O MUNDO DEPOIS DO CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

A propagação do Coronavirus pelo mundo vai contribuir para que ocorram mudanças significativas no futuro próximo e a longo prazo nos sistemas de saúde, nas cidades, no mundo do trabalho, no sistema de educação, no transporte público, nas relações sociais, no turismo, na sociedade, no processo de globalização e na ação dos governos em todo o mundo. O mundo não será mais o mesmo. Precisamos nos preparar para o futuro que virá. As 11 principais mudanças que impactarão o presente e o futuro estão descritas a seguir:

1.Mudanças nos sistemas de saúde

A pandemia do Coronavirus deixou evidenciada a fragilidade da infraestrutura de saúde com a insuficiência na capacidade hospitalar e de postos de saúde e de recursos humanos especializados em vários países do mundo. Além disso, ficou evidenciada, também, a incapacidade das instituições de pesquisa médica em preverem o surgimento de vírus novos como o Coronavirus visando a preparação dos sistemas de saúde com novos medicamentos e vacinas voltados para este fim. Vacinas movimentam fortunas. Sua descoberta, porém, não é imediata. No hiato de tempo entre a expansão do contágio por um novo vírus e sua profilaxia completa as consequências podem ser devastadoras. Para piorar, não há garantia de que surjam drogas capazes de imunizar a humanidade de todas as doenças causadas por vírus. Tal incerteza pode se converter rapidamente em pânico. É o que vem ocorrendo com o recente surto do novo Coronavírus (2019-nCoV ou Covid-19). Para mudar esta realidade e a humanidade não ser surpreendida com novos vírus, como foi agora pelo Coronavirus, é preciso implantar infraestruturas de saúde com capacidade suficiente em todos os países com hospitais e postos de saúde, bem como investir maciçamente em pesquisa e desenvolvimento visando a fabricação de medicamentos e vacinas capazes de combater os vírus atuais e futuros.

2. Mudanças nas cidades

A população mundial corresponde atualmente a 7,7 bilhões de habitantes e a que vive nas cidades totaliza hoje 4 bilhões de habitantes com a grande maioria delas vivendo em péssimas condições sociais caracterizadas pelo elevado desemprego, existência de favelas populosas, cortiços e moradores de rua, ausência de adequado saneamento básico, precário serviço de coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos, péssimos serviços de transporte público, incontrolável poluição das águas, do solo e do ar, o despreparo da infraestrutura urbana para enfrentar enchentes e a insuficiência da infraestrutura de saúde. A grande maioria das cidades do mundo é o espaço propício à propagação em larga escala de vírus, como o Coronavirus, devido à concentração populacional e às péssimas condições sanitárias da maioria de sua população.  Para mudar radicalmente esta realidade, terá que ser adotado, em todo o mundo, a política de renda básica universal para os desempregados e pobres que residem em favelas e cortiços e moradores de rua, de reurbanização de favelas e/ou relocação de populações de áreas críticas e de investimento maciço em saneamento básico, na coleta, transporte e disposição final de resíduos sólidos, na infraestrutura de transporte público, na infraestrutura urbana para enfrentar enchentes e na infraestrutura de saúde.  Em outras palavras, é preciso que haja uma revolução urbana em escala global para proteger as populações das cidades da atual e futuras pandemias.

3. Mudanças no mundo do trabalho

O mundo do trabalho já vinha sendo bastante impactado pelo avanço tecnológico, sobretudo pela inteligência artificial, com a robotização da atividade produtiva. Com a propagação do Coronavirus, há a tendência de muitos trabalhos que eram realizados presencialmente sejam realizados pelos trabalhadores em suas residências com o uso da internet e seus inúmeros aplicativos e as pessoas não se deslocarem para locais de compras de mercadorias passando a fazer pedidos de produtos e serviços através da internet e seus inúmeros aplicativos junto aos fornecedores que os entregarão em suas residências. A consequência disso tudo, será o uso de robôs em substituição aos trabalhadores na indústria, no comércio e nos serviços da qual resultará o crescimento exponencial do desemprego, a realização de trabalhos em suas próprias residências (home working) por alguns trabalhadores e a entrega de produtos e serviços em residências por parte de fornecedores (delivery). Tudo isto gerará como impacto a redução de veículos automotores individuais e na demanda de transporte público nas cidades, mas aumentará a circulação de motociclistas e drones para entrega de produtos e serviços nas cidades. Para atenuar o terrível impacto do desemprego tecnológico e o agravado pelo Coronavirus, é preciso que seja adotada pelos governos a política de economia social e solidária e de economia criativa e de distribuição de renda básica universal para toda a população.

4. Mudanças no sistema de educação

O anúncio da suspensão das aulas por conta da pandemia do Coronavírus (COVID-19) deixa toda a sociedade preocupada em relação ao futuro dos estudantes e, claro, em relação aos prejuízos de aprendizagem. Mais rápido do que imaginávamos, gestores públicos, organizações da sociedade civil e comunidade de profissionais em educação ofereceram a primeira resposta ao fechamento das escolas: educação a distância com o uso das tecnologias digitais. A velocidade em propor que a tecnologia nos ajude em cenários de fechamento de escolas tem a ver com a experiência de outros países onde a pandemia chegou primeiro, como China, Itália e Coreia do Sul.  O ensino presencial é muito importante, mas em situações de pandemia como a atual a educação a distância é absolutamente necessária. A educação é, sem dúvidas, uma das experiências humanas mais sociais. Fechar escolas e desenhar plano de atividades para crianças e professores a distância é, portanto, algo completamente diferente de planejar atividades escolares presenciais. Umas das principais preocupações em torno de aulas online tem a ver com equidade e qualidade do ensino. O ensino a distância pode ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais no ensino fundamental, médio, na educação profissional, de jovens e adultos e especial e no ensino superior. Essas atividades não presenciais podem ser organizadas oficialmente e validadas como conteúdo acadêmico aplicado. Para adotar essa modalidade, as redes de ensino precisam adequar metodologia de ensino aos recursos tecnológicos necessários. Os estudantes devem receber o aprendizado adequado e correto. As escolas devem zelar pelo acompanhamento, avaliações e a participação correta dos alunos. Muitas escolas terão muito mais condições de suportar experiências digitais do que outras. Tecnologia não funciona da mesma forma para todas as faixas etárias. Não faz sentido aulas online para alunos de educação infantil que deve ser realizada por suas famílias com orientação das  atividades online pela escola. Deve-se utilizar tecnologia digital de acordo com cada segmento para fortalecer o trabalho pedagógico de acordo com as necessidades de desenvolvimento de cada idade. Muito provavelmente, a crise do Coronavirus fará com que a educação a distância se expanda como alternativa à educação presencial tradicional.

5. Mudanças no transporte público

O transporte público é uma forma de locomoção existente em cidades de médio e grande porte. Na maioria das cidades, o principal tipo de veículo utilizado é o ônibus, mas existem também os metrôs, os trens e, em algumas cidades, balsas, barcos, lanchas, entre outros. Se bem utilizado, o transporte coletivo pode ser a principal solução para problemas de mobilidade urbana, como os congestionamentos. Recentemente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que a questão do transporte coletivo é também uma questão de saúde pública, uma vez que um sistema de transporte eficiente diminuiria o número de carros nas cidades, diminuindo também os índices de poluição, acidentes, inatividade física, entre outros. Na grande maioria dos países do mundo, são precárias as condições do transporte público. A propagação do Coronavirus colocou em evidência a necessidade de as pessoas serem transportada sentadas pelo transporte público, fato este que torna uma exigência o aumento da capacidade do sistema de transporte. É necessário, portanto, que haja política de investimentos em transporte público para aumentar sua capacidade, modernizá-lo e garantir o seu acesso à população, pluralizando os meios de transporte para além do ônibus, com a instalação de veículos como trens, metrôs e ciclovias. Além do aumento da capacidade do sistema de transporte público para impedir a propagação de novos vírus no futuro viabilizando o distanciamento social com os passageiros sentados, outra exigência é a higienização dos veículos do transporte público para salvaguardar a saúde da população.

6. Mudanças na produção de alimentos

Coronavírus ameaça provocar crise alimentar mundial, segundo a ONU. Em uma declaração conjunta, os líderes de três organizações multilaterais de alimentação, comércio e saúde – FAO, OMC e OMS – alertaram para o risco de uma crise alimentar causada pela nova pandemia de Coronavírus. Existe o risco de “escassez de alimentos” no mercado mundial, devido a perturbações derivadas da COVID-19 no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos. Ao proteger a saúde e o bem-estar dos cidadãos, os países devem garantir que todas as medidas comerciais não perturbem a cadeia de suprimento de alimentos, acrescentaram os responsáveis da FAO, OMS e OMC. As incertezas geradas sobre a disponibilidade de alimentos podem desencadear uma onda de restrições à exportação, o que, por sua vez, causaria sua escassez no mercado mundial. Alguns países exportadores de grãos podem reter suas colheitas por medo de escassez, enquanto no outro extremo da cadeia alimentar globalizada outros países mais frágeis correm o risco de padecer graves penúrias. Para as três organizações multilaterais, é importante garantir o comércio, principalmente para evitar a escassez de alimentos, especialmente nos países mais pobres. As três organizações também destacam a necessidade de proteção dos trabalhadores no campo, a fim de minimizar a propagação do vírus no setor e manter as cadeias de suprimento de alimentos.

7. Mudanças nas relações sociais

A atual epidemia do Coronavírus pode estar não só tornando o aperto de mãos obsoleto, como fazendo nascer novos códigos e cumprimentos, alterando a maneira com que diretamente nos relacionamos. No lugar do apertar das mãos, entram em cena saudações tocando os pés, os cotovelos, ou mesmo somente com acenos ou gestos ao longe sem que as mãos se encostem. Com o avanço da epidemia, além da recomendação de se lavar as mãos por 20 segundos, alguns hábitos costumeiros e calorosos passam a ter de ser evitados. As mãos, afinal, podem carregar restos de tudo que tocamos entre uma e outra lavagem, inclusive o vírus. Evitar encostar uma mão em outra passou a ser recomendação da Organização Mundial de Saúde, mas nem por isso devemos perder as boas maneiras e as demonstrações de afeto e felicidade ao encontrar alguém. Pois uma turbulência de tal forma global e ameaçadora como o Coronavírus pode deixar marcas culturais profundas, e até alterar nossas noções de etiqueta no futuro. Se as relações individuais estão sendo impedidas para combater o Coronavirus, maior é a exigência de que não ocorra multidões em eventos esportivos, de música e cinema, entre outros. Muito provavelmente, haverá no futuro a política de redução da capacidade de público em eventos, além da higienização dos locais de eventos para não propagar vírus atuais e futuros.

8. Mudanças no turismo

A indústria do turismo promove um constante fluxo de pessoas pelo globo (e até fora dele, com as viagens espaciais capitaneadas por Virgin Galactic, de Richard Branson, e SpaceX, de Elon Musk). Dentro ou fora da órbita terrestre, o turismo gera oportunidades de negócio tanto para grandes conglomerados (companhias aéreas, redes hoteleiras, empresas de cruzeiros) quanto para pequenos empreendimentos, sejam agências de viagem locais, pousadas, restaurantes ou guias turísticos que atuam em suas comunidades. O setor de turismo respondeu, em 2018, por 10,4% de toda a atividade econômica do planeta, gerando 319 milhões de novos empregos (um em cada cinco dos que foram criados desde 2014). O valor total movimentado por essa indústria é calculado em US$ 8,8 trilhões ao ano — quase o dobro do PIB japonês, que é o quarto do mundo (US$ 4,9 trilhões em 2018). Se fosse um país, o turismo só ficaria atrás dos Estados Unidos (US$ 20,6 trilhões) e da China (US$ 11,5 trilhões). Coronavírus pode causar prejuízo de US$ 1 trilhão ao turismo global. A crise atual é considerada a pior de todos os tempos para o turismo. Pânico com o Coronavírus deixa Cidades desertas, esvazia hotéis, obriga empresas aéreas a cancelarem rotas e impede que navios de cruzeiro desembarquem passageiros.  Hotéis vazios, cruzeiros em quarentena. A preocupação do setor hoteleiro é grande ganhando proporções ainda maiores para os operadores de cruzeiros. O drama dos passageiros e tripulantes a bordo do navio Diamond Princess, que ficaram impedidos de desembarcar no porto de Yokohama, no Japão, acendeu o primeiro alerta sobre o destino de quem está atualmente em viagem no mar. O futuro do setor turístico global depende do sucesso na luta contra o Coronavirus e do soerguimento da economia global.

9. Mudanças na sociedade

A desigualdade econômica e social é um problema social presente em todos os países do mundo. Ela decorre, principalmente, da má distribuição de renda e da falta de investimento na área social, como educação e saúde. Má distribuição de renda e concentração do poder, má administração de recursos principalmente públicos, lógica de mercado do sistema capitalista (quanto mais lucro para as empresas e os donos de empresa, melhor), falta de investimento nas áreas sociais, em cultura, em assistência a populações mais carentes, em saúde e educação são as principais causas da desigualdade econômica e social.  Coronavirus tende a aumentar as desigualdades econômicas e sociais em todo o mundo agravando as condições sociais da grande maioria da população.  A fome pode grassar em inúmeros países que não adotem políticas de apoio às populações vulneráveis que pode levá-las a praticar saques e outros atentados na luta pela sua sobrevivência. Para evitar este cenário, os governos precisam adotar as políticas de economia social e solidária e de economia criativa para combater o desemprego e de renda básica universal para atender as necessidades das populações pobres visando reduzir as desigualdades sociais e atenuar a piora das condições sociais da população. Onde for possível, deve ser implantada a social democracia nos moldes escandinavos para combater as desigualdades econômicas e sociais e exercer a democracia no seu mais alto grau.

10. Mudanças no processo de globalização

Nas últimas três décadas, a globalização econômica e financeira foi um retumbante sucesso porque o PIB global passou de 22 trilhões para cerca de 90 trilhões de dólares. É fato também que as perdas sociais provocadas por um mundo mais globalizado foram imensas. O desemprego afeta milhões de trabalhadores em todo o mundo. A globalização já estava sob ataque de populistas, terroristas, guerreiros comerciais e ativistas climáticos. Agora, chegou o Coronavírus. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento prevê redução de 5% a 15% nos investimentos estrangeiros diretos no mundo em 2020 devido ao Coronavirus. A OCDE projeta que o impacto mundial do Coronavírus deve gerar prejuízo de 0,5 a 1,5 ponto percentual do PIB global. Trata-se de um valor de 500 bilhões a 1,4 trilhão de dólares em geração de riqueza que simplesmente deixará de existir. Coronavirus não tem passaporte, ignora fronteiras, mas também alimenta o protecionismo e o nacionalismo. O primeiro impacto do novo Coronavírus na economia global foi a paralisação das indústrias chinesas. De carros a iPhones, as cadeias de produção mais variadas espalhadas pelo planeta passaram a sofrer um choque inesperado, provocado pelo organismo microscópico que escapou do mercado de animais na cidade chinesa de Wuhan. A visão do novo vírus como um “invasor estrangeiro” ou um “perigo chinês” serve de alimento a ideologias nacionalistas e até ao racismo puro e simples. A pandemia também revelou o risco da confiança nas cadeias globais de produção e fez ressurgir o protecionismo. À medida que o vírus se espalha para a Europa e pelo mundo, torna a China um pouco mais frágil e a dependência mundial dela como ‘a fábrica do mundo’ mais duvidosa. A globalização da doença acontece com navios e aviões que a espalha muito rapidamente pelo planeta. Para se proteger, o impulso imediato dos países é recuar e erguer barreiras. Já vemos os números de voos caindo drasticamente. De certa forma, esse vírus ressalta o desequilíbrio na globalização. Mais do que fábricas voltando para seu país de origem, vemos empresas diversificando a cadeia de suprimentos para que não sejam mais tão dependentes de um ­país, como a China. Nesse sentido, o Coronavírus pode mudar o curso da história. Sua disseminação pode ser um momento decisivo nos debates sobre quanto o mundo poderia se integrar ou se separar. Mesmo antes da chegada do vírus à Europa, as mudanças climáticas, as preocupações com a segurança e as queixas sobre o comércio injusto haviam intensificado as ansiedades sobre viagens aéreas globais e cadeias de suprimentos industriais globalizadas, além de terem reforçado as dúvidas sobre a confiabilidade da China como parceira. Junto com o número de infectados e mortos, o impacto econômico é redimensionado a cada novo sinal de que esta crise é mais profunda do que se imaginava. Para atenuar o impacto negativo do Coronavirus sobre a globalização, é preciso que haja a celebração de um pacto internacional através da ONU e dos organismos globais visando reconstrução da economia mundial em novas bases porque a globalização que operava até o advento do Coronavirus chegou ao fim.

11. Mudanças na ação dos governos

Os governos têm que atuar com o objetivo de minimizar o número de mortos pelo Coronavirus adotando o isolamento social total da população, evitar o colapso do sistema de saúde, manter as atividades econômicas essenciais e adotar medidas em benefício dos desempregados e das populações pobres para não morrerem de fome e das pequenas e médias empresas para não sucumbirem à crise. Estas são medidas indispensáveis a serem adotadas durante o avanço do Coronavirus. No combate imediato ao Coronavirus, os governos devem abandonar o neoliberalismo como modelo econômico implantado desde 1990 e adotar o Keynesianismo como política econômica com investimentos públicos maciços para evitar a fome das populações pobres, salvar as empresas da debacle econômica e manter a operação do sistema econômico.

As medidas imediatas para evitar a fome das populações pobres durante a disseminação do Coronavirus consiste na adoção de um programa de renda básica ou renda mínima universal para a população. Dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal possibilitaria atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos. A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazer frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc. É importante observar que pobreza é a condição de quem é pobre, ou seja, daquele que não tem as condições básicas para garantir a sua sobrevivência com qualidade de vida e dignidade. Ao dispor de uma renda básica, a população pobre terá condições de suprir suas necessidades básicas. Para salvar as empresas da debacle econômica, os governos deveriam sustar o pagamento de impostos e conceder crédito com juros baixos a empresas com a condição de manter os empregos durante a propagação do Coronavirus.

Logo após esta etapa, o governo deve flexibilizar racionalmente o isolamento social da população por localidades de acordo com o estágio da epidemia em que se encontram e investir maciçamente em obras de infraestrutura em todo o território nacional para reerguer o sistema econômico para gerar emprego e renda para a população mantendo ainda o apoio aos desempregados e às populações pobres para não morrerem de fome e às pequenas e médias empresas para sobreviverem à crise. Superado o Coronavirus, viria a etapa de reconstrução ou soerguimento do sistema econômico nacional com a adoção das medidas seguintes:

  • Construção de uma grande quantidade de obras públicas, com destaque para a infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico);
  • Desenvolvimento da economia social e solidária para combater o desemprego;
  • Concessão da renda básica ou universal às populações de extrema pobreza.

Sobre a Economia Social e Solidária, é importante observar que é uma das soluções para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. A Economia Social e Solidária constitui uma nova forma de organização do trabalho e das atividades econômicas em geral emergindo como uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos, através da autogestão. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho.

A Economia Social e Solidária se coloca como uma alternativa possível para gerar emprego para os trabalhadores que estão em sua maioria excluídos do mercado de trabalho formal e do consumo. A Economia Social e Solidária surgiu em várias partes do mundo com práticas de relações econômicas e sociais que estão a propiciar a sobrevivência e a melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. Essas práticas são baseadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza em geral e de capital em particular. Pode-se afirmar que a adoção da Economia Social e Solidária é, sem sombra de dúvidas, a solução que permitiria fazer frente ao desemprego em massa que crescerá de forma vertiginosa no mundo. Por sua vez, a política de renda básica ou renda mínima universal para a população é uma das soluções para atenuar a pobreza.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

LINHAS BÁSICAS DA ESTRATÉGIA RACIONAL DE COMBATE AO CORONAVIRUS, DE MINIMIZAÇÃO DE SEUS EFEITOS SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA E DE SOERGUIMENTO DA ATIVIDADE ECONÔMICA

Fernando Alcoforado*

O governo tem que atuar com o objetivo de minimizar o número de mortos pelo Coronavirus adotando o isolamento social total da população, evitar o colapso do sistema de saúde, manter as atividades econômicas essenciais e adotar medidas em benefício dos desempregados e das populações pobres para não morrerem de fome e das pequenas e médias empresas para não sucumbirem à crise. Estas são medidas indispensáveis a serem adotadas durante o avanço do coronavirus.

Após esta etapa, o governo deve flexibilizar racionalmente o isolamento social da população por localidades de acordo com o estágio da epidemia em que se encontram e investir maciçamente em obras de infraestrutura em todo o território nacional para reerguer o sistema econômico para gerar emprego e renda para a população mantendo ainda o apoio aos desempregados e às populações pobres para não morrerem de fome e às pequenas e médias empresas para sobreviverem à crise.

Além de ameaçar acabar com o isolamento social total que pode levar à morte de mais de 500 mil brasileiros, o governo Bolsonaro não colabora efetivamente para evitar que os desempregados e as populações pobres morram de fome e as pequenas e médias empresas sobrevivam à crise. As medidas anunciadas pelo governo Bolsonaro para conter o impacto do coronavírus no Brasil estão muito abaixo do que foi anunciado em outros países. As iniciativas anunciadas até o momento pelo governo federal como a antecipação do 13º salário de pensionistas e aposentados do INSS, a redução temporária de impostos para empresas, a ampliação do programa Bolsa Família, novos recursos para o Ministério da Saúde e transferências para Estados e municípios somam cerca de 4% do PIB do Brasil. Foram destinados apenas R$ 40 bilhões para empresas pequenas e médias pagarem salários.

Já na Alemanha, os gastos do governo para enfrentar a crise do coronavírus atingiram 37% do PIB com o anúncio de mais um pacote de 800 bilhões de euros (cerca de R$ 4,4 trilhões). O pacote de US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões), 8,8% do PIB dos EUA para combater a crise do coronavírus inclui medidas para transferência de renda para famílias, aumento dos benefícios para desempregados e apoio às empresas. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos, os governos adotam medidas de economia de guerra contra o coronavirus injetando recursos da ordem de trilhões de euros e dólares, o incompetente governo Bolsonaro não investe maciçamente no enfrentamento do problema agravando ainda mais a situação dos desempregados, da população pobre e das pequenas e médias empresas.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

WHY BOLSONARO ACT IRRESPONSIBLY AND CRIMINAL IN THE FIGHT AGAINST CORONAVIRUS IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

In order to have governability in Brazil, the Bolsonaro government needs to count on the support of the economically dominant classes (bourgeoisie) and meet the demands of the various subordinate social classes (petty bourgeoisie, urban and rural proletariat and lump-proletariat) in order to obtain the support of Civil Society, as well as it must have a broad political base of support in Parliament to obtain the approval of its legislative projects. This, therefore, is the tripod of governability in Brazil: 1) support from economically dominant social classes; 2) support from the majority of the population, and 3) support from the majority of Parliament. In short, governance is about the government’s ability to carry out public policies with the support of the ruling classes, the population and Parliament.

In Brazil, the bourgeoisie, which is classified as the ruling class and the State, through their state-owned companies, own the means of production. The social classes that do not have the means of production concern the petty bourgeoisie, the urban and rural proletariat and the lumpemproletariat, which are classified as subordinate classes. The petty bourgeoisie concerns the middle class or urban middle classes who have the same values ​​and aspirations as the bourgeoisie. The proletariat is one that has no livelihood except its labor force, which it sells for wages to survive. The lumpemproletariat, in turn, is the part of the population socially located below the proletariat formed by miserable fractions.

The bourgeoisie is constituted in Brazil by two groups: 1) great entrepreneurs of the productive sector and entrepreneurs linked to the financial sector, etc. having a contingent of 9 thousand members; and, 2) small and medium-sized entrepreneurs whose number is 5.7 million people. The petty bourgeoisie is comprised of the upper middle class (executives of national private companies, executives of multinational companies, senior government bureaucrats and executives of state-owned companies), traditional middle class (civil servants and self-employed professionals) and intellectuals (lawyers in large offices, university professors, academics, journalists, artists, filmmakers, etc.) whose number is 108 million inhabitants. The urban and rural proletariat are workers in industry, agriculture, commerce and services that total 46 million inhabitants in Brazil and the lumpemproletariat, also called “povão”, is made up of 40.3 million people.

Bolsonaro is losing the conditions of governability with the rejection of the vast majority of the population and the majority of the National Congress. In order not to lose his last bastion of support with the holders of economic power (businessmen), he advocates the end of the social isolation advocated by the scientific community to fight the Coronavirus with his thesis that Brazil cannot stop under the pretext of preventing the worsening of the economic crisis that is in the interest of the ruling classes. Bolsonaro knows that losing the support of economic power will be the end of his government because he no longer has the support of the majority of the population and the majority of the National Congress. This explains Bolsonaro’s irresponsible, criminal and genocidal act to remain in power at the cost of about 500,000 deaths in Brazil, according to the University of Oxford, which will occur if his thesis that “Brazil cannot stop” prevails.

No government can sustain itself in a democratic capitalist society without the support of the majority of the population, the majority of the National Congress and the economic power. The economic disaster of the Bolsonaro government aggravated by the creation of the Coronavirus will cause him to lose the support of the business community and will be the end of his government. The current moment is demanding Bolsonaro’s immediate removal from the Presidency of the Republic because he lost the conditions to govern the country. In turn, the Coronavirus crisis requires that the powers of the Republic and the Brazilian population are united in the fight against the enemy common. Bolsonaro does not contribute to achieving this goal.

Bolsonaro’s stay in power tends to generate social upheaval and political-institutional instability with unpredictable consequences. In view of this perspective, it is needed that, according to the Constitution, Bolsonaro be removed from the Presidency of the Republic by his mental insanity due to the recent acts he has been practicing that can lead to the death of 478 thousand Brazilians with his defense of the end of social isolation to fight coronavirus. Remotion of Bolsonaro from the Presidency of the Republic by his mental insanity would be the solution that would allow Bolsonaro to be removed from power without the need for impeachment for the 17 crimes of responsibility that he has been practicing systematically because it would require a lot of time to materialize. Bolsonaro out of power for the good of Brazil!

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

POURQUOI BOLSONARO AGIT DE MANIÈRE IRRÉPONSABLE ET CRIMINELLE DANS LA LUTTE CONTRE LE CORONAVIRUS AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Pour avoir une gouvernabilité au Brésil, le gouvernement de Bolsonaro doit compter sur le soutien des classes économiquement dominantes (bourgeoisie) et répondre aux exigences des différentes classes sociales subordonnées (petite bourgeoisie, prolétariat urbain et rural et lumpenprolétariat) pour obtenir également le soutien de la société civile comment il doit disposer d’une large base politique d’appui au Parlement pour obtenir l’approbation de ses projets législatifs. C’est donc le trépied de la gouvernance au Brésil: 1) le soutien des classes sociales économiquement dominantes; 2) le soutien de la majorité de la population et 3) le soutien de la majorité du Parlement. En bref, la gouvernabilité concerne la capacité du gouvernement à mener des politiques publiques avec le soutien des classes dirigeantes, de la population et du Parlement.

Au Brésil, la bourgeoisie, qui est classée comme la classe dirigeante, et l’État, par le biais de leurs sociétés d’État, possèdent les moyens de production. Les classes sociales qui n’ont pas les moyens de production concernent la petite bourgeoisie, le prolétariat urbain et rural et le lumpenprolétariat, qui sont classés comme classes subordonnées. La petite bourgeoisie concerne la classe moyenne ou les classes moyennes urbaines qui ont les mêmes valeurs et aspirations que la bourgeoisie. Le prolétariat est celui qui n’a pas d’autre moyen de subsistance que sa force de travail, qu’il vend pour gagner sa vie. Le lumpenprolétariat, à son tour, est la partie de la population socialement située en dessous du prolétariat formée de fractions misérables.

La bourgeoisie est constituée au Brésil par deux groupes: 1) les grands entrepreneurs du secteur productif et les entrepreneurs liés au secteur financier, etc. avec un contingent de 9 mille membres; et 2) les petits et moyens entrepreneurs dont le nombre est de 5,7 millions de personnes. La petite bourgeoisie est composée de la classe moyenne supérieure (cadres de sociétés privées nationales, cadres de sociétés multinationales, hauts fonctionnaires du gouvernement et cadres de sociétés d’État), de la classe moyenne traditionnelle (fonctionnaires et indépendants) et d’intellectuels (avocats dans de grands bureaux, professeurs d’université, universitaires, journalistes, artistes, cinéastes, etc.) dont le nombre est de 108 millions d’habitants. Le prolétariat urbain et rural sont les travailleurs de l’industrie, de l’agriculture, du commerce et des services qui totalisent 46 millions d’habitants au Brésil et le lumpenprolétariat, également appelé “povão”, est composé de 40,3 millions de personnes.

Bolsonaro perd les conditions de gouvernabilité avec le rejet de la grande majorité de la population et de la majorité du Congrès national. Afin de ne pas perdre son dernier bastion de soutien auprès des détenteurs du pouvoir économique (hommes d’affaires), il prône la fin de l’isolement social prôné par la communauté scientifique pour lutter contre le coronavirus avec sa thèse selon laquelle le Brésil ne peut s’arrêter sous prétexte d’empêcher l’aggravation de la crise économique qui est dans l’intérêt des classes dirigeantes. Bolsonaro sait que perdre le soutien du pouvoir économique sera la fin de son gouvernement car il n’a plus le soutien de la majorité de la population et de la majorité du Congrès national. Cela explique l’acte irresponsable, criminel et génocidaire de Bolsonaro de rester au pouvoir au prix d’environ 500 000 morts au Brésil, selon l’Université d’Oxford, ce qui se produira si sa thèse selon laquelle «le Brésil ne peut pas s’arrêter» l’emporte.

Aucun gouvernement ne peut se maintenir dans une société capitaliste démocratique sans le soutien de la majorité de la population, de la majorité du Congrès national et du pouvoir économique. La catastrophe économique du gouvernement Bolsonaro aggravée par la crise du Coronavirus lui fera perdre le soutien du monde des affaires et sera la fin de son gouvernement. Le moment actuel exige la révocation immédiate de Bolsonaro de la présidence de la République parce qu’il a perdu les conditions pour gouverner le pays. À son tour, la crise du coronavirus exige que les pouvoirs de la République et la population brésilienne soient unis dans la lutte contre l’ennemi commun. Bolsonaro ne contribue pas à atteindre cet objectif.

Dans cette perspective, il est nécessaire que, selon la Constitution, Bolsonaro soit retiré de la présidence de la République en raison de sa folie mentale en raison des récents actes qu’il a pratiqués qui peuvent conduire à la mort de 478 mille Brésiliens avec sa défense de la fin de l’isolement social pour lutter contre les coronavirus. La destitution de Bolsonaro de la présidence de la République pour aliénation mentale serait la solution qui permettrait de   le retirer du pouvoir sans qu’il soit nécessaire de mettre en accusation les 17 délits de responsabilité qu’il a pratiqués de manière systématique car cela prendrait beaucoup de temps à se matérialiser. Pour Bolsonaro sans pouvoir pour le bien du Brésil!

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

PORQUE BOLSONARO AGE DE FORMA IRRESPONSÁVEL E CRIMINOSA NO COMBATE AO CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

Para haver governabilidade no Brasil, o governo Bolsonaro precisa contar com o apoio das classes economicamente dominantes (burguesia) e atender as demandas das diversas classes sociais subalternas (pequena burguesia, proletariado urbano e rural e lumpemproletariado) para obter o apoio da Sociedade Civil, bem como deve contar com uma ampla base política de sustentação no Parlamento para obter a  aprovação de seus projetos legislativos. Este é, portanto, o tripé da governabilidade no Brasil: 1) apoio das classes sociais economicamente dominantes; 2) apoio da maioria da população e, 3) apoio da maioria do Parlamento. Em suma, governabilidade diz respeito à capacidade do governo de poder realizar políticas públicas com o apoio das classes dominantes, da população e do Parlamento.

No Brasil, são detentores dos meios de produção a burguesia que é classificada como classe dominante e o Estado, através de suas empresas estatais. As classes sociais não detentoras dos meios de produção dizem respeito à pequena burguesia, ao proletariado urbano e rural e ao lumpemproletariado que são classificadas como classes subalternas. A pequena burguesia diz respeito à classe média ou camadas médias urbanas que têm os mesmos valores e aspirações da burguesia. O proletariado é aquele que não tem nenhum meio de vida exceto sua força de trabalho que ele vende recebendo salários para sobreviver. O lumpemproletariado, por sua vez, é a parcela da população situada socialmente abaixo do proletariado formada por frações miseráveis.

A burguesia é constituída no Brasil por dois grupos: 1) grandes empresários do setor produtivo e empresários ligados ao setor financeiro, etc. tendo um contingente de 9 mil integrantes; e, 2) empresários pequenos e médios cujo contingente é de 5,7 milhões de pessoas. A pequena burguesia é composta pela classe média alta (executivos de empresas privadas nacionais, executivos de empresas multinacionais, altos burocratas do governo e executivos de empresas estatais), classe média tradicional (funcionários públicos e profissionais liberais) e intelectuais (advogados de grandes escritórios, professores universitários, acadêmicos, jornalistas, artistas, cineastas, etc.) cujo contingente é de 108 milhões de habitantes. O proletariado urbano e rural são os trabalhadores da indústria, agropecuária, comércio e serviços que totalizam 46 milhões de habitantes no Brasil e o lumpemproletariado, chamado também de “povão”, é constituído de 40,3 milhões de pessoas.

Bolsonaro está perdendo as condições de governabilidade com a rejeição da grande maioria da população e da maioria do Congresso Nacional. Para não perder seu último bastião de apoio junto aos detentores do poder econômico (empresariado), ele advoga o fim do isolamento social preconizado pela comunidade científica para combater o Coronavírus com sua tese de que o Brasil não pode parar sob o pretexto de impedir o agravamento da crise econômica que é do interesse das classes dominantes. Bolsonaro sabe que perdendo o apoio do poder econômico será o fim de seu governo porque já não conta com o apoio da maioria da população e da maioria do Congresso Nacional. Isto explica o ato irresponsável, criminoso e genocida de Bolsonaro para se manter no poder ao custo de cerca de 500 mil mortes no Brasil, segundo prevê a Universidade de Oxford, que ocorrerão se sua tese de que “o Brasil não pode parar” prevalecer.

Nenhum governo se sustenta em uma sociedade capitalista democrática sem contar com o apoio da maioria da população, da maioria do Congresso Nacional e do poder econômico. O desastre econômico do governo Bolsonaro agravado com a crise do Coronavirus  fará com que ele perca o apoio do empresariado e será o fim de seu governo. O momento atual está a exigir o afastamento imediato de Bolsonaro da Presidência da República porque ele perdeu as condições de governar o País. Por sua vez, a crise do Coronavirus exige que os poderes da República e a população brasileira estejam irmanados na luta contra o inimigo comum. Bolsonaro não contribui para que este objetivo seja atingido.

A permanência de Bolsonaro no poder tende a gerar convulsão social e instabilidade político-institucional com consequências imprevisíveis. Diante desta perspectiva, é preciso que, de acordo coma Constituição, Bolsonaro seja afastado da Presidência da República por inimputabilidade devido a sua insanidade mental pelos atos recentes que vem praticando que pode levar à morte de 478 mil brasileiros com sua defesa do fim do isolamento social para o combate ao Coronavirus. A inimputabilidade seria a solução que permitiria remover Bolsonaro do poder sem a necessidade de impeachment pelos 17 crimes de responsabilidade que vem praticando sistematicamente porque demandaria bastante tempo para sua concretização. Fora Bolsonaro do poder pelo bem do Brasil!

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O INCOMPETENTE E ANTINACIONAL MINISTRO PAULO GUEDES DO GOVERNO BOLSONARO

Fernando Alcoforado*

Paulo Guedes, o economista neoliberal defensor do Estado mínimo, demonstra incompetência total na gestão da economia nacional desde que assumiu o ministério da Economia do governo Bolsonaro. Paulo Guedes tem sido incompetente porque não conseguiu reativar a economia brasileira em estagnação desde 2015 e, também, não saber como fazer frente à debacle econômica e social do Brasil em consequência do coronavirus. Desde que assumiu o ministério da Economia, Paulo Guedes elaborou a reforma da Previdência Social e o programa de privatizações de empresas estatais que, em seu entendimento, seriam capazes de reativar a economia brasileira. Nada disto aconteceu.  A economia brasileira continua estagnada com pífias taxas de crescimento econômico.

Recentemente, com a ocorrência do coronavirus no Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou medidas emergenciais para limitar os efeitos do coronavírus sobre a economia brasileira pelos próximos três meses prevendo recursos de R$ 147,3 com o remanejamento de gastos previstos no orçamento do governo federal visando três objetivos: 1) proteger a parcela mais vulnerável da sociedade (R$ 83,4 bilhões); 2) socorrer empresas em dificuldades (R$ 59,4 bilhões); e, 3) reforçar investimentos na saúde (R$ 4,5 bilhões).  Trata-se de uma  proposta  ineficaz porque Paulo Guedes sendo fundamentalista do neoliberalismo evita fazer pesados investimentos governamentais para compensar a queda vertiginosa do consumo das famílias e do investimento das empresas em consequência das medidas adotadas para combater o coronavirus como fez o governo dos Estados Unidos ao alocar US$ 2 trilhões para este fim. Como Paulo Guedes é incapaz de adotar esta medida, Bolsonaro propõe, tresloucadamente, que o isolamento social da população se restrinja aos idosos

Durante a vigência do coronavirus, o ministério da Economia deveria adotar imediatamente as medidas seguintes:

  • Investimento maciço na expansão do sistema de saúde visando o combate ao coronavirus;
  • Suspensão do pagamento de dívidas de pessoas físicas e jurídicas;
  • Concessão do seguro desemprego para todos os desempregados;
  • Concessão de renda básica universal para toda a população pobre.

Este conjunto de medidas deveria ser adotado imediatamente para combater o coronavirus com investimentos maciços na infraestrutura de saúde (R$ 54 bilhões neste ano e nos anos seguintes para reforçar o setor de saúde e não os ridículos R$ 4,5 bilhões propostos pelo ministro Paulo Guedes para combater a pandemia do coronavirus) e atenuar os efeitos da depressão econômica resultante do combate ao coronavirus sobre a situação financeira agravada das pessoas físicas endividadas (62 milhões de habitantes) e empresas endividadas (14,083 milhões), o agravamento do desemprego em massa com a concessão do seguro desemprego para todos os desempregados do país sem exceção (11,9 milhões de trabalhadores) e a piora das condições de vida de todos os pobres com a concessão da renda básica universal  (13 milhões de miseráveis). A fonte de recursos para executar essas medidas seriam as reservas internacionais do Brasil no montante de US$ 352 bilhões. Este recurso seria melhor aplicado do que faz o Banco Central com o uso dessas reservas para baixar a cotação do dólar em relação ao real.

O ministro Paulo Guedes deveria elaborar um plano de ação para reativar a economia brasileira após a vigência do coronavirus contemplando as medidas seguintes:

  • Desvalorização do Real para tornar as exportações brasileiras mais competitivas;
  • Desenvolvimento de um amplo programa de exportações, sobretudo do agronegócio e do setor mineral;
  • Concessão de empréstimos a juros baixos a empresas;
  • Estímulo ao agronegócio e à produção industrial com a concessão de incentivos fiscais;
  • Reativação de obras públicas paradas e a construção de uma grande quantidade de novas obras públicas, com destaque para a infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico);
  • Corte de mordomias e de órgãos da administração pública desnecessários e redução dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública a ser renegociada com os credores da dívida pública para o governo dispor de recursos para investimento na infraestrutura econômica e social.

Este plano de ação com este conjunto de medidas é uma estratégia de desenvolvimento inspirada naquela que foi implementada em 1933 pelo governo do presidente Franklin Delano Roosevelt dos Estados Unidos que recebeu o nome de “New Deal” (Novo Acordo). A situação do Brasil com a disseminação do coronavirus será de depressão econômica semelhante à dos Estados Unidos após a grande depressão eclodida com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929 que levou à bancarrota da economia e provocou a geração de 12 milhões de desempregados no país.

Para evitar que a economia brasileira seja levada à depressão com o impacto do coronavirus, é preciso que o governo federal aloque R$ 2 trilhões necessários para investir em infraestrutura econômica e social e não os parcos recursos no valor de R$ 147,3 bilhões que são insuficientes para fazerem frente à ameaça de depressão econômica do País e aloque, prioritariamente, R$ 54 bilhões por ano para reforçar o setor de saúde e não os ridículos R$ 4,5 bilhões propostos pelo ministro Paulo Guedes para combater a pandemia do coronavirus.

Além de ser incompetente na condução da economia brasileira, Paulo Guedes colaborou com o governo Bolsonaro ao transformar a nação brasileira em um país subalterno aos interesses dos Estados Unidos e do capital internacional.  Este alinhamento subalterno aos interesses norte-americanos e do capital internacional se manifesta na desnacionalização da Embraer com sua venda à Boeing, ao fazer gigantesco leilão de petróleo na área do pre-sal realizando a maior entrega de riquezas nacionais da história ao capital estrangeiro com a área excedente da “cessão onerosa” da Petrobras da ordem de 30 bilhões de barris nos campos gigantes e no esquartejamento da Petrobras para enfraquecê-la visando sua privatização. Com as privatizações de campos de petróleo que pertencem à Petrobras e com novos leilões a serem realizados pelo governo Bolsonaro rapidamente a maior parte da produção nacional será estrangeira demonstrando o caráter entreguista de seu governo que está a serviço do deus Mercado, de Wall Street e do Consenso de Washington.

Paulo Guedes afirmou que pretende privatizar todo o patrimônio público entregando-o, em consequência, ao capital estrangeiro. Privatizar implica, na verdade, no que se costuma chamar de “desnacionalização”, em que os adquirentes controladores são quase sempre (se não sempre!) empresas ou consórcios estrangeiros cujos lucros são remetidos para suas matrizes no exterior. O uso do termo “privatização” é uma maneira de esconder sua verdadeira finalidade que é a de entregar o patrimônio da nação ao capital estrangeiro. Além de incompetente na gestão da economia brasileira, Paulo Guedes atua como lacaio dos interesses do capital estrangeiro no Brasil. Enquanto Paulo Guedes continuar no comando do ministério da Economia, não superaremos os gigantescos problemas econômicos atuais e futuros. Fora Paulo Guedes.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

ACTION PLAN NEEDED TO AVOID THE ECONOMIC AND SOCIAL DEBACLE OF BRAZIL AS A RESULT OF CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

To avoid the economic and social debacle in Brazil that will result from the measures adopted by the federal government, state governments and municipal governments aiming to combat the coronavirus, an action plan with economic and social measures should be developed to be adopted immediately during the economic depression that it will occur during the spread of the coronavirus, as well as economic measures to reactivate the Brazilian economy and social measures after the economic depression with the end of the spread of the coronavirus. The action plan would include the measures described below:

1) Immediate economic measures to be adopted during the spread of the coronavirus in Brazil to combat the coronavirus and deal with the worsening financial situation of individuals and companies, unemployment and extreme poverty.

2) Economic measures to be taken to reactivate the Brazilian economy after the economic depression resulting from the fight against the spread of coronavirus in Brazil.

3) Complementary social measures to be adopted to combat unemployment and extreme poverty after the economic depression with the spread of the coronavirus in Brazil.

1.Immediate economic measures to be adopted during the spread of the coronavirus in Brazil to combat the coronavirus and deal with the worsening financial situation of individuals and companies, unemployment and extreme poverty

The immediate measures to be taken during the spread of the coronavirus in Brazil are as follows:

  • Massive investment in expanding the health system with a view to fighting coronavirus;
  • Suspension of payment of debts by individuals and companies;
  • Provision of unemployment insurance for all the unemployed;
  • Provision of universal basic income for the entire poor population.

This set of measures should be adopted immediately to combat the coronavirus with massive investments in health infrastructure (R$ 54 billion this year and in the following years to strengthen the health sector and not the ridiculous R$ 4.5 billion proposed by Minister Paulo Guedes to fight the coronavirus pandemic) and mitigate the effects of the economic depression resulting from the fight against coronavirus on the aggravated financial situation of indebted individuals (62 million inhabitants) and indebted companies (14.083 million), the worsening of mass unemployment with the granting of unemployment insurance to all the unemployed in the country without exception (11.9 million workers) and the worsening of the living conditions of all the poor with the granting of universal basic income (13 million of the poor). The source of funds to carry out these measures would be Brazil’s international reserves of US$ 352 billion. This resource would be better applied than the Central Bank does with the use of these reserves to lower the dollar value against the Brazilian currency (real).

After the economic depression during the spread of the coronavirus, the federal government’s effort should be focused on planning the national economy with a view to ensuring Brazil’s economic growth and development on a sustainable basis.

2.Economic measures to be adopted to reactivate the Brazilian economy after the economic depression resulting from the fight against the spread of coronavirus in Brazil

The economic measures to be adopted to overcome the economic depression resulting from combating the spread of the coronavirus are described below:

  • Devaluation of the Real to make Brazilian exports more competitive;
  • Development of a broad export program, especially in agribusiness and the mineral sector;
  • Concession of low interest loans to companies;
  • Stimulating agribusiness and industrial production by granting tax incentives;
  • Construction of a large number of public works, with emphasis on the economic (energy, transport and communications) and social (education, health, housing and basic sanitation) infrastructure;
  • Cutting unnecessary perks and government agencies and reducing the burden of paying interest and amortizing the public debt to be renegotiated with the public debt creditors so that the government has resources for investment in economic and social infrastructure.

This set of measures is a development strategy inspired by the one that was implemented in 1933 by the government of President Franklin Delano Roosevelt of the United States, which received the name “New Deal”. The situation in Brazil with the spread of the coronavirus will be of economic depression similar to that of the United States after the great depression that broke out with the crash of the New York Stock Exchange in 1929 that led to the bankruptcy of the economy and caused the generation of 12 million unemployed in the country.

The 1929 crisis called into question the liberal economic measures adopted by the government of President Herbert Hoover, which considered it possible to achieve economic and social balance without massive State intervention. What happened in the United States is happening in Brazil with the neoliberal policy of the Minister of Economy, Paulo Guedes, which leads to the inaction of the Brazilian State in overcoming the crisis that broke out in 2015 and which will be aggravated by the economic depression resulting from the measures adopted to combat the coronavirus.

The answer to the crisis was found in the United States and later in the other countries of Western capitalism with the expansion of State intervention with economic planning during the government of President Franklin Delano Roosevelt. The “New Deal” was influenced by the economic theory of John Maynard Keynes, a British economist who pointed to the need for state economic mediation to guarantee the well-being of the population, an action that liberalism would be unable to carry out. To face the economic and social crisis in the USA, Roosevelt used the work of a group of renowned economists inspired by Keynes to elaborate the “New Deal”, whose main objective was to create conditions for the fall of unemployment, through the articulation of state and private investments. The main measures were as follows:

  • Devaluation of the dollar to make exports more competitive;
  • Public loans to banks to avoid bankruptcies in the financial system;
  • Creation of the social security system, with emphasis on unemployment insurance and the 1935 Security Law;
  • Right to organize a union;
  • Stimulation of agricultural production;
  • Construction of a large number of public works, with emphasis on hydroelectric plants and highways.

At that time, in the United States, there was a great incentive to hire workers to achieve a situation of full employment of the economically active population and to social security actions to stimulate the population’s consumption, increase industrial production, agricultural and services activities at all levels. In addition, the intermediation of trade unions and civil society organizations in the negotiation of claims tried to avoid violent conflicts, guaranteeing social peace. This perspective of economic performance was aimed at increasing consumption, especially among workers and encouraging productive chain development in all economic sectors. The measures were successful, reinvigorating American capitalism again, to the point that studies claim that ten years after the implementation of the “New Deal”, the USA approached the economic levels in which they found themselves in 1929.

Therefore, there is an urgent need to make the Brazilian State take the reins of the national economy, abandoning the failed neoliberal economic model to reactivate the Brazilian economy and full employment, putting an end to the economic depression that will occur during the spread of the coronavirus following the example of President Roosevelt of the United States adopted in 1933 during the great economic depression resulting from the crash of the New York Stock Exchange in 1929.

This whole set of measures to reactivate the Brazilian economy after the economic depression resulting from the fight against the coronavirus must be complemented with measures to combat unemployment and extreme poverty to avoid the social debacle. Measures must be adopted to mitigate the effects of the economic downturn during and after the fight against the coronavirus in relation to the unemployed and the poor in general. It is necessary to combat the view of the right-wing parties and politicians who see unemployment and poverty as inevitable problems and which should not be the object of government intervention. The right-wing, contrary to state intervention in the economy and too convinced that the free market will automatically bring universal well-being, does nothing to solve the problem. The immediate trend is to worsen unemployment and extreme poverty in Brazil with the retraction of the economy with the fight against the coronavirus. Given this perspective, what would be the solution to alleviate unemployment and poverty in the current situation? The solution would consist in the adoption by the federal government, state governments and municipal governments of public policies aimed at the development of the social and solidarity economy to alleviate unemployment and the implementation of basic income or universal minimum income to alleviate poverty. Without the adoption of these measures, Brazil will inevitably be driven to economic ruin and political and social upheaval with the restrictions imposed by the fight against the coronavirus. The complementary measures to combat unemployment and extreme poverty would be as follows:

3.Complementary social measures to be adopted to combat unemployment and extreme poverty after the economic depression with the spread of the coronavirus in Brazil

  •  Development of the social and solidarity economy to combat unemployment;
  • Concession of basic or universal income to populations of extreme poverty.

Regarding the Social and Solidarity Economy, it is important to note that it is one of the solutions to mitigate the problem of unemployment and to open the way to invent in the future other ways of producing and consuming contributing to greater social cohesion. The Social and Solidarity Economy is a new model of economic, social, political and environmental development that has a different way of generating work and income, in different sectors, be it community banks, credit unions, family farming cooperatives, fair trade issue, in exchange clubs, etc. The Social and Solidarity Economy constitutes a new way of organizing work and economic activities in general, emerging as an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving them a new opportunity through self-management. Based on the Social and Solidarity Economy, there is the possibility of recovering companies in bankruptcy, and to continue them, with a new mode of production, in which the maximization of profit is no longer the main objective, giving rise to the maximization of the quantity and the quality of work.

The Social and Solidarity Economy is a possible alternative to generate employment for workers who are mostly excluded from the formal labor market and consumption. The Social and Solidarity Economy emerged in various parts of the world with practices of economic and social relations that are promoting the survival and improving the quality of life of millions of people. These practices are based on solidary collaborative relationships, inspired by cultural values ​​that place the human being as the subject and purpose of economic activity, rather than the private accumulation of wealth in general and capital in particular. It can be said that the adoption of the Social and Solidarity Economy is, without a doubt, the solution that would allow to face the mass unemployment that is growing in a dizzying way in Brazil.

In turn, the policy of basic income or universal minimum income for the population is one of the solutions to alleviate poverty. The cash transfer program, Bolsa Família, is an example of the application of the basic income policy. Giving free money to everyone, that is, a universal minimum income program would make it possible to alleviate or eliminate poverty. Among the reasons for this idea to become reality, lies in the fact that distributing money reduces crime, improves the health of the population and allows everyone to invest in themselves. The adoption of the basic income policy or universal minimum income for the poor population is one of the solutions to alleviate poverty, since it would allow the poor to start having money to meet their basic needs in terms of food, health, housing, etc. It is important to note that poverty is the condition of those who are poor, that is, of those who do not have the basic conditions to guarantee their survival with quality of life and dignity. By having a basic income, the poor population will be able to meet their basic needs.

It is important to note that the adoption of an action plan with these characteristics may prevent the social upheaval that may result from measures restricting economic activity to combat the coronavirus and lead Brazil to a civil war that has never occurred in its history. unpredictable consequences. É essencial que exista uma união nacional na luta contra o coronavírus e o esforço para reativar a economia e combater o desemprego e a pobreza extrema. O governo do Brasil em todos os níveis tem o dever de perseguir esse objetivo, porque a vida das pessoas e o futuro econômico do país estão em risco.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

PLAN D’ACTION NÉCESSAIRE POUR ÉVITER LA DÉBACLE ÉCONOMIQUE ET SOCIALE DU BRÉSIL EN CONSÉQUENCE DU CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado *

Pour éviter la débâcle économique et sociale au Brésil qui résultera des mesures adoptées par le gouvernement fédéral, les gouvernements des États et les gouvernements municipaux visant à lutter contre le coronavirus, un plan d’action avec des mesures économiques et sociales devrait être élaboré pour être adopté immédiatement pendant la crise économique qui cela se produira avec la propagation du coronavirus, ainsi que des mesures économiques pour réactiver l’économie brésilienne et des mesures sociales après la dépression économique avec la fin de la propagation du coronavirus. Le plan d’action comprendrait les mesures décrites ci-dessous:

1) Mesures économiques immédiates à adopter lors de la propagation du coronavirus au Brésil pour lutter contre le coronavirus et faire face à l’aggravation de la situation financière des particuliers et des entreprises, au chômage et à l’extrême pauvreté.

2) Mesures économiques à adopter pour relancer l’économie brésilienne après la dépression économique résultant de la lutte contre la propagation du coronavirus au Brésil.

3) Mesures sociales complémentaires à adopter pour lutter contre le chômage et l’extrême pauvreté après la dépression économique avec la propagation du coronavirus au Brésil.

1.Mesures économiques immédiates à adopter lors de la propagation du coronavirus au Brésil pour lutter contre le coronavirus et faire face à l’aggravation de la situation financière des particuliers et des entreprises, au chômage et à l’extrême pauvreté

Les mesures immédiates à prendre lors de la propagation du coronavirus au Brésil sont les suivantes:

  • Investissements massifs dans l’extension du système de santé en vue de lutter contre les coronavirus;
  • Suspension du paiement des dettes par les particuliers et les entreprises;
  • Fourniture d’une assurance chômage pour tous les chômeurs;
  • Fourniture d’un revenu de base universel à l’ensemble de la population pauvre.

Cet ensemble de mesures devrait être adopté immédiatement pour lutter contre le coronavirus avec des investissements massifs dans les infrastructures de santé (R$ 54 milliards cette année et les années suivantes pour renforcer le secteur de la santé et non les ridicules R$ 4,5 milliards proposés par le ministre Paulo Guedes pour lutter contre la pandémie de coronavirus) et atténuer les effets de la dépression économique résultant de la lutte contre le coronavirus sur l’aggravation de la situation financière des particuliers endettés (62 millions d’habitants) et des entreprises endettées (14 millions), l’aggravation du chômage de masse avec l’octroi d’une assurance chômage à tous les chômeurs du pays sans exception (11,9 millions de travailleurs) et l’aggravation des conditions de vie de tous les pauvres avec l’octroi du revenu de base universel (13 millions de pauvres). La source de fonds pour mettre en œuvre ces mesures serait les réserves internationales du Brésil de 352 milliards de dollars américains. Cette ressource  serait mieux appliquée ce que fait la Banque centrale avec l’utilisation de ces réserves pour abaisser la valeur du dollar rapport à la monnaie brésilienne (real).

Après la crise économique lors de la propagation du coronavirus, les efforts du gouvernement fédéral devraient se concentrer sur la planification de l’économie nationale en vue d’assurer la croissance économique et le développement du Brésil sur une base durable.

2.Mesures économiques à adopter pour relancer l’économie brésilienne après la dépression économique résultant de la lutte contre la propagation du coronavirus au Brésil

Les mesures économiques à adopter pour surmonter la dépression économique résultant de la lutte contre la propagation du coronavirus sont décrites ci-dessous:

  • Dévaluation de la monnaie brésilienne (Real) pour rendre les exportations brésiliennes plus compétitives;
  • Développement d’un vaste programme d’exportation, notamment dans l’agro-industrie et le secteur minier;
  • Concession de prêts à faible taux d’intérêt aux entreprises;
  • Stimuler l’agro-industrie et la production industrielle en accordant des incitations fiscales;
  • Construction d’un grand nombre de travaux publics, en mettant l’accent sur les infrastructures économiques (énergie, transports et communications) et sociales (éducation, santé, logement et assainissement de base);
  • Réduire les avantages et les agences gouvernementales inutiles et réduire le fardeau du paiement des intérêts et de l’amortissement de la dette publique à renégocier avec les créanciers de la dette publique afin que le gouvernement dispose de ressources pour investir dans les infrastructures économiques et sociales.

Cet ensemble de mesures est une stratégie de développement inspirée de celle mise en œuvre en 1933 par le gouvernement du président américain Franklin Delano Roosevelt, appelée «New Deal». La situation au Brésil avec la propagation du coronavirus sera d’une dépression économique similaire à celle des États-Unis après la grande dépression qui a éclaté avec le krach de la Bourse de New York en 1929 qui a conduit à la faillite de l’économie et provoqué la génération de 12 millions de chômeurs dans le pays.

La crise de 1929 remet en cause les mesures économiques libérales adoptées par le gouvernement du président Herbert Hoover, qui estime qu’il est possible d’atteindre un équilibre économique et social sans intervention massive de l’État. Ce qui s’est passé aux États-Unis se passe au Brésil avec la politique néolibérale du ministre de l’Économie, Paulo Guedes, qui conduit à l’inaction de l’État brésilien pour surmonter la crise qui a éclaté en 2015 et qui sera aggravée par la dépression économique résultant des mesures adoptées pour lutter contre le coronavirus.

La réponse à la crise a été trouvée aux États-Unis et plus tard dans les autres pays du capitalisme occidental avec l’expansion de l’intervention de l’État avec la planification économique sous le gouvernement du président Franklin Delano Roosevelt. Le “New Deal” a été influencé par la théorie économique de John Maynard Keynes, un économiste britannique qui a souligné la nécessité d’une médiation économique étatique pour garantir le bien-être de la population, une action que le libéralisme serait incapable de mener à bien. Pour faire face à la crise économique et sociale aux États-Unis, Roosevelt a utilisé les travaux d’un groupe d’économistes renommés inspirés de Keynes pour élaborer le «New Deal», dont l’objectif principal était de créer les conditions d’une baisse du chômage, à travers l’articulation des investissements publics et privé. Les principales mesures étaient les suivantes:

  • Dévaluation du dollar pour rendre les exportations plus compétitives;
  • Prêts publics aux banques pour éviter les faillites du système financier;
  • Création du système de sécurité sociale, en mettant l’accent sur l’assurance-chômage et la loi de sécurité de 1935;
  • Droit d’organiser un syndicat;
  • Stimulation de la production agricole;
  • Construction d’un grand nombre de travaux publics, en particulier les centrales hydroélectriques et les autoroutes.

À cette époque, aux États-Unis, il y avait un grand encouragement à embaucher des travailleurs pour parvenir à une situation de plein emploi pour la population économiquement active et des mesures de sécurité sociale pour stimuler la consommation de la population, augmenter la production industrielle, les activités agricoles et de services à tous les niveaux. En outre, l’intermédiation des syndicats et des organisations de la société civile dans la négociation des revendications a tenté d’éviter les conflits violents, garantissant la paix sociale. Cette perspective de l’activité économique visait à augmenter la consommation, notamment parmi les travailleurs et à encourager le développement de la chaîne de production dans tous les secteurs économiques. Les mesures ont réussi, revigorant le capitalisme américain, au point que des études affirment que dix ans après la mise en œuvre du «New Deal», les États-Unis ont approché les niveaux économiques dans lesquels ils se sont trouvés en 1929.

Par conséquent, il est urgent de faire en sorte que l’État brésilien prenne les rênes de l’économie nationale, abandonnant le modèle économique néolibéral défaillant pour réactiver l’économie brésilienne et le plein emploi, mettant fin à la dépression économique qui se produira lors de la propagation du coronavirus à l’exemple du président Roosevelt des États-Unis adoptée en 1933 lors de la grande dépression économique résultant du krach de la Bourse de New York en 1929.

Cet ensemble de mesures pour réactiver l’économie brésilienne après la dépression économique résultant de la lutte contre le coronavirus doit être complété par des mesures de lutte contre le chômage et l’extrême pauvreté pour éviter la débâcle sociale. Des mesures doivent être prises pour atténuer les effets du ralentissement économique pendant et après la lutte contre le coronavirus vis-à-vis des chômeurs et des pauvres en général. Il est nécessaire de lutter contre l’opinion des partis de droite et des politiciens qui considèrent le chômage et la pauvreté comme des problèmes inévitables et qui ne devraient pas faire l’objet d’une intervention gouvernementale. Des partis de droite et des politiciens, contrairement à l’intervention de l’État dans l’économie et trop convaincu que le libre marché apportera automatiquement le bien-être universel, ne résout rien. La tendance immédiate est à l’aggravation du chômage et de l’extrême pauvreté au Brésil avec la rétraction de l’économie avec la lutte contre le coronavirus. Dans cette perspective, quelle serait la solution pour réduire le chômage et la pauvreté dans la situation actuelle? La solution consisterait à adopter par le gouvernement fédéral, les gouvernements des États et les gouvernements municipaux des politiques publiques visant à développer l’économie sociale et solidaire pour lutter contre le chômage et à mettre en place un revenu de base ou un revenu minimum universel pour lutter contre la pauvreté. Sans l’adoption de ces mesures, le Brésil sera inévitablement conduit à la ruine économique et aux bouleversements politiques et sociaux avec les restrictions imposées par la lutte contre le coronavirus. Les mesures complémentaires de lutte contre le chômage et l’extrême pauvreté seraient les suivantes:

3.Mesures sociales complémentaires à adopter pour lutter contre le chômage et l’extrême pauvreté après la crise économique avec la propagation du coronavirus au Brésil

  •  Développement de l’économie sociale et solidaire pour lutter contre le chômage;
  • Concession du revenu de base ou universel aux populations d’extrême pauvreté.

En ce qui concerne l’économie sociale et solidaire, il est important de noter qu’il s’agit d’une des solutions pour atténuer le problème du chômage et ouvrir la voie à inventer à l’avenir d’autres modes de production et de consommation contribuant à une plus grande cohésion sociale. L’économie sociale et solidaire est un nouveau modèle de développement économique, social, politique et environnemental qui a une manière différente de générer du travail et des revenus, dans différents secteurs, que ce soit les banques communautaires, les coopératives de crédit, les coopératives de agricoles familiales, question du commerce équitable, dans les clubs d’échange, etc. L’économie sociale et solidaire constitue une nouvelle façon d’organiser le travail et les activités économiques en général, émergeant comme une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, leur donnant une nouvelle opportunité grâce à l’autogestion. Sur la base de l’économie sociale et solidaire, il y a la possibilité de récupérer les entreprises en faillite, et de les poursuivre, avec un nouveau mode de production, dans lequel la maximisation du profit n’est plus l’objectif principal, donnant lieu à la maximisation de la quantité et la qualité du travail.

L’économie sociale et solidaire est une alternative possible pour générer des emplois pour les travailleurs qui sont pour la plupart exclus du marché du travail formel et de la consommation. L’économie sociale et solidaire est apparue dans différentes parties du monde avec des pratiques de relations économiques et sociales qui favorisent la survie et l’amélioration de la qualité de vie de millions de personnes. Ces pratiques sont basées sur des relations de collaboration solidaires, inspirées des valeurs culturelles qui placent l’être humain comme sujet et finalité de l’activité économique, plutôt que de l’accumulation privée de richesse en général et de capital en particulier. On peut dire que l’adoption de l’économie sociale et solidaire est, sans aucun doute, la solution qui permettrait de faire face au chômage massif qui croît de façon vertigineuse au Brésil.

À son tour, la politique du revenu de base ou le revenu minimum universel pour la population est l’une des solutions pour réduire la pauvreté. Le programme de transfert monétaire, Bolsa Família, est un exemple d’application de la politique de revenu de base. Donner de l’argent gratuit à tous, c’est-à-dire un programme de revenu minimum universel, permettrait de réduire ou d’éliminer la pauvreté. Parmi les raisons qu’il fait valoir pour que cette idée devienne réalité, réside dans le fait que la distribution d’argent réduit la criminalité, améliore la santé de la population et permet à chacun d’investir en soi. L’adoption de la politique du revenu de base ou du revenu minimum universel pour la population pauvre est l’une des solutions pour réduire la pauvreté, car elle permettrait aux pauvres de commencer à avoir de l’argent pour subvenir à leurs besoins de base en termes de nourriture, santé, logement, etc. Il est important de noter que la pauvreté est la condition de ceux qui sont pauvres, c’est-à-dire de ceux qui n’ont pas les conditions de base pour garantir leur survie avec qualité de vie et dignité. En disposant d’un revenu de base, la population pauvre pourra subvenir à ses besoins essentiels.

Il est important de noter que l’adoption d’un plan d’action présentant ces caractéristiques peut empêcher les bouleversements sociaux pouvant résulter de mesures restreignant l’activité économique pour lutter contre le coronavirus et conduire le Brésil à une guerre civile qui ne s’est jamais produite dans son histoire du conséquences imprévisibles. Il est essentiel qu’il y ait une union nationale dans la lutte contre le coronavirus et l’effort de réactiver l’économie et de lutter contre le chômage et l’extrême pauvreté. Le gouvernement brésilien à tous les niveaux a le devoir de poursuivre cet objectif car la vie des gens et l’avenir économique du pays sont en jeu.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

PLANO DE AÇÃO NECESSÁRIO PARA EVITAR A DEBACLE ECONÔMICA E SOCIAL DO BRASIL EM CONSEQUÊNCIA DO CORONAVIRUS

Fernando Alcoforado*

Para evitar a debacle econômica e social do Brasil que resultará das medidas adotadas pelo governo federal, governos estaduais e prefeituras municipais visando o combate ao coronavirus, deveria ser elaborado um plano de ação com medidas econômicas e sociais a serem adotadas imediatamente durante a depressão econômica que ocorrerá com a disseminação do coronavirus, bem como medidas econômicas para reativar a economia brasileira e medidas sociais após a depressão econômica com o fim da disseminação do coronavirus. O plano de ação contemplaria as medidas descritas a seguir:

1) Medidas econômicas imediatas a serem adotadas durante a disseminação do coronavirus no Brasil para combater o coronavirus e fazer frente ao agravamento da situação financeira de pessoas físicas e empresas, do desemprego e da pobreza extrema.

2) Medidas econômicas a serem adotadas para reativar a economia brasileira após a depressão econômica resultante do combate à disseminação do coronavirus no Brasil.

3) Medidas sociais complementares a serem adotadas para combater o desemprego e a pobreza extrema após a depressão econômica com a disseminação do coronavirus no Brasil.

1.Medidas econômicas imediatas a serem adotadas durante a disseminação do coronavirus no Brasil para combater o coronavirus e fazer frente ao agravamento da situação financeira de pessoas físicas e empresas, do desemprego e da pobreza extrema

As medidas imediatas a serem adotadas durante a disseminação do coronavirus no Brasil são as seguintes:

  • Investimento maciço na expansão do sistema de saúde visando o combate ao coronavirus;
  • Suspensão do pagamento de dívidas por pessoas físicas e jurídicas;
  • Concessão do seguro desemprego para todos os desempregados;
  • Concessão de renda básica universal para toda a população pobre.

Este conjunto de medidas deveria ser adotado imediatamente para combater o coronavirus com investimentos maciços na infraestrutura de saúde (R$ 54 bilhões neste ano e nos anos seguintes para reforçar o setor de saúde e não os ridículos R$ 4,5 bilhões propostos pelo ministro Paulo Guedes para combater a pandemia do coronavirus) e atenuar os efeitos da depressão econômica resultante do combate ao coronavirus sobre a situação financeira agravada das pessoas físicas endividadas (62 milhões de habitantes) e empresas endividadas (14,083 milhões), o agravamento do desemprego em massa com a concessão do seguro desemprego para todos os desempregados do país sem exceção (11,9 milhões de trabalhadores) e a piora das condições de vida de todos os pobres com a concessão da renda básica universal  (13 milhões de miseráveis). A fonte de recursos para executar essas medidas seriam as reservas internacionais do Brasil no montante de US$ 352 bilhões. Este recurso seria melhor aplicado do que faz o Banco Central com o uso dessas reservas para baixar a cotação do dólar em relação ao real.

Após a depressão econômica durante a disseminação do coronavirus, o esforço do governo federal deveria ser voltado para a planificação da economia nacional visando assegurar o crescimento econômico e o desenvolvimento do Brasil em bases sustentáveis.

2.Medidas econômicas a serem adotadas para reativar a economia brasileira após a depressão econômica resultante do combate à disseminação do coronavirus no Brasil

As medidas econômicas a serem adotadas para superar a depressão econômica resultante do combate à disseminação do coronavirus estão descritas a seguir:

  • Desvalorização do Real para tornar as exportações brasileiras mais competitivas;
  • Desenvolvimento de um amplo programa de exportações, sobretudo do agronegócio e do setor mineral;
  • Concessão de empréstimos a juros baixos a empresas;
  • Estímulo ao agronegócio e à produção industrial com a concessão de incentivos fiscais;
  • Construção de uma grande quantidade de obras públicas, com destaque para a infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico);
  • Corte de mordomias e de órgãos da administração pública desnecessários e redução dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública a ser renegociada com os credores da dívida pública para o governo dispor de recursos para investimento na infraestrutura econômica e social.

Este conjunto de medidas é uma estratégia de desenvolvimento inspirada naquela que foi implementada em 1933 pelo governo do presidente Franklin Delano Roosevelt dos Estados Unidos que recebeu o nome de “New Deal” (Novo Acordo). A situação do Brasil com a disseminação do coronavirus será de depressão econômica semelhante à dos Estados Unidos após a grande depressão eclodida com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929 que levou à bancarrota da economia e provocou a geração de 12 milhões de desempregados no país.

A crise de 1929 colocou em xeque as medidas econômicas liberais adotadas pelo governo do presidente Herbert Hoover que considerava ser possível alcançar o equilíbrio econômico e social sem a intervenção maciça do Estado. O que aconteceu nos Estados Unidos está ocorrendo no Brasil com a política neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que leva à inação do Estado brasileiro na superação da crise eclodida em 2015 e que será agravada com a depressão econômica resultante das medidas adotadas para combater o coronavirus.

A resposta à crise foi encontrada nos Estados Unidos e depois nos demais países do capitalismo ocidental com a ampliação da intervenção do Estado com o planejamento econômico durante o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt. O “New Deal” foi influenciado pela teoria econômica de John Maynard Keynes, economista britânico que apontava a necessidade da mediação econômica do Estado para garantir o bem-estar da população, ação que o liberalismo seria incapaz de realizar.  Para enfrentar a crise econômica e social nos EUA, Roosevelt utilizou os trabalhos de um grupo de renomados economistas inspirados em Keynes para elaborar o “New Deal”, cujo principal objetivo era criar condições para a queda do desemprego, através da articulação de investimentos estatais e privados. As principais medidas foram as seguintes:

  • Desvalorização do dólar para tornar as exportações mais competitivas;
  • Empréstimos públicos aos bancos para evitar falências no sistema financeiro;
  • Criação do sistema de seguridade social, com destaque para o seguro desemprego e a Lei de Seguridade de 1935;
  • Direito de organização sindical;
  • Estímulo à produção agrícola;
  • Construção de uma grande quantidade de obras públicas, com destaque às hidrelétricas e rodovias.

Naquela época, nos Estados Unidos, houve grande estimulo à contratação de trabalhadores para alcançar uma situação de pleno emprego da população economicamente ativa e às ações de seguridade social para estimular o consumo da população, aumentar a produção industrial, as atividades agrícolas e de serviços em todos os níveis. Além disso, a intermediação dos sindicatos e de organizações da sociedade civil nas negociações das reivindicações tentava evitar violentos conflitos, garantindo a paz social. Essa perspectiva de atuação econômica visava o aumento do consumo, principalmente dos trabalhadores e o estímulo ao desenvolvimento da cadeia produtiva de todos os setores econômicos. As medidas alcançaram êxito, revigorando novamente o capitalismo norte-americano, ao ponto de estudos afirmarem que dez anos após a implantação do “New Deal”, os EUA se aproximaram dos patamares econômicos em que se encontravam em 1929.

Urge, portanto, fazer com que o Estado brasileiro assuma as rédeas da economia nacional abandonando o fracassado modelo econômico neoliberal para reativar a economia brasileira e o pleno emprego colocando um fim na depressão econômica que ocorrerá  durante a disseminação do coronavirus seguindo o exemplo do Presidente Roosevelt dos Estados Unidos adotado em 1933 durante a grande depressão econômica resultante da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929.

Todo o conjunto de medidas para reativar a economia brasileira após a depressão econômica resultante do combate ao coronavirus deve ser complementado com medidas de combate ao desemprego e à pobreza extrema para evitar a debacle social. É preciso que sejam adotadas medidas que atenuem os efeitos da retração econômica durante e após o combate ao coronavirus com relação aos desempregados e aos pobres em geral. É preciso combater a visão dos partidos e políticos de direita que veem o desemprego e a pobreza como problemas inevitáveis e que não devem ser objeto de intervenção do governo. A direita, contrária à intervenção do Estado na economia e convencida demais de que o mercado livre trará automaticamente o bem-estar universal, nada faz para resolver o problema. A tendência imediata é a de agravamento do desemprego e da pobreza extrema no Brasil com a retração da economia com o combate ao coronavirus. Diante desta perspectiva, qual seria a solução pata atenuar o desemprego e a pobreza na conjuntura atual? A solução consistiria na adoção pelo governo federal, governos estaduais e prefeituras municipais de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da economia social e solidária para atenuar o desemprego e a implementação da renda básica ou renda mínima universal para atenuar a pobreza. Sem a adoção dessas medidas, o Brasil será levado inevitavelmente à ruina econômica e à convulsão política e social com as restrições impostas pelo combate ao coronavirus. As medidas complementares de combate ao desemprego e à extrema pobreza seriam as seguintes:

3.Medidas sociais complementares a serem adotadas para combater o desemprego e a pobreza extrema após a depressão econômica com a disseminação do coronavirus no Brasil

  •  Desenvolvimento da economia social e solidária para combater o desemprego;
  • Concessão da renda básica ou universal às populações de extrema pobreza.

Sobre a Economia Social e Solidária, é importante observar que é uma das soluções para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. A Economia Social e Solidária constitui uma nova forma de organização do trabalho e das atividades econômicas em geral emergindo como uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos, através da autogestão. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho.

A Economia Social e Solidária se coloca como uma alternativa possível para gerar emprego para os trabalhadores que estão em sua maioria excluídos do mercado de trabalho formal e do consumo. A Economia Social e Solidária surgiu em várias partes do mundo com práticas de relações econômicas e sociais que estão a propiciar a sobrevivência e a melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. Essas práticas são baseadas em relações de colaboração solidária, inspiradas por valores culturais que colocam o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, em vez da acumulação privada de riqueza em geral e de capital em particular. Pode-se afirmar que a adoção da Economia Social e Solidária é, sem sombra de dúvidas, a solução que permitiria fazer frente ao desemprego em massa que cresce de forma vertiginosa no Brasil.

Por sua vez, a política de renda básica ou renda mínima universal para a população é uma das soluções para atenuar a pobreza. O programa de transferência de renda, o Bolsa Família, é um exemplo da aplicação da política de renda básica. Dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal possibilitaria atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos. A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazer frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc. É importante observar que pobreza é a condição de quem é pobre, ou seja, daquele que não tem as condições básicas para garantir a sua sobrevivência com qualidade de vida e dignidade. Ao dispor de uma renda básica, a população pobre terá condições de suprir suas necessidades básicas.

É importante observar que a adoção de um plano de ação com estas características poderá fazer com que seja evitada a convulsão social que poderá resultar das medidas restritivas à atividade econômica para o combate ao coronavirus e  levar o Brasil a uma guerra civil nunca ocorrida em sua história de consequências imprevisíveis. É imprescindível que haja união nacional no combate ao coronavirus e ao esforço de reativação da economia e de combate ao desemprego e à pobreza extrema. Os governantes do Brasil em todos os níveis têm o dever de perseguir este objetivo porque está em jogo a vida das pessoas e o futuro econômico do País.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

 

CORONAVIRUS ET DÉBACLE ÉCONOMIQUE ET SOCIAL AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Le Brésil est au bord de la faillite car il est sur le point de plonger dans la crise économique la plus grave des 90 dernières années. La faillite et les défauts de paiement d’entreprises actuellement enregistrées aggravent la crise économique au Brésil. De nombreuses petites et moyennes entreprises, qui ont fermé leurs portes depuis 2015 avec la restriction du crédit et la baisse de la demande, devraient faire faillite avec des mesures gouvernementales restreignant l’activité économique pour empêcher la propagation du coronavirus. En outre, plusieurs grandes entreprises sont également susceptibles de faire faillite avec des licenciements massifs et une augmentation des défauts de paiement.

Au Brésil, de nombreuses personnes sont redevables d’arriérés auprès des banques (financement automobile et immobilier), des comptes de détail et des consommateurs (électricité, eau, téléphone). Le chômage de masse explique l’augmentation de l’endettement des individus au Brésil. La tendance est à la hausse des défauts de paiement parmi les entreprises et les particuliers en raison de la récession économique qui va encore s’aggraver avec des mesures gouvernementales restreignant l’activité économique pour empêcher la propagation du coronavirus. Avec la baisse des ventes et l’augmentation du chômage il n’y aura pas de changement dans ce scénario d’endettement des entreprises et des particuliers.

Le Brésil est un pays dont le système économique est en phase terminale en raison de la vague vertigineuse de chômage de masse et de la faillite généralisée des entreprises aggravée par des mesures gouvernementales restreignant l’activité économique pour empêcher la propagation du coronavirus qui contribue à conduire le Brésil à la dépression économique qui peut provoquer un bouleversement social sans précédent dans l’histoire du pays. Ce bouleversement social résultera de l’aggravation de la situation économique de la grande majorité de la population brésilienne, en particulier des plus pauvres. La faim, qui est présente dans la majorité de la population brésilienne, a tendance à augmenter avec le retrait vertigineux de l’activité économique résultant des mesures adoptées par les gouvernements à tous les niveaux pour lutter contre le coronavirus.

Les mesures du gouvernement de Bolsonaro pour aider les populations les plus vulnérables et maintenir des emplois avec des ressources de l’ordre de 140 milliards de R $ sont palliatives car insuffisantes pour répondre aux besoins de la grande majorité de la population brésilienne dans la situation actuelle de propagation du coronavirus. Il sera très difficile d’adopter des mesures appropriées au Brésil pour atténuer la situation des pauvres, car la situation financière du gouvernement fédéral, des gouvernements des États et des mairies est déjà gravement compromise par la forte baisse des recettes fiscales résultant de la rétraction de l’activité économique au Brésil depuis 2015.

Malheureusement, tout ce qui vient d’être décrit coïncide avec l’existence d’un gouvernement faible sous la direction incompétente de Jair Bolsonaro qui n’a ni la direction politique ni la capacité administrative nécessaires pour mener à bien les transformations requises pour le Brésil à l’heure actuelle. L’insuffisance des ressources publiques pour faire face à la crise économique actuelle aggravée par le coronavirus s’ajoute à l’existence d’une équipe gouvernementale incapable de résoudre les gigantesques problèmes du pays.

Pour éviter l’hécatombe politique, économique et sociale qui menace le Brésil, l’union de la nation brésilienne est urgente, non seulement dans la lutte contre le coronavirus, mais surtout autour d’un projet de développement commun. Tout porte à croire que si Jair Bolsonaro n’est pas soustrait au pouvoir par la mise en accusation pour les innombrables délits de responsabilité qu’il a systématiquement pratiqués, le Brésil pourrait être confronté à un bouleversement social qui pourrait conduire le pays à une guerre civile jamais survenue dans son histoire aux conséquences imprévisibles aggravée par la famine qui provoquera des violences politiques et sociales atteignant des niveaux alarmants. Il faut considérer que la faim ressentie par le peuple a été un facteur décisif pour le déclenchement de la Révolution française de 1789 et de la Révolution russe de 1917. C’est le risque qui menace la société brésilienne. Par conséquent, le Brésil vit donc des moments décisifs de son histoire.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).