COMO REINDUSTRIALIZAR O BRASIL E DESCONCENTRAR, MODERNIZAR E TORNAR SUSTENTÁVEL A INDÚSTRIA BRASILEIRA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar como o governo Lula poderá reindustrializar o Brasil e desconcentrar, modernizar e tornar sustentável a indústria brasileira. A industrialização do território brasileiro teve cinco fases ao longo da história abaixo descritas.

Fase 1- Implantação de engenhos de açúcar (1500-1808)

A atividade industrial no Brasil teve início no período colonial. As atividades agrícolas e o extrativismo absorviam o pouco capital e a mão-de-obra existente, dando margem apenas à agroindústria do açúcar, a pequenas indústrias no litoral, aos estaleiros em que se construíam embarcações de madeira e às indústrias caseiras. Os engenhos de açúcar utilizavam como matéria-prima a cana-de-açúcar que era transformada no açúcar destinado aos mercados interno e externo. Neste período, houve restrições à existência de indústrias no Brasil, porque, no ano de 1785, a Coroa Portuguesa publicou um alvará proibindo a instalação de pequenas fábricas e manufaturas no Brasil.

Fase 2- Abertura de fábricas e pequenas manufaturas (1808-1929)

Neste período, os primeiros industriais brasileiros enfrentaram grandes dificuldades, pois, além de produzirem para um mercado interno pequeno, enfrentavam a concorrência dos produtos ingleses que chegavam ao Brasil a preços baixos, devido às módicas tarifas de importação. A situação amenizou-se quando, em 1814, o futuro imperador Pedro I assinou o decreto que abriu os portos brasileiros a outras nações, acabando com o virtual monopólio das importações inglesas com a revogação do alvará de 1785, que proibia a instalação de pequenas fábricas e manufaturas no Brasil. A abertura dos portos ampliou a presença de produtos importados no País, além dos provenientes da Inglaterra. O processo de industrialização, porém, foi lento e só ganhou maior impulso durante a 1ª Guerra Mundial, quando os produtos importados desapareceram do mercado e, com isso, estimulou-se a produção local. Pequenas unidades fabris surgiram em áreas próximas da cidade de Salvador na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo destacando-se, entre elas as fábricas de produtos têxteis que se localizavam perto das lavouras de algodão. Ao final do século XIX, existiam no Brasil 636 fábricas instaladas que quintuplicou durante a primeira década do século XX.

Fase 3- Industrialização substitutiva de importações (1930-1955)

Com a queda substancial das exportações cafeeiras ao final da década de 1920 e a ascensão ao poder de Getúlio Vargas foi desencadeado um processo de industrialização substitutiva de importações. Os investimentos na atividade industrial contaram com recursos do governo federal e com o excedente de capital privado resultante da atividade cafeeira. O período 1930- 1955 ficou conhecido como o da substituição das importações, quando determinados produtos que até então eram adquiridos no mercado externo passaram a ser produzidos pelas indústrias instaladas no Brasil. O capital estatal foi importante para o crescimento da indústria no País, assim como para a ampliação da infraestrutura de transporte, como foi o caso das ferrovias e portos. Neste período, houve a maior diversificação do parque industrial brasileiro com a implantação de indústrias em outras regiões do Brasil, além da região Sudeste e, também, com a implantação de importantes indústrias estatais de base (ou de bens de capital), como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce e a Petrobras. A Usina de Volta Redonda desempenhou importante papel para o desenvolvimento da indústria pesada nacional, propiciando a criação de novas indústrias e a expansão siderúrgica. Da 2ª Guerra Mundial ao começo da década de 1960, o ritmo da industrialização no Brasil foi intenso. Um passo importante em direção à industrialização autônoma foi a instituição do monopólio estatal do petróleo, com a criação da Petrobrás, em 1953. A industrialização brasileira pode ser caracterizada como tardia porque ocorreu mais de 200 anos após a 1ª Revolução Industrial na Inglaterra.

Fase 4- Internacionalização da industrialização substitutiva de importações (1956-1990)

Esta fase é marcada pelo maior ingresso de empresas estrangeiras no mercado brasileiro muitas das quais multinacionais com destaque para as montadoras de automóveis. Esse movimento foi o resultado direto das políticas desenvolvimentistas implantadas durante o governo de Juscelino Kubitschek. O processo de internacionalização da indústria brasileira ganhou forças a partir de então e o parque industrial do país passou a contar com uma ampla variedade de fábricas que produziam desde os bens de consumo não duráveis até bens de capital. Houve grandes investimentos de capitais externos que se somaram aos capitais privados nacionais, além dos investimentos do governo federal que foi o responsável pela oferta de incentivos fiscais e financeiros para as novas indústrias, além de criar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento da produção e circulação dos bens e mercadorias. Foi neste período que houve investimentos do governo federal na infraestrutura rodoviária do País promovendo maior integração econômica nacional. A expansão do parque industrial brasileiro, iniciada com as indústrias de bens de consumo, procurou, a partir da década de 1970, atingir uma fase mais avançada, a da produção de bens de capital e materiais básicos indispensáveis à aceleração do ritmo do crescimento geral. Um dos setores industriais mais pujantes, no entanto, continuou sendo o automobilístico.

Fase 5- Desindustrialização da economia brasileira (1990- presente)

Depois de apresentar elevado crescimento de 1930 a 1987, o setor industrial brasileiro apresentou declínio de sua participação na formação do PIB do Brasil que alcançou 27,3% de participação em 1987 e 11% em 2019 caracterizando, desta forma, a desindustrialização da economia brasileira (Figura 1). Isto se deveu ao fato de que, a partir da década de 1990, foi adotado o modelo econômico neoliberal com a abertura da economia brasileira que facilitou o ingresso do capital internacional no País, intensificou a concorrência interna com a maior presença das empresas estrangeiras e a invasão de produtos importados de baixo custo mais competitivos dos que os fabricados no Brasil. Este período é marcado por uma onda de privatizações de empresas estatais adquiridas, sobretudo, por empresas estrangeiras, bem como pelo fechamento de diversas indústrias nacionais. É importante observar que, inicialmente, a indústria se concentrou na região Sudeste. Depois, houve um processo de desconcentração industrial com a implantação de indústrias em outras regiões do Brasil.

Apesar da grande relevância da indústria para a economia brasileira, houve algumas perdas nos últimos 36 anos que fizeram com que a participação brasileira na produção industrial mundial saísse do top 10 e fosse para a 16ª colocação. Até 2014 o Brasil estava entre os 10 principais países no ranking de Desempenho da Indústria feito pela CNI, mas entre 2015 e 2019, países como México, Indonésia, Rússia, Taiwan, Turquia e Espanha superaram a produção brasileira, sendo um dos motivos a crise econômica que o Brasil enfrentou entre 2014 e 2016. Dentre os principais produtores mundiais temos a China como líder absoluta em seguida os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Índia e Coreia do Sul. Além deste recuo na produção industrial, consequentemente o Brasil também perdeu algumas posições no ranking mundial de exportações. Em 2018, o Brasil foi o 30º maior exportador de produtos da indústria de transformação, ao contrário do ritmo mundial, cuja maioria dos países elevou suas exportações. A China é a líder nas exportações desse setor, seguida da Alemanha, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Dados indicam que nos últimos 10 anos, o Brasil deixou de exportar 38 milhões de dólares [1].

Figura 1- Participação da indústria na formação do PIB do Brasil (1947 a 2019) (%PIB)

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Fonte: https://valoradicionado.wordpress.com/tag/pib/

De acordo com o ritmo de produção, os processos industriais podem ser contínuos, isto é, sem paradas na produção, como é o caso do refino do petróleo, o suprimento de energia elétrica e a fabricação de produtos siderúrgicos, papel e celulose e cimento, ou podem ser descontínuos, isto é, com paradas na produção, como é o caso da indústria da construção civil, estaleiros navais, montagem das diferentes partes numa linha de montagem, a fabricação de medicamentos e de alimentos, entre outros. A produção industrial utiliza matérias-primas fornecidas pelo setor agropecuário ou pelo setor de mineração. As indústrias básicas fabricam os produtos intermediários que os transformam em produtos para o consumo. As principais indústrias de base ou pesada são a extrativa mineral, a química e a metalúrgica. Quase todas as demais atividades industriais constituem o que se chama de indústria leve. Do ponto de vista do destino do produto, cabe ainda outra classificação. Quando se trata da produção de máquinas, ferramentas ou meios de transporte industrial, diz-se que a indústria se dedica à fabricação de bens de capital, ou seja, bens não dirigidos ao consumo humano imediato, mas para produzir outros bens. As indústrias de bens de consumo são as mais numerosas e variadas. Compreendem a fabricação de alimentos, móveis, têxteis, impressos, aparelhos eletrodomésticos e produtos eletrônicos, entre outros.  

O Brasil dispõe atualmente de um parque industrial bastante amplo e diversificado, atuando em ao menos 33 ramos produtivos distintos [2]. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria de transformação apresenta no Brasil os seguintes ramos produtivos: 1) automobilístico; 2) metalurgia e siderurgia; 3) petroquímica; 4) papel e celulose; e, 5) alimentício. A indústria extrativa também possui grande importância para a economia, sendo responsável por parte das exportações brasileiras e pela destinação de matérias-primas para outros ramos produtivos, muitos dos quais estão listados acima. Destaca-se, nesse segmento, a extração de minerais metálicos e a exploração petrolífera.

A Figura 2 apresenta o mapa com a distribuição espacial da indústria brasileira em 2015.

Figura 2- Distribuição espacial da indústria brasileira

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Fonte: https://blogdoenem.com.br/distribuicao-espacial-das-industrias-brasileiras-geografia-enem/

A Figura 2 mostra que há excessiva concentração da indústria brasileira nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Precisaremos, mais do que nunca, que o governo Lula seja capaz de planejar a desconcentração da indústria do Brasil incentivando a implantação de novas indústrias nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País.

O consenso entre os especialistas é o de que a indústria brasileira está bastante atrasada estando ainda em grande parte na transição do que seria a Indústria 2.0 da 2ª Revolução Industrial, caracterizada pela utilização de linhas de montagem e energia elétrica, para a Indústria 3.0 da 3ª Revolução Industrial que aplica automação por meio da eletrônica, robótica e programação [5]. Este atraso tecnológico da indústria brasileira é um dos fatores que contribuem para a desindustrialização do Brasil. Para termos uma ideia da defasagem do Brasil, seria preciso instalar cerca de 165 mil robôs industriais para se aproximar da densidade robótica atual da Alemanha. No ritmo atual, com cerca de 1,5 mil robôs instalados por ano no país, o Brasil levará mais de 100 anos para alcançar o nível da Alemanha. Precisaremos, mais do que nunca, que o governo Lula seja capaz de planejar a modernização da indústria do Brasil, e das instituições acadêmicas e de pesquisa do País para modernizar a indústria brasileira com o desenvolvimento da indústria 4.0 [6]. Precisaremos também de níveis de investimentos relevantes e da capacitação intensiva de gestores, engenheiros, analistas de sistemas e técnicos nessas novas tecnologias, além de parcerias e alianças estratégicas com entidades de outros países mais avançados na indústria 4.0. Uma das medidas necessárias à inserção do Brasil à 4ª Revolução Industrial consiste em investimentos maciços no sistema de educação para qualificação das pessoas com foco em tecnologia [5].

Além de enfrentar o processo de desindustrialização, haver excessiva concentração da indústria brasileira nas regiões Sudeste e Sul do Brasil e a indústria brasileira estar bastante atrasada tecnologicamente, a sustentabilidade ambiental não é adotada pela grande maioria das indústrias do País. Sustentabilidade industrial é o conjunto de práticas aplicáveis à indústria que prioriza o uso inteligente de recursos naturais renováveis, promovendo seu desenvolvimento sem comprometer o futuro das próximas gerações. A sustentabilidade industrial traz uma série de benefícios como a proteção do meio ambiente, a melhoria da qualidade de vida da população, a melhoria da imagem da indústria perante o consumidor e o mercado e a economia de recursos devido à redução dos custos de produção com a adoção da eficiência energética, reutilização da água e de produtos, entre outras medidas. Segundo um levantamento divulgado em 2020 pelo IBGE, a maioria das empresas brasileiras que investem em sustentabilidade ambiental atualmente só o fazem para atingir uma determinada imagem institucional [3]. Realizado entre 2015 e 2017, o estudo aponta que, dentre 117 mil empresas, 33,6% foram consideradas inovadoras, sendo que entre elas menos da metade (15,9 mil) investiram em sustentabilidade ambiental.

Saber quais são os principais impactos da indústria no meio ambiente é fundamental para a indústria obter sustentabilidade ambiental implementando práticas de desenvolvimento sustentável [4]. Mas, o que é o desenvolvimento sustentável? O desenvolvimento sustentável é caracterizado pela busca de meios para suprir as necessidades da sociedade atual sem comprometer as gerações futuras. A indústria está em constante conflito com a natureza em busca de recursos, o que gera inúmeros impactos ou danos ambientais. São vários os impactos ambientais da indústria no Brasil destacando-se, entre eles, a contaminação dos cursos d´água devido ao descarte incorreto do esgoto industrial, a devastação de florestas, o aquecimento global, o desbalanceamento da cadeia alimentar, a degradação do solo causada principalmente pela mineração, a poluição do ar, a destruição da flora e da fauna e o descarte incorreto de resíduos, entre outros. 

Os principais impactos ambientais da indústria [3] estão descritos a seguir:

Contaminação dos cursos d´água

As grandes indústrias brasileiras são as maiores causadoras de poluição nos nossos corpos hídricos, já que elas despejam toneladas de resíduos tóxicos em rios, lagos e oceanos o que prejudica o ecossistema diretamente e torna a água de rios e lagos imprópria para o consumo e a dos oceanos imprópria para banho e pesca. Como consequência, além do desequilíbrio ambiental evidente, esta prática também causa sérios danos à saúde da população que vive próxima desses locais contaminados.

Devastação de florestas

A industrialização brasileira vem contribuindo para o crescimento urbano que tem sido grande responsável pela devastação de florestas no Brasil, como é o caso da indústria madeireira entre outras gerando desequilíbrio em todo o meio ambiente. Com a redução da mata nativa, muitos animais e plantas foram extintos ao longo dos anos. Ainda existem espécies ameaçadas e que podem desaparecer em um futuro próximo com a continuidade da devastação de florestas.

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Poluição do ar

A poluição do ar tem sido uma pauta constante no embate entre a indústria brasileira e o meio ambiente, já que todos os dias são lançadas toneladas de gases tóxicos na atmosfera, como o óxido de enxofre, óxido de nitrogênio, o monóxido de carbono e o dióxido de carbono, entre outros gases. Esses gases pioram a qualidade do ar que respiramos e são, também, responsáveis por inúmeras doenças respiratórias, como a bronquite e a asma. De acordo com dados revelados pelo Ministério da Saúde, as mortes causadas pela poluição do ar no Brasil aumentaram 14% só na última década.

Aquecimento global

As indústrias brasileiras causam o efeito estufa fruto da atividade humana que tem um impacto direto no aquecimento da temperatura global. A principal causa deste problema é o lançamento de gases tóxicos na atmosfera pela indústria e meios de transporte com a utilização de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão). O desmatamento e as queimadas das florestas tropicais do Brasil para atender à indústria madeireira também contribuem para este quadro negativo. Todas essas transformações geram um calor cada vez mais intenso, chuvas ácidas e mudanças climáticas.

Alteração da fauna e flora

A poluição causada pela produção de minérios para atender a demanda da indústria gera prejuízos para animais e vegetações nativas. Prova disso é a tragédia envolvendo o rompimento de uma barragem de rejeitos da atividade mineral da Mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais que é considerado o segundo maior desastre industrial do século. O episódio aconteceu devido ao acúmulo dos rejeitos de uma mina de ferro. A tragédia causou a morte de 270 pessoas, sendo 10 delas desaparecidas, e o Brasil se tornou o país com maior número de fatalidades neste tipo de acidente, somando as perdas humanas aos graves (e permanentes) danos ambientais. Exemplo disso são as diversas plantas que morreram por conta do lamaçal e não têm garantia de que voltem a crescer na paisagem. O mesmo se aplica aos animais que foram mortos e deformados pela lama. Os testes realizados na região comprovaram que o derramamento dos rejeitos causou a morte de diversas espécies e também provocou mutações e anomalias em embriões de peixes em córregos e no Rio Doce. A taxa de mortalidade dos animais foi de 100% próximo à mina.

Desbalanceamento da cadeia alimentar

Em Brumadinho, por exemplo, muitas espécies de vegetação foram extintas na região devido ao desastre ambiental. Isto representa a inevitável falta de alimentos para os animais, que serão forçados a migrar para outras regiões, o que desequilibra todo o ecossistema. A grande migração de pássaros, por exemplo, gera o aumento da quantidade de insetos, o que, por sua vez, traz a elevação de epidemias, visto que muitos desses insetos são transmissores de doençasAssim, cada região em que as indústrias atuam sofrem o risco iminente de um desbalanceamento na cadeia alimentar e um impacto no equilíbrio ambiental porque, quando não existe vegetação para alimentar os animais, eles podem deixar de existir. 

Para tornar as indústrias sustentáveis e fazerem frente aos impactos ambientais [4] acima descritos, é preciso que sejam adotadas as medidas seguintes:

·      Reciclagem dos resíduos químicos e sólidos

·      Reaproveitamento da água

·      Contratação de fornecedores e parceiros sustentáveis.

·      Uso e fabricação de produtos com processo produtivo menos prejudicial ao ecossistema

·      Adoção do “transporte verde” com logísticas menos prejudiciais ao meio ambiente.

·      Economia de recursos naturais.

·      Uso racional de energia solar, eólica, biomassa, florestas e água.

·      Uso consciente de água, papel e energia. 

·      Uso da assinatura eletrônica para evitar impressão de papel, reduzindo a utilização de arquivos físicos.

·      Desligamento de equipamentos e lâmpadas no final do expediente. 

·      Reciclagem de resíduos sólidos.

·      Redução do consumo de matérias-primas e da emissão de gases poluentes do ar e da água. 

·      Uso de matérias-primas recicladas.

·      Descarte correto dos resíduos químicos, especialmente daqueles que precisam de tratamentos especiais antes de serem encaminhados para a aterro sanitário.

·      Reaproveitamento de água.

·      Uso de fontes de energia renovável.

·      Manutenção preventiva e preditiva de equipamentos e máquinas.

·      Parcerias com bons fornecedores.

·      Incentivo à economia circular que é a transformação da fabricação em uma cadeia cíclica de reutilização, reaproveitamento e reciclagem.

Conclusões

No setor industrial, o governo Lula se defronta com o quádruplo desafio de: 1) reverter o processo de desindustrialização que o Brasil sofreu de 1990 até o presente momento a partir da introdução do modelo econômico neoliberal que devastou a economia brasileira; 2) desconcentrar a indústria do Brasil com a implantação de novas indústrias nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil; 3) promover o desenvolvimento da Indústria 4.0 no País, e, 4) tornar a indústria brasileira sustentável ambientalmente. A reindustrialização do Brasil deve ser acompanhada, portanto, de ações que contribuam, também, para a desconcentração da indústria do Brasil com a implantação de novas indústrias nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, a modernização da indústria brasileira com sua inserção na indústria 4.0 e a sustentabilidade ambiental da indústria brasileira.

A reindustrialização do Brasil requer a adoção das estratégias seguintes [5]:

1) Abandonar o modelo econômico neoliberal com sua substituição pelo modelo nacional desenvolvimentista com o Estado brasileiro atuando no planejamento da economia nacional e como indutor do processo de desenvolvimento econômico e social.

2) Incentivar a implantação de indústrias substitutivas de importações de insumos e produtos com financiamento e concessão de incentivos fiscais para assegurar a autossuficiência nacional.

3) Promover a abertura seletiva da economia brasileira para proteger a indústria nacional da competição predatória de insumos e produtos importados.

4) Promover o fortalecimento da indústria nacional existente no Brasil com a oferta de financiamento e concessão de incentivos fiscais.

5) Promover o desenvolvimento da indústria de bens de capital nacional para torná-la competitiva de forma permanente no mercado internacional.

6) Levar ao fim a dependência econômica e tecnológica do País em relação ao exterior promovendo o progresso científico e tecnológico autônomo, único capaz de tornar a empresa nacional competitiva de forma permanente no mercado internacional, com o fortalecimento das universidades e centros de pesquisas do Brasil.

A desconcentração da indústria do Brasil requer a adoção das estratégias seguintes:

1) Fortalecer SUDAM, SUDENE e SUDECO para colocarem em prática um plano governamental de desenvolvimento industrial das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

2) Conceder incentivos fiscais para a implantação de novas indústrias nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

3) Conceder facilidades de financiamentos públicos aos investimentos industriais para a implantação de novas indústrias nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

A modernização da indústria brasileira com sua inserção na indústria 4.0 requer a adoção das estratégias seguintes [5]:

1) Estudar os principais problemas que a indústria brasileira enfrenta para eliminar seu atraso haja vista que ela está ainda em grande parte na transição do que seria a Indústria 2.0 da 2ª Revolução Industrial, caracterizada pela utilização de linhas de montagem e energia elétrica, para a Indústria 3.0 da 3ª Revolução Industrial que aplica automação por meio da eletrônica, robótica e programação.

2) Promover a capacitação intensiva na Indústria 4.0 de gestores, engenheiros, analistas de sistemas e técnicos nas novas tecnologias.

3) Realizar investimentos maciços no sistema de educação do Brasil para qualificação das pessoas com foco em tecnologia.

4) Investigar as diferentes tecnologias que podem ser adotadas e fazer um plano de longo prazo para modernizar gradualmente toda a indústria nacional rumo à Indústria 4.0 que é  caracterizada pela integração dos chamados sistemas ciberfísicos de produção, nos quais sensores inteligentes informam às máquinas como devem operar em seus processos produtivos.

5) Estabelecer alianças estratégicas com entidades de outros países mais avançados na indústria 4.0.

6) Conceder incentivos fiscais e financeiros às indústrias que busquem se modernizar rumo à indústria 4.0.

A sustentabilidade ambiental da indústria brasileira requer a adoção das estratégias seguintes [3]:

1) Conceder incentivos fiscais e financiamentos às indústrias que adotarem ações ambientalmente sustentáveis.

2) Buscar o estabelecimento pelas indústrias de metas de sustentabilidade ambiental a serem perseguidas.

3) Estabelecer com as indústrias metas de sustentabilidade ambiental relacionadas com o uso de recursos naturais renováveis e a adoção de práticas inteligentes que promovam o desenvolvimento econômico e social sem comprometer o futuro das próximas gerações.

4) Estabelecer com as indústrias metas de sustentabilidade ambiental relacionadas com a não poluição ou poluição mínima possível do meio ambiente, o descarte dos resíduos de forma adequada com o uso da logística reversa, a utilização da energia renovável sempre que possível, a reutilização da água ao máximo nos processos industriais e a implementação de uma cultura de desenvolvimento sustentável.

5) Estabelecer com as indústrias metas de sustentabilidade ambiental relacionadas com a não poluição do ar, das águas e do solo, a não eliminação de resíduos nos mares e rios, a não destruição da fauna e da flora, a não invasão do habitat de animais silvestres, o não desbalanceamento da cadeia alimentar e a não contribuição para o aquecimento global com a emissão de gases do efeito estufa.

6) Estabelecer com as indústrias de metas de sustentabilidade ambiental relacionadas com a adoção da economia circular ou logística reversa para evitar a exaustão dos recursos naturais do Brasil.

REFERÊNCIAS

[1] UX COMEX. A importância das indústrias na economia brasileira. Disponível no website <https://uxcomex.com.br/2021/05/a-importancia-das-industrias-na-economia-brasileira/>.

 [2] BRASIL ESCOLA. Industrialização do Brasil. Disponível no website <https://brasilescola.uol.com.br/brasil/industrializacao-do-brasil.htm>.

[3] SILVA, Luciana. Conheça os principais impactos da indústria no meio ambiente. Disponível no website <https://blog-pt.checklistfacil.com/impactos-da-industria-no-meio-ambiente/>.

[4] ON SAFETY. Indústria E Meio Ambiente: A Importância Do Desenvolvimento Sustentável. Disponível no website <https://onsafety.com.br/industria-e-meio-ambiente-a-importancia-do-desenvolvimento-sustentavel/>.

[5] ALCOFORADO, Fernando. Como o governo Lula poderá reindustrializar o Brasil. Disponível no website <https://www.academia.edu/94807861/COMO_O_GOVERNO_LULA_PODER%C3%81_REINDUSTRIALIZAR_O_BRASIL>.

[6] ALCOFORADO, Fernando. The future of the industry. Disponível no website <https://www.academia.edu/45626607/THE_FUTURE_OF_THE_INDUSTRY>, 2021.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) e de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022).

HOW TO PROTECT HUMAN BEINGS FROM THREATS TO THEIR EXISTENCE AND AVOID THE EXTINCTION OF HUMANITY

Fernando Alcoforado*

This is the title of our 18th published 178-page book, the 2nd by a European publisher, Generis Publishing from Moldova. We live in a world characterized by instability both within our societies and with regard to planet Earth and the Universe. Within our societies, there are threats of aggravation of political, economic and social problems and the outbreak of international conflicts, including a new world war. Within the scope of planet Earth, there are threats of catastrophic climate change and permanent natural disasters with the occurrence of earthquakes, tsunamis and eruption of volcanoes. Within the scope of the Universe, there is the threat of the collision of asteroids and comets on planet Earth and of being hit by deadly cosmic rays emitted by supernova stars, among other threats. More than ever, the entire world population needs to be informed about the direction of the society we live in, our planet and the Universe itself to protect itself and demand solutions from governments around the world to neutralize all threats to the survival of humanity. To be informed about all these issues, more than ever, the entire world population needs to have access to books like this one, which we authored, whether in printed or digital form, as one of the most important means in their educational and cultural formation. 

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade(Editora CRV, Curitiba, 2022), a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) and How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

COMO PROTEGER OS SERES HUMANOS DAS AMEAÇAS À SUA EXISTÊNCIA E EVITAR A EXTINÇÃO DA HUMANIDADE

Fernando Alcoforado*

Este é o título em Português de nosso 18º livro de 178 páginas publicado em Inglês (HOW TO PROTECT HUMAN BEINGS FROM THREATS TO THEIR EXISTENCE AND AVOID THE EXTINCTION OF HUMANITY), sendo o 2º por editora europeia, a Generis Publishing da Moldávia.  Vivemos em um mundo caracterizado pela instabilidade seja no âmbito de nossas sociedades e seja no que concerne ao planeta Terra e ao Universo. No âmbito de nossas sociedades, há ameaças de agravamento dos problemas políticos, econômicos e sociais e de desencadeamento de conflitos internacionais, inclusive de uma nova guerra mundial. No âmbito do planeta Terra, há ameaças de mudança climática catastrófica e de desastres naturais permanentes com a ocorrência de terremotos, tsunamis e erupção de vulcões. No âmbito do Universo, há a ameaça de haver a colisão de asteroides e cometas sobre o planeta Terra e de sermos atingidos por raios cósmicos mortais emitidos por estrelas supernovas, entre outras ameaças. Mais do que nunca, toda a população mundial precisa se informar sobre os rumos da sociedade em que vivemos, de nosso planeta e do próprio Universo para se proteger e exigir dos governos em todo o mundo soluções para neutralizar todas as ameaças à sobrevivência da humanidade. Para se informar sobre todas estas questões, mais do que nunca, toda a população mundial precisa ter acesso a livros como este de nossa autoria, seja na forma impressa ou digital, como um dos meios dos mais importantes na sua formação educacional e cultural.  

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022) e How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023).

COMMENT FAIRE FACE AUX TREMBLEMENTS DE TERRE COMME CELUI SURVENU RÉCEMMENT EN TURQUIE ET EN SYRIE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à montrer comment faire face à des tremblements de terre comme celui qui s’est récemment produit en Turquie et en Syrie dont le nombre de morts dépasse 11 000 le 02/08/2023. Les propositions et les conclusions de cet article sont basées sur l’analyse du chapitre 3 du livre Humanidade ameaçada e estratégias para sua sobrevivência (Humanité menacée et stratégies pour sa survie) publié par Editora Dialética de São Paulo en 2021 et du chapitre 7 du livre A escalada da Ciência e da Tecnologia ao longo da história (L’escalade de la science et de la technologie à travers l’histoire) publiée par Editora CRV de Curitiba en 2022, rédigée par l’ingénieur et professeur Fernando Alcoforado, qui a présenté des stratégies capables de sauver l’humanité des catastrophes naturelles causées par les tremblements de terre , tsunamis et éruptions volcaniques.

Les tremblements de terre sont des vibrations dans la couche externe de la Terre causées par des phénomènes qui se produisent à l’intérieur de notre planète. Les tremblements de terre peuvent se produire en raison de l’activité volcanique, du mouvement des plaques tectoniques et de l’effondrement de la structure interne de la Terre. Dans tous les cas, une immense quantité d’énergie s’accumule, faisant trembler la Terre. Les plaques tectoniques sont certaines parties qui composent la croûte terrestre. 28 plaques tectoniques sont identifiées sur Terre (Figure 1).

Figure 1- Les plaques tectoniques de la Terre

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Source : https://fr.wikipedia.org/wiki/Plaque_tectonique#/media/Fichier:Tectonic_plates-fr.png

Les plaques tectoniques sont classées en trois groupes. Les plus grandes plaques tectoniques sont l’Amérique du Nord, l’Eurasie, l’Australie, l’Afrique, l’Antarctique, le Pacifique et l’Amérique du Sud, où se trouve le Brésil. Les assiettes secondaires sont Cocos, Caraïbes, Nazca, Philippine, Arabe, Anatolienne, Écossaise et Juan de Fuca. Les autres sont classés en microplaques. L’incidence la plus élevée de tremblements de terre autour de la planète se situe aux frontières entre les plaques tectoniques. Les limites entre les plaques majeures et les plaques mineures marquent les points les plus à risque de séismes de la planète. De tous les tremblements de terre enregistrés par l’humanité, environ 90% d’entre eux se sont propagés à travers ces longues frontières entre les plaques. Ils se produisent lorsqu’il y a un choc entre les plaques. Plus la vitesse de déplacement de la plaque est grande, plus le tremblement de terre sera violent.

Les régions les plus à risque de tremblements de terre sont situées aux limites des plaques tectoniques sur la côte américaine de l’océan Pacifique, du Chili au Canada, et au Japon, L’Asie centrale (de l’Himalaya à l’Iran) et la Méditerranée (Maroc, Algérie et Turquie) sont également menacées. Les cinq séismes les plus violents jamais enregistrés dans le monde à ce jour ont été la péninsule du Kamtchatka en Russie en 1952, Valdivia au Chili en 1960, l’Alaska aux États-Unis en 1964, l’île de Sumatra en Indonésie en 2004 et la péninsule d’Oshika au Japon en 2011. Le tremblement de terre le plus violent de l’histoire a cependant été celui de Shensi, en Chine, qui s’est produit en l’an 1556 et qui a laissé un nombre incroyable de 830 000 morts dans son sillage.

La carte suivante montre les zones de la planète les plus sensibles aux séismes :

Figure 2- Les régions les plus à risque de tremblements de terre dans le monde

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Source : U.S. GEOLOGICAL SURVEY (En rouge, les régions les plus à risque de tremblements de terre et, en blanc, celles les moins à risque).

Les catastrophes naturelles causées par les tremblements de terre, les tsunamis et les éruptions volcaniques ont contribué à la mort de populations et à la destruction de bâtiments et d’infrastructures dans de nombreux pays. A l’exception du Japon qui adopte des mesures avancées de prévention et de précaution contre les tremblements de terre et les tsunamis, l’humanité continue d’être à la merci de ces catastrophes naturelles en raison de l’absence de prévision de la survenance de ces événements, de plans d’évacuation des populations dans les domaines et des mesures de prévention et de précaution pour faire face aux catastrophes causées par les tremblements de terre, les tsunamis et les éruptions volcaniques.

Un pays assez avancé en matière de prévention et de précaution contre les tremblements de terre est le Japon, qui est considéré comme le pays le mieux préparé pour faire face aux tremblements de terre. Le territoire japonais est situé dans une zone sismique et c’est pourquoi le pays compte autant de volcans, dont certains sont encore actifs. C’est aussi pourquoi le Japon est une région fortement touchée par les tremblements de terre et les tsunamis. Ce sont des événements qui se produisent à différentes intensités. Le tremblement de terre majeur le plus récent a eu lieu en 2011, qui a frappé la côte nord-est du Japon, avec le tsunami qui a dévasté la région de Fukushima et provoqué l’accident nucléaire. Ces activités provoquées par la nature sont très courantes dans le pays, elles se produisent presque quotidiennement, la plupart à une échelle beaucoup plus petite. Souvent, de petits tremblements se produisent et les gens ne s’en rendent même pas compte. Avec ce scénario, le Japon surveille en permanence les tremblements de terre et a mis en place plusieurs mesures de prévention et de précaution.

Au fil des ans, le Japon a investi des milliards de dollars dans le développement de nouvelles technologies qui aident ses citoyens et ses infrastructures à lutter contre les tremblements de terre et les tsunamis. Le fait que le Japon soit situé à la rencontre de trois plaques tectoniques (Pacifique, Est eurasienne et Philippines) est la cause des tremblements de terre fréquents auxquels le pays est confronté de temps à autre. Fondamentalement, le mouvement et le choc entre ces plaques sont à l’origine des tremblements, ainsi que des glissements de terrain et des tsunamis. C’est pourquoi le pays doit investir dans les technologies antisismiques. Face à ces secousses, le Japon présente des stratégies pour réduire les dégâts et protéger la population. Des formations sur la conduite à tenir en cas de tremblement de terre sont dispensées gratuitement par les sapeurs-pompiers dans tout le pays. Ces formations contribuent beaucoup à la protection des Japonais, mais le différentiel est dans l’ingénierie.

Les bâtiments construits au Japon ont un système de ressort dans leurs fondations pour absorber les secousses. Aux jonctions entre les colonnes (piliers) est placé un matériau spécial qui dissipe l’énergie lorsque la structure se déplace dans des directions opposées. Lorsque les bâtiments sont très proches, un ressort est placé entre eux afin qu’ils n’entrent pas en collision. À tous les étages, des structures internes en acier dans les murs aident à supporter le poids du bâtiment. Une autre technologie importante est l’utilisation de pendules pour l’amortissement inertiel. Une sphère suspendue et lourde déplace le bâtiment dans le sens inverse des vibrations provoquées par le tremblement de terre. Contrôlé électroniquement, ce mécanisme réduit les vibrations du bâtiment jusqu’à 60 %. Le coût de ces technologies antisismiques est élevé et seuls les bâtiments modernes en disposent. C’est pourquoi le gouvernement japonais paie un pourcentage des coûts des anciens bâtiments pour les mettre en conformité.

Les hautes technologies de génie civil développées il y a des années par les Japonais pour minimiser les dommages et les décès causés par les catastrophes naturelles sont les raisons pour lesquelles de nombreux bâtiments sont encore debout au Japon, qui est considéré comme le pays le mieux préparé pour faire face aux tremblements de terre. Les bâtiments sont conçus comme un élément dynamique, car ils seront toujours soumis à des mouvements dans toutes les directions. Des registres électroniques sont installés dans les bâtiments qui peuvent être contrôlés à distance. Dans les bâtiments plus simples, on utilise des amortisseurs à ressort qui fonctionnent de la même manière que la suspension des véhicules. Les ingénieurs ont également mis un matériau spécial pour amortir les joints entre les colonnes (piliers), la dalle et les structures en acier qui composent chaque étage. Ce matériau aide à dissiper l’énergie lorsque la structure se déplace dans des directions opposées. De cette façon, le bâtiment n’écrase pas les étages intermédiaires.

Les Japonais apprennent dès leur plus jeune âge comment se comporter lors d’un tremblement de terre, avec des formations fréquentes qui ont lieu dans les bureaux, les écoles, etc. Les stations de télévision et de radio du pays ont pour fonction d’avertir quelques minutes à l’avance si un tremblement de terre majeur est détecté. Ainsi, les gens ont le temps de quitter la maison et de se rendre en lieu sûr. Les maisons doivent toujours être préparées à des secousses mineures. Les constructions les plus modernes sont déjà conçues pour résister aux tremblements de terre, avec des amortisseurs dans les fondations et d’autres technologies. Les objets lourds ne restent jamais en hauteur ou dans des endroits qui peuvent tomber facilement et chaque maison devrait avoir un kit de survie avec de l’eau, de la nourriture et une lampe de poche pour les cas les plus extrêmes. Lors de secousses, il est recommandé de s’abriter sous une table pour se protéger en cas de chute. Peu de temps après, éteignez la cuisinière, les radiateurs et le gaz, retirez les appareils électriques de la prise et laissez la porte d’entrée ouverte pour assurer une sortie.

Si des personnes se trouvent dans le train ou à l’intérieur d’établissements commerciaux, elles suivent les instructions d’employés formés pour les guider dans ces situations. S’ils sont dans la rue, les Japonais recherchent un endroit sûr et se tiennent à l’écart des poteaux, des murs et des bâtiments. L’idéal est de rester dans un espace ouvert comme des parcs ou de grandes places. Dans les régions côtières, ils se rendent en hauteur, le plus loin possible de la mer, pour se protéger en cas de tsunami. Faites attention après le tremblement, car les répliques sont assez fréquentes. L’essentiel est de rester calme pendant l’événement et de suivre les directives. Le Japon est un pays très préparé à ces situations. Selon la loi, toute construction érigée après 1981 au Japon doit résister à de forts tremblements de terre. Il est conseillé aux bâtiments et maisons construits avant la loi de renforcer les structures. Le gouvernement finance une partie de la réforme. Le grand danger réside dans les vieilles maisons, dont beaucoup sont en bois. Selon les estimations, à Tokyo, après un tremblement de terre majeur, 23 000 personnes mourront, 16 000 à cause de l’incendie. En plus d’être fragiles, les vieilles maisons s’effondreraient plus facilement, interrompant les voies d’évacuation dans les rues étroites.

Le risque que le Brésil connaisse des tremblements de terre à grande échelle est très faible. Les chances qu’un grand tremblement de terre, comme celui qui a frappé la Turquie et la Syrie se produise au Brésil, sont faibles car il occupe une position privilégiée pour être au centre d’une plaque tectonique, celle de l’Amérique du Sud, alors que les grands tremblements de terre se produisent là où il y a un choc entre les plaques tectoniques. Au Brésil, des tremblements de terre sont enregistrés, mais de faible intensité. Dans l’océan Atlantique, il y a beaucoup de tremblements de terre, mais ils se produisent loin des côtes et on en ressent rarement les reflets. Ils sont plus fréquents lors des tremblements de terre dans les Andes. Au Brésil, les tremblements de terre peuvent être ressentis lorsqu’un choc sismique a pour épicentre la région des Andes, comme le Chili, le Pérou et la Colombie, qui sont les pays où se produisent les secousses les plus importantes en Amérique du Sud. En août 2022, par exemple, il y a eu 8 tremblements de terre sur la côte du Rio Grande do Norte. Selon le Réseau sismographique brésilien, le plus grand événement avait une magnitude de 3,7 sur l’échelle de Richter et a été ressenti par la population. Malgré cela, à cette ampleur, ce tremblement cause rarement des dégâts. Les plus grands dégâts se produisent avec des tremblements de terre de 6,1 et 6,9 sur l’échelle de Richter qui peuvent être destructeurs dans des zones à environ 100 km de l’épicentre. Dans le cas de tremblements évalués entre 7,0 et 7,9 sur l’échelle de Richter, comme le récent tremblement de terre en Turquie et en Syrie, de graves dommages peuvent être causés sur une large plage. Les tremblements de terre de magnitude 8 ou plus sur l’échelle de Richter peuvent causer de graves dommages dans de nombreuses régions, même à des centaines de kilomètres.

Dans les conditions actuelles, il n’est pas possible de prévoir l’occurrence des séismes, mais il est possible d’adopter des mesures de prévention et de précaution pour éliminer ou réduire les dommages qu’ils causent aux populations, aux bâtiments et aux infrastructures, comme le font les Japonais. L’expérience japonaise de prévention et de précaution contre les tremblements de terre devrait être diffusée et adoptée dans le monde entier, en particulier dans les pays où il y a plus de tremblements de terre dans le monde. Dans chacun de ces pays, des structures de surveillance des séismes devraient être mises en place et des plans d’évacuation élaborés pour les populations des lieux susceptibles d’être touchés par ces événements catastrophiques. De plus, une structure globale devrait être mise en place, une Organisation Mondiale de Défense contre les Catastrophes Naturelles d’envergure mondiale, similaire à l’OMS (Organisation Mondiale de la Santé) qui a la capacité de coordonner techniquement les actions des pays confrontés à des tremblements de terre, des tsunamis et éruptions volcaniques dont les conséquences ont une portée locale, régionale et mondiale et sont dévastatrices pour des milliers de victimes comme celles actuellement enregistrées en Turquie et en Syrie.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) et est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022).

HOW TO DEAL WITH EARTHQUAKES LIKE THE RECENTLY OCCURRED IN TURKEY AND SYRIA

Fernando Alcoforado*

This article aims to show how to deal with earthquakes like the one that recently occurred in Turkey and Syria whose death toll exceeds 11 thousand on 02/08/2023. The propositions and conclusions of this article are based on the analysis of Chapter 3 of the book Humanidade ameaçada e estratégias para sua sobrevivência (Humanity threatened and strategies for its survival) published by Editora Dialética de São Paulo in 2021 and Chapter 7 of the book A escalada da Ciência e da Tecnologia ao longo da história (The climb of Science and Technology throughout history) published by Editora CRV de Curitiba in 2022, authored by Engineer and Professor Fernando Alcoforado, who presented strategies capable of saving humanity from natural disasters caused by earthquakes, tsunamis and volcano eruptions.

Tremors or earthquakes, as they are better known, are vibrations in the outer layer of the Earth caused by phenomena that happen inside our planet. Earthquakes can occur due to volcanic activity, the movement of tectonic plates and the collapse of the Earth’s internal structure. In all cases, an immense amount of energy builds up, causing the Earth to tremble. Tectonic plates are some parts that make up the Earth’s crust. 28 tectonic plates are identified on Earth (Figure 1).

Figure 1- Earth’s tectonic plates

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 Source: https://en.wikipedia.org/wiki/Plate_tectonics#/media/File:Plates_tect2_en.svg

Tectonic plates are classified into three groups. The largest tectonic plates are the North American, Eurasian, Australian, African, Antarctic, Pacific and South American, where Brazil is located. The secondary plates are Cocos, Caribbean, Nazca, Philippine, Arabic, Anatolian, Scottish and Juan de Fuca. The rest are classified as micro plates. The highest incidence of earthquakes around the planet is at the boundaries between tectonic plates. The boundaries between major plates and minor plates mark the planet’s highest risk points for earthquakes. Of all earthquakes recorded by humanity, approximately 90% of them spread across these long borders between the plates. They happen when there is a shock between the plates. The greater the speed with which the plate moves, the more severe the earthquake will be.

The highest risk regions for earthquakes are located at the boundaries of tectonic plates on the American coast of the Pacific Ocean, from Chile to Canada, and in Japan. Central Asia (from the Himalayas to Iran) and the Mediterranean (Morocco, Algeria and Turkey) are also at risk. The five strongest earthquakes ever recorded in the world to date were the Kamchatka Peninsula in Russia in 1952, Valdivia in Chile in 1960, Alaska in the United States in 1964, Sumatra Island in Indonesia in 2004 and Oshika Peninsula in Japan in 2011. The strongest earthquake in history was, however, that of Shensi, in China, which occurred in the year 1556 and which left an incredible 830,000 dead in its wake.

The following map shows the areas of the planet most susceptible to earthquakes:

Figure 2- The regions with the highest risk of earthquakes in the world

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Source: U. S. GEOLOGICAL SURVEY (In red, the regions with the highest risk of earthquakes and, in white, those with the lowest risk).

Natural disasters caused by earthquakes, tsunamis and volcano eruptions have contributed to the deaths of populations and destruction of buildings and infrastructure in many countries. With the exception of Japan, which adopts advanced prevention and precautionary measures against earthquakes and tsunamis, humanity continues to be at the mercy of these natural disasters due to the lack of prediction of the occurrence of these events, of evacuation plans for populations in the affected areas and of prevention and precautionary measures to deal with disasters caused by earthquakes, tsunamis and volcanic eruptions.

A country that is quite advanced in prevention and precaution against earthquakes is Japan, which is considered the country best prepared to face earthquakes. The Japanese territory is located in a seismic area and that is why the country has so many volcanoes, some of which are still active. This, too, is why Japan is a region heavily affected by earthquakes and tsunamis. These are events that happen at different intensities. The most recent major earthquake was in 2011, which hit the northeast coast of Japan, with the tsunami that devastated the Fukushima region and caused the nuclear accident. These activities provoked by nature are very common in the country, they happen almost daily, most of them on a much smaller scale. Often small tremors occur and people are not even aware of them. With this scenario, Japan is constantly monitoring earthquakes and has several preventive and precautionary measures in place.

Over the years, Japan has invested billions of dollars developing new technologies that help its citizens and infrastructure against earthquakes and tsunamis. The fact that Japan is located at the meeting of three tectonic plates (Pacific, East Eurasian and the Philippines) is the cause of the frequent earthquakes that the country faces from time to time. Basically, the movement and shock between these plates is what causes tremors, as well as landslides and tsunamis. That is why the country needs to invest in anti-earthquake technologies. Faced with these tremors, Japan presents strategies to reduce damage and protect the population. Training on how to act during earthquakes is carried out free of charge by the fire department throughout the country. These trainings contribute a lot to the protection of the Japanese, but the differential is in the engineering.

Buildings constructed in Japan have a spring system in their foundations to absorb tremors. At the junctions between the columns (pillars) is placed a special material that dissipates energy when the structure moves in opposite directions. When the buildings are very close, a spring is placed between them so that they do not collide. On all floors, internal steel structures in the walls help support the weight of the building. Another important technology is the use of pendulums for inertial damping. A suspended and heavy sphere moves the building in the opposite direction to the vibrations caused by the earthquake. Electronically controlled, this mechanism reduces building vibrations by up to 60%. The cost of these anti-earthquake technologies is high and only modern buildings have them. That’s why the Japanese government pays a percentage of the costs for old buildings to bring them into line.

The high civil engineering technologies developed years ago by the Japanese to minimize the damage and deaths caused by natural disasters are the reasons why many buildings are still standing in Japan, which is considered the country best prepared to deal with earthquakes. The buildings are conceived as a dynamic element, as they will always be subject to movement in any direction. Electronic dampers are installed in buildings that can be remotely controlled. In simpler buildings, spring dampers are used that work in a similar way to the suspension of vehicles. The engineers also put a special material to cushion the joints between the columns (pillars), the slab and the steel structures that make up each floor. This material helps dissipate energy when the structure moves in opposite directions. This way the building does not crush the intermediate floors.

The Japanese learn from an early age how to behave during an earthquake, with frequent training sessions that take place in offices, schools, etc. The country’s TV and radio stations have the function of warning with minutes in advance if a major earthquake is detected. So people have time to leave the house and go to a safe place. Homes should always be prepared for minor tremors. The most modern constructions are already made to resist earthquakes, with shock absorbers in the foundation and other technologies. Heavy objects never stay in high places or places that can fall easily and every home should have a survival kit with water, food and flashlight for more extreme cases. During tremors, the recommendation is to take shelter under a table to protect yourself in case something falls. Soon after, turn off the stove, heaters and gas, remove electrical appliances from the socket and leave the entrance door open to ensure an exit.

If people are on the train or inside commercial establishments, they follow the instructions of employees who are trained to guide them in these situations. If they are on the street, the Japanese look for a safe place and stay away from poles, walls and buildings. The ideal is to stay in an open area like parks or large squares. In coastal regions, they go to a high place as far away from the sea as possible, to protect themselves in case of a tsunami. They pay attention after the tremor, as aftershocks are quite common. The main thing is to remain calm during the event and follow the guidelines. Japan is a country very prepared for these situations. By law, any construction erected after 1981 in Japan must withstand strong earthquakes. Buildings and homes that were built before the law are advised to reinforce the structures. The government finances part of the reform. The great danger is in old houses, many of which are made of wood. According to estimates, in Tokyo, after a major earthquake, 23,000 people will die, 16,000 because of the fire. In addition to being fragile, the old houses would collapse more easily, interrupting escape routes in narrow streets.

The risk of Brazil experiencing large-scale earthquakes is very low. The chances of a big earthquake, like the one that hit Turkey and Syria happening in Brazil are remote because it occupies a privileged position for being in the center of a tectonic plate, the South American, while the big earthquakes occur where there is the shock between tectonic plates. In Brazil, earthquakes are recorded, but of small intensity. In the Atlantic Ocean, there are many earthquakes, but they happen far from the coast and we rarely feel the reflections. They are most common in earthquakes in the Andes. In Brazil, earthquakes can be felt when a seismic shock has the Andes region as its epicenter, such as Chile, Peru and Colombia, which are the countries where the largest tremors occur in South America. In August 2022, for example, there were 8 earthquakes on the coast of Rio Grande do Norte. According to the Brazilian Seismographic Network, the largest event had a magnitude of 3.7 on the Richter scale and was felt by the population. Despite this, at this magnitude, this tremor rarely causes damage. The greatest damage occurs with earthquakes from 6.1 and 6.9 on the Richter scale that can be destructive in areas around 100 km from the epicenter. In the case of tremors rated between 7.0 and 7.9 on the Richter scale, such as the recent earthquake in Turkey and Syria, serious damage can be caused over a wide range. Earthquakes of 8 or higher on the Richter scale can cause severe damage in many areas, even hundreds of kilometers away.

Under current conditions, it is not possible to predict the occurrence of earthquakes, but it is possible to adopt preventive and precautionary measures to eliminate or reduce the damage they cause to populations, buildings and infrastructure, as the Japanese do. The Japanese experience of prevention and precaution against earthquakes should be disseminated and adopted worldwide, especially in countries where there are more earthquakes in the world. In each of these countries, structures aimed at monitoring earthquakes should be set up and evacuation plans drawn up for populations in places that may be affected by these catastrophic events. In addition, a global structure needs to be set up, a World Organization for Defense against natural disasters of global scope, similar to the WHO (World Health Organization) that has the capacity to technically coordinate the actions of countries that face earthquakes, tsunamis and eruptions of volcanoes whose consequences have local, regional and global reach and are devastating for thousands of victims such as those currently registered in Turkey and Syria.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade(Editora CRV, Curitiba, 2022)and a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022).

COMO LIDAR COM TERREMOTOS COMO O OCORRIDO RECENTEMENTE NA TURQUIA E NA SÍRIA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo mostrar como lidar com terremotos como o ocorrido recentemente na Turquia e na Síria cujo número de mortos ultrapassa 11 mil em 08/02/2023. As proposições e conclusões deste artigo estão baseadas na análise do Capítulo 3 do livro A Humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência publicado pela Editora Dialética de São Paulo em 2021 e do Capítulo 7 do livro A escalada da Ciência e da Tecnologia ao longo da história publicado pela Editora CRV de Curitiba em 2022 de autoria do Engenheiro e Professor Fernando Alcoforado que apresentaram as estratégias capazes de salvar a humanidade de catástrofes naturais provocadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcões.  

Os tremores, sismos ou terremotos, como são mais conhecidos, são vibrações na camada externa da Terra causadas por fenômenos que acontecem no interior do nosso planeta. Os abalos sísmicos podem ocorrer por atividades vulcânicas, pela movimentação das placas tectônicas e por desmoronamentos da estrutura interna da Terra. Em todos os casos, acumula-se uma imensa quantidade de energia, levando a Terra a tremer. As placas tectônicas são algumas partes que compõem a crosta terrestre. São identificadas 28 placas tectônicas na Terra (Figura 1).

Figura 1- Placas tectônicas do planeta Terra

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Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Placa_tect%C3%B3nica

As placas tectônicas são classificadas em três grupos. As maiores placas tectônicas são a Norte-Americana, a Euroasiática, a Australiana, a Africana, a Antártica, a do Pacífico e a Sul-Americana, onde se localiza o Brasil. As placas secundárias são as de Cocos, a das Caraíbas, a de Nazca, a Filipina, a Arábica, de Anatólia, a da Escócia e a Juan de Fuca. As demais são classificadas como microplacas. A maior incidência de terremotos ao redor do planeta está nas fronteiras entre as placas tectônicas. As fronteiras entre as grandes placas e as placas secundárias marcam os pontos de maior risco de terremotos no planeta. De todos terremotos registrados pela humanidade, aproximadamente 90% deles se distribuem nestas longas fronteiras entre as placas. Eles acontecem quando há um choque entre as placas. Quanto maior a velocidade com que a placa se movimenta mais grave será o abalo sísmico.

As regiões de maior risco de terremotos estão localizadas nas fronteiras das placas tectônicas na costa americana do Oceano Pacífico, do Chile ao Canadá, e no Japão. Também são regiões de risco a Ásia Central (do Himalaia ao Irã) e o Mediterrâneo (Marrocos, Argélia e Turquia). Os cincos terremotos mais fortes já registrados no mundo até hoje foram os da Península de Kamchatka na Rússia em 1952, Valdívia no Chile em 1960, Alasca nos Estados Unidos em 1964, Ilha de Sumatra na Indonésia em 2004 e Península de Oshika no Japão em 2011. O terremoto mais forte da história foi, entretanto, o de Shensi, na China, ocorrido no ano de 1556 e que deixou um rastro de incríveis 830 mil mortos.

O Mapa a seguir mostra as áreas do planeta mais susceptíveis a terremotos:

Figura 2- As regiões com maior risco de terremotos no mundo

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Fonte: U. S. GEOLOGICAL SURVEY (Em vermelho, as regiões com maior risco de terremotos e, em branco, as de menor risco).

Catástrofes naturais provocadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcões têm contribuído para a ocorrência de mortes de populações e destruição de edificações e infraestruturas de muitos países. À exceção do Japão que adota medidas avançadas de prevenção e precaução contra terremotos e tsunamis, a humanidade continua à mercê dessas catástrofes naturais pela falta de previsão da ocorrência desses eventos, de planos de evacuação de populações das áreas afetadas e de medidas de prevenção e precaução para fazerem frente às catástrofes provocadas por terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas.

Um país bastante avançado nas ações de prevenção e de precaução contra terremotos é o Japão que é considerado o país melhor preparado para enfrentar terremotos. O território japonês está localizado em uma área sísmica e é por isso que o país tem tantos vulcões, alguns ainda ativos. Este, também, é o motivo de o Japão ser uma região bastante afetada por terremotos e tsunamis. Estes são eventos que acontecem em intensidades diferentes. O terremoto de grandes proporções mais recente foi em 2011, que atingiu a costa nordeste do Japão, com o tsunami que devastou a região de Fukushima e causou o acidente nuclear. Essas atividades provocadas pela natureza são muito frequentes no país, acontecem quase diariamente, a maior parte delas em escala muito menor. Muitas vezes, pequenos tremores ocorrem e as pessoas nem os percebem. Com este cenário, o Japão está constantemente monitorando os terremotos e possui diversas medidas de prevenção e de precaução.

Ao longo dos anos, o Japão tem investido bilhões de dólares desenvolvendo novas tecnologias que ajudem seus cidadãos e infraestruturas contra abalos e tsunamis. O fato de o Japão estar situado no encontro de três placas tectônicas (Pacífico, Euroasiática Oriental e das Filipinas) é a causa dos frequentes abalos sísmicos que o país enfrenta de tempos em tempos. Basicamente, a movimentação e o choque entre essas placas é o que provoca os abalos, assim como deslizamentos de terra e tsunamis. É por isso que o país precisa investir em tecnologias anti-terremotos. Diante desse tremores, o Japão apresenta estratégias para a redução de danos e proteção da população. Treinamentos de como agir durante os terremotos são realizados gratuitamente pelo corpo de bombeiros em todo o país. Esses treinamentos contribuem muito para a proteção dos japoneses, mas o diferencial está na engenharia.

Os edifícios construídos no Japão apresentam em suas fundações um sistema de molas para absorver os tremores. Nas junções entre as colunas (pilares) é colocado um material especial que dissipa a energia quando a estrutura se movimenta em direções opostas. Quando os edifícios estão muito próximos, uma mola é colocada entre eles para que não ocorram eventuais choques. Em todos os andares, estruturas de aço internas nas paredes ajudam a suportar o peso do prédio. Outra tecnologia importante é o uso de pêndulos para amortecimento inercial. Uma esfera suspensa e pesada movimenta o prédio no sentido contrário às vibrações ocasionadas pelo terremoto. Controlado eletronicamente, esse mecanismo diminui as vibrações dos prédios em até 60%. O custo dessas tecnologias anti-terremotos é elevado e apenas os prédios modernos as apresentam. É por isso que o governo japonês arca com uma porcentagem dos gastos para que edifícios antigos consigam se adequar.

As altas tecnologias de engenharia civil desenvolvidas há anos pelos japoneses para minimizar os prejuízos e mortes causados pelos desastres naturais são os motivos pelos quais muitos prédios continuam de pé no Japão, que é considerado o país melhor preparado para lidar com terremotos. Os prédios são concebidos como um elemento dinâmico, já que estarão sempre sujeitos a movimentos em qualquer direção. Nos prédios são instalados amortecedores eletrônicos que podem ser controlados à distância. Em prédios mais simples são usados amortecedores de molas que funcionam de um jeito parecido com a suspensão de veículos. Os engenheiros também colocam um material especial para amortecer as junções entre as colunas (pilares), a laje e as estruturas de aço que compõe cada andar. Esse material ajuda a dissipar a energia quando a estrutura se movimenta em direções opostas. Assim o prédio não esmaga os andares intermediários.

Os japoneses aprendem desde cedo como se portar durante um terremoto, com treinamentos frequentes que acontecem nos escritórios, nas escolas etc. As emissoras de TV e rádios do país têm a função de avisar com minutos de antecedência caso um grande terremoto seja detectado. Assim as pessoas têm tempo de sair de casa e seguir para um local seguro. As casas devem sempre estar preparadas para tremores menores. As construções mais modernas já são feitas para resistir aos terremotos, com amortecedores na fundação e outras tecnologias. Objetos pesados nunca ficam em locais altos ou que possam cair facilmente e toda casa deve ter um kit de sobrevivência com água, comida e lanterna para casos mais extremos. Durante os tremores a recomendação é se abrigar debaixo de uma mesa para se proteger caso algo venha a cair. Logo em seguida, desligar fogão, aquecedores e gás, tirar aparelhos elétricos da tomada e deixar a porta de entrada aberta para garantir uma saída.

Se as pessoas estiverem no trem ou dentro de estabelecimentos comerciais, elas seguem as instruções dos funcionários que são treinados para orientá-las nestas situações. Se estiverem na rua, os japoneses procuram um local seguro e ficam longe de postes, muros e prédios. O ideal é ficarem em uma área aberta como parques ou grandes praças. Em regiões litorâneas, seguem para um local alto o mais afastado possível do mar, para se protegerem em caso de tsunami. É preciso prestarem atenção após o tremor, pois abalos secundários são bastante comuns. O principal é manter a calma durante o evento e seguir as orientações. O Japão é um país muito preparado para essas situações. Por lei, toda construção erguida a partir de 1981 no Japão precisa resistir a fortes terremotos. Prédios e casas que foram construídas antes da lei são aconselhados a reforçar as estruturas. O governo banca parte da reforma. O grande perigo está em casas antigas, muitas de madeira. Segundo as estimativas, em Tóquio, depois de um terremoto de grandes proporções, vão morrer 23 mil pessoas, 16 mil por causa do fogo. Além de frágeis, as casas antigas desabariam com mais facilidade, interrompendo rotas de fuga em ruas estreitas.

O risco de o Brasil sofrer terremotos de grande escala é muito baixo. As chances de um grande terremoto, como o que atingiu a Turquia e a Síria acontecer no Brasil são remotas porque ele ocupa uma posição privilegiada por estar no centro de uma placa tectônica, a Sul-americana, enquanto os grandes abalos ocorrem onde há o choque entre as placas tectônicas. No Brasil são registrados terremotos, porém de pequena intensidade. No Oceano Atlântico, há muitos terremotos, mas acontecem longe da costa e raramente sentimos os reflexos. Eles são mais comuns em terremotos na Cordilheira dos Andes. No Brasil, podem ser sentidos terremotos quando algum abalo sísmico tem como epicentro a região dos Andes, como o Chile, o Peru e a Colômbia, que são os países onde acontecem os maiores tremores na América do Sul. Em agosto de 2022, por exemplo, ocorreram 8 tremores de terra na costa do Rio Grande do Norte. Segundo a Rede Sismográfica Brasileira, o maior evento teve magnitude 3.7 na escala Richter e chegou a ser sentido pela população. Apesar disso, nessa magnitude, raramente este tremor causa danos. Os maiores danos ocorrem com terremotos a partir de 6,1 e 6,9 na escala Richter que podem ser destrutivos em áreas em torno de 100 km do epicentro. No caso dos tremores classificados entre 7,0 e 7,9 na escala Richter, como o terremoto recente da Turquia e Síria, sérios danos podem ser causados numa grande faixa. Os terremotos de 8 ou mais na escala Richter podem causar danos graves em muitas áreas, mesmo que estejam a centenas de quilômetros.

Nas condições atuais, não é possível prever a ocorrência de terremotos, mas é possível adotar medidas de prevenção e de precaução para eliminar ou reduzir os danos por eles provocados sobre as populações, edificações e infraestruturas como fazem os japoneses. A experiência japonesa de prevenção e de precaução contra terremotos deveria ser difundida e adotada mundialmente, sobretudo, nos países onde há mais ocorrência de terremotos no mundo. Em cada um desses países, deveriam ser montadas estruturas voltadas para o monitoramento de terremotos e serem elaborados planos de evacuação de populações em locais que possam ser atingidos por esses eventos catastróficos. Além disso, é preciso que seja montada uma estrutura mundial, uma Organização Mundial de Defesa Contra Catástrofes Naturais de abrangência global, similar à OMS (Organização Mundial de Saúde) que tenha capacidade de coordenar tecnicamente as ações dos países que enfrentem terremotos, tsunamis e erupção de vulcões cujas consequências tenham abrangência local, regional e mundial e são devastadoras para milhares de vítimas como as que registram atualmente na Turquia e na Síria.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) e de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022).

L’INFLATION NE PEUT PAS ÊTRE LUTTE CONTRE L’AUGMENTATION DES TAUX D’INTÉRÊT, MAIS AVEC L’AUGMENTATION DE LA PRODUCTION ET DE LA PRODUCTIVITÉ DE L’ÉCONOMIE 

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que l’augmentation des taux d’intérêt de base de l’économie (Selic) au Brésil ne réduit pas les taux d’inflation et que la bonne chose serait d’adopter une politique qui contribue à l’augmentation de la production et de la productivité de l’économie. A l’époque contemporaine, il a été une pratique dominante dans les pays capitalistes comme le Brésil de combattre l’inflation en augmentant les taux d’intérêt dont l’inefficacité est prouvée par la persistance de l’inflation et non sa réduction. En plus de ne pas contribuer à réduire l’inflation, les taux d’intérêt élevés représentent un transfert de revenus de la société dans son ensemble vers une partie relativement faible de la population, les détenteurs d’obligations de la dette publique, les soi-disant rentiers. En un an seulement, les rentiers (5 millions de familles) reçoivent de l’État, via des intérêts, ce que les bénéficiaires de la Bolsa Família (14 millions de familles) mettent 14 ans à gagner, selon l’économiste André Lara Resende.

Comment le gouvernement a-t-il contrôlé l’inflation au Brésil ? Afin de maîtriser l’inflation, le gouvernement brésilien a promu depuis 1994, sur la base du modèle économique néolibéral, l’ouverture du marché intérieur aux produits importés afin de faire baisser les prix intérieurs, ainsi que l’adoption du soi-disant taux de change et les « ancres » monétaires. L’ancrage du taux de change a institué le régime des « fourchettes » de taux de change, le taux de change variant entre certaines limites qui, en pratique, visent à faire baisser le coût des produits importés afin de faire baisser les prix intérieurs. À son tour, l’ancrage monétaire cherche à réduire le volume de monnaie en circulation en vendant des titres publics pour éviter de faire pression sur les prix. En complément, la Banque centrale du Brésil relève le taux d’intérêt de base de l’économie (Selic) pour augmenter le coût de l’argent et le niveau des réserves obligatoires des banques (ressources qu’elles sont obligées de « garder en dépôt » à la Banque centrale) pour réduire le volume de monnaie en circulation.

À partir de 1999, le régime de ciblage de l’inflation a été adopté, dans lequel les autorités monétaires s’engageaient à respecter les objectifs fixés pour l’année en cours et la suivante. L’un des moyens de chercher à atteindre les objectifs d’inflation passe par le taux Selic. En augmentant les taux d’intérêt, le gouvernement augmente le coût de l’argent, réduit la demande de produits et services à vendre et, par conséquent, cherche à favoriser une baisse de l’inflation. Comme les taux d’intérêt rendent le crédit plus cher, les entreprises ont besoin de plus d’argent pour rembourser leurs dettes, ce qui peut entraîner une augmentation du prix du produit final, alimentant le processus inflationniste au lieu de le réduire comme prévu par la Banque centrale. Ce système de contrôle de l’inflation par le gouvernement brésilien a été extrêmement inefficace car, en plus de ne pas réduire efficacement l’inflation car il agit sur les symptômes et non sur les véritables causes du problème, il a été néfaste pour l’économie nationale en dirigeant le pays en récession, à la baisse des investissements, à la hausse du chômage et à la hausse de la dette publique.

Récemment, le président Lula et les ministres de son gouvernement ont estimé que le président de la Banque centrale, Roberto Campos Neto, avait trahi la confiance que le gouvernement plaçait en lui pour dialoguer et participer à un effort commun pour que le Brésil surmonte les problèmes économiques auxquels il est confronté aujourd’hui sans passer par une récession. Le président de la Banque centrale a non seulement maintenu le taux d’intérêt de base (Selic) extrêmement élevé à 13,75 % par an pour la quatrième réunion consécutive, la première depuis l’arrivée au pouvoir de Lula, mais a également déclaré qu’il devrait maintenir les taux à des niveaux élevés plus longtemps. Avec ce message, la Banque centrale entraverait la reprise du crédit et de l’activité économique dans le pays, et mettrait le Brésil sur la voie de la récession. Le président Lula et son gouvernement ont commencé à se méfier des performances de Roberto Campos, nommé à ce poste par Jair Bolsonaro pour un mandat de quatre ans. Son attitude n’est pas surprenante, car Roberto Campos Neto, en plus d’être néolibéral et lié au système financier auquel il a toujours servi, a toujours été aligné avec le bolsonarisme.

C’est absurde ce qui s’est passé ces dernières années au Brésil lorsque la loi complémentaire 179/2021 a établi l’autonomie de la Banque centrale et que son président et ses administrateurs auront des mandats fixes de quatre ans, ne coïncidant pas avec celui du président de la République. Cette loi établit que la stabilité des prix demeure l’objectif fondamental de la Banque centrale qui, sans préjudice de cet objectif, assurera également la stabilité et l’efficacité du système financier, lissera les fluctuations du niveau de l’activité économique et favorisera le plein emploi. Cependant, dans la pratique, la Banque centrale n’atténue pas les fluctuations du niveau de l’activité économique ni n’encourage le plein emploi en mettant l’accent sur des taux d’intérêt extrêmement élevés. Avec cette loi, le Congrès national a rendu difficile au gouvernement fédéral l’adoption de politiques économiques, fiscales et monétaires, articulées entre elles comme c’est actuellement le cas, dans la mesure où la politique monétaire imposée par la Banque centrale peut contribuer à rendre impraticable l’effort du gouvernement Lula à la reprise du développement national.

Il est important de noter qu’en mars 2021, l’inflation accumulée au cours des 12 derniers mois a dépassé le plafond cible et n’est pas revenue. Pour contrôler l’inflation, la Banque centrale a commencé à augmenter le taux d’intérêt de base de l’économie, dans une tentative de décourager la consommation.

Figure 1- Inflation au Brésil

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Source : Análise Macro

Les faits de la vie démontrent que l’adoption des politiques monétaires inefficaces actuelles dans la lutte contre l’inflation doit être remplacée par une action directe efficace du gouvernement sur les facteurs générateurs d’inflation, avec l’adoption de mesures concrètes pour éliminer l’inflation de la demande, l’inflation des coûts , l’inflation monétaire, l’inflation inertielle et la possibilité d’hyperinflation, Ces mesures sont présentées ci-dessous :

Comment éliminer l’inflation de la demande au Brésil ?

L’inflation de la demande se produit lorsque la production intérieure du pays est insuffisante pour répondre à la demande. Pour éviter que cela ne se produise, le gouvernement brésilien devrait planifier chaque année l’économie nationale pour répondre à la demande prévue de produits agricoles et industriels, de matières premières et d’intrants agricoles et industriels, et de services d’énergie, de transport et de communication, et surveiller leur évolution pour évaluer les cas avec d’éventuels déséquilibres entre l’offre et la demande. Après avoir identifié les cas de déséquilibre entre l’offre et la demande nationales, le gouvernement doit agir pour augmenter la production nationale ou importer les articles nécessaires. La priorité de la production nationale est de répondre à la demande intérieure. Ce n’est que lorsqu’il y a des excédents de production qu’ils seront exportés. Le gouvernement doit planifier à l’avance le niveau des stocks de sécurité des produits agricoles et industriels, des matières premières et des intrants agricoles et industriels et des services d’énergie, de transport et de communication pour éviter leur pénurie et, par conséquent, pour éviter l’inflation de la demande.

Comment éliminer l’inflation des coûts de production au Brésil ?

Cette inflation se produit lorsqu’il y a une augmentation des coûts de production (machines, matières premières, main-d’œuvre, impôts, etc.) des produits agricoles, industriels, commerciaux et de services. Ce type d’inflation peut être généré par l’augmentation de n’importe lequel des coûts de production tels que : les salaires, les matières premières, les intrants ou les taxes. Avec l’augmentation des coûts de production, la réaction des producteurs est d’augmenter le prix des produits et services, qui est plus élevé pour le consommateur final. Par conséquent, dans ce scénario, l’économie du pays sera confrontée à une inflation des coûts. Afin d’éliminer l’inflation des coûts de production, le gouvernement brésilien devrait surveiller l’évolution des prix des salaires, des matières premières et des intrants afin d’adopter des mesures qui contribuent à éviter leur augmentation sans augmentation correspondante de la productivité, ainsi qu’à encourager une augmentation de la productivité dans le production agricole, industrielle, commerciale et de services. En outre, le gouvernement brésilien devrait réduire ses coûts en éliminant les dépenses inutiles et mener une réforme fiscale qui rende les taxes pesant le moins possible sur l’activité productive et la population.

Comment éliminer l’inflation monétaire ?

Cette inflation se produit lorsque l’émission de devises est hors de contrôle par le gouvernement. Cette situation s’est déjà produite à divers moments de l’histoire du Brésil, en particulier dans la seconde moitié du XXe siècle, lorsque l’émission de monnaie a contribué à l’hyperinflation des années 1980 et 1990. On pense qu’une augmentation de la monnaie en circulation sans augmentation de productivité entraîne une perte de pouvoir d’achat, c’est-à-dire une hausse de l’inflation. L’inflation monétaire peut contribuer à l’inflation de la demande. Pour éviter l’inflation monétaire, le gouvernement doit empêcher l’émission incontrôlée de devises.

Comment éliminer l’inflation inertielle ?

L’inflation inertielle fait référence à la mémoire inflationniste. Autrement dit, l’inflation actuelle résulte de l’indice passé plus l’inflation future attendue. Ce type d’inflation n’a aucun rapport avec l’augmentation de la demande ou des coûts dans cette économie. Ainsi, dans une économie où les prix se réajustent automatiquement d’une période à l’autre, il se produit une inflation inertielle. Dans le passé, le Brésil a déjà été confronté à des problèmes d’inflation inertielle qui ont alimenté le processus inflationniste et contribué à l’hyperinflation qui a eu lieu dans les années 1980 et 1990. Pour éviter l’inflation inertielle, il faut éviter l’indexation des prix.

Comment éviter l’hyperinflation ?

L’hyperinflation est un niveau d’inflation considéré comme bien supérieur au niveau tolérable. En plus des prix élevés, ce scénario tend à générer une forte dévaluation de la monnaie locale et peut conduire à une récession économique. Lorsqu’une économie atteint l’hyperinflation, l’inflation est considérée comme hors de contrôle. Le Brésil a été confronté au problème de l’hyperinflation à divers moments de son histoire, comme celui qui a précédé la création du Plan Real pour stabiliser l’économie brésilienne dans les années 1990. Pour éviter l’hyperinflation, il faut éviter l’inflation inertielle.

Conclusion

Compte tenu de ce qui précède, le contrôle de l’inflation par le gouvernement brésilien a été extrêmement inefficace car, en plus de ne pas contrôler efficacement l’inflation parce qu’il agit sur les symptômes et non sur les véritables causes du problème, il a été préjudiciable à la l’économie en entraînant le pays dans la récession, la chute des investissements, la hausse du chômage et la hausse de la dette publique. Le gouvernement Lula devrait lutter contre l’inflation de la demande de biens et de services en planifiant l’économie en collaboration avec le secteur productif afin que la production nationale réponde à la demande intérieure de biens et de services. Le gouvernement Lula devrait lutter contre l’inflation des coûts de production en surveillant l’évolution des prix des salaires, des matières premières et des intrants, en adoptant des mesures qui contribuent à empêcher leur augmentation sans augmentation correspondante de la productivité, en encourageant une augmentation de la productivité dans la production agricole et industrielle, le commerce et les services. et de promouvoir la réduction des coûts dans les systèmes de production d’énergie électrique et de pétrole et dans le transport de marchandises avec sa planification orientée vers les modes fluvial et ferroviaire.

Par conséquent, il a été démontré que la stratégie actuelle du gouvernement brésilien pour lutter contre l’inflation au Brésil est inefficace car elle ne contrôle pas efficacement l’inflation. Cela signifie que le modèle économique néolibéral qui a présidé aux actions du gouvernement brésilien dans l’économie depuis 1990 doit être immédiatement abandonné et remplacé par le modèle de développement national basé sur le keynésien qui inciterait le gouvernement Lula à jouer un rôle actif dans la planification de l’économie nationale qui, avec des mécanismes de rétroaction et de contrôle, combattrait avec succès l’inflation de la demande et des coûts, éviterait l’hyperinflation et favoriserait le développement national. Mais, pour cela, il faut mettre fin à l’autonomie de la Banque centrale et remplacer son président par un autre en phase avec le gouvernement Lula.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) et est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022).

INFLATION CANNOT BE FIGHTED WITH INCREASE IN INTEREST RATES, BUT WITH INCREASE IN PRODUCTION AND PRODUCTIVITY OF THE ECONOMY

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the increase in the economy’s basic interest rates (Selic) in Brazil does not reduce inflation rates and that the correct thing would be to adopt a policy that contributes to the increase of production and productivity of the economy. In the contemporary era, it has been a dominant practice in capitalist countries such as Brazil to combat inflation by raising interest rates whose ineffectiveness is proven by the persistence of inflation and not its reduction. In addition to not helping to reduce inflation, high interest rates represent a transfer of income from society as a whole to a relatively small portion of the population, holders of public debt bonds, the so-called rentiers. In just one year, rentiers (5 million families) receive from the government, via interest, what Bolsa Família beneficiaries (14 million families) take 14 years to earn, according to economist André Lara Resende.

How has the government controlled inflation in Brazil? In order to keep inflation under control, since 1994 the Brazilian government has promoted, based on the neoliberal economic model, the opening of the domestic market to imported products in order to force down domestic prices, as well as adopting the so-called exchange rate and monetary “anchors”. The exchange rate anchor instituted the regime of exchange rate “bands” with the exchange rate varying between certain limits that, in practice, seek to lower the cost of imported products in order to force down domestic prices. In turn, the monetary anchor seeks to reduce the volume of money in circulation by selling public securities to avoid putting pressure on prices. Complementarily, the Central Bank of Brazil raises the basic interest rate of the economy (Selic) to increase the cost of money and the level of compulsory reserves of banks (resources that they are obliged to “keep in custody” at the Central Bank) to reduce the volume of money in circulation.

As of 1999, the inflation targeting regime was adopted, in which the monetary authorities committed themselves to meeting targets established for the current year and the next. One of the ways to seek to achieve inflation targets is through the Selic rate. By raising interest rates, the government increases the cost of money, reduces the demand for products and services for sale and, consequently, seeks to promote a drop in inflation. As interest rates make credit more expensive, companies need more money to pay off debts and this can cause an increase in the price of the final product, fueling the inflationary process instead of reducing it as intended by the Central Bank. This system of inflation control by the Brazilian government has been extremely ineffective because, in addition to not effectively reducing inflation because it acts on the symptoms and not on the true causes of the problem, it has been harmful to the national economy by leading the country into recession, to falling investments, rising unemployment and rising public debt.

Recently, President Lula and ministers of his government considered that the president of the Central Bank, Roberto Campos Neto, had betrayed the confidence that the government placed in him to dialogue and participate in a joint effort for Brazil to overcome the economic problems it faces today without going through by a recession. The president of the Central Bank not only kept the basic interest rate (Selic) extremely high at 13.75% per year for the fourth consecutive meeting, the first since Lula took office, as well as said that he should keep rates at high levels longer. With this message, the Central Bank would be hindering the recovery of credit and economic activity in the country, and putting Brazil on the path of recession. President Lula and his government began to distrust the performance of Roberto Campos, appointed to the position by Jair Bolsonaro for a four-year term. His attitude is not surprising, because Roberto Campos Neto, in addition to being neoliberal and linked to the financial system to which he has always served, has always been aligned with Bolsonarism.

It is absurd what happened in recent years in Brazil when Complementary Law 179/2021 established the autonomy of the Central Bank and that its president and directors will have fixed terms of four years, not coinciding with that of the President of the Republic. This Law establishes that price stability remains the fundamental objective of the Central Bank which, without prejudice to this objective, will also ensure the stability and efficiency of the financial system, smooth fluctuations in the level of economic activity and promote full employment. However, in practice, the Central Bank neither smooths fluctuations in the level of economic activity nor encourages full employment with its emphasis on extremely high interest rates. With this Law, the National Congress made it difficult for the federal government to adopt economic, fiscal and monetary policies, articulated among themselves as is currently the case, insofar as the monetary policy imposed by the Central Bank may contribute to making the Lula government’s effort to resume national development unfeasible.

It is important to note that, in March 2021, inflation accumulated over the last 12 months surpassed the target ceiling and has not returned. To control inflation, the Central Bank began to increase the economy’s basic interest rate, in an attempt to discourage consumption.

Figure 1- Inflation in Brazil

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Source: Análise Macro

The facts of life demonstrate that the adoption of the current ineffective monetary policies in the fight against inflation must be replaced by effective direct action by the government on the factors that generate inflation, with the adoption of concrete measures to eliminate demand inflation, cost inflation , monetary inflation, inertial inflation and the possibility of hyperinflation, These measures are presented below:

How to eliminate demand inflation in Brazil?

Demand inflation happens when domestic production in the country is insufficient to meet demand. To prevent this from happening, the Brazilian government should annually plan the national economy to meet the expected demand for agricultural and industrial products, raw materials and agricultural and industrial inputs, and energy, transport and communication services, and monitor their evolution to assess cases with possible imbalances between supply and demand. Having identified cases of imbalance between national supply and demand, the government should act to increase national production or import the necessary items. The priority of national production is to meet domestic demand. Only when there are production surpluses would they be exported. The government must plan in advance the level of buffer stocks of agricultural and industrial products, raw materials and agricultural and industrial inputs and energy, transport and communication services to avoid their shortage and, consequently, to avoid demand inflation.

How to eliminate production cost inflation in Brazil?

This inflation occurs when there is an increase in production costs (machinery, raw materials, labor, taxes, etc.) of agricultural, industrial, trade and services products. This type of inflation can be generated by the increase of any of the production costs such as wages, raw materials, inputs or taxes. With the increase in production costs, the reaction of producers is to increase the price of products and services, which is higher for the final consumer. Therefore, in this scenario, the country’s economy will face cost inflation. In order to eliminate inflation in production costs, the Brazilian government should monitor the evolution of wage, raw material and input prices in order to adopt measures that contribute to avoiding their increase without a corresponding increase in productivity, as well as encouraging increased productivity in the agricultural, industrial, trade and service production. In addition, the Brazilian government should reduce its costs by eliminating unnecessary expenses and carry out a tax reform that makes taxes to the productive activity and the population as little as possible.

How to eliminate monetary inflation?

This inflation occurs when there is currency issuance out of control by the government. This situation has already occurred at various times in Brazil’s history, especially in the second half of the 20th century, when the issuance of currency contributed to the hyperinflation of the 1980s and 1990s. It is believed that an increase in money in circulation without an increase in productivity causes a loss of purchasing power, that is, an increase in inflation. Monetary inflation can contribute to demand inflation. To avoid monetary inflation, the government has to prevent the uncontrolled issuance of currency.

How to eliminate inertial inflation?

Inertial inflation refers to inflationary memory. That is, current inflation results from the past index plus the expected future inflation. This type of inflation bears no relation to increased demand or costs in this economy. Therefore, in an economy where prices are readjusted automatically from one period to another, inertial inflation occurs. In the past, Brazil has already faced problems with inertial inflation that fueled the inflationary process and contributed to the hyperinflation that took place in the 1980s and 1990s. To avoid inertial inflation, it is necessary to avoid price indexation.

How to avoid hyperinflation?

Hyperinflation is a level of inflation that is considered to be far above the tolerable level. In addition to high prices, this scenario tends to generate a strong devaluation of the local currency and may lead to economic recession. When an economy reaches hyperinflation, inflation is considered to be out of control. Brazil has faced the problem of hyperinflation at various times in its history, such as the one that preceded the creation of the Real Plan to stabilize the Brazilian economy in the 1990s. To avoid hyperinflation, it is necessary to avoid inertial inflation.

Conclusions

In view of the above, the control of inflation by the Brazilian government has been extremely ineffective because, in addition to not effectively controlling inflation because it acts on the symptoms and not on the true causes of the problem, it has been harmful to the national economy by leading the country into recession, falling investments, rising unemployment and rising public debt. The Lula government should combat demand inflation for goods and services by planning the economy together with the productive sector so that national production meets the domestic demand for goods and services. The Lula government should combat inflation in production costs by monitoring the evolution of wage, raw material and input prices, adopting measures that contribute to preventing their increase without a corresponding increase in productivity, encouraging increased productivity in agricultural and industrial production, commerce and services and to promote cost reduction in electric energy and oil production systems and in cargo transport with its planning oriented towards waterway and rail modes.

Therefore, it was demonstrated that the current strategy of the Brazilian government to combat inflation in Brazil is ineffective because it does not effectively control inflation. This means that the neoliberal economic model that has presided over the actions of the Brazilian government in the economy since 1990 needs to be abandoned immediately and replaced by the national developmental model based on Keynesian that would make the Lula government start to play an active role in the planning of the national economy. that, with feedback and control mechanisms, would successfully combat demand and cost inflation, avoid hyperinflation and promote national development. However, for this to happen, it is necessary to end the autonomy of the Central Bank and replace its president with another who is in tune with the Lula government.

* Fernando Alcoforado, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, of the SBPC- Brazilian Society for the Progress of Science and of IPB- Polytechnic Institute of Bahia, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development from the University of Barcelona, university professor (Engineering, Economy and Administration) and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning, urban planning and energy systems, was Advisor to the Vice President of Engineering and Technology at LIGHT S.A. Electric power distribution company from Rio de Janeiro, Strategic Planning Coordinator of CEPED- Bahia Research and Development Center, Undersecretary of Energy of the State of Bahia, Secretary of Planning of Salvador, is the author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade(Editora CRV, Curitiba, 2022)and a chapter in the book Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022).

NÃO SE COMBATE INFLAÇÃO COM AUMENTO DAS TAXAS DE JUROS E SIM COM O AUMENTO DA PRODUÇÃO E DA PRODUTIVIDADE DA ECONOMIA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que o aumento das taxas de juros básicas da economia (Selic) no Brasil não reduz as taxas de inflação e que o correto seria a adoção de uma política que contribua para o aumento da produção e da produtividade da economia. Na era contemporânea, tem sido uma prática dominante em países capitalistas como o Brasil combater a inflação com a elevação das taxas de juros cuja ineficácia é comprovada com a persistência da inflação e não sua redução. Além de não contribuir para reduzir a inflação, as altas taxas de juros representam transferência de renda de toda a sociedade para uma parcela relativamente pequena da população, os portadores de títulos da dívida pública, os chamados rentistas. Em apenas um ano, os rentistas (5 milhões de famílias) recebem do governo, via juros, o que os beneficiários do Bolsa Família (14 milhões de famílias) levam 14 anos para ganhar, segundo o economista André Lara Resende.

Como o governo tem controlado a inflação no Brasil? Para manter a inflação sob controle, o governo brasileiro promove desde 1994, com base no modelo econômico neoliberal, a abertura do mercado nacional aos produtos importados para forçar a baixa dos preços internos, bem como adota as chamadas “âncoras” cambial e monetária. A âncora cambial instituiu o regime de “bandas” cambiais com a taxa de câmbio variando entre determinados limites que, na prática, busca baratear o custo dos produtos importados para forçar a baixa dos preços internos. Por sua vez, a âncora monetária busca reduzir o volume de dinheiro em circulação com a venda de títulos públicos para evitar sua pressão sobre os preços. Complementarmente, o Banco Central do Brasil eleva a taxa de juros básica da economia (Selic) para aumentar o custo do dinheiro e o nível das reservas compulsórias dos bancos (recursos que eles são obrigados a “deixar guardado” no Banco Central) para reduzir o volume de dinheiro em circulação.   

A partir de 1999, foi adotado o regime de metas de inflação, em que as autoridades monetárias se comprometeram a cumprir metas estabelecidas para o ano corrente e o próximo. Uma das formas de buscar atingir as metas de inflação é por meio da taxa Selic. Ao elevar os juros, o governo aumenta o custo do dinheiro, faz cair a procura por produtos e serviços à venda e, consequentemente, busca promover a queda da inflação. Como os juros encarecem o crédito, as empresas precisam de mais dinheiro para quitar as dívidas e isso pode ocasionar um aumento no preço do produto final alimentando o processo inflacionário ao invés de reduzi-lo como pretende o Banco Central. Esta sistemática de controle da inflação pelo governo brasileiro tem sido extremamente ineficaz porque, além de não reduzir efetivamente a inflação porque atua sobre os sintomas e não sobre as verdadeiras causas do problema, tem sido danosa para a economia nacional ao levar o País à recessão, à queda dos investimentos, ao aumento do desemprego e à elevação da dívida pública.

Recentemente o presidente Lula e ministros de seu governo consideraram que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, traiu a confiança que o governo depositava nele para dialogar e participar de um esforço conjunto para que o Brasil supere os problemas econômicos que hoje enfrenta sem passar por uma recessão. O presidente do Banco Central não apenas manteve a taxa básica de juros (Selic) extremamente elevada em 13,75% ao ano pela quarta reunião consecutiva, sendo a primeira desde que Lula tomou posse, bem como disse que deve manter as taxas em patamares altos por mais tempo. Com essa mensagem, o Banco Central estaria dificultando a recuperação do crédito e a atividade econômica no País, e colocando o Brasil na rota da recessão. O presidente Lula e seu governo passaram a desconfiar da atuação de Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro para um mandato de quatro anos. Sua atitude não é surpreendente, porque Roberto Campos Neto, além de ser neoliberal e vinculado ao sistema financeiro a quem sempre prestou serviço, sempre foi alinhado com o bolsonarismo.

Trata-se de uma absurdo o que aconteceu nos últimos anos no Brasil quando a Lei Complementar 179/2021 estabeleceu a autonomia do Banco Central e que seu presidente e diretores terão mandatos fixos de quatro anos, não coincidentes com o do Presidente da República. Esta Lei estabelece que a estabilidade de preços continua sendo o objetivo fundamental do Banco Central que, sem prejuízo desse objetivo, também irá zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego. Entretanto, na prática, o Banco Central nem suaviza as flutuações do nível de atividade econômica e nem fomenta o pleno emprego com sua ênfase nas taxas de juros extremamente elevadas. Com esta Lei, o Congresso Nacional dificultou a possibilidade do governo federal adotar políticas econômicas, fiscais e monetárias, articuladas entre si como ocorre no momento atual na medida em que a política monetária imposta pelo Banco Central pode contribuir para inviabilizar o esforço do governo Lula na retomada do desenvolvimento nacional.   

É importante observar que, em março de 2021, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ultrapassou o teto da meta e não voltou mais. Para controlar a inflação, o Banco Central passou a aumentar a taxa básica de juros da economia, na tentativa de desestimular o consumo.

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Fonte: Análise Macro

Os fatos da vida demonstram que a adoção das políticas monetárias ineficazes em curso no combate à inflação precisam ser substituídas pela ação direta efetiva do governo sobre os fatores geradores da inflação com a adoção de medidas concretas para eliminar a inflação de demanda, a inflação de custos, a inflação monetária, a inflação inercial e a possibilidade de hiperinflação, Estas medidas estão apresentadas a seguir:

Como eliminar a inflação de demanda no Brasil?

A inflação de demanda acontece quando a produção interna no País é insuficiente para atender a demanda. Para evitar que isto aconteça, o governo brasileiro deveria planejar anualmente a economia nacional para atender a demanda prevista dos produtos agrícolas e industriais, de matérias- primas e insumos agrícolas e industriais e dos serviços de energia, transportes e comunicações e acompanhar sua evolução para avaliar os casos com possibilidade de desequilíbrios entre a oferta e a demanda. Identificado os casos de desequilíbrio entre a oferta e demanda nacional, o governo deveria agir para elevar a produção nacional ou importar os itens necessários. A prioridade da produção nacional é atender a demanda interna. Só quando houver excedentes da produção é que seriam exportados. O governo deve planejar com antecipação o nível de estoques reguladores de produtos agrícolas e industriais, de matérias- primas e insumos agrícolas e industriais e dos serviços de energia, transportes e comunicações para evitar sua falta e, consequentemente, evitar a inflação de demanda.   

Como eliminar a inflação de custos de produção no Brasil?

Esta inflação ocorre quando há aumento nos custos de produção (maquinário, matéria-prima, mão-de-obra, impostos, etc.) dos produtos agrícolas, industriais, do comércio e dos serviços. Este tipo de inflação pode ser gerado pelo aumento de qualquer um dos custos de produção como: salários, matérias-primas, insumos ou impostos. Com o aumento dos custos de produção, a reação dos produtores é aumentar o preço dos produtos e serviços que fica mais elevado para o consumidor final. Portanto, nesse cenário, a economia do País irá se deparar com uma inflação de custos. Para eliminar a inflação de custos de produção, o governo brasileiro deveria acompanhar a evolução dos preços dos salários, matérias-primas e insumos para adotar medidas que contribuam para evitar seu aumento sem o correspondente aumento da produtividade, bem como incentivar o aumento da produtividade na produção agrícola, industrial, do comércio e dos serviços. Além disso, o governo brasileiro deveria reduzir seus custos eliminando gastos desnecessários e realizar uma reforma tributária que faça com que os impostos onerem ao mínimo possível a atividade produtiva e a população.

Como eliminar a inflação monetária?

Esta inflação ocorre quando há emissão de moeda fora do controle por parte do governo. Esta situação já ocorreu em vários momentos da história do Brasil, sobretudo na segunda metade do século XX quando a emissão de moeda contribuiu para a hiperinflação das décadas de 1980 e 1990. Acredita-se que o aumento de dinheiro em circulação sem o aumento da produtividade ocasiona na perda do poder de compra, ou seja, no aumento da inflação. A inflação monetária é normalmente causa da inflação de demanda. Para evitar a inflação monetária, o governo tem que evitar a emissão descontrolada da moeda.

Como eliminar a inflação inercial?

A inflação inercial se refere à memória inflacionária. Ou seja, a inflação atual resulta do índice passado somado à expectativa de inflação futura. Esse tipo de inflação não guarda qualquer relação com aumento da demanda ou dos custos nesse economia. Portanto, em uma economia onde os preços são reajustados automaticamente de um período para outro, há a ocorrência de inflação inercial. O Brasil já enfrentou no passado problemas com a inflação inercial que alimentava o processo inflacionário e contribuiu para a hiperinflação que aconteceu nas décadas de 1980 e 1990. Para evitar a inflação inercial, é preciso evitar a indexação de preços.

Como evitar a hiperinflação?

A hiperinflação é um nível de inflação considerado muito acima do tolerável. Além da alta elevada dos preços, esse cenário tende a gerar uma forte desvalorização da moeda local e pode gerar recessão econômica. Quando uma economia atinge a hiperinflação considera-se que a inflação está fora de controle. O Brasil já enfrentou em vários momentos de sua história o problema da hiperinflação como o que antecedeu a criação do Plano Real de estabilização da economia brasileira na década de 1990. Para evitar a hiperinflação, é preciso evitar a inflação inercial.

Conclusões

Pelo exposto, o controle da inflação pelo governo brasileiro tem sido extremamente ineficaz porque, além de não controlar efetivamente a inflação porque atua sobre os sintomas e não sobre as verdadeiras causas do problema, tem sido danoso para a economia nacional ao levar o País à recessão, à queda dos investimentos, ao aumento do desemprego e à elevação da dívida pública. O governo Lula deveria combater a inflação de demanda de bens e serviços planejando a economia em conjunto com o setor produtivo para que a produção nacional atenda a demanda interna de bens e serviços. O governo Lula deveria combater a inflação de custos de produção acompanhando a evolução dos preços dos salários, matérias-primas e insumos para adotar medidas que contribuam para evitar seu aumento sem o correspondente aumento da produtividade, incentivar o aumento da produtividade na produção agrícola, industrial, do comércio e dos serviços e promover redução de custos nos sistemas de energia elétrica e de produção de petróleo e no transporte de carga com sua planificação orientada para os modais hidroviário e ferroviário.

Portanto, ficou demonstrado que a estratégia atual do governo brasileiro de combate à inflação no Brasil é ineficaz por não controlar efetivamente a inflação. Isto significa dizer que o modelo econômico neoliberal que preside as ações do governo brasileiro na economia desde 1990 precisa ser abandonado imediatamente e substituído pelo modelo nacional desenvolvimentista de base Keynesiana que faria com que o governo passasse a exercer um papel ativo no planejamento da economia nacional que, com mecanismos de “feedback” e controle, combateria com sucesso a inflação de demanda e de custos, evitaria a hiperinflação e promoveria o desenvolvimento nacional. Mas, para que isto possa ocorrer, é preciso acabar com a autonomia do Banco Central e substituir seu presidente por outro que esteja sintonizado com o governo Lula.

* Fernando Alcoforado, 83, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) e de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022).

COMMENT LE GOUVERNEMENT LULA PEUT RENDRE LE SECTEUR AGRICOLE DU BRÉSIL DURABLE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à montrer comment le gouvernement Lula peut rendre le secteur agricole durable au Brésil. L’agriculture est, au Brésil, l’un des principaux secteurs économiques du pays depuis la période coloniale avec des monocultures extensives jusqu’à atteindre la diversification de sa production au 21ème siècle. Au XXe siècle, dans les années 1960 et 1970, le Brésil a connu des processus d’industrialisation et d’urbanisation avec une forte croissance économique, qui n’a cependant pas trouvé de correspondance dans le secteur agricole du pays, caractérisé à l’époque par une faible productivité. Une part considérable de l’approvisionnement alimentaire intérieur provenait des importations. L’exode rural s’est intensifié en raison de l’immense pauvreté rurale nationale. Au cours des 60 dernières années, le Brésil est passé du statut d’importateur de produits alimentaires à celui de fournisseur majeur de produits alimentaires pour le monde. Des augmentations significatives de la production et de la productivité agricoles ont été obtenues grâce à la révolution verte mise en œuvre dans le pays [1].

La révolution verte et ses impacts économiques et environnementaux au Brésil

Le Brésil est devenu l’un des principaux acteurs de l’agro-industrie mondiale. Aujourd’hui, plus est produit dans chaque hectare de terre au Brésil, ce qui est un aspect très important pour la préservation des ressources naturelles. La figure 1 montre les zones de production agricole au Brésil.

Figure 1- Zones de production agricole au Brésil

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Source : https://pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_no_Brasil

La révolution verte a augmenté la productivité au Brésil, mais a apporté de nombreux problèmes pour l’environnement. Avec la déforestation pour la culture, est venue l’apparition de ravageurs et l’utilisation de pesticides, de fongicides, entre autres produits. De cette façon, il y avait une contamination dans tout l’écosystème (sol, rivières, animaux, légumes). De plus, la Révolution verte a « chassé » les petits producteurs de leurs cultures, contribuant à la concentration excessive de la propriété foncière, à l’augmentation de l’exode rural vers les villes et, par conséquent, à l’augmentation de la population dans les périphéries des grandes villes [1]. La révolution verte au Brésil a eu lieu pendant la dictature militaire entre les années 1960 et 1970 lorsqu’elle a amené le pays à développer sa propre technologie agricole dans les universités, les centres de recherche, les agences gouvernementales et les institutions privées. La Révolution verte a été un phénomène marqué par l’utilisation à grande échelle de la technologie dans les zones rurales. Ses principales caractéristiques étaient liées à l’utilisation de machines, d’équipements, de pesticides agricoles et d’autres mécanismes qui ont entraîné une augmentation de la production et de la productivité agricoles. L’utilisation aveugle de pesticides a conduit à la contamination de l’eau et du sol et a eu des effets drastiques sur les espèces non ciblées, affectant la biodiversité, les réseaux trophiques et les écosystèmes aquatiques et terrestres [2].

Grâce aux efforts entrepris par le gouvernement, par les institutions scientifiques et technologiques (S&T), par les agents publics et privés du secteur et surtout par les producteurs ruraux, des gains de productivité accentués dans le secteur agricole ont pu être observés, principalement à partir des années 1990 comme le montre la figure 2 [3].

Figure 2- Indice de productivité des facteurs de production dans l’agriculture brésilienne

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Source : https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2018/07/29/trajetoria-da-agricultura-brasileira-evolucao-recente/

Afin de garantir la sécurité alimentaire de la population (de plus en plus urbaine) et de réduire les prix des denrées alimentaires, le gouvernement brésilien a mis en place depuis 1960 des politiques visant à accroître la production et la productivité agricoles, notamment des investissements publics dans la recherche et le développement (R&D), la vulgarisation rurale et le crédit rural subventionné. Les producteurs ruraux avaient un rôle prépondérant pour que le secteur agricole brésilien connaisse un développement rapide, et les différentes formes d’organisation des producteurs et des chaînes de production étaient également importantes [3]. En 2021, l’agro-industrie dans son ensemble représentait 26,6 % du PIB [4] et était responsable de 45,9 % de la valeur des exportations [5], générant une balance commerciale de 71 milliards de dollars au premier semestre 2022 [5 ]. L’agro-industrie était responsable de 19 millions de personnes employées, ce qui représentait près de la moitié des travailleurs du secteur primaire de l’économie. L’agro-industrie et les services employaient respectivement 4,12 millions et 5,67 millions de personnes, tandis que 227,9 mille personnes étaient employées dans le segment des intrants de l’agro-industrie [6].

Avec la révolution verte au Brésil, il y a eu une exploitation excessive de la base de ressources naturelles du pays, des niveaux croissants de dégradation et d’épuisement des sols, la pollution de l’eau, l’empoisonnement et la contamination des agriculteurs par les pesticides, en plus de la perte de biodiversité [1]. Le Brésil occupe la 81e place de l’indice de performance environnementale dans le monde. Il s’agit du classement réalisé par les universités Columbia et Yale aux États-Unis qui montre comment les pays améliorent la santé de l’environnement, progressent dans la protection des écosystèmes et atténuent le changement climatique. Le Brésil est le quatrième pire au monde en matière de recyclage et le neuvième en émissions de gaz à effet de serre [11]. Pour que l’agriculture brésilienne devienne durable, il est nécessaire d’augmenter sa productivité sans causer de dommages à l’écosystème.

La révolution verte n’est plus considérée comme la solution pour résoudre le problème de la sécurité alimentaire dans le monde. L’agriculture s’est modernisée au Brésil, mais il y a des millions d’hectares de sols et de pâturages dégradés, il y a une grande inefficacité dans l’utilisation de l’eau pour l’irrigation, l’utilisation inadéquate de produits agrochimiques pose des risques pour la santé et l’environnement et il y a encore une grande quantité de terres entre les mains d’une petite partie des propriétaires fonciers ruraux, entre autres problèmes. S’il était diffusé à toutes les zones actuellement déboisées, en plus d’aggraver les problèmes sociaux dans les campagnes, avec l’exclusion des petits producteurs et une augmentation de l’exode rural et de la pauvreté, il entraînerait une dégradation progressive de la base de ressources naturelles (sol , eau et biodiversité), la perte de services écosystémiques et l’aggravation du changement climatique, entraînant une réduction à long terme de la production et une augmentation de la faim [1]. L’utilisation de pesticides au Brésil est considérée comme l’un des principaux facteurs responsables de la dégradation de l’environnement due à la contamination des ressources naturelles [12]. Selon l’IBGE, la contamination des cours d’eau par les produits agrochimiques dans le pays vient juste après la pollution des eaux usées.

Comment rendre le secteur agricole au Brésil durable

Protéger les espaces naturels des propriétés rurales sur la seule base des lois du code forestier ne suffit pas si la qualité environnementale des espaces cultivés environnants est compromise par l’utilisation de technologies inadaptées. De plus, la conservation des ressources en eau, par exemple, dépend de l’état environnemental des sols dans les bassins hydrographiques. Ainsi, même si les zones de végétation naturelle protégées conformément à la législation sont maintenues, si la majeure partie des sols du bassin est dégradée et contaminée en raison d’une gestion inadéquate des zones cultivées, le débit et la qualité environnementale des masses d’eau seront affectés. Afin de contrôler les impacts environnementaux résultant de l’agro-industrie, il est nécessaire d’adopter des pratiques de gestion durable, en investissant dans des méthodes qui impliquent la diversification et la rotation des cultures, ainsi que l’utilisation d’intrants agricoles alternatifs et moins agressifs pour la lutte antiparasitaire. Si ces systèmes de production à faible impact environnemental sont bien exécutés, les techniques peuvent être diffusées dans les zones actuellement dégradées à faible production. Les systèmes de production à faible impact environnemental, bien que généralement moins productifs à court terme, par rapport aux systèmes basés sur une forte utilisation d’intrants chimiques, peuvent être suffisamment productifs pour répondre à l’augmentation de la demande alimentaire mondiale s’ils sont techniquement bien appliqués et disséminés dans les zones actuellement dégradées à faible production [12].

Contrairement aux grandes propriétés, où la monoculture est généralement concentrée, les entreprises familiales produisent une plus grande diversité de cultures, ce qui génère un impact positif sur la qualité des produits [7]. Pour être qualifiée d’agriculture familiale, la production doit utiliser la main-d’œuvre de sa propre famille dans des activités économiques et la propriété ne peut être supérieure à quatre modules fiscaux, qui varient de 5 à 110 hectares selon les régions du pays. La direction de l’entreprise agricole doit être assurée par les membres de la famille. De plus, une part minimale du revenu familial doit être générée par la propriété rurale. L’agriculture familiale a été reconnue comme profession au Brésil après l’approbation de la loi nº 11.326/2006. La législation a défini ces limites pour l’exploration d’activités rurales réalisées sur de petites propriétés afin de permettre l’accès à des programmes gouvernementaux pour encourager cette pratique agricole, tels que des marges de crédit, une assistance technique et un programme d’acquisition de nourriture. De nombreux agriculteurs familiaux se consacrent également à l’extraction des plantes, récoltant des produits indigènes pour les commercialiser au niveau régional et élargir leur source de revenus. Contrairement à la révolution verte caractéristique des grandes propriétés, la gestion des sols est généralement biologique, dans le respect de l’écosystème, réduisant l’impact sur l’environnement. En effet, les pratiques plus traditionnelles valorisent les mesures naturelles de fertilisation et de lutte contre les ravageurs [7].

Au Brésil, le recensement agricole de l’IBGE indique que l’agriculture familiale est la base économique de 90 % des municipalités brésiliennes comptant jusqu’à 20 000 habitants, avec une production diversifiée de céréales, de protéines animales et végétales, de fruits, de légumes et de légumineuses. En termes de superficie, l’agriculture familiale couvre 80,9 millions d’hectares, ce qui équivaut à 23% de la superficie totale des propriétés agricoles au Brésil. Les exploitations familiales sont importantes à la fois pour approvisionner le marché intérieur et pour contrôler l’inflation alimentaire au Brésil, produisant environ 70 % des haricots, 34 % du riz, 87 % du manioc, 60 % de la production laitière et 59 % du cheptel porcin, 50 % de volailles et 30 % de bovins [7]. L’agriculture familiale représente près de 80 % des propriétés agricoles au Brésil et 67 % de tous les travailleurs employés dans l’agriculture (10 millions de personnes) [7]. Il produit 84% de manioc, 67% de haricots, 58% de porcs, 54% de bovins laitiers, 49% de maïs, 46% de blé, 40% de volaille et d’œufs et 31% de riz qui arrivent sur les tables brésiliennes. [8]. Environ 60 % des communes du pays sont essentiellement rurales [9]. Si l’on considère les aliments consommés dans le pays, 70% proviennent de l’agriculture familiale, selon les données de l’Institut brésilien de géographie et de statistique (IBGE). Ce sont de petits agriculteurs qui plantent pour approvisionner la famille et vendent ce qui reste de la récolte comme le manioc, les haricots, le riz, le maïs, le lait, les pommes de terre [14].

Pour ces raisons, il est fondamental de repenser le modèle de développement technologique qui a été adopté pour l’agriculture au Brésil. La durabilité environnementale de l’agriculture brésilienne doit être développée sur une base écologique, qui ne considère pas seulement la productivité et le rendement économique immédiat, mais qui a une vision systémique et intégrée de la production agricole dans son environnement, visant son optimisation et sa continuité à long terme. [13]. Les technologies respectueuses de l’environnement doivent être développées localement, adaptées aux conditions écologiques de chaque lieu et ne peuvent être imposées au producteur sous la forme de gros paquets technologiques. Il est important que le producteur soit un agent actif dans le processus de génération et d’adaptation de la technologie avec le technicien agricole, intégrant la recherche et l’assistance technique dans un modèle participatif de développement technologique. Cela demande cependant un gros effort pour faire évoluer la formation des professionnels travaillant dans la zone, chercheurs et agents de vulgarisation. Les investissements dans l’éducation sont à la base de tout changement technologique. Le Brésil, qui a investi dans la formation d’agronomes et de techniciens agricoles pour agir dans le sens de la révolution verte, doit aujourd’hui assurer la croissance durable de son agriculture, en investissant massivement dans la formation d’agents capables de développer une agriculture durable, comme C’est le cas de l’agriculture familiale [13].

Une autre stratégie fondamentale consiste à intégrer plus fortement l’Embrapa dans cet effort d’adoption d’une agriculture durable au Brésil [13]. De plus, il est nécessaire d’offrir des crédits bonifiés, de stimuler l’agro-industrie de transformation et de rémunérer les services environnementaux (PSA). Il est également nécessaire d’adapter les actions à la réalité socio-économique et environnementale spécifique de chaque région et de combiner les actions fédérales avec celles des États et des municipalités pour que les efforts soient efficaces. L’agriculture durable à adopter au Brésil devrait tenir compte de l’existence de systèmes de production intégrés avec des pratiques qui, au fil du temps, garantissent la qualité de l’environnement, préservent les ressources naturelles, favorisent l’utilisation efficace des ressources et améliorent la qualité de vie des producteurs et de la société, avec une économie viabilité des processus agricoles. L’agriculture durable nécessite la rotation des cultures, l’utilisation d’engrais naturels et d’insecticides biologiques afin que ces pratiques contribuent à un sol plus sain et capable de répondre aux besoins de production sans compromettre les générations futures. L’agriculture durable signifie contrôler les ravageurs en utilisant plus de pesticides naturels et moins de produits chimiques qui contaminent le sol, l’air et l’eau, réutiliser les matériaux, créer des systèmes qui utilisent l’eau de pluie pour l’irrigation ou même utiliser des conteneurs maritimes comme entrepôt de produits [13] .

Le secteur agricole brésilien est confronté à un énorme problème représenté par la concentration excessive de la propriété foncière entre les mains de quelques-uns. La figure 3 montre la concentration de la propriété foncière au Brésil. 1,2% des propriétaires fonciers possèdent 45% des terres utilisées dans les activités agricoles au Brésil. La durabilité dans le secteur agricole ne peut être atteinte avec la concentration excessive des terres existant dans le pays, qui a résulté de la colonisation portugaise du Brésil à partir de 1500, qui a conduit à la donation de sesmarias (plantation) aux détenteurs du pouvoir dont les latifundia actuels étaient nés. Actuellement, cette concentration des terres a progressé avec l’accaparement des terres en raison de l’appropriation illégale des terres de l’État par le biais de titres de propriété falsifiés et du manque de soutien du gouvernement aux petits propriétaires terriens qui sont souvent contraints de vendre leurs terres aux propriétaires terriens.

Figure 3- Concentration de la propriété foncière au Brésil

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Source : https://slideplayer.com.br/slide/338664/

Conclusion

La durabilité du secteur agricole ne sera pas atteinte uniquement en surmontant les problèmes environnementaux, de production et de productivité avec l’abandon du modèle basé sur la révolution verte et l’adoption d’un nouveau modèle à développer sur des bases écologiques qui a une vision systémique et agricole intégrée production dans son environnement, visant son optimisation et sa pérennité, mais aussi, avec la réduction effective de la concentration excessive de la propriété foncière entre les mains de quelques-uns, par une réforme agraire la plus démocratique possible.

RÉFÉRENCES

1. ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo.  Curitiba: Editora CRV, 2016.

2. MINHAS LIÇÕES. Revolução Verde no Brasil e no mundo. Disponible sur le siteWeb <https://minhaslicoes.com.br/a-revolucao-verde-no-brasil-e-no-mundo/>.

3. BLOG CIDADANIA & CULTURA. Trajetória da Agricultura Brasileira: Evolução Recente. Disponible sur le siteWeb <https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2018/07/29/trajetoria-da-agricultura-brasileira-evolucao-recente/>.

4. EXAME. Agro gera 27% do PIB e é setor seguro e promissor. Disponible sur le siteWeb <https://exame.com/agro/agro-gera-27-das-riquezas-do-brasil-e-e-setor-seguro-e-promissor-para-quem-quer-investir-veja-oportunidades/>.

5.  KRETER, Ana Cecília, SERVO, Fabio e SOUZA JR, José Ronaldo. Comércio exterior do agronegócio. Disponible sur le siteWeb <https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/tag/comercio-exterior-do-agronegocio/>.

6. SENAR. Agronegócio emprega cerca de 19 milhões de pessoas no Brasil. Disponible sur le siteWeb <https://cnabrasil.org.br/noticias/agroneg%C3%B3cio-emprega-cerca-de-19-milh%C3%B5es-de-pessoas-no-brasil>.

7. CANAL AGRO. O que é agricultura familiar e qual é a sua importância? Disponible sur le siteWeb <https://summitagro.estadao.com.br/noticias-do-campo/o-que-e-agricultura-familiar-e-qual-e-a-sua-importancia/>.

8. CALDAS, Clara. A questão da terra no Brasil. Disponible sur le siteWeb <https://slideplayer.com.br/slide/338664/>.

9. NOTÍCIAS. Cerca de 80% dos municípios do País são essencialmente rurais, abrangendo 50 milhões de pessoas. Disponible sur le siteWeb <https://www.cnm.org.br/comunicacao/noticias/cerca-de-60-dos-municipios-sao-rurais-diz-ibge#:~:text=Cerca%20de%2060%2C4%25%20dos,Geografia%20e%20Estat%C3%ADstica%20(IBGE)>.

10. EMBRAPA. Trajetória da agricultura brasileira. Disponible sur le siteWeb <https://www.embrapa.br/visao/trajetoria-da-agricultura-brasileira>.

11. G1.GLOBO.COM. Brasil fica em 81° lugar no Índice de Desempenho Ambiental. Disponible sur le siteWeb <https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/06/01/brasil-fica-em-81-lugar-no-indice-de-desempenho-ambiental.ghtml>.

12. GOMES, Cecília Siman. Impactos da expansão do agronegócio brasileiro na conservação dos recursos naturais. Disponible sur le siteWeb <https://www.researchgate.net/publication/340085297_IMPACTOS_DA_EXPANSAO_DO_AGRONEGOCIO_BRASILEIRO_NA_CONSERVACAO_DOS_RECURSOS_NATURAIS>.

13. SAMBUICHI, Regina Helena Rosa, OLIVEIRA, Michel Ângelo Constantino de, SILVA, Ana Paula Moreira da, Luedemann, Gustavo. A sustentabilidade ambiental da agropecuária brasileira: impactos, políticas públicas e desafios. Disponible sur le siteWeb <https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1050/1/TD_1782.pdf>.

14. ASBRAER. Quem produz os alimentos que chegam à mesa do brasileiro? Disponible sur le siteWeb <http://www.asbraer.org.br/index.php/rede-de-noticias/item/3510-quem-produz-os-alimentos-que-chegam-a-mesa-do-brasileiro#:~:text=Quando%20se%20consideram%20alimentos%20consumidos,%2C%20milho%2C%20leite%2C%20batata>.

* Fernando Alcoforado, 83, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, de la SBPC – Société Brésilienne pour le Progrès des Sciences et l’IPB – Institut Polytechnique de Bahia, ingénieur (Ingénierie, Économie et Administration) et docteur en Planification du Territoire et Développement Régional de l’Université de Barcelone, professeur d’université (Ingénierie, Économie et Administration) et consultant dans les domaines de la planification stratégique, de la planification d’entreprise, planification du territoire et urbanisme, systèmes énergétiques, a été Conseiller du Vice-Président Ingénierie et Technologie chez LIGHT S.A. Entreprise de distribution d’énergie électrique de Rio de Janeiro, coordinatrice de la planification stratégique du CEPED – Centre de recherche et de développement de Bahia, sous-secrétaire à l’énergie de l’État de Bahia, secrétaire à la planification de Salvador, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022) et est l’auteur d’un chapitre du livre Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Floride, États-Unis, 2022).