O RISCO DE ECLOSÃO DA 3ª GUERRA MUNDIAL

Fernando Alcoforado* 

Este artigo tem por objetivo demonstrar que o mundo corre o risco de eclosão da 3ª Guerra Mundial que poderá ser evitada se houver a celebração de um acordo de paz entre os presidentes Joe Biden e Wladimir Putin para acabar, inicialmente, com a guerra na Ucrânia e, posteriormente, com a reforma do sistema internacional para acabar com as guerras em todo o mundo. Desde 2014, a Ucrânia tem sido objeto de nossa atenção quando demos início à análise de seus problemas políticos internos até a eclosão do conflito com a Rússia e o envolvimento dos Estados Unidos e da OTAN. Desde 2014, publicamos os artigos descritos a seguir: 

·      Ucrânia em ebulição e suas consequências- 07/03/2014

·      Os desafios da Ucrânia- 02/04/2014

·      Tendências geopolíticas da era contemporânea- 16/12/2014

·      O complexo impasse político no conflito Rússia-Ucrânia- 20/02/2015

·      O conflito Rússia e Ucrânia como novo foco de guerra no mundo- 31/01/2022

·      Cenários futuros da guerra entre Rússia e Ucrânia- 25/02/2022

·      A verdadeira causa da guerra na Ucrânia e das guerras atuais no mundo- 01/03/2022

·      As lições da guerra entre Rússia e Ucrânia- 06/03/2022

·      Como a guerra na Ucrânia pode chegar ao fim e como acabar definitivamente com as guerras no mundo- 13/03/2022

·        A guerra na Ucrânia e o fim da globalização contemporânea- 18/03/2022

·      A irresponsável diplomacia americana na guerra da Ucrânia pode conduzir à 3ª guerra mundial- 11/02/2022

·      A guerra e a paz entre Estados Unidos e Rússia- 23/02/2023

No último artigo que publicamos, afirmamos que a irresponsável ação do governo dos Estados Unidos no caso da guerra da Ucrânia pode conduzir à 3ª Guerra mundial. Ao invés de tentar negociar uma solução negociada com a Rússia para a guerra na Ucrânia, o governo Biden preferiu o confronto estabelecendo sanções econômicas contra a Rússia e seus cidadãos, além de armar o governo da Ucrânia para resistir à invasão russa. O próprio Biden, em declaração dada no dia 6 de outubro de 2022, durante um evento do Partido Democrata, em Nova Iorque, afirmou que vê risco de “Armagedom” nuclear — guerra final — que está no nível mais alto desde a Guerra Fria ao citar que Putin “não está brincando” quando fala sobre o uso potencial de armas nucleares táticas, armas químicas ou biológicas, porque seu Exército é significativamente menos capaz. Segundo ele, o uso de uma arma nuclear poderia sair do controle e levar à destruição global. Esta afirmação demonstra que Biden age de forma irresponsável porque sabe do risco de uma hecatombe nuclear e nada faz para evitá-la buscando uma solução negociada diplomaticamente com a Rússia.  

No website <https://outraspalavras.net/outrasmidias/chomsky-em-busca-da-paz-na-ucrania/> está apresentada uma entrevista do respeitado intelectual Noam Chomsky a Anne Guion, no La Vie, publicado 02/03/2023, quando afirmou em entrevista que Washington quer prolongar a guerra ao máximo, para anular a Rússia. Riscos de conflagração global crescem e é preciso que ressurja o movimento pacifista. Chomsky afirmou que os Estados Unidos, agora uma parte importante do conflito, decidiram que a guerra deve continuar para enfraquecer severamente a Rússia. O que significa que eles não querem um acordo diplomático. Como resultado, praticamente todas as discussões, segundo Chomsky, tanto nos Estados Unidos como na Europa, são sobre quais medidas tomar para intensificar a guerra. Quanto mais o conflito se alongar, mais devastada a Ucrânia ficará. A guerra tem efeitos colaterais em todo o mundo, e há uma ameaça crescente de guerra nuclear. Noam Chomsky pede a abertura urgente de negociações para acabar com a guerra na Ucrânia, para acabar com o massacre, evitar uma conflagração geral e, acima de tudo, permitir que o mundo finalmente se concentre na extraordinária crise climática que deve enfrentar, antes que seja tarde demais. Segundo Chomsky, devido à guerra na Ucrânia, novas jazidas de combustíveis fósseis estão sendo exploradas que estarão em produção por várias décadas. Para ele, isto é, na verdade, uma sentença de morte para a espécie humana. Nós temos, portanto, que fazer uma escolha, isto é, fazer um acordo diplomático.

Igor Gielow publicou no website <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/03/eua-alertam-para-risco-de-guerra-nuclear-com-china-e-russia.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo> o artigo “EUA alertam para risco de guerra nuclear com China e Rússia”. Neste artigo, há a afirmação do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, General Mark Milley, de que o conflito não é inevitável, mas pede dinheiro ao Congresso para dissuadir rivais. Segundo Milley, pela primeira vez na história, os Estados Unidos enfrentam o risco de uma guerra com duas potências nucleares ao mesmo tempo, a China e a Rússia. Lutar simultaneamente contra elas seria muito difícil, apesar das capacidades militares americanas. Este alarmismo de Milley busca sensibilizar os congressistas. O general pediu a aprovação do maior orçamento de Defesa da história dos Estados Unidos. Ele delineou todos os elementos de risco em curso. Afirmou, por exemplo, que Putin continua a usar retórica e postura nucleares irresponsáveis enquanto a Rússia fazia um dos maiores exercícios com mísseis intercontinentais da história recente. O general Mark Milley afirmou que os Estados Unidos e a Rússia detêm pouco mais de 90% das 13 mil ogivas espalhadas pelo mundo. Milley afirma que a China tem milhares de mísseis de alcance local nos seus arsenais, que seriam de difícil contenção pelos Estados Unidos com seu inventário atual, defendendo investimento em armas hipersônicas e outras. Ele diz que o potencial para conflito armado está crescendo. A China permanece como desafio número 1 de segurança geoestratégica de longo prazo citando a expansão militar da China no Indo-Pacífico e as medidas americanas contra isso, como patrulhas (pediu mais navios) e o pacto militar Aukus que fornecerá submarinos nucleares para a Austrália. 

Tudo que acaba de ser descrito mostra que o xadrez geopolítico internacional aponta a existência de 3 grandes protagonistas: Estados Unidos, China e Rússia. Tomando por base os 3 grandes protagonistas do xadrez geopolítico internacional contemporâneo, pode-se afirmar que os Estados Unidos têm por objetivo evitar perder sua hegemonia mundial nos planos econômico e militar para a China e a Rússia. Para alcançar este objetivo, as estratégias do governo norte-americano consistem, fundamentalmente, no seguinte: 1) barrar a ascensão da China como potência hegemônica do planeta; e, 2) impedir a Rússia de alçar à condição de grande potência dominante na Europa. O artigo Hacia una nueva guerra fría (Rumo a uma nova guerra fria) publicado no website <https://blogs.publico.es/cronicas-insumisas/2022/12/25/hacia-una-nueva-guerra-fria/> em 25 de dezembro de 2022, informa que a cúpula da OTAN em junho de 2022 em Madri aprovou o Novo Conceito Estratégico (NCE), e confirmou o que já vinha sendo traçado pelos Estados Unidos em relação à geopolítica mundial, direcionando sua atenção para a China porque, embora o NCE indique a Rússia para sua invasão da Ucrânia como ameaça, é a China que se preocupa por considerá-la uma potência que desestabiliza seus interesses hegemônicos. Uma nova etapa na política externa dos Estados Unidos foi reafirmada na nova Estratégia de Segurança Nacional (NNS) aprovada em outubro de 2022, onde se declara abertamente que o perigo vem da China, tanto no plano econômico quanto no militar. Enquanto a Rússia é reduzida a um perigo limitado apenas à segurança da Europa central. Algo que se verifica ao observar como os Estados Unidos têm deslocado capacidades militares para o Oceano Pacífico e Sudeste Asiático. Uma estratégia que considera uma fase presidida pelo agravamento das tensões políticas e militares entre os Estados Unidos e a China, e os respetivos aliados. 

Tudo isto significa dizer que a nova estratégia geopolítica dos Estados Unidos produzirá graves consequências nas esferas política e econômica, pois levará a um aumento do militarismo e do belicismo que levará a uma corrida armamentista com o consequente aumento dos gastos militares, produção e comércio de armas. A indústria bélica dos Estados Unidos ganhará muito dinheiro com a venda de armamentos para seus aliados. Algo que se verifica, por exemplo, no Japão, onde o governo japonês decidiu aumentar o seu orçamento de defesa (hoje 1% do PIB) para chegar a 2% do PIB em 2027 e colocar-se no mesmo nível dos países da OTAN. Trata-se de um aumento gigantesco que porá fim à tradicional política não militarista do Japão, uma vez que este enorme aumento será destinado a melhorar as suas capacidades militares em novas armas, anunciando a aquisição de drones de combate, mísseis Tomahawk e os temíveis mísseis hipersônicos capazes de variar sua trajetória em voo para evitar contra-mísseis inimigos. Um anúncio que imediatamente soou o alarme na China, Coreia do Sul e Filipinas, países que sofreram a criminosa invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. O artigo Hacia una nueva guerra fría, informa que um aumento do belicismo está ocorrendo, também, na Europa, como por exemplo, na Alemanha, França e Espanha, enquanto a União Europeia prevê um aumento de 32,7% (70 bilhões de Euros em três anos) sobre os gastos atuais de 214 bilhões de Euros para fornecer aos países membros recursos para adquirir novas armas na Revisão Anual Coordenada de Defesa (CARD). 

Esta situação nos remete à uma situação onde as grandes potências se enfrentam numa desmedida “guerra” pela hegemonia, hoje uma luta entre países capitalistas. Na guerra na Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se enfrentam pela hegemonia no centro da Europa. O mesmo pode ocorrer entre o bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos contra o bloco oriental liderado pela China e seus aliados no Tratado de Xangai de cooperação e segurança com Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e observadores como o Irã. Este confronto antevê um futuro cheio de tensões, conflitos e alguma guerra periférica. Já estamos vivendo uma era em que, enquanto os governos gastam recursos na expansão de suas capacidades bélicas, as populações de todos os países do norte e do sul globais verão suas condições de vida retrocederem haja vista que muitos de seus governos decidiram alocar recursos para a segurança militar (armas e exércitos) quando deveriam ser alocados para a segurança humana, isto é, para promover trabalho, moradia, saúde, cultura, serviços sociais e preservar o meio ambiente que proporcionem uma vida digna de ser vivida. 

Carl Von Clausewitz (1790 – 1831), militar prussiano, especialista em estratégias militares e autor do mais famoso tratado sobre o tema da guerra no Ocidente, “Da Guerra”, ou “Sobre a Guerra”, publicado em 1832, afirmou que “a guerra é a continuação da política por outros meios” (CLAUSEWITZ, Carl Von. Da Guerra. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010). Segundo Clausewitz, a guerra é um ato de violência destinado a forçar o inimigo a submeter-se à sua vontade”. Esta tese de Clausewitz não se aplica quando se trata do confronto entre grandes potências nucleares como é o caso dos Estados Unidos, Rússia e China. Nenhum deles tem poder suficiente para desencadear uma guerra contra o outro para impor sua vontade ao inimigo. Esta tese não se aplica nem mesmo no confronto entre uma grande potência nuclear como os Estados Unidos e um minúsculo país como a Coreia do Norte que é, também, detentor de armas nucleares que podem atingir o território norte-americano. Outro grande pensador sobre a guerra foi Sun Tzu que escreveu entre o século V a.C. e III a.C. A Arte da Guerra, que é entendido como o tratado mais antigo sobre esse assunto (Sun Tzu. A Arte da Guerra. Jandira-SP: Editora Ciranda Cultural, 2019). Sun Tzu afirmou que “a guerra deveria ser conduzida de forma a ser solucionada rapidamente, uma vez que uma guerra longa empobreceria o reino, seria penosa para os soldados, traria muitas mortes e prejudicaria a honra daquele que estivesse à frente dos soldados”. O governo dos Estados Unidos não está seguindo o conselho de Sun Tzu na estratégia de guerra dos Estados Unidos contra a Rússia e contra a China que deve ser longa em prejuízo do próprio país.   

O genial Sun Tzu apresenta vários conselhos que o governo dos Estados Unidos não vem seguindo como os descritos a seguir: 

1.    Não há exemplos de uma nação beneficiando-se da guerra prolongada. Para exemplificar, os Estados Unidos não se beneficiaram da guerra prolongada no Vietnam, no Iraque e no Afeganistão.

2.    Quando cercar o inimigo, deixe uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte. Para exemplificar, após a 1ª Guerra Mundial, os aliados vitoriosos impuseram com o Tratado de Versalhes sanções econômicas, perda de território e o desarmamento da Alemanha não deixando uma saída para este país a não ser desencadear a 2ª Guerra Mundial. No confronto atual com a Rússia, os Estados Unidos não estão deixando uma saída para Putin que, em último caso, pode fazer o uso de armas nucleares de consequências danosas para a humanidade. 

3.    A vitória é o principal objetivo na guerra, mas o verdadeiro propósito da guerra é a paz. Os Estados Unidos não seguem o conselho de Sun Tzu porque a paz não é o seu principal objetivo no confronto com a Rússia e a China. Seu propósito é tentar impor sua vontade aos inimigos em uma guerra prolongada com custos elevados.

4.    A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutarDerrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso lutar. Os Estados Unidos buscam derrotar a Rússia sem sua participação direta no conflito na Ucrânia, mas que não terá o sucesso pretendido porque a Rússia é invencível.

5.    Evitar guerras é muito mais gratificante do que vencer mil batalhas. Este é que deveria ser o esforço a ser desenvolvido pelos Estados Unidos, pela Rússia e pela China haja vista o custo das guerras em vidas humanas e recursos financeiros envolvidos não justificaria a sua existência.

No conflito da Ucrânia, diante da impossibilidade do governo dos Estados Unidos impor sua vontade à Rússia urge a celebração de um acordo de paz entre os presidentes Biden e Putin para acabar com a guerra na Ucrânia porque a guerra entre a Rússia e a Ucrânia pode evoluir para um conflito que se estenderia pela Europa e pelo mundo se transformando em guerra mundial. Se isto ocorrer abriria o caminho para o envolvimento das grandes potências militares de consequências imprevisíveis com o uso de armas nucleares. É preciso que todos entendam que a guerra na Ucrânia é cenário da disputa entre Rússia e Estados Unidos. De um lado, temos os Estados Unidos que desejam a presença da OTAN na Ucrânia e, de outro, temos a Rússia que não quer a presença da OTAN na Ucrânia. A guerra na Ucrânia só chegará ao fim se Biden e Putin chegarem a um acordo sobre o fim do conflito entre Rússia e Estados Unidos com a supervisão da ONU. O acordo inicial entre Biden e Putin poderia ocorrer com a Rússia aceitando o cessar fogo na Ucrânia com a condição de os Estados Unidos desistirem da incorporação da Ucrânia à OTAN. O acordo definitivo consistiria em a Rússia acabar com suas hostilidades na Ucrânia liberando territórios ocupados neste país, à exceção da Crimeia, assumindo o ônus de reconstruir o que foi destruido pela guerra com a condição de os Estados Unidos e a OTAN abandonarem os países do leste europeu e a Finlândia que a ela aderiram voltando para os limites existentes em 1997 e assumirem o compromisso de removerem as sanções econômicas e financeiras adotadas contra a Rússia.

O acordo entre Biden e Putin seria vantajoso para para a Ucrânia, a Rússia, os Estados Unidos, a Europa e para o mundo. A Ucrânia ganharia com este acordo porque acabaria o sofrimento de sua população, evitaria a ocupação militar de seu território pela Rússia, recuperaria sua soberania sobre o território nacional e teria a reconstrução do país realizado pela Rússia. A Rússia ganharia com este acordo porque haveria a remoção das sanções econômicas e financeiras contra ela adotadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais, haveria o abandono da pretensão da OTAN de adesão da Ucrânia como um dos seus paises integrantes e o compromisso dos Estados Unidos e da OTAN de abandonarem os 14 países do leste europeu (Albânia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estónia, Hungria, Letônia, Lituânia, Macedónia do Norte, Montenegro, Polónia, Romênia e República Tcheca) e a Finlândia que ingressou recentemente na organização. Os Estados Unidos ganhariam com o acordo porque deixaria de ocorrer a desestabilização de sua economia com uma guerra prolongada. A Europa ganharia com o acordo porque desapareceria a ameaça de cessação do suprimento do petróleo e do gás natural da Rússia e de desestabilização de suas economias com uma guerra prolongada. O mundo ganharia com o acordo porque deixaria de ocorrer a desestabilização da economia mundial com graves repercussões nas economias de todos os países e desapareceria a ameaça de nova guerra mundial que levaria ao fim da espécie humana. Para Biden e Putin celebrarem este acordo de paz, é preciso que a ONU, através de seu secretário geral, saia de sua passividade na busca da paz mundial e a China e todos os países amantes da paz se mobilizem visando sua realização.

Para afastar definitivamente novos riscos de uma nova guerra mundial e que a se concretize a paz perpétua em nosso planeta, seria preciso a reforma do sistema internacional atual que é incapaz de garantir a paz mundial. O novo sistema internacional deveria funcionar com base em um Contrato Social Planetário que seria a Constituição do planeta Terra. Para a elaboração do Contrato Social Planetário deveria haver a convocação de uma Assembleia Mundial Constituinte com a participação de representantes de todos os países do mundo eleitos para este fim. O Contrato Social Planetário deveria estabelecer a existência de um Governo Mundial cujo presidente deveria ser eleito com mais de 50% de votos do Parlamento Mundial a ser, também, constituído com representantes eleitos nos diversos países do mundo. Além do Governo Mundial e do Parlamento Mundial, deveria ser constituida, também, a Corte Suprema Mundial que deveria ser composta por juristas de alto nivel do mundo escolhido pelo Parlamento mundial que atuariam por tempo determinado. A Corte Suprema Mundial deveria julgar os casos que envolvam litigios entre paises, os crimes contra a humanidade e contra a natureza praticados por Estados nacionais e por governantes à luz do Contrato Social Planetário, julgar conflitos que existam entre o Governo Mundial e o Parlamento Mundial e atuar como guardiã do Contrato Social Planetário. O Governo Mundial não terá Forças Armadas próprias devendo contar com o respaldo de Forças Armadas dos países que seriam convocados quando necessário.  

Portanto, com esta sistemática o Parlamento Mundial legislaria com sucesso por meio de um processo democrático. Não haveria a necessidade de um ente que atuaria como policial do mundo porque quem exerceria o poder seria o Presidente do Governo Mundial que usaria as Forças Armadas de determinados países que seriam convocadas quando necessário. O novo estado de direito internacional seria executado pelos três poderes constituídos: Governo Mundial, Parlamento Mundial e Corte Suprema Mundial. O poder mundial repousaria no Governo Mundial, no Parlamento Mundial e na Corte Suprema Mundial. O poder mundial não corromperia nem seria corrompido porque haveria a vigilância de  todos os poderes constituídos. Governo Mundial, Parlamento Mundial e Corte Suprema Mundial atuariam como freios e contrapesos visando a eficiência e eficácia do sistema internacional.

Estas são, portanto, as medidas que deveriam ser adotadas a curto prazo para acabar com a guerra na Ucrânia e, a médio e longo prazo, para acabar definitivamente com as guerras no mundo. Os cidadãos de todo o mundo amantes da paz deveriam se mobilizar em seus países para exigirem de seus governos e da ONU o empenho na concretização da paz mundial para evitar a eclosão da 3ª Guerra Mundial.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

COMMENT COMBATTRE LA STAGFLATION AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que la stagflation qui affecte l’économie brésilienne ne sera surmontée qu’avec la fin de la dépendance du Brésil aux importations d’intrants, de composants et de produits qui sont principalement responsables de la hausse de l’inflation dans le pays. Selon un rapport de l’Institute of International Finance (IIF) publié le 19 avril 2022, le Brésil et d’autres pays émergents connaissent un processus de stagflation. Le terme stagflation vient de la combinaison des mots « stagnation » et « inflation ». Fondamentalement, cela se produit lorsqu’un pays connaît une hausse accélérée des prix au milieu d’une baisse de l’activité économique, comme c’est le cas au Brésil. Au Brésil, la forte inflation et la stagnation de l’activité économique caractérisent bien cette situation. Le Brésil est confronté au phénomène de stagflation qui se produit lorsqu’il y a une accélération de la hausse des prix au milieu d’une baisse de l’activité économique. La combinaison de la hausse de l’inflation, du ralentissement de l’activité économique et de la hausse du chômage est extrêmement préoccupante pour l’économie brésilienne.

Le rapport de l’IIF souligne que l’économie brésilienne ne s’était pas remise des récessions précédentes, lorsque la pandémie et plus récemment la guerre entre la Russie et l’Ukraine se sont produites, ce qui a provoqué une insuffisance ou un choc dans l’approvisionnement mondial en intrants, composants et produits, provoquant un déséquilibre dans les chaînes de production qui se sont traduites par la hausse des prix en général. Les chocs d’offre mondiaux ont stimulé l’inflation dans plusieurs pays émergents comme le Brésil. Sur la base de ce rapport, on peut affirmer que les taux d’inflation élevés au Brésil résultent de facteurs externes avec la baisse de l’offre d’intrants, de composants et de produits importés et non de facteurs internes à l’économie brésilienne. Récemment, après un manque de pièces importées et une baisse des ventes, les constructeurs automobiles brésiliens ont paralysé leur production et accordé des congés collectifs à leurs ouvriers. Le ralentissement de l’activité économique, la forte inflation et les taux d’intérêt élevés au Brésil déçoivent les attentes du secteur automobile et conduisent les entreprises à ajuster leurs plans de production.

L’activité économique générale du Brésil est trop faible pour être le principal moteur des pressions sur les prix intérieurs et générer de l’inflation. Au Brésil, l’inflation n’est pas due à la demande intérieure mais aux coûts car elle est causée par des chocs sur l’offre mondiale d’intrants, de composants et de produits importés dont la hausse des prix interfère avec les prix intérieurs au Brésil. Cela signifie que l’inflation au Brésil est principalement causée par une offre insuffisante d’intrants, de composants et de produits importés dont dépend l’économie brésilienne. On peut déduire de ce fait que l’inflation est une conséquence des déséquilibres causés par l’énorme dépendance de l’économie brésilienne vis-à-vis des marchés étrangers résultant de l’ouverture économique du marché brésilien aux importations depuis 1990, c’est-à-dire avec l’insertion du Brésil dans le processus de mondialisation. En d’autres termes, l’inflation actuelle au Brésil est une conséquence de l’énorme dépendance du Brésil vis-à-vis des intrants, composants et produits importés.

Cette situation remet en cause les politiques communément adoptées par le gouvernement brésilien et la Banque centrale du Brésil pour lutter contre la stagflation car est beaucoup plus difficile à atteindre pour les deux à trouver l’équilibre entre leurs politiques. Si le gouvernement brésilien adopte des politiques de développement visant à stimuler l’économie, à augmenter le pouvoir d’achat de la population et à créer plus d’emplois et que la Banque centrale réduit les taux d’intérêt pour encourager l’activité économique, l’inflation peut devenir incontrôlable et, d’autre part, si le Banque centrale adopte des politiques pour contenir l’inflation en augmentant les taux d’intérêt, cela pourrait encore ralentir l’économie et générer plus de chômage, comme cela s’est produit au Brésil, en contradiction avec la politique de développement du gouvernement brésilien.

Cette situation rend impossible pour le gouvernement brésilien de promouvoir l’expansion de l’économie brésilienne et pour la Banque centrale de contrôler l’inflation comme c’est actuellement le cas entre le gouvernement Lula et la Banque centrale du Brésil, car les deux ont des objectifs différents. La dépendance extérieure du Brésil vis-à-vis des importations d’intrants, de composants et de produits importés dont les prix ont augmenté est la principale cause de l’inflation dans le pays, qui ne peut être maîtrisée que si le gouvernement brésilien rompt avec cette dépendance. Pour favoriser son développement et maîtriser l’inflation, le Brésil doit surmonter sa forte dépendance vis-à-vis des intrants, des composants et des produits importés, que ce soit dans les secteurs industriel, commercial, des services et financier. L’article Le capital étranger au Brésil : pouvoir et contrôle de la richesse dans Le capital étranger au Brésil de Regina Camargos et alli [1] informe que le Brésil est extrêmement dépendant du capital étranger, qui a une large participation dans l’économie brésilienne, que ce soit dans le secteur industriel, commerce et services.

Sur la base des données de 2016 des 200 plus grands groupes économiques, impliquant plus de 5 000 entreprises, il est possible d’avoir une base pour la présence de capitaux étrangers transnationaux au Brésil. Les 200 groupes totalisent 3 900 milliards de reais de revenus, soit 64 % du PIB, dont 27 % proviennent de groupes étrangers. Lorsque Petrobras, Bradesco, Itaú et Banco do Brasil ne sont pas considérés, la participation des étrangers atteint 37 %. Sans le secteur financier, en ne considérant que les secteurs du commerce, de l’industrie et des services, la participation des groupes transnationaux est de 36%. L’économie brésilienne est transnationalisée et fait partie du circuit productif du grand capital transnational. Dans le secteur industriel, les entreprises transnationales représentent 28% du chiffre d’affaires (37% sans Petrobras) et se situent sur des segments dynamiques aux standards technologiques les plus élevés : matériel de transport (véhicules et pièces), métallurgie, électronique, chimie et agro-alimentaire. Ils sont au cœur de la chaîne de valeur de chaque segment. Dans le secteur des services, la participation des sociétés de capitaux étrangères qui ont acquis des entreprises des secteurs des télécommunications et de l’énergie s’est accrue. Ces sociétés sont responsables de 44 % des revenus du secteur (48 % sans Telebras).

Dans le secteur du commerce, les transnationales se concentrent sur les segments des commodités et de la grande distribution, maillons centraux de contrôle dans ces chaînes. Au sein des groupes, les transnationales représentent 47% du chiffre d’affaires. Ainsi, la présence de grandes sociétés transnationales dans l’économie brésilienne est évidente. Ils occupent des segments qui sont au cœur des chaînes de valeur, leur permettant un contrôle stratégique de la production et de la commercialisation (aller et retour) dans chaque filière. Ce fait leur garantit l’appropriation de la valeur créée dans les différents maillons de la chaîne. Dans le segment du matériel de transport, par exemple, les constructeurs automobiles sont au centre de contrôle de la chaîne. Il a le pouvoir de déterminer les prix de ses fournisseurs et, par conséquent, de s’approprier une partie de ses profits grâce au pouvoir d’oligopsone. Elle détient le pouvoir sur la chaîne d’acheminement, la commercialisation et les services de ses concessionnaires, s’appropriant également la valeur qui y serait ajoutée. Un autre exemple est la filière des produits de base. D’un côté, les grandes entreprises qui contrôlent les semences et les intrants ; de l’autre, les grands commerçants. Le producteur agricole voit sa marge bénéficiaire coincée entre deux géants qui s’approprient la valeur qu’il crée.

La dépendance du Brésil vis-à-vis des pays étrangers dans le secteur financier est démontrée dans l’article La participation du capital étranger dans le secteur financier brésilien dans Le capital étranger au Brésil de Regina Camargos et alli [2]. Selon des données récentes de la Banque centrale, les banques étrangères représentent 14% du total des actifs et 31% du solde des opérations de crédit dans le secteur financier du pays. En termes de participation au crédit, la situation actuelle est un peu meilleure qu’en 2005 et ce même parce que, depuis lors, il y a eu une expansion vigoureuse du volume des opérations de crédit dans le pays pour toutes les institutions financières. Dans les années où l’économie brésilienne a le plus progressé – 2010 et 2011 –, la participation des banques étrangères au total des crédits offerts à la société a atteint le niveau de 40 %, presque égal à celui des banques publiques. Avec le ralentissement de l’économie, la participation a chuté à son niveau actuel de 31 %.

Le tableau 1 caractérise la forte dépendance extérieure du Brésil vis-à-vis des importations d’intrants pour l’industrie manufacturière.

Tableau 1- Dépendance extérieure du Brésil vis-à-vis des intrants

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Source : https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

Le tableau 1 met en évidence la dépendance de l’industrie brésilienne vis-à-vis des importations d’intrants et de composants plus élaborés et sophistiqués, selon la déclaration de Marta Watanabe dans l’article Dépendance croissante de l’industrie de haute technologie vis-à-vis des biens importés [3]. Au cours de l’exercice biennal 2003/2004, la part des intrants importés par rapport au total appliqué à la production brésilienne était de 16,5%, part qui est passée à 24,4% dix ans plus tard. La plus grande progression a été concentrée dans les secteurs les plus à forte intensité technologique. Alors que le coefficient d’importation de la production de faible et moyenne-basse technologie est passé de 10,8% à 13,6% sur la période, celui de la haute et moyenne-haute technologie a bondi de plus de douze points de pourcentage, passant de 26,3% à 38,7%. Les secteurs qui ont des coefficients d’intrants intermédiaires importés très élevés sont les technologies de l’information, l’électronique et l’optique, les produits pharmaceutiques, les autres équipements de transport et la chimie. Les secteurs des technologies de l’information, de l’électronique et de l’optique ont un niveau d’importation extrêmement élevé. Plusieurs classes de ce secteur ont importé plus de 70% des intrants et composants échangeables. Au total, 60 classes industrielles ont importé, en 2016, au moins un tiers des intrants et composants utilisés dans leur processus de production. Le groupe représente moins d’un quart du total des 258 classes industrielles existant dans le pays, mais comprend 48 segments responsables d’environ les deux tiers de la production industrielle brésilienne de haute et moyenne-haute technologie.

Le tableau 2 renseigne sur les segments économiques du Brésil dont la plupart importent des intrants et des composants.

Tableau 2- Segments économiques au Brésil qui importent le plus d’intrants et de composants

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Source : https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

Le tableau 3 présente les 10 principaux produits importés par le Brésil en 2022.

Tableau 3- Produits importés par le Brésil en 2022

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Source: https://www.talura.io/blog/confira-o-top-10-produtos-mais-exportados-e-importados-pelo-brasil-em-2022

Les chiffres présentés dans les tableaux 1, 2 et 3 montrent la grande dépendance du Brésil vis-à-vis des intrants, composants et produits importés, qui résulte essentiellement du fait qu’une grande partie de la structure de production du Brésil est constituée d’entreprises étrangères liées à leurs fournisseurs internationaux. C’est cette situation de dépendance du Brésil vis-à-vis des intrants, composants et produits importés de l’étranger, dont les prix n’ont cessé d’augmenter, qui explique l’incapacité du gouvernement brésilien à contrôler l’inflation ces dernières années. C’est une tâche herculéenne pour le gouvernement brésilien de contrôler l’inflation au Brésil en raison des prix élevés des intrants, des composants et des produits importés qui se produisent à l’extérieur du pays. Le contrôle de l’inflation ne peut se produire que lorsque la dépendance du pays vis-à-vis des importations d’intrants, de composants et de produits avec sa production au Brésil est surmontée.

Le Brésil est le 29e plus grand pays importateur au monde, selon les données du MDIC (Ministère du Développement, de l’Industrie et du Commerce extérieur) du pays. Le tableau 4 présente la valeur des importations en provenance du Brésil de 2016 à 2019.

Tableau 4- Valeur des importations en provenance du Brésil de 2016 à 2019

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De ce qui précède, il ressort que, pour contrôler l’inflation au Brésil, il est nécessaire que le gouvernement brésilien contrôle les prix des intrants, composants et produits importés et favorise sa production nationale en adoptant la politique de substitution des importations. Cette solution prendra du temps avant que le dépassement de la dépendance du Brésil vis-à-vis des intrants, composants et produits importés ait les effets escomptés. Un fait est incontestable : le Brésil ne maîtrisera pas l’inflation et ne favorisera pas son développement sans mettre fin à sa dépendance vis-à-vis des importations d’intrants, de composants et de produits importés de l’étranger. Cependant, le dépassement de la dépendance ne peut pas se faire brusquement car cela conduirait à l’effondrement de sa structure économique, qui est profondément dépendante du monde extérieur. C’est une impasse aux proportions gigantesques. De ce fait, le dépassement de la dépendance du pays vis-à-vis de l’étranger doit se faire de manière progressive, planifiée et durable dans le temps, avec l’adoption de politiques de substitution des importations et le renforcement de l’industrie nationale, des centres de recherche scientifique et technologique et des universités publiques et privées pour promouvoir la substitution d’intrants, de composants et de produits importés afin d’assurer l’autosuffisance nationale et, par conséquent, le développement économique et social du Brésil [4].

Tout ce qui vient d’être exposé montre clairement que la maîtrise de l’inflation ne peut se limiter à la recherche de l’équilibre des comptes publics et à l’adoption de taux d’intérêt de base adéquats pour l’économie (Selic), qui fait aujourd’hui l’objet de nombreuses discussions au Brésil . Le manque de maîtrise de l’inflation au Brésil résulte aujourd’hui fondamentalement de la très forte présence dans l’économie brésilienne d’entreprises étrangères étroitement liées à des fournisseurs mondiaux qui leur sont liés d’intrants, de composants et de produits dont l’inflation de leurs prix est transférée au marché intérieur brésilien marché. Cette situation remet en cause la logique de vouloir contrôler l’inflation en augmentant les taux d’intérêt, ce qui ne s’appliquerait que dans une économie sans ingérence extérieure, ce qui n’est pas le cas de l’économie brésilienne. Tout cela conduit à la conclusion que non seulement l’inflation ne sera pas maîtrisée, mais aussi que le gouvernement brésilien ne pourra pas promouvoir le développement économique et social du pays sans surmonter sa dépendance économique et technologique vis-à-vis du monde extérieur.

LES RÉFÉRENCES

[1]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO. Capital Estrangeiro no Brasil: poder e controle sobre a riqueza in Capital estrangeiro no Brasil. Disponible sur le site Web <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[2]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO.  A participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro in Capital estrangeiro no Brasil. Disponible sur le site Web <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[3] Watanabe, Marta. Cresce dependência da indústria de alta tecnologia por importado. Disponible sur le site Web <https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/>, 2019.

[4] ALCOFORADO, Fernando.  A dependência do Brasil em relação ao exterior e como superá-la. Disponible sur les sites Web <https://www.slideshare.net/Faga1939/a-dependncia-do-brasil-em-relao-ao-exterior-e-como-superlapdf?next_slideshow=true> and <https://www.youtube.com/watch?v=dvUiHvZWpSY>.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

HOW TO COMBAT STAGFLATION IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the stagflation that affects the Brazilian economy will only be overcome with the end of Brazil’s dependence on imports of inputs, components and products that are mainly responsible for the increase in inflation in the country. According to a report by the Institute of International Finance (IIF) released on April 19, 2022, Brazil and other emerging countries are experiencing a process of stagflation. The term stagflation comes from the combination of the words “stagnation” and “inflation”. Basically, this occurs when a country experiences an accelerated rise in prices in the midst of a drop in economic activity, as is the case in Brazil. In Brazil, high inflation and the stagnation of economic activity characterize this situation well. Brazil faces the phenomenon of stagflation that occurs when there is an accelerated rise in prices in the midst of a drop in economic activity. The combination of rising inflation, a slowdown in economic activity and rising unemployment is extremely worrying for Brazil’s economy.

The IIF report points out that the Brazilian economy had not recovered from previous recessions, when the pandemic and more recently the war between Russia and Ukraine occurred, which caused an insufficiency or shock in the global supply of inputs, components and products, causing an imbalance in the production chains which were reflected in the increase in prices in general. Global supply shocks boosted inflation in several emerging countries like Brazil. Based on this report, it can be stated that the high inflation rates in Brazil result from external factors with the drop in the supply of inputs, components and imported products and not from factors internal to the Brazilian economy. Recently, after a lack of imported parts and a drop in sales, Brazilian automakers paralyzed their production and gave collective vacations to their workers. The slowdown in economic activity, high inflation and high interest rates in Brazil are frustrating the expectations of the automobile sector and leading companies to adjust their production plans.

Brazil’s general economic activity is too weak to be the main driver of pressures on domestic prices and generate inflation. In Brazil, inflation is not due to internal demand but to costs because it is being caused by shocks in the global supply of inputs, components and imported products whose rising prices interfere with domestic prices in Brazil. This means that inflation in Brazil is mainly caused by insufficient supply of inputs, components and imported products on which the Brazilian economy depends. It can be deduced from this fact that inflation is a consequence of imbalances caused by the huge dependence of the Brazilian economy on foreign markets resulting from the economic opening of the Brazilian market to imports since 1990, that is, with the insertion of Brazil in the globalization process. In other words, the existing inflation in Brazil is a consequence of Brazil’s huge dependence on imported inputs, components and products.

This situation calls into question the policies that are commonly adopted by the Brazilian government and the Central Bank of Brazil to fight stagflation because is much more difficult to achieve for both to find the balance between their policies. If the Brazilian government adopts developmental policies aimed at boosting the economy, increasing the population’s purchasing power and generating more jobs and the Central Bank reduces interest rates to encourage economic activity, inflation can get out of control and, on the other hand, if the Central Bank adopts policies to contain inflation by raising interest rates, it could further slowdown the economy and generate more unemployment, as has been happening in Brazil, coming into contradiction with the development policy of the Brazilian government.

This situation makes it impossible for the Brazilian government to promote the expansion of the Brazilian economy and for the Central Bank to control inflation as currently occurs between the Lula government and the Central Bank of Brazil because both have different objectives. Brazil’s external dependence on imports of inputs, components and imported products whose prices have been increasing is the main cause of inflation in the country, which can only be controlled with the Brazilian government breaking with this dependence. To promote its development and control inflation, Brazil needs to overcome its heavy dependence on inputs, components and imported products, whether in the industrial, trade, services and financial sectors. The article Capital Estrangeiro no Brasil: poder e controle sobre a riqueza in Capital estrangeiro no Brasil  (Foreign capital in Brazil: power and control over wealth in Foreign capital in Brazil) by Regina Camargos et alli [1] informs that Brazil is enormously dependent on foreign capital, which has a large participation in the Brazilian economy, whether in the industrial, trade and services.

Based on data from 2016 of the 200 largest economic groups, involving more than 5,000 companies, it is possible to have a basis for the presence of transnational foreign capital in Brazil. The 200 groups add up to R$ 3.9 trillion in revenue, equivalent to 64% of GDP, of which 27% come from foreign groups. When Petrobras, Bradesco, Itaú and Banco do Brasil are removed, the participation of foreigners reaches 37%. Without the financial sector, considering only the trade, industry and services sectors, the participation of transnational groups is 36%. The Brazilian economy is transnationalized and is part of the productive circuit of large transnational capital. In the industrial sector, transnational companies account for 28% of revenue (37% without Petrobras) and are in dynamic segments with the highest technological standards: transport material (vehicles and parts), metallurgy, electronics, chemicals and food and beverages. They are at the heart of the value chain in each segment. In the service sector, the participation of foreign capital companies that acquired companies in the telecommunications and energy sectors has been growing. These corporations are responsible for 44% of the sector’s revenue (48% without Telebras).

In the trade sector, transnationals focus on the commodities and large retailer segments, central links of control in these chains. Within the groups, transnationals account for 47% of revenues. Thus, the presence of large transnational corporations in the Brazilian economy is clear. They occupy segments that are at the heart of value chains, allowing them strategic control of production and marketing (back and forth) in each sector. This fact guarantees them the appropriation of the value created in different links in the chain. In the transport material segment, for example, automakers are in the control center of the chain. It has the power to determine the prices of its suppliers and, therefore, appropriate part of its profits through oligopsony power. It holds power over the forward chain, the marketing and services of its dealers, also appropriating the value that would be added there. Another example is the commodity chain. On one side are the large corporations that control seeds and inputs; on the other, the big traders. The agricultural producer has his profit margin squeezed between two giants that appropriate the value created by him.

Brazil’s dependence on foreign countries in the financial sector is demonstrated in the article A participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro in Capital estrangeiro no Brasil (The participation of foreign capital in the Brazilian financial sector in Foreign capital in Brazil) by Regina Camargos et alli [2]. According to recent data from the Central Bank, foreign banks account for 14% of total assets and 31% of the balance of credit operations in the country’s financial sector. In terms of participation in credit, the current situation is a little better than in 2005 and even so because, since then, there has been a vigorous expansion in the volume of credit operations in the country for all financial institutions . In the years when the Brazilian economy grew the most – 2010 and 2011 –, the participation of foreign banks in total credit offered to society reached the level of 40%, almost equal to that of public banks. As the economy slowed, participation dropped to its current level of 31%.

Table 1 characterizes Brazil’s great external dependence on imports of inputs for the manufacturing industry.

Table 1- Brazil’s external dependence on inputs

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Source: https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

Table 1 highlights the dependency of Brazilian industry on imports of more elaborate and sophisticated inputs and components, as stated by Marta Watanabe in the article Growing dependency of high technology industry on imports [3]. In the 2003/2004 biennium, the share of imported inputs in relation to the total applied in Brazilian production was 16.5%, a share that increased to 24.4% ten years later. The greatest advance was concentrated in the most technology-intensive sectors. While the import coefficient of low and medium-low technology production increased from 10.8% to 13.6% in the period, that of high and medium-high technology jumped more than twelve percentage points, from 26.3% to 38 .7%. The sectors that have very high coefficients of imported intermediate inputs are information technology, electronics and optics, pharmaceuticals, other transport equipment and chemistry. The information technology, electronics and optical sectors have an extremely high import level. Several classes in this sector imported more than 70% of inputs and tradable components. A total of 60 industrial classes imported, in 2016, at least a third of the inputs and components used in their production process. The group represents less than a quarter of the total of 258 industrial classes existing in the country, but includes 48 segments responsible for about two thirds of Brazilian industrial production of high and medium-high technology.

Table 2 informs the economic segments in Brazil that most import inputs and components.

Table 2- Economic segments in Brazil that most import inputs and components

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Source: https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

Table 3 presents the 10 main products imported by Brazil in 2022.

Table 3- Products imported by Brazil in 2022

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Source: https://www.talura.io/blog/confira-o-top-10-produtos-mais-exportados-e-importados-pelo-brasil-em-2022

The numbers shown in Tables 1, 2 and 3 show Brazil’s great dependence on imported inputs, components and products, which fundamentally results from the fact that a large part of Brazil’s production structure is made up of foreign companies connected with their international suppliers. It is this situation of Brazil’s dependence on inputs, components and products imported from abroad, whose prices have been increasing, which explains the inability of the Brazilian government to control inflation in recent years. It is a herculean task for the Brazilian government to control inflation in Brazil due to the high prices of inputs, components and imported products that occur outside the country. Inflation control can only occur when the country’s dependence on imports of inputs, components and products with its production in Brazil is overcome.

Brazil is the 29th largest importing country in the world, according to data from the MDIC (Ministry of Development, Industry and Foreign Trade) of the country. Table 4 presents the Value of Imports from Brazil from 2016 to 2019.

Table 4- Value of Imports from Brazil from 2016 to 2019

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From the above, it is evident that, in order to control inflation in Brazil, it is necessary for the Brazilian government to exercise price control on imports of inputs, components and imported products and promote its domestic production by adopting the import substitution policy. This solution will take a long time until overcoming Brazil’s dependence on imported inputs, components and products has the desired effects. One fact is indisputable: Brazil will not control inflation or promote its development without putting an end to dependence on imports of inputs, components and products imported from abroad. However, overcoming dependency cannot happen abruptly because it would lead to the collapse of its economic structure, which is deeply dependent on the outside world. This is a stalemate of gigantic proportions. In view of this fact, overcoming the country’s dependence on foreign countries must occur gradually, planned and sustainably over time, with the adoption of import substitution policies and the strengthening of national industry, scientific and technological research centers and of public and private universities to promote the substitution of imported inputs, components and products in order to ensure national self-sufficiency, and, consequently, the economic and social development of Brazil [4].

Everything that has just been exposed makes it clear that controlling inflation cannot be limited to the search for balance in government accounts and the adoption of adequate basic interest rates for the economy (Selic), which is being the subject of extensive discussion today in the Brazil. The lack of control over inflation in Brazil today results fundamentally from the very strong presence in the Brazilian economy of foreign companies that are closely linked to global suppliers linked to them of inputs, components and products whose inflation in their prices is transferred to the Brazilian domestic market. This situation calls into question the logic of trying to control inflation by raising interest rates, which would only apply in an economy without external interference, which is not the case in the Brazilian economy. All of this leads to the conclusion that, not only will inflation not be controlled, but also the Brazilian government will not be able to promote the country’s economic and social development without overcoming its economic and technological dependence on the outside world.

REFERENCES

[1]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO. Capital Estrangeiro no Brasil: poder e controle sobre a riqueza in Capital estrangeiro no Brasil. Available on the website <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[2]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO.  A participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro in Capital estrangeiro no Brasil. Available on the website <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[3] Watanabe, Marta. Cresce dependência da indústria de alta tecnologia por importado. Available on the website <https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/>, 2019.

[4] ALCOFORADO, Fernando.  A dependência do Brasil em relação ao exterior e como superá-la. Available on the websites <https://www.slideshare.net/Faga1939/a-dependncia-do-brasil-em-relao-ao-exterior-e-como-superlapdf?next_slideshow=true> and <https://www.youtube.com/watch?v=dvUiHvZWpSY>.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).  

COMO COMBATER A ESTAGFLAÇÃO NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a estagflação que afeta a economia brasileira só será superada com o fim da dependência do Brasil das importações de insumos, componentes e produtos que são os principais responsáveis pelo aumento da inflação no País. De acordo com relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF) divulgado em 19 de abril de 2022, o Brasil e outros países emergentes estão vivendo um processo de estagflação. A expressão estagflação vem da junção das palavras “estagnação” e “inflação”. Basicamente, isso ocorre quando um país passa por uma alta acelerada de preços em meio a uma queda da atividade econômica como é o caso do Brasil. No Brasil, a inflação em alta e a estagnação da atividade econômica caracterizam bem esse quadro. O Brasil enfrenta o fenômeno da estagflação que ocorre quando há uma alta acelerada de preços em meio a uma queda da atividade econômica. A combinação de inflação em alta, desaceleração da atividade econômica e aumento do desemprego é extremamente preocupante para a economia do Brasil.   

O relatório do IIF aponta que a economia brasileira não havia se recuperado de recessões anteriores, quando ocorreram a pandemia e mais recentemente a guerra entre Rússia e Ucrânia que causaram insuficiência ou choque de oferta global de insumos, componentes e produtos causando um desequilíbrio nas cadeias produtivas globais que se refletiram no aumento dos preços de forma geral. Os choques de oferta global impulsionaram a inflação em vários países emergentes como o Brasil. Pode-se afirmar com base neste relatório que as elevadas taxas de inflação no Brasil resultam de fatores externos com a queda na oferta de insumos, componentes e produtos importados e não de fatores internos à economia brasileira. Recentemente, após falta de peças importadas e queda nas vendas, montadoras brasileiras paralisaram sua produção e deram férias coletivas a seus trabalhadores. A desaceleração da atividade econômica, inflação alta e juros elevados no Brasil estão frustrando expectativas do setor automobilístico e levando empresas a ajustarem seus planos de produção.

A atividade econômica em geral do Brasil está muito fraca para ser o principal motor das pressões sobre os preços internos e gerar inflação. No Brasil, a inflação não é de demanda interna e sim de custos porque ela está sendo provocada pelos choques na oferta global de insumos, componentes e produtos importados cujos preços crescentes interferem nos preços internos do Brasil. Isto significa dizer que a inflação no Brasil tem como principal causa a insuficiência na oferta de insumos, componentes e produtos importados dos quais depende a economia brasileira. Depreende-se deste fato que a inflação é consequência de desequilíbrios provocados pela gigantesca dependência da economia brasileira em relação ao exterior resultante da abertura econômica do mercado brasileiro às importações desde 1990, isto é, com a inserção do Brasil ao processo de globalização. Em outras palavras, a inflação existente no Brasil é consequência da gigantesca dependência do Brasil insumos, componentes e produtos importados.    

Esta situação coloca em xeque as políticas que comumente são adotadas pelo governo brasileiro e pelo Banco Central do Brasil para combater a estagflação porque fica muito mais difícil para ambos encontrarem o equilíbrio entre suas políticas. Se o governo brasileiro adota políticas desenvolvimentistas voltadas para impulsionar a economia, elevar o poder de compra da população e gerar mais emprego e o Banco Central reduz os juros para incentivar a atividade econômica, a inflação pode sair de controle e, por outro lado, se o Banco Central adota políticas para conter a inflação com a elevação dos juros, poderá desacelerar ainda mais a economia e gerar mais desemprego como vem ocorrendo no Brasil entrando em contradição com a política desenvolvimentista do governo brasileiro.

Esta situação faz com que se torne impossível o governo brasileiro promover a expansão da economia do Brasil e o Banco Central controlar a inflação como ocorre atualmente entre o governo Lula e o Banco Central do Brasil porque ambos apresentam objetivos divergentes. A dependência externa do Brasil às importações de insumos, componentes e produtos importados cujos preços têm sido crescentes é a principal causa da inflação no País que só poderá ser controlada com o governo brasileiro rompendo com esta dependência. Para promover seu desenvolvimento e controlar a inflação, o Brasil precisa superar sua grande dependência de insumos, componentes e produtos importados seja nos setores industrial, de comércio, de serviços e financeiro. O artigo Capital Estrangeiro no Brasil: poder e controle sobre a riqueza in Capital estrangeiro no Brasil de Regina Camargos et alli [1] informa que o Brasil é enormemente dependente do capital estrangeiro que tem grande participação na economia brasileira, seja nos setores industrial, de comércio e de serviços.  

Tomando-se por base dados de 2016 dos 200 maiores grupos econômicos, que envolvem mais de 5.000 empresas, pode-se ter uma base da presença do capital estrangeiro transnacional no Brasil. Os 200 grupos somam R$ 3,9 trilhões em receita, o equivalente a 64% do PIB, da qual 27% são dos grupos estrangeiros. Quando se retira Petrobras, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, a participação dos estrangeiros chega a 37%. Sem o setor financeiro, considerando apenas os setores de comércio, indústria e serviços, a participação dos grupos transnacionais é de 36%. A economia brasileira é transnacionalizada e está no circuito produtivo do grande capital transnacional. No setor industrial, as empresas transnacionais concentram 28% da receita (37% sem Petrobras) e estão em segmentos dinâmicos e de mais elevado padrão tecnológico: material de transporte (veículos e peças), metalúrgico, eletroeletrônico, químico e alimentos e bebidas. Estão no coração da cadeia de valor em cada segmento. No setor de serviços, vem crescendo a participação de empresas de capital estrangeiro que adquiriram empresas nos segmentos de telecomunicações e energia. Essas corporações são responsáveis por 44% do faturamento do setor (48% sem Telebras).

No setor de comércio, as transnacionais focam nos segmentos de commodities e grande varejista, elos centrais de controle dessas cadeias. Dentro dos grupos, as transnacionais respondem por 47% do faturamento. Assim, está clara a presença das grandes corporações transnacionais na economia brasileira. Elas ocupam segmentos que estão no coração das cadeias de valor, permitindo-lhes o controle estratégico da produção e comercialização (para frente e para trás) em cada setor. Esse fato lhes garante a apropriação do valor criado em diversos elos da cadeia. No segmento de material de transporte, por exemplo, as montadoras estão no centro de controle da cadeia. Detém o poder de determinar os preços de seus fornecedores e, com isso, se apropriam de parte de seus lucros pelo poder de oligopsônio. Detém o poder sobre a cadeia para frente, a comercialização e os serviços de seus concessionários, também se apropriando do valor que seria aí adicionado. Outro exemplo é a cadeia de commodities. De um lado estão as grandes corporações que controlam as sementes e insumos; do outro, as grandes comercializadoras. O produtor agrícola tem sua margem de lucro espremida entre dois gigantes que se apropriam do valor por ele criado.

A dependência do Brasil em relação ao exterior no setor financeiro está demonstrada no artigo A participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro in Capital estrangeiro no Brasil de Regina Camargos et alli [2]. Segundo dados recentes do Banco Central, os bancos estrangeiros respondem por 14% dos ativos totais e 31% do saldo das operações de crédito do setor financeiro do País. Em termos da participação no crédito, a situação atual é um pouco melhor do que a de 2005 e mesmo assim em virtude de que, desde então, houve uma vigorosa expansão do volume de operações de crédito no país para o conjunto das instituições financeiras. Nos anos em que a economia brasileira mais cresceu – 2010 e 2011 –, a participação dos bancos estrangeiros no total do crédito ofertado à sociedade chegou ao patamar de 40%, quase igual à dos bancos públicos. Na medida em que a economia desacelerou, a participação caiu até chegar ao patamar atual de 31%.

O Quadro 1 caracteriza a grande dependência externa do Brasil com a importação de insumos para a indústria de transformação.

Quadro 1- Dependência externa do Brasil de insumos

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Fonte: https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

O Quadro 1 acentua a dependência da indústria brasileira com a importação de insumos e componentes mais elaborados e sofisticados, segundo afirmação de Marta Watanabe no artigo Cresce dependência da indústria de alta tecnologia por importado [3]. No biênio 2003/2004, a parcela de insumos importados em relação ao total aplicado na produção brasileira era de 16,5%, fatia que aumentou para 24,4% dez anos depois. O avanço maior concentrou-se nos setores mais intensivos em tecnologia. Enquanto o coeficiente de importação da produção de baixa e média-baixa tecnologia cresceu de 10,8% para 13,6% no período, o da alta e média-alta tecnologia saltou mais de doze pontos percentuais, de 26,3% para 38,7%. Os setores que possuem coeficientes de insumos intermediários importados muito elevados são informática, eletrônicos e ópticos, farmacêutica, outros equipamentos de transporte e química. O setor de informática, eletrônicos e ópticos têm o nível de importação extremamente elevado. Várias classes desse setor importaram mais de 70% dos insumos e componentes comercializáveis. Um total de 60 classes industriais importou, em 2016, pelo menos um terço dos insumos e componentes utilizados no seu processo produtivo. O grupo representa menos de um quarto do total de 258 classes industriais existentes no país, mas contempla 48 segmentos responsáveis por cerca de dois terços da produção industrial brasileira de alta e média-alta tecnologia.

O Quadro 2 informa os segmentos econômicos do Brasil que mais importam insumos e componentes.

Quadro 2- Segmentos econômicos do Brasil que mais importam insumos e componentes

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Fonte: https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/

O Quadro 3 apresenta os 10 principais produtos importados pelo Brasil em 2022.

Quadro 3- Produtos importados pelo Brasil em 2022

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Fonte: https://www.talura.io/blog/confira-o-top-10-produtos-mais-exportados-e-importados-pelo-brasil-em-2022

Os números apresentados nos Quadros 1, 2 e 3 demonstram a grande dependência do Brasil de insumos, componentes e produtos importados que resulta fundamentalmente do fato de grande parte da estrutura produtiva do Brasil ser composta por empresas estrangeiras conectadas com seus fornecedores internacionais. É esta situação de dependência do Brasil de insumos, componentes e produtos importados em relação ao exterior, cujos preços têm sido crescentes, que explica a incapacidade do governo brasileiro de controlar a inflação nos últimos anos. Trata-se de uma tarefa hercúlea do governo brasileiro controlar a inflação no Brasil devido à grande elevação dos preços dos insumos, componentes e produtos importados que ocorrem fora do País. O controle da inflação só poderá ocorrer quando acontecer a superação da dependência do País das importações de insumos, componentes e produtos com sua produção no Brasil.     

O Brasil é o 29° país maior importador do mundo, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) do País. O Quadro 4 apresenta o Valor das Importações do Brasil de 2016 a 2019.

Quadro 4- Valor das Importações do Brasil de 2016 a 2019

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Pelo exposto, fica evidenciado que, para controlar a inflação no Brasil, é preciso que o governo brasileiro exerça o controle de preços das importações de insumos, componentes e produtos importados e promova sua produção interna com a adoção da política de substituição de importações. Esta solução demandará bastante tempo até que a superação da dependência do Brasil de insumos, componentes e produtos importados surta os efeitos desejados. Um fato é indiscutível: o Brasil não controlará a inflação nem promoverá seu desenvolvimento sem levar ao fim a dependência das importações de insumos, componentes e produtos importados do exterior. No entanto, a superação da dependência não pode ocorrer de forma abrupta porque levaria ao colapso de sua estrutura econômica que é profundamente dependente do exterior. Trata-se de um impasse de proporções gigantescas. Diante deste fato, a superação da dependência do País em relação ao exterior deve ocorrer de forma gradual, planejada e sustentável ao longo do tempo com a adoção de políticas de substituição de importações e fortalecimento da indústria nacional, dos centros de pesquisas científicas e tecnológicas e das universidades públicas e privadas para promover a substituição de importações de insumos, componentes e produtos importados visando assegurar a autossuficiência nacional, e, consequentemente, o desenvolvimento econômico e social do Brasil [4].

Tudo o que acaba de ser exposto deixa evidenciado que o controle da inflação não pode se resumir apenas à busca do equilíbrio das contas do governo e a adoção de adequadas taxas de juros básicas da economia (Selic) que está sendo objeto de ampla discussão hoje no Brasil. O descontrole da inflação no Brasil na atualidade resulta fundamentalmente da fortíssima presença na economia brasileira de empresas estrangeiras que estão intimamente articuladas com fornecedores globais a elas vinculadas de insumos, componentes e produtos cuja inflação nos seus preços é transferida para o mercado interno brasileiro. Esta situação coloca em xeque a lógica de tentar controlar a inflação com o aumento das taxas de juros que só se aplicaria em uma economia sem interferência externa que não é o caso da economia brasileira. Tudo isto faz com que se chegue à conclusão de que, não apenas a inflação não será controlada, mas também o governo brasileiro não será capaz de promover o desenvolvimento econômico e social do País sem superar a dependência econômica e tecnológica em relação ao exterior.    

REFERÊNCIAS

[1]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO. Capital Estrangeiro no Brasil: poder e controle sobre a riqueza in Capital estrangeiro no Brasil. Disponível no website <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[2]. CAMARGOS, Regina; BRESSER-PEREIRA; SAWAYA, Rubens; STUDART, Rogerio; CAMPOS, Pedro Henrique; FUSER, Igor; METRI, Paulo e FÓRUM POPULAR DO ORÇAMENTO.  A participação do capital estrangeiro no setor financeiro brasileiro in Capital estrangeiro no Brasil. Disponível no website <https://www.corecon-rj.org.br/anexos/E6C63BBDDAB6A3E26D95630A862E4FB0.pdf>.

[3] Watanabe, Marta. Cresce dependência da indústria de alta tecnologia por importado. Disponível no website <https://portalclubedeengenharia.org.br/2019/03/07/cresce-dependencia-da-industria-de-alta-tecnologia-por-importado/>, 2019.

[4] ALCOFORADO, Fernando.  A dependência do Brasil em relação ao exterior e como superá-la. Disponível nos websites <https://www.slideshare.net/Faga1939/a-dependncia-do-brasil-em-relao-ao-exterior-e-como-superlapdf?next_slideshow=true> e <https://www.youtube.com/watch?v=dvUiHvZWpSY>.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

LES GRANDES INVENTIONS POUR L’AVANCEMENT DES CONNAISSANCES SUR L’UNIVERS ET CE QU’IL DOIT DÉVELOPPER

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter les grandes inventions qui contribuent à l’avancement des connaissances sur l’Univers à travers l’histoire représentées par le télescope, la fusée spatiale, le satellite artificiel, la capsule spatiale, la station spatiale et la sonde spatiale, parmi lesquels figurent les rovers et de souligner les avancées scientifiques et technologiques qui doivent être développées pour fournir les conditions permettant à l’humanité de coloniser les corps célestes dans le système solaire et au-delà. Les inventions qui pourraient survenir dans le futur seront fondamentales pour permettre l’augmentation des connaissances sur l’Univers afin de contribuer à ce que l’humanité puisse surmonter les menaces à son existence représentées par la collision sur la planète Terre de corps venant de l’espace extra-atmosphérique (comètes, astéroïdes, planètes du système solaire et planètes orphelines), par l’émission de rayons cosmiques, notamment gamma rayons avec l’explosion d’étoiles supernova, par l’éloignement continu de la Lune par rapport à la Terre, par la mort du Soleil, par la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie lactée et par la fin de l’Univers.

Pour faire face aux astéroïdes et comètes qui pourraient entrer en collision avec la planète Terre, la stratégie consiste à les dévier de leur trajectoire s’ils sont détectés avec suffisamment de temps pour lancer de puissantes fusées interceptrices[20][23]. Pour faire face à la possibilité d’une collision des planètes du système solaire avec la Terre, il est important d’identifier les planètes habitables pour les humains en dehors du système solaire afin de planifier leur évasion vers des exoplanètes telles que “Proxima b” en orbite autour d’une étoile faisant partie du système Alpha du Centaure, le plus proche du système solaire, où seraient implantées des colonies spatiales [20][23]. En cas de détérioration profonde de l’environnement terrestre résultant de l’éloignement continu de la Lune par rapport à la Terre et de la menace concrète d’émission de rayons gamma résultant de l’explosion d’étoiles supernova, les mesures nécessaires doivent être adoptées visant à la fuite des êtres humains vers d’éventuels lieux habitables du système solaire tels que Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter) où seraient implantées des colonies spatiales [20][23]. Tout cela nécessite de grandes avancées scientifiques et technologiques pour les rendre viables.

Avant la mort du Soleil, l’humanité devrait quitter le système solaire et atteindre une nouvelle planète dans un autre système planétaire habitable pour les êtres humains. Parmi plusieurs exoplanètes (planètes situées en dehors du système solaire en orbite autour d’autres étoiles), la plus viable est l’exoplanète “Proxima b” en orbite autour de l’étoile la plus proche du Soleil, faisant partie du système Alpha Centauri, qui est à 4,2 années-lumière de la Terre [20] [23]. Avant la collision entre les galaxies d’Andromède et de la Voie lactée, il est très important d’établir des plans pour l’évasion des êtres humains vers une planète habitable dans une galaxie plus proche de la Voie lactée comme la galaxie naine Canis Major située à 25 000 années-lumière de la Terre qui est une galaxie satellite de la Voie Lactée située dans la constellation du Grand Chien ou du Grand Nuage de Magellan située à 163 000 années-lumière de la Terre [20][23]. Rechercher l’existence ou non d’un multivers ou d’univers parallèles est une autre question importante à étudier car l’existence ou non d’un multivers ou d’univers parallèles ouvre la possibilité que les êtres humains survivent à la fin de notre Univers en se dirigeant vers d’autres univers parallèles [20 ][ 23]. Tout cela nécessite de grandes avancées scientifiques et technologiques pour les rendre viables.

1. Le télescope

Le télescope inventé par Galileo Galilei, le père de la science moderne, s’inspire de la longue-vue créée en 1608 par Hans Lippershey à partir des lentilles des premières lunettes considérées comme des articles ménagers courants [1]. Galileo connaissait les détails de la création de Lippershey et, avec des outils similaires (tubes et lentilles), a construit un modèle trois fois plus puissant que celui du Néerlandais. Ce premier modèle fut mis au point par Galilée entre les années 1609 et 1610. Galilée construisit son premier télescope, qu’il appela perspicillum, avec un grossissement de 3 fois par rapport au télescope du Hollandais Hans Lippershey. Galileo l’a rapidement amélioré à un grossissement de 20 fois, bien plus puissant et plus net que tout ce qui existait à l’époque. Avec cet instrument, il a commencé les observations méticuleuses qui ont marqué le début de l’astronomie moderne. Les télescopes les plus puissants construits par Galilée atteignaient un grossissement de 30 fois.

Avec le télescope, Galilée a fait les premières observations sur le relief de la Lune, les étoiles de la Voie lactée et les satellites de Jupiter [1]. En pointant son télescope vers la Lune en novembre 1609, Galilée montra que la surface de la Lune n’était pas « polie, régulière et d’une parfaite sphéricité », mais « rugueuse et irrégulière, pleine de vastes proéminences et de cavités profondes », etc. comme la surface de la Terre elle-même. Galilée terminait alors ses observations de la Lune et tourna son attention vers Jupiter. Fin 1609 Jupiter était en opposition et l’objet le plus brillant du ciel nocturne après la Lune Les 7 et 8 janvier 1610, remarqua près de Jupiter trois petits points brillants, qui changeaient de position d’une nuit à l’autre. Dans la nuit du 13 au même mois, il observa qu’il y avait quatre points brillants se déplaçant autour de Jupiter. Après des semaines d’observations, il a conclu que les corps qui décrivaient des cercles plus petits autour de Jupiter se déplaçaient plus vite que ceux qui faisaient des cercles plus grands comme Mercure et Vénus autour du Soleil. Les satellites de Jupiter ont prouvé l’existence de corps célestes tournant autour d’une autre planète que la Terre, en contradiction avec le système géocentrique.

Galilée a été le premier à observer des corps célestes diffus, regroupés alors sous le nom commun de nébuleuses [1]. Il était émerveillé par le nombre immense d’étoiles qui apparaissaient à son télescope et qu’on ne pouvait pas voir à l’œil nu. Il découvrit que la Voie lactée, perçue jusqu’alors comme une “nébulosité blanchâtre”, était constituée d’une infinité d’étoiles. Galilée remarqua que même à travers le télescope les étoiles continuaient d’apparaître comme des points lumineux, suggérant qu’elles se trouvaient à d’énormes distances de la Terre. Les premiers résultats des recherches de Galilée à l’aide du télescope sont publiés dès 1610 sous le titre “Sidereus Nuncius” (“Le message des étoiles”). Il y rapporte en détail les observations faites entre la fin de 1609 et le début de 1610 , qui a abouti à ses découvertes sur le relief de la Lune, la composition stellaire de la Voie lactée et les satellites de Jupiter. Dans le livre, il se réfère aux satellites de Jupiter comme “quatre planètes jusqu’ici invisibles”. En 1613, Galilée a publié la “Lettre sur les taches solaires” , où il explicite les premières considérations proprement scientifiques en faveur de la théorie héliocentrique de Copernic Un point important à noter est qu’avec l’utilisation du télescope par Galilée, la science a également commencé à exister étroitement liée à la «technologie», c’est-à-dire à la capacité de l’être humain à développer ses sens à travers des inventions, des instruments et, avec eux, à connaître et décrire l’Univers.

De nombreux modèles de télescopes ont été développés à partir du télescope de Galilée afin que nous disposions d’un modèle d’observation de longues portées comme celui que nous offrent le télescope Hubble et le télescope James Webb. Depuis lors, une véritable « révolution » scientifique et cosmologique a commencé à se développer. Le télescope Hubble, lancé en avril 1990, était chargé de capturer des images extrêmement importantes pour les études liées à l’Univers [2]. Conçu dans les années 1970 et 1980, le télescope spatial Hubble a été lancé en 1990 et a révolutionné l’astronomie. Les images capturées à travers l’objectif de ce télescope ont révélé un Univers beaucoup plus grand et plus beau que l’être humain ne l’avait imaginé. Le télescope Hubble a obtenu des images détaillées de nébuleuses, qui ont permis de comprendre la formation et la mort des étoiles, généré des images de plus de 1500 galaxies, montrant un Univers immense, jamais vu auparavant, présenté une vue en temps réel de la collision d’un comète avec la planète Jupiter, a localisé du dioxyde de carbone (CO2) à la surface d’une planète, a identifié des planètes en dehors du système solaire, a montré des images de la collision entre galaxies et a détecté des trous noirs.

Les images du télescope James Webb sont encore plus révolutionnaires [3]. Le télescope James Webb ne remplace pas le télescope Hubble. En fait, il est complémentaire en ce sens qu’il a des yeux que Hubble n’a pas. Par conséquent, il verra des choses qui sont aujourd’hui “invisibles” avec l’utilisation du télescope Hubble. La première image révélée par le télescope James Webb montre l’Univers lointain. La mission principale du télescope James Webb est d’examiner le rayonnement infrarouge résultant du Big Bang et de faire des observations sur l’enfance de l’Univers [4]. Les observations d’objets très éloignés sont le cheval de bataille du télescope, son objectif le plus difficile. C’est ce que Hubble ne peut pas faire en raison des limitations de taille et du manque d’équipement infrarouge contrairement au télescope James Webb. L’Univers étant en expansion, il n’est possible d’observer que les 100 premiers millions d’années après le Big Bang dans l’infrarouge, car la lumière subit un basculement vers le côté rouge de l’énergie. La lumière de la galaxie la plus éloignée de cette image est apparue alors que l’Univers n’avait que 600 millions d’années. Avec le télescope James Webb, on voit même sa composition chimique. Et puis nous avons découvert que, chimiquement, elle est similaire aux galaxies les plus proches que nous connaissons. Nous apprendrons comment notre propre galaxie s’est formée et comment l’enrichissement chimique de l’univers s’est produit pour générer notre système solaire et la vie. Il était également impressionnant d’apprendre que le télescope James Webb peut facilement détecter l’eau sur les planètes autour d’autres étoiles et la lumière des étoiles traversant l’atmosphère d’une planète [5].

2. La fusée spatiale

Une fusée spatiale est une machine qui se déplace en expulsant un flux de gaz à grande vitesse derrière elle. Son but est d’envoyer des objets (notamment des satellites artificiels, des stations spatiales, des sondes spatiales et des rovers) et/ou des engins spatiaux et des hommes dans l’espace extra-atmosphérique à l’aide de capsules spatiales d’une vitesse supérieure à 40 320 km/h pour vaincre la force d’attraction gravitationnelle de la Terre. et atteindre une altitude supérieure à 100 km au-dessus du niveau de la mer [7]. Une fusée se compose d’une structure, d’un moteur à réaction et d’une charge utile. La structure sert à abriter les réservoirs de carburant et de comburant (oxydant) et la charge utile. Ces fusées doivent également transporter un comburant pour réagir avec le carburant. Ce mélange de gaz surchauffés est ensuite détendu dans un tube divergent, le tube de Laval, également appelé tube de Bell, pour diriger le gaz en expansion vers l’arrière et ainsi propulser la fusée vers l’avant [7].

Les premières nouvelles que nous avons de l’utilisation de la fusée datent de l’année 1232 en Chine, où la poudre à canon a été inventée, utilisée d’abord dans les feux d’artifice comme divertissement et, plus tard, utilisée à des fins de guerre. Les roquettes ont été introduites en Europe par les Arabes et ont été réutilisées dans les conflits européens peu après la guerre de Cent Ans (1337-1453). Aux XVe et XVIe siècles, il était utilisé comme arme incendiaire. Plus tard, avec l’amélioration de l’artillerie, la fusée de guerre disparut jusqu’au XIXe siècle, pour être à nouveau utilisée pendant les guerres napoléoniennes (1803-1815). À la fin du 19e siècle et au début du 20e siècle, les premiers scientifiques sont apparus qui ont vu la fusée comme un système pour propulser des véhicules aérospatiaux habités. Parmi eux se distinguaient le Russe Konstantin Tsiolkovsky, l’Allemand Hermann Oberth, le Nord-Américain Robert Goddard et, plus tard, les Russes Sergei Karolev et Valentim Glushko et l’Allemand Wernher von Braun [6].

Goddard a construit la première fusée propulsée par du carburant liquide en 1925. Les fusées construites par Goddard, bien que petites, possédaient déjà tous les principes des fusées modernes, comme le guidage par gyroscopes, par exemple. Les Allemands, dirigés par Wernher von Braun, ont développé, pendant la Seconde Guerre mondiale, les fusées V-1 et V-2 qui ont servi de base aux recherches sur les fusées par les États-Unis et l’Union soviétique dans l’après-guerre. Les deux roquettes nazies utilisées pour bombarder Londres à la fin de la guerre peuvent être définies comme des missiles car les V-1 et V-2 volent avec une propulsion d’avion à réaction. Les programmes spatiaux que les Nord-Américains et les Russes ont mis en branle reposaient sur des fusées conçues à leurs propres fins pour l’astronautique dérivées de fusées à usage militaire [6]. Les fusées utilisées dans le programme spatial soviétique étaient des dérivés du missile balistique R.7, qui, en octobre 1957, l’Union soviétique a utilisé pour lancer le premier vaisseau spatial, le satellite Spoutnik.

L’adoption de véhicules spatiaux réutilisables, tels que la navette spatiale de la NASA, devrait augmenter. Les navettes spatiales décollent comme une fusée conventionnelle, mais atterrissent comme des avions. Le Reusable Launch Vehicle (RLV) est un engin spatial équipé de fusées qui décolleraient et atterriraient comme des avions, sur de longues pistes d’atterrissage, qui seraient équipées de fusées réutilisables pour atteindre l’espace et orbiter autour de la Terre. Ces avions n’existent pas encore. Cependant, on pense qu’à l’avenir, les RLV seront des avions pouvant être utilisés pour des voyages spatiaux à faible coût et de haute sécurité. Un moteur révolutionnaire qui pourrait faire progresser la technologie astronautique est le moteur Scramjet qui est capable de vitesses hypersoniques allant jusqu’à 15 fois la vitesse du son. La NASA a testé avec succès un tel moteur en 2004. Une autre possibilité d’avancement dans la technologie des moteurs de fusée est l’utilisation de la propulsion nucléaire, dans laquelle un réacteur nucléaire chauffe un gaz, produisant un jet qui est utilisé pour produire de la poussée [8] .

3. Le satellite artificiel

Un satellite artificiel est un dispositif, composé essentiellement de systèmes électroniques et mécaniques, qui orbite autour d’une planète [9]. Les satellites artificiels sont des équipements créés par l’homme lancés dans l’espace au moyen de fusées sans équipage qui orbitent autour des planètes, d’autres satellites ou du Soleil, utilisés pour l’approfondissement des études sur le système solaire. Le satellite artificiel est divisé en deux parties principales : le module de service et le module de charge utile. Dans le module de service se trouvent les sous-systèmes responsables du fonctionnement du satellite : batterie, ordinateurs de bord, entre autres. Les sous-systèmes liés à la mission du satellite (caméras, expériences, entre autres) sont rattachés au module de charge utile. Le premier satellite artificiel de la Terre, Spoutnik I, a été lancé par l’Union soviétique le 4 octobre 1957, et le 3 novembre 1957, Spoutnik II a été lancé. Depuis cette date, de nombreux autres satellites ont été lancés aux fins les plus diverses : communications, météorologie, télévision, recherche scientifique, applications militaires, navigation, exploration de l’Univers et observation de la Terre [10].

4. La capsule spatiale

Une capsule spatiale, lancée dans l’espace au moyen de fusées, est normalement la section principale d’un engin spatial habité qui a une forme simple, sans “ailes” ou autres appendices pour créer une portance lors de la rentrée dans l’atmosphère [21]. Les capsules spatiales ont été utilisées dans tous les programmes spatiaux habités depuis les premières missions habitées jusqu’à nos jours, y compris plusieurs “générations” d’entre elles qui ont évolué au fil des ans [22]. La Chinese Corporation for Aerospace Science and Technology présente pour la première fois au public sa nouvelle capsule spatiale, qui sera utilisée dans les futures missions habitées du pays [23]. Réutilisable et encore sans nom, le véhicule peut transporter jusqu’à sept astronautes vers la station spatiale de Tiangong. Les capsules Shenzhou, utilisées dans toutes les missions habitées chinoises à ce jour et dérivées du Soyouz russe, ne transportent que trois astronautes. Le 5 mai 2020, la nouvelle capsule a été lancée dans l’espace, sans équipage, à bord d’une fusée Longue Marche 5B. Le vaisseau spatial expérimental était en orbite pendant deux jours et 19 heures, au cours desquels il a effectué une série d’expériences scientifiques et technologiques, selon l’Agence spatiale chinoise pour les missions habitées (CMSA, China Manned Space Agency). Des progrès significatifs ont été réalisés dans la protection thermique et le contrôle de précision pour le retour et la rentrée, ainsi que dans la conception des moteurs et l’atterrissage sans dommage.

5. La Station spatiale internationale

La Station spatiale internationale (SSI), lancée dans l’espace au moyen de fusées, est un laboratoire spatial entièrement achevé, dont l’assemblage en orbite a commencé en 1998 et s’est officiellement terminé le 8 juillet 2011. La station spatiale est en orbite terrestre à une altitude d’environ 400 kilomètres, une orbite généralement appelée orbite terrestre basse. En raison de la faible altitude, la station doit être constamment repositionnée en orbite en raison de la traînée aérodynamique. La station spatiale se déplace à une vitesse moyenne de 27 700 km/h, effectuant 15,70 orbites par jour. Dans la continuité des opérations du Mir russe et du Skylab américain, la Station Spatiale Internationale représente le séjour humain actuel dans l’espace et est entretenue avec des équipages de pas moins de trois astronautes depuis le 2 novembre 2000. L’ISS s’implique dans plusieurs missions spatiales programmes, étant un projet conjoint de l’Agence spatiale canadienne (ASC/ASC), de l’Agence spatiale européenne (ESA), de l’Agence japonaise d’exploration aérospatiale (宇宙航空研究 ou JAXA), de l’Agence spatiale fédérale russe (ROSKOSMOS) et de la National Space Administration Aeronautics and Space (NASA) des États-Unis. Le 27 juin 2008, il a effectué 55 000 orbites depuis le lancement du module Zarya, le premier à être lancé dans l’espace.

La SSI dispose d’une plate-forme pour mener des recherches scientifiques. La grande variété de domaines de recherche comprend l’astrobiologie, l’astronomie, la recherche humaine, y compris la médecine spatiale et les sciences de la vie, les sciences physiques, la science des matériaux, la météo spatiale et la météorologie terrestre (météorologie). Les stations spatiales offrent un environnement où des études peuvent potentiellement être menées pendant des décennies, combinées à un accès facile par des chercheurs humains pendant des périodes qui dépassent les capacités des engins spatiaux habités. L’ISS simplifie les expériences individuelles, éliminant le besoin de lancements de fusées et d’équipes de recherche séparés. Pour détecter la matière noire et répondre à d’autres questions fondamentales sur notre Univers, des ingénieurs et des scientifiques du monde entier ont créé le spectromètre magnétique Alpha (AMS), que la NASA compare au télescope spatial Hubble et et dit qu’il ne pourrait pas être hébergé sur un satellite en vol libre en partie à cause de ses besoins en énergie et de ses besoins en bande passante de données. Le 3 avril 2013, des scientifiques de la NASA ont signalé que des preuves de matière noire avaient peut-être été détectées par le spectromètre magnétique Alpha. La recherche médicale améliore les connaissances sur les effets de l’exposition spatiale à long terme sur le corps humain, tels que l’atrophie musculaire, la perte osseuse et le déplacement des fluides. Ces données seront utilisées pour déterminer si les vols spatiaux humains et la colonisation spatiale sont des processus viables. En 2006, les données sur la perte osseuse et l’atrophie musculaire suggéraient qu’il y aurait un risque important de fractures et de problèmes de mouvement si les astronautes atterrissaient sur une planète après une longue croisière interplanétaire, comme l’intervalle de six mois nécessaire pour se rendre sur Mars.

La source d’énergie électrique de l’ISS est le Soleil grâce à des panneaux solaires. Le système de contrôle environnemental et de maintien de la vie (ECLSS) de la ISS fournit ou contrôle des éléments tels que la pression atmosphérique, le niveau d’oxygène, l’eau, l’extinction des incendies, etc. Le système Elektron génère l’oxygène qui circule à bord de la station. La plus haute priorité pour le système de survie est de maintenir une atmosphère stable au sein de la Station, mais le système collecte, traite et stocke également les déchets et l’eau produits et utilisés par l’équipage. Par exemple, le système recycle les fluides de toilette, de douche, d’urine et de condensation. Les filtres à charbon actif sont les premières méthodes pour éliminer les produits du métabolisme humain dans l’air. Le contrôle de l’orientation de la station est assuré par deux mécanismes. En règle générale, un système utilisant des gyroscopes à moment de contrôle (CMG) maintient la station orientée. Lorsque le système de gyroscope devient saturé, il peut perdre la capacité de contrôler l’orientation de la station. Dans ce cas, le système de contrôle d’orientation est prêt à prendre le relais automatiquement, en utilisant des rétrofusées pour maintenir l’orientation de la Station et permettre ainsi la désaturation du système gyroscopique.

Le contrôle d’altitude de la Station Spatiale Internationale s’effectue avec son maintien en orbite à une limite d’altitude minimale et maximale de 278 à 460 km. La communication radio est essentielle au fonctionnement de l’ISS, fournissant des données télémétriques et scientifiques entre la station spatiale et les centres de contrôle de mission du monde entier. Les liaisons radio sont également utilisées pendant les procédures d’approche et d’amarrage des engins spatiaux et pour la communication entre l’équipage de la station, et entre eux et les contrôleurs de vol et les membres de la famille au sol. En conséquence, l’ISS est équipée d’une gamme variée de systèmes de communication internes et externes, utilisés à des fins différentes.

6. La sonde spatiale

Une sonde spatiale, lancée dans l’espace au moyen de fusées, est un engin sans pilote envoyé dans l’espace pour collecter des informations sur les planètes, les lunes, les astéroïdes, les comètes et d’autres objets du système solaire et au-delà [11] [12] . Certaines sondes orbitent autour de planètes et de lunes, d’autres s’y posent même, mais il y en a aussi qui ne font que passer à proximité de ces corps célestes pour les étudier. Les sondes disposent généralement de moyens de télémétrie, qui permettent d’étudier la distance du corps céleste, ses caractéristiques physiques et chimiques, de prendre des photographies et parfois aussi de caractériser son environnement. Certaines sondes, comme les Landers ou les Rovers, se posent à la surface des corps célestes pour étudier leur géologie et leur climat. Les premières sondes pour étudier d’autres corps célestes ont été lancées à la fin des années 1950 par l’ancienne Union Soviétique et les États-Unis, au tout début de l’exploration spatiale, et elles ont beaucoup aidé à percer les mystères de l’Univers. Récemment, l’Agence spatiale européenne, le Japon, la République populaire de Chine et l’Inde ont également lancé leurs sondes. Les types de sondes sont le survol, l’orbiteur, l’impact, l’atterrisseur et le véhicule (utilisant le rover avec capacité de locomotion pour analyser une plus grande surface d’un corps céleste).

A ce jour, 9 sondes spatiales ont été envoyées vers le Soleil, 2 vers Mercure, 34 vers Vénus, 35 vers la Terre, 83 vers la Lune, 40 vers Mars, 8 vers Jupiter, 3 vers Saturne, 1 vers Uranus, 1 vers Neptune, 1 pour Pluton et la ceinture de Kuiper, 12 pour les comètes et les astéroïdes, et 4 pour l’extérieur du système solaire [11]. Parmi les principaux combustibles utilisés dans une sonde spatiale figurent l’hydrogène liquide, l’oxygène liquide, l’hydrazine et autres. L’hydrazine, comme d’autres substances, est hautement toxique et sa manipulation nécessite l’utilisation de vêtements de protection et de réservoirs d’oxygène, ce qui rend le processus d’approvisionnement long et dangereux. Les sondes spatiales sont capables de communiquer avec la Terre via le Deep Space Network (DSN), un système de communication mondial de la NASA qui couvre toute la circonférence de la Terre, divisé en trois stations, une en Californie, une autre à Madrid et une en troisième à Canberra. , Australie.

7. Le rover

Rover désigne un véhicule d’exploration spatiale conçu pour se déplacer à la surface d’une planète ou d’un autre corps céleste [13]. Certains d’entre eux ont été conçus pour transporter des membres d’équipage d’une mission spatiale habitée et d’autres sont partiellement ou complètement construits comme des robots autonomes. Les véhicules sont conçus avec des caractéristiques de véhicules pour fonctionner sur n’importe quel terrain et sont conduits à leur destination via des engins spatiaux de type atterrisseur. Ils sont utilisés dans des conditions très différentes de celles rencontrées sur Terre, ce qui implique certaines caractéristiques de conception particulières, telles que des roues à mouvement et traction indépendants, ainsi que des bras et des instruments robotiques. Les exigences suivantes font partie intégrante de la conception d’un véhicule : disponibilité, compacité et autonomie. 5 rovers ont été utilisés sur la Lune et 7 sur Mars avec 3 échecs, 1 sur la Lune et 2 sur Mars.

Parmi les rovers, il est important de souligner trois d’entre eux, Spirit, Opportunity et Perseverance utilisés dans les recherches sur la planète Mars, qui est déjà explorée depuis 60 ans et présente un grand intérêt scientifique car on pense que la planète rouge pourrait avoir des signes de la vie, même s’il est déjà éteint [16]. Bien que nous ayons vu ces trois rovers arriver sur Mars, il existe de nombreux autres instruments scientifiques en plus de ceux-ci sur la planète rouge, que ce soit en orbite ou en surface. Les rovers Spirit et Opportunity font partie d’une mission spatiale d’exploration de la surface et de la géologie de la planète Mars, qui est toujours en cours [14]. Équipés d’un moteur et de roues, les rovers ont été conçus pour parcourir la surface de Mars et rechercher et classer le plus grand nombre possible de roches et de sols qui pourraient donner un indice sur l’existence possible d’eau sur la planète. Opportunity “a atterri” dans le cratère martien après Spirit, qui a atterri de l’autre côté de la planète. Les rovers n’ont pas réellement “atterri”, mais sont tombés hors de l’espace, l’impact étant absorbé par de grandes poches de gaz. Au total, les rovers ont parcouru plus de 21 kilomètres et collecté plus de 250 000 images et 36 000 gigaoctets de données. Sur le sol martien, ils ont escaladé des collines et sont descendus dans des cratères, ont lutté pour se libérer du sable et ont dû faire face à des problèmes causés par l’usure des matériaux dont ils sont faits.

Les rovers étaient équipés d’un équipement extrêmement sensible, qui permet l’enregistrement de petits tremblements de terre. Sa technologie permet d’obtenir des informations sur le noyau de la planète, s’il est actif ou s’il a déjà été transformé en une grosse boule de pierre gelée, comme dans le cas de la Lune. Ses bras mécaniques disposent même d’un polissoir à roche et sont conçus pour analyser les éléments chimiques du sol. En plus de tout cela, Spirit et Opportunity disposent d’instruments optiques, qui permettent d’analyser la composition de l’atmosphère. Ainsi, il est possible de comprendre, par exemple, pourquoi la température de Mars est si instable, car, un jour commun, les thermomètres varient jusqu’à 90 degrés. Le 1er mai 2009, Spirit s’est retrouvé coincé sur un plateau, avec deux de ses six roues détruites. Les opérateurs de la NASA ont essayé pendant neuf mois d’envoyer des commandes qui lui permettraient de se débarrasser de l’obstacle, mais ils ont abandonné et ont commencé à l’utiliser comme plate-forme stationnaire. Là, Spirit a fini par trouver de la silice, un composé chimique qui préserve les communautés bactériennes riches en énergie. Sa dernière transmission a eu lieu le 22 mars 2010. Opportunity poursuit sa balade à l’autre bout de Mars à ce jour. En près de huit ans d’exploration, les robots ont trouvé des preuves que les régions qu’ils traversaient étaient autrefois habitables, du moins par des micro-organismes.

Le rover Persévérance a atterri avec succès sur Mars en février 2021 avec pour objectif principal de déterminer le potentiel de vie ancienne sur Mars. Pour ce faire, le rover recherchera des signes de conditions habitables sur l’ancienne planète rouge, en plus de rechercher des biosignatures de vie microbienne qui auraient pu exister lorsqu’il y avait de l’eau là-bas. Le rover a atterri dans une grande formation de cratère appelée Jezero, qui présente les caractéristiques typiques d’un lac et d’un delta fluvial qui existaient sur Mars il y a des milliards d’années. Les scientifiques ont des raisons de penser que s’il y a jamais eu de vie sur la planète, c’est l’un des endroits où elle aurait pu être abondante. Pour rechercher ces signes, Persévérance utilise une foreuse capable d’échantillonner les roches et les sols les plus prometteurs. En plus du rover, Mars 2020 a emmené l’hélicoptère Ingenuity sur Mars, comme une démonstration sans précédent de la technologie de vol autonome sur une autre planète [15].

8. Conclusion

La première grande révolution dans l’histoire des sciences s’est produite avec la rupture du paradigme géocentrique dont la théorie élaborée par l’astronome grec Claudio Ptolémée au début de l’ère chrétienne défendait la thèse selon laquelle la Terre est au centre du système solaire, et la d’autres étoiles gravitent autour d’elle, dont le Soleil [19]. Après 14 siècles, la théorie géocentrique a été contestée par l’astronome et mathématicien polonais Nicolas Copernic, qui a élaboré une autre structure du système solaire, l’héliocentrisme. Selon Copernic, la Terre et les autres planètes se déplacent autour d’un point proche du Soleil, qui est le véritable centre du système solaire. La théorie héliocentrique a été améliorée et prouvée par Galileo Galilei avec l’invention du télescope [17]. Depuis les études de Copernic et Galileo Galilei, l’Univers est devenu de plus en plus connu grâce à l’utilisation de télescopes de plus en plus puissants tels que Hubble et James Webb, de fusées spatiales, de satellites artificiels, de capsules spatiales, de stations spatiales, de sondes spatiales et de rovers. Tout cela a contribué à l’Astronomie, qui est la science qui étudie l’Univers, les corps qui le constituent, les positions relatives qu’ils occupent, les lois qui régissent leurs mouvements et l’évolution qu’ils connaissent dans le temps, pour favoriser l’avancement des connaissances sur l’Univers [18].

La construction de grands télescopes tels que Hubble et James Webb a fourni des avancées et des découvertes incroyables sur l’Univers. Le remplacement de l’œil humain par les photographies et les objectifs de systématisation et de classification ont fait évoluer l’Astronomie encore plus dans ces cinquante dernières années que dans les cinq millénaires de toute son histoire. Conséquence du développement technologique depuis la seconde moitié du XXe siècle, l’Astronomie a subi une telle évolution dans ses méthodes qu’elle quitte son aspect de science observationnelle pour devenir également une nouvelle science expérimentale avec l’utilisation du télescope, des fusées spatiales, satellites, capsules spatiales, station spatiale, sondes spatiales et rovers. L’avancement des connaissances en Astronomie a permis d’établir des conjectures sur l’origine de l’Univers qui aurait émergé grâce au Big Bang, d’identifier l’existence d’un immense trou noir au centre de la Voie lactée, la découverte d’eau sur Mars , le déclassement de Pluton en planète naine , l’existence d’exoplanètes semblables à la Terre en dehors du système solaire, ainsi que la découverte de la matière noire et de l’énergie noire dans l’Univers.

Pour que les humains effectuent des missions spatiales à longue distance, il est nécessaire de trouver des formes plus avancées de propulsion de fusée pour atteindre des distances de centaines ou de milliers d’années-lumière, étant donné que, selon les scientifiques, les fusées chimiques actuelles sont limitées par la vitesse maximale des fusées gaz d’échappement [20][23]. D’autres alternatives proposées par les scientifiques consisteraient en l’utilisation d’un moteur solaire/ionique comme nouvelle forme de propulsion de fusée, ainsi qu’en la création d’un réacteur à fusion dans lequel une fusée extrait l’hydrogène de l’espace interstellaire et le liquéfie [20][23]. Il est également nécessaire de développer des capsules spatiales capables de protéger les êtres humains lors de voyages spatiaux et de concevoir des sondes spatiales pour effectuer des recherches dans d’éventuels endroits habitables du système solaire tels que Mars, Titan (lune de Saturne) et Callisto (lune de Jupiter) ou sur l’exoplanète Proxima b située dans le système Alpha Centauri et une planète dans une galaxie plus proche comme la galaxie naine Canis Major située à 25 000 années-lumière de la Terre [20][23], ainsi que de concevoir colonies spatiales à l’usage des humains en dehors de la Terre. Tout cela pourrait aider les êtres humains à coloniser les corps célestes situés dans le système solaire et au-delà. De plus, il est nécessaire que des sondes spatiales soient envoyées pour connaître le « nuage d’Oort » situé aux limites du système solaire où se trouvent les comètes et connaître la « ceinture de Kuiper » où se trouvent les astéroïdes [20][23]. [20][23].

De ce qui précède, il est démontré que les grandes inventions qui se sont produites tout au long de l’histoire dans le domaine de l’astronomie ont contribué à l’avancement des connaissances sur l’Univers et que de futures inventions doivent être développées pour fournir les conditions permettant à l’humanité de coloniser les corps célestes dans le solaire système et à l’extérieur de celui-ci, tout en permettant d’accroître les connaissances sur l’Univers pour contribuer à ce que l’humanité puisse surmonter les menaces qui pèsent sur son existence.

LES RÉFÉRENCES

1.    FERNANDES, Cláudio. A invenção do telescópio por Galileu Galilei. Disponível no website <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-invencao-telescopio-por-galileu-galilei.htm>.

2.    MUNDO EDUCAÇÃO. Telescópio Hubble. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/telescopio-hubble.htm>.

3.    POSSES, Ana, MELLO, Duília e PONTE, Geisa. Astrônomas explicam por que as imagens do James Webb são revolucionárias. Disponível no website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2022/07/astronomas-explicam-por-que-imagens-do-james-webb-sao-revolucionarias.html>.

4.      WIKIPEDIA. Telescópio Espacial James Webb. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Telesc%C3%B3pio_Espacial_James_Webb>.

5.    FREITAS, Felipe. Telescópio James Webb é capaz de detectar água em outro planeta. Disponível no website <https://mundoconectado.com.br/noticias/v/26842/telescopio-james-webb-e-capaz-de-detectar-agua-em-outro-planeta>.

6.    WIKIPEDIA. Foguete espacial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Foguete_espacial>.

7.    HELERBROCK, Rafael. Como funciona o lançamento de um foguete. Disponível no website <https://brasilescola.uol.com.br/fisica/como-funciona-o-lancamento-de-um-foguete.htm>. 10 de novembro de 2021.

8.    ALENCAR, Lucas. Agência espacial russa está desenvolvendo motor nuclear. Disponível no website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/03/agencia-espacial-russa-esta-desenvolvendo-motor-nuclear.html>.

9.    INFOPEDIA. Satélite artificial. Disponível no website <https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$satelite-artificial>.

10. TODA MATÉRIA. Satélites Artificiais. Disponível no website <https://www.todamateria.com.br/satelites-artificiais/>.

11. WIKIPEDIA. Sonda espacial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sonda_espacial>.

12. ESG, O que é uma sonda espacial e para que serve? Disponível no website <https://planetariodevitoria.org/espaco/o-que-e-uma-sonda-espacial.html>.

13. WIKIPEDIA. Astromóvel. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Astrom%C3%B3vel>.

14. SANTIAGO, Emerson. Robôs Spirit e Opportunity. Disponível no website <https://www.infoescola.com/exploracao-espacial/robos-spirit-e-opportunity/>.

15. EXAME. Perseverance completa um ano de busca por sinais de vida em Marte. Disponível no website <https://exame.com/ciencia/perseverance-completa-um-ano-de-busca-por-sinais-de-vida-em-marte/>.

16. CAVALCANTE, Daniele. Exploração de Marte: que sondas, rovers e landers já foram enviados para lá? Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/exploracao-de-marte-que-sondas-rovers-e-landers-ja-foram-enviados-para-la-180134/>.

17. CROWE, Michael J. Theories of the World from Antiquity to the Copernican Revolution.  Mineola, NY: Dover Publications, Inc, 1990. 

18. AGUIAR, Marcus. Tópicos de Mecânica Clássica. Campinas: UNICAMP, 2010. Disponível no website <http://sites.ifi.unicamp.br/aguiar/files/2014/10/top-mec-clas.pdf>.

19. ALCOFORADO, Fernando. A ciência e os avanços no conhecimento sobre o Universo. Disponível no website <https://www.slideshare.net/falcoforado/a-cincia-e-os-avanos-no-conhecimento-sobre-o-universo>.

20. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

21. WIKIPEDIA. Cápsula espacial. Disponível no website <https://pt.m.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1psula_espacial>.

22. RIGUES, Rafael. China expõe sua nova cápsula espacial. Disponível no website <https://olhardigital.com.br/2021/10/14/ciencia-e-espaco/china-expoe-sua-nova-capsula-espacial/>.

23. ALCOFORADO, Fernando. How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity. Europe, Republic of Moldova, Chișinău: Generis Publishing, 2023.  

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

THE GREAT INVENTIONS FOR THE ADVANCEMENT OF KNOWLEDGE ABOUT THE UNIVERSE AND WHAT IT NEEDS TO DEVELOP

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the great inventions that are contributing to the advancement of knowledge about the Universe throughout history represented by the telescope, the space rocket, the artificial satellite, the space capsule, the space station and the space probe, among which rovers stand out and to point out the scientific and technological advances that need to be developed to provide the conditions for humanity to colonize celestial bodies in the solar system and beyond. The inventions that may occur in the future will be fundamental to enable the increase of knowledge about the Universe in order to contribute towards humanity being able to overcome the threats to its existence represented by the collision on planet Earth of bodies coming from outer space (comets, asteroids, planets of the solar system and orphan planets), by the emission of cosmic rays, especially gamma rays with the explosion of supernova stars, by the continuous removal of the Moon in relation to the Earth, by the death of the Sun, by the collision of the Andromeda and Milky Way galaxies and by the end of the Universe.

To deal with asteroids and comets that could collide with planet Earth, the strategy is to divert them from their course if they are detected with enough time to launch powerful interceptor rockets [20][23]. To deal with the possibility of the collision of the planets of the solar system with the Earth, it is important to identify habitable planets for humans outside the solar system to plan their escape to exoplanets such as “Proxima b” orbiting a star that is part of the Alpha Centauri system, the closest to the solar system, where space colonies would be implanted [20][23]. In the case of the profound deterioration of the terrestrial environment resulting from the continuous distancing of the Moon in relation to the Earth and the concrete threat of the emission of gamma rays resulting from the explosion of supernova stars, the necessary measures must be adopted aiming at the escape of the human beings to possible places habitable in the solar system such as Mars, Titan (Saturn’s moon) and Callisto (Jupiter’s moon) where space colonies would be implanted [20][23]. All this requires great scientific and technological advances to make them viable.

Before the death of the Sun, humanity should leave the solar system and reach a new planet in another planetary system that is habitable for human beings. Among several exoplanets (planets located outside the solar system orbiting other stars), the most viable is the exoplanet “Proxima b” orbiting the closest star to the Sun, part of the Alpha Centauri system, which is 4.2 light years from Earth [20] [23]. Before the collision between the Andromeda and Milky Way galaxies, it is very important to draw plans for the escape of human beings to a habitable planet in a galaxy closer to the Milky Way as the Canis Major Dwarf Galaxy located 25,000 light years from Earth which is a satellite galaxy of the Milky Way located in the constellation of Canis Major or the Large Magellanic Cloud that is located 163,000 light years from Earth [20][23]. Researching the existence or not of a multiverse or parallel universes is another important question to study because the existence or not of a multiverse or parallel universes opens up the possibility that human beings will survive the end of our Universe by heading to other parallel universes [20][ 23]. All this requires great scientific and technological advances to make them viable.

1. The telescope

The telescope that Galileo Galilei, the father of modern science, invented was modeled on the spyglass created in 1608 by Hans Lippershey from the lenses of the first eyeglasses that were considered common household items [1]. Galileo knew the details of Lippershey’s creation and, with similar tools (tubes and lenses), built a model three times more powerful than the Dutchman’s. This first model was being perfected by Galileo between the years 1609 and 1610. Galileo built his first telescope, which he called perspicillum, with a magnification of 3 times compared to the telescope of the Dutchman Hans Lippershey. Galileo quickly improved it to a 20 times magnification, far more powerful and sharper than anything else in existence at the time. With this instrument he began the meticulous observations that marked the beginning of modern astronomy. The most powerful telescopes built by Galileo reached a magnification of 30 times.

With the telescope, Galileo made the first observations on the relief of the Moon, the stars of the Milky Way and the satellites of Jupiter [1]. By pointing his telescope at the Moon in November 1609, Galileo showed that the surface of the Moon was not “polished, regular, and of perfect sphericity”, but “rough and irregular, full of vast prominences and deep cavities”, to the like the surface of the Earth itself. Galileo was then finishing his observations of the Moon and turned his attention to Jupiter. By the end of 1609 Jupiter was at opposition and the brightest object in the night sky after the Moon On the 7th and 8th January 1610, noticed near Jupiter three small bright points, which changed position from one night to another. On the night of the thirteenth of the same month, he observed that there were four bright points moving around Jupiter. Weeks of observations, he concluded that the bodies that described smaller circles around Jupiter moved faster than those that made larger circles like Mercury and Venus around the Sun. Jupiter’s satellites proved the existence of celestial bodies revolving around a planet other than Earth, in contradiction with the geocentric system.

Galileo was the first to observe diffuse celestial bodies and then grouped under the common name of nebulae [1]. He was astonished by the immense number of stars that appeared to his telescope that could not be seen with the naked eye. He discovered that the Milky Way, perceived until then as a “whitish nebulosity”, was made up of an infinity of stars. Galileo noticed that even through the telescope the stars continued to appear as points of light, suggesting that they were at enormous distances from Earth. The first results of Galileo’s research using the telescope were published as early as 1610 under the title “Sidereus Nuncius” (“The Message from the Stars”). In it, he reports in detail the observations made between late 1609 and early 1610, which resulted in his discoveries about the Moon’s relief, the stellar composition of the Milky Way and Jupiter’s satellites. In the book, he refers to Jupiter’s satellites as “four hitherto unseen planets”. In 1613, Galileo published the “Letter on sunspots”, when he made explicit the first considerations in favor of Copernicus’ heliocentric theory. An important point to be noted is that, with the use of the telescope by Galileo, science also began to exist closely connected with “technology”, that is, with the human being’s ability to expand his senses through inventions, instruments and, with them, to know and describe the Universe.

Many models of telescopes were developed from Galileo’s telescope so that we have a model of observation of long ranges like the one offered to us by the Hubble telescope and the James Webb telescope. Since then, a veritable scientific and cosmological “revolution” has begun to develop. The Hubble telescope, launched in April 1990, was responsible for capturing extremely important images for studies related to the Universe [2]. Designed in the 1970s and 1980s, the Hubble Space Telescope was launched in 1990 and provided a revolution in astronomy. The images captured through the lens of this telescope revealed a Universe much bigger and more beautiful than the human being had imagined. The Hubble telescope obtained detailed images of nebulae, which made it possible to understand the formation and death of stars, generated images of more than 1500 galaxies, showing an immense Universe, never seen before, presented a real-time view of the collision of a comet with the planet Jupiter, located carbon dioxide (CO2) on the surface of a planet, identified planets outside the Solar System, showed images of the collision between galaxies and detected black holes.

The images from the James Webb Telescope are even more revolutionary [3]. The James Webb Telescope is not a replacement for the Hubble Telescope. In fact, it is complementary in that it has eyes that Hubble does not. Therefore, he will see things that today are “invisible” with the use of the Hubble telescope. The first image revealed by the James Webb Telescope shows the distant Universe. The primary mission of the James Webb Telescope is to examine the infrared radiation resulting from the Big Bang and to make observations about the infancy of the Universe [4]. Observations of very distant objects are the telescope’s main objectives, its most challenging purpose. This is what Hubble cannot do due to size limitations and lack of infrared equipment unlike the James Webb Telescope. As the Universe is expanding, it is only possible to observe the first 100 million years after the Big Bang in the infrared, because the light undergoes a shift towards the red side of energy. The light from the most distant galaxy in that image came out when the Universe was just 600 million years old. With the James Webb Telescope, we even see its chemical composition. Then we found that, chemically, it is similar to the nearest galaxies that we know. We will learn how our own galaxy formed and how the chemical enrichment of the Universe happened to generate our Solar System and life. It was also impressive to learn that the James Webb Telescope can easily detect water on planets around other stars and starlight passing through a planet’s atmosphere [5].

2. The space rocket

A space rocket is a machine that moves by expelling a stream of gas at high speed behind it. Its purpose is to send objects (especially artificial satellites, space stations, space probes and rovers) and/or spacecraft and men into outer space using space capsules with a speed greater than 40,320 km/h to overcome the gravitational attraction force from the Earth and reach an altitude greater than 100 km above sea level [7]. A rocket consists of a structure, a jet propulsion engine and a payload. The structure serves to house the fuel and oxidizer (oxidizing) tanks and the payload. These rockets also need to carry an oxidizer to react with the fuel. This mixture of superheated gases is then expanded into a diverging tube, the Laval Tube, also known as the Bell Tube, to direct the expanding gas backwards and thus propel the rocket forward [7].

The first news that we have of the use of the rocket is from the year 1232 in China, where gunpowder was invented, used at first in fireworks as entertainment and, later, used for war purposes. Rockets were introduced to Europe by the Arabs, returning to use in European conflicts shortly after the Hundred Years’ War (1337-1453). During the 15th and 16th centuries, it was used as an incendiary weapon. Later, with the improvement of artillery, the war rocket disappeared until the 19th century, being used again during the Napoleonic Wars (1803-1815). At the end of the 19th century and beginning of the 20th century, the first scientists appeared who saw the rocket as a system to propel manned aerospace vehicles. Among them stood out the Russian Konstantin Tsiolkovsky, the German Hermann Oberth, the North American Robert Goddard and, later, the Russians Sergei Karolev and Valentim Glushko and the German Wernher von Braun [6].

Goddard built the first rocket powered by liquid fuel in 1925. The rockets built by Goddard, although small, already had all the principles of modern rockets, such as guidance by gyroscopes, for example. The Germans, led by Wernher von Braun, developed, during World War II, the V-1 and V-2 rockets that served as the basis for research on rockets by the United States and the Soviet Union in the post-war period. Both of the Nazi rockets used to bomb London at the end of the war can best be defined as missiles because the V-1 and V-2 fly with jet aircraft propulsion. The space programs that the North Americans and the Russians set in motion were based on rockets designed with their own purposes for astronautics derived from rockets for military use [6]. The rockets used in the Soviet space program were derivatives of the R.7 ballistic missile, which, in October 1957, the Soviet Union used to launch the first spacecraft, the Sputnik satellite.

Adoption of reusable space vehicles, such as NASA’s Space Shuttle, is set to increase. The Space Shuttles take off like a conventional rocket, but land like airplanes. The Reusable Launch Vehicle (RLV) is a spacecraft equipped with rockets that would take off and land like airplanes, on long landing strips, which would be equipped with reusable rockets to reach space and orbit the Earth. These aircraft do not yet exist. However, it is thought that, in the future, RLVs will be aircraft that can be used for low-cost and high-security space travel. A revolutionary engine that could advance astronautical technology is the Scramjet engine that is capable of hypersonic speeds of up to 15 times the speed of sound. NASA successfully tested such an engine in 2004. Another possibility of advancement in rocket engine technology is the use of nuclear propulsion, in which a nuclear reactor heats a gas, producing a jet that is used to produce thrust [8].

3. The artificial satellite

An artificial satellite is a device, composed essentially of electronic and mechanical systems, that orbits around a planet [9]. Artificial Satellites are equipment created by man launched into space by means of rockets without a crew that orbit the planets, other satellites or the Sun, being used for the deepening of studies about the solar system. The artificial satellite is divided into two main parts: the service module and the payload module. In the service module are the subsystems responsible for the operation of the satellite: battery, on-board computers, among others. The subsystems related to the satellite mission (cameras, experiments, among others) are attached to the payload module. The first artificial Earth satellite, Sputnik I, was launched by the Soviet Union on October 4, 1957, and on November 3, 1957, Sputnik II was launched. Since that date, many other satellites have been launched with the most diverse purposes: communications, meteorology, television, scientific research, military applications, navigation, exploration of the Universe and Earth observation [10].

4. The space capsule

A space capsule, launched into space by means of rockets, is normally the main section of a manned spacecraft that has a simple shape, without “wings” or other appendages to create lift during re-entry into the atmosphere [21]. Space capsules have been used in all manned space programs from the first manned missions to the present day, including several “generations” of them that have evolved over the years [22]. The Chinese Corporation for Aerospace Science and Technology is showing the public for the first time its new space capsule, which will be used in future manned missions from the country [23]. Reusable, and as yet unnamed, the vehicle can carry up to seven astronauts to the Tiangong Space Station. The Shenzhou capsules, used in all Chinese manned missions to date and derived from the Russian Soyuz, carry just three astronauts. On May 5, 2020, the new capsule was launched into space, without a crew, aboard a Long March 5B rocket. The experimental spacecraft was in orbit for two days and 19 hours, during which it carried out a series of scientific and technological experiments, according to the Chinese Space Agency for Manned Missions (CMSA, China Manned Space Agency). Significant advances have been made in thermal protection and precision control for return and re-entry, as well as in engine design and damage-free landing.

5. The International Space Station

The International Space Station (ISS), launched into space by means of rockets, is a completely completed space laboratory, whose in-orbit assembly began in 1998 and officially ended on July 8, 2011. The space station is in Earth orbit at an altitude of approximately 400 kilometers, an orbit typically referred to as low Earth orbit. Due to the low altitude, the station needs to be constantly repositioned in orbit due to aerodynamic drag. The space station travels at an average speed of 27,700 km/h, completing 15.70 orbits per day. In continuity with the operations of the Russian Mir and the US Skylab, the International Space Station represents the current human stay in space and has been maintained with crews of no less than three astronauts since November 2, 2000. The ISS becomes involved in several space programs, being a joint project of the Canadian Space Agency (CSA/ASC), European Space Agency (ESA), Japanese Aerospace Exploration Agency (宇宙航空研究 or JAXA), Russian Federal Space Agency (ROSKOSMOS) and National Space Administration Aeronautics and Space (NASA) of the United States. On June 27, 2008, it completed 55,000 orbits since the launch of the Zarya module, the first to be launched into space.

The ISS has a platform to carry out scientific research. The wide variety of research fields include astrobiology, astronomy, human research including space medicine and life sciences, physical sciences, materials science, space weather and Earth weather (meteorology). Space stations offer an environment where studies can potentially be carried out for decades, combined with easy access by human researchers for periods that exceed the capabilities of manned spacecraft. The ISS simplifies individual experiments, eliminating the need for separate rocket launches and research teams. To detect dark matter and answer other fundamental questions about our Universe, engineers and scientists around the world created the Alpha Magnetic Spectrometer (AMS), which NASA compares to the Hubble Space Telescope and says could not be accommodated on a satellite free flying in part because of its power requirements and data bandwidth needs. On April 3, 2013, NASA scientists reported that evidence of dark matter may have been detected by the Alpha Magnetic Spectrometer. Medical research improves knowledge about the effects of long-term space exposure on the human body, such as muscle atrophy, bone loss and fluid shift. These data will be used to determine whether human spaceflight and space colonization are viable processes. In 2006, data on bone loss and muscle atrophy suggested that there would be a significant risk of fractures and movement problems if astronauts landed on a planet after a long interplanetary cruise, such as the six-month gap needed to travel to Mars.

The ISS’s source of electrical energy is the Sun through solar panels. The ISS’s Environmental Control and Life Support System (ECLSS) provides or controls elements such as atmospheric pressure, oxygen level, water, fire extinguishing, and more. The Elektron system generates the oxygen that circulates on board the station. The highest priority for the life support system is maintaining a stable atmosphere within the Station, but the system also collects, processes and stores waste and water produced and used by the crew. For example, the system recycles toilet, shower, urine and condensation fluids. Activated carbon filters are the first methods for removing products of human metabolism in the air. Station orientation control is maintained through two mechanisms. Typically, a system using control moment gyroscopes (CMGs) keeps the Station oriented. When the gyroscope system becomes saturated, it can lose the ability to control the station’s orientation. In this case, the orientation control system is prepared to take over automatically, using retrorockets to maintain the Station’s orientation and thus allowing the desaturation of the gyroscope system.

The altitude control of the International Space Station is carried out with its maintenance in orbit at a minimum and maximum altitude limit of 278 to 460 km. Radio communication is essential to the operation of the ISS, providing telemetry and scientific data between the space station and Mission Control Centers around the world. Radio links are also used during spacecraft approach and docking procedures and for communication between station crew, and between them and flight controllers and family members on the ground. As a result, the ISS is equipped with a diverse range of internal and external communication systems, used for different purposes.

6. The space probe

A space probe, launched into space by means of rockets, is an unmanned craft that is sent into space to collect information about planets, moons, asteroids, comets and other objects in the Solar System and beyond [11] [12] . Some probes orbit planets and moons, others even land on them, but there are also those that just pass close to these celestial bodies to study them. Space probes usually have telemetry resources, which allow studying the celestial body’s distance, its physical and chemical characteristics, taking photographs and sometimes also characterizing its environment. Some probes, such as Landers or Rovers, land on the surface of celestial bodies to study their geology and climate. The first space probes to study other celestial bodies were launched at the end of the 1950s by the extinct Soviet Union and the United States, right at the beginning of space exploration, and they helped a lot to unravel the mysteries of the Universe. Recently, the European Space Agency, Japan, People’s Republic of China and India have also launched their probes. The probe types are flyby, orbiter, impact, lander and vehicular (using the rover with locomotion capability to analyze a larger area of a celestial body).

To date, 9 space probes have been sent to the Sun, 2 to Mercury, 34 to Venus, 35 to Earth, 83 to the Moon, 40 to Mars, 8 to Jupiter, 3 to Saturn, 1 to Uranus, 1 to Neptune, 1 for Pluto and the Kuiper Belt, 12 for comets and asteroids, and 4 for outside the Solar System [11]. Among the main fuels used in a space probe are liquid hydrogen, liquid oxygen, hydrazine and others. Hydrazine, like other substances, is highly toxic and its handling requires the use of protective clothing and oxygen tanks, which makes the supply process time-consuming and dangerous. The space probes are capable of communicating with Earth through the Deep Space Network (DSN), a global NASA communications system that covers the entire circumference of the Earth, divided into three stations, one in California, another in Madrid and one in third in Canberra, Australia.

7. The rover

Rover designates a space exploration vehicle designed to move on the surface of a planet or other celestial body [13]. Some of them were designed to transport crew members of a manned space mission and others are partially or completely built as autonomous robots. The vehicles are designed with all-terrain vehicle characteristics, and are driven to their destination via lander-type spacecraft. They are used in conditions very different from those found on Earth, which implies some special design features, such as wheels with independent movement and traction, as well as robotic arms and instruments. The following requirements are a fundamental part of vehicle design: readiness, compactness and autonomy. 5 rovers were used on the Moon and 7 on Mars with 3 failures, 1 on the Moon and 2 on Mars.

Among the rovers, it is important to highlight three of them, Spirit, Opportunity and Perseverance used in research on the planet Mars, which has already been explored for 60 years and is of great scientific interest because it is believed that the Red Planet may have signs of life, even if already extinct [16]. Although we have seen these three rovers arrive at Mars, there are many other scientific instruments besides these on the Red Planet, either in orbit or on the surface. The Spirit and Opportunity rovers are part of a space mission to explore the surface and geology of the planet Mars, which is still ongoing [14]. Equipped with an engine and wheels, the rovers were designed to roam the surface of Mars and search and classify the greatest possible number of rocks and soils that could give any clue about the possible existence of water on the planet. Opportunity “landed” in the Martian crater after Spirit, which landed on the far side of the planet. The rovers did not actually “land”, but fell out of space, the impact being absorbed by large pockets of gas. In all, the rovers covered more than 21 kilometers and collected more than 250,000 images and 36,000 gigabytes of data. On Martian soil, they climbed hills and descended into craters, struggled to free themselves from sand, and faced problems caused by the wear and tear of the materials they are made of.

The rovers were equipped with extremely sensitive equipment, which allows the recording of small earthquakes. Its technology makes it possible to obtain information about the core of the planet, whether it is active or whether it has already been transformed into a large frozen stone ball, as in the case of the Moon. Its mechanical arms even have a rock polisher, and are designed to analyze the chemical elements in the soil. In addition to all this, Spirit and Opportunity have optical instruments, which make it possible to analyze the composition of the atmosphere. Thus, it is possible to understand, for example, why the temperature of Mars is so unstable, because, on a common day, thermometers vary up to 90 degrees. On May 1, 2009, Spirit became stuck on a plateau, with two of its six wheels destroyed. NASA operators tried for nine months to send commands that would make it get rid of the obstacle, but they gave up, and started using it as a stationary platform. There, Spirit ended up finding silica, a chemical compound that preserves energy-rich bacterial communities. Its final transmission took place on March 22, 2010. Opportunity continues its walk around the other end of Mars to this day. In almost eight years of exploration, the robots have found evidence that the regions where they walked were once habitable, at least by microorganisms.

The Perseverance rover successfully landed on Mars in February 2021 with the main objective of determining the potential for ancient life on Mars. To do this, the rover will look for signs of habitable conditions on the ancient Red Planet, in addition to looking for biosignatures of microbial life that may have existed when there was water there. The rover landed in a large crater formation called Jezero, which features typical features of a lake and river delta that existed on Mars billions of years ago. Scientists have reason to think that if there was ever life on the planet, this is one of the places where it could have been abundant. To look for these signs, Perseverance will use a drill capable of sampling the most promising rocks and soils. In addition to the rover, Mars 2020 took the Ingenuity helicopter to Mars, as an unprecedented demonstration of autonomous flight technology on another planet [15].

8. Conclusions

The first major revolution in the history of Science occurred with the breaking of the geocentric paradigm whose theory elaborated by the Greek astronomer Claudio Ptolemy at the beginning of the Christian Era defended the thesis that the Earth is in the center of the Solar System, and the other stars orbit around it , including the Sun [19]. After 14 centuries, the geocentric theory was contested by the Polish astronomer and mathematician Nicolaus Copernicus, who elaborated another structure of the Solar System, the heliocentrism. According to Copernicus, the Earth and the other planets move around a point close to the Sun, which is the true center of the Solar System. The heliocentric theory was improved and proven by Galileo Galilei with the invention of the telescope [17]. From the studies of Copernicus and Galileo Galilei, the Universe has become increasingly known thanks to the use of increasingly powerful telescopes such as Hubble and James Webb, space rockets, artificial satellites, space capsules, space stations, space probes and rovers. All of this has contributed to Astronomy, which is the science that studies the Universe, the bodies that constitute it, the relative positions they occupy, the laws that govern their movements and the evolution they experience over time, to promote the advancement of knowledge about the Universe [18].

The construction of large telescopes such as Hubble and James Webb have provided incredible advances and discoveries about the Universe. The replacement of the human eye by photographs and the objectives of systematization and classification made Astronomy evolve even more in these last fifty years than in the five millennia of its entire history. As a result of technological development since the second half of the 20th century, Astronomy has undergone such a great change in its methods that it leaves its aspect of observation science to also become a new experimental science with the use of the telescope, space rockets, artificial satellites, space capsules, space station, space probes and rovers. The advancement of knowledge in Astronomy made it possible to establish conjectures about the origin of the Universe that would have emerged through the Big Bang, to identify the existence of a huge black hole in the center of the Milky Way, the discovery of water on Mars, the downgrading of Pluto to a dwarf planet , the existence of Earth-like exoplanets outside the solar system, as well as the discovery of dark matter and dark energy in the Universe.

For humans to carry out long-distance space missions, it is necessary to find more advanced forms of rocket propulsion to reach distances of hundreds or thousands of light-years, given that, according to scientists, current chemical rockets are limited by the maximum speed exhaust gases [20][23]. Other alternatives proposed by scientists would consist of the use of a solar/ionic engine as a new form of rocket propulsion, as well as the creation of a fusion reactor in which a rocket extracts hydrogen from interstellar space and liquefies it, releasing unlimited amounts of energy [20][23]. It is also necessary to develop space capsules capable of protecting human beings in space travel and to design space probes to carry out research in possible habitable places in the solar system such as Mars, Titan (Saturn’s moon) and Callisto (Jupiter’s moon) or on the exoplanet Proxima b located in the Alpha Centauri system and a planet in a closer galaxy such as the Canis Major Dwarf Galaxy located 25,000 light years from Earth [20][23], as well to develop space colonies for use by humans outside Earth. All this could help human beings to colonize celestial bodies located in the solar system and beyond. Additionally, it is necessary that space probes be sent to know the “Oort Cloud” located at the limits of the solar system where comets are located and to know the “Kuiper Belt” where asteroids are located [20][23].

From the above, it is demonstrated that the great inventions that occurred throughout history in the field of astronomy contributed to the advancement of knowledge about the Universe and that future inventions need to be developed to provide the conditions for humanity to colonize celestial bodies in the solar system and outside of it, as well as making it possible to increase knowledge about the Universe to contribute towards humanity being able to overcome the threats to its existence.

REFERENCES

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2.    MUNDO EDUCAÇÃO. Telescópio Hubble. Available on the website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/telescopio-hubble.htm>.

3.    POSSES, Ana, MELLO, Duília e PONTE, Geisa. Astrônomas explicam por que as imagens do James Webb são revolucionárias. Available on the website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2022/07/astronomas-explicam-por-que-imagens-do-james-webb-sao-revolucionarias.html>.

4.      WIKIPEDIA. Telescópio Espacial James Webb. Available on the website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Telesc%C3%B3pio_Espacial_James_Webb>.

5.    FREITAS, Felipe. Telescópio James Webb é capaz de detectar água em outro planeta. Available on the website <https://mundoconectado.com.br/noticias/v/26842/telescopio-james-webb-e-capaz-de-detectar-agua-em-outro-planeta>.

6.    WIKIPEDIA. Foguete espacial. Available on the website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Foguete_espacial>.

7.    HELERBROCK, Rafael. Como funciona o lançamento de um foguete. Available on the website <https://brasilescola.uol.com.br/fisica/como-funciona-o-lancamento-de-um-foguete.htm>. 10 de novembro de 2021.

8.    ALENCAR, Lucas. Agência espacial russa está desenvolvendo motor nuclear. Available on the website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/03/agencia-espacial-russa-esta-desenvolvendo-motor-nuclear.html>.

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13. WIKIPEDIA. Astromóvel. Available on the website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Astrom%C3%B3vel>.

14. SANTIAGO, Emerson. Robôs Spirit e Opportunity. Available on the website <https://www.infoescola.com/exploracao-espacial/robos-spirit-e-opportunity/>.

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16. CAVALCANTE, Daniele. Exploração de Marte: que sondas, rovers e landers já foram enviados para lá? Available on the website <https://canaltech.com.br/espaco/exploracao-de-marte-que-sondas-rovers-e-landers-ja-foram-enviados-para-la-180134/>.

17. CROWE, Michael J. Theories of the World from Antiquity to the Copernican Revolution.  Mineola, NY: Dover Publications, Inc, 1990. 

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19. ALCOFORADO, Fernando. A ciência e os avanços no conhecimento sobre o Universo. Available on the website <https://www.slideshare.net/falcoforado/a-cincia-e-os-avanos-no-conhecimento-sobre-o-universo>.

20. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

21. WIKIPEDIA. Cápsula espacial. Available on the website <https://pt.m.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1psula_espacial>.

22. RIGUES, Rafael. China expõe sua nova cápsula espacial. Available on the website <https://olhardigital.com.br/2021/10/14/ciencia-e-espaco/china-expoe-sua-nova-capsula-espacial/>.

23. ALCOFORADO, Fernando. How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity. Europe, Republic of Moldova, Chișinău: Generis Publishing, 2023.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, college professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).  

AS GRANDES INVENÇÕES PARA O AVANÇO DO CONHECIMENTO SOBRE O UNIVERSO E O QUE NECESSITA DESENVOLVER

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar as grandes invenções que estão contribuindo para o avanço do conhecimento sobre o Universo ao longo da história representadas pelo telescópio, o foguete espacial, o satélite artificial, a cápsula espacial, a estação espacial e a sonda espacial, entre as quais se destacam os rovers e apontar os avanços científicos e tecnológicos que precisam ser desenvolvidos para propiciarem as condições para a humanidade colonizar corpos celestes do sistema solar e fora dele. As invenções que venham a ocorrer no futuro serão fundamentais para possibilitar o aumento do conhecimento sobre o Universo visando contribuir no sentido da humanidade poder superar as ameaças à sua existência representadas pela colisão sobre o planeta Terra de corpos vindos do espaço sideral (cometas, asteroides, planetas do sistema solar e planetas órfãos), pela emissão de raios cósmicos, especialmente raios gama com a explosão de estrelas supernovas, pelo contínuo afastamento da Lua em relação à Terra, pela morte do Sol, pela colisão das galáxias Andrômeda e Via Láctea e pelo fim do Universo.

Para lidar com asteroides e com cometas que possam colidir com o planeta Terra, a estratégia consiste em desviá-los de seu curso se forem detectados com tempo suficiente para lançar foguetes interceptadores poderosos[20][23]. Para lidar com a possibilidade de colisão dos planetas do sistema solar com a Terra, é importante identificar planetas habitáveis aos seres humanos fora do sistema solar para planejar sua fuga para exoplanetas como o “Proxima b” orbitando uma estrela integrante do sistema Alpha Centauri, o mais próximo do sistema solar, onde seriam implantadas colônias espaciais [20][23]. No caso do profundo agravamento do meio ambiente terrestre resultante do contínuo afastamento da Lua em relação à Terra e da ameaça concreta da emissão de raios gama resultante da explosão de estrelas supernovas, devem ser adotadas as medidas necessárias visando a fuga dos seres humanos para locais possíveis habitáveis no sistema solar como Marte, Titan (lua de Saturno) e Callisto (lua de Júpiter) onde seriam implantadas colônias espaciais [20][23]. Tudo isto exige que haja grande avanço científico e tecnológico para viabilizá-los.

Antes da morte do Sol, a humanidade deveria sair do sistema solar e alcançar um novo planeta em outro sistema planetário que seja habitável para os seres humanos.  Entre vários exoplanetas (planetas situados fora do sistema solar em órbita de outras estrelas), o mais viável é o exoplaneta “Proxima b” orbitando a estrela mais próxima do Sol integrante do sistema Alpha Centauri que dista 4.2 anos-luz da Terra [20][23]. Antes da colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea, é bastante importante traçar planos de fuga dos seres humanos para um planeta habitável em uma galáxia mais próxima da Via Láctea como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz da Terra que é uma galáxia satélite da Via Láctea situada na constelação do Cão Maior ou a Grande Nuvem de Magalhães que se situa a 163 mil anos-luz da Terra [20][23]. Pesquisar sobre a existência ou não de multiverso ou universos paralelos é outra importante questão a estudar porque a existência ou não de multiverso ou universos paralelos abre a possibilidade de os seres humanos sobreviverem ao fim de nosso Universo se dirigindo para outros universos paralelos [20][23]. Tudo isto exige que haja grande avanço científico e tecnológico para viabilizá-los.

1.    O telescópio

O telescópio que Galileu Galilei, o pai da ciência moderna, inventou tomou como modelo a luneta criada em 1608 por Hans Lippershey a partir das lentes dos primeiros óculos até então considerados utensílios domésticos comuns [1]Galileu soube dos detalhes da criação de Lippershey e, com utensílios semelhantes (tubos e lentes), construiu um modelo três vezes mais poderoso do que o do holandês. Esse primeiro modelo foi sendo aperfeiçoado por Galileu entre os anos de 1609 e 1610. Galileu construiu seu primeiro telescópio, que ele chamava perspicillum, com um aumento de 3 vezes em comparação com a luneta do holandês Hans Lippershey.  Galileu o aprimorou rapidamente com um aumento de 20 vezes, muito mais potente e nítido que qualquer outro existente nessa época. Com esse instrumento ele começou as meticulosas observações que marcaram o início da astronomia moderna. Os telescópios mais potentes construídos por Galileu chegaram a um aumento de 30 vezes.

Com o telescópio, Galileu fez as primeiras observações sobre o relevo da Lua, as estrelas da Via Láctea e os satélites de Júpiter [1]. Ao apontar seu telescópio para a Lua, em novembro de 1609, Galileu mostrou que a superfície da Lua não era “polida, regular e com uma esfericidade perfeita”, mas sim “áspera e irregular, cheia de vastas proeminências e cavidades profundas”, à semelhança da superfície da própria Terra. Galileu estava então terminando suas observações da Lua e voltou sua atenção para Júpiter. No final de 1609, Júpiter estava em oposição e era o objeto mais brilhante do céu noturno, depois da Lua. Nos dias 7 e 8 de janeiro de 1610, notou perto de Júpiter três pequenos pontos brilhantes, que mudavam de posição de uma noite para outra. Na noite do dia treze do mesmo mês, observou que os pontos brilhantes se movendo em torno de Júpiter eram quatro. Depois de algumas semanas de observações ele concluiu que os corpos que descreviam círculos menores ao redor de Júpiter se movimentavam mais rápido do que aqueles que faziam círculos maiores como Mercúrio e Vênus ao redor do Sol. Os satélites de Júpiter provavam a existência de corpos celestes girando em torno de um planeta diferente da Terra, em contradição com o sistema geocêntrico.

Galileu foi o primeiro a observar corpos celestes difusos, então agrupados sob o nome comum de nebulosas [1]. Ficou espantado pelo imenso número de estrelas que apareciam ao seu telescópio e que não podiam ser vistas a olho nu. Descobriu que a Via Láctea, percebida até então como uma “nebulosidade esbranquiçada”, era constituída por uma infinidade de estrelas. Galileu notou que mesmo através do telescópio as estrelas continuavam aparecendo como pontos de luz, sugerindo que elas estavam a enormes distâncias da Terra. Os primeiros resultados das pesquisas de Galileu com o uso do telescópio foram publicados já em 1610 com o título “Sidereus Nuncius” (“A Mensagem das Estrelas”).  Nele relata em detalhes as observações feitas entre fim de 1609 e início de 1610, que resultaram em suas descobertas sobre o relevo da Lua, a composição estelar da Via Láctea e os satélites de Júpiter. No livro, ele se refere aos satélites de Júpiter como “quatro planetas até então nunca vistos”. Em 1613, Galileu publicou a “Carta sobre manchas solares”, quando deixou explícitas as primeiras considerações propriamente científicas a favor da teoria heliocêntrica de Copérnico. Um ponto importante a ser notado é que, com o uso do telescópio por Galileu, a ciência também passou a existir intimamente conectada com a “técnica”, isto é, com a capacidade do ser humano de ampliar os seus sentidos por meio de inventos, de instrumentos e, com eles, conhecer e descrever o Universo.

Muitos modelos de telescópios foram desenvolvidos a partir do telescópio de Galileu para que tivéssemos um modelo de observação de grande alcance como o que nos foi oferecido pelo telescópio Hubble e o telescópio James Webb. Desde então, uma verdadeira “revolução” científica e cosmológica começou a se desenvolver. O telescópio Hubble, lançado em abril de 1990, foi responsável pela captação de imagens extremamente importantes para estudos relativos ao Universo [2]. Projetado nos anos 1970 e 1980, o telescópio espacial Hubble foi lançado em 1990 e proporcionou uma revolução na Astronomia. As imagens captadas por meio das lentes desse telescópio revelaram um Universo muito maior e mais belo do que o ser humano havia imaginado. O telescópio Hubble conseguiu imagens detalhadas de nebulosas, o que possibilitou a compreensão da formação e morte das estrelas, gerou imagens de mais de 1500 galáxias, mostrando um Universo imenso, jamais observado anteriormente, apresentou uma visão em tempo real da colisão de um cometa com o planeta Júpiter, localizou dióxido de carbono (CO2) na superfície de um planeta, foram identificados planetas fora do Sistema Solar, mostrou imagens da colisão entre galáxias e detectou buracos negros.

As imagens do telescópio James Webb são ainda mais revolucionárias [3]. O telescópio James Webb não é um substituto do telescópio Hubble. Na verdade, ele é complementar, pois tem olhos que o Hubble não tem. Portanto, ele enxergará coisas que hoje são “invisíveis” com o uso do telescópio Hubble. A primeira imagem revelada pelo telescópio James Webb mostra o Universo distante. A missão primária do telescópio James Webb é a de examinar a radiação infravermelha resultante do Big Bang e realizar observações sobre a infância do Universo [4]. Observações de objetos muito distantes são o carro-chefe do telescópio, o propósito mais desafiador dele. É isso que o Hubble não consegue fazer devido às limitações de tamanho e falta de equipamento de infravermelho ao contrário do telescópio James Webb. Como o Universo está em expansão, só é possível observar os primeiros 100 milhões de anos depois do Big Bang no infravermelho, porque a luz sofre um deslocamento para o lado vermelho da energia. A luz da galáxia mais distante naquela imagem saiu de lá quando o Universo tinha apenas 600 milhões de anos. Com o telescópio James Webb, vemos até sua composição química. E aí verificamos que, quimicamente, ela é parecida com as galáxias mais próximas que conhecemos. Aprenderemos como a nossa própria galáxia se formou e como o enriquecimento químico do Universo aconteceu até gerar o nosso Sistema Solar e a vida. Impressionante foi também saber que o telescópio James Webb consegue detectar facilmente água em planetas ao redor de outras estrelas e a luz da estrela que está passando pela atmosfera de um planeta [5].

2.    O foguete espacial

Um foguete espacial é uma máquina que se desloca expelindo atrás de si um fluxo de gás a alta velocidade. O seu objetivo é enviar objetos (especialmente satélites artificiais, estações espaciais, sondas espaciais e rovers) e/ou naves espaciais e homens ao espaço sideral com o uso de cápsulas espaciais com velocidade superior a 40.320 Km/h para vencer a força de atração gravitacional da Terra e alcançar altitude superior a 100 Km acima do nível do mar [7]. Um foguete é constituído por uma estrutura, um motor de propulsão por reação e uma carga útil. A estrutura serve para albergar os tanques de combustível e oxidante (comburente) e a carga útil. Estes foguetes necessitam de transportar também um comburente para reagir com o combustível. Esta mistura de gases sobreaquecidos é, depois, expandida em um tubo divergente, o Tubo de Laval, também conhecida como Tubo de Bell, para direcionar o gás em expansão para trás, e assim conseguir propulsionar o foguete para a frente [7].

A primeira notícia que se tem do uso do foguete é do ano 1232 na China, onde foi inventada a pólvora, usada a princípio em fogos de artifício como entretenimento e, mais tarde, usada para fins bélicos. Os foguetes foram introduzidos na Europa pelos árabes, tornando a ser usados em conflitos europeus logo após a Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Durante os séculos XV e XVI, foi utilizado como arma incendiária. Posteriormente, com o aprimoramento da artilharia, o foguete bélico desapareceu até o século XIX, vindo a ser utilizado novamente durante as Guerras Napoleônicas (1803-1815). No final do século XIX e princípio do século XX, apareceram os primeiros cientistas que viram o foguete como um sistema para propulsionar veículos aeroespaciais tripulados. Entre eles, destacaram-se o russo Konstantin Tsiolkovsky, o alemão Hermann Oberth, o norte-americano Robert Goddard e, mais tarde, os russos Sergei Karolev e Valentim Glushko e o alemão Wernher von Braun [6].

Goddard construiu o primeiro foguete movido a combustível líquido em 1925. Os foguetes construídos por Goddard, embora pequenos, já tinham todos os princípios dos modernos foguetes, como orientação por giroscópios, por exemplo. Os alemães, liderados por Wernher von Braun, desenvolveram, durante a 2ª Guerra Mundial, os foguetes V-1 e V-2 que serviram de base para as pesquisas sobre foguetes dos Estados Unidos e da União Soviética no pós-guerra. Ambos os foguetes nazistas usados para bombardear Londres no final da guerra, podem ser mais bem definidas como mísseis porque o V-1 e o V-2 voam com propulsão de avião a jato. Os programas espaciais que os norte-americanos e os russos colocaram em marcha basearam-se em foguetes projetados com finalidades próprias para a astronáutica derivados dos foguetes de uso militar [6]. Os foguetes usados no programa espacial soviético eram derivados do R.7, míssil balístico, que, em outubro de 1957, a União Soviética usou para lançar a primeira nave espacial, o satélite Sputnik.

A adoção de veículos espaciais reutilizáveis, como o Ônibus Espacial da NASA, deve ampliar-se. Os Ônibus Espaciais decolam como um foguete convencional, mas pousam como aviões. O Reusable Launch Vehicle (RLV)- Nave Espacial Reutilizável é um avião espacial equipado com foguetes que decolariam e pousariam como aviões, em longas pistas de aterrissagem, os quais seriam equipados com foguetes reutilizáveis para alcançar o espaço e orbitar a Terra. Estas aeronaves ainda não existem. Porém, cogita-se que, no futuro, RLVs serão aeronaves que poderão ser usadas para viagens espaciais de baixo custo e de alta segurança. Um motor revolucionário, que pode fazer avançar a tecnologia astronáutica, é o motor Scramjet que é capaz de atingir velocidades hipersônicas de até 15 vezes a velocidade do som. A NASA testou com sucesso um motor deste tipo em 2004. Outra possibilidade de avanço na tecnologia de motores de foguetes é o uso de propulsão nuclear, em que um reator nuclear aquece um gás, produzindo um jato que é usado para produzir empuxo [8].

3.    O satélite artificial

Um satélite artificial é um dispositivo, composto essencialmente por sistemas eletrônicos e mecânicos, que orbita em torno de um planeta [9]. Os Satélites Artificiais são equipamentos criados pelo homem lançados no espaço por meio de foguetes destituídos de tripulação que orbitam os planetas, outros satélites ou o Sol, sendo utilizados para o aprofundamento dos estudos acerca do sistema solar. O satélite artificial se divide em duas grandes partes: o módulo de serviço e o módulo de carga útil. No módulo de serviço ficam os subsistemas responsáveis pelo funcionamento do satélite: bateria, computadores de bordo, entre outros. No módulo de carga útil são acoplados os subsistemas relacionados com a missão do satélite (câmeras, experimentos, entre outros). O primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik I, foi lançado pela União Soviética a 4 de outubro de 1957, e em 3 novembro 1957, foi lançado o Sputnik II. Desde essa data, muitos outros satélites têm sido lançados com as mais diversas finalidades: comunicações, meteorologia, televisão, investigação científica, aplicações militares, na navegação, exploração do Universo e observação da Terra [10].

4.    A cápsula espacial

Uma cápsula espacial, lançada no espaço por meio de foguetes, é normalmente a seção principal de uma espaçonave tripulada que possui uma forma simples, sem “asas” ou outros apêndices para criar sustentação durante a reentrada na atmosfera [21]. Cápsulas espaciais têm sido usadas em todos os programas espaciais tripulados desde as primeiras missões tripuladas até os dias de hoje, incluindo várias “gerações” delas que vieram evoluindo ao longo dos anos [21]. A Corporação Chinesa para Ciência e Tecnologia Aeroespacial está mostrando ao público, pela primeira vez, sua nova cápsula espacial, que será usada em futuras missões tripuladas do país [22]. Reutilizável, e ainda sem nome, o veículo pode levar até sete astronautas à Estação Espacial Tiangong. As cápsulas Shenzhou, usadas em todas as missões tripuladas chinesas até o momento e derivadas da russa Soyuz, transportam apenas três astronautas. Em 5 de maio de 2020 a nova cápsula foi lançada ao espaço, sem tripulação, a bordo de um foguete Longa Marcha 5B. A espaçonave experimental ficou em órbita por dois dias e 19 horas, durante as quais realizou uma série de experimentos científicos e tecnológicos, segundo a Agência Espacial Chinesa para Missões Tripuladas (CMSA, China Manned Space Agency). Foram obtidos avanços significativos em proteção térmica e controle de precisão para o retorno e reentrada, bem como no projeto do motor e pouso sem danos.

5.    A estação espacial internacional

A Estação Espacial Internacional (EEI), lançada no espaço por meio de foguetes, é um laboratório espacial completamente concluído, cuja montagem em órbita começou em 1998 e terminou oficialmente em 8 de julho de 2011. A estação espacial encontra-se em órbita da Terra a uma altitude de aproximadamente 400 quilômetros, uma órbita tipicamente designada de órbita terrestre baixa. Devido à baixa altitude, a estação precisa ser constantemente reposicionada na órbita devido ao arrasto aerodinâmico. A estação espacial viaja a uma velocidade média de 27 700 km/h, completando 15,70 órbitas por dia. Na continuidade das operações da Mir russa e da Skylab dos Estados Unidos, a Estação Espacial Internacional representa a atual permanência humana no espaço e tem sido mantida com tripulações de número não inferior a três astronautas desde 2 de novembro de 2000. A EEI envolve-se em diversos programas espaciais, sendo um projeto conjunto da Agência Espacial Canadense (CSA/ASC), Agência Espacial Europeia (ESA), Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (宇宙航空研究 ou JAXA, Agência Espacial Federal Russa (ROSKOSMOS), e Administração de Aeronáutica e Espaço (NASA)  

 dos Estados Unidos. Em 27 de junho de 2008 completou 55 mil órbitas desde o lançamento do módulo Zarya, o primeiro a ser lançado ao espaço.

A EEI possui uma plataforma para realizar pesquisas científicas. A ampla variedade de campos de pesquisa incluem astrobiologia, astronomia, pesquisa humana, incluindo medicina espacial e ciências da vida, ciências físicas, ciência dos materiais, clima espacial e clima na Terra (meteorologia). As estações espaciais oferecem um ambiente onde os estudos podem ser realizados potencialmente por décadas, combinados com acesso fácil por pesquisadores humanos em períodos que excedem as capacidades da nave espacial tripulada. A EEI simplifica as experiências individuais, eliminando a necessidade de lançamentos de foguetes separados e equipes de pesquisa. Para detectar a matéria escura e responder a outras questões fundamentais sobre o nosso Universo, engenheiros e cientistas de todo o mundo criaram o Espectômetro Magnético Alpha (AMS), que a NASA compara ao telescópio espacial Hubble e diz que não poderia ser acomodado em um satélite voador livre em parte por causa de seus requisitos de energia e necessidades de largura de faixa de dados. Em 3 de abril de 2013, cientistas da NASA informaram que evidências de matéria escura podem ter sido detectadas pelo Espectrômetro Magnético Alfa. A pesquisa médica melhora o conhecimento sobre os efeitos da exposição espacial a longo prazo no corpo humano, como atrofia muscular, perda óssea e mudança de fluido. Estes dados serão utilizados para determinar se o voo espacial humano e a colonização espacial são processos viáveis. Em 2006, dados sobre perda óssea e atrofia muscular sugeriram que haveria um risco significativo de fraturas e problemas de movimento se os astronautas aterrisassem em um planeta após um longo cruzeiro interplanetário, como o intervalo de seis meses necessário para viajar para Marte. 

A fonte de energia elétrica da EEI é o Sol através de painéis solares. O Sistema de Suporte À Vida e Controle Ambiental (ECLSS – Environmental Control and Life Support System) da EEI provê ou controla elementos como pressão atmosférica, nível de oxigênio, água, extinção de incêndios, além de outras coisas. O sistema Elektron gera o oxigênio que circula a bordo da estação. A mais alta prioridade para o sistema de suporte a vida é a manutenção de uma atmosfera estável dentro da Estação, mas o sistema também coleta, processa e armazena lixo e água produzida e usada pela tripulação. Por exemplo, o sistema recicla fluidos do banheiro, chuveiro, urina e condensação. Filtros de carvão ativado são os primeiros métodos para remoção de produtos do metabolismo humano no ar. O controle de orientação da Estação é mantido através de dois mecanismos. Normalmente, um sistema usando giroscópios de controle de momento (CMGs – control moment gyroscopes) mantém a Estação orientada. Quando o sistema de giroscópios se torna saturado, ele pode perder a habilidade de controlar a orientação da estação. Neste caso, o sistema de controle de orientação é preparado para assumir automaticamente, usando retrofoguetes para manter a orientação da Estação e permitindo assim a dessaturação do sistema de giroscópios.

O Controle de altitude da Estação Espacial Internacional é realizada com sua manutenção em órbita numa altitude limite mínima e máxima de 278 a 460 km. A radiocomunicação é essencial para a operação da EEI, providenciando dados de telemetria e científicos entre a estação espacial e os Centros de Controle de Missão espalhados pelo planeta. Links de rádio também são usados durante procedimentos de aproximação e docagem de espaçonaves e para a comunicação entre tripulantes da estação, e deles com os controladores de voo e familiares em terra. Como resultado disso, a EEI está equipada com uma quantidade diversificada de sistemas internos e externos de comunicação, usados para diferentes propósitos.

6.    A sonda espacial

Uma sonda espacial, lançada no espaço por meio de foguetes, é uma nave não tripulada que é enviada para o espaço a fim coletar informações sobre planetas, luas, asteroides, cometas e outros objetos do Sistema Solar e fora dele [11] [12]. Algumas sondas orbitam planetas e luas, outras chegam a pousar neles, mas há também as que apenas passam perto desses corpos celestes para estudá-los. Normalmente as sondas têm recursos de telemetria, que permitem estudar à distância em relação ao corpo celeste, suas características físico-químicas, tirar fotografias e por vezes também caracterizar o seu meio ambiente. Algumas sondas, como Landers ou Rovers, pousam na superfície dos corpos celestes, para estudos de sua geologia e do seu clima. As primeiras sondas para estudar outros corpos celestes foram lançadas no fim da década de 1950 pela extinta União Soviética e Estados Unidos, logo no início da exploração espacial, e que ajudaram muito a desvendar os mistérios do Universo. Recentemente, a Agência Espacial Europeia, Japão, Repúbica Popular da China e Índia também já lançaram as suas sondas. Os tipos de sonda são de sobrevoo, orbitador, de impacto, aterrissadora e veicular (com o uso do rover com capacidade de locomoção para analisar uma área maior de um corpo celeste).  

Até o presente momento foram enviadas 9 sondas espaciais para o Sol, 2 para Mercúrio, 34 para Vênus, 35 na Terra, 83 para a Lua, 40 para Marte, 8 para Júpiter, 3 para Saturno, 1 para Urano, 1 para Netuno, 1 para Plutão e Cinturão de Kuiper, 12 para cometas e asteroides e 4 para fora do Sistema Solar [11]. Entre os principais combustíveis utilizados em uma sonda espacial estão o hidrogênio líquido, oxigênio líquido, hidrazina e outros. A hidrazina, assim como outras substâncias, é altamente tóxica e sua manipulação requer a utilização de roupas de proteção e tanques de oxigênio, o que torna o processo de abastecimento demorado e perigoso. As sondas espaciais são capazes de se comunicar com a Terra, através da Deep Space Network (DSN), um sistema global de comunicações da NASA que cobre toda a circunferência da Terra, dividida em três estações, uma na Califórnia, outra em Madri e uma terceira em Camberra, na Australia.

7.    O rover ou veículo espacial

Rover designa um veículo de exploração espacial projetado para mover-se na superfície de um planeta ou de outro corpo celeste [13]. Alguns deles foram projetados para transportar membros da tripulação de uma missão espacial tripulada e outros são parcial ou totalmente construídos como robôs autônomos. Os veículos são projetados com características de veículos para todo tipo de terreno, e são conduzidos ao seu destino através de espaçonaves do tipo aterrissador. Eles são usados em condições muito diferentes das encontradas na Terra, o que implica algumas características especiais de projeto, tais como rodas com movimentação e tração independentes além de braços e instrumentos robóticos. São parte fundamental no projeto dos veículos os seguintes requisitos: prontidão, compacticidade e autonomia. Foram usados 5 rovers na Lua e 7 em Marte com 3 falhas, sendo 1 na Lua e 2 em Marte.

Entre os rovers, é importante destacar três deles, o Spirit, o Opportunity e o Perseverance utilizados na pesquisa sobre o planeta Marte que, já vem sendo explorado há 60 anos e é de grande interesse científico porque acredita-se que o Planeta Vermelho pode ter sinais de vida, mesmo que já extinta [16]. Embora tenhamos visto estes três rovers chegando a Marte, há outros muitos instrumentos científicos além destes no Planeta Vermelho, seja na órbita, seja na superfície. Os rovers Spirit e Opportunity fazem parte de uma missão espacial de exploração da superfície e geologia do planeta Marte, e que ainda se encontra em andamento [14]. Dotados de motor e rodas, os rovers foram projetados para percorrer a superfície de Marte e pesquisar e classificar o maior número possível de rochas e solos que possam dar qualquer pista sobre uma possível existência de água no planeta. O Opportunity “aterrissou” na cratera marciana após o Spirit, que aterrissou do outro lado do planeta. Na verdade os rovers não “pousaram”, e sim caíram do espaço, com o impacto sendo absorvido por grandes bolsas de gás. Ao todo, os rovers percorreram mais de 21 quilômetros e recolheram mais de 250 mil imagens e 36 mil gigabytes de dados. Em solo marciano, subiram colinas e desceram para dentro de crateras, lutaram para se libertar de areias, além de enfrentarem os problemas causados pelo desgaste dos materiais de que são feitos.

Os rovers foram dotados de equipamentos extremamente sensíveis, que permitem o registro de pequenos terremotos. Sua tecnologia permite obter informações sobre o núcleo do planeta, se este é ativo ou se já foi transformado em uma grande bola de pedra congelada, como no caso da Lua. Seus braços mecânicos contam até mesmo com um polidor de rochas, e são projetados para analisar os elementos químicos do solo. Além de tudo isso, Spirit e Opportunity possuem instrumentos óticos, que permitem analisar a composição da atmosfera. Assim, é possível compreender, por exemplo, porque a temperatura de Marte é tão instável, pois, em um dia comum, os termômetros variam até 90 graus. Em 1 de maio de 2009, o Spirit ficou preso em um platô, com duas de suas seis rodas destruídas. Os operadores da NASA tentaram por nove meses enviar comandos que fizessem com que este se livrasse do obstáculo, mas desistiram, e passaram a utilizá-lo como plataforma estacionária. Lá, o Spirit acabou encontrando sílica, composto químico que preserva comunidades bacterianas ricas em energia. Sua transmissão final ocorreu a 22 de março de 2010. O Opportunity continua até hoje a sua caminhada pela outra extremidade de Marte. Em quase oito anos de exploração, os robôs encontraram evidências de que as regiões por onde caminharam já foram habitáveis, ao menos por microorganismos.

O rover Perseverance pousou com sucesso em fevereiro de 2021 em Marte tendo como principal objetivo determinar o potencial de vida antiga em Marte. Para isso, o rover buscará sinais de condições habitáveis no antigo Planeta Vermelho, além de procurar por bioassinaturas de vida microbiana que possa ter existido quando havia água por lá. O rover pousou em uma grande cratera de formação chamada Jezero, que apresenta características típicas de um lago e o delta de um rio, que existiram em Marte há bilhões de anos. Os cientistas têm motivos para cogitar que, se um dia houve vida no planeta, este é um dos locais onde ela poderia ter sido abundante. Para procurar estes sinais, o Perseverance usa uma broca capaz de coletar amostras das rochas e solos mais promissores. Além do rover, a Mars 2020 levou a Marte o helicóptero Ingenuity, como uma demonstração inédita de tecnologia de voo autônomo em outro planeta [15]. 

8.    Conclusões

A primeira grande revolução na história da Ciência ocorreu com a quebra do paradígma geocêntrico cuja teoria elaborada pelo astrônomo grego Claudio Ptolomeu no início da Era Cristã defendia a tese de que a Terra está no centro do Sistema Solar, e os demais astros orbitam ao redor dela, inclusive o Sol [19]. Após 14 séculos, a teoria geocêntrica foi contestada pelo astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico, que elaborou outra estrutura do Sistema Solar, o heliocentrismo. Conforme Copérnico, a Terra e os demais planetas se movem ao redor de um ponto vizinho ao Sol, sendo este, o verdadeiro centro do Sistema Solar. A teoria heliocêntrica foi aperfeiçoada e comprovada por Galileu Galilei com a invenção do telescópio [17]. A partir dos estudos de Copérnico e Galileu Galilei, o Universo se tornou cada vez mais conhecido graças ao uso de telescópios cada vez mais poderosos como o Hubble e o James Webb, aos foguetes espaciais, aos satélites artificiais, às cápsulas espaciais, às estações espaciais, às sondas espaciais e aos rovers. Tudo isto contribuiu para que a Astronomia, que é a ciência que estuda o Universo, os corpos que o constituem, as posições relativas que ocupam, as leis que governam seus movimentos e a evolução que experimentam ao longo do tempo, promovesse o avanço do conhecimento sobre o Universo [18].

A construção dos grandes telescópios como o Hubble e o James Webb têm proporcionado avanços e descobertas incríveis sobre o Universo. A substituição do olho humano pelas fotografias e os objetivos de sistematização e classificação fizeram a Astronomia evoluir mais ainda nestes últimos cinquenta anos do que nos cinco milênios de toda sua história. Em consequência do desenvolvimento tecnológico desde a segunda metade do século XX, a Astronomia sofre tão grande mudança nos seus métodos que ela deixa o seu aspecto de ciência de observação para se tornar, também, uma nova ciência experimental com o uso do telescópio, dos foguetes espaciais, dos satélites artificiais, das cápsulas espaciais, da estação espacial, das sondas espaciais e dos rovers. O avanço do conhecimento em Astronomia possibilitou estabelecer conjecturas sobre a origem do Universo que teria surgido através do Big Bang, identificar a existência de um enorme buraco negro no centro da Via Láctea, a descoberta da água em Marte, o rebaixamento de Plutão para planeta anão, a existência de exoplanetas similar à Terra fora do sistema solar, bem como a descoberta de matéria e energia escura no Universo.  

Para os seres humanos realizarem missões espaciais de longa distância, é preciso encontrar formas mais avançadas de propulsão de foguetes visando alcançar distâncias a centenas ou milhares de anos-luz haja vista que, segundo os cientistas, os foguetes químicos atuais são limitados pela velocidade máxima dos gases de escapamento [20][23]. Outras alternativas propostas por cientistas consistiriam na utilização de um motor solar/iônico como uma nova forma de propulsão de foguetes, bem como a criação de um reator de fusão em que um foguete extrai hidrogênio do espaço interestelar e o liquefaz [20][23]. É preciso, também, desenvolver cápsulas espaciais capazes de protegerem os seres humanos em viagens espaciais e projetar sondas espaciais para realizarem pesquisas em locais habitáveis possíveis do sistema solar como Marte, Titan (lua de Saturno) e Callisto (lua de Júpiter) ou no exoplaneta Próxima b situado no sistema Alpha Centauri e em um planeta em uma galáxia mais próxima como a Galáxia Anã do Cão Maior situada a 25.000 anos-luz da Terra [20][23], bem como desenvolver colônias espaciais para uso pelos seres humanos fora da Terra. Tudo isto poderá contribuir para que os seres humanos colonizem corpos celestes situados no sistema solar e fora dele. Adicionalmente, é preciso que sejam enviadas sondas espaciais para conhecermos a “Nuvem de Oort” situada nos limites do sistema solar onde se localizam os cometas e para conhecermos o “Cinturão de Kuiper” onde se localizam asteroides [20][23].

Pelo exposto, fica demonstrado que as grandes invenções que ocorreram ao longo da história no campo da astronomia contribuíram para o avanço do conhecimento sobre o Universo e que as futuras invenções precisam serem desenvolvidas para propiciarem as condições para a humanidade colonizar corpos celestes do sistema solar e fora dele, bem como possibilitar o aumento do conhecimento sobre o Universo para contribuir no sentido da humanidade poder superar as ameaças à sua existência.  

REFERÊNCIAS

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2.    MUNDO EDUCAÇÃO. Telescópio Hubble. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/fisica/telescopio-hubble.htm>.

3.    POSSES, Ana, MELLO, Duília e PONTE, Geisa. Astrônomas explicam por que as imagens do James Webb são revolucionárias. Disponível no website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2022/07/astronomas-explicam-por-que-imagens-do-james-webb-sao-revolucionarias.html>.

4.      WIKIPEDIA. Telescópio Espacial James Webb. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Telesc%C3%B3pio_Espacial_James_Webb>.

5.    FREITAS, Felipe. Telescópio James Webb é capaz de detectar água em outro planeta. Disponível no website <https://mundoconectado.com.br/noticias/v/26842/telescopio-james-webb-e-capaz-de-detectar-agua-em-outro-planeta>.

6.    WIKIPEDIA. Foguete espacial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Foguete_espacial>.

7.    HELERBROCK, Rafael. Como funciona o lançamento de um foguete. Disponível no website <https://brasilescola.uol.com.br/fisica/como-funciona-o-lancamento-de-um-foguete.htm>. 10 de novembro de 2021.

8.    ALENCAR, Lucas. Agência espacial russa está desenvolvendo motor nuclear. Disponível no website <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/03/agencia-espacial-russa-esta-desenvolvendo-motor-nuclear.html>.

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11. WIKIPEDIA. Sonda espacial. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sonda_espacial>.

12. ESG, O que é uma sonda espacial e para que serve? Disponível no website <https://planetariodevitoria.org/espaco/o-que-e-uma-sonda-espacial.html>.

13. WIKIPEDIA. Astromóvel. Disponível no website <https://pt.wikipedia.org/wiki/Astrom%C3%B3vel>.

14. SANTIAGO, Emerson. Robôs Spirit e Opportunity. Disponível no website <https://www.infoescola.com/exploracao-espacial/robos-spirit-e-opportunity/>.

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16. CAVALCANTE, Daniele. Exploração de Marte: que sondas, rovers e landers já foram enviados para lá? Disponível no website <https://canaltech.com.br/espaco/exploracao-de-marte-que-sondas-rovers-e-landers-ja-foram-enviados-para-la-180134/>.

17. CROWE, Michael J. Theories of the World from Antiquity to the Copernican Revolution.  Mineola, NY: Dover Publications, Inc, 1990. 

18. AGUIAR, Marcus. Tópicos de Mecânica Clássica. Campinas: UNICAMP, 2010. Disponível no website <http://sites.ifi.unicamp.br/aguiar/files/2014/10/top-mec-clas.pdf>.

19. ALCOFORADO, Fernando. A ciência e os avanços no conhecimento sobre o Universo. Disponível no website <https://www.slideshare.net/falcoforado/a-cincia-e-os-avanos-no-conhecimento-sobre-o-universo>.

20. ALCOFORADO, Fernando. A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade. Curitiba: Editora CRV, 2022.

21. WIKIPEDIA. Cápsula espacial. Disponível no website <https://pt.m.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1psula_espacial>.

22. RIGUES, Rafael. China expõe sua nova cápsula espacial. Disponível no website <https://olhardigital.com.br/2021/10/14/ciencia-e-espaco/china-expoe-sua-nova-capsula-espacial/>.

23. ALCOFORADO, Fernando. How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity. Europe, Republic of Moldova, Chișinău: Generis Publishing, 2023.  

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

IL N’Y A AUCUNE RAISON DE CÉLÉBRER LA JOURNÉE MONDIALE DE L’EAU

Fernando Alcoforado*

Aujourd’hui, la Journée mondiale de l’eau est célébrée sans aucune raison de se réjouir en raison de l’irrationalité des politiques liées à la protection de l’environnement naturel, parmi lesquelles figurent les sources et les cours d’eau, et la mauvaise gestion de l’assainissement de base dans de nombreux pays du monde. Dans le monde entier, il existe une opinion largement répandue selon laquelle l’eau est une ressource inépuisable. C’est pourtant une grave erreur car les ressources en eau, bien que renouvelables, sont limitées. Il est important de souligner que, de toute l’eau douce disponible, seulement 0,4 % se trouve dans les lacs et les rivières et que 70 % de l’eau douce est utilisée pour l’irrigation, 22 % dans l’industrie et seulement 8 % à usage domestique (VOCÊSABIA?, Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <https://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012>, 2012).

Environ 800 millions de personnes n’ont pas accès à l’eau potable dans le monde, 2,5 milliards de personnes ne disposent pas d’un assainissement de base, et entre 3 milliards et 4 milliards de personnes, ce qui correspond à la moitié de la population mondiale, n’ont pas d’accès permanent à l’eau, utilisent chaque jour une eau de qualité douteuse et 11% de la population mondiale partage encore l’eau avec les animaux dans les lits des rivières. Selon l’OMS (Organisation Mondiale de la Santé), sept personnes meurent chaque minute dans le monde à cause de la consommation d’eau pourrie et plus d’1 milliard de personnes défèquent encore à l’air libre. L’OCDE (Organisation de coopération et de développement économiques) rapporte que la demande mondiale en eau augmentera de 55 % d’ici 2050. Selon les prévisions, d’ici cette année-là, 2,3 milliards de personnes supplémentaires – plus de 40 % de la population mondiale – n’auront pas accès à l’eau si des mesures adéquates ne sont pas prises.

L’humanité utilise actuellement 50% de l’eau douce de la planète. Dans 40 ans, il en utilisera 80 %. La répartition géographique de l’eau douce est inégale. Actuellement, 1/3 de la population mondiale vit dans des régions où elle est rare. L’utilisation d’une eau impropre à la consommation est responsable de 60% des malades sur la planète. La moitié des rivières du monde sont contaminées par les eaux usées, les pesticides et les déchets industriels. Le rapport de l’ONU sur l’utilisation de l’eau confirme que, sans mesures contre le gaspillage et en faveur d’une consommation durable, l’accès à l’eau potable et à l’assainissement sera encore plus réduit (AGÊNCIA BRASIL. Falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU. Disponível no website <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu>, 2009). Ce rapport de l’ONU estime que plus de 2 milliards de personnes manquent de services d’assainissement de base dans le monde.

L’UNICEF rapporte que toutes les 15 secondes, un enfant meurt de maladies liées au manque d’eau potable, d’assainissement et de conditions d’hygiène dans le monde. Chaque année, 3,5 millions de personnes meurent dans le monde à cause de problèmes liés à un approvisionnement en eau inadéquat, au manque d’assainissement et au manque de politiques d’hygiène, selon les représentants de 28 organismes des Nations Unies, qui font partie d’ONU-Eau. Dans le Rapport sur le développement des ressources en eau, un document que l’ONU-Eau publie tous les trois ans, les chercheurs soulignent que près de 10 % des maladies enregistrées dans le monde pourraient être évitées si les gouvernements investissaient davantage dans l’accès à l’eau, des mesures de hygiène et assainissement de base.

Les maladies diarrhéiques pourraient être pratiquement éliminées si cet effort était fait, en particulier dans les pays en développement. Ce type de maladie, généralement lié à la consommation d’eau contaminée, tue 1,5 million de personnes chaque année. Plusieurs facteurs influencent la survenue de la diarrhée, comme la disponibilité de l’eau potable, les intoxications alimentaires, une hygiène et un nettoyage insuffisants des réservoirs d’eau (GONÇALVES, CAROLINA. Falta de água de qualidade mata uma criança a cada 15 segundos no mundo, revela Unicef. Disponível no website <http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/03/falta-de-agua-de-qualidade-mata-uma-crianca-a-cada-15-segundos-no-mundo>, 2013).

Bien que la quantité d’eau disponible dans le monde soit constante, la demande augmente cependant, en raison de l’augmentation de la population et de la production agricole, générant un climat d’incertitude et la possibilité de conflits internes dans plusieurs pays et, également, de conflits internationaux . L’OCDE indique que les conflits se produisent normalement au sein d’un même pays, car la population a des besoins différents par rapport à l’utilisation de l’eau (pour l’agriculture ou la consommation, par exemple) et cela génère des conflits (VOCÊSABIA? Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <http://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012).

L’eau devient une source de guerre en raison de la concurrence internationale pour les ressources en eau. De nombreux pays construisent de grands barrages en détournant l’eau des systèmes naturels de drainage des rivières au détriment des autres. Les principaux conflits liés à l’eau dans le monde impliquent aujourd’hui Israël, la Jordanie et la Palestine au sujet du Jourdain, la Turquie et la Syrie au sujet de l’Euphrate, la Chine et l’Inde au sujet du fleuve Brahmapoutre, le Botswana, l’Angola et la Namibie au sujet du fleuve Okavango, l’Éthiopie, l’Ouganda, le Soudan. et l’Égypte sur le Nil et le Bangladesh et l’Inde sur le Gange. Sur le continent américain, le conflit entre les États-Unis et le Mexique au sujet de l’eau du fleuve Colorado s’est intensifié ces dernières années (TAGUCHI, Clarissa. Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada. Disponível no website <http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html>, 2006).

Rapport publié par les Nations Unies le 20/03/2015 informe que, si rien n’est fait, les réserves mondiales d’eau pourraient diminuer de 40% d’ici 2030, soulignant également que 748 millions de personnes sur la planète n’auront pas accès aux sources d’eau potable. Une autre conclusion est que le Brésil est parmi les pays qui ont le plus subi de stress environnemental après avoir modifié le cours naturel des rivières. Selon le document, 20% des aquifères mondiaux sont déjà surexploités, ce qui peut avoir de graves conséquences comme l’érosion des sols et l’invasion d’eau salée dans ces réservoirs. Les scientifiques prédisent également que d’ici 2050, l’agriculture et l’industrie alimentaire devront augmenter leur demande en eau de 400 % pour augmenter leur production.

Un rapport de l’ONU publié aujourd’hui (22/03/2023) montre que la planète Terre court un risque imminent de pénurie d’eau. L’avertissement a été lancé lors de la Journée mondiale de l’eau et un jour avant la conférence des Nations Unies sur l’eau, qui commence aujourd’hui (22/3). Dans le rapport, l’ONU avertit que la pénurie d’eau devient un problème endémique, en raison de trois facteurs : la pollution, une demande exagérée et, bien sûr, le changement climatique. Les scientifiques affirment que 3,5 milliards de personnes – soit près de la moitié de la population mondiale – sont déjà confrontées à des conditions de stress hydrique pendant une partie de l’année. Au moins 2 milliards de personnes n’ont pas accès à l’eau potable et jusqu’à 3,6 milliards de personnes ne disposent pas des conditions sanitaires de base. Le rapport fait également une projection : dans les villes, le nombre de personnes confrontées à des pénuries d’eau pourrait atteindre 2,5 milliards d’ici 2050, soit près du double des données de 2016. Les responsables de l’étude affirment que seuls une gestion et un entretien efficaces de l’eau peuvent garantir les ressources à l’avenir (G1.GLOBO. Planeta está sob risco iminente de escassez de água, diz ONU. Disponível no website

<https://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2023/03/22/planeta-esta-sob-risco-iminente-de-escassez-de-agua-diz-onu.ghtml>).

La situation décrite ci-dessus tend à s’aggraver compte tenu de la carence et de l’irrationalité des politiques liées à la protection de l’environnement naturel, parmi lesquelles figurent les sources et les cours d’eau, et le mauvais gestion de l’assainissement de base dans de nombreux pays à travers le monde. En outre, les conflits internationaux sur l’utilisation de l’eau ne seront pas correctement résolus en l’absence d’un organisme international doté d’une autorité suffisante pour permettre leur solution. Les conflits liés à l’eau ont tendance à s’aggraver avec la désertification intensifiée par les changements climatiques résultant du réchauffement climatique. De plus, au quotidien, les rivières, les ruisseaux, les eaux souterraines et les aquifères sont contaminés par des systèmes d’égouts mal traités, l’utilisation de pesticides issus des cultures et l’élimination des déchets toxiques des industries.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022) et How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

THERE IS NO REASON TO CELEBRATE WORLD WATER DAY

Fernando Alcoforado*

Today, World Water Day is celebrated without any reason to celebrate due to the irrationality of policies related to the protection of the natural environment, including springs and watercourses and the poor management of basic sanitation in many countries around the world. Worldwide, there is a widespread view that water is an inexhaustible resource. This is, however, a huge mistake because water resources, although renewable, are limited. It is important to highlight that, of all available fresh water, only 0.4% is in lakes and rivers and that 70% of fresh water is used in irrigation, 22% in industry and only 8% in domestic use (VOCÊSABIA?, Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <https://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012).

About 800 million people do not have access to safe drinking water worldwide, 2.5 billion people do not have basic sanitation, and between 3 billion and 4 billion people, which corresponds to half of the world’s population, do not have access to water permanently using water of dubious quality every day and 11% of the world’s population still shares water with animals in riverbeds. According to the WHO (World Health Organization), seven people die every minute in the world from drinking rotten water and more than 1 billion people still defecate in the open air. The OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) reports that the world’s demand for water will increase by 55% by 2050. The forecast is that by that year, an additional 2.3 billion people – more than 40% of the world’s population – will not have access to water if adequate measures are not taken.

Humanity currently uses 50% of the planet’s fresh water. In 40 years it will use 80%. The geographic distribution of fresh water is uneven. Currently 1/3 of the world’s population lives in regions where it is scarce. The use of water that is unfit for consumption is responsible for 60% of the sick people on the planet. Half of the world’s rivers are contaminated by sewage, pesticides and industrial waste. UN report on the use of water confirms that, without measures against waste and in favor of sustainable consumption, access to drinking water and sanitation will be even more reduced (SOS RIOS DO BRASIL. Bilhões sofrerão com falta de água e saneamento, diz relatório da ONU. Disponível no website <http://sosriosdobrasil.blogspot.com.br/2009/03/bilhoes-sofrerao-com-falta-de-aguae.html>, 2009. This UN Report estimates that 5 billion people will suffer from a lack of basic sanitation in 2030.

UNICEF reports that every 15 seconds, a child dies from diseases related to the lack of clean water, sanitation and hygiene conditions in the world. Every year, 3.5 million people die in the world due to problems related to inadequate water supply, lack of sanitation and lack of hygiene policies, according to representatives of 28 United Nations bodies, which are part of UN-Water. In the Report on the Development of Water Resources, a document that UN-Water publishes every three years, the researchers point out that almost 10% of the diseases registered around the world could be prevented if governments invested more in access to water, measures of hygiene and basic sanitation.

Diarrheal diseases could be practically eliminated if this effort were made, especially in developing countries. This type of disease, usually related to drinking contaminated water, kills 1.5 million people annually. Several factors influence the occurrence of diarrhea, such as the availability of drinking water, food poisoning, inadequate hygiene and cleaning of water tanks (GONÇALVES, CAROLINA. Falta de água de qualidade mata uma criança a cada 15 segundos no mundo, revela Unicef. Available on the website <http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/03/falta-de-agua-de-qualidade-mata-uma-crianca-a-cada-15-segundos-no-mundo>, 2013).

Although the amount of water available in the world is constant, the demand, however, is growing, due to the increase in population and agricultural production, generating a climate of uncertainty and the possibility of internal conflicts in several countries and, also, conflicts international. The OECD states that conflicts normally occur within the same country, since the population has different needs in relation to the use of water (for agriculture or consumption, for example) and this generates disputes (VOCÊSABIA?, Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <https://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012).

Water is becoming a source of war due to international competition for water resources. Many countries build large dams by diverting water from natural river drainage systems to the detriment of others. The main water conflicts in the world today involve Israel, Jordan and Palestine over the Jordan River, Turkey and Syria over the Euphrates River, China and India over the Brahmaputra River, Botswana, Angola and Namibia over the Okavango River, Ethiopia, Uganda, Sudan and Egypt over the River Nile and Bangladesh and India over the River Ganges. On the American continent, the conflict between the United States and Mexico over water from the Colorado River has intensified in recent years (TAGUCHI, Clarissa. Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada. Disponível no website <http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html>, 2006).

Report released by the United Nations (UN) on 03/20/2015 informs that, if nothing is done, the world’s water reserves could reduce by 40% by 2030, also pointing out that 748 million people on the planet will not have access to sources of potable water. Another conclusion is that Brazil is among the countries that most experienced environmental stress after altering the natural course of rivers. According to the document, 20% of the world’s aquifers are already overexploited, which can have serious consequences such as soil erosion and the invasion of salt water into these reservoirs. Scientists also predict that by 2050, agriculture and the food industry will need to increase their demand for water by 400% to increase production.

A UN report released today (3/22/2023) shows that planet Earth is at imminent risk of water shortages. The warning was released on World Water Day and one day before the United Nations conference on water, which starts today (22/3). In the report, the UN warns that water scarcity is becoming an endemic problem, because of three factors – pollution, exaggerated demand and, of course, climate change. Scientists claim that 3.5 billion people – that is, almost half of the global population – already face water-stressed conditions during part of the year. At least 2 billion people do not have access to drinking water and up to 3.6 billion people do not have basic sanitation conditions. The report also makes a projection: in cities, the number of people who will face water shortages could reach 2.5 billion by 2050 – almost double the 2016 data. Those responsible for the study claim that only effective management and care of water can guarantee resources in the future (G1.GLOBO. Planeta está sob risco iminente de escassez de água, diz ONU. Disponível no website <https://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2023/03/22/planeta-esta-sob-risco-iminente-de-escassez-de-agua-diz-onu.ghtml>).

The situation described above tends to get worse in view of the deficiency and irrationality in policies related to the protection of the natural environment, among which are springs and watercourses and the poor management of basic sanitation in many countries around the world. Furthermore, international conflicts over the use of water will not be properly resolved due to the absence of an international body with sufficient authority to enable their solution. Conflicts over water tend to get even worse with desertification intensified by climate changes resulting from global warming. In addition, rivers, streams, groundwater and aquifers are contaminated daily by poorly treated sewage systems, the use of pesticides from crops and the disposal of toxic waste from industries.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade(Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

NÃO HÁ MOTIVOS PARA COMEMORAR O DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Fernando Alcoforado* 

Hoje, é celebrado o Dia Mundial da Água sem que haja motivos para comemorações devido à irracionalidade nas políticas relativas à proteção do meio ambiente natural, entre os quais estão os mananciais e cursos d´água e a péssima gestão do saneamento básico em inúmeros países do mundo. Mundialmente, há uma visão generalizada de que a água é um recurso inesgotável. Trata-se, entretanto, de enorme engano porque os recursos hídricos, embora renováveis, são limitados. É importante destacar que, de toda a água doce disponível, apenas 0,4% estão em lagos e rios e que 70% da água doce é utilizada na irrigação, 22% na indústria e apenas 8% no uso doméstico (VOCÊSABIA?, Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <https://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012>, 2012).

Cerca de 800 milhões de pessoas não têm acesso à água potável em todo o mundo2,5 bilhões de pessoas não têm saneamento básico e, entre 3 bilhões e 4 bilhões de pessoas, que corresponde à metade da população mundial, não têm acesso à água de maneira permanente utilizando, todos os dias, uma água de qualidade duvidosa e 11% da população mundial ainda compartilham água com animais em leitos de rios. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), sete pessoas morrem por minuto no mundo por beber água podre e mais de 1 bilhão de pessoas ainda defecam ao ar livre. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) informa que a demanda mundial da água aumentará 55% até 2050. A previsão é que nesse ano, 2,3 bilhões de pessoas suplementares – mais de 40% da população mundial – não terá acesso à água se medidas adequadas não forem tomadas.

A humanidade utiliza na atualidade 50% da água doce do planeta. Em 40 anos utilizará 80%. A distribuição geográfica da água doce é desigual. Atualmente 1/3 da população mundial vive em regiões onde ela é escassa. O uso da água imprópria para o consumo é responsável por 60% dos doentes do planeta. Metade dos rios do mundo está contaminada por esgoto, agrotóxicos e lixo industrial. Relatório da ONU sobre o uso da água confirma que, sem medidas contra o desperdício e a favor do consumo sustentável, o acesso à água potável e ao saneamento será ainda mais reduzido (AGÊNCIA BRASIL. Falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU. Disponível no website <https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu>, 2009). Este Relatório da ONU estima que mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços básicos de saneamento básico no mundo.

A UNICEF informa que a cada 15 segundos, uma criança morre de doenças relacionadas à falta de água potável, de saneamento e de condições de higiene no mundo. Em todos os anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados ao fornecimento inadequado da água, à falta de saneamento e à ausência de políticas de higiene, segundo representantes de 28 organismos das Nações Unidas, que integram a ONU-Água. No Relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, documento que a ONU-Água divulga a cada três anos, os pesquisadores destacam que quase 10% das doenças registradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os governos investissem mais em acesso à água, medidas de higiene e saneamento básico.

As doenças diarreicas poderiam ser praticamente eliminadas se houvesse esse esforço, principalmente nos países em desenvolvimento. Esse tipo de doença, geralmente relacionada à ingestão de água contaminada, mata 1,5 milhão de pessoas anualmente. Vários fatores influenciam na ocorrência das diarreias, como a disponibilidade de água potável, intoxicação alimentar, higiene inadequada e limpeza de caixas d’água (GONÇALVES, CAROLINA. Falta de água de qualidade mata uma criança a cada 15 segundos no mundo, revela Unicef. Disponível no website <http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/03/falta-de-agua-de-qualidade-mata-uma-crianca-a-cada-15-segundos-no-mundo>, 2013). 

Apesar da quantidade de água disponível no mundo ser constante, a demanda, entretanto, é crescente, devido ao aumento da população e da produção agrícola, gerando um clima de incertezas e a possibilidade de ocorrência de conflitos internos em vários países e, também, conflitos internacionais. A OCDE afirma que os conflitos normalmente ocorrem dentro de um mesmo país, já que a população tem necessidades diferentes em relação à utilização da água (para a agricultura ou o consumo, por exemplo) e isso gera disputas (VOCÊSABIA? Escassez de água na Terra vai gerar conflitos. Disponível no website  <http://www.vocesabia.net/saude/escassez-de-agua-na-terra-vai-gerar-conflitos/>, 2012).

A água está se convertendo em uma fonte geradora de guerras devido à competição internacional pelos recursos hídricos. Muitos países constroem grandes represas desviando a água dos sistemas naturais de drenagem dos rios em prejuízo de outros. Os principais conflitos pela água no mundo atual envolvem Israel, Jordânia e Palestina pelo Rio Jordão, Turquia e Síria pelo Rio Eufrates, China e Índia pelo Rio Brahmaputra, Botswana, Angola e Namíbia pelo Rio Okavango, Etiópia, Uganda, Sudão e Egito pelo Rio Nilo e Bangladesh e Índia pelo Rio Ganges. No continente americano, o conflito entre Estados Unidos e México pela água do Rio Colorado se intensificou em anos recentes (TAGUCHI, Clarissa. Ver para crer: uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada. Disponível no website <http://panoramaecologia.blogspot.com.br/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html>, 2006).  

Relatório divulgado pelas Nações Unidas em 20/03/2015 informa que, se nada for feito, as reservas hídricas do mundo podem reduzir 40% até 2030 apontando ainda que 748 milhões de pessoas no planeta não terão acesso a fontes de água potável. Outra conclusão é que o Brasil está entre os países que mais registraram estresse ambiental após alterar o curso natural de rios. De acordo com o documento, 20% dos aquíferos mundiais já são explorados excessivamente, o que pode gerar graves consequências como a erosão do solo e a invasão de água salgada nesses reservatórios. Os cientistas preveem ainda que em 2050, a agricultura e a indústria de alimentos vão precisar aumentar em 400% sua demanda por água para aumentar a produção. 

Relatório da ONU divulgado hoje (22/3/2023) mostra que o planeta Terra está sob risco iminente de escassez de água. O aviso foi divulgado no Dia Mundial da Água e um dia antes da conferência das Nações Unidas sobre a água, que começa hoje (22/3). No relatório, a ONU alerta que a escassez de água está se tornando um problema endêmico, por causa de três fatores – poluição, demanda exagerada e, claro, as mudanças climáticas. Os cientistas afirmam que 3,5 bilhões de pessoas – ou seja, quase metade da população global – já enfrentam condições de estresse hídrico durante uma parte do ano. Pelo menos 2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável e até 3,6 bilhões de pessoas não dispõem de condições mínimas de saneamento básico. O relatório faz ainda uma projeção: nas cidades, o número de pessoas que vai enfrentar escassez de água pode chegar a 2,5 bilhões até 2050 – quase o dobro com relação a dados de 2016. Os responsáveis pelo estudo afirmam que somente uma gestão efetiva e cuidados da água pode garantir recursos no futuro (G1.GLOBO. Planeta está sob risco iminente de escassez de água, diz ONU. Disponível no website

<https://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2023/03/22/planeta-esta-sob-risco-iminente-de-escassez-de-agua-diz-onu.ghtml>). 

A situação acima descrita tende a se agravar diante da deficiência e irracionalidade nas políticas relativas à proteção do meio ambiente natural, entre os quais estão os mananciais e cursos d´água e a péssima gestão do saneamento básico em inúmeros países do mundo. Além disso, os conflitos internacionais pelo uso da água não serão devidamente solucionados pela ausência de um organismo internacional com suficiente autoridade que possibilite sua solução. Os conflitos pela água tendem a se agravar ainda mais com a desertificação intensificada pelas mudanças climáticas resultantes do aquecimento global. Além disso, diariamente, rios, riachos, lençóis e aquíferos são contaminados pelos sistemas de esgoto mal tratados, pelo uso de agrotóxicos das lavouras e pelo descarte de lixo tóxico das indústrias.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).