COMO ADMINISTRAR ORGANIZAÇÕES PRIVADAS E PÚBLICAS NO CAPITALISMO CAÓTICO CONTEMPORÂNEO

Fernando Alcoforado *

De modo geral, os princípios que orientam as organizações públicas e privadas no processo de planejamento e gestão operacional são os seguintes: 1) procuram chegar a algum estado estável de equilíbrio adaptando a organização às mudanças ocorridas no ambiente externo; e, 2) acreditam que as decisões tomadas e as ações subsequentes conduzirão aos resultados desejados baseadas no princípio da relação entre causa e efeito. Os modelos de gestão convencionais consideram a administração como uma atividade de “feedback” negativo, isto é, estabelece uma estratégia e conduz a organização na direção desejada com a correção dos desvios entre o plano traçado e os resultados alcançados.

Numa época em que tudo muda rapidamente, pode-se afirmar que os princípios que regem esses modelos de gestão estão ultrapassados porque é impossível a conquista de um estado estável ou de equilíbrio nas organizações em um ambiente externo como o atual caracterizado pela instabilidade do sistema capitalista que faz com que as decisões tomadas por seus dirigentes em um determinado momento pode não levar ao resultado desejado porquanto será afetado inexoravelmente por mutações que venham a ocorrer interna e externamente à organização ao longo do tempo.

O grande desafio enfrentado pelas organizações na era contemporânea é representado pela necessidade de gerir seus sistemas em um ambiente de elevada complexidade e de mudanças muitas vezes caóticas. Para ser eficaz, o processo de planejamento e gestão precisa levar em conta, necessariamente, a instabilidade, a incerteza, com suas turbulências e seus riscos. No ambiente econômico contemporâneo, são bons exemplos de turbulência e instabilidade dos mercados a crise econômica mundial ocorrida em 2008 nos Estados Unidos que afetou globalmente todos os países.

Uma das grandes falhas do processo de planejamento de inúmeras organizações é o de minimizar as incertezas quando se sabe que a mudança é a única regra estável no atual momento e que o passado serve cada vez menos como base para projetar o futuro. No esforço de superar essas crises, as organizações adotam o “feedback” negativo tentando manter funcionando como antes o sistema operacional, quando o correto seria adotar o “feedback” positivo que implicaria na adoção de mudanças estruturais no sistema produtivo para fazer frente à desordem e evitar seu colapso.

As visões clássicas a respeito da desordem foram todas depreciativas, pois a ciência esteve sempre orientada para a descoberta de certezas. Todo conhecimento reduzia-se à ordem, e toda aleatoriedade seria apenas aparência, fruto de nossa ignorância, a ser necessariamente superada em algum momento futuro. O desenvolvimento da Teoria do Caos a partir da década de 1970 contribuiu para a formulação de um modelo muito diferente do que prevalecia até então que era basicamente determinista e linear. No modelo baseado na Teoria do Caos, o mundo é mais complexo e fundamentalmente não determinista e não linear.

O que a Teoria do Caos está fazendo, em essência, é demonstrar que tudo no Universo é composto tanto por ordem como por desordem, cabendo à ciência aceitar que a incerteza não tem como ser dirimida. No modelo baseado na Teoria do Caos, as organizações passam a ser vistas como sistemas sujeitos a oscilações que poderiam ser amortecidas, ou seja, que os sistemas seriam capazes de avançar em direção a um novo equilíbrio realizando profundas mudanças estruturais.

O modelo considerado é agora o de um sistema autorregulado, onde os desvios são identificados por sinalizações de feedback positivo e então compensados, corrigidos, atenuados ou neutralizados, sempre com a realização de profundas mudanças. Chegou-se a tal modelo acreditando-se que oscilações que se amplificassem com o tempo conduziriam o sistema ao colapso se o esforço fosse voltado para manter o sistema operando como antes, e que apenas os sistemas capazes de produzir mudanças profundas é que se manteriam estáveis e sobreviveriam ao longo do tempo.

Para enfrentar ambientes classificados como “instáveis” ou “turbulentos”, é preciso fazer com que as organizações se auto-organizem dinamicamente e, consequentemente, evitem sua decadência e morte. A auto-organização que está sendo adotada nas empresas modernas na era contemporânea contempla a adoção de uma forma inteligente e consistente de tomar decisões que possibilita aos decisores disporem das informações certas no tempo certo sobre a situação interna atual e os cenários futuros de evolução do ambiente externo à organização (economia local, nacional e mundial, concorrentes, tecnologia, mercado consumidor, etc.) que só podem ser viabilizadas desde que haja coleta, gerenciamento e distribuição de dados para transformá-los em insights (intuições). A auto-organização pode ser alcançada com a adoção do Business Intelligence (Inteligência Empresarial) no planejamento e gestão operacional.

Inteligência Empresarial ou Business Intelligence é um termo do Gartner Group que surgiu na década de 1990 que descreve as habilidades das corporações para ter acesso a dados e explorar informações e recursos financeiros analisando-as e desenvolvendo percepções e entendimentos a seu respeito, o que lhes permite incrementar e se tornar mais pautada em informações a tomada de decisão. A implantação de um Business Intelligence (BI) em uma empresa tem como intuito principal fornecer aos seus dirigentes informações gerenciais e operacionais, de forma rápida e consistente.  Business Intelligence tem a ver, basicamente, com a forma com que os empreendedores lidam com dados.

Em um ambiente de elevada complexidade e de mudanças muitas vezes caóticas como o atual, o Business Intelligence permite às organizações possuírem um conjunto de informações confiáveis e consistentes que busquem apoiar o processo decisório na organização. O uso do Business Intelligence demonstra ser um dos sustentáculos da competitividade empresarial do novo milênio, trazendo com ele, mais dinamismo, flexibilidade e redução de custos, visando sempre a melhoria na qualidade do produto ou do serviço oferecido.

É importante ressaltar que um projeto de Business Intelligence não termina após sua implantação. BI é um conjunto de processos que tem por objetivo entregar a informação certa, para a pessoa certa, na hora certa que exige grande alinhamento entre três pilares de sustentação:

  • Coleta de dados: tudo o que acontece no negócio é analisado para determinar aspectos-chave, como produtividade, aproveitamento de oportunidades, gargalos, reputação no mercado, etc.;
  • Organização e análise: todos os dados captados em cada ação da empresa são organizados em um banco de dados e apresentados de forma visual, para facilitar a análise dos tomadores de decisão; e,
  • Ação e monitoramento: os responsáveis tomam decisões com base nas informações analisadas, e monitoram seus resultados para ver se estão sendo bem-sucedidos.

Se há algo que uma empresa não deve ter é o problema em gerar dados e informações sobre seus próprios processos. O problema mesmo está em gerenciar todas as informações e organizá-las para que elas sejam fonte de esclarecimento e não de confusão ou frustração. Por meio do sistema de BI, todos os dados relevantes aparecem em dashboards (painéis de controle) que facilitam a tomada de decisões em todos os níveis organizacionais. As empresas que usam o Business Intelligence conseguem otimizar processos de maneira muito mais rápida e direta em comparação com as que não o utilizam. Os processos de uma empresa fazem grande diferença nos resultados, seja em termos de qualidade dos produtos, vendas e retenção de clientes, satisfação dos colaboradores, etc.

Como não existe empresa perfeita, é fundamental procurar onde estão os gargalos para impedir que se tornem problemas graves, que ameacem o futuro da organização. Por meio do BI, é possível encontrar todos esses pontos de ruptura no negócio da empresa e tomar medidas práticas para resolvê-los o quanto antes. O mesmo princípio citado com respeito ao reconhecimento de falhas se aplica à identificação de oportunidades. A inovação é o motor das empresas que resistem à prova do tempo, e isso só acontece quando os líderes são capazes de identificar oportunidades e persegui-las antes que outros o façam. Com os insights poderosos que o Business Intelligence oferece, fica mais fácil encontrar as oportunidades do mercado para se concentrar neles.

O forte alicerce na análise de dados como fonte de informações estratégicas permeia tanto o Business Intelligence quanto o Big Data. Em tecnologia da informação, o termo Big Data diz respeito a um grande conjunto de dados armazenados. Diz-se que o Big Data se baseia em 5 Vs: velocidade, volume, variedade, veracidade e valor. O Business Intelligence busca levar a informação certa, para as pessoas certas, no momento certo visando a tomada de decisões. Isso exige fazer as perguntas certas e analisar os dados com conhecimento de causa para entender a dinâmica do negócio. O Big Data, por outro lado, analisa uma enorme quantidade de informações para mostrar padrões e correlações, em muitos casos totalmente desconhecidos. Enquanto o Business Intelligence analisa os dados atuais e mostra as próximas ações a tomar, o Big Data abre um leque maior de possibilidades que podem se transformar em caminhos para a inovação.

O ideal é juntar as forças do Business Intelligence com as do Big Data para uma compreensão mais abrangente dos dados gerados, que vai resultar em decisões ainda melhores e mais inovadoras. Profissionais de vários setores de uma empresa devem ser encorajados a usar os dados como base de suas decisões. Mas, acima de tudo, é crucial lembrá-los de que isso não se resume a enxergar informações óbvias nos dashboards (painéis de controle). É preciso buscar a fundo as melhores soluções observando também os dados que não estão na superfície. Com todos os integrantes da empresa envolvidos, usando o Business Intelligence como forma de garimpo, e não apenas de consulta, a empresa terá uma estratégia de Business Intelligence que funciona.

O Business Intelligence deveria servir de modelo para a implantação do que pode ser denominado Inteligência nas Organizações Governamentais (Intelligence in Government Organizations) que ao lado do Big Data poderiam ser utilizados também no planejamento e gestão de organizações públicas e do próprio governo como um todo para fazer frente ao ambiente de elevada complexidade e de mudanças muitas vezes caóticas como o atual. Da mesma forma que as empresas privadas modernas, as organizações públicas não devem tomar decisões importantes baseadas apenas na intuição de seus líderes tendo como guia suas experiências passadas. Isto significa dizer que decisões de organizações governamentais inteligentes e consistentes poderão acontecer se os decisores dispuserem das informações certas no tempo certo que só podem ser viabilizadas desde que haja coleta, gerenciamento e distribuição de dados para transformá-los em insights (intuições). Para tanto, é preciso que os governos implantem sistemas de inteligência que, ao nível das organizações públicas, pode-se denominá-lo Inteligência nas Organizações Governamentais (Intelligence in Government Organizations) similar ao implantado nas empresas privadas, a Inteligência Empresarial (Business Intelligence), bem como o Big Data.

Na prática, o que se pretende é realizar a gestão do conhecimento como processo gerencial, para proporcionar à empresa privada e pública a competência sistêmica de adquirir, transformar, armazenar e disseminar conhecimento de maneira útil, personalizada, responsável e lucrativa para seus colaboradores e agentes de relacionamento. A gestão do conhecimento significa organizar e sistematizar, em todos os pontos de contato (nós de processos, elos de departamentos, interações com stakeholders, etc), a capacidade da organização de captar, gerar, criar, analisar, traduzir, transformar, modelar, armazenar, disseminar, implantar e gerenciar a informação, tanto interna como externamente. Cabe observar que stakeholder é uma pessoa ou um grupo, que legitima as ações de uma organização e que tem um papel direto ou indireto na gestão e resultados dessa mesma organização. Exemplo de stakeholder de uma empresa pode ser os seus funcionários, gestores, gerentes, proprietários, fornecedores, concorrentes, ONGs, clientes, o Estado, credores, sindicatos e diversas outras pessoas ou empresas que estejam relacionadas com uma determinada ação ou projeto. A informação interna e externa deve ser transformada efetivamente em conhecimento e distribuída tornando-se acessível aos interessados. A informação aplicada, o conhecimento, passa a ser um ativo da empresa, um ativo intangível de valor único, exponencialmente remunerado e de difícil imitação.

Gerenciar conhecimento é só uma parte deste processo. Ser capaz de identificar, monitorar, entender e absorver informações, dados, sensações, tendências e transformá-los em conhecimento é habilidade igualmente importante que se obtém com o uso do Business Intelligence e do Big Data. As empresas privadas e públicas são como pequenas sociedades que precisam garantir sua sobrevivência no meio em que vivem (e, às vezes, do próprio meio em que vivem) e, para isso, precisam conhecer seus pontos fortes e fracos e serem capazes de perceber as ameaças e oportunidades existentes, tanto intrínsecas de seu meio, como causadas pelos demais competidores, colaboradores e participantes. A Inteligência Competitiva com o uso do Business Intelligence e do Big Data, como processo gerencial, tem sido altamente requisitada atualmente pela alta gestão das companhias privadas como ferramenta capaz de antenar a empresa ao novo cenário competitivo. Podemos, portanto, dizer que Inteligência Competitiva é a antena da organização que atua como sensor capaz de atrair informações que serão (ou não) tratadas como conhecimento. Este é, portanto o caminho para administrar organizações privadas e públicas no capitalismo caótico contemporâneo.

BIBLIOGRAFIA

BAUER, Ruben. Gestão da Mudança: caos e complexidade nas organizações. São Paulo: Atlas, 1999.

BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001. ​

PRIGOGINE, Ilya, STENGERS, Isabelle. O Fim das Certezas – Tempo, Caos e as Leis da Natureza .São Paulo: UNESP, 1996.

SHERMAN, Rick. Business Intelligence Guidebook. New York: Elsevier, 2015.

WIKIPEDIA. Inteligência empresarial. Disponível no website   <https://pt.wikipedia.org/wiki/Inteligência_empresarial>.

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e da Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

HOW TO MANAGE PRIVATE AND PUBLIC ORGANIZATIONS IN CONTEMPORARY CHAOTIC CAPITALISM

Fernando Alcoforado*

In general, the principles guiding public and private organizations in the process of planning and operational management are the following: 1) they seek to reach some stable state of equilibrium by adapting the organization to changes in the external environment; and 2) they believe that decisions taken and subsequent actions will lead to desired results based on the principle of cause and effect relationship. Conventional management models consider management as a negative feedback activity, that is, it establishes a strategy and leads the organization in the desired direction by correcting the deviations between the plan drawn and the results achieved.

At a time when everything is changing rapidly, it can be said that the principles governing these management models are outdated because it is impossible to achieve a stable state or equilibrium in organizations in an external environment such as the current characterized by the instability of the capitalist system which makes the decisions made by its leaders at a given moment may not lead to the desired outcome because it will be inexorably affected by mutations that occur within and outside the organization over time.

The major challenge facing organizations in the contemporary era is represented by the need to manage their systems in a highly complex environment and often chaotic changes. To be effective, the planning and management process must necessarily take into account instability, uncertainty, its turbulence and its risks. In the contemporary economic environment, the world economic crisis in the United States that affected all countries globally is a good example of turbulence and market instability.

One of the major flaws in the planning process of many organizations is to minimize uncertainties when it is known that change is the only stable rule in the present moment and that the past serves less and less as a basis for projecting the future. In the effort to overcome these crises, the organizations adopt negative feedback trying to keep functioning as before the productive system, when the correct one would be to adopt the positive feedback that would imply in the adoption of structural changes in the productive system to deal with the disorder and prevent its collapse.

The classical views of disorder were all deprecating, because science was always oriented towards the discovery of certainties. All knowledge was reduced to order, and all randomness was merely appearance, the fruit of our ignorance, to be necessarily overcome at some future time. The development of Chaos Theory from the 1970s contributed to the formulation of a very different model from what prevailed until then that was basically deterministic and linear. In the Chaos Theory model, the world is more complex and fundamentally non-deterministic and non-linear.

What the Chaos Theory is doing, in essence, is to demonstrate that everything in the Universe is composed of both order and disorder, and it is incumbent upon science to accept that uncertainty cannot be eliminated. In the Chaos Theory model, organizations come to be seen as systems subject to oscillations that could be damped, that is, systems would be able to move towards a new equilibrium by performing deep structural changes.

The model considered is now that of a self-regulated system, where deviations are identified by positive feedback signals and then compensated, corrected, attenuated or neutralized, always with the realization of profound changes. Such a model was built on the belief that oscillations that amplify over time would lead the system to collapse if the effort were to keep the system operating as it was before, and that only systems capable of producing profound changes would remain stable and would survive over time.

In order to address environments that are classified as “unstable” or “turbulent”, organizations must be dynamically self-organized and therefore avoid their decay and death. The self-organization that is being adopted in modern companies in the contemporary era contemplates the adoption of an intelligent and consistent decision-making way that enables decision-makers to have the right information at the right time about the current internal situation and future scenarios of external environment evolution (local, national and global economy, competitors, technology, consumer market, etc.) to the organization that can only be feasible since there is collection, management and distribution of data to turn them into insights. Self-organization can be achieved with the adoption of Business Intelligence in operational planning and management.

Business Intelligence is a Gartner Group term that emerged in the 1990s that describes the abilities of corporations to access data and to explore information and financial resources by analyzing and developing perceptions and understandings about them, which allows them increase and become more informed in decision-making information. The implementation of a Business Intelligence (BI) in a company is primarily intended to provide its managers with managerial and operational information, quickly and consistently. Business Intelligence is basically about the way entrepreneurs deal with data.

In a highly complex environment and often chaotic changes like today, Business Intelligence enables organizations to have a reliable and consistent set of information that seeks to support the decision-making process within the organization. The use of Business Intelligence proves to be one of the pillars of the business competitiveness of the new millennium, bringing with it more dynamism, flexibility and cost reduction, always aiming at improving the quality of the product or service offered.

It is important to note that a Business Intelligence project does not end after its implementation. BI is a set of processes that aims to deliver the right information to the right person at the right time that requires great alignment between three pillars of support:

  • Data collection: everything that happens in the business is analyzed to determine key aspects such as productivity, use of opportunities, bottlenecks, reputation in the market, etc.;
  • Organization and analysis: all data captured in each company action are organized in a database and presented visually, to facilitate the analysis of decision makers; and,
  • Action and monitoring: the responsible make decisions based on the information analyzed, and monitor their results to see if they are succeeding.

If there is something a company should not have is the problem in generating data and information about their own processes. The problem is to manage all the information and organize it so that it is a source of clarification and not of confusion or frustration. Through the BI system, all relevant data appears on dashboards that facilitate decision making at all organizational levels. Companies that use Business Intelligence can optimize processes much more quickly and directly compared to those that do not. The processes of a company make a big difference in results, whether in terms of product quality, sales and customer retention, employee satisfaction, etc.

As there is no perfect company, it is crucial to look for bottlenecks to prevent them from becoming serious problems that threaten the organization’s future. Through BI, it´s possible to find all these breaking points in the business of the company and take practical steps to solve them as soon as possible. The same principle cited with respect to the recognition of failures applies to the identification of opportunities. Innovation is the engine of companies that stand the test of time, and this only happens when leaders are able to identify opportunities and pursue them before others do. With the powerful insights that Business Intelligence offers, it’s easier to find market opportunities to focus on.

The strong foundation in data analysis as a source of strategic information permeates both Business Intelligence and Big Data. In information technology, the term Big Data refers to a large set of stored data. It is said that Big Data is based on 5 factors: speed, volume, variety, veracity and value. Business Intelligence seeks to bring the right information to the right people at the right time for decision-making. This requires asking the right questions and analyzing the data knowingly to understand the dynamics of the business. Big Data, on the other hand, analyzes an enormous amount of information to show patterns and correlations, in many cases totally unknown. While Business Intelligence analyzes the current data and shows the next actions to take, Big Data opens up a wider range of possibilities that can turn into paths to innovation.

The ideal is to join the forces of Business Intelligence with those of Big Data for a more comprehensive understanding of the data generated, which will result in even better and more innovative decisions. Professionals from various sectors of a company should be encouraged to use the data as the basis of their decisions. But above all, it is crucial to remind them that this is not just about seeing obvious dashboard information. It is necessary to search in depth the best solutions noting also the data that are not on the surface. With all the company members involved, using Business Intelligence as a form of mining, not just consulting, the company will have a Business Intelligence strategy that works.

Business Intelligence should serve as a model for the deployment of what can be called Intelligence in Government Organizations, which along with Big Data could also be used in the planning and management of public organizations and the government itself as a whole facing the highly complex environment and often chaotic changes like the current one. Like modern private companies, public organizations should not make important decisions based solely on the intuition of their leaders, guided by their past experiences. This means that decisions by intelligent and consistent government organizations can happen if decision makers have the right information at the right time that can only be made available through data collection, management, and distribution to turn them into insights. In order to do so, it is necessary for governments to implement intelligence systems that, at the level of public organizations, may be called Intelligence in Government Organizations similar to those implemented in private companies, Business Intelligence, as well as Big Data.

In practice, what is intended is to perform knowledge management as a management process, to provide private and public companies with the systemic competence to acquire, transform, store and disseminate knowledge in a useful, personalized, responsible and profitable way for its employees and agents of relationship. Knowledge management means organizing and systematizing at all points of contact (process nodes, departmental links, interactions with stakeholders, etc.), the organization’s ability to capture, generate, create, analyze, translate, transform, model, store, disseminate, deploy and manage information, both internally and externally. It should be noted that stakeholder is a person or a group, that legitimizes the actions of an organization and that has a direct or indirect role in the management and results of that same organization. Example of a company’s stakeholder can be its employees, directors, managers, owners, suppliers, competitors, NGOs, clients, the state, creditors, unions and various other people or companies that are related to a particular action or project. Internal and external information must be effectively transformed into knowledge and distributed making it accessible to stakeholders. The applied information, the knowledge, becomes an asset of the company, an intangible asset of unique value, exponentially remunerated and difficult to imitate.

Managing knowledge is only one part of this process. Being able to identify, monitor, understand and absorb information, data, sensations, trends and turn them into knowledge is equally important skill that is gained through the use of Business Intelligence and Big Data. Private and public enterprises are like small societies that need to ensure their survival in the environment in which they live (and sometimes in the very environment in which they live) and for this they need to know their strengths and weaknesses and be able to perceive the threats and opportunities, both intrinsic to their environment, and caused by other competitors, collaborators and participants. Competitive Intelligence with the use of Business Intelligence and Big Data, as a management process, has been highly demanded by the top management of private companies as a tool capable of introducing the company to the new competitive scenario. We can therefore say that Competitive Intelligence is the antenna of the organization that acts as a sensor capable of attracting information that will be (or not) treated as knowledge. This is, therefore, the way to administer private and public organizations in contemporary chaotic capitalism.

BIBLIOGRAPHY

BAUER, Ruben. Gestão da Mudança: caos e complexidade nas organizações (Change Management: chaos and complexity in organizations). São Paulo: Atlas, 1999.

BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia (Business Intelligence: Modeling & Technology). Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001. ​

PRIGOGINE, Ilya, STENGERS, Isabelle. O Fim das Certezas – Tempo, Caos e as Leis da Natureza (The End of Certainties – Time, Chaos and the Laws of Nature). São Paulo: UNESP, 1996.

SHERMAN, Rick. Business Intelligence Guidebook. New York: Elsevier, 2015.

WIKIPEDIA. Inteligência empresarial (Business intelligence). Available on website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Inteligência_empresarial&gt;.

* Fernando Alcoforado, 78, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

COMMENT GÉRER LES ORGANISATIONS PRIVÉES ET PUBLIQUES DANS LE CAPITALISME CHAOTIQUE CONTEMPORAIN

Fernando Alcoforado *

En général, les principes qui guident les organisations publiques et privées dans le processus de planification et de gestion opérationnelle sont les suivants: 1) ils cherchent à atteindre un état d’équilibre stable en adaptant l’organisation aux changements de l’environnement externe; et 2) ils croient que les décisions prises et les actions subséquentes mèneront aux résultats souhaités en fonction du principe de relation de cause à effet. Les modèles de gestion conventionnels considèrent la gestion comme une activité de rétroaction négative, c’est-à-dire qu’elle établit une stratégie et conduit l’organisation dans la direction souhaitée en corrigeant les déviations entre le plan établi et les résultats obtenus.

A l’heure où tout évolue rapidement, on peut dire que les principes régissant ces modèles de gestion sont dépassés car il est impossible d’atteindre un état stable ou un équilibre dans des organisations dans un environnement externe tel que le courant caractérisé par l’instabilité du système capitaliste ce qui fait que les décisions prises par ses dirigeants à un moment donné peuvent ne pas aboutir au résultat souhaité car elle sera inexorablement affectée par les mutations qui surviennent à l’intérieur et à l’extérieur de l’organisation au fil du temps.

Le défi majeur auquel sont confrontées les organisations à l’époque contemporaine est représenté par la nécessité de gérer leurs systèmes dans un environnement extrêmement complexe et des changements souvent chaotiques. Pour être efficace, le processus de planification et de gestion doit nécessairement prendre en compte l’instabilité, l’incertitude, ses turbulences et ses risques. Dans l’environnement économique contemporain, la crise économique mondiale aux États-Unis qui a touché tous les pays du monde est un bon exemple de turbulence et d’instabilité du marché.

L’une des principales failles dans le processus de planification de nombreuses organisations est de minimiser les incertitudes quand on sait que le changement est la seule règle stable dans le moment présent et que le passé sert de moins en moins à projeter l’avenir. Dans le but de surmonter ces crises, les organisations adoptent une rétroaction négative en essayant de continuer à fonctionner comme avant le système productif, alors que la bonne serait d’adopter le feedback positif qui impliquerait l’adoption de changements structurels dans le système opérationnel pour faire face au trouble et empêcher son effondrement.

Les vues classiques du désordre étaient toutes dérogatoires, car la science était toujours orientée vers la découverte de certitudes. Toutes les connaissances étaient réduites à l’ordre, et tout caractère aléatoire n’était que l’apparence, le fruit de notre ignorance, pour être nécessairement surmonté plus tard. Le développement de la Théorie du Chaos à partir des années 1970 a contribué à la formulation d’un modèle très différent de ce qui prévalait jusqu’alors, qui était fondamentalement déterministe et linéaire. Dans le modèle de la Théorie du Chaos, le monde est plus complexe et fondamentalement non déterministe et non linéaire.

Ce que la Théorie du Chaos est en train de faire est essentiellement de démontrer que tout dans l’Univers est composé à la fois d’ordre et de désordre, et il appartient à la science d’accepter que l’incertitude ne peut pas être éliminé. Dans le modèle de la Théorie du Chaos, les organisations sont perçues comme des systèmes soumis à des oscillations qui pourraient être atténuées, c’est-à-dire que les systèmes pourraient évoluer vers un nouvel équilibre en effectuant des changements structurels profonds.

Le modèle est maintenant considéré comme un système auto-régulé où les déviations sont identifiés par des signes de rétroaction positif, puis compensé, corrigé, atténué ou neutralisé, toujours avec la réalisation de changements profonds. Nous sommes arrivés à un tel modèle on croit que les oscillations qui amplifient au fil du temps conduiraient le système à l’effondrement si l’effort visait à maintenir le système d’exploitation comme avant, et que seuls les systèmes capables de produire des changements profonds est de rester stable et survivrait au fil du temps.

Pour faire face à des environnements classés comme « instable » ou « turbulent », nous devons amener les organisations à l’auto-organiser de manière dynamique et empêcher ainsi leur décadence et la mort. L’auto-organisation qui est en train d’être adoptée dans les entreprises modernes à l’ère contemporaine envisage l’adoption d’une prise de décision intelligente et cohérente permettant aux décideurs d’avoir la bonne information au bon moment sur la situation interne actuelle et les futurs scénarios d’évolution environnementale (économie locale, nationale et mondiale, concurrents, technologie, marché consommateur, etc.) qui ne peut être réalisable que si la collecte, la gestion et la distribution des données sont transformées en idées. L’auto-organisation peut être réalisée avec l’adoption de la Business Intelligence (Intelligence d’affaires) dans la planification et la gestion opérationnelles.

Business Intelligence est un terme du Gartner Group apparu dans les années 1990 qui décrit les capacités des entreprises à accéder aux données et à explorer les informations et les ressources financières en analysant et en développant les perceptions et les compréhensions à leur sujet, ce qui leur permet augmenter et devenir plus informé dans l’information décisionnelle. La mise en place d’une Business Intelligence (BI) dans une entreprise est principalement destinée à fournir à ses managers des informations managériales et opérationnelles, de manière rapide et cohérente. La Business Intelligence concerne essentiellement la façon dont les entrepreneurs traitent les données.

Dans un environnement hautement complexe et des changements souvent chaotiques comme aujourd’hui, la Business Intelligence permet aux organisations d’avoir un ensemble d’informations fiables et cohérentes qui cherchent à soutenir le processus de prise de décision au sein de l’organisation. L’utilisation de la Business Intelligence s’avère être l’un des piliers de la compétitivité des entreprises du nouveau millénaire, apportant plus de dynamisme, de flexibilité et de réduction des coûts, toujours dans le but d’améliorer la qualité du produit ou du service offert.

Il est important de noter qu’un projet de Business Intelligence ne se termine pas après sa mise en œuvre. BI est un ensemble de processus qui vise à fournir la bonne information à la bonne personne au bon moment qui exige une grande alignement entre trois piliers:

  • La collecte de données: tout ce qui se passe dans les affaires est analysé afin de déterminer les principaux aspects, tels que la productivité, les possibilités d’utilisation, les goulets d’étranglement, la réputation du marché, etc.;
  • Organisation et analyse: toutes les données collectées dans chaque action de l’entreprise sont organisées dans une base de données et présentées visuellement pour faciliter l’analyse des décideurs; et,
  • Action et surveillance: les décideurs s’appuient sur les informations analysées et contrôlent leurs résultats pour voir s’ils réussissent.

S’il y a quelque chose qu’une entreprise ne devrait pas avoir c’est le problème de générer des données et des informations sur ses propres processus. Le problème est de gérer toutes les informations et de les organiser pour qu’elles soient une source de clarification et non de confusion ou de frustration. Grâce au système BI, toutes les données pertinentes apparaissent sur les tableaux de bord (dashboards) qui facilitent la prise de décision à tous les niveaux organisationnels. Les entreprises qui utilisent la Business Intelligence peuvent optimiser les processus beaucoup plus rapidement et directement par rapport à celles qui ne le font pas. Les processus d’une entreprise font une grande différence dans les résultats, que ce soit en termes de qualité des produits, de ventes et de fidélisation des clients, de satisfaction des employés, etc.

Comme il n’y a pas de compagnie parfaite, il est crucial de chercher des goulots d’étranglement pour éviter qu’ils ne deviennent de sérieux problèmes qui menacent l’avenir de l’organisation. Grâce à BI, c’est possible trouver tous ces points de rupture dans les affaires de l’entreprise et prendre des mesures pratiques pour les résoudre dès que possible. Le même principe cité en ce qui concerne la reconnaissance des défaillances s’applique à l’identification des opportunités. L’innovation est le moteur des entreprises qui résistent à l’épreuve du temps, et cela ne se produit que lorsque les dirigeants sont en mesure d’identifier les opportunités et de les poursuivre avant que les autres ne le fassent. Grâce aux idées puissantes que Business Intelligence offre, il est plus facile de trouver des opportunités de marché sur lesquelles se concentrer.

La base solide de l’analyse de données en tant que source d’informations stratégiques imprègne à la fois la Business Intelligence et le Big Data. En technologie de l’information, le terme Big Data fait référence à un grand nombre de données stockées. On dit que le Big Data est basé sur 5 Vs: vitesse, volume, variété, véracité et valeur. Business Intelligence cherche à apporter la bonne information aux bonnes personnes au bon moment pour la prise de décision. Cela nécessite de poser les bonnes questions et d’analyser les données en toute connaissance de cause pour comprendre la dynamique de l’entreprise. Le Big Data, quant à lui, analyse une énorme quantité d’informations pour montrer des modèles et des corrélations, dans de nombreux cas totalement inconnus. Alors que Business Intelligence analyse les données actuelles et montre les prochaines actions à entreprendre, Big Data ouvre un plus large éventail de possibilités qui peuvent se transformer en pistes d’innovation.

L’idéal est de rejoindre les forces de la Business Intelligence avec celles du Big Data pour une compréhension plus globale des données générées, ce qui se traduira par des décisions encore meilleures et plus innovantes. Les professionnels de divers secteurs d’une entreprise devraient être encouragés à utiliser les données comme base de leurs décisions. Mais par-dessus tout, il est crucial de leur rappeler qu’il ne s’agit pas uniquement de voir des informations de tableau de bord évidentes. Il est nécessaire de rechercher en profondeur les meilleures solutions en notant également les données qui ne sont pas en surface. Avec tous les membres de l’entreprise impliqués, en utilisant la Business Intelligence comme une forme de minage, pas seulement de conseil, la société aura une stratégie de Business Intelligence qui fonctionne.

Business intelligence devrait servir de modèle pour la mise en œuvre de ce que l’on peut appeler l´intelligence dans les organisations gouvernementales, qui, avec le Big Data pourrait également être utilisé dans la planification et la gestion des organisations publiques et du gouvernement lui-même dans son ensemble pour faire face à l’environnement très complexe et aux changements souvent chaotiques comme l’actuel. Comme les entreprises privées modernes, les organisations publiques ne devraient pas prendre de décisions importantes basées uniquement sur l’intuition de leurs dirigeants, guidées par leurs expériences passées. Cela signifie que les décisions prises par des organisations gouvernementales intelligentes et cohérentes peuvent se produire si les décideurs disposent de la bonne information au bon moment, qui ne peut être rendue accessible que par la collecte, la gestion et la distribution des données. Pour ce faire, il est nécessaire que les gouvernements mettent en place des systèmes de intelligence qui, au niveau des organisations publiques, peuvent s’appeler Intelligence dans les organisations gouvernementales similaires à celles mises en œuvre dans les entreprises privées, Business Intelligence, ainsi que Big Data.

Dans la pratique, l’objectif est de parvenir à une gestion des connaissances en tant que processus de gestion afin de fournir à l’entreprise privée et publique de l’expertise systémique pour acquérir, traiter, stocker et diffuser des connaissances utile, personnalisé, responsable et rentable pour ses employés et agents de relation. La gestion des connaissances signifie d’organiser et systématiser dans tous les points de contact (processus noeuds, liens département, interactions avec les parties prenantes, etc.), la capacité de l’organisation à capturer, générer, créer, analyser, traduire, transformer, modéliser, stocker, diffuser, déployer et gérer des informations, à l’interne et à l’externe. Il convient de noter que les parties prenantes est une personne ou un groupe, qui légitimise les actions d’une organisation qui a un rôle direct ou indirect dans la gestion et les résultats de la même organisation. Exemple parties prenantes d’une entreprise peut être ses employés, les administrateurs, les gestionnaires, les propriétaires, les fournisseurs, les concurrents, les ONG, les clients, les créanciers de l’État, les syndicats et plusieurs autres personnes ou sociétés qui sont liées à une action ou un projet particulier. Les informations internes et externes doivent être efficacement transformées en connaissances et distribuées afin de les rendre accessibles aux parties prenantes. L’information appliquée, la connaissance, devient un actif de l’entreprise, un actif intangible de valeur unique, exponentiellement rémunéré et difficile à imiter.

La gestion des connaissances n’est qu’une partie de ce processus. La gestion des connaissances signifie etre capable d’identifier, de surveiller, de comprendre et d’absorber les informations, les données, les sensations, les tendances et de les transformer en connaissances est une compétence tout aussi importante qui est obtenu grâce à l’utilisation de la Business Intelligence et du Big Data. Les entreprises privées et publiques sont comme les petites entreprises qui ont besoin pour assurer leur survie dans l’environnement dans lequel ils vivent (et parfois le moyen même où ils vivent) et, par conséquent, besoin de connaître leurs forces et leurs faiblesses et être en mesure de comprendre la les menaces et les opportunités, à la fois intrinsèques à leur environnement et causées par d’autres concurrents, collaborateurs et participants. Competitive Intelligence en utilisant l’intelligence d’affaires (Business Intelligence) et de Big Data, en tant que processus de gestion a été très demandé actuellement par la haute direction des entreprises privées comme un outil capable de antennaire l’entreprise au nouveau paysage concurrentiel. Nous pouvons donc dire que l’intelligence concurrentielle est l’antenne de l’organisation qui agit comme un capteur capable d’attirer des informations qui seront (ou non) traitées comme des connaissances. C’est donc le moyen d’administrer les organisations privées et publiques dans le capitalisme chaotique contemporain.

BIBLIOGRAPHIE

BAUER, Ruben. Gestão da Mudança: caos e complexidade nas organizações (Gestion du changement: chaos et complexité dans les organisations). São Paulo: Atlas, 1999.

BARBIERI, Carlos. BI – Business Intelligence: Modelagem & Tecnologia (Business Intelligence: Modélisation et Technologie). Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil Editora, 2001. ​

PRIGOGINE, Ilya, STENGERS, Isabelle. O Fim das Certezas – Tempo, Caos e as Leis da Natureza (La fin des certitudes – Le temps, le chaos et les lois de la nature). São Paulo: UNESP, 1996.

SHERMAN, Rick. Business Intelligence Guidebook (Guide de Business Intelligence). New York: Elsevier, 2015.

WIKIPEDIA. Inteligência empresarial (Intelligence d’affaires). Disponible sur le site <https://pt.wikipedia.org/wiki/Inteligência_empresarial>.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

AS ASPIRAÇÕES DO POVO E AS DA ELITE ECONÔMICA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Fernando Alcoforado*

O povo brasileiro é constituído não apenas pelos trabalhadores do campo e da cidade (dos mais miseráveis aos da classe média) que sofrem um contínuo e duríssimo processo de exploração de sua força de trabalho, se defrontam com crescente desigualdade social e o desemprego em massa que atinge 13 milhões de trabalhadores e são condenados com a retirada de direitos fundamentais e essenciais, decorrente do corte dos investimentos em saúde, educação, direitos trabalhistas e previdenciários, mas também pela grande maioria dos empresários brasileiros (industriais, comerciantes, prestadores de serviço, agricultores e microempreendedores) muitos dos quais estão se deparando com a recessão econômica e a ameaça de falência que os obrigam a vender a preços baixos suas fábricas e terras, enquanto outros são diariamente forçados a fechar lojas, empresas e estabelecimentos diversos que lhes retiram inteiramente a capacidade de resistência política, social e econômica, uma vez que as forças produtivas têm sido apropriadas pelo capital monopolista nacional e internacional.

Pode-se afirmar que a principal aspiração do povo brasileiro é a existência de um governo que promova o crescimento econômico do País beneficiando trabalhadores e empresários em geral e possibilite o aumento da renda e do emprego, bem como combata a desigualdade social e garanta os investimentos sociais e seus direitos trabalhistas e previdenciários.  O mais grave problema que afeta o povo brasileiro diz respeito à desigualdade social. Apenas 0,05% da população brasileira: cerca de 70 mil pessoas, que são a classe dos super-ricos brasileiros, ganham em torno de R$ 350 mil mensais e pagam apenas 6,5% de impostos, enquanto os assalariados que recebem R$ 5 mil por mês pagam 27,5%. Há o dobro de homens que recebem mais de 10 salários mínimos em comparação a mulheres. E há quatro vezes mais brancos que negros ganhando mais de 10 salários mínimos. Seguindo o ritmo de inclusão atual, as mulheres equipararão seus rendimentos aos homens em 2047 e os negros aos brancos em 2089, segundo o relatório da Oxfam Brasil. Para reduzir esse quadro tenebroso de desigualdade social, é preciso que haja uma Reforma Tributária com justiça social que seria mais importante para a qualidade de vida no país do que a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização Ampla ou a PEC do Teto dos Gastos do governo Michel Temer.

A Reforma Tributária com justiça social deveria contemplar o Imposto de Renda sobre profissionais que ganham mais de R$ 20 mil por mês com nova alíquota de 35% e a taxação de dividendos recebidos de empresas por pessoas físicas que deveria corresponder de 12 a 15%. Segundo o relatório da Oxfam Brasil, o Brasil é um dos únicos países desenvolvidos ou em desenvolvimento em que isso não acontece, fazendo com que as camadas mais altas que vivem de lucros paguem, proporcionalmente, menos impostos do que os mais pobres. Na contramão da solução contra as desigualdades sociais, os parlamentares aprovaram, sem pudores, a PEC do Teto dos Gastos do governo Michel Temer, que limita pelas próximas duas décadas investimentos em gastos, como educação, saúde, reduzindo a qualidade de vida dos pobres que depende de serviços públicos. Também aprovaram uma Lei da Terceirização Ampla, que deve precarizar o mercado de trabalho, e uma Reforma Trabalhista que retira proteção à saúde e à segurança dos mais vulneráveis. E aprovaram um rosário de leis que ferem a dignidade de populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, entre outros grupos. Sem contar que o governo federal tentou ainda aprovar o aumento de 15 para 25 anos de contribuição mínima para se alcançar a aposentadoria, o que atinge diretamente os mais pobres.

A elite econômica brasileira é representada pelos seis maiores bilionários que possuem a mesma riqueza e patrimônio do conjunto dos 100 milhões mais pobres. A elite econômica brasileira corresponde aos 5% mais ricos que detém a mesma renda que os demais 95%. No Brasil, os muitos ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que classe média e os mais pobres, seja porque os dividendos que recebem como sócios de empresas não são tributados, seja por não haver progressividade nas alíquotas do imposto de renda e/ou por haver mais impostos sobre o consumo do que sobre a riqueza e o patrimônio. Os estratos mais abonados em geral dispõem de outras fontes de renda, como juros de aplicações financeiras, aluguéis e dividendos, muitas vezes não informados corretamente aos entrevistadores. Pode-se afirmar que a principal aspiração da elite econômica brasileira é a existência de um governo que não afete seus interesses fundamentais. Ela deseja a manutenção das reformas antipopulares e antinacionais aprovadas pelo governo Michel Temer que contribuam para o aumento de sua renda e riqueza. A elite econômica brasileira parece não ter a capacidade de compreender que o projeto político e econômico em curso, por ela apoiado cegamente, está retirando de si mesma a capacidade de comando político construída ao longo de séculos no Brasil. Este projeto político e econômico visa atender a interesses que se localizam fora do Brasil aos quais está subordinada a elite econômica brasileira.

Para atender ao projeto político antinacional e antipopular, a elite econômica brasileira é conivente com a destruição de todo o complexo industrial do Brasil e da desnacionalização da economia brasileira com o sucateamento da ciência e tecnologia nacional e da engenharia brasileira que sofre com a retirada das empresas brasileiras do imenso mercado de obras públicas no Brasil agora entregue a empresas estrangeiras que, em consequência, passou a utilizar aqui a mão de obra vinda de outros países. Além disso, os equipamentos e insumos necessários às atividades produtivas do Brasil passaram a ser comprados fora do País, trazendo ainda maiores dificuldades às empresas brasileiras conectadas de alguma forma com aquela cadeia produtiva. O mesmo acontece ao permitir o desmonte da Petrobras com os desinvestimentos em curso. As petroleiras estrangeiras irão dominar com exclusividade a exploração do nosso petróleo, que doravante só trará benefícios para elas, que, inclusive, não precisarão pagar qualquer tributo, conforme a lei aprovada pelo atual governo e  Congresso Nacional. O campo brasileiro tem sido dominado por estrangeiros, que compram barato as nossas terras e utilizam mão-de-obra estrangeira e máquinas, tecnologia e insumos agrícolas produzidos em seus respectivos países. O mesmo tem ocorrido no campo da educação, no qual escolas e universidades, antes de propriedade de brasileiros, estão hoje sob o controle de fundos de investimento e instituições estrangeiros, se assenhorando também dos segmentos de saúde, segurança, comunicação social, previdência privada, finanças, transportes, infraestrutura, informática, livrarias etc.

Estamos vivenciando o maior processo de desnacionalização jamais visto na história do Brasil, a partir do qual a elite econômica brasileira se subordina ao capital internacional. Assim, por culpa exclusiva de sua elite econômica, é imposta ao Brasil a mais dura subserviência colonial, que poderá nos condenar para sempre a uma posição de subalternidade. Pelo exposto, fica bastante claro que o futuro presidente da República terá que adotar uma política econômica e social que corresponda aos interesses do povo brasileiro ou aos da elite econômica que são diametralmente opostos. Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Aldo Rebelo (Solidariedade), Manuela D´Ávila (PC do B), Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU) são candidatos que estariam identificados em maior ou menor extensão com os interesses do povo brasileiro. Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (PMDB), Levy Fidelix (PRTB), Josué Alencar (PR), Álvaro Dias (Podemos), Flávio (PRB), Rocha Paulo Rabello de Castro (PSC), João Amoêdo (Novo), Guilherme Afif (PSD) e José Maria Eymael (PDC) são os candidatos preferenciais da elite econômica brasileira. Para evitar que prevaleçam os interesses da elite econômica brasileira, compete ao povo brasileiro eleger um presidente da República e um parlamento que contribuam para promover o crescimento econômico do País beneficiando trabalhadores e empresários em geral e possibilite o aumento da renda e do emprego, bem como combater a desigualdade social e garantir os investimentos sociais e seus direitos trabalhistas e previdenciários, além de defender os interesses do Brasil.

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e da Academia Brasileira Rotária de Letras – Seção da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

THE ASPIRATIONS OF THE PEOPLE AND THE ECONOMIC ELITE IN CONTEMPORARY BRAZIL

Fernando Alcoforado *

The Brazilian people are constituted not only by the rural and urban workers (from the most miserable to the middle class) who suffer a continuous and very hard process of exploiting their labor force, are confronted with growing social inequality and mass unemployment which affects 13 million workers and are condemned with the withdrawal of fundamental and essential rights, due to the cut in investments in health, education, labor and social security rights, but also by the great majority of Brazilian entrepreneurs (industrialists, traders, service providers, farmers and micro entrepreneurs) many of whom are facing the economic recession and the threat of bankruptcy that force them to sell their factories and land at low prices, while others are daily forced to close shops, businesses and other establishments that completely withdraw their capacity of political, social and economic resistance, since the productive forces have been appropriated by national and international monopoly capital.

It can be affirmed that the main aspiration of the Brazilian people is the existence of a government that promotes the economic growth of the country benefiting workers and entrepreneurs in general and makes it possible to increase income and employment, as well as combat social inequality and guarantee social investments their labor and social security rights. The most serious problem that affects the Brazilian people is social inequality. Only 0.05% of the Brazilian population: about 70,000 people, who are the Brazilian super-rich class, earn around R$ 350,000 monthly and pay only 6.5% of taxes, while wage earners who receive R$ 5 thousand per month pay 27.5%. There are twice as many men who receive more than 10 minimum wages compared to women. And there are four times as many whites as blacks earning more than 10 minimum wages. Following the current pace of inclusion, women will match their income to men in 2047 and blacks to whites in 2089, according to the Oxfam Brazil report. To reduce this murky picture of social inequality, there needs to be a Tax Reform with social justice that would be more important for the quality of life in the country than the Labor Reform, the Law of Comprehensive Outsourcing or the Government Expenditure Ceiling of Michel Temer government.

The Tax Reform with social justice should contemplate the Income Tax on professionals who earn more than R$ 20 thousand per month with a new 35% rate and the taxation of dividends received from companies by individuals that should correspond from 12 to 15%. According to the Oxfam Brazil report, Brazil is one of the only developed or developing countries where this does not happen, making the higher layers that live on profits proportionally pay less taxes than the poorest. Contrary to the solution to social inequalities, the parliamentarians unhesitatingly approved the Michel Temer government spending ceiling of Budget, which limits spending for the next two decades on spending, such as education, health, and reducing the quality of life of the poor who depends on public services. They also approved a Law of Comprehensive Outsourcing, which should precarious the labor market, and a Labor Reform that removes protection for the health and safety of the most vulnerable. And they approved a rosary of laws that hurt the dignity of indigenous populations, riverside, quilombolas, among other groups. Not to mention that the federal government still tried to approve the increase of 15 to 25 years of minimum contribution to achieve retirement, which directly affects the poorest.

The Brazilian economic elite is represented by the six largest billionaires who have the same wealth and equity as the poorest 100 million. The Brazilian economic elite correspond to the richest 5% that owns the same income as the other 95%. In Brazil, the rich pay proportionately less taxes than the middle class and the poorest, either because the dividends they receive as members of companies are not taxed, either because there is no progressivity in the income tax rates and / or because there are more taxes on consumption than on wealth and equity. The wealthiest strata usually have other sources of income, such as interest on financial investments, rents and dividends, often not correctly informed to the interviewers. It can be affirmed that the main aspiration of the Brazilian economic elite is the existence of a government that does not affect its fundamental interests. It wants the maintenance of the anti-popular and anti-national reforms approved by the government Michel Temer that contribute to the increase of its income and wealth. The Brazilian economic elite does not seem to have the capacity to understand that the ongoing political and economic project, blindly supported by it, is withdrawing from itself the capacity for political control built up over centuries in Brazil. This political and economic project aims to serve interests that are located outside Brazil to which the Brazilian economic elite is subordinated.

In order to respond to the anti-national and anti-popular political project, the Brazilian economic elite is conniving with the destruction of the entire industrial complex of Brazil and the denationalization of the Brazilian economy with the scrapping of national science and technology and Brazilian engineering that suffers with the withdrawal of Brazilian companies of the huge public works market in Brazil now handed over to foreign companies, which consequently used the labor force from other countries. In addition, the equipment and inputs required for the productive activities of Brazil started to be bought outside the country, bringing even greater difficulties to the Brazilian companies connected in some way with that productive chain. The same is true in allowing Petrobras to dismantle with the ongoing divestitures. Foreign oil companies will exclusively control the exploitation of our oil, which will only benefit them, which will not even have to pay any taxes, according to the law approved by the current government and the National Congress. The Brazilian countryside has been dominated by foreigners, who buy our land cheaply and use foreign labor and machinery, technology and agricultural inputs produced in their respective countries. The same has occurred in the field of education, in which schools and universities, before being owned by Brazilians, are today under the control of foreign investment funds and institutions, also taking care of the segments of health, security, social communication, private pension, finance, transport, infrastructure, computers, bookstores, etc.

We are experiencing the largest denationalization process ever seen in Brazilian history, from which the Brazilian economic elite is subordinated with international capital. Thus, through the exclusive fault of its economic elite, Brazil is subjected to the harshest colonial subservience, which can condemn us forever to a position of subalternity. From the foregoing, it is quite clear that the future president of the Republic will have to adopt an economic and social policy that corresponds to the interests of the Brazilian people or those of the economic elite who are diametrically opposed. Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Aldo Rebelo (Solidariedade), Manuela D’Ávila (PC do B), Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) and Vera Lúcia (PSTU) are candidates identified to a greater or lesser extent with the interests of the Brazilian people. Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (PMDB), Levy Fidelix (PRTB), Josué Alencar (PR), Álvaro Dias (Podemos), Flávio de Castro (PSC), João Amoêdo (Novo), Guilherme Afif (PSD) and José Maria Eymael (PDC) are the preferred candidates of the Brazilian economic elite. In order to prevent the interests of the Brazilian economic elite from prevailing, it is incumbent on the Brazilian people to elect a President of the Republic and a parliament that will contribute to the country’s economic growth, benefiting workers and entrepreneurs in general and increasing income and employment, as well as combat social inequality and guarantee social investments and their labor and social security rights, as well as defend the interests of Brazil.

* Fernando Alcoforado, 78, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

LES ASPIRATIONS DU PEUPLE ET DE L’ÉLITE ÉCONOMIQUE AU BRÉSIL CONTEMPORAIN

Fernando Alcoforado *

Le peuple brésilien sont faits non seulement par les travailleurs de la campagne et la ville (de le plus malheureux à la classe moyenne) qui souffrent d’un processus continu et très difficile de l’exploitation de leur force de travail, sont confrontés à l’inégalité sociale croissante et le chômage de masse qui atteint 13 millions de travailleurs et sont condamnés à la suppression des droits fondamentaux découlant de la réduction des investissements dans la santé, l’éducation, les droits du travail et de la sécurité sociale, mais aussi pour la grande majorité des hommes d’affaires brésiliens (industriels, commerçants, prestataires de services, les agriculteurs et microentrepreneurs) dont beaucoup font face à la récession économique et la menace de faillite qui les obligent à vendre à bas prix leurs usines et la terre, tandis que d’autres sont quotidiennement contraints de fermer les magasins, les entreprises et les divers établissements qui suppriment complètement leur capacité de résistance politique, sociale et économique, comme les forces productives ont été appropriées par le capital monopoliste national et international.

On peut dire que la principale aspiration du peuple brésilien est l’existence d’un gouvernement qui favorise la croissance économique au profit des travailleurs et des entrepreneurs en général et permet l’augmentation du revenu et de l’emploi et lutter contre les inégalités sociales du pays et assurer les investissements et leurs droits en matière de travail et de sécurité sociale. Le problème le plus grave qui affecte le peuple brésilien est l’inégalité sociale. Seulement 0,05% de la population: environ 70 000 personnes, qui sont la classe de super-riches du Brésil, gagnent environ R$ 350 000 par mois seulement et payer la taxe de 6,5%, tandis que les employés qui reçoivent R$ 5 000 par mois paient 27,5%. Il y a deux fois plus d’hommes qui reçoivent plus de 10 salaires minimums que les femmes. Et il y a quatre fois plus de Blancs que de Noirs gagnant plus de 10 salaires minimums. Selon le rapport d’Oxfam Brésil, les femmes rapporteront leurs revenus aux hommes en 2047 et les noirs aux blancs en 2089, selon le rythme actuel de l’inclusion. Pour réduire ce sombre tableau de l’inégalité sociale, il faut une réforme fiscale avec la justice sociale qui serait plus important pour la qualité de vie dans le pays que la réforme du travail, la loi sur l’externalisation complète ou le plafond des dépenses du gouvernement Michel Temer.

La réforme fiscale avec la justice sociale doit tenir compte de l’impôt sur le revenu des professionnels qui gagnent plus de R$  20 000 par mois avec le nouveau taux de 35% et l’imposition des dividendes reçus des sociétés par des personnes qui devraient correspondre à 12 à 15%. Selon le rapport d’Oxfam, le Brésil est l’un des seuls pays développés ou en développement où il provoque des bénéfices de vie des couches supérieures paient proportionnellement moins d’impôts que les plus pauvres. Contre la solution contre les inégalités sociales, les parlementaires ont approuvé sans componction le plafond des dépenses du gouvernement Michel Temer ce qui limite les deux prochaines décennies, les dépenses d’investissement, tels que l’éducation, la santé, la réduction de la qualité de vie des pauvres qui dépend des services publics. Elle a également approuvé une loi de grande sous-traitance, ce qui devrait marché du travail précaire, et une réforme du travail qui enlève la protection de la santé et la sécurité des plus vulnérables. Et ils ont approuvé un chapelet de lois qui portent atteinte à la dignité des populations autochtones, riveraines, quilombolas, entre autres groupes. Sans compter que le gouvernement fédéral a quand même tenté d’approuver l’augmentation de 15 à 25 ans de cotisation minimale pour arriver à la retraite, ce qui touche directement les plus pauvres.

L’élite économique brésilienne est représentée par les six plus gros milliardaires qui ont la même richesse et l’équité que les 100 millions les plus pauvres. L’élite économique brésilienne correspond aux 5% les plus riches qui possèdent les mêmes revenus que les 95% restants. Au Brésil, les riches paient proportionnellement moins d’impôts que la classe moyenne et les plus pauvres, soit parce que les dividendes qu’ils reçoivent en tant que membres d’une société ne sont pas imposés, soit parce qu’il n’y a pas de progressivité des taux d’imposition et / ou parce qu’il y a plus d’impôts sur la consommation que sur la richesse et la richesse. Les strates les plus riches ont généralement d’autres sources de revenus, telles que les intérêts sur les placements financiers, les loyers et les dividendes, souvent mal renseignées par les enquêteurs. On peut dire que la principale aspiration de l’élite économique brésilienne est l’existence d’un gouvernement qui ne touche pas leurs fondamental d’intérêts. Il veut le maintien des réformes anti-populaires et anti-nationales approuvées par le gouvernement Michel Temer qui contribuent à l’augmentation de ses revenus et de sa richesse. L’élite économique brésilienne ne semble pas avoir la capacité de comprendre que le projet politique et économique en cours, aveuglément soutenu par elle, tire de lui-même la capacité de contrôle politique accumulée au cours des siècles au Brésil. Ce projet politique et économique vise à prendre en charge des intérêts situés hors du Brésil auxquels l’élite économique brésilienne est subordonnée.

Afin de répondre au projet politique anti-national et anti-populaire, l’élite économique brésilienne est complice de la destruction de l’ensemble du complexe industriel brésilien et de la dénationalisation de l’économie brésilienne avec la démolition de la science et de la technologie et de l’ingénierie brésilienne. Les entreprises brésiliennes de l’énorme marché des travaux publics au Brésil ont maintenant cédé la place à des sociétés étrangères, qui ont par conséquent utilisé la main-d’œuvre d’autres pays. En outre, l’équipement nécessaire et les intrants pour les activités de production au Brésil ont commencé à être achetés à l’extérieur du pays, ce qui porte des difficultés encore plus importantes pour les entreprises brésiliennes connectées en quelque sorte avec la chaîne d’approvisionnement. La même chose est vraie en permettant à Petrobras de démanteler avec les désinvestissements en cours. pétrole étranger dominera l’exploitation exclusive de notre pétrole, qui va maintenant apporter que des avantages pour eux, qui même ne pas besoin de payer des impôts, conformément à la loi adoptée par l’administration et le Congrès actuel. La campagne brésilienne a été dominée par des étrangers, qui achètent nos terres à bon marché et utilisent la main-d’œuvre et les machines étrangères, la technologie et les intrants agricoles produits dans leurs pays respectifs. Il en est de même dans le domaine de l’éducation, où les écoles et les universités, avant d’être la propriété des Brésiliens, sont aujourd’hui sous le contrôle de fonds d’investissement et d’institutions étrangères, s’occupant également des secteurs santé, sécurité, communication sociale, retraite privée, finances, transports, infrastructures, ordinateurs, librairies, etc.

Nous vivons le plus grand processus de dénationalisation jamais vu dans l’histoire du Brésil, à partir duquel l’élite économique brésilienne est subordonnée au capital international. Ainsi, par la faute exclusive de son élite économique, le Brésil est soumis à la plus sévère soumission coloniale, ce qui peut nous condamner pour toujours à une position de subalternité. De ce qui précède, il est clair que le futur président de la République devra adopter une politique économique et sociale correspondant aux intérêts du peuple brésilien ou de ceux de l’élite économique qui sont diamétralement opposés. Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Aldo Rebelo (Solidariedade), Manuela D’Ávila (PC do B), Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) et Vera Lúcia (PSTU) sont candidats plus ou moins identifié aux intérêts du peuple brésilien. Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (PMDB), Levy Fidelix (PRTB), Josué Alencar (PR), Álvaro Dias (Podemos), Flávio de Castro (PSC), João Amoêdo (Novo), Guilherme Afif (PSD) et José Maria Eymael (PDC) sont les candidats préférés de l’élite économique brésilienne. Pour éviter que les intérêts de l’élite économique brésilienne prévalent, Il incombe au peuple brésilien d’élire un président de la République et un parlement qui contribuent à la croissance économique du pays, profitent aux travailleurs et aux entrepreneurs en général, augmentent les revenus et l’emploi, combattent les inégalités sociales et garantissent les investissements sociaux. les droits du travail et de la sécurité sociale, ainsi que la défense des intérêts du Brésil.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

CENÁRIOS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

A pesquisa Data Folha das eleições presidenciais no Brasil publicada no website <http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos-e-nulos.shtml> informa que o ex-presidente Lula (PT) mantém o índice mais alto de intenção de voto para a disputa da Presidência da República entre os pré-candidatos com nomes colocados para a disputa. Com 30% no único cenário em que seu nome é testado, Lula fica à frente de Jair Bolsonaro, que tem 17%, e de Marina Silva, que tem 10%. Com Lula fora da corrida presidencial e Haddad como candidato do PT, Bolsonaro (19%) lidera, e Marina (15%) surge em patamar próximo. Com Lula fora da corrida presidencial e Haddad como candidato do PT, a disputa por região do Brasil mostra o pré-candidato Bolsonaro em vantagem no Centro-Oeste, na região Sul e na região Sudeste. No Nordeste e no Norte do Brasil, Marina Silva lidera.

A pesquisa Data Folha informa que entre os eleitores de Lula no cenário em que seu nome é testado, 17% preferem Marina e 13% optam por Ciro quando Lula é substituído por Haddad. Parte substancial (40%) das intenções de voto no ex-presidente opta pelo voto em branco ou nulo na sua ausência da eleição. Em outro cenário testado, sem candidaturas do PT, Bolsonaro tem 19%, e Marina aparece com 15%. Na intenção de voto espontânea, quando os nomes dos potenciais candidatos não são apresentados aos eleitores, 12% citam Bolsonaro como nome já escolhido para a eleição presidencial, no mesmo patamar dos que mencionam Lula (10%). A rejeição aos presidenciáveis também foi alvo de consulta na pesquisa Data Folha, e dois ex-presidentes lideram a lista: 39% declaram que não votariam de jeito nenhum em Fernando Collor, que é seguido por Lula rejeitado por 36%. Na sequência aparece Bolsonaro, em quem 32% não votariam, e depois Alckmin (27%), Marina (24%), Ciro (23%), Maia (20%), Meirelles (17%), Haddad (16%), Fidelix (16%), Alencar (13%), Wagner (12%), Dias (12%), Rebelo (11%), Manuela (11%), Boulos (11%), Rocha (11%), Rabello de Castro (11%), Goulart Filho (10%), Amoêdo (10%) e Afif (10%).

Nas simulações de segundo turno realizadas pelo Datafolha, o ex-presidente Lula se manteve à frente nas situações nas quais seu nome foi apresentado aos eleitores. No embate entre Lula e Bolsonaro, 49% preferem o ex-presidente, e 32%, o deputado federal. Sem Lula, Marina venceria Alckmin, Ciro e Bolsonaro, tendo este último como o adversário mais competitivo neste momento. Se o 2º turno fosse disputado entre Marina e Bolsonaro, a ex-senadora do Acre teria 42% das intenções de voto, ante 32% de Bolsonaro. O peso do apoio de Lula a um candidato na disputa pela Presidência ficou estável desde abril: 30% votariam com certeza em um nome apoiado pelo petista, e 17% talvez votaria. A fatia dos que não votariam é de 51%. 62% apontam que seguiriam sua indicação para outra candidatura à Presidência.

Considerando que Lula não será candidato, Bolsonaro e Marina Silva reúnem as melhores condições para chegar ao 2º turno das eleições presidenciais. Sem Lula nas eleições, o segundo turno colocará frente à frente Bolsonaro e Marina Silva como os mais prováveis contendores. Os eleitores de Lula, Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Ávila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos e Aldo Rebelo, votariam provavelmente por motivos ideológicos em Marina Silva devido a seus vínculos antigos com o PT e às forças políticas de esquerda dando-lhe a vitória no 2º turno contra Bolsonaro. Esta provável transferência de votos para Marina Silva explicaria o resultado das simulações de segundo turno realizadas pelo Datafolha que aponta a vitória de Marina Silva sobre Bolsonaro. Os eleitores de Geraldo Alckmin, Fernando Collor, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Flávio Rocha, João Amoêdo, Guilherme Afif Domingos, Levy Fidelix e Paulo Rabello de Castro votariam provavelmente em Jair Bolsonaro por razões ideológicas e porque ele não se constituiria em ameaça aos interesses das classes dominantes ao contrário de Marina Silva devido a seus vínculos antigos com o PT e às forças políticas de esquerda.

Afinal, o que pensa Marina Silva, pré-candidata da Rede? A ex-ministra já se disse contra as privatizações da Petrobras, da Eletrobras, do Banco do Brasil e da Caixa. Defende a manutenção do Programa Bolsa Família. Diz que o déficit na Previdência é inegável argumentando que o diálogo tem que ser feito com toda a sociedade e não apenas com a elite econômica, mas ainda não apresentou um modelo que defenderia se for eleita. É crítica da reforma trabalhista proposta pelo governo Temer considerando inadmissível ter trabalhadores que ficam em processo de espera, sendo convocados a qualquer momento pelo empregador. Para ela, o problema de segurança pública não se resolve “distribuindo armas para as pessoas” e defende políticas públicas para a população mais vulnerável. É contra a PEC aprovada pelo governo Temer e diz que as medidas são um “golpe” nas políticas públicas. Para ela, gastos devem ser controlados através de lei orçamentária e não com mudança na Constituição. Quanto à política econômica, diz que é “demagogia” dizer que vai reduzir a carga de impostos, mas promete combater o impacto sobre os mais pobres e promover uma divisão mais descentralizada dos recursos em benefício dos estados (VEJA. Eleições 2018: o que pensa Marina Silva, pré-candidata da Rede, Disponível no website < https://veja.abril.com.br/politica/eleicoes-2018-o-que-pensa-marina-silva-pre-candidata-da-rede/>). Constata-se que o programa de governo de Marina Silva é bastante tímido para enfrentar e superar os gigantescos problemas do Brasil, além de não apontar que romperia com o modelo econômico neoliberal que infelicita o Brasil.

Afinal o que pensa Jair Bolsonaro, pré-candidata do PSL? Pretende realizar um programa de privatizações, mas diz que só divulgará as estatais envolvidas em agosto, quando for lançado seu programa de governo e, sobre a Petrobras, disse que o tema “entrou no seu radar”, mas que ainda não tem uma definição e a respeito dos bancos públicos, disse “estudar” a possibilidade. Antes crítico do Bolsa Família, agora defende a manutenção do programa “com auditoria”. Diz ser contra a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo, por ela ser “grande demais”. Bolsonaro afirmou que estuda a questão da reforma trabalhista cogitando propor mudanças graduais nas aposentadorias, priorizando o combate à “fábrica de marajás”.  Votou a favor da proposta da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. Em sabatinas e entrevistas, ele tem repetido o que diz ouvir de empresários: que os trabalhadores brasileiros podem ter que escolher entre ter “menos empregos e mais direitos” ou o oposto. Para combater a criminalidade, pretende promover o endurecimento de leis penais, fortalecer o policiamento e promover a revisão do Estatuto do Desarmamento. Como deputado, votou a favor da PEC que congelou por 20 anos os gastos públicos. Quanto à política econômica, o “guru” do candidato em economia, Paulo Guedes é a favor da manutenção do tripé macroeconômico (com regime de meta fiscal e de inflação, com câmbio flutuante) e defende a necessidade de uma simplificação tributária rumo a um imposto único federal (VEJA. Eleições 2018: o que pensa Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL. Disponível no website < https://veja.abril.com.br/brasil/eleicoes-2018-o-que-pensa-jair-bolsonaro-pre-candidato-do-psl/>). Constata-se que o programa de Bolsonaro é nitidamente neoliberal. Isto significa dizer que ele manteria o “status quo”.

Lamentavelmente, nenhum dos dois candidatos mais competitivos para vencer as eleições presidenciais no Brasil não apresenta efetiva solução para promover o desenvolvimento do Brasil que enfrenta uma recessão profunda jamais vista na história do Brasil. Para promover o crescimento econômico visando elevar os níveis de emprego e renda que resulte no bem-estar de sua população, bem como criar o ambiente propício aos investimentos na atividade produtiva, é preciso que o futuro Presidente da República solucione urgentemente o problema das contas públicas cronicamente deficitárias e combata a estagnação econômica que ameaça o futuro do País.

Qual é o problema das contas públicas do Brasil? Crescimento explosivo dos gastos do governo alimentado pela expansão desmesurada da dívida pública que atinge hoje R$ 3,6 trilhões  que obriga o governo a destinar mais de 50% do orçamento da União ao pagamento dos juros e amortização da dívida pública. Para reduzir o tamanho do gasto público é preciso reduzir o pagamento dos juros (R$ 695 bilhões) renegociando com os credores o alongamento do pagamento da dívida pública a fim de que o governo federal passe a dispor dos recursos necessários a seus investimentos. O verdadeiro ajuste fiscal que deveria ser adotado para solucionar o problema das contas públicas no momento contemplaria, de um lado, o aumento da arrecadação pública com a: 1) taxação das grandes fortunas com patrimônio superior a 1 bilhão de reais  que poderia render aproximadamente 100 bilhões de reais por ano; e, 2) aumento do imposto sobre os bancos cujos lucros têm sido estratosféricos e, de outro, diminuir os gastos do governo com a: 1) redução drástica do número de ministérios e órgãos públicos e dos dispêndios em todos os níveis do governo; e,  2) redução drástica da taxa de juros básica da economia (Selic) para diminuir o tamanho da dívida pública e os encargos com o pagamento dos juros e a amortização da dívida pública.

Para combater a recessão, é necessário que haja o aumento da atividade produtiva em geral que só se realizará com a indispensável queda das taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro, da carga tributária e do custo da logística de energia e transporte do País. Para que isto se realize, é indispensável que: 1) o Banco Central atue sobre o sistema financeiro para reduzir drasticamente as taxas de juros por ele praticadas para elevar o consumo das famílias e o investimento privado; 2) o governo federal reduza a carga tributária diminuindo seus encargos com o pagamento dos juros da dívida pública renegociando com os credores o alongamento do seu pagamento; e, 3) o governo federal incentive o setor privado para investir na infraestrutura de energia, transporte e comunicações para reduzir o custo de sua logística.

Em uma situação excepcional como a atual há uma necessidade imperiosa de planejar o desenvolvimento nacional. O futuro governo brasileiro deveria elaborar um plano econômico que contribua para a retomada do desenvolvimento do Brasil que acene para a população e para os setores produtivos uma perspectiva de retomada do crescimento econômico. É a recessão econômica atual e a inexistência de um plano de desenvolvimento os fatores principais que levam à imobilidade do setor privado na realização de investimentos no Brasil levando-o a uma verdadeira paralisia. Adicionalmente, o governo brasileiro deveria adotar medidas para reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil. O controle de capitais é a peça mais importante para uma estratégia de crescimento e desenvolvimento econômico sustentado, principalmente em economias marcadas pela instabilidade macroeconômica como a do Brasil. O controle de capitais deve ser realizado com a tributação sobre a entrada de capital estrangeiro. O controle de capitais permite selecionar os fluxos de capital confinando os capitais especulativos a volumes administráveis e isolando a economia, em algum grau, dos choques financeiros externos.

Infelizmente para o Brasil, os dois candidatos mais competitivos nas próximas eleições não propõem nenhuma das medidas acima descritas necessárias à superação dos problemas econômicos do País. Marina Silva quanto Jair Bolsonaro não seriam capazes de promover as mudanças estruturais necessárias ao desenvolvimento do Brasil. O futuro do Brasil está ameaçado seja com a vitória de Marina Silva e Jair Bolsonaro que não formulam nada nesta direção. Urge eleger um candidato que seja capaz de romper com o neoliberalismo e implementar um modelo nacional desenvolvimentista que privilegie os interesses nacionais e não os do capital internacional, sobretudo os do capital financeiro. Os candidatos Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Ávila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos e Aldo Rebelo são aqueles que poderiam realizar as mudanças necessárias ao Brasil no momento atual. Pela pesquisa Data Folha, Ciro Gomes é o que reuniria mais condições de vencer as eleições depois de Marina Silva e Bolsonaro.

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).

SCÉNARIOS D’ÉLECTION PRÉSIDENTIELLE AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado *

Fiche de données de recherche Data Folha de l’élection présidentielle au Brésil publié sur le site <http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos -e-nulos.shtml> rapporte que l’ancien président Lula (PT- Parti des travailleurs) maintient le plus haut taux d’intention de vote pour le différend de la présidence entre les pré-candidats avec des noms placés pour concurrencer. Avec 30% dans le cadre unique dans lequel son nom est testé, Lula est en avance sur Jair Bolsonaro, qui a 17%, et Marina Silva, qui a 10%. Avec Lula hors de la course présidentielle et Haddad en tant que candidat de PT, Bolsonaro (19%) mène, et Marina (15%) apparaît sur le prochain niveau. Avec Lula hors de la course présidentielle et Haddad en tant que candidat du PT pour la région du Brésil montre pré-candidat Bolsonaro un avantage dans le Midwest, le Sud et le Sud-Est. Au nord et au nord du Brésil, Marina Silva mène.

Fiche de données de recherche Data Folha indique que entre les électeurs de Lula dans le scénario où leur nom est testé, 17% préfèrent Marina et 13% optent pour Ciro quand Lula est remplacé par Haddad. Partie substantielle (40%) des intentions de vote dans l’ancien président choisit de voter en blanc ou null dans leur absence de l’élection. Dans un autre scénario testé, pas de candidats de PT, Bolsonaro a 19%, et Marina apparaît avec 15%. L’intention de vote spontané, lorsque les noms des candidats potentiels ne sont pas présentés aux électeurs, 12% citent le nom Bolsonaro déjà choisi pour l’élection présidentielle, le même niveau de mentionner Lula (10%). Le rejet des candidats à la présidence a également été la cible de requête dans les données de la recherche Data Folha, et deux anciens présidents mènent la liste: 39% ont dit qu’ils ne voteraient pas du tout à Fernando Collor, qui est suivie par Lula rejeté par 36%. A la suite apparaît Bolsonaro, chez qui 32% ne serait pas voter, puis Alckmin (27%) Marina (24%), Cieo (23%), Maia (20%), Meirelles (17%), Haddad (16%), Fidelix (16%), Alencar (13%), Wagner (12%), Dias (12%), Rebelo (11%), Manuela (11%), Boulos (11%), Rocha (11%), Rabello de Castro (11%), Goulart Filho (10%), Amoedo (10%) et Afif (10%).

Dans les simulations de deuxième tour menées par recherche Datafolha, l’ancien président Lula est resté en tête dans les situations dans lesquelles son nom a été présenté aux électeurs. Dans la confrontation entre Lula et Bolsonaro, 49% préfèrent l’ancien président, et 32%, le député fédéral. Sans Lula, Marina bat Alckmin, Ciro et Bolsonaro, ce dernier étant l’adversaire le plus compétitif du moment. Si le 2e tour a été joué entre Marina et Bolsonaro, Marina Silva aurait 42% des voix, contre 32% des Bolsonaro. Le poids du soutien de Lula pour un candidat dans la course à la présidence est restée stable depuis Avril: 30% voteraient pour un nom pris en charge par PT, et peut-être 17% voteraient. La part de ceux qui ne voteraient pas est de 51%. 62% ont indiqué qu’ils suivraient leur nomination pour une autre candidature présidentielle.

Considérant que Lula ne sera pas candidat, Marina Silva Bolsonaro et d’offrir les meilleures conditions pour atteindre le 2ème tour des élections présidentielles. Sans Lula aux élections, le deuxième tour placera Bolsonaro et Marina Silva en tête des prétendants les plus probables. Les électeurs de Lula, Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Ávila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos et Aldo Rebelo, voteraient probablement pour des raisons idéologiques à Marina Silva en raison de leurs anciens liens avec le PT et la gauche. le gagnant au deuxième tour contre Bolsonaro. Ce transfert probable de voix à Marina Silva expliquerait le résultat des simulations de second tour menées par recherche Datafolha qui pointent la victoire de Marina Silva sur Bolsonaro. Les électeurs de Geraldo Alckmin, de Fernando Collor, de Henrique Meirelles, de Rodrigo Maia, de Flávio Rocha, de João Amoêdo, de Guilherme Afif Domingos, de Levy Fidelix et de Paulo Rabello de Castro voteraient probablement pour Jair Bolsonaro pour des raisons idéologiques et ne constitueraient pas une menace pour les intérêts des classes dirigeantes contrairement à Marina Silva en raison de leurs liens de longue date avec le PT et les forces politiques de gauche.

Après tout, que pensez-vous le pré-candidat Marina Silva? L’ancien ministre a déjà déclaré contre les privatisations de Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil et Caixa. Défend le maintien du programme Bolsa Família. Il dit que le déficit de la sécurité sociale est indéniable en soutenant que le dialogue doit être fait avec toute la société et pas seulement avec l’élite économique, mais n’a pas encore présenté un modèle qui défendrait s’elle était élu. Il critique la réforme du travail proposée par le gouvernement Temer qui considère comme inadmissible d’avoir des travailleurs en attente d’être convoqués à tout moment par l’employeur. Pour elle, le problème de la sécurité publique n’est pas résolu par «la distribution d’armes au peuple» et défend les politiques publiques en faveur des populations les plus vulnérables. Il est contre le PEC (Projet de modification constitutionnelle) approuvé par le gouvernement Temer et dit que les mesures sont un “coup” dans les politiques publiques. Pour elle, les dépenses doivent être contrôlées par la loi budgétaire et non par un changement de la Constitution. En ce qui concerne la politique économique, dit qu’il est « démagogie » qu’il réduira le fardeau fiscal, mais promet de combattre l’impact sur les pauvres et favoriser une répartition plus décentralisée des ressources en benefit des états [VEJA. Eleições 2018: o que pensa Marina Silva, pré-candidata da Rede (Qu’est-ce pense Marina Silva, pré-candidat du Rede). Disponible sur le site < https://veja.abril.com.br/politica/eleicoes-2018-o-que-pensa-marina-silva-pre-candidata-da-rede/>].  On peut voir que le programme gouvernemental de Marina Silva est trop timide pour faire face aux problèmes gigantesques du Brésil, et ne fait pas remarquer qu’il romprait avec le modèle économique néolibéral qui frappe le Brésil.

Alors, que pense le pré-candidat Jair Bolsonaro? Il prévoit de mener un programme de privatisation, mais dit que juste annoncera les entreprises publiques impliquées en août, lorsque son programme gouvernemental sera lancé et, sur Petrobras, a déclaré que le thème “est entré dans son radar”, mais n’a pas encore une définition et concernant les banques publiques, a déclaré “étude” la possibilité. Anciennement critique de Bolsa Família, il préconise maintenant le maintien du programme «audité». Il dit que c’est contre la proposition de réforme des pensions du gouvernement, parce que c’est «trop gros». Bolsonaro a déclaré qu’il étudie la question de la réforme du travail en pensant à proposer des changements progressifs dans les pensions, en donnant la priorité à la lutte contre “l’usine des maharajas”. Il voté en faveur de la proposition de réforme du travail à la Chambre des députés. Au sujet des interviews, il a répété ce qu’il dit avoir entendu des hommes d’affaires: que les travailleurs brésiliens doivent choisir entre “moins d’emplois et plus de droits” ou le contraire. Pour lutter contre la criminalité, il vise à promouvoir le resserrement du droit pénal, à renforcer la police et à promouvoir la révision du statut du désarmement. En tant que député, il a voté en faveur du PEC qui a gelé les dépenses publiques pendant 20 ans. En ce qui concerne la politique économique, le « gourou » du candidat en économie, Paulo Guedes est en faveur du maintien du trépied macro-économique (avec régime de ciblage budgétaire et l’inflation, avec taux de change flottants) et défend la nécessité d’une simplification fiscale à une taxe fédéral seulement [VEJA. Eleições 2018: o que pensa Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL (que pense Jair Bolsonaro, pré-candidat du PSL).  Disponible sur le site < https://veja.abril.com.br/brasil/eleicoes-2018-o-que-pensa-jair-bolsonaro-pre-candidato-do-psl/>]. On peut voir que le programme de Bolsonaro est clairement néolibéral. Cela signifie qu’il maintiendrait le “statu quo”.

Malheureusement, aucun des deux candidats les plus compétitifs pour remporter les élections présidentielles au Brésil ne présente une solution efficace pour promouvoir le développement du Brésil qui fait face à une profonde récession jamais vue dans l’histoire du Brésil. Pour favoriser la croissance économique visant à élever les niveaux d’emploi et de revenu qui se traduit par le bien-être de sa population, ainsi que de créer un environnement propice à l’investissement dans l’activité productive, il est nécessaire que le futur Président de la République à résoudre d’urgence le problème des comptes publics déficience chronique et combattre la stagnation économique qui menace l’avenir du pays.

Quel est le problème avec les comptes publics du Brésil? La croissance explosive des dépenses publiques alimentée par l’expansion démesurée de la dette publique qui totalise maintenant R$ 3,6 billions, ce qui oblige le gouvernement à consacrer plus de 50% du budget de l’Union au paiement des intérêts sur la dette publique. Pour réduire la taille des dépenses publiques est nécessaire de réduire les paiements d’intérêts (R$ 695 milliards) renégociant avec les créanciers le report du paiement de la dette publique pour que le gouvernement fédéral dispose des ressources nécessaires à ses investissements. Le rajustement fiscal qui devrait être adoptée pour résoudre le problème des finances publiques au moment comprendrait, d’une part, l’augmentation des recettes publiques avec: 1) l’imposition des grandes fortunes avec des actifs dépassant 1 milliard de reais et pouvant rapporter environ 100 milliards de reais par an; et 2) l’augmentation de la taxe sur les banques dont les bénéfices ont été montée en flèche et de l’autre, réduire les dépenses publiques avec: 1) la réduction drastique du nombre de ministères et d’organismes gouvernementaux et les dépenses du gouvernement à tous les niveaux; et 2) la réduction drastique du taux d’intérêt de base de l’économie (SELIC) pour diminuer la taille de la dette publique et la charge des paiements d’intérêts et le remboursement de la dette publique.

Pour lutter contre la récession, il faut une augmentation de l’activité productive en général qui aura lieu uniquement avec la baisse nécessaire des taux d’intérêt par le système financier, de la charge fiscale et le coût de l’énergie de la logistique et de transport dans le pays. Pour que cela se produise, il est essentiel que: 1) la Banque centrale d’agir sur le système financier afin de réduire considérablement les taux d’intérêt pratiqués par lui pour augmenter la consommation des ménages et de l’investissement privé; 2) le gouvernement fédéral réduit le fardeau fiscal en réduisant son fardeau en payant des intérêts sur la dette publique en renégociant avec les créanciers l’allongement de son paiement; et, 3) le gouvernement fédéral pour encourager le secteur privé à investir dans les infrastructures d’énergie, des transports et des communications pour réduire le coût de leur logistique.

Dans une situation exceptionnelle comme le présent, il est impératif de planifier le développement national. Le futur gouvernement brésilien devrait élaborer un plan économique qui contribue à la reprise du développement au Brésil qui indique pour la population et pour les secteurs productifs une perspective de reprise de la croissance économique. Est la récession économique actuelle et l’absence d’un plan de développement des facteurs qui conduisent à l’immobilité du secteur privé dans les investissements au Brésil lui menant à une véritable paralysie. En outre, le gouvernement brésilien devrait adopter des mesures pour réduire la vulnérabilité externe du Brésil. Le contrôle du capital est la partie la plus importante pour une stratégie de croissance et de développement économique durable, en particulier dans les économies marquées par l’instabilité macro-économique comme le Brésil. Le contrôle du capital doit être effectué avec l’imposition sur l’afflux de capitaux étrangers. Les contrôles de capitaux vous permet de sélectionner les flux de capitaux spéculatifs à confiner le capital des volumes à gérer et isoler l’économie, dans une certaine mesure, des chocs financiers extérieurs.

Malheureusement pour le Brésil, les deux candidats les plus compétitifs lors des prochaines élections n’offrent aucune des mesures ci-dessus nécessaires pour surmonter les problèmes économiques du pays. Marina Silva et Jair Bolsonaro ne serait pas en mesure de promouvoir les changements structurels nécessaires au développement du Brésil. L’avenir du Brésil est menacé soit par la victoire de Marina Silva et Jair Bolsonaro qui ne formulent rien dans cette direction. Il est important d’élire un candidat capable de rompre avec le néolibéralisme et de mettre en œuvre un modèle de développement national qui privilégie les intérêts nationaux et non ceux du capital international, en particulier le capital financier. Les candidats Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Avila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos et Aldo Rebelo sont ceux qui pourraient apporter les changements nécessaires au Brésil à l’heure actuelle. Selon l’enquête Data Folha, Ciro Gomes est celui qui réunirait le plus de conditions pour remporter les élections après Marina Silva et Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 13 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

PRESIDENTIAL ELECTION SCENARIOS IN BRAZIL

Fernando Alcoforado *

The research Data Folha of the presidential elections in Brazil published on the website <http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos -e-nulos.shtml> informs that former president Lula (PT- Workers Party) maintains the highest rate of voting intentions for the presidency of the Republic among the pre-candidates with names placed for the dispute. With 30% in the only scenario where his name is tested, Lula is ahead of Jair Bolsonaro, who has 17%, and Marina Silva, who has 10%. With Lula out of the presidential race and Haddad as PT candidate, Bolsonaro (19%) leads, and Marina (15%) comes on the next level. With Lula out of the presidential race and Haddad as a PT candidate, the region dispute in Brazil shows the pre-candidate Bolsonaro in an advantage in the Midwest, in the South region and in the Southeast region. In the Northeast and North of Brazil, Marina Silva leads.

The research Data Folha informs that among Lula’s voters in the scenario where his name is tested, 17% prefer Marina and 13% choose Cyrus when Lula is replaced by Haddad. A substantial part (40%) of the intentions of the former president chooses to vote blank or void in his absence from the election. In another scenario tested, without PT applications, Bolsonaro has 19%, and Marina appears with 15%. In the intention to vote spontaneously, when the names of potential candidates are not presented to voters, 12% cite Bolsonaro as the name already chosen for the presidential election, at the same level as those mentioned by Lula (10%). The rejection of the presidential candidates was also consulted in the research Data Folha, and two former presidents lead the list: 39% declare that they would not vote at all on Fernando Collor, who is followed by Lula rejected by 36%. In the sequence appears Bolsonaro, in which 32% would not vote, and then Alckmin (27%), Marina (24%), Ciro (23%), Maia (20%), Meirelles Fidelix (16%), Alencar (13%), Wagner (12%), Dias (12%), Rebelo (11%), Manuela Castro (11%), Goulart Filho (10%), Amoedo (10%) and Afif (10%).

In the second round simulations conducted by research Datafolha, former President Lula stayed ahead in the situations in which his name was presented to voters. In the clash between Lula and Bolsonaro, 49% prefer the former president, and 32%, the federal deputy. Without Lula, Marina would beat Alckmin, Ciro and Bolsonaro, with the latter being the most competitive opponent at the moment. If the second round was disputed between Marina and Bolsonaro, Marina Silva would have 42% of the intentions to vote, compared to 32% of Bolsonaro. The weight of Lula’s support for a candidate in the race for the presidency has been stable since April: 30% would certainly vote for a name supported by the PT, and 17% would perhaps vote. The share of those who would not vote is 51%. 62% indicated that they would follow their nomination for another presidential candidacy.

Considering that Lula will not be a candidate, Bolsonaro and Marina Silva are in the best position to reach the second round of presidential elections. Without Lula in the elections, the second round will put Bolsonaro and Marina Silva ahead as the most likely contenders. The voters of Lula, Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Ávila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos and Aldo Rebelo, would probably vote for ideological reasons in Marina Silva due to their longstanding ties with the PT and left-wing political forces because of their old ties with the PT winning her in the second round against Bolsonaro. This likely transfer of votes to Marina Silva would explain the result of the second round simulations conducted by research Datafolha that points Marina Silva’s victory over Bolsonaro. The voters of Geraldo Alckmin, Fernando Collor, Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Flávio Rocha, João Amoêdo, Guilherme Afif Domingos, Levy Fidelix and Paulo Rabello de Castro would probably vote for Jair Bolsonaro for ideological reasons and because he would not constitute a threat to the interests of the ruling classes unlike Marina Silva because of their longstanding ties to the PT and leftist political forces.

After all, what do you think Marina Silva pre-candidate? The former minister has already said against the privatizations of Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil and Caixa. Defends the maintenance of the Bolsa Família Program. She says that the deficit in Social Security is undeniable by arguing that dialogue has to be done with all society and not just with the economic elite, but has not yet presented a model that would defend if elected. It is critical of the labor reform proposed by the government Michel Temer considering it inadmissible to have workers who are in the process of waiting, being summoned at any moment by the employer. For her, the problem of public security is not solved by “distributing weapons to the people” and defends public policies for the most vulnerable population. It is against the PEC (Draft Constitutional Amendment) approved by the Temer government and says that the measures are a “blow” in public policies. For her, spending must be controlled through budget law and not with change in the Constitution. As for economic policy, it says that it is “demagoguery” to say that it will reduce the tax burden, but promises to combat the impact on the poorest and to promote a more decentralized division of resources to the benefit of states [VEJA. Eleições 2018: o que pensa Marina Silva, pré-candidata da Rede (2018 elections: what think Marina Silva, the Rede’s pre-candidate). Available on the website < https://veja.abril.com.br/politica/eleicoes-2018-o-que-pensa-marina-silva-pre-candidata-da-rede/>].  It can be seen that Marina Silva’s government program is too timid to face and overcome Brazil’s gigantic problems, besides not pointing out that it would break with the neoliberal economic model that inflicts Brazil. Marina Silva will not solve Brazil’s economic problems.

So what think Jair Bolsonaro pre-candidate? He intends to carry out a privatization program, but says it will only disclose the state-owned companies involved in August, when its government program will be launched and, on Petrobras, said that the theme “has entered its radar”, but does not yet have a definition and about public banks, said “studying” the possibility. Formerly critical of Bolsa Família Program, he now advocates maintaining the “audited” program. He says it is against the government’s pension reform proposal, because it is “too big”. Bolsonaro said that he is studying the issue of labor reform thinking of proposing gradual changes in pensions, prioritizing the fight against the “factory of maharajas”. He voted in favor of the proposal of the labor reform in the Chamber of Deputies. On interviews, he has repeated what he says he has heard from businessmen: that Brazilian workers may have to choose between having “fewer jobs and more rights” or the opposite. To combat crime, it aims to promote the tightening of criminal law, strengthen policing and promote the revision of the Disarmament Statute. As a federal deputy, he voted in favor of the PEC which froze public spending for 20 years. As for economic policy, the “guru” of the candidate in economics, Paulo Guedes is in favor of maintaining the macroeconomic tripod (with fiscal and inflation targeting, with floating exchange rate regime) and argues for the need of a tax simplification towards a tax the only federal government [VEJA. Eleições 2018: o que pensa Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL (What thinks Jair Bolsonaro, pre-candidate of the PSL). Available on the website < https://veja.abril.com.br/brasil/eleicoes-2018-o-que-pensa-jair-bolsonaro-pre-candidato-do-psl/>]. It can be seen that the Bolsonaro program is clearly neoliberal. This means that he would maintain the status quo. Jair Bolsonaro will not solve Brazil’s economic problems.

Unfortunately, none of the two most competitive candidates to win the presidential elections in Brazil does not present an effective solution to promote the development of Brazil that faces a deep recession never seen in Brazil’s history. In order to promote economic growth in order to raise employment and income levels that will result in the well-being of its population, as well as to create an environment conducive to investments in productive activity, it is necessary that the future President of the Republic solve urgently the problem of public accounts chronically deficient and combat economic stagnation that threatens the country’s future.

What is the problem with Brazilian public accounts? Explosive growth of government spending fueled by the massive expansion of public debt that currently reaches R$ 3.6 trillion, which obliges the government to allocate more than 50% of the Union budget to the payment of interest and amortization on public debt. To reduce the size of public spending, it is necessary to reduce interest payments (R$ 695 billion) by renegotiating with creditors the lengthening of the payment of public debt so that the federal government will have the necessary resources for its investments. The real fiscal adjustment that should be adopted to solve the problem of public accounts at the moment would contemplate, on the one hand, the increase of the public collection with: 1) taxation of large fortunes with assets over R$1 billion that could yield approximately R$ 100 billion per year; and (2) an increase in the tax on banks whose profits have been stratospheric and, on the other, to reduce government spending by: 1) drastically reducing the number of ministries and public agencies and expenditures at all levels of government; and (2) a drastic reduction of the basic interest rate of the economy (Selic) to reduce the size of public debt and the burden of paying interest and amortizing public debt.

In order to combat the recession, there is a need to increase the productive activity in general, which will only take place with the indispensable reduction of the interest rates practiced by the financial system, the tax burden and the cost of the country’s energy and transportation logistics. For this to happen, it is essential that: 1) the Central Bank act on the financial system to drastically reduce the interest rates it has practiced to raise household consumption and private investment; 2) the federal government reduces the tax burden by reducing its burden by paying interest on public debt by renegotiating with creditors the lengthening of its payment; and 3) the federal government encourages the private sector to invest in energy, transportation and communications infrastructure to reduce the cost of its logistics.

In an exceptional situation like the present there is an imperative need to plan national development. The future Brazilian government should devise an economic plan that will contribute to the resumption of Brazil’s development that will give the population and the productive sectors a perspective of resumption of economic growth. It is the current economic recession and the lack of a development plan the main factors that lead to the immobility of the private sector in the realization of investments in Brazil leading to a real paralysis. In addition, the Brazilian government should adopt measures to reduce Brazil’s external vulnerability. Capital control is the most important part of a sustained growth and economic development strategy, especially in economies marked by macroeconomic instability such as Brazil. The control of capital must be carried out with the taxation on the inflow of foreign capital. Capital control allows the selection of capital flows by confining speculative capital to manageable volumes and isolating the economy to some degree from external financial shocks.

Unfortunately for Brazil, the two most competitive candidates in the next elections do not propose any of the measures described above necessary to overcome the country’s economic problems. Marina Silva and Jair Bolsonaro would not be able to promote the structural changes necessary for the development of Brazil. The future of Brazil is threatened either with the victory of Marina Silva and Jair Bolsonaro that do not formulate anything in this direction. It is urgent to elect a candidate who is able to break with neoliberalism and implement a national development model that privileges national interests and not those of international capital, especially those of financial capital. The candidates Ciro Gomes, Alvaro Dias, Manuela D’Ávila, João Goulart Filho, Guilherme Boulos and Aldo Rebelo are those who could make the necessary changes to Brazil at the present time. By the research Data Folha, Ciro Gomes is the one that would meet the most conditions to win the elections after Marina Silva and Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 78, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 13 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

IMPACTOS DA TECNOLOGIA NA ERA VARGAS E NA ERA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Pode-se afirmar que Getúlio Vargas foi responsável pelo desencadeamento da Revolução Industrial no Brasil que ocorreu de 1930 a 1956 com um atraso de mais de 200 anos em relação à 1ª Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra. A Primeira Guerra Mundial funcionou como fator de impulso da industrialização no Brasil porque as relações tradicionais de troca (exportação de produtos primários e importação de produtos elaborados) ficaram prejudicadas pelo conflito mundial e porque provocou, também, a suspensão da entrada de capitais estrangeiros. Até 1930, era insignificante a participação da indústria na economia brasileira. A economia do país continuava extremamente dependente do setor agroexportador, especialmente do café, que respondia por aproximadamente 70% das exportações brasileiras.

As forças políticas que assumiram o poder no Brasil em 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas apoiaram e implementaram um projeto de industrialização com o objetivo de retirá-lo do atraso econômico e impulsioná-lo rumo ao progresso com a implantação de um parque industrial próprio, nos moldes das nações europeias desenvolvidas e dos Estados Unidos. Foi a primeira vez na história do Brasil que um governo fez semelhante opção. Vargas investiu fortemente na criação da infraestrutura industrial com a indústria de base e energia. Foi criado o Conselho Nacional de Petróleo em 1938, a Companhia Siderúrgica Nacional em 1941, a Companhia Vale do Rio Doce em 1943 e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco em 1945.

A industrialização no Brasil se desenvolveu através do processo de substituição de importações, isto é, produzindo no país o que antes era importado do exterior. Na primeira fase da industrialização de 1930 a 1940, a ênfase foi na produção de bens de consumo imediato (bens não duráveis). Assim, germinaram o artesanato, pequenas fábricas e indústrias de médio porte em todos os pontos habitados do país, onde havia razoável demanda dos consumidores, com maior ênfase nos centros mais populosos e onde era maior a presença de imigrantes europeus, que tinham algum conhecimento desse tipo de atividade econômica. Os principais ramos da indústria brasileira eram os de alimentação, vestuário (tecidos, calçados, chapéus, etc.), utensílios domésticos, instrumentos de trabalho, equipamentos simples, bens de uso caseiro, bebidas, etc. A dianteira do processo de industrialização foi assumida por São Paulo e pelo Rio de Janeiro.

  1. Impactos da tecnologia na Era Vargas

O governo Getúlio Vargas fomentou o desenvolvimento industrial e a proteção à indústria nascente. Em termos políticos, cooptou a burguesia urbana e promoveu a incorporação do proletariado à sociedade moderna. A proposta do governo Vargas era de promover o desenvolvimento tecnológico para a indústria e a formação do trabalhador ideal nos moldes da nova subordinação do trabalho ao capital. Os investimentos em Ciência e Tecnologia (C&T) são arcados, majoritariamente, pelo setor público que evita a política nefasta dos governos anteriores de redução dos recursos em P&D, promove a inovação e incorpora novas tecnologias para evitar o atraso em relação ao progresso técnico existente na economia mundial.

O avanço da industrialização brasileira na década de 1930 foi um elemento dinamizador do desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil. O período do primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945) pode ser considerado como o momento chave no processo de modernização econômica do Brasil. A superação da defasagem industrial do Brasil em relação aos países capitalistas desenvolvidos ocorreu exatamente neste período. É oportuno lembrar que a 1ª Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, no século XVIII (1780-1830) e que a 2ª Revolução Industrial ocorreu no período de 1860 a 1900.

O sistema de técnica e de trabalho da 2ª Revolução Industrial é o fordista, termo que se refere ao empresário Henry Ford, criador da linha de montagem na sua indústria automobilística em Detroit, Estados Unidos, sistema que se tornou o paradigma de regulação técnica e do trabalho conhecido em todo o mundo industrial. A tecnologia característica desse período é o aço, a metalurgia, a eletricidade, a eletromecânica, o petróleo, o motor a explosão e a petroquímica. A eletricidade e o petróleo são as principais formas de energia.

A união entre a ciência e a indústria constituiu um sistema integrado de produção científica nos países capitalistas desenvolvidos desde o final do século XIX abrangendo o sistema industrial empenhado na produção de inovações técnicas e as universidades e institutos de pesquisa, fato este que tornou a ciência e a tecnologia indissociáveis e reciprocamente estimulantes de novos desenvolvimentos. No Brasil, a estratégia de intervenção do Estado na economia teve seu marco histórico no primeiro governo do presidente Getúlio Vargas (1930-1945). O Estado brasileiro, dentro dos parâmetros políticos da época (início da década de 1930), reconheceu a importância da C&T para o desenvolvimento econômico do país, isto é, do conhecimento tecnológico para a indústria. E é neste lastro histórico que se situa a gênese das políticas de C&T no Brasil.

O governo Getúlio Vargas promoveu a criação de conselhos científicos, conselhos técnicos com a participação de empresários, institutos de pesquisa aplicada e agiu, sobretudo, na capacitação do trabalhador nacional para atender a nova indústria emergente no país. O efeito prático da qualificação do trabalhador era desejado no contexto dos novos processos econômicos mundiais e, internamente, no momento em que se consolidava uma sociedade urbana e burguesa no Brasil. Se a modernização do país passava pela urbanização e industrialização compreendidas como processos integrados e interdependentes do desenvolvimento científico e tecnológico, a regulamentação do trabalho foi uma proposta absolutamente nova no quadro político-social brasileiro, até então marcado pela representação da oligarquia rural, pelo clientelismo e ainda pela falta de uma legislação trabalhista.

O modelo de desenvolvimento do segundo governo Getúlio Vargas de 1951 a 1954 continuou a se caracterizar pelo desenvolvimento industrial, nacionalismo e dirigismo estatal. Nesse período processou-se a reestruturação do Estado brasileiro, com a criação de novas agências voltadas para a formulação de políticas econômicas, como a Assessoria Econômica da Presidência da República e a Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI). A política econômica do governo Vargas envolvia um Plano de Reaparelhamento Econômico e um programa industrial com a formulação de várias políticas setoriais. No campo da infraestrutura foram criados o Fundo Rodoviário Nacional e o Plano Nacional do Carvão. Formulou-se também uma política de aparelhamento de portos e ferrovias, criou-se o Fundo Nacional de Eletrificação e propôs-se a criação da Eletrobrás, que só seria aprovada em 1961. Os pontos altos foram a criação da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

  1. Impactos da tecnologia na Era Contemporânea

Após a 1ª Revolução Industrial que ocorreu na Inglaterra, no século XVIII (1780-1830) e a 2ª Revolução que ocorreu no período de 1860 a 1900 na Inglaterra, Alemanha, França, Rússia, Itália e nos Estados Unidos, o mundo conheceu a 3ª Revolução Industrial na década de 1970 do século XX, tendo por base a revolução técnico-científica inspirada no Sistema Toyota de produção do Japão que foi o principal modelo da reestruturação produtiva que substituiu o sistema fordista inaugurado no início do século XX e tem como principal característica e objetivo a produção somente do necessário e no menor tempo. É o just-in-time.

Hoje, o mundo vivencia a Revolução Informacional ou Pós- Industrial que é denominada por alguns, também, como 4ª Revolução Industrial, Revolução 4.0 e Revolução Digital. Essa revolução amplia exponencialmente as diferenças na capacidade de tratar informações e transformá-las em conhecimento.  Especialistas acreditam que a inteligência das máquinas (computadores) se equiparará à de humanos até 2050, graças a uma nova era na sua capacidade de aprendizado. Computadores já estão começando a assimilar informações a partir de dados coletados. Isso significa que estamos criando máquinas que podem ensinar a si mesmas e também a se comunicar simulando a fala humana, como acontece com os smartphones e seus sistemas de assistentes virtuais. A imediata consequência do progresso da inteligência artificial é o avanço do desemprego.

Em 2013, pesquisadores da Oxford University publicaram um estudo detalhado do impacto da computação sobre o emprego nos Estados Unidos considerando os avanços recentes em aprendizado de máquinas (machine learning) e robôs móveis. Os pesquisadores concluíram que somente um terço dos atuais trabalhadores estão salvos de substituição por máquinas inteligentes nas próximas décadas.  Diante da perspectiva de substituição dos trabalhadores por máquinas, as soluções que se apresentam para mitigar os efeitos do desemprego gerado pelo avanço tecnológico nos marcos atuais de desenvolvimento do capitalismo dizem respeito à adoção da Economia Criativa, da Economia Social e Solidária e do Programa de Transferência de Renda.  Estas seriam as soluções a serem utilizadas enquanto existir o capitalismo para atenuar os problemas sociais gerados pela tecnologia até que seja implantada uma nova sociedade pós-capitalista em que seja eliminada a contradição entre a tecnologia e os trabalhadores.

O termo “Economia Criativa” se refere a atividades com potencial socioeconômico que lidam com criatividade, conhecimento e informação. Para entendê-la, é preciso ter em mente que empresas deste segmento combinam a criação, produção e a comercialização de bens criativos de natureza cultural e de inovação como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho.

A política de garantia de renda para os trabalhadores proposta por Friedrich August von Hayek, economista e filósofo austríaco, inspirou o programa neoliberal de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família. Além da necessidade de prover uma segurança básica líquida, há um poderoso argumento para a adoção da política de garantia de renda porque o avanço tecnológico, além de promover o desemprego em massa e vertiginosa desigualdade social, ameaça o próprio capitalismo com a perspectiva de queda vertiginosa do consumo. A política de garantia de renda proporcionaria as condições para os trabalhadores desempregados consumirem.

  1. Conclusão

Da mesma forma que, em 1930, quando o Brasil teve de enfrentar o desafio de superar a defasagem tecnológica para se industrializar, o desafio é maior ainda na atualidade com a necessidade de sustar o processo de desindustrialização em curso do País e se atualizar tecnologicamente acompanhando o gigantesco avanço tecnológico que ocorre no mundo. O Brasil precisa incorporar a seus sistemas produtivos os avanços tecnológicos resultantes da 3ª Revolução Industrial e da 4ª Revolução Industrial ou Revolução Informacional ou Pós-Industrial.  Para tanto, urge a adoção de uma política industrial e de desenvolvimento científico e tecnológico que contribua para alavancar o setor industrial que só poderá ocorrer com a substituição do modelo econômico neoliberal responsável pelo desastre econômico em que vive o Brasil pelo modelo nacional desenvolvimentista similar ao adotado pelo governo Getúlio Vargas fortemente apoiado no mercado interno e no desenvolvimento da indústria nacional.

*Fernando Alcoforado, membro da Academia Baiana de Educação e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).