COMO FAZER ESCOLHAS RACIONAIS EM BUSCA DO SUCESSO E DA FELICIDADE NA VIDA

Fernando Alcoforado*

Saber fazer escolhas de natureza econômica, política e pessoal é muito importante em nossas vidas haja vista que poderemos obter bom ou mal resultado em consequência de nossas decisões. Como autores da nossa própria história, colhemos o que plantamos. Nossas decisões ficarão bastante comprometidas se forem tomadas com base em nossos impulsos. É preciso haver racionalidade em nossas escolhas. A teoria da escolha racional nasceu na área da economia procurando explicar como as pessoas devem tomar suas decisões. Depois, esta abordagem foi usada na psicologia, na ciência política e na sociologia procurando explicar os mecanismos pelos quais as pessoas escolhem algumas opções e descartam outras. Segundo esta teoria, as pessoas sempre escolhem aquelas opções que implicam em menor custo e em maior benefício. Todas as escolhas que fazemos na vida são realizadas com o propósito de nos beneficiar com a decisão tomada de acordo com uma perspectiva individual, coletiva ou em ambas.  A escolha seria boa se alcançássemos os benefícios desejados e seria má se ocorresse o inverso.

Presume-se que uma pessoa age racionalmente ao considerar informações disponíveis, probabilidades de eventos e potenciais custos e benefícios na determinação de preferências, e aja consistentemente na busca da melhor escolha na sua tomada de decisões de natureza política e econômica. De modo geral, a decisão racional nos campos político e econômico envolve o cumprimento de nove passos a serem considerados pelo tomador de decisões: 1) Objetivos a perseguir: o que se pretende atingir; 2) Alternativas de ação: caminhos alternativos para a consecução dos objetivos; 3) Preferências: critérios subjetivos e/ ou objetivos utilizados na seleção de alternativas; 4) Estratégias: curso de ação para cada alternativa selecionada visando atingir os objetivos considerando os recursos disponíveis; 5) Cenários: futuros prováveis para as alternativas de ação selecionadas considerando o risco e a incerteza associada a cada alternativa de ação selecionada; 6) Resultados: grau de sucesso de cada alternativa no atingimento dos objetivos; 7) Avaliação com a comparação entre as alternativas de ação e seus resultados; 8) Escolha da melhor alternativa; e, 9) Implementação da alternativa escolhida.

Escolhas de natureza econômica são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre investimentos individuais, empresariais e públicos. A racionalidade nas escolhas de natureza econômica requer que quem for decidir sobre investimentos seja profundo conhecedor da questão objeto de decisão e que disponha de toda a informação necessária à tomada de decisão para fazer a melhor escolha de acordo com os critérios acima apresentados. Além de ser qualificado para fazer a escolha mais adequada de natureza econômica, é crucial que quem for decidir disponha de informações sobre o passado e o presente, bem como a prospectiva quanto aos resultados esperados no futuro.  Nas decisões de natureza econômica, é preciso que sejam, portanto, avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado.

Escolhas de natureza política são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre a eleição de Presidente da República, Governadores, Prefeitos, Deputados Estaduais e Federais e Vereadores. A racionalidade nas escolhas de natureza política requer que o cidadão tenha cultura ou conhecimentos de economia, história, filosofia e ciência política e que disponha de toda a informação necessária sobre as propostas dos candidatos a cargos eletivos para fazer a melhor escolha de acordo com seus objetivos pessoais e/ou da coletividade. Nas decisões de natureza política, é preciso que sejam, portanto, avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal e/ou coletivo.

As escolhas de natureza pessoal são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre a profissão a exercer, sobre a organização onde trabalhar, sobre a cidade ou país onde viver e, sobretudo, sobre com quem constituir família e como conquistar a felicidade. Poder-se-ia adotar também para as decisões de natureza pessoal sobre a profissão a exercer, sobre a organização onde trabalhar e sobre a cidade ou país onde viver os mesmos critérios a serem adotados nas decisões de natureza política e econômica acima descritos. A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre a profissão a exercer requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores profissões do futuro do ponto de vista do mercado de trabalho com suas respectivas remunerações e que sejam avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal. A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre a organização onde trabalhar requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores organizações existentes no país ou no exterior onde possa trabalhar e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal.  A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre as melhores cidades ou país onde viver requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores alternativas que, após avaliação,  seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal.

No entanto, a racionalidade na escolha sobre com quem constituir família com base nos critérios acima descritos é um desafio de difícil realização para um casal apaixonado que age, de modo geral, por impulsos.    O critério racional para o casal decidir se casar ou não é o de ambos terem uma experiência de vida em comum pelo tempo necessário para, disporem do conhecimento recíproco. Do conhecimento recíproco do casal, pode-se identificar se há convergência em suas concepções do mundo, se há convergência entre seus objetivos na vida e se ambos se satisfazem sexualmente. Estes são os fatores determinantes do sucesso na continuidade do relacionamento de um casal. O sucesso na constituição de uma família com a escolha do parceiro ou parceira ideal é um passo importante na conquista da felicidade individual que seria mais completa com o sucesso que seja alcançado nas decisões do casal no campo político com as escolhas bem sucedidas de governantes e representantes nos parlamentos e com as escolhas bem sucedidas no campo econômico que lhes propiciem estabilidade financeira.

Para os nossos antepassados e filósofos gregos, a busca pela felicidade deveria ser o motor central da nossa vida. A própria felicidade resulta das nossas escolhas e, para tomar melhores decisões, muitos de nós escolhemos seguir diretrizes, sejam elas, científicas, filosóficas ou religiosas. A felicidade individual se conquista através da educação de si mesmo. Educação é o meio através da qual as pessoas se capacitariam para fazer as melhores escolhas na vida. A Educação deve ser complementada pela Psicologia Positiva com base na qual é possível fazer algo mais do que resolver ou minorar perturbações psicológicas, isto é, pretende fazer-nos felizes A Psicologia Positiva trabalha mais as forças do que as fraquezas do ser humano, mais a busca da felicidade do que o estudo das doenças mentais. A Psicologia Positiva é o meio através da qual as pessoas conquistariam a felicidade individual ou coletiva (comunidade, região, país) que, em última instância, é o principal objetivo que orienta a escolha das pessoas na vida.   Em síntese, enquanto a Educação atuaria para capacitar as pessoas para fazerem as melhores escolhas na vida, a Psicologia Positiva mostraria os caminhos para a conquista da felicidade.

O pensamento dominante é o de que o papel principal da Educação é o de preparar bem as pessoas para o mercado de trabalho. Outro pensamento é o de que a Educação tem por finalidade primeira desenvolver o senso crítico. A finalidade da Educação deve ser, portanto, a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade. Uma das finalidades da Educação, talvez a mais importante, é a de oferecer às pessoas oportunidades e meios para serem mais felizes. O mundo está à espera de uma revolução na Educação que tenha como principal objetivo proporcionar as condições para a conquista da felicidade dos seres humanos.

Para ser feliz, o indivíduo deve buscar autoconhecimento, inclusive com ajuda do psicólogo. A felicidade é uma conquista que se faz através da educação de si mesmo. E ela jamais será encontrada fora. Para ser feliz, o indivíduo deve se apoiar, portanto, na Educação e na Psicologia Positiva. Explicar que tipo de projetos fazem efetivamente as pessoas felizes, e que tipos de atitudes conduzem à felicidade, ou a tornam impossível, é o objeto da Psicologia Positiva que, como disciplina descritiva e não normativa, se limita a registar o que efetivamente faz as pessoas felizes. A Psicologia Positiva explora a importância de saber interpretar corretamente o mundo e nós mesmos. Parte da infelicidade dos indivíduos resulta de modos errados de interpretar as coisas. O que se passa é que em certas situações nos tornamos infelizes porque entramos numa espiral autodestrutiva de pensamentos sutilmente errados sobre nós mesmos e os outros pensamentos que nos deprimem cada vez mais. Conseguir detectar e neutralizar esses pensamentos, reconhecendo que são pura e simplesmente exageros e interpretações erradas das coisas, é um passo fundamental para a felicidade, segundo a Psicologia Positiva (LOPES, Paulo. Psicologia Positiva. Matrix Editora, 2017).

O propósito da vida não é satisfazer os próprios desejos a fim de ser feliz, mas justamente o que cada um de nós tem a doar para o mundo. A felicidade precisa ser compartilhada. Como muitas outras espécies, os seres humanos são gregários e ter laços de confiança e amizade com outras pessoas é uma parte importante da felicidade. Lamentavelmente, vivemos numa era voltada para a vida privada e subjetiva, para o individualismo exacerbado erigido como valor absoluto. Sem preocupações mais alargadas, que ultrapassem as fronteiras imediatas do eu, da família e dos amigos mais próximos, dificilmente se pode ser genuinamente feliz. A felicidade, afinal, não vem realmente toda de dentro — vem também da entrega ao mundo.

A  felicidade individual não se realizará sem a felicidade coletiva da nação que só pode resultar da vontade política de seus dirigentes e de sua população. Na Antiguidade, os filósofos consideravam a felicidade um assunto relacionado à política. Foi a Constituição dos Estados Unidos, que data de 1787, que incluiu a busca da felicidade entre os direitos do homem, com base em reflexões filosóficas que se originam no pensamento de David Hume e nas ideias iluministas. Bertrand Russell deixou evidenciado que “a felicidade deve ser considerada sempre como um bem perseguido por todos” (RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015). Isto significa dizer que a felicidade individual não se realiza sem a realização da felicidade coletiva.

Em todas as épocas, a conquista da felicidade tem sido um objetivo perseguido por todos os seres humanos. Alguns seres humanos buscam conquistar egoisticamente sua felicidade individual e outros a felicidade individual ao lado da felicidade coletiva em todas as épocas.  Nossa visão é a de que a felicidade individual seria alcançada quando a pessoa conseguisse realizar seu desejo como, por exemplo, ter vida saudável, constituir uma família solidária, dispor de recursos que garantam sua ascensão social e de sua família, estar cercado de amigos verdadeiros, ser amado pelo seu marido ou mulher, ser  reconhecido pelo bem que realiza no mundo do trabalho e na sociedade como cidadão e viver em uma sociedade progressista e democrática bem estruturada. A felicidade coletiva poderia ser alcançada quando os seres humanos integrantes de uma comunidade local, regional e mundial conseguissem realizar seus desejos vivendo em uma sociedade democrática bem estruturada e progressista que lhes proporcionassem as condições para o desenvolvimento de todos os concidadãos. É preciso construir um mundo que acabe com a tristeza na vida e construa a felicidade para todos os seres humanos.

Excelente exemplo de países que trilharam o caminho da felicidade coletiva de suas nações é o dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia). O relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Dinamarca no topo da lista. Os nórdicos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade. A Escandinávia é o berço do modelo mais igualitário que o mundo já conheceu. O chamado modelo escandinavo é uma referência importante na formulação de políticas econômicas heterodoxas (progressistas) em todo o planeta. O sucesso deste modelo se deveu à combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado, capaz de colocar a economia em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que alcançava os melhores indicadores de bem-estar social entre os países do mundo.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

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Author: falcoforado

FERNANDO ANTONIO GONÇALVES ALCOFORADO, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023) e A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023).

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