A CEGUEIRA POLÍTICA DOMINA O BRASIL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo demonstrar que a cegueira política que domina o Brasil nos últimos tempos está abrindo caminho para o retrocesso político e institucional de consequências danosas para o futuro da democracia com a escalada do fascismo no País.  Antes de abordar a cegueira política que domina o Brasil, é oportuno fazer uma analogia da situação do País com a exposta pelo escritor português José Saramago em seu romance  Ensaio sobre a cegueira que nos apresenta uma imagem aterradora dos tempos sombrios em que vivemos no mundo (SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2020). O romance começa mostrando um motorista parado aguardando a abertura do semáforo quando se descobre subitamente cego e as pessoas correm em seu socorro até que se forma uma cadeia sucessiva de cegueira, isto é, uma cegueira, branca, como um mar de leite jamais conhecida que se alastra rapidamente em forma de epidemia. O governo decide agir, e as pessoas infectadas são colocadas em uma quarentena com recursos limitados quando irá desvendar aos poucos as características primitivas do ser humano.

A força da epidemia de cegueira não diminui com as atitudes tomadas pelo governo e depressa o mundo se torna cego, onde apenas uma mulher, misteriosa e secretamente manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que serão causados, presenciando visualmente todos os sentimentos que se desenrolam na obra de Saramago: poder, obediência, ganância, carinho, desejo, vergonha, dominadores, dominados, subjugadores e subjugados. Nesta quarentena esses sentimentos se irão desenvolver sob diversas formas: lutas entre grupos pela pouca comida disponibilizada, compaixão pelos doentes e os mais necessitados, como idosos ou crianças, embaraço por atitudes que antes nunca seriam cometidas, atos de violência e abuso sexual, mortes.

Ao conseguir finalmente sair do antigo hospício onde o governo lhe colocou em quarentena, uma mulher se depara com a cidade toda infectada com cadáveres, lixo, detritos, todo o tipo de sujidade e imundice. Os cegos passaram a seguir os seus instintos animais, e sobreviviam como nômades, instalando-se em lojas ou casas desconhecidas. Saramago mostra, através desta obra, as reações do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. Leva-nos também a refletir sobre a moral, costumes, ética e preconceito através dos olhos da personagem principal, a mulher do médico, que se depara ao longo da narrativa com situações inadmissíveis. Ela mata para se preservar e aos demais, se depara com a morte de maneiras bizarras, como cadáveres espalhados pelas ruas e incêndios. Na obra de Saramago tudo termina quando subitamente, exatamente pela ordem de contágio, o mundo cego dá lugar ao mundo imundo e bárbaro. No entanto, as memórias e rastros não se desvanecem.

Pode-se fazer uma analogia entre o cenário retratado por Saramago em sua obra com a cegueira política em que vivemos no Brasil. Vivemos hoje no Brasil a cegueira (o mundo cego de Saramago) de boa parte da população brasileira e dos governantes que pode dar lugar ao retrocesso político institucional (mundo imundo e bárbaro de Saramago) que resultaria  do agravamento das crises econômica, social e política aprofundadas pela pandemia do novo Coronavirus. Boa parte da população brasileira foi dominada pela cegueira quando elegeu Jair Bolsonaro presidente da República nas últimas eleições presidenciais movida pelo ódio ao ex-presidente Lula e ao PT, que considerava responsáveis pela corrupção que se tornou endêmica e  pela grave crise econômica que passou a existir a partir de 2014 no Brasil, bem como, de forma equivocada, buscava, também, impedir que os comunistas assumíssem o poder como se existisse esta ameaça. Os eleitores de Bolsonaro movidos pela cegueira só o elegeram porque concluiram que ele era o único candidato capaz de impedir a volta do lulopetismo ao poder e, equivocadamente, acreditaram que combatendo a corrupção seriam solucionados os problemas econômicos do Brasil.

O resultado é que Bolsonaro assumiu o poder e seu governo agrava os problemas econômicos e sociais do País pela ausência de um projeto de desenvolvimento econômico e social que mantém o Brasil estagnado economicamente e pela adoção de políticas antissociais como a reforma da Previdência Social já aprovada e a reforma administrativa em tramitação no Congresso Nacional. A cegueira política dos eleitores de Bolsonaro reside, também, no fato de eleger um presidente da República que, além de não ter um plano ou projeto de desenvolvimento para o Brasil e não ter preparo para governar o Pais, apresentou uma proposta de governo tipicamente fascista porque seu discurso de campanha foi baseado no culto explícito da ordem, na violência de Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo.  

A cegueira política domina cerca de 30% da população brasileira, que vem sendo comprovada através de pesquisas de opinião pública, demonstrando que este segmento está satisfeito com o governo Bolsonaro apesar dele nada fazer para solucionar os problemas da economia brasileira, da pobreza e do desemprego em massa que se registram no Brasil. Esta cegueira política dos apoiadores de Bolsonaro se mantém mesmo com seu absurdo posicionamento contrário às medidas de distanciamento social para combater o novo Coronavirus desrespeitando sistematicamente todas as medidas restritivas à aglomeração de pessoas adotadas por governadores e prefeitos sob o falso pretexto de que é preciso salvar, também, a economia brasileira da debacle colaborando, desta forma, para   o assassinato coletivo do povo brasileiro pelo vírus que já alcançou mais de 100 mil mortos. Para completar seu desserviço à nação, Bolsonaro prometeu vetar, caso seja aprovado, um projeto de lei apresentado no Congresso Nacional que prevê pena de prisão para quem descumprir medidas de contenção da Covid-19 que inclui a vacinação, o uso de máscaras e a realização compulsória de exames e testes laboratoriais.

A cegueira política atinge, também, o Congresso Nacional, o Poder Judiciário (Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e a Procuradoria Geral da República) que não agem com a adoção de medidas previstas na Constituição do Brasil visando interditar a presença de Bolsonaro na presidência da República haja vista seu propósito de implantar uma ditadura no País como ficou demonstrado pelo seu apoio às várias manifestações da horda fascista que afirmava desejar o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional e nos pronunciamentos dele próprio atentatórios à Constituição da República que jurou respeitar no seu ato de posse. Está bastante claro que o objetivo do governo Bolsonaro é a conquista do poder total para colocar em prática seu projeto fascista de governo. A escalada do fascismo já é um fato concreto no Brasil, disseminado, enraizado e poderá se tornar irreversível no momento atual se não houver resistência.

A cegueira política atinge, também, o presidente da Câmara dos Deputados que nada faz para abrir processo de impeachment contra Bolsonaro, a Procuradoria Geral da República que tem o papel de fiscalizar a atuação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e não denuncia os atos antidemocráticos praticados por Bolsonaro e seu governo, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, que deveriam zelar pelo respeito à Constituição e às leis do País, fazem muito pouco ou nada fazem para barrar os propósitos de Bolsonaro de implantar uma ditadura no Brasil. A cegueira do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e da Procuradoria Geral da República fica evidenciado, também, pelo fato de nada fazerem para barrar as ações de Bolsonaro e de seu governo que atentam contra o meio ambiente e as populações indígenas que habitam a Amazônia ao incentivarem as queimadas na floresta amazônica e a ação de garimpeiros e madeireiros na região em flagrante desrespeito à Constituição.  O resultado da ação do governo Bolsonaro com relação ao meio ambiente é o horror da catástrofe ambiental caracterizada pela destruição da floresta amazônica e pelo genocídio das populações indígenas que lá habitam.

Do que acaba de ser exposto, pode-se concluir que o sistema democrático em vigor no Brasil está ameaçado. Os acontecimentos políticos do Brasil confirmam a tese de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt apresentada em sua obra “How Democracies Die” (Como morrem as democracias) de que “a morte das democracias pós-Guerra Fria se dá predominantemente pelas mãos de líderes eleitos, não pela via dos golpes de Estado clássicos. O retrocesso democrático hoje começa nas urnas”. Segundo Levitsky e Ziblatt, hoje, está ocorrendo em várias partes do mundo a situação em que líderes descritos como outsiders que, embora possam permanecer marginais para sempre, ganham relevância caso encontrem algum tipo de apoio em partidos políticos do establishment. Nesse caso, em vez de guardiões da democracia, partidos políticos acabam contribuindo para a legitimação de um potencial ditador que, ao assumir o poder, rejeita as regras democráticas, nega a legitimidade dos oponentes políticos, tolera e encoraja a violência e tem propensão a restringir liberdades civis dos oponentes, inclusive a mídia (LEVITSKY, Steven e ZIBLATT, Daniel. How Democracies Die. New York: Broadway Books, 2019). Este é o caso de Bolsonaro.

Levistky e Ziblatt sugerem a estratégia de uma ampla frente democrática para evitar a morte das democracias. Esta estratégia é absolutamente necessária no Brasil contemporâneo para evitar o fim do sistema democrático. Urge a formação de uma frente ampla, democrática e antifascista no Parlamento e na Sociedade Civil para defender a Constituição de 1988 e lutar contra os atos do governo que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e do Brasil. Esta frente ampla não deve objetivar apenas a defesa da democracia e dos interesses da maioria da população, mas também a defesa dos interesses nacionais ameaçados pelo propósito do governo Bolsonaro de privatizar a Petrobras, a Eletrobras e o Banco do Brasil, entre outras empresas estatais, que significa entregar este valioso patrimônio nacional ao capital estrangeiro.  

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).  

THE INEFFECTIVE PROPOSAL FOR ADMINISTRATIVE REFORM OF THE BOLSONARO GOVERNMENT

Fernando Alcoforado*

This article aims to demonstrate that the Bolsonaro administration’s administrative reform proposal is unable to increase the efficiency and effectiveness of the Brazilian State in promoting national development. The Bolsonaro government sent a proposal for administrative reform to the National Congress, ending stability for new civil servants, but maintaining all rights for current civil servants. In addition, the proposal extinguishes automatic promotions and various benefits, considered by the Ministry of Economy as privileges. The text, however, does not affect all privileges such as those of magistrates, parliamentarians, military personnel and members of the Public Ministry, categories that are among those that have the highest remuneration and benefits in the public service. The administrative reform proposal has a milder impact than the government intended, since it does not affect those who have already joined the civil service. It is an ineffective government administrative reform because it does not contribute to increasing the efficiency and effectiveness of the State’s administrative machinery in Brazil.

Anyone dealing with strategic planning knows that strategy must always precede the structure. That is, after the strategy has been formulated, a corresponding organizational structure must be outlined. If there is a change in strategy, there must be a change in structure. Contrary to this formulation, in Brazil, governments that are installed at all levels do not change the governmental structure. The success of a company and a government depends on the strategy and structure, but also on the systems, style, skills, people and shared values. The structure (the basic way in which the different activities of the organization are organized) is the first lever; leadership (the need to establish an effective style and also the necessary and qualified personnel to execute the strategy) is the second lever; and, culture (shared values that create the norms of individual behavior and the tone of the organization) is the third. The strategy and structure are formed in an interdependent manner, each influencing and being influenced by the other, and that both are conditioned by the environment in which the organization operates.

This type of strategic formulation has not been the practice of different Brazilian governments in the past and the present. The State in Brazil is inefficient and ineffective because the government does not do strategic planning, does not formulate development strategies and does not implement structures compatible with the strategies. This is the case of the Bolsonaro government, which does not have a development plan for Brazil, which is why it does not have a development strategy for the country. Without a strategy, it is not possible to conceive a consistent organizational structure. This explains the ineffective administrative reform proposal of the Bolsonaro government. While the Bolsonaro government proves to be incompetent in formulating a proposal for administrative reform, Brazil continues to face the fragility of the organizational structures of the federal, state and municipal governments of Brazil. The lack of integration of the federal, state and municipal governments in promoting national, regional and local development is striking. This fact is associated with the existence of inadequate organizational structures at each of the federal, state and municipal levels that make the integrative effort at these levels of government unfeasible. The lack of integration of the various instances of the State in Brazil is, therefore, total, causing the action of the public authorities to become chaotic as a whole, consequently generating diseconomies of all kinds. This chaotic behavior manifests itself blatantly in the Bolsonaro government.

The organizational structures of the government at all levels in Brazil are outdated. It is unacceptable for the federal, state and municipal governments superimpose efforts, as is still the case in many sectors today, exhausting the meager resources made available to them and not starting to act based on regional structures in which would be present all federal, state and municipal agencies interested in its development. To solve this problem, it would be necessary for the federal and state governments to assume normative and global, regional and sectoral planning functions on an integrated basis, while city halls, in addition to promoting the planning of their cities, regional development agencies, in addition to doing regional planning, public companies would also do the executive part in articulation with the federal, state and municipal governments.

This model of integrated management of the public sector in Brazil is opposed to what prevails today, in which the federal, state and municipal governments are autonomous in their deliberations and actions, and politically reactive to the idea of integration. In order to make government structures act in an integrated manner, it is necessary to establish the so-called networked State. The State in Network presupposes the implantation of Network Structure, or Organization in Network, which is a type of organizational macro-structure that would work according to a logic of circular or star-shaped organization chart, in the center of which is the main organization, that is, the federal government. Below the federal government would be the regional development agencies to be created, the state governments, the city halls and public or state companies. The objectives and operational plans of the components of the network structure must be established jointly by all its members. The functioning of this type of organization would be supported by modern computer and telecommunications systems that would allow the management and control of all processes.

With the organizational structure of the networked State in Brazil, it will be possible to maximize the development of its current and potential economic hubs and take advantage of the endogenous development potential of each location and region of the country. The federal government should establish management systems to coordinate in together with state and municipal governments, actions in the regions covered by the growth and development poles of the national economy, there should be regional development structures and there should be a joint effort between the three spheres of government, economic forces and civil society in promoting economic and social development.

Operationally, the members of a networked structure would connect horizontally to all the others, directly or through those around them. The democratic functioning of a networked organization is measured by the real freedom of information circulation within it and, therefore, by the lack of censorship, controls, hierarchies or manipulation in this circulation. The current possibilities offered by information technology – in the speed of communication and in the storage of information – can give extreme efficiency to networks created with specific objectives, as well as effectively guaranteeing them full freedom of information circulation. A network can connect people as well as organizations. The networked structure linking federal and state governments, regional development agencies, municipal governments and public or state-owned companies in planning and operation should be the solution to make the State efficient and effective in Brazil.

In addition to coordinating the actions of all levels of government in each regional instance, the network structure will make it possible to reduce the State’s operating costs and, consequently, minimize the tax burden on taxpayers. In order to make a real revolution in the work processes of the public sector in Brazil, however, it becomes essential, however, to recycle all public employees, to change the entire culture that is now dominant in the state apparatus and to adopt a work remuneration policy compatible with its new responsibilities. As for public companies, the relationship between their directors and the bodies to which they report must be based on management contracts. Through these contracts, public companies would obtain relative autonomy in relation to the State and would assume the commitment to pursue pre-established goals of efficiency and effectiveness. If they are not successful, their leaders would be removed from their posts.

In summary, what is proposed is to implement an organizational structure of the State in Brazil in a network so that in each municipality and region of the country there is an articulated and integrated action by the federal, state and municipal governments with the effective participation of civil society of each municipality and each region. Rethinking the reform of the State in Brazil therefore requires a break with the paradigm still dominant in Brazil, which privileges the role of technocracy in government management at the expense of the manifestation of sectors of civil society. More and more concentration of technical power is not enough, as is the case today. It is necessary to take into account the political dimension of State reform, contemplating the participation of sectors of civil society through public hearings, plebiscites and referendums in decision-making on the most relevant issues. The emphasis on politics requires, fundamentally, the strengthening of the connections of the State with the society and with the representative institutions, also expanding the procedures of collection and accountability, the means of external social control, the transparency and the publicity of the acts of the government. Therefore, the administrative reform of the Brazilian State proposed by the Bolsonaro government and nothing is the same thing.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

LA PROPOSITION INEFFICACE DE RÉFORME ADMINISTRATIVE DU GOUVERNEMENT DE BOLSONARO

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à démontrer que la proposition de réforme administrative du gouvernement Bolsonaro est incapable d’accroître l’efficience et l’efficacité de l’État brésilien dans la promotion du développement national. Le gouvernement Bolsonaro a envoyé une proposition de réforme administrative au Congrès national, mettant fin à la stabilité des nouveaux fonctionnaires, mais maintenant tous les droits des fonctionnaires actuels. En outre, la proposition éteint les promotions automatiques et divers avantages, considérés par le ministère de l’Économie comme des privilèges. Le texte n’affecte cependant pas tous les privilèges tels que ceux des magistrats, des parlementaires, du personnel militaire et des membres du ministère public, catégories qui sont parmi celles qui bénéficient des rémunérations et avantages les plus élevés dans la fonction publique. La proposition de réforme administrative a un impact plus léger que ce que le gouvernement avait prévu, car elle n’affecte pas ceux qui ont déjà rejoint la fonction publique. Il s’agit d’une réforme administrative inefficace du gouvernement car elle ne contribue pas à accroître l’efficience et l’efficacité de l’appareil administratif de l’État au Brésil.

Quiconque s’occupe de planification stratégique sait que la stratégie doit toujours précéder la structure. Autrement dit, une fois la stratégie formulée, une structure organisationnelle correspondante doit être esquissée. S’il y a un changement de stratégie, il doit y avoir un changement de structure. Contrairement à cette formulation, au Brésil, les gouvernements qui sont installés à tous les niveaux ne changent pas la structure gouvernementale. Le succès d’une entreprise et d’un gouvernement dépend de la stratégie et de la structure, mais aussi des systèmes, du style, des compétences, des personnes et des valeurs partagées. La structure (la manière de base dont s’organisent les différentes activités de une organisation) est le premier levier; le leadership (la nécessité d’établir un style efficace et aussi le personnel nécessaire et qualifié pour exécuter la stratégie) est le deuxième levier; et la culture (valeurs partagées qui créent les normes de comportement individuel et le ton de l’organisation) est la troisième. La stratégie et la structure sont formées de manière interdépendante, chacune influençant et étant influencée par l’autre, et toutes deux sont conditionnées par l’environnement dans lequel l’organisation opère.

Ce type de formulation stratégique n’a pas été la pratique de différents gouvernements brésiliens dans le passé et le présent. L’État au Brésil est inefficace et inefficace car le gouvernement ne fait pas de planification stratégique, ne formule pas de stratégies de développement et ne met pas en œuvre des structures compatibles avec les stratégies. C’est le cas du gouvernement Bolsonaro, qui n’a pas de plan de développement pour le Brésil, c’est pourquoi il n’a pas de stratégie de développement pour le pays. Sans stratégie, il n’est pas possible de concevoir une structure organisationnelle cohérente. Ceci explique la proposition de réforme administrative inefficace du gouvernement Bolsonaro. Alors que le gouvernement Bolsonaro se révèle incompétent dans la formulation d’une proposition de réforme administrative, le Brésil continue de faire face à la fragilité des structures organisationnelles des gouvernements fédéral, étatique et municipal.. Le manque d’intégration des gouvernements fédéral, des États et municipaux dans la promotion du développement national, régional et local est frappant. Ce fait est associé à l’existence de structures organisationnelles inadéquates à chacun des niveaux fédéral, étatique et municipal qui rendent impossible l’effort d’intégration à ces niveaux de gouvernement. Le manque d’intégration des différentes instances de l’État au Brésil est donc totale, faisant que l’action des pouvoirs publics devient dans son ensemble chaotique, générant par conséquent des déséconomies de toutes sortes. Ce comportement chaotique se manifeste de manière flagrante dans le gouvernement Bolsonaro.

Les structures organisationnelles du gouvernement à tous les niveaux au Brésil sont dépassées. Il est inacceptable que les gouvernements fédéral, étatiques et municipaux chevauchement les efforts, comme c’est encore le cas dans de nombreux secteurs aujourd’hui, épuisant les maigres ressources mises à leur disposition et ne commençant pas à agir sur la base de structures régionales dans lequel sont présents tous les organes fédéraux, étatiques et municipaux intéressés par son développement. Pour résoudre ce problème, il serait nécessaire d’amener les gouvernements fédéral et des États à assumer des fonctions de planification normative et mondiale, régionale et sectorielle sur une base intégrée, tandis que les mairies, en plus de promouvoir la planification de leurs villes, des agences de développement régional, en plus de faire de la planification régionale, et les entreprises publiques joueraient également le rôle exécutif en collaboration avec les gouvernements fédéral, étatiques et municipaux.

Ce modèle de gestion intégrée du secteur public au Brésil s’oppose à ce qui prévaut aujourd’hui, dans lequel les gouvernements fédéral, étatiques et municipaux sont autonomes dans leurs délibérations et leurs actions, et politiquement réactifs à l’idée d’intégration. Pour que les structures gouvernementales agissent de manière intégrée, il est nécessaire de créer un État dit en réseau. L’État en Réseau présuppose l’implantation de Structure de Réseau, ou Organisation en Réseau, qui est un type de macro-structure organisationnelle qui fonctionnerait selon une logique d’organigramme circulaire ou en étoile, au centre de laquelle se trouve l’organisation principale, c’est-à-dire le gouvernement fédéral. Au-dessous du gouvernement fédéral se trouveraient les agences de développement régional à créer, les gouvernements des États, les mairies et les entreprises publiques ou d’État. Les objectifs et les plans opérationnels des composantes de la structure du réseau doivent être établis conjointement par tous ses membres. Le fonctionnement de ce type d’organisation serait soutenu par des systèmes informatiques et de télécommunications modernes qui permettraient la gestion et le contrôle de tous les processus.

Grâce à la structure organisationnelle de l’État brésilien en réseau, il sera possible de maximiser le développement de ses centres économiques actuels et potentiels et de tirer parti du potentiel de développement endogène de chaque lieu et région du pays. Le gouvernement fédéral devrait établir des systèmes de gestion pour coordonner avec les gouvernements des États et des municipalités, des actions dans les régions couvertes par les pôles de croissance et de développement de l’économie nationale, il devrait y avoir des structures de développement régional et il devrait y avoir un effort conjoint entre les trois sphères de gouvernement, les forces économiques et la société civile pour promouvoir développement économique et social.

Sur le plan opérationnel, les membres d’une structure en réseau se connecteraient horizontalement à tous les autres, directement ou par l’intermédiaire de ceux qui les entourent. Le fonctionnement démocratique d’une organisation en réseau se mesure par la réelle liberté de circulation de l’information en son sein et, par conséquent, par l’absence de censure, de contrôle, de hiérarchie ou de manipulation dans cette circulation. Les possibilités actuelles qu’offrent les technologies de l’information – en termes de rapidité de communication et de stockage de l’information – peuvent donner une efficacité extrême aux réseaux créés avec des objectifs spécifiques, tout en leur garantissant effectivement une pleine liberté de circulation de l’information. Un réseau peut connecter des personnes aussi bien que des organisations. La structure en réseau reliant les gouvernements fédéral et des États, les agences de développement régional, les gouvernements municipaux et les entreprises publiques dans la planification et l’exploitation doit être la solution pour rendre l’État efficace et efficient au Brésil..

En plus de coordonner les actions de tous les niveaux de gouvernement dans chaque instance régionale, la structure du réseau permettra de réduire les coûts de fonctionnement de l’État et, par conséquent, de minimiser la charge fiscale des contribuables. Afin de faire une véritable révolution dans les processus de travail du secteur public au Brésil, il est cependant essentiel de recycler tous les fonctionnaires, de changer toute la culture qui domine désormais dans l’appareil d’État et d’adopter une politique de rémunération du travail compatible avec sa nouvelle responsabilités. Quant aux entreprises publiques, la relation entre leurs dirigeants et les organes dont ils relèvent doit être basée sur des contrats de gestion. Par ces contrats, les entreprises publiques obtiendraient une autonomie relative par rapport à l’État et assumeraient l’engagement de poursuivre des objectifs préétablis d’efficience et d’efficacité. S’ils échouent, leurs dirigeants seraient démis de leurs fonctions.

En résumé, ce qui est proposé est de mettre en place une structure organisationnelle de l’État au Brésil en réseau afin que dans chaque municipalité et région du pays il y ait une action articulée et intégrée des gouvernements fédéral, étatiques et municipaux avec la participation effective de la société civile. chaque commune et chaque région. Repenser la réforme de l’État au Brésil nécessite donc une rupture avec le paradigme encore dominant au Brésil, qui privilégie le rôle de la technocratie dans la gestion gouvernementale au détriment de la manifestation de secteurs de la société civile. De plus en plus de concentration de la puissance technique ne suffit pas, comme c’est le cas aujourd’hui. Il est nécessaire de prendre en compte la dimension politique de la réforme de l’État, en envisageant la participation de secteurs de la société civile par le biais d’auditions publiques, de plébiscites et de référendums à la prise de décisions sur les questions les plus pertinentes. L’accent mis sur la politique nécessite, fondamentalement, le renforcement des liens de l’État avec la société et avec les institutions représentatives, ainsi que l’élargissement des procédures de collecte et de responsabilité, les moyens de contrôle social externe, la transparence et la publicité des actes de la gouvernement. Par conséquent, la réforme administrative de l’État brésilien proposée par le gouvernement Bolsonaro et rien est la même chose.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

A INEFICAZ PROPOSTA DE REFORMA ADMINISTRATIVA DO GOVERNO BOLSONARO

Fernando Alcoforado*

Este artigo visa demonstrar que a proposta de reforma administrativa do governo Bolsonaro é incapaz de elevar a eficiência e a eficácia do Estado brasileiro na promoção do desenvolvimento nacional. O governo Bolsonaro enviouproposta de reforma administrativa ao Congresso Nacional acabando com a estabilidade para novos servidores, mas mantém todos os direitos para os servidores atuais. Além disso, a proposta extingue promoções automáticas e diversos benefícios, considerados pelo Ministério da Economia como privilégios. O texto, porém, não mexe em todos os privilégios como os dos magistrados, parlamentares, militares e membros do Ministério Público, categorias que estão entre as que têm maior remuneração e benefícios no serviço público. A proposta de reforma administrativa tem impacto mais brando do que o governo pretendia, já que não afeta os que já ingressaram no funcionalismo. Trata-se de uma reforma administrativa de governo ineficaz porque não contribui para elevar a eficiência e eficácia da máquina administrativa do Estado no Brasil.

Quem lida com planejamento estratégico sabe que a estratégia deve sempre preceder a estrutura. Isto é, após a formulação da estratégia deve ser delineada uma estrutura organizacional correspondente. Se houver mudança de estratégia, tem que haver mudança de estrutura. Ao contrário desta formulação, no Brasil, os governos que se instalam em todos os níveis não mudam a estrutura governamental. O sucesso de uma empresa e de um governo depende da estratégia e da estrutura, mas também dos sistemas, estilo, habilidades, pessoas e valores compartilhados. A estrutura (modo básico pelo qual as diferentes atividades da organização são organizadas) é a primeira alavanca; a liderança (necessidade de estabelecer um estilo efetivo e também o pessoal necessário e habilitado para executar a estratégia) é a segunda alavanca; e, a cultura (valores compartilhados que criam as normas de comportamento individual e o tom da organização) é a terceira. A estratégia e a estrutura são formadas de maneira interdependente, cada uma influenciando e sendo influenciada pela outra, e que ambas são condicionadas pelo ambiente onde a organização atua.

Este tipo de formulação estratégica não tem sido a prática dos diversos governos brasileiros no passado e no presente. O Estado no Brasil é ineficiente e ineficaz porque os governantes não fazem planejamento estratégico, não formulam estratégias de desenvolvimento e não implantam estruturas compatíveis com as estratégias. Este é o caso do governo Bolsonaro que não possui um plano de desenvolvimento para o Brasil razão pela qual não possui uma estratégia de desenvolvimento para o País. Sem uma estratégia, não é possível conceber uma estrutura organizacional consistente. Isto explica a proposta ineficaz de reforma administrativa do governo Bolsonaro. Enquanto o governo Bolsonaro demonstra ser incompetente na formulação de uma proposta de reforma administrativa, o Brasil continua se defrontando com a fragilidade das estruturas organizacionais dos governos federal, estadual e prefeituras municipais. É flagrante a falta de integração dos governos federal, estadual e municipal na promoção do desenvolvimento nacional, regional e local. Associe-se a esse fato a existência de estruturas organizacionais inadequadas em cada um dos níveis federal, estadual e municipal que inviabilizam o esforço integrativo nessas instâncias de governo. A falta de integração das diversas instâncias do Estado no Brasil é, portanto, total, fazendo com que a ação do poder público se torne caótica no seu conjunto, gerando, em consequência, deseconomias de toda ordem. Este comportamento caótico se manifesta flagrantemente no governo Bolsonaro.

As estruturas organizacionais do governo em todos os seus níveis no Brasil estão superadas. É inadmissível que os governos federal, estadual e municipal superponham esforços, como ainda ocorre hoje em muitos setores, exaurindo os parcos recursos colocados à sua disposição e não passem a atuar com base em estruturas regionais nas quais estejam presentes todos os órgãos federais, estaduais e municipais interessados em seu desenvolvimento. Para solucionar esse problema, seria necessário fazer com que os governos federal e estadual assumissem funções normativas e de planejamento global, regional e setorial em bases integradas, enquanto as prefeituras municipais, além de promover o planejamento de suas cidades, os órgãos de desenvolvimento regional, além de fazer o planejamento regional, e as empresas públicas fariam a parte executiva também de forma articulada com os governos federal, estaduais e municipais.

Esse modelo de gestão integrada do setor público no Brasil se contrapõe ao que prevalece na atualidade, no qual os governos federal, estadual e municipal são autônomos nas suas deliberações e ações, e politicamente reativos à ideia de integração. Para fazer com que as estruturas governamentais atuem de forma integrada é preciso constituir o denominado Estado em rede. O Estado em Rede pressupõe a implantação de Estrutura em Rede, ou Organização em Rede, que é um tipo de macroestrutura organizacional que funcionaria segundo uma lógica de organograma circular ou em forma de estrela, no centro da qual está a organização principal, isto é, o governo federal. Abaixo do governo federal estariam os órgãos de desenvolvimento regional a serem criados, os governos do Estado, as Prefeituras Municipais e empresas públicas ou estatais. Os objetivos e os planos operacionais dos componentes da estrutura em rede devem ser estabelecidos em conjunto por todos os seus integrantes. O funcionamento deste tipo de organização se apoiaria em modernos sistemas informáticos e de telecomunicações que permitiriam a gestão e o controle de todos os processos.

Com a estrutura organizacional do Estado em rede no Brasil será possível maximizar o desenvolvimento dos seus polos econômicos atuais e potenciais e aproveitar o potencial de desenvolvimento endógeno de cada localidade e de cada região do País. O governo federal deveria constituir sistemas de gestão para coordenar em conjunto com os governos estaduais e municipais as ações nas regiões abrangidas pelos polos de crescimento e desenvolvimento da economia nacional, deveriam existir estruturas de desenvolvimento regional e deveria haver um esforço conjunto entre as três esferas de governo, as forças econômicas e a sociedade civil na promoção do desenvolvimento econômico e social.

Operacionalmente, os integrantes de uma estrutura em rede se ligariam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O funcionamento democrático de uma organização em rede é medido pela real liberdade de circulação de informações em seu interior e, portanto, pela inexistência de censuras, controles, hierarquizações ou manipulação nessa circulação. As atuais possibilidades oferecidas pela informática – na rapidez da comunicação e na estocagem da informação – podem dar uma extrema eficácia a redes constituídas com objetivos específicos, assim como lhes assegurar efetivamente plena liberdade de circulação de informações. Uma rede pode interligar tanto pessoas, como organizações. A estrutura em rede interligando no planejamento e na operação os governos federal e estadual, órgãos de desenvolvimento regional, prefeituras municipais e empresas públicas ou estatais deve ser a solução para tornar o Estado eficiente e eficaz no Brasil.

Além de coordenar as ações de todos os níveis de governo em cada instância regional, a estrutura em rede possibilitará reduzir os custos de operação do Estado e, consequentemente, minimizar a carga tributária sobre os contribuintes. Para realizar uma verdadeira revolução nos processos de trabalho do setor público no Brasil, torna-se imprescindível, entretanto, reciclar todo o funcionalismo público, mudar toda a cultura hoje dominante no aparelho de Estado e adotar uma política de remuneração do trabalho compatível com suas novas responsabilidades. Quanto às empresas públicas, é preciso que a relação entre seus dirigentes e os órgãos aos quais se reportam seja baseada em contratos de gestão. Através desses contratos, as empresas públicas obteriam autonomia relativa em relação ao Estado e assumiriam o compromisso de perseguir metas preestabelecidas de eficiência e eficácia. Se não forem bem sucedidos seus dirigentes seriam afastados de seus postos.

O que se propõe, em síntese, é implantar uma estrutura organizacional do Estado no Brasil em rede a fim que em cada município e região do País haja uma ação articulada e integrada dos governos federal, estadual e municipal com a efetiva participação da sociedade civil de cada município e de cada região. Repensar a reforma do Estado no Brasil requer, portanto, uma ruptura com o paradigma ainda dominante Brasil que privilegia o papel da tecnocracia na gestão governamental em detrimento da manifestação de setores da sociedade civil. Não basta mais e mais concentração do poder técnico, como ocorre na atualidade. É preciso levar em conta a dimensão política da reforma do Estado, contemplando a participação de setores da sociedade civil através de audiências públicas, plebiscitos e referendos nas tomadas de decisão sobre as questões mais relevantes. A ênfase na política requer, fundamentalmente, o fortalecimento das conexões do Estado com a sociedade e com as instituições representativas, expandindo também os procedimentos de cobrança e de prestação de contas, os meios de controle social externo, a transparência e a publicização dos atos do governo. Portanto, a reforma administrativa do Estado brasileiro proposta pelo governo Bolsonaro e nada é a mesma coisa.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).  

COMMENT SURMONTER LA CRISE ÉCONOMIQUE MONDIALE ACTUELLE DU CAPITALISME NÉOLIBÉRAL

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter la solution qui permettrait d’obtenir la stabilité économique et la pleine utilisation des facteurs de production dans chaque pays du monde et d’éliminer le chaos économique mondial qui prévaut actuellement du fait de l’adoption du capitalisme néolibéral dans toutes les parties de la planète depuis 1990. Le niveau d’endettement jamais vu dans le monde depuis la Seconde Guerre mondiale menace d’inoculer le poison de la prochaine crise. Le monde est assis sur une montagne de dettes publiques et privées. La facture totale s’élève à un incroyable 255 billions de dollars, un montant équivalent à 322% du PIB mondial. Le processus de mondialisation néolibérale a potentialisé la dette mondiale et la plupart des pays perdent le contrôle de la dette nationale. La dette mondiale croissante a été un obstacle au retour aux taux de croissance économique d’avant la crise de 2008.

Il y a des signes clairs que le monde connaît une bulle de crédit qui a provoqué la financiarisation incontrôlée de l’économie mondiale au service des riches. Les signes d’une crise financière imminente et d’un nouvel effondrement de l’économie mondiale qui pourraient commencer aux États-Unis sont nombreux. La hausse des titres de créance d’entreprises à plus haut risque entraînera une nouvelle crise financière aux États-Unis et, plus tard, dans le monde. La solution pour surmonter la crise mondiale du capitalisme mondial serait le néo-keynésianisme, ce qui signifie l’adoption du keynésianisme dans tous les pays du monde et au niveau planétaire afin d’assurer la stabilité économique et la pleine utilisation des facteurs à l’échelle mondiale. Cette solution est imposée pour le moment par l’aggravation de la crise économique mondiale due à la propagation de la pandémie du nouveau Coronavirus qui accélère la débâcle de l’économie mondiale

Le keynésianisme est la théorie économique formulée par l’économiste anglais John Maynard Keynes dans son livre General theory of employment, interest and money (Théorie générale de l’emploi, des intérêts et de l’argent) publié en 1936 qui considère l’État comme un agent indispensable de stabilité et de contrôle de l’économie afin de conduire à un système économique de pleine utilisation des facteurs de production contrairement aux conceptions libérales classiques et néoclassiques. Avant l’émergence de la théorie keynésienne, on a beaucoup discuté de ce qu’il faut faire pendant une récession. Du 19e siècle au milieu du 20e siècle, la pensée dominante dans pratiquement tout l’Occident était celle du libéralisme classique ou néoclassique qui prônait que l’économie se redresse seule en période de crise, connu pour le principe du laissez-faire. Au contraire, l’école keynésienne de pensée économique repose sur le principe qu’il n’est pas possible d’autoréguler le cycle économique comme le préconisent le libéralisme classique et néoclassique.

Avec l’effondrement de la Bourse de New York en 1929, le monde entier a connu une crise grave. Keynes a été l’un des premiers économistes à se rendre compte que le marché libre basé sur des vues libérales ne serait pas en mesure de résoudre ce problème. Des politiques économiques basées sur l’intervention de l’État dans l’économie ont été inaugurées par le président Franklin Roosevelt avec le New Deal au début des années 1930 dans le but d’inverser la dépression économique et une crise sociale majeure avec un chômage de masse en même temps que une politique identique a été adoptée dans l’Allemagne nazie. Environ 3 ans plus tard, en 1936, ces politiques économiques ont été théorisées et rationalisées par Keynes dans son ouvrage classique mentionné ci-dessus. Ces politiques ont réussi car elles ont contribué à surmonter la crise économique aux États-Unis et en Allemagne nazie. Les pays européens, dont les économies ont été dévastées à la fin de la Seconde Guerre mondiale, ont également utilisé les principes fondamentaux du keynésianisme pour sortir leurs économies de la crise. Dans cette situation, l’intervention de l’Etat dans la promotion du développement économique et social est d’une importance fondamentale. Le keynésianisme, ou école keynésienne, est une doctrine politico-économique qui défend l’État en tant qu’agent actif contre la récession et le chômage élevé.

Keynes a formulé son modèle macroéconomique expliquant comment une augmentation des dépenses publiques réduirait les risques de récession. Pour ce faire, il a observé comment le PIB (produit intérieur brut) d’une économie doit être mesuré. Keynes a déclaré que l’offre globale (Y) doit être égale à la demande globale (PA) pour atteindre l’équilibre nécessaire pour parvenir à la stabilité économique. Dans ces circonstances, le PIB serait exprimé comme suit:

Y = PA

Être, PA = C + I + G + (X – M)

C – Consommation des ménages

I – Investissement privé

G – Dépenses publiques

X – Revenus des exportations

M- Dépenses d’importations

Selon Keynes, le début d’une crise survient lorsque l’offre de produits et de services dans l’économie est supérieure à la demande, c’est-à-dire lorsque Y est supérieur à PA dans la formule ci-dessus. Lorsque cela se produit, les entreprises peuvent vendre moins et accumuler des stocks de produits. Selon le modèle de Keynes, le gouvernement devrait augmenter ses dépenses, «G» dans la formule, étant un agent actif de l’économie, tandis que les autres dépenses (C – Consommation des ménages et I – Investissement privé) sont réduites. En augmentant les dépenses publiques, G, vos dépenses supplémentaires permettraient de créer de nouveaux emplois pour augmenter la consommation des ménages (C) et l’investissement privé (I) liés aux projets associés aux dépenses publiques (G). Cela générerait à nouveau une augmentation de la demande globale (PA). Cette théorie a révolutionné la façon de penser au sein de l’économie avec l’avènement de la soi-disant Macroéconomie.

La proposition keynésienne a pour point fondamental d’abandonner les configurations assumées par l’économie capitaliste basée sur le libéralisme classique, le libéralisme néoclassique formulé par l’école autrichienne et le néolibéralisme. Selon la pensée keynésienne, la prémisse fondamentale pour comprendre une économie se trouvait dans la simple observation des niveaux de consommation et d’investissement du gouvernement et des entreprises et de la consommation des familles ou des consommateurs. Partant de ce principe, la doctrine keynésienne souligne qu’à un moment où les entreprises ont tendance à moins investir, tout un processus de rétraction économique commence qui ouvre la porte à l’existence d’une crise. Pour éviter une situation de crise, le keynésianisme défend la nécessité pour l’Etat de chercher des moyens de contenir le déséquilibre de l’économie non admis par les théories libérales classiques, libérales néoclassiques formulée par l’école autrichienne et néolibérale. Entre autres mesures, les gouvernements devraient augmenter les dépenses publiques en réalisant des investissements qui réchaufferaient l’économie en général. Dans le même temps, il était fondamental que le gouvernement accorde également des lignes de crédit à faible coût, garantissant les investissements du secteur privé. En promouvant de telles mesures d’incitation, les niveaux d’emploi augmenteraient et garantiraient par conséquent que le marché de consommation soutiendrait réellement toute cette application de ressources. De cette manière, la réflexion proposée par Keynes a radicalement transformé le rôle de l’État vis-à-vis de l’économie, apportant le discrédit total sur les anciennes perspectives du «laissez-faire» libéral et néolibéral.

Il est à noter que Keynes n’a jamais défendu la nationalisation de l’économie comme cela a été fait dans l’ex-Union soviétique. Ce que Keynes a défendu, c’est une participation active de l’État à l’économie dans des secteurs qui sont nécessaires au développement d’un pays et qui ne présentent pas d’intérêt ou ne peuvent être servis par le secteur privé. Il ne s’agit pas de favoriser la concurrence entre l’État et le marché, mais d’obtenir un complément adéquat du marché qui, agissant seul, n’est pas en mesure de résoudre tous les problèmes à la recherche d’une plus grande efficacité générale de l’économie. Les idées de Keynes ont avancé principalement après la Seconde Guerre mondiale, lorsque plusieurs pays ont commencé à adopter des systèmes politiques avec plus d’intervention de l’État, la création d’entreprises publiques et d’emplois publics, dans une tentative de ne pas subir les conséquences de la prochaine grande crise. La social-démocratie pratiquée dans les pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) est un excellent exemple de l’application réussie du keynésianisme.

Les principales caractéristiques du keynésianisme sont donc les suivantes:

– Défense de l’intervention de l’État dans l’économie, en particulier dans les domaines où le secteur privé manque de capacités ou ne souhaite pas agir.

– Défense d’actions politiques visant le protectionnisme économique.

– Action contre le libéralisme économique.

– Défense des mesures économiques de l’État visant à garantir le plein emploi. Cet objectif serait atteint avec un équilibre entre la demande et la capacité de production.

– L’Etat a un rôle fondamental pour stimuler les économies en temps de crise et de récession économique.

– L’intervention de l’État doit se faire par la mise en œuvre d’une politique budgétaire afin qu’il n’y ait pas de croissance et d’inflation incontrôlée.

La plupart des pays du monde qui ont adopté le modèle keynésien de l’économie ont commencé à faire face à des problèmes liés au doublement du prix du pétrole sur le marché international dans les années 1970, à l’élévation excessive des taux d’intérêt de la dette extérieure des pays dans les années 1980 et la chute de la croissance économique, lorsque le keynésianisme a été remis en question. Cette situation a conduit plusieurs pays à l’insolvabilité, dont beaucoup ont dû recourir au FMI pour guérir leurs économies. A partir de cet épisode, le keynésianisme ne devrait pas être tenu pour responsable de l’insolvabilité des États nationaux. Cela s’est produit parce qu’il a été impacté par des facteurs externes aux systèmes économiques nationaux, tels que la forte hausse des prix du pétrole et des taux d’intérêt.

L’absence de régulation économique mondiale a contribué au fait que les économies keynésiennes nationales ont subi des impacts externes incontrôlables. Ces événements démontrent que le keynésianisme dans chaque pays n’est pas suffisant pour assurer la stabilité économique et obtenir la pleine utilisation des facteurs de production. Le keynésianisme doit être appliqué à l’échelle mondiale pour permettre la régulation de l’économie mondiale. Bien sûr, il y avait aussi une augmentation excessive des dépenses publiques dans certains pays qui a contribué à l’une des plus grandes critiques contre le keynésianisme étant liée à l’augmentation de la dette publique des pays en raison de l’augmentation du déficit public qui se creusait. En plus de la dette publique, l’intervention croissante des gouvernements dans l’exécution des travaux publics pour tenter de réduire le chômage a provoqué une hausse des prix avec l’augmentation conséquente de l’inflation et une réduction du pouvoir d’achat des travailleurs..

La doctrine économique keynésienne s’est considérablement affaiblie depuis 1990 avec l’avancée du néolibéralisme. Le processus de mondialisation économique néolibérale a imposé, d’une certaine manière, aux pays d’adopter des mesures visant à ouvrir l’économie et à peu d’interférence de l’État. Cela signifiait la restauration du libéralisme appliqué à l’économie mondiale et pas seulement à chaque État national. La plupart des pays du monde suivent le néolibéralisme avec ses spécificités pour tenter de récupérer leurs économies de la crise à laquelle ils ont été confrontés dans les années 70 et 80 en adhérant à la mondialisation et à l’économie de marché libre. Le résultat de la mondialisation néolibérale a été dévastateur dans la grande majorité des pays du monde en raison de l’augmentation des inégalités sociales, de la faible croissance économique et de la désindustrialisation et, dans le monde entier, de l’augmentation du déséquilibre mondial des échanges, de l’épargne et de l’investissement et de la concentration excessive des richesse. Le système financier mondial s’effondre avec la fin inévitable du dollar en tant que monnaie de réserve mondiale, également motivée par la possibilité de l’explosion de la bulle de la dette publique des États-Unis et de la dette mondiale.

Thomas Piketty affirme dans son livre Capital in the 21st Century (Capital au XXIe siècle) que les inégalités sociales et de richesse ont atteint des niveaux alarmants dans le monde. Piketty a démontré qu’il y a eu une croissance régulière des inégalités de richesse depuis les années 1970, contrairement à la tendance des 60 années précédentes et bien plus prononcée et socialement pertinente que l’inégalité des revenus. De 1970 à 2010, les 1% les plus riches (classes dirigeantes) détenaient la moitié de toute la richesse mondiale, tandis que les 50% les plus pauvres (classes populaires) n’en détenaient que 5%. Le nombre de milliardaires, selon Piketty, est passé de 1011 avec une richesse totale de US$ 3,6 billions en 1970 à 1826 avec une valeur globale de US$ 7,05 billions en 2010. En 2010, ce groupe avait pratiquement le même que la moitié la plus pauvre de l’humanité. Cinq ans plus tard, il avait plus du triple. Les inégalités sociales et de richesse dans le monde rendent la mondialisation néolibérale insoutenable.

L’échec de la mondialisation néolibérale s’est matérialisé avec l’éclatement de la crise mondiale de 2008 survenue aux États-Unis dans le secteur des prêts hypothécaires, qui s’est immédiatement étendue à d’autres parties du système financier mondial, avec une vitesse et une ampleur qui ont surpris le marché. La Banque asiatique de développement a estimé que les actifs financiers dans le monde pourraient avoir chuté de plus de 50 000 milliards de dollars – un chiffre équivalent à la production mondiale annuelle. Le système financier a subi des pertes à une échelle que personne n’a jamais prédite. Le système financier mondial s’effondre avec la fin inévitable du dollar  comme monnaie mondiale. Dans le système financier international dirigé par le dollar américain, la perte de confiance accélérée dans cette monnaie commence à se produire. Les données sur les réserves de change montrent une diminution du rôle du dollar. En 2018, la part du dollar dans les réserves internationales a chuté à 61,7%, soit le niveau minimum des 20 dernières années. Les perspectives d’avenir sont une accélération de l’inflation monétaire aux États-Unis, suivie d’un effondrement monétaire international.

L’abandon du dollar comme monnaie de réserve mondiale est également motivé par la possibilité de l’explosion de la bulle de la dette publique des États-Unis qui atteindra 140% du PIB d’ici 2024. La prévision du Département du budget du Congrès des États-Unis est que le déficit L’exercice budgétaire de cette année s’élève à 897 milliards de dollars et, en 2022, dépasse le billion. Selon le rapport de l’Institute of International Finance, la dette mondiale est passée à 255 billions de dollars américains. C’est un montant record de plus de trois fois le PIB mondial. Lorsque cette bombe de plusieurs billions de dollars posée sous l’économie mondiale explose, la crise sera pire que celle de 2008. Si l’économie mondiale est incapable de digérer cette énorme dette, la crise qui s’ensuivra conduira le monde à la dépression économique, à la pauvreté en masse, instabilité géopolitique, troubles politiques et guerres.

Face au chaos qui domine déjà l’économie mondiale et qui tend à s’aggraver, le moment est venu pour chaque pays et l´humanité de se doter le plus rapidement possible des instruments nécessaires à la maîtrise de leur destin. Les solutions aux problèmes liés à la ruine de l’économie mondiale consistent essentiellement à: 1) établir un système financier international stable non subordonné au capital financier; 2) remplacer le dollar en tant que monnaie mondiale; 3) éviter l’explosion de la dette mondiale; et 4) abandonner le modèle économique néolibéral.

La mise en place d’un système financier international stable et non subordonné au capital financier, le remplacement du dollar comme monnaie mondiale et l’effort pour empêcher l’explosion de la dette mondiale ne seront possibles qu’avec un ordre économique au niveau mondial basé sur le néo-keynésianisme , qui, en outre, éliminerait le chaos économique mondial. Le néo-keynésianisme, un terme inventé par Paul Samuelson en 1997, est une pensée économique alternative au néolibéralisme. Joseph Stiglitz, prix Nobel d’économie, est un économiste néo-keynésien en contribuant à l’émergence d’un courant de pensée que l’on a appelé les nouveaux développementalistes. Paul Krugman, un autre prix Nobel d’économie, est également néo-keynésien. En général, l’école néokeynésienne défend l’économie de marché où il y a une régulation minimale de l’économie par des organes de régulation et des agents contrôlés par l’État pour corriger les défaillances du marché, afin de maximiser les avantages pour la société, en plus d’aligner une politique de protection sociale de l’État basée sur le biais du libéralisme social.

Le néo-keynésianisme que je défends opérerait non seulement au niveau national pour obtenir la stabilité économique et la pleine utilisation des facteurs dans chaque pays, mais aussi au niveau mondial pour éliminer le chaos économique mondial qui prévaut actuellement avec le néolibéralisme. Le néo-keynésianisme signifie l’adoption du keynésianisme au niveau planétaire afin d’assurer la stabilité économique et la pleine utilisation des facteurs à l’échelle mondiale. Le néo-keynésianisme serait le résultat de la coordination des politiques économiques keynésiennes au niveau planétaire qui ne serait réalisée qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial. Ce serait le moyen de réguler l’économie mondiale pour éliminer le chaos qui caractérise la mondialisation néolibérale. Ce serait le moyen d’éviter une répétition de ce qui s’est passé dans les années 1970 et 1980 lorsque l’absence de régulation économique mondiale a contribué à faire subir aux économies keynésiennes nationales des impacts externes incontrôlables. Ces événements démontrent que le keynésianisme dans chaque pays n’est pas suffisant pour assurer la stabilité économique et obtenir la pleine utilisation des facteurs de production. Le keynésianisme doit être appliqué globalement. L’élimination du chaos ou l’atténuation de l’instabilité et de l’incertitude avec ses turbulences et ses risques dans l’économie mondiale ne se fera qu’avec l’existence d’un gouvernement mondial qui agirait pour assurer la coordination entre les politiques économiques keynésiennes adoptées dans chaque pays. Dans l’environnement économique contemporain, il est devenu courant de parler de turbulence et d’instabilité du marché, comme ce qui s’est passé en 2008 avec la crise du système capitaliste mondial qui a touché tous les pays et toutes les entreprises. Pour être efficace, le gouvernement mondial doit adopter le processus de planification keynésien de l’économie qui contribue à éliminer l’instabilité et l’incertitude avec ses turbulences et ses risques.

L’abandon du modèle économique néolibéral devrait se produire dans chaque pays avec son remplacement par la social-démocratie dans les moules scandinaves car c’est le modèle de société le plus abouti au monde qui se caractérise par la combinaison d’un large État-providence sociale avec des mécanismes de régulation stricts des forces du marché basées sur le keynésianisme capable de mettre l’économie sur une voie dynamique. Le modèle nordique ou scandinave de social-démocratie pourrait être décrit au mieux comme une sorte de compromis entre capitalisme et socialisme, la tentative étant de fusionner les éléments les plus souhaitables des deux dans un système «hybride». Le choix de la social-démocratie scandinave comme modèle de société à adopter est dû au fait que le World Happiness Report 2013 de l’ONU montre que les nations les plus heureuses du monde sont concentrées en Europe du Nord, avec la Norvège en tête de liste parmi les Pays scandinaves.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

HOW TO OVERCOME THE CURRENT WORLD ECONOMIC CRISIS OF NEOLIBERAL CAPITALISM

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the solution that would make it possible to obtain economic stability and the full use of factors of production in each country of the world and eliminate the global economic chaos that currently prevails as a result of the adoption of neoliberal capitalism in all parts of the planet since 1990. The level of indebtedness worldwide never seen since World War II threatens to inoculate the poison of the next crisis. The world is sitting on a mountain of public and private debt. The total invoice amounts to an incredible 255 trillion dollars, an amount equivalent to 322% of world GDP. The process of neoliberal globalization has increased world debt and most countries are losing control over national debts. The growing world debt has been an obstacle to the return to the economic growth rates of the pre-crisis times of 2008.

There are clear signs that the world is experiencing a credit bubble that has caused the uncontrolled financialization of the world economy at the service of the rich. There are many signs of an upcoming financial crisis and a new collapse in the world economy that may begin in the United States. The rise in higher-risk corporate debt securities will lead to a new financial crisis in the United States and, later, worldwide. The solution to overcome the world crisis of world capitalism would be neoKeynesianism, which means the adoption of Keynesianism in every country in the world and at the planetary level in order to ensure economic stability and the full use of factors globally. This solution is imposed at the moment by the worsening of the world economic crisis due to the spread of the pandemic of the new Coronavirus that is accelerating the debacle of the world economy.

Keynesianism is the economic theory formulated by the English economist John Maynard Keynes in his book General theory of employment, interest and money (published in 1936) that considers the State as an indispensable agent of stability and control of the economy in order to lead to an economic system of full use of the factors of production unlike the classical and neoclassical liberal conceptions. Before the emergence of Keynesian Theory, much was discussed about what to do during a recession. From the 19th century to the middle of the 20th century, the dominant thought in practically all of the West was that of classical or neoclassical liberalism that advocated that the economy should recover alone in periods of crisis, known for the principle of laissez-faire. On the contrary, the Keynesian school of economic thought is based on the principle that it is not possible to self-regulate the economic cycle as advocated by classical and neoclassical liberalism.

With the crash of the New York Stock Exchange in 1929, the whole world experienced a serious crisis. Keynes was one of the first economists to realize that the free market based on liberal conceptions could not solve that problem. Economic policies based on state intervention in the economy were inaugurated by President Franklin Roosevelt with the New Deal in the early 1930s with the aim of reversing economic depression and a major social crisis with mass unemployment at the same time that identical policy was adopted in Nazi Germany. About 3 years later, in 1936, these economic policies were theorized and rationalized by Keynes in his classic work mentioned above. These policies were successful because they contributed to overcoming the economic crisis in the United States and Nazi Germany. European countries, whose economies were devastated at the end of World War II, also used the fundamentals of Keynesianism to pull their economies out of the crisis. In this situation, the State’s intervention in promoting economic and social development was of fundamental importance. Keynesianism, or Keynesian School, is a political-economic doctrine that defends the State as an active agent against the recession and high unemployment.

Keynes formulated his macroeconomic model explaining how an increase in government spending would lessen the risks of the recession. To do this, he observed how the GDP (Gross Domestic Product) of an economy should be measured. Keynes stated that Aggregate Supply (Y) must be equal to Aggregate Demand (PA) to achieve the necessary balance to achieve economic stability. In these circumstances, GDP would be expressed as follows:

Y = PA

Being, PA = C + I + G + (X – M)

C – Household consumption

I – Private investment

G – Government spending

X – Revenue from Exports

M – Expenses on imports

According to Keynes, the beginning of a crisis occurs when the supply of products and services in the economy is higher than the demand, that is, when Y is greater than PA in the formula above. When this happens, companies are able to sell less and accumulate product stocks. According to the Keynes model, the government should increase its expenses, “G” in the formula, being an active agent in the economy, while the other expenses (C – Household consumption and I – Private investment) are being reduced. By increasing government expenditures, G, your additional expenditures would provide for the creation of new jobs to increase household consumption (C) and private investment (I) related to projects associated with government spending (G). This would again generate an increase in aggregate demand (PA). This theory revolutionized the way of thinking within the economy with the advent of the so-called Macroeconomics.

The Keynesian proposal has as a fundamental point to abandon the configurations assumed by the capitalist economy based on the classical liberalism, neoclassical liberalism formulated by the Austrian school and neoliberalism. According to Keynesian thinking, the fundamental premise for understanding an economy was found in the simple observation of the levels of consumption and investment of the government and companies and the consumption of families or consumers. Based on this principle, the Keynesian doctrine points out that at a time when companies tend to invest less, a whole process of economic retraction begins that opens the door to the existence of a crisis. For a crisis situation to be avoided, Keynesianism defends the need for the State to seek ways to contain the imbalance of the economy not admitted by the theories classical liberal, neoclassical liberal formulated by the Austrian school and neoliberal. Among other measures, governments should increase public spending by making investments that would warm the economy in general. At the same time, it was of fundamental importance that the government also granted low-cost credit lines, guaranteeing investments by the private sector. By promoting such incentive measures, employment levels would increase and, consequently, guarantee that the consumer market would provide real support to all this application of resources. In this way, the thinking proposed by Keynes radically transformed the role of the State vis-à-vis the economy, putting the old prospects of liberal and neoliberal “laissez-faire” in total disrepute.


It is worth noting that Keynes never defended the nationalization of the economy as it was done in the former Soviet Union. What Keynes defended was an active participation of the State in the economy in sectors that are necessary for the development of a country and that are not of interest or cannot be served by private initiative. It is not a matter of promoting competition between the State and the market, but of obtaining an adequate complement to the market, which, acting alone, is not able to solve all the problems in search of greater general efficiency in the Economy. Keynes’s ideas advanced mainly after the Second World War when several countries began to adopt political systems with more state intervention, the creation of state-owned companies and public jobs, in an attempt to promote economic and social development and not suffer the consequences of an upcoming major crisis. The social democracy practiced in the Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland) is an excellent example of the successful application of Keynesianism whose countries are the ones that present the greatest political, economic and social progress on the planet.

The main characteristics of Keynesianism are, therefore, the following:

– Defense of state intervention in the economy, especially in areas where the private sector lacks capacity or does not wish to act.

– Defense of political actions aimed at economic protectionism.

– Action against economic liberalism.

– Defense of economic measures of the State aimed at guaranteeing full employment. This would be achieved with a balance between demand and production capacity.

– The State has a fundamental role in stimulating economies in times of crisis and economic recession.

– State intervention must be carried out through the fulfillment of a fiscal policy so that there is no growth and uncontrolled inflation.

Most countries in the world that adopted the Keynesian model of economy started to face problems related to the doubling of the price of oil in the international market in the 1970s, the excessive elevation of the interest rates of the countries’ external debt in the 1980s and the fall in economic growth, when Keynesianism came to be questioned. This situation has led several countries to insolvency, many of which have had to resort to the IMF to heal their economies. From this episode, Keynesianism should not be held responsible for the insolvency of national states. It happened because it was impacted by factors external to national economic systems, such as the steep rise in oil prices and interest rates.

The absence of global economic regulation contributed to the fact that the national Keynesian economies have suffered uncontrollable external impacts. These events demonstrate that Keynesianism in each country is not enough to ensure economic stability and obtain full use of the factors of production. Keynesianism needs to be applied globally to enable regulation of the world economy. Of course, there was also an excessive increase in public spending in some countries that contributed to one of the biggest criticisms against Keynesianism being related to the increase in the public debt of the countries due to the increase in the public deficit that was growing. In addition to public debt, the increasing intervention of governments with the execution of public works in an attempt to reduce unemployment has caused prices to rise with the consequent increase in inflation and a reduction in the purchasing power of workers.

Keynesian economic doctrine has been greatly weakened since 1990 with the advance of neoliberalism. The process of neoliberal economic globalization imposed, to a certain extent, on countries to adopt measures aimed at opening up the economy and little state interference. This meant the restoration of liberalism applied to the world economy and not just to each National State. Most countries in the world follow neoliberalism with its specificities in an attempt to recover their economies from the crisis they faced in the 1970s and 1980s by adhering to globalization and the free market economy. The result of neoliberal globalization has been devastating in the vast majority of countries in the world due to the increase in social inequalities, low economic growth and deindustrialization and, worldwide, the increase in the global imbalance in trade, savings and investment and excessive concentration of wealth. The world financial system is collapsing with the inevitable end of the dollar as a world reserve currency that is also driven by the possibility of the explosion of the United States public debt bubble and world debt.

Thomas Piketty claims in his book Capital in the twenty-first century (Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014) that social and wealth inequality have reached alarming levels around the world. Piketty demonstrated that there has been a steady growth in wealth inequality since the 1970s, contrary to the trend of the previous 60 years and much more pronounced and socially relevant than income inequality. From 1970 to 2010, the richest 1% (ruling classes) held half of all the world’s wealth, while the poorest 50% (popular classes) held a mere 5%. The number of billionaires, according to Piketty, increased from 1,011 with a total wealth of US $ 3.6 trillion in 1970 to 1,826 with an aggregate value of US $ 7.05 trillion in 2010. In 2010, this group had almost the same as the poorest half of humanity. Five years later, it hoops more than triple. Social and wealth inequality around the world make neoliberal globalization unsustainable.

The failure of neoliberal globalization was materialized with the outbreak of the 2008 global crisis that occurred in the United States in the mortgage lending sector, which immediately spread to other parts of the global financial system, with a speed and breadth that surprised the market. The Asian Development Bank estimated that financial assets worldwide may have fallen by more than US$ 50 trillion – a figure equivalent to annual global production. The financial system has suffered losses on a scale that no one has ever predicted. The global financial system is collapsing with the inevitable end of the dollar as a world currency. In the international financial system led by the US dollar, the accelerated loss of confidence in this currency begins to happen. Data on foreign exchange reserves show a decrease in the role of the dollar. In 2018, the dollar’s share of international reserves fell to 61.7%, which is the minimum level for the past 20 years. The prospects for the future are of accelerated monetary inflation in the United States, followed by an international monetary collapse.

The abandonment of the dollar as a world reserve currency is also driven by the possibility of the explosion of the United States public debt bubble that will reach 140% of GDP by 2024. The forecast of the United States Congressional Budget Department is that the deficit this year’s fiscal year is US$ 897 billion and, in 2022, exceeds the trillion mark. According to the report by the Institute of International Finance, the global debt has increased to US$ 255 trillion. This is a record amount more than three times the world GDP. When this multi-trillion dollar bomb planted under the world economy explodes, the crisis will be worse than that of 2008. If the global economy is unable to digest this huge debt, the subsequent crisis will lead the world to economic depression, poverty en masse, geopolitical instability, political unrest and wars.

In the face of the chaos that already dominates the world economy, which tends to worsen, the time has come for each country and humanity to equip themselves as urgently as possible with the necessary instruments to control their destiny. The solutions to problems related to the ruin of the world economy basically consist of: 1) establishing a stable international financial system not subordinated to financial capital; 2) replace the dollar as a world currency; 3) avoid the explosion of world debt; and 4) abandon the neoliberal economic model.

The establishment of a stable international financial system that is not subordinated to financial capital, the replacement of the dollar as a world currency and the effort to prevent the explosion of the world debt will only be possible with economic ordering at the world level based on neo-Keynesianism, which, in addition, would eliminate global economic chaos. Neo-Keynesianism, a term coined by Paul Samuelson in 1997, is alternative economic thought to neoliberalism. Joseph Stiglitz, Nobel Prize in Economics, is a neoKeynesian economist in contributing to the emergence of a current of thought that has been called new developmentalists. Paul Krugman, another Nobel Prize in Economics, is also neo-Keynesian. In general, the Neo-keynesian school defends the market economy where there is minimal regulation of the economy by state-controlled regulatory bodies and agents to correct market failures, in order to maximize the benefits for society, in addition to aligning a state welfare policy based on the bias of social liberalism.

The Neo-Keynesianism that I defend would operate not only at the national level to obtain economic stability and the full use of factors in each country, but also at the world level to eliminate the global economic chaos that currently prevails with neoliberalism. Neo-Keynesianism means the adoption of Keynesianism at the planetary level in order to ensure economic stability and the full use of factors globally. Neo-Keynesianism would be the result of the coordination of Keynesian economic policies on a planetary level that would only be achieved with the existence of a world government. This would be the way to regulate the world economy to eliminate the chaos that characterizes neoliberal globalization. This would be the way to avoid a repetition of what happened in the 1970s and 1980s when the absence of global economic regulation contributed for the national Keynesian economies to suffer uncontrollable external impacts. These events demonstrate that Keynesianism in each country is not enough to ensure economic stability and obtain full use of the factors of production. Keynesianism must be applied globally. The elimination of chaos or mitigation of instability and uncertainty with its turbulence and risks in the world economy will only be achieved with the existence of a world government that would act to ensure coordination between the Keynesian economic policies adopted in each country. In the contemporary economic environment, it has become commonplace to speak of market turbulence and instability, such as what happened in 2008 with the crisis of the world capitalist system that affected all countries and companies. In order to be effective, the world government must adopt the Keynesian planning process of the economy that contributes to eliminate instability and uncertainty with its turbulence and risks.

The abandonment of the neoliberal economic model should happen in each country with its replacement by social democracy in Scandinavian molds because it is the most successful model of society in the world that is characterized by the combination of a broad Social Welfare State with strict regulatory mechanisms of market forces based on Keynesianism capable of putting the economy on a dynamic path. The Nordic or Scandinavian model of social democracy could best be described as a kind of compromise between capitalism and socialism, the attempt being to merge the most desirable elements of both into a “hybrid” system. The choice of Scandinavian social democracy as a model of society to be adopted is due to the fact that the UN World Happiness Report 2013 shows that the happiest nations in the world are concentrated in Northern Europe, with Norway at the top of the list among the Scandinavian countries.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

COMO SUPERAR A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL ATUAL DO CAPITALISMO NEOLIBERAL

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem por objetivo apresentar a solução que possibilitaria obter estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores de produção em cada país do mundo e eliminar o caos econômico global que predomina atualmente em consequência da adoção do capitalismo neoliberal em todos os quadrantes do planeta desde 1990. O nível de endividamento em todo o mundo jamais visto desde a Segunda Guerra Mundial ameaça inocular o veneno da próxima crise. O mundo está sentado em uma montanha de dívida pública e privada. A fatura total chega aos inacreditáveis 255 trilhões de dólares, quantia equivalente a 322% do PIB mundial. O processo de globalização neoliberal tem potencializado a dívida mundial e a maioria dos países está perdendo o controle sobre as dívidas nacionais. A crescente dívida mundial tem sido um obstáculo para o retorno das taxas de crescimento econômico dos tempos pré-crise de 2008.

Há sinais claros que o mundo vive uma bolha de crédito que tem provocado a financeirização descontrolada da economia mundial a serviço dos ricos. Há muitos sinais de uma próxima crise financeira e de um novo colapso da economia mundial que pode ter início nos Estados Unidos. O aumento dos títulos de dívida empresarial de maior risco financeiro levará a uma nova crise financeira nos Estados Unidos e, depois, em todo mundo. A solução para superar a crise mundial do capitalismo mundial seria o neoKeynesianismo que significa a adoção do Keynesianismo em cada país do mundo e no nível planetário visando assegurar a estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores globalmente. Esta solução se impõe no momento pelo agravamento da crise econômica mundial devido à propagação da pandemia do novo Coronavirus que está acelerando a debacle da economia mundial.  

O Keynesianismo é a teoria econômica formulada pelo economista inglês John Maynard Keynes em seu livro General theory of employment, interest and money (Teoria geral do emprego, do juro e da moeda) publicada em 1936 que considera o Estado como agente indispensável de estabilidade e controle da economia com objetivo de conduzir a um sistema econômico de pleno emprego dos fatores de produção diferentemente das concepções liberais clássica e neoclássica. Do século XIX até a metade do século XX, o pensamento dominante em praticamente todo o Ocidente era o do liberalismo clássico ou neoclássico que preconizavam que a economia devia se recuperar sozinha em períodos de crise, conhecido pelo princípio do laissez-faire. Ao contrário, a escola Keynesiana de pensamento econômico se fundamenta no princípio de que não é possivel autoregular o ciclo econômico como defende o liberalismo clássico e neoclássico.

Com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, o mundo todo vivenciou uma grave crise. Keynes foi um dos primeiros economistas a perceber que o livre mercado baseado nas concepções liberais não conseguiria resolver aquele problema. As políticas econômicas baseadas na intervenção do Estado na economia foram inauguradas pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, com o New Deal no início da década de 1930 com o objetivo de reverter a depressão econômica e uma crise social de grandes proporções com desemprego em massa na mesma época em que idêntica política foi adotada na Alemanha nazista. Cerca de 3 anos mais tarde, em 1936, essas políticas econômicas foram teorizadas e racionalizadas por Keynes em sua obra clássica acima citada. Estas políticas foram bem sucedidas porque contribuiram para superar a crise econômica nos Estados Unidos e na Alemanha nazista. Os países europeus, cujas economias estavam devastadas no final da Segunda Guerra Mundial, também recorreram aos fundamentos do Keynesianismo para tirar suas economias da crise. Nesta situação era de fundamental importância a intervenção do Estado na promoção do desenvolvimento econômico e social. O Keynesianismo, ou Escola Keynesiana, é uma doutrina político-econômica que defende o Estado como um agente ativo contra a recessão e alta no desemprego.

Keynes formulou o seu modelo macroeconômico explicando como um aumento de gastos do governo diminuiria os riscos da recessão. Para isso, ele observou como o PIB (Produto Interno Bruto) de uma economia deveria ser medido. Keynes afirmou que a Oferta Agregada (Y) deve ser igual à Procura Agregada (PA) para haver o necessário equilíbrio para alcançar a estabilidade econômica. Nessas circunstâncias, o PIB seria expresso da forma seguinte:

Y = PA

Sendo, PA= C + I + G + (X – M)

C – Consumo das famílias

I – Investimento privado

G – Gasto do Governo

X – Receita com Exportações

M – Gastos com Importações

Segundo Keynes, o princípio de uma crise acontece quando a oferta de produtos e serviços na economia estão mais elevadas que a procura, ou seja, quando Y é maior que PA na fórmula acima. Quando isso acontece, as empresas conseguem vender menos e acumulam estoques de produtos. Segundo o modelo de Keynes, o governo deveria aumentar suas despesas, “G” na fórmula, sendo um agente ativo na economia, enquanto as outras despesas (C- Consumo das famílias e I – Investimento privado) estão se reduzindo. Aumentando as despesas do governo, G, suas despesas adicionais propiciaria a criação de novos empregos para elevar o consumo das famílias (C) e o investimento privado (I) relacionado com os projetos associados aos gastos governamentais (G). Isso geraria, novamente, um aumento da Procura Agregada (PA). Essa teoria revolucionou o modo de pensar dentro da economia com o advento da chamada Macroeconomia.

A proposta Keynesiana tem como ponto fundamental abandonar as configurações assumidas pela economia capitalista com base nas teorias liberal clássica, liberal neoclássica formulada pela Escola Austríaca e neoliberal. Segundo o pensamento keynesiano, a premissa fundamental para compreender uma economia encontrava-se na simples observação dos níveis de consumoedo investimento do governo e das empresas e do consumo das famílias ou consumidores. Partindo desse princípio, a doutrina Keynesiana aponta que no momento em que as empresas tendem a investir menos, inicia-se todo um processo de retração econômica que abre portas para a existência de uma crise. Para que uma situação de crise seja evitada, o Keynesianismo defende a necessidade do Estado buscar formas de conter o desequilíbrio da economia não admitida pelas teorias liberal clássica, liberal neoclássica formulada pela Escola Austríaca e neoliberal. Entre outras medidas, os governos deveriam aumentar o gasto público realizando investimentos que aquecessem a economia de modo geral. Paralelamente, era de fundamental importância que o governo também concedesse linhas de crédito a baixo custo, garantindo a realização de investimentos pelo setor privado. Promovendo tais medidas de incentivo, os níveis de emprego aumentariam e consequentemente garantiriam que o mercado consumidor desse sustentação real a toda essa aplicação de recursos. Dessa maneira, o pensamento proposto por Keynes transformava radicalmente o papel do Estado frente à economia, colocando em total descrédito as velhas perspectivas do “laissez-faire” liberal e neoliberal.

Cabe observar que Keynes nunca defendeu a estatização da economia nos moldes em que foi feita na ex-União Soviética. O que Keynes defendia era uma participação ativa do Estado  na economia em setores necessários ao desenvolvimento de um país e que não interessam ou não podem ser atendidos pela iniciativa privada. Não se trata de promover uma competição entre o Estado e o mercado, mas sim de obter uma adequada complementação ao mercado, que agindo sozinho não é capaz de resolver todos os problemas em busca de uma maior eficiência geral da Economia. As ideias de Keynes avançaram principalmente após a Segunda Guerra Mundial quando vários países passaram a adotar sistemas políticos com mais intervenção estatal, criação de empresas estatais e de empregos públicos, numa tentativa de promover o desenvolvimento econômico e social e não sofrerem as consequências de uma próxima grande crise. A social democracia praticada nos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia) é um excelente exemplo de aplicação bem sucedida do Keynesianismo cujos países são os que apresentam o maior progresso político, econômico e social do planeta.

As principais características do Keynesianismo são, portanto, as seguintes:

– Defesa da intervenção estatal na economia, principalmente em áreas onde a iniciativa privada não tem capacidade ou não deseja atuar.

– Defesa de ações políticas voltadas para o protecionismo econômico.

– Ação contra o liberalismo econômico.

– Defesa de medidas econômicas do Estado que visem à garantia do pleno emprego. Este seria alcançado com o equilíbrio entre demanda e capacidade de produção.

– O Estado tem um papel fundamental de estimular as economias em momentos de crise e recessão econômica.

– A intervenção do Estado deve ser feita através do cumprimento de uma política fiscal para que não haja crescimento e descontrole da inflação.

A maioria dos países do mundo que adotaram o modelo Keynesiano de economia passaram a enfrentar problemas relacionados com a duplicação do preço do petróleo no mercado internacional na década de 1970, a elevação excessiva das taxas de juros da dívida externa dos países na década de 1980 e a queda no crescimento econômico, quando o Keynesianismo passou a ser questionado. Esta situação levou vários países à insolvência, muitos dos quais tiveram que recorrer ao FMI para sanear suas economias. Deste episódio, não se deve atribuir ao Keynesianismo a responsabilidade pela insolvência dos Estados nacionais. Ela aconteceu porque foi impactada por fatores externos aos sistemas econômicos nacionais como a elevação vertiginosa do preço do petróleo e das taxas de juros.

A ausência de regulação econômica global contribuiu para que as economias nacionais Keynesianas sofressem impactos externos incontroláveis. Estes acontecimentos demonstram que não basta o Keynesianismo em cada país para assegurar a estabilidade econômica e obter o pleno emprego dos fatores de produção. É preciso que o Keynesianismo seja aplicado globalmente para viabilizar a regulação da economia mundial. É claro que houve, também, aumento excessivo do gasto público em alguns países que contribuíram para que uma das maiores críticas contra o Keynesianismo fosse relacionada com o aumento da dívida pública dos países devido ao aumento do déficit público que se tornou crescente. Além da dívida pública, a crescente intervenção dos governos com a execução de obras públicas na tentativa de diminuir o desemprego fez com que os preços subissem com o consequente aumento da inflação e a redução do poder de compra dos trabalhadores.

A doutrina econômica Keynesiana se enfraqueceu muito desde 1990 com o avanço do neoliberalismo. O processo de globalização econômica neoliberal impôs, de certa forma, aos países a adoção de medidas voltadas para a abertura da economia e pouca interferência estatal. Isto significou a restauração do liberalismo aplicado à economia mundial e não apenas a cada Estado Nacional. A maioria dos países do mundo segue o neoliberalismo com suas especificidades na tentativa de recuperar suas economias da crise que enfrentaram nas décadas de 1970 e 1980 aderindo à globalização e à economia de livre mercado. O resultado da globalização neoliberal tem sido devastador na grande maioria dos países do mundo devido ao aumento das desigualdades sociais, ao baixo crescimento econômico e à desindustrialização e, mundialmente, ao aumento do desequilíbrio global no comércio, na poupança e no investimento e na excessiva concentração da riqueza. O sistema financeiro mundial está em processo de colapso com o inevitável fim do dólar como moeda de reserva mundial que é impulsionado também com a possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos e da dívida mundial.

Thomas Piketty afirma em sua obra Capital in the twenty-first century (Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014) que a desigualdade social e de riqueza alcançaram níveis alarmantes em todo o mundo. Piketty demonstrou que houve crescimento contínuo da desigualdade de riqueza desde a década de 1970, contrária à tendência dos 60 anos anteriores e muito mais acentuada e socialmente relevante do que a desigualdade de renda. De 1970 a 2010, o 1% mais rico (classes dominantes) detinha metade de toda a riqueza mundial, enquanto o 50% mais pobres (classes populares) ficava com meros 5%. O número de bilionários, segundo Piketty, aumentou de 1.011 com uma riqueza total de US$ 3,6 trilhões em 1970 para 1.826 com um valor agregado de US$ 7,05 trilhões em 2010. Em 2010, esse grupo possuía praticamente o mesmo que a metade mais pobre da humanidade. Cinco anos depois, açambarca mais do que o triplo. A desigualdade social e de riqueza em todo o mundo torna insustentável a globalização neoliberal.

O fracasso da globalização neoliberal ficou materializado com a eclosão da crise mundial de 2008 que ocorreu nos Estados Unidosno setor dos empréstimos hipotecários que, imediatamente, se propagou para outras partes do sistema financeiro mundial, com uma rapidez e uma amplitude que surpreenderam o mercado.O Banco de Desenvolvimento Asiático estimou que os ativos financeiros em todo o mundo podem ter sofrido uma queda de mais de US$ 50 trilhões – um número equivalente à produção global anual. O sistema financeiro amargou prejuízos em uma escala que ninguém jamais previu. O sistema financeiro mundial está em processo de colapso com o inevitável fim do dólar como moeda mundial. No sistema financeiro internacional liderado pelo dólar norte-americano começa a acontecer a perda acelerada da confiança nesta moeda. Os dados sobre as reservas de divisas demonstram uma diminuição do papel do dólar. Em 2018, a parte do dólar nas reservas internacionais caiu para 61,7%, que é o nível mínimo nos últimos 20 anos. Os prospectos para o futuro são de acelerada inflação monetária nos Estados Unidos, seguida de um colapso monetário internacional. 

O abandono do dólar como moeda de reserva mundial é impulsionado também pela possibilidade da explosão da bolha da dívida pública dos Estados Unidos que atingirá 140% do PIB até 2024. A previsão do Departamento de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos é o de que o déficit fiscal deste ano seja de US$ 897 bilhões e, em 2022, exceda a marca do trilhão. Segundo o relatório do Instituto de Finanças Internacionais, a dívida global aumentou para 255 trilhões de dólares. Trata-se de um montante recorde mais de três vezes o PIB mundial. Quando esta bomba de vários trilhões de dólares plantada sob a economia mundial explodir, a crise será pior do que a de 2008. Caso a economia global não seja capaz de digerir essa enorme dívida, a crise subsequente levará o mundo à depressão econômica, à pobreza em massa, instabilidade geopolítica, agitação política e guerras.

Diante da existência do caos que já domina a economia mundial que tende a se agravar, é chegada a hora de cada país e a humanidade se dotarem o mais urgentemente possível de instrumentos necessários a terem o controle de seu destino. As soluções para problemas relacionados com a ruina da economia mundial consistem basicamente em: 1) estabelecer um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro; 2) substituir o dólar como moeda mundial; 3) evitar a explosão da dívida mundial; e 4) abandonar o modelo econômico neoliberal.   

O estabelecimento de um sistema financeiro internacional estável não subordinado ao capital financeiro, a substituição do dólar como moeda mundial e o esforço para evitar a explosão da dívida mundial só será possível com o ordenamento econômico em nível mundial com base no neoKeynesianismo que, além disso, eliminaria o caos econômico global. O NeoKeynesianismo, termo criado por Paul Samuelson em 1997, é o pensamento econômico alternativo ao neoliberalismo.  Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, é um economista neoKeynesiano ao contribuir para o surgimento de uma corrente de pensamento que se denominou novos desenvolvimentistas. Paul Krugman, outro prêmio Nobel de Economia, é também neoKeynesiano. De forma geral, a escola Neokeynesiana defende a economia de mercado onde exista uma regulação mínima da economia por parte de órgãos e agentes reguladores controlados pelo Estado para corrigir as falhas de mercado, a fim de maximizar os benefícios para a sociedade, além de alinhar uma política de estado de bem estar social apoiado sobre o viés do liberalismo social.

O NeoKeynesianismo que eu defendo operaria não apenas ao nível nacional para obter estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores em cada país, mas também ao nível mundial para eliminar o caos econômico global que predomina atualmente com o neoliberalismo. O neoKeynesianismo significa a adoção do Keynesianismo ao nível planetário visando assegurar a estabilidade econômica e o pleno emprego dos fatores globalmente. O neoKeynesianismo seria o resultado da coordenação de políticas econômicas Keynesianas em nível planetário que só seria realizado com a existência de um governo mundial. Esta seria a forma de regular a economia mundial para eliminar o caos que caracteriza a globalização neoliberal. Esta seria a forma de evitar a repetição do que aconteceu nas décadas de 1970 e 1980 quando a ausência de regulação econômica global contribuiu para que as economias nacionais Keynesianas sofressem impactos externos incontroláveis. Estes acontecimentos demonstram que não basta o Keynesianismo em cada país para assegurar a estabilidade econômica e obter o pleno emprego dos fatores de produção. É preciso que o Keynesianismo seja aplicado globalmente. A eliminação do caos ou atenuação da instabilidade e da incerteza com suas turbulências e seus riscos na economia mundial só será alcançada com a existência de um governo mundial que atuaria para assegurar a coordenação entre as políticas econômicas Keynesianas adotadas em cada país. No ambiente econômico contemporâneo, já se tornou lugar-comum falar em turbulência e instabilidade dos mercados como o ocorrido em 2008 com a crise do sistema capitalista mundial que afetou todos os países e empresas. Para ser eficaz, o governo mundial deve adotar o processo de planejamento Keynesiano da economia que contribua para eliminar a instabilidade e a incerteza com suas turbulências e seus riscos.

O abandono do modelo econômico neoliberal deveria acontecer em cada país com sua substituição pela social democracia nos moldes escandinavos porque é o modelo de sociedade mais bem sucedido do mundo  que se caracteriza pela combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado com base no Keynesianismo com capacidade de colocar a economia em uma trajetória dinâmica. O modelo nórdico ou escandinavo de social democracia poderia ser melhor descrito como uma espécie de meio-termo entre capitalismo e socialismo, sendo a tentativa de fundir os elementos mais desejáveis de ambos em um sistema “híbrido”. A escolha da social democracia escandinava como modelo de sociedade a ser adotado se deve ao fato de o relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostrar que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Noruega no topo da lista entre os países escandinavos.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

L’ÉVOLUTION DE LA PENSÉE ÉCONOMIQUE ET SES EFFETS SUR L’ÉCONOMIE MONDIALE À TRAVERS L’HISTOIRE

Fernando Alcoforado*

Cet article vise à présenter l’évolution de la pensée économique mercantiliste, classique libérale, marxiste, néoclassique libérale et néolibérale qui a été adoptée par l’humanité à travers l’histoire avec la présentation de ses effets sur le développement économique, politique et social des nations et du monde. Le mercantilisme est un ensemble de pratiques économiques développées en Europe à l’ère moderne, entre le XVe siècle et la fin du XVIIIe siècle. La pensée libérale s’est développée au XVIe siècle avec l’intention claire de combattre le mercantilisme. Le marxisme est apparu dans la seconde moitié du XIXe siècle en tant que théorie économique, théorie sociologique, méthode philosophique et vision révolutionnaire du changement social pour lutter contre la pensée capitaliste libérale. L’école de pensée libérale néoclassique était en vigueur entre 1870 et 1929 pour perfectionner la pensée libérale classique et combattre la pensée marxiste. La pensée économique néolibérale est une doctrine socio-économique qui a émergé dans les années 1970 en opposition au marxisme et au keynésianisme lié à la pensée libérale néoclassique, reprenant les vieux idéaux du libéralisme classique en prônant une intervention minimale de l’État dans l’économie.

Le mercantilisme est un ensemble d’idées économiques qui se sont produites et qui ont été adoptées pendant environ trois cents ans par les nations européennes aux XVIe, XVIIe et XVIIIe siècles pendant la période des grandes navigations et de l’établissement du système colonial sur le continent américain dans la période de transition de la féodalité à la capitalisme. La montée du mercantilisme, en tant qu’ensemble de pratiques économiques, est directement liée à la fin du féodalisme et à la formation de l’État moderne. Par État national moderne, on entend le groupe de nations qui a émergé au cours du processus de centralisation du pouvoir dans la figure du roi qui s’est produit au Moyen Âge. Les exemples classiques d’États nationaux modernes étaient l’Angleterre, la France, l’Espagne et le Portugal, qui ont émergé avec le pouvoir centralisé dans la figure du roi. L’émergence des États modernes a été directement soutenue par le pouvoir de la bourgeoisie dans la lutte pour mettre fin aux privilèges de la noblesse féodale. Avec le soutien de la bourgeoisie, les monarchies européennes ont investi dans le développement commercial et manufacturier. Ce processus de développement du commerce et de la fabrication (l’embryon de l’industrie) a également été soutenu par l’intense exploitation coloniale qui a eu lieu sur le continent américain. L’État moderne qui a émergé dans cette période avec le pouvoir centralisé dans le roi a pris le contrôle des questions liées à l’économie comme un moyen de garantir ses intérêts et de résoudre les obstacles qui empêchaient le renforcement du pouvoir réel. Puisque ces pratiques économiques sont considérées comme embryonnaires du capitalisme, certains historiens appellent le capitalisme commercial mercantilisme. C’est dans ce contexte de forte intervention de l’État dans l’économie, d’expansion des échanges par l’exploitation coloniale par l’Angleterre, la France, l’Espagne et le Portugal sur tous les continents et la croissance des manufactures, notamment en Angleterre et en France, qu’elle a consolidé une série des pratiques économiques qui ont reçu le nom de mercantilisme. Le mercantilisme a soutenu les grandes monarchies européennes dans leurs expansions coloniales, a aidé à lancer le processus de mondialisation, mais a fourni l’avancée du colonialisme par les nations européennes qui, dans la poursuite de la richesse, ont pratiqué le génocide contre les peuples des Amériques et l’esclavage des peuples Africains.

La pensée économique libérale classique a émergé au XVIe siècle avec l’intention claire de combattre le mercantilisme dont les pratiques ne répondaient plus aux nouveaux besoins du capitalisme. C’est une idéologie basée sur l’organisation de l’économie basée sur l’individualisme, rejetant l’interventionnisme étatique, ce qui signifie que le plus grand nombre possible de décisions économiques doit être prise par les entreprises et les particuliers et non par l’État. Dans le domaine économique, ce sont les idées du philosophe et économiste anglais Adam Smith qui ont prédominé pour établir les lignes directrices de cette nouvelle pensée économique. Le libéralisme économique consiste à comprendre que l’État ne doit pas s’ingérer dans l’économie, car il doit se faire sur la base de la libre initiative des citoyens, qui doivent être libres de produire et de commercer, étant responsables d’eux-mêmes. La méritocratie et la valorisation de l’effort individuel sont frappantes dans la pensée libérale, qui place l’individu comme responsable de la richesse et du succès. Pour Smith, il y aurait une sorte de «main invisible» qui ferait évoluer l’économie de façon autonome au pouvoir du secteur privé, sans avoir besoin de l’État, car elle met un frein à la croissance économique en voulant réclamer sa part des profits sans rien offrir en échange. Tout au long de l’histoire, des États libéraux sont apparus à la suite de l’érosion progressive du pouvoir absolu du roi. Alors que l’absolutisme se décompose, des courants libéraux émergent, qui finissent par se rassembler pour établir l’État libéral. Les États-Unis ont implanté le premier État libéral au monde après la Révolution américaine ou guerre d’indépendance en 1776 et la France a suivi le même chemin après la Révolution française en 1789. Ces deux pays ont servi de modèle pour l’implantation d’États libéraux dans le monde. Le libéralisme a fait valoir que l’État devrait être limité dans ses pouvoirs et ses fonctions et réglementé par des règles générales, avec la soumission de tous aux lois et le respect des droits de l’homme fondamentaux et inviolables, généralement reconnus par un document officiel, comme la Constitution du pays. Le libéralisme est devenu la force politique dominante du XIXe siècle au milieu du XXe siècle dans pratiquement tout l’Occident. Lorsque le libéralisme est apparu, il s’est opposé à l’absolutisme (État monarchique) et, plus tard, au socialisme (État socialiste) après la révolution russe de 1917. Le libéralisme économique était responsable de l’avancée du capitalisme sur la planète dont les crises ont conduit le monde à des dépressions les événements économiques qui ont éclaté en 1873 et 1929, ainsi que l’escalade du colonialisme et de l’impérialisme dans tous les quartiers de la Terre et l’avènement de deux guerres mondiales (1914-1918 et 1939-1945)..

La pensée économique marxiste est une doctrine sociologique, philosophique et politique basée sur le matérialisme dialectique et historique et le socialisme scientifique créé par Karl Marx et Friedrich Engels au 19ème siècle pour combattre la pensée libérale capitaliste classique. Ces penseurs étaient chargés de justifier économiquement et sociologiquement les idées socialistes qui existaient déjà en Europe au XIXe siècle, issues de théories politiques anticapitalistes qui prêchaient la nécessité de penser une société égalitaire. Karl Marx a dévoilé dans son ouvrage Capital les lois qui régissent les systèmes économiques capitalistes qui ont provoqué une révolution dans la pensée économique et les sciences sociales dans les décennies suivantes. Il s’agit d’un exercice d’enquête approfondi de Karl Marx sur le fonctionnement des relations économiques de l’aube de l’humanité au XIXe siècle lorsqu’il a dévoilé les lois qui sous-tendent l’activité économique. Karl Marx a dit que la force motrice du capitalisme est la production de plus-value, qui est la valeur du travail non rémunéré pour les travailleurs. Si la journée de travail est divisée entre le travail nécessaire et l’excédent de travail, le taux de plus-value est le rapport entre les deux portions de la journée de travail. La pensée de Marx ne se limite pas au domaine de l’économie uniquement, mais englobe également la philosophie, la sociologie et l’histoire. Il a appelé au renversement de l’ordre capitaliste et à implantation du socialisme. Le marxisme qui a servi de base à la construction du socialisme dans plusieurs pays du monde depuis 1917 en Russie a échoué après le succès de son implantation dans plusieurs pays car il a conquis le pouvoir de l’Etat et n’a pas tenu sa promesse historique de promouvoir le progrès politique et économique et  , bien-être social de ses populations, ainsi que l’échec de la restauration du capitalisme en Russie, dans les pays d’Europe de l’Est et en Chine à partir de 1990.

La pensée économique libérale néoclassique a émergé entre la fin du 19e siècle et le début du 20e siècle et a cherché à perfectionner la pensée libérale classique, à proposer des solutions aux crises du capitalisme et à combattre la pensée économique marxiste.. À partir de 1870, la pensée économique traverse une période d’incertitude face à des théories contrastées (marxiste et libérale classique). Dans cette période troublée, la théorie néoclassique a émergé à travers laquelle les méthodes d’études économiques basées sur la pensée libérale classique ont été modifiées. À travers ces derniers, il y a eu une tentative de rationaliser et à optimiser les ressources rares en étudiant la formation des prix, la production et la distribution des revenus à travers le mécanisme de l’offre et de la demande sur les marchés. Il a prôné un système économique compétitif qui évoluerait automatiquement vers l’équilibre, à un niveau de pleine utilisation des facteurs de production. La pensée économique libérale néoclassique avait quatre écoles importantes: l’école autrichienne, l’école de Lausanne ou l’école de mathématiques, l’école de Cambridge et l’école suédoise. L’école autrichienne se distingue par la formulation d’une nouvelle théorie de la valeur, basée sur l’utilité (théorie subjective de la valeur), c’est-à-dire que la valeur du bien est déterminée par sa quantité et son utilité. Aussi appelée Théorie de l’équilibre général, l’École de Lausanne a mis l’accent sur l’interdépendance de tous les prix dans le système économique pour maintenir l’équilibre. La Théorie de l’équilibre partiel ou l’École de Cambridge considérait que l’économie consistait en l’étude de l’activité humaine dans les affaires économiques, par conséquent, l’économie serait une science du comportement humain et non de la richesse. Enfin, l’école suédoise a été responsable de la tentative d’intégrer l’analyse monétaire à l’analyse réelle qui a été faite plus tard par John Maynard Keynes.

Parmi les quatre écoles de pensée économique néoclassique libérale, l’école autrichienne et l’école suédoise se sont distinguées. L’école autrichienne avait comme l’un de ses grands représentants, Ludwig Von Mises, qui a publié La théorie de l’argent et du crédit en faisant de profondes critiques contre le socialisme qui a eu une grande influence sur la pensée économique de Friedrich von Hayek, qui, bien qu’initialement sympathique au socialisme, est devenu l’un des critiques universitaires contre le collectivisme socialiste au XXe siècle. Dans son livre The Way of Serfdom, publié en 1944, et ses travaux ultérieurs, Hayek a affirmé que le socialisme exigeait une planification économique centrale et qu’une telle planification, à son tour, conduirait au totalitarisme. Ludwig Von Mises et Friedrich von Hayek sont ensuite devenus des idéologues de la pensée économique néolibérale dans le monde qui devait être mise en œuvre après les années 1970. Joseph Schumpeter est un autre économiste illustre de l’école autrichienne, surtout connu pour ses travaux sur les cycles économiques et l’innovation. Il a insisté sur le rôle des entrepreneurs dans une économie pour favoriser le développement économique. Dans Theory of Economic Development, Schumpeter affirme que la vie économique connaît des changements non continus que qualifie de «révolutionnaires», qui est le problème central du processus de développement économique. Selon Schumpeter, le capitalisme passe nécessairement par des cycles à long terme, car il est entièrement basé sur des inventions et des innovations scientifiques. Une phase d’expansion est rendue possible par les innovations, car elles apportent des gains de productivité et incitent les entrepreneurs à investir. L’explication de Schumpeter sur l’importance de l’innovation comme moteur de développement a été prouvée dans la pratique.

Un autre représentant de la pensée économique néoclassique liée à l’école néoclassique suédoise est John Maynard Keynes qui, avec ses œuvres, promeut une révolution de la doctrine économique, opposant principalement la pensée marxiste et la pensée libérale classique. Son travail principal était La théorie générale de l’emploi, de l’intérêt et de la monnaie lancée en 1936. La pensée économique de Keynes défend l’État en tant qu’agent actif contre la récession et le chômage élevé. Parce qu’il nécessite un gouvernement plus grand en tant que décideur dans l’économie d’un pays, le keynésianisme a pris position contre la pensée libérale classique et les autres écoles de pensée liberal néoclassique qui défendent un État aussi petit que possible. S’opposant à la pensée marxiste, Keynes croyait que le capitalisme pouvait être maintenu, aussi longtemps que des réformes significatives étaient faites, puisque le capitalisme s’était avéré incompatible avec le maintien du plein emploi et de la stabilité économique. Keynes a préconisé une intervention modérée de l’État pour parvenir à la stabilité économique et assurer le plein emploi dans l’économie. Il a affirmé qu’il n’y avait aucune raison à l’existence du socialisme, puisque ce ne serait pas la possession des moyens de production qui résoudrait les problèmes sociaux et que l’État est chargé d’encourager l’augmentation des moyens de production et la bonne rémunération de ses détenteurs. La pensée keynésienne laissé certaines tendances qui prévalent encore dans le système économique actuel. Parmi les principaux, l’adoption de modèles macroéconomiques, l’interventionnisme étatique modéré et l’utilisation des mathématiques dans les sciences économiques. Le libéralisme néoclassique a réussi avec le keynésianisme après la Seconde Guerre mondiale lorsqu’il a contribué au développement économique de la plupart des pays du monde jusqu’aux années 1970 et qu’il réussit dans les pays scandinaves qui sont actuellement les pays avec les plus grands progrès politiques, économique et social, mais aussi avec la contribution de Joseph Schumpeter avec sa thèse selon laquelle l’innovation technologique fonctionne comme un moteur du développement économique des nations.

La pensée économique néolibérale est une doctrine économique et politique qui a émergé au XXe siècle sur la base des théories formulées par les économistes Ludwig von Mises et Friedrich Hayek. La théorie néolibérale émerge pour opposer la pensée économique marxiste et la pensée libérale néoclassique keynésienne du bien-être social et propose la restauration de la pensée économique libérale classique basée sur une vision économique conservatrice qui vise à minimiser la participation de l’État à l’économie non seulement au niveau national, mais aussi au niveau mondial. En général, on peut dire que le néolibéralisme, selon les théories des universitaires de l’école autrichienne, cherche à affaiblir l’État en réduisant drastiquement la participation de l’État à l’économie et en déréglementant l’économie aux niveaux national et mondial. Les théoriciens néolibéraux préconisent une perception minimale des impôts et la privatisation des services publics. La doctrine néolibérale prône la moindre participation possible de l’État à l’économie, en donnant la préférence au secteur privé. Une esquisse du plan néolibéral est venue avec les 10 règles du Consensus de Washington, qui proposait une introduction de base que les économies néolibérales devraient suivre. Néolibéralisme a été adoptée dans le monde après que le keynésianisme a cessé d’être efficace dans les années 1970 configuré dans la chute de la croissance économique mondiale après les soi-disant «années glorieuses» (1950/1960), dans les deux crises pétrolières et dans la crise de la dette la plupart des pays du monde devenus insolvables auprès des banques internationales. Le néolibéralisme a échoué parce que les inégalités sociales et le chômage ont atteint des niveaux alarmants partout dans le monde, la crise mondiale de 2008 a éclaté et le chaos s’est ensuivi dans l’économie mondiale en raison de l’absence de régulation économique et financière mondiale.

De ce qui précède, on peut conclure que, d’un point de vue politique, le mercantilisme a laissé l’héritage négatif du colonialisme par les nations européennes qui, dans la poursuite de la richesse, ont pratiqué le génocide contre les peuples des Amériques et l’esclavage des peuples africains de du 16ème siècle au XVIIIème siècle. Le libéralisme classique a laissé l’héritage positif de la démocratie politique pratiquée par les États libéraux où il a été implanté du XIXe siècle au milieu du XXe siècle dans pratiquement tout l’Occident, mais il a présenté comme un héritage négatif qu’il n’a pas empêché l’émergence du nazifascisme entre les deux guerres mondiales. Le marxisme a laissé l’héritage négatif de ne pas exercer la démocratie en implantant des dictatures dans les pays socialistes. Le libéralisme néoclassique d’inspiration keynésienne laisse l’héritage positif des pays scandinaves qui sont actuellement les pays ayant le plus grand progrès politique, économique et social. Le néolibéralisme, à son tour, laisse un héritage négatif en embrassant le totalitarisme moderne appelé «démocratie libérale» qui devrait être appelé par son vrai nom: système mercantile totalitaire dans lequel l’homme, la société et l’ensemble de notre planète sont au service de cette idéologie en dont le seul droit qu’elle reconnaît est le droit à la propriété privée, le seul dieu qu’elle adore est l’argent, en plus de réprimer toutes les actions visant à transformer l’homme et le monde.

On peut conclure que, d’un point de vue économique, le mercantilisme a contribué à l’avancée du capitalisme en Europe et a initié le processus de mondialisation avec l’expansion mondiale du capitalisme. Le libéralisme classique a contribué à l’avancée du capitalisme dans le monde, mais il a échoué économiquement car il n’a pas empêché le déclenchement des dépressions économiques de 1873 et 1929 qui ont abouti à deux guerres mondiales dévastatrices (1914-1918 et 1939-1945) qui ont secoué l’économie mondiale dans la première moitié du 20e siècle. Le marxisme a échoué économiquement car, malgré le succès initial dans la promotion du développement économique dans les pays où le socialisme a été implanté, il n’a pas été en mesure de rendre ce développement durable, ouvrant la voie à la restauration du capitalisme en Russie, dans les pays d’Europe de l’Est et en Chine. Le libéralisme néoclassique a souligné l’importance de l’innovation technologique pour le développement économique avec la contribution de Joseph Schumpeter et, surtout, avec la contribution de John Maynard Keynes au keynésianisme après la Seconde Guerre mondiale dans la promotion du développement économique de la plupart des pays du monde jusqu’aux années 1970 malgré la échec après cette période à l’exception des pays scandinaves qui sont actuellement les pays ayant le plus grand progrès politique, économique et social au monde. Avec le néolibéralisme, son échec économique s’est matérialisé avec l’éclatement de la crise mondiale de 2008 et le chaos qui s’est instauré dans l’économie mondiale grâce à l’absence de régulation économique et financière mondiale qui peut conduire à l’effondrement du système financier international et à l’explosion du la dette mondiale. .

On peut dire que, d’un point de vue social, le mercantilisme, le libéralisme classique et le néolibéralisme ont laissé des héritages négatifs à travers l’histoire. Le mercantilisme a laissé le colonialisme comme un héritage négatif avec la pratique du génocide par les nations européennes contre les peuples des Amériques et l’esclavage des peuples africains. Le libéralisme classique a entraîné un chômage de masse dans le monde entier à la suite de deux grandes dépressions économiques mondiales en 1873 et 1929 qui en ont résulté et de deux grandes guerres mondiales qui ont fait 187 millions de morts. Le néolibéralisme laisse un héritage d’inégalités sociales extrêmes qui ont atteint des niveaux alarmants dans le monde. De toutes les pensées économiques, le marxisme mérite un point culminant positif pour sa contribution au développement social dans les pays où le socialisme a été implanté, ainsi que le libéralisme néoclassique keynésien avec le succès de son application dans les pays scandinaves, qui selon l’ONU sont les mieux gouvernés. dans le monde avec l’État-providence social et sont les pays du plus grand progrès politique, économique et social dont les peuples sont les plus heureux du monde..

RÉFÉRENCES

ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

MUNDO EDUCAÇÃO. Liberalismo. Disponible sur le siteWeb <https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/liberalismo.htm>.

MUNDO EDUCAÇÃO. Neoliberalismo. Disponible sur le siteWeb <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/neoliberalismo-1.htm>.

SILVA, Daniel Neves. O que é mercantilismo? Disponible sur le siteWeb <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-mercantilismo.htm&gt;.

* Fernando Alcoforado, 80, a reçoit la Médaille du Mérite en Ingénierie du Système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de ouvrages Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) et Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

THE EVOLUTION OF ECONOMIC THINKING AND ITS EFFECTS ON THE WORLD ECONOMY THROUGHOUT HISTORY

Fernando Alcoforado*

This article aims to present the evolution of mercantilist, classical liberal, Marxist, neoclassical and neoliberal economic thought that have been adopted by humanity throughout history with the presentation of its effects on the economic, political and social development of nations and the world. Mercantilism is a set of economic practices developed in Europe in the Modern Age, between the 15th century and the end of the 18th century. The classical liberal thought was developed in the 16th century with the clear intention of combating mercantilist. Marxism emerged in the second half of the 19th century as an economic theory, a sociological theory, a philosophical method and a revolutionary vision of social change to combat classical liberal capitalist thinking. The neoclassical liberal school of thought was in force between 1870 and 1929 to perfect classical liberal thought and to combat Marxist thought. Neoliberal economic thought is a socioeconomic doctrine that emerged in the 1970s in opposition to Marxism and Keynesianism linked to neoclassical liberal thinking, resuming the old ideals of classical liberalism by advocating the minimal intervention of the State in the economy.

Mercantilism is a set of economic ideas that was adopted for approximately three hundred years by European nations in the sixteenth, seventeenth and eighteenth centuries during the period of the great navigations and the establishment of the colonial system in the American continent in the period of transition from feudalism to the capitalism. The rise of mercantilism, as a set of economic practices, is directly linked to the end of feudalism and the formation of the Modern State. By Modern National State, it is understood the group of nations that emerged during the process of centralization of power in the figure of the king that occurred during the Middle Ages. Classic examples of Modern National States were England, France, Spain and Portugal, which emerged with power centralized in the figure of the king. The emergence of Modern States was directly supported by the power of the bourgeoisie in the struggle to end the privileges of the feudal nobility. With the support of the bourgeoisie, European monarchies invested in commercial and manufacturing development. This process of developing trade and manufacturing (the embryo of industry) was also supported by the intense colonial exploitation that took place on the American continent. The Modern State that emerged in this period with power centralized in the king took control of issues related to the economy as a way of guaranteeing its interests and resolving obstacles that prevented the strengthening of real power. Since these economic practices are considered embryonic to capitalism, some historians call mercantilism commercial capitalism. It was in this context of strong State intervention in the economy, expansion of trade through colonial exploitation by England, France, Spain and Portugal on all continents and growth of manufactures, especially in England and France, that it consolidated a series of economic practices that received the name of mercantilism. Mercantilism gave support to the great European monarchies in their colonial expansions, helped to start the process of globalization, but provided the advance of colonialism by European nations that, in the pursuit of wealth, practiced genocide against the peoples of the Americas and the slavery of the Africans peoples.

Classical liberal economic thinking emerged in the 16th century with the clear intention of combating mercantilism whose practices no longer met the new needs of capitalism. It is an ideology based on the organization of the economy based on individualism, rejecting state interventionism, which means that the largest possible number of economic decisions must be made by companies and individuals and not by the State. In the economic field, it was the ideas of the English philosopher and economist Adam Smith that predominated to establish the guidelines of this new economic thought. Economic liberalism consists in the understanding that the State must not interfere in the economy, since it must be done based on the free initiative of the citizens, who must be free to produce and trade, being responsible for themselves. Meritocracy and the valorization of individual effort are striking in liberal thought, which puts the individual as responsible for wealth and success. For Smith, there would be a kind of “invisible hand” that would cause the economy to develop autonomously in the power of the private sector, without needing the State, as it placed an obstacle in economic growth by wanting to claim its share of profits without offering anything in exchange. Throughout history, liberal states have emerged as a consequence of the progressive erosion of the king’s absolute power. While absolutism decays, liberal currents emerge, which end up coming together to establish the liberal state. The United States implanted the first liberal state in the world after the American Revolution or War of Independence in 1776 and France followed the same path after the French Revolution in 1789. These two countries served as a model for the implantation of liberal states worldwide. Liberalism argued that the State should be limited in its powers and functions and regulated through general rules, with the submission of all to the laws and respect for fundamental and inviolable human rights, generally recognized through some official document, such as the country’s Constitution. Liberalism became the dominant political force from the 19th century to the middle of the 20th century in virtually the entire West. When liberalism first emerged, it was opposed to absolutism (monarchical state) and, later, to socialism (socialist state) after the Russian Revolution in 1917. Economic liberalism was responsible for the advance of capitalism on the planet whose crises led the world to depressions economic events that broke out in 1873 and 1929, as well as the escalation of colonialism and imperialism in all quarters of the Earth and the advent of two world wars (1914-1918 and 1939-1945).

Marxist economic thought is a sociological, philosophical and political doctrine based on dialectical and historical materialism and scientific socialism created by Karl Marx and Friedrich Engels in the 19th century to combat classical capitalist liberal thinking. These thinkers were responsible for substantiating economically and sociologically the socialist ideas that already existed in Europe in the 19th century, stemming from anti-capitalist political theories that preached the need to think of an egalitarian society. Karl Marx unveiled in his work Capital the laws that govern capitalist economic systems that caused a revolution in economic thought and the social sciences in the following decades. It is a thorough investigative exercise by Karl Marx on the functioning of economic relations from the dawn of mankind to the nineteenth century by unraveling the laws that underlie economic activity. Karl Marx said that the driving force of capitalism is the production of surplus value, which is the value of unpaid labor for workers. If the working day is divided between necessary work and excess work, the rate of surplus value is the ratio between the two portions of the working day. Marx’s thinking is not restricted to the field of economics only, but also encompasses philosophy, sociology and history. It called for the overthrow of the capitalist order and the implantation of socialism. The Marxism that served as the basis for the construction of socialism in several countries in the world since 1917 in Russia failed after the success of its implantation in several countries because it conquered the power of the State and did not fulfill its historic promise to promote political and economic progress and social well-being of theirs populations, as well as failed with the restoration of capitalism in Russia, Eastern European countries and China from 1990.

Neoclassical liberal economic thought emerged in the period between the end of the 19th century and the beginning of the 20th century and sought to perfect classical liberal thinking, offer solutions to the crises of capitalism and combat Marxist economic thinking. From 1870, economic thought went through a period of uncertainty in the face of contrasting theories (Marxist and classical liberal). In this troubled period, the Neoclassical Theory emerged through which the methods of economic studies based on classical liberal thought were modified. Through these there was an attempt to rationalize and optimize scarce resources by studying the formation of prices, production and income distribution through the mechanism of supply and demand in the markets. It advocated a competitive economic system that would automatically evolve towards equilibrium, at a level of full employment of the factors of production. Neoclassical economic thought had four important schools: Austrian School, Lausanne School or Mathematical School, Cambridge School and the Swedish School. Austrian School stands out for formulating a new theory of value, based on utility (subjective theory of value), that is, the value of the good is determined by its quantity and usefulness. Also called The Theory of General Equilibrium, the Lausanne School emphasized the interdependence of all prices in the economic system to maintain balance. The Theory of Partial Equilibrium or Cambridge School considered that economics consisted of the study of human activity in economic affairs, therefore, economics would be a science of human behavior and not of wealth. Finally, the Swedish School was responsible for the attempt to integrate monetary analysis with the real analysis that was later made by John Maynard Keynes.

Among the four schools of neoclassical liberal economic thought, the Austrian School and the Swedish School stood out. The Austrian School had as one of its great exponents, Ludwig Von Mises, who published The theory of money and credit making profound criticisms against socialism that had a great influence on the economic thought of Friedrich von Hayek, who, although initially sympathetic to socialism, became one of the academic critics against socialist collectivism in the 20th century. In his book The Way of Serfdom, released in 1944, and his later works, Hayek claimed that socialism required central economic planning and that such planning, in turn, would lead to totalitarianism. Ludwig Von Mises and Friedrich von Hayek later became ideologues of neoliberal economic thought around the world that was to be implemented after the 1970s. Another illustrious economist at the Austrian school was Joseph Schumpeter best known for his works on economic cycles and innovation. He insisted on the role of entrepreneurs in an economy to promote economic development. In Theory of Economic Development, Schumpeter claims that economic life experiences non-continuous changes that called “revolutionary” which is the central problem in the process of economic development. According to Schumpeter, capitalism necessarily goes through long-term cycles, as it is based entirely on scientific inventions and innovations. An expansion phase is made possible by innovations, as they bring productivity gains and encourage entrepreneurs to invest. Schumpeter’s explanation of the importance of innovation as an engine of development has been proven in practice.

Another exponent of neoclassical liberal economic thought linked to the Swedish Neoclassical School was John Maynard Keynes who, with his works, promoted a revolution in economic doctrine, opposing, mainly, Marxist thought and classical liberal thought. His main work was The General Theory of Employment, Interest and Currency launched in 1936. Keynes’ economic thinking defends the state as an active agent against the recession and high unemployment. Because it requires a larger government as a decision maker in a country’s economy, Keynesianism took a stand against classical liberal thought and other schools of neoclassical liberal thought that defend a state as small as possible. Opposing Marxist thinking, Keynes believed that capitalism could be maintained, as long as significant reforms were made, since capitalism had proved incompatible with maintaining full employment and economic stability. Keynes advocated moderate state intervention to achieve economic stability and ensure full employment in the economy. He affirmed that there was no reason for the existence of socialism, since it would not be the possession of the means of production that would solve social problems and it is the State’s responsibility to encourage the increase of the means of production and the good remuneration of its holders. Keynesian thought left some trends that still prevail in the current economic system. Among the main ones, the adoption of macroeconomic models, moderate state interventionism and the use of mathematics in economic science. Neoclassical liberalism was successful with Keynesianism after the Second World War when it contributed to the economic development of most countries in the world until the 1970s and is succeeding in the Scandinavian countries that currently stand as the countries with the greatest political progress, economic and social, and also with the contribution of Joseph Schumpeter with his thesis that technological innovation operates as an engine for the economic development of nations.

Neoliberal economic thought is an economic and political doctrine that emerged in the 20th century based on theories formulated by economists Ludwig von Mises and Friedrich Hayek. Neoliberal theory emerges to oppose Marxist economic thought and Keynesian neoclassical liberal thought of social well-being and proposes the restoration of classical liberal economic thought based on a conservative economic view that aims to minimize the State’s participation in the economy. not only at the national level, but also at the global level. In general, it can be said that neoliberalism, according to the theories of scholars from the Austrian School, seeks to weaken the state by drastically reducing state participation in the economy and deregulating the economy at the national and world levels. Neoliberal theorists advocate minimal tax collection and privatization of public services. Neoliberal doctrine preaches the least possible participation of the State in the economy, giving preference to the private sector. An outline of the neoliberal plan came with the 10 rules of the Washington Consensus, which proposed a basic primer that neoliberal economies should follow. Neoliberalism was adopted in the world after Keynesianism ceased to be effective in the 1970s configured in the fall in world economic growth after the so-called “glorious years” (1950/1960), in the two oil crises and in the debt crisis most of the countries in the world that have become insolvent with international banks. Neoliberalism failed because social inequality and unemployment reached alarming levels all over the world, the world crisis of 2008 erupted and chaos ensued in the world economy thanks to the absence of global economic and financial regulation.

From the above, it can be concluded that, from a political point of view, mercantilism left the negative legacy of colonialism by European nations that, in the pursuit of wealth, practiced genocide against the peoples of the Americas and the slavery of African peoples from the 16th century to the XVIII century. Classical liberalism left the positive legacy of political democracy practiced by liberal states where it was implanted from the 19th century to the middle of the 20th century in practically the entire West, but it presented as a negative legacy that it did not prevent the emergence of Nazifascism between the two world wars. Marxism left the negative legacy of not exercising democracy by implanting dictatorships in socialist countries. Keynesian-inspired neoclassical liberalism leaves the positive legacy of the Scandinavian countries that currently stand as the countries with the greatest political, economic and social progress. Neoliberalism, in turn, is leaving a negative legacy by embracing modern totalitarianism called “liberal democracy” which should be called by its true name: totalitarian mercantile system in which man, society and the whole of our planet are at the service of this ideology in which the only the right it recognizes is the right to private property, the only god it adores is money, in addition to repressing all actions aimed at transforming man and the world.

It can be concluded that, from an economic point of view, mercantilism contributed to the advance of capitalism in Europe and initiated the process of globalization with the worldwide expansion of capitalism. Classical liberalism contributed to the advance of capitalism globally, but it failed economically because it did not prevent the outbreak of the economic depressions of 1873 and 1929 which resulted in two devastating world wars (1914-1918 and 1939-1945) that shook the world economy in the first half of the 20th century. Marxism failed economically because, despite the initial success in promoting economic development in the countries where socialism was implanted, it was unable to make this development sustainable, paving the way for the restoration of capitalism in Russia, Eastern European countries and China. Neoclassical liberalism emphasized the importance of technological innovation for economic development with the contribution of Joseph Schumpeter and, above all, with John Maynard Keynes’s contribution to Keynesianism after the Second World War in promoting the economic development of most countries in the world until the 1970s despite the failure after this period with the exception of the Scandinavian countries that currently stand as the countries with the greatest political, economic and social progress in the world. With neoliberalism, its economic failure materialized with the outbreak of the 2008 global crisis and the chaos that was established in the world economy thanks to the absence of global economic and financial regulation that can lead to the collapse of the international financial system and the explosion of the world debt.

It can be said that, from a social point of view, mercantilism, classical liberalism and neoliberalism have left negative legacies throughout history. Mercantilism left colonialism as a negative legacy with the practice of genocide by European nations against the peoples of the Americas and the slavery of African peoples. Classical liberalism left mass unemployment worldwide as a result of two major world economic depressions in 1873 and 1929 that resulted and two major world wars that resulted in 187 million deaths. Neoliberalism is leaving a legacy of extreme social inequality that has reached alarming levels around the world. Of all economic thoughts, Marxism deserves a positive highlight for its contribution to social development in the countries where socialism was implanted, as well as the Keynesian neoclassical liberalism with the success of its application in Scandinavian countries, which according to the UN are the best governed in the world with the Social Welfare State and are the countries of greatest political, economic and social progress whose peoples are the happiest in the world..

REFERENCES

 ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

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MUNDO EDUCAÇÃO. Neoliberalismo. Available on the website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/neoliberalismo-1.htm>.

SILVA, Daniel Neves. O que é mercantilismo? Available on the website <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-mercantilismo.htm&gt;.

* Fernando Alcoforado, 80, awarded the medal of Engineering Merit of the CONFEA / CREA System, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, university professor and consultant in the areas of strategic  planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is author of the books Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) and Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).

A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO E SEUS EFEITOS SOBRE A ECONOMIA MUNDIAL AO LONGO DA HISTÓRIA

Fernando Alcoforado*

Este artigo tem como objetivo apresentar a evolução do pensamento econômico mercantilista, liberal clássico, marxista, liberal neoclássico e neoliberal que foram adotados pela humanidade ao longo da história com a apresentação de seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico, político e social das nações e do mundo. O mercantilismo é um conjunto de práticas econômicas desenvolvido na Europa na Idade Moderna, entre o século XV e o final do século XVIII. O pensamento liberal clássico foi desenvolvido no século XVI com a clara intenção de combater o mercantilismo. O marxismo surgiu na segunda metade do século XIX como uma teoria econômica, uma teoria sociológica, um método filosófico e uma visão revolucionária de mudança social para combater o pensamento liberal clássico capitalista. A escola de pensamento liberal neoclássico vigorou no período entre 1870 e 1929 para aperfeiçoar o pensamento liberal clássico e combater o pensamento marxista. O pensamento econômico neoliberal é uma doutrina socioeconômica que surgiu na década de 1970 em oposição ao Marxismo e ao Keynesianismo vinculado ao pensamento liberal neoclássico retomando os antigos ideais do liberalismo clássico ao preconizar a mínima intervenção do Estado na economia.

O mercantilismo é um conjunto de ideias econômicas que foi adotado por aproximadamente trezentos anos pelas nações europeias nos séculos XVI, XVII e XVIII durante o período das grandes navegações e da montagem do sistema colonial no continente americano no período de transição do feudalismo para o capitalismo. O surgimento do mercantilismo, como conjunto de práticas econômicas, está diretamente ligado ao fim do feudalismo e à formação do Estado Moderno. Por Estado Nacional Moderno, entende-se o conjunto de nações surgidas durante o processo de centralização do poder na figura do rei que ocorreu durante a Idade Média. Exemplos clássicos de Estados Nacionais Modernos foram Inglaterra, França, Espanha e Portugal, que surgiram com o poder centralizado na figura do rei. O surgimento dos Estados Modernos apoiou-se diretamente no poder da burguesia na luta para pôr fim aos privilégios da nobreza feudal. Com o apoio da burguesia, as monarquias europeias investiram no desenvolvimento comercial e manufatureiro. Esse processo de desenvolvimento do comércio e da manufatura (embrião da indústria) apoiou-se também na intensa exploração colonial que aconteceu no continente americano. O Estado Moderno que surgiu nesse período com o poder centralizado no rei assumiu o controle de questões relativas à economia como forma de garantir seus interesses e resolver entraves que impediam o fortalecimento do poder real. Como essas práticas econômicas são consideradas embrionárias ao capitalismo, alguns historiadores chamam o mercantilismo de capitalismo comercialFoi nesse contexto de forte intervenção do Estado na economia, de expansão do comércio mediante a exploração colonial por parte da Inglaterra, França, Espanha e Portugal em todos os continentes e de crescimento das manufaturas, sobretudo na Inglaterra e na França, que consolidou uma série de práticas econômicas que recebeu o nome de mercantilismo. O mercantilismo deu sustentação às grandes monarquias europeias em suas expansões coloniais, contribuiu para dar início ao processo de globalização, mas proporcionou o avanço do colonialismo pelas nações europeias que, na busca da riqueza, praticaram genocídio contra os povos das Américas e a escravidão dos povos africanos.

O pensamento econômico liberal clássico surgiu no século XVI com a clara intenção de combater o mercantilismo cujas práticas já não atendiam às novas necessidades do capitalismo. É uma ideologia baseada na organização da economia com base no individualismo, rejeitando o intervencionismo estatal, o que significa que o maior número possível de decisões econômicas devem ser tomadas pelas empresas e indivíduos e não pelo Estado. No campo econômico, foram as ideias do filósofo e economista inglês Adam Smith que predominaram para estabelecer as diretrizes desse novo pensamento econômico. O liberalismo econômico consiste no entendimento de que o Estado não deve interferir na economia, pois essa deve ser feita a partir da livre iniciativa dos cidadãos, que devem ser livres para produzir e fazer comércio, sendo responsáveis por si mesmos. A meritocracia e a valorização do esforço individual são marcantes no pensamento liberal, que coloca como responsável pela riqueza e pelo sucesso, unicamente, o indivíduo. Para Smith, haveria uma espécie de “mão invisível” que faria com que a economia se desenvolvesse autonomamente no poder da iniciativa privada, sem necessitar do Estado, pois esse colocava um entrave no crescimento econômico ao querer reivindicar a sua parte nos lucros sem nada oferecer em troca. Ao longo da história, os Estados liberais foram surgindo como uma consequência do desgaste progressivo do poder absoluto do rei. Enquanto o absolutismo decai, surgem correntes liberais, que acabam se juntando para instituir o Estado liberal. Os Estados Unidos implantaram o primeiro Estado liberal no mundo após a Revolução Americana ou Guerra de Independência em 1776 e a França seguiu o mesmo caminho após a Revolução Francesa em 1789. Estes dois países serviram de modelo para a implantação de Estados liberais em todo o mundo. O liberalismo defendia que o Estado fosse limitado em seus poderes e funções e regulado através de normas gerais, com a submissão de todos às leis e respeito aos direitos fundamentais e invioláveis do homem, geralmente reconhecidos através de algum documento oficial, como a Constituição do país. O liberalismo tornou-se a força política dominante do século XIX até a metade do século XX em praticamente todo o Ocidente. Quando surgiu, o liberalismo se contrapôs ao absolutismo (Estado monárquico) e, mais tarde, ao socialismo (Estado socialista) a partir da Revolução Russa em 1917.  O liberalismo econômico foi responsável pelo avanço do capitalismo no planeta cujas crises levaram o mundo às depressões econômicas que eclodiram em 1873 e 1929, bem como pela escalada do colonialismo e do imperialismo em todos os quadrantes da Terra e o advento de duas guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945).

O pensamento econômico marxista é uma doutrina sociológica, filosófica e política baseada no materialismo dialético e histórico e no socialismo científico criado por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX para combater o pensamento liberal clássico capitalista. Esses pensadores foram responsáveis por fundamentar econômica e sociologicamente as ideias socialistas que já existiam na Europa, no século XIX, oriundas de teorias políticas anticapitalistas que pregavam a necessidade de se pensar em uma sociedade igualitária. Karl Marx desvendou em sua obra O Capital as leis que governam os sistemas econômicos capitalistas que causaram nas décadas seguintes uma revolução no pensamento econômico e nas ciências sociais. Trata-se de um minucioso exercício investigativo de Karl Marx acerca do funcionamento das relações econômicas desde os primórdios da humanidade até o século XIX ao desvendar as leis que estão por trás da atividade econômica.  Karl Marx afirmou que a força motriz do capitalismo é a produção de mais-valia que é o valor do trabalho não pago aos trabalhadores. Se a jornada de trabalho é dividida entre trabalho necessário e trabalho excedente, a taxa de mais-valia é a razão entre as duas porções da jornada de trabalho. O pensamento de Marx não se restringe unicamente ao campo da economia, mas abrange, também, a filosofia, a sociologia e a história. Preconizava a derrubada da ordem capitalista e a implantação do socialismo. O marxismo que serviu de base para a construção do socialismo em vários países do mundo a partir de 1917 na Rússia fracassou depois do sucesso de sua implantação em vários países porque conquistou o poder do Estado e não cumpriu sua promessa histórica de promover o progresso político, econômico e o bem-estar social de suas populações, bem como fracassou com a restauração do capitalismo na Rússia, nos países do Leste Europeu e na China a partir de 1990.

O pensamento econômico liberal neoclássico surgiu no período entre os fins do século XIX e início do século XX e buscava aperfeiçoar o pensamento liberal clássico, oferecer soluções para as crises do capitalismo e combater o pensamento econômico marxista. A partir de 1870, o pensamento econômico passava por um período de incertezas diante de teorias contrastantes (marxista e liberal clássica). Nesse período conturbado surgiu a Teoria Neoclássica através da qual foram modificados os métodos de estudos econômicos baseados no pensamento liberal clássico. Através destes buscou-se a racionalização e otimização dos recursos escassos ao estudar a formação dos preços, a produção e a distribuição da renda através do mecanismo de oferta e demanda dos mercados. Defendia um sistema econômico competitivo que evoluísse automaticamente para o equilíbrio, a um nível de pleno emprego dos fatores de produção. O pensamento econômico liberal neoclássico teve quatro importantes escolas: Escola Austríaca, Escola de Lausanne ou Escola Matemática, Escola de Cambridge e a Escola Sueca. A Escola Austríaca se destaca por formular uma nova teoria do valor, baseada na utilidade (teoria subjetiva do valor), ou seja, o valor do bem é determinado pela quantidade e utilidade do mesmo. Também chamada de Teoria do Equilíbrio Geral, a Escola de Lausanne, enfatizava a interdependência de todos os preços do sistema econômico para manter o equilíbrio. A Teoria do Equilíbrio Parcial ou Escola de Cambridge considerava que a economia consistia no estudo da atividade humana nos negócios econômicos, portanto, a economia seria uma ciência do comportamento humano e não da riqueza. Por fim, a Escola Sueca foi a responsável pela tentativa da integrar a análise monetária à análise real que mais tarde foi feita por John Maynard Keynes.

Entre as quatro escolas do pensamento econômico liberal neoclássico, destacaram-se a Escola Austríaca e a Escola Sueca. A Escola Austríaca teve como um dos seus grandes expoentes, Ludwig Von Mises, que publicou The theory of money and credit fazendo críticas profundas contra o socialismo que tiveram grande influência no pensamento econômico de Friedrich von Hayek, que, apesar de inicialmente simpático ao socialismo, tornou-se um dos críticos acadêmicos contra o coletivismo socialista no século XX. Em seu livro O Caminho da Servidão, lançado em 1944, e suas obras posteriores, Hayek alegou que o socialismo exigia um planejamento econômico central e que tal planejamento, por sua vez, levaria ao totalitarismo. Ludwig Von Mises e Friedrich von Hayek se transformaram, mais tarde, em ideólogos do pensamento econômico neoliberal em todo o mundo que viria a ser implantado após a década de 1970. Outro ilustre economista da escola austríaca foi Joseph Schumpeter mais conhecido por suas obras sobre ciclos econômicos e inovação. Ele insistia no papel dos empreendedores em uma economia para promover o desenvolvimento econômico. Em Theory of Economic Development, Schumpeter afirma que a vida econômica experimenta mudanças não contínuas que denominou de “revolucionárias” que consiste no problema central do processo de desenvolvimento econômico. De acordo com Schumpeter, o capitalismo necessariamente passa por ciclos de longo prazo, pois ele é inteiramente baseado em invenções e inovações científicas. Uma fase de expansão torna-se possível pelas inovações, pois elas trazem ganhos de produtividade e encorajam os empreendedores a investir. A explicação de Schumpeter sobre a importância da inovação como motor do desenvolvimento vem sendo comprovado na prática.

Outro expoente do pensamento econômico liberal neoclássico vinculado à Escola Neoclássica Sueca foi John Maynard Keynes que, com suas obras, promoveu uma revolução na doutrina econômica, opondo-se, principalmente, ao pensamento marxista e ao pensamento liberal clássico. Sua obra principal foi A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda lançada em 1936. O pensamento econômico de Keynes defende o Estado como um agente ativo contra a recessão e alta no desemprego. Por exigir um governo maior como decisor na economia de um país, o Keynesianismo se posicionou contra o pensamento liberal clássico e as demais escolas do pensamento liberal neoclássico que defendem um Estado o menor possível. Opondo-se ao pensamento marxista, Keynes acreditava que o capitalismo poderia ser mantido, desde que fossem feitas reformas significativas, já que o capitalismo havia se mostrado incompatível com a manutenção do pleno emprego e da estabilidade econômica. Keynes defendia a intervenção moderada do Estado para alcançar a estabilidade econômica e assegurar o pleno emprego na economia. Afirmava que não havia razão para a existência do socialismo, pois não seria a posse dos meios de produção que resolveria os problemas sociais e ao Estado compete incentivar o aumento dos meios de produção e a boa remuneração de seus detentores. O pensamento Keynesiano deixou algumas tendências que prevalecem até hoje no atual sistema econômico. Dentre as principais, a adoção de modelos macroeconômicos, o intervencionismo estatal moderado e o uso da matemática na ciência econômica. O liberalismo neoclássico foi bem sucedido com o Keynesianismo após a 2ª Guerra Mundial quando contribuiu para o desenvolvimento econômico da maioria dos países do mundo até a década de 1970 e está obtendo sucesso nos países escandinavos que se situam atualmente como ao países de maior progresso político, econômico e social e, também, com a contribuição de Joseph Schumpeter com sua tese de que a inovação tecnológica opera como motor do desenvolvimento econômico da nações.

pensamento econômico neoliberal é uma doutrina econômica e política que surgiu no século XX com base em teorias formuladas pelos economistas Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. A teoria neoliberal surge para opor-se ao pensamento econômico marxista e ao pensamento liberal neoclássico Keynesiano de bem-estar social e propõe a restauração do pensamento econômico liberal clássico tendo como base uma visão econômica conservadora que pretende diminuir ao máximo a participação do Estado na economia não apenas no nível nacional, mas também no nível mundial. Em geral, pode-se afirmar que o neoliberalismo, de acordo com as teorias dos estudiosos da Escola Austríaca, busca o enfraquecimento do Estado com a diminuição drástica da participação estatal na economia e a desregulamentação da economia nos níveis nacional e mundial. Os teóricos neoliberais defendem a mínima cobrança de impostos e a privatização dos serviços públicos. A doutrina neoliberal prega a menor participação possível do Estado na economia, dando preferência ao setor privado. Um esboço do plano neoliberal deu-se com as 10 regras do Consenso de Washington, que propôs uma cartilha básica que as economias neoliberais deveriam seguir. O neoliberalismo foi adotado no mundo depois que o Keynesianismo deixou de ser eficaz na década de 1970 configurada na queda no crescimento econômico mundial após os denominados “anos gloriosos” (1950/1960), nas duas crises do petróleo e na crise da dívida de grande parte dos países do mundo que ficaram insolventes junto aos bancos internacionais.  O neoliberalismo fracassou porque a desigualdade social e o desemprego chegaram a níveis alarmantes em todo o mundo, houve a eclosão da crise mundial de 2008 e o caos se estabeleceu na economia mundial graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global.

Pelo exposto, pode-se concluir que, do ponto de vista político, o mercantilismo deixou o legado negativo do colonialismo pelas nações europeias que, na busca da riqueza, praticaram genocídio contra os povos das Américas e a escravidão dos povos africanos do século XVI ao século XVIII. O liberalismo clássico deixou o legado positivo da democracia política praticada pelos Estados liberais onde foram implantados do século XIX até a metade do século XX em praticamente todo o Ocidente, mas apresentou como legado negativo não ter impedido o surgimento do nazifascismo entre as duas guerras mundiais. O marxismo deixou o legado negativo de não exercer a democracia ao implantar ditaduras nos países socialistas. O  liberalismo neoclássico de inspiração Keynesiana deixa o legado positivo dos países escandinavos que se situam atualmente como os países de maior progresso político, econômico e social. O neoliberalismo, por sua vez, está deixando o legado negativo ao adotar o totalitarismo moderno denominada “democracia liberal” que deveria ser chamada pelo seu verdadeiro nome: sistema mercantil totalitário no qual o homem, a sociedade e o conjunto de nosso planeta estão ao serviço desta ideologia em que o único direito que ele reconhece é o direito a propriedade privada, o  único deus que ele adora é o dinheiro, além de reprimir  todas as ações voltadas para transformar o homem e o mundo.

Pode-se concluir que, do ponto de vista econômico, o mercantilismo contribuiu para o avanço do capitalismo na Europa e dar início ao processo de globalização com a expansão mundial do capitalismo. O liberalismo clássico contribuiu para o avanço do capitalismo globalmente, mas fracassou economicamente porque não impediu a eclosão das depressões econômicas de 1873 e 1929 das quais resultaram duas guerras mundiais devastadoras (1914-1918 e 1939-1945) que abalaram a economia mundial na primeira metade do século XX. O marxismo fracassou economicamente porque, apesar do sucesso inicial na promoção do desenvolvimento econômico nos países onde o socialismo foi implantado, não teve condições de tornar este desenvolvimento sustentável abrindo caminho para a restauração do capitalismo na Rússia, nos países do Leste Europeu e na China. O liberalismo neoclássico enfatizou a importância da inovação tecnológica para o desenvolvimento econômico com a contribuição de Joseph Schumpeter e, sobretudo, com a contribuição de John Maynard Keynes com o Keynesianismo após a 2ª Guerra Mundial na promoção do desenvolvimento econômico da maioria dos países do mundo até a década de 1970 apesar do fracasso após este período com a exceção dos países escandinavos que se situam atualmente como os países de maior progresso político, econômico e social do mundo. Com o neoliberalismo, seu fracasso econômico se materializou com a eclosão da crise mundial de 2008 e o caos que se estabeleceu na economia mundial graças à ausência de regulamentação econômica e financeira global que pode levar ao colapso do sistema financeiro internacional e à explosão da dívida mundial.

Pode-se afirmar que, do ponto de vista social, o mercantilismo, o liberalismo clássico e o neoliberalismo deixaram legados negativos ao longo da história. O mercantilismo deixou como legado negativo o colonialismo com a prática de genocídio pelas nações europeias contra os povos das Américas e a escravidão dos povos africanos. O liberalismo clássico deixou como legado negativo o desemprego em massa em nível mundial resultante de duas grandes depressões econômicas mundiais em 1873 e 1929 das quais resultaram e duas grandes guerras mundiais das quais resultaram 187 milhões de mortos. O neoliberalismo está deixando como legado a desigualdade social extrema que chegou a níveis alarmantes em todo o mundo.  De todos os pensamentos econômicos, merecem destaque positivo o Marxismo por sua contribuição ao desenvolvimento social nos países onde o socialismo foi implantado, bem como o liberalismo neoclássico Keynesiano com o sucesso de sua aplicação nos países escandinavos que de acordo com a ONU são os mais bem governados do mundo com o Estado de Bem-Estar Social e são os países de maior progresso político, econômico e social cujos povos são os mais felizes do mundo.

REFERÊNCIAS

ALCOFORADO, Fernando. As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo. Curitiba: Editora CRV, 2016.

MUNDO EDUCAÇÃO. Liberalismo. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/liberalismo.htm>.

MUNDO EDUCAÇÃO. Neoliberalismo. Disponível no website <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/neoliberalismo-1.htm>.

SILVA, Daniel Neves. O que é mercantilismo? Disponível no website < https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-mercantilismo.htm&gt;.

* Fernando Alcoforado, 80, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria) e Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019).