AS SOLUÇÕES PARA LIDAR COM A RUINA DA ECONOMIA GLOBAL

Fernando Alcoforado*

A globalização neoliberal teve início em 1990 em consequência da crise do sistema capitalista mundial com o declínio do processo de acumulação do capital em escala mundial agravada com a triplicação dos preços de petróleo em 1973 e de novo em 1979 e o enorme aumento nas taxas de juros americanas, que causou, na década de 1980, a chamada “crise da dívida externa” nos países capitalistas periféricos. A crise do sistema capitalista mundial se deu em várias escalas: política, economia, vida social, externa e internamente em todos os países. Toda a crise era demonstrada através do aumento do desemprego, da queda nos níveis de investimento, da redução da lucratividade do capital e da crise fiscal dos estados nacionais do pós-guerra até 1989. A resposta para isso foi a globalização neoliberal com base no qual foram adotadas novas ideologias, novas formas de administração, de gerenciamento e de produção.

O resultado da globalização neoliberal tem sido o aumento do desequilíbrio global no comércio, na poupança e no investimento e na desigualdade social materializada na excessiva concentração da riqueza em todo o mundo. A desigualdade social alcançou níveis alarmantes em todo o mundo. Thomas Piketty demonstrou que houve crescimento contínuo da desigualdade de riqueza desde a década de 1970, contrária à tendência dos 60 anos anteriores e muito mais acentuada e socialmente relevante do que a desigualdade de renda. De 1970 a 2010, o 1% mais rico (classes dominantes) detinha metade de toda a riqueza mundial, enquanto o 50% mais pobres (classes populares) ficava com meros 5%. O número de bilionários, segundo Piketty, aumentou de 1.011 com uma riqueza total de 3,6 trilhões em 1970 para 1.826 com um valor agregado de 7,05 trilhões em 2010. Em 2010, esse grupo possuía praticamente o mesmo que a metade mais pobre da humanidade. Cinco anos depois, açambarca mais do que o triplo (PIKETTY, Thomas. Capital in the twenty-first century. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014). A desigualdade social em todo o mundo torna insustentável a globalização neoliberal.

Os fatos da realidade demonstram que são poucos os que ganham com a globalização, entre os quais estão o sistema financeiro internacional, que aufere lucros astronômicos graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global, e poucos países periféricos como China, Índia, Coreia do Sul e outros países asiáticos que conseguem atrair investimentos estrangeiros graças à mão de obra barata e legislação nacional favorável. Em contrapartida, perdem com a globalização neoliberal os países capitalistas centrais (Estados Unidos, da União Europeia e Japão) e outros países periféricos que enfrentam problemas de desindustrialização, aumento do desemprego, estagnação econômica e endividamento público crescente.

O fracasso da globalização neoliberal ficou materializado com a eclosão da crise mundial de 2008 que ocorreu nos Estados Unidos no setor dos empréstimos hipotecários que, imediatamente, se propagou para outras partes do sistema financeiro mundial, com uma rapidez e uma amplitude que surpreenderam o mercado. O Banco de Desenvolvimento Asiático estimou que os ativos financeiros em todo o mundo podem ter sofrido uma queda de mais de US$ 50 trilhões – um número equivalente à produção global anual. O sistema financeiro amargou prejuízos em uma escala que ninguém jamais previu.

O sistema financeiro mundial está em processo de desmoronamento com o inevitável colapso do dólar. No sistema financeiro internacional liderado pelo dólar norte-americano começa a acontecer a perda acelerada da confiança nesta moeda. Os dados sobre as reservas de divisas demonstram uma diminuição do papel do dólar. Em 2018, a parte do dólar nas reservas internacionais caiu até 61,7%, que é o nível mínimo nos últimos 20 anos. Nos últimos anos vários países têm buscado ativamente oportunidades de criar uma moeda de reserva alternativa e abandonar o dólar. O comércio de petróleo entre a Rússia e a China já é realizado sem a participação do dólar, Estes países intensificaram a extração de recursos e começaram a comprar mais ouro para se prepararem para o colapso da moeda norte-americana. A tendência de abandonar o dólar indica claramente a diversidade de moedas mundiais capazes de substituí-lo como, por exemplo, o euro e o Yuan chinês. Os prospectos para o futuro são de acelerada inflação monetária nos Estados Unidos, seguida de um colapso monetário internacional.

James Rickards afirma em sua obra The Death of Money (Penguin Random House UK, 2014) que o fim do dólar levará a três cenários: 1) sua substituição por uma moeda mundial (SDR- Direitos Especiais de Saque: uma moeda criada pelo Fundo Monetário Internacional usado para pagamentos entre países); 2) a adoção do padrão ouro; e, 3) desordem social. Destes três cenários acima citados, o cenário mais provável é o da desordem social quando os governos neofascistas e organismos financeiros mundiais atuarão com mão de ferro para controlar, respectivamente, as economias nacionais e o sistema financeiro global. O cenário de desordem social se imporá, não apenas pela impossibilidade da substituição do dólar pela moeda mundial (SDR) e da adoção do padrão ouro associado ao dólar e ao SDR, mas pelo provável fim do sistema capitalista mundial a partir de meados do século XXI conforme está demonstrado no artigo sob o título O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI (ALCOFORADO, Fernando. O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI. Disponível no website <https://www.academia.edu/39554574/O_FIM_DO_SISTEMA_CAPITALISTA_MUNDIAL_EM_MEADOS_DO_S%C3%89CULO_XXI>, 13/06/2019). O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI fará com que o sistema financeiro internacional chegue também ao fim nesta época.

O abandono do dólar como moeda de reserva mundial é impulsionado também pela possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos que atingirá 140% do PIB até 2024. A previsão do Departamento de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos é o de que o déficit fiscal deste ano seja de US$ 897 bilhões e, em 2022, exceda a marca do trilhão. Especialistas especulam que o governo norte-americano tem pouco tempo para reverter esta situação que, caso perdure, o país enfrentará uma crise em grande escala comparável à Grande Depressão dos anos 1930. Segundo o relatório do Instituto de Finanças Internacionais, a dívida global aumentou em 3,3 trilhões de dólares no ano passado, para 243 trilhões de dólares. Trata-se de um montante recorde três vezes superior ao PIB mundial. Quando esta bomba de vários trilhões de dólares plantada sob a economia mundial explodir, a crise será pior do que a de 2008. Caso a economia global não seja capaz de digerir essa enorme dívida, a crise subsequente levará o mundo à depressão econômica, à pobreza em massa, instabilidade geopolítica, agitação política e guerras.

Enquanto o sistema financeiro internacional caminha rumo à bancarrota, o sistema capitalista mundial caminha para seu fim em meados do século XXI. Esta constatação resulta do fato de que: 1) a evolução da taxa de lucro do sistema capitalista mundial de 1869 a 2007 apresenta declínio neste período com a tendência de alcançar lucro zero entre 2097 e 2142; 2) há declínio da taxa de lucro ao custo histórico do capital fixo das corporações dos Estados Unidos que, se for mantido nos próximos anos, esta taxa de lucro das corporações dos Estados Unidos alcançará zero em 2059; e, 3) a economia mundial apresenta queda contínua em seu crescimento de 1961 a 2007 que deve alcançar crescimento zero em 2057. Pode-se afirmar que, muito provavelmente, a taxa de lucro do sistema capitalista mundial terá valor zero a partir de 2057 e não 2097 e 2142 porque a taxa de lucro não poderia crescer além de zero em uma economia mundial com o Produto Bruto Mundial de valor zero, isto é estagnado, a partir de 2057. O sistema capitalista mundial será levado ao fim em meados do século XXI porque será estancado o processo de acumulação do capital quando a taxa de lucro mundial e o Produto Bruto Mundial alcançarem o valor zero.

As soluções para problemas relacionados com a ruina da economia mundial em meados do século XXI consistem basicamente em: 1) o estabelecimento de um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro; 2) a implantação da social democracia em todos os países nos moldes dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) em substituição ao capitalismo porque é o modelo de sociedade mais bem sucedido já implantado no mundo; e, 3) a constituição de um governo mundial para evitar o império de uma só potência e a anarquia de todos os países visando não apenas o ordenamento econômico em escala mundial, mas, sobretudo, criar as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI.

O estabelecimento de um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro significa: 1) a adoção de uma moeda mundial que contemplaria a substituição do dólar pelo SDR como moeda de reserva global que deve ser utilizada para estabilizar o sistema financeiro internacional, substituir o dólar o mais rápido possível e não para salvar esta moeda como foi feito no passado; 2)  cancelamento de boa parte da dívida soberana, considerada ilegítima, assim como de boa parte da dívida doméstica; 3) adoção de uma taxação correta para a renda das finanças e do capital; 4) restabelecimento de um verdadeiro controle público do sistema de crédito; 5) controle restrito dos fluxos de capital e uma luta efetiva contra os paraísos fiscais.

A implantação da social democracia em todos os países nos moldes escandinavos em substituição ao capitalismo se justifica porque é um modelo de sociedade que se caracteriza pela combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado com capacidade de colocar a economia em uma trajetória dinâmica. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. A escolha da social democracia escandinava como modelo de sociedade a ser adotado se deve ao fato de o relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostrar que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Dinamarca no topo da lista entre os países escandinavos.

A constituição de um governo mundial visaria não apenas o ordenamento econômico em escala mundial, mas, sobretudo, criar as condições para enfrentar os grandes desafios da humanidade no Século XXI os quais consistem em: 1) Crises econômicas e financeiras em cadeia; 2) Revoluções e contrarrevoluções sociais em todo o globo; 3) Guerras em cascata; 4) Superpopulação mundial; 5) Pandemia mortal; 6) Mudanças climáticas extremas; 7) Crime organizado; e, 8) Ameaças vindas do espaço, cujas ações de caráter global para neutralizá-las são impossíveis de serem levadas avante pelos estados nacionais isoladamente e pelas instituições internacionais atuais.

Para viabilizar um governo mundial é preciso que, de início, seja constituído um Fórum Mundial pela Paz e pelo Progresso da Humanidade por organizações da Sociedade Civil de todos os países do mundo. Neste Fórum seriam debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de um movimento mundial suprapartidário de massas pela constituição de um governo mundial e um parlamento mundial, democraticamente eleitos pelos povos do mundo inteiro, visando sensibilizar a população mundial e os governos nacionais no sentido de tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade. Este seria o caminho que tornaria possível transformar a utopia do governo mundial em realidade. Sem a constituição de um governo mundial democrático, o cenário que se descortina para o futuro será o de desordem econômica, politica e social e da guerra de todos contra todos.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LA FIN DES BANQUES, DE L’ARGENT ET DU SYSTÈME FINANCIER INTERNATIONAL

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer la fin probable des banques, de la monnaie et du système financier international et de leurs conséquences. Les banques arrivent à leur fin parce que la technologie met le marché bancaire en échec, les gens étant aujourd’hui beaucoup plus soucieux de payer quoi que ce soit avec une carte de crédit ou de débit sans avoir à retirer de l’argent à la banque. Cela rend les banques inutiles. L’argent, au sens traditionnel du terme, est mort il y a deux décennies, éclipsé par une économie des échanges numérisée. La mort du chèque, de l’argent en papier ou en métal et de la carte s’accélère et est remplacée par des paiements numériques. Pendant ce temps, le système financier mondial est en train de s’effondrer avec l’effondrement inévitable du dollar. Dans le système financier international mené par le dollar américain, la perte de confiance rapide en cette monnaie commence à se produire. Ces dernières années, plusieurs pays ont activement recherché des possibilités de créer une monnaie de réserve alternative et d’abandonner le dollar. La fin du dollar conduira à trois scénarios: 1) son remplacement par une monnaie mondiale (DTS – Droits de tirage spéciaux: une monnaie créée par le Fonds monétaire international et utilisée pour les paiements internationaux); 2) l’adoption de l’étalon-or; et 3) le désordre social. Parmi ces trois scénarios, le plus probable est celui de désordre social lorsque les gouvernements néo-fascistes du monde entier et les institutions financières mondiales prendront le pouvoir pour agir avec une main de fer pour contrôler le système financier mondial.

  1. La fin des banques

Il y a un demi-siècle, les opérations bancaires étaient relativement simples et son rôle consistait à servir d’intermédiaire entre les épargnants et les prêteurs. Les banques se sont transformées en leur cœur de métier. Bénéficiant de l’ouverture de l’économie mondiale depuis les années 90, ces institutions sont devenues des groupes financiers et des conglomérats diversifiés dont les bénéfices proviennent principalement de la création de crédit, devenue le principal moyen de créer de la monnaie. Ce faisant, les banques centrales de la grande majorité des pays ont complètement perdu le contrôle de leurs systèmes économiques.

Les banques réalisent leurs plus gros profits en facilitant la concentration et la centralisation du capital. La spéculation en général est une source majeure de profit pour les banques, y compris la dette des pays en négociation et les paris sur les marchés boursiers mondiaux. Aucun autre secteur de l’économie ne peut se vanter d’un taux de rendement aussi élevé. Aucune des plus grandes entreprises du secteur productif ne peut égaler les profits records du système financier.

Les chiffres des transactions mondiales illustrent la taille du secteur financier: en 2002, le PIB mondial s’élevait à 32,3 billions de dollars américains, tandis que les transactions financières s’élevaient à 1 140 600 milliards de dollars américains. Au début de la crise, en 2008, alors que le PIB mondial s’élevait à 60,1 billions de dollars américains, les mouvements financiers atteignaient 3 628 milliards de dollars américains (CHESNAIS, François. Les dettes illégitime. Quand les banques font main basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011). Selon François Chesnais, la crise économique mondiale qui a éclaté aux États-Unis en 2008 n’a pas de fin, tandis que les banques et les investisseurs financiers sont en charge, les gouvernements adoptant des politiques entièrement inspirées par les intérêts des rentiers et pour donner la survie au régime axé sur la dette tel qu’il se passe.

Quel est l’avenir des banques? L’ouvrage de Jonathan McMillan intitulé O fim dos bancos (La fin des banques) (São Paulo: Editora Schwarcz S.A. 2018) traite du rôle des banques dans un monde de plus en plus numérisé, ainsi que des problèmes que le système financier peut créer. La résistance aux banques s’est concrétisée depuis la crise de 2008, lorsque les géants des banques ont été blâmés pour le séisme financier qui a ravagé la planète et drainé des ressources énormes, jamais vues, de la part des gouvernements, en particulier aux États-Unis. Dans ce pays, le Congrès a approuvé un plan de redressement de 700 milliards de dollars US, selon le magazine Time, et le gouvernement américain a investi un total de 10 000 milliards de dollars US pour aider les banques et remédier à l’effondrement financier qui se déroulait. Depuis la crise de 2008, l’idée de mettre fin aux banques a fait écho.

Jonathan McMillan demande: Comment vivre sans banque? Comment payer des factures, effectuer des virements et garder notre argent? Le livre O fim dos bancos (La fin des banques) donne des explications sans équivoque sur ces questions. McMillan a proposé des solutions pour une nouvelle crise financière que de nombreux économistes du monde entier ont admis comme étant susceptibles. Il a cité, par exemple, le risque élevé que courait l’économie chinoise, dont la dette intérieure devrait atteindre un montant qui pourrait entraîner son effondrement à tout moment. La Deutsche Bank a récemment publié un rapport recensant onze risques susceptibles d’entraîner une nouvelle crise financière, notamment la faible performance de l’économie japonaise, la sortie du Royaume-Uni de l’Union européenne et la situation économique de l’Italie. De nombreux économistes en viennent à la conclusion qu’il faut éteindre les banques.

Il convient de noter que le grand drain financier demandé par les banques lors de la crise de 2008 ne les a pas empêchées de réaliser d’énormes profits depuis. Depuis 2008, le secteur bancaire est devenu plus concentré que jamais. Aux États-Unis, par exemple, le nombre de banques a diminué de moitié en 2009, tandis que la part des quatre plus grandes banques américaines est passée de 14% à plus de 40%. Et ils sont de plus en plus lucratifs. En 2018, le bénéfice de seulement dix des plus grandes banques américaines a battu le record. Au Brésil, le phénomène est identique: en 2016, les cinq plus grandes banques brésiliennes affichaient un record avec un bénéfice net de 69 milliards de reais.

Jonathan McMillan explique le rôle des banques et les raisons pour lesquelles elles nuisent à la santé financière de la société dans le monde. Pour mettre fin aux inquiétudes quant à la manière de payer les factures, d’effectuer des virements et garder un salaire, McMillan explique qu’il s’agit d’activités bancaires qui ne doivent plus être confiées à des banques. Au contraire, ce sont des services qui peuvent être rendus par la technologie, ce qui est déjà le cas. La technologie financière, «fintech» adoptée par les banques, est un mélange de «finance» et de «technologie», qui s’est répandue au cours des dernières années. Les banques elles-mêmes ont mis en place des laboratoires d’innovation, déployant des solutions technologiques et employant de plus en plus de robots pour la prise de décision de investissement, au lieu du gestionnaire de banque classique. En fait, les fintech n’apportaient que des solutions technologiques à la fonctionnalité bancaire, mais n’apportaient pas de modifications substantielles du système financier.

Jonathan McMillan soutient que ces questions ne sont pas les fondamentales dans le débat sur le rôle des banques. Depuis le Moyen Âge, lors de la création des banques, leur fonction principale était de collecter des dépôts auprès de ceux qui disposaient d’un excédent monétaire et de contracter des emprunts. En d’autres termes, la véritable fonction des banques est de créer une monnaie interne par le biais du crédit. À l’ère numérique, la banque non seulement ils ont perdu le contrôle et a perdu leur raison d’être. Bien qu’ils ne soient plus nécessaires, ils continueront de dominer le système financier pendant un certain temps. De nouvelles possibilités de gestion de l’argent et du crédit ne peuvent prévaloir alors que des opérations bancaires non contrôlées sont encore possibles. Avec toutes les garanties du gouvernement et sans réglementation efficace, ils resteront trop lucratifs malgré les coûts énormes qu’ils imposent à la société. Par conséquent, il est nécessaire de mettre fin aux activités bancaires.
Les trois principales raisons identifiées par Jonathan McMillan qui justifient la fin de l’existence des banques sont les suivantes: 1) Le risque excessif qu’elles prennent pour effectuer leurs opérations de crédit, prêter de l’argent qu’elles n’ont pas, conduire à des produits dérivés et exposer à une course banque. Imaginons que tous les déposants d’une grande banque accourent à la caisse pour retirer leurs dépôts. Et, en fait, le risque n’incombe pas aux banques, mais au gouvernement, qui garantit toujours la liquidité des dépôts, avec la maxime selon laquelle “ils sont trop gros pour faire faillite”; 2) les banques mélangent et enivrent les politiques monétaires créées par les banques centrales pour prévenir les crises sociales et économiques telles que l’inflation et le chômage. Le lien entre les banques et les problèmes nationaux ne peut jamais donner de bons résultats et 3) politisation excessive des banques centrales. La dernière partie du livre est peut-être la plus intéressante, car elle contient des propositions concrètes visant à exterminer les banques. Le principal consiste à diviser les activités bancaires en deux secteurs d’activité distincts – le crédit et la sécurisation – évitant ainsi la création de monnaie interne non sécurisée.

McMillan propose que la convention de dépôt bancaire soit à nouveau une convention de dépôt sécurisé. Les déposants de banques soumises à des restrictions ne recevraient aucun intérêt, leurs dépôts ne seraient plus utilisés pour prêter. Les banques auraient avoir une couverture de 100% en espèces, c’est à dire avoir disponible l’équivalent des dépôts reçus. Cette exigence garantirait qu’ils soient toujours en mesure de répondre aux demandes de retrait des déposants. Si, par exemple, il se produisait une ruée sur les banques, celles-ci disposeraient des liquidités nécessaires pour honorer tous les dépôts effectués par les clients, renonçant ainsi à la garantie de l’État, aux relations avec les banques centrales et, en particulier, au prêt de titres dont ils ne disposent pas.

La fin des banques arrive non seulement à cause des faits exposés, mais aussi parce que la technologie met le marché bancaire en échec. Dans le secteur financier, cette transformation a déjà commencé. Ce changement en est encore à ses balbutiements, mais la nécessité d’aller dans une banque pour faire quelque chose de relativement simple, comme garder votre argent, appartient au passé. Parmi les centaines de services qu’une telle institution peut offrir, le plus important est que votre argent soit en sécurité et accessible à tout moment. Avec l’évolution de la technologie, conserver de l’argent a perdu de sa pertinence. Aujourd’hui, les gens sont beaucoup plus soucieux de payer quoi que ce soit avec une carte de crédit ou de débit sans avoir à retirer de l’argent à la banque. Cela peut rendre les banques inutiles. Ce que les gens ont commencé à comprendre, c’est que les services fournis par les banques ne répondent plus à leurs besoins. Les entreprises, à leur tour, le constatent déjà et chaque jour, elles s’orientent vers un changement de leurs opérations d’envoi et de réception d’argent par les banques.

Dans le monde entier, une catégorie de services financiers totalement innovante a été appelée banque de paiement. Un nouveau type de société fournit des services très similaires aux banques, mais ce ne sont pas vraiment des institutions financières, mais des intermédiaires de paiement. Quelques exemples sont Paypal, PayTM et AirTel. Au Brésil, nous nous dirigeons vers un environnement de desbancarization total des services financiers. En réglementant les modalités de paiement par la Banque centrale et en comprenant les compétences de ces institutions, la Banque centrale pourrait offrir au marché la possibilité de prendre le pouvoir des cinq plus grandes banques du Brésil et de démocratiser l’accès au système financier national.

  1. La fin de l’argent

L’argent, au sens traditionnel du terme, est mort il y a deux décennies, éclipsé par une nouvelle économie commerciale. L’âge de la mort de l’argent devient viable avec la construction de nouvelles relations économiques. Ces nouvelles relations sont les suivantes:

  • L’échange pur, qui n’implique aucune utilisation de l’argent;
  • L´échange partiel, conçu pour minimiser l’utilisation de l’argent officiel; et
  • L´échange basé sur l’utilisation d’argent de substitution à l’argent officiel.

La mort du chèque, du papier ou de l’argent en métal et de la carte s’accélère. Tous sont remplacés par des paiements numériques. Dématérialisation des avances de fonds, même pour ceux qui n’ont pas de compte bancaire et qui n’ont plus besoin d’un compte bancaire pour accéder au système financier. Tout change: qui traite le paiement, comment nous le faisons et la devise utilisée. La Chine, par exemple, a abandonné l’argent en passant directement au paiement numérique sans passer par une carte de crédit car il est très coûteux de traiter de l’argent physique (sécurité, transport, où stocker, manipuler, transférer).

Les plateformes numériques telles que Google, Facebook et WeChat (un mélange chinois de Face, Google, WhatsApp, services bancaires numériques, IFoods) deviennent des agents financiers et défieront les banques. Le débit du compte ou de la carte de crédit sera remplacé par des autorisations biométriques (commande vocale ou reconnaissance faciale, qui lit le visage et le transfère au magasin où se trouve la personne). Ou possibilité est une autorisation de pré-paiement, comme nous le faisons lorsque nous utilisons Uber. Au Danemark, il est déjà payé numériquement. Les magasins AmazonGo enregistrent l’entrée du client par mobile, il prend ce qu’il veut sans aller à la caisse. Les paiements de compte sont déjà effectués en donnant des données ou en utilisant des points dans les programmes de fidélité. Avec des crypto-monnaies comme Bitcoin, la numérisation des paiements augmentera.

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  1. La fin du système financier international

Alors que les banques et la monnaie sont menacées, le système financier international est en train de s’effondrer avec l’effondrement probable du dollar. Il convient de noter qu’aucune monnaie de réserve telle que le dollar américain n’existait pour toujours. Le dollar domine le monde depuis près d’un siècle. Bien que l’on pense que le dollar ait remplacé la livre sterling après la conférence de Bretton Woods à la fin de la Seconde Guerre mondiale, la valeur de la livre sterling avait déjà baissé bien avant cette conférence.

Le système financier basé sur le dollar américain commence à indiquer la perte rapide de confiance dans le dollar américain. La perte de confiance dans le dollar se manifeste par le fait que les banques centrales du monde entier excluent la devise américaine de leurs réserves. Cette perte de confiance découle du fait que la crise économique mondiale actuelle montre qu’un système monétaire basé sur la monnaie, librement émis et soutenu par les gouvernements du monde entier, est intrinsèquement instable et dont les conséquences inévitables sont: une croissance économique artificielle, l’euphorie et les mauvais investissements que cette croissance génère, et enfin les dépressions.

Il semble que dans les décennies à venir, l’économie mondiale passera de la domination des États-Unis et du dollar à un système dans lequel l’Asie aura plus de pouvoir. Dans le contexte monétaire, cela signifie que le dollar sera probablement meilleur marché par rapport aux autres devises, y compris l’or. Il est important de noter que le dollar a acquis son statut de monnaie mondiale grâce à la vigueur de l’économie américaine. Mais la situation actuelle ne favorise pas le renforcement de sa position, ni même son maintien face à la montée en puissance de la Chine en tant que puissance économique hégémonique.

Il convient de noter que, depuis que l’Occident a abandonné l’étalon-or classique (dans lequel les transactions étaient effectuées en pièces d’or ou en certificats 100% garantis par de l’or) en 1914, le système monétaire international oscille entre un mauvais système et un autre pire. Certains pays adoptent des taux de change fixes et se repentent peu de temps après et reviennent à des taux de change flottants. D’autres pays font le mouvement inverse. Le 15 août 1971, tout en imposant un gel des prix et des salaires dans le cadre d’une tentative vaine de maîtrise de l’inflation explosive, le président des États-Unis, Richard Nixon, mit définitivement fin au système de Bretton Woods. Parce que les banques centrales européennes menaçaient de racheter le plus d’or possible de leurs stocks gonflés en dollars, Nixon a complètement éliminé ce qui restait de l’étalon or. Pour la première fois de l’histoire américaine, le dollar était entièrement fiduciaire, sans garantie en or.

Depuis que les États-Unis ont complètement abandonné l’étalon-or en août 1971 et mis en place le système de papier-monnaie flottant en mars 1973, les États-Unis et le monde ont connu les périodes d’inflation les plus intenses, les plus constantes et les plus longues de l’histoire mondial. Il devient évident que le monde n’admet plus les crises générées par cette inflation sans précédent et sans entrave, provoquée par le système monétaire flottant lui-même, en place depuis 1973. À l’avenir, le diagnostic que l’on peut faire pour le dollar et pour le système monétaire international est en effet sombre. À moins de revenir à l’étalon-or classique à un prix réaliste, le système monétaire international est contraint de basculer continuellement entre taux de change fixes et fluctuants, chaque système continuant à faire face à des problèmes insolubles et ne fonctionnant pas correctement jusqu’à sa désintégration finale. Et l’inflation de l’offre en dollars stimulera inévitablement cette désintégration.

Les perspectives d’avenir sont une inflation monétaire accélérée aux États-Unis, suivie d’un effondrement monétaire international. Ce pronostic ne peut être changé que si le système monétaire américain et international subit un changement radical avec le retour à une devise marchande – telle que l’or – et la suppression complète de l’ingérence du gouvernement dans les problèmes monétaires. Les données sur les réserves de change font apparaître un rôle décroissant du dollar. En 2018, la part du dollar dans les réserves internationales est tombée à 61,7%, ce qui correspond au niveau minimal des 20 dernières années.

Au cours des dernières années, plusieurs pays ont activement recherché des possibilités de créer une monnaie de réserve et d’abandonner le dollar. Le commerce du pétrole entre la Russie et la Chine se fait déjà sans la participation du dollar américain. Ces pays ont intensifié l’extraction des ressources et commencé à acheter plus d’or pour se préparer à l’effondrement de la devise américaine. La tendance à abandonner le dollar montre clairement la diversité des monnaies mondiales qui peuvent le remplacer, telles que l’euro et le Yuan chinois.

Après le départ des États-Unis de l’accord nucléaire avec l’Iran, l’Union européenne a l’intention d’acheter du pétrole sans utiliser le dollar. Après que la Russie et la Chine aient décidé de passer au Yuan plutôt qu’au dollar, une vague de “desdollarisation” a balayé le monde.L’Iran, le Venezuela, l’Angola, l’Indonésie, la Malaisie, la Thaïlande et le Pakistan ont déjà exprimé leur désir d’abandonner le dollar ou de réduire son utilisation dans le négoce de pétrole et autres transactions financières. La Russie comprend que sous la pression du pétrodollar, son économie risque d’être étranglée. James Rickards, auteur de The Death of Money (Penguin Random House, UK), propose de créer une nouvelle devise mondialement compétitive, adossée à l’or, suffisamment forte pour renverser le système du dollar.

L’abandon du dollar en tant que monnaie de réserve mondiale est également imputable à l’éclatement possible de la bulle de la dette publique américaine, qui atteindrait 140% du PIB d’ici 2024. Selon les prévisions du Congrès américain du budget, le déficit de l’année fiscale s’élèvera à 897 milliards de dollars et, d’ici 2022, dépassera la barre des billions. Les experts spéculent que le gouvernement américain a peu de temps pour inverser cette situation, faute de quoi il traversera une crise de grande ampleur comparable à la Grande Dépression des années 1930. Si l’économie mondiale ne parvient pas à digérer cet énorme endettement, la crise qui s’ensuivra mènera le monde à la dépression économique, à la pauvreté de masse, à l’instabilité géopolitique, aux troubles politiques et à la guerre.

Selon le rapport de l’International Finance Institute, la dette mondiale a augmenté de 3,3 trillions de dollars l’an dernier, pour atteindre 243 trillions de dollars. Ce record est trois fois plus élevé que le PIB mondial. Dans les pays développés, le taux d’endettement extrêmement élevé atteint 390% du PIB. L’économie mondiale pourrait ne pas résister à une dette de 243 milliards de dollars.  Les économistes avertissent que lorsque cette bombe de plusieurs milliards de dollars plantée dans l’économie mondiale explosera, la crise sera pire qu’en 2008. À la fin de 2018, le Fonds monétaire international (FMI) a souligné qu’une dette mondiale insoutenable constituait la principale menace pour l’économie mondiale. Le FMI a déclaré que le véritable moteur de la dette mondiale était les États-Unis, dont le déficit a presque triplé depuis 2000 et dépasse désormais 73 600 milliards de dollars, soit 106% du PIB. La dette mondiale des États-Unis est un facteur qui contribue à l’abandon du dollar en tant que monnaie de réserve mondiale.

James Rickards déclare dans son livre The Death of Money que la fin du dollar conduira à trois scénarios: 1) son remplacement par une monnaie mondiale (DTS – Droits de tirage spéciaux: une monnaie créée par le Fonds monétaire international pour les paiements internationaux); 2) l’adoption de l’étalon-or; et 3) le désordre social. Le premier scénario qui envisage le remplacement du dollar par le DTS en tant que monnaie de réserve mondiale est déjà en cours. Au fil du temps, le poids du dollar dans le panier de DTS sera progressivement réduit en faveur de la monnaie chinoise, le Yuan. Les DTS seront sous pression pour stabiliser le système financier international comme en 1979 et 2009. L’accord de la Chine sera nécessaire pour utiliser le DTS qui insiste pour qu’il ne soit pas utilisé pour sauver le dollar comme par le passé, mais pour le remplacer le plus tôt possible. La transition sera inflationniste en dollars en raison de sa dévaluation par rapport à DTS.

Le deuxième scénario considère l’adoption de l’étalon-or comme une autre alternative à l’impression incessante du dollar par le gouvernement des États-Unis, selon Rickards. Cela peut pousser l’inflation à l’extrême avec de l’or en restaurant la confiance ou en élevant la déflation à l’extrême avec de l’or réévalué par les gouvernements pour relever le niveau général des prix. L’étalon-or devrait être adopté lorsque la confiance s’effondrera. Rickards déclare que l’adoption du dollar et du DTS associé à l’étalon-or est inflationniste car il faudrait revaloriser l’or à la hausse pour soutenir le commerce et la finance mondiaux avec le stock d’or actuel. Le troisième scénario de désordre social prendra la forme d’un néo-fascisme de la part des gouvernements au pouvoir lorsque les contrôles des salaires et des prix seront utilisés pour contrôler l’inflation et que la surveillance numérique sera utilisée pour lutter contre le marché noir. Les turbulences monétaires seraient rapidement écrasées par l’action du gouvernement.

Parmi les trois scénarios ci-dessus, le scénario le plus probable est celui du désordre social lorsque les gouvernements néo-fascistes et les agences financières mondiales agiront avec une main de fer pour contrôler respectivement les économies nationales et le système financier mondial. Le scénario de désordre social sera imposé non seulement par l’impossibilité de substituer le dollar à la monnaie mondiale (DTS) et l’adoption de l’étalon-or associé au dollar et au DTS, mais également à la fin probable du système capitaliste mondial à partir du milieu du XXIe siècle, comme indiqué dans l’article sous The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century (La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle) [ALCOFORADO, Fernando. The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century. Disponible sur le site web < https://www.academia.edu/39554532/THE_END_OF_THE_WORLD_CAPITALIST_SYSTEM_IN_THE_MIDDLE_OF_THE_21ST_CENTURY >, 13/06/2019). La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle mettra également fin au système financier international.

  1. Conclusions

De ce qui précède, il s’ensuit que:

  • Les activités bancaires ne doivent plus être effectuées par les banques. À l’ère numérique, la banque a non seulement perdu la maîtrise de son esprit, mais elle a aussi perdu sa raison d’être. Vos services peuvent être effectués par la technologie, ce qui est déjà le cas.
  • Avec toutes les garanties du gouvernement et sans une réglementation efficace, les activités bancaires resteront trop lucratives en dépit des coûts énormes qu’elles imposent à la société. Par conséquent, il est nécessaire de mettre fin aux activités bancaires.
  • Les nouvelles possibilités de gestion des devises et du crédit ne peuvent pas prévaloir tant que les opérations bancaires non contrôlées sont encore possibles.
  • Les banques devraient avoir une couverture en espèces de 100%, c’est-à-dire l’équivalent en espèces des dépôts reçus. Cette exigence éviterait la faillite.
  • Les banques se terminent parce que la technologie met le marché bancaire en échec. Avec l’évolution de la technologie, économiser de l’argent a perdu de sa pertinence. Nous nous dirigeons vers un environnement de dégradation totale des services financiers.
  • La monnaie, au sens traditionnel du terme, est morte il y a deux décennies, éclipsée par une économie de commerce numérisée. La mort du chèque, de l’argent en papier et de la carte de crédit s’accélère. Tous sont remplacés par des paiements numériques. Avec des crypto-monnaies comme Bitcoin, la numérisation des paiements augmentera.
  • Le système financier mondial est en train de s’effondrer avec l’effondrement du dollar. Le système financier basé sur le dollar américain commence à indiquer la perte rapide de confiance dans le dollar américain.
  • La perte de confiance dans le dollar se manifeste par le fait que les banques centrales du monde entier excluent la devise américaine de leurs réserves. Cette perte de confiance résulte du fait que la crise économique mondiale actuelle montre qu’un système monétaire basé sur le papier-monnaie émis librement et sans ballast par les gouvernements du monde entier sont intrinsèquement instables, et les conséquences inévitables de ce processus sont les suivantes: croissance économique artificielle, euphorie et mauvais investissements générés par cette croissance, et enfin les dépressions.
  • L’abandon du dollar en tant que monnaie de réserve mondiale est également imputable à l’éclatement de la bulle de la dette publique américaine, qui pourrait atteindre 140% du PIB d’ici 2024. Le FMI a déclaré que le véritable mécanisme d’endettement mondial était les États-Unis, dont le déficit a presque triplé depuis 2000 et dépasse désormais 73,6 billions de dollars, soit 106% du PIB.
  • La fin du dollar conduira à trois scénarios: 1) son remplacement par une monnaie mondiale (DTS – Droits de tirage spéciaux: une monnaie créée par le Fonds monétaire international et utilisée pour les paiements internationaux); 2) l’adoption de l’étalon-or; et 3) le désordre social.
  • Le scénario le plus probable pour le système financier mondial est celui du désordre social lorsque les gouvernements néo-fascistes et les organismes financiers mondiaux agiront pour contrôler le système financier mondial et empêcher son effondrement en réprimant les mouvements sociaux avec une main de fer. Le scénario de désordre social sera imposé non seulement par l’impossibilité de substituer le dollar à la monnaie mondiale (DTS) et l’adoption de l’étalon-or associé au dollar et au DTS, mais surtout à la fin probable du système capitaliste mondial à partir du milieu du siècle XXI.
  • La fin du système capitaliste mondial au milieu du XXIe siècle mettra également fin au système financier international.

La disparition probable des banques, de la monnaie et du système financier international souligne la nécessité d’un nouveau système international qui évite le scénario de désordre social dans le monde et assure la gouvernance de l’économie mondiale. La gouvernabilité de l’économie mondiale ne sera possible qu’avec un gouvernement mondial élu démocratiquement par tous les peuples du monde [ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo (Comment inventer l’avenir pour changer le monde). Curitiba: Editora CRV, 2019].

REFERENCES

ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

______________________. The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century. Disponible sur le site web < https://www.academia.edu/39554532/THE_END_OF_THE_WORLD_CAPITALIST_SYSTEM_IN_THE_MIDDLE_OF_THE_21ST_CENTURY >, 13/06/2019.
CHESNAIS, François. Les dettes illégitimes. Lorsque vous utilisez la police principale basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011.
MCMILLAN, Jonathan. La fin des banques. São Paulo: Editeur Schwarcz S.A. 2018.
MOIS BRÉSIL. Les crises monétaires mondiales. Disponible sur le site Web <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=258&gt;.
RICKARDS, James. La mort de l’argent Penguin Random House UK, 2014.
Je suis SO, Ivyna. La mort du chèque, de l’argent en papier et de la carte est proche. https://www.polemicaparaiba.com.br/polemicas/a-dear-check-of-money-in-cartoon-and-cartoon-this-proxima/ 07/04/2019.
SPUTNIKNEWS. Le système financier mondial s’effondre: comment le monde se prépare-t-il à l’effondrement du dollar? Disponible sur le site Internet <https: //www..sputniknews.com/economia/2018060511387106-financas-dolar-colapso-crise-china/>, 2018.
WIKIPEDIA. Bitcoin. Disponible sur le site <https://en.wikipedia.org/wiki/Bitcoin&gt;.

 

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE END OF BANKS, MONEY AND THE INTERNATIONAL FINANCIAL SYSTEM

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate the likely end of banks, money and the international financial system and their consequences. Banks are coming to an end because technology is putting the banking market in check as people today are much more concerned about paying anything with a credit or debit card without having to take money from the bank. Bank. This is making banks unnecessary. Money, in the traditional sense, died two decades ago, eclipsed by a digitized trade economy. The death of the check, paper or metal money and card is accelerating which is being replaced by digital payments. Meanwhile, the world financial system is collapsing with the inevitable collapse of the dollar. In the international financial system led by the US dollar, the rapid loss of confidence in this currency begins to take place. In recent years several countries have actively sought opportunities to create an alternative reserve currency and abandon the dollar. The end of the dollar will lead to three scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for inter-country payments); 2) the adoption of the gold standard; and 3) the social disorder. Of these three scenarios, the most likely is that of social disorder when neo-fascist governments around the world and world financial bodies will take the power to act with an iron fist to control the global financial system.

  1. The end of banks

Il y a un demi-siècle, les opérations bancaires étaient relativement simples et son rôle consistait à servir d’intermédiaire entre les épargnants et les prêteurs. ont passé par un processus de transformation en son activité principale. Bénéficiant de l’ouverture de l’économie mondiale depuis les années 90, ces institutions sont devenues des groupes financiers et des conglomérats diversifiés dont les bénéfices proviennent principalement de la création de crédit, devenue le principal moyen de créer de la monnaie. Ce faisant, les banques centrales de la grande majorité des pays ont complètement perdu le contrôle de leurs systèmes économiques..

Banks make their biggest profits ever by facilitating the concentration and centralization of capital. A major source of bank profit is speculation in general, including negotiating countries’ debt and betting on world stock markets. No other sector of the economy can boast such high rates of return, not even any of the largest companies in the productive sector can even match the record profits of the financial system.

Global transaction figures illustrate the size of the financial sector: in 2002, world GDP was US$ 32.3 trillion, while financial transactions amounted to US$ 1,140.6 trillion. At the beginning of the crisis, in 2008, while world GDP was US$ 60.1 trillion, financial movements reached US$ 3,628 trillion (CHESNAIS, François. Les dettes illégitime. Quand les banques font main basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011). According to François Chesnais there will be no end to the global economic crisis that erupted in 2008 in the United States while banks and financial investors are in charge, with governments adopting policies wholly driven by the interests of the rentiers and to survive the debt-driven regime as has been happening today.

What is the future of banks? Jonathan McMillan’s book The End of Banks (São Paulo: Editora Schwarcz S.A. 2018) discusses the role of banks in an increasingly digitized world and also the problems the financial system can create. Resistance to banks came to fruition since the 2008 crisis, when banking giants were blamed for the financial earthquake that ravaged the planet and drained huge, never seen resources from governments, especially in the United States. In this country, Congress approved a US$ 700 billion recovery plan according to Time magazine and the US government invested a total of US$ 10 trillion to help banks and remedy the financial collapse that was taking place. Since the 2008 crisis, the idea of ending banks has been resonating.

Jonathan McMillan asks: How to live without a bank? How to pay bills, make transfers and save our money? The End of Banks book gives unambiguous explanations of these issues. McMillan has come up with solutions to a new financial crisis that many economists around the world have admitted as likely. He cited, for example, the great risk of the Chinese economy, whose domestic debt promises to reach an amount that could eventually collapse. Deutsche Bank recently issued a report listing eleven risks that could lead to a new financial crisis, including the weak performance of the Japanese economy, the UK’s exit from the European Union and Italy’s economic situation. Many economists are coming to the conclusion that banks must be extinguished.

It should be noted that the large financial drain that banks demanded at the time of the 2008 crisis has not prevented them from making huge profits ever since. From 2008, the banking sector has become more concentrated than ever. In the United States, for example, the number of banks fell by half in 2009, while the share of the four largest US banks rose from 14% to over 40%. And they are increasingly lucrative. In 2018, the profit of only ten of the largest US banks broke the record. In Brazil, the phenomenon is identical: in 2016, the five largest Brazilian banks together had a record with a net profit of 69 billion reais.

Jonathan McMillan explains the role of banks and the reasons why they are harmful to the financial health of society across the globe. To stop worrying about how to pay bills, make transfers, and keep salary, McMillan explains that these are banking activities that no longer need to be performed by banks. On the contrary, they are services that can be performed by technology, which already happens. Financial technology, “fintech” adopted by banks is an amalgam of “finance” and “technology”, which has spread in recent years and banks themselves have set up innovation labs, deploying technology solutions and employing more and more robots for decision making. investment, instead of the classic bank manager. In fact, fintechs only provided technological solutions to banking functionality, but did not bring about substantial changes in the financial system.

Jonathan McMillan argues that these issues are not fundamental when discussing the role of banks. Since the Middle Ages, when banks were created, their main function was to collect deposits from those who had surplus money and, with them, make loans. That is, the real function of banks is to create domestic currency through credit. In the digital age, banking has not only gotten out of hand, it has lost its raison d’être. Although no longer needed, they will continue to dominate the financial system for some time. New possibilities for managing money and credit cannot prevail while uncontrolled banking is still possible. With full government guarantees and without effective regulation, they will remain too lucrative despite the tremendous costs they impose on society. Therefore, it is necessary to end banking activities.

The three main reasons identified by Jonathan McMillan that justify the end of banks’ existence are as follows: 1) The excessive risk they take in doing their credit operations, lending money they don’t have, leading to derivatives and exposing themselves to a bank run. Imagine if all depositors in a large bank ran to the cashier to withdraw their deposits. And, in fact, the risk lies not with the banks, but with the government, which always guarantees the liquidity of deposits, under the maxim that “they are too big to fail”; 2) banking mixes and intoxicates the monetary policies created by central banks to prevent social and economic crises such as inflation and unemployment. The connection between banks and national issues can never produce good results; and 3) excessive politicization of central banks. The final part of the book is perhaps the most interesting because it makes concrete proposals to exterminate the banks. The main one is to divide banking activities into two separate business lines – lending and securing – thus avoiding the creation of unsecured domestic currency.

McMillan proposes that the bank deposit agreement would once again be a safe deposit agreement. Restricted bank depositors would receive no interest as their deposits would no longer be used to lend. Banks would have to have 100% cash coverage, ie cash equivalent of deposits received. This requirement would ensure that they were always able to respond to depositors’ withdrawal requests. If, for example, a run on banks occurred, they would have the liquidity to honor all deposits made by customers, thus waiving the government guarantee, involvement with central banks and, especially, lending of securities they do not have.

The end of banks is coming not only because of the facts exposed, but because technology is putting the banking market in check. In the financial sector, this transformation has already begun. This change is still in its infancy, but the need to go to a bank to do something relatively simple like to keep your money is a thing of the past. Of the hundreds of services such an institution could offer, the most important thing was for your money to be safe and accessible at all times. With the evolution of technology, to keep money has lost relevance. Today people are much more concerned about paying anything with a credit or debit card without having to withdraw money from the bank. This can make banks unnecessary. What people have begun to realize is that the service delivered by banks no longer meets their needs. Companies, in turn, are already seeing this, and every day they are moving toward changing their money-sending and receiving operations from banks.

Worldwide, a completely innovative category of financial services has been called payment banking. A new type of company provides very similar services to banks, but they are not really financial institutions, but payment intermediaries. Some examples are Paypal, PayTM and AirTel. In Brazil, we are moving towards an environment of total debarking of financial services. By regulating payment arrangements by the Central Bank and understanding the powers of such institutions, the Central Bank could offer the market the ability to take power from the five largest banks in Brazil and democratize access to the national financial system.

  1. The end of money

Money, in the traditional sense, died two decades ago, eclipsed by a new trading economy. The age of the death of money is becoming viable with the construction of new economic relations. These new relationships are as follows:

  • Pure exchange, which does not involve the use of money in any way;
  • Partial exchange, which is designed to minimize the use of official money; and,
  • Exchange based on the use of money alternative to substitute official money.

The death of the check, paper or metal money and card is accelerating. All are being replaced by digital payments. Dematerialization of money advances, even for those without a bank account who no longer need a bank account to access the financial system. Everything is changing: who processes the payment, how we make the payment, and the currency used. China, for example, has abandoned money by going straight to digital payments without going through a credit card because it is very expensive to deal with physical money (security, transportation, where to store, handling, transfers).

Digital platforms such as Google, Facebook and WeChat (a Chinese mix of Face, Google, WhatsApp, digital banking, IFoods) are becoming financial agents and will challenge banks. Account or credit card debit will be replaced by biometric authorizations (voice command or face recognition, which reads the face and transfers it to the store where the person is). Or possibility is pre-payment authorization, as we do when we use Uber. In Denmark it is already paid digitally. AmazonGo stores register the customer’s entry by mobile, he picks up what he wants, without going to the cashier. Account payments are already made by giving data or using points in loyalty programs. With cryptocurrencies like bitcoin, payment digitization will increase.

Note that bitcoin is a decentralized cryptocurrency, being a form of electronic money. Bitcoin is a digital, decentralized currency that requires no third party to function. This means that it does not depend on banks, large corporations or governments to move money. Bitcoin was the world’s first cryptocurrency and has been running without interruption for eight years, based on an extremely secure decentralized network called Blockchain created by Satoshi Nakamoto. Bitcoin’s main advantages are: freedom of payment, lower fees, security, privacy, control and transparency. No Bitcoin can be confiscated. Payments may be made at lower rates. In addition, Bitcoin is secure and gives more privacy, control and transparency in trading.

Bitcoin can also be used as an investment for those looking to diversify their equity for better earnings. Bitcoin has yielded excellent returns and is likely to become more popular in the long run. Bitcoin is safer than the money you have today in the bank. The security level provided by Bitcoin is much higher than that of traditional banks. In Bitcoin there is not a single point of failure for any malicious actor to be able to attack the network because it would have to break into millions of computers worldwide which is an impossible task. With Bitcoin you have your own bank. Downloading a bitcoin wallet is like having a bank branch available in your hands 24 hours a day. No fees, no boring manager and able to transfer your transaction in no time.

Creating a bitcoin wallet is easy and costs nothing. Just as there are several ways to interact with your bank, you can interact with your bitcoin wallet in a variety of ways, via the smartphone app and desktop / notebook program. Blockchain technology is a type of distributed database where bitcoin transactions are recorded. This technology allows this data to be transmitted between all network participants in a decentralized and transparent manner. Thus, trust with a third party or central entity is not required for the accounting data to be correct and not to be fraudulent. The blockchain is a public transaction book, although it has some anonymous information. Bitcoin is associated with a number that only its owner knows by simply converting to a non-virtual currency that is all clear.

  1. The end of the international financial system

While banks and money are under threat, the international financial system is collapsing with the likely collapse of the dollar. It should be noted that no reserve currency such as the dollar has existed forever. The dollar has dominated the world for almost a century. Although the dollar is considered to have replaced the British pound after the Bretton Woods conference at the end of World War II, the value of the pound had fallen long before that conference.

The US dollar-led financial system is beginning to point to the rapid loss of confidence in the US dollar. The loss of confidence in the dollar is manifested by the fact that central banks around the world are excluding the US currency from their reserves. This loss of confidence stems from the fact that the current world economic crisis shows that a monetary system based on paper currency freely issued and without ballast by governments around the world is inherently unstable whose inevitable consequences of this process are: artificial economic growth, the euphoria and the bad investments that such growth generates, and finally the depressions.

It seems that in the coming decades the global economy will move from dominance of the United States and the dollar to a system in which Asia will have more power. In the monetary context, this means that the dollar will probably be cheaper against other currencies, including gold. It is important to note that the dollar gained its status as a world currency thanks to the strength of the US economy. But the current situation does not favor the strengthening of its position, or even its maintenance in view of China’s rise as hegemonic economic power.

It should be noted that since the West abandoned the classic gold standard (in which transactions were made in gold coins or 100% gold-backed certificates) in 1914, the international monetary system has been oscillating between a bad system and a worse one. Some countries adopt fixed exchange rates and soon afterwards repent and return to floating exchange rates. Other countries do the reverse movement. On August 15, 1971, while imposing a price and wage freeze on a vain attempt to control explosive price inflation, US President Richard Nixon imposed a resounding end to the Bretton Woods system which set the gold standard for the international financial system. Because European central banks were threatening to redeem as much gold from their swollen dollar stocks as possible, Nixon completely wiped out what was left of the gold standard. For the first time in American history, the dollar was fully fiduciary, with no gold backing.

Since the United States completely abandoned the gold standard in August 1971 and established the floating paper currency system in March 1973, the United States and the world have suffered the most intense, most constant and longest inflationary periods in world history. It is becoming clear that the world no longer admits the crises generated by this unprecedented and unhindered inflation, which has been brought on by the floating currency system itself, which has been in place since 1973. Looking ahead, the diagnosis that can be made for dollar and for the international monetary system is indeed bleak. Unless it returns to the classic gold standard at a realistic price, the international monetary system is bound to continually switch between fixed and fluctuating exchange rates, with each system continuing to face unsolvable problems and working poorly until it reaches its final disintegration. And stimulating this disintegration will inevitably be the supply inflation of dollars.

The prospects for the future are for accelerated monetary inflation in the United States, followed by an international monetary collapse. This prognosis can only be changed if there is a drastic change in the US and international monetary system with the return to a free-market commodity currency – such as gold – and a complete removal of government interference with monetary issues. Data on foreign exchange reserves show a diminishing role of the dollar. In 2018, the dollar’s share of international reserves fell to 61.7%, which is the minimum level in the last 20 years.

In recent years several countries have actively sought opportunities to create a reserve currency and abandon the dollar. The oil trade between Russia and China is already done without the participation of the dollar. These countries intensified resource extraction and began buying more gold to prepare for the collapse of the US currency. The tendency to abandon the dollar clearly indicates the diversity of world currencies that can replace it, such as the euro and the Chinese Yuan.

Following the departure of the United States from the nuclear deal with Iran, the European Union intends to buy oil without using the dollar. After Russia and China decided to switch to the Yuan instead of the dollar, a wave of “desdollarization” has swept the world. Iran, Venezuela, Angola, Indonesia, Malaysia, Thailand and Pakistan have already expressed their desire to abandon the dollar or reduce its use in oil trading and other financial transactions. Russia understands that under the pressure of petrodollar its economy is in danger of being strangled. James Rickards, author of The Death of Money (Penguin Random House UK), proposes to create a new globally competitive, gold-backed currency that is strong enough to topple the dollar system.

The abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the bursting of the US public debt bubble that will reach 140% of GDP by 2024. The US Congressional Budget Department predicts that the deficit This year’s fiscal year is US$ 897 billion and by 2022 exceeds the trillion mark. Experts speculate that the US government has little time to reverse this situation that, otherwise it will endure a large-scale crisis comparable to the Great Depression of the 1930s. If the global economy is unable to digest this huge debt, The subsequent crisis will lead the world to economic depression, mass poverty, geopolitical instability, political unrest, and war.

According to the International Finance Institute report, global debt increased by US$ 3.3 trillion last year to US$ 243 trillion. This is a record amount three times the world GDP. In developed countries, the extremely high debt ratio reached 390% of GDP. The world economy may not resist 243 trillion dollars of debt. Economists warn that when this multi-trillion-dollar bomb planted under the world economy explodes, the crisis will be worse than in 2008. In late 2018, the International Monetary Fund (IMF) pointed to unsustainable global debt as the main threat to the world economy. The IMF said the real global debt engine is the United States, whose deficit has nearly tripled since 2000 and now exceeds $ 73.6 trillion, or 106 percent of GDP. US global debt is a factor contributing to the abandonment of the dollar as a world reserve currency.

James Rickards states in his book The Death of Money that the end of the dollar will lead to three scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for inter-country payments); 2) the adoption of the gold standard; and 3) social disorder. The first scenario that contemplates the replacement of the dollar by the SDR as a global reserve currency is already underway. Over time, the dollar’s weight in the SDR basket in favor of the Chinese currency, the Yuan, will gradually be reduced. SDR will be under pressure to stabilize the international financial system as it was done in 1979 and 2009. China’s agreement will be needed to use the SDR that insists on using it not to save the dollar as it did in the past, but to replace the dollar as soon as possible. The transition will be inflationary in dollar terms due to its devaluation from the SDR.

The second scenario considers the adoption of the gold standard as another alternative to the ceaseless printing of the dollar by the United States government, according to Rickards. This can push inflation to the extreme with gold by restoring confidence or raise deflation to the extreme with gold reevaluated by governments to raise the overall price level. The gold standard should be adopted when confidence collapses. Rickards states that the adoption of the dollar standard associated with the dollar and SDR is inflationary  because gold would have to be revalued upwards to support global trade and finance with the current gold stock. The third scenario of social disorder will take the form of neo-fascism by the ruling governments when wage and price controls will be used to control inflation and digital surveillance will be used to combat the black market. Monetary turmoil would be quickly crushed by government action.

Of these three scenarios above, the most likely scenario is that of social disorder when neo-fascist governments and world financial agencies will act with an iron fist to control national economies and the global financial system, respectively. The scenario of social disorder will be imposed not only by the impossibility of substituting the dollar for the world currency (SDR) and the adoption of the gold standard associated with the dollar and the SDR, but for the probable end of the world capitalist system from the middle of the 21st century, as shown in the article The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century (ALCOFORADO, Fernando. The End of the World Capitalist System in the Mid-21st Century. Available at the website < https://www.academia.edu/39554532/THE_END_OF_THE_WORLD_CAPITALIST_SYSTEM_IN_THE_MIDDLE_OF_THE_21ST_CENTURY >, 6/13/2019). The end of the world capitalist system in the mid-21st century will bring the international financial system to an end at this time as well.

  1. Conclusions

From the foregoing, it follows that:

  • Banking activities no longer need to be performed by banks. In the digital age, banking has not only gotten out of hand, it has lost its raison d’être. Your services can be performed by technology, which is already happening.

 

  • With full government guarantees and without effective regulation, banking activities will remain too lucrative despite the tremendous costs they impose on society. Therefore, it is necessary to end banking activities.

 

  • New possibilities for managing currency and credit cannot prevail while uncontrolled banking is still possible.

 

  • To continue to exist, banks should have 100% cash coverage, ie cash equivalent of deposits received. This requirement would avoid their bankruptcy.

 

  • Banks are coming to an end because technology is putting the banking market in check. With the evolution of technology, saving money has lost relevance. We are moving towards an environment of total nobanking of financial services.

 

  • Money, in the traditional sense, died two decades ago, eclipsed by a digitized trade economy. The death of the check, paper or metal money and credit card is accelerating. All are being replaced by digital payments. With cryptocurrencies like bitcoin, payment digitization will increase.

 

  • The world financial system is collapsing with the collapse of the dollar. The US dollar-led financial system is beginning to point to the rapid loss of confidence in the US dollar.

 

  • The loss of confidence in the dollar is manifested by the fact that central banks around the world are excluding the US currency from their reserves. This loss of confidence stems from the fact that the current world economic crisis shows that a monetary system based on paper currency freely issued and without ballast by governments around the world is inherently unstable whose inevitable consequences of this process are: artificial economic growth, the euphoria and the bad investments that such growth generates, and finally the depressions

 

  • The abandonment of the dollar as a world reserve currency was also driven by the possibility of the bursting of the US public debt bubble reaching 140% of GDP by 2024. The IMF said the real global debt machine is the United States, whose The deficit has almost tripled since 2000 and now exceeds $ 73.6 trillion, representing 106% of GDP.

 

  • The end of the dollar will lead to three scenarios: 1) its replacement by a world currency (SDR – Special Drawing Rights: a currency created by the International Monetary Fund used for inter-country payments); 2) the adoption of the gold standard; and 3) social disorder.

 

  • The most likely scenario for the world financial system is that of social disorder when neo-fascist governments and world financial bodies will act to control the global financial system and prevent its collapse by repressing social movements with an iron fist. The scenario of social disorder will be imposed not only by the impossibility of substituting the dollar for the world currency (SDR) and the adoption of the gold standard associated with the dollar and the SDR, but mainly for the probable end of the world capitalist system from the middle of the century XXI.

 

  • The end of the world capitalist system in the mid-21st century will bring the international financial system to an end at this time as well.

 

The likely demise of banks, money and the international financial system points to the need for a new international system that avoids the scenario of social disorder in the world and ensures the governance of the world economy. The governability of the world economy will only be achieved with a world government democratically elected by all the peoples of the world [ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo (Inventing the future to change the world). Curitiba: Editora CRV, 2019].

REFERENCES

ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

______________________. The end of the world capitalist system in the mid-21st century. Available on the website <https://www.academia.edu/39554574/O_FIM_DO_SISTEMA_CAPITALISTA_MUNDIAL_EM_MEADOS_DO_S%C3%89CULO_XXI&gt;, 06/13/2019.
CHESNAIS, François. Les dettes illégitime. Quand les banques font main basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011
MCMILLAN, Jonathan. O fim dos bancos. São Paulo: Publisher Schwarcz S.A. 2018.
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WIKIPEDIA. Bitcoin. Available on the website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin>.

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O FIM DOS BANCOS, DO DINHEIRO E DO SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar o provável fim dos bancos, do dinheiro e do sistema financeiro internacional e suas consequências.  O fim dos bancos está próximo porque a tecnologia está colocando em xeque o mercado bancário, haja vista que, hoje, as pessoas se preocupam muito mais com a possibilidade de pagar qualquer coisa com um cartão de crédito ou débito, sem precisar tirar o dinheiro do banco. Isso está tornando os bancos desnecessários. O dinheiro, em sentido tradicional, morreu há duas décadas, eclipsado por uma economia de trocas digitalizadas. A morte do cheque, do dinheiro em papel ou em metal e do cartão está se acelerando os quais estão sendo substituídos por pagamentos digitais. Enquanto isto, o sistema financeiro mundial está em processo de desmoronamento com o inevitável colapso do dólar. No sistema financeiro internacional liderado pelo dólar norte-americano começa a acontecer a perda acelerada da confiança nesta moeda. Nos últimos anos vários países têm buscado ativamente oportunidades de criar uma moeda de reserva alternativa e abandonar o dólar. O fim do dólar levará a três cenários: 1) sua substituição por uma moeda mundial (SDR- Direitos Especiais de Saque: uma moeda criada pelo Fundo Monetário Internacional usado para pagamentos entre países); 2) a adoção do padrão ouro; e, 3) a desordem social.  Destes três cenários, o mais provável é o da desordem social quando os governos neofascistas em todo o mundo e organismos financeiros mundiais ocuparão o poder para  atuar com mão de ferro para controlar o sistema financeiro global.

  1. O fim dos bancos

Há meio século, a atividade bancária era relativamente simples cujo papel era o de ser intermediário entre os poupadores e os emprestadores. Os bancos passaram por um processo de transformação em sua atividade principal. Beneficiando-se da abertura da economia mundial a partir da década de 1990, estas instituições se transformaram em grupos financeiros diversificados e em conglomerados cujos lucros provêm principalmente da criação de crédito, que se converteu no principal meio de criação de moeda. Neste processo, os Bancos Centrais da grande maioria dos países perderam completamente o controle de seus sistemas econômicos.

Os bancos conseguem os seus maiores lucros de sempre facilitando a concentração e centralização do capital. Uma fonte importante de lucros dos bancos está na especulação em geral, inclusive sobre a negociação da dívida dos países e apostando nos mercados mundiais de valores. Nenhum outro setor da economia pode ostentar taxas de retorno tão elevadas, nem mesmo qualquer uma das maiores empresas do setor produtivo podem sequer igualar os lucros recordes do sistema financeiro.

Os valores das transações mundiais ilustram a dimensão do setor financeiro: em 2002, o PIB mundial era de 32,3 trilhões de dólares, enquanto as transações financeiras somavam 1.140,6 trilhões de dólares. No início da crise, em 2008, enquanto o PIB mundial era de 60,1 trilhões, as movimentações financeiras atingiam 3.628 trilhões de dólares (CHESNAIS, François. Les dettes illégitime. Quand les banques font main basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011). Segundo François Chesnais não haverá fim para a crise econômica mundial que eclodiu em 2008 nos Estados Unidos enquanto os bancos e os investidores financeiros estiverem no comando, com os governos adotando políticas totalmente dirigidas pelos interesses dos rentistas e para dar sobrevida ao regime guiado pela dívida como vem acontecendo atualmente.

Qual é o futuro dos bancos? O livro O fim dos bancos de Jonathan McMillan (São Paulo: Editora Schwarcz S.A. 2018) discute o papel dos bancos num mundo cada vez mais digitalizado e também os problemas que o sistema financeiro pode gerar. A resistência aos bancos ganhou corpo a partir da crise de 2008, quando gigantes bancários foram responsabilizados pelo terremoto financeiro que assolou o planeta e drenaram recursos gigantescos, nunca vistos, dos governos, especialmente nos Estados Unidos. Neste país, o Congresso aprovou um plano de recuperação de 700 bilhões de dólares de acordo com a revista Time e o governo americano investiu um total de 10 trilhões de dólares para ajudar os bancos e sanar o colapso financeiro que estava ocorrendo. Desde a crise de 2008, a ideia de acabar com os bancos vem adquirindo ressonância.

Jonathan McMillan pergunta: como viver sem banco? Como pagar as contas, fazer transferências e guardar nosso dinheiro? O livro O fim dos bancos dá explicações inequívocas sobre estas questões. McMillan apresentou soluções para a ocorrência de uma nova crise financeira admitida como provável por muitos economistas ao redor do mundo. Ele citou, por exemplo, o grande risco da economia chinesa, cuja dívida interna promete chegar a um montante que poderá leva-la ao colapso de uma hora para outra. Recentemente o Deutsche Bank emitiu um relatório no qual elenca onze riscos que podem gerar uma nova crise financeira, incluindo o fraco desempenho da economia japonesa, a saída do Reino Unido da União Europeia e a situação econômica da Itália. Muitos economistas estão chegando à conclusão de que é preciso extinguir os bancos.

É oportuno observar que a grande drenagem financeira que os bancos exigiram por ocasião da crise de 2008 não impediu que eles obtivessem lucros gigantescos desde então. A partir de 2008, o setor bancário tornou-se mais concentrado do que nunca. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de bancos caiu pela metade em 2009, ao passo que a participação dos quatro maiores bancos americanos subiu de 14% para mais de 40%. E eles são cada vez mais lucrativos. Em 2018, o lucro de apenas dez dos maiores bancos americanos bateu o recorde. No Brasil, o fenômeno é idêntico: em 2016, os cinco maiores bancos brasileiros tiveram juntos um recorde com um lucro líquido de 69 bilhões de reais.

Jonathan McMillan explica a função dos bancos e os motivos pelos quais eles são nocivos à saúde financeira da sociedade em todo o planeta. Para acabar com a preocupação de como pagar contas, fazer transferências e guardar o salário, McMillan explica que essas são atividades bancárias que não precisam mais ser exercidas pelos bancos. Ao contrário: são serviços que podem ser executados pela tecnologia, o que efetivamente já acontece. A tecnologia financeira,“fintech” adotada pelos bancos é um amálgama de “finanças” e “tecnologia”, que se disseminou nos últimos anos e os próprios bancos criaram laboratórios de inovação, implantando soluções tecnológicas e empregando cada vez mais robôs para as decisões de investimento, em vez do clássico gerente bancário Na verdade as fintechs apenas deram soluções tecnológicas a funcionalidades bancárias, mas não promoveram transformações substancias no sistema financeiro.

Jonathan McMillan afirma que essas questões não são as fundamentais quando se discute o papel dos bancos. Desde a Idade Média, quando os bancos foram criados, a função principal deles era o de recolher depósitos de quem tinha moeda excedente e, com eles, fazer empréstimos. Ou seja, a verdadeira função dos bancos é criar moeda interna por meio de crédito. Na era digital, as atividades bancárias não só fugiram ao controle como perderam a razão de ser. Embora já não sejam necessárias, elas continuarão a dominar o sistema financeiro por algum tempo. As novas possibilidades de gerenciar a moeda e o crédito não podem prevalecer enquanto as atividades bancárias descontroladas ainda forem possíveis. Com plenas garantias governamentais e sem regulação eficaz, elas continuarão lucrativas demais, apesar dos tremendos custos que impõem à sociedade. Por isso, é preciso acabar com as atividades bancárias.

Os três motivos principais identificados por Jonathan McMillan que justificam o fim da existência dos bancos são os seguintes: 1) O risco excessivo que assumem ao fazer suas operações de crédito, emprestando valores que não possuem, levando à criação de derivativos e se expondo a uma corrida bancária. Imagine se todos os depositantes de um grande banco corressem ao caixa para sacar seus depósitos. E, na verdade, o risco não é dos bancos, mas do governo, que sempre garante a liquidez dos depósitos, sob a máxima de que “são grandes demais para falirem”; 2) a atividade bancária se mistura e intoxica as políticas monetárias, criadas pelos bancos centrais para impedir crises sociais e econômicas, como inflação e desemprego. A conexão entre bancos e questões de caráter nacional nunca podem produzir bons resultados; e, 3) a excessiva politização dos bancos centrais. A parte final do livro é, talvez, a mais interessante pelo fato de fazer propostas concretas para exterminar os bancos. A principal delas é dividir as atividades bancárias em duas linhas de negócios separadas — a de emprestar e a de guardar — evitando assim a criação de moeda interna, não lastreada.

McMillan propõe que o contrato de depósito bancário voltaria a ser um contrato de guarda segura. Os depositantes de bancos restritos não receberiam juros, uma vez que seus depósitos não seriam mais usados para conceder empréstimos. Os bancos teriam que ter 100% de cobertura em dinheiro, ou seja, ter em caixa o equivalente dos depósitos recebidos. Essa exigência garantiria que sempre fossem capazes de atender aos pedidos de retirada dos depositantes. Se ocorresse, por exemplo, uma corrida aos bancos, eles teriam liquidez para honrar todos os depósitos feitos pelos clientes, dispensando, assim, a garantia do governo, o envolvimento com os bancos centrais e, principalmente, o empréstimo de valores que não possuem.

O fim dos bancos está próximo não apenas pelos fatos expostos, mas porque a tecnologia está colocando em xeque o mercado bancário. No setor financeiro, essa transformação já começou. Esta mudança ainda está no começo, mas a necessidade de ir a um banco para fazer algo relativamente simples como guardar o seu dinheiro, já é coisa do passado. Dentre as centenas de serviços que uma instituição dessas poderia oferecer, o mais importante era que o seu dinheiro estivesse seguro e acessível a todo tempo. Com a evolução da tecnologia, guardar o dinheiro perdeu relevância. Hoje as pessoas se preocupam muito mais com a possibilidade de pagar qualquer coisa com um cartão de crédito ou débito, sem precisar tirar o dinheiro do banco. Isso pode tornar os bancos desnecessários. O que as pessoas começaram a perceber é que o serviço entregue pelos bancos não atende mais às suas necessidades. As empresas, por sua vez, já estão enxergando isso, e a cada dia caminham em direção a mudança das suas operações de envio e recebimento de dinheiro dos bancos.

No mundo, uma categoria completamente inovadora de serviços financeiros foi batizada de payment banking. Um novo tipo de empresa presta serviços muito similares aos bancos, porém não são instituições financeiras de fato, e sim intermediárias de pagamentos. Alguns exemplos são o PayPal, PayTM e o AirTel. No Brasil, estamos caminhando para um ambiente de desbancarização total dos serviços financeiros. Com a regulamentação dos arranjos de pagamento pelo Banco Central e o entendimento das competências das instituições desse tipo, o Banco Central poderia oferecer ao mercado a possibilidade de tirar o poder dos cinco maiores bancos do Brasil e democratizar o acesso ao sistema financeiro nacional.

  1. O fim do dinheiro

O dinheiro, em sentido tradicional, morreu há duas décadas, eclipsado por uma nova economia de trocas. A era da morte do dinheiro está se viabilizando com a construção de novas relações econômicas. Estas novas relações são as seguintes:

  • Pura troca, que não envolve o uso de dinheiro de forma alguma;
  • Troca parcial, que é projetado para minimizar o uso de dinheiro oficial; e,
  • Troca baseada no uso de dinheiro alternativo ao dinheiro oficial.

A morte do cheque, do dinheiro em papel ou metal e do cartão está se acelerando. Todos estão sendo substituídos por pagamentos digitais. A desmaterialização do dinheiro avança, mesmo para aqueles que não têm conta em bancos os quais não precisam mais ter conta em banco para ter acesso ao sistema financeiro. Tudo está mudando: quem processa o pagamento, como fazemos o pagamento e a moeda utilizada. A China, por exemplo, abandonou o dinheiro indo direto para pagamentos digitais, sem passar pelo cartão de crédito porque é muito caro lidar com o dinheiro físico (segurança, transporte, onde armazenar, manuseio, transferências).

Plataformas digitais, como Google, Facebook e WeChat (uma mistura chinesa de Face, Google, WhatsApp, banco digital, IFoods) estão virando agentes financeiros e vão desafiar os bancos. Débito em conta ou cartão de crédito vai ser substituído por autorizações biométricas (comando de voz ou reconhecimento facial, que lê o rosto e transfere para a loja onde a pessoa está). Ou possibilidade é a pré-autorização de pagamento, como fazemos quando usamos o Uber. Na Dinamarca já se paga de forma digital. As lojas AmazonGo registram a entrada do cliente pelo celular, ele pega o que quiser, sem passar no caixa. Já são efetuados pagamentos de contas cedendo dados ou usando pontos em programas de fidelidade. Com as criptomoedas, como o bitcoin, a digitalização de pagamentos vai aumentar.

Cabe observar que o bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, sendo uma forma de dinheiro eletrônico. Bitcoin é uma moeda digital, descentralizada e que não necessita de terceiros para funcionar. Isso significa dizer que não depende de bancos, grandes corporações ou governos para movimentar o dinheiro.  O Bitcoin foi a primeira criptomoeda do mundo e há oito anos funciona sem qualquer interrupção, baseada em uma rede descentralizada extremamente segura chamada Blockchain criada por Satoshi Nakamoto. As principais vantagens do bitcoin são: liberdade de pagamento, taxas menores, segurança, privacidade, controle e transparência. Nenhum Bitcoin pode ser confiscado. Pode-se efetuar pagamentos com taxas menores. Além disso, Bitcoin é seguro e dá mais privacidade, controle e transparência nas negociações.

O Bitcoin pode ser utilizado também como investimento para quem está procurando diversificar seu patrimônio para ter melhores ganhos. O Bitcoin trouxe excelentes retornos e a tendência é que ele se torne mais popular a longo prazo. O Bitcoin é mais seguro do que o dinheiro que a pessoa tem hoje no banco. O nível de segurança proporcionado pelo Bitcoin é muito superior aos dos bancos tradicionais. No Bitcoin não há um único ponto de falha, para algum ator malicioso conseguir atacar a rede porque seria necessário invadir milhões de computadores em todo mundo que é uma tarefa impossível. Com o Bitcoin a pessoa tem seu próprio banco, Baixar uma carteira de bitcoin é como ter disponível uma agência bancária em suas mãos 24 horas por dia. Sem taxas, sem um gerente chato e capaz de transferir em instantes sua transação.

Criar uma carteira de bitcoin é fácil e não custa nada. Assim como há diversas maneiras de interagir com seu banco, também é possível interagir de diversas formas com sua carteira de bitcoin, via app no smartphone e programa no seu desktop/notebook. A tecnologia Blockchain (“Cadeia de Blocos” em inglês) é um tipo de banco de dados distribuído onde são registradas as transações bitcoin. Esta tecnologia permite que esses dados sejam transmitidos entre todos os participantes da rede de maneira descentralizada e transparente. Dessa maneira, não é necessária a confiança em um terceiro ou entidade central para que os dados de contabilidade estejam corretos e não sejam fraudados. O blockchain é um livro público de transações, apesar de ter algumas informações anônimas. O bitcoin está associado a um número que somente seu proprietário conhece bastando uma conversão para um câmbio não virtual que tudo fica às claras.

  1. O fim do sistema financeiro internacional

Enquanto os bancos e o dinheiro estão com suas existências ameaçadas, o sistema financeiro internacional está em processo de desmoronamento com o provável colapso do dólar. Cabe observar que nenhuma moeda de reserva como o dólar existiu eternamente. O dólar já domina o mundo durante quase um século. Embora se considere que o dólar substituiu a libra esterlina britânica após a conferência de Bretton Woods, no final da Segunda Guerra Mundial, o valor da libra já tinha decaído muito tempo antes dessa conferência.

O sistema financeiro liderado pelo dólar norte-americano começa a apontar a perda acelerada da confiança nesta moeda. A perda de confiança no dólar se manifesta no fato de os bancos centrais de todo o mundo estarem excluindo a moeda norte-americana das suas reservas. Esta perda de confiança resulta do fato de a atual crise econômica mundial mostrar que um sistema monetário baseado em papel-moeda emitido livremente e sem lastro pelos governos em todo o mundo é algo inerentemente instável cujas inevitáveis consequências desse processo são: o crescimento econômico artificial, a euforia e os maus investimentos que tal crescimento gera, e, finalmente, as depressões.

Tudo leva a crer que nas próximas décadas a economia global vai passar de uma dominância dos Estados Unidos e do dólar para um sistema em que a Ásia possuirá mais poder. No contexto monetário, isso significa que o dólar, provavelmente, var ficar mais barato em relação às outras moedas, inclusive o ouro. É importante observar que o dólar obteve seu estatuto como moeda mundial graças ao poderio da economia norte-americana. Mas a situação atual não favorece o reforço da sua posição, ou mesmo a manutenção dela diante da ascensão da China como potência econômica hegemônica.

É oportuno observar que, desde que o Ocidente abandonou o padrão ouro clássico (em que as transações eram feitas em moedas de ouro ou em certificados lastreados 100% em ouro) em 1914, o sistema monetário internacional vem oscilando entre um sistema ruim e outro pior.  Alguns países adotam câmbios fixos e logo depois se arrependem e retornam para o câmbio flutuante.  Outros países fazem o movimento inverso. Em 15 de agosto de 1971, ao mesmo tempo em que impunha um congelamento de preços e salários em uma vã tentativa de controlar a explosiva inflação de preços, o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, impôs um estrondoso fim ao sistema de Bretton Woods que estabelecia o padrão ouro para o sistema financeiro internacional.  Como os bancos centrais europeus estavam ameaçando redimir em ouro o máximo possível de seus inchados estoques de dólares, Nixon acabou completamente com o que restava do padrão ouro.  Pela primeira vez na história americana, o dólar era totalmente fiduciário, sem qualquer lastro em ouro.

Desde que os Estados Unidos abandonaram completamente o padrão ouro em agosto de 1971 e estabeleceram o sistema de papel-moeda flutuante em março de 1973, os Estados Unidos e o mundo sofreram o mais intenso, o mais constante e o mais prolongado período inflacionário da história mundial. Está ficando claro que o mundo não mais admite as crises geradas por essa inflação sem precedentes e sem obstáculos, que foi trazida pelo sistema de moedas fiduciárias flutuantes ente si, implantadas desde 1973. Olhando para o futuro, o diagnóstico que se pode fazer para o dólar e para o sistema monetário internacional é de fato sombrio.  A menos que retorne ao padrão ouro clássico a um preço realista, o sistema monetário internacional está fadado a se alternar continuamente entre taxas de câmbio fixas e flutuantes, sendo que cada sistema seguirá enfrentando problemas insolúveis e funcionando insatisfatoriamente, até chegar à desintegração final.  E estimulando essa desintegração estará inevitavelmente a inflação da oferta de dólares.

Os prospectos para o futuro são de acelerada inflação monetária nos Estados Unidos, seguida de um colapso monetário internacional.  Esse prognóstico só poderá ser mudado caso haja uma drástica alteração no sistema monetário norte-americano e internacional com o retorno a uma moeda-commodity de livre mercado – tal como o ouro -, e uma remoção total da ingerência governamental sobre as questões monetárias. Os dados sobre as reservas de divisas demonstram uma diminuição do papel do dólar. Em 2018 a parte do dólar nas reservas internacionais caiu até 61,7%, que é o nível mínimo nos últimos 20 anos.

Nos últimos anos vários países têm buscado ativamente oportunidades de criar uma moeda de reserva e abandonar o dólar. O comércio de petróleo entre a Rússia e a China já é realizado sem a participação do dólar, Estes países intensificaram a extração de recursos e começaram a comprar mais ouro para se prepararem para o colapso da moeda norte-americana. A tendência de abandonar o dólar indica claramente a diversidade de moedas mundiais capazes de substituí-lo como, por exemplo, o euro e o Yuan chinês.

Depois da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, a União Europeia tenciona comprar petróleo sem usar o dólar. Depois que a Rússia e a China decidiram passar a usar o Yuan em vez do dólar, uma onda de “desdolarização” cobriu o mundo, O Irã, a Venezuela, Angola, Indonésia, Malásia, Tailândia e Paquistão já expressaram seu desejo de abandonar o dólar ou reduzir seu uso no comércio de petróleo e outras transações financeiras. A Rússia entende que, sob a pressão do petrodólar sua economia corre o perigo de ser estrangulada.  James Rickards, autor de The Death of Money (Penguin Random House UK), propõe criar uma nova moeda globalmente competitiva e respaldada pelo ouro, que seja suficientemente forte para derrubar o sistema do dólar.

O abandono do dólar como moeda de reserva mundial é impulsionado também pela possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos que atingirá 140% do PIB até 2024. A previsão do Departamento de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos é o de que o déficit fiscal deste ano seja de US$ 897 bilhões e, em 2022, exceda a marca do trilhão. Especialistas especulam que o governo norte-americano tem pouco tempo para reverter esta situação que, caso contrário perdure, o país enfrentará uma crise em grande escala comparável à Grande Depressão dos anos 1930. Caso a economia global não seja capaz de digerir essa enorme dívida, a crise subsequente levará o mundo à depressão econômica, à pobreza em massa, instabilidade geopolítica, agitação política e guerras.

Segundo o relatório do Instituto de Finanças Internacionais, a dívida global aumentou em 3,3 trilhões de dólares no ano passado, para 243 trilhões de dólares. Trata-se de um montante recorde três vezes superior ao PIB mundial. Nos países desenvolvidos, o índice de endividamento, extremamente elevado, atingiu 390% do PIB. A economia mundial pode não resistir à dívida de 243 trilhões de dólares. Os economistas alertam que, quando esta bomba de vários trilhões de dólares plantada sob a economia mundial explodir, a crise será pior do que a de 2008. No final de 2018, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou a insustentável dívida global como a principal ameaça para a economia mundial. O FMI afirmou que a verdadeira máquina da dívida global são os Estados Unidos, cujo déficit quase triplicou desde 2000 e agora excede 73,6 trilhões de dólares, o que representa 106% do PIB. A dívida global dos Estados Unidos é um fator que está contribuindo para o abandono do dólar como moeda de reserva mundial.

James Rickards afirma em sua obra The Death of Money que o fim do dólar levará a três cenários: 1) sua substituição por uma moeda mundial (SDR- Direitos Especiais de Saque: uma moeda criada pelo Fundo Monetário Internacional usado para pagamentos entre países); 2) a adoção do padrão ouro; e, 3) desordem social.  O primeiro cenário que contempla a substituição do dólar pelo SDR como moeda de reserva global já está em curso. Ao longo do tempo, será reduzido gradualmente o peso do dólar na cesta do SDR em favor da moeda chinesa, o Yuan.  SDR será pressionado para estabilizar o sistema financeiro internacional como foi feito em 1979 e 2009. A concordância da China será necessária para usar o SDR que insiste em usá-lo não para salvar o dólar como foi feito no passado, mas para substituir o dólar o mais rápido possível. A transição será inflacionária em termos de dólar devido à sua desvalorização em relação ao SDR.

O segundo cenário considera a adoção do padrão ouro que é outra alternativa à incessante impressão do dólar pelo governo dos Estados Unidos, segundo Rickards. Isto pode elevar a inflação ao extremo com o ouro restaurando a confiança ou elevar a deflação ao extremo com o ouro reavaliado pelos governos para elevar o nível geral de preços. O padrão ouro deve ser adotado quando a confiança entra em colapso. Rickards afirma que a adoção do padrão ouro associado ao dólar e ao SDR é inflacionária porque o ouro teria que ser reavaliado para cima para apoiar o comércio e as finanças globais com o atual estoque de ouro. O terceiro cenário de desordem social tomará a forma de neofascismo pelos governos no poder quando controles de salários e preços serão usados para controlar a inflação e a vigilância digital será usada para combater o mercado negro. Os tumultos monetários seriam esmagados rapidamente pela ação do governo.

Destes três cenários acima citados, o cenário mais provável é o da desordem social quando os governos neofascistas e organismos financeiros mundiais atuarão com mão de ferro para controlar, respectivamente, as economias nacionais e o sistema financeiro global. O cenário de desordem social se imporá, não apenas pela impossibilidade da substituição do dólar pela moeda mundial (SDR) e da adoção do padrão ouro associado ao dólar e ao SDR, mas pelo provável fim do sistema capitalista mundial a partir de meados do século XXI conforme está demonstrado no artigo sob o título O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI (ALCOFORADO, Fernando. O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI. Disponível no website <https://www.academia.edu/39554574/O_FIM_DO_SISTEMA_CAPITALISTA_MUNDIAL_EM_MEADOS_DO_S%C3%89CULO_XXI>, 13/06/2019). O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI fará com que o sistema financeiro internacional chegue também ao fim nesta época.

  1. Conclusões

Pelo exposto, conclui-se o seguinte:

  • Atividades bancárias não precisam mais ser exercidas pelos bancos. Na era digital, as atividades bancárias não só fugiram ao controle como perderam a razão de ser. Seus serviços podem ser executados pela tecnologia, o que efetivamente já acontece.
  • Com plenas garantias governamentais e sem regulação eficaz, as atividades bancárias continuarão lucrativas demais, apesar dos tremendos custos que impõem à sociedade. Por isso, é preciso acabar com as atividades bancárias.
  • As novas possibilidades de gerenciar a moeda e o crédito não podem prevalecer enquanto as atividades bancárias descontroladas ainda forem possíveis.
  • Para continuar existindo, os bancos deveriam ter 100% de cobertura em dinheiro, ou seja, ter em caixa o equivalente dos depósitos recebidos. Esta exigência evitaria a falência dos bancos.
  • O fim dos bancos está próximo porque a tecnologia está colocando em xeque o mercado bancário. Com a evolução da tecnologia, guardar o dinheiro perdeu relevância. Estamos caminhando para um ambiente de desbancarização total dos serviços financeiros.
  • O dinheiro, em sentido tradicional, morreu há duas décadas, eclipsado por uma economia de trocas digitalizadas. A morte do cheque, do dinheiro em papel ou metal e do cartão de crédito está se acelerando. Todos estão sendo substituídos por pagamentos digitais. Com as criptomoedas, como o bitcoin, a digitalização de pagamentos vai aumentar.
  • O sistema financeiro mundial está em processo de desmoronamento com o colapso do dólar. O sistema financeiro liderado pelo dólar norte-americano começa a apontar a perda acelerada da confiança nesta moeda.
  • A perda de confiança no dólar se manifesta no fato de os bancos centrais de todo o mundo estarem excluindo a moeda norte-americana das suas reservas. Esta perda de confiança resulta do fato de a atual crise econômica mundial mostrar que um sistema monetário baseado em papel-moeda emitido livremente e sem lastro pelos governos em todo o mundo é algo inerentemente instável cujas inevitáveis consequências desse processo são: o crescimento econômico artificial, a euforia e os maus investimentos que tal crescimento gera, e, finalmente, as depressões.
  • O abandono do dólar como moeda de reserva mundial é impulsionado também pela possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos que atingirá 140% do PIB até 2024. O FMI afirmou que a verdadeira máquina da dívida global são os Estados Unidos, cujo déficit quase triplicou desde 2000 e agora excede 73,6 trilhões de dólares, o que representa 106% do PIB.
  • O fim do dólar levará a três cenários: 1) sua substituição por uma moeda mundial (SDR- Direitos Especiais de Saque: uma moeda criada pelo Fundo Monetário Internacional usado para pagamentos entre países); 2) a adoção do padrão ouro; e, 3) desordem social.
  • O cenário mais provável para o sistema financeiro mundial é o da desordem social quando os governos neofascistas e organismos financeiros mundiais atuarão para controlar o sistema financeiro global e evitar seu colapso reprimindo com mão de ferro os movimentos sociais. O cenário de desordem social se imporá, não apenas pela impossibilidade da substituição do dólar pela moeda mundial (SDR) e da adoção do padrão ouro associado ao dólar e ao SDR, mas principalmente pelo provável fim do sistema capitalista mundial a partir de meados do século XXI.
  • O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI fará com que o sistema financeiro internacional chegue também ao fim nesta época.

O provável fim dos bancos, do dinheiro e do sistema financeiro internacional aponta a necessidade da existência de um novo sistema internacional que evite o cenário de desordem social no mundo e assegure a governabilidade da economia mundial. A governabilidade da economia mundial só será alcançada com um governo mundial democraticamente eleito por todos os povos do mundo (ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019).

REFERÊNCIAS

ALCOFORADO, Fernando. Como inventar o futuro para mudar o mundo. Curitiba: Editora CRV, 2019.

_______________________. O fim do sistema capitalista mundial em meados do século XXI. Disponível no website <https://www.academia.edu/39554574/O_FIM_DO_SISTEMA_CAPITALISTA_MUNDIAL_EM_MEADOS_DO_S%C3%89CULO_XXI>, 13/06/2019.

CHESNAIS, François. Les dettes illégitime. Quand les banques font main basse sur les politiques publiques. Paris: Editions Raisons d´agir, 2011.

MCMILLAN, Jonathan. O fim dos bancos.  São Paulo: Editora Schwarcz S.A. 2018.

MISES BRASIL. As crises monetárias mundiais. Disponível no website <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=258>.

RICKARDS, James. The Death of Money.  Penguin Random House UK, 2014.

SOUTO, Ivyna. A morte do cheque, do dinheiro em papel e do cartão está próxima. Disponível no website <https://www.polemicaparaiba.com.br/polemicas/a-morte-do-cheque-do-dinheiro-em-papel-e-do-cartao-esta-proxima/>, 07/04/2019.

SPUTNIKNEWS. Sistema financeiro mundial se desmorona: como mundo se prepara para colapso do dólar? Diponível no website <https://br.sputniknews.com/economia/2018060511387106-financas-dolar-colapso-crise-china/>, 2018.

WIKIPEDIA. Bitcoin. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin>.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NON AU FASCISME DU GOUVERNEMENT BOLSONARO AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Le fascisme du gouvernement Bolsonaro présente les caractéristiques suivantes:

  1. Manque de respect pour les droits de l’homme et l’environnement – Au cours d’une campagne présidentielle dans la ville d’Araçatuba, dans l’intérieur de São Paulo, Bolsonaro a parlé condamnant les organisations qui défendent les droits de l’homme. Selon le candidat à l’élection présidentielle de l’époque, ces mouvements rendent un “mauvais service au Brésil” et ne méritent donc pas un transfert d’argent du gouvernement. Le Brésil de Jair Bolsonaro est le nouveau méchant de la planète pour l’environnement. Il n’a pas déclaré de nouvelles zones de protection de l’environnement, démantelé les réserves foncières autochtones et n’en a pas délimité de nouvelles, faussant ainsi le fonds Amazon Fund (un fonds millionnaire financé par la Norvège, principalement pour lutter contre la déforestation), en remettant en question le changement climatique et les données officielles sur la destruction des forêts tropicales par des organismes gouvernementaux via Inpe, et en accélérant l’approbation de nouveaux pesticides, dont certains contenant des substances interdites dans l’Union européenne.
  2. Identification des ennemis en tant que cause unificatrice – Dans une émission en direct sur sa page Facebook le 6 octobre 2018, à la veille du premier tour de l’élection, Bolsonaro a déclaré que les partis brésiliens de gauche avaient échoué dans d’autres pays d’Amérique latine tels que le Venezuela et l’Argentine. Les ennemis de gauche sont considérés comme des méchants et méritent d’être punis et exterminés. 
  1. L’accent mis sur le militarisme. En tant que candidat – Bolsonaro a également défendu les gouvernements militaires de la dictature, affirmant que “c’était une période merveilleuse”. Bolsonaro a toujours défendu le bourreau pendant la dictature militaire, Brilhante Ustra. Plusieurs ministres et occupants de divers organismes gouvernementaux de Bolsonaro sont des militaires. 
  1. Niveau élevé de sexisme – “Je ne te violerais jamais parce que tu ne le mérites pas”. C’était la déclaration de Bolsonaro adressée à député Maria do Rosario dans les couloirs de la Chambre des députés. Le candidat a même poussé le député, menaçant de la gifler et de la traiter de “salope”. En 2014, Bolsonaro a répété l’infraction contre la député, cette fois dans un discours à la Chambre des représentants. Pour l’infraction, la Cour fédérale a condamné Bolsonaro à verser une indemnité de R$ 10 000 à Maria do Rosario. 
  1. Contrôle des médias – Bolsonaro a souvent délégitimé le travail de la presse et sa campagne était basée sur la propagation de fausses nouvelles. Jair Bolsonaro a systématiquement attaqué la presse en utilisant de fausses informations montrant son manque d’engagement envers la vérité des faits, ainsi qu’en utilisant son pouvoir pour tenter d’intimider les médias et les journalistes. Lorsqu’un dirigeant mobilise une partie importante de la population pour attaquer des journalistes et des véhicules, cela mine l’un des piliers de la démocratie, l’existence d’une presse libre et critique. 
  1. Religion et gouvernements interconnectés – «Nous sommes un pays chrétien! Dieu avant tout. Cette petite histoire de la laïcité, non! C’est un état chrétien! Et les minorités qui s’inclinent! ». C’est ce que Bolsonaro a déclaré lors d’un discours prononcé en février 2017 à Campina Grande, dans l’État de Paraíba, sur une voiture de sonorisation. Il a déclaré que ceux qui ne croient pas en Dieu sont la minorité et c’est pourquoi ils doivent “s’incliner” devant l’état chrétien.
  2. Droits du travail attaqués – “Un jour, le travailleur devra décider: moins de droits et d’emploi ou plus droits et de chômage.” Telle était la déclaration de Bolsonaro dans une interview avec le Jornal Nacional, qui déclarait que cela donnait raison aux employeurs et entrepreneurs brésiliens, qui considéraient les droits du travail comme un obstacle à la croissance des entreprises. 
  1. Le mépris pour les intellectuels et les arts – Bolsonaro disqualifie systématiquement les travaux scientifiques qui vont à l’encontre de ses idées conservatrices. Bolsonaro a rétrogradé le ministère de la Culture au secrétaire du ministère de l’Éducation. Avec la censure et le siège de l’art, Bolsonaro répète la dictature, qui craignait la culture. En menaçant d’Ancine de fermer ses portes, Bolsonaro attaque également un marché millionnaire qui emploie des milliers de personnes. 
  1. Obsession du crime et punition – Lors d’un débat à la bande, le 9 août 2018, Bolsonaro a attribué à la violence dans le pays à la «politique des droits de l’homme» qui, selon le candidat, «désarmait le bon citoyen», alors que «le bandit reste très bien armé». Bolsonaro défend l’armement de la population et un système carcéral plus punitif. 
  1. Création d’un Etat policier – Le ministre de la Justice, Sergio Moro, a déposé un projet de loi anti-crime comportant plusieurs mesures inconstitutionnelles, notamment en ce qui concerne les arrestations après la condamnation en deuxième instance, la prescription des crimes, la modification de l’institut de la légitime défense et de la Cour du jury, ainsi que un décret autorisant l’expulsion sommaire de personnes “dangereuses pour la sécurité du Brésil”, violant la présomption d’innocence des étrangers, ouvertement contraire à la Constitution et menaçant le journaliste Glenn Greenwald qui a révélé les crimes commis par Moro et les procureurs à Paraná dans le cadre de l’Opération Lava Jato.

L’une des pierres angulaires du gouvernement Bolsonaro est la destruction des souvenirs critiques de la dictature civile et militaire de 1964, ainsi que de toutes les expériences horribles vécues par le Brésil, telles que celles qui nous placent à la tête des classements en matière d’incarcération, de déforestation et de meurtres en groupe vulnérable, destruction de la santé publique et de l’éducation, judiciarisation de la vie sociale, surexploitation du travail. Le discours de Bolsonaro est semblable à celui prêché par Hitler lors de sa campagne allemande en 1932. La construction du parti nazi était une construction basée sur l’idée très militariste anti-corruption de l’État, basée principalement sur l’idée d’une Allemagne en train de se terminer économiquement.

L’avancée de personnalités politiques fascistes telles que Jair Bolsonaro et Sérgio Moro repose sur deux facteurs fondamentaux: l’idée forte de créer un ennemi responsable de tous les problèmes du pays. Au Brésil, les forces politiques de gauche et le PT ont été blâmés pour les problèmes de corruption dans le pays qui ont été au cœur de la victoire de Bolsonaro à l’élection présidentielle. Le discours de Bolsonaro ne traduit pas seulement le mécontentement politique de la population, mais surtout la haine intériorisée. Il existe au Brésil une très grande haine de classe, une haine de genre également, ainsi qu’une haine de LGBT. Bolsonaro parvient à rassembler plusieurs de ces haines.

Les déclarations absurdes de Bolsonaro à l’époque où il était député et plus récemment à la présidence étaient toujours considérées comme de la folie mentale. Ses opinions inhumaines et son tempérament explosif font que beaucoup de gens le voient fou. Il ne faut pas oublier que Mussolini et Hitler étaient également considérés comme fous de la pratique, respectivement, du fascisme en Italie et du nazisme en Allemagne. Ce type de comportement inhumain et explosif est également caractéristique de tous les leaders fascistes tels que Bolsonaro.

Il convient de noter que l’objectif politique de Jair Bolsonaro est la conquête du plein pouvoir avec la domination du pouvoir législatif et du pouvoir judiciaire, ainsi que du pouvoir exécutif et, le cas échéant, la fermeture des deux premiers pour mettre en pratique son projet de gouvernement fasciste. . L’escalade du fascisme est déjà un fait concret, répandu, enraciné et peut devenir irréversible au Brésil à l’heure actuelle s’il n’ya pas de résistance à sa progression. Pour éviter la fin du système démocratique brésilien actuel, il ne suffit donc pas de s’appuyer sur des institutions républicaines qui peuvent subir des changements contraires aux intérêts de la grande majorité de la population par le biais de projets de loi et d’amendements à la Constitution par le gouvernement Bolsonaro et même se terminer par un coup d’État.

Afin d’empêcher l’escalade du fascisme et l’instauration d’une dictature d’extrême droite au Brésil, il est urgent de former un front démocratique antifasciste au Parlement et à la société civile pour défendre la Constitution de 1988 et lutter contre les actes du gouvernement contraires aux intérêts de la grande majorité de la population et du Brésil.

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NO TO FASCISM IN BRAZIL OF BOLSONARO GOVERNMENT

Fernando Alcoforado*
The fascism of the Bolsonaro government has the following characteristics:

  1. Disrespect for human rights and the environment – During presidential campaign in the city of Araçatuba, in the interior of São Paulo, Bolsonaro spoke on a sound car, condemning organizations that defend human rights. According to the then presidential candidate, these movements do a “disservice to Brazil” and, therefore, do not deserve government money transfer. Jair Bolsonaro’s Brazil is the new environmental villain for the planet by not declaring new areas of environmental protection, dismantling indigenous land reserves and not demarcating new ones, distorting the Amazon Fund (a Norwegian-funded millionaire fund mainly to curb deforestation) ), questioning the climate change and the official data on destruction of rainforests by government bodies through Inpe, and accelerating the approval of new pesticides, including some with banned substances in the European Union..
  2. Identification of enemies as a unifying cause – In a live broadcast on his Facebook page on October 6, 2018, the eve of the first round of the election, Bolsonaro says the leftist Brazilian parties have failed in other Latin American countries such as Venezuela and Argentina. Leftist enemies are seen as bad guys and deserve punishment and extermination. 
  1. Emphasis on militarism – As a candidate, Bolsonaro also defended the dictatorship’s military governments, saying “that was a wonderful time.” Bolsonaro always defended the torturer during the military dictatorship, Brilhante Ustra. Several ministers and occupants of various Bolsonaro government agencies are military. 
  1. High level of sexism – “I would never rape you because you don’t deserve it.” This was Bolsonaro’s statement addressed to deputy Maria do Rosario in the corridors of the Chamber of Deputies. The candidate even pushed the deputy, threatening to slap her and calling her a “slut.” In 2014, Bolsonaro repeated the offense to the deputy, this time in a speech to the House of Representatives. For the offense, Bolsonaro was sentenced by the Federal District Court to pay compensation of R$ 10,000 to Maria do Rosario.
  1. Control of the media – Bolsonaro often delegitimizes the work of the press, and his campaign was based on the spread of false news. Jair Bolsonaro has made systematic attacks on the press using false information showing his lack of commitment to the truth of the facts, as well as using his power position to try to intimidate media outlets and journalists. When a ruler mobilizes a significant part of the population to assault journalists and vehicles, it undermines one of the pillars of democracy, the existence of a free and critical press. 
  1. Religion and interconnected governments – “We are a Christian country! God above all. This little story of the secular state, no! It is a Christian state! And minorities who bow! ”This was a statement from Bolsonaro in a speech over a sound car in Campina Grande, Paraíba, in February 2017, when he said that those who do not believe in God are the minority of the population and therefore they must “bow” to the Christian state. 
  1. Labor rights attacked – “One day the worker will have to decide: less rights and employment or all rights and unemployment”. This was Bolsonaro’s statement in an interview with the Jornal Nacional, when he said that it gives voice to the claim of Brazilian employers and entrepreneurs, who understand labor rights as obstacles to the growth of companies.
  2. Disdain for intellectuals and the arts – Bolsonaro systematically disqualifies scientific work that goes against his conservative ideas. Bolsonaro demoted the Ministry of Culture to the secretary under the direction of Ministry of Education. With censorship and siege on art, Bolsonaro repeats dictatorship, which feared culture. By threatening Ancine’s closure, Bolsonaro also attacks a millionaire market that employs thousands of people. 
  1. Obsession with crime and punishment – In a debate at the Bandeirantes TV, on August 9, 2018, Bolsonaro credited the violence in the country with the “human rights policy”, which, according to the candidate, “disarmed the good citizen”, while “the bandit remains very well armed”. Bolsonaro defends the armament of the population and a more punitive prison system. 
  1. Creation of police state – Justice Minister Sergio Moro has filed an anti-crime bill that has several unconstitutional measures, especially on arrest after second instance conviction, the prescribing of crimes, and changes in the institute of self-defense and the Jury Court, in addition to lowering a decree authorizing the summary deportation of persons “dangerous to the security of Brazil”, violating the presumption of innocence for foreigners, which is openly unconstitutional and threatening journalist Glenn Greenwald who revealed the crimes committed by Moro and prosecutors in Paraná under the Lava Jato Operation.

One of the cornerstones of the Bolsonaro government is the destruction of the critical memories of the 1964 civil and military dictatorship, as well as all the horror experiences Brazil experienced, such as those that place us at the head of rankings of incarceration, deforestation, group murder vulnerable, destruction of public health and education, judicialization of social life, overexploitation of work. Bolsonaro’s speech is similar to what Hitler preached in his 1932 campaign in Germany. The construction of the Nazi party was a construction focused on the very militaristic anti-corruption idea of the state, based primarily on the idea that there was a Germany that was ending economically.

The advance of fascist political figures such as Jair Bolsonaro and Sérgio Moro is driven by two fundamental factors: a strong idea of creating an enemy responsible for all the country’s problems. In Brazil, the left-wing political forces and the PT were blamed for the corruption issues in the country that were central to Bolsonaro’s victory in the presidential election. Bolsonaro’s speech gives voice not only to the political dissatisfaction of the population, but above all to internalized hatred. There is a very big class hatred in Brazil, a gender hatred as well, as well as a LGBT hatred. Bolsonaro manages to bring together several of these hatreds.

Bolsonaro’s absurd pronouncements at the time he was a deputy and more recently in the presidency have always been classified as mental insanity. His inhuman opinions and explosive temper make many people see him as crazy. We must not forget that Mussolini and Hitler were also considered crazy with the practice, respectively, of fascism in Italy and Nazism in Germany. This kind of inhuman and explosive behavior is also characteristic of every fascist leader such as Bolsonaro.

It should be noted that the political objective of Jair Bolsonaro is the conquest of full power with the dominance of the Legislature and the Judiciary, as well as the Executive Power and, if necessary, the closing of the first two to put into practice his fascist project of government.  The escalation of fascism is already a concrete fact, widespread, rooted and may become irreversible in Brazil at the present time if there is no resistance against its advance. In order to avoid the end of the current democratic system in Brazil, it is not enough, therefore, to rely on republican institutions that can undergo changes contrary to the interests of the vast majority of the population through bills and amendments to the Constitution by the Bolsonaro government and even, come to an end with a coup d´état.

In order to prevent the escalation of fascism and the establishment of a far-right dictatorship in Brazil, it is urgent to form an anti-fascist democratic front in Parliament and Civil Society to defend the 1988 Constitution and to fight against acts of government that are contrary to interests of the vast majority of the population and Brazil.

*Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NÃO AO FASCISMO NO BRASIL DO GOVERNO BOLSONARO

Fernando Alcoforado*

O fascismo do governo Bolsonaro apresenta as características seguintes:

1. Desrespeito pelos direitos humanos e ao meio ambiente – Durante ato de campanha presidencial na cidade de Araçatuba, no interior paulista, Bolsonaro discursou em cima de um carro de som, condenando organizações que defendem direitos humanos. Segundo o então candidato presidencial, esses movimentos prestam um “desserviço para o Brasil” e, por isso, não merecem repasse de dinheiro do governo. O Brasil de Jair Bolsonaro é o novo vilão ambiental para o planeta ao não declarar novas áreas de proteção ambiental, desmantelar reservas de terras indígenas e não demarcar novas, desvirtuar o Fundo Amazônia (um fundo milionário impulsionado e financiado principalmente pela Noruega para frear o desmatamento), por em dúvida a mudança climática e os dados oficiais sobre a destruição de florestas tropicais elaborados por órgãos do próprio Governo por meio do Inpe, e acelerar a aprovação de novos pesticidas, incluindo alguns com substâncias proibidas na União Europeia.

2. Identificação de inimigos como causa unificadora – Em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook, no dia 6 de outubro de 2018, véspera do primeiro turno das eleições, Bolsonaro afirma que os partidos da esquerda brasileira não deram certo em outros países latino-americanos como a Venezuela e Argentina. Inimigos esquerdistas são vistos como bandidos e merecedores de punição e extermínio.

3. Ênfase no militarismo – Como candidato, Bolsonaro também defendeu os governos militares da ditadura, dizendo que “aquela foi uma época maravilhosa”. Bolsonaro sempre defendeu o torturador durante a ditadura militar, Brilhante Ustra. Vários ministros e ocupantes de vários órgãos do governo Bolsonaro são militares.

4. Alto nível de sexismo – “Jamais iria estuprar você, porque você não merece”. Esta foi a frase de Bolsonaro dirigida à deputada Maria do Rosário nos corredores da Câmara dos Deputados. O candidato ainda empurrou a deputada, ameaçando dar uma “bofetada” nela e chamando-a de “vagabunda”. Em 2014, Bolsonaro repetiu a ofensa à deputada, dessa vez, em discurso no plenário da Câmara dos Deputados. Pela ofensa, Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal a pagar indenização de R$ 10 mil à Maria do Rosário.

5. Controle dos meios de comunicação – Bolsonaro costuma deslegitimar o trabalho da imprensa e sua campanha foi baseada na disseminação de notícias falsas. Jair Bolsonaro tem feito ataques sistemáticos à imprensa valendo-se de informações falsas mostrando seu descompromisso com a veracidade dos fatos, além de usar sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas. Quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica.

6. Religião e governos interligados – Nós somos um país cristão!Deus acima de tudo. Essa historinha de Estado Laico, não! É Estado cristão! E as minorias que se curvem!” Esta foi uma frase de Bolsonaro em discurso em cima de uma carro de som em Campina Grande, na Paraíba, em fevereiro de 2017, quando afirmou que aqueles que não acreditam em Deus são a minoria da população e, por isso, devem “se curvar” ao Estado cristão. 

7. Direitos trabalhistas atacados – “Um dia o trabalhador vai ter que decidir: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego“. Esta foi frase de Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional, quando afirmou que dá voz à reivindicação de empregadores e empresários brasileiros, que entendem os direitos trabalhistas como obstáculos para o crescimento das empresas.

8. Desdém por intelectuais e as artes – Bolsonaro desqualifica sistematicamente trabalhos científicos que vão contra suas ideias conservadoras. Bolsonaro rebaixou o Ministério da Cultura à secretaria subordinada ao Ministério da Educação. Com censura e cerco à arte, Bolsonaro repete ditadura, que temia a cultura. Ao ameaçar Ancine de fechamento, Bolsonaro também ataca um mercado milionário, que emprega milhares de pessoas.

9. Obsessão por crime e punição – Em debate na Band, no dia 9 de agosto de 2018, Bolsonaro creditou a violência no país à “política de direitos humanos”, que, segundo o candidato, “desarmou o cidadão de bem”, enquanto “o bandido continua muito bem armado”. Bolsonaro defende o armamento da população e um sistema carcerário mais punitivista.

10. Criação de estado policial – O ministro da Justiça, Sérgio Moro, apresentou um projeto anticrime que tem várias medidas inconstitucionais, especialmente sobre a prisão após condenação em segunda instância, a prescrição de crimes, e as mudanças no instituto da legítima defesa e no Tribunal do Júri, além de baixar um decreto que autoriza a deportação sumária de pessoas “perigosas para a segurança do Brasil”, violando a presunção de inocência para estrangeiros, o que é escancaradamente inconstitucional e ameaçar o jornalista Glenn Greenwald que revelou os crimes praticados por Moro e procuradores da República no Paraná no âmbito da Operação Lava Jato.

Uma das frentes basilares do governo de Bolsonaro é a destruição das memórias críticas da ditadura civil e militar de 1964, bem como de todas as experiências do horror que o Brasil vivenciou, como aquelas que nos colocam encabeçando rankings de encarceramento, desmatamento, assassinatos de grupos vulneráveis, destruição da saúde e educação públicas, judicialização da vida social, superexploração do trabalho. O discurso de Bolsonaro é similar ao que Hitler pregava em sua campanha, na Alemanha de 1932. A construção do partido nazista foi uma construção voltada para a ideia anticorrupção de Estado, muito militarista, fundamentalmente pautada na ideia de que havia uma Alemanha que estava acabando economicamente.

O avanço de figuras políticas fascistas como Jair Bolsonaro e Sérgio Moro é impulsionado por dois fatores fundamentais: uma forte ideia de criação de um inimigo responsável por todos os problemas do país. No Brasil, as forças políticas de esquerda e o PT foram responsabilizados pelos problemas de corrupção no País que foram fundamentais para a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais. O discurso de Bolsonaro não dá voz apenas à insatisfação política da população, mas, sobretudo, aos ódios internalizados. Há um ódio de classe muito grande no Brasil, um ódio de gênero também, bem como um ódio dos LGBTs. Bolsonaro consegue congregar vários desses ódios.

Os absurdos pronunciamentos de Bolsonaro na época em que foi deputado e mais recentemente na Presidência da República sempre foram classificados como insanidade mental. Suas opiniões desumanas e seu temperamento explosivo fazem com que muitas pessoas vejam nele um louco. É preciso não esquecer que Mussolini e Hitler eram também considerados loucos com a prática, respectivamente, do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Este tipo de comportamento desumano e explosivo é, também, característica de todo líder fascista como é o caso de Bolsonaro.

É preciso observar que o objetivo político de Jair Bolsonaro é a conquista do poder total com o domínio do Legislativo e do Judiciário, além do Poder Executivo e, se for necessário, com o fechamento dos dois primeiros para colocar em prática seu projeto fascista de governo. A escalada do fascismo já é um fato concreto, disseminado, enraizado e poderá se tornar irreversível no Brasil no momento atual se não houver resistência contra seu avanço. Para evitar o fim do sistema democrático atual no Brasil, não basta, portanto, confiar nas instituições republicanas que podem sofrer mudanças contrárias aos interesses da grande maioria da população através de projetos de Lei e emendas à Constituição por parte do governo Bolsonaro e, até mesmo, chegar ao fim com um golpe de estado.

Para evitar a escalada do fascismo e a implantação de uma ditadura de extrema direita no Brasil, é urgente a formação de uma frente democrática antifascista no Parlamento e na Sociedade Civil para defender a Constituição de 1988 e lutar contra os atos do governo que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e do Brasil.

* Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

ALTERNATIVES AU PIB POUR MESURER LES PROGRÈS ÉCONOMIQUES ET SOCIAUX

Fernando Alcoforado*

L’objectif de cet article est de démontrer la nécessité d’abandonner le calcul du PIB (produit intérieur brut) qui calcule tous les mouvements financiers d’un pays ou d’une région, qu’ils soient ou non bénéfiques pour la population, ce qui impose la nécessité de remplacement par un autre indicateur économique. Cette substitution est justifiée car il a été démontré que la hausse du PIB dans plusieurs pays ne montre aucune corrélation avec le progrès économique et l’augmentation du bien-être social de la nation, bien au contraire. Jusqu’à récemment, il y avait une conviction répandue que le monde allait de mieux en mieux. Une économie mondiale de plus en plus instable, les inégalités croissantes et les défis pressants du changement climatique ont commencé à détruire cette conviction.

Des recherches récentes montrent que la majorité de la population des États-Unis et de l’Europe ne croyait plus que la vie s’améliorait. L’une des causes de ces crises interconnectées est la priorité obstinée accordée à la croissance économique en tant qu’objectif central du gouvernement, qui dépasse tous les autres objectifs. Les gens votent pour des partis politiques qui se perçoivent comme étant mieux à même de fournir une économie forte, et les décideurs politiques donnent la priorité aux politiques qui augmentent le PIB. Cela a conduit à des perspectives à court terme, à la détérioration des conditions sociales et à la paralysie des actions nécessaires pour éviter le changement climatique.

En fait, la croissance du PIB à elle seule ne signifie pas une vie meilleure pour tous. Il ne reflète pas les inégalités dans les conditions matérielles entre les habitants d’un pays. Il ne valorise pas correctement les choses qui importent vraiment aux gens, telles que les relations sociales, la santé ou la façon dont elles passent leur temps libre. Et surtout, la croissance économique sans cesse croissante est incompatible avec les limites planétaires auxquelles nous sommes confrontés.

Pour lire l’article, accédez au site web:

https://www.academia.edu/39944609/ALTERNATIVES_AU_PIB_POUR_MESURER_LES_PROGR%C3%88S_%C3%89CONOMIQUES_ET_SOCIAUX

* Fernando Alcoforado, 79, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

ALTERNATIVES TO GDP TO MEASURE ECONOMIC AND SOCIAL PROGRESS

Fernando Alcoforado*

The objective of this article is to demonstrate the need to abandon the calculation of GDP (Gross Domestic Product) that computes all the financial movements of a country or region whether or not they are beneficial to the population, a fact that imposes the need for their replacement by another economic indicator. This substitution is justified because it has been demonstrated that the rise of GDP in several countries shows no correlation with economic progress and the increase of the nation’s social welfare, quite the opposite. Until recently, there was a widespread belief that the world was getting better and better. An increasingly unstable global economy, the growing inequalities and pressing challenges of climate change have begun to destroy this belief.

Recent research shows that the majority of the population in the United States and Europe no longer believed that life was improving. One cause of these interconnected crises is the stubborn prioritization of economic growth as the central objective of government, overcoming all other goals. People vote for political parties that perceive themselves to be better able to provide a strong economy, and policymakers prioritize policies that increase GDP as a result. This led to a short-term outlook, deteriorating social conditions and paralysis over the actions needed to avoid climate change.

In fact, GDP growth alone does not mean a better life for all. It does not reflect inequalities in material conditions among people in a country. It does not properly value the things that really matter to people, such as social relationships, health, or how they spend their free time. And crucially, ever-increasing economic growth is incompatible with the planetary boundaries we face.

To read the article, access the website:

https://www.academia.edu/39944587/ALTERNATIVES_TO_GDP_TO_MEASURE_ECONOMIC_AND_SOCIAL_PROGRESS

* Fernando Alcoforado, 79, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

ALTERNATIVAS AO PIB PARA MEDIR O PROGRESSO ECONÔMICO E SOCIAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade do abandono do cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) que computa todas as movimentações financeiras de um país ou região sejam elas benéficas ou não para a população, fato este que impõe a necessidade de sua substituição por outro indicador econômico. Esta substituição se justifica porque está demonstrado que a elevação do PIB em diversos países não apresenta nenhuma correlação com o progresso econômico e o aumento do bem-estar social da nação, muito pelo contrário. Até recentemente, havia a crença generalizada de que o mundo estava se tornando cada vez melhor. Uma economia global cada vez mais instável, as crescentes desigualdades e os desafios prementes das mudanças climáticas começaram a destruir essa crença.

Pesquisas recentes revelam que a maioria da população nos Estados Unidos e na Europa não acreditava mais que a vida estava melhorando. Uma causa dessas crises interligadas é a teimosa priorização do crescimento econômico como o objetivo central do governo, superando todos os outros objetivos. As pessoas votam em partidos políticos que percebem serem mais capazes de proporcionar uma economia forte, e os formuladores de políticas priorizam políticas que aumentam no PIB como resultado. Isso levou a uma visão de curto prazo, à deterioração das condições sociais e à paralisia frente às ações necessárias para evitar as mudanças climáticas.

De fato, o crescimento do PIB por si só não significa uma vida melhor para todos. Não reflete as desigualdades nas condições materiais entre as pessoas em um país. Não valoriza adequadamente as coisas que realmente importam para as pessoas, como relações sociais, saúde ou como elas gastam seu tempo livre. E, crucialmente, um crescimento econômico cada vez maior é incompatível com os limites planetários que enfrentamos.

Para ler o artigo, acessar o website:  https://www.academia.edu/39944616/ALTERNATIVAS_AO_PIB_PARA_MEDIR_O_PROGRESSO_ECON%C3%94MICO_E_SOCIAL

*Fernando Alcoforado, 79, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).