OS DESAFIOS HUMANOS DA CONQUISTA DO ESPAÇO E DA COLONIZAÇÃO DE OUTROS MUNDOS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar os desafios humanos da conquista do espaço e da colonização humana de outros mundosEstes desafios estão descritos a seguir: 

1- Produção de foguetes que alcancem velocidades próximas à da luz para viajar pelos confins do Universo

2- Produção de tecnologias capazes de proteger os seres humanos em viagens espaciais

3- Identificação de outros mundos similares à Terra capazes de serem habitáveis pelos seres humanos 

4- Capacitação do ser humano para sobreviver no espaço e em locais habitáveis fora da Terra

1- Produção de foguetes que alcancem velocidades próximas à da luz para viajar pelos confins do Universo

O primeiro grande desafio humano é o da produção de foguetes que sejam capazes de alcançar velocidades próximas à velocidade da luz (300.000 Km/s) haja vista a necessidade de promover viagens intergalácticas dos seres humanos pelos confins do Universo e, até mesmo, para universos paralelos. Esta ação se impõe devido à necessidade de os seres humanos colonizarem outros mundos no sistema solar ou fora dele e, mesmo em universos paralelos, para evitar sua extinção com a ocorrência de eventos catastróficos como a erupção de vulcões que possa levar à extinção dos seres humanos como já ocorreu no passado, o esfriamento do núcleo da Terra com o comprometimento do campo magnético terrestre que nos protege de ameaças vindas do espaço, a colisão de asteroides, cometas, planetas do sistema solar e de planetas órfãos com o planeta Terra, a emissão de raios gama por estrelas supernovas que possa levar à extinção da vida na Terra como já ocorreu no passado, o contínuo afastamento da Lua em relação à Terra e suas catastróficas consequências sobre o clima da Terra, a morte do Sol, a colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea e o fim do Universo. 

O grande desafio científico e tecnológico da humanidade é representado pela necessidade de realizar viagens espaciais e interestelares com velocidades correspondentes à velocidade da luz (300.000 km/s). A este nível de velocidade, seria possível alcançar a Lua em 1,3 s, o Sol em 8min20s, Plutão em 5h21s e demandaria 100 mil anos para ir de ponta a ponta na nossa galáxia, 163 mil anos para ir até a galáxia mais próxima e 93 bilhões de anos para atravessar o Universo visível. Para esse propósito, precisaríamos de uma nave espacial que viajasse a uma velocidade absurdamente alta para chegar aos nossos vizinhos – algo próximo da velocidade da luz. Além de não termos tecnologia de foguetes que desenvolvam velocidades próximas à da luz, as viagens interestelares seriam inviáveis mesmo que dispuséssemos desses foguetes porque com velocidade próxima à da luz ocorreriam consequências negativas para a vida dos seres humanos e as próprias naves espaciais [5]. 

O que aconteceria ao corpo de uma pessoa em uma viagem à velocidade da luz? Para cada centímetro cúbico do espaço interestelar, os cientistas acreditam que exista cerca de dois átomos de hidrogênio. Esse gás escasso pode fazer mal aos seres humanos em uma viagem próxima à velocidade da luz. Baseado na teoria da relatividade de Albert Einstein, se acredita que o hidrogênio que está no espaço interestelar seria transformado em uma intensa radiação que poderia, em segundos, matar os tripulantes/ passageiros da nave espacial e destruir os equipamentos eletrônicos. Como os átomos de hidrogênio têm apenas um próton no núcleo, estes poderiam expor a tripulação/ passageiros da nave espacial a uma perigosa radiação ionizante que quebraria os elos químicos e danificaria o DNA. A dose fatal de radiação para humanos é 6 sieverts. A tripulação de uma espaçonave próxima à velocidade da luz receberia o equivalente a 10 mil sieverts em apenas um segundo, o que também enfraqueceria a estrutura da nave espacial e danificaria os equipamentos eletrônicos [5].

A velocidade de 300 mil km por segundo facilitaria bastante a exploração espacial. Bastariam quatro anos e três meses para chegar ao sistema Alpha Centauri, o sistema planetário mais próximo da Terra. No início, essas viagens serão feitas por sondas e robôs, devido às limitações físicas e psicológicas do homem. Uma jornada nessa velocidade até outro planeta habitável levaria dezenas de milhares de anos. Mesmo que o viajante sobrevivesse, o impacto psicológico do longo isolamento poderia enlouquecê-lo. Isto significa dizer que missões tripuladas ainda estariam restritas à nossa “vizinhança” imediata, isto é, o sistema solar. Einstein comprovou que quanto mais rápido alguém se desloca, menor será o fluxo do tempo para o viajante porque haveria contração do tempo. Minutos para uma pessoa viajando na velocidade da luz podem equivaler a anos para alguém na Terra. Se uma pessoa viajar em velocidade próxima à da luz e chegar a uma estrela que está a 150 anos-luz de distância, o problema é que ao voltar à Terra, mais de 300 anos terão se passado por aqui. Esse é um dos principais dilemas de viagem interestelar [5].

O foguete espacial utilizado atualmente é uma máquina que se desloca expelindo atrás de si um fluxo de gás a alta velocidade. O seu objetivo é enviar objetos (especialmente satélites artificiais, sondas espaciais e rovers) e/ou naves espaciais e homens ao espaço sideral com velocidade superior a 40.320 Km/h para vencer a força de atração gravitacional da Terra e alcançar altitudes superiores a 100 Km acima do nível do mar. Um foguete é constituído por uma estrutura, um motor de propulsão por reação e uma carga útil. A estrutura serve para albergar os tanques de combustível e oxidante (comburente) e a carga útil. Estes foguetes necessitam de transportar também um comburente para reagir com o combustível. Esta mistura de gases sobreaquecidos é, depois, expandida em um tubo divergente, o Tubo de Laval, também conhecido como Tubo de Bell, para direcionar o gás em expansão para trás, e assim conseguir propulsionar o foguete para a frente [1]. Nas condições atuais, para cada 2 quilogramas de pessoas e objetos ou carga útil, são necessários 130 quilogramas de foguete que restringe a quantidade de astronautas e material enviado em cada voo e aumenta exponencialmente o custo das missõesA maior parte dos foguetes atuais leva uma carga útil de 1.5 % do seu tamanho total. Por carga útil entendem-se pessoas e objetos [4].

Um novo motor em desenvolvimento por dois engenheiros norte-americanos, no entanto, propõe uma alternativa para otimizar a quantidade de oxidantes transportados por foguetes e reduzir o custo de lançamentos. Trata-se do sistema de propulsão por aspiração de ar Fernis, uma tecnologia que combina características de um motor de foguete convencional e um motor a jato. Existem, no entanto, outros tipos de motor de foguete como, por exemplo os motores nucleares térmicos, que sobreaquecem um gás até altas temperaturas, utilizando o calor gerado por reações nucleares, em especial através do processo de fissão nuclear, onde o combustível nuclear é bombardeado com neutrons, levando à fissão do núcleo dos átomos. Esse gás é depois expandido no Tubo de Laval tal como nos foguetes químicos. Este tipo de foguete foi desenvolvido e testado nos Estados Unidos durante a década de 1960, mas nunca chegou a ser utilizado. Os gases expelidos por este tipo de foguete podem ser radioativos, o que desaconselha o seu uso dentro da atmosfera terrestre, mas podem ser utilizados fora dela. Este tipo de foguete tem a vantagem de permitir eficiências muito superiores às dos foguetes químicos convencionais, uma vez que permitem acelerar os gases de escape a velocidades muito superiores. Atualmente, é a Rússia que se destaca no desenvolvimento dos motores nucleares térmicos [1] [2] [3].

Os ônibus espaciais da NASA foram os primeiros veículos espaciais reutilizáveis da história. Eles substituíram os gigantescos foguetes Apollo e, por 30 anos, foram as mais sofisticadas espaçonaves construídas pelo homem. O veículo orbitador (OV) parecia um avião, tinha asas, cauda, trem de pouso e 3 potentes motores RS-25. Com 37 metros de comprimento e 18 metros de envergadura, pesava 78 toneladas e tinha capacidade para transportar 7 astronautas e até 27,5 toneladas de carga (para órbita baixa). Para tirar isso tudo do chão e colocar em órbita, o ônibus espacial contava com um gigantesco tanque de combustível externo com 760 toneladas de hidrogênio e oxigênio líquidos, e dois foguetes auxiliares de 500 toneladas de combustível sólido cada. Ele era lançado verticalmente, como um foguete convencional. Os 3 motores do ônibus espacial e os dois foguetes auxiliares operavam em conjunto para vencer os primeiros quilômetros de atmosfera. Após o impulso inicial, os foguetes auxiliares eram ejetados e caiam de paraquedas no oceano para serem resgatados e reutilizados. Pouco tempo depois, o tanque externo também era ejetado, mas ele não era reaproveitado, pois queimava na reentrada atmosférica. Depois de realizar suas missões em órbita, o ônibus espacial retornava à Terra de uma forma espetacular. O ônibus espacial contava com dois propulsores adicionais na parte de trás do veículo. Com a nave voltada na direção contrária do deslocamento, estes propulsores eram acionados para reduzir sua velocidade orbital e forçar a reentrada na atmosfera. O veículo era então reposicionado num ângulo específico (40°) de forma a gerar o arrasto necessário para freá-lo. Um escudo térmico, na parte de baixo da estrutura, protegia a nave do calor da reentrada, que podia chegar a quase 2 mil graus. Passada a fase crítica, o ônibus espacial planava como um avião, fazendo manobras de zigue-zague para reduzir ainda mais sua velocidade até o momento da aterrissagem de forma suave em uma das pistas de pouso da NASA. Durante quase todo o processo, os astronautas a bordo eram apenas passageiros. O computador a bordo controlava todo o processo de forma automática. Apenas no último momento da aterrissagem o piloto entrava em ação para pousar a nave espacial [8].

Ao todo, a NASA desenvolveu 6 ônibus espaciais: Enterprise, Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis e Endeavour. O Enterprise foi usado apenas para testes e não chegou à órbita da Terra. Já os demais, concluíram quase 32 mil horas de missões e levaram ao espaço 355 astronautas de 16 países. Durante o tempo em que estiveram em operação, entre 1981 e 2011, os ônibus espaciais realizaram 135 missões. Colocaram em órbita o Telescópio Hubble, participaram da construção e da manutenção da Estação Espacial Internacional, lançaram inúmeros satélites, e conduziram experiências científicas em órbita da Terra. Mas, infelizmente, duas dessas missões não terminaram com sucesso. Um acidente no lançamento da Challenger em 1986, e o outro na reentrada da Columbia em 2003, ceifaram a vida de 14 pessoas e puseram em xeque o programa de ônibus espaciais da NASA. Ele havia se tornado o mais letal programa espacial da história. Oito anos depois, no dia 21 de julho de 2011, a Atlantis planou no céu americano e pousou no centro espacial John Kennedy pela última vez. Era o fim da gloriosa era dos ônibus espaciais.

Com a aposentadoria dos ônibus espaciais, a NASA decidiu terceirizar seus lançamentos. E isso abriu um mercado para empresas privadas como SpaceX, Virgin Galactic e Blue Origin [8].

Um motor revolucionário, que pode fazer avançar a tecnologia astronáutica, é o motor Scramjet que é capaz de atingir velocidades hipersônicas de até 15 vezes a velocidade do som. A NASA testou com sucesso um motor deste tipo em 2004. Outra possibilidade de avanço na tecnologia de motores de foguetes é o uso de propulsão nuclear, em que um reator nuclear aquece um gás, produzindo um jato que é usado para produzir empuxo. Outra ideia é a de construir um foguete em forma de vela que seria acelerado pelo vento solar que permitiria maior velocidade e fazer viagens a distâncias maiores. A Agência Espacial Europeia (ESA) decidiu apostar em uma tecnologia com a qual se sonha desde o início da exploração espacial. Trata-se de uma espaçonave capaz de decolar de um aeroporto, como um avião comum, tornando-se um foguete tradicional assim que ultrapassa os limites da atmosfera mais densa e entra em órbita. A espaçonave-conceito foi batizada de Skylon, e o motor híbrido que a equipará chama-se Sabre que é um motor híbrido inédito capaz de “respirar” o ar enquanto está na atmosfera, como um motor a jato, tornando-se um foguete quando atinge o espaço [1] [2] [3].

Para os seres humanos realizarem missões espaciais de longa distância, é preciso encontrar formas mais avançadas de propulsão de foguetes visando alcançar distâncias a centenas ou milhares de anos-luz haja vista que, segundo os cientistas, os foguetes químicos atuais são limitados pela velocidade máxima dos gases de escapamento. Outras alternativas propostas por cientistas consistiriam na utilização de propulsão térmica nuclear, de um motor solar/iônico como uma nova forma de propulsão de foguetes, bem como a criação de um reator de fusão em que um foguete extrai hidrogênio do espaço interestelar e o liquefaz. NASA quer testar foguete movido a energia nuclear até 2027. A tecnologia avançada de propulsão térmica nuclear permitirá que a espaçonave seja mais rápida, tenha tempo de viagem mais curto e também possibilitará um envio de carga mais ágil a uma nova base lunar e missões robóticas ainda mais distantes. Com a ajuda desta tecnologia, os astronautas poderão viajar de e para o espaço profundo mais rápido do que nunca. A nova propulsão tem potencial para possibilitar missões tripuladas a Marte. De acordo com a NASA, um foguete térmico movido a energia nuclear pode ser três a quatro vezes mais eficiente do que os convencionais e reduzir o tempo de viagem ao planeta vermelho, isto é, de 8 meses para 2 meses [4].  

Motor iônico levou uma nave até a fronteira do Sistema SolarA sonda é a primeira missão de exploração do espaço a usar um motor íônico ao invés de propulsores convencionais, movidos por meio de reações químicas. O sistema de propulsão a íons será adotado na próxima geração de espaçonaves da NASA. O propulsor usa energia elétrica para criar partículas magneticamente carregadas de combustível, geralmente na forma do gás xênon, acelerando essas partículas, em altíssimas velocidades. Seja energia do Sol ou do átomo, ela seria usada para ionizar (ou carregar positivamente) um gás inerte, como xenônio ou criptônio. Os íons acelerados seriam empurrados para fora do propulsor, impulsionando a nave à frente. Se no início a espaçonave avançaria lentamente, com o tempo a aceleração seria gradual e inexorável, alcançando velocidade próxima à da luz possibilitando a um ser humano alcançar estrelas próximas, como a Alfa Centauri, a 4,3 anos-luz de distância [4]. 

Propulsão Bussard é outro método de propulsão para naves espaciais que poderia acelerar até uma velocidade próxima à da velocidade da luz, e seria um tipo de nave bastante eficiente. A mais óbvia fonte de combustível, que foi proposta por Bussard, é a fusão do hidrogênio, já que o hidrogênio é o que se acredita ser o mais comum elemento componente do gás interestelar. Um campo eletromagnético poderia atrair íons positivos do meio interestelar e forçá-los para dentro do motor ramjetViagens espaciais super rápidas próximas da velocidade da luz seriam, entretanto, fatais para os seres humanos segundo publicação de Edelstein e Edelstein na Natural Science que informa que o hidrogênio em qualquer aeronave capaz de viajar na velocidade da luz também a impediria de fazer a viagem a essa velocidade porque, na medida em que a velocidade da nave se aproximasse à da luz, o hidrogênio H interestelar se transformaria em radiação intensa que rapidamente mataria os passageiros e destruiria os instrumentos eletrônicos. Além disso, a perda de energia da radiação ionizante passando pela parte externa da nave representaria um crescente aumento no calor que necessitaria grandes despejos de energia para resfriar a nave. Mesmo que seja possível criar uma nave capaz de viajar a velocidades próximas à da luz, ela não seria capaz de transportar pessoas. Existe um limite de velocidade natural imposto por níveis seguros de radiação devido ao hidrogênio que significa que seres humanos não podem viajar a mais do que metade da velocidade da luz a menos que eles queiram uma morte rápida, imediata [4]. 

A teoria da relatividade geral impõe restrições severas às viagens interestelares. Uma delas é a mais óbvia: nada pode ser acelerado a velocidades acima à da luz, que é cerca de 300.000 km/s. Mesmo que pudéssemos viajar nessa velocidade, ainda levaríamos muito tempo para chegar a outras estrelas e seus respectivos sistemas planetários. A teoria da relatividade geral abriu novos campos da ciência e permitiu ideias como a de criar um motor de dobra espacial para viajar para qualquer canto do Universo. O conceito de dobra espacial não é novo. Trata-se de uma espécie de motor que permite à nave espacial uma viagem em velocidade superior à da luz. É uma tecnologia que permitiria criar uma “bolha” no espaço-tempo. Essa bolha poderia criar uma espécie de ponte entre dois pontos do espaço. A viagem a destinos situados a anos-luz de distância da Terra ainda continuará fora do nosso alcance, mas uma tecnologia de dobra espacial, caso venha a existir algum dia, pode ser a solução para realizar viagens interestelares [5].

2- Produção de tecnologias capazes de proteger os seres humanos em viagens espaciais

O segundo grande desafio humano é o da produção de tecnologias capazes de proteger os seres humanos em viagens espaciais. NASA está desenvolvendo tecnologias para proteger humanos em Marte, além dos sistemas de propulsão poderosos para os levar mais rápido até Marte e de volta para a Terra. Estas tecnologias para proteger humanos em Marte são as seguintes: 1) Escudo térmico inflável para pousar astronautas em outros planetas. O maior veículo espacial que pousou em Marte tem o tamanho de um carro, e enviar humanos a Marte exigirá uma espaçonave muito maior. Novas tecnologias permitirão que espaçonaves mais pesadas entrem na atmosfera marciana, se aproximem da superfície e pousem perto de onde os astronautas desejam explorar; 2) Roupas espaciais marcianas de alta tecnologia. Os trajes espaciais são essencialmente naves espaciais personalizadas para astronautas. O mais recente traje espacial da NASA é de tão de alta tecnologia cujo design modular foi projetado para ser evoluído para uso em qualquer lugar do espaço; 3) Casa marciana e laboratório sobre rodas. Para reduzir o número de itens necessários para pousar na superfície de Marte, a NASA vai combinar a primeira casa e veículo marcianos em um único veículo espacial completo com ar respirável; 4) Energia ininterrupta. Da mesma forma como usamos eletricidade para carregar nossos dispositivos na Terra, os astronautas precisarão de uma fonte de suprimento confiável de energia para explorar Marte. O sistema precisará ser leve e capaz de funcionar independentemente de sua localização ou do clima no Planeta Vermelho; e, 5) Comunicações a laser para enviar mais informações para a Terra. As missões humanas a Marte podem usar lasers para ficar em contato com a Terra. Um sistema de comunicação a laser em Marte poderia enviar grandes quantidades de informações e dados em tempo real, incluindo imagens de alta definição e feeds de vídeo. Estas tecnologias podem significar o início de um processo de desenvolvimento de novas tecnologias de proteção dos seres humanos em viagens espaciais [4].

Estas tecnologias não bastam para proteger os seres humanos em viagens espaciais a Marte e em outras partes do Universo. Os astronautas enfrentarão três tipos de campos de gravidade durante uma missão em Marte. Os primeiros seis meses de viagem entre os planetas Terra e Marte será de gravidade zero. Na superfície marciana, a gravidade será de, aproximadamente, um terço da experimentada na Terra. Essa transição na aceleração da gravidade afeta a orientação espacial, coordenação motora e visual e compromete a estrutura óssea e muscular dos viajantes espaciais. Sem gravidade, o coração começa a funcionar mais lentamente e os ossos perdem minerais a uma velocidade muito maior do que na Terra -1% por mês no espaço versus 1% por ano na Terra. Além disso, pela falta de gravidade, os fluidos corporais tendem a ser “empurrados” para a cabeça. Com a pressão maior, problemas de visão podem ser comuns. A desidratação e a concentração alterada de cálcio também podem elevar o risco de pedras nos rins [6].

Embora as pressões psicológicas, a distância de casa e o trabalho estressante sejam considerados os grandes vilões na alteração de comportamento dos astronautas, pesquisas também indicam que algumas habilidades, como atenção, coordenação física e capacidade de resolver problemas, ficam comprometidas no espaço por questões diretamente ligadas ao comportamento do cérebro no espaço. Para o especialista em psicologia e neurociência Vaughan Bell, da University College London e colunista do jornal inglês “The Guardian”, uma das possibilidades para essa lentidão é que nosso suprimento de sangue evoluiu para funcionar na gravidade sofrida na Terra. Assim, em uma viagem espacial, com gravidade zero, a eficiência com que o oxigênio é fornecido para o cérebro é afetada. Pesquisa feita pelo Laboratório de Neuropsicologia e Biomecânica do Movimento, da Universidade Livre de Bruxelas observou algo parecido: o cérebro parece trabalhar diferente quando está em órbita. A queda da capacidade mental dos astronautas não é grave, mas existe, segundo os dados [6].

De acordo com a NASA, micróbios podem mudar suas características no espaço e micro-organismos que naturalmente vivem em seu corpo são mais facilmente transferidos de pessoa para pessoa em ambientes fechados como as estações espaciais. Com os níveis hormonais elevados por conta do estresse, a imunidade dos astronautas cai e há uma maior propensão a alergias e outras doenças. Finalmente, um dos aspectos mais perigosos de viajar a Marte é a radiação espacial. Só dentro das estações espaciais, os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem. A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer, danificar o sistema nervoso central, causar náuseas, vômito e fadiga. Além do mais, pode causar doenças degenerativas, como catarata, problemas cardíacos e circulatórios. Os seres humanos em viagem a Marte como em viagens aos confins do Universo precisam ser protegidos de todas as ameaças descritas [6]. 

3 – Identificação de outros mundos similares à Terra capazes de serem habitáveis pelos seres humanos

O terceiro grande desafio humano é o da identificação de outros mundos similares à Terra capazes de serem habitáveis pelos seres humanos projetando e enviando sondas espaciais para realizarem pesquisas nos locais possíveis dentro e fora do sistema solar. Até o momento não há evidências de que haja outro local dentro ou fora do sistema solar propício à vida similar à TerraNa atualidade, há esforços para colonizar o planeta MarteNo entanto, do que se conhece de Marte, este planeta não apresenta as condições necessárias para os seres humanos nele habitarem porque não possui campo magnético nem atmosfera e biosfera similares aos da Terra, bem como apresenta uma aceleração gravitacional média em cerca de 38% à da Terra prejudicial à vida humana. Não existe em Marte qualquer evidência de possuir um campo magnético estruturado global similar ao da Terra que nos protege dos raios cósmicos e dos ventos solares e essa ausência pode ter sido a grande responsável pela perda da atmosfera marciana. Marte perdeu sua magnetosfera há 4 bilhões de anos, mas possui pontos de magnetismo induzidos localmente. Marte não possui um campo magnético global que guie as partículas carregadas que entram na atmosfera, mas tem múltiplos campos magnéticos em forma de guarda-chuva, principalmente no hemisfério sul, que são remanescentes de um campo magnético global que decaiu bilhões de anos atrás. Em comparação com a Terra, a atmosfera de Marte é muito rarefeita. O solo marciano é ligeiramente alcalino e contém elementos como magnésio, sódio, potássio e cloro que são nutrientes encontrados na Terra e são necessários para o crescimento das plantas [4].

As temperaturas de superfície de Marte variam de −143 °C (no inverno nas calotas polares) até máximas de +35 °C (no verão equatorial). Marte tem as maiores tempestades de poeira do Sistema Solar. Estas podem variar de uma tempestade sobre uma pequena área até tempestades gigantescas que cobrem todo o planeta. Elas tendem a ocorrer quando Marte está mais próximo do Sol quando aumenta sua temperatura global. É sabido, também, que água líquida não pode existir na superfície de Marte devido à baixa pressão atmosférica, que é cerca de 100 vezes mais fraca do que a da Terra. As duas calotas polares marcianas parecem ser feitas em grande parte de água. O volume de água congelada na camada de gelo do polo sul, se derretido, seria suficiente para cobrir toda a superfície do planeta a uma profundidade de 11 metros. Houve a detecção do mineral jarosita (sulfato hidratado de ferro e potássio formado pela oxidação de sulfetos de ferro), que se forma somente na presença de água ácida, demonstrando que a água já existiu em Marte. A perda de água de Marte para o espaço resulta do transporte de água para a atmosfera superior, onde é dissociada ao hidrogênio e escapa do planeta devido à sua fraca gravidade. Marte possui as estações do ano parecidas com as da Terra, devido às inclinações semelhantes de eixos de rotação dos dois planetas. As durações das estações marcianas são cerca de duas vezes as da Terra, já que Marte está a uma maior distância do Sol, o que leva o ano marciano a ter duração equivalente a cerca de dois anos terrestres. A tentativa de colonização do planeta Marte pode significar o início do processo de desenvolvimento de colônias espaciais para uso pelos seres humanos fora da Terra [4].

4- Capacitação do ser humano para sobreviver em viagens espaciais e em locais habitáveis fora da Terra

O quarto grande desafio humano é o da capacitação dos seres humanos para sobreviverem no espaço e em locais habitáveis fora da Terra. No item 1 (Produção de foguetes que alcancem velocidades próximas à da luz para viajar pelos confins do Universo) ficou evidenciado que, mesmo que seja possível criar uma nave capaz de viajar a velocidades próximas à da luz, ela não seria capaz de transportar pessoas porque existe um limite de velocidade natural imposto por níveis seguros de radiação devido ao hidrogênio que significa que seres humanos não podem viajar a mais do que metade da velocidade da luz porque haveria uma morte rápida, imediata. No item 2 (Produção de tecnologias capazes de proteger os seres humanos em viagens espaciais) ficou evidenciado que os astronautas enfrentarão três tipos de campos de gravidade durante uma missão em Marte. Os primeiros seis meses de viagem entre os planetas Terra e Marte será de gravidade zero e, em Marte, a gravidade será de, aproximadamente, um terço da experimentada na Terra que afetam gravemente a saúde dos viajantes espaciais. Um dos aspectos mais perigosos de viajar a Marte é a radiação espacial porque nas estações espaciais, os astronautas são expostos a dez vezes mais radiação do que na Terra, já que por aqui, o campo magnético e a atmosfera nos protegem. A exposição à radiação pode aumentar o risco de câncer, danificar o sistema nervoso central, causar náuseas, vômito e fadiga. Além do mais, pode causar doenças degenerativas, como catarata, problemas cardíacos e circulatórios.

Segundo a NASA, enviar humanos em missões para Marte até 2030 enfrenta grandes desafios. O primeiro desafio consistiria na dificuldade dos seres humanos ficarem na superfície de Marte devido à quase inexistente atmosfera em Marte que, em consequência da radiação cósmica e os ventos solares, ficariam desprotegidos podendo desenvolver cânceres. Uma alternativa seria os seres humanos ficarem no subsolo de Marte. O segundo desafio é o de que a geologia de Marte dificulta a plantação de espécies de plantas necessárias à sobrevivência humana. O terceiro desafio à vida humana em Marte é o da existência de muito pó fino de tempestades frequentes de poeira. Quem viver no subsolo de Marte, tem de sair à superfície para limpar o pó sobre os rovers, de vez em quando, porque as tempestades de areia impedem o recarregamento das baterias através da energia solar. Além disso, este pó devido à sua espessura extremamente fina, infiltra-se facilmente nas roupas espaciais podendo afetar a vida dos astronautas. O quarto desafio à vida humana em Marte é representado pelo fato de a viagem para este planeta ainda demorar cerca de oito meses que implica uma grande quantidade de combustível, de alimentos e de material de apoio para as equipes das missões diferentemente da Lua, por exemplo, que demora apenas 3 dias. O quinto desafio coloca como exigência os astronautas serem testados e escolhidos meticulosamente para aguentar os desafios físicos e sociais que esta viagem implica. Finalmente, o sexto desafio resulta do fato de Marte ter sempre uma temperatura negativa que exigiria pensar-se em criar um genoma humano capaz de tornar os seres humanos capazes de suportar condições extremas e sobreviver em Marte. Não existem organismos orgânicos na superfície de Marte, mas podem haver no subsolo e nada nos garante que não irão competir com os organismos que se possam enviar da Terra para lá [4].

O fato de não existir vida em Marte demonstra que ainda não estão reunidas as condições para os seres humanos lá sobreviverem. Marte 2030 parece ainda uma realidade distante e antes de pensarmos em lá viver, temos de conhecer mais sobre este planeta. A colonização de Marte e de outros mundos no Universo indica que há extrema necessidade de criação de seres humanos mais evoluídos biologicamente com o uso da ciência e da tecnologia para fazer com que desafiem os limites impostos pela natureza e sobrevivam como espécie hoje e no futuro. É preciso fazer com que ocorra a formação de super-homens e super-mulheres que poderá ser alcançada a partir do uso da ciência e da tecnologia (biotecnologia, nanotecnologia e neurotecnologia) para aumentar a capacidade cognitiva e superar as limitações físicas e psicológicas dos seres humanos. Esta situação poderá ser alcançada através do transhumanismo que é uma filosofia que se propõe a erradicar de qualquer forma o sofrimento causado por doenças, o envelhecimento ou mesmo a morte dos seres humanos, bem como alcançar as máximas potencialidades em termos de desenvolvimento humano [7].

Com o transhumanismo o que se busca é fazer com que os seres humanos sejam capazes de se transformarem com o uso da ciência e tecnologia para adquirir habilidades tão grandemente expandidas a partir da condição natural, de modo a merecer o rótulo de pós-humano, deixando em segundo plano a evolução biológica. A ideia de aumentar a capacidade do corpo humano através da ciência e da tecnologia é tão antiga quanto a própria humanidade. Desde o momento em que os seres humanos criaram ferramentas e aprenderam a usar o fogo e promoveram avanços científicos e tecnológicos ao longo do tempo, a humanidade foi ultrapassando suas limitações biológicas. A evolução deu à humanidade a inteligência mais sofisticada do que qualquer animal do planeta que possibilitou aos seres humanos usá-la para, com o conhecimento da ciência e da tecnologia adquirido, superar suas limitações biológicas. Como exemplo do uso da ciência e da tecnologia nesta direção, temos a manipulação genética da espécie humana que é possível com a criação em laboratório de novos genes que podem modificar o código genético para serem capazes de, por exemplo, bloquear a replicação de vírus, tornando nossas células imunes a ataques [7].

Outro exemplo do uso da ciência e da tecnologia para superar as limitações biológicas dos seres humanos consiste no uso da inteligência artificial ligada a computação que pode transferir o conteúdo da nossa mente (com lembranças do passado e traços da nossa personalidade) para um disco rígido, método conhecido como carregamento da mente ou mind uploading. À medida que as tecnologias da computação avançam ao lado da biotecnologia, há uma crescente convergência entre as duas na forma de interfaces neurais que no futuro podem abrir a porta para conectar a mente humana diretamente a uma Inteligência Artificial, a fim de facilitar maior aprendizado, transferência mental e superar condições neurológicas. Esta é a ideia do transhumanismo, teoria que acredita que o uso da ciência e da tecnologia pode, não apenas superar as limitações biológicas da espécie humana, mas, também, ajudar a criar uma nova categoria de seres humanos evoluídos até mesmo com a conquista da imortalidade [7].

Na era contemporânea, há a crença de que é possível vencer a morte com o uso da ciência e da tecnologia. A crença de que, se não é possível vencer a morte, mas de que seria possível prolongar a vida se apoia no fato de que a expectativa de vida do homem evoluiu de 30 anos em 1500, 37 anos em 1800, 45 anos em 1900, 46,5 anos em 1950 e 80 anos em 2012. A conquista de uma existência mais longa no século XX resultou da melhoria das condições sanitárias nas cidades e com a criação de serviços públicos de saúde. Além disso, a ciência descobriu vacinas e antibióticos que possibilitaram a prevenção de doenças e o controle de epidemias. O aumento do nível educacional e de renda contribuiu também para melhorar a qualidade de vida e ampliar ainda mais a longevidade na terceira ou – talvez possamos dizer – quarta idade. O ano de 2045 marcará o início de uma era em que a medicina poderá oferecer à humanidade a possibilidade de viver por um tempo jamais visto na história. Órgãos que não estejam funcionando poderão ser trocados por outros, melhores, criados especialmente para nós. Partes do coração, do pulmão e até o cérebro poderão ser substituídos. Minúsculos circuitos de computador serão implantados no corpo para controlar reações químicas que ocorrem no interior das células. Estaremos a poucos passos da imortalidade. Esta é a previsão de um grupo de cientistas conhecidos por ocupar a vanguarda de pesquisas que permeiam temas como a ciência da computação, a biologia e a biotecnologia. Entre eles, estão George Church, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Aubrey de Grey o gerontologista e biomédico especializado em antienvelhecimento e o engenheiro Raymond Kurzweil, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Eles são os líderes de uma espécie de nova filosofia, batizada de Singularidade [7].  

Na medicina, os arautos da imortalidade afirmam que ela nada mais é do que uma consequência real de uma revolução em curso que já faz disparar em velocidade sem precedentes o aumento da expectativa de vida humana. Considerando a rapidez das inovações, uma pessoa nascida em 2050 terá 95% de chance de viver mil anos, segundo Aubrey de Grey. Neste momento, o grupo acima citado de cientistas está envolvido no crescimento da Universidade da Singularidade, já instalada no Vale do Silício, nos Estados Unidos. A certeza deste grupo de pesquisadores no sucesso de suas pesquisas está sustentada nos avanços já obtidos e naqueles que certamente virão. Na opinião desses pesquisadores, a partir dos recursos que temos atualmente, uma criança nascida hoje poderá viver pelo menos até os 150 anos. Um dos campos nos quais os avanços foram mais notáveis é o das células-tronco. Na área da cardiologia, experimentos com 16 portadores de insuficiência cardíaca, todos eles tiveram parte do tecido do coração regenerado com células-tronco retiradas do próprio órgão. A substituição de órgãos doentes por outros, sadios, é outra das razões apontadas pelos cientistas para justificar a crença em uma vida espetacularmente longa. Já se conseguiu criar e implantar em seres humanos traqueia, bexiga, uretra e vasos sanguíneos. E há experiências de implante de mais órgãos, entre eles o coração e o fígado [7].  

O transhumanismo, deve contribuir, não apenas no sentido de erradicar qualquer forma de sofrimento causado por doenças, pelo envelhecimento ou mesmo pela morte, mas, sobretudo, alcançar as máximas potencialidades em termos de desenvolvimento humano para a humanidade sobreviver realizando viagens espaciais em busca de sua sobrevivência como espécie no Universo em que vivemos. O transhumanismo associado à superinteligência artificial são os recursos que possibilitariam capacitar a humanidade para alcançar este objetivo. A humanidade precisa ser preparada para adquirir capacidade biológica suficiente com o uso de recursos científicos e tecnológicos para viver fora da Terra e realizar viagens espaciais dentro do sistema solar, para alcançar outro planeta habitável fora do sistema solar e, também, buscar uma saída para um universo paralelo antes que ocorra o fim de nosso Universo. A capacidade dos seres humanos de desafiar os limites impostos pela natureza é absolutamente necessária para assegurar sua sobrevivência como espécie hoje e no futuro. As ameaças imediatas quanto as futuras não serão enfrentadas com sucesso sem o avanço da ciência e da tecnologia que é o passaporte para a sobrevivência da humanidade [7].

REFERÊNCIAS

1. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

2. ALCOFORADO, Fernando. How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity. Chișinău: Generis Publishing, 2023.

3. ALCOFORADO, Fernando. A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência. São Paulo: Editora Dialética, 2021.  

4. ALCOFORADO, Fernando.  Rumo à colonização humana de outros mundos. Disponível no website <https://www.academia.edu/101560183/RUMO_%C3%80_COLONIZA%C3%87%C3%83O_HUMANA_DE_OUTROS_MUNDOS>.

5. ALCOFORADO, Fernando. Os cinco grandes desafios humanos para realizarem viagens espaciais e interestelares. Disponível no website <https://www.academia.edu/53287851/OS_CINCO_GRANDES_DESAFIOS_HUMANOS_PARA_REALIZAREM_VIAGENS_ESPACIAIS_E_INTERESTELARES>.

6. BAIO, Cintia. Clique Ciência: O que acontece com o corpo de quem for para Marte. Disponível no website <https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/redacao/2017/06/13/clique-ciencia-que-mudancas-podem-ocorrer-no-corpo-de-quem-for-a-marte.htm>.

7. ALCOFORADO, Fernando. Mundo rumo à singularidade humana. Disponível no website <https://www.academia.edu/43517794/MUNDO_RUMO_%C3%80_SINGULARIDADE_HUMANA>.

8. LUCENA, André. Há 10 anos se encerrava a gloriosa era dos ônibus espaciais. Disponível no website <https://olhardigital.com.br/2021/07/26/colunistas/ha-10-anos-se-encerrava-a-gloriosa-era-dos-onibus-espaciais/>.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

L’ÉVOLUTION DE LA PLUS GRANDE INVENTION DE L’HUMANITÉ, L’ORDINATEUR, ET SON AVENIR

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter comment l’ordinateur, la plus grande invention de l’humanité, a évolué et quel sera son avenir le plus probable. L’ordinateur est la plus grande invention de l’humanité car le réseau informatique mondial a rendu possible l’utilisation d’Internet en tant que technologie qui a le plus changé le monde avec l’avènement de la société de l’information. Il y a ceux qui disent que c’est Charles Babbage qui a créé, au 19ème siècle, une machine analytique qui, grosso modo, est comparée à l’ordinateur actuel avec mémoire et programmes. Avec cette invention, Babbage est considéré comme le “père de l’informatique”. Bien que de nombreux concepts de Babbage soient utilisés aujourd’hui, la formalisation des composants, qui deviendraient une machine polyvalente et de nouvelles abstractions, n’ont été consolidées qu’à partir des années 1930, grâce à John Von Neumann, l’un des développeurs de l’ENIAC, et à l’Alan Turing. Le premier ordinateur électronique à grande échelle, développé sans pièces mécaniques ou hybrides, n’est apparu qu’en 1945, après la Seconde Guerre mondiale [2]. IBM a développé l’ordinateur central à partir de 1952, avec le premier ordinateur basé sur des tubes à vide, bientôt remplacé par la série 7000, qui utilisait déjà des transistors. En 1964, l’IBM 360 apparaît, qui connaît un immense succès commercial jusqu’au début des années 1980 [1]. Les ordinateurs centraux étaient de grandes machines qui effectuaient des calculs et stockaient des informations. En général, son utilisation avait des fins scientifiques, commerciales et gouvernementales.

Dans les années 1970, la domination des ordinateurs centraux a commencé à être remise en question par l’émergence des microprocesseurs. La puce 4004, introduite par Intel en 1971, était une unité centrale de traitement et le premier microprocesseur disponible dans le commerce. Les innovations ont grandement facilité la tâche de développer et de fabriquer des ordinateurs plus petits – alors appelés mini-ordinateurs – qui pouvaient également utiliser des périphériques (disques, imprimantes, moniteurs) produits par des tiers. Les premiers mini-ordinateurs coûtaient le dixième du prix d’un ordinateur central et n’occupaient qu’une fraction de l’espace requis. En 1976, le microprocesseur Intel 8080 est lancé, ce qui donne naissance aux premiers micro-ordinateurs. La puce a été successivement améliorée et la version 8088 a été utilisée par la plupart des fabricants de micro-ordinateurs. Les microprocesseurs ont changé la façon dont les ordinateurs ont été conçus. Il n’était plus nécessaire de produire l’ensemble du système, y compris le processeur, les terminaux et les logiciels tels que le compilateur et le système d’exploitation. Le développement de l’Apple II en 1977, mené par les jeunes Steve Jobs et Steve Wosniak, a montré que les nouvelles technologies simplifiaient radicalement le processus de développement et l’assemblage des équipements. Les coûts d’un système à base de micro-ordinateurs ne représentaient qu’une fraction de ceux pratiqués par les fabricants de mainframes et de mini-ordinateurs, permettant ainsi le développement de serveurs. Interconnectés en réseaux locaux, les micro-ordinateurs ont favorisé la diffusion de l’informatique [1].

L’existence de l’ordinateur a fourni les conditions de l’avènement d’Internet, qui est sans aucun doute l’une des plus grandes inventions du XXe siècle, dont le développement a eu lieu en 1965, lorsque Lawrence G. Roberts, dans le Massachusetts, et Thomas Merrill, en Californie , connecté un ordinateur sur une ligne téléphonique bas débit commutée. L’expérience a été un succès et a été marquée comme l’événement qui a créé le premier WAN (Wide Area Network) de l’histoire. L’histoire d’Internet s’est poursuivie en 1966 lorsque Lawrence G. Roberts a rejoint la DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) et a créé le plan de l’ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) pour développer le premier réseau à commutation de paquets. Bien que le premier prototype d’un réseau décentralisé à commutation de paquets ait déjà été conçu par le National Physical Laboratory (NPL) du Royaume-Uni en 1968, il n’a gagné en visibilité qu’en 1969, lorsqu’un ordinateur de l’Université de Californie (UCLA) s’est connecté avec succès à un autre du Stanford Research Institute (SRI). La connexion a été un tel succès que, des mois plus tard, quatre universités américaines étaient déjà interconnectées. Ainsi est né l’ARPANET. En 1970, l’ARPANET a été consolidé avec des centaines d’ordinateurs connectés [2]. En 1995, une nouvelle révolution s’est amorcée avec l’utilisation commerciale d’Internet [1].

Les innovations technologiques dans les microprocesseurs ont multiplié les capacités de stockage numérique et le développement du haut débit a permis aux entreprises de développer de nouveaux produits et services. Le souci des limites des ressources de calcul a été surmonté, permettant une plus grande concentration sur les besoins des utilisateurs grâce à des applications plus attrayantes et fonctionnelles, qui ont amené de plus en plus d’utilisations aux ordinateurs personnels. Netscape a été la première entreprise à promouvoir la navigation sur Internet, mais elle a été dépassée par Microsoft en raison de l’intégration de cet appareil dans le système d’exploitation Windows, un fait qui a généré un litige juridique prolongé en Europe. Le développement commercial d’Internet a montré qu’il était possible de créer de nouveaux modèles économiques basés non plus sur la vente de licences matérielles et logicielles, mais sur la capacité à communiquer entre différents appareils et sur la création de communautés virtuelles. L’un des impacts les plus significatifs de l’émergence d’Internet a été la popularisation du commerce électronique [1].

Au début du 21ème siècle, le cloud computing a émergé. Le développement de l’Internet 2.0 et des technologies complémentaires telles que les téléphones intelligents (smartphones) et les tablettes, les puces orientées communication et le développement des infrastructures haut débit filaires et sans fil ont entraîné une nouvelle révolution dans le secteur. Le cloud computing symbolise la tendance à placer numériquement sur Internet toutes les infrastructures et informations disponibles, y compris les logiciels d’application, les moteurs de recherche, les réseaux de communication, les fournisseurs, les centres de stockage et le traitement des données. Le protocole Internet (IP) constitue le langage universel qui permet la standardisation des paquets de différents médias et supporte un trafic indistinct de voix, de données et d’images. Le concept de cloud est très important car il permet à l’informatique de devenir un service public, car les actifs informationnels ne sont pas rivaux et peuvent être utilisés simultanément par un nombre illimité d’utilisateurs. Ce modèle offre de grands avantages pour les utilisateurs, bien qu’il présente également des risques. Le principal avantage est la possibilité d’utiliser plus efficacement les ressources matérielles et logicielles disponibles, permettant de réduire la capacité inactive de stockage et de traitement des données, grâce au partage d’ordinateurs et de serveurs interconnectés par Internet. L’infrastructure est accessible par des terminaux et des appareils mobiles qui connectent le cloud à l’utilisateur. Les risques sont principalement liés à la sécurité et à la confidentialité des données stockées dans le cloud [1].

L’une des principales caractéristiques de la société contemporaine est l’utilisation à grande échelle des technologies de l’information. La révolution informationnelle ou des technologies de l’information s’est propagée à partir des années 1970 et 1980, gagnant en intensité dans les années 1990 avec la diffusion d’Internet, c’est-à-dire la communication en réseau via les ordinateurs. Pourquoi appeler ce processus une révolution ? Parce que l’informatique a pénétré la société comme l’électricité a reconfiguré la vie dans les villes. L’ordinateur, icône de l’informatique, connecté en réseau, modifie le rapport à l’espace et au temps. Les réseaux d’information permettent d’étendre la capacité de penser d’une manière inimaginable. La nouvelle révolution technologique a élargi l’intelligence humaine. Nous parlons d’une technologie qui permet d’augmenter le stockage, le traitement et l’analyse des informations, en effectuant des milliards de relations entre des milliers de données par seconde : l’ordinateur [2].

Les ordinateurs actuels sont électroniques car ils sont constitués de transistors utilisés dans les puces électroniques. Cela l’amène à présenter des limitations étant donné qu’il viendra un moment où il ne sera plus possible de réduire la taille d’un des composants les plus petits et les plus importants des processeurs, le transistor. En 1965, le chimiste américain Gordon Earle Moore a fait une prédiction selon laquelle, tous les 18 mois, le nombre de transistors utilisés dans les puces électroniques doublerait avec la réduction de leur taille. En 2017, la société technologique américaine IBM a réussi à produire une puce de la taille d’un ongle, avec environ 30 milliards de transistors de 5 nm (1 nanomètre = 10-9 m). Avec cela, la société a montré que, même si elle n’est pas très précise, la prédiction de Moore reste valable jusqu’à aujourd’hui, mais elle atteindra sa limite plus tôt que nous ne l’imaginons. Le problème commence à exister lorsqu’il n’est plus possible de réduire l’un des composants les plus petits et les plus importants des processeurs, le transistor. Il est important de noter que c’est dans ce petit appareil que toutes les informations sont lues, interprétées et traitées [3].

Lorsqu’il s’agit de très petites échelles, la physique cesse d’être aussi prévisible que dans les systèmes macroscopiques, commençant à se comporter de manière aléatoire, de manière probabiliste, se soumettant aux propriétés de la physique quantique. Cela signifie que l’une des alternatives du futur est l’ordinateur quantique, qui est une machine capable de manipuler les informations stockées dans les systèmes quantiques, telles que les spins des électrons (champ magnétique des électrons), les niveaux d’énergie des atomes et même la polarisation des photons. Dans ces ordinateurs, les unités fondamentales d’information, appelées “bits quantiques”, sont utilisées pour résoudre des calculs ou des simulations qui prendraient des temps de traitement peu pratiques dans les ordinateurs électroniques, tels que ceux actuellement utilisés [3] .

Les ordinateurs quantiques fonctionnent avec une logique assez différente de celle présente dans les ordinateurs électroniques. Les bits quantiques peuvent avoir les valeurs 0 et 1 simultanément, à la suite d’un phénomène quantique appelé superposition quantique. Ces valeurs représentent le code binaire des ordinateurs et sont, en quelque sorte, le langage compris par les machines. Les ordinateurs quantiques se sont avérés être la réponse la plus récente en physique et en informatique aux problèmes liés à la capacité limitée des ordinateurs électroniques, dont la vitesse de traitement et la capacité sont étroitement liées à la taille de leurs composants. Ainsi, sa miniaturisation est un processus inévitable [3].

Les ordinateurs quantiques ne serviront pas les mêmes objectifs que les ordinateurs électroniques. L’une des utilisations possibles des ordinateurs quantiques est la factorisation de grands nombres afin de découvrir de nouveaux nombres premiers. Il convient de noter que la factorisation peut être décrite comme la décomposition d’une valeur en différents facteurs multiplicatifs, c’est-à-dire que si l’on multiplie tous les éléments d’une factorisation, le résultat doit être égal à la valeur du nombre factorisé. Même pour les supercalculateurs les plus puissants d’aujourd’hui, il s’agit d’une tâche difficile et chronophage. En théorie, les ordinateurs quantiques pourraient le faire beaucoup plus rapidement. Les ordinateurs quantiques sont bons pour travailler avec de nombreuses variables simultanément, contrairement aux ordinateurs actuels, qui ont de nombreuses limitations pour effectuer ce type de tâche. De cette manière, on s’attend à ce que les ordinateurs quantiques puissent être utilisés pour simuler des systèmes extrêmement complexes, tels que des systèmes biologiques, météorologiques, astronomiques, moléculaires, etc. [3].

La facilité des ordinateurs quantiques à traiter des systèmes complexes est liée à la nature des bits quantiques. Un bit électronique ne peut prendre que la valeur 0 ou 1, tandis que les bits quantiques peuvent avoir les deux valeurs en même temps. Ainsi, un seul bit quantique a un équivalent numérique de 2 bits électroniques. Cela signifie qu’avec seulement 10 bits quantiques, nous aurions un ordinateur d’une capacité de 1024 bits (210 = 1024), alors que la plupart des ordinateurs domestiques fonctionnent aujourd’hui avec des systèmes 64 bits [3].

Bien qu’ils représentent un bond en avant significatif par rapport aux ordinateurs classiques, les ordinateurs quantiques ont aussi leurs limites. Le comportement quantique des bits n’est atteint que dans des conditions très sensibles. Il est donc nécessaire de les maintenir à des températures très basses, proches du zéro absolu, à l’aide de systèmes de réfrigération sophistiqués à l’azote liquide ou à l’hélium. Toute variation de ces conditions de température, aussi minime soit-elle, peut nuire voire interrompre son bon fonctionnement. D’autres facteurs, tels que les champs magnétiques externes et les ondes électromagnétiques émises par des appareils à proximité, peuvent interférer avec le comportement quantique de particules extrêmement sensibles utilisées pour stocker des informations, telles que les électrons et les atomes [3].

La société canadienne D-Wave affirme avoir produit le premier ordinateur quantique commercial. En 2017, la société a mis en vente un ordinateur quantique nommé 2000Q, censé comporter un nombre incroyable de 2000 bits quantiques. Pour l’acquérir, il faut cependant débourser quelque chose autour de 15 millions de dollars. Cette société divise les avis de la communauté scientifique, car il existe des groupes de physiciens et d’informaticiens qui pensent que la machine n’est pas 100% quantique, mais un ordinateur hybride capable d’utiliser simultanément des bits quantiques et électroniques [3].

Avec un ordinateur classique, si vous deviez effectuer 100 calculs différents, vous devriez les traiter un par un, alors qu’avec un ordinateur quantique, vous pourriez les effectuer tous en même temps. La situation actuelle où nous sommes obligés d’utiliser des ordinateurs classiques pour les calculs va changer radicalement. Les superordinateurs – la classe la plus élevée d’ordinateurs classiques – sont si gros qu’ils occupent une grande pièce. La raison en est que 100 calculatrices sont alignées pour effectuer 100 calculs différents à la fois. Dans un vrai supercalculateur, plus de 100 000 ordinateurs plus petits sont alignés. Avec la naissance des ordinateurs quantiques, cela ne sera plus nécessaire. Mais cela ne signifie pas que les superordinateurs deviendront inutiles. Ils seront utilisés à différentes fins telles que les smartphones et les ordinateurs [4].

Il existe des domaines dans lesquels les ordinateurs quantiques ont un grand avantage sur les ordinateurs classiques, par exemple dans les domaines de la chimie et de la biotechnologie. Les réactions des matériaux impliquent en principe des effets quantiques. Un ordinateur quantique qui utilise les phénomènes quantiques eux-mêmes permettrait des calculs qui pourraient facilement intégrer des effets quantiques et serait très efficace pour développer des matériaux tels que des catalyseurs et des polymères. Cela peut conduire au développement de nouveaux médicaments qui étaient auparavant irréalisables, contribuant ainsi à l’amélioration de la santé des personnes. De plus, dans le domaine de la finance, par exemple, comme les formules de négociation d’options sont similaires à celles des phénomènes quantiques, on s’attend à ce que les calculs puissent être effectués efficacement sur des ordinateurs quantiques [4].

Les ordinateurs quantiques peuvent être divisés en plusieurs types, selon la façon dont la plus petite unité, le qubit (une superposition de 0 et de 1), est créée. Le type le plus avancé est le type supraconducteur. Cette méthode crée un qubit en utilisant un circuit supraconducteur avec un élément à ultra-basse température, et de nombreuses sociétés informatiques et autres développent ce type d’ordinateur. Les types de pièges à ions et d’atomes froids, qui ont augmenté récemment, utilisent des électrons dans des atomes fixes pour fabriquer des qubits, et leur fonctionnement est stable, donc une croissance future est attendue. Il y a le type silicium, qui est une “boîte à électrons” appelée un point quantique contenant un seul électron, qui est fabriqué sur une puce semi-conductrice en silicium pour créer un qubit. De plus, un autre type, appelé “type quantique photonique”, qui est un ordinateur quantique utilisant la lumière, est également à l’étude [4].

La société Hitachi développe un ordinateur quantique de type silicium. Le type de silicium permet de créer de très petits qubits, de sorte que de nombreux qubits peuvent être regroupés dans un petit espace. C’est là que les technologies de semi-conducteurs accumulées par Hitachi peuvent être exploitées. Pour obtenir une puissance de calcul supérieure à celle des ordinateurs classiques, il faut pouvoir utiliser un grand nombre de qubits. Le type de silicium de l’ordinateur quantique présente l’avantage qu’un si grand nombre de qubits peut être facilement installé sur une puce semi-conductrice. Le fait que les qubits soient si petits qu’il est difficile de voir ce qui se passe réellement. Lorsque vous regardez une image d’un ordinateur quantique, cela ressemble à un gros appareil, mais la majeure partie est un système de refroidissement qui crée un environnement à basse température pour maintenir les électrons détendus et piégés dans les points quantiques, et le circuit principal est très petit [ 4].

En plus de l’ordinateur quantique, l’intelligence artificielle (IA) peut réinventer les ordinateurs de trois manières, selon le MIT Technology Review. L’intelligence artificielle change notre façon de penser l’informatique. Les ordinateurs n’ont pas beaucoup évolué en 40 ou 50 ans, ils sont devenus plus petits et plus rapides, mais ce sont toujours de simples boîtes avec des processeurs qui exécutent des instructions humaines. L’IA change cette réalité d’au moins trois façons : 1) la façon dont les ordinateurs sont produits ; 2) la façon dont les ordinateurs sont programmés ; et, 3) comment les ordinateurs sont utilisés. En fin de compte, c’est un phénomène qui va changer le fonctionnement des ordinateurs. Le cœur de l’informatique est en train de passer du traitement des chiffres à la prise de décision [5].

L’article du MIT rapporte que le premier changement concerne la fabrication des ordinateurs et des puces qui les contrôlent. Les modèles d’apprentissage en profondeur qui font fonctionner les applications d’IA d’aujourd’hui nécessitent cependant une approche différente car ils nécessitent qu’un grand nombre de calculs moins précis soient effectués en même temps. Cela signifie qu’un nouveau type de puce est nécessaire pour déplacer les données aussi rapidement que possible, garantissant que les données sont disponibles chaque fois que nécessaire. Lorsque l’apprentissage en profondeur est arrivé sur la scène il y a une dizaine d’années, il existait déjà des puces informatiques spécialisées qui étaient très performantes : des unités de traitement graphique (GPU) conçues pour afficher un écran entier de pixels des dizaines de fois par seconde[5].

Le deuxième changement concerne la façon dont les ordinateurs sont programmés quoi faire. Au cours des 40 dernières années, des ordinateurs ont été programmés et pendant les 40 prochaines, ils seront entraînés. Traditionnellement, pour qu’un ordinateur fasse quelque chose comme reconnaître la parole ou identifier des objets dans une image, les programmeurs doivent d’abord créer des règles pour l’ordinateur. Avec le machine learning, les programmeurs ne dictent plus les règles. Au lieu de cela, ils créent un réseau de neurones où les ordinateurs apprennent ces règles par eux-mêmes. Les prochaines grandes avancées viendront dans la simulation moléculaire en tant qu’ordinateurs de formation pour manipuler les propriétés de la matière qui peuvent créer des changements globaux dans l’utilisation de l’énergie, la production alimentaire, la fabrication et la médecine. L’apprentissage en profondeur a un bilan incroyable. Deux des plus grandes avancées de ce type à ce jour sont de savoir comment faire en sorte que les ordinateurs se comportent, comme s’ils comprenaient le langage des humains et reconnaissaient ce qu’il y a dans une image et changeaient déjà la façon dont nous les utilisons [5].

Le troisième changement concerne le fait qu’un ordinateur n’a plus besoin d’un clavier ou d’un écran pour interagir avec les humains. Tout peut devenir un ordinateur. En fait, la plupart des produits ménagers, des brosses à dents aux interrupteurs d’éclairage et aux sonnettes, ont déjà une version intelligente. Cependant, à mesure qu’ils prolifèrent, notre désir de perdre moins de temps à leur dire quoi faire augmente également. C’est comme s’ils devaient être capables de comprendre ce dont nous avons besoin sans notre interférence. C’est le passage des chiffres à la prise de décision en tant que moteur de cette nouvelle ère informatique qui envisage des ordinateurs qui disent aux humains ce que nous devons savoir et quand nous devons le savoir et qui aident les humains quand vous en avez besoin. Aujourd’hui, les machines interagissent avec les gens et s’intègrent de plus en plus dans nos vies. Les ordinateurs sont déjà sortis de leurs cartons [5].

LES RÉFÉRENCES

1. TIGRE, Paulo Bastos e NORONHA, Vitor Branco. Do mainframe à nuvem: inovações, estrutura industrial e modelos de negócios nas tecnologias da informação e da comunicação. Disponible sur le site Web <https://www.scielo.br/j/rausp/a/8mCzNXtRWZJzZPnnrHSq6Bv/>.

2. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

3. MUNDO EDUCAÇÃO. Computador quântico. Disponible sur le site Web <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/computador-quantico.htm>.

4. KIDO, Yuzuru. The Present and Future of “Quantum Computers”. Disponible sur le site Web <https://social-innovation.hitachi/en/article/quantum-computing/?utm_campaign=sns&utm_source=li&utm_medium=en_quantum-computing_230>.

5. MIT Technology Review. Como a Inteligência Artificial está reinventando o que os computadores são. Disponible sur le site Web <https://mittechreview.com.br/como-a-inteligencia-artificial-esta-reinventando-o-que-os-computadores-sao/>.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

THE EVOLUTION OF HUMANITY’S GREATEST INVENTION, THE COMPUTER, AND ITS FUTURE

Fernando Alcoforado*

This article aims to present how the computer, humanity’s greatest invention, evolved and how its most likely future will be. The computer is humanity’s greatest invention because the worldwide computer network made possible the use of the Internet as the technology that most changed the world with the advent of the information society. There are those who say that it was Charles Babbage who created, in the 19th century, an analytical machine that, roughly speaking, is compared with the current computer with memory and programs. With this invention, Babbage is considered the “father of informatics”. Although many of Babbage’s concepts are used today, the formalization of components, which would become a general-purpose machine and new abstractions, were only consolidated from the 1930s onwards, thanks to John Von Neumann, one of the ENIAC developers, and the Alan Turing. The first large-scale electronic computer, developed without mechanical or hybrid parts, appeared only in 1945, after World War II [2]. IBM developed the mainframe computer from 1952, with the first computer based on vacuum tubes, soon replaced by the 7000 series, which already used transistors. In 1964, the IBM 360 appeared, which had immense commercial success until the early 1980s [1]. Mainframe computers were large machines that performed calculations and stored information. In general, its use had scientific, commercial and governmental purposes.

In the 1970s, the dominance of mainframes began to be challenged by the emergence of microprocessors. The 4004 chip, introduced by Intel in 1971, was a central processing unit and the first commercially available microprocessor. Innovations greatly facilitated the task of developing and manufacturing smaller computers – then called minicomputers – which could also use peripherals (disks, printers, monitors) produced by third parties. Early minicomputers cost one-tenth the price of a mainframe and took up only a fraction of the space required. In 1976, the Intel 8080 microprocessor was launched, which gave rise to the first microcomputers. The chip was successively improved and the 8088 version was used by most microcomputer manufacturers. Microprocessors changed the way computers were designed. It was no longer necessary to produce the entire system, including the processor, terminals, and software such as the compiler and operating system. The development of the Apple II in 1977, carried out by young Steve Jobs and Steve Wosniak, showed that new technologies radically simplified the development process and equipment assembly. The costs of a system based on microcomputers represented only a fraction of those practiced by manufacturers of mainframes and minicomputers, thus allowing the development of servers. Interconnected in local networks, microcomputers promoted the diffusion of informatics [1].

The existence of the computer provided the conditions for the advent of the Internet, which is undoubtedly one of the greatest inventions of the twentieth century, whose development took place in 1965, when Lawrence G. Roberts, in Massachusetts, and Thomas Merrill, in California, connected a computer over a low-speed switched telephone line. The experiment was a success and was marked as the event that created the first WAN (Wide Area Network) in history. The Internet story continued in 1966 when Lawrence G. Roberts joined DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) and created the plan for the ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) to develop the first packet-switched network. Although the first prototype of a decentralized packet-switched network had already been designed by the United Kingdom’s National Physical Laboratory (NPL) in 1968, it only gained visibility in 1969, when a computer at the University of California (UCLA) successfully connected to another from the Stanford Research Institute (SRI). The connection was so successful that, months later, four American universities were already interconnected. Thus was born the ARPANET. In 1970, the ARPANET was consolidated with hundreds of connected computers [2]. In 1995, a new revolution was started with the commercial use of the Internet [1].

Technological innovations in microprocessors have multiplied digital storage capacity and the development of broadband has allowed companies to develop new products and services. The concern with the limitations of computational resources was overcome, allowing greater focus on the needs of users through more attractive and functional applications, which brought more and more uses to personal computers. Netscape was the first company to promote Internet browsing, but it was surpassed by Microsoft due to the integration of this device into the Windows operating system, a fact that generated a prolonged legal dispute in Europe. The commercial development of the Internet showed that it was possible to create new business models based no longer on the sale of hardware and software licensing, but on the ability to communicate between different devices and on the creation of virtual communities. One of the most significant impacts of the emergence of the Internet was the popularization of electronic commerce [1].

At the beginning of the 21st century, cloud computing emerged. The development of Internet 2.0 and complementary technologies such as smartphones and tablets, communication-oriented chips and the development of wired and wireless broadband infrastructure resulted in a new revolution in the sector. Cloud computing symbolizes the tendency to place all available infrastructure and information digitally on the Internet, including application software, search engines, communication networks, providers, storage centers and data processing. The Internet Protocol (IP) constitutes the universal language that allows the standardization of packets of different media and supports indistinct voice, data and image traffic. The cloud concept is very important because it allows computing to become a public utility, as information assets are non-rival and can be used simultaneously by unlimited users. This model offers great advantages for users, although it also presents risks. The main advantage is the possibility of using the available hardware and software resources more efficiently, allowing to reduce the idle capacity in data storage and processing, through the sharing of computers and servers interconnected by the Internet. The infrastructure is accessed by terminals and mobile devices that connect the cloud to the user. The risks are mainly associated with the security and confidentiality of data stored in the cloud [1].

One of the main characteristics of contemporary society is the large-scale use of information technology. The informational or information technology revolution spread from the 1970s and 1980s, gaining intensity in the 1990s with the spread of the Internet, that is, network communication through computers. Why call this process a revolution? Because computerization penetrated society just like electricity that reconfigured life in cities. The computer, icon of information technology, connected in a network is changing people’s relationship with time and space. Informational networks make it possible to expand the ability to think in an unimaginable way. The new technological revolution has expanded human intelligence. We are talking about a technology that allows you to increase the storage, processing and analysis of information, performing billions of relationships between thousands of data per second: the computer [2].

Current computers are electronic because they are made up of transistors used in electronic chips. This causes it to present limitations given that there will be a time when it will no longer be possible to reduce the size of one of the smallest and most important components of processors, the transistor. In 1965, the American chemist Gordon Earle Moore made a prediction that, every 18 months, the number of transistors used in electronic chips would double with the reduction in their size. In the year 2017, the American technology company IBM managed to produce a chip the size of a fingernail, with approximately 30 billion of transistors of 5 nanometer (1 nanometer = 10-9 m). With this, the company showed that, even though it is not very accurate, Moore’s prediction remains valid until today, but it will reach its limit sooner than we imagine. The problem starts to exist when it is no longer possible to reduce one of the smallest and most important components of the processors, the transistor. It is important to note that it is in this small device that all information is read, interpreted and processed [3].  

When dealing with very small scales, Physics is no longer as predictable as it is in macroscopic systems, starting to behave randomly, in a probabilistic way, subjecting itself to the properties of Quantum Physics. This means that one of the alternatives of the future is the quantum computer, which is a machine capable of manipulating information stored in quantum systems, such as electron spins (magnetic field of electrons), energy levels of atoms and even photon polarization. . In these computers, the fundamental units of information, called “quantum bits”, are used in order to solve calculations or simulations that would take impractical processing times in electronic computers, such as those currently used [3].

Quantum computers work with a logic quite different from that present in electronic computers. Quantum bits can have the values 0 and 1 simultaneously, as a result of a quantum phenomenon called quantum superposition. These values represent the binary code of computers and are, in a way, the language understood by machines. Quantum computers have proven to be the newest answer in Physics and Computing to problems related to the limited capacity of electronic computers, whose processing speed and capacity are closely related to the size of their components. Thus, its miniaturization is an inevitable process [3].

Quantum computers will not serve the same purposes as electronic computers. One of the possible uses of quantum computers is factoring large numbers in order to discover new prime numbers. It should be noted that factoring can be described as the decomposition of a value into different multiplicative factors, that is, if we multiply all the elements of a factorization, the result must be equal to the value of the factored number. Even for today’s most powerful supercomputers, this is a difficult and time-consuming task. In theory, quantum computers could do it much faster. Quantum computers are good at working with many variables simultaneously, unlike current computers, which have many limitations for carrying out this type of task. In this way, it is expected that quantum computers can be used to simulate extremely complex systems, such as biological, meteorological, astronomical, molecular systems, etc [3].

The ease of quantum computers in dealing with complex systems is related to the nature of quantum bits. An electronic bit can only take on the value 0 or 1, while quantum bits can have both values at the same time. Thus, a single quantum bit has a numerical equivalent of 2 electronic bits. This means that, with only 10 quantum bits, we would have a computer with a capacity of 1024 bits (210 = 1024), while most home computers today work with 64-bit systems [3].

Despite representing a significant leap forward in relation to classical computers, quantum computers also have their limitations. The quantum behavior of bits is only achieved under very sensitive conditions. Therefore, it is necessary to keep them at very low temperatures, close to absolute zero, using sophisticated liquid nitrogen or helium refrigeration systems. Any variations in these temperature conditions, however small they may be, may harm or even interrupt its proper functioning. Other factors, such as external magnetic fields and electromagnetic waves emitted by nearby devices, can interfere with the quantum behavior of extremely sensitive particles used to store information, such as electrons and atoms [3].

Canadian company D-Wave claims to have produced the first commercial quantum computer. In 2017, the company put up for sale a quantum computer named 2000Q, which supposedly features an incredible 2000 quantum bits. To acquire it, however, it is necessary to disburse something around 15 million dollars. This company divides the opinions of the scientific community, as there are groups of physicists and computer scientists who believe that the machine is not 100% quantum, but a hybrid computer capable of using quantum and electronic bits simultaneously [3].

With a conventional classical computer, if you had to perform 100 different calculations, you would have to process them one at a time, whereas with a quantum computer, you could perform them all at once. The current situation where we are forced to use classical computers for calculations will change dramatically. Supercomputers — the highest class of classical computers — are so big that they take up a large room. The reason is that 100 calculators are lined up to do 100 different calculations at once. In a real supercomputer, over 100,000 smaller computers are lined up. With the birth of quantum computers, this will no longer be necessary. However, that does not mean supercomputers will become unnecessary. They will be used for different purposes such as smartphones and computers [4].

There are fields in which quantum computers have a great advantage over classical computers, for example in the areas of chemistry and biotechnology. The reactions of materials, in principle, involve quantum effects. A quantum computer that uses quantum phenomena themselves would allow calculations that could easily incorporate quantum effects and would be very effective in developing materials such as catalysts and polymers. This can lead to the development of new drugs that were previously unfeasible, thus contributing to the improvement of people’s health. Additionally, in the area of finance, for example, as formulas for options trading are similar to those for quantum phenomena, it is expected that calculations can be performed efficiently on quantum computers [4].

Quantum computers can be divided into several types, depending on how the smallest unit, the qubit (a superposition of 0s and 1s), is created. The most advanced type is the superconducting type. This method makes a qubit using a superconducting circuit with an ultra-low temperature element, and many IT and other companies are developing this type of computer. Ion trap and cold atom types, which have been increasing recently, use electrons in fixed atoms to make qubits, and their operation is stable, so future growth is expected. There’s the silicon type, which is an “electron box” called a quantum dot containing just one electron, which is made onto a silicon semiconductor chip to create a qubit. In addition, another type, called the “photonic quantum type”, which is a quantum computer that uses light, is also being studied [4].

The Hitachi company is developing a silicon-type quantum computer. The type of silicon allows very small qubits to be made, so many qubits can be packed into a small space. This is where Hitachi’s accumulated semiconductor technologies can be leveraged. To obtain computational power superior to that of classical computers, it is necessary to be able to use a large number of qubits. The silicon type of the quantum computer has the advantage that such a large number of qubits can be easily fitted onto a semiconductor chip. The fact that the qubits are so small it’s hard to see what’s really going on. When you look at a picture of a quantum computer, it looks like a big device, but most of it is a cooling system that creates a low-temperature environment to keep the electrons relaxed and trapped in the quantum dots, and the main circuit is very small [ 4].

In addition to the quantum computer, Artificial Intelligence (AI) can reinvent computers in three ways, according to the MIT Technology Review. Artificial Intelligence is changing the way we think about computing. Computers haven’t advanced much in 40 or 50 years, they’ve gotten smaller and faster, but they’re still mere boxes with processors that carry out human instructions. AI is changing this reality in at least three ways: 1) the way computers are produced; 2) the way computers are programmed; and, 3) how computers are used. Ultimately, this is a phenomenon that will change how computers function. The core of computing is shifting from number crunching to decision making [5].

The MIT paper reports that the first change concerns how computers, and the chips that control them, are made. The deep learning models that make today’s AI applications work, however, require a different approach because they need a large number of less accurate calculations to be performed at the same time. This means that a new type of chip is needed that can move data as quickly as possible, ensuring that data is available whenever needed. When deep learning arrived on the scene about a decade ago, there were already specialized computer chips that were very good at it: graphics processing units (GPUs) designed to display an entire screen of pixels dozens of times per second[5].

The second change concerns how computers are programmed what to do. For the last 40 years computers have been programmed, and for the next 40 they will be trained. Traditionally, for a computer to do something like recognize speech or identify objects in an image, programmers first have to create rules for the computer. With machine learning, programmers no longer dictate the rules. Instead, they create a neural network where computers learn these rules on their own. The next big advances will come in molecular simulation as training computers to manipulate the properties of matter that can create global changes in energy use, food production, manufacturing and medicine. Deep learning has an amazing track record. Two of the biggest advances of this kind so far are how to make computers behave, as if they understand the language of humans and recognize what is in an image and are already changing the way we use them [5].

The third change concerns the fact that a computer no longer needs a keyboard or screen for humans to interact with. Anything can become a computer. In fact, most household products, from toothbrushes to light switches and doorbells, already have a smart version. As they proliferate, however, so does our desire to waste less time telling them what to do. It is like they should be able to figure out what we need without our interference. This is the shift from crunching numbers to decision making as a driver of this new era of computing that envisions computers that tell humans what we need to know and when we need to know it and that help humans when you need them. Now, machines are interacting with people and becoming more and more integrated into our lives. Computers are already out of their boxes [5].

REFERENCES

1. TIGRE, Paulo Bastos e NORONHA, Vitor Branco. Do mainframe à nuvem: inovações, estrutura industrial e modelos de negócios nas tecnologias da informação e da comunicação. Available on the website <https://www.scielo.br/j/rausp/a/8mCzNXtRWZJzZPnnrHSq6Bv/>.

2. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

3. MUNDO EDUCAÇÃO. Computador quântico. Available on the website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/computador-quantico.htm>.

4. KIDO, Yuzuru. The Present and Future of “Quantum Computers”. Available on the website <https://social-innovation.hitachi/en/article/quantum-computing/?utm_campaign=sns&utm_source=li&utm_medium=en_quantum-computing_230>.

5. MIT Technology ReviewComo a Inteligência Artificial está reinventando o que os computadores são. Available on the website <https://mittechreview.com.br/como-a-inteligencia-artificial-esta-reinventando-o-que-os-computadores-sao/>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).  

A EVOLUÇÃO DA MAIOR INVENÇÃO DA HUMANIDADE, O COMPUTADOR, E SEU FUTURO

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como evoluiu o computador, a maior invenção da humanidade, e como será seu futuro mais provávelO computador é a maior invenção da humanidade porque a rede mundial de computadores possibilitou o uso da Internet como a tecnologia que mais mudou o mundo com o advento da sociedade da informação. Há quem diga que foi Charles Babbage quem criou no século XIX, uma máquina analítica que, a grosso modo, é comparada com o computador atual com memória e programas. Com esta invenção, Babbage é considerado o “pai da Informática”. Embora muitos conceitos de Babbage sejam usados hoje, a formalização dos componentes, que viria a ser uma máquina de uso geral e novas abstrações, só foram consolidadas a partir da década de 1930, graças a John Von Neumannum dos desenvolvedores do ENIAC e a Alan TuringO primeiro computador eletrônico em larga escala, desenvolvido sem partes mecânicas ou híbridas surgiu apenas em 1945, depois da 2ª Guerra Mundial [2]. A IBM desenvolveu o computador mainframe a partir de 1952, com o primeiro computador baseado em tubos de vácuo, logo substituído pela série 7000, que já utilizava transistores. Em 1964 surge o IBM 360, que teve um imenso sucesso comercial até o início dos anos 1980 [1]. Os, os computadores mainframes eram grandes máquinas que realizavam cálculos e armazenavam informações. De forma geral, seu uso tinha fins científicos, comerciais e governamentais.

Na década de 1970, o domínio dos mainframes começou a ser desafiado pelo surgimento dos microprocessadores. O chip 4004, lançado pela Intel em 1971, era uma unidade central de processamento e o primeiro microprocessador disponível comercialmente. As inovações facilitaram enormemente a tarefa de desenvolver e fabricar computadores de menor porte – chamados então de minicomputadores – que podiam utilizar também periféricos (discos, impressoras, monitores) produzidos por terceiros. Os primeiros minicomputadores custavam um décimo do preço de um mainframe e ocupavam apenas uma fração do espaço por este requerido. Em 1976, houve o lançamento do microprocessador Intel 8080, que deu origem aos primeiros microcomputadores. O chip foi sendo sucessivamente aprimorado e a versão 8088 foi utilizada pela maioria dos fabricantes de microcomputadores. Os microprocessadores mudaram a forma como os computadores eram desenvolvidos. Não era mais necessário produzir o sistema inteiro, incluindo processador, terminais e software, como o compilador e o sistema operacional. O desenvolvimento do Apple II em 1977, feito pelos jovens Steve Jobs e Steve Wosniak, mostrou que as novas tecnologias simplificavam radicalmente o processo de desenvolvimento e a montagem dos equipamentos. Os custos de um sistema baseado em microcomputadores representavam apenas uma fração dos praticados por fabricantes de mainframes e minicomputadores, permitindo, assim, o desenvolvimento de servidores. Interligados em redes locais, os microcomputadores promoveram a difusão da informática [1]. 

A existência do computador propiciou as condições para o advento da Internet que é, sem dúvida, uma das maiores invenções do século XX, cujo desenvolvimento ocorreu em 1965, quando Lawrence G. Roberts, em Massachusetts, e Thomas Merrill, na Califórnia, conectaram um computador por uma linha telefônica comutada de baixa velocidade. O experimento foi um sucesso e foi marcado como o acontecimento que criou a primeira WAN (Wide Area Network) da história. A história da Internet continuou em 1966, quando Lawrence G. Roberts entrou na DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) e criou o plano da ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) para desenvolver a primeira rede de comutação de pacotes. Embora o primeiro protótipo de uma rede comutada por pacotes descentralizada já tivesse sido projetado pelo Laboratório Nacional de Física (NPL) do Reino Unido em 1968, ganharia visibilidade somente em 1969, quando um computador da Universidade da Califórnia (UCLA) se conectou com sucesso a outro do Stanford Research Institute (SRI). A conexão foi tão bem-sucedida que, meses depois, quatro universidades americanas já estavam interconectadas. Assim nasceu a ARPANET. Em 1970, a ARPANET estava consolidada com centenas de computadores conectados [2]. Em 1995, uma nova revolução foi iniciada com o uso comercial da Internet [1].

Inovações tecnológicas em microprocessadores multiplicaram a capacidade de armazenamento digital e o desenvolvimento da banda larga permitiram que as empresas desenvolvessem novos produtos e serviços. A preocupação com as limitações dos recursos computacionais foi superada, permitindo maior foco nas necessidades dos usuários por meio de aplicativos mais atrativos e funcionais, que traziam cada vez mais utilidades para os computadores pessoais. A Netscape foi a primeira empresa a promover a navegação pela Internet, mas foi superada pela Microsoft em função da integração desse dispositivo ao sistema operacional Windows, fato que gerou uma prolongada disputa judicial na Europa. O desenvolvimento comercial da Internet mostrou que era possível a criação de novos modelos de negócios apoiados não mais na venda de hardware e no licenciamento de software, mas, sim, na capacidade de comunicação entre diferentes equipamentos e na criação de comunidades virtuais. Um dos impactos mais significativos do surgimento da Internet foi a popularização do comércio eletrônico [1].

No início de século XXI, surgiu a computação em nuvem. O desenvolvimento da Internet 2.0 e de tecnologias complementares como celulares inteligentes (smartphones) e tabletschips orientados para a comunicação e o desenvolvimento da infraestrutura de banda larga com e sem fio resultaram em uma nova revolução no setor. A computação em nuvem (cloud computing) simboliza a tendência de colocar toda a infraestrutura e informação disponível de forma digital na Internet, incluindo software aplicativo, ferramentas de busca, redes de comunicação, provedores, centros de armazenamento e processamento de dados. O Protocolo Internet (IP) constitui a linguagem universal que permite a padronização dos pacotes de diferentes mídias e comporta o tráfego indistinto de voz, dados e imagens. O conceito de nuvem é muito importante porque permite que a computação se transforme em uma utilidade pública, pois os bens da informação são não rivais e podem ser utilizados simultaneamente por ilimitados usuários. Este modelo oferece grandes vantagens para os usuários, apesar de apresentar também riscos. A principal vantagem é a possibilidade de utilizar os recursos de hardware e software disponíveis de forma mais eficiente, permitindo reduzir a capacidade ociosa em armazenamento e processamento de dados, por meio do compartilhamento de computadores e servidores interligados pela Internet. A infraestrutura é acessada por terminais e dispositivos móveis que conectam a nuvem ao usuário. Os riscos estão associados principalmente à segurança e à manutenção do sigilo de dados armazenados na nuvem [1].

Uma das principais características da sociedade contemporânea é o uso em larga escala da tecnologia da informação. A revolução informacional ou da tecnologia da informação se alastrou a partir dos anos 1970 e 1980, ganhando intensidade na década de 1990 com a propagação da Internet, ou seja, da comunicação em rede por meio do computador. Por que chamar esse processo de revolução? Porque a informatização penetrou na sociedade tal como a energia elétrica que reconfigurou a vida das cidades. O computador, ícone da tecnologia da informação, ligado em rede está alterando a relação das pessoas com o tempo e com o espaço. As redes informacionais permitem ampliar a capacidade de pensar de modo inimaginável. A nova revolução tecnológica ampliou a inteligência humana. Estamos falando de uma tecnologia que permite aumentar o armazenamento, o processamento e a análise de informações, realizar bilhões de relações entre milhares de dados por segundo: o computador [2].

Os computadores atuais são eletrônicos porque são constituídos de transistores empregados nos chips eletrônicos. Isto faz com que ele apresente limitações haja vista que haverá um momento em que não será mais possível diminuir o tamanho de um dos menores e mais importantes componentes dos processadores, o transistor. Em 1965, o químico norte-americano Gordon Earle Moore fez uma previsão de que, a cada 18 meses, duplicaria o número de transistores empregado nos chips eletrônicos com a redução no seu tamanho. No ano de 2017, a empresa de tecnologia norte-americana IBM conseguiu produzir um chip do tamanho de uma unha, com aproximadamente 30 bilhões de transistores de 5 nm (1 nanômetro = 10-9 m). Com isso, a empresa mostrou que, mesmo não sendo muita precisa, a previsão de Moore continua válida até os dias de hoje, mas alcançará seu limite mais cedo do que imaginamos. O problema passa a existir quando não seja mais possível diminuir um dos menores e mais importantes componentes dos processadores, o transistor. É importante observar que é nesse pequeno dispositivo que toda a informação é lida, interpretada e processada [3].

Ao lidarmos com escalas muito diminutas, a Física deixa de ser tão previsível como é nos sistemas macroscópicos, passando a comportar-se randomicamente, de forma probabilística, sujeitando-se às propriedades da Física Quântica. Isto significa dizer que uma das alternativas do futuro é o computador quântico que é uma máquina capaz de manipular informação armazenada em sistemas quânticos, como spins dos elétrons (campo magnético dos elétrons), níveis de energia dos átomos e, até mesmo, polarização de fótons. Nesses computadores, as unidades fundamentais de informação, chamadas “quantum bits” (em português, bits quânticos), são usadas com o intuito de resolver cálculos ou simulações que levariam tempos de processamento impraticáveis em computadores eletrônicos, como os usados atualmente [3].

Os computadores quânticos funcionam com uma lógica bastante diferente daquela presente nos computadores eletrônicos. Os bits quânticos podem apresentar, simultaneamente, os valores 0 e 1, em decorrência de um fenômeno quântico chamado superposição quântica. Esses valores representam o código binário dos computadores e são, de certa forma, a língua compreendida pelas máquinas. Os computadores quânticos têm-se mostrado a mais nova resposta da Física e da Computação aos problemas relacionados à capacidade limitada dos computadores eletrônicos cuja velocidade de processamento e sua capacidade estão intimamente relacionadas ao tamanho de seus componentes. Dessa forma, sua miniaturização é um processo inevitável [3].

Os computadores quânticos não servirão para os mesmos fins que os computadores eletrônicos. Um dos possíveis usos dos computadores quânticos é a fatoração de grandes números, a fim de se descobrirem novos números primos. Cabe observar que fatoração pode ser descrito como a decomposição de um valor em diferentes fatores multiplicativos, ou seja, se multiplicarmos todos os elementos de uma fatoração, o resultado deve ser igual ao valor do número fatorado. Mesmo para os mais potentes supercomputadores atuais, essa é uma difícil tarefa que demanda muito tempo. Teoricamente, os computadores quânticos poderiam executá-la muito mais rapidamente. Os computadores quânticos são bons em trabalhar com muitas variáveis simultaneamente diferentemente dos computadores atuais, que apresentam muitas limitações para a realização desse tipo de tarefa. Desta forma, é esperado que computadores quânticos possam ser usados para simular sistemas extremamente complexos, como sistemas biológicos, meteorológicos, astronômicos, molecularesetc [3].

A facilidade dos computadores quânticos em lidar com sistemas complexos está relacionada com a natureza dos bits quânticos. Um bit eletrônico só pode assumir o valor 0 ou 1, enquanto os bits quânticos podem apresentar os dois valores ao mesmo tempo. Dessa forma, um único bit quântico tem uma equivalência numérica de 2 bits eletrônicos. Isto significa dizer que, com apenas 10 bits quânticos, teríamos um computador com uma capacidade de 1024 bits (210 = 1024), enquanto a maioria dos computadores caseiros de hoje funcionam com sistemas de 64 bits [3].

Apesar de representarem um salto significativo em relação aos computadores clássicos, os computadores quânticos também têm suas limitações. O comportamento quântico dos bits só é atingido em condições muito sensíveisAssim, é necessário mantê-los em temperaturas muito baixas, próximas do zero absoluto, usando sofisticados sistemas de refrigeração a nitrogênio ou a hélio líquido. Quaisquer variações nessas condições de temperatura, por menores que sejam, podem prejudicar ou, até mesmo, interromper seu bom funcionamento. Outros fatores, como campos magnéticos externos e ondas eletromagnéticas emitidas por dispositivos próximos, podem interferir no comportamento quântico de partículas extremamente sensíveis usadas para armazenar a informação, como elétrons e átomos [3].

A empresa canadense D-Wave afirma ter produzido o primeiro computador quântico comercial. Em 2017, a empresa colocou à venda um computador quântico de nome 2000Q, que, supostamente, apresenta incríveis 2000 bits quânticos. Para adquiri-lo, entretanto, é necessário desembolsar algo em torno de 15 milhões de dólares. Essa empresa divide as opiniões da comunidade científica, pois há grupos de físicos e cientistas da computação que acreditam que a máquina não seja 100% quântica, mas sim um computador híbrido capaz de utilizar bits quânticos e eletrônicos simultaneamente [3].

Com um computador clássico convencional, se fosse preciso realizar 100 cálculos diferentes, teria que processá-los um de cada vez, enquanto com um computador quântico, poderia executá-los todos de uma vez. A situação atual em que somos forçados a usar computadores clássicos para cálculos mudará drasticamente. Supercomputadores — a classe mais alta de computadores clássicos — são tão grandes que ocupam uma grande sala. A razão é que 100 calculadoras estão alinhadas para fazer 100 cálculos diferentes de uma só vez. Em um supercomputador real, mais de 100.000 computadores menores estão alinhados. Com o nascimento dos computadores quânticos, isso não será mais necessário. Mas isso não significa que os supercomputadores se tornarão desnecessários. Eles serão usados para diferentes propósitos, como smartphones e como computadores [4].

Existem campos em que os computadores quânticos têm grande vantagem sobre os computadores clássicos como, por exemplo, nas áreas de química e biotecnologia. As reações dos materiais, em princípio, envolvem efeitos quânticos. Um computador quântico que usasse os próprios fenômenos quânticos permitiria cálculos que poderiam facilmente incorporar efeitos quânticos e seria muito eficaz no desenvolvimento de materiais como catalisadores e polímeros. Isso pode levar ao desenvolvimento de novos medicamentos antes inviáveis, contribuindo assim para a melhoria da saúde das pessoas. Adicionalmente, na área de finanças, por exemplo, como as fórmulas para negociação de opções são semelhantes àquelas para fenômenos quânticos, espera-se que os cálculos possam ser executados de forma eficiente em computadores quânticos [4].

Os computadores quânticos podem ser divididos em vários tipos, dependendo de como a menor unidade, o qubit (uma superposição de 0s e 1s), é criada. O tipo mais avançado é o tipo supercondutor. Esse método realiza um qubit usando um circuito supercondutor com um elemento de temperatura ultrabaixa, e muitas empresas de TI e outras estão desenvolvendo esse tipo de computador. Os tipos de armadilha de íons e átomo frio, que vêm aumentando recentemente, usam elétrons em átomos fixos para fazer qubits e sua operação é estável, portanto, espera-se um crescimento futuro. Há o tipo de silício, que é uma “caixa de elétrons”, chamada de ponto quântico contendo apenas um elétron, que é feita em um chip semicondutor de silício para criar um qubit. Além disso, outro tipo, chamado de “tipo quântico fotônico”, que é um computador quântico que usa luz, também está sendo estudado [4].

A empresa Hitachi está desenvolvendo um computador quântico do tipo de silício. O tipo de silício permite que qubits muito pequenos sejam feitos, então muitos qubits podem ser integrados em um espaço pequeno. É aqui que as tecnologias acumuladas de semicondutores da Hitachi podem ser aproveitadas. Para obter um poder computacional superior ao dos computadores clássicos, é necessário poder usar um grande número de qubits. O tipo de silício do computador quântico tem a vantagem de que um número tão grande de qubits pode ser facilmente instalado em um chip semicondutor. O fato de os qubits serem tão pequenos é difícil ver o que realmente está acontecendo. Quando se observa uma foto de um computador quântico, parece um dispositivo grande, mas a maior parte é um sistema de resfriamento que cria um ambiente de baixa temperatura para manter os elétrons relaxados e presos nos pontos quânticos, e o circuito principal é muito pequeno [4].

Além do computador quântico, a Inteligência Artificial (IA) pode reinventar os computadores de três maneiras, segundo o MIT Technology Review. A Inteligência Artificial está mudando a forma como pensamos a computação. Os computadores não avançaram muito em 40 ou 50 anos, se tornaram menores e mais rápidos, mas ainda são meras caixas com processadores que executam as instruções de humanos. A IA está mudando essa realidade em pelo menos três aspectos: 1) a maneira pela qual os computadores são produzidos; 2) a forma com que os computadores são programados; e, 3) como se faz o uso dos computadores. No final das contas, esse é um fenômeno que irá mudar a função dos computadores. O cerne da computação está se transferindo do processamento de números para a tomada de decisão [5].

O artigo do MIT informa que a primeira mudança diz respeito a como os computadores, e os chips que os controlam, são feitos. Os modelos de deep learning (aprendizado profundo) que fazem os aplicativos de IA atuais funcionarem exigem, contudo, uma abordagem diferente porque eles precisam que um grande número de cálculos menos precisos seja executado ao mesmo tempo. Isso significa dizer que um novo tipo de chip é necessário que possa movimentar os dados o mais rápido possível, garantindo que estes estejam disponíveis sempre que necessário. Quando o deep learning entrou em cena há cerca de uma década, já havia chips de computador especializados que eram muito bons nisso: as unidades de processamento gráfico (GPUs, pela sigla em inglês) projetadas para exibir uma tela inteira de pixels dezenas de vezes por segundo[5].

A segunda mudança diz respeito a como os computadores são programados sobre o que fazer. Nos últimos 40 anos, os computadores foram programados e, nos próximos 40, eles serão treinados. Tradicionalmente, para que um computador faça algo como reconhecer uma fala ou identificar objetos em uma imagem, os programadores têm que, primeiro, criar regras para o computador. Com o machine learning (aprendizado de máquina), os programadores não ditam mais as regras. Em vez disso, eles criam uma rede neural em que os computadores aprendem essas regras sozinhos. Os próximos grandes avanços virão na simulação molecular como treinar computadores para manipular as propriedades da matéria que pode criar mudanças globais no uso de energia, produção de alimentos, manufatura e medicina. O deep learning tem um histórico surpreendente. Dois dos maiores avanços desse tipo até agora consistem em como fazer com que os computadores se comportem, como se entendessem a linguagem dos humanos e reconheçam o que está em uma imagem e já estão mudando a maneira como os usamos [5].

A terceira mudança diz respeito ao fato de que um computador não precisa mais de um teclado ou tela para que os humanos interajam com elas. Qualquer coisa pode se tornar um computador. Na verdade, a maioria dos produtos domésticos, de escovas de dente a interruptores de luz e campainhas, já possuem uma versão inteligente. À medida que eles se proliferam, contudo, aumenta também a nossa vontade de querer perder menos tempo dizendo a eles o que fazer. É como se eles devessem ser capazes de descobrir o que precisamos sem nossa interferência. Esta é a mudança da análise de números para a tomada de decisões como determinante dessa nova era da computação que idealiza computadores que digam aos humanos aquilo que precisamos saber e quando precisamos saber e que auxiliam os humanos quando precisa deles. Agora, as máquinas estão interagindo com as pessoas e se integrando cada vez mais às nossas vidas. Os computadores já estão fora de suas caixas [5].

REFERÊNCIAS

1. TIGRE, Paulo Bastos e NORONHA, Vitor Branco. Do mainframe à nuvem: inovações, estrutura industrial e modelos de negócios nas tecnologias da informação e da comunicação. Disponível no website <https://www.scielo.br/j/rausp/a/8mCzNXtRWZJzZPnnrHSq6Bv/>.

2. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

3. MUNDO EDUCAÇÃO. Computador quântico. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/computador-quantico.htm>.

4. KIDO, Yuzuru. The Present and Future of “Quantum Computers”. Disponível no website <https://social-innovation.hitachi/en/article/quantum-computing/?utm_campaign=sns&utm_source=li&utm_medium=en_quantum-computing_230>.

5. MIT Technology Review. Como a Inteligência Artificial está reinventando o que os computadores são. Disponível no website <https://mittechreview.com.br/como-a-inteligencia-artificial-esta-reinventando-o-que-os-computadores-sao/>.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

ANALYSE DE LA PENSÉE D’EINSTEIN ET DE FREUD SUR LES CAUSES DES GUERRES ET LES SOLUTIONS POUR LES ÉVITER

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à analyser la pensée d’Albert Einstein, le père de la Théorie de la Relativité, et de Sigmund Freud, le père de la Psychanalyse, exposées dans les lettres échangées entre eux en 1932, dans l’interrègne entre la 1ère et la 2ème Guerre mondiale sur la causes des guerres et les solutions pour les éviter. Le contenu de ces lettres est contenu dans le site Web <https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1033690/mod_resource/content/1/Aula%2B026%2B-%2BFreud%2B%2BEinstein.pdf>. Albert Einstein a demandé à Freud s’il existe un moyen de supprimer l’humanité de la menace de la guerre et s’il était possible de contrôler l’évolution de l’esprit de l’homme de manière le mettant à l’épreuve contre les psychoses de la haine et de la destructivité? Dans sa lettre à Freud, Einstein affirmait que toutes les tentatives pour libérer l’humanité de la menace de la guerre se soldaient par un échec regrettable, c’est pourquoi il demanda au père de la psychanalyse d’élucider le problème à l’aide de sa profonde connaissance de la vie instinctive de l’homme. En demandant à Freud d’analyser la vie instinctive de l’homme, Einstein semble admettre que le comportement violent de l’homme résulte davantage de son instinct animal et non du environnement social dans lequel il vit.

Les questions posées par Einstein dans une lettre adressée à Freud étaient les suivantes :

1.    En traitant de la question des guerres, Einstein a envisagé la nécessité, par le biais d’un accord international, de structurer un corps législatif et judiciaire qui pourrait arbitrer tout conflit. Selon Einstein, “chaque nation se soumettrait à l’obéissance aux ordres émis par ce corps législatif, à recourir à ses décisions dans tous les différends, à accepter sans restriction ses décisions et à mettre en pratique toutes les mesures que le tribunal jugerait nécessaires pour l’exécution de ses décrets ». Einstein a déclaré : « Actuellement, cependant, nous sommes loin d’avoir une organisation supranationale compétente pour rendre des jugements d’une autorité incontestée et garantir le respect absolu de l’exécution de ses verdicts. Einstein considère que la poursuite de la sécurité internationale implique la renonciation inconditionnelle, par toutes les nations, dans une certaine mesure, à leur liberté d’action, c’est-à-dire à leur souveraineté. Il convient de noter qu’en 1932, il existait un organisme supranational, la Société des Nations, qui était censé servir de médiateur dans les conflits internationaux et qui a échoué en n’empêchant pas le déclenchement de la 2e guerre mondiale.

La thèse d’Einstein selon laquelle la poursuite de la sécurité internationale implique la renonciation à la souveraineté nationale est cependant erronée car il serait possible de mettre en place un gouvernement mondial représentatif de tous les peuples du monde qui ne s’occuperait que de la médiation des conflits internationaux sans ingérence dans les affaires intérieures de chaque pays dont la souveraineté serait respectée. La préservation de la paix devrait être la première mission de toute nouvelle forme de gouvernement mondial. Pour cela, il doit y avoir une gouvernance démocratique du monde avec un gouvernement mondial élu par tous les pays du monde. Son rôle serait de construire la gouvernance de l’économie mondiale et de l’environnement et le maintien de la paix mondiale. A travers elle, la défense des intérêts généraux de tous les pays de la planète dans les relations internationales serait poursuivie. Un gouvernement mondial démocratique veillerait à ce que la souveraineté de chaque pays soit respectée car il agirait pour empêcher tout pays d’intervenir dans les affaires intérieures des autres, notamment par des interventions militaires. Contrairement à ce que beaucoup de gens pensent, l’existence d’un gouvernement mondial ne serait pas une menace pour la souveraineté nationale, au contraire, elle garantirait qu’aucun pays n’interviendrait dans les affaires intérieures d’autres pays.

Pour écarter définitivement les nouveaux risques d’une nouvelle guerre mondiale et pour que la paix perpétuelle se matérialise sur notre planète, il faudrait réformer le système international actuel, incapable de garantir la paix mondiale. L’ONU, qui s’est constituée après la 2e guerre mondiale, a été aussi inopérante que la Société des Nations dans la médiation des conflits internationaux qui l’ont précédée entre les deux Grandes Guerres. Le nouveau système international devrait fonctionner sur la base d’un Contrat Social Planétaire qui serait la Constitution de la planète Terre dans laquelle seraient établies les règles de la coexistence internationale. Pour la préparation du Contrat Social Planétaire, il devrait y avoir une convocation d’une Assemblée Mondiale Constituante avec la participation de représentants de tous les pays du monde élus à cet effet. Le Contrat Social Planétaire devrait établir l’existence d’un Gouvernement Mondial dont le président devrait être élu avec plus de 50% des voix du Parlement Mondial qui serait, lui aussi, constitué de représentants élus dans les différents pays du monde.

En plus du Gouvernement Mondial et du Parlement Mondial, la Cour Suprême Mondiale devrait également être constituée, qui devrait être composée de juristes de haut niveau du monde choisis par le Parlement Mondial, qui agiraient pour un temps déterminé. La Cour Suprême Mondiale devrait juger les affaires impliquant des conflits entre pays, des crimes contre l’humanité et contre la nature commis par des États nationaux et par des dirigeants à la lumière du Contrat Social Planétaire, juger les conflits qui existent entre le Gouvernement Mondial et le Parlement Mondial et agir en tant que gardien du Contrat Social Planétaire. La nouvelle règle de droit international serait appliquée par les trois pouvoirs constitués : le Gouvernement Mondial, le Parlement Mondial et la Cour Suprême Mondiale. Le pouvoir mondial reposerait sur le Gouvernement Mondial, le Parlement Mondial et la Cour Suprême Mondiale. Le Gouvernement Mondial n’aura pas ses propres forces armées, devant compter sur le soutien des forces armées des pays qui seraient convoqués en cas de besoin. Avec cette configuration proposée pour la gouvernance démocratique du système international, aucun pays ne serait donc un vassal du Gouvernement Mondial.

Le Gouvernement Mondial n’agirait que pour faire évoluer le système international dans un environnement de paix entre les nations. Chaque pays doit être souverain pour agir dans les limites de son territoire et ne pas intervenir dans les affaires intérieures des autres pays. Ce qui ne serait pas accepté, c’est qu’un pays intervienne par la force dans les affaires intérieures d’autres pays, comme cela s’est produit tout au long de l’histoire. Le Gouvernement Mondial serait la garantie du respect de la souveraineté des pays du monde, surtout les plus faibles. L’absence d’un Gouvernement Mondial est ce qui constituerait une menace pour la souveraineté nationale de la plupart des pays, car ils seraient à la merci du plus fort, comme cela a été le cas tout au long de l’histoire. Si un pays met en péril l’environnement de paix entre les nations, en intervenant dans les affaires intérieures d’un autre pays, le Gouvernement Mondial agira pour empêcher l’agresseur de consommer ses desseins par une action diplomatique ou, en cas d’échec, même par le recours à la force. À cette fin, le Gouvernement Mondial appellerait les forces armées de certains pays à remplir le rôle d’empêcher un pays d’intervenir dans un autre en utilisant la force.

2.    Einstein a déclaré qu’il ne fait aucun doute que d’importants facteurs psychologiques sont en jeu qui paralysent les efforts visant à mettre fin aux guerres. Certains de ces facteurs, selon Einstein, sont plus faciles à détecter car l’intense désir de pouvoir, qui caractérise la classe dirigeante dans chaque nation, est hostile à toute limitation de sa souveraineté nationale.

Einstein a tout à fait raison, car les grandes puissances s’opposent à toute limitation de leur souveraineté nationale afin de pouvoir agir sans limites dans leurs actions impérialistes sur les pays les plus faibles. Einstein a raison de dire qu’un groupe restreint mais déterminé existant dans chaque nation, composé d’individus, est indifférent aux conditions et aux contrôles sociaux, car ils considèrent la guerre, la fabrication et la vente d’armes simplement comme une opportunité d’élargir leurs intérêts personnels et d’élargir votre autorité personnelle. C’est le cas des États-Unis, qui profitent le plus économiquement des affrontements armés, puisque les plus grands exportateurs d’armes au monde sont nord-américains. En plus de la vente de munitions et d’armes, les États-Unis monétisent également avec des contrats de sécurité et une formation militaire, ce qui fait que de nombreux membres du Congrès américain comprennent les guerres comme une machine d’emplois et d’argent pour le pays. La paix, pour les États-Unis, pourrait lui coûter cher.

3.    Einstein demande : comment est-il possible que le petit troupeau qui gouverne un pays fasse plier la volonté de la majorité, qui se résigne à perdre et à souffrir dans une situation de guerre, au service de l’ambition de quelques-uns ? En parlant de la majorité, Einstein n’exclut pas les militaires, de tous grades, qui ont choisi la guerre comme métier, dans la conviction qu’ils servent la défense des intérêts supérieurs de leur race et que l’attaque est souvent le meilleur moyen de défense. . Selon Einstein, il semble qu’une réponse évidente à cette question serait que la minorité, la classe dirigeante actuelle, a les écoles, la presse et aussi l’Église, sous son pouvoir qui permet d’organiser et de dominer le émotions des masses et en faire l’instrument de la même minorité. Einstein se demande aussi : comment ces mécanismes parviennent-ils si bien à éveiller chez les hommes un enthousiasme extrême, au point de sacrifier leur vie ? Einstein pense qu’il ne peut y avoir qu’une seule réponse car l’homme porte en lui un désir de haine et de destruction. En temps normal cette passion existe à l’état latent, elle n’émerge que dans des circonstances anormales ; il est pourtant relativement facile de l’éveiller et de l’élever à la puissance de psychose collective. Einstein affirme que c’est peut-être là le nœud de tout l’ensemble des facteurs que nous considérons, une énigme que seul un spécialiste de la science des instincts humains peut résoudre, comme Freud.

Einstein a raison lorsqu’il dit que la classe dirigeante actuelle a des écoles, la presse et, en général, aussi l’Église, sous son pouvoir qui permet d’organiser et de dominer les émotions des masses et d’en faire un instrument de la même minorité. Selon Althusser, à l’école, en plus de la lecture et de l’écriture, on apprend aussi les règles de “bonne conduite”, c’est-à-dire qu’on apprend à se soumettre à l’ordre dominant, à rendre les gens soumis par rapport à l’idéologie dominante [ALTHUSSER, Louis, Aparelhos ideológicos de estado (Appareils idéologiques d’État), 6e éd. Rio de Janeiro : Graal, 1985]. L’appareil idéologique de l’État (école, presse, église et médias en général) travaille les esprits. Le système des différentes églises, le système scolaire (tant public que privé), le système familial, le système judiciaire, le système politique, le système syndical, le système d’information et le système culturel font partie intégrante des appareils idéologiques d’État. Non seulement les écoles, la presse et l’Église collaborent avec les classes dirigeantes pour mettre la majorité de la population au service de la guerre. Dans la première moitié du XXe siècle, la radio a joué un rôle fondamental dans la mystification des masses par la propagande politique. Aujourd’hui, ce sont les réseaux sociaux et les médias en général qui jouent le rôle de mystificateur des masses par la propagande politique.

Einstein demande à Freud s’il est possible de contrôler l’évolution de l’esprit de l’homme, afin de le mettre à l’épreuve des psychoses de la haine et de la destructivité? Ici, Einstein ne se réfère pas seulement aux soi-disant masses sans instruction. Einstein affirme que l’expérience prouve que ce sont plutôt les soi-disant “Intelligentzia” qui sont les plus enclines à céder à ces suggestions collectives désastreuses. Einstein a demandé à Freud de présenter le problème de la paix mondiale à la lumière de ses découvertes les plus récentes, car une telle présentation pourrait bien ouvrir la voie à de nouvelles et fructueuses méthodes d’action.

Les réponses de Freud dans une lettre adressée à Einstein étaient les suivantes :

1.    Freud affirme que les guerres ne seront évitées avec certitude que si l’humanité s’unit pour établir une autorité centrale qui aura le droit d’arbitrer tous les conflits d’intérêts. Deux exigences distinctes y sont clairement impliquées : créer une instance suprême et la doter du pouvoir nécessaire. L’un sans l’autre ne servirait à rien. La Société des Nations est destinée à être une instance de ce genre, mais la seconde condition n’est pas remplie : la Société des Nations n’a pas de pouvoir propre et ne peut l’acquérir que si les membres de la nouvelle union, les différents États , sont prêts à le donner. Et il n’y a actuellement aucune idée que l’on espère exercera une telle autorité fédératrice. En réalité, il est trop évident que les idéaux nationaux, par lesquels les nations se gouvernent aujourd’hui, agissent en sens inverse.

Freud défend l’existence d’un organe suprême doté du pouvoir nécessaire, c’est-à-dire d’un Gouvernement Mondial qui aurait le droit d’arbitrer tous les conflits internationaux. La critique qu’il adresse à la Société des Nations qui a existé entre la 1ère et la 2ème guerre mondiale s’applique également à l’ONU créée après la 2ème guerre mondiale et qui est impuissante face aux conflits internationaux.

2.    Freud affirme qu’enflammant l’enthousiasme des hommes pour la guerre, on leur fait soupçonner qu’il existe en eux un instinct de haine et de destruction qui coopère avec les efforts des marchands de guerre. Freud croit à l’existence d’un instinct de cette nature qui, ces dernières années, s’est vraiment occupé d’étudier ses manifestations. Freud affirme que les instincts humains ne sont que de deux sortes : ceux qui tendent à se conserver et à s’unir — que nous appelons « érotiques », exactement dans le sens où Platon utilise le mot « éros » dans son Symposium, ou « sexuels », avec un élargissement délibéré de la conception populaire de la « sexualité » — ; et ceux qui ont tendance à détruire et à tuer, qu’il a regroupés comme un instinct agressif ou destructeur lorsque les êtres humains sont incités à la guerre, peuvent avoir toute une gamme de motifs pour se laisser emporter – certains nobles, certains vils, certains franchement déclarés, d’autres jamais mentionné. Cet instinct est à l’œuvre chez tout être vivant et cherche à l’anéantir, à réduire la vie à sa condition originelle de matière inanimée. Elle mérite donc, pour Freud, sérieusement, d’être appelée pulsion de mort, tandis que les pulsions érotiques représentent l’effort de vivre. L’instinct de mort devient l’instinct de destruction quand, à l’aide d’organes spéciaux, il est dirigé vers les objets. L’organisme conserve sa propre vie, pour ainsi dire, en détruisant la vie des autres. Selon Freud, une partie de la pulsion de mort reste cependant active au sein de l’organisme, qu’il a tenté d’attribuer à cette intériorisation de la pulsion de destruction de nombreux phénomènes normaux et pathologiques. Cela servirait de justification biologique à toutes les pulsions damnables et dangereuses contre lesquelles nous luttons.

Le point de vue de Freud est que la violence représente la domination de l’instinct animal que nous possédons. Ce n’est pas l’avis d’éminents penseurs tels que Raymond Aron (philosophe et sociologue français), Henry Bergson (philosophe et diplomate français, Carl Rogers (précurseur américain de la psychologie humaniste), Jean-Jaques Rousseau (écrivain et philosophe suisse) et Karl Marx (économiste, philosophe, historien et politologue allemand) qui considèrent que le comportement agressif des êtres humains résulte du contexte social. Cela expliquerait l’escalade de la criminalité et des guerres à toutes les époques du monde. la question suivante : la nature humaine est-elle innée ou est-ce un produit de l’environnement ou des deux ? Est-il génétiquement déterminé comme l’admet Freud ou par la société dans laquelle l’être humain vit ou les deux ? Pourquoi le monde devient-il chaque année plus violent ? Il y a une augmentation du nombre de conflits armés sur le globe, car les gens eux-mêmes sont plus violents. Quelle explication à cela ? Il n’est pas rare d’affirmer que depuis l’origine du monde, il y a toujours eu de la violence entre les êtres humains. Il sera difficile de trouver quelqu’un aujourd’hui qui ne croit pas cette affirmation. Et pourtant c’est faux. Aux débuts de l’humanité, il n’y avait pas de violence qui se manifeste aujourd’hui dans les relations entre individus et entre communautés humaines.

Selon Raymond Aron, aucun être humain, aucun peuple de cette époque lointaine n’aurait eu l’idée d’attaquer son semblable [ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações (Paix et guerre entre les nations). Editora Universidade de Brasília, 1962]. Ils ne pourraient pas non plus, par exemple, annexer la terre de leur voisin contre leur gré, par la force brutale. Il est difficile d’essayer d’établir un parallèle entre le mode de vie des êtres humains d’alors et l’humanité d’aujourd’hui. À cette époque, vivre en paix et en harmonie avec ses semblables était quelque chose d’aussi naturel pour les êtres humains que respirer, manger et dormir. Les êtres humains vivaient autrefois sur Terre, sans s’offenser ni se maltraiter, et encore moins se faire la guerre. Cela, cependant, c’était il y a très, très longtemps. Aucun enregistrement de cette époque n’est parvenu jusqu’à nos jours, il est donc supposé que cette situation n’existait pas.

Selon Raymond Aron, la vie de l’homme s’organisant en familles et en bandes, les conduites proprement belliqueuses pourraient nous sembler peu probables. La plupart des animaux se battent, mais rares sont les espèces qui pratiquent la guerre, entendue comme action collective et organisée. Aron affirme que l’homo sapiens est apparu il y a environ 600 000 ans. La révolution néolithique, l’agriculture régulière et l’élevage remontent à quelque 10 000 ans. Des civilisations ou sociétés complexes ont émergé il y a environ 6 000 ans. Cela signifie que la période dite historique représente un centième de la durée totale de l’existence de l’humanité sur la planète Terre. Selon Aron, aucun anthropologue n’a jamais trouvé de preuve que les hommes aient développé une organisation ou des tactiques de combat avant l’âge du bronze (3300 avant JC à 1300-700 avant JC). Il n’est donc pas surprenant que les premiers signes indiscutables d’armées et de guerre remontent à l’âge du bronze, qui est une période de civilisation au cours de laquelle s’est opéré le développement de cet alliage métallique issu du mélange du cuivre et de l’étain.

Aron affirme que, dans l’espèce humaine, les manifestations d’agressivité sont indissociables de la vie collective. Même lorsqu’il s’agit de la réaction d’un individu contre un autre, l’agressivité est influencée de plusieurs façons par le contexte social. L’émergence d’une existence proprement sociale n’est pas la seule cause des dimensions nouvelles que prend le phénomène de l’agressivité : la frustration et l’inadaptation qui conduisent l’individu à une réaction agressive constituent le fait le plus important des relations humaines. Aron défend la thèse selon laquelle la frustration est une expérience psychique, révélée par la conscience. Tous les individus ressentent des frustrations dès l’enfance. La frustration est d’abord l’expérience d’une privation, c’est-à-dire d’un bien désiré et non réalisé, d’une oppression douloureusement ressentie. La chaîne de causalité qui conduit aux émotions ou aux actes agressifs trouve toujours son origine dans un phénomène externe et non interne à l’individu. Il n’y a aucune preuve physiologique qu’il y ait une incitation spontanée à se battre, provenant de l’organisme propre de l’individu, comme l’affirme Freud. L’agressivité physique et le désir de détruire ne sont pas les seules réactions possibles à la frustration. La difficulté à maintenir la paix tient plus à l’humanité de l’homme qu’à son animalité.

Tout comme pour les premiers êtres humains l’idée de causer le moindre mal à son prochain serait inconcevable, aujourd’hui, cela sonne comme une illusion, un fantasme, l’idée d’un monde sans conflits, car nous considérons la violence comme un élément inhérent caractéristique des êtres humains. On peut se demander s’il n’y a pas eu une phase intermédiaire entre les nombreux millénaires au cours desquels l’homme a vécu sous la menace des bêtes sauvages et la période beaucoup plus courte au cours de laquelle la menace à sa sécurité a commencé à provenir d’autres hommes. Ce serait une époque où les hommes disposaient de moyens techniques suffisants pour se défendre contre les bêtes féroces et sans engagement dans la poursuite des richesses et des luttes de classes, des conquêtes et des dominions. Il a été démontré que les petites sociétés, sans instruments métalliques, isolées, ne présentent pas encore les traits caractéristiques des sociétés belliqueuses. Raymond Aron déclare dans son ouvrage Paix et guerre entre les nations que les biologistes appellent agressivité la propension d’un animal à en attaquer un autre de la même espèce ou d’une espèce différente. Dans la plupart des espèces (mais pas toutes), les individus se battent. Certains ne sont pas agressifs (c’est-à-dire qu’ils ne prennent pas l’initiative d’attaquer), mais se défendront lorsqu’ils seront attaqués. Chez les primates, les humains se situent au bas de l’échelle d’agressivité.

Henry Bergson, à son tour, affirme que l’origine de la violence et de la guerre est l’existence de la propriété, individuelle ou collective, et puisque l’humanité est prédestinée à la propriété, de par sa structure, la violence et la guerre seraient naturelles (BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French & European Pubns, 1976]. L’article de Sonia Maria Lima de Gusmão sous le titre A natureza humana segundo Freud e Rogers (La nature humaine selon Freud et Rogers) publié sur le site <https://encontroacp.com.br/textos/a-natureza-humana-segundo-freud-e-rogers/> montre que Carl Rogers a un point de vue opposé à celui de Freud, car il estime que c’est précisément dans un contexte coercitif, où l’individu ne peut pas s’épanouir, ou mieux, actualiser son potentiel, qui le rend hostile ou antisocial, sinon, nous n’avons rien à craindre, car son comportement aura tendance à être constructif. Rogers observe que lorsque l’homme est vraiment libre de devenir ce qu’il est au plus profond de son être, lorsqu’il est libre d’agir selon sa nature, en tant qu’être capable de percevoir les choses qui l’entourent, alors il se dirige clairement vers globalité et intégration.

L’article de Dalva par Fatima Fulgeri sous le titre Conceito de natureza em Rousseau (Concept de nature) chez Rousseau publié sur le site <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm> montre que J.J. Rousseau pensait que les guerres naissent, ou du moins s’étendent, avec l’expansion des collectivités et que l’inégalité des classes et la propriété individuelle sont liées aux guerres de conquête et de domination par les guerriers. Il ne pouvait en être autrement, puisque les unités politiques étaient forgées pour le combat et que le prix de la victoire était toujours la terre, les esclaves et les métaux précieux. Pour Marx, ce qui caractérise l’homme n’est pas seulement la rationalité, mais le fait qu’il est l’artisan de son propre développement. Les humains sont capables de changer le monde qui les entoure et, ce faisant, ils se changent eux-mêmes. L’article A Natureza do Homem Segundo Karl Marx (La nature de l’homme selon Karl Marx), publié sur le site <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>) informe que Marx a présenté une définition de l’essence de la nature humaine dans les Manuscrits philosophiques, caractérisant les êtres humains comme une activité libre et consciente, contrairement à la nature de l’animal. Marx affirme que les conflits sociaux résultent de la division de la société en classes avec l’émergence de la propriété privée remplaçant la propriété collective des moyens de production prévalant dans les sociétés primitives. Il ressort, de ce qui précède, que les grands penseurs analysés s’opposent à la thèse de Freud selon laquelle l’instinct animal destructeur, l’instinct de mort, est la cause des comportements violents chez l’être humain.

3.    Freud affirme qu’il ne sert à rien d’essayer d’éliminer les penchants agressifs des hommes. Si le désir de rejoindre la guerre est un effet de l’instinct destructeur, la recommandation la plus évidente sera de s’opposer à son antagoniste, Eros. Un exemple de l’inégalité innée et inamovible des hommes est leur tendance à se classer en deux types, les leaders et les suiveurs. Ces derniers constituent la grande majorité ; ils ont besoin d’une autorité pour décider à leur place et à laquelle, pour la plupart, ils vouent une soumission illimitée. Cela suggère qu’il faudrait accorder plus d’attention qu’on ne l’a fait jusqu’à présent à l’éducation de la couche supérieure d’hommes indépendants d’esprit, non sujets à l’intimidation et désireux de rester fidèles à la vérité, dont le souci est de diriger les masses dépendantes .

Freud considère que les penchants agressifs des hommes ne peuvent être éliminés. Il ne suggère que l’éducation des leaders à l’exclusion des suiveurs. Pour que les êtres humains aient un comportement constructif et soient capables de changer le monde qui les entoure, il est nécessaire d’éduquer chacun à la culture de la paix et de promouvoir des changements dans le contexte social qui contribuent à satisfaire les besoins humains, étant donné que les actes d’agressivité de l’homme ont toujours pour origine dans un phénomène externe et non interne à l’individu. Kant, le philosophe, entend ainsi l’éducation : développer dans l’individu toute la perfection dont il est susceptible, such is the essence of education. Pestalozzi, le pédagogue, dit : éduquer, c’est développer progressivement les facultés spirituelles de l’homme. John Locke, un grand précepteur, s’exprimait ainsi sur le sujet : éduquer, c’est rendre les esprits droits, disposés, en tout temps, à ne rien pratiquer qui ne soit conforme à la dignité et à l’excellence d’une créature sensible. Lessing, non moins illustre autorité, compare l’œuvre d’éducation à l’œuvre de révélation, et dit : l’éducation détermine et accélère le progrès et le perfectionnement de l’homme.

Pour ce qui précède, Einstein et Freud défendent l’existence d’un gouvernement mondial pour arbitrer les conflits internationaux. Einstein l’admet et Freud défend la thèse selon laquelle il existe chez l’être humain un instinct animal qui contribue à son agressivité. Contrairement à Einstein et Freud, Raymond Aron (philosophe et sociologue français), Henry Bergson (philosophe et diplomate français, Carl Rogers (précurseur américain de la psychologie humaniste), Jean-Jaques Rousseau (écrivain et philosophe suisse) et Karl Marx (économiste, philosophe et politologue allemand) défendent la thèse selon laquelle l’agressivité humaine résulte du environnement social dans lequel vivent les êtres humains.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

ANALYSIS OF EINSTEIN AND FREUD’S THOUGHT ON THE CAUSES OF WARS AND THE SOLUTIONS TO AVOID THEM

Fernando Alcoforado*

This article aims to analyze the thinking of Albert Einstein, the father of the Theory of Relativity, and Sigmund Freud, the father of Psychoanalysis, exposed in the letters exchanged between them in 1932, in the interregnum between the 1st and 2nd World War on the causes of wars and the solutions to avoid them. The content of these letters is contained in the website <https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1033690/mod_resource/content/1/Aula%2B026%2B-%2BFreud%2B%2BEinstein.pdf>. Albert Einstein asked Freud if there is any way to rid humanity of the threat of war and if it is possible to control the evolution of man’s mind so as to make him proof of the psychoses of hatred and destructiveness? In his letter to Freud, Einstein stated that all attempts to free humanity from the threat of war ended in regrettable failure, which is why he asked the father of Psychoanalysis to elucidate the problem with the help of his profound knowledge of man’s instinctive life. When asking Freud to analyze man’s instinctive life, Einstein seems to admit that violent human behavior results to a greater degree from his animal instinct and not from the social environment in which he lives.

The questions posed by Einstein in a letter addressed to Freud were the following:

1.    When dealing with the issue of wars, Einstein considered the need, through an international agreement, to structure a legislative and judicial body that could arbitrate any conflict. According to Einstein, “each nation would submit to obedience to the orders issued by that legislative body, to resort to its decisions in all disputes, to unrestrictedly accept its decisions and to put into practice all the measures that the court considered necessary for the execution of his decrees”. Einstein stated that, “Currently, however, we are far from having any competent supranational organization to issue judgments of undisputed authority and guarantee absolute compliance with the execution of its verdicts. Einstein considers that the pursuit of international security involves the unconditional renunciation, by all nations, to a certain extent, of their freedom of action, that is, their sovereignty. It is worth noting that in 1932 there was a supranational body, the League of Nations, which was supposed to mediate in international conflicts and failed by not preventing the outbreak of the 2nd World War.

Einstein’s thesis that the pursuit of international security involves the renunciation of national sovereignty is, however, mistaken because it could be possible to implement a world government representative of all the peoples of the world that would deal only with the mediation of international conflicts without interference in the internal affairs of each country whose sovereignty would be respected. The preservation of peace would be the first mission of every new form of world government. For this to happen, there must be a democratic governance of the world with a world government elected by all countries in the world. Its role would be to build the governance of the global economy and environment and the maintenance of world peace. Through it, the defense of the general interests of all the countries of the planet in terms of international relations would be pursued. A democratic world government would ensure that the sovereignty of each country is respected because it would act to prevent any country from intervening in the internal affairs of others, especially with military interventions. Contrary to what many people think, the existence of a world government would not be a threat to national sovereignty, on the contrary, it would guarantee that no country would intervene in the internal affairs of other countries.

In order to permanently remove new risks of a new world war and for perpetual peace to materialize on our planet, it would be necessary to reform the current international system, which is incapable of guaranteeing world peace. The UN, which was constituted after the 2nd World War, has been as inoperative as the League of Nations in the mediation of international conflicts that preceded it between the two Great Wars. The new international system should work based on a Planetary Social Contract that would be the Constitution of planet Earth in which the rules of international coexistence would be established. For the preparation of the Planetary Social Contract, there should be a convening of a Constituent World Assembly with the participation of representatives of all the countries of the world elected for this purpose. The Planetary Social Contract should establish the existence of a World Government whose president should be elected with more than 50% of votes of the World Parliament to be, also, constituted with elected representatives in the different countries of the world.

In addition to the World Government and the World Parliament, the World Supreme Court should also be constituted, which should be composed of high-level jurists from the world chosen by the World Parliament, who would act for a determined time. The World Supreme Court should judge cases that involve disputes between countries, crimes against humanity and against nature committed by national States and by rulers in the light of the Planetary Social Contract, judge conflicts that exist between the World Government and the World Parliament and act as guardian of the Planetary Social Contract. The new rule of international law would be enforced by the three constituted powers: World Government, World Parliament, and World Supreme Court. World power would rest with the World Government, the World Parliament and the World Supreme Court. The World Government will not have its own Armed Forces, having to rely on the support of the Armed Forces of the countries that would be summoned when necessary. With this proposed configuration for the democratic governance of the international system, no country would be a vassal, therefore, of the world government.

The World Government would act only to make the international system evolve in an environment of peace among nations. Each country must be sovereign to act within the limits of its territory and not to intervene in the internal affairs of other countries. What would not be accepted is any country intervening with the use of force in the internal affairs of other countries, as has happened throughout history. The World Government would be the guarantee of respect for the sovereignty of the countries of the world, especially the weakest ones. The absence of a World Government is what would pose a threat to the national sovereignty of most countries because they would be at the mercy of the strongest as has been the case throughout history. If any country jeopardizes the environment of peace between nations, intervening in the internal affairs of another country, the World Government would act to prevent the aggressor from consummating his purposes through diplomatic action or, in case of failure, even with the use of force. To this end, the World Government would summon the armed forces of certain countries to fulfill the role of preventing any country from intervening in another using force.  

2.    Einstein stated that there is no room for doubt that important psychological factors are at play that paralyze efforts aimed at ending wars. Some of these factors, according to Einstein, are easier to detect because the intense desire for power, which characterizes the ruling class in every nation, is hostile to any limitation of its national sovereignty.

Einstein is absolutely correct, because the great powers oppose any limitation of their national sovereignty in order to be able to act without limitations in their imperialist actions on weaker countries. Einstein is correct in stating that a small but determined group existing in each nation, composed of individuals, are indifferent to social conditions and controls, because they consider war, the manufacture and sale of weapons simply as an opportunity to expand their personal interests and expand your personal authority. This is the case of the United States, which benefits most economically from armed confrontations, since the largest arms exporters in the world are North American. In addition to the sale of ammunition and weapons, the United States also monetizes with security contracts and military training, which makes many members of the US Congress understand wars as a job and money machine for the country. Peace, for the United States, could cost it dearly.

3.    Einstein asks: how is it possible for the small flock that governs a country to bend the will of the majority, who are resigned to losing and suffering in a war situation, at the service of the ambition of a few? When speaking of the majority, Einstein does not exclude soldiers, of all graduations, who chose war as a profession, in the belief that they are serving the defense of the highest interests of their race and that the attack is often the best means of defense. According to Einstein, it seems that an obvious answer to this question would be that the minority, the current ruling class, has the schools, the press and, generally, also the Church, under its power that makes it possible to organize and dominate the emotions of the masses and make them instrument of the same minority. Einstein also asks: how do these mechanisms manage so well to awaken in men an extreme enthusiasm, to the point of sacrificing their lives? Einstein thinks there can be only one answer because man contains within himself a desire for hatred and destruction. In normal times this passion exists in a latent state, it emerges only under abnormal circumstances; it is, however, relatively easy to awaken it and raise it to the potency of collective psychosis. Einstein affirms that, perhaps, this is the crux of the whole complex of factors that we are considering, an enigma that only a specialist in the science of human instincts can solve, like Freud.

Einstein is right when he says that the current ruling class has schools, the press and, generally, also the Church, under its power that makes it possible to organize and dominate the emotions of the masses and make them an instrument of the same minority. According to Althusser, in school, in addition to reading and writing, the rules of “good behavior” are also learned, that is, one learns to be submissive to the prevailing order, making people submissive in relation to the dominant ideology [ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de estado (Ideological state apparatuses). 6th Ed.  Rio de Janeiro: Graal, 1985]. The state’s ideological apparatus (school, press, church and the media in general) work on people’s minds. The system of different churches, the school system (both public and private), the family system, the legal system, the political system, the trade union system, the information system and the cultural system are integral parts of the ideological state apparatuseso. Not only schools, the press and the Church collaborate with the ruling classes to place the majority of the population at the service of war. In the first half of the 20th century, radio played a fundamental role in the mystification of the masses by political propaganda. Today, it is social networks and the media in general that play the role of mystifying the masses through political propaganda.  

Einstein asks Freud if it is possible to control the evolution of man’s mind, in order to make him proof of the psychoses of hate and destructiveness? Here, Einstein is not referring only to the so-called uneducated masses. Einstein claims that experience proves that it is rather the so-called ‘Intelligentsia’ that are most inclined to give in to these disastrous collective suggestions. Einstein asked Freud to present the problem of world peace in the light of his most recent discoveries, as such a presentation could well pave the way for new and fruitful methods of action.

Freud’s responses in a letter addressed to Einstein were as follows:

1.    Freud states that wars will only be avoided with certainty if humanity unites to establish a central authority, which will be given the right to arbitrate all conflicts of interest. Two distinct requirements are clearly involved in this: creating a supreme instance and endowing it with the necessary power. One without the other would be useless. The League of Nations is intended to be an instance of this kind, but the second condition has not been fulfilled: the League of Nations has no power of its own, and can acquire it only if the members of the new union, the different states, are willing to give it away. And there is currently no idea that one hopes will exercise such unifying authority. In reality, it is all too evident that the national ideals, by which nations govern themselves today, act in the opposite direction.

Freud defends the existence of a supreme body endowed with the necessary power, that is, a world government that would be given the right to arbitrate all international conflicts. The criticism he made of the League of Nations that existed between the 1st and 2nd World War also applies to the UN created after the 2nd World War and which is powerless to deal with international conflicts.

2.    Freud states that inflaming men’s enthusiasm for war introduces the suspicion that there is an instinct for hatred and destruction in them that cooperates with the efforts of war merchants. Freud believes in the existence of an instinct of this nature which, during the last few years, has really been occupied with studying its manifestations. Freud claims that human instincts are of only two kinds: those that tend to preserve and unite — which we call ‘erotic’, in exactly the same sense in which Plato uses the word ‘Eros’ in his Symposium, or ‘sexuals’, with a deliberate broadening of the popular conception of ‘sexuality’—; and those who tend to destroy and kill, which he grouped together as an aggressive or destructive instinct when human beings are incited to war, may have a whole range of motives for getting carried away – some noble, some vile, some frankly declared, others never mentioned. This instinct is at work in every living creature and seeks to bring it to annihilation, to reduce life to its original condition of inanimate matter. Therefore, for Freud, it deserves, in all seriousness, to be called the death instinct, while the erotic instincts represent the effort to live. The death instinct becomes the destructive instinct when, with the help of special organs, it is directed outward towards objects. The organism preserves its own life, so to speak, by destroying the life of others. According to Freud, a part of the death instinct, however, remains active within the organism, which he has tried to attribute numerous normal and pathological phenomena to this internalization of the destruction instinct. This would serve as a biological justification for all the damnable and dangerous impulses we fight against.

Freud’s view is that violence represents the dominance of the animal instinct that we possess. This is not the opinion of eminent thinkers such as Raymond Aron (French philosopher and sociologist), Henry Bergson (French philosopher and diplomat, Carl Rogers (American precursor of humanistic psychology), Jean-Jaques Rousseau (Swiss writer and philosopher) and Karl Marx (German economist, philosopher, historian and political scientist) who consider that the aggressive behavior of human beings results from the social context. This would explain the escalation of criminality and wars in all times around the world. For millennia, scientists and philosophers have raised the following question: Is it genetically determined as Freud admits or by the society where the human being lives or both? Why does the world become more violent every year? there is an increase in the number of armed conflicts on the globe, as people themselves are more violent. What is the explanation for this? It is not uncommon to affirm that since the world began, there has always been violence between human beings. It will be difficult to find anyone today who does not believe this statement. And yet it is false. In the beginnings of humanity there was no violence that manifests itself today in relations between individuals and between human communities.

According to Raymond Aron, no human being, no people from that distant time would have had the idea of attacking their fellow man [ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações (Peace and War among Nations). Editora Universidade de Brasília, 1962]. Nor would they be able, for example, to annex their neighbor’s land against their will, through brute force. It is difficult to try to establish a parallel between the way of life of human beings back then and humanity today. At that time, living in peace and harmony with your fellow human beings was something as natural to human beings as breathing, eating and sleeping. Human beings once lived on Earth, without offending or mistreating each other, much less warring with each other. That, however, was a long, long time ago. No record from that time has come down to the present day, so it is assumed that this situation did not exist.

According to Raymond Aron, as man’s life is organized into families and bands, the less probable conducts that are properly bellicose might seem to us. Most animals fight, but rare are the species that practice war, understood as collective and organized action. Aron claims that homo sapiens appeared about 600,000 years ago. The Neolithic revolution, regular agriculture and animal husbandry date back some 10,000 years. Complex civilizations or societies emerged about 6,000 years ago. This means that the so-called historical period represents one hundredth of the total duration of humanity’s existence on planet Earth. According to Aron, no anthropologist has ever found any evidence that men developed an organization or combat tactics before the Bronze Age (3300 BC to 1300-700 BC). It is not surprising, therefore, that the first indisputable signs of armies and war date back to the Bronze Age, which is a period of civilization in which the development of this metal alloy resulting from the mixture of copper and tin took place.

Aron states that, in the human species, manifestations of aggressiveness are inseparable from collective life. Even when it comes to the reaction of one individual against another, aggressiveness is influenced in many ways by the social context. The emergence of a properly social existence was not the only cause of the new dimensions that the phenomenon of aggressiveness assumed: the frustration and inadaptation that lead the individual to an aggressive reaction constitute the most important fact in human relationships. Aron defends the thesis that frustration is a psychic experience, revealed by consciousness. All individuals feel frustrations from childhood. Frustration is first and foremost the experience of deprivation, that is, a good desired and not achieved, an oppression painfully felt. The chain of causality that leads to emotions or aggressive acts always originates in an external phenomenon and not internally to the individual. There is no physiological proof that there is a spontaneous incitement to fight, originating in the individual’s own organism, as stated by Freud. Physical aggression and the desire to destroy is not the only possible reaction to frustration. The difficulty in maintaining peace is more related to man’s humanity than to his animality.

Just as for the first human beings the idea of causing any harm to your fellow man would be inconceivable, today, it sounds like an illusion, fantasy, the idea of a world without conflicts, because we consider violence as an inherent characteristic of human beings. One can speculate whether there might not have been an intermediate phase between the many millennia during which man lived under the threat of wild beasts and the much shorter period in which the threat to his safety began to originate in other men. It would be a time when men had sufficient technical means for defense against wild beasts and without engagement in the pursuit of riches and class struggles, conquests and dominions. It has been demonstrated that small societies, without metallic instruments, isolated, still do not show characteristic traits of bellicose societies. Raymond Aron states in his work Peace and War among Nations that biologists call aggressiveness the propensity of an animal to attack another of the same or different species. In most (but not all) species, individuals fight each other. Some are not aggressive (that is, they do not take the initiative to attack), but will defend themselves when attacked. Among primates, humans are at the bottom of the aggressiveness scale.

Henry Bergson, in turn, states that the origin of violence and war is the existence of property, individual or collective, and since humanity is predestined to property, by its structure, violence and war would be natural (BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French & European Pubns, 1976). The article by Sonia Maria Lima de Gusmão under the title A natureza humana segundo Freud e Rogers (Human nature according to Freud and Rogers) posted on the website <https://encontroacp.com.br/textos/a-natureza-humana-segundo-freud-e-rogers/> shows that Carl Rogers has an opposite view to that of Freud, because he believes that it is precisely in a coercive context, where the individual cannot expand, or better, update his potential, that makes him hostile or antisocial, otherwise, nothing we have to fear, because his behavior will tend to be constructive. Rogers observes that when man is truly free to become what he is in the depths of his being, when he is free to act according to his nature, as a being capable of perceiving the things that surround him, then he , is clearly heading towards globality and integration. 

Dalva’s article by Fatima Fulgeri under the title Conceito de natureza em Rousseau (Concept of nature in Rousseau) posted on the website <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm> shows that J.J. Rousseau thought that wars arise, or at least expand, with the expansion of collectivities and that class inequality and individual property are linked to wars of conquest and domination by warriors. It could not be otherwise, since political units were forged for combat and the price of victory was always land, slaves and precious metals. For Marx, what characterizes man is not just rationality, but the fact that he is the architect of his own development. Humans are capable of changing the world around them, and in doing so, they change themselves. The article A Natureza do Homem Segundo Karl Marx (The Nature of Man According to Karl Marx), posted on the website <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>) informs that Marx presented a definition of the essence of human nature in the Philosophical Manuscripts, characterizing human beings as free and conscious activity, in contrast to the nature of the animal. Marx states that social conflicts result from the division of society into classes with the emergence of private property replacing the collective ownership of the means of production prevailing in primitive societies. It appears, from the above, that the great thinkers analyzed are opposed to Freud’s thesis that the destructive animal instinct, the death instinct, is the cause of violent behavior in human beings.

3.    Freud states that there is no point in trying to eliminate men’s aggressive inclinations. If the desire to join the war is an effect of the destructive instinct, the most obvious recommendation will be to oppose its antagonist, Eros. An example of men’s innate and irremovable inequality is their tendency to classify themselves into two types, leaders and followers. The latter constitute the vast majority; they need an authority to make decisions for them and to which, for the most part, they devote unlimited submission. This suggests that more attention should be given than has hitherto been given to the education of the upper stratum of men who are independent-minded, not amenable to intimidation, and desirous of holding true to the truth, whose concern is to direct the dependent masses.

Freud considers that men’s aggressive inclinations cannot be eliminated. He only suggests the education of leaders to the exclusion of followers. To make human beings have constructive behavior and be able to change the world around them, it is necessary to educate everyone with the culture of peace and promote changes in the social context that contribute to satisfy human needs, given that acts of man’s aggressiveness always originate in an external phenomenon and not internally to the individual. Kant, the philosopher, thus understands education: to develop in the individual all the perfection of which he is susceptible, such is the finality of education. Pestalozzi, the pedagogue, says: to educate is to progressively develop man’s spiritual faculties. John Locke, a great preceptor, expressed himself in this way on the subject: to educate is to make spirits straight, disposed, at all times, not to practice anything that is not in accordance with the dignity and excellence of a sensible creature. Lessing, no less illustrious authority, compares the work of education to the work of revelation, and says: education determines and accelerates the progress and perfection of man.

For the above, Einstein and Freud defend the existence of a world government to mediate international conflicts. Einstein admits it and Freud defends the thesis that there is an animal instinct in human beings that contributes to their aggressiveness. Unlike Einstein and Freud, Raymond Aron (French philosopher and sociologist), Henry Bergson (French philosopher and diplomat, Carl Rogers (American forerunner of humanistic psychology), Jean-Jaques Rousseau (Swiss writer and philosopher) and Karl Marx (economist, German philosopher and political scientist) defend the thesis that human aggressiveness results from the social environment in which human beings live. In order for human beings to behave constructively and be able to change the world around them, it is necessary to educate everyone with a culture of peace and promote changes in the social environment that contribute to satisfying human needs, given that acts of man’s aggressiveness always originate in an external phenomenon and not internally to the individual.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).  

ANÁLISE DO PENSAMENTO DE EINSTEIN E FREUD SOBRE AS CAUSAS DAS GUERRAS E AS SOLUÇÕES PARA EVITÁ-LAS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo analisar o pensamento de Albert Einstein, o pai da Teoria da Relatividade, e o de Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, expostos nas cartas trocadas entre eles em 1932, no interregno entre a 1ª e 2ª Guerra Mundial sobre as causas das guerras e as soluções para evitá-las. O conteúdo dessas cartas está contido no website <https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1033690/mod_resource/content/1/Aula%2B026%2B-%2BFreud%2B%2BEinstein.pdf>. Albert Einstein perguntou a Freud se existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra e se é possível controlar a evolução da mente do homem, de modo a torná-lo à prova das psicoses do ódio e da destrutividade? Em sua carta a Freud, Einstein afirmou que todas as tentativas de livrar a humanidade da ameaça de guerra terminaram em lamentável fracasso razão pela qual solicitou que o pai da Psicanálise elucidasse o problema mediante o auxílio do seu profundo conhecimento sobre a vida instintiva do homem.  Ao solicitar a Freud que analisasse a vida instintiva do homem, Einstein parecia admitir que o comportamento violento humano resulta em maior grau de seu instinto animal e não do ambiente social onde ele vive.

As questões colocadas por Einstein em carta endereçada a Freud foram as seguintes:

1.    Ao tratar da problemática das guerras, Einstein considerou a necessidade de, por meio de acordo internacional, ser estruturado um organismo legislativo e judiciário que possa arbitrar todo conflito. Segundo Einstein, “cada nação submeter-se-ia à obediência às ordens emanadas desse organismo legislativo, a recorrer às suas decisões em todos os litígios, a aceitar irrestritamente suas decisões e a pôr em prática todas as medidas que o tribunal considerasse necessárias para a execução de seus decretos”. Einstein afirmou que, “atualmente, porém, estamos longe de possuir qualquer organização supranacional competente para emitir julgamentos de autoridade incontestável e garantir absoluto acatamento à execução de seus veredictos. Einstein considera que a busca da segurança internacional envolve a renúncia incondicional, por todas as nações, em determinada medida, à sua liberdade de ação, ou seja, à sua soberania. É oportuno observar que em 1932 havia um organismo supranacional, a Liga das Nações, que deveria mediar os conflitos internacionais e fracassou ao não impedir a eclosão da 2ª Guerra Mundial. 

A tese de Einstein de que a busca da segurança internacional envolve a renúncia à soberania nacional é, entretanto, equivocada porque poder-se-ia implantar um governo mundial representativo de todos os povos do mundo que trataria apenas da mediação de conflitos internacionais sem a ingerência nos assuntos internos de cada país cuja soberania seria respeitada. A preservação da paz deveria ser a primeira missão de toda nova forma de governo mundial. Para que isto aconteça, é preciso que exista uma governabilidade democrática do mundo com um governo mundial eleito por todos os países do mundo. Seu papel seria o de construir a governabilidade da economia e do meio ambiente global e a manutenção da paz mundial. Por seu intermédio, seria perseguida a defesa dos interesses gerais de todos os países do planeta no plano das relações internacionais. Um governo democrático mundial zelaria no sentido de que seja respeitada a soberania de cada país porque atuaria no sentido de evitar que qualquer país intervenha nos assuntos internos de outros, sobretudo com intervenções militares. Ao contrário do que muitos pensam, a existência de um governo mundial não seria uma ameaça à soberania nacional sendo, pelo contrário, a garantia de que nenhum país interviria nos assuntos internos de outros países.  

Para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que se concretize a paz perpétua em nosso planeta, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial. A ONU, que foi constituída após a 2ª Guerra Mundial, tem se mostrado tão inoperante quanto a Liga das Nações na mediação de conflitos internacionais que a precedeu entre as duas Grandes Guerras. O novo sistema internacional deveria funcionar com base em um Contrato Social Planetário que seria a Constituição do planeta Terra na qual seriam estabelecidas as regras da convivência internacional. Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer a existência de um Governo Mundial cujo presidente deveria ser eleito com mais de 50% de votos do Parlamento Mundial a ser, também, constituído com representantes eleitos nos diversos países do mundo.

Além do Governo Mundial e do Parlamento Mundial, deveria ser constituida, também, a Corte Suprema Mundial que deveria ser composta por juristas de alto nível do mundo escolhido pelo Parlamento mundial os quais atuariam por tempo determinado. A Corte Suprema Mundial deveria julgar os casos que envolvam litígios entre os países, os crimes contra a humanidade e contra a natureza praticados por Estados nacionais e por governantes à luz do Contrato Social Planetário, julgar conflitos que existam entre o Governo Mundial e o Parlamento Mundial e atuar como guardiã do Contrato Social Planetário. O novo estado de direito internacional seria executado pelos três poderes constituídos: Governo Mundial, Parlamento Mundial e Corte Suprema Mundial. O poder mundial repousaria no Governo Mundial, no Parlamento Mundial e na Corte Suprema Mundial. O Governo Mundial não terá Forças Armadas próprias devendo contar com o respaldo de Forças Armadas dos países que seriam convocadas quando necessário. Com esta configuração proposta para a governança democrática do sistema internacional, nenhum país seria vassalo, portanto, do governo mundial.

O governo mundial atuaria apenas para fazer com que o sistema internacional evolua em um ambiente de paz entre as nações. Cada país deve ser soberano para atuar nos limites de seu território e não para intervir nos assuntos internos de outros países. O que não seria admitido é qualquer país intervir com o uso da força nos assuntos internos de outros países como tem acontecido ao longo da história. O governo mundial seria a garantia do respeito à soberania dos países do mundo, especialmente dos mais fracos. A ausência de um governo mundial é que representaria uma ameaça à soberania nacional da maioria dos países porque ficariam à mercê dos mais fortes como tem ocorrido ao longo da história. Se qualquer país comprometer o ambiente de paz entre as nações, intervindo nos assuntos internos de outro país, o governo mundial atuaria para impedir que o agressor consuma seus propósitos através de ação diplomática ou, em caso de insucesso, inclusive com o uso da força. Para tanto, o governo mundial convocaria as forças armadas de determinados países para cumprirem o papel de impedir que qualquer país intervenha em outro fazendo uso da força.     

2.    Einstein afirmou que não há lugar à dúvida de que estão em jogo fatores psicológicos de peso que paralisam os esforços visando o fim das guerras. Alguns desses fatores, segundo Einstein, são mais fáceis de detectar porque o intenso desejo de poder, que caracteriza a classe governante em cada nação, é hostil a qualquer limitação de sua soberania nacional.

Einstein está absolutamente correto, porque as grandes potências se opõem a qualquer limitação de sua soberania nacional para poderem agir sem limitações em suas ações imperialistas sobre os países mais fracos. Einstein está correto ao afirmar que grupo reduzido, porém decidido, existente em cada nação, composto de indivíduos são indiferentes às condições e aos controles sociais, porque consideram a guerra, a fabricação e venda de armas simplesmente como uma oportunidade de expandir seus interesses pessoais e ampliar sua autoridade pessoal. Este é o caso dos Estados Unidos que mais se beneficiam economicamente de confrontos armados, já que as maiores exportadoras de armas do mundo são norte-americanas. Para além da venda de munição e armas, os Estados Unidos monetiza, também, com contratos de segurança e treinamento militar, o que faz com que muitos membros do Congresso estadunidense entendam as guerras como uma máquina de emprego e dinheiro para o país. A paz, para os Estados Unidos, poderia lhe custar muito caro.

3.    Einstein pergunta: como é possível a essa pequena súcia que governa um país conseguir dobrar a vontade da maioria, que se resigna a perder e a sofrer com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos? Ao falar em maioria, Einstein não exclui os soldados, de todas as graduações, que escolheram a guerra como profissão, na crença de que estejam servindo à defesa dos mais altos interesses de sua raça e de que o ataque seja, muitas vezes, o melhor meio de defesa. Segundo Einstein, parece que uma resposta óbvia a essa pergunta seria que a minoria, a classe dominante atual, possui as escolas, a imprensa e, geralmente, também a Igreja, sob seu poderio que possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria. Einstein pergunta ainda: como esses mecanismos conseguem tão bem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de estes sacrificarem suas vidas? Einstein acha que pode haver apenas uma resposta porque o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apenas em circunstâncias anormais; é, contudo, relativamente fácil despertá-la e elevá-la à potência de psicose coletiva. Einstein afirma que, talvez aí esteja o ponto crucial de todo o complexo de fatores que estamos considerando, um enigma que só um especialista na ciência dos instintos humanos pode resolver, como Freud.   

Einstein está certo ao afirmar que a classe dominante atual possui as escolas, a imprensa e, geralmente, também a Igreja, sob seu poderio que possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria. Segundo Althusser, na escola, além de ler e escrever, são aprendidas também as regras do “bom comportamento”, ou seja, aprende-se a ser submisso à ordem vigente, fazendo com que as pessoas sejam submissas em relação à ideologia dominante (ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de estado. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985). Os aparelhos ideológicos de estado (escola, imprensa, igreja e a mídia em geral), trabalham sobre a mente das pessoas. O sistema de diferentes igrejas, o sistema escolar (tanto público quanto privado), o sistema familiar, o sistema jurídico, o sistema político, o sistema sindical, o sistema de informação e o sistema cultural são integrantes dos aparelhos ideológicos de estado. Não apenas as escolas, a imprensa e a Igreja colaboram com as classes dominantes para colocar a maioria da população a serviço da guerra. Na primeira metade do século XX, o radio exerceu um papel fundamental na mistificação das massas pela propaganda política. Hoje, são as redes sociais e a mídia em geral que cumprem o papel de mistificação das massas pela propaganda política.

Einstein pergunta a Freud se é possível controlar a evolução da mente do homem, de modo a torná-lo à prova das psicoses do ódio e da destrutividade? Aqui, Einstein não está se referindo tão-somente às chamadas massas incultas. Einstein afirma que a experiência prova que é, antes, a chamada ‘Intelligentzia’ a mais inclinada a ceder a essas desastrosas sugestões coletivas. Einstein solicitou a Freud que apresentasse o problema da paz mundial sob o enfoque das suas mais recentes descobertas, pois uma tal apresentação bem poderia demarcar o caminho para novos e frutíferos métodos de ação.

As respostas de Freud em carta endereçada para Einstein foram as seguintes:

1.    Freud afirma que as guerras somente serão evitadas com certeza, se a humanidade se unir para estabelecer uma autoridade central a quem será conferido o direito de arbitrar todos os conflitos de interesses. Nisto estão envolvidos claramente dois requisitos distintos: criar uma instância suprema e dotá-la do necessário poder. Uma sem a outra seria inútil. A Liga das Nações é destinada a ser uma instância dessa espécie, mas a segunda condição não foi preenchida: a Liga das Nações não possui poder próprio, e só pode adquiri-lo se os membros da nova união, os diferentes estados, se dispuserem a cedê-lo. E atualmente não existe ideia alguma que, espera-se, venha a exercer uma autoridade unificadora dessa espécie. Na realidade, é por demais evidente que os ideais nacionais, pelos quais as nações se regem nos dias de hoje, atuam em sentido oposto.

Freud defende a existência de uma instância suprema dotada do necessário poder, isto é, um governo mundial a quem seria conferido o direito de arbitrar todos os conflitos internacionais. A crítica que ele fez à Liga das Nações que existiu entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial se aplica, também, à ONU criada depois da 2ª Guerra Mundial e que se mostra impotente para lidar com os conflitos internacionais.

2.    Freud afirma que inflamar nos homens o entusiasmo pela guerra insere a suspeita de que neles existe um instinto de ódio e de destruição que coopera com os esforços dos mercadores da guerra. Freud acredita na existência de um instinto dessa natureza que, durante os últimos anos, tem se ocupado realmente em estudar suas manifestações. Freud afirma que os instintos humanos são de apenas dois tipos: aqueles que tendem a preservar e a unir — que denominamos ‘eróticos’, exatamente no mesmo sentido em que Platão usa a palavra ‘Eros’ em seu Symposium, ou ‘sexuais’, com uma deliberada ampliação da concepção popular de ‘sexualidade’ —; e aqueles que tendem a destruir e matar, os quais ele agrupou como instinto agressivo ou destrutivo quando os seres humanos são incitados à guerra, podem ter toda uma gama de motivos para se deixarem levar — uns nobres, outros vis, alguns francamente declarados, outros jamais mencionados. Esse instinto está em atividade em toda criatura viva e procura levá-la ao aniquilamento, reduzir a vida à condição original de matéria inanimada. Portanto, para Freud, merece, com toda seriedade, ser denominado instinto de morte, ao passo que os instintos eróticos representam o esforço de viver. O instinto de morte torna-se instinto destrutivo quando, com o auxílio de órgãos especiais, é dirigido para fora, para objetos. O organismo preserva sua própria vida, por assim dizer, destruindo uma vida alheia. Segundo Freud, uma parte do instinto de morte, contudo, continua atuante dentro do organismo, que ele tem procurado atribuir numerosos fenômenos normais e patológicos a essa internalização do instinto de destruição. Isto serviria de justificação biológica para todos os impulsos condenáveis e perigosos contra os quais lutamos.

A visão de Freud é a de que a violência representa o predomínio do instinto animal que possuímos. Esta não é a opinião de eminentes pensadores como Raymond Aron (filósofo e sociólogo francês), Henry Bergson (filósofo e diplomata francês), Carl Rogers (norte-americano precursor da psicologia humanista), Jean-Jaques Rousseau (escritor e filósofo suíço) e Karl Marx (economista, filósofo, historiador e cientista político alemão) que consideram que o comportamento agressivo do ser humano resulta do contexto social. Isto explicaria a escalada da criminalidade e das guerras em todas as épocas em todo o mundo. Há milênios cientistas e filósofos levantam a seguinte questão: a natureza humana é inata ou é produto do ambiente ou de ambos? É determinada geneticamente como admite Freud ou pela sociedade onde vive o ser humano ou por ambos? Por que o mundo se torna mais violento a cada ano? Não apenas se verifica um aumento do número de conflitos armados no globo, como as próprias pessoas estão mais violentas. Qual a explicação para isso? Não é incomum a afirmativa de que desde que o mundo é mundo, sempre existiu a violência entre os seres humanos. Será difícil encontrar alguém hoje que não acredite nesta afirmativa. E, no entanto, ela é falsa. Nos primórdios da humanidade não havia a violência que se manifesta hoje nas relações entre os indivíduos e entre as comunidades humanas.   

Segundo Raymond Aron, nenhum ser humano, nenhum povo daquele tempo longínquo teria tido a ideia de agredir um seu semelhante (ARON, Raymond. Paz e Guerra entre as Nações. Editora Universidade de Brasília, 1962). Nem sequer, eles seriam capazes de, por exemplo, anexar terras do seu vizinho contra a sua vontade, por meio da força bruta. É difícil tentar estabelecer um paralelo entre o modo de vida dos seres humanos daquela época com a humanidade de hoje. Naquela época, o viver em paz e harmonia com os seus semelhantes era para os seres humanos algo tão natural como respirar, comer e dormir. Seres humanos já viveram na Terra, sem se ofenderem ou se maltratarem uns aos outros, muito menos guerrearem entre si. Isso, contudo, foi há muito, muito tempo. Nenhum registro dessa época chegou até o presente e, por isso, é suposto que esta situação não tenha existido.

Segundo Raymond Aron, à medida que a vida do homem se organiza em famílias e em bandos, menos prováveis nos poderiam parecer as condutas propriamente belicosas. A maior parte dos animais luta, mas são raras as espécies que praticam a guerra, entendida como ação coletiva e organizada. Aron afirma que a o homo sapiens surgiu há cerca de 600.000 anos. A revolução neolítica, a agricultura regular e a criação de animais datam de uns 10.000 anos. As civilizações ou sociedades complexas surgiram há cerca de 6.000 anos. Isto significa dizer que o período denominado histórico representa um centésimo da duração total da existência da humanidade no planeta Terra. Segundo Aron, nenhum antropólogo encontrou jamais qualquer prova de que os homens tivessem elaborado uma organização ou uma tática de combate antes da idade Idade do Bronze (3300 a.C. a 1300-700 a.C.). Não surpreende, pois, que os primeiros indícios incontestáveis dos exércitos e da guerra datem da Idade do Bronze que é um período da civilização no qual ocorreu o desenvolvimento desta liga metálica resultante da mistura de cobre com estanho.  

Aron afirma que, na espécie humana, as manifestações de agressividade são inseparáveis da vida coletiva. Mesmo quando se trata da reação de um indivíduo contra outro, a agressividade é influenciada, de muitos modos, pelo contexto social. O surgimento de uma existência propriamente social não foi a única causa das novas dimensões que assumiu o fenômeno da agressividade: a frustação e a inadaptação que levam o indivíduo à reação agressiva constituem o fato mais importante nas relações humanas. Aron é defensor da tese de que a frustação é uma experiência psíquica, revelada pela consciência. Todos os indivíduos sentem frustações desde a infância. A frustação é antes de mais nada a experiência de uma privação, isto é, um bem desejado e não alcançado, uma opressão sentida penosamente. A cadeia de causalidade que leva às emoções ou aos atos de agressividade se origina sempre em um fenômeno externo e não internamente ao indivíduo. Não há prova fisiológica que haja uma incitação espontânea à luta, originada no próprio organismo do indivíduo como afirma Freud. A agressão física e a vontade de destruir não constituem a única reação possível à frustração. A dificuldade em manter a paz está mais relacionada à humanidade do homem do que à sua animalidade.

Assim como para os primeiros seres humanos seria inconcebível a ideia de causar qualquer dano ao seu semelhante, hoje, soa como ilusão, fantasia, a ideia de um mundo sem conflitos, por considerarmos a violência como uma característica inerente ao ser humano. Pode-se especular se não teria havido uma fase intermediária entre os muitos milênios durante os quais o homem viveu sob a ameaça das feras e o período, bem mais curto, em que a ameaça a sua segurança passou a se originar em outros homens. Seria uma época em que os homens possuíam meios técnicos suficientes para a defesa contra as feras e sem engajamento na busca das riquezas e nas lutas de classes, nas conquistas e nos domínios. Está demonstrado que sociedades pequenas, sem instrumentos metálicos, isoladas, ainda não mostram traços característicos das sociedades belicosas. Raymond Aron afirma em sua obra Paz e Guerra entre as Nações que os biólogos chamam de agressividade a propensão de um animal a atacar outro da mesma espécie ou espécie diferente. Na maior parte das espécies (mas não em todas) os indivíduos lutam entre sí. Alguns não são agressivos (isto é, não tomam a iniciativa do ataque), mas se defendem quando são atacados. Entre os primatas, o homem se situa na parte inferior da escala de agressividade.

Henry Bergson, por sua vez, afirma que a origem da violência e da guerra é a existência da propriedade, individual ou coletiva, e como a humanidade está predestinada à propriedade, pela sua estrutura, a violência e a guerra seria natural (BERGSON, Henry. Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. French & European Pubns, 1976). O artigo de Sonia Maria Lima de Gusmão sob o título A natureza humana segundo Freud e Rogers postado no website <https://encontroacp.com.br/textos/a-natureza-humana-segundo-freud-e-rogers/> mostra que Carl Rogers tem uma visão oposta à de Freud, pois ele acredita que é justamente em um contexto coercitivo, onde o indivíduo não pode expandir-se, ou melhor, atualizar o seu potencial, que o torna hostil ou antissocial, caso contrário, nada temos a temer, pois, seu comportamento tenderá a ser construtivo. Rogers observa que, quando o homem é, verdadeiramente, livre para tornar-se o que ele é no mais fundo de seu ser, quando é livre para agir conforme sua natureza, como um ser capaz de perceber as coisas que o cercam, então ele, nitidamente, se encaminha para a globalidade e a integração.

O artigo de Dalva de Fatima Fulgeri sob o título Conceito de natureza em Rousseau postado no website <http://www.paradigmas.com.br/parad12/p12.6.htm> mostra que J.J. Rousseau pensava que as guerras surgem, ou pelo menos se ampliam, com a expansão das coletividades e que a desigualdade de classe e a propriedade individual estão ligadas às guerras de conquista e ao domínio pelos guerreiros. Não poderia ser diferente, uma vez que as unidades políticas foram forjadas para o combate e o preço da vitória foi sempre a terra, escravos e metais preciosos. Para Marx, o que caracteriza o homem não é apenas a racionalidade, mas o fato de ser o artífice do seu próprio desenvolvimento. Os seres humanos são capazes de mudar o mundo ao seu redor e, fazendo isso, mudam a si mesmos. O artigo A Natureza do Homem Segundo Karl Marx, postado no website <http://nomosofia.blogspot.com.br/2011/10/natureza-do-homem-segundo-karl-marx.html>) informa que Marx apresentou uma definição da essência da natureza humana nos Manuscritos Filosóficos, caracterizando os seres humanos como atividade livre e consciente, em contraste com a natureza do animal. Marx afirma que os conflitos sociais resultam da divisão da sociedade em classes com o surgimento da propriedade privada em substituição à propriedade coletiva dos meios de produção imperante nas sociedades primitivas. Constata-se, pelo exposto, que os grandes pensadores analisados se opõem à tese de Freud de que o instinto animal destrutivo, instinto da morte, é a causa do comportamento violento do ser humano.

3.    Freud afirma que, de nada vale tentar eliminar as inclinações agressivas dos homens. Se o desejo de aderir à guerra é um efeito do instinto destrutivo, a recomendação mais evidente será contrapor-lhe o seu antagonista, Eros. Um exemplo da desigualdade inata e irremovível dos homens é sua tendência a se classificarem em dois tipos, o dos líderes e o dos seguidores. Esses últimos constituem a vasta maioria; têm necessidade de uma autoridade que tome decisões por eles e à qual, na sua maioria devotam uma submissão ilimitada. Isto sugere que se deva dar mais atenção, do que até hoje se tem dado, à educação da camada superior dos homens dotados de mentalidade independente, não passível de intimidação e desejosa de manter-se fiel à verdade, cuja preocupação seja a de dirigir as massas dependentes.

Freud considera que as inclinações agressivas dos homens não podem ser eliminadas. Ele sugere apenas a educação dos líderes excluindo a de seus seguidores. Para fazer com que os seres humanos tenham comportamento construtivo e sejam capazes de mudar o mundo ao seu redor, é preciso educar a todos com a cultura da paz e promover mudanças no contexto social que contribuam para satisfazer as necessidades humanas, haja vista que os atos de agressividade do homem se originam sempre em um fenômeno externo e não internamente ao indivíduo. Kant, o filósofo, assim compreende a educação: desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que ele é suscetível, tal é a finalidade da educação. Pestalozzi, o pedagogo, diz: educar é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem. John Locke, grande preceptor, se expressa desta maneira sobre o assunto: educar é fazer Espíritos retos, dispostos, a todo o momento, a não praticarem coisa alguma que não seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata. Lessing, autoridade não menos ilustre, compara a obra da educação à obra da revelação, e diz: a educação determina e acelera o progresso e o aperfeiçoamento do homem.

Pelo exposto, Einstein e Freud defendem a existência de um governo mundial para mediar os conflitos internacionais. Einstein admite e Freud defende a tese de que existe um instinto animal no ser humano que contribui para sua agressividade. Ao contrário de Einstein e Freud, Raymond Aron (filósofo e sociólogo francês), Henry Bergson (filósofo e diplomata francês), Carl Rogers (norte-americano precursor da psicologia humanista), Jean-Jaques Rousseau (escritor e filósofo suíço) e Karl Marx (economista, filósofo e cientista político alemão) defendem a tese de que a agressividade humana resulta do ambiente em que vive o ser humano. Para fazer com que os seres humanos tenham comportamento construtivo e sejam capazes de mudar o mundo ao seu redor, é preciso educar a todos com a cultura da paz e promover mudanças no ambiente social que contribuam para satisfazer as necessidades humanas, haja vista que os atos de agressividade do homem se originam sempre em um fenômeno externo e não internamente ao indivíduo.  

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

LA DÉCADENCE DES ÉTATS-UNIS COMME PUISSANCE HÉGÉMONIQUE ET SES DANGEREUSES CONSÉQUENCES

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer le déclin économique progressif et la perte du statut de puissance hégémonique dans le monde par les États-Unis et l’effort du gouvernement américain à utiliser tous les moyens, y compris le complexe industriel-militaire et l’économie de guerre, pour combattre son ennemis potentiels, comme la Chine, qui menace son hégémonie mondiale, et la Russie, alliée de la Chine. Le risque est que la guerre que les États-Unis entendent mener contre la Russie et la Chine dévaste les économies chinoise, américaine et mondiale, détruise le processus de mondialisation économique et financière en cours et déclenche la 3e guerre mondiale. Le livre de Paul Keynnedy, Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000 (L’ascension et la chute des grandes puissances : transformation économique et conflit militaire de 1500 à 2000) [1], est devenu un grand classique géopolitique depuis sa publication il y a trois décennies. Paul Kennedy déclare dans ce livre que si une grande puissance dépasse stratégiquement, par exemple, en conquérant de vastes territoires (comme l’Angleterre au XIXe siècle), ou dans des guerres coûteuses (comme c’est le cas avec les États-Unis depuis la Seconde Guerre mondiale), court le risque de voir les avantages potentiels d’une expansion à l’étranger contrebalancés par les dépenses importantes requises. Ce qui est entre parenthèses dans ce paragraphe et dans les autres correspond à l’avis de l’auteur de cet article.

Paul Kennedy déclare que le dilemme des grandes puissances consistant à surmonter stratégiquement la conquête de vastes territoires ou à entreprendre des guerres coûteuses devient aigu si le pays en question est entré dans une période de déclin économique relatif (comme ce fut le cas avec l’Angleterre au XXe siècle et au États-Unis au XXIe siècle). L’histoire de l’ascension et de la chute des principaux pays du système des grandes puissances, depuis l’avancée de l’Europe occidentale au XVIe siècle, c’est-à-dire de nations comme l’Espagne, la Hollande, la France, l’Empire britannique et, actuellement, les États-Unis États, montre qu’à plus long terme, il y a une tendance à réduire la capacité de la puissance hégémonique à produire et à générer des revenus, d’une part, et l’augmentation excessive des dépenses de force militaire, d’autre part, qui contribuent à son déclin.

La thèse de Paul Kennedy est que la force relative des grandes puissances sur la scène mondiale ne reste jamais constante, principalement en raison, d’abord, du taux de croissance inégal entre les différentes nations (comme c’est le cas du déclin économique accentué de la puissance hégémonique, les États-Unis États-Unis et l’essor économique vertigineux de la Chine) et, d’autre part, les innovations technologiques et organisationnelles qui donnent à une nation donnée un avantage plus important qu’une autre (comme c’est le cas de la Chine qui, après avoir subi un changement structurel extraordinaire, est devenue le premier producteur et centre d’exportation de produits manufacturés dans le monde, 70% plus grand que celui des États-Unis, et constituant un système productif et commercial qui se dispute le leadership mondial dans plusieurs segments, il s’est également consolidé comme un pays leader dans l’innovation scientifique et technologique tendant à supplanter les États-Unis).

Paul Kennedy déclare que lorsque la capacité de production des États-Unis a augmenté, il était généralement plus facile de supporter le fardeau des armements à grande échelle en temps de paix, et de maintenir et de fournir de grandes armées et marines pendant les guerres qu’il a déclenchées. La richesse est généralement nécessaire au pouvoir militaire, selon Paul Kennedy, qui, à son tour, est généralement nécessaire à l’acquisition et à la protection de la richesse. Cependant, si une trop grande partie des ressources du pays est détournée de la création de richesse et affectée à des fins militaires (comme c’est le cas aux États-Unis), cela risque de conduire à un affaiblissement de la puissance nationale. Paul Kennedy précise qu’il existe un décalage temporel entre la trajectoire de la puissance économique relative d’un État national donné et son influence militaire ou territoriale.

Selon Paul Kennedy, le pouvoir en expansion économique pourrait bien préférer être plus riche que d’investir massivement dans l’armement (comme cela s’est produit avec les États-Unis jusqu’à la 2e guerre mondiale). Paul Kennedy déclare que les priorités changent avec le temps parce que l’expansion économique a entraîné d’autres obligations, c’est-à-dire la dépendance vis-à-vis des marchés étrangers et des matières premières, des alliances militaires et peut-être des bases et des colonies (comme cela s’est produit avec les États-Unis après la 2e guerre mondiale) . Paul Kennedy prétend que d’autres puissances rivales qui se développent à un rythme plus rapide veulent donc, à leur tour, étendre leur influence à l’étranger (comme ce fut le cas avec l’Union soviétique de 1945 à 1989 et c’est le cas avec la Chine aujourd’hui).

Paul Kennedy déclare qu’à l’époque contemporaine, le monde devient un espace plus disputé avec les grandes puissances (telles que les États-Unis, la Chine et la Russie) en concurrence acharnée pour les parts de marché. Dans ces circonstances, la puissance la plus troublée parmi les autres (les États-Unis) pourrait se retrouver à dépenser plus pour l’armée qu’auparavant. Le monde est devenu plus hostile simplement parce que d’autres puissances se sont développées plus rapidement et se sont renforcées (comme la Chine et l’Inde). La grande puissance en déclin relatif (les États-Unis) réagit instinctivement, dépensant encore plus pour sa « sécurité » et celle de ses alliés et, avec cela, cesse d’utiliser les ressources potentielles en « investissement productif ». Cela aggrave encore votre dilemme à long terme. (C’est la situation des Etats-Unis qui, à l’heure actuelle, ne sont plus en mesure d’assumer comme avant leurs dépenses militaires sans compromettre leur économie et mettre en échec l’économie mondiale).

Selon Paul Kennedy, de nombreux analystes affirment que d’autres pays émergents atteignent le même niveau que les pays du monde développé (comme la Chine et l’Inde), et que les États-Unis souffrent d’un déclin économique relatif, puisqu’ils produisent plus petite portion du PIB mondial, même si le pays connaît une croissance plus rapide que la plupart des grandes économies développées et reste la plus grande économie du monde en termes absolus. Plusieurs pays émergents accaparent une part de plus en plus importante du PIB mondial. Selon les prévisions de Goldman Sachs, la Chine aura dépassé les États-Unis en 2050, avec un PIB de 45 000 milliards de dollars US, contre 35 000 milliards de dollars US pour les États-Unis. Paul Kennedy déclare que ce qui lui semble incontestable, c’est que, dans une guerre longue et interminable entre grandes puissances, généralement en coalition avec d’autres, la victoire est allée à plusieurs reprises du côté de la base productive la plus florissante (qui, dans les conditions actuelles, c’est le cas de la Chine).

Paul Kennedy soutient qu’à l’époque contemporaine, le monde est devenu plus hostile aux États-Unis parce que d’autres puissances se sont développées plus rapidement et se sont renforcées (comme c’est particulièrement le cas avec la Chine). La puissance hégémonique, les États-Unis, en déclin relatif réagit, instinctivement, en dépensant encore plus en armements pour soutenir ses guerres et, avec cela, ne parvient pas à utiliser les ressources potentielles en « investissement productif », aggravant encore son déclin économique à long terme. C’est la situation des États-Unis qui, à l’heure actuelle, ne sont plus en mesure d’assumer comme avant leurs dépenses militaires, étant donné que, selon Paul Kennedy, les États-Unis étaient devenus pour la première fois un pays débiteur international et étaient de plus en plus dépendante de l’entrée de capitaux européens et japonais dans la seconde moitié du XXe siècle. Au 20ème siècle, le Japon était en plein essor. Le sentiment de décadence a frôlé l’hystérie aux États-Unis lorsque des entreprises japonaises ont acheté des actifs symboliques de l’ancienne force du capitalisme américain. Aujourd’hui, en plus de dépendre des entrées de capitaux européens et japonais, les États-Unis dépendent fortement des capitaux en provenance de Chine. La thèse du professeur Paul Kennedy se confirme même à l’époque contemporaine. Selon la prédiction de Goldman Sachs, la Chine aura, en 2050, dépassé économiquement les États-Unis.

Selon Paul Kennedy, les États-Unis ont trop étendu leur empire, au point de ne plus pouvoir l’administrer, comme ce fut le cas avec l’Espagne au XVIIe siècle et le Royaume-Uni au XXe siècle. Un autre empire, l’empire soviétique, a été le premier à démontrer son incapacité à gérer, dans les années 1980, car les dépenses militaires ont dépassé toutes les limites qui ont conduit à l’effondrement de l’Union soviétique. (L’augmentation des dépenses militaires américaines pourrait conduire au même résultat au 21e siècle) Il convient de noter que la Chine, bien que considérée par beaucoup comme le principal bénéficiaire du déclin des États-Unis, a connu sa propre expérience du déclin. Jusqu’au milieu du XVIe siècle, elle était plus avancée technologiquement que l’Europe, avec une agriculture plus efficace, et la classe des mandarins était inégalée dans son professionnalisme. Même après que l’Occident l’ait dépassée, économiquement et technologiquement, entre le XVIe et le XVIIIe siècle, l’économie chinoise était encore la plus importante du monde au début de la révolution industrielle anglaise.

Tout à fait d’accord avec la pensée de Paul Kennedy exposée dans les paragraphes ci-dessus, on peut affirmer que, pour éviter son déclin en tant que puissance hégémonique dans le monde, le gouvernement américain utilise son complexe industriel-militaire [4] et son économie de guerre [6 ] pour combattre ses ennemis potentiels, comme la Chine, qui menace son hégémonie mondiale, et la Russie, alliée de la Chine. La coopération massive entre l’armée américaine et ses industries pendant la Seconde Guerre mondiale, lorsque les deux tiers de l’économie américaine ont été intégrés à l’effort de guerre à la fin de 1943, a contribué à former le complexe militaro-industriel et à transformer l’économie américaine en économie de guerre au service de l’expansion d’après-guerre de l’impérialisme américain. La construction et l’expansion du complexe militaro-industriel nord-américain et l’économie de guerre durant la 2e guerre mondiale ont constitué des instruments puissants au service de la puissance mondiale des États-Unis[7].

Depuis la Seconde Guerre mondiale, les dépenses militaires se sont multipliées aux États-Unis et, poussées par la guerre froide puis par le 11 septembre, n’ont cessé de croître [5]. La guerre a également été utilisée par le gouvernement des États-Unis depuis la Seconde Guerre mondiale comme un effort continu pour éviter la détérioration des conditions économiques ou les crises monétaires dans le pays, le gouvernement promouvant l’expansion des services et des emplois dans les forces armées et l’expansion de l’industrie de guerre, qui est la plus importante au monde. Avec près de 40 % des dépenses militaires mondiales, les États-Unis dépassent ce que les autres pays dépensent ensemble pour ce poste. Le budget militaire pour 2022 était de 778 milliards de dollars, et pour 2023, il s’élève à 813 milliards de dollars.

La puissance du complexe militaro-industriel des États-Unis est dénoncée par le président Dwight Eisenhower en 1961 lorsqu’il quitte la présidence de la République lorsqu’il déclare que le pays développe « un immense établissement militaire et une grande industrie de guerre » dont l’influence se fait sentir dans tous les pays aspects de la vie à la campagne. S’il reconnaissait « l’impérieuse nécessité de cette évolution », il n’en manquait pas « d’en comprendre les graves implications ». En particulier, Eisenhower a averti qu’il fallait se prémunir contre “l’influence injustifiée” de ce “complexe militaro-industriel” au sein du gouvernement. Il a affirmé que “chaque arme fabriquée, chaque navire de guerre lancé, chaque roquette tirée signifie en fin de compte un vol à ceux qui ont faim et non-feeded, à ceux qui ont froid et qui n’ont pas de vêtements pour s’envelopper chaudement” [3] [ 4].

La guerre permanente aux États-Unis appuyée par le complexe militaro-industriel a cannibalisé le pays créant un marécage social, politique et économique [2]. L’économie de guerre permanente, mise en place depuis la fin de la Seconde Guerre mondiale, a contribué à détruire l’économie privée américaine et à gaspiller des milliards de dollars de l’argent des contribuables. La monopolisation du capital par le complexe militaro-industriel a porté la dette américaine à 30 000 milliards de dollars, 6 000 milliards de dollars de plus que le PIB du pays de 24 000 milliards de dollars. Le service de cette dette coûte 300 milliards de dollars par an. Les États-Unis paient un coût social, politique et économique élevé pour leur bellicisme. Le gouvernement américain regarde passivement l’Amérique pourrir, moralement, politiquement et économiquement. L’aventurisme militaire américain accélère son déclin, comme l’illustrent la défaite du Vietnam et le gaspillage de 8 000 milliards de dollars américains dans les guerres au Moyen-Orient [1].

Aux États-Unis, des dépenses militaires extravagantes sont justifiées au nom de la “sécurité nationale”. Les près de 40 milliards de dollars alloués à l’Ukraine, dont la plupart vont à des fabricants d’armes tels que Raytheon Technologies, General Dynamics, Northrop Grumman, BAE Systems, Lockheed Martin et Boeing, ne sont qu’un début. Les stratèges militaires, qui disent que la guerre sera longue et interminable, parlent d’allouer 4 ou 5 milliards de dollars par mois d’aide militaire à l’Ukraine. Pendant ce temps, le peuple américain fait face à des menaces existentielles qui ne sont pas prises en compte par le gouvernement. Le budget proposé pour les Centers for Disease Control and Prevention (CDC) pour l’exercice 2023 est de 10,6 milliards de dollars. Le budget proposé pour l’Environmental Protection Agency (EPA) est de 11,8 milliards de dollars. L’Ukraine à elle seule reçoit plus du double de ces montants des États-Unis pour soutenir la guerre contre la Russie. Les problèmes sociaux et l’urgence climatique sont secondaires pour le gouvernement américain. La guerre est tout ce qui compte[1].

Le gouvernement américain estime que la guerre en Ukraine et les sanctions économiques saperont l’économie russe, riche en gaz et en ressources naturelles, et pourraient contribuer à la chute de Vladimir Poutine et que la guerre en Ukraine freinera l’influence économique et militaire croissante de la Russie en Europe. Avec un gouvernement et une classe dirigeante incapables de sauver leur propre société et leur économie, les États-Unis cherchent à détruire économiquement et militairement leurs concurrents mondiaux, la Russie et la Chine. L’attente immédiate des bellicistes aux États-Unis est d’éliminer le pouvoir d’influence de la Russie en Europe pour se concentrer sur la guerre économique et l’agression militaire contre la Chine dans l’Indo-Pacifique. Si les États-Unis peuvent couper complètement l’approvisionnement en gaz russe vers l’Europe, cela obligera les Européens à acheter auprès de fournisseurs américains. Sur le plan économique, les États-Unis, dont le taux de croissance annuel du PIB est d’environ 2 %, cherchent à compromettre l’économie chinoise, dont le taux de croissance est d’environ 5 %, pour que ce pays ne le dépasse pas. Le gouvernement américain essaie désespérément de construire des alliances militaires et économiques pour empêcher la Chine de dépasser les États-Unis en 2028, comme le prévoit le Centre britannique de recherche économique et commerciale (CEBR) [8].

Le risque est que la guerre que les États-Unis entendent déclencher contre la Chine puisse dévaster les économies chinoise, américaine et mondiale, détruisant le libre-échange entre les pays comme cela s’est produit lors de la Première Guerre mondiale et détruisant également le processus de mondialisation économique et financière. La deuxième conséquence du conflit avec la Chine et du déclin des États-Unis est que le dollar américain cesse d’être la monnaie de réserve mondiale, précipitant l’effondrement économique des États-Unis. Cela forcera la contraction immédiate de l’impérialisme américain qui sera contraint de fermer la plupart de ses quelque 800 bases militaires dans au moins 80 pays à l’étranger. La troisième et pire conséquence est que la guerre contre la Chine, et aussi contre la Russie, alliée de la Chine, pourrait déclencher la 3e guerre mondiale qui se transformerait en Armageddon, c’est-à-dire la guerre finale, avec la possibilité que les pays alliés et adversaires des États-Unis utilisent leurs armes nucléaires.

Aux États-Unis, des dépenses militaires extravagantes sont justifiées au nom de la “sécurité nationale”. Les près de 40 milliards de dollars alloués à l’Ukraine, dont la plupart vont à des fabricants d’armes tels que Raytheon Technologies, General Dynamics, Northrop Grumman, BAE Systems, Lockheed Martin et Boeing, ne sont qu’un début. Les stratèges militaires, qui disent que la guerre sera longue et interminable, parlent d’allouer 4 ou 5 milliards de dollars par mois d’aide militaire à l’Ukraine. Pendant ce temps, le peuple américain fait face à des menaces existentielles qui ne sont pas prises en compte par le gouvernement. Le budget proposé pour les Centers for Disease Control and Prevention (CDC) pour l’exercice 2023 est de 10,6 milliards de dollars. Le budget proposé pour l’Environmental Protection Agency (EPA) est de 11,8 milliards de dollars. L’Ukraine à elle seule reçoit plus du double de ces montants des États-Unis pour soutenir la guerre contre la Russie. Les problèmes sociaux et l’urgence climatique sont secondaires pour le gouvernement américain. La guerre est tout ce qui compte[1].

Le gouvernement américain estime que la guerre en Ukraine et les sanctions économiques saperont l’économie russe, riche en gaz et en ressources naturelles, et pourraient contribuer à la chute de Vladimir Poutine et que la guerre en Ukraine freinera l’influence économique et militaire croissante de la Russie en Europe. Avec un gouvernement et une classe dirigeante incapables de sauver leur propre société et leur économie, les États-Unis cherchent à détruire économiquement et militairement leurs concurrents mondiaux, la Russie et la Chine. L’attente immédiate des bellicistes aux États-Unis est d’éliminer le pouvoir d’influence de la Russie en Europe pour se concentrer sur la guerre économique et l’agression militaire contre la Chine dans l’Indo-Pacifique. Si les États-Unis peuvent couper complètement l’approvisionnement en gaz russe vers l’Europe, cela obligera les Européens à acheter auprès de fournisseurs américains. Sur le plan économique, les États-Unis, dont le taux de croissance annuel du PIB est d’environ 2 %, cherchent à compromettre l’économie chinoise, dont le taux de croissance est d’environ 5 %, pour que ce pays ne le dépasse pas. Le gouvernement américain essaie désespérément de construire des alliances militaires et économiques pour empêcher la Chine de dépasser les États-Unis en 2028, comme le prévoit le Centre britannique de recherche économique et commerciale (CEBR) [8].

Le risque est que la guerre que les États-Unis entendent déclencher contre la Chine puisse dévaster les économies chinoise, américaine et mondiale, détruisant le libre-échange entre les pays comme cela s’est produit lors de la Première Guerre mondiale et détruisant également le processus de mondialisation économique et financière. La deuxième conséquence du conflit avec la Chine et du déclin des États-Unis est que le dollar américain cesse d’être la monnaie de réserve mondiale, précipitant l’effondrement économique des États-Unis. Cela forcera la contraction immédiate de l’impérialisme américain qui sera contraint de fermer la plupart de ses quelque 800 bases militaires dans au moins 80 pays à l’étranger. La troisième et pire conséquence est que la guerre contre la Chine, et aussi contre la Russie, alliée de la Chine, pourrait déclencher la 3e guerre mondiale qui se transformerait en Armageddon, c’est-à-dire la guerre finale, avec la possibilité que les pays alliés et adversaires des États-Unis utilisent leurs armes nucléaires.

La situation actuelle sur la planète est dramatique. L’humanité se sent écrasée par les grandes puissances mondiales qui, au service de leurs monopoles respectifs, déclenchent des guerres sur toute la planète, au mépris des lois, des cultures, des traditions et des religions. Les invasions dans les pays périphériques, ouvertement ou subrepticement, avec des arguments non convaincants, ont fait partie du quotidien des grandes puissances dans leur requête incessante de puissance mondiale à travers l’histoire, même si elles doivent faire fi des lois internes et des traités international. Quelle sera la fin de notre monde, de nos vies, si le monde d’aujourd’hui s’est transformé en un chaos ingouvernable dans lequel les êtres humains ne pensent qu’au pouvoir et à la richesse? L’homme peut-il être qualifié d’être le plus intelligent sur Terre ? Un être intelligent prêcherait-il la guerre et pourrait-il en péril son avenir et celui de ses descendants ? C’est ce qu’ils font aujourd’hui avec notre monde, ils détruisent pour l’argent, ils tuent pour la richesse et le pouvoir, les vies ne valent plus rien, rien d’autre n’a de valeur, tout ça pour le pouvoir et la richesse !

L’histoire du monde est, dans une large mesure, une histoire de guerres, car les États nationaux sont nés de conquétes, de guerres civiles ou de luttes pour l’indépendance. Les plus anciens documents historiques connus parlent déjà de guerres et de luttes. Il n’est donc pas surprenant qu’aujourd’hui, à l’heure de la moisson de toutes les mauvaises actions activées par l’humanité, le nombre de guerres et de révolutions ait augmenté à une échelle Nunca vue aux 20e et 21e siècles, tant en quantité qu’en intensité. La violence des conflits au XXe siècle est sans précédent dans l’histoire. Les guerres du XXe siècle étaient des « guerres totales » contre les combattants comme contre les civils. Le 20ème siècle fut sans doute le plus meurtrier dont nous ayons enregistré tant par l’ampleur, la fréquence et l’étendue des guerres que par le nombre de catastrophes humaines qu’elle a produites, des plus grandes famines de l’histoire au génocide systématique. Toutes les « méga-morts » survenues dans les guerres depuis 1914 se sont élevées à un total de 187 millions de morts. Depuis la fin de la Seconde Guerre mondiale jusqu’à nos jours, le monde a connu 160 guerres au cours desquelles environ 7 millions de soldats et 30 millions de civils sont morts. Il faut éviter que ce qui s’est passé au 20ème siècle ne se reproduise au 21ème siècle.

Les guerres persistantes de faire partie de notre quotidien, comme en témoigne le conflit entre la Russie et l’Ukraine, qui met en lumière la volonté des puissances occidentales (États-Unis et pays de l’Union européenne), alliés de l’Ukraine , d’affaiblir la position géopolitique de la Russie, qui cherche à reprendre le rôle mondial autrefois joué par l’ex-Union soviétique et empêcher la montée de la Chine en tant que puissance hégémonique sur la planète. L’insoluble question palestinienne, qui perdure depuis la fin de la 1ère guerre mondiale lorsque les puissances victorieuses contribuèrent à l’occupation de la Palestine par le peuple juif et facilitèrent la création de l’Etat d’Israël au détriment du peuple palestinien, rend le peuple palestinien et les peuples juifs vivent dans une guerre permanente. La récente intervention militaire américaine en Irak, en Afghanistan, en Syrie et en Libye complète le tableau des conflits au Moyen-Orient.

Le moment est venu pour l’humanité de se doter, le plus rapidement possible, des instruments nécessaires à la construction de la paix mondiale et à la maîtrise de son destin. Pour atteindre ces objectifs, il est urgent de déclencher à l’échelle planétaire un mouvement pour la paix mondiale et pour la mise en place d’un gouvernement démocratique du monde qui constitue le seul moyen de survie de l’espèce humaine capable de construire un monde dans lequel chaque femme, chaque homme d’aujourd’hui et de demain ne subissent pas, comme par le passé, les conséquences désastreuses des guerres. La préservation de la paix mondiale est la première mission de toute nouvelle forme de gouvernement mondial. Son objectif serait de défendre l’intérêt général de la planète, en le rendant compatible avec les intérêts de chaque nation. Le gouvernement mondial agirait pour faire évoluer le système international dans un environnement de paix entre les nations uniquement dans le cadre des relations internationales, sans intervenir dans les affaires intérieures de chaque pays. Chaque pays doit être souverain pour agir dans les limites de son territoire et ne pas intervenir dans les affaires intérieures des autres pays. Ce qui ne serait pas accepté, c’est qu’un pays intervienne par la force dans les affaires intérieures d’autres pays, comme cela s’est produit tout au long de l’histoire. Le gouvernement mondial garantirait le respect de la souveraineté des pays du monde, en particulier les plus faibles. L’absence d’un gouvernement mondial est ce qui constituerait une menace pour la souveraineté nationale de la plupart des pays, car ils seraient à la merci du plus fort, comme cela a été le cas tout au long de l’histoire. C’est le moyen d’empêcher tout pays d’intervenir dans les affaires intérieures d’autres pays, y compris les grandes puissances économiques et militaires. La grande majorité des pays du monde gagneraient à avoir un gouvernement mondial.

LES RÉFÉRENCES

1. KENNEDY, Paul. Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000Rio de Janeiro: Editora Campus, 1989. 

2. HEDGES, Chris. Política de guerra permanente dos EUA destruiu economia e faliu o país’, diz Chris Hedges. Disponible sur le site Web <https://horadopovo.com.br/politica-de-guerra-permanente-dos-eua-destruiu-economia-e-faliu-o-pais-diz-chris-hedges/>. 

3. INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS. Estados Unidos: uma economia de guerra contra a sociedade. Disponible sur le site Web <https://www.ihu.unisinos.br/categorias/618204-estados-unidos-uma-economia-de-guerra-contra-a-sociedade>.

4. WIKIPEDIA. Complexo militar-industrial. Disponible sur le site Web <https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_militar-industrial>.

5. MAGNOTTA, Fernanda. Nos EUA, complexo industrial-militar se beneficia com a Guerra da Ucrânia. Disponible sur le site Web <https://noticias.uol.com.br/colunas/fernanda-magnotta/2022/05/07/nos-eua-complexo-industrial-militar-se-beneficia-com-a-guerra-da-ucrania.htm>.

6. WIKIPEDIA. War economy. Disponible sur le site Web <https://en.wikipedia.org/wiki/War_economy>.

7. ALCOFORADO, Fernando. O imperativo do fim do complexo industrial-militar e da economia de guerra no mundo. Disponible sur le site Web <https://www.academia.edu/101868099/O_IMPERATIVO_DO_FIM_DO_COMPLEXO_INDUSTRIAL_MILITAR_E_DA_ECONOMIA_DE_GUERRA_NO_MUNDO>.

8. BBC NEWS BRASIL. Por que a economia chinesa deve passar a dos EUA em 2028, 5 anos antes do previsto. Disponible sur le site Web <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55496970>.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’Université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

THE DECADENCE OF THE UNITED STATES AS A HEGEMONIC POWER AND ITS DANGEROUS CONSEQUENCES

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate the progressive economic decline and loss of the status of hegemonic power in the world by the United States and the effort of the US government to use all means, including the industrial-military complex and the war economy, to combat its potential enemies, such as China, which threatens its world hegemony, and Russia, China’s ally. The risk is that the war that the United States intends to wage against Russia and China could devastate the Chinese, American and global economies, destroy the ongoing process of economic and financial globalization and trigger the 3rd World War. Paul Keynnedy’s book, Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000 (The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Transformation and Military Conflict from 1500 to 2000) [1], has become a great geopolitical classic since its publication three decades ago. Paul Kennedy states in this book that if a great power exceeds strategically, for example, by conquering extensive territories (like England in the 19th century), or in costly wars (as is the case with the United States since World War II), runs the risk of seeing the potential advantages of expanding abroad outweighed by the large expenditures required. What is in parentheses in this paragraph and in the others corresponds to the opinion of the author of this article.

Paul Kennedy states that the great powers’ dilemma of strategically overcoming the conquest of extensive territories or taking on costly wars becomes acute if the country in question has entered a period of relative economic decline (as was the case with England in the 20th century and the United States in the 21st Century). The history of the rise and fall of the leading countries of the great powers system, since the advance of western Europe in the sixteenth century, that is, of nations such as Spain, Holland, France, the British Empire and, currently, the United States, shows that, in In the longer term, there is a tendency to reduce the capacity of the hegemonic power to produce and generate revenue, on the one hand, and the excessive increase in spending on military force, on the other, which contribute to its decline.

Paul Kennedy’s thesis is that the relative strength of the great powers on the world stage never remains constant, mainly due, first, to the unequal growth rate between different nations (as is the case of the accentuated economic decline of the hegemonic power, the United States, and the vertiginous economic rise of China) and, second, the technological and organizational innovations that give a given nation a greater advantage than another (as is the case of China which, after undergoing an extraordinary structural change, becoming the largest producer and export center of manufactured goods in the world, 70% larger than that of the United States, and constituting a productive and business system that competes for global leadership in several segments, it has also been consolidating itself as a leading country in scientific and technological innovation tending to supplant the United States).

Paul Kennedy states that when the productive capacity of the United States increased, it was usually easier to bear the burden of large-scale armaments in peacetime, and to maintain and supply large armies and navies during the wars it unleashed. Wealth is generally necessary to military power, according to Paul Kennedy, which, in turn, is generally necessary to the acquisition and protection of wealth. If, however, too large a proportion of the country’s resources are diverted from wealth creation and allocated to military purposes (as is the case in the United States), then this is likely to lead to a weakening of national power. Paul Kennedy makes it clear that there is a temporal gap between the trajectory of the relative economic strength of a given national state and its military or territorial influence.

According to Paul Kennedy, the power in economic expansion may well prefer to be richer than to invest heavily in weapons (as occurred with the United States until the 2nd World War). Paul Kennedy states that priorities change over time because economic expansion brought with it other obligations, that is, facing dependence on foreign markets and raw materials, military alliances, and perhaps bases and colonies (as happened with the United States after the 2nd World War). Paul Kennedy claims that other rival powers that are expanding at a faster pace, therefore, want, in turn, to extend their influence abroad (as was the case with the Soviet Union from 1945 to 1989 and is the case with China today).

Paul Kennedy states that, in the contemporary era, the world becomes a more disputed space with the great powers (such as the United States, China and Russia) competing hard for market shares. Under these circumstances, the most troubled power among the rest (the United States) may find itself spending more on the military than before. The world has become more hostile simply because other powers have grown faster and are becoming stronger (such as China and India). The great power in relative decline (the United States) reacts instinctively, spending even more on its “security” and that of its allies and, with that, stops using potential resources in “productive investment”. It further aggravates your long-term dilemma. (This is the situation of the United States, which, at the present time, is no longer able to assume its military expenditures as before without compromising its economy and putting the world economy in check).

According to Paul Kennedy, many analysts claim that other emerging countries are reaching the same level as countries in the developed world (such as China and India), and the United States is suffering a relative economic decline, as it produces a smaller share of world GDP, even with the country growing faster than most major developed economies and still being the largest economy in the world in absolute terms. Several emerging countries are gaining an ever-increasing share of the world’s GDP. Forecast by Goldman Sachs, China will have surpassed the United States in 2050, with a GDP of US$ 45 trillion, against US$ 35 trillion for the United States. Paul Kennedy states that what seems incontestable to him is that, in a long and drawn-out war between great powers, usually in coalition with others, victory has repeatedly gone to the side with the most flourishing productive base (which, under current conditions, is the case from China).

Paul Kennedy argues that, in the contemporary era, the world has become more hostile to the United States because other powers have grown faster and are becoming stronger (as is especially the case with China). The hegemonic power, the United States, in relative decline reacts, instinctively, spending even more on armaments to sustain its wars and, with that, fails to use potential resources in “productive investment”, further aggravating its economic decline in the long term. This is the situation of the United States which, at the present moment, is no longer able to assume its military expenses as before, given that, according to Paul Kennedy, the United States had become an international debtor country for the first time and was increasingly dependent on the entry of European and Japanese capital in the second half of the 20th century. In the 20th century, Japan was on the rise. The feeling of decadence came close to hysteria in the United States as Japanese companies bought assets symbolic of the former strength of American capitalism. Today, in addition to depending on European and Japanese capital inflows, the United States is significantly dependent on capital from China. Professor Paul Kennedy’s thesis is being confirmed even in the contemporary era. By the prediction of Goldman Sachs, China will have, in 2050, economically surpassed the United States.

According to Paul Kennedy, the United States overextended its empire, to the point of no longer being able to administer it, as happened with Spain in the 17th century and the United Kingdom in the 20th century. Another empire, the Soviet one, was the first to demonstrate inability to manage, in the 1980s, because military spending exceeded all limits that led to the collapse of the Soviet Union. (Rising US military spending could lead to the same outcome in the 21st century.) It should be noted that China, although seen by many as the main beneficiary of the decline of the United States, has had its own experience of decline. Until the mid-16th century, it was more technologically advanced than Europe, with more efficient agriculture, and the mandarin class was unrivaled in its professionalism. Even after the West surpassed it, economically and technologically, between the 16th and 18th centuries, China’s economy was still the largest in the world when the English industrial revolution began.

Entirely agreeing with the thinking of Paul Kennedy exposed in the paragraphs above, we can say that, to avoid its decline as a hegemonic power in the world, the US government uses its industrial-military complex [4] and its war economy [6] to combat its potential enemies, such as China, which threatens its world hegemony, and Russia, China’s ally. Massive cooperation between the US military and its industries during World War II, when two-thirds of the US economy was integrated into the war effort in late 1943, helped to form the military-industrial complex and transform the US economy in a war economy in the service of the post-war expansion of US imperialism. The construction and expansion of the North American military-industrial complex and the war economy during the 2nd World War constituted powerful instruments in the service of the global power of the United States [7].

Since World War II, military spending has multiplied in the United States and, driven by the Cold War and then by 9/11, has never stopped growing [5]. The United States government has also used war since World War II as an ongoing effort to avoid deteriorating economic conditions or currency crises in the country, with the government promoting the expansion of services and jobs in the armed forces and the expansion of the war industry, which is the largest in the world. With nearly 40% of military spending worldwide, the United States exceeds what other countries combined spend on this item. The military budget for 2022 was 778 billion dollars, and for 2023 it rises to 813 billion dollars.

The power of the United States military-industrial complex was denounced by President Dwight Eisenhower in 1961 when he left the presidency of the Republic when he stated that the country was developing “an immense military establishment and a great war industry” whose influence was felt in every aspect of the life of the country. While he recognized “the imperative need for this development”, he did not fail to “understand its grave implications”. In particular, Eisenhower warned that one must guard against “unwarranted influence” by that “military-industrial complex” within the government. He asserted that “every weapon manufactured, every warship launched, every rocket fired ultimately means a theft from those who are hungry and unfed, from those who are cold and have no clothes to wrap themselves warmly” [3] [ 4].

The permanent war of the United States supported by the military-industrial complex cannibalized the country creating a social, political and economic swamp [2]. The permanent war economy, implemented since the end of World War II, has contributed to destroying the US private economy and wasting trillions of dollars of taxpayers’ money. The monopolization of capital by the military-industrial complex has driven the US debt to $30 trillion, $6 trillion more than the country’s GDP of $24 trillion. Servicing that debt costs $300 billion a year. The United States pays a high social, political and economic cost for its warmongering. The US government passively watches as America rots, morally, politically and economically. US military adventurism accelerates its decline, as the defeat in Vietnam and the waste of US$ 8 trillion in wars in the Middle East illustrate [1].

In the United States, extravagant military spending is justified in the name of “national security”. The nearly $40 billion allocated to Ukraine, most of it going to arms makers such as Raytheon Technologies, General Dynamics, Northrop Grumman, BAE Systems, Lockheed Martin and Boeing, is just the beginning. Military strategists, who say the war will be long and drawn out, are talking about allocating $4 or $5 billion a month in military aid to Ukraine. Meanwhile, the American people face existential threats that are not taken into account by the government. The proposed budget for the Centers for Disease Control and Prevention (CDC) in fiscal year 2023 is $10.6 billion. The proposed budget for the Environmental Protection Agency (EPA) is $11.8 billion. Ukraine alone receives more than double those amounts from the United States to sustain the war against Russia. Social problems and the climate emergency are secondary to the US government. War is all that matters [1].

The US government believes that the war in Ukraine and economic sanctions will undermine Russia’s economy, rich in gas and natural resources, and could contribute to the downfall of Vladimir Putin and that the war in Ukraine will curb Russia’s growing economic and military influence in Europe. With a government and ruling class unable to save its own society and economy, the United States seeks to destroy its global competitors Russia and China economically and militarily. The immediate expectation of warmongers in the United States is to eliminate Russia’s power of influence in Europe to focus on economic warfare and military aggression against China in the Indo-Pacific. If the US can completely cut Russian gas supplies to Europe, it will force Europeans to buy from US suppliers. On the economic front, the United States, whose annual GDP growth rate is around 2%, seeks to compromise China’s economy, whose growth rate is around 5%, so that this country does not exceed it. The US government is desperately trying to build military and economic alliances to prevent China from overtaking the US in 2028 predicted by the UK Center for Economic and Business Research (CEBR) [8].

The risk is that the war that the United States intends to unleash against China could devastate the Chinese, American and global economies, destroying free trade between countries as occurred in the First World War and also destroying the process of economic and financial globalization. The second consequence of the conflict with China and the decline of the United States is that the US dollar ceases to be the world’s reserve currency, precipitating the economic collapse of the United States. This will force the immediate contraction of US imperialism, which will be forced to close most of its nearly 800 military bases in at least 80 countries abroad. The third and worst consequence is that the war against China, and also against Russia, China’s ally, could trigger the 3rd World War that would turn into Armageddon, that is, the final war, with the possibility that the contenders allies and opponents of the United States to use their nuclear weapons.

The current situation on the planet is dramatic. Humanity feels crushed by the great world powers, which at the service of the respective monopoly groups, unleash wars all over the planet, disrespecting laws, cultures, traditions and religions. Invasions in peripheral countries, openly or surreptitiously, with unconvincing arguments, have been part of the daily life of the great powers in their incessant quest for world power throughout history, even if they have to disrespect internal laws and international treaties. What end will our world, our lives have, if today’s world has turned into an unmanageable chaos in which human beings only think about power and wealth? Can man be called the smartest being on Earth? Would an intelligent being preach war and put his future and that of his descendants at risk? That’s what they do today with our world, they destroy for money, they kill for wealth and power, lives are no longer worth anything, nothing else has value, all this for power and wealth!

The history of the world is, to a large extent, a history of wars, because the national states were born out of conquests, civil wars or struggles for independence. The oldest known historical records already speak of wars and struggles. It is therefore not surprising that now, at the time of the harvest of all the evil actions generated by humanity, the number of wars and revolutions has grown on a scale never seen in the 20th and 21st centuries, both in quantity and intensity. The violence of conflict in the 20th century is unparalleled in history. Twentieth-century wars were “total wars” against combatants and civilians alike. The twentieth century was arguably the most murderous on record, both in the scale, frequency and extent of warfare and also in the sheer number of human catastrophes it produced, from the greatest famines in history to systematic genocide. All the “mega-deaths” that have occurred in wars since 1914 amounted to a total of 187 million dead. Since the end of the Second World War until the present moment, the world has known 160 wars when around 7 million soldiers and 30 million civilians died. What happened in the 20th century must be prevented from happening again in the 21st century.

Wars continue to be part of our daily lives, as demonstrated by the conflict between Russia and Ukraine, which highlights the purpose of the Western powers (United States and European Union countries), allies of Ukraine, to weaken Russia’s geopolitical position, which seeks to resume the world role formerly played by the former Soviet Union, and to prevent the rise of China as a hegemonic power on the planet. The insoluble Palestinian question, which has lasted since the end of the 1st World War when the victorious powers contributed to the occupation of Palestine by the Jewish people and facilitated the creation of the State of Israel to the detriment of the Palestinian people, makes the Palestinian and Jewish peoples live in permanent war. The recent US military intervention in Iraq, Afghanistan, Syria and Libya complete the picture of conflicts in the Middle East.

The time has come for humanity to equip itself, as urgently as possible, with the instruments necessary for building world peace and controlling its destiny. In order to achieve these objectives, it is urgent to unleash on a planetary scale a movement for world peace and for the implementation of a democratic government of the world that constitutes the only means of survival of the human species capable of building a world in which every woman, every man of today and tomorrow do not suffer, as in the past, the disastrous consequences of wars. The preservation of world peace is the first mission of every new form of world government. Its objective would be to defend the general interests of the planet, making it compatible with the interests of each nation. The world government would act to make the international system evolve in an environment of peace between nations only in the context of international relations, not intervening in the internal affairs of each country. Each country must be sovereign to act within the limits of its territory and not to intervene in the internal affairs of other countries. What would not be accepted is any country intervening with the use of force in the internal affairs of other countries, as has happened throughout history. The world government would guarantee respect for the sovereignty of the countries of the world, especially the weakest ones. The absence of a world government is what would pose a threat to the national sovereignty of most countries because they would be at the mercy of the strongest as has been the case throughout history. This is the way to prevent any country from intervening in the internal affairs of other countries, including the great economic and military powers. The vast majority of countries in the world would benefit from having a democratic world government.

REFERENCES

1. KENNEDY, Paul. Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000Rio de Janeiro: Editora Campus, 1989. 

2. HEDGES, Chris. Política de guerra permanente dos EUA destruiu economia e faliu o país’, diz Chris Hedges. Available on the website <https://horadopovo.com.br/politica-de-guerra-permanente-dos-eua-destruiu-economia-e-faliu-o-pais-diz-chris-hedges/>. 

3. INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS. Estados Unidos: uma economia de guerra contra a sociedade. Available on the website <https://www.ihu.unisinos.br/categorias/618204-estados-unidos-uma-economia-de-guerra-contra-a-sociedade>.

4. WIKIPEDIA. Complexo militar-industrial. Available on the website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_militar-industrial>.

5. MAGNOTTA, Fernanda. Nos EUA, complexo industrial-militar se beneficia com a Guerra da Ucrânia. Available on the website <https://noticias.uol.com.br/colunas/fernanda-magnotta/2022/05/07/nos-eua-complexo-industrial-militar-se-beneficia-com-a-guerra-da-ucrania.htm>.

6. WIKIPEDIA. War economy. Available on the website <https://en.wikipedia.org/wiki/War_economy>.

7. ALCOFORADO, Fernando. O imperativo do fim do complexo industrial-militar e da economia de guerra no mundo. Available on the website <https://www.academia.edu/101868099/O_IMPERATIVO_DO_FIM_DO_COMPLEXO_INDUSTRIAL_MILITAR_E_DA_ECONOMIA_DE_GUERRA_NO_MUNDO>.

8. BBC NEWS BRASIL. Por que a economia chinesa deve passar a dos EUA em 2028, 5 anos antes do previsto. Available on the website <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55496970>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023). 

A DECADÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS COMO POTÊNCIA HEGEMÔNICA E SUAS NEFASTAS CONSEQUÊNCIAS

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar a progressiva decadência econômica e perda da condição de potência hegemônica no mundo pelos Estados Unidos e o esforço do governo norte-americano de utilizar todos os meios, inclusive o complexo industrial-militar e a economia de guerra, para combater seus inimigos potenciais, como é o caso da China que ameaça sua hegemonia mundial e da Rússia, aliada da China. O risco é de que a guerra que os Estados Unidos pretende promover contra a Rússia e a China poderá devastar as economias chinesa, norte-americana e global, destruir o processo de globalização econômica e financeira em curso e desencadear a 3ª Guerra Mundial.    O livro de Paul Kennedy, Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000 [1], tornou-se grande clássico da geopolítica, desde sua publicação, há três décadas. Paul Kennedy afirma neste livro que, se uma grande potência excede estrategicamente, por exemplo, pela conquista de territórios extensos (como a Inglaterra no século XIX), ou em guerras onerosas (como é o caso dos Estados Unidos desde a 2ª Guerra Mundial), corre o risco de ver as vantagens potenciais da expansão externa superadas pelas grandes despesas exigidas. O que está entre parênteses neste parágrafo e nos demais corresponde à opinião do autor deste artigo.

Paul Kennedy afirma que o dilema das grandes potências de exceder estrategicamente com a conquista de territórios extensos ou assumir guerras onerosas se torna agudo se o país em questão tiver entrado em período de declínio econômico relativo (como foi o caso da Inglaterra no século XX e dos Estados Unidos no século XXI). A história da ascensão e queda dos países líderes do sistema de grandes potências, desde o avanço da Europa ocidental no século XVI, isto é, de nações como Espanha, Holanda, França, Império Britânico e, atualmente, Estados Unidos, mostra que, em prazo mais longo, há uma tendência de redução da capacidade da potência hegemônica de produzir e gerar receitas, de um lado, e o aumento excessivo do gasto com a força militar, do outro que contribuem para seu declínio.

A tese de Paul Kennedy é a de que a força relativa das grandes potências no cenário mundial nunca permanece constante, principalmente em virtude, primeiro, da taxa de crescimento desigual entre as diferentes nações (como é o caso do declínio econômico acentuado da potência hegemônica, os Estados Unidos, e da vertiginosa ascensão econômica da China) e, segundo, das inovações tecnológicas e organizacionais que proporcionam a determinada nação maior vantagem do que a outra (como é o caso da China que, depois de passar por uma extraordinária mudança estrutural, se tornando o maior centro produtor e exportador de manufaturas do mundo70% maior que a dos Estados Unidos, e de constituir um sistema produtivo e empresarial que disputa a liderança global em vários segmentos, vem se consolidando, também, como um país líder em inovação científica e tecnológica tendendo a suplantar os Estados Unidos).

Paul Kennedy afirma que, quando a capacidade produtiva dos Estados Unidos aumentava, normalmente, havia maior facilidade de arcar com os ônus dos armamentos em grande escala, em tempo de paz, e manter e abastecer grandes exércitos e armadas durante as guerras que desencadeou. A riqueza é, geralmente, necessária ao poderio militar, segundo Paul Kennedy, que, por sua vez, é, geralmente, necessário à aquisição e proteção da riqueza. Se, porém, proporção demasiado grande dos recursos do país é desviada da criação de riqueza e atribuída a fins militares (como é o caso dos Estados Unidos), torna-se então provável que isso leve ao enfraquecimento do poderio nacional. Paul Kennedy deixa claro que há um intervalo temporal entre a trajetória da força econômica relativa de determinado Estado nacional e sua influência militar ou territorial.

Segundo Paul Kennedy, a potência em expansão econômica bem pode preferir ser mais rica do que investir, pesadamente, em armas (como ocorreu com os Estados Unidos até a 2ª Guerra Mundial). Paul Kennedy afirma que as prioridades se modificam com o tempo porque a expansão econômica trouxe consigo outras obrigações, isto é, fazer frente à dependência de mercados e matérias primas estrangeiros, alianças militares e, talvez bases e colônias (como ocorreu com os Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial). Paul Kennedy afirma que outras potências rivais que estejam se expandindo em ritmo mais rápido, logo, querem, por sua vez, estender sua influência ao exterior (como foi o caso da União Soviética de 1945 até 1989 e é o caso da China na atualidade).

Paul Kennedy afirma que, na era contemporânea, o mundo torna-se espaço mais disputado com as grandes potências (como os Estados Unidos, a China e a Rússia) competindo entre si arduamente por fatias de mercado. Nessas circunstâncias, a maior potência perturbada entre as demais, (os Estados Unidos), pode ver-se gastando mais com a as forças armadas do que antes. O mundo se tornou mais hostil simplesmente porque outras potências cresceram mais depressa e estão se tornando mais fortes (como é o caso da China e da Índia). A grande potência em declínio relativo, (os Estados Unidos), reage instintivamente, gastando ainda mais com sua “segurança” e de seus aliados e, com isso, deixa de usar recursos potenciais em “investimento produtivo”. Agrava ainda mais seu dilema em longo prazo. (Esta é a situação dos Estados Unidos que, no momento atual, não tem mais condições de assumir seus gastos militares como antes sem comprometer sua economia e colocar em xeque a economia mundial).   

Segundo Paul Kennedy, muitos analistas afirmam que outros países emergentes estão alcançando o mesmo patamar dos países do mundo desenvolvido (como a China e a Índia), e os Estados Unidos sofrem declínio econômico relativo, ao produzirem parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos. Vários países emergentes estão obtendo participação cada vez maior no PIB mundial. Pela previsão do Goldman Sachs, a China terá, em 2050, superado os Estados Unidos, com PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos Estados Unidos. Paul Kennedy afirma que o que lhe parece incontestável é que, em longa e arrastada guerra de grandes potências, geralmente, em coalizão com outras, a vitória coube repetidas vezes ao lado com base produtiva mais florescente (que, nas condições atuais, é o caso da China).

Paul Kennedy afirma que, na era contemporânea, o mundo se tornou mais hostil aos Estados Unidos porque outras potências cresceram mais depressa e se estão tornando mais fortes (como é o caso especialmente da China). A potência hegemônica, os Estados Unidos, em declínio relativo reage, instintivamente, gastando ainda mais com armamentos para sustentar suas guerras e, com isso, deixa de usar recursos potenciais em “investimento produtivo” agravando ainda mais seu declínio econômico em longo prazo. Esta é a situação dos Estados Unidos que, no momento atual, não tem mais condições de assumir seus gastos militares como antes haja vista que, segundo Paul Kennedy, os Estados Unidos havia se tornado país devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês na segunda metade do século XX. No século XX, o Japão estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos Estados Unidos quando empresas japonesas compraram ativos simbólicos da antiga pujança do capitalismo norte-americano. Hoje, além de depender da entrada de capital europeu e japonês, os Estados Unidos dependem significativamente de capitais oriundos da China. A tese do professor Paul Kennedy está sendo confirmada inclusive na era contemporânea. Pela previsão do Goldman Sachs, a China terá, em 2050, superado economicamente os Estados Unidos.

Segundo Paul Kennedy, os Estados Unidos ampliaram demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. Outro império, o soviético, foi quem primeiro demonstrou incapacidade de administração, na década de 1980, porque os gastos bélicos ultrapassaram todos os limites que levaram a União Soviética ao colapso. (Os crescentes gastos bélicos dos Estados Unidos poderão levar ao mesmo desfecho no século XXI). Cabe observar que a China, embora vista por muitos como a principal beneficiária do declínio dos Estados Unidos, já passou por experiência própria de declínio. Até a metade do século XVI, ela era tecnologicamente mais avançada do que a Europa, com agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, econômica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo, quando a revolução industrial inglesa começou.

Concordando inteiramente com o pensamento de Paul Kennedy exposto nos parágrafos acima, podemos afirmar que, para evitar seu declínio como potência hegemônica no mundo, o governo dos Estados Unidos utiliza seu complexo industrial-militar [4] e sua economia de guerra [6] para combater seus inimigos potenciais, como é o caso da China que ameaça sua hegemonia mundial e da Rússia, aliada da China. A cooperação maciça entre as Forças Armadas dos Estados Unidos e suas indústrias durante a 2ª Guerra Mundial, quando dois terços da economia americana foram integrados ao esforço de guerra no final de 1943, ajudaram a formar o complexo industrial-militar e a transformação da economia dos Estados Unidos em economia de guerra a serviço da expansão do imperialismo norte-americano no pós guerra. A construção e expansão do complexo industrial-militar norte-americano e a economia de guerra durante a 2ª Guerra Mundial se constituíram em poderosos instrumentos a serviço do poder global dos Estados Unidos[7].  

Desde a 2ª Guerra Mundial, os gastos militares se multiplicaram nos Estados Unidos e, impulsionados pela Guerra Fria e depois pelo 11 de setembro, nunca deixaram de crescer [5]. A guerra tem sido utilizada, também, pelo governo dos Estados Unidos desde a 2ª Guerra Mundial como um esforço permanente para evitar a deterioração das condições econômicas ou crises monetárias do país, com o governo promovendo a expansão de serviços e empregos nas forças armadas e a expansão da indústria bélica que é a maior do mundo. Com quase 40% dos gastos militares em todo o mundo, os Estados Unidos ultrapassam o que os demais países juntos gastam nessa rubrica. O orçamento militar para 2022 foi de 778 bilhões de dólares, e para 2023 sobe para 813 bilhões de dólares.

O poder do complexo militar-industrial dos Estados Unidos foi denunciado pelo presidente Dwight Eisenhower em 1961 ao deixar a presidência da República quando afirmou que o país estava desenvolvendo “um imenso estabelecimento militar e uma grande indústria bélica” cuja influência se fazia sentir em todos os aspectos da vida do país. Embora reconhecesse “a necessidade imperiosa desse desenvolvimento”, não deixava de “compreender suas graves implicações”. Em particular, Eisenhower alertou que é preciso precaver-se “de uma influência injustificada” daquele “complexo militar-industrial” dentro do governo. Ele afirmou que “cada arma fabricada, cada navio de guerra lançado, cada foguete disparado significa, em última análise, um roubo daqueles que estão famintos e não alimentados, daqueles que estão com frio e não têm roupas para se agasalhar” [3] [4]. 

A guerra permanente dos Estados Unidos sustentada pelo complexo industrial-militar canibalizou o país criando um pântano social, político e econômico [2]. A economia de guerra permanente, implantada desde o fim da 2ª Guerra Mundial, contribuiu para destruir a economia privada dos Estados Unidos e desperdiçou trilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes. A monopolização do capital pelo complexo industrial-militar elevou a dívida dos Estados Unidos a US$ 30 trilhões, US$ 6 trilhões a mais que o PIB do país de US$ 24 trilhões. O serviço dessa dívida custa US$ 300 bilhões por ano. Os Estados Unidos pagam um alto custo social, político e econômico por seu belicismo. O governo norte-americano assiste passivamente enquanto os Estados Unidos apodrecem, moralmente, politicamente e economicamente. O aventureirismo militar dos Estados Unidos acelera seu declínio, como ilustram a derrota no Vietnã e o desperdício de US$ 8 trilhões nas guerras no Oriente Médio [1]. 

Nos Estados Unidos, os gastos militares extravagantes são justificados em nome da “segurança nacional”. Os quase US$ 40 bilhões alocados para a Ucrânia, a maior parte indo para as mãos de fabricantes de armas como Raytheon Technologies, General Dynamics, Northrop Grumman, BAE Systems, Lockheed Martin e Boeing, são apenas o começo. Estrategistas militares, que dizem que a guerra será longa e prolongada, estão falando sobre alocação de US$ 4 ou US$ 5 bilhões por mês em ajuda militar à Ucrânia. Enquanto isto, o povo norte-americano enfrenta ameaças existenciais que não são levadas em conta pelo governo. O orçamento proposto para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) no ano fiscal de 2023 é de US$ 10,6 bilhões. O orçamento proposto para a Agência de Proteção Ambiental (EPA) é de US$ 11,8 bilhões. A Ucrânia sozinha recebe dos Estados Unidos mais recursos do que o dobro dessas quantias para sustentar a guerra contra a Rússia. Os problemas sociais e a emergência climática são secundárias para o governo norte-americano. A guerra é tudo o que importa [1].

O governo dos Estados Unidos acredita que a guerra na Ucrânia e as sanções econômicas abalarão a economia da Rússia, rica em gás e recursos naturais, e poderão contribuir para a queda de Vladimir Putin e que a guerra na Ucrânia conterá a crescente influência econômica e militar da Rússia na Europa. Com um governo e uma classe dominante incapazes de salvar sua própria sociedade e sua economia, os Estados Unidos procuram destruir seus concorrentes globais, a Rússia e a China nos planos econômico e militar. A expectativa imediata dos belicistas dos Estados Unidos é eliminar o poder de influência da Rússia na Europa para se concentrarem na guerra econômica e na agressão militar à China no Indo-Pacífico. Se os Estados Unidos puderem cortar completamente o fornecimento de gás russo para a Europa, isso forçará os europeus a comprarem de fornecedores norte-americanos. No plano econômico, os Estados Unidos, cuja taxa de crescimento anual do PIB é da ordem de 2%, busca comprometer a economia da China, cuja taxa de crescimento é da ordem de 5%, para este país não ultrapassá-la. O governo norte-americano está tentando desesperadamente construir alianças militares e econômicas para evitar que a China ultrapasse a dos Estados Unidos em 2028 prevista pelo Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial do Reino Unido (CEBR) [8]. 

O risco é de que a guerra que os Estados Unidos pretende desencadear contra a China poderá devastar as economias chinesa, norte-americana e global, destruindo o livre comércio entre países como ocorreu na 1ª Guerra Mundial e destruindo, também, o processo de globalização econômica e financeira. A segunda consequência do conflito com a China e do declínio dos Estados Unidos é a de que o dólar americano deixe de ser a moeda de reserva mundial precipitando o colapso econômico dos Estados Unidos. Isso forçará a contração imediata do imperialismo norte-americano que será obrigado a fechar a maioria de suas quase 800 bases militares em pelo menos 80 países no exterior. A terceira e pior consequência é a de que a guerra contra a China e, também contra a Rússia, aliada da China, poderá desencadear a 3ª Guerra Mundial que se constituiria no Armagedom, isto é, a guerra final, com a possibilidade de que os contendores aliados e oponentes dos Estados Unidos usem suas armas nucleares.

A situação atual do planeta é dramática. A humanidade se sente esmagada pelas grandes potências mundiais, que a serviço dos respectivos grupos monopolistas, desencadeiam guerras em todo o planeta desrespeitando leis, culturas, tradições e religiões. Invasões em países periféricos, de forma aberta ou sub-reptícia, com argumentos pouco convincentes tem feito parte do cotidiano das grandes potências na sua busca incessante pelo poder mundial ao longo da história mesmo que para isso tenham que desrespeitar leis internas e tratados internacionais. Que fim terá nosso mundo, nossas vidas, se o mundo de hoje virou um caos ingovernável no qual os seres humanos só pensam em poder e riqueza? Pode o homem ser chamado de ser mais inteligente da Terra? Um ser inteligente pregaria a guerra e colocaria em risco seu futuro e dos seus descendentes? É o que fazem hoje com nosso mundo, destroem por dinheiro, matam por riqueza e poder, as vidas já não valem mais nada, nada mais tem valor, tudo isso por poder e riqueza!

A história do mundo é, em larga medida, uma história de guerras, porque os Estados nacionais nasceram de conquistas, guerras civis ou lutas pela independência. Os registros históricos mais antigos que se conhecem já falam de guerras e lutas. Não é, pois, de causar espanto que agora, na época da colheita de todas as más ações geradas pela humanidade, o número de guerras e revoluções cresceu em escala jamais vista nos séculos XX e XXI, tanto em quantidade como em intensidade. A violência dos conflitos no século XX não tem paralelo na história. As guerras do século XX foram “guerras totais” contra combatentes e civis sem discriminação. O século XX foi sem dúvida o mais assassino de que temos registro, tanto na escala, frequência e extensão da guerra como também pelo grande número de catástrofes humanas que produziu, desde as maiores fomes da história até o genocídio sistemático. Todas as “megamortes” ocorridas nas guerras desde 1914 chegaram a um total de 187 milhões de mortos. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até o momento atual, o mundo conheceu 160 guerras quando morreram cerca de 7 milhões de soldados e 30 milhões de civis. É preciso evitar que o ocorrido no século XX se repita no século XXI.

As guerras continuam fazendo parte de nosso cotidiano como demonstram o conflito entre Rússia e Ucrânia que deixa evidenciado o propósito das potências ocidentais (Estados Unidos e países da União Europeia), aliadas da Ucrânia, de enfraquecerem a posição geopolítica da Rússia, que busca retomar o papel mundial antes exercido pela ex-União Soviética, e evitar a ascensão da China como potência hegemônica no planeta. A insolúvel questão palestina, que perdura desde o fim da 1ª Guerra Mundial quando as potências vencedoras contribuíram para a ocupação da Palestina pelo povo judeu e facilitaram a criação do Estado de Israel em detrimento do povo palestino, faz com que os povos palestino e judeu vivam em guerra permanente. A intervenção militar recente dos Estados Unidos no Iraque, Afeganistão, Síria e Líbia completam o quadro de conflitos no Oriente Médio.   

É chegada a hora de a humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários à construção da paz mundial e ao controle de seu destino. Para alcançar estes objetivos, urge o desencadeamento em escala planetária de um movimento pela paz mundial e pela implantação de um governo democrático do mundo que se constitui no único meio de sobrevivência da espécie humana capaz de edificar um mundo no qual cada mulher, cada homem de hoje e de amanhã não sofram, como no passado, as nefastas consequências das guerras. A preservação da paz mundial é a primeira missão de toda nova forma de governo mundial. Ele teria por objetivo a defesa dos interesses gerais do planeta compatibilizando-o com os interesses de cada nação. O governo mundial atuaria para fazer com que o sistema internacional evolua em um ambiente de paz entre as nações apenas no âmbito das relações internacionais não intervindo nos assuntos internos de cada país. Cada país deve ser soberano para atuar nos limites de seu território e não para intervir nos assuntos internos de outros países. O que não seria admitido é qualquer país intervir com o uso da força nos assuntos internos de outros países como tem acontecido ao longo da história. O governo mundial seria a garantia do respeito à soberania dos países do mundo, especialmente dos mais fracos. A ausência de um governo mundial é que representaria uma ameaça à soberania nacional da maioria dos países porque ficariam à mercê dos mais fortes como tem ocorrido ao longo da história. Esta é a forma de impedir que qualquer país intervenha nos assuntos internos de outros países, inclusive as grandes potências econômicas e militares. A grande maioria dos países do mundo se beneficiaria com a existência de um governo democrático mundial.    

REFERÊNCIAS 

1. KENNEDY, Paul. Ascensão e queda das grandes potências: Transformação econômica e conflito militar de 1500 a 2000Rio de Janeiro: Editora Campus, 1989. 

2. HEDGES, Chris. Política de guerra permanente dos EUA destruiu economia e faliu o país’, diz Chris Hedges. Disponível no website <https://horadopovo.com.br/politica-de-guerra-permanente-dos-eua-destruiu-economia-e-faliu-o-pais-diz-chris-hedges/>. 

3. INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS. Estados Unidos: uma economia de guerra contra a sociedade. Disponível no website <https://www.ihu.unisinos.br/categorias/618204-estados-unidos-uma-economia-de-guerra-contra-a-sociedade>.

4. WIKIPEDIA. Complexo militar-industrial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_militar-industrial>.

5. MAGNOTTA, Fernanda. Nos EUA, complexo industrial-militar se beneficia com a Guerra da Ucrânia. Disponível no website <https://noticias.uol.com.br/colunas/fernanda-magnotta/2022/05/07/nos-eua-complexo-industrial-militar-se-beneficia-com-a-guerra-da-ucrania.htm>.

6. WIKIPEDIA. War economy. Disponível no website <https://en.wikipedia.org/wiki/War_economy>.

7. ALCOFORADO, Fernando. O imperativo do fim do complexo industrial-militar e da economia de guerra no mundo. Disponível no website <https://www.academia.edu/101868099/O_IMPERATIVO_DO_FIM_DO_COMPLEXO_INDUSTRIAL_MILITAR_E_DA_ECONOMIA_DE_GUERRA_NO_MUNDO>.

8. BBC NEWS BRASIL. Por que a economia chinesa deve passar a dos EUA em 2028, 5 anos antes do previsto. Disponível no website <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55496970>.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).