CAUSAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL E SUAS SOLUÇÕES

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as causas e as soluções que poderiam eliminar a violência no Brasil. Cada vez mais, os meios de comunicação deixam explícito que o Brasil está crescentemente vulnerável à violência, obrigando-nos a constatar que ela invadiu todas as áreas da vida e das relações sociais do cidadão brasileiro. O artigo A violência no Brasil mata mais que a Guerra na Síria, publicado pelo jornal El País em 2017, através do website <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/11/politica/1513002815_459310.html>, informa que, entre 2001 e 2015, houve 786.870 homicídios no Brasil, a enorme maioria (70%) causados por arma de fogo e contra jovens negros. Este número de mortes supera amplamente o do conflito na Síria quando morreram 330.000 pessoas e a guerra do Iraque que somou 268.000 mortes desde 2003. Segundo o jornal El País, o Brasil é o país que mais mata no século XXI. O agravamento da violência no Brasil resulta, entre outros fatores, do desemprego em massa e da evasão escolar, conforme constatou o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do governo federal. O horror do desemprego em massa sem precedentes na história do Brasil com cerca de 12,9 milhões de brasileiros desempregados e desalentados (força de trabalho potencial que não busca trabalho) e cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 11 a 19 anos que não estão frequentando a escola no território nacional explicam em grande medida a escalada da violência no Brasil.

O artigo Estudo relaciona taxa de homicídios a desemprego e evasão escolar, publicado em 2019 no website <https://www.brasildefato.com.br/2019/10/21/estudo-relaciona-taxa-de-homicidios-a-desemprego-e-evasao-escolar#:~:text=Um%20estudo%20divulgado%20pelo%20pelo,homic%C3%ADdios%20sobem%201%2C8%25>, informa que estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) relaciona as taxas de homicídio entre homens no Brasil ao desemprego e à evasão escolar. Segundo o estudo, a cada 1% de aumento no desemprego, os homicídios sobem 1,8%. O estudo do IPEA aponta ainda que a taxa de atendimento escolar, que correspondeu ao número de pessoas matriculadas em relação à população de sua respectiva faixa etária, também possui relação com a taxa de homicídios. Para cada crescimento de 1% no atendimento escolar entre 15 e 17 anos, os homicídios caem 1,9%. O artigo Determinantes da violência no Brasil de Luciana da Silva Teixeira, publicado pela Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados, Centro de Documentação e Informação, Coordenação de Biblioteca, informa que os dados da violência em nosso País mostram a falta de perspectiva principalmente da população jovem, que não encontra emprego, tornando-se presa fácil dos traficantes de drogas. Não é por acaso que, na mesma faixa etária em que se verificou crescimento assustador da violência, concentram-se 45% dos desempregados da Nação, de acordo com o Ministério do Trabalho. Esses dados apontam, mais uma vez, para uma possível correlação entre desemprego e violência no Brasil.

O artigo do UOL 4 dados que mostram por que Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, segundo relatório, publicado no website  <https://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2021/12/07/4-dados-que-mostram-por-que-brasil-e-um-dos-paises-mais-desiguais-do-mundo-segundo-relatorio.htm>,  informa que a metade dos mais pobres do Brasil ganha 29 vezes menos do que os 10% mais ricos, os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total, a  metade mais pobre no Brasil possui menos de 1% da riqueza do país e o 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira. Embora o Brasil esteja entre os onze países com o PIB mais alto do mundo, é o segundo país mais desigual do mundo com a segunda maior concentração de renda do planeta. O Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo, segundo relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado em dezembro de 2019. O Brasil está atrás apenas do Catar, quando analisado o 1% mais rico. Pesquisa comparativa liderada por Thomas Piketty, autor de O Capital no século XXI publicado em 2014, aponta que o Oriente Médio tem 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%.

A existência do desemprego em massa, da elevada evasão escolar e das desigualdades sociais resultam da incapacitação do Estado brasileiro provocada pelo modelo econômico neoliberal adotado por todos os governantes do País desde 1990 que tem sido o grande responsável por levar o País à devastação social na atualidade, acentuada desindustrialização do País, crise fiscal da União, dos Estados e dos Municípios, elevação vertiginosa da dívida pública federal, o desemprego em massa e a excessiva concentração de renda que demonstram a inviabilidade do modelo econômico neoliberal implantado no Brasil. Com a implantação do modelo econômico neoliberal, houve a  incapacitação do Estado brasileiro de investir em políticas sociais desde 1990 com sua transformação em estado mínimo para intervir o mínimo possível principalmente na economia do país e, também, em questões sociais. É oportuno observar que a doutrina neoliberal prega a menor participação possível do Estado na economia, a privatização de empresas estatais e a desnacionalização da economia brasileira, dando preferência ao setor privado. Foi isto que aconteceu com o Brasil desde 1990 apesar das esforços dos governos Lula e Dilma Rousseff para atenuar as desigualdades sociais do País com a adoção dos programas Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, entre outras medidas, quando ocorreu a queda na concentração da renda no Brasil de 2003 a 2015.

Com a introdução do modelo econômico neoliberal no Brasil de abertura da economia brasileira ao capital internacional e aos produtos importados houve, como consequência, o declínio econômico do Brasil que fez com que houvesse queda na arrecadação de tributos do governo federal e aumento do déficit público com a consequente incapacitação do governo brasileiro de realizar investimentos econômicos e sociais. Para financiar o déficit público, o governo federal se endividou excessivamente disto resultando o aumento exponencial dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública. Este fato fez com que cerca de 40% do orçamento da União tenha sido destinado ao pagamento dos juros e amortização da dívida pública, como ocorreu em 2019, por exemplo, quando o orçamento da União destinou 38,27% dos recursos do governo para pagamento dos juros e amortização da dívida pública e apenas 13,78% para gastos sociais.

O golpe de misericórdia contra o Estado brasileiro ocorreu com a imposição da política do teto de gastos governamentais adotado pelo governo Michel Temer e com a autonomia do Banco Central adotado pelo governo Jair Bolsonaro. Com o teto de gastos públicos, o Estado brasileiro ficou limitado em sua capacidade de promover investimento público devido à asfixia financeira em que ficou submetido e, também, com as taxas de juros maiores do mundo praticadas pelo Banco Central que contribuiu para aumentar a dívida pública e inviabilizar a capacidade do governo federal de adotar políticas econômicas, fiscais e monetárias, compatíveis com as necessidades do País. A insuficiência de recursos governamentais destinados às políticas econômicas e sociais no Brasil tem contribuído para o agravamento das desigualdades sociais as quais têm proporcionado o tensionamento do ambiente social que contribui para o aumento da violência no País. O arcabouço fiscal do governo Lula aprovado pelo Congresso Nacional melhorou a situação ao admitir que o gasto do governo se pudesse se elevar com o aumento da arrecadação de tributos. No entanto, não soluciona a crise fiscal do governo brasileiro porque não equaciona a questão central que são os elevados encargos do governo federal com o pagamento da dívida pública.

A insuficiência de recursos governamentais tem contribuído para que o governo brasileiro não promova políticas econômicas e sociais eficazes no Brasil contribuindo, desta forma para o agravamento do desemprego, da evasão escolar e das desigualdades sociais as quais têm proporcionado o tensionamento do ambiente social que influencia o comportamento social dos indivíduos no País. Em sua obra Paz e Guerra entre as nações, publicado em 2018 pela Editora Martins Fontes de São Paulo, o grande pensador francês Raymond Aron afirma que a agressividade humana é influenciada, de muitos modos, pelo contexto social. Ele informa, também, que a frustração e a inadaptação do indivíduo ao ambiente social contribui para que a reação agressiva se constitua no fato mais importante nas relações humanas. Aron é defensor da tese de que “todos os indivíduos sentem frustações desde a infância. A frustração é antes de mais nada a experiência de uma privação, isto é, um bem desejado e não alcançado, uma opressão sentida penosamente”. Fica evidenciado, portanto, que o ambiente social caracterizado pelo desemprego em massa, por elevada evasão escolar, pela extrema desigualdade econômica e social e a incapacidade do Estado brasileiro de solucionar estes problemas faz com que os indivíduos desassistidos pelo governo brasileiro, na busca de sua sobrevivência, ajam de forma violenta e colaborem, também, com o crime organizado. 

Para eliminar a violência no Brasil, é preciso fazer com que o péssimo ambiente social existente no Brasil deixe de atuar de forma maléfica sobre as populações marginalizadas econômica e socialmente. Para que o ambiente social seja benéfico para as populações marginalizadas do Brasil, é preciso que seja adotado um novo modelo de sociedade que possibilite a superação do desemprego, da evasão escolar, das desigualdades sociais e uma convivência civilizada entre todos os seus habitantes que é o Estado de Bem Estar Social nacional desenvolvimentista. Este modelo de sociedade tem que ser nacional desenvolvimentista porque o Estado brasileiro assumiria o papel de indutor do desenvolvimento econômico e social e a abertura econômica com o exterior seria seletiva e o novo modelo a ser adotado no Brasil seria, também, de bem estar social similar ao Estado de Bem Estar Social existente nos países da Escandinávia (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) para reduzir as crescentes desigualdades sociais.  É oportuno observar que, em 2022, a revista The Economist declarou que os países escandinavos são provavelmente os mais bem governados do mundo. O relatório World Happiness Report 2022 mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista. Os países escandinavos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade. Não é por acaso que os países escandinavos, além de apresentarem grandes êxitos econômicos e sociais, são líderes em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo.

Para combater as desigualdades sociais, o desemprego, a evasão escolar e a extrema pobreza da população, o governo federal deveria assumir as rédeas da economia nacional abandonando o fracassado modelo econômico neoliberal para reativar a economia brasileira e o pleno emprego com a execução, de imediato, de um amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) com a participação do setor privado para combater o desemprego em massa atual elevando os níveis de emprego e  a renda das famílias e das empresas para, em consequência, promover a expansão do consumo das famílias e das empresas resultantes, respectivamente, do aumento da massa salarial das famílias e da renda das empresas com os investimentos em obras públicas para fazer o Brasil voltar a crescer economicamente. Além disso, o governo federal deveria adotar a imediata auditoria da dívida pública seguida de renegociação com o alongamento do tempo de pagamento dos juros da dívida interna pública do país visando a redução dos encargos governamentais com o pagamento da dívida pública para elevar a poupança pública para investimento,  promover o aumento da arrecadação pública com a taxação das grandes fortunas, dos dividendos de pessoas físicas e dos bancos e a eliminação de gastos supérfluos em todos os poderes da República com a redução de órgãos públicos e de pessoal comissionado. Estas medidas contribuiriam para o governo federal dispor de recursos para reativar a economia e robustecer os programas sociais de combate às desigualdades sociais e a pobreza extrema.

Para atenuar o desemprego, o governo brasileiro deveria, adicionalmente, adotar políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da economia social e solidária através da qual haveria a possibilidade de, entre outras medidas, recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho. Em sua obra L´économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016), Géraldine Lacroix e Romain Slitine afirma que a Economia Social e Solidária é uma das soluções para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. Segundo Lacroix e Slitine, a Economia Social e Solidária oferece respostas para numerosas questões da sociedade contemporânea. Nesta obra consta a informação de que a economia social e solidária corresponde a 10% do PIB e é responsável por 12,7% do emprego na França. No Brasil, a economia social e solidária representa 1% do PIB (REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil. Disponível no website  <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>). Além da economia social e solidária, deveria haver a implementação da renda básica ou renda mínima universal para atenuar a pobreza com o reforço do Programa Bolsa Família.

O combate à violência que se registra no Brasil deveria consistir, portanto, na adoção de estratégias emergenciais a curto prazo contemplando, de imediato, a recuperação da capacidade do Estado brasileiro para realizar investimentos econômicos e sociais e de reforço à ação policial de combate ao crime organizado. Para que isto aconteça, o governo federal precisa aumentar a arrecadação de tributos com a cobrança de imposto sobre dividendos (uma parcela do lucro das empresas distribuído aos acionistas), o aumento da tributação sobre a herança no Brasil (alíquota de 60%) e a taxação progressiva do estoque de capital que poderia incluir um imposto sobre a fortuna, bem como reduzir os encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública renegociando com seus credores o alongamento do pagamento da dívida para o Estado brasileiro dispor de recursos para investimento em vários setores, inclusive no setor social. Só assim, o governo federal disporá de recursos necessários ao desenvolvimento de políticas sociais capazes de reduzir o desemprego, a evasão escolar e as desigualdades econômicas e sociais. A adoção destas estratégias são fundamentais para que o Estado brasileiro adote a curto, médio e longo prazos amplas medidas de justiça social e de educação que são as mais eficazes soluções para eliminar a violência no futuro no Brasil. A prática da justiça social com a adoção de políticas de bem-estar-social contribuiria decisivamente para a redução da violência no Brasil. Para fazer com que os seres humanos não pratiquem a violência, tenham comportamento construtivo e sejam capazes de mudar o mundo ao seu redor, é preciso, também, educá-los. Justiça social e educação são as armas mais eficazes para combater a violência no Brasil.

Pode-se concluir pelo exposto que a violência poderá ser eliminada no Brasil adotando as medidas descritas a seguir:

  • Reforçar imediatamente a ação policial para combater o crime organizado e restringir o uso de armas de fogo pela população.
  • Oferecer todo o suporte necessário para as vítimas da violência.
  • Aumentar a arrecadação de tributos com a cobrança de imposto sobre dividendos (uma parcela do lucro das empresas distribuído aos acionistas), a tributação sobre a herança no Brasil (alíquota de 60%) e a taxação progressiva do estoque de capital que poderia incluir um imposto sobre a fortuna.
  • Realizar auditoria da dívida pública seguida de renegociação com o alongamento do tempo de pagamento dos juros da dívida interna pública do país visando a redução dos encargos governamentais com o pagamento da dívida pública para elevar a poupança pública para investimento.
  • Substituir o modelo econômico neoliberal pelo modelo econômico de bem estar social nacional desenvolvimentista de abertura seletiva da economia brasileira.
  • Adotar a curto, médio e longo prazos amplas medidas de justiça social e de educação que são as mais eficazes soluções para eliminar a violência no futuro no Brasil.
  • Implantar o Estado de Bem-Estar-Social para atender as necessidades econômicas e sociais de toda a sociedade, em especial das populações pobres. 
  • Criar um ambiente social no Brasil não coercitivo para tornar os indivíduos sociáveis que não sintam frustração desde a infância, não sofram experiência de privação de um bem desejado e não alcançado e não sofram opressão.
  • Promover assistência social governamental às famílias nos sentido de fazer com que seus filhos sejam sociáveis desde a infância e a juventude. 
  • Promover uma revolução no sistema de educação do Brasil realizando maciço investimento principalmente na formação dos professores, em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das instituições de ensino.  
  • Realizar amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) com a participação do setor privado para combater o desemprego em massa atual.
  • Eliminar gastos supérfluos em todos os poderes da República com a redução de órgãos públicos e de pessoal comissionado.
  • Atenuar o desemprego com o desenvolvimento da economia social e solidária.
  • Combater a pobreza com a execução de programas de transferência de renda e de habitação popular com a infraestrutura necessária para as populações necessitadas.
  • Fazer com que os despossuídos de propriedade privada passem a tê-la com programas de habitação com a infraestrutura necessária com a realização pelo governo de investimentos em habitação popular e a oferta de financiamento habitacional de longo prazo para a população como um todo.
  • Superar a ignorância humana através do trabalho ingente da educação visando transformar as trevas em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor com a execução de programas educacionais eficazes em todos os níveis de ensino.

Estas são, portanto, as medidas necessárias para eliminar a violência no Brasil. Não basta a ação policial para que a violência deixe de existir no Brasil.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

IL EST URGENT DE CÉLÉBRER LA PAIX ENTRE L’ÉTAT D’ISRAËL ET LE PEUPLE DE PALESTINE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer l’urgence de célébrer la paix entre l’État d’Israël et le peuple palestinien pour éviter l’escalade de la guerre civile en Israël entre Juifs et Palestiniens, une guerre régionale entre Israël et l’Iran et d’autres pays arabes et, même , d’une nouvelle guerre mondiale impliquant les grandes puissances. Les événements actuels, dans lesquels les Palestiniens de la bande de Gaza lancent des roquettes sur des villes israéliennes et où Israël riposte en lançant des bombes et des roquettes sur la bande de Gaza, ce qui pourrait aboutir à son occupation par l’armée israélienne et au massacre de la population de Gaza, il faut les arrêter. Contrairement aux conflits passés, le conflit actuel contribue également au déclenchement d’une guerre civile en Israël impliquant Juifs et Palestiniens. La paix doit être célébrée entre l’État d’Israël et le peuple palestinien pour mettre fin à la violence entre les deux peuples frères, juifs et palestiniens, et mettre fin au bain de sang qui a lieu dans la région depuis la fin de la Première Guerre mondiale en 1918.

Pour mieux comprendre le conflit juif et palestinien, il est important de connaître son histoire à partir du IIe millénaire avant notre ère. À cette époque, la Palestine était organisée en cités-États sous hégémonie égyptienne pendant une grande partie du IIe millénaire avant JC. Au cours des derniers siècles de ce millénaire, des vagues successives d’immigrants ou d’envahisseurs sont arrivées en Palestine du nord et du nord-ouest, des îles ou de l’autre côté de la Méditerranée, connues sous le nom de Philistins et se sont installées surtout dans le sud-ouest (côte ouest du Néguev et Chefella), où ils fondèrent plusieurs petits royaumes (Gaza, Ashdod, Ashkelon, Gat et Ekron). Parallèlement aux royaumes philistins, le royaume d’Israël fut établi au nord de la Palestine puis le royaume de Juda dans la zone basse montagneuse du sud. Parmi les anciens peuples de Palestine, les Philistins ont eu la plus grande influence jusqu’aux derniers siècles de l’ère préchrétienne. Ce n’est pas un hasard si le nom de Palestine a été donné à l’ensemble de la région, c’est-à-dire le pays des Philistins.

Les différents royaumes palestiniens, philistins et israéliens ont coexisté pendant des siècles. Parfois, ils se battaient les uns contre les autres, d’autres fois, ils s’alliaient pour combattre le joug d’une grande puissance de l’époque. La première victime de ce processus fut Israël, conquis et annexé par l’Assyrie en 722 avant JC. Depuis lors et jusqu’en 1948, il n’y avait aucune entité politique appelée Israël dans la région. Le judaïsme a toujours gardé l’espoir qu’un jour tout le peuple juif dispersé retournerait dans ce qu’il appelait « la Terre d’Israël ». Au cours de leur histoire, les Juifs ont été confrontés à plusieurs diasporas qui ont entraîné plusieurs expulsions forcées à travers le monde et la formation conséquente de communautés juives en dehors de ce qui est aujourd’hui connu sous le nom d’Israël. D’une manière générale, le début de la première diaspora juive est attribué à l’année 586 avant JC, lorsque Nabuchodonosor II, empereur de Babylone (situé dans l’ancienne Mésopotamie, à environ 85 km au sud de Bagdad en Irak), envahit le royaume de Juda, détruisant Jérusalem. et le Temple juif, en plus de déporter les Juifs en Mésopotamie.

Au 1er siècle, les Romains envahissent la Palestine et détruisent le temple de Jérusalem. Au siècle suivant, ils détruisirent la ville de Jérusalem, provoquant l’apparition d’une deuxième diaspora juive, envoyant des Juifs vers d’autres pays d’Asie Mineure, d’Afrique et d’Europe du Sud. Avec la domination de l’Empire romain sur la Judée, la plupart des Juifs qui y vivaient ont émigré à Babylone, qui est devenue le plus grand centre communautaire juif du monde jusqu’au XIe siècle. Avec le triomphe des idéologies nationalistes en Europe et l’idée de créer un État national, un mouvement nationaliste a émergé au XIXe siècle parmi les Juifs d’Europe centrale et orientale dont l’objectif était la création d’un État juif, considéré comme le seul un moyen d’assurer l’identité et la survie de la nation juive, ainsi que de lui garantir une place au soleil parmi les autres nations. Le nationalisme juif a pris le nom de sionisme, un mot qui dérive de Sion, l’un des noms de Jérusalem dans la Bible. Initialement de nature religieuse, le sionisme prêchait le retour des Juifs en « Terre d’Israël ».

Contrairement à la formation d’Israël de l’utopie religieuse, l’État projeté par les nationalistes juifs à cette époque n’avait pas nécessairement pour cadre la Palestine. Les nationalistes juifs ont rapidement opté pour la Palestine. Ce choix était naturel et assez mobilisateur, en raison du lien du judaïsme avec la Palestine et de l’attrait qu’il exerce même sur de nombreux juifs non religieux ou originaires de cette région. La Première Guerre mondiale a eu des conséquences tragiques pour la Palestine. La défaite de l’Empire ottoman (aujourd’hui Turquie), allié de l’Allemagne vaincue lors de la Première Guerre mondiale (1914-1918), qui exerçait sa domination sur la Palestine, eut des conséquences décisives pour l’avenir de cette région. Après le conflit mondial, le système des Mandats a été créé par l’article 22 du Pacte de la Société des Nations du 28 juin 1919, destiné à déterminer le statut des colonies et des territoires sous le contrôle des nations vaincues. Le mandat britannique qui incluait la Palestine a été approuvé par le Conseil de la Société des Nations le 24 juillet 1922 (Figure 1).

Figure 1- Mandat britannique pour la Palestine et la Transjordanie

Source: https://www.jewishvirtuallibrary.org/when-churchill-severed-transjordan-from-palestine

Le Mandat britannique sur la Palestine ne considérait plus que son objectif était d’amener la population qui l’habitait alors, c’est-à-dire la population palestinienne, à une pleine indépendance. Au lieu de cela, il a encouragé la création d’un foyer national juif, c’est-à-dire la création d’un État juif avec des gens qui, pour la plupart, étaient encore dispersés dans le monde et devaient donc être amenés de l’extérieur. La Grande-Bretagne, puissance hégémonique de l’époque, a promis à la Fédération sioniste qu’elle ferait tout son possible pour établir « un foyer national pour le peuple juif » en Palestine avec la soi-disant Déclaration Balfour. Le territoire sur lequel les sionistes avaient l’intention d’établir leur État était bien plus vaste que la Palestine. Il englobait toute la partie occidentale de la Transjordanie, le plateau du Golan et la partie du Liban au sud de Sidon. L’obstacle qui a empêché le processus d’indépendance palestinienne était donc le privilège accordé aux Juifs de créer le « foyer national du peuple juif » dans cette région.

Les Palestiniens considéraient le parrainage accordé d’abord par la Grande-Bretagne, puis par la Société des Nations, au projet sioniste de création d’un foyer national juif en Palestine comme un déni de leur droit à l’indépendance. Les Palestiniens se sentaient dépossédés. Naturellement, les Palestiniens se sont opposés au projet de création d’un foyer national juif en Palestine dès le premier instant – dès qu’ils ont pris connaissance de la Déclaration Balfour et ont essayé, par tous les moyens, d’empêcher sa réalisation, car ils craignaient que cela n’aboutisse à leur soumission, non seulement politique, mais aussi économique aux Juifs, passant ainsi de la domination de l’Empire ottoman à la domination juive, avec un intervalle de domination britannique. Les Palestiniens ont protesté contre la Déclaration Balfour auprès de la Conférence de paix de Paris et contre le gouvernement britannique. La première manifestation populaire contre le projet sioniste a eu lieu le 2 novembre 1918, premier anniversaire de la Déclaration Balfour. Cette manifestation était pacifique, mais la résistance palestinienne est vite devenue violente, s’exprimant par des attaques contre les Juifs qui ont dégénéré en affrontements sanglants.

D’une manière générale, les flambées de violence étaient de plus en plus graves à mesure que le Mandat britanniquese prolongeait et que la colonisation juive en Palestine s’étendait et se renforçait. Les événements se sont déroulés selon une séquence devenue habituelle. La résistance palestinienne s’est également produite lors du soulèvement de 1936-1939. En avril 1936, des troubles locaux entre Arabes et Juifs dégénérèrent en une révolte palestinienne généralisée. La révolte ne s’opposait plus seulement à la colonisation juive. Elle était dirigée avant tout contre les autorités britanniques, puissance étrangère, auprès de laquelle les Palestiniens exigeaient la constitution d’un gouvernement national. Ayant conclu que les Palestiniens ne renonceraient pas à leur indépendance, les Britanniques envisageèrent en 1937 la possibilité de diviser la Palestine en deux États, l’un arabe et l’autre juif. Cette solution a été rejetée par les deux parties. Les Juifs, qui considéraient ce plan comme une déviation de la politique officielle britannique mais aussi internationale, n’acceptèrent pas l’idée de créer l’État juif uniquement dans une partie de la Palestine, ce qui signifierait apparemment renoncer à la revendication sur l’ensemble de la région. Les Palestiniens, pour leur part, n’ont pas renoncé à leur territoire. Cette divergence persiste encore aujourd’hui.

Il est important de noter que le conflit entre Juifs et Palestiniens a commencé au XIXe siècle, lorsque les Juifs sionistes ont exprimé le désir de créer un État moderne sur leur terre ancestrale et ont commencé à créer des colonies en Palestine, alors encore contrôlée par l’Empire ottoman. Israéliens et Palestiniens revendiquent leur part de terre sur la base de leur histoire, de leur religion et de leur culture. Les grandes puissances qui ont gagné la Première Guerre mondiale ont décidé du sort de la Palestine en faveur des Juifs, en utilisant pour ce faire la Société des Nations, configurant ainsi l’arrogance qui a toujours caractérisé les relations internationales tout au long de l’histoire. Les Palestiniens considéraient le parrainage accordé d’abord par la Grande-Bretagne, puis par la Société des Nations, au projet sioniste de création d’un foyer national juif en Palestine comme un déni de leur droit à l’indépendance.

Depuis lors, cette question a suscité de nombreuses violences et controverses, ainsi que plusieurs négociations de paix au cours du XXe siècle. L’État d’Israël a été fondé en 1948, à la suite du plan de partition élaboré par l’ONU, qui divisait la région, alors sous domination britannique, en États arabes et juifs (Figure 2).

Figure 2- Plan de partage des Nations Unies

Source : https://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/historia-e-significado-de-palestina-e-palestinos/

Les Palestiniens exigent la création d’un État palestinien souverain et indépendant. La plupart des Palestiniens acceptent les régions de Cisjordanie et de la bande de Gaza comme territoire d’un futur État palestinien. De nombreux Israéliens acceptent également cette solution. Une discussion autour de cette solution a eu lieu lors des accords d’Oslo, signés en septembre 1993 entre Israël et l’Organisation de libération de la Palestine (OLP), qui ont permis la formation de l’ANP (Autorité nationale palestinienne). Malgré le retour de la bande de Gaza et de certaines parties de la Cisjordanie sous contrôle palestinien, un accord final reste à trouver. Pour ce faire, il faudrait résoudre les principaux points de discorde, que sont le différend sur Jérusalem, le sort des réfugiés palestiniens et la fin des colonies juives en Cisjordanie. Malgré plusieurs autres accords et plans de paix, comme ceux de Camp David et les négociations du Quatuor pour le Moyen-Orient (États-Unis, Union européenne, Russie et ONU), la situation reste dans une impasse.

Un fait est évident : l’histoire d’Israël a tourné autour de conflits avec les Palestiniens et les nations arabes voisines qui ont été secouées par des guerres et des affrontements entre Juifs et Arabes qui n’étaient pas d’accord avec la division territoriale des anciennes terres palestiniennes, telle qu’elle est établie à l’heure actuelle. Depuis la création de l’État d’Israël, le conflit l’opposant aux Palestiniens est l’épicentre d’un conflit entre Israël et l’ensemble des pays arabes, aux fortes répercussions mondiales. Il y a eu des guerres avec l’Égypte, la Jordanie, la Syrie et le Liban, mais sans que la tension dans la région ne diminue. Durant cette période, Israël a occupé la péninsule du Sinaï, la Cisjordanie, la bande de Gaza, le plateau du Golan et le sud du Liban après la guerre des Six Jours contre l’Égypte, la Syrie et la Jordanie en 1967 (Figure 3).

Figure 3- Réalisations israéliennes pendant la guerre des Six Jours (1967)

Source : https://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/questao_palestina.aspx

La figure 4 présenté ci-dessous montre que l’évolution du conflit entre Juifs et Palestiniens a conduit Israël à conquérir progressivement le territoire palestinien de 1947 à nos jours. Cette situation ne peut pas durer car elle génère un conflit permanent entre Juifs et Palestiniens. La carte de la Palestine a changé au fil des années avec l’avancée d’Israël sur le territoire palestinien. La paix entre Juifs et Palestiniens ne pourra guère être conclue si ces conditions sont maintenues.

On peut dire qu’il n’y a qu’une seule solution au conflit entre l’État d’Israël et les Palestiniens : d’un côté, Israël doit accepter la constitution de l’État palestinien, rechercher une solution juste et négociée concernant Jérusalem et le sort de Les réfugiés palestiniens et la fin des colonies juives en Cisjordanie et, d’un autre côté, les Palestiniens doivent reconnaître l’État d’Israël parce que ni les Palestiniens ni les Israéliens ne peuvent s’imposer leur volonté. Ni les sionistes ni les groupes extrémistes palestiniens ne pourront imposer leur volonté par la force des armes en Palestine. La thèse de Clausewitz, grand stratège militaire, ne s’applique pas au conflit israélo-palestinien car ni Israël ne peut anéantir les Palestiniens, ni vice versa. Il n’y a qu’une seule solution au conflit dans la région : Juifs et Palestiniens célèbrent la paix et la conciliation.

Figure 4- Avance d’Israël sur le territoire palestinien

Source : https://www.todamateria.com.br/conflito-israel-palestina/

La construction de la paix ne peut avoir lieu que si le peuple juif en Israël et dans le monde entier, ainsi que les Palestiniens, repoussent politiquement les extrémistes qui exercent le pouvoir sur leurs territoires et établissent des gouvernements qui recherchent la conciliation entre les peuples juif et palestinien. Ce serait le moyen d’éviter la poursuite du conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien, qui pourrait évoluer vers une guerre régionale impliquant tous les pays de la région. La transition d’une guerre régionale à un conflit mondial peut également se produire avec l’implication de grandes puissances militaires, les États-Unis et l’Union européenne aux côtés d’Israël et la Russie et la Chine aux côtés des Palestiniens. Nous devons empêcher que le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien ne devienne l’épicentre d’une nouvelle guerre mondiale. Seule la paix entre Palestiniens et Juifs évitera le pire pour ses peuples et pour l’humanité.

LES RÉFÉRENCES

BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.

BREGMAN, Ahron. A History of Israel. Palgrave Macmillan. 2002.

COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ. A Palestina. CNIR/ FNIRF, Portugal. 2002.

FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.

GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018),  Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) et A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

IT IS URGENT TO CELEBRATE PEACE BETWEEN THE STATE OF ISRAEL AND THE PEOPLE OF PALESTINE

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate the urgent need to celebrate peace between the State of Israel and the people of Palestine to avoid the escalation of the civil war in Israel between Jews and Palestinians, a regional war between Israel and Iran and other Arab countries and , even, of a new world war involving the great powers. The current events in which Palestinians from the Gaza Strip launch rockets on Israeli cities and Israel retaliates by launching bombs and rockets on the Gaza Strip, which could evolve into its occupation by the Israeli Army and the massacre of the population in Gaza, need to be stopped. Unlike past conflicts, the current conflict is also contributing to the outbreak of a civil war in Israel involving Jews and Palestinians. Peace needs to be celebrated between the State of Israel and the Palestinian people to end the violence between the two brotherly peoples, Jews and Palestinians, and end the bloodbath taking place in the region since the end of the First World War in 1918.

To better understand the Jewish and Palestinian conflict, it is important to know its history from the 2nd millennium BC onwards. At this time, Palestine was organized into city-states under Egyptian hegemony for much of the 2nd millennium BC. In the last centuries of this millennium, successive waves of immigrants or invaders arrived in Palestine from the north and northwest, from the islands or from the other side of the Mediterranean, who were known as Philistines and settled, especially in the southwest (west coast of the Negev and Chefella ), where they founded several small kingdoms (Gaza, Ashdod, Ashkelon, Gat and Ekron). Parallel to the Philistine kingdoms, the kingdom of Israel was established in the north of Palestine and then the kingdom of Judah in the low mountainous area of the south. Among the ancient peoples of Palestine, the Philistines had the greatest influence until the last centuries of the pre-Christian era. It was not by chance that the name Palestine was given to the entire region, that is, the country of the Philistines.

The various Palestinian, Philistine and Israeli kingdoms coexisted for centuries. At times they fought against each other, at other times they allied themselves to combat the yoke of some great power of the time. The first victim of this process was Israel, conquered and annexed by Assyria in 722 BC. C. From then until 1948 there was no political entity called Israel in the region. Judaism always retained the hope that one day all the dispersed Jewish people would return to what it called “the Land of Israel”. In their history, Jews have faced several Diasporas that involve several forced expulsions around the world and the consequent formation of Jewish communities outside of what is known today as Israel. Generally speaking, the beginning of the first Jewish diaspora is attributed to the year 586 BC, when Nebuchadnezzar II, emperor of Babylon (located in ancient Mesopotamia, located about 85 km south of Baghdad in Iraq), invaded the Kingdom of Judah, destroying Jerusalem and the Jewish Temple, in addition to deporting the Jews to Mesopotamia.

In the 1st century, the Romans invade Palestine and destroy the temple in Jerusalem. In the following century, they destroyed the city of Jerusalem, causing the second Jewish diaspora, sending Jews to other countries in Asia Minor, Africa and southern Europe. With the Roman Empire’s rule over Judea, most of the Jews who lived there emigrated to Babylon, which became the largest Jewish community center in the world until the 11th century. With the triumph of nationalist ideologies in Europe and the idea of creating a national state, a nationalist movement emerged in the 19th century among the Jews of central and eastern Europe whose objective was the creation of a Jewish state, which was considered the only means of ensuring the identity and survival of the Jewish nation, as well as guaranteeing it a place in the sun among other nations. Jewish nationalism took the name Zionism, a word that derives from Zion, one of the names of Jerusalem in the Bible. Initially religious in nature, Zionism preached the return of the Jews to the “Land of Israel”.

Contrary to Israel’s formation of religious utopia, the state projected by Jewish nationalists at this time did not necessarily have Palestine as its setting. Jewish nationalists were quick to opt for Palestine. This choice was natural and quite mobilizing, because of Judaism’s connection to Palestine and the attraction it exerts even on many Jews who are not religious or originally from this region. The First World War had tragic consequences for Palestine. The defeat of the Ottoman Empire (present-day Turkey), an ally of Germany defeated in the First World War (1914-1918), which exercised domination over Palestine, had decisive consequences for the future of this region. After the world conflict, it was created, by the article 22 of the Covenant of the League of Nations on June 28, 1919, the Mandate system that was intended to determine the status of colonies and territories that were under the control of the vanquished nations. The British Mandate that included Palestine was approved by the Council of the League of Nations on July 24, 1922 (Figure 1).

Figure 1- British Mandate for Palestine and Transjordan

Source: https://www.jewishvirtuallibrary.org/when-churchill-severed-transjordan-from-palestine

The British Mandate for Palestine no longer considered its objective to bring the population that then inhabited it, that is, the Palestinian population, to full independence. Instead, he promoted the creation of a Jewish national home, that is, the creation of a Jewish state with people who, for the most part, were still scattered around the world and, therefore, had to be brought in from outside. Great Britain, the hegemonic power at the time, promised the Zionist Federation that it would do everything possible to establish “a national home for the Jewish people” in Palestine with the so-called Balfour Declaration. The territory that the Zionists intended to establish their state in was much larger than Palestine. It encompassed the entire western part of Transjordan, the Golan plateau and the part of Lebanon south of Sidon. The obstacle that prevented the process of Palestinian independence was, therefore, the privilege given to the Jews to create the “national home for the Jewish people” in this region.

The Palestinians saw the sponsorship given first by Great Britain and then by the League of Nations to the Zionist project of creating a Jewish national home in Palestine as a denial of their right to independence. Palestinians felt dispossessed. Naturally, the Palestinians opposed the project of creating a Jewish national home in Palestine from the first moment – as soon as they became aware of the Balfour Declaration and tried, by all means, to prevent its realization, as they feared that it would result in their submission, not only political, but also economic to the Jews, thus passing from the domination of the Ottoman Empire to the Jewish domination, with an interval of British domination. Palestinians lodged protests against the Balfour Declaration with the Paris Peace Conference and the British Government. The first popular demonstration against the Zionist project took place on November 2, 1918, the first anniversary of the Balfour Declaration. This demonstration was peaceful, but Palestinian resistance soon turned violent, expressing itself in attacks against Jews that degenerated into bloody clashes.

Generally speaking, outbreaks of violence were increasingly serious as the Mandate prolonged and Jewish colonization in Palestine extended and strengthened. Events unfolded in a sequence that became customary. Palestinian resistance also occurred in the 1936-1939 uprising. In April 1936, local disturbances between Arabs and Jews degenerated into a widespread Palestinian revolt. The revolt was no longer just opposed to Jewish colonization. It was directed, above all, against the British authorities, the foreign power, from which the Palestinians demanded the constitution of a national government. Having reached the conclusion that the Palestinians would not renounce their independence, in 1937 the British considered the possibility of dividing Palestine into two states, one Arab and the other Jewish. Both parties rejected this solution. The Jews, who saw this plan as a deviation from not only British but also international official policy, did not accept the idea of creating the Jewish state only in a part of Palestine, which would apparently mean renouncing the claim to the entire region. The Palestinians, in turn, did not renounce their territory. This divergence continues to this day.

It is important to note that the conflict between Jews and Palestinians began in the 19th century, when Zionist Jews expressed the desire to create a modern state in their ancestral land and began to create settlements in Palestine, at the time still controlled by the Ottoman Empire. Both Israelis and Palestinians claim their share of the land based on history, religion and culture. The great powers that won the First World War decided the fate of Palestine in favor of the Jews, using the League of Nations to do so, thus configuring the arrogance that has always characterized international relations throughout history. The Palestinians saw the sponsorship given first by Great Britain and then by the League of Nations to the Zionist project of creating a Jewish national home in Palestine as a denial of their right to independence.

Since then, there has been much violence and controversy surrounding the issue, as well as several peace negotiations during the 20th century. The State of Israel was founded in 1948, following the Partition Plan drawn up by the UN, which divided the region, then under British rule, into Arab and Jewish states (Figure 2). Because of this partition, the territories occupied by Israel at the end of World War II constituted about 78% of Palestine. They became, in fact, the territory of the State of Israel. With the formation of the State of Israel, in May 1948, there was the occupation of Palestine by the Jews when many displaced people and Jewish refugees from the Second World War migrated to the new sovereign state. The chain of low mountains in central and southern Palestine, the so-called West Bank, as well as the Gaza Strip, remained outside Israel. Jerusalem was divided: the western part of the city outside the walls sided with Israel; the old city and the extramural neighborhood to the north were on the Palestinian side.

Figure 2- UN Sharing Plan

Source: https://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/historia-e-significado-de-palestina-e-palestinos/

Palestinians demand to establish a sovereign and independent Palestinian State. Most Palestinians accept the West Bank and Gaza Strip regions as territory for a future Palestinian state. Many Israelis also accept this solution. A discussion around this solution took place during the Oslo Accords, signed in September 1993 between Israel and the Palestine Liberation Organization (PLO), which allowed the formation of the ANP (Palestinian National Authority). Despite the return of the Gaza Strip and parts of the West Bank to Palestinian control, a final agreement still needed to be reached. To do this, it would be necessary to resolve the main points of contention, which are the dispute over Jerusalem, the fate of Palestinian refugees and the end of Jewish settlements in the West Bank. Despite several other agreements and peace plans, such as those at Camp David and the negotiations of the so-called Quartet for the Middle East (United States, European Union, Russia and UN), the situation is still at an impasse.

One fact is evident: Israel’s history has revolved around conflicts with Palestinians and neighboring Arab nations that have been shaken by wars and clashes between Jews and Arabs who do not agree with the territorial division of the former Palestinian lands, as established in the current moment. Since the creation of the State of Israel, the conflict opposing it to the Palestinians has been the epicenter of a conflict between Israel and all Arab countries, with strong global repercussions. There were wars with Egypt, Jordan, Syria and Lebanon, but without the tension in the region decreasing. During this period, Israel occupied the Sinai Peninsula, the West Bank, the Gaza Strip, the Golan Heights and southern Lebanon after the Six-Day War against Egypt, Syria and Jordan in 1967 (Figure 3).

Figure 3- Israeli achievements in the Six-Day War (1967)

Source: https://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/questao_palestina.aspx

Figure 4 presented below shows that the evolution of the conflict between Jews and Palestinians led to Israel progressively conquering the territory of Palestine from 1947 to the present. This situation cannot continue because it generates permanent conflict between Jews and Palestinians. The map of Palestine has changed over the years with Israel’s advance into Palestinian territory. Peace between Jews and Palestinians will hardly be concluded if these conditions are maintained.

It can be said that there is only one solution to the conflict between the State of Israel and the Palestinians: on the one hand, Israel needs to accept the constitution of the Palestinian State, seek a fair and negotiated solution regarding Jerusalem and the fate of Palestinian refugees and end the settlements Jews in the West Bank and, on the other, Palestinians need to recognize the State of Israel because neither Palestinians nor Israelis can impose their will on each other. Neither Zionists nor Palestinian extremist groups will be able to impose their will by force of arms in Palestine. The thesis of Clausewitz, a great military strategist, does not apply to the Israel-Palestine conflict because neither Israel can annihilate the Palestinians, nor vice versa. There is only one solution to the conflict in the region: Jews and Palestinians celebrate peace and conciliation.

Figure 4- Israel’s advance on Palestinian territory

Source: https://www.todamateria.com.br/conflito-israel-palestina/

The construction of peace can only happen if the Jewish people in Israel and throughout the world, as well as the Palestinians, politically repel the extremists who exercise power in their territories and establish governments that seek conciliation between the Jewish and Palestinian peoples. This would be the way to avoid the continuation of the conflict between the State of Israel and the Palestinian people, which could evolve into a regional war involving all countries in the region. The transition from a regional war to a global conflict can also happen with the involvement of major military powers with the United States and the European Union alongside Israel and Russia and China alongside the Palestinians. We need to prevent the conflict between the State of Israel and the Palestinian people from becoming the epicenter of a new World War. Only peace between Palestinians and Jews will avoid the worst for their people and for humanity.

REFERENCES

BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.

BREGMAN, Ahron. A History of Israel. Palgrave Macmillan. 2002.

COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ. A Palestina. CNIR/ FNIRF, Portugal. 2002.

FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.

GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) and A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023). 

URGE CELEBRAR A PAZ ENTRE O ESTADO DE ISRAEL E O POVO DA PALESTINA

Fernando Alcoforado* 

Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade urgente de celebração da paz entre o Estado de Israel e o povo da Palestina para evitar a escalada da guerra civil em Israel entre judeus e palestinos, de uma guerra regional entre Israel e Irã e outros países árabes e, até mesmo, de uma nova guerra mundial envolvendo as grandes potênciasOs acontecimentos atuais em que os palestinos da Faixa de Gaza lançam foguetes sobre cidades israelenses e Israel revida lançando bombas e foguetes sobre a Faixa de Gaza, que podem evoluir para sua ocupação pelo Exército israelense e o massacre da população em Gaza, precisam ser paralisados. Diferentemente dos conflitos passados, o conflito atual está contribuindo, também, para a eclosão de uma guerra civil em Israel envolvendo judeus e palestinos. A paz precisa ser celebrada entre o Estado de Israel e o povo palestino para cessar a violência entre os dois povos irmãos, judeus e palestinos, e acabar com o banho de sangue que ocorre na região desde o fim da 1ª Guerra mundial em 1918. 

Para melhor compreender o conflito judeus e palestinos convém conhecer sua história a partir do II milênio a. C. Nesta época, a Palestina esteve organizada em cidades-estado sob a hegemonia egípcia durante boa parte do II milênio a. C. Nos últimos séculos desse milênio chegaram à Palestina sucessivas ondas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo que eram conhecidos como Filisteus que se estabeleceram, sobretudo no sudoeste (costa oeste do Neguev e Chefela), onde fundaram vários pequenos reinos (Gaza, Asdod, Ascalão, Gat e Ekron). Paralelamente aos reinos filisteus, constituíram-se o reino de Israel no norte da Palestina e depois o reino de Judá na zona de baixas montanhas do sul. Entre os antigos povos da Palestina, os Filisteus foram os que maior influência exerceram até aos últimos séculos da era pré-cristã. Não foi por acaso que foi dado o nome de Palestina a toda a região, isto é, o país dos Filisteus.

Os vários reinos palestinos, filisteus e de Israel, coexistiram durante séculos. Em alguns momentos guerrearam entre si, em outros momentos se aliaram para combater o jugo de alguma grande potência da época. A primeira vítima desse processo foi Israel, conquistado e anexado pela Assíria em 722 a. C. Desde então até 1948 não houve nenhuma entidade política chamada Israel na região. O judaísmo sempre conservou a esperança de que um dia todo o povo judeu disperso regressaria ao que chamava de “a Terra de Israel”.  Os judeus se defrontaram na sua história com várias diásporas que dizem respeito a diversas expulsões forçadas pelo mundo e consequente formação das comunidades judaicas fora do que hoje é conhecido como Israel. De modo geral, se atribui o início da primeira diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II, imperador da Babilônia (situada na antiga Mesopotâmia, situada a cerca de 85 km ao sul de Bagdá no Iraque), invadiu o Reino de Judá, destruindo Jerusalém e o Templo Judáico, além de deportar os judeus para a Mesopotâmia.

No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor, África e sul da Europa. Com o domínio do Império Romano sobre a Judeia, a maior parte dos judeus que lá viviam emigrou para a Babilônia, que se tornou o maior centro comunitário judaico no mundo até o século XI. Com o triunfo das ideologias nacionalistas na Europa e da ideia de criação do estado nacional, surgiu no século XIX entre os judeus da Europa central e oriental um movimento nacionalista cujo objetivo era a criação de um estado dos judeus, sendo este considerado como o único meio de assegurar a identidade e a sobrevivência da nação judaica, assim como de lhe garantir um lugar ao sol entre as demais nações. O nacionalismo judaico tomou o nome de sionismo, palavra que deriva de Sião, um dos nomes de Jerusalém na Bíblia. Inicialmente de caráter religioso, o sionismo pregava a volta dos judeus à “Terra de Israel”. 

Contrariamente à formação de Israel da utopia religiosa, o estado projetado pelos nacionalistas judeus nesta época não tinha necessariamente a Palestina por cenário. Os nacionalistas judaicos não tardaram a optar pela Palestina. Essa escolha era natural e bastante mobilizadora, por causa da ligação do judaísmo à Palestina e da atração que ela exerce mesmo sobre muitos judeus que não são religiosos ou originários desta região. A Primeira Guerra Mundial teve consequências trágicas para a Palestina. A derrota do Império Otomano (Turquia atual), aliado da Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que exercia a dominação sobre a Palestina, teve consequências decisivas para o futuro desta região. Após o conflito mundial, foi criado, pelo artigo 22 do Pacto da Liga das Nações a 28 de Junho de 1919, o sistema dos Mandatos que se destinava a determinar o estatuto das colônias e dos territórios que se encontravam sob o domínio das nações vencidas. O Mandato Britânico que incluía a Palestina foi aprovado pelo Conselho da Liga das Nações a 24 de Julho de 1922 (Figura 1).

Figura 1- Mandato Britânico para a Palestina e Transjordânia

Fonte: https://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/historia-e-significado-de-palestina-e-palestinos/

O Mandato para a Palestina deixou de considerar como objetivo levar à plena independência a população que então a habitava, isto é, a população palestina. Ao invés disso, promoveu a criação de um lar nacional judaico, isto é, a criação de um estado judaico com gente que, na sua maioria esmagadora, estava ainda espalhada pelo mundo e, por conseguinte, deveria ser trazida de fora. A Grã-Bretanha, potência hegemônica na época, prometeu à Federação Sionista que faria todo o possível para o estabelecimento de “um lar nacional para o povo judaico” na Palestina com a chamada Declaração Balfour. O território que os sionistas pretendiam nele estabelecer o seu estado era bastante mais vasto do que a Palestina. Abarcava toda a parte oeste da Transjordânia, o planalto do Golã e a parte do Líbano ao sul de Sidão. O obstáculo que impediu o processo da independência da Palestina foi, portanto, o privilégio dado aos judeus para a criação do “lar nacional para o povo judaico” nesta região.

Os palestinos viram no patrocínio que deram primeiro a Grã-Bretanha e depois a Liga das Nações ao projeto sionista de criação do lar nacional judaico na Palestina a negação do seu direito à independência. Os palestinos se sentiram espoliados. Naturalmente, os palestinos se opuseram ao projeto da criação do lar nacional judaico na Palestina desde o primeiro instante – logo que tiveram conhecimento da Declaração Balfour e tentaram, por todos os meios, impedir a sua realização, pois temiam que dela resultasse a sua submissão, não só política, mas também, econômica aos judeus, passando assim do domínio do Império Otomano para o domínio judaico, com um intervalo de dominação britânica. Os palestinos apresentaram protestos contra a Declaração Balfour à Conferência de Paz de Paris e ao Governo Britânico. A primeira manifestação popular contra o projeto sionista teve lugar a 2 de Novembro de 1918, primeiro aniversário da Declaração Balfour. Essa manifestação foi pacífica, mas a resistência palestina logo se tornou violenta, expressando-se em ataques contra os judeus que degeneravam em confrontos sangrentos. 

De modo geral, as erupções de violência eram cada vez mais graves à medida que o Mandato Britânico se prolongava e a colonização judaica na Palestina se estendia e fortalecia. Os acontecimentos se desenrolavam segundo uma sequência que se tornou habitual. A resistência palestina aconteceu, também, na revolta de 1936-1939. Em abril de 1936, distúrbios locais entre árabes e judeus degeneraram numa revolta generalizada dos palestinos. A revolta já não se opunha apenas à colonização judaica. Dirigia-se, sobretudo contra as autoridades britânicas, o poder estrangeiro, de quem os palestinos exigiam a constituição de um governo nacional. Tendo chegado à conclusão de que os palestinos não renunciariam à independência, os britânicos encararam em 1937 a hipótese de dividir a Palestina em dois estados, um árabe e o outro judaico. Essa solução foi rejeitada pelas duas partes. Os judeus, que viam nesse plano um desvio da política oficial não só britânica, mas também internacional, não aceitavam a ideia de criar o estado judaico só numa parte da Palestina, o que aparentemente significaria renunciar à reivindicação da totalidade da região. Os palestinos, por sua vez, não renunciavam a seu território. Esta divergência se mantém até os dias de hoje. 

É importante observar que o conflito entre judeus e palestinos teve início no século XIX, quando judeus sionistas expressaram o desejo de criar um Estado moderno em sua terra ancestral e começaram a criar assentamentos na Palestina, na época ainda controlada pelo Império Otomano. Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam sua parte da terra com base na história, na religião e na cultura. As grandes potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial decidiram o destino da Palestina a favor dos judeus, servindo-se para isso da Liga das Nações, configurando, desta forma, a prepotência que sempre caracterizaram as relações internacionais ao longo da história. Os palestinos viram no patrocínio que deram primeiro a Grã-Bretanha e depois a Liga das Nações ao projeto sionista de criação do lar nacional judaico na Palestina a negação do seu direito à independência. 

Desde então, houve muita violência e controvérsia em torno da questão, assim como vários processos de negociações de paz durante o século XX. O Estado de Israel foi fundado em 1948, após o Plano de Partilha elaborado pela ONU, que dividiu a região, então sob domínio britânico, em Estados árabes e judeus (Figura 2). Como resultado desta partilha, os territórios ocupados por Israel no fim da Segunda Guerra Mundial constituíam cerca de 78% da Palestina. Tornaram-se, de fato, o território do Estado de Israel. Com a formação do Estado de Israel, em maio de 1948, houve a ocupação da Palestina pelos judeus quando muitos deslocados de guerra e refugiados judeus da 2ª Guerra Mundial migraram para o novo estado soberano. Ficaram fora de Israel a cadeia de baixas montanhas do centro e do sul da Palestina, a chamada Cisjordânia, assim como a Faixa de Gaza. Jerusalém ficou dividida: a parte oeste da cidade extramuros ficou do lado de Israel; a cidade antiga e o bairro extramuros a norte ficaram do lado palestino. 

Figura 2- Plano de Partilha da ONU

Fonte: https://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/historia-e-significado-de-palestina-e-palestinos/ 

Os palestinos reivindicam estabelecer um Estado Palestino soberano e independente. Grande parte dos palestinos aceita as regiões da Cisjordânia e da faixa de Gaza como território para um futuro Estado palestino. Muitos israelenses também aceitam essa solução. Uma discussão em torno dessa solução ocorreu durante os Acordos de Oslo, assinados em setembro de 1993 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que permitiu a formação da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Apesar da devolução da faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia para o controle palestino, um acordo final ainda precisava ser estabelecido. Para isso, seria preciso resolver os principais pontos de discórdia, que são a disputa sobre Jerusalém, o destino de refugiados palestinos e o fim de assentamentos judeus na Cisjordânia. Apesar de vários outros acordos e planos de paz, como os de Camp David e das negociações do chamado Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU), a situação ainda se encontra em um impasse. 

Um fato é evidente: a história de Israel tem girado em torno de conflitos com palestinos e nações árabes vizinhas que vêm sendo sacudidos por guerras e confrontos entre judeus e árabes que não concordam com a divisão territorial das antigas terras palestinas como o que se estabelece no momento atual. Desde a criação do Estado de Israel, o conflito que o opõe aos palestinos tem sido o epicentro de um conflito entre Israel e o conjunto dos países árabes, com fortes repercussões mundiais. Houve guerras com o Egito, a Jordânia, a Síria e o Líbano, mas sem que a tensão na região diminuísse. Durante este período, Israel ocupou a península do Sinai, a Cisjordânia, a faixa de Gaza, as Colinas de Golã e o sul do Líbano depois da Guerra dos Seis Dias contra o Egito, a Síria e a Jordânia em 1967 (Figura 3). 

Figura 3- Conquistas israelenses na Guerra dos Seis Dias (1967)

Fonte: https://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/questao_palestina.aspx

A Figura 4 a seguir mostra que a evolução do conflito entre judeus e palestinos fez com que Israel conquistasse progressivamente o território da Palestina de 1947 até o momento atual. Esta situação não pode continuar porque é geradora de conflito permanente entre judeus e palestinos. O mapa da Palestina tem se modificado ao longo dos anos com o avanço de Israel sobre território palestino. Dificilmente a paz entre judeus e palestinos poderá ser celebrada mantidas essas condições. 

Figura 4- O avanço de Israel sobre o território palestino

Fonte: https://www.todamateria.com.br/conflito-israel-palestina/

Pode-se afirmar que só há uma solução para o conflito entre o Estado de Israel e os palestinos: de um lado, Israel precisa aceitar a constituição do Estado palestino, buscar uma solução justa e negociada sobre Jerusalém e sobre o destino de refugiados palestinos e acabar com os assentamentos judeus na Cisjordânia e, de outro, os palestinos precisam reconhecer o Estado de Israel porque nem palestinos nem israelenses podem impor sua vontade um ao outro. Nem os sionistas nem os grupos extremistas palestinos terão condições de impor sua vontade pela força das armas na Palestina. A tese de Clausewitz, grande estrategista militar, não se aplica ao conflito Israel- Palestina porque nem Israel pode aniquilar os palestinos, nem vice-versa. Só há uma solução para o conflito na região: os judeus e palestinos celebrarem a paz e a conciliação.

A construção da paz só poderá acontecer se o povo judeu em Israel e no mundo inteiro, bem como os palestinos repelirem politicamente os extremistas que exercem o poder em seus territórios e constituírem governos que busquem a conciliação entre os povos judeu e palestino. Esta seria a forma de evitar a continuidade do conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino que poderá evoluir para uma guerra regional envolvendo todos os países da região. A passagem de uma guerra regional para um conflito global pode também acontecer com o envolvimento das grandes potências militares com os Estados Unidos e a União Europeia ao lado de Israel e Rússia e China ao lado dos palestinos. Precisamos evitar que o conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino se transforme no epicentro de uma nova Guerra Mundial. Só a paz entre palestinos e judeus, evitará o pior para seus povos e para a humanidade. 

REFERÊNCIAS

BARTON, John; Bowden, Julie, Wm. B. Eerdmans. The Original Story: God, Israel and the World. Publishing Company. 2004.

BREGMAN, Ahron. A History of Israel. Palgrave Macmillan. 2002.

COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ. A Palestina. CNIR/ FNIRF, Portugal. 2002.

FRIEDLAND, Roger; HECHT, Richard. To Rule Jerusalem. University of California Press, 2000.

GELVIN, James L. The Israel-Palestine Conflict: One Hundred Years of War. Cambridge University Press, 2005.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

TEXTO QUE SERVIU DE BASE PARA A PALESTRA PROFERIDA PELO ENGENHEIRO E PROFESSOR FERNANDO ALCOFORADO NO LANÇAMENTO DO LIVRO DE SUA AUTORIA “A REVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO NECESSÁRIA AO BRASIL NA ERA CONTEMPORÂNEA” NO AUDITÓRIO DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UFBA NO DIA 09/10/2023

Ficha técnica do livro:

A REVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO NECESSÁRIA AO BRASIL NA ERA CONTEMPORÂNEA

(Como revolucionar o sistema de educação do Brasil e da Bahia e o ensino da Engenharia no Brasil)

Autor: Engenheiro e Professor Fernando Alcoforado

Editora: CRV de Curitiba/Paraná

Para adquirir este livro junto à Editora CRV acessar o website:

https://www.editoracrv.com.br/produtos/detalhes/37972-a-revolucao-da-educacao-necessaria-ao-brasil-na-era-contemporanea

Este livro tem por objetivo apresentar o que e como fazer para promover uma revolução no sistema de educação do Brasil que se tornou necessária porque a educação brasileira atravessa uma crise sem precedentes. Esta crise resulta, de um lado, da inexistência de um eficiente e eficaz sistema de educação e, de outro, da falta de políticas governamentais que contribuam para a superação dos problemas atuais da educação e para sua adequação às mudanças tecnológicas em curso que impactam sobre o mundo do trabalho e a sociedade em geral. O sistema de educação do Brasil ainda está preparando pessoas para um mundo do trabalho que está chegando ao fim.

O fato de o sistema de educação do Brasil ser ineficiente e ineficaz impede que ele opere como fator de desenvolvimento econômico e social e contribua para a ascensão social das camadas mais baixas da população. A inexistência de uma nova política de educação ajustada às mudanças tecnológicas em curso impede que o Brasil aumente a produtividade de seus trabalhadores e comprometa seu desenvolvimento econômico e social e sua competividade internacional. A revolução da educação que propomos e precisa ser realizada no Brasil visaria, de início, eliminar as fragilidades existentes nos ensinos fundamental, médio e superior para posteriormente adequá-los aos imperativos da era contemporânea.

Este livro é o resultado de mais de 10 anos de pesquisas que realizamos sobre os problemas que afetam a educação brasileira, sobre a prática da educação pelos melhores sistemas de educação do mundo (Finlândia, França, China, Estados Unidos, Cuba, Coreia do Sul e Japão e, também, o projeto Bolonha de ensino superior da União Europeia), sobre a obra de Anísio Teixeira e Paulo Freire a respeito da educação no Brasil e a de Edgar Morin sobre a educação mundial, bem como de minha experiência docente de cerca de 50 anos no ensino superior (graduação e pós-graduação) nas áreas de Engenharia, Administração e Economia em várias instituições de ensino do Brasil.

É oportuno observar que este livro incorpora textos de artigos resultados de pesquisas que publicamos nos últimos 10 anos em vários websites e revistas especializadas através dos quais analisamos o setor de educação no Brasil e no mundo. A metodologia utilizada na elaboração deste livro consistiu, basicamente, em estruturar seus capítulos com o uso de artigos objetos de estudos e pesquisas por mim publicados em diversos websites e revistas especializadas abordando os tópicos referentes a cada capítulo. Este livro é destinado aos gestores da área de educação, aos órgãos governamentais dedicados à educação, aos professores e para todos que desejarem adquirir amplos conhecimentos sobre a prática da educação no Brasil e no mundo.

Este livro apresenta os capítulos seguintes:

Capítulo 1- Apresentação

Capítulo 2- O desempenho do sistema de educação do Brasil

Capítulo 3- Os principais sistemas de educação do mundo

Capítulo 4- Os requisitos para a educação do futuro no Brasil

Capítulo 5- Como promover a revolução da educação no Brasil

Anexos

1- Discurso de posse do Professor Fernando Alcoforado como acadêmico da Academia Baiana de Educação em 16/04/2014

2- Como revolucionar o sistema de educação da Bahia

3- Como revolucionar o ensino da Engenharia no Brasil

Capítulo 1- Apresentação

Neste capítulo, são apresentados os objetivos do livro, as justificativas para sua elaboração, a metodologia utilizada na elaboração deste livro e para quem ele é destinado. 

Capítulo 2- O desempenho do sistema de educação do Brasil

Neste capítulo, são apontadas e analisadas as fragilidades do sistema de educação do Brasil que fazem com que ele apresente mau desempenho. São abordados neste capítulo os tópicos seguintes:

  • As fragilidades do sistema de educação no Brasil e como eliminá-las  
  • As fragilidades da proposta de reforma do ensino médio no Brasil do governo Temer
  • As fragilidades do Plano Nacional de Educação do Brasil

Capítulo 3- Os principais sistemas de educação do mundo

Neste capítulo, são analisados os melhores sistemas de educação existentes no mundo como os da Finlândia, da França, da China, dos Estados Unidos, de Cuba, da Coreia do Sul e do Japão, bem como os projetos Bolonha de ensino superior da União Europeia e o da Universidade Nova no Brasil com base nos quais foram identificados seus fatores de sucesso. São abordados neste capítulo os tópicos seguintes:

  • Finlândia: paradigma da educação no mundo (1)
  • Finlândia: paradigma da educação no mundo (2)  
  • O sistema de educação da França
  • O sistema de educação da China
  • O sistema de educação dos Estados Unidos
  • O sistema de educação em Cuba
  • Bases do sucesso da educação na Coreia do Sul e no Japão
  • Os fatores de sucesso das políticas de educação na Finlândia e na Coreia do Sul
  • Os projetos Bolonha de ensino superior da União Europeia e da Universidade Nova no Brasil
  • Fatores de sucesso dos melhores sistemas de educação do mundo

Capítulo 4- Os requisitos para a educação do futuro no Brasil

Neste capítulo, é apresentado o que o sistema de educação do Brasil deve fazer para planejar a preparação e a reciclagem das pessoas para o mercado de trabalho do futuro, colaborar no combate à violência, superar a alienação social no País, promover a formação do indivíduo crítico, reflexivo, pensada como cultivo do espírito, como condição para o avanço da humanidade, sob os ângulos ético e político com o objetivo de integração social e de construção da cidadania, e criar as condições para a conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente.  Para realizar essas mudanças, o sistema de educação do Brasil precisa contar com o papel decisivo de professores altamente qualificados. Este capítulo apresenta os requisitos para a educação do futuro no Brasil à luz dessas mudanças.  São abordados neste capítulo os tópicos seguintes:

  • A educação voltada para o futuro
  • Nova educação requerida em um futuro econômico com máquinas inteligentes
  • O futuro do trabalho e da educação no mundo
  • A educação é a garantia de emprego e ascensão social no futuro?
  • Justiça social e educação são as armas para combater a violência no Brasil e no mundo
  • Educação e alienação social

Capítulo 5- Como promover a revolução da educação no Brasil

Neste capítulo, são apresentadas as estratégias para promover a revolução da educação no Brasil abordando os tópicos seguintes:

  • Em defesa de uma revolução na educação do Brasil
  • Em defesa de uma nova educação e de um novo professor no Brasil
  • Em defesa do professor e da educação no Brasil
  • Bases do sistema de educação para o Brasil na era contemporânea
  • A revolução na educação necessária ao Brasil
  • A revolução da educação necessária ao Brasil
  • Mutirão cívico pela educação no Brasil
  • A educação requerida ao Brasil no Século XXI

ANEXOS

1- Discurso de posse do Professor Fernando Alcoforado como acadêmico da Academia Baiana de Educação em 16/04/2014

2- Como revolucionar o sistema de educação da Bahia

3- Como revolucionar o ensino da Engenharia no Brasil

Síntese das principais conclusões sobre como promover a revolução da educação no Brasil

A análise dos melhores sistemas de educação do mundo permitiu constatar que seu elevado patamar de qualidade em educação foi atingido com a realização de maciço investimento principalmente na formação dos professores, em material de apoio e na melhoria da estrutura e funcionamento das instituições de ensino e com os professores sendo vistos como fundamentais para o projeto nacional de desenvolvimento, entre outros fatores. Para promover a revolução da educação no Brasil, é preciso que haja aumento dos investimentos com seu sistema de educação. Isto não está acontecendo porque o gasto com educação no Brasil tem sido declinante de 2015 até o momento atual e o orçamento da educação básica tem sido declinante desde 2012. Outro indicador importante de debilidade do sistema de educação no Brasil, diz respeito ao gasto em educação por aluno que tem um valor ridículo (2,5 mil dólares /aluno) comparado com os melhores sistemas de educação do mundo (10 mil a 15 mil dólares/aluno). Se o Brasil quisesse se igualar aos países desenvolvidos em termos de gastos por aluno, deveria mais do que triplicar seus investimentos com o setor educacional, passando dos atuais 5,65% do PIB para 20%, conforme apontam dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). O Brasil teria que, praticamente, aumentar de 9 vezes seus investimentos em educação para se igualar à Finlândia que é o melhor sistema de educação do mundo.

A queda nos investimentos com educação no Brasil se explica, em parte porque o Brasil está economicamente em acentuado declínio desde 1990, quando foi introduzido o modelo econômico neoliberal de abertura da economia brasileira que agravou a crise fiscal e aumentou o endividamento do País. Atualmente, o governo federal destina cerca de 40% de seu orçamento anual para o pagamento da dívida pública. Tem sido a prioridade do governo federal pagar sua dívida em detrimento do desenvolvimento nacional, inclusive da educação. Para resolver este problema, o governo federal precisa reduzir os encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública renegociando com seus credores o alongamento do pagamento da dívida para o Estado brasileiro dispor de recursos para investimento em vários setores, inclusive em educação. Só assim, a educação disporá dos recursos necessários a seu desenvolvimento. Resolvido o problema da insuficiência de recursos pelo governo federal com o equacionamento da dívida pública, a revolução da educação no Brasil poderá ser desencadeada com o planejamento de um sistema de educação voltado para superar os problemas atuais e atender as necessidades do futuro tendo como objetivo aumentar o número de unidades educacionais de qualidade e dispor de bons gestores, docentes e infraestrutura. 

As fragilidades do ensino fundamental e médio no Brasil são evidenciadas pelos péssimos resultados obtidos pelos alunos brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Alunos do PISA que busca medir o conhecimento e a habilidade em leitura, matemática e ciências de estudantes com 15 anos de idade tanto de países industrializados membros da OCDE como de países parceiros como o Brasil. Por sua vez, as debilidades do ensino superior no Brasil são demonstradas pelo ranking das universidades em todo o mundo realizado pelo THE (Times Higher Education) que avalia o desempenho dos estudantes universitários e a produção acadêmica nas áreas de engenharia e tecnologia, artes e humanidades, ciências da vida, saúde, física e ciências sociais e considera ainda pesquisa, transferência de conhecimento e perspectiva internacional, além do ambiente de ensino. As universidades brasileiras têm se classificado bem distante das melhores universidades do mundo. Para mudar esta realidade, é preciso fazer uma revolução na educação e, não apenas, realizando reformas pontuais no ensino. Para superar as fragilidades existentes no ensino fundamental, no ensino médio e no ensino superior do Brasil, é preciso fazer uma revolução na educação brasileira simultaneamente em todos os níveis.

Há fragilidades da proposta de reforma do ensino médio no Brasil do governo Temer. Um dos pontos mais polêmicos é tirar a obrigatoriedade sobre certas matérias, como, por exemplo, excluir Educação Física, Artes,Filosofia e Sociologiado currículo obrigatório fazendo com que o ensino médio seja mais técnico. A mudança proposta pelo governo de excluir Filosofia e Sociologia é lamentável porque todos nós sabemos que um dos problemas cruciais da juventude brasileira é a deficiência na sua formação de cidadão. É questionável o fato de o governo federal não ter promovido a reforma da educação do Brasil como um todo, incluindo o ensino superior, que impede o desenvolvimento do País por apresentar grandes fragilidades. O Plano Nacional de Educação do governo Dilma Rousseff só cumpriu 20% de seus objetivos. O resultado é que, no Brasil, 38% da população concluem o ensino fundamental, contra 45% do México e 56% da Argentina. Na Coréia do Sul, 83% da população concluem a educação básica. Censo do IBGE mostra que apenas 5,8 milhões de pessoas acima de 25 anos, ou 6,8% desta população têm curso superior no Brasil. Na qualificação superior, há uma hipertrofia em alguns cursos, como o de Direito (11,7% do total), em detrimento de outros que estão na base da tecnologia da informação e da vanguarda da pesquisa tecnológica, como biologia e bioquímica (2%), computação (2,1%) e matemática (2,3%).

A revolução da educação que precisa ser realizada no Brasil deveria preparar e atualizar continuamente os brasileiros para o mercado de trabalho atual e futuro e para lidarem com a complexidade do mundo em que vivemos e viveremos no futuro com os avanços tecnológicos em curso relacionados com a inteligência artificial, a 4ª Revolução Industrial e a Internet 5G no campo das comunicações, entre outras tecnologias, que revolucionam a sociedade. O novo sistema de educação do Brasil deve preparar e atualizar os brasileiros para o mercado de trabalho que está mudando em consequência dessas revoluções tecnológicas em que todos terão que lidar em uma ambiente altamente complexo com máquinas superinteligentes. O sistema de educação do Brasil deve ser reestruturado desde o ensino infantil ao ensino superior se inspirando nas políticas educacionais mais bem sucedidas praticadas pelos melhores sistemas de educação do mundo, como os da Finlândia, da Coreia do Sul, do Japão, entre outros.

A revolução no ensino do Brasil deveria garantir a existência de plano de carreira, formação e valorização de gestores educacionais e professores. O governo federal deveria adotar políticas consistentes de formação de educadores, para atrair os melhores professores, remunerá-los bem e qualificá-los melhor, com políticas inovadoras de gestão que contribuam para o sucesso dos modelos de gestão a serem adotados na educação básica e superior. Para construir um sistema de educação no Brasil voltado para o futuro, é preciso preparar o professor para cumprir um novo papel. O papel do professor é decisivo para que, através da educação, seja criado um novo tipo de homem qualificado para o mundo do trabalho e consciente e bem preparado para transformar o Brasil e o mundo em que vivemos para melhor.

Para ser revolucionário o sistema de educação do Brasil deveria planejar a preparação e a reciclagem das pessoas para o mercado de trabalho, mas também, disseminar entre os estudantes a cultura da não violência contra seus semelhantes e contra a natureza e, também, a cultura da paz mundial que, juntamente com a superação da alienação social atual deve adotar uma política de educação voltada para a construção da cidadania entre os estudantes. O grande desafio da educação no Brasil não é representado apenas pelas rápidas mudanças que estão ocorrendo no mundo do trabalho graças ao avanço tecnológico, que pode gerar o fim de algumas profissões com o consequente aumento do desemprego, e a criação de novas profissões para lidar com os novos sistemas produtivos. É, também, desafio do sistema de educação fazer com que ele colabore na superação da alienação social atual com a adoção de uma política de educação voltada para a formação do indivíduo crítico, reflexivo, pensada como cultivo do espírito, como condição para o avanço da humanidade, sob os ângulos ético e político, com o objetivo de integração social e de construção da cidadania de acordo com os ensinamentos de Anísio Teixeira e Paulo Freire.

A finalidade do sistema de Educação do Brasil deveria ser a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade do indivíduo e a felicidade coletiva da sociedade onde ele vive. A finalidade mais nobre da Educação, talvez a mais importante, é a de oferecer às pessoas oportunidades e meios para serem felizes. O Brasil está à espera de uma revolução na Educação que tenha como principal objetivo proporcionar, não apenas a capacitação dos indivíduos para o mercado de trabalho, mas sobretudo criar as condições para a conquista da felicidade dos seres humanos, individual e coletivamente.  Os desafios de mudanças na educação brasileira são de enfoque e, também, estruturais. É preciso aumentar o número de escolas de qualidade, de escolas com bons gestores, docentes e infraestrutura, que consigam motivar os alunos e que realmente promovam uma aprendizagem significativa, complexa e abrangente. 

Os principais aspectos a serem considerados na aprendizagem significativa, complexa e abrangente a serem considerados na educação do futuro no Brasil são os seguintes:

1. Não deve ser adotado um único modelo, proposta, caminho para a educação haja vista a diversidade econômica, social e cultural do Brasil. Trabalhar com desafios, com projetos reais, parece o caminho mais importante hoje, mas pode ser realizado de várias formas e em contextos diferentes. Deve-se ensinar por problemas e projetos num modelo disciplinar e em modelos sem disciplinas isoladas; com modelos mais abertos de construção mais participativa e processual e com modelos mais roteirizados, preparados anteriormente, planejados nos seus mínimos detalhes.

2. Alguns componentes são fundamentais para o sucesso da aprendizagem: a criação de desafios, atividades, projetos que realmente trazem as competências necessárias para cada etapa, que solicitam informações pertinentes, que oferecem recompensas estimulantes, que combinam percursos pessoais com participação significativa em grupos, que se inserem em plataformas adaptativas, que reconhecem cada aluno e ao mesmo tempo aprendem com a interação, tudo isso utilizando as tecnologias adequadas.  O articulador das etapas individuais e grupais é o docente, com sua capacidade de acompanhar, mediar, de analisar os processos, resultados, lacunas e necessidades, a partir dos percursos realizados pelos alunos individual e grupalmente. Esse novo papel do professor é mais complexo do que o anterior de transmitir informações. Precisa de uma preparação em competências mais amplas, além do conhecimento do conteúdo, como saber adaptar-se ao grupo e a cada aluno; planejar, acompanhar e avaliar atividades significativas e diferentes.

3. Ensinar e aprender podem ser feitos de forma muito mais flexível, ativa e focada no ritmo de cada aluno. O modelo mais interessante e promissor de utilização de tecnologias é o de concentrar no ambiente virtual o que é informação básica, isto é, a teoria e na sala de aula a teoria conectada com as atividades práticas mais criativas e supervisionadas. A combinação de aprendizagem por desafios, problemas reais é muito importante para que os alunos aprendam fazendo, aprendam juntos e aprendam também no seu próprio ritmo. Isto é decisivo também para valorizar mais o papel do professor como gestor de processos ricos de aprendizagens significativas e não o de um simples repassador de informações. Se mudarmos a mentalidade dos docentes para serem mediadores, poderão utilizar os recursos próximos, tecnologias simples, como os que estão no celular, uma câmera para ilustrar, um programa gratuito para juntar as imagens e contar com elas histórias interessantes e os alunos serem autores, protagonistas do seu processo de aprender.

4. Os desafios de mudanças na educação são, também, estruturais. É preciso aumentar o número de escolas de qualidade, de escolas com bons gestores, docentes e infraestrutura, que consigam motivar os alunos e que realmente promovam uma aprendizagem significativa, complexa e abrangente. Precisa haver plano de carreira, formação e valorização de gestores educacionais e professores. É preciso políticas consistentes de formação, para atrair os melhores professores, remunerá-los bem e qualificá-los melhor, de políticas inovadoras de gestão que levem os modelos de sucesso de gestão para a educação básica e superior.

5. Os educadores precisam aprender a realizar-se como pessoas e como profissionais, em contextos precários e difíceis, aprender a evoluir sempre em todos os campos, a ser mais afetivos e ao mesmo tempo saber gerenciar grupos. Devem se transformar em educadores inspiradores e motivadores.

Como apêndice do livro, foram propostas estratégias para revolucionar o sistema de ensino da Bahia que tem apresentado desempenho insatisfatório e revolucionar o ultrapassado ensino da engenharia no Brasil que não atende aos imperativos da modernidade.

Síntese das principais conclusões sobre como promover a revolução da educação na Bahia

As pesquisas que realizamos apontam que o sistema de educação da Bahia tem o segundo menor investimento por aluno da rede estadual do Brasil. Este baixo investimento tem impactado negativamente o desempenho da educação no Estado da Bahia, historicamente abaixo de outras redes públicas do Brasil e mesmo do Nordeste. A falta de condições de trabalho nas escolas é reclamação constante dos profissionais da educação da rede estadual. As escolas precisam de muito investimento e isso não é novidade para o atual governo porque esta carência vem de governos passados. A Bahia registrou em 2022 a maior taxa de evasão escolar no ensino médio do Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia registrou uma taxa de 11,7% no ano. O número é duas vezes maior do que o total registrado no país, que foi 5,5% no ano. Os alunos do Ensino Médio da rede estadual baiana estão dois anos ou mais acima da idade ideal da série que estão cursando. Este número representa 48% dos 635.569 estudantes do Ensino Médio estadual. Nacionalmente, a proporção de alunos nessa situação é bem menor: 32% dos estudantes de Ensino Médio das redes estaduais do Brasil. De cada 100 professores da rede estadual baiana, 9 não têm ensino superior. O Estado da Bahia está na 11ª posição entre as unidades da federação com mais professores sem formação superior. Não há valorização dos docentes. Quanto ao ensino superior da Bahia, ele não apresenta desempenho satisfatório quando suas universidades são comparadas com outras no mundo, na América Latina e no Brasil. No Brasil, no ranking QS Latin America University Rnakings de 2022, da consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) se mantém na 19ª posição entre as universidades brasileiras. Na América Latina, a UFBA aparece no 70º lugar entre as melhores universidades do continente no ranking QS. No mundo, as universidades na Bahia estão muito distantes das melhores universidades. A UFBA ficou na posição 1.306 entre as melhores universidades no ranking da Times Higher Education.

Para solucionar os problemas da educação da Bahia, é preciso que as estratégias de desenvolvimento do sistema de educação do Brasil propostas neste livro sejam levadas avante pelo governo federal na Bahia, além de que haja a adoção pelo do governo do Estado das estratégias propostas no livro para superar as fragilidades atuais do sistema de educação da Bahia descritas a seguir:

  • Promover investimentos para melhorar o desempenho do sistema de educação da Bahia visando oferecer educação de qualidade e elevar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação).
  • Adotar medidas de assistência social para combater a evasão escolardos estudantes da Bahia e para melhorar a defasagem idade-série para todas as etapas da escolaridade.
  • Elevar a capacitação dos docentes para desenvolver suas atividades.
  • Contratar mais professores com formação superior para substituir docentes sem formação compatível.
  • Elevar a remuneração dos professores para valorizar os docentes e atrair pessoas mais qualificadas para a função.
  • Investir na melhoria das condições de trabalho nas escolas.
  • Investir na melhoria das bibliotecas, dos laboratórios de informática e, sobretudo, dos laboratórios de ciências da rede estadual da Bahia.
  • Elevar o nível de investimento na educação da Bahia compatível com suas necessidades.
  • Elevar o nível de investimento das universidades públicas da Bahia para oferecer educação de qualidade e elevar seu desempenho em comparação com outras universidades no mundo, na América Latina e no Brasil.

Síntese das principais conclusões sobre como promover a revolução no ensino da engenharia no Brasil

Ao longo da história, a escola tradicional de engenharia criou uma aberração não apenas no Brasil, mas também, no mundo. Separou o ensino em teoria e prática, ao criar salas de aula para teoria e laboratórios, para a prática. Não é de se espantar que os alunos tenham tanta dificuldade para relacionar a teoria com a prática. A solução para este problema é transformar as salas de aula em um atelier renascentista, isto é, um espaço de convivência, onde a teoria e a prática, isto é, o fazer e a reflexão sobre o fazer podem acontecer ao mesmo tempo. O espaço de aprendizagem deve ser um ambiente onde a prática e a teoria possam ser desenvolvidas de maneira paralela, complementar, em forma de uma praxis. Em um ambiente assim, o trabalho em grupo, o desenvolvimento das habilidades de relacionamento interpessoal poderão acontecer e a interdisciplinaridade deixa de ser discurso teórico para se tornar realidade concreta. A proposta colocada no livro trata de transformar a sala de aula em uma oficina de trabalho, dotada de recursos para que os alunos possam absorver a teoria, investigar e construir o seu próprio entendimento sobre os assuntos tratados. O papel do professor neste contexto é o de um orientador do processo de construção do saber diferente do atual de repassador de informações. O livro propõe um novo perfil para o engenheiro do século XXI ajustado ao estágio atual de desenvolvimento científico e tecnológico e às exigências do mercado de trabalho e foram propostas novas metodologias inovadoras de ensino no século XXI.

A melhoria do ensino de engenharia requer que ele se realize com o professor ensinando com base em problemas e projetos em modelos com disciplinas isoladas e, também, envolvendo várias disciplinas. Os estudantes de engenharia precisam ter menos dependência das aulas expositivas formais e deve ter certeza de que a pesquisa faz parte do processo de sua própria educação sob a orientação dos professores que devem ter consciência de que quem não faz pesquisa, ou quem não se integra ao processo de construção de novos conhecimentos, não educa para o Século XXI. Alguns componentes são fundamentais para o sucesso da aprendizagem: a criação de desafios, atividades, projetos reais que realmente trazem as competências necessárias para cada etapa do ensino, que solicitam informações pertinentes, que oferecem recompensas estimulantes, que combinam percursos pessoais com participação significativa em grupos, que se inserem em plataformas adaptativas, que reconhecem cada aluno e ao mesmo tempo aprendem com a interação, tudo isso utilizando as tecnologias adequadas.  O articulador das etapas individuais e grupais é o docente, com sua capacidade de acompanhar, mediar, de analisar os processos, resultados, lacunas e necessidades, a partir dos percursos realizados pelos alunos individual e grupalmente. Esse novo papel do professor é mais complexo do que o anterior de transmitir informações para os alunos. O novo professor precisa de uma preparação em competências mais amplas, além do conhecimento do conteúdo, como saber adaptar-se ao grupo e a cada aluno; planejar, acompanhar e avaliar atividades significativas e diferentes. Ensinar e aprender podem ser feitos de forma muito mais flexível, ativa e focada no ritmo de cada aluno. O modelo mais interessante e promissor de utilização de tecnologias é o de concentrar no ambiente virtual o que é informação básica e na sala de aula as atividades mais criativas e supervisionadas.  

Adicionalmente, é importante ressaltar que há fragilidades no ensino de Engenharia do Brasil que precisam ser superadas como, por exemplo: 1) a existência de muitos professores das disciplinas de Engenharia que não têm experiência industrial, empresarial e governamental. Isto se deve ao fato de muitos professores terem assumido a carreira acadêmica logo após a conclusão da faculdade. Frutos do mestrado e doutorado, muitos professores utilizam a sala de aula como laboratório para suas pesquisas científicas. O resultado disso é que o ensino de Engenharia conta com um embasamento teórico excelente com carência, entretanto, na experiência prática de muitos de seus professores; 2) muitos alunos carecem de capacitação plural e multidisciplinar em Internet, tecnologia da informação e língua inglesa para utilizar softwares e ferramentas ligadas às disciplinas de Engenharia. Além disso, para entrar no mercado de trabalho e crescer, os alunos de Engenharia precisam adquirir noções básicas de administração, especialmente de projetos e de marketing, economia e meio ambiente, gestão de pessoas e projetos, e ter habilidades de comunicação e escrita, entre muitas outras coisas; e, 3) constata-se, hoje, que há grande segmentação do ensino de Engenharia. Há 20 anos atrás não existiam tantas Engenharias como hoje. Erroneamente, a tendência é que essa segmentação aumente à medida que as necessidades surjam porque não faz sentido que exista uma faculdade de Engenharia de Software ou de Sistemas como já ocorre desde 1990 em várias instituições de ensino do Brasil.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

LE NOUVEAU CONFLIT ENTRE L’ÉTAT D’ISRAËL ET LES PALESTINIENS DU HAMAS ET SES CONSÉQUENCES GÉOPOLITIQUES MONDIALES

Fernando Alcoforado*

Le groupe palestinien Hamas a lancé une attaque sans précédent contre Israël avec ses combattants pénétrant dans les communautés proches de la bande de Gaza, tuant plus de 900 personnes et prenant des otages. En réponse, le gouvernement israélien a lancé des frappes aériennes qui ont fait près de 690 morts à Gaza et 3 700 autres blessés. Il s’agit de l’opération la plus ambitieuse jamais lancée par le Hamas depuis Gaza et de l’attaque la plus grave à laquelle Israël a été confronté depuis plus d’une génération. L’acte terroriste perpétré par les combattants du Hamas contre des citoyens israéliens a entraîné, en réponse, le traitement barbare et brutal du gouvernement israélien à l’égard du peuple palestinien et la menace d’une invasion de la bande de Gaza sous le contrôle du Hamas par les forces armées israéliennes.

La nouveauté concernant le Hamas concerne l’augmentation de son arsenal de missiles et de drones fournis par l’Iran, pouvant atteindre même les périphéries de Tel-Aviv et de Jérusalem. Ces nouvelles armes sont loin de créer un « équilibre de la terreur » entre les deux camps. Israël dispose toujours d’une puissance de feu et d’une capacité de dissuasion immensément supérieures, en plus de disposer d’un bouclier antimissile très efficace. Le massacre israélien contre les Palestiniens dans la bande de Gaza pourrait devenir le déclencheur non seulement d’une nouvelle guerre entre Israël et le peuple palestinien et évoluer vers un nouveau conflit régional impliquant l’Iran et les pays arabes et aussi, mondial avec la participation de grandes puissances militaires. Le sentiment de révolte généré par la mort d’innocents en Israël par des Juifs et dans la bande de Gaza par des Palestiniens est un autre élément contraire au rapprochement des peuples palestinien et israélien.

L’escalade de la guerre se poursuit avec la mobilisation de milliers de réservistes promus par le gouvernement israélien. Il ne fait aucun doute que le gouvernement israélien met en œuvre un plan de guerre, la prochaine étape étant une invasion terrestre de la bande de Gaza visant à anéantir le Hamas. À l’heure actuelle, les principales routes autour de la bande de Gaza sont bloquées afin de faciliter l’opération militaire en cours. Cette opération militaire initiée par Benjamin Netanyahu, Premier ministre israélien, aurait également pour objectif de le renforcer politiquement après l’échec des défenses israéliennes avec la récente action terroriste du Hamas. Le danger de cette offensive israélienne contre les Palestiniens dans la bande de Gaza pourrait signifier l’implication de l’Égypte et d’autres pays arabes contre Israël.

Le pire des cas serait l’évolution d’un conflit localisé, entre Israël et les Palestiniens dans la bande de Gaza, vers une guerre régionale impliquant tous les pays de la région. Le conflit entre l’État d’Israël et les Palestiniens comporte donc des dimensions locales et régionales. Le passage d’une guerre régionale à un conflit mondial peut également se produire avec l’implication des grandes puissances militaires (États-Unis, Russie et Chine) dans la défense de leurs intérêts et de ceux de leurs alliés dans la région. La dimension locale du conflit oppose les intérêts de deux peuples, le palestinien et le juif, sur l’occupation du même territoire contesté. La dimension régionale concerne, d’une part, la confrontation entre Israël et l’Iran dans laquelle Israël cherche à empêcher l’Iran de devenir une puissance nucléaire menaçant sa sécurité et, d’autre part, entre Israël et les pays arabes  qui peut s’unir avec Iran contre Israël en solidarité avec le peuple palestinien.

Le fait concret est qu’Israël occupe 78 % de la Palestine, laissant aux Palestiniens seulement 22 % du territoire, c’est-à-dire la Cisjordanie et la bande de Gaza, une situation inacceptable pour le peuple palestinien. Alors que le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien n’est toujours pas résolu, le gouvernement israélien continue arbitrairement d’étendre son territoire en Palestine avec des colonies juives, en violation de toutes les résolutions du Conseil de sécurité de l’ONU. Le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien ne prendra fin que si les Palestiniens prennent le contrôle de leurs territoires et établissent un État palestinien souverain et indépendant et si Israël assure la défense de son territoire contre ses ennemis. La plupart des Palestiniens acceptent les régions de Cisjordanie et de la bande de Gaza comme territoire d’un futur État palestinien. De nombreux Israéliens acceptent également cette solution. Pour qu’un accord entre les parties soit possible, il faudrait résoudre les principaux points de discorde, que sont le statut de Jérusalem et le sort des réfugiés palestiniens et des colonies juives.

Le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien pourrait prendre fin et le conflit régional entre Israël, l’Iran et les pays arabes pourrait être évité si les grandes puissances militaires mondiales et le Conseil de sécurité de l’ONU résolvaient dans un premier temps le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien, puis les conflits impliquant Israël, l’Iran et les pays arabes. La poursuite du conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien est donc contraire à la stabilité stratégique de la région et du monde. En plus de revêtir une dimension locale et régionale, le conflit entre l’État d’Israël et le peuple palestinien peut devenir mondial du fait qu’il est considéré comme la matrice d’un éventuel choc des civilisations. Les représentants de la civilisation occidentale sont les États-Unis et Israël, dans lesquels les Juifs sont considérés comme assimilés à la civilisation occidentale, malgré leurs origines dans la région contestée de Palestine, et la civilisation islamique est représentée par l’Autorité nationale palestinienne, le Hamas, l’Iran et les pays arabes. Il est peu probable que le conflit entre Palestiniens et Juifs soit résolu aujourd’hui car les institutions internationales existantes ne sont pas capables de construire une solution négociée au conflit entre les peuples juif et palestinien et entre Israël, l’Iran et les pays arabes.

Les États-Unis ont perdu la capacité de servir de médiateur dans n’importe quel conflit dans le monde, aucune grande puissance n’a les conditions nécessaires pour jouer ce rôle et l’ONU est actuellement incapable de promouvoir la paix aux niveaux local, régional ou mondial. Dans ces circonstances, le déclenchement d’une nouvelle guerre mondiale pourrait devenir inévitable. Tant que l’humanité ne se dotera pas, le plus rapidement possible, des instruments mondiaux nécessaires pour contrôler son destin, il sera impossible de prévenir les guerres et d’assurer la survie de l’espèce humaine sur la planète. Si tout continue ainsi, aucune structure, pas même l’ONU, qui travaille, en pratique, au service des intérêts des grandes puissances, notamment des États-Unis, ne pourra exercer la gouvernance de la planète Terre. Il y aura très probablement une radicalisation croissante parmi les Palestiniens et les Juifs, entre Israël et l’Iran et les pays arabes, et entre la civilisation occidentale et la civilisation islamique.

Ce conflit au Moyen-Orient s’ajoute au conflit entre la Russie et l’Ukraine, augmentant les risques d’une nouvelle guerre mondiale qui, si elle éclatait, entraînerait l’extermination de l’humanité avec l’utilisation possible d’armes nucléaires pour les pays bellicistes qui possèdent ces armes. Le moment est venu où l’humanité doit se doter d’un système international efficace pour parer définitivement aux nouveaux risques d’une nouvelle guerre mondiale et parvenir à une paix perpétuelle sur notre planète. Pour y parvenir, il faudrait réformer le système international actuel, incapable de garantir la paix mondiale. Le nouveau système international devrait fonctionner sur la base d’un Contrat Social Planétaire qui serait la Constitution de la planète Terre. Pour préparer le Contrat Social Planétaire, une Assemblée Constituante Mondiale devrait être convoquée avec la participation de représentants de tous les pays du monde élus à cet effet. Le Contrat Social Planétaire devrait établir l’existence d’un Gouvernement mondial et d’un Parlement mondial élus pour exercer la gouvernance sur la planète Terre et arbitrer les conflits internationaux, ainsi que d’une Cour Suprême mondiale pour juger les affaires impliquant des différends entre pays, des crimes contre l’humanité et contre la nature commis par des autorités nationales, les États et les dirigeants, à la lumière du Contrat Social Planétaire, jugent les conflits qui existent entre le gouvernement mondial et le parlement mondial et agissent en tant que gardiens du Contrat Social Planétaire pour rendre possible la paix perpétuelle sur notre planète.

​* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018),  Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

THE NEW CONFLICT BETWEEN THE STATE OF ISRAEL AND THE PALESTINIANS OF HAMAS AND ITS WORLDWIDE GEOPOLITICAL CONSEQUENCES

Fernando Alcoforado*

The Palestinian group Hamas launched an unprecedented attack against Israel, with its fighters entering communities close to the Gaza Strip, killing more than 900 people and taking hostages. In response, the Israeli government has launched airstrikes that have left almost 690 people dead in Gaza and another 3,700 injured. This was the most ambitious operation Hamas has ever launched from Gaza and the most serious attack Israel has faced in more than a generation. The terrorist act carried out by Hamas fighters against Israeli citizens resulted in, in response, the Israeli government’s barbaric and brutal treatment of the Palestinian people and the threat of an invasion of the Gaza Strip under Hamas control by the armed forces. Israelis.

The new fact regarding Hamas concerns the increase in its arsenal of missiles and drones supplied by Iran that can even reach the outskirts of Tel Aviv and Jerusalem. These new weapons are far from creating a “balance of terror” between the two camps. Israel still has immensely superior firepower and deterrence capacity, in addition to having a very efficient anti-missile shield. The Israeli massacre against the Palestinians in the Gaza Strip could become the trigger not only for a new war between Israel and Palestinian people and evolve into a new regional conflict involving Iran and Arab countries, and also a global one with the participation of major military powers. The feeling of revolt generated by the deaths of innocent people in Israel by Jews and in the Gaza Strip by Palestinians is yet another element contrary to the rapprochement of the Palestinian and Israeli peoples.

The escalation of the war is ongoing with the mobilization of thousands of reservists promoted by the Israeli government. There is no doubt that a war plan is being carried out by the Israeli government, with the next step being a land invasion of the Gaza Strip to annihilate Hamas. At this time, the main roads around the Gaza Strip are being blocked, to facilitate the military operation that is being carried out. This military operation launched by Benjamin Netanyahu, Israeli Prime Minister, would also aim to strengthen him politically after the failure of Israel’s defenses with the recent terrorist action by Hamas. The danger of this Israeli offensive against the Palestinians in the Gaza Strip could mean the involvement of Egypt and other Arab countries against Israel.

The worst case scenario would be the evolution of a localized conflict, Israel versus Palestinians in the Gaza Strip, into a regional war involving all countries in the region. The conflict between the State of Israel and the Palestinians therefore includes local and regional dimensions. The transition from a regional war to a global conflict can also happen with the involvement of the great military powers (United States, Russia and China) in defending their interests and those of their allies in the region. The local dimension of the conflict is one that pits the interests of two peoples against one another: the Palestinian and the Jewish over the occupation of the same disputed territory. The regional dimension concerns, on the one hand, the confrontation between Israel and Iran in which Israel seeks to prevent Iran from becoming a nuclear power that threatens its security and, on the other hand, between Israel and Arab countries that could unite together with Iran against Israel in solidarity with the Palestinian people.

The concrete fact is that Israel occupies 78% of Palestine, leaving the Palestinians with only 22% of the territory, that is, the West Bank and the Gaza Strip, a situation that is unacceptable for the Palestinian people. While the conflict between the State of Israel and the Palestinian people remains unresolved, the Israeli government arbitrarily continues to expand its territory in Palestine with Jewish settlements against all UN Security Council Resolutions. The conflict between the State of Israel and the Palestinian people will only come to an end if the Palestinians take control of their territories and establish a sovereign and independent Palestinian State and if Israel ensures the defense of its territory against its enemies. Most Palestinians accept the West Bank and Gaza Strip regions as territory for a future Palestinian state. Many Israelis also accept this solution. For an agreement between the parties to be possible, it would be necessary to resolve the main points of contention, which are the status of Jerusalem and the fate of Palestinian refugees and Jewish settlements.

The conflict between the State of Israel and the Palestinian people may to an end and the regional conflict between Israel and Iran and Arab countries will be avoided if the world’s great military powers and the UN Security Council initially resolve the conflict between the State of Israel and the Palestinian people and then the conflicts involving Israel, Iran and Arab countries. The continuation of the conflict between the State of Israel and the Palestinian people is therefore contrary to strategic stability in the region and the world. In addition to taking on a local and regional dimension, the conflict between the State of Israel and the Palestinian people can become global due to the fact that it is considered the matrix of a possible clash of civilizations. Representing Western civilization are the United States and Israel in which Jews are seen as assimilated into Western civilization despite their origins in the disputed region of Palestine, and representing Islamic civilization are the Palestinian National Authority, Hamas, Iran and the countries Arabs. It is unlikely that the conflict between Palestinians and Jews will be resolved today because existing international institutions are not capable of building a negotiated solution to the conflict between the Jewish and Palestinian peoples and between Israel, Iran and Arab countries.

The United States has lost the ability to mediate any conflict in the world, no great power has the conditions to play this role and the UN is currently incapable of promoting peace on a local, regional or global levels. Under these circumstances, the outbreak of a new world war may become inevitable. Until humanity equips itself as urgently as possible with the global instruments necessary to control its destiny, it will be impossible to prevent the occurrence of wars and ensure the survival of the human species on the planet. If everything continues as it is, no structure, not even the UN, which works, in practice, in the service of the interests of the great powers, especially the United States, will be able to exercise governance over planet Earth. Most likely, there will be increasing radicalization among Palestinians and Jews, between Israel and Iran and Arab countries, and between Western Civilization and Islamic Civilization.

This conflict in the Middle East adds to the conflict between Russia and Ukraine, increasing the risks of a new world war that, if it breaks out, will mean the extermination of humanity with the possible use of nuclear weapons by the contenders in possession of these weapons. The time has come when humanity should have an effective international system to definitively ward off new risks of a new world war and to achieve perpetual peace on our planet. To achieve this, it would be necessary to reform the current international system, which is incapable of guaranteeing world peace. The new international system should work based on a Planetary Social Contract that would be the Constitution of planet Earth. To prepare the Planetary Social Contract, a Constituent World Assembly should be convened with the participation of representatives from all countries in the world elected for this purpose. The Planetary Social Contract should establish the existence of a world Government and a world Parliament elected to exercise governance on planet Earth and mediate international conflicts and a world Supreme Court to judge cases involving disputes between countries, crimes against humanity and against nature practiced by national States and rulers in light of the Planetary Social Contract, judge conflicts that exist between the world government and the world parliament and act as guardian of the Planetary Social Contract to make perpetual peace on our planet possible.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023). 

O NOVO CONFLITO ENTRE O ESTADO DE ISRAEL E OS PALESTINOS DO HAMAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS GEOPOLÍTICAS MUNDIAIS   

Fernando Alcoforado*

O grupo palestino Hamas lançou um ataque sem precedentes contra Israel, com seus combatentes adentrando comunidades próximas à Faixa de Gaza, matando mais de 900 pessoas e fazendo reféns. Em resposta, o governo de Israel tem lançado ataques aéreos que já deixaram quase 690 pessoas mortas em Gaza e outras 3,7 mil ficaram feridas. Esta foi a operação mais ambiciosa que o Hamas já lançou a partir de Gaza e o ataque mais sério que Israel enfrentou em mais de uma geração. O ato terrorista praticado pelos combatentes do Hamas contra cidadãos israelenses fez com que, como revide, houvesse o tratamento bárbaro e brutal do governo israelense contra o povo palestino e a ameaça de invasão da Faixa de Gaza sob o controle do Hamas por parte das forças armadas israelenses.

O fato novo referente ao Hamas diz respeito ao aumento de seu arsenal de mísseis e drones fornecidos pelo Irã que podem atingir inclusive os arredores de Tel Aviv e Jerusalém. Estas novas armas estão longe de criar um “equilíbrio do terror” entre os dois campos. Israel ainda tem um poder de fogo e uma capacidade de dissuasão imensamente superior, além de possuir um escudo antimísseis bastante eficiente. O massacre israelense contra os palestinos da Faixa de Gaza pode se tornar o detonador não apenas de uma nova guerra entre Israel e o povo palestino e evoluir para um novo conflito regional envolvendo o Irã e países árabes e, também, global com a participação das grandes potências militares. O sentimento de revolta gerado pela morte de inocentes em Israel por parte dos judeus e na Faixa de Gaza por parte dos palestinos é mais um elemento contrário à aproximação dos povos palestino e israelense.

A escalada da guerra está em curso com a mobilização de milhares de reservistas promovida pelo governo israelense. Não há dúvidas que está em execução um plano de guerra por parte do governo de Israel, sendo o próximo passo uma invasão terrestre à Faixa de Gaza visando aniquilar o Hamas. Neste momento, as principais estradas ao redor da Faixa de Gaza estão sendo bloqueadas, para facilitar a operação militar que está sendo desenvolvida. Esta operação militar encetada por Benjamin Netanyahu, primeiro ministro israelense, teria também por objetivo fortalecê-lo politicamente depois do fracasso das defesas de Israel com a recente ação terrorista do Hamas. O perigo dessa ofensiva israelense contra os palestinos da Faixa de Gaza pode significar o envolvimento do Egito e de outros países árabes contra Israel.

O pior cenário seria a evolução de um conflito localizado, Israel versus palestinos na Faixa de Gaza, para uma guerra regional envolvendo todos os países da região. O conflito entre o Estado de Israel e os palestinos contempla, portanto, as dimensões local e regional. A passagem de uma guerra regional para um conflito global pode também acontecer com o envolvimento das grandes potências militares (Estados Unidos, Rússia e China) na defesa de seus interesses e de seus aliados na região. A dimensão local do conflito é aquela que coloca em confronto os interesses de dois povos, o palestino e o judeu, pela ocupação do mesmo território em disputa. A dimensão regional diz respeito, de um lado, ao confronto entre Israel e o Irã em que Israel busca evitar que o Irã se torne uma potência nuclear que ameace sua segurança e, de outro lado, entre Israel e países árabes que possam se aglutinar junto com o Irã contra Israel em solidariedade ao povo palestino.

O fato concreto é o de que de Israel ocupa 78% da Palestina, restando aos palestinos apenas 22% do território, ou seja, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, situação esta que é inaceitável para o povo palestino. Enquanto o conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino permanece sem solução, o governo de Israel, de forma arbitrária, continua expandindo seu território na Palestina com os assentamentos judeus contra todas as Resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino só chegará ao fim se os palestinos assumirem o controle de seus territórios e estabelecerem um Estado Palestino soberano e independente e se Israel assegurar a defesa de seu território contra seus inimigos. Grande parte dos palestinos aceita as regiões da Cisjordânia e da faixa de Gaza como território para um futuro Estado palestino. Muitos israelenses também aceitam essa solução. Para que um acordo entre as partes seja possível, seria preciso resolver os principais pontos de discórdia, que são o status de Jerusalém e o destino de refugiados palestinos e de assentamentos judeus.   

O conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino poderá chegar ao fim e o conflito regional entre Israel e Irã e países árabes será evitado se as grandes potências militares mundiais e o Conselho de Segurança da ONU solucionarem, inicialmente, o conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino e, em seguida, os conflitos envolvendo Israel, Irã e países árabes. A continuação do conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino é contrária, portanto, à estabilidade estratégica na região e no mundo. Além de assumir a dimensão local e regional, o conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino pode se tornar global pelo fato de ser considerado como a matriz de um possível confronto de civilizações. Representando a civilização ocidental se encontram os Estados Unidos e Israel em que os judeus são vistos como assimilados pela civilização ocidental, apesar de suas origens na região da Palestina em disputa, e representando a civilização islâmica estão a Autoridade Nacional Palestina, o Hamas, o Irã e os países árabes. É pouco provável que o conflito entre palestinos e judeus seja solucionado na atualidade porque as instituições internacionais existentes não são capazes de construir uma saída negociada para o conflito entre os povos judeu e palestino e entre Israel, o Irã e os países árabes.

Os Estados Unidos perderam a capacidade de mediar qualquer conflito no mundo, nenhuma grande potência reúne condições para exercer este papel e a ONU é incapaz de promover a paz nos níveis local, regional ou global na atualidade. Nessas circunstâncias, a eclosão de uma nova guerra mundial pode se tornar inevitável. Enquanto a  humanidade não se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos globais necessários ao controle de seu destino será impossivel impedir a ocorrência de guerras e assegurar a sobrevivência da espécie humana no planeta. Se tudo continuar como está nenhuma estrutura, nem mesmo a ONU, que funciona, na prática, a serviço dos interesses das grandes potências, especialmente dos Estados Unidos, será capaz de exercer a governabilidade sobre o planeta Terra. O mais provável é que haja crescente radicalização entre palestinos e judeus, entre Israel e Irã e os países árabes e entre a Civilização Ocidental e a Civilização Islâmica.

Este conflito no Oriente Médio se soma ao conflito entre Rússia e Ucrânia ampliando os riscos de uma nova guerra mundial que se eclodir significará o extermínio da humanidade com o possível uso de armas nucleares pelos contendores detentores desses armamentos. É chegado o momento em que a humanidade deveria dispor de um eficaz sistema internacional para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que  se concretize a paz perpétua em nosso planeta. Para tanto, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial. O novo sistema internacional deveria funcionar com  base em um Contrato Social Planetário que seria a Constituição do planeta Terra. Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer a existência de um Governo mundial e de um Parlamento mundial eleitos para exercerem a governabilidade do planeta Terra e mediarem os conflitos internacionais e de uma Corte Suprema mundial para julgar os casos que envolvam litigios entre paises, os crimes contra a humanidade e contra a natureza praticados por Estados nacionais e por governantes à luz do Contrato Social Planetário, julgar conflitos que existam entre o governo mundial e o parlamento mundial  e atuar como guardiã do  Contrato Social Planetáriopara que torne possível a paz perpétua em nosso planeta.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

COMME CONQUÉRIR LE BONHEUR DES ÊTRES HUMAINS, INDIVIDUELLEMENT ET COLLECTIVEMENT

Fernando Alcoforado*

Cet article constitue la suite de l’article dont le titre est Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor (Comment concrétiser les utopies planétaires en vue de construire un monde meilleur) [1]. Cet article est le douzième d’une série de 12 articles qui abordent les 12 utopies planétaires à réaliser en vue de construire un monde meilleur et de contribuer à la conquête du bonheur des êtres humains, individuellement et collectivement. Cet article vise à démontrer comment la douzième des utopies considérées, celle de la conquête du bonheur des êtres humains, individuellement et collectivement, peut devenir réalité.

L’article Como conquistar a felicidade (Comment conquérir le bonheur) [2] informe que, pour nos ancêtres et philosophes grecs, la recherche du bonheur est le moteur central de nos vies. Le bonheur individuel s’obtient grâce à l’auto-éducation. L’éducation est le moyen par lequel les individus seraient en mesure de faire les meilleurs choix dans la vie. Le but de l’Éducation doit être de faire acquérir à l’individu des compétences, de développer son sens critique, de s’approprier le patrimoine scientifique et culturel historiquement construit par l’humanité, mais, avant tout, doit être un instrument pour promouvoir le bonheur de l’individu et le bonheur collectif de la société dans laquelle il vit.. L’un des objectifs de l’éducation, peut-être le plus important, est d’offrir aux gens des opportunités et des moyens d’être heureux. Le monde attend une révolution dans l’éducation dont l’objectif principal est de fournir les conditions nécessaires au bonheur des êtres humains, individuellement et collectivement.

L’individu peut être guidé pour être heureux avec l’aide de l’éducation assistée par la psychologie positive, sur la base de laquelle il est possible de faire quelque chose de plus que résoudre ou atténuer les troubles psychologiques, c’est-à-dire qu’elle vise à nous rendre heureux [2]. La Psychologie Positive travaille davantage sur la recherche du bonheur que sur l’étude des maladies mentales d’un individu. La Psychologie Positive est le moyen par lequel les gens atteignent le bonheur individuel, ce qui, en fin de compte, est l’objectif principal qui guide les choix de vie des gens. En résumé, tandis que l’éducation permettrait aux gens de faire les meilleurs choix dans la vie, la psychologie positive renforcerait le travail de l’éducation dans la recherche du bonheur. Pour être heureux, l’individu doit donc s’appuyer sur l’Éducation et la Psychologie Positive. Le bonheur est un accomplissement que l’individu atteint grâce à l’auto-éducation. Et on ne la retrouvera jamais dehors. Pour être heureux, l’individu doit rechercher la connaissance de soi, notamment avec l’aide d’un psychologue.

Expliquer quels types de projets de vie rendent effectivement les gens heureux, et quels types d’attitudes conduisent au bonheur ou le rendent impossible, tel est l’objectif de la psychologie positive, qui se limite à identifier ce qui rend effectivement les gens heureux. Avec l’aide de l’éducation, la psychologie positive explore l’importance pour les individus de savoir interpréter correctement le monde et eux-mêmes. Une partie du malheur des individus résulte de mauvaises façons d’interpréter les choses et le monde. Ce qui se passe, c’est que dans certaines situations, nous devenons malheureux parce que nous entrons dans une spirale autodestructrice de pensées subtilement fausses sur la vie et sur nous-mêmes et d’autres pensées qui nous dépriment de plus en plus. Être capable de détecter et de neutraliser ces pensées, en reconnaissant qu’elles sont simples exagérations et interprétations erronées des choses, est une étape fondamentale vers le bonheur.

Le but de la vie n’est pas seulement de satisfaire nos propres désirs pour être heureux, mais aussi ce que chacun de nous doit donner au monde. Le bonheur doit être partagé pour être complet. Comme beaucoup d’autres espèces, les humains sont grégaires et entretenir des liens de confiance et d’amitié avec les autres est un élément important du bonheur. Malheureusement, nous vivons dans une époque centrée sur la vie privée et subjective, sur un individualisme exacerbé érigé en valeur absolue. Sans préoccupations plus larges, qui dépassent les limites immédiates de soi, de sa famille et de ses amis les plus proches, il est difficile d’être véritablement heureux. Après tout, le bonheur ne vient pas vraiment de l’intérieur, il vient aussi de la livraison au monde. Bertrand Russell a précisé que « le bonheur doit toujours être considéré comme un bien recherché par tous » [3].

L’analyse du livre A conquista da felicidade (La conquête du bonheur) de Bertrand Russell [3] permet de voir que le bonheur a un chemin bien tracé, qui est la croyance en des idéaux de recherche du plaisir et est aussi la traduction de l’appétit pour la vie. Par appétit de vivre, nous entendons l’intérêt pour les choses que la vie nous présente. Pour qu’il y ait une reprise du goût de vivre, l’Homme a besoin de se sentir aimé. Lorsqu’il est aimé, l’Homme comprend l’affection comme la gentillesse. Le bonheur doit toujours être considéré comme un bien que chacun doit rechercher. Cette condition ne sera pas réalisée dans une société en désintégration comme la société capitaliste dans tous les quadrants de la Terre. Cette conclusion souligne le sentiment que le bonheur doit être recherché et partagé par tous, ce qui, dans les conditions actuelles, est impossible à réaliser dans une société caractérisée par la compétition et les conflits entre les êtres humains comme la société capitaliste. En d’autres termes, le bonheur collectif ne sera jamais atteint sous le capitalisme.

L’article A conquista da felicidade segundo grandes pensadores (La conquête du bonheur selon les grands penseurs) [4] rapporte que Bertrand Russell affirme que le bonheur est l’élimination de l’égocentrisme. Karl Marx admet que dans une société divisée en classes antagonistes comme celle des capitalistes, il n’existe aucune notion de bonheur qui serve également toutes ces classes. Aristote considère que le rôle de l’État est de créer les conditions permettant aux citoyens d’être heureux. Aristote a déclaré que si tout le monde faisait partie d’une société juste, avec des droits égaux pour tous, le bonheur commun serait atteint. Platon comprenait que la fonction de l’État était de rendre les hommes bons et heureux. Si tout le monde faisait partie d’une société juste, avec des droits égaux pour tous, le bonheur collectif et le bonheur individuel pourraient être atteints ensemble. Le bonheur collectif peut être conceptualisé comme la satisfaction des véritables besoins de tous les êtres humains. L’une des voies vers le bonheur est de chercher à contribuer véritablement au bonheur des autres. C’est l’une des fonctions de l’État de créer les conditions permettant aux citoyens d’être heureux.

On peut affirmer que le bonheur collectif de l’ensemble de la population mondiale se produira si l’humanité réussit à construire un monde meilleur qui se produira dans tous les quadrants de la Terre lorsque les 11 utopies planétaires décrites ci-dessous deviendront réalité :

1. L’utopie de la paix mondiale pour mettre fin aux guerres dans le monde et surtout éviter le déclenchement de la 3ème Guerre mondiale

2. L’utopie d’une démocratie totale dans tous les pays du monde afin qu’il n’y ait pas de dictatures ni de fausses démocraties

3. L’utopie de la prédominance des valeurs civilisationnelles à travers le monde pour éliminer la barbarie qui domine aujourd’hui

4. L’utopie de construire un État-providence social dans tous les pays du monde pour éliminer les inégalités économiques et sociales mondiales croissantes et préparer la construction d’un socialisme démocratique dans le monde entier

5. L’utopie de construire un socialisme démocratique dans tous les pays pour remplacer le capitalisme décadent dominant dans le monde

6. L’utopie de l’utilisation rationnelle des ressources naturelles mondiales pour mettre fin à la dévastation de la nature

7. L’utopie de la fin du chaos économique et social mondial avec une planification économique rationnelle dans chaque pays et dans le monde

8. L’utopie de construire des villes vertes et intelligentes dans tous les pays pour éviter l’existence de villes de plus en plus dégradées dans la grande majorité des pays du monde

9. L’utopie d’utiliser la science et la technologie exclusivement pour le bien de l’humanité afin d’éviter leur utilisation nocive

10. L’utopie de l’immortalité des êtres humains pour surmonter l’inévitabilité de la mort

11. L’utopie de parvenir à la survie de l’humanité, en évitant son extinction face aux menaces qui pèsent sur son existence causées par les êtres humains et les forces de la nature existant sur la planète Terre et venant de l’espace 

Si toutes les utopies planétaires décrites ci-dessus se réalisent dans tous les quadrants de la Terre, elles permettront de réaliser la 12ème utopie avec la réalisation du bonheur collectif pour la population mondiale et, également, pour la réalisation du bonheur individuel pour tous les habitants de la planète Terre.

LES RÉFÉRENCES

  1. ALCOFORADO. Fernando. Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/104881861/COMO_FAZER_COM_QUE_AS_UTOPIAS_PLANET%C3%81RIAS_SE_REALIZEM_VISANDO_A_CONSTRU%C3%87%C3%83O_DE_UM_MUNDO_MELHOR>.
  2. ALCOFORADO. Fernando. Como conquistar a felicidade. Disponible sur le site Web <https://www.slideshare.net/falcoforado/como-conquistar-a-felicidade>.
  3. RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015.
  4. ALCOFORADO. Fernando. A conquista da felicidade segundo grandes pensadores. Disponible sur le site Web <https://www.linkedin.com/pulse/conquista-da-felicidade-segundo-grandes-pensadores-alcoforado/?originalSubdomain=pt>.

​* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur de l’École Polytechnique UFBA et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018),  Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

HOW TO CONQUEST HAPPINESS IN HUMAN BEINGS, INDIVIDUALLY AND COLLECTIVELY

Fernando Alcoforado*

This article represents the continuation of the article whose title is Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor (How to make planetary utopias come true with a view to building a better world) [1]. This article is the twelfth of 12 articles that address the 12 planetary utopias that need to be realized with a view to building a better world and contributing to the achievement of happiness for human beings, individually and collectively. This article aims to demonstrate how the twelfth of the utopias considered, that of achieving happiness for human beings, individually and collectively, can become reality.

The article Como conquistar a felicidade (How to Conquest Happiness) [2] informs that, for our Greek ancestors and philosophers, the search for happiness is the central engine of our lives. Individual happiness is achieved through self-education. Education is the means through which people would be empowered to make the best choices in life. The purpose of Education must be to make the individual acquire skills, develop critical sense, take possession of the scientific and cultural heritage historically built by humanity, but, above all, it must be an instrument to promote the individual’s happiness and happiness collective of the society where he lives. One of the purposes of Education, perhaps the most important, is to offer people opportunities and means to be happy. The world is waiting for a revolution in Education whose main objective is to provide the conditions for achieving happiness for human beings, individually and collectively.

The individual can be guided to be happy with the help of Education aided by Positive Psychology, based on which it is possible to do something more than resolve or alleviate psychological disorders, that is, it aims to make us happy [2]. Positive Psychology works more on the search for happiness than on the study of an individual’s mental illnesses. Positive Psychology is the means through which people would achieve individual happiness, which, ultimately, is the main objective that guides people’s choices in life. In summary, while Education would act to enable people to make the best choices in life, Positive Psychology would reinforce the work of Education in the search for achieving happiness. To be happy, the individual must therefore rely on Education and Positive Psychology. Happiness is an achievement that the individual achieves through self-education. She will never be found outside. To be happy, the individual must seek self-knowledge, including with the help of a psychologist.

Explaining what types of life projects effectively make people happy, and what types of attitudes lead to happiness or make it impossible, is the objective of Positive Psychology, which is limited to identifying what effectively makes people happy. With the help of Education, Positive Psychology explores the importance of individuals knowing how interpret correctly the world and themselves. Part of individuals’ unhappiness results from wrong ways of interpreting things and the world. What happens is that in certain situations we become unhappy because we enter a self-destructive spiral of subtly wrong thoughts about life and ourselves and other thoughts that depress us more and more. Being able to detect and neutralize these thoughts, recognizing that they are pure and simple exaggerations and misinterpretations of things, is a fundamental step towards achieving happiness.

The purpose of life is not only to satisfy our own desires in order to be happy, but also what each of us has to give to the world. Happiness to be complete needs to be shared. Like many other species, humans are gregarious and having bonds of trust and friendship with other people is an important part of happiness. Unfortunately, we live in an era focused on private and subjective life, on exacerbated individualism erected as an absolute value. Without broader concerns, which go beyond the immediate boundaries of the self, family and closest friends, it is difficult to be genuinely happy. Happiness, after all, does not really come all from within — it also comes from surrender to the world. Bertrand Russell made it clear that “happiness should always be considered as a good pursued by everyone” [3].

The analysis of the book A conquista da felicidade (The conquest of Happiness) by Bertrand Russell [3] allows us to see that happiness has a well-traced path, which is the belief in ideals of the pursuit of pleasure and is also the translation of the appetite for life. By appetite to live, we mean interest in the things that life presents to us. For there to be a recovery of the taste for living, Man needs to feel loved. When being loved, Man understands affection as kindness. Happiness should always be considered as a good to be pursued by everyone. This condition will not be achieved in a disintegrating society like the capitalist one in all quadrants of the Earth. This conclusion points to the sense that happiness must be pursued and shared by everyone, which, under current conditions, is impossible to achieve in a society characterized by competition and conflict between human beings such as the capitalist one. In other words, collective happiness will never be achieved under capitalism.

The article A conquista da felicidade segundo grandes pensadores (The conquest of happiness according to great thinkers) [4] informs that Bertrand Russell states that happiness is the elimination of egocentrism. Karl Marx admits that in a society divided into antagonistic classes such as the capitalist one, there is no notion of happiness that serves all these classes equally. Aristotle considers that it is the State’s role to create conditions for citizens to be happy. Aristotle stated that if everyone were part of a just society, with equal rights for all, common happiness would be achieved. Plato understood that the function of the State was to make men good and happy. If everyone were part of a fair society, with equal rights for all, collective happiness and individual happiness could be achieved together. Collective happiness can be conceptualized as the satisfaction of the true needs of all human beings. One of the routes to happiness is to seek to genuinely contribute to the happiness of others. It is one of the functions of the State to create conditions for citizens to be happy.

It can be stated that the collective happiness of the entire world population will occur if humanity is successful in building a better world that will happen in all quadrants of the Earth when the 11 planetary utopias described below become reality:

1. The utopia of world peace to end wars in the world and, above all, avoid the outbreak of the 3rd World War

2. The utopia of full democracy in all countries of the world so that there are no dictatorships and false democracies

3. The utopia of the prevalence of civilizational values throughout the world to eliminate the barbarism that dominates today

4. The utopia of the construction a Welfare State in all countries of the world to eliminate growing global economic and social inequalities and prepare for the construction of democratic socialism throughout the world

5. The utopia of the construction of democratic socialism in all countries to replace the decadent capitalism dominant in the world

6. The utopia of the rational use of the world’s natural resources to end its devastation

7. The utopia of the end of global economic and social chaos with rational economic planning in each country and worldwide

8. The utopia of the construction of green and smart cities in all countries to avoid the existence of increasingly degraded cities in the vast majority of countries in the world

9. The utopia of using science and technology exclusively for the good of humanity to avoid their harmful use

10. The utopia of conquest immortality for human beings to overcome the inevitability of death

11. The utopia of conquest of the survival of humanity by avoiding its extinction in the face of threats to its existence caused by human beings and the forces of nature existing on planet Earth and coming from space

If all the planetary utopias described above are realized in all quadrants of the Earth, they will make the 12th utopia happen with the conquest of collective happiness for the world population and, also, for the achievement of individual happiness for all inhabitants of planet Earth.

REFERENCES

  1. ALCOFORADO. Fernando. Como fazer com que as utopias planetárias se realizem visando a construção de um mundo melhor. Available on the website <https://www.academia.edu/104881861/COMO_FAZER_COM_QUE_AS_UTOPIAS_PLANET%C3%81RIAS_SE_REALIZEM_VISANDO_A_CONSTRU%C3%87%C3%83O_DE_UM_MUNDO_MELHOR>.
  2. ALCOFORADO. Fernando. Como conquistar a felicidade. Available on the website <https://www.slideshare.net/falcoforado/como-conquistar-a-felicidade>.
  3. RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015.
  4. ALCOFORADO. Fernando. A conquista da felicidade segundo grandes pensadores. Available on the website <https://www.linkedin.com/pulse/conquista-da-felicidade-segundo-grandes-pensadores-alcoforado/?originalSubdomain=pt>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer from the UFBA Polytechnic School and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press,  Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).