OS INTERESSES DE CLASSE EM JOGO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Uma classe social é um grupo de pessoas que têm status social  similar segundo critérios diversos. No Brasil, temos como classes sociais a elite econômica e financeira, classe média e classe social baixa. A elite econômica e financeira é um grupo privilegiado, minoritário, composto por aqueles que possuem poder económico e/ou domínio social. Ela é composta pela elite tradicional, pela elite empresarial e dos grandes escritórios, pela elite dos novos ricos e pela elite rural. A elite tradicional é composta pelos descendentes da aristocracia do passado que tem ainda hoje um denso papel social e intelectual na construção de padrões conservadores e um papel econômico e politico extremamente discreto no Brasil. A elite tradicional se distingue pela linguagem e postura muito diferente dos novos ricos. A elite tradicional foi pouca afetada pela crise econômica e financeira que eclodiu no Brasil em 2014 e é reativa a mudanças políticas, econômicas e sociais. A elite tradicional eleitoralmente opta por um candidato de direita esclarecida como Geraldo Alckmin, candidato que tem o perfil do politico conservador previsível e estável que agrada à elite tradicional que pode evoluir para um candidato de extrema direita como Bolsonaro se sentir ameaçada por candidatos de esquerda ou centro esquerda.

A elite empresarial e dos grandes escritórios é composta por advogados e executivos com curso fora do Brasil, com carreiras ascendentes, antenados e conectados com o exterior, atuam na gestão empresarial, de recursos humanos, de marketing, de departamentos jurídicos, do mercado financeiro de grandes empresas, agencias de publicidade e de relações publicas, de relacionamentos “business”, parte da mídia  de negócios, associações empresariais, executivos de grandes empresas especialmente multinacionais anglo-americanas e europeias, professores de escolas caras e modernas de administração de empresas, a grande comunidade de profissionais de saúde que tem como clientela a classe mais abonada, o pessoal do mundo da moda e dos eventos, o espaço “fashion”. Totalmente globalizados, para eles o Brasil é apenas uma plataforma de investimentos, não tem qualquer raiz, respeito ou admiração pelo País, sonham em morar em Nova York, Paris ou Londres. A elite empresarial e dos grandes escritórios  foi pouca afetada pela crise econômica e financeira que eclodiu no Brasil em 2014 e é reativa a mudanças políticas, econômicas e sociais. Eleitoralmente é de centro direita com tendência a votar em Geraldo Alckmin, mas que pode evoluir para um candidato de extrema direita como Bolsonaro.

A elite dos novos ricos são os novos empresários bem sucedidos que usam símbolos de riqueza como casas modernas, lanchas, aviões, grandes carros importados, relógios e canetas de grife. A elite dos novos ricos foi pouca afetada pela crise econômica e financeira que eclodiu no Brasil em 2014 e é reativa a mudanças políticas, econômicas e sociais. Eleitoralmente tem simpatia por candidato de extrema direita como Bolsonaro pelo fator segurança, uma preocupação desse grupo, que considera o crime como algo a combater simplesmente e somente, sem conexão com outros fatores. A elite rural, do interior do País, é uma grande classe de empreendedores agrícolas que se enriqueceu e tem grande força econômica e eleitoral. Eleitoralmente é de centro direita. Numa eleição presidencial a tendência é votar em um candidato conservador como Geraldo Alckmin, mas que pode evoluir para um candidato de extrema direita como Bolsonaro. A elite rural é composta por empreendedores agrícolas que se enriqueceram e têm grandes recursos financeiros. Eleitoralmente é de centro direita com tendência a votar em Geraldo Alckmin, mas que pode evoluir para um candidato de extrema direita como Bolsonaro.

A classe média é possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir formas variadas de lazer e cultura, embora sem chegar aos padrões de consumo considerados exagerados da elite econômica e financeira. A classe média aspira ascender na escala socioeconômica e tem medo de descê-la. É composta por indivíduos que vêm lutando com todas as suas forças para conseguir obter uma posição socioeconômica melhor. 53% da população do Brasil é integrante da chamada classe média. Ela é constituída pela elite intelectual, elite das corporações e classe média baixa.  A elite intelectual diz respeito a um grupo de tamanho considerável ligado ao mundo acadêmico, às universidades, às artes, à literatura, parte da mídia, à ciência e pesquisa pura e às empresas estatais. Tem geralmente viés de esquerda, visão pessimista dos rumos do País e de superação de suas fissuras sociais. Esse grupo ficou órfão com a queda do Governo do PT e está em busca de novos nomes e projetos. A elite intelectual é contra a politica econômica atual e o modelo neoliberal de governo e anseia por grandes reformas politicas e sociais. Os candidatos da elite intelectual são Ciro Gomes, Marina Silva ou Fernando Haddad.

A elite das corporações vinculada à classe média diz respeito aos integrantes da Policia Federal, da Receita Federal, do MPF, do Poder Judiciário Federal, do Tribunal de Contas da União, da Advocacia Geral da União e da Defensoria Publica devido ao empoderamento nascido da “cruzada moralista contra a corrupção” e de sua aliança politica com a grande mídia que se consideram representantes puros do Estado. Eleitoralmente, a elite das corporações tende a votar em Bolsonaro por sua proposta de combate à corrupção, uma preocupação desse grupo, que considera este crime como algo a combater simplesmente e somente, sem conexão com outros fatores. A classe média baixa diz respeito a um grupo da classe média de indivíduos que não tem ainda o status requerido para que possam ser classificados como classe média. A classe média baixa foi profundamente afetada pela crise econômica e financeira que eclodiu no Brasil em 2014 e é favorável às mudanças políticas, econômicas e sociais. A classe média baixa tende a votar em Fernando Haddad na expectativa de que ele adote políticas sociais petistas que a beneficiem.

A classe social baixa se convencionou tratar como a que menos possui poder aquisitivo, bem como a que possui um padrão de vida e de consumo baixo em relação às demais classes sociais. A classe social baixa, constituída pelo proletariado urbano e rural, foi profundamente afetada pela crise econômica e financeira que eclodiu no Brasil em 2014 e é favorável às mudanças políticas, econômicas e sociais. A classe social baixa é contra a politica econômica atual do governo e anseia por grandes reformas politicas e sociais. Os candidatos da classe social baixa são Fernando Haddad e Ciro Gomes.

Percebe-se que são contraditórios os interesses da elite econômica e financeira com os da elite intelectual integrante da classe média e os da classe média baixa. As elites tradicional, empresarial e dos grandes escritórios, a dos novos ricos, a rural e a das corporações integrante da classe média são reativas às mudanças econômicas, políticas e sociais porque seriam por elas prejudicadas as quais tendem a apoiar o candidato de extrema direita Bolsonaro, enquanto, a classe média (elite intelectual e classe média baixa) e a classe social baixa, favoráveis às mudanças políticas, econômicas e sociais,   deverão optar por Ciro Gomes ou Fernando Haddad.  Em síntese, o povo brasileiro terá que optar entre manter o status quo, com a vitória dos candidatos Alckmin ou Bolsonaro,  que beneficiaria, sobretudo a elite econômica e financeira, ou pela mudança política, econômica e social que beneficiaria a classe média e a classe social baixa com a vitória dos candidatos Ciro Gomes ou Fernando Haddad.

Jair Bolsonaro, que é de extrema direita, é o candidato preferido da elite econômica e financeira e das corporações para se tornar presidente da República porque ele promete manter o modelo econômico neoliberal, privatizar patrimônios do Estado, cortar gastos governamentais e equilibrar o orçamento do governo seguindo a orientação já adotada catastroficamente pelo governo Michel Temer. Bolsonaro é o candidato preferido de setores da classe média no Brasil pelo propósito de combater a corrupção e afrouxar as restrições às armas de fogo e dar mais poder à polícia no combate ao crime. O grande apelo que o Bolsonaro oferece ao público em geral está relacionado à sua raiva contra os políticos tradicionais e contra a corrupção. No entanto, Bolsonaro não apresenta nenhum plano econômico que contribua para a superação da crise econômica que infelicita a grande maioria da população.

Ciro Gomes, que é de centro-esquerda, já tem um conjunto de propostas com as quais, conforme diz, o Brasil celebrará um “projeto nacional de desenvolvimento”. Para Ciro Gomes, o projeto de desenvolvimento que defende tem como objetivo superar a miséria. Para alcançá-lo, a tática é industrializar o país. Ele se propõe a desenvolver o complexo industrial da saúde para tirar o país da dependência internacional de medicamentos, equipamentos, próteses, tecnologia na área de diagnósticos – muitos dos quais, segundo ele, com patente vencida. E por último, desenvolver o complexo industrial da defesa. Ciro Gomes afirma que vai reduzir a taxa de juros constantemente até um patamar global e que vai propor projeto de mudança no sistema tributário com a adoção dos impostos sobre as grandes fortunas. Ciro Gomes propõe estratégia que contribua para a redução da dívida pública que é o principal problema econômico enfrentado pelo Brasil. Uma das primeiras medidas, segundo ele, seria a revogação da lei de FHC que revogou a tributação sobre lucros e dividendos.

Fernando Haddad, que é de centro esquerda, tem como foco ampliar o crédito para a produção e o consumo visando reduzir o número de desempregados. Entre as propostas que Haddad e a cúpula do PT defendem para enfrentar a crise estão a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Emprego, reajuste de 20% nos valores do Bolsa Família e aumento real do salário mínimo, além da correção da tabela do Imposto de Renda, com teto de isenção superior ao atual. Em síntese, Haddad tentaria reativar a economia brasileira e aumentar a oferta de empregos com investimento público com o uso das reservas internacionais e a ampliação do crédito para a produção e o consumo. No entanto, Fernando Haddad não apresenta nenhum plano econômico que contribua para a superação da crise econômica que infelicita a grande maioria da população.

Estes são, portanto, os interesses de classe em jogo nas próximas eleições presidenciais. Eu espero que meus amigos leitores deste artigo reflitam profundamente e façam a escolha que melhor atenda aos interesses da sociedade brasileira como um todo e não apenas de uma classe social. O futuro do Brasil e das futuras gerações estão em jogo.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

INTERETS DE CLASSE EN JEU DANS LES ELECTIONS PRESIDENTIELLES DU BRESIL

Fernando Alcoforado *

Une classe sociale est un groupe de personnes ayant un statut social similaire selon différents critères. Au Brésil, nous avons comme classes sociales l’élite économique et financière, la classe moyenne et la classe sociale basse. L’élite économique et financière est un groupe privilégié, minoritaire, composé de ceux qui détiennent le pouvoir économique et / ou domaine social. Il est fait par l’élite traditionnelle, l’élite des affaires et de grands bureaux, l’élite des nouveaux riches et l’élite rurale. L’élite traditionnelle est composée des descendants de la dernière aristocratie qui a aujourd’hui un rôle social et intellectuel dense dans la construction des normes conservatrices et un rôle économique et politique extrêmement discret au Brésil. L’élite traditionnelle se distingue par une langue et une posture très différentes des nouveaux riches. L’élite traditionnelle a été peu affectée par la crise économique et financière qui a éclaté au Brésil en 2014 et est réactif aux changements politiques, économiques et sociaux. L’élite traditionnelle opte pour un candidat électoralement à droit comme Geraldo Alckmin, candidat qui a le profil d’homme politique conservateur  ou peut opter pour un candidat d’extrême droite comme Bolsonaro se sentent menacés par les candidats de gauche ou du centre à gauche.

L’élite des affaires et grand bureau est composé d’avocats et de cadres avec des cours en dehors du Brésil,avec carrière des professionnels en hausse, avertis et connectées avec l’extérieur,, travaillant dans la gestion des affaires, des ressources humaines, le marketing, les services juridiques, les marchés financiers grandes entreprises, agences de publicité et de relations publiques, les relations « affaires » partie des médias d’affaires, les associations professionnelles, les dirigeants d’entreprise en particulier les écoles multinationales anglo américains et européens,  professeur des écoles coûteuses et modernes de l’administration des affaires,  la grande communauté des professionnels de la santé qui ont comme clientèle la classe supérieure, les gens du monde de la mode et des événements, l’espace de la mode. Entièrement mondialisée, pour laquelle le Brésil est seulement une plate-forme d’investissement, n’a pas de racine, le respect ou l’admiration pour le pays, ils rêve du  de vivre à New York, Paris ou Londres. L’élite des affaires et les grands bureaux ont été peu touchés par la crise économique et financière qui a éclaté au Brésil en 2014 et est réactif aux changements politiques, économiques et sociaux. Au niveau électoral c’est au centre droit avec une tendance à voter pour Geraldo Alckmin, mais cela pourrait voter pour un candidat d’extrême droite comme Bolsonaro.

L’élite des nouveaux riches sont les nouveaux entrepreneurs prospères qui utilisent des symboles de richesse comme les maisons modernes, les bateaux, les avions, les grandes voitures importées, les montres et les stylos de marque. L’élite des nouveaux riches a été peu affectée par la crise économique et financière qui a éclaté au Brésil en 2014 et est réactif aux changements politiques, économiques et sociaux. Électoralement, elle a de la sympathie pour le candidat d’extrême droite comme Bolsonaro en raison du facteur de sécurité, une préoccupation de ce groupe, qui considère le crime comme quelque chose de se battre simplement et seulement sans se connecter à d’autres facteurs.. L’élite rurale, de l’intérieur du pays, est une grande classe d’entrepreneurs agricoles qui ont enrichi et a une grande force économique et électorale. Sur le plan électoral, est centre-droit. Lors d’une élection présidentielle ont tendance à voter pour un candidat conservateur comme Geraldo Alckmin, mais peut voter en un candidat d’extrême droite comme Bolsonaro. Les élites rurales sont composées d’entrepreneurs agricoles qui se sont enrichis et disposent de ressources financières importantes.   Sur le plan électoral, est centre-droit avec une tendance à voter pour Geraldo Alckmin, mais peut voter en un candidat d’extrême droite comme Bolsonaro.

La classe moyenne est possédé d’un revenu et un niveau de vie et une consommation raisonnable, afin de répondre non seulement leurs besoins de survie, ainsi que pour permettre diverses formes de loisirs et de la culture, sans toutefois atteindre les modes de consommation considérés comme exagérés de l’élite économique et financière. La classe moyenne aspire à gravir l’échelle socioéconomique et a peur de la descendre. Il est composé de personnes qui luttent de toutes leurs forces pour améliorer leur situation socioéconomique. 53% de la population brésilienne fait partie de la soi-disant classe moyenne. Il est composé de l’élite intellectuelle, de l’élite des entreprises et de la classe moyenne inférieure. L’élite intellectuelle concerne un groupe de taille considérable lié au monde universitaire, aux universités, aux arts, à la littérature, aux médias, à la science et à la recherche pure et aux entreprises publiques. Il a généralement biais de gauche, une vision pessimiste des directions du pays et vaincre ses fissures sociales. Ce groupe est devenu orphelin à la suite de la chute du gouvernement PT et est à la recherche de nouveaux noms et projets. L’élite intellectuelle s’oppose à la politique économique actuelle et au modèle de gouvernement néolibéral et aspire à de grandes réformes politiques et sociales. Les candidats de l’élite intellectuelle sont Ciro Gomes, Marina Silva ou Fernando Haddad.

L’élite des entreprises liées à la classe moyenne concerne les membres de la Police Fédérale, le Fisc Fédéral, le MPF (Procureurs fédéraux), Pouvoir Judiciaire Fédérale, la Cour des Comptes de l’Union, le Bureau du Procureur Général et le Médiateur Publie en raison de l’autonomisation né de “la croisade moraliste contre la corruption» et son alliance politique avec les médias qui se considèrent comme de purs représentants de l’État. Électoralement, l’élite des entreprises ont tendance à voter pour Bolsonaro pour sa proposition de lutte contre la corruption, une préoccupation de ce groupe, qui considère ce crime comme quelque chose de se battre simplement et seulement sans se connecter à d’autres facteurs. La classe moyenne inférieure concerne un groupe de personnes de classe moyenne qui n’a pas encore le statut requis pour pouvoir être classées dans la classe moyenne. La classe moyenne inférieure a été profondément touchée par la crise économique et financière qui a éclaté au Brésil en 2014 et est favorable aux changements politiques, économiques et sociaux. La classe moyenne inférieure a tendance à voter pour Fernando Haddad dans l’espoir qu’il adoptera des politiques sociales de PT (Parti ouvrier) qui lui seront bénéfiques.

Les classes sociales basses ont été classiquement considérées comme ayant le moins de pouvoir d’achat, tout en ayant un faible niveau de vie et de consommation par rapport aux autres classes sociales. Classe sociale basse, composée du prolétariat urbain et rural, a été profondément touché par la crise économique et financière qui a éclaté au Brésil en 2014 et est en faveur de changements politiques, économiques et sociaux. Les classes sociales basses s’oppose à la politique économique actuelle du gouvernement et aspire à de grandes réformes politiques et sociales. Les candidats des classes sociales basses sont Fernando Haddad et Ciro Gomes.

On considère que les intérêts de l’élite économique et financière sont contradictoires avec ceux de l’élite intellectuelle de la classe moyenne et de la classe moyenne basse . l’élite traditionnelle, l’élite des affaires et de grands bureaux, l’élite des nouveaux riches,  l’élite rurale et l´élite des entreprises liées à la classe moyenne sont réactifs aux changements politiques, économiques et sociaux, parce qu’ils auraient des préjugés à cause desquels ils ont tendance à soutenir le candidat d’extrême droite Bolsonaro, alors que la classe moyenne (élite intellectuelle et classe moyenne basse) et la classe sociale inférieure, favorisant les changements politiques, économiques et sociaux, devraient opter pour Ciro Gomes ou Fernando Haddad. En résumé, le peuple brésilien devront choisir entre le maintien du statu quo, avec la victoire des candidats Alckmin ou Bolsonaro qui bénéficierait, en particulier l’élite économique et financière ou le changement politique, économique et sociale qui bénéficierait de la classe moyenne et les classes inférieures avec la victoire du candidat Ciro Gomes et Fernando Haddad.

Jair Bolsonaro, qui est extrême droite, est le candidat préféré de l’élite économique et financière et de l´élite des entreprises liées à la classe moyenne pour devenir président parce qu’il promet de maintenir le modèle économique néolibéral, la privatisation des actifs de l’Etat, réduire les dépenses et d’équilibrer le budget du gouvernement suivant l’orientation déjà adoptée de manière catastrophique par le gouvernement Michel Temer. Bolsonaro est le candidat préféré de la classe moyenne au Brésil dans le but de lutter contre la corruption et assouplir les restrictions sur les armes et donner plus de pouvoir à la police dans la lutte contre la criminalité. Le grand appel que Bolsonaro offre au grand public est lié à sa colère contre les politiciens traditionnels et contre la corruption. Cependant, Bolsonaro ne présente aucun plan économique qui contribue à surmonter la crise économique qui mécontente la grande majorité de la population.

Ciro Gomes, qui est le centre-gauche, a déjà une série de propositions qui, comme on dit, le Brésil célébrera un « projet national de développement. » Pour Ciro Gomes, le projet de développement qu’il défend vise à surmonter la misère. Pour y parvenir, la tactique consiste à industrialiser le pays. Il vise à développer la santé complexe industriel pour faire sortir le pays de la dépendance internationale des médicaments, de l’équipement, des prothèses, de la technologie dans le domaine du diagnostic – dont beaucoup, at-il dit, est de surmonter brevet.. Et enfin, développer le complexe industriel de défense. Ciro Gomes dit qu’il va réduire le taux d’intérêt constamment à un niveau mondial et proposera une modification de la conception du système fiscal avec l’adoption des impôts sur les grandes fortunes. Ciro Gomes propose une stratégie qui contribue à la réduction de la dette publique qui constitue le principal problème économique du Brésil. L’une des premières mesures, a-t-il déclaré, serait d’abroger la loi de FHC qui abrogeait les impôts sur les bénéfices et les dividendes.

Fernando Haddad, qui est de centre-gauche, se concentre sur l’augmentation du crédit pour la production et la consommation afin de réduire le nombre de chômeurs. Parmi les propositions qui Haddad et la direction du PT pour lutter contre la crise sont la création d’un Fonds de développement et de l’emploi, augmentation de 20% dans les valeurs de Bolsa Família et augmentation réelle du salaire minimum, en plus de la correction de la table d’imposition Revenu, avec plafond d’exemption supérieur à celui en vigueur. Bref, Haddad tente de relancer l’économie brésilienne et d’accroître l’offre d’emplois avec investissements publics avec l’utilisation des réserves internationales et l’expansion du crédit pour la production et la consommation. Cependant, Fernando Haddad ne présente aucun plan économique qui contribue à surmonter la crise économique qui infelicita la grande majorité de la population.

Ce sont donc des intérêts de classe en jeu lors des prochaines élections présidentielles. J’espère que mes amis lecteurs de cet article réfléchiront profondément et feront le choix qui répond le mieux aux intérêts de la société brésilienne dans son ensemble et pas seulement d’une classe sociale. L’avenir du Brésil et des générations futures est en jeu.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

CLASS INTERESTS IN PLAY IN THE PRESIDENTIAL ELECTIONS OF BRAZIL

Fernando Alcoforado *

A social class is a group of people who have similar social status according to different criteria. In Brazil, we have as social classes the economic and financial elite, middle class and low social class. The economic and financial elite is a privileged, minority group composed of those with economic power and / or social dominance. It is made up of the traditional elite, the business and the big offices elite, the elite of the new rich and the rural elite. The traditional elite is composed of the descendants of the aristocracy of the past who still have a dense social and intellectual role in the construction of conservative standards and an extremely discreet economic and political role in Brazil. The traditional elite is distinguished by language and posture very different from the new rich. The traditional elite was little affected by the economic and financial crisis that broke out in Brazil in 2014 and is reactive to political, economic and social changes. The traditional elite electorally opts for an enlightened right-wing candidate like Geraldo Alckmin, a candidate who bears the profile of the stable conservative politician who appeals to the traditional elite who may evolve into a far-right candidate like Bolsonaro if he feels threatened by left-wing or center.

The business and the offices elite is comprised of lawyers and executives from outside Brazil, whose careers are up-to-date, connected and connected to the outside world. They work in business management, human resources, marketing, legal departments, financial markets. business, business media, business associations, corporate executives from large Anglo-American and European multinational corporations, professors from expensive and modern schools of business administration, a large community of health professionals whose clientele is the highest class, the people of the world of fashion and events, the fashion space. Totally globalized, for them Brazil is just an investment platform, has no root, respect or admiration for the country, dream of living in New York, Paris or London. The business and big  offices elite were little affected by the economic and financial crisis that broke out in Brazil in 2014 and is reactive to political, economic and social changes. Electorally he is of right center with tendency to vote in Geraldo Alckmin, but that can evolve towards a candidate of extreme right like Bolsonaro.

The elite of the new rich are the new, successful entrepreneurs who use symbols of wealth such as modern homes, motorboats, airplanes, large imported cars, watches and designer pens. The elite of the new rich have been little affected by the economic and financial crisis that broke out in Brazil in 2014 and is reactive to political, economic and social changes. Electorally it has sympathy for the extreme right-wing candidate like Bolsonaro for the security factor, a concern of this group, which considers crime as something to combat simply and without connection with other factors. The rural elite, from the interior of the country, are a great class of agricultural entrepreneurs who have enriched themselves and have great economic and electoral strength. Electorally it is of right-center. In a presidential election the tendency is to vote for a conservative candidate like Geraldo Alckmin, but who can evolve into an extreme right-wing candidate like Bolsonaro. The rural elite are made up of agricultural entrepreneurs who have enriched themselves and have large financial resources. Electorally he is of center right with tendency to vote in Geraldo Alckmin, but that can evolve towards a candidate of extreme right like Bolsonaro.

The middle class possesses a reasonable purchasing power and standard of living and consumption, so as not only to meet their survival needs but also to allow varied forms of leisure and culture, although without reaching consumption standards considered exaggerated of the economic and financial elite. The middle class aspires to move up the socioeconomic scale and is afraid to descend it. It is composed by individuals who have been struggling with all their strength to achieve a better socioeconomic position. 53% of Brazil’s population is part of the so-called middle class. It is made up by ntellectual elite, corporate elite and lower middle class. The intellectual elite concerns a group of considerable size linked to the academic world, universities, the arts, literature, the media, science and pure research and state-owned enterprises. It has generally left bias, pessimistic view of the country’s directions and of overcoming its social fissures. This group was orphaned by the fall of the PT Government and is in search of new names and projects. The intellectual elite is against current economic policy and the neoliberal model of government and yearns for major political and social reforms. The candidates of the intellectual elite are Ciro Gomes, Marina Silva or Fernando Haddad.

The elite of corporations linked to the middle class are members of the Federal Police, the Federal Revenue Service, the MPF (Federal Prosecutors), the Federal Judiciary, the Federal Court of Audit, the Federal Attorney General’s Office and the Public Defender’s Office due to the empowerment born of the “moralist crusade against corruption” and its political alliance with the mass media that consider themselves to be pure representatives of the state. Electorally, corporate elite tend to vote in Bolsonaro for its proposal to fight corruption, a concern of this group, which considers this crime as something to combat simply and without connection with other factors. The lower middle class concerns a middle class group of individuals who do not yet have the required status so they can be classified as middle class. The lower middle class was deeply affected by the economic and financial crisis that broke out in Brazil in 2014 and is favorable to political, economic and social changes. The lower middle class tends to vote for Fernando Haddad in the expectation that he will adopt PT (Workers Party) social policies that benefit him.

Low social class has been conventionally treated as having the least purchasing power, as well as having a low standard of living and consumption relative to other social classes. The low social class, constituted by the urban and rural proletariat, was deeply affected by the economic and financial crisis that broke out in Brazil in 2014 and is favorable to political, economic and social changes. The lower social class is against the current economic policy of the government and yearns for major political and social reforms. The candidates of the lower social class are Fernando Haddad and Ciro Gomes.

It is perceived that the interests of the economic and financial elite are contradictory with the of the middle-class intellectual elite and those of the lower middle class.. The traditional, of the business and the big offices elite, the elite of the new rich and the rural elite, and the middle-class corporate elites are reactive to economic, political, and social changes because they would be hindered by them, which tend to support the far-right Bolsonaro , while the middle class (intellectual elite and lower middle class) and low social class, favoring political, economic and social changes, should choose Ciro Gomes or Fernando Haddad. In short, the Brazilian people will have to choose between maintaining the status quo, with the victory of the candidates Alckmin or Bolsonaro, who would benefit it, especially the economic and financial elite, or the political, economic and social change that would benefit the middle class and low social class with the victory of the candidates Ciro Gomes or Fernando Haddad.

Jair Bolsonaro, who is a far right, is the preferred candidate of the economic and financial elite and the elite of corporations linked to the middle class to become president of the Republic because he promises to maintain the neoliberal economic model, privatize state assets, cut government spending, and balance the government budget by following the orientation already adopted catastrophically by the government Michel Temer. Bolsonaro is the preferred candidate of middle-class sectors in Brazil for the purpose of fighting against corruption and loosening the restrictions on firearms and giving more power to the police in the fight against crime. The great appeal that Bolsonaro offers to the general public is related to his anger against traditional politicians and against corruption. However, Bolsonaro does not present any economic plan that contributes to overcoming the economic crisis that unhappy the vast majority of the population.

Ciro Gomes, who is center-left, already has a set of proposals with which, as he says, Brazil will celebrate a “national development project”. For Ciro Gomes, the development project he defends aims to overcome misery. To reach it, the tactic is to industrialize the country. He proposes to develop the industrial complex of health to remove the country from international dependence on drugs, equipment, prostheses, diagnostic technology – many of which, he said, with patent expired. And finally, develop the defense industrial complex. Ciro Gomes affirms that he will reduce the interest rate constantly to a global level and that he will propose a project of change in the tax system with the adoption of taxes on large fortunes. Ciro Gomes proposes a strategy that contributes to the reduction of the public debt that is the main economic problem faced by Brazil. One of the first measures, he said, would be to repeal FHC’s law that repealed taxation on profits and dividends.

Fernando Haddad, who is a center-left, focuses on increasing credit for production and consumption in order to reduce the number of unemployed. Among the proposals that Haddad and the PT summit advocate to confront the crisis are the creation of a Development and Employment Fund, a 20% increase in Bolsa Família and a real increase in the minimum wage, as well as correction of the Income Tax table, with ceiling of exemption superior to the current one. In short, Haddad would try to reactivate the Brazilian economy and increase the supply of jobs with public investment through the use of international reserves and the expansion of credit for production and consumption. However, Fernando Haddad does not present any economic plan that contributes to overcoming the economic crisis that unhappy the vast majority of the population.

These are, therefore, class interests at stake in the upcoming presidential elections. I hope that my fellow readers of this article will reflect deeply and make the choice that best meets the interests of Brazilian society as a whole and not just a social class. The future of Brazil and future generations are at stake.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

NACIONAL DESENVOLVIMENTISMO É A RESPOSTA AO FRACASSO DA GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL NO MUNDO E NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Dois acontecimentos nos últimos tempos demonstram o avanço do nacionalismo no mundo em resposta ao fracasso da globalização neoliberal. O primeiro diz respeito à fragmentação ou desmantelamento da União Europeia e, o segundo, está relacionado com a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O Brexit que levou ao afastamento do Reino Unido da União Europeia e o discurso de posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos são a expressão do fracasso da globalização neoliberal no mundo e do avanço do nacionalismo. Os fatos da realidade demonstram que são poucos os que ganham com a globalização neoliberal, entre os quais, estão o sistema financeiro globalizado que aufere lucros astronômicos graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global e poucos países periféricos como China, Índia, Coreia do Sul e outros países asiáticos, que conseguem atrair investimentos estrangeiros graças à mão de obra barata e legislação nacional favorável, e a Alemanha. Em contrapartida, perdem com a globalização neoliberal os países capitalistas centrais (Estados Unidos e Reino Unido) e países capitalistas periféricos como o Brasil que enfrentam problemas de desindustrialização, aumento do desemprego, estagnação econômica e endividamento público crescente.

A União Europeia está ameaçada de fragmentação ou desmantelamento que resulta do fato de conviver com desequilíbrios estruturais internos com países ricos com excedentes e os demais com déficites crônicos. Um dos problemas que pesam negativamente na evolução da crise europeia é a de que há excesso de liquidez em partes da zona euro, e falta em outras. A fragmentação da União Europeia deverá se intensificar, econômica e financeiramente com a interrupção dos fluxos transnacionais de bens, serviços e capitais com grandes descompassos entre moedas que poderão causar calotes múltiplos entre os países integrantes da União Europeia. A consequência disso tudo é o aumento do desemprego e das tensões sociais que se intensificam em toda a União Europeia. Os membros mais vulneráveis da zona do Euro (Grécia, Itália, Espanha e Portugal) já veem enfrentando há algum tempo o risco de rupturas econômicas e financeiras que poderão fomentar agitação social e disfunção política que poderão levá-los a se afastar da União Europeia. Um exemplo desse fenômeno é a Catalunha, uma das mais importantes regiões autônomas da Espanha, que responde por um quinto da economia nacional, onde o sentimento independentista, já poderoso, agora é turbinado pela sensação de que a Espanha está falindo.

A falta de resposta para a crise econômica gerada pela globalização neoliberal coloca em xeque a legitimidade da União Europeia que está ameaçada de fragmentação. E o mais grave é que não há um plano para superar a crise. Depois de 50 anos de unificação, a Europa corre o risco de assistir a um processo inverso: o de sua fragmentação. Não bastasse a crise da zona do euro, que ameaça dividir o bloco entre os países que souberam administrar suas finanças e os que fracassaram na adoção da moeda única (o Euro), agora os nacionalismos regionais ganham novo impulso em razão da crise econômica. Enquanto isto, nas sociedades no sul da Europa não se vislumbra nem de longe a saída da crise, e sim mais recessão e desemprego. O que ocorre na Grécia, em Portugal e na Espanha não pode ser explicado sem esta crise econômica e financeira profunda que atinge o sistema capitalista mundial e a União Europeia que impõe imenso sacrifício a seus povos para salvar os bancos da bancarrota com a adoção da política de austeridade adotada pelos países dela integrantes. A desesperança das populações da União Europeia e a excessiva tensão social nela existente podem levar ao fim da União Europeia e ameaçar a ordem político-institucional vigente em cada um dos países da região.

Donald Trump deixou evidenciada sua repulsa à globalização neoliberal em seu discurso nacionalista de posse na Casa Branca quando afirmou que por muitas décadas os Estados Unidos enriqueceram a indústria estrangeira em detrimento da indústria americana, tornaram outros países ricos, enquanto a riqueza, força e confiança de seu país se dissipavam no horizonte, que “uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram nosso território, sem nunca pensar nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que foram abandonados. A riqueza de nossa classe média foi tirada de seus lares e então redistribuída por todo o mundo”. O nacionalismo de Trump fica marcado em seu discurso ao afirmar que deste dia em diante, será apenas a América em primeiro lugar, a América em primeiro lugar” e que protegerá os Estados Unidos da devastação causada pelos países que roubam suas empresas e destroem seus empregos e que “traremos nossos empregos de volta. Traremos de volta nossa riqueza”. Trump afirmou que seguirá duas regras simples: comprar produtos americanos e contratar americanos. Haverá avanço do protecionismo nos Estados Unidos a ser adotado pelo governo Trump com o objetivo de defender as empresas e os empregos norte-americanos que fará com que o mesmo ocorra, também, no mundo como contrapartida. A deportação em massa de imigrantes deverá ocorrer especialmente de hispânicos que vivem ilegalmente nos Estados Unidos para que Trump assegure os empregos para os trabalhadores norte-americanos.

No Brasil o modelo econômico neoliberal implantado em 1990 é o grande responsável por levá-lo à bancarrota econômica e à devastação social na atualidade. A prática vem demonstrando a inviabilidade do modelo econômico neoliberal no Brasil inaugurado pelo presidente Fernando Collor em 1990 e mantido pelos presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef e Michel Temer. A recessão econômica atual, a acentuada desindustrialização do País, a insolvência da União, Estados e Municípios, a elevação desmesurada da dívida pública federal, a falência generalizada de empresas e o desemprego em massa demonstram a inviabilidade do modelo neoliberal implantado no País.

O modelo econômico neoliberal deveria ser substituído no Brasil pelo modelo econômico nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia brasileira que deveria contemplar a adoção de uma política econômica que priorize de imediato: 1) a redução acentuada das taxas de juros para incentivar os investimentos nas atividades produtivas; e, 2) a retomada do desenvolvimento investindo R$ 2 trilhões em infraestrutura econômica (portos-R$ 42,9 bilhões, ferrovias- R$ 130,8 bilhões, rodovias – R$ 811,7 bilhões, hidrovias e portos fluviais – R$ 10,9 bilhões, aeroportos – R$ 9,3 bilhões, setor elétrico – R$ 293,9 bilhões, petróleo e gás – R$ 75,3 bilhões, saneamento básico – R$ 270 bilhões e telecomunicações – R$ 19,7 bilhões) e social (setor de saúde – R$ 83 bilhões/ano, o setor de educação – R$ 16,9 bilhões/ano e o setor de habitação popular – R$ 160 bilhões) através de parceria público- privada.

Só assim será possível fazer o Brasil crescer economicamente a taxas elevadas e eliminar a subutilização da força de trabalho que atinge o nível recorde de 27,7 milhões de trabalhadores, segundo a pesquisa PNAD do IBGE. No artigo de Nicola Pamplona publicado na Folha de S. Paulo em 17/5/2018, sob o título Falta trabalho para 27,7 milhões de pessoas, diz IBGE, disponível no website <https://www1-folha-uol-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2018/05/falta-trabalho-para-277-milhoes-de-pessoas-diz-ibge.shtml>, consta a informação de que a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui os desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais e aqueles que desistiram de buscar emprego, bateu recorde no primeiro trimestre, chegando a 24,7%. Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas nessas condições, o maior contingente desde o início da série histórica, em 2012. Destes, 13,7 milhões procuraram emprego, mas, não encontraram. O restante são subocupados por insuficiência de horas trabalhadas, pessoas que gostariam de trabalhar, mas, não procuraram emprego ou desistiram de procurar emprego.

A história econômica do Brasil mostra que, toda vez que alcançamos expressivo desenvolvimento socioeconômico, o estado nacional foi o grande protagonista como ocorreu com o nacional desenvolvimentismo da Era Vargas e durante os governos de Juscelino Kubitschek e dos governos militares pós 1964. Quando se trata de investimentos produtivos, os agentes econômicos privados não parecem se animar com os períodos nos quais a hegemonia na política econômica é neoliberal como ocorre atualmente, pois esses momentos (como ocorreu na década de 1990 e está acontecendo hoje) são marcados por baixíssimos níveis de investimento privado. Entre os maiores desastres nos cortes de investimento que os políticos liberais costumam fazer, quando têm a hegemonia política no Brasil, encontram-se os da área de Ciência e Tecnologia. Aqui, historicamente, inovações tecnológicas ocorrem quando há o envolvimento de instituições públicas. O fato é que em nenhum momento alcançamos inovação tecnológica no Brasil sem significativos investimentos públicos. Mais uma vez, o neoliberalismo nos condena ao atraso.

Diante dos fatos expostos, urge a adoção do modelo econômico nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia brasileira que permitiria fazer com que o Brasil assumisse os rumos de seu destino, ao contrário do modelo neoliberal que faz com que o futuro do País seja ditado pelas forças do mercado todas elas comprometidas com o capital internacional. O fracasso do neoliberalismo no Brasil e no mundo não recomenda a eleição de candidatos à Presidência da República e de parlamentares que insistem em manter o modelo econômico neoliberal que contribuiu para o desastre econômico e social em que se debate a nação brasileira. Os candidatos com programas neoliberais devem ser repelidos pelos verdadeiros patriotas brasileiros.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

DÉVELOPPEMENT NATIONAL EST LA REPONSE A L’ÉCHEC DE LA MONDIALISATION NÉOLIBERALE DANS LE MONDE ET AU BRESIL

Fernando Alcoforado *

Deux événements récents ont montré l’avancée du nationalisme dans le monde en réponse à l’échec de la mondialisation néolibérale. Le premier concerne la fragmentation de l’Union européenne et le second concerne l’élection de Donald Trump à la présidence des États-Unis. Le Brexit qui a conduit au retrait du Royaume-Uni de l’Union européenne et le discours inaugural du Donald Trump à la présidence des États-Unis sont l’expression de l’échec de la mondialisation néolibérale dans le monde et la promotion du nationalisme. La réalité des faits montre qu’il ya peu qui gagnent de la mondialisation néolibérale, parmi lesquels le système financier mondial qui fait des profits astronomiques grâce à l’absence de régulation économique et financière mondiale et quelques pays périphériques comme la Chine, l’Inde, la Corée du Sud et d’autres pays asiatiques, capables d’attirer des investissements étrangers grâce à une main-d’œuvre bon marché et à une législation nationale favorable, et  l’Allemagne. D’autre part, perdu avec la mondialisation néolibérale les pays capitalistes centraux (États-Unis et Royaume-Uni) et les pays capitalistes périphériques comme le Brésil face à des problèmes de désindustrialisation, la hausse du chômage, la stagnation économique et la croissance de la dette publique.

L’Union européenne est menacée par la fragmentation résultant du fait de vivre avec des déséquilibres structurels nationaux avec excédents dans les pays riches et déficits chroniques dans autres pays. L’un des problèmes qui pèsent négativement sur le développement de la crise européenne est qu’il ya un excès de liquidité dans certaines parties de la zone euro et il y a un manque dans d’autres. La fragmentation de l’Union européenne devrait intensifier, sur le plan économique et financier à l’interruption des flux transfrontaliers de biens, des services et des capitaux avec d’importants déséquilibres entre les monnaies peut causer plusieurs défauts entre les pays membres de l’Union européenne. La conséquence est une augmentation du chômage et des tensions sociales qui s’intensifient dans toute l’Union européenne. Les membres les plus vulnérables de la zone euro (Grèce, Italie, Espagne et Portugal) voient déjà face depuis un certain temps le risque de perturbations économiques et financières qui peuvent provoquer des troubles sociaux et le dysfonctionnement politique qui peut les amener à se éloigner de l’Union européenne. Un exemple de ce phénomène est la Catalogne, l’une des plus importantes régions autonomes de l’Espagne, qui représente un cinquième de l’économie nationale, où le sentiment séparatiste, déjà puissant, il est maintenant alimenté par le sentiment que l’Espagne échoue.

L’absence de réponse à la crise économique provoquée par la mondialisation néolibérale remet en question la légitimité de l’Union européenne qui est menacée de fragmentation. Et le plus grave est qu’il n’y a pas de plan pour surmonter la crise. Après 50 ans d’unification, l’Europe court le risque d’un processus inverse: celui de sa fragmentation. Non seulement la crise de la zone euro, qui menace de diviser le bloc parmi les pays qui ont été en mesure de gérer leurs finances et ceux qui ont échoué à l’adoption de la monnaie unique (l’Euro), maintenant les nationalismes régionaux ont acquis un nouvel élan en raison de la crise économique. Dans le même temps, dans les sociétés d’Europe du Sud, la sortie de crise n’est pas au rendez-vous, mais plus de récession et de chômage. Ce qui se passe en Grèce, le Portugal et l’Espagne ne peut pas être expliqué sans cette crise économique et financière profonde dans le système capitaliste mondial et l’Union européenne qui impose un immense sacrifice à leur peuple pour sauver les banques de la faillite avec l’adoption de la politique d’austérité adopté par les pays membres. Le désespoir des populations de l’Union européenne et des tensions sociales excessives existant, il peut conduire à la fin de l’Union européenne et de menacer l’ordre politique et institutionnel actuel dans chacun des pays de la région.

Donald Trump mis en évidence sa révulsion à la mondialisation néolibérale dans son discours nationaliste d’investiture à la Maison Blanche quand il a dit que depuis des décennies aux États-Unis a enrichi l’industrie étrangère au détriment de l’industrie américaine, ont rendu d’autres pays riches, tandis que la richesse, la force et la confiance de leur pays se sont dissipées à l’horizon,, que “un par un, les usines ont fermé et quitté notre territoire, sans jamais penser aux millions et aux millions de travailleurs américains qui ont été abandonnés. La richesse de notre classe moyenne a été extraite de leurs maisons et ensuite redistribuée dans le monde entier”. Le nationalisme Trump est marqué dans son discours en déclarant que « de ce jour, pour être l’Amérique d’abord l’Amérique d’abord » et qui protégera les États-Unis de la dévastation causée par les pays qui volent leurs entreprises et leur détruisent emplois et que “nous allons ramener nos emplois. Nous allons ramener nos richesses. « Trump a déclaré qu’il suivrait deux règles simples: acheter des produits américains et engager des américains ». Il y aura l’avance du protectionnisme aux États-Unis à adopter par le gouvernement Trump pour défendre les entreprises et les emplois américains qui y arriver, aussi, dans le monde en retour. La déportation massive d’immigrants devrait se produire en particulier les Hispaniques vivant illégalement aux États-Unis pour Trump assurer des emplois pour les travailleurs américains.

Au Brésil, le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 est à l’origine de la faillite économique et de la destruction sociale. La pratique a démontré l’impossibilité du modèle économique néolibéral au Brésil inauguré par le président Fernando Collor en 1990 et maintenu par présidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff et Michel Temer. La récession économique actuelle, la forte désindustrialisation du pays, l’insolvabilité de l’Union, les États et les municipalités, l’augmentation disproportionnée de la dette fédérale, les entreprises en  la faillite généralisée et le chômage démontre l’impossibilité du modèle néolibéral mis en œuvre dans le pays.

Le modèle économique néolibéral devrait être remplacé au Brésil par le modèle économique national de développement avec ouverture sélective de l’économie brésilienne, qui devrait inclure l’adoption d’une politique économique qui accorde la priorité immédiatement: 1) une forte réduction des taux d’intérêt pour encourager les investissements dans des activités productives ; et 2) la reprise du développement en investissant R$ 2 billions dans les infrastructures économiques (ports-R$ 42,9 milliards, chemins de fer- R$ 130,8 milliards, routes – R$ 811,7 milliards, les voies navigables et les ports fluviaux – R$ 10,9 milliards, aéroports – R$ 9,3 milliards, secteur de l’énergie – R$ 293,9 milliards, le pétrole et le gaz – R$ 75,3 milliards, l’assainissement – R$ 270 milliards et des télécommunications – R$ 19, 7 milliards) et social (secteur de la santé – R$ 83 milliards / an, le secteur de l’éducation – R$ 16,9 milliards / an et le secteur public du logement – R$ 160 milliards) grâce à un partenariat public-privé.

Juste donc le Brésil pourra-t-il se développer économiquement à des taux élevés et éliminer la sous-utilisation de la force de travail qui atteint le niveau record de 27,7 millions de travailleurs, selon le PNAD de l’enquête. Nicola Pampelune article publié dans la Folha de S. Paulo 17/05/2018, sous la rubrique Falta trabalho para 27,7 milhões de pessoas, segundo IBGE (27,7 millions de personnes manquent de travail, selon IBGE), disponible sur le site <https://www1-folha-uol-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2018/05/falta-trabalho-para-277-milhoes-de-pessoas-diz-ibge.shtml&gt; , contient les informations que le taux sous-utilisation de la force du travail, qui comprend les chômeurs, les personnes qui souhaitent travailler plus et ceux qui ont renoncé à la recherche d’emplois, a établi un record au premier trimestre, pour atteindre 24.7%. Au total, 27,7 millions de ces personnes, le nombre le plus élevé depuis le début de la série en 2012. Parmi ceux-ci, 13,7 millions ont cherché un emploi, mais n’ont pas trouvé. Les autres sont sous-employés à cause du nombre insuffisant d’heures travaillées, des personnes qui aimeraient travailler mais qui ne cherchent pas d’emploi ou ne cherchent pas d’emploi.

L’histoire économique du Brésil montre que chaque fois que nous avons réalisé d’importants développement socio-économique, l’État national a été le grand protagoniste avec le développementalisme national de Vargas et pendant le gouvernement de Juscelino Kubitschek et le poste 1964 gouvernements militaires. En matière de des investissements productifs, les agents économiques privés ne semblent pas laper les périodes où l’hégémonie dans la politique économique néolibérale est comme cela se produit actuellement parce que ces moments (comme cela est arrivé dans les années 1990 et qui se passe aujourd’hui) sont marquées par des niveaux très bas de l’investissement privé . Parmi les désastres les plus importants dans les réductions d’investissement que les politiciens libéraux font habituellement, quand ils ont une hégémonie politique au Brésil, il y en a dans le domaine de la science et de la technologie. Ici, historiquement, les innovations technologiques se produisent lorsque les institutions publiques sont impliquées. Le fait est que nous n’avons jamais réalisé d’innovation technologique au Brésil sans des investissements publics importants. Encore une fois, le néolibéralisme nous condamne au retard.

Avant les faits exposés, il est urgent d’adopter le modèle du développement économique national avec l’ouverture sélective de l’économie brésilienne qui provoquerait le Brésil a pris la direction de leur destination, contrairement au modèle néolibéral qui rend l’avenir du pays dicté par toutes les forces du marché engagées dans le capital international. L’échec du néolibéralisme dans le monde et au Brésil  ne recommande pas des candidats à l’élection présidentielle et au parlément qui insistent sur le maintien du modèle économique néolibéral qui a contribué à la catastrophe économique et sociale que souffre la nation brésilienne. Les candidats aux programmes néolibéraux doivent être repoussés par les vrais patriotes brésiliens.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

NATIONAL DEVELOPMENT IS THE ANSWER TO THE FAILURE OF NEOLIBERAL GLOBALIZATION IN THE WORLD AND BRAZIL

Fernando Alcoforado*

Two events in recent times demonstrate the advance of nationalism in the world in response to the failure of neoliberal globalization. The first concerns the fragmentation of the European Union, and the second concerns the election of Donald Trump to the United States Presidency. The Brexit that led to the removal of the United Kingdom from the European Union and Donald Trump’s inauguration speech in the United States presidency are the expression of the failure of neoliberal globalization in the world and the advance of nationalism. The facts of reality demonstrate that few win with neoliberal globalization, among which are the globalized financial system that gains astronomical profits thanks to the absence of global economic and financial regulation and few peripheral countries such as China, India, South Korea and other Asian countries, which are able to attract foreign investment thanks to cheap labor and favorable domestic legislation, and Germany. On the other hand, they lose with neoliberal globalization the central capitalist countries (United States and United Kingdom) and peripheral capitalist countries like Brazil that face problems of deindustrialization, increase of unemployment, economic stagnation and increasing public indebtedness.

The European Union is threatened with fragmentation as a result of living with internal structural imbalances with surpluses in rich countries and chronic shortages in other countries. One of the problems that have a negative impact on the evolution of the European crisis is that there is excess liquidity in parts of the euro area, and there is a lack in others. The fragmentation of the European Union should intensify, economically and financially, with the interruption of the transnational flows of goods, services and capital with large mismatches between currencies that could cause multiple deficits among the countries that are part of the European Union. The consequence is an increase in unemployment and social tensions that are intensifying throughout the European Union. The most vulnerable members of the Eurozone (Greece, Italy, Spain and Portugal) have for some time been facing the risk of economic and financial disruptions that could lead to social unrest and political dysfunction that may lead them to withdraw from the European Union. An example of this phenomenon is Catalonia, one of the most important autonomous regions of Spain, which accounts for a fifth of the national economy, where the feeling of independence, now powerful, is now buoyed by the feeling that Spain is failing.

The lack of response to the economic crisis generated by neoliberal globalization calls into question the legitimacy of the European Union that is threatened with fragmentation. And the most serious is that there is no plan to overcome the crisis. After 50 years of unification, Europe runs the risk of a reverse process: that of its fragmentation. The crisis in the eurozone, which threatens to divide the bloc between countries that have managed to manage their finances and those who have failed to adopt the single currency (the Euro), is now not enough, regional nationalisms are gaining momentum as a result of the economic crisis. Meanwhile, in societies in southern Europe the exit from the crisis is nowhere near a glimpse, but more recession and unemployment. What happens in Greece, Portugal and Spain cannot be explained without this deep economic and financial crisis affecting the capitalist world system and the European Union that imposes immense sacrifice on its peoples to save banks from bankruptcy with the adoption of politics of austerity adopted by the member countries. The hopelessness of the people of the European Union and the excessive social tension existing in it can lead to the end of the European Union and threaten the political and institutional order in force in each of the countries of the region.

Donald Trump made evident his repulsion to neoliberal globalization in his White House nationalist speech when he stated that for many decades the United States enriched foreign industry to the detriment of American industry, made other countries rich, while the wealth, strength, and confidence of his country was dissipating on the horizon, that “one by one, factories closed and left our territory, never thinking of the millions and millions of American workers who were abandoned. The wealth of our middle class was taken from their homes and then redistributed all over the world. ” Trump’s nationalism is marked in his speech by stating that “from this day on, it will be only America first, America first” and that it will protect the United States from the devastation caused by countries that steal their businesses and destroy their jobs and that “we will bring our jobs back. We will bring back our wealth. ” Trump said he will follow two simple rules: buying american products and hiring americans. There will be progress in protectionism in the United States to be adopted by the Trump government with the aim of defending American companies and jobs that will cause the same to occur in the world as a counterpart. The mass deportation of immigrants is expected to occur especially among Hispanics who live illegally in the United States for Trump to secure jobs for US workers.

In Brazil, the neoliberal economic model implemented in 1990 is responsible for leading to economic bankruptcy and social devastation today. The practice has demonstrated the unfeasibility of the neoliberal economic model in Brazil inaugurated by President Fernando Collor in 1990 and maintained by Presidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Roussef and Michel Temer. The current economic recession, the marked deindustrialization of the country, the insolvency of the Union, states and municipalities, the excessive increase of the federal public debt, widespread bankruptcy of companies and mass unemployment demonstrate the unfeasibility of the neoliberal model implanted in the country.

The neoliberal economic model should be replaced in Brazil by the national economic development model of selective opening of the Brazilian economy that should contemplate the adoption of an economic policy that immediately prioritize: 1) the sharp reduction of interest rates to encourage investments in productive activities ; and 2) the resumption of development by investing R$ 2 trillion in economic infrastructure (ports – R$ 42.9 billion, railways – R$ 130.8 billion, highways – R$ 811.7 billion, waterways and river ports – R$ 10.9 billion, airports – R$ 9.3 billion, electric sector – R$ 293.9 billion, oil and gas – R$ 75.3 billion, basic sanitation – R$ 270 billion and telecommunications – R$ 19, 7 billion) and social (health sector – R$ 83 billion / year, education sector – R$ 16.9 billion / year and the popular housing sector – R$ 160 billion) through a public-private partnership.

Only in this way will it be possible to make Brazil grow economically at high rates and eliminate the underutilization of the workforce that reaches the record level of 27.7 million workers, according to the IBGE PNAD survey. Nicola Pamplona published article in Folha de S. Paulo on 5/17/2018, under the title Falta de trabalho para 27,7 milhões de pessoas, diz o IBGE (Missing work for 27.7 million people, says IBGE), available on the website <https://www1-folha-uol-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2018/05/falta-trabalho-para-277-milhoes-de-pessoas-diz-ibge.shtml>, that inform the under-utilization rate of the workforce, which includes the unemployed, people who would like to work more, and those who gave up looking for work, hit a record in the first quarter, reaching 24.7 percent. In all, there are 27.7 million people in these conditions, the largest contingent since the beginning of the historical series in 2012. Of these, 13.7 million have sought employment, but have not found. The rest are underemployed because of insufficient hours worked, people who would like to work, but did not seek employment or gave up looking for work.

The economic history of Brazil shows that, whenever we reach expressive socioeconomic development, the national state was the main protagonist as occurred with the national developmentalism of the Vargas Era and during the governments of Juscelino Kubitschek and the military governments after 1964. When it comes to productive investments, private economic agents do not seem to be encouraged by the periods in which hegemony in economic policy is neoliberal as it is today, since these moments (as occurred in the 1990s and are happening today) are marked by very low levels of private investment . Among the biggest disasters in the investment cuts that liberal politicians usually do, when they have political hegemony in Brazil, there are those in the area of Science and Technology. Here, historically, technological innovations occur when there is the involvement of public institutions. The fact is that at no time did we achieve technological innovation in Brazil without significant public investments. Again, neoliberalism condemns us to backwardness.

In view of the above, it is urgent to adopt the national economic model of development of selective opening of the Brazilian economy that would allow Brazil to assume the direction of its destiny, unlike the neoliberal model that makes the future of the country dictated by the forces of the market all of them committed to international capital. The failure of neoliberalism in Brazil and in the world does not recommend the election of candidates for the Presidency of the Republic and of parliamentarians who insist on maintaining the neoliberal economic model that contributed to the economic and social disaster in which the Brazilian nation is suffering. The candidates with neoliberal programs must be repelled by the true Brazilian patriots.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

A ESCALADA DO FASCISMO NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Em sua escalada, o fascismo no Brasil deve passar por quatro estágios. No primeiro estágio já cumprido, os fascistas se reuniram a partir da grande mobilização social de junho de 2013 para lutar pela construção de uma nova ordem política, econômica e social em substituição à falida ordem política, econômica e social atual. Os adeptos do fascismo consideram que a causa dos males atuais do Brasil está relacionada com a corrupção e o uso do Estado por partidos de tendência comunista.  Os fascistas buscam a purificação da sociedade brasileira das influências tóxicas de partidos e lideranças políticas, sobretudo aquelas ligadas ao PT e seus aliados, os quais seriam culpados pela situação lamentável em que vive a nação brasileira.   Da mesma forma que o fascismo antigo na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini, a razão é rejeitada em favor da emoção passional. Em um segundo estágio ainda em andamento, os movimentos fascistas estão criando raízes. O sucesso do fascismo resulta da fraqueza do estado liberal que, incapaz de solucionar os problemas do País, condena a nação à desordem, declínio econômico e moral e à falta de consenso político como ocorre atualmente no Brasil.

O avanço do fascismo no Brasil resulta do fato de a organização econômica, social e política se encontrar em completa desintegração. A incapacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecer respostas eficazes para superação da crise econômica recessiva em que se debate a nação brasileira e debelar a corrupção desenfreada em todos os poderes da República na atualidade está contribuindo para o avanço do fascismo como solução para os problemas do Brasil. O sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, que acompanhou os terríveis anos nazistas de Berlim, escreveu em 1985 um livro chamado A Lei e a Ordem (Editora Instituto Liberal, 1997), quando afirmou que a anarquia, definida como ausência generalizada de respeito às normas sociais, costuma anteceder os regimes totalitários. Não há como dissociar esta situação descrita por Dahrendorf do grave momento atual do Brasil onde a impunidade é crescente e os valores básicos da civilização estão completamente enfraquecidos.

No terceiro estágio de escalada do fascismo no Brasil, é realizada aliança entre a elite conservadora e os fascistas quando começa a transição para um governo abertamente fascista. No Brasil, esta aliança já está se consumando com o apoio da elite conservadora ao candidato Bolsonaro à Presidência da República que tem uma proposta de governo tipicamente fascista.  O seu discurso é baseado no culto explícito da ordem, na violência de Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. O perigo Bolsonaro está na opressão, no machismo, na homofobia, no racismo, no ódio aos pobres. A História nos diz que uma vez que essa aliança entre a elite conservadora e os fascistas é formada e tem sucesso em busca do poder, não há mais como pará-la. A aliança entre a elite conservadora e os fascistas pode destruir os últimos vestígios de um governo democrático no Brasil.

Geraldo Alckmin é o candidato preferido da elite conservadora para se tornar presidente da República nas eleições de outubro porque ele promete manter o modelo econômico neoliberal, privatizar ativos do Estado, cortar gastos e equilibrar o orçamento do governo. Sua equipe econômica é altamente respeitada e ele tem apoio político suficiente para aprovar reformas no Congresso. No entanto, ele está em quarto ou quinto lugar nas pesquisas e é improvável que passe do primeiro turno das eleições, em 7 de outubro. Sobra para os banqueiros Jair Bolsonaro como a opção mais viável contra os partidos de esquerda. Os presidentes e executivos dos principais bancos do Brasil dizem estar confortáveis com a escolha do principal conselheiro de Bolsonaro, Paulo Guedes, um defensor do Estado pequeno, da livre iniciativa e da reforma da Previdência Social.

Desde que trouxe Guedes para sua campanha, Bolsonaro tem mostrado entusiasmo com a ideia de vender todas as propriedades do Estado, defender a independência do Banco Central e buscar a aprovação das reformas apoiadas pelo setor bancário. Bolsonaro ganhou grande apoio no Brasil dizendo que na Presidência da República afrouxaria as restrições às armas de fogo e daria mais poder à polícia. As autoridades deveriam ter armas mais letais, de acordo com Bolsonaro, que defende que aqueles que matam criminosos devem receber medalhas e não irem a julgamento. O grande apelo que o Bolsonaro tem junto ao público em geral está relacionado à raiva contra os políticos tradicionais e contra a corrupção. As pesquisas mostram que ele é apoiado principalmente por homens da classe média e alta.

No estágio quatro de escalada do fascismo no Brasil, a elite conservadora e os fascistas assumiriam o controle completo do país com a vitória de Bolsonaro nas eleições de outubro. Da mesma forma que Hitler e Mussolini, Bolsonaro poderá ascender ao poder no Brasil pelo voto popular com o apoio da elite conservadora e de amplos segmentos da população.  Ao assumir o poder, Hitler e Mussolini se mantiveram nos limites da legalidade, mas permitiram ilegalidades fora dela. Ambos foram capazes de obter o apoio estratégico da elite conservadora e de amplos segmentos da população temerosos das forças de esquerda. A elite conservadora pensava que Hitler e Mussolini seriam capazes de manter sob seu controle os mais exaltados extremistas de direita ao seu redor.  As velhas oligarquias alemãs e italianas pensaram que seria possível usar Hitler e Mussolini para controlar os radicais vermelhos, transformá-los em figuras decorativas e o antigo establishment governaria na sombra, como sempre havia feito. Não contaram com a possibilidade de o dono da popularidade (Hitler e Mussolini) resolver assumir o controle do poder por conta própria. Os poucos jornais independentes que restavam foram amordaçados por uma série de restrições à imprensa. O caminho estava livre para a ditadura nazista na Alemanha e fascista na Itália.

A história tem comprovado que, do confronto entre as forças de esquerda e de direita sempre resulta em ditaduras de direita ou de esquerda. Na Rússia czarista em 1917, na China em 1949 e em Cuba em 1959, este confronto resultou na implantação de ditaduras de esquerda. Deste confronto entre as forças de esquerda e de direita na Itália e na Alemanha, após a 1ª Guerra Mundial, resultaram as ditaduras de direita fascista e nazista. Na Espanha em 1936 resultou a ditadura franquista de direita e no Chile em 1973 resultou a ditadura de direita de Pinochet. No Brasil, após a denominada Intentona Comunista em 1935, Getúlio Vargas deu um autogolpe em 1937 com a implantação da ditadura do Estado Novo de direita e o governo João Goulart foi derrubado em 1964 que resultou na ditadura militar de direita que teve duração de 21 anos. A escalada do fascismo já é um fato concreto, disseminado, enraizado e poderá se tornar irreversível no Brasil no momento atual. A única forma de evitar a escalada do fascismo e a implantação de uma ditadura de direita no Brasil é a formação de uma frente ampla antifascista com o apoio ao candidato mais capacitado a derrotar nas próximas eleições presidenciais e parlamentares as forças fascistas que apoiam Bolsonaro.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

L’ASCENSION DU FASCISME AU BRESIL

Fernando Alcoforado *

Dans son escalade, le fascisme au Brésil doit passer par quatre étapes. Dans la première étape déjà servi, les fascistes se sont réunis de la grande mobilisation sociale Juin 2013 pour se battre pour la construction d’une nouvelle politique, économique et l’ordre social pour remplacer le faillite politique, économique et sociale actuelle. Les partisans du fascisme considèrent que la cause des maux actuels du Brésil est liée à la corruption et à l’utilisation de l’État par des partis à tendance communiste. Fascistes cherchent la purification de la société brésilienne des influences toxiques des partis politiques et les dirigeants, en particulier ceux liés au PT  (Parti ouvrier) et ses alliés, qui serait blâmé la situation malheureuse face à la nation brésilienne. Comme le vieux fascisme d’Hitler en Allemagne et celui de Mussolini en Italie, la raison est rejetée en faveur de l’émotion passionnée. Dans un deuxième temps encore en cours, les mouvements fascistes ont pris racine. Le succès du fascisme est résultant de la faiblesse de l’État libéral, incapable de résoudre les problèmes du pays, condamner la nation au désordre, déclin économique et moral et l’absence de consensus politique comme est actuellement le cas au Brésil.

L’avancée du fascisme au Brésil résulte du fait que l’organisation économique, sociale et politique se trouve en pleine désintégration. L’échec du gouvernement brésilien et des institutions politiques générales d’apporter des réponses efficaces pour surmonter la crise économique récessive rencontrée par la nation brésilienne et réprimer la corruption endémique dans toutes les branches du gouvernement aujourd’hui contribue à l’avancée du fascisme comme solution aux problèmes du Brésil. Le sociologue allemand Ralf Dahrendorf, qui a accompagné les années terribles nazie à Berlin, écrit en 1985 un livre intitulé The Law and Order, quand il a dit que l’anarchie, définie comme manque de respect des normes sociales, précède généralement les régimes totalitaires. Il n’y a pas moyen de séparer la situation décrite par Dahrendorf la grave situation actuelle au Brésil, où l’impunité est en croissance et les valeurs fondamentales de la civilisation sont complètement affaiblie.

Dans la troisième étape de l’escalade du fascisme au Brésil, est realizée une alliance entre l’élite conservatrice et les fascistes quand commence la transition vers un gouvernement ouvertement fasciste. Au Brésil, cette alliance est déjà consommé avec le soutien de l’élite conservatrice au candidat Bolsonaro pour le président de la République qui a une proposition pour un gouvernement typiquement fasciste. Son discours est basé sur le culte explicite de l’ordre, la violence de l’État, les pratiques gouvernementales autoritaires, le mépris social des groupes vulnérables et fragiles et l’anti-communisme. Le danger Bolsonaro réside dans l’oppression, le machisme, l’homophobie, le racisme, la haine des pauvres. L’histoire nous dit que, une fois l’alliance entre l’élite conservatrice et les fascistes est formé et réussit à la poursuite du pouvoir, il n’y a aucun moyen de l’arrêter. L’alliance entre l’élite conservatrice et les fascistes peut détruire les derniers vestiges d’un gouvernement démocratique au Brésil.

Geraldo Alckmin est le candidat préféré de l’élite conservatrice pour devenir président lors des élections d’octobre parce qu’il promet maintenir le modèle économique néolibéral, de privatiser les actifs de l’Etat, réduire les dépenses et d’équilibrer le budget du gouvernement. Son personnel économique est hautement respecté et il dispose d’un soutien politique suffisant pour approuver les réformes au Congrès. Cependant, il est quatrième ou cinquième dans les sondages et il est peu probable qu’il passe le premier tour des élections le 7 octobre. Jair Bolsonaro reste l’option la plus viable contre les partis de gauche. Les présidents et les dirigeants des grandes banques au Brésil disent qu’ils sont à l’aise avec le choix du conseiller en chef du Bolsonaro Paulo Guedes, un défenseur de l’Etat petit, de la libre entreprise et la réforme de la sécurité sociale.

Depuis Guedes a à sa campagne, Bolsonaro a montré l’enthousiasme pour l’idée de vendre tous les biens de l’Etat, pour défendre l’indépendance de la Banque centrale et de demander l’approbation des réformes soutenues par le secteur bancaire. Bolsonaro a reçu un grand soutien au Brésil en affirmant que dans la présidence de la République, les restrictions sur les armes à feu seraient assouplies et donnerait plus de pouvoir à la police. Les autorités devraient avoir des armes plus meurtrières, selon Bolsonaro, qui soutient que ceux qui tuent des criminels devraient recevoir des médailles et ne pas aller au procès. Le grand appel que le Bolsonaro a eu auprès du public en général est lié à la colère contre les politiciens traditionnels et contre la corruption. La recherche montre qu’il est soutenu principalement par les hommes des classes moyenne et supérieure.

Dans la quatrième étape de l´ascension du fascisme au Brésil, l’élite conservatrice et les fascistes prendraient le contrôle total du pays avec la victoire de Bolsonaro aux élections d’octobre. Tout comme par le vote populaire Hitler et Mussolini, Bolsonaro pourrait accéder au pouvoir au Brésil avec le soutien d’élite conservateurs et larges segments  de la population. En assumant le pouvoir, Hitler et Mussolini sont restés dans les limites de la légalité, mais ont permis des illégalités. Tous deux ont pu obtenir le soutien stratégique de l’élite conservatrice et de larges segments de la population craignant les forces de gauche. L’élite conservatrice pensait que Hitler et Mussolini seraient en mesure de garder sous contrôle le droit exalté la plus extrême autour de leurs. Vieux oligarchies allemands et italiens ont pensé qu’il serait possible d’utiliser Hitler et Mussolini pour contrôler les radicaux rouges, les transformer en figures décoratives et l’ancienne règle de gouverner à l’ombre, comme il l’avait toujours fait. Ils ne s’attendaient pas à ce que le propriétaire de la popularité (Hitler et Mussolini) prenne le contrôle du pouvoir par eux-mêmes. Les quelques journaux indépendants restants ont été muselés par une série de restrictions de la presse. La voie était libre pour la dictature nazie en Allemagne et fasciste en Italie.

L’histoire a prouvé que la confrontation entre les forces de gauche et de droite aboutit toujours à des dictatures droites ou gauches. En Russie tsariste en 1917, la Chine en 1949 et à Cuba en 1959, cette confrontation a abouti à la création de dictatures de gauche. . Cette confrontation entre les forces de gauche et à droite en Italie et en Allemagne après la 1ère guerre mondiale, a donné des dictatures de droite fasciste et nazie. En Espagne, en 1936 conduit à la dictature franquiste de droite et le Chili en 1973 a la dictature de droite de Pinochet. Au Brésil, après la soi-disant soulèvement communiste en 1935, Getúlio Vargas a donné un auto-coup d’Etat en 1937 avec la mise en œuvre de la dictature Estado Novo du gouvernement à droite et Joao Goulart a été renversé en 1964 qui a abouti à la dictature militaire de droite, qui a duré 21 ans . La montée du fascisme est déjà un fait, largement répandue, enracinée et peut devenir irréversible au Brésil pour le moment. La seule façon d’éviter la montée du fascisme et la mise en place d’une dictature de droite au Brésil est la formation d’un large front anti-fasciste avec le soutien pour le candidat le plus qualifié pour vaincre les prochaines élections présidentielles et législatives contre fascistes qui soutien aux forces Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

THE ASCENSION OF FASCISM IN BRAZIL

Fernando Alcoforado *

In its ascension, fascism in Brazil must go through four stages. In the first stage already fulfilled, the fascists gathered from the great social mobilization of June 2013 to fight for the construction of a new political, economic and social order replacing the bankrupt current political, economic and social order. Fascism supporters consider that the cause of Brazil’s current ills is related to corruption and the use of the state by parties with a communist tendency. The fascists seek to purify Brazilian society from the toxic influences of parties and political leaders, especially those linked to the PT (Workers Party) and its allies, who would be to blame for the unfortunate situation in which the Brazilian nation lives. Like Hitler’s old fascism in Germany and Mussolini’s in Italy, reason is rejected in favor of passionate emotion. In a second stage still in progress, the fascist movements are creating roots. The success of fascism results from the weakness of the liberal state, which, unable to solve the country’s problems, condemns the nation to disorder, economic and moral decline, and the lack of political consensus as it currently is in Brazil.

The advance of fascism in Brazil results from the fact that economic, social and political organization finds itself in complete disintegration. The inability of the Brazilian government and political institutions in general to offer effective responses to overcome the recessive economic crisis in which the Brazilian nation is suffering and to defuse rampant corruption in all the powers of the Republic today is contributing to the advancement of fascism as a solution to the problems of Brazil. The German sociologist Ralf Dahrendorf, who followed the terrible Nazi years in Berlin, wrote in 1985 a book called The Law and Order, when he stated that anarchy, defined as a general absence of respect for social norms, usually precedes totalitarian regimes. There is no way to dissociate this situation described by Dahrendorf from Brazil’s current grave situation where impunity is increasing and the basic values of civilization are completely weakened.

In the third stage of ascension of fascism in Brazil, an alliance between the conservative elite and the fascists is made when the transition to an openly fascist government begins. In Brazil, this alliance is already consummated with the support of the conservative elite to the candidate Bolsonaro to the Presidency of the Republic that has a proposal of typically fascist government. His speech is based on the explicit cult of order, state violence, authoritarian government practices, social disregard for vulnerable and fragile groups, and anti-communism. The Bolsonaro danger lies in oppression, machismo, homophobia, racism, hatred of the poor. History tells us that once this alliance between the conservative elite and the fascists is formed and succeeds in pursuit of power, there is no longer any way to stop it. The alliance between the conservative elite and the fascists can destroy the last vestiges of a democratic government in Brazil.

Geraldo Alckmin is the conservative elite’s preferred candidate to become president of the Republic in the October elections because he promises to privatize state assets, cut spending, and balance the government’s budget. His economic staff is highly respected and he has enough political support to approve reforms in Congress. However, he is in fourth or fifth place in the polls and is unlikely to pass the first round of the election on Oct. 7. It remains for the bankers Jair Bolsonaro as the most viable option against the leftist parties. The presidents and executives of Brazil’s top banks say they are comfortable with the choice of Bolsonaro’s top adviser, Paulo Guedes, advocate of a small state, free initiative and Social Security reform.

Since bringing Guedes to his campaign, Bolsonaro has shown enthusiasm for the idea of selling all state properties, defending the independence of the Central Bank and seeking approval of the reforms supported by the banking sector. Bolsonaro gained great support in Brazil saying that in the Presidency of the Republic would loosen the restrictions to the firearms and would give more power to the police. Authorities should have more lethal weapons, according to Bolsonaro, who argues that those who kill criminals should receive medals and not go to trial. The great appeal that the Bolsonaro has with the public in general is related to the rage against the traditional politicians and against the corruption. Research shows that he is supported mainly by middle and upper-class men.

In stage four of the ascension of fascism in Brazil, the conservative elite and the fascists would take complete control of the country with Bolsonaro’s victory in the October elections. Like Hitler and Mussolini, Bolsonaro could rise to power in Brazil by popular vote with the support of the conservative elite and broad segments of the population. In taking over, Hitler and Mussolini remained within the bounds of legality, but allowed illegalities out of it. Both were able to gain strategic support from the conservative elite and broad segments of the population who feared the leftist forces. The conservative elite thought that Hitler and Mussolini would be able to keep under control the most exalted right-wing extremists around them. The old German and Italian oligarchs thought that it would be possible to use Hitler and Mussolini to control the red radicals, to turn them into decorative figures, and the old establishment would rule in the shadow, as it had always done. They did not expect the popularity owner (Hitler and Mussolini) to take control of power on their own. The few remaining independent newspapers were muzzled by a series of press restrictions. The way was free for the Nazi dictatorship in Germany and fascist in Italy.

History has proven that the confrontation between the forces of left and right always results in right or left dictatorships. In Czarist Russia in 1917, China in 1949 and in Cuba in 1959 resulted in the establishment of left-wing dictatorships. From this confrontation between left and right forces in Italy and Germany, after the First World War, the fascist and Nazi right-wing dictatorships resulted. In Spain in 1936 resulted the right-wing Franco dictatorship and in Chile in 1973 resulted in Pinochet’s right-wing dictatorship. In Brazil, after the so-called Communist Intent in 1935, Getulio Vargas gave a self-coup in 1937 with the establishment of the dictatorship of the Estado Novo on the right and the government João Goulart was overthrown in 1964 that resulted in the right-wing military dictatorship that lasted for 21 years. The ascension of fascism is already a concrete fact, widespread, rooted and may become irreversible in Brazil at the present time. The only way to avoid the ascension of fascism and the establishment of a right-wing dictatorship in Brazil is the formation of a broad anti-fascist front with the support of the most capable candidate to defeat the fascist forces that support Bolsonaro in the upcoming presidential and parliamentary elections.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

O BRASIL E AS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR

Fernando Alcoforado*

Antes de conceituar as Cadeias Globais de Valor é importante definir o que é o “Supply Chain Management” (SCM), isto é, o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos adotado por muitas empresas no mundo em suas atividades produtivas. Na essência, para uma cadeia de suprimentos alcançar seu nível máximo de eficácia e eficiência, o fluxo de materiais, o fluxo de dinheiro e o fluxo de informação por toda a cadeia produtiva devem ser gerenciados de maneira integrada, orientada para os objetivos de atendimento desejado e menor custo. O objetivo do SCM é, em síntese, sincronizar as necessidades do cliente com o fluxo de materiais dos fornecedores, com ênfase na importância da otimização do fluxo de produtos e informações relacionadas.

O gerenciamento do fluxo de materiais representa a origem de grande parte da teoria do SCM. Pode ser dito que todo o campo da logística está fundamentalmente envolvido com a eficiente e efetiva administração do fluxo de materiais através das cadeias de suprimentos. Busca-se assegurar que os materiais certos estejam na parte certa da cadeia de suprimentos no momento certo. Observando-se o fluxo de materiais (produtos e serviços) da fonte de materiais para o cliente final, nota-se que também existe um fluxo de materiais inverso, principalmente associado à devolução de produtos dos clientes para a empresa. A crescente importância da logística reversa nos últimos anos tem levado em conta, também, o gerenciamento desses fluxos.

O gerenciamento do fluxo de dinheiro faz parte também do SCM. O dinheiro flui do cliente final de volta pela cadeia de suprimentos. O momento desse fluxo é crítico para assegurar que as empresas da cadeia de suprimentos mantenham a habilidade de atender seus compromissos de gastos operacionais. O ciclo do capital de giro é um modelo bem conhecido no campo da administração financeira e oferece uma representação útil dos fluxos financeiros numa cadeia de suprimentos. Um indicador de desempenho usado é o tempo do ciclo “cash-to-cash”. Isso é definido somando-se o número de dias de estoque de matérias primas e insumos em valor mantido ao número de dias de contas a receber menos o número de dias de contas a pagar. O resultado é um indicador do número de dias do capital de giro que está “imobilizado” na cadeia de suprimentos.

O gerenciamento do fluxo de informações faz parte, também, do SCM. O gerenciamento do fluxo de informações na cadeia de suprimento é bidirecional. Pode-se dizer que o gerenciamento do fluxo de informações é a mais crítica das atividades de uma empresa. Isto porque o fluxo ou a movimentação de materiais e dinheiro geralmente é disparado por um movimento de informação associado. O efetivo gerenciamento do fluxo de materiais e dinheiro é atribuído ao efetivo gerenciamento do fluxo de informações relacionado. Portanto, não é surpresa que os últimos anos tenham sido de alto interesse das grandes empresas em gerir a área de informações. O mau gerenciamento da informação na cadeia de suprimentos leva à necessidade de altos níveis de estoques de materiais e insumos. A boa informação efetivamente contribui para evitar altos níveis de estoques de materiais e insumos.

A gestão da cadeia de suprimentos que, no passado, estava restrito a uma empresa em sua relação com fornecedores e clientes se tornou mais complexa evoluindo para cadeias de suprimentos com a participação de várias empresas refletindo a mudança de orientações gerenciais de internas e funcionais para externas e de processos nos últimos anos. Outras tecnologias, em particular o intercâmbio eletrônico de dados (EDI- Eletronic Data Interchange) e a internet, permitiram que parceiros da cadeia de suprimentos usassem dados comuns. Isso agiliza a cadeia de suprimentos, pois as empresas podem operar baseadas na demanda real em vez de ficarem dependentes de pedidos que são transmitidos de um passo para outro numa cadeia estendida.

A Cadeia Global de Valor (CGV) representa uma evolução do “Supply Chain Management” (SCM), isto é, do Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, que passou a ser adotado na internacionalização da produção. A Cadeia Global de Valor (CGV)  significa, também, a expressão operacional da globalização produtiva. Para entender este conceito, basta pensar no processo de produção do i-Phone. Ele tem o design e a marca originários dos Estados Unidos, mas seus componentes são produzidos em várias indústrias espalhadas em países como Alemanha, Japão, Coreia do Sul, China, etc. Basicamente é um produto que é feito separadamente em várias partes do mundo. É um produto made in the world.

  1. A Cadeia Global de Valor

O padrão de comércio internacional transformou-se notavelmente nos últimos anos. As empresas hoje distribuem suas operações pelo mundo – desde o projeto dos produtos até a fabricação das peças, sua montagem e comercialização. É a chamada Cadeia Global de Valor (CGV), que começou a ser notada na década de 1960, mas que só ganhou corpo nos últimos 25 anos. A aceleração e abrangência desse modelo de produção é atualmente tema central em qualquer debate sobre comércio global. O melhor medidor da Cadeia Global de Valor é o número de produtos intermediários que participam do comércio internacional. Hoje ele está em torno de 40%. Era 20% vinte anos atrás. E a previsão é que alcance 60% nos próximos anos. Será cada vez mais comum um país utilizar os insumos de outro para transformá-lo e reexportá-lo como produto final. No futuro, dificilmente alguém encontrará um produto que foi feito 100% em um único país.

É preciso observar que as CGVs ainda não são inteiramente “globais”. A natureza da operação é ainda regional e está concentrada geograficamente em três núcleos: América do Norte, Europa e Leste Asiático. As primeiras duas regiões são principalmente centros consumidores, e a terceira constitui uma fonte de suprimentos. A região asiática tem experimentado transformações, uma vez que a China segue movimentando sua economia para um crescimento orientado para o mercado interno. Os custos de transporte, comunicação e qualidade da infraestrutura têm contribuído para criar esse formato. O padrão de comércio internacional transformou-se notavelmente nos últimos 25 anos. As empresas hoje distribuem suas operações pelo mundo – desde o projeto dos produtos até a fabricação das peças, sua montagem e comercialização. Isso tem contribuído para a formação de cadeias internacionais de produção, que têm alterado o processo produtivo e os modelos comerciais no mundo. Com efeito, o surgimento das CGVs desencadeou um forte aumento do fluxo comercial de bens intermediários, que atualmente representam mais da metade dos bens importados pelas economias que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e quase três quartos das importações dos países como, por exemplo, o Brasil e a China.

A análise das práticas mais modernas de gerenciamento das CGVs demonstra que elas estão cada vez mais caminhando para a manutenção de baixos níveis de estoques, em um esforço para cortar custos, como parte das chamadas “estratégias de produção enxuta”. Constata-se, também, que quanto maior a distância entre os países participantes, menores são as chances de que surja uma cadeia produtiva global. Outra conclusão que se extrai desta análise é a de que um país localizado distante das regiões onde se situa o núcleo das operações das CGVs (América do Norte, Europa e Leste Asiático) só terá condições de participar de uma cadeia produtiva internacional se compensar os elevados custos de transporte na forma de economias nos custos de produção. Ressalte-se que os custos de transporte dependem do volume, nível de “conteinerização” da carga, grau de concorrência entre as empresas de transporte e qualidade da infraestrutura relacionada ao transporte, entre outros aspectos. Diferenças na eficiência dos portos, por exemplo, tornam as taxas de frete das exportações da América Latina e Caribe para os Estados Unidos cerca de 30% mais altas do que aquelas praticadas pela Europa. Cabe ressaltar que parte significativa da América Latina e da África continua fora da estrutura das CGVs. 

  1. Vantagens e desvantagens para o Brasil participar das Cadeias Globais de Valor

Uma questão central que se coloca para os países do mundo é saber quais são as vantagens e desvantagens, riscos e oportunidades de participar de CGVs. A principal vantagem de participar de CGVs consiste em inserir o país no comércio internacional e incrementar o PIB (Produto Interno Bruto) do país. No entanto, ocorre a desvantagem de assumir os riscos comerciais das operações das CGVs que podem na ocorrência de crises afetar a economia interna do país, além de se submeterem à liderança das CGVs exercida por empresas multinacionais. Há o risco de os membros da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico) administrarem o comércio internacional com as CGVs para fazer do mundo um lugar “seguro” para a operação das empresas multinacionais e que os países capitalistas centrais utilizem as CGVs para garantir suas vantagens no mercado mundial. As desvantagens de um país periférico do sistema capitalista mundial como o Brasil participar de grandes CGVs são, portanto, maiores do que as vantagens de sua participação.

A estratégia mais adequada para um país como o Brasil seria a de desenvolver suas próprias CGVs regionais. Esse poderia ser o caso, por exemplo, entre os países da América Latina e Caribe onde já existem algumas cadeias de valor regionais. Esta estratégia se justifica, também, pelo fato de as CGVs serem, na maioria dos casos, regionais que ocorre principalmente em razão dos custos de transporte, que aumentam com a distância, e dos acordos comerciais, os quais são firmados geralmente entre países vizinhos. Alguns países da América Latina e da África permaneceram na periferia das CGVs porque estão distantes dos principais grupos de CGV e não necessariamente possuem acordos comerciais com as regiões “hub” (pontos centrais) das CGVs. O governo brasileiro deveria promover a participação nas CGVs regionais na América Latina e Caribe por meio de políticas industrial e de desenvolvimento científico e tecnológico, investindo em infraestrutura e concedendo incentivos para as empresas do país. Políticas de educação e de capacitação profissional podem ajudar a criar vantagens comparativas com uma base “doméstica”, sobretudo no setor de serviços – atividade em que o capital humano e as habilidades são essenciais para a competitividade. As políticas governamentais podem ser especialmente úteis e necessárias para a superação de dificuldades como o acesso ao financiamento e às informações sobre potenciais sócios, que afetam a participação das empresas nas cadeias globais de valor.

A China é um bom exemplo de um país que atua em praticamente todos os setores da economia neste modelo de cadeia de valor e está conseguindo se posicionar bem nesse processo. Antes, a China era vista como uma nação cujo atrativo principal era a mão de obra barata. Com o crescimento econômico da China, a mão de obra encareceu. A China quer manter o fluxo de investimento em outros setores de sua economia que possam trazer mais renda e mais crescimento econômico para o país. Já o México, que faz parte da NAFTA e tem integração forte com os Estados Unidos, se encontra em um nível básico na CGV porque as empresas mexicanas funcionam como “maquiladoras” no processo produtivo. Os Estados Unidos enviam um produto praticamente pronto para o México que, por sua vez, agrega muito pouco valor a esse produto antes de enviá-lo de volta.

O Brasil, por exemplo, tem uma baixa integração às cadeias globais de valor. O Brasil é muito forte em produção de commodites agrícolas e minerais, que não passam de insumos para outros países, que coloca o País em um nível básico das CGVs. Apesar de haver um processo de desindustrialização do País, o Brasil tem uma base industrial robusta e diversificada que possibilitaria fazer parte de uma cadeia global de valor ou mesmo controlar uma. O setor aeronáutico, por exemplo, tem na Embraer uma empresa altamente competitiva. Ela se insere em uma área que traz inovação, qualificação, tecnologia, mão de obra altamente qualificada, integração com áreas de pesquisa, fornecedores locais e internacionais, utiliza insumos importados e consegue fazer a integração de todo esse processo. O lamentável é que a Embraer está em processo de absorção pela Boeing o que torna inviável esta alternativa. Como este exemplo, existem outras empresas internacionalizadas no Brasil e que são líderes mundiais em seus setores, como a Marcopolo, que produz ônibus, a Weg, que fabrica motores elétricos, a Ambev, no setor de bebidas. A questão é como fazer com que empresas de sucesso como essas atuem como base para a constituição de CGVs. Um fato é evidente: a inserção de um país em uma CGV deve estar inserida em uma estratégia de desenvolvimento e na elaboração de uma política industrial integrada com políticas públicas que o Brasil carece por adotar o modelo econômico neoliberal.

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e da Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).