A 3ª REVOLUÇÃO ENERGÉTICA E A CONTRIBUIÇÃO DO BRASIL (Publicado na RBS Magazine ED. 24)

Fernando Alcoforado*

AbstractThe purpose of this article is to emphasize the imperative need of the 3rd Energy Revolution in the world aiming to reduce greenhouse gas emissions and, consequently, to avoid the catastrophic global climate change, as well as to present Brazil’s contribution in this regard.Ouvir

ResumoO objetivo deste artigo é enfatizar a necessidade imperiosa da 3ª Revolução Energética no mundo visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, evitar a catastrófica mudança climática global, bem como apresentar a contribuição do Brasil neste sentido.

KeywordsBases of the 3rd Energy Revolution in the world. The 3rd Energy Revolution in Brazil.

Palavras chaveBases da 3ª Revolução Energética no mundo. A 3ª Revolução Energética no Brasil.

  1. Bases da 3ª Revolução Energética no mundo

Na segunda metade do século XVIII, ocorreu na Inglaterra a 1ª revolução energética no mundo com o uso do carvão em substituição à madeira até então amplamente utilizada. A 1ª revolução energética ocorreu simultaneamente com o advento da 1ª Revolução Industrial. Dotado de um poder calorífico bem superior aos dos combustíveis até então utilizados, o carvão proporcionava energia bem maior para o mesmo volume, além de ser mais fácil e econômica para transportá-lo. O desenvolvimento das minas de carvão e a invenção da máquina a vapor deram nascimento na Europa e no Ocidente a uma nova economia.

A máquina a vapor aciona as máquinas nas fábricas, as locomotivas nas primeiras ferrovias e os navios que substituem as embarcações movidas a vela. As pessoas, as mercadorias, os capitais e as ideias passam a circular a uma velocidade até então desconhecida. Rapidamente um novo ambiente de descortina com o surgimento das primeiras metrópoles e de mudanças na organização social. A 1ª revolução energética ficou circunscrita à Europa, inicialmente na Grã-Bretanha e, em seguida, no continente europeu e, depois, nos Estados Unidos no início do século XX.

A 2ª revolução energética, que coincidiu com 2ª Revolução Industrial, ocorreu com o advento do petróleo e da eletricidade. A utilização do petróleo como fonte de energia no mundo teve seu início nos Estados Unidos com a exploração do primeiro poço em 1901 no Texas. Da mesma forma que a máquina a vapor foi determinante para o advento do carvão como fonte de energia, o motor a explosão interna exerceu o mesmo papel com o advento do petróleo. A descoberta de um vetor energético como a eletricidade e a invenção das máquinas elétricas no século XIX, juntamente com a introdução dos veículos automotores, lançaram as bases para a introdução da moderna sociedade de consumo, caracterizada por uma intensidade energética nunca vista na história da humanidade.

De uma forma ou de outra, todas as atividades humanas sobre a Terra provocaram alterações no meio ambiente em que vivemos. Muitos destes impactos ambientais são provenientes da geração, manuseio e uso da energia que é responsável por 57% da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera conforme está indicada no Quadro 1 a seguir:

Quadro 1 – Principais causas do efeito-estufa na atmosfera

Fatores causadores do efeito estufa – Contribuição (%)

Uso e produção de energia 57

Cloro Flúor Carbono 17

Práticas agrícolas 14

Desmatamento 9

Outras atividades industriais 3

Fonte: LASHOF, D. A., & TIRPAK, D. A., 1990.

A expressiva contribuição do uso e da produção de energia na emissão dos gases do efeito estufa pode ser constatada com a elevada participação em 2015 na matriz energética mundial das fontes não renováveis de energia (petróleo, carvão, gás natural e nuclear) que correspondeu, aproximadamente, a 86% da matriz energética mundial, cabendo apenas 14% às fontes renováveis, enquanto, no Brasil, a participação das fontes não renováveis de energia correspondeu a 56% e as fontes renováveis a 44% da matriz energética brasileira, de acordo com dados da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia.

Esta enorme dependência de fontes não renováveis de energia tem acarretado, além da preocupação permanente com o esgotamento destas fontes, a emissão de grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera que em 1973 foi de 16,2 bilhões de toneladas anuais e em 1998 foi da ordem de 23 bilhões de toneladas, aproximadamente o dobro da quantidade emitida em 1965 (ALCOFORADO, 2015). Se as projeções de suprimento de energia da Agência Internacional de Energia (AIE) forem confirmadas, o valor das emissões de carbono deverá aumentar alcançando 58 bilhões de toneladas anuais de CO2 em 2020 se nada for feito (VEJA, 2011). Como consequência da utilização de combustíveis fósseis ((petróleo, carvão e gás natural) no uso e produção de energia, o teor de dióxido de carbono na atmosfera tem aumentado progressivamente, levando muitos especialistas a acreditarem que o aumento da temperatura média da biosfera terrestre, que vem sendo observado há algumas décadas, ocorra devido ao “Efeito Estufa” provocado por este acréscimo de CO2 e de outros gases na atmosfera.

Se não houver redução imediata na emissão de gases de efeito estufa os meios de adaptação que venham a ser utilizados não serão suficientes e a vida no planeta ficará ameaçada. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo terrestre intacta. Caso não haja redução das mudanças climáticas, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar que pode submergir muitas ilhas, países e cidades litorâneas e por períodos de seca e calor extremo em todo o mundo. Eventos climáticos extremos podem levar à desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres.

O Brasil e o mundo estão diante de um desafio que é o de não permitir um aquecimento global no século XXI superior a dois graus centígrados. Para evitar um aquecimento do planeta superior a 2º C, seria preciso impedir que as concentrações de dióxido de carbono alcancem os 58 bilhões de toneladas anuais previstos para 2020 e estabilizá-las em 44 bilhões de toneladas sem a qual o mundo se defrontaria até o final do século XXI com uma mudança climática catastrófica que pode ameaçar a sobrevivência da humanidade. Reduzir as emissões de gases do efeito estufa é um desafio gigantesco. Basta considerar que a Agência Internacional de Energia (AIE), ao projetar as tendências recentes, faz previsão de aumento de 50% da demanda energética até 2030, com a continuada dependência dos combustíveis fósseis, se nada for feito. A Agência Internacional de Energia (AIE) advertiu que “o mundo se encaminhará para um futuro energético insustentável” se os governos não adotarem “medidas urgentes” para otimizar os recursos disponíveis (VEJA, 2011).

Para evitar a mudança climática catastrófica, é preciso que, entre outras medidas, seja levada avante no mundo a 3ª revolução energética que deveria contemplar a adoção de soluções que contribuam para eliminar ou mitigar as causas do efeito estufa, isto é, com a eliminação ou redução do consumo de combustíveis fósseis na produção de energia, nos transportes, na indústria, na agropecuária e nas cidades (residências e comércio) com sua substituição por fontes renováveis de energia e o aumento da eficiência energética, haja vista o uso e a produção de energia serem responsáveis por 57% dos gases de estufa emitidos pela atividade humana. A 3ª revolução energética resultará da implantação de um sistema de energia sustentável em escala planetária.

A 3ª revolução energética significa, fundamentalmente, maximizar a produção mundial de energia renovável e minimizar o de fontes não renováveis de energia que são essenciais para se obter um sistema de energia sustentável no futuro. Isto requererá o uso da biomassa e da energia hidroelétrica, das energias solar, eólica, geotérmica e das marés em todo o mundo. Essa transição histórica de energias só ocorrerá com mudanças fundamentais na política energética da grande maioria dos países. Um sistema de energia sustentável somente será possível, também, se a eficiência energética for muito aperfeiçoada.

  1. A 3ª Revolução Energética no Brasil 

Para otimizar os recursos energéticos disponíveis no Brasil, é preciso realizar uma revolução energética que contribua para a redução das fontes de energia responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa, como é o caso do carvão, petróleo e gás natural com o uso de fontes renováveis de energia (solar, eólica e biomassa) e com a adoção, também, de medidas de eficiência energética

 2.1- A revolução energética no setor elétrico do Brasil

 O setor elétrico no Brasil utiliza 18,3% de fontes não renováveis de energia (carvão, derivados de petróleo, gás natural e nuclear) na geração de eletricidade, enquanto utiliza 81,7% de fontes renováveis de energia (solar, eólica, geotérmica, maré, biomassa e hidráulica). A otimização dos recursos do setor elétrico, exigiria a adoção de medidas propostas pelo Greenpeace baseadas no Cenário da Revolução Energética 2050 que considera que 88% da eletricidade produzida no Brasil seriam provenientes de fontes renováveis de energia (GREENPEACE, 2010). A geração prevista de eletricidade seria de 1077 TWh/ano e haveria uma economia de energia de 413 TWh/ano através de medidas de eficiência energética. O pacote da Revolução Energética proposto pelo Greenpeace exclui a geração de eletricidade a partir de óleo combustível, diesel, carvão e, também, nuclear. Esta proposta está apresentada no Quadro 2 a seguir:

Quadro 2- Geração total: 1077 TWh/ano; Eficiência energética: 413 TWh/ano

Fonte de energia %

Hidrelétricas 38

Gás natural 12

Biomassa e resíduos 26

Eólica 20

Nuclear 0

Diesel e Óleo combustível 0

Carvão 0

Painéis fotovoltaicos 4

Total 100

Fonte: Greenpeace, 2010.

 

2.2- A revolução energética nos setores de petróleo, carvão, gás natural e nuclear do Brasil

A participação das fontes não renováveis de energia (petróleo e derivados, carvão, gás natural, nuclear e outras não renováveis) na matriz energética brasileira correspondeu em 2015 a 56% do total e as fontes renováveis (hidráulica, derivados de cana, lenha e carvão vegetal e outras renováveis) a 44% do total. Para os setores de carvão, petróleo, gás natural e nuclear, deveriam ser adotadas todas as soluções que levem à redução de seu consumo com sua substituição por fontes renováveis de energia. Neste sentido, é preciso efetuar a: 1) substituição da gasolina pelo etanol e do diesel pelo biodiesel em curto prazo no setor de transporte; 2) substituição da gasolina e do diesel pelo hidrogênio a médio e longo prazo no setor de transporte; 3) substituição do óleo combustível pelo gás natural e biomassa na indústria; 4) substituição do carvão mineral pelo gás natural na indústria; 5) substituição do óleo diesel pela biomassa e gás natural na geração de energia; 6) substituição do GLP pelo gás natural no setor residencial e de serviços; e, 7) utilização da energia solar e eólica em substituição à energia nuclear e termelétrica convencional que usa carvão e derivados de petróleo. O uso do gás natural como substituto do carvão mineral e derivados de petróleo se deve ao fato de ser o menos poluente dos combustíveis fósseis.

Adicionalmente, é imprescindível a adoção de políticas energéticas no Brasil visando a execução de programas que contribuam para redução do consumo de petróleo através de medidas de economia de energia. Estas políticas são as seguintes: 1) produzir vapor e eletricidade na indústria com o uso de sistemas de cogeração; 2) incentivar as montadoras de automóveis e caminhões no sentido de elevar a eficiência dos veículos automotores para economizar energia; 3) expandir os sistemas ferroviários e hidroviários para o transporte de carga em substituição aos caminhões; 4) expandir o sistema de transporte coletivo, sobretudo o transporte de massa de alta capacidade como o metrô ou VLT para reduzir o uso de automóveis nas cidades; 5) restringir o uso de automóveis nos centros e em outras áreas das cidades; 6) incentivar a fabricação de carros elétricos; e, 7) fabricar máquinas e equipamentos de maior eficiência para economizar energia.

BIBLIOGRAFIA

ALCOFORADO, Energia no Mundo e no Brasil. Curitiba: Editora CRV, 2015.

EPE. Matriz Energética e Elétrica. Disponível no website <http://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica>.

LASHOF, D. A., & TIRPAK, D. A. Policy Options for Stabilizing Global Climate. New York: Hemisphere Publishing, 1990.

GREENPEACE. [R]evolução energética. Disponível no website < http://greenpeace.org.br/revolucao/&gt;.

_____________. [R]evolução energética- A caminho do desenvolvimento limpo. Disponível no website <http://www.greenpeace.org/brasil/Global/brasil/report/2010/11/revolucaoenergeticadeslimpo.PDF>, 2010.

_____________. Investimento em energias renováveis pode gerar economia de US$ 180 bilhões por ano. Disponível no website < http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/investimento-em-energias-renov/>, 2007.

VEJA. AIE: mundo se encaminha para futuro energético insustentável. Disponível no website <https://veja.abril.com.br/economia/aie-diz-que-mundo-se-encaminha-para-futuro-energetico-insustentavel/>, 2011.

* Fernando Alcoforado, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, ex- Secretário do Planejamento de Salvador (1986/1987) e ex-Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

O FASCISMO E SUA EVOLUÇÃO AO LONGO DA HISTÓRIA

Fernando Alcoforado*

O fascismo antigo é um movimento político que surgiu na Itália após a Primeira Guerra Mundial, na década de 1920, sob a liderança de Benito Mussolini. Além do regime de Mussolini na Itália, são considerados fascistas os da Alemanha de Adolf Hitler e da Espanha de Francisco Franco, entre outros, que se estabeleceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, na década de 1930. O fascismo antigo representou uma reação das forças conservadoras da Europa contra a ascensão dos trabalhadores ao poder em vários países após a vitória do socialismo na União Soviética em 1917 e se baseava em concepções fortemente nacionalistas e no exercício totalitário do poder, portanto contra o sistema democrático e liberal, e repressivo ante as ideias socialdemocratas, socialistas e comunistas.

O fascismo antigo implantado durante as décadas de 1920 e 1930 do século XX se baseava em um Estado forte, totalitário, que se afirmava encarnar o espírito do povo, no exercício do poder por um partido único cuja autoridade se impunha através da violência, da repressão e da propaganda política. O líder fascista é uma figura que está acima dos homens comuns. Mussolini era denominado como Il Duce, que deriva do latim Dux (General) e Hitler de Fuehrer (Condutor, Guia, Líder, Chefe). Ambos eram lideranças messiânicas e autoritárias, com um poder que era exercido de maneira unilateral sem consulta a quem quer que seja. Na Alemanha, o fascismo antigo recebeu a denominação de nazismo. Este movimento teve também um forte componente racial, que promulgava a superioridade da raça ariana e procurava exterminar os judeus, os ciganos e os negros.

O fascismo antigo se caracterizou também pelo nacionalismo agressivo, militarismo e imperialismo a serviço das classes dominantes, pelo culto do chefe, pelo anticomunismo e pela ditadura. Para por em prática os seus princípios, foram ignorados os direitos individuais dos cidadãos, o Parlamento foi transformado num simples orgão consultivo e foi criada a polícia política que esmagava toda a oposição ao regime. O fascismo serviu de modelo a diversas outras ditaduras que se implantaram na Europa no período entre as duas Guerras Mundiais, entre as quais as ditaduras de Franco na Espanha e de Salazar em Portugal, razão pela qual o fascismo passou a se enquadrar também como regime ditatorial totalitário de extrema direita.

Na era contemporânea, a crise econômica do sistema capitalista mundial que eclodiu em 2008 nos Estados Unidos levou a União Europeia à estagnação econômica com graves consequências políticas e sociais. Esta crise deu origem ao fortalecimento de partidos políticos de extrema direita em vários países. A ascensão dos partidos de extrema direita acontece em boa parte da Europa. Com inclinações nazifascistas ou nacionalistas, a maioria desses partidos defende o fim da União Europeia, o fim do Euro, o fortalecimento da unidade e identidade dos países, políticas mais radicais contra imigrantes, criticam o resgate financeiro de países em crise, são contra direitos de homossexuais, aborto, liberalismo e globalização, e combatem o que chamam de islamização (CUNHA, Carolina.  Extrema direita: Eleições no Parlamento Europeu refletem avanço do conservadorismo. Publicado no website <http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/extrema-direita-na-europa-resultado-das-eleicoes-no-parlamento-europeu-reflete-avanco-do-conservadorismo.htm>, 2014).

Os principais motivos da ascensão dos partidos de extrema direita seriam o declínio do estado de bem-estar social, que constituiu uma espécie de identidade comum europeia após a 2ª Guerra Mundial, a atual crise financeira, a existência de mais de 18,2 milhões de desempregados no continente, o ressentimento e a descrença da população nos políticos aliado à vontade de mudanças. O que chama atenção é a crescente adesão dos jovens europeus a movimentos nacionalistas, principalmente através da internet. Os jovens revelam-se cada vez mais críticos para com os seus governantes e a União Europeia, preocupados com o futuro (emprego e educação), a identidade cultural e a influência islâmica na Europa.

Paul Krugman, Professor da Universidade Princeton dos Estados Unidos, afirma que o desemprego tanto nos Estados Unidos quanto na Europa permanece desastrosamente alto, os líderes e instituições nacionais estão cada vez mais desacreditados e os valores democráticos estão sitiados (KRUGMAN, Paul. É hora de começar a chamar a atual situação de crises como ela é: uma depressão. Publicado no website <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/12/13/e-hora-de-comecar-a-chamar-a-atual-situacao-de-crises-como-ela-e-uma-depressao.jhtm>, 2011). Krugman acrescenta que coisas piores já estão acontecendo como a ascensão da extrema direita na Áustria, na Finlândia, na Hungria e nos países pobres da Europa Central e Oriental onde as instituições democráticas estão sendo minadas. Tudo isto significa, na prática, a possibilidade da ascensão do fascismo e ditaduras na Europa para conter as revoltas sociais que se multiplicam da mesma forma que aconteceu após a grande depressão de 1929 que criou as condições para o advento do nazismo e de regimes de exceção em várias partes do mundo.

Em 2017 aconteceram eleições presidenciais para países chave da União Europeia, como a França, a Alemanha e a Holanda. Nesses três países, os partidos de extrema direita foram derrotados, mas tiveram nítido crescimento em relação aos anos anteriores. Marine Le Pen, a candidata à presidência da França, ficou em segundo lugar. Ela faz parte de um movimento anti-União Europeia. Na Alemanha, o partido Alternativa para Alemanha tornou-se a terceira maior força política no parlamento alemão. E na Holanda, o Partido para a Liberdade ficou em segundo lugar no pleito. Além dos países chave, em outros países da União Europeia também observam-se fenômenos semelhantes. Polônia e Hungria, por exemplo, são países cujos governos são considerados de ultradireita; e na Grécia, o partido Aurora Dourada é avaliado por especialistas como neonazista.

Nos Estados Unidos, o Tea Party, facção do Partido Republicano, opera com uma plataforma “antissemita, racista e reacionária”. A real bandeira do Tea Party está relacionada ao nacionalismo e a raça. O Tea Party já está movimentando uma rede multimilionária composta por grandes empresas, organizações não partidárias e comitês políticos. Em setembro de 2009, o Viomundo publicou um post de Sara Robinson, no qual ela alertava para a ascensão do fascismo nos EUA. Robinson identificou, com base no trabalho do historiador Robert Paxton (The anatomy of fascismo. New York: Vintage Books, 2005), em qual estágio o fascismo americano se encontrava, e chegou na perturbadora conclusão de que, uma vez consolidada a aliança entre uma elite capitalista e uma “tropa de choque” de extrema-direita, nada mais poderia deter uma ascensão fascista e sua chegada ao poder (PEGINO, Paulo Ferraresi. Tea Party – ascensão do fascismo nos EUA (e o Brasil?). Publicado no website <http://www.advivo.com.br/blog/paulo-ferraresi-pegino/tea-party-ascensao-do-fascismo-nos-eua-e-o-brasil>, 2010).

Todas as mensagens do candidato presidencial Donald Trump apontavam na direção de que, eleito presidente dos Estados Unidos, poderia renascer o fascismo nos Estados Unidos. De acordo com Paxton, o fascismo emerge em busca de algum tipo de renovação nacionalista. É o caso dos Estados Unidos diante de uma crise econômica insuperável como a atual, de comprometimento do american way of life e de perda de sua hegemonia mundial para a China. Segundo Paxton, o fascismo somente cresce no solo revolto de uma democracia madura em crise como é o caso dos Estados Unidos. Essa visão foi abraçada completamente pelo Partido Republicano que agora se define nessa linha. Nesse estágio, é abertamente racista, sexista, repressor, excludente e permanentemente viciado na política do medo e do ódio, como aconteceu durante o governo George W. Bush e que está sendo aprofundado no governo Donald Trump. O renascimento do fascismo sob o comando de Donald Trump nos Estados Unidos resultou, fundamentalmente, de seu declinio econômico e da perda de sua hegemonia na cena mundial em um prazo temporal muito curto.

No Brasil, o conflito entre as forças políticas de direita e de esquerda já está ocorrendo  que pode levar o Brasil a uma conflagração social sem precedentes em sua história da qual pode resultar na implantação de uma ditadura de extrema direita, fascista, se ocorrer a vitória de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. A ditadura fascista que está explícita no discurso de Bolsonaro é baseada no culto da ordem, na violência do Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. A História nos diz que, uma vez que alcance o poder, os fascistas podem destruir os últimos vestígios de um governo democrático no Brasil. No Brasil contemporâneo, Jair Bolsonaro defende o neoliberalismo diferentemente do estatismo de Mussolini e Hitler, fato este que não impede de qualificá-lo como fascista porque não existe uma única fórmula para o fascismo como alguns imaginam. Não necessariamente o fascismo é estatizante e nacionalista como ocorreu na Itália com Mussolini e na Alemanha com Hitler. O que caracteriza todo fascismo em todas as suas variantes é, fundamentalmente a ditadura, o racismo, o anticomunismo, a perseguição a minorias e a colocação do governo fascista a serviço das elites econômicas e financeiras. O autoritarismo e o totalitarismo são componentes de toda ditadura fascista.

Outro tipo de fascismo resultante do processo de globalização econômica e financeira é o totalitarismo moderno que é subliminar e é exercido globalmente com a mundialização do capital. A alienação das pessoas é a principal arma utilizada pelos detentores dos meios de produção global e do poder político mundial para exercer a dominação econômica e política do ser humano. O sistema de produção global coloniza todas as esferas da vida. Em nenhum momento, o ser humano foge da influência do sistema que faz parte de cada instante de sua vida. O ser humano se tornou um escravo em tempo integral. O ser humano já está acostumado a sempre obedecer. Ele obedece sem saber por qual razão, simplesmente porque ele sabe que deve obedecer. Não existe algo que lhe dê mais medo do que a desobediência, já que se ele desobedecer, aventurar, mudar, seria muito arriscado. O ser humano baixa sua cabeça frente aos donos do mundo, aceitando esta vida de humilhação e de miséria devido ao medo.

Todo ato de rebelião ou de resistência é de fato considerada uma atividade subversiva ou terrorista. A liberdade só existe para aqueles que defendem os imperativos do capitalismo. O ser humano está convencido de que não existe alternativa à organização que prevalece no mundo atual. Ele se resignou a esta vida porque pensa que não pode haver outro modelo de organização da sociedade. E é ai mesmo que se encontra a força da dominação presente: criar a ilusão de que esse sistema que colonizou toda a face da Terra representa o melhor que a humanidade já construiu em termos de organização social. No sistema dominante, as forças de repressão são precedidas pela dissuasão, que desde a infância, realiza sua obra de alienação do ser humano. Os detentores do poder econômico e político enganam os seres humanos vendendo a ideia de que eles podem sonhar em um futuro melhor feito de dinheiro, de glória e de aventura.

As crianças são as primeiras vítimas desta dominação, pois se trata de sufocar a liberdade desde o berço. É necessário torná-las estúpidas e tirar-lhes toda capacidade de reflexão e de crítica. Os seres humanos ainda se vêm como cidadãos acreditando que votam realmente e decidem livremente escolhendo quem vai defender seus interesses. Na democracia parlamentar, os seres humanos têm a ilusão de que podem escolher seus representantes na expectativa de que eles defendam seus interesses. Na prática, não existe oposição ao “status quo”, pois os partidos políticos dominantes estão de acordo sobre o essencial que é a conservação da atual sociedade mercantil. Não existem partidos políticos susceptíveis de chegar ao poder que desafiem o dogma do mercado. A forma representativa e parlamentar que usurpa o nome da democracia limita o poder dos cidadãos pelo simples direito ao voto, ou seja, a nada. As cadeiras do Parlamento estão ocupadas pela imensa maioria da classe econômica dominante, de direita.

O dever que o sistema impõe aos seres humanos é o trabalho servil. O principal direito que o ser humano deve reconhecer é o direito à propriedade privada. O único deus que ele deve adorar é o dinheiro. A onipresença da ideologia neoliberal, o culto ao dinheiro, o partido único disfarçado de pluralismo parlamentar, a ausência de uma oposição visível e a repressão sob todas as formas contra a vontade de transformar o homem e o mundo. Eis o verdadeiro rosto do fascismo moderno que chamamos “democracia liberal” que, porém, é necessário chamá-la pelo seu verdadeiro nome: sistema mercantil totalitário. O homem, a sociedade e o conjunto de nosso planeta estão ao serviço desta ideologia. O sistema mercantil totalitário realizou o que nenhum totalitarismo conseguiu fazer antes: unificar o mundo à sua imagem. Hoje já não existe exílio possível.

Só há um caminho para combater o fascismo em cada país que é a formação de uma ampla frente democrática que, unificando as forças políticas de esquerda e os liberais democráticos, impeça a ascensão dos fascistas ao poder porque é praticamente impossível derrubar uma ditadura fascista quando os fascistas já estão no poder. Por outro lado, é uma tarefa de difícil realização combater o fascismo resultante do processo de globalização econômica e financeira que levou ao totalitarismo moderno, haja vista que ele opera globalmente e está enraizado em todos os quadrantes da Terra. Só com uma ação política internacional antissistema em defesa da humanidade e contra a globalização e o neoliberalismo será possível combater e derrotar o fascismo moderno.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, Sócio Benemérito da AEPET- Associação dos Engenheiros da Petrobras, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

FASCISM AND ITS EVOLUTION THROUGH HISTORY

Fernando Alcoforado*

Ancient fascism is a political movement that emerged in Italy after the First World War in the 1920s under the leadership of Benito Mussolini. In addition to the Mussolini regime in Italy, Adolf Hitler’s Germany and Francisco Franco’s Spain, among others, established themselves between the 1st and 2nd World War in the 1930s. Fascism was a reaction of the conservative forces of Europe against the rise of workers to power in several countries after the victory of socialism in the Soviet Union in 1917 and was based on strongly nationalist conceptions and the totalitarian exercise of power, therefore against the democratic and liberal system, and repressive before the social-democratic, socialist and communist ideas.

The old fascism implanted during the 1920s and 1930s of the twentieth century was based on a strong, totalitarian state that claimed to embody the spirit of the people in the exercise of power by a single party whose authority was imposed through violence, repression and political propaganda. The Fascist leader is a figure who is above ordinary men. Mussolini was denominated like Il Duce, that derives from the Latin Dux (General) and Hitler from Fuehrer (Conductor, Guide, Leader, Boss). Both were messianic and authoritarian leaderships, with a power that was exercised unilaterally without consultation to anyone. In Germany, the old fascism received the denomination of Nazism. This movement also had a strong racial component, which promulgated the superiority of the Aryan race and sought to exterminate Jews, Gypsies and Blacks.

Old fascism was also characterized by aggressive nationalism, militarism and imperialism in the service of the ruling classes, by the cult of the chief, by anti-communism and by dictatorship. In order to put into practice its principles, the individual rights of citizens were ignored, Parliament was transformed into a simple advisory body and the political police were created, which crushed all opposition to the regime. Fascism served as a model for several other dictatorships that were implanted in Europe in the period between the two World Wars, among them the dictatorships of Franco in Spain and Salazar in Portugal, which is why fascism also came under the dictatorship regime totalitarian right-wing extremist.

In the contemporary era, the economic crisis of the world capitalist system that broke out in 2008 in the United States led the European Union to economic stagnation with serious political and social consequences. This crisis has given rise to the strengthening of far-right political parties in several countries. The rise of far-right parties happens in much of European countries. With Nazi-fascist or nationalist tendencies, most of these parties advocate the end of the European Union, the end of the Euro, strengthening the unity and identity of countries, more radical policies against immigrants, criticizing the financial rescue of countries in crisis, are against homosexuals, abortion, liberalism and globalization, and combating what they call Islamization [CUNHA, Carolina. Extrema direita: Eleições no Parlamento Europeu refletem avanço do conservadorismo (Right-wing: Elections in the European Parliament reflect the advance of conservatism). Published on the website <http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/extrema-direita-na-europa-resultado-das-eleicoes-no-parlamento-europeu-reflete-avanco-do-conservadorismo.htm&gt;, 2014].

The main reasons for the rise of extreme right-wing parties would be the decline of the welfare state, which constituted a sort of common European identity after World War II, the current financial crisis, the existence of more than 18.2 million unemployed in the continent, the resentment and disbelief of the population in the politicians allied with the will to change. What draws attention is the growing participation of young Europeans in nationalist movements, especially through the internet. Young people are increasingly critical of their rulers and the European Union, concerned about the future (employment and education), cultural identity and Islamic influence in Europe.

Paul Krugman, a professor at Princeton University in the United States, says that unemployment in both the United States and Europe remains disastrously high, national leaders and institutions are increasingly discredited, and democratic values are under siege [KRUGMAN, Paul. É hora de começar a chamar a atual situação de crises como ela é: uma depressão (It’s time to start calling the current crisis situation as it is: a depression). Posted on the website <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/12/13/e-hora-de-comecar-a-chamar-a-atual-situacao-de-crises-como-ela-e-uma-depressao.jhtm&gt;, 2011]. Krugman adds that worse things are already happening as the rise of the far right in Austria, Finland, Hungary and the poor countries of Central and Eastern Europe where democratic institutions are being undermined. All this means in practice the possibility of the rise of fascism and dictatorships in Europe to contain the social revolts that multiply in the same way that happened after the Great Depression of 1929 that created the conditions for the advent of Nazism and regimes of exception in various parts of the world.

In 2017 presidential elections took place for key European Union countries, such as France, Germany and the Netherlands. In these three countries, far-right parties were defeated, but they had sharp growth compared to previous years. Marine Le Pen, the French presidential candidate, came in second. She is part of an anti-European Union movement. In Germany, the Alternate Party for Germany became the third largest political force in the German parliament. And in Holland, the Party for Freedom came second in the lawsuit. In addition to the key countries, similar phenomena are also observed in other European Union countries. Poland and Hungary, for example, are countries whose governments are considered ultra-right; and in Greece, the Aurora Dourada party is rated by experts as neo-Nazi.

In the United States, the Tea Party, a faction of the Republican Party, operates with an “anti-Semitic, racist and reactionary” platform. The real banner of the Tea Party is related to nationalism and race. The Tea Party is already moving a multimillion-dollar network of large corporations, non-partisan organizations and political committees. In September 2009, Viomundo published a post by Sara Robinson, in which she warned of the rise of fascism in the United States. Robinson identified, based on the work of historian Robert Paxton (The Anatomy of Fascism, New York: Vintage Books, 2005), at which stage American fascism met, and came to the disturbing conclusion that once consolidated the alliance between a capitalist elite and an extreme right-wing “troop of shock”, could no more stop a fascist rise and its coming to power [PEGINO, Paulo Ferraresi. Tea Party – ascensão do fascismo nos EUA (e o Brasil?) (Tea Party – the rise of fascism in the US (and Brazil?)). Published on website <http://www.advivo.com.br/blog/paulo-ferraresi-pegino/tea-party-ascensao-do-fascismo-nos-eua-e-o-brasil&gt;, 2010].

All messages from presidential candidate Donald Trump pointed to the fact that, elected president of the United States, fascism could be reborn in the United States. According to Paxton, fascism emerges in search of some kind of nationalist renewal. This is the case of the United States in the face of an insurmountable economic crisis such as the current one, the commitment of the American way of life and the loss of its world hegemony to China. According to Paxton, fascism only grows in the revolting soil of a mature democracy in crisis as is the case in the United States. This view has been embraced completely by the Republican Party that now defines itself along these lines. At this stage, it is openly racist, sexist, repressive, excluding, and permanently addicted to the politics of fear and hatred, as happened during the George W. Bush administration and being deepened in the Donald Trump government. The revival of fascism under Donald Trump in the United States resulted primarily from its economic decline and the loss of its hegemony on the world stage in a very short timeframe.
In Brazil, the conflict between right-wing and left-wing political forces is already taking place that can lead Brazil to an unprecedented social conflagration in its history that can result in the establishment of a fascist right-wing extreme dictatorship if Jair Bolsonaro wins second round of presidential elections. The fascist dictatorship that is explicit in Bolsonaro’s discourse is based on the cult of order, on state violence, on authoritarian government practices, on social disregard for vulnerable and fragile groups, and on anti-communism. The Bolsonaro danger lies in oppression, man supremacy, homophobia, racism, hatred of the poor. History tells us that once it reaches power, the fascists can destroy the last vestiges of a democratic government in Brazil. In contemporary Brazil, Jair Bolsonaro defends economic neoliberalism differently from the statism of Mussolini and Hitler, fact that does not stop to qualify it like fascist because there is not a unique formula for the fascism as some imagine. Not necessarily fascism is nationalist and statist as occurred in Italy with Mussolini and in Germany with Hitler. What characterize all fascism in all its variants are fundamentally dictatorship, racism, anti-communism, persecution of minorities, and the placing of fascist government at the service of economic and financial elites. Authoritarianism and totalitarianism are components of every fascist dictatorship.

Another type of fascism resulting from the process of economic and financial globalization is modern totalitarianism that is subliminal and is exercised globally with the globalization of capital. The alienation of people is the main weapon used by the holders of the means of global production and the world political power to exercise the economic and political domination of the human being. The global production system colonizes all walks of life. At no time, the human being escapes from the influence of the system that is part of every moment of his life. The human being became a full-time slave. The human being is already accustomed to always obey. He obeys without knowing for what reason, simply because he knows he must obey. There is nothing that is more frightening than disobedience, since if he disobeyed, ventured, changed, it would be very risky. The human being bows his head before the owners of the world, accepting this life of humiliation and misery due to fear.

Every act of rebellion or resistance is in fact assimilated into a subversive or terrorist activity. Freedom exists only for those who defend the imperatives of capitalism. The human being is convinced that there is no alternative to the organization that prevails in the world today. He resigned himself to this life because he thinks that there can be no other model of organization of society. And that’s where the force of present domination lies: to create the illusion that this system that colonized the whole face of the Earth represents the best that humanity has ever built in terms of social organization. In the dominant system, the forces of repression are preceded by deterrence, which since childhood, carries out its work of alienation of the human being. Holders of economic and political power deceive human beings by selling the idea that they can dream of a better future made of money, glory and adventure.

Children are the first victims of this domination, because it is about stifling freedom from the cradle. It is necessary to make them stupid and to take away all their capacity for reflection and criticism. Humans still see themselves as citizens believing that they actually vote and decide freely by choosing who will defend their interests. In parliamentary democracy, human beings have the illusion that they can choose their representatives in the expectation that they will defend their interests. In practice, there is no opposition to the “status quo”, as the dominant political parties agree on the essentials of conservation of the current mercantile society. There are no political parties that can come to power that challenge the dogma of the market. The representative and parliamentary form that usurps the name of democracy limits the power of the citizens by the simple right to vote, that is, to nothing. The seats of Parliament are occupied by the vast majority of the dominant, right-wing economic class.

The duty that the system imposes on human beings is servile work. The main right that the human being must recognize is the right to private property. The only god he should worship is money. The omnipresence of neoliberal ideology, the cult of money, the one party disguised as parliamentary pluralism, the absence of visible opposition, and the repression in all its forms against the will to transform man and the world. This is the true face of modern fascism, which we call “liberal democracy,” which, however, must be called by its true name: the totalitarian mercantile system. Man, society and the whole of our planet are at the service of this ideology. The totalitarian mercantile system has accomplished what no totalitarianism has been able to do before: to unify the world in its image. Today there is no longer any possible exile.

There is only one way to combat fascism in each country, which is the formation of a broad democratic front that, unifying left-wing political forces and democratic liberals, prevents the rise of the fascists to power because it is practically impossible to overthrow a fascist dictatorship when fascists are already in power. On the other hand, it is a difficult task to combat fascism resulting from the process of economic and financial globalization that led to modern totalitarianism, since it operates globally and is rooted in all quarters of the Earth. Only with an antisystem international political action in defense of humanity and against globalization and neoliberalism will it be possible to combat and defeat modern fascism.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 14 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

LE FASCISME ET SON EVOLUTION PAR L’HISTOIRE

Fernando Alcoforado *

Le fascisme ancien est un mouvement politique qui apparu en Italie après la Première Guerre mondiale dans les années 1920 sous la direction de Benito Mussolini. Outre le régime de Mussolini en Italie, Ils sont considérés comme fasciste l’Allemagne  d’Adolf Hitler et Espagne de Francisco Franco, entre autres,qui a réglé entre la 1ère et la 2ème guerre mondiale dans les années 1930.. Le fascisme était une réaction des forces conservatrices de l’Europe contre la montée des travailleurs au pouvoir dans plusieurs pays après la victoire du socialisme en Union soviétique en 1917 et était basé sur des conceptions fortement nationalistes et l’exercice totalitaire du pouvoir, donc contre le système démocratique et libérale et répressive face aux idées social-démocrates, socialistes et communistes.

L’ancien fascisme implanté dans les années 1920 et 1930 du XXe siècle reposait sur un État totalitaire puissant qui prétendait incarner l’esprit du peuple dans l’exercice du pouvoir par un parti unique dont l’autorité était imposée par la violence, la répression et propagande politique. Le leader fasciste est une figure qui dépasse les hommes ordinaires. Mussolini se dénommait comme Il Duce, qui dérive du latin Dux (général) et Hitler de Fuehrer (conducteur, guide, chef, patron). Tous deux étaient des dirigeants messianiques et autoritaires, dotés d’un pouvoir exercé unilatéralement sans consultation de quiconque. En Allemagne, l’ancien fascisme a reçu la dénomination du nazisme. Ce mouvement avait également une forte composante raciale, qui promulguait la supériorité de la race aryenne et cherchait à exterminer les juifs, les gitans et les noirs.
Le vieux fascisme était également caractérisé par le nationalisme agressif, le militarisme et l’impérialisme au service des classes dirigeantes, par le culte du chef, par l’anticommunisme et par la dictature. Afin de mettre en pratique ses principes, les droits individuels des citoyens ont été ignorés, le Parlement a été transformé en un simple organe consultatif et a été créée la police politique qui a écrasé toute opposition au régime.. Le fascisme a servi de modèle à plusieurs autres dictatures implantées en Europe entre les deux guerres, parmi lesquelles les dictatures de Franco en Espagne et de Salazar au Portugal, c’est pourquoi le fascisme a également été inclus en tant que dictature totalitaire d’extrême droite.
À l’ère contemporaine, la crise économique du système capitaliste mondial qui s’est déclarée aux États-Unis en 2008 a entraîné l’Union européenne dans une stagnation économique aux conséquences politiques et sociales graves. Cette crise a entraîné le renforcement des partis politiques d’extrême droite dans plusieurs pays. La montée des partis d’extrême droite se produit dans une grande partie de l’Europe. Avec des tendances nazi-fascistes ou nationalistes, la plupart de ces partis préconisent la fin de l’Union européenne, la fin de l’Euro, le renforcement de l’unité et de l’identité des pays, des politiques plus radicales contre les immigrés, critiquant le sauvetage financier des pays en crise, sont contre les droits des homosexuels, l’avortement, le libéralisme et la mondialisation, et luttent contre ce qu’ils appellent l’islamisation [CUNHA, Carolina. Extrema direita: Eleições no Parlamento Europeu refletem avanço do conservadorismo (Extrême droite: les élections au Parlement européen reflètent les avancées du conservatisme).  Publié sur le site <http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/extrema-direita-na-europa-resultado-das-eleicoes-no-parlamento-europeu-reflete-avanco-do-conservadorismo.htm&gt;, 2014].

Les principales raisons de la montée des partis d’extrême droite seraient le déclin de l’État providence, qui constituait une sorte d’identité européenne commune après la Seconde Guerre mondiale, la crise financière actuelle, l’existence de plus de 18,2 millions de chômeurs dans le European continent, le ressentiment et l’incrédulité de la population chez les hommes politiques alliés à la volonté de changer. Ce qui  attire l’attention, c’est la participation croissante des jeunes Européens aux mouvements nationalistes, notamment via Internet. Les jeunes sont de plus en plus critiques à l’égard de leurs dirigeants et de l’Union européenne, préoccupés par l’avenir (emploi et éducation), l’identité culturelle et l’influence islamique en Europe.

Paul Krugman, professeur à l’Université de Princeton aux États-Unis, a déclaré que le taux de chômage aux États-Unis et en Europe reste catastrophique, que les dirigeants et les institutions nationaux sont de plus en plus discrédités et que les valeurs démocratiques sont assiégées [KRUGMAN, Paul. É hora de começar a chamar a atual situação de crises como ela é: uma depressão (Il est temps de commencer à appeler la situation de crise actuelle telle qu’elle est: une dépression).  Publié sur le site <http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/paul-krugman/2011/12/13/e-hora-de-comecar-a-chamar-a-atual-situacao-de-crises-como-ela-e-uma-depressao.jhtm&gt;, 2011]. Krugman ajoute que la situation d’extrême droite en Autriche, en Finlande, en Hongrie et dans les pays pauvres d’Europe centrale et orientale, où les institutions démocratiques sont en train d’être minées, est déjà pire. Tout cela signifie en pratique que la montée du fascisme et des dictatures en Europe pour contenir les révoltes sociales qui se multiplient, comme ce fut le cas après la Grande Dépression de 1929, qui créa les conditions de l’avènement du nazisme et de régimes d’exception. dans diverses parties du monde.

En 2017, des élections présidentielles ont eu lieu dans les principaux pays de l’Union européenne, tels que la France, l’Allemagne et les Pays-Bas. Dans ces trois pays, les partis d’extrême droite ont été vaincus, mais ils ont connu une forte croissance par rapport aux années précédentes. Marine Le Pen, la candidate française à la présidence, est arrivée en deuxième position. Elle fait partie d’un mouvement anti-européen. En Allemagne, le parti Alternative à l’Allemagne est devenu la troisième force politique du parlement allemand. Et en Hollande, le Parti de la liberté est arrivé en deuxième position dans le procès. En plus des pays clés, des phénomènes similaires sont également observés dans d’autres pays de l’Union européenne. La Pologne et la Hongrie, par exemple, sont des pays dont les gouvernements sont considérés comme ultra-droits; et en Grèce, le parti Aurora Dourada est qualifié de néo-nazi par les experts.
Aux États-Unis, le Tea Party, une faction du parti républicain, fonctionne selon une plate-forme “antisémite, raciste et réactionnaire”. La vraie bannière du Tea Party est liée au nationalisme et à la race. Le Tea Party met déjà en place un réseau de plusieurs millions de dollars composé de grandes entreprises, d’organisations non partisanes et de comités politiques. En septembre 2009, Viomundo a publié un article de Sara Robinson dans lequel elle mettait en garde contre la montée du fascisme aux États-Unis. Robinson identifia, sur la base des travaux de l’historien Robert Paxton (The anatomy of fascismo. New York: Vintage Books, 2005) à quel stade se rencontra le fascisme américain et parvint à la conclusion troublante que l’alliance entre l’élite capitaliste et une «troupe de choc» d’extrême droite ne pourraient plus arrêter la montée fasciste et son accession au pouvoir [PEGINO, Paulo Ferraresi. Tea Party – ascensão do fascismo nos EUA (e o Brasil?) (Tea Party – La montée du fascisme aux Etats-Unis (et au Brésil?)). Publié sur le site <http://www.advivo.com.br/blog/paulo-ferraresi-pegino/tea-party-ascensao-do-fascismo-nos-eua-e-o-brasil&gt;, 2010].
Tous les messages du candidat à la présidentielle Donald Trump pointaient vers dans la direction de laquelle, si élu président des États-Unis, pourrait raviver le fascisme aux États-Unis.. Selon Paxton, le fascisme émerge à la recherche d’un renouveau nationaliste. C’est le cas des États-Unis face à une crise économique insurmontable telle que la crise actuelle, l’aggravation du mode de vie américain et la perte de son hégémonie mondiale pour la Chine. Selon Paxton, le fascisme ne se développe que dans le sol révoltant d’une démocratie mature en crise, comme c’est le cas aux États-Unis. Ce point de vue a été complètement adopté par le parti républicain qui se définit désormais dans ce sens. À ce stade, il est ouvertement raciste, sexiste, répressif, excluant et accro de façon permanente à la politique de la peur et de la haine, comme ce fut le cas sous le gouvernement de George W. Bush et approfondi sous le gouvernement de Donald Trump. La renaissance du fascisme sous Donald Trump aux États-Unis résulte principalement de son déclin économique et de la perte de son hégémonie sur la scène mondiale en très peu de temps.
Au Brésil, il existe déjà un conflit entre les forces politiques de droite et de gauche qui pourrait mener le Brésil à une conflagration sociale sans précédent dans son histoire, susceptible d’entraîner l’instauration d’une dictature fasciste d’extrême droite en cas de victoire. de Jair Bolsonaro au second tour de l’élection présidentielle. La dictature fasciste qui est explicite dans le discours de Bolsonaro est basée sur le culte de l’ordre, sur la violence de l’État, sur les pratiques de gouvernement autoritaires, sur le mépris social pour les groupes vulnérables et fragiles et sur l’anticommunisme. Le danger de Bolsonaro réside dans l’oppression, le machisme, l’homophobie, le racisme et la haine des pauvres. L’histoire nous dit qu’une fois au pouvoir, les fascistes peuvent détruire les derniers vestiges d’un gouvernement démocratique au Brésil. Dans le Brésil contemporain, Jair Bolsonaro défend le néolibéralisme différemment de l’étatisme de Mussolini et de Hitler, fait qui ne cesse de le qualifier de fasciste car il n’existe pas de formule unique pour le fascisme, comme certains l’imaginent. Le fascisme n’est pas nécessairement nationaliste et étatique comme ce fut le cas en Italie avec Mussolini et en Allemagne avec Hitler. Ce qui caractérise tout le fascisme dans toutes ses variantes, ce sont fondamentalement les dictatures, le racisme, l’anticommunisme, la persécution des minorités et la mise du gouvernement fasciste au service des élites économiques et financières. L’autoritarisme et le totalitarisme sont des composantes de chaque dictature fasciste.

Un autre type de fascisme résultant du processus de mondialisation économique et financière est le totalitarisme moderne, subliminal et exercé globalement avec la mondialisation des capitaux. L’aliénation des populations est la principale arme utilisée par les détenteurs des moyens de production mondiaux et du pouvoir politique mondial pour exercer la domination économique et politique de l’être humain. Le système de production mondial colonise tout sphères de la vie. En aucun temps, l’être humain échappe à l’influence du système qui fait partie de chaque instant de son vie. L’être humain est devenu un esclave à temps plein. L’être humain est déjà habitué à toujours obéir. Il obéit sans savoir pour quelle raison, simplement parce qu’il sait qu’il doit obéir.  Il n’y a rien plus effrayant que la désobéissance, car s’il désobéissait, risquait, changeait, ce serait très risqué. L’être humain incline la tête devant les propriétaires du monde, acceptant cette vie d’humiliation et de misère dues à la peur.
Chaque acte de rébellion ou de résistance est en fait considéré comme une activité subversive ou terroriste. La liberté n’existe que pour ceux qui défendent les impératifs du capitalisme. L’être humain est convaincu qu’il n’y a pas d’alternative à l’organisation qui prévaut dans le monde aujourd’hui. Il s’est résigné à cette vie parce qu’il pense qu’il ne peut y avoir d’autre modèle d’organisation de la société. Et c’est là que réside la force de la domination actuelle: créer l’illusion que ce système qui a colonisé la face entière de la Terre représente le meilleur de ce que l’humanité a jamais construit en termes d’organisation sociale. Dans le système dominant, les forces de répression sont précédées par la dissuasion qui, depuis son enfance, réalise son travail d’aliénation de l’être humain. Les détenteurs du pouvoir économique et politique trompent les êtres humains en leur faisant croire qu’ils peuvent rêver d’un avenir meilleur fait d’argent, de gloire et d’aventure.

Les enfants sont les premières victimes de cette domination, car il s’agit d’étouffer la liberté du berceau. Il faut les rendre stupides et leur ôter toute leur capacité de réflexion et de critique. Les humains se considèrent toujours comme des citoyens croyant qu’ils votent et décident librement en choisissant qui défendra leurs intérêts. Dans la démocratie parlementaire, les êtres humains ont l’illusion de pouvoir choisir leurs représentants dans l’espoir de défendre leurs intérêts. En pratique, il n’ya aucune opposition au “statu quo”, les partis politiques dominants étant d’accord sur les éléments essentiels de la conservation de la société marchande actuelle. Aucun parti politique ne peut arriver au pouvoir qui conteste le dogme du marché. La forme représentative et parlementaire qui usurpe le nom de démocratie limite le pouvoir des citoyens par le simple droit de vote, c’est-à-dire à néant. Les sièges du Parlement sont occupés par la grande majorité de la classe économique dominante, de droite.
Le devoir que le système impose à l’homme est un travail servile. Le droit principal que l’être humain doit reconnaître est le droit à la propriété privée. Le seul dieu qu’il devrait adorer est l’argent. L’omniprésence de l’idéologie néolibérale, le culte de l’argent, le parti unique déguisé en pluralisme parlementaire, l’absence d’opposition visible et la répression sous toutes ses formes contre la volonté de transformer l’homme et le monde. C’est le vrai visage du fascisme moderne, que nous appelons “démocratie libérale”, qui doit cependant s’appeler sous son vrai nom: le système mercantile totalitaire. L’homme, la société et l’ensemble de notre planète sont au service de cette idéologie. Le système mercantile totalitaire a accompli ce qu’aucun totalitarisme n’avait été capable de faire auparavant: unifier le monde à son image. Aujourd’hui, il n’y a plus d’exil possible.
Il n’existe dans chaque pays qu’un seul moyen de lutter contre le fascisme qui est la formation d’un large front démocratique qui, en unifiant les forces politiques de gauche et les libéraux démocrates, empêche la montée des fascistes au pouvoir car il est pratiquement impossible de renverser une dictature fasciste lorsque les fascistes sont déjà au pouvoir. D’autre part, il est difficile de lutter contre le fascisme résultant du processus de mondialisation économique et financière qui a conduit au totalitarisme moderne, puisqu’il opère à l’échelle mondiale et est enraciné dans toutes les parties du globe. Seule une action politique internationale antisystémique en faveur de la défense de l’humanité et contre la mondialisation et le néolibéralisme permettra de combattre et de vaincre le fascisme moderne.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 14 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

FRENTE DEMOCRÁTICA PARA EVITAR A ASCENSÃO DO FASCISMO AO PODER NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

As eleições presidenciais do Brasil serão decididas no segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Em artigo de nossa autoria, Brasil rumo ao suicídio coletivo da nação?, afirmamos que “o suicídio coletivo da nação brasileira poderá ocorrer se as próximas eleições presidenciais do Brasil forem decididas no segundo turno entre Jair Bolsonaro de extrema direita, de tendência fascista, e Fernando Haddad de esquerda, de tendência socialista. É considerado suicídio coletivo de uma nação quando seu povo escolhe um caminho que a levará inevitavelmente ao desastre político, econômico e social. A Alemanha nazista é um exemplo de suicídio coletivo de uma nação quando seu povo se defrontou com extrema violência política entre as facções de esquerda de tendência comunista e de direita de tendência nazista, deu respaldo aos atos praticados por Adolf Hitler após sua ascensão ao poder e sofreu as consequências da ditadura nazista e da derrota militar na 2ª Guerra Mundial com todas as suas maléficas consequências”.

Afirmamos no artigo supracitado que “seja Bolsonaro ou Haddad o vencedor do pleito presidencial, o Brasil poderá ser convulsionado, nessas circunstâncias, pela violência política entre a esquerda e a direita. Isto significa dizer que nem Bolsonaro nem Haddad adquirirão as condições de governabilidade. Enganam-se aqueles que pensam que o resultado das eleições será aceito pelos que forem derrotados e que a governabilidade possa ser alcançada apenas com o apoio da maioria do Parlamento em uma sociedade extremamente dividida como a do Brasil. O conflito entre os extremos ideológicos será inevitável que pode levar o Brasil a uma conflagração social ou a uma guerra civil sem precedentes em sua história da qual pode resultar a implantação de uma ditadura fascista de extrema direita seja com a vitória de Bolsonaro, seja com a vitória de Haddad que seria apeado do poder através de um golpe de estado”.

É importante observar que a frustração com a política, a polarização extremada e a intolerância são ingredientes para a emergência de regimes autoritários, sobretudo quando são alimentados por uma crise econômica prolongada, pelo desemprego em massa e pelo medo como vivenciamos na atualidade. Este é o Brasil da era contemporânea. Está muito claro o risco de um retrocesso político-institucional. Regimes autoritários podem surgir por vias eleitorais como ocorreu na Alemanha na década de 1930 do século XX quando o partido nazista cresceu em eleições, com apoio popular. Hitler chegou ao poder em 1933, graças à frustração com a República de Weimar, que não foi capaz de solucionar a gigantesca crise econômica pós-Primeira Guerra Mundial. No Brasil, cresce o descrédito com as instituições democráticas, partidos, Legislativo, Executivo e Judiciário, alimentado pela polarização política, abrindo um perigoso espaço para o advento do fascismo. Enquanto parte significativa da população sente-se órfã e descrente nas instituições, grupos organizados de extrema-direita, antilulistas, festejam a vitória de Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais que vocaliza o descrédito no sistema democrático de apelo popular. Diante desses fatos, é fundamental a formação de uma ampla frente democrática, antifascista.

Para impedir que o fascismo vença no segundo turno das eleições presidenciais, urge a formação de uma frente democrática antifascista para derrotar Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais porque seu discurso de caráter fascista é baseado no culto da ordem, na violência do Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. Os adeptos do fascismo consideram que a causa dos males atuais do Brasil está relacionada com a corrupção e o uso do Estado por partidos de tendência comunista.  Os fascistas buscam a purificação da sociedade brasileira das influências tóxicas de partidos e lideranças políticas, sobretudo aquelas ligadas ao PT e seus aliados, os quais seriam culpados pela situação lamentável em que vive a nação brasileira.   A História nos diz que, uma vez que alcance o poder, os fascistas podem destruir os últimos vestígios de um governo democrático no Brasil.

Na escalada do fascismo no Brasil, está sendo realizada a aliança entre a elite conservadora e partidos conservadores com o candidato Bolsonaro.  Para se contrapor ao avanço do fascismo e impedir a vitória de Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, é preciso que seja constituída uma frente democrática antifascista que, unificando as forças políticas de esquerda e os liberais democráticos, busque a coexistência pacífica entre classes sociais antagônicas e partidos políticos, também antagônicos, elegendo Fernando Haddad como Presidente da República desde que ele assuma o compromisso de celebrar um pacto político e social que atenda aos múltiplos interesses em jogo. Sem esta solução, o Brasil estará condenado ao suicídio político.

A frente democrática antifascista só deve ser constituída e apoiar Fernando Haddad no segundo turno das eleições presidenciais com a condição de que ele se comprometa a realizar um governo que busque a união do povo brasileiro em torno de um projeto comum de desenvolvimento político, econômico e social. É importante que Fernando Haddad convença e ganhe os votos no segundo turno dos eleitores de Bolsonaro que votaram nele pelo fato de representar o combate à corrupção e ao lulopetismo. É preciso que Fernando Haddad afirme convicentemente que será intransigente no combate à corrupção e que fará um governo de união nacional que não seguirá os ditames do PT e de Lula. Para agregar votos de esquerdistas e liberais em uma frente ampla democrática antifascista, é preciso que Fernando Haddad, sendo eleito, ponha em prática, um programa de governo que reflita as expectativas de amplos setores da sociedade brasileira.

É preciso observar que o suicídio coletivo da nação brasileira não ocorrerá apenas impedindo que Bolsonaro vença o segundo turno das eleições presidenciais. É preciso, também, sustentar Fernando Haddad no poder, assegurando sua governabilidade, se ele vencer as eleições. Esta governabilidade só haverá desde que Fernando Haddad governe com um amplo arco de alianças políticas cujo programa de governo radicalmente democrático reflita as expectativas de amplos setores da sociedade brasileira. A frente democrática antifascista é a garantia de que não haverá retrocesso político-institucional no Brasil.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, Sócio Benemérito da AEPET- Associação dos Engenheiros da Petrobras, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

UN FRONT DÉMOCRATIQUE POUR ÉVITER L’ASCENSION DU FASCISME AU POUVOIR AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado *

Les élections présidentielles du Brésil seront décidées au second tour entre Jair Bolsonaro et Fernando Haddad. Dans notre article Brasil rumo ao suicídio coletivo da nação? (Brésil vers le suicide collectif de la nation?), nous avons déclaré que «le suicide collectif de la nation brésilienne peut se produire si les prochaines élections présidentielles au Brésil sont décidées au second tour entre Jair Bolsonaro d’extrême droite, de tendance fasciste, et Fernando Haddad de gauche, de tendance socialiste.  On considère le suicide collectif d’une nation lorsque son peuple choisit une voie qui mènera inévitablement à un désastre politique, économique et social. L’Allemagne nazie est un exemple de suicide collectif d’une nation quand son peuple face à la violence politique extrême entre les factions gauchistes de la tendance communiste et à droite de la tendance nazie, il a apporté un soutien aux actions prises par Adolf Hitler après son accession au pouvoir et subi les conséquences de la dictature nazie et de la défaite militaire de la Seconde Guerre mondiale avec toutes ses conséquences pervers”.

Nous avons déclaré dans l’article ci-dessus «Soyez Bolsonaro ou Haddad le vainqueur des élections présidentielles, le Brésil peut être convulsé, dans ces circonstances, par la violence politique entre la gauche et la droite. Cela signifie que ni Bolsonaro ni Haddad n’acqueront les conditions de gouvernabilité. Ils ont tort qui pensent que les résultats des élections seront acceptées par ceux qui sont vaincus et que la gouvernance peut être atteint seulement avec le soutien de la majorité au Parlement dans une société très divisée comme le Brésil. Le conflit entre les extrêmes idéologiques qui peut inévitablement conduire le Brésil à une conflagration sociale ou une guerre civile sans précédent dans son histoire peut entraîner la mise en œuvre d’une dictature fasciste de l’extrême droite avec la victoire de Bolsonaro  ou avec victoire de Haddad qui serait déposé du pouvoir par un coup d’Etat”.

Il est important de noter que la frustration avec la politique, la polarisation extrême et l’intolérance sont des ingrédients pour l’émergence de régimes autoritaires, surtout quand ils sont alimentés par une crise économique prolongée, par le chômage de masse et de la peur que nous éprouvons aujourd’hui. C’est le Brésil de l’époque contemporaine. Le risque d’un échec politique et institutionnel est très clair. Les régimes autoritaires peuvent survenir façon électorale comme cela est arrivé en Allemagne dans les années 1930 du XXe siècle, lorsque le parti nazi a grandi dans les élections, avec le soutien populaire. Hitler est arrivé au pouvoir en 1933, en raison de la frustration avec la République de Weimar, qui n’a pas été en mesure de résoudre la guerre la crise économique massif après la Première Guerre Mondiale. Au Brésil, les institutions démocratiques de plus en plus discrédité, les partis, législatif, exécutif et judiciaire, alimentée par la polarisation politique, l’ouverture d’un espace dangereux pour l’avènement du fascisme. Comme une partie importante de la population se sent orphelin et l’incrédulité des institutions, des groupes organisés de l’extrême droite, anti-Lula, célébre la victoire de Bolsonaro au premier tour des élections présidentielles qui vocalise discréditer de le système démocratique d’appel populaire. Face à ces faits, la formation d’un large front démocratique et antifasciste est fondamentale.

Pour prévenir que le fascisme gagne au second tour de l’élection présidentielle, il est urgent la formation d’un front démocratique anti-fasciste pour vaincre Bolsonaro au second tour de l’élection présidentielle  parce que son discours fasciste est basé sur le culte de l’ordre, sur la violence de l’État, sur les pratiques de gouvernement autoritaire, sur le mépris social pour les groupes vulnérables et fragiles et sur l’anticommunisme. Le danger de Bolsonaro réside dans l’oppression, le machisme, l’homophobie, le racisme et la haine des pauvres. Les partisans du fascisme considèrent que la cause des problèmes actuels du Brésil est liée à la corruption et à l’utilisation de l’État par des partis à tendance communiste. Fascistes cherchent la purification de la société brésilienne des influences toxiques des partis politiques et les dirigeants politiques, en particulier ceux liés au PT (Parti des Travailleurs) et ses alliés, qui serait coupable de la situation malheureuse dans laquelle vit la nation brésilienne.. L’histoire nous dit qu’une fois au pouvoir, les fascistes peuvent détruire les derniers vestiges d’un gouvernement démocratique au Brésil.

Dans l’escalade du fascisme au Brésil, l’alliance entre l’élite conservatrice et les partis conservateurs est en place avec le candidat Bolsonaro. Pour s’opposer à l’avancée du fascisme et empêcher la victoire de Bolsonaro au second tour de l’élection présidentielle, il est nécessaire de construire un front démocratique antifasciste qui, en unifiant les forces politiques de gauche et les libéraux démocrates, recherche la coexistence pacifique entre les classes sociales antagonistes. et les partis politiques, également antagonistes, avec l’élection de Fernando Haddad à la présidence de la République, à condition qu’il s’engage à célébrer un pacte politique et social qui réponde aux multiples intérêts en jeu. Sans cette solution, le Brésil sera condamné au suicide politique.

Le front démocratique antifasciste ne devrait être constitué et soutenir Fernando Haddad lors du deuxième tour de l’élection présidentielle qu’à la condition qu’il s’engage à former un gouvernement qui recherche l’union du peuple brésilien autour d’un projet commun de développement politique, économique et social. Il est important que Fernando Haddad convainque et remporte les suffrages au second tour des électeurs du Bolsonaro qui ont voté pour lui car il représente la lutte contre la corruption, PT et leur leader Lula. Il est nécessaire que Fernando Haddad affirme de manière convaincante qu’il sera intransigeant dans la lutte contre la corruption et qu’il formera un gouvernement d’union nationale qui ne suivra pas les directives du PT et de Lula. Pour ajouter les votes des gauchistes et des libéraux dans un vaste front démocratique antifasciste, il est nécessaire que Fernando Haddad, élu, mette en pratique un programme gouvernemental qui reflète les attentes de larges secteurs de la société brésilienne.

Il convient de noter que le suicide collectif de la nation brésilienne ne se produira pas uniquement pour empêcher Bolsonaro de remporter le deuxième tour de l’élection présidentielle. Il est également nécessaire de soutenir Fernando Haddad au pouvoir, en assurant sa gouvernabilité, s’il remporte les élections. Cette gouvernabilité n’existera que dans la mesure où Fernando Haddad gérera avec un large éventail d’alliances politiques dont le programme de gouvernement radicalement démocratique répond aux attentes de vastes secteurs de la société brésilienne. Le front démocratique antifasciste est la garantie qu’il n’y aura pas de régression politico-institutionnelle au Brésil.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 14 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

DEMOCRATIC FRONT TO AVOID THE ASCENSION OF FASCISM TO POWER IN BRAZIL

Fernando Alcoforado *

The presidential elections of Brazil will be decided in the second round between Jair Bolsonaro and Fernando Haddad. In our article Brasil rumo ao suicídio coletivo da nação? (Brazil towards the collective suicide of the nation?), we affirm that “the collective suicide of the Brazilian nation may occur if the next presidential elections of Brazil are decided in the second round between Jair Bolsonaro of extreme right, of fascist tendency, and Fernando Haddad of the left, of socialist tendency. It is considered a collective suicide of a nation when its people choose a path that will inevitably lead to political, economic and social disaster. Nazi Germany is an example of a nation’s collective suicide when its people were confronted with extreme political violence among left-wing Communist and right-wing factions of Nazi tendencies, backed the acts practiced by Adolf Hitler after his rise to power and suffered the consequences of Nazi dictatorship and military defeat in World War II with all its evil consequences”.

We affirm in the aforementioned article that “whether Bolsonaro or Haddad is the winner of the presidential election, Brazil may be convulsed, in these circumstances, by political violence between left and right. This means that neither Bolsonaro nor Haddad will acquire the conditions of governability. Those who think that the outcome of the elections will be accepted by those who are defeated and that governability can only be achieved with the support of the majority of Parliament in an extremely divided society like Brazil they are wrong. The conflict between the ideological extremes will inevitably lead Brazil to a social conflagration or to an unprecedented civil war in its history, which may result in the establishment of a fascist dictatorship of the extreme right, either with Bolsonaro’s victory or with the victory of Haddad that would be removed of the power through a coup d’État”.

It is important to note that frustration with politics, extreme polarization and intolerance are ingredients for the emergence of authoritarian regimes, especially when they are fueled by a protracted economic crisis, mass unemployment and fear as we nowadays live. This is Brazil of the contemporary era. The risk of a political-institutional retrogression is very clear. Authoritarian regimes can arise by electoral routes as occurred in Germany in the 1930s of the twentieth century when the Nazi party grew in elections, with popular support. Hitler came to power in 1933, thanks to frustration with the Weimar Republic, which was unable to solve the gigantic post-World War I economic crisis. In Brazil, growing disrepute with democratic institutions, parties, the Legislative, Executive and Judiciary, fueled by political polarization, opening a dangerous space for the advent of fascism. While a significant part of the population feels orphans and disbelievers in the institutions, organized groups of extreme right, anti-Lula, celebrate the victory of Bolsonaro in the first round of the presidential elections that vocalizes the discredit in the democratic system of popular appeal. Faced with these facts, the formation of a broad democratic, antifascist front is fundamental.

In order to prevent fascism from winning in the second round of presidential elections, it is urgent to form an antifascist democratic front to defeat Bolsonaro in the second round of presidential elections because his fascist speech is based on the cult of order, state violence, authoritarian government, social disregard for vulnerable and fragile groups, and anti-communism. The Bolsonaro danger lies in oppression, male supremacy, homophobia, racism, hatred of the poor. Fascism supporters consider that the cause of Brazil’s current ills is related to corruption and the use of the state by parties with a communist tendency. The fascists seek to purify Brazilian society from the toxic influences of parties and political leaders, especially those linked to the PT and its allies, who would be to blame for the unfortunate situation in which the Brazilian nation lives. History tells us that once it reaches power, the fascists can destroy the last vestiges of a democratic government in Brazil.

In the escalation of fascism in Brazil, the alliance between conservative elite and conservative parties is being held with candidate Bolsonaro. In order to oppose the advance of fascism and to prevent Bolsonaro’s victory in the second round of the presidential elections, it is necessary to build an antifascist democratic front that, unifying left-wing political forces and democratic liberals, seeks the peaceful coexistence between antagonistic social classes and political parties, also antagonistic, electing Fernando Haddad as President of the Republic as long as he makes a commitment to celebrate a political and social pact that meets the multiple interests at stake. Without this solution, Brazil will be condemned to political suicide.

The anti-fascist democratic front should only be constituted and support Fernando Haddad in the second round of presidential elections on the condition that he commit to a government that seeks the union of the Brazilian people around a common project of political, economic and social development . It is important that Fernando Haddad convince and win the votes in the second round of the Bolsonaro voters who voted for him because he represents the fight against corruption, PT (Workers Party) and its leader Lula. It is necessary that Fernando Haddad affirms convincingly that he will be intransigent in the fight against corruption and that he will make a government of national union that will not follow the dictates of the PT and of Lula. To add votes of leftists and liberals in a broad anti-fascist democratic front, it is necessary that Fernando Haddad, being elected, put into practice, a government program that reflects the expectations of broad sectors of Brazilian society.

It should be noted that the collective suicide of the Brazilian nation will not occur only to prevent Bolsonaro from winning the second round of presidential elections. It is also necessary to support Fernando Haddad in power, ensuring his governability, if he wins the elections. This governability will only exist since Fernando Haddad governs with a wide range of political alliances whose program of radically democratic government reflects the expectations of broad sectors of Brazilian society. The anti-fascist democratic front is the guarantee that there will be no political-institutional retrogression in Brazil.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 14 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

COMO EVITAR A DITADURA FASCISTA E CONQUISTAR A PAZ SOCIAL NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

As próximas eleições presidenciais do Brasil podem levar ao poder Jair Bolsonaro de extrema direita, de tendência fascista, ou Fernando Haddad de esquerda, de tendência socialista. Está bastante claro que aqueles que apoiam Bolsonaro consideram inaceitável a ascensão de Haddad ao poder que significaria a volta do PT e seus aliados ao governo do Brasil e aqueles que apoiam Haddad consideram inaceitável a direita no poder se Bolsonaro vencer as eleições presidenciais. O Brasil é um país profundamente dividido porque Jair Bolsonaro é o candidato preferido da elite econômica e financeira, da elite tradicional, da elite empresarial dos grandes escritórios, da elite dos novos ricos, da elite rural, da elite das corporações e da classe média alta e Fernando Haddad é o candidato preferido da pequena burguesia e do proletariado urbano e rural que têm objetivos antagônicos.

O país poderá ser convulsionado, nessas circunstâncias, pela violência política entre a esquerda e a direita. Isto significa dizer que nem Bolsonaro nem Haddad adquirirão as condições de governabilidade. Para governar, Bolsonaro poderá contar com o apoio das classes economicamente dominantes e terá o apoio de parte da sociedade civil que está extremamente fraturada. Haddad poderá contar com o apoio de parte da sociedade civil que está extremamente dividida, mas não contará com o apoio das classes economicamente dominantes. Enganam-se aqueles que pensam que o resultado das eleições será aceito pelos que forem derrotados e que a governabilidade possa ser alcançada apenas com o apoio da maioria do Parlamento em uma sociedade extremamente dividida como a do Brasil.

O conflito entre os extremos ideológicos será inevitável que pode levar o Brasil a uma conflagração social sem precedentes em sua história da qual pode resultar a implantação de uma ditadura fascista de extrema direita seja com a vitória de Bolsonaro, seja com a vitória de Haddad que não se sustentará no poder. A ditadura fascista que está explícita no discurso de Bolsonaro é baseada no culto da ordem, na violência do Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. A História nos diz que, uma vez que alcance o poder, os fascistas podem destruir os últimos vestígios de um governo democrático no Brasil. A única forma de evitar a implantação de uma ditadura fascista e conquistar a paz social no Brasil é a eleição do candidato mais capacitado a celebrar um pacto social entre as forças de direita e de esquerda em confronto que é Ciro Gomes que, além de apresentar uma proposta econômica capaz de superar a crise econômica atual, é, segundo as pesquisas eleitorais, o único candidato presidencial que pode derrotar no segundo turno o candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro.

Está nas mãos dos eleitores de Geraldo Alckmin, Marina Silva e dos demais candidatos votarem em Ciro Gomes para que ele derrote Fernando Haddad no 1º turno das eleições e reúna condições para enfrentar Jair Bolsonaro no 2º turno e derrotá-lo nas eleições presidenciais. Esta seria a solução que poderia impedir a vitória de Bolsonaro e de Haddad, evitar a convulsão social, a exacerbação da violência política e a consequente implantação de uma ditadura fascista no Brasil. Portanto, se o povo brasileiro deseja evitar que a ditadura fascista seja implantada e seja conquistada a paz social no Brasil deve eleger Ciro Gomes presidente da República.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

COMMENT EVITER LA DICTATURE FASCISTE ET CONQUÉRIR LA PAIX SOCIALE AU BRESIL

Fernando Alcoforado *

Les prochaines élections présidentielles au Brésil pourraient conduire au pouvoir Jair Bolsonaro d’extrême droite, de tendance fasciste, ou Fernando Haddad de gauche, de tendance socialiste. . Il est tout à fait clair que ceux qui soutiennent Bolsonaro considèrent inacceptable la montée de Haddad au pouvoir qui signifierait le retour du PT (Parti de Travailleurs) et ses alliés au gouvernement du Brésil et ceux qui soutiennent Haddad considèrent inacceptable le droit au pouvoir si Bolsonaro gagner les élections présidentielles. Le Brésil est un pays profondément divisé, car Jair Bolsonaro est le candidat préféré de l’élite économique et financière,de l’élite traditionnelle,de l’élite des grands bureaux, de l’élite des nouveaux riches, de l’élite rurale, de l’élite des societés et de la classe moyenne supérieure et Fernando Haddad est le candidat préféré de la petite bourgeoisie et du prolétariat urbain et rural qui ont des objectifs antagonistes.

Le pays peut être convulsé, dans ces circonstances, par la violence politique entre la gauche et la droite. Cela signifie que ni Bolsonaro ni Haddad auront les conditions de la gouvernabilité. Pour gouverner, Bolsonaro peut compter sur le soutien des classes économiquement dominantes et bénéficier du soutien de part de la société civile extrêmement fracturée. Haddad pourra compter sur l’appui de part de la société civile extrêmement divisée mais qui n’aura pas le soutien des classes économiquement dominantes. Ils ont tort qui pensent que les résultats des élections seront acceptées pour qui sont vaincus et que la gouvernabilité peut être atteint avec le soutien de la majorité au Parlement dans une société très divisée comme le Brésil.

Le conflit entre les extrêmes idéologiques conduira inévitablement le Brésil à une conflagration sociale sans précédent dans son histoire qui pourrait aboutir à l’établissement d’une dictature fasciste d’extrême droite soit avec la victoire de Bolsonaro ou avec la victoire de Haddad qui ne sera pas soutenue au pouvoir. La dictature fasciste qui est explicite dans le discours de Bolsonaro repose sur le culte de l’ordre, la violence de l’État, les pratiques de gouvernement autoritaire, le mépris social pour les groupes vulnérables et fragiles et l’anticommunisme. Le danger de Bolsonaro réside dans l’oppression, le machisme, l’homophobie, le racisme et la haine des pauvres. L’histoire nous dit qu’une fois au pouvoir, les fascistes peuvent détruire les derniers vestiges d’un gouvernement démocratique au Brésil. La seule façon d’empêcher la mise en place d’une dictature fasciste et conquérir la paix sociale au Brésil est l’élection du candidat le plus qualifié pour fêter un pacte social entre les forces de droite et de gauche dans la confrontation qui est Ciro Gomes qui, en plus de présenter une proposition économique en mesure de surmonter la crise économique actuelle, est, selon les enquêtes électorales, il s’agit du seul candidat à la présidence pouvant vaincre le candidat de droite Jair Bolsonaro au deuxième tour.

Il est entre les mains des électeurs de Geraldo Alckmin, Marina Silva et d’autres candidats de voter pour Ciro Gomes afin qu’il a battu Fernando Haddad au 1er tour des élections et obtenir les conditions pour faire face à Jair Bolsonaro au 2e tour et le battre aux élections présidentielles. Ce serait la solution qui pourrait empêcher la victoire de Bolsonaro et Haddad, éviter les bouleversements sociaux, l’exacerbation de la violence politique et la conséquente mise en place d’une dictature fasciste au Brésil. Donc, si le peuple brésilien veulent empêcher l’établissement d’une dictature fasciste et conquérir la paix sociale au Brésil devrait élire le président Ciro Gomes.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

HOW TO AVOID THE FASCIST DICTATORSHIP AND TO CONQUER SOCIAL PEACE IN BRAZIL

Fernando Alcoforado *

The next presidential elections in Brazil can lead to power Jair Bolsonaro of extreme right, of fascist tendency, or Fernando Haddad of left, of socialist tendency.  It is quite clear that those who support Bolsonaro consider unacceptable the rise of Haddad to power that would mean the return of PT (Workers Party) and its allies to the government of Brazil and those who support Haddad consider the right in power unacceptable if Bolsonaro wins the presidential elections. Brazil is a deeply divided country because Jair Bolsonaro is the preferred candidate of the economic and financial elite, the traditional elite, the corporate elite of the big offices, the elite of the new rich, the rural elite, the corporate elite and the upper middle class and Fernando Haddad is the preferred candidate of the petty bourgeoisie and the urban and rural proletariat who have antagonistic objectives.

The country may be convulsed, in these circumstances, by political violence between left and right. This means that neither Bolsonaro nor Haddad will acquire the conditions of governability. To govern, Bolsonaro can count on the support of the economically dominant classes and will have the support of part of civil society that is extremely fractured. Haddad will be able to count on the support of part of civil society that is extremely divided but will not have the support of the economically dominant classes. They are wrong those who think that the result of the elections will be accepted by those who are defeated and that governability can only be achieved with the support of the majority of Parliament in an extremely divided society like Brazil.

The conflict between ideological extremes will inevitably lead Brazil to an unprecedented social conflagration in its history, which may result in the establishment of a fascist dictatorship of the extreme right, either with Bolsonaro’s victory or with Haddad’s victory that will not be sustained in power. The fascist dictatorship that is explicit in Bolsonaro’s discourse is based on the cult of order, on state violence, on authoritarian government practices, on social disregard for vulnerable and fragile groups, and on anti-communism. The Bolsonaro danger lies in oppression, machismo, homophobia, racism, hatred of the poor. History tells us that once it reaches power, the fascists can destroy the last vestiges of a democratic government in Brazil. The only way to avoid the implantation of a fascist dictatorship and to conquer social peace in Brazil is the election of the most capable candidate to celebrate a social pact between the right and left forces in confrontation who is Ciro Gomes who, besides presenting an economic proposal capable of overcoming the current economic crisis, he is, according to the electoral polls, the only presidential candidate who can defeat in the second round the right-wing candidate Jair Bolsonaro.

It is in the hands of the voters of Geraldo Alckmin, Marina Silva and the other candidates to vote in Ciro Gomes so that he defeats Fernando Haddad in the first round of the elections and is able to face Jair Bolsonaro in the second round and defeat him in the presidential elections. This would be the solution that could prevent the victory of Bolsonaro and Haddad, to avoid the social convulsion, the exacerbation of the political violence and the consequent implantation of a fascist dictatorship in Brazil. Therefore, if the Brazilian people want to prevent the fascist dictatorship from being implanted and social peace in Brazil is won, Ciro Gomes must be elected President of the Republic..

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.