AS CATÁSTROFES QUE AMEAÇAM O FUTURO DO BRASIL

Fernando Alcoforado*

O Brasil vive o tempo das catástrofes do ponto de vista político, econômico, social, ambiental e da soberania nacional que estão conduzindo o País a um desastre de gigantescas proporções. A catástrofe política no Brasil poderá ocorrer com o fim do processo democrático resultante da escalada do fascismo na sociedade brasileira pela ação nefasta do presidente Jair Bolsonaro que busca colocar em prática sua proposta de governo fascista baseada em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. A catástrofe econômica se materializa na estagnação em que se encontra a economia brasileira graças à inação e incompetência do governo Bolsonaro que nada faz para reativá-la. A catástrofe social resulta do agravamento das condições sociais da população brasileira diante da postura antissocial do governo Bolsonaro ao atentar contra os direitos sociais da população e não adotar medidas de combate à pobreza e ao desemprego em massa. A catástrofe ambiental está ocorrendo com o incentivo do governo Bolsonaro à devastação ambiental do País e sua oposição ao Acordo de Paris sobre a mudança climática global sob o pretexto de promover o desenvolvimento da economia nacional. A catástrofe da soberania nacional resulta do fato de estar em curso a subserviência do governo Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos e a entrega do patrimônio público e das riquezas nacionais ao capital internacional.

A catástrofe política está sendo processada por Bolsonaro com a tentativa de implantação de uma ditadura fascista sob o pretexto de combater a corrupção e a velha política que acirrará os conflitos políticos e sociais podendo conduzir o País a uma convulsão política e social que pode levar a uma guerra civil nunca ocorrida no Brasil de consequências imprevisíveis. Uma ditadura fascista e uma guerra civil são duas das catástrofes que podem acontecer no Brasil no futuro próximo no plano político. O próprio governo Bolsonaro tem acirrado o conflito entre a Presidência da República e os demais poderes da República e o confronto com seus oponentes para justificar a repressão contra aqueles que reagirem contra as medidas governamentais e, em última instância, implantar uma ditadura no Brasil para governar sem os obstáculos impostos atualmente pela Constituição de 1988. Desde o início de seu governo, a atitude do governo Bolsonaro tem sido o de acirrar a divisão existente no Brasil entre seus apoiadores e opositores como a sua convocação de manifestação contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal programada para 15 de março próximo. Em nenhum momento de seu governo, Bolsonaro se propôs a governar para todos os brasileiros.

A catástrofe econômica vivida pelo Brasil está refletida no pífio crescimento do PIB em 2019 (1,1% em relação a 2018) que se soma ao déficit nas contas do governo Bolsonaro que foi de R$ 139 bilhões em 2019 sem computar o pagamento dos juros e amortização da dívida pública que correspondeu a R$ 1,425 trilhões (44% do orçamento da União) e o déficit no balanço de pagamentos de US$ 35,6 bilhões. É importante destacar o péssimo comportamento  da indústria em relação a 2014 e o nível de ocupação da força de trabalho assim como o de desocupação e a renda média que apresentaram desempenho pior do que os de 2015. O pífio crescimento do PIB em 2019 resultou da queda do consumo pela população provocada pelo gigantesco desemprego em massa, queda do investimento privado em consequência da estagnação econômica do País e do péssimo ambiente político existente e da queda do investimento público devido à crise fiscal existente e ao esforço do governo de reduzir a participação do Estado na economia com suas políticas neoliberais. A estagnação econômica e a reforma trabalhista em vigor têm contribuído para uma dramática queda na arrecadação do governo e da Previdência Social. A catástrofe econômica vivida pelo Brasil está se refletindo na queda vertiginosa das ações na Bolsa de Valores de São Paulo e na queda acentuada do Real em relação ao Dólar. A catástrofe econômica representa, em síntese, a falência do sistema econômico brasileiro que está estagnado há 5 anos  e do próprio Estado nacional em consequência da gigantesca crise fiscal que faz com que o governo venha acumulando déficits sucessivos em suas contas públicas. O crescimento econômico deve ser pior em 2020 devido ao problema do coronavirus que impactará negativa sobre a economia brasileira e mundial.

A catástrofe social está materializada no fato de o governo Bolsonaro nada fazer para solucionar os problemas da pobreza e do desemprego em massa que se registra no Brasil. A pobreza extrema aumentou no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até 145 reais mensais. O número de miseráveis vem crescendo desde 2015, invertendo a curva descendente da miséria dos anos anteriores. O contingente de pobres é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta do desemprego, s redução dos gastos com os programas sociais e a discriminação com o Nordeste brasileiro, região mais pobre do País, com relação ao Programa Bolsa Família aumentam o fosso dos mais pobres. A miséria atinge principalmente estados do Norte e Nordeste do Brasil, em especial a população preta e parda, sem instrução ou com formação fundamental incompleta. O desemprego corresponde a 12,7 milhões de trabalhadores com uma população economicamente ativa subutilizada de 27,6 milhões de trabalhadores, 44% ou 40 milhões de trabalhadores em situação informal, isto é, sem gozarem de direitos trabalhistas.

A catástrofe ambiental produzida pelo governo Bolsonaro diz respeito à tentativa de destruição da floresta amazônica com a possibilidade manifesta do governo Bolsonaro de abrir caminho para atividades de mineração, agricultura, pecuária e madeireira, inclusive em terras indígenas, bem como não colaborar no combate à mudança climática global com a rejeição do Acordo de Paris. A implantação das atividades de mineração, agricultura, pecuária e madeireira na Amazônia traz consequências negativas para a floresta amazônica e para os povos indígenas nela residentes.  A floresta amazônica está ameaçada de desmatamento fazendo com que suas árvores deixem de atuar como sumidouro de carbono contribuindo para evitar a mudança climática global, além de atentar contra as comunidades indígenas que nela vivem. O desmatamento da Amazônia ameaça o acordo do Mercosul com a União Europeia.  O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel disse que, se o governo brasileiro não reduzir o desmatamento na Amazônia aos níveis de 2017, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia não será ratificado pela parte europeia. A ação devastadora do governo Bolsonaro na Amazônia está contribuindo, também, para produzir nefastas consequências econômicas para o Brasil.

A catástrofe da soberania nacional reside no fato de o governo Bolsonaro transformar a nação brasileira em um país subalterno aos interesses dos Estados Unidos e aprofundar sua submissão aos ditames do capital internacional que se manifesta na entrega da Base de Alcântara aos Estados Unidos, a desnacionalização da Embraer com sua venda à Boeing, a privatização gradual em curso da Petrobras e provável do Banco do Brasil, os leilões de petróleo na área do Pre-sal ao realizar a maior entrega de riquezas nacionais da história ao capital estrangeiro com a área excedente da “cessão onerosa” que algumas estimativas cifram em até 30 bilhões de barris nos campos gigantes. Nos governos Temer e Bolsonaro, a participação estrangeira no saque da riqueza nacional aumentou exponencialmente com privatizações de campos de petróleo que pertencem à Petrobras e com novos leilões que, em dois anos, a produção estrangeira passou de 7% para 23%. Com os novos leilões a serem realizados pelo governo Bolsonaro, rapidamente, a maior parte da produção nacional será estrangeira demonstrando o caráter antinacional de seu governo. Paulo Guedes, o economista neoliberal e ministro da Economia do governo Bolsonaro afirmou que pretende privatizar todo o patrimônio público entregando-o, em consequência, ao capital estrangeiro. Privatizar implica, na verdade, no que se costuma chamar de “desnacionalização”, em que os adquirentes controladores são quase sempre (se não sempre!) empresas ou consórcios estrangeiros cujos lucros são remetidos para suas matrizes no exterior. O uso do termo “privatização” é uma maneira de esconder sua verdadeira finalidade que é a de entregar o patrimônio da nação ao capital estrangeiro. A entrega das riquezas nacionais ao capital internacional é mais uma catástrofe produzida pelo deplorável governo Bolsonaro.

As perspectivas quanto ao futuro do Brasil são extremamente negativas com o governo Jair Bolsonaro cujas ações serão funestas para o País diante das catástrofes que ele já está produzindo e virá a produzir para a democracia, a economia nacional, os direitos sociais, o meio ambiente e à independência do Brasil em relação às grandes potências, sobretudo os Estados Unidos, e ao capital internacional. Na época neoliberal em que vivemos com o governo Bolsonaro não há espaço para o avanço da democracia, dos direitos sociais, do progresso econômico e da independência nacional. Ao contrário, há a eliminação da democracia e dos direitos sociais e a desconstrução e negação das conquistas já realizadas pelo Brasil nos campos político, econômico, social, ambiental e da independência nacional. Diante das catástrofes política, econômica, social, ambiental e da soberania nacional que representa o governo Bolsonaro para o Brasil, o futuro do País está radicalmente comprometido.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE ADVENT OF ARTIFICIAL SUPER INTELLIGENCE AND ITS IMPACTS

Fernando Alcoforado*

Since the development of the digital computer in the 1940s, it has been demonstrated that computers can be programmed to perform very complex tasks – such as, for example, proving mathematical theorems or playing chess – with great proficiency. Still, despite continued progress in the speed and memory capacity of computer processing, there are still no programs that can combine human capacity in broader domains or in tasks that require a lot of knowledge. On the other hand, some programs have reached the performance levels of specialists in carrying out certain specific tasks, so that artificial intelligence in this limited sense is found in applications as diverse as, for example, medical diagnosis and speech recognition.

Artificial intelligence (AI) is already being widely used in production systems. In the management of productive systems, Business Intelligence and Big Data are used. Business Intelligence contemplates the use of data collection, organization, analysis, action and monitoring that requires robust software to make better decisions and to know if the investments made are bringing good results. Big Data is a computing model focused on processing and storing information in high volume and can be applied to the most diverse environments, public and private, that seek to ensure agility and efficiency in data processing. The Artificial Intelligence algorithms run in the Big Data environment and establish an effective communication between these two fields, which are, at the same time, different and complementary.

Artificial Intelligence can replace human beings in production activities and can also increase their productivity to the maximum. According to data presented by Accenture in one of its surveys, by 2035, Artificial Intelligence will contribute to an increase of up to 40% in the productivity of the industrial sector, reducing costs and increasing the production of manufactures around the globe. A neural network of an Artificial Intelligence system is capable of analyzing more than a billion data in a few seconds, being an incredible tool to support a decision maker within a company, thus guaranteeing the best option among the possible ones. As the data collected is constantly updated, the Artificial Intelligence ​​systems always update their results as well, allowing managers to have access to recent information on variations that have occurred in the company’s operating market.

In addition to their use in production systems, the main applications of artificial intelligence in management, at the moment, are the following: 1) Chatbots that use language to talk to people in a natural and pre-programmed way, recognize names and phone numbers and reproduce human behavior; 2) Management applications that are useful to identify which employees are performing tasks more efficiently and, with this type of tool, to assist managers in decision making; 3) Personal assistant that is used to schedule meetings, schedules and daily activities, one of the best known being Siri present in Apple products; 4) Security mechanisms both in digital attacks and in everyday situations, such as events. In the digital part, the most common example is internet banking; 5) Predictions with machines equipped with artificial intelligence that can be used in marketing campaigns, for example, to predict different scenarios and possible results. From the captured data, the manager will have more information at his disposal to determine the paths that the company should follow according to the expected result of the strategy; 6) Sales and marketing to provide better quality customer service. Customization of customer service provides practicality and comfort. Machine learning is an application in which the system learns to act on its own without having to be programmed for the new function; 7) Teaching in which computer technology is used as a “teacher” that is available to students 24 hours a day.

In medicine, the main applications of artificial intelligence at the moment are the following: 1) AI-Assisted Robotic Surgery through which robots can analyze data from preoperative medical records to guide a surgeon’s instrument during surgery that is considered “minimally invasive” ”For patients; 2) Virtual Nursing Assistants in which virtual nurses will be available and can answer questions, monitor patients and provide quick answers; 3) Aid to the Judgment or Clinical Diagnosis in which algorithms examine medical records, habits and genetic information of patients; 4) Workflow and Administrative Tasks with the use of technologies that can help to order exams, prescribe medications and write notes in graphs; and, 5) Medical Image Analysis using an algorithm that can analyze 3D scans up to 1,000 times faster than is possible today.

In engineering, the main applications are as follows: 1) Routine tasks with the use of a robot capable of reproducing various human tasks on a construction site, such as handling construction materials and assembling structures systematically with millimeter precision with a rate of error close to zero; 2) Big Data, which is a technology that can be applied to analyze the situation of the work in the most diverse construction sites; 3) 3D printing to assemble precast and prefabricated structures; 4) Intelligent Buildings with Artificial Intelligence that, in addition to the physical structure design, makes the planning of an intelligent infrastructure, capable of facilitating users’ lives; 5) More efficient management with the use of Robot Process Automation (RPA), which is a robot created to manipulate digital systems, cross-check data and eliminate the errors that would happen if a person assumed this task; and, 6) Customer service to program customer service robots.

Machine learning is a field of computer science that gives computers the ability to learn without being explicitly programmed. Arthur Samuel, an American pioneer in the field of computer games and artificial intelligence, coined the term “machine learning” in 1959, while working at IBM. Machine learning is closely related to computational statistics (and often overlapping), which also focuses on creating predictions with computers. It has strong links with mathematical optimization, which provides methods, theory and fields of application to the field. In data analysis, machine learning is a method used to design complex models and algorithms that lend themselves to prediction. In commercial use, this is known as predictive analytics. These analytical models allow researchers, data scientists, engineers and analysts to “produce reliable and repeatable decisions and results” and discover “hidden insights” by learning historical relationships and trends in the data.

In 1950, British computer scientist Alan Turing was already speculating about the emergence of thinking machines in his work “Computing Machinery and Intelligence”, and the term “artificial intelligence” (AI) was coined in 1956 by the scientist John McCarthy. In the 1990s, the artificial intelligence community set aside a logic-based approach, which involved creating rules to guide a computer how to act, for a statistical approach, using databases and asking the machine to analyze and solve them problems on their own. Experts believe that machine intelligence will match that of humans by 2050, thanks to a new era in their ability to learn. Computers are already beginning to assimilate information from collected data. This means that we are creating machines that can teach themselves and also how to communicate by simulating human speech, as with smartphones and their virtual assistant systems.

Thanks to advances in artificial intelligence, the business world is facing huge transformations. It is a new era in which the fundamental rules that regulated the activities of organizations are being rewritten. Artificial intelligence systems do not just mean automating many processes to make them more efficient. These Artificial intelligence systems are making the world go through a fundamental transition with machines developing beyond their historic role as a tool by becoming “self-employed workers”. As a result, AI systems are therefore changing the true nature of the work that is requiring management of operations with machines and workers to be processed quite differently from the past.

In recent years, we have seen surprising progress in areas such as independent learning, forecasting, autonomous navigation, computer vision and video gameplay. Computers can now trade shares on the order of milliseconds, automated cars are increasingly appearing on our streets and artificially intelligent assistants have invaded our homes. The coming years will present us with even more advances, with Artificial Super Intelligence through machines that can learn from their own experiences, adapt to new situations and understand abstractions and analogies. Human-level machine intelligence has a good chance of being developed until the middle of the 21st century, which can result in Artificial Super Intelligence. Artificial Super Intelligence will be the first technology to potentially surpass humans in all dimensions. Until now, human beings have had a monopoly on decision-making and therefore have control over everything. With Artificial Super Intelligence, this can end. A wide range of consequences can occur, including extremely good consequences and consequences as bad as the extinction of the human species.

Even if Artificial Super Intelligence produces benefits for humanity, there is a risk that it will be used for evil and not for the good of humanity. The immediate consequence of the progress of artificial intelligence is the rise of unemployment. This negative social effect is already happening and is inevitable because it results from economic forces that are out of control. Artificial intelligence is positive for the capitalist who will use it to face his competitors in a more competitive way, since it would provide, among other advantages, the increase of his productivity and the reduction of his costs. However, it would also be extremely negative for the capitalist system because it tends to reduce the income available to the mass of workers excluded from production, thus contributing to the fall in the demand for products and services and, consequently, the profits earned. Its impact on society would be devastating with mass unemployment resulting from its widespread use. The risk that Artificial Super Intelligence is used to the detriment of humanity is very great because it can be used for evil in an act of despair by the capital holders to repress social movements as a weapon to maintain at all costs the dying capitalist system which will end to an end in the middle of the 21st century.

There is also a risk that the Super Intelligence Artificial will be used by the great powers to develop armaments more powerful than the current ones to defend their interests and impose their will on the world scene. If the great powers embark on an arms race with the use of Artificial Super Intelligence against rival nations, an armed Artificial Super  Intelligence could get out of control, either in peacetime or during a war. An Artificial Super Intelligence could intentionally end humanity by destroying our planet’s atmosphere or biosphere with self-replicating nanotechnology, or it could fire all of our nuclear weapons, unleash a robot apocalypse like in the Terminator, or unleash some powers of physics that we do not even know about.

Artificial Super Intelligence can also represent the extinction of the human race, according to scientist Stephen Hawking, who published an article addressing this issue on May 1, 2014 in The Independent. Hawking said that technologies are developing at such a dizzying pace that they will become uncontrollable to the point of endangering humanity. Hawking concludes: today, there would be time to stop; tomorrow it would be too late.

The Artificial Super Intelligence will, however, be able to make a decisive contribution towards scientific and technological advances, aiming to provide humanity with the necessary resources to face the threats coming from outer space and seek solutions for human beings to develop technologies capable of taking them to new habitats in the solar system and out of it in search of its survival with the increase in the distance from the Moon in relation to the Earth, with the collision of the Andromeda and Milky Way galaxies, the death of the Sun and the end of the Universe in which we live. With machines smarter than we are, with Artificial Super intelligence, humanity will be able to use them to solve scientific and technological problems that ensure the survival of the human species even with the end of the Universe in which we live by paving the way for parallel universes. If artificial brains ever surpass the intelligence of human brains, then this new superintelligence can become very powerful. Humanity’s fate would therefore become dependent on the actions of these superintelligent machines.

Until now, human beings have had a monopoly on decision-making and therefore have control over everything. With Artificial Super Intelligence, this can end. Artificial Superintelligence has the potential to profoundly transform human society in a positive way, but also in a negative way if it gets out of hand and turns against humanity. The short-term impact of Artificial Super Intelligence depends on who controls it, but the long-term impact depends on whether it can really be controlled. Bostrom states in his book Superinteligência (Super intelligence) that Artificial Super Intelligence poses a risk that threatens the premature extinction of intelligent life on Earth, or the permanent and drastic destruction of its potential for a desirable future development [BOSTROM, Nick. Superinteligência (Superintelligence). Rio: DarkSide Books, 2018].

Bostrom explained that Artificial Super Intelligence requires that better control mechanisms be developed. Bostrom says that we will need to have these control mechanisms before creating smart systems by attracting the leading experts in mathematics and computer science into this field. He suggests that is necessary a strong research collaboration between researchers of the Artificial Super Intelligence security and Artificial Super Intelligence development, and for all parties involved to incorporate the Common Good Principle into all long-term AI projects. This is a unique technology, he said, that must be developed for the common good of humanity.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

L’AVENT DE LA SUPER INTELLIGENCE ARTIFICIELLE ET SES IMPACTS

Fernando Alcoforado*

Depuis le développement de l’ordinateur numérique dans les années 40, il a été démontré que les ordinateurs peuvent être programmés pour effectuer des tâches très complexes – comme, par exemple, prouver des théorèmes mathématiques ou jouer aux échecs – avec une grande compétence. Malgré les progrès constants de la vitesse et de la capacité de mémoire du traitement informatique, il n’existe toujours aucun programme capable de combiner les capacités humaines dans des domaines plus larges ou dans des tâches qui nécessitent beaucoup de connaissances. D’autre part, certains programmes ont atteint les niveaux de performance des spécialistes dans l’exécution de certaines tâches spécifiques, de sorte que l’intelligence artificielle dans ce sens limité se trouve dans des applications aussi diverses que, par exemple, le diagnostic médical et la reconnaissance vocale.

L’intelligence artificielle (IA) est déjà largement utilisée dans les systèmes de production. Dans la gestion des systèmes productifs, la Business Intelligence et le Big Data sont utilisés. La Business Intelligence envisage l’utilisation de la collecte, de l’organisation, de l’analyse, de l’action et de la surveillance des données qui nécessitent un logiciel robuste pour prendre de meilleures décisions et savoir si les investissements réalisés donnent de bons résultats. Le Big Data est un modèle informatique axé sur le traitement et le stockage d’informations en grand volume et peut être appliqué aux environnements les plus divers, publics et privés, qui cherchent à garantir l’agilité et l’efficacité du traitement des données. Les algorithmes d’Intelligence Artificielle fonctionnent dans l’environnement Big Data et établissent une communication efficace entre ces deux domaines, qui sont à la fois différents et complémentaires.

L’intelligence artificielle peut remplacer les êtres humains dans les activités de production et peut également augmenter leur productivité au maximum. Selon les données présentées par Accenture dans l’une de ses enquêtes, d’ici 2035, l’intelligence artificielle contribuera à une augmentation pouvant atteindre 40% de la productivité du secteur industriel, réduisant les coûts et augmentant la production de produits manufacturés dans le monde entier. Un réseau neuronal d’un système d’intelligence artificielle est capable d’analyser plus d’un milliard de données en quelques secondes, étant un outil incroyable pour soutenir un décideur au sein d’une entreprise, garantissant ainsi la meilleure option parmi les possibles. Comme les données collectées sont constamment mises à jour, les systèmes d’intelligence artificielle mettent également à jour toujours leurs résultats, permettant aux managers d’avoir accès à des informations récentes sur les variations du marché d’exploitation de l’entreprise.

En plus de leur utilisation dans les systèmes de production, les principales applications de l’intelligence artificielle en gestion sont actuellement les suivantes: 1) Les chatbots qui utilisent le langage pour parler aux gens de manière naturelle et préprogrammée, reconnaître les noms et les numéros de téléphone et reproduire le comportement humain; 2) des applications de gestion utiles pour identifier les employés qui exécutent les tâches plus efficacement et, avec ce type d’outil, pour aider les gestionnaires dans la prise de décision; 3) Assistant personnel utilisé pour planifier des réunions, des horaires et des activités quotidiennes, l’un des plus connus étant Siri présent dans les produits Apple; 4) Mécanismes de sécurité à la fois dans les attaques numériques et dans les situations quotidiennes, telles que les événements. Dans la partie numérique, l’exemple le plus courant est la banque par Internet; 5) Prédictions avec des machines équipées d’intelligence artificielle pouvant être utilisées dans des campagnes marketing, par exemple, pour prévoir différents scénarios et résultats possibles. A partir des données saisies, le manager aura plus d’informations à sa disposition pour déterminer les chemins que l’entreprise doit suivre en fonction du résultat attendu de la stratégie; 6) Ventes et marketing pour fournir un service client de meilleure qualité. La personnalisation du service client offre praticité et confort. L’apprentissage automatique est une application dans laquelle le système apprend à agir seul sans avoir à être programmé pour la nouvelle fonction; 7) Enseignement dans lequel la technologie informatique est utilisée en tant que «professeur» accessible aux étudiants 24h / 24.

En médecine, les principales applications de l’intelligence artificielle en ce moment sont les suivantes: 1) Chirurgie robotique assistée par l’IA grâce à laquelle les robots peuvent analyser les données des dossiers médicaux préopératoires pour guider l’instrument d’un chirurgien pendant la chirurgie qui est considérée comme «mini-invasive» ”Pour les patients; 2) Assistants infirmiers virtuels dans lesquels des infirmières virtuelles seront disponibles et pourront répondre aux questions, surveiller les patients et fournir des réponses rapides; 3) Aide au jugement ou au diagnostic clinique dans laquelle les algorithmes examinent les dossiers médicaux, les habitudes et les informations génétiques des patients; 4) Flux de travail et tâches administratives avec l’utilisation de technologies qui peuvent aider à commander des examens, à prescrire des médicaments et à écrire des notes dans des graphiques; et, 5) l’analyse d’images médicales à l’aide d’un algorithme qui peut analyser les numérisations 3D jusqu’à 1 000 fois plus rapidement qu’aujourd’hui.

En ingénierie, les principales applications sont les suivantes: 1) Tâches de routine avec utilisation d’un robot capable de reproduire diverses tâches humaines sur un chantier de construction, telles que la manutention de matériaux de construction et l’assemblage de structures systématiquement avec une précision millimétrique avec un taux de erreur proche de zéro; 2) Big Data, qui est une technologie qui peut être appliquée pour analyser la situation des travaux dans les chantiers les plus divers; 3) impression 3D pour assembler des structures préfabriquées; 4) Bâtiments intelligents avec intelligence artificielle qui, en plus de la conception de la structure physique, rendent la planification d’une infrastructure intelligente, capable de faciliter la vie des utilisateurs. 5) Une gestion plus efficace avec l’utilisation de Robot Process Automation (RPA), qui est un robot créé pour manipuler les systèmes numériques, recouper les données et éliminer les erreurs qui se produiraient si une personne assumait cette tâche; et 6) service à la clientèle pour programmer des robots de service à la clientèle.

L’apprentissage automatique est un domaine de l’informatique qui donne aux ordinateurs la possibilité d’apprendre sans être explicitement programmé. Arthur Samuel, un pionnier américain dans le domaine des jeux informatiques et de l’intelligence artificielle, a inventé le terme “machine learning” en 1959, alors qu’il travaillait chez IBM. L’apprentissage automatique est étroitement lié aux statistiques de calcul (et se chevauchent souvent), qui se concentrent également sur la création de prédictions à l’aide d’ordinateurs. Il a des liens solides avec l’optimisation mathématique, qui fournit des méthodes, une théorie et des champs d’application au domaine. En analyse de données, l’apprentissage automatique est une méthode utilisée pour concevoir des modèles et des algorithmes complexes qui se prêtent à la prédiction. Dans une utilisation commerciale, ceci est connu sous le nom d’analyse prédictive. Ces modèles analytiques permettent aux chercheurs, aux scientifiques des données, aux ingénieurs et aux analystes de “produire des décisions et des résultats fiables et reproductibles” et de découvrir des “perspectives cachées” en apprenant les relations historiques et les tendances dans les données.

En 1950, l’informaticien britannique Alan Turing spéculait déjà sur l’émergence de machines à penser dans son ouvrage “Computing Machinery and Intelligence”, et le terme “intelligence artificielle” (AI) a été inventé en 1956 par le scientifique John McCarthy. Dans les années 1990, la communauté de l’intelligence artificielle a mis de côté une approche logique, qui consistait à créer des règles pour guider un ordinateur comment agir, pour une approche statistique, à l’aide de bases de données et à demander à la machine de les analyser et de les résoudre problèmes par eux-mêmes. Les experts estiment que l’intelligence artificielle correspondra à celle des humains d’ici 2050, grâce à une nouvelle ère dans leur capacité à apprendre. Les ordinateurs commencent déjà à assimiler les informations des données collectées. Cela signifie que nous créons des machines qui peuvent apprendre elles-mêmes et aussi comment communiquer en simulant la parole humaine, comme avec les smartphones et leurs systèmes d’assistant virtuel.

Grâce aux progrès de l’intelligence artificielle, le monde des affaires est confronté à d’énormes transformations. C’est une nouvelle ère où les règles fondamentales qui régissaient les activités des organisations sont en train d’être réécrites. Les systèmes d’intelligence artificielle ne signifient pas seulement l’automatisation de nombreux processus pour les rendre plus efficaces. Ces systèmes d’intelligence artificielle font traverser le monde à une transition fondamentale avec des machines qui se développent au-delà de leur rôle historique d’outil en devenant «travailleurs indépendants». En conséquence, les systèmes d’intelligence artificielle changent donc la véritable nature du travail qui nécessite un traitement de la gestion des opérations avec des machines et des travailleurs très différent du passé.

Ces dernières années, nous avons constaté des progrès surprenants dans des domaines tels que l’apprentissage indépendant, les prévisions, la navigation autonome, la vision par ordinateur et le gameplay vidéo. Les ordinateurs peuvent désormais échanger des actions de l’ordre des millisecondes, des voitures automatisées apparaissent de plus en plus dans nos rues et des assistants artificiellement intelligents ont envahi nos maisons. Les années à venir nous présenteront encore plus de progrès, avec la Super Intelligence Artificielle à travers des machines qui peuvent apprendre de leurs propres expériences, s’adapter à de nouvelles situations et comprendre les abstractions et les analogies. L’intelligence artificielle au niveau humain a de bonnes chances d’être développée jusqu’au milieu du 21e siècle, ce qui peut entraîner une Super Intelligence Artificielle. La Super Intelligence Artificielle sera la première technologie à potentiellement dépasser les humains dans toutes les dimensions. Jusqu’à présent, les êtres humains ont le monopole de la prise de décision et ont donc le contrôle sur tout. Avec la Super Intelligence Artificielle, cela peut s’arrêter. Un large éventail de conséquences peut se produire, y compris des conséquences extrêmement bonnes et des conséquences aussi graves que l’extinction de l’espèce humaine.

Même si la Super Intelligence Artificielle produit des avantages pour l’humanité, il existe un risque qu’elle soit utilisée pour le mal et non pour le bien de l’humanité. La conséquence immédiate du progrès de l’intelligence artificielle est la montée du chômage. Cet effet social négatif se produit déjà et est inévitable car il résulte de forces économiques incontrôlables. L’intelligence artificielle est positive pour le capitaliste qui l’utilisera pour affronter ses concurrents de manière plus compétitive, car elle apporterait, entre autres avantages, l’augmentation de sa productivité et la réduction de ses coûts. Cependant, il serait également extrêmement négatif pour le système capitaliste car il tend à réduire les revenus disponibles pour la masse des travailleurs exclus de la production, contribuant ainsi à la baisse de la demande de produits et services et, par conséquent, des bénéfices réalisés. Son impact sur la société serait dévastateur avec un chômage de masse résultant de son utilisation généralisée. Le risque que la Superintelligence Artificielle soit utilisée au détriment de l’humanité est très grand car elle peut être utilisée pour le mal dans un acte de désespoir par les détenteurs de capital pour réprimer les mouvements sociaux comme une arme pour maintenir à tout prix le système capitaliste mourant qui prendre fin au milieu du 21e siècle.

Il existe également un risque que la Super Intelligence Artificielle soit utilisée par les grandes puissances pour développer des armements plus puissants que les actuels pour défendre leurs intérêts et imposer leur volonté sur la scène mondiale. Si les grandes puissances se lancent dans une course aux armements avec l’utilisation de la superintelligence artificielle contre des nations rivales, une Super Intelligence Artificielle armée pourrait échapper à tout contrôle, soit en temps de paix, soit pendant une guerre. Une Super Intelligence Artificielle pourrait intentionnellement mettre fin à l’humanité en détruisant l’atmosphère ou la biosphère de notre planète avec des nanotechnologies auto-reproductibles, ou elle pourrait tirer toutes nos armes nucléaires, déclencher une apocalypse de robot comme dans le Terminator, ou libérer des pouvoirs physiques que nous ne connaissons même pas.

Il existe des scénarios extrêmement négatifs tels que les machines superintelligentes elles-mêmes décidant de détruire les êtres humains, par exemple, mettant fin à notre civilisation et à notre infrastructure. La Super Intelligence Artificielle peut également représenter l’extinction de la race humaine, selon le scientifique Stephen Hawking, qui a publié un article traitant de cette question le 1er mai 2014 dans The Independent. Hawking a déclaré que les technologies se développent à un rythme si vertigineux qu’elles deviendront incontrôlables au point de mettre en danger l’humanité. Hawking conclut: aujourd’hui, il serait temps de s’arrêter; demain, il serait trop tard.

La Super Intelligence Artificielle pourra cependant apporter une contribution décisive aux avancées scientifiques et technologiques, visant à fournir à l’humanité les ressources nécessaires pour faire face aux menaces provenant de l’espace extra-atmosphérique et rechercher des solutions pour que les êtres humains développent des technologies capables de les emmener dans de nouveaux habitats du système solaire et hors d’elle à la recherche de sa survie avec l’augmentation de la distance de la Lune à la Terre, avec la collision des galaxies d’Andromède et de la Voie Lactée, la mort du Soleil et la fin de l’Univers dans lequel nous vivons. Avec des machines plus intelligentes que nous, avec la Super Intelligence Artificielle, l’humanité pourra les utiliser pour résoudre des problèmes scientifiques et technologiques qui assurent la survie de l’espèce humaine même avec la fin de l’Univers dans lequel nous vivons en ouvrant la voie à des univers parallèles. Si un jour, les cerveaux artificiels surpasseront l’intelligence du cerveau humain, de sorte que cette nouvelle superintelligence peut devenir très puissante. Le sort de l’humanité deviendrait donc dépendant des actions de ces machines superintelligentes.

Jusqu’à présent, les êtres humains ont le monopole de la prise de décision et ont donc le contrôle sur tout. Avec la superintelligence artificielle, cela peut s’arrêter. La Super Intelligence Artificielle a le potentiel de transformer profondément la société humaine d’une manière positive, mais aussi négative si elle devient incontrôlable et se retourne contre l’humanité. L’impact à court terme de la Super intelligence Artificielle dépend de la personne qui la contrôle, mais l’impact à long terme dépend de sa capacité réelle à la contrôler. Bostrom déclare dans son livre Superinteligência (Superintelligence) que la superintelligence artificielle pose un risque qui menace l’extinction prématurée de la vie intelligente sur Terre, ou la destruction permanente et drastique de son potentiel pour un développement futur souhaitable [BOSTROM, Nick. Superinteligência (Superintelligence). Rio: DarkSide Books, 2018].

Bostrom a expliqué que la super intelligence artificielle exige que de meilleurs mécanismes de contrôle soient développés. Bostrom dit que nous aurons besoin de ces mécanismes de contrôle avant de créer des systèmes intelligents en attirant les meilleurs experts en mathématiques et en informatique dans ce domaine. Il suggère qu’il existe une forte collaboration de recherche entre la communauté de la sécurité de la Super Intelligence Artificielle et la communauté de développement de la Super Intelligence Artificielle, et que toutes les parties impliquées intègrent le principe du bien commun dans tous les projets d’Intelligence Artificiel à long terme. Il s’agit d’une technologie unique, a-t-il dit, qui doit être développée pour le bien commun de l’humanité.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

O ADVENTO DA SUPERINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SEUS IMPACTOS

Fernando Alcoforado*

Desde o desenvolvimento do computador digital na década de 1940, ficou demonstrado que os computadores podem ser programados para realizar tarefas muito complexas – como, por exemplo, comprovar teoremas matemáticos ou jogar xadrez – com grande proficiência. Ainda assim, apesar dos progressos contínuos na velocidade e na capacidade de memória do processamento de computadores, ainda não existem programas que possam combinar a capacidade humana em domínios mais amplos ou em tarefas que exigem muito conhecimento. Por outro lado, alguns programas alcançaram os níveis de desempenho de especialistas na realização de certas tarefas específicas, de modo que a inteligência artificial neste sentido limitado é encontrada em aplicações tão diversas como, por exemplo, diagnóstico médico e reconhecimento de voz.

A inteligência artificial (IA) já está sendo bastante utilizada em sistemas produtivos. Na gestão de sistemas produtivos são utilizados o Business Inteligence e o Big Data. Business Inteligence contempla o uso da coleta de dados, organização, análise, ação e monitoramento que requer softwares robustos para tomar melhores decisões e saber se os investimentos feitos estão trazendo bons resultados. O Big Data   é um modelo de computação focado no processamento e armazenamento de informações em grande volume podendo ser aplicada aos mais diversos ambientes, públicos e privados, que buscam garantir agilidade e eficiência ao processamento de dados. Os algoritmos da Inteligência Artificial rodam no ambiente de Big Data e estabelecem uma comunicação efetiva entre esses dois campos, que são, ao mesmo tempo, diferentes e complementares.

A Inteligência Artificial pode substituir o ser humano nas atividades de produção podendo, também, aumentar ao máximo a sua produtividade. Segundo dados expostos pela Accenture em uma de suas pesquisas, até 2035, a Inteligência Artificial contribuirá para um aumento de até 40% da produtividade do setor industrial, diminuindo custos e aumentando a produção de manufaturas ao redor do globo. Uma rede neural de um sistema de Inteligência Artificial é capaz de analisar mais de um bilhão de dados em poucos segundos, sendo uma ferramenta incrível para apoiar um tomador de decisões dentro de uma empresa, garantindo, assim, a melhor opção dentre as possíveis. Como os dados coletados são constantemente atualizados, os sistemas de Inteligência Artificial sempre atualizam, também, seus resultados, viabilizando que os gestores tenham acesso a informações recentes de variações ocorridas no mercado de atuação da empresa.

Além da utilização em sistemas produtivos, as principais aplicações da inteligência artificial em gestão, no momento atual,  são as seguintes: 1) Chatbots que utilizam a linguagem para conversar com as pessoas de maneira natural e pré-programada, reconhecem nomes e números de telefones e reproduzem o comportamento humano; 2) Aplicações de gestão que são úteis para identificar quais colaboradores estão desempenhando as tarefas com mais eficiência e, com esse tipo de ferramenta, auxiliar a tomada de decisão de gestores; 3) Assistente pessoal que é utilizada para marcar reuniões, horários na agenda e atividades do cotidiano sendo uma das mais conhecidas a Siri presente nos produtos da Apple; 4) Mecanismos de segurança tanto em ataques digitais quanto em situações do cotidiano, como eventos. Na parte digital, o exemplo mais comum é o internet banking; 5) Predições com máquinas equipadas com inteligência artificial que pode ser utilizada em campanhas de marketing, por exemplo, para prever diferentes cenários e possíveis resultados. A partir dos dados captados, o gestor terá mais informação à sua disposição para determinar os caminhos que a empresa deve seguir de acordo com o resultado esperado da estratégia; 6) Vendas e marketing para proporcionar um atendimento de melhor qualidade ao cliente. A personalização do atendimento ao consumidor disponibiliza praticidade e conforto. O machine learning é uma aplicação em que o sistema aprende a agir por sua conta sem ter que ser programado para a nova função; 7) Ensino em que é utilizada a tecnologia de computação como “professor” que fica disponível para os alunos 24 horas por dia.

Em medicina, as principais aplicações da inteligência artificial no momento são as seguintes: 1) Cirurgia Robótica Assistida por IA através da qual robôs podem analisar dados de prontuários pré-operatórios para guiar o instrumento de um cirurgião durante a cirurgia que é considerada “minimamente invasiva” para os pacientes; 2) Auxiliares Virtuais de Enfermagem em que enfermeiros virtuais estarão disponíveis podendo responder perguntas, monitorar pacientes e fornecer respostas rápidas; 3) Auxílio ao Julgamento ou Diagnóstico Clínico em que algoritmos examinam registros médicos, hábitos e informações genéticas de pacientes; 4) Fluxo de Trabalho e Tarefas Administrativas com o uso de tecnologias que podem ajudar a solicitar exames, prescrever medicamentos e escrever anotações em gráficos; e, 5) Análise de Imagens Médicas com o uso de um algoritmo que pode analisar digitalizações em 3D até 1.000 vezes mais rápido do que é possível hoje.

Em engenharia, as principais aplicações são as seguintes: 1) Tarefas rotineiras com o uso de robô capaz de reproduzir diversas tarefas humanas em um canteiro de obras como na manipulação de materiais de construção e montagem das estruturas sistematicamente com uma precisão milimétrica com uma taxa de erro próxima de zero; 2) Big Data que é uma tecnologia que pode ser aplicada para analisar a situação da obra nos mais diversos canteiros de obras; 3) Impressão 3D para montar estruturas pré-moldadas e pré-fabricadas; 4) Prédios inteligentes com Inteligência Artificial que, além do projeto de estrutura física faz o planejamento de uma infraestrutura inteligente, capaz de facilitar a vida dos usuários.; 5) Gestão mais eficiente com o uso do Robot Process Automation (RPA), que é um robô criado para manipular sistemas digitais, realizar o cruzamento de dados e eliminar os erros que aconteceriam caso uma pessoa assumisse essa tarefa; e, 6) Atendimento ao cliente para programar robôs de atendimento de clientes.

O aprendizado de máquina (machine learning) é um campo de ciência da computação que dá aos computadores a capacidade de aprender sem serem explicitamente programados. Arthur Samuel, um pioneiro norte-americano no campo de jogos de computador e inteligência artificial, cunhou o termo “Aprendizado de máquinas” em 1959, quando trabalhava na IBM. O aprendizado de máquina está intimamente relacionado com as estatísticas computacionais (e muitas vezes se sobrepõem), que também se concentra na criação de previsão através do uso de computadores. Tem fortes laços com a otimização matemática, que fornece métodos, teoria e domínios de aplicação ao campo. Na análise de dados, o aprendizado de máquina é um método usado para conceber modelos e algoritmos complexos que se prestam à predição. Em uso comercial, isso é conhecido como análise preditiva. Esses modelos analíticos permitem que pesquisadores, cientistas de dados, engenheiros e analistas “produzam decisões e resultados confiáveis ​​e repetíveis” e descobrem “insights ocultos” através da aprendizagem de relacionamentos históricos e tendências nos dados.

Em 1950, o cientista da computação britânico Alan Turing já especulava sobre o surgimento de máquinas pensantes (thinking machines) em sua obra “Computing Machinery and Intelligence”, e o termo “inteligência artificial” (IA) foi cunhado, em 1956, pelo cientista John McCarthy. Na década de 1990, a comunidade dedicada à inteligência artificial deixou de lado uma abordagem baseada na lógica, que envolvia criar regras para orientar um computador como agir, para uma abordagem estatística, usando bases de dados e pedindo para a máquina analisá-los e resolver problemas por conta própria. Especialistas acreditam que a inteligência das máquinas se equiparará à de humanos até 2050, graças a uma nova era na sua capacidade de aprendizado. Computadores já estão começando a assimilar informações a partir de dados coletados. Isso significa que estamos criando máquinas que podem ensinar a si mesmas e também a se comunicar simulando a fala humana, como acontece com os smartphones e seus sistemas de assistentes virtuais.

Graças aos avanços na inteligência artificial, o mundo dos negócios se encontra diante de gigantescas transformações. É uma nova era na qual as regras fundamentais que regulavam as atividades das organizações estão sendo reescritas. Sistemas de inteligência artificial não significam apenas a automação de muitos processos para fazê-los mais eficientes. Estes sistemas de Inteligência Artificial estão fazendo o mundo passar por uma transição fundamental com as máquinas se desenvolvendo além do seu histórico papel como ferramenta ao se transformarem em “trabalhadores autônomos”.  Em consequência, os sistemas de Inteligência Artificial estão mudando, portanto, a verdadeira natureza do trabalho que está a exigir que a gestão das operações com máquinas  e trabalhadores seja processada de forma bastante diferente em relação ao passado.

Nos últimos anos, assistimos a progressos surpreendentes em áreas como aprendizagem independente, previsão, navegação autônoma, visão computacional e gameplay de vídeo. Os computadores agora podem negociar ações na ordem de milissegundos, carros automatizados estão aparecendo cada vez mais em nossas ruas e assistentes artificialmente inteligentes invadiram nossas casas. Os próximos anos vão nos apresentar ainda mais avanços, com a Superinteligência Artificial através de máquinas que podem aprender com suas próprias experiências, adaptar-se a situações novas e compreender abstrações e analogias. A inteligência de máquina de nível humano tem boas chances de ser desenvolvida até a metade do século XXI da qual pode resultar a Superinteligência Artificial. A Superinteligência Artificial será a primeira tecnologia a superar potencialmente os humanos em todas as dimensões. Até agora, os seres humanos tiveram o monopólio da tomada de decisões e, portanto, tinham controle sobre tudo. Com a Superinteligência Artificial, isso pode acabar. Uma ampla gama de consequências poderá ocorrer, incluindo consequências extremamente boas e consequências tão ruins quanto a extinção da espécie humana.

Mesmo que a Superinteligência Artificial produza benefícios para a humanidade, há o risco de que ela seja utilizada para o mal e não para o bem da humanidade. A imediata consequência do progresso da inteligência artificial é o avanço do desemprego. Este efeito social negativo já está acontecendo e é inevitável porque resulta de forças econômicas que estão fora de controle. A inteligência artificial é positiva para o capitalista que fará uso dela para enfrentar seus concorrentes de forma mais competitiva haja vista que proporcionaria, entre outras vantagens, o aumento de sua produtividade e a redução de seus custos. No entanto, seria, também, extremamente negativa para o sistema capitalista porque tende a reduzir a renda à disposição da massa dos trabalhadores excluídos da produção contribuindo, desta forma, para a queda na demanda de produtos e serviços e, consequentemente, dos lucros auferidos. Seu impacto sobre a sociedade seria devastador com o desemprego em massa resultante de sua utilização em larga escala. O risco de que a Superinteligência Artificial seja utilizada em prejuízo da humanidade é muito grande porque pode ser utilizada para o mal em ato de desespero pelos detentores do capital para reprimir os movimentos sociais como arma para manter a todo o custo o moribundo sistema capitalista que deve chegar ao fim em meados do século XXI.

Há, também, o risco de que a Superinteligência Artificial ser utilizada pelas grandes potências para desenvolver armamentos mais poderosos do que os atuais para defender seus interesses e impor sua vontade na cena mundial. Se as grandes potências embarcarem em uma corrida armamentista com o uso de Superinteligência Artificial contra nações rivais, uma Superinteligência Artificial armada poderia sair do controle, seja em tempo de paz ou durante uma guerra. Uma Superinteligência Artificial poderia intencionalmente acabar com a humanidade destruindo a atmosfera ou a biosfera do nosso planeta com nanotecnologia auto-replicadora ou poderia disparar todas as nossas armas nucleares, desencadear um apocalipse robô como no Exterminador do futuro ou liberar alguns poderes da física que sequer conhecemos.

Existem cenários extremamente negativos como o das próprias máquinas superinteligentes decidirem destruir os seres humanos, por exemplo, acabando com nossa civilização e infraestrutura. A Superinteligência Artificial pode representar, também, a extinção da raça humana, segundo o cientista Stephen Hawking que publicou artigo abordando esta questão em 1º de maio de 2014 no jornal The Independent. Hawking afirmou que as tecnologias se desenvolvem em um ritmo tão vertiginoso que elas se tornarão incontroláveis ao ponto de colocar a humanidade em perigo. Hawking conclui: hoje, haveria tempo de parar; amanhã seria tarde demais.

A Superinteligência Artificial poderá, entretanto, contribuir decisivamente pata o avanço científico e tecnológico visando dotar a humanidade dos recursos necessários para enfrentar as ameaças vindas do espaço sideral e buscar soluções para os seres humanos desenvolverem tecnologias capazes de levá-los para novos habitats no sistema solar e fora dele em busca de sua sobrevivência com o afastamento da Lua em relação à Terra, com a colisão entre as galáxias Andrômeda e Via Láctea, a morte do Sol e o fim do Universo em que vivemos. Com máquinas mais inteligentes do que nós, com a Superinteligência Artificial, a humanidade poderá se utilizar delas para solucionar problemas científicos e tecnológicos que assegurem a sobrevivência da espécie humana até mesmo com o fim do Universo em que vivemos ao abrir caminho para universos paralelos. Se algum dia os cérebros artificiais superarem a inteligência dos cérebros humanos, então esta nova superinteligência pode se tornar muito poderosa. O destino da humanidade se tornaria, portanto, dependente das ações destas máquinas superinteligentes.

Até agora, os seres humanos tiveram o monopólio da tomada de decisões e, portanto, tinham controle sobre tudo. Com a Superinteligência Artificial, isso pode acabar. A Superinteligência Artificial tem o potencial de transformar profundamente a sociedade humana de forma positiva, mas também de forma negativa se ela sair do controle e se voltar contra a humanidade. O impacto de curto prazo da Superinteligência Artificial depende de quem a controla, mas o impacto a longo prazo depende de saber se ela pode mesmo ser controlada. Nick Bostrom afirma em seu livro Superinteligência que a Superinteligência Artificial representa um risco que ameaça a extinção prematura de vida inteligente na Terra, ou a destruição permanente e drástica de seu potencial para um desenvolvimento futuro desejável (BOSTROM, Nick. Superinteligência. Rio: DarkSide Books, 2018).

Bostrom explicou que a Superinteligência Artificial requer que sejam desenvolvidos  melhores mecanismos de controle. Bostrom afirma que precisaremos ter esses mecanismos de controle antes de criar os sistemas inteligentes atraindo os maiores especialistas em matemática e ciência da computação para esse campo. Ele sugere que haja uma forte colaboração de pesquisa entre a comunidade de segurança e a de desenvolvimento da Superinteligência Artificial, e para que todas as partes envolvidas incorporem o Princípio do Bem Comum em todos os projetos de Inteligência Artificial  de longo prazo. Esta é uma tecnologia única, disse Bostrom, que deve ser desenvolvida para o bem comum da humanidade.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CORONAVIRUS ET SES IMPACTS SUR L’ÉCONOMIE MONDIALE

Fernando Alcoforado*

L’article de The Economist du 27/02/2020, sous le titre The pandemic- The virus is coming (La pandémie – Le virus arrive), informe que le coronavirus (covid-19) qui a atteint la Chine début décembre se propagera dans le monde entier et qu’environ 25 à 70% de la population de tout pays infecté peut contracter la maladie. L’expérience de la Chine suggère que, parmi les cas détectés, environ 80% seront bénins, 15% nécessiteront un traitement hospitalier et 5% nécessiteront des soins intensifs. Les experts disent que le virus peut être cinq à dix fois plus meurtrier que la grippe saisonnière, qui, avec un taux de mortalité de 0,1%, tue 60 000 Américains dans une mauvaise année. Dans le monde, le nombre de morts pourrait être de plusieurs millions.

Selon The Economist, tous ces résultats dépendent fortement de ce que font les gouvernements, comme le montre la Chine. La province du Hubei, à l’origine de l’épidémie, compte 59 millions d’habitants qui ont vu plus de 65 000 cas avec un taux de mortalité de 2,9%. En revanche, le reste de la Chine, qui compte 1,3 milliard de personnes, a subi moins de 13 000 cas, avec un taux de mortalité de seulement 0,4%. Avant même qu’il ne se propage à l’extérieur du Hubei, le gouvernement chinois a imposé la quarantaine la plus importante et la plus draconienne de l’histoire. Les usines ont fermé, les transports en commun se sont arrêtés et les gens sont restés à l’intérieur de la maison. Sans cette mesure, la Chine aurait enregistré plusieurs millions de cas et des dizaines de milliers de décès.

Pour The Economist, l’OMS – Organisation mondiale de la santé a salué cette action de la Chine. Cela ne signifie cependant pas qu’il s’agit d’un modèle pour le reste du monde. Toutes les quarantaines ont un coût non seulement pour la perte de production, mais aussi pour la souffrance de ceux qui seront enfermés. Alors que la Chine cherche à relancer son économie en assouplissant la quarantaine, elle pourrait bien être frappée par une deuxième vague d’infections. Même si de nombreux pays ne peuvent pas  copier exactement la Chine, leur expérience contient trois leçons importantes: 1) informer le public; 2) retarder la propagation de la maladie; et 3) préparer les systèmes de santé à une augmentation de la demande.

Selon The Economist, le meilleur moment pour informer les gens sur la maladie est avant l’épidémie. Un message est que la mortalité est corrélée à l’âge. Si une personne a plus de 80 ans, elle est à haut risque et si elle a moins de 50 ans, non. Il est maintenant temps de convaincre les personnes atteint de 80% des cas bénins de rester à la maison et de ne pas se précipiter à l’hôpital. Les gens doivent apprendre à se laver les mains fréquemment et éviter de toucher leur visage. Les entreprises doivent adopter des plans d’action qui permettent, si possible, à leurs travailleurs de travailler à domicile et que certains d’entre eux remplacent un travailleur vital qui est malade ou qui s’occupe d’un enfant ou d’un parent. Le modèle est celui de Singapour, qui a appris à gérer les virus sars, un autre coronavirus qui montre qu’une communication claire et précoce limite la panique.

The Economist rapporte que la deuxième leçon de la Chine est que les gouvernements peuvent ralentir la propagation de la maladie. Aplatir le pic de l’épidémie signifie que les systèmes de santé sont moins surchargés, ce qui sauve des vies. Si, comme la grippe, le virus est saisonnier, certains cas peuvent être reportés jusqu’à l’hiver prochain. D’ici là, de nouveaux vaccins et médicaments antiviraux pourraient être disponibles. Les gouvernements doivent se préparer eux-mêmes et, également, les gens au moment où ils devront inclure l’annulation des événements publics, la fermeture des écoles, la programmation des heures de travail et ainsi de suite. Compte tenu des incertitudes, les gouvernements doivent être guidés par la science. Les interdictions de voyager internationales semblent décisives. De même, si la maladie s’est largement répandue, comme en Italie et en Corée du Sud, des quarantaines de villes entières offrent peu de protection à un coût élevé.

Enfin, The Economist rapporte que la troisième leçon de la Chine est de préparer les systèmes de santé pour ce qui est à venir. Les hôpitaux ont besoin de fournitures de vêtements, de masques, de gants, d’oxygène et de médicaments. Ils ont besoin d’un plan sur la façon de réserver les services, comment traiter les employés qui tombent malades et comment choisir les patients à soigner s’ils sont surchargés. À ce jour, ce travail aurait dû être fait.

Texte d’El Pais sous le titre Qual seria o custo econômico de uma pandemia mundial? O armagedom em potencial dos vírus (Quel serait le coût économique d’une pandémie mondiale? L’armageddon potentiel des virus), disponible sur le site Web <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/28/economia/1469723677_088744.html&gt;, informe que les bactéries et les virus attendent leur chance de tuer des centaines de personnes. des milliers de personnes et dévaster l’économie de la planète. Le VIH, inconnu il y a des décennies, a tué plus de 30 millions d’êtres humains. Pendant ce temps, Ebola, sans traitement efficace, a causé 11 310 décès et pertes de 2,8 milliards de dollars dans trois pays africains dont la fragilité est la principale composante de leur PIB. Ces ressources représentent près d’un tiers des quelque 7 milliards de dollars qui, selon la Banque mondiale, ont coûté la lutte mondiale contre la maladie.

Selon El Pais, l’OMS estime qu’une pandémie modérée à sévère coûterait 570 milliards de dollars. Mais une épidémie extrêmement grave, comme la peste noire – la plus grande peste de l’histoire, qui a enterré 200 millions de personnes au 14e siècle – réduirait 5% du PIB. Autrement dit, environ 4 billions de dollars. La menace semble proche. L’OMS a publié l’année dernière une liste de huit maladies (Ebola, sars, mers, marburg, fièvre hémorragique de Crimée-Congo, fièvre de Lassa, fièvre de la vallée du Rift et virus Nipah) qui menacent de devenir une épidémie avec trois (chikungunya, zika et une fièvre asiatique sans nom) qui sont un danger proche. Bien que la principale menace soit une pandémie de grippe [grippe], défend Tony Barnett, expert à la London School of Hygiene and Tropical Medicine. Il est à noter que l’OMS n’a pas inclus le coronavirus (covid-19) dans cette publication, qui est apparue récemment et de manière inattendue.

Pour El Pais, en 2050, il y aura 9,7 milliards de personnes. Les villes seront plus peuplées et la société mélangera la pauvreté, le manque d’infrastructures de base, telles que l’approvisionnement en eau et l’assainissement, et les inégalités sociales. Il s’agit d’un écosystème favorable aux nouveaux (et anciens) virus qui se propageront facilement. Au cours de la première décennie de ce siècle, plus de deux milliards de passagers voyagent par an en avion, contre environ 68 millions dans les années 50 qui facilitent la pandémie mondiale. Afin de prévenir les risques actuels et futurs, l’OMS a créé un fonds de 500 millions de dollars destiné à être utilisé dans les flambées de maladies infectieuses qui ont tendance à devenir des pandémies. Il s’agit cependant d’un palliatif. Sans aucun doute,

il y aura des nouvelles épidémies parce que ces ressources sont insuffisantes. C’est pourquoi il serait plus important d’investir dans les infrastructures de santé, dans un système de surveillance des maladies, dans le développement et la distribution de mesures préventives, comme les vaccins, soutiennent Daniel Cadarette et David Bloom, professeurs à la Harvard School of Public Health.

Selon El Pais, c’est exactement la résistance aux antimicrobiens qui menace la vie des gens et l’économie mondiale. Une étude financée par l’ONG Wellcome Trust révèle que si aucune mesure n’est prise d’ici 2050 contre la résistance de ces virus, 100 milliards de dollars de productivité et 10 millions de vies par an seront perdus. Il y aura plus de morts que celles causées conjointement par le cancer, le diabète, le sida, les maladies diarrhéiques et les accidents de la circulation. Cette menace est si grave qu’en septembre, elle sera discutée à New York lors de l’Assemblée générale des Nations Unies. En outre, il y a un autre dommage profond est qui retire les enfants de l’école et qui fait que les gens évitent les lieux publics et les lieux de travail, même s’il y a peu de risques d’être infectés. La recherche a montré que changer les habitudes et éviter de travailler, de voyager ou de faire du tourisme pendant une épidémie peut entraîner des pertes économiques substantielles. Le SRAS – qui était un virus itinérant – a réduit le PIB de l’Asie de l’Est de 2% au deuxième trimestre de 2003.

La peur de la maladie paralyse la vie et l’économie. Des millions d’êtres humains sont livrés à eux-mêmes. C’est cependant quelque chose qui a une solution. Pour atteindre la couverture sanitaire universelle minimale, il faudrait ajouter 100 à 130 milliards de dollars d’aide publique au développement. Une solution possible se produirait si tous les pays à faible revenu augmentaient leurs ressources fiscales de 20% en récupérant l’argent caché dans les paradis fiscaux et en éliminant les exonérations pour les multinationales qui réduiraient le besoin de ressources pour atteindre une couverture universelle qui passerait de 100 milliards de dollars à 28 milliards de dollars, explique Rafael Vilasanjuan, directeur de l’analyse et du développement mondiaux à l’Institut de la santé mondiale à Barcelone (ISGlobal). Cette différence pourrait être couverte par le budget de la Banque mondiale ou des Nations Unies.

L’épidémie de coronavirus affecte les chaînes d’approvisionnement mondiales, ébranle les marchés boursiers, fait baisser les prix du pétrole et fait craindre le ralentissement de l’économie chinoise et mondiale. L’épidémie croissante du nouveau coronavirus dans le monde a provoqué des ravages sur les marchés mondiaux et suscité des inquiétudes parmi les investisseurs et les gouvernements concernant l’impact de la propagation du virus sur les chaînes d’approvisionnements mondiaux, les bénéfices des entreprises et la croissance de l’économie mondiale.

Bien que le plus grand nombre de cas confirmés et les principaux impacts soient toujours concentrés en Chine, les craintes d’une pandémie se sont intensifiées alors que les autorités du monde entier se battent pour empêcher la propagation du virus, qui a déjà été signalé dans une cinquantaine de pays, provoquant l’interruption de là la production et la consommation en Chine, ainsi que l’arrêt de certaines activités dans des pays comme la Corée du Sud, l’Iran et l’Italie. L’OMS a relevé aujourd’hui (2/28) le risque d’épidémie de coronavirus dans le monde à «très élevé». La perspective d’une pandémie, suite à la propagation du coronavirus en Iran, en Corée du Sud et en Italie, a semé la panique dans tous les pays du monde. Le Brésil compte 182 cas suspects de coronavirus, selon le bulletin publié ce vendredi (28/02) par le ministère de la Santé. Le nouveau bilan n’apporte pas de nouvelles confirmations. Il n’y a qu’un seul cas positif. L’enquête souligne également que 71 autres soupçons ont été écartés depuis le début de la surveillance.

Les effets du coronavirus accroissent les craintes d’une récession dans l’économie mondiale. Les bourses ont connu une semaine difficile dans le monde et, en Europe, la récession semble inévitable. La paralysie en Chine pèse sur la croissance intérieure car les chaînes d’approvisionnement des multinationales ont besoin de composants fabriqués dans les usines chinoises pour garantir leur production. La consommation dans les pays occidentaux sera fortement affectée. Le tourisme, le transport aérien, les loisirs en subissent déjà les conséquences. Une récession mondiale approche. En Europe, cela semble inévitable.

L’économie mondiale de la Chine et son PIB (produit intérieur brut) devraient croître moins que prévu en 2020. Les prévisions du FMI tablent sur un taux de croissance de 5,6% pour la Chine en 2020. En 2019, le PIB chinois a ralenti à 6,1%, la plus faible croissance en 29 ans. L’épidémie représente un bouleversement majeur dans l’économie chinoise, car elle a fermé des usines et des magasins, mis en quarantaine des régions entières et laissé de nombreux citoyens enfermés dans leurs maisons par peur de la contagion, réduisant ainsi la consommation et l’activité économique. Il convient de rappeler que la Chine est la deuxième économie du monde, avec une part du PIB mondial d’environ 16%.

Les exportations chinoises de biens intermédiaires dans le segment de l’électronique représentent plus de 10% de la production mondiale de ces produits. La production de smartphones au premier trimestre 2020 pourrait chuter de 12% par rapport à la même période en 2019. D’autres types d’appareils, tels que les moniteurs, les téléviseurs et les ordinateurs portables devraient également diminuer de millions d’unités en production. Des dizaines de multinationales ont commencé à avertir leurs actionnaires que l’épidémie affecterait leurs finances, y compris des sociétés comme Apple, United Airlines, Mastercard, Toyota, Danone et Diageo.

Au Brésil, la production de téléphones portables a été suspendue. L’usine LG de Taubaté (SP) et les unités Samsung et Motorola de la région de Campinas ont vu leur production suspendue en raison du manque de composants électroniques qui devraient provenir de Chine. La Chine est la principale source de composants au Brésil. Le pays est l’un des principaux vendeurs de puces, de circuits intégrés et d’autres pièces et pièces qui deviendront des téléphones portables, des machines à laver, des téléviseurs et plusieurs autres appareils électroniques dans d’autres pays. Selon les informations de l’Association brésilienne de l’industrie électrique et électronique (Abinee), la moitié des entreprises brésiliennes ont déjà des problèmes pour recevoir des matériaux en provenance de Chine. Du côté des exportations brésiliennes, le principal impact a été sur les prix des principaux produits de base. Les prix du soja, du pétrole et du minerai de fer ont baissé face à la crainte d’un ralentissement de l’économie mondiale.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CORONAVIRUS AND ITS IMPACTS ON THE WORLD ECONOMY

Fernando Alcoforado*

The Economist article of 27/02/2020, under the title The pandemic- The virus is coming, informs that the coronavirus (covid-19) that reached China in the beginning of December will spread worldwide and that about 25-70% of the population of any infected country can catch the disease. China’s experience suggests that, of the cases detected, approximately 80% will be mild, 15% will need hospital treatment and 5% will require intensive care. Experts say the virus can be five to ten times more lethal than seasonal flu, which, with a mortality rate of 0.1%, kills 60,000 Americans in a bad year. Worldwide, the death toll could be in the millions.

According to The Economist, all of these results depend heavily on what governments do, as China shows. Hubei province, the source of the epidemic, has a population of 59 million who have seen more than 65,000 cases with a mortality rate of 2.9%. On the other hand, the rest of China, which contains 1.3 billion people, suffered less than 13,000 cases, with a mortality rate of just 0.4%. Even before it spread outside Hubei, the Chinese government imposed the largest and most draconian quarantine in history. Factories closed, public transport stopped and people stayed inside home. Without this measure, China would have recorded many millions of cases and tens of thousands of deaths.

For The Economist, the WHO – World Health Organization praised this action by China. This does not mean, however, that it is a model for the rest of the world. All quarantines come at a cost not only in lost production, but also in the suffering of those who will be locked up. As China seeks to resume its economy by relaxing the quarantine, it may well be hit by a second wave of infections. Even though many countries cannot exactly copy China, their experience contains three important lessons: 1) informing the public; 2) delay the spread of the disease; and, 3) preparing health systems for an increase in demand.

According to The Economist, the best time to inform people about the disease is before the epidemic. One message is that fatality is correlated with age. If a person is over 80, he is at high risk and if he is under 50, no. Now is the time to convince people with 80% of mild cases to stay at home and not rush to a hospital. People need to learn to wash their hands frequently and avoid touching their faces. Companies need to adopt action plans that allow, if possible, their workers to work from home and that some of them replace a vital worker who is sick or caring for a child or parent. The model is that of Singapore, which has learned to deal with sars virus, another coronavirus that shows that clear and early communication limits panic.

The Economist reports that China’s second lesson is that governments can slow the spread of the disease. Flattening the peak of the epidemic means that health systems are less overloaded, which saves lives. If, like the flu, the virus is seasonal, some cases may be delayed until next winter. Until then, new vaccines and antiviral drugs may be available. Governments need to prepare themselves and, also, people for the time when they will have to include canceling public events, closing schools, scheduling working hours and so on onwards. Given the uncertainties, governments must be guided by science. International travel bans seem decisive. Likewise, if the disease has spread widely, as in Italy and South Korea, entire city quarantines offer little protection at a high cost.

Finally, The Economist reports that China’s third lesson is to prepare health systems for what is to come. Hospitals need supplies of clothing, masks, gloves, oxygen and drugs. They need a scheme for how to book wards, how to deal with employees falling ill and how to choose patients to be cared for if they are overloaded. By now, this work should have been done.

Text by El Pais under the title Qual seria o custo econômico de uma pandemia mundial? O armagedom em potencial dos vírus (What would be the economic cost of a global pandemic? The potential armageddon of viruses), available on the website <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/28/economia/1469723677_088744.html&gt;, informs that bacteria and viruses await their chance to kill hundreds of thousands of people and devastate the planet’s economy. HIV, unknown decades ago, killed more than 30 million human beings. Meanwhile, Ebola, without effective treatment, has caused 11,310 deaths and losses of 2.8 billion dollars in three African countries that have fragility as the main component of their GDP. These resources represent almost a third of the approximately 7 billion dollars that, according to the World Bank, cost the global fight against the disease.

According to El Pais, the WHO estimates that a moderate to severe pandemic would cost US$ 570 billion. Nevertheless, an extremely serious epidemic, such as the black plague – the greatest plague in history, which buried 200 million people in the 14th century – would cut 5% of GDP. That is, about 4 trillion dollars. The threat seems close. WHO published last year a list of eight diseases (ebola, sars, mers, marburg, Crimean-Congo hemorrhagic fever, Lassa fever, Rift Valley fever and the Nipah virus) that threaten to become an epidemic along with three (chikungunya, zika and an unnamed Asian fever) that are a near danger. Although the main threat is a flu [influenza] pandemic, defends Tony Barnett, an expert at the London School of Hygiene and Tropical Medicine. Note that WHO has not included Coronavirus (covid-19) in this publication, which has recently and unexpectedly appeared.

For El Pais, in 2050 there will be 9.7 billion people. Cities will be more populous, and society will mix poverty, a lack of basic infrastructure, such as water supply and sanitation, and social inequality. This is an ecosystem favorable to new (and old) viruses that will spread easily. In the first decade of this century, more than two billion passengers travel for year by plane, compared with about 68 million in the 1950s that facilitates the global pandemic. In order to prevent current and future risks, WHO has created a US$ 500 million fund to be used in outbreaks of infectious diseases that tend to become pandemics. It is, however, a palliative. There will undoubtedly be new outbreaks because these resources are insufficient. That is why it would be more important to invest in health infrastructure, in a disease surveillance system, in developing and distributing preventive measures, such as vaccines, argue Daniel Cadarette and David Bloom, professors at the Harvard School of Public Health.

According to El Pais, it is exactly antimicrobial resistance that threatens people’s lives and the world economy. A study funded by the NGO Wellcome Trust reveals that if no measures are taken by 2050 against the resistance of these viruses, 100 billion dollars in productivity and 10 million lives per year will be lost. There will be more deaths than those caused jointly by cancer, diabetes, AIDS, diarrheal diseases and traffic accidents. This threat is so serious that in September it will be discussed in New York at the UN General Assembly. In addition, there is another profound damage that is to take children out of school, make people avoid public places and workplaces, even if there is little risk of becoming infected. Research has shown that changing habits and avoiding work, travel or sightseeing during an epidemic can cause substantial economic losses. Sars – which was a traveling virus – reduced East Asian GDP by 2% in the second quarter of 2003.

Fear of illness paralyzes life and also the economy. Millions of human beings are left to luck itself. It is, however, something that has a solution. Achieving minimum universal health coverage would require the addition of US$ 100 billion to US$ 130 billion in official development assistance. A possible solution would occur if all low-income countries increased their tax resources by 20% by recovering the money hidden in tax havens and eliminating exemptions for multinationals that would reduce the need for resources to achieve universal coverage that would go from 100 billion dollars to $ 28 billion, explains Rafael Vilasanjuan, director of Global Analysis and Development at the Institute of Global Health in Barcelona (ISGlobal). This difference could be covered by the World Bank or UN budget.

Coronavirus epidemic affects global supply chains, shakes stock markets, brings down oil prices and raises concerns about the slowdown in the Chinese and global economy. The advancing epidemic of the new coronavirus around the world has caused havoc in global markets and raised concerns among investors and governments about the impact of the spread of the virus on global supply chains, corporate profits and the growth of the global economy.

Although the largest number of confirmed cases and the main impacts are still concentrated in China, fears of a pandemic have intensified with authorities around the world fighting to prevent the spread of the virus, which has already been reported in about 50 countries, causing interruption of production and consumption in China, and also the stoppage of some activities in countries like South Korea, Iran and Italy. WHO today raised (2/28) the risk of the coronavirus epidemic in the world to ‘very high’. The prospect of a pandemic, following the spread of the coronavirus in Iran, South Korea and Italy, brought panic to all countries in the world. Brazil has 182 suspected cases of coronavirus, according to the bulletin released this Friday (02/28) by the Ministry of Health. The new balance does not bring new confirmations. There is only one positive case. The survey also points out that another 71 suspicions have been ruled out since the monitoring began.

Coronavirus effects heighten fears of recession in the world economy. Stock exchanges have had a difficult week around the world and, in Europe, the recession seems inevitable. The paralysis in China weighs on domestic growth because the supply chains of multinationals need components made in Chinese factories to guarantee their production. Consumption in western countries will be strongly affected. Tourism, air transport, leisure are already suffering the consequences. A global recession is approaching. In Europe, this seems inevitable.

China’s global economy and China’s GDP (Gross Domestic Product) are expected to grow less than expected in 2020. The IMF projection is for a 5.6% growth rate for China in 2020. In 2019, China’s GDP slowed to 6.1%, the lowest growth in 29 years. The outbreak represents a major upheaval in the Chinese economy, as it has closed factories and stores, quarantined entire regions and left many citizens locked in their homes for fear of contagion, thereby reducing consumption and economic activity. It is worth remembering that China is the second largest economy in the world, with a share in global GDP of around 16%.

Chinese exports of intermediate goods in the electronics segment account for more than 10% of the global production of these products. Smartphone production in the first quarter of 2020 may fall 12% compared to the same period in 2019. Other types of devices, such as monitors, TVs and notebooks are also expected to decrease by millions of units in production. Dozens of multinational companies have started warning their shareholders that the outbreak will affect their finances, including companies like Apple, United Airlines, Mastercard, Toyota, Danone and Diageo.

In Brazil, the production of cell phones was suspended. The LG factory in Taubaté (SP) and Samsung and Motorola units in the Campinas region had production suspended, due to the lack of electronic components that should come from China. China is the main source of components in Brazil. The country is one of the main sellers of chips, integrated circuits and other parts and pieces that will become cell phones, washing machines, televisions and several other electronics in other countries. According to information from the Brazilian Association of the Electrical and Electronic Industry (Abinee), half of Brazilian companies already have problems in receiving materials from China. On the Brazilian export side, the main impact has been on the prices of the main commodities. Soy, oil and iron ore prices have declined in the face of fear of a slowdown in the world economy.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

CORONAVIRUS E SEUS IMPACTOS SOBRE A ECONOMIA MUNDIAL

Fernando Alcoforado*

Artigo do The Economist de 27/02/2020, sob o título The pandemic- The virus is coming (A pandemia- O vírus está chegando), informa que o coronavirus (covid-19) que atingiu a China no início de dezembro se espalhará por todo o mundo e que cerca de 25-70% da população de qualquer país infectado pode pegar a doença. A experiência da China sugere que, dos casos detectados, aproximadamente 80% serão leves, 15% precisarão de tratamento hospitalar e 5% exigirão cuidados intensivos. Especialistas dizem que o vírus pode ser de cinco a dez vezes mais letal que a gripe sazonal, que, com uma taxa de mortalidade de 0,1%, mata 60.000 americanos em um ano ruim. Em todo o mundo, o número de mortos pode estar na casa dos milhões.

Segundo o The Economist, todos esses resultados dependem muito do que os governos venham a fazer, como mostra a China. A província de Hubei, a origem da epidemia, tem uma população de 59 milhões de habitantes que já assistiu a mais de 65.000 casos com uma taxa de mortalidade de 2,9%. Por outro lado, o resto da China, que contém 1,3 bilhão de pessoas, sofreu menos de 13.000 casos, com uma taxa de mortalidade de apenas 0,4%. Mesmo antes de se espalhar fora de Hubei, o governo chinês impôs a maior e mais draconiana quarentena da história. As fábricas fecharam, o transporte público parou e as pessoas ficaram dentro de casa. Sem esta medida, a China já teria registrado muitos milhões de casos e dezenas de milhares de mortes.

Para o The Economist, a OMS- Organização Mundial da Saúde elogiou esta ação da China. Isso não significa, porém, que seja um modelo para o resto do mundo. Todas as quarentenas têm um custo não apenas na produção perdida, mas também no sofrimento daqueles que ficarão trancados. Como a China procura retomar sua economia relaxando a quarentena, ela pode muito bem ser atingida por uma segunda onda de infecções. Mesmo que muitos países não possam ou não copiar exatamente a China, sua experiência contém três lições importantes: 1) informar ao público; 2) retardar a propagação da doença; e, 3) preparar os sistemas de saúde para um aumento na demanda.

Segundo o The Economist, o melhor momento para informar as pessoas sobre a doença é antes da epidemia. Uma mensagem é a de que a fatalidade está correlacionada com a idade. Se a pessoa tem mais de 80 anos corre alto risco e se tem menos de 50 anos, não. Agora é o momento de convencer pessoas com 80% de casos leves a ficarem em casa e não correrem para um hospital. As pessoas precisam aprender a lavar as mãos com frequência e a evitar tocar no rosto. As empresas precisam adotar planos de ação que permitam que, se possível, seus trabalhadores trabalhem em casa e que algum deles substitua  um trabalhador vital que esteja doente ou cuidando de um filho ou dos pais. O modelo é o de Cingapura, que aprendeu a lidar com o virus sars, outro coronavírus ao mostrar que a comunicação clara e precoce limita o pânico.

The Economist informa que a segunda lição da China é que os governos podem retardar a propagação da doença. Achatar o pico da epidemia significa que os sistemas de saúde fiquem menos sobrecarregados, o que salva vidas. Se, como a gripe, o vírus for sazonal, alguns casos poderão ser adiados até o próximo inverno. Até então, novas vacinas e medicamentos antivirais podem estar disponíveis.Os governos precisam se preparar e, também, as pessoas para o momento em que terão que incluir o cancelamento de eventos públicos, o fechamento de escolas, o escalonamento das horas de trabalho e assim por diante. Dadas as incertezas, os governos devem ser guiados pela ciência. As proibições de viagens internacionais parecem decisivas. Da mesma forma, se a doença se espalhou amplamente, como na Itália e na Coréia do Sul, as quarentenas de cidades inteiras oferecem pouca proteção a um custo alto.

Finalmente, The Economist informa que a terceira lição da China consiste em preparar os sistemas de saúde para o que está por vir. Os hospitais precisam de suprimentos de roupas, máscaras, luvas, oxigênio e drogas.. Eles precisam de um esquema de como reservar enfermarias, como lidar se os funcionários adoecerem e como escolher os pacientes a serem atendidos se estiverem sobrecarregados. Até agora, este trabalho deveria ter sido feito.

Texto de El Pais sob o título Qual seria o custo econômico de uma pandemia mundial? O armagedom em potencial dos vírus, disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/28/economia/1469723677_088744.html>,  informa que bactérias e vírus esperam sua chance de ceifar as vidas de centenas de milhares de pessoas e devastar a economia do planeta. O HIV, desconhecido décadas atrás, matou mais de 30 milhões de seres humanos. Enquanto isso, o ebola, sem tratamento efetivo, provocou 11.310 mortes e perdas de 2,8 bilhões de dólares em três países da África que têm a fragilidade como principal componente de seu PIB. Esses recursos representam quase um terço dos cerca de 7 bilhões de dólares que, segundo o Banco Mundial, custou a luta global contra a doença.

Segundo o El Pais, a OMS calcula que uma pandemia de moderada a grave custaria 570 bilhões de dólares. Mas uma epidemia de extrema gravidade, como a peste negra —a maior praga da história, que enterrou 200 milhões de pessoas no século XIV— cortaria 5% do PIB. Ou seja, cerca de 4 trilhões de dólares. A ameaça parece próxima. A OMS publicou no ano passado uma lista de oito doenças (ebola, sars, mers, marburg, febre hemorrágica da Crimeia-Congo, febre de Lassa, febre do Vale de Rift e o vírus Nipah) que ameaçam se tornar uma epidemia junto com três (chikungunya, zika e uma febre asiática sem nome) que são um perigo próximo. Embora a principal ameaça seja uma pandemia de gripe [influenza], defende Tony Barnett, especialista da London School de Higiene e Medicina Tropical. Observe que a OMS não incluiu nesta publicação o Coronavirus (covid-19) que surgiu recentemente e inesperadamente.

Para o El Pais, em 2050 haverá 9,7 bilhões de pessoas. As cidades serão mais populosas, e a sociedade misturará pobreza, carência de infraestrutura básica, como abastecimento de água e esgotamento sanitário, e desigualdade social. Este é um ecossistema favorável a novos (e antigos) vírus que se espalharão com a facilidade. Na primeira década deste século, mais de dois bilhões de passageiros viajam por ano de avião, contra cerca de 68 milhões nos anos cinquenta que facilita a pandemia global. Tendo em vista prevenir riscos atuais e futuros, a OMS criou um fundo de 500 milhões de dólares para ser usado em surtos de doenças infecciosas que tendam a se tornar pandemias. Trata-se, entretanto, de um paliativo. Sem dúvida, haverá novos surtos porque estes recursos são insuficientes. Por isso seria mais importante investir em infraestrutura sanitária, em sistema de vigilância de doenças, em desenvolver e distribuir medidas preventivas, como as vacinas, argumentam Daniel Cadarette e David Bloom, professores da Escola de Saúde Pública de Harvard.

Segundo o El Pais, é exatamente a resistência antimicrobiana que ameaça a vida das pessoas e a economia mundial. Um estudo financiado pela ONG Wellcome Trust revela que, se até 2050 não forem tomadas medidas contra a resistência desses virus, serão perdidos 100 bilhões de dólares em produtividade e 10 milhões de vidas por ano. São mais mortes do que as provocadas em conjunto por câncer, diabetes, Aids, doenças diarreicas e acidentes de trânsito. Esta ameaça é tão grave que em setembro será discutida em Nova York na Assembleia Geral da ONU. Além disso, há outro dano profundo que é o de tirar as crianças da escola, fazer com que as pessoas evitem lugares públicos e locais de trabalho, mesmo que haja pouco risco de se infectar. Pesquisas evidenciam que mudar os hábitos e evitar ir ao trabalho, viajar ou fazer turismo durante uma epidemia podem provocar perdas econômicas substanciais. O sars —que foi um vírus viajante— reduziu em 2% o PIB do Leste Asiático no segundo trimestre de 2003.

O medo da doença paralisa a vida e também a economia. Milhões de seres humanos são deixados à própria sorte.  Trata-se, entretanto, de algo que tem solução. Conseguir uma cobertura mínima universal da saúde exigiria o acréscimo de 100 bilhões de dólares aos 130 bilhões de dólares da ajuda oficial ao desenvolvimento. Uma solução possível ocorreria se todos os países de baixa renda aumentassem seus recursos fiscais em 20% recuperando o dinheiro escondido em paraísos fiscais e eliminando as isenções para multinacionais que reduziria a necessidade de recursos para alcançar a cobertura universal que passaria de 100 bilhões de dólares para 28 bilhões de dólares, explica Rafael Vilasanjuan, diretor de Análise e Desenvolvimento Global do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal). Essa diferença poderia ser coberta pelo orçamento do Banco Mundial ou da ONU.

Epidemia do Coronavirus afeta cadeias globais de suprimentos, abala bolsas, derruba preços do petróleo e eleva preocupações sobre desaceleração da economia chinesa e global. O avanço da epidemia do novo coronavírus pelo mundo tem provocado abalos nos mercados globais e tem elevado as preocupações de investidores e governos sobre o impacto da propagação do vírus nas cadeias globais de suprimentos, nos lucros das empresas e no crescimento da economia global.

Embora o maior número de casos confirmados e os principais impactos ainda estejam concentrados na China, os temores de uma pandemia intensificaram-se com autoridades pelo mundo lutando para prevenir a disseminação do vírus, que já foi registrado em cerca de 50 países, gerando interrupção de produção e consumo na China, e também a paralisação de algumas atividades em países como Coréia do Sul, Irã e Itália. OMS elevou hoje (28/02) o risco da epidemia de coronavírus no mundo para ‘muito alto’. A perspectiva de uma pandemia, após a propagação do coronavirus no Irã  e na Itália, trouxe pânico para todos os países do mundo. O Brasil tem 182 casos suspeitos de coronavírus, de acordo com o boletim divulgado nesta sexta-feira (28/02) pelo Ministério da Saúde. O novo balanço não traz novas confirmações. Há somente um caso positivo. O levantamento aponta ainda que outras 71 suspeitas foram descartadas desde o início do monitoramento.

Efeitos do coronavírus aumentam temores de recessão na economia mundial. As bolsas de valores tiveram uma semana difícil em todo o mundo e, na Europa, a recessão parece inevitável. A paralisia na China pesa no crescimento doméstico porque as cadeias de suprimentos de multinacionais precisam de componentes fabricados nas fábricas chinesas para garantir sua produção. O consumo nos países ocidentais será fortemente afetado. Turismo, transporte aéreo, lazer já estão sofrendo as consequências. Uma recessão global está se aproximando. Na Europa, isso parece inevitável.

A economia global e o PIB (Produto Interno Bruto) da China deverão crescer menos que o esperado em 2020. Aprojeção do FMI é de uma taxa de crescimento de 5,6% para a China em 2020. Em 2019, o PIB chinês desacelerou para 6,1%, o menor crescimento em 29 anos. O surto representa um grande abalo na economia chinesa, pois tem fechado fábricas e lojas, colocado regiões inteiras em quarentena e deixado muitos cidadãos trancados em suas casas por medo do contágio, reduzindo dessa forma o consumo e a atividade econômica. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, com uma participação no PIB global da ordem de 16%.

As exportações chinesas de bens intermediários no segmento eletroeletrônico respondem por mais de 10% da produção globaldesses produtos. A produção de smartphones no primeiro trimestre de 2020 pode cair 12% se comparada ao mesmo período em 2019. Outros tipos de dispositivos, como monitores, TVs e notebooks também devem ter redução de milhões de unidades na produção. Dezenas de empresas multinacionais passaram a alertar seus acionistas que o surto afetará suas finanças, incluindo empresas como Apple, United Airlines, Mastercard, Toyota, Danone e Diageo.

No Brasil, foi suspensa a produção de celulares. A fábrica da LGem Taubaté (SP) e unidades da Samsung e da MOtorola na região de Campinas tiveram produção suspensas, por falta de componentes eletrônicos que deveriam vir da China. A China é a principal fonte de componentes do Brasil. O país é um dos principais vendedores de chips, circuitos integrados e outras partes e peças que vão se tornar celulares, máquinas de lavar, televisores e diversos outros eletrônicos em outros países. De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), metade das empresas brasileiras já têm problemas no recebimento de materiais da China. Do lado da exportação brasileira, o principal impacto tem sido nos preços das principais commodities. As cotações da soja, do petróleo e do minério de ferro têm diminuido diante do temor de uma desaceleração da economia mundial.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NÉOLIBÉRALISME ET AGGRAVATION DES PROBLÈMES SOCIAUX AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Le modèle économique néolibéral mis en place en 1990 est aujourd’hui largement responsable de l’aggravation des problèmes sociaux au Brésil. La dévastation sociale a été le résultat principal du modèle économique néolibéral au Brésil inauguré par le président Fernando Collor en 1990 et maintenu par les présidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Siva, Dilma Roussef, Michel Temer et Jair Bolsonaro. La récession économique actuelle, les inégalités sociales, le chômage de masse et l’extrême pauvreté du pays démontrent l’infaisabilité du modèle néolibéral mis en place au Brésil. La dévastation sociale subie par le Brésil avec les inégalités sociales, le chômage de masse et l’extrême pauvreté est démontrée par des indicateurs de concentration des revenus, du chômage, des inégalités sociales et de l’extrême pauvreté.

Le Brésil a la deuxième concentration de revenus la plus élevée au monde, selon le rapport sur le développement humain (HDR) des Nations Unies (ONU) publié en décembre 2019. Le Brésil n’est que derrière le Qatar, lorsqu’il est analysé le 1% le plus riche. Au Brésil, le 1% le plus riche concentre 28,3% du revenu total du pays (au Qatar, cette proportion est de 29%). C’est-à-dire qu’au Brésil, près d’un tiers des revenus est entre les mains des plus riches. En revanche, les 10% les plus riches du Brésil représentent 41,9% du revenu total. Le Brésil est le pays avec la plus forte concentration de revenus par rapport aux pays du groupe des pays en développement des BRICS (Brésil, Russie, Inde, Chine et Afrique du Sud). L’Inde figure dans le classement avec 21,3% du revenu total aux mains des 1% les plus riches. La Russie a 20,2% et l’Afrique du Sud laisse 19,2% de son revenu total avec les 1% les plus riches. Pendant ce temps, la Chine est le pays des BRICS avec la plus faible concentration, en ce sens, avec 13,9%.

Une étude comparative menée par Thomas Piketty, auteur de The Capital in the 21st centurie publié en 2014, souligne que 27,8% de la richesse nationale est entre peu mains au Brésil. Près de 30% des revenus du Brésil sont entre les mains de seulement 1% des habitants du pays, la plus forte concentration de ce type au monde. C’est ce qu’indique l’Enquête sur les inégalités dans le monde 2018, coordonné entre autres par l’économiste français Thomas Piketty. Le groupe, composé de centaines d’universitaires, fournit une base de données qui permet de comparer l’évolution des inégalités de revenus dans le monde ces dernières années. La base de données mondiale sur la richesse et le revenu (World Wealth & Income Database) souligne que le 1% le plus riche du Brésil détenait 27,8% du revenu du pays en 2015.

Selon les données recueillies par le groupe de Piketty, les millionnaires brésiliens devançaient les millionnaires du Moyen-Orient, qui représentent 26,3% des revenus de la région. Le Brésil se distingue également dans la coupe des 10% les plus riches, mais pas aussi intensément que ce qui est observé en comparant les 1% les plus riches. Les données montrent le Moyen-Orient avec 61% des revenus entre les mains des 10% les plus riches, suivi par le Brésil et l’Inde, avec 55%, et l’Afrique subsaharienne, avec 54%. La région où les 10% les plus riches détiennent la plus petite part de la richesse est l’Europe, avec 37%.

Le continent européen est considéré par les chercheurs comme un exemple à suivre dans la lutte contre les inégalités, car l’évolution des disparités dans la région a été la plus faible des indicateurs  depuis 1980 en raison des politiques sociales-démocrates adoptées par plusieurs gouvernements. Pour résoudre le problème des inégalités sociales, les chercheurs proposent, en général, la mise en place de régimes fiscaux progressifs et l’augmentation des droits de succession, en plus d’une plus grande rigidité dans le contrôle de l’évasion fiscale. Les chercheurs soulignent également l’importance des investissements publics dans des domaines tels que l’éducation, la santé et la protection de l’environnement.

Depuis les années 80, d’importants transferts de capitaux publics vers des capitaux privés ont eu lieu dans presque tous les pays, riches ou émergents, qui se sont développés dans le monde entier avec l’adoption par les gouvernements de politiques néolibérales. Dans plusieurs pays, dont le Brésil, la richesse nationale a considérablement augmenté avec l’expansion du capital-investissement et la réduction du patrimoine public, indique l’enquête. Selon les auteurs, la réduction des actifs publics limite évidemment la capacité des gouvernements à lutter contre les inégalités (EL PAIS. Part des 1% les plus riches du revenu national. Disponible sur le site Web <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/13/internacional/1513193348_895757.html&gt;. La figure montre le Brésil avec le concentration de revenu plus élevée dans tous les pays étudiés, en vert clair).

En plus de présenter les pires indicateurs d’inégalité sociale au monde, les taux de chômage au Brésil sont à des niveaux extrêmement élevés (12,8 millions de chômeurs) avec la perspective de rester à des niveaux élevés en 2020, 2021 et 2022, selon OIT. Les données font partie d’une enquête réalisée par l’Organisation internationale du Travail qui ne prévoit aucune amélioration de la situation. En termes absolus, l’OIT indique que 2019 s’est terminée avec 12,8 millions de chômeurs au Brésil. En 2020, le nombre prévu reste au même niveau et tombe à 12,7 millions en 2021. Entre 2022 et 2024, le total reste entre 12,5 millions et 12,6 millions. Par conséquent, l’OIT ne voit rien d’important pour permettre au taux de chômage au Brésil de revenir à ce qui existait en 2014.

En plus des indicateurs d’inégalité sociale et de chômage, l’extrême pauvreté au Brésil compte déjà 13,5 millions de personnes. Le groupe de pauvres au Brésil survit avec R$ 145 (US$ 33.02) par mois. Le nombre de pauvres au Brésil est supérieur à la population de la Bolivie, selon l’IBGE. Le nombre de pauvres a augmenté depuis 2015, inversant la courbe descendante de la pauvreté des années précédentes. Depuis 2014, 4,5 millions de personnes sont tombées dans l’extrême pauvreté et vivent dans des conditions misérables. Le contingent est un record en sept ans de la série historique de l’Institut brésilien de géographie et de statistique (IBGE). La montée du chômage et la réduction drastique des ressources pour les programmes sociaux et le programme Bolsa Família élargissent le fossé des plus pauvres.

La pauvreté touche principalement les États du nord et du nord-est du Brésil, en particulier la population noire et brune, sans éducation ou éducation de base incomplète. La croissance de l’extrême pauvreté coïncide avec le début de la récession qui a commencé en 2014 et se poursuit au Brésil grâce à l’inaction du gouvernement Bolsonaro. Une donnée IBGE, cependant, attire l’attention. Sur les 13,5 millions de pauvres, 13,6% exerçaient une activité, quoiqu’informelle, avec moins de 40 heures de travail par semaine. La sortie de la misère de cette population dépend, entre autres mesures, de la réactivation de l’économie pour qu’elle puisse entrer sur le marché du travail et avoir un revenu qui la soustrait à l’extrême pauvreté et à l’accès des gens aux programmes sociaux.

Pour avoir accès aux programmes sociaux, le gouvernement devra investir R$ 1 milliard de supplémentaires par mois pour servir les Brésiliens dans des conditions d’extrême pauvreté qui ne se produiront guère car le gouvernement de Jair Bolsonaro se concentre sur l’approfondissement de l’ajustement budgétaire et sur l’idée de réduire le rôle de l’État, selon le modèle néolibéral adopté par le pays depuis le gouvernement de Fernando Collor en 1990. De plus, l’insensibilité sociale du gouvernement aux graves problèmes sociaux du pays.

Pour lutter contre les inégalités sociales, le chômage et l’extrême pauvreté de la population, le gouvernement fédéral devrait assumer les rênes de l’économie nationale, abandonner le modèle économique néolibéral défaillant pour réactiver l’économie brésilienne et le plein emploi avec la mise en place immédiate d’un large programme de travaux d’infrastructure publique (énergie, transports, logement, assainissement de base, etc.) avec la participation du secteur privé pour lutter contre le chômage de masse actuel en augmentant l’emploi et les revenus des familles et des entreprises afin, par conséquent, de promouvoir l’expansion de la consommation des familles et des entreprises résultant respectivement de l’augmentation de la masse salariale des familles et des revenus des entreprises investissant dans les travaux publics pour relancer la croissance économique du Brésil.

En outre, le gouvernement fédéral devrait adopter l’audit immédiat de la dette publique suivi d’une renégociation avec l’extension du temps du paiement des intérêts sur la dette intérieure publique du pays, visant à réduire les charges gouvernementales avec le paiement de la dette publique pour augmenter l’épargne publique pour l’investissement, favoriser l’augmentation des recettes publiques avec la taxation de fortunes importantes, des dividendes des particuliers et des banques et l’élimination des dépenses superflues dans tous les pouvoirs de la République avec la réduction des agences publiques et du personnel commissionné. Ces mesures contribueraient à ce que le gouvernement fédéral dispose des ressources nécessaires pour relancer l’économie et renforcer les programmes sociaux pour lutter contre les inégalités sociales et l’extrême pauvreté.

Compte tenu de la perspective d’aggravation des inégalités sociales, du chômage et de l’extrême pauvreté au Brésil, quelle serait la solution pour atténuer ces problèmes dans le cadre du capitalisme, en plus de l’effort de réactivation de l’économie? La solution consisterait à adopter par le gouvernement fédéral des politiques publiques visant au développement de l’économie sociale et solidaire pour réduire le chômage et à renforcer la mise en œuvre du revenu de base ou du revenu universel minimum pour réduire la pauvreté avec le programme Bolsa Família.

Dans leur livre L’économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016), Géraldine Lacroix et Romain Slitine affirment que l’économie sociale et solidaire est l’une des solutions pour atténuer le problème du chômage et ouvrir la voie à l’inventer dans le futur d’autres modes de production et de consommation contribuant à une plus grande cohésion sociale. Selon Lacroix et Slitine, l’économie sociale et solidaire offre des réponses à de nombreuses questions de la société contemporaine. Cet livre contient des informations selon lesquelles l’économie sociale et solidaire correspond à 10% du PIB et représente 12,7% de l’emploi en France. Au Brésil, l’économie sociale et solidaire représente 1% du PIB [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (Avec l’autogestion, l’économie solidaire représente déjà 1% du PIB au Brésil). Disponible sur le site <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>].

L’économie sociale et solidaire est un nouveau modèle de développement économique, social, politique et environnemental qui a une manière différente de générer du travail et des revenus, dans différents secteurs, que ce soit dans les banques communautaires, les coopératives de crédit, les coopératives agricoles familiales, question du commerce équitable, dans les clubs d’échange, etc. L’économie sociale et solidaire constitue une nouvelle façon d’organiser le travail et les activités économiques en général, émergeant comme une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, leur donnant une nouvelle opportunité grâce à l’autogestion. Sur la base de l’économie sociale et solidaire, il y a la possibilité de récupérer les entreprises en faillite, et et continuer la production, avec un nouveau mode de production, dans lequel la maximisation du profit n’est plus l’objectif principal, donnant lieu à la maximisation de la quantité et la qualité du travail.

On peut dire que l’adoption de l’Economie Sociale et Solidaire est, sans aucun doute, la solution qui permettrait, dans le cadre du capitalisme, de faire face à un chômage de masse qui tend à croître de façon vertigineuse à l’avenir avec le remplacement de travailleurs qualifiés et non qualifiés par les robots sur le marché du travail. C’est une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, leur donnant une nouvelle opportunité de travailler avec un nouveau mode de production dans lequel le profit n’est plus le principal objectif. L’adoption de la politique du revenu de base ou du revenu minimum universel pour la population pauvre est l’une des solutions pour réduire la pauvreté car elle permettrait aux pauvres de commencer à avoir de l’argent pour subvenir à leurs besoins de base en termes de nourriture, santé, logement, etc.

À son tour, la politique du revenu de base ou le revenu minimum universel pour la population est l’une des solutions pour réduire la pauvreté. Cette idée n’est pas nouvelle. Friedrich August von Hayek, économiste et philosophe autrichien, plus tard naturalisé britannique, considéré comme l’un des plus grands représentants de l’École autrichienne de pensée économique, était le promoteur de cette idée lorsqu’il a publié entre 1973 et 1979 son ouvrage Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). Le programme néolibéral de transfert de revenus des gouvernements de Lula et Dilma Rousseff au Brésil, Bolsa Família, est un exemple de l’application de la politique de revenu de base de Hayek.

Le livre Utopia for Realists de Rutger Bregman (Londres, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) montre que donner de l’argent gratuit à tout le monde, c’est-à-dire un programme de revenu minimum universel permettrait de réduire ou d’éliminer la pauvreté. Parmi les raisons qu’il fait valoir pour que cette idée devienne réalité, réside dans le fait que la distribution d’argent réduit la criminalité, améliore la santé de la population et permet à chacun d’investir en soi. Plus que cela, un programme de revenu minimum universel construit la paix sociale et atténue la violence politique qui se nourrirait des inégalités sociales, du chômage de masse et de l’extrême pauvreté pour se devenir une révolution sociale.

Bregman défend l’utopie de l’argent pour tout le monde et pas seulement pour les pauvres. Dans le livre, Bregman cite un certain nombre d’exemples réussis de la façon dont les sans-abri, les Indiens et les populations des régions vulnérables se sont développés lorsqu’ils ont commencé à recevoir de l’argent sans qu’on leur demande quoi que ce soit en retour. Pour lui, ce sera mieux avec moins de bureaucratie et la mise en place d’exigences. Le programme de revenu de base devrait être universel lorsqu’il est étendu aux riches et à la classe moyenne, afin qu’il devienne un droit pour tous les citoyens, et non une faveur, dit Bregman.

La politique de revenu de base pour la population pauvre apporterait de nombreux avantages non seulement liés à la diminution de la criminalité, à l’amélioration de la santé de la population et à l’amélioration des conditions de logement des pauvres, mais aussi à l’augmentation de la consommation de biens et services par la population pauvre. Le gouvernement, pourvoyeur de revenus de base pour les pauvres, bénéficierait d’une baisse des dépenses de répression policière et de la structure carcérale en raison de la réduction de la criminalité et du sans-abrisme et d’une augmentation des recettes fiscales résultant d’une consommation accrue de la population pauvre. Il n’y aura pas de paix sociale au Brésil si les politiques d’économie sociale et solidaire et de revenu de base ne sont pas adoptées pour la population pauvre.

Il n’est pas nécessaire de démontrer que les mesures proposées ici ne peuvent être adoptées que par un gouvernement brésilien diamétralement opposé à celui de Jair Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NEOLIBERALISM AND AGGRAVATION OF SOCIAL PROBLEMS IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

The neoliberal economic model implemented in 1990 is largely responsible for worsening Brazil’s social problems today. Social devastation has been the main result of the neoliberal economic model in Brazil inaugurated by President Fernando Collor in 1990 and maintained by Presidents Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer and Jair Bolsonaro. The current economic recession, social inequality, mass unemployment and the extreme poverty of the country demonstrate the infeasibility of the neoliberal model implemented in Brazil. The social devastation suffered by Brazil with social inequality, mass unemployment and extreme poverty is demonstrated through indicators of concentration of income, unemployment, social inequality and extreme poverty.

Brazil has the second highest concentration of income in the world, according to the Human Development (HDR) report of the United Nations (UN) published in December 2019. Brazil is only behind Qatar, when analyzed the richest 1%. In Brazil, the richest 1% concentrates 28.3% of the country’s total income (in Qatar this proportion is 29%). That is, in Brazil almost a third of the income is in the hands of the wealthiest. The richest 10% in Brazil, on the other hand, account for 41.9% of the total income. Brazil is the country with the highest concentration of income when compared to the countries in the group of developing countries of the BRICS (Brazil, Russia, India, China and South Africa). India appears in the ranking with 21.3% of the total income in the hands of the richest 1%. Russia has 20.2% and South Africa leaves 19.2% of its total income with the richest 1%. Meanwhile, China is the country of the BRICS with the lowest concentration, in this sense, with 13.9%.

Comparative research led by Thomas Piketty, author of The Capital in the 21st century published in 2014, points out that 27.8% of the national wealth is in few hands in Brazil. Almost 30% of Brazil’s income is in the hands of just 1% of the country’s inhabitants, the highest concentration of its kind in the world. This is what the 2018 World Inequality Survey indicates, coordinated, among others, by the French economist Thomas Piketty. The group, composed of hundreds of scholars, provides a database that allows comparing the evolution of income inequality in the world in recent years. The World Wealth & Income Database points out that the richest 1% of Brazil held 27.8% of the country’s income in 2015.

According to the data collected by Piketty’s group, Brazilian millionaires were ahead of millionaires in the Middle East, who account for 26.3% of the region’s income. Brazil also stands out in the cut of the richest 10%, but not as intensely as is observed when comparing the richest 1%. The data shows the Middle East with 61% of income in the hands of its richest 10%, followed by Brazil and India, both with 55%, and Sub-Saharan Africa, with 54%. The region where the richest 10% hold the smallest share of wealth is Europe, with 37%.

The European continent is considered by researchers as an example to be followed in the fight against inequality, since the evolution of disparities in the region was the least among the indicators since 1980 that is due to the social democratic policies adopted by several governments. To solve the problem of social inequality, the researchers propose, in general, the implementation of progressive taxation regimes and the increase of inheritance taxes, in addition to more rigidity in the control of tax evasion. The researchers also highlight the importance of public investment in areas such as education, health and environmental protection.

Since the 1980s, large transfers from public to private equity have occurred in almost every country, rich or emerging, which has grown worldwide with the adoption by governments of neoliberal policies. In several countries, including Brazil, national wealth has increased substantially with the expansion of private equity and the reduction of public equity, says the survey. According to the authors, the reduction of public assets obviously limits the ability of governments to combat inequality  (EL PAIS. Share of the richest 1% in national income. Available on the website <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/13/internacional/1513193348_895757.html&gt;. The figure shows Brazil with the higher income concentration among all surveyed countries, in light green).

In addition to presenting the worst indicators of social inequality in the world, unemployment rates in Brazil are at extremely high levels (12.8 million unemployed) with the prospect of remaining at high levels in 2020, 2021 and 2022, according to ILO. The data are part of a survey carried out by the International Labor Organization that does not foresee any improvement in the situation. In absolute terms, the ILO indicates that 2019 ended with 12.8 million unemployed in Brazil. In 2020, the forecasted number remains at the same level and drops to 12.7 million in 2021. Between 2022 and 2024, the total remains between 12.5 million and 12.6 million. Therefore, the ILO does not see anything important to allow the unemployment rate in Brazil to return to what existed in 2014.

In addition to the indicators of social inequality and unemployment, extreme poverty in Brazil already totals 13.5 million people. The group of poor people in Brazil survives on R$ 145 (US$ 33.02) per month. The number of poor people in Brazil is greater than the population of Bolivia, according to the IBGE. The number of poor people has been growing since 2015, reversing the downward curve of poverty in previous years. Since 2014, 4.5 million people have fallen into extreme poverty, living in miserable conditions. The contingent is a record in seven years of the historical series of the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE). The rise in unemployment and the drastic reduction of resources for social programs and to Bolsa Família program widen the gap of the poorest.

Poverty mainly affects states in the North and Northeast of Brazil, especially the black and brown population, with no education or incomplete basic education. The growth of extreme poverty coincides with the beginning of the recession that began in 2014 and continues in Brazil thanks to the inaction of the Bolsonaro government. An IBGE data, however, draws attention. Of the 13.5 million poor, 13.6% had some occupation, albeit informal, with less than 40 hours of work per week. The way out of this population’s misery depends, among other measures, on the reactivation of the economy so that they can enter the labor market and have an income that takes them out of extreme poverty and the access that people have to social programs.

To have access to social programs, the government will have to invest an additional R $ 1 billion per month to serve Brazilians in conditions of extreme poverty that will hardly occur because the government of Jair Bolsonaro is focused on deepening fiscal adjustment, and on the idea of reducing the role of the State, according to the neoliberal model that has been embraced by the country since the government of Fernando Collor in 1990. In addition to this, the government’s social insensitivity to the country’s serious social problems.

To combat social inequalities, unemployment and the extreme poverty of the population, the federal government should assume the reins of the national economy, abandoning the failed neoliberal economic model to reactivate the Brazilian economy and full employment with the immediate implementation of a wide public infrastructure works program (energy, transport, housing, basic sanitation, etc.) with the participation of the private sector to combat current mass unemployment by raising employment and income levels for families and businesses to, consequently, promote the expansion of consumption by families and companies resulting, respectively, from the increase in the wage bill of families and the income of companies with investments in public works to make Brazil grow economically again.

In addition, the federal government should adopt the immediate audit of the public debt followed by renegotiation with the extension of time of the payment of interest on the country’s public internal debt, aiming at reducing government charges with the payment of the public debt to increase public savings for investment, promote the increase in public revenue with the taxation of large fortunes, dividends from individuals and banks and the elimination of superfluous expenses in all the powers of the Republic with the reduction of public agencies and commissioned personnel. These measures would contribute to the federal government having the resources to reactivate the economy and strengthen social programs to combat social inequalities and extreme poverty.

Given the prospect of worsening social inequalities, unemployment and extreme poverty in Brazil, what would be the solution to mitigate these problems within the framework of capitalism, in addition to the effort to reactivate the economy? The solution would consist of the adoption by the federal government of public policies aimed at the development of the social and solidarity economy to alleviate unemployment and the reinforcement in the implementation of basic income or minimum universal income to alleviate poverty with the Bolsa Família Program.

In their book L´économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016), Géraldine Lacroix and Romain Slitine affirms that the Social and Solidarity Economy is one of the solutions to alleviate the problem of unemployment and to open the way to invent in the future other ways of producing and consuming contributing to greater social cohesion. According to Lacroix and Slitine, the Social and Solidarity Economy offers answers to numerous questions in contemporary society. This book contains information that the social and solidarity economy corresponds to 10% of GDP and is responsible for 12.7% of employment in France. In Brazil, the social and solidarity economy represents 1% of GDP [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (With self-management, the solidarity economy already represents 1% of GDP in Brazil). Available on the website <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>].

The Social and Solidarity Economy is a new model of economic, social, political and environmental development that has a different way of generating work and income, in different sectors, whether in community banks, credit unions, family farming cooperatives, fair trade issue, in exchange clubs, etc. The Social and Solidarity Economy constitutes a new way of organizing work and economic activities in general, emerging as an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving them a new opportunity through self-management. Based on the Social and Solidarity Economy, there is the possibility of recovering bankrupt companies, and to continue them, with a new mode of production, in which the maximization of profit is no longer the main objective, giving rise to the maximization of the quantity and the quality of work.

It can be said that the adoption of the Social and Solidarity Economy is, without a doubt, the solution that would allow, within the framework of capitalism, to face mass unemployment that tends to grow in a dizzying way in the future with the replacement of skilled workers and not qualified by robots in the labor market. This is an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving them a new opportunity to work with a new mode of production in which profit is no longer the main goal. The adoption of the basic income policy or universal minimum income for the poor population is one of the solutions to alleviate poverty as it would allow the poor to start having money to meet their basic needs in terms of food, health, housing, etc.

In turn, the basic income policy or universal minimum income for the population is one of the solutions to alleviate poverty. This idea is not new. Friedrich August von Hayek, Austrian economist and philosopher, later naturalized British, considered one of the greatest representatives of the Austrian School of economic thought, was the proponent of this idea when he published between 1973 and 1979 his work Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). The neoliberal income transfer program of the Lula and Dilma Rousseff governments in Brazil, Bolsa Família, is an example of the application of Hayek’s basic income policy.

The book Utopia for Realists by Rutger Bregman (London, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) shows that giving free money to everyone, that is, a universal minimum income program would make it possible to alleviate or eliminate poverty. Among the reasons he points out for this idea to become reality, lies in the fact that distributing money reduces crime, improves the health of the population and allows everyone to invest in themselves. More than that, a universal minimum income program builds social peace and alleviates political violence that would feed on social inequalities, mass unemployment and extreme poverty to become a social revolution.

Bregman defends the utopia of money for everyone and not just for the poor. In the book, Bregman cites a number of successful examples of how homeless people, Indians and populations in vulnerable regions developed when they started to receive money without being asked for anything in return. For him, it will be better with less bureaucracy and the establishment of requirements. The basic income program should be universal when it is expanded to the rich and the middle class, so that it becomes a right of all citizens, not a favor, says Bregman.

The basic income policy for the poor population would bring numerous advantages not only related to the decrease in crime, improvement of the population’s health and improvement of the poor people’s housing conditions, but also the increase in the consumption of goods and services by the poor population. The government, the provider of basic income for the poor, would benefit from lower spending on police repression and the prison structure as a result of reduced crime and homelessness and increased tax collection resulting from increased consumption by the poor population. There will be no social peace in Brazil if the policies of social and solidarity economy and basic income are not adopted for the poor population.

It is not necessary to demonstrate that the measures proposed here can only be adopted by a government in Brazil diametrically opposed to that of Jair Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

NEOLIBERALISMO E AGRAVAMENTO DOS PROBLEMAS SOCIAIS NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

O modelo econômico neoliberal implantado em 1990 é o grande responsável por agravar os problemas sociais do Brasil na atualidade. A devastação social tem sido o principal resultado do modelo econômico neoliberal no Brasil inaugurado pelo presidente Fernando Collor em 1990 e mantido pelos presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer e Jair Bolsonaro. A recessão econômica atual, a desigualdade social, o desemprego em massa e a extrema miséria do País demonstram a inviabilidade do modelo neoliberal implantado no Brasil. A devastação social sofrida pelo Brasil com a desigualdade social, o desemprego em massa e a extrema miséria é demonstrada através dos indicadores de concentração de renda, de desemprego, de desigualdade social e de pobreza extrema.

O Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo, segundo relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado em dezembro de 2019. O Brasil está atrás apenas do Catar, quando analisado o 1% mais rico. No Brasil, o 1% mais rico concentra 28,3% da renda total do país (no Catar essa proporção é de 29%). Ou seja, no Brasil quase um terço da renda está nas mãos dos mais ricos. Já os 10% mais ricos no Brasil concentram 41,9% da renda total. O Brasil é o país com maior concentração de renda quando comparado com os países do grupo de países em desenvolvimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A Índia aparece no ranking com 21,3% da renda total nas mãos do 1% mais rico. A Rússia está com 20,2% e a África do Sul deixa 19,2% da sua renda total com o 1% mais rico. Enquanto isso, a China é o país dos Brics com menor concentração, nesse sentido, com 13,9%.

Pesquisa comparativa liderada por Thomas Piketty, autor de O Capital no século XXI publicado em 2014, aponta que 27,8% da riqueza nacional está em poucas mãos no Brasil. Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo. É o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza um banco de dados que permite comparar a evolução da desigualdade de renda no mundo nos últimos anos. A World Wealth & Income Database (base de dados mundial de riqueza e renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da renda do país em 2015.

Segundo os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milionários brasileiros ficaram à frente dos milionários do Oriente Médio, que aparecem com 26,3% da renda da região. O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%. A região em que os 10% mais ricos detêm menor fatia da riqueza é a Europa, com 37%.

O continente europeu é tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate à desigualdade, já que a evolução das disparidades na região foi a menor entre os indicadores desde 1980 que se deve às políticas social democratas adotadas por vários governos. Para solucionar o problema da desigualdade social, os pesquisadores propõem, de maneira geral, a implementação de regimes de tributação progressivos e o aumento dos impostos sobre herança, além de mais rigidez no controle de evasão fiscal. Os pesquisadores destacam ainda a importância de investimento público em áreas como  educação, saúde e proteção ambiental.

Desde os anos 1980, ocorreram grandes transferências de patrimônio público para o privado em quase todos os países, ricos ou emergentes que cresceu em todo o mundo com a adoção pelos governos de políticas neoliberais. Em vários países, inclusive o Brasil, a riqueza nacional aumentou substancialmente com a expansão do patrimônio privado e a redução do patrimônio público, diz a pesquisa. Segundo os autores, a redução do patrimônio público limita obviamente a capacidade dos governos de combater a desigualdade (EL PAIS. Participação dos 1% mais ricos na renda nacional. Disponível no website <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/13/internacional/1513193348_895757.html>. A Figura mostra o Brasil com a maior concentração de renda entre todos os países pesquisados, em verde claro).

Além de apresentar os piores indicadores de desigualdade social do mundo, as taxas de desemprego no Brasil se apresentam em níveis extremamente elevados (12,8 milhões de desempregados) com a perspectiva de se manter em patamares elevados em 2020, 2021 e 2022, segundo a OIT. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Organização Internacional do Trabalho que não prevê nenhuma melhoria para a situação.  Em termos absolutos, a OIT indica que 2019 terminou com 12,8 milhões de desempregados no Brasil. Em 2020, o número previsto se mantém no mesmo patamar e cai para 12,7 milhões em 2021. Entre 2022 e 2024, o total permanece entre 12,5 milhões e 12,6 milhões. A OIT não vislumbra, portanto, nada importante para permitir que taxa de desemprego no Brasil volte ao que existia em 2014.

Além dos indicadores de desigualdade social e de desemprego, a extrema pobreza no Brasil já soma 13,5 milhões de pessoas. O grupo de miseráveis no Brasil sobrevive com R$ 145 (US$ 33,02) mensais. O número de miseráveis no Brasil é maior do que a população da Bolívia, segundo o IBGE. O número de miseráveis vem crescendo desde 2015, invertendo a curva descendente da miséria dos anos anteriores. De 2014 para cá 4,5 milhões de pessoas caíram para a extrema pobreza, passando a viver em condições miseráveis. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta do desemprego e a redução drástica de recursos para os programas sociais e para o Bolsa Família aumentam o fosso do mais pobres.

A miséria atinge principalmente estados do Norte e Nordeste do Brasil, em especial a população preta e parda, sem instrução ou com formação fundamental incompleta. O crescimento da extrema pobreza coincide com o início da recessão que começou em 2014 e perdura no Brasil graças à inação do governo Bolsonaro. Um dado do IBGE, porém, chama a atenção. Dos 13,5 milhões de miseráveis, 13,6% tinham alguma ocupação, ainda que informal, cumprindo abaixo das 40 horas de trabalho semanal. A saída da miséria desta população depende, entre outras medidas, da reativação da economia para ela se inserir no mercado de trabalho e terem uma renda que as tirem da situação de extrema pobreza e do acesso que as pessoas tenham aos programas sociais.

Para terem acesso aos programas sociais, o governo terá que investir adicionalmente R$ 1 bilhão mensais para atender aos brasileiros em condição de extrema pobreza que dificilmente ocorrerá porque o governo de Jair Bolsonaro está focado no aprofundamento do ajuste fiscal, e na ideia da redução do papel do Estado, de acordo com o modelo neoliberal que foi abraçado pelo País desde o governo de Fernando Collor em 1990. Acresce-se a este fato a insensibilidade social do governo para os graves problemas sociais do País.

Para combater as desigualdades sociais, o desemprego e a extrema pobreza da população, o governo federal deveria assumir as rédeas da economia nacional abandonando o fracassado modelo econômico neoliberal para reativar a economia brasileira e o pleno emprego com a execução, de imediato, de um amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) com a participação do setor privado para combater o desemprego em massa atual elevando os níveis de emprego e  a renda das famílias e das empresas para, em consequência, promover a expansão do consumo das famílias e das empresas resultantes, respectivamente, do aumento da massa salarial das famílias e da renda das empresas com os investimentos em obras públicas para fazer o Brasil voltar a crescer economicamente.

Além disso, o governo federal deveria adotar a imediata auditoria da dívida pública seguida de renegociação com o alongamento do tempo de pagamento dos juros da dívida interna pública do país visando a redução dos encargos governamentais com o pagamento da dívida pública para elevar a poupança pública para investimento,  promover o aumento da arrecadação pública com a taxação das grandes fortunas, dos dividendos de pessoas físicas e dos bancos e a eliminação de gastos supérfluos em todos os poderes da República com a redução de órgãos públicos e de pessoal comissionado. Estas medidas contribuiriam para o governo federal dispor de recursos para reativar a economia e robustecer os programas sociais de combate às desigualdades sociais e a pobreza extrema.

Diante da perspectiva de agravamento das desigualdades sociais, do desemprego e da pobreza extrema no Brasil, qual seria a solução pata atenuar estes problemas nos marcos do capitalismo, além do esforço de reativação da economia? A solução consistiria na adoção pelo governo federal de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da economia social e solidária para atenuar o desemprego e do reforço na implementação da renda básica ou renda mínima universal para atenuar a pobreza com o Programa Bolsa Família.

Em sua obra L´économie sociale et solidaire (Paris: Presses Universitaires de France, 2016), Géraldine Lacroix e Romain Slitine afirma que a Economia Social e Solidária é uma das soluções para atenuar o problema do desemprego e abrir os caminhos para inventar no futuro outras maneiras de produzir e consumir contribuindo para maior coesão social. Segundo Lacroix e Slitine, a Economia Social e Solidária oferece respostas para numerosas questões da sociedade contemporânea. Nesta obra consta a informação de que a economia social e solidária corresponde a 10% do PIB e é responsável por 12,7% do emprego na França. No Brasil, a economia social e solidária representa 1% do PIB (REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil. Disponível no website  <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html, 2015>).

A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. A Economia Social e Solidária constitui uma nova forma de organização do trabalho e das atividades econômicas em geral emergindo como uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos, através da autogestão. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho.

Pode-se afirmar que a adoção da Economia Social e Solidária é, sem sombra de dúvidas, a solução que permitiria, nos marcos do capitalismo, fazer frente ao desemprego em massa que tende a crescer de forma vertiginosa no futuro com a substituição de trabalhadores qualificados e não qualificados por robôs no mercado de trabalho, Trata-se de uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos para trabalharem com um novo modo de produção em que o lucro deixa de ser o principal objetivo. A adoção da política de renda básica ou renda mínima universal para a população pobre é uma das soluções para atenuar a pobreza haja vista que ela permitiria fazer com que os pobres passassem a dispor de dinheiro para fazer frente às suas necessidades básicas em termos de alimentação, saúde, moradia, etc.

Por sua vez, a política de renda básica ou renda mínima universal para a população é uma das soluções para atenuar a pobreza. Esta ideia não é nova. Friedrich August von Hayek, economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico, considerado um dos maiores representantes da Escola Austríaca de pensamento econômico, foi o proponente desta ideia quando publicou entre 1973 e 1979 sua obra Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988). O programa neoliberal de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família, é um exemplo da aplicação da política de renda básica de Hayek.

O livro Utopia for Realists de Rutger Bregman (London, New York: Bloomsbury Paperbacks, 2017) mostra que dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal possibilitaria atenuar ou eliminar a pobreza. Entre as razões que ele aponta para que esta ideia vire realidade, reside no fato de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos. Mais do que isto, um programa de renda mínima universal faz com que seja construída a paz social e atenue a violência política que se alimentaria das desigualdades sociais, do desemprego em massa e da pobreza extrema para se transformar em revolução social.

Bregman defende a utopia do dinheiro para todos e não apenas para os pobres. No livro, Bregman cita uma série de exemplos bem sucedidos de como moradores de rua, índios e populações em regiões vulneráveis se desenvolveram ao passar a receber dinheiro sem que fosse pedido nada em troca. Para ele, será melhor com menos burocracia e o estabelecimento de exigências. O programa de renda básica deveria ser universal ao ser expandido para os ricos e a classe média, para que se tornasse um direito de todos os cidadãos, não um favor, afirma Bregman.

A política de renda básica para a população pobre traria inúmeras vantagens não apenas relacionadas com a diminuição da criminalidade, melhoria da saúde da população e melhoria das condições de moradia da população pobre, mas também o aumento do consumo de bens e serviços pela população pobre. O governo, provedor da renda básica para a população pobre, teria o benefício de menor gasto com a repressão policial e a estrutura carcerária em consequência da redução da criminalidade e dos moradores de rua e a elevação da arrecadação de impostos resultante do aumento do consumo da população pobre. Não haverá paz social no Brasil se não forem adotadas as políticas de economia social e solidária e de renda básica para a população pobre.

Não é preciso demonstrar que as medidas aqui propostas só poderão ser adotadas por um governo do Brasil diametralmente oposto ao de Jair Bolsonaro.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).