023, segundo o FMI. A dívida global atinge US$ 247 trilhões se constituindo em uma bomba prestes a explodir, segundo o Institute of International Finance (IIF).

Para ler o artigo, acessar o website:

https://www.academia.edu/40093853/A_EXPLOS%C3%83O_DA_D%C3%8DVIDA_MUNDIAL_AMEA%C3%87A_A_ECONOMIA_GLOBAL

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica,

Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

L’AMAZON PEUT DEVENIR LOCAL D´UN FUTUR CONFLIT INTERNATIONAL

Fernando Alcoforado*

Si rien ne change, les États-Unis auront enfin ce qu’ils ont toujours voulu: la conquête de l’Amazone. Le président Bolsonaro a récemment annoncé son intention de confier aux Américains l’exploitation des richesses de cette vaste région, dont la déforestation a déjà atteint des niveaux alarmants après son investiture. Non seulement les Brésiliens, mais le monde entier ne cachent pas leur inquiétude face à la politique environnementale de Bolsonaro qui, sans fondement scientifique, conteste les chiffres de déforestation de l’Institut national de recherche spatiale (INPE), qui révèlent un processus de destruction accéléré de la forêt amazonienne. La situation est très grave car la forêt amazonienne, selon les scientifiques, est responsable de la plus grande absorption du dioxyde de carbone et joue donc un rôle clé dans la lutte contre le changement climatique catastrophique attendu au 21e siècle.

Le pape François a déclaré que les dirigeants du monde devaient sauver l’Amazonie, qui compte de nombreux intérêts, selon une interview publiée par le journal italien La Stampa. L’Amazonie, qui s’étend sur neuf pays d’Amérique du Sud, “est un lieu représentatif et décisif”, a déclaré le pape. “Avec les océans, il contribue de manière décisive à la survie de la planète”, a rappelé le grand pontife, qui a convoqué un synode d’évêques sur ce sujet au Vatican en octobre. Francisco a dénoncé dans l’interview les véritables obstacles qui empêchent la sauvegarde de cet immense territoire menacé par la déforestation, l’agroalimentaire et l’industrie du bois. “La menace pour la vie des populations et du territoire découle des intérêts économiques et politiques des secteurs dominants de la société”, a-t-il déclaré. La réunion du Vatican est comme “un fils de Laudato si ‘”, a déclaré le pape, faisant référence à l’une de ses premières encycliques sur la protection de la nature. “Ce n’est pas une encyclique verte, c’est une encyclique sociale, basée sur une réalité” verte “, la garde de la Création”, a-t-il ajouté. Au cours de l’entretien, le pape a invité les dirigeants politiques à éliminer “leurs propres connivences  et corruptions” afin de se concentrer sur ces sujets. Pour le pape, “la déforestation signifie la mort de l’humanité”, a-t-il ajouté.

La menace sur la forêt amazonienne a amené Stephen M. Walt, chercheur à l’Université Harvard, dans un article du magazine américain Foreign Policy, à envisager la possibilité d’une intervention militaire internationale pour sauver l’Amazonie du fléau destructeur de Bolsonaro. Pour Walt, il faut du temps avant que les dirigeants mondiaux fassent «tout ce qui est nécessaire» pour endiguer la fureur dévastatrice de l’Amazonie, encouragée par Bolsonaro. Bien que la déforestation ait été accélérée au début du gouvernement Bolsonaro, comme en témoigne l’INPE, l’avertissement du chercheur américain reflète non seulement une préoccupation pour la région, mais représente également une menace d’internationalisation de l’Amazonie. Cela signifie que Bolsonaro contribuerait non seulement au transfert de cet immense patrimoine du peuple brésilien aux États-Unis, mais également à une intervention militaire internationale dans la région.

La couverture du magazine britannique The Economist présentait l’Amazone avec des arbres dévastés par une scie à chaîne, intitulés Deathwatch for the Amazon. Ce magazine affirme que la merveille naturelle de l’Amérique du Sud pourrait être dangereusement proche du point de basculement au-delà duquel sa transformation progressive en un lieu plus proche de la steppe ne pourrait être ni empêchée ni inversée parce que le président brésilien, Jair Bolsonaro, contribue à l’effondrement écologique que ses politiques environnementales peuvent précipiter et qu’il faut éviter. Les lois en vigueur en matière de protection de l’environnement en Amazonie sont en train d’être éliminées et la forêt est menacée par le gouvernement Bolsonaro. Selon le magazine The Economist, l’attitude réactive du gouvernement Bolsonaro à l’égard de la protection de la forêt amazonienne met à l’ordre du jour le problème suivant: que devrait faire la communauté internationale pour prévenir ou contrecarrer les actions nuisibles du gouvernement Bolsonaro à l’environnement du Brésil?

L’une des mesures qui pourraient être prises pour faire pression sur des pays écologiquement irresponsable, comme le Brésil de Bolsonaro, serait l’utilisation de la force militaire par le Conseil de sécurité des Nations Unies. Le Brésil devient une cible pour cette intervention car le pays possède une ressource, la forêt amazonienne, dont la destruction endommagerait le monde entier. L’auteur de l’article de The Economist souligne qu’il ne s’agit pas de stimuler de telles actions, ce qui peut paraître exagéré dans le contexte actuel, mais de préciser que, à mesure que les événements climatiques s’aggravent, les événements climatiques s’aggravent (qui ne dépendent pas nécessairement de l’usage de la force) seront adoptés par les dirigeants politiques contre des pays dont les actions impliquent des dommages pour l’environnement afin de mettre fin au changement climatique.

Outre la déforestation, une autre justification d’une intervention militaire internationale, sous prétexte de défense des droits de l’homme, serait la menace pesant sur l’existence de peuples autochtones vivant en Amazonie du fait de la destruction de la forêt. Le crime de génocide est défini à l’article 6 du Statut de Rome, qui reprend la définition contenue dans la Convention de 1948 pour la prévention et la répression du crime de génocide (Convention contre le génocide), ainsi que dans les statuts du Tribunal pénal international par l´ex-Yougoslavie [TPIY] et Tribunal international pour le Rwanda [TPIR]. La menace qui pèse sur les peuples autochtones peut être qualifiée de génocide, qualifié de “crime de crimes”. L’action du gouvernement Bolsonaro peut être qualifiée d’actes de dégradation délibérée de l’environnement qui entraînent la destruction d’un groupe d’êtres humains (ou d’une partie de celui-ci), ce qui nuit à leur capacité de maintenir leur mode de vie et leur culture. En ce sens, le Statut de Rome spécifie comme un acte qui caractérise le génocide: “la soumission intentionnelle du groupe aux conditions de vie en vue de provoquer sa destruction physique totale ou partielle”.

Possédant le plus grand bassin d’eau douce au monde et l’une des plus grandes réserves minérales de la planète, la région amazonienne a été ciblée au fil des années par des recherches clandestines menées dans divers pays, notamment les États-Unis, par le biais de «missions scientifiques» de contrebande d’échantillons des minerais et des plantes. Les plaintes concernant l’action clandestine d’étrangers en Amazonie, plus précisément d’Américains, sont anciennes. Il est important de noter que les richesses existantes en Amazonie en termes de ressources en eau gigantesques, de ressources minérales et de ressources de biodiversité sont des sources d’avidité pour les grandes puissances. Cela est dû à la perspective de sa rareté jusqu’au milieu du 21ème siècle. Le fait que Legal Amazon soit la plus grande province minière au monde, estimée à 7 000 milliards de dollars, contribue également à son intervention des grandes puissances mondiales.

La menace de l’internationalisation de l’Amazonie qui, malgré l’évidence, laisse encore beaucoup de gens penser au fantasme, est ancienne, une réalité qui ne voit tout simplement pas qui ne veut pas. À la fin des années 1960, une commission d’enquête parlementaire de la Chambre des représentants entreprit une vaste enquête sur la présence étrangère en Amazonie et conclut que quelque 20 millions d’hectares étaient déjà détenus par des étrangers. Après la dictature militaire, les gouvernements brésiliens ont pris des mesures pour protéger la région, notamment l’installation de bases militaires et du Sipam (système de protection amazonien) à l’aide de satellites, mais il est suspecté que les informations recueillies passeraient par le Pentagone avant leur arrivée au Brésil, car la société américaine qui a fourni le matériel est la même que celle qui travaille pour l’armée américaine.

On espère que le Congrès national, qui devra être consulté conformément à la Constitution, pourra interrompre le processus de livraison de l’Amazone par le gouvernement Bolsonaro, rejetant ainsi ses projets antinationaux dans cette région. La livraison de la base d’Alcantara aux États-Unis, tenté auparavant par le président de l’époque, Fernando Henrique Cardoso, et interdit au Parlement par le député de l’époque, Waldir Pires, empêché cette action jusqu’à l’investiture du président Lula, qui avait enterré la revendication du FHC. On s’attend à ce que les militaires nationalistes qui se sont tues au sujet des actions antinationales de Bolsonaro, en particulier en ce qui concerne la privatisation de Petrobras et dénationalisation de

pré-sel, la livraison de la base spatiale d´Alcântara aux États-Unis et la dénationalisation d’Embraer, se tenir contre l’attaque sur les intérêts nationaux représentée par la livraison de l’Amazonie aux États-Unis. La souveraineté de l’Amazonie dépend en grande partie de ses habitants vivant dans les endroits les plus reculés de cette vaste région. Sans une politique de développement de la région, dont les principales agences de développement – Sudam et la Banco da Amazonia – ont été abandonnées au fil du temps, la région sera constamment menacée d’internationalisation, en particulier sous le gouvernement Bolsonaro, qui al’intention de le céder l´Amazonie officiellement aux États-Unis, à laquelle il a soumis le Brésil.

Pour empêcher l’intervention internationale au Brésil contre la déforestation et la défense des peuples autochtones, le gouvernement brésilien doit mettre en œuvre une politique de développement de la région amazonienne, ayant comme l’une des conditions préalables fondamentales assurer la préservation de la forêt amazonienne menacée de destruction en raison de la déforestation et des incendies résultant de l’expansion des activités agricoles et forestières, exploitation minière qui laissant un héritage de pauvreté et de graves impacts sociaux et environnementaux, mise en place d’autoroutes causant des impacts environnementaux majeurs et d’installations hydroélectriques dont les réservoirs planifiés peuvent avoir de nombreux impacts. négatif pour l’environnement que sa construction n’est pas recommandé. En plus de préserver la forêt amazonienne, le gouvernement brésilien devrait s’efforcer de défendre les peuples autochtones qui y vivent.

Face à la menace de céder l’Amazonie aux États-Unis par le gouvernement Bolsonaro et à la possibilité d’une intervention étrangère, il appartient au peuple brésilien, au Parlement et aux militaires nationaliste d’empêcher que cela se produise en adoptant des mesures pour empêcher la livraison de l’Amazone aux Étas Unis et et assurer leur protection de l’environnement, en s’assurant que la déforestation dans la forêt amazonienne est arrêtée et en évitant d’éventuels conflits sur cette question.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

AMAZON CAN BECOME FUTURE FOCUS OF INTERNATIONAL CONFLICT

Fernando Alcoforado*

If nothing changes, the United States will finally have what it has always wanted: the conquest of the Amazon. President Bolsonaro recently announced that he intends to hand over to Americans the exploitation of the riches of this vast region, whose deforestation has already reached alarming levels after his inauguration. Not only Brazilians, but the whole world does not hide their concern about Bolsonaro’s environmental policy which, without a scientific basis, disputes the deforestation figures of the National Institute for Space Research (INPE), which reveal an accelerated process of destruction. from the Amazon rainforest. The situation is very serious because the Amazon rainforest, according to scientists, is responsible for the greater absorption of carbon dioxide and thus plays a key role in combating the catastrophic climate change expected in the 21st century.

Pope Francis said world leaders must save the Amazon, where many interests are at stake, according to an interview published by the Italian newspaper La Stampa. The Amazon, which spans nine South American countries, “is a representative and decisive place,” the pope said. “Along with the oceans, it contributes decisively to the survival of the planet,” recalled the high pontiff, who convened a synod of bishops on this topic at the Vatican in October. Francisco denounced in the interview the real obstacles that prevent the safeguarding of this huge territory threatened by deforestation, agribusiness and the timber industry. “The threat to the lives of populations and territory derives from the economic and political interests of the dominant sectors of society,” he said. The Vatican meeting is like “a son of Laudato si ‘,” the Pope said, referring to one of his first encyclicals on nature protection. “It’s not a green encyclical, it’s a social encyclical, based on a ‘green’ reality, the custody of Creation,” he added. During the interview, the pope invited political leaders to eliminate “their own connivance and corruptions” to focus on these topics. For the Pope, “deforestation means killing humanity,” he added.

The threat to the Amazon rainforest has led Harvard University researcher Stephen M. Walt, in an article in the US magazine Foreign Policy, to consider the possibility of international military intervention to save the Amazon from Bolsonaro’s destroying scourge. For Walt, it is a matter of time before world leaders do “whatever it takes” to stem the devastating fury of the Amazon, encouraged by Bolsonaro. Although deforestation was accelerated after Bolsonaro’s government beginning, as evidenced by INPE, the fact that is that the American researcher’s warning not only reflects a concern with the region, but also represents a threat of internationalization of the Amazon. This means that Bolsonaro would be contributing not only to the transfer of this immense patrimony of the Brazilian people to the United States, but also to an international military intervention in the region.

The cover of British magazine The Economist featured the Amazon with chainsaw-devastated trees, titled Deathwatch for the Amazon. This magazine states that South America’s natural wonder may be dangerously close to the tipping point beyond which its gradual transformation into something closer to the steppe may not be prevented or reversed because Brazil’s president, Jair Bolsonaro, is hastening the ecological collapse that his environmental policies can precipitate and that needs to be avoided. Existing environmental protection laws of the Amazon are being eliminated and the forest is under threat under the Bolsonaro government. The reactive attitude of the Bolsonaro government against the protection of the Amazon rainforest is putting the following issue on the agenda, according to The Economist magazine: What should the international community do to prevent or reverse actions harmful to the global environment by the Bolsonaro government from Brazil?

One of the measures that could be taken to pressure environmentally irresponsible countries like Bolsonaro’s Brazil would be the use of military force by the United Nations Security Council. Brazil becomes a target for this intervention because the country has possession of a resource, the Amazon rainforest, whose destruction would damage the entire globe. The author of The Economist’s article emphasizes that it is not intended to stimulate such actions, which may seem exaggerated in the current context, but makes it clear that as climate events worsen, more energetic (not are necessarily dependent on the use of force) are taken by political leaders against countries whose actions imply environmental damage in order to curb climate change.

Besides deforestation, another justification of international military intervention, under the pretext of defending human rights, would be the threat to the existence of indigenous peoples living in the Amazon resulting from the destruction of the forest. The Crime of Genocide is defined in Article 6 of the Rome Statute which reflects the definition contained in the 1948 Convention for the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide (Convention against Genocide), as well as in the statutes of the International Criminal Tribunal for ex-Yugoslavia [ICTY] and the International Tribunal for Rwanda [ICTR]. The threat to indigenous peoples can be characterized as genocide that has been identified as the “crime of crimes”. Bolsonaro government action can be characterized as acts of deliberate degradation of the environment that lead to the destruction of a group of human beings (or part of it), impairing their ability to maintain their way of life and their culture. In this sense, the Rome Statute specifies, as an act that characterizes genocide: “the group’s intentional subjection to living conditions with a view to causing its total or partial physical destruction”.

Possessing the largest freshwater basin in the world and one of the largest mineral reserves on the planet, the Amazon region has been targeted over the years of clandestine research from various countries, especially the United States, through “scientific missions” that smuggled samples from ores and plants. The complaints about the clandestine action of foreigners in the Amazon, more precisely Americans are old. It is important to note that the riches existing in the Amazon in terms of gigantic water resources, mineral resources and biodiversity resources are sources of greed of the great powers. This is due to the prospect of its scarcity until the middle of the 21st century. The fact that the Legal Amazon is the largest mineral province in the world, estimated at US $ 7 trillion, also contributes to its intervention by the great world powers.

The threat of internationalization of the Amazon that, despite the evidence, many people still consider fantasy, is old, a reality that just does not see who does not want. In the late 1960s a House of Representatives Parliamentary Commission of Inquiry undertook a broad investigation into the foreign presence in the Amazon and concluded that some 20 million hectares were already held by foreigners. Brazilian governments after the military dictatorship took some measures to protect the region, including the installation of military bases and the Sipam (Amazon Protection System), using satellites, but it is suspected that the information collected would pass through the Pentagon. before they arrived in Brazil, because the US company that supplied the equipment is the same one that works for the US military.

It is hoped that the National Congress, which will have to be consulted in accordance with the Constitution, may interrupt the Amazon delivery process by the Bolsonaro government to the United States, rejecting his antinational projects in this region. The handover of the Alcantara base to the United States, previously attempted by then-President Fernando Henrique Cardoso and barred in Parliament by then-Deputy Waldir Pires who prevented this action until the inauguration of President Lula, who buried the claim of FHC. It is expected that the nationalist military who have been silent about Bolsonaro’s antinational actions, especially regarding the privatization of Petrobras and denationalization of pre-salt, the handing over of the Alcântara space base to the United States, and the denationalization of Embraer, oppose against the attack on national interests represented by the delivery of the Amazon to the United States. The sovereignty of the Amazon depends greatly on the Amazonians living in the remotest places of this vast region. Without a policy for the development of the region, whose main development agencies – SUDAM and the Banco da Amazônia – have been scrapped over time, the area will be under constant threat of internationalization, especially now under the Bolsonaro government, which intends to hand over Amazon officially to the United States, to which he made Brazil submissive.

To prevent international intervention in Brazil against deforestation and in defense of indigenous peoples, the Brazilian government must implement a development policy for the Amazon region, having as one of the fundamental prerequisites to ensure the preservation of the Amazon Forest that is threatened with destruction due to deforestation and burning resulting from the expansion of agricultural and logging activities, mineral exploitation that has been leaving a legacy of poverty and serious social and environmental impacts, the implementation of highways that are causing major environmental impacts and hydroelectric plants whose planned reservoirs can cause so many impacts negative to the environment that its construction is not recommended. In addition to preserving the Amazon rainforest, the Brazilian government should strive to defend indigenous peoples living there.

Faced with the threat of handing over the Amazon by the Bolsonaro government to the United States and the possibility of foreign intervention, it is up to the Brazilian people, the Parliament, and the nationalist military to prevent this from happening by adopting measures to prevent the handing over of the Amazon and to ensure its environmental protection, ensuring that deforestation in the Amazon Forest is stopped and avoiding possible conflicts over this issue.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

AMAZÔNIA PODE SE TORNAR PALCO DE FUTURO CONFLITO INTERNACIONAL

Fernando Alcoforado*

Se nada mudar os Estados Unidos terão, finalmente, o que sempre ambicionaram: a conquista da Amazônia. O presidente Bolsonaro, anunciou recentemente que pretende entregar para os americanos a exploração das riquezas desta imensa região, cujo desmatamento, após a sua posse, já atingiu índices alarmantes. Não apenas os brasileiros, mas o mundo inteiro não esconde a sua preocupação com a política ambiental de Bolsonaro que, sem uma base científica, contesta os números do desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os quais revelam um acelerado processo de destruição da floresta amazônica. A situação é gravíssima porque a floresta amazônica, segundo os cientistas, é responsável pela maior absorção do dióxido de carbono exercendo, portanto, um papel fundamental no combate à mudança climática catastrófica que se prevê para o século XXI.

O papa Francisco considerou que os dirigentes do mundo devem salvar a Amazônia, onde há muitos interesses em jogo, segundo uma entrevista publicada pelo jornal italiano La Stampa. A Amazônia, que abrange nove países da América do Sul, “é um lugar representativo e decisivo”, afirmou o papa. “Junto com os oceanos, contribui determinantemente para a sobrevivência do planeta”, recordou o sumo pontífice, que convocou para outubro um sínodo de bispos sobre esse tema no Vaticano. Francisco denunciou na entrevista os verdadeiros obstáculos que impedem a salvaguarda desse enorme território ameaçado pelo desmatamento, o agronegócio e a indústria madeireira. “A ameaça da vida das populações e do território deriva de interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade”, resumiu. A reunião no Vaticano é como “um filho da Laudato si'”, detalhou o papa, ao se referir a uma de suas primeiras encíclicas sobre a defesa da natureza. “Não é uma encíclica verde, é uma encíclica social, que se baseia em uma realidade ‘verde’, a custódia da Criação”, acrescentou. Durante a entrevista, o papa convidou os líderes políticos a eliminar “os próprios conluios e corrupções” para que se concentrem nesses temas. Para o papa, “o desmatamento significa matar a humanidade”, acrescentou.

A ameaça à floresta amazônica fez com que o pesquisador Stephen M. Walt, professor da Universidade de Harvard, em artigo na revista americana Foreign Policy, considerasse a possibilidade de uma intervenção militar internacional para salvar a Amazônia da sanha destruidora de Bolsonaro. Para Walt, é uma questão de tempo até que as lideranças mundiais façam “o que for necessário” para estancar a fúria devastadora da Amazônia, incentivada por Bolsonaro. Embora o desmatamento tenha sido acelerado após a posse de Bolsonaro, conforme comprovado pelo INPE, a verdade é que a advertência do pesquisador americano não reflete apenas uma preocupação com a região, mas representa, também, uma ameaça de internacionalização da Amazônia. Isto significa dizer que Bolsonaro estaria contribuindo, não apenas para a transferência deste imenso patrimônio do povo brasileiro para os Estados Unidos, mas também para uma intervenção militar internacional na região.

A capa da revista britânica The Economist apresentou a Amazônia com árvores devastadas pela motosserra, com o título Deathwatch for the Amazon (O relógio da morte para a Amazônia). Esta revista afirma que a maravilha natural da América do Sul pode estar perigosamente próxima do ponto de inflexão além do qual sua transformação gradual em algo mais próximo de estepe pode não ser impedida ou revertida porque o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está contribuindo para o colapso ecológico que suas políticas contra o meio ambiente podem precipitar e que precisa ser evitado. As legislações ambientais existentes de proteção da Amazônia estão sendo eliminadas e a floresta está ameaçada sob o governo Bolsonaro. A atitude reativa do governo Bolsonaro contrária à proteção da floresta amazônica está colocando na ordem do dia, segundo a revista The Economist  a questão seguinte: O que a comunidade internacional deveria fazer para evitar ou reverter ações danosas para o meio ambiente global praticadas pelo governo Bolsonaro do Brasil?

Uma das medidas que poderiam ser tomadas para pressionar países ambientalmente irresponsáveis como o Brasil de Bolsonaro seria o uso da força militar por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Brasil se torna um alvo passível desta intervenção porque o país tem posse de um recurso, a floresta amazônica, cuja destruição prejudicaria todo o globo. O autor do artigo do The Economist enfatiza que não tem o propósito de estimular tais ações, que podem parecer exageradas para o contexto atual, mas deixa claro que à medida em que os eventos climáticos se agravarem, é provável que ações mais enérgicas (que não são necessariamente dependentes do uso de força) serão adotadas por líderes políticos contra países cujas ações impliquem em danos ambientais, com o propósito de frear as mudanças climáticas.

Além do desmatamento, outra justificativa de intervenção militar internacional, sob o pretexto de defesa dos direitos humanos, seria a ameaça à existência dos povos indígenas residentes na Amazônia resultante da destruição da floresta. O Crime de Genocídio está definido no Artigo 6º do Estatuto de Roma que reflete a definição contida na Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, de 1948 (Convenção contra o Genocídio), bem como nos estatutos do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia [ICTY, na sigla em inglês] e do Tribunal Internacional para Ruanda [ICTR, na sigla em inglês]. A ameaça aos indígenas pode ser caracterizada como genocídio que tem sido identificado como o “crime dos crimes”. A ação do governo Bolsonaro pode ser caracterizada como atos de degradação deliberada do ambiente que levam à destruição de um grupo de seres humanos (ou parte dele), prejudicando sua capacidade de manter seu modo de vida e sua cultura. Nesse sentido, o Estatuto de Roma especifica, como ato que caracteriza genocídio: “sujeição intencional do grupo a condições de vida com vistas a provocar sua destruição física, total ou parcial”.

Possuindo a maior bacia de água doce do mundo e uma das maiores reservas minerais do planeta, a região amazônica tem sido alvo ao longo dos anos de pesquisas clandestinas de vários países, especialmente dos Estados Unidos, através de “missões científicas” que contrabandearam amostras de minérios e de plantas. As denúncias sobre a ação clandestina de estrangeiros na Amazônia, mais precisamente de americanos, é antiga. É importante observar que as riquezas existentes na Amazônia em termos dos gigantescos recursos hídricos, recursos minerais e recursos da biodiversidade são fontes de cobiça das grandes potências. Isto se deve à perspectiva de sua escassez até a metade do Século XXI. O fato de a Amazônia Legal ser a maior província mineral do mundo, estimada em 7 trilhões de dólares contribui também para que ela possa vir a ser objeto de intervenção das grandes potências mundiais.

A ameaça de internacionalização da Amazônia que, apesar das evidências, muita gente ainda considera fantasia, é antiga, uma realidade que só não vê quem não quer. No final da década de 1960 uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados fez uma ampla investigação sobre a presença estrangeira na Amazônia e concluiu que cerca de 20 milhões de hectares já estavam em poder de estrangeiros. Os governos brasileiros posteriores à ditadura militar tomaram algumas providências de proteção da região, inclusive com a instalação de bases militares e do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), com o uso de satélites, mas há suspeitas de que as informações coletadas passariam pelo Pentágono antes de chegarem ao Brasil, porque a empresa americana que forneceu os equipamentos é a mesma que trabalha para as forças armadas dos Estados Unidos.

O que se espera é que o Congresso Nacional, que terá de ser consultado conforme determina a Constituição, possa interromper o processo entreguista da Amazônia pelo governo Bolsonaro aos Estados Unidos, rejeitando seus projetos antinacionais nesta região. A entrega da base de Alcântara aos Estados Unidos, já tentada anteriormente pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e barrada no Parlamento pelo então deputado Waldir Pires impediu esta ação até a posse do presidente Lula, que sepultou a pretensão de FHC.  Espera-se que os militares nacionalistas que têm se mantido em silêncio diante das ações entreguistas de Bolsonaro, especialmente em relação à privatização da Petrobrás e desnacionalização do pré-sal, à entrega da base espacial de Alcântara aos Estados Unidos e a desnacionalização da Embraer, se posicionem contra o atentado aos interesses nacionais representado pela entrega da Amazônia aos Estados Unidos. A soberania da Amazônia depende muito dos amazônidas que vivem nos lugares mais remotos dessa imensa região. Sem uma política voltada para o desenvolvimento da região, cujos principais órgãos de desenvolvimento – a Sudam e o Banco da Amazônia – foram sucateados ao longo do tempo, a área estará sob permanente ameaça de internacionalização, sobretudo agora, no governo Bolsonaro, que pretende entregá-la oficialmente aos Estados Unidos, ao qual tornou o Brasil submisso.

Para evitar que aconteça intervenção internacional no Brasil contra o desmatamento e em defesa das populações indígenas, é preciso que o governo brasileiro implemente uma política de desenvolvimento da região amazônica tendo como um dos pré-requisitos fundamentais assegurar a preservação da Floresta Amazônica que está ameaçada de destruição devido ao desmatamento e queimadas resultantes da expansão da atividade agropecuária e madeireira, à exploração mineral que vem deixando um legado de pobreza e sérios impactos socioambientais, à implantação de rodovias que estão causando grandes impactos ambientais e às hidroelétricas cujos reservatórios planejados podem provocar tantos impactos negativos ao meio ambiente que a sua construção não é recomendável. Além de preservar a floresta amazônica, o governo brasileiro deveria se empenhar no sentido de defender as populações indígenas lá residentes.

Diante da ameaça de entrega da Amazônia pelo governo Bolsonaro aos Estados Unidos e a possibilidade de intervenção estrangeira, cabe ao povo brasileiro, ao Parlamento e aos militares nacionalistas impedirem que isto aconteça, com a adoção de medidas que impeçam a entrega da Amazônia e assegurem sua proteção ambiental, garantindo que o desmatamento na Floresta Amazônica seja cessado e evitando possíveis conflitos acerca dessa problemática.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LE BRÉSIL FACE AUX PROBLÈMES ÉCONOMIQUES INTERNES ET AU RUIN DE L’ÉCONOMIE MONDIALE

Fernando Alcoforado*

Le Brésil est confronté à deux obstacles majeurs à son développement: 1) le néolibéralisme qui a dévasté le pays depuis 1990; et 2) le processus de ruine de l’économie mondiale. Le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 est en grande partie responsable de la faillite économique du Brésil et de la gigantesque crise sociale actuelle. La pratique démontre le caractère irréalisable du modèle économique néolibéral brésilien inauguré par le président Fernando Collor en 1990 et maintenu par les présidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer et Jair Bolsonaro. La ruine de l’économie mondiale se manifeste dans l’effondrement du système financier mondial avec l’effondrement inévitable du dollar et la fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle.

Le principal problème du pays aujourd’hui est la stagnation de l’économie et ses conséquences liées à la fermeture des industries et des activités commerciaux et services, mais surtout au chômage de masse de 13 millions de travailleurs et à la sous-utilisation de 28 millions de travailleurs. Bolsonaro et ses ministres démontrent qu’ils ne sont pas des gestionnaires efficaces, car ils ne passent pas leur temps à travailler sur ce qui compte vraiment pour le Brésil au moment qui est la réactivation de l’économie et la lutte contre le chômage, ne mènent pas leurs efforts vers les résultats souhaités par le peuple brésilien, qui est la reprise du développement national, ils ne commencent pas par ce qui doit être fait (réactivation de l’économie et lutte contre le chômage) et non se concentrer sur les quelques grands domaines où une exécution supérieure produira d’excellents résultats pour le pays.

Avant de réactiver l’économie brésilienne, le gouvernement Bolsonaro devrait abandonner le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 et à partir duquel le gouvernement fédéral avait renoncé à la planification économique nationale. Le modèle néolibéral, responsable de la débâcle économique du Brésil, devrait être immédiatement remplacé par le modèle de développementalisme national avec une participation active de l’État à la planification économique, comme ce fut le cas dans la période 1930-1980, lorsque le Brésil atteignit son plus grand développement économique et social. L’analyse des taux de croissance du PIB brésilien à 10 ans de 1901 à 2010, projetés de 2011 à 2020, montre incontestablement que la meilleure performance de l’économie brésilienne avec les taux de croissance les plus élevés s’est produite entre 1930 et 1980, grâce à la participation de l’État brésilien à la promotion de son développement.

À partir de 1990, le gouvernement fédéral a renoncé à planifier l’économie nationale sous l’influence des thèses néolibérales selon lesquelles il incombait au marché de promouvoir l’expansion de l’économie. De 1990 à 2014, le Brésil avait des taux de croissance du PIB très faibles. Selon FGV, l’économie brésilienne devrait progresser en moyenne de 0,9% par an entre 2011 et 2020. Ce taux est inférieur aux 1,6% de la soi-disant «décennie perdue» des années 1980. En 2015 et 2016, par exemple, le PIB avait crû de 3,5% et 3,3%, respectivement. Le Brésil n’avait pas connu deux années de récession consécutives depuis 1930 et 1931, alors que le monde entier était touché par les effets de la crise économique de 1929 et le krach de la Bourse de New York. Le Brésil vit maintenant cinq années de récession sans perspective de solution à court terme. Au cours des deux dernières années, le PIB n’a augmenté que de 1,1%. Ces chiffres montrent l’échec du néolibéralisme de 1990 à nos jours au Brésil.

L’expérience du développement au Brésil de 1930 à 1980 avait au gouvernement fédéral son principal agent et le processus d’industrialisation comme son principal soutien. L’histoire économique de nombreux pays montre que la participation active des États en tant que moteur du développement a été la solution pour surmonter le retard économique. C’était le cas du Japon dans les années 1970, de la Corée du Sud dans les années 1980 et de la Chine des années 1990 à nos jours. Les progrès économiques réalisés par ces pays sont principalement dus au rôle joué par l’État dans la promotion du développement. Très probablement, la performance économique de ces pays serait inférieure si leurs économies tombaient sous le jeu du marché. Le rôle de l’État est déterminant pour la mise en place de conditions propices à l’accroissement du progrès technique et au processus d’accumulation de capital dans les pays périphériques du système capitaliste, comme cela a également été démontré au Brésil de 1930 à 1980. L’État peut agir en planifiant l’économie et soutenir les entreprises nationales dans le processus de développement du pays.

Il est urgent que l’État brésilien prenne les rênes de l’économie nationale en abandonnant le modèle économique néolibéral défaillant pour relancer l’économie brésilienne et le plein emploi. Le gouvernement brésilien devrait considérer comme priorité numéro un à la réactivation de l’économie en exécutant immédiatement un vaste programme de travaux d’infrastructure publique (énergie, transports, logement, assainissement, etc.), avec la participation du secteur privé pour lutter contre l’actuel chômage de masse en augmentant les niveaux d’emploi et de revenu des ménages et des entreprises, favorisant ainsi l’expansion de la consommation des ménages et des entreprises résultant respectivement de l’augmentation de la masse salariale des ménages et du revenu des entreprises provenant des investissements dans les travaux publics pour faire revenir le Brésil économiquement. En plus du programme de travaux publics, le gouvernement brésilien devrait élaborer un vaste programme d’exportation, en particulier dans le secteur agroalimentaire et le secteur des minéraux, en réduisant considérablement les taux d’intérêt bancaires pour encourager la consommation des ménages et les investissements des entreprises, alléger le fardeau fiscal en gelant les salaires élevés du secteur public, en réduisant l’intendance  et les agences de l’administration publique et en réduisant les paiements d’intérêts et l’amortissement de la dette publique à renégocier avec les créanciers publics pour le gouvernement dispose de ressources pour investir dans les infrastructures économiques et sociales. Sans l’adoption de cette stratégie, le Brésil sera menée inévitablement à la ruine économique et à des bouleversements politiques et sociaux.

Dans l’article Solutions pour traiter avec la ruine de l’économie mondiale, nous expliquons que les solutions aux problèmes liés à la ruine de l’économie mondiale au milieu du XXIe siècle consistent principalement à: 1) la mise en place d’un système financier international stable non subordonné au capital financier; 2) la mise en œuvre de la social-démocratie dans tous les pays, à l’instar des pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) à la place du capitalisme, car il s’agit du modèle de société le plus abouti à ce jour dans le monde; et 3) la constitution d’un gouvernement mondial pour éviter l’empire d’un pays le plus puissant et l’anarchie de tous les pays, qui vise non seulement la planification économique à l’échelle mondiale, mais surtout la création des conditions nécessaires pour relever les grands défis de l’humanité du 21ème siècle  (ALCOFORADO, Fernando. Solutions pour traiter avec la ruine de l’économie mondiale. Disponible sur le site web  <https://www.academia.edu/40038519/SOLUTIONS_POUR_TRAITER_AVEC_LA_RUINE_DE_L%C3%89CONOMIE_MONDIALE>. Cela signifie que le Brésil devrait s’efforcer d’atteindre ces objectifs d’ici le milieu du XXIe siècle tout en résolvant les problèmes internes du pays.

La mise en place de la social-démocratie brésilienne dans les moules scandinaves en substitution du capitalisme devrait avoir lieu après la maturation du modèle de développementaliste national à adopter pour résoudre les problèmes économiques internes du pays. Afin de ne pas subir les conséquences de la fin du capitalisme et de la faillite du système financier international au milieu du 21e siècle, le Brésil devrait adopter immédiatement une stratégie qui minimise l’impact de la crise mondiale sur sa société en s’insérant de manière sélective dans l’économie mondiale et en mettant l’accent sur le développement du marché intérieur. En même temps, il devrait commencer à structurer une nouvelle société qui remplacera le modèle de développementalisme national, qui remplacerait le néolibéralisme actuel, par un autre modèle économique qui serait un hybride de capitalisme et de socialisme, à l’image de la social-démocratie des pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande), qui se caractérise par la combinaison d’un vaste État social et de mécanismes de régulation rigides du marché susceptibles de placer l’économie sur une trajectoire dynamique.

Le Brésil devrait lutter dans les enceintes internationales pour la mise en place d’un système financier international stable non subordonné au capital financier et la mise en place d’un gouvernement mondial démocratique qui, en plus de promouvoir la planification économique mondial, devrait créer les conditions permettant de relever les grands défis de l’humanité au XXIe siècle qui comprend: 1) des crises économiques et financières en chaîne; 2) les révolutions sociales et les contre-révolutions à travers le monde; 3) guerres en cascade; 4) la surpopulation mondiale; 5) pandémie mortelle; 6) changement climatique extrême; 7) crime organisé; et 8) les menaces spatiales dont les actions globales visant à les neutraliser sont impossibles à mener par les États nationaux et les institutions internationales actuelles.

Le gouvernement Bolsonaro n´adoptera pas les mesures ci-dessus car il est soumis aux intérêts du gouvernement des États-Unis et du capital international et est dominé par la cécité néolibérale.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

BRAZIL FACING INTERNAL ECONOMIC PROBLEMS AND THE RUIN OF THE WORLD ECONOMY

Fernando Alcoforado*

Brazil faces two major obstacles to its development: 1) the neoliberalism that has been devastating the country since 1990; and 2) the process of ruining the world economy. The neoliberal economic model implemented in 1990 is largely responsible for leading Brazil to economic bankruptcy and the gigantic social crisis today. The practice has been demonstrating the unfeasibility of the neoliberal economic model in Brazil inaugurated by President Fernando Collor in 1990 and maintained by Presidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer and Jair Bolsonaro. The ruin of the world economy is manifested in the collapse of the global financial system with the inevitable collapse of the dollar and the end of the world capitalist system in the mid-21st century.

The main problem of the country today is the stagnation of the economy with its consequences related to the closure of industries and commercial and services activities and, above all, the mass unemployment of 13 million workers and the underutilization of 28 million workers. Bolsonaro and his ministers demonstrate that they are not effective managers because they do not spend their time working on what really matters to Brazil at the moment which is the reactivation of the economy and the fight against unemployment, they do not drive their efforts to the desired results by the Brazilian people which is the resumption of national development, do not start with what needs to be done (reactivating the economy and fighting unemployment) and do not focus on the few large areas where superior execution will produce excellent results for the country.

Before reactivating the Brazilian economy, the Bolsonaro government should abandon the neoliberal economic model implemented in 1990 from which the federal government abdicated national economic planning. The neoliberal model, responsible for Brazil’s economic debacle, should be immediately replaced by the national developmentalist model with active state participation in economic planning, as occurred in the 1930-1980 period when Brazil reached its greatest economic and social development. The analysis of Brazil’s 10-year GDP growth rates from 1901 to 2010, projected from 2011 to 2020, undoubtedly shows that the best performance of the Brazilian economy with the highest growth rates occurred between 1930 and 1980, thanks to the active participation of the Brazilian state in promoting its development.

From 1990, the federal government abdicated from planning the national economy influenced by the neoliberal theses that considered that it was market responsibility to promote the expansion of the economy. From 1990 to 2014, Brazil had very low GDP growth rates. Between 2011 and 2020, the Brazilian economy should advance on average 0.9% per year, according to FGV. This rate is lower than the 1.6% of the so-called “lost decade” in the 1980s. In 2015 and 2016, for example, GDP grew negatively by 3.5% and 3.3%, respectively. It was a negative milestone for the country’s economic history. Brazil had not had two consecutive years of recession since 1930 and 1931 when the world was affected by the effects of the 1929 economic crisis and the New York Stock Exchange crashed. Now Brazil is experiencing 5 years of recession with no prospect of a short-term solution. In the last two years, GDP has grown by only 1.1%. These numbers demonstrate the failure of neoliberalism from 1990 to the present time in Brazil.

The developmentalist experience in Brazil from 1930 to 1980 had in the federal government its main agent and as its main support the industrialization process. The economic history of many countries shows that active state participation as a driver of development has been the solution to overcome economic backwardness. This was the case of Japan in the 1970s, South Korea in the 1980s, and China from the 1990s to the present. The economic progress achieved by these countries was mainly due to the role played by the state in promoting development. Most likely the economic performance of these countries would be lower if their economies came under the free play of the market. The role of the state is decisive for the development of the conditions to increase technical progress and enable the process of capital accumulation in peripheral countries of the capitalist system, as demonstrated also in Brazil from 1930 to 1980. The state can act by planning the economy and supporting national companies in the country’s development process.

It is urgent that the Brazilian State take the reins of the national economy by abandoning the failed neoliberal economic model to reactivate the Brazilian economy and full employment. The Brazilian government should consider as a number one priority to reactivate the economy with the immediate execution of a broad program of public infrastructure works (energy, transportation, housing, sanitation, etc.) with the participation of the private sector to combat the current mass unemployment by raising household employment and income levels and  income of corporate, thereby promoting the expansion of household and corporate consumption resulting, respectively, from the increase in household wage bill and corporate income from investments in public works to make Brazil grow back economically. In addition to the public works program, the Brazilian government should develop a broad program of exports, especially in agribusiness and the mineral sector, drastically reducing bank interest rates to encourage household consumption and corporate investment, reducing the tax burden with the freezing of high wages in the public sector, cutting stewardships and public administration organs,  and the fall in interest and amortization charges on public debt to be renegotiated with public debt creditors for the government to dispose of resources for investment in economic and social infrastructure. Without the adoption of this strategy, Brazil will inevitably lead to economic ruin and political and social upheaval.

In the article The Solutions to deal with the Global Economy ruin we state that the solutions to problems related to the ruin of the world economy in the mid-21st century consist primarily of: 1) the establishment of a stable international financial system not subordinated to finance capital; 2) the implementation of social democracy in all countries along the lines of Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) in place of capitalism because it is the most successful model of society ever implemented in the world; and 3) the constitution of a world government to avoid the empire of a most powerful country and the anarchy of all countries aiming not only at economic ordering on a world scale, but above all to create the conditions to face the great challenges of humanity in the XXI century (ALCOFORADO, Fernando. The Solutions to deal with the Global Economy ruin. Available on the website <https://www.academia.edu/40038496/SOLUTIONS_TO_DEAL_WITH_THE_GLOBAL_ECONOMY_RUIN>). This means that Brazil should strive to achieve these goals by the middle of the 21st century simultaneously with solving the country’s internal problems.

The implementation of social democracy in Brazil in the Scandinavian molds in substitution of capitalism should occur after the maturation of the national developmentalist model to be adopted to solve the country’s internal economic problems. In order not to suffer the consequences resulting from the end of capitalism and bankruptcy of the system In the mid-21st century, Brazil should immediately adopt a strategy that minimizes the impact of the global crisis on its society by selectively inserting itself into the global economy and emphasizing the development of the internal market. At the same time, it should start structuring a new society that replaces the national developmentalist model, which would replace current neoliberalism, with another economic model that would be a hybrid of capitalism and socialism along the lines of the social democracy of Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland), characterized by the combination of a broad welfare state with rigid mechanisms of market forces regulation with the ability to put the economy on a dynamic trajectory.

Brazil should fight in international fora for the establishment of a stable international financial system not subordinated to financial capital and the establishment of a democratic world government that, in addition to promoting economic ordering on a world scale, should create the conditions to meet the great challenges of the humanity in the 21st Century which consist of: 1) Chain economic and financial crises; 2) Social revolutions and counterrevolutions across the globe; 3) Cascade wars; 4) World overpopulation; 5) Deadly pandemic; 6) Extreme climate change; 7) Organized crime; and, 8) Threats from space whose global actions to counteract them are impossible to be carried forward by individual national states and current international institutions.

Very hardly, the Bolsonaro government will adopt the above measures because it is submissive to the interests of the US government and international capital, and is dominated by neoliberal blindness.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O BRASIL EM FACE DOS PROBLEMAS ECONÔMICOS INTERNOS E DA RUINA DA ECONOMIA MUNDIAL

Fernando Alcoforado*

O Brasil se defronta com dois grandes obstáculos a seu desenvolvimento: 1) o neoliberalismo que vem devastando o País desde 1990; e, 2) o processo de arruinamento da economia mundial. O modelo econômico neoliberal implantado em 1990 é o grande responsável por levar o Brasil à bancarrota econômica e à gigantesca crise social na atualidade. A prática vem demonstrando a inviabilidade do modelo econômico neoliberal no Brasil inaugurado pelo presidente Fernando Collor em 1990 e mantido pelos presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef, Michel Temer e Jair Bolsonaro. O arruinamento da economia mundial se manifesta no fato de estar em processo o desmoronamento do sistema financeiro global com o inevitável colapso do dólar e o fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI.

O principal problema do País hoje é a estagnação da economia com suas consequências relacionadas com o fechamento de indústrias e das atividades comerciais e de serviços e, sobretudo, com o desemprego em massa de 13 milhões de trabalhadores e a subutilização de 28 milhões de trabalhadores. Bolsonaro e seus ministros demonstram que não são gestores eficazes haja vista que não empregam seu tempo trabalhando sobre o que realmente importa ao Brasil no momento que é a reativação da economia e o combate ao desemprego, não conduzem seus esforços para os resultados desejados pelo povo brasileiro que é a retomada do desenvolvimento nacional, não começam com o que é preciso realizar (reativação da economia e combate ao desemprego) e não se concentram nas poucas grandes áreas onde uma execução superior produzirá resultados excelentes para o País.

Antes de reativar a economia brasileira, o governo Bolsonaro deveria abandonar o modelo econômico neoliberal implantado em 1990 a partir do qual o governo federal abdicou do planejamento econômico nacional. O modelo neoliberal, responsável pela debacle econômica do Brasil, deveria ser substituído de imediato pelo modelo nacional desenvolvimentista com ativa participação do Estado no planejamento econômico como ocorreu no período 1930/1980 quando o Brasil alcançou seu maior desenvolvimento econômico e social. A análise das taxas de crescimento decenal do PIB do Brasil de 1901 até 2010 com projeção de 2011 a 2020 demonstra de forma indiscutível que os melhores desempenhos da economia brasileira com as mais elevadas taxas de crescimento ocorreram entre 1930 e 1980 que foram obtidas graças à ativa participação do Estado brasileiro na promoção de seu desenvolvimento.

A partir de 1990, o governo federal abdicou de planejar a economia nacional influenciado pelas teses neoliberais que consideravam que competia ao mercado promover a expansão da economia.  De 1990 a 2014, o Brasil apresentou baixíssimas taxas de crescimento do PIB. Entre 2011 e 2020, a economia brasileira deve avançar em média 0,9% ao ano, segundo a FGV. Esta taxa é menor do que o 1,6% da chamada “década perdida”, na década de 1980. Em 2015 e 2016, por exemplo, o PIB teve crescimento negativo de 3,5% e 3,3%, respectivamente. Foi um marco negativo para a história econômica do País. O Brasil não registrava dois anos seguidos de recessão desde 1930 e 1931 quando o mundo foi afetado pelos efeitos da crise econômica de 1929 e ocorreu a quebra da Bolsa de Nova York. Agora, o Brasil registra 5 anos de recessão sem perspectiva de solução a curto prazo. Nos últimos dois anos, o PIB cresceu apenas 1,1%. Estes números demonstram o fracasso do neoliberalismo de 1990 até o presente momento no Brasil.

A experiência desenvolvimentista no Brasil de 1930 a 1980 teve no governo federal seu principal agente e como seu principal suporte o processo de industrialização. A história econômica de vários países demonstra que a ativa participação do Estado como indutor do desenvolvimento tem sido a solução para vencer o atraso econômico. Foi o caso do Japão na década de 1970, da Coreia do Sul na década de 1980 e da China a partir da década de 1990 até o presente momento. O progresso econômico alcançado por esses países se deveu fundamentalmente ao papel desempenhado pelo Estado na promoção do desenvolvimento. Muito provavelmente o desempenho econômico desses países seria inferior se suas economias ficassem sob o livre jogo do mercado. O papel do Estado é decisivo para que se desenvolvam as condições para incrementar o progresso técnico e viabilizar o processo de acumulação do capital em países periféricos do sistema capitalista como ficou demonstrado, também, no Brasil de 1930 a 1980. O Estado pode atuar planejando a economia e apoiando as empresas nacionais no processo de desenvolvimento do país.

Urge fazer com que o Estado brasileiro assuma as rédeas da economia nacional abandonando o fracassado modelo econômico neoliberal para reativar a economia brasileira e o pleno emprego. O governo brasileiro deveria considerar como prioridade número 1 reativar a economia com a execução, de imediato, de um amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) com a participação do setor privado para combater o atual desemprego em massa elevando os níveis de emprego e da renda das famílias e das empresas para, em consequência, promover a expansão do consumo das famílias e das empresas resultantes, respectivamente, do aumento da massa salarial das famílias e da renda das empresas com os investimentos em obras públicas para fazer o Brasil voltar a crescer economicamente. Além do programa de obras públicas, o governo brasileiro deveria desenvolver um amplo programa de exportações, sobretudo do agronegócio e do setor mineral, a redução drástica das taxas de juros bancárias para incentivar o consumo das famílias e o investimento pelas empresas, a redução da carga tributária com o congelamento dos altos salários do setor público, o corte de mordomias e de órgãos da administração pública e a queda dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública a ser renegociada com os credores da dívida pública para o governo dispor de recursos para investimento na infraestrutura econômica e social. Sem a adoção desta estratégia, o Brasil será levado inevitavelmente à ruina econômica e à convulsão política e social.

No artigo As soluções para lidar com a ruina da economia global afirmamos que as soluções para problemas relacionados com a ruina da economia mundial em meados do século XXI consistem basicamente: 1) no estabelecimento de um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro; 2) na implantação da social democracia em todos os países nos moldes dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) em substituição ao capitalismo porque é o modelo de sociedade mais bem sucedido já implantado no mundo; e, 3) na constituição de um governo mundial para evitar o império de um país mais poderoso e a anarquia de todos os países visando não apenas o ordenamento econômico em escala mundial, mas, sobretudo, criar as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI (ALCOFORADO, Fernando. As soluções para lidar com a ruina da economia  global. Disponível no website <https://www.academia.edu/40038535/AS_SOLU%C3%87%C3%95ES_PARA_LIDAR_COM_A_RUINA_DA_ECONOMIA_GLOBAL>.  Isto significa dizer que o Brasil deveria se empenhar na consecução destes objetivos até meados do século XXI simultaneamente com a solução dos problemas internos do País.

A implantação da social democracia no Brasil nos moldes escandinavos em substituição ao capitalismo deveria ocorrer após a maturação do modelo nacional desenvolvimentista a ser adotado para solução dos problemas econômicos internos ao País. Para não sofrer as consequências resultantes do fim do capitalismo e da bancarrota do sistema financeiro internacional em meados do século XXI, o Brasil deveria adotar de imediato a estratégia que possibilite minimizar o impacto da crise global sobre sua sociedade se inserindo de forma seletiva à economia global, além de enfatizar o desenvolvimento do mercado interno. Ao mesmo tempo, deveria dar início à estruturação de uma nova sociedade que substitua o modelo nacional desenvolvimentista, que substituiria o neoliberalismo atual, por outro modelo econômico que seria um híbrido de capitalismo e socialismo nos moldes da social democracia dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) que se caracteriza pela combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado com capacidade de colocar a economia em uma trajetória dinâmica.

O Brasil deveria lutar nos foros internacionais pelo estabelecimento de um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro e pela constituição de um governo democrático mundial que, além de promover o ordenamento econômico em escala mundial, deveria criar as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI os quais consistem em: 1) Crises econômicas e financeiras em cadeia; 2) Revoluções e contrarrevoluções sociais em todo o globo; 3) Guerras em cascata; 4) Superpopulação mundial; 5) Pandemia mortal; 6) Mudanças climáticas extremas; 7) Crime organizado; e, 8) Ameaças vindas do espaço, cujas ações de caráter global para neutralizá-las são impossíveis de serem levadas avante pelos estados nacionais isoladamente e pelas instituições internacionais atuais.

Muito dificilmente, o governo Bolsonaro adotará as medidas acima propostas porque está submisso aos interesses do governo dos Estados Unidos e ao capital internacional, além de ser dominado pela cegueira neoliberal.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

SOLUTIONS TO DEAL WITH THE GLOBAL ECONOMY RUIN

Fernando Alcoforado*

Neoliberal globalization began in 1990 as a result of the crisis of the world capitalist system with the decline in the process of capital accumulation on a world scale aggravated by the tripling of oil prices in 1973 and again in 1979 and the huge increase in American interest rate, which caused, in the 1980s, the so-called “external debt crisis” in the peripheral capitalist countries. The crisis of the world capitalist system took place on several scales: politics, economy, social life, externally and internally in all countries. The whole crisis was demonstrated by rising unemployment, falling investment levels, reducing the profitability of capital and the fiscal crisis of national states postwar until 1989. The answer to this was neoliberal globalization on the basis of which new ideologies, new forms of administration, management and production were adopted.

The result of neoliberal globalization has been the widening global imbalance in trade, savings and investment, and social inequality materialized by the excessive concentration of wealth around the world. Social inequality has reached alarming levels around the world. Thomas Piketty has shown that there has been a steady rise in wealth inequality since the 1970s, contrary to the trend of the previous 60 years and much more markedly and socially relevant than income inequality. From 1970 to 2010, the richest 1% (ruling classes) held half of all the world’s wealth, while the poorest 50% (popular classes) held a mere 5%. The number of billionaires, according to Piketty, increased from 1,011 with a total wealth of 3.6 trillion in 1970 to 1,826 with an aggregate value of 7.05 trillion in 2010. By 2010, this group had roughly the same as the poorest half. of humanity. Five years later, it has more than triple (PIKETTY, Thomas. Capital in the twenty-first century. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014). Social inequality around the world makes neoliberal globalization unsustainable.

The facts of reality show that few benefit from globalization, among which are international financial system, which makes astronomical profits thanks to the absence of global economic and financial regulation, and few peripheral countries such as China, India, South Korea and other Asian countries that are able to attract foreign investment thanks to cheap labor and favorable national legislation. By contrast, loses with neoliberal globalization the central capitalist countries (the United States, of the European Union, and Japan) and other peripheral countries facing problems of deindustrialization, rising unemployment, economic stagnation, and rising public indebtedness.

The failure of neoliberal globalization materialized with the outbreak of the 2008 world crisis in the United States in the mortgage lending sector, which immediately spread to other parts of the world financial system with a rapidity and breadth that surprised the market. The Asian Development Bank has estimated that financial assets worldwide may have fallen by more than US$ 50 trillion – a figure equivalent to annual global output. The financial system has embittered losses on a scale that no one has ever anticipated.

The world financial system is in the process of collapsing with the inevitable collapse of the dollar. In the international financial system led by the US dollar, the rapid loss of confidence in this currency begins to take place. Data on foreign exchange reserves show a diminishing role of the dollar. In 2018, the dollar’s share of international reserves fell to 61.7%, which is the minimum level in the last 20 years. In recent years several countries have actively sought opportunities to create an alternative reserve currency and abandon the dollar. The oil trade between Russia and China is already done without the participation of the dollar. These countries intensified resource extraction and began buying more gold to prepare for the collapse of the US currency. The tendency to abandon the dollar clearly indicates the diversity of world currencies that can replace it, such as the euro and the Chinese Yuan. Prospects for the future are of accelerated monetary inflation in the United States, followed by an international monetary collapse.

James Rickards states in his book The Death of Money (Penguin Random House UK, 2014) that the end of the dollar will lead to three scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR): a currency created by the Monetary Fund International used for payments between countries); 2) the adoption of the gold standard; and 3) social disorder. Of these three scenarios above, the most likely scenario is that of social disorder when neo-fascist governments and world financial agencies will act with an iron fist to control national economies and the global financial system, respectively. The scenario of social disorder will be imposed not only by the impossibility of substituting the dollar for the world currency (SDR) and the adoption of the gold standard associated with the dollar and the SDR, but for the probable end of the world capitalist system from the middle of the 21st century as shown in the article The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century (ALCOFORADO, Fernando. The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century. Available at the website <https://www.academia.edu/39554532/THE_END_OF_THE_WORLD_CAPITALIST_SYSTEM_IN_THE_MIDDLE_OF_THE_21ST_CENTURY>, 6/13/2019). The end of the world capitalist system in the mid-21st century will bring the international financial system to an end at this time as well.

The abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the bursting of the US public debt bubble that will reach 140% of GDP by 2024. The US Congressional Budget Department forecast is that the deficit This year’s fiscal year is US$ 897 billion and by 2022 exceeds the trillion mark. Experts speculate that the US government has little time to reverse this situation that, if it lasts, the country will face a large-scale crisis comparable to the Great Depression of the 1930s. According to the International Finance Institute report, global debt has increased at US$ 3.3 trillion last year to US$ 243 trillion. This is a record amount three times the world GDP. When this multi-trillion dollar bomb planted under the world economy explodes, the crisis will be worse than the 2008 one. If the global economy is unable to digest this huge debt, the subsequent crisis will lead the world into economic depression, poverty mass, geopolitical instability, political unrest and wars.

While the international financial system is heading for bankruptcy, the world capitalist system is coming to an end in the mid-21st century. This finding results from the fact that: 1) the evolution of the profit rate of the world capitalist system from 1869 to 2007 declines in this period with the tendency to reach zero profit between 2097 and 2142; 2) there is a decline in the rate of profit at the historical cost of fixed capital of US corporations which, if maintained over the next few years, this profit rate of US corporations will reach zero by 2059; and 3) the world economy shows a continuous decline in its growth from 1961 to 2007, which is expected to reach zero growth in 2057. It can be argued that the profit rate of the world capitalist system will most likely be zero from 2057 onwards and not 2097 and 2142 because the rate of profit could not grow beyond zero in a world economy with the zero gross, ie stagnant, World Gross Product from 2057. The world capitalist system will be brought to an end in the mid-21st century because the process of capital accumulation will be halted when the world profit rate and the world gross product reach zero.

Solutions to problems related to the ruin of the world economy in the mid-21st century basically consist of: 1) the establishment of a stable international financial system not subordinated to finance capital; 2) the implementation of social democracy along the lines of the Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) in place of capitalism because it is the most successful model of society ever implemented in the world; and 3) the constitution of a world government to avoid the empire of one power and the anarchy of all countries aiming not only at economic ordering on a world scale, but, above all, to create the conditions to face the great challenges of humanity in the world in XXI century.

The establishment of a stable international financial system not subordinated to financial capital means: 1) the adoption of a world currency that would consider replacing the dollar with the SDR as a global reserve currency that should be used to stabilize the international financial system, replace the dollar as soon as possible and not to save this currency as it was done in the past; 2) cancellation of most sovereign debt, considered illegitimate, as well as most domestic debt; 3) adoption of a correct taxation for finance and capital income; 4) restoration of true public control of the credit system; 5) restricted control of capital flows and an effective fight against tax havens.

The implementation of social democracy in all countries in the Scandinavian molds in substitution for capitalism is justified because it is a model of society characterized by the combination of a large welfare state with rigid mechanisms of regulation of market forces capable of put the economy on a dynamic path. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of compromise between capitalism and socialism, being the attempt to merge the most desirable elements of both into a “hybrid” system. The choice of Scandinavian social democracy as a model of society to adopt is due to the fact that the UN World Happiness Report 2013 shows that the happiest nations in the world are concentrated in Northern Europe, with Denmark topping the list among the Scandinavian countries.

The constitution of a world government would aim not only at economic ordering on a world scale, but above all to create the conditions for facing the great challenges of humanity in the 21st Century which consist of: 1) chain economic and financial crises; 2) Social revolutions and counterrevolutions across the globe; 3) Cascade Wars; 4) World overpopulation; 5) Deadly Pandemic; 6) Extreme climate change; 7) organized crime; and, 8) Threats from space whose global actions to counteract them are impossible to be carried forward by individual national states and current international institutions.

To make a world government viable, a World Forum for Peace and the Progress of Humanity must be set up at first by civil society organizations from all countries of the world. At this Forum, the objectives and strategies of a mass suprapartisan world movement would be debated and established by the constitution of a world government and a world parliament, democratically elected by the peoples of the world, in order to sensitize the world population and national governments to make reality a world of peace and progress for all mankind. This would be the way that would make it possible to turn the utopia of world government into reality. Without the establishment of a democratic world government, the scenario for the future will be one of economic, political and social disorder and the war of everybody against everybody.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

SOLUTIONS POUR TRAITER AVEC LA RUINE DE L’ÉCONOMIE MONDIALE

Fernando Alcoforado*

La mondialisation néolibérale a commencé en 1990 à la suite de la crise du système capitaliste mondial avec le ralentissement du processus d’accumulation de capital à l’échelle mondiale, aggravé par le triplement des prix du pétrole en 1973 et de nouveau en 1979, ainsi que par l’énorme augmentation des taux d’intérêt américains, qui a provoqué dans les années 1980 la «crise de la dette extérieure» dans les pays capitalistes périphériques. La crise du système capitaliste mondial s’est déroulée à plusieurs niveaux: politique, économie, vie sociale, à l’extérieur et à l’intérieur de tous les pays. Toute la crise a été démontrée par la hausse du chômage, la baisse des investissements, la réduction de la rentabilité du capital et la crise fiscale des États nationaux de l’après-guerre jusqu’en 1989. La réponse à cette situation a été la mondialisation néolibérale sur la base de laquelle de nouvelles idéologies, de nouvelles formes d’administration, de gestion et de production ont été adoptées.

Le résultat de la mondialisation néolibérale a été l’aggravation du déséquilibre mondial en matière de commerce, d’épargne et d’investissement, et l’inégalité sociale matérialisée par la concentration excessive de la richesse dans le monde. Les inégalités sociales ont atteint des niveaux alarmants dans le monde entier. Thomas Piketty a montré que l’inégalité de la richesse ne cessait de croître depuis les années 1970, contrairement à la tendance des 60 années précédentes et beaucoup plus nettement et socialement pertinente que l’inégalité de revenu. De 1970 à 2010, les 1% les plus riches (classes dirigeantes) détenaient la moitié de toutes les richesses du monde, tandis que les 50% les plus pauvres (classes populaires) n’en détenaient que 5%. Selon Piketty, le nombre de milliardaires est passé de 1 011 avec une richesse totale de 3,6 billions de dollars en 1970 à 1 826 avec une valeur totale de 7,05 milliards de dollars en 2010. En 2010, ce groupe avait pratiquement même la moitié de la plus pauvre de l’humanité. Cinq ans plus tard, il a plus que triplé (PIKETTY, Thomas. Capital in the twenty-first century. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014). Les inégalités sociales à travers le monde rendent la mondialisation néolibérale insoutenable.

Les faits de la réalité montrent que sont peu nombreux ceux qui tirent profit de la mondialisation, parmi lesquels le système financier international, qui réalise des profits astronomiques grâce à l’absence de réglementation économique et financière mondiale, et de quelques pays périphériques tels que la Chine, l’Inde, la Corée du Sud et d’autres pays asiatiques capables d’attirer les investissements. étrangers grâce à une main-d’œuvre bon marché et à une législation nationale favorable. En revanche, perd avec la mondialisation néolibérale les pays capitalistes centraux (États-Unis, Union européenne et Japon) et d’autres pays périphériques confrontés à des problèmes de désindustrialisation, de hausse du chômage, de stagnation économique et d’endettement public croissant.

L’échec de la mondialisation néolibérale s’est matérialisé avec le déclenchement de la crise mondiale de 2008 qui a éclaté aux États-Unis dans le secteur des prêts hypothécaires, qui s’est immédiatement étendu à d’autres parties du système financier mondial, avec une rapidité et une ampleur qui ont surpris le marché. La Banque asiatique de développement a estimé que les actifs financiers dans le monde pourraient avoir chuté de plus de 50 000 milliards de dollars – un chiffre équivalent à la production mondiale annuelle. Le système financier a provoqué des pertes d’une ampleur inégalée.

Le système financier mondial est en train de s’effondrer avec l’effondrement inévitable du dollar. Dans le système financier international mené par le dollar américain, la perte de confiance rapide en cette monnaie commence à se produire. Les données sur les réserves de change font apparaître un rôle décroissant du dollar. En 2018, la part du dollar dans les réserves internationales est tombée à 61,7%, ce qui correspond au niveau minimal des 20 dernières années. Ces dernières années, plusieurs pays ont activement recherché des possibilités de créer une monnaie de réserve alternative et d’abandonner le dollar. Le commerce du pétrole entre la Russie et la Chine se fait déjà sans la participation du dollar américain. Ces pays ont intensifié l’extraction des ressources et commencé à acheter plus d’or pour se préparer à l’effondrement de la devise américaine. La tendance à abandonner le dollar montre clairement la diversité des monnaies mondiales qui peuvent le remplacer, telles que l’euro et le Yuan chinois. Les perspectives d’avenir sont une inflation monétaire accélérée aux États-Unis, suivie d’un effondrement monétaire international.

James Rickards déclare dans son livre The Death of Money (La mort de l’argent) (Penguin Random House UK, 2014) que la fin du dollar entraînera trois scénarios: 1) son remplacement par une monnaie mondiale (DTS- Droits de tirage spéciaux: une monnaie créée par le Fonds monétaire International utilisé pour les paiements entre pays); 2) l’adoption de l’étalon-or; et 3) le désordre social. Parmi les trois scénarios ci-dessus, le scénario le plus probable est celui du désordre social lorsque les gouvernements néo-fascistes et les agences financières mondiales agiront avec une main de fer pour contrôler respectivement les économies nationales et le système financier mondial. Le scénario de désordre social sera imposé non seulement par l’impossibilité de substituer le dollar à la monnaie mondiale (DTS) et l’adoption de l’étalon-or associé au dollar et au DTS, mais également à la fin probable du système capitaliste mondial à partir du milieu du 21e siècle. comme indiqué dans l’article La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle (ALCOFORADO, Fernando. La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/39554561/LA_FIN_DU_SYSTEME_CAPITALISTE_MONDIAL_AU_MILIEU_DU_21%C3%A8me_SIECLE&gt;, 13/06/2019). La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle mettra également fin au système financier international.

L’abandon du dollar en tant que monnaie de réserve mondiale est également lié à la possibilité d’éclatement de la bulle de la dette publique américaine, qui atteindra 140% du PIB d’ici 2024. Selon les prévisions du Congrès américain du budget, le déficit L’année fiscale s’élève à 897 milliards de dollars et, d’ici 2022, dépasse la barre des billions. Les experts spéculent que le gouvernement américain a peu de temps pour renverser cette situation qui, si ça dure, fera face à une crise de grande ampleur comparable à celle de la Grande Dépression des années 30. Selon le rapport de l’Institut financier international, la dette mondiale a augmenté de 3,3 billions de dollars l’an dernier, pour atteindre 243 milliards de dollars. C’est un montant record trois fois supérieur au PIB mondial. Lorsque la bombe de plusieurs milliards de dollars plantée dans l’économie mondiale explosera, la crise sera pire que celle de 2008. Si l’économie mondiale ne parvient pas à digérer cette énorme dette, la crise qui suivra entraînera le monde dans une dépression économique, la pauvreté masse, instabilité géopolitique, troubles politiques et guerres.

Alors que le système financier international se dirige vers la faillite, le système capitaliste mondial se termine au milieu du 21ème siècle. Cette constatation résulte du fait que: 1) l’évolution du taux de profit du système capitaliste mondial de 1869 à 2007 a diminué au cours de cette période, avec une tendance à atteindre un bénéfice nul entre 2097 et 2142; 2) il y a une baisse du taux de profit au coût historique du capital fixe des sociétés américaines qui, s’il est maintenu au cours des prochaines années, ce taux de profit des sociétés américaines atteindra zéro d’ici 2059; et 3) l’économie mondiale montre déclin continu de sa croissance de 1961 à 2007, croissance qui devrait atteindre zéro en 2057. On peut affirmer que le taux de profit du système capitaliste mondial sera très probablement nul à partir de 2057 et pas 2097 et 2142 car le taux de profit ne pourrait pas dépasser zéro dans une économie mondiale caractérisée par un produit brut mondial nul, c’est-à-dire stagnant, à partir de 2057. Le système capitaliste mondial sera aboli au milieu du 21e siècle parce que le processus d’accumulation de capital sera arrêté lorsque le taux de profit mondial et le produit brut mondial atteindront zéro.

Les solutions aux problèmes liés à la ruine de l’économie mondiale au milieu du XXIe siècle consistent essentiellement en: 1) la mise en place d’un système financier international stable non subordonné au capital financier; 2) la mise en œuvre de la social-démocratie dans les moules des pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) à la place du capitalisme, car il s’agit du modèle de société le plus abouti à ce jour dans le monde; et 3) la constitution d’un gouvernement mondial pour éviter l’empire d’une seule puissance et l’anarchie de tous les pays, qui vise non seulement un ordre économique mondial, mais surtout la création des conditions nécessaires pour relever les grands défis de l’humanité dans le  21ème siècle.

La mise en place d’un système financier international stable non subordonné au capital financier suppose: 1) l’adoption d’une monnaie mondiale qui envisagerait de remplacer le dollar par le DTS en tant que monnaie de réserve mondiale qui devrait servir à stabiliser le système financier international, remplacez le dollar dès que possible et non pour sauver cette monnaie comme elle l’a été par le passé; 2) l’annulation de la plupart des dettes souveraines, considérées comme illégitimes, ainsi que de la plupart des dettes intérieures; 3) adoption d’une imposition correcte pour les revenus financiers et du capital; 4) la restauration d’un véritable contrôle public du système de crédit; 5) contrôle limité des flux de capitaux et lutte efficace contre les paradis fiscaux.

La mise en œuvre de la social-démocratie dans tous les pays scandinaves en substitution du capitalisme est justifiée car il s’agit d’un modèle de société caractérisé par la combinaison d’un vaste État-providence avec des mécanismes rigides de régulation des forces du marché capables de mettre l’économie sur une trajectoire dynamique. Le modèle nordique ou scandinave de la social-démocratie pourrait être décrit comme une sorte de compromis entre le capitalisme et le socialisme, consistant à tenter de fusionner les éléments les plus désirables des deux dans un système “hybride”. Le choix de la social-démocratie scandinave en tant que modèle de société à adopter est dû au fait que le rapport 2013 sur le bonheur dans le monde, publié par l’ONU, montre que les nations les plus heureuses au monde sont concentrées dans le nord de l’Europe avec le Danemark en tête de liste des pays scandinaves.

La constitution d’un gouvernement mondial viserait non seulement à mettre de l’ordre économique à l’échelle mondiale, mais surtout à créer les conditions permettant de relever les grands défis de l’humanité au XXIe siècle, notamment: 1) l’enchaînement de crises économiques et financières; 2) les révolutions sociales et les contre-révolutions à travers le monde; 3) guerres en cascade; 4) la surpopulation mondiale; 5) pandémie mortelle; 6) changement climatique extrême; 7) crime organisé; et 8) les menaces spatiales dont les actions globales visant à les neutraliser sont impossibles à mener par les États nationaux et les institutions internationales actuelles.

Pour rendre un gouvernement mondial viable, un forum mondial pour la paix et le progrès de l’humanité doit être créé dans un premier temps des organisations de la société civile de tous les pays du monde. Au sein de ce forum, les objectifs et les stratégies d’un mouvement mondial de masse suprapartisan seraient débattus et établis par la constitution d’un gouvernement mondial et d’un parlement mondial élu démocratiquement par les peuples du monde pour sensibiliser la population mondiale et les gouvernements nationaux à la réalisation du monde de paix et de progrès pour toute l’humanité. Ce serait la voie qui permettrait de concrétiser l’utopie du gouvernement mondial. Sans la mise en place d’un gouvernement mondial démocratique, le scénario pour l’avenir sera celui du désordre économique, politique et social et de la guerre de tous contre tous.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).