COMO FAZER FRENTE AO AVANÇO TECNOLÓGICO E AO FIM DO EMPREGO NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Pesquisadores da Oxford University publicaram em 2013 um estudo detalhado do impacto da computação sobre o emprego nos Estados Unidos considerando os avanços recentes em aprendizado de máquinas (machine learning) e robôs móveis. Os pesquisadores concluíram que 47% dos atuais empregos estão sob alto risco de automação nos próximos anos e décadas e outros 19% sob risco médio. Eles consideram que somente um terço dos atuais trabalhadores não serão substituídos por máquinas inteligentes nas próximas uma ou duas décadas (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015).

Vivemos sem sombra de dúvidas uma era definida pela mudança fundamental entre trabalhadores e máquinas e que esta mudança coloca em xeque uma das hipóteses básicas sobre a tecnologia de que as máquinas são instrumentos que aumenta a produtividade dos trabalhadores. Ao invés disto, as máquinas estão se transformando em trabalhadores. Diante da perspectiva de substituição dos trabalhadores por robôs, as soluções que se apresentam para mitigar os efeitos do desemprego gerado pelo avanço tecnológico nos marcos atuais de desenvolvimento do capitalismo dizem respeito à adoção da Economia Criativa, da Economia Social e Solidária e do Programa de Transferência de Renda.  Estas soluções proporcionariam, também, as condições para fazer frente á subutilização atual de 27,6 milhões de trabalhadores do Brasil.

Economia Criativa se refere a atividades com potencial socioeconômico que lidam com criatividade, conhecimento e informação. Para entendê-la, é preciso ter em mente que empresas deste segmento combinam a criação, produção e a comercialização de bens criativos de natureza cultural e de inovação como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. Em comum, empresas da área dependem do talento e da criatividade para efetivamente existirem. Elas estão distribuídas em 13 diferentes áreas: 1) arquitetura; 2) publicidade; 3) design; 4) artes e antiguidades; 5) artesanato; 6) moda; 7) cinema e vídeo; 8) televisão; 9) editoração e publicações; 10) artes cênicas; 11) rádio; 12) softwares de lazer; e, 13) música. É importante dizer que, por focar em criatividade, imaginação e inovação como sua principal característica, a economia criativa não se restringe apenas a produtos, serviços ou tecnologias. Ela engloba também processos, modelos de negócios, modelos de gestão, entre outros (DESCOLA. A economia criativa no mundo moderno. Disponível no website <https://descola.org/drops/a-economia-criativa-no-mundo-moderno/>, 2016).

A Economia Social e Solidária é um novo modelo de desenvolvimento econômico, social, político e ambiental que tem uma forma diferente de gerar trabalho e renda, em diversos setores, seja nos bancos comunitários, nas cooperativas de crédito, nas cooperativas da agricultura familiar, na questão do comércio justo, nos clubes de troca, etc. A Economia Social e Solidária constitui uma nova forma de organização do trabalho e das atividades econômicas em geral emergindo como uma importante alternativa para a inclusão de trabalhadores no mercado de trabalho, dando uma nova oportunidade aos mesmos, através da autogestão. Com base na Economia Social e Solidária, existe a possibilidade de recuperar empresas de massa falida, e dar continuidade às mesmas, com um novo modo de produção, em que a maximização do lucro deixa de ser o principal objetivo, dando lugar à maximização da quantidade e da qualidade do trabalho. A economia social e solidária corresponde a 10% do PIB e é responsável por 12,7% do emprego na França (LACROIX, Géraldine e SLITINE, Romain. L´économie sociale et solidaire. Paris: Presses Universitaires de France, 2016).  No Brasil, a economia social e solidária representa 1% do PIB (REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil. Disponível no website  <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html>, 2015).

Se aceitarmos a ideia de que é irrealista barrar a automação e que mais investimento em educação e treinamento seja improvável de resolver o problema do desemprego, Martin Ford considera que a solução mais eficaz consiste na adoção de uma política de garantia de renda para os trabalhadores. (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015).  Esta ideia não é nova. Friedrich August von Hayek, economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico, considerado um dos maiores representantes da Escola Austríaca de pensamento econômico, foi o proponente desta ideia quando publicou entre 1973 e 1979 sua obra Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988).

Em poucas palavras, a política de garantia de renda para os trabalhadores diz respeito à  Renda Básica Universal (RBU) que é um sistema semelhante ao da assistência social através do qual todos os cidadãos de um país, estando eles empregados ou não, receberiam, do governo, uma quantia fixa mensal. A diferença é que a RBU seria um substituto único para todos os subsídios de assistência social e esse salário seria provido de forma incondicional, sem nenhuma obrigação por parte do cidadão. O objetivo é permitir que todas as pessoas tenham melhor qualidade de vida e, assim, melhores oportunidades. É uma forma de combater a desigualdade de renda e assegurar que cada cidadão tenha dinheiro suficiente para viver acima da linha da pobreza. O programa neoliberal de transferência de renda dos governos Lula e Dilma Rousseff no Brasil, o Bolsa Família, é um exemplo da aplicação da política de garantia de renda de Hayek.

Lamentavelmente, o futuro governo Bolsonaro não apresenta nenhuma solução para fazer frente ao desemprego atual de 27,6 milhões de trabalhadores subutilizados do Brasil com a implementação de um programa de obras públicas de infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações) e infraestrutura social (educação, saúde, habitação e saneamento básico) com a participação do governo e do setor privado, além de não apresentar nenhuma iniciativa no sentido da adoção da Economia Criativa, da Economia Social e Solidária e do Programa de Transferência de Renda para fazer frente ao desemprego resultante do avanço tecnológico. Não há, também, nenhuma iniciativa de fazer com que o sistema de educação do Brasil seja capaz de dotar os trabalhadores brasileiros da capacitação requerida pelo mundo do trabalho que se caracterizará pela presença de máquinas inteligentes.

Tudo leva a crer que os robôs deverão ser utilizados largamente na atividade produtiva em geral que faz com que seja um imperativo preparar os seres humanos para lidar com estas máquinas inteligentes no mercado de trabalho. O grande desafio de educação no Brasil é representado, não apenas pela superação da deficiência do sistema atual, mas, sobretudo, para fazer frente às rápidas mudanças que estão ocorrendo no mundo do trabalho graças ao avanço tecnológico, devido, sobretudo, ao impacto da inteligência artificial que é a inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software. Especialistas acreditam que a inteligência das máquinas se equiparará à de humanos até 2050, graças a uma nova era na sua capacidade de aprendizado. Isso significa dizer que estamos criando máquinas que podem ensinar a si mesmas e também a se comunicar simulando a fala humana.

Considerando que um dos objetivos de um sistema de educação de um país é o de planejar a preparação e a reciclagem das pessoas para o mercado de trabalho, compete aos planejadores dos sistemas de educação do Brasil identificar o papel dos seres humanos no mundo do trabalho em um futuro com máquinas inteligentes para realizar uma ampla revolução no ensino em todos os níveis contemplando a qualificação dos professores e a estruturação das unidades de ensino para prepararem seus alunos para um mundo do trabalho em que as pessoas terão que lidar com máquinas inteligentes. Os programas de ensino das unidades educacionais em todos os níveis devem ser profundamente reestruturados para atingirem esses objetivos.

Para realizar uma revolução no sistema de educação do Brasil, é preciso preparar o professor para cumprir um novo papel. O papel do professor é decisivo para que, através da educação, seja criado um novo tipo de homem qualificado para o mundo do trabalho e consciente e bem preparado para transformar o mundo em que vivemos em seu benefício. O papel do professor deve ser o de gestor de processos ricos de aprendizagens significativas e não o de um simples repassador de informações na sala de aula. O professor deve atuar como mediador do processo de aprendizagem dos alunos utilizando tecnologias simples, como as que estão no celular, uma câmera para ilustrar, um programa gratuito para juntar as imagens e contar com elas histórias interessantes e os alunos serem autores, protagonistas do seu processo de aprender.

Em seu programa de governo, Jair Bolsonaro não apresenta nenhuma estratégia que conduza a uma revolução no sistema de educação do Brasil. Sua ênfase consiste em eliminar a  liberdade de cátedra ao pretender impedir que o professor possa debater sobre concepções políticas ou ideológicas em sala de aula. Outra ênfase de Bolsonaro é a de que é possível fazer mais com os atuais recursos, não havendo necessidade de aumentar o investimento na área da educação que é falso haja vista que o investimento por aluno no Brasil é o segundo mais baixo do mundo. Deveríamos nos inspirar nas políticas educacionais praticadas no Japão, Finlândia, Coreia do Sul e Suíça que são os países mais avançados em educação no mundo no sentido de reestruturar o sistema de educação do Brasil do ensino infantil ao ensino superior.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

HOW TO FACE THE TECHNOLOGICAL ADVANCE AND THE END OF EMPLOYMENT IN BRAZIL

Fernando Alcoforado *

Researchers at Oxford University published in 2013 a detailed study of the impact of computing on employment in the United States, considering recent advances in machine learning and mobile robots. The researchers concluded that 47% of current jobs are at high risk of automation in the coming years and decades and another 19% at medium risk. They consider that only a third of current workers will not be replaced by smart machines in the next one or two decades (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015).

We live without a doubt an era defined by the fundamental change between workers and machines and that this change puts in check one of the basic hypotheses about the technology that machines are instruments that increases the productivity of workers. Instead, machines are turning into workers. Faced with the perspective of replacing workers by robots, the solutions that are presented to mitigate the effects of the unemployment generated by the technological advance in the current limits of development of capitalism are related to the adoption of the Creative Economy, the Social and Solidarity Economy and the Transfer Program of Income. These solutions would also provide the conditions to cope with the current underutilization of 27.6 million workers in Brazil.

Creative Economy refers to activities with socioeconomic potential that deal with creativity, knowledge and information. In order to understand it, it is necessary to keep in mind that companies in this segment combine the creation, production and commercialization of cultural creative assets and innovation such as Fashion, Art, Digital Media, Advertising, Journalism, Photography and Architecture. In common, area businesses rely on talent and creativity to effectively exist. They are distributed in 13 different areas: 1) architecture; 2) advertising; 3) design; 4) arts and antiquities; 5) crafts; 6) fashion; 7) cinema and video; 8) television; 9) publishing and publications; 10) performing arts; 11) radio; 12) leisure software; and, 13) music. It is important to say that by focusing on creativity, imagination and innovation as its main characteristic, the creative economy is not restricted to products, services or technologies. It also encompasses processes, business models, management models, etc. [DESCOLA. A economia criativa no mundo moderno (The creative economy in the modern world). Available on the website <https://descola.org/drops/a-economia-criativa-no-mundo-moderno/&gt;, 2016].

The Social and Solidarity Economy is a new model of economic, social, political and environmental development that has a different way of generating work and income, in several sectors, be it community banks, credit cooperatives, family agriculture cooperatives, fair trade, exchange clubs, etc. The Social and Solidarity Economy is a new way of organizing work and economic activities in general, emerging as an important alternative for the inclusion of workers in the labor market, giving a new opportunity to them, through self-management. On the basis of the Social and Solidarity Economy, there is the possibility of recovering companies from the bankruptcy mass, and give continuity to them, with a new mode of production, in which profit maximization ceases to be the main objective, giving rise to the maximization of quantity and quality of work. The social and solidarity economy accounts for 10% of GDP and accounts for 12.7% of employment in France (LACROIX, Géraldine and SLITINE, Romain, L’économie sociale et solidaire, Paris: Presses Universitaires de France, 2016). In Brazil, the social and solidarity economy represents 1% of GDP [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (With self-management, solidary economy already represents 1% of GDP in Brazil). Available on the website  <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html&gt;, 2015].

If we accept the idea that it is unrealistic to stop automation and that more investment in education and training is unlikely to solve the problem of unemployment, Martin Ford believes that the most effective solution is to adopt an income guarantee policy for workers. (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015). This idea is not new. Friedrich August von Hayek, Austrian economist and philosopher, later naturalized British, considered one of the greatest representatives of the Austrian School of economic thought, was the proponent of this idea when published between 1973 and 1979 his work Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988).

In short, the income guarantee policy for workers concerns the Universal Basic Income which is a system similar to that of social assistance through which all citizens of a country, whether they are employed or not, would receive from government, a fixed monthly amount. The difference is that  the Universal Basic Income would be a single substitute for all social assistance allowances and that salary would be provided unconditionally, without any obligation on the part of the citizen. The goal is to enable all people to have a better quality of life and thus better opportunities. It is a way of combating income inequality and ensuring that every citizen has enough money to live above the poverty line. The neoliberal income transfer program of the Lula and Dilma Rousseff governments in Brazil, the Bolsa Família, is an example of the application of Hayek’s income guarantee policy.

Sadly, the future Bolsonaro government presents no solution to meet the current unemployment of 27.6 million underutilized workers in Brazil with the implementation of a program of public works of economic infrastructure (energy, transport and communications) and social infrastructure (education, health, housing and basic sanitation) with the participation of the government and the private sector, as well as presenting no initiative towards the adoption of the Creative Economy, the Social and Solidarity Economy and the Income Transfer Program to cope with unemployment resulting from technological advances. There is also no initiative to make Brazil’s education system capable of equipping Brazilian workers with the skills required by the world of work, which will be characterized by the presence of intelligent machines.

There is every reason to believe that robots should be widely used in productive activity in general, which makes it imperative to prepare human beings to deal with these intelligent machines in the labor market. The great challenge of education in Brazil is represented not only by overcoming the deficiency of the current system but, above all, to face the rapid changes that are occurring in the world of work thanks to the technological advance, mainly due to the impact of artificial intelligence that is similar to human intelligence exhibited by mechanisms or software. Experts believe that the intelligence of machines will match that of humans by 2050, thanks to a new era in their ability to learn. This means that we are creating machines that can teach themselves and also communicate by simulating human speech.

Considering that one of the objectives of a country’s education system is to plan the preparation and recycling of people for the labor market, it is incumbent upon the planners of Brazil’s education systems to identify the role of human beings in the world of work in a future with intelligent machines to carry out a wide-ranging revolution in teaching at all levels, including the qualification of teachers and the structuring of teaching units to prepare their students for a world of work where people will have to deal with intelligent machines. Educational units at all levels of education must be deeply restructured to achieve these goals.

To make a revolution in Brazil’s education system, it is necessary to prepare the teacher to fulfill a new role. The role of the teacher is decisive so that through education a new type of man qualified for the world of work is created and conscious and well prepared to transform the world in which we live for his benefit. The role of the teacher should be that of a manager of processes rich in meaningful learning and not that of simply sending information in the classroom. The teacher should act as mediator of the students’ learning process using simple technologies, such as those on the cell phone, a camera to illustrate, a free program to gather the images and to count on them interesting stories and the students being authors, protagonists of their process of learning.

In his program of government, Jair Bolsonaro presents no strategy that would lead to a revolution in Brazil’s education system. His emphasis is on eliminating academic freedom by trying to prevent the teacher from discussing political or ideological conceptions in the classroom. Another Bolsonaro emphasis is that it is possible to do more with the current resources, and there is no need to increase the investment in education that is false since the investment per student in Brazil is the second lowest in the world. We should be inspired by the educational policies practiced in Japan, Finland, South Korea and Switzerland, which are the most advanced countries in education in the world, in order to restructure Brazil’s education system from pre-school to higher education.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 14 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

 

COMMENT FAIRE FACE AU PROGRES TECHNOLOGIQUE ET A LA FIN DE L’EMPLOI AU BRESIL

Fernando Alcoforado *

Des chercheurs de l’Université d’Oxford ont publié en 2013 une étude détaillée de l’impact de l’informatique sur l’emploi aux États-Unis, en tenant compte des récents progrès de l’apprentissage automatique et des robots mobiles. Les chercheurs ont conclu que 47% des emplois actuels présentaient un risque élevé d’automatisation dans les années et les décennies à venir et 19%, un risque moyen. Ils estiment que seulement un tiers des travailleurs actuels ne seront pas remplacés par des machines intelligentes au cours des deux prochaines décennies (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015).

Nous vivons sans aucun doute une époque définie par le changement fondamental qui opère entre les travailleurs et les machines et qui met en échec l’une des hypothèses de base sur la technologie selon laquelle les machines sont des instruments permettant d’accroître la productivité des travailleurs. Au lieu de cela, les machines se transforment en travailleurs. Face à la perspective de remplacer les travailleurs par des robots, les solutions présentées pour atténuer les effets du chômage généré par les avancées technologiques dans les limites actuelles du développement du capitalisme sont liées à l’adoption de l’économie créative, de l’économie sociale et solidaire et du programme de transfert de revenu. Ces solutions fourniraient également les conditions nécessaires pour faire face à la sous-utilisation actuelle de 27,6 millions de travailleurs au Brésil.

L’économie créative fait référence aux activités à potentiel socioéconomique qui traitent de la créativité, du savoir et de l’information. Pour le comprendre, il est nécessaire de garder à l’esprit que les entreprises de ce secteur associent création, production et commercialisation d’actifs créatifs culturels et d’innovation tels que la mode, l’art, les médias numériques, la publicité, le journalisme, la photographie et l’architecture. En général, les entreprises de ce secteur misent sur le talent et la créativité pour exister efficacement. Ils sont répartis dans 13 domaines différents: 1) architecture; 2) la publicité; 3) conception; 4) arts et antiquités; 5) artisanat; 6) la mode; 7) cinéma et vidéo; 8) télévision; 9) édition et publications; 10) arts de la scène; 11) radio; 12) logiciels de loisirs; et 13) musique. Il est important de dire qu’en mettant l’accent sur la créativité, l’imagination et l’innovation comme caractéristique principale, l’économie créative ne se limite pas aux produits, aux services ou aux technologies. Il englobe également les processus, les modèles économiques, les modèles de gestion, etc. [DESCOLA. A economia criativa no mundo moderno ( L’économie créative dans le monde moderne). Disponible sur le site  <https://descola.org/drops/a-economia-criativa-no-mundo-moderno/&gt;, 2016].

L’économie sociale et solidaire est un nouveau modèle de développement économique, social, politique et environnemental qui génère différents types de travail et de revenus dans plusieurs secteurs, que ce soit les banques communautaires, les coopératives de crédit, les coopératives d’agriculture familiale, commerce équitable, clubs d’échange, etc. L’économie sociale et solidaire est une nouvelle façon d’organiser le travail et les activités économiques en général. Elle se présente comme une alternative importante pour l’inclusion des travailleurs sur le marché du travail, leur offrant une nouvelle opportunité grâce à l’autogestion. Sur la base de l’économie sociale et solidaire, il est possible de récupérer les entreprises de la masse des faillites et de leur donner une continuité, avec un nouveau mode de production, dans lequel la maximisation du profit cesse d’être l’objectif principal, donnant lieu à la maximisation de la quantité. et qualité du travail. L’économie sociale et solidaire représente 10% du PIB et 12,7% de l’emploi en France (LACROIX, Géraldine et SLITINE, Romain. L’économie sociale et solidaire, Paris: Presses Universitaires de France, 2016). Au Brésil, l’économie sociale et solidaire représente 1% du PIB [REDE BRASIL ATUAL. Com autogestão, economia solidária já representa 1% do PIB no Brasil (Avec autogestion, l’économie solidaire représente déjà 1% du PIB au Brésil). Disponible sur le site <http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/08/economia-solidaria-ja-representa-1-do-pib-no-brasil-3696.html&gt;, 2015].

Si nous acceptons l’idée qu’il est irréaliste d’arrêter l’automatisation et qu’il est peu probable que davantage d’investissements dans l’éducation et la formation résolvent le problème du chômage, Martin Ford estime que la solution la plus efficace consiste à adopter une politique de garantie de revenus pour les travailleurs (FORD, Martin. Rise of the robots. New York: Basic Books, 2015). Cette idée n’est pas nouvelle. Friedrich August von Hayek, économiste et philosophe autrichien, plus tard naturalisé britannique, considéré comme l’un des plus grands représentants de l’École autrichienne de la pensée économique, était le promoteur de cette idée lorsqu’il publia entre 1973 et 1979 son ouvrage Law, Legislation and Liberty (Routledge, 1988).

En résumé, la politique de garantie de revenus des travailleurs concerne le revenu universel de base, qui est un système similaire à celui de l’assistance sociale par laquelle tous les citoyens d’un pays, qu’ils soient employés ou non, recevrait du gouvernement, un montant mensuel fixe. La différence est que le revenu universel de base serait un substitut unique de toutes les allocations d’assistance sociale et que le salaire serait versé sans condition, sans aucune obligation de la part du citoyen. L’objectif est de permettre à tous d’avoir une meilleure qualité de vie et donc de meilleures opportunités. C’est un moyen de lutter contre les inégalités de revenus et de garantir à chaque citoyen suffisamment d’argent pour vivre au-dessus du seuil de pauvreté. Le programme néolibéral de transfert de revenus des gouvernements Lula et Dilma Rousseff au Brésil, le Bolsa Família, est un exemple de l’application de la politique de garantie de revenus de Hayek.

Malheureusement, le futur gouvernement Bolsonaro ne présente aucune solution pour faire face au chômage actuel de 27,6 millions de travailleurs brésiliens sous-utilisés avec la mise en œuvre d’un programme de travaux publics d’infrastructures économiques (énergie, transports et communications) et d’infrastructures sociales (éducation, santé, logement et assainissement de base) avec la participation du gouvernement et du secteur privé et ne présentant aucune initiative en faveur de l’adoption de l’économie créative, de l’économie sociale et solidaire et du programme de transfert de revenus pour faire face au chômage qui en résulte de l´avance technologique. Il n’y a pas non plus d’initiative visant à rendre le système éducatif brésilien capable de doter ses travailleurs des compétences requises par le monde du travail, lequel se caractérisera par la présence de machines intelligentes.

Il y a tout lieu de croire que les robots devraient être largement utilisés dans les activités de production en général, ce qui rend impératif de préparer les êtres humains à utiliser ces machines intelligentes sur le marché du travail. Le grand défi de l’éducation au Brésil consiste non seulement à surmonter les faiblesses du système actuel, mais surtout à faire face aux changements rapides qui se produisent dans le monde du travail grâce aux progrès technologiques, principalement dus à l’impact de l’intelligence artificielle qui est semblable à l’intelligence humaine présentée par des mécanismes ou des logiciels. Les experts estiment que l’intelligence des machines sera équivalente à celle des humains d’ici 2050, grâce à une nouvelle ère dans leur capacité d’apprentissage. Cela signifie que nous créons des machines qui peuvent s’enseigner et aussi pour communiquer en simulant la parole humaine.

Considérant que l’un des objectifs du système éducatif d’un pays est de planifier la préparation et le recyclage des personnes pour le marché du travail, il incombe aux planificateurs des systèmes éducatifs brésiliens d’identifier le rôle de l’homme dans le monde du travail dans un avenir avec des machines intelligentes pour mener à bien une révolution dans l’enseignement à tous les niveaux, y compris la qualification des enseignants et la structuration des unités d’enseignement, afin de préparer leurs étudiants à un monde du travail où les gens devront faire face à des machines intelligentes. Les unités d’enseignement à tous les niveaux doivent être profondément restructurées pour atteindre ces objectifs.

Pour révolutionner le système éducatif brésilien, il est nécessaire de préparer l’enseignant à jouer un nouveau rôle. Le rôle de l’enseignant est déterminant pour qu’à travers l’éducation, un nouveau type d’homme qualifié pour le monde du travail soit créé, conscient et bien préparé pour transformer le monde dans lequel nous vivons à son avantage. Le rôle de l’enseignant devrait être celui d’un gestionnaire de processus riche en apprentissages significatifs et non celui d’envoyer simplement des informations en classe. L’enseignant doit jouer le rôle de médiateur dans le processus d’apprentissage des élèves à l’aide de technologies simples, telles que celles sur le téléphone portable, une caméra à illustrer, un programme gratuit permettant de rassembler les images et de compter sur elles des histoires intéressanteset et les étudiants être auteurs, protagonistes de leur processus d’apprentissage.

Dans son programme de gouvernement, Jair Bolsonaro ne présente aucune stratégie qui conduirait à une révolution dans le système éducatif brésilien. L’accent est mis sur l’élimination de la liberté académique en essayant d’empêcher l’enseignant de discuter de conceptions politiques ou idéologiques en classe. Un autre objectif de Bolsonaro est qu’il est possible de faire plus avec les ressources actuelles et qu’il n’est pas nécessaire d’augmenter l’investissement dans l’éducation, ce qui est faux puisque l’investissement par élève au Brésil est le deuxième plus faible au monde. Nous devrions être inspirés par les politiques éducatives pratiquées au Japon, en Corée du Sud, en Finlande et en Suisse, qui sont les pays les plus avancés en matière d’éducation, afin de restructurer le système éducatif brésilien de l’enseignement préscolaire à l’enseignement supérieur.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 14 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

COMO FAZER ESCOLHAS RACIONAIS EM BUSCA DO SUCESSO E DA FELICIDADE NA VIDA

Fernando Alcoforado*

Saber fazer escolhas de natureza econômica, política e pessoal é muito importante em nossas vidas haja vista que poderemos obter bom ou mal resultado em consequência de nossas decisões. Como autores da nossa própria história, colhemos o que plantamos. Nossas decisões ficarão bastante comprometidas se forem tomadas com base em nossos impulsos. É preciso haver racionalidade em nossas escolhas. A teoria da escolha racional nasceu na área da economia procurando explicar como as pessoas devem tomar suas decisões. Depois, esta abordagem foi usada na psicologia, na ciência política e na sociologia procurando explicar os mecanismos pelos quais as pessoas escolhem algumas opções e descartam outras. Segundo esta teoria, as pessoas sempre escolhem aquelas opções que implicam em menor custo e em maior benefício. Todas as escolhas que fazemos na vida são realizadas com o propósito de nos beneficiar com a decisão tomada de acordo com uma perspectiva individual, coletiva ou em ambas.  A escolha seria boa se alcançássemos os benefícios desejados e seria má se ocorresse o inverso.

Presume-se que uma pessoa age racionalmente ao considerar informações disponíveis, probabilidades de eventos e potenciais custos e benefícios na determinação de preferências, e aja consistentemente na busca da melhor escolha na sua tomada de decisões de natureza política e econômica. De modo geral, a decisão racional nos campos político e econômico envolve o cumprimento de nove passos a serem considerados pelo tomador de decisões: 1) Objetivos a perseguir: o que se pretende atingir; 2) Alternativas de ação: caminhos alternativos para a consecução dos objetivos; 3) Preferências: critérios subjetivos e/ ou objetivos utilizados na seleção de alternativas; 4) Estratégias: curso de ação para cada alternativa selecionada visando atingir os objetivos considerando os recursos disponíveis; 5) Cenários: futuros prováveis para as alternativas de ação selecionadas considerando o risco e a incerteza associada a cada alternativa de ação selecionada; 6) Resultados: grau de sucesso de cada alternativa no atingimento dos objetivos; 7) Avaliação com a comparação entre as alternativas de ação e seus resultados; 8) Escolha da melhor alternativa; e, 9) Implementação da alternativa escolhida.

Escolhas de natureza econômica são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre investimentos individuais, empresariais e públicos. A racionalidade nas escolhas de natureza econômica requer que quem for decidir sobre investimentos seja profundo conhecedor da questão objeto de decisão e que disponha de toda a informação necessária à tomada de decisão para fazer a melhor escolha de acordo com os critérios acima apresentados. Além de ser qualificado para fazer a escolha mais adequada de natureza econômica, é crucial que quem for decidir disponha de informações sobre o passado e o presente, bem como a prospectiva quanto aos resultados esperados no futuro.  Nas decisões de natureza econômica, é preciso que sejam, portanto, avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado.

Escolhas de natureza política são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre a eleição de Presidente da República, Governadores, Prefeitos, Deputados Estaduais e Federais e Vereadores. A racionalidade nas escolhas de natureza política requer que o cidadão tenha cultura ou conhecimentos de economia, história, filosofia e ciência política e que disponha de toda a informação necessária sobre as propostas dos candidatos a cargos eletivos para fazer a melhor escolha de acordo com seus objetivos pessoais e/ou da coletividade. Nas decisões de natureza política, é preciso que sejam, portanto, avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal e/ou coletivo.

As escolhas de natureza pessoal são aquelas que envolvem a tomada de decisão, por exemplo, sobre a profissão a exercer, sobre a organização onde trabalhar, sobre a cidade ou país onde viver e, sobretudo, sobre com quem constituir família e como conquistar a felicidade. Poder-se-ia adotar também para as decisões de natureza pessoal sobre a profissão a exercer, sobre a organização onde trabalhar e sobre a cidade ou país onde viver os mesmos critérios a serem adotados nas decisões de natureza política e econômica acima descritos. A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre a profissão a exercer requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores profissões do futuro do ponto de vista do mercado de trabalho com suas respectivas remunerações e que sejam avaliadas as alternativas consideradas e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal. A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre a organização onde trabalhar requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores organizações existentes no país ou no exterior onde possa trabalhar e que seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal.  A racionalidade nas escolhas de natureza pessoal sobre as melhores cidades ou país onde viver requer que disponha de toda a informação necessária sobre as melhores alternativas que, após avaliação,  seja escolhida aquela que proporciona o melhor resultado do ponto de vista pessoal.

No entanto, a racionalidade na escolha sobre com quem constituir família com base nos critérios acima descritos é um desafio de difícil realização para um casal apaixonado que age, de modo geral, por impulsos.    O critério racional para o casal decidir se casar ou não é o de ambos terem uma experiência de vida em comum pelo tempo necessário para, disporem do conhecimento recíproco. Do conhecimento recíproco do casal, pode-se identificar se há convergência em suas concepções do mundo, se há convergência entre seus objetivos na vida e se ambos se satisfazem sexualmente. Estes são os fatores determinantes do sucesso na continuidade do relacionamento de um casal. O sucesso na constituição de uma família com a escolha do parceiro ou parceira ideal é um passo importante na conquista da felicidade individual que seria mais completa com o sucesso que seja alcançado nas decisões do casal no campo político com as escolhas bem sucedidas de governantes e representantes nos parlamentos e com as escolhas bem sucedidas no campo econômico que lhes propiciem estabilidade financeira.

Para os nossos antepassados e filósofos gregos, a busca pela felicidade deveria ser o motor central da nossa vida. A própria felicidade resulta das nossas escolhas e, para tomar melhores decisões, muitos de nós escolhemos seguir diretrizes, sejam elas, científicas, filosóficas ou religiosas. A felicidade individual se conquista através da educação de si mesmo. Educação é o meio através da qual as pessoas se capacitariam para fazer as melhores escolhas na vida. A Educação deve ser complementada pela Psicologia Positiva com base na qual é possível fazer algo mais do que resolver ou minorar perturbações psicológicas, isto é, pretende fazer-nos felizes A Psicologia Positiva trabalha mais as forças do que as fraquezas do ser humano, mais a busca da felicidade do que o estudo das doenças mentais. A Psicologia Positiva é o meio através da qual as pessoas conquistariam a felicidade individual ou coletiva (comunidade, região, país) que, em última instância, é o principal objetivo que orienta a escolha das pessoas na vida.   Em síntese, enquanto a Educação atuaria para capacitar as pessoas para fazerem as melhores escolhas na vida, a Psicologia Positiva mostraria os caminhos para a conquista da felicidade.

O pensamento dominante é o de que o papel principal da Educação é o de preparar bem as pessoas para o mercado de trabalho. Outro pensamento é o de que a Educação tem por finalidade primeira desenvolver o senso crítico. A finalidade da Educação deve ser, portanto, a de fazer com que o indivíduo adquira competências, desenvolva senso crítico, se aposse do patrimônio científico e cultural historicamente construído pela humanidade, mas, acima de tudo, deve ser instrumento para promover a felicidade. Uma das finalidades da Educação, talvez a mais importante, é a de oferecer às pessoas oportunidades e meios para serem mais felizes. O mundo está à espera de uma revolução na Educação que tenha como principal objetivo proporcionar as condições para a conquista da felicidade dos seres humanos.

Para ser feliz, o indivíduo deve buscar autoconhecimento, inclusive com ajuda do psicólogo. A felicidade é uma conquista que se faz através da educação de si mesmo. E ela jamais será encontrada fora. Para ser feliz, o indivíduo deve se apoiar, portanto, na Educação e na Psicologia Positiva. Explicar que tipo de projetos fazem efetivamente as pessoas felizes, e que tipos de atitudes conduzem à felicidade, ou a tornam impossível, é o objeto da Psicologia Positiva que, como disciplina descritiva e não normativa, se limita a registar o que efetivamente faz as pessoas felizes. A Psicologia Positiva explora a importância de saber interpretar corretamente o mundo e nós mesmos. Parte da infelicidade dos indivíduos resulta de modos errados de interpretar as coisas. O que se passa é que em certas situações nos tornamos infelizes porque entramos numa espiral autodestrutiva de pensamentos sutilmente errados sobre nós mesmos e os outros pensamentos que nos deprimem cada vez mais. Conseguir detectar e neutralizar esses pensamentos, reconhecendo que são pura e simplesmente exageros e interpretações erradas das coisas, é um passo fundamental para a felicidade, segundo a Psicologia Positiva (LOPES, Paulo. Psicologia Positiva. Matrix Editora, 2017).

O propósito da vida não é satisfazer os próprios desejos a fim de ser feliz, mas justamente o que cada um de nós tem a doar para o mundo. A felicidade precisa ser compartilhada. Como muitas outras espécies, os seres humanos são gregários e ter laços de confiança e amizade com outras pessoas é uma parte importante da felicidade. Lamentavelmente, vivemos numa era voltada para a vida privada e subjetiva, para o individualismo exacerbado erigido como valor absoluto. Sem preocupações mais alargadas, que ultrapassem as fronteiras imediatas do eu, da família e dos amigos mais próximos, dificilmente se pode ser genuinamente feliz. A felicidade, afinal, não vem realmente toda de dentro — vem também da entrega ao mundo.

A  felicidade individual não se realizará sem a felicidade coletiva da nação que só pode resultar da vontade política de seus dirigentes e de sua população. Na Antiguidade, os filósofos consideravam a felicidade um assunto relacionado à política. Foi a Constituição dos Estados Unidos, que data de 1787, que incluiu a busca da felicidade entre os direitos do homem, com base em reflexões filosóficas que se originam no pensamento de David Hume e nas ideias iluministas. Bertrand Russell deixou evidenciado que “a felicidade deve ser considerada sempre como um bem perseguido por todos” (RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015). Isto significa dizer que a felicidade individual não se realiza sem a realização da felicidade coletiva.

Em todas as épocas, a conquista da felicidade tem sido um objetivo perseguido por todos os seres humanos. Alguns seres humanos buscam conquistar egoisticamente sua felicidade individual e outros a felicidade individual ao lado da felicidade coletiva em todas as épocas.  Nossa visão é a de que a felicidade individual seria alcançada quando a pessoa conseguisse realizar seu desejo como, por exemplo, ter vida saudável, constituir uma família solidária, dispor de recursos que garantam sua ascensão social e de sua família, estar cercado de amigos verdadeiros, ser amado pelo seu marido ou mulher, ser  reconhecido pelo bem que realiza no mundo do trabalho e na sociedade como cidadão e viver em uma sociedade progressista e democrática bem estruturada. A felicidade coletiva poderia ser alcançada quando os seres humanos integrantes de uma comunidade local, regional e mundial conseguissem realizar seus desejos vivendo em uma sociedade democrática bem estruturada e progressista que lhes proporcionassem as condições para o desenvolvimento de todos os concidadãos. É preciso construir um mundo que acabe com a tristeza na vida e construa a felicidade para todos os seres humanos.

Excelente exemplo de países que trilharam o caminho da felicidade coletiva de suas nações é o dos países escandinavos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia e Islândia). O relatório World Happiness Report 2013 da ONU mostra que as nações mais felizes do mundo estão concentradas no Norte da Europa, com a Dinamarca no topo da lista. Os nórdicos possuem a mais alta classificação no PIB real per capita, a maior expectativa de vida saudável, a maior liberdade de fazer escolhas na vida e a maior generosidade. A Escandinávia é o berço do modelo mais igualitário que o mundo já conheceu. O chamado modelo escandinavo é uma referência importante na formulação de políticas econômicas heterodoxas (progressistas) em todo o planeta. O sucesso deste modelo se deveu à combinação de um amplo Estado de Bem-Estar Social com rígidos mecanismos de regulação das forças de mercado, capaz de colocar a economia em uma trajetória dinâmica, ao mesmo tempo em que alcançava os melhores indicadores de bem-estar social entre os países do mundo.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

HOW TO MAKE RATIONAL CHOICES IN SEARCH OF SUCCESS AND HAPPINESS IN LIFE

Fernando Alcoforado*

Knowing how to make choices of an economic, political and personal nature is very important in our lives since we can get good or bad results as a result of our decisions. As authors of our own history, we reap what we sow. Our decisions will be greatly compromised if they are made on the basis of our impulses. There must be rationality in our choices. The theory of rational choice was born in the area of ​​economics trying to explain how people should make their decisions. This approach was then used in psychology, political science, and sociology, seeking to explain the mechanisms by which people choose some options and discard others. According to this theory, people always choose those options that imply less cost and greater benefit. All choices we make in life are made for the purpose of benefiting us from the decision taken from an individual, collective, or both perspective. The choice would be good if we achieved the desired benefits and would be bad if the reverse were true.

It is assumed that a person acts rationally by considering available information, probabilities of events and potential costs and benefits in determining preferences, and consistently pursues the best choice in their political and economic decision-making. In general, the rational decision in the political and economic fields involves compliance with nine steps to be considered by the decision maker: 1) Objectives to be pursued: what is intended to be achieved; 2) Alternatives to action: alternative paths to the achievement of objectives; 3) Preferences: subjective and / or objectives criteria used in the selection of alternatives; 4) Strategies: course of action for each selected alternative aiming at achieving the objectives considering the resources available; 5) Scenarios: Probable futures for the selected action alternatives considering the risk and uncertainty associated with each selected action alternative; 6) Results: degree of success of each alternative in achieving the objectives; 7) Evaluation with the comparison between the alternatives of action and its results; 8) Choice of the best alternative; and, 9) Implementation of the chosen alternative.

Choices of economic nature are those that involve decision making, for example, about individual, corporate and public investments. Rationality in choices of an economic nature requires that whoever decides about investments should be thoroughly knowledgeable about the subject matter of decision and should have all the information necessary to make the decision to make the best choice according to the criteria presented above. In addition to being qualified to make the most appropriate choice of economic nature, it is crucial that whoever decides to have information about the past and the present and the prospective about the expected results in the future. In decisions of an economic nature, it is therefore necessary to evaluate the alternatives considered and to choose the one that provides the best result.

Choices of a political nature are those involving decision-making, for example, about the election of President of the Republic, Governors, Mayors, State and Federal Deputies, and Aldermen. Rationality in political choices requires that the citizen has a culture or knowledge of economics, history, philosophy and political science and that he has all the necessary information about the proposals of the candidates for elective positions to make the best choice according to his objectives personal and / or of the collectivity. In decisions of a political nature, it is therefore necessary to evaluate the alternatives considered and to choose the one that provides the best result from a personal and / or collective point of view.

Choices of a personal nature are those that involve decision making, for example, about the profession to be exercised, about the organization where to work, about the city or country where to live, and especially with who to build a family and how to achieve happiness. It could also be considered for personal decisions about the profession to be exercised, about the organization where to work and about the city or country where to live the same criteria to be adopted in the decisions of a political and economic nature described above. Rationality in personal choices about the profession requires that people has all the necessary information about the best professions of the future from the point of view of the labor market with its respective remunerations and that the alternatives considered are evaluated and that will be chosen one which provides the best result from a personal point of view. Rationality in personal choices about the organization where to work requires that who take the decision have all the necessary information about the best organizations in the country or abroad where he or she can work and that choose the one that delivers the best result from a personal point of view. Rationality in personal choices about the best cities or countries to live in requires that people have all the necessary information about the best alternatives that, after evaluation, is chosen one that offers the best result from a personal point of view.

However, the rationality in choosing whom to build a family on the basis of the criteria described above is a difficult challenge for a passionate couple acting generally on impulse. The rational criterion for the couple to decide whether or not to marry is for both to have an experience of living together for the time necessary to have mutual knowledge. From the reciprocal knowledge of the couple, one can identify if there is convergence in their conceptions of the world, if there is convergence between their goals in life and if both are satisfied sexually. These are the determining factors of success in the continuity of a couple’s relationship. Success in setting up a family with the choice of the ideal partner is an important step in achieving individual happiness that would be more complete with the success that is achieved in the decisions of the couple in the political field with the successful choices of rulers and representatives in parliaments and with the successful choices in the economic field that provide them with financial stability.

For our Greek ancestors and philosophers, the pursuit of happiness should be the central motor of our life. Happiness itself results from our choices, and to make better decisions many of us choose to follow guidelines, be they scientific, philosophical, or religious. Individual happiness is achieved through self-education. Education is the means through which people would be empowered to make the best choices in life. Education must be supplemented by Positive Psychology on the basis of which it is possible to do something more than solve or alleviate psychological disturbances, that is, it intends to make us happy. Positive Psychology works harder with the weaknesses of the human being, more the pursuit of happiness than the study of mental illness. Positive Psychology is the medium through which people would conquer individual or collective happiness (community, region, country), which is ultimately the main goal that guides the choice of people in life. In short, while Education would act to empower people to make the best choices in life, Positive Psychology would show the ways to achieve happiness.

The dominant thought is that the main role of Education is to prepare people well for the job market. Another thought is that education has as its primary purpose to develop a critical sense. The purpose of education should therefore be to enable the individual to acquire skills, to develop a critical sense, to take advantage of the scientific and cultural heritage historically constructed by mankind, but, above all, to be an instrument to promote happiness. One of the purposes of Education, perhaps the most important one, is to offer people opportunities and means to be happier. The world is waiting for a revolution in education that has as its main objective to provide the conditions for the achievement of the happiness of human beings.

To be happy, the individual must seek self-knowledge, including with the help of the psychologist. Happiness is an achievement that is achieved through self-education. And she will never be found out. To be happy, the individual must therefore rely on Education and Positive Psychology. Explaining what kind of projects actually make people happy, and what kinds of attitudes lead to happiness, or make it impossible, is the object of Positive Psychology which, as a descriptive and non-normative discipline, it merely records what actually makes people happy. Positive Psychology explores the importance of knowing how to properly interpret the world and ourselves. Some of the unhappiness of individuals results from wrong ways of interpreting things. What happens is that in certain situations we become unhappy because we enter into a self-destructive spiral of subtly wrong thoughts about ourselves and the other thoughts that depress us more and more. To be able to detect and neutralize these thoughts, recognizing that they are simply exaggerations and misinterpretations of things, is a fundamental step for happiness, according to Positive Psychology (LOPES, Paulo. Psicologia Positiva. Matrix Editora, 2017).

The purpose of life is not to satisfy one’s desires in order to be happy, but just what each of us has to give to the world. Happiness must be shared. Like many other species, humans are gregarious and having bonds of trust and friendship with other people is an important part of happiness. Regrettably, we live in an age of private and subjective life, for the exacerbated individualism erected as an absolute value. Without broader concerns, which go beyond the immediate borders of self, family and close friends, one can hardly be genuinely happy. Happiness, after all, does not really come from the inside – it also comes from donation to the world.

Individual happiness will not be realized without the collective happiness of the nation that can only result from the political will of its leaders and its population. In antiquity, philosophers regarded happiness as a matter related to politics. It was the United States Constitution, which dates from 1787, which included the pursuit of happiness among human rights, based on philosophical reflections that originate in the thought of David Hume and Enlightenment ideas. Bertrand Russell has made it clear that “happiness should always be considered as a good pursued by everybody” (RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015). This means that individual happiness is not achieved without the realization of collective happiness.

In all times, the achievement of happiness has been an objective pursued by all human beings. Some human beings seek selfishly to conquer their individual happiness and others to individual happiness alongside collective happiness in all ages. Our vision is that individual happiness would be achieved when the person could achieve their desire, such as having a healthy life, forming a supportive family, having resources that guarantee their social and family ascension, being surrounded by true friends, to be loved by husband or wife, to be recognized for the good he or she accomplishes in the world of work and society as a citizen and to live in a well-structured progressive and democratic society. Collective happiness could be achieved when human beings who are part of a local, regional and global community were able to fulfill their desires living in a well-structured and progressive democratic society that would provide them with the conditions for the development of all fellow citizens. It is necessary to build a world that will end the sadness in life and build happiness for all human beings.

An excellent example of countries that have traced the path of collective happiness of their nations is the Scandinavian countries (Sweden, Denmark, Norway, Finland and Iceland). The UN World Happiness Report 2013 shows that the world’s happiest nations are concentrated in Northern Europe, with Denmark at the top of the list. The Nordics have the highest ranking in real GDP per capita, the highest healthy life expectancy, the greater freedom to make choices in life and the greatest generosity. Scandinavia is the cradle of the most egalitarian model the world has ever known. The so-called Scandinavian model is an important reference in the formulation of heterodox (progressive) economic policies across the globe. The success of this model was due to the combination of a broad welfare state with rigid mechanisms of regulation of market forces, capable of putting the economy in a dynamic trajectory, at the same time that it reached the best indicators of well-being between the countries of the world.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 14 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

COMMENT FAIRE DES CHOIX RATIONAUX À LA RECHERCHE DE LA RÉUSSITE ET DU BONHEUR DANS LA VIE

Fernando Alcoforado *

Savoir faire des choix de nature économique, politique et personnelle est très important dans nos vies car nous pouvons obtenir de bons ou de mauvais résultats à la suite de nos décisions. En tant qu’auteurs de notre propre histoire, nous récoltons ce que nous semons. Nos décisions seront grandement compromises si elles sont prises sur la base de nos impulsions. Il doit y avoir de la rationalité dans nos choix. La théorie du choix rationnel est née dans le domaine de l’économie en essayant d’expliquer comment les gens devraient prendre leurs décisions. Cette approche a ensuite été utilisée en psychologie, en sciences politiques et en sociologie, cherchant à expliquer les mécanismes par lesquels les gens choisissent certaines options et en écartent d’autres. Selon cette théorie, les gens choisissent toujours les options qui impliquent moins de coûts et plus d’avantages. Tous les choix que nous faisons dans la vie sont faits dans le but de nous faire bénéficier de la décision prise d’un point de vue individuel, collectif ou des deux. Le choix serait bon si nous obtenions les avantages souhaités et serait mauvais si l’inverse était vrai.

Il est supposé qu’une personne agit de manière rationnelle en tenant compte des informations disponibles, des probabilités d’événements et des coûts et avantages potentiels pour déterminer les préférences, et recherche systématiquement le meilleur choix pour sa prise de décision politique et économique. En général, la décision rationnelle dans les domaines politique et économique implique l´éxecution de neuf étapes à prendre en compte par le décideur: 1) Objectifs à atteindre: ce que l’on cherche à atteindre; 2) Alternatives à l’action: voies alternatives pour la réalisation des objectifs; 3) Préférences: critères subjectifs et / ou objectifs utilisés dans la sélection des alternatives; 4) Stratégies: ligne de conduite pour chaque option choisie visant à atteindre les objectifs en tenant compte des ressources disponibles; 5) Scénarios: avenirs probables pour les alternatives d’action sélectionnées en tenant compte du risque et de l’incertitude associés à chaque alternative d’action sélectionnée; 6) Résultats: degré de succès de chaque alternative dans la réalisation des objectifs; 7) évaluation avec comparaison des alternatives d’action et de leurs résultats; 8) choix de la meilleure alternative; et, 9) Mise en œuvre de la solution choisie.

Les choix de nature économique sont ceux qui impliquent la prise de décision, par exemple en ce qui concerne les investissements individuels, d’entreprise et publics. La rationalité dans les choix de nature économique exige que quiconque décide en matière d’investissements connaisse parfaitement le sujet de la décision et dispose de toutes les informations nécessaires pour prendre la décision de faire le meilleur choix en fonction des critères présentés ci-dessus. En plus d’être qualifié pour faire le choix de nature économique le plus approprié, il est essentiel que quiconque décide d’avoir des informations sur le passé, le présent et les perspectives concernant les résultats attendus à l’avenir. Dans les décisions de nature économique, il est donc nécessaire d’évaluer les options envisagées et de choisir celle qui offre le meilleur résultat.

Les choix de nature politique sont ceux qui impliquent la prise de décision, par exemple en ce qui concerne l’élection du président de la République, des gouverneurs, des maires, des députés d’État et fédéraux et des échevins. La rationalité des choix politiques nécessite que le citoyen ait une culture ou une connaissance de l’économie, de l’histoire, de la philosophie et des sciences politiques et qu’il dispose de toutes les informations nécessaires sur les propositions des candidats aux fonctions électives afin de faire le meilleur choix en fonction de ses objectifs. personnelle et / ou collective. Dans les décisions de nature politique, il est donc nécessaire d’évaluer les options envisagées et de choisir celle qui offre le meilleur résultat d’un point de vue personnel et / ou collectif.

Les choix de nature personnelle sont ceux qui impliquent la prise de décision, par exemple, sur la profession à exercer, sur l’organisation où travailler, sur la ville ou le pays dans lequel  vivre, et en particulier sur le choix de personne avec qui doit fonder une famille et comment conquerir le bonheur. Il pourrait également être adopté pour les décisions personnelles relatives à la profession qui soient exercées, à l’organisation où travailler et à la ville ou au pays où vivre, avec les mêmes critères que pour les décisions de nature politique et économique décrites ci-dessus. La rationalité dans les choix personnels concernant la profession exige de disposer de toutes les informations nécessaires sur les meilleures professions du futur du point de vue du marché du travail avec ses rémunérations respectives et que les alternatives considérées soient évaluées et que celle choisie soit qui fournit le meilleur résultat d’un point de vue personnel. La rationalité des choix personnels concernant l’organisation oú travailler nécessite de disposer de toutes les informations nécessaires sur les meilleures organisations de pays ou de l’étranger où la personne peut travailler et de choisir celle qui offre le meilleur résultat d’un point de vue personnel. La rationalité dans les choix personnels concernant les villes ou les pays les plus agréables à vivre exige que la personne disposiez de toutes les informations nécessaires sur les meilleures alternatives qui, après évaluation, être choisi la qui offrent le meilleur résultat d’un point de vue personnel.

Cependant, la rationalité de choisir quiconque fonder une famille sur la base des critères décrits ci-dessus est un défi difficile à relever pour un couple passionné agissant généralement sur un coup de tête. Le critère rationnel permettant au couple de décider de se marier ou non est que les deux aient une expérience de vie commune avec le temps nécessaire pour se connaître mutuellement. À partir de la connaissance réciproque du couple, on peut déterminer s’il existe une convergence dans leurs conceptions du monde, si les objectifs de la vie convergent et si les deux sont satisfaits sexuellement. Ce sont les facteurs déterminants du succès dans la continuité de la relation de couple. Réussir à fonder une famille avec le choix du partenaire idéal est une étape importante dans la réalisation du bonheur individuel qui serait plus complet avec le succès obtenu dans les décisions du couple dans le domaine politique avec le choix réussi de dirigeants et de représentants dans les parlements et avec les choix réussis dans le domaine économique qui leur assurent une stabilité financière.

Pour nos ancêtres et nos philosophes grecs, la recherche du bonheur devrait être le moteur central de notre vie. Le bonheur lui-même résulte de nos choix et pour prendre de meilleures décisions, nous sommes nombreux à choisir de suivre des directives, qu’elles soient scientifiques, philosophiques ou religieuses. Le bonheur individuel est atteint par l’auto-éducation. L’éducation est le moyen par lequel les personnes seraient habilitées à faire les meilleurs choix dans la vie. L’éducation doit être complétée par la psychologie positive sur la base de laquelle il est possible de faire davantage que de résoudre ou d’atténuer les perturbations psychologiques, c’est-à-dire qu’elle vise à nous rendre heureux. La psychologie positive travaille plus les forces que les faiblesses de l’être humain, plus la recherche du bonheur que l’étude de la maladie mentale. La psychologie positive est le moyen par lequel les gens conquièrent le bonheur individuel ou collectif (communauté, région, pays), qui est finalement le principal objectif qui guide le choix des personnes dans la vie. En bref, alors que l’éducation agirait pour donner aux gens les moyens de faire les meilleurs choix dans la vie, la psychologie positive montrerait les moyens d’atteindre le bonheur.

L’idée dominante est que le rôle principal de l’éducation est de bien préparer les gens au marché du travail. Une autre idée est que l’éducation a pour objectif premier de développer un sens critique. L’éducation doit donc permettre à l’individu d’acquérir des compétences, de développer un sens critique, de tirer parti du patrimoine scientifique et culturel construit historiquement par l’humanité, mais surtout d’être un instrument de promotion du bonheur. L’un des objectifs de l’éducation, peut-être le plus important, est d’offrir aux gens des possibilités et des moyens d’être plus heureux. Le monde attend une révolution dans l’éducation dont l’objectif principal est de fournir les conditions nécessaires à la réalisation du bonheur des êtres humains.

Pour être heureux, l’individu doit rechercher la connaissance de soi, même avec l’aide du psychologue. Le bonheur est une réalisation réalisée par l’auto-éducation. Et ce ne sera jamais trouvé out. Pour être heureux, l’individu doit donc compter sur l’éducation et la psychologie positive. Expliquer quels types de projets rendent réellement les gens heureux et quels types d’attitudes conduisent au bonheur, ou le rendent impossible, est l’objet de la psychologie positive qui, en tant que discipline descriptive et non normative, enregistre simplement ce que les gens font réellement. heureux.La psychologie positive explore l’importance de savoir comment interpréter correctement le monde et soi-même. Une partie du malheur des individus résulte de fausses façons d’interpréter les choses. Ce qui se passe, c’est que dans certaines situations, nous devenons malheureux parce que nous entrons dans une spirale auto-destructrice de pensées subtilement fausses sur nous-mêmes et sur les autres pensées qui nous dépriment de plus en plus. Pouvoir détecter et neutraliser ces pensées, tout en reconnaissant qu’il ne s’agit que d’exagérations et d’interprétations erronées des choses, est une étape fondamentale du bonheur, selon Positive Psychology (LOPES, Paulo. Psicologia Positiva. Matrix Editora, 2017).

Le but de la vie n’est pas de satisfaire ses désirs pour être heureux, mais ce que chacun de nous doit donner au monde. Le bonheur doit être partagé. Comme beaucoup d’autres espèces, les humains sont grégaires et avoir des liens de confiance et d’amitié avec les autres est une partie importante du bonheur. Malheureusement, nous vivons à une époque de vie privée et subjective, car l’individualisme exacerbé érigé en valeur absolue. Sans préoccupations plus larges, qui dépassent les frontières immédiates de soi, de la famille et des amis proches, on ne peut vraiment pas être vraiment heureux. Après tout, le bonheur ne vient pas vraiment de l’intérieur,il vient aussi de donner au monde.

Le bonheur individuel ne se réalisera pas sans le bonheur collectif de la nation, qui ne peut résulter que de la volonté politique de ses dirigeants et de sa population. Dans l’Antiquité, les philosophes considéraient le bonheur comme une question liée à la politique. C’est la Constitution des États-Unis, qui date de 1787, qui prévoyait la poursuite du bonheur parmi les droits de l’homme, sur la base de réflexions philosophiques nées de la pensée de David Hume et des idées des Lumières. Bertrand Russell a précisé que “le bonheur devrait toujours être considéré comme un bien recherché par tous” (RUSSELL, Bertrand. A Conquista da Felicidade. Rio: Editora Nova Fronteira, 2015). Cela signifie que le bonheur individuel ne peut être atteint sans la réalisation du bonheur collectif.

De tout temps, la réalisation du bonheur a été un objectif poursuivi par tous les êtres humains. Certains êtres humains cherchent égoïstement à conquérir leur bonheur individuel et les autres au bonheur individuel aux côtés du bonheur collectif dans tous les âges. Notre vision est que le bonheur individuel soit atteint lorsque la personne peut réaliser son désir, telle que mener une vie saine, former une famille de soutien, disposer de ressources garantissant son ascension sociale et familiale, être entourée de vrais amis. , être aimé de son mari ou de sa femme, être reconnu pour le bien qu’il accomplit dans le monde du travail et dans la société en tant que citoyen et de vivre dans une société progressiste et démocratique bien structurée. Le bonheur collectif pourrait être atteint lorsque les êtres humains appartenant à une communauté locale, régionale et mondiale pourraient réaliser leurs désirs de vivre dans une société démocratique structurée et progressiste qui leur fournirait les conditions du développement de tous leurs concitoyens. Il est nécessaire de construire un monde qui mettra fin à la tristesse et au bonheur de tous les êtres humains.

Les pays scandinaves (Suède, Danemark, Norvège, Finlande et Islande) constituent un excellent exemple de pays ayant tracé la voie du bonheur collectif de leurs nations. Le rapport 2013 sur le bonheur dans le monde des Nations Unies montre que les pays les plus heureux du monde sont concentrés dans le nord de l’Europe, le Danemark en tête de liste. Les pays nordiques affichent les taux de PIB réels par habitant les plus élevés, l’espérance de vie en bonne santé, la plus grande liberté de choix en matière de vie et la plus grande générosité. La Scandinavie est le berceau du modèle le plus égalitaire que le monde n’ait jamais connu. Le modèle dit scandinave est une référence importante dans la formulation de politiques économiques hétérodoxes (progressives) à travers le monde. Le succès de ce modèle est dû à la combinaison d’un vaste État-providence et de mécanismes rigides de régulation des forces du marché, capable de placer l’économie dans une trajectoire dynamique tout en atteignant les meilleurs indicateurs de bien-être entre les pays du monde.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 14 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

DESEMPREGO E TRABALHO PRECÁRIO DEVEM CONTINUAR NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Os trabalhadores do Brasil se defrontam com a impossibilidade do sistema econômico e do futuro governo Bolsonaro de gerar os empregos necessários à população economicamente ativa e eliminar a precarização do trabalho imposta pelo modelo econômico neoliberal em vigor desde 1990. Como fazer com que o sistema econômico brasileiro e o futuro governo gerem os empregos necessários à população economicamente ativa e como fazer para eliminarem a precarização do trabalho imposta pelo modelo econômico neoliberal? A resposta a estas duas questões estão apresentadas nos parágrafos abaixo.

O Brasil tem uma população economicamente ativa de 90,6 milhões dos quais 36,3%, ou 32,9 milhões dos trabalhadores do setor privado têm contratos de trabalho, com carteira assinada e 44% ou 40 milhões de trabalhadores estão em situação informal, isto é, não gozam de direitos trabalhistas. O desemprego é de 12,7 milhões de trabalhadores e a população economicamente ativa subutilizada é de 27,6 milhões de trabalhadores. Isto significa dizer que o número de trabalhadores desalentados que deixaram de procurar emprego é de 14,9 milhões de trabalhadores. Estes números demonstram que a situação da classe trabalhadora do Brasil é gravíssima. 44% da população economicamente ativa trabalham por conta própria, em prestação de serviços. Esta situação foi agravada com a crise econômica que eclodiu no País a partir de 2014 e fez com que a economia brasileira se defrontasse com a maior recessão registrada na história do Brasil.

Para superar a crise recessiva atual, causa principal do desemprego e da subutilização dos trabalhadores do Brasil, o futuro governo Bolsonaro deveria executar de imediato um amplo programa de obras públicas de infraestrutura (energia, transporte, habitação, saneamento básico, etc) para elevar os níveis de emprego e renda da população e, em consequência, promover a expansão do consumo das famílias resultante do aumento da massa salarial e a renda das empresas com os investimentos em obras públicas. O governo federal deveria atrair o setor privado para investir na infraestrutura de energia, transporte e comunicações que demanda recursos de R$ 1,6 trilhão para reduzir o custo de sua logística. O aumento da massa salarial e a adoção de uma política de crédito incentivarão o consumidor a comprar mais. O programa de obras públicas faria com que houvesse elevação da capacidade produtiva e aumento do investimento na indústria, contribuísse para aquecer a atividade comercial e os serviços, além de elevar os níveis de arrecadação tributária do governo.

Além do programa de obras públicas, o governo brasileiro precisa adotar medidas urgentes para combater a estagnação econômica, que contemplariam o seguinte: 1) promover amplo programa de exportações, sobretudo do agronegócio e do setor mineral; 2) reduzir drasticamente as taxas de juros bancárias para incentivar o consumo das famílias e o investimento pelas empresas; e, 3) reduzir a carga tributária com o congelamento dos altos salários do setor público, o corte de mordomias e de órgãos da administração pública e a queda dos encargos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública a ser renegociada com os credores da dívida pública. Para manter a inflação sob seu controle, o governo brasileiro deveria incentivar a produção interna de bens e serviços e quando esta for insuficiente realizar importações para combater a inflação de demanda.

Além das medidas acima descritas, o futuro governo Bolsonaro deveria simultaneamente solucionar o problema do déficit das contas públicas que contemplaria, de um lado, o aumento da arrecadação pública com a: 1) taxação das grandes fortunas com patrimônio superior a 1 bilhão de reais  que poderia render aproximadamente 100 bilhões de reais por ano; e, 2) aumento do imposto sobre os bancos cujos lucros têm sido estratosféricos e, de outro, diminuir os gastos do governo com a: 1) redução drástica do número de ministérios e órgãos públicos e dos dispêndios em todos os níveis do governo; e,  2) redução drástica da taxa de juros básica da economia (Selic) para diminuir o tamanho da dívida pública e os encargos com o pagamento dos juros e a amortização da dívida pública. O governo Bolsonaro se propõe a fazer a redução drástica do número de ministérios e órgãos públicos e dos dispêndios em todos os níveis do governo, mas dificilmente fará a taxação das grandes fortunas e aumentará o imposto sobre os bancos porque seu ministro de Economia, Paulo Guedes, está comprometido com os ricos e com os bancos.

Os dirigentes do futuro governo precisam entender que em uma situação excepcional como a atual há a necessidade imperiosa de planejar o desenvolvimento nacional para retomar o desenvolvimento do País. O governo brasileiro deveria elaborar um plano econômico que contribua para a retomada do desenvolvimento do Brasil que apresente para a população e para os setores produtivos uma perspectiva de superação da crise atual e de retomada do crescimento econômico. É a inexistência de um plano de desenvolvimento um dos fatores que levam à imobilidade do setor privado na realização de investimentos no Brasil levando-o a uma verdadeira paralisia. O plano de desenvolvimento deve orientar e coordenar as empresas do país que, organizadas em redes, e ajudadas com políticas de comércio, tecnologia e crédito possam competir com sucesso na economia nacional e mundial.

Levando em conta o discurso do futuro ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, que é um fundamentalista do neoliberalismo o governo federal não assumirá um papel ativo como indutor do crescimento econômico elaborando um plano de desenvolvimento com a adoção das medidas acima apresentadas para promover a reativação da economia e a elevação dos níveis de emprego no Brasil. De acordo com o programa de governo de Bolsonaro, o ponto de partida para combater o desemprego é atacar o desequilíbrio fiscal do país. O estímulo a investimento, crescimento e geração de emprego virá, segundo Bolsonaro, da reversão do déficit público, alcançado por meio de cortes de despesas, redução de renúncia fiscal e venda de ativos públicos. Estas medidas são insuficientes para reativar a economia brasileira.

Sobre a precarização das relações de trabalho no Brasil e no mundo, é importante observar que ela resultou das políticas neoliberais adotadas que fizeram com que houvesse redução da oferta de emprego e perda dos benefícios trabalhistas. As formas de precarização das relações de trabalho são múltiplas destacando-se, entre elas, as que fizeram com que a maioria dos trabalhadores não tenha contrato de trabalho, haja o desemprego aberto e velado, ocorra extensão das jornadas de trabalho, exista  intensificação das condições de trabalho, ocorra a terceirização do trabalho e haja fragmentação da classe trabalhadora e as consequentes dificuldades de organização. Como resultado, as políticas neoliberais enfraqueceram o sindicalismo, isto é, a organização dos trabalhadores na luta pelos seus interesses e pelos seus direitos. A instauração do neoliberalismo no mundo ocorreu com o propósito de promover o aumento exponencial na apropriação do excedente econômico pelo grande capital à custa dos trabalhadores.

A crise econômica que eclodiu no Brasil em 2014 fez recair sobre os trabalhadores o peso da maior recessão da história, de que se valem as empresas para, como primeira medida, dispensar trabalhadores. Nos anos de crescimento que antecederam a crise, os lucros foram multiplicados e no momento da recessão, as empresas nem sequer utilizam uma parte dos lucros acumulados para manter o emprego. Ao contrário, dispensam imediatamente milhares de trabalhadores, como se o direito ao emprego não fosse um direito fundamental para a imensa maioria da população, que vive do seu trabalho. As políticas neoliberais produziram também um grande processo de proletarização de amplos setores da classe média, empobrecida pela perda do emprego formal e pela concentração de renda resultante das políticas implementadas pelos diversos governos no Brasil.

O governo Michel Temer contribui com as reformas trabalhistas neoliberais em vigor e o futuro governo Jair Bolsonaro contribuirá com as reformas que virão para a precarização das relações de trabalho no Brasil. O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, que votou a favor da reforma trabalhista que acabou com 100 itens da CLT- Consolidação das Leis do Trabalho, afirma que é melhor ter emprego precário do que não ter nada. Sua proposta para combater o drama do desemprego prevê a criação de uma carteira de trabalho “verde e amarela” com menos direitos trabalhistas. Esta proposta prevê que todo jovem, ao ingressar no mercado de trabalho, poderá escolher entre um vínculo empregatício baseado na carteira de trabalho tradicional (azul), que garante todos os direitos trabalhistas, ou optar pela carteira de trabalho verde e amarela e, com isso, perder uma série de direitos trabalhistas.

No Brasil atual, não há, portanto, perspectiva de solução para o desemprego e para o trabalho precário durante o governo Jair Bolsonaro porque o governo federal não assumirá um papel ativo como indutor do crescimento econômico para promover a reativação da economia e a elevação dos níveis de emprego no Brasil, além de atuar na redução dos direitos atuais dos trabalhadores. Aos trabalhadores e suas organizações não resta outra ação a não ser a de tentar barrar as reformas trabalhistas neoliberais através de seus representantes no Parlamento e no Poder Judiciário, fortalecer a organização sindical e, no futuro, lutar para mudar a correlação de forças no Parlamento e eleger um Presidente da República comprometido com os interesses dos trabalhadores.

*Fernando Alcoforado, 78, detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).

CHÔMAGE ET TRAVAUX PRÉCARIS DOIT CONTINUER AU BRÉSIL

Fernando Alcoforado*

Les travailleurs brésiliens sont confrontés à l’impossibilité du système économique et du futur gouvernement Bolsonaro de créer les emplois nécessaires pour la population active et d’éliminer la précarité du travail imposé par le modèle économique néolibéral en vigueur depuis 1990. Comment faire en sorte que le système économique brésilien et le futur gouvernement créent les emplois nécessaires pour la population économiquement active et comment éliminer la précarité du travail imposé par le modèle économique néolibéral? La réponse à ces deux questions est présentée dans les paragraphes ci-dessous.

Le Brésil compte avec une population active de 90,6 millions de personnes, dont 36,3%, soit 32,9 millions de travailleurs du secteur privé ont un contrat de travail avec contrat formel et 44% ou 40 millions de travailleurs se trouvent dans une situation informelle. c’est-à-dire qu’ils ne jouissent pas des droits du travail. Le chômage atteint 12,7 millions de personnes et la population économiquement active sous-utilisée compte avec 27,6 millions de travailleurs. Cela signifie que le nombre de travailleurs découragés qui ont cessé de chercher du travail est de 14,9 millions de travailleurs. Ces chiffres montrent que la situation de la classe ouvrière au Brésil est très grave. 44% de la population active  travaille pour leur propre compte, dans la fourniture de services. Cette situation a été exacerbée par la crise économique qui a éclaté au Brésil depuis 2014 et a contraint son économie à faire face à la plus grande récession de son histoire.

Pour surmonter la crise de récession actuelle, la principale cause du chômage et de sous-utilisation des travailleurs du Brésil, le futur gouvernement devrait mettre en œuvre immédiatement un programme complet d’infrastructures de travaux publics (énergie, transports, logement, assainissement, etc.) pour relever le niveau l’emploi et le revenu de la population et, par conséquent, promouvoir l’expansion de la consommation des familles résultant de l’augmentation des salaires et des revenus des entreprises avec des investissements dans les travaux publics. Le gouvernement fédéral devrait inciter le secteur privé à investir dans des infrastructures d’énergie, de transport et de communication nécessitant des ressources de R$ 1 600 milliards pour réduire le coût de sa logistique. L’augmentation des salaires et l’adoption d’une politique de crédit encourageront les consommateurs à acheter plus. Le programme de travaux publics augmenterait la capacité de production et augmenterait les investissements dans l’industrie, contribué à accroître l’activité et les services commerciaux, ainsi qu’à augmenter le niveau de recouvrement des impôts par le gouvernement.

En plus du programme de travaux publics, le gouvernement brésilien doit adopter des mesures urgentes pour lutter contre la stagnation économique, qui contemplent les éléments suivants: 1) de promouvoir une large programme des exportations, en particulier l’agro-industrie et le secteur minier; 2) réduire drastiquement les taux d’intérêt des banques pour encourager les dépenses de consommation et l’investissement des entreprises; et 3) réduire la charge fiscale avec le gel des salaires élevés du secteur public, la coupe des avantages et des organes de l’administration publique et de la baisse de la charge des paiements d’intérêts et de l´amortizacion de la dette publique à renégocier avec les créanciers de la dette publique. Pour garder l’inflation sous leur contrôle, le gouvernement brésilien devrait encourager la production nationale de biens et de services et lorsqu’il est insuffisant effectuer des importations pour lutter contre l’inflation de la demande.

Outre les mesures décrites ci-dessus, le futur gouvernement devrait en même temps résoudre le problème du déficit des comptes publics, ce qui inclurait, d’une part, une augmentation des recettes publiques par: 1) la taxation des grandes fortunes avec des actifs supérieurs à 1 milliard de reais pouvant rapporter environ 100 milliards de reais par an; et (2) une augmentation de la taxe sur les banques dont les bénéfices ont été stratosphériques et, d’autre part, à réduire les dépenses publiques en: 1) réduisant considérablement le nombre de ministères et d’agences publiques ainsi que les dépenses à tous les niveaux de gouvernement; et (2) une réduction drastique du taux d’intérêt de base de l’économie (Selic) afin de réduire la taille de la dette publique et la charge de payer les intérêts et d’amortir la dette publique. Le gouvernement Bolsonaro propose de réduire considérablement le nombre de ministères et d’agences publiques ainsi que les dépenses de tous les niveaux de gouvernement, mais ne taxera guère les grandes fortunes et n’augmentera pas la taxe sur les banques car son ministre de l’Économie, Paulo Guedes, s’engage envers les riches et les banques.

Les dirigeants du futur gouvernement doivent comprendre que, dans une situation exceptionnelle comme celle qui prévaut actuellement, il est impératif de planifier le développement national pour relancer le développement du pays.Le gouvernement brésilien devrait élaborer un plan économique contribuant à la reprise du développement du Brésil  qui présente pour la population et les secteurs productifs une perspective de surmonter la crise actuelle et de reprise de la croissance économique. L’absence de plan de développement est l’un des facteurs qui a entraîné l’immobilité du secteur privé dans la réalisation des investissements au Brésil, ce qui a entraîné une véritable paralysie. Le plan de développement devrait guider et coordonner les entreprises du pays qui, organisées en réseaux et aidées par les politiques en matière de commerce, de technologie et de crédit, peuvent soutenir la concurrence dans l’économie nationale et mondiale.

Tenant compte du discours du futur ministre de l’Economie du gouvernement, Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, fondamentaliste du néolibéralisme, le gouvernement fédéral n´aura pas un rôle actif en tant qu’inducteur de la croissance économique en élaborant un plan de développement avec l’adoption des mesures présentées ci-dessus pour promouvoir la réactivation de l’économie et relever le niveau de l’emploi au Brésil. Selon le programme du gouvernement Bolsonaro, le point de départ de la lutte contre le chômage est de s’attaquer au déséquilibre fiscal du pays. Selon Bolsonaro, la stimulation de l’investissement, de la croissance et de la création d’emplois proviendra du renversement du déficit public, obtenu par des réductions et des dépenses, une réduction de la renonciation fiscale et la vente d’actifs publics. Ce sont des mesures insuffisantes pour réactiver l’économie brésilienne.

En ce qui concerne la précarité des relations de travail au Brésil et dans le monde, il est important de noter qu’elle résulte des politiques néolibérales adoptées qui ont entraîné une réduction de l’offre d’emploi et une perte d’avantages du travail. Les formes de précarité des relations de travail sont multiples, telles que le fait que la plupart des travailleurs n’ont pas de contrat de travail, qu’il existe un chômage ouvert et voilé, qu’il y a une prolongation de la durée du travail, une intensification des conditions de travail. travail, il y a l’externalisation du travail et il y a une fragmentation de la classe ouvrière et les difficultés d’organisation qui en résultent. En conséquence, les politiques néolibérales ont affaibli le syndicalisme, c’est-à-dire l’organisation des travailleurs dans la lutte pour leurs intérêts et leurs droits. L’instauration du néolibéralisme dans le monde a eu pour but de promouvoir l’augmentation exponentielle de l’appropriation de l’excédent économique par le grand capital aux dépens des travailleurs.

La crise économique qui a éclaté au Brésil en 2014 a contraint les travailleurs à supporter le fardeau de la plus grande récession de leur histoire, car les entreprises ont d’abord adopté le principe de dispenser les travailleurs. Au cours des années de croissance qui ont précédé la crise, les bénéfices se sont multipliés et, au moment de la récession, les entreprises n’utilisent même pas une part des bénéfices non distribués pour maintenir l’emploi. Au contraire, ils licencient immédiatement des milliers de travailleurs, comme si le droit au travail n’était pas un droit fondamental pour la grande majorité de la population, qui vit de son travail. Les politiques néolibérales ont également engendré un processus important de prolétarisation de larges secteurs de la classe moyenne, appauvris par la perte d’emplois formels et la concentration des revenus résultant des politiques mises en œuvre par les différents gouvernements au Brésil.

Le gouvernement Michel Temer contribue aux réformes néo-libérales du travail en vigueur et le futur gouvernement Jair Bolsonaro contribuera aux réformes qui aboutiront à des relations de travail précaires au Brésil. Le président élu, Jair Bolsonaro, qui a voté en faveur de la réforme du travail qui a mis fin à 100 articles de la CLT-Consolidation des lois du travail, a déclaré qu’il était préférable d’avoir un emploi précaire que de ne rien avoir. Sa proposition de lutter contre le drame du chômage appelle à la création d’un portefeuille de main-d’œuvre “vert et jaune” avec moins de droits du travail. Cette proposition prévoit que chaque jeune entrant sur le marché du travail peut choisir entre une relation de travail basée sur le permis de travail bleu traditionnel, qui garantit tous les droits du travail, ou opter pour le portefeuille de travaux vert et jaune. , perdre une série de droits du travail.

Au Brésil aujourd’hui, il n’y a donc aucune perspective de solution au chômage et au travail précaire sous l’administration Jair Bolsonaro, car le gouvernement fédéral ne jouera pas un rôle actif en tant qu’inducteur de la croissance économique pour favoriser la réactivation de l’économie et l’élévation des niveaux. au Brésil, outre la réduction des droits actuels des travailleurs. Les travailleurs et leurs organisations n’ont d’autre action que d’essayer d’arrêter les réformes du travail néolibérales par le biais de leurs représentants au Parlement et au pouvoir judiciaire, de renforcer l’organisation syndicale et, à l’avenir, de lutter pour changer la corrélation des forces au Parlement et élire un président de la République attaché aux intérêts des travailleurs.

* Fernando Alcoforado, 78 ans, titulaire de la Médaille du Mérite du système CONFEA / CREA, membre de l’Académie de l’Education de Bahia, ingénieur et docteur en planification territoriale et développement régional pour l’Université de Barcelone, professeur universitaire et consultant dans les domaines de la planification stratégique, planification d’entreprise, planification régionale et planification énergétique, il est l’auteur de 14 ouvrages traitant de questions comme la mondialisation et le développement, l’économie brésilienne, le réchauffement climatique et les changements climatiques, les facteurs qui conditionnent le développement économique et social, l’énergie dans le monde et les grandes révolutions scientifiques, économiques et sociales.

UNEMPLOYMENT AND PRECARIOUS WORK MUST CONTINUE IN BRAZIL

Fernando Alcoforado*

Brazil’s workers are faced with the impossibility of the economic system and the future Bolsonaro government to generate the necessary jobs for the economically active population and eliminate the precariousness of the work imposed by the neoliberal economic model in force since 1990. How to make the Brazilian economic system and the future government to generate the necessary jobs for the economically active population and how to eliminate the precariousness of the work imposed by the neoliberal economic model? The answer to these two questions is presented in the paragraphs below.

Brazil has an economically active population of 90.6 million of which 36.3%, or 32.9 million of the private sector workers have work contracts, with a formal contract and 44% or 40 million workers are in an informal situation, that is, they do not enjoy labor rights. Unemployment is 12.7 million workers and the economically active underutilized population is 27.6 million workers. This means that the number of discouraged workers who have stopped seeking work is 14.9 million workers. These figures show that the situation of the working class in Brazil is very serious. 44% of the economically active population is self-employed in the provision of services. This situation was exacerbated by the economic crisis that broke out in Brazil since 2014 and caused the Brazilian economy to face the biggest recession in the history of Brazil.

In order to overcome the current recessive crisis, which is the main cause of unemployment and underutilization of Brazilian workers, the future government should immediately implement a broad program of public infrastructure works (energy, transportation, housing, basic sanitation, etc.) to raise levels employment and income of the population and, as a consequence, to promote the expansion of household consumption resulting from the increase in the wage bill and the income of companies with investments in public works. The federal government should attract the private sector to invest in energy, transportation and communications infrastructure that requires resources of R$ 1.6 trillion to reduce the cost of its logistics. The increase in the wage bill and the adoption of a credit policy will encourage the consumer to buy more. The public works program would increase productive capacity and increase investment in industry, contribute to raise commercial activity and services, as well as to raise the levels of government tax collection.

In addition to the public works program, the Brazilian government needs to take urgent measures to combat economic stagnation, which would contemplate the following: 1) promote a broad export program, especially agribusiness and the mineral sector; 2) drastically reduce bank interest rates to encourage household consumption and investment by companies; and (3) to reduce the tax burden by freezing public sector high salaries, cutting off of stewardship and of organs of public administration, and the reduction of interest payments and the amortization of public debt to be renegotiated with public debt creditors. To keep inflation under its control, the Brazilian government should encourage the domestic production of goods and services and when it is insufficient to carry out imports to combat demand inflation.

In addition to the measures described above, the future Bolsonaro government should simultaneously solve the problem of the deficit of the public accounts that would contemplate, on the one hand, the increase of the public collection with: 1) taxation of large fortunes with assets over 1 billion reais that could yield approximately 100 billion reais per year; and (2) an increase in the tax on banks whose profits have been stratospheric and, on the other, to reduce government spending by: 1) drastically reducing the number of ministries and public agencies and expenditures at all levels of government; and (2) a drastic reduction of the basic interest rate of the economy (Selic) to reduce the size of public debt and the burden of paying interest and amortizing public debt. The Bolsonaro government proposes to drastically reduce the number of ministries and public agencies and expenditures at all levels of government, but will hardly tax large fortunes and increase the tax on banks because its Minister of Economy, Paulo Guedes , is committed to the rich and to the banks.

The leaders of the future government need to understand that in an exceptional situation like the current one there is the imperative necessity of planning the national development to resume the development of the Country. The Brazilian government should elaborate an economic plan that contributes to the resumption of the development of Brazil presenting for the population and for the productive sectors a perspective of overcoming the current crisis and resumption of economic growth. It is the lack of a development plan one of the factors that leads to the immobility of the private sector in the realization of investments in Brazil leading to a true paralysis. The development plan should guide and coordinate the country’s companies that, organized in networks, and aided by trade, technology and credit policies, can compete successfully in the national and global economy.

Taking into account the speech of the future Minister of Economy of the government Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, who is a fundamentalist of neoliberalism, the federal government will not take an active role as inducer of economic growth, drawing up a development plan with the adoption of the measures presented above to promote the reactivation of the economy and raise employment levels in Brazil. According to the Bolsonaro government program, the starting point for combating unemployment is to tackle the country’s fiscal imbalance. According to Bolsonaro, the stimulus for investment, growth and employment generation will come from the reversal of the public deficit, achieved through spending cuts, reduction of tax breaks and sale of public assets. These measures are insufficient to reactivate the Brazilian economy.

Regarding the precariousness of labor relations in Brazil and in the world, it is important to note that it resulted from the neoliberal policies adopted that led to a reduction in the supply of employment and loss of labor benefits. The forms of precariousness of labor relations are manifold, such as the fact that most of the workers do not have a contract of employment, there is open and veiled unemployment, there is an extension of working hours, there is an intensification of the conditions of work, there is the outsourcing of work and there is fragmentation of the working class and the consequent difficulties of organization. As a result, neoliberal policies have weakened trade unionism, that is, the organization of workers in the struggle for their interests and rights. The establishment of neoliberalism in the world occurred with the purpose of promoting the exponential increase in the appropriation of the economic surplus by the great capital at the expense of the workers.

The economic crisis that broke out in Brazil in 2014 brought to the workers the weight of the biggest recession in history that has caused companies to adopt, as a first step, to dispense workers. In the years of growth that preceded the crisis, profits have multiplied and at the time of recession, companies do not even use a share of retained earnings to maintain employment. On the contrary, they immediately dismiss thousands of workers, as if the right to employment is not a fundamental right for the vast majority of the population, who live on their labor. Neoliberal policies also produced a major process of proletarianization of broad middle-class sectors, impoverished by the loss of formal employment and the concentration of income resulting from the policies implemented by the various governments in Brazil.

The Michel Temer government contributes to the neo-liberal labor reforms in force and the future Jair Bolsonaro government will contribute to the reforms that will come to precarious labor relations in Brazil. . The president-elect, Jair Bolsonaro, who voted in favor of the labor reform that ended 100 items of CLT-Consolidation of Labor Laws, says that it is better to have precarious employment than to have nothing. His proposal to combat the unemployment drama calls for the creation of a “green and yellow” labor portfolio with less labor rights. This proposal foresees that every young person entering the labor market may choose between an employment relationship based on the traditional blue work permit, which guarantees all labor rights, or opt for the green and yellow work portfolio, and with this , to lose a series of labor rights..

In Brazil today, there is therefore no prospect of a solution to unemployment and precarious work during the Jair Bolsonaro administration because the federal government will not take an active role as an inducer of economic growth to promote the reactivation of the economy and the elevation of levels of employment in Brazil, besides acting in the reduction of workers’ current rights. The workers and their organizations have no other action than to try to stop neoliberal labor reforms through their representatives in Parliament and the Judiciary, strengthen trade union organization and, in the future, fight to change the correlation of forces in Parliament and elect a President of the Republic committed to the interests of the workers.

* Fernando Alcoforado, 78, holder of the CONFEA / CREA System Medal of Merit, member of the Bahia Academy of Education, engineer and doctor in Territorial Planning and Regional Development by the University of Barcelona, ​​university professor and consultant in the areas of strategic planning, business planning, regional planning and planning of energy systems, is the author of 14 books addressing issues such as Globalization and Development, Brazilian Economy, Global Warming and Climate Change, The Factors that Condition Economic and Social Development,  Energy in the world and The Great Scientific, Economic, and Social Revolutions that Changed the World.

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS

Fernando Alcoforado*

A Petrobras é a oitava maior companhia do mundo no setor de petróleo e gás, segundo a Economatica cujo valor de mercado é estimado em 100 bilhões de dólares. A Petrobras subiu duas colocações no ranking das 15 maiores do setor de petróleo e gás, passando da 10ª posição em 2017 para a 8ª colocação em 2018. O bom desempenho da companhia está relacionada ao aumento do preço do petróleo no mercado externo. A Petrobras tem se constituído há décadas como um dos principais instrumentos do governo brasileiro na execução de sua política industrial de crescimento e inovação. A Petrobras, uma das maiores do mundo no domínio de prospecção e extração de petróleo, registrou, em 2014, mais de 90.000 empregos diretos e 300.000 indiretos, tendo respondido por mais de 10% do total de investimentos realizados no País. A atual rede de fornecedores da Petrobras é constituída por 20.000 empresas. Além de produzir petróleo, a Petrobras situa-se no centro do complexo petroquímico brasileiro.

A partir da descoberta das reservas do Pré-Sal, em 2006, a Petrobras vem desenvolvendo pesquisas que a posicionam como líder mundial na tecnologia de extração de petróleo em águas profundas. A exploração do Pré-Sal contribuiu para o governo brasileiro desenvolver o sistema de partilha (Lei 12.351/2010), que estabelece ser o governo brasileiro o principal proprietário do petróleo extraído e não mais a empresa que executa a extração. Do ponto de vista tecnológico, a Petrobras é historicamente a principal investidora em pesquisa entre as empresas brasileiras e possuía, até 2014, uma política de priorização de fornecedores nacionais, que recebiam seu apoio para se adequarem às suas exigências de excelência tecnológica e produtiva.

A Petrobras detinha o monopólio da exploração até o final dos anos 1990. Em 1997, foi instituído o modelo de concessão, em que o governo brasileiro entrega a empresas privadas o direito de explorar determinadas áreas por um prazo determinado. O país passou a ter um regime misto a partir de 2009, quando foi aplicado o modelo de partilha aos campos do Pré-Sal. Nele, o Estado continua a ser o “dono” do petróleo e as empresas contratadas são responsáveis pela exploração e extração, dando uma parte da produção ao governo brasileiro. Como consequência da crise que afetou a Petrobras a partir de 2014, o Congresso Nacional aprovou nova regra que desobriga a Petrobras de participar da totalidade dos consórcios licitados sob o regime de partilha de produção. A Petrobras poderá escolher quais campos tem interesse em explorar, e caberá à Presidência da empresa decidir quais são de fato as áreas estratégicas. A Petrobras manterá a participação mínima de 30% nestes campos que tiver interesse em explorar. Os restantes serão leiloados, explorados e operados pela empresa vencedora.

A Petrobras registrou em 2017 seu quarto ano seguido de prejuízo, com perda de R$ 446 milhões. O principal impacto foi o acordo fechado com investidores nos Estados Unidos no valor de US$ 2,9 bilhões, que representou R$ 11,198 bilhões no balanço da companhia, mas também houve influência da adesão a programas de regularização de débitos federais, que somaram R$ 10,433 bilhões. A Petrobras informou que, sem o acerto com os investidores americanos, o resultado teria sido um lucro de R$ 7,089 bilhões. As informações apresentadas pela Petrobras em 2017 evidenciam o foco na gestão financeira de curto prazo em detrimento do seu papel estratégico voltado para o desenvolvimento do Brasil e social de atendimento das demandas da população brasileira que foi bastante significativo em anos anteriores. Esses aspectos, associados às amplas mudanças regulatórias do setor petróleo no Brasil e à recém divulgada política de parcerias para o refino da Petrobras, confirmam que há uma nova estratégia de longo prazo da Petrobras em curso.

Apesar da redução do endividamento da Petrobras resultante da má gestão da empresa e da corrupção e da recuperação da rentabilidade da empresa, os dados disponíveis indicam que houve um importante redirecionamento estratégico da Petrobras durante o governo Michel Temer. Este redirecionamento estratégico é prejudicial à empresa, à população brasileira e atenta contra a soberania nacional. Esta estratégia adotada é prejudicial à empresa porque a Petrobras adota uma política deliberada de reduzir sua participação no mercado de refino do petróleo com a adoção de uma política de preços dos derivados de petróleo de paridade com os preços internacionais e com o modelo de parcerias que tem como objetivo transferir 25% do mercado de refino para outras empresas privadas e/ou estrangeiras. Esta estratégia adotada é prejudicial à população brasileira porque contribui para aumentar desmesuradamente os preços da gasolina, diesel e GLP e é prejudicial à soberania nacional porque abre espaço para a penetração de concorrentes na área do refino e contribui para o enfraquecimento da Petrobras que é uma das alavancas do desenvolvimento do Brasil.

A política deliberada da Petrobras de reduzir sua participação de mercado de refino contribui para uma expansão das importações de derivados de petróleo para atender o crescimento da demanda, abrindo espaço para outras empresas estrangeiras ocuparem o lugar da Petrobras no segmento de refino implicando numa expressiva queda no nível de utilização de suas refinarias de 82% em 2016 para 78% em 2017, sendo que algumas delas estão operando com capacidade próxima a 50% como a Rlam na Bahia. Há uma clara redução da participação da Petrobras no fornecimento de derivados de petróleo, quer seja pela menor utilização de suas próprias refinarias ou pelo aumento da importação e revenda de combustíveis por terceiros. A estratégia da Petrobras é prejudicial à empresa pelo fato de abdicar de sua posição de price maker (formador de preço) que lhe possibilitava mantém maiores margens de lucro para adotar uma posição de price taker (tomador de preço) num mercado claramente oligopolizado da produção e distribuição de derivados, reduzindo de forma deliberada sua capacidade de gerar receita em beneficio de seus concorrentes. O abandono dos campos maduros, principalmente da Bacia de Campos que ainda respondem por cerca de 40% da produção nacional têm minado os ganhos da Petrobras possibilitados pelo Pré-Sal em termos de produção.  Trata-se de uma estratégia que leva ao enfraquecimento da Petrobras em relação a seus concorrentes no mercado interno.

Esta estratégia da Petrobras é prejudicial à empresa pelo fato de fazer com que, no médio prazo, se torne uma empresa que só produz na área do Pré-Sal (como sócia das petroleiras estrangeiras) e que só exporta petróleo, abrindo mão de outros segmentos, caminhando numa direção inversa ao que vem sendo adotado pelas grandes empresas do setor em outros países. Com isto, a produção da Petrobras ficou mais dependente da dinâmica da demanda internacional, aumentando sua vulnerabilidade externa. Esta estratégia é prejudicial à Petrobras devido também à decisão da empresa de reduzir seu papel em outros segmentos da cadeia produtiva como energia renovável, fertilizantes etc. Isso fragiliza o papel da Petrobras enquanto uma empresa integrada – em que eventuais resultados negativos de um segmento poderiam ser compensados por outros – e também como um ator importante no processo de transição energética dos combustíveis fósseis para energia limpa. Além disso, as dificuldades para alavancar a geração de caixa operacional no curto prazo da Petrobras colocam sérias dúvidas sobre o protagonismo da empresa no longo prazo. Trata-se de uma estratégia que leva ao enfraquecimento da Petrobras abrindo caminho para sua privatização no futuro.

Esta estratégia da Petrobras é prejudicial a seus acionistas nacionais e à população brasileira que não estão obtendo resultados positivos com a atual estratégia da companhia. Os acionistas nacionais da Petrobras são prejudicados porque esta estratégia da empresa contribui para que ela tenha ganhos menores e a população brasileira é prejudicada porque está tendo que pagar mais pela compra de gasolina, diesel e GLP, entre outros derivados de petróleo.  Esta estratégia é prejudicial, também, ao Brasil porque quem tem obtido ganhos com isso tudo são os segmentos financeiros, sobretudo o internacional, os importadores/refinadores internacionais, as grandes empresas petrolíferas integradas que, além de ampliar sua atuação no Pré-Sal, agora podem ingressar no setor de refino nacional. Trata-se de uma estratégia que parece, em suma, pretender enfraquecer a Petrobras e viabilizar sua privatização futura.

O petróleo, assim como seus derivados, são recursos naturais de extrema importância para qualquer nação. Além de serem importantes no aspecto energético, também são importantes no aspecto estratégico. A importância estratégica foi responsável pela postura nacionalista adotada pelo povo brasileiro e pelo governo Getúlio Vargas com a consequente criação da Petrobras em 1954. Esta empresa por muitos anos teve um crescimento expressivo, tornando-se uma das maiores empresas do setor de petróleo no mundo. No entanto, más decisões gerenciais e a corrupção contribuíram para a desaceleração no crescimento recente da empresa. Para evitar a privatização da Petrobras e assegurar os benefícios resultantes da exploração do Pré-Sal, deveria haver a reversão da estratégia antinacional e contrária aos interesses da empresa e da população adotada pela Petrobras durante o governo Michel Temer seguindo o exemplo da Rússia que, a partir do primeiro governo Putin, este país percorreu um caminho de retomada do controle público sobre o estratégico setor de petróleo e gás como parte da retomada de um projeto de desenvolvimento nacional.

O governo russo alterou o regime de tributação conseguindo aumentar as receitas oriundas do setor petrolífero, o Banco Central russo adotou mecanismos para que grande parte das receitas das empresas de petróleo permanecesse na Rússia e a estatal do petróleo, a Rosneft, e a estatal do gás, a Gazprom, passassem a adquirir participação acionária e ativos das empresas vistas como estratégicas ou desconectadas dos interesses nacionais. Em poucos anos, a produção de petróleo voltou a crescer vigorosamente. O controle soberano da Rússia sobre a economia do petróleo e gás retirou a capacidade das tradicionais petroleiras ocidentais, estabelecidas no país, de dominarem uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Precisamos evitar que o Brasil perca as reservas do Pré-Sal.

No que respeita à produção de petróleo, o Brasil deveria estreitar seu relacionamento com a China que é um país extremamente dependente do petróleo. Enquanto a China é bastante dependente do petróleo importado, o Brasil poderá se tornar um grande produtor de petróleo no futuro com a exploração do Pré-Sal. Não é por acaso que a China vem adotando uma política decidida de construir sua segurança energética e ter a garantia de que seu processo de desenvolvimento não será bloqueado por escassez de petróleo. O país asiático já é o maior consumidor de energia do mundo, respondendo por 19% da demanda mundial e estudos tem apontado que se tornará o maior importador de petróleo nos próximos anos.

Ciente de que não pode se tornar dependente dos países produtores de petróleo do Oriente Médio, devido à instabilidade interna destes países e de sua sintonia com a política norte-americana, a China realiza grandes investimentos em várias partes do mundo. Turcomenistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Egito, Equador, Venezuela, Canadá, Quênia e Uganda que são países que possuem participação chinesa na exploração de petróleo de alguma maneira, seja via estatais chinesas, joint ventures ou participações em empresas locais ou estrangeiras. Entre todos estes investimentos, destacam-se os realizados na África. A China tem feito investimentos em diversos setores naquele continente como em infraestrutura logística, construção de hospitais e escolas. Tem firmado parcerias de intercâmbio entre universidades chinesas e africanas, fornecido equipamentos militares e realizado perdão de dívidas de governos. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial da África.

Conclui-se, portanto, que houve um importante redirecionamento estratégico da Petrobras durante o governo Michel Temer que é prejudicial à empresa, à população brasileira e atenta contra a soberania nacional. Esta estratégia adotada é prejudicial à Petrobras pelo fato de fazer com que ela se torne uma empresa que só produz na área do Pré-Sal (como sócia das petroleiras estrangeiras) e que só exporta petróleo, é prejudicial à empresa ao transferir 25% do mercado de refino para outras empresas privadas e/ou estrangeiras, é prejudicial à empresa devido também pelo fato de reduzir seu papel em outros segmentos da cadeia produtiva como petroquímica, energia renovável, fertilizantes etc, é prejudicial aos acionistas nacionais da Petrobras porque contribui para que ela tenha ganhos menores, é prejudicial à população brasileira porque contribui para aumentar desmesuradamente os preços da gasolina, diesel e GLP  ao adotar uma política de preços dos derivados de petróleo de paridade com os preços internacionais de petróleo e é prejudicial à soberania nacional porque abre espaço para a penetração de concorrentes na área do refino e na exploração do Pré-Sal contribuindo para o enfraquecimento da Petrobras que é uma das alavancas do desenvolvimento do Brasil. Não à privatização da Petrobras.

*Fernando Alcoforado, 78, que atuou por mais de 50 anos em empresas do setor elétrico do Brasil e foi Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é detentor da Medalha do Mérito do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, Sócio Benemérito da AEPET- Associação dos Engenheiros da Petrobras, e autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017) e Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Bahiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria).